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Módulo 4: A Europa nos séculos XVII e XVIII – sociedade, poder e dinâmicas coloniais

Unidade 1: A população da Europa nos séculos XVII e XVIII: crises e crescimento


1.1 Economia e população

Crescimento pujante/ poderoso da


população no século XVI

Abrandamento/ retrocesso no Esta alternância de ciclos demográficos foi


século XVIII uma constante da História europeia
anterior à Revolução Industrial

Novo período de expansão a partir


dos anos 40 do século XVIII

 Longa base agrícola


 Evolução tecnológica lenta
Economia pré-industrial  Agricultura de subsistência (volume de produção
corresponde ao nº de homens)
 Fases de crescimento e de recessão económica coincidem
com fluxos e refluxos da população

Economia pré-industrial – Sistema económico que se caracteriza essencialmente pela base agrícola e pela debilidade
tecnológica. O volume de produção encontra-se, por isso, estritamente ligado ao nº de homens, estando a expansão
demográfica limitada pela insuficiência dos recursos alimentares. Assim, as fases de crescimento e de recessão
económica coincidem, em geral, com os fluxos e refluxos populacionais.

1.2 Evolução demográfica


A demografia da Europa é caracterizada pela elevada mortalidade
 Morte afetava sobretudo os mais jovens: morria-se à nascença ou de tenra idade
 Natalidade bastante alta
 Casamento tardio
Este quadro era, no entanto, abalado por ruturas bruscas e violentas, como fome e epidemias → Estávamos então em
presença de uma crise demográfica.

1.2.1 O século XVII

Más condições climatéricas: Fome: Epidemias:


→ Más colheitas → Afetava toda a população: → Saltavam de região para região, de
→ Preço dos cereais sobe especialmente aqueles que cidade para cidade
usavam a agricultura como → Atingiam todos
subsistência → A mais temida era a peste

O século XVII sofreu também um clima de guerra permanente → com especial destaque na “Guerra dos Trinta Anos”

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1.2.2 O século XVIII

 Maior produtividade agrícola


 Progressos na higiene → aumento dos cuidados higiénico-sanitários
 Conquistas na medicina → vacinação, criação de academias ou de sociedade reais, sensibilização e formação de
parteiras
 Desenvolvimento dos meios de transporte
 Clima favorável → boas colheitas e adverso à propagação de epidemias → recuo da peste
 Cuidados com a criança → criança torna-se o centro das atenções da família e a sua morte deixa de ser encarada
como corrente e inevitável

Todos estes melhoramentos resultaram num novo modelo demográfico:
 Redução ligeira da taxa de natalidade
 Redução da taxa de mortalidade, sobretudo infantil
 Rejuvenescimento da população
 Aumento da esperança média de vida

Unidade 2: A Europa dos Estados absolutos e a Europa dos parlamentos


2.1 Estratificação social e poder político nas sociedade do Antigo Regime
2.1.1 Uma sociedade de ordens assente no privilégio

Antigo Regime – refere-se ao sistema social, político, económico e demográfico que entre os séculos XVI a XVIII vigorou
na maior parte dos países europeus

 Socialmente é uma sociedade de ordens ou estados, é estratificada e hierarquizada, marcada por desigualdades
 Politicamente, destacam-se as monarquias absolutas de poder divino
 Economicamente corresponde ao desenvolvimento do capitalismo comercial
Estratificação social – divisão da sociedade em grupos hierarquicamente organizados consoante o seu prestígio, poder ou
riqueza

→ Clero (ou primeiro estado)


Antigo Regime
→ Nobreza (ou segundo estado)

→ Terceiro Estado (povo)

Esta estratificação social mantém vivos muitos privilégios e atributos que, nessa época, se atribuíam às ordens

 Clero (ou primeiro Estado)

 Estado mais digno porque era o que estava mais próximo de Deus;
 Isento de impostos e de prestar serviço militar;
 Não está sujeito à lei comum mas sim ao “foro eclesiástico” – conjunto de leis específicas – e são julgados
em tribunais próprios;
 Ordem rica – proprietária de todo o tipo de bens (recebe muitas doações, prendas e heranças) e recebe
ainda a dízima (décima de Deus);
 Não se adquire por nascimento mas sim por tonsura → o clero junta elementos de todos os grupos
sociais.
Dividia-se em:

a. Alto Clero (cardeais, arcebispos, bispos e abades dos mosteiros):


 Constituído fundamentalmente pelos filhos segundos da nobreza;
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 Vivem luxuosamente;
 Desempenham cargos na Corte e na administração central.

b. Baixo Clero (padres das paróquias):


 Constituído por pessoas oriundas do povo;
 Pouco instruídos;
 Oficiavam os serviços religiosos.

c. Clero Regular (monges que vivem em conventos):


 Sujeitos à regra de uma ordem religiosa (ordem de S. Bento, de S. Francisco, etc.);
 Vai perdendo, pouco a pouco, a importância económica que tivera na Idade Média, no entanto o seu
número vai aumentando.

 Nobreza (ou segundo Estado)

 Maior ordem de prestígio → Beneficiava dos cargos mais importantes quer na administração central,
quer no exército → os seus membros ocupavam os cargos mais importantes da Igreja;
 Regime jurídico próprio;
 São grandes proprietários fundiários;
 Estão isentos de impostos.
Divide-se em:
a) Nobreza de sangue (ou nobreza de espada):
 Constituem o topo deste grupo social (príncipes, duques, condes, marqueses);
 Vivem na Corte e com o monarca;
 Ocupam os cargos principais.

b) Nobreza administrativa (nobreza de toga):


 Origem na burguesia;
 Ocupação de cargos administrativos no governo central.

 Terceiro Estado (povo)

 Ordem mais heterogénea


 No topo encontravam-se homens de letras (burgueses ricos e letrados, por exemplo)
 Surgem alguns ofícios considerados superiores como de joalheiro, boticário, etc.
 Pagam impostos
 Representam cerca de 80% ou mais da população

A diversidade de comportamentos e valores


A mobilidade social

 Cada grupo social tinha os seus comportamentos e vestuários próprios.


 A Igreja continuava a afirmar que a cada ordem correspondia uma tarefa social (clero – rezar; nobreza –
combater; povo – trabalhar) e por isso validava a desigualdade entre pessoas e a existência de ordens
privilegiadas e outras não.
 Os membros do povo só podiam falar com os privilegiados se expressamente autorizados para tal.
Porém, o Antigo Regime salda-se por uma ascensão do Terceiro Estado e pela decadência dos critérios sociais baseados
no nascimento
A mobilidade social era muito difícil devido ao facto do nascimento marcar o grupo social de cada um.

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Uma das formas que a burguesia encontrou de subir na sociedade foi através do casamento, muitos nobres arruinados
casavam com burgueses endinheirados para recuperar as suas finanças. Por outro lado, a cada vez maior complexidade
de governar um povo levava a que muitos burgueses (letrados) ocupassem cargos importantes no Estado.
Esta ascensão foi lenta, com avanços e recursos → a nobreza permaneceu agarrada aos seus privilégios que lentamente
foi perdendo → a burguesia foi ascendendo fruto do seu progressivo enriquecimento através das atividades comerciais e
financeiras.

2.1.2 O absolutismo régio


As monarquias absolutas concentram no rei todo o poder do Estado (executivo, legislativo e judicial), tal é legitimado por
ser essa a vontade de Deus. Não existem quaisquer impedimentos à governação do monarca com exceção das leis de
Deus.
O poder real conjuga quatro características básicas:
 Sagrado: provém de Deus que conferiu aos monarcas o poder de estes governarem em seu nome → nesse
sentido o seu poder é incontestável mas o rei deve ter a obrigação de governar para o bem da população e da
Nação;
 Paternal: o rei era uma espécie de pai dos seus súbitos e, na governação, deve ter em conta o bem estar do povo;
 Absoluto: o rei não tem de prestar contas a ninguém das suas ações, deve assegurar o respeito pelas leis de
maneira a criar justiça no seu reino;
 Está submetido à razão: é esta inteligência que lhe permite governar e fazer o povo feliz. Deve demonstrar certas
qualidades como bondade, firmeza, força de carácter, prudência e capacidades de previsão.

O exercício da autoridade. O rei, garante da ordem social estabelecida


O rei concentra todo o poder do Estado, ele governa (poder executivo), julga (poder judicial) e faz as leis (poder
legislativo).
O rei substitui o Estado → não existe qualquer organismo que controle o seu poder → uma vez que as suas ações estão
legitimadas por si próprios, os monarcas absolutos dispensam o auxílio das outras forças políticas.
O rei era o único garante da ordem social.

A encenação do poder: a corte régia


As cortes régias durante o absolutismo adquirem uma grande importância → tornam-se um espelho do poder.
O rei francês Luís XIV, o Rei-Sol, o exemplo do monarca absoluto, funda Versalhes.
O palácio foi construído para albergar a corte, nele viviam os principais funcionários e conselheiros régios bem como a
nobreza que procurava os favores do monarca → viva-se num clima de luxo e festa permanente, a nobreza arruinava-se
para manter o seu nível de vida e passava a depender da distribuição de dinheiro por parte do rei → Na corte existiam
uma hierarquia, normas e uma etiqueta extremamente rígidas → Esta sociedade de corte servia de modelo a toda a
realeza europeia → Os monarcas favoreciam a sua existência pois era uma forma de controlarem a principal nobreza do
seu país.

2.1.3 Sociedade e poder em Portugal


A sociedade portuguesa apresenta as características do Antigo Regime.
Após a Restauração de 1640, Portugal tornou-se novamente independente, após 60 anos de domínio filipino (Castela).
A nobreza portuguesa revoltou-se e restaurou a monarquia na pessoa de Duque de Bragança. Seguiu-se um período
conturbado, com uma guerra com Castela e com a deposição do rei Afonso VI. A nobreza portuguesa, nos finais do século
XVII, detinha o poder. Nobreza de sangue manteve o acesso aos cargos superiores de monarquia:
Comandos das províncias militares
 Presidência dos tribunais da corte Estes serviços permitiram garantir o
 Missões diplomáticas importantes usufruto dos bens da Coroa e das ordens
militares

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O Império ultramarino português nunca esteve baseado na existência de uma burguesia mercantil → Os cargos desse
império foram preenchidos pela nobreza → O rei usou esses cargos para recompensar a nobreza portuguesa → Os
nobres, na maior parte dos casos, viam esses cargos como se de um feudo se tratasse, e por isso tratavam de enriquecer
às custas dos interesses do reino.
Apesar das muitas críticas, a nobreza manteve até meados do século XVIII, praticamente em regime de exclusividade, o
acesso a esses cargos no ultramar. Fruto destas atividades, a nobreza mercantiliza-se, dando origem a um tipo social
específico: o cavaleiro mercador. → Nunca foi verdadeiramente um mercador/ comerciante; aplicava os seus ganhos na
aquisição de mais terras (ostentação excessiva da sua condição superior).
A nobreza portuguesa nunca revelou uma mentalidade capitalista na exploração do comércio colonial. Fruto desse
domínio da nobreza, a burguesia portuguesa teve muitas dificuldades para se afirmar.

A criação do aparelho burocrático do Estado absoluto


Após a Restauração da independência de 1640, os monarcas portugueses reorganizaram a burocracia do Estado
adaptado às necessidades da centralização do poder.
D. João IV criou a base da administração central – as Secretarias – bem como outros órgãos administrativos (Conselho,
Mesas e Juntas) → O rei delegava nestes órgãos funções governativas → Ao longo dos séculos XVII e XVIII a administração
foi-se aperfeiçoando → As Cortes reúnem-se raramente (pela última vez em 1697) e perdem importância.

O absolutismo joanino
Foi D. João V, admirador de Luís XIV, que em Portugal melhor encarnou o ideal absolutista.

 Procedeu a uma reforma administrativa no sentido de melhor controlar o governo do país → No entanto, a
burocracia continuava pesada e lenta
 D. João V não reuniu as Cortes no seu reinado
 Copiando Luís XIV, afirmou-se através do luxo, da etiqueta, da teatralização do poder, ou seja, através da criação
de uma sociedade de corte.
 O rei é o centro do poder
 Foi favorecido pela descoberta de ouro no Brasil, que vai tornar possível a ostentação do rei que sobretudo se
evidenciaram nas cerimónias públicas e nas embaixadas enviadas ao estrangeiro
 Pratica o mecenato das artes e das letras (Fundou a Real Academia de História, apoiou a Biblioteca da
Universidade de Coimbra)
 Iniciou uma política de grandes construções (Construção do Palácio-Convento de Mafra, remodelação do Paço da
Ribeira, Aqueduto das Águas Livres, etc.)
 Perante os vários conflitos que nessa época se desenrolaram promoveu a neutralidade do país
 Atraiu para a corte portuguesa artistas portugueses e estrangeiros que irão contribuir para o desenvolvimento do
Barroco português, sobretudo os italianos.

2.2 A Europa dos Parlamentos: sociedade e poder político


Enquanto na maioria dos países europeus se consolidavam as monarquias absolutas, alguns Estados rejeitavam-nas
convictamente. É o caso das Províncias Unidas e da Inglaterra

2.2.1 A afirmação política da burguesia nas Províncias Unidas


Em 1568, os Países Baixos do Norte (atual Holanda)revoltaram-se contra o domínio espanhol. À revolta seguiu-
se uma longa guerra pela independência, durante a qual nasceu e se consolidou a República das Províncias
Unidas.
As Províncias Unidas formaram uma república formada por 7 províncias sob a hegemonia da Holanda. Esta
república, de maioria calvinista, demonstrou grande tolerância religiosa, da liberdade de pensamento e do
valor do indivíduo, num contraponto claro a rigidez e ao autoritarismo dos Estados tradicionais.

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A burguesia nas estruturas do Poder
A República das Províncias Unidas era uma federação de Estados com uma estrutura bastante descentralizada,
o que multiplicava os cargos/ oportunidades de interferir na governação. Estes cargos eram disputados tanto
pelas famílias nobres como pelas famílias burguesas.
Organização política da República das Províncias Unidas

Stadhouder Geral – Funções militares

Estados Gerais da República (Parlamento)

→ Elegem o Stadhouder e o Grande Pensionário


República

Grande Pensionário – Funções executivas e


→ Conduzem a política externa
políticas
→ Dirigem os principais assuntos da República

→ Escolhem o Conselho de Estado

Conselho de Estado – Comando do


Exército; controlo das Finanças

Estados Provinciais (Parlamento Provinciais)


Stadhouder da Província – Funções militares
→ Designam o Stadhouder e o Pensionário da
Províncias

Província

→ Aprovam os impostos

→ Elegem os Delegados da Província aos Estados Pensionário da Província – Funções executivas


Gerais

As diversas cidades têm as suas forma de governo

Conselhos das cidades

Ao poder centralizado do rei e à preponderância da nobreza que marcaram o século XVII europeu opunham as
Províncias Unidas a descentralização governativa e o domínio da burguesia. Os interesses do Estado e do
comércio uniram-se estreitamente. Foi esta união que fez da Holanda uma potência marítima e colonial capaz
de ombrear com os grandes Estados europeus.
A jurisprudência ao serviço dos interesses económicos: Grotius e a legitimação da liberdade dos mares
Através do Tratado de Tordesilhas (1494), Portugal e Espanha tinham dividido o Mundo em duas partes,
fechando o mar a outros que pretendessem neles navegar (mare clausum) → Nos finais do século XVI, vários
países, sobretudo os holandeses procuravam ter acesso a esses mares e contestavam esta divisão dos mares entre os
reinos ibéricos → Em 1608, o holandês Hugo Grotius, publicou o livro “A Liberdade dos Mares”, onde defendia a

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liberdade de navegar nos mares (mare liberum) → Grotius rejeitou o direito de Portugal e Espanha terem o exclusivo de
navegação nos oceanos e defendeu que os mares eram propriedade da Humanidade.

2.2.2 A recusa do Absolutismo na sociedade inglesa


Na Inglaterra, o poder do rei foi limitado pelos seus súbitos. A assinatura da Magna Carta (1215) levou a que o rei inglês
fosse proibido de lançar impostos ou novas leis sem o consentimento do Parlamento.
Deste modo, qualquer tentativa de impor o absolutismo fracassou, dando origem a revoluções violentas.
Parlamento – Assembleia política que na maior parte dos casos tem uma função legislativa. Pode ter outra designação
como assembleia, cortes ou congresso. O atual Parlamento inglês é o parlamento mais antigo, tendo servido de modelo a
muitos outros. As suas origens remontam à Magna Carta (1215), encontrando-se desde o tempo de Eduardo III (século
XIV) dividido em duas câmaras, que evidenciam a distinção entre o povo e a nobreza: a Câmara dos Comuns que, nos
séculos XVII e XVIII, era eleita por sufrágio censitário, e a Câmara dos Lordes, nomeada pelo rei.

A primeiro revolução e a instauração da república


Quando, no século XVII, o absolutismo se impôs na Europa, os reis ingleses Jaime I, Carlos I e Jaime II tentaram governar
de forma absoluta o que desencadeou a violência na sociedade → Às questões políticas juntam-se as de ordem religiosa
pois os ingleses estão divididos entre protestantes que apoiavam o Parlamento e os Católicos que apoiavam o rei
As diferenças entre o Rei e o Parlamento agudizaram-se no reinado de Carlos I, face às ilegalidades cometidas pelo
soberano e perante a reação do Parlamento inglês → Em 1628, Carlos I é obrigado a assinar a Petição dos Direitos em
que se comprometia a respeitar as leis, e impede-o de proceder a prisões arbitrárias bem como lançar impostos sem o
consentimento do Parlamento → Carlos I dissolve o Parlamento e começa a governar de modo absoluto → Em 1642
eclode uma guerra civil entre apoiantes do parlamento e os do rei → Neste guerra, lutando pelas forças parlamentaristas,
distinguiu-se Oliver Cromwell → A guerra termina em 1649 com a execução do rei → É abolida a monarquia e instaurada
a república governada pelo Parlamento → As lutas e divisões no Parlamento levaram Cromwell a instaurar um governo
ditatorial a partir de 1653 → Encerra o Parlamento e, sob o título de Lord Protector, organiza um governo pessoal e
repressivo.

A restauração da monarquia. A Revolução Gloriosa


Cromwell morre em 1658 e, pouco depois, é restaurada na pessoa de Carlos II (filho de Carlos I) → Retornam as lutas
entre o rei e o Parlamento que obrigam o rei a assinar o Habeas Corpus (garantia a liberdade individual contra o arbítrio
do poder).
A Carlos II sucede-lhe Jaime II. Abertamente católico, pretende restaurar o catolicismo e governar de modo absoluto.
Jaime II depressa desagradou os ingleses, abrindo porta às pretensões de Guilherme de Orange, stadhouder da Holanda,
casado com Maria, filha mais velha do rei.
Em 1688, Guilherme de Orange desembarcou em Inglaterra, à frente de um exército que apoiava a religião protestante e
o Parlamento. Jaime II, sem apoiantes, abandonou o país.
Esta revolução, a Glorius Revolution, contribui para a consolidação do regime parlamentar:

 Guilherme de Orange, em 1689, assinou a Petição dos Direitos que confirma a monarquia controlada pelo
Parlamento
 Reafirma os princípios das liberdades individuais
 Reconhece a liberdade de culto para os protestantes
 Impede o rei de lançar impostos sem acordo do parlamento
 Reconhece a independência do poder judicial
 Em 1695, é abolida a censura e é estabelecido o direito de livre reunião
 O poder do rei era controlado pelos seus súbditos representados no Parlamento
 Parlamento passa a ter as funções legislativas do Estado e o monarca com as funções executivas

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Unidade 3: Triunfo dos estados e dinâmicas económicas nos séculos XVII e XVIII
3.1 Reforço das economias nacionais e tentativas de controlo do comércio
3.1.1 O tempo do grande comércio oceânico

 Portugal
 Espanha
 Holanda Grupo de países que detinham quase a totalidade das
 França colónias ultramarinas e dominavam o comércio
 Inglaterra intercontinental que gerava lucros fabulosos

Estes países utilizaram mercados europeus para expandir cada vez mais os negócios (criaram companhia de comércio e
desenvolveram novos mecanismos financeiros). Objetivo: obter lucros cada vez mais elevados, ou seja, geravam capital,
investiam-no e aumentavam-no.
O comércio tornou-se aquilo que fazia a economia de um país avançar e por isso, a Europa entrou numa era de
capitalismo comercial → Devido a esta importância dado ao comércio, a América foi colonizada, tornando-se bastante
importante nos circuitos comerciais.
Capitalismo comercial – Sistema económico que se afirmou nos séculos XVI a XVIII e se caracteriza pela procura do maior
lucro, pelo espírito de concorrência e pelo papel determinante do comércio como motor do desenvolvimento económico.

 Açúcar
 Tabaco Estes produtos são enviados para a metrópole → Em troca, a metrópole
 Algodão fornece produtos agrícolas, industriais e mão de obra vinda de África
 Criação de gado (escravos)
 Extração de ouro

Existem duas rotas fundamentais no comércio internacional:


o A rota do Cabo, que se dirigia para a Ásia
o A rota Atlântica ou comércio triangular (Europa- África- América- Europa). A grande base deste comércio era o
tráfico negreiro

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3.1.2 Reforço das economias nacionais: Mercantilismo

Mercantilismo

A riqueza do estado depende dos metais preciosos entesourados

Aumento das exportações


Redução dos impostos

Balança comercial favorável

Criação e desenvolvimento de Taxas alfandegárias e proibição de


manufaturas importações

Apoio do Estado Contratação de técnicos

A expansão do comércio coincidiu com a afirmação das monarquias absolutas. Assim era necessário capital para
sustentar a magnificência dos príncipes, reforçar o aparelho de Estado e mobilizar os exércitos que impusessem a
supremacia do país em relação aos seus vizinhos → Foi com o objetivo de enriquecer o Estado e os seus cidadãos que se
pôs em prática a primeira doutrina económica, o Mercantilismo.
Mercantilismo – o objetivo é o aumento da riqueza nacional, identificada com a quantidade de metais preciosos que o
país possuía. São características do mercantilismo as medidas de tipo protecionista e monopolista.
Segundo Colbert, a riqueza de um país estava na quantidade de metais que um país possuía. Isso era conseguido através
de uma balança comercial favorável, isto é, o valor das exportações tem de ultrapassar o valor das importações.
Para atingir esse objetivo foi necessário criar medidas protecionistas:
 Proibição da utilização de produtos estrangeiros (são designadas por Leis Pragmáticas em Portugal);
 Promoção da produção nacional (e a autossuficiência do país) dando incentivos;
 Criação de companhias do comércio, para que sejam proporcionados mercados de abastecimento de matérias-
primas e de colocação dos produtos manufaturados;
 Aumento das taxas alfandegárias para produtos do estrangeiro;
 Atribuição pelo rei do direito de exclusividade.
Muitos países europeus, nos séculos XVII e XVIII, implementaram políticas mercantilistas, embora com objetivos e
medidas diferentes
Protecionismo – Política económica que impede a livre iniciativa e a livre circulação de mercadorias. Traduz-se quer por
um aumento dos direitos alfandegários sobre as importações quer pela concessão de exclusivos e privilégios industriais.
O objetivo destas medidas é permitir o desenvolvimento das produções internas que, desta forma, se tornam mais
competitivas.
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O Mercantilismo em França (Colbertismo)
O mercantilismo foi introduzido em França por Colbert (1619-1683), ministro de Luís XIV
O colbertismo consistiu numa política fortemente protecionista das manufaturas francesas.
 Introdução de novas indústrias recorrendo à importação de técnicos estrangeiros;
 Desenvolvimento da criação de grandes manufaturas, desenvolvendo uma política de subsídios, monopólios e
outros incentivos
 Colbert criou as manufaturas reais que se dedicavam sobretudo produção de produtos de luxo destinados a
fornecer a corte de Versalhes
 Toda a atividade manufatureira era regulamentada: qualidade, horas de trabalho, preços, etc.
 Criação de companhias monopolistas para as quais criou o exclusivo de comércio com determinadas zonas

O sistema mercantil em Inglaterra


O mercantilismo inglês foi mais flexível, conseguiu adaptar-se às novas circunstâncias e por isso mesmo conseguiu um
elevado grau de eficácia.
O mercantilismo inglês procurou, em especial, desenvolver a marinha e o setor comercial
 O poder comercial holandês motivou a tomada de medidas protecionistas → Entre 1651 a 1663, foram
promulgadas uma série de leis, os Atos de Navegação. O objetivo fundamental destas leis era banir os
Holandeses das áreas do comércio inglês. Os Atos de Navegação determinavam que todas as mercadorias que
entrassem em Inglaterra seriam obrigatoriamente transportadas em barcos ingleses ou do país de origem dessas
mercadorias → A Inglaterra ficou com o exclusivo do transporte dos produtos coloniais → Estas medidas
afetaram os holandeses
 Marinha inglesa começou a desenvolver-se fortemente: iniciaram uma política de expansão colonial, sobretudo
na América do Norte
 Criaram grandes companhias de comércio, a mais importante foi a Companhia das Índias Orientais, uma
sociedade por ações que detinha os direitos exclusivos sobre todo o comércio oriental
 Protegeram a indústria das lãs, proibindo a exportação de matéria-prima inglesas e aumentaram as taxas
alfandegárias sobre os produtos estrangeiros
 Protegeram a agricultura criando taxas alfandegárias para os cereais estrangeiros
Estas políticas criaram as condições para a Inglaterra se tornar a principal potência marítima na segunda metade do
século XVII

3.1.3 O equilíbrio europeu e a disputas das áreas coloniais


Numa altura em que o capitalismo comercial está a desenvolver-se, dominar os mercados tornou-se uma prioridade
política.
Devido às medidas protecionistas a circulação entre os países tornou-se rara (ninguém queria importar) → Existiu a
necessidade de se começar a utilizar as colónias → Originou uma fonte de rivalidades: todos os países queriam o mesmo,
então entraram em conflito pelo cobiçado continente americano.
Os conflitos foram essencialmente entre Holanda,
França e Inglaterra Inglaterra + França

Momento mais marcante: Guerra dos Sete Anos


Holanda + Inglaterra Guerra só teve fim com o Tratado de Paris, no qual a Inglaterra
vence, fazendo com que a França:
 Holanda perdeu para Inglaterra
as suas colónias americanas e  Abandonasse as suas colónias na Índia
parte das suas possessões no  Cedesse o Canadá, o vale Oaio, a margem esquerda do
Oriente → marca o fim da rio Mississípi, as feitorias do senegal em África
hegemonia comercial holandesa  Entregasse a Luisiana à Espanha (para compensar a
perda da Florida para os ingleses)

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Inglaterra torna-se a maior potência colonial e marítima da Europa.

3.2 A hegemonia económica britânica


1. Progressos agrícolas
2. Crescimento demográfico e a indústria
3. Criação de um mercado nacional Estes progressos levaram à hegemonia
4. Alargamento do mercado externo britânica
5. Sistema financeiro

1. Progressos agrícolas
Na região de Nortfolk (Inglaterra) iniciou-se a “revolução agrícola” → conjunto de alterações rápidas no tempo e
marcantes na forma de cultivar o terreno.
 Enclousers (vedações de campo) – representam um avanço na rentabilização das terras (sobretudo de grandes
propriedades) que, protegidas de animais bravos e dos caminhantes, se tornaram propícias a diversas inovações
e experiências como a seleção de sementes, seleção de animais ou a rotação de culturas;
 Rotação quadrienal – fazia o aproveitamento pleno da terra (eliminação do pousio), introduzindo novas culturas
como as leguminosas e as forrageiras, algumas das quais fertilizam diretamente o solo e outras indiretamente, ao
permitirem a criação de gado → o cultivo de plantas forrageiras (que alimentavam os animais, por exemplo, o
trevo) possibilitava, por um lado, assegurar o necessário estrume, e, por outro lado, incentivar o melhoramento
das raças animais;
 Inovações agrícolas – a introdução de máquinas nos campos (ex. charrua triangular) retiravam um melhor
aproveitamento da terra.

Inovações agrícolas resultaram num Estimulou o Canalizou a mão-de-obra excedentária para


aumento da produtividade crescimento as cidades
demográfico

2. Crescimento demográfico e a indústria


A abundância e a criação de postos de trabalho fazem aumentar a taxa de nupcialidade e o número de nascimentos,
enquanto a morte regride; por sua vez, o crescimento populacional estimula o consumo e fornece mão de obra jovem
aos diversos setores de atividade.
Para além do crescimento demográfico, registou-se uma acentuada migração para os centros urbanos que absorveram a
mão de obra excedentária dos campos.

3. Criação de um mercado nacional


A Inglaterra foi o país que mais cedo se transformou num espaço económico unificado, onde o consumo interno podia
expandir-se.
Para a criação do mercado nacional contribuem os seguintes fatores:
 Crescimento demográfico urbano: tornaram-se motores do desenvolvimento económico ao proporcionarem um
maior consumo interno
 Desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação (construção de um sistema de canais, ampliação da rede
de estradas) permitia resolver os problemas de abastecimento, uma vez que existia uma maior ligação entre as
regiões do interior e cidades portuárias
 União da Inglaterra com a Escócia (1707) e com a Irlanda (1808) criava um contexto político propício à circulação
de produção

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 Inexistência de alfandegárias internas retirava os entraves ao comércio

4. Alargamento do mercado externo


Os produtos ingleses estavam espalhados por todo o continente europeu devido à sua qualidade e aos seus preços
baixos.
Mais de metade da frota de Inglaterra passava essencialmente pelas américas, mas também passava por África, sendo
assim, a Inglaterra estava inserida no comércio triangular.

Europa América do Norte → Europa Europa → África

 Tabaco  Armas de fogo


 Açúcar  Rum
 Algodão  Tecidos grosseiros
 Café  Quinquilharias
América do África
Norte
África → América do Norte

 Escravos (onde eram


utilizados para trabalharem
nas minas e plantações

No Oriente:
Europa → Ásia (através da Companhia das Índias Orientais)
A vitória inglesa expulsou os franceses da
 Seda índia, assegurando à Companhia das Índias
 Especiarias Orientais o comércio dos produtos indianos,
 Panos de algodão quer para exportação, quer para troca local,
 Chá proibindo os produtores locais de venderem
 Corantes a outros estrangeiros que não os ingleses
Da Índia, os ingleses partiam para a China (porto de Cantão) de → country trades (trocas locais comercias)
onde traziam, nos seus barcos (China ships) o famoso chá

O alargamento dos mercados constituiu, um dos fatores de preponderância inglesa sobre o mundo.

5. Sistema Financeiro
 Bolsa de Valores – a compra de ações do Estado ou de companhias industriais permitiu reunir capitais em
grandes escalas e fornecer elevados lucros aos particulares e ao Estado (desenvolvimento do capitalismo)
 Bolsa de Londres – realizava as operações de apoio ao comércio (por exemplo, depósitos e transferências), emitia
o papel-moeda (notas) e financiava a atividade comercial e industrial → A atividade do Banco de Inglaterra foi
complementada pela dezena de pequenas instituições – os country banks.
Importância da emissão de notas – o valor das notas em circulação ultrapassou largamente as reservas metálicas do
banco, fornecendo assim os meios de pagamento necessários ao incremento dos pequenos negócios.

3.2.2 O arranque industrial


O processo de industrialização iniciou-se em Inglaterra devido:

 Avanços agrícolas
 Aumento demográfico
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 Alargamento dos mercados
 Capacidade empreendedora dos ingleses
 Avanço tecnológico

Foram desenvolvidos três setores: a indústria têxtil (algodão), metalúrgico e o vapor.


I. Indústria têxtil
 Aumento da procura (interna e externa) Fatores que levaram aos
 Abundância em matérias-primas provenientes das colónias progressos

Graças aos melhoramentos na tecelagem, na fiação e na estampagem, houve um aumento enorme na produtividade e na
produção.

II. Metalurgia
Este sector foi, talvez, o setor mais importante de todos, uma vez que é ele quem fornece máquinas e outros
equipamentos para os outros setores poderem desenvolver.

III. Vapor
Com a introdução do vapor, podemos dizer que as manufaturas deram lugar às maquinofaturas, e aí, nasce a revolução
industrial.

3.3 Portugal – dificuldades e crescimento económico


3.3.1 Da crise comercial de finais do século XVII à apropriação do ouro brasileiro pelo mercado britânico
Portugal viveu durante o século XVII da exportação de produtos coloniais como o açúcar, o tabaco e as especiarias. Em
meados do século XVII, os holandeses, ingleses e franceses começaram a produzir esses produtos e a fazer concorrências
aos produtos coloniais portugueses.

Fruto dessas concorrências, da aplicação das políticas mercantilistas, desencadeou-se uma grave crise comercial em
Portugal.

Entre 1670 a 1692 os produtos portugueses não eram vendidos e acumulavam-se nos armazéns em Lisboa → Fruto da
concorrência e da diminuição da procura os preços baixavam constantemente → A perda de receita vai ocasionar um
desequilíbrio na nossa balança comercial – passamos a importar muito mais do que exportamos → O pais continuava
muito dependente das importações de produtos manufaturados.

Conde da Ericeira teve como objetivo equilibrar a balança comercial de Portugal, substituindo os produtos que
importávamos por produtos que produzíamos em Portugal. Principais medidas tomadas pelo Conde de Ericeira:

 Contratação de artesãos estrangeiros especializados;


 Criação de indústrias (vidro, ferro e têxteis) às quais concedeu subsídios e outros privilégios;
 Promulgou as Leis Pragmáticas que proibiam o uso de determinados produtos de luxo importados, para proteger
a indústria nacional;
 Criação de várias companhia monopolistas: Companhia do Cachéu (tráfico de escravos), Companhia do
Maranhão (comércio brasileiro), entre outras;
 Desvalorizou a moeda nacional para tornar os produtos portugueses mais competitivos internacionalmente.

A inversão da conjuntura e a descoberta do ouro brasileiro


A partir de 1692, a crise comercial parecia estar em vias de ser solucionada → os produtos coloniais aumentaram as suas
vendas e os preços subiram, as receitas do Estado subiram. Nessa altura descobre-se o ouro no Brasil, fruto da ação dos

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bandeirantes → os bandeirantes foram expedições realizadas pelo interior do Brasil, quase sempre por iniciativa de
particulares. Descobrem grandes jazidas de ouro em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

Esta descoberta vai disponibilizar dinheiro para o país pagar as importações e abandona as políticas mercantilistas → Este
ouro vai suportar o esplendor da corte de D. João V → Ou seja, o ouro é gasto em luxos e para importar produtos
manufaturados.

A apropriação do ouro brasileiro pelo mercado britânico

Em 1703, Portugal e Inglaterra assinam o Tratado de Methuen:

Tecidos ingleses não pagarão Os vinhos portugueses pagariam apenas dois


impostos (anulando assim as Leis terços da entrada em Inglaterra exigidos aos
Pragmáticas vinhos franceses

Este tratado foi responsabilizado pela destruição da industrialização portuguesa, mas na realidade apenas acelerou o
processo que já estava a decorrer (abrandamento da industrialização) → A Inglaterra apoiou a causa portuguesa na
guerra da Restauração e os portugueses pagavam à Inglaterra em benefícios económicos.

O Tratado de Methuen permitiu o crescimento das exportações dos nossos vinhos, mas, no entanto, as nossas
exportações vinícolas ficaram totalmente dependentes do mercado inglês → Representou o fim do esforço de
industrialização.

O défice comercial com a Inglaterra não parava de crescer. Cerca de três quartos do ouro que vinha do Brasil ia parar a
Inglaterra.

3.3.2 A política económica e social pombalina


 Debilidade da produção interna
 Dificuldades de colocação, no mercado, dos produtos brasileiros “Nova Crise” → diminuição
 Excessiva intromissão das outras nações no nosso comércio colonial das remessas do ouro
 Défice crónico da balança comercial brasileiro

No reinado de D. José I, destaca-se a figura de um ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal
(1699-1782).

 Objetivos:
 Redução do défice comercial com o estrangeiro
 Nacionalização do sistema comercial português

 Era necessário:
 Diminuir a importância de bens de consumo
 Relançar as indústrias
 Oferecer ao comércio português estruturas que lhe garantissem segurança e estabilidade.

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 Seguindo máximas mercantilistas:

 Criação da Junta do Comércio: regulação da boa parte da atividade económica do reino. A Junta de Comércio foi
a maior alavanca da obra pombalina para dirigir o setor comercial. Encarregava-se:
o Reprimir o contrabando
o Intervir na importação de produtos manufaturados
o Vigiar as alfândegas
o Coordenar a partida das frotas para o Brasil
o Licenciar a abertura de lojas e atividades dos homens de negócios

 Criação de companhias monopolistas privilegiadas – juntavam o que havia de melhor na burguesia mercantil
portuguesa, concentravam capitais privados e do Estado, de forma a constituir-se como entidades à altura de se
baterem, comercialmente, com Inglaterra → Companhia dos Vinhos do Alto do Douro estava encarregue da
reorganização da produção e comércio dos vinhos generosos do Douro.

 Revitalização do setor manufatureiro – revitalização das indústrias existentes e a criação de novas unidades. Por
exemplo, a Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre. Pertencentes ao Estado ou a particulares, todas as
manufaturas pombalinas receberam privilégios (instalações, subsídios, exclusivos).

 Criação da primeira escola comercial da Europa, Aula do Comércio (1759) – destinava-se a fornecer uma
preparação adequada aos futuros comerciantes, privilegiando no currículo matérias de carácter prático
(contabilidade, por exemplo) → conferiu o estatuto nobre à alta burguesia.

 Fim da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, bem como a subordinação do Tribunal do Santo Ofício à
Coroa.

Os resultados da política pombalina fizeram-se sentir de imediato:


 As áreas económicas sob controlo das companhias prosperaram;
 Desenvolveram-se outros produtos coloniais (ex. algodão, café, cacau);
 Produções internas substituíram as importações, aumentando as exportações
 Balança comercial obteve saldo positivo

Unidade 4: Construção da modernidade europeia


4.1 O método experimental e o progresso no conhecimento do Homem e da Natureza
4.1.1 A revolução científica
Ao longo dos séculos XVII e XVIII vão-se dar progressos nas ciências e no conhecimento humano que vão mudar a forma
como o Mundo era entendido.

 A intervenção divina, ou do Diabo, ou mesmo a conjugação de determinados astros era a explicação para
determinados fenómenos físicos e naturais;
 A Ciência assentava nos conhecimentos dos Antigos como Aristóteles, Ptolomeu, Santo Agostinho e outros cujas
afirmações eram consideradas inquestionáveis;
 Durante o Renascimento nasceu o espírito crítico, embora limitado a um pequeno grupo de individuais;
 Os Descobrimentos trouxeram novos conhecimentos sobre Mundo, as culturas, fauna, flora e povos existentes;
 Na Europa surgem associações científicas onde se organizam debates e conferências, algumas tornam-se
instituições nacionais;
 Surge o gosto pela observação dos fenómenos naturais e físicos;
 Desenvolvem-se as ideais que:
o O conhecimento aumenta constantemente;
o O progresso científico contribui para melhorar as condições da Humanidade.
 Dá-se início a uma revolução científica.

A partir do século XVI desenvolve-se o método do experiencialismo.


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Francis Bacon (1561-1626) foi um dos percursos afirmou que para conhecer a verdade era preciso: Observar os factos →
Formular hipóteses → Repetir a experiência → Formular a lei;
René Descartes (1596-1651) elaborou o princípio da dúvida metódica. Foi um dos pensadores que introduziu a
matemática como a linguagem fundamental de expressão das leis científicas, surge a expressão “ciências exatas”.

4.1.2 O conhecimento do Homem


A ciência médica desenvolve-se lentamente. Em 1628, William Harvey publica as suas descobertas sobre a circulação
sanguínea.
4.1.3 Os segredos do Universo
No século XVII, com Galileu começa a revolução da conceção do Universo. Foi o primeiro a olhar para o Universo através
de um telescópio. Galileu vai corroborar as teses heliocêntricas de Nicolau Copérnico. Apesar da perseguição, por parte
da Inquisição, às ideias divulgadas por Galileu, o conhecimento divulga-se e vai aumentando.
Isaac Newton (1642-1727) descobre as leis da gravidade e formula a hipótese de um universo infinito.

4.1.4 O mundo da ciência


 No século XVIII as academias científicas tornam-se vulgares e aparecem em quase todas as capitais europeias;
 Os jornais e boletins científicos proliferam;
 As Universidades criam laboratórios modernos;
 As ideias científicas discutem-se e divulgam-se com uma rapidez nunca antes vista na História;
 Surgem novos instrumentos científicos: telescópico, microscópio, barómetro, termómetro relógio de pêndulo,
etc.;
 O gosto pela ciência populariza-se e os debates e discussões científicas são divulgadas para o público;
 As razões divinas deixam de ser aceites como explicações credíveis para os fenómenos físicos e naturais;
 A ciência subdivide-se em vários ramos do saber: astronomia, química, física, biologia, medicina, etc.;
 O método experimental torna-se a única forma credível de procurar a verdade em ciência.

4.2 A filosofia das Luzes


4.2.1 A apologia da Razão e do progresso

 A elite europeia julgava-se a caminho de um futuro melhor, devido aos resultados brilhantes obtidos pelos
experimentalistas, no qual o raciocínio do homem era um dom, com potencialidades quase ilimitadas.
 A crença no valor da razão humana como motor de progresso aplicou-se à reflexão sobre o funcionamento das
sociedade gerais.
 Acreditava-se que o uso da razão livremente levava ao aperfeiçoamento moral do Homem, das relações sociais, e
do poder político levando à mesma igualdade e justiça. A razão era a luz que guiava a humanidade.

4.2.2 O direito natural e o valor do indivíduo


 O espírito das luzes são fundamentalmente burgueses:
o Apesar de controlarem grande parte do comércio, de investir na banca, criar novas formas de exploração
agrícola, via-se separado da vida política dos estados em benefício da nobreza.
 A valorização da razão vinha a estabelecer a igualdade perante todos os homens, no qual punha em causa a
ordem estabelecida
 Este pensamento foi defendido pelos iluministas no qual consideravam o direito natural superior às leis impostas
pelo estado
 O iluminismo consolidou o conjunto básico dos direitos inerentes à natureza humana: direito à liberdade,
julgamento justo, direito da liberdade de consciência
 Os iluministas combatiam contra a razão do estado, dizendo que o homem tinha o direito de ser respeitado
 Neste direito natural estabeleceu-se um moral natural e racional, no qual se baseava na tolerância e na
generosidade.

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4.2.3 A defesa do contrato social e da separação dos poderes
 A liberdade e igualdade defendida pelos iluministas estavam em contradição com a autoridade dos governos, no
qual John Locke teve a ideia de um contrato livremente assumido entre o governo e governantes.
 No Contrato Social Rosseau reforça a ideia de que a soberania popular se mantém.
 O poder tirano para os iluministas é sinónimo de desrespeito, pois temos um povo livre que tem de obedecer.
 A teoria do contrato social transformou o estatuto do individuo no seio da comunidade política: os cidadãos
também já podem ter decisões no poder político .
 O Espírito das Leis, outra obra, escrita por Monyesqyuieu, que admirava o regime, defendia um governo
monárquico moderado e representativo, no qual o soberano se governa pelas leis e veem as suas limitações na
separação do poder.
 A teoria da separação dos poderes defende o poder da autoridade em 3 poderes:
1. Poder legislativo → faz as leis
2. Poder executivo → encarregado de fazer cumprir as leis
3. Poder judicial → julgava os casos de desrespeito às leis
Só a separação destes poderes acabava com a tirania e levava a liberdade dos cidadãos.

4.2.4 Humanitarismo e tolerância


 Uma das áreas em que os atropelos à dignidade humana se fazia sentir era no direito penal, ainda estavam
presentes as práticas medievais como a tortura e trabalhos forçados.
 Beccaria publica Sobre os Delitos e as Penas onde condenava a forma violenta como tratavam os homens no
interrogatório, a inquisição e a forma como eram cumpridas as sentenças. Vozes como estas contribuíram para
o desenvolvimento da fraternidade humana.
 A justiça suavizou, no qual Portugal foi pioneiro na abolição à escravatura.
 A tolerância religiosa foi outro problema pois o estado só queria uma fé, mas com isto considerou-se que não
pertencia ao estado escolher a religião de cada um.
 Separação entre a Igreja e o Estado.
 A maioria dos iluministas eram fiéis à Igreja católica, mas todos se ergueram contra a tolerância, o fanatismo e
a superstição.

4.2.5 A difusão do pensamento das luzes


 A crítica violenta à sociedade, ao poder político e à Igreja desencadeou uma onde de mau estar.
 Foram inumerosos iluministas encarcerados no qual as suas obras eram queimadas ou colocadas no Índex.
 As propostas iluministas invadiram os salões, os clubes privados, as academias e a imprensa periódica.
 No entanto, a enciclopédia criou um impacto maior na sociedade, apesar das duas primeiras edições terem sido
queimadas. Depois de 29 anos, conseguiu ser publicada.
 A enciclopédia permitia que a população acompanhasse os avanços da ciência e da técnica, e o mundo das ideias
iluministas.

4.3 Portugal – o projeto pombalino de inspiração iluminista


4.3.1 A reforma pombalina das instituições e o reforço da autoridade do Estado
A reforma das instituições
O Marquês de Pombal pôs em prática um conjunto de medidas de racionalização global do aparelho de Estado e das
instituições, um objetivo requerido pelo despotismo iluminado.
A sua primeira preocupação foi a racionalização ou modernização do aparelho político-administrativo, promovendo para
o efeito reformas que lhe permitissem restabelecer a autoridade do Estado e a eficiência dos seus serviços. A prioridade
dada por Pombal a estes objetivos compreende-se visto que eram os princípios fundamentais do despotismo iluminado e
que durante o reinado anterior se haviam fortemente degradado.
Foi nesta perspetiva que foram criados:
 Junta do Comércio (1755), com função de combater o contrabando e a corrupção existentes na atividade
comercial;
 Erário Régio (1761), organismo onde foram centralizados todos os serviços de receitas e despesas;
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 Intendência Geral da Polícia de Lisboa (1760), com o intuito de fortalecimento do Estado. Em 1770, a
moralização dos serviços do Estado foi reforçada através de medidas, proibindo a venda e a hereditariedade nos
empregos e ofícios públicos.

O controlo pelo Estado do aparelho político implicava, sobretudo, o afastamento dos grupos nobiliárquicos e eclesiásticos
tradicionais, a restrição/ extinção dos privilégios e poderes desses grupos e até das instituições que estes dominavam.
É nesta perspetiva que se deve enquadrar a política de nivelamento social → Marquês de Pombal combateu duramente
todas as forças, categorias sociais ou instituições que colocavam obstáculos à autoridade régia ou estatal.
Por outro lado, promoveu a alta burguesia → O objetivo era criar uma clientela política apoiante e submissa à ação
governativa e empenhada na política de fomento económico do país. Também as reformas na educação e no ensino se
enquadram nesta política de racionalização.

4.3.2 O reordenamento urbano


A realização dos objetivos do despotismo esclarecido passava também por transformações da fisionomia e das
característica dos espaços urbanos.
Os objetivos do despotismo esclarecido da centralização política e do nivelamento social tiveram tradução nas cidades da
Europa das Luzes na adoção de uma maior uniformização arquitetónica → O terramoto de 1 de novembro de 1755 exigiu
a reconstrução pombalina da Baixa de Lisboa → Esta reconstrução foi orientada de acordo com o racionalismo iluminista
da época:
 Traçado geométrico;
 Ruas largas e retilíneas;
 Subordinações dos projetos particulares à unidade do conjunto, isto é, todas as casas eram iguais porque havia
nivelamento do espaço;
 Sentido prático → exemplo: sistema “gaiola” ou antissísmico;
 Valorização da burguesia → transformação do Terreiro do Paço em Praça do Comércio.

4.3.3 A reforma do ensino


Os estrangeirados (portugueses que, vivendo no estrangeiro, traziam para Portugal os ideais iluministas) foram acolhidos
pelo Marquês de Pombal.
Ribeiro Sanches e Martinho de Mendonça foram alguns dos estrangeirados que mais influenciaram a reforma do ensino.

 Criação do Real Colégio dos Nobres;


 Criação da aula do comércio para os filhos dos burgueses;
 Fundação das escolas menores, entre elas as de ler, escrever e contar, que eram oficiais e gratuitas;
 Reforma da Universidade de Coimbra.

Com o intuito de subsidiar todas estas reformas e permitir a sua continuação, Pombal criou uma espécie de tributação
nacional, o Subsídio Literário.

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