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III Congresso de Ciência e Tecnologia da UTFPR-DV

3ª Semana Acadêmica de Ciências Biológicas


HUB 2015
21 e 22 de outubro de 2015, Dois Vizinhos-PR

AVALIAÇÃO DE ATRIBUTOS QUÍMICOS DO SOLO EM PROPRIEDADES RURAIS


DO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO SUDOESTE – PR – BRASIL

David Marlon Dalposso ²*, Lucas Link1, Rodrigo Junior Schneider1, Vitor Gonçalves
Furline1, Moeses Andrigo Danner1
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Departamento de Agronomia
1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Dr. Professor da UTFPR – DV, Departamento de Agronomia
CEP 85660-000 Dois Vizinhos – Paraná - E-mail: david_marlondalposso@yahoo.com.br
2
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Departamento de Engenharia Florestal
85660-000 Dois Vizinhos – Paraná

RESUMO
A fertilidade do solo é de suma importância para que o tempo dispendido e os recursos
aplicados na cultura retornem lucros para os produtores na forma de mais alta produção.
Avaliaram-se alguns atributos químicos do solo em propriedades rurais no município de Santo
Antônio do Sudoeste - PR através da interpretação de análises químicas do solo e posterior
classificação de alguns atributos em: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto. Concluiu-se que
os atributos químicos dos solos das propriedades avaliadas em sua grande maioria atendem as
características desejadas para cultivo.

Palavras chave: Manejo, Fertilidade, Produção

INTRODUÇÃO
Durante os últimos 100 anos a agricultura brasileira apresentou grande desenvolvimento, com
aumento significativo em grande número de culturas, fato devido às inovações tecnológicas
resultante da difusão do uso de técnicas e pesquisas para desenvolvimento do setor (SBCS, 2007).
Diante da crescente demanda por alimentos no mundo, discutir a fertilidade dos solos no contexto
atual e futuro é de suma importância, enfatizando para os casos de baixa fertilidade, o uso eficiente
dos corretivos e de fertilizantes. O trabalho teve como objetivo avaliar alguns atributos químicos
do solo em propriedades rurais no município de Santo Antônio do Sudoeste – PR.

METODOLOGIA
O experimento foi realizado no Município de Santo Antônio do Sudoeste, estado do Paraná –
Brasil. Realizaram-se as análises tratando sobre a fertilidade dos solos do município, interpretando
esses valores e os classificando como: muito baixo; baixo; médio; alto e muito alto, de acordo com
o Manual de Adubação e de Calagem para os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina (CQFS
RS/SC, 2004).
Usou-se para base de pesquisa 60 propriedades rurais selecionadas por amostragem aleatória
para fins de maior representatividade da situação da fertilidade dos solos desse município.
Levantaram-se informações químicas sobre os seguintes elementos: Potencial Hidrogeniônico (pH)
em água, fósforo (P), saturação de bases (SB), saturação de alumínio (m), matéria orgânica (MO),
Capacidade de Troca de Cátions (CTC), Potássio (K), Magnésio (Mg) e Cálcio (Ca) (CQFS RS/SC,
2004).

Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Câmpus de Dois Vizinhos – Estrada para Boa Esperança –
Km 04 – Comunidade São Cristóvão – CEP 85660-000 – Fone +55 (46) 3536-8900
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Todos os dados obtidos pelas análises da fertilidade dos solos foram processados em planilha
Microsoft Excel, gerando assim um gráfico com os valores e a metodologia de classificação
adotada, podendo assim posteriormente realizar a interpretação dos resultados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Notam-se na figura 1 os resultados das análises químicas obtidas para as 60 propriedades rurais
do município de Santo Antônio do Sudoeste – PR – Brasil. Pode-se perceber que com maior
frequência (mais de 40 %) as propriedades rurais avaliadas os valores de pH do solo foram
classificados como muito baixo (Figura 1), fator este que pode estar ligado à baixa manutenção da
cobertura vegetal morta no solo, permanência de resíduos culturais anteriores, tendo em vista que
com a decomposição da cobertura vegetal morta ocorre a liberação de ânions orgânicos destes
resíduos sobre o solo, ocorrendo a mobilização de Ca +2 no perfil do solo, assim aumentando o pH,
como afirma Pavan (1999), sendo o inverso constatado no estudo, em virtude da maioria das áreas
terem baixa manutenção da cobertura vegetal morta. Portanto, recomenda-se o manejo da cobertura
vegetal morta sobre o solo e aplicação de calcário.
Para o P, nota-se que os valores obtidos para o mesmo ficam com maior frequência classificados
como alto (Entre 45 e 90%). Isso pode se dever ao fato que ocorrem aplicações simultâneas desse
elemento para a produção de todas as culturas nessa região, sendo que estes solos são originalmente
pobres em P e com alta adsorção à argila quando se aplica. Isso indica que a maioria das
propriedades estudadas apresenta um solo sem deficiência de P.
Já para a SB, esta ficou com maior frequência classificada como médio (Entre 18 e 78%). Tendo
em vista que a SB é maior na camada superficial quando não há revolvimento do solo, onde ocorre
a acumulação de nutrientes em sistemas conservacionistas, como afirma Malavolta (2006),
possivelmente houve alguma forma de revolvimento do solo nesta situação. Esse resultado também
pode estar atrelado aos teores de matéria orgânica, onde este último fica com maior frequência
classificado em médio, sendo que a matéria orgânica influencia diretamente nas bases trocáveis no
solo e no aumento da capacidade de saturação de bases no solo. Um aumento na saturação de bases
do solo é um indicador que o mesmo está se restaurando, do contrário, degradando (NOVAIS.,
MELLO, 2007).
Atributos Químicos

Saturação Alumínio
Cálcio
0% 20% 40% 60% 80% 100%

Muito Baixo Baixo Médio Alto Muito Alto


Figura 1 - Atributos Químicos dos solos avaliados nas diferentes propriedades rurais do município
de Santo Antônio do Sudoeste – PR.

Para os valores de m%, nota-se que a maior frequência se classificou em muito baixo (Entre 0
e 90%). Este fator pode ser devido ao baixo emprego de fertilizante acidificante de forma localizada
como, a uréia e o sulfato de amônio (SILVA et al., 2004), não sendo prejudicial para o solo
(OSAKI, 1991). Também pode estar relacionado ao fato de que o m% é controlado também pelo
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pH e saturação por bases. Se tratando da MO, os valores com maior frequência foram classificados
como médio (Entre 20 e 100%), indicando que a maioria das propriedades não apresenta
deficiência em M.O.
Quanto a CTC, apresentou valores de maior frequência na classe alto (Figura 1), excelente para
este estudo. Resultados semelhantes foram constatados por SOUZA e ALVES (2003), quando
estudavam os atributos químicos de um Latossolo Vermelho distrófico de cerrado sob diferentes
usos e manejos. Nesse estudo, os sistemas de plantio direto e convencional apresentaram os maiores
valores de P, K (Alto, entre 45 e 90%, figura 1) (Muito Alto, entre 45 e 100%) e CTC (Alto, entre
0 e 100%) respectivamente quando comparados aos sistemas de pastagem e cerrado, uma vez que
os dois primeiros sistemas envolviam o uso de culturas anuais, onde foram feitas adubações com
fertilizantes minerais que continham esses nutrientes.
Ainda, para os elementos Mg e Ca, para 100 % das propriedades os valores dos mesmos foram
classificados como alto, sendo excelente para este estudo. Esse resultado indica que as quantidades
de Ca e Mg aplicados no solo estão sendo maiores do que a quantidade lixiviado dos mesmos
(FRANCHINI et al., 2000).

CONCLUSÃO
Por fim, conclui-se que o pH para a maioria das propriedades avaliadas está muito baixo, sendo
indicado com maior frequência na classe muito baixo, havendo a necessidade de correção. Para os
demais atributos obtiveram-se resultados bons, não exigindo necessariamente correções drásticas.

RERERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FANCHINI, J.C; BORKERT, C.M; FERREIRA, M.M; GAUDÊNCIO, C.A. Alterações na Fertilidade do Solo em
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MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo, Ed. Ceres, 638 p. 2006.

NOVAIS, R. F. & MELLO, J. W. V. de. Relação Solo planta. in: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Viçosa -
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PAVAN, M.A. Mobilização orgânica do calcário no solo através de adubo verde. in: Fundação Cargill, ed. plantio
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SILVA, C.A; SOUZA, M.A.S; TEIXEIRA, I; LIMA, DE L.M; BORGES, E.N. Saturação de Alumínio em diferentes
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e IV Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba. 554-555. 2004.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO, Viçosa. Fertilidade do solo, (eds. Novais, R.F., Alvarez V.,
V.H., Barros, N.F., Fontes, R.L.F., Cantarutti, R.B. & Neves, J.C.L.) 1017p. 2007.

SOUZA, Z.M.; AVES, M.C. Propriedades químicas de um Latossolo Vermelho distrófico de cerrado sob diferentes
usos e manejos. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa – MG , v.27, p.133-139. 2003.

TEDESCO, J.M; GIANELLO, C; ANGHINONI, I; BISSANI, C.A; CAMARGO, F.A.O; WIETHÖLTER, S.


Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Comissão de Química
e Fertilidade do Solo. Ed. 10. Porto Alegre – Brasil. 400 p. 2004.

OSAKI, F. Calagem e adubação. Campinas: Instituto Brasileiro de Ensino Agrícola, . 503 p. 1991.

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