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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES


DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS

DISCIPLINA: LITERATURA BRASILEIRA V

ESTUDO DIRIGIDO

QUESTÃO 01
Em O Quinze, Rachel de Queiroz nos arremessa, sem complacência, num cenário
tétrico, disforme, angustiante, onde a seca protagoniza o enredo, exaure a linguagem e,
sem pudor algum, escancara as vísceras da crueza humana. Nos flancos da obra, a
generosidade e o amor se enlodam nas raras poças de afeto que persistem sob o calor
escaldante da caatinga. Entre galhos retorcidos e pedregulhos, entre casas guarnecidas e
tendas acinzentadas, emanam imagens e discursos que reverberam a virulência do
abandono social, cujos efeitos devastam o autóctone e dissecam os “bem-aventurados”.
Com base nessas reflexões, discorra sobre o caráter político, econômico e ético da seca
que percorre as páginas do romance em tela, de modo a contemplar sua filiação ao
projeto ideológico e estético da Geração de 30. (Lembre-se de utilizar a norma padrão
da Língua Portuguesa e respaldar as reflexões com excertos extraídos da narrativa)

QUESTÃO 02
“Se o objetivo da vida fosse chegar a um estado nunca alcançado anteriormente, isso
estaria em frontal contradição com a natureza conservadora das pulsões. Portanto, esse
objetivo deve ser muito mais o de alcançar um estado antigo, um estado inicial, o qual
algum dia o ser vivo deixou para trás e ao qual deseja retornar tendo de passar por todos
os desvios tortuosos do desenvolvimento. Se pudermos admitir como um fato sem
exceção que todo ser vivo morre, ou seja, retorna ao estado inorgânico devido a razões
internas, então podemos dizer que: o objetivo de toda a vida é a morte, e remontando ao
passado: o inanimado já existe antes do vivo”.
FREUD, Sigmund. Pulsões e destinos da pulsão. In: Obras
psicológicas de Sigmund Freud - Escritos sobre a Psicologia do
Inconsciente (1915-1920). v. 2. Trad. Luiz Alberto Hanns. Rio de
Janeiro: Imago, p. 148, 2004.

Deixando-se guiar pelo excerto acima, disserte acerca do movimento de repetição que
recai sobre os personagens, conduzindo-os, em dadas circunstâncias, inconscientemente,
a experiências estagnadas, improdutivas e mortíferas. (Lembre-se de utilizar a norma
padrão da Língua Portuguesa e respaldar as reflexões com excertos extraídos da
narrativa)

“Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”.
Sigmund Freud