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ELETRICIDADE BÁSICA

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SUMÁRIO

SUMÁRIO........................................................................................................................................................ 1
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................. 5
INTRODUÇÃO À ELETRICIDADE...................................................................................................................... 6
CONSTITUIÇÃO DA MATÉRIA ..................................................................................................................... 6
NATUREZA DA ELETRICIDADE .................................................................................................................... 7
CORRENTE ELÉTRICA ...................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 9
UNIDADE E SUB-UNIDADES DE MEDIDA DA CORRENTE ELÉTRICA ......................................................... 11
INTENSIDADE DA CORRENTE ELÉTRICA ................................................................................................... 12
NOÇÃO DE CURTO-CIRCUITO................................................................................................................... 12
TIPOS DE CURTOS-CIRCUITOS:................................................................................................................. 13
DIFERENÇA ENTRE SOBRECORRENTE E CURTO –CIRCUITO..................................................................... 13
GRÁFICOS DA CORRENTE ELÉTRICA......................................................................................................... 13
CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO AMPERÍMETRO...................................................................................... 13
TENSÃO ELÉTRICA ........................................................................................................................................ 14
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 14
DEFINIÇÃO................................................................................................................................................ 14
FONTE DE TENSÃO ALTERNADA / CONTINUA. ........................................................................................ 15
UNIDADE DE MEDIDA DA TENSÃO ELÉTRICA .......................................................................................... 16
CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO VOLTÍMETRO ......................................................................................... 16
RESISTÊNCIA ELÉTRICA................................................................................................................................. 17
DEFINIÇÃO................................................................................................................................................ 17
RESISTIVIDADE DOS MATERIAIS............................................................................................................... 17
UNIDADE DE MEDIDA DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA ................................................................................... 19
CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO OHMÍMETRO ......................................................................................... 19
LEI DE OHM .................................................................................................................................................. 20
DEFINIÇÃO................................................................................................................................................ 20
LEI DE “OHM”........................................................................................................................................... 20
FÓRMULA DA LEI DE OHM....................................................................................................................... 21
REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DE UM CIRCUITO ELÉTRICO ......................................................................... 22
ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS................................................................................................................ 22
COMPORTAMENTO DA TENSÃO E CORRENTE ........................................................................................ 23
RESISTÊNCIA EQUIVALENTE..................................................................................................................... 23
RELEMBRANDO: ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS .................................................................................... 23
CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE ............................................................................................... 24
ASSOCIAÇÃO EM SÉRIE ............................................................................................................................ 24
CIRCUITO EM SÉRIE.................................................................................................................................. 24
RESISTÊNCIA EQUIVALENTE..................................................................................................................... 25
CONCLUSÃO ............................................................................................................................................. 25
ASSOCIAÇÃO EM PARALELO DE RESISTÊNCIAS ....................................................................................... 25
COMPORTAMENTO DA TENSÃO E CORRENTE ........................................................................................ 26
CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE ............................................................................................... 26
ASSOCIAÇÃO EM PARALELO .................................................................................................................... 26
CIRCUITO PARALELO ................................................................................................................................ 27
1
EXPLANAÇÃO ........................................................................................................................................... 28
CIRCUITO MISTO ...................................................................................................................................... 28
POTÊNCIA ELÉTRICA..................................................................................................................................... 30
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 30
POTENCIA ELÉTRICA................................................................................................................................. 30
UNIDADE DE MEDIDA DA POTÊNCIA ELÉTRICA ....................................................................................... 30
CONSTITUIÇÃO DO WATTÍMETRO........................................................................................................... 31
EFEITO JOULE ............................................................................................................................................... 32
LEI DE JOULE............................................................................................................................................. 32
EXEMPLO DE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA ........................................................................................ 32
CONSTITUIÇÃO DO MEDIDOR.................................................................................................................. 33
MAGNETISMO.............................................................................................................................................. 34
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 34
DEFINIÇÃO:............................................................................................................................................... 34
IMÃS NATURAIS E ARTIFICIAIS ................................................................................................................. 35
PÓLOS MAGNÉTICOS ............................................................................................................................... 35
ATRAÇÃO E REPULSÃO DOS PÓLOS MAGNÉTICOS.................................................................................. 35
DETERMINAÇÃO DOS PÓLOS MAGNÉTICOS............................................................................................ 36
MATERIAIS MAGNÉTICOS ........................................................................................................................ 36
MATERIAIS FERROMAGNÉTICOS ............................................................................................................. 36
MATERIAIS NÃO-FERROMAGNÉTICOS..................................................................................................... 36
SENTIDO DAS LINHAS DE FORÇA NUM IMÃ ............................................................................................ 37
ELETROMAGNETISMO.................................................................................................................................. 37
DEFINIÇÃO................................................................................................................................................ 37
EXPERIÊNCIA ............................................................................................................................................ 38
CORRENTE ALTERNADA ............................................................................................................................... 40
PORQUE CORRENTE ALTERNADA? .......................................................................................................... 40
FREQÜÊNCIA ............................................................................................................................................ 41
POTÊNCIA EM CORRENTE ALTERNADA ................................................................................................... 41
CAPACITORES ............................................................................................................................................... 43
CONSTITUIÇÃO DO CAPACITOR ............................................................................................................... 43
FUNDAMENTOS DOS CAPACITORES ........................................................................................................ 43
O CARREGAMENTO DE UM CAPACITOR .................................................................................................. 44
COMPORTAMENTO DOS CAPACITORES EM CIRCUITOS CC..................................................................... 45
CARGA DO CAPACITOR ............................................................................................................................ 45
PRINCIPAIS PARÂMETROS DOS CAPACITORES ........................................................................................ 47
TIPOS DE CAPACITORES. .......................................................................................................................... 48
CAPACITORES DE DISCO CERÂMICO. ....................................................................................................... 48
CARACTERÍSTICAS DOS CAPACITORES CERÂMICOS: ............................................................................... 48
IDENTIFICAÇÃO DA CAPACITÂNCIA NOMINAL DO CAPACITOR CERÂMICO:........................................... 49
IDENTIFICAÇÃO DA TOLERÂNCIA............................................................................................................. 49
IDENTIFICAÇÃO QUANTO ÀS CARACTERÍSTICAS DE TEMPERATURA ...................................................... 50
IDENTIFICAÇÃO DA TENSÃO NOMINAL ................................................................................................... 50
CAPACITORES CERÂMICOS “PLATE” ........................................................................................................ 51
CAPACITORES CERÂMICOS MULTICAMADAS .......................................................................................... 51
CAPACITORES DE FILME PLÁSTICO .......................................................................................................... 51
TIPO NÃO METALIZADO........................................................................................................................... 51
2
TIPO METALIZADO ................................................................................................................................... 52
CAPACITORES ELETROLÍTICOS DE ALUMÍNIO .......................................................................................... 52
ENTENDENDO O CAPACITOR ATRAVÉS DE UMA ANALOGIA HIDRÁULICA.............................................. 52
SIMBOLOGIA ............................................................................................................................................ 53
UNIDADE DE MEDIDAS ............................................................................................................................ 53
MEDIÇÃO DE POTÊNCIA – EXPERIÊNCIAS................................................................................................ 53
CIRCUITO TRIFÁSICO .................................................................................................................................... 55
TENSÃO SIMPLES E TENSÃO COMPOSTA................................................................................................. 56
CIRCUITO ESTRELA (Y).................................................................................................................................. 56
CIRCUITO ESTRELA EQUILIBRADO............................................................................................................ 57
CIRCUITO ESTRELA DESEQUILIBRADO ..................................................................................................... 57
CIRCUITO TRIÂNGULO (Δ) ............................................................................................................................ 58
TRANSFORMADORES (TRAFO) ..................................................................................................................... 58
TRANSFORMADOR MONOFÁSICO ........................................................................................................... 59
TRANSFORMADOR DE POTENCIAL (TP) ................................................................................................... 61
TRANSFORMADOR DE CORRENTE (TC).................................................................................................... 62
LIGAÇÃO – EM SÉRIE NO CONDUTOR...................................................................................................... 63
MÁQUINAS ELÉTRICAS – MOTORES ............................................................................................................ 63
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 63
MOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA ...................................................................................................... 63
MOTORES DE CORRENTE ALTERNADA .................................................................................................... 63
MOTOR UNIVERSAL ................................................................................................................................. 64
PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS COM MOTORES EM PARTIDA .................................................... 65
PARTIDA DE MOTORES ELÉTRICOS .......................................................................................................... 65
CIRCUITOS TRIFÁSICOS COM MOTORES.................................................................................................. 66
FATOR DE POTÊNCIA DE MOTORES......................................................................................................... 66
RISCOS DA ELETRICIDADE ............................................................................................................................ 66
CHOQUE ELÉTRICO................................................................................................................................... 66
ANATOMIA DO CHOQUE.......................................................................................................................... 66
ELETRICIDADE INDUZIDA ......................................................................................................................... 67
ELETRICIDADE ESTÁTICA .......................................................................................................................... 67
CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS ............................................................................................................... 67
RISCOS INDIRETOS ................................................................................................................................... 68
NORMAS E LEGISLAÇÃO............................................................................................................................... 68
BASICAMENTE A NORMA TRATA ............................................................................................................. 68
TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA .............................................................................................................. 69
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 69
CURVAS DE DEMANDA E DE ENERGIA ..................................................................................................... 69
HORÁRIO DE PONTA ................................................................................................................................ 69
ENERGIA ELÉTRICA – CÁLCULO DA TARIFA.............................................................................................. 69
DEMANDA ................................................................................................................................................ 70
SISTEMA TARIFÁRIO................................................................................................................................. 71
CÁLCULO DAS FATURAS ........................................................................................................................... 73
ERROS COMUNS AO LIDAR COM A ELETRICIDADE ...................................................................................... 74
OMITIR UNIDADE ..................................................................................................................................... 74
ESQUECER DO MÚLTIPLO/ SUBMÚLTIPLO DA UNIDADE ........................................................................ 74
MÚLTIPLO DA UNIDADE AO QUADRADO OU AO CUBO.......................................................................... 74
3
CONFUSÃO ENTRE SÉRIE E PARALELO ..................................................................................................... 74
EXCESSO DE INFORMAÇÃO/ CÁLCULOS DESNECESSÁRIOS..................................................................... 75
ANEXOS E INFORMACOES AUXILIARES ........................................................................................................ 75
INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO................................................................................................................. 75
OHMÍMETRO............................................................................................................................................ 75
MULTÍMETRO........................................................................................................................................... 76
OSCILOSCÓPIO ......................................................................................................................................... 76
ANALIZADOR DE ESPECTRO ..................................................................................................................... 77
UNIDADES DO SI....................................................................................................................................... 78
GRANDEZAS E UNIDADES NO SI............................................................................................................... 79
MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS ................................................................................................................. 80
OUTRAS UNIDADES DO SI ........................................................................................................................ 80
OUTRAS UNIDADES E CONVERSÕES ........................................................................................................ 81
EXERCÍCIOS GERAIS ...................................................................................................................................... 83

4
APRESENTAÇÃO
Esta apostila tem por objetivo fornecer informações sobre eletricidade básica aplicada para cursos técnicos.

Prof. Sergio Rubens Oliveira dos Santos

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INTRODUÇÃO À ELETRICIDADE

CONSTITUIÇÃO DA MATÉRIA
Matéria é tudo aquilo que possui massa e ocupa lugar no
espaço.

A matéria é constituída de moléculas que, por sua vez,


são formadas de átomos.

O átomo é constituído de um núcleo e eletrosfera, onde


encontramos os:
Figura 1 – Constituição do átomo
• Elétrons

• Prótons

• Nêutrons

Portanto, o átomo é formado por:

Elétron:

É a menor partícula encontrada na natureza, com carga negativa. Os elétrons estão sempre em movimento em
suas órbitas ao redor do núcleo.

Próton:

É a menor partícula encontrada na natureza, com carga positiva. Situa-se no núcleo do átomo.

Nêutron:

São
partículas

Figura 2 - Toda matéria é constituída de átomos.

eletricamente neutras, ficando também situadas no núcleo do átomo, juntamente com os prótons.

6
NATUREZA DA ELETRICIDADE
Eletricidade é o fluxo de elétrons de átomo para átomo em um condutor.

Para entender e eletricidade, deve-se pensar na menor parte da


matéria, o átomo (figuras 1 e 2).Todos os átomos têm partículas
chamadas elétrons, que descrevem uma órbita ao redor de um núcleo
com prótons.

O elemento mais simples é o hidrogênio. Como se pode ver na Figura


2, seu átomo tem um único elétron em órbita ao redor do núcleo,
com um próton.
Figura 3 - Estrutura de um átomo de cobre
Um dos mais complexos elementos é o urânio, que tem 92 elétrons
em órbita ao redor de um núcleo com 92 prótons.

Cada elemento tem sua própria estrutura atômica, porém cada átomo de um mesmo elemento tem igual número
de prótons e elétrons.

O elemento cobre é muito empregado em sistemas elétricos, porque é um bom condutor de eletricidade.

Essa conclusão pode ser facilmente verificada observando-se a figura 3. O átomo de cobre contém 29 prótons e 29
elétrons. Os elétrons estão distribuídos em quatro camadas ou anéis. Deve-se notar, porém, que existe apenas um
elétron na última camada (anel exterior).

Esse é o segredo de um bom condutor de eletricidade.

Elementos cujos átomos têm menos de quatro elétrons em seus respectivos anéis exteriores são geralmente
denominados ”bons condutores”.

Elementos cujos átomos têm mais de quatro elétrons em seus respectivos anéis exteriores são maus condutores.
São, por isso, chamados de isolantes.

Poucos elétrons no anel exterior de condutores são mais facilmente desalojados de suas órbitas por uma baixa
voltagem, para criar um fluxo de corrente de átomo para átomo.

Em síntese:

• átomos têm elétrons em órbita ao redor de um núcleo com prótons;

• cada átomo contém igual número de elétrons e prótons;

• os elétrons ocupam camadas ou anéis, nos quais orbitam em volta do núcleo;

• átomos que possuem menos de quatro elétrons no seu anel exterior são bons condutores de eletricidade
(exemplo: cobre).
7
Já se determinou que os átomos possuem partículas chamadas prótons e elétrons.

Essas partículas têm determinadas cargas:

Prótons - cargas positivas (+)

Elétrons - cargas negativas (-)

Os prótons, no núcleo, atraem os elétrons, mantendo-os em órbita. Desde que a carga positiva dos prótons seja
igual à carga negativa dos elétrons, o átomo é eletricamente neutro.

Entretanto, essa igualdade de cargas pode ser alterada; se elétrons são retirados do átomo, este se torna
carregado positivamente (+).

Assim sendo:

• átomos carregados negativamente - maior número de elétrons;

• átomos carregados positivamente - menor número de elétrons;

As figuras a seguir exemplificam as afirmações.

Figura 4,5 e 6 – Repulsão e atração de cargas diferentes.

O que ocorreria, porém, se um bastão carregado negativamente fosse aproximado de um objeto carregado
positivamente? Pelas figuras acima, nota-se que este se moveria em direção do bastão, sendo atraída por ele (da
mesma forma, um bastão carregado positivamente atrairia um objeto carregada negativamente).
8
Em outras palavras, cargas de sinal contrário se atraem.

Resumindo:

• elétrons podem ser levados a abandonar seus átomos em muitos materiais;

• uma energia advinda, por exemplo, de fricção é necessária para causar a fuga dos elétrons de seus respectivos
átomos;

• cargas de mesmo sinal se repelem e cargas de sinal contrário se atraem.

O que aconteceria por exemplo se um pedaço de fio condutor de cobre fosse submetido a uma carga positiva em
um extremo e a uma carga negativa no outro?

O fio de cobre contém bilhões de átomos com elétrons. Um desses elétrons próximo ao pólo positivo seria atraído
por essa carga e abandonaria seu átomo. Esse átomo se tornaria carregado positivamente e atrairia um elétron do
próximo, que se carregaria positivamente e assim por toda a extensão do condutor. O resultado integrado é uma
movimentação (fluxo) de elétrons através do condutor entre o pólo negativo (-) e o pólo positivo (+).

CORRENTE ELÉTRICA

Num átomo existem várias órbitas.

Figura 7 – Estrutura orbital de um átomo.

INTRODUÇÃO

Os elétrons mais próximos do núcleo têm maior dificuldade de se desprenderem de suas órbitas, devido à atração
exercida pelo núcleo; assim os chamamos de elétrons presos.

Os elétrons mais distantes do núcleo (última camada) têm maior facilidade de se desprenderem de suas órbitas
porque a atração exercida pelo núcleo é pequena; assim recebem o nome de elétrons livres.

Portanto, os elétrons livres se deslocam de um átomo para outro de forma desordenada, nos materiais
condutores.

9
Considerando-se que nos terminais do material abaixo temos de lado um pólo positivo e de outro um pólo
negativo, o movimento dos elétrons toma um determinado sentido, da seguinte maneira:

Figura 8 – Ilustração da corrente elétrica

Os elétrons (-) são atraídos pelo pólo positivo e repelidos pelo negativo.

Assim, os elétrons livres passam a ter um movimento ordenado (todos para a mesma direção).

A este movimento ordenado de elétrons damos o nome de CORRENTE ELÉTRICA.

Figura 9 – Ilustração da corrente elétrica ordenada

NOTA:

Sinais de mesmo nome se repelem.

Figura 10 – Ilustração

10
Sinais de nomes diferentes se atraem.

Figura 11 – Ilustração

Esse fluxo ou corrente de elétrons continuará, enquanto as cargas positivas e negativas forem mantidas nos
extremos do fio (cargas de sinais contrários se atraem).

Isso é fenômeno da eletricidade atuando, de onde se conclui: eletricidade é o fluxo de elétrons de átomo para
átomo em um condutor (Figura 12).

Figura 12 - Fluxo de elétrons em um condutor.

UNIDADE E SUB-UNIDADES DE MEDIDA DA CORRENTE ELÉTRICA


Para se expressar a quantidade de corrente elétrica utilizamos o ampere (A).

Exemplo:

I = 3 ampères

I=3A

µ - Micro = 10 ⁻⁶ = x 1.000.000

m - Mili = 10 ⁻³ = x 1.000

k,K - Quilo, Kilo = 10 ³ = / 1.000

M - Mega = 10 ⁶ = / 1.000.000

11
Múltiplos e Submúltiplos

Para corrente inferiores utilizamos o miliampere (µA , mA).

Para correntes superiores utilizamos o kiloampere (kA, MA).

Exemplo:

I= 2 mA = 0,002 A

I= 6 KA = 6000 A

O aparelho utilizado para medir a intensidade de corrente elétrica (I) é o AMPERÍMETRO.

O amperímetro deve ser ligado em série com o circuito;


conforme figura 13:

INTENSIDADE DA CORRENTE ELÉTRICA


Entende-se por intensidade de corrente elétrica a quantidade
de elétrons que fluem através de um condutor durante certo
intervalo de tempo.
Figura 13 –Funcionamento de um Amperímetro.
Como
anteriormente citado,a unidade de medida padrão da
intensidade da corrente elétrica é o “AMPERE” que é
representado pela letra maiúscula ”A”. O aparelho
destinado para medi-la chama-se ”Amperímetro”.

NOÇÃO DE CURTO-CIRCUITO

Este termo é empregado quando há uma ligação


direta entre um condutor ou equipamento .

energizado e a terra. Figura 14 – Curto Circuito

Um curto-circuito representa uma instabilidade


elétrica e seus efeitos são mais nocivos que os

Figura 15 – Gráficos de Corrente Elétrica 12


efeitos causados pelas sobre-correntes.

TIPOS DE CURTOS-CIRCUITOS:
a. trifásico

b. bifásico

c. bifásico à terra

d. fase à terra

DIFERENÇA ENTRE SOBRECORRENTE E CURTO –CIRCUITO


No caso das sobre-correntes, ocorre uma elevação gradual em intensidade da corrente elétrica, enquanto que na
ocasião dos curtos-circuitos a corrente elétrica assume valores altíssimos instantaneamente.

GRÁFICOS DA CORRENTE ELÉTRICA


A corrente elétrica fornecida a um circuito consumidor pode ser contínua (C.C) ou alternada (C.A.), sendo que
neste último caso ela ainda poderá ser monofásica (1 fase) ou trifásica (3 fases).

Pode-se observar que a corrente contínua se mantém constante em relação ao tempo, enquanto que a corrente
alternada é variável tanto na polaridade (+ e -) quanto na intensidade (valores medidos).

CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO AMPERÍMETRO.


1. A graduação máxima da escala deverá ser sempre maior que a corrente máxima que se deseja medir.

2. Procurar utilizar uma escala, onde a leitura da medida efetuada seja o mais próximo possível do meio da
mesma.

3. Ajustá-lo sempre no zero, para que a leitura seja correta (ajuste feito com ausência de corrente).

4. Evitar choques mecânicos com o aparelho.

5. Não mudar a posição de utilização do amperímetro, evitando assim leituras incorretas.

6. Obedecer à polaridade do aparelho, se o mesmo for polarizado. O pólo positivo (+) do amperímetro ligado ao
pólo positivo da fonte e o pólo negativo (-) ao pólo negativo do circuito.

..
..

13
TENSÃO ELÉTRICA
INTRODUÇÃO
Vimos anteriormente que a corrente elétrica é o movimento ordenado de elétrons num fio condutor.

Entretanto para que haja este movimento é necessário que alguma força, ou pressão, apareça nos terminais deste
condutor. A figura abaixo procura ilustrar este movimento. De um lado, o terminal do condutor está ligado ao
potencial positivo e do outro lado ao potencial negativo. Dessa forma, como existe uma diferença de potencial
aplicada aos terminais do fio, um fluxo de elétrons se movimentará pelo mesmo. A esta ”pressão elétrica”
chamamos: diferença de potencial ou tensão elétrica.

DEFINIÇÃO
Tensão Elétrica é a força, ou pressão elétrica, capaz de movimentar elétrons ordenadamente num condutor.

Podemos lembrar inclusive de uma analogia feita a um sistema hidráulico, onde observamos que a água fluirá,
através do cano, até que as ”pressões” dos dois reservatórios se igualem.

Tensão Elétrica

Vamos fazer uma analogia com a


instalação hidráulica mostrada na figura
abaixo.

O reservatório A está mais cheio que o


reservatório B, portanto o reservatório A
tem maior pressão hidráulica.

Ligando-se os reservatórios A e B com um Figura 16 – Ilustração


cano, a pressão hidráulica de A ”empurra”
a água para B, até que se igualem as
pressões hidráulicas.

Supondo agora dois corpos A e B que possuem cargas


elétricas diferentes.

O corpo A tem maior número de elétrons do que o corpo B;


então dizemos que ele tem maior ”potencial elétrico”.
Figura 17 – Ilustração da DDP
Há uma maior diferença de potencial elétrico (d.d.p.).

Ligando-se os corpos A e B com um condutor, o ”potencial elétrico” de A empurra os elétrons para B, até que se
igualem os potenciais.

14
Comparando-se os dois casos, podemos dizer que o potencial elétrico é uma ”pressão elétrica” que existe nos
corpos eletrizados.

Portanto dizemos que:

Tensão elétrica é a pressão exercida sobre os elétrons para que estes se


movimentem.

O movimento dos elétrons através de um condutor é o que chamamos de


corrente elétrica.

Figura 18 – Ilustração da DDP

Para que haja corrente elétrica é necessário que haja uma diferença de
potencial entre os pontos ligados.

Os elétrons são ”empurrados” do potencial negativo para o potencial


Figura 19 – Ilustração da DDP
positivo.

Deve-se manter a diferença de potencial nos terminais do condutor. Estes terminais denominam-se pólos e
convenciona-se chamar positivo o de maior potencial e negativo o outro.

É usual tomar como referência de potencial elétrico a terra, a qual se atribui o valor zero. Assim, ao firmar que o
potencial elétrico é positivo ou negativo, diz-se que seu potencial é maior ou menor em relação ao da terra.

O símbolo utilizado para representação da tensão é a letra maiúscula ”V”, que é também utilizada como unidade
de medida padrão. O aparelho destinado a medi-la chama-se Voltímetro.

FONTE DE TENSÃO ALTERNADA / CONTINUA.


O equipamento utilizado para o fornecimento de tensão alternada é o chamado Alternador e seu princípio de
funcionamento se dá através da indução eletromagnética.

A tensão alternada pode ter os seus valores aumentados ou diminuídos com facilidade, (através do emprego de
transformadores), o que não ocorre com tensão contínua.

Por isso, as fontes geradoras utilizadas pelas indústrias de energia elétrica são fontes de energia alternada.

A fonte mais utilizada para fornecimento de tensão continua é a bateria e os retificadores. Este é um fator muito
importante para a transmissão e distribuição de energia elétrica. No caso de fornecimento de energia às indústrias

15
que se utilizam de tensão contínua, por exemplo nas indústrias químicas, são utilizados retificadores para a
conversão da tensão alternada em tensão contínua.

Podemos observar na figura 19 – Ilustração da DDP no gráfico, que a tensão contínua se mantém constante em
relação ao tempo. A tensão alternada é variável em relação ao tempo quanto na polaridade quanto na sua
intensidade.

Figura 20 – Ilustração da DDP Figura 21 – Ilustração da DDP

UNIDADE DE MEDIDA DA TENSÃO ELÉTRICA


VOLT é utilizado como unidade de tensão elétrica, representado pela letra ”V”.

EX: 127 volts = 127 V

MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS

Para tensões mais elevadas utilizamos os Kilovolt


(KV).

13,8 kilovolt = 13,8 KV = 13.800 V

O aparelho utilizado para medir a tensão elétrica


chama-se VOLTÍMETRO.

O voltímetro deve ser instalado em paralelo com o circuito.

CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO VOLTÍMETRO


1. A graduação máxima da escala deverá sempre ser maior que a tensão máxima que se deseja medir.

2. Procura fazer a leitura mais próxima possível do meio da escala, para que haja maior precisão.

3. O ajuste de zero deve ser feito sempre que for necessário com ausência de tensão.

4. Evitar qualquer tipo de choque mecânico.

5. Usar o voltímetro sempre na posição correta, para que haja maior precisão nas leituras.
16
6. Caso o voltímetro tenha polaridade, o lado (+) do mesmo deve ser ligado ao pólo positivo da fonte e o lado (-)
do aparelho com o negativo da fonte.

Figura 22 –Voltímetro

RESISTÊNCIA ELÉTRICA
DEFINIÇÃO
Resistência Elétrica é a posição que um material oferece à passagem da corrente elétrica.

De um modo geral, os diversos materiais variam em termos de ”comportamento elétrico”, de acordo com sua
estrutura atômica. Como sabemos, uns apresentam-se como condutores e outros como isolantes.

Os materiais isolantes são os de maior resistência elétrica, ou seja: os que mais se opõem à passagem da corrente
elétrica. Os materiais condutores, apesar de sua boa condutividade elétrica, também oferecem resistência à
passagem da corrente, embora em escala bem menor.

O símbolo utilizado para a sua representação é a letra grega ômega (Ω).

O aparelho destinado a medi-la chama-se ohmímetro.

RESISTIVIDADE DOS MATERIAIS


É a propriedade característica específica de um material, em relação a sua constituição atômica.

A resistividade é diferente para diferentes materiais, sendo ela que determina à maior ou menor oposição do
material, em relação à corrente elétrica.

Tecnicamente: Resistividade elétrica (também resistência elétrica específica) é uma medida da oposição de um
material ao fluxo de corrente elétrica. Quanto mais baixa for à resistividade mais facilmente o material permite a
passagem de uma carga elétrica. A unidade SI da resistividade é o ohm metro (Ωm).

17
Duas cargas são alimentadas pela mesma tensão, mas são atravessadas por intensidades de correntes diferentes.
Por quê ?

Figura 23 –Circuitos Elétricos

O valor da corrente elétrica não depende só da tensão aplicada ao


circuito, vai depender também da carga, onde uma se opõe mais que a
outra ao deslocamento dos elétrons.

Portanto:

Resistência elétrica é a posição que os materiais oferecem à passagem


da corrente elétrica.
Figura 24 - Símbolo da Resistência Elétrica
A resistência elétrica R de um dispositivo está relacionada com a
resistividade ρ de um material por:

Em que:

ρ é a resistividade elétrica (em ohm metros, Ωm);

R é a resistência elétrica de um espécime uniforme do material (em ohms, Ω);

é o comprimento do condutor (medido em metros);

A é a área da seção do condutor (em metros quadrados, m²).

EXEMPLO:

a) Calcular a resistência elétrica de um fio de alumínio medindo 200mm, cuja resistividade específica é 0,0280
Ohms.mm. com uma secção circular de 1mm.

18
R= (0,0280 x 200) / 1

R= 1,120 Ohms

b) Calcular a resistência elétrica de um fio de prata das mesmas características dos exemplos anteriores, cuja
resistividade específica é 0,0160 Ohms.mm.

R= (0,0160 x 200) / 1

R= 0,640 Ohms

Observando os resultados acima, vemos que o material que apresenta menor resistividade específica é a prata.
Portanto, um condutor de prata apresenta maior condutividade à passagem da corrente elétrica, seguido de um
condutor de cobre e depois de um condutor de alumínio.

UNIDADE DE MEDIDA DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA


O OHM é utilizado como unidade de medida de resistência elétrica, sendo representado pela letra grega ômega
(Ω).

Exemplo:

320 ohms = 320 Ω

Múltiplos e submúltiplos

mega-ohm = MΩ

Kilo- ohm = KΩ

Mili- ohm = mΩ

Micro- ohm = uΩ

O aparelho utilizado para medir resistência elétrica chama-se OHMÍMETRO.

Quando se deseja medir resistência elétrica de um material, devem-se ligar


os terminais do ohmímetro aos terminais do material.

CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO OHMÍMETRO


01- A graduação máxima da escala deverá ser sempre maior que a
Figura 25 – Ohmímetro / Ôhmetro
resistência máxima que se deseja medir.

02- Ajustar o ohmímetro a zero toda vez que se for medir uma resistência.

03- A resistência deve ser medida sempre com ausência de corrente e desconectada do circuito.
19
04- Evitar choque mecânico do aparelho.

05- Usar o aparelho sempre na posição correta, para minimizar erros de medição.

LEI DE OHM
DEFINIÇÃO
Nos circuitos elétricos, os valores da tensão, corrente e resistência estão proporcionalmente relacionados entre si
por uma lei fundamental da eletricidade, denominada

LEI DE “OHM”.
A lei OHM determina a seguinte relação: ”A corrente elétrica num
circuito é diretamente proporcional à tensão aplicada e
inversamente proporcional à resistência do circuito”.
Figura 26 – Primeira Montagem
Temos abaixo, um circuito onde os valores das três grandezas
elétricas acham-se determinados.

Podemos observar entretanto, que um aumento


de valor da tensão elétrica aplicada, implicará
num aumento da corrente, o que pode ser
comprovado com o aumento do brilho da
lâmpada.

Concluí-se que a intensidade da corrente elétrica


é diretamente proporcional ao valor da tensão
Figura 27 – Circuito Elétrico
aplicada, desde que o valor da resistência do circuito
seja constante.

Na segunda montagem, temos um circuito elétrico


onde se acham determinados os valores da tensão

Figura 27 – Segunda Montagem

corrente e resistência.

Figura 28 – Circuito Elétrico


20
FÓRMULA DA LEI DE OHM
A Lei de Ohm é expressa pela seguinte fórmula:

V=RxI

Obtemos da mesma Lei outras duas expressões:

Exemplo:

Calcular o valor da corrente elétrica num circuito, onde a tensão mede 10 volts e a resistência é de 20 ohms.

Figura 29 – Circuito Elétrico

Se variarmos a tensão e mantivermos a resistência fixa...

... verificamos que a corrente varia no mesmo sentido da variação da tensão.

“QUANTO MAIOR A TENSAO, MAIOR SERÁ A CORRENTE”.

QUANTO MENOR A TENSÃO MENOR SERÁ A CORRENTE.

Figura 30 – Circuito Elétrico

... verifica-se que a corrente varia em sentido oposto à variação da resistência.


21
“QUANTO MAIOR A RESISTÊNCIA, MENOR SERÁ A CORRENTE”.

“QUANTO MENOR A RESISTÊNCIA MAIOR SERÁ A CORRENTE”

Portanto:

A intensidade de corrente varia diretamente proporcional a Tensão “V” ou inversamente

proporcional a Resistência “R”.

Assim, escreve-se:

A esta relação chamamos de LEI DE OHM, também escrita:

REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DE UM CIRCUITO ELÉTRICO


Um circuito elétrico normalmente é representado, através de símbolos.

ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS
Uma lâmpada incandescente
é, basicamente uma
resistência. Assim, as ligações
entre lâmpadas são feitas da
mesma forma que as ligações
entre resistências. A figura
29, ilustra dois modos
Figura 31 – Circuito Série e Paralelo
diferentes de associações de
resistências em série e em
paralelo.

22
.

ASSOCIAÇÃO EM SÉRIE DE RESISTÊNCIAS


Numa associação em série de resistências, a corrente elétrica que percorre uma delas é a mesma que percorre as
demais.

Conforme a figura a seguir, a corrente elétrica sai da bateria,


passa pelas resistências e retorna à fonte.

Na associação em série, se houver queima de uma das


resistências, o circuito todo ficará interrompido (aberto) e
não haverá circulação de corrente elétrica através das demais
resistências.

Figura 32 – Circuito Elétrico em Série

COMPORTAMENTO DA TENSÃO E CORRENTE


Na associação em série, a corrente elétrica que percorre as
resistências é sempre da mesma intensidade, ou seja:
Figura 33 – Circuito Série e Voltímetros
I = CONSTANTE

Em contrapartida, haverá sempre uma queda de tensão em cada uma das resistências associadas.

A somatória das várias quedas de tensão resultará no valor da tensão fornecida pela fonte.

RESISTÊNCIA EQUIVALENTE
Resistência equivalente de um circuito é a resultante que equivale a todas as resistências associadas.

Qualquer associação de resistências pode, para efeito de cálculo, ser substituída por uma resistência equivalente.

RELEMBRANDO: ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS


Classificação dos circuitos

a. Circuito série

b. Circuito paralelo

c. Circuito misto

23
CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE

ASSOCIAÇÃO EM SÉRIE
Na associação em série, o cálculo é bastante simples: apenas, somam-se os valores da resistência.

Apesar de 3 resistores associados a fonte enxerga como carga um único resistor de 16 ohms, ou seja: o
equivalente da associação.

CIRCUITO EM SÉRIE
Desde que você ligue resistências com extremidade, elas ficarão ligadas em série.

Exemplo: Vagões de trem

Figura 33 – Ilustração

Para que haja corrente nas resistências é necessário ligar os terminais restantes a uma fonte de tensão.

Figura 34 – Circuito Série

Medindo as correntes nas resistências verificamos que a corrente é a mesma em todas as resistências:

Figura 35 – Circuito Série e Voltímetros e Amperímetros

24
Medindo as tensões nas resistências, vamos verificar que a tensão da fonte é repartida entre as resistências, ou
seja, a soma das quedas de tensão nas resistências é igual à tensão da fonte.

Figura 36 – Circuito Série e Voltímetros e Amperímetros

RESISTÊNCIA EQUIVALENTE
É uma única resistência que pode ser colocada no lugar das outras resistências do circuito. Ou seja, submetida à
mesma tensão permitirá a passagem do mesmo valor de corrente.

Figura 37 – Medição

CONCLUSÃO
Circuito série é aquele em que a corrente possui um único caminho a seguir no circuito e a tensão da fonte se
distribui pelas resistências que compõem o circuito.

Neste tipo de circuito existe a interdependência


entre as resistências. Se uma delas queimar, a
corrente não circulará mais.

ASSOCIAÇÃO EM PARALELO DE RESISTÊNCIAS


Neste tipo de associação, circula, através de cada
resistência, uma determinada corrente elétrica que
é sempre inversamente proporcional ao valor da
resistência. Figura 38 – Fluxo de Corrente no Circuito Paralelo

No exemplo abaixo, a corrente elétrica sai da bateria, subdivide-se nas resistências que compõem a associação e,
finalmente retoma a fonte.
25
Na associação em paralelo, mesmo que ocorra a queima de uma das resistências, as demais não sofrerão
interrupção na sua alimentação.

COMPORTAMENTO DA TENSÃO E
CORRENTE
Na associação em paralelo, a tensão
aplicada é sempre a mesma nos
diversos terminais das resistências.

Por outro lado, a corrente se


subdivirá em número idêntico à
quantidade de resistências
associadas e será de intensidade

Figura 39 – Circuito Série e Voltímetros e Amperímetros proporcional ao valor de cada uma


delas.

CÁLCULO DA RESISTÊNCIA EQUIVALENTE

ASSOCIAÇÃO EM PARALELO
Como primeira regra, temos que a resistência equivalente é igual ao resultado do produto pela soma dos
respectivos resistores.

Figura 40 –Exemplo

Como segunda regra, temos que a resistência equivalente é igual a soma inversa dos respectivos resistores.

26
A primeira regra é a mais simplificada. Entretanto, a segunda permite que calculemos de uma única vez o
equivalente de uma associação com mais de dois resistores em paralelo.

Vale ressaltar que em ambos os casos, a fonte enxerga um único resistor à sua frente de 20 ohms, ou seja: o
equivalente da associação. Req

CIRCUITO PARALELO
Quando se liga resistências lado a lado, unindo suas
extremidades, elas são ligadas em paralelo.

Para esse circuito há mais de um caminho para a corrente elétrica.

Medindo as correntes nas resistências, verificamos que a corrente


é dividida entre as resistências, sendo que a soma das correntes
em cada ramo é igual à corrente total do circuito.

Medindo as tensões nas resistências, verificamos que a tensão é a


mesma em todas as resistências.

Figura 41 – Ilustrações de Circuito Série e Voltímetros e Amperímetros

27
EXPLANAÇÃO
No circuito paralelo, a corrente se divide nos ramais, sendo a soma das mesmas é igual à corrente total do circuito.
A tensão é sempre a mesma em todo o circuito. As resistências são independentes, ou seja, se uma delas queimar,
continua passando corrente pelas outras.

Para calcularmos a resistência equivalente do circuito paralelo usamos a fórmula.

Nota:

A Resistência equivalente (Re) de um circuito paralelo é sempre menor que a menor resistência do circuito.

CIRCUITO MISTO
É aquele em que existem resistências, tanto em série como em paralelo.

Exemplo:

Figura 42 – Exemplo

Resolução do circuito:

1. R1 e R2 estão em série, então: Re1 = R1 + R2

28
2. R3 e R4 estão em série, então encontramos Re2 onde: Re2 = R3 + R4

3. R6 e R7 estão em série, então encontramos Re3 onde:

4. Re2 e Re3 estão em paralelo, então encontramos Re4:

5) Re1, Re4 e R5 estão em série, então: Re=Re1+Re4+R5

Re= 29 Ω

29
POTÊNCIA ELÉTRICA
INTRODUÇÃO
Quando ligamos um aparelho em uma máquina elétrica a uma fonte de
eletricidade, produz-se certa quantidade de ”trabalho”, à custa da
energia elétrica que se transforma.

Por exemplo:

O motor de um ventilador transforma a energia elétrica em energia


mecânica, provocando um giro na hélice e conseqüente circulação
forçada do ar. Figura 43 – Cargas Elétricas

O aquecimento do ferro de passar roupa se processa porque na resistência do mesmo, se verifica uma
transformação de energia elétrica em energia térmica (calor).

POTENCIA ELÉTRICA
Ainda como exemplo, temos a lâmpada que, através de um filamento interno, transforma a energia elétrica em
energia luminosa.

Potência elétrica ou mecânica é a rapidez com que se faz trabalho.

Podemos considerar, para facilitar o entendimento, como capacidade de produzir trabalho que uma carga possui.

A potência de uma carga depende de outras grandezas, que são: R (resistência) e V (tensão aplicada). Uma vez
aplicada uma tensão à resistência, teremos a corrente I.

Assim, podemos dizer que a potência também depende da corrente.

Temos:
P = R x I²
P=VxI
Prender-nos-emos mais à segunda equação P=V x I onde:
V → volts
I → ampères

UNIDADE DE MEDIDA DA POTÊNCIA ELÉTRICA


A unidade de medida da potência elétrica é o WATT (W).

30
Múltiplos e submúltiplos:

Normalmente usamos os múltiplos do watt:

1 kW = 1.000 W e 1 MW = 1.000.000 W

O aparelho de medida da potência elétrica é o wattímetro:

Como vemos, o produto da tensão pela corrente V x I é igual à potência indicada pelo wattímetro.

CONSTITUIÇÃO DO WATTÍMETRO
O wattímetro é constituído basicamente por uma bobina de tensão, ligada em paralelo como no voltímetro, e uma
bobina de corrente, ligada em série como no amperímetro.

O wattímetro, então, pode ser considerado como sendo um


voltímetro e um amperímetro agindo simultaneamente.

Figura 44 – Wattímetro

31
EFEITO JOULE
LEI DE JOULE
A Lei de Joule estuda a transformação de energia elétrica em calor:

Sempre que uma corrente elétrica passa por um condutor, haverá produção de calor, pois os condutores se
aquecem sempre.

Se a corrente é bastante intensa, e o condutor oferece resistência à sua passagem, os efeitos são consideráveis.

O inventor da unidade Joule foi o físico inglês Giácomo Presscotti joule que nasceu em 1818 e morreu em 1889.

A potência elétrica absorvida por um motor transforma-se em grande parte em potência mecânica e em pequena
parte em calor, por esta razão todas as máquinas elétricas se aquecem quando funcionam.

Energia Elétrica

É a energia ”Consumida”. Podemos ainda dizer que ela representa o trabalho realizado por um aparelho elétrico.

Na verdade, a energia está presente na natureza de várias formas e o que fazemos é transformá-la para a
produção de trabalho.

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. - Lavoisier”

Veja alguns exemplos de formas de energia que encontramos na natureza:

• Solar;

• Luminosa;

• Hidráulica;

• Mecânica;

• Eólica;

• Etc.

Figura 45 – Formas de Energia

EXEMPLO DE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA


Uma quantidade de água armazenada numa represa possui energia hidráulica em potencial, que pode ser
transformada em energia mecânica, fazendo girar uma turbina.a turbina,fazendo girar o gerador, estará
transformando energia mecânica em energia elétrica;

32
Figura 46 – Transformação de Diversos Tipos de Energia

A energia elétrica, por sua vez, é levada ao


consumidor, onde novamente é transformada
nas mais variadas formas de energia: térmica,
mecânica, luminosa, etc.

A energia elétrica é medida em watt-hora (Wh),


ou em quilowatt-hora (kWh), ou em megawatt-
hora (MWh). Figura 46 – Aplicação da Energia Elétrica

O aparelho que mede energia elétrica é o medidor


de energia elétrica.

1 kWh = 1.000Wh

1 MWh = 1.000.000Wh

CONSTITUIÇÃO DO MEDIDOR.
• Bobina de tensão
Figura 47 – Medidor de KVA
• Bobina de corrente

• Disco

• Imã

• Registrador

• Terminais de ligação

A energia elétrica depende da potência elétrica da carga (P) e do tempo (t) em que a mesma ficou ligada.

33
Um medidor pode então ser comparado a um wattímetro e um relógio agindo simultaneamente.

Figura 48 – Energia em KVAh

MAGNETISMO
INTRODUÇÃO
Antes de mostrarmos como conseguimos obter eletricidade através do magnetismo, vamos dar uma idéia do que
vem a ser isto.

Conta a lenda que em uma remota antiguidade, os gregos descobriram que um certo tipo de rocha, que eles
encontraram inicialmente perto da cidade de Magnésia, na Ásia Menor, tinha o poder de atrair e segurar pedaços
de ferro. A rocha encontrada era na realidade um tipo de minério de ferro, chamado “magnetita”.

DEFINIÇÃO:
Definimos magnetismo como sendo a propriedade que certos corpos possuem de atraírem materiais ferrosos.

Estes corpos são chamados de imãs, também conhecidos por magnetos.

34
IMÃS NATURAIS E ARTIFICIAIS
A magnetita é o imã que se encontra na natureza, e o classificamos como ”imã natural”. Entretanto, podemos,
através de certos artifícios, fazer com que certos corpos (compostos por materiais ferrosos) se tornem imãs. Os
imãs obtidos dessa forma são chamados “imãs artificiais”.

Figura 49 – Circuito Série e Voltímetros e Amperímetros

PÓLOS MAGNÉTICOS
Um imã não apresenta propriedades magnéticas em toda a sua extensão, mas só em certas regiões chamadas:
regiões polares.

A figura a seguir ilustra a configuração do campo magnético ao redor de um


imã (espectro magnético).

Dizemos que extremamente, as linhas de força deixam o pólo norte e se


dirigem ao pólo sul dos imãs.

ATRAÇÃO E REPULSÃO DOS PÓLOS MAGNÉTICOS

Se dois imãs estiverem próximos um do outro e com liberdade de Figura 50 – Campo Elétrico
movimento, eles poderão se atrair ou se repelir. Esta propriedade dos imãs resulta numa regra muito importante:
pólos magnéticos diferentes se atraem, enquanto que pólos magnéticos iguais se repelem.

Observando a figura abaixo, vemos que existe uma


concordância de direção entre as linhas de força dos
pólos norte e sul dos dois imãs, daí a atração.

35
Figura 51 – Campo Elétrico
Por outro lado, a reação entre os campos magnéticos de dois imãs com pólos do mesmo nome, um defronte do
outro, tendem a repelir-se. Observando-se a figura abaixo, vemos que não existe uma concordância de direção
entre as linhas de força dos pólos norte dos dois imãs, daí a repulsão.

Se cortarmos um imã ao meio, teremos dois novos imãs distintos, cada um com seu pólo norte e sul. Da mesma
forma ocorrerá se cortarmos um imã em vários
pedaços.

Figura 53 – Experiência
Figura 52 – Campo Elétrico

DETERMINAÇÃO DOS PÓLOS MAGNÉTICOS


Com o auxílio de uma bússola, podemos determinar
facilmente os pólos magnéticos de um imã, como ilustra a
figura 54.

Quando próximo da bússola, o imã causa um desvio na


direção da agulha.

Dessa forma, a extremidade do imã que atrair o pólo norte da Figura 54 – Direção do Campo Magnético

bússola será o pólo sul e vice-versa.

MATERIAIS MAGNÉTICOS
Os materiais que apresentam propriedades magnéticas são classificados em vários tipos. Destacaremos apenas
dois: materiais ferromagnéticos e materiais não ferromagnéticos.

MATERIAIS FERROMAGNÉTICOS
Dizemos que um material é ferromagnético quando ele é fortemente atraído por um imã, a exemplo do ferro,
níquel, cobalto e algumas ligas que contem esses elementos.

MATERIAIS NÃO-FERROMAGNÉTICOS
São materiais que não são atraídos pelos imãs, a exemplo do alumínio, plástico, latão.

36
SENTIDO DAS LINHAS DE FORÇA NUM IMÃ
Foi convencionado dizer que as linhas de força num
imã são orientadas externamente do pólo norte para
o pólo sul e internamente do pólo sul para o pólo
norte, como ilustra a figura ao lado.

Depois de conhecermos algumas propriedades dos


imãs, veremos os mais importantes fenômenos
gerados pelo magnetismo. (campo magnético)
Figura 55 – Linhas do Campo de Força de Um Ímã

ELETROMAGNETISMO
DEFINIÇÃO
É o poder de atração que a corrente elétrica ao passar pelo condutor exerce sobre os materiais ferrosos (geração
de campo magnético).

Na figura acima temos um condutor


em forma de bobina onde se encontra
um campo magnético com maior
intensidade (linhas de força).

Ao se aplicar uma corrente baixa,


obtém-se um campo fraco; ao se
Figura 56 – Campo Elétrico em um Solenóide (Bobina) aplicar uma corrente alta, obtém-se
um campo forte (mais intenso

Na figura acima temos um condutor em forma de bobina onde se


encontra um campo magnético com maior intensidade (linhas de
força).

Ao se aplicar uma corrente baixa, obtém-se um campo fraco; ao


se aplicar uma corrente alta, obtém-se um campo forte (mais
intenso

Na figura acima temos um condutor em forma de bobina onde se


encontra um campo magnético com maior intensidade (linhas de
força).

Figura 57 – Experiência
37
Ao se aplicar uma corrente baixa, obtém-se um campo fraco; ao
se aplicar uma corrente alta, obtém-se um campo forte (mais
intenso.

Figura 58 – Experiência

Figura 59 – Experiência

EXPERIÊNCIA
Podemos aumentar um campo magnético
colocando um núcleo de ferro na botina.

Figura 60 – Experiência

O campo magnético pode ser


aumentado quando aumentado a
corrente.

Figura 61 – Experiência

Podemos aumentar o campo


magnético quando aumentamos o
número de espiras da bobina.

Figura 62 – Experiência
38
Invertendo-se o sentido da corrente mudamos a polaridade do imã.

Figura 63– Experiência

O eletroímã só age como imã quando percorrido por corrente.

Figura 64 – Experiência

Podemos conseguir o mesmo campo magnético de um imã possante utilizando um pequeno eletroímã.

Figura 65 – Experiência

39
CORRENTE ALTERNADA

A corrente elétrica que estudamos até agora é chamada corrente contínua (CC).
Assim chamamos todo tipo de corrente que não muda de sentido no decorrer do tempo.

Uma corrente alternada é uma corrente variável que percorre os condutores, tanto em um sentido quanto no
outro.

No caso de geração de C.A. (ou AC em inglês) , a forma de onda é senoidal.

Este é o tipo de corrente que mais utilizamos.

PORQUE CORRENTE ALTERNADA?


No final do séc. XIX com o crescimento econômico e as novas invenções em máquinas elétricas, foram propostas
duas formas de distribuição de eletricidade: corrente contínua e corrente alternada.

O uso de corrente contínua foi proposto por Thomas Edison, contra a distribuição de corrente alternada de Nikola
Tesla. Ganhou a corrente alternada, por se mostrar mais eficiente, basicamente pela possibilidade do uso de
transformadores.

Após as discussões iniciais, estabeleceu-se um paradigma baseado em corrente alternada, no qual o sistema é
baseado nas principais máquinas elétricas.

Este é o sistema que persiste até hoje, em todos os países.

40
Figura 66 – O trecho A-B da figura acima tem o nome de ciclo.

FREQÜÊNCIA
O número de ciclos que se repetem em um segundo recebe o nome de freqüência.

A unidade de medida de freqüência é o Hertz (Hz).

1 Hz (Hertz) representa o número de vezes que cada ciclo da corrente alternada se repete em 1 segundo.

O tempo gasto para completar um ciclo é chamado de período (T) da onda e é medido em segundos (s).

POTÊNCIA EM CORRENTE ALTERNADA


Em C.C. (corrente contínua) verificamos que a potência em watts era igual ao produto da tensão pela corrente (V x
I).

Já em C.A. (corrente alternada) o mesmo não ocorre.

Em C.A. encontramos três tipos de potência:

a. Potência Aparente (Pap)

b. Potência Ativa (Pat)

c. Potência Reativa (Preat)

A) POTÊNCIA APARENTE
É a potência total absorvida da rede e é dada pelo produto da tensão pela corrente.

Pap = VxI

Pode ser medida utilizando um voltímetro e um amperímetro.

41
Sua unidade é o VA (volt-ampère) ou o kVA (kilovolt-ampère).

1 kVA = 1.000 VA

B) POTÊNCIA ATIVA
É a parcela da potência aparente que é utilizado pelas cargas para a transformação em trabalho. A potência ativa é
medida em watts (W).

Pat = RxI²

Fator da Potência

É a relação entre a potência ativa e a potência aparente

O fator de potência representa o quanto da potência total (VA) está sendo usado para produzir trabalho (W).

Pode ser expresso em número ou porcentagem, assim:

FP = 0,92 ou 92%

O fator da potência também é representado pelo cosseno (cos).

Portanto:

Pat = Pap x cosϕ ou Pay = VxI cosϕ

O fator de potência pode variar de 0 a 100% ou de 0 a 1.

Quando o FP (cos) é 1 ou 100%, significa que a potência ativa é igual à potência total (VA).

Quando o FP (cos.) é 0, significa que o circuito está absorvendo apenas potência reativa da rede, que neste caso é
igual à potência total.

Baixo fator de potência significa transformar em energia, calor, ou luz somente parte da potência total absorvida.

C) POTÊNCIA REATIVA
È a potência usada para a manutenção do campo magnético nas máquinas elétricas que possuem enrolamentos
de indução. Ex: transformadores, motores, máquinas de solda, reatores, etc.

Esta potência é trocada com a rede, não sendo portanto consumida.

Da mesma maneira que a potência ativa, multiplica-se a potência aparente por um fator e como resultado nos dá
a parte da potência que não é consumida.

42
O fator utilizado é o sen ϕ.

Pr = Pap x senϕ ouPr =V x I x senϕ

A unidade da potência reativa é o Var (volt-ampère-reativo).

Baixo fator de potência (cos) significa:

a. A instalação trabalha sobrecarregada.

b. Há sensível queda de tensão e perdas ôhmicas nos alimentadores.

c. Paga-se o ajuste do fator da potência à companhia fornecedora de energia.

Alto fator de potência (cos) significa:

a. Eliminação do ajuste pago a companhia fornecedora de energia.

b. Redução das perdas ôhmicas.

c. Melhoria do nível de regulação da tensão.

d. Possibilidade de alimentação de novas máquinas na mesma instalação.

e. Melhor aproveitamento de energia.

CAPACITORES
CONSTITUIÇÃO DO CAPACITOR

Figura 67 – Capacitor

FUNDAMENTOS DOS CAPACITORES


Um capacitor (ou condensador) é um dispositivo eletro-eletrônico que serve para armazenar energia elétrica no
campo elétrico existente no seu interior.

Para entendermos o seu funcionamento, vamos inicialmente considerar um corpo carregado ou um gerador de
cargas elétricas conectado a uma esfera condutora de raio R, imersos num meio cuja constante eletrostática é k.
43
O CARREGAMENTO DE UM CAPACITOR
O que acontece no interior do capacitor? Como ele se carrega?

De acordo com a Teoria Atômica, os materiais são compostos de átomos cuja estrutura é semelhante ao Sistema
Solar (núcleo e órbitas).

Sabe-se que os materiais isolantes são compostos por átomos com elétrons intimamente ligados ao núcleo, razão
pela qual não facilitam o deslocamento de elétrons (corrente elétrica).

A estrutura dos metais é característica porque os seus átomos têm elétrons que saem facilmente de suas órbitas e
se convertem em elétrons-livres.

O pólo positivo da bateria atrai os elétrons de uma placa deixando-a mais positiva (perdeu elétrons). Esta placa,
por sua vez, atrai os elétrons do pólo negativo da bateria para a outra placa, deixando-a mais negativa (recebe
elétrons). Desta forma estabelece-se um fluxo de elétrons (corrente elétrica) no circuito, apesar de não haver a
passagem de cargas elétricas através do dielétrico do capacitor. As duas placas ficam carregadas com iguais
quantidades de carga, porém de sinais contrários.

Este processo continua até que o capacitor esteja plenamente carregado, quando então o fluxo de elétrons se
interrompe.

Quando carregado por uma bateria, um eletrodo (placa condutora metálica) do capacitor torna-se positivamente
carregado e o outro se torna negativamente carregado através da repulsão eletrostática

Como as duas placas estão carregadas com cargas de sinais diferentes, surge um Campo Elétrico Uniforme
orientado da placa positiva para a placa negativa.

Como cargas elétricas imersas num campo elétrico possuem potencial elétrico, a diferença de potencial entre as
placas estabelece uma tensão elétrica do capacitor carregado. É por esta razão que dizemos que o capacitor
armazena energia no seu campo elétrico.

O Capacitor armazena energia no campo elétrico porque este forma um “bipolo” elétrico que estabelece uma
diferença de potencial (tensão) entre as placas carregadas.

44
Figura 68 – Circuitos com Capacitores

COMPORTAMENTO DOS CAPACITORES EM CIRCUITOS CC


Qual o comportamento dos capacitores quando
conectados aos circuitos de corrente contínua?

Certamente o mais simples é o circuito RC (de


temporização), mostrado na figura 70. É chamado RC
porque a combinação da resistência R e a capacitância C Vf - Vr- Vc = 0 I = (Vf – Vc) / R
determinam sua operação durante a carga e a descarga
Figura 70 - Circuito RC em corrente contínua
do capacitor.

CARGA DO CAPACITOR
No instante em que a chave é fechada, há um máximo de repulsão eletrostática (fluxo de elétrons máximo) e,
portanto, a corrente é máxima enquanto a tensão sobre o capacitor é nula.

45
O capacitor inicia o processo de carga e o fluxo de elétrons (corrente) tende a diminuir enquanto a tensão sobre
ele se eleva. Quando o capacitor estiver completamente carregado, é como se fosse um tanque fechado (lacrado)
completamente cheio e não circula mais corrente. Neste instante, a tensão sobre o capacitor é máxima e igual à
tensão da fonte (bateria).

Portanto, a tensão sobre o capacitor aumenta desde zero


(completamente descarregado) até igualar-se à tensão da
fonte, seguindo uma curva pré-determinada com relação ao
tempo. A corrente no circuito sofre uma variação
instantânea desde zero até um valor máximo (dependente
da resistência do circuito) e decai a zero, enquanto o
Figura 71 - Tensão sobre um capacitor num circuito RC – carga
capacitor se carrega.

Se o resistor for pequeno, a corrente flui facilmente e o


capacitor é carregado mais rapidamente. Se houver um
resistor de alto valor, o processo de carga segue uma
curva diferente e levará mais tempo para o
carregamento.

Figura 72 - Corrente sobre um capacitor num circuito RC - carga O comportamento da tensão versus tempo também é
influenciado pelo tamanho do capacitor.

Se a capacitância é muito alta, o capacitor requererá mais energia para carregá-lo (a área do tanque é maior), e a
corrente fluindo pelo resistor requererá mais tempo para carregá-lo.

A figura 71 apresenta 3 curvas de carga, cada uma atingindo o mesmo ponto final, mas através de diferentes
caminhos. A figura 72 apresenta o comportamento da corrente durante o carregamento do capacitor.

Ajustando o valor da resistência R e da capacitância C, as curvas 1,2, 3 e muitas outras podem ser formadas.

Qual a utilidade disto? Um circuito temporizador pode acionar ou desligar um aparelho após um tempo pré-
especificado através da tensão sobre o capacitor operando uma chave quando alcançar um valor pré-
determinado. Se outras considerações neste circuito exigissem que a chave fosse operada para uma tensão
decrescente, em vez de uma tensão crescente, a tensão que aparece sobre o resistor poderia ser usada.

No instante em que a chave for fechada, toda a tensão da bateria aparece sobre o resistor e nenhuma sobre o
capacitor. Neste instante, o capacitor se comporta como um curto-circuito.

A tensão sobre o resistor decresce com o tempo enquanto a tensão sobre o capacitor aumenta com o tempo.

46
Note que o capacitor bloqueará o fluxo de corrente contínua quando estiver carregado. O capacitor carregado se
comporta como um circuito aberto.

PRINCIPAIS PARÂMETROS DOS CAPACITORES


Antes de estudarmos os tipos de capacitores, precisamos conhecer os seus principais parâmetros

Capacitância Nominal (CN) - É o valor de capacitância pelo qual o capacitor é denominado e para o qual foi
fabricado. O valor real da capacitância pode apresentar um desvio (uma diferença), em relação ao valor nominal.

Tolerância – a Tolerância é uma faixa de variação admissível para a capacitância que o capacitor realmente
apresenta. O valor da Tolerância pode ser expresso em valor percentual da capacitância nominal ou através de um
intervalo de variação admissível da capacitância nominal.

Exemplo: Um Capacitor de 100pF (nominal) com tolerância 10% ou ± 10pF indica que a sua capacitância real pode
estar entre 90pF e 110pF. Se medirmos a sua capacitância e este valor estiver nesta faixa, o capacitor estará
dentro dos parâmetros. Caso contrário, estará fora de especificação.

Tensão Nominal (Vn) - É a tensão contínua máxima que pode ser aplicada a um capacitor, sem que ele se
danifique.

Tensão de Operação (Vop) – É a tensão na qual o capacitor opera sem reduzir sua vida útil.

Este valor de tensão não deve ser superior à tensão nominal do capacitor.

Tensão de Pico (Vp) - É a máxima tensão que pode ser aplicada num capacitor, por curtos períodos de tempo, até
5 vezes por minuto, durante 1 hora.

Resistência Paralela (Rp) - O Material dielétrico inserido entre as placas de um capacitor pode ser definido como
um resistor de altíssimo valor ôhmico. A existência dessa resistência é comprovada pelo fato de um capacitor, uma
vez carregado, não conservar a sua carga indefinidamente, pois a carga se escoa lentamente pelo dielétrico.

Resistência Série Equivalente - Rse (ESR)- A resistência série equivalente é formada pelas resistências das placas,
resistências de contato dos terminais com as placas e as resistências dos próprios terminais do capacitor.

Corrente de Fuga - É o fluxo de corrente através do dielétrico. Um baixo valor de corrente de fuga indica um
dielétrico de boa qualidade.

Características de Temperatura – A temperatura de operação, temperatura à qual o capacitor está submetido,


geralmente influencia no valor da sua capacitância. Geralmente, com o aumento da temperatura de operação, a
capacitância tende a aumentar. O comportamento da capacitância com relação à temperatura é especificado, pelo
fabricante, nas características de temperatura do capacitor.

47
TIPOS DE CAPACITORES.
Existem muitos tipos de capacitores para as mais diversas aplicações.

Os capacitores são classificados, geralmente, com relação ao material do seu dielétrico. Os tipos mais comuns são:

· Capacitores Cerâmicos (disco cerâmico, tipo “plate” e multicamadas);

· Capacitores de Filme Plástico (de poliéster, policarbonato, polipropileno e poliestireno);

· Capacitores Eletrolíticos de Alumínio;

· Capacitores Eletrolíticos de Tântalo;

· Capacitores Variáveis;

· Etc.

SEGUEM ALGUNS:

CAPACITORES DE DISCO CERÂMICO.


Os Capacitores de Disco Cerâmico são capacitores cujo dielétrico é feito de material cerâmico.

A fabricação desses capacitores começa com o pó da cerâmica que é colocado numa prensa e comprimido em
forma de pastilhas (dielétrico do futuro capacitor). Após, as pastilhas são introduzidas num forno para tratamento
térmico, sendo rigorosamente inspecionadas na saída do mesmo.

Depois da fabricação da pastilha, coloca-se prata vaporizada nas duas faces da mesma, que formarão as placas do
capacitor.

A soldagem dos terminais, realizada sobre a camada de prata, vem após os discos sofrerem um banho
desengordurante para limpeza.

A próxima etapa é a impregnação com resina para proteção e isolamento, sendo, após, realizado em uma estufa
um processo de endurecimento da resina impregnada.

CARACTERÍSTICAS DOS CAPACITORES CERÂMICOS:


Os capacitores de Disco Cerâmico apresentam capacitâncias de média a baixa, na ordem de PICOFARADS.

São usados geralmente em circuitos que operam em alta freqüência, onde o baixo fator de perdas e a alta
estabilidade do valor da capacitância são importantes.

Existem diversas séries de capacitores cerâmicos.

Em aplicações onde se tolera certa variação da capacitância em função da temperatura, utiliza-se capacitores
cerâmicos tipo Uso Geral (GP – General Purpose).

48
Quando o valor exato da capacitância não é importante e admite-se grande variação da temperatura, desde que o
valor da capacitância não caia abaixo de um mínimo necessário, utilizam-se capacitores cerâmicos tipo GMV
(mínimo valor garantido), onde a capacitância é no mínimo igual ao valor marcado no corpo do capacitor.

Os capacitores cerâmicos tipo TC (temperatura compensada) são identificados pelas siglas NPO, CGO ou pela letra
N seguida de um número. As siglas NPO e CGO indicam que o capacitor apresenta coeficiente de temperatura
nulo, isto é, sua capacitância é estável e não se altera dentro de uma faixa ampla de variação de temperatura. A
letra N seguida de um número indica que o capacitor tem um coeficiente de temperatura negativo, ou seja, a
capacitância diminui com o aumento da temperatura e vice-versa. Por exemplo, N470 significa que, para cada grau
centígrado de aumento na temperatura, a capacitância diminui de 470 x 10-6 pF por pF do seu valor nominal.

IDENTIFICAÇÃO DA CAPACITÂNCIA NOMINAL DO CAPACITOR CERÂMICO:


Os capacitores cerâmicos geralmente podem ser identificados por:

· Leitura direta em picofarads (pF ou 10-12F) no corpo do capacitor.

Exemplo: marcação de 8200 indica capacitância de 8.200 pF.

· Um código de 3 algarismos , sendo que os dois primeiros indicam a unidade e a dezena e o terceiro algarismo
indica o número de zeros, também em picofarads (pF).

Exemplo: marcação de 104 indica capacitância de 100.000 pF.

IDENTIFICAÇÃO DA TOLERÂNCIA.
A tolerância do capacitor cerâmico é expressa por uma letra geralmente após o valor da capacitância. A tabela II
mostra como identificar a tolerância em um capacitor cerâmico. Se a capacitância for até 10pF devemos usar as
colunas da esquerda e central. Se for maior que 10pF, devemos usar as colunas da direita e central.:

TABELA: CÓDIGO PARA IDENTIFICAÇÃO DA TOLERÂNCIA

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Exemplos:

a. marcação 5D. Capacitância nominal de 5 pF, tolerância de +/-0,5pF. Variação da capacitância de 4,5 a 5,5pF.

b. marcação 470K. Capacitância nominal de 470 pF, tolerância de +/-10%. Variação da capacitância de 423 pF a
517pF.

IDENTIFICAÇÃO QUANTO ÀS CARACTERÍSTICAS DE TEMPERATURA


Nos capacitores tipo TC (temperatura compensada) pode aparecer impresso no capacitor o coeficiente de
temperatura (ex: NPO e N) ou um código equivalente (ex: NPO = C)

Nos capacitores tipo GP (uso geral) e GMV (mínimo valor garantido) os capacitores são identificados com siglas
diversas, conforme tabela III.

A gama de temperatura indica que se a temperatura variar na faixa dada, há uma variação da capacitância que é a
dada pela letra indicativa da faixa de variação da capacitância.

TABELA - CÓDIGO PARA IDENTIFICAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE TEMPERATURA

IDENTIFICAÇÃO DA TENSÃO NOMINAL


A tensão nominal nos capacitores cerâmicos geralmente pode:

· Ser impressa diretamente no corpo do capacitor, em V ou kV.

· Não ser impressa (identificação por catálogo do fabricante). Geralmente 500V para os maiores e 100V para os
mini-discos.

· Ser identificada por um código (ex: um traço ( _ ) indica tensão nominal de 100 V).
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Figura 72 – Exemplos de identificação de capacitores cerâmicos

CAPACITORES CERÂMICOS “PLATE”


Plate é um tipo de capacitor cerâmico cujas principais vantagens e características são: tamanho ultra reduzido,
grande estabilidade no valor da capacitância, baixo custo e uma estreita faixa de tolerância (+/-2% nos capacitores
tipo TC).

A principal diferença entre os capacitores de disco cerâmico e os capacitores plate é que estes possuem placas
retangulares de cobre em vez de placas circulares de prata.

CAPACITORES CERÂMICOS MULTICAMADAS


Os capacitores cerâmicos multicamadas (multilayer) são construídos a partir da superposição de finas camadas de
material dielétrico cerâmico com metal depositado sobre suas superfícies formando uma espécie de “sanduíche”.
Daí a denominação de multicamadas.

As camadas metálicas individuais são conectadas umas às outras através de uma terminação metálica onde são
soldados os terminais de capacitor.

CAPACITORES DE FILME PLÁSTICO


Os capacitores de filme plástico se caracterizam por apresentarem como dielétrico uma lâmina de material
plástico (poliéster, polipropileno, poliestireno, policarbonato). Sua capacitância é da ordem de NANOFARADS.

Características: Baixíssimas perdas no dielétrico, alta resistência de isolação, estabilidade da capacitância, baixa
porosidade e conseqüente resistência à umidade.

Tipos: Poliéster (MKT), Prolipropileno (MKP), Poliestireno (MKS) e Policarbonato (MKC ou MAC).

TIPO NÃO METALIZADO


Possuem dielétrico de filme plástico e armaduras de folhas de alumínio. O conjunto armaduras mais o dielétrico
podem ser bobinados ou então sanfonados, conforme a opção construtiva. O capacitor de filme plástico não
metalizado não é auto-regenerativo, mas apresenta melhores características de corrente máxima admitida.

51
TIPO METALIZADO
Têm como característica marcante a propriedade de auto-regeneração. O dielétrico desses capacitores consiste
de filmes de plástico em cuja superfície é depositada, por processo de vaporização, uma fina camada de alumínio,
deixando-o metalizado.

Na fabricação do capacitor pode-se bobinar ou dispor o conjunto armaduras mais dielétrico em camadas (em
sanfona). Através da contactação das superfícies laterais dos capacitores com metal vaporizado, obtém-se bom
contato entre as armaduras e os terminais, assegurando baixa indutância e baixas perdas.

No caso de aplicação de uma sobre-tensão que perfure o dielétrico a camada de alumínio existente ao redor do
furo é submetida à elevada temperatura, transformando-se em óxido de alumínio (isolante) desfazendo-se então
o curto-circuito. Este fenômeno é conhecido como auto-regeneração.

CAPACITORES ELETROLÍTICOS DE ALUMÍNIO


Basicamente, todo capacitor é constituído de duas armaduras com um dielétrico entre estas.

Embora este princípio também seja válido para os capacitores eletrolíticos, a principal diferença entre estes e os
demais tipos de capacitores reside no fato de que um dos eletrodos - o cátodo - é constituído de um fluído
condutor - o eletrólito - e não somente uma armadura metálica como se poderia supor. O outro eletrodo, o
ânodo, é constituído de uma folha de alumínio em cuja superfície é formada, por processo eletroquímico, uma
camada de óxido de alumínio servindo como dielétrico.

ENTENDENDO O CAPACITOR ATRAVÉS DE UMA ANALOGIA HIDRÁULICA


Para entendermos melhor o comportamento de um capacitor, apresentaremos um exemplo que contém todos os
elementos de circuitos, chamados “elementos passivos”, e uma bateria. A bateria é um componente chamado
“ativo” porque pode fornecer energia ao circuito. Elementos “passivos” podem armazenar energia
momentaneamente, mas não podem fornecer
energia continuamente. Os três elementos
passivos principais são: os resistores, os
capacitores e os indutores.

Uma das analogias para o funcionamento do

Figura 73 - Circuito série com os três elementos passivos e uma bateria. capacitor é comparar o fluxo de corrente elétrica
com o fluxo de água fornecido por um tanque,
como mostra a figura 8. Um capacitor armazena energia quando está carregado. O tanque d’água é associado a
um capacitor que, por sua vez, é enchido por uma bomba (carregado por uma bateria). A quantidade de carga no
capacitor é análoga à quantidade de água no tanque. A altura da água com relação a um ponto de referência é a
tensão à qual a bateria “bombeou” (colocou) o capacitor, e a área do tanque é a capacitância. Um tanque alto e
52
estreito poderia conter a mesma quantia de água de um tanque baixo e largo, mas o tanque alto e estreito
produziria mais pressão. Há, também, capacitores “altos e estreitos” (alta tensão, baixa capacitância) e capacitores
“baixos e largos” (baixa tensão, alta capacitância).

Há também um cano saindo do tanque e uma


válvula. Se a válvula estiver aberta, a água sai. A
válvula funciona tanto como uma chave como um
resistor. Se a válvula é aberta parcialmente, ela
causa resistência suficiente, de tal forma que a água
flui vagarosamente do tanque. Ela se comporta
como um resistor variável. Quando a resistência é
alta, a água flui devagar, mas se a resistência é

Figura 74 - Analogia hidráulica para o funcionamento de um capacitor reduzida, a água pode fluir mais livremente (válvula
aberta).

Uma vez que a água estiver fluindo pode-se interromper pelo fechamento da válvula. A água no cano, já em
movimento, deve parar. Se a válvula for fechada muito rapidamente, a água deverá parar de fluir da mesma
forma. Quando uma válvula é fechada rapidamente, a energia da água em movimento repentinamente não tem
para onde ir. A água forçará os canos em algum ponto, de tal forma que, em alguns sistemas hidráulicos, chegará a
causar um som característico (o chamado Golpe de Ariete).

A água em movimento atua assim como um indutor age nos circuitos eletrônicos, ou seja, tenta manter a corrente
fluindo. A bateria é a bomba, o capacitor é o tanque, o resistor e a chave são a válvula e o indutor é a água em
movimento no cano. O circuito resultante é o mesmo.

Com esta analogia hidráulica poderemos agora entender o comportamento dos capacitores em circuitos de
corrente contínua. SIMBOLOGIA

Figura 75– Símbolos do Capacitor

UNIDADE DE MEDIDAS
Sua unidade é o farad (F).

MEDIÇÃO DE POTÊNCIA – EXPERIÊNCIAS


1ª Experiência

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Pap =V x I = _______ x ______ = ______
Sem capacitor

Potência ativa indicada pelo wattímetro:

A potência aparente é maior que a potência ativa.

2 ª Experiência

Com capacitor

Potência ativa indicada pelo wattímetro:

Colocando-se um capacitor em paralelo com a bobina,


a potência indicada pelo wattímetro é a mesma, mas
o produto V x I diminui, ou seja, diminui a potência
aparente.

Isto ocorre porque o capacitor atua em sentido


contrário a bobina.

Pap =V x I = _______ x ______ = ______

Devido a isto se utiliza o capacitor para melhorar o fator de potência (Cos. Baixo) das instalações.

Figura 76 – Triângulo de Potências

54
CIRCUITO TRIFÁSICO

A energia elétrica que mais utilizamos é gerada em corrente alternada, o que possibilita uma geração em larga
escala e a baixo custo.

Os geradores usados são trifásicos, ou seja, possuem um enrolamento com três bobinas, nas quais é gerada a
energia através da indução eletromagnética, e a cada uma destas bobinas damos o nome de fase.

Como estas bobinas estão dispostas em posição físicas separadas e eqüidistantes uma das outras, a geração
ocorre em momentos distintos nas mesmas, provocando desta maneira um defasamento entre as tensões
geradas.

Temos então três tensões iguais e defasadas entre si (120 º).

Figura 77 – Geração da Tensão Alternada

Cada um dos pares de extremidades das bobinas é interligado a um condutor comum o qual damos o nome de
neutro, e as extremidades restantes formam as três fases onde cada uma representa uma bobina do gerador.

Figura 78 – Geração de Tensão Alternada

Entre uma fase e um neutro teremos uma tensão (d.d.p.) que chamamos de tensão de fase e neutro (Vfn) ou
tensão simples.

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Entre duas fases a tensão (d.d.p.) que encontramos é bem maior a qual chamamos de tensão fase-fase (Vff) ou
tensão composta (tensão de linha).

Faremos a seguinte analogia:

Considerando três circuitos monofásicos idênticos, ou seja:

• Com mesma tensão

• Com mesma carga

Vemos que utilizamos seis condutores para


alimentarmos as cargas, o que aumenta o custo da
instalação. Podemos então reduzir o número de
condutores, associando os condutores neutros em um
só.

Portanto um circuito trifásico é composto de 3 circuitos


monofásicos, ou seja, 3 fases e 1 neutro.

Figura 79 – Equilíbrio de Fases

TENSÃO SIMPLES E TENSÃO COMPOSTA


Em um circuito trifásico encontramos 2 tipos de tensão:

a) Tensão simples (V)

b) Tensão composta (U)

A tensão simples é encontrada entre fase e neutro


(tensão de uma fase).

A tensão composta é encontrada entre duas e fases


(tensão fase-fase).

A tensão composta é 1,73 vezes maior que a tensão Figura 80 – Medição da Tensão no Equilíbrio de Fases

simples.

Assim:

CIRCUITO ESTRELA (Y)

Dizemos que um circuito está ligado em estrela, quando as cargas estão ligadas entre
fase e neutro e um circuito trifásico.

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Figura 81 – Circuito Estrela

CIRCUITO ESTRELA EQUILIBRADO.


Considerando um circuito trifásico, com três cargas iguais ligadas em estrela.

Figura 82 – Circuito Estrela Equilibrado

Notamos que no condutor neutro não há corrente, pois as cargas são iguais.

Dizemos, então, que o circuito é estrela equilibrado.

Assim podemos eliminar o condutor neutro, sem prejuízo para as cargas.

CIRCUITO ESTRELA DESEQUILIBRADO


Considerando um circuito trifásico, com três cargas diferentes, ligadas em estrela.

Figura 83 – Circuito Estrela Desequilibrado

Notamos que no condutor neutro há uma corrente, pois as cargas são diferentes.

Dizemos então que é um circuito estrela desequilibrado.

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Assim, não podemos retirar o condutor neutro, pois a fase que contém menos carga sofrerá uma sobre-tensão e a
fase com maior carga sofrerá uma sub-tensão.

Nos sistemas elétricos utilizamos comumente o


aterramento do condutor neutro, afim de
garantir a sua continuidade e no caso de
interrupção ter um retorno de corrente pela
terra.

Figura 84 – Circuito Estrela Desequilibrado

CIRCUITO TRIÂNGULO (Δ)

Dizemos que um circuito está ligado em triângulo quando as cargas estão ligadas entre fase e fase, em um circuito
trifásico.

Figura 85 – Circuito Triângulo

TRANSFORMADORES (TRAFO)

Os transformadores são equipamentos muito importantes no transporte de


energia elétrica.

Graças a eles podemos elevar a tensão para transportamos a mesma potência


com uma corrente mais baixa, reduzindo-se assim as perdas, bem como
baixamos a tensão para valores mais seguros para que possa ser utilizada.

Como vimos, a maior parte da corrente que trabalhamos é alternada. Figura 86 – Poste de Rua

A razão disso são os transformadores, pois os mesmos só funcionam com este tipo de corrente.
58
No trafo observamos fios de entrada e fios de saída.

A entrada chamamos de primário e a saída chamamos de secundário.

O trafo serve para alterar valores de corrente e tensão da seguinte maneira:

a) Eleva tensão e abaixa corrente:

Figura 87 – Funcionamento do Transformador

b) Abaixa tensão e eleva a corrente:

Figura 88 – Funcionamento do Transformador

TRANSFORMADOR MONOFÁSICO
Constituição:

•Um núcleo de ferro

•Enrolamentos (primário e

secundário).

•Isolamento (entre o núcleo e os

enrolamentos).

Figura 89 – Fundamento do Transformador Monofásico

Alimentando-se a bobina do primário com corrente alternada (C.A.), esta produz um campo magnético alternado
(que é composto de linhas de força).

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O núcleo de ferro conduz as linhas de força (campo magnético), submetendo a bobina secundária à ação deste
campo. O campo magnético variável (alternado) induz uma corrente elétrica na bobina secundária.

Figura 90 – Transformador Internamente

Para que um transformador seja elevador de tensão, é necessário que tenha maior número de espiras no
secundário e menor número de espiras no primário.

Figura 91 – Transformador Internamente

Para que o trafo abaixador de tensão, é necessário que tenha maior número de espiras no primário e menor
número de espiras no secundário.

Assim, verificamos a relação entre tensão e espiras, a qual é dada pela fórmula:

V1 = Tensão primária

V2 = Tensão secundária

N1 = número de espiras do primário

N2 = número de espiras do secundário

Exemplo:

Um transformador tem 550 espiras no primário e 1100 espiras no secundário. Sua tensão de primário é de 110V.
Calcular a tensão do secundário.

60
Podemos substituir os três transformadores
monofásicos por um trifásico, o qual é
constituído por:

• 1 núcleo de ferro

• 3 enrolamentos primários
Figura 92 – Transformador Trifásico
• 3 enrolamentos secundários

• isolamento

Os enrolamentos dos trafos trifásicos de distribuição


são ligados da seguinte maneira:

O primário em triângulo.

O secundário em estrela.

O condutor neutro na saída do trafo está conectado no


centro da estrela.

TRANSFORMADOR DE POTENCIAL (TP) Figura 93 – Transformador Trifásico


O TP é um transformador para instrumentos, cuja
função é reduzir a tensão a valores convenientes a medição e proteção, isolando os equipamentos da AT.

61
Figura 94 – Circuito Elétrico

Ligação – em paralelo no circuito.

Neste caso a leitura do voltímetro deverá ser multiplicada pela relação do TP (Rtp) para obter a tensão primária.

Ex: leitura = 100V, a tensão primária será 100 x 120 = 12.000 V

TRANSFORMADOR DE CORRENTE (TC)


O TC é um equipamento destinado a reduzir a corrente a valores que possam ser aplicados aos aparelhos de
medição e proteção.

Um exemplo prático de TC é o alicate volt-amperímetro, onde a bobina do primário é o próprio condutor da rede,
e a bobina secundária está enrolada em torno das garras do alicate. A bobina secundária alimenta o circuito
interno do volt-amperímetro (o galvanômetro).

Figura 95 – Medidor de Corrente Elétrica

A principal característica do TC é que este possui poucas espiras no primário e muitas no secundário.

62
Figura 96 – Medição de Corrente Elétrica em uma das Fases

LIGAÇÃO – EM SÉRIE NO CONDUTOR


Nota importante:

Ao se desligar o secundário do TC devemos curto-circuitá-lo. Se deixarmos o secundário aberto, surgirá uma AT no


mesmo, pois passará a funcionar como um transformador elevador de tensão, o que pode ocasionar uma
descarga elétrica no equipamento, trazendo danos tanto para o equipamento como para o operador.

MÁQUINAS ELÉTRICAS – MOTORES


INTRODUÇÃO
O motor converte energia elétrica em energia mecânica. Segue o princípio do campo magnético variável, produzir
força sobre um condutor com corrente.

Detalhes construtivos

. Estator: parte fixa do motor. É constituído de bobinas que produzem o campo magnético.

. Rotor: parte móvel do motor. Pode conter uma bobina ou um ímã permanente.

MOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA


Usados quando se necessita de um controle preciso de velocidade.

MOTORES DE CORRENTE ALTERNADA


Motores assíncronos: máquinas que não giram em uma freqüência proporcional ao sistema. São de construção
simples e largamente usada na indústria. Também são chamados de motores de indução.

A construção típica de um motor de indução é do tipo “gaiola de esquilo”, no qual os condutores do rotor
assemelham-se a uma gaiola.

A rotação dos motores de indução pode ser calculada pelo seu escorregamento.

Caso o motor esteja em vazio, sua velocidade será próxima ao do sistema.


63
Quando mais carga, menor a velocidade e maior o escorregamento.

Motores síncronos: máquinas em que giram em uma freqüência proporcional ao sistema. Possuem um campo
magnético no rotor controlado por uma fonte CC. Este campo pode ser controlado, no qual sua principal aplicação
é na absorção de potência reativa Também podemos dividir os motores CA em:

Motores trifásicos: O uso de três fases permite a configuração de um campo magnético girante no estator, no qual
o rotor seguirá naturalmente.

Motores monofásicos: Em motores de indução, a presença de somente uma fase não é suficiente para haver um
campo magnético girante, necessário pelo menos para a partida do motor. O principal recurso utilizado é de um
enrolamento auxiliar em série com um capacitor, no qual causará uma defasagem suficiente para iniciar o giro.

MOTOR UNIVERSAL
Possui características construtivas de um motor CC mas ser usado também em CA. Muito usado em aplicações
domésticas, como batedeiras, liquidificadores e aspiradores de pó.

- Características de um motor elétrico,

- Potência,

A potência mecânica é usualmente medida em HP (igual a 746 W) ou CV (igual a 736 W).

TORQUE OU CONJUGADO
. Conjugado nominal

. Conjugado de partida

VELOCIDADE
Medida em rotações por minuto (rpm).

TENSÃO E CORRENTE
Além da corrente nominal, o motor possui a corrente de partida (usualmente 7 vezes superior a nominal), que é
necessária para vencer a inércia do motor.

Ambas as correntes podem ser calculadas pela fórmula:

Para sistemas trifásicos:

64
FATOR DE POTÊNCIA
Perdas

A energia elétrica não é totalmente convertida em energia mecânica. Os principais pontos de perda de potência
são:

. Perdas por efeito joule nos cabos (resistência),

. Perdas nos circuitos magnéticos,

. Perdas por ventilação acoplada ao eixo,

. Perdas por atrito nos mancais.

PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS COM MOTORES EM PARTIDA


Devido à elevada corrente no momento de partida de um motor, e eventualmente em uma condição de rotor
preso, a instalação deve suportar certas solicitações.

. A proteção não deve atuar no momento da partida, mas atuar em condições de falha, . O condutor deve suportar
a temperatura,

. A queda de tensão deve ser inferior à permissível, senão o motor não terá força, além de afetar outros
equipamentos.

Existem equipamentos que auxiliam a partida de motores, como por exemplo:

Chave estrela-triângulo: através da comutação da forma de interligação das bobinas, o motor recebe menos
tensão, partindo gradualmente. Com as bobinas em estrela a tensão é reduzida, comutando automaticamente em
delta, para tensão nominal, quando o motor estiver em movimento.

Transformador de partida: fornece uma tensão mais baixa para uma partida suave. Uma chave automática
seleciona níveis de transformação até a tensão nominal.

Eletrônica de potência: controla a forma de onda de tensão fornecida, aumentando gradualmente a corrente.

PARTIDA DE MOTORES ELÉTRICOS


A partida de um motor demanda uma corrente muito acima do normal, geralmente entre 6 a 10 vezes a corrente
nominal, durando entre 0,5 a 10 segundos.

Para isso, o sistema deve estar projetado para suportar esta partida. A corrente de partida é um fator de projeto
da proteção do circuito. A princípio a potência reativa não é preocupante, pois a partida é muito rápida e não
afeta o consumo total.

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CIRCUITOS TRIFÁSICOS COM MOTORES
Para o cálculo de motores trifásicos, pode-se considerar a potência dividindo-se em três circuitos monofásicos,
com tensão fase-terra. Neste caso o circuito seria do tipo estrela-estrela (vide aula anterior). Como o motor é um
circuito equilibrado, não haverá corrente circulando no neutro (caso exista).

FATOR DE POTÊNCIA DE MOTORES


Um motor não necessariamente terá uma carga constante. Para cada nível de carga, suas características podem
variar, como por exemplo, o rendimento e o fator de potência. Desta forma podemos pensar que o motor possui
um ponto aonde seu desempenho seja ótimo. Este ponto, em geral, será o regime de trabalho nominal do motor.

RISCOS DA ELETRICIDADE

A eletricidade deixa a vida muito cômoda, mas devemos observar os riscos inerentes do seu uso. Este capítulo
passa de forma bem objetiva a maioria dos riscos existentes, sendo alguns claramente perigosos, e outros cujas
conseqüências ainda não foram constatadas a longo prazo.

CHOQUE ELÉTRICO
O risco mais óbvio, provém de circuitos com tensão suficiente para fazer passar uma corrente elétrica pelo corpo.

ANATOMIA DO CHOQUE
De forma simplificada, duas grandezas determinam a severidade do choque:corrente elétrica e duração.

O efeito do choque mais iminente à morte é a brilação ventricular, que consiste na série descoordenada e
potencialmente fatal de contrações ventriculares muito rápidas e ineficazes produzida por múltiplos impulsos
elétricos caóticos.

Outros efeitos do choque elétrico são:

Contrações musculares,

. Queimaduras,

. Efeitos neurológicos,

. Parada respiratória,

. Efeitos indiretos (ex. quedas).


66
Contato direto

Tensão de toque

Tensão de passo

Malha de terra - uniformização do potencial no solo, minimização das tensões de passo e de toque.

Corrente contínua ou alternada, qual a mais perigosa?

Podemos pensar no corpo humano como um sistema, que responde de acordo com cada sinal. É como um circuito
ressonante, mas no caso é devido a complexidade do organismo, inclusive entre indivíduos, teremos vários graus
de sensibilidade.

ELETRICIDADE INDUZIDA
Ao observarmos um circuito elétrico isolado, pensamos que não corremos risco algum. O que é um erro grave em
algumas situações. Basta lembrar dois casos:

. A idéia de um capacitor é a de duas placas separadas por um dielétrico, que é isolante, mas há tensão induzida
de uma placa sobre a outra.

. O transformador são dois conjuntos de bobinas, no qual uma induz corrente sobre a outra através de um campo
magnético.

Mas, o que acontece é que (1) qualquer coisa pode comportar-se como um capacitor, não basta serem duas placas
paralelas; (2) qualquer coisa pode comporta-se como transformador, não basta ter um núcleo de ferro ou até uma
espira completa.

Logo, enquanto você observa um circuito elétrico energizado, este estará induzido em VOCÊ tensões e correntes.
Este circuito pode ser desde um celular até o transformador da sua rua: tudo interage com tudo.

Obviamente alguns circuitos interagem de maneira mais óbvia, por exemplo os circuitos de alta tensão.

ELETRICIDADE ESTÁTICA
Choques, queima de equipamentos

Formas de prevenção: aterramento, blindagem

CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS
Interferências

Formas de prevenção: blindagem

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RISCOS INDIRETOS
O uso incorreto da eletricidade pode causar várias conseqüências:

. Incêndios devido à sobrecarga e queima de equipamentos,

. Parada de equipamentos vitais, como equipamentos médicos,

. Interferência em equipamentos vitais (ex. telefone celular em aeronaves),

. Quedas por choques elétricos em técnicos no topo de postes,

NORMAS E LEGISLAÇÃO

A NR-10 trata da segurança relativa a qualquer trabalho envolvendo eletricidade em níveis perigosos. Alguns dos
assuntos tratados são:

. Natureza da eletricidade para o pessoal leigo, mas que está exposto ao risco,

. Primeiros socorros,

. Uso de EPI (equipamento de proteção individual) e EPC (equipamento de proteção coletiva),

. Legislação pertinente,

BASICAMENTE A NORMA TRATA


1. Atendimento aos requisitos da NR-10: RTI – Relatório Técnico de Inspeção das Instalações Elétricas;
Treinamentos NR-10 básico, segurança em serviços com instalações elétricas – curso básico (anexo III da NR-10);
Treinamentos NR 10 SEP, segurança em serviços com instalações elétricas – curso complementar (anexo III da NR-
10); Elaboração e treinamentos NR10 procedimentos; Diagrama elétrico “as built” das instalações elétricas; PIE –
Prontuário das Instalações elétricas;

2. Projetos Elétricos e SPDA – Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas: Projetos elétricos em geral;
Projeta sistema de SPDA, em conformidade com a NBR 5419, com toda a documentação técnica requerida:
relatório de necessidade de SPDA, Estratificação e resistividade de solo, Determinação do nível de proteção e
desenhos completos; Instalação do SPDA completo; Aterramentos elétricos; Proteção contra surtos de tensão;

3. Diagnóstico energético: Conservação de energia; Correção de fator de potência; Análise de faturas para
enquadramento tarifário; Diagnóstico de consumo com determinação de pontos de perdas e oportunidade de
redução; Medição de curva de carga e avaliação de carregamento de transformadores; Análise de harmônicos;
Alteração de matriz energética;

4. Grupo Geradores: Projeta e instala grupos geradores elétricos; Manutenção preventiva e corretiva de grupos
geradores; Redução de custos de energia elétrica;
68
5. Serviços de engenharia elétrica: Correção de Fator de Potência; Analise do fator de potência, calculo do sistema
de correção, dimensionamento de banco de capacitor automático e individual; Análise e correção de harmônicos e
distúrbios da rede elétrica; Rateio da Energia elétrica por centro de custo; Laudos de instalações elétricas NR-10;
Laudos de SPDA Prontuário das instalações elétricas;

Como exercício, favor consultar a NR 10, e discutir em sala as suas diretrizes.

TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


INTRODUÇÃO
Um fator muito importante no dia-a-dia de uma indústria, é o planejamento dos gastos com energia elétrica. Para
grandes consumidores, as empresas de energia elétrica abrem algumas categorias.

A tabela abaixo ilustra o consumo estimado de alguns equipamentos comuns.

Sabendo-se a potência média, multiplica-se pela duração de uso e número de dias do mês (no exemplo abaixo foi
considerado 30 dias).

CURVAS DE DEMANDA E DE ENERGIA


Demanda: quantidade de potência sendo solicitada pelo consumidor em um instante. Medido em kW (ou
múltiplos1) a cada 15 minutos.

Energia: quantidade consumida ao longo do dia, ou seja, demanda x tempo.

É a integral da curva. Medido em kWh (ou múltiplos).

Atenção! a demanda medida é o valor máximo verificado ao longo do mês.

Basta deixar os aparelhos ligados por 15 minutos que você pagará a demanda com se estivessem permanecidos
ligados o mês todo.

HORÁRIO DE PONTA
O sistema elétrico tem como horário crítico, em dias úteis, em torno de 18 às 22 horas, o que é chamado de
horário de ponta. Para isso cada empresa possui uma tarifa diferenciada para o horário de ponta.

O horário de ponta varia para cada empresa de energia, mas consiste em três horas seguidas. Por exemplo, a Light
determinou como horário de ponta de 17:30 às 20:30. O horário restante é o de fora de ponta, com tarifa mais
barata.

ENERGIA ELÉTRICA – CÁLCULO DA TARIFA


Para a adoção de estratégias para a otimização do uso de energia elétrica faz-se necessário o perfeito
conhecimento da sistemática de tarifação. Pois, a legislação brasileira permite às concessionárias calcular as

69
faturas em função do: (a) consumo (kWh) , (b) demanda (kW), (c) fator de potência e (d) diferentes tipos de
tarifas.
Para a elaboração das faturas os consumidores finais (indústrias, residências, propriedades rurais, comércio e
outros), são classificados em dois Grupos conforme o Quadro 1

QUADRO 1 - GRUPOS DE CONSUMIDORES


Grupo A - Alta Tensão

A-1 - 230 kV ou mais;


A-2 - 88 a 138 kV;
A-3 - 69 kV;
A-3a - 30 a 44 kV;
A-4 - 2,3 a 13,8 kV; e
A.S. - 2,3 a 13,8 kV (Subterrâneo).

Grupo B - Baixa Tensão

B-1 - Residencial;
B-1 - Residencial Baixa Renda;
B-2 - Rural;
B-3 - Não Residencial Nem Rural; e
B-4 - Iluminação Pública.

PARÂMETROS PARA TRIBUTAÇÃO


Consumo refere-se ao registro do quanto de energia elétrica foi consumida durante determinado período. No
cálculo das faturas é considerado o período mensal e este é expresso em kWh (quilo watts hora).

DEMANDA
Demanda corresponde ao consumo de energia dividido pelo tempo adotado na verificação. Conforme legislação
brasileira é determinado para fins de faturamento que este período seja de 15 minutos. Assim, por exemplo, se
determinada instalação possui quatro motores de 30 kW (40 cv) que são acionados da seguinte maneira:

0 - 3 minutos - 2 motores - Carga = 60 kW,

3 - 10 minutos - 4 motores - Carga = 120 kW,

10 - 15 minutos - 1 motor - Carga = 30 kW.

Observa-se para este caso, que a demanda será:

D= (60kW.3min + 120kW.7min + 30kW.5min)/15 = 78 kW (105 cv)

70
No entanto, a demanda para o faturamento mensal será o maior entre os seguintes valores:

Demanda registrada - corresponde ao maior valor de demanda medido em intervalos de 15 minutos durante
período, em média considera-se um mês. Desta forma, dentre 3000 valores registrados, seleciona-se o maior.

Demanda contratada - cabe ao usuário, com base nas cargas instaladas e processo produtivo, definir o valor de
demanda necessário. Fator que será considerado pela concessionária ao definir os equipamentos para atender a
solicitação de serviço, como: transformadores, dispositivos de proteção e/ou eventualmente até a subestação.

Demanda Percentual - considerando o período de 11 meses anteriores ao mês em questão, seleciona-se a


máxima demanda registrada e calcula-se 85% deste valor. O que demonstra ser necessária a monitoração do valor
da demanda. Pois, um alto valor pode refletir nos valores das faturas dos 11 meses subseqüentes.

FATOR DE POTÊNCIA

Geralmente em circuitos elétrico têm-se potências ativas e reativas. As potencias ativas referem-se ao somatório
dos valores dispensados a realização de trabalho como: aquecimento, resfriamento, iluminação e acionamento de
equipamentos. Enquanto as potências reativas são associadas à manutenção de campos elétricos, como os que
ocorrem nas espiras dos motores elétricos. Ao somar vetorialmente as potências ativas e reativas têm-se a
potência total.

Desta forma, define-se como fator de potência, a razão entre potência ativa e potência total, e seu valor variam
entre 0 e 1.

Conforme legislação brasileira, o fator de potência deverá ter como limite mínimo o valor de 0,92. Caso ocorra
valores menores o consumidor será penalizado. O registro do fator de potência ocorre em intervalos horários.
Para o cálculo da fatura seleciona-se o menor valor ocorrido no mês em questão. Assim, dentre 700 registros
mensais, seleciona-se o menor

SISTEMA TARIFÁRIO
Em estudos realizados nos anos oitenta, foi constatado que o perfil de comportamento do consumo ao longo do
dia encontra-se vinculado aos hábitos do consumidor e às características próprias do mercado de cada região. Foi
também caracterizado que o sistema elétrico brasileiro, em quase sua totalidade, possui geração por meio de
hidroelétricas. Portanto, o maior potencial de geração concentra-se no período chuvoso.

Baseando-se nestas características originou-se, em 1982, a nova Estrutura Tarifaria Horo-sazonal. Em que as
tarifas têm valores diferenciados segundo: horários do dia e períodos do ano, conforme descrito abaixo:

71
1) DIVISÃO DO DIA
• Horário de Ponta - Corresponde ao intervalo de 3 horas consecutivas, ajustado de comum acordo entre a
concessionária e o cliente, situado no período compreendido entre as 18h e 21h e durante o horário de verão e
das 19h à 22h.

• Horário Fora de Ponta - Corresponde às horas complementares ao horário de ponta.

2) DIVISÃO DO ANO
• Período Seco - Compreende o intervalo situado entre os meses de maio a novembro de cada ano (sete meses).

• Período Úmido - Compreende o intervalo situado entre os meses de dezembro de um ano a abril do ano
seguinte (cinco meses).

Considerando, os parâmetros de tributação e a sistemática horosazonal, têm-se as tarifas Convencionais e


Horosazonal. O cálculo das faturas no sistema convencional considera apenas os parâmetros de tributação.
Enquanto no sistema horosazonal é considerado os parâmetros de tributação e as variações horosazonais
descritas acima. Sendo que na estrutura Horosazonal têm-se as tarifas: Azul e Verde.
A Tarifa Azul aplica-se às unidades consumidoras que possuem processo produtivo contínuo e enquadram-se no
Grupo A. A adoção desta é obrigatória aos consumidores dos tipos A-1, A-2 e A-3 e opcional aos demais.
Enquanto, a Tarifa Verde aplica-se aos consumidores com capacidade de modulação do processo produtivo. Esta é
opcional aos consumidores do Grupo A tipos A-3a, A-4 e A-S.

Apresentam-se no Quadro 2 os itens considerados nos cálculos das faturas ao aplicar as tarifas Azul e Verde.

Quadro 2 - Itens considerados nos cálculos de faturas de energia elétrica para as tarifas Azul e Verde.

Tarifa Azul

Demanda na Ponta
Demanda Fora de Ponta
Consumo na Ponta
Consumo Fora de Ponta

Tarifa Verde

Demanda
Consumo na Ponta
Consumo Fora de Ponta

72
CÁLCULO DAS FATURAS
1) CÁLCULO DA FATURA - TARIFA CONVENCIONAL

- Grupo B

O faturamento é obtido pelo produto do consumo medido pela respectiva tarifa em vigor.

Fc = C x Tc em que,

Fc - valor da fatura, R$

C - consumo de energia elétrica medido no mês, kWh

Tc - Tarifa de consumo, R$/kWh

2) CÁLCULO DA FATURA - TARIFA CONVENCIONAL

- Grupo A Somente aplicável de forma opcional aos consumidores dos tipos A-3a, A-4 e A-S. Tem-se:

Ft = Dfat x Td + C x Tc , em que,

Ft - valor da fatura, R$ Dfat - valor da demanda faturável, kW

Td - tarifa de demanda, R$/kW

C - consumo de energia elétrica medido no mês, kWh

Tc - tarifa de consumo, R$/kW/h

3) CÁLCULO DA FATURA - TARIFA AZUL

Ft = Dfatp x Tdp + Dfatfp x Tdfp + Cp x Tcp + Cfp x Tcfp , em que,


Dfatp - demanda faturada no horário de ponta, kW
Tdp - tarifa de demanda de ponta, R$/kW
Dfatfp - demanda faturada no horário fora de ponta, kW
Tdfp - tarifa de demanda fora de ponta, R$/kW
Cp - consumo medido no mês - horário de ponta, kWh
Tcp - tarifa de consumo no horário de ponta, R$/kWh
Cfp - consumo medido no mês - horário fora de ponta, kWh
Tcfp - tarifa de consumo no horário fora de ponta, R$/kWh

4) CÁLCULO DA FATURA - TARIFA VERDE


FT = Dfat x TD + Cp x Tcp + Cfp x Tcfp , em que,
73
Dfat - demanda faturada, kW
TD - tarifa da demanda, R$/kW
Cp - consumo medido no mês - horário de ponta, kWh
Tcp - tarifa de consumo no horário de ponta, R$/kWh
Cfp - consumo medido no mês - horário fora de ponta, kWh
Tcfp - tarifa de consumo no horário fora de ponta, R$/kWh

ERROS COMUNS AO LIDAR COM A ELETRICIDADE

A seguir são listados alguns enganos muito comuns que ocorrem durante o estudo e ao lidar com a eletricidade.

Espera-se que o leitor não os repita.

OMITIR UNIDADE
Em todos os campos da engenharia é essencial uma informação precisa. É necessário informar as unidades em que
se encontram os resultados, juntamente com múltiplos e submúltiplos.

ESQUECER DO MÚLTIPLO/ SUBMÚLTIPLO DA UNIDADE


Conforme dito anteriormente, mas o que ocorre regularmente é de não se considerar os múltiplos na hora dos
cálculos. Fatalmente o resultado será muito irreal. A prática, realizando-se exercícios regularmente, permite que o
aluno ganhe sensibilidade e permita perceber quando um valor esteja fora do esperado.

MÚLTIPLO DA UNIDADE AO QUADRADO OU AO CUBO


Algumas medidas comuns, como mm², merecem atenção pois o múltiplo também é elevado ao quadrado (ou ao
cubo).

CONFUSÃO ENTRE SÉRIE E PARALELO


Dois elementos estão em série quando compartilham a mesma corrente, ou seja, estão em linha. Dois elementos
estão em paralelo quando compartilham a mesma diferença de potencial, ou seja, quando seus terminais
coincidem.

Quando há um terceiro elemento no meio, ele invalida esta condição. Deve-se localizar os elementos e localmente
convertê-los para um equivalente, até que seja possível resolver todo o circuito.

Eventualmente pode não ser possível solucionar o circuito através de equivalente série-paralelo, quando por
exemplo existir mais de uma fonte no circuito.

Neste caso deve-se solucionar um sistema de equações de Kirchoff, mas isto não é objetivo deste curso...
74
EXCESSO DE INFORMAÇÃO/ CÁLCULOS DESNECESSÁRIOS
Eventualmente podem ser calculadas todas as características de um circuito, mas o que se pede era somente um
valor, de um detalhe que leva um minuto para resolver. Para isto, preste atenção no que se pede no exercício.

Chaves

Uma chave aberta ou fechada pode alterar totalmente a topologia do circuito.Esta chave pode cortar elementos
em série, ou curto-circuitar elementos em paralelo.

APROXIMAÇÕES
É comum, não somente durante o curso mas na vida profissional, surgir elementos que podem ser, em uma
primeira aproximação, desprezados. Com a prática você poderá julgar se um elemento pode ser aproximado, por
exemplo, para zero ou infinito, deixando desta forma um circuito mais fácil de resolver. Não esqueça de justificar
sua aproximação, bem como de observar se o exercício não aceita aproximações

ANEXOS E INFORMACOES AUXILIARES


INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

OHMÍMETRO
Um OHMÍMETRO ou ôhmetro é um instrumento para medir a resistência
elétrica. O desenho de um ohmímetro compõe-se de uma pequena bateria
para aplicar uma voltagem à resistência a ser medida, para depois mediante
um galvanômetro medir a corrente que circula através da resistência. A
escala do galvanômetro está calibrada diretamente em ohms , já que em
aplicação da lei de Ohm, ao ser a voltagem da bateria fixa, a intensidade
circulante através do galvanômetro só vai depender do valor da resistência
medida, isto é, a menor resistência maior intensidade de corrente e vice-
versa.

Existem também outros tipos de ohmímetros mais exatos e sofisticados, nos


que a bateria tem sido substituída por um circuito que gera uma corrente
Figura: Ohmímetro.
de intensidade constante I, a qual se faz circular através da resistência R
baixo prova. Um ohmímetro de precisão tem quatro terminais, denominados contactos Kelvin. Dois terminais
levam a corrente constante desde o medidor à resistência, enquanto os outros dois permitem a medida da
voltagem diretamente entre terminais da mesma, com o que a queda de tensão nos condutores que aplica a
corrente constante à resistência interna não afeta à exatidão da medida.

75
MULTÍMETRO
Multímetro digital onde podem se medir várias magnitudes elétricas.

Um multímetro, chamado também polímetro ou tester, é um instrumento


que oferece a possibilidade de medir diferentes magnitudes no mesmo
aparelho. As mais comuns são as de voltímetro, amperímetro e ohmímetro.
É utilizado freqüentemente pelo pessoal técnico em toda a faixa de
eletrônica e eletricidade. Existem diferentes modelos que incorporam além
das três funções básicas dantes citadas outras medidas importantes, tais
como medida de indutâncias e capacitâncias; comprovador de diodos e
transistores; ou escalas para a medida de temperatura mediante
Figura: Multímetro Digital
termopares padrão.

Também há multímetros com funções avançadas que permitem: gerar e detectar a freqüência intermediária de
um aparelho, bem como um circuito amplificador com alta voz para ajudar na sintonia de circuitos destes
aparelhos; o rastreamento do sinal através de todas as etapas do receptor baixo prova; realizar a função de
osciloscópio acima do milhão de mostras por segundo em velocidade de varredura, e muito alta resolução;
sincronizar com outros instrumentos de medida, inclusive com outros multímetros, para fazer medidas de
potência pontual (Potência = Voltagem x Corrente Elétrica); utilizar-se como aparelho telefônico, para poder ligar
a uma linha telefônica baixo prova, enquanto se efetuam medidas pela mesma ou por outra adjacente; realizar
verificações de circuitos de eletrônica do automóvel e gravação de ráfagas de alta ou baixa voltagem.

Este instrumento de medida por seu preço e sua exatidão segue sendo o preferido do aficionado ou profissional
em eletricidade e eletrônica. Há dois tipos de multímetros: analógicos e digitais.

OSCILOSCÓPIO
Osciloscópio Tektronik.

Denomina-se osciloscópio a um instrumento de medida eletrônico para a representação gráfica de sinais elétrica
que podem variar no tempo, que permite visualizar
fenômenos transitórios bem como formas de ondas em
circuitos elétrico e eletrônicos e mediante sua análise se pode
diagnosticar com facilidade quais são os problemas do
funcionamento de um determinado circuito. É um dos
instrumentos de medida e verificação elétrica mais versátil
que existem e se utiliza em uma grande quantidade de
aplicações técnicas. Um osciloscópio pode medir um grande

76
número de fenômenos, se vai previsto do transdutor adequado.

O osciloscópio apresenta os valores dos sinais elétricos em forma de coordenadas em um ecrã, na que
normalmente o eixo X (horizontal) representa tempos e o eixo E (vertical) representa tensões. A imagem assim
obtida se denomina oscilograma. Costumam incluir outra entrada, chamada “eixo Z” que controla a luminosidade
do faz, permitindo realçar ou apagar alguns segmentos da traça. O funcionamento do osciloscópio está baseado
na possibilidade de desviar um faz de elétrons por médio da criação de campos elétrico e magnéticos. As
dimensões do ecrã do TRC estão atualmente padrão na maioria de instrumentos, a 10 cm no eixo horizontal (X)
por 8 cm no eixo vertical (E).

O osciloscópio fabrica-se baixo muitas formas diferentes, não só quanto ao aspecto puramente físico
senão quanto a suas características internas e por tanto a suas prestações e possibilidades de aplicação
das mesmas. Existem dois tipos de osciloscópios: analógicos e digitais. Os analógicos trabalham com
variáveis contínuas enquanto os digitais fazem-no com variáveis discretas. Ambos os tipos têm suas
vantagens e inconvenientes. Os analógicos são preferíveis quando é prioritário visualizar variações
rápidas do sinal primeiramente em tempo real. Os
osciloscópios digitais utilizam-se quando se deseja
visualizar e estudar eventos não repetitivos, como bicos
de tensão que se produzem aleatoriamente.

ANALIZADOR DE ESPECTRO
Um analizador de espectro é um equipamento de medida
eletrônica que permite visualizar em um ecrã as componentes
espectrais dos sinais presentes na entrada, podendo ser estas qualquer tipo de ondas elétricas, acústicas ou
ópticas.

No eixo de ordenadas costuma apresentar em uma escala logarítmica o nível em dB do conteúdo espectral do
sinal. No eixo de abscissas representa-se a freqüência, em uma escala que é função da separação temporária e o
número de mostras capturadas. Denomina-se freqüência central do analizador à que corresponde com a
freqüência no ponto médio do ecrã. Com freqüência mede-se com eles o espectro da potência elétrica.

Na atualidade está a ser substituído pelo analizador vetorial de sinais.

77
UNIDADES DO SI

MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DAS UNIDADE DERIVADA SÍMBOLO


GRANDEZAS DERIVADAS

área metro quadrado m2

volume metro cúbico m3

velocidade metro por segundo m/s

aceleração metro por segundo ao quadrado m/s2

velocidade angular radiano por segundo rad/s

aceleração angular radiano por segundo ao quadrado rad/s2

massa específica quilogramas por metro cúbico kg/m3

intensidade de campo magnético ampère por metro A/m

densidade de corrente ampère por metro cúbico A/m3

concentração de substância mol por metro cúbico mol/m3

luminância candela por metro quadrado cd/m2

78
GRANDEZAS E UNIDADES NO SI

UNIDADE UNIDADES EM TERMOS DAS


GRANDEZA DERIVADA SÍMBOLO
DERIVADA DO SI UNIDADES BASE

freqüência hertz Hz N/m2 s-1

força newton N N.m m . kg . s-2

pressão, tensão pascal Pa J/s m-1 . kg . s-2

energia, trabalho, quantidade de calor joule J W/A m2 . kg . s-2

potência e fluxo radiante watt W C/V m2 . kg . s-3

carga elétrica, quantidade de eletricidade coulomb C V/A s.A

diferença de potencial elétrico, tensão elétrica, força volt V A/V m2 . kg . s-3 . A-1
eletromotriz

capacitância elétrica
farad F V.S m-2 . kg-1 . s4 . A2
resistência elétrica
ohm Ω Wb/m2 m2 . kg . s-3 . A-2
condutância elétrica
siemens S Wb/A m-2 . kg-1 . s3 . A2
fluxo magnético
weber Wb cd/sr m2 . kg . s-2 . A-1
indução magnética, densidade de fluxo magnético
tesla T lm/m2 kg . s-2 . A-1
indutância
henry H J/kg m2 . kg . s-2 . A-2
fluxo luminoso
lumen lm J/kg cd
iluminamento ou aclaramento
lux lx cd . m-2
atividade (de radionuclídeo)
becquerel Bq s-1
dose absorvida, energia específica
gray Gy m2 . s-2
dose equivalente
siervet Sv m2 . s-2

..
.

79
MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS

NOME DO NOME DO
FATOR SÍMBOLO FATOR SÍMBOLO
PREFIXO PREFIXO

1024 yotta Y 10-1 deci d

1021 zetta Z 10-2 centi c

1018 exa E 10-3 mili m

1015 peta P 10-6 micro µ

1012 tera T 10-9 nano n

109 giga G 10-12 pico p

106 mega M 10-15 femto f

103 quilo k 10-18 atto a

102 hecto h 10-21 zepto z

101 deca da 10-24 yocto y

OUTRAS UNIDADES DO SI

GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO VALOR NAS UNIDADES DO SI

tempo minuto min 1 min = 60 s

hora h 1 h = 60 min = 3600 s

dia d 1 d = 24 h

ângulo grau ° 1° = (π/180)

minuto ' 1' = (1/60)° = (π/10 800) rad

segundo " 1" = (1/60)' = (π/648 000) rad

volume litro l, L 1 L = 1 dm3 = 10-3 m3

massa tonelada t 1 t = 103 kg

pressão bar bar 1 bar = 105 Pa

temperatura grau Celsius °C °C = K - 273,16

80
OUTRAS UNIDADES E CONVERSÕES

GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO VALOR NAS UNIDADES DO SI

comprimento milha náutica 1 milha náutica = 1852 m

velocidade nó 1 nó = 1 milha náutica por hora =


(1852/3600) m/s

1 carat = 2 . 10-4 kg = 200 mg


massa carat
1 tex = 10-6 kg/m = 1 mg/m
densidade linear tex tex
1 dioptre = 1 m-1
tensão de sistema óptico dioptre
1 mm Hg = 133 322 Pa
pressão no corpo humano milímetros de mercúrio mmHg
1 a = 100 m2
área are a
1 ha = 104 m2
área hectare há
1 Å = 0,1 nm = 10-10 m
comprimento ângstrom Å
1 b = 10-28 m2
seção transversal barn b

81
PALAVRAS-CHAVE USADAS NO ESTUDO DA ELETRICIDADE

A lista abaixo pode ser usada para pesquisas, discussões em sala de aula:

. Co-geração

. Norma NR-10

. Tensão de toque e tensão de passo

. Retificador

. Motor "gaiola de esquilo"

. Transformador "zig-zag"

. Equalização de potencial

. Dispositivo DR

. Esquemas TT, TN e IT

. Cabos unipolares e multipolares

. Forno de indução

. Coordenação de isolamento

. Ciência energética

. Disjuntor a vácuo

. Compatibilidade eletromagnética

. UPS

. Cabo OPGW

. Relé de distância

. Cabos EPR e XLPE

. CLP

. CCAT

. FACTS

. Pára-raios radioativos

. Askarel

82
EXERCÍCIOS GERAIS
1) Calcule a resistência equivalente dos circuitos abaixo.

a) Dados: R1=2W ; R2=6W ; R3=2W ; R4=4W ; R5=3W

b) Dados: R1=R5=4W ; R2=R3=R4=3W


c)

d)

e)

f)

83
2) Calcule os valores das variáveis dependentes:

a) E= 120 V; P= 60 W; I= ?; R=?

b) E= 8 V; I= 0,2 A; P= ?; R= ?

c) R= 2.000 W; E= 40 V; I= ?; P=?

3) Quatro resistores de valores iguais estão conectados em série. Se a resistência equivalente é 49 W, qual o valor
de cada resistor?

4) Um resistor de 10 W; outro de 15 W e um de 30 W são conectados em série com uma fonte de 120 VCC. Qual a
Req (Resistência Equivalente)? Qual a corrente que circula no circuito? Qual a potência dissipada por cada
resistência?

5) Qual a corrente total fornecida pela bateria no circuito abaixo e a potência dissipada em cada resistor?

6) Para o circuito abaixo onde E= 12 V, r = 2 W, R1 = 20 W, R2 = 5 W, calcule e intensidade de corrente que passa


pela fonte.

84
7) Qual a corrente que indicará o amperímetro ideal no circuito abaixo:

8) Quatro lâmpadas idênticas L, de 110 V, devem ser ligadas a uma fonte de 220 V, a fim de produzir, sem
queimar, a maior claridade possível. Qual a ligação mais adequada?

9) Numa indústria de confecções abastecida por uma rede de 220 V, é utilizado um fusível de 50 A para controlar a
entrada de corrente. Nessa indústria existem 100 máquinas de costura, todas ligadas em paralelo. Se a resistência
equivalente de cada máquina é 330 W, qual o número máximo de máquinas que podem funcionar
simultaneamente?

10) Uma lâmpada de filamento dissipa a potência elétrica de 60 W quando ligada em 110 V. Calcule a resistência
elétrica do filamento.

11) Um aparelho elétrico quando em funcionamento, é percorrido por uma corrente de 20 A, alimentado por 110
V. Determine a potência elétrica consumida pelo aparelho.

12) Um resistor de 200 W de resistência elétrica dissipa a potência de 3200 W. Calcule a intensidade corrente que
o atravessa.

13) Deseja-se ligar um conjunto de lâmpadas de 60 W em uma rede de 127 V, no qual o circuito possui um
disjuntor de 10 A. Calcule o número máximo de lâmpadas que podem ser ligadas sem causar sobrecarga (supondo
o disjuntor ideal).

85
14) EXERCÍCIOS DE PESQUISA E APLICAÇÃO:

14.1- Calcule a conta de luz aproximada de uma empresa com a seguinte utilização de energia:

Dados:

a) Consumo na ponta: 245 MWh,

b) Consumo fora da ponta: 2450 MWh,

c) Demanda média na ponta: 4,3 MW,

d) Demanda média fora da ponta: 5,6 MW,

e) Energia reativa excedente: 1 MVARh,

f) Demanda reativa excedente média: 100 kVAR,

g) Demanda contratada: 5 MW,

h) Tarifa azul.

i) Tarifas (fonte: http://www.lightempresas.com.br/ abril de 2006, tarifa azul tipo A2):

 Consumo fora da ponta período seco: 122,15 R$/ MWh

 Consumo na ponta período seco: 194,76 R$/ MWh

 Consumo fora da ponta período úmido: 110,83 R$/ MWh

 Consumo na ponta período úmido: 176,48 R$/ MWh

 Demanda fora da ponta: 3,34 R$/ kW

 Demanda na ponta: 18,07 R$/ kW

 Demanda de ultrapassagem fora da ponta: 11,12 R$/ kW

 Demanda de ultrapassagem na ponta: 60,25 R$/ kW

14.2. Pesquise dois equipamentos elétricos do mesmo tipo e capacidade (ex. lâmpada, microondas, ar
condicionado, geladeira, TV), eventualmente de tecnologias diferentes (ex. lâmpadas incandescentes e
fluorescentes, TV de LCD e de plasma). Compare potência e preço. Procure um equipamento dito "mais eficiente",
supostamente mais caro, e compare com um equipamento "menos eficiente", mais barato. Compare para um
mesmo regime de utilização (número de horas por dia no qual o equipamento ficará ligado) e para uma mesma
tarifa, o período no qual o equipamento mais eficiente torna-se vantajoso em relação ao menos eficiente. Calcule
a economia para a vida útil total do equipamento.

86
14.3. Um motor de indução trifásico, 220/ 380 V, 600 cv, rendimento 0,80, fator de potência 0,76, Ip/ In = 6,7.
Calcular:

. Corrente nominal (A)

. Potência elétrica (kW)

. Corrente de partida (A)

. Corrente com o rotor bloqueado (A)

. Capacitor necessário para corrigir o fator de potência para 0,92.

14.4. Um professor pediu a seus alunos que ligassem uma lâmpada a uma pilha com um pedaço de fio de cobre.
Nestas figuras, estão representadas as montagens feitas por quatro estudantes:

Considerando-se essas quatro ligações, é CORRETO afirmar que a lâmpada vai acender apenas:

a) Na montagem de Mateus

b) Na montagem de Pedro.

c) Nas montagens de João e Pedro. ou

d) Nas montagens de Carlos, João e Pedro.

Justifique sua resposta:

87
14.5. (FUVEST 2009) Dínamos de bicicleta, que são geradores de pequeno porte, e usinas hidrelétricas funcionam
com base no processo de indução eletromagnética, descoberto por Faraday. As figuras abaixo representam
esquematicamente o funcionamento desses geradores.

Nesses dois tipos de geradores, a produção de corrente elétrica ocorre devido a transformações de energia:

a) Mecânica em energia elétrica.

b) Potencial gravitacional em energia elétrica.

c) Luminosa em energia elétrica.

d) Potencial elástica em energia elétrica.

e) Eólica em energia elétrica.

Justifique sua resposta:

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14.6. (UFF 2010) - Duas lâmpadas incandescentes A e B são ligadas em série a uma pilha, conforme mostra a figura
1. Nesse arranjo, “A” brilha mais que B. Um novo arranjo é feito, onde a polaridade da pilha é invertida no circuito,
conforme mostrado na figura 2. Assinale a opção que descreve a relação entre as resistências elétricas das duas
lâmpadas e as suas respectivas luminosidades na nova situação.

As resistências elétricas são iguais e, na nova situação,

a) A brilha menos que B.

b) A tem maior resistência elétrica e, na nova situação, brilha menos que B.

c) A tem menor resistência elétrica e, na nova situação, brilha mais que B.

d) A tem menor resistência elétrica e, na nova situação, brilha menos que B.

e) A tem maior resistência elétrica e, na nova situação, brilha mais que B.

Justifique sua resposta:

15) Pesquise e Responda:

a ) Porque a corrente alternada foi escolhida em todo o mundo?

b ) Explique o princípio do gerador em corrente alternada.

c ) Explique o princípio do transformador.

d ) Explique o método fasorial, suas vantagens no estudo de sistemas de corrente alternada e uma restrição.

e ) Explique o fenômeno da ressonância em um circuito CA: quais as condições necessárias para que ocorra,
que tipo de elementos estão envolvidos, a diferença da associação série e paralelo, além dos valores de
tensão e corrente que possam ocorrem.

f ) Explique a diferença entre potência ativa, reativa e aparente.

g ) Defina fator de potência. Como isto influencia a produção e transmissão de energia elétrica?

h ) Cite métodos de reduzir o consumo descontrolado de energia reativa, e eventuais cuidados a se tomar ao
usar estes métodos.
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i ) Cite fontes de geração de energia reativa.

j ) Explique as diferenças em usar um sistema trifásico ou três sistemas monofásicos.

k ) Esboce os fasores de tensão de um sistema trifásico: fase-neutro e entre fases.

l ) Esboce um circuito trifásico, com um gerador ligado em estrela e uma carga em delta. Se cada bobina do
gerador produz 1000 V, calcule a tensão na carga.

m ) Explique a função do neutro no sistema trifásico. Teoricamente, ele é necessário para um sistema
equilibrado? Ele é usado na prática? Por quê?

n ) Explique a diferença entre demanda e consumo.

o ) Explique a diferença entre o horário de ponta e fora de ponta.

p ) Qual é, aproximadamente, o horário de ponta? Explique porque são usadas tarifas mais elevadas neste
horário.

q ) Cite os principais parâmetros usados na tarifação de energia elétrica.

r ) Descreva o significado de demanda contratada e tarifa de ultrapassagem.Esboce uma curva de carga como
exemplo.

s ) Explique as diferenças na aplicação de um disjuntor, chave seccionadora e chave fusível.

t ) Explique a função do aterramento.

u ) Cite defeitos típicos que podem ocorrer em um sistema de energia elétrica, e os respectivos equipamentos
utilizados a minimizá-los.

v ) Cite três elementos de proteção elétrica utilizados na indústria, explicando sua função específica (do que
eles protegem).

w ) Explique porque a partida de um motor elétrico é uma situação crítica.

x ) Explique os possíveis defeitos oriundos de rotores bloqueados e uma forma de evitar tais defeitos.

y ) Quais são as duas grandezas que determinam a gravidade do choque elétrico?

z ) Explique como uma malha de terra pode minimizar a tensão de passo.

aa ) Explique porque um disjuntor residencial não será suficiente para prevenir choques elétricos. Aponte o
equipamento apropriado, descrevendo como ele complementa o disjuntor.

bb ) Porque os trabalhadores em linha viva não sofrem choque elétrico?

cc ) Cite uma forma de prevenção de eletricidade estática.

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EXERCÍCIOS DE ELETROMAGNETISMO

1) -Três cargas pontuais, Q = 300μC, e ,Q = 400 μC e Q = 500 μC acham-se localizadas em (6,0,0) m , (0,0,6) m e
1 C 3

(0,6,0) m respectivamente. Encontre a força que age sobre Q2,.

2) - A lei da gravidade de Newton pode ser escrita , onde m e m são massas, pontuais, separadas por uma
1 2

distância R e G é a constante gravitacional; 6,664´10-11 m3/kg.s2. Duas partículas, cada uma tendo uma massa
de 15 mg estão separadas de 1,5 cm. Quantos elétrons são necessários adicionar a cada partícula de modo a
equilibrar a força gravitacional ?

3) - Há quatro cargas pontuais iguais, de 20 μC, localizadas sobre os eixos x e y, em ± 3 m. Calcule a força que age
sobre uma carga de 120 μC, localizada em (0,0,4) m.

4)- Duas pequenas esferas plásticas estão arranjadas ao longo de uma fibra isolante que forma um ângulo de 45º,
com a horizontal. Se cada esfera contiver uma carga de 2×10-8 C, e tiver uma massa de 0,2 g, determine a
condição de equilíbrio para as duas esferas sobre a rampa, bem como a posição relativa entre elas.

5) - Prove que a força de repulsão entre duas cargas pontuais e positivas separadas por uma distância fixa é
máxima quando as suas cargas possuem mesmo valor.

6) - Duas cargas pontuais idênticas de Q C estão separadas por uma distância d m. Calcule o campo elétrico rE para
pontos pertencentes ao segmento que une as duas cargas.

7) - Imagine que a terra e a lua possam receber cargas elétricas, de modo a equilibrar a força de atração
gravitacional entre elas. (a) Encontre a carga requerida para a terra, se as cargas estão numa razão direta
entre as superfícies da terra e da lua. (b) Qual é o valor de E na superfície da lua, devido às suas cargas? Note
que, uma vez que as forças de origem gravitacional e eletrostática estão relacionadas com o inverso do
quadrado da distância, não é necessário conhecer a distância terra-lua para resolver este problema.

QUE DEUS POSSA NOS ABENÇOAR E NOS FORTALECER, AFIM DE QUE SEJAMOS PRÓSPEROS; E PARA ALÉM DO
CONHECIMENTO, QUE CADA VEZ MAIS A SABEDORIA DE JESUS CRISTO SEJA O NOSSO ALVO!

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