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TRABALHO ASSALARIADO E A FORMAÇÃO DE NOVOS GRUPOS DE PRESSÃO


1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 4
2. AS INDÚSTRIAS NO BRASIL E A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZAS NACIONAIS.... 5
3. AS RELAÇÕES COMERCIAIS MUNDIAIS E AS MUDANÇAS OCORRIDAS NO

BRASIL..................................................................................................................... 9
4. CRISE ECONÔMICA NO BRASIL........................................................................ 12
5. REVISÃO DA AULA ............................................................................................ 14
6. REFERÊNCIAS ................................................................................................... 15
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AULA 4

TRABALHO ASSALARIADO E A
FORMAÇÃO DE NOVOS GRUPOS DE
PRESSÃO

Entender como a industrialização transformou a produção


nacional.

Compreender o Imperialismo e sua importância para a formação


de nossa economia.

Observar os interesses do capitalismo financeiro internacional no


Brasil.

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1. INTRODUÇÃO

Nesta aula você ficará a par de alguns aspectos da história do nosso país,
habitualmente trabalhadas nos cursos de História do Brasil, e que já lhe trouxeram
conhecimentos pontuais sobre o descobrimento, como a Colonização, a Independência e a
República. Esses acontecimentos aparecem muitas vezes em nossas lembranças como
datas isoladas, que ocorreram em dias específicos (22 de abril de 1500, 7 de setembro de
1822, 15 de novembro de 1889), sem que, muitas vezes, conseguimos relacioná-los como
partes de um processo único, histórico, político e social de nosso país.

Todos esses acontecimentos estão relacionados e, muitas vezes, são conhecidos


apenas superficialmente. Aqui, especificamente, procuraremos entender as relações dessa
história colonial com nossa realidade econômica atual. Caminharemos lembrando de nossa
história e procurando entender os processos relatados, os quais, muitas vezes, parecem não
ter conexão com o nosso passado e presente.

Você já sabe que o período colonial deixou marcas em nossa dependência comercial
com relação a outros países. A independência ocorreu sem que nosso comércio pudesse se
manifestar livremente, mantendo laços estreitos com a antiga metrópole portuguesa, bem
como com a dependência da mão de obra escrava. Também percebeu que a libertação dos
escravos, apesar de desejada por uma questão humanitária, só ocorreu porque a mão de
obra dos imigrantes se tornou mais abundante e consequentemente mais barata. A
República teve características que fizeram a atividade comercial interna se abrir para novos
mercados, mas que, ao mesmo tempo, fizeram-nos dependentes de outros países para
acumulação de riquezas e desenvolvimento.

Alguns desses pontos serão tratados nessa aula, e espero que você possa perceber
todas as consequências geradas para nosso país e suas relações (econômicas e sociais)
internas e externas. Vamos, juntos, analisar a passagem do capitalismo comercial para o
financeiro e como isso mudou as relações econômicas mundiais.

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2. AS INDÚSTRIAS NO BRASIL E A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZAS

NACIONAIS

Quando a família real portuguesa se estabeleceu no Brasil (1808), uma das


facilidades oferecidas ao comércio exportador foi a abertura dos portos, fazendo com que o
Brasil pudesse comercializar externamente sem necessidade de uma autorização de
Portugal. Na verdade, o rei de Portugal não tinha outra opção para comercializar os produtos
da colônia, pois seu país estava sob o domínio de Napoleão.

Essa liberdade para o comércio de produtos da colônia era necessária para que a
família real mantivesse seu domínio, mesmo que instalada fora da Europa (com sede no
Brasil). Os rendimentos desse comércio precisavam continuar a chegar às mãos da família
real.

Esse fato fez com que a indústria artesanal que existia na colônia fosse aniquilada,
devido à concorrência externa. A necessidade da manutenção do comércio da metrópole
veio a “atrasar” o desenvolvimento de nosso iniciante e fraco comércio interno. Essa abertura
também permitiu que as mercadorias estrangeiras concorressem no mercado brasileiro em
igualdade de condições com a produção interna, graças às tarifas alfandegárias muito
baixas que se mantiveram até 1844.

Apesar disso, a disponibilidade de mão de obra e seu baixo preço será uma
circunstância favorável ao estabelecimento da indústria brasileira. Lembremos que nossa
economia era agrária e escravista, e onde a grande lavoura teve um papel absorvente e
monopolizador das atividades rurais, a grande massa dos homens livres ficou à margem de
sua evolução. Essas pessoas que não se encaixavam no mercado como mão de obra para a
agricultura, permaneciam livres nos novos centros urbanos.

Segundo Caio Prado Jr., é a partir de então “que se verifica efetivamente a


desocupação e a vadiagem que representam sempre o estado normal de uma grande parte
da população da colônia. Aí a indústria nascente encontrará um amplo abastecimento de
mão de obra; deficiente, é verdade, e muitas vezes precária e incerta. Mas compensando-se
com seu ínfimo preço” (1972, 239).

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Outro fator favorável à indústria brasileira será a produção local de uma matéria-
prima de grande importância para ela: o algodão. E, efetivamente, a sua manufatura se
iniciará com a indústria têxtil que até muito recentemente representou parte substancial de
sua produção.

À exceção do Rio de Janeiro que continuava, como sempre fora no passado, a cabeça
da produção industrial, a transformação desde o tempo do Império ocorreu de maneira
considerável. Seria particularmente notável, nessa época, o caso de São Paulo, que logo se

tornaria o maior produtor do país, com a grande parcela de 40% do total de nossa produção.

Esta concentração observada na indústria em São Paulo se explica pelo número de


circunstâncias favoráveis que aí se reuniam. A principal delas foi o progresso geral do
estado, graças ao desenvolvimento sem paralelo de sua lavoura cafeeira, o que lhe trouxe
riqueza e população. A imigração, com a habilitação técnica do trabalhador europeu, muito
superior ao nacional, concorrerá com os brasileiros recém-egressos da escravidão.
Finalmente, mas não de menor importância, será a abundância de energia hidráulica, já agora
aproveitável sob a forma de eletricidade nas proximidades dos setores mais povoados do
estado, em particular, na sua capital.

A Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, dará grande impulso à indústria brasileira.
Não somente a importação dos países em guerra, que eram nossos habituais fornecedores
de manufaturas, declina e mesmo se interrompe em muitos casos, mas a forte queda do
cambio reduz também consideravelmente a concorrência estrangeira.

Mais uma vez segundo Caio Prado Jr., “no primeiro grande censo posterior à guerra,
realizado em 1920, os estabelecimentos industriais arrolados somarão 13.336, com
1.815.156 contos de capital e 275.512 operários. Destes estabelecimentos, 5.936 tinham
sido fundados no quinquênio 1915-1919, o que revela claramente a influência da guerra”
(PRADO JR., 1972, 261).

Não podemos deixar de observar como acontecimentos internacionais afetaram


nosso mercado interno, trazendo mais ganho para as empresas nacionais. A primeira
“Grande Guerra” dava também um primeiro impulso sério à exploração e aproveitamento
industrial do minério brasileiro.

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A posição econômica que todas estas indústrias subsidiárias ocupam é singular. De
um lado, não passam efetivamente, muitas vezes, de pouco mais que simples agências
comerciais destinadas a preparar para o consumo, artigos já mais ou menos elaborados no
estrangeiro. Em certos casos, no entanto, adquirem relativa e mesmo completa autonomia,
suprindo com fabricação própria a maior parte da produção, mesmo quando filiais de
industrias estrangeiras começam a funcionar, no terreno da produção, como entidades
autônomas e ligadas apenas financeiramente a suas matrizes. Todas essas situações

acabaram beneficiando nosso mercado interno.

Depois da II Guerra Mundial (1939-1945), as empresas estrangeiras trarão


contribuição decisiva para o desenvolvimento da indústria brasileira, porque serão
responsáveis pelo estabelecimento no país de uma indústria de base capaz de iniciar, aqui
mesmo, a elaboração da matéria-prima e a produção do material semielaborado, e mesmo a
maquinaria destinada às diferentes industrias que trabalham diretamente para o consumo
final.

Esse desenvolvimento da indústria ocupará um lugar importante na economia do


país. Uma boa parcela dos artigos manufaturados do seu consumo era de produção interna,
dispensando assim importações correspondentes de artigos estrangeiros. Este será um
importante fator de equilíbrio das nossas contas externas e da normalidade financeira do
país.

A indústria se tornará um elemento indispensável ao funcionamento normal da


economia, já que não poderá mais dispensá-la sem um distúrbio profundo de todo seu
equilíbrio.

FIQUE ATENTO

O Brasil, nessa fase, está se transformando de uma economia baseada


somente em produtos agrícolas, em um país com indústrias importantes
para o suprimento de suas necessidades internas e para o comércio exterior,
com um papel na economia mundial.

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Apesar dessa evolução em nossa produção, ainda tínhamos debilidade no mercado
interno, dificuldades de transporte, deficiência técnica e isso fará com que nossa indústria
tenha baixo nível qualitativo.

Para Caio Prado Jr., mesmo com essa evolução, “a maior parte da indústria brasileira
continuará como antes: largamente dispersa em unidades insignificantes, de rendimento
reduzido e produzindo exclusivamente para estritos mercados locais” (PRADO JR., 1972,
263). O autor complementa:

A acumulação capitalista ainda é essencialmente no Brasil um fato


individual, restrito. Aqueles que tem capitais aplicados na indústria são
unicamente indivíduos que lograram reunir fundos suficientes para se
estabelecerem nela por conta própria e independentemente. Alguns
obtiveram grandes lucros na lavoura do café. Depois de 1907, quando o café
teve seu plantio limitado e havia o perigo da concorrência, muitos daqueles
lucros foram aplicados na indústria que efetivamente, depois de 1910 se
desenvolve com rapidez (PRADO JR., 264).

Este será o caso de imigrantes estrangeiros, colocados em situação social que lhes
permitia um regime de vida de prosperidade. Indivíduos de origem modesta, que se
estabelecendo com empreendimentos a princípio insignificantes, conseguiram, graças aos
grandes lucros dos momentos de prosperidade, ir acumulando os fundos necessários para
ampliarem suas empresas.

Efetivamente, a maior parte da indústria brasileira encontrou-se logo nas mãos de


famílias como por exemplo os Matarazzo, Crespi, Jaffet, Pereira Ignacio, etc.

Apesar do grande significado dessas famílias em nossa história, esse fato demonstra
a debilidade de industrias que repousam unicamente em bases financeiras tão estreitas e
precárias. Assim a indústria brasileira mostra sua grande vulnerabilidade. Baseada em
riqueza de famílias, não em investimentos estatais de grade vulto, que pudessem alicerçar
um desenvolvimento seguro que as indústrias, que se limitaram a ter financiamentos
individuais de seus iniciadores, quer dizer, firmas individuais (sociedades de pessoas, não de
capitais).

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3. AS RELAÇÕES COMERCIAIS MUNDIAIS E AS MUDANÇAS OCORRIDAS

NO BRASIL

Assim se verifica a debilidade da indústria brasileira. Ela estará sempre ligada a


fatores estranhos e sobre os quais não tem poder; como o comércio exterior, o estado das
finanças públicas e o balanço das contas internacionais.

Quando analisamos o comércio de produtos importados e exportados, precisamos


lembrar que, no mundo todo, ele foi afetado pelas duas guerras mundiais. Países em guerra
pararam de comprar ou vender mercadorias para o mercado internacional e esse fato
também atingiu o Brasil e seus produtos. O mundo passou a ter um comércio entre todos os
países, alguns mais ricos, com uma maior acumulação de capital que outros, uns com mais
poder de intervir nos preços dos produtos que outros, mas todos eles passaram a ter
relações comerciais entre si.

SAIBA MAIS

Imperialismo é a prática através da qual nações poderosas procuram


ampliar e manter controle ou influência sobre povos, ou nações mais pobres.
Algumas vezes o imperialismo é associado somente com a expansão
econômica dos países capitalistas, outras vezes é usado para designar a
expansão europeia após 1870. Imperialismo se refere, em geral, ao controle
e influência que é exercido tanto formal como informalmente, direta ou
indiretamente, política ou economicamente. Para saber mais, consulte o
artigo no link: http://infoescola.com/hist ória/imperialismo

A situação de dependência e subordinação (orgânica e funcional) da economia


brasileira com relação ao conjunto internacional de que ela participa, é um fato que se prende
às raízes da formação do próprio país.

Nossa economia de exportação, constituída com o objetivo de fornecer gêneros


alimentícios e matérias-primas tropicais aos países e populações das regiões temperadas
da Europa, e mais tarde também da América, organizar-se-á e funcionará em ligação íntima
e com estreita dependência do comércio ultramarino, em função do qual se formou e se
desenvolveu. Será essencialmente uma economia colonial, num sentido mais preciso, em

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oposição ao que denominaríamos economia “nacional”, que seria a organização da produção
em função das necessidades próprias da população que dela participa. Esta é a
circunstância principal que tornará o Brasil tão vulnerável à penetração do capital financeiro
internacional quando o capitalismo chega a esta fase de seu desenvolvimento.

EXEMPLIFICANDO

A Inglaterra, bem como outros países, achava-se ainda na fase de sua


expansão puramente comercial e queria mercados para suas indústrias em
acelerado crescimento; e era a isto que se subordinava sua política e sua
ação no Brasil, como no exterior em geral.

Como explica o exemplo de referência, a evolução do capitalismo financeiro do século


XIX, modificará as relações primárias entre as nações capitalistas e os demais povos do
mundo. Substituiu-se o simples objetivo de vender produtos industriais e houve ampla
expansão do capital financeiro, o qual procurará explorar em seu proveito as diferentes
atividades econômicas do globo.

O Brasil se integrará a este sistema, como todos os demais países que servirão ao
capital financeiro. A partir daí ele participará de todas as atividades financeiras
transnacionais, abrirá mercados para a indústria mundial, permitindo sua expansão e ainda
terá à sua disposição (e de sua indústria) as matérias primas de que necessita de fora de
suas fronteiras.

EXEMPLIFICANDO

O capital financeiro se empenhará primeiramente no café, porque esta


produção é a grande riqueza nacional e a que oferece maiores perspectivas
de remuneração. A economia cafeeira, nas suas diferentes fases, desde a
produção até o consumo, será largamente explorada pelo capitalismo
internacional.

O imperialismo, em conjunto, representa um sistema amplo e geral de organização


econômica do mundo. O Brasil não será mais que um dos elos da grande corrente que

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envolve o universo e mantêm ligados todos os povos numa única estrutura que tem como
centro diretor os grupos controladores da capital financeiro internacional.

Assim o Brasil é apanhado e arrastado passivamente, e sua evolução econômica se


tornará função de grandes acontecimentos mundiais que se compreendem e explicam
apenas no cenário universal e em conjunto com a história geral da Humanidade. Estamos
falando de um processo que envolve simultaneamente todos os povos da Terra.

Na história econômica moderna, o Brasil e os demais países são uma massa de

manobra e sua vida econômica não é função de fatores internos, de interesses e


necessidades da população que nele habita, mas de contingências da luta de monopólios e
grupos financeiros internacionais concorrentes.

EXEMPLIFICANDO

Temos a Coca-Cola norte-americana, que desejando novos mercados,


conseguiu, através de uma grande campanha publicitária, bem como de uma
distribuição quase perfeita, convencer os consumidores brasileiros a
preferirem seu produto às dezenas de similares já existentes no país, as
quais não puderam acompanhá-la na propaganda que fez e passaram, por
isso, a ser consideradas piores.

A exploração do imperialismo não se faz em benefício de uma classe brasileira, uma


burguesia indígena, mas de classes e interesses completamente estranhos ao país. Não é
apenas a classe trabalhadora que se desfalca, mas o país em conjunto que vê escoar para
fora de suas fronteiras a melhor parcela de suas riquezas e recursos. O imperialismo fez a
economia brasileira se manter no papel primário de fornecedora de gêneros tropicais ao
comércio internacional.

O ritmo da vida econômica e social brasileira, que está qualitativamente no nível do


mundo moderno, é em grande parte reflexo da ação imperialista. Com ela vieram o espírito

de iniciativa, os padrões, o exemplo e a técnica de países altamente desenvolvidos que,


assim, trouxeram para o Brasil alguns dos fatores essenciais para nosso progresso
econômico. Finalmente, podemos dizer que a evolução do imperialismo no Brasil é
contraditória.

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4. CRISE ECONÔMICA NO BRASIL

Quando o Brasil se libertou do exclusivismo e isolamento coloniais, entrou no convívio


internacional e passou para uma fase de grandes transformações.

Essas transformações foram de ordem, política, social e econômica. É através do


sistema imperialista que o Brasil se integrará ao mundo e ao ritmo de vida modernos. Depois
de 1930, todo esse processo de transformação se acentua. A crise mundial se desencadeia
em outubro de 1929, tendo importantes consequências no Brasil. O valor dos produtos
fundamentais em que se assentava a sua vida econômica, como o café, cai bruscamente. As
exportações sofrem, em consequência, uma grande redução.

Tudo isso determinará naturalmente um brusco e profundo desequilíbrio das contas


externas do país. E um déficit considerável. As perspectivas do Brasil como fornecedor do
comércio internacional tornam-se mínimas. O café que durante anos assegurou uma posição
estável do país, pouco lhe poderá dar.

A lavoura de café passava por uma decadência generalizada, antes assegurando a


prosperidade e o desenvolvimento do país, agora sua produtividade e seus rendimentos
declinam e seus custos (apesar dos ínfimos salários pagos) tendem a ultrapassar o nível de
preços. Essa descrição é a mesma já contada sobre a agricultura no norte do país: utilizava-
se a terra até seu esgotamento e, após a queda de produtividade, ela é substituída por outras.
Com o café aconteceu o mesmo, até não se ter mais terras para substituir. A consequência
disso é que o Paraná produz hoje mais café que São Paulo.

Agora já não há mais terras a serem exploradas. As regiões favoráveis ao café já se


acham exploradas e na maior parte esgotadas. As terras com potencial produtivo, que são
as mais produtivas do país, no Oeste do Paraná, mostram-se menos propícias porque estão
sujeitas a geadas e devastações, como ocorreu no inverno de 1969.

Diante de tudo isso seria ilusório esperar da economia cafeeira o que ela deu no
passado ao Brasil, assegurando a prosperidade e o desenvolvimento do país. A situação se
tornou difícil sem a grande produtividade dessa mercadoria. Encontramos a mesma situação
com outros produtos, como com o algodão, o cacau e a borracha, que tiveram as
perspectivas de sua produção circunscritas pelo esgotamento de produtividades das terras
e a competição internacional.

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A projeção de crescimento de nosso intercambio externo, nas bases tradicionais em
que se acha colocado, não se mostram nada favoráveis nessa época: todo o velho sistema
econômico entra em decomposição. Após 1930, fica evidenciado que a base oferecida pelo
nosso antigo sistema, voltado para o exterior, torna-se progressivamente mais estreita e
incapaz de sustentar a vida do país. Assim ocorre sucessivamente, em 1934, 1940 e 1944:
os credores estrangeiros do Brasil foram obrigados a aceitar os cortes drásticos de seus
créditos.

Essas são as circunstâncias que levarão a economia brasileira para novos rumos, que
são os únicos a serem seguidos. O Brasil precisava deixar de ser um simples fornecedor do
comércio e dos mercados internacionais e tornar-se efetivamente o que deve ser uma
economia nacional, a saber, um sistema organizado de produção e distribuição dos recursos
do país para a satisfação das necessidades da população.

O Brasil precisava romper definitivamente com seu longo passado colonial e atender
à própria comunidade brasileira, e não aos interesses e necessidades alheias. A contradição
entre o passado colonial e as forças de renovação que impulsionam o país por novos rumos,
acabará levando ao processamento de nossa evolução econômica.

SAIBA MAIS

O ano de 1930 foi um divisor de águas na história do Brasil. A partir dessa


data, houve aceleração das mudanças sociais e políticas, a história parecia
andar mais rapidamente. Verificou-se assim um avanço nos direitos sociais.
Uma das primeiras medidas do governo foi criar um Ministério do Trabalho,
Industria e Comércio. Depois veio a vasta legislação trabalhista e
previdenciária, completada em 1943 com a Consolidação das Leis do
Trabalho. A partir desse forte impulso, a legislação social não parou de
ampliar seu alcance. A este respeito, leia o livro de José Murilo de Carvalho,
Cidadania no Brasil (Civilização Brasileira, 2018).

O passado colonial passa a ser questionado pela nova forma de produção moderna,
que projetará o futuro da nação. Foram três séculos de história colonial, agora, passaram a
ser estabelecidas as condições de constituição da nação nesse novo mundo, com novas
regras, interesses e objetivos, gerando uma reestruturação da economia brasileira em novas
bases, mais condizentes com o nível atingido por seu povo.

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5. REVISÃO DA AULA

Nesta aula você pôde compreender:

· Como foi o processo de constituição das indústrias no país e as primeiras formas


de acumulação de riquezas em bases nacionais;
· As mudanças ocorridas no Brasil com as transformações nas relações
comerciais mundiais;
· Os impactos no mundo do trabalho, e consequentemente na estrutura social, da
crise econômica deflagrada pela crise do café.

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6. REFERÊNCIAS

AZEVEDO, José Eduardo, (org). Introdução às ciências sociais. Rio de Janeiro: Évora, 2007.

BENTO, Maria Aparecida Silva. Branquitude e Branqueamento no Brasil. In: ESTEVÃO, Ana
Maria Ramos. O que é serviço social. São Paulo: Brasiliense, 1984.

CARVALHO, José Murilo. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2001.

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática,


1978.

FERNANDES, Florestan. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. Rio de


Janeiro: Zahar Editores, [1972] 1981.

IANNI, Octavio. Raças e classes sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.

KOWARICK, Lucio. As lutas sociais e a cidade. São Paulo: Paz e Terra, 1988.

KOWARICK, Lucio, Trabalho e vadiagem: a origem do trabalho livre no Brasil. São Paulo: Paz
e Terra, 1994.

NOVAIS, Fernando A. A crise do antigo sistema colonial: estrutura e dinâmica do sistema. In:
Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 2001.

PRADO JR. Caio. Formação Econômica do Brassil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1972.

PRADO JR., Caio. História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 2017.

ROSEMBERG, Fúlvia. Literatura infantil e ideologia. São Paulo: Global, 1985.

SILVA, Ana Célia da. Cor e posição simbólica: o lugar do negro na modernidade Caxambu:
1991 (mimeo).

SINGER, Paul. O Brasil no contexto do capitalismo internacional 1889-1930. Revista


Mexicana de Sociologia. vol. 36. n. 3, pp. 574-593, jul.-set. 1974.

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