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Ao iniciar o sexto capítulo da obra – Novos Tempos, Holanda demonstra o

quanto o homem tem dificuldade em pensar além de si mesmo, o que caracteriza uma
individualidade extrema. Como corolário disso, o homem se torna ocioso a atividades
que demandam muito esforço físico.
Como consequência da falta de interesse e vontade em exercer um cargo ou
amor a profissão, tem-se vários profissionais que encontram sua vocação por acidente
ou pelo retorno financeiro. O autor afirma que os brasileiros não se tratam de homens
de suas profissões e sim pessoas que apenas almejam um cargo superior de forma
rápida sem querer ter exercido antes um cargo inferior que o insira neste meio.

Afirma o autor que nessa época, profissionais liberais – como médicos e


advogados- eram prestigiados pelo papel social e econômico que desempenhavam sem
se importarem com o retorno social que sua profissão poderia fornecer a população ou
a real “missão” que cada classe profissional deveria cumprir para ser útil socialmente.

É de suma importância destacar a crítica feita pelo autor em relação as


posições de bacharéis, doutores e possuidores de cargos públicos que representam o
conceito de sabedoria para o brasileiro por serem detentores de estabilidade e
condições monetárias.

Ainda, cumulado a isso, relata Holanda que o Brasil seria um adolescente em


termos de política e que a democracia brasileira não passa de mero mal entendido por
ser levada para o Brasil sem se ter pensado nas modificações que a sociedade faria e
passaria em decorrência disso.

Dessa forma, nota-se que uma classe dominante tratou de transformá-la no


que mais lhe convinha e atendia aos seus interesses sociais e econômicos pois na
maioria das lutas travadas no período não houve participação ou adesão popular ao
ato.

Com isso, nota-se que a mentalidade da sociedade brasileira está atrelada às


ideias conservadores e imperiais como a noção de que talento é nato, ou seja, nasce
com o indivíduo e que “falar bonito” traduz a ideia de intelectualidade.
Por fim, conclui o capítulo afirmando que é um fato ilusório dizer que os
pensamentos coloniais estão em decadência no país, mas afirma que a sensibilidade do
brasileiro sobre estes está se acabando.

Atesta, ainda, o autor, que o Brasil dispôs e ainda dispõe “a ideia de que o
país não pode crescer pelas suas próprias forças naturais: deve formar-se de fora para
dentro, deve merecer a aprovação dos outros.” (p. 166).