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Direito & Justiça

v. 41, n. 1, p. 92-99, jan.-jun. 2015


: http://dx.doi.org/10.15448/1984-7718.2015.1.19975

O princípio da fraternidade na
Constituição Federal Brasileira de 1988
The principle of fraternity in Brazilian Federal Constitution of 1988
Sonilde K. Lazzarina

RESUMO
O reconhecimento de igual dignidade a todas as pessoas está consubstanciado na Constituição Federal Brasileira,
assim como o objetivo da construção de uma sociedade fraterna, plural e sem preconceitos. O presente artigo
demonstra que o fundamento para a revitalização do princípio da fraternidade encontra-se evidenciado em
vários dispositivos constitucionais e que a própria igualdade somente é possível através do reconhecimento do
outro, sem implicar a anulação das diferenças, ao contrário, com a aceitação das diferenças para construção de
um mundo propriamente humano, representando uma terceira fase evolutiva do constitucionalismo: do liberal
para o social e do social para o fraternal.
Palavras-chave: Fraternidade. Constitucionalismo. Dignidade.

ABSTRACT
The recognition of equal dignity to all people is embodied in the Brazilian Federal Constitution, as well as the
goal of building a fraternal, pluralistic and unprejudiced society. This article demonstrates that the foundation
for the revitalization of the principle of fraternity lies evidenced in several constitutional provisions and that
equality itself is only possible through the recognition of the other, without implying the cancellation of
differences, instead, with the acceptance of differences to build a properly human world, representing a third
evolutionary phase of constitutionalism: from the liberal to social and from the social to the fraternal.
Keywords: Fraternity. Constitutionalism. Dignity.

INTRODUÇÃO O Brasil enfrenta graves problemas que afetam a


dignidade humana, como a exploração de mão de obra
Na atual conjuntura econômica verifica-se a falta em condições análogas às de escravos e a exploração
de preocupação com o homem, com a sua dignidade. do trabalho infantil. Para amenizar e erradicar essas
Importa referir que há um núcleo essencial dos direitos chagas sociais não basta a mudança legislativa,
sociais que se encontra diretamente conectado ao é preciso mudar o paradigma social. Para tanto,
princípio da dignidade e que é indispensável para uma traz-se à luz o princípio da fraternidade, não apenas
vida digna e sobre os quais deve haver a proteção contra como uma proposição ideal, mas como princípio
o retrocesso. Assim, para frear a crescente precarização ativo, como norteador do comportamento humano,
dos direitos na complexa sociedade contemporânea, a pois enquanto a liberdade e igualdade conheceram
dignidade humana tem que figurar em primeiro plano, uma evolução que as elevou a autênticas categorias
o que dependerá de uma transformação da sociedade, políticas, capazes de se manifestarem como princípios
implicando em uma alteração simultânea de todos os constitucionais e também como ideias-força de
códigos pelos quais a sociedade é guiada, enfim, uma movimentos políticos, a fraternidade viveu um percurso
revolução mental, configurando um verdadeiro desafio de um rio subterrâneo, mantendo-se o pensamento
ético. democrático a respeito da fraternidade em silêncio.

a Advogada Trabalhista e Previdenciária. Especialista, Mestre e Doutora em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/PUCRS.
Professora de Direito do Trabalho e Direito Previdenciário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS e da PUCRS. Professora convidada
dos cursos de Pós-Graduação da PUCRS, UNIVATES, UNIRITTER e FEEVALE. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas CNPq/PUCRS Estado Processo e
Sindicalismo. <sonilde@lazzarinadvogados.com.br>.
A matéria publicada neste periódico é licenciada sob forma de uma
Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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A fraternidade pressupõe que a minha liberdade No Brasil há dificuldade de se firmar a concepção


não se possa realizar sem a liberdade do outro, é moral do trabalho que perpasse sua dimensão meramente
considerada um princípio que está na origem de um instrumental. Não se trata de uma ética do trabalho,
comportamento relacional e, exatamente por isso, mas uma ética de provedor que leva os membros da
além de ser um princípio ao lado da liberdade e da família a aceitarem a disciplina do trabalho. É assim, de
igualdade, aparece como aquele que é capaz de tornar acordo com Zaluar3, que o trabalhador pobre alcança a
esses princípios efetivos. redenção moral e, portanto, a dignidade pessoal.
A Constituição Federal de 1988 resgatou o prin-
cípio da fraternidade, na medida em que fez constar 3 LIBERDADE, IGUALDADE,
do Preâmbulo, o compromisso com uma sociedade FRATERNIDADE
fraterna, pluralista e sem preconceitos. Pode-se dizer
que o constitucionalismo moderno conheceu duas No preâmbulo da Constituição Federal brasileira,
fases, a primeira, fundada no liberalismo europeu, com consta expressamente a liberdade, a igualdade e a
destaque para o valor liberdade; a segunda, caracterizada referência a uma sociedade fraterna:
pela social democracia, pelo constitucionalismo social,
com ênfase no valor igualdade. A fraternidade seria Nós, representantes do povo brasileiro, reu-
nidos em Assembléia Nacional Constituinte
uma terceira fase na evolução do constitucionalismo,
para instituir um Estado Democrático, destinado
do liberal para o social e do social para o fraternal.
a assegurar o exercício dos direitos sociais e
individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar,
2 O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como
PESSOA HUMANA valores supremos de uma sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos [...]4
O princípio da dignidade impõe limites à atuação
estatal, além disso, o Estado deverá ter como meta Além dessa referência no preâmbulo, dispõe a
permanente proteção, promoção e realização concreta referida Carta no artigo 3º, I, que constitui um dos
de uma vida com dignidade para todos. Significa dizer objetivos fundamentais da República Federativa
que o Estado tem a obrigação de promover as condições do Brasil, “construir uma sociedade livre, justa e
que viabilizam e removem toda sorte de obstáculos que solidária” e para tanto, deverá o Estado brasileiro,
estejam a impedir as pessoas de viverem com dignidade. conforme incisos II, III e IV, do mesmo dispositivo,
Assim, de acordo com Sarlet, para além da vinculação garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a
do Estado quanto à dimensão positiva e negativa, todas pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades
as entidades privadas e os particulares encontram-se sociais e regionais. Além disso, promover o bem de
diretamente vinculados ao princípio da dignidade da todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
pessoa humana, o que implica a existência de deveres idade e quaisquer outras formas de discriminação. O
de proteção e respeito também na esfera das relações artigo 170 dispõe que “a ordem econômica, fundada
entre particulares. Aduz o autor que pela natureza na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,
igualitária “por exprimir a ideia de solidariedade entre tem por fim assegurar a todos existência digna,
os membros da comunidade humana, o princípio da conforme os ditames da justiça social”, tendo como
dignidade da pessoa vincula também no âmbito das princípios, além de outros, a redução das desigualdades
relações entre os particulares”1. regionais e sociais e a busca do pleno emprego5.
A humanidade somente pode ser pensada se Portanto, através do princípio da solidariedade
admitida à igualdade de todos os seres humanos. A expresso na Carta Constitucional, é possível identificar
igualdade se mostra universal na concretude, através a ideia de fraternidade. A solidariedade não é atributo
do reconhecimento do outro, sem com isso implicar específico ou restrito à ação do Estado. Trata-se aqui
a anulação das diferenças, ao contrário, pressupõe a também da solidariedade, não pode ser reduzida ao
aceitação da diferença, e é essa aceitação que possibilita preceito do não prejudicar os outros, mais do que
a construção de um mundo propriamente humano2. isso, orienta a liberdade de modo mais vinculativo, no
A vinculação dos particulares para a efetivação do sentido de que o indivíduo deve fazer o bem ao outro,
princípio da dignidade assume grande importância em porque é também o seu bem.
face do fenômeno da globalização, onde se verifica o Pode-se dizer que a liberdade econômica deve ser
aumento do poder exercido pelas grandes empresas exercida de modo a atender os fins sociais. A Constituição
nacionais e multinacionais e também aumento dos Federal no artigo 5º dispõe que todos são iguais perante
níveis de exclusão social. a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo a

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inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, manipulação genética, além de outros. Verifica-se
à segurança e à propriedade. Entretanto, no inciso XXIII que as diversas dimensões revelam que os direitos
diz que “a propriedade atenderá a sua função social”6. fundamentais se constituem em uma categoria aberta e
Não basta reconhecer a inviolabilidade do direito à mutável, ainda que observável certa permanência nesse
propriedade, mas garantir constitucionalmente a sua campo, como o direito à vida e à liberdade. Ademais,
função social. observa Sarlet que alguns dos direitos clássicos de
Significa dizer que a orientação social consti- primeira e segunda dimensão estão na verdade, sendo
tucional das liberdades constitui o mesmo imperativo revitalizados e ganhando importância e atualidade em
que deriva do princípio da subsidiariedade. Explica face das novas modalidades de agressão aos valores
Pizzolato7, embora se referindo à Itália, mas per- tradicionais e incorporados ao patrimônio jurídico
feitamente aplicável ao Brasil, que solidariedade e da humanidade, “nomeadamente da liberdade, da
subsidiariedade estão entrelaçadas, na medida em igualdade, da vida e da dignidade da pessoa humana”10.
que atribuem às articulações sociais intermediárias Embora os direitos fundamentais se constituam
responsabilidades diretas na busca da finalidade em uma categoria aberta e mutável, não é possível o
solidária, reservando-se a ação direta do Estado um retrocesso social. De acordo com Canotilho, princípio
papel subsidiário, que respeita a missão intermediária da proibição do retrocesso social consiste em dizer que
de agrupamentos sociais, completando-a e, somente
em caso de necessidade, substituindo-a. De acordo com o núcleo essencial dos direitos sociais já realizado
e efetivado através de medidas legislativas deve
essa ideia pode-se afirmar que o caminho da aplicação
considerar-se constitucionalmente garantido, sendo
constitucional da subsidiariedade horizontal é também
inconstitucionais quaisquer medidas estaduais que,
o caminho de uma aplicação constitucional possível da sem a criação de outros esquemas alternativos ou
fraternidade. compensatórios, se traduzam, na prática, numa
De acordo com Sarlet8, os direitos fundamentais anulação, revogação ou aniquilação pura e simples
de primeira dimensão são os chamados direitos civis desse núcleo essencial.11
e políticos, englobam entre outros o direito à vida,
à liberdade, à igualdade perante a lei, direito de Sarlet refere que muitos direitos das três primeiras
participação política. Os direitos de segunda dimensão dimensões, embora já consagrados, encontram-se
são denominados de direitos sociais9, econômicos e muito distante de uma implementação universal e
culturais, dentre os quais se reconhece os direitos dos satisfatória e que as novas e complexas situações e
trabalhadores, também se reportam ao indivíduo não desafios reclamam um enfrentamento adequado, sem
podendo ser confundidos com os direitos coletivos e abandonar o Estado Democrático de Direito. Conclui-se
difusos de terceira dimensão. Os direitos da terceira que as três ou quatro dimensões, se assim for re-
dimensão comportam os direitos de solidariedade conhecida mais uma dimensão, gravitam exatamente
e fraternidade que são desprendidos da figura do em torno da tríade: liberdade, igualdade, fraternidade12.
indivíduo como titular, destina-se à proteção de Sen13 ressalta a importância de considerar a liberdade
grupos humanos, caracterizando-se como direitos de individual um comportamento social, pois a expansão
titularidade coletiva ou difusa. Dentre os mais citados da liberdade é o principal fim e o principal meio do
direitos de terceira geração encontra-se o direito à paz, desenvolvimento. Para o autor “o desenvolvimento
à autodeterminação dos povos, ao desenvolvimento, consiste na eliminação de privações de liberdade que
ao meio ambiente, à qualidade de vida e o direito de limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de
comunicação. Refere o autor que é compreensível a exercer ponderadamente sua condição de agente”.
denominação usual de direitos de solidariedade ou de A universalidade da cidadania é de acordo com
fraternidade devido “sua implicação universal ou, no Bauman14, a condição preliminar de qualquer política de
mínimo, transindividual, e por exigirem esforços e reconhecimento e a universalidade da humanidade é o
responsabilidades em escala até mesmo mundial para horizonte pelo qual qualquer política de reconhecimento
sua efetivação”. precisa orientar-se para ser significativa. Acrescenta o
Há também uma tendência de se reconhecer autor que a universalidade da humanidade não se opõe
uma quarta dimensão, entretanto refere Sarlet, que ao pluralismo das formas de vida humana, ao contrário,
ainda aguarda sua consagração na esfera do direito o pluralismo deve encorajar e viabilizar a discussão
internacional e das normas constitucionais internas. contínua sobre as condições compartilhadas do bem,
Nessa dimensão se inserem o direito à informação, ao a aceitação de valores comuns requer a ampliação
pluralismo, bem como a proteção a direitos decorrentes das oportunidades e a maximização da liberdade indi-
da evolução tecnológica, frente à globalização, vidual.

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A eliminação de privações de liberdades subs- histórico e no enraizamento cultural, num quadro de


tanciais é constitutiva do desenvolvimento. O autor15 faz solidariedade que sustenta o próprio indivíduo e permite
uma diferenciação entre liberdade formal e liberdade o seu desenvolvimento. Nessa perspectiva, de acordo
substancial. A liberdade formal indica os chamados com o mesmo autor18, a identidade humana interage
direitos individuais, a liberdade que cada um tem de com um ethos que precede o indivíduo e o socializa,
não ser tolhido no exercício de suas faculdades ou de significa dizer que o homem é um ser estruturalmente
seus direitos, exceto nos casos em que a lei o determina carente e aberto à relação com o diferente de si,
“são as liberdades sociais básicas cujo gozo o cidadão sendo ao contrário da autonomia e independência, a
tem o ‘direito’ de ver assegurado por tribunais ou interdependência estrutural que caracteriza o homem.
órgãos administrativos”. As liberdades substanti- Desse modo, como é a fraqueza que identifica
vas incluem, entre outras, capacidades elementares os homens entre si, não existe para a solidariedade
como estar livre da fome crônica, da subnutrição, da o caminho do paternalismo, mas somente o da
morbidez evitável e da morte prematura, bem como as fraternidade, daí não correr o risco do personalismo
liberdades associadas a saber ler, escrever e conta, e ter cair no assistencialismo, exatamente porque não
participação política. há separação entre uma categoria de fortes, que,
Refere Sarlet a efetiva dificuldade de proteção de maneira paternalista, deve prestar socorro a uma
e implementação dos direitos fundamentais da categoria de fracos. O que há, é uma interdependência
segunda e da terceira dimensões, daí a necessidade e uma fraternidade.
de “alternativas não exclusivamente extraídas do O princípio da fraternidade timidamente, mas
ordenamento jurídico, além da revisão e adaptação dos presente no ordenamento jurídico pode ser aplicado
mecanismos jurídicos tradicionais”. De mais a mais, a ainda que por outras vias, mediante a efetivação do
evolução dos direitos fundamentais revela que cada vez princípio da subsidiariedade ou ainda pela ponderação
mais “sua implementação em nível global depende de dos direitos, uma vez que não existe afirmação a priori de
esforços integrados (por isso, direitos da solidariedade liberdade, mas o reconhecimento de um entrelaçamento
e fraternidade) dos Estados e dos povos”16. dos direitos entre si e com as exigências sociais. Diante
Na Constituição da Itália fica evidenciado o disso, a fraternidade vai atuar no ordenamento jurídico
personalismo como valor fundamental. Essa orientação como solidariedade que nasce da ponderação entre as
caracteriza-se por ser contrária às concepções próprias esferas de liberdade, que é confiada não à intervenção
do Estado totalitário, porque nesse, o indivíduo só do Estado enquanto sujeito ativo da relação jurídica,
encontra valor e dignidade no fato de ser parte de um mas a ação do Estado enquanto ordenamento jurídico19.
organismo maior, que o transcende, a cuja prosperidade Diante dos processos mundiais de transformação
deve ele dedicar sua existência individual. Opõe- política, com o surgimento da concepção política da
se também ao Estado liberal individualista, no qual democracia global com fundamento na liberdade,
predomina a ideia de que todos os homens nascem provoca um deslocamento da noção de igualdade,
livres, iguais e independentes. tendo-se em vista que nem sempre ocorrem iniciativas
Refere Pizzolato17 que para caracterizar o per- políticas destinadas a dar efetividade a uma verdadeira
sonalismo constitucional não basta dizer que “já não democracia global.
devia ser o homem para o Estado, mas o Estado para o Como salienta Ferrara20, no plano político inter-
homem”, pois essa simplificação expressa uma parte da nacional, não existe um processo realmente demo-
verdade, pois não esclarece a diferença entre uma base crático de formação da vontade política, fundado nos
individualista e outra personalista. Na primeira, percebe- princípios de igual dignidade e de participação em todos
se o sujeito como indivíduo, alguém que constrói para os níveis; no plano socioeconômico e cultural, falta o
si uma identidade prescindindo dos outros e de um reconhecimento dos direitos humanos em toda a sua
tecido de relações, a ideia de indivíduo como entidade amplitude e em todas as suas dimensões. Já no campo
originária, titular de direitos naturais precedentes à político global, enquanto a ideologia liberal é voltada
própria ideia de sociedade. Nessa ótica, a sociedade para todos os atores sociais, o conceito de democracia
é fruto do livre ato de vontade, consequentemente, ainda é seletivo, aplicado de modo preferencial e
de um contrato estipulado entre indivíduos livres, tendencialmente exclusivo à dimensão política interna
independentes e iguais. dos Estados. Daí a necessidade de uma nova definição
O personalismo tem uma base filosófica e antro- do conceito de democracia como processo que não se
pológica bem definida, evidenciando-se o caráter social limita ao contexto nacional.
e político da pessoa, cuja identidade só se constrói na O processo da globalização produz efeitos de-
relação social com o diferente de si, no pertencimento vastadores para um grande número de pessoas, pois

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é guiado por poderes sem legitimidade democrática. ternidade como princípio, inspira e norteia o conjunto
Esse novo sistema de relações econômicas, sociais e de normas, além de apresentar também um importante
culturais requer também uma nova ordem internacional. critério interpretativo dessas mesmas normas25. Nesse
Para tanto, deveria ser um modelo cosmopolita de sentido refere o Ministro Carlos Ayres Britto, do
democracia, com base em princípios de direito válidos Supremo Tribunal Federal,
para as agregações internacionais regionais, como
também para os contextos nacionais e locais. Dentro Os valores de berço constitucional são o
hierárquico referencial de todos os outros valores de
dessa perspectiva, a soberania deveria se tornar “uma
matriz infraconstitucional. Valores, estes últimos,
função atuante nas várias dimensões políticas desse
que de alguma forma têm que se reconduzir aos
corpus jurídico-político de valor universal, no qual primeiros, pena de invalidade. Tudo afunilando para
coexistiriam diversos níveis de poder, que cooperariam esse valor-síntese em que se traduz a democracia de
na configuração de uma governança cosmopolita”21, três vértices.26
dentro da qual deveriam se abrir espaços de participação
para o exercício de uma cidadania múltipla. No Brasil, de forma embrionária e contida, já se
De acordo com Bonavides, o Estado social do encontra nas decisões dos tribunais, a fraternidade
constitucionalismo democrático da segunda metade como fundamento, como um valor constitucional.
do século XX afigura-se mais adequado a concretizar O Ministro Gilmar Mendes, à época Presidente do
a universalidade dos valores das Declarações de Supremo Tribunal Federal, ao decidir em Medida
Direitos fundamentais, porém há necessidade de uma Cautelar em Arguição de Descumprimento de Preceito
mudança adaptativa aos respectivos fins. O Estado Fundamental – ADPF 186-2/DF, proposta pelo partido
não pode objetivar a igualdade e liberdade apenas por político Democratas (DEM), contra atos administrativos
meios intervencionistas e regulativos da Economia da Universidade de Brasília que instituíram o programa
e da Sociedade. O Estado social deve estabelecer os de cotas raciais para ingresso naquela universidade,
pressupostos indispensáveis ao advento dos direitos de além de outros fundamentos aplicou o princípio da
terceira geração, fraternidade, dizendo que
onde a liberdade e a igualdade já não se contradizem No limiar deste século XXI, liberdade e
com a veemência do passado; onde as diligencias igualdade devem ser (re)pensadas segundo o valor
do poder e do cidadão convergem, por inteiro, fundamental da fraternidade. Com isso quero dizer
para trasladar ao campo da concretização direitos, que a fraternidade pode constituir a chave por
princípios e valores que fazem o Homem se meio da qual podemos abrir várias portas para a
acercar da possibilidade de ser efetivamente livre, solução dos principais problemas hoje vividos pela
igualitário e fraterno.22 humanidade em tema de liberdade e igualdade.27

A Constituição Federal de 1988 resgatou o prin- Mallet entende que as ações afirmativas tem amparo
cípio da fraternidade, na medida em que fez constar exatamente na ideia de igualdade substancial, pois
do Preâmbulo, o compromisso com uma sociedade o reequilíbrio de uma desigualdade fática somente é
fraterna, pluralista e sem preconceitos23. Pode-se dizer possível com uma desigualdade compensatória. Conclui
que o constitucionalismo moderno conheceu duas que “não há, na adoção de medidas promocionais ou
fases, a primeira, fundada no liberalismo europeu, com de favorecimento de grupos ou pessoas desfavorecidas,
destaque para o valor liberdade; a segunda, caracterizada ofensa ao princípio da igualdade”28.
pela social democracia, pelo constitucionalismo social, A tolerância nas sociedades multiculturais é o
com ênfase no valor igualdade24. A fraternidade seria problema a ser enfrentado neste século em tema de
uma terceira fase na evolução do constitucionalismo, liberdade e igualdade. De acordo com o Ministro
do liberal para o social e do social para o fraternal.
pensar a igualdade segundo o valor da frater-
nidade significa ter em mente as diferenças e
4 A FRATERNIDADE COMO VALOR as particularidades humanas em todos os seus
CONSTITUCIONAL aspectos. A tolerância em tema de igualdade,
nesse sentido, impõe a igual consideração do outro
É compreensível a dificuldade para incluir a em suas peculiaridades e idiossincrasias. Numa
fraternidade como categoria jurídica constitucional, sociedade marcada pelo pluralismo, a igualdade só
tendo-se em vista que ela é, via de regra, compreendida pode ser igualdade com igual respeito às diferenças.
como um agir espontâneo, destituído de coatividade, Enfim, no Estado democrático, a conjugação dos
incompatível, portanto, com o direito. Porém, a fra- valores da igualdade e da fraternidade expressa

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uma normatividade constitucional no sentido de incluído o do trabalho’ (art. 201, inciso VIII),
reconhecimento e proteção das minorias. [...] medidas que visam à defesa da dignidade humana,
Se, por um lado, a clássica concepção liberal de entronizada a fundamento do Estado de Direito, nos
igualdade como um valor meramente formal há termos do primeiro artigo, inciso III da CRFB/88.31
muito foi superada, em vista do seu potencial de
ser um meio de legitimação da manutenção de
De acordo com a decisão, em um momento em
iniquidades, por outro o objetivo de se garantir
que a poluição global revela a cada dia sua força
uma efetiva igualdade material deve sempre levar
em consideração a necessidade de se respeitar destrutiva, tomando assento nas agendas das entidades
os demais valores constitucionais. [...] Assim, o transnacionais como a Organização das Nações
mandamento constitucional de reconhecimento e Unidas, Organização Mundial da Saúde, Organização
proteção igual das diferenças impõe um tratamento Internacional do Trabalho e outros órgãos não
desigual por parte da lei. O paradoxo da igualdade, governamentais é indeclinável a função da Justiça do
portanto, suscita problemas dos mais complexos Trabalho de cumprir sua finalidade precípua, de resolver
para o exame da constitucionalidade das ações os conflitos decorrentes da prestação de serviços com
afirmativas em sociedades plurais.29 auxílio da justiça restaurativa. Para tanto, é fundamental
e necessária uma mudança urgente de rumo quanto às
No mesmo sentido, o Ministro Carlos Ayres questões relacionadas ao meio ambiente de trabalho e
Britto, ao fundamentar seu voto na Ação Direta de para cumprir tão nobre desiderato
Inconstitucionalidade – ADI 3.128, que versava
sobre a cobrança da contribuição previdenciária dos é necessário que os Tribunais comecem a emprestar
(ou reconhecer) força normativa à Constituição,
servidores inativos, refere que a solidariedade é na
manuseando todo o ordenamento jurídico que lhe
verdade a fraternidade, o terceiro valor, juntamente segue como um caminho seguro para garantir a
com a liberdade e a igualdade, eficácia plena de suas normas, jamais para esteri-
lizá-las.32
apercebi-me de que a solidariedade, como objetivo
fundamental da República Federativa do Brasil, Em outro caso na esfera trabalhista, o princípio
em verdade, é fraternidade, aquele terceiro valor da fraternidade foi também aplicado, com base na
fundante, ou inspirador da Revolução Francesa, Constituição Federal, para reintegrar um empregado
componente, portanto – esse terceiro valor –, da
dispensado logo após comunicar a empresa que
tríade ‘Liberté, Igualité, Fraternité’, a significar
apenas que precisamos de uma sociedade que evite
estava com diagnóstico de neoplasia maligna,
as discriminações e promova as chamadas ações embora mantivesse a capacidade laborativa. Os
afirmativas ou políticas públicas afirmativas de desembargadores, ao contrário do juízo a quo, en-
integração civil e moral de segmentos historicamente tenderam que a terminação do contrato de trabalho,
discriminados, como o segmento das mulheres, dos logo após o conhecimento do resultado dos exames,
deficientes físicos, dos idosos, dos negros, e assim caracteriza a dispensa discriminatória. Diz o relator em
avante.30 seu voto

Na Justiça do Trabalho, no Tribunal Regional da Essa conduta viola, ainda, o preceito contido
no art. 3º, I, da Carta Magna, atentando contra a
15ª Região, ao decidir um conflito relativo a uma grave
edificação de uma sociedade solidária, cujo espírito
doença decorrente do uso de amianto no ambiente de deve ser perseguido em todos os setores sociais,
trabalho, condenou a empresa a indenizar o trabalhador. por meio de ações, realizadas dentro da alçada de
Na fundamentação do acórdão, a relatora referiu que o competências própria a cada um, que visem ao
direito ao meio ambiente saudável faz parte dos direitos amparo daqueles que se encontram em posição
fundamentais de terceira geração, que abrangem os de hipossuficiência nas relações às quais estão
relacionados à solidariedade e à fraternidade: jungidos, incluindo-se aí as relações de emprego.
Em outros dizeres, a sociedade solidária, objetivo
A proteção do meio ambiente insere-se no fundamental da República, se apresenta como um
quadro dos direitos fundamentais de terceira geração instrumento de concreção da igualdade, pois, como
que abrangem os relacionados à solidariedade e ensina Hannah Arendt, os homens não nascem
fraternidade. Na esfera constitucional, o art. 225 iguais, mas se tornam iguais, precisamente por
consagra genericamente o direito ao ‘meio passarem a integrar uma coletividade em que lhes
ambiente ecologicamente equilibrado’, inserindo sejam garantidos direitos iguais. Essa garantia, por
dentre as obrigações do sistema único de saúde a sua vez, tem como finalidade maior a proteção da
de ‘colaborar na proteção do meio ambiente, nele dignidade da pessoa humana. E o atingimento tanto

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dessa igualdade de direitos quanto da proteção da BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI 2.128. Disponível em:
dignidade da pessoa humana passa necessariamente <http://www.stf.jus. br/noticias/imprensa/ VotoBrittoInativos.pdf>.
pela solidariedade social.33 Acesso em: 20 jun. 2014.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADPF nº 186-2. Disponível
em: <http://www. acoes.ufscar. br/admin/legislacao/arquivos/
No caso ficou caracterizada a quebra dos postulados arquivo13.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2014.
constitucionais da dignidade da pessoa humana, da BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Recurso
erradicação das formas de discriminação, da construção Ordinário. 0163500-21.2005. 5.15.0102. 2ª Câmara (1ª Turma) do
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do Estado de São
de uma sociedade solidária e da isonomia, conforme Paulo, Campinas,SP, Relatora Mariane Khayat, publicado em
artigos 1º, III34, 3º, I e IV35, e artigo 5º da Constituição 06.02.2009. Disponível em: <http://www.trt15.jus.br/portal/portal/
Federal36, bem como da Convenção Internacional nº trt15/home>. Acesso em: 10 ago. 2014.
111, da Organização Internacional do Trabalho37, BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Recurso
ratificada pelo Brasil em 1965. Assim, a sociedade Ordinário. 0063000-58.2009. 5.15.0052, 4ª Câmara (2ª Turma) do
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do Estado de São
solidária como objetivo fundamental da República, Paulo, Campinas, SP, Relator Luiz José Dezena da Silva, publicado
se apresenta como um instrumento de concreção da em 13.07.2012. Disponível em: <http://www.trt15.jus.br/portal/
igualdade. portal/trt15/ home>. Acesso em: 10 jul. 2014.
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fraternidade como princípio inspira e norteia o conjunto MACHADO, Carlos Augusto Alcântara. A fraternidade como
de normas, além de apresentar também um importante categoria constitucional. In: SOUZA, Carlos Aurélio Mota;
critério interpretativo dessas mesmas normas. Nesse CAVALCANTI, Thaís Novaes (Coord.). Princípios humanistas
constitucionais: reflexões sofre o humanismo do século XXI. São
sentido foi possível constatar que, embora de forma Paulo: Letras Jurídicas, 2010. 406p.
embrionária, a jurisprudência começa a caminhar nesse MALLET, Estêvão. Igualdade, discriminação e Direito do
sentido. Trabalho. Revista do Tribunal Superior do Trabalho, Brasília,
Conclui-se que não apenas o Judiciário deve v. 76, n. 3, jul.-set. 2010. p. 17-51.
revitalizar o princípio da fraternidade, mas todas as ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Con-
esferas públicas, bem como as instituições privadas venção Internacional nº 111, de 04 de junho de 1958, sobre
Discriminação em Matéria de Emprego e Ocupação. Disponível
e cada um dos indivíduos. Para que isso ocorra são em: <http://www.oitbrasil.org.br/node/472#_ftn1>. Acesso em: 10
necessárias algumas redefinições, a conscientização de jul. 2014.
que a dignidade de uma pessoa faz parte da dignidade PIZZOLATO, Filippo. A fraternidade no ordenamento jurídico
do outro, assim, é necessário reconhecer o outro italiano. In: BAGGIO, Antônio Maria (Org.). O princípio esquecido
1: a fraternidade na reflexão atual das ciências políticas. Tradução
como um irmão, como humano, portador de idêntica de Durval Cordas, Iolanda Gaspar e José Maria de Almeida. Vargem
dignidade. Nesse contexto, o Estado também terá que Grande Paulista, SP: Cidade Nova, 2008. 200p.
redefinir seu papel na atual e complexa sociedade. SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais:
uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva
constitucional. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
REFERÊNCIAS 493 p.
BOMBASSARO, Luiz Carlos. Educação e formação humana: SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos
breves considerações sobre os aspectos filosóficos do humanismo fundamentais na Constituição Federal de 1988. 8. ed. Porto Alegre:
no Brasil atual. In: DAL RI JÙNIOR, Arno; PAVIANI, Jayme Livraria do Advogado, 2010. 182p.
(Orgs.). Humanismo latino no Brasil de hoje. Belo Horizonte: PUC SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Tradução de
Minas, 2001. 596p. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
BONAVIDES, Paulo. Do estado liberal ao estado social. 10. ed. 410 p.
São Paulo: Malheiros, 2011. 230 p. SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 34. ed. São Paulo: Malheiros, 2011. 928 p.
1988. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ ZALUAR, Alba. A máquina e a revolta: as organizações po-
Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 20 jun. pulares e o significado da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1985.
2014. 265p.

Direito & Justiça, Porto Alegre, v. 41, n. 1, p. 92-99, jan.-jun. 2015


O princÍpio da fraternidade na Constituição Federal ... 99

NOTAS na reflexão atual das cciências políticas. Tradução de Durval Cordas,


Iolanda Gaspar e José Maria de Almeida. Vargem Grande Paulista, SP:
1 SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos Cidade Nova, 2008, p.117.
fundamentais na Constituição Federal de 1988. 8. ed. Porto Alegre: 22
BONAVIDES, Paulo. Do Estado Liberal ao Estado Social. 10. ed. São
Livraria do Advogado, 2010, p. 127. Paulo: Malheiros, 2011, p. 33.
2 BOMBASSARO, Luiz Carlos. Educação e formação humana: breves 23
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
considerações sobre os aspectos filosóficos do humanismo no Brasil Disponível em: <https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/
atual. In: DAL RI JÙNIOR, Arno; PAVIANI, Jayme (Orgs.). Humanismo ConstituicaoCompilado.htm >. Acesso em: 03 ago. 2014.
latino no Brasil de hoje. Belo Horizonte: PUC Minas, 2001, p. 72. 24
MACHADO, Carlos Augusto Alcântara. A fraternidade como categoria
3 ZALUAR, Alba. A máquina e a revolta: as organizações populares e o
constitucional. In: SOUZA, Carlos Aurélio Mota; CAVALCANTI, Thaís
significado da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 121. Novaes (Coord.). Princípios Humanistas Constitucionais: reflexões sofre
4 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
o humanismo do século XXI. São Paulo: Letras Jurídicas, 2010, p. 99.
Disponível em: <https://www.planalto gov.br/ccivil_03/Constituicao/ 25
GORIA, Fausto. Fraternidade e direito:algumas reflexões. In: CASO,
ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 20 jun. 2014. Giovanni et al. (Orgs.). Direito e fraternidade: ensaios/práticas forenses.
5 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Anais do Congresso Internacional “Relações no Direito: Qual Espaço
Disponível em: <https://www.planalto .gov.br/ccivil_03/Constituicao/ para a Fraternidade?”. São Paulo: LTr, 2008, p. 27.
ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 20 jun. 2014. 26
BRITTO, Carlos Ayres. O humanismo como categoria constitucional.
6 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Belo Horizonte: Fórum, 2010, p. 88.
Disponível em <https://www.planalto .gov.br/ccivil_03/Constituicao. 27
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADPF nº 186-2. Disponível em:
htm>. Acesso em: 03 jan. 2014. <http://www.acoes.ufscar. br/admin/legislacao/arquivos/arquivo13.pdf>.
7 PIZZOLATO, Filippo. A fraternidade no ordenamento jurídico italiano.
Acesso em: 15 maio 2014.
In: BAGGIO, Antônio Maria (Org.). O princípio esquecido 1: a 28
MALLET, Estêvão. Igualdade, discriminação e Direito do Trabalho.
fraternidade na reflexão atual das ciências políticas. Vargem Grande Revista do Tribunal Superior do Trabalho, Brasília, v. 76, n. 3, jul.-set.
Paulista, SP: Cidade Nova, 2008, p. 121. 2010, p. 43.
8 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma 29
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADPF nº 186-2. Disponível em:
teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. <http://www.acoes.ufscar. br/admin/legislacao/arquivos/arquivo13.pdf>.
10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 48. Acesso em: 18 jul. 2014.
9 Direito sociais conforme Silva, “são prestações positivas proporciona- 30
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI 2.128. Disponível em: <http://
das pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas www.stf.jus.br/noticias/imprensa/ VotoBrittoInativos.pdf>. Acesso em:
constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos 18 jul. 2014.
mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações 31
BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Recurso
sociais desiguais”. Significa dizer que são direitos que se relacionam Ordinário. 0163500-21.2005. 5.15.0102. 2ª Câmara (1ª Turma) do
ao direito de igualdade, na medida em que criam condições materiais Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do Estado de São Paulo,
mais propícias à igualdade real, o que, consequentemente, proporciona Campinas,SP, Relatora Mariane Khayat, publicado em 06.02.2009.
melhores condições para o exercício efetivo da liberdade. (SILVA, José Disponível em: <http://www.trt15.jus.br/portal/portal/trt15/home>.
Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo. 34. ed. São Paulo: Acesso em: 10 ago. 2014.
Malheiros, 2011,. p. 286). 32
BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Recurso
10 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma
Ordinário. 0163500-21.2005. 5.15.0102. 2ª Câmara (1ª Turma) do
teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do Estado de São Paulo,
10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 53. Campinas,SP, Relatora Mariane Khayat, publicado em 06.02.2009.
11 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e teoria da
Disponível em: <http://www.trt15.jus.br/portal/portal/trt15/home>.
Constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2010, p. 340 Acesso em: 10 ago. 2014.
12 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma 33
BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Recurso
teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10. Ordinário. 0063000-58.2009. 5.15.0052, 4ª Câmara (2ª Turma) do
ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 55. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região do Estado de São Paulo,
13 SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Tradução de Laura
Campinas, SP. Relator Luiz José Dezena da Silva, publicado em
Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 10. 13.07.2012. Disponível em: <http://www.trt15.jus.br/portal/portal/trt15/
14 BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo
home>. Acesso em: 10 jul. 2014.
atual. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 126. 34
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
15 SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Tradução de Laura
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 75-76. Democrático de Direito e tem como fundamentos: III – a dignidade da
16
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma pessoa humana. (BRASIL. Constituição da República Federativa do
teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 10. Brasil de 1988. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 54 Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 03 set. 2014)
17 FERRARA, Pasquale. A fraternidade na teoria política internacional. In: 35 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa

BAGGIO, Antônio Maria.(Org.). O princípio esquecido 1: a fraternidade do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; [...] IV -
na reflexão atual das ciências políticas. Tradução de Durval Cordas, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
Iolanda Gaspar e José Maria de Almeida. Vargem Grande Paulista, SP: idade e quaisquer outras formas de discriminação. ( BRASIL. Constituição
Cidade Nova, 2008, p. 117. da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <https://
18 PIZZOLATO, Filippo. A fraternidade no ordenamento jurídico
www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.
italiano. In: BAGGIO, Antônio Maria (Org.). O princípio esquecido htm>. Acesso em: 03 ago. 2014).
1: a fraternidade na reflexão atual das ciências políticas. Tradução de 36 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,

Durval Cordas, Iolanda Gaspar e José Maria de Almeida. Vargem Grande garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
Paulista, SP: Cidade Nova, 2008. p. 117. inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
19 Ibidem, p. 124.
à propriedade [...] ( BRASIL. Constituição da República Federativa do
20 FERRARA, Pasquale. A fraternidade na teoria política internacional. In:
Brasil de 1988. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
BAGGIO, Antônio Maria (Org.). O princípio esquecido 1: a fraternidade Constituicao/ConstituicaoCompilado. htm>.Acesso em: 03 ago.2014).
na reflexão atual das ciências políticas. Tradução de Durval Cordas, 37 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT).

Iolanda Gaspar e José Maria de Almeida. Vargem Grande Paulista, SP: Convenção Internacional nº 111, de 04 de junho de 1958, sobre
Cidade Nova, 2008, p. 163. Discriminação em Matéria de Emprego e Ocupação. Disponível
21 FERRARA, Pasquale. A fraternidade na teoria política internacional. In:
em: <http://www.oitbrasil.org.br/node/472#_ftn1>. Acesso em: 10 jul.
BAGGIO, Antônio Maria (Org.). O princípio esquecido 1: a fraternidade 2014.

Recebido em: 22/09/2014; aceito em: 07/10/2014.

Direito & Justiça, Porto Alegre, v. 41, n. 1, p. 92-99, jan.-jun. 2015