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ANALÍSE DE PATENTE CONFORME INSTRUÇÕES NORMATIVAS Nº 31/2013 DO

INSTITUTUO NACIONAL DE PROPRIEDADES INDUSTRIAIS – INPI


LUANA BARBOSA DE OLIVEIRA¹

PATENTE
Número do pedido: BR 10 2014 023529 9
Data do depósito: 23/09/2014
Data da publicação: 12/07/2016
Título: Processo de obtenção de argamassa com EPS reciclado
Titular: Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo
Inventor: Vanessa Creto Bellato, Tiago Tozi, Alessandra Savazzini dos Reis, Geórgia Serafim
Araújo, Karla Fadini Fiorot Bussular, Bruno da Silva Assis.

OBSERVAÇÕES NORMATIVAS
Art. 29 O título deverá ser conciso, claro e preciso, identificando o objeto do pedido, sem
expressões ou palavras irrelevantes ou desnecessárias (tais como "novo", "melhor",
"original" e semelhantes), ou quaisquer denominações de fantasia, e ser o mesmo para o
requerimento, o relatório descritivo e o resumo.

PROCESSO DE OBTENÇÃO DE ARGAMASSA COM EPS RECLICLADO


O pedido de patente, deverá ser sempre no idioma Português, deverá conter (Art. 2º):

 Art. 2º I: Requerimento, através de formulário próprio para tal ato;


 Art. 2º II: Relatório descritivo, de acordo com as disposições da referida norma;
 Art. 16: O relatório descritivo deverá cumprir as seguintes especificações;
 Art. 16 I: Ser iniciado pelo título, em destaque com relação ao restante do texto;
 Art. 16 II: Preencher o setor técnico a que se refere a invenção.

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Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil – Universidade Federal do Amazonas.
Faculdade de Tecnologia – Universidade Federal do Amazonas, Avenida General Rodrigo Otávio, 6200,
Coroado, Manaus, AM, Brasil - CEP: 69077-000
Processo de obtenção de argamassa com EPS reciclado, refere-se ao processo de
beneficiamento de resíduo de EPS para incorporação em argamassa cimentícia em
substituição parcial da areia. O EPS reciclado, popularmente conhecido como Isopor®,
devido ao seu baixo valor agregado, é conseguido a um custo baixo e seu beneficiamento
é simples, rápido e dispensa equipamentos sofisticados. A mistura pode ser empregada
na fabricação de diferentes materiais de construção pré-moldados tais como blocos de
alvenaria, placas cimentícias e, ainda, argamassas de enchimento. A argamassa é
caracterizada pelo fato de ter, 1 parte de cimento em massa, a relação água/materiais secos
variando de 0,35 a 0,40, um intervalo de 1,99 a 1,96 partes de areia em relação à massa
de cimento, um intervalo de 0,005 a 0,017 partes de EPS triturado em relação à massa de
areia, além de ter os componentes areia e EPS com granulometrias ajustadas para
dimensão máxima inferior à peneira de abertura 4,8mm.

PROCESSO DE OBTENÇÃO DE ARGAMASSA COM EPS RECICLADO


A presente patente de invenção refere-se ao processo de obtenção de uma nova
argamassa cimentícia com substituição de parte da areia por resíduo reciclado de
poliestireno expandido - EPS.
Mais especificamente a presente invenção em questão, pertencente ao campo da
engenharia civil, refere-se ao processo de beneficiamento do EPS e ao processo de
desenvolvimento de uma argamassa de cimento, areia e EPS, na qual parte da areia é
substituída pelo referido EPS reciclado. A mistura pode ser empregada na fabricação de
diferentes produtos voltados para os materiais de construção, desde argamassas leves de
enchimento até elementos de vedação (placas pré-fabricadas, blocos vazados, blocos
maciços, etc.) amplamente usados em edificações residenciais e comerciais.
O processo de beneficiamento do resíduo de EPS tem diversas vantagens, dentre
as quais podemos citar: a facilidade e rapidez no processo de transformação das placas de
EPS de diferentes procedências em material granular; o uso de equipamentos de baixo
custo e de mão de obra pouco qualificada; e o custo muito baixo para a aquisição do
resíduo.

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Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil – Universidade Federal do Amazonas.
Faculdade de Tecnologia – Universidade Federal do Amazonas, Avenida General Rodrigo Otávio, 6200,
Coroado, Manaus, AM, Brasil - CEP: 69077-000
Referente à fabricação de argamassa com o resíduo de EPS, as
vantagens em relação às argamassas convencionais e às que já possuem patentes
concedidas no Brasil são: baixa densidade tornando a argamassa mais leve e com melhor
desempenho térmico

e acústico; processo de fabricação similar às argamassas convencionais, não necessitar de


aditivo para modificar ou melhorar as características das argamassas; e processo de
fabricação e mistura empregar os mesmos equipamentos disponíveis em qualquer
canteiro de obras. Adicionalmente, existem as vantagens ambientais pelo reuso de resíduo
sem valor agregado o qual é desprezado pela indústria de reciclagem, tornando-se um
produto saturador de aterros sanitários.
Visando encontrar um emprego para o EPS em materiais de construção civil,
desenvolveu-se um processo para beneficiamento do resíduo, de maneira que pudessem
substituir parcialmente, sem perda de desempenho, a areia nas argamassas. O
beneficiamento do EPS para seu uso em substituição parcial da areia se dá, inicialmente,
com a quebra do resíduo - geralmente encontrado em placas - em pedaços menores. Os
pedaços de EPS, previamente quebrados, são misturados com água para aumentar a
eficiência e evitar a perda do material. Em seguida é levado ao triturador que pode ser,
por exemplo, um liquidificador industrial, que neste caso, a mistura com água evita que
o material seco, que é muito leve, fique em suspensão fazendo com que o mesmo não
chegue às lâminas, dificultando a trituração. O resultado é uma massa úmida que deve
passar por um período de exposição ao ar livre, à sombra e sem corrente de ar, para
eliminar a água por evaporação. Em aproximadamente três dias o material está
completamente seco. Depois de triturado e seco o material (agora em pérolas) deve ter
sua granulometria corrigida. Para isso, o material triturado foi passado nas peneiras com
abertura de malha igual ou inferior a 4,8mm.
Uma vez beneficiado o EPS, desenvolveu-se o processo de mistura do mesmo em
uma argamassa cimentícia na qual parte da areia foi substituída pelo resíduo. Também a
areia teve sua granulometria corrigida, sendo empregados grãos com dimensão máxima
característica abaixo de 4,8mm. Inicialmente foram colocados a areia e o resíduo de EPS

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Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil – Universidade Federal do Amazonas.
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Coroado, Manaus, AM, Brasil - CEP: 69077-000
e feita uma pré-homogeneização. A seguir foi adicionada metade da água, o cimento e,
por fim o restante da água. O material foi então misturado em uma argamassadeira.
Para testar a eficiência da mistura, foram produzidos blocos modulares para
alvenaria de vedação cujo processo de fabricação foi o descrito a seguir: ainda no estado
fresco, a argamassa com EPS incorporado foi colocada na prensa para dar a forma do
bloco modular. Após a prensagem os blocos foram deixados a umidade e temperatura
ambiente por 24 horas, período em que se processam as reações de hidratação do cimento.
No dia seguinte à moldagem os blocos foram transferidos para uma câmara úmida onde
ficaram por 28 dias a uma temperatura variando de 23 ± 2°C e uma umidade relativa do
ar não inferior a 95%. Na fabricação destes blocos em campo, a cura dos mesmos pode
ser feita submergindo-os, após transcorridas as primeiras 24 horas, em tanques com água
saturada com cal.
As vantagens se revertem em um processo de beneficiamento de placas de EPS
em um material reciclado que substitui parte do agregado miúdo e a produção de uma
argamassa cimentícia com atributos de leveza, melhor isolamento térmico e acústico. No
que se refere ao aspecto técnico, a argamassa empregada na fabricação de blocos
modulares apresentou desempenho compatível com os requisitos das normas técnicas.
Algumas vantagens adicionais do processo de incorporação do resíduo de EPS à mistura
relacionadas ao ponto de vista econômico: por não necessitar de aditivos e ser o resíduo
um material conseguido a um custo muito baixo, o preço final da presente argamassa pode
ser mais barata que outras similares; ao encontrar um uso para o EPS o valor do resíduo
pode vir a subir, tornando-o atrativo para as associações de catadores, convertendo-se em
uma potencial fonte de renda alternativa; do ponto de vista social: tanto o beneficiamento
do EPS quanto o processo de fabricação da argamassa com a incorporação do mesmo são
simples, sem uso de equipamentos específicos e não necessita de mão de obra qualificada.
No caso de se empregar a presente mistura para a fabricação de blocos modulares, pode-
se ter também como vantagens a construção em sistema de mutirão ou a autoconstrução.

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Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil – Universidade Federal do Amazonas.
Faculdade de Tecnologia – Universidade Federal do Amazonas, Avenida General Rodrigo Otávio, 6200,
Coroado, Manaus, AM, Brasil - CEP: 69077-000