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Aborto: causas, consequências e alternativas


Aborto: causas, consequências e alternativas

Antonio Carlos da Rosa Silva Junior

Publicado em 03/2011. Elaborado em 02/2011.

Esse breve artigo, que trata de um tema tão intrigante e desafiador, é resultado de
alguns meses de pesquisa e um resumo do contido numa série de slides apresentados
nas palestras ministradas pelo Projeto Desperta, desenvolvido na cidade de Juiz de
Fora / MG.

1 PARTE DA HISTÓRIA DA VIDA

A vida humana já foi tratada de muitas formas ao longo da história: ora valorizada,
ora aviltada. A fim de que tenhamos uma idéia, Platão defendia a interrupção da
gestação de mulheres que engravidassem após os 40 anos, e, em Roma, a prática do
aborto tinha por objetivo preservar a beleza do corpo. Aristóteles, por sua vez,
defendia o aborto até o 40º (para meninos) ou 90º (para meninas) dia de gestação,
por conta do primeiro movimento no útero materno, dando-nos a dimensão de que
os homens seriam superiores às mulheres.

Antes do cristianismo protestar o assassinato de crianças não desejadas no velho


Império Romano, elas foram abandonadas, expostas ao frio e fome, até a morte
aliviar seu sofrimento. Na Idade Média crianças excepcionais e mentalmente
retardadas foram afogadas. O pretexto que acalmava as consciências dos assassinos
foi a suposta ausência de almas nessas crianças. Os nazistas mataram judeus e
pessoas com problemas mentais, achando válido o argumento que assim a raça
ariana ficaria mais pura. [01]

Nos dias atuais, o aborto também é usado, grotescamente, para a seleção de sexo:

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O aborto tornou-se o principal meio de eliminar fêmeas indesejadas em todo o globo.


O estudo de alguns vilarejos na Índia revelou uma estatística assustadora: de uma
população total de dez mil, apenas cinquenta eram meninas. As outras meninas,
milhares delas, foram mortas por aborto. Em Bombai, de oito mil amniocenteses que
indicavam que os bebês eram meninas, todas, exceto uma das meninas, foram mortas
por aborto.

Por causa dos abortos por seleção de sexo, dois terços das crianças nascidas na China
atualmente são do sexo masculino. No interior, a proporção de meninos para
meninas é quatro para um. [02]

2. MAS, AFINAL, O QUE É ABORTO?

Aborto é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero,


resultando na sua morte ou sendo por ela causada.

O estágio embrionário se dá desde a concepção até a 8ª semana de gestação, em que


as principais estruturas do organismo começam a se desenvolver. Por sua vez, o fetal
vai da 8ª semana até o nascimento, no qual ocorre a diferenciação e crescimento dos
tecidos e órgãos.

3. QUANDO COMEÇA A VIDA?

Algumas teorias, inclusive de cunho filosófico, indicam vários momentos em que,


defendem, a vida tem início. Como mais relevantes, destacam-se as que propõe que a
vida inicia na concepção ou no nascimento. Vale destacar, outrossim, que, para
Aristóteles, como já se fez menção, a vida tinha início em momentos diferentes,
dependendo de a criança ser menino ou menina, já que aqueles recebiam o "espírito"
em seus corpos mais cedo.

Há que se defender, contudo, que a vida começa na concepção, já que, quando da


fecundação, um novo ser humano é formado, com características genéticas ímpares
(que determinam, por exemplo, o sexo, a cor dos olhos e dos cabelos, e o tom de
pele), o que nos impede de considerá-lo mero prolongamento do corpo materno.
Ademais, só o óvulo humano fecundado pode desenvolver um ser humano adulto, o
que ocorrerá, com o passar do tempo, através da nutrição.

Entre cinco e nove dias após a concepção, o novo indivíduo se encrava na parede do
útero em busca de segurança e alimentação. Seu sexo já pode ser determinado por
meios científicos. Por volta de quatorze dias, a criança produz um hormônio que

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suprime o período menstrual da mãe. Serão mais duas semanas até que
características claramente humanas sejam discerníveis e mais três até que se tornem
óbvias. Contudo, a criança é um membro completo da raça humana.

Na concepção, o bebê não-nascido não parece humano para nós que estamos
acostumados a julgar a humanidade pela aparência. No entanto, na lógica objetiva
científica, ele é tão humano, em cada pedacinho, quanto qualquer criança mais velha
ou um adulto. Ele tem a aparência que um ser humano deve ter neste estágio de
desenvolvimento.

No 18º dia da concepção, o coração está se formando e os olhos começam a se


desenvolver. Por volta do 21º dia, o coração está bombeando sangue por todo o
corpo. Por volta do 28º dia, o bebê não-nascido possui braços e pernas em
desenvolvimento. Por volta do 30º dia, ele tem cérebro e multiplicou dez mil vezes de
tamanho.

Por volta do 35º dia, a boca, orelhas e nariz estão tomando forma. No 40º dia, as
ondas cerebrais do bebê não-nascido podem ser gravadas e sua batida cardíaca que
começou três semanas atrás já pode ser detectada por um estetoscópio ultrassônico.
Por volta do 42º dia, o esqueleto está formado e o cérebro está controlando o
movimento dos músculos e órgãos. [03]

A mãe de Samuel Alexander estava grávida de apenas cinco meses quando ele teve de
ser operado para corrigir um problema de espinha bífida – malformação congênita
provocada por um fechamento incompleto do tudo neural embrionário. Quando o
médico estava fazendo a devida suturação, Samuel estendeu seu braço para fora do
útero e agarrou, com sua pequenina mão, o dedo do médico que o operava. Esse
momento foi registrado por fotografia [04], uma das provas mais eloquentes da vida
intra-uterina até então, já que Samuel nasceu em 28/12/1999.

Por tudo, é imperioso considerar que a vida começa na concepção.

4. TIPOS DE ABORTO

O aborto pode ser catalogado como espontâneo ou induzido. Naquele, que não é o
foco desse estudo, o aborto ocorre natural ou acidentalmente, como por conta de uma
anomalia cromossômica, mal formação uterina ou infecções no bebê.

Lado outro, no aborto induzido, o mesmo é provocado por uma conduta humana
deliberada, e pode ser dividido em terapêutico (visa preservar a saúde física ou
mental da mulher), humanitário (visa finalizar gestação de crianças que possuam
problemas congênitos, como a anencefalia, ou decorrente de estupro ou incesto) e
eletivo (realizado por qualquer outra motivação).

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5. PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES E DADOS ESTATÍSTICOS

Pesquisa realizada em 2004, nos EUA, com 1.209 mulheres em onze grandes clínicas
de aborto, apontou como motivações para o aborto (dadas pelas próprias mulheres):

- 27% - eu não estou pronta para uma criança

- 21% - eu não tenho condições financeiras

- 13% - eu não quero ser mãe solteira

- 11% - eu não sou madura o suficiente para cuidar de uma criança

- 10% - um bebê iria interferir na minha educação/carreira

- 1,5% - eu não quero que os outros saibam que eu tinha relações sexuais

- 1,0% - meu marido/namorado quer que eu aborte

- 0,5% - meus pais querem que eu aborte

- 2,5% - o feto tem um possível problema de saúde

- 2,5% - tenho problema em minha saúde física

- 1,0% - sou vítima de estupro ou incesto

- 8,0% - eu completei minha gravidez

- 1,0% - outras razões

Conclui-se, assim, que 8% das mulheres resolveram não abortar. Das 92% restantes,
apenas 6% alegaram que fizeram o aborto por motivações terapêuticas ou
humanitárias. Assim, 85% dos abortos foram realizados por questões circunstanciais,
facilmente evitáveis se se utilizassem métodos contraceptivos ou se preservassem de
relações sexuais prematuras.

Outra pesquisa, realizada apenas nos estados de Louisiana, Nebraska e Utah, aponta
que, dos 122.083 abortos realizados, 273 (0,22%) tinham por razão estupro ou
incesto, 513 (0,42%) a preservação da vida ou saúde física da mãe, e 250 (0,20%), os
defeitos congênitos. Assim, os "casos difíceis" (como são os enumerados pela
pesquisa) representariam apenas 0,84% dos abortos cometidos.

Por fim, um estudo em 27 países, de 1998, verificou as razões pelas quais as mulheres
tem um aborto induzido, nos seguintes termos:

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- 30,9% - eu não quero (mais) crianças

- 21,1% - eu quero adiar a maternidade

- 19,9% - ter um filho vai atrapalhar meus estudos ou trabalho

- 6,6% - eu não tenho condições financeiras agora

- 4,4% - tenho problema no meu relacionamento e meu parceiro não quer essa
gravidez

- 1,5% - sou muito jovem ou meu pai ou outro(s) não querem minha gravidez

- 9,8% - minha saúde mental está em risco

- 3,1% - há um risco para a saúde do feto

- 1,1 % - minha saúde física está em risco

- 1,6% - outras razões apontadas

Outrossim, segundo estimativas da OMS para o ano de 2005, só no Brasil foram


realizados 1,4 milhão de abortos, 4,2 milhões na América Latina e Caribe, e de 42 a
50 milhões em todo o mundo. Ainda, a revista Life, de agosto de 1990, noticiou que
existem 1,37 milhão de abortos nos EUA a cada ano.

Além disso, estima-se que, no Brasil: cerca de 200 mulheres morrem por ano pelo
fato de se submeterem a procedimentos abortivos; 1 em cada 5 mulheres, aos 40
anos, já fez aborto; e ocorre 1 aborto a cada 33 segundos.

6. PROCEDIMENTOS ABORTIVOS

Cabe-nos comentar, aqui, acerca dos cinco métodos abortivos mais utilizados em
todo o mundo, dependendo da idade gestacional. São eles:

a)dilatação e curetagem (6ª à 16ª semana): o feto é desmembrado com uma cureta –
instrumento em forma de colher, com bordas cortantes – e, junto com a placenta
despedaçada, é jogado em um recipiente;

b)sucção (6ª à 16ª semana): o bebê é sugado através de um tubo, por um aparelho
cerca de 29 vezes mais potente que um aspirador de pó, sendo que, em regra, o crânio
do bebê não passa pelo tubo, e é esmagado por uma pinça;

c)envenenamento salino (após a 16ª semana): causa a morte por envenenamento,


desidratação e hemorragia no cérebro e outros órgãos, além de produzir queimaduras
graves na pele do bebê;

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d)histerotomia (24ª à 38ª semana): trata-se de uma espécie de operação cesariana,


só que, ao invés de o objetivo ser trazer o bebê vivo, o mesmo é morto ou deixado à
morte.

e)aborto químico: quando há a ingestão de medicamentos abortivos, como o Citotec.

7. CULTURA DA MORTE

Na China, dada a superpopulação e uma determinação do governo de que cada casal


não pode ter mais de um filho, bebês são facilmente encontrados nas ruas, mesmo
em cidades mais populosas. Além disso, os fetos chegam a ser vendidos por US$1,28
e, nas clínicas particulares, são comercializados por módicos US$38,00. Em Taiwan,
tem sido costume a ingestão de fetos, vendidos livremente nos supermercados como
se fossem um enlatado de salsicha, pois, segundo aquela cultura, os mesmos teriam
poderes afrodisíacos.

Na Inglaterra, em que o aborto é permitido até o sétimo mês de gestação, um


aborteiro declarou:

Houve uma manhã em que havia quatro deles, um ao lado do outro, chorando como
desesperados. Era uma pena jogá-los no incinerador porque tinham muita gordura
que poderia ser comercializada. Se tivessem sido colocados numa incubadeira
poderiam sobreviver, mas isso aqui não é um berçário. [05]

E esses são apenas alguns poucos exemplos de como a "cultura da morte" se pretende
ver dominando todos os países no mundo.

8. AS CONSEQUENCIAS DOS PROCEDIMENTOS ABORTIVOS

8.1. Consequencias físicas

Os cientistas médicos indicam as seguintes: laceração do colo uterino, o que provoca


partos posteriores prematuros; perfuração do útero; esterilidade; perigo de lesão no
intestino, trompas e bexiga; retirada do útero (histectomia) e/ou endométrio
(mucosa); gravidez ectópica (fora do local apropriado); entrada da solução salina na
corrente sanguínea da mãe; e morte materna, independentemente do método
abortivo.

Segundo o Dr. Maurício Price, as consequencias nefastas do aborto estão sempre


presentes, seja "legal", seja "clandestino".

Ainda, cabe ressaltar que

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Em estudos de mulheres que sofreram complicações pós-aborto:

. Mais de 90% disseram que não receberam informações suficientes para fazer uma
escolha consciente.

. Mais de 80% disseram que muito provavelmente não teriam abortado se não
tivessem sido tão veementemente incentivadas por terceiros a abortar, inclusive pelos
conselheiros do aborto.

. Oitenta e três por cento disseram que levariam a termo se tivessem recebido apoio
dos namorados, famílias ou outras pessoas importantes em suas vidas. [06]

8.2. Consequencias psicológicas

Psicólogos e psiquiatras apontam os seguintes distúrbios como mais recorrentes:


flashbaks do momento do aborto; crises de histeria; sentimento de culpa; visões ou
sonhos com a criança abortada; dificuldade em manter e desenvolver
relacionamentos interpessoais; ansiedade e medo de outra gravidez; queda na estima
pessoal pela destruição do próprio filho; depressão; e nove vezes mais propensão ao
suicídio.

A Drª. Rosângela Justino, na classificação da CID 10, elenca o estado de stress pós-
traumático (F43.1):

Os sintomas típicos incluem a revivescência repetida do evento


traumático sob a forma de lembranças invasivas ("flashbacks"), de
sonhos ou de pesadelos; ocorrem num contexto durável de "anestesia
psíquica" e de embotamento emocional, de retraimento com relação
aos outros, insensibilidade ao ambiente, anedonia [perda da
capacidade de sentir prazer, próprio dos estados gravemente
depressivos], e de evitação de atividades ou de situações que possam
despertar a lembrança do traumatismo. [07]

David Reardon, em estudo de 1994, descobriu que mulheres que abortam tem um
conjunto de sintomas psicológicos que ocorrem com muito mais frequência do que
entre mulheres que não abortam. Esses sintomas incluem flashbacks (63%),
tentativas de suicídio (28%), ataques histéricos (51%), perda de auto-confiança e
auto-estima (82%), transtornos alimentares como anorexia ou bulimia (39%), uso de
drogas ilegais (41%) e perda de prazer durante a relação sexual (59%). [08]

Ainda,

Cerca de 60% das mulheres que fazem aborto relatam seqüelas de ideação suicida,
sendo que 28% tentam suicídio, metade das quais o fizeram duas ou mais vezes.

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O aborto está relacionado com aumento da depressão, comportamento violento,


abuso de álcool e drogas, gravidez de substituição e ligação maternal reduzida com
filhos nascidos posteriormente. Esses fatores estão intimamente associados ao abuso
infantil e parecem confirmar a avaliação clínica individual ligando o aborto pós-
trauma com os maus tratos. [09]

Estudo que comprova as pesquisas moleculares da Dra. Lílian foi realizado nos
Estados Unidos (EUA) pela Dra. Priscilla Coleman, professora de Desenvolvimento
Humano e Estudos Familiares da "Bowling Green State University", com 1.000
mulheres para descobrir as diferenças entre as adolescentes que tinham dado à luz e
as que tinham praticado o aborto diante de uma gravidez inesperada. Ela constatou
que as adolescentes que procederam ao aborto manifestaram cinco vezes mais
necessidade de ajuda psicológica do que as que tiveram seus filhos. A
pesquisadora afirma que "ser mãe na adolescência é inevitavelmente uma
experiência que implica dificuldades, mas a ocorrência de problemas psicológicos
com a prática do aborto é muito maior do que com a condução da gravidez". [10]
(grifos nossos)

8.3. Aspectos jurídicos

Antes de mais nada, deve-se ter em conta que, sem a VIDA, nenhum outro direito
pode ser exercido.

A Constituição da República de 1988, no art. 5º, caput (cláusula pétrea conforme art.
60, §4º, IV), dispõe que

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...). (grifo
nosso)

No mesmo passo, o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de


Direitos Humanos), art. 4º,1: "Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida.
Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção.
Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente." E mais. A Declaração dos
Direitos da Criança (1959) determina que toda criança "em decorrência de sua
imaturidade física e mental, precisa de proteção e cuidados especiais, inclusive
proteção legal apropriada, antes e depois do nascimento". (grifos nossos)

No plano infraconstitucional, temos o disposto no Código Civil (Lei 10.406/02), art.


2º: "A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro." Não se trata, como podem pensar

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alguns, apenas de direitos patrimoniais mas, essencialmente, à vida e à dignidade


humana (um dos fundamentos da República – CRFB/88, art. 1º, III).

Ainda, o ECA (Lei 8.069/90), no art. 7º, prevê: "A criança e o adolescente têm direito
a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que
permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições
dignas de existência." (grifo nosso)

Na seara criminal, nosso Código Penal (Decreto-lei 2.848/40) prevê como crimes:
provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque (art. 124);
provocar aborto, sem o consentimento da gestante (art. 125); e provocar aborto com o
consentimento da gestante (art. 126). O art. 127, por sua vez, elenca as causas de
aumento de pena.

O art. 128, a seu turno, dispõe sobre a ausência de punibilidade da


conduta (apesar de a mesma continuar a ser crime):

Não se pune o aborto praticado por médico: I - se não há outro meio de salvar a vida
da gestante; II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Ainda no plano legislativo, está em votação o Projeto de Lei 478/07, o Estatuto do


Nascituro, que foi aprovado, em 17/05/2010, por 17 votos a 7, pela Comissão de
Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Nesse projeto garantem-se os
direito à vida, saúde, desenvolvimento e integridade física desde a concepção, ainda
que in vitro. O art. 9º traz proteção especial ao nascituro ao dispor que "É vedado ao
Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o de qualquer direito, em
razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, de deficiência física ou mental." Para os
casos de gravidez resultante de estupro, assevera o art. 13:

O nascituro concebido em decorrência de estupro terá assegurado os


seguintes direitos: I - direito à assistência pré-natal, com
acompanhamento psicológico da mãe; II - direito de ser encaminhado
à adoção, caso a mãe assim o deseje.

Por fim, não se poderia deixar de mencionar a discussão jurídica em torno da


anencefalia. O plenário do Supremo Tribunal Federal, na ADPF (Ação de
Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 54, de 2004, por maioria, em
20/10/2004, revogou a liminar do Min. Marco Aurélio, proferida em 21/06/2004,
que permitia a "operação terapêutica de parto" para os casos comprovados de
anencefalia. Segundo o Min., "No caso de anencefalia, a ciência médica atua com
margem de certeza igual a 100%." Ressalte-se, aqui, que a Advocacia-Geral da União,

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em 03/04/2009, e a Procuradoria-Geral da República, em 06/07/2009, opinaram


pela procedência da ADPF, ou seja, pela permissão do aborto para os casos de
anencefalia.

Apesar de a previsão máxima de vida do bebê, dada pela medicina, é de algumas


horas após o parto, a bebê Marcela, nosso caso paradigma, surpreendeu a ciência e
morreu, com 1 ano, 8 meses e 12 dias, por conta de uma parada respiratória
decorrente de pneumonia provocada por aspiração de leite. Diagnosticada a
anencefalia no útero materno, na verdade, Marcela não possuía partes do cérebro (o
que só pode ser comprovado com exames realizados após o seu nascimento), o que
lhe comprometia algumas funções. No caso, a medicina errou no diagnóstico, e mais
uma vida poderia ter sido ceifada pelo aborto.

8.4. Consequencias espirituais

Para os que acreditam na Bíblia como a Palavra de Deus, o aborto é uma conduta que
agride as leis divinas, já que a vida pertence a Deus, e só Ele tem o direito de tirá-la.
No aborto há a violação do sexto mandamento, qual seja, "Não matarás".

Além disso, encontramos algumas passagens bíblicas que nos inspiram a ser a favor
da vida, sempre!

O Salmo 139:13-16 traz a alusão de que Deus nos vê quando nosso corpo está ainda
informe, ou seja, na condição de embrião.

Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu


te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui
feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito
bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui
feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o
meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram
escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda
uma delas havia. (grifo nosso)

Dois profetas, Isaías e Jeremias, são citados como conhecidos de Deus desde o ventre
de suas mães:

Ouvi-me, ilhas, e escutai vós, povos de longe: O SENHOR me


chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe
fez menção do meu nome. (Isaías 49:1) (grifo nosso)

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Antes que te formasse no ventre, te conheci, e antes que


saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.
(Jeremias 1:5) (grifo nosso)

Ainda, Jesus se fez homem quando da concepção (Mateus 1:23), e João Batista saltou
no ventre de Isabel ao ouvir a saudação de Maria, mãe de Jesus (Lucas 1:1a).

9. ALTERNATIVAS E SOLUÇÕES

A fim de suplantar o imenso número de abortos feitos a cada segundo em todo o


mundo, propomos as seguintes alternativas:

. conscientização e orientação sexual – o sexo precoce é extremamente prejudicial ao


sadio desenvolvimento dos jovens e adolescentes, os desfocando de questões
importantes, como os estudos e a correta maturação de suas vontades;

. políticas públicas de proteção à maternidade (amparo psicológico, médico...) – tanto


a mãe quanto o bebê precisam ser protegidos na gravidez e atendidos de forma
eficiente pelos serviços públicos de saúde;

. grupos de apoio a mulheres com gravidez indesejada – como o desejo de ser mãe,
vez por outra, pode variar, o bebê, no início indesejado, pode ser, pois, motivo de
imensa alegria e satisfação na família;

. prática de valores cristãos, como o abandono da promiscuidade nos


relacionamentos e o fortalecimento da família – precisamos reconhecer que a Bíblia
contem inesgotáveis ensinos para uma vida plena, sendo certo que, como vimos, a
quase totalidade dos abortos ocorre pelo desenfrear das relações humanas, das quais
resultam a gravidez indesejada;

. adoção – como há muitas famílias na fila à espera de crianças para a adoção,


especialmente na tenra idade, caso a mãe não deseje ficar com a criança, por
qualquer motivo, melhor colocá-la para a adoção do que, abortando, matá-la.

10. OS PRINCIPAIS ARGUMENTOS A FAVOR DO ABORTO, E SUAS


REFUTAÇÕES

a)"a vida só começa no nascimento" e "o feto é um prolongamento do corpo materno"


– com a concepção, há a geração de um novo ser humano, geneticamente distinto, e,
nos Estados em que é permitido o aborto até o 9º mês de gestação, nada mais ilógico
que permitir o aborto e, no mesmo passo, condenar o assassino de um recém-

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nascido. Além disso, não haveria razão para desaconselharmos as mulheres a


fumarem ou ingerirem bebidas alcoólicas durante a gestação se o que carregassem
em seus ventres não fosse vida. Ainda, nada mais além do que um óvulo humano
fecundado pode iniciar o processo de desenvolvimento de um ser humano.

b)"ainda que se reconheça que há vida intra-uterina, a mesma não é significativa e,


por isso, pode-se abortar" – a significação pode mudar de cultura para cultura, mas o
reconhecimento científico da vida, não. Sob esse argumento ter-se-ia que aceitar a
matança desenfreada dos judeus por Hitler, já que os mesmos eram insignificantes e
poderiam atrapalhar a pureza da raça ariana. Assim, em nenhuma hipótese deve-se
permitir que questões culturais determinem a morte de um inocente bebê.

c)"é melhor abortar a gerar uma nova criança que não será amada, ou abandonada à
sua própria sorte" – a sermos a favor desse argumento, deveríamos também permitir
que os mendigos, andarilhos e todo ser humano "não amado" pelos outros pudesse
ser morto sem qualquer punição ao assassino. Além disso, há a alternativa da adoção.

d)"como o bebê é dependente da mãe, tem ela o direito de escolher se quer ou não ter
a criança" – embora também dependentes dos outros, não cogitamos que pessoas
com graves deficiências físicas e mentais, bem como os mais idosos, devam ser
mortos. Assim, a dependência não é fator relevante para determinar-se a vida ou a
morte de alguém.

e)"toda mulher tem o direito de determinar sobre o seu próprio corpo" – além de
todos os direitos não serem ilimitados, parte de uma premissa ilógica, já que metade
dos bebês abortados são mulheres e não podem usufruir desse "direito".

f)"especialmente para as jovens, é melhor abortar a enfrentar as dificuldades de


cuidar de uma criança, muitas vezes sozinha, e ver alguns sonhos, como de estudo e
profissão, interrompidos" – estudos revelam que as conseqüências psicológicas são
muito mais drásticas nas jovens que abortam em relação às que decidem continuar a
gravidez, embora, reconheça-se, os percalços sejam muitos. Outrossim, a vida de um
inocente (bebê) não pode ser sacrificada pelos sonhos de outrem (mãe).

g)"o aborto é parte do direito à privacidade" – a entendermos assim, deveríamos


permitir espancamentos e abusos de crianças, desde que tais fossem feitos no recanto
do lar, numa privacidade inviolável, o que, convenhamos, não é o caso.

h)"o aborto em nada prejudica a mulher" – vimos, ainda que sucintamente, algumas
das consequencias físicas e psicológicas que o aborto provoca na gestante.

i)"o aborto deve ser permitido quando a gravidez resulta de estupro ou incesto" –
estudos mostram que o aborto potencializa os efeitos psicológicos danosos
decorrentes do estupro e incesto e, ademais, um inocente (bebê) não pode ser punido
com a própria vida por um erro de outrem (o estuprador).

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30/05/2019 Aborto: causas, consequências e alternativas - Jus.com.br | Jus Navigandi

j)"a legalização do aborto é a alternativa para que as mulheres não morram em


decorrência dos procedimentos cirúrgicos feitos em clínicas clandestinas, sem a
menor salubridade" – dada a invasividade dos procedimentos abortivos, os riscos
físicos à genitora são enormes, independentemente do local onde os mesmos são
realizados.

k)"para os casos de anencefalia, de nada vale manter toda a gravidez, já que o destino
do bebê é a morte em poucas horas, senão minutos" – além de haver a possibilidade
de erro no diagnóstico, como no caso paradigma da bebê Marcela, o direito à vida não
pode ser sacrificado em prol, por exemplo, da alegada dignidade da mãe.

11. CONCLUSÕES

Por todo o exposto até aqui, entendemos ter demonstrado, de forma científica, que o
aborto deve ser combatido em todas as suas formas, à exceção dos casos devidamente
comprovados de que, levada a termo a gravidez, ter-se-ia a morte do bebê e de sua
genitora. [11] Ao invés de morrerem os dois, logicamente, preferir-se-á a vida de ao
menos um deles.

Era o que nos cumpria.

NOTAS
1. ALCORN, Randy. Por que ser a favor da vida? Cuidando dos que vão
nascer e de suas mães. São Paulo: Arte Editorial & Centro de Reestruturação
para a vida, 2010, p. 17.
2. ALCORN, Randy. Por que ser a favor da vida? Cuidando dos que vão
nascer e de suas mães. São Paulo: Arte Editorial & Centro de Reestruturação
para a vida, 2010, p. 70.
3. ALCORN, Randy. Por que ser a favor da vida? Cuidando dos que vão
nascer e de suas mães. São Paulo: Arte Editorial & Centro de Reestruturação
para a vida, 2010, pp. 39-40.
4. Para ver a fotografia, tirada por Michael Clancy, acesse
http://www.bibletopics.com/biblestudy/76.htm.
5. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200842.htm.
6. ALCORN, Randy. Por que ser a favor da vida? Cuidando dos que vão
nascer e de suas mães. São Paulo: Arte Editorial & Centro de Reestruturação
para a vida, 2010, p. 84.
7. http://www.emtr.com.br/cid10F43.htm.
8. http://www.iol.ie/~hlii/abortion_risks.html.
9. www.afterabortion.org/psychol.html.
10. http://www.vida-humana.org/aborto.htm.

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30/05/2019 Aborto: causas, consequências e alternativas - Jus.com.br | Jus Navigandi

11. Dependendo da idade gestacional, e do problema enfrentado na gravidez, há


casos em que, sendo impossível salvar a mãe, ainda se consegue resguardar a
vida do bebê.

Autor
Antonio Antonio Carlos da Rosa Silva Junior
Carlos da
Rosa Silva Bacharel em Direito, Especialista em Ciências Penais,
Junior Especialista em Direito e Relações Familiares, Mestrando em
Ciência da Religião, Membro da Coordenação Jurídica Nacional
da FENASP, Membro do Juristas de Cristo, Presidente do Projeto Desperta,
Professor, Escritor e Conferencista

Informações sobre o texto


Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

SILVA JUNIOR, Antonio Carlos da Rosa. Aborto: causas, consequências e


alternativas. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 16, n. 2810, 12
mar. 2011. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/18658>. Acesso em: 30 maio
2019.

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