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UNIVERSIDADE POTIGUAR

Alexsandro Guilherme de Souza Filho

THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia.

Natal – Rio Grande do Norte


2019
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis:
Ed. Vozes, 2011. Prefácio, Introdução e Capítulo 01 – Comunicação e Contexto Social,
p. 21 – 72.

J.B. Thompson é sociólogo e toda sua formação foi na Inglaterra, pela Universidade de
Cambridge; onde hoje é professor de sociologia e membro do Jesus College. Este livro
fora resultado de uma fase de pesquisa, em que suas inquietudes eram a natureza dos
meios de comunicação e o impacto social e político das mudanças nas formas de
comunicação. Atualmente, sua pesquisa está focada no impacto da revolução digital na
indústria editorial.

Prefácio / Introdução

John B. Thompson destaca que seu interesse de estudo é “entender as formas complexas
e múltiplas pelas quais a mídia passou a moldar o mundo em que hoje vivemos”. Neste
livro, o duplo objetivo do autor é locar o estudo da mídia no âmago do estudo das
sociedades modernas e, também, desenvolver em detalhes a Teoria Social da Mídia.

Thompson vai discorrer, principalmente, sobre dois tipos de interação “mediada” e


“quase mediada” e como estas complementaram a interação face a face. Abordará,
também, questões relacionadas a visibilidade ou as novas visibilidades, produzidas com
o desenvolvimento dos meios de comunicação, e o impacto destas sobre a maneira que
os indivíduos compreendem os eventos a distância.

O autor centra-se em perceber que o uso dos meios de comunicação implica a criação de
novas formas de ação e de interação sociais, novos tipos de relações sociais e de
maneiras de relacionamento dos indivíduos.
Capítulo 1 – Comunicação e Contexto Social

Neste capítulo, Thompson, analisa a natureza dos meios de comunicação a partir de


teorias sociais mais amplas. Apresenta conceitos e contextualiza historicamente a
trajetória de seu pensamento até a Teoria Social da Mídia.

O autor desenvolve uma abordagem que privilegia a comunicação como parte integral
de contextos mais amplos da vida social. Para tal, divide o capitulo em seis seções.

Ação, poder e comunicação

Neste tópico, o autor traz aspectos de contextos sociais entre os quais a comunicação e a
comunicação mediada, em particular, deveriam ser entendidas. Enquanto forma de ação,
a comunicação deve ter sua análise baseada, ao menos em parte, na análise da ação e na
consideração do seu caráter socialmente contextualizado.

Considerando que os fenômenos sociais podem ser vistos como ações intencionais e que
o poder é um fenômeno social penetrante, Thompson considera útil fazer uma distinção
entre as diversas formas de poder, destacando quatro tipos principais: poder econômico,
poder político, poder coercitivo e poder simbólico.

Os usos dos meios de comunicação

Nesta seção, Thompson analisa algumas características dos meios técnicos de


comunicação; considerando e distinguindo seus aspectos gerais ou atributos.

Entre os atributos analisados estão a) fixação da forma simbólica, durabilidade; b)


capacidade de multiplicação, reprodução; c) distanciamento espaço-temporal,
disponibilidade. Por fim, o autor apresenta as habilidades, competências e as formas de
conhecimento exigidas dos indivíduos para o uso dos meios técnicos.

Algumas características da comunicação de massa

Neste tópico, o autor desenvolve uma crítica ao que nomearam “comunicação de


massa”, partindo do questionamento etimológico do emprego das palavras “massa” e
“comunicação” nesta expressão. Thompson considera mais apropriada a utilização de
“comunicação mediada” ou “a mídia” e define aquilo que considera comunicação de
massa enumerando cinco características: 1) envolver meios técnicos de institucionais de
produção e difusão de conteúdo; 2) mercantilização das formas simbólicas; 3)
dissociação entre o contexto de produção e os contextos de recepção da forma
simbólica; 4) ampliação da disponibilidade das mensagens no tempo e espaço e 5)
publicização das formas simbólicas.

A reorganização do espaço e do tempo

O desenvolvimento dos meios técnicos de comunicação possibilitaria os indivíduos se


comunicarem no espaço e no tempo, cada vez mais dilatados. O autor aborda as
maneiras nas quais os meios de comunicação reordenam/alteram as relações espaço
temporais e, assim, modificam nossa compreensão da história, do mundo e nossa
sociabilidade.

Destaca, também, que o desenvolvimento dessas novas formas de comunicação e


transporte, em certo aspecto, estariam alterando a experiência do fluxo do tempo,
acelerando-o.

Comunicação, apropriação e vida cotidiana

Nesta seção, o autor explora algumas questões sobre as relações entre a comunicação
mediada e os contextos sociais práticos nos quais ela é recebida e entendida. Para tal, é
preciso entender a recepção dos produtos da mídia como uma rotina, em geral, já
integrada pelos indivíduos em suas vidas cotidianas.

Esta analise percebe a recepção como uma atividade (ação) que é situada e rotineira,
que possui caráter de realização especializada e que está envolvida num processo de
interpretação.

Thompson destaca que o processo de recepção e apropriação das mensagens da mídia


envolve a auto formação do indivíduo, não sendo o único influenciador neste processo,
mas cada vez mais importante.