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Doutor Philippe ENCAUSSÉ

e Sri SEVÃNANDA Swami

o MESTRE PHILIPPE,
DE LYON
TAUMATURGO E "HOMEM DE DEUS"
(Documentos inéditos)

SEUS PRODÍGIOS, SUAS CURAS,


SEUS ENSINAMENTOS

Pt~blioado no Brasil. - Ed. "ALBA LUOIS". - 2. 9 volume, dos ql~at/'o.


1958-1959
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Sôb t.c os g ro.~soS muros. da antiga forta leza. desca nsa o 'l'c rra<;o, em cujo
F. 11 - (Ampli aç;iío Fra nco-Kabir, do Rio)
intim os, ou conl'Í"i'l co m Fam iliares c co m os A.nj os ...
isolamento o i\IES'l'RE rcccbia os
F. 6 - O Bastão, a Capa. e a mala do Pe reg rin o juuto ao trem que vai
de Lyou- Pe rrache pa ra l'A rbrcs le.

F. 7 - Pa rtll cha mad a "Le~ VC rlla ys", rle L'ARBRESLE, ressa ltando o
antigo ciltitclo. depoiti " CLOI::{ LJ.VD J.R" , no qua l mora m o iVIESTRE.
A direi ta , a seta me ll or ma rca o Co nven to. nHli s tarde - e hoje a iu da -
cham ad u "C 108 Santo Jlct rict" ,
F. S - 6 ve lh o~ Illuros, qU:\lI t'IS v ê~ es O \"istes passar ? Quan tas vêzes,
si lvest res f l ôr e~ , perfuma stes Sua P rese nça?

F. 9 - H umild es. do e ut e~, IH·ín e jlJ c.~ c poderosos, todos entn1\"alll, scquio. os
de Dcm, o sa í:llll lCI·,ulClo con te lhas da Sua Lu~ ! . \iu da e se mpre algo
dela pa i ra ali ...
F. 23 - O l.\ :\T.JO C6S:l rrCO. d isf<1I"!;a do dI} Bu rgll "s ...
Ass ill l ;1I ,,,rce i,, .
II U t r,," q iiil o [I"r" tll- d u C ios r,,,"rI;,,' CIII L \ r hres i!' , êss <-
J.\ r l'~ t l' e L;~s V i
ri tual. Ifl/ ;('(J (11)<1 ..; ./ e.'i 1l 8 (\ (lU l' , CUl ll O o R ab i l~H!:)ê lti o, 1' 1' ;[ ;11 -
cr"'clnll'n tc humild e, Ill" S cuj a G rand eza 1ll<' I' CCCU tl' l' D isc ípulos co mo C hall;l s
c Papll s, como :::iédi,. c L a lallcic, c ou t ros .. . - ( F oto o riginal , dos "\r q llÍ\'O~ ,
do Dl". PIl. Euca us .. e.)
1.'. :!-! - O :IrEi\[ PJIIL ll'1'E, F . :!:) - E lJlil e DES ON
sentado. UIJI dos poucos 'o breviveute' daqu ela
Atl"(l~, Lal:1nele ( i\I:1l"C I Ll ven ); ~(o _ l1la,",wilhosa época, e cuia. ESPÕSfl
dito no ccn t ro e, ,I. direita - selllp r e l"C ebcu Dons.
co m o Bw;túo - o illtr;pido P.\.PU "
ela :1Qão.
(.Wotogl":lfi,l.' o ríginai ~, elos .\.r<jllil·uS du Dr. 1'11 . E n call~s o.)

F . :..0 F . '27
l!'. :!O - J:i busca I':!. unir :1 Iuga c... (l!'. :!7 ), luais tarde a Magia Ccri-
monial. .. qui ç:i CS~: l S bltscas ten ham pcrm itido scn tir mais o que Papus e
Sédil', c outros tenham vil'ido, ., (Fotos; Al'quil'os-Rctil'o,)
F. ]7 - P hilippe :\[ARSHALL c sua irmã Ma ri e DOS)/E, na parte do T erraço. at rús da Unsa e verto do "Es pil1heiro-
-santo" do MESTRE.
(Foto :;;evilna llda - AIl1[J lia ~ão: Fra n co-Ka bir - Rio).
I<~,18 - Louise MAR:::iilALL, e 'PÔtiil de l'hilillpe l\lAR:::iH.ALr.J, na cscar]a
llosteriol' da Casa do MES~'RE, À direita, \'ê-se :lO bom Philillllc, njllclanuo
il colhê r Espinheiro- anto para o,' fntill\o~ cio Brnsil", (Foto Scl'â n:lncla ,
:Z3-D-1D50)

F , 19 - A _'d amêcla tCl'lniu:l n essf' nntigo portão cio [lútio intl'l'iol' cio CilS-
telo, [lelo lJual se \',ti [Iara o Laboratório, Êsse Cachorro também \'igia
cliscrcttllllCll te, , .
ER!l/ellc7oroSCL e ttJ(ZCL de luz, A tende.
flllel/sft! . . . 81/rrl ircL a ()r l/.::. ~~õo o n l/e.~ o chall/ ado d(L Cr uz"
J~ l/lIIil/ o"o o .·LI/ jo b(li.f"(ll"(I, Oh, 11& 'l'W (l7h ei o lW8sas,
f)ore sorri,w, me i!!() {J ()/h(lr , D et é"" O 1)(lS",O . . .
Jl eclif(L tl/ . (/I/e tal/Ia /,,' e SS(l l e"", J[ed i ta . ..
~\~(j caminh o. 1/1/& 1)(1880, 'detél/l, ..\"0 .d. l/ju (l I/ C s,,7)e,
D o AI/jo, I/ãu 0 l/ GC8 (L I ~o::.' jV(L () ru z 'l I/ e fil'u . ..

(S(Lmh, Ctn 'Vi 8(/0 . )

F. -lo O ANJO DO L ~\BOR MU)íD L\L DO MU ITO EXCELSO


MESTRE PRILIPPE, CS lIc<:i:1lm cntc no scto r do scu DiRcí[lUlo "AMO " 0
outL' OS - nós inclusivc, F oi v i ~to i ni <:iallll cll tc [lOI.' " 111u!I(ulêvi", miHtic:l [Iill~
tom , cujo quadro r CllL'od u%im os scm as CÔ l'CS , pO l' ter sid o jú muito dil'lll-
gado ê~tc ANJO DE .\MOR E DE ,JUSTIÇA .. .
1!'. :) - A casa uatalítia do i\Iuito Excelso ?ll rst rc I'HILIPI'E. em
Loi~ i c ux ( ·abóia). Fotografi'l ti "ada cm agôsto dc 19;)7 vor UIll ?lia rtilJi s-
ta ahaciallO, adlll i rnciol' cio i"rl· ~t ,· c e publi cachl elH lll'imcira u, ão ua 5.' edi -
~ão francesa de "7:e Jfaifre Phili/ljJe, de .L,!Jon", ]leio D,·. PIt. Eueaus~e.
A janela do quarto de cillla situa o dormitÓl'io 11 0 qua l tel'u lugar o
nascim ento que :\[ari l' Emlllnllurl Lal:tud e dcscrel'C tão formos' lIl1 cutl'. CO lHO
n'r-se-;l logo arliaut,·.
Cabe. ai udn. I'Scla "I'Cl'r quI'. SI' [JublicauloK O .\:\'JO Ill·: .UIOR lo: DE
.r ü~'I'I Ç.\ logo autes cll'st'l cns" uatalício do ?lIEM :\IE~'l'RE .... po" peu-
sal'l1l0S qur êsse Auj o cstêl'" p:lil'a ucio sôbl'l' ela. ttll como fu i I"Ísto elll di-
ferentes opol·t unidad es. I' o,fé co 111, o fo/he (/ I/ e rob r e 11111 (fl/c/I'feircio, po r p es-
so:ts qu c :jama is I'i u h'lIu o,"' i do F,da r uôl,' Cfn to )l1'esf' l\ciado por Ct'1I tC ll as de
possoas em confC"ê ll cias 110 "Higll Lifa" do Rio cie .Ta ll tJi ro) (' qUI' ('omltl'o-
vnl';1l\l a exatici ,10 d" l' isol0 no sl' r- Ihes, logo. I\lostrndn a fotograF ia do qU:ldro.
Fill"l,"cntr. CO IlI·..·m "(,ssollt:l" qlH'. SI' uã o CO lu oll tam os ([lIIjl/olll ellfe, ,!qu i.
a u:t t ur o~a dêsse A:\.r O .... por julgal'mos qu e e nrolei h:tl' c ";' dr gostnl' mai s
e a ]l"ovei ta ,. I1I l, llI o ,' de tn is ('sc la r pci 1llt' 1l tos. quando ti \'l' r estud ado Os Ells i-
JI;lIlH'll tos c os ('olllt.'llt:'ll'ios (\ C'oI1 1pl'eendido. VOI' fim. quP êSSI\ Anju H,lO
"1I0S" pl'otpge. ...; 1\) t,. :L "nós" KOnll' ll te. Ill<l !', ~ il1l , desdC' o laho l' <in ;.; X;t~ões
u nidas (por l'xenl jllo l a t i" quaisquI'r illi ciatil':ls - illdil'iduai s ou co ltotÍl'as
- qUl' IllL'rL'(:'"l1 :I :l1"'ol'nl:iio do ~lE~I ~r E~'l'RE. istu .... do:
"JlfJlll e lll ('of(}('udo pela !Jroridêll(';a. ri l e.".J' la dêssc lII(Jr;lIIeIl10
illl ell,'o. firam/c Ci ,I' fi d e jlOd er os((s ('oI/ IIJilla ,'(JCs (c 'flW) Ic I; li l'Ií,
jlc/r) '110110 lati r) o !arho das luzes ... ..

( I 'a/arras jlro!<'fi,'((s de / ,o l/is .Ific!J el


dc Fi'llllli,' I·Cs. I 'el ' 1' 01 .. jlfírl . SiI.)

('arole i. Cal'uil'i ! Qu,10 haixo l'u'T'lI'i:\1Il 'l cl'(T i% o~ [Jod e rosos t' :lt'" os
qu e ~e :lcrcd i tam Itulll ildl·s. se soubc~~em ... aquilo que tl' n tal'l' lll OS dl'sc l'en'"
qU'll1do. j;l [terto do fim rlêstc lino. mostrarei n Você : O DrPBR.\ DOR DO
ML.::\'DO!
l!'. 21 - P1.\.PUS - O Dr. Gé l'a l'd ENC.A.USSE, Médico, Mago, Vi dente,
Fil ó~of.o
e Ser v'iclor do Cristo após tel'-se convel' tido no Bl'aço D irei to do
MEU PRILI PPE. - Foi o Gl'ã-mestl'e cl a ORDEM lVI.A.RTINIST.A., Ol'ga-
nizada pOl' êle como "CcLücLlaria Cr istã" . - (Fotografia dos a l'quivos do Dl'.
Ph. Encallsôc.)
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1". ~ " - ~l'\'il",,"d:t , l';[ t l'i"" ~ '1 d,\ l':ITja Expl't"L'lll tl'
(Futo ~ t llcli() :\i c:u l:I~. [t io)
.l / en lIome (; u da m i llha f lf J/~'ào c {J c:wul ho . assim ('Olll() fi lIIillha
j ll l/çcio, }1O/'ll lIe 80 11 l i /'/'e : /IIe ll p aís (, ollll ê l e o I/ de f i x o I/IiJl/lCl/tâne a /llCllte os
/IIe l/ 8 /)(/S8US . .... - (r al'I\T a ~ d" C:t.:li u"t ru. e min ha,' ... )
F. 29 Sentado em "Sarva-m udra", o w:Jllli Sa rdllla n cht cstú pa ra
co meça r 110 Instituto de Educaç,üo do Pan~ll:l. em Curi t iba. uma de s ua s
demonstrações de Sa r v9. Ioga, que fo i p rec 'dida d<> um comcnUlri o 1l0S' 0.
S(lc1ha nâ, co mo semp re, obser va o público c ... ora. (]'utogr:lfi:l S de
J. Ka lkb ren Jle l." F ilh o, numa repor tagem di) [J:·lgi lta i llLei r:l , 11 0 J) j,... ·io rio
l'am ll ú, de 17 de ma rço de 1957, tiradas 11a p rópr ia CO lt f,'rêncta e Ótilllll-
mente comentadas pelo JO l"l1 a li~ta Luís R a ndo.)
F. 30. - Mãeúnha ádhanâ (Foto Nicolús-R io)
Singela e decididamente eu t rcgue; para ela, nada existe mais i mportan-
te que um apêrto de mão, co m u m "pode contar comigo", que nuuca mais se
ret rai, haja o que houve r. E, na mes ma fO'rma, para com o Mui to Excelso
i\Iestrc PHILIPPE, que, por isso, a tem mostrado sob a Ro a B ranca ...
F. 31 - A. Capelinh a do Mu ito ExceJ. o Mestre, no MOllastério
(Foto Ermida)

F . - 32 - O .Jipe puxa as 2 to nela da ' d:l E l"mida Rodante, no :8xodo,


d:l Ca mva na de í ll ti mos : Se vilnanda, Sá dhan a, Lui~ c, e as Monjas Perse-
verante e Sa rall. dormiam na Casinh a Roda ute. 'ad ha k, n o Jipe. O Cacal
'l'hot h-Za nti . na ' sua Ca mioneta Dodge. - 'l' ra balh o não faltou: mate ri al e
in te l"Í or. A legria, ha via LJ ast'lllte, co mo se lllpre que os humanos esperam
lillla nova eÜi/W . . .
'" ma gnífica" estrada que se vê.. . in felizmente e l":! , na época, bem
A.
pequ ena p:1l"te do percu rso to ta l. Junto a ela , vêe m-se os fam osos P inh eiros
qu e o MEM PRILIPPE jll"ó-mo,tl"al":l n :l~ visões místicas. O Anj o da Er-
mida , que nn.O se \'ô nn fotog l':lfia do plaH o fí s ico, aclm-se mais adiante ...
F. :li{ - (foto t i nida [lor Súd han i't) - Ce rim ôn ia dt' lrll llda<;ão do Retiro Alba Lllci s. Sl'I·"nallda, com as ln ,ígll ia s
e o Cet ro, dos :-;. 1. :\lartini stas, ill\·oca os Alljos e os Mest res, au tes de plantar o Jn s mim (que ('scal'a junlo ao
A I)I·igo da E rmida , ('In R,'scnd c) . Rcpnrc-s(', al{';n d,l "('011 dCl'oC;ão dos [JI'cs(' n tcs, na l's[lu n tânp;t l' nln'ga da 1ll('Ilin a
.·ll/gela .I/clr;a - "'l'
filha de Di scí pulos [lJ"( 's(' llll's - (Jll C sent e a fôrc;a (I UC desce ús mãos .. ,
V. 12 - O Anjo Az ul ela Ermida
V. 14 - O Lumi uoso Scrafi m A lba Lu cis . ..
(Visão e dese nho de Sa rnh , 12-6-5S)
F. I - SRI SEVÃNANDA SWAMI
(Fotografia tirada por Franco, por ocasião de
uma visita do Swami a casa do Disc, "Kabir".)

IP. PARTE

Autor: Sri Sevãnanda Swami

Consulta?' a ob!'a Yo que Caminé por el Mundo (33 anos de


aventm'a espirit1tal) , na qual ficou cla"amente expl'icado pOl'que
1~m "Swami", 01~ seja ",'enunciado em Ioga", já não usa seus tí-
tl~los nobil-iá:rios, cltlt1~rais, sociais, místicos, e O'lttros, os q1tais,
por mais q'ue tive!', nenhum há de leva!' quando desenca?'nar nem
quando ti'ver de, nova!Jtente, encantar",

"O Mestre PHILIPPE, DE LYON"


Copyright 1959, de trALBA LUCIS"
SRI SEVÂNANDA SWAMI

o MESTRE PHILIPPE,
DE LYON
Taumaturgo e "Homem de Deus"

iJste Se[J1tndo Vol1tme (dos quatro que compõem a obra) contém especial-
mente ; V 'i da do Mest1'e, e ele Seus Discíp1tlos, principais. Sucessores atuais
dos diferentes setores do Selt Labor M1t1bd-ial . Um Quadro Geral da Tradi-
çilo Iniciática, 14 G-ravu1"Us de V'isões a1ttênticas, sendo 3, a côres, de Anjos,
além de 33 fotografia s, inéditas.

Publicado no Brasil - Editorial "ALBA LUCIS" - Copyright 1958/1959.


Impresso nas Oficinas Gráficas de SARAIVA S/A. - Sampson, 265 - S. Paulo.
F. :W - :\Jcst rcs CEIL\IOR , APOLôKIO E PEREGRINA , 11f\ B iblioteca do In stituto Keopitngól'ico, Curitiba.
(Foto de .T. Peóll. l\Iembro do Instituto, 1925.)
v . ;-; - THI~::; L.\URDL\S Dü ME:'iTR),; CJ-:D,U OTI. . . .

Vi~üu da ::;nc:el'dutist ,1 ::;'11', ti I. li a Ig l'cja EXl'('ct" li tI', l' lIl lU dl' j:llIeiru d •.)
lH::) ,,",. D C %l\Sspi~ (nú mel'o l'L'I;l.eiUll;ldo ('()f1l il ~;ll'\ ' :l lO g':l) g'iI I JIO:-\ . (.'Ulll os
ospinhos v ir"d os pa,." ( dOI" il1r(,I"iol" d" :\1,'s ll'" " u u tros ... ) fOI'Ill'llll
d l' l1t1"O
o símbo lo AMO-P.\:'\. Da ROSA BRA:'\l'.\. (s ím holo d'l l'Ol"l"('1ll0 do :\f.F;. :\[.
PHILrpPE ) cal'lll tl'0S l' lgl" i lll'l S : 11" PI"iIlH, i '·,1 ({'[loca ) : " (~- S(' ao :\ /. ('(" <I,d ol".
t raj:llldo a I·igu,., llliios atr:'!s d", co,t;ts (post ur'l Illl"dirativa 11:lbilllal II'::k )
.i l1 nto a 111 11 ve lório ( de qLH'Ill"! . .. ) . - :'\a s ('gul1lia (·"ou,, ) l1"t,, -Sl' 0 \ -,,1(" .
("O/Jl, 1J/1Ú8 ed'i fíc i os qu e o~ at u, t/ m e n t e existe n tes . 1\'" tl'I 'Cl' i r:l ("pUI;:l) h'l
1I.1n IJel"('o, c uidad o por fi el c11ch o l"l"o. P'I I'cec S('I ' i Ildi c:ac:iio da 11(J,':1 (J /I('o.I"/lI!-
r: rIo do ilI. Cedai ol", U CSfiC lugar, ali()., !W88arelll d%rOs'I S é poc:ls ['I. POI.·
<,SSil vi. ·iio - c o u tra ll:l. qual o 8.· cios b ê r ~os esta": l florescido - ó qu e
l"' Il S,IIlI OS ql1l'. U:lO o hsl':ll1tl' o · fnl("lsSo - d o ': ':\fol1,l st(' ri,," atu :1i , ó poss["l'l qU l'
o :oH'rO I' :::':: ;tl'\':\, ou Ij: xJH'cr~l llt('. () le\':ln tc algunla ve z. Yi~;"io curi o,':) ;l. ).f,lo
se: (k ve dl'i X <II.' lk IIp \dit":tl' l l U L :lgu, l'od('ado dI' tij uJ . . )~, Cln [ ol'ma de !l l'ato
de Blllllll<;:t (l11o ral ) iJ.U I! ue ul"l o l /l !l(t i" (/0 Canto, lia .Túia :lIH·eselltada .. .
1:!'. 12 - ' c r:i lll'stc Sl'U ballco so JiUll'io que o i\[ESTIl.E ir;' n os aparecer'?"

F, 1:~ - Ou , de t an to pe nsu!' enl ~ n;J :l ln :lda POSSO:1, qUI' noit", :1 fjo,


juuto a êstc Lngo, :-:iofl'ia e Ol'<l\'(t pU I' IIÓS,... mCI'(}<;,\lIlU::; \Tj::_Lü? ..
Ji'. 1,1, - E o Seu ~o ITi ~o meigo . S"l1 olh; ,,. bOl.ldo~o c !,,"Ofllllclo. cllI'ohi,UII
aos f ll till l U~ . lJe ll<' tI·;t\·;tIll-Ih e ~ L' illfulldi;tlll-I h c~ J.lllOr. IN, . HUlllild ;ldt'.
(Foto urigin a l elos ~\,.quil·o~ el e Pi1pu~ . g c ntilm cu tc c,' elidn [lclo Dl'.
1'l1ilippe En C ;ln~ sc.)
9. "AS PROMESSAS PARA SERVIR À JERARQUIA DO SUD-
DHA DHARMA MANDALAM" (12 págs. 22 x 28, ilustrado,
1954). (D., para Discípulos.)
10. "A LBA LUCIS" (primeira fase): 16 págs. 21 x 33, ilustradas,
Rio, 1954. (R.) (Nova edição da segunda fase, em preparação.)
11. Monastério AMO-PAX, Ashram de Sarva-Ioga e Mosteiro Es-
sênio (72 págs. ilustradas, Rio, 1955). (R.)
12. IGRE.JA EXPECTANTE, Bases e Rituais (Batismo, Comu-
nhão, Matrimonial, Desprendimento e Morte). Edição mimeo-
grafada, 1955. (D.)
13. IGREJA EXPECTANTE - Instruções Sacerdotais (Reserva-
das aos Noviços, Monjes, Monjas e Sacerdotes e Sacerdotisas).
1955. (D.)
14. "ALERTA" - Comunicado n. 1, remetido ao Govêrno do Bra-
sil, ao Corpo Diplomático, Legislativo e às Nações Unidas, am-
plamente divulgado por 13 Missionados. (R.) 1956. Mimeo-
grafado.
15. ORAÇ(jES, do Monastério Amo-Pax (ilustradas e comentadas,
para uso consciente de adultos e com orações infantis). (D.)
1958.
16. O MESTRE PHILIPPE (2.., 3. e 4. volumes). Saraiva S. A.,
Q Q

S. P., para Editorial Alba Lucis. - 1958/1959. (D.)

REVISTAS MENSAIS

Fundou, dirigiu, escrevendo a maior parte, os mensários:


LA INICIACI6N, de maio de 1942 a dezembro de 1947. MON'I'E-
VIDEO. (D.)
BOLETIM AMO-PAX, de fevereiro de 1952 (no Uruguai) até abril
de 1958 (no Brasil). Mensário agora independente.
CORREIO INTERPLANETÁRIO: órgão da Associação Mundia-
lista Interplanetária no Brasil. RIO. De setembro de 1956 a
maio de 1957. (D.)

TRADUÇÕES PRINCIPAIS

"LIBRO DEL SENDERO Y LA LINEA RECTA (de Lao-Tsê); co-


laborou, em 1919, em Buenos Aires, com Edmundo Montagne,
na revisão da versão de 1916, que o citado escritor reeditou em
1924 (Editorial MINERVA).
LIBRO DE LAS LEYES DE VAYü (do Mestre CEDAIOR), ver-
são francesa, do original espanhol, ficou pendente de edição,
em Paris (1923).
OBRAS DO AUTOR E DE SUA ESPOSA SÁDHANA

(R: rara - D: disponível - E: esgotada - P: em preparação)

1. ORDEM MARTINIST A DA AMÉRICA DO SUL: História,


Finalidades, Estatutos e Horóscopo de Fundação (Publicida-
de Americana, Pôrto Alegre, 1940). (E.) (16 páginas 1/16;
uma ilustração.)
2. ORDEM MARTINISTA DA AMÉRICA DO SUL: Histórico
da Ordem, Constituição Geral e Leis Internas - Ritual do
Primeiro Grau (Publicidade Americana, Pôrto Alegre, 1940).
(R.) (75 páginas ilustr.)
3. ORDEM MARTINISTA DA AMÉRICA DO SUL: Ritual do
2. 9 Grau (Edição oferecida pela R. L. "Cedaior" - Publicidade
Americana, Pôrto Alegre, 1940). (R.) (18 págs. com ilustra-
ção do cerimonial.)
4. ORDEM MARTINISTA DE LA AMERICA DEL SUR: Fi-
nalidades, História resumida, Horóscopo de la Orden (Imp.
Matutina, MONTEVIDEO, 1942.) (R.) (50 págs. com retra-
tos de Mestres e relatos fenomênicos.)
5. ORDEM MARTINISTA: Reglamentos Internos, Programas
de Estudio, Rituales deI Primer Grado (Montevideo, 1944).
(Disponível.) 157 págs.
6. "YO QUE CAMINÉ POR EL MUNDO . .. ": Doutrina exter-
na de Sri Sevânanda Swami: Teoria, Treinamentos, Escolas
do Oriente e Ocidente. Muito ilustrada, 350 págs. (1.' edição,
de luxo, em Córdoba, R. Argentina - Talleres Gráficos Selva,
1951). (Disponível.)
7. "YO QUE CAMINÉ POR EL MUNDO .. . ": (2.' edição).
SARAIVA SIA., em São Paulo, Brasil, 1953. (Disponível.)
8. ASSOCIAÇÃO MISTICA OCIDENTAL: Estatutos e Orien-
tação, etc. (Edição 'da Sevâshrama, Rio, 1954). (E.) (32 pá-
ginas. Anjo a côres.)
ALBUM INFANTIL SOBRE A REALIDADE DA VIDA. - O lado
menos frequentemente visto, tal como me é. - Preparado espe-
cialmente para devolver às crianças - e aos menores e adultos
também - um sentir mais real do que a Vida é. Um "conto de
fadas" que não o é; um retôrno à exata compreensão do lado
invisível, e o mais importante, da nossa existência, e da ação
vibratória da vida, bem como do laço permanente com os de-
mais reinos e mundos, sem doutrinação espírita, sem dogma,
aceitável pelos fiéis de todos os cultos. Muito útil para dar à
criança uma educação espiritual prática e racional.
EL LIBRO DE LOS SABIOS (Eliphas Lévi): V'ersão espanhola, do
original francês, em colaboração com sua Discípula "Hypa.
thia". Publicada em Buenos Aires, 1943. Disponível.
"LE MAITRE PHILIPPE, de LYON" (4.' edição francesa) do Dr.
Philippe ENCAUSSE, versão brasileira. Editorial ALBA LU-
CIS, 1958. (Oficinas Gráficas Saraiva S. A. - São Paulo).
208 páginas, muito ilustrada.
"MEMORIAL MACROBIóTICO" - Do Dr. Georges SAKURA-
SA VA OHSAWA (Medicina Macrobiótica). Edição mimeogra-
fada. 44 páginas. ALBA LUCIS, 1958. (D.)
"UM NOVO POVO PARA UM MUNDO NOVO" (Dr. Hugh Schon-
field), versão brasileira, do original inglês, sôbre as origens e
Proclamação da República dos Cidadãos do Mundo, incluindo
excertos da grande imprensa da Grã-Bretanha. (20 págs. Ilus-
trado. Imp. J. Gonçalves, Niterói. Maio de 1957.) Disponível

"COMA BEM E V IV A MELHOR!" '- Orientação prática sôbre ali-


mentos sadios, vegetarianos e ioguísticos. Mais de 350 receitas,
culinárias e para doentes e lactantes. (155 páginas. Gráfica
Progresso. Belo Horizonte, 1956.) Disponível.

Editorial "ALBA LUCIS" - Obras em preparação

VIV~NCIAS ESPIRITUAIS (Série): uma coleção de livrinhos, con-


tendo Apólogos, Contos, Ensinamentos, Excertos, Meditações,
Relatos; etc., do vivido pelos Discípulos e dado pelo M. Sevâ-
nanda, em anos de labor.
Cada ensinamento, comentado pelos fatos ou circunstâncias
em que foi dado, Cada ocorrência, iluminada pelo ensinamento
outorgado,
TRATADO DE SARV A IOGA (Ioga Integral). - Método que in-
clui os passos da ioga para o Ocidente, desde a parte física (cur-
so completo) até a parte transcendental. Tudo isso, podado
das complicações antiquadas. Doutrina pessoal e adaptações,
do fundador da Ordem dos Sarva Swamis, preparada especial-
mente para os Membros da mesma.
ÁLBUM M1STICO DE PERCEPÇõES AUT~NTICAS. - Visões
reais, desenhadas com exatidão e interpretadas, para os estu-
dantes sérios. Edição com muitas ilustrações, grande parte á
cÔres.
SE A GRATIDÃO ATRAI A GRAÇA

Em longínquos países do Oriente, a Ioga do Fogo (Agni-


-Yoga), a que fala Daquele que há de vir, ensina que a Gratidão é
uma das fôrças mais poderosas do Universo. Aqui no Oddente,
onde a recente passagem do Muito Excelso Mestre PHILIPPE rea-
vivou, pelas Graças outorgadas, e pelos Milagres operados, a cren-
ça IJ.O Ensinamento do CRISTO, também 1!:le, Philippe, nos ensina-
va que não se agradece bastante. E procurava mover a gratidão
nos corações ...
Não sei, se o que procurei colocar, de meu, nas páginas da
obra, terá um valor espiritual, ou didático, suficiente para jus-
tificar sua existência, aos olhos Daqueles que Sabem. Mas, se tal
conteúdo fôr restrito, ainda assim confio nessa outra energia, que
de Sádhanâ e de mim emana com fôrça, surge e irradia perene-
mente: a Gratidão! - para imantar êste livro e fazer com que leve
a Sua Mensagem, lá onde possa germinar e frutificar.
E, se a Gratidão tem poder para atrair a Graça, com mais ra-
zão ainda. essa outra fonte, da qual a própria Gratidão deriva: a
Dedicação desinteressada, o esfôrço por apoíar o que se sente ser
bom, útil ou certo.
Por isso, tenho a certeza de que o Muito Excelso Mestre PHI-
LIPPE, cuja obra é de Amor e de Justiça, irá gostar de ver lem-
bradas, nestas páginas de rosto da segunda parte da · obra, as co-
laborações de todos aquêles que, de uma maneira ou de outra, têm
facilitado sua publicação.
A das numerosas pessoas que, tendo conhecimento da próxima
saída dêste livro, apressaram-se a remeter dinheiros, seja a títu-
lo de ajuda para a impressão do mesmo, seja em caráter de reser-
va de uma ou mais coleções. Não seria justo, nem corresponderia
ao nosso sentir, fazer distinções entre os que, com igual intenção
e merecimento, enviaram somas um pouco inferiores ou superiores,
ao valor previsto para a obra: inicialmente planejada com um ou
dois volumes, e que acabou tendo quatro!
A todus e a cada um dêsses generosos corações, iremos dedi-
car uma coleção da obra.
Como também haveremos de autografar para cada um dos,
de tão especial dedicação a esta realização, que não podemos deixar
de associá-los, nominalmente, como credores da nossa Gratidão,
merecedores da do Leitor, e também da Graça do Mestre, já que
a êles se deve parte da imantação que a obra leva ... :
Fidélis, com seu empréstimo generoso de cem mil cruzeiros, e
o apoio dêle e do -'l;rupo de Lajes, graças ao qual tivemos tão si-
lencioso e tranqüil'etiro, para escrever o segundo, o terceiro e o
quar to volumes. E também : Nélson e Lêda, os do afetuoso r efúgio
paulista ...
O Major W. N. (Dharmadhasa) cujas doações generosas lem-
bram a que Thoth, o Sacerdote Expectante de Guarapari, e Zanti,
iniciaram com cinqüenta mil cruzeiros:
O "mago", das finanças da Ermida - um Discípulo-financis-
ta - que, entregando-se de coração a ajudar a obra do Muito Excelso
MESTRE, e sentindo Seu apoio, conseguiu duplicar semestralII;lente
.fundos do Livro, que lhe eram confiados ...
Na parte "gráfica", houve dedicações, tais como a do casal
Satyamuni-Saktidevi (que tanto já tinham feito pela Obra desde
1953!) que assumiram o custo dos clichês ... muitas dezenas de
milhares de cruzeiros! E, as dedicações de Franco, de Kabir -
no Rio; de Persistex em São Paulo, passando dias e noites, gastan-
do dinheiros e energias, em preparar fotografias, ampliações . . .
Está a obra, silenciosa e invisível sempre, de Sebastião, o
qual, durante anos já, despende tempo e verbas pessoais, em reme-
ter cada semana: correspondências, recortes, colaborações de múl-
tiplas modalidades. E, a maior de tôdas : o afeto leal e invariá-
vel! E, por seu intermédio, os letreiros "do bueno do Bueno", e
tantas outras !
Dos desenhos de Singelo, de Sarah, e de outros, o livro fala
claramente! Não creio que o Mestre gostasse que deixasse de
apontar o labor profissional, tanto das "Clicherias Reunidas Latt-
-Mayer, S.A.", como das Oficinas Gráficas Saraiva S. A. : especial-
mente nesta época, de despreocupação geral pelo "espírito de per-
feição", é grato dever assinalar aos que fazem as cousas "não pelo
dinheiro, apenas", e que ainda guardam as Tradições das Corpora-
ções, orgulhosas - no bom sentido do têrmo - de seu esfôrço
por melhorar a vida coletiva, pela eficiência, pela beleza.
De Mário Teles de Oliveira, falo adiante, sem muito comentá-
rio. Gostaria de lembrar que, durante a preparação desta obra,
achava-se em poder dêle um documento, no qual o designava como
capacitada e autorizado, para terminá-la, se algum contratempo,
como a desencarnação, ou alguma outra forma de perder o tempo
aplicável na Terra, me não permitisse rematá-la pessoalmente. Es-
pero que. ambos, vivamos ainda bastante para eu poder lhe com-
pensar, nesta vida, o que fêz por esta obra.
A Sádhanâ, nada me é fácil lhe dizer, publicamente. Mas, sem
dúvida alguma, deve-se a ela, mais do que a mim mesmo, tudo
quanto existe aqui, no labor visível dedicado ao Muito Excelso
Mestre PHILIPPE, êste livro inclusive.
Torno a ressaltar, pois, que a Justiça e o Amor do MESTRE,
certamente hão de recompensar a dedicação de todos êstes "Fiéis
do Amor", levando. a outros corações abertos, a Luz do Seu En-
sinamento!

Que assim seja, são os meus votos afetuosos.

Grato, Sevananda.
LONGA PALESTRA COM CAROLEI

"Há uma regra astrológica: tôda


cousa iniciada seis horas antes ou
após a Lua Cheia, se fará ràpidamen-
te, tendo também ampla repercussão,
não sendo mesmo possível mantê-la
oculta."
A TRADIÇÃO.

Quando, Onde, Como, Por que'! - Quatro perguntas que sur-


gem na mente do homem (da mulher também, às vêzes ... ), a pro-
pósito de tudo. Haverão de surgir, pois, na de quem folhear, es-
piar, quiçá' compre (assim seja), leia, medite (os Anjos os ajudem)
e compreenda ou procure aplicar (os Deuses o protejam!) o con-
teúdo dêste livro!
Por isso, Carolei, resolvi começar por esta longa palestra, na
qual iremos procurar nos entender, eu e Você. Bem, desculpe
chamar de Você, mas eu sou assim mesmo. Mais espontâneo que
mola de relógio, com corda garantida ad vitam, automática como a
Vida e antichoque, impermeável à sujeira e, "quase" exato, tal co-
mo o MIDO n. 5409 que o Satyamuni me deu, e no qual são agora
seis horas da formosa aurora - (Alba Lucis) - do dia 4 de abril,
sexta-feira da Paixão ou sexta-feira Santa, do ano da Graça de
mil novecentos e cinqüenta e oito, contados da Encarnação do
Verbo.
Carolei, estou achando melhor Você saber quem sou eu
até onde eu mesmo o souber e puder explicar - bem como, é bom
que todos fiquem sabendo quem é Você, meu "longo" interlocutor,
já que a palestra vai ser comprida!
Carolei é o mais recente dos muitos neologismos que fui crian·
do, nesta vida na qual" nunca gostei de fazer nada como "todo
mundo", por causa dêsse cheirinho a môfo que a rotina sempre
tem! - Pois bem: CAROLEI é Você mesmo "CARO LEI-tor".
Gostou? - É curto, prático, com lembrancinha ao Rei Carol que
mostrou que o amor vale . tudo, etc. - Então, ficamos acertados:
Eu me dirijo a Você, chamo-o de Carolei e chamo-o de Você.

1
Pode reciprocar e me chamar de Sevânanda, e de Você. Eu sou
"sem sêca", como diz o sertanejo quando quer falar em pessoa
sem cerimônias, nem nove-horas.
Pois é, Carolei, temos muito que conversar. Em primeiro lu-
gar, êste livro irá ser cheio de cousas tão sérias, tão graves, tão
importantes para a tua, perdão, a sua vida (repassei o trato e vi
que o tu não entrava ... , não faz mal, o deixaremos para Deus, que
é menos suscetíveL .. ), que, no fim das contas, acho melhor esta
familiaridade amena, que irá me permitir dizer a Você tudo quan-
to me ocorrer.
- ô Sevãnanda, e se Você "inventar" de me dizer cousa que
me desagrade, ou me fira, ou começar a me perguntar cousa que
não quero responder, como fico eu, que não tenho "nem voz nem
voto" nessas suas páginas?
- Meu filho, um pouco por velho e um pouco por estudioso e
observador, aproveitei ter nascido com Ascendente Escorpião, que
outorga a mania de prever as cousas, e já dei um jeitinho nisso.
Olha Carolei, é muito simples: cada vez que alguma cousa lhe de-
sagradar, Você FAÇA DE CONTA que o "Carolei" é aquêle ou-
tro coitado que também folheou, espiou ... e não conseguiu parar
nisso!' . . Acaso a vida é outra cousa senão fazer de conta? ..
Já são seis e vinte! As seis e quarenta e cinco esgotar-se-ão
as seis horas após o Plenilúnio. Não faz mal, já fiz o que tinha
que fazer. Olhe só: ontem à noite, dentro das seis horas ANTES
do Plenilúnio, fizemos uma cerimônia.
- ô Sevânanda, Você disse "fizemos"; quantos presentes, quem?
- Carolei, meu filho, vou ter que lhe ensinar a primeira regra
nossa: primeiro, calma! Depois. . . calma!. .. depois. . . outra vez :
calma! E pode-se, então, começar a tratar do caso, seja qual fôr.
- Pois bem, a primeira pergunta não foi: QUANDO? - já ficou
mais ou menos respondida: 6 horas de 4-4-1958, que, noves fora,
soma "22", meu número oculto. Já falaremos disso adiante.
Vamos para a segunda pergunta: ONDE? - Carolei, seja
gentil e apanhe o primeiro volume. A página 9, no Prefácio, ex-
pliquei direitinho aquêle fato maravilhoso: quando o Muito Excel-
so Mestre PHILIPPE (que também chamamos de AMO) fêz cair
aquêle Raio "quase" sôbre . . . e um pouco "dentro" do ABRIGO,
junto à Ermida Rodante, em 23 de outubro do ano passado, lá on-
de eu escrevi, nas madrugadas tão formosas frente aos Picos das
Agulhas Negras, a tradução do 1.9 Volume.
Pois é, Carolei, não há mais Abrigo. O vento levou. Levou
mesmo. E, como deixei há muitas encarnações a crônica social,
vou contar "já". Como Você já sabe, nós fundamos, Sádhanâ e eu,
aquêle Monastério AMO-PAX, a doze quilômetros de Resende.
Neste livro, tornarei ao tema. Mas, desde agora, Carolei, Você

2
deve saber que, em 19 de fevereiro dêste ano, por certas circuns-
tâncias que constam das páginas vindouras, eu disse, lá pelas duas
horas da tarde, à minha querida Sádhanâ: "Olha, Carangueijo
- (chamo-a assim na intimidade, porque ela tem Ascendente "Cân-
cer", Carangueijo em português) - acho que teremos de ir em-
bora daqui." Dito e feito. (Para os Grandes: dito, é feito!) Lá
pelas dezesseis horas, ou seja quatro horas da tarde, pela antiga,
já estava chovendo com vento. Mãezinha Sádhanâ, escrevendo
naquela mesa de madeira de polegada, que o Uramar fêz tão for-
te! Eu (Você não tem televisão? Bem.), eu, estava como Adam
(versão Vulgata) ou seja o Adão vulgar e silvestre, nuzinho da
silva, do lado de fora, num reduto onde nosso chuveiro ao ar livre
(cortina em volta e céu aberto) convidava ...
Nem cheguei lá! A chuva, engrossando, virou de pedra. E
que pedras! O vento meteu pé no fundo e deve ter chegado a
grande quilometragem, mais de cem, pois que árvores grossas,
foram "retorcidas", quebradas e transportadas a centenas de me-
tros. Eu, lá fora, com essa rapidez mental própria dos momentos
importantes, pensei: em Mãezinha primeiro, e, logo, nos muitos
metros quadrados de VIDROS dos grandes janelões do Abrigo, é
SOUBE com certeza que dêsses vidros não ficaria nada ... uti1izá~
vel! Voltei correndo, sem mesmo apanhar a roupa, vento e pedras
batendo enfurecidamente sôbre o Abrigo. Mãezinha tinha termi-
nado de entrar na Ermida Rodante (um trailer, de dois por cinco
metros, com dez janelas, uma casinha rodante de material leve e
MUITO FRÁGIL). - Apenas entrei e fechei a porta! O vento
"embolsou" os vidros e respectivas ferragens, que arrastaram as
seis colunas principais (três de cada lado), com altura de mais de
três metros, de tijolo e meio (45 x 45) e lá veio abaixo tudo. Fo-
ram duas e meia toneladas de telha francesa, mais centenas de
quilos de vigas e das três tesouras e dois eitões, tudo isso jogado
no chão e sôbre a frágil Ermida.
Os janelões, 'feitos mingau no chão, entre troços de colunas.
E o vento a sacudir a Ermidazinha como papel, porém parou logo.
O que TINHA QUE FAZER ESTAVA FEITO. E ... com que mi-
lagroso jeito! Do Abrigo, só ruínas imprestáveis. Sôbre a "frá-
gil" Ermida, vigas e uma das pesadas tesouras, caídas e atravessa-
das. E, agora, Carolei, é bom que Você vá se acostumando aos
fatos raros, milagrosos, ou mesmo a VER o LADO SUTIL dos
fatos, até corriqueiros. Porque, sem isso, Carolei... ia dizer
"olha o cachorro", mas Você não sabe o que isso seja, e lhe con-
tarei adiante. Pois bem, Você deve observar, pensar e concluir.
Não acha Você "raro" que DUAS horas após aquela frase, o
vento vem e leva mesmo? Não acha "interessante" saber que, pelas
redondezas nada houve além de algumas bananeiras dobradas e de

3
poucas telhas tiradas nas beiradas dos edifícios do Monastério?
Além disso, quero dizer: fora do Monastério: NADA. Nem rasto.
Não acha curioso, Carolei, que as cadeiras, de Mãezinha e a
minha, e a mesa dela, tenham ficado feitas "lenha picada para
fogo" ou quase, e nós escaparmos SEM UM ARRANHÃO, dentro
de uma casa de papelão, à qual não aconteceu NADA e da qual
as dez janelas não tiveram NEM UM Só vidro quebrado, apesar
dos tijolos e telhas caídos, dos cacos de vidro e outros materiais
jogados pelo vento a tal ponto que uma bacia foi parar "lá em cima
do morro" e que uma chapa de zinco de dois metros foi levada a
um outro morro a seiscentos metros? Bem, se Você "não acha",
Carolei, receio muito que Você já passou do número de dioptrias'
oculares, mentais e psíquicas, permitidas pelo Trânsito Celestial
das almas evoluídas ...
São quase sete horas, Carolei. - Aproveitei bem o tempo as-
trológico favorável. - Vou parar por aqui. Tomo o mingau ja-
ponês - explicarei o que seja - e já volto. Assim, Você descan-
sa. Ou, poderia até tornar a ler. Nunca é demais. Até já.
Fique com Deus! ...
O mingau era pouquinho, mas estava muito bom, obrigado!
Vamos prosseguir com a palestra, Carolei. Eu não fumo, nem
suporto fumaça, pois a respiração iogue torna a pessoa muito sen-
sível, mas Você pode aproveitar que está longe e acender o cigar-
rinho, ou até o cachimbo, se Você é do tipo meditativo. Porém
NUNCA fume perto de um Mestre no Oriente. E, mesmo cá, no
Ocidente ... é bom perguntar antes.
Então estamos aqui. Onde? É outra história interessante, que
vou contar a Você, Carolei, para Você ver o quanto engana-se essa
gente tôda que anda por aí, que chega num lugar, dá uma espiada
correndo, pensa que entendeu e sai até opinando. Pois é: as apa-
rências enganam. Todo mundo sabe disso, mas é só no sentido
desconfiado, útil nos negócios, pelo menos até quando a gente apren-
de a comerciar honesta e abertamente. Mas, querido Carolei. ..
(Caro Carolei. .. é muito dinheiro, ou Você vale mesmo tanto as-
sim? Oxalá!) ia dizendo que estamos aqui e que isto é interes-
sante. De fato. Até liga-se já a um dos ensinamentos do Muito
Excelso Mestre (daqUi em diante escreverei MEM, para não can-
sar Você, nem deixar de dar ao MESTRE o tratamento que lhe é
devido ... ).
1tsse ensinamento (n. 8) tem muitos outros sentidos, que comen-
tarei quando chegar à parte do livro destinada a êsse labor, mas
é bom que Você vá, Carolei, se tornando experto (Vocês dizem
"perito", mas o têrmo francês usado assim como galicismo, fica
com os dois sentidos); experto-perito, pois, em perceber logo o
laço que une as cousas, já que TUDO está unido no fenômeno
ÚNICO da Vida. O fa to que nos interessa, irá pô-lo em evidência.
Vamos ao conto.
Três anos antes de hoje, mais ou menos, não data por data,
uma pessoa estava neste lugar. Essa pessoa tinha consultado, em
1942, no Rio, a um quirólogo-vidente alemão - que por causa da
guerra dizia-se inglês - e que, sem conhecer nada da consulente,
disse-Ihe, entre outras cousas que se cumprira m, que: ela não
devia preocupar-se tanto por achar um Mestre, pois tinha muita
Proteção e que um dia o "seu" (dela) Mestre viria a sua própria
casa . . .
Os anos passaram. Essa pessoa não nos conhecia e nem está-
vamos no Brasil nessa época. Ela construiu pouco depois esta
casa, onde vinha passar fins-de-semana e férias. Em 1955 de fató
tive que ir a casa dessa pessoa, no Rio, lá ficando poucos momen-'
tos. Ela adquiriu meu livro (Yo que Caminé por el Mundo .. . ),
mas, não querendo nem passar os olhos nêle no lufa-Iufa da Capi-
tal, o trouxe para êste refúgio e, certa noite, quis começar a ler.
O livro "abriu-se" na página 274, e a pessoa ficou olhando aquêle
retrato meu (sem saber que o fôsse) que está no Diploma da
O.K.R.C. ali colocado. Nisso, a luz elétrica deu um dos apagões
municipais de praxe ...
Upasilm (é o nome da Discípula) ficou com o livro sôbre o
peito e os braços em cruz, meditando de ôlho aberto e, pouco após,
viu no seu jardim, cheio de pinhos, passar um cortejo de pessoas,
das quais reconheceu apenas: ao Dr. Encausse (como ela o cha-
mava ; é PAPUS), a seu próprio falecido Pai, Léon Debruyne e,
encabeçando essa primeira fileira, havia um homem - de cha-
péu côco, com que iam cobertos todos os demais também. - Era
um rosto severo, que perscrutava tudo profundamente e que, quan-
do chegou a olhar para o lado onde ela estava, junto à janela do
quarto em que lia na cama, encarou-a com certo ar de interêsse,
com uma expressão que ela traduz com as palavras: "é ela", e:
" é aqui". Mais duas fileiras seguiam, composta por : Jean Jaurês,
Zola, Eliphas Lévi, e o falecido Presidente Fallieres, a segunda;
a terceira: Victor Hugo, Balzac, Péladan e Péguy. Sabe, Carolei,
que destas doze personagens (pois na primeira fileira havia tam-
bém uma quarta pessoa que Upasika não sabe identificar por não
tê-la "visto" nltidamente), pelo menos mais da metade são reco-
nhecidamente Martinistas, outros, Maçons e TôDAS ELAS, pes-
soas dedicadas ao Serviço da Humanidade? Isso, sem falar no
MESTRE, pois qual não foi a surprêsa de UPASIKA, quando, ao
acender novamente a luz local, e continuando a folhear o livro,
chegou ao grande Quadro dos Mestres, colocado no fim e lá, bem
no CENTRO DE TUDO, viu o rosto doloroso do MEM PHILIPPE-

5
-AMO, em quem reconheceu o Homem de rosto tão grave que ia na
frente, sério e silencioso, enquanto Papus e De Bruyne trocavam
palavras... Gostou, Carolei? É, de fato, muito formoso, merecer
VER um Grupo de Mestres e Discípulos, todos êles "de etiquêta"
(a rigor) vindo visitar, imantar provàvelmente, um LUGAR es-
colhido, para ...
Voltemos 50 anos atrás, Carolei... Lá em Paris, quando eu
era ainda menino de 7 anos, morava no 20 da Rue Condorcet. O
primeiro andar era um grande apartamento, de meus Pais, no
qual Papus e outros, dos citados, mais de uma vez estiveram. Meu
Pai era amigo - e Discípulo, de Papus e do MEM MESTRE -
era, também, amigo de Debruyne, que até comprava, na loja sità
no andar térreo, as músicas para sua filha (UPASIKA), que era
então uma jovem de 15 anos, estudando violino e meu Pai e Mestre
(CEDAIOR) tinha naquela loja: Edição de Música, Venda e alu-
guel de Pianos e venda de todos os instrumentos e pertences, etc.,
sendo Concessionário Gaveau, no bairro.
ô Carolei, Você já entendeu? Não é bonito, como TUDO está
ligado? E que tôda ação, todo sentimento, todo haver e todo dever
- em TODOS os sentidos de todos êsses têrmos - fazem com
que a gente se ache, encontre e torne a encontrar, até liquidar
contas ou até fusionar almas?.. - Desculpe, Carolei, avancei o
sinal. É cedo ainda para falar nestas cousas. Mas lá chegare-
mos se Você não larga do livro antes ...
Então, cá estamos, na casa escolhida pelo MEM MESTRE,
oferecida por Upasika para ser o nosso retiro provisório, para es-
crever êste volume. Ontem à noite, ela chegou para passar a
Páscoa conosco. E a iniciamos com uma cerimônia, na qual mui-
tos livros, escritos por Mestres ou por Discípulos adiantados do
MEM MESTRE, e que dedicaram suas existências a servir à VIDA,
aos humanos, ao MEM MESTRE e ao CRISTO, estavam colocados,
junto a esta máquina, aos originais da tradução, ao papel em que
êste volume está sendo escrito. E Mestra Sádhanã, Upasika e
eu, fizemos o nosso pedido e o nosso oferecimento. É só? Pois é.
Só. Algum dia, quando os humanos tiverem aprendido a fazer
de t6da a Vida UMA CERIMôNIA, não mais serão necessárias as
pequenas cerimônias, a não ser as espontâneas e singelas... A de
ontem o foi, até onde nós o sejamos por agora ...
Carolei: já ficou sabendo onde estamos e quase "como"~ Fal-
tam uns pormenores. Vamos liquidar o caso. Primeiro assunto
a esclarecer, "O Monastério": estamos nos situando outra vez na
ação mais livre e mais ampla, pois que nem conseguimos fazer no
e do Monastério, aquilo que estivera programado, por razões que
no decorrer do livro surgirão; nem podemos, depois dos SINAIS
que os MESTRES nos deram - o do Abrigo foi "claro, preciso e

6
contundente", não acha, Carolei? - insistir e, ficar junto a poucas
pessoas, que não acompanham (por não poder ou não querer, dã na
mesma!) o ritmo e o sentido que precisamos dar ao pouco tempo que
fica: a nós para desencarnar, a Você, Carolei e seus semelhantes,
para se prepararem para "o que vem ai". O MEM MESTRE jã
falou nisso no primeiro tomo e iremos procurar tornar a questão
mais clara, logo adiante.
Estamos chegando ao Cachorro - cui-da-do, Carolei, mor-de
mesmo! Por motivos que serão totalmente expostos a Você, quan-
do falarmos das duas Vias : a ME NTAL e a CARDíACA, fique
Você sabendo, amado Carolei, que em certa época da minha longa
trajetória, interior e externa, fui levado a criar um sistema dito
"de Sarva Ioga", ou seja, Ioga integral, no sentido de abranger,
da maneira mais sintética, prãtica e contundente possível, tudo
quanto tenho achado, seja em sistemas antigos (alguns bem anti-
quados também .. . ), ou em modernos, como na minha própria ex-
periência, feita tanto na minha pessoa como em centenas de dis-
cípulos e amigos, que me pareceu comprovadamente úTIL para a
finalidade almejada: TORNAR O SER CONSCIENTE. - Daí
que, na Lição 6.' do Curso "B" (intermédio) de Sarva Ioga, após
comentar a diferença entre o Caminho Essênio (Via do PAI, do
MEM) e o Caminho Sarva (Via Mental, na forma Sarva), conclui-
-se "amàvelmente": "Realizar-se, tornar-se consciente ou apodrecer,
como cachorro à beira da estrada, é o seu dilema."
Viu, ô Carolei, que cachorro danado . . . , e que dilema danado . . .
e quanta gente danada! (provisoriamente, graças a Deus ... mas
isso é DA OUTRA VIA!). Assim, Carolei, quando eu disser:
"Olha o cachorro!", agora .lã Você não pode se fazer de ... desen-
tendido. Vamos a outro ponto, dos que prometi esclarecer.
Chegou a vez do mingau japonês. E, para Você ver como
TUDO é importante na Vida vivida mesmo, o tal de mingau é que
vai nos servir para ligar ao ONDE com o COMO (mesmo com tro-
cadilho, porque Você vai ficar sabendo como como ... ). Vamos lã.
O livro traduzido no primeiro volume, foi feito com tôda seriedade
de fundo e de forma. A forma, então, é cuidada ao extremo, como
corresponde a um Senhor Médico, quando êste tem, além da res-
ponsabilidade de todos os seus títulos profissionais, a de ser filho
de Papus, e a de querer conquistar ( ?) a boa vontade ou o interêsse
dos leitores cultos, se possível portadores, não só de bacilos, mas
também de títulos universitãrios, sociais, funcionais, etc. etc.
Dessa, eu jã estou de volta, com cachorro e tudo. De pé no
chão, na estrada da Verdade, achei mais franca hospedagem nas
choupanas que nos salões e laboratórios. Daí que, não somente
tenha resolvido adotar aqui a forma de não ter forma FIXA, isto

7
e, de falar séria e elevadamente do que assim fôr, como de rela-
tar, até em gíria quando me der na telha, o que convier; como,
ainda e também (que bonita redundância pleonástica! ... ) na pró-
pria modalidade de considerar o assunto, resolvi seguir o Caminho
que o mesmo MEM MESTRE nos deu, ao fundar a AMO (veja
Yo que Oaminé por el Mundo .. . ), isto é: AMPLIDÃO! Abaixo
tôdas as barreiras e cortinas: de ferro, de bambu, de mistérios re-
ligiosos, de escuridões sectárias, de pretensões "tradicionais" (dos
que mais IGNORAM o real conteúdo DA Tradição - que comen-
tarei a seu tempo ... ) e de qualquer outra modalidade.
Por isso, Carolei, assim como, em 8 de janeiro de 1950 e,
novamente, em 9 de janeiro de 1955, fizemos, Sádhanâ e eu, aquê-
les jejuns só a líquidos (sistema Abentín) por 67 e 50 dias, respecti-
vamente, agora estamos EXPERIMENTANDO .o sistema do médi-
co japonês Georges Sakurazawa Ohsawa, que está fazendo milagres
t>elo mundo, agora em Paris e, neste ano ainda, possivelmente, os
fará no Brasil. .
Ora, é um sistema curativo-educativo-filosófico. Mas, na par-
te dietética pura, há um período de 10 a 15 dias com alimentos só-
lidos, somente, cereais 90%, certas verduras 10%, porém tudo isso
"sêco" ou quase, sem môlhos, sopas, nem bebidas de espécie alguma.
Nem uma só gôta de água. Só enxaguar a bôca duas vêzes ao
dia, sem engolir nada. Creia, Carolei, não é difícil. Questão de
saber O QUE SE QUER. Em tudo, aliás: olha o cachorro ...
Pois é. Ficamos em que, o que se quer, é AMPLIDÃO. Acho
que tenho em mão, vivências, documentos, provas de muitas espé-
cies, para poder expor, em forma aceitável até para os mais exi-
gentes, a minha convicção PROFUNDA sôbre o real significado dos
ensinamentos e da vida do MEM MESTRE e provar, entre outras
cousas, que:
a) Não há divergência real entre os ensinamentos aparente-
mente muito diferentes ou mesmo divergentes, a não ser na liíni-
tação mental dos que os "Lêem" ( !) e, muito menos, é claro, po-
rém ainda existente às vêzes, nos que procuram praticá-los (sem
se machucar ... ). Tal divergência é inexistente entre os que VI-
VEM a cousa como ela é! Você já viu, ô Carolei, gente discutir
sem respirar? Até quando DISCUTEM sôbre métodos de respi-
ração, ou negando a utilidade da Ioga, ou da janela aberta no
quarto de dormir, até NESSES momentos, ô maravilha divina, se-
guem respirando! Cachorro também, até morrer, e depois, porém
diferente. (Outro sinal avançado! Olha a carteira!)
b) Penso poder provar muitas outras cousas, por exemplo
esta: que estão se criando, para com o MEM MESTRE, "casos"
análogos aos que já aconteceram com o seu Divino Amigo. Cer-

8
tas Igrejas querem ter monopólio; os médiuns (alguns) o chamam
"O Maior Médium"; meu amigo Vaz de Mello e outros querem que
seja "O Maior Anarquista", etc. etc. - Hoje, já há na França, e
fora dela, gente que gostaria: ou de fazer do MEM MESTRE a
propriedade privada, ou quase, da "Ordem" A, ou B, ou C .. . (que
nem se cheiram entre si. .. ); outros, gostariam e tratam de pro-
var que êle é o primeiro da linha de CURADORES (ou às vêzes
curandeiros) a que os ditos cujos, naturalmente, pertencem. E as-
sim por diante, pelos lados, e, até, por trás das bombas, com jeiti-
nhos muito pouco sérios às vêzes ...
Então, penso provar, dizia, que EXISTE um labor Mundial do
MEM MESTRE, no qual cabem, estão de fato, embora o ignorem
muitas vêzes, TODOS os que, com o Coração amplo e a mente aber-
ta e desinteressada (Você prestou atenção a isso, Carolei ?), pro-
curam servir, de fato, ao semelhante, com base em ALGUM ou
alguns pontos e formas do Ensinamento do Mestre, que é muito
mais multiforme do que alguns quiseram fazê-lo parecer. Nisto,
vou ser um pouco severo!
- ô Sevânanda, Você acha mesmo necessário tudo isso? Será
- desculpe o mau jeito - que o ensinamento do Mestre não passa-
va muito bem - e ou até melhor, sem os seus comentários?
- Estou começando a gostar cada vez mais de Você, Carolei.
Isso é fala de homem! Vamos examinar êste ponto.
Como Você possivelmente sabe, dei muitas conferências por
aí. Para ser "quase" exato (quem puder sê-lo 100%, levante o
dedão ... ) pronunciei uma por dia, durante sete anos, em forma
de cursos públiCOS e de conferências (fora uns trocados, antes, em
outros países, desde 1922), em Montevidéu, de 1941 a 1949. Logo.
na Cruzada, temos a conta exata de 469 Atos Públicos, com 87.052
presenças, sem contar, é claro, os atos radiofônicos (nem os ensina-
mentos diários no Monastério, depois), e nem a conferência de 24
de março dêste ano, com a qual ABRI NOVO CICW ...
Em todos êsses atos, Carolei, procurei observar o que o públi-
co aprova, com olhar, gesto, etc ... e, também, muitas vêzes, por
cartas ou consultas pessoais, foi-me possível verificar o que enten-
de, como o entende (!) e como e por que procura, ou não, prati-
cá-lo, etc.
Por outra parte, quando voltei da Peregrinação que fiz, em
1956, à Casa e ao Túmulo do MEM MESTRE, procurei, durante
meses, Ler, com alguns poucos comentários, seus ensinamentos aos
Residentes do Monastério AMO-PAX. Também, levado por aque-
la minha sarvamania de experiências, procurei interrogar aos Re-
sidentes, bem como observar que comentários e perguntas fazia
nascer, nêles, o ensinamento.

9
Ora, Carolei, dêsses Residentes, mesmo que entre êles houvesse
alguns vindos herbIvoramente, para levar lá vida naturista, apenas,
a maior parte tem sem dúvida alguma um interêsse espiritual. Al-
guns, são gente que está já anos ao lado de mim (não disse junto,
Carolei: se Você não aprende a meditar porque um instrutor usa
um têrmo ou uma construção e não outra mais vernacular. . . olha
o cachorro! Já viu que cachorro metido em tudo!?) . - Pois é,
por mais boa vontade que tenham pôsto êsses Residentes, percebi
que às vêzes não captavam o significado do ensinamento; outras,
"pescavam" o sentido mais literal, mais banal ou singelo, porém
os outros sentidos ficavam "letra morta" (sinto muito, tive que usar
um lugar-comum, por exato).
1l:sse fato, meditado, levou-me à conclusão de que poderia ser
interessante, para o público (Discípulos e Caroleis em geral: viu,
já lhe arrumei parentes ... ) que eu COMPLETASSE O ENSINA-
MENTO DO MESTRE. Assim como estão ouvindo. Afinal, eu
já estou velho, vou "morrer" breve, e já falaram tão mal de mim
nesta vida, que pouca importância tem que me critiquem depois
que eu passe a ouvi-los em corpo astral! (Essa, Você não tinha
achado sozinho, Carolei; tinha? F elicitações!)
E, antes que me atirem pedras mais grossas do que a minha
blindagem, física e prateada suporta, vou dizer logo, que apenas
estou é seguindo AO PÉ DA LETRA E DO ESPíRITO, o exemplo
do MEM MESTRE, o Qual, como veremos no livro (se Você já não
"papou" no primeiro tomo) afirmou, assim com quem não quer nada,
que 1l:le, tinha vindo COMPLETAR o ensinamento de Cristo Jesus.
Sai dessa, como diz o Presidente Nacional da Legião da Boa Vontade
(1957-58).
Então, pensei com os meus botões sevanandescos, que, se a
LEI é a de DAR, na escala infinita da Transmissão, eu tinha o
dever - "antes de vos deixar nos melhores lençóis possíveis" (fra-
se de Gurdjieff, conservada m elhorando . .. ) - de vos DAR tudo
quanto pudesse. A rigor, êste livro não passa de tentativa forte,
plena, livre, sem pretensão mas sem limitação alguma, de realizar
isso mesmo.
1l:sse Íouvável propósito, Carolei, obriga-me a lhe expor ainda
alguns pontos, para que Você perceba melhor onde quero chegar.
1l:ste segundo volume, por exemplo, vai conter muitas cousas. Após
esta conversa geral que tenho o prazer de manter consigo, entra-
remos juntos no estudo dos ensinamentos do MEM MESTRE, o
que não pode ser feito, sem antes dar-se uma olhadela em cada
uma das páginas que os precedem - no tomo primeiro - pois que
elas contêm algumas cousas que merecem meus reparos e outras
que, Você não leve a mal, Carolei, acho que só mesmo eu trocando
a cousa mais em miúdos .. .

10
De maneira geral, penso proceder desta forma: aproveitar os
números das páginas e os que eu, sabidamente, pus nos próprios
ensinamentos quando fiz a tradução, para então, chamando a sua
preciosa atenção (tem muita pedra preciosa, sem lapidar ainda,
Carolei ... ) sôbre tal ou qual tema, comentá-lo, ir até onde possí-
vel fôr no comentário (com vistas aos comprimentos das nossas res-
pectivas orelhas, não é, Carolei: na vida tudo é gradativo, relati-
vo, perfectível); depois, quando fôr o caso, dar o meu próprio
ensinamento COMPLEMENTAR ou adaptador, se isso já não tiver
sido feito dentro do comentário, quando eu preferir fazer um con-
trabandozinho para driblar a curiosidade, que não tem os mesmos
direitos que a aspiração, nem os da sagacidade.
Após, quando os Deuses permitirem (não fique abespinhado,
Carolei, os Pitagóricos, que são gente eminentemente respeitável,
recomendavam render "aos Deuses o culto consagrado" - pela épo-
ca e lugar -, conservando para o ÚNICO e SUPREMO, etc ...
veja os Versos Dourados, que são muito belos); então, quando os
Deuses permitirem, juntarei a Comentário e Subensinamento
(meu ... ) alguma história, sempre rigorosamente verídica, apenas
com os nomes trocados, quando "o milagre interessar mais que o
santo ... ". - E, finalmente, Carolei, a minha generosidade, estimu-
lada pela proximidade da morte (daqui ninguém leva nada, a não
ser um saldo de Conta Corrente MoraL .. ), irá por vêzei! até in-
serir no livro, magníficos desenhos de Visões. Assim, por exem-
plo, cumprirei com o dever de mostrar a cada Carolei sincero (des-
culpe, capaz de ter, na sua gente, algum menos transparente ... ) a
diferença que há, entre tôda essa gente que DIZ que passa a vida
vendo fantasmas (de gente morta é bem possível que vejam), mas
que raramente dá provas, para um entendido na matéria, de que
possam ver os Sêres da Natureza, as Côres das auras das pessoas,
e mil outras "cousas", tôdas elas vivas, pois que tudo que existe
tem "vida".
Você vai ver, Carolei, uma maravilha! Pena que cada lc1mina
dessas, a côres, vai nos custar uns bons DOZE MIL CRUZEIROS,
com os clichês. Por aí Você vê, Carolei, que se não colocamos mais, é
porque: primeiro, o dinheirinho não dava (só essa chegava, não
é!), mas havia outra razão: o livro havia de ficar caro como o
diabo! E isso não serve, evidentemente, já que o diabo sempre
faz pagar ainda muito mais do que dá!
Olhe, Carolei, vou lhe confiar um segrêdo: nós, do ALBA
LUCIS, temos quilos de desenhos de magníficos símbolos, visões de
sêres, lições simbólicas completas, etc. Se, algum dia, Você achar
de fundar uma forma qualquer de reunir amigos seus, prontos a
financiarem, ou simplesmente a encomendarem, com o valor adian-

11
raau, l i edição de um Alburn Místico de Percepções Aut~nticas (para
os adultos perante a lei civil; melhor se o forem também perante
outras ... ) e, se gostarem, também um Alburn Infantil s6bre a
Realidade da Vida, acho que, depois da boa legislação social, dos
bons governos e dos bons patrões, isso será uma arma (não ofen-
siva) contra o materialismo e outros ismos que põem sua vida em
perigo, Carolei! Vocês estão facilitando muito demais. Oxalá
acordem a tempo dessa brincadeira de deixar o barco correr ...
E não creia, meu caro, que seja fácil obter tais documentos
místicos. Precisamos, primeiro, VER. É muito difícil ver cousas
realmente sutis... É preciso ter quem possa, além de ver, LEM-
BRAR, e lembrar tão fielmente e com tanto pormenor que possa ...
se talento tiver para tal, desenhar ou pintar o que viu. Assim, Ca-
rolei, estou procurando lhe ajudar, e muito. Ainda não percebeu a
propósito de que? - Mas, meu filho, se a gente não agradece,
profundarnente, o que a vida nos brinda e o que OS DEMAIS per-
mitem que apreciemos ou saibamos, então nos fechamos a próxima
oportunidade! Estou lhe ensinando a ser grato, cousa que se parece
muito a começar a ser humilde.
Olhe, Carolei, quando Você achar alguém que ADMIRA a mui-
ta gente boa, e que tem gratidão real pelos Sêres que deram algu-
ma cousa grande à humanidade, sem que isso tenha beneficiado
DIRETAMENTE à pessoa considerada, então tenha certeza que
está diante de uma alma velha e ampla. Os pequenos, almas re-
cém-saídas do forno, não admiram senão a si mesmos. Outros,
nem isso: nem a si, nem a outrem. São mortos que caminham,
almas que se arrastam, até que alguma dor bem grande as SA-
CUDA!
Vou me referir, ainda, a duas palavras das páginas preceden-
tes: eu falei, lá, em Ler para terceiros e, linhas adiante, citei uma
frase do amigo Gurdjieff. Eu en~inei na América Latina muitas
cousas que êle estava ensinando na mesma época, na Rússia ou na
França, onde vim a conhecê-Io em 1923. Estávamos "na mesma
onda", como se costuma dizer (ah! se os sábios acertassem tanto
quanto o povo emboca, que rápido seria o progresso!), sôbre mui-
tos e determinados assuntos. O meu )70 que ... está cheio disso,
e, mais tarde, lhe mostrarei como isso também "aconteceu" entre
Gurdjieff e Papus, embora muita gente julgue até sacrilégio jun-
tar êsses dois nomes. Lembra-me a nossa Cruzada, quando al-
guns "orelhas-compridas" vinham nos dizer: "Como pode botar
junto Jesus e Gandhi?" Além do s que faltava na linguagem dê-
les, também faltava sal no seu espírito... Tinham sido unilate-
ralmente cozinhados por aí. ..
Ora, Carolei, Gurdjieff, llpesar de parecer muito mais rude do
que eu (que já sou considerado "ríspido" demais por aí: de fato,

12
não gosto de gente que não leva as cousas a sério. Uma cousa é
bom bumor, outra é levar tudo para a pândega!), era um bom em,
um Mestre que dava a seus Caroleis, conselbos como êste:
"Tôda prece pode ser ouvida pelas fôrças superiores e atendi-
da, sob a condição de ser recitada três vêzes:
"A primeira vez, pelo bem e o descanso da alma dos nossos
parentes;
"A segunda vez, pelo bem do nosso próximo;
"E a terceira vez sàmente, pelo nosso próprio bem."
E, acrescentava Gurdjieff, após citar essa sentença popular,
vinda - diz - do fundo das idades:
"Acbo necessário, desde a primeira página dês te primeiro li-
vro (1) pronto a ser publicado, dar o conselbo seguinte:
"Lêde três vêzes cada uma das minhas obras:
"A primeira vez, pelo menos na forma em que estais mecani-
zados a ler todos os vossos jornais e livros;
"A segunda vez, como se estivésseis fazendo leitura, dêles, a
um auditor estranbo ou estrangeiro;
"E, a terceira vez, procurando penetrar a própria essência da-
quilo que escrevo." - Só então, estareis aptos a formar um juízo
imparcial, próprio de vós só, sôbre os meus escritos" ...
Olhe, Oarolei, pessoa que tem o privilégio de ler essas linhas
e não as aplica, merece continuar cachorro. E, se após procurar
aplicá-las, não tira real proveito do livro que tiver em mãos, en-
tão, meu filho, aquela carrocinha é de fato "de utilidade pública"!
E, a propósito disso, vou contar a Você uma cousa curiosa -
apenas como fato psicológico ,- sôbre o modo displicente com o
qual a bumanidade deixa passar o que lbe brindam e, como dizia
Churchill, "Perde o Bonde": dos tempos em que Sádbanã e eu,
com regularidade cronométrica, sentávamo-nos para as meditações
do entardecer - que eu teimo em chamar de vespertinas, embora
me digam que se não usa o têrmo, mas se EU o uso, vazo nêle o
meu sentir, e isso me basta! Que mais podemos querer, para
transmitir, em forma VIVA, aquilo que séculos de inatenção au-
ditiva e de rotina lingüística mataram, ao ponto de se dizer, hoje,
que uma "torta" é "divina" ...
Então, naquelas meditações, muitas vêzes eu LIA, para os
Residentes (traduzindo de improviso), livros escritos em idiomas,
para êles não habituais. Fazia um tríplice comentário: o das in-
flexões de voz, ao ler; um segundo, a mímica com que ressaltava
certas cousas e, finalmente, comentários em palavras ou em fatos.
Oousa curiosa: uns, nada anotavam, certamente certos da certeza de

(1) Relatos de Belzebu a seu Neto ou Tudo e Tôdas as COltSaS -


Prólogo.

13
terem entendido de maneira certa. Outros, menos petulantes ou
menos preguiçosos, ou menos indiferentes, anotavam: só os peda-
cinhos do texto lido que conseguiam apanhar! Tinham, assim,
uma colcha incompleta, de retalhos inassimiláveis. Compreende,
Carolei, por que Gurdjieff disse aquilo?
Além disso, seja na presença física (é mais fácil, porém tem o
obstáculo do choque das personalidades humanas) ou na presença
escrita, isto é, indireta (é mais difícil, porém tem a vantagem do
não-choque direto e, por isso, da menor resistência de quem deve
estar RECEPTIVO, para poder receber ... ), o instrutor sempre
IMPREGNA tudo quando dá, verbal, literária ou mentalmente, do
seu poder de transmissão, que varia em modo e fôrça, conforme o
Talhe e o Raio (Via) do Instrutor. Completando, à minha manei-
ra, os conselhos de Gurdjieff, e já que a minha Via é a de um
"misticismo" (palavra conhecida sua, mas que convém esclarecer,
Carolei) mais aparente, isto é, mais visível, vejo-me na obrigação
de terminar esta palestra com alguma cousa que nos torne mais
íntimos, Carolei!
Abrindo, pois, meu coração a Você, dir-Ihe-ei primeiramente
isto: não só me desinteresso de atrair os curiosos, de instruir os
pretensiosos ou de convencer os incrédulos congênitos, senão que
ainda escrevo êste livro apenas para dar aos MíSTICOS, poten-
ciais ou já florescidos, as JóIAS às vêzes ocultas no ensinamento
do MEM MESTRE ou de seus seguidores fiéis, embora menores;
e, também, quero procurar mostrar em forma irretorquível, inegá-
vel, que havia razões para dizer que: AP6S JESUS, É O MAIOR
QUE VISITA ESTA TERRA: entre os Grandes Sêres que cui-
dam desta Humanidade.
E, do Retiro Alba Lucis, lugar menos atraente que o Monasté-
rio, por não ter muitos dêsses aspectos interessantes dados ao
AMO-PAX em Resende, deve e pode ficar certo, Carolei, que farei,
apoiado e sucedido por outros fiéis, auxiliares hoje, quiçá sucesso-
res amanhã, o mesmo que fiz, com relativo insucesso - dentro da
relatividade das cousas - e que, em tom de advertência e de dádiva
(quem separa a Justiça da Misericórdia?), dediquei em 16 de fe-
vereiro de 1956 aos Residentes e que dedico, agora, a Você, esteja
onde estiver, pois NADA ESTA DESUNIDO, JA QUE TUDO
É UM:

ADVERT1!:NCIA

Lento, sem pressa nem pausa,


Gira o sentir do Guru ardente,
Tenaz, em t6rno a cada Residente,
Como um silencio pleno de causal

14
Lento, sem pressa nem pausa,
Arrastando cada resistência,
Pondo a oportunidade em evidência,
Ante quem a tem e não a usa!

Lento, sem pressa nem pausa,


Gasta-se do Guru o coração.
Numa transf erência de realização!

Lenta, sem pressa nem pausa,


Extingue-se do Gur u a presença,
Ante quem a tem e não a usa!

Se lembrarmos, ou melhor, se adianto a Você, earolei, que o


CORAÇÃO do Muito Excelso Mestre PHILIPPE - a Quem tam-
bém chamamos AMO - "estourou" de dor, após anos procurando
animar o "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS", mais fácil lhe será,
Carolei, compreender a JESUS, ao MEM MESTRE, e, quiçá, sen-
tir-me, como eu, ao longo dêste livro, procuro SENTIR o que Você
mais almeja!

Até a página seguinte. Um abraço do coração, do

Sevo,nanda
(São 16 horas, já!. . . )

15
SEGUNDA PALESTRA COM CAROLEI

Tinha prometido, Carolei, voltar junto a Você, "na página se-


guinte". Isso, foi em 4 de abril. Depois, estive "demorado", len-
do, relendo, marcando, um total de 118 livros, com 27.625 páginas,
até 21 de abril, data em que comecei a escrever uma primeira ver-
são dêste livro, projetada para ter 43 capítulos sôbre "A Tradição"
(dos tempos Lemurianos até hoje), mas, além de perceber - após
já ter escrito umas 80 páginas - que iria ser excessivamente vo-
lumoso, "senti" que o MEM MESTRE queria a cousa em outra
forma, ficando aquêle trabalho para outro livro diferente ...
Logo, em 25 de ABRIL - 109.· aniversário do MEM. MESTRE
- comecei tudo de novo. Porém, já em 6 de maio tivemos, Sá-
dhanã e eu, que ir retirar do Monastério Amo-Pax - com o qual
já nada temos a ver - a "Ermida Rodante". Um êxodo! Sacer-
dotisa Sarah, a Monja Silenciosa Perseverante, os outros dois ínti-
mos Louise e Sadal~, pousavam: o último no jipe e os outros na
casinha rodante, junto à qual vinha a camioneta DOdge em que
viajavam - e dormiam - os íntimos Thoth e Zanti.
Após dez dias de viagem, chegamos a êste Retiro ALBA LUCIS
e somente agora, num novo Abrigo - de madeira, alegre e cômodo
- a Ermida e nós estamos quietinhos . ..
Esta aparente demora, aparente "contratempo", não são tais:
o MEM MESTRE sabe bem de que precisamos. Nos meses de-
corridos, iam chegando a meu poder mais e mais documentos: res-
postas das cartas que eu dirigira a diferentes países, solicitando com-
plementos de informa!;ão de Amigos ligados a vários setores de
a!;ão que guardam rela!;ão com o MEM MESTRE. Chegava-me, tam-
bém, a 5.' edi!;ão francesa do livro do Dl'. Philippe ENCAUSSE.
A abundância do material, a impossibilidade de obrigar a Você,
Carolei, a com pulsar continuamente o primeiro volume, e diferen-
tes partes de um segundo que se referisse, simultâneamente, a tex-
tos esparsos em ambos, obrigaram-me a modificar o plano dêste
livro. Por outra parte, havia uma disparidade, às vêzes de opiniÕes,
outras, de documenta!;ão, sôbre temas ou ensinamentos que diferen-
tes autores, todos êles merecedores de igual admira!;ão e crédito.

16
expunham de acôrdo com o que tinham recolhido do próprio MEM.
MESTRE ou de seus diretos Discípulos, fôssem êstes os íntimos
que com 1!:le conviveram, ou os que Lhe serviram externamente.
O número de ensinamentos em meu poder havia crescido mui-
to. A 4.' edição do livro do Dr. Philippe Encausse fôra dividida
por mim, na versão brasileira, em 471 ensinamentos. De outras
fontes, incluindo aquilo que eu mesmo recolhera na Europa em
minhas peregrinações de 1956, já os elevara a 607. Na quinta edi-
ção do seu livro, o Dr. Philippe Encausse brindou material novo,
perto de 200 ensinamentos - na forma em que os numerei. Mas,
outros fatôres vinham complicar o problema de apresentar tudo
isso a Você, Carolei: a 5.' edição de "LE MAITRE PHILIPPE",
muito mais misticamente organizada que as anteriores, suprime
inicialmente 29 páginas relativas a Curadores e problemas correla-
tos; faltam nela 15 ensinamentos anteriormente dados; outros 14
estão um pouco ampliados; 29 foram truncados; 14 estão modifica-
dos. Por outra parte, o Autor comunica ter grifado os que são
provenientes do Manusarito de Papus e verifiquei serem uns 163,
do total de 671. - E, para terminar de "me complicar a existência"
- como se diz às vêzes - acontece que a 5.' edição traz a quase
totalidade dos 671 ensinamentos, classificados por ORDEM ALFA-
BÉTICA de temas. Ora, eu disponho de 858 ensinamentos e a
CLASSIFICAÇÃO MíSTICA dos mesmos não coincide com a que,
na França, fêz com tôda dedicação a Srta. O. de Barante.
Resolvi, então, o seguinte:
1.0) - Escrever êste livro como um todo homogêneo, incluindo
não somente os ditos 858 ensinamentos, como também um resumo
da vida do MEM. MESTRE e DOS SEUS DISCíPULOS - ínti-
mos e Externos - mais ativos num sentido ou em outro (curas,
ação, etc.).
2") - Organizar o livro em forma de ÉPOCAS e, dentro de
cada uma delas, apresentar o MEl\f MESTRE vivendo ou expondo
os TEMAS do seu ensinamento e da sua ação, apresentando o todo
em forma tal que, a rigor, Carolei, Você pudesse seguir esta obra
quase sem ter que perder "o fio" recorrendo - a não ser por con-
sultas sôWe partes que não são de especial interêsse para o Ensi-
namento - ao primeiro volume.
3.") - Pôr tudo quanto me fôsse possível em plena luz. Quan-
do, por exemplo, certos ensinamentos diferissem em versões de ori-
gens diversas, expor as várias versões, ou comentá-las amplamen-
te. Quando, em certos outros casos, algumas partes do ensinamen-.
to PúBLICO ou do ensinamento PRIVADO do MEM MESTRE
ganhassem relêvo em serem colocadas em determinada seqüência,
e assim comentadas, isso fiz.

17
4.0) - Finalmente, havendo uma coordenação e verificação sé-
rias, no labor de preparação dêste livro, considerei oportuno tam-
bém usar do seguinte método de referências:
E. 1, E. 2, etc., é a numeração corrida dos ENSINAMENTOS
DO MEM ME STR E. Assim os numerei ao identificá-los nas di f e-
rentes f ontes.
Tais fontes estão, por mim, indicadas caso por caso, seja em
forma explícita, cita ndo autor, livro ou circunstância ; seja, no
que se refere às fontes mais freqüentes, recorrendo às formas de
abreviatura seguintes :
M.P.: Manuscrito de PAPUS S. Ly.: Anotações Sessões
de LYON

L.B.: "Lumiere Blanche", de Marie Emmanuel LALANDE


Rév.: "Révélations", de Michel de SAINT-MARTIN.
B.M.H.: "MARC HAVEN (Biografia de)" - indicando qual
a parte, por tratar-se de obra escrita por seis Auto-
res, além de ANOTAÇõES do próprio Marc Haven
(Dr. Emmanuel LALANDE).
Os Comentários vão também numerados C. 1, C. 2, etc., facili-
tando referências.
N. 1, N. 2, etc., são as NOTAS, numeradas em forma corrida,
tendo-se procedido em igual forma com as "HISTóRIAS" (H. 1,
H. 2, etc.) e com:
F. 1, F . 2, etc. : Fotografias, numeradas e com indicação de
sua origem.
D. 1, D. 2, etc.: Desenhos, numerados e com indicação de sua
origem.
V. 1, V. 2, etc.: São as Visões Místicas, cuja autenticidade, bem
como a dos textos que as acompanham, é evidente, mas que torno a
ressaltar, por motivos óbvios. (N. 1).

N. 1 - O querido Mestre PAPUS teve a felicidade de contar entre os


seus Discípulos mais dedicados a Condé8sa de Béarn, notável Vidente que per-
cebia a miúdo quadros astrai8 interessante8. Uma de suas vidénc. mais no-
táveis é, sem dúvida, a da Montanha Branca, na qual Ance8trais e o An;o
vém despedir-se da Alma que vai morrer no astral para nascer na Teáa.
Também tivem08 a felicidade de a Providéncia colocar, entre os nossos
lntimos, à Sacerdotisa Sarah, cuja intensa devoção, Amor ao Senhor e fide-
lidade humana, tém-lhe permitido elevar pouco a pouco sua Vidéncia bem
acima das percepções astrais banais. Desde anos, já, percebe tanto os Séres
do Mundo etérico (Gnomos, Fadas, e séres dos elementos em geral), como
também lhe foi outorgada, muitas vézes A PEDIDO SECRETO NOSSO, a
Graça de VER e OUVIR cenas que são elevados ensinamentos ou oportunas
confirmações. Desenhista de talento, ela mesma reproduz o que vé.

18
Assim, Carolei, desde êste Plenilúnio de agôsto de 1958, que
acabamos de celebrar há poucos instantes, espero poder, agora, ter-
minar logo êste livro que lhe prometi que Você teria para o Natal!

Que o Muito Excelso Mestre PHILIPPE


nos proteja... e que o mereçamos!

Afetuosamente seu,
Sevananda
1 hora de 28-8-1958, no Abrigo da
"Ermida do Serviço", no Retiro
ALBA LUCIS, a 10 km de LA-
JES (Sta. Catarina) - Brasil.

19
D. 1 -..: O Nascimento no Plano físico, que equivale à real Morte no
Plano Espiritual. A Condêssa de Béarn teve a Graça de poder "ver", por
ocasião da reencarnação, em sua própria família, de um novo ser, a Gran-
de Montanha Branca, na qual os ancestrais vêm deixar o Espírito que se
encarna. Viu, ainda, as despedidas tristes, e o Guia que se afasta, aos .parentes,
ao Espírito que se "escurece" ao voltar à carne.
Embora esta visão se refira a um "ser normal", ajuda, Carolei, a com-
preender melhor "A. Encarnação do Eleito", magnífica Visão pela qual o
Muito Excelso Mestre PHILIPPE teve, como sabemos pelos ensinamentos,
a explicação do "Seu Mistério".
Nas páginas que seguem, veremos que Sua infância e - também - a Sua
vida tôda, ajustaram-se às palavras do Ser alado, do Anjo que o acompanhou
sempre e sôbre o qual a ilustração da página seguinte esclarece, Carolei. .. D. 1
é reproduzido de La Réincarnation, Papus, Ed. de Dorbon-Aine, Paris, 1912
págs. 155 a 157, e não existe em edições ulteriores. Raridade, Carolei!

20
I - VINDA E INFANCIA DO MESTRE
<1843-1861>

A Encarnação do Eleito é o primeiro fenômeno pelo qual, como


em muitos outros, o Muito Excelso Mestre Philippe pôs em evidên-
cia para nós, pobres terrestres mergulhados nas nossas próprias
trevas, sua semelhança, tão impressionante, com seu Divino Amigo:
Jashua, ou Jesus-O-Oristo.
Para Você, Oarolei, que deverá ter visto, em Arpas Eternas
(N. 2), a magnífica descrição das regiões dos Amadores Eternos,
ou Arpas do Eterno Amor, lá no infinito - para nós -, lá, além
da Oonstelação de Sírio, em zonas em que a pureza astral tem por
apoio, a pureza dos mundos que ali gravitam, a preparação para
a Descida de Jesus, acompanhado pelos Onze Sacrificados; para Você
que já sente no coração, ao menos como sentimento, de amor e de-
voção, humano, o que possa ser "ter vivido tantas vidas" e ter
realizado tantos sacrifícios, que já não se tenha nada mais a pa-

N.2 - "Arpas Eternas", por Hilarión de Monte Nebo - Edições da


"Fraternidad Cristiana". Como já expliquei em "Yo que camine . . . ", esta
obra foi recebida por via mediúnica, totalmente inconsciente, por uma dedi-
cada médium argentina. Já tive oportunidade de comentar, em conferências
como em escritos vários, que "onde entra "Arpas Eternas", lá entra também
o perfume suave da Aura do Senhor", pois tanto o estilo Slwve e poético, quan-
to o conteúdo interessante, apresentado em forma instrutiva e linguagem sin-
gela, facultam a todos o poder desfrutar intelectual e cardlacamente, desta
obra de vulgarização do sentir místico dos Essênios.
Entretanto, o fato de haver notáveis coincidências com a realidade que,
insofismàvelmente ensina o Muito Excelso Mestre PHILIPPE, sôbre a
Vida, Missão e Ressurreição de N. S. Jesus Cristo, não basta para se con-
siderar "Arpas Eternas" como relatando TODA A REALIDADE E SOMEN-
TE A REALIDADE. Para o leitor, e pelos motivos apontados no início
desta Nota, isso importa pouco, verdadeiramente, e nos daríamos por muito
felizes se tôda a gente conhecesse, lesse e aplicasse "Arpas Eternas". - Mas,
nem por isso devíamos deixar de apontar que essa psicografia (e, aliás,
como tôdas as psicografias) apresenta inevitàvelmente interferências dos que
"corrigiram" (?!) a Hilarión de Monte Nebo, ou quiseram introduzir e en-
riquecer o texto, seja no aspecto poético ou no histórico. Algumas divlJ1'-
gências de certa importância - e que Você mesmo, Caro lei, perceberá fàcil-
mente - existem entre "Arpas Eternas" (obra parcialmente de involuntária
ficção) e o Ensinamento do MEM. MESTRE, Verdade do Plano do Verbo.

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gar, nem a sêres, nem a cousas, nem a Anjos, nem a Deuses! E,
após isso, quando já "o sofrimento tinha se afastado", voltar, vo-
luntàriamente, conscientemente, abnegadamente, para ajudar aos
que ficaram atrás; para pôr um pouco de luz, de amor, de provas
do Poder do Pai e da Misericórdia do Filho e da Grande Virgem
de Luz! - Para Você, certamente, a Encarnação do Eleito soou
a música de celestes esferas, a canto de serafins e de mártires,
quando viram passar, novamente em direção à Terra a Philippe, o
Eleito; a Philippe, o Imperador da Humanidade, como Cristo é
o Rei dêste planêta, por Sê-LO de todos aquêles que gravitam nos
espaços povoados pela Manifestação!
Fácil é compreender, então, a presença, junto à extensa legião
de Espíritos luminosos, que vinham despedir-se do Eleito, daquele
outro Ser, velado, vindo de um mundo superior, envolvendo ao pró-
prio Eleito com uma intensa irradiação! Assim como cada um de
nós tem um Anjo da Guarda, designado pela Celeste Jerarquia
que a tudo preside, assim também, ao retornar, vOluntàriamente,
na esfera de ação das fôrças dirigentes da existência nesta Terra,
o Eleito começava por acatar essa primeira Lei. E recebia, se
aceitasse - definitivamente - essa encarnação de Sacrifício, o
"Anjo" que o havia de proteger e defender, servir e consolar, tam-
bém!
Com. 1 - Quão formosas resultam as palavras dêsse "Anjo" -
cuja Categoria me não atrevo a revelar ainda! - mostrando que
"uma ldgrirna da celeste Virgem" - isto é, um decreto emanado
do coração da Grande Mãe Providência, que é um cósmico ser, de
universal função, é o que tinha permitido que a missão fôsse, e
que o Eleito descesse, e que um dos Grandes Guardiões, daqueles
a que se refere o texto gnóstico da Pistis Sophia, quando fala no
Tesouro de Luz do 13.9 Mistério, onde o Eon Jesus foi levado, viesse,
também, cobrir com sua Luz e seu Poder ao Enviado do Pai! (N. 3)
Com. 2 - Mas, tôdas as duras condições dos mortais terrestres,
mais as outras terríveis condições reservadas aos Missionados, são
apontadas ao Eleito I Que martírio, e que glorificação I Que re-
produção vivida, dia após dia, do grito de Getsemâni, com seus dois
sentidos: "Senhor, Senhor, por que me abandonaste" - e -
"Pai, Pai, quanto me glorificas I" I. .. - Dupla prova histórica, se
outras não houvesse, do sacrifício na Cruz, torpemente negado por

N. 3 - Deimando o comentário sôbre o "Anjo" - no que ao seu Talhe


se refere - para o fim desta obra, citarei as palavras do tem to gnóstico
Pis tis Sophia, nas quais Jesus disse aos Discípulos: " ... e deimei aquêle lugar
(a segunda esfera celeste, chamada "heimarmenê") atrás de mim, e subi ... e
eis que quando cheguei aos doze Eões, seus véus e suas portas agitaram-se ... "
- Pistis Sophia, citada por H. Leisegang, em La Gnose, págs. 252 e segs .. .

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certas seitas, antigas ou modernas, de "corações de pedra", Inca-
pazes de senti-W! ...
Com. 3 - E o Eleito, forte de sua própria fortidão, temperada
em séculos de lutas, assistindo a esta Humanidade, aceita também
a terceira Lei: quando haja escolhido Mãe, quando tenha de gerar,
junto com ela, o corpo de que haverá de servir-se esta vez (e cada
um de nós passa por êsse processo), beberá o Cálice do Letes, o
Licor do Esquecimento! E, durante anos, embora sentindo-se "di-
ferente", terá que aceitar-se como um de nós, pelo menos nas horas
de vigília... (N. 4)
* * *
A Busca dos Pais começou já em 1843. Seis anos levou 1l:le,
procurando achar e unir um homem, que se chamasse só José (sem
outro nome), e uma mulher que não tivesse outro nome senão o
de Maria! (N. 5)
Pois: cada vez que um Enviado do Departamento do Verbo
retornar aqui, submeter-se-á às três leis seguintes, que são abso-
lutas: 1.') será o primogênito de uma família; 2.') seu pai se
chamará José; 3.') sua mãe terá por nome Maria. E, acrescen-
ta Papus, quanto trabalho teve um espírito que vinha dêsse Plano,
para fazer com que seu futuro pai casasse com essa môça!
Cmn. 4 - Isso me lembra, Carolei, os que me perguntam:
"Por que, se Deus é tão bonzinho e tão poderoso, não evita êle as
guerras, as misérias, pragas, a seus amados filhos?" - Respondo:
"Quando a gente vê o trabalho que teve o M. Philippe para unir a
seus futuros pais, imaginamos o que terá o Supremo Espírito, para
nos levar a viver como 1l:le deseja que o façamos, para que as
guerras possam, ser evitadas!" ...

N. 4 - A "Encarnação do Eleito", tendo sido publicada, originalmente,


assinada pelo próprio Papus, e dedicada a seu Mestre Philippe, em L'Initia-
tion n. 30, março de 1896, pág. 197 e segs., não há dúvida alguma que se
trata da encarnação do MEM PHILIPPE e não de Papus. Aliás, é o que
B-ricaud confirma, a pág. 12 de seu Uvro Le Maitre Philippe, página em que
achei uma frase muito curiosa e, ainda mais, por provir de Bricaud que dis·
se "Conheci muito ao M. Philippe".
Eis a frase... "Foi igualmente nessa época (1892) que 1!)le entrou em
contacto com os ocultistas, e notadamente PAPUS, que iria tornar·se um
dos seus mais fervorosos discípulos, e que 1!)le teve, por vias misteriosas, a
revelação das suas origens, revelação da qual Papus falou em têrmos vela-
dos em sua revista. L'INITIATION de março de 1896, num artigo intitulado:
A ENCARNAÇÃO DO ELEITO." - Os grifos são nossos, para l'essaltar as
frases em que se esteia a minha opinião de que M. PHILIPPE em pessoa
foi quem teve tais Percepções Transcendentes, que, com sua vênia, Papus co-
mentou com o entusiasmo, a veneração e o talento que semp,'e o cUl'acterizaram.
N. 5 - Confidência do MEJL MESTRE à Sra. Marie E. Lalande (L. B.,
pág. 9), completando o que fôm divulgado por Papus em Traité Elémentaire
d'Occultisme et d'Astrologie, pág. 152.

23
E o "Anjo" dissera ao Eleito "nascerás pobre e humilde ... ", e
os pais achados pelo M. Philippe eram camponeses, muito pobres,
pequenos cultivadores rurais e criadores modestíssimos, de velha
raiz da Sabóia ...
* * *
o Lugar era afastado e pitoresco: "quando a gente sobe, por
pouco que seja, nas montanhas, o ar torna-se, imperceptivelmente,
mais e mais leve; na Sabóia, êsse ar é particularmente suave. O
caminho que leva de Yenne a Loisieux, é todo curvas, ladeado por
precipícios profundos e por morros, que se sucedem sem quebrar sua
linha harmoniosa; cobertos de pastagens ou plantados de vinhas,
revestem-se de coloridos maravilhosos, misturados de sombras e
luzes.
"Depois de Loisieux, a estrada segue subindo, deixando à esc
querda o pequeno cemitério onde - agora - descansam desde muito
tempo Joseph Philippe e Marie Vachod. Chegando ao povoado do
Rubathier, deixando o carro, toma-se um pequeno caminho à direi.-
ta, para achar-se, alguns passos adiante, junto a urna choupana
pequena, cujo teto é recoberto de ardósias (pizarra) e que é me-
dianeira da casa vizinha.
"Compõe-se dum quarto térreo, em cujo canto nasce uma escada
de madeira que leva a um dormitório, do qual quase a metade está
ocupada por uma grande cama, e mais nada. Ê lá que nasceu
PHILIPPE, Nizier Anthelme." (N. 6)

* * *
o Nascimento, em 25 de abril de 1849, não foi comum. "Sua
mãe cantou durante todo o tempo do alumbramento e não sentiu
dor alguma. Tinha na mão um ramo de planta da Páscoa." (N. 7)

* * *
o Horóscopo de nascimento. - A página 35 do nosso primeiro
volume constam os dados do tema que o astrÓlogo Marius Lepage
estabeleceu com base nas "3 horas da manhã", bem como a opinião
de alguns Discípulos, sôbre o fato de o nascimento ter-se, eventual-
mente, dado mais próximo da meia-noite.

N. 6 - Esta formosa descrição deve-se à alma sensitiva de Ma1'ie E.


Lalande: em L . B ., págs. 11 e 12.
N. 7 - O buxo, 'variedade rasteira, é usado, na Europa, como planta
abençoada nas cerimônias - católicas e outras - do Domingo de Ramos.
Os devotos sóem conservá-lo o ano todo, pois serve de laço, com os Agentes
Providenciais, aos que cumprem o preceito da Páscoa. O pormenor sôbre o
nascimento: L. B., páo. 9.
Oom. 5 - Muito embora o M. Philippe nos ensine que, após a
vinda de Jesus, os aspectos astrais valham menos que o significado
dos nomes de pessoas e lugares, - o que veremos adiante - o tema
natalício é interesante; foi revisado por Sádhanâ e dêle brinda-
mos, a pág. 25, uma figura, sôbre a qual comentamos o seguinte: os
Peixes, no quinto grau, servem de Ascendente, conferindo, além da
serenidade e bucolismo próprios do signo, que é, notadamente, o
que rege esta Época e o Oristianismo, alta propensão psíquica apon-
tada pela conjunção com o místico Netuno, "Mensageiro entre os
sistemas", e ótimo aspecto (sextil) com o Sol, mostrando assim a
iluminação positiva de um Enviado do Pai. Não devemos esquecer
que os primeiros Cristãos e Gnósticos se reconheciam pelo signo
dos Peixes. Isto é significativo, portanto, no tema de qUf3m vem
completar o ensinamento de seu Divino Amigo. E, ao interpretar
o tema, será bom não esquecer o aforismo (colocado na parte su-
perior dos nossos formulários astrológicos): "Tôda influência se
recebe conforme o estado daquele que a recebe." Ora, neste caso,
trata-se do Imperador do Mundo, devendo pois DILATAR-SE a
interpretação quase até o "talhe da estatura espiritual do Oristo" ...
Cousa curiosa, não há, neste tema, nenhuma "oposição" ; os
planêtas estão situados principalmente nas três primeiras casas do
tema, parte que os astrólogos chamam de "quarta ascendente" e
que tende a elevar a pessoa. A Casa número um, que rege a per-
sonalidade, contém nada menos que 4 planêtas. Marte, em estrei-
ta conjunção com a poderosa Estrêla fixa Fomalhaut, indica Poder
e Fortuna, e, pelos fortes aspectos de Marte com Netuno e com Júpi-
ter, sitos, respectivamente, nas Casas do tema que indicam Serviço,
Ouras e atividades misteriosas, já bastaria para pressagiar destino
in vulgar.
Saturno, nessa mesma primeira Casa, em forte conjunção com
a Roda da Fortuna, por um lado nos indica um Sacrificado - par-
te e missão espirituais - e, por outro, indica, pelos bons aspectos
com Vênus e a Lua, a fortuna em imóveis (Sa.turno) e a populari-
dade entre o Povo (Lua), que caracterizaram a vida do MEM. MES-
TRE. - Mercúrio, em conjunção com Urano, ainda na primeira
Casa, porém já no signo Âr·ies - da segunda - que rege a Mente,
confirma e amplia o que Saturno também prometia: a velha sabe-
dorIa imorredoura: a Verdade!, e, ainda, poderes mágicos, o saber
técnico, a poderosa mente intuitiva (num mortal comum) que Nêle
é Gnose, a Cognição Direta, ou Conhecimento sem investigação, nem
recursos aos sentidos primários, nem aos do intelecto.
O Sol, sito na casa da atividade mental, e no signo do Amor,
que governa a garganta - inclusive o uso do Verbo - está em
conjunção com a Fixa "Triângulo de Deltoton", que prognostica
dons espirituais e inteligência.

25
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Toda lDnueocla .e reclbe _ eoo'OrrTlf' el e.tadu dei que I. reclk ~

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Elementos
Não pretendemos esgotar a interpretação dêste Tema. Leva-
ria muitas páginas e aqui ficam os dados de base para os interes-
sados na matéria. Diremos, ainda, que Netuno, colocado na duo-
décima Casa, plenamente conjugado com o Ascendente, indica um
Místico, um Vidente, e, pela Quadratura com a Lua, sita na Casa
das atividades fraternais, mostra bem Aquêle que vinha dedicar-se,
sofrer e morrer pelo "AMAI-VOS", chave e leitnwtiv, aliás, do Seu
ensinamento ... bem como a Sua notável preferência pelos Humil-
des: de coração e de posição!
Finalmente, vemos que Júpiter, o "grande benéfico", está na
Casa da Saúde, das Curas e do Serviço - 6.' casa - no signo de
Leão, que rege ao Coração e à França, o que termina por caracte-
rizar onde, porque e como, cumprirá principalmente, o Eleito, a
sua dadivosa e maravilhosa encarnação! (N. 8)

* * *
A Primeira Infancia. - Mesmo quando ainda criancinha de
peito ou de colo, já o MEM. MESTRE manifestou ser totalmente
diferente dos pequenos filhos dos homens. Não esqueçamos o que
Sédir nos afirmava (a página 71 do I VoI.): " ... espero que em
:ele reconheçais a um dêstes "irmãos" misteriosos do Senhor, a um
grande, talvez o maior, arauto do Absoluto." - Assim, podemos com-
preender que, mais tarde, 1!:le tivesse tido a extraordinária memó-
ria das suas experiênCias interiores dos primeiros meses de vida,
como veremos agora:
E. 562: Não se deve enfaixar às criancinhas. (N. 9)
E. 564: Quando era criancinha gritava com{) um perdido, e
ninguém me entendia. Batia-me contra o diabo e tinham-me en-
faixado! Nunca se deve enfaixar às criancinhas. Até a idade
de seis anos, aproximados, dormi de olhos abertos; sou, aliás, pro-
penso à morte letárgica. (N. 10)
E. 797: Com a idade de cinco anos, estando seu pai comba-
tendo na campanha da Itália, ~le fêz-lhe afastar a cabeça no ins-

N. 8 - O Lugar do nascimento foi, pois, o Rubathier, povoado sito perto


da vila de Loisieux, no distrito de Yenne, município de Chambéry, no limite
dos Departamentos de I' Ain-Sab6ia. Tal lugar, diz Bricaud, está sito a uns
mil metros de altitude, longe de tô4a via de comunicação e ao poente do
Pico do "Dente do Gato".
N. 9 - Ensinamento do Manuscrito de Papus, que fôra publicado pelo
Dr. Ph. Encausse a pág. 268 de Sciences Ocultes, mas não figura na 4.- e
5.· edições de Le Maitre Philippe.
N. 10 - Ensinamento nas mesmas condições do precedentemente aponta-
do, e publicado inicialmente a pág. 275 da obra citada.

27
'tante em que uma bala de canhão passava, salvan40-0, assim, da
morte. (5." edição, pág. 207 - M. P.)
E. 420: Quando criança, mandavam-no cuidar dos rebanhos.
:2le traçava um circulo em t6rno do gado, e êste, pastando, não po-
dia atravessá-lo. (M. P., 4." e 5." ed.)
E . 801 : Quando era criança, Sua presença fazia desaparecer
as dores de cabeça daqueles dos seus camaradinhas que Lhe pe4iam
que se aproa:imasse dêl es par a os aliViar. (M. P ., 5." ed., pág. 212.)
Com. 6 - 1!:le estudava com o Cura da sua aldeia, "que gos-
tava muito dêle e queria fazê-Io Padre, pois achava-o muito inteli-
gente" (L. B., 12), mas êsse mesmo Cura inquietava-se, em relação
a essa criança de seis anos, que produzia fenômenos tão raros,
chegando a exclamar "Menino, deves ter sido mal batizado, pois
parece-me que o diabo é teu mestre!" (Bricaud, pág. 8.) Ora, Ca-
rolei, deixemos de lado a humorística preocupação do sacerdote -
tanto mais engraçada por ter sido êle, provàvelmente, quem batiza-
ra ao pequeno Philippe! - e anotemos que, com relação a 1l:le, é
a segunda vez que nos falam em "diabo" ...
E , no E. 564, o MEM. é categórico! Mas, por que razão lamen-
tava estar enfaixado? Será que, para "bater-se" com fôrças opos-
tas que - neste caso - procuram destruir, na Infância, a nova En-
carnação do Eleito, 1!:le "precisava" da liberdade de gesto físico,
também? Não 'haverá ali, Carolei, tema para meditar" no poder
que a alma - quando encarnada - necessita exercer através da
matérIa? - E, como generaliza o MEM: NUNCA se deve enfai-
xar às criancinhas! Se Você soma a isso as palavras do E. 564:
" ... como um perdido, e ninguém me entendia!" . . . não terá assim
o MEM pintado o drama da criança, de t 6das as crianças?.. E,
não será também uma primeira aplicação da Lei: 1!:le, sofrendo
terrível e conscientemente tal luta, assim impedido ou tolhido pela
ignorância humana, não estaria l'iberando a futuras gerações de
criancinhas? . . . Bem, se Você não acha, Carolei... veja a página
4 dêste livro!
Com. 7 - E, já que estamos tratando dos "mistérios" da pri-
meira infância do MEM, lembrarei as palavras de Louis Michel
de Figaniêres a Seu respeito: " . .. É bem jovenzinho ainda (16
meses: pág. 90, I VoI.); não importa. Nessa época outras pessoas
privilegiadas unirão seus esforços aos dêle: especialmente uma ,
que o embalou no colo, que teve a feUcidade de jantar com seu pai
e sua mãe ... "Quem será, ó Carolei, essa pessoa tão privilegiada,
ou tão guiada, ou tão consciente ou Vidente?
Seria o velho Curador M. BOUVIER, que tornaremos a achar
sempre por trás dos esforços de muitos, relacionados com o Labor
do setor de Lyon, ligado ao MEM? Seria aquela misteriosa mu-
lher, que alguns têm por "bruxa"(?) e que surge novamente na

~8
juventude do MEM? Seria algum Ser misterioso, dos que se ocul-
tam nas montanhas, apoiando invisivelmente a ação visível do
MEM MESTRE? Lamento não poder responder definitivamente a
estas perguntas. Mas, acho que deviam ficar nestas páginas,
como as primeiras de uma longa série de incógnitas que ainda pe-
sam sôbre a vida e a ação do MEM e de muitos homens e mulheres
que, especialmente na região de Lyon e arredores, constituem uma
rêde silenciosa de místicos ... (N. 11)
Com. 8 - E, para terminar com a primeira infância, ressal-
tarei, ainda, um fato que mostra não ser fácil, para as almas am-
plas, nem na meninice, "aceitar-se como um de nós, pelo menos nas
horas de vigília"! - Efetivamente, a mais meiga de suas Discípu-
las, Marie E. Lalande, lembra: "Um dia em que aguardávamos um
casamento ante a pequena igreja de Loisieux, que domina o vale do
Ródano, 1tle me disse, contemplando a paisagem: "- Que tédio, sim,
quanto tédio tenho passado aqui!" (L. B., pág. 11) Assim, pois,
essa criança, que curava aos camaradinhas só com a Sua Presen-
ça e Oração interior, êsse menino que já lembrava os mágicos cír-
culos que encerram até às feras, êsse divino menino entediava-se
terrivelmente naquele ambiente... Quanto não se terá entediado
O SENHOR, então!?

N. 11 - Para os que poderiam lamentai' que as obras de Louis Michel


de F iganieres - aquéle Grande Vidente que Papus admirava e citava tanto!
- tenham ficado esgotadas, inacháveis mesmo, uma boa notícia: um dos
Amigos místicos que tenho pelo mundo, o Sr. Eng .• Jean GATTEFOSSÉ
(Villa Métanoia - AINES-SEBAA - Marroco) - que estéve ligado com
M. BOUVIER e que nasceu em LYON em 1899, é o autor de interessantes
livros sôbre a AtUintida (tornaremos a éste aspecto). Mas, também conser-
va os originais das obras de Louis Michel de Figanieres: A CHAVE DA
VIDA , A VIDA UNIVERSAL, A EXPLICAÇÃO DE TUDO, etc., que fo-
ram recolhidos, lá por 1885, por um Grupo de Discípulos. Em abril de
1957, Gattefossé me honrou consultando-me se deveria éle procurar, ou não,
"juntar a obra de Michel à de Philippe, para elaborar a nova mística, apro-
priada para reconduzir a Humanidade no caminho de Deus." Em junho de
1957 aconselhei VIVAMENTE que se esforçassem por tal publicação e, muito
embora os atuais acontecimentos mundiais não facilitem a tarefa de Gattefos-
sé, espero que ésse Membro da "ALLIANCE UNIVERSELLE" - tornare-
mos também a falar nisto! - consiga seu objetivo.

29
LYON
Com. 9 - Nenhum Grande Ser nasce em determinado lugar
por acaso, mesmo porque os têrmos: determinado e acaso... não
casam! Isso, além de o Acaso ser uma cósmica personagem, posta
a serviço do Destino, como veremos mais adiante. E, no caso de
nascer um Enviado da Providência, o Maior após Jesus para esta
Terra, e - ainda - de nascer êsse Enviado diversas vêzes nessa
região, como provarei no fim do volume, fica evidente a importân-
cia do lugar: LYON! Cederei a palavra aos que, de diferentes
ângulos de visão chegaram, aliás, à mesma conclusão que eu:

P APUS, num longo artigo intitulado "Revelações Astrais", pu-


blicado em 1895, escreve: " ... França, forma humana da qual cada
.habitante é apenas uma célula, eis que nasce à minha luz a tua
imagem amada. Três centros luminosos resplandecem no azul som-
hrio, três focos cujos raios mil vêzes repetidos asseguram a tríplice
vida, e êsses focos estão, em teu corpo, manifestados por três gran-
des cidades. Primeiro, a Cabeça, o foco cerebral, fonte de tôda
intelectualidade e de todo egoísmo: PARIS, barco de ísis, Bar-fsis,
orgulhosa cidade, maldita e bendita, escolhida pela Providência para
servir de último refúgio ao Espírito da Pátria e a desaparecer para
sempre, como desapareceram Tebas e Nínive, das quais apenas és
nova e efêmera materialização. - O outro foco, é o Coração, com
os seus desvarios e seus entusiasmos, com sua loucura e sua dedi-
cação: é LYON. o leão astral que se manifesta mais diretamente a
nós, escolhida pela Providencia para berço da Fé que deve regene-
rar ao mundo, cidade bendita e maldita que só desaparecerá em
parte. - Finalmente, o Ventre, o foco abdominal, origem dos pra-
zeres efêmeros e da alegria despreocupada, MARSELHA, início e
termo da evolução da França ... " E, após outras considerações,
prossegue: "Tanto quanto tu, mestre amado, sofro com êsses fris-
tes fatos. Vi, em Lyon, nesse centro astral da França, um dos
vossos queridos Eleitos, modêlo sôbre-humano de resignação, de co-
ragem e devotamento, o teurgo Philippe, cuja prece irradia até jun-
to às falanges celestes, pois, à Sua voz, os desesperados esperam,
os paralíticos andam, e a própria morte se afasta, impotente e ven-
cida ... " (N. l2)
Mais recentemente, Marcel REKEBON terminava assim um
belo artigo, sob o título de "Grandeza de LYON": " ... Lyon não
se entrega ao primeiro que chega. Nem mais fácil é livrar-se dela.

N. 12 - L'INITIATION, Vol. 27 - 8 .• ano (1895) - abril - págs.


1 a 7.

30
Esta cidade obseda ao exilado com fiel ranzinzice e terno ciúme.
Ela põe sôbre os sêres uma tampa e opera nêles secretas transmu-
tações. Macera-se ali forçadamente, sob o estímulo da lamentação
das pedras. Salvador constrangimento. Lyon embainha os apeti-
tes, represa os prazeres, encana os instintos. Lá, pouco se ri: é
indecente. Sorri-se. Desfruta-se uma liberdade corrigida pelos cos-
tumes, mantidos austeros. As disciplinas coletivas espartilham õ
caráter. Conferem-lhe superação, grandeza ... "
"Grandeza, é a palavra que corresponde a Lyon, que a ressalta.
As piadas batem no pé dessa virtude, mas não a desgastam. Se fôs-
se preciso que a França permanecesse por uma cidade, e se tivés-
semos que escolher, teria que ser por essa cidade do Norte, gelada ao
Meio-Dia. Achar-se-iam nela, conservadas, intactas, as menos im-
perfeitas das nossas humanas pobrezas.
"Lá, no alto, num cemitério a que se chega por caminhos nos
quais cresce a relva, por íngremes sendas com rampas e panoramas,
um túmulo esmaga a principal alamêda. É nu e pesado. A pedra
central traz êste nome: Nizier Anthelme PHILIPPE." (N. 13)
E agora, Carolei, para que vozes vindas de mais longe se in-
cluam nesse côro, ouviremos ao meu amigo o Conde Christian de
MIOMANDRE, da Bélgica, de quem hei de falar muito, adiante,
e cujos belos e místicos versos tenho vergonha de apresentar em
versão livre ...

HINO A LYON {N. 14)

1. ó Chalamond, Santo André de Corcy,


Ó, os pântanos do coração
E tu, Cura de Ars-em-Dombes
Com os teus prantos!

3. Ouvirei, coração do meu coração,


No redemoinho das "Meuilles"
O apêlo antigo do teu amor
Que me acolhe?

N. 13 - L'INITIATION (atual), Ano 31 (;an.-julho 1957), págs


34, 35.
N. 14 - De "OHOIX DE POEMES", do exemplar que o Poeta tão
afetuosamente me dedicou em 12·2-1958. - Uma das razões - além de sua
beleza - de ter pttblicado êste poema, é familiarizara Você, Oarolei, com
nomes regionais.- Saône.- afluente do Ródano, em Lyon; Fourvieres.- histó-
rica Oatedral, na encosta a caminho de LOYASSE.- o cemitério onde está o
túmulo do corpo do MEM MESTRE. O Monte Tournier, e o lugar de
l'ARBRESLE, Você já achou ou achará ...

31
5. De São Maurício de Bénod a Francheville
De Sathonay a Oullins
Tracei uma cruz sem fim
Que irradia.

7. Ó, olhares para o Bugey


A montanha do imutável,
O Monte Tournier que te protege
No segrêdo!

9. Não, esperarei pacientemente


Que de Loyasse um grito me chegue
Que o Monte de Ouro esteja d'acôrdo
Para esta viagem.

2. Irei um dia rever Neuville


Farejar o sangue da Saône
Que carrega minhas dores
Ao Rodano?

4. Subirei ainda a Encosta


Que leva às colinas d'Arbresle
Onde a felicidade me abrigou
Outrora, naquele verão?

6. Miribel e Montluel
Cantam sua esperança
Enquanto chora a França
Ferida nos olhos.

8. Vos seguirei nas estações,


Homens que passais indecisos,
Levando em vossas bagagens,
Tudo aquilo que passa?

10. Ó rever o harizonte Fourvieres!


Ser-me-á mister ainda subir,
Subir como a prece
Da profunda Cidade.

32
TI - A JUVENTUDE (1861-1869)
Com. 10 - E o Anjo dissera ao Eleito: "Nascerás pobre e hu-
milde, condenado à humilhação e às mais rudes tarefas ... " - E,
eis aqui que, para glorificação do MEM, teve 1l:le que descer, de
pés no chão, aos 12 anos, da Sabóia para l'Arbresle, onde colocou-se
primeiramente como ajudante de tripeiro, onde ficou por alguns
meses. (N. 15) Desejo comentar que, nessa ocasião, é bem possível
que já conhecesse a criança de dois anos que, mais tarde, seria
sua paciente, sua espôsa. Não há registro histórico disto, mas é
provável - humanamente - e interessante - mlsticamente - que
tenha tido que ir em primeiro lugar à cidadezinha de l'Arbresle,
que êle tornou CENTRO ESPIRITUAL DO MUNDO ...
E. 572: . De l'Arbresle, o jovem Philippe foi para LYON, 0n-
de passou a morar e trabalhar com seu tio Vachod, que tinha açou-
gue. (N. 16) "Fazia entrega domicilar e, além de algumas gorje-
tas, recebia do açougueiro 30 francos por m,ês e a comida. É com
êsse dinheiro, prossegue Papus, que 1lJle estudava pela tarde, pois
seu patrão o empregava só pela manhã."
"A tarefa assim feita o seguiu a vida t6da. Quando 1lJle pas-
sava pela rua, diziam mostrando-O com o dedo: "Olha! lá vai
Philippe, o açougueiro!", tal como disseram: "Eis Jesus, o carpin-
teiro." (N. 17)
"Enquanto morava com o tio no bairro de la Groix-Russe, em
Lyon, estudou com os maristas, e um dos Abades, chamado Che-
valier, afeiçoou-se muito por 1lJle, sendo recebido mais tarde em
Z'Arbresle. (N. 18)
"Desde a idade de 13 anos fazia curas "quando ainda era ape-
nas capaz de me dar conta das cousas estranhas que se cumpriam
por mim".
Com. 11 - Belo o ensinamento 572, de Papus, que com o tato
místico que sempre o caracterizou, soube pôr em evidência a seme-

N. 15 - Bricaud, Le Maitre Philippe, pág. 9.


N. 16 - L. B., pág. 12.
N. 17 - Papu8: Tratado Elementar de Ocultismo e Astrologia, pága.
!06-207.
N. 18 - Bricaud, obra citada, pág. 9 e L. B., pág. 12.

33
lhança, em mais um aspecto - outros muitos havemos de ver ainda!
- entre JESUS e o MEM MESTRE! Além disso, vemos que Pa-
pus, que tinha conhecido de perto ao MEM, sabia até quanto ga-
nhava êste no açougueiro. No que se refere às palavras "apenas
capaz" e "se cumpriam", grifadas por mim, o são por duas razões:
a primeira, por provirem de uma fonte contemporânea do MEl\I,
diferindo das que, posteriormente, foram usadas pelo autor do arti-
go citado a pág. 35 do I volume; a segunda: apenas capaz, e incapaz,
têm muito diferente valor, nos lábios de um Mestre! E, ainda,
isto: "Se cumpriam por mim" é bem claro: o menino de 13 anos
não compreendia totalmente - na mente intelectual - aquilo que
seu EU gigantesco operava por intermédio da "nova" encarnação!
ltste caso mostra, Carolei, como, se cada um entender de mudar
uma palavra aqui, outra acolá, daqui a poucos anos o MEM MES~
TRE "terá dito" muitas cousas que jamais disse, e ... terá deixado
de dizer... aquelas que menos agradam ou convêm a gregos e
troianos. Daí que eu procure pôr tudo em primeiro plano, inclu-
sive o - aparentemente - excessivo citar de fontes.
"Contam, prossegue Bricaud - de quem emana o texto acima
comentado - que tendo o jovem Philippe ficado doente em casa
do tio, uma velha, tida por "bruxa", examinou-lhe as linhas das
mãos e dissera-lhe: "Ouve, menino, vejo que tens os Dons, vou te
dar as minhas receitas." E, diz Bricaud, ltle começou, desde então,
a curar os doentes. (N. 19)
Com. 12 - Não vejo nada que pareça motivar ocultarem certos
autores o fato relativo à "bruxa"(?). Bricaud, que o refere num
livro publicado em 1926(!) tinha tido, portanto, dezenas de anos
para pensar no caso, bem como para ouvir confirmações ou des-
mentidos. Patriarca Gnóstico, tendo assumido °a direção da Or-
dem Martinista, tendo sido Discípulo direto do MEM MESTRE,
sua palavra ou informação merecem tanto interêsse nosso, que as
de outros.
Por outra parte, basta lembrar que todos os Enviados, ou qua-
se, têm em suas vidas "choques adicionais", feitos para avivar
nêles a consciência do que já São, 'I1UlS ainda não compreendem ser.
Acho, Carolei, que vamos ter que pôr esta "bruxa" junto com o
Ser que o embalou no colo, ou seja: na série dos mistérios que O
rodearam. .. e que seguem já ...

N. 19 - Bricaud, obra citada, páo. 9.

34
DIVERSAS RESSURREIÇÕES ...

E. 450 - Uma das 8uas primeiras curas data de 1866, na "Gar-


ganta do L6bo". Uma criança tinha morrido. Dois médicos ti-
nham vindo. Tomavmn-se já as medidas do caixão, quando Phi-
lippe disse à criança que se erguesse, o que ela fêz, com grande emo-
ção dos presentes! (M. P., 4." e 5.. ed.) -
E. 571 - Gitar-vos-ei outro fato mais. Não se devia falar
das suas curas, de jeito nenhum! Êle passou nos seus exames de
medicina. Mas não foi recebido doutor em França porque tivera
a audáeia de ressuscitar a um morto, quando era apenas estudante
de primeiro ano. Não lhe permitiram fazer mais inscrições. (N. 20)
E. 451 - Foi também em 1866 que Philippe anunciou a guer-
ra infeliz de 1870. Por causa de tal previsão foi vigiado durante
muitos anos pela polícia. (M. P., 4! e 5.. ed)
Gom. 13 - Eis-nos, pois, diante de um "caso" que, claramente,
define ao MEM MESTRE, desde a idade de 17 anos, quando fêz
a pri1neira das Ressurreições, como a um Ser acima de todo e qual-
quer curador, médium, mago, iniciado, e - até - dos Mestres mais
devotamente citados, com exceção de um "moderno" (Babaji) e
DO SENHOR!
Mas, deixemos O Senhor para depois. Por agora, temos a um
"jovem", de 17 anos, que faz, com 4 anos de antecipação, uma pro-
fecia, que se cumpre, sôbre uma guerra e seu desfecho. E, no que
se refere às diversas ressurreições, devo acrescentar que Bricaud
ainda escreveu: "Essa família de artesãos veio buscá-LO quando
a filha dêles já tinha morrido dezoito horas antes; 1l:le veio e, pe-
rante dez testemunhas, a morta sorriu e abriu novamente os olhos
à luz." (N. 21) - Temos, assim, duas ou três ressurreições, no mí-
nimo! Poderia lembrar, principalmente aos que ouviram certas
conferências minhas, que descrevi pormenorizadamente "como" (isto
é: sob que condições de amor . .. ) foi feita uma de tais ressurreições,
porém mais vale falar em O SENHOR!
Gom. 22 - Tenho apontado, já, o quanto a vida do MEM MES-
TRE parece-se com a do Seu Mestre: nomes dos pais; luta contra
O Diabo; infância pobre e labores humildes; poderes estranhos, qua-
se que tão incompreensíveis - na infância - para o Portador co-

N. 20 - Papus, obra oitada, pág. 206.


N. 21 - Brioaud, obra oitada, pág. 21, reproduzindo a Papus, de págs.
464 a 466 do seu Tratado Elementar de Ciência Oculta, 8." edição, Paris,
Olendorj, 1903.

35
mo para os que presenciam os milagrosos efeitos. Poderia, no en-
tanto, acontecer que Você, Carolei, resolvesse achar que o MEM
MESTRE "permite-se preceder" Ao Senhor, fazendo ressurrei!;Ões
em idade mais prematura. Não há tal. E, em prova disso, vou lhe
brindar uma jóia rara que, em homenagem AO SENHOR, será
também a primeira História das relatadas nesta obra.

H. 1 - A Primeira . Ressurreição feita por Jesus

" ... Um dia, em sua primeira infância, Jesus voltava da escola com
crianças da sua idade: o terreno era acidentado, e num dos lados da estra-
da, o teto de uma casinha coberta com pedras chatas tocava quase o chão:
os meninos subiram sôbre êsse teto; um dêles, brincando, empurrou um dos
seus companheiros que caiu do lado da frente da casa, de tôda a altura do
oitão e permaneceu inanimado imediatamente. As crianças, vendo que não
voltava à vida. mas que estava bem morto, fugiram. - Jesus ficou só sôbre
o teto. Os pais, que tinham ido buscar, chegaram e, no seu desespêro, acusa-
ram a Jesus de ter morto o seu filho. Então Jesus, que nada dissera até
lá, virou-se, de cima do próprio teto, para o menino que estava morto, e
chamando-o pelo seu nome: "Nathan Ben Iee, disse êle, fui eu quem te
empurrou?" - "Não, respondeu imediatamente o menino, foi fulano!" -
E, levantando-se, recobrou a vida ... " (N. 22)

Com. 23 - Que maravilha, Carolei, essa história verídica!


Quantos segredos! O Senhor que nada tinha dito... e que, invo-
cando, ao mesmo tempo: A Verdade e O Nome do menino (ma-
nifestações: universal uma, e fragmentária outra, do Verbo!), só
com isso, faz surgir ambas: em palavra e em vida devolvida. -
Assim, pois, os milagres de Jesus: ressurreição na infância e,
mais tarde, a da filha de Jairo "que já fedia" - conforme a Es-
critura mesma -, são os que o MEl\f reitera, para provar, 2.000
anos após, aos incrédulos, a realidade das Promessas do Cri'sto.
Por isso, realiza uma, quando quase ainda menino e, a outra, quan-
do a morta já falecera 18 horas antes! Vê, Carolei, quão belo é
observar as minúcias místicas que o MEl\f nos brindou em atos,
que provam, fato atrás de fato, a Verdade do Seu ensinamento! 11;
a Voz do Cordeiro; ou o Verbo penetrando no Coração manso ...

N. 22 - Da Tradição oral, secreta. Fragmento reproduzido em L'INI-


TIATION, 1897, pág. 37.

36
I //
~

,--"";:
D'~ -'l~
~ ........... --~ --
......
V. 1 - "Perguntei à Cruz, em que caminhos andavas TU . . . "
(Visão da M. Sarah, em 23·5-1957; tornou-se 8ímbolo dos
1ntimos do Retiro.)

37
IH - A MOCIDADE <1870-1877)

Vimos que, desde os 13 anos de idade, o l\lE:'!! "começou a


curar aos doentes, isto é: iniciou a sua dedicação pzíblica a êles,
que, durante quarenta anos iria prosseguir!
E. 442 - Em 1870 dava sessões no bairro de Perrache. Incor-
poraram-no ao exército. Foi para o quartel mas, já no dia seguin-
te, 500 pessoas foram, reclamá-lo ao Prefeito. ~ste o mandou vir
e pediu-lhe um exemplo do poder que lhe atribuíam. Um conselhei-
ro da Prefeitura, presente à entrevista, homem grande e forte, de-
safiou-o a que o tornasse doente. . . Philippe recolheu-se por algtlns
segundos e os presentes viram o conselheiro cair flácido como mas-
sa no assoalho. Estava desmaiado.
Com. 24 - O fato de "retirar a alma" - momentâneamente -
do impertinente Conselheiro, nos é fácil de admitir após as três l'es-
SUrl'elçoes. E, quanto ao aspecto técnico - por assim dizer - as
"sessões" e os ensinamentos irão nos dar a chave, páginas adiante.
Por isso, Carolei, o que mais desejo, agora, é chamar a sua aten-
ção para as 500 pessoas que, no dia seguinte ao que o MEM foi mo-
bilizado, foram reclamá-LO: Você imagina a fama, o prestígio,
a veneração, que Uln jovem de 21 anos(!) tinha já despertado em
milhares de pessoas, para que quinhentas delas fôssem movidas,
como acima dito? E, no ambiente europeu, daquela época, com o
"temor do ridículo" (que alguns chamam de respeito humano ...
para, nessa base, desrespeitarem ao divino, eventualmente ... ), e,
conhecida a indiferença dos terrestres, Você não acha, Carolei, que
vale a pena meditar no fato? E, ainda, que: o amor do MEM aos
semelhantes, o livrou de ir para o quartel e o combate? (N. 23)
N. 23 - Sem nenhuma intenção de traçar paralelos, e, sim, com a de
mostrar que tudo se processa proporcionalmente seguindo as mesmas linhas,
lembraria que, quando voluntàriamente fui da Argentina para a França e
prestei mais de dois anos de serviço militar (ocupação da Renânia e do Ruhr),
muito embora não me tivessem sido reconhecidos os meus estudos de Farmá-
cia (por não haver tratado cultural franco-argentino em tal sentido, na épo-
ca), bastou que eu tivesse pedido, interior e sinceramente, que nunca tives-
se que usar armas nem violência, para ser sempre utilizado no Serviço de
Saúde, Estado-Maior, cifra, etc. Oarolei, Você "não acha?", etc... Essas
SQO as lições práticas da Vida Mística ..•

38
Foi ainda nesse mesmo "ano de 1870 que, achando-se grave-
mente doente o Sr. Landar, sua mulher, não tendo já esperança na
cura dêle, tinha ido ver ao Mestre, de quem ouvira falar. 1!:le ha-
bitava então num quartinho apenas e, numa de suas visitas, a Sra.
Landar achou-O acamado, com forte tifo, sozinho, abandonado e
sem cuidados. Ela tornou a visitá-LO e tratou D1!:LE". (L. B.,
pág. 14)
COln. 25 - Pois é, Carolei, Você vai ter que "achar", novamen-
te: já vemos aí à futura sogra do MEM, tornando contacto com
1!:le, com fé, com dedicação, e vemos a Gratidão recíproca a unir
vidas! "Os Landar já tinham colocado no convento (do qual falarei
adiante), quase pegado à casa dêles em l'ARBRESLE, sua filha,
de frágil saúde. Mais tarde, o MEl\l foi visitá-la às vêzes." (L. B.,
14)
Em 1872, isto é, entre os 22 e 23 anos de idade, o MEM MES-
TRE deixou o labor com o tio e abriu um consultório, no qual dava
"consultas magnéticas", no Bulevar do Xorte, n. 4 - hoje Bulevar
dos Belgas - diz Bricaud, a pág. 9, e comenta: tal foi o início (da
missão pública) do l\lestre Philippe corno taumaturgo.

* * *
Os Curadores, Magnetizadores, e o MESTRE. - Com. 26 -
É chegado o momento, Cal'olei, de completarmos a "olhadela", que
lhe prometi a pág. 11, sôbre tudo quanto precede - no I Volume
- aos Ensinamentos do MEM propriamente ditos. Essa interessan-
tíssima dissertação do Dl'. Philippe ENCAUSSE foi tão oportuna
quanto bem documentada, a meu ver. A questão do fluido, isto é,
da existência de alguma cousa material, isto é, mais m,aterial do que
a "sugestão" (ente abstrato para a moderna pSicologia, que só ago-
ra, e desde Calligaris, começa a saber alguma cousa das ondas ce-
rebrais, isto é, da vibração da matéria mental), é problema supe-
rado. Aliás, o fato de até um ser como eu, que tão longe disto do
l\IE)f ou mesmo de um magnetizador exercitado, poder mover um
objeto material, só projetando tal fluido: com a mão, ou mesmo com
o olhar... basta para provar que os "biômetros", cuja agulha se
move também sob tal influxo, mostram que "alguma cousa"... em-
pun"a a agulha!
A missão de Mesmer foi, pois, fundamental para a evolução do
pensamento ocidental, em relação às chamadas "fôrças sutis": o
são apenas em relação a outras mais densas, porém não há sepa-
ração nítida, já que tudo, no Universo, é um "contínuo", constitui-
do por séries de gradações, de matizes dispostos em nuanças de
graus tão insensivelmente diferenciados, que os nossos sentidos, fí-

39
sicos e sutis - também! - precisam de longa experiência para
perceberem cada tom da universal sinfonia! Nela, o fluido magné-
tico é, também, de muitas densidades ou tenuidades, como o MEM,
nos ensinarã, adiante.
Com. 27 - O que diria Você, Carolei, se lhe contasse que Pa-
pus, entre íntimos, deixava transparecer que êle fôra Mesmer, an-
tes. .. Você "não acha" interessante que Papus viesse, esta vez,
já provido dêsse mesmo fluido, da mesma combatividade, amor aos
doentes, capacidade de divulgar, de criar cadeias magnético-curati-
vas ou de finalidades mais místicas - e... da mesma resistência
paciente às ingratidões!? ..
Com. 28 - Os casos de curas ou melhora, medidos fisicamente,
nos doentes dos olhos (pág. 17 e segs. do I Vol.) , merecem uma
curiosa observação. Como casos de cura, são indiscutíveis. A pes-
soa que fêz os tratamentos foi nada menos que Lady CLERK, es-
pôsa do Embaixador britânico. ll';ste fato me foi confirmado, em
Paris, pelo próprio Dr. Favory (N. 24) e a forma em que "o fizeram"
encontrar-se comigo prova a importância que dão - lã no Invisível
- a êsse fato, a meu ver. Mais tarde, achei em outra fonte a con-
firmação da identidade da aristocrática Curadora.
Com. 29 - Deixando bem claro que o MEM MESTRE só usava
- como veremos reiteradamente - do magnetismo como um cami-
nho, a ser percorrido pelos principiantes e, ainda assim, sob certas
condições que ll';le exarava, podemos agora examinar alguns aspec-
tos das "curas técnicas", que fazem as diferentes espécies de "cura-
dores", isto é: médicos e não-médicos, quando conseguem curar
ou, pelo menos, e isto é a realidade, cooperar com o esfôrço que o
corpo - ou mais - do doente, faz para curar-SE.

N. 24 - Vamos ver se Você "acha", Carolei: em inúmeras oportunida-


des, isto é: excessivamente frequentes para serem coincidências (no sentido
antietimológico e anti .. . lógico, em que empregam tal tênno os que "não
acham" .. . ), as pessoas, os livros, os objetos, os dinheiros, etc., nos são tra-
zidos. O caso do encontro com o Dr. Favory é bastante "raro" sob êste as-
pecto. Eu fiquei só três dias andando pela cidade, em Pads. O resto da per-
manência foi entre as paredes de um Congresso, etc.
O pouco q'ue andei foi, geralmente, de metr6. Uma única vez tomei um
ônibus, desejando ver a paisagem, em direção da Porte des Li/as, rumo a
Bondy. Paris tem uns 12 quilômetros por 9, ou sejam: quase 8 mil hectares,
metidos num perímetro de 36 quilômetros, dentro do qual perto de 3 milhões
de habitantes circulam sôbre uns 1.200 quilômetl'os de vias públicas.
Parece, então, "interessante" que o Dr. Favory se achasse precisamente
sentado a meu lado, no ônibus, e que, nos 20 minutos do trajeto, me dirigisse
a palavra (cousa rara em Paris! .. . ), falássemos em Ioga e Magnetismo, e
me citasse as curas de Lady Clerk e sua própl'ia identidade. Isso foi em
19 de setembro de 1956, isto é, NO DIA SEGUINTE ao q1~e o Dr. Ph.
Encausse me oferecera o Livro "Le Maitre Philippe". "Acha!''' ...

40
Já dei, em minha obra de doutrina externa Yo que caminé ... ,
a progressão dos métodos de cura, segUindo o mérito do doente.
Resumirei, agora, em forma mais acessível:
Os físicos, químicos, óticos, radiologistas, etc., nos auxiliam,
determinando, como "videntes à distância" (por meios "científicos"?)
os índices de normalidade ou não, dos materiais, órgãos e apare-
lhos do nosso corpo.
Logo, vêm os que, sem medicação, movem ou excitam ou reta-
lham, a matéria dêsse corpo, que, de mais ' "densos", para menos,
poderiam ser: os cirurgiões, os chiro- ou quiropratas (que geral-
mente agem sôbre a espinha dorsal, juntas, ossos, etc.), os massagis-
tas, os que aplicam acupuntura ou ultra-som, ou ... magnetismo.
Que diferença real poderá haver entre uma aplicação de raios X,
de ultravioletas, de ultra-som, de magnetismo ou de . .. luz de côr
(cromoterapia) ou, mesmo, de música, já decorada com o nome
científi co de musicoterapia! Se tudo é vibração, é fácil entender.
E tôda divisão entre tenuidades ou densidades, da matéria ou mo-
dalidade que produz a vibração, é pura divisão (e tôda divisão não
passa de limite: limitação .. . ) no entendimento (ou falta de tal)
de quem olha para o fato!
Há, ainda, os casos "misteriosos", ou quase, da chamada Gi-
nástica Espontânea, como comenta o Dr. Albert LEPRINCE, com
relação à Sra. Heffe, de cujo caso temos no Rio de Janeiro curiosa
reiteração. (N. 25)
Com. 30 - A. Cromo terapia, ou cura pelas côres, é um caso a
ser tratado à parte, já que há, páginas adiante, ensinamentos do
MEM sôbre esta via terapêutica.
Da Alopatia para a Homeopatia, também é uma questão de
compreender que a massa grande de opostos (alopatia), age menos
poderosamente que a pequena massa de lêvedos, estímulos, ou como

N. 25 - Alpert LEPRINOE: Le Pouvoir Mystérieux des Guérisseurs,


pág. 84 e segs. em que relata experiências análogas, embora bem menos ricas
em modos - e resultados, me parece - ' às produzidas desde dezenas de anos
Sra. Nevinha de OARVALHO que, apenas em contacto com um doente sente,
interiormente (em geral) movimentos inea1plicáveis que o doente tem que ja-
zer e que, sem ordem verbal nem mental dela, o doente faz mesmo, ainda que
sejam aparentemente impossíveis pelo seu estado, ou estapafúrdios. E os re-
sultados de curas ou melhoras aparecem. - Pelo estudo que temos jeito de tal
ginástica espontânea (incompreensível para os mMicos) trata-se, na realidade,
de uma série de jatos em cadeia : 1} Percepção - pelo Eu de Nevinha, ou por
um Iogue sumamente douto emHatha-Ioga, - da doença e das posturas ou mo-
vimentos que podem produzir melhora. 2} Projeção (subconsciente se par-
tida de N evinha, ou do Iogue através de certa mediunidade (que temos veri-
ficado ea1istir nela) da Sra. Nevinha. Interessantíssimo, pois abre campo
a outras experiências, para quem medita, tanto para o diagnóstico, como para
a quinoterapia. Recomendamos, aliás, a leitura do livro do Dr. Leprince aos
curiosos na matéria.

41
se lhes queira chamar, que agem pela lei dos semelhantes. Lei
que tornaremos a achar ao falar da medicina macrobiótica, basea-
da em Yin e Yang.
Mas, a Homeopatia, seguindo um método de observação muito
mais acurado que o da Alopatia, especialmente sôbre a relação en-
tre o doente, os sintomas, o ambiente, a hora, as partes e lados
(pólos) do corpo, lesados ou afetados, chegou - por intermédio de
certo médico homeopata austríaco - a determinar os chamados
"meridianos homeopáticos", ou linhas de pontos sensíveis ou dolo-
rosos, em cada tipo de doença. Ora, qual não foi a surprêsa dos
homeopatas e dos acupuntores (ocidentais) quando, ao difundir-se
mais na Europa a ciência da medicina acupunturista, verificaram
que os meridianos homeopáticos, embora muito incompletos em re-
lação aos meridianos chineses, coincidiam notàvelmente. Ficou., as-
sim, demonstrado que as observações de umas dezenas de anos,
no Ocidente, coincidiam com um fragmento da ciência milenária
de curar dos Povos Antigos, do Oriente. Era um primeiro passo
ampliando a compreensão das curas técnicas.
Com. 31 - Aconteceu, porém, que também verificou-se que os
lugares em que os acupuntores plantam as suas agulhas (de ouro
ou de prata, conforme se trate de excitar ou de diminuir a vibração-
-labor de tal ou qual função (e isto vai da circulação à respiração,
e de dores ósseas até estados mentais como "temor a exames", "di-
ficuldade de cálculo", etc., com resultados que assombram!) - ve-
rificou-se, dizia, que tais lugares estão dispostos sôbre meridianos,
e sôbre êstes, há pontos. Por essa senda, chega-se ao contacto com
o labor do Dr. Calligaris, labor que representa uma real "geometria
cutânea", como dissera um médico, ' ao tomar conhecimento das ex-
periências extraordinárias dêsse Docente de Neuropatologia na
Universidade de Roma.
Em resumo, os trabalhos de Calligaris baseiam-se nisto: a su-
perfície cutânea humana - e a regra é geral para todos, de tôdas
as raças - é divisível em zonas, as zonas em placas, as placas em
pontos. Se um ou mais de tais pontos recebem estímulos, sejam
térmicos, sejam de fraca corrente farádica, obtêm-se resultados que
vão: desde sensações singelas, até o poder de ver, em prêto e bran-
co, ou a côres (conforme os pontos escolhidos), dentro ou fora do
corpo, ou através, de corpos (próprios e alheios) e, ainda, o andar:
passado, presente e futuro de um órgão doente, por exemplo. E,
para que Você, Carolei, não pense que se trata de fantasias me-
diúnicas ou opiáceas, conyido-o a olhar, a pág. 93 e seguintes da
obra Les RadiaUons des Maladieset des Microbes, as fotografias
que, pelos estímulos de Calligaris, se projetam" de dentro para fora
é claro, sôbre a pele do doente. numa placa que tem uns 7 x 8
centímetros, no bíceps do doente, mediante um método que tem

42
sido reiterado muitas vêzes, e que permite obter imagens visíveis
a ôlho nu e que podem ser - e já foram em inúmeras ocasiões -
fotografadas, tais como se vêem na obra citada, ótimas fotos de
bacilos de Koch, de espiroquetas, gonococos, bacilo de Nicolaier
(tétano esporulado) e, também, de micróbios ainda desconhecidos,
mas que, por êsse sistema, tornam-se "fotogênicos"; exemplos: de
reumatismo, gripe, coriza, parotidite epidêmica, paralisia infantil,
encefalite letár gica, ra iva, a cancerose (Spher ula dentata ), apen-
dicite, úlcera gastro-duodenal e de infecções devidas a associações
microbianas; exemplos: espiroqueta, blenorragia e coriza, todos êles
em ótimas fotos nas obras em aprêço, que contêm, aliás, notável do-
cumentação sôbre tudo quanto se refere a Curadores e métodos
curativos, antigos e modernos.
A M edicina Macrobióti ca : Velha de 4 a 5.000 anos, divulgada
na China com o nome de M edicina do Princípio Único, e, "mais
recentemente" (há, somente, quarenta séculos ... ), na índia com o
nome de Medicina Ayur-védica, baseia-se na unidade da vida, seja
ela universal, ou no seu reflexo e miniatura: a existência do ser
humano. YIN e YANG, as duas manifestações opostas e comple-
mentárias do Grande Agente único e Polarizável, são considerados
em todos os planos da Manifestação. Daí que tal Medicina seja
antes de tudo filosófico-transcendental, e, por decorrência: lógica,
dialética, social, educativa, preventiva e... na última etapa infe-
rior (única considerada geralmente no OCidente): curativa!
Nesse a:specto aplicativo, o Dr. Georges Salmrazawa Ohsawa a
está difundido pelos cinco Continentes, partindo de sua pátria: o
Japão, o país cujo próximo ciclo ascendente se aproxima.. . J á
existindo obras dêle à disposição do público brasileiro, não insisti-
r ei a não ser sôbre um aspecto: que, além da discriminação que
deve ser exercitada, para achar o Yin ou Yang de cada plano, ser,
fato, alimento, etc., existe a característica do uso de muito Sal,
por ser considerado, neste sistema, como o fator básico de saúde,
pelo r estabelecimento da taxa de Sódio (yang), em relação à de
Potássio (índice muito Yin), já que o predomínio dês te último fa-
tor - o Yin - é a cam;;a, e também a evidência, dos estados anê-
micos, infecciosos, anormais, etc. Dizer que êste sistema está cau-
sando assombro - e desgôsto - entre alópatas como entre natu-
ristas - é dizer a verdade, mas já há, também, médicos alópatas
adotando a Macrobiótica, felizmente.
Vemos, assim, uma progressão, tanto dos médicos, que vão des-
de os mais físicos ou materiais, como a cirurgia; ou dos mais quí-
micos, como a alopatia; até os mais vibratórios, como a homeopa-
tia, a medicina radiativa ou a acupuntura, até métodos que apelam
para o conjunto das atividades bioquímicas até mentais, como é o
caso da Macrobiótica, que tem uma filosofia profunda, budista de
apresentação no caso do Dr. Ohsawa, a sua base. (N. 26)
Oom. 32 - Mas, todos os métodos considerados até agora, não
são aquilo a que aspira o Povo, quando procura o que êle, povo so-
fredor, entende por "curandeiro", ou curador. Quase todos os sis-
temas que consideramos, pouco exigem do doente, a não ser certa
disciplina física (dietas, regimes, restrições, etc.) e, um pouco, dia-
lética ou mental. Por outra parte, aquêles que exercem o papel de
"curadores" - médicos ou não, insisto neste ponto - pouco ou na-
da dão de si mesmos, com raras exceções, a não ser boa fé, hones-
tidade e dedicação, geralmente "incluídas" - na mentalidade do
homem comum - nos deveres "profissionais" e que, também, pare-
cem incluídas na retribuição monetária dos serviços prestados.
Raros são, aliás, os médicos ou curadores que nada cobram habitual-
mente, embora sejam inúmeros os que, generosamente, atendem de
graça e ainda dão remédios aos pacientes sem recursos. Veremos,
agora, o setor dos que a voz pública denomina de "curadores" pro-
priamente ditos.
Desde 1950, especialmente na França, o público apaixonou-se
pelo problema dos "Curadores", - deixemos o nome de curandeiros
para os que fazem curas pelos simples, pela magia dos campos, por
simpatia, etc., métodos êsses que, todos, têm bases reais, quando
honestamente feitos, o que não Significa que aplaudamos sua práti-
ca. Pelo que o Dr. Philippe Encausse nos informava, a p~g. 29 do
I Vol., falou-se em 48 mil curandeiros na França, cifra que o Dr.
Encausse reputa, com tôda razão, fortemente exagerada. De 25
a 31 de dezembro de 1950, o grande jornal 101 PARIS HERDO
enchia sua 7.' página totalmente com o tema do Oongresso dos Oura-
dores, a reunir-se no dia 27 daquela semana. Os retratos de Marie
Jeanne d'ANGIO, L. ALALOUF, Maurice MESSEGUE, Paul PA-
RANDEL e muitos outros, de reconhecida idoneidade, eficiéncia e
fama, eram reprodUZidos, com breve histórico de "como" cada um
dêles tornara-se Curador.
O jornal, nessa reportagem de Roger MALHER, mostrava clara
simpatia pela fecunda idéia de ser estabelecido um novo estado de
cousas, regulando e permitindo as atividades dos Curadores, asso-
ciados com o Médico, mais ou menos na forma que preconizam os
Professôres que o Dr. Philippe ENCAUSSE cita, e que êle mesmo
aprova, sem dúvida. - Posteriormente, em 1953, um livro realmen-
te notável e convincente, de Jean PALAISEUL: Oom os Ourado-

N. 26 - Para maiores esclarecimentos, Oarolei, eanste o "Memorial" da


Medicina Macrobiótica, editado por "A.lba Lucis" também, e outras obras em
preparação.

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res que curam (N. 27) punha o publico ao par da existência de
reais e abençoados Curadores. Reais, no sentido das curas, múlti-
plas e bem verificadas, que obtinham: Léon ALALOUF, por exem-
plo, possui 127.000 a testados de curas, completados por 2.000 radio-
gr-afias. Entre os seus pacientes gratos contam-se: Alfonso XIII,
Anatole de Monzie, Gaston Doumerge e Gandhi. 1l.:ste último, que
passou oito dias em casa de Alalouf em 1932, declarou-lhe: "Voc~
possui u m assombroso poder de revitalizar os corpos def icientes,
um poder nitidament e superior ao m eu" (N. 28) , e o Mahatma o
levou a visitar a índia e o Tibete . ..
/
Direi, ainda, que entre tais Curadores, existem Padres cató-
licos, como o Abade Pierre Héritier, em Paris, ou o Rev. Pe. Mu-
ckensturm, Superior da Casa de Retiro das Missões Africanas, de
Lyon, residente na Mosela. Muitos dêles curam à distância, até
de Continente a Continente. E o livro contém todos os endereços ...
E, como curam? Há muitos métodos. Prevalece, contudo, a
ação magnética, estimulada em uns pela devoção ou prece, em ou-
tros apoiada em ervas ou remédios; em outros, ainda, em associa-
ção com o pêndulo como modo de detectar doenças e seu remédio, em
forma automática, isto é, em alguns dos métodos, funcionando me-
diante aparelhos que independem do poder, da cultura ou da opinião
do curador, ou do paciente (se êste estiver presente) . Entre os
casos registrados, verificados cientificamente, do poder pessoal do
Curador, destaca-se, nitidamente, o de M. PARLANGE, que pres-
tou-se à seguinte experiência: em 20 de novembro de 1934, o Pro-
fel:>""Sor SABATIER levou de Paris para Tolosa, uma costeleta. Che-
gado lá, à hora marcada, verificou que o poder magnético e vitaZ
de PARLANGE mumificara a costeleta em Tolosa, vale dizer : a
setecentos quilômetros de distância! É verdade que Parlange es-
gotou-se bastante nessa experiência, mas ela foi decisiva: o "fluido
vital e magnético" ficou cientlficamente comprovado, assim como
sua ação à distanoia. (N. 29)
Com. 33 - Resta-nos ver, ainda, os Curadores Técnico-místicos,
se assim posso me expressar. Entenderemos, sob tal denominação

N. 27 Em francês : "Ohez les Guérisseurs qui guérissent" - Jean


Palaiseul.
N. 28 Pág. 233 da obra supracitada.
N. 29 - Possivelmente contribuirá um dia para a formação de Oura-
dores Magnetopatas na .América Latina, a nossa ei/J'igência, nos Oursos da
.A. M. O., de que os Discípulos sigam as Lições Práticas. Muitos dêles já
nos têm apresentado bifes bem mumificadinhos, para poderem passar a outras
instruções. Tais pessoas, sem dúvida, têm alguma possibilidade de aliviar
ou curar, silenciosa e invisivelmente, sem sessões, sem passes, sem "mediuni-
dades". E, se fizerem passes magnéticos, darão o que é dêles: sua Vida. Que
assim seja!

45
aquêles que, unindo poderes técnicos - tais como os que derivam
do cultivo de diferentes Iogas, assunto que não cabe examinar
aqui - a certas exigências feitas ao doente, não mais técnicas,
apenas, senão já procurando que êle, doente, pela dor ou pela com-
preensão, chegue a certo estado de entrega, de receptividade, etc.
- Um exemplo típico, e dos mais elevados nessa via (ainda suma-
mente inferior à que o MEM utilizava mesmo publicamente) , acha-
mos na reportagem sensacionalíssima que Georges REYER publi-
cou em seis páginas de um exemplar de grande revista P ARI S -
-},fATOH de 1957, sôbre as curas assombrosas que o místico indo-
nésio Mohammed P ak Subuh (que durante vinte anos, em J ava,
laborou em conexão com sábios dos Monastérios Zen e instruindo
telepàticamente a Lamas do Tibete), está operando na Inglaterra.
- A sensacional cura de Eva Bartok, movida pela "voz" que ouviu
enquanto estava numa clínica de HolIywood, à espera de melindro-
sa operação, e a levou a partir - nesse estado desesperado - para
Coombs Springs, onde foi salva, atraiu a atenção do mundo in·
teiro sôbre o mago indonésio e seu principal auxiliar e expositor,
John Godolphim Bennet, sábio matemá tico e filósofo, que tornou-se
discípulo e - ao que parece - herdeiro dos últimos segredos co-
municáveis de Gurdjieff! - Mas, êste mesmo Pak SUbuh, que está
revolucionando os meios inglêses - e outros - pelo mistério de
que se rodeia, cura doentes graves, progressivamente; faz-lhes res-
surgir mental ou moralmente, por lento e fort e esfôrço, mas, nem
nêle, nem em nenhum dos anteriormente considerados, ou de seus
colegas desconhecidos para nós, achamos nenhuma das caracterís-
ticas que diferenciam ao MEM MESTRE dessa legião e pirâmide
de sêres úteis, sábios muitos, nobres e elevados todos - quando
sinceros de intenção altruísta e desinteressada - pois:
Não vemos operar-se ressurrei ções; não há curas instantaneas
e definitivas, tanto de ossos como de faculdades perdidas; não há
a base moral e esp i ritual da cura da alma precedendo ou condicio-
nando a do corpo; tampouco há o ensinamento que, abrangendo o
Universo, i nclui também cada pormenor: de todos os planos, planê-
tas, substancias. .. e do passado e presente de cada ser humano!
E , não há tudo quanto as páginas emocionadas e emocionantes,
de Sédir sôbre o "Desconhecido", ou de Papus - em inúmeras par-
tes de suas conferências e obras - sôbre o seu Mestre Espiritual.
Por essas razões, e outras muitas que Você, Carolei, irá "achar"
(assim o espero!) no correr dês te livro, alegra-me repetir as pa-
lavras do filho de Papus, do Afilhado do Mestre, do meu Amigo
Philippe Encausse (a pág. 32 do I VoI.):
"Seja-me permitido fazer, desde já, uma advertência necessá-
ria: É que não se pode, de forma alguma, comparar o Mestre Phi-
lippe aos curadores modernos, n em aos mais ilustres. Seria, efeU-
vamente, tomar rumo errado, enganar-se, porque éle era bem mais
do que simples c'urador. fJle era um enviado, um missionado, um
representante da divina Providência."

* * *
Em abono do que precede, passaremos diretamente a ver alguns
ensinamentos do l\1EM que tornam eyidente o afirmado, além de
esclarecer, desde já, o que a totalidade dos Ensinamentos iluminará
plenamente:
E. 235 - P: Mas se amássemos ao próximo como a nós mesmos,
não estaríamos s6bre a Terra.
R : Não. Porém deve-se trabalhar para não ficar nela tem-
po demais. Não deveremos desejar ir adiante? E quando tiver-
mos adquirido tal adiantamento, nada nos será negado, pois se a
nossa alma não estivesse doente, o nosso corpo tampouco o estaria.
E. 1/'/6 - O mal que fôr curado sem que os pecados sejam per-
doados, apenas está adiado, aqui curamos perdoando OiS pecados e
o mal conta como se tivesse sido sofrido. (Palavras do MEM co-
lhidas por Marie E. Lalande - L. B., 33, 34 - que comenta com as
palavras de S. Ma teus (9,5): "Pois qual é mais fácil? dizer: Per-
doados te são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?)
E. 320 - A. feiúra do corpo não importa, é a alma que conta.
É inútil orar, ou antes, traduzi mal o meu pensamento, ao orar só
se deve pedir alívio dos sofrimentos quando o fardo que nos está
confiado pareça pesado demais, e orar também por aquêles que
não sabem ou não podem fazê-lo. Não é preciso fazê-lo pelos mor-
tos. Deixemo-los onde estão e fiquemos onde estamos. E vos
afirmo que ao pedirdes por aquêles que não podem fazê-lo, pedindo
para suportardes as penas dêles, dar-lhes-eis então o exemplo de
suportarem também, as de seus irmãos.
É o único meio de entrar no Céu, pois ninguém pode lá entrar
se não ama seu inimigo como a si mesmo, e se êsse inimigo não en-
trar no Céu, tampouco vós lá entrareis.
A. h, bem sei, bom número de pessoas bem doentes mandam vir
seu confessor, pedem e recebem absolvição, e contudo morrem tendo
pedido e acreditado receber a cura. O sinal ele que o mal está per-
doado é sem dúvida ver que o mal se afasta do doente, entretanto
morrem.
E tenho visto, em relação a isso, "charlatães" virem à cabecei-
ra de doentes em agonia, prontos a morrer, dizer-lhes que seus pe-
cados ficavam remidos, e vê-los curar no momento.
Com fé, pode-se fazer milagres. Entretanto, cada dia, nas vos-
sas preces, dizeis: Meu Deus, eu vos amo, odeio (J,() pecado por

l/i
anwr a oos, creio em v6s. E cada dia também dizeis: Que fare-
mos M pr6ximo aM, em dez anos, e se o céu caisse que seria de
n6s? Por que pensais tudo isso?
- Alguém diz: Porque não temos fé.
Com. 34 - A afirmação f inal do E. 235 é clara e categórica;
com o dito no E. 476, três novas afirmações tornam-se evidentes:
sem remover a causa moral-espiritual, ou raiz do mal (pecado) a
sua manifestação física - doença - tornará a surgir. Remédios
e tratamentos podam, desgalham, roçam, as fôlhas do mal; o perdão
dos pecados desarraiga, destoca definitivamente o terreno huma-
no: alma -corpo!
A segunda afirmação, "aqui curamos perdoando", é mais grave,
pois implica a de ter permissão e poder para fazê-lo ... - E agora,
Carolei, vem a Graça: o mal conta como se .. . ! Por isso é tão
importante chegar a encontrar-se com os Enviados, ou com os "es-
tados", que podem produzir êsse ato da Balança Moral, de compen-
sação espiritual.
O E. 320 nos situa, inicialmente, na oração, e para com os mor-
tos. Mas, cuidado, recomenda para pedir para suportar as penas
dos outr.os. Quem o faz? O E. aponta a conseqüência e condição.
E o MEM passa logo a mostrar que a Lei é uma só, pois usa para
isso o têrmo mal jogando nos dois mundos: o moral e o físico. Logo,
aponta a prova, ou sinal do real perdão, mostrando ainda que al-
guns, tidos pelo mundo profano e protocolar como "charlatães",
provavam sua pureza, e consequente poder, remindo os pecados e
outorgando a cura! (N. 30)
Creio, Carolei, que agora Você entendeu, sentiu, viveu, a dife-
rença entre os curandeiros, ou os curadores, e O MESTRE!

* * *

Anos de Faculdade e Diplomas de M édi co. - Já vimos no I


VoL, às págs. 34 a 37, que o MEM MESTRE, com 25 anos de idade
(1874) fêz quatro inscrições na Faculdade de Medicina, sendo im-
pedido de fazer as seguintes pelo que Papus explicou e que já
vimos : "ressuscitar um morto quando era apenas estudante de 1. ~
ano", ou seja: a segunda ressurreição é posterior em 8 anos à pri-
meira, sendo, em ambos os casos, a presença ou queixa de médicos,
que as autenticam... o que não deixa de ter graça. Bem dizem
que Deus escreve direito . .. - Diante de tais dificuldades, "o MEM

N. 30 - E. 235 provém da S. Ly. de 4-12-1893; E. 320, da de 20-9-189i.

48
pensou em mudar de Faculdade, mas, dada a oposlçao formal da
sua família, motivada por todos os aborrecimentos que ela ainda
previa, 1l:le não insistiu e continuou seu Caminho sem nenhuma pro-
teção humana" (legal). L. B., 13.
Mais tarde, porém, o Céu e a gratidão humana o proviram de
tal proteção em três modos diferentes. Por agora citarei somente
um: a Tese que foi por 1l:le apresentada em 23 de outubro de 1884,
perante a Universidade americana de Cincinnati (ver Vol. l, pág.
43), e cuja introdução figura a pág. 19 de llumiere Blanche, da
qual citarei apenas as primeiras linhas, para dar uma idéia do es-
tilo do MESTRE sôbre o tema tratado:
"A ignorância e os preconceitos populares, engendraram so-
cialmente uma multidão de erros, que são a base da destruição da
saúde, e, entre êsses erros, há um certo número mais prejudicial
que os demais; são os que se referem à mulher na gravidez, du-
rante e após o alumbramento. Acrescentemos que, não somente a
mulher grávida ou parturiente tem propensão, por si mesma, a co-
meter graves imprurlências, mas ainda as pessoas que vêm visitá-la'
aconselham-lhe atos desarrazoáveis que se tornam, na maior parte
dos casos, fontes de doenças mortais ou de achaques para o futu-
ro ... ", etc. - Além dos títulos que a capa da Tese em aprêço apre-
senta, na edição feita em Tolosa por Jules Pailhês, foi dedicada
de modo que dá uma idéia da consideração em que já era tido seu
autor, como se vê pela nota (E. 802) que figura ao pé da pág. 212
da 5.' ed. que reproduzimos em N. 31.
Tal Tese foi, portanto, apresentada pelo MEM quando 1l:le ti-
nha 35 anos de idade. Somente 16 anos após, na Rússia, é que 1l:le
passaria os "exames" ... nos quais curava doentes à distância, tanto
quanto curavam-se todos aquêles que lhe eram apresentados para
diagnóstico. Seja numa ou noutra forma, os médicos tiveram que

N. 31 - "A sua Eminência o Decano da Faculdade de Medicina da


Universidade americana de Cincinnati - A minha qlterida mãe Maria Va-
chod, amor filial - A meu afetuoso pai J oseph Philippe - A minha querida
irmã Clotilde Philippe - A meu dedicado irmão Hugo Philippe - A minha
bem-amada esp6sa' - A minha boa sogra - Ao meu querido Filho - A meu
tio Hugo Vachod - A minha querida Tia e seu Filho - A meu querido ami-
go Mathieu Marieu8 - A meu amigo Bernard Felix - A meu excelente
amigo P. Baillv - Ao sábio doutor Radier - Ao hábil doutor Picquet -
Ao bom amigo Joron Joannes - A meu caro colega Claude-André Burnichon
- Ao ilustre doutor e amigo Surville, de Tolosa - Ao sábio doutor Georges
Monret, de Tolosa - A meu antigo colega o doutor Fitte, de Berat - Ao
grande filantropo Godefrov Gairaud, C6nsul de Portugal em Carcassonne
Ao célebre professor poliglota Comendador Gregoire Laureani, de Messina
Ao praticante humanitário Comendador Barão Marc Papi, de Marselha" -
Nizier PHILIPPE.
lhe outorgar o Diploma, embora êste, como bem salienta o Dr.
Pbilippe Encausse, nada signifique no caso do l\IEM MESTRE, é
claro!
Veremos, agora, o período no qual a vida do l\IElU MESTRE se
abre, por assim dizer, em muitos sentidos simultâneamente.

F. 6 - MESTRE PHILIPPE
em 1877, idade em que easou e llllcia
a vida LYON-L'ARBRESLE, tão fe-
cunda.

(Fotografia de Lumif3re Blanche, tam-


bém existente na 4.' e 5." ed. fran-
cesas.)

50
IV - O PAI DOS POBRES <1877-1892)

"Ousaram acusar de amor ao lucro àquele que, saindo de casa


com um bom sobretudo no inverno, voltava de paletó, porque achara,
no caminho, um infeliz que tremia de frio. Pretenderam arranjar'
pretexto para apoiar essa calúnia, e a voz do povo, em três pala-
vras bem maiores que muitas belas frases, respondeu:

1\1. PHILIPPE Ê O PAI DOS POBRES!"

Após essas sentidas expressões de Papus (VoI. I, pág. 63),


cantam em nós as de Sédir (pág. 77): "1!::le nunca falava dessa
chama admirável, ocultava o seu saber e essa espécie de onipotência
desconcertante sob as aparências de uma vida bem burguêsmente
comum; êle dissimulava virtudes e superioridades como nós dissi-
mulamos os nossos vícios, e tornava-se necessário segui-lo nas suas
longas caminhadas pelas baixadas populosas para descobrir os ex-
cessos das suas liberalidades : mães de famílias nas últimas pro-
curando-o pelas esquinas, casais, às dúzias, dos quais pagava o
aluguél, órfãos que mantinha, e com que atenção rodeava aos velho-
tes e aos aleijados, com que delicadeza oferecia o seu socorro aos
tímidos e aos humildes, quão paciente era com os importunos, com
os semi-sábios prEtensiosos, com a triste tropa dos medíocres!"
Com. 35 - Que bela descrição, de múltiplos sentidos: a gene-
rosidade material, monetária, unida ao esfôrço das caminhadas que
a fecundam; a paciência, tolerância e humilde delicadeza, ocultan-
do sempre a penetração do seu Saber Direto, da sua "Onipotência
desconcertante", como bem diz Sédir. E, a êsse Homem de Deus é
que iremos ver agora, agora que já é O Pai dos Pobres, assumir
ainda, voluntàriamente, as responsabilidades de Espôso, Pai, Pa-
rente, e, com isto provar, por inúmeros modos mais, que 1!::le podia
cumprir a sua angelical e imperial missão sem deixar de cumprir
TODOS os deveres dos mortais comuns. Ó earolei, Você já reparou
que o MEM estêve, desde os 13 anos até os 23, curando gente e até
se tornando célebre e alvo de milhares de gratidões, sendo, durante

51
ésses dez anos, empregado de açougueiro! Passam diante de mim
alguns exemplares da "triste tropa dos medíocres", os que não p0-
dem progredir, ou meditar, ou fazer bem aos semelhantes, "porque
as vibrações da cidade, ou o bife que a sogra pôs na mesa, etc ... , os
impedem ... " ! Acha, Carolei?. . - Sabe o que eu acho?: que se-
ria ótimo - como diz o meu amigo Huascar - que todos nós pro-
curássemos tôdas as chaves VIVAS que o MEM nos deixou, se
estudarmos, não somente os seus Ensinamentos - o que já é mui-
to! - mas estudá-los à Luz da Sua Vida! Então sentiremos quem
é o Pai dos Pobres, inclusive dos Pobres em decisão, em virtude,
em humildade ... - Bem, êle é o Pai da Humanidade terrestre,
também!
* * *
o Seu Casamento. - Ao contrair casamento, o MEM cumpria
mais uma Lei, que acharemos adiante, nos Seus Ensinamentos, dei-
xando-nos, assim, mais um exemplo de seu respeito, e possibilida-
de de cumprir, às exigências - divinas ou até as convencionais -
a que todos estamos submetidos. Casou religiosamente também,
constando o civil em l'Arbresle e, segundo Bricaud (pág. 9), a ce-
rimônia teria sido na Igreja de São Vicente de Paulo, na 2.' cir-
cunscrição de Lyon. O mesmo Bricaud parece confirmar o que
citei sôbre o fato de ter o MEM conhecido a espôsa muito antes,
pois disse "que a conhecera outrora", .e, também descreve à noiva,
Jeanne LANDAR, como "uma mulher que foi sempre, e sob todos
os pontos de vista, uma pessoa encantadora e perfeita". Já vimos,
a pág. 38 do I Vol., que 1!:Ie salvara a vida da sua consulente Srta.
LANDAR, muito antes de ser sua noiva, já que, de acôrdo com a
Lei: depois que fôsse diretamente e familiarmente ligada a 1l:le,
nada mais poderia por ela ...
Segundo Bricaud, foi nessa época que fixou novo domicílio, por
pouco tempo, na Rua d'AIgérie. Mais tarde o veremos mudar-se
para sua "base" definitiva em Lyon. Mas, desde o casamento, uma
vida dupla, cujo reflexo veremos: tanto na existência do MEM como
na de seus íntimos, instalou-se nos dois focos de sua ação: o que
chamarei "11 vida LYON-L'ARBRESLE". E agora, Carolei, pare-
ce-me chegado o momento oportuno, para introduzir Você mais jun-
to da intimidade do MEl\! MESTRE, dos seus Familiares e dos
seus Discípulos íntimos.
Para isso, convido-o a refazer comigo a minha recente - em
22 de setembro de 1956

52
PEREGRINAÇÃO A L'ARBRESLE

Paris-Lyon. - Suponha Você, Carolei, que estêve comigo, em


18 de setembro, no Santuário de Papus, na afetuosa companhia do
Dr. Philippe Encausse, e que lá, o MEM PHILIPPE confirmou -
e, assim, autorizou - a peregrinação que eu projetara fazer a Sua
Residência de l'Arbresle (também fiz a Lyon, a Seu Túmulo, mas
isso veremos mais adiante). - Então, Carolei, mando um telegra-
ma ao Michel de Saint-Martin, a quem verei, com apresentação do
Dr. Encausse, em l'Arbresle. Trens para Lyon, há muitos: lentos,
rápidos, ultra-rápidos! Com nove mil francos, e mais 770 de taxa
para os rápidos, eis-nos habilitados a partir às 21 :15, fazendo os
519 quilômetros, com apenas poucas paradas, até às 2 :30 da manhã.
Junto à Estação de LYON-PERRACHE, está o enorme e tradicional
HOTEL TERMINUS (12, cours de Verdun), onde, por 1.158 fran-
cos, o resto da noite passa no apartamento, de luxo um tanto anti-
quado, de n. 327.
Como a manhã é dedicada ao Túmulo, silenciarei sôbre ela.
Com 220 francos (70 cruzeiros apenas!), no Restaurante de Livre
Serviço da estação LYON-PERRACHE, almoço pão, entrada, pra·
to de fôrno (legumes), sobremesa e cafezinho. Já podemos recolher
a mala, o Bastão e a Capa, que, na Plataforma n. 1, via 3, linha de
ROANNE, aguardavam a saída do trem para L'ARBRESLE, às
12 hs. e 21 minutos, como se pode ver na Foto n. 6, que tiramos
para os Amigos do Brasil ...
A passagem a l'ARBRESLE, ida e volta "fim-de-semana", cus-
ta só 180 francos, conforme consta do bilhete (N. 32). Quando os
queridos Discípulos do Rio me deram' essa cômoda malinha, mal
sonhavam êles que iria à casa do MEM; mas, todos os Objetos dados
com anwr encontram seu destino ...
Carolei! Eis-nos já em l'ARBRESLE! Pela rua principal,
vamos descendo da Estação até o HOTEL D'OR, no qual o amável
M. Ignacchiti nos dará um quartinho a 500 francos (a quarta par-

N. 32 - O bilhete que se vê na foto n. 6 é um da coleção completa que


veio da Peregrinação. Observe-se que não somente deve ser destacada pelos
Inspetores a parte "IDA", como a de "VOLTA" deve Se?' entregue,.. Po-
rém, todos os bilhetes de passagens e mais contrôles, vieram para o Brasil.
E, não creiam que por relaxamento dos Funcionários. Os outros passageiros
entregaram, ou nos carros, ou nas borboletas de saída, os seus. Bem, Garolei,
eu tinha desejado trazer tOOas as lembranças para os nossos lntimos e para
fazer compartir um pouco mais, à querida Sadhanâ e a Vocês todos. "Acha"?
Há tanta gente que pergunta sempre: onde estão os poderes? Onde estão
os fenômenos? Não será na vida diária, despercebidos dos... "olha o ca-
chorro",?

58
te de Paris, em Hotel de "2 estrêlas só" ... ). - Viu, Carolei, do
alto atrás da Estação, como l'Arbresle é espalhada, dentro de sua
relativa importância? É cidade da Idade Média, figura em crô-
nicas das mais diversas espécies. Hoje, o "Guia" do govêrno a
assinala: a 446 km de Paris; por ela passa a auto-estrada que, 26
km adiante, nos deixaria outra vez em Lyon!

L'ARBRESLE está a 231 metros de altitude. 1l:ste dado é im-


portante; nos servirá nas profecias do MEM! População atual,
uns 2.959 habitantes (sem Você e sem mim r).
Veja, Carolei, neste cartão (Foto n. 7) que o querido amigo
Conde de Miomandre teve a fina atenção de separar dos seus ar-
quivos, como se vê bem, com o sinal "PAX" sõbre ela, a CASA DO
MESTRE, com sua longa alamêda. No outro extremo, o Convento
no qual CHAPAS morou, instalou aquêle Hospital, e onde, hoje;
moram seus descendentes e o Eng." R. (Michel de Saint-Martin).
Vamos subir até lá, Carolei? ..
Na esquina da rua principal, com a do Correio, passaremos en-
tre o belo Jardim da Prefeitura e a Farmácia, e tomaremos essa
ruazinha que sobe, e muito! No tõpo, à esquerda, desta vez. Pouco
adiante, lá onde há êste terreno cercado com a esquina tão aguda,
preferiremos a Encosta de que nos falava o Poeta de Miomandre.
Vê, Carolei (Foto n. 8) essa porta à esquerda, bem junto ao Poste
de iluminação? Ali mora Michel de St.-Martin. Ve-Io-emos de-
pois. Lá adiante está o que o nosso coração almeja. À esquerda
também, Aquêle Portão amplo. (F. 9)
Já estamos nêle. Vê Carolei, como o velho Letreiro "eLOS
LANDAR" está apagado? Mas, é do tempo do MEM MESTRE:
fique como está! Que longa é essa alamêda que víamos no postal!
Mas como são mais belos êstes . plátanos vistos assim de perto!
Olhe, Carolei, aquela carroça carregada de palha dos trigais!
olhe os jogos da Luz na sombra! Não sente, Carolei, ('m que estou
pensando? Naquela outra LUZ, a Dêle, quando esta alamêda 'es-
tava, às vêzes, cheia de gente. Lembra?
E. 455 - Na finca de l'A1"bresle, êle não recebia em tôrno da
casa residencial, nem sôbre o grande terraro que a ci1"cunda; mas
o pátio e às vêzes grande lJartc da alamêda estavam cheios de gen-
te; recebia aos visitantes diante do seu laboratàriozinho. Quantas
noites passou lá no trabalho, ou então sentado sôbre o murinho que
rodeia o pequeno lago, em suas meditações! Era lá que êle se re-
tirava do mundo, da luja-l1tfa da casa e dos importunos.
Temos que fazer umas boas fotografias de tudo isto, Carolei,
para que todos aquêles que não podem vir até aqui, tenham a possi-
bilidade de viver isto também, de visualizar êstes lugares, tão
cheios de Sua Aura, tão impregnados do convívio com os Seus Ínti-

54
mos, tão carregados de quem sabe quantos milllal'es de Gratidõea!
E, vamo-nos chegando àquela portinha, logo após a coluna bran-
ca, à esquerda da alamêda (Foto grande, n. 10)... Não chame,
ainda, earolei. Olhe o terraço interior, no qual ltle não recebia
a doentes nem estranhos. Só aos Íntimos! (N. 33)
Veja que silêncio, que paz, que suavidade impregna tudo aqui!
E que estranhas são estas tílias prateadas, gigantescas!
Já reparou, Carolei, que cada árvore, tem aqui um rosto, como
de pessoa'! Teria o MEM permitido a cada ente Vegetal assumir
Personalidade?
Dêste Terraço, earolei, vê-se bem o vale onde corre o rio
"L'A.rbresle". Também vê-se a linha férrea, profetizada pelo MEM.
E. 472 - Não havia trem, naquela época (1877-78), para vir de
Lyon a l'Arbresle e, um dia, aMEM PHILIPPE, tendo vindo a pé
(26 Tem) disse às Senhoras - esp6sa, sogra - ao regressar: "Ouvi
apitar um trem, tereis breve uma estrada de ferro para ir a l'Arbres-
le". "A família ia lá em landô e dava-se lJão torrado molhado em
vinho aos cavalos, ao chegar. No alegre 'mle de l'Arbresle, sito
nos confins dos Montes Lyonenses, tudo sorri ao viajar que souber
apreciar a natureza." (L. B., 17)
Veja, earolei, êsse mesmo Terraço, com um Banco Solitário, no
qual, quem sabe quantos entardeceres terá passado ali o MEM me-
ditando, ou orando por aquêles aos quais tinha prometido cura ou
apoio! (F. 12)
E veja, também, o murinho, no primeiro plano, à beira do pe-
queno Lago (F. 13), "sôbre o qual ltle meditava", como diz o E. 455,
e como me foi pessoalmente descrito por Philippe MARSHALL e
sua irmã Marie DOSNE, que me ofereceram esta fotografia, na
própria Casa do MEM, onde Marie l\1arshall (agora Sra. Marie
Dosne) reside com o marido.
Tornaremos a falar nêles, quando visitarmos a casa, sob a afe-
tuosa atenção dêsses únicos herdeiros do l\fEM.
Por agora, earolei, fiquemos no silêncio, olhando para êstes
lugares, tão purificados - a região tôda - pelo Labor do MESTRE,
que até velhas Ordens de Meditação procuram erguer ll10nastérios
nas redondezas. (N. 34)
N. 33 - As fotos de números 6, 7, 9, 10, 11 e 12, tiradas por mim na
Peregrinação, são parte das que depositei no Retiro. - O E. 455, de L. B.,
pág. 18, e das 4." e 5." ed. francesas.
N. 34 - A revista ELLE, em seu número 609, de 26 de agôsto de 1957,
trazia, com ilustração da maqueta do célebre arquiteto Le Oorbusier, o pro-
jeto do Monastério Dominicano, a ser erguido em Eveux, pet·to de l'Arbres le,
primeiro monastério de estilo ultramoderno, de cimento annado, e "lâminas
de vidro ondulatórias". Oada cela tem sua saz.inha, pintada a côres vivas.
Chão revestido de tapêtes de borracha. Ouriosa Igreja, em fonna de pa-
ralelepípedo, sem janelas,' com telescópios de luz.

55
Silenciemos, pois, Oarolei.. . elevemos o nosso pensamento ao
MESTRE, à sua promessa de que "um só pensar me trará junto
a vós", e procuremos, com tôda a fôrça do nosso querer, do nosso
amar, imaginar o que devia ser, para cada dia da vida dos Seus
familiares, dos Discípulos mais chegados, como Ohapas e a espôsa, La-
lande e suas duas espôsas: a primeira, filha do próprio Mestre e,
mais tarde, a meiga Discípula l\:1arie E. Lalande, o encantamento
da Sua Presença: grave e jovial; séria e afetuosa, cósmica e, no
entanto, tão singela.
Não nos concederá a Graça de vê-LO, como °
viam os Seus
Íntimos? - Oreia e ore, Oarolei... Seu sorriso e Sua Luz estão
tão perto ... sempre! VEJA!. ..

OS ÍNTIMOS DO MESTRE

E. 454 - 2le curava os males mais inverossímeis e o efeito se


produzia instantaneamente; as testemunhas ficavam estarrecidas.
Dizia sempre que não era êle quem agia, mas o Céu, ou seu Amigo,
a quem podia pedir tudo. Na intimidade era outro; na presença de
um amigo que sentia estar mais próximo dêle, entregava-se mais,
numa calrna perfeita, que o inundava, e alguma cousa de inabalá-
vel fluía dêle para a gente.
E. 188 - P: Mas, após tantos sofrimentos, a que se aspira?
R: À perfeição. E a perfeição não existe sôbre esta Terra.
(Dirigindo-se a um jovem que fizera a pergunta): Porém vós, não
vos preocupeis com nada. Tu seguirás a tua rota. Tu sempre te-
rás alguém . . . (virando-se para a assistência): Ireis todos para o
Céu, porém tu, - tu me seguirás.
Com. 36 - 1l:stes dois ensinamentos (N. 35) mostram bem quan-
to é difícil, nesta Terra, deixar que um pouco da Plenitude, da Am-
plidão, se derramem; poder ser Espontâneo, para com tanta gente
que se oculta, se fecha, ou, simplesmente, está: entre indiferente e
ávida de cousas apenas secundárias! Percebem-se, claramente, as
condições para a Intimidade com um Mestre! - No E. 188, além
do dito sôbre a perfeição, há evidência de um dos modos de ser do
MEM: repentinamente, deixando de se dirigir à massa dos consu-
lentes e ouvintes, passava a visar a uma mente mais aberta, a um
coração mais entregado, e a procurar dar a oportunidde da apro-
ximação, mediante o que chamaria - eu - de "profecia condicio-
nal". E o tutear forte e carinhoso, meigo e taxativo, ao mesmo

N . 35 - E. 454 provém de L . B ., pág. 15, achando-se também nas 4."


e 5." edições; o E . 188 vem de S. Ly., de têrça-feira 26-9-1893, pág. 115 do
I VoZ.

56
tempo, penetrava ... - Quantas dessas semeaduras germinam, Ca-
rolei? .. Mas, dos lábios do MEM, com que poder partia o Verbo
e que Promessa significaya!
É por isso que Marie E. Lalande ressalta (L. B., pág. 31), o
valor de certos ensinamentos "que são respostas a perguntas feitas
na intimidade". - E, veremos logo que certas de tais respostas
eram dadas sem palaHas. Os Íntimos deviam estar atentos a tudo
quanto dizia, fazia, ou fazia acontecer, o MEM, já que, "em tôrno
de um Mestre, nada acontece sem uma razão", como tantas vêzes
tenho procurado gravar na mente - oxalá fôsse no coração! - dos
que dizem procurar: consciência, luz, verdade, ensinamento, apoio ...
E. 799 - (A pág. 210 e segs. da 5.' edição, o Dr. Ph. Erwausse
refere êstes encantadores e luminosos fatos): - Era hábito firma-
do, por parte dos Discípulos do MESTRE, festejar-lhe o dia ono-
mástico na data de São Nizier. Um dia, manifestou o desejo de
ser "festejado" no domingo de Ramos (lembra-se do nascimento Dê-
le, Carolei?), que, nesse ano (1901), caía em 31 de março. Nessa
ocasião, muitas pessoas trouxeram-lhe fl6res. Êle as fêz repartir
pelas Sras. Chapas e Condamin. Mas, como nada era feito ao acaso!
cada um recebeu ranws de fl6res, com as c6res e espécies diferentes,
sirnbolizando os gostos e o caráter daquele ou daquela que os recebia.
Também achei - refere o Dr. Encausse - nos arquivos de
Papus, dois bonitos postais impressos, em homenagem ao Mestre,
de 27 de março de 1898 e 26 de março de 1899. Trata-se de dois
sonetos que lhe foram lidos por ocasião do seu dia, e cujo como-
vente texto emociona pela singeleza e sinceridade dos dois humil-
des discípulos-autores (que êles, Cm'olei, me perdõem a livre ver-
são!) :

Querido Benfeitor, meu Anjo da Guarda me disse:


rai filho querido, vai tu, o mais pequenino,
Falar bem docemente, como na tua prece,
Ao Apóstolo Divino que Deus p6s na Terra.
Em n01ne de todos, dize-Lhe que o Seu é bendito,
Q1lC o nosso coração dá-Lhe amor infinito;
Dize-Lhe que Sua grande alrna, filho, muito cara nos é,
Que Êle é o nosso Salvador, nosso benfazejo pai.

Para celebrar Sua doce e santa festa,


Abre teu coração, une as mãos, sê poeta,
Dize, por todos nós, com acentos bem comovidos:
6 Mestre amado, vossa bela fronte refulge
Com esplendente e celeste coroa,
Auréola de Anwr, feita das vossas virtudes.
(27 de março de 1898)

57
Após ouvir êsse sonêto, o Mestre, comovido até às lágrimas
por tanto Amor, pediu para se retirar por breves instantes, para
acalmar o seu coração ...

Doce Mestre, em tárno de vós, não mais males, não mais prantos
A vossa meta está atingida, tudo é alegria e esplendores,
A vida está, em nossa alma, à felicidade uwida,
Hosana! tudo sorri, é a aurora bendita.

Que êste humilde sonêto seja o incenso destas flôres,


Que canta com amor as estrofes dos nossos corações.
Que nUlna arrebatadora e celeste harmonia,
Leve aos pés de Deus sua ternura infinita.

6 Mestre bem-amado, querido delicado tesouro,


Os Anjos do Senhor, em ardente revoada,
Coroem a vossa cabeça.

A flor murchará, amanhã, em alguns dias,


Mas nossos corações ficarão para celebrar sempre
A vossa imortal festa.

(26 de março de 1898)

Assim, Carolei, era a TERNURA com a qual os Discípulos ro-


deavam ao MEM MESTRE, numa comovente tentativa na qual,
realmente, não sei o que mais emocionante fica: se o carinho res-
peitoso dos humanos, em tôrno a seu Protetor e Instrutor, ou se a
tentativa, quase angelical de intenção e intuição, dessas humildes
almas procurando reverenciar ao Grande Ser, entre elas permane-
cido por Amor ...

* * *
Os Irmãos do Mestre. - Sédir nos disse, a pág. 72 do I VoI.,
que êle era o mais velho de cinco irmãos - melhor dito, de quatro
- e de uma irmã, cujo nome: Clotilde, vimos na dedicatória da
Tese. Um de seus irmãos, Benoit, lembrava-se de existências ante-
riores; por vêzes dizia a seu irmão: "Lembras, quando fazíamos
isto, ou aquilo?" 1l:sse irmão veio, mais tarde, morar com os Phi-
lippe em l'Arbresle. O ~lESTRE amava muito a êsse irmão com
quem podia falar mais do que com outras pessoas; e chorou quando
foi levado pela epidemia de varíola que houve em l'Arbresle em 1881.
(L. B., pág. 14)

58
E . 577 - Outro de seus irmãos, Auguste, - conf orme f oi-rne re-
latado por Michel de Sain t -Martin, no CIos Santa Maria, também
devia ser uma alma invul gar, pois sentia tal respeito pelo MEM,
que, cada vez que pronunci ava o nome Dêle, acrescentava: " . .. digo,
meu Irrnão", e era preciso descobrir-se, gesto que todos os intimos
faziam com muito sentido e natural respeito.

* * *

A Esp6sa do M EM MESTRE. - J á vimos à Srta. Jeanne Julie


LANDAR, como paciente e como noiva do MEM, e o casamento dê-
leso Nascida em 18 de setembro de 1859, mais jovem que o Mestre
em dez anos, portanto, ela faleceu em l'Arbresle, em 25 de dezem-
bro de 1939, tendo sido sempre a nobre e digna Senhora, cujo fino
trato com as dema is famílias de Íntimos veremos ao longo deste
livro.
Sabemos que o MESTRE nada podia pelos seus, quando se
tra tasse de lutar contra "O Destino": acidentes, doenças, mortes.
Mas, em outras oportunidades, 1l:le podia usar - e usava -
dos seus poderes "desconcertantes". Exemplo belo, pelo fato e pelo
carinho humano que encerra, êste:
E. 582 - No Pátio interior da Residência, havia - cousa mui-
to rara na França - um pé de laranjeira, que trazia anualmente
frutas. Com o andar do tempo, exposto ali a muita gente que
ocupava o pátio, foi transplantado no jardim privado, junto ao
Terraço. Não obstante os cuidados, secou. Certo dia, o Mestre
passou perto do lugar em que, tristem ente, a sua Esp6sa acabava de
mostrar ao jardineiro o pé sêco, dizendo para removê-lo e plantar
outra cousa. Emocionado, o Mestre perguntou: "Gostarias, minha
Joãzinha, que êle ainda vivesse?" .. . E, ao ler nos olhos da "Joazi-
nha" a suplicante afirmação, disse : "Pois então, viverá." E, a
partir dêsse dia, o pé ressuscitou, reverdeceu e tornou a dar f6lhas,
f16res e trutos por anos ainda.
Com. 37 - Êsse Ensinamento me foi referido, também, por
Michel de Saint-Martin e, horas após, confirmado por Philippe
MARSHALL, o qual levou-me ao lugar em que achou-se a árvore,
outrora. Será cedo, pergunto, Carolei, para lembrar um ensinamen-
to que alguns "intelectuais" poderiam ter propensão a tomar em
sentido "figurado" (que triste figura fazem muitos pela sua dificul-
dade em "acreditar" I). Ei-Io:
E. 66) - Quando passa um homem que t em a vida do Pai, tudo
renasce ao seu contato. Se êle pisar uma árvore sêca, essa árvore
reverd ecerá.
*' * *
59
Os Filhos do MEM MESTRE. - E o Anjo dissera ao Eleito:
" ... Os poderes conf eridos por tua decisão, ninguém tos poderá ti-
rar; serão vãos, porém, para ti e para os teus entes próximos e
serás incapaz de mandar no espírito da tua própria criança, ao
passo que terás pleno Poder s6bre os estranhos e isso será mais fon-
te de humilhação, porque os cegos dirão: "Olhai, pois, a ésse mis-
tif icador que pretende curar os outros e não pode impedir à doença
e à morte de lhe atingi r os f i lhos!" (I, 53)
Com. 38 - Em 11 de novembro, de 1878, nasceu V ITóRIA , a
primeira filha do MEM. - E , antes de seguir na considera ção da
pessoa - visível e aparente - dessa menina encantadora, seja-me
permitido, Carolei, atrair sua atenção para uma das profecias silen-
ciosas do Imperador do Mundo: 1!:le deu à Sua filha o nome de
Vitória, dessa vitória que, em 11 de novembro de 1918, iria outorgar
novamente a Paz, rôta pelos acontecimentos de 2 de agõsto. A data
dupla: em 1905, a desencarnação do MEM e, nove anos após, a mor-
te da paz européia. Há outras dessas "coincidências", sôbre as
quais (pois eu já as tinha notado) tive o prazer de ouvir Philippe
MARSHALL chamar a minha atenção, no Clos Landar, em 1956.
(N. 36)
A segunda criança nascida nesse Lar abençoado pelo Céu, foi
um meninozinho, que recebeu o nome de Alberto Philippe. - Con-
forme foi dito a pág. 38 do I Vol., nasceu em 1881, falecendo, aos
três meses, da mesma epidemia de varíola que vitimara, como já
vimos, ao Irmão do MEM. Que dor, deve experimentar um Ser
TODO BONDADE, como o MEM, ao presenciar o sofrimento dos
familiares e saber-se inibido - como o Anjo dissera - de tôda
intervenção, em favor dos que partem, e dos que ficam!
Mas, voltemos a Vitória. Com exceção da sensível Marie E.
Lalande, os diferentes biógrafos do MEM não outorgaram até
agora tôda a importância que nos parece merecer êste Anjo, encar-
nado perto do MEM. - Procuremos nos aproximar Dela, . através
de alguns comentários esparsos em diferentes fontes: "O Sr. e a
Sra. PHILIPPE tinham uma filha, de natureza singela e afetuosa,
bem afastada de tôda preocupação literária ou filosófica, mas ter-
namente apegada a seus parentes, criada na admiração a seu Pai,
e pronta a amar a seu Discípulo preferido." (N. 37)

N. 36 - A pág. 38 do I Volume, por um êrro ocorrido na revisão dos


originais da tradução, figura a data de 11 de outubro, inexata, já que, tanto
na 4." e 5." Edições francesas do Livro do DL Ph. Encausse, como em Lu-
miere Blanche - pág. 17 - figura 11 de novembro, sem dúvida alguma.
N. 37 - Palavras de M . André LALANDE - do "Institllt de France",
e irmão do Dr. E. Lalande, que foi o espôso de Vitória, na I parte da B.M.H.,
a pág. 54.

60
"Não conheci a M. Philippe, mas encontrei-me com sua filha,
que era uma encantadora criatura de sonho." (N. 38)
"Victoire LALANDE era de natureza totalmente espontânea e
inteiriça: ela adorava a seu marido e pedia alívio para êle, a seu
Pai, quando sua saúde a preocupava. Escrevendo à Sra. l\1arshall,
ela traçou um coraçãozinho sob sua assinat ura. E, quando encon-
trou-se com ela, pouco após, disse-lhe "Vês, eu assino com o meu
coração só para meu Bom Paizinho (ela sempre chamava assim ao
Pai), E mmanuel (o espôso ) e tu : muito vos amo, então ponho meu
coração sob meu nome.".. . "Sua alma era cristalina e tôda ela
pura." (N. 39)
"Levezinha e miúdinha, certa vez o seu marido a ergueu no
braço e a fêz girar em tôrno de si, como a uma criança, durante
um jôgo de "croquet", sob os plátanos da alamêda ... " (N. 39)
"Em novembro de 1897, dois meses após o casamento do Dl'.
Lalande, tive o prazer - raro, creio - de ser recebido no lar
dêles, na Rua Tronchet, em Lyon, e de apreciar todo o encanto da
sua jovem espôsa, loira (de olhos aZUiS), delicada, Uln anjo, como
foi dito" . (N. 40)
E. 443 - Victoire Lalande, "neé" Philippe, tinha anunciado a
própria morte à sua mãe, no l1wmento do casa1nento. (M. P. 4.· e 5";
Victoire, casada em 2 de setembro de 1897 com o Dl'. Lalande
(N. 41), faleceu em 24 de agôsto de 1904, após poucos dias de
cruel doença (N. 39), e, quando "Berthe MATHONET foi avisar
a Sra. Marshall que sua amiguinha falecera, a família MarshalI
foi logo para l'Arbresle. O MEM os recebeu na sala e disse à
Sra. Marshall "vês o que nos acontece", e "vem vê-la", e a levou
acima, no quarto onde sua filha repousava sôbre o leito, tôda bran-
ca e tôda miúdinha, em seu vestido de casamento. O Doutor La-
lande estava em Lyon. Ajoelhada ao pé do Leito, assim ficou a
Sra. Marshall, durante todo o tempo em que o seu Mestre perma-
neceu, em pé, em frente dela, do outro lado do leito. 1tle fêz um ges-
to, quis falar, mas havia outras pessoas ... " (N. 39)

N. 38 Jules LEGRAS, Professor na Sorbonne, 2.· pal·te da B.M.H.,


pág. 54.
N . 39 Lembranças da Sra. Marshall, mais tarde segunda espôsa do
Dr. Lalande, em: L.B., pág. 63, e em B.M.H., págs. 82, 85 e outras.
N . 40 - "Algumas lembranças" - 3.· parte da B.M.H., por L. Ohamuel,
pág. 67.
N . 41 - Do texto do Dr. André Lalande, já citado, a pág. 35 de B.M.H.,
onde consta esta fina observação: "O convite de casamento, de original for-
mato, trazia, em lugar de iniciais, um medalhão quadrado, no qual avançava,
sôbre uma água tranqüila, um cisne l'efulgente de luz, Em excerto, estas
palavras tão apropriadas, e que, com notável acêl'to, formavam exato ana-
grama dos prenomes dos noivos: Cui lumen, ei et amor.

61
Não sei, earolei, o que mais devemos admirar, nesse conjunto
de fatos que - ó tristeza para meu coração! - passam tão desaper-
cebidos aos que lêem as biografias dos Mestres e seus íntimos,
apenas com os olhos do corpo, ou, quando muito, com a atenção
fria e sêca dos busca dores de informação intelectual:
Com. SI) - Pois, em verdade, êsse Anjo era, para o MEM, um
companheiro, e - na minha opinião - um sinal; sabia l!:le que
quando Victoire partisse, certos acontecimentos, entre os quais a
Sua própria partida, estariam próximos. E - acho eu -, muito
havia de O entristecer, ver que após tantos anos em meio a nós
(os mortais comuns ... ) tão pouquinho fôra obtido!
Há muito mais: o aviso de sua própria morte, dado pelo Anjo
Victória; o suave carinho dado por ela mesma à Sra. Marshall, a
meiga e mística Discípula, que haveria de ser o ponto de apoio
para o total florescimento de Marc Haven, mais tarde. E, ainda,
como veremos, a própria condução que o MEM dava a êstes diver-
sos sêres, para que o destino providencial de cada um dêles fôsse
se cumprindo. Por isso, earolei, veremos novamente, adiante, como
l!:le, nos momentos que, para mortais comuns seriam scnnente de
sofrimentos, seguia exercendo a Sua missão e labor de Mestre,
e. .. de Profeta até entre os Seus ...

* * *
Outra Intima: Berthe MATHONET. - Com. 40 - earolei,
earolei! que triste fico, quando vejo aos que pensam procurar ele-
vação espiritual, e, no entanto, seguem considerando classes so-
ciais! E não dando tôda a atenção que merecem os humildes, de
aparência, de condição, mas que, muitas vêzes, são os poderosos
auxiliares dos Mestres, pela fidelidade, pela entrega de coração -
feita de uma vez para sempre -, sem retrocessos nem condições!
sem variações nem flutuações! Por isso, earolei, cantam como uma
real homenagem ao MEl\! as muitas páginas que, ao longo de suas
lembranças, tanto em Lumiere Blanche como na B. M. H., dedica
Marie E. Lalande a Berthe MATHOXET.
A atuação dessa fiel Seryidora (não no sentido da sua função
doméstica, senão no espirit'uall) ficou especialmente ligada ao la-
bor do ME:\f, em um dos seus aspectos mais secretos: o da química
farmacêutica e o da Alq1timia, como veremos no capítulo especial.
Aqui, conyém lembrar, apenas, que: em 1881 êle criou um primeiro
Laboratório de química, na Rua Colbert. Mais tarde, outro labo-
ratório, secreto, foi instalado na Rua du Boeuf, n. 6, em Lyon e,
finalmente, hayia também o seu laboratório, mais privado ainda,
de l'Arbresle ...

62
Nem os familiares ou íntimas pessoas do MEM tinham acesso
a seus labôres, com exceção esporádica de alguns. Mas, Berthe
MATHONET estêve sempre ao lado, seja das fornalhas e apare-
lhos químicos, como da imensa autoclave e outros aparelhos, nos
quais as misteriosas investigações e invenções do MEM se plasma-
vam. Berthe, que nem sabia ler ou escrever, era assim, para tema
de meditação de muitos, a fiel ajudante de tão reservados labôres!
Era, ainda, a fiel mensageira entre o MESTRE e os íntimos,
levando cartas, recados verbais, e os apontamentos místicos, dos
quais hei de falar, adiante. - Ciumenta por dedicação, desconfiada
por função, Berthe chegava a receber com prevenção às pessoas
que, às vêzes, haviam de se tornar prediletos do MEM, pouco após;
foi o caso de Mme. Marshall pois, "após tê-Ia recebido inicialmente
bastante mal, nos encontros que o MESTRE lhe marcava, Berthe
chegou depois a pedir licença ao MEM para chamar à Sra. Marshall
pelo seu nome de MARIA" (B.M.H., pág. 81).
Era tal a dedicação total de Berthe que, "após o falecimento
do MEM, ela continuava servindo fielmente aos Familiares e ínti-
mos do MESTRE, ficando até chocada se algum dêles ausentava-se
da região na qual se achava o Seu Túmulo, ao qual Berthe subia
diàriamente e com quaisquer inclemências do tempo; tossindo ter-
rivelmente cada inverno, isolada pela sua própria impossibilidade de
escrever e, tendo tal angústia ao pensar que, a lgum dia, poderia
ter que deixar a Rue du Boeuf, onde tinha simultâneamente seu
apartamentozinho e o Laboratório que conservava, onde o MEM,
e ela, tantas noites passaram, tendo Berthe, muitas vêzes, terminad.o
uma preparação de acôrdo com Suas indicações, que a Sra. Marshall
conseguiu comprar, em nome de Berthe, o imóvel. Para obter o acôrdo
de seu marido, a Sra. Marshall pediu a Berthe que colocasse em seu
testamento ao menino Philippe MARSHALL que tornou-se, assim,
herdeiro universal de Berthe MATHONET (B.M.H., págs. 94 e 95).
Com. 41 - E, Carolei, para não esquecermos que, sempre, na
vida, devemos a outrem, e muitas vêzes aos que nos parecem "me-
nores" do que nós, os momentos ou "cousas" mais preciosos da nos-
sa existência, terminarei esta homenagem à fiel Servidora, recor-
dando - graças, mais uma vez, às lembranças de l\:[me. Lalande
(B . M. H ., pág. 81) - que devemos a Berthe um dos mais belos En-
sinamentos do MEM: Ei-Io:
E. 588 - "É a essa Berthe MATHONET que Êle disse um dia,
quando, desacoroçoada, ela não quer ia mais fazer certa cousa, per-
guntando se valia a pena: que, se alguém tit'esse ainda algumas
mudas por plantm·, e embora soubesse que o mundo inteiro fôsse
terminar à noite, deveria assim mesmo plantá-las ainda pela manhã,
para ser um Filho do Céu". - Obrigado, MESTRE! . . Obrigado;
Berthe!

63
Outro intimo do MEM: Jean CHAPAS, o Sucessor direto
(N. 42). - Já vimos, a pág. 170 e seguintes do Vol. I, alguns ex-
certos do notável artigo de Christian de MIOMANDRE, sôbre Jean
CHAPAS. Vamos resumi-los agora, situados com os pormenores·
de outras fontes, o que nos dará, em conjunto, melhor idéia do
Filho de Deus a quem o MEM escolheu para Sucessor, principal-
mente no aspecto das Curas.
"O Mestre PHILIPPE tinha um colaborador que o acompa-
nhava cotidianamente em sua obra de cura e de soerguimento das
almas; chamava-se Jean CHAPAS. Gostaríamos, neste estudo (N.
43), de mostrar a atividade e esboçar um retrato dêsse Discípulo
bem-amado de PHILIPPE, com o qual temos privado muito nos
anos de 1921 a 1932.
"Jean CHAPAS nasceu em Lyon, em 12 de fevereiro de 1863 ...
terminados seus estudos primários e os de capitão de navegação
no RÓdano, cumprido serviço militar, já o MEM PHILIPPE trouxe
para junto de si a êste jovem no qual percebera dons particulares
para sua obra espiritual. (N. 43) Isso foi em 1883.
"Durante alguns anos, Chapas cumpriu em silêncio, tôdas as
tarefas que o MEM PHILIPPE lhe confiou. Sabemos, pela pró-
pria Sra. Chapas, o que foram, para o jovem, êsses anos de provas
espirituais e de formação interior, para o labor que o aguardava."
(N. 43)
E. 538 - Finalmente, PHILIPPE entregou wn dia a Jean Cha-
pas, na presença da môça que wn dia seria sua espôsa, uma corda
com nós, que 1!:le tinha confeccionado cmn especial intenção para
Chapas, e disse-lhe, textualmente: "Permanecerás diàriamente uma
hora no teu quarto; quando tiveres chegado a êste nó, estarás ante
o Espírito Santo." Jean Chapas nunca disse palavra alguma a nin-
guém, sôbre éste assunto. (N. 43)

N. 42 - Deve fioar bem olm'o, de urna vez por tôdas, para Vooê, Caro lei,
que est01t apresentando, tanto aos 1ntimos, que mO"avam oom o Mestre ou
perto Dêle, oomo aos Disoípulos externos - páginas adiante - seguindo ex-
clusivamente a ORDEM CRONOLóGICA DAS DATAS EM QUE CADA
UM D1)LES ENTROU EM CONTACTO COM O MESTRE. Essa me pa-
reoeu a únioa forma de prooeder que, ao mesmo tempo que apresenta vanta-
gem lógioa no aspeoto histórioo, também tem a de evitar qualquer ordem pre-
ferenoial, seja minha ou de teroeiros. REGISTRE-SE. - E registre-se,
também, que irei mostrar - até onde a' dooumentação mo permitir - quais
são os suoesso"es, representantes, ou pessoas mais l'igadas na atualidade, em
relação a cada um dos íntimos ou Discípulos diretos, oomentados nesta obm.
N. 43 - Palavras do Homem de Letras Conde Christian de MIOMAN-
DRE, sôbre ouja personalidade voltamos adiante. Cada vez que um Ensina-
mento dos oitados neste tema provenha dêsse estudo, indioá-Io-emos oom
(N. 43).

64
Após onze anos de fidelidade, Chapas viu acontecer isto: "Em
1894 o MEM o apresentou a seus doentes na sala das sessões e
disse-Ihes, em 21 de fevereiro de 1894 (SS. Ly. - N. 44):
E. 274 - Dizeis: como é que agora estou sempre falando em
Deus, quando outrora não f alava? Com efeito, agora o Senhor
Chapas está encarregado de fazer o que eu fazia outrora: êle anota
os nomes dos doentes e assunte uma grande responsabilidade. E u
não f aço nada, peço a D eus. Agora i st o: Deus só dará algum a
causa a quem j á t em e vos afir mo que tôda pessoa que pedir por
outras pessoas que nunca v i eram, estas serão curadas.
É possível, Carolei, que êsses ensinamentos expliquem êste fato:
E . 467 - Sua mulher, entrando certa noite no quarto em que
êle estava em oração, viu junto dêle um brilhante Sol.
E, após êsse ensinamento, do Manuscrito de Papus, vejamos
outro, das Sessões de Lyon:
E. 316 - É à vossa revelia que Chapas e eu procuramos com
freqüência curar a vossa alma, pois (do contrário) ser-nas-ia pre-
ciso obter de vós promessas que a 1J'l/itído não iríeis manter. Se a
'cússa alma não estiresse doen te, o vosso corpo estaria com boa
saúde.
Isto foi dito em 9 de julho de 1894 e, diz Christian de MIO-
NlANDRE: "Desde então, Jean Chapas assistiu com regularidade
ao Curador em seus trabalhos e, nas suas obras para com todos
aquêles que apelavam para 1l:le" (N. 43). - Em 1898, casou com
Louise GRANDJEAN, filha de um artesão marceneiro; o casal teve
duas filhas, das quais a primeira faleceu menina. (N. 43) E, a
respeito de tal morte, o Manuscrito de Papus nos brinda o:
E. 466 - me teve uma primeira filhinha, batizada Martine,
pelo Mestre em março de 1899. Essa menina morreu ainda criança.
Seu pai tinha pedido uma alma sem defeitos; eis porque não pôde
ficar na Terra. Como ela adoecesse C0111, freqüência, seu pai foi
a uma sessão do Mestre para pedir a cura. Foi-lhe esclarecido que
se ela vivesse, uma mãe de família deixaria os filhos órfãos. En-
tão Chapas respondeu: "Se deve haver lágrimas, prefiro que seja
no meu lar."

N . 44 - Ao pé do citado artigo de Christian de Miomandre, no número


5. do ano 27 (set.-out ., 1953) de L'INITIATION, uma nota do DI". Philippe
ENCAUSSE esclarece que o manuscrito das "Sessões" (publicadas no primei-
ro volume brasileiro por ordem de datas e, neste volume, por ensinamentos
classificados mistioamente) provém de anotações tomadas por um "canut"
(tmbalhador da indústria têxtil, típioa de Lyon), mais tarde oopiadas pelo
Sr. François Galland de N attages (Ain) e, finalmente, tornadas a oopiar pelo
Prof. Emile Bertrand, da Faculdade das Ciênoias da Universidade de Liege
(Bélgioa). - Como 8e vê, a "rêde" dos estudiosos ooultos dos Ensinamentos
do MEM . .. é digna da indústria têxtil de LYON ...

65
É por fôrça do valor extraordinário de CHAPAS, que o MEM
o tinha em estima tão profunda, ao ponto de associá-lo em declara-
ções espiritualmente transcendentes, como as que se vêem neste
ensinamento das Sessões de Lyon, de 27 de novembro de 1894:
E. 348 - Estou certo que ninguém, pensa em agradecer a Deus
quando lhe chegam adversidades. É preciso ser forte para entrar
no Céu; é preciso ser soldado, e para sê-lo, é p1·eciso ter feito exer-
cicio. A fraqueza não entra no Céu, porque os fracos são pre-
guiçosos.
É preciso antes de 1nais nada expulsar o orgulho do nosso co-
ração, assim 001110 a maledicência. Os homens, êsses, ficam às vêzes
irados contra 1l1n vizinho que fêz alguma causa que lhes desagrada,
porém as mulheres, essas vão primeiro ao porteiro contar ~t1n se-
grêdo que sabem a respeito do vizinho, depois no mercadinho, etc.
Tenho-vos recomendado com freqüência que não façais assim. Ten-
des prometido. Levaste-o em conta? Nada disso. Às vêzes dizeis
a vós mesmos:
"Não Va1nos lá hoje", e contudo sois levados a vir. São os vos-
sos anjos da guarda que vos empurram, e não achais que ao sair
daqui estais mais aliviados, que vos sentis ma is fortes?
Chapas e eu, vos temos presos em nossas rêdes, S01JWS os pesca-
dare vindos para pescar aos que queriam fug ir. Aquêle que qu iser
suportar as adversidades com coragem será o meu amigo, mais que
meu amigo, meu irmão. Ah! ninguém quer i a penas. Pensa-se que
é o bastante se, tendo um comércio, honra-se aos compromissos,
cria-se a f amília, e 1Jwrre-se após se ter confessado. Pensa-se en-
trar fàcilmente no Paraíso depois disso, desenganai-vos.
Com. 42 - Compreende, Carolei: onze anos de preparação e pro-
vas; uma hora de oração-adoração com um apoio santificado pelo
MEM MESTRE; a "responsabilidade" assumida, ao aceitar as pro-
messas que outros fazem, para serem curados pela Graça, e que êle,
Chapas, terá, agora, que endossar; e que apoiar, também com preces
e com sacrifícios silenciosos como preço adiantado do que pede ... ;
a valentia moral e cardíaca de preferir a morte da própria filhinha,
que valia tanto que para salvá-la, mister teria sido morrer uma
mãe de família. Pense, Carolei, medite, chore um pouco, se pu-
der . .. e se sentir porque Chapas preferia que as lágrimas fôssem
no lar dêle, e não alheio!
Compreende, agora, por que o l\'IE~l o admite como "amigo,
mais que amigo, irmão"?.. Então, agora, iremos ver outros as-
pectos de Chapas, após a partida do MESTRE . .. Comecemos com
quatro ensinamentos do Manuscrito de Papus:
E. 470 - Após a morte elo Mestre, êle assumiu o aluguel do nú-
mero 35 da Rua da Tête-d'Or, onde prossegue as sessões: belas
curas.

66
E. 4G8 - Certo dia, um homem veio pedir a Chapas dinheiro
para pagar uma promissóTia. Chapas deu-lhe imediatal1wnte o
que juntara para uma despesa pessoal.
E. 469 - O que deve ser notado nêle é a discrição, a humilda-
de, a total ausência de 1JULledicência.
E. 471 - Em 1909 1Jwvem-lhe um 1)rOCeSSo POt· exercício ilegal
da medicina. A seu pedido mando mn relatório. Absolvição de
Chapas.
Christian de l\:1IOMAXDRE lembra, com relação ao processo
de 1908, que o tribunal teve que reconhecer que o Sucessor de
M. PHILIPPE agia unicamente pela prece, o que motivou perderem
os médicos a questão.
Chapas, recebendo os doentes na Rua da Tête-d'Or, 35, local
que iremos conhecer de mais perto em páginas Yindouras, o fêz,
desde novembro de 1904, mês no qual o }IE~1 deixou de vir, até
1919-1920, pois a atmosfera local mudam. Diz de l\:1IOMANDRE,
a tal respeito: "J ean CHAPAS tinha consagrado vinte anos da
sua vida aos que seu MESTRE lhe tinha confiado, tinha-o feito
com tôdas as suas fôrças e tôda a sua fé, mas incidentes graves
produziam ~se; certas pessoas procuravam abertamente hostilizar
ao Amigo de Deus e vinham até provocá-lo no seu próprio local.
Chapas decidiu, então, pôr têrmo à sua atiYidade pública e passar
a receber apenas os am'igos íntimos... No que diz respeito a isto,
quando o Amigo de Deus - Chapas - foi-se para o outro lado,
em 2 de setembro de 1932, foi GAUTHIER, um companheiro que o
M. PHILIPPE pusera junto a Chapas para ajudá-lo em suas tare-
fas materiais, quem continuou - dizem que por iniciativa própria
- a receber aos amigos íntimos, de 1932 até 1947, ano em que veio
a falecer." (N. 43)
Com. 43 - Carolei, acho que Chapas é figura bem transpa-
rente para nós, com o que ficou exposto, no relativo ao seu papel
e missão de curar, por transmissão de Poderes feita pelo l\lEl\1
MESTRE. Devo ressaltar que, em tudo quanto citei - especial-
mente de Chr. de MIOMANDRE - afastei, propositalmente, o
que se refere ao próprio escritor, e a seu venerável Pai, a quem
iremos achar entre os Discípulos externos do MEM. Também dei-
xei, para o tema das Profecias, as que Chapas fêz, completando, às
vêzes, as que o M. PHILIPPE deixara expressas.
Finalmente, devo dizer que, no artigo citado na Nota 43,
constam notáveis ensinamentos de Chapas, numerados por mim de
538 a 554, e que irão aparecer nos temas a que se referem.
Falta lembrar, aqui, que Chapas, como ficou pormenorizado no
I VoI. - a págs. 170 e segs. - utilizou a magnífica propriedade em
que morava desde 1911 no verão, em l'Arbresle, para HospitaL

67
~sse vasto edifício fôra Convento das Ursulinas. Já o vimos nas
fotos da Peregrinação. Tinha sido legado à espôsa de Chapas pela
Sra. SANTA-MARIA . Daí chamar-se hoje, a inda, "Clos Santa-
-Maria". De 1914 até 1919, 60 leitos abrigaram ali soldados feridos,
aos qua is Chapas dava as duas assistências. Alguns diretos Discí-
pulos de Chapas irão logo nos falar mais um pouco do "Amigo de
Deus".

Um Discípulo contemporaneo: Chri sti an de MIOMANDRE. -


~ste Homem de Letras, delicado poeta, de místico sentir e pensar
profundo (N. 45), é filho do Conde l\:Iaurice de l\:IIOMANDRE, es-
critor e jornalista, de quem o próprio filho nos falou (Volo I, págs.
171 e segs.) .
Com. 44 - Realmente, CÍlrolei, torna-se necessário fazer im-
portante esclarecimento: poderia Você admirar que eu situe e fa-
le, aqui, do filho, Christian, antes de falar no Pai: a razão, nó
entanto, já a dei em páginas anteriores: acharemos ao Conde
Maurice entre os Discípulos diretos do MEM, isto é: entre os que
com êle privaram, durante a existência física do MESTRE. -
Outro aspecto: o Conde Maurice convidou Chapas a permanecer
na Bélgica; no entanto, só coloco ao filho Christian como Discípulo
de Chapas pelas razões que êle mesmo deu : as de ter privado com
Chapas de 1921 até 1932. - Terceiro aspecto : o Conde Christian -
e muitas outras pessoas - consideram-se atualmente seguidoras de
Philippe MARSHALL, de quem falaremos logo adiante. Portan-
to, Carolei, é importante, compreender bem, que o fato de figurar,
tal ou qual pessoa, como Discípulo de um, ou de outro, dos que
transm,uem, em mais direta sucessão, o ENSINAMENTO - públi-

N . 45 - A família dos "Myomandre" (grafia antiga) é o1"iginál'ia de


Felletin, na região da Creuse, comun a de Saint-Pardou d' A rnet. Enx ameou
no fim do século dezesseis para o Limousin.. . No século XVII contou com
advogados Membros do Parlamento em Limoges, conselheiros, etc. - No
reino de Luís XVI, dois membros 'da família , innãos, foram postos na qua-
lidade de guardas pessoais de lllaria Antonieta, Um dêles il-/!strOl!-se pela
coragem em defender a vida da rainha quando do ataque ao castelo de Ver-
salhes, em 5 de outubro de 1789, pelos desordei ros vindos de Paris. Seu
irmão, Marquês de Chateauneuf, emigro!! para o principado episcopal de
Liege (Bélgica) , onde deiXaI! descendência, antes de desapm'ecer misteriosa-
mente, numa viagem a Paris feita na época do Consulado.
Às linhas precedentes - da pág, 230 de L'Initiation, set,-out. 1953 -
devo acrescentar, Carolei, que o atual Conde Christian é auto,' de onze
obras poéticas que precedem e constam da duodécima, seu delicado volume
POEMAS ESCOLHIDOS, que foi ainda sucedido, - até agora - por
"Penseur et Jouvencelle", que valeu-lhe ser Laureado de Poesia pela Aca-
demia Rhodanienne des Lettres, e por "Antiphonaire", Destas três últimas
obras, cujos Editôres constam da BibUografia, no fim desta obra, o Retiro
guarda carinhosamente os exemplares dedicados pelo querido Poeta.

68
co e, ou, privado - do Muito Excelso Mestre, não deve aparecer em
sua mente, Carolei, como divisões, e sim, como malhas da luminosa
rêde na qual, todos nós, procuramos que as nossas pequenezas, uni-
das, se esforcem por conter, r eter, conservar, distribuir, o que
1l:le nos deixou. E que, portanto, não há - nem poderia haver -
"donos" do Ensinamento do Mestre. O que sim há, certamente, · é
uma diferença de conteúdo, e de modo de transmissão; segundo o
gra u de entrega, e de compreensão; de misticismo ardente, ou de
fria consideração, em r elação ao ME M e Sua Direção, de cada um.
Então, Jean CHAP AS, com 58 anos de ida de, como o viu
Christian em abril de 1921, era aquêle homem alto, singelamente
vestido, de olhar suave, tez curtida pelo Sol, voz profunda de vio-
loncelo; de cuja aura emanava paz profunda.
Foi nessa ocasião que aconteceu o notável episódio da emprega-
da que desmaiou, ao ver a Luz e a Túnica branca - perceptíveis
para ela, doméstica, Carolei!... - de que Chapas se achava reves-
tido, quando, em pé, ergueu a mão para dizer o PAI NOSSO .. .
(VoI. I, pág. 173)
Ouçamos mais algumas lembranças íntimas de Christian de
MIOMANDRE, reproduzidas do artigo citado na Nota 44:
"Frequentamos Jean CHAPAS mais intimamente alguns anos
mais tarde, por ocasião do nosso casamento, em 1928, com uma das
suas sobrinhas. Tivemos então uma grave doença, e foi à prece
ardente do Amigo de Deus que devemos a recuperação da saúde,
condenada pela Faculdade. Desde então, Jean Chapas houve por
bem nos adotar como seus filhos, à minha mulher e a mim, e du-
ra nte os últimos anos de sua vida fizemos em casa dêle longas ·es-
tadas, durante as quais a nossa família cresceu em mais duas me-
ninas ...
"Chapas falava pouco, mas com curtas frases e notável cor-
tesia. 1l:le respondia antes, e muito mais, às preocupações interio-
res dos seus interlocutores, que aos ditos dêstes. - Isso, criava
à vêzes verdadeiros quiproquós, que Chapas deixava aos outros o
cuidado de desfazer, pois, tendo êle certa dureza de ouvido, nin-
guém se admirava se parecia não ter ouvido! Entretanto, quantas
vêzes temos presenciado êle tornar a citar um pedido de um doente,
que apenas lhe falara em voz baixa! - Devemos admitir que, em
tudo isso, a natureza apenas o protegia de ouvir vaidades e con-
versas fúteis.
"Se, por um lado, sua presença era o mais aprazível e sereno
dos encontros, também punha a palestra no terreno dos nobres sen-
timentos, verdadeiros e sadios, como também lamentava suavemente
aos que os não sentiam. Não desgostava de gracejar e adorava
mexer com seus amigos, no mais jovial dos tons.

69
"Da sua orientação geral e modo de ser, nada ressaltava de pe-
dante nem de livresco; não lia nem o Evangelho, nem Péguy. Era
tão amigo de Millerand (N. 46) quanto do dono do bar da esquina,
e dava conselhos a um casalsinho prestes a formar-se, como recebia
ao Ministro da Polônia, SOkal, que vinha lhe falar do seu desdito-
so país.
"Figura estranha pela singeleza. 1tle nos dizia um dia, ter
visto, numa nuvem que passava, o anúncio da queda de Poincaré
(primeiro-ministro francês), o que cumpriu-se dois dias após."
E, inúmeros ensinamentos que, dia a dia, colhiam os íntimos,
dos lábios dêsse Amigo de Deus ...
Corno 45 - Vê, Carolei, aí temos um belo exemplo dos inúmeros
modos de semear o Ensinamento do MEM, e o transmitido pelos
seus íntimos: Christian de MIOMANDRE escolheu o dom da Poe-
sia; já tivemos uma flor dos seus canteiros; outras virão, nesta
obra. E, suave para nós, é fechar êste tema com outro fragmento
dêle; pedindo seu perdão pela livre - e péssima - versão:

A Inf(},rwia Espiritual (N. 47)

Como louros infantes ingênuos e sonhadores


que ainda conservam a lembrança dos anjos,
prosseguimos tua rota, ó Jesus dos louvores,
numa floração ardente de fervores.

Nós não te pedimos nenhum outro favor


pois teus lábios, ó Mestre, disseram como Deus muda
os corações pelo sofrimento e como a vindima
dá, na prensa, um vinho de delicioso sabor.

E somos os mansos que passarão sôbre a Terra


elevando nossos corações ao Céu que refulge
no tumulto da injúria e das pragas.

Nosso Reino é bem Aquêle da Tua promessa,


é singelo e vivo e tôda sua riqueza
consiste num Tesouro infinito de perd!l.o.

* '" *

N. 46 - Millerand, ministro francês daquela época, do Gabinete cuja


composição permitiu o trocadilho s6bre o "cúmulo de destreza de um avia-
dor" : "Faire un vol Briand, devant Millerand, de Bout'geois, et atterir,
pres Dupuy, sans avoir Delcassé". Os citados são todos homens, especialmen-
te Briand, que 11ltaram tenazmente pela preservação da Paz, assim como
Jaures.
N. 47 - "ANTIPHONAIRE", pág. 35.

70
Outro seguidor de CHAPAS: "Michel de SAINT-MARTIN".
Com. 46 - Lembra-se, Carolei, que, ao subirmos para o Clos Landar,
vimos, na encosta, a porta do Clos Santa Maria? Lá mora, junto
com os descendentes de Chapas: uma irmã de certa idade e seus
filhos, dos quais um, Jean, já é homem - e me ensinou, em 1956,
como se repicam os porros .. .
Nos dois dias passados lá, muito palestrei com o Eng. M. R.,
cujo nome místico é Michel de Saint-Martin - homenagem dupla,
parece-me, a Michel de Nostradamus, por um lado e, por outro, a
Louis-Claude de Saint-Martin; de ambos teremos que falar... -
e, das nossas palestras íntimas, resultou em colhêr para Você, Ca-
rolei, uns dados, que vão nestas páginas; e ensinamentos que, jun-
to com alguns extraídos da obra dêste seguidor de Chapas, haverão
de dar clara idéia do valor de Michel de Saint-Martin, cujo livro:
Révélations, é de indiscutível interêsse para todos os que desejam
estudar a multiplicidade de aplicações e, de modos de apresenta-
ção, que os Ensinamentos do MEM têm gerado, tanto através de
seu direto Sucessor Jean CHAPAS, como dos comentadores: da
época do MESTRE, e posteriores. (N. 48)
Deixarei de comentar o fato que Révélations contém tão abun-
dantes citações dos Evangelhos que poderia parecer, Carolei, um
tanto contraditório com o que de Miomandre comentava sôbre
Chapas: que "não lia os Evangelhos, nem Péguy". O MEM reco-
menda ler e estudar o Evangelho e, bem possível é, Chapas even-
tualmente tinha uma forma diferente de orientar a uns e a outros,
bem como tinha - eu sei disso por própria expenencia - fases
ou épocas, em que achava mais oportuno, pôr tal ou qual material
de trabalho em evidência.
Voltemos a Michel de Saint-Martin: alto, forte, enérgico; ho-
mem de mente técnica, que correu o mundo todo em função da
profissão. Mato Grosso ou Java lhe são igualmente familiares.
Viveu e sofreu; amou e lutou, em modos que não é necessário re-
latar. Foi temperado como todos fomos, ou havemos de sê-lo!

N. 48 - Na 5.' edição francesa do livro do Dr. Ph. ENOAUSSE, con&-


ta que Révélations teve uma primeira edição, em 1938 (Edições Psyche, 86,
rue du Bac, em Paris), graças ao Sr. Heugel, "um amigo certo e seguro", a
cujo grande coração o Dr. Encausse presta sentida homenagem, bem como a
A. Savoret, que prefaciara aquela primeira edição.
Em 1955, prefaciada com ardentes palavras do Dr. Encausse, saía a
segunda edição - e dela citamos os excertos e páginas nesta obra - da qual
temos o prazer de resumir o lndice. Os 22 Oapítulos são: O Encontro
- Segunda Visita (do Autor a Ohapas) - O Gênese - A Redenção -
Oaridade, Destino e Livre-arbítrio - As doenças - A Santa Virgem - O
Septenário - Perguntas e Respostas - Os Soldados do Oéu - Meditaçõe&
- Após o Natal (profecias e Prece).

71
Envolto, continuamente, na nuvem de fumaça, pois se vê que as vir-
tudes do fumo são, para êle, de indiscutível eficiência, o que Chapas,
aliás, ensinava.
E. 596 - S6bre o próprio CHAPAS, achamos em Révélations
(págs. 50, 60, 76) formosos testemunhos dados por Michel de Saint-
-Martinj entre êles, na "segunda visita": "O Senhor Olivier (Cha-
pas) tinha-se calado. O silêncio que sucedia às vibrações de sua voz
grave, parecia-me cheio de murmúrios angélicos. Não ousava me-
:cer-me, sentia-me pequeno, pequenino, junto a êste homem que pa-
recia viver aquilo que dizia e cuja sinceridade não oferecia dúvida
alguma. A tal respeito, devo dizer que, nos anos que se seguiram
e no decorrer dos quais tornei-me um de seus íntimos, pude verificar
que nunca faltou, nem uma vez, à Caridade. iÊle parecia viver uma
vida retirada de camponês, mas era, na realidade, de uma ativida-
de assombrosa, pois multiplicava-se, literalmente. Ajudava a todo
mundo j todos tinham recorrido a êle por uma cousa ou por outra,
e até aquêles que falavam mal dêle, vinham pedir-lhe ajuda nos
momentos difíceis. E êle, sempre amável, prestava o serviço pe-
dido e a miúdo mais ainda. Mais tarde, diz M. de Saint-Martin,
foi-me permitido assistir a preces feitas por ~LE. Confesso-fI'IR
incapaz de descrever tais momentos, a emoção que nos oprimia a
todos. .. só o fato de escrevê-lo me transtorna ...
"Mas, não quero começar aqui a história das suas boas ações,
e de suas incessantes atividadesj volumes não bastariam. Quero
me contentar com dizer que vi, com meus olhos, pelo menos a um
homem s6bre esta Terra, que vivia em meio de nós, pondo em ação,
em t6das as circunstancias de sua vida, os preceitos que foram da-
dos, há dezenove séculos, por Nosso Senhor Jesus Cristo."
E, mais adiante (O Gênese), prossegue: "Nunca, desde cinco
ou seis anos que Catarina tratava da casa e me servia, por ocasião
das minhas estadas, nunca tinha me falado do M. Olivier; pOr isso,
qual não foi a minha surprêsa, ao vê-la falar familiarmente com
êle ao introduzi-lo. Mas, onde essa minha surprêsa atingiu ao cúmu-
lo, foi quando fiquei sabendo que os meus caseiros o conheciam, e
que êle já tinha, por duas ou três vêzes, dado ajuda a animais da
chácara, uma ovelha que tinha torcido uma pata, uma vaca que
não ia bem no momento de parir, e não sei mais o quê; e meu feitor
me confessou que, quando estava sem saber o que fazer, ia procurar
a Monsieur Olivier para pedir conselho."
E, ainda, no Capo "A Redenção" achamos esta "revelação"
(após cordial diálogo, em casa de Michel de St.-Martin, entre Oli-
vier (Chapas) e o carteiro, a quem M. Olivier apertara familiar-
mente a mão, comentando, para fugir aos agradecimentos, a tempe-
ratura de quatro abaixo de zero daquela manhã ... ): "Ao voltar

72
- da porta - pensava M. Olivier me diria porque aquêle bom ho-
mem - o carteiro - tinha-lhe manifestado semelhante gratidão, mas
não disse palavra! Muito posteriormente, é que fiquei sabendo
que a mulher do carteiro quase tinha, em conseqüência de terrível
crise de albumina, morrido no parto, e que os médicos nem mais
esperavam salvar à criança. Quatro médicos tinham sido con-
sultados e foram unânimes: a infeliz estava perdida. Quando ela
estêve no momento de dar à luz, sua cunhada foi procurar a M.
Olivier, e, ~mbora fôssem 11 horas da noite, êste acompanhou-o
logo e permaneceu junto à paciente até à aurora. - Nesse momen-
to, êle mandou buscar a parteira, e quando lhe perguntaram se
era preciso avisar também ao médico, respondeu sorrindo: "Como
gostem, mas não há pressa para lhe comunicar o nascimento e o
feliz alumbramento do vosso filho; tudo irá bem, a parteira basta-
rá." Depois, deu alguns conselhos para os cuidados à parturiente
e ao pequeno, e partiu dizendo: "Voltarei depois de amanhã, para
cumprimentar à mãe e saudar ao recém-chegado ... "
Cabe, ainda, lembrar que, a pág. 87 da 5.' Edição do livro do
Dr. Ph. Encausse, o autor assinala que o MEU PHILIPPE não
deixou ensinamentos escritos, salvo para muito raros privilegiados,
entre os quais Jean CHAPAS, e isso, a título absolutamente pessoal
e confidencial.
Das minhas entrevistas com Michel de Saint-Martin - setem-
bro de 1956 - desejo brindar-lhe, Carolei, duas jóias:
E. 581 - Os Poderes de CHAPAS abrangiam: os minerais, ve-
getais, animais, gentes e circunstâncias. (Palavras de M. de Saint-
-Martin.)
E, agora, esta história:

H. 2 - As moedas de ouro, não contadas


"Certo dia, refere Michel de Saint-Martin, ia acompanhando a Chapas,
quando, ao atravessarmos uma ponte de Lyon, aproximou-se um homem, que
solicitou-lhe uma certa quantia, para um pagamento premente. Chapaa
meteu a mão no bôlso do paletó, tirou de lá, sem as contar, umas moedas
de ouro, que pôs na mão do pedinte. Mas, eu tive tempo de perceber que,
cousa rara, o número de moedas dava a soma exata pedida. E não creio
que fôsse hábito, de Chapas, carregar moedas de ouro no bôlso do paletó."

Terminemos, Carolei, com as palavras do Dr. Philippe ENCAUS-


SE, a pág. 220 da 5.' Ed. de seu livro:
" ... As Revelações de Michel de Saint-Martin não são outras,
efetivamente, senão certos ensinamentos do MESTRE PHILIPPE,
recolhidos e transmitidos depois, diretamente ao autor, por êsse
outro discípulo amado do Mestre, o saudoso J ean CHAPAS... Por
motivos muito bem explicados na época da primeira edição - há
alguns lustros - os nomes dos interlocutores tinham sido modifica-

73
dos. Mas, hoje, é permitido apontar que "M. Olivier" não é senão
o próprio Chapas. Révélations não é, pois, uma obra como outra,
como tantas outras; é um testemunho vivo, um canto de amor e de
alegria, um hino à Divina Luz, um meio - para aquêles que têm
olhos de ver e um coração para compreender - de comungar com
o discípulo e com o MESTRE . . .
"Quantos ensinamentos a tirar da leitura dessas páginas ar-
dentes e de apaixonante interêsse! Quantos progressos suscetíveis
de serem realizados por aquêles que, ao aproximarem-se os graves
acontecimentos que se preparam, e que são anunciados pelos adeptos,
terão compreendido todo o valor da mensagem assim transmitida
pelo "mais humilde de todos" . ..

F. 15 - Jean CHAPAS
1863-1932

* * *
35, Rua de la Tête-d'Or ... - Com. 47 - Em 1885, o MEM fi-
xou residência no palacete da "Rua da Cabeça de 01tro", n. 35! -
Atualmente, está ocupado o prédio pela clausura das Irmãs Francis-
canas. As portas que o MEM usava foram fechadas. O ingresso
faz-se, agora, pelo n. 85 da Rua Tronchet, onde funciona também
um dispensário mantido por essas Religiosas. (N. 49)
Teremos oportunidade de ver, pelo formoso fato acontecido, por
ocasião de uma visita de Michel de Saint-Martin e de Phaneg, a
descrição da SALA DAS SESSOES, local no qual, durante quase
vinte anos, o MEM MESTRE daria provas DO PODER DO VER-
BO DE DEUS!
N. 49 - Da pág. 18 da 5.· Ed. francesa.

74
Outro Discípulo intimo: "MARC HAVEN" - O Dr. EmmanueZ
LALANDE - Existem, sôbre êle, tanto na obra do Dr. Encausse,
como na já tantas vêzes por mim citada, "},faro Haven" - Biogra-
fias - que, não fôsse o fato de não estar, ainda, traduzida esta
última obra, não teria sido necessário fazer o pálido resumo que
intentarei brindar, a seguir, sôbre êste notável Discípulo.
Com. 48 - "Emmanuel Marc Henry LALANDE nasceu em
Nancy, em 24 de dezembro de 1868 ... deve à data êsse místico no-
me . .. Seu pai era, então, Censor dos Estudos no Liceu de Nan-
cy. .. embora a família LALANDE seja de outra região, da Bor-
gonha. Pelo lado materno os Labastie são da região chamada
Dauphiné, haven<1o entre êles Presidentes de Tribunal e Conselhei-
ros, em Grenoble, e há ilustres membros e alianças, nessa família .. .
Emmanuel parecia muito com sua Mãe: "pelo físico, pelos traços,
um tanto desparelhos, o rosto magro, a tez morena; intelectualmente,
pela sua imaginação, seu gôsto pelos versos, seu espírito, seu tipo
de humor, sua faculdade de apanhar logo os ridículos.. . Lépido,
ardente em tudo quanto empreendia, mas cortês, prudente e discre-
to em seus dizeres, dizia-se do temperamento do delfinês. . . des-
de a infância tinha estranha rapidez em adivinhar o sentido de
charadas ou de provérbios. Mais tarde, tais dons faziam-no sen-
tir quase intuitivamente o que outros pensavam; e, quando médico,
serviram grandemente à penetração do seu diagnóstico e à sua
autoridade sôbre os doentes .. . (X 50)
" . . . O seu pai, Sr. Lalande, ao vigiar os estudos dos filhos,
tanto quanto lhe permitiam suas funções, fazia muita questão de
desenvolver nêles músculos e pulmões. Isso concorda, mais do que
poderia parecer, com o tão marcado espiritualismo das crenças dêle
(pai); tinha sido também muito desportivo . .. e, em tôdas as cida-
des em que morou, usava as tardes livres, das quinta-feiras e do-
mingos, às vêzes o dia inteiro, para fazer com êles excursões a pé.
Em Digne, especialmente, em meio às montanhas, Emmanuel La-
lande, com a idade de seis ou sete anos, realizou reais proezas do
alpinismo que tanto desenvolveu mais tarde. .. (N. 50)
"Após estudos de Liceu (secundários), terminados em Sens, foi,
posteriormente, para Paris, em 1887, encantado por ficar livre, sôl-
to, e por levar a vida de um estudante de medicina, num Bairro
Latino no qual a existência era mais alegre, mais livre e mais fá-
cil que hoje ... em 1888 instalou-se num apartamento com seu irmão,
que ensinaya em Paris. Lá reuniram-se futuros médicos, jovens
professôres, candidatos à Escola NormaL. . (muitos dêles, ilustres
hoje, cujos nomes constam do livro citado) e lá tratavam de temas
relevantes. . . No café Vaohette foi onde Emmanuel teve um pri-
meiro caso, pessoal, de paramnésia, percebendo com tôda clareza

75
um fato que iria ocorrer logo, e que "já tinha vivido" antes ...
Logo, lançou-se em busca do "oculto"... terreno no qual reservou-se,
sempre, extrema liberdade de juízo... introduzido em 1891 no
Oírculo ocultista da Rua de Trêvise (por um amigo de Sens, o Sr.
Lefort) , conheceu lá, primeiro, a L. Ohamuel, mais velho gue êle
dois anos, e fundador da "lAvraria do Maravilhoso", à qual o Oír-
culo estava anexado; e, por seu intermédio, a PAPUS (o Dr. Gérard
ENOAUSSE ) que, também êle, fazia então estudos de medicina.
"Papus já era, .porém, autor do Sepher Jesirah, do T aro dos
B oémios, do Tratado Elementar de CWn oia Ooulta, de muitos arti-
gos nas revistas L'INITIATION e V éu de lsis, das quais fôra o
fundador. Não obstante sua pouca idade - tinha apenas vinte e
cinco anos - Papus gozava nesse grupo de grande autoridade e co-
municava-lhe ativo impulso. É por seu intermédio que Marc Haven
foi pôsto em relação com Stanislas de Guaita, um dos mestres do
ocultismo, de mais fama na época, que o acolheu. com simpa tia e
consideração; mas tarde, com o Dr. PHILIPPE, de Lyon, que devia
desempenhar tão grande papel na sua existência. (N. 50)
" ... publicou em 1892 seu primeiro volume de poesia : Turris
Eburnea, cujas cinco partes simbólicas sobem: da vida banal ao
triunfo do ocultismo, místico, mas operante : "Saber, ousar, que-
rer, calar." Por isso, o último poema se reduz a um título, "A Es-
finge", seguido por duas linhas de pontos. . . (N. 50)
"Estudou homeopatia . . . foi recebido como Externo dos Ho,'l-
pitais com ótima classificação . . . doutorou-se em 1896.. . e, em
lugar da brochura de poucas páginas com a qual muitos se livram
da "tese", o Dr. Lalande apresentou à sua ba nca examinadora um
volume de 192 páginas sôbre um médico e alquimista da Idade
Média: Arnaud de Villeneuve, que o atraíra pelo duplo caráter :
de inovador - orientado para as nossas descobertas recentes, e de
ocultista herdeiro de longa tradição. Recebeu, por essa Tese, uma
das medalhas de prata que a Faculdade outorga, cada ano, .aos
melhores .. . (N. 50)
"Logo depois de formado, Emmanuel Lalande não clinicou ime-
diatamente. PartiCipou primeiro de uma tentativa de fundar-se
uma espécie de falanstério (monastério), no qual uma parte do dia

N . 50 - Excertos, unidos em resumo, das quarenta primeiras páginas,


de autoria do Sr. André LALANDE, M'embro do Instituto, na primeira par-
te da "Marc Haven", e apresentados nestas nossas páginas, no "Comentário
48". Evidentemente, no longo texto original, muitíssimos aspectos, desde os
familiares, até os culturais e filos6ficos, em tôrno do Dr. Emmanuel LALAN-
DE, têm um relêvo, interêsse e riqueza - naturais na pena de um Membro
do . Instituto - que se não podem refletir nos apontamentos resumidos iá
citados.

76
estivesse- dedicada ao trabalho manual, o resto à meditação, à arte,
às pesquisas teóricas e experimentais sõbre as ciências ocultas ...
fracassada a tentativa, estêve em diferentes lugares, experimentan-
do cidadp.zinhas: se lhe agradavam para a clínica e para lá viver ...
seus parentes aconselhavam-lhe vivamente Grenoble, onde as re-
lações, àêle e dos seus, assegurar-lhe-iam brilhante porvir... mais
do que t udo, seu horror a ser controlado o fêz negar-se ... mas foi
f ixar-se em Lyon, a conselho de Papus, que desejava proporcionar
um a uxiliar, provido de formação médica, legalmente documentada,
à quele homem extraordinário, dotado de influência realmente mi-
lagrosa, chamado PHILIPPE. (N. 50)
"Emmanuel Lalande, põsto em contacto com 11:1e, apegou-se quase
imediatamente a essa poderosa personalidade, com uma admiração
e uma simpatia como ainda não sentira para com ninguém... É
em memória Dêle, e para ajudar a serem compreendidos por compa-
ração, que o Dr. Lalande escreveu mais tarde "Oagliostro, o Mestre
Desconhecido". .. (N. 50)
"Chegando a Lyon, o jovem médico achava-se, pois, no meio
mais simpático e melhor ãisposto a acolhê-lo. Foi morar na Rua
Tronchet, bairro de Brotteaux, pertinho da Rua de la Tête-d'Or,
onde M. PHILIPPE tinha sua casa, amplamente aberta a todos os
que necessitavam Dêle, e cuja multidão heterogênea enchia, às vê-
zes, o pátio ou a sala grande, nas horas de afluência. Era como-
vente espetáculo, vê-LO ir de um a outro, confortando-os ou mori-
gerando-os, endireitando as almas ao mesmo tempo que curava os
corpos . .. " (N. 50)
00111,. 4f) - Assim, Carolei, compreende-se melhor a atração des-
tas duas almas, por assim dizer: a do Discípulo: poeta, filósofo
- e a da Via do Silêncio, que veremos nêle florescer ainda mais,
na idade madura: não podemos falar em velhice, já que faleceu com
58 anos; a dêsse artista que foi, acima de tudo, êste médico, .sagaz
em todos os aspectos e que, no MEM via, precisamente, realizado
sob os aspectos, profundamente singelos e até um pouco boêmios
- que às vêzes chocavam aos burgueses e magistrados do ambiente
regional, segundo a B. M. H. afirma - o ideal ao qual, êle mes-
mo, ~'::arc Haven, aspirava.
o MEM PHILIPPE, por sua vez, via, nesse Discípulo que, com
tanto amor, dava curso legal, com sua assinatura de médico, às re-
ceitas para os que precisavam de remédios materiais (êste aspecto
havemos de ver muito adiante, Caroleil), um colaborador cuja en-
trega foi das que defini, páginas atrás: de uma vez para sempre! -
Assim, o Dr. Lalande, além da sua clientela pessoal, e do pôs to no
Hospital St. Luc - que lhe davam base material de existência -
teve tempo e oportunidade para concentrar sua atenção e vida à

77
família PHILIPPE, da qual, como sabemos, passou a ser parte, ao
desposar, com 29 anos de idade, a filha do MEM, o "Anjo VICTOI-
RE", que tinha então 19, ou seja: dez anos menos que Marc Haven.
Sôbre êsse casamento voltarei, ao falar da segunda espôsa.
Mais tarde, veremos que Marc Haven foi um dos raros Discí-
pulos aos quais o MEl\I confiava os segredos de seus remédios al-
químicos ...
Com. 50 - Iremos ver, agora, Carolei, outro aspecto de Marc
Haven. E, antes que Você se admire - eventualmente - da exten-
são que dou aos comentários sôbre êste Discípulo, possivelmente
convenha declarar as razões de tal. Em primeiro lugar: será uma
alma "qualquer", a que podia merecer a Graça de tornar-se: genro
do MEM, espôso de Victoire, colaborador e - em certo aspecto -
parcial protetor do MEM; e, ainda, um Seu colaborador diário, du-
rante os quase dez anos mais intensos e múltiplos de ação do MEM,
acompanhando-O até na Côrte da Rússia?
Em segundo lugar: há muitas pessoas, Carolei, que não com-
preendem bem que: para ser um Discípulo íntimo e, ainda, um
sucessor - mesmo que parcial, seja no labor de expor os ensina-
mentos, ou de aplicá-los: do assistencial ao social, ou do filosófico
ao hermético, etc. - é preciso ser: antes, durante e depois do en-
contro com o Mestre, um ser que sabe o que quer e o prova em atos.
É possível que sôbre isto seja útil meditar, para tanto "João-nin-
fluém", como dizemos aqui, que não parece entender porque não se
lhes confia certos conhecimentos, chaves ou atribuições. Não seria,
primeiro, necessário, serem "de confiar"? Acha, Carolei?.. Sim!
ótimo, assim não mais prE"Cisarei voltar sôbre êste assunto, que tão
evidente há de surgir, tanto nos ensinamentos, como nas histórias,
que se seguirão.,
Deixarei de lado os comentários, tão acertados e belos, que
Jules LEGRAS - Professor na Sorbonne - fêz, na B.M.H., sôbre
a já citada Tese: A Vida e as obras de mestre Arnaud de Ville-
neuve, e os, ainda mais profundos, sôbre Cagliostro. o Mestre Des-
oonhecido, Estudo histórico e crítico sôbre a alta magia, já que com
relação a êste último, hei de voltar nos Ensinamentos do MÉM.
Na 4.' parte de "'fiare Haven, nas cinco breves, mas substancio-
sas, páginas escritas pelo Dl'. J. DURAND, há muito para colhêr e,
mais ainda, para meditar ou averiguar ... , pois começa por ressal-
tar que o mais interessante dos movimentos secretos, constituidos
em França, nos últimos anos antes do fim do século prE"Cedente, não
teve ainda historiador. E que, tal movimento, fundado por uma
inteligência tão rara quanto poderosa, desagregou-se logo que seu
chefe espiritual ligou-se a outras realizações.

78
Refere-se, ainda, a Emmanuel Lalande, que, após ter estudado
os grandes místicos, dedicou-se ao "método de e-'{tensão por de-
graus, pôs to em obra no correr dos séculos por todos os grandes es-
píritos que quiseram, apaixonadamente, o desenvolvimento psíqui-
co da humanidade". E que, para tal fim, o jovem Emmanuel reu-
niu, em tôrno a si, seus primeiros Discípulos, jovens inteligências
aptas a fazerem tôda espéCie de pesquisas, e "que passavam cômo-
damente do trabalho coletivo à reflexão pessoal, do estudo dos ve-
lhos textos aos ensaios mágicos, "do laboratório ao oratório". E
que, assim, constituiu-se "uma espécie de ordem terceIra", cujos
membros tinham em comum, apenas, a obsessão das verdades essen-
mais" . .. (N. 51)
Oomenta o Dl'. Durand, que parece muito bem informado, o
exame criterioso que levou a curiosa confraria transcendentalista a
não ligar-se ou aproximar-se das seitas: rosa-crucianas, gnósticas,
ou teosóficas. E que, com o Martinismo, cordiais rela!;ões, sem se-
rem uma alian!;a contratual, foram estabelecidas. Examinada a
Ma!;onaria, e afastada tôda possibilidade de interêsse pelos ritos:
ou do Grande Oriente - carente de todo estudo simbólico e me-
tafísico -, ou do Escocismo, embora tradicional e respeitado, pela
orienta!;ão conservada nas Grandes Lojas; ou do escassamente de-
senvolvido Rito de Memphis; ficou evidenciado que, somente a Or-
dem Oriental de lVIisraim, pouco conhecida dos profanos, apresen-
tava··se como depositária de alta tradi!;ão iniciática ... e lá, foi onde
Marc Haven e seus companheiros foram levar a verdadeira luz, que
suas pesquisas lhes tinham permitido tornar a desvendar ...
Com. 51 - Em 1893, já Marc Haven tinha sido convidado, por
Papus e Stanislas de Guaita, a ingressar entre os DO~tt6res em Kab-
bala, da Ordem K. da Rosa-Oruz e, comenta L. OHAMUEL: "Marc
Haven, já kabbalista eminente, quis prestar o exame, por modéstia
e por deferência para com os chefes da Ordem. Tal exame solene
teve lugar no andar térreo da Avenue Trudaine, que os raros so-
breviventes dos amigos de Guaita lembram · com emQ!:ão (N. 52).
Os examinadores acima citados, revestidos de túnicas vermelhas,
cobertos com o pschent branco das inicia!;ões martinistas, sentavam-
-se na célebre biblioteca revestida de vermelho, enquanto o introdu-
tor - o único que ainda possa contar o fato - e o candidato (nunca
mais de um) permaneciam no outro cômodo, em impressionante es-

N. 51 - Do oitado trabalho do Dr. J. DURAND, págs. 57 a 60, B .M.H.


E, Caro lei, Vooê "aoha" 'interessante medital' o q1te fioo~t gdfado? . . e ...
já sabe que a q1taSe totalidade dos fl'aoassos, ou das estagnações no oaminho,
provêm da falta dessa aspiração-obsessiva? ..
N . 52 - Pág. 65 e, possivelmente, Cal'alei, lhe agrade sabe/o qlte, nesse
looal, mais de ltma vez estive, na minha invent1tde, levado pelo me~t Pai e
Mestl'e, CEDAIOR ...

79
curidão, pois a porta de comunica<;>ão, aberta, ficou velada com leve
cortina vermelha durante o exame todo: Marc Haven falou, bri-
lhantemente, do esoterismo da missa, e das analogias dos arcanos
menores do Tar'ot, com os objetos do culto católico: cálice, hóstia,
casula, báculo",
Aliás, Oarolei, bastaria est1tCZCL1' o que Marc Ha ven publica va~
já em 1893-1894, sôbre a Magie d'Ar'bCLtel e a forma com a qual o
fêz, em 38 páginas e um quadro sinótico, para perceber a sagaC'idâ-
de, e a seriedade de orientação e conhecimento daquele que, ainda
ia se tornar' o muito modesto e dedicado Discípulo do lVIElVI PHI-
LIPPE (N, 53), e de quem iremos, agora, perceber certos aspectos,
ao ver desfilar a vida curiosa de sua segunda espôsa",

F , 16 - Ma rc Haven no T erraço da Casa


do CIos Landa r, - (Do livro "Maj'c Haven")

N, 53 - "L'I NITI A TIO N", 1893·94, B iblioteca do R etij'o. pá.q, 12 a~o..

80
Uma grande mística: a intima MARIE E. LALANDE. -
Com. 52 - Há sêres, Carolei, cujas vidas trazem logo estranha
marca: a do preço que haverão de pagar, para merecerem certas
realizações. Frequentemente, a incompreensão de familiares ou
da posteridade, faz parte dêsse preço! Por isso espero, Carolei,
que Você perceba, pela própria leitura e meditação do que irá se-
guir, as minhas razões de ser, também, extenso ao procurar traçar
a vida de MARIE (pois vou fazer como Bertha, e pedir licença ao
MEM, para tratá-la pelo nome com que me a chamava ... ).
Ela mesma, falando de si na terceira pessoa, numa liberdade
interior admirável, escreveu 36 páginas, que formam a sexta parte
de Marc Haven, e nas quais, sob o título de "Segundo casamento
e últimos anos", Marie descreve, com reservas de mulher de gran-
de coração, emoções de amante, e profundidades de pensadora digna
do afeto que o MEM, e seu espôso, lhe prodigalizavam, a progres-
siva aproximação das existências dela e do Dr. Lalande.
Nascida em 1878, na Rússia, na família Chestakoff, desposou,
com 17 anos (1895) ao Sr. MARSHALL, cidadão inglês, então di-
retor de uma usina de máquinas agrícolas, na Rússia. - Já na in-
fância, Marie tivera estranhas vivências: com quatro anos de ida-
de, em vésperas de perigosa escarlatina, viu descer junto de si a um
Ser cuja harmoniosa presença a confortou, antes de desaparecer;
aos onze, acordou um dia sentada na cama, pois acabava de ouvir
"a voz de Deus" que a chamava e percebeu que ser-lhe-ia, doravan-
te, impossível viver sem que o pensar Nêle estivesse sempre presen-
te ... dois anos após o casamento, forte depressão seguiu-se a uma
época de provações e doença. Nem rezar podia mais. Então resol-
veu ir buscar a Deus, atingi-lo (os grifos que uso, são os dela), para
não naufragar. Concentrada nisso, sentiu pouco após um choque e
resistência, mais rígidos que se fôssem materiais. Dias após, os
médicos a deram por perdida. Ela pediU então ao Céu que lhe
concedesse dois anos (êste grifo é meu!) para fazer cousa melhor
do que a vida que leyaya, pensando que, se no fim do prazo, não
chegasse a nada essencial, deixaria a Terra sem saudade!
Obteve então, da família, que afastassem os médicos. E, a
contar dêsse dia, começou a se recuperar, lenta, mas firmemente.
Um ano após - 1898 - acompanhando o marido à Inglaterra, ela
parou em Lyon, para encontrar-se com a mãe que lá chegara. Des-
de o dia daquele pedido, ela vira frequentemente ao Bom Pastor,
inclinado para ela, com suave olhar, mostrando-lhe, com a destra,
o cordeirinho branco aconchegado no braço esquerdo Dêle, indi-
cando, assim: que se despreocupasse com o futuro. Poucos dias
antes de chegar a Lyon, 'Viu em sonho ao Dr. Papus (em casa do
qual sua mãe combinara ir passar umas semanas com ela) e ao

81
MESTRE PHILIPPE. Viu-os caminhando juntos e conversando
(outro grifo meu, Carolei. .. lembra-se de Upasika? .. ). E la olhou
especialmente para o MEM, mas reconheceu nitidamente a ambos,
posteriormente.
De tudo qua nto cito, dela, Carolei, gostaria de ressaltar isto:
"Só aquêles que o ressentiram, sabem o que pode ser um leit-
-motiv de tôda uma existência, como seu fundo nunca varia, que
esforços constantes são realizados pelo espírito, para chegar a té à
consciência, assim como o trabalho, não menor , que r ealiza o cére-
bro, para se adaptar e poder traduzir, cá embaixo, as cousas do
além. O salmista bem o definiu com estas palavras: "porque me
devora o zmo da tua casa" (N. 54). 1l;sse fundo do pensamento,
constantemente preocupado pela razão das cousas, foi também uma
similitude de disposições que, mais tarde, aproximou num bater de
asas, o Dr. Lalande e Marie (Mme. Marshall).
"No fim do verão de 1898, Marie assistiu a algumas sessões da
Rua da Cabeça de Ouro, onde, já antes de conhecer ao MEM, lhe
Indicaram ao Dr. Lalande, em pé contra um dos lados da porta, e
a Chapas do outro lado. O Doutor Lalande raramente vinha, ocupa-
do pelo seu consultório. Indisposta nesse dia, Marie quis sair, mas
nesse momento, tendo Chapas aberto a porta, entrou o MEM PHI-
LIPPE, empurrado por gente que vinha atrás dêle. Marie, tam-
bém premida por outras pessoas, achou-se apertada contra o MES-
TRE, ficando ambos assim, instantes, sem poderem mover-se. 1l;le
tinha os olhos baixos, mas emanava Dêle tal irradiação, de todo o
Seu Ser, que ela soube logo: Tudo estava aí. Tudo, a quanto ela
aspirara, o que procurara com tôdas as fibras de sua alma. Era
a paz profunda, e o refúgio, houvesse o que houvesse."
Com. 53 - 1l;sse último grifo é dela, Carolei, bem como tôdas
as citações dêsse grito de amor de Marie : a Deus, à Vida e ao
Mestre!
Ela, ainda, quem nos dirá, Carolei, cousas preciosas para nos
ajudar a reviver o que foram aquêles a nos de encantamento, junto
ao MEM .. .
E. 587 - "Durante a sessão, M. PHILIPPE falou-lhe; seu
olhar era inesquecivel de Bondade e de Certeza. É impossível des-
crever tudo quanto se podia sentir em Sua presença ,' uma bondade
infinita vos penetrava e a gente achava-se novamente na fonte de

N. 54 - Na B.M.H., és te Salmo está indicado como LXIX, 10. En-


tretanto, Garolei, não deverá se admirar se às vézes o achar com o número
de Salmo 68 (de Davi), pois que isso provém da divergência entre os textos ,'
grego e o da Vttlgata, com relação ao hebreu. (Veja pág. 86 do notável
Saltério organizado pelo progressista exegeta Mons. Dr. João STRAUBIN-
GER. Exemplar oferecido pelo Presb. A. Améndola dei Tebaldi, O.S.B.)

82
tódas as causas. Nem todos os que Dêle se aproximavam, experi-
mentavam a mesma impressão: havia até uns, aos quais :ele ins-
pirava grande temor, a ponto de nem poderem Lhe dirigir a pala-
~-ra; e outros, que não podiam agüentar seu olhar.
Anos mais tarde, quando falava-se nisso, no decorrer de uma
visita da família PhiJippe aos Marshall, em Sathonay (N. 55),
havia francos comentários, na Sua pr esença. Então, virando-Se
para Mme. Marshall, o MEM perguntou-lhe se também ela O temia.
Marie tomou logo um banquinho para sentar-se a Seus pés, pois
isso era no parque, e: " Não, r espondeu, porqu e ser ia i njusto de-
mais". O seu coração fervia de indignação e de revolta.. . e a
palestra mudou de tema ... " - Carolei, Carolei, como queima, aos
frios, o fogo do amor dos ardentes; e como dói, aos ardentes, o
gêlo, que tudo paralisa, dos indiferentes!... e dos temerosos! . . .
" ... em outras visitas iguais, enquanto outros conversavam oU
jogavam croquet, ela ficava retida junto ao MESTRE. Na mesa,
quando a palestra não era geral, era o M. PHILIPPE quem falava,
e às vêzes levantando-se do seu lugar, e parecendo esquecer, na
sua vivacidade, o lugar em que se encontrava. O Doutor Lalande
ouvia, sorridente ... "
Ela e seu marido, Sr. Marshall, passaram o inverno 1900-1901
no hotel, em Lyon, onde o MESTRE, e as senhoras Philippe e La-
lande, a vinham visitar. VICTOIRE LALANDE, que não tinha
filho, interessava-se pelo de Marie (Philippe MARSHALL) , que ti-
nha então só alguns meses. Um pedido de Mme. Marshall ao
MEM bastou para obter que o lar dela ficasse em Sathonay, e,
como M. Marshall achou ocupação em Lyon, Marie teve facilidade
para ir com freqüência a Lyon, assim como entrou na intimidade do
Lar do MESTRE, na Tête-d'Or, após as sessões, e nos domingos e
feriados. Ficou, assim, conhecendo mais ao Dr. Lalande e, embo-
ra êle fôsse muito reservado, sem se conhecerem mais, ambos esta-
vam convictos de que um e outro colocavam o M. PHILIPPE no ápi-
ce de seu coração. Marie também via ao MEM, em casa dela ou
na Dêle, e no Seu Laboratório. Certa amizade estabelecia-se, tam-
bém, entre o Sr. Marshall, dono de um carro Berliet, e o Dr. La-
lande, que guiava a Serpollet que os Grã-duques da Rússia haviam
oferecido ao MEM.
Certa vez que, a pedido de Marie, o Dr. Lalande queria ir vi-
sitá-la e solicitava acôrdo do MESTRE, êste respondeu-lhe: "Mas,
meu "Dac" (assim chamava a Marc Haven na intimidade: é o nome
de cachorro fiel) quando se trata de ir lá, não precisas me pedir, lá
irei todos os domingos, se quiseres."
Com. 54 - Você "não acha", Carolei, que o MEM tem muito es-
pecial afeição por Marie? Será pela sua ardente aspiração de mís-
tica? Será porque ftle já procurou aproximar aos que, poucos anos

83
após, devem unir-se? Será pelo filho de Marie: Philippe MARS-
HALL? ... ou tudo isso são só aparências, aspectos do Labor do
MESTRE? Se Você acha, Carolei, felicitações!. . . - Continuemos
junto a Marie e M. Haven.
O Dr. Lalande contava, mais tarde, a Marie que, embora to-
mando o trem de manhã e à tarde com 1l:le, para ir de l'Arbresle
a Lyon, sucedia não trocar uma só palavra com o M. PHILIPPE
em oito dias! - Que comunhão, Car olei, de sêres profundos e que
respeito - mútuo - pela vida interior !
Muitos outros ensinamentos, Carolei, receberemos pela media-
ção de Marie Marshall. Não esqueçamos que foi para ela que o
MEM mandou às rôlas mudarem o pouso... - "1l:le dissera a
Marie, um dia, que Lhe escrevesse "como a uma amiga". - "Não
tenho amiga", foi a imediata resposta. O MESTRE sabia que ela
guardava tudo dentro de si mesma. 1l:le insistiu e indicou-lhe uma
forma especial de escrever seus envelopes. (Êstes, Carolei, eram
os que só O MESTRE abria, não os auxiliares .. . ) Marie, contudo,
pensava que 1!;le não os abria, porque não precisava abri-los para
lê-los. E o único ser que tornou-se, para ela, um Amigo, foi
posteriormente - o Dr. Lalande ... " (B.M.H., pág. 84)
E. 589 - Ela mandava ao MEM PHILIPPE, sob forma de no-
tas ou de cade/-nos, tudo quanto ela "ia, sonhava ou compreendia,
porque Êle lhe dissera que lhe devolveria tudo isso anotado, e ela
entendeu que isso significava que Êle a guiaria no caminho. Tôda
essa vida, ela a trOtlXe, mais tarde, ao Doutor."
Com. 55 - Não lhe parece, Carolei, estar novamente nos tempos
Essênios, em que cada devoto ou discípulo transmitia, à Superiorida-
de, os apontamentos diários de sua Vida Interior; não lembra as
anotações místicas e psíquicas que, com desenhos das visões, lhe
brindam, a Você, Carolei, através destas páginas, os que, como Sa-
rah, e muitos outros, enriquecem a sua alma, com a clêles? . . (N.56)

N. 55 - "Sathonay": vilazinha no l'Ain, arredores de Lyon.


N . 56 - E, Carole-i , não creia que estamos sàzinhos, ou mal acompa-
nhados, nessa senda mística. Sem reCOITer a fontes nd.steriosas, ou longín-
quas, veja o que o "Diário de Notícias", ,-ecentemente, publicava sob o título
de : "Renunciaram ao Mundo os MONGES DO SILÊNCIO " : .. . E, após
lembrar a história dos Beneditinos, dos Cistercienses reformados (tomare-
mos a falar dêles, a propósito do Papa Legítimo, Carolei . . . ) e sua exorta-
ção "O PRAZER DE MORRER SEM PENA, BEM VALE A PENA DE
VIVER SEM PRAZERES", e de descrever a vida dos "Trapistas", aponta
que " ... A única concessão à vida cultural é o "diário", que o trapista (e
há conventos femininos) escreve todos os dias e cujo conteúdo é segrêdo. -
Quem não respeita esta lei, fica- isolado na sua cela durante um longo per-iodo;
em seguida, a sua comida não é mais abençoada e os irmãos não o saudam
ao encontrá-lo ." - Carolei: quem come alimento não abençoado é "profano",
ou, profanado,-: esquecido de Deus, por esquecê-LO. - E, quem não mais

84
o Doutor Lalande referiu, mais tarde, a Marie, que: à noite,
no Terraço, e antes que sua espôsa Victoire fôsse enterrada, O
MEM tinha-lhe dito que tornaria a casar e que isso, na ocasião o
penalizou e até chocou um pouco. Foi então que Marie lembrou e
compreendeu o gesto de hesitação - pela presença de estranhos -
que o MEM tivera quando quis lhe dizer alguma cousa, junto ao
leito da filha, morta.
E a atitude imóvel, gélida e impassÍyel de Marc Haven no en-
têrro, era bem mais pungente de ver, do que o seria qualquer ma-
nifestação externa de dor. Marie pensou tê-Io recebido em sua
alma desde aquêle dia! ...

Silenciemos, por agora, Carolei, os dias que Marie evocarã pa-


ra nós, em que veio a Partida do MESTRE! ...
Mme. Marshall teve, pouco após essa partida, a filha - a que
o MESTRE tinha prometido ao Senhor Marshall, certa vez que
êste viera visitar Victoire, doente, e buscara remédios para ela. A
Senhora Philippe aceitou ser madrinha dessa menina: VICTOIRE
MARSHALL.
Algum tempo após, Marie teve que atender a cartas do Dr.
Lalande, que - comunicando ter achado, entre os papéis do Mestre,
os cadernos dela - pedia-lhe também conselhos e preces, e indaga-
va quando poderia ser recebido. - Querendo, também, poupar e
prevenir eventuais preocupações materiais à família Philippe, Marie
obteve do marido acôrdo para irem morar, todos juntos, em l'Ar-
bresle, o que permitiu ao Dl'. Lalande cuidar do Sr. MarshalI, cuja
saúde tornara-se delicada.
Uma fórmula de locação-venda do imóvel foi combinada, e os
Marshall fizeram então construir no CIos Landar uma segunda
casa residencial. As senhoras Philippe (viúva) e Landar (mãe)
achavam a antiga muito grande para elas. Ergueu-se pois a nova,
menor, religando-a ao Laboratório no qual o MEM passara tantas
noites! A mudan!;a foi em novembro de 1906. Em maio, a segunda
filha do casal MarshaIl, MARIE, nascia na antiga casa no CIos
Landar, na qual ainda mora hoje.
No inverno de 1907, TCHAI, o belo galgo, do qual Victoire cui-
dava como a uma criança, e que nunca suportara as ausências do
MESTRE, adoeceu e o Doutor comunicou: "Esta noite morreu em
meus braços, o amigo dos nossos queridos entes idos" ...
Assim, muitas ocupações, preocupações, lembranças, tristezas
e aspirações, iam ligando cada vez mais as duas almas.

saudado é, com o "Lembra-te, Irmão, é preciso morrer", é pOl'que não mais


está vivendo como QUEM PENSA na morte, ou, pam ser mais claro: NA
OUTRA VIDA ... que os DIARIOS contêm ...

85
Foi nesse mesmo ano que Marc Haven tornou a interessar-se
pela esgrima, e pelo judô, do qual fêz profundo estudo. (N. 57)
Uma viagem à Suiça, da senhora Marshall, em 1909, para pôr
o filho numa Escola Nova de Lausanne, motivou que ela, no verão
passado em l'Arbresle, preparasse a família tôda para ir morar
na vila que alugaram perto de Lausanne. O Dl'. Lalande, que
. mandava versos e poemas para lá, teve que ir à Suiça para,
logo após a mor te de Berthe Mathonet, evitar que o prédio do La-
boratório de Lyon, que fôra do MEM, caísse em mãos indiferentes
ou hostis. Numa das viagens que fêz, Marie pediu ao Sr. Marshall
que, sendo seu filho Philippe menor ainda, o Dl'. Lalande o substi-
tuísse como executor testamentário, com o que o Sr. Marshall, já
doente do diabete que o vitimou dois anos após, consentiu, antes
de viajar para a Itália. Liquidaram, assim, o laboratório da Rue
du Boeuf, como antes já Marie fizera, junto com Berthe, em rela-
cão ao da Rua Colbert.
Após viagens diversas, nas quais as famílias se encontravam,
além de se reunirem sempre no verão em l'Arbresle, na primavera
de 1912 morreu, ali, a Sra. Landar e, no verão, a Sra. Marshall
enviuvou, recebendo a nacionalidade francesa por ocasião da su-
cessão.
Pouco após, o casamento de Marc Haven e Marie ficou resolvido.
Devido à paixão do Dl'. Lalande pelo mar, e a sua necessidade de
ar e sol, compraram na Côte d'Azur - em Saint Maxime - , um
ninho que, com o nome de Tzour (rocha, base, apoio) os recebeu,
logo após seu casamento em 1 de março de 1913, mas, infelizmente
a doença, a guerra, a parcial ruina material, não lhes permitiu des-
frutar por muito tempo dêsse recanto, no qual o tempo dividia-se
nos alegres passeios no seu barquinho "Sirrwrg" (o pássaro simbó-
lico) e nos longos trabalhos sôbre o texto do Zohar. Mais tarde
foram para Nice, cidade na qual o Dl'. Lalande também foi comis-
sionado, na guerra, lá treinando como radiologista, essa ciência nova
profetizada, anos antes, pelo MESTRE.
Após a guerra, a saúde do Doutor obrigava-o a numerosas au-
sências mas, assim mesmo, êle, que já dominava o hebraico, ainda
aprendeu o chinês para traduzir o Tao-te King, com o fim de es-
tabelecer uma aproximação entre Lao-Tseu e outros místicos, an-
tigos e modernos, e tinha que permanecer às vêzes em Paris, onde
Marie ia unir-se a êle, quando excessivamente preocupada. Lá

N. 57 - Assim como nem todo Hatha-Jogue sobe até a etapa espiritual,


mas todo Liberado conhece o manejo ioguístico do corpo; assim também,
nem todo lutador de jiu-jitsu chega à etapa filos6fica nem... além; mas,
todo praticante do Zen conhece, estuda e medita o judô. O sagaz M. Haven
achara o rasto.

86
fechou-lhe os olhos, em 31 de agôsto de 1926 e levou-o para ser se-
pultado em Loyasse, pois êle sempre desejara repousar perto do
MESTRE. .. na noite após o falecimento, Marie viu-se em sonho,
de carro (tipo vitória) com o M. PHILIPPE, e o "Da c" Dêle veio
até lá, como flutuando ... só o busto; esgueirou-se entre ambos e
disse com voz ainda dorida, mas tão feliz: "Estou contente por
vir convosco" ...
Com. 56 - Viu, Carolei, que destino complexo e profundo, o de
Marc Haven? - Após aquêle primeiro casamento, com um "Anjo",
que o ajudou a manter-se, assim, mais freado, em maior esfôrço de
pureza, por assim dizer, durante todo o tempo em que teve de se
preparar e de servir, junto ao MEM, veio para êle - preparada pelo
próprio amor do MESTRE - a etapa livre, ampla, de realização
pessoal, com uma mulher e amiga, do mesmo tipo e aspiração, como
veremos no:
E. 590 - M. PHILIPPE disse um dia a Marc Haven, falando
dêle e de Marie, e aludindo a marcas que ambos Unham na raiz dos
cabelos, na nuca, que eram da mesma "família espiritual". - O
que sàmente Marc Haven, estudando os ensinamentos que veremos
adiante, entendeu realmente.

Com. 57 - Aliás, Carolei, temos que fechar êste estudo sôbre


o tão interessante casal de Discípulos Marc-l\Iarie, com algumas pa-
lavras de um e de outro, que nos mostrem o que êles eram e viviam,
como místicos. - Dizia Marie:
"Para viver perto do M. PHILIPPE, era preciso ter trazido
consigo uma procura e um desejo sem limites das realidades que o
rodeavam, ou então uma parcela dessas mesmas verdades, ocultas.
bem no fundo da própria alma. Só o Amor pode conciliar a enor-
midade de uma presença espiritual com a pequenez dos aconteci-
mentos. O Amor ou o Espírito." (Grifei para l'ocê, Carolei ... )
E, ainda, nos diz Marie: "O Dr. Marc Haven não tinha sido
atraído para junto do seu MESTRE, pela esperança de herdar Dêle
alguns poderes, nem pela curiosidade de ver cousas excepcionais.
:Êsse "sonhador de eternidade" sofria sem um minuto de trégua
"dentro do tempo", obsedado pela procura das ve"dades eternas.
Apesar de tudo quanto aprendera, êle desesperava de achar um
remédio para seu vácuo interior, quando um grupo de Paris o en-
viou, a êle, o mais cético, o mais fino, o mais difícil de enganar,
para ver a êsse Homem de Lyon. O Dr. Marc Haven voltou após
certo tempo, mas para dizer que retornava a Lyon, onde contava
estabelecer-se. 1l:le tinha visto o "bruxo", o "homem de traços gros-
seiros", o "antigo ajudante de açougueiro" - outras tantas lendas

87
em muitos aspectos - e aquêle homem o tinha recebido simples-
mente, tal como êle era. Quando o Doutor Lalande achou-se em
Sua presença, sentiu-se repentinamente liberado dos seus sofri-
mentos morais, vislumbrou um têrmo para suas dúvidas, e a pos-
sibilidade de uma ascensão sem fim. Uma segurança e certeza
desconhecidas o invadiram e ressentiu, por essas mesmas presenças,
a realidade da preponderância absoluta do Espírito sôbre a matéria.
"Através de seu MESTRE, êle tocava por fim na realização
total. Os engrimanços complicados ficavam longe, enquanto uma
Bondade sôbre-humana tudo concedia e, ante êsse milagre interior,
o Dr. Lalande inclinou-se. O encontro com M. PHILIPPE acen-
tuou nêle a passagem da via iniciática para a do coração, ou seja:
A via mística no real sentido da palavra. Nunca se pode ser mís-
tico ou contemplativo demais, porque "a língua de fogo sutil, en-
trando nêles e saindo dêles, é o que unifica ao Mestre com a rea-
lidade' já que ela (a língua de fogo) tem a qualidade de ser com
Ela (realidade). Seu coração está com o Mestre, a quem não dei-
xa, e êle (fogo) é o signo da Unidade pura, que é a meta do ideal."
(N. 58)
Quanto a palavras de Marc Haven, sôbre o MEM MESTRE, já
vimos suas frases ao Dr. Philippe Encausse, no primeiro yolume
(pág. 48 e segs.), além de sua obra Cagliostro ... , já citada, e dos
anos de fiel entrega!
Só lamento, earolei, não poder citar mais alguma cousa, dos
notáveis trabalhos de unificação dos ensinamentos do Oriente-Oci-
dente, que Marc Haven fêz, os quais, na B.M.H. comentam (pág.
107), que um seu Discípulo "Daniel Nazir" irá divulgar num volu-
me a ser publicado sob o nome de "Cui lumen ei et amor"; ou ci-
tado os excertos apresentados a pág. 142, precedidos de palavras
de outro seu Discípulo: Paul SERVANT. São ensaios que se se-
guem: O Homem, das Alturas e os Homens da Torrente - O
Corpo, o Coração do Homem e o Espírito - Provas pelos fatos -
Pt·ovas pelos Textos. A tais páginas seguem-se seis de palavras
colhidas "por mim mesmo - diz M. Haven - dos lábios de M.
PHILIPPE e anotadas quase imediatamente".
Achá-Ias-emos, em cada tema correspondente, como Ensinamen-
tos (de numeração 512 a 537, inclusive).

* * *

N. 58 - Marie cita assim "A Candeia ou Unidade Divina", manuscrito


esotérico dos Drusos. - Ver "Voile d'Isis", junho de 1931.

88
o Herdeiro Direto: PhiZippe MARSHALL. - Com. 58 - Bem,
Carolei, agora podemos terminar a nossa peregrinação na Casa do
Clos Landar. São menos de oito horas da manhã. - Chamarei,
agitando a campainha do portãozinho da Alamêda, no canto do Ter-
raço. Não virá a mística Marie nos receber, fisicamente ... em 27
de dezembro de 1952 foi para o outro lado do Véu, junto ao "Da c" ...
mas vem uma ajudante da família. Olha êste monge cinzento, que
vem do Brasil. Vai consultar, lá dentro. Enquanto isso, colhemos
umas fôlhas da entrada, para os queridos íntimos de além-mar ...
- Estou já na salinba. Durante a pequena espera, a gata da casa
vem também inspecionar. Tem nome curioso "La Souris" (A Ca-
mondonga). - Fica fotografada, também. - A Sra. Marie DOSNE
(Marie Marsball, em solteira) vem falar ... que fácil é o interior
contacto com esta pessoa suave e singela... Quase que o dia todo
passará com ela e seu irmão, com quem, cousa curiosa, os amigos
de Paris ainda não tinbam pessoal relação. - Tinbam-me dito dêle
"É muito secreto .. . ". É possível. Damo-nos bem.

Em minutos, estamos no terreno das confidências. Fala-me


no MESTRE ... confirma fatos, esclarece outros ... é suave, reser-
vado e cordial... o coração é tudo, neste bomem singelo e bumil-
de. Sua irmã o olba e ouve com evidente respeito. Há entre· êles
um código de olbares, de sentir, quiçá mais... - Ela, Maria, le-
vanta-se e vai, no quarto onde o MEM vivia e faleceu, buscar dois
livros, que me são obsequiados: Lumiere Blanehe e Mare Haven,
para que eu possa complementar a minba documentação, e a de
outros ...
Mais tarde, fico conbecendo a espõsa de Pbilippe: Louise; e
uma das filbas: leva o mesmo nome civil que Sádbanã: Maria-
Luísa, mas tratam-na por M/TOU. E, todos juntos, mas sem Mi-
tou, vamos à Grande Sala ... , lá onde está o Centro Espiritual do
Mundo ... lá onde se acba o Retrato do Imperador do Mundo ...
sob os traços de um bomem Singelo: li;LE ... O MESTRE PHI-
LIPPE. .. e, permitem-me também fotografar e reproduzir êsse re-
trato, nunca antes publicado... Já o verá, Carolei. Por agora,
olbemos o de Pbilippe MARSHALL e Marie, a irmã ...
Apesar da pouca luz na Sala, tenbo fé no pedido que fiz ao
MEM, para deixar sair bem êsse filme. .. - curioso: é a única vez,
na viagem, que tenbo Kodak 300-X ... superveloz ... cousas . .. -
silêncio . ..
Agora, vamos para o parque e o Terraço. Lá, conversamos.
Ouço mais do que falo: segredos do MESTRE. A matéria-prima

89
- secreta - da sua "Héliosine" ... o lugar da laranjeira reverde-
cida .. , e outros Ensinamentos que surgirão nos devidos temas ...
Ficar para almoçar? Obrigado, prometi a Michel de Saint-
-Martin, mas virei logo após e tomarei o café da tarde. Trem de
volta a Lyon? Não, Philippe MARSHALL me levará, devagar ...
mais uma hora de palestra, a s6s, com êle ... - Obrigado, Marie,
por essa fotografia do Laguinho, onde 1l:LE meditava ... - Louise
deixa-se, também, fotografar. Juntam sementes de Capuchinhas
para mim levar, e colhemos, todos juntos, um ramalhete bem gros-
so, com muitos galhinhos e fôlhas da "Arvore de Natal" (Espinhei-
ro-santo: Houx, em francês), que, no tempo do MESTRE já flo-
rescia ali mesmo. Real Talismã de Devoção, do qual brindarei
Fôlhas aos íntimos e plantarei as sementes, como as dos Ensina-
mentos: onde a terra fôr favoráveL ..
Ao café da tarde, também está presente o marido de Marie: o
Sr. Charles DOSNE, um benfeitor local, da Sociedade Protetora
da Infância, do Hospital, etc. - Não foi êle quem me disse, é
claro. Ao entardecer, a hora de me despedir das Senhoras e do
Sr. Dosne, chegou.
Philippe MARSHALL tira o carro do Pátio interior, e sai-
mos .. . quanta cousa mais, que com certa correspondência ulterior
dêle se ampliará. E o abraço, os beijos na estação de Perrache,
e seu gesto último, tão cordial e espontâneo... Que bom, Carolei,
êste trem, o famoso "M'Ístral", com suas rodas de borracha ... em
4 horas e meia, sem nada sentir, nem a chegada à plataforma em
Paris, segui pensando em tantas cousas ... e sentindo outras muitas!
Mas, é chegado o momento de explicar a todos, o pouco que se
pode dizer de, ou sôbre, Philippe MARSHALL, para que cada um
conclua como quiser e puder ...
Com. 59 - Você lembra, Carolei: êle nasceu naquele ano pas-
sado por seus pais em Lyon. Victoire interessou-se por êle. O
MEM também. Devido às mudanças de residência do Sr. Marshall
pai, o jovem Philippe estudou em muitos Colégios diferentes: em
Lyon; depois, na Suíça; após, no Liceu de Nice. Adotou uma pro-
fissão singela: possui e dirige uma Oficina Mecânica, em Marselha.
- Que outras atividades, mais íntimas, tem, é o que muitos gos-
tariam certamente de saber.
Olhe, Carolei, pense um pouco nestas cousas: o MEM dissera
que, quando Êle partisse, "já teria cinco anos" (palavras de lVli-

90
chel de Saint-Martin, a mim) ou que "quando aqui voltar, terei
quase cinco anos" (palavras de Philippe l\iARSHALL, a mim).
Ninguém está afirmando, e Philippe Marshall menos que outros,
que êle seja uma "reencarnação do MESTRE". Mas, não poderá
ser um veículo, um depositário, especialmente para a Corrente de
Lyon, da via privada do MESTRE?
Alguns dados curiosos, a respeito: "Se acrescentais que o MES-
TRE PHILIPPE tinha dito, em 1902, à Senhora Marshall, mãe, que
seu filho PHILIPPE tinha os dons DO CÉU, compreendereis que
estanws, graças a Sua amizade, no Centro espiritual imutável, conw
a chama no fogo. .......... Mas ficaria mais feliz ainda se a
Providência nos fizer encontrar na casa do Clos Landar. Pais lá
está o Centro espiritual oculto para os olhos do mundo e que meu
amigo Philippe MARSHALL teve por bem me mostrar." (Carta
do Conde Christian de MIOMANDRE, de 12 de fevereiro de 1958) ...
" .. . Philippe MARSHALL .. . êle não escreve, mas os amigos
podem sempre lhe escrever e ir vê-lo ... entreguei ao filho do Dr.
Encausse todos os documentos que possuía sôbre o ensinamento
público do MESTRE PHILIPPE.. . mas, seria preciso que nos en-
contrássemos (o Conde e eu) para falar destas cousas. Será isso
um dia? Desejo-o. Penso que será junto a Philippe MARSHALL
que nós nos veremos mais tarde. É a Éle que devo confiar todos
os documentos privados que possuo ainda sôbre o MESTRE e seus
Amigos .. . Nosso Amigo sofre muito, etc..... (Carta de Chr. de
Miomandre, de 9 de maio de 1958.)
Você lembra, Carolei, que Christian de Miomandre é parente
de Chapas, 'discípulo dêle, que morou anos no CIos Landar, que seu
Pai era Discípulo direto do MEM... deve estar em condições de
julgar, e de sentir, não acha? ..
E, para terminar estas "impressões" - não quero ir além, por
agora - isto: em abril dêste ano, a propósito desta obra, escrevi
a muita gente, para ver de que, ainda, podiam dispor como material
para enriquecê-la, para Você!... Marie DOSNE, em carinhosa
carta de 12 de maio, após certas informações sôbre Lumiere Blanche
- que eu lhe solicitara - me diz: nada mais poder dizer e conclui
"não estou, aliás, qualificada para isso ... não sei se tendes notí-
cias do meu irmão? . . " - Está claro, Carolei? ..
E, para facilitar a compreensão da herança e de como tudo foi
parar na mão de Philippe MARSHALL, - curioso, não? - faço
êste quadrinho:

91
Dr. E. Lalande (1.· casamento) com Victoire PHILIPPE: sem
filhos.
(2.· casamento) com a Viúva MARSHALL: sem
filhos.

Berthe MATHONET: herdeiro PHILIPPE MARSHALL


Famílias PHILIPPE e LALANDE

Herdeiros diretos: Marie e PHILIPPE MARSHALL


Marie, casa com o Sr. Oh. DOSNE.
Philippe MARSHALL, casado com LOUISE, tem três filhas: Jacque-
line, já casada há anos: Oolette - casou em 1956; e MITOU, ainda
solteira.

92
v - o PROTETOR DOS GRANDES <1892-1900>

Com. 60 - O título desta quinta parte da obra responde a


êste critério: os Grandes da Terra, no sentido espiritual, não são
os poderosos, material, social ou politicamente falando, evidente-
mente. Mas, sim, aquêles que movem idéias e, mais ainda, os que
já não "se batem" por ideais, senão que os servem, vivendo-os com
real esfôrço de superação.
Um MESTRE, do talhe do MEM, evidentemente, em cada pas-
sagem Sua por esta Terra, não somente vem acompanhado de per-
to por Sêres que O amam e servem, como, ainda, ~le protege aos
que estão esforçando-se pelo próprio progresso e - especialmente
- pelo coletivo. Daí que, como veremos logo adiante, além dos
íntimos que com ~le moraram ou viveram muito perto, outros sê-
res, às vêzes de considerável valor, receberam Seu apoio, ensina-
mentos e - em certos casos - pequenas ou maiores "missões" a
executar, ou orientação nas que êles mesmos escolheram.
Certamente, Carolei, um dos fatos espirituais que, ao mesmo
tempo que uma forte demonstração de seu Poder, ótima !)ara cur-
var a testa de certos dêsses "Grandes", que pedem mais fàcilmen-
te "provas" da qualidade alheia do que das outras - que os tem-
perariam mais -, era também uma .evidência de como cumpria,
~le, Sua missão.

* '" *
o Muito Excelso Mestre e O PASSADO ALHEIO ...

Lembra, Carolei, que - a pág. 47 do 1 VoI. - Papus ressal-


tava que o MEM "tinha uma noção completa da vida presente, com
todos os pormenores, de todos os sêres terrestres com os quais se
achava em relação"? E, Carolei, isso era em relação a todos os
reinos, também.
E aos fatos que as pessoas julgavam mais ocultos: lembra-se
daquele homem altivo (1, 48) ... mas que tinha estrangulado uma
mulher, doze anos antes possivelmente, e o MEM disse-lhe: data
e hora, só para dar a êsse homem a oportunidade de pedir Perdão
ao Céu, de não ser prêso e, assim, de levar alguns anos de vida, com
real remorso, com real esfôrço de reparação, já que, como o pró-

93
prio MESTRE ensinava: é aqui, na Terra, onde devem ser pagas
as dívidas aqui contraídas ...
Veja, ainda, Carolei, o batismo do jovem Henri Durville (I,
47) e o MEM dando, a um magnetizador já célebre, e contudo ainda
incrédulo na parte espiritual (medite, Carolei, como, até nesse
terreno, a técnica pode andar divorciada, infelizmente, da fé!) a opor-
tunidade de "crer", ao desmascarar, diante de Durville, de Papus,
de Chamuel (que a pág. 67 da B.M.H. esclarece ter assistido a
isso, em dezembro de 1898, debaixo do pórtico da Igreja Saint-Mer-
ri), e de outros, a velha mendiga pseudoparalítica dizendo-lhe quan-
to ouro ocultava no colchão!: o MEM "matava" - por assim dizer
- diversos coelhos com uma cajadada só; que magnífica generosi-
dade no uso do Poder!
Vejamos alguns ensinamentos esclarecedores, do MEM, sôbre
isso:
E. 279 - Cada ato meritório está, como tudo o mais, rnarcado
em nossa fronte, e ninguém tem o direito de nos julgar, já que
Deus mesmo não jUlga: somos nós mesmos que nos julgamos. Não
acreditais que viemos para viver e não para morrer? Não quero
dizer que viveremos sempre s6bre esta Terra, mas aquêles que
crêem em Deus estão marcados no livro da vida. (S. Ly., 26-2-94.)
E. 386 - P: Quando se tem gôzos íntimos, satisfações que
não se pode descrever, é a alma que se lembra?
R: Não, a alma não se lembra. A alma pode ter sensações
que o corpo ignora. O corpo também pode agir sem que a alma
nada saiba. O espírito pode manifestar-se e voltar atrás por cer-
to período de tempo. Assim, se me aprouvesse saber de uma pessoa
que vem pela primeira vez, o que ela é, o que fêz, o seu espírito,
se eu o interrogo e até sem isso, pode mostrar-me tudo quanto ela
têz desde a mais tenra inft1ncia. (S. Ly, 28-1-95.)
E. 287 - Tudo isso vos parece triste, porém acreditai que tudo
tem a sua razão de ser e que o agora feito tem a sua utilidade.
Com freqüência as pcnas dêste lado prosseguem no outro, e no
mesmo instante em que éstes três indivíduos sofriam o que tendes
visto, sêres que vinham de desaparecer foram liberados ele penas
semelhantes (S. Ly., 28-1-95. Falta na 5." edição.)
Com. 61 - Cada ato está escrito, em diferentes modos, que se
completam: tipo, expressão, série, côres: são os modos gerais. Os
fatos, em clichês que podem ser ,,"i,stos ou, diretamente sabidos, con-
forme veremos adiante, pelos que têm os sentidos Íntimos (não os
astrais, que são os da mediunidade até a ioga, inclusive). - Nin-
guém tem o direito de nos julgar: cada um já foi, ou ainda será,
isso mesmo que, às vêzes, condena em outros; e, por que julgar, se
tanto trabalho nos daria conhecermo-nos primeiramente? e, como

94
julgar, se nada sabemos e se Deus não julga? Esta última afirma-
ção do MEM é tremenda, porque 1l.:le provava que sabia o que dizia I
e, se somos nós quem nos julgamos, não precisamos: nem que ou-
tros nos julguem, nem julgá-los. Mais, como nos julgamos: atrain-
do e aceitando (progressivamente, neste último caso) o que bem
sabemos que nos corresponde. E, se Vooê se atreve a protestar,
Carolei, no silêncio de seu quarto e frente ao MEM, faça-oI
Viemos para viver: isto é, para progredir, melhorando o que
está esorito (por nós), sôhre e em tôrno de nós; e, por isso s6bre
n6s - agora no sentido do que consta no Livro da Vida: os que
crêem e se esforçam, sairão desta Terra, para o lugar imediata-
mente superior ...
Com. 62 - Cuidado: devo advertir que o MEM, de acôrdo com
o espírito intelectual da sua época e com a língua francesa, não
usava o léxico adotado pelos ocultistas: corpo físico, alma per-
fectível e transitória, espírito imortal. 1l.:le expressava-se na for-
ma que seguiremos usando em todo êste livro (por respeito a 1l.:le):
Corpo mortal; Espírito intermediário (parte emocional do homem,
parte astral, que o MEM diferencia do duplo (etérico), do qual
1l.:le fala em importantes ensinamentos). - A Alma (imortal) não
se lembra : ela vive fora do tempo e do espaço, é divina de essência
e de dimensão. O espírito pode manifestar-se; por exemplo, reto-
mar o exato aspecto que tinha: minutos, anos ou vidas, atrás. Por
um período variável conforme o valor e a consciência espirituais.
Mas, por que o espírito da pessoa mostra ao MEM "se o interroga
e até sem isso"? O MEM, como faz sempre, fala com múltiplos
sentidos: até sem isso, porque: a) O MEM sabe - já o vimos -
TUDO, DE TODOS; b) Todo espírito na Terra, p6sto diante Dêle,
sabe, também, que tem que se "apresentar"... no sentido militar
do têrmo, se cabe a analogia. Entendido? - Desde a mais tenra
infância: e antes também, mas o MEM limita sua expressão, para
não chocar nem ser prematuro ... - Sensações corporais só: as
materiais, quando não despertam eco emocional ou mental. - As
só da alma: vividas em abstração do corpo (na vigília), sem sua
participação, senão de suporte; e, as do sono, transe, etc., quando
sem reflexos corporais, ou quase, cousa extremamente rara. Certos
estados que veremos mais adiante, também. Um "estado", muito
interessante para sôbre êle meditar, Carolei, é o que se instala no
Discípulo quando percebe, e aceita - ou não - que o preço do
ensino recebido ou almejado, é apresentar-se, 11wstrar-se oomo é,
o mais aberta e reiteradamente possível, ao Mestre I...
Com. 63 - Mais difícil de entender, por não estar descrita a
experiência feita. Mas, se UM QUE TEM O PODER DE DESA-
TAR, faz com que sêres vivos dês te lado, sofram o que, do outro,

95
ressentiam certos espíritos, para pagar erros da existência recen-
te, cabe meditar que, todos temos uma parcela dêsse mesmo poder
de DESATAR a outrem de penas, se as assumimos, livremente
sôbre nós. Isto, vai da dívida no Banco monetário, ao de sangue,
ao Moral: o Livro da Vida-Conta-Corrente Universal.
Conclusões: . .. uma delas, pelo menos: cada um recebe o dom
de enxergar, de fato, no rosto ou no espírito alheio, na proporção
em que é capaz de interessar-se, de coração, por apoiá-lo ou car-
regar parte ...

* * *
o Muito Excelso Mestre e OUTROS PODERES D:eLE. -
Com. 64 - Vimos, Carolei, que o MEM tinha, para dominar e guiar
aos grandes - os que o eram, em relação "à triste tropa dos me-
díocres" - o Poder de saber seu passado ... e seu futuro, como
quando disse a Durville: "dentro de dois anos ireis crer" ... - Ve-
remos outros Poderes, totalmente acima do que se pode imaginar
correntemente; lembrarei o usado quando da exigência do Prefei-
to (em 1870) e "desmaiou" a um Conselheiro pedante; eu expliquei:
retirou o espírito do corpo, ou seja: paralisou o coração ou mandou
ao espírito sair. Quem faz isso, sem o menor gesto, só "concen-
trando-se uns instantes"? Vimos também (Ens. 454, pág. 56), que
~le curava os males mais inverossímeis e o fato se produzia instan-
taneamente: a característica exigida para os milagres, como Você
se lembrará, Carolei! Vamos dar alguns mais, que completam e
esclarecem ensinamentos já conhecidos:
E. 444 - Uma jovem senhora, que até então tivera apenas
filhos natimortos, falou-lhe nisso cmn desespêro porque Unham-lhe
dito que isso provinha de ter ela, em anterior existência, destruido
seus filhos. O Mestre ficou triste por haverem afligido assim a
essa mulher e, com muita doçura, disse-lhe que seria melhor tomar
o que lhe acontecera como uma prova e que, doravante, "alguém"
dar-lhe-ia filhos vivos. De fato, ela teve, depois disso, diversos
filhos aos quais criou perfeitamente bem. (4." e 5.")
Com. 64 - Já pensou, Carolei, no que significa o Poder de
prmneter filhos vivos, a quem só os traz mortos? E, tudo isso,
porque o MEM julgou compensada, moralmente, a falha que a
mulher tivera alguma vez, pela aflição por ela vivida. Remiu o
pecado e abriu conta nova. Só! Da mesma forma acontece quan-
do, no E. 459, que não reproduzo por extenso, promete filho varão
à Imperatriz. E esta lhe beija: a mão, por saber, sentir, que o que
~le promete, será. E foi. Para compreender - em parte-zinha:
até nós podemos procurar isso - a fonte do Poder do MEM, isto:

96
E. 440 - Um dia o Tr'ibunal o citou, e o Promotor Público o
acusou de atrair às suas sessões pessoas às quais despojara das
jóias ( /). Dois dias após, o filho do Promotor adoece de crupe
diftérico; enlouquecido, o pai vem suplicar-lhe que cure a criança.
Êle pediu a cura ao Seu Amigo e a obteve. (4" e 5")
Com. 65 - Acusado de forma tão baixa; atingido na sua honra!
E, agora, que acontece, Carolei? O Anjo faz o filho do Procurador
adoecer, para lhe dar a oportunidade? Ou o MEM é "glorificado",
mais uma vez, dando-Ihe como beneficiar? O pai suplicou; o MEM
pediu; o AMIGO: Jesus, concedeu. Não está tudo claro? Mas,
que poder de esquecer, de perdoar, é preciso cultivar, para chegar
aos ontros!... E, o que mais domina,a a grandes e pequenos, não
era só a cura, senão O MODO ...
Também há aquelas curas à distância, como (E. 431) quando
"passou os exames" na Rússia, curando aos doentes, com só saber o
número do leito! ...
Na Rússia, também se fêz "invisível", vamos lembrar o fato:
E. 435 - Em outro desfile, êle se achava, à paisana, no carro da
T:::arina. . . Um Oficial da Guarda, vendo de longe aquêle civil
sentado juato à Tzarina, aproximou-se a galope, admirado com tal
anonzalia, e verificmt que a Tzarina estava sozinha! E assim, em
diversas oportunidades sucessivos, Philippe tinha-se tornado invi-
sÍ1:el! (4." e 5.")
Mas, se lá, 1i:le tinha se rodeado de moléculas de diferente
poder de refração (e, para isso, é preciso PODER mandar nas
moléculas), ou, se preferiu o método de paralisar o poder visual
alheio (sem fazer perder a consciência e livre ação?! ... ) ou, se
usou do sistema de tornar-se totalmente neutro, não se saberá fà-
cilmente. Vejamos, então, outro caso mais curioso ainda; na
França:
E. 576 - ... "As idéias mais raras circulavam a Seu respeito.
Diziam que podia tornar-se invisível. Êle teria até feito uma ex-
periência diante do antigo li'll'1'eiro Chamuel. Tendo colocado di-
ferentes ervas num pote de ban'o, cozinhou-as; saiu disso um lí-
quido que, p6sto s6bre brasas, deu espéssa fumaça. Êle teria se
colocado no meio e teria se dissolvido com ela. Só dois dias após
o tornaram a ver chegar na Livraria. Sorridente, um pouco ga-
lhofeiro, mas não dando explicação alguma para o acontecido ...
"Em outra oportunidade, penetrou numa reunião em que se
achavam Sédir e Chamuel. A porta estava fechada com chave.
Os dois amigos corrigiam provas. Se não me engano, tratava-se do
Livro das Encantações. Totalmente transtornados por essa Presen-
ça, éles se levantaram, mas o M. PHILIPPE, tendo tomado uma
f6lha do manuscrito, a p6s no b61so, e desapareceu da sala, como

97
um fantasrna. Dois dias após, Chamuel recebia, pelo correio, o
manuscrito corrigido." (N. 59)
Com. 66 - Assim, Carolei, tendo o Poder de desmaterializar
Seu corpo f ísico (Você sabe que, hoje, nos Laboratórios da G. Elec-
tric, estuda-se essa poSSibilidade e a de - futu ramen te - "viaja r"
Você por cabograma? - Estou falando sério; isto é científico ...
em estudo.) Mas, o MEM o operava. A fumaça não só ocultava
cer ta pa rte da operação, como, eventualmente, a facilitava e ma nti-
nha no ambiente certa pureza. Há uma relação entre certos aromas
e certos estados. Mas, não confunda, Carolei, não estou explicando
como se faz, senão os passos da compreensão da poSSibilidade ma-
terial. O Poder é espiritual.
Eu tenho visto como, em milhões de estrelinhas de ouro, apro-
ximam-se Sêres que moram no outro extremo do planêta. Mas
isso é outra história .. .
O caso do manuscrito é melhor para ocidentais: não há fuma-
ça; há uma porta fechada; há dois homens de reputação ilibada,
como testemunhas; e há um manuscrito levado através da parede
e devolvido, corrigido, pelo correio! Desdobramento em corpo as-
tral não serve: astral não carrega manuscrito! Em corpo mental
superior, sim .. . com o Poder de MATERIALIZAR o corpo físico
onde quiser!
É claro que, depOis disso, todos os ocultistas da época (per-
dão: os pouquinhos dêles capazes de crer!) iriam se submeter como
Discípulos, a Quem dava essas provas ... após muitos anos de fiel
dedicação!
Bem, como não sou o M. PHILIPPE, não irei ensinar Você,
Carolei, "como tornar-se invisível". E nem creio que o MEM o
ensinasse... Mas, deixando de lado os engrimanços mágicos, pos-
so lhe dar umas indicações, para ir treinando diferentes métodos
conjugados... Medite nisto : se um homem pode parar a mente
à vontade e entrar em real paz interior, não desperta eco nos que
ficam perto. - Se uma pessoa aprende a distender e contrair a
sua aura, acontecerá o que muitas vêzes me ocorre: quando dese-
jo, na rua não me vêem ; e quando, pelo contrário, há muita gente
e podem incomodar a Sádhanã, ela caminha atrás de mim, que an-
do com a aura um pouco aberta. Os que passam pela rua, vão
deixando um "vão" em tôrno de mim. :'\ão sabem porque. Ima-
gine só, Carolei, se um grão de pó como eu faz isso, que Pode fazer
o MEM! - Faltam duas receitas : quanto mais humilde se é, mais
desapercebido se pode passar, à vontade : há treinamento! E, quan-

N . 59 - Do relato "A propósito do Mestre PHILIPPE . . . " por "X . .. ",


na revista "L'INITIATION", de setembro de 1955 (Ano Z9, n. 3), pág. 1Z5.

98
to mais bonzinho se é, mais atendido quando se pede para não iier
notado. Já disse que são acumuláveis ...
E. 448 - Dois policiais levavam a um homem; éle aproximou-
-se (Chapas estava presente). Philippe pediu-lhes que soltassem
ao homem; os policiais se negaram. Então, puxando um jornal
do bôlso, po-lo entre as mãos dos age-ntes dizendo-l hes: "T01ooi, ai
está o vosso préso!" E os representantes da autoridade largaram
do préso e levaram o j ornal paTa a cadeia . . .
E . 796 - PJle estava um di a com Chapas sôbre o cais. Passam
dois gendarmes levando um desertor . O M . PHILIPPE pede-lhes,
cortésmente, que o soltem; respondem-lhe grosseiramente. Então,
ele lhes aponta uma árvore próxima, dizendo : "Mas, aí está o
vosso prisioneiro. Segurem-no bem!" - E os dois gendarmes afer-
ram as mãos na árvore e. .. acordam uma hora após, olhados por
uma multidão irônica . ..
Com. 67 - Temos, assim, Carolei, dois ensinamentos mostran-
do que o MEM: não temia fazer demonstração de seu poder em
plena rua, quando se tratava de garantir a liberdade alheia; no
segundo caso, há dois ensinamentos, além da demonstração de Po-
der : um, que o ME~I aprova a Objeção de Consciéncia (direito de
negar-se a matar, ou a prestar serviço militar, que é aprendizagem
de assassinato - N. 60); o segundo: que, pelo fato de terem res-
Dondido grosseiramente, os gendarmes foram postos na prova de
escárnio popular; generosidade do MEM, que lhes permitiu paga-
rem, assim, à vista, a dupla falha: a seu dever funcional, dêles, e
à Verdade que 1l.:le representava.
E. 798 - Em sessão, dois auditores são solicitados a colocarem
suas mãos acima da cabeça. Instantaneamente, ficam como cola-
das e, isso, apesar dos esforços feitos por duas pessoas vigorosas
para separá-las.
E. 800 - Um jovem dragão tinha sido f erido gravemente pelo
seu cavalo (fraturas múltiplas). R esolvera-se uma amputação .. .
O infeliz soluçava, ante a i déia de perder U100 perna. O M . PHI-
LIPPE acerca-se déle e lhe diz: "Por que choras ? Amanhã esta-
r ás curado!" No dia seguinte, para total surprésa dos médi cos, a
cura era completa!

N . 60 - "O serviço militar obrigatório foi, desde mais de um século,


a verdadeira causa de uma multidão de males que afligiram a Sociedade."
(Oarta de Sua Santidade o PAPA BENEDITO XV, em outubro de 1917, a
Mons. Oesnelong, arcebispo de Sens.) E , não esqueçamos que o moaerno
Santo Oatólico, o Abbé PIERRE, defende corajosamente a "Objeção de
Consciência", primeiro passo para uma futura Era, na qual a Humanidade
renunciasse - por maioria absoluta - às guerras!

99
Com. 68 - Vemo.s, assim, o uso. do. Po.der, desde a demonstra-
ção. singela, de do.minar a f6rça física e a vontade (duas cousas
das quais to.do.s no.s orgulhamos tanto., e demais r), até o. uso. -
dádiva maio.r - para evitar que um ser, que certamente o. merecia,
ficasse aleijado e perdesse seu lugar, na Cavalaria e na Vida so-
cial! - E, isso, em silencio.so desafio ao.s médico.s, e à lei huma-
na, cada vez que a igno.rância científica (relativa) não. so.lucio.na-
va bem o caso..
Falta-no.s, ago.ra, Caro.lei, olhar um pouco mais de perto: até
onde podemos entender essa vida dupla: a do. "burguês visível", e
a do. MESTRE nêle ocultado., vo.luntàriamente; e, se 1l:le mesmo.
deu algumas indicações sôbre isto. ...

* * *
o Muito Excelso Mestre e A SUA VIDA SECRETA. - Com. 69
Naturalmente, não pretendo. mo.strar, neste co.mentário., tôda a
vida secreta do. MEM. Em primeiro lugar, conheço. apenas parce-
las dela; em segundo. lugar, muito.S do.s aspecto.s que - dela tam-
bém - possam ser co.mpreendido.s, irão. surgindo., nas linhas, ou
entre elas, no.s temas ulterio.res. Mas, co.nvém fazermo-no.s uma
idéia do. mo.do. de ser e de pro.ceder do. MEM, no.s poucos aspectos
que, Dêle, deixava perceber, não. o.bstante a sua aparente singeleza;
vejamo.s, por ago.ra, algumas das facêtas "externas".
E. 461 - Ei08 alguns pormenores sôbre o comportamento de M.
Philippe:
tEle era cortês e muito respeitoso para com qualquer funcio-
nário. Caminhava muito sem nunca se apressar. Fumava enor·
memente longos cachimbos de barro. A sua hospitalidade era
muito liberal e sua generOSidade muito grande.
Não tinha regime alimentício. Embora n1lnca apressado, nun-
ca ficava inativo. Possuía grande habilidade manual para todos
os trabalhos mecltnicos, de ferro, madeira, vidro, etc.; dedicava-se
muito à química fannacêutica.
Podia passar completamente sem sono.
E. 421 - Entre outras partiCUlaridades físicas, êle dorme mui-
to pouco (3 horas no máximo). Teme o frio, fuma muito, mas é
muito sóbrio.
E. 430 - tEle possui completo cDnhecimento de Química, de AL-
quimia e de tôdas as suas aplicações.
Com. 70 - Co.rtês e respeito.so. de leis e seus prepo.sto.s, já
que isso. ensinava. Quanto.s estudantes fracassam nesse aspecto.:
são. muito. "espiritualistas", mas se podem "driblar" um impôsto., um
decreto., um regulamento., uma alfândega, o. fazem. Que pro.gres-

100
so esperam, depois, e que apoio do Plano do Verbo-Verdade!? -
Quem caminha muito, sem jamais se apressar, é meditativo e tem
Paz Interior. - Quem fuma enormemente, sem ser por vicio -
poiS o MEM não podia tê-Ios - mostra, com isso que, na época atual,
:tl:le aprovava o uso do fumo; e, poderia ter fumado "pouco". Se
fumava muito, será porque há um uso especial do fumo, dinamiza-
dor astral e estímulo da fôrça criadora, no sentido plástico; da
imaginação, para nós, homens comuns. Aqui, temos visto, muitas
vêzes, o MEM "consagrar" ou fazer o gesto - e Nêle, palavra e
gesto, "são" o que indicam - de proteger ou aprovar alguma cousa,
depositando em cima, cinza de seus cigarros, charutos ou cachimbo.
Eu não fumo, mas tenho por obrigação mostrar êste fato, para OS
que podem usá-lo, não como pretexto para um hábito que os domina,
senão para aprenderem a utilizar aquilo que dominassem.
A hospitalidade era uma virtude Essênia, e, quem não fôr hos-
pitaleiro e generoso, nenhum progresso fará, pois se está fechado,
e se é egoísta ou indiferente em atos, de que lhe servem doutrinas?
Por isso o modo de viver do MEM é a Lição prática, que mostra
como aplicar Seus ensinamentos. Tornaremos a achar isto no tema
"As duas Vias". - Não tinha regime: mostrava, assim, que reali-
zar-se ou ser realizado, Filho de Deus, Mensageiro ou Missionado
Providencial, não depende de regime, vegetariano ou não. Que,
cada um pode viver como comporta a época e o lugar em que lhe
toca encarnar e atuar, sempre que faça o "essencial". No tema
"Dieta", ampliaremos isto, bem como os demais pontos do E. 461.
O Poder passar completamente sem sono, representa também
um Poder e um grau especial de consciência e de evolução; isto pro-
cessa-se em cada reino, pois vemos, por exemplo, que a formiga -
cujo cérebro Huxley qualificara de "a partícula orgânica de mais
perfeita organização, neste planêta" - passa sem dormir. Será
por isso que dizem que êsse animal vem do planêta V1l:NUS, on-
de tudo é mais adiantado que aqui, assunto sôbre o qual o MEM
nos dirá alguma cousa ...
É claro que, ao nos ser dito que :tl:le possuía um completo co-
nhecimento de Alquimia, Química, etc ... , já percebemos que êsse
burguês. .. não é tal!
E cabe lembrar, como transição, Carolei, aquêle "caso" do
E. 462, em que O vimos fazendo com que o Capitão da lancha A
M ôsca deixasse de parar nos embarcadouros obrigatórios no tra-
jeto. Ninguém reclamou, nem percebeu... mas, será que Você,
Carolei, percebe a complicação real do caso: fazer um serviço pú-
blico sair do horário? Impedir a uns de embarcar e a outros de-
sembarcarem? E, QUEM arruma tudo que isso poderia desarru-
mar, nas vidas de tôda essa gente? E, QUEM faz com que, pelo

101
contrário, fiquem beneficiados, por terem colaborado - embora
involuntária e inconscientemente - naquilo que 1tLE tinha que fa-
zer com tanta urgência? - Como vê, Carolei. não são as cegas ex-
plicações "sugestão coletiva", ou qualquer outra asneira do mesmo
quilate "intelectual", que resolveriam o que iÊLE tinha que resol-
ver para fazer isso. Compreende, Carolei, que uma das condições
do Poder Espiritual é o sentimento de responsabilidade colet'i va?
E, que gratidão, ou que respeito, ou que outro laço, ligaria o
Capitão, para êle, sem sugestão, em plena consciência dizer, s6, ao
MEM: "Ah, sois Vós; está bem." E ordenar logo a plena marcha
e a supressão das paradas. Gratidão e Decisão, aliadas, Fé e En-
trega também. Acha, Carolei? ótimo!
Com. 71 - Lembremo-nos, ainda, de que nos disseram que 1l;le
mudava a côr dor olhos. Geralmente castanhos (o homem, e o
tipo familiar), mas, às vêzes, apresentava-se com olhos de esplêndi-
do azul (I, 50). 1l;stes últimos, eram os Seus mesmo: os do Grande
Ser celeste ...
Com. 72 - Não esqueçamos, Carolei, que o MEM tinha aquêle
misterioso quartinho, já mencionado a pág. 46 do I VoI. - lá onde
1tle mostrou a Papus o "filme: sucessão de clichês" da vida passada
das duas mulheres que tinham deixado morrer de fome à jovem
parenta para dela herdarem; êsse quartinho misterioso, Carolei,
era o ORATóRIO DO MESTRE. Eu o tenho visto - nas minhas
pesquisas psicológicas, como diria o MEM -, assim: um quartinho
pequeno, com paredes lisas, pintadas de côr clara - marfim pu-
xando a creme e mobiliado apenas com banquinhos singelos, de
madeira; mais tarde usei êsse dado para desenvolver, em alguns
dos meus, a observação do que acontece na aura humana, quando
a pessoa está em prece, ou sob sentimentos opostos. Já veremos
alguma cousa das "auras", adiante ...
Você imagina, Carolei, o que seja O ORATóRIO de um Mes-
tre como o MEM? O Lugar no qual ll:le orava pelos doentes e
transviados; onde ll:le assumia as Promessas alheias - que já
nos disse que endossava; e onde, também, aceitava os Sacrifícios
capazes de compensar certos acontecimentos e de mudá-los, ou su-
primi-los! - Por isso disse Papus que: "era uma grande honra",
ser admitido nesse quartinho ... no qual terá desfilado, mais tarde,
tanta gente, sem ver outra cousa senão um pequeno cômodo descon-
fortável. . . Isso, é a imagem da vida, Carolei!. ..
Com. 73 - Lembra, Carolei, já vimos que, só em certa época,
mais ou menos em redor de 1892, é que o MEM teve a Revelação
do "Seu Mistério": Encarnações passadas, Missão atual, Plano de
Origem, e mais Mistérios transcendentes. - Isso virá à luz, aos
poucos... lembremo-nos, também, o que 1tle mesmo revelou:

102
E. 255 - .. . E, se não vou na hora indicada, não fica igual-
mente aliviado o doente? E tMas as pessoas presentes, quando eu
disse que iria vê-las, não ficaram aliviadas? E algumas não senti-
ram a minha presença? Pois bem, não posso ir a tôda parte ao
mesmo tempo e não vou a tôda parte com os pés ...
E. 496 - Não, não me dizem o que peço; não preciso olhar;
isso é possível mas é demorado demais e muito difícil; é preciso
uma calma muito grande para isso. É muito mais simplesmente
que sei; conheço bem as pessoas, eis tudo. É exatamente como
para dizer o estado da vossa mão, não precisais olhá-la, é vossa e
a conheceis. (L. B., pág. 41)
Com. 74 - Falta de fé das pessoas, às quais 1l;le lembra que,
quando 1l:le promete, embora elas nada vejam, nem confiem sufi-
cientemente, o prometido se realiza; e, ainda, que 1l;le vai a muitos
lugares sem ser com os pés; vale dizer: em corpo sutil, fato que
1l:le prova logo, dizendo: uns me sentiram. (Poderia ter dito que
muitos O viram, pois era a realidade.) - No E. 496, a cousa sobe
de plano: " ... não preciso olhar: SE!." Que forma singela, mais
do que discreta, de declarar a sua posse da Gnose, que já comentei
- O Saber, a Cognição direta. E, o modo de dizer "conheço bem
as pessoas", alude - ainda mais discretamente - às duas raízes
dêsse conhecimento: uma, as séries humanas (como eu as chamei
sempre) e que o MEM ensina como Caminhos-Famílias, etc., como
veremos na parte mais reservada de Seu ensinamento; a outra
razão: Sua Presença entre nós, desde o início desta Terra, cousa
que 1l;le, em forma velada declara, ao falar da "mão". É como se
dissesse: sois a minha mão, a ferramenta que venho usando, desde
o início, para realizar o que a Vontade de Deus planejou, para esta
Terra. Como não vos haveria de conhecer? .. - Veremos, adiante,
que 1l:le dá a prova do que comentei aqui.
E. 579 - Vimos, a pág. 57 do I Vol. - no artigo de Pierre
Mille - que o MEM jogava na B6lsa, para os pobres... - Acho
interessante t'elatar um fato, que Michel de Saint-Martin me con-
tou em 1956: Um homem vem consultar ao MEM, sôbre como ,fogar
na B6lsa para conseguir certo rendimento ou soma, que precisava;
o MEM lhe dá uma indicação. - Horas depois, outra pessoa vem,
pelo mesmo assunto, e o MEM lhe dá também indicação. - No dia
seguinte, na Bôlsa, estas pessoas se encontram, pois são amigos, e
contam-se o caso da consulta, verificando que o MEM dera indica-
ções diferentes. Cada pessoa resolve - secretamente - jogar na
B6lsa com o que f6ra dito ao outro. - Ambas perdem, pois jogam
a contratempo; o MEM tinha dado a cada um segundo o tempera-
mento, etc... Mas, a pouca fé, a desconfiança e o dese.io de "lo·
grar ao amigo" (pois outra cousa não era, no fim das contas!) fêz

103
ambos perderem, embora o Boletim do dia most1"aSSe que o MEM
acertara em ambas as indicações.
Com. 75 - Como vê, Carolei, não é fácil seguir as indicações
de um MESTRE, pois elas sempre contêm "testes". Eu sei disso,
arranjei bastante desafetos por dar algumas pequenas indicações
nessa forma! Aliás, nem sempre o que quer lograr, deixa de ser
logrado. Vamos, Carolei, ver que o próprio MEM nem sempre
achava, não obstante a quotidiana prova de seu Poder, nem a entre-
ga e nem a fé, suficientes, para brindar mais oportunidades aos
que o cercavam.
E. 580 - Michel de Saint-Martin também me referia isto: Di-
ver&as vêzes, o MEM, quando passeando com Discípulos, ao chegar
perto das ribanceiras do Sa6ne ou do Ródano (e ambos são impe"
tuosos rios ... ) dissera: "Aquêle de vós que acreditasse, poderia
atravessar êste rio a pé, pois bastaria que eu lhe dissesse: Vá ... "
- Nunca achou "candidato", como dizemos cá no Brasil! Isso,
Caro lei, é out ra imagem e razão do porque os Mestres levam de
volta - por assim dizer - muito do que trouxeram com intenções
de nos brindar ...
Com. 76 - Não devemos esquecer tampouco, Carolei, que o
MEM MESTRE, não só dava muita importância a tudo quanto
lhe alcançavam os seus raros Discípulos místico-psíquicos (como
Marie, Papus, etc.), como também anotava tudo quanto tEle mesmo
prometia ao Céu, como aquela anotaçãozinha manuscrita, Dêle, es-
crita em 13 de jUlho de 1896, às 7 horas e 15 da noite (citada a
pág. 66 do I Vol. : "Meu Deus, aceitamos as conseqüências do nos-
so pedido e prometemos suportar, com resignação, t6das as provas
que Vos aprouver enviar-nos" ...
Seria ótimo, Carolei, nos acostumarmos a isso: anotar tudo
que queremos reformar, modificar, melhorar em nós mesmos; tudo
que pedimos ao Céu; tudo que prometemos fazer para ajudar a ter-
ceiros. E, olhar diàriamente para essas Promissórias Morais, poiS
essas também têm prazo, têm vencimento, exigências que devem
ser cumpridas; jU1"OS de mora, e, não o esqueçamos, podem ser apon-
tadas e protestadas, no Cartório do DesUno, que nos embargará e
retirará a Saúde, a Felicidade, o Passar, e até os Dons, necessários
para cobrir o débito.
Não será uma das mais belas Lições vividas, a que o MEM
nos deixou, ao legar-nos essa "anotaçãozinha", que mostra que A

N. 61 - A origem dos Ensinamentos citados ou, reproduzidos, dos quais


não se citou a fonte no texto das recentes páginas, é a segldnte: Ens. 421,
428, 430, 448, 461 e 462, figllram nas 4.- e 5.- edições francesas, como "pro"
vindo de diferentes fontes" (ver I VOI., pág. 163, início). - O E. 2;'5 é
de S. Ly., 22-1-1894.

104
LEI vale para o Imperador dêste 'Mundo também ... e com mais
razão para nós!?
E, a propósito de "como" é geralmente visto pelos Discípulos
(pois O temos visto em outras modalidades, ainda), cabe lembrar o:
E. 428 - Quando o vemos à noite não é sempre êle; é possível
tomar a sua forma emprestada. Quanto a êle, sempre faz o pos-
sível por se apresentar convenientemente vestido e de cabeça des-
coberta. Três vêzes sàmente Seu Amigo o fêz cobrir-se. Se o ve-
mos de oficial ou com longos cabelos arrastando no chão, é sinal
certo de ser êle.
Com. "17 - Nesta obra, Carolei, Você poderá achar quase todos
êsses modos de O perceber!... E, oxalá lhe seja permitido Vê-LO
diretamente!
O Muito Excelso Mestre, os OCULTISTAS e as ORDENS.
- Com. "/8 - Somente os indiferentes e os cegos - do tipo que
chamei de "adormecidos", em Yo que caminé . . . - consideram os
fatos da vida isoladamente. E, cada ser é um fato que caminha,
e produz outros fatos, que são também sêres. O conjunto terres-
tre de todos êles: sêres e fatos, que para o realizado são iguais, no
sentido de serem modos Da Manifestação, constitui, em cada mo-
mento e lugar - cuja totalidade é uma época de vida terrestre -
uma soma de CORRENTES espirituais, pelas quais o Vento do
Espírito sopra, vivificando, através de tantos instrumentos apa-
rentemente diferentes, mas na realidade complementários, o pro-
cessar-se do progresso da Consciência e do Amor. Sendo assim, o
MEM MESTRE - ainda mais na sua Função de Imperador dêste
Mundo - não poderia deixar de interessar-se por ajudar e unir, o
mais possível, aos Representantes - contemporâneos desta Sua úl-
tima Encarnação - das ditas Correntes, vindas dos fundos da pré-
-história, ou seja: daquelas idades sôbre as quais a História nada
sabe, mas em que, isso não obstante, havia Vida sôbre a Terra.
Daí, Carolei querido, tornar-se imprescindível, já que não pu-
de incluir neste livro os "famosos" 43 capítulos sôbre a Tradição,
que ficaram para outro livro diferente (N. 62), brindar a Você, pe-

N, 62 - Ver a pág. 16, na "Segunda Palestra com Oarolei". Se fôr


possível, hei de procurar, nesta encarnação ainda, eSet'ever um TRATADO
DE SARVA IOGA, que provàvelmente incluiria êsses 43 capítulos. Se não
pu4er ser, um Discípulo receberá certas indicações para poder organizar e
escrever êsse trabalho, que considero especialmente necessário na América
Latina, em vista da grande ignorância reinante sôbre o assunto, fato compre-
ensível, já que os Espíritas são maioria - que se conforma com Kardec,-
e que, dos "esoteristas", apenas alguns Teósofos parecem ter uma informação
ponderável, embora muito unilateral, já que o Oriente os fascina,., infeliz-
mente só na teoria em muitos casos. Daí, resultar valioso, a meu ver, a
cont,'ibuição ,de um material sério sôbre como e onde achar dados e provas

105
10 menos, o maravilhoso "Quadro Geral da Tradição" que o sábio
e generoso P APUS organizara, com essa clareza de conceito que
foi, é e será, a característica dos verdadeiros Martinistas, e os dis-
tingue dos amantes das elucubrações, complexas e prolixas, que
constituem grande parte da literatura "dita" espiritualista, esote-
rista e Cia ...
Com. 79 - Vamos ao Quadro, e ao MESTRE: Depois dos
primeiros Amarelos - sôbre os quais pouco se sabe ou se pode
dizer -, depois dos primeiros tempos Egípcios (quando o Sol se
levantava do lado oposto ao de hoje, como prova o Zodíaco de Den-
derah - N. 63), e depois, também, dos esforços dos Brancos com
os primeiros Drúidas, é que o Quadro começa a indicar datas; me-
lhor dito: épocas, iniciando com 8.640 anos antes da Vinda de Jesus.
Acompanhando as múltiplas Correntes, que atravessam os sé-
culos e caracterizam as Sociedades humanas, e as civilizações que
resultaram de cada Corrente, ou simbiose - mistura íntima -
de duas ou mais delas, em cada época e lugar considerados, é que
Você, Carolei amado, poderá entender alguma cousa, não somente
do papel que o l\:IEM MESTRE desempenhou, nesta Encarnação -
e em outras, Dêle, que assinalarei, oportunamente - como também
do papel: social, cultural, religioso e místico (político, como simples
e inevitável decorrênCia), que as ditas Correntes tiveram sôbre a
vida coletiva; e, consequentemente, a imporUlncia que o MEl\:1 tinha
que dar aos Representantes ou Chefes das mesmas e das Ordens
que, em forma séria e útil, moviam a essas mesmas Correntes, con-
temporâneamente. (N. 64)
Era, pois, indiscutivelmente, parte do Labor do l\1El\l, orien-
tar aquêles dêsses Chefes que tivessem humildade e entrega sufi-

da estreita união e sequencia dos efeitos e dos métodos práticos. que deve-
mos às sucessivas Correntes de MíSTICOS reais. O "Quadro" pode ser
achado a págs. 108-109, isto é, no meio do 8.- caderninho.
N. 63 - Não esq1tecer que o filósofo, escritor e iniciado em ioga, Paul
Brunton em ltma de suas ob1"as: O Egito Secreto (pág. 198 da edição fran-
cesa de 1941) mostra qlte o Zodíaco de Denderah tem uns 90.000 (noventa
mil, Oarolei . .. ) anos de existência ou, pelo menos, de tradição astronômica.
Por outra parte, os estudantes sérios poderão meditar e compat·U?· o dito
por Immanuel Velikovsky, em sua obra. Mundos em Colisão. ob1"a que supe-
ra a tudo quanto têm exposto, com tantas palam'as e fanta.~ias, muitos auto-
res modernos com "revelações astrais ou. psicográficas". Um pouco mais de
ciência, e de conhecimento do que JA ,FOI DITO E PROVADO, não seria
demais! . ..
N. 64 - Para compreender bem, Oaro/ei, o verdadeiro papel dos Chefes
de Ordens, de Correntes de real imlJortância e seriedade, etc., queira estudar
o dito, no livro Yo que caminé por el Mundo, sôbre "Seres ejes-espirituales"
etc., a pág. 88 e seguintes. . . e o que, nesse livro, está colocado em outras
páginas, para ser achado pelos que são "de Inquieto pat'a cima". . . e sérios.

106
cientes para aceitarem orientação, ou ordens - a diferença é gran-
de! - e, também, porque o MEM, não podendo fazer tudo sozinho,
tinha que procurar, para semear e aplicar o que ftle vinha nos tra-
zer, Ajudantes - pequenos em relação a ftle, mas grandes em com-
paração com "a triste tropa .. . " - que, durante e após a Sua per-
manência física, fizessem êsse trabalho, cada um à sua maneira,
e, em consideração com o tempo, lugar e circunstâncias ..
Com. 80 - E , por fala r em impor tância, Carolei, acho real-
men te impor tante lembr ar que, a través da História, houve, há, e
ha verá os misteriosos Superiores Incógn itos, que vêm mover as
peças do grande jogo .. .
E, Carolei, se combinamos os dados do Quadro da Tradição,
especialmente os da época de Jesus em diante, e do laço das So-
ciedades Bizantinas de iniciação, em particular, com o fato de ter
sido dado, pelo próprio Constantino, o célebre Lábat·o, como Sím-
bolo, acompanhado das palavras "Silêncio" e "Incógnito", para re-
conhecerem-se os misteriosos Membros, que procuravam receber e
aplicar o que os "Superiores Incógnitos" lhes transmitiam, não dei-
xa de ser muito curioso - pelo menos, Carolei! - que o l\1EM MES-
TRE, que, evidentemente, não deixaria que nenhuma sociedade hu-
mana se apossasse, Dêle ou de seus ensinamentos, em modo exclusi-
vo ou mesmo preferencial. deixe que se faça Dêle um retrato que
ostenta, no canto (pág. 206 do I Vol.), precisamente o Signo dos
S.: 1.:, signo que, muito mais tarde, foi também usado por nume-
rosas Congregações e Instituições, entre as quais alegra ver aos
Beneditinos, ao Movimento "Pax Christi", etc. (N. 65). Julgo ter
dito muito, já... Olhemos um pouco o panorama na região e época
do MEM MESTRE ...

* * *
o Muito Excelso Mestre, e "AMO" . .. e outros. - Com. 81 -
O querido Mestre CEDAIOR, de quem falarei mais adiante, tinha-
-nos dito, mais de uma vez, que, na região de Lyon, era comum
reverenciar-se ao MEM sob o nome de "AMO". Mais tarde, como
veremos, foi fundada no Uruguai a "A. M . O. ", posta sob a prote-
ção dêsse Ser, e, sob tal denominação, reverenciava-se ao MEM,
sendo que ftle, em inúmeras oportunidades, deixou-Se ver, e tam-
bém atendeu (curando ou protegendo) quando invocado sob tal
Nome, que tornou-se, assim, como uma forma externa, mais discre-

N . 65 - Os Membros da Ordem Martinista e outros estudante.y sérios,


poderão consultar com proveito, o notável artigo de J . de la C. (8.: I.:), pu-
blicado em março de 1956, a pág. 21 da revista L'INlTlATlON, sob o título
"O Martinismo e a Tradição dos Superiores Incógnitos".

107
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Raças e Oivilizações".
ta, de O designar, evitando-se o nome de PHILIPPE, que, "lá em
cima" - como se costuma dizer -, mexe com Potências às quais
não é oportuno apelar sem um senso, muito grande, de proporção
e responsabilidade.
Quando, posteriormente, foi fundado o Monastério Amo-Pax.
fruto do labor da A. M. O. e da nossa Cruzada de Vida Espiritual,
foi colocado sob a mesma invocação e Proteção. Já é tempo, pois,
de ver o que é que há, como laço real, entre o MEM PHILIPPE
e o nome de AMO ...
Com. 82 - Já lhe tenho apontado, Carolei, que o MEM orien-
ta um Labor Mundial, do qual um dos setores mais importantes
abrange todos os esforços por UNIR: instituições, igrejas, nações,
etc. - Ora, o MEM costumava, como iremos ver no decorrer desta
obra, orientar, instruir, proteger, a determinadas pessoas, que se
tornavam seus Discípulos, mais ou menos diretos ou indiretos, para
ajudarem, tomando conta - até onde podiam fazê-lo - de algum
dêsses setores ou subsetores.
Já aludi, quando falei, como sendo alguém que iríamos achar
"por trás de muitos .. . ", do Sr. Bouvier, curador, ocultista e es-
pírita, que, conforme testemunhas contemporâneas, era orientado
pelo MEM. Uma carta do meu Amigo, já citado antes, Eng. Jean
GATTEFOSSÉ, me dizia: "Nasci em LYON .. . etc ... estudei o
magnetismo e o espiritismo em Lyon, com M. Bouvier o curador,
que era, êle mesmo, fiel ao ensinamento do Mestre Philippe". Te-
mos, assim, Carolei, um primeiro dado sôbre o elo - Sr. Bouvier
- pelo qual o MEM manejava, por assim dizer, todo um setor com-
posto pelos mais amplos dos espíritas Lyonenses, cuja caracterís-
tica se manifestava em dois aspectos: 1 - estudavam magnetismo
(via positiva, cuja importância extrema tornaremos a achar, adian-
te). 2 - Não temiam agir no aspecto social e no de procurar unir:
Igrejas, Nações, e, numa escala menor, porém possivelmente mais
difícil:. .. setores "espíritas e espiritualistas"! . ..
Numa carta de Jean BRICAUD, em nosso poder, vemos que
estima e que poder atribuía o autor da carta à "AMO". Diz as-
sim: " ... Aliás, se houvesse uma falta de harmonia persistente -
o que não creio (êle se refere a "entre componentes de grupo")
penso que poderíamos, em comum, trabalhar com AMO e diferen-
tes personagens que tiveram certa influência no ocultismo ... "
Não esqueçamos, Carolei, que esta opinião é a de quem já era:
Patriarca Gnóstico, Grã-mestre da Ordem l\:Iartinista de Lyon,
autor de muitas obras valiosas, etc. (N. 66)

N. 66 - A carta de Jean Bricaud, datada, em Lyon, em 29 de novem·


bro de 1922, foi d-irigida ao Eng. Jean Gattefossé, que teve a fineza de nos
ceder o precioso documento, que contém outras informações ainda.

110
Existia, aliás, naquela época - antes de 1892 - em Lyon, uma
"Fraternidade Lyonense de Estudos Psíquicos", que em maio de
1892 era presidida por Elie Steel, um dos homens que, com Ca-
varnie, Bouvier, "AMO" e outros, iriam dar a PAPUS o maior apoio
possível, mais tarde, como veremos em temas posteriores.
Assim, pouco a pouco, vemos desenhar-se o panorama Lyonense,
e surgirem as figuras de primeiro plano, entre as quais êste "AMO",
sôbre cuja personalidade e ação darei, agora, precisões maiores.
"PIERRE VITTE (nome civil de "AMO"): um dos nossos bons
amigos, um dos homens que mais fizeram pelo progresso das nossas
idéias desde vdrios anos, o Sr. VITTE deixa a França dentro de
poucos dias e parte para o Oriente... Êste antigo discípulo da Es-
cola Politécnica, êste engenheiro eminente, é antes de tudo um
modesto e deve servir de exemplo a todos os que querem seguir a
"via da sabedoria". Vitte nunca quis ser parte exclusiva de ne-
nhuma sociedade nem de grupo nenhum. fUe realizou o programa
magnífico de ser o faro da união, em meio das discórdias das pes-
soas e, se êle não foi membro de nenhuma sociedade "espiritualis-
ta", t6das as sociedades, sem exceção, devem-lhe grandes serviços,
sérios apoios e numerosos membros.
"Percebendo, em virtude do seu pôs to, elevados vencimentos,
Vitte só conservava o estritamente necessdr'io para viver, e distri-
buía largamente o resto às obras, ou aos homens vencidos pela fata-
lidade. Ao partir, deixa uma obra considerável a terminar: êsse
Congresso de 1900, que' será a consagração da tarefa de união, tão
bem conduzida por êsse excelente coração e êsse bom Amigo, que
os nossos votos acompanham em seu êxodo." (Artigo de Papus, em
"L'INITIATION" - trimestre julho a setembro de 1895, págs. 286
e 287).
Resta-nos ver, Carolei: o que era êsse "Congresso de 1900",
e, a prova do estreito laço que unia o Servidor "AMO" ao MEM
PHILIPPE, que lhe permitira usar as "três primeiras letras de
um Seu nome muito sagrado e secreto ... ".
Já yimos como Papus o trata: com que estima, quase reveren-
te, e apontando-o como um exemplo, merecidamente aliás. Na cole-
ção de "L'INITIATION", do tempo de Papus, aeham-se reproduzi-
dos (N. 67) diversos artigos, de AMO e de outras pessoas, que
dão uma idéia do que fôra o Congresso, projetado para 1900. Mas

N. 67 - Citaríamos. entre outros: "A Via" (Vol. 28), "Unidade, Amor,


Ação" (Vol. 31), "O Amor e as Doutrinas", êste, dedicado a Madame PAPUS,
em julho de 1896; "O Amor e a Felicidade" (Vol. 34), êste, em 1897. E de
se apontar, pois, que muitos dêsses artigos são posteriores à sua ida, e n
seu regresso, na viagem feita à bulia, fato que constitue a melhor retificação
à desacertada frase de quem eSC1'evera, em uma nota do artigo de pág. 17 do
Vol. 29, isto: "Tôdas as nossas felicitações devem -se ao nosso irmão Jounet,

111
existe um livro, cuja publicação foi, aliás, noticiada pela mesma
"L'INITIATION", em 1 de outubro de 1897 (Vol. 37, págs. 223-224)
com entusiásticos comentários de Papus: ao Livro e ao Congresso
projetado.
Dizer que êsse livro de AMO: "O Congresso da Humanidade",
editado em 1897 por Chamuel - de quem terei de falar, também!
- é inachável hoje, torna mais evidente o interêsse que o MEM ti-
nha em me fazer encontrar um exemplar, em cir cunstâ ncias típicas
par a quem, como eu, está acostuma do a traba lhar sob a Direção
que torna a pedir na prece com que abre cada dia ! (N. 68)
ftsse volume, de 378 páginas, contém os principais artigos que
foram publicados, notadamente nos jornais e revistas: Paz Uni-
versal (cujo Diretor era - outra vez! - M. Bouvier!), L'Initia-
tion, Le Lotus Bleu, A Humanidade Integral, A Religião Universal,
a Curiosidade, A R evista Científica elo Espiritismo, A Luz, etc . . . ,
como divulgadores de primeira mão, e reproduzidos e comentados
- pró ou contra - por inúmeros órgãos de diferentes países. O
prefácio foi de Marius DECRESPE, autor de umas dez interes-
santes obras sôbre ciência e psiquismo, que organizou o livro. De
"AMO", só existe uma obra pessoal: "O Espêlho Espiritual", edi-
tado por Chamuel e admirado por Papus. Vejamos excertos, de
AMO, que nos falarão, simultâneamente, dêle, do Congresso e de
seu laço com o MEM PHILIPPE ...
"O Congresso da Humanidade é uma obra de Simpatia Uni-
versal. ftle deve, através das divergências do sentimento ou do
pensamento, operar a aproximação dos homens de boa vontade,
perturbar os credos de ódio que desolam o nosso pequeno globo.
"Já que tôdas as seitas, religiosas ou não, pretendem querer
a felicidade do homem, e não se mantêm senão por tal afirmati-
va, elas serão chamadas em tôrno da idéia humanitária comum.
Sua diligência em responder ao apêlo - dará a medi da de sua
sinceridade ... (N. 69)

pela atividade inteligente de seus esforços em fa vor dêsse Oongresso da Hu-


manidade, proposto em primeiro lugar pelo nosso pranteado em misticismo
AMO... Doi ver que um autor - místico cristão - possa considerar per-
dido e pranteado a alguém, pelo fato de ter ido para o Oriente. - Esse
mesma limitação é útil para estudar as obras do dito autor, cuja identidade
reservamo-nos apontar apenas aos nossos estudantes sérios, pois : discerni-
mento e mexerico não são a mesma cousa I.,..
N. 68 - Em 1946, por ocasião de breve viagem ao Brasil, achava-me
por alguns dias no Rio , e, ao passar pela Rua do Rosário, senti "epentinamen-
te o impulso - que meu Anjo, ou algum Mestre da Oorrente Martinista, ou
O MESTRE . . . - que me deram, para eu entrar numa Livraria, em cuja,y
estantes distingui logo o Livro raro.. . que me cobraram como tal, aliás I
N. 69 - Oarolei: preste atenção a essa frase de AMO: precisaremos
dela para compreender bem, mais tarde, certas campanhas do A.LBA. LUOIS . ..

112
"A meta do Oongresso da Humanidade é procurar realizar, no
plano ideal e fazer entrever, desde já, no plano da vida prática,
a Unificação da Terra, a constituição da Humanidade integral -
conforme o belo título do jornal que divulga êste artigo ...
"O Congresso da Humanidade será a chave dessa futura Har-
monia entre nós, se a nossa desditada Terra contiver, hoje, bas-
tante arrwr eficiente para realizá-la ...
"Digamos, pois, com M. Bouvier, o simpático diretor de La
Paix Universelle: "Diferentes Congressos poderão ter lugar si-
mulUlneamente, Congresso das Religiões, Congresso do Livre Pen-
samento, Congresso Espiritualista, Congresso da Paz, etc., mas
caberá ao CONGRESSO DA HUMANIDADE reuni-los e enfeixar
tudo" (moral e intelectualmente, esclarece o artigo).
Com. 83 - Temos, assim, a definição clara do que pretendiam
intentar êsses beneméritos, dinamizados por AMO, no terreno co-
mum em que iriam procurar reunir: aos melhores representantes
de Religiões e Instituições de fundo espiritualista, começando por
estas últimas, já que a elas pertenciam e, por outra razão mais, que
esclarecerei quando haja de comentar as campanhas do ALBA
LUOIS ... - Vejamos, agora, as convicções sociais de AMO; expos-
tas em outro artigo (parte final do mesmo, publicado em L'Huma-
nité intégrale de abril de 1896):
" ... Resta-me considerar o ponto de vista social da vossa car-
ta. Aqui, falarei como membro ativo da Sociedade (humana), ou,
antes, da humana Balbúrdia à qual pertencemos, e ireis achar-me
completamente acorde com a vossa opinião.
"A Sociedade atual está condenada; ela é egoísta e má, rapa-
ce e covarde. Ela é o feudalismo financeiro e a mediocridade bur-
guesa; ela é· a escravidão de tôda inteligência e de todo braço,
aos Senhores do Ouro, de pai a filho.
"Decora-se ao produto do trabalho com o nome de Capital, a
fim de se ter pretexto para açambarcá-lo.
"A Revolução não foi feita para isso; ela não foi feita para
que os ladrões de grande marca ganhem milhões às centenas, trafi-
cando sôbre os objetos de primeira necessidade (açúcar, trigo, etc.),
enquanto não garantem um cruzeiro por dia ao pobre velho, que
pode morrer de fome, após ter empregado tôda a energia da sua
juventude e da sua idade madura, para acumulação daquelas ri-
quezas ...
"Essa Sociedade está condenada; tem o machado em sua base.
Nada vale. Ela é um perpétuo combate da Fraude contra a Ver-
dade (ah! as vergonhosas guerras de povos a povos), da iniquidade
contra a Justiça!

113
"Aquêles aos quais se persegue terão um dia estátuas; os que
têm estátuas serão lançados ao esquecimento.
"Mas, se dou razão aos que se lançaram na dianteira, em nome
do Amor sincero da Comunidade da Terra, também lhes grito:
"Amai, e sêde justos para com vossos inimigos. Pregai com o
Exemplo e a Doçura; pois a violência, sempre condenável, chama
a violência, serve-lhe de pretexto, a perpetua.
"Amai, senão caireis mais baixo ainda, e uma desagregação
Sem precedentes seria então o fruto dos vossos inábeis esforços
pela União.
"Amai, é o único segrêdo de tôda fôrça, de tôda vida, de tôda
paz, de tôda harmonia!
"Àqueles que ainda dominam, direi: apressai-vos, pois que uma
evolução, ainda que dolorosa, vale mais que uma espantosa Revo-
lução. Que os melhores dentre vós, não reneguem ao Povo do qual
sairam.
"Por isso, caro Senhor e irmão, repito ainda: as palavras de
pa,z e de União, que o Amor e a Sinceridade nos ditam, são as
únicas armas que devemos empregar para a realização da Huma-
nidade-Una.
"O Congresso da Humanidade é uma obra pacífica de fraterni-
dade universal. Que não lhe façam perder tal caráter! - AMO."
Com. 84 - Temos, assim, Carolei, a explicação da amizade e
Proteção dadas pelo MEM, não somente a êste "AMO", mas tam-
bém aos Papus, aos Jaurês, e a outros que... lembra o "grupo"
visto por Upasika. Um socialismo racional e progressivo, sincero,
deísta de ápice e humano de base, teria sido o remédio preventivo
contra o comunismo materialista .. . Agora, é mais difícil tornar
a subir a ladeira, pela qual, o egoísmo e a indiferença, fizeram res-
valar a Sociedade.
No artigo - dedicado a Mme. P APUS (ver N. 67) - achamos
isto:
"O verdadeiro Martinista é um irmão do Silêncio; que saiba
reconhecer aos irmãos do silêncio em tôda circunstância. "ftstes c0-
nhecem-se entre si; a multidão, que ama o Ruído, não os conhece.
"Quem escreve estas linhas não é senão um muito medíocre
aspirante, êle dá o testemunho de fatos maravilhosos que são fa-
culdade dos Homens que conhece; êle sabe também que outros virão
mais tarde sôbre a Terra, que serão puros, poderosos e refulgentes
como as próprias Potências do Céu ... " (N. 70)

N. 70 - A páginas 238 e 239 do litTO citado, que menciona reprodu-


zi-lo de "L'INITIATION", julho de 1896. A única diferença é que, no
Livro, esqueceram de reproduzir a dedicatória a Mme. Papus, que citei na
Nota 67... felizmente os Arquivos do Retiro são bastante completos .. .

114
Com. 85 - Assim temos agora, Carolei, a declaração múltipla
de AMO: Martinista, "Irmão do Silêncio" e agindo "para dar
testemunho" dos fatos maravilhosos do MEM PHILIPPE.. . a
Quem não cita, já que sabemos que, nessa época, tudo quanto con-
cernia à Pessoa e à Missão do MEM era segrêdo bem guardado
pelos Discípulos... especialmente os de Lyon!
Resta-nos ver, agora, "a triste tropa dos medíocres", anulan-
do, pelo menos postergando - e tornando mais elevado o preço,
mais tarde, de nova possibilidade para - a realização dêsse Con-
gresso. É um documento tão pungente quanto sugestivo, pelo que
contém entre as dolorosas linhas: ... , publicadas em L'INITIA-
TION, VoI. 41, 1898, págs. 271 e 272, com o comentário prévio de
Papus, dizendo: "O nosso amigo AMO comunica-me a declaração
que segue. Lamentamos vivamente a decisão de AMO, embora
inclinando-nos com respeito, ante as elevadas razões que, do In-
visível, o incitaram a tal determinação." "Cessação da primeira
iniciativa - Devo levar ao couhecimento dos leitores da "Paz
Universal", uma decisão que sem dúvida comoverá a mais de um
coração. Desde o 15 de setembro de 1894, tomei, neste jornal, a
iniciativa do Congresso da Humanidade.
"Com êsse fim, publiquei tôda a Série de artigos intitulados
O Congresso da Humanidade, assinados "A Redação", para garan-
tir o Caráter impessoal de tal obra.
"O nosso excelente confrade, M. Bouvier, o simpático Diretor
de A PAZ UNIVERSAL, abriu-me totalmente as colunas de seu
jornal. Nenhum entrave houve nunca, de sua parte, para com os
nossos Esforços.
"Hoje, abandono pura e simplesmente a grandiosa Tentativa
que tantas almas generosas saudaram através de tôdas as fronteiras.
"Se outros qnerem perseverar, reerguer êste nobre e santo Es-
tandarte, que o façam!
"Não quero desanimar nenhum Esforço, e o Congresso da Hu-
manidade ingressa no Domínio público.
"Mas, e os motivos de semelhante Decisão? dir-me-ão.
"Há-os muito misteriosos. O porvir esclarecerá vivamente ês-
te ponto.
"Enfim, estamos em vésperas de um grande Ciclo... Depois,
será o Reino de ouro que se estabelecerá pela Intervenção efetiva
e pública da Onipotência sôbre a Terra ...
"Disse-o, para confortar, apesar de tudo, às almas amorosas, e
não para desafiar às Céticas legiões que têm por único Princípio:
negar tudo quanto não compreendem ... " ...
Com. 86 - Como se vê, AMO fala como um pequeno Mestre.
Pequeno, em relação ao MEM, mas. com que segurança e convicção

115
profunda fala, em comparação com a palavra, tão pretensiosa quan-
to reticente, de tantos outros! E, Carolei, o artigo continua; mas,
estava destinado àqueles que, na época do MEM, estavam familiari-
zados com certos ensinamentos do MESTRE, sôbre o Destino e a
Missão Providencial das Nações em geral e da França em parti-
cular. Acharemos isso, então, nos temas referentes às Profecias
do MEM PHILIPPE ... bem adiante!
Mas, agora, Você sabe Quem é "AMO". Vê que laço, ou laços,
e que respeito profundo o ligavam ao MEM. - Compreende-se,
então, tanto a aparente confusão entre AMO e PHILIPPE, volun-
tàriamente ou não, acontecida em muitas mentes daquela época,
como o fato de o próprio MEM PHILIPPE atender - e quão mi-
lagrosamente, muitas vêzes! - quando invocado sob tal Nome, que,
como já disse é o início do Nome que me tinha em uma de suas
mais gloriosas Encarnações, como iremos ver no seu devido tempo! ...
E, antes de deixar a "AMO", possivelmente convenha ressal-
tar a sua viagem e permanência na índia, como um dos motivos
de ter sido escolhido pelo próprio MEM para presidir aos trabalhos
da "A .M.O . ", de cujo caráter multilateral e unitivo do Oriente-
-Ocidente já falei amplamente em Yo que caminé . .. , como, ainda,
eventualmente a sua viagem ao Oriente não tivesse sido totalmen-
te estranha à sua decisão, de não mais insistir junto à parte da
"humana Balbúrdia" - têrmos dêle - que se diz "espiritualista" .. .
mas sabota tudo quanto não fôr da sua seita!

* * *
o Muito Excelso Mestre e: ESS1l:NIOS, GNóSTICOS, TEM-
PLARIOS E ROSA-CRUZES. - Com. 87 - Um autor que tratou
dos Rosa-Cruzes escreveu: "Os Rosa-cruzes, herdeiros dos Tem-
plários, filhos êstes dos Gnósticos, que vinham dos Essênios... dos
quais surgiu JESUS ... ".
A rigor de verdade, Carolei, essa frase poderia bastar, éom
uma olhadela ao Quadro da Tradição - a págs. 108-109, - para
entender. Porém, como muitos dos Chefes de Correntes ou Ordens,
que se aproximaram do MEM, estão relacionados de modo mais
ou menos direto, com alguma das "Correntes" acima citadas, é bom
traçar algumas linhas orientadoras ...
Os ESSÊNIOS, dos quais só falavam, entre si, durante tan-
tos séculos, os iniciados e alguns raros teólogos ou exegetas, gozam
recentemente de uma renovada voga. É fácil, por outra parte,
perceber o mal-estar, o desassossêgo, e, por que não dizê-lo? o
TEMOR com que, católicos, protestantes e judeus, tomaram êste
assunto, quando do relativamente recente descobrimento dos "Per-
gaminhos das Grutas do Monastério Essênio de QOMRAM", na

116
primavera de 1947, junto à costa oriental do Mar Morto. :ttsse pas-
tor beduíno "Muhammed adh-Dhib", ou seja, Mohamed o Lôbo, não
supunha certamente ser o escolhido pela Providência, para, com o
achado que iniciou, causar uma tremenda revolução, que ainda está
nos primeiros episódios, em nossos conhecimentos sôbre Âs origens
reais do CristianiJsmo, bem como sôbre a realidade da juventude de
Jesus - o Homem, o Essênio - e, por inevitável resultância, sôbre
tôdas as adulterações, voluntárias umas, outras não, que igrejas e
seitas várias acumularam, por ignorância ou por fa na tismo e am-
bição, no decorrer dos séculos.
Umas quantas cousas resultam já evidentes, como conseqüên-
cias do achado do pastorzinho beduíno, e do sacrifício do Metro-
politano da Igreja Síria, Mar Âsthanasius Yeshue Samuel, que foi
avisado logo, no monastério de São Marcos em que se achava então.
:ttste Metropolitano arriscou muitas vêzes a vida - por motivo das
então reinantes lutas entre os bandos árabes e judeus - para caro
regar os manuscritos que ia comprando. Com não menor sacrifí-
cio, durante anos, agüentou tôdas as idas, marchas e contramarchas,
de sábios, clérigos e governos, que, por um lado teriam gostado de
saber o que continham os Pergaminhos, cuja importância e anti-
güidade tornaram-se logo evidentes, e, por outro, temiam ver: uns,
como os judeus, alterado ou anulado o valor dos seus textos "mas-
soréticos" tradicionais (isto é, da época em que a letra e a interpre-
tação foram fixadas); ou, como os cristãos em geral, que temiam
- com uma pouca visão que não os favorece nada! - que o Jesus
Cristo único e divino viesse a sofrer, nesse caráter, pelas eventuais
revelações dos Pergaminhos. É triste tão limitada percepção da
diferença, inevitável, mas que deve ser feita entre a família, seita,
raça, etc ... (alguma havia de ter, finalmente!) em meio às quais
Jesus "homem e judeu" teve de nascer, criar-se, ser educado, etc.,
por mais cedo que se revelasse a Sua Divina Origem, revelação que
os Gnósticos - como veremos adiante - situam somente quando
completou-se a fusão entre ,certa parte dos Seus Corpos superiores
(como diríamos hoje) e o Menino de doze anos aproximadamente .. .
Mas, voltando aos Essênios, é evidente que não podemos servir
à Verdade, se nos deixarmos levar pela campanha que, com a tra·
dicional habilidade, vem construindo o setor dos cleros, e, infeliz-
mente, o Católico com mais ênfase. Quando se estudam as entre-
vistas e publicações como, por exemplo, as do R. Pe. Barthélemy
(Le Monde, 31 de março de 1957), que conclui nivelando a "espiri-
tualidade de Qümram a um dos adubos mais eficientes trazido ao
solo judaico, onde Jesus insere um germe novo "descido do Céu";
ou do R. P. Daniélou (L'Express, 9 de agôsto de 1957, em continua-
ção a reportagens de 7-12-56 e 1-2-57), que, parecendo prestar ho-

117
menagem ao espírito monástico dos Essênios (em curioso contra-
ponto, às vêzes, com o outro entrevistado conjuntamente, o Sr. Del
Medico, autor de "Dois Manuscritos hebraicos do Mar Morto", e
de "O Enigma dos Manuscritos do Mar Morto" - N. 71), não se
atreve a ir até o fim da sua aprovação da idéia de Renan: "no fun-
do. o cristianismo é um essenianismo que triunfou"; ou, ainda, te-
mos as novas tentativas dos Jesuítas, que, utilizando a mania mo-
derna - nova crendice em certo modo - da infalibilidade dos Cé-
rebros Eletrônicos (cuidado, é arma de dois gumes para Roma, tam-
bém!) vão confiar a um "IBM-705" (que bonita propaganda! -
ver Singra, 23-5-1958) a tarefa de procurar desviar a atenção dos
problemas profundos que os Manuscritos trazem, para a conhecida
chicana sôbre têrmos e: não esqueçamos que o cérebro eletrônico
OPINA e OPINARA, apenas, em função dos elementos que se lhe
proporcione, e da classificação que se lhes dê na "grelha" ou rêde
de elementos que êle deve digerir... Ao chegar ao tema da Au-
tomação, tornarei a mostrar o perigo da nova escravidão e creti-
nização pad1'onizada, a que a mecanização do pensar está levando
a já "triste tropa ... " ...
E, nem aqui no Brasil escapamos do labor contra as verdades
que os Manuscritos Essênios põem agora em plena luz. Efetiva-
mente, uma revista, tão bem feita e hábil, quanto - infelizmente
- capciosa às vêzes (N. 72), falando dos Rosa-cruzes, que despe-
daça com inegável talento, aproveita para negar - com essas afir-
mações categóricas das quais "sempre fica alguma causa", por me-
nos fundamento que tenham - que os Essênios não poderiam ter
Cristo como discípulo e continuador da tradição essênia. Se fa-
lam em "Cristo", estamos de acôrdo. Não é menos evidente o re-
c'urso usado . ..
Voltemos, então, as vistas para as fontes sérias; vaIe dizer:
as que não têm interêsse sectário, como os livros de A. PowelI Da-
vies, o de E. Wilson, e outros. O último citado apresenta a enor-

N. 71 - "Deux Manuscrits hébreux de la Mer Morte" - M. Del Me-


dico, Ed. Geuthner. "L'Enigme des Manuscrits de la Mer Morte" - M.
Del Medico, Ed. Plon. - No que se refere às obras do R. P. Danielou, cabe
citar,' "Les Manuscrits de la Mer Morte", e "Origines du Christianisme",
devendo-se, ainda, apontar que o citado Padre, Professor do Instituto Católico,
é francamente partidário da idéia de serem os Essénios o elo que faltava no
"inicio do Cristianismo", como bem apontot' "L'EXPRESS" na longa repor-
tagem de 4 grandes páginas e meia, citada.
N. 72 - "Pergunte e Responderemos" - N. 2, de fevereiro de 1958,
págs. 44 e segs. Do citado artigo, só podemos aproVai' o que, aliás, tínha-
mos deixado entrever, a pág. 286 e 287 de Yo que caminé por el Mundo,
sôbre certas sociedades comerciais que se intitulam rosa-cruzes. Mas, isso
não é cousa que aconteça só nesse setor! Mais vale não falarmos em co-
mercialização das cousas sagradas, não é, D. Estévão'! ...

118
me vantagem de ter sido um inquérito feito para The New Yorker,
em 1955, e de ser totalmente imparcial e objetivo, expondo os in-
terêsses em choque, os argumentos de cada setor e as conclusões
que se impõem por si mesmas. Assim como o fato de ainda haver
muita cousa por decifrar. Felizmente, agora os Manuscritos-rolos,
acham-se na Universidade Hebréia, não mais sendo possível alte-
rações de textos, já que foram amplamente fotografados, com có-
pias ao alcance dos investigadores, bem como exposição pública dos
originais. (N. 73)
Sôbre a Comunidade de Qümram, poderemos resumir que, além
de ser composta por uns 4.000 Essênios - o que já se sabia pelos
Historiadores antigos como Josefo e Filo - Plínio descrevera bem
o lugar e tipo do edifício e da biblioteca. Interessantes considera-
ções fazem tais autores antigo~ sôbre os motivos que levavam os
Essênios a considerarem a mulher imprópria para a vida d~ co-
munidade. Entretanto, em Qümram acharam-se uns poucos esque-
letos femininos, confirmando que não há regra sem exceção, e que
algumas mulheres eram reconhecidas capazes de seguir a austera
via, o labor silencioso ou quase, e vida frugal.
Não sendo êste IhTo destinado a fazer a história nem descre-
ver a doutrina essênias, salientarei apenas dois aspectos: um, que
de fato, as buscas dadas lá, sob a direção do ativo padre De Vaux,
mostram um monastério de pedra, de quase 30 por 40 metros, ~om
vasta sala de reuniões; outra, de estudos e redação; oficina de
cerâmica, moinho de grãos, etc. Treze cisternas, das quais seis
grandes. Mas, no a'.3pecto material, o fato de que certos documen-
tos achados, indicavam reservas de 200 toneladàs de ouro e prata,
parece confirmar a parte doutrinal de que êles, Essênios, se consi-
deravam destinados a preparar a Nova Aliança, não apenas no sen-
tido em que seus Manuscritos mostram que a recebiam, mIsticamen-
te, senão naquele outro, mais grave no social e no espiritual, de
que preparavam-se, para os tempos que sabiam próximos, da mis~
são: tanto de um .João Batista, que teve indiscutíveis laços com êles,
e não menor "tolerância" - por parte dos essênios, devido a sua
forma de vida e de prédica que era "revolucionária" de modo, em-
bora coincidente de fundo, como a do próprio Jesus, também indis-
cutivelmente ligado a êles, como Homem, isto é: Jesus, não O CRIS-

N. 73 - The Meaning of the Dead Sea Scrolls - A. Powell Davies.


Em espanhol, pode-se ler,' "Los rollos de! Mar Muerto" - E . Wilson,
ótimo, claro e relativamente completo, para informação geral e imparcial.
Existe, também, uma obra do Dr. Hugh J. Schonfield, que foi muito louvada
pela sua imparcialidade, e que, infelizmente, não conhecemos ainda .
.li conhecida revista LIFE - reproduzindo do TIME - fêz uma pu-
blicação ilustrada muito notável, na qual resume bem os trabalhos feitos nos
diferentes setores.

119
TO. E, nesse aspecto é, onde 6s trabalhos do orientalista f rancês
Dupont-Sommer, em sua obra "Áperçus préliminaires sur les ma-
nuscrits de la Mer Morte" levantaram celeuma entre os interessa-
dos em "não mexer" . ..
São João, o do Evangelho do VERBO, isto é, o mais gnóstico de
todos, surge também, agora, numa luz que o faz considerar como
mais "essênio", têrmo que querem entender como mais judeu, para
significar, provàvelmente, m enos cris tão . . .
Carolei, deixemos todos êstes fariseus. Concluamos com as
mesmas palavras do inteligente artigo de LIFE : " .. . E aos cristãos
que desejam conhecer melhor a matriz em que se gerou a sua fé,
o povo que escreveu os pergaminhos estende uma mão através dos
séculos" . ..
Veremos, ainda, como o MEM PHILIPPE, amigo "pessoal"
- não temos outro têrmo "humano" para dizer o que pensamos -
de JESUS-O-CRISTO, nos explica as duas naturezas de Jesus.
E, por agora, olhemos para o Quadro da Tradição e tornar-se-á
muito claro como, por causa das Missões Budistas, através dos mís-
ticos da Pérsia, os Essênios tinham uma pré-Gnose que continha . . .
tudo quanto está nos pergaminhos e muito mais ainda! É, nessa
forma, que devemos considerar Essênios e Gnósticos como estrei-
tamente unidos, pela posse comum de certos conhecimentos, de
idênticas vivências.
* * *
Os GN6STICOS. - Com. 88 -Carolei, se eu abandonasse Você
aos cuidados dos dicionários populares, cuja venda está subordina-
da a não chocarem "Os Poderes Constituídos": Igrejas, Governos
& Cia. Ltda., Você teria que se conformar com isto: "Gnosticismo:
Sistema teológico e filosófico, cujos partidários diziam ter um co-
nhecimento sublime da natureza e atributos de Deus". Até lá, res-
salvado o prudente e dubitativo diziam ter, podia-se ficar com isso,
como definição de divulgação; mas, a seguir, tanto Cândido de Fi-
gueiredo como Ubiratan Rosa (que, aliás, usam texto i dêntico em
ambas as definições) nos dizem: "Gnóstico: Hereje; partidário do
gnosticismo". - De forma que, a única salvação que nos resta é a
definição que se dignam dar de "GNOSE": Ciência superior às
crenças vulgares. Saber por excelência: gnosticismo - do grego:
gnosis." Vejamos documentação mais ampla:
Gnose - etimolõgicamente "conhecer", porém não no sentidO
intelectual, senão no direto; isto é, como nos dirá Geyraud (N. 74)

N. 74 - Excerto de "Sectes et Rites", de Pierre Geyraud. Sôbre as


obras e personalidade dêste sacerdote católico, fiz pessoalmente uma int't>&ti-
gação em Pm'is, em 1956. Tornaremos ao assunto, mais adiante .. .

120
" ... é a inteligência ou compreensão imediata das Cousas Divinas,
o Ensinamento dado nas primeiras idades do mundo, . quando o
Egrégoro humano (alma do reino humano) ainda estava plena-
mente compenetrado de luz. A Gnose, é 'essa tradição transmiti-
da de idade em idade, zelosamente guardada nos Livros sagrados
do Tibete, do Egito, da Caldéi~; nos Mistérios de Elêusis. É a
Via, a Verdade, a Vida, cujo ensinamento esotérico é o Logos.
É a subconsciência do homem, que o acompanha através das idades.
É na Gnose que Lao-Tsé descobriu sua doutrina. Maomé im-
pregnou dela seu Alcorão, na parte esotérica. E Jesus a ensinou a
alguns discípulos escolhidos". - "Assim, pois, a Gnose não pertence
a confissão nenhuma: ela é a Fonte de tôdas as religiões".
Dessa "Gnosis", um Doutor Gnóstico, Teodoto, citado por Cle-
mente de Alexandria, diz: "é o conhecimento direto dos mistérios
de Deus, recebido sôbre o que éramos e o que nos tornamos; co-
nhecimento de: onde estávamos e onde fomos postos: a qual pro-
curamos atingir e pela qual somos redimidos; gnose, que é geração
e regeneração". (N. 75)
Os textos Herméticos (outra Corrente do Quadro, Carolei. .. )
a definem como: "uma aspiração, uma devoção interior, que é pura
intuição espiritual, contemplação, visão do Divino por meio dos
olhos do coração" (N. 75).
Outra boa definição, que completa facêtas: "Gnose, é pois au-
toconsciência; é a conciliação, em nós, das aparentes antíteses do
Universo" (N. 75).
Um apanhadO muito resumido, de numerosas fontes, poderia
dar a Você, Carolei, esta visão do andar histórico da Gnose; com
os seus diferentes ramos:
A "Disciplina do Segrêdo", transmitida por Jesus a escolhidos,
gerou a Corrente Gnóstica. - Antes de surgir alguma organização
gnóstica, os primeiros tempos da Igreja de Jesus, foram: A Igreja
Ebionita, com Tiago como Pastor e Pedro como Apóstolo: êles pu-
nham a circuncisão como condição para o batismo, e a Thora (Lei-
-Doutrina Judaica) como única porta de acesso ao Evangelho. Era,
pois, estreitamente nacional, buscando ainda em Cristo, o Rei social.
Com a chegada de Paulo, êste conseguiu afastar a exigência
da circuncisão e, a partir dêsse momento, é que os Gentios (os não
Judeus) puderam tornar-se Cristãos!... O Nazareísmo tornou-se
Cristianismo, dando origem a novo tipo de organização externa
cristã: A Igreja Palestinerw;e, que consta da Didaké, ou Doutrina
dos Apóstolos, adaptação maravilhosa dos velhos catecismos, rea-

N. 75 - Excerto de "La Chiesa deI Paracleto", notável obra de Vin-


cenzo Soro, gnóstico e martinista da Igreja Gnóstica Italiana.

121
lizada em 150 e descoberta em 1883 num Monastério do Oriente.
- Não tinha, tal igreja, ainda doutrina fixa; outorgavam Batismo,
Consagração Sacerdotal pela imposição de mãos e a Ceia mística,
ágape comemorativo e simbólico celebrado, então, após o Ofício, como
ação de graças. - Qualquer fiel podia batizar, havendo água, e
preferindo a imersão total. Diaoonesas, existiam já nessa época.
Celebrações em altares, aos sábados e, mais tarde, aos domingos
também.
Aliás, Carolei, devemos ressaltar, antes de prosseguir, dois
aspectos do já exposto: um, que a aspiração, intuição espiritual,
visão do Divino pelos Olhos do Coração, e a autoconsciência, a con-
ciliação, em nós, das aparentes antíteses do Universo, não são, nem
podem ser, uma posição filosófica, nem crença, nem credo, e mui-
to menos dogma, que resolva teoricamente o problema religioso ou
místico de ninguém! Por isso, "partidários da ·Gnose" é uma ex-
pressão que se presta a confusão. Deveria dizer-se praticantes da
Gnose, que é, exclusivamente : uma ciência da vida interior, como
veremos com umas noções mais, sôbre sua primeira manifestação
externa, nas Igrejas dos primeiros tempos cristãos.
Mas, antes de voltar à Igreja Palestinense, é bom esclarecer
o segundo aspecto: que, hoje, graças ao descobrimento dos Perga-
minhos de Qümram, sabe-se já que a famosa "Didaké" grega, não
passa de uma derivação do Manual da Disciplina dos Essênios, que
já tinham, antes da vinda de Jesus, o batismo, precedido por um
jejum; e a ceia sagrada, que compreendia um pão partido e um
copo de vinho.
Assim, pois, na Igreja Palestinense, êsse labor devocional, a
prática do perdão e da caridade, era tudo, nessa igreja e nessa
época. Profundamente crentes numa segunda vinda do Cristo à
Terra e do estabelecimento do seu Reino nela, tinham como pala-
vra de reconhecimento essa mesma que vimo,'l em Arpas Eternas:
"Maranatha", que significa "Eis aí o Senhor .. . ".
Entretanto, pôsto por Paulo na via da "gentilização" (admis-
são dos não judeus) o Cristianismo se difundia ràpidamente no
mundo pagão, atingindo Alexandria, foco de sabedoria notável, on-
de a propaganda apostólica cativou aos -novos diScípulos de Platão.
Desde então, a Filosofia Neoplat6nica tornou-se a poderosa aliada
da tradição Evangélica. Dessas núpcias da Rosa com a Cruz, nas-
ceu o Quarto Evangelho ... cujas fontes anteriores remontam à sa-
bedoria do Zend-Avesta (Livro do Conhecimento, dos Masdeístas)
como aparece às vêzes no Eclesiastes, no Livro de Daniel (164 a. C.)
e, também, no Livro de Enoque, sendo êste último fonte central
do conhecimento kabbalístico-gnóstico.
Pedro, Tiago e João, tendo sido os três preferidos íntimos Dis-
cípulos de Jesus, consen-aram em segrêdo aquela doutrina reser-

122
vada que o Rabi da Galiléia lhes confiara. Era a parte mais trans-
cendente e mística. A Igreja-Mãe foi a depositária. Mas, alguns
dêles não puderam aceitar que Paulo, que não tinha recebido tudo
isso, como Pedro ou João, dos lábios de Jesus, e sim da Gnose
pré-Cristã, não observasse tanto segrêdo e divulgasse os mistérios
relativos ao CRISTO e ao Reino, tanto aos judeus como aos gregos
e romanos. Não é outra a origem do conflito Pedro-Paulo, que
dura até hoje ...
A Gnose Joanica comportava como idéias (não dogrnas) cen-
trais, estas: fundia o ensinamento kabbalístico dos "três Adãos":
A Humanidade Ideal: Homem Espiritual coletivo de todos os
mundos e planos .. . ; o Adão Planetário ou Astral: soma das indi-
vidualidades evoluindo em determinado planêta ... : e, finalmente, o
Adão huma1w, ou, em, terrestre: primeira manifestação limitada,
ou seja: individualizada, do Adam Kadnwn, ou Humanidade ideal;
com outros conceitos neoplatônicos: Deus Criador, Logos, Verbo,
Arquétipo.
Um reswno, mesmo breve, das doutrinas Gnósticas, teria que
incluir, inevitàvelmente, uma apreciação da evolução da Gnose
Joanica, através do tempo,com as modificações e inovações de
Simão o Mago - o primeiro Doutor Gnóstico, célebre pela levita-
ção que operou em público - e seus seguidores Cerinto e Menan-
dro; ir, pela Gnose Ciríaca, com Saturnino, até os Ofitas e Justino;
passar por Basílides, o segundo Luminar da Gnose; por Carpócra-
tes, pelos Cainitas; por Marcione, real pai da crítica bíblica; por
Monoimo, sábio doutor árabe; por Valentino, "o mais profundo dos
filósofos" e seu movimento que animou a figuras como: Marco, o
matemático da Gnose, como Ptolomeu, Heracleone, Bardesano -
o salmista gnóstico - e muitos outros. Não tenho aqui espaço,
nem a finalidade é fazer exposição de doutrina, para o que, Ca-
rolei, Você deverá recorrer à bibliografia, no fim do IV volume.
Mais tarde, já quase nas postimárias do século IV, continuou,
agora no Ocidente, a perseguição homicida que, no Oriente, tinha
ferido à Gnose, na pessoa de Manete, crucificado e de quem tira-
ram, em vida, a pele "a canivete" ...
Prisciliano foi, pois, mártir primevo, no Ocidente, não obs-
tante a intervenção de São Martin de Tours e de S. Ambrósio de
Milão. Durante os setecentos anos seguintes, a Gnosis parecia
adormecida, muitos dos seus fiéis reunidos na Armênia, sob o nome
de Paulicianos - nome ainda hoje conservado pelos Gnósticos da
Bulgária - e, atravessando seus emissários e êxodos, o caminho
da Trácia, pelOS Báleãs, a Dalmácia, e daí a todo o Sul da Europa.
Seu fervor religioso lhes fêz merecer o nome de "Bogomili" (os ena-
morados de Deus), ainda usado na Igreja Gnóstica russa. Na

123
Europa, tomaram logo o nome de Catharros (Puros ou purifica-
dos), do grego catharsis: auto-aperfeiçoamento, autopurificação.
Orléans, na França, foi um grande centro gnóstico, destruído
com o martírio de 28 de dezembro de 1022, onde pereceram muitos,
entre os quais Heriberto, Teodoro e o Chanceler Bispo Stephanus.
Foi êste último a quem a fria rainha Constância furou um ôlho
com a bengala ...
Vinte anos após, houve os mártires de Milão, entre êles o
Bispo Gerardo. Seria tristemente longo, lembrar todo êsse mar-
tirológio de defensores da liberdade religiosa, da fé ampla e da
idéia de federação livre das Igrejas. Foi preciso chegar ao Con-
cílio Geral de maio de 1167, realizado em Saint-Felix de Ceraman,
perto de Toulouse, para uma nova proclamação e decisões, doutri-
nais e administrativas. O Patriarca Nikita, vindo especialmente
de Constantinopla, com nobres palavras abençoou e aprovou a
Igreja do Paracleto (Igreja Gnóstica do Espírito Santo).
Mas, após breve tempo, no qual floresceram os "Fiéts do Amor"
(aos quais pertencia Dante Alighieri, cuja Divina Comédia é um
poema gnóstico), veio logo o drama Albigense e o inesq~ecível epi-
sódio de Montségur; após três anos de luta em tôda a região. A
nobre Esclarmonde de Foix, levou o Patriarca Guilhalberto de
Castres a seu castelo, com todo o alto clero gnóstico, famílias e se-
guidores.
Quando, após um assédio de quase dezenove anos, houve um
cêrco direto de duzentos dias, na última possibilidade, o Patriarca
que já tinha abençoado a muitos heróis mortos, abençoou então
a duzentos mártires. Entregando-se, foram entrando no fogo, como
uma procissão numa catedral!: na frente, o Patriarca, seguido pe-
las duas Arquidiaconisas Raimunda de Cuc e Esclarmonda de Pe-
relhe, que lhe seguravam o Manto Sagrado; vinham após, os Bispos,
os Diáconos e Diaconisas, logo, todos os Cavalheiros e Damas ...
Do centro das fogueiras, num derradeiro esfôrço, elevaram-se: a
Branca Mão do Patriarca e a Sua Voz, abençoando aos algozes:
"Saúde, amor e bênção, em Nossa Senhora O Espírito Santo".
E, em tôrno dêle, elevou-se, também, o grande côro de amor e de
perdão ...
* * *
OS TEMPLARIOS. - Com. 89 - Mas, os Drusos do Monte
Athos e outros, por um lado, os Templários por outro, reintroduziam
na Europa o pensamento gnóstico. Daí nasceu a Gnose Templá-
ria, organizada em Ordem tão poderosa que, já em 1244, tinham
"Comendadorias" e domínios esparsos por tôda parte, devido ao
segrêdo sob o qual ocultavam seu real propósito: o de reconstruir
o T emplo: uma nova ordem de cousas, social e religiosamente fa-
lando, com instrução obrigatória porém não leiga, e a liberdade
de consciência como base.
Em 1312 a Ordem foi processada. E, no dia 16 de outubr o da-
quele ano, durante a leitura da ata de acusação, que os 300 Bispos
do Concílio ouviam, nove Templários, desafiando o perigo de se
mostrarem, já que ser Cavalheirv do Templo equivalia a prisão e
suplício, viera m se oferecer para demonstrar a inocência da Ordem.
O gesto, pela bravura e pela f r an queza, agradou (isto é de outra
época, Carolei. .. ) e foram ouvidos até com simpatia e respeito.
Mas o Papa, contra a hospitalidade e a fé, os prendeu. Tendo o
Concílio protestado, um "Consistório secreto" aboliu a Ordem, sem
a menor consideração, nem a ela, nem ao Consistório. Os Valden-
ses, com João Huss; e os Humanistas Rosa-cruzes, com o seu már-
tir Giordano Bruno, fecham essa página, rubra de sacrifício por
um lado e de ódio pelo outro. Perdoemos, Carolei, aos que "não
sabem o que fazem, e - parece - nem o que se fazem" ...
Os estudantes sérios poderão receber de nós, ou de outras fon-
tes autorizadas, os pormenores relativos ao "ressurgimento gnós-
tico moderno", cujos episódios mais salientes foram certamente os
acontecidos com Doinel, funcionário da Biblioteca de Orléans, que
em 1886 achou um manuscrito de "Stephanus H eresiarcos Chancel-
larius" ou seja: de Estêvão, o Chanceler gnóstico, "Príncipe dos
Heréticos".
Pouco tempo após, no Oratório da Duquesa de Pomar, perante.
dez pessoas, entre as quais um Grande de Espanha, um Barão de
um castelo dos Pireneus e diversos luminares da vida oculta .. .
houve nítidas manifestações "dos Bispos do Sínodo Albigense de
Montségur"j cada um dêsses santos do Passado deu seu nome e
o Patriarca-Mártir Guilhalberto anunciou, em "voz direta", a Sa-
gração de Doinel, o qual, efetivamente a recebeu, foi Patriarca
Gnóstico, tendo também recebido a direta sucessão apostÓlica de
um Bispo dos Velhos Católicos, da Suíça, de maneira que, todos
os Bispos Gnósticos dessa linha, são também obrigatoriamente re-
conhecidos pelos demais Cleros, o Romano inclusive. (N. 76)

N. 76 - Não esqueçamos que, de ac6rdo com o Direito Eclesiástico Ro-


mano, o Papa se vê, em casos como êsses, na obrigação de reconhecer tais
Bispos como legítimos, embora possa - ao mesmo tempo - "excomungá-los"
como rebeldes ou com qualquer outro motivo ou pretexto. Mas, continuarão
BISPOS, com o direito de sagrarem a novos e legítimos Bispos. Isto, aliás,
tem aplicação não somente no caso dos Bispos da Igreja Gnostica, como, mais
recentemente, está ocorrendo no próprio seio da Igreja Romana, com os
Bispos que, na China vermelha, estão sendo eleitos por assembléia do clero
local (assembléia é igreja, em grego ... ) em lugar de serem designados pelo
Vaticano . Essa velha tradição cristã não pode ser anulada. (Ver: "A.
HORA.", 16 de setembro de 1958.)

125
:esse Patriarca Gnóstico "VALENTINIUS lI" (Doinel), que
teve auxiliares tão valiosos como o próprio Papus (Bispo Gnóstico
de Tolosa) e outros, teve como sucessor a SYNESIUS (Fabre des
Essarts) e, mais tarde, entre outros na linha sucessória, achamos
a JOHANNES II (o já tantas vêzes citado, neste livro, Jean
BRICAUD) que fixou em Lyon a sede da Igreja e, em 1907, fu-
sionou as três Igrejas: a J oanita Templária, a Carmelita Elíaca
e a Neocatarra, sob a denominação comum de Igreja Gnóstica Uni-
versal, Intimamente aceita pelas e ligadas às Ordens dos Ilumina-
dos, Rosa-cruzes Kabbalísticos e dos Martinistas, cujos pormen(}-
res podem ser estudados nos textos especializados, além da Tradi-
ção Oral que contém muitos segredos dessas diferentes organizações,
que sempre conservam laços entre si ... , o que já esclarece muito o
Quadro Geral para Você, Carolei.

* * *
OS ROSA-CRUZES. - Com. 90 - Assim, Carolei, desde os Si-
nais, Palavras de reconhecimento e Toques secretos dos Essênios,
dos quais já se acham notícias nos escritos de Filã(}-(}-Judeu e mui-
tos outros, até as curiosas histórias de Santo Lino de Linus, Es-
sênio e Discípulo do Cristo, que tinha fundado uma Igreja em
Besançon (França) já no ano 54 da Era Cristã, igreja que Nero
destruiu, e S. Lino foi morrer em Roma, Soberano Pontífice, até
Ferréol e Ferjeux, novos apóstolos em Besançon, também Essênios
e Sacerdotes da Ordem de São João Evangelista. . . vemos que a
história da TRADIÇÃO está cheia de martírios e de mistérios ...
e, Carolei, um dos não menores Mistérios é o dos "Rosa-cruzes".
Já comentei em forma externa, o que podia interessar a muitos,
em obra precedente, mostrando quais as diferentes sociedades -
tôdas elas externas e rosa-crucianas, isto é, que conservam, adotam
ou adaptam, parcelas da doutrina Rosa-cruz, sem por isso poderem
dizer que são "A Rosa-cruz" (N. 77).
Não irei, Carolei, citar a Você longos e pesados excertos do
- hoje inachável - livro "Fama Fraternitatis" ou "Reforma Ge-
ral e Total do Universo", editado em 1614, reeditado em 1615 e
tornado a editar com complementos, em 1681, um de cujos exempla-
res tem passado, de mão em mão ... até a minha, esperando a de
outro sucessor ...

N. 77 - Ver, a êsse re8peito, a págs. 280 a 288 de "Yo que caminé por
el Mundo ... ", bastante claro "externamente" comentário sôbre as diferentes
organizações mais conhecidas nas Américas, bem como a posição nos diferen-
te8 clero8, tão nitidamente definida por PAPUS, e reproduzida nesse comen-
tário . ..

126
o fundador da Ordem, tal como a conhecemos hoje no Ocidente,
foi Christian Rosenkreutz (Rosa-cruz e Cristão ... ) que, já aos 16
anos foi para a Arábia, o Egito e Marrocos. Tomou a sua ciência
do misterioso "Lider Mundi" (O Tarot! ... ) que fôra também co-
nhecido por um certo Theophrasto. . . (isto é: Paracelso: Theophras-
to Bombastus . . . ). O fundador associou-se mais tarde a outros sete,
cujas iniciais são: GV-IA-IO-RC-B-GG-PD. Todos tomaram o voto
de castidade e as seis obrigações seguintes: única profissão ou
ocupação: curar gratuitamente; não usar uniforme; reunir-se cada
ano no dia C., no Templo do Espírito Santo ou notificar a causa
da ausência; escolher um discípulo a quem entregar os segredos
an tes de morrer; conservar a palavra R -C que lhes serve de sêlo;
permanecer ocultos por cem anos... I. O. morreu em primeiro lu-
gar, na Inglaterra; D. foi o último da primeira série, a morrer,
deixando por sucessor a "A", que faleceu em Narbonne (França).
O fundador morreu com 106 anos de idade. 120 anos após
foi achado e aberto seu túmulo, onde achou-se a inscrição "Pos CXX
annos patebo", mostrando a predição exata do achado. Uma descri-
ção feita por Thomas Vaughan, em 1562, dêsse túmulo, diz: sepul-
cro com 7 faces, cada uma com 6 pés de largura e 8 de altura.
No centro, um Sol artificial. No meio, um altar - em lugar de
laje mortuária. Nesse altar circular, uma inscrição: "A.C.R.C.
Hoc universi compendium vivus mihi sepulchrum teci." - E, como
lema: "Jesus mihi ornnia; ou seja: "Jesus é tudo para mim" ...
No centro do Altar, quatro reveladoras inscrições:

N equaquam vacuum Libertas Evangelii


Legis jugum Dei gloria intacta

A história dessa misteriosa Fraternidade continua sendo trans-


mitida muito mais oralmente, do que nos poucos livros que disse-
ram o que podiam, entre os quais a "Histoire des Rose-Croix", de
Sédir, ocupa lugar preeminente, pela informação invulgar de que
dispunha ...
Um dos liyros da R-C, pUblicado em 1710 por Sincerus Renatus
(Sacerdote na Saxônia) comenta que os Mestres da Rosa-cruz reti-
raram-se na índia ... mas A Orde1n, como legião de labor especi-
ficado, continua, sob a direção de Chefes cujos nomes são conser-
vados. A partir de certa época, os Rosa-cruzes confiaram pequena
parte de seus símbolos à Franco-maçonaria, por intermédio de Elias
Ashmole, conseguindo assim voltar, ela mesma, nas discretas som-
bras do labor íntimo ... surgindo, uma e outra vez, algum de seus
Adeptos à luz do mundo ... como aquêle que, em 1748, fabricou para
o Príncipe Eleitor de Dresden nada menos do que quatro quintais

127
de ouro. e desapareceu misteriosamente da prisão em que pretende-
ram "conservá-lo" ...
Um dos Missionados da Ordem, foi o célebre Conde de Saint-
-Germain, de quem falaremos a seu tempo . . . assim como de Ca-
gliostro ou de Martinez de Pasqually. Alguns Jesuítas conseguiram
penetrar no círculo externo da Rosa-cruz. Em diferentes épocas e
lugares certas instituições tiveram a oportunidade (raras vêzes
aproveitada) de ter junto a si um dos Iniciados, que procurou ins-
pirar determinados trabalhos. Por exemplo, em 1789, um rito ma-
çônico chegou a criar os "Irmãos Theoréticos" e, a contar do 3.·
grau, dava a teoria e prática da "obra mineral" (transmutação).
O tão desconhecido "Rito Gótico" (que forma os graus 34, 35 e 36
do Escocismo) e que vive como fogo debaixo da cinza, principalmen-
te na Holanda, tem laços reais com a R-C, cujo chefe na Europa
era, até antes da primeira guerra, Leopoldo Engel, residente em
Dresden.
O Dr. Frans Hartmann fundou na Alemanha, lá pelo ano de
1888, uma Ordem da Rosa-cruz Esotérica que, mais tarde, fundiu-
-se com a Ordem dos Templários Orientais (O.T.O.). O Martinista
Conde de Chazal foi aceito na Rosa-cruz e iniciou mais tarde ao
Dr. Sigismundo Bachstrom. O Conde de Chazal realizou a gran-
de obra (Pedra FilosofaI das Transmutações) e, além disso, "via",
na Ilha Maurice, e descrevia com tôda exatidão, os horríveis acon-
tecimentos da Revolução Francesa ...
Num documento Rosa-cruz está exarado que, na Europa, a so-
ciedade existe desde antes de 1540, e que separou-se da Maçonaria
a que se tinha parcialmente unido em 1717. E que, o seu grande
artigo de fé, é "a grande expiação que cumpre Jesus Cristo sôbre
a Cruz Vermelha manchada e marcada com o Seu Sangue". -
As "obrigações" que constam do documento de iniciação do Dr.
Bachstrom contêm, entre outras, estas: "manter segrêdo sôbre si
mesmo e sôbre o que pudesse saber dos segredos práticos: iniciar,
antes de morrer, a um ou dois discípulos (homens ou mulheres);
permanecer pobre de aparência; desconhecido na sua real qualidade:
empregar suas riquezas na caridade; nunca pô-las a serviço de go-
vêrno nenhum; em nenhum empreendimento público; a serviço de
sacerdote nenhum; fazer as esmolas secretamente; e não dar "fer-
mento" (base da pedra filosofaI) a nenhum profano". (N. 78)
Um ramo Rosa-cruz interessante (entre tantas derivações se-
cundárias, da Ordem) é o que, desde 1860, existe na Inglaterra,
cujos Membros encontram-se em Londres na segunda quinta-feira
de janeiro, abril, julho e outubro de cada ano... foi renovado por
Robert Wentworth. Lord Bulwer-Lytton - o autor de ZANONI

N. 78 - Da "História dos Rosa-cruzes", por Sédir.

128
- foi Grã-patrono da Ordem, e Membros como Frederic Hockley,
Kenneth Mackenzie ou Hargrave Jennings, foram de fama mun-
dial. ..
Ordo Roris et Lucis, bem como H ermetic Order of the Golaen
Da'tOn são, ainda, sociedades sérias de inspiração rosa-cruciana, en-
sinando astrologia, alquimia e outras ciências para estudantes sér'io8
e com cultura e mentalidade suficientes... para começar, pelo
menos!
Na América, existe a poderosa F.T.L. (Fraternidade de Lu-
xor) de origem oriental, e outras.
A "Ordem Kabbalística da Rosa-cruz", fundada pelo Marquês
Stanislas de Guaita, e da qual já ouvimos falar na Biografia de
Marc Haven, tem por base: admissão exclusivamente mediante exa-
mes, tanto para ingresso, como aos sucessivos graus; estudos sérios,
baseados principalmente na Tradição Kabbalístico-Essênio-Gnósti-
co-Crbstã, com os indispensáveis conhecimentos sôbre Pitagorismo,
Egito e sua riqueza mística, etc. Ninguém penetra nessa Ordem
sem ter, antes, subido todos os degraus da jerarquia martinista ...
Desde 1898 estende-se pela Europa e América, também, a mis-
teriosa F. T . L., cujo modo de recrutamento e de organização nun-
ca foi descrito. Os neófitos são procurados mais ou menos como
descrevia o cartaz que, em 1623, os Rosa-cruzes espalharam sôbre
as paredes de Paris: "Aos que têm desejo sincero no coração,
Nós procuraremos, etc ... " - Parece, Carolei, que êsses "Nós" são
gente que não se deixa comprar, nem escolher, nem procurar. São
êles que escolhem ... quando "há" o que escolher!... Essa F.T.L.
tem iniciação muitíssimo pura e essencialmente crística.
Vamos terminar, Carolei, essa olhadela sôbre os misteriosos
Rosa-cruzes com êste resumo de comentários de Sédir·: " ... A Rosa-
-cruz só usou tal nome na Europa, e isso, desde o século XVII. Não
se pode dizer os nomes que ela teve em outra parte, ou antes, ou
depoiS. .. Aliás os R-C nunca desvendaram tais mistérios; des-
truiram todos os seus manuscritos mais reveladores. O que sobra
está fechado em bibliotecas às quais nenhum profano tem acesso:
NO Vaticano, na Suíça, na Suábia, na Hungria ou em certos Re-
tiros discretos.
"No que se refere à Rosa-cruz essencial, ela existe desde que
hú homens cá embaixo, pois ela é uma função imaterial da alma da
Terra. A vida terrestre é uma filha do Sol amarelo que nos ilu-
mina. Mas há outros seis sóis que fazem viver a Terra; sóis
atualmente invisíveis, mas que irão sucessivamente entrando em
nosso arco de visibilidade.
"O nosso Sol amarelo está comissionado à assimilação das fun-
ções vitais. Debaixo, há o Sol vermelho que preside à aglomera-

129
ção das células da vida terrestre. Tal Sol dirige os agrupamentos
dos cristais nas moléculas minerais; ele rege a morfologia, e as
afinidade,; físicas e quimicas. O Sol vermelho é a morada do
Gênio, do Anjo, do deus diretor do Instituto dos Rosa-cruzes:
ELIAS ARTISTA ...
" ... As pedras do nosso planêta são quase inertes, mas, no ou-
tro extremo do reino mineral universal, há pedras que são tão di-
ferentes das nossas, quanto somos diferentes dos sêres que dirigem
os cometas, e que, contudo, são pedras: as pedras vivas, que refle-
tem o esplendor da eternidade e que São João viu e descreveu no
Apocalipse (XXI, 14, 19).
"É daquele mundo que dependia, e ainda depende, a Rosa-cruz.
A Terra necessita que suas energias se fixem. O têrmo da evo-
lução do mineral, é o cristal. Ora, os Rosa-cruzes eram minerais
espir·i tuais e queriam estender êsses fenômenos a todo o universo.
Um homem, por meio de um dêsses sistemas esquemáticos que ex-
ploram os iniciados, nas criptas da Índia ou nos pagodes do Alto
Camboje, poderá aprender a governar seus pensamentos de forma
que seu corpo mental se torne um diamante ...

"Quando diversos homens se 1'eunem e acham um modo


de conjunto, fixo e vigoroso como a comuna das sinarquias
primitivas, êles constituem U1n cristal social. É pois pos-
sível achar, entre as células de um povo ou de uma raça,
uma combinação tal que não haja nem oprimido nem opres-
sor.
É o sonho que seguiram os R-C: é o que explica a univet·-
salidade dos seus trabalhos: no plano material, procura-
ram uma medicina universal; no plano intelectual, o ctZnon
do saber integral; no plano social, a sinarquia; no plano
étnico, uma monarquia univm'sal; no plano míst'ico, uma
religião universal; no plano lt1lrnano, uma fraternidade
universal." (N. 78)

Assim; deve haver uma fórmula moderna, uma R.C.M.: Rosa·


-cruz Moderna, para realizar ,o ideal social que os Hosa-cruzes ela-
boraram, , ,
A Corrente CRISTÃ. - Com, 91 - Agora, Carolei, e antes de
passar a considerar as Ordens e Chefes de Correntes que, mais di-
retamente, estiveram em contacto com o MEM PHILIPPE, será útil
completar o já exposto nas páginas precedentes e no Quadro Geral
da Tradição, com uns dados sôbre a Corrente Cristã. Embora não
podendo, para não ser prolixo, reproduzir a totalidade dos nomes e
datas nela contidos, vou fazer uma longa citação - com algumas

130
V. 2 - O Cavalheiro Van PAAR,

conhecido entre seus Pares R-C, na Holanda, onde viveu lá por 16 .. , como
"..4. Águia Solitária". Faleceu, na posição acima ilustrada, no seu lugar,
isto é, no Assento de Pedra do hemiciclo em que se reuniam, em certo sítio
isolado.. . Hoje, tal como foi visto pelo Disc. "Jorge (atualmente Swami
Sarvânanda), sua personalidade aflora, às vêzes, à superfície da sua atual
e triste encarnação: outra vez solitário, mas, esta vez, por ter aceito missão
em zona na qual "ainda" não se encontram "Pares": gcnte que queira es-
tudar e dedicar-se seriamente aos Altos Estudos, assim como às missões
nas quais a "entrega" só pode ser total. Entre aquela encarnação e a pre-
sente, teve outras, uma delas como Discípulo de Louis-Claude de Saint-
-Martin e de Fabrc d'Olivet. ..

partes em resumo - lle um capítUlo da erudita Tese que o Dr. Phi-


lippe ENCAUSSE apresentou para sua formatura em Medicina
(N. 79):
" ... É nesta Corren te que iremos encontrar os Mestres reais
do Ocultismo contemporâneo e seus mais ilustres representantes,
antigos ou modernos... Os Gnósticos abrem naturalmente a série
com Simão o Mago... Valentim, o autor de Pistis Sophia, etc. -
Entre os membros da Igreja, os ocultistas reivindicam como seus,
a São João e São Paulo, tendo êste último sido quem mais contri-
buiu para a difusão da constituição trinitária do homem, em "Spi-
ritus, Anima et Corpus".
"Para seguir a corrente ocultista cristã, passamos logo a Tau-
ler (1290-1361), a Mestre Eckhart (1260-1328), fundador do misti-
cismo na Alemanha e seu discípulo Suso, criador da Fraternidade

N. 79 - "Sciences Occultes et Déséquilibre Mental" - Tese de 198


páginas, apresentada e publicada em 1935.

131
"Os Amigos de Deus". São todos adversários da Escolástica, essa
criação pagã, dos discípulos do exoterismo de Aristóteles, sob as-
pectos de ortodoxia cristã. - Incluimos entre êles a Gerson, Ruys-
broek ou Lutero. Chega-se, assim, aos Enciclopedistas e aos Rea-
lizadores do Ocultismo, únicos considerados como místicos pelos
críticos e historiadores, sem discussão. Reuchlin, Pico de Mirân-
doIa, Paracelso (1493-1541), o grande realizador do ocultismo cien-
tífico, da Homeopatia e que situou bem o "corpo astral e o plano
astral", aos quaiS assim denominou.
"O humilde Cardan; Guilherme Postel-o-Ressuscitado; Miguel
Servet, Amos Caménius; logo Jacob BOEHME, o inspirador e guia
de quase todos os Iluminados; Robert Fludd, enCiclopedista e fun-
dador, por ordem dos Rosa-cruzes, da Franco-maçonaria; os Van
Helmont, pai, e o filho, que teve grande influência sôbre Goethe
e sôbre Leibniz e ajudou a pUblicar a "Kabbala Denudata" (de
Knorr de Rosenroth).
"Chegamos assim a Swedenborg, a quem se religam quase tô-
das as Fraternidades realmente cristãs do Ocidente (N. 80), já que
êle foi o Mestre de MARTINS de PASQUALLY (1715-1779) que
iniciou a CLÁUDIO de SAINT-MARTIN (1743-1803) e foi a cabeça
dessa Ordem Martinista que tanta importância teve posteriormente.
"Lava ter, precursor do Espiritismo; de Maistre e Ballanche
nos levam até Wronski e Eliphas Lévi, que, com Louis Lucas, são
a tríade à qual se religam quase todos os ocultistas contemporâ-
neos ... "
O autor, Carolei, cita então uma longa lista de astrólogos, al-
quimistas e magos ou videntes, da qual mencionarei apenas: ao
Jesuíta Delrio, autor das "Pesquisas Mágicas"; Nicolás Flamel,
célebre alquimista que, conforme a tradição oral, ainda estaria
vivo na Asia Menor; o Papa Gregório YII, escritor Ocultista;
Jehan de Meung, autor do Romance da ROSA, que Dante comple-
tou com o da CRUZ; o próprio São Jerônimo (hebraísta e kabba-
lista gnóstico notáveL . . ); Athanasio Kircher, o jesuíta que teve
a habilidade de mandar imprimir suas obras de Kabbala pelo Va-
ticano! !! - faleceu em 1680; Raimundo Lullio, considerado justa-
mente como um dos grandes mestres do Hermetismo; o Conde de
Saint-Germain, nome coletivo (diz o Dr. Encausse) dos Iluminados
que deram a Cagliostro a sua missão; o abade de Villars, assassi-

N. 80 - Você sabia, em'olei, que Swedenborg, de quem - apesar de


seu enorme valor - fala-se cada vez menos no Ocidente, é o Mestre Espi-
ritual de seitas que incluem milhões de sêres, na lndia e outros 11tgares do
Oriente? - Sabe por que? POI'que Swedenborg ensina misticismo "vivido".
não "disc1ttido" ...

132
nado, por ter revelado certos segredas práticos dos Rosa-cruzes, em
1673, na estrada para Lyon ...
"Lembrando que Sha!kespeare foi iniciado, que Goethe praticou
o Hermetismo e que, mais perto de nós, Balzac foi Martinista e
Edgar Poe filiado aos Grupos Pitagóricos, teremos dado as linhas
mestras de tal sucessão ... "
O Ocultismo contemporâneo (europeu, desde 1850) é resumido
pelo Dr. Encausse, como segue: "Desde o descobrimento e difusão,
ao público, dos fatos do Magnetismo e do Espiritismo, as centros
iniciáticos viram-se forçados a começar uma campanha de propa-
ganda e a ampliar muito os seus quadros, para evitar os perigos de
um Misticismo sem contr6le (o grifo é meu, Carolei). - Além dis-
só, a luta contra o Materialismo e o Ateísmo, obrigava aos ocultis-
tas a uma batalha mais ardente que nunca, contra sua difusão
crescente.
"Nessa época, o representante do Ocultismo tradicional, foi o
Abade Constant, mais conhecido como Eliphas Lévi. - Wronski,
Louis Lucas e outros, tinham buscado no OC'Ultismo vias de adapta-
ção, porém só Lévi dedicou-se ao ensinamento metodizado e à his-
tória do Ocultismo. - A corrente Pitagórica estava representada
pelos discípulos de Fabre d'Olivet. O Martinismo prosseguia seu
labor silencioso com Delaage. - Eugêne Nus colocava as primeiras
bases do Movimento Espirita, que AlIan Kardec iria realizar logo.
O Barão du Potet despertava interêsse pelas experiências magné-
ticas.
"Tudo anunciava um renascimento ativo do Ocultismo. Lá
pelo ano de 1882, surge a Missão dos Judeus, do Marquês de Saint-
-Yves d'Alveydre, ao mesmo tempo que tôda uma geração nova de
discípulos de Eliphas: Joséphin Péladan, Albert Jounet, Stanislas
de Guaita, prasseguem o estudo do Ocultismo científico, René Caillé
funda uma "Revista dos Altos Estudos", na qual iria revelar-se o
mais sábio dos ocultistas contemporâneos: F. Ch. Barlet. Foi nes-
sa época que Papus foi delegado à realização do Martinismo e co-
meçou a agrupar as fôrças individuais. A revista O LOTO, diri-
gida com grande autoridade por Félix Krishna Gaboriau, auxiliou
muito.
"Papus e os companheiros, fundam as primeiras Lojas MarU-
nistas, que funcionaram de 1887 a 1889 em Montmartre e contavam
entre os Iniciadores com: Guaita, Péladan, Papus, Sédir e todos os
ocultistas até então isolados. - Em 1889, é fundado o "Grupo
Independente de Estudos Esotéricos". Ao mesmo tempo, Papns
funda a Revista L'INITIATION ... "
Daí por diante, Carolei, tudo se desenvolve fortemente, sob a
égide de Papus, com o apoio de todos os citados e outros muitos,
cujos nomes surgirão nos temas vindouros. A "Sociedade Alquimi-

133
ca de França", com Jollivet Castelot como Secretário-Geral, prosse-
guia interessantes trabalhos também ... - Veremos que o MEM
PHILIPPE não deixou de estimular a uns, e frear a outros, se-
gundo a pureza crística e mística das vias que procuravam cultivar,
tornava oportuno . ..
O Muito Excelso Mestre e o MARTINISMO. - Com. 92 - Há
disto uns, quase exatamente, duzentos anos, um misterioso Enviado
dos Rosa-cruzes, cha mado Martinez de P ASQUALLY, iniciava em
França sua missão.
Está demonstrado hoje que era de família e r eligião católicas.
Sua nacionalidade é considerada portuguêsa por uns, espanhola por
outros (N. 81). Sua única obra, inachável hoje, "Tratado da Rein-
tegração dos Sêres" é muito difícil de estudar, mas apresenta em
resumo as razões pelas quais o ser humano, seguindo uma senda de
resgate pela associação com Agentes Virtuosos Providenciais, pode
se tornar um "menor-resgatado", isto é: que começa a ter consciên-
cia de sua vida interior e direto contacto com o mundo espiritual
(por favor, não confundir com mediunidade, falas com mortos, etc.)
superior e, por essa via, ir reassumindo a sua posição primeira.
Não deixa de ser curioso que a sua "organização" - que recebeu
diferentes denominações - , e que em vão procUrou introduzir na
já materializada maçonaria da época - tinha um grande ensina-
mento de tipo mágico. Alta Magia, isto é : contacto a tomar com
Anjos (nada de desencarnados, de obsessores ou de exus! . .. ) e
com Espíritos Planetários. - Naturalmente, isto não era fácil.
Requeria não só sérios estudos (Kabbala, astrologia, etc ... ), como
uma conduta diária (profissional, social, etc.) e uma vida interior
raras, como, também, muito difícil de seguir no andar da vida
ocidental, mesmo na relativamente calma de 1750 a 1770 . ..
Dois de seus grandes Discípulos ficaram com os nomes grava-
dos na História. Um, com menor evidência: Jean Baptiste WIL-

N. 81 - Mui to embora conste das "Memórias" do Barão de Gleichen


que foi contemporâneo de Claude de Sa'i nt-Martin, principal Discípulo
de Martinez - que de Pasqually era espanhol, muitos autores o consideram
portugllês. As minhas investigações psíquicas pessoais (que podem não ser
certas, é claro) me inclinam a pensar que um dia se descobrirá que era fi-
lho de um modesto armador português, dono de navios mercantes, o que ex-
plicaria as viagens, a que M artines alude em seu livro e cartas, à China, ao
Oriente Próximo (e não cabe dúvida sllbre seus conhecimentos sufis, árabes
e hebraicos no que se refere a misticismo, unicismo e magia) . - Não esque-
çamos, tampouco, que, numa carta de Guaita a Papus (L'Initiation, Vai. '27,
1895) consta o fato de um Discípulo de Martines, chamado "La Chevallerie",
ter sofrido grande perigo numa evocação mágica que fazia sozinho e foi ins-
pirado a certos recursos pelo seu Mestre MAR TINES, que, mais tarde lhe
provou ter visto à distância o que ocorria e tê-lo ajudado .. . (págs. 198 e
segs.).

134
LERMOZ, que seguiu a via mágico-cerimonial típica de Martinez.
Viveu até os 105 anos de idade, sempre em Lyon - onde era forte
comerciante de tecidos - e sempre fiel admirador do seu Mestre,
mesmo quando êste já deixara a França e fôra morrer em a ilha
da Martinica, sendo o exato lugar do seu túmulo tão desconhecido
como o de seu exato nascimento. Como se vê, tomara sérias pre-
cauções para ficar Incógnito... Não é demais dizer, Carolei, que
a Willermoz deve a atual Maçonaria, não ser mais "des-simboliza-
da e des-espiritualizada" do que já é, pois na célebre Convenção de
Wilhemsbad é que o esforçado Willermoz conseguiu que fôssem de-
finitivamente conservadas na Maçonaria determinadas noções espi-
rituais que, hoje ainda, e não obstante os esforços de certos Gran-
des Orientes, e não obstante o total desinterêsse de inúmeros maçons
pelas cousas do espírito e pelas causas reais da degenerescência,
individual e social, contemporânea, nos aspectos mental, moral e
psíquico, conservam-se, ainda, pelo menos nos rituais de certas
Grandes Lojas escocesas e, melhor ainda, em certos Ritos, mais
fechados que o Escocismo, embora menos iniciáticos que o Marti-
nismo.
O têrmo Martinismo provém, essencialmente, da ação do outro
grande Discípulo de Martines: Louis-Claude de Saint-M artin, no-
bre gentil-homem que abandonou a carreira das armas para se
dedicar, cem por cento, à vida espiritual. Tornou-se célebre, na
Europa, sob o nome de "O Filósofo Desconhecido", muito embora
êle se considerasse apenas um servidor dêsse Agente Incógnito,
que lhe proporcionou tão elevados conhecimentos, como prêmio aos
muito sérios estudos de anos e anos, feitos com seu Mestre - a
quem serviu com exemplar dedicação e sinceridade - e aos que
fêz dos ensinamentos de Jacob Boehme, o "sapateiro místico" au-
tor de tão· maravilhosas revelações na Senda Interior.
Muitas obras já puseram em relêvo a influência que Saint-
-Martin teve sôbre o próprio Romanticismo, considerado como uma
reação à tendência materialista que começava a resumir a avalan-
cha com a qual, a contar da Revolução Francesa e até hoje, procuram
submergir a civilização ocidental. Já deixei isso exposto em gran-
des rasgos, a págs. 291 e segs. de 1'0 que ... , que será consultado
utilmente.
Convém, no entanto, ressaltar aqui que o místico de Saint-Mar-
tin, ao escrever as numerosas e maravilhosas obras que nos deixou,
tinha - como já aludi acima - uma percepção transcendental,
que iremos ver documentada na forma que extraimos das - já
citadas - Memórias do Barão de Gleichen:
" ... A ciência dos números, que êle representou sob o emblema
de um livro de dez fôlhas, era, de todos os seus conhecimentos, a

135
que considerava de maior valor... e que não comunicaria a nin-
guém ... só confessava que os números davam a chave da êssencia
de tôdas as cousas materiais, desde que se lhes conhecesse o nome
real, na língua primitiva; que, pelos números punha-se os espíritos
à prova, assim como pelas "palavras de poder" (é o que se chama
de mantras, no Oriente, Carolei. .. ) podia-se saber, e certificar-se,
dos que eram bons ou não ... êle acrescentava que o alfabeto hebrai-
co, estava certo só até a décima letra inclusive, estando o resto ba-
ralhado, mas que êle conhecia a real ordem a dar ... e ... (diz
ainda Gleichen) uma outra confissão que lhe arranquei, é a des-
cri~ão das figuras hieroglíficas, escritas em traços de fogo que
lhe apareciam durante seus trabalhos e dos quais estava-lhe or-
denado conservar os desenhos, que me mostrou, aliás ... " (N. 82)
Se nos lembrarmos, Carolei, que no seu livro Tableau Natu-
rel (pág. 155), o próprio L.-C. de St.-Martin diz que " ... efetiva-
mente, a palavra mesma, só se torna inteligível para o homem, ao
tornar-se hieroglífica ... " perceberemos que, para o Mestre de
St.-Martin, isto se aplicava, também, à linguagem e cousas do Mun-
do EspirituaL ..
A parte o que deixei esquematizado, de sua biografia, em Yo
que . .. , convém lembrar que êle deixou organizada, em todos os
países pelos quais passou: Fran~a, Alemanha, Itália, Rússia, In-
glaterra, a sua muito secreta "Sociedade dos intimos", que, por
uma razão óbvia, trazia as famosas letras S. I. como iniciais, ou-
tra vez ...
Mais tarde, após ter passado a tormenta da Revolu~ão, das
guerras napoleônicas, e mais convulsões que levaram a Fran~a até
o relativo estado de Paz e felicidade, que a caracterizava nas dé-
cadas que terminaram o século passado, e a que iniciou o presente,
e muito embora com nuvens (visíveis para os Iniciados e às vêzes
pressentidas pelos mais perspicazes das chancelarias e estados-
-maiores) a Ordem Martinista surgiu, desta vez como uma orga-
niza~ão muito notável, tanto pela estrutura~ão dada, como pelos
estudos e pela a~ão social e outras, que a caracterizaram, gra~as ao
extraordinário dinamismo de seu criador: P APUS.
Em 1898, como fôra divulgado naquela época e acha-se repro-
duzido a pág. 60 da "Tese" - já citada - do Dr. Philippe ENCAUS-
SE, a Ordem Martinista tinha "forma~ões" (Grupos e Lojas) as-

N. 82 - Os nossos Membros da Ordem Martinista, e os estudantes


sérios em geral, estudarão com proveito o notável artigo "La Voie Dorienne",
publicado por Léon LEVRIER D'HANGEST, a págs. 131 a 135 do número
de julho-setembro de 1955 de L'INITIATION (Ano 29, n. 3), em cujo arti-
go se acha a confirmação do fato citado, relativo aos "Traços de Fogo" que
o Conde e Mestre LOUIS-OLAUDE de SAINT-MARTIN via em suas me-
ditações . ..

136
sim distribuídas: Fran~a, 27 - Bélgica, 3 - Alemanha, 3 - Di-
namarca, 1 - Espanha, 3 - Itália, 8 - Boêmia, 1 - Suécia, 9 -
Holanda, 12 - Suíça, 2 -Romênia, 1 - Rússia, 2 - Inglaterra,
2 - Tonquim, 2 - Egito, 1 - Tunísia, 1 - Estados Unidos da
América, 19 - Havana, 1 - Colômbia, 1 - República Argentina, 7.
Caberia citar que, posteriormente, em 1904 por exemplo, exis-
tia no Brasil, em São Paulo, uma Loja Martinista, a que me re-
feri a pág. 217 de Yo que ... , por ter sido fundada pelo Dr.
Horácio de Carvalho, que estêve especialmente em Paris, para fa-
zer-se iniciar por Papus; mais tarde escreveu um livro, muito di-
fícil de achar hoje, chamado "O CAPH" (décima-primeira letra he-
braica, que corresponde ao hieróglifo da Fôrça ... ) e um Iniciado
(Professor Dario Velloso) que, com "Apolônio de Thyana" por no-
me simbólico, fundou e dirigiu até sua morte o Instituto Neopita-
górico, de Curitiba, hoje brilhantemente continuado pelo "novo An-
tigo" "Parmênides" (Dr. Rozala Garzuze), como pormenorizei a pág.
220 e segs. do Yo que ...
Voltemos à Ordem Martinista de P APUS: brilhou nos anos de
1893 até 1916, ano em que, a morte do Fundador por um lado e a
hecatombe de 1914-18, por outro, reduziram seu labor... Do seu
ressurgimento atual, falaremos depois. Por agora, Carolei, convém
considerar que, não só por meio dessa Ordem - cujas Lojas na
Rússia, Suécia, etc... eram presididas pelos Soberanos ou pelos
Grã-duques - manejava-se um Poder social muito importante,
como, especialmente, seu caráter de Cavalaria Cristã, aberta a Ho-
mens e Mulheres, fêz dela um notável instrumento para espalhar
o que o MEM PHILIPPE procurava: um real espírito místico-
-cristão: sem complexidades ritualísticas; sem os psiquismos du-
vidosos da magia ou do espiritismo; sem as complicações doutriná-
. rias de muitos setores. Tratava-se de sentir e de viver, a direta
relação entre os Ensinamentos de Jesus, renovados, exemplifica-
dos e provados pelos do MEM, e suas profecias, com os problemas
imediatos e outros, próximos, que pesavam sôbre o Ocidente prin-
cipalmente.
Não faltam, tampouco, as razões "misteriosas" para fazer da
Ordem Martinista uma potência excepcional. Basta considerar a no-
tícia, lacônica mas eloqüente, que foi publicada a pág. 270 do Vol. 39
de L'INITIATION (2. 0 trimestre de 1898) e que diz assim:
"Pela presente, o Supremo Conselho tem o prazer de levar ao
Ordem Martinista uma potêncili. excepcional. Basta considerar
conhecimento de todos os delegados e oficiais da Ordem, que um
tratado de aliança foi assinado em 9 de maio de 1898 entre A
ORDEM DOS ILUMINADOS e a ORDEM MARTINISTA. As
assinaturas trocadas por plenipotenciários nomeados para tal efei-
to pelas duas Ordens, foram ratificadas pelo Areópago secreto dos

137
Iluminados por um lado, e pelo Comitê de direção do Supremo Con-
selho da Ordem Martinista, por outro. O tratado torna-se pois
executivo a contar de 13 de junho de 1898. Os delegados das duas
Ordens receberão pessoalmente tôdas as instruções necessárias.
1tste tratado une pois as duas Fraternidades mais poderosas da
Tradição ocidental".
Lembremos ainda o que, a pág. 200 do I Vol., achamos como
curioso comentário do que transpirou, publicamente, da proteção
que o MEM PHILIPPE dava - dá e dará, acrescento eu - à
Ordem Martinista reorganizada por Papus:
"É porque o Mestre Desconhecido passa por ser o chefe, o ini-
ciador, o apóstolo quase invisível mas ardente, de um grande movi-
mento místico que, acima das religiões oficiais e apesar dos seus
dogmas, circula neste momento entre as nações ocidentais"... -
Juntemos mais isto:
E. 575 - " . .. M artinista eu mesmo, inúmeras vêzes Lhe pedi
informações conf idenciais, que me transmitia como o teria feito
um iniciado. Contudo, :21e me declarou não estar ligado a nenhum
grupo em particular, embora na realidade pudesse apresentar-se lá
onde f6sse. Era sempre recebido como um Superior Incógnito, como
um mago, como um Mestre: o Dr. Encausse (Papus) teria contado
perante testemunhas que, certa vez 6111 que presidia uma "sessão
ritual", ficara estupefato ao reconhecer, entre os altos dignatários,
ao M. PHILIPPE. me tinha--se apresentado, tinha-se feito "reco-
nhecer" (pelos mei os secretos dos iniciados),. não tinha sido po.ç-
sível deixar de O receber. Tratava-se de uma discussão muito
grave. :21e tomou a palavra para dar alguns conselhos, e deixou o
local. Todo mundo ficou obrigado a reconhecer que :21e respondera
com extraordinária sabedoria às preocupações ... " (N. 83)
Com. 93 - Para compreender melhor, Carolei, o espírito que
animava à Ordem Martinista, renovada por Papus, assim como
seus laços com os postulados e esforços das grandes CORRENTES
que já temos examinado, deixaremos de lado tôda a doutrina, pro-
gramas e cerimônias simbólicas da Ordem l\Iartinista do tempo
de Papus, para lembrar apenas dois fatos:
Um, o de haver, entre os compromissos de mais elevada jerar-
quia na Ordem, estas palavras: " ... e fazer tudo que esti yer em
meu poder, para difundir o mais possível os ensinamentos morai',;;,
sociais e religiosos do Martinismo, e para contribuir assim para a
Regeneração da Família humana, trabalhando com tôdas as mi-
nhas fôrças pelo restabelecimento, sôbre a Terra, da Associação

N. 83 - Segunda parte do relato "A propósito do Mest re PHILIPPE ... ",


publicado a pág. 125 de L'INITIATION (julho-setembro de 1955) - Ano
29, n. 3.

138
de todos os Interêsses, da Federação de tôdas as Nações, da Alian-
ça de todos os Oultos e da Solidariedade Universal".
Oomo se vê, é um compromisso claro, certo, conci'so e completo:
as 4 características que - já o disse - devem achar-se sempre nos
modos de falar e de agir do Martinista verdadeiro.
O segundo fato é êste: todos os que ocuparam postos de impor-
tância, seja na época de Papus ou logo após, na Ordem Martinista,
estiveram mais ou menos diretamente relacionados com o MEM
PHILIPPE, como veremos ao examinar Personalidades que preci-
samos conhecer um pouco, para compreender os esforços por elas
feitos, em função dos Ensinamentos e - das missões aceitas ou re-
cebidas - ; o mesmo acontecendo, como veremos também, ao tra-
tar do atual ressurgimento da Ordem ...

* * *

o Muito ExcelJ80 Mestre e o meu Mestre CEDAIOR. - Com. 94


Em 1" de setembro de 1872, nascia em Valence (departamento
da Drôme, França), na casa que fôra do lendário Oavalheiro Bayard,
o filho de Marie Delmas e de Eloy Ootet ou Oostet, visconde de Mas-
cheville (e mais outros títulos como: du Peuch, de la Ohêvrerie, de
Ben-hayes, etc... nessa família aparentada com os de Livron, de Tail-
lefer, de Segur, de Karbonne, de Rastignac e outros ... ). O nome
"Ootet" vem, aliás, de um antepassado árabe: Abbon Cat, enobre-
cido, lá pelo ano 700, por motivos que meu Pai e Mestre, me con-
tava - na minha infância, revolvendo velhos pergaminhos e bra-
sões - junto com a do nosso antepassado que fôra buscar na In-
glaterra o Rei João-sem-Terra - quando o Príncipe Negro o li-
berou. .. De Oat: Oati; Ooti, Ooté, Ootet, etc ...
O menino assim nascillo, chamou-se Albert Raymond. Não
foi uma criança vulgar: aos 5 anos, certo dia em que a Mãe ra-
lhava com êle, reagiu exigindo ''mais consideração que lhe era
devida, desde aquêle dia em que ela, mãe, o jogara nervosamente
sôbre a cama, quando ainda estava enfaixado e impossibilitado de
se "defender" na queda"... Já vimos - ao falar do MEM - que
essa prodigiosa memória-consciência da meninice, é típica dos que
"não perdem a consciência" fàcilmente! ...
Oom poucos anos, cansou de morar em Valence, onde já tinha
obtido, pelos seus dons especiais de ouvido, a proteção do célebre
Oharles Dancla, que lhe ensinou violino e - bem contra a vontade
materna - o recomendou para o Conservatório de Paris. Antes
de partir de sua terra natal - a Valência francesa, que não fica
longe de Lyon - êle tinha um amigo, mais velho que êle que con-
tava pouco mais de 13 anos.

139
Eu não me lembro, mas meu Mestre me assegurou, reiterada-
mente, que êsse amigo dêle, jovem químico chamado L.E. ..... t,
morreu lá pouco antes do jovem Albert viajar, e que êsse amigo .. .
sou eu ...
Para ir a Paris, teve que passar por Lyon, levado por um pa-
rente que devia ser amigo de "um senhor de Lyon" (Bouvier? . . )
cujo nome ignoro e meu Mestre tampouco lembrava. O caso é, que
êsse amigo dos seus pais, o levou à presença do ME M P HILIPPE
que "olhou" para o menino e, logo, lhe perguntou se não gostar ia de
ficar uns dias em Lyon "para a judar a curar a uma pobre senhora
que sofria muito".
Obtendo, evidentemente, r esposta afirmativa, o MEM pôs a
Sua Mão sôbre a cabeça do jovem Alberto e certamente o abençoou
e lhe transmitiu certo Poder, pois recomendou que fôsse levado
cada dia junto à doente, ficando lá uma hora com a mão sôbre o
seio carcomido por cancer. No fim de uma semana, os tecidos es-
tavam totalmente reconstruidos ... - É claro que quem inicia a
vida iniciática com essa idade (menos de 14 anos - em 1885) e
nessa forma, com semelhante Bênção e Oportunidade, tinha com tô-
da certeza um Passado e um Porvir invulgares ...
Assim, desde as campinas de Lamastre, atrás de Valência, on-
de ficara antigamente o castelo familiar - destruído nas revolu-
ções - o jovem Alberto chegava para a buliçosa Paris, onde ficou
morando com um tio paterno, bastante conhecido como pintor na-
quela época. Não obstante a curta idade, o rapaz obteve fàcil-
mente um lugar numa orquestra, na qual "estragava" em parte
- tocando música popular também - o que durante o dia estu-
dava para o Conservatório, no qual iria ser recebido, anos mais
tarde, com um Primeiro Prêmio, ganhando ainda um concurso para
Professor em Nancy, cargo que não chegou a assumir.
Durante sua juventude musical em Paris, ainda solteiro, levou
uma vida muito séria para um jovem independente; teve uma dor
muito profunda - com sua alma sensitiva de jupiteriano - ao
perder uma primeira noiva "Denise", que às vêzes lhe aparecia em
visões, conforme relatou-me o meu Mestre. Com a idade de 18 a
19 anos, já se tinha tornado amigo de magnetizadores: por intermé-
dio de Montagne, um sargento do regimento no qual incorporou-se
voluntàriamente (eram 4 anos naquela época! ... ), para gozar o
privilégio de ficar em Paris. Tais magnetizadores eram: Raymond,
Robert e Moutin. O jovem Alberto ficou logo notado pela facilida-
de de se pôr em catelepsia voluntária, saindo à vontade do corpo,
para ir a lugares que descrevia com precisões fáceis de verificar, e
voltando sempre à hora por êle mesmo pré-marcada.
Quando, posteriormente, foi apresentado a Sédir, e por êste
iniciado - em 1892 - na Ordem Martinista, tornou-se, pouco após,

140
Mestre de Cerimônia da Loja "HERMANUBIS", que era presidida
por Sédir e na qual se estudava especialmente a Tradição Oriental:
é possível que isso tenha influenciado para "reavivar" o seu passado
oriental (todos nós devemos ter um, Carolei! . . . ) pois que, duran-
te certa época, os seus desdobramentos voluntários foram assisti-
dos por Mestres do Tibete e de Allahabad, que até o levaram a
prestar certos compromissos perante a chamada "Grande Loja
Branca", compromissos que lhe foram lembrados e exigidos mais
tarde, como consta de seu livro "As Leis de Vayu".
Entre tais Mestres, um dêles chegou a "materializar-se" (sem
intervenção de fenômenos mediúnicos, é claro) em Paris, e fazer
"provas de fé"... como aquela na qual CEDAIOR (nome iniciá ti-
co com o qual ficou conhecido meu Mestre), recebeu ordem de
apontar um revólver para o peito da sua jovem espôsa ... e de
atirar. .. ficando a bala tremendo no ar e caindo ao chão, ante o
espanto dos quatro ou cinco que, com Cedaior, compunham um gru-
po muito fechado ...
Também com Albert de Rochas, o jovem Mestre Cedaior par-
ticipou de experiências e estudos sôbre a exteriorização da sensi-
bilidade, da motricidade e levitação.
No Martinismo, fêz rápidos progressos, galgando a jerarquia
iniciática. Em 1893 já era S. I. e Gnóstico. Em 1894 foi sagrado
Bispo, por "Valentinius", em Orléans mesmo, e nessa oportunidade
o Patriarca (Doinel) lhe fêz demonstração de vários poderes, in-
clusive o de profecia, ao dizer-lhe "Tudo que fazes na França é
apenas preparatório para ti, a tua rnissão pessoal é do outro lado
do fitar".
Efetivamente, não obstante uma mlssao oficial no Egito - on-
de recebeu iniciações também, e tornou-se amigo de Mariette-Bey,
o conservador do Museu do Cairo -, após o casamento que motiva-
ra essa viagem, ficou ainda em Paris até 1910 somente. Foi nesses
anos, pois, que trabalhou com Papus, com Sédir e com outros, tendo
havido certo assombro, por ocasião de uma viagem do MEM PHI-
LIPPE a Paris, na qual diferentes Martinistas deviam Lhe ser
"apresentados", tendo Cedaior declarado que já O conhecia... e,
pela primeira vez referiu publicamente o fato da sua juventude em
Lyon.
Membro da Ordem Kabbalística da Rosa-Cruz, também, fêz es-
tudos especiais sôbre o "Pirnandro" de Hermes. Colaborou ativa-
mente com o "Comitê da Survivance", que com pessoas como Boissy
d'Anglas, L. Champion e outros, reuniram a documentação para
provar a descendência de Luís XVII (ver Yo que ... , pág. 292).
Fêz em Paris e arredores, junto com Oswaldo Wirth, uma campa-
nha de conferências sôbre simbolismo, em Lojas de diferentes Ritos,
sem resultados alentadores ...
Ciente, pelas profecias do MEM e pela - relativa à sua pes-
soa - que lhe fizera Valentinius, do futuro do Novo Mundo, saiu
de França em 25 de fevereiro de 1910, rumo a Buenos Aires.
Vejamos o que deixava "feito" o Mestre Cedaior, ao partir da
Europa: sua viagem ao Egito tinha servido, não só para os estu-
dos sôbre: "som e o uso acústico no instrumental egípcio" (que lhe
valeu as "Palmas Acadêmicas", por parte do Govêrno), como para
reunir material notável, sôbre a Esfinge, Pirâmides e: sôbre
KARNAK, esDecialmente, pois em Paris, êle, com Sédir e outros
continuaram os ditos estudos, com a colaboração de minha Mãe -
também martinista - que além dos talentos de grande pianista e
compositora, tinha notáveis dons "psicométricos". Ela, com pôr
uma pedrinha ou um fragmentozinho na testa, proveniente de um
lugar ou monumento do Egito, passava a "ver" e a descrever, mi-
nuciosamente e indo para trás no tempo, as gentes, acontecimentos
e - até - cerimônias ou civilizações que tinham sido "presencia-
das" por êsse fragmento ... - Aí tem Você, Carolei, tema para
meditar, pois completei alguns aspectos do que, a pág. 18 de Yo
que ... , havia indicado já.
Mestre Cedaior, como um dos mais esforçados fundadores do
Sindicato dos Músicos, como membro da Sociedade de Autores e
Compositores de Paris (sua espôsa também o era), e como um dos
Violinos da ópera Cômica, e Dirigente de orquestras, tinha um
vasto círculo de relações, além das que sua Casa Editôra de músi-
ca e suas atividades, como socialista e como iniciado, lhe tinham
proporcionado. Não fôsse a sua extrema independência de espí-
rito, teria ficado "encostado" à milionária sogra ... mas êsses são
outros aspectos, que só no Tratado de Sarva Ioga interessaria con-
siderar l ...
Não me estenderei sôbre a parte oriental de suas atividades,
na América Latina. Foram muito mais importantes que as do se-
tor ocidental. E, para não pecar por omissão, embora deixando
para o futuro e eventual Tratado de Sana Ioga os pormenores de
tais atividades, não posso deixar de lembrar que o próprio Mestre
Cedaior, desde 1914 até 1918, levou um período de "ida totalmen-
te casta, entregue, novamente, a seu Mestre Vayusattwa, por cujas
indicações escreveu a sua já citada obra, pUblicada em 1919, e
cujas 141 páginas estão totalmente dedicadas à futura Era, Raça
vindoura, e às terríveis Noites Cósmicas, ou seja: épocas catastró-
ficas que, em cada fim de ciclo, e por isso, agora, já proximamente
outra vez: quando "os tempos são chegados" (fim de um ciclo e
de uma raça), a Terra e os Céus sofrem notáveis modificações.
É por ésse lado, aliás, que acharemos a "missão" real do Mestre

142
Cedaior, que, muito embora com apresentação oriental - por moti-
vos que não cabe apreciar neste livro - trouxe ao público latino-
-americano conhecimentos, previsões e profecias, que coincidiam com
as do MEM, sendo que o Mestre Cedaior pouco conhecimento ti-
nha dos ensinamentos rese1'vados e proféticos do M. PHILIPPE.
Neste ponto, Carolei, deveremos meditar o quanto o MEM, embora
protegendo a todo ser sincero, deixava a cada alma seguir o seu
Caminho: mais tarde haveremos de estudar o que o MEM entende
por "Caminhos"! ...
A pág. 21 de Yo que ... já falei da Igreja Expectante, fun-
dada por meu Mestre Cedaior, em 17 de agôsto de 1919, em Buenos
Aires, e da qual me toca, agora, ser o Patriarca. 1l:sse setor é,
aliás, o que me liga mais diretamente ao labor do Mestre Cedaior,
"pela Nova Raça", como descreverei ao falar da Sarva Ioga. Tam-
bém, a pág. 23 da citada obra, referi-me ao fato de ter o Mestre
Cedaior lutado, . tôda sua vida, pelo ideal de "colônias espirituais" ...
Não sabendo se terei, nesta encarnação, tempo para escrever
mais livros, acho necessário prestar homenagem, aqui, a certos
Colaboradores ou Discípulos dedicados do Mestre Cedaior, nesse
setor. A primeira tentativa séria, foi a de Nahuel Huapi (Neu-
quén, Argentina) com o Comandante Deuil e o Eng. Saurel, que
conhecia depósito secretos dos índios, nos Andes, onde há tesouros
em esmeraldas e outras pedras. Já expliquei, no meu outro livro,
porque nada se fêz.
Outra tentativa foi em Mendoza, de 1921 até 1923. Não as-
sisti ao fim da cousa, pois achava-me na Europa. Mas, sim, o DI'.
Lemos, o Sr. Yanácare e o - então - Governador Lencinas, de
Mendoza, cuja vida o Mestre Cedaior salvou (mediante visão ante-
cipada de um atentado, cujo autor foi desarmado no gabinete da
"vítima", o que comprovou o aviso ... ) e que ofereceu ao Mestre
tôda uma parte do Vale do Sonda... Mas, o Mestre estava com-
prometido, por correspondência, com "PEREGRINA" (Sra. Ida
Hoffmann), filha de culto e iniciado Engenheiro, tendo sido ela
a companheira de "Peregrino" (Theodoro Reuss, chefe do O.T.O.,
e que fôra também Grã-mestre do misterioso Rito de Memphis-
-Misraim) , o que explica, Carolei, mais um dos muitos caminhos,
pelos quais certos conhecimentos e certa documentação, vieram
concentrar-se em mãos do meu Mestre, e nas minhas mais tarde.
Outra tentativa foi, pois, iniciada pelo 1\1. Cedaior e Peregri-
na, comprando 120 hectares de terras, em "Monte Sol", como deno-
minaram o sítio, de mata virgem, cheia de canela, peroba e uru-
curana, adqUirido em "Urubuquarinha", no Palmital; a uns 30 qui-
lômetros de Joinville, bonita e agradável cidade de Santa Catarina,
onde tinha sua séde a "Cia. Palmital", milionária emprêsa que nos

143
vendeu as terras e da qual, mais tarde, tornei-me Administrador
do Palmital durante dois anos (ver pág. 27 de Yo que ... ), lá er-
guendo um Laboratório de magia cerimonial.
Em Joinville mesma, o M. Cedaior e Peregrina trabalhavam,
musical e pedagogicamente, para sustentar aos "na turistas" que
vinham tomar banhos de sol na "Colônia", da qual eu tomei conta
com a minha espôsa Lotusia, ao chegar de Paris, em dezembro de
1924, e que liquidamos (a colônia, não as terras) ao comprovar que,
entre a falta de atividade ideal dos naturistas e o excesso de ativi-
dade dos pernilongos, transmissores de malária, era melhor desistir!
Em Curitiba, o M. Cedaior quase fundou uma colônia junto com
Dario Velloso, que me ofereceu também a "sucessão" do Instituto
Neopitagórico, o que não aceitei por irmos todos para Goiás, para
tentar, por decisão da "maioria" (e contra a minha opinião), ou-
tra colônia! Na fotografia que ilustra estas páginas, pode-se ver,
na Biblioteca (notável e rica do que há de melhor em ocultismo)
do Instituto Neopitagórico: ao dono da casa: "Apolônio de Thyana",
cujo nobre rosto de vidente, poeta e filósofo ressalta logo, sob os
cabelos de neve. Ao piano, "Sôr Peregrina", com o seu penteado
"solar". Era uma grande pianista e notável dançarina sagrada,
não profissional, senão por culto ao ritmo e ao belo. Executan-
do o "pianÍssimo" final de uma composição, o M. Cedaior, com
tôda a singeleza que o caracterizou a vida tôda (N. 84),
Em Curitiba, o M. Cedaior continuou os estudos sôbre "As,
trosismologia", que já o tinham tornado muito conhecido, quando
em Mendoza publicara, com antecipação, os dias e as horas dos
grandes terremotos como o do Japão (1921), o da Bolívia, e outros,
avisando sempre antes aos Governos respectivos... que nunca de-
ram - é claro! - a menor atenção!
Também prosseguiu nos estudos sôbre "astrometereologia", che-
gando a predizer o tempo: sêcas, chuyas, vento, tormentas, com
bastante precisão, para qualquer zona elo mundo, da qual se conhe-

N. 84 - Para maiol' comp"eensão (lo cruze,· de fios que tecem o manto


da Tradição e da Transmissão, citarei isto: "1908 - Constituição em Paris,
em seguimento ao Congresso Maçônico Espiritualista realizado em junho,
no Templo do Rito do Direito II1tInano, de mn Soberano Grande Conselho-
-Geral do Rito de Memphis -Misl'aim, para a França e sitas dependências.
A Patente Constitlttiva está outorgada pelo Soberano Santuário da Alemanha,
assinada e chancelada em 24 de junho, em Berlim, pelo Grã-mestre THEODOR
REUSS (Peregrinos) que assistiu ao Congresso de Paris. O Grã-mestre e
o Grã-mestre adjunto são o DI'. Gérard ENCAUSSE (PAPUS) e Charles
Détré (TEDER). A Loja "Humanidad", pl'ecedentemente religada ao Rito
Nacional Espanhol, torna-se Loja-mãe para o Rito de Memphis-Misraim em
França". - (De Notas Histól'Ícas sôbre o Rito Antigo e PI'imitivo de
MEMPHIS-MISRAIM, por J. Bricalld, que foi, poste>'iormente, o Grã-mes-
tre.) E, Cal'olei, mais dados... aos "iniciados" ...

144
cessem bem as determinantes kabbalístico-astrológicas. ~sse ramo
do saber está longe, aliás, na minha opinião, de ter sido resolvido
pelo M. Cedaior, que apenas pretendeu orientar a investigação dos
estudiosos.
O mesmo, acho, deve ser dito das experiências sôbre "determi-
nação pré-natal, ou mesmo pré-concepcional" do sexo, com elimina-
ção quase total dos fatores hereditários, mediante métodos que vão:
desde o estudo dos temas astrológicos de concepção e nascimento,
somente; até os "pactos" pré-concepcionais entre: os genitores vi-
vos e uma alma que deseja reencarnar ou, ainda, entre genitores
vivos e uma pessoa, ainda viva também, que já escolhe seu futuro
Lar, ou, pelo menos seus futuros pais. Evidente é, que a "vidên-
cia" e outros meios de comunicação ou percepção - tão mal chama-
da hipersensorial - pode ser muito útil, em tais experiências. As
obras do M. Cedaior se resumem: no já citado "Libro de las Leyes
de Vayú"; num folheto de 30 páginas sôbre "Astrologênesis" (apre-
sentado à Academia de Ciências de Paris ... que nunca se dignou
acusar o recebimento, de acôrdo com a mentalidade anacrônica do
Velho Continente ... ), e noutro folheto sôbre "Previsão sismológica".
Alguns manuscritos estão também em nossos arquivos, ou nos dos
filhos de seu segundo casamento, realizado no Brasil.
Deixando agora de lado, o labor tão especial do M. Cedaior
em favor da "Nova Raça Aria ou pré-Olímpica", que haverá de
habitar o 6.· Continente (Cujo mapa já figura no Livro do Mestre),
devemos apontar que certos de seus trabalhos, como por exemplo
o sôbre a Ilha da Páscoa - ou Ilha de Vayü - (é curioso que o
nome do Deus Protetor da Ilha, seja o mesmo do Mestre que dirigiu
a Cedaior), estão recebendo confirmação, como é fácil ver pelos
descobrimentos do investigador alemão, Thomas S. Barthel, livre-
-docente da Universidade de Etnologia de Hamburgo, que ecoaram
tanto no mundo científico, recentemente, caracterizados pela des-
coberta de sepulturas secretas, de teatros e elevadores: para mor-
tos de categoria serem colocados a "desidratar" pelo sol, no cimo do
"Monte dos Escultores", etc ...
Mas, o laço com os trabalhos do M. Cedaior, está em que Bar-
thel achou figuras femininas com cêrca de três metros de altura,
e outros dados - opostos às civilizações masculinas e patriarcais
da Polinésia e da Ilha da Páscoa, até então conhecidas - e que
parecem pender para uma civilização M atriarcal, como o M. Ce-
daior achava que, num futuro sem data calculável, a humanidade
tornaria a ter, passando pela partenogênese, a caminho de uma an-
droginia! (N. 85)

N. 85 - Ver, a êste respeito, ou os trabalhos de Barthel, ou o resumo


que, num artigo intitulado "Novas investigaçõefl na Ilha da Páscoa", fêz

145
Certas idéias do M. Cedaior seriam dificilmente aceitas atual-
mente, como por exemplo as que extraimos de páginas dêle, sôbre
um tema inédito (N. 86) "Doutrina Neo-ar·iana - Leis do Matriar-
oado":
" .. . A Maternidade, em compensação, tem todos os direitos que
aprova a consciência individual da Mãe. - Se afirmamos esta nova
teoria, é porque só a Mãe está capacitada para conceber todo o al-
ca nce da nova forma de gera r. E quisemos lhe dar, e conser var-lhe,
tôda a supremacia que necessita. - O que precede, implica na su-
pressão - pura e simplesmente - do casamento absoluto, como do
amor livre, da coabitação sob o mesmo teto em forma de poligamia
ou de poliandria, e assegura o jôgo da Lei natural, tal como opera
atualmente. - Além disso, fica proibida a união entre parentes,
por remotos que sejam; bem como a união com pessoas que não
sejam de raça branca, ou que não aceitem a doutrina neo-ariana,
especialmente no que se refere - também - a morar no OESTE
de ambas as Américas."
Como se vê, a côr branca é exigida, já que a cútis da 6.' Raça
será "branco-azulada" e, evidentemente, isso não se obtém com
pigmentação escura! nem, como "nova mentalidade", com os tabus,
crenças e superstições afro-Iatino-americanas que o tempo irá re-
movendo. - O "Oeste" é preferido, por ser, no dizer do M. Cedaior,
a parte que mais se salvará, cousa que seu livro esclarece. E, no-
te--se que não tenho, aqui, espaço para tratar de muitos outros as-
pectos e de numerosas atividades do M. Cedaior, que só poderão ser
indicados aos que sigam o labor dêle, em forma séria e entregue.
A. atividade Martinista do M . Cedaior. - Com. 95 - ltste o
setor, Carolei, que, embora não sendo o mais ativo na vida do M.
Cedaior, liga mais diretamente as nossas atividades, aos seus en-
sinamentos e à transmissão que lhe devemos. Já na França, em-
bora respeitoso para com os seus Iniciadores, e procurando lhes dei-
xar a honra de iniciarem a mais Martinistas, o M. Cedaior iniciou
a umas dez pessoas escolhidas. Citarei os que me consta estarem
falecidos: M. René OUDEYE, grande livreiro de Blois, que acom-
panhou ao Mestre e sua Espôsa, na viagem ao Egito - tinha por
nome iniciático "Jeho"; outr o, " Hor ême", poeta egípcio que, pOr

Werner Brand, publicado no "Estado do P a raná" de 22 de junho de. 1958 . . .


e, curioso será para Você, Oarolei, saber que êsse jornal trazia na mão,
sem saber que me podia interessar, um Jornalista que veio me entrevistar,
numa das minhas passagens pela Capital da terra dos pinheirais. Outra
"coincidência" . . .
N . 86 - É possível que alguns trechos de sua autoria sejam achados no
"Jornal de Joinville", bem como em arquivos particulares de alguns de seus
Amigos, como os Drs. Parigot de Souza, Oarneiro, etc., que, muito embora
não discípulos do M. Oedaior, privavam com êle e muito o admiravam.
amor ao M. Cedaior mudou para Paris, progredindo muito; fale-
ceu jovem. "M. Quénisset", cujos trabalhos de fotografia astronô-
mica tornaram conhecido mundialmente, o Observatório de .Juvisy,
na época; e outros, cujos nomes calarei.
Na Argentina, de 1910 a 1923 - e são treze anos, Carolei! -
embora tivesse frequentado ambientes tais como: maçons, espíritas,
esoteristas e também católicos (estava em muito bons têrmos com
os Maristas ... até minha expulsão: veja Yo que ... , pág. 18), s6
iniciou a mim. As "formações martinistas" argentinas, já desapa-
recidas nessa época, bem como a falta de atividade martinista do
M. Cedaior, durante todo êsse período, contribuiu muito para pro-
duzir um hiato apreciável, não só nos seus contactos administra-
tivos e culturais com a Ordem, como na mentalidade, menos "tra-
dicionalista", que o M. me apresentou quando ,cheguei à idade de
palestrar sôbre êsses temas com êle.
Em 1918, como seu ajudante-geral; em 1920, como iniciado por
êle; em 1922 como seu missionado à Europa, encontrei um panora-
ma triste porém normal: tinha morrido PAPUS, o "ser-eixo" do
Egrégoro Martinista da época. O resto era nulo, e meu M. Ce-
daior, de acôrdo com o relatório que fiz, resolveu que, no Brasil
iríamos erguer uma Ordem aut6noma, pelo menos até surgir na
Europa um Martinismo bem coeso e "Papusiano", se me permite
o têrmo, Carolei. - As tentativas e preparações de alguns candi-
datos do M. Cedaior, na Argentina, nada tendo dado de concreto,
como já disse, podemos situar as primeiras iniciações no Brasil,
feitas pelo M. Cedaior ou por mim, em 1925, ano em que funcionou
a primeira Loja Martinista, que, em honra ao M. Cedaior, recebeu
o mesmo nome que a dêle em Paris: "Hermanubis". Como um dado
curioso, poderei dizer que funcionava debaixo do maior Sigilo: em
plena Rua 15 de Novembro, em Curitiba ... , aproveitando as horas
em que a Redação e Oficinas do "Diário da Tarde" estavam va-
zias, já que o seu Diretor-Fundador, Dr. Generoso Borges de Ma-
cedo (Gemini, na Ordem), era um dos Discípulos do M. Cedaior,
de quem foi fiel amigo até falecer em São Paulo (Consultor .Jurí-
dico do Moinho Santista). Era uma grande alma e um grande
coração (N. 87).
Outro Membro falecido: "de Nerval" (Nerval de Araújo e Sil-
va, odontólogo baiano, que se expôs - e à família dêle - a duros
sacrifícios, quando da aventura da colônia em Catalão, Goiás!).
Outras LOjas houve, em Goiás, no Paraná, etc., até ser fixada em

N. 87 - Essa Loja "Hermanubis" foi inaugurada, conforme seu tema


lstrológico, nos arquivos da Ordem - em 22 de agôsto de 1925, às 21 :15.
'Vão é de admirar, com essa data, que me tocasse ser seu Presidente ...

11/,1
Pôrto Alegre a 8ede da Ordem, cuja direção-geral assumi, em vir-
tude de um Tratado com treze cláusulas, assinado pelo meu M.
Cedaior e por mim, em 19 de julho de 1936, pelo qual me tornava
Soberano Delegado-Geral da Ordem, com poderes para reorgani-
zá-la, inteiramente, em condições que ficam ao dispor dos Inicia-
dos, nos arquivos.
Em 15 de fevereiro de 1940, já podia reunir-se em sessão um
Grande Conselho. Em êsse mesmo ano, pUblicações em português
divulgavam: - um Histórico, a Constituição Geral e o Ritual do
Primeiro Grau. - Um templo muito reservado, mas amplo, com
dependências para o Grande Conselho, ficava instalado. Os ri-
tuais de outros graus também foram publicados nesse ano ainda.
O M. Cedaior, que residira anos em São Paulo, foi transferi-
do, com sua nova família, para o mesmo prédio da Ordem, onde
iria morar até falecer. Tudo crescia muito bem, sob a orientação
"à la Papus" e teria seguido em progresso ... se não surgissem os
famosos "mentais", promovendo uma divergência que, ao buscar
evitar se tornasse mais profunda, deu oportunidade de ser visto
quanto o MEl\i PHILIPPE se preocupava por essa Ordem. Con-
tarei a história, pois vale a pena:

H. 3 - O MEU PHILIPPE intervém na minha vida ...


Um pedido do Membro da Ordem e Secretário do Grande Conselho,
"Mauá", para ser criada mais uma Loja, com outra orientação, indicava o
nascimento de uma divergência de opiniões. Isso é "democràticamente" con-
siderado como "bom". Eflregoricamente (trabalho espiritual grupal), é ve-
neno mortal. - Sabedor disso, eu tomei a atitude (que mais tarde iria to-
mar outras vêzes: em Montevidéu e no Monastério): de preferir me retirar,
e deixar "os que dizem que sabem" mostrar o que são capazes de, realmente,
fazer! Assim, declarei, em reunião do Grande Conselho, renunciar aos dois
cargos diretivos que acumulava: o da Autoridade Espiritual: Presidente do
Grande Conselho; p o do Poder Temporal-Administrativo: Soberano Dele-
gado-Geral. Li os meus Decretos, nomeando para o cargo Espiritual ao
Ir. "Solão" e, para o Administrativo ao próprio "reclamante": "Mauá".
- Além disso, cantei certos Mantras do Verbo, estudados em Saint-Yves
d'Alveydre ... e fomos dormir, todos em paz e satisfeitos... Mas, no outro
dia, estando Solão em Meditação, viu, sem lugar a nenhuma dúvida, ao
MEM PHILIPPE (de Quem, na realidade, pouco nos ocupávamos, pois
era seu Braço Martinista PAPUS o nosso Modêlo e Protetor, e bastante
vêzes sentimos essa Direção e Proteção!).
E o MEl\! disse a Solão que "devia ser-me devolvido o cargo de Presi-
dente da Ordem (cargo vitalício, aliás), pois era necessário que eu continuas-
8e nessa função". E desapareceu.
Honestamente, o Ir. Solão, na sua flamante função de Presidente do
Grande Conselho, nos convocou, expôs a visão e a ordem recebidas e, lõ-
gicamente, renunciou ao cargo, para eu reassumi-lo. Em oposição a isso,
o outro negou-se a devolevr o cargo em que fôra empossado na véspera. Daí
resultou, então, uma separação - ainda apenas "interior" - , no sentir dos

148
Membros. E, poucos meses após, na sessão 78.' do Grande Conselho, da-
tada de 13 de novembro de 1941, decidia-se a remoção da Sede da Ordem
para MONTEVIDÉU, onde uma nova etapa da vida Martinista, iria come-
çar sob a minha orientação. Mas, no Sul do Brasil, posteriormente, o Ir.
Mauá fêz questão de continuar dirigindo em forma autônoma a parte que
ficou conhecida como "Ordem Martinista da América do Sul", e que tem,
aliás, Personalidade Jurídica n. 443, registrada em Pôrto Alegre. E, por-
tanto, uma Ordem independente, totalmente, da que, como ORDEM MAR-
TINISTA, iremos ver funcionar com séde -em Montevidéu.
E assim, Carolei, ficou PROVADO que o MEM PHILIPPE tem as
Suas Razões, para querer as cousas ou pessoas num lugar, ou em outro, in-
dependentemente, muitas vêzes, das opiniões, e até das boas intenções, da
nossa limitada visão.
E, para mim, Carolei, foi época DECISIVA, na minha vida, pois, não
só o MEM PHILIPPE PENETROU NA MINHA VIDA - sem que eu
O buscasse diretamente, aliás - como também isso marcou a minha liberação
de tôda atividade "comercial, profissional" ou como se lhe queira chamar.
O resto... é "outra história" ...

...4. Ordem Martinista rw Uruguai - Morte do M. Cedaior. -


Com. 96 - Em fins de 1941, pois, a Ordem Martinista, e eu, trans-
ferimos a nossa Sede para Montevidéu. Muito embora haja mais
tema para o Tratado de Sarva Ioga, do que para êste livro, nessa
transferência, convém dar alguns pormenores para que Você, Caro-
lei, possa usufruir das Lições práticas... - Em setembro de 1941,
após terrível inundação cuja exata altura eu pré-desenhara nos
muros do Templo e nos da "Rua da Praia", chegavam do Uruguai
quatro visitantes, Membros da Ordem. Um dêles, médico italiano,
jovem e cultíssimo, misticamente conhecido como "Pitágoras". Ou-
tro dêles, era uma espécie de "contraparte" minha, isto é: tudo que
tenho em baixo-relêvo, tinha em saliência, e vice-versa. Era psí-
quico ao extremo; didático, nem um pouco. Filho de um nobre ita-
liano, músico e chefe de orquestras, Conde Della R .... - que tra-
balhara para o Serviço Secreto Italiano e casara com uma bela
dama ... do Serviço Secreto francês ... - Dêsse par de misteriosos
artistas, nasceu, em Paris e em 1901, como eu, êsse menino que cres-
ceu entre viagens à Rússia, à Itália, etc. Estudou na França, na
Alemanha. Fêz-se químico (como eu). Casou cedo, na Suíça, e
mais tarde divorciou-se. Residiu nos Estados Unidos, onde traba-
lhou como músico, inclusive a bordo de linhas que 'iam ao Japão
e à india, cumprindo também às vêzes certas missões "confiden-
ciais" . .. Aprendeu a negociar com pedras.
Mais tarde, em viagens por diferentes países do Oriente, in-
teressou-se pelo aspecto mais técnico que transcendental (aí come-
ça a "contraparte", Carolei). Por meio de iniciações budistas, che-
gou ao contacto com misteriosos Membros dos T(jntricos budistas.
Sofreu, até, operações no corpo, para facilitar certos desenvolvi-
mentos. Deixou a vida sexual normal, mas cultivou certos métodos,

149
com os qpais alguns Tântricos - da mão esquerda - conservam-
-se jovens, absorvendo vitalidade dos ou das, que a êles se ligam.
Nesse terreno, embora não tivesse acontecido com a pessoa a que
me refiro, é fácil cair na depravação sexual, como aconteceu a
certo discípulo nosso, que entendeu mal os métodos do Tântrico
citado. . . Viu, Carolei, como "discernir" é necessário, se não se
segue uma via sem magismos, nem fenômenismos, buscados prema-
tura e pretensiosamente ! ...
Mas, per guntará Você, Carolei, e as Lojas Martinistas, do Bra-
sil, ou a que em Montevidéu fundou-se como Centro para o Con-
tinente, que faziam, afinal ? - Em resumo, isto : cada Iniciador
tinha a obrigação de ajudar a seus Discípulos a estudarem os
"Programas de cada grau" (N. 88).
Nas cerimônias coletivas, semanais, as reuniões tinham cará-
ter múltiplo: além da parte ritualístico-mística, que alimenta a
alma psíquica e o Egrégoro; faziam-se experiências magnéticas,
outras de percepções metapsíquicas, etc. E, sem dúvida, a parte
mais essencial e útil, eram as longas cadeias de união, para a prece
mágico-mística pela qual obtinham-se curas, numerosas, tanto de
doentes físicos como de transviados morais e, às vêzes, de certos
problemas coletivos... Não há razões para crer que tal orienta-
ção básica mude no Martinismo, mas sim as há para pensar que os
modos se tornem mais sutis, mais puros, ao ter-se tornado mais evi-
dente, mais divulgada, a influência do MEM PHILIPPE, como se
verá quando eu falar de PAPUS e de seu Filho, atual Grã-mestre
dessa Venerável Ordem.
Assim, em 14 de dezembro de 1941, despedia-me de meu Pai e
Mestre CEDAIOR, na estação de Pôrto Alegre. 1!:le insistia em
que nos tornaríamos a ver "neste plano". Quase ninguém, Caro-

N. 88 - Em 1939-40, o programa de ESTUDOS, obrigatórios, incluía,


como nos tempos de P APU S: e por graus, com exa mes severos: Estudo da
Maçonaria simbólica, desde os três graus básicos até os superiores e a cons-
tituição de um Rito. Alfabeto hebraico, Kabbala e aplicações. Tarot. -
Astrologia, desde os elementos até o cálculo de efemérides astronômicas. -
Estudo de tôdas as Raças e Tradições . Uso de Símbo los, Pantaclos, etc. -
Fisiognomonia. - Obras de Saint-M art-in. O Cristo e os Evangelhos, etc .. .
e as partes práticas: do magnetismo até a Theurgia.. . - Posteriormente,
EM MONTEVIDÉU, foi editado um livro de 157 páginas (ainda disponível),
contendo Programas de Estudo, muito mais amplos, com Bibliografia do
Oriente e Ocidente j Rituais e mais assuntos que definiam bem a posição e
diferenças entre Maçonaria e Martinismo, etc. Tal livro, embora não mais
em vigência, é material muito útil de ser estudado, como Histó.-ia e como
jonte de compreensão da evolução dos métodos, à medida que as Ordens
mudam em adaptação, de acôrdo com o andar da vida coletiva geral. -
O ATUAL Martinismo, PAPUSIANO e DIRETAMENTE RELACIONADO
COM O MEM PHILIPPE, tem orientação mais singela, mais mística, in-
dispensável EM FUNÇÃO DOS TEMPOS QUE CHEGAM ...

150
lei, vê claro cem por cento, quando é parte interessada. Isso é
tema de meditação, e também é gabarito, índice e medida... -
Seja como fôr, eu tinha insistido em almoçar a sós com meu Mes-
tre, tínhamos passado o dia juntos, na véspera da viagem, e tudo
ficara acertado entre Pai e filho, como entre Mestre e sucessor,
pois também insisti em que eu sabia que não mais o veria neste
Plano. o que cumpriu-se. Em 16 de dezembro chegávamos: Luíse
(minha segunda espôsa, pois a pr imeira falecera ), minha filha e
eu a Montevidéu. A segunda etapa iniciática minha ia começar,
como veremos adiante.
Em 22 de janeiro de 1943, o M. CEDAIOR falecia em Pôrto
Alegre. O seu tema natal "morrerás só e abandonado, longe dos
teus", cumpria-se, pois, não obstante o carinho de sua segunda es-
pôsa e dos filhos dêsse matrimônio, bem como de certos de seus
Discípulos, como Solão, Paracelso, e do Dr. Rodolfo Foerthmann
- do Rito Schroeder -, êle ficou "largado" nos corredores da
Santa Casa, logo, transportado pela delicadeza do Dr. Antônio Pe-
reira Júnior, à Casa de Saúde do mesmo, onde - por curioso con-
junto de circunstâncias - expirou sem nenhum dos seus junto a
êle. - Que bela morte, sossegada e tranqüila!
E, Você queira relevar, Carolei, se sou um pouco extenso sô-
bre o Mestre CEDAIOR. Mas, em primeiro lugar, se não o faço,
eu que sou o filho e o sucessor, quem o fará, da triste tropa dos
medíocres e indiferentes que por aí vejo?. . Outrossim, não de-
veríamos esquecer que, se há um pequeno grupo de martinistas
esparços aí; se o próprio Papus é agora conhecido aqui sem ser
pelo Tratado de Magia (que mania há com isso! .. . ), e se, final-
mente, Você e outros estão dispondo de quanta obra traduzi ou
mandei traduzir, e de tudo o que a Ordem Martinista, a A.M.O.,
etc. fiz~rani e fazem, neste país e neste Continente, tudo isso se
dev e ao Mestre CEDAIOR, que nos trouxe a dupla transmissão :
Oriente e Ocidente, e seu exemplo de perseverante sacrifício!
Será então suave a seu coração, Carolei, lembrar alguns as-
pectos do meu Mestre, que também pode ser o seu, ou seja : um dos
caminhos que levam ao MEM PHILIP PE . . .
M. Cedaior tinha tipo celto-Iatino. Esbelto, de cútis tão al-
va como só os Jupiterianos a têm, cabelos castanhos, olhos côr de
avelã, que às vêzes tomavam nuances cinzento-azuladas . . . - Como
todos os nascidos com Ascendente Sagitário e bom tema, gostava das
cousas singelas, um pouco primitivo até. Amava a Natureza em
forma ilimitada. Adorava o Egito como a Índia, e a França
como o Brasil. Tinha respeitosa amizade por Papus e Sédir, ado-
ração por M. PHILIPPE, a quem só chamava de Amo, com certa
reserva sorridente .. .

151
Foi, para mim, tôda sua vida o maior, o melhor, para não di-
zer o único Amigo, embora fôssemos tão diferentes. Era um Ar-
tista e um precursor. Tinha o futuro sempre presente. Eu sou
ainda da velha raça e apoio, no passado, um presente que para
mim é tudo. O 1\1. Cedaior tinha predileção por música sacra,
grave. De Nardini a Bef!thoven; de Bach a Mozart. Suas compo-
sições pessoais são essencialmente bucólicas de forma, angélicas ou
elegíacas de sentir.
Amava muito as flÔres. Lembro ainda os longos passeios, na
França e mais tarde, nos quais êle colhia o "Églantier" (N. 89),
cujas quatro singelas pétalas de Rosa Silvestre, com o dourado
centro de geração, o encantavam. Eu procurei gravar isso num
símbolo, que pode ser achado nas "Orações" que escrevi para o Mo-
nastério e que, muito embora nunca se conseguisse fôssem lá
vividas - e só recitadas, não resolve, Carolei - seguem sendo
a lição sem a qual ninguém dará um passo, para a frente, no Ca-
minho Essênio que leya ao MEM e a JESUS. Convém, pois, dei-
xar as ilusões, e buscar o que contém essa Flor de quatro pétalas.
Dessas "Orações" (pág. 17) transcrevo estas poucas linhas:

"Apresentamos, ao querido Mestre CEDAIOR,


O nosso propósito de fazer tôdas as cousas,
Dêste dia, em forma CONSTRUTIVA,
COORDENADA, CORDIAL e CONCENTRADA,
Com a Transparência no centro de tudo
.............................. (N. 90) ...... '.

E, Carolei, já que a finalidade de todo Mestre, é "DAR", va-


mos terminar estas páginas - dedicadas ao M. CEDAIOR - com
uns brindes místicos, de Yiyencia:s às quais estéve presente, e nas
quais influiu.

N. 89 - Églantier: Cinorrodon (Rosa-de-cão) - ("Cynorrhodon Rosa-


cea''''), ou: Hagebutten (alemão) - Hips (inglês). Da fruta: escaramuj08
ou cinosbatos (Frutus cynosbati) faz-se doce que tem virtudes astrais fa-
voráveis . ..
N. 90 - Embora a tônica do Monastério nunca tenha logrado, nem
agora, realizar, como já disse, a vida coletiva dessa "PRECE DO LABOR
EGREGORICO", essa e outTas das Oraçõe8 dêsse Manual de Preces Comen-
tadas é Mil, inclllsive para as crianças, já que contém preces infantis. -
Pam MARTINISTAS, os qua tro "C'~ pode1'iarn também ser: Certo, Claro,
Conciso, Completo, "não acha", Carolei?.. E, para outros: "Cntx Christi
C01'ona Christianontm", que usei desde 1622.

152
H . .4 - Duas experiências na Loja Hermanubis

1. - Tínhamos recebido telegrama do l\fartinista "Platão n. 30", de


J'oinville, pedindo socorro para seu filho môço (que não conhecíamos), gra-
vemente doente. A martinista "Hypathia n. 58", sentada em poltrona, no
centro do Pantaclo ... , foi magnetizada por mim. O M. Cedaior e outros
Membros da Loja, formavam em volta protetor Círculo . . . - Desdobrei a
sensitiva sujet magnética, mandei-a a J'oinville e o meu pensame1~to a guiou
até a residência de Platão, minha conhecida. A desdobrada, a quem ordenei
poder contar o que seu corpo astral ia visitando, nos disse que a casa esta-
va escura e fechada. Mandei, então que, pela imagem que, de Platão minha
mente plasmou, ela o procurasse pela cidade tôda. Pouco após, localizou-o:
numa casa de saúde, descreveu o terno, camisa, listada, a espôsa chorando,
o rapaz agonizante no leito, etc .. . Oramos - após trazer Hypathia de
volta - pelo fácil trânsito do moribundo. Novo telegrama confirmou a
morte e carta posterior confirmou todos os pormenores relacionados com
roupas e luga res visitados pelo sujet magnetizado e desdobrado pelos ini-
ciados ...
2. - Sentado no centro do Pantaclo, "Solão" (médico, professor uni-
versitário, vidente, e grande coração). Em tôrno, só três S.!.: o M. Cedaior,
sua espôsa Lorelair, eu. Experiência; invocar certos Mestres do Oriente,
com os quais Solão pusera-se em relação através de "Dharma" (organização
muito boa que "Rama-Schaim", oficial da Marinha, dirigiu certo tempo no
Rio). Depois de certas preparações, Solão é desdobrado, conscientemente,
sem transes de tipo mediúnico, e visita certos lugares do astral, recebendo
conhecimentos úteis. Após seu retôrno ao estado de vigília comum, compa-
ramos as percepções: o M. Cedaior viu aos três Mestres Orientais que diri-
giram a "saída astral" de Solão, e os descreve apenas em linhas gerais, pois
êle nunca era prolixo. Lorelair nada viu, mas sentiu as vibrações e intuiu
os aspectos astrológicos (sua especialidade, aliás) e as condições mais "optima"
para tais experiências. Eu, nada "vi" - no sentido que os videntes dão ao
têrmo. Mas, descrevi minuciosamente o físico, roupas, g(!stos, intenções,
côres de raios emitidos pelos olhos e mantras usados, pelos ditos Mestres, es-
pecialmente pelo Chefe dos três. Isso, é o que chamamos o uso dos sentidos
"íntimos",
3. - Esta, Carolei, é mais recente: passou-se numa Cela do Monastério
AMO-PAX, antes de partirmos de lá. Tal Cela era ocupada por fsis e um
dos cantos da mesma tem um Pilar no qual, desde a fundação do Monasté-
rio, até ... quando o MEM quiser, estêve depositado o Oentro eté1'ico no pla-
no físico. Os "TR~S", a que o texto da vidente se refere, são alguns dos
"ENOAPUÇADOS" - com certas características Martinistas, que os tornam
identificáveis como tais, e qu e nenhum ser do astral inferior pode imitar ou
usurpa r porque O QUEIMARIAM.. . Eu tenho as minhas razões para
pensar que um dos Três era o M. Cedaior. Você, Carolei, pode "achar" o
que quiser. É,. também interessante fazer constar, Carolei, que no dia do
MEM PHILIPPE, ou seja, 25 de abril dêsse mesmo ano de 1957, eu re-
cebera DÉLE, como consta da minha nota de Meditação (nos Arquivos con-
servados), êste aviso, em francês: "ISIS DOIT PARTIR D'ICI", ou seja:
"fsis deve retirar-se daqui". E, muito embora eu tivesse dado quase ttm ano
mais de tolerância ao caso, nem deixou de se cumprir e nem deixaram os
Encapuçados Superiores Incógnitos de vir, 10 dias após o aviso, preparar a
substituição dos Etéricos Individuais no Etérico Egregórico, cousa que Você
compreenderá mais plenamente quando chegarmos ao tema "EGRÉGOROS",

153
mas que eu tinha o dever de esclarecer u m pouco, para tornar mais útil e
inteligível a not ável vivência de Monja Sarah.
O desenho e texto, que seguem, são dela mesma, e devidamente ar-
quivado~ ...
"Ashram, cela, 5-5-1957: Um pouco mais das 21 horas - eu estava
orando a braçada, como sempre, à pequena cruz de madei ra.
Depois permaneci quieta. procurando ouvir a lguma voz que viesse do
mais prof undo do meu ser.
Concentrei-me no coração. Na junção dos braços da Cruz, surgiu em
linhas brilha ntes o símbolo martinista, que se ligou ao coração - fazen-

~~;~,-'''!I'''
~

V. 4 - O uso dos Símbolos e seus efeitos, numa cerimônia d e mudança


de fatôres egregóricos.

do-me vê-lo dilatado. As artéri as muito aumentadas e gôtas como de chum-


bo derretido - passavam pausadamente nelas. - N isto os "Três" aparece-
ram de súbito à porta da cela. P rojetara m sôbre a pequena mesa forrada
de azul celeste, um círio a ceso, justamente abaixo do Quadro dos Mestres.
O meu etérico se pôs a orar, ajoelhado, diante dêste altar improvisado.
Com a espada traçaram às costas do etérico o mesmo símbolo da Cruz -
isto é, os 2 triângulos entrela ça dos e o círculo, nesta forma: triângulo as-
cendente do coroná rio às extremidades dos cotovelos. Triângulo descen-
dente, dos ombros ao cóccix. Isto produziu no físico uma dor profunda
e dolorosa no alto e dentro da cabeça que desceu pela coluna vertebral es-
coando pelos orificios inferiores do tronco, cuja região ficou por algum tem-
po dolorida.
Quanto ao trabalho no cardiaco, produziu no físico uma dor nervosa
e móvel, superficia l. no lado esquerdo da cabeça, junto à nuca.

154
Vi depois que o meu etérico (x) ia tomando a forma de uma pedra
retangular, que passou a se enquadrar na base de uma coluna. Adormeci .. .
e não sei quando me retiraram. Notei apenas que os olhos dos "Três" eram
muito inquietos e perscrutadores. É só. Sarah."

o Muito Excelso Mestre e AS PERSEGUIÇõES. - Com. 97 -


E a vida do MEM continuava a se desenyolver, sempre de acôrdo
com o que lhe fôra dito quando da "Encarnação do Eleito": lem-
bra, Carolei?:
" ... Todos os corações dos ancestrais emitiram, nesse rrwmento,
suplicantes desejos e, contudo, o espírito do Sacrificado disse:
"Pedirei a Deus para me dar fôrças para amá-lo sempre e supor-
tarei o escárnio dos homens!" - Então, a voz do Ser alado con-
tinuou: "Ainda não é tudo; as criaturas do Destino, os maus te
arrastarão perante os tribuais dos homens, e lá, teu inimigo se er-
guerá e te dirá: "Diz a origem dos teus poderes, mostra a teus
juízes quem és; .. . se recusas, é a condenação humilhante e sem
recursos .. . "
o resto dessa tão admirável posição do Eleito, já vimos, a
pág. 53 do IVo!. - Agora, iremos ver como se cumpriu e quais as
conseqüências. Com relação às diyersas condenações - inicial-
mente sofridas pelo MEM, embora mais tarde apagadas da sua
fôlha-corrida, conforme Papus noticiou - achei, além do que fica-
ra dito a págs. 42 e 43 do IVo!., wna documentação que conside-
ro muito importante, pelos motivos que se verão a seguir. Tra-
ta-se de duas notícias, pUblicadas em "L'INITIATION" de fins
de 1893, a págs. 183 a 187, e que resumirei como segue: a primeira
notícia refere-se a um "Congresso do Livre Exercíaio da Medicina",
organizado pela "Liga Nacional pelo Livre Exercício da Medicina
na França", incluindo dito Congresso, em seus cinco dias de àura-
ção, tanto sessões do mesmo, como visitas à Escola Prática de
Magnetismo, em seus setores de clínica - pela manhã - e de
teoria - à noite. O Comitê do citado Congresso incluía, entre seus
cinco Membros, a um Abade, um Médico, o magnetizador Durville
e outros.
P APUS, embora tendo ajUdado a organizar tudo, demitiu-se
antes de instalar-se o Congresso, por excesso de tarefas... mas não
deixou de colaborar mais elevadamente, pois que, no mesmo núme-
ro de sua Revista, e bem em seguida à notícia do Congresso, publi-
ca o artigo "Exercício ilegal da medicina - Sugestão mental -
Contravenção" que inicia com êste comentário grifado: "A lei do
19 ventôse (mês reyolucionário) do ano XI, teve por objeto prote-
ger de modo geral a saúde pública, contra as emprêsas dos charla-
tães e dos empíricos, etc... resulta do espírito e do texto dpssa
lei, que ela é absoluta e indeterminada no seu alcance, devendo

155
aplicar-se a todos que atraem a si os doentes, fazendo-lhes conce-
ber esperança de cura, sejam quais forem os procedimentos cura-
tivos pretendidos, mesmo que só tivessem por efeito, agir sôbre a
imaginação dos doentes" ...
E assim julga e dá sentença, como segue, a Côrte Correcional
de Lyon, em 4 de abril de 1892:
"Considerando que P .... , sem estar munido do diploma de
médico ou de oficial de saúde, tem atraído, desde diversos anos,
grande quantidade de doentes, que tratou pelas práticas do magne-
tismo, como foi constatado, em 1887, por juízo do Tribunal Cor-
recional de Lyon, etc ... que o condenou ... e por um segundo jul-
gamento com data de 21 de maio de 1890 ... condenando-o a 46
multas, etc ... - Considerando que ficou provado pelos autos que,
após sua última condenação e apesar dos avisos reiterados da jus-
tiça, P...... continuou a receber em sua casa a certo número de
pessoas, sofrendo doenças diversas que êle tratou, por procedimen-
tos análogos aos precedentemente usados ... que a Sra. C. declarou
que P ...... (ao qual recorreu 25 vêzes ... ) teria impressionado muito
a imaginação dela, falando-Ihe do além e das almas dos mortos ...
que, por outra parte, a mulher G. declara ter feito, no ano de 1891,
cinco visitas a P ...... ; que certo número de pessoas achavam-se
reunidas na mesma sala; que P...... entrava, pronunciando pala-
vras misteriosas como se estivesse evocando - diz ela - algum es-
pírito; que êle passava diante de cada pessoa, olhava-a fixamente,
perguntava pelo tipo da doença e acrescentava "Isso melhorará ... ",
que, em cl;lda visita a mulher G. pagou 2 francos, etc .. . - Consi-
derando, ainda, que ficou provado, pelos autos e notadamente pelas
próprias declarações de P ...... e do seu associado o Doutor S ...... ,
que o contraventor pretendia agir sôbre os doentes pela. influên-
cia do magnetismo. .. e que o Médico do Tribunal declara que é pos-
sível agir mesmo sem passes, só pelo olhar ou pela sugestão men-
tal. .. etc ... condena-o a 29 multas de 15 francos cada uma, bem
como às custas, etc."
Temos diferentes assuntos a considerar, agora, Carolei: - O
primeiro dêles, a forma em que as pessoas sem cultura iam, sem
querê-lo, prejudicando ao MEM, ao não perceberem o fundo do
Seu ensinamento, que viam através das superstições, apenas. O
outro, nos traz a revelação de que o MEM, ao entrar para as ses-
sões, continuava orando, murmurando as preces - quem sabe em
q.ue forma ORA V A 'ELE, e que Nomes Divinos pronunciaria, e,
em que idiomas, para não serem profanados pelo vulgo ... - O
terceiro ponto que devo comentar é êste: que necessidade tem o
MEM, que tudo sabe e tudo vê, de indagar qual o tipo da doença?
...:...- Explico: o doente é quem necessita fazer-se consciente, de di-

156
ferentes causas: do mal que sofre, da franqueza ou transparência
para com quem irá ajudá-lo ou curá-lo.
Como quarto aspecto, temos o ensinamento que segue, prove-
niente de L. B., pág. 29, existente na 4.' e 5.' edições:
E. 456 - Em 1887, 1890 e 1892 rw tadamente, fo i condenado por
exercício ilegal da medicina. Eis uma carta que escreveu a alguém
que evident emente quer ia v ir em socorro dêle:
"Venho vos agr adecer pelas vossas boas intenções a meu r es-
peito. N unca solicitei pessoalmente n enhum t estemunho em meu
favor, algumas pessoas apresentaram-se para testemunhar a ver-
dade; riram; muitas dessas pessoas foram certamente ridiculariza-
das, porém dia virá, e êste dia está bem próximo, em que Deus as
recompensará.
"O que faço, tornaria a fazê-lo ainda, pois eu nunca fiz o mal;
fui inculpado, é bem verdade, fu i muito insultado, mas tenho a
grande satisfação de haver sempre devolvido o bem pelo mal. Se
o Tribunal m e condena, o Tribunal Celeste me absolverá, pois êle
deu-me u ma m issão a cumprir que o poder humano não pode cum-
prir por mim e n em pode impedír que cumpra os m eus deveres.
A hora soou e deu o sinal das minhas provas; serei firme · e não
cederei uma polegada do território confiado pelo meu Pai."
Com. 98 - A posi~ão do MESTRE, no tribunal e na carta aci-
ma, é bem a do Eleito! E, debaixo da sua humildade e silêncio,
como transparece a Sua Grandeza: "missão a cumprir que o poder
humano, etc." e o "território confiado pelo meu Pai". Quão cegos
são, Carolei, os que, ante cousas como estas da própria mão do MEM,
não O reconhecem! ... Isso, sem falar dos ensinamentos morais,
bem claros, no texto citado. E, sôbre a "transparência" dos doen-
tes, veja a N. 91. ..
E, chegamos ao ponto que desejava, como mais uma contribui-
ção aos "mistérios" em tôrno do M. PHILIPPE. Irei, assim, ex-
por uma teoria minha, sôbre um fato que acho raro. Poderei es-

N. 91 - A tal respeito poderia citar 1t1n caso, não excepcional infeliz-


mente, mas bem típico. Em Buenos Aires, há disto uns 14 anos, a nora de
um Discípulo nosso, ficou gravemente doente. Deram-na por perdida. Nem
assim, e nem a mim, a quem pediam ajuda, confessavam a doença, que era
uma simples tuberculose, de origem sifilítico-hereditária, tm'a que tôda a
família levava escrita, para quem sabe certas cousas, como certo v éu nos
olhos qlte tenho descoberto como típico dessa tara. - A môça ia melhorando.
pelos cuidados magnéticos de um D isc'í pulo, apoiados à distância por cadeias
de preces. Mas... certas falhas morais no ambiente, certas posições mentais
que não foi possível remover, provocaram, tempo após, ltma recaída. A
môça morreu. Nem assim diziam a verdade, o que provocou que outros mem-
bros se contagiassem, etc... - Mas, todo mundo é muito "cl'Ístão" e vive
repetindo "A Verdade vos libertará ... "

157
tar errado, mas se para o demonstrar, tiver que vir à tona mais
uma parcela da verdade, todos lucraremos com isso. O caso é,
Carolei, que todos os textos que tratam de Discípulos do MEM
sempre velam, cuidadosamente, a época exata, em que cada um
dêles conheceu ao MEM PHILIPPE. Eu, para não perder o há-
bito, meditei nisso. E, concluí não ser apenas, de interêsse histó-
rico procurarmos as razões de tanto mistério, que creio podermos
situar em três tipos eventuais, para fins de exame.
1.9 - Durante a vida física do MEM poderia ter havido uma
razão de simples sigilo, já que :Jl:le mesmo o exigia sôbre a Sua
Pessoa e Sua residência. Então, era plausível que "Fulano", indo
a Lyon para O conhecer ou visitar, ocultasse posteriormente a data
do encontro, para evitar que - pela data - averiguassem onde
tinha estado e localizassem ao MEM. - Mas, se assim tivesse por-
ventura sido, tal mistério deveria ter ficado inexistente agora, o
que se não verifica.
2. 9 - Poderia haver, ou ter havido, uma razão kabalística, por
assim dizer, já que os Ensinamentos Dêle, incluíam ser muito re-
veladoras, as datas dos acontecimentos importantes das vidas indi-
viduais. Certo, porém, tratando-se de l1wrtos, que já viveram e fi-
zeram o que puderam, nada mais deveria haver para ocultar: pelO
contrário, seria interessantíssimo, a meu ver, que alguém faça um
dia - eu não tenho tempo, agora - um estudo em tal sentido, sô-
bre todos que entraram em contacto com o MEl\'[, com resultados
ponderá veis ...
3. 9 - E... por falar em "resultados"... não estará aí a cha-
ve do mistério? Em muitos textos, vejo dizer que fulano ou sicra-
no, tendo entrado em contacto com o MEM, "em data que sabemos
por êle mesmo - o fulano - mas que ocultaremos"(???), fêz então
rápida evolução, etc ...
Calma no Brasil! acho que aí está o xis do problema. Pois,
pelo contrário, embora TODOS aquêles que estiveram em contacto
mais ou menos longo com o MEM tenham, de fato e logicamente,
feito progressos espirituais muito notáveis, há precisamente, a meu
ver, um fator que, por um lado parece estranho, mas que por ou-
tro é profundamente alentador. É, justamente, a lentidão com a
qual, todos aquêles que estiveram, mesmo na intimidade do MEM,
deixaram de ser como eram, e o que eram, em modos, em manias,
em atos, em desejos e até em certas atitudes - pelo menos apa-
rentemente - contraditórias com o Seu Ensinamento.
Isto dito, poderei então me contentar com apontar, sem tor-
nar a comentar amplamente o que acabei de expor, o tempo que
cada um dos Discípulos levou, para chegar ao misticisnw puro, à
entrega real, e tudo quanto sofreram para lá chegarem! - E,

158
agora, vamos à primeira investigação de épocas, procurando a
"nunca publicada" do encontro de P APUS com o MEM, encontro
que, de qualquer maneira, situa-se muito depois do caso relatado a
respeito do menino CEDAIOR, que por isso ficou "biografado" an-
tes de Papus, e por nem uma outra razão; assim como PAPUS
vem, agora, ocupar neste livro o seu lugar, antes dos que, como
mostrarei, creio terem conhecido posteriormente ao M. PHILIPPE.
Aliás, o fato de não haver, na revista de Papus: L'INITIATION
a menor alusão, mesmo que velada, a PHILIPPE, antes da publi-
cação da sentença que resumi, parece provar que, com o seu enor-
me coração, o que teria atraído a P APUS a investigar o que, real-
mente, havia de certo ou não sôbre O Curador de Lyon, teria sido
o espírito de defender a Verdade, a Bondade, e o Direito de Curar
com os Dons do Céu. Aliás, a Vida de Papus está ainda, não obs-
tante as biografias abundantes a seu respeito, com "lacunas" que
- pelo menos eu - creio seria agradável ver preenchidas. Pas-
semos, pois, a nos aproximar dêle!
O Muito Excelso Mestre e PAPUS. - Com. 99 - Quando, em
1956, tive o prazer de abraçar pessoalmente ao Filho de P APUS -
o Dr. Philippe ENCAUSSE - lembro ter-lhe dito, na nossa pri-
meira entrevista, na terça-feira 18 de setembro de 1956, no San-
tuário de seu Pai, que - evidentemente - eu não pretenderia que-
rer a PAPUS mais do que êle, Filho e Sucessor, o amava! Porém,
Carolei, também lhe disse, que a minha convicção era: que ainda
não se conhece bem, e não se reconhece o que Papus, realmente,
foi e fêz.
Não tenho, nesta obra, lugar para uma biografia, que aliás
seu filho já fêz (N. 92) duas vêzes, sem contar as inúmeras obras
que falam do "Balzac do Ocultismo"!
Um rápido resumo da vertiginosa· carreira de Papus, poderia
ser intentado assim: te'·e a merecida sorte de nascer filho de uma
gitana espanhola, e de um químico franc'ês, bastante livre de es-
pírito para contrair tal união. Gênio e dons gitanos, espanhóis
e franceses, estavam pois no sangue dêsse menino, .ao nascer (1865).
Em 1869, seus pais o trazem para Paris, seu centro definitivo de
ação. Aos 12 anos (1877) já tem bom certificado de estudos; aos
16 (1881) o de gramática e - cousa possível naquela época -
sem o bacharelato em ciências, já começa em 1882 - aos 17 anos
- os estudos médicos. Em fins dêsse ano, é iniciado Superior
Incógnito por Delaage, fato notabilíssimo, nessa idade! Que vi-

N. 92 - .A primeira biografia é "PAPUS, sa vi e, son oeuvre", cujas


6u páginas são notàvelmente bem organizadas. .A segunda, volumosa e
abrangendo numerosos temas, ·correlatos e de elevadíssimo interêsse, é "SCIEN-
CES OCCULTES", grosso vol,tme cujas 546 páginas mlnca poderiam reco-
mendar-se bastante, aos q1te desejam infonnação sé,·ia.

159
dência ou percepção gnóstica. devia ter Delaage para escolher tal
sucessor! - Aos 19 anos. escreve suas "ilipóteses" (1884). - Em
1885. por ser o único ano no qual não consegui achar nenhuma ati-
vidade dêle na Europa. é quando deve situar-se a sua viagem à
índia. que se acha citada duas vêzes: no Prefácio que Oharles de
Brahy escreveu - com documentação provida pelo filho de Papus
- para a 6.' edição do "ABC ilustrado de Ocultismo". e. novamen-
te. a pág. 38 da primeira Biografia escrita pelo própr io filho. que
comenta que "a sua crença no poder das fôrças do astral f icou as-
sim fortificada". Nesse mesmo ano. creio. deve situar-se seu con-
tacto com a misteriosa "H.B.L." da qual j á falei. e com seu pri-
meiro "Mestre" prático.
As poucas referências sôbre tal mestre. eram as de ser um
Mago. de nome Peter DA VIDSON. que Papus qualificava de "um
dos mais sábios entre os Adeptos ocidentais" e que o lançou no labor
das sociedades secretas de ação social (N. 93); falei disso em "Yo
que .. .... também. - Em 1886 situa-se o curioso fato da carta que
Papus escreveu a E liphas LEVI. falecido muitos anos antes. Ora.
como Lévi era amigo e protetor. tanto de Desbarolles. como do
próprio Delaage. o iniciador de Papus. temos aí uma prova mais
do contacto sumamente breve, que houve entre Papus e seu Ini-
ciador. . .• e com isso s6, P APUS dedicou depois sua vida princi-
palmente ao Martinismo. - Dá para ficar pensando nos discípu-
los que dispõem de um Mestre durante anos ... e nunca se deci-
dem a entregar-se a nada impessoal!
Em outubro de 1887. Papus merece mais um Mestre: o Mar-
quês de Saint-Yves d·Alveydre. a quem êle chamaria mais tarde :
seu Mestre intelectual. Efetivamente, Saint-Yves deu a Papus a
OHAVE DAS SíNTESES (ver Y o que . .. , pág. 269 e seguintes),
não só das Tradições religiosas e iniciáticas, como do andar das
civilizações e das mudanças sociais, resumidas na "M'issão dos Ju-
deus" e nos seus trabalhos sôbre a Sinarquia (N. 94). - Não gosta-
ria. aliás. j á que não cabe nesta obra maior estudo sôbre o M. de

N. 93 - Sôbre Peter DAVIDSON: há breves referências a págs. 135


e 136 de "Sciences Occultes~·. com relação à Hermetic B"othm'hood of Luxor".
reproduzidas e comentadas por mim. a pág. 225 de "Yo que camine por el
Mundo . .. " - Na coleção antiga de "L'INITIATION" aparecem duas refe-
rências, uma delas simplesmente fala. veladamente, de "Peto Davidson", e.
outra, a pág. 84 do Vol. 17, refere-se ,com poucos pormenores, à pub licação
da obra de P. Davidson, ou seja "THE BOOK OF LIGHT AND LIFE",
editado simultâneamente em Londsville (U.S.A.) - onde estaria o autor na
época - .e em Glasgow. por Goodwin, isso, em 1892.
N . 94 - "Sinarquia". ou seja: Govêrno de To-dos. porém em Funções
Sociais (em lugar de "classes" em competição econômica) distribuídas de
acôrdo com o esquema universal, chamado por St.-Yves "Critério de Certeza",

160
Saint-Yves d'Alveydre, que tampouco constam diretos laços entre
êle e o MEM PHILIPPE, deixar de assinalar que, se não houves-
se outras razões, bastariam o seu amor pelo Cristo, os' seus esfor-
ços pela realização de um Reino Social do Cristo, por convencer
aos outros Soberanos (já que êle considerava-se, com tôda razão,
como um Soberano Moral e Espiritual) a fazerem obra de paz e
de soerguimento moral, e, a sua Mathcse Cristã, ou seja, um esque-
ma do Universo com base no rer bo Cristico e, finalmente, suas
Missões junto às diferentes Côrtes da Europa (e graças a êle Pa-
pus, como sabemos, penetrou mais fàcilmente na da Rússia) , o
classificam, sem dúvida alguma, como uma das "Aguias da Via
Mental", expressão que já usei no "Yo que .. . " e sôbre a qual vol-
tarei no capítulo "As Duas Vias".
Em 1890, Papus já estava distinguido com condecorações pelas
suas obras publicadas. - Oficial de Saúde em 1891 e Médico em
1894, casou-se em 23 de fevereiro de 1895 com a jovem viúva Ma-
thilde Inard d'Argence, viúva Thériet, que, como veremos, foi uma
das pessoas que o levaram até o MEM, por assim dizer, já que os
laços entre essas duas almas não devem ser "de agora". .. - Em
1891 já publicara o seu, justamente célebre, Tratado Metódico de'
Ciência Oculta (N. 95). Em 1896, já fundara a notável "União
Idealista Universal", agrupando mais de 30.000 intelectuais, e que,
com o título curioso de "Rendeiro", ou seja: aquêle que só cuida
da fazenda para o Dono, êle movia com entusiasmo e vigor, con-
tra o materialismo crescente .. .

e do qual o Arqueômetro é a Chave viva, de aferição e adaptação. E, para


que Você, Caro lei, não pense que êsse assunto de SINARQUIA é fantasia
antiquada, direi que, de março a maio de 1956, o "JORNAL MUNICIPAL"
de São Paulo publicou uma notável série de at·tigos, de autoria do Eng.
Plínio A . BRANCO, então Diretor do Departamento de Serviços Municipais
e Membro do Conselho de Energia do Estado de SÃO PAULO, artigos que
detalhavam a TESE apresentada por êsse culto Engenheiro, ao I Congresso
IBERO-AMERICANO, no qual êle integrou a representação oficial ao cita-
do Congresso . E , sua Tese tinha por base e título : "O MUNIC1PIO NA
ORGANIZAÇÃO SINARQUICA DO ESTADO".
Convém, por outra parte, assinalar que, contràriamente aos trabalhos
do Eng. Plínio Branco, que estão bem dentro do conceito de Saint-Yves,
houve, tanto no México como na pr6pri a França, movimentos subversivos que
&e disfarçaram com a denominação de "sinárquicos". Os estudantes sérios
poderão ser informados com mais pormenores, se a sua especialização o per-
mitir.
N. 95 - De cujo Tratado Met6dico, fizemos em Montevidéu uma notável
tradução, devida ao labor de "Pitágoras", o médico do qual já falei, e cuja
tradução foi depositada sem a minha anuência, por terceiras pessoas, numa
Editôra de Buenos Aires, com a qual entraremos em contacto, opor·tunamente,
a respeito. Aliás, eu predissera que tal tradução não seria bem sucedida,
porque tinham acrescentado notas querendo "melhorar" a Papus . .. que não
estava precisando disso.

161
Pela sua atividade múltipla como conferencista, como Missio-
nado na Rússia, e como centro de uma ação nunca antes, nem após,
igualada, para MOVER a todos os ambientes em favor de um ideal,
sem sectarismos nem vaguezas, Papus aparece, até hoje, como
único.
Como iniciador através de obras, basta lembrar que as suas,
perto de 160, incluem pesados tratados, cujas teorias êle mesmo
revisara, ou com a ajuda de seus colaboradores, mediante expe-
riências que iam: da alquimia à magia cerimonial; da homeopatia
ao magnetismo e da kabbala aplicada às ciências sociais até a teurgia
purificadora de corpos e de almas.
No Martinismo, é certamente onde PAPUS insuflou tôdas as
energias que semelhante "Cavalaria Cristã" podia assimilar como
doutrina e tentar aplicar, nos mais diversos campos externos.
Se olharmos agora o seu caminho interior - a passos largos e
distanciados, como marcos principais - através de certos fenôme-
nos reveladores, compreenderemos melhor o que significou para
P APUS - e para o :HEM - o encontro com o seu MESTRE ES-
PIRITUAL.
Já, aos 19 anos de idade, Papus tivera em sua vida um episó-
dio que ressaltava seu passado iniciático, e o qual a imposição de
mãos de Delaage, ao iniciá-lo S.l., reavivara em essa alma ardente.
1l:le tivera um desentendimento com outra pessoa, de má índo-
le, que ofendera a honra de Papus. Resolvido a "eliminar o bicho
indigno", o que Papus ainda considerava um direito, senão um de-
ver, êle o esperara, de arma em punho, no já célebre Cabaret du
Chat Noir. Mas, quando o adyersário ia surgir, na noite enluara-
da, sente uma mão pousar no seu ombro. Vira-se, indignado com
a intrusão. Mas fica petrificado: um ser luminoso, diáfano, de
resplandecente beleza, que, de humano só tem a forma, olha-o gra-
ve e suavemente e lhe diz: "Que ias fazer? - Não é a tua missão
cometer tal ato de violência. Não deyes deixar-te levar pelo res-
sentimento. Perdoa a êsse homem." - ")las êle ... " - "Sei, ofen-
deu-te, não é?" - "E como! ... " - H)las Cristo foi coberto pelo
opróbio, e não somente perdoou a seus detratores, mas ainda orou
por êles .. "." Papus baixou a cabeça. Quando a "ergue, aVIsa0
sumira. Mas êle, Papus, tinha reatualizado o que já treinara:
exaltar-se pelos ideais de bondade ...
Com. 100 - Estou lhe ouvindo, Carolei: "Oh! Sevânanda, e
por que não são assim tolhidos, todos os gestos irados e mortífe-
ros? .. " - Pois é, Carolei, bem triste é, serem tão poucos os que
já treinaram antes : um pouco de brio, mas, também, um pouco
de humildade e de vidência. Só, por agora ...
Anos após, provàvelmente em 1895, conheceu ao MEM PHI-
LIPPE - pois Papus fizera já em 1892 e 1893, viagens a Marse-

162
lha e a Lyon, nas quais poderia ter conhecido ao MEM ... mas,
como batera-se em duelo com J ules BOI S, a quem feriu, embora de
leve, em 1893, creio que o MEM PHILIPPE não lhe teria permi-
tido isso. (Posso estar errado, é claro.) Por tal razão penso que
os três fatos que vamos citar agora, serão em favor da opinião
emitida.
1.9) - Diz o Dr. Philippe ENCAUSSE: "A propósito dêsse
providencial encontro entre Papus e 1\1. Philippe, convém apontar
que foi devido mais especialmente a duas pessoas que tinham atraí-
do a sua a tenção sôbre o Mestr e. Em primeiro lugar foi o massa-
gista-magnetizador André ROBERT, falecido em 28 de junho de
1895 (e a cuja viúva o MEM dirigiu, no dia seguinte ao decesso,
esta carta :

"Minha muito querida amiga - Permita-me tomar uma


grande parte da sua dor. - Aquêl e que acaba de partir,
não está longe dos seus amigos. Em verdade v6-lo digo.
Robert está entre 08 bem-aventurados. Robert, pagou além
das suas dívidas. Durante a nolte, de quinta para sexta,
pelas 2 hs. 3/4 da madrugada, foi dada à sua alma a mais
grata satisfação, e êle poderá, dentro de bem pouca,s ho-
ras, pedir para vós, querida amiga minha, e obter, aquilo
que não podia durante sua vida material.
"Mais uma vez, consolação e bênção v os serão dadas.
O vosso Amigo, PHILIPPE".

2") - A segunda pessoa foi, pois, a viuvinha Mathilde, neta


da Condêssa de Waldner de Freundstein (curioso nome da velha
nobreza alemã, que significaria: Habitante (ou Senhor) dos Bos-
ques das Pedras Amigas, isto é: de bosques sagrados dos Drúi-
das ... ). Essa viuvinha, a quem vamos chamar de Mathilde, di-
retamente, para abreviar, tinha permanecido com sua mãe em
l' Arbresle e, tinham conhecido ao MEM PHILIPPE, que predisse-
ra que ela casaria com o Dr. ENCAUSSE (Papus). É claro que,
tendo assistido aos milagres de lá, não deixou de insistir com o
pretendente, mais tarde o noivo, para que fôsse lá . . . ver o MES-
TRE.
E, aí surge a notável história, inédita até ser incluída na 5.'
edição francesa, que nos pinta o Papus mago, brioso, altivo e hu-
milde ao mesmo tempo, isto é: REALISTA, que sempre foi seu
maior dom! Louis Marchand, um dos raros · companheiros de Pa-
pus, ainda vivos, que o conheceu desde 1897, refere isto:
"Gérard Encausse mostrou inicialmente desconfiança para com
o M. Philippe, êsse desconhecido misterioso, do qual a sua noiva

163
lhe falava sem cessar. Saturado de Eliphas Lévi, repleto de con-
ceitos mágicos, dos ritos, das sociedades iniciáticas, das sombrias
intrigas jesuíticas ou extremo-orientais, muito ufano por ser êle
quem mantinha em xeque à Sociedade Teosófica adolescente, havia
um certo temor nêle, de se tornar o subalterno de alguém. Num
sótão de Paris, perto da Estação do Leste, tinha instalado um ga-
binete mágico. Um refletor de segunda mão, servia-lhe de espelho
mágico e um velho sabre de abordagem, era 'Sua espada. Empre-
gava a magia dos Boêmios. Acreditando estar sendo objeto de
sugestões telepáticas, por parte de M. Philippe, tinha resolvido de- ,
fender-se. Dono de vontade forte, tendo já notáveis dons de mag-
netizador, Papus já tinha obtido, em magia, muito notáveis fenô-
menos. 1l:1e se propunha, pois, expulsar ao Incógnito e submetê-
-lo! . .. Traçou seu círculo, queima o perfume, apanha um dêsses
suportes de madeira branca, que se utiliza para manter tábuas,
batiza-o (no estilo boêmio), com os nomes e sobrenome do Mes-
tre "lyonense"... canta a conjuração e empunha do sabre para
quebrar a madeira, e vencer assim a seu pretendido embruxador!
Ora, nessa época, Gérard Encausse, em plena fôrça da idade, era
um verdadeiro atleta. - Levanta o braço, e, antes que o pudesse
baixar, o sabre é-lhe violentamente arrancado da mão por uma
fôrça desconhecida! Tendo compreendido, caiu de joelhos e cho-
rou ... " (N. 96)
Com. 101 - Não é emocionante, Carolei, o Poder do MEM, e a
valentia, a hombridade e, também, a inteligente humildade de
P APUS, o mais real índice de sua grandeza? E, não é bonito, êsse
conquistar de novo a alma que já lhe pertence - duas vêzes: como
Imperador do Mundo, e como um dos que Encarnaram antes ...
- que o MEM faz, vencendo, embora mansamente, ao Mago no
seu próprio terreno?,.. Agora é mais fácil compreender, me pa-
rece, Carolei, porque, se J ean CHAPAS foi a mão do MEl\i, nas
Curas; por sua vez, PAPUS foi o braço. forte, para o labor de se-
mear, de congregar, e para a ação social, visível ou oculta.
E isto nos leva a considerar, agora, alguns aspectos do Mar-
tinismo de P APUS, em suas relações com a doutrina e proteção do
MEM na Europa e neste Continente.

N, 96 - Reproduzido de páginas 6 a 8 da 5." edição francesa, Devo


dizer que o tênno "das" (suas dívidas) ficou ressaltado PELO MEM MESTRE,
marcando assim que Ble tinha "olhado" tôdas as contas de Robert, na Grande
Contabilidade do LIVRO DA VIDA e achara saldo a favor de Robert ...
Não é maravilhoso o carinho e a singeleza com os quais o AMIGO e o
MESTRE dão a conhecer a quem estimam, o que ninguém mais poderia
afirmar, com semelhante certeza e precisões? - Quanto ao outro caso, da
magia boêmia, já ficou comentado.

164
o Muito Excelso Mestre e o MARTINISMO DE PAPUS ...
Com. 10'2 - Para compreender bem, agora, querido Carolei, a
importância Que para P APUS e a plêiade brilhante de valores,
que com êle formaram a base do movimento ocultista e realmente
espiritual (não confundir com somente espírita ou espiritualista,
pelas razões que veremos depois), temos que nos lançar a conside-
rar: os motivos interiores, que moveram as principais peças do
Jôgo da Época, em direção ao Rei Branco, dêsse Xadrez místico,
para receberem Dêle o que mais apeteciam. - Isto vai nos esclare-
cer o terceiro fato, que nos faltava examinar: A "peça PAPUS",
vinha se movimentando nesta forma (no que à sua manifestação
visível, nesta encarnação, se refere): pela mãe gitana, pelos es-
tudos de Lévi; pela síntese séria que já fizera da Tradição (in-
do até traduzir - em 1888, já - o Sepher Jesirah, chave da Alta
Kabbalah); pela sua viagem à índia - da qual voltou "Membro
do I grau de certa Fraternidade oriental"; pela sua filiação à
"Fraternidade Hermética de Luxor", ou seja a Peter Davidson,
êle já possuía chaves práticas. Dessa "H. B. of L.", de Davidson,
já Papus publicara, em 1889 ("L'Initiation", pág. 11) estas pala-
vras: " ... pretendendo ser o circulo externo, novamente aberto, de
um muito antigo centro de iniciação, a H.B. of L. propõe-se desen-
volver a teoria oculta, desde o ponto de vista da intelectualidade
e das tradições próprias do Ocidente, e, também, ensinar umaprá-
tica que, contràriamente ao que foi dito pelos que a não conhecem,
está livre de qualquer elemento inferior, e tende exclusivamente
ao desenvolvimento das faculdades espirituais. Para chegar a es-
sa sua meta (prossegue Papus), ela faz os associados trabalharem,
provendo-os de instruções manuscritas, ajudando-os nos seus estu-
dos e nas suas práticas, a cada um pessoalmente".
Sabemos que, de St-Yves d'Alveydre, recebeu a chave de com-
preensão, não só das Tradições, senão, principalmente, do nexo
entre elas. O Quadro Geral da Tradição, já elaborado por PAPUS
antes de 1891 - bem como outros sinóticos sôbre Budismo, etc.,
explicam dois aspectos fundamentais do seu Martinismo: um, é o
desejo de dar um ensinamento sintético, completo, amplo, que abran-
gia o Oriente e o Ocidente vistos como um todo; como o que são:
as duas facêtas da mesma medalha, que é a sociedade humana na
qual vivemos e na qual reencarnamos, nem sempre no mesmo pon-
to ...
O segundo aspecto. é a preocupação de P APUS por dar aos que
lhe seguiam, "chaves práticas". Mas, seu saber e sua intuição,
sua experiência pessoal, já lhe tinham mostrado que se devia bus-
car, sempre, o que pudesse desenvolver as faculdades espirituais e
os sentidos intimos, e NÃO, só ou prinCipalmente, aquilo que

165
apenas releva do f ísico, do astral ou, do mental de rotina e inte-
lectual (N. 97).
Os progr amas de estudo e a parte ritualística, do Martinismo
reorganizado por PAPUS e seus colaboradores, como Chaboseau
que era muito orientalista, Sédir que era muito crístico de sentir,
mas que buscava no Oriente o que não pudera ainda achar nos
ensinamentos ocidentais, e de outros como Lalande (Marc Haven)
que tinha seguido, como P apus aliás, a Tradição a té cair sempre
no Egito como ponto de uniã o: da T r adição antiga e prática, com
a Revelação Cristã e seus bastidores gnóstico-kabbalísticos, indicam
claramente essa BUSCA persistente. PAPUS e seus grandes Com-
panheiros, não eram dos que se conformam com o que são e sabem,
pensando "terem chegado". Sabiam o muito que faltava, a êles
como a todos nós, por fazer e por ser. E, não ficavam parados, ou
conversando. Por isso disse eu, que êle, P APUS, é uma alma ar-
dente.
Voltemos à "L'INITIATION". Após o artigo sôbre a condena-
ção pelo Tribunal de Lyon, imposta a P . . . . . . (Philippe) em 1892,
e que Papus publiCOU em 1893, não se acha uma palavra só, nem ve-
lada, sôbre o MEM, durante dois anos. Êsse, é o período da magní-
fica luta interior, que iria transformar ao P APUS mago e in-
dependente; conquistador de vontades e organizador impetuoso;
num aspirante a Teurgo, pela entrega ao MESTRE Visível, e -
pela sua mediação e intercessão - ao Divino Amigo (N. 98).
De repente, chega 1895. Nesse ano, Papus já era o Grã-mestre
da Ordem Martinista; o Delegado-Geral da Ordem Kabbalística da
Rosa-cruz; o Presidente de todos os Grupos Independentes de Es-

N. 97 - As linhas que citei, relativas à "HB of L", pl'ovêm de um


longo e muito notável artigo no qual PAPUS, com a penetração e seriedade
que lhe são peculiares, analisava a situação dos movimentos que o título do
artigo define "SOOIEDADES DE INIOIAÇÃO EM 1889" (Maçonaria -
Teosofia e de,'ivados - H. B. of L. - Mm·tinistas - Rosa-c1'Uzes - Es-
píritas). - Devo dizer que muito do que Papus dissera, há SETENTA
ANOS, pode considerar-se válido para as Sociedades ou Ambientes que cris-
talizaram em lugar de evoluirem e se adaptarem. Os estudantes sérios,
poderão estudar com proveito êsse matel'ial e as nossas instruções de adaptação.
Também devo chamar a sua atenção, Oarolei, para o fato da semelhança
(e, não será fraco o têrmo '! ... ) entre essa HB of L, servindo de base de
atualização espiritual das faculdades dos Associados, e o que com os nossos
acontece, nas Práticas individuais do Suddha Dharma Mandalam . . . .
N. 98 - Apesar de êste livro não ser o de Sarva Ioga, e sim, um da
Via Essência, no qual tenho portanto obrigação de procurar ser amável,
paciente e compreensivo, poderia lhe pedir, Oarolei, o muito especial favor
de não enteooer essa entrega ao Divino Amigo, apenas no sentido devocional
barato, de tôda essa gente que "vive com Jesus na bôca" ou que "tem a
Jesus por Mestre", muito embora .. . (o resto da frase fica para o Tratado
de Sal'va Ioga!).

166
tudos Esotéricos espalhados pelo mundo, difundindo o que o cen-
tral, por êle fundado em Paris anos antes. criara, como base da
Faculdade dos Altos Estudos (Herméticos e Espirituais); em ja-
neiro de 1895, o mesmo Papus, sob o seu nome de VICENTE -
Bispo de Tolosa e Vice-Presidente dos Muito Altos Sínodos (Gnós-
ticos) - tinha que assumir a responsabilidade - em vista da re-
núncia de VALENTINIUS II (Doinel) ao Patriarcado Gnóstico
(N. 99) - de convocar o M.A. Sínodo, para o outono dêsse mesmo
ano. Tudo isso é importante, porque iremos ver que tôdas as pe-
ças (humanas) e os modos (de organização e de meta), vão ser
movidos, pelo encontro que o Dr. Philippe Encausse chamou, com
notável propriedade, de Providencial.
Ora, no número de fevereiro de 1895, págs. 125 a 129, aparece
de repente um artigo de "Photés", com o muito sugestivo título de
"A OBEDI2NCIA AOS NOSSOS GUIAS ESPIRITUAIS", no qual
o autor, após ótimas considerações sôbre o que se deve, como fé,
confiança e obediência aos que são Guias ... , oferece na última
página um trecho, que é muito significativo que P APUS mandas-
se publicar na sua Revista, após o "seu temor de tornar-se subal-
terno de alguém", que, dois anos antes, ainda tivera. - Eis o trecho:
"Antes de vos deixar, quiçá para sempre, permiti-me dizer-vos
que, na França mais do que em outros lugares, somos indiferentes;
que, na França, menos do que em qualquer outra parte, obedece-se;
e que a nossa opinião é: que sem a obediência a nada chegaremos;
e conste que nós, que assim opinamos, começamos pela obediên-
cia... Então, na calma, a Voz do Espírito se fará ouvir. Ela vos
dirá os maravilhosos segredos, sempre desvelados, dêste mundo en-
cantado que devemos descobrir a golpes de sacrifícios. Tudo está
nisso. E, quem és tu, que vens nos flagelar?: "Nada, meu irmão,
um pó como tu. Mas, graças à obediência absoluta, tornar-te-ás,
também, o cachorro do Pastor (N. 100). - E, para terminar, um

N. 99 - Ilusória Ol~ não, com resltltados evidentes Ol~ não, com conse-
qilências que convenha divulgar ou não, o fato é que TlALENTINIUS 11,
aceitou a difícil missão, não só de renunciar ao Primado Albigense e Pa-
triarcado Gnóstico, senão também, de abjurar oficialmente de tudo, integran-
do-se no seio da Igreja Oatólica, para lá procurar lançar a Luz em certos
corações aptos. Há cousas, Oarolei, sôbre as' quais os Iniciados calam,
mesmo ao preço de ter que deixarem a calúnia C01Ter. Oompare, por exem-
plo, com certos Oficiais, que são condenados e até "degradados" mediante a
tão terrível cerimônia mágica, dos militares... para passarem, longe das filas,
e no maior silêncio, a salvar vidas no Serviço Secreto. As vêzes, quando não
morrem antes, acha-se uma "oportunidade" de os reabilitar, condecorar, etc.,
mas, não é sempre no plano visível. - Achou, Oarolei? - Parabéns!
N. 100 - Gostaria de ressaltar, Oarolei, que, dessa época em diante,
PAPUS passou a usar com freqüência alusííes a êsse "cachorro do Pastor",
que era, como se verá nos Ensinamentos do MEM, uma das expressões cor-
rentes do MESTRE.

167
simples pensamento, recolhido dos lábios do grande PHILIPPE,
o nosso Mestre. Eu vo-lo deixarei vos deixarei com êle, eu só
terei feito, é passar; êIe permanecerá:
"Obediéncia, humanidade, sabedoria, suavidade, paz do co-
ração!"
Nesse mesmo número de "L'INITIATION", comentando uma
excursão de Mauchel (Chamuel) na França meridional, e que fun-
dou "GIDEE" (Grupos Independentes de Estudos Esotéricos) na
Sabóia, em Marselha e em Genebra, diz Sédir que convém citar
a todos os Amigos de Lyon, e, especialmente ao "nosso Irmão
AMO" (cujos laços com o MEM já vimos).
E, em abril de 1895, estoura a bomba - por assim dizer. Ago-
ra é o próprio PAPUS que, no artigo "Revelações Astrais" diz o
seguinte: " ... Vi em Lyon, nesse centro astral da França, a um
dos vossos queridos Eleitos, modêlo sôbre-humano de resignação,
de coragem e' devotamento, o teurgo Philippe, cuja prece irradia
até junto às falanges celestes, pois, à sua voz, os desesperados es-
peram, os paralíticos andam, e a própria morte afasta-se, impo-
tente e vencida. Ora, Êsse, suporta sem queixas as mais odiosas
perseguições, e as mais vis calúnias; os inimigos mais pérfidos só
acham Nêle um amigo compassivo para seus males, e pronto a
curá-los se sofrem, a salvá-los se estão perdidos ... " (N. 101).
Assim, vemos que "Photés" e outros místicos, que começavam
pela obediéncia, precederam a Papus no gesto tão magnífico com
o qual, êle, P APUS, nas frases citadas, proclama a real grandeza
de M. PHILIPPE. Se eu quisesse falar "para Papus" diria: era
o Leão inclinando-se ante o Anjo, a Águia reverenciando a Pom-
ba!. .. e, resolvendo segui-LA nas regiões da mansidão ...
Em julho de 1895 - a pág. 195 da mesma Revista - Papus
é quem assina uma especial página necrológica, sôbre a morte de
ROBERT, o magnetiza dor. Cita (pois a generosidade de Papus
sempre o Ievaya a DAR aos Leitores), duas curiosas experiências
que Robert realizara em vida: a obtenção de um 'sêlo esotérico
mn reWvo, sôbre o braço de uma pessoa presente, por meio de um
sujet; e, a precipitação de texto escrito, feita a plena luz. - Nes-
sa página necrológica diz: "Nestes últimos anos, Robert tinha se
tornado um entusiástico discípulo do célebre Teurgo lyonense PHI-
LIPPE, de quem teremos - em breve - oportunidade de infor-
mar longamente aos nossos leitores".
Como se vê, PAPUS metia-se, claramente, num compromisso
firme, lógico resultado de uma entrega total, a serviço do SEU

N. 101 - "L'INITIATION", n. "I (do oitavo uno), abril de 1895,


pág. 5.

168
MESTRE ESPIRITUAL. Não poderia deixar de citar que, em
nota ao pé da dita página mortuária, Papus, sempre místico-t·ea-
lista, dá uma das chaves do poder de Robert e da sua real condi-
ção de Discípulo do MEM. Diz assim: "Robert morreu na mais pro-
funda miséria e deve, só a amigos muito dedicados, o alívio dos seus
últimos dias"... Que bonitos temas de meditação, Carolei! E,
que exemplo a seguir! ...
Terminando o estudo da "articulação" PHILIPPE-Papus-Mar-
tinismo, só resta considerar um ponto: Vimos, ao falar de Marc
Haven, que foi êle "o mais sagaz" etc ... que fôra enviado pelo
Grupo de Paris, para "ver" ao discutido "Homem de LYON" ...
(como ficou exposto a pág. 87 dêste volume) e que o resultado foi:
resolver "entregar-se e ficar por lá"; tanto mais, que Papus o en-
carregara de "missão" junto ao MEM, como vimos no Com. 49 -
a pág. 77. A partir de 1895 e 1896, todos os setores da ação, nos
quais PAPUS podia ter influência, são conquistados para o MES-
T RE: É a Escola de Magnetismo, filial em Lyon; são as visitas,
como a de 16 de julho de 1896, em· que há experiências ante sala
cheia, na presença dos doutôres Durville, Encausse, Lalande, etc.
(L.B., pág. 50); são as sessões de M. PHILIPPE, como as de 24
de novembro e 5 de dezembro, publicadas integralmente em "L'INI-
TIATION"; e, na mesma revista, à maravilhosa "Encarnação do
Eleito", com a categórica dedicatória de Papus "A meu mestre Phi-
lippe, de Lyon"; são as estadas em Lyon, como o verão de 1898,
passado lá por Papus e espôsa, e no qual combinaram aceitar -
em pensão na sua ca'Sa de Auteuil, em Paris - por todo aquêle
inverno, à Sra. Marie Marshall, futura espôsa de Marc Haven, e
a sua Mãe: os laços íntimos vão se apertando. Mas, também, os
laços iniciáticos. Assim o MARTINISMO ia 'Se sublimado, e agora
podemos compreender melhor o caminho percorrido, que iremos
examinar.
COJn. 102 - Lembremos que Martinez de Pasqually, o miste-
rioso Profeta, Mago e Místico, de quem já falamos, teve por prin-
cipal continuador a um Místico - Louis-Claude de Saint-Martin -
que já apresentava curiosas semelhanças, na sua maneira de viver
e seu ensinamento pessoal, com a doutrina de elevado misticismo
cristão de Philippe. Papus, pelas razões que vimos, foi fazendo
evoluir os trabalhos das Lojas Martinistas, em forma tal que, em
Paris por exemplo, as 4 que havia lá (entre as 160 Lojas espalha-
das pelo mundo) achamos: "A ESFINGE", na qual se estudavam
mais especialmente as adaptações estéticas em geral ou artísticas;
a "VELLEDA" (nome de sacerdotisa Druídica) na qual o estudo
da Tradição Ocidental, do Simbolismo - especialmente o da real
Maçonaria - e suas adaptações, era a base do labor; a "HER-
MANUBIS" - dirigida por Sédir, como já vimos - dedicada à

169
Tradição Oriental, e a mística (vivência interior e entrega, etc ... );
finalmente. na Loja-mãe "O ESFINGE" (masculino da outra), fa-
ziam-se os estudos gerais e outras atividades, entre as quais con-
vém citar esta: Quando, em 1900-1901, a (então) grande revista
francesa "Je Sais Tout", achou oportuno fazer uma "enquête" sô-
bre todos os setores das cousas espirituais, desde o espiritismo, pas-
sando pelo exoterismo de divulgação, a magia, o esoterismo cr'istão,
etc ... teve, naturalmente, que fazer uma entrevista com cada um
dos Luminares, de cada seção. Ao entrevistar Papus, o jornalista
teve a surprêsa de saber que, em pleno centro de Paris, a Cidade-
-luz, com fama de turbulenta e pouco mística, havia misteriosas
Lojas Martinistas nas quais, com preparação de música clássica,
homens graves, sérios, conhecedores dos segredos da dinamização
da Oração, não pela vontade humana, mas pelo Amor, pela entrega,
e pelos sacrifícios individuais oferecidos, reuniam-se para cumprir
um dos preceitos - e dos objetivos - do MEM PHILIPPE:
E. 736 - "Em breve, escolherei adeptos, que orarão em conjun-
to urna hora por semana, pelos doentes . Há sêres que oram por
nós, é portanto uma dívida. Devemos orar por outros." (5." ed.,
pág. 175.)
P APUS, obediente, não a ordens verbais de casernas, mas des-
sa obediência superior, que, como o amor (e, porque é amor!) pro-
cura fazer o que o Ser amado - O MESTRE - deseja ou, ape-
nas, sugere, tinha pois realizado, no Martinismo, o ideal da Prece
Coletiva, efet ivada nas devidas condições. - Ressaltei o "devidas",
para aludir ao motivo, citado no ensinamento, hem como ao fato
de as condições apropriadas fazerem, também, parte do nosso dever,
para a prática da prece!
Finalmente, seria injusto deixar de assinalar a preparação sé·
ria que os Martinistas recebiam através de "L'INITIATION" que.
desde outubro de 1888 até 1914, foi: "o órgão vivo que reunia a
todos os renovadores das ciências herméticas, aos protagonistas
de tôdas as revelações da ciência única: Stanislas de Guaita, Pé-
ladan, Barlet, Matgloi, Marc Haven, Sédir, de Rochas, Chamuel,
entre outras personalidades agrupadas em redor de Papus".
As linhas que precedem, são do Editorial com o qual, no iní-
cio de 1953, começava o Número UM, da nova série, de "L'INITIA-
TION", agora sob a direção do Dr. Philippe ENCAUSSE, e sempre
com o caráter de "Cadernos de Documentação Esotérica Tradi
cional", isto é: obrigatória para todo Martinista e utilíssima para
todo estudante sério (N. 102).

N. 102 - Convém lembrar, ainda, que aqui na Amé1"Íca Latina, a


"Ordem Ma.·tinista" independente, da qual falei e que me tocou dirigú', pu-
blicou durante sete anos, mensalmente, com o nome em espanhol de "LA

170
Os que queiram saber como morreu P APUS, poderão consul-
tar o resumo que dei, de sua ação, obra e morte, a páginas 293 e
seguintes de "Yo que caminé ... ", inclusive de sua aparição imedia-
tamente após seu falecimento, à Condêssa de Béarn . ..
E, fecho êste tema com as mesmas palavras com que o llllClel:
"A MINHA CONVICÇÃO É: que ainda não se conhece bem, e não
se reconhece, o que Papus, realmen t e, foi, e fêz!"

Que a gr atidã o e o labor dos Martinistas


modernos, de lá e daqui, ajudem a Servir
Ao que ftle, tanto amou!

o Muito Excelso Mestre e SÉDIR, outro grande D i scípulo. -


Com. 103 - Após tudo quanto ficou exposto, no primeiro volume,
tanto sôbre o próprio Sédir, seus esforços juvenis, sua carreira
iniciáti<:a e sua magnífica exposi<;ão "Um Desconhecido", relativa
ao M. PHILIPPE, pode parecer supérfluo falar ainda nêle. En-

INIOIAOION", uma revista, fe ita não só para instruir aos 442 Martinistas,
das nossas 5 Lojas e 23 Grupos Martinistas, bem como aos "GIDEE" de
Montevidéu, Buenos Aires e La Plata. Seus artigos eram doutrina martinis-
ta, cursos completos de astrologia, ioga, artigos sôbre vida e idéias dos Mes-
tres do Oriente e do Ocidente. O p"ime'iro ano foi reimpresso em forma de
volume (ainda disponível). - Os demais anos da revista existem, porém em
coleções incompletas,
A citada "Ordem Martinista" - de Montevidéu - fêz também publicar
as traduções - feitas por nós - de obras como : EL LIBRO DE LOS SA-
BIOS (Eliphas Lévi) - EL TARO IHi] T,Oí:; BOHEMlOS (Papus) - EL
HIJO DE ZANONI (Sevaka : Prof. Francisco Vladomiro L O"enz, Membro
da O"dem) - APOOALIPSIS REVELADA (James Pryse) - LAS OURAS
EFETUADAS POR EL ORISTO (Sédir), sendo de ressaltar que esta 1Íl-
tima obra foi financiada, totalmente, por um israelita, real místico que sen-
tira a beleza da doutrina. - Fechada em 1947, de acôrdo com 1~ma ordem
dada pelo próprio Mestre PAPUS, a mim, na Sessão da Loja "PAPUS N .
5", em 25 de outubro daquele ano - contO ficou documentado na publicação
"MODIFIOAOIONES EN LA ORDEM MARTINISTA", da qlwl llnS exem-
plares estão arquivados. - As dentais publicações da Ordem (citadas quando
falei no Mestt'e OEDAIOR) , e as ql~e foram feitas no Uruguai, constam da
lista de obras, no início dêste volume. - Atlwlmente, tudo quanto resultou
do s esforços daqueles M artinistas, está espalhado nos diferentes setores de
labo,·. E, os que desejem trabalhar como MARTINISTAS, acharão, no do-
cumento "ORDEM MARTINISTA", a seguir, tôdas as indicações desejáveis.

ORDEM MARTINISTA

Na "Documentação de Oonjunto" - emanada do Supremo Oonselho da


Ordem, sito em Paris e presidido pelo DI'. Philippe ENOAUSSE (filho de
PapltS e afilhado do Muito Excelso Mest"e PHILIPPE) - , bem como na
5." edição francesa do livro "LE MAITRE PHILIPPE, de LYON" (pág.
252 e segs.) consta o mesmo texto que, para informação do público em geral,

171
tretanto, Carolei, é bom dar mais algumas informações, tanto para
que venerem, mais e melhor, a êste grande 1nístico, como para in-
dicar diferentes fontes .. . aos estudantes sérios!
Oriundo da Bretanha, que sempre foi o refúgio da fé, na
França, não da fé complexa e sábia do Sul, com seu fundo iniciá-
tico; mas da fé singela, a dos pescadores, a dos camponeses, a
que ainda vem, também, da influência Druídica, Sédir encontrou--

divulgamos, com o cm'áter de documento OFICIAL da Ordem Martinista, a


segltir:
"O MARTINISMO do qual PapltS era o Grã-mestre da Ordem: criado
pelo DI'. Gérard Encausse (Papus) , a Ordem Martinista moderna conheceu
até a morte física do saudoso vltlgarizadm' do Ocultismo, um desenvolvimen-
to considerável. A Ordem Martinista de Papus estava, efetivamente, "epre-
sentada tanto na velha Europa como nas 'colônias, nos Estados Unidos e na
América do Sul. Sua influência exe"cia-se tanto entre os humildes qlwnto
nos degraus de certos tronos e não dos menores... Graças a ela, as idéias
espiritualistas ganharam um terreno precioso numa época em que o Materia-
lismo dava a imp"essão de achar-se prestes a trÍ1tnfar.
"Em todos os corações onde uma vez penetrou, o Martinismo papltsiano
permitilt realizar as possibilülades de altruísmo que nêles havia. lHe salvou
da dúvida, da desesperação e às vêzes do próprio suicídio a muitos espíritos,
tão verdadeiro é que a LltZ at"avessa os vidros mesmo qlwndo embaciados e
que ela i lumina tôdas as t"evas físicas, morais e intelectuais.
"No Selt conjunto, a Ordem Martinista de Papus era sobretudo uma
escola de Cavalaria moral esforçando-se por desenvolver a espiritualidade
dos seus membros, tanto pelo cstttdo de um mundo ainda desconhec'ido do qual
a ciência, até agora, não determinou ainda tôdas as leis, quanto pelo exer-
cício da dedicação e da assistência intelectual, e pela criação, em cada es-
pírito, de uma Fé t<lnto mais sólida po" tel' como base a observação e a
ciência.
"O Mm·tinismo de Papus constituía portanto uma cavalaria do altruísmo
oposta à liga egoísta dos apetites materiais, uma Escola onde se aprendia
a reconduzir o dinhe'iro a seu justo valor de sangue sodal e a não considerá-
-lo como algum divino influxo, finalmente, um Centro onde se se esforçava
por permanecer impassível ante os turbilhões positivos ou negativos que trans-
tornam a Sociedade.
"Aberto aos homens como às mulheres, não pedindo de seus membros
nenhum juramento de obed'iência passiva e não lhes impondo nenhum dogma,
acolhendo sem distinção a todos aquêles que tinham no comção o amor pelo
Selt semelhante e que desejavam lutar pelo bem comum, o Martinismo pa-
pusiano tem dado a dezenas de milhares de homens e de mulheres a possi-
bilidade de acharem um refúgio nu experiência e na filosofia dos Antigos e,
como precisou o saudoso Téder: "Em presença dêste regresso fatal pm'a a
Sabedo"ia da Antigüidade que produziu Rama, Krishna, Hermes, Moisés,
Platão e Jesus, o Martinismo, depositário das tl'adições sagradas, saiu da
sua escuridão voluntária e abl'iu seus santuários de ciência aos Homens de
Desejo capazes de compreender seus símbolos, estimltlando aqltêle que é ar-
dente, afastando o que é fraco, até que a seleção especial dos seus Superiores
Incógnitos estivesse completa".
"Formando o real nlÍcleo dessa universidade qlte tornará a fazer um dia
o casamento do Conhecimento sem divisões com a Fé sem epítetos, o Martinis-
mo papitsiano tem-se esforçado por tO"nm'-se digno de seu nome estabelecendo

1"''12
-se com Papus, como vimos, em 1889. Seis anos após, jâ era Mem-
bro do Supremo Conselho da Ordem Martinista e, ao mesmo tempo,
nomeado Diretor-adjunto do Grupo de Estudos Esotéricos. Jâ era
pois, em 1895-1896, o braço direito de Papus, inclusive no setor Gnós-
tico na qualidade de Bispo deyidamente consagrado.
Embora - e mais uma vez - a data em que encontrou-se com
o MEM PHILIPPE, não fôsse divulgada, não me parece difícil si-

grupos de estudo dessas ctencias metaf'ísicas e metapsíquicas desdenhosamen-


te 'afastadas do ensino clássico sob o pl'etexto de serem ocultas.
"Desde a morte de Papus, em 1916, - Papus, para quem a ação criadora
revestia, em todos os domínios, pm·ticulm· interêsse - , o Movimento Mm'ti-
nista em geral perdeu a Slta unidade, como quiçá também parte da sua efi-
ciência, e isso, seja qltal fôr a personalidade dos "Grã-mestres", que se te-
nham sucedido à testa dos diferentes Ag1'1tpamentos sUl'gidos após a morte do
criador da Ordem.
"É um fato que, para o profano, uma impressão bastante penosa nasce
às vêzes de tôdas essas disCltSSÕes e retificações surgidas om de Lyon, ora
de Paris, com relação à "regularidade" dos suceSSOl'es de Louis-Olaude de
Saint-Martin e dos Agmpamentos criados por êles... Mas nem por isso
convém menos render imparcialmente homenagem aos que, após Papus, com
tôda boa fé e com o ardente desejo de honrarem, também êles, a memória de
LOltis-Olaude de Saint-Martin, o "Filósofo Desconhecido", não pouparam nem
Selt tempo, nem seu esfôl'ço, nem s1la saúde até, sob a égide: 01t da Ordem
Martinista Sinárquica, ou da Ordem Martinista de Lyon, 01t da Ordem Mar-
tinista Tradicional, ou, finalmente, da Ordem Martinista Retificada, de
criação bastante recente (194.8) e CltjO animador, Jules BOlwher, deixou o
nosso plano físicp em junho de 1955.
"A Ordem Ma1'tinista de Papus re]Jl'esentava a t1'adição Ocidental,
egípcia, lJitagórica, cristã, cabalística, l'osa-c1'1wiana e gnóstica. Estudar a
tradição ocidental em gm'al e cristã exotérica em particular, sob a égide do
"Filósofo Desconhecido", tal era o plano dos seus trabalhos.
"Oabia ao filho de Papus, rodeado de alguns amigos e admiradores de seu
pai e do Mest1'e PHILIPPE de Lyon, Mest1'e espiritual de Papus, retomar a
tocha com vistas a dar nova vida ao Martinismo papusiano, cujas grandes
linhas foram evocadas no início dês te manifesto, e crim' mn Movimento
apoiado na tradição sem negligenciar a ciência contemporânea.
"Tal é a tarefa que êle se propôs, com seus am'igos, em 1951, formulan-
do votos que esta nova organização conheça, graças à ajuda dos nossos que-
ridos entes idos e à dos vivos, o mesmo s1lcesso que a sua predecessora no
combate que convém tl'avar pm'a que triunfe a causa do AmOl', do Belo e
do Bem.,."
Após os têrmos, exatos, prudentes e f1'aternos, com os quais o Supremo
Oonselho da ORDEM MARTINISTA de PAPUS - que tem como G'rã-
-Mestre a seu próprio Filho - expõe, linhas acima, o estado de cousas do
Martinismo, cabe dizer ainda isto: como antigo diri.'1ente da Ordem Marti-
nista (independente) da q1lal já falei e, mais recentemente, ao procurar tôda
a documentação possível para esta obl'a e auxiliar a fusão dos "ramos Mar-
tinistas", tive contacto pessoal ou epistolar com os diferentes "Grã-mestres"
(desde Bricaud, já falecido, até Dupont, octogenál'io sucessor no que a Ordem
de Lyon se refere). Também tinha d·irigido, desde 1924, as iniciações da
aludida Ordem (independente, porém na mesma or'ientação papusiana) fun-

173
tuá-Ia - como a de Chamuel - em novembro de 1897, em Paris
mesmo. É possível que Sédir tivesse feito uma viagem a Lyon,
mas não há o menor sinal dela em "L'Initiation", e sei que Papus
costumava (como eu me habituei a fazer, imitando-o), a deixar
sempre uma marca, para os que buscam. Seja como fôr, não pas-
sa dêsse ano tal encontro. Eu veria, até, certa coincidência, no
real sentido do têrmo, entre êsse encontro e a terminação, já em
1898, da publicação do "ALMANAQUE DO MAGI ST A", que Papus
e Sédir, em colaboração, vinham fazendo, e que era muito notável.
Em 1902, e após, continuam saindo obras de Magia, porém só de
Papus e com outra f i nalidade. Sédir, autor de obras como "Os Es-
pelhos Mágicos" (1895) , começa, com "O Faquirismo Hindu e as
Iogas" (1906) - obra que esqueci dizer que também fiz traduzir
e publicar, na Argentina - a demolir o entusiasmo, que muitos
estudantes ocidentais tinham pelas causas do Oriente, e pelos mé-
todos da vontade e da técnica, que, segundo Sédir, "não vão além
do astral superior". - Deixemos êste ponto para ser examinado
no tema "As Duas Vias". Sédir, estavà fazendo isso, com o mes-
mo entusiasmo profundo e sincero com o qual - como está rela-
tado no primeiro volume a págs. 86 e 87 - buscara A VERDADE
em todos os setores, merecendo pela sua sinceridade e discrição,
a intimidade de tantos in.strutores místicos elevados, e de tão di-
versas tendências, que êle cita no texto de sua carta de 1910, re-
produzida no lugar acima apontado.
Já em 1908 publicara o seu notável livro Initiations, recente-
mente reeditado, e cujo índice o Dr. Ph. Encausse teve a iniciati-
va, oportuna e afetuosa, de publicar na quinta edição francesa de sua
obra, e que também reproduzimos ao pé da página seguinte (E. 609).
O exame de tal texto, bem como a leitura de suas obras ulte-
riores - cujos títulos já são por si mesmos eloqüentes - mostram-
-nos duas cousas: uma, que de fato Sédir evoluiu do "ocultismo"

dada na América do Sul pelo Mestre Cedaior (iniciado por Séá/ir e amigo
de Pap1ts). Tinha chefiado, desde 1936, essa mesma Ordem, da qual peque-
no número de componentes fundara uma dissi,dência em 1942, no Brasil, que
ainda segue trabalhando. Faço votos que todos êsses setores martinistas
possam fundir-se no seio da ORDEM MARTINISTA DE PAPUS, confor-
me parece estar acontecendo , pois que em 26 de outubro de 1958 u1lla reunião
de Chefes, sob a P"esidência do Dr. PhiUppe ENCAUSSE, em Paris, pro-
piciava tal iniciativa, à qual não nos foi possível aderir em vista da exi-
gência. que se nos fizem de abandonarmos tôda prática "oriental", e a Igreja
Expectante, abandonos que seriam a ne!Jação de todos os esforços pela "união"
do Oriente e Ocidente, que temos feito "desta vez" e que prosse!Juiremos, com
a Sua Bênção.
Os interessados em filiar -se à "Ordem Martinista", podem escrever a:
Dr. Philippe ENCAUSSE - 46, Boul. du Mont Pamasse - PARIS (15)
FRANÇA.

174
para a mística pura,' a outra, que: não obstante o desejo de alguns
de seus admiradores, em quererem considerar "rápida" a sua evo-
lução, basta ver que, ainda em 1903, publicava as "Lettres Magi-
ques" e, só em 1908 - como já citei - o estudo sôbre as Iogas re-
fletindo - desta vez de modo categórico - seu afastamento da
"outra via", para podermos compreender que só pela experiência, só
pelo sof rimento, e só com o tempo, é que o estudante se cansa dos
fa ntasmas espíritas, dos esquemas kabbalísticos, dos rituais simbó-
licos ou das concentrações puramente técnicas ; como - antes de
procurar uma verdade demonstrável - tinha-se cansado de dogmas,
cuja análise fôra-Ihe vedada pelos cleros, ou impossibilitada pela falta
de estudos que exigem dezenas de anos de especialização, tanto a
um São Jerônimo, como a um Fabre d'Olivet. . . e nenhum dos dois
pode ser considerado membro "da triste tropa" . . .
E, para que Você, Carolei, possa perceber, e - espero - sen-
tir qual a diferença, realmente existente, entre os que já vivem
a via mística pura e os que, ainda, não a acharam, comentarei al-
gumas das frases de Sédir, que revelam o que êle escolhia e per-
cebia, do que a Vida e o Mestre lhe brindavam, como a todos brin-
dam . .. mas cada um só toma o que lhe atrai e assim se situa,
como assim prepara o instante vindouro e a próxima oportunidade!
Não comentarei os pontos de Sédir, que acho afastados do exa-
to ensinamento do MEM, como: "tomar os relatos dos Apóstolos ao
pé da letra" e outros. - Os próprios Ensinamentos ajustam tudo
isso.
Com. 104 - Vejamos as pérolas e flôres, colhidas e cultivadas
por Sédir, com relação ao MEM (N. 104):

N. 103 - A lista das obras de Sédir, poderá ser achada no lndice


Bibliográfico, n o fim desta obra. - Quanto ao do livro "Initiations", as
suas 316 páginas se dividem assim: Estado de alma - Andréas (a persona-
gem que, na realidade, era o MEM PHILIPPEj - Orientalismos - A
criança raquítica - Proletários - Exame da Vedanta - O B,·ahmane -
O Duracapalam - A E v ocação B rahmânica - Reconfortos - O Espiritua-
lista - O Magnetizador - A União dos Espi,.itualistas - Ince,·tez a - A
V isão do Mental - Em Plaisance - O Homem atado à Ter,.a - A Múmia
- O Primeiro de Maio - Os Invisíveis - A Viiia - A v alanche no Himalaia
- A Provação - O T igre - A Prece - O Phap - A A viação - Na
Côrte - Rumo à Iniciação Crística - A Babel Espiritualista - Teofania
- Os Cometas .- A Vi1·gem - O LOlwl·e - Em Compiegne - Natal -
A ntibes - A Batalha - Resslt,-reição. - (Conste, Cm'olei, que não recebi
tal livro a tempo, para poder inclui,., no meu, certos fatos e ensinamentos que
poderiam ter enriquecido o referente ao MEM. Mais uma razão, pois, para
recomendar que Você o leia, pois julgo o tema tão útil que classifiquei êste
índice como E. 609 ... )
N. 104 - Os núme,'os colocados ent7·e pm·énteses, neste Comentário, re-
ferem-se, todos, às páginas , do I Volume, de autoria de S édir ou a éle re-
lativas, nas quais se acham os trechos gri fados, e comentaa08.

175
"Fugindo dos curiosos ... recusando polêmicas ... mudo sob as
calúnias" (70): É esta, Oarolei, a posição real dos Mestres, ge-
ralmente tão pouco compreendida pelos Discípulos: para chegar à
intimidade real do MEM, não bastaria, certamente, viver perto Dêle;
mas sim, chegar a conviver, não pela imprudente curiosidade que
enche de perguntas, senão pela aspiração silenciosa, provada por
atos e por mudanças aos modos de ser, pelos esforços evidenciados,
que iriam, então, mostrar ao MEM que já não é mais um "curioso",
que Dêle se aproxima... E, para quem vive uma verdade, nunca
pode interessar polemizar sôbre ela, ou sôbre os motivos que possa
ter, para agir desta ou daquela maneira. Quantos teriam votado
a favor do Oalvário, se Jesus tivesse pôsto o caso "a votação" en-
tre os Discípulos ou, mesmo, entre os detratores gratuitos? ..
" .. . bonomia plenamente patriarcal de sua acolhida .. . "(71): co-
mo mostra bem Sédir, de dupla maneira, a forma externa: patriar-
cal-paternal, dessa bonomia: e a patriarcal-funcional, nessa acolhi-
da que o MEl\I reservava a todos, para: a todos dar a oportuni-
dade .. .
" . . . múltiplo - numa palavra - como a própria vida, da qual
admirava tôdas as riquezas ... "(71): é uma das frases mais cnems
de sentido de Sédir, que mostra o que éle mesmo era capaz de per-
ceber, embora em menor escala, do que o MEM vivia. Múltiplo
como a própria viela! quem dera aos Discípulos poderem sentir isso,
no que realmente contém r Todo éste livro está dedicado a ressal-
tar isso, em todos os aspectos que o mzíltiplo ensinamento do MEM
abranger Lembra, Oarolei, aquilo que lhe comentei sôbre as al-
mas velhas, cuja itlade mede-se pela sua capacidade de admirar!? ..
" ... condenava as práticas do esoterismo ... "(72): acho que isto
irá merecer comentários em sucessivas [lartes desta obra, poiS po-
deria ser mal entendido, dado que há uma parte do ensinamento do
MEM que, por não ser pública - como veremos adiante - pode
ser qualificada de "esotérica". O que não significa, evidentemênte,
que contenha práticas do esoterismo ou da magia, das popularmen-
te consideradas como esotéricas. Lembremos que Papus, amante
de têrmos precisos, como bom :\Iartinista, designava ao MEM como
um "Teurgo", o que, na nos::m muito limitada linguagem humana,
é a única forma de falar dos seus modos "yisÍyeis ou inteligíveis'~
- para nós - de proceder!... Que drama (outra forma "huma-
na" de falar r) deve ser para os ,Deuses, ou, se Você prefere -
Oarolei - para os Sêres de Oósmica Função, como o MEM, terem
que ser "traduzidos" em linguagem comum. É quase mais difícil,
porque jeito por nós - que tudo fazemos tão imperfeitamente -
do que o próprio MEM procurar e conseguir parecer "um bom bur-
guês" ... , como na fotografia que ilustra esta página r ...

176
Quem, Carolei, dos que não O ouvissem, e não tivessem: nem
presenciado os Seus milagres, nem pudessem perceber a Sua luz,
quem, e quantos! na rua, no trem, nas lanchas entre l'Arbresle e
Lyon, terão visto êste "burguês", sem sentirem que estavam ante o
Imperador do Mundo!? - Não será essa, Carolei, a mais profunda
imagem dessa riqueza, múltipla e infinita da Vida, sempre ante
nós, e que nunca ,em os, senão através dos miúdos fragmentos que
cada grande dor, ou cada esfôrço ideal, nos descortina, ano após
ano, vida após vida? ..
" ... considerava que só a prática da virtude pode levar-nos à
perfeição, mostrava-se pouco pródigo em discursos ... "(72): que li-
ção, Carolei, tanto para os que procuram o progresso espiritual
nos textos, ou nos truques técnicos, como para aquêles que passam
a vida ouvindo os discursos, seja dos "mortos" que acreditam guiá-
los, ou dos "vivos" que os enchem de discursos... enquanto lhes
esvaziam a bôlsa ou a existência! ...
" ... 0 Caso da Hidrópica ... "(76): lembra-me uma série de fa-
tos curiosos, que devo citar como uma prova a mais, como mais um
estímulo, notadamente, para os que procurassem seguir ao M. PHI-
LIPPE: inúmeras vêzes, em conferências públicas, ou ao ministrar
ensinamentos na intimidade, com os que me seguem, referi casos
como o da hidrópica, quando ainda não tinham sido publicados to-
dos os pormenores. Ora, invariàvelmente, tenho podido comprovar
que, como se fôsse apresentada, não em forma de imagens visiveis
(visão astral) mas, sim, em forma de clichês mentais (gnose -
saber instantâneo) - eu podia descrever, minuciosamente, tôda a
cena, e até 1'e-viver os estados de ânimo, de tal ou qual personagem
do caso. E, ter a certeza certa, de que: aquilo que estava dizendo
ou ensinando era verdade. Não estará, Carolei, nesse tipo de vi-
vências, progressivamente aumentadas, em freqüência como em am-
plidão, o segrêdo da felicidade de ligar-se a um Mestre-da-Verdade;
não será isto o início daquilo que - no ápice, eventualmente, antes
quiçá .. . - permite exclamar, às vêzes: Em verdade vos digo ... Ir
E, a propósito desta hidrópica, e do comportamento do - então
- Decano da Faculdade de Medicina de Paris, Professor Brouardel,
a 5.' edição do livro do Dr. Ph. Encausse (pág. 232) outorga novos
pormenores de interêsse:
E. 804 -Em conseqüência das insistentes diligências feitas
pelo Tzar, para obter para o M. Philippe (do govêrno francês) o
título de "doutor em medicina", o professor Brouardel tinha sido
mandado a Lyon e fôra assistir a tlma dUJS sessões, na Rtla da Tête-
d'Or. Uma pobre rnulher lá estava, sofrendo atrozmente do cor-
po todo. M. PHILIPPE solicitou ao professor se dignasse emami-
nar a doente, na saleta vizinha, em presença de alguns discipulos
que êle desigrwu. Uniu-se a êles, ao finalizar a consulta. "En-

177
tão - indagou do médico - que pensais desta mulher'!" - Êste
declarou que ela era hidrópica, no último grau, e tinha provàvelmen-
te poucas horas de vida.
Retornando à sala das sessões, aonde os precedera a mulhe1',
literalmente arrastada pelos discípulos, M. Philippe disse-lhe que
andasse. - "Não posso!" - "VEM!" - Ela deu, gemendo, alguns
passos, e, após momentos, começou a andar normalmente, De re-
pente, gritou: "Agora, vou dançar." - O que fêz, seg1lrando a
roupa, que tinha se tornado mais do que fOlgada (a que ficara no
corpo!). - Ela estava curada.
O professor a examin01l. A inchação tinha sumido e não havia
no chão nenhum resto de líqUido. Êle disse então a M. Philippe:
"O que acaba de acontecer é inexplicável pelas leis científicas atual-
mente conhecidas", E, cumprimentando a M. Philippe e aos pre-
sentes, retirou-se.
Com. 105 - Dêsse complemento sôbre a cura da hidrópica, pode-
mos agora, Carolei, tirar mais umas liçõeszinhas: que, um Decano
de Faculdade, só vai ver um Teurgo, "mandado", mesmo; que, nem
assim mesmo, e nem a pedido de seu Govêrno e do Tzar da maior
Aliada de seu país, inclinar-se-á ante a Verdade, se esta não con-
vém à sua "ética" e vaidade profissional; e que, como saldo posi-
tivo único, fica-nos que o caso foi: mais uma, demonstração do
poder do Verbo: "Vem!" Só. Quanta cousa poderia ser feita,
se a dúvida não estivesse sempre a roer as melhores pOSSibilidades
dos homens!
Com. 106 - Mais adiante, Sédir - com quem comungo tanto,
no modo de compreender, sentir e amar ao MEM! - diz: "Apenas
imaginando um Ser capaz de manter-se em equilíbrio, em todos os
pontos em que o infinito penetra no finito, ficariam esclarecidas
as contradições que o nosso personagem parecia comprazer-se em
acumular" (71).
Que maravilhosa prova do poder contemplativo e perceptivo, de
Sédir! Quem vive essa contemplação?: de todos os momentos, pela
qual nos penetra de admiração, por um lado, o espetáCUlo dêsse
infinito, penetrando, por mil fatos, que são mil leis e mil modos Da
Lei, pelas portas múltiplas da Vida Una! por outro, nos penetra,
também, a triste percepção de como penetram, em nós, por mil
portinholas que o nosso descaso vai deixando abertas, os diabinhos
do passado: vícios e defeitos, negligências e obstinações, ignorân-
cias e rebeliões, com os quais vamos envenenando, esterilizando,
cada instante... Imagine, então, Carolei, o que seja UM SER
que se mantém em equilíbrio, consciente e re[Jente, de todos os fa-
tôres que incidem e - chegou o momento de reabilitar o têrmo,
empregando-o para me -: que "co-incidem", em cada instante de

178
todos os lugares e em cada fragmen to de todos os tempos! Pois
"ISSO" é o MEM PHILIPPE, e isso é o que Sédir sentiu, e quis
pôr ante a nossa meditação e a nossa esperança!... E seria pre-
ciso comentar cada linha, cada têrmo! Não é possível! Mas ve-
remos alguns ainda ...
Também diz Sédir: " ... Um prodígio, de fato, vale, espiritual-
mente, o que vale seu autor . .. ser testemunha de milagres, não é
muito r a ro; fazer milagres, ver dadeiros milagr es, não é muito di-
fícil " (77).
De fato, Carolei, o "milagre" sendo, apenas, para os homens:
fazer rápida ou instantaneamente, o que a Natureza ou a Vida fa-
riam com o andar do tempo: mudar o doente, em são; mutar o fer-
ro, em ouro: transmutar o ignorante, em sábio; sublimar o mau,
em bom; o rebelde em entregue! compreende-se que o milagre vale
pelos meios usados, e os meios dependem da qualidade de quem
pode usá-los. Medite, Carolei, entre: quem quer lhe meter uma
idéia ou conhecimento na cabeça, à sua revelia, pela repetição do
disco durante seu sono; e, no outro extremo, na frase do MEM ao
rapaz que lhe prometera melhorar de conduta: "então, a sua me-
mória volta neste instante", isto é: o milagre de devolver uma fa-
culdade perdida e o livre uso dela .. . É, o que a Vida teria feito
pela reencarnação. O MEM acelerou um processo em: um resto
de vida, uma morte, uma estada nos céus, uma descida, uma vida
fetal, um nascimento, uma infância . . . só! Não acha, Carolei, que
será preciso meditar mais, cada texto de Sédir e, muito mais ainda,
os Ensinamentos do MESTRE!? ..
Diz, ainda, Sédir: " ... Porém pensar, amar, sentir, sofrer, in-
flamar-se, querer, segundo linhas constantemente concordantes com
os raios eternos que levam ao ministério do milagre, isso, é tarefa
sôbre-humana! .. . (77) - Ai dos mornos, que por nada se inflamam,
e muito menos por procurar seguir as linhas das Leis naturais, mo-
rais e divinas, eternamente presentes em tudo, para quem busca
vê-las e segui-las, e, por elas, quando chegar a voluntário agente,
obediente e humilde, da Sua Vontade, acha-se, sem o pedir, sem
o querer, e até parecendo o não saber, investido do ministério do
milagre, isto é, da função sagrada de fazer as obras do Senhor! .. .
E, após enumerar aspectos do MEM, que são a lista das virtu-
des que nos falta adquirir ou cultivar, Sédir descreve o estado ha-
bitual a que se deve e pode chegar. E recorre a esta imagem, ma-
ra vilhosa para os que não têm "coração de pedra": " . .. Como o pin-
tor ante a natureza olha, e como o músico escuta, assim vivia 1l:le
no Amor e para o Amor, por causa do Amor e pelo Amor" .. . (77)
Medite, sinta, ouça, Carolei. ..

179
E isto, ainda: " ... suportando os apadrinhados, as impaciên-
cias, as grosserias, desempenhando êsse papel de logrado voluntário
e sorridente como se nunca percebesse nada ... "(78).
Gostaria, Carolei, de fazer sentir a Você que poder, há por
trás de cada atitude do MEM e, por isso, de cada ato ou palavra
que a isso se refira, quando é vivido espontaneamente. E, olhe que-
r ido, que acabo de lhe dar uma chavezinha grande ... que ficará
mais clara com o relato de tlma experiência pessoal:

H. 5 - Uma projeção de partes do Poder do M . PHILIPPE

1942: Ano em que me dedicara muito a ~le; operava muitas causas


sob a Sua direta Proteção, Inspiração e Direção. Sabia, instantâneamente,
muito de todos e, às vêzes, tudo de muitos ... e cultivava, cada vez mais, a
arte de parecer n ada saber, senão aquilo que é "clássico" : expositivo ...
Muitos milagres - pequenos e grandes, dos quais relatarei alguns mais
adiante - aconteciam. Minha espôsa e eu, quase morríamos de fome; às
vêzes nos apoi ávamos um pouco nas paredes, na rua, pois a fraqueza nos
dava certa tontura se em meio aos ruídos das grandes avenidas. Vivía mos,
diàriamente, em contacto com "videntes": uns, por medi unidade ; outros, por
terem estado na índia e que, de fa t o operavam prodígios técnicos ; um dêles
multi plicava cousas e obtinha "transportes" de flôres... - Mas, nem um
só dêles "viu", nunca, se não tínhamos almoçado, nem a cara de ingênuos
ante certas his tórias .. ,
Nesse ano, numa viagem a Buenos Aires, fizemos no - então desocupa-
do - suõsolo da atual Livraria Saborido, uma exposição de qu adros de
ANJOS, pintados pela vidência de um Discípulo - já falecido - Sadânan·
da, grand e coração de artista .. .
No fim da conferência, quando chegou êsse momento em que "falo a
160" - dizem os taquígrafos - e que, de fnto, tenho enorme trabnlho em
escolher t êrmos para, em tão vertiginoso ritmo, unir : o qu e tencionava dizer ;
o que acho conveniente dizer por causa dos presenteg " e, ainda, tudo quanto
me é dado perceber n esses instantes, e são, às vêzes, tnntas sensações ao
mesmo tempo: a idéia ou texto percebidos; o sa borea r todo o valo?' que têm;
o procurar sentir, ou sentir mesmo - se, como no caso de provir do MEM,
impõe-se naturalnwnte, sem es fôr~ o - qual a fôrça , e qual a meta procura-
da, etc... Pois bem, mais ou menos num conjunto de condições dessas,
foi quando:
O MUITO EXCELSO MESTRE PHILIPPE LANÇOU NA SALA UM
POUQUINHO DA DOR DO MUNDO. .. e eu fui inspirado, diretamente
com a Sua Aura em contncto comigo, a dizer isto :

QUE MAIOR PODER?

Que maior poder, que o de não poder ser enganado, senão a sabendas?
Que maior poder, que o capital de um perdão ilimitado e de um dar
mais infinito?
Que maior poder, qu e o de snbe r que não se é mais nada, porque vi-
ve-se no todo?
Que maior poder, qu e o de não ter mais desejos, e nenhuma vontade ... ,
e nen huma energia, mais do que aquêle Deus Infinito, que Aq uela Vontade

180
invisível, que deixamos entrar como ímpet o de uma parte do Universo in-
teiro? .. e
Que não se é nada mais do que a bôlha de sabão que algum dia será
esquecida, mas que enquanto viveu, não deixou de refletir tudo quanto a
rodeava?
Que maior poder, que o de saber que não há mal que não seja um
moti vo do bem?
Que maior poder, que o de ter fi certeza de que não se pronunciará em
vão n em uma f rase, pois se rá realmente a expressão de uma Verda de Uni-
versal oculta? ..
Que maior poder, que o de poder manejar em qualquer momento as fôr-
ças físicas as fôrças ast rais e as fôrças espi rituais, de várias centenas de
homens de diferentes or dens. de vários pontos do globo, e de poder pedir-lhes
que animem o qu e allnlns crêem que são apenas palavras . . . e que outros sa-
bem que são como sóis para iluminar os cérebros e as consciências? ..
Que maior poder, que o de resumir num só desejo o que aprendemos
e o que sentimos?
Que maior graça qu e a de poder dizer, vivendo-o: "Que a PAZ seja
convosco, como ela está constantemente com O MESTRE!... AM:':;N.!
Depois disso, Carolei, é que vi que na Sala, diferentes pessoas já ti-
nham desmaiado, outras estavam como sufocadas pela fôrça enorme que
enchia o ambiente. e, NESSE INSTANTE, foi quando O MESTRE QUE
ESTAVA COMIGO me pôs à prova e disse-me - na minha consciência
gnóstica - : iremos, agora, lançar mais um pouco da DOR DO MUNDO.,.
E, Carolei. cousa incrível, vergonhosa. ilógica e quanta cousa mais Você
queira pôr, como qualificntivo, pois, estando COM O MESTRE, que se pode
temer? ,. Mas. somos assim fracos e duvidosos. e TIVE M~DO! Não por
mim, que apenas sentia enorme pressão de certo tipo, que bem conheço,
quando ~le se une a mim .. . Tive mêdo por êles. pelos que estavam na sala.
Um mêdo tolo. ridículo, mas.. . que bastou para terminar com tudo: O
MESTRE, QUE NUNOA OBRIGA, foi diminuindo a pressão, tanto em mim
como em todo o ambiente ...
Momentos após, já nada sentia-se a não ser uma PAZ muito grande,
e as pessoas já vinham falar-me, relatando muitas o que tinham visto:
TODOS, ou quase, a LUZ DE OURO, que O caracteriza ; ... alguns, a for-
ma em que eu estava, como "dividido em dois", verticalmente: lado direito,
totalmente luminoso. lado esquerdo, totalmente escuro: é fácil de entender,
pois trata-se, apenas, de uma TOTAL POLARIZAÇÃO, momentânea ... mas
que faz com que a gente sinta: o coração como a estourar e o joelho direito
como suportando o pêso de toneladas, por ser o PONTO DE ENCONTRO
do que vem da Terra e do Céu, nesse momento. ou melhor dito: mais per-
ceptível, nesse momento ...
Outros. ainda, tinham visto os estranhos símbolos, que, no plano mais
elevado, são: o texto, por mim expressado ...
Mas, o pior de tudo, Carolei, é que, muito embora as pessoas tenham
saído de lá muito beneficiadas. pois houve curas, conversões, confissões, etc . . .
pcxleriam ter tido uma experiência ainda mais forte !
E eu, não teria pago o terrível preço que, desde o dia seguinte e pelo
período de um ano, aproximadamente, paguei, por uns minutos de COVARDIA
quando uma das maiores Graças da minha vida me fôra concedida. Isto,
Carolei, é a NOSSA maneira de ver as cousas, e de tratar seriamente delas ...
Mais adiante, possivelmente referirei outras experiências pessoais, vividas
dentro da Aura do Mestre. Pensei que esta, diretamente relacionada com

181
o PODER DECORRENTE DE SER ENGANADO CONSCIENTEMENTE,
citado por Sédir, lhe fôsse proveitosa . . .
E, para Você ver "como tudo está unido", e meditar como funciona a
engrenagem geral, dir-Ihe-ei ainda isto: essa vivência foi taquigrafada em
16 de setembro de 1942. Há, portanto, 16 anos. Hoje, 3 de outubro de
1958, em que estou escrevendo isto, dêste segundo volume, aconteceram duas
cousas mais: a primeira, que acabam de me trazer, agora, o primeiro volume,
terminado de imprimir: parece uma Saudação do MEM. - A outra: Sadhak,
discípulo que não estava comigo em 1942, acaba de receber uma visão -
muito formosa - que é a exata continuação da que, quando voltei dessa con-
ferência, o MEM deu à Srta. Podestá, em Montevidéu, para me confirmar, e
avisar, qual o meu êrro e qual seria o preço, se eu não me emendasse com
todo esfôrço!... Já disse que levei um ano.

Mais adiante, ainda nos comenta Sédir que o MEM "não dava
um corpo doutrinaI coordenado, mas, com o andar do tempo, as lu-
zes sem laço aparente, que um ou outro discípulo recolhia com pa-
ciência, terminavam organizando-se" etc. (80). - Ora, Carolei, aqui
há outra vez - e como sempre, no labor do MEM e, até, de menores
instrutores - diferentes lições a recolher: uma, é que também ês-
se sistema, era o mais automático e seguro, de que cada um só co-
lheria aquilo que tivesse: atenção, paciência e sagacidade, para
colher e coordenar; outra, que se os Discípulos trabalhassem em
harmonia, unindo o que colhiam, como bons obreiros fazendo um
labor de favo, iriam colhêr 1nuito; mas, se cada um, egoísta ou indi-
ferentemente (não faz muita diferença, aliás ... ) ficasse com o que
pensava ter colhido e compreendido, possivelmente a falta de com-
partir o privasse de: outras partes, outras conclusões e outras vi-
vências, relativas ao mesmo tema ...
E vamos terminar, Carolei, as maravilhosas percepções de
Sédir, pela frase de real místico, quando êle diz - a propósito
do aspecto e da vida diária aparente do Mestre: " ... Alguém "se-
melhante a um de nós", e que realiza perante a opinião a forma
mais incolor da miséria: a mediocridade. Tal foi, para o nosso
século XIX, a invenção admirável da misericórdia divina, já que
essa insípida mediocridade, ser'L'irá de desculpa no último Dia,
para aquêles que não perceberam a Luz, porque a lâmpada era ba-
nal. .. "(80).
Que suprema generosidade, pois, a do MEM em apresentar-se
assim e por tais razões! E, que alma realmente espiritual a de
um Sédir que vê, admira e agradece - por outrem - tal dádiva!
Dêste Sédir, cujas obras posteriores, como já disse, começam
com: Iniciações, Breviário Místico, para ir a tôda a série de al-
ta mística cristã, um grupo de seus Discípulos, com Albert LE-
GRAND, um editor de Rouen, como Max CAl\lIS e como o pró-
prio Emile BESSON, de quem falarei logo adiante, apoiaram ou

182
continuaram a obra pessoal, de adaptação dos Ensinamento~ do
MEl\I PHILIPPE, no modo que recebeu o nome de "LES AMITIÉS
SPIRITUELLES" (As Amizades Espirituais), das quais já me
falara, em 1923, o editor Chacornac, quando da missão a que aludi
antes. Eu não estava, naquela época, na "tônica" dêles. Cada
um tem o seu Caminho - já prometi voltar a tal tema. Quan-
to ao das "Amitiés Spirituelles", iremos vê-lo agora.
Antes, terminarei de prestar a Sédir, não só a homenagem de
lembrar tudo quanto de belo - dêle e sôbre êle - consta do I
Volume, e que recordei nos comentários precedentes, como tam-
bém evoco ao Mestre Cedaior, meu Pai, que sempre contava com
emoção, tudo que ao místico Sédir se referia: tanto as notáveis reu-
niões da Loja "Hermanub'is", como as vivências que, com Sédir,
tinham em privado, em pequenos grupos mais fechados, dos busca-
dores mais obstinados e mais decididos a ir, como Sédir foi, bus-
car a Luz Crística, ao preço de todo e qualquer sacrifício, seguin-
do o exemplo de Papus e do "sôbre-humano: PHILIPPE!" ...
O Muito Excelso Mestre e: Emile BESSON e Esp6sa. - Com.
107 - É muito agradável, para mim que sempre tive profunda gra-
tidão, a todos aquêles que me ensinaram alguma cousa, evocar a
figura dêsse Professor, culto e bondoso, que na minha juventude
no College Rollin - como já citei no "Yo qtte ca1niné ... ", pág.
18 -, ou nas relações cordiais que mantinha com meu Pai, o 1\1.
Cedaior, ou em casa de amigos comuns, e também seguidores do
Martinismo - como o Dr. Genêt e outros, trazia a paz de seu
olhar transparente e profundamente humano.
Infelizmente, não sabia que êle estava morando em l'Arbres-
le, quando lá estive - em rápida peregrinação - em 1956, o que
me privou de rever, a um meu Mestre e a um Companheiro de
Papus, de Sédir, de Cedaior e a um direto Discípulo do MEM MES-
TRE. - Tive oportunidade de saber, por Michel de Saint-Martin,
como por Philippe MARSHALL, que o MEl\'[ tinha transmitido
à Sra. BESSON certos poderes curatiYos, mas isso foi menciona-
do entre outras circunstâncias, e sem aludir ao fato de lá resi-
direm.
Também já vimos - no I Volume, a pág. 81 - que graças à
erudição de Emile BESSON, nos foi possível ler cousas tão belas,
relativas ao Mestre Sédir. - E, a pág. 183, vimos que Emile BES-
SON fazia parte do grupo suficientemente íntimo, para poder ir
à Estação despedir-se do MEM, junto com P APUS e Senhora, Gé-
rard, Bardy e Sédir, quando o M. PHILIPPE, em 1900, foi à Rús-
sia, secretamente.
Como consta da 5.' edição francesa ser Emile BESSON, a quem
é mais oportuno dirigir-se para quanto concerne "Les Amitiés Spi-

183
rituelles", e respectiva publicação, incluo ao pé desta homenagem a
êle, a informação correlata (N. 105). E, lamentando não dispor
de mais material, por agora, sôbre êste Discípulo do ME;\{ e de
Sédir, fecharemos êste tema transcrevendo umas linhas de BES-
SON, publicadas em "L'INITIATION" (2.· semestre de 1956), no-
táveis pela sua ortodoxa concordância, com a linha espiritual en-
sinada pelo ME],!. - Ei-Ias:
"Não se deve dizer: se eu f6gse rico, faria o bem. Não se
deve dizê-lo, porque é um juízo formulado s6bre os ricos que não
fazem seu dever, e não devemos julgd-los. Não se deve dizê-lo,
porque todo ser, seja qual f6r a sua situação, pode prestar ajuda
a alguém, mais infeliz do que êle."
O Muito ExcellSo Mestre e o Discípulo Conde MAURICE de
MIOMANDRE. - Com. 108 - No primeiro volume, a pág. 172,
já vimos que foi em 1897, junto com Papus, que êste escritor e jor-
nalista teve a felicidade de ser apresentado ao M. PHILIPPE. -
Vimos também como o MEM: "longe de estimulá-lo na sua pro-
cura de ascese interior... o aconselhou a voltar para sua cidade
natal e interessar-se por ação social". Também vimos como Mau-
rice de Miomandre viu cumprir-se a profecia que o MEM lhe fi-
zera, sôbre "a carrei1'u para o mar", etc.
De um muito notável artigo publicado pelo seu filho Chris-
tian - do qual já nos ocupamos em tema precedente - e publi-
cado em 1953 em "L'Initiation", n. 5, do ano 27.· - traduziremos
alguns pontos que completam o dito no primeiro ,'olume:

N. 105 - À pág, 60, da 5,· edição francesa de "Le Maítre PhiliplJe",


consta uma nota, da qual reprodll,zimos o que não é pl~ramente relativo à
ação administrativa loeal do movimento em aprêço: "A Associação" "AMI-
ZADES ESPIRITUAIS" fltndada por Sédir, foi registrada em 1920 ("D'iário
Oficial" de 16-7-1920) com o objetivo: Associação cristã livre e caritativa,
A Associação é administrada pOl' um Comitê diretor composto atualmente de
dois membros: Max Camis (61, rue des Batignolles, Paris, 17') e EMILLE
BESSON (Chemin de Savigny, à L'ARBRESLE) (Rhône) - a quem se
pode pedir Estatutos da Associação e dirigü'-se, para assinaturas do Boletim
das Amizades Espirituais (4 números por ano: 350 francos franceses),
"A finalidade das "Amizades Espirituais" é agrupar a tôdas as pessoa3
de boa vontade que reconhecem ao Cristo como o único Mestl'e da Vida in-
terior e ao Evangelho como a verdadeim lei das consciências e dos povos,
"Não se trata, nem de fundar uma I'eligião nova, nem de criar mais uma
8eita. Os membros dêste gr1~pO I'espeitam tôdas as formas sociais ou religio-
sas; estimam que nada existe que não tenha sua razão de S81' e sua utUida-
de; não criticam nenhuma opinião, mas não quel'em depender senão do Cris-
to, Estão lJersuadidos que uma evolução coletiva real não pode se obter a
não ser pela reforma individual e que tôdas as dificuldades terríveis que, ho -
je, ameaçam o mundo ocidental seriam vencidas se a maioria dos indivíduos.
em todos os degra1~s, da escala social, cumprissem todos os seus deveres" (o
grifo de "todos", é meu, Caro lei : eu nunca posso deixar de criticar 11m pouco
aos coleaas de existência",),

184
"Achei nas anotações de Maurice de l\liomandre, um aponta-
mento relatando que PHILIPPE acabava de dize1'-lhe: que poderia
lhe mostrar mais tarde multas cousas, mas que para isso seria
preciso um pouco de tempo, uns três anos aproximadamente... "O
nosso pai - prossegue Christian - nos referiu mais tarde, que êle
solicitou ao MEM um sinal para o convencer. PHILIPPE lhe
re.'pondeu que: tal dia, a tal hora, êle tinha recórtado, no labora-
tório da Universidade de Liege, o sexo de um sapo." :ele pediu ao
nosso pai, que não fizesse mais tais experiências. A declaração
de tão exatos pormenores, assombrou tanto a Maurice de Mioman.:"
dre, que ficou convencido da autoridade do seu interlocutor.
"Quando, de acôrdo com o conselho recebido, M. de Miomandré
voltou-se para a ação social, "o soerguimento da classe laboriosa
e da educação, a luta contra o alcoolismo, tomaram todo seu tem-
po. Publicou, até, uma obra sôbre o problema do alcoolismo, que
foi premiada em 1906 pela respectiva Associação Internacional". -
Depois de casar, em 1900, êle tornou a ver ao MEM, o qual lhe
anunciou numerosa prole: de fato, teve seis filhos. A morte do
MES1.'RE, em 1905, não lhe apagou a chama. Pelo contrário, um
incidente aparentemente miúdo, iria lançar a M. de Miomandre na
luta militar: encarregado pelo jornal Le Soir, de investigar sôbre
certos fatos, relativos à insuficiência dos fortes de Liege e de
Anvers, o jornalista descobriu uma situação bem mais grave do
que a que já imaginara... M. de MIOMANDRE lembrou-se dos
ditos proféticos do MEM, e da sua ação na Rússia, pelo entendi-
mento franco-russo. Decidiu manter livre a consciência e ini-
ciou uma campanha de imprensa, que bastante incomodou ao go-
vêrno. Seus artigos "Estamos prontos?" fizeram sensação ... etc."
Não é bonito, Carolei, ver - por fim! - a um Discípulo que,
como Papus e muito raros outros - bateram-se valentemente por
difundir ideais, orientações e profecias do MEM PHILIPPE, pro-
curando salvar o que a desordem político-administrativa, geral em
muitos paíSes e a "burrice" que governos, diplomatas, e outros que
dispõem dos nossos recursos e vidas, insistem em manter com re-
lação ao Saber dos Mestres espirituais põe a perder!?
E, falando· em previsões, nesse artigo de Christian, há dife-
rentes profecias de CHAPAS: vê-Ias-em os junto com as do MEM,
no 4" Volume. - E, assim, Carolei, Maurice de MIOMANDRE nos
trouxe mais um exemplo do já comentado - a pág. 95, Com. 62 -
sôbre o Poder do MEM, de saber o passado, minuto a minuto, com
lugares e fatos, datas e pormenores, de quanto ser, de todos os
reinos, vinha à Sua Presença. · Felizes os que, como Maurice de

185
MIOMANDRE, souberam permanecer fiéis à Presença e seguir a
um grande Discípulo e Sucessor, como Chapas!

* * *
o Muito Excelso Mestre e "CHAMUEL". - Com. 109 - Lem-
bro-me sempre, Oarolei, da elevada estima que meu Mestre, CE -
DAIOR, tinha por Chamuel , ou seja, o bacharel em Direito Lucien
MAUCHEL, que foi certamente um modêlo de ser vidor modesto,
paciente, metódico e generoso. Efetivamente, nã o é possível per-
correr a obra - escrita ou feita em outros modos - de qualquer
dos ocultistas da época; de Papus a Guaita, e de Sédir a Lalan<1e,
sem achar a "Ohamuel e sua Livraria do Maravilhoso", tanto como
ponto de encontro, de palestra, de reuniões que iam: das mais sin-
gelas e cordiais, até outras que eram as preparatórias de solenes·
decisões nos ambientes iniciáticos. E, não () esqueçamos, já vimos
neste mesmo livro que Ohamuel até fazia viagens para ir fun-
dar "GIDEE", e para visitar os centros de difusão do Martinismo;
além de ter financiado mais de uma "edição-aventura", ou de ter
ajudado poderosamente a lançar a campanha dos Clássicos do Es-
piritualismo precedendo, em muito, o trabalho que os Ohacornac
e os Dorbon fizeram também, mas após, nesse terreno, então di-
fícil e pouco proveitoso no aspecto material.
Em novembro de 1897, quando da sua visita - em Lyon -
ao jovem casal Marc Haven-Victoire Philippe, o bom do Chamuel
teve a boa estrêla de que, como refere (pág. 67 da B .M.H.), "após
o almôço, no qual se falara quase somente nos milagres do M.
PHILIPPE - a quem vira um pouco, momentos antes, na esta-
ção de Lyon - o MESTRE veio especialmente para me ver, e me
dar conselhos cheios de sabedoria e de prudência, que eu deveria
ter seguido ao pé da letra (mas, teria eu podido fazê-lo?), o que
sem dúvida ter-me-ia poupado muitas tribulações materiais e pro-
vações, que aliás não lamento ter vivido. - As palavras Dêle, di-
tas num ambiente tão cheio de cordialidade e de espiritualidade,
produziram em mim uma impressão com a qual fiquei muito co-
movido e como que inundado de beatitude".
"Em dezembro de 1898, ~I. PHILIPPE veio a Paris, em com-
panhia do seu genro, para ser padrinho do último filho de Heitor
Durville. Eu assisti ao fato de o MEM desmascarar a farsa duma
velha mendiga sob o pórtico da igreja São Merri.. . etc."

'" '" *
o Muito Excelso Mestre e Jean BRICAUD. - Com. 110 -
Não obstante existir uma biografia de Bricaud, muito clara e bem

186
feita, pelo seu Sucessor Charles CHEVILLON, nela pouco se acha
que possa situar as relações de Discípulos a MESTRE, Que Bricaud
teve com o M. PHILIPPE.
Já f iz, em muitas partes desta obra, citações do livrinho pu-
blicado por Bricaud, em 1926, editado por Chacornac com o título
"Le Maitre PHILIPPE", em cujo prefácio achamos estas palavras:
"Difundira m-se, sôbre o M. PHILIPPE, diferentes lenda s, bem
como quantidades de erros. Tendo-O conhecido muito, pensei que
não deixaria de ser interessante, para os estudantes de ocultismo,
apresentar-lhes brevemente, mas sob sua verdadeira luz, Aquêle
que Papus chamava "O Mestre Espiritual", e fazer-lhes conhecer,
tanto quanto fôr permitido, os ensinamentos de Quem foi o nosso
Mestre, nosso guia, ao mesmo tempo que um dos maiores tauma-
turgos do século XIX."
Por tais palavras, Carolei, vemos que Bricaud assume, ao
mesmo tempo, a posição de quem muito conheceu ao MEM; de
quem sabe e diz que, de seus ensinamentos, só parte pode ser di-
vulgada e, ainda, devemos ressaltar que, êste mesmo Bricaud, que
O proclama como Seu Mestre, nem por isso deixará de seguir sua
trajetória, tanto nos ritos de que se ocupava, como até chegar a
Patriarca da Igreja Gnóstica (à qual deu, aliás, desenvolvimento
notável) e, também, seus estudos "ocultistas", como diz, inclusive
denominando ao MEM como taumaturgo, quando o têrmo Teurgo
teria sido bem mais apropriado. Não é que devamos fazer questão
de palavras, senão que, como no caso de Sédir, mas em outro sen-
tido, Bricaud também ressalta aquilo que à sua mentalidade, e a
seu caminho, mais sensível se tornou.
O conteúdo do livro foi quase totalmente citado, pois o que
porventura o Dl'. Philippe Encausse não tinha aproveitado, do li-
vro de Bricaud (que tem apenas 46 páginas, aliás), eu o citei -
ou citarei ainda - quando fôr útil. Bricaud, por exemplo, é quem
explica que as sessões (ou consultas coletivas) do MEM, eram ini-
cialmente gratuitas; mas, que mais tarde teve que fazer pagar
um pequenino direito de ingresso. - A explicação é fácil e nos
mostra o porque aquela mulher (da sentença de 1892) pagava dois
francos cada vez: se continuassem totalmente gratuitas, o locai
nunca bastaria, já que as pessoas vêm sem discernimento - e mui-
tas vêzes até com certa tendência ao abuso - quando alguma cou-
sa é gratuita. Mas, quando, no interior da França, numa época
e região não muito ricas, há um direito de ingresso a pagar, já
uma primeira seleção de reais necessitados se faz, isso, sem le-
var em conta que essas pequenas taxas reunidas, eram utiliza-
das também peloS que precisavam ajuda material! Era - para

187
usar as expressões do Documento Martinista - como um pequeno
vaso circulatório do Sangue Social, na Caridade ...
Bricaud refere muitas sessões - reproduzidas como já expli-
quei - e, ainàa, dá uma muito boa idéia da doutrina do MEM
sôbre a responsabilidade celular, dados que, reunidos aos que co-
lhi em outras fontes, veremos a seu tempo, no 4. Volume.Q

Mas, não podemos deixar de assinal.ar que, êste Discípulo Bri-


caud, que foi r evestido de elevadas funções em sua vida (N. 106),
foi quem r ecebeu, após a morte de P apus, as mis teriosas "pílulas
de Vida" que o MEM fabricava em seu laboratório secreto . . . já
falaremos nisso, no tema "Doenças e remédios". - Não tendo a
certeza de qual foi a exata posição e papel, ocupados por Bricaud
na "corrente de Lyon", - não do ponto de vista martinista, ou gnós-
tico: êsses os conheço muito bem! -, senão como discípulo do MEM,
prefiro limitar-me ao dito, que consider o suficiente para concluir
prestando uma homenagem de gratidão a Bricaud, por ser o pri-
meiro - à parte o labor de Papus, é claro - em ter publicado al-
guma cousa sôbre os ensinamentos privados do Mestre.
Para os estudantes do Brasil, compreenderem melhor certos
aspectos da N. 106 e - também - porque o Dr. Ph. Encausse, na
sua obra, lembra contInuamente a perseguição à livre investigação,
feita no tempo da guerra iniciada em 1939, lembraremos que, por
exemplo, no "Suplemento en castellano deI diario alemán "Deutsche
La Plata Zeitung" - de Buenos Aires, de quinta-feira 16 de abril
de 1942, publicavam com destaque e - certamente - com alegria,
o seguinte: "DISSOLVEM NA FRANÇA OITO LOJAS MAÇô-
NICAS: Vichy, abril 15 (T. O.) - Um decreto emitido hoje nesta,
dispõe a dissolução das seguintes oito organizações maçônicas se-
cretas e das suas filiais nas colônias : A Grande Loja da Frater-
nidade Universal; A Frande Loja Mista; A Loja Unida; A Igreja
Católica Liberal; O Rito Antigo e Primitivo de Mênfis-Misraim; A
Ordem Martinista; A Igreja Católica Gnóstica; As Lojas Maçôni-
cas da Ordem Universal dos Bene-Berith". (Tradução nossa, e res-

N. 106 - Muito embora, em conseqü€ncia da documentação que reuni


em 1929 (inclusive carta manuscrita que Bricaud me escreveu e que está
arquivada) eu não deva concordar com todos os títulos que figuram na biogra-
fia que lhe fizeram, dou a lista como ali figura: Patriarca Gnóstich, de 1908
a 1994. - Reitor da Rosa-Oruz. - Grã-mestre da Ordem Martinista. -
Grande Hierofante para a França do Rito de Memphis-Misraim e presidente
da Sociedade Ocultista Internacional, de 1918 a 1994. - Em tal biografia,
dizem que "estudou MAGNETISMO com o M . Philippe . . . o que me parece
um pouco.. . pouco!
Seja como f6r, a obra de Jean Bricaud foi muito útil também e, não
devemos esquecer que seu s·ucessor, Ohevillon, foi fuzilado, só pelo fato de
ser mação, martinista e gnóstico durante o último conflito, ingressando assim
no rol dos que morrem por idéias elevadas.

188
peitando os erros do original, no que se refere aos títulos e orto-
grafia do mesmo.)
É fácil compreender também, porque, muito embora haja uma
Corrente que insiste "ser indispensável ingressar nas ordens ma-
çônicas" para buscar a iniciação; a outra, que vai buscar a fonte
pura, não com base na idade do pó dos arquivos, e sim com base
na Luz dos Anjos que possa perceber, e da Vida que possa assimi-
lar, não pode e não poderá, senão muito dificilmente, chegar a
um acôrdo, que, por outra parte, seria tanto mais de desejar que :
completam -se, não somente essas duas facetas, mas tôdas as demais
facetas, denominadas: igrejas, seitas, escolas, etc. .. E, como ve-
remos, e como já constava da Nota relativa às "Amizades Espiri-
tuais", a dificuldade está em obter amplidão e colaboração, sem fa-
natismos nem separatividades. É possível que o labor de Bricaud
tenha sido; pelo menos em parte, limitado pelos que, excessivamen-
te apegados a "tradições .'limbólicas ou cerimoniais", não percebiam
que um só sorriso do lr.LEM MESTRE valia por tudo o mais!. ..
Aliás, êsse problema continua de pé, como veremos pelo próprio en-
sinamento e respectivos comentá rios. Mas, há muitos "Caminhos" ...

* * *
o Muito Excelso Mestre e "BARLET". - Com. 111 - Em um
"número excepcional, de 128 páginas" (N. 107), dedicado a honrar
a memória do ilustre kabbalista e escritor, Stanislas de Guaita -
sôbre quem nada escrevi nesta obra, por não cons!derá-lo um di-
r et o segui dor do MEM - achamos magníficas páginas de F . Ch.
BARLET (anagrama do seu nome civil: ALBERT Fauchellx). -
Não esqueçamos que, o mais capacitado para classificar: Papus,
dizia que Barlet era "o mais culto dos ocultistas contemporâneos",
apreciação excepcional, na época da plêiade de valores que já citei.
Dizia, pois, Barlet, após eruditas considerações sôbre a obra
de Guaita, truncada pela morte que o colheu ainda jovem: " ... Eis-
-nos Chegados, seguindo-te - aos celestes confins das esferas divi-
nas. Irás nos dizer agora, o que é o Cristo Glorioso e, antes,

N . 107 - No Número 4, do ano 11 - Volume 38, de janeiro de 1898, de


"L'INITIATION", dedicado à memória de Stanislas de GUAITA, há uma
série de notáveis artigos: "A obra filosófica de Guaita, por F. Ch. Barlet,
da qual citei as frases relativas ao MEM PHILIPPE. - A obra de reali-
zação, por Papus - O Kabbalista, por Marc Haven. - A obra de Guaita
do ponto de vista oculto, por Sédir. - O Artista, por E . Michelet. - O
Alquimista, por F. Jollivet Castelot - ocupando assim 63 páginas dedicadas
ao falecido Grã-mestre da Ordem Kabbalística da Rosa-Cruz, a quem suce-
deu primeiro Barlet e, mais tarde, o próprio Papus. - Fica, assim indicada
mais uma fonte de referências, para os nossos estudantes sérios.

189
qual é êsse reino de Deus que êle traz sôbre a Terra: em que se
resolve, portanto, a questão sociaL .. mas não, infelizmente! não
no-lo dirás. Devo deter-me aqui, onde a morte gelou tua mão!
Não devia ser-te permitido, I r mão bem-amado, nos fazer essas re-
velações supremas.. . Um outro MESTRE, tu o sabes, um ME S-
TRE que tu reverenciavas, que o teu afeto, como o nosso, colocava
no pr imeiro plano, parece muito especialmente encarregado dêsse
apostolado supremo, para o qual, tão magist ralmente nos prepa-
raste! ... ".
E, Barlet continua, pedindo a Guaita que a jude a verter sôbre
os que ficaram, os raios benfazejos Dêle e do Cristo Glorioso .. .
Barlet oferece, para quem estuda - seriamente - sua obra e per-
sonalidade, um aparente contraste. As obras dêle são pesadas para
se estudar, pois referem-se, como as de Fabre d'Olivet, de Saint-
-Yves e outros, às aplicações principalmente sociológicas da reali-
zação. E, não poderia ser de outra maneira, já que O Cristo So-
mal, é a única meta, e - portanto - a única compreensão, e o
único esfôrço que vale a pena, por parte dos que perceberam o an-
dar da realização da Sua Missão.
Estudando as obras de Barlet, aconteceu-me aliás, um fato mui-
to curioso, que vou referir, pois creio ser uma lição prát'ica, tan-
to mais bela porque, desde o ano de 1926, eu mantinha com Barlet
o laço oriundo do fenômeno referido a pág. 56 de "Yo que .. . ", e
que cumpriu-se de modo tão exato, assombrando ao médico . . .

H. 6 - Identificação Mental com os Mestres

Tenho ensinado sempre, que há uma forma fácil - relativamente


de formar laço com um Mestre e de receber dêle: proteção, direção e ensina-
mentos. Seja êle vivo ou não, na Terra, bastará: estudar bem suas obras,
sua vida, admirá-lo e amá-lo profundamente; procurar tomá-lo como modêlo:
desde o modo de vestir, de usar os objetos, de ser e de falar , como, princi-
palmente, perguntando-se ANTES de faz er uma cousa : como pensaria e agiria
O MESTRE, neste caso? - É claro que isso evitará bom número de "man-
cadas" na nossa conduta, em primeiro lugar. - Mas, vai além: após certa
persistência, nota-se uma como que identificação parcial, C1tjOS modos e am-
plidão variam, aliás, de acôrdo com cada Discípulo, j á que se instala, e se
mantém, em func;ão: do grau de entrega; da pureza de aspiração; da idade
espiritual; da freqüência e intensidade das "falhas, esquecimentos, rebe-
liões, etc . . . ".
Mas, voltemos a Barlet. Eu estudara certas de suas obras, mas não
conhecia ainda a denominada "O OCULTISMO", embora seja a chave das
outras. Ora, preocupado em dar aos Martinistas, que de mim dependiam:
(era em 1941, antes de deixar o Brasil a quela vez que já citei), resolvi es-
crever, para os Discípulos, uma obra, para a qual o título "METODOLOGIA
OCULTA", me pareceu conveniente.
Lá, no meu "retiro" da Vila Assunção - arredores de Pôrto Alegre -
tracei o plano, cuja base era inteiramente alicerçada no jôgo de "Sponta-

190
neité et Inertie", ou seja, uma interpretação das famosas letras "S.L", dan-
do, no sentido ocidental a mesma chave que o Yin-Yang do Tao, etc ... e
comecei a escrever mentalmente, todo o livro... estava ficando bonito mes-
mo. .. (Carolei, não seja maldoso, não é falta de modéstia; é observação.
Veja o que segue) ... e, um belo dia, andando pela Rua da Praia (Rua dos
Andradas, aliás) aconteceu-me - mais uma vez - aquilo que já citei com
o livro do M. AMO; de repente, o meu Anjo, ou um dos Mestres... quiçá o
próprio Barlet, me fêz sentir que tinha que entrar na Livraria Universal. ..
e lá, bem na minha frente, na estante dos livros franceses, à qual me senti
dirigido logo, estava "L'Ocultisme", de Barlet. .. que me custou sete mil-réis ...
e, de volta no meu "Ninho de Águia"... verifiquei que TUDO quanto ti-
nha escrito mentalmente, já estava, direitinho, no livro de Barlet! ...
Agradeci muito; especialmente, pela comprovação do laço e do apoio;
pela proteção ao confirmar o ensinamento; e, finalmente, pelo "aviso" a
tempo, para evitar um muito ridículo, mas totalmente involuntário PLÁGIO,
que teria ocorrido, se chegasse eu a escrever e publicar o livro projetado.
Aliás, entre as muito numerosas experiências que nunca escrevi, e que
contei a alguns raros Discípulos, capazes de compreender que as lições que
servem, são essas; as vividas; posso dizer que, já com a idade de 20 anos,
ocorrera-me cousa idêntica; após projetar escrever e construir mentalmente,
não um livro só, mas três; um tríptico, sôbre a vida de uma mulher que cai
na degradação, logo regenera-se e, finalmente se ilumina e sublima ... "topei",
dias ap6s terminar o esquema mental, com uma "novidade" recém-chegada
da França, na vitrina da então existente Livraria Loubiere (Rua Esmeralda,
em Buenos Aires); era uma obra de Ian Kheith; mesmo plano, mesmo tema,
três volumes e, para plena comp"ovação: mesmos três títulos, com a agra-
vante que, para escrever essa (minha, eventual) obra, eu renunciara ao
meu então habitual pseudônimo e escolhera um, bem bretão de ressonância;
Ian Kermor. Não se pode achar mais provas. Dessa~. tenho umas centenas,
vividas em todos os planos ...
Dá para meditar muito, Carolei, em; como é. de fato, possível, perceber
tudo quanto outros sêres mais elevados, ou antes chegados, do que nós, já
formularam. Não será isto a maior certeza de que TODAS AS INICIAÇõES
E TôDA SABEDORIA ESTÃO SEMPRE À MÃO, assim como TôDAS as
Tradições, para os que as busquem seriamente, por um labor esforçado e
perseveran te?

* * *
Voltemos a Barlet. que conhecera pessoalmente ao MEM PHI-
LIPPE em dezembro de 1898, como cita Chamuel (B.M.H., pâg. 67),
ao referir-se àquele mesmo dia do episódio com a mendiga de St.
Merri: " ... E, à noite, ambos (o MEM PHILIPPE e seu genro
Marc Haven) vieram com Papus ao meu escritório, para ver a
Barlet que travou conhecimento com o M. PHILIPPE e, até teve
a surprêsa de ver revelar fatos que só êle conhecia ... ".
Para terminar êstes breves apontamentos sôbre BARLET, de-
sejo, CaroJei, mostrar que quando um grande intelectual, um gran-
de sábio mesmo, como era Barlet, torna-se realmente Discípulo do
MEM, vê-se logo por diferentes fenômenos externos, como sejam:
o merecer assistir a certos fatos, isto é, participar dêles; em se-
gundo lugar, perder "isso que por aí chamam de respeito humano,

191
ou de senso do ridículo" (?) e ter a coragem - moral e mu,tica -
de proclamar a Verdade, mesmo quando se sabe que será difícil
que o interlocutor a possa aceitar; e, finalmente, a humildade
que, sem exibir-se, é bem fácil perceber nos fatos. Espero que to-
dos êsses aspectos lhe sejam evidentes no que vou relatar agora ...
Foi por ocasião dessa mesma "enquête" - de J e Sais Tout -
que já citei, na qual Papus teve oportunidade de responder ao re-
pórter que perguntava "se obtinham curas, de fato": aos milhões,
senhor! frase que pode parecer exagêro, aparentemente. Mas, Ca-
rolei, medite em dois aspectos; um, é êste: o MEM PHILIPPE
curou milhares de pessoas por mês, durante quarenta anos, quan-
tos são?.. E, em segundo lugar : Você tem certeza de que, quan-
do o MEM curava ou orava, por alguém que se dispunha a fazer
um grande sacrifício moral, 1tle não aproveitava para pedir e obter
a cura, alívio ou consôlo, de outros, cujos casos fôssem iguais ou aná-
logos? Olhe, que eu tenho algumas formosas experiências nesse
gênero. E que, se surgissem estudantes sérios (não é mania, não,
é condição sine qua non ... ) poder-se-ia intentar alguma cousa, in-
clusive no plano social. Já voltaremos a isso. Por agora, voltemos
ao repórter, que entrevistou a Barlet. 1l::ste último referiu o que
resumo a seguir: " ... em certa ocasião, um par de outros DisCÍ-
pulos e eu, fizemos longo passeio pelos campos, com um Mestre, na
região em que 1tle mora... foi anoitecendo e o MESTRE - que
nada fazia sem uma razão - disse-nos: pediremos janta naquela
choupana. .. Fomos recebidos por um casal de pobres camponeses,
que, com seus filhos, acabavam de sentar à mesa.
"Via-se a bondade, pois nos receberam e se apertaram em tôr-
no à mesa, sôbre a qual a camponesa diSpôs uns pratos mais, para
nós. E, começou, após a oração feita pelo Mestre, a repartir a
sopa. Mas... por mais cuidado que tivesse, terminou tal sopa,
antes que a pilha de pratos a encher... E, de repente, para as-
sombro de todos: a sopeira ficou novamente cheia de sopa ... "
Houve um silêncio na entrevista (como certamente o houvera
na abençoada choupana ... ) e o repórter, por fim atreveu-se a per-
guntar: "Mas, afinal de contas, quem encheu a sopeira? .. "
"OS ANJOS ... , Senhor!" - respondeu Barlet, o sociólogó
erudito!
O repórter tomou algumas notas mais, e, antes de partir, pe-
diu a Mestre Barlet, uma fotografia de sua pessoa, para ilustrar a
entrevista. Barlet calou, recolheu-se por uns instantes, com a tes-
ta entre as mãos e logo disse, suavemente: "Me permitem ... " e
dedicou o foto solicitada. - Entendeu, Carolei? - Alegra-me!

* * *

192
o Muito Excelso Mestre e "PHANEG". - Com. 112 - 1l:ste é
o último dos Discípulos diretos, que adaptaram externamente os
Ensinamentos do MEl\1, que iremos considerar nesta obra, já que
- como expliquei antes - se os há na região de Lyon, mais ocul-
tos e reservados, dependentes ou não de Philippe MARSHALL, é
o que o futuro esclarecerá, à medida que os corações se abram .. .
e que as mentes consintam em se unir!
De um notável artigo, escrito por Jean BOURCIEZ (N. 108),
resumirei o que mais nos interessa, em relação ao MEM PHILIP-
PE: Em 1866, na Bretanha, nasceu Georges DESCORMIERS, que
tornou-se tão conhecido como "PHAKEG"; autor, aliás, de ótima
biografia de Papus, de quem fôra discípulo, admirador, e colabora-
dor dedicado. Desenvolvendo a vidência voluntária, publicou tam-
bém obras sôbre: Astrologia Onomântica, Alquimia, Método de
Clarividência e, por uma alusão de Papus, parece que também de-
ve-se a Phaneg a reedição, em 1902, do inachável livro de Jacob
"EsMço Hermético dÇJ Todo Universal".
O artigo que resumo, contém a "inevitável" frase sôbre "o não
importa a data", do encontro de Phaneg com o MEM. O essen-
cial, realmente, é o artigo ressaltar que: "foi um hermetista que
entrou na Rua da Tête-d'Or, mas foi um evangelista que saiu, es-
perando que a hora de sua missão soasse"... o que ficou concreti-
zado quando "Tendo recebido do Alto, tôdas as diretrizes neces-
sárias, Phaneg fundou a "Entente Amicale Evangélique", onde, du-
rante 20 anos, comentou luminosamente os Evangelhos. - Publi-
cou em 1923, na editôra de seu amigo Beaudelot, o bom editor da
Rua àu Bac, uma série de palestras sôbre os Atos dos ApóstolOS,
com o título de "Após a Partida do Mestre", e, em 1925, "A Cami-
nho - Cartas a Crentes".
Semanalmente, Phaneg fazia uma palestra e, à parte, sessões
de curas, com inteira singeleza... "Na humilde sala da Rua Le-
courbe, na qual. entraya quem quisesse, ressoavam unicamente o
Pater e a Ave-Maria dos cristãos. Não havia magnetismo, nem su-
gestão; uma simples Prece ao Pai. - Um amigo - de quem já
falamos, diz o articulista - foi, durante anos, testemunha de curas,
confirmadas por médicos: rins purulentos, uremia, tuberculose pul-
monar, paralisia, cediam à Bondade do Céu, que a prece de Phaneg
e dos assistentes chamavam desde o mais profundo de seu coração.
"Privatiyamente, Phaneg recebia com prazer a quem quisesse
vê-lo. Contou com conyersões que pareceriam hoje sensacionais, e

N. 108 - Para mais pormenores, constlltm', na moderna coleção de


"L'INITIATION", N. 2 - ano 31 - dezemb,'o 1957, págs. 112 a 114, o
artigo "Georges DESOORMIÉRS".

193
salvamentos incríveis. .Já dissemos que, antes de seu encontro com
o 1\1. PHILIPPE, Phaneg era um vidente de rara agudeza. :f:le
sabia indicar o lugar exato de um objeto perdido, como descrever
a um historiador tal ou qual cena do passado, para a qual êste
carecesse de detalhes. Sabia dizer ao médico indeciso, qual o ór-
gão doente no paciente, e indicar a exata data da cura. Esse dom,
deixou lugar a uma comunicação direta com M. PHILIPPE. :f:sse
modesto servidor não utilizou mais o dom que o Céu lhe tinha con-
cedido, e, passou a pedir ao Céu por intermédio de seu MESTRE.
Nisso reside todo o segredo das curas, das conversões e dos salva-
mentos que êle obteve."
"Assim, por ter achado a M. PHILIPPE, e, p6sto definitivamen-
te, unicamente, a sua confiança no Céu, Pnaneg, um dos amigos
mais modestos de Papus, manifestou durante mais de 20 anos al-
guns dos poderes dos Apóstolos. ~esse lapso, escreveu sôbre a
Virgem, luminosas páginas, com o título de "Porta do Céu". E,
em 1947, "Notas s6bre o Apocalipse de João", nas quais projeta
luzes sôbre o misterioso escrito" (Obra póstuma).
Em 27 de outubro de 1945, aos 79 anos de idade, Phaneg fale-
cia, sem deixar sucessor espiritual. Em remas ulteriores, torna-
remos a nos encontrar com Phaneg, vendo como mereceu até uma
materialização do }fE}I, em Lyon, em 1928 ... , onde O procurara,
em 1902.
* * *
o Muito Excelso Mestre e ... eu. - Com. 113 - Após a his-
tória de Barlet, consultando para ver se "lhe permitem" dar uma
sua fotografia, poderá parecer ainda mais fora de lugar, eu vir
falar de mim. l\las, como já disse fi pág. 10 dêste volume, "estou
velho" e, não só me importa pouco o juízo que sôbre mim formnlem,
como, ainda, devo levar em conta que diversos daqueles, dos que
pensei poder fazer sncessores ou cola hora dores além da morte, "pi-
faram", como se costuma dizer na gíria ...
Cabe, então, earolei, deixar aos que fiquem - se algum ficar
- ou aos que venham mais tarde - se os cataclismos deixarem
oportunidade! - uns apontamentos que, embora não valham a
transmissão oral que poderia ser feita, a discípulos sérios, no con-
vívio egregõrico, possam contudo fazer compreender, "o porquê e
o como" de certos comentários, indicações ou sugestões, que deposi-
tei nesta obra; ou, ainda, de certos atos ou campanhas, iniciativas
ou tentativas, feitas ou encetadas, malogradas ou vitoriosas. Tudo
isso poderá, assim, ser melhor compreendido, do ponto de vista
oculto, ou místico, e, mesmo no seu aspecto aparentemente mais evi-
dente, às vêzes.

194
Naturalmente, evitarei tornar a dizer o que já contei no li-
vro Yo que. . . Será bom, então, considerar o que aqui segue,
como um complemento. Digamos, um segundo andar. O terceiro,
só poderia ser oral, evidentemente ...
Quando, perto dos oito anos de idade, tive aquela experiência
com o Gnomo, referida no outro livro, também começou para mim
uma curiosa época, na qual "lembranças" de vidas passadas se me
apresentavam ao ouvir algumas expressões, como: "Floresta Ne-
gra", por exemplo, que me permitia \"er-me a cavalo, entre outros
Cavaleiros. Visitei assim, em "visão mental", por exemplo, o caS-
telo de Heidelberg, e, cousa curiosa, as descrições que fiz dêle,
eram exatas . .. porém em relação ao castelo de antes do incên-
dio que, no século XVII, causou uma reforma de certas partes. -
Outras experiências do mesmo gênero, faziam de mim uma crian-
ça que, bem criança sob muitos aspectos, tinha no entanto. uma
atençeío interior diferente ...
Quem poderá explicar por que, nessa mesma idade - e antes
até - roubava da minha mãe todos os grandes alfinêtes, quando
os medalhões dos mesmos - que se usavam, na época, para segu-
rar os descomunais chapéus femininos - traziam a efígie de Ma-
ria Antonieta?
E, por que não havia quem me fizesse entrar, em Versalhes,
na Galeria dos Espelhos - e no Palácio em geral -, mas me sen-
tia muito à vontade no Petit Trianon? - E, 1101' que me perseguia
a imagem de um homem jovem, trabalhando naqueles jardins? ..
E, por que, aos treze anos, incomodado em aula por dois rapa-
zes, que não paravam de falar, virei-me e disse-lhes: "Se vocês
soube..,sem que, dentro de três meses, estarão ambos mortos, afoga-,
dos, teriam outro comportamento!" - E os pobres companheiros,
gêmeos aliás, ficaram certa vez - quando no rio Tigre, Ullla lancha
cortou o bote dêles - presos aos pregos, que havia debaixo duma
barcaça de fundo chato, sob a qual procuraram passar, mergulhados!
E, por que, na época em que tive as "reminiscências" de obras
e de conhecimentos, relatados a pág. 19 de "Yo que ... ", também
me da1:am experiências freqüentes, pelas quais via ou sabia, sem
visão - , e às vêzes com muita antecipação, que: em tal lugar, há
tal cousa. Ia ... , e, havia mesmo.
E, por que em Paris, em 1924, após almoçar em casa de pessoas
que se tinham tornado espécies de discípulos meus, em conseqüên-
cia de conferências feitas na "Salle des Sociétés Savantes", eu dis-
se ao Dl'. Maurice Dircksen - cuja espôsa, Sra. Blanche, me ser-
vira nesse dia de notável "sujet" magnético: - "Vocês não pre-
cisam se preocupar, como fazem, pela velhice: logo, morrerão jun-

195
tos, no mar"? E, muito embora não tivessem nenhum motivo nem
probabilidade, de virem a viajar nunca, pois nem posses, nem ten-
dências ou obrigações os levavam a isso, no entanto, pereceram no
naufrágio (e são raros!) de um vapor misto, no qual o doutor
aceitara fazer umas viagens como médico de bordo, "se o deixassem
levar a mulher". Há mais cousas raras, neste mundo, Carolei,
do que acredita a vã filosofia materialista, ou as explicações sim-
plistas do espiritualismo barato. Eu soube disso, cedo, e dediquei-
-me a buscar ...
Com 19 anos de idade, resolvi dedicar quase um ano a pensar, e a
classificar, na mente, tudo quanto tinha já: estudado, lido, vivi-
do e observado. Inventei treinamentos pessoais, do tipo que citei
mais tarde no "1'0 que ... " (olhar, gesto, verbo, etc.), para estudar
tudo que compõe o mecanismo humano. Ao mesmo tempo, fre-
quentei todos os ambientes possíveis: políticos, culturais, miséria
e "baixo-fundo", como dizem os franceses. Saí de lá com nojo.
E, com muito mais das camadas pretensamente elevadas, que das
outras. Mas, por outro lado, embora em correspondência pessoal
com um Henri Barbusse, e com outros, vi logo que nos ambientes
"de esquerda", havia os mesmos interêsses pessoais, as mesmas de-
savenças e ... ainda faltava o aspecto espiritual. - Na melhor das
hipóteses, aquela gente traria uma solução igualitária, ao nível
dos ventres. Dos peitos, das mentes, das almas, quem cuidaria?
Isso explica a fotografia N. 26, de 1923, época em que retomei
a Ioga, da qual recebera rudimentos - em 1922 - com aquêle
Iogue que acompanhara certo tempo, a pé. Mas, havia em mim
muito tumulto ainda, muito deS€jo de ação, para ser um solitário.
E, muita compreensão, para conformar-me com as explicações espí-
ritas ou do esoterismo elemental. Na Europa, fui amigo de Bour-
niquel, o braço direito de Gabriel Delanne, e assisti a trabalhos,
materializações, e à elaboração de ohras. Mas, também olhei como
viviam, o que realmente acreditayam, qual o grau de entrega e de
felicidade estável; de destemor, em todos os sentidos, inclusive o
da morte. - E, não me bastou.
Na Alemanha e na França, países no.'3 quais permaneci vários
anos, frequentei os Martinistas - então diyididos e pouco opera-
tivos, após a morte de Papus. É verdade que não tive contacto com
os discípulos silenciosos, elo :\1. PHILIPPE. Cousa curiosa: todos
os medalhões do Martinismo, os próprios Editôres ocultistas, etc.,
com os quais falei, não me assinalaram a nenhum dêles. - Sédir,
cujas "Amizades Espirituais" eram de recente fundação, ainda
era olhado sem compreensão, pelo menos por aquêles que conheci.
Procurei os colaboradores de Jolivet-Castelot, pois, como quí-
mico, e como astrólogo que já era também, não podia deixar de

196
me interessar. . . Mas, cousa curiosa, eu, a quem sempre trouxeram,
para que os conhecesse, a todos os descendentes das "linhas" mar-
tinistas, não achei em nenhuma parte o que buscava.
No Estado-maior onde servi, meu chefe, o Gal. MICHAUD, da
33.' Brigada, era irmão carnal de Charles Michaud, o então repre-
sentante em Paris do Martinismo de Lyon, com cujo Grã-mestre,
BRICAUD, entrei também em contacto, assim como com os Mus-
sidon, os Meunier e muitos outros, cujos nomes e endereços da épo-
ca conservo, nos Arquivos do Retiro ...
Haveria uma razão, Carolei, para uma evolução pessoal, se-
parada, tão independente quanto possíyel? - Creio que sim. Se,
desde 1924 já trabalhei como Iniciador Martinista, seriamente, isto
é: ditando a cada Discípulo, separadamente, as instruções de cada
Disciplina e, ainda, vigiando pessoalmente seus estudos de astrolo-
gia, etc. e servindo-lhes de tutor moral, continuava procurando, para
mim, não só A Via, mas ainda: alguma cousa mais do que "ocultis-
mo". A fotografia de 1931 - e pela tríplice conjunção que ali se
vê: de Sol, Saturno e Mercúrio, em Capricórnio, indica a data de
6 de janeiro, estando, aliás, mal colocada - aparentemente - a
ficha de Vênus que representava outra cousa - refere-se ao dito
a pág. 27 de Yo que ... sôbre magia cerimonial, da qual me ocupei,
às vêzes com outros Discípulos meus, desde 1926 até 1932, com al-
gumas interrupções, e com resultados alentadores como obras de
amor e de justiça (Curas muito boas; achado de obras muito raras;
obtenção da liberdade de pessoas injustamente acusadas; e ... al-
guns conhecimentos fora do que sempre reiteram os livros, tam-
bém como, por exemplo, curar a obsessão de uma menina de seis
anos, a 300 quilômetros de distância, etc.). Mas, isso não enche
a alma de -ninguém, que busca A Verdade e a Paz Interior, ... e
não está disposto a fazer abatimento!
Poderia lhe dizer, Carolei, uma cousa que reputo muito inte-
ressante: que aprendi assim, entre outras cousas, e com a verifi-
cação vivida, que, cada vez - seja na vida individual ou na vida
grupal - que se aproxima a pOSSibilidade de urna elevação real,
também vêm, antes já, as "provas". E, geralmente são tão singe-
las, e por isso mesmo "sutis", que escapam à visão pouco sagaz
dos pretensos "iniciados", que na realidade o são no real sentido
do têrmo: foram começados por alguém e... falta-lhes "apenas"
se terminarem sozinhos!
E. Carolei, quando vêm essas provas, pouco adiantam então
a Baquêta ou a Espada da fotografia 27. Os Nomes Divinos dos
mágicos círcul0S continuam sagrados... o Universo continua har-
mônico e a Vida continua marayilhosa... Os Deuses esperam que

197
façamos um real esfôrço interior, isto é: não mais para chamar
f antasmas, nem para sUbjugar fôrças ou entidades, nem para tra-
çar complexos esquemas das relações entre as cousas "inferiores e
superiores". Êles esperam que nos resolvamos: a viver a vida como
Êles a criaram. Só! - E não, como a deformamos. - Só, também.
- Oh, Sevânanda: então Você não aprendeu nada em todos
êsses a nos?
- Algumas cousas, sim, Carolei. Amei muito, sofri bastan te.
Fiquei certo de muitas cousas. - E, plantei raízes no InvisíveL ..
- Explico: quando se chega a definir o que é real e não ilusório,
nas Tradições, como nas Cerimônias e Ritos; quando se perde as
superstições, incluindo as que se revestem de nomes pomposos; quan-
do se renuncia a "mandar", por meio da magia, de qualquer es-
pécie; quando a gente chega, por fim, à profunda convicção de
ser tão pouca cousa, que procura, realmente, conservar êsse sentido
de proporção, passa apenas a tomar um 111odêlo, não tão elevado
como Deus ou Jesus; mas, sim, do mesmo raio e tipo que se esco-
lheu seguir e fazer (saber o que se quer, pr imeiro, e como sempre I).
Então, vêm as experiências.
Eu trabalhei, assim dezessete anos - de 1924 até 1941 - em
comunhão com Papus (pelo método que citei, quando falei de
Barlet) . E, posso dizê-lo com profunda alegria, os resultados fo-
ram sempre muito notáveis. Apenas pela imperfeição humana,
minha e de muitos outros que (não tendo os mesmos motivos que
eu, para procurar se entregarem o mais possível), uma e outra vez,
punham tudo abaixo, nos momentos em que - como já comentei -
o preço de mais uma elevação era apresentado.
Se precisávamos de locais ou de fundos, tudo "chovia". Se que-
ríamos editar uma obra: editor e facilidades apareciam, às vêzes
em circunstâncias tão "raras", que teria sido preciso ser cego,
para não ver a Direção e Proteção superiores.
Se uma pessoa, a quem déramos funções, abusava delas para
procurar conquistar a uma discípula, esta seria a que levasse um
nome tal que, kabballsticamente, ficava evidente que a pessoa nun-
ca respeitaria nem a amizade. Estas, Carolei, são, por exemplo,
cousas que servem, das que aprendi nos anos de juventude: a reco-
nhecer, por mil maneiras técnicas, as comprovações do que a intui-
ção, ou a cognição, ou a visão, informam.
Se alguém que colaborava comigo, não cumpria - apesar de
ser capaz de multiplicar objetos - com a obrigação moral, de en-
sinar só a verdade; e se eu formulava ao Mestre PAPUS e ao ME:'!I,
um pedido do coração, para então eu passar a acumular - e embo-
ra já muito sobrecarregado - o ensinamento de cousas do Oriente,

198
além das do Ocidente, então, no dia seguinte, surgia na minha re-
sidência um homem, já velho, que fôra outrora amigo e discípulo
de meu Mestre, Cedaior, e que, tendo sido iniciado no Suddha Dhar-
ma Mandalam, pelo próprio Guru ' Subrahmanyânanda, vinha me
dizer: "Esta madrugada, recebi ORDEM de vir lhe entregar todo
êste arquivo de cousas do S.D.M., com as quais nada mais posso
fazer, porque ... por tal motivo ... me afastei do caminho e sou
apenas um guardião ... ". Isso, não contei no "Yo que ... " mas,
Carolei: de tudo que conto, e do ,que não conto, também, há nos
arquivos documentos, fotografias ou alguma outra prova, semlJre.
E, possivelmente convenha dizer que, de certos documentos que acho
importantes, sejam iniciáticos ou de outra espécie, aprendi há mui-
to tempo a fazer depósito de cópias, em diferentes países: assim,
no caso, nunca impossível, de guerras, perseguições de qualquer
espécie ou origem, é muito difíoil chegar a destruir cousas, das
quais nem eu mesmo sei já, onde os guardiães as colocaram ...
Isso, faz parte do trabalho que chamamos de ';sério".
Muitas outras, das cousas que fiz ou intentei fazer, Você verá,
seja nos comentários sôbre a A.M.O., a Cruzada, o Monastério ou
o Alba Lucis. Porém, da época do Martinismo de Montevidéu, creio
dever lhe referir, ainda, umas historietas, possivelmente instruti-
vas, especialmente no que se refere ao MEM PHILIPPE . ..
E, Carolei, convém esclarecer que estas são apenas uma peque-
nina parte, do que poderíamos contar; mas, nem o livro dá para
tudo, nem podemos relatar muitos casos, que envolvem pessoas
alheias ao labor . .. E, também, antes de relatar as histórias vivi-
das, é preciso lembrar que, naquela época, eu tinha muito forte
apoio e direto contacto com o MEM, porque todo o esfôrço era feito
no sentido por Êle ensinado, em primeiro lugar; e, em segundo lu-
gar, durante certo tempo, um grupinho manteve-se suficientemente
unido para dar, senão base, pelo menos "esperança egregórica"; e,
como última razão, está a de têrmos sofrido - minha segunda es-
pôsa e eu (N. 109), não somente fome, como já contei - mas insi-

N. 109 - Assim como ensinei que, conforme o modo e idade em que


uma pessoa penetra (em cada encarnação) na Senda Espiritual, pode-se -
ou pode ela mesma - situar a sua idade espiritual, c possibilidades dadas
naquela ocasião, assim também creio que, as circunstâ.ncias e motivos que cer-
cam o casamento de cada ser humano, tem um significado. Tenho meditado,
por exemplo, nos modos em que cas'ei, três vêzes, nesta vida: a p,'imeira vez,
procurei pôr a salvo dos galanteios que me pa"eciam pouco elegantes, de
um oficial, a uma das Damas da "A:D .F ." que "egiam uma instituição na
Renâ.nia ocupada. Pouco a pouco, descobri se,· pessoa a quem, mna educação
errada criara o complexo de "não casar" e de "não podm' ser mãe" . Quis
demonst"ar o contrário. Enamo"amo-nos e casamos. Passamos dois anos
"casados em branco". O resto, como seja a antmciação da filha, já contei no

199
diosas campanhas para nos separar, e muitas outras cousas que não
é oportuno referir aqui, mas que dinamizavam o nosso labor, pelo
que, consciente e voluntàriamente, aceitávamos sofrer, caladamente.
Vejamos, pois, as histórias relativas ao Poder do MESTRE:

H. 7 - As "Oonsultas no GIDEE"

Av. 18 de Julho, 1018, 2.· e 3.· andar - bem em cima do "Club A rgentino",
um local nobre, todo de mármore Ca rra ra ; aluguel pesado ; atividades defi·
citá rias durante três anos. Nos outros qua t ro, não. Entretanto, desde o
primeiro ano, eu resolvera fazer pela rádio "LA V OZ DEL AIRE" um pro--
grama - sem propaganda, tempo pago por nós, os Martinistas - que, sob
o nome popular de "La Hora de las Ciencias Misteriosas", fazia 15 minu-
tos de divulgação acessível, e, depóis, pelo microfone mesmo, dava o nome
do doente pelo qual convidava a todos os radiouvintes a orar comigo naquele
instante e a REITERAR A PRECE AS No.VE DA No.ITE, hora em que
os Martinistas faziam sua Cadeia de Cu ração. A música escolhida era A
MESMA com a qual Papus e outrós, · na Europa, preparavam-se para essas
mesmas Ouras pela Prece Ooletiva: . O Largo de H aendel, que é, ainda, a
música com a qual abrimos nossas cerimônias martinistas ...
o.s resultados colhidos foram êstes : muitas curas, confirmadas. Sôbre
o tema OURAS, gostaria de voltar, oportunamente, no terceiro volume.
Anos depois, quando o programa não mais existia, AINDA recebia car-
tas de gente me escrevendo: e, cada noite, às 21 horas, estamos orando com
Vocês.
Outro fato curioso: - a partir daquele tempo, o. LARGO. DE HAEN-
DEL se tornou mágico: A Cruzada pelos Tuberculosos, em Montevidéu;
os mais variados movimentos assistenciais - até a L. B. V., no Brasil -
usam-no como uma de suas músicas prediletas. E, SE So.UBESSEM USÁ-LO.
com mais noção do que fazem e com laços com o M. PAPUS e o MEM
PHILIPPE. .. veriam curiosas cousas acontecerem, como aliás acontecem
também; em diversos luga res.
Em conseqüência dêsse programa, vi-me obrigado a receber consulentes
três vêzes por semana, à tarde. Das 15 às 17, a tendia de 20 a 30 pessoas.
Como é possível atender a tanta gente em tão pouco tempo, dirá Você,
Carolei: - A razão é simples: DIRETAMENTE RELIGADO. AO. MUITO.
EXCELSO. MES'l'RE, eu - já o disse - SABIA MUITO. DE To.Do.S e

"Yo que . .. ". - Essa primeira espôsa, cuja posiç'ão soda I e material desco-
nheda quando noivei, me trouxe facilida4es econômicas pa.,·a a primeira
parte da minha missão.
A segunda - a que passou fome em Montevidéu - era pessoa que
estivera casada com um amigo meu, que ia tornar-se louco por doença ner-
1Iosa. Avisei-o e, estando eu livre para casar, combinei com êle que assu-
miria a companhia da espôsa dêle. Foi uma fiel companheira durante mui-
tos anos. E, se em certa altura nos divorciamos, foi em tão boa harmonia,
que hoje ainda é Discípula e Oolaboradora íntima, tão amiga de Mãezinha
Sádhanâ como minha.
De Sádhanâ, já falei, e terei que falar ainda nesta obra. Mas, não
creio que todos possam viver estas experiências, com tal busca de reconstruir
sempre o equilibrio, não deixando desafetos, nem sacrificados, e, também "es-
peitando sempre os dispositivos legais, de forma que cada situação se torne
sempre totalmente normal e transparente.

200
- às vêzes - TUDO DE MUITOS. Davam-se casos como êste: entrava
uma senhora e me dizia: Doutor (o meu trabalho todo era feito como
Jehel, Doutor em Kabbala, que sou, pela Ordem da R.-C.) vim consultá-lo,
pois o meu fígado ...
Mas. eu não deixava a mulher prosseguir: "Senhora, o seu fígado é
cousa sem importância. Mas, a senhora já fêz três abortos provocados. J1l
verdade? - Pois bem, se pede perdão ao Céu e se me promete procurar ter
pelo menos UM filho e criá-lo como ser útil à coletividade, ficará curada!
E, SE PROMETIA DE CORAÇÃO, FICA VA MESMO!
Outra consulente; a m6ça mandada: Entrou, fechou a porta que se-
parava da Sala de Espera. Falou que estava debaixo da influência de um
mago; que gostaria de se livrar, que contava só comigo pois me admirava,
muito mesmo; que até gostava de mim... e, levantando-se, veio até mim,
e erguendo um pouco as roupas, sentou-se "a cavalo" sôbre mim, enquanto
seu olhar procurava "incendiar" o meu e seus lábios se ofereciam, embora "es-
perando" a minha reação. Quando, após um par de minutos dessa silenciosa
luta entre a "tentação enviada" e a tranqüila espera, sorridente, sentiu-se
desarmada, disse-me, envergonhada "Você tem poder, mesmo". E, desatou
a chorar, já sentadinha, quieta, no seu lugar: o mago que a mandara, per-
dera a batalha com o MEM ...
Expliquei-lhe, então, como tinha sido dominada pelo "seu" feiticeiro.
Disse-lhe que não tivesse mêdo dêle; que, no próprio dia seguinte, arrumasse
a trouxa, e viesse embora para o centro da cidade. Que eu lhe prometia,
em Nome do MESTRE, se ela fazia as cousas de coração limpo, que acha-
ria logo trabalho. Prometeu.
Por muit o tempo nada mais soube, e só me lembrava dela nos pedidos.
Um dia "topei" com ela na rua : Dmito decentemente arrumadinha. Per-
guntei como ia. - Muito bem; não tinha aparecido porque, embora enor-
memente grata, tinha muita vergonha de como se apresentara a primeira
vez. Estava empregada, vivia honestamente, tudo em ordem. - Gratidão e
alegria.
Outro caso: A M6ça "a,nulada": Uns 23 anos, Capricórnio e Tauro
combinados. Ficara órfã cedo. Uma tia a criara, mas agora a tinha qua-
se de doméstica e a impedia de empregar-se, ou de namorar e casar. Deseja-
va, profundamente, ser 'Mãe. - Expliquei-lhe Quem era o MESTRE; a
Balança Moral: e que, se queria prometer orar diàriamente, para que lhe
mandassem o' homem ao qual ela pudesse ser mais útil, e as almas a que
melhor pudesse servir como Mãe, então podia ir dizer à Tia que lhe dava
oito dias de prazo, para resolver se queria lhe dar liberdade: de viver com
ela, como môça que irá casar, ou se preferia que saisse. A tia, irascível, a
mandou embora logo. Dois dias após, estava empregada, no consultório de
um Médico; três meses após: casada e feliz. Filhos bonitos vieram: mais
umas vidas úteis e menos egoístas ...

E, já O disse, Carolei, haveria centenas de casos extraordiná-


rios a contar, vividos naquela época. E, isso, sem falar nos de
curas de doenças, tanto: das que se obtinham nas "consultas" a
meu cargo, como as que resultavam dos pedidos coletivos, das mis-
teriosas Cadeias Martinistas. Aliás, sôbre êste último tipo de re-
sultados, foram já publicadas, a título de estímulo, apenas, onze
casos notáveis, a páginas 41 e 42 do Relatório do Presidente do
Grande Conselho, com data de 3 de janeiro de 1942. Creio que, da-

201
da a possibilidade de vir, a Ordem Martinista de Papus, a flores-
cer novamente nestas latitudes, será interessante reproduzir essas
duas páginas, que traduzimos do espanhol:

"CURAS DE DOENTES"
"Numa de suas obras, P APUS, diz que algumas das Lojas
Martinistas, chamadas místicas, têm o costume de se reunir para
pedir a cura dos doentes graves. - Seguimos, nisso também, a
Tradição, e até Irmãos h;olados têm pedido e obtido, dos MESTRES
do Invisível, curas extraordinárias. Citarei somente algumas, es-
colhidas entre as mais curiosas e, notadamente, entre aquelas que
foram obtidas por Irmãos que, sendo também MÉDICOS DIPLO-
MADOS, deram-'S'e perfeita conta do extraordinário delas. Antes
de citar os casos, devo dizer que, na sua maior parte, foram obtidas
graças ao apoio do MUITO EXCELSO :\fESTRE, que em vida fa-
zia curas que se tornaram notórias em tôda Europa.
Cura n. 1 - Doente com intensas dores de cabeça e que ti-
nha as faculdades mentais alteradas desde muito tempo atrás.
Um Irmão, Médico, o visitou e, à parte de um pequeno tratamento
ostensivo, quase somente destinado a cobrir a sua personalidade de
Iniciado, fazia fortes e sinceros pedidos ao MEM. - Cura Comple-
ta em dois meses.
Cura n. 2 - Uma jovem, com duas hemoptises, foi posta em
relação com um Irmão nosso, que foi visto pela jovem, entrando no seu
quarto em corpo espiritual, acompanhado de um Ser muito gran-
dioso: cura em alguns dias.
Cura n. 3 - Menino de 12 anos, atacado de "corea minor",
completamente paralítico. Caso considerado perdido por todos os
médicos. Um Irmão nosso, Médico, tratou de obter melhoria com
um sistema homeopático muito bem feito. Durante 30 dias, o
doente se manteve sem melhorar, nem piorar. Então, o Irmão,
compadecido do sofrimento do menino e de seus pais, pediU inten-
samente ao MEM PHILIPPE durante três dias consecuti\'os: uma
semana após, o menino joga FUTEBOL.
Cura n. 4 - Numa reunião de Martinistas, pede-se por uma Se-
nhora que deu à luz, por operação cesariana, a uma criatura qua-
se morta. A paciente tinha 86 gramas de uréia antes da opera-
ção, e pouco antes do parto tinha sofrido graves operações no ven-
tre, e tinha albumina, o que agravava o caso. Pede-se no dia 17.
No dia 24, o Irmão encarregado de trazer notícias da doente, co-
munica que ia sair do hospital, completamente restabeleci da e com
a criancinha em perfeita saúde. A uréia baixou 36 gramas. Cura
tipicamente "milagrosa" no dizer do médico profano ...

202
Cura n. 5 - Durante várias reumoes, pede-se por uma senhori-
ta de 21 anos, atacada de tuberculose intestinal, febre de 39 a 40
graus durante meses. Os médicos diagnoMiC'am rápido fim. Um
dos nossos Irmãos, médico também, visita à Senhorinha ao tempo
dos pedidos e acha-a completamente restabelecida, sem febre ne-
nhuma, para estupefação dos demais médicos. Nunca mais teve
recaídas.
Cura n. 6 - Em Montevidéu, alguns Martinistas pedem pela
cura de uma Senhora, residente em Buenos Aires, atacada de for-
tes reumatismos articulares. Cura rápida.
Cura n. "'/ - (Excerto de uma carta .. . ) ... 0 Irmão X .. . , na
sua qualidade de Tesoureiro, manifesta ter recebido uma contribui-
ção voluntária, de 20 pesos, do Irmão Z .... , que, como Médico, a
tinha recebido em virtude da insistência de uma doente, cuja cura
êle atribui exclusivamente à intervenção do InvisíveL ..
Cura n. 8 - Dia 11, numa reunião, pede-se por uma senhora
operada de apendicite grave, à qual após alguns dias declarou-se
uma alta febre de mais de 40 graus. CURA EM 24 HORAS, vol-
tando a doente a seu domicílio imediatamente.
Cura n. 9 - Num dia 18, pede-se por um senhor, operado de
hemorróides, com infecção no fígado e pulmão e cuja morte es-
pera-se fatalmente. Melhoria considerável no dia seguinte, cura
em contados dias.
Cura n. 10 - Caso de uma senhora com OSTEOMIELITE, nu-
ma perna, operada diversas vêzes, sem nenhum resultado: TRIN-
TA DIAS após, caminha já sem bengala.
Cura n. 11 - Pede-se por um doente, cego, paralítico, com 8 de
pressão arterial. Um Irmão recebe do Invisível o tratamento a
aplicar simultâneamente com os pedidos: um pouco de alfafa (lu-
zerna), crua, a pôr na salada diária. CURA TOTAL da ceguei-
ra e da paralisia, em sete semanas.
"Poderia eu citar dezenas e dezenas de casos semelhantes, po-
rém êstes já mostram, o que pode um pouco de BOA VONTADE,
de ALTRUíSMO e de SINCERIDADE, utilizados pelos VENERÁ-
VEIS MESTRES, dinamizando a nossa ação sôbre os doentes.
AMAI-VOS UNS AOS OUTROS."
Assim termina, Carolei, essa parte do Relatório do P.G.C. da
Ordem Martinista, naquela época. E, como Você poderia se admi-
rar que, após ter dito que iria tratar das Curas bem mais adiante,
no terceiro volume, esteja agora citando êsses casos, explico: nos
casos acima, só citei os efeitos obtidos e o fato de se usar a Prece.
Mas, não ficaram expostas as condições que podem: ou fazer
com que tais Preces sejam ouvidas e as Graças concedidas; ou, pelo

203
contrário, as condições que, motivadas pela má conduta ou incoe-
rência dos sêres, tornam nula a ação, seja individual ou çoletiva,
provocando até, nas vidas particulares, pessoais ou das agrupações,
bruscas mudanças que dissolvem aquilo que já não se ajusta ao
"rótulo". .. quando êste é de "marca responsável". Porém, como
poderia acontecer, earolei, que lhe fôsse assim mais fácil com-
preender o real fundamento de tal mecanismo, vou dando, nestes
temas, preliminar e muito calculadamente dispostos, o material que
pode permitir compreender, aceitar, sentir e... aplicar.
E, antes de deixar a "época Martinista do Uruguai: 1941/1948",
vou lhe brindar outras historietas, que mostram as mesmas leis,
aplicadas a outros aspectos da vida dos sêres, com fenômenos bem
interessantes. Depois, infelizmente, também teremos que ver o
que acontece Quando não aproveitam e não são gratos, nem fiéis . ..

H. 8 - Oâncer, Roleta e Ingratidão

Montevidéu, 1941. O Sr. P.H.B. (Ashmole, 106. nos velhos Registros


da Ordem .. . ) , pede para ser iniciado martinista. Presta alguns serviços,
de bom grau. Uma de suas cunhadas, com câncer no fígado é "aberta e fe-
chada" pelos cirurgiões, que lhe dão "dias" de vida. "Ashmole" faz deter-
minado sacrifício moral. Todos pedem. A paciente é milagrosamente curada;
cura verificada radiogràficamente. (Fim do primeiro ato.) - 1942: Ashmo-
le cede e torna a jogar na Roleta, inclusive: compromete fundos da Direção-
-Geral de Impostos "X ... ", da qual é subdiretor. A situação torna-se grave.
Será descoberto e processado. Arrepende-se, e implora ao MEM. Apoia-
mos com pedidos. - Então, uma tarde, a sua filhinha de cinco anos, inter-
rompe o brinquedo e, olhando grave para o Pai (que nada contava em casa
de sua terrível preocupação) lhe diz: "Sabe, paizinho, que hoje, às 21 :17,
o "17" sairá três vêzes seguidas ... ". Lá foi êle, e ganhou exatamente a
elevadíssima soma que devia e que repôs... a tempo! Imensa gratidão ...
na época. (Fim do segundo ato.) - 1944: Não resiste mais à tentação do
jôgo, nem a de "hipnotizar" a uma sujet, mediante a qual conseguiu, às
vêzes, saber os nomes de barcos afundados na guerra... e com isso poder
se "exibir" ante os amigos ... - Há uma denúncia, todo seu passado adminis-
trativo é investigado. t; destituído e passa a subalterno. Recebe essa notí-
cia na cama, à qual fica pregado oito meses, com terríveis dores reumáticas,
com forno elétrico, etc. mas nada o alivia, porque: se êle não sofresse tam-
bém em carne própria, teria de morrer a cunhada, salva a seu pedido e me-
diante uma promessa que não está mantendo... Está começando a entender,
earolei? ..
Tivemos a felicidade de poder intervir e reduzir um pouco o prazo do
sofrimento ...

H. 9 - O Parto pré-visto de "Myriam-159"

Primípara em condições desastrosas, conforme previsão médica. O pe-


rigo de morte, da mãe ou da criança, é grande. O temor da interessada, tam-
bém. Os pedidos coletivos são fortes e persistentes, durante a gravidez. Um
dia, ela "vê", de madrugada, num estado que não consegue diferenciar se é

204
sonho, tor por ou?, pois não é médium, nem sensitiva. 11; mental, em extremo.
O que vê, é a si mesma, conduzida em mesa rodante, de clínica, para a sala
de operação. Vê as enfermeiras; repara nos médicos que lavam as mãos,
põem as luvas. Mais tarde, vê-se num leito, com a criancinha - menina -
do la do, sorridente. I sso a reconforta. Fim da gravidez em ótimo est ado:
físico, mental e místico. Chega a época de internar-se. E, para surprêsa
sua, reconhece as enfermeiras; logo, reconhec" a sala de operação e os mé-
dicos . . . chora de gratidão antes da anestesi~ e . . . acorda no leito que jâ
"vira", com a menina do lado... tudo bem... por um tempo. A gratidão
h\lmana é tão curta, compa ra da com a MISERICóRDIA D ~LE! ... Com-
preende. Carolei, porque é t ão difícil fazer a lgo sério e sólido r . ..

H. 10 - Botetadas, bifes e bur la à polícia .. .

Esta história tem aspectos cômicos, como a nossa vida humana nunca
deixa de ter, já que não somos sérios. - Também os tem muito graves.
Você mesmo fará a classificação e verâ a unidade que, contudo, impera no
caso. Assim espero, pelo menos. - 1943 : Por ocasião de uma de minhas
visitas, quase mensais, a Buenos Aires, para ver a os Discípulos de lâ, a
espôsa - não discípula - rle um dêles, pede-me audiência. Explica-me,
então, ser católica ardente, e querer "tirar de qualquer jeito" ao marido do
sei o dos discípulos, para "jogâ-lo aos pés da Virgem". - . .. Após pergun-
tar-lhe, se tem certeza de que a Virgem gostaria de tanto fanatismo " vIo-
lência. .. vejo-me obl'lgauo a dizer a essa Senhora, em particular, algulDl1s
cousas que não a honram muito. Curva-se, como todos nós temos que nos
curvar quando põem à mostra . .. o que tan to trabalho nos dá evitar que
outros vejam . . . ou que até fazemos de conta qu e não vemos em nós! -
Chegamos a um acôrdo : eu prometo que o marido (desenhista) deixará o
labor acessório com o qual melhora o orçamento da casa (mulher e duas
filhinhas): orquestra de senhoritas numa confeitaria, à noite . .. pois a de-
vota espôsa é ciumenta como um . .. tigre católico! - Ela deixará o marido
estudar e "permitirá" que êle saia, uma noite por semana (das 20 às 23)
para ir ao Grupo Martinista ao qual pertence. (Fim do primeiro ato.)
- Seis meses depois: êle j á procura (não por minha ordem) fazer-se ve-
getariano; ela briga por isso; chega, um dia , a tomar o bife cru e a lho
esfregar no rosto, diante das filhinhas apavoradas, e a esbofetear ao marido
que, felizmente, consegue manter a calma. 1llle me consulta e me conta que
ela ameaçou com "denunciar" as reuniões (?) de acôrdo com os conselhos do
seu confessor (ainda bem que não foram "da Virgem"!) .
Peço a "Spaldah - 169" (o Discípulo) qu e continue: orando, traba-
lhando. . . e indo às reuniões. Ohamo à espôsa e increpo sua falta de cum-
primento do trato. Concito-a a melhorar a conduta, pois seu lar está em
perigo.
A r esposta dela é provocadora. Deram-lhe "corda". Pa rte como veio.
Dias a pós, na casa do Prof. M. C. (colabora dor de Einstein, mais tarde . . . )
na qual se fazem as reuniões, às 22 horas, ba tem na porta. A espôsa dêle,
Discípula Th . .. vai abrir: Polícia: queremos revistar tudo; mostram or-
dem do Juiz. Pois não: Acham na sala o marido estudando ; música aber-
ta sôbre o piano; apenas duas xícaras de chá sujas, na cozinha. Estâ claro
que não há reuniões, como dizia a denúncia. Mas. . . por via das dúvidas,
fazem bem seu trabalho: esvaziam todos os móveis; revolvem tudo; até o
colchão é "sondado" com longas agulhas. NADA. Honestamente, lavram
uma Ata, cuja cópia entregam ao dono da casa, a quem informam que: "no
dia seguinte, querendo, poderá obter na Polícia os elementos para processar
por calúnia, à denunciante... Sra. F ... , "a dita cuja".

205
Claro, que não interessa processar. Só interessa: orar por ela. Mas,
agora vem o que nos interessa:
1.-) - No dormitório, lá onde mais revolveram, havia um móvel, espé-
cie de pequena Secretária, bem cheio de todos os papéis das reuniões, inclu-
sive de atas de curas, cousa que, se a polícia de Buenos Aires achasse, em-
bora no fim das contas fôsse possível provar, meridianamente, ser tudo feito
só pela prece, teria · dado uma trabalheira "danada", já que o ambiente por-
tenho é cem por cento (ou pelo menos o era naquele tempo) oposto a tudo
que não seja puramente material, "científico", etc ...
Ora, ésse móvel, nem o viram! Havia lá: dois investigadores e um es-
crivão. Curiosa cegueira, ou curiosa invisibilidade e intocabilidade de um
objeto, pois, tinham que tê-lo visto e tinham que esbarrar nêle, quando qua-
se desmontaram a cama do casal!... Cousas do Muito Excelso Mestre ...
2.9 ) - Nessa noite, era de fato dia de reumao. E, nesse grupo de uma
dúzia, aproximadamente, de Martinistas - número ao qual eu limitava os
Grupos, por diferentes razões - a presença era de 90 a 100%, sempre, nun-
ca suprimindo-se as reuniões, com exceção de feriados nacionais ou dias de
aura perturbada, como os carnavais. Mas, nessa noite, tinham estado às
vinte horas, uns três Membros do Grupo, avisando terem de comparecer, jun-
tos, a determinado compromisso técnico. Outros, telefonaram: "impossibili-
dades imprevistas". E, a dona da casa, espôsa do '"Delegado Martinista"
da zona, telefonou aos restantes e suspendeu a reunião ... : Cousas do Mui-
to Excelso ...
Conclusão: dois anos após, o citado Discípulo estava divorciado, e já
casara com uma jovem, cujo ideal foi de acompanhá-lo na Senda Mística.
Cada um prepara-se o amanhã que merece... Mas essa é uma solução mui-
to menos boa, que a possível de ser obtida com um pouco mais de boa von-
tade, mútua.

Com. 114 - Você pensará, Carolei: Então, a que álturas e


prodígios, devem ter chegado, tanto nessas "consultas do Dr. Jehel",
como nas Sessões Martinistas! - Infelizmente não, Carolei. Ex-
plico, em duas palavras:
Certo dia, dois de meus Colaboradores (excelentes pessoas,
aliás, porém com os "seus" pontos de vista, e pouco dispostos a dei-
xar de "opinar": direito sagrado em tôda democracia que se respei-
ta, conforme dizem . . . ) vieram falar comigo. O terceiro, e o quar-
to, não eram "dos que dão a cara". Eu... continuava a cultivar a
arte que o carioca chama de "fazer-st' dt' ... desentendido". E ou-
vi isto:
"Essas consultas não trazem discípulos... a maior parte é gen-
te pobre ... até mal trajados ... e nem fica bem, tomarem o mesmo
elevador que os Senhores Sócios, do Senhor Club, etc ... e não atra-
em Pessoas "Bem", etc ... " - Cnrolei, confesso que hesitei por
alguns segundos: entre jogá-los pela janela; ou sair uivando de dor;
ou continuar a fazer cara de bêsta e consentir em que UMA DAS
RAíZES MAIS FORTES DA OBRA fôsse, assim, cortada pelo ma-
chado de estupidez humana, da incompreensão, da ingratidão, etc ...
- Mas, dirá Yocê: e por que "não lhes explicou"?.. Se Você
"acha", ainda, Carolei, que se pode e:qllicar certas cousas, a quem não

206
as sente e não as vê . .. então ainda está na etapa intelectual e dis-
cutidora. - Mas, eu, que me guio pelos Sinais, já vi assim, desde
1943, que aquêle labor não daria o que se esperava. Mais tarde,
em 1946, outro gesto de puro egoísmo coletivo, em Montevidéu, im-
pediu que SE FIZESSE o que era para fazer. Não me interessa
apontar fatos, pessoas, etc. Nem sequer os nomes ou ocasiões, con-
servados nos arquivos, de tôdas as pequenezas que, reunidas, for-
mam uma GRANDE PEDRA posta ante tôda roda de tantas obras
úteis à sociedade humana. O caso coletivo em aprêço, não é nem
uma exceção. Mas, por isso foi fechada essa etapa, e nasceu uma
outra, da qual falei em têrmos gerais, a páginas 207 a 211 de
"Yo que ... " e da qual preciso comentar alguns aspectos internos ou
místicos, para que se compreenda melhor, como continuou A Busca,
no sentido de procurar qual a melhor oportunidade, para os poucos
estudantes sérios, dentro da mentalidade e ambiente em que nos
tocou atuar, tendo sempre, não o esqueçamos, o Martinismo como
base, mesmo quando invisível, e como padrão para avaliar mode-
los e resultados, no labor.

* * *

o Muito Excelso Mestre e a "A.M.O.". - Com. 115 - Já vi-


mos, Carolei, que, em parte de\'ido ao que o M. Cedaior nos disse-
ra sôbre o uso do nome de "AMO", para designar ao MEM PHI-
LIPPE (e já disse que, no fim desta obra - 4.· volume - se
descobrirá o real segrêdo que está por trás de tal afirmação); em
parte porque, não só sempre fomos muito atendidos e protegidos
por 1l:le, quando invocado nessa forma (acho que, para 1l:le, só vale
a intenção e sinceridade, e pouco importam os nomes! Deve ter
usado tantos, em milhões de anos que nos dirige!); em parte, tam-
bém, porque a Sua Direção foi evidente, na fundação da A.M.O.
- como referi no outro livro -, aconteceu que, ao serem fechados
o l\lartinismo (como labor coletiyo-cerimonial, só), e o "Gidee",
sobrou o "Suddha Dharma", no seio da recém-formada A.M.O.,
além da manifestação, sempre evidente das Correntes: . Rosa-Cruz
e :.\lartinista, que são como o Sol e a Lua!... com relação à Terra.
Mas, a preparação de futuros "intimos", começou na A.M.O.
com uma seleção, destinada a fazer compreender que "o tempo de
brincar" passara.. Por um lado, o prometido contacto (laço, co-
municação, fenômenos sensíveis - e não mais espirituais e morais
somente) era dado, como uma oportunidade mais forte - embora
Illenos elevada - aos que, não tendo podido seguir o Caminho Crís-
tico puro, iriam ver agora, a oportunidade da Senda-Múltipla.

201
Já que muitos ansiavam por mais psiquismo, treinamentos e
possibilidade de "manejar seus corpos sutis", etc... isso lhes seria
oferecido. .. com a respectiva fatura! E, comigo e Sádhanã à
testa, a experiência poderia ser levada até às suas últimas conse-
qüências, já que para nó!" tudo dava na mesma: a nossa entrega
era total e definitiva, para o que desse e viesse. E, Carolei, não
esqueçamos que, durante os anos de 1950 até 1953 - e após, em
outra modalidade equivalente - conseguimos fazer apontamentos
diários de: todos os fatos externos e internos; tôdas as práticas,
visões, avisos, profecias, êxitos e fracassos, de todos os principais
Discípulos, bem como de nós mesmos. - Nesse entido, há nos ar-
quivos muita cousa excepcionalmente útil, para os que exercem
fun!:Ões diretivas, ou que vão assumir alguma das "missões", a que
se alude em "Yo que ... " e das quais alguns aspectos se comentam
adiante.
Os Poderes do MEM e áos Mestres que O ajudam, em lugar
de se manifestarem, como até então, para curar aos de fora, foram
dirigidos para retificar aos de dentro, que "diziam" ter aspiração
espiritual tão veemente, tão ardente, que estavam prontos a su-
portar. .. tudo! Quantos se queimaram... ou viram suas ilusões
sôbre si mesmos, queimadas como noturna maripôsa, que se apro-
xima imprudentemente da Luz! Vou seguir o método das "His-
torietas", que, além de não ser pesado para ler, continua deixando,
a cada um, livre de tomar o que quiser e puder ...

H. 11 Três casos de castigos físicos

Fevereiro de 1949.. No terraço da casa de uma Discípula, estão reuni-


dos os principais membros da A.M.O. - Fenômenos interessantes foram anun-
ciados, para completar outros já vistos na véspera. Um dos presentes,
K ... , teve "uns pensamentozinhos nada santos", conforme relatou - com
notável franqueza - posteriormente. Ao passar por uma janela baixa, cai,
quebra o braço e PAGA À VISTA .. resolve ficar todo o tempo da reunião
- 2 horas! - voluntária e conscientemente, com a fratura, para não per-
turbar. Recupera, assim, certa posição interior ...
Março e abril de 1951: Sadhanâ e eu, já abandonamos tôda e qualquer
atividade" profissional". Vamos gastando o que temos, entregues... Mas,
Sádhanâ sabe que não deve trabalhar. Certo dia (10 de março, na Agenda
da Vida Mística, arquivada) "acha" que - para ajuda!' a certa pessoa -
"poderia" abrir uma exceção. Então, quando vai ligar, como todos os dias,
a cozinha elétrica, há, de repente, um circuito - e os fusíveis são para 10
Ampêres! - e ela fica com todo o interior da mão direita com queimadura
de 3.· grau. Anda, aliás, pela cozinha, como uma leoa na jaula, mas não
dá um pio! Pomada, médico, mão imprestável por muitos dias. E, não
esqueça, Carolei, que a "idéia" dela, era apenas, de "eventualmente" aceitar
até um emprêgo, para ajudar a obra, já que as minhas viagens à Argentina e
outras despesas da Obra, comprometiam o nosso equilíbrio financeiro... no
qual cada tostão estava com destino certo (há apontamentos da época: a
Obra nos custava uns 300 pesos urugu aios mensais).

208
Em 5 de abril, Sádhanã já tem uma pelezinha nova, delicada. na mão;
porém, na véspera, antes de deitar, veio uma visita: a de uma mô~a, discí-
pula, que tinha pedido muito a Sádhanâ que "a ajudasse" numa dificuldade
técnica, com uma cliente da mô~a. Sádhanã "pensou" abrir exce~ão e aceitar.
Então, no dia 5, em outra parte da casa - na qual a instala~ão elétri-
ca está igualmente perfeita - quando vai ligar a chaleira elétrica, novo
circuito, lhe torna a queimar a mesma mão... naturalmente dói muito mais!
- Mas, agora, ela entendeu definitivamente: tôda atividade profissional lhe
está realmente vedada.
Viu, Carolei, como ~omos teimosos, todos! Eu também: vou contar.
1951: Eu tinha recebido ordem (nunca revogada, até hoje ... ) de sem-
pre usar o Bastão. Mas, uma vez, tendo que ir "pertinho de casa", achei
desnecessário. . . Minutos após, Sádhanã me via voltar, penosamente: ti-
nha destroncado o pé... Outra vez, era em Buenos Aires. Parava na
casa de certo discípulo e, tendo que sair com êle, também dentro do próprio
bairro .. " não achei necessário... e não fiz dois quarteirões: pé destroncado
de novo. No entanto, são centenas de pessoas as que me viram, mais tarde,
no Monastério subir e descer morros, de tamanco. Mas, para pisar na rua,
"a servi~o" da Jerarquia, ou levo Bastão, ou levo pau... :É só escolher.
Aliás, já o disse, Carolei: Sempre: é só escolher!

Com. 116 - Não gostaria de lhe deixar, Carolei, a impressão


de que os fenômenos eram sempre "castigos", Não! Também os'
havia (e continua havendo, para quem merece e observa ... ), que
eram estímulos, ou "testes". Alguns até emocionantes, seja pelo
carinho do MEM, ou dos outros "Mestres Secundários" (têrmo para
clareza, apenas), e que, com um pouco de meditação, mostram bem
"o que esperam e desejam de cada Discípulo, antes de lhe entregar:
ou dons, ou poderes, ou mesmo conhecimentos, acima do banal, e
livresco. Vou referir alguns casos".

H. 12 - Fenômenos Diversos e Testes


8-12-1949: Sádhanã fica imobilizada numa poltrona, e eu "pregado"
ao chão, cada vez que me dirijo em certa dire~ão. Mas, se volto para
outra, para tornar definitiva a união dos nossos destinos, para a Obra, a
liberdade de movimento é total. - Após quase uma hora de comprovações
nesse gênero, tomamos uma decisão que iria, de forma categórica, coroar tudo
quanto os Mestres vinham nos apresentando, desde 20 de setembro do mes-
mo ano, inclusive tôdas as pl'ovas, de todos os enganos ou dissimula~ões de
certas pessoas, que tornavam impossível continuar êsse tipo de labor, em
tais condições. Aliás, Carolei, foi essa experiência, de 1949, que nos serviu
muito, em 1957, no Monastério, quando uma situação análoga apresentou-l:!tl
e que, na mesma forma: provas e avisos começaram a nos chegar de todos
os lados! Curiosa indica~ão psicológica para o futuro; enquanto Sádhanã e
eu, vivíamos essa prova terrível de uma hora; duas pessoas que, pelos la~os
iniciáticos conosco, poderiam ter estado orando, perdiam lamentàvelmente
o tempo em conversa... ~sses, Carolei, são os sinais que é preciso aprender
a ver, a custa de dor . .. e de silêncio!
Ishma e os Bombeiros: Naquela época, o ME~I estava procurando pre-
parar a quem, mais tarde, seria a Monja Ishma, para certa Missão. Para
isso, como ela, no fundo de sua mente, tinha ainda certas dúvidas e certo
temor fi morte, concederam-lhe a graça - reiterada! - de certas experiên-
cias, das quais relatarei algumas:

209
Na quarta-feira 11 de janeiro de 1950, Ishma vem nos visitar, aflita
por uma explicação, do que lhe acontecera pela madrugada: "Deitada, disse.
ouvia, no ouvido do lado em que sou surda, o sino de alarma dos bombeiros,
como se fôsse bem defronte da minha casa. - Sentei na cama e o silêncio
era completo. Por duas vêzes mais, tornei a poder viver a mesma cousa:
se deitava, ouvia com fôrça aos bombeiros, a conversa de muita gente e,
também, a sirena da ambulância pública. - Se me sentava, inquieta, tudo
calava."
Comentei à Disc. Ishma que isso era um aviso; que estivesse atenta.
- Na tarde da quinta-feira, dia seguinte, Ishma voltava do centro da cida-
de, a pé, para sua casa. E, à medida que ia chegando para mais perto de
seu bairro, os joelhos lhe tremiam, sem saber porque. Quando próxima à
sua casa, viu as ruas cheias de gente ... e bem def1'onte da sua casa, bem
na direção de seu balcã;>, mas do outro lado da rua, estavam lá as mangueiras
dos Bombeiros, pois um grande incêndio atacara um depósito de filmes cine-
matográficos. A ambulância veio, pois houve bombeiros feridos. Ela as-
sistiu a todo o fim do terrível incêndio, do qual fôra avisada umas 36 horas
antes . . . mas, o MEM quis lhe ensinar a "prestar atenção a todo sinal já
conhecido". - Vejamo~:
No sábado dia 14, estando no outro extremo da cidade, em nosso Tem-
plo particular de Malvin, justamente após forte cerimônia devocional. sen-
tiu novamente o tre'm01' dos joelhos e, minutos após, os Bombeiros passavam
na rua. Bonita confirmação, quando a gente é capaz de aprender a p,'es-
tar atenção e a perder as dúvidas!
E, no que se refere a perder o temor à morte, veja Carolei, que dádiva
foi brindada à mesma Discípula (àuas vêzes, aliás): em 22 de agôsto de
1950, pela primeira vez, no pequeno Templo do casal Samsaradasa-Samsara-
devi, de Montevidéu, Ishma foi "destriplicada" (desdobrada é pouco, no caso!),
pois, após certas experiências e cerimônias, procurando sentir a vida de suas
células, etc... "sentiu-se como "virada pelo avêsso" e, logo, via: a seu ('01'-
po, sentado em postura de ioga, no chão (como realmente estava); a seu
outro centro ou corpo, pleno de luz, ao lado e, ela mesma (consciência) es ta-
va à esquerda de ambos, e como a um metro do chão,.. (devo dizer, Caro-
lei, que na segunda vez, ela ficou separada em quatro: físico, anímico, men-
tal e consciência; sendo que esta última VIA aos outros três corpos, cada
um com um aspecto, atitude e sensações totalmente diferentes, Mas ...
isso é ioga!

H. 13 - Avisos sôbre uma entrega fracassada ...

Em 21 de março de 1950 (uma semana após terminar aquéle jejum de


67 dias), Sádhanâ teve esta visão: (às 21 :30 hs) - Uma Cruz de Malta
prateada, sôbre a qual ressaltava um grande e circular quadrante de reló-
gio, pré to, cujas agulhas claras marcavam 3 hs, e 1 minuto (ou, 15 hs. e
1 minuto). - Naquele dia e seguintes, não achamos a que podia se referir,
embora essa Cruz seja "martinista".
Em 31 de março, viajamos juntos para Buenos Aires (camarote 122,
é claro!) e Sádhanâ sonhou que: o Discípulo P-268 (não posso dar o nome,
porque já é falecido) estava, junto comigo, frente a um espelho, e também
com ela, que via que P. 263 me oferecia' 1tma casa-chácQ1'a, mas que eu es-
perava outra espécie de entrega, e relutava interiormente por achar como
resolver tudo melhor ...
Já, em 4 de abril, tínhamos um almôço marcado com uma Discípula
(P-41S), a cujo almôço devia comparecer também o amigo P -263, pois
tratava-se de estudar a conveniência de 1tn'Íl' as vidas, pelo casamento, dêsseb
dois séres, já de certa idade ambos, que poderiam fazer muito, tanto por uma

210
vida feliz e mutu ament e útil, como pela obra. O almôço começou t arde, e,
qu a ndo a bri a bôca para tra t a r do tema, vi , sôbre o piano, o relógio da
Vlsao: marcava, exatamente,' 15 hs. e 1 minuto. E, na minha frente, na
parede, estava o símbolo da Cruz de Malta. Mas, como semp1'e se deve fazer
tudo, por dar a oportuni dade a todos, tratei do ass unto, que ambos acharam
bom, pois já faziam estudos e ásana-ioga j untos e havia mútua estima e
a fet o.
Mas... em 11 de a bril, P -263 t inha uma recaída na saúde (a vida
fôra -lhe salva pelo MEM meses a ntes, e, portanto ele devia entregar-se ... )
e, não podendo nem toma r o elevador do nosso hotel, eu desci para atendê-lo
numa leita ria onde ... me ofereceu sua resolu ção de "compra r uma casa-chá-
cara, para fazer uma escolinha de ioga, etc .. . " - Foi-me difícil sair do
assunto, não querendo "ferir" a um homem doente. E, por outra parte,
vendo que não era possível fa zer nada, pois já em 4 de abril mesmo, Samsa-
radevi, de Montevidéu tivera e nos comunicara a sua visão de "Duas pes-
soas examinadas dentro de uma GRANDE MÃO, etc. (arquivos ... ). - E.
P-263 voltou à sua ocu pação e crença favorita: a técnica só (ásanas. magne-
tismo, e médicos . ..
Então, em 24 de abril, no dia e na hora , exatos, do aniversário de sua
última iniciação a um determinado grau na A.M.O. . .. caiu morto, dent1'o
de um consultório médico. Sôbre essa morte haveria muito mais para dizer,
e do que depois acont eceu com êle, "do outro lado". Mas, deixemos certos
Mistérios pa r a os estuda ntes sérios .. . e que já VIVEM determinadas cousas!

E se eu quisesse, earolei, remexer arquivos e citar casos e


cousas, não bastariam dez volumes! O saldo da "A.M.O.",· foi
pois o seguinte: qUE', como "escola individual", isto é : para Dis-
cípulos isolados, que fazem em casa seus estudos e suas práticas,
e que nos enviam os resultados, para corrigirmos, orientar e en-
viar novo material, é de bons resultados. Especialmente agora,
que, após a experiência, tão duramente colhida, resolvemos - aqui
no Brasil - adotar o sistema de: se não estuda e não envia lições .
bem feitas, não seremos nós, quem .iremos perturbar o seu como-
dismo!
Mas, como experiência de vida coletiva, em grupos: a A.M.O.
resultou, apesar das maravilhosas vivências, outorgadas pelos Mes-
tres das diferentes Correntes, um total fracasso. Os motivos são,
tecnicamente, os seguintes :
a) Se não há fenômeno, muita gente se desinteressa; mas, se
os há, então caem ràpidamente na mesma doença que o espiritismo
provoca tão fàcilmente: consultar a respeito de tudo; peraer as-
sim a responsabilidade e a iniciativa; acreditar em certos fenôme-
nos, não bem verificados, inclusive em fantasias sôbre "missões",
sôbre reencarnações famosas, que teriam sido e que não condizem:
nem com o saber, nem com a conduta e nem com a entrega dos
"interessados".
b) Os "grupos", se devem ser C'onstituídos só por gente bas-
tante, ou muito, "adiantada", são extremamente raros e difíceis de
formar; no entanto, é a única solução, poiS do contrário, e além

211
dos aspectos citados em a), as reumoes - e pós-reuniões - viram
café-party, "mexerico-party", etc., sem contar as intriguinhas, os
ciumezinhos, etc ...
c) Nunca faltam, como não nos faltou, os "interessados": des-
de os que vêm, apenas, procurar apoio social, monetário ou senti-
mental, até os piores que - como certo indivíduo - abusam de
suas possibilidades para perverter às môças ingênuas... ou às ca-
sadas que o não são suficientemente! E, assim, destroem, ' não só
todo o trabalho do Instrutor, mas ainda lares, esperanças e, cousa
pior ainda: muita gente bem intencionada, porém fraca de coração
ou pouco sagaz, confunde "a religião com um mau cura", e se de-
silude: daquilo que nada tem a ver, com um tarado a mais ou a
menos sôbre a Terra.
d) As próprias "missões" (no seio de outras instituições, ou
junto a Governos, ou mesmo de divulgação pública) vêem-se ràpi-
damente prejudicadas - quando não impossibilitadas - pelas pa-
lhaçadas ou pelos desatinos ou má conduta, dos que, não sendo dis-
cípulos sérios: isto é: preocupados, fundamental e constantemente
pela parte mais séria, elevada, e pelos meios e esforços por chegar
a ela!, tornam-se, senão obstáculos ou pesos-mortos, simples auxi-
liares sem iniciativa e sem entusiástica dedicação, muito piores que
se fôssem auxiliares contratados e remunerados; pois, dêstes últi-
mos, poder-se-ia, dentro das praxes comerciais, exigir: honestida-
de, pontualidade, eficiência e, suportarem ser advertidos ou ad-
moestados, quando errassem. Mas, nada disso é possível, com "dis-
cípulos não-sérios", que no Instrutor vêem, apenas, uma espéCie de
professor-servidor (dêles), que tem obrigação de lhes dar atenção,
carinho, e de lhes perdoar tudo e sempre.
Aliás, como no caso daquele indivíduo a que aludi, o problema
do perdão não é nada fácil de resolver. Pois, os únicos que teriam
de perdoá-lo, não se sentem dispostos a fazê-lo; nem semelhante
pessoa é capaz de implorar um perdão. E, portanto, o instrutor,
que, no consenso comum das gentes, é co-responsável, como um chefe
de firma o é pelos empregados, só tem a perder, em ambos os casos:
se não perdoa, possivelmente atua contra seu sentir espiritual; se
o faz, provàvelmente dá-lhe - apenas - uma nova oportunidade
de prejudicar, à mesma coletividade.
e) Sejam como forem, todos os aspectos já considerados, o fato
é que: chega um momento, como chegou para Sádhanã e para mim,
no qual, pela dor acumulada, pela interior eerteza de que nada me-
lhor se pode fazer, pelos que estabilizaram por perto, nem com
êles para com terceiros, o desejo de procurar nova oportunidade,
para não estagnar e não morrer - espiritualmente - afogados e
asfixiados na banalidade rotineira do grupo, provoca a atenção dos

212
Mestres sôbre o caso. E, geralmente, resolve-se por uma dissolu-
ção grupal, ou, pelo egresso dos "Sêres-eixo", como aconteceu quan-
elo começamos a Cruzada de Vida Espiritual, cujo mecanismo vere-
mos agora.
o Muito Excelso Mestre e a CRUZADA DE "'VIDA ESPIRI-
TUAL. - Com. 117 - Assim como disse, no comentário 116, que
não gostaria que Você, Carolei, com essa tendência geral dos ter-
restres, de ver logo, .só ou principalmente, o lado negativo das cau-
sas, tivesse pensado que, na "A.1\I.O.", a maior parte dos "fenôme-
nos" eram do tipo castigo - e, por isso lhe mostrarei outros mui-
tos -, quero agora tornar a ressaltar que: as curas e graças mais
assombrosas, serão citadas no terceiro volume, quando estudarmos
certos Ensinamentos do MEM, que elucidam o mecanismo das
mesmas.
Porém, à parte tais curas, e fenômenos de diferentes modas,
dos quais citei alguns exemplos nas histórias Yividas, havia ou-
tras espécies de atiYidades, na A.:\'1.0., que convém examinar, por
terem sido - também - raízes, no Yisível e no invisível, das futu-
ras formas da mesma Busca - para nós mesmos e para os que se
uniam na vida coletiva, seja de perto ou mais indiretamente - e
que temaram, como facetas, diferentes rótulos, de acôrito com o
setor de virt~ldes h1l1nanas que procurayam desenvolver, assim como
aos meios, métodos e Correntes; e, Mestres que as imantavam, "já
que suas vidas foram o exemplo das mesmas; assim como a nossa
vida, isto é, a de Sádhanâ e a minha, é a lição que deverão estudar
e seguir os que querem compreender a via 1núltipla, ou: a experiên-
cia nos diferentes setores, como iremos examinar agora.
E, ainda além das experiências, citadas no livro "Yo que ... "
vividas com Gandhi, com Mestres Sufis, e outros muitos do Suddha
Dharma, da Maitreya Maha Sangah, etc ... , é preciso perceber que,
tanto os Discípulos como nós mesmos, tínhamos assim enriquecido,
e muito, a nossa vivência: intelectual, cerimonial, moral e espi-
ritual.
E, se ressaltei os dois últimos planos do ser, Carolei, é para
deixar bem claro que, em última análise, a seleção que os Mestres
fazem e a única distinção que o Muito Excelso MESTRE faz, con-
cerne sàmente a êstes dois setores. Isso deye ser tomado em conta,
para compreender bem isto:
a) Que tudo quanto vou expondo, nesta obra, sôbre as ativi-
dades que temos ido promovendo, sucessiva e simultâneamente,
o está sendo como eventual ensinamento, para os que - como su-
cessores nossos, se algum surgir, agora ou dentro de muitos anos:
ou como simples estudantes que desejem entender as "etapas" -,
comparando e meditando, achem a relação que todos os planos da

213
vida guardam, e, mais ainda, a importlincia que tem tal relação,
na vida dita iniciática, de cada ser ou coletividade.
b) E, para que Você possa, Carolei, dar a cada "fenômeno"
ou circunstância - que as "Histórias" relatam - a interpreta-
ção mais valiosa, isto é: como preparação de almas, como direção
pela Superioridade, e como lições práticas sintéticas, isto é: que
abrangem sempre, simultâneamente: funcionamento técnico, cir-
cunstâncias que o permitem, facilitam ou travam; reflexos na co-
letividade, etc ...
Com. 118 - Nesses aspectos todos, a A.M.O., tinha, no momen-
to em que o MEM iria nos lançar na "Cruzada", uma seleção de
alguns muito dedicados discípulos. Na Argentina, por exemplo,
So16n, Theano e Fidelis, tinham ajudado poderosamente em muitos
aspectos, inclusive em sacrifícios materiais - dêles e de seus ami-
'gos - para facilitar a edição inicial de "Yo que .. . ". - Muitos fe-
nômenos notáveis e experiências; curas e diagnósticos exatos -
inclusive à distância - bem como de "identificação" conosco e ex-
periências decorrentes, foram os estímulos que os recompensaram",
Em Montevidéu - onde ainda atuam, silenciosamente - m
componentes de um casal (que mereceu chegar a ver a São Fran"
cisco, mais de uma vez, e receber exatas orientações dêle, sem me·
diunidades), eram usados como "mensageiros de comprovação". Por
exemplo: se Sádhanâ e eu estávamos recebendo, pela via intuitiva,
determinada orientação, mas que eu, sempre muito analítico e mui-
to lento para resolver as cousas que têm importância, não aceitava
plenamente, ou ràpidamente, uma indicação que "parecia" vir do
MEM, e me "plantava" na posição - recomendada pelo Martinis -
mo - , de aguardar confirmação, então, aconteciam cousas como
esta:
H. 14 - Simbolismo vivo, Cavalos, Cacho,.,.os e Aguias
Na "Agenda 1950, da Vida Mística", achamos isto: que, em 2 de ju·
nho, eu estava me preocupando sôbre as modificações a imprimIr ao nosso
labor. Certas indicações estavam sendo recebidas, mas eu nüo as conside-
rava suficientes e implorava - nüo só com preces, mas com conUnlta preo-
cupação séria, poróm quiçá um pouco impaciente - por mais categóricas
ordens. "
Nesse mesmo dia, veio Samsaradasa, que tinha o,'dem do lJIEM, de me
trazer com urgência, tôda visão apresentada à sua espôsa Samsaradevi, a
qual, desta vez, na sexta-feira 2 de junho, às 23 horas (pág. 154 da Agenda)
teve esta vIvência:
"Vi ao MEM, de calça listada, paletó prêto e com chapé1t, que colocava
a um cavalo branco entre os varais de uma carroça; logo, colocou ao cavalo
prêto, porém com muito mais t"abalho,"
Na mesma Agenda, consta esta minha observação: "Esta é, pois, a res-
posta aos meus apelos: Não me explica nada, senão que se me indica que
é preciso ser mais quieto, mais paciente e mais confiante. - Compreendido,
Senhor! Procuraremos sê-lo. - Sevânanda".

214
E, já qu e estou com a mão na massa, Carolei, vou dar algumas chaves,
desta forma de dar indicações: certas, claras, concisas e completas, por
meio das visões simbólicas, que os Mestres usam com os Discípulos, como
nós também, às vêzes, procuramos sub-usU1', projetando idéias ou cenas na
mente dos que a nós se ligam. Mas, isso é outra hist ória ...
Sádhan â sempre é representada por um cavalo branco (via da pureza,
da maior inocência, da entrega menos maculada pela mente, etc ... ) Eu,
sou sempre representado:
N o que se refere ao temperamento e ação : por um cavalo pl'êto, tipo
árabe, nervoso, e que vive r oendo o freio que as pequenezas da vida, etc im.-
põem a seu ritmo .. .
N o que se refere aos sentimen tos, à alma m Ol'al, etc. : por um cachorro,
tipo policial, estudando para São B erna rdo .. . enquanto cuida : dos que dêle
dependem e DO QUE OS MESTRES LHE CONFIARAM ...
No que se refere à parte supramental, ideal, etc.: por uma Aguia ..•
Então, Carolei, não é preciso Você quebrar a cabeça, para saber o que
sou ou deixo de ser, já que o MEM mesmo, o mostra. Torne a ler "Yo
que . . . " ; veja os clichês da pág. 99 e medite... e verá quanto me falta para
Anjo e pa ra ter, na parte superior a POMBA.. . que começa com a real
mansidão, e culmina quando O ESPíRITO SAN~'O envia uma, DAS SUAS,
aninha r sôbre algum dos Seus Eleitos .. .

H, 15 - Samsaradevi estuda para "cega"


Não seria oportuno, tampouco, Oarolei, crer que qualquer um pode, fà-
cilmente, chegar a merecer obter e conservar, o dom de receber visões envia-
das pelo MEM PHILIPPE, ou mesmo por seus Grandes Ajudantes (Mestres
Papus, Cedaior, e outrC's ... ). - Samsaradevi, além de práticas, dedicação,
etc. .. passou por diferentes provas, das quais algumas possivelmente se asse-
melhem, àquellls pelas quais um Chapas e outros, e todos, têm de passar, e
sempre, já que cada etapa comporta novas séries: não há curso, por ele-
vado que seja, sem sabatinas! Vejamos uns "casos" da Vidente uruguaia :
1.9 ) Na época eru que havia uma forte oposição ao nosso la bor, tanto
por pa rte de ataqu es externos (tôda ação desperta reação proporcional e
de sinal contrário . . . ), quanto pelas dificuldades que, sempre, criam os "de
dentro" que se não esforçam ou comporta m devidamente (que bonito têr-
mo! . . . ) , Samsara devi t eve um primeiro teste : Certo dia , enquanto des-
cascava batatas em sua cozinha , ouviu que lhe dizia m: " Se não abandonas
ao Mestre Sevânanda e seu labor, irás ficar cega . .. " - Ela meditou bas-
tante: cega, com o marido e três filhos por criar, mais a velhota da Mãe! ...
e, de repente, ESCOLHEU: foi para o dormitório, pegou uma echarpe e
vendou os olhos, dizendo em prece, diante de seu altarzinho: Então, é bom
ir treinando, desde já, trabalhar sem ver, pois não penso em abandonar aos
Mestres! ... " - Sabe, Oarolei, que, a contar dessa época, começou a VER,
com freqüência aquêles símbolos, ou textos EM LETRAS DE FOGO, ou
como de gás n eon, etc.. . Mas, Você conhece muita gente, capaz dessa en-
trega ? E por casa, como andamos?
2.9 ) Certa vez, São Francisco deu-lhe um texto de Oração pela Paz
(mundial), com ordem de levá-la, só aos Conventos e Igrejas às quais sel'ia
dirigida. - Um dia , saindo do dentista, sentiu que lhe iam indicando, em
cada esquina, para onde ir, até que achou-se na porta da Cúria Metropoli-
tana. Embora temendo ser incompreendida, ou mal recebida, oumpl"iu: en-
trou, foi atendida por um Sacerdote, que aoeitou logo a Prece e, ainda, con-

215
vidou-a e às suas amigas, a irem participar de preces e novenas que, pela
Paz mundial, estavam fazendo. - ... Encantada com isso, Samsaradevi saiu
e foi caminhando para o seu "ponto" de ônibus. Mas, no caminho, havia
outra igreja, de bairro. E. sem ter -indicação, foi entrando ... quase a botam
na rua brutalmente! ... Entendeu, pediu per-dão, interiormente, e ficou um
momento, contemplando a figura do Crucificado e meditando: que dores,
fisicas e outras, suportou por nossa causa! E, desejou ardentemente sentir,
uma parte pelo menos, delas, para poder melhorar e ser mais útil. À noite,
mãos e pés lhe queimavam; no dia seguinte, tinha AS CHAGAS, era mais
uma estigmatiza-da (tivemos diversos casos, mas sempre os calamos, pois
essas cousas são A VIDA SECRETA DOS MíSTICOS, não são para pro-
paganda, salvo quando há ordem ou quando o fenômeno se dá. publicamente).
Trabalhou um par de dias, com dores atrozes, mas procurava fazer o
que tinha a fazer. E, em certo momento, ofereceu, de todo coração, tôdas
as dores que tinha, ou viesse a ter, em benefício dos que sofriam de mãos
e pés, involuntàriamente, e com isso tinham problemas de ganha-pão, etc.
- Momentos após, as chagas sumiam e as dores também .. , Entendeu,
Carolei?
3.·) Quando Samsarndevi estava grávida, da sua quarta criança, já
nos últimos meses, era-lhe difícil vir, cada semana, à reunião em nosso Tem-
plo, pois o trajeto era de mais de uma hora de ônibus, às vêzes sem lugar
sentado, ou apertada. Mas, disseram-lhe "Para ir às reuniões mística8, tens
a Proteção do MEM".
Então, vinha; e veio até o último dia, sem nunca haver contratempos.
Mas, no último mês, estava costurando em sua casa, quando faltou-lhe certo
tipo de fazenda. Quis mandar a filhinha maior comprar, a dois quarteirões,
rua em declive e um tanto escorregadia, A fil ha achou que a Mãe poderia
ir, escolhendo mais fàcilmente e disse: "Mas, Mãezinha, a Senhora viaja
tão longe, não pode ir até a loja de fazenda '/" - E a Vidente respondeu :
"Minha filha, a Proteção que me dão, é para o Labor Mí8tico; na vida diária,
o discernimento deve servir para não querermos usar e abusar, pa ra as
cousas triviais, daquilo que é sagrado". - Está entendendo, Carolei, porque
falo, tantas vêzes, em discípulos sérios?

Com. 119 - Assim, Carolei, saimos em Cruzada, Sádhanâ e


eu; com o apoio de alguns muito raros Discípulos sérios, no que ao
Grupo ou grupinhos mais intimamente ligados, se refere. No Bra-
sil e outros lugares, havia muitos Discípulos f'xternos, religados pelo
livro Yo que ... e pelo "Boletim AMO-PAX", que desde fevereiro
de 1952 nunca deixou de sair, graças à dedicação do grupinho cita-
do, dos DiSCÍpulos de Córdoba, sendo a expedição feita em La Pla-
ta pelos - então Discípulos - meus genro e filha, que mais tarde
também se afastaram, em conseqüência dos desatinos daquela pes-
soa cujo papel parece ter sido, sempre, de pôr à prova quanto era
capaz de aguentar a paciência coletiva, e minha, em matéria de
enganos, morais e materiais. Mas, o MEM certamente lhe perdoou,
como eu também: de alguma cousa temos que morrer, todos, como
veremos ao tratar do falecimen to do MEM PHILIPPE! . . ,
A Cruzada, cuja organização material ficou explicada em Yo
que... (págs. 331 e segs.), teve pois por base psicológica, iniciá-
tica e como certeza de receber sempre a orientação Superior ne-

216
cessária, êsse passado da A.M.O. - Materialmente, a Cruzada e
tudo quanto dela decorreu - até hoje - f oi fru to do esfôrço de
Sádhanâ durante 32 anos, já que quanto economizara, mais o que
foi por nós a umentado até 1953, e invertido na propriedade de Mal-
vin, serviu pa ra pagar as despesas do Labor, parte da edição do
Livro; compra do jipe e da Ermida Rodante, material de I nstru-
ção - daquela época - para os Discípulos por correspondência,
na A.M:.O., etc.
Não vou relatar, aqui, as peripécias da Cruzada. Direi, ape-
nas, que: em parte no Boletim Amo-Pax (números 1 a 20) até
outubro de 1953; em parte nos Arquivos místicos, existem inúme-
ras provas da Bondade e direção do MEM PHILIPPE: indicando-
-nos quando e como viajar; salvando-nos de perigos graves - para
os veículos ou para nós; alertando-nos sôbre pessoas e circunstân-
cias, etc. Também, já falei no prefácio, da quantidade de conferên-
cias e atos públicos promovidos. A semeadura foi grande. Os re-
sultados são muito difíceis de apreciar, estatisticamente.
Mas, não se deve esquecer que, - como o tenho proclamado tão
reiteradamente nas próprias conferências - não dou nenhuma es-
pecial importt1ncia, ao que nelas exponho; não me creio possuidor
de sabedoria rara, duvido mesmo que alguém - tendo-a - possa
expo-la, com proveito, em conferências; sempre disse, e aqui repi-
to, que o que me interessava, na Cruzada, era o que os presentes
pudessem sentir, ver, viver, resolver mudar, etc.
A parte expositiva pareceu-me, sempre, muito secundária. E,
neste sentido, com a rara exceção de uma pessoa que - na cida-
de de Campinas, vi tomar apontamentos consecutivamente, dos quais
me enviou mais tarde excertos selecionados com notável discerni-
mento - bem sei que a maior parte das pessoas, mesmo com a
melhor boa vontade, não consegue reter mais do que 30%, do que
ouve, e isso mesmo, de modo geral, indefinido, ou seja: não com a
precisão que pode permitir uma aplicação metodizada.
A finalidade de tôda ação externa, de divulgação e de prédica,
visa portanto, para um mistico : informar um pouco, entusiasmar e
decidi r mais, se possível; para isso, indispensável torna-se a par-
te fenomênica que, graças à Proteção do ME::\1 e de seus Grandes
Ajudantes, é abundante quando pomos os pés na rua!
A experiência interior, para nós - Sádhanâ e eu - tem sido,
na Cruzada, de ver o que contêm: os sêres atuais, em geral; os que
constituem os ambientes denominados "espiritualistas" ou "religio-
sos", em particular. - Ver, dentro das ordens Tecebidas, que possi-
bilidades havia, há, ou haverá, de relacionar os diferentes setores,
nos aspectos culturais, fraternais e, especialmente, de ação social

217
conjunta, para "o que vem aí" - ponto que o "Alba Lucis", nos per-
mitirá abordar de mais perto ...
A Cruzada, no sentido das pessoas - individualmente conside-
radas - foi bastante útil: curas, conversões, soerguimentos morais,
etc ... de tudo isso houve, suficientemente para compensar o esfôr-
ço, físico e moral, dêsse labor. No sentido das Instituições, é
tema que o Alba Lucis (primeira época do mesmo) sintetizará. -
Durante a Cruzada, os Mestres, os Anjos, e outros Sêres, que apóiam
o labor e as missões, foram tão frequentemente vistos, tanto por
pessoas que tinham faculdades mediimicamente desenvolvidas, como
por muitas outras que nunca nada viram, que, nesse aspecto, a
Cruzada foi muito útil, pois deu oportunidade e provas, a inúme-
ros sêres. E, não o esqueçamos, a forma em que está escrito "Yo
que .. . ", outorgando nomes e endereços, de tantas escolas e insti-
tuições iniciáticas, era também - além do aspecto meramente in-
formativo - uma lição para muitos, mostrando que, não só procura-
mos divulgar o que de bom têm tôdas, como, ainda, quão pouco
nos interessa aumentar o n·zímero dos nossos Discípulos.
A Cruzada, também continuou as pequenas missões de ordem
social, inclusive junto a Governos, que estão no espírito do Alba
Lucis, e que, desde 1950 - com a iniciatiya Gandhista no L"ruguai
- tinham tido início. Na parte Alba Lucis, farei sintético resu-
mo disso. Toca, então, examinar as duas derivações mais impor-
tantes da própria Cruzada: a fundação do Monastério AMO-PAX
e, o Alba Lucis. Muito embora o Alba Lucis tenha surgido primei-
ro, como semente de mais lenta evolução, o fato de o Monastério
ter-se concretizado antes, e também de ser uma experiência ter-
minada, para nós, torna aconselhável examiná-lo em primeiro lugar.
O Muito Excelso Mestre c o Monastério AMO-PAX. - Com.
120 - As raízes da fundação do Monastério, misticamente falando,
remontam à época de preparação da própria Cruzada. Efetiva-
mente, em 9 de maio de 1951, ou seja, muito antes da Cruzada, quan-
do estávamos visitando, em Córdoba (República Argentina), a cer-
tos Discípulos, um dos quais ainda era apenas "candidato" - e
nada sabia de nós, no que a labor interno ou projetos se refere,
e a Cruzada ainda não era projeto, nem o lino estava escrito -
trouxe-nos a uma Senhora, com quem passou-se isto:

H. 16 - O Guia árabe e sua Vidente

A Senhora O. Gr . .. i, viúva de um Médico da região, mora nas mon-


tanhas das serras cordobenses. Pouco vem à Cidade. - Vive de pequena
renda e dedica-se a atender a doentes, por homeopatia. Receita, em parte

'218
pelo que aprendera com o marido, em parte pelo que lhe mostra, em vIsao,
um Guia árabe, que responde pelo nome de MUJ HUSSEN. Diz ela, que
tal Guia mandou-a nos procurar, e mostra-me o seu retrato. Então, vou
para o nosso quarto (da casa em que nos hospedaram) e, de lá, trago dois
retratos iguais, que me foram dad03 por pessoas que, também, disseram -
em Buenos Aires - que êsse Guia Sufi, árabe, interessa-se pelo nosso labor.
A seguir, em estado de concentracão, mas sem incorporação nem fenô-
menos de mediunidade, a Sra. Ofelia passa a· ve1· e ouvir a diferentes Mes-
tres, dos que a nós dirigem (e que ela desconhece totalmente). Descreve-os,
assim como dá os "recados para nós". - Entre 14 assuntos tratados (pág.
130 da Agenda 1951 da Vida Mística), consta o que cito, completando com
a parte da Tradição Oral:
Assunto 2.·: _.. e urge que Sevânanda termine um livro que está pela
metade ... (era exatamente, o caso de "Yo que caminé por el Mundo ... e,
mais tarde, ficou provado que devia ter ficado terminado 15 dias antes, o que
teria facilitado muitíssimas cousas ... )
ASS1tnto 4.• : Sevânanda e Sádhanã viajando muito pelos caminhos, e
até os Estados Unidos. (Muito curioso, pois dois anos mais tarde, com-
prou-se a Casa Rodante e o Jipe, sendo inicialmente projetada a Cruzada,
como consta do meu livro, até os Estados Unidos, cousa que os Mestres
mudaram posteriormente ... ou por enquanto?)
Assunto 6.• : ... e grandes consagrações para Sevânanda (houve-as, do
SDM de julho a setembro de 1951, e outras, posteriormente, de outras Cor-
rentes) .. . e, no fim da visão, colocam sôbre a cabeça de Sevânanda uma
formosa ROSA BRANCA. (Ist o é, no fim, como símbolo da Corrente do
Muito Excelso Mestre ... ).
Assunto 7.·: Com tudo isso, Sevânanda semeará uma GRAÇA pelo
mundo, porém mais especialmente num país - e, acrescentou: no qual não
se fala espanhol, e no qual pararão bastante tempo ...
Assunto 12.· : Sevânanda irá a uma aldeia, ent re altos pinhos, à casa
de uma velhinha, receber - e dar mais - fôrças... etc.

Assim, Carolei, sabíamos, antes de começar a Cruzada, que te-


ríamos que demorar muito, e parar no Brasil. - Ora, se Você re-
conhece, na aldeia com os altos pinhos e na casa da senhora idosa,
o refúgio da Upasika, aonde fomos tomar fôrças (esgotadas pelos
anos de martírio vividos no Monastério ... ) e dar fôrças: começar
nova obra de semeadura, com êste livro, que lá foi preparado, en-
tão fica fácil ver que o "assunto 7. 9 " - que vem bastante antes, era
a parada NO Monastério, que a muitos parecia definitiva, mas que
nós, em grande parte por êsse "recado" (cujas outras partes tam-
bém vão se cumprindo bem!. .. ) sabíamos que não era causa certa:
pois, tudo sempre pode ser mudado, se os Homens merecem e os
Mestres decidem! ...
Então, na Cruzada, sempre fazíamos tudo "como se" tivéssemos
que ir até os Estados Unidos. E, por exemplo, assim viajávamos,
ou com calma ou com pressa, quando o MEM PHILIPPE, apontava
para esta última, como neste caso, cuja importância convém observar:

219
H. 17 - A Viagem São Paulo-Resende-Rio, de 27-1-1953

Após terminar em São Paulo, uma estada muito ativa e fecunda da


Cruzada, com uma conferência sôbre o Mahatma GANDHI, na Biblioteca
Municipal, superlotada por 650 pessoas, tendo voltado outras tantas por fal-
ta de lugar, preparamos tudo, no dia 27, desmontando barraca, arrumando
Ermida e, após recebermos a visita de Discípulos, passarmos a tarde com êles
e nos despedirmos dêles, fomos nos encontrar, como marcáramos, com o
querido "Thoth-59" (um dos poucos Martinistas vivos, no Brasil, ainda ini-
ciados pelo M. Cedaior), velho e fiel amigo, que com seu carro nos encontrou,
na parte em que a Rua Brigadeiro Luiz Antônio desemboca perto da Avenida
Brasil. Lá estacionáramos o jipe, engatado na Ermida.
E, no carro de "Thoth-59" (um dos Diretores do Laboratório Paulista
de Biologia ... ), estávamos comendo sanduiches e palestrando afetuosamente,
quando, às 20 hs. e 55, o Muito Excelso MESTRE disse a Sádhanâ, que
nos ia traduzindo o que, mentalmente, recebia: "Peguem a Estrada do
Rio e sigam tOda a noite. Existe perigo num ponto que deve ser passado
antes da meia-noite. Não temam, a Mão do MESTRE está sempre sôbre
Vós" ...
:J1J claro que "engolimos" alimentos e despedidas, e - com Thoth que
veio até a Ponte das Bandeiras, saímos logo e fomos com "tôda a velooidade"
que a Ermida permite, quando o asfalto tem subidas e descidas: reduzida em
3.', ou seja: máxima de 23 e média de 17 a 18. - Depois da meia-noite, já
começou a chover e compreendemos o perigo: se a chuva nos pegasse antes,
sendo a Presidente Dutra ainda nova, havia muitos lugares nos quais o bar-
ro vermelho tomava conta e a Ermida escorrega muito fàcilmente, não po-
dendo mesmo desoer rampas -em tais condições.
ÀS 3 e meia da manhã, os olhos não querendo mais obedecer, pois está-
vamos em pé desde a manhã cedo, dormimos, do lado direito fora da estrada,
em Roseira (bonito nome Rosa-cruz ... ) e, no dia 28 - quarta-feira, às 7 h.
e 25 nos púnhamos em marcha, entrando às 11 :15 no Estado do Rio e
chegando, diretamente na Academia Militar das Agulhas Negras, às 12 :30,
à procura do Cel. Moacyr Uchôa, célebre pelas suas investigações metapsíqui-
cas e pelas materializações de até 3 fantasmas ao mesmo tempo, verificadas
por centenas de pessoas, que mantivera, anos antes, na sua residência de
Resende.
Note-se que, se não chegásselllos nesse dia, a essa hOl'a, todo o resto '
seria diferente, pois às 14 horas, estouraram granadas na Escola, matando
um Cadete e transtornando todos os horários, etc., como é natural. Mas,
já tínhamos falado com o Coronel, e, por seu intermédio, com o querido
Antônio Delfino e sua distinta Espôsa, que, num futuro próximo, iriam ser
os AGENTES do Invisível, para promover, EM RESENDE, "a experiên-
cia Monastério". Aliás, nesse mesmo dia, fizemos em Resende - no Colé-
gio Rosa-cruz, presidido por A. Delfino - uma palestra, das 21 às 23, com
83 presentes. E, no dia seguinte, às 10 da manhã, acompanhados pela Re-
portagem de "O CRUZEIRO", que viera "nos descobrir" em Resende, se-
guíamos rumo ao Rio, onde, no Aniversário de Gandhi deveríamos iniciar
outra etapa de vida. Antes, porém, recebíamos em "Trevo Viúva Graça"
(km 47) onde estacionamos naquela noite, um a,iso dos Mestres "de não
ir para o Norte do País, até segunda ordem". - Ordem que, até hoje, ainda
não chegou, e, de fato, nunca cristalizou-se nenhum dos convites que, da-
quela zona recebemos... E, como daquela mesma Mensagem consta que
"o Rio fioa na Vanguarda" sempre temos considerado aquela latitude como
limite, pelo menos até não haver novos elementos de juizo.

220
Se acrescentarmos a isso, Carolei, que em Belo Horizonte, NO
DOMINGO DE PÁSCOA (e já sabemos quão querido é êsse dia,
para o MEM!) ou seja em 5 de abril - após três dias de jejum
e de silêncio (como consta do Diário de Viagem arquivado) - re-
cebemos misticamente aviso do MEM, relativo ao assunto "Ashram-
-Colônia", do qual constavam, entre outros, êstes conceitos: " ... 0
Ponto Central da AMO será no Brasil - O Ponto Central será no
Brasil - l'l:le mesmo (O MEM) escolherá o lugar. Não preocupar-
-se com isso - Far-se-á todo o necessário para conservar e propa-
gar a A.M.O. - O apoio será tão notável, que não ficará nenhuma
dúvida - Será um trabalho gigantesco, mas, para o futuro, uma
base firme, etc ... "
E, Carolei, após dois meses de acampamento no carinhoso
"Abrigo Jesus", voltando ao Rio, onde acampamos na Rua Ibitu-
runa, como hóspedes da "Casa da Mãe Pobre", lá mesmo foram fei-
tos os Estatutos do futuro Monastério. E, conforme o prometido
pelo MEM, "o apoio foi tão notável" que tudo "voava": o Delfino
achou um terreno Otimamente situado; um casal, dono, que o ven-
deu em condições magníficas e, mais tarde, doou a metade da dí-
vida; os "cooperadores" também choviam e houve dinheiro e fa-
cilidade até demais, pois nos primeiros dois anos, os Residentes
acostumaram-se mal. Mas, vamos deixar de lado os pormenores
que poderiam caracterizar a A ou a B pessoa.
Não é isso, o que interessa. Sim, interessa, é "desmontar" a
experiência, para procurar extrair dela, tudo quanto possa ser
útil aos estudantes presentes, e futuros.
Premonições, Previsões e Precauções do Cachorro. - Prevendo,
por conhecer um pouco a natureza humana, que a experiência -
qualificada pelo MEl\1 de "trabalho gigantesco" - não iria ser fá-
cil; as primeiras precauções que tomei, para preparar "o terreno
da experiência", foram: a) Dar, a cada setor do labor, uma Per-
sonalidade Jurídica e organização aut6n01nas; b) Dar, ao futuro
"Monastério", "bases" ou sejam: Estatutos, que, não implicando
nenhuma finalidade espiritual definida, lhe permitissem: tanto ser-
vir de berço, cadinho e hospedagem, para quantos tipos de organiza-
ções, lá quisessem se alojar; como, também, subsistir até em ca-
ráter de simples colônia fraternista, humanitária ou, simplesmente,
naturista ou cousa que o valha.
Feito isso, dispusemo-nos a criar', rituallsticamente, isto é: lan-
çar misticamente, as bases astrais e espirituais do Monastério.
Como isso foi feito, consta do Álbum do Monastério, e também das
"Práticas n. 1" do Suddha Dharma Mandalam. - Em resumo era:
numa hora marcada, astrologicamente, fazer uma cerimônia, depo-
sitando sob o pilar inicial do futuro Templo, certos documentos, etc.

221
E, cousa até hoje não divulgada, a não ser a contados íntimos,
nessa mesma madrugada, da noite de 19 para 20 de novembro, de
1953, ao vir tomar posse das terras Em Nome do l\'IEM AMO (já
que o l\'Ionastério iria chamar-se Arrw-Pax, como usaram sempre a
Cruzada e a Associação Mística Ocidental), deram-se três fatos que,
para um kabbalista, eram eloqüentes: a pessoa encarregada de fa-
zer, antes de a caravana chegar, a cova para depositar os objetos
sagrados, estava calmamente dormindo; outra, que ocultava certo
aspecto de sua vida, teve que vomitar durante a cerimônia, pondo
assim à luz uma gravidez dissimulada; e, finalmente, outra pessoa
mais, perdia as solas "de uml1i8 botas de opereta" que outra deter-
minada pessoa, não presente, lhe dera para trabalhar ali. A pre-
guiça, a hipocrisia e a palhaçada, já tinham assomado a ponta da
orelha. - E, Sádhanâ e eu, já tínhamos o gôsto amargo na bôca,
antes de seguir mastigando o que, durante quatro anos e meio
iríamos deglutir, minuto a minuto ...
Chegou o momento de perguntar, e de responder, isto: mas,
que é, o que iria se intentar fazer, naquele lugar?
Vamos estudar isso, pois reputo-o de elevado interêsse místico.
Monastério Essênio e de Sarva Ioga. - Com. 121 - Para não
ser excessivamente longo, Carolei, procurarei expor êste tema, abor-
dando seus diferentes aspectos: Raízes (origens conjugadas);
Doutrina a aplicar (experiências a viver); Como se procurou fa-
zê-Io; Fatõres negativos e fracassos; Fatõres positivos e resultados;
O que é dado esperar, e o que falta viver ...
Com relação aos Instrutores: Um instrutor espiritual, só me-
rece tal nome, se tem alguma realização. Tal palavra sintetiza
três setores, que são: um saber doutrinário, do qual a caracterís-
tica deve ser uma exatidão - de base tradicional -, e uma opor-
tuni dade - de base de adaptação, nascida da experiência e da
observação;
um valor moral, evidenciado pela dedicação, pela concordância
entre o predicado e a viyência; pela capacidade e decisão de se
sacrificar, física e psiquicamente, na tarefa de procurar dar e
transmitir;
Um poder espiritual, corroborado por eventuais - pequenos ou
grandes - poderes fenomênicos (cuja modalidade varia conforme o
raio e talhe do instrutor), e, muito notadamente, pela possibilidade
de perceber e orientar, sôbre assuntos que abrangem: desde as di-
ficuldades de compreensão doutrinária, ou de problemas físicos,
morais ou psíquicos; como - ainda e especialmente - de orienta-
ção espiritual dos discípulos, à medida que êstes vão necessitando,
e merecendo, tais modos de assistência (mais adiante, veremos
quais as condiQões que os ditos Discípulos devem reunir, para isso).

222
Ora, Sádhanâ e eu - e falarei mais de mim, já que ela traba-
lha numa modalidade muito menos perceptível, por motivos que
surgirão nestas páginas... - tínhamos trazido para "a experiên-
cia Monastério" as bases que vamos examinar:
O "momento interior" das tentativas grupais: Por motivos
que se compreenderão mais profundamente, ao estudarmos - no
3.· e 4.· volumes - os Ensinamentos do MEM, mas que devo abordar
aqui nas grandes linhas que eu tinha ensinado - e procurado vi-
ver - desde muitos anos, era cousa evidente, para mim e para
alguns dos que me seguiam, que todo Instrutor chega, em deter-
minada altura de sua carreira, a ter o desejo e a necessidade (pro-
curar certa frase sôbre O desejo, em H. 5 ... ), de agrupar em tôr-
no de si, aos que parecem mostrar: mais afinidade e maior aspi-
ração. Dos Discípulos de Buda aos de Jesus, e aos que se agrupam
em tôrno a todo Santo, Asceta ou Mestre, o processo é, analõgicamen-
te, o mesmo. Variam os modos e os talhes, do "Ser-eixo" e dos que,
com êle vão g irar, ao procurarem dar o passo que os retira, do
círculo externo, para o intermédio.
Há - e necessário é haver - motivos de atração: afetiva, mo-
ral, mental, psíquica e - se possível - espiritual. Geralmente
predominam - feliz e infelizmente - os: afetivos, porém macula-
dos pela paixão ou, pelo menos pelo carinho possessivo e egoísta dos
humanos; e, os mentais, porém limitados à ambição de obter in-
formações, "roubar" segredos, e tudo quanto pode resumir-se em
"obter", sem dar; conseguir, sem entregar-se".
Com tais condições é que devem contar: tanto os que formam
os "Ashrans" no Oriente, quanto os que fundam Mosteiros no Oci-
dente. E, basta, por exemplo, ver o que escreve - com notável
franqueza o grande Ouspensky, quando, apesar de ser o mais apto
para compreender a Gurdjieff, e o mais seriamente interessado dos
que rodeavam aquêle Instrutor da Via Mental (N. 110), sôbre as
razões que o impediram de partiCipar da "experiência Monasté-
rio", que Gurdjieff iniciou na Rússia, montou em Paris e ... teve
que abandonar.

N. 110 - " .. . Pelo contrário, todo o trabalho consiste em fazer o que o


Mestre indica, conformando-se com as suas idéias, mesmo qttando não as
expressa claramente; trata-se de ajudá-lo em tudo quanto faz. E, não pode
haver outra atitude. E, Gttrdjieff no-lo disset'a mu'itas vêzes! o mais impor-
tante, no trabalho (espÍt'itual) é lembrar que a gente veio para aprender,
e não para outra cousa... Se, por conseguinte, após três anos de trabalho,
eu percebia que ~rdjieff estava, na realidade, nos conduzindo para o mo-
nastério, e que iria exigÍt' de nós, doravante, a observância de tôdas (as con-
dições de seu método)... era motivo para ir-me, até arriscando assim pet'der
a sua direção imediata ... " ("Fragments d'un enseignement inconnu", pág.
319 e segs.).

223
No plano espiritual. como veremos ao falar aos Anjos e Egré-
goros (anjos criados, em parte, pela associação de Vontades, e As-
pirações, e Devoções, Humanas, com Uma Potência Espiritual),
há sempre um elevado interêsse - "falta de mão-de-obra especia-
lizada" - em criar "grupos egregóricos, conscientes de tal função".
Isso é muito difícil, pois exige: saber, querer e entrega. Quem
estudar bem as "Orações do Monastério" - e comentários às mes-
mas, que incluem - verá como se procurou dar, aos que lá vi-
nham residir, a contínua oportunidade de ' unificar: doutrina, vida
diária e vida interior. Nisso, consistia, bàsicamente, a "experiên-
cia Monastério".
E, antes de passar a examinar as modalidades diferentes, que
no Monastério coexistiam, para dar a oportunidade das duas Vias:
a Mental e a Cardíaca; vejamos as condições e oportunidades co-
muns a ambas, e que o mesmo Monastério brindava:
a) trabalho manual: sem o qual, além das necessidades a que
o mesmo responde, na vida dos sêres, não poderia haver equilíbrio
físico; nem moral, e nem psíquico. Aliás, a preguiça física é um
dos venenos, que mais trabalho tem dado vencer, presente em tôda
vida grupal, seja no Ocidente ou no Oriente. Porém, neste aspecto,
o Monastério representou uma série de trunfos, e outra de erros.
A parte boa é, que nesse terreno, ressalvando algumas exceções
circunstanciais, pode-se dizer que todos: residentes antigos, ou
mais novos, ou - e até - os próprios visitantes, sempre trabalha-
ram fisicamente muito.
Até repito que, urn dos erros, nossos ou, se preferem: meu, pos-
SIvelmente foi, de não diminuir mais tal trabalho, causa que in-
tentei mais fortemente nos últimos tempos. Porém, por outro
lado, quando se vê, que as atividades superiores não estão sendo
ardentemente cultivadas, um bom-senso de equilíbrio pede que se
continue a manter ocupados: corpos e mentes, se a alma não tra-
balha bastante.
Outro problema era o da "disciplina". É um problema de raí-
zes espirituais muito mais profundas, do que julgam possIvelmente
muitas pessoas. Devemos meditar, parece-me, nos dois têrmos que
citei já, quando falamos em Barlet e na minha projetada "Meto-
dologia Oculta". 'Espontaneidade e Inércia. - Levando os têrmos,
à realidade fenornênica que representam, chega-se à conclusão que
uma série, espiritual ou espiritualizante é: Yin, Espontaneidade,
Expansão, Aspiração e, tem por condição e conseqüência: a LI-
BERDADE.
A outra série: Yang, Inércia ou Constrição, Disciplina pela
Obrigação (na falta de aspiração, é claro) e, portanto, tende a
privar da citada liberdade.

224
Outro problema, era o da hipocrisia, por um lado; e - também
o de procurar se demonstrar se podiam viver, juntos, homens e
mulheres, não somente sem irregularidades sexuais, mas, também,
sem que isso trou."'\:esse: desavenças de ordem social entre as "fa-
mílias" já constituídas, nem problemas de ordem pessoal para aquê-
les que, já casados ou ainda não, procurassem seguir a via ióguica
de certo tipo (pois nem tôdas têm tal exigência), que inclue a con-
tinência.
A forma escolhida, para experiência, foi a seguinte: pela ma-
nhã, nos primeiros tempos do Monastério, dava-se no desjejum um
tema de meditação (geralmente sôbre uma virtude ou vício, para
cada um se analisar e situar, em função diSSO), cujos resultados
deviam ser dados, no almôço, por cada pessoa, o que equivalia, si-
multâneamente: a um labor interior durante o labor manual; e,
ainda, ao esfôrço de formular claramente o meditado, assim como
a confessar em comum o vivido, mostrando-se como se é.
Com exceção de; quem hoje é, Swami Sarvânanda, devo dizer
que quase todos, os residentes iniciais, procuraram mais ocultar sua
vida interior e problemas decorrentes. Então, como contra-expe-
riência, deu-se o tema de meditação, sôbre assuntos mais gerais e
transcendentais, e deixou-se de exigir os resultados. Quando, es-
poràdicamente, perguntava-se, a verificação pouco alentadora era:
uma ou outra consideração superficial ou, mais geralmente, a con-
fissão - com mau humor por ser colhido em falha - de não ter
meditado, ou... até de ignorar totalmente qual fôra o tema dado.
Como se vê, a via mental, não poderia esperar muitos resultados ...
Quanto à vivência coletiva, ficou evidente que: os casais não
desistem, da sua preferência pelos próprios filhos e que, com o
andar do tempo, isso torna a vida coletiva minada de pequenos
problemas, de índole puramente "caseira", mas que criam até pe-
quenos vulcões, nada oportunos para "tentativas egregóricas".
E, antes de passar a examinar o que, realmente, se quis expe-
rimentar e não se obteve, numa e noutra via, devo deixar bem
claro que, no que se refere ao fracasso do Monastério, e à não ob-
tenção do que fôra intentado, creio sinceramente que a maior par-
te da culpa me deve ser atribuída, pela razão básica seguinte: cada
um s6 faz, realmente, aquilo que lhe interessa, profundamente, se
entregue à liberdade e iniciativa.
A tentati;"a de permitir, a pessoas que não tinham uma aspi-
ração arelente, procurar viverem essa experiência, era, evidente-
mente, ilusória. Mas, com ela, temos lucrado todos, já que (assim
o espero) - cada um deu-se conta elo que é, elo que realmente dese-
,ia. e. também, de quais são os fatôres, pessoais e grupais, que lhe

225
dificultam tal ou qual altura de resultados, seja qual f6r A VIA
ESCOLHIDA.
E, antes de ir para a parte transcendental ou profunda, des-
sas Vias, direi algumas palavras sôbre o que, de positivo e útil se
obteve do Monastério, até a época em que nos retiramos de lá:
Em primeiro lugar, e por cima de todos os outros aspectos:
a experiência, já que, muito embora certas pessoas não gostem do
têrmo, é o único que nos dá: saber e virtude. E o que nos faz pas-
sar, muito lentamente é certo: do papagaio que conversa fiado, ou
imitativamente, para a águia que buscava verdades elevadas, e,
bem mais tarde, para a pomba que as vive, com amor espontâneo ...
Em segundo lugar, não esqueçamos que cada pessoa é, por
uma Lei moral inquebrantável no mundo, beneficiada por cada boa
intenção, palavra, gesto ou ato que vive. E que, quanto mais de-
sinteressada e idealmente o faz, mais valor tem e transfere isso,
para ela e para a coletividade humana. Ora, nesse sentido, o Mo-
nastério tem sido muitíssimo útil; centenas de pessoas têm contri-
buído monetàriamente, para a sua fundação e manutenção, por
ideal, para que outros pudessem lá: viver e exemplificar, o que
os dadivosos mantinham! Muita gente - e, notadamente, mui-
tos estrangeiros - receberam, no Monastério, a notável lição da
generosidade - material e moral - do povo brasileiro, que tanto
doou para essa obra e que, em certos casos, chegava a perdoar, tão
fàcilmente: que não remetessem um livro, cujo valor fôra entregue
a uma pessoa Viajando sob a túnica do Monastério, como as "fan-
tasias" de quem procurara parecer conhecer as ervas pelo tacto, ou
que simulava ser a reencarnação do "ex-irmão" do atual marido ...
de uma senhora que lhe interessaria como ... pretensa "ex-espôsa"
de outra encarnação!
Não sei, Carolei, se Você pensa que é fácil, para um Instrutor,
saber e ver tudo isso, e continuar procurar governar e orientar aos
de dentro, e aos de fora, com o mínimo de atritos possíveis, sem
por isso deixar que a verdade, ou a moral, sofram reais acidentes.
Se Você pensa isso... desejo-lhe que nunca chegue a instrutor ...
já que, assim como não se pode fechar o comércio, por que alguns
comerciantes roubam no pêso, ou no preço; nem as igrejas - do
Oriente ou do Ocidente - porque alguns clérigos não vivem o que
seu Credo representa; assim também, não é possível evitar: nem
os médiuns que simulam (e, felizmente, são poucos!), nem os estu-
dantes de esoterismo, ocidental ou oriental, que, preferindo os fenô-
menos e as ilusões à realidade, ou à superação moral, pouco conse-
guem, numa ou na outra, das duas Vias. Mas, como tantas vêzes
o disse, todos devemos ter sido: ladrão ou canibal, meretriz (que
é uma função de sacrifício social. .. ), e muitas outras cousas ...

226
de modo que: não é julgando aos outros severamente, que progre-
diremos! ...
A Fia Mental de Sarva Ioga. - Com. 122 - Na 6.' Lição de
Sarva Ioga, tal assunto está bastante bem exposto. Os que as
compara rem com as outras Instruções da A.;\'LO. (N. 111), dar-se-ão
conta que: a dout1·ina, a experiência prática, e os métodos de pre-
paração, que são oferecidos aos Discípulos externos também, mas
que os residentes no Monastério, q1te escolhessem tal v ia, deve-
riam aplicar mais intensamente e com mais rápido ritmo, com-
põem-se do seguinte :
1) Método Sarva de recuperação: física, de equilíbrio glan-
dular e, mais tarde, percepção do ser etérico próprio, e rudimen-
tos do manejar do mesmo (sistema extraído por mim, após estu-
do e prática de hatha, prâna, mantra e karma-iogas, fazendo,
como bom 1nartinista, uma eliminação de todo o bagaço, acumula-
do nos séculos, em tudo isso ... ). Para citar um exemplo, a Mon-
ja Perseverante (que já anda perto do terceiro ano de silêncio,
agora) chegou a fazer mais de seis mil repetições de mantras (ora-
ções jaculatórias consci entes e intensas) enquanto trabalhava ma-
nualmente; ela e outros ti,·eram bonitas experiências, nesse sentido.
2) Análise profunda, freqüente e sincera de si mcs11W (e nis-
tiOestá a oposição com a outra Via, por motivos que veremos adian-
te) até situar e reconhecer os "Joõeszinhos" que compõem a nossa
personalidade: instável e complexa, que não tem: nem unidade nem
coerência. Esta parte Sarva é uma simbiose de: teorias e experiên-
cias pessoais, com as de Gurdjieff. É claro que, para viver esta
parte, precisa-se uma coragem e perseverança muito grandes; uma
sinceridade, para com o Instrutor, e para consigo mesmo, total.
É por isso, que, sàmentc o atual S,vami Sarvânanda (cuja vida fí-
sica, moral, mental, anímica, sexual, psíquica e espiritual era es-
pontânea1nente apresentada, a mim, por êle) chegou a certos re-
sultados nessa Via, segUido pelo casal Peregrino-Peregrina, com

N . 111 - As "Instruções da A .M.O" . que os Discípulos recebem, nas


cond'ições já citadas: sucessivamente, após o exame e aprovação de cada
lição, incluem quatro Disciplinas, que, resumidamente, são:
1) - Meditações místicas, de ioga espiritual, pam atualizar Sett passa-
do, no aspecto do psiquismo superior. Provém do Suddha Dharma Man-
dalam, e, em certa altura, convergem na Sarva Ioga.
2) - Probacionistas: instruções sortidas, de conduta e compreensão.
3) - Martinistas: nada que ver com o fato de pertencer, ou não, à
ORDEll MARTINISTA, pois estas instruções são, apenas, uma adaptação
resumida, da doutrina sintética, e de algumas cousas práticas, corno magne-
tismo, etc... aplicativas.
4) - Sarva Ioga: Começa com ioga física, segue com a etérica, moral
e mental, visando chegar à parte supramental, que muito poucos alcançam.

227
a mesma sinceridade, porém com menos continuidade, o que expli-
ca a diferença de resultados. Porém, um casal com filhos. não
tem a liberdade nem facilidade, para esta via, que tem um sol-
teiro introvertido. Daí que, para todos êles, a mudança de épo-
cas seja, na própria via Sarva, uma experiência de elevado valor.
E, se cito o caso dêles, é por ser um exemplo a meditar.
3) Minha doutrina - com alicerce firme na experiência pes-
soal - é que, não somente temos em nós um arquivo de imagens,
isto é: que a memória é, realmente, um arquivo de negativos fo-
tográficos, que se projetam em positivo, superposto a cada mo-
mento de consciência, quando a luz da emoção (e pouco importa o
nível do estímulo) assim o permite; como também, temos em nóS,
um arquivo, anàlogamente disposto, de t6das as nossas encarnações.
Ora, Carolei, para revelar - no sentido fotográfico do têrmo,
inclusive - , tais imagens, basta reunir as condições necessárias.
Uma delas, a essencial aliás, é levar a luz até os clichês arquiva-
dos.
Há dois métodos. Deixaremos o que corresponde à Via Car-
díaca, para depois. Na Via Mental - e pelo método Sarva - , a
meta não era evocar as imagens, para poder ver - como um fil-
me - , cenas do passado,. o que não interessa senão aos iludidos e
pretensiosos. A meta real é: poder atualizar conhecimentos e pos-
sibilidades, já cultivadas antes. De certo modo, cada um de nós
tem isso, involuntàriamente, e o processo se move, devagar, para a
frente, através da Vida. Lembra a definição de m'ilagre, que dei
antes, Carolei?
Pois, o Sarva Jogue iria procurar aplicar isso, a si mesmo. E,
se Você quer olhar a página 205 do primeiro volume, naquele dis-
curso de Cagliostro, aos "de alma vã e tão curiosa", verá que êle
disse:
" ... e, se mergulho no meu pensamento remontando o curso das
idades, se estendo o meu espírito para um modo de existência afas-
tado daquele que percebeis, tomei -me aquêle que desejo ... "
Assim também, Cnrolei, é possÍyel "tornar a ser", voluntária
e conscientemente, por momentos quando necessárip, por períodos
mais longos se indispensiÍyel, aq1lêle que a gente já foi, o que, se
bem meditado, equivale a retomar determinada experiência, com
as características específicas daquela oportunidade. Eu o tenho
vivido, antes do Monastério, e nêle" e agora também. E procurava
despertar êsse poder, nos que seguem a Via Mental Sarva. Aliás,
não creio que a etapa de Satori Zen, a busca de qual o rosto que
tínhamos no comêço, e antes do comêço, seja possível, sem passar
(e: passar não significa chegar, nem ficar, nem estagnar, nisso)
por essas f'xperiências.Pelo menos, essa é a minha experiência ...

228
E, para terminar êsse assunto, lembremos que - como está
dito na "Segunda Instrução de Probacionista": " ... não somos ainda
bons cristãos, porque nunca chegamos a ser bons budistas, bons
vedantinos, ou bons "qualquer" outra modalidade espiritual rela-
tiva ... " - que tivemos oportunidade de cultivar antes, é claro. Daí
a minha convicção pessoal de que, conscientes ou não do fato, reto-
mamos, evidentemente, o "passado" e que, na via mental (sarvamen-
te, ou não, cultivada como método, pois isso é adaptação, apenas),
podia-se procurar tal atualização por trabalho interior profundo,
e constante.
E, finalmente, Oarolei, chegamos à diferença mais essencial, a
meu ver, entre essas duas vias, que o Monastério queria brindar,
para escolha dos "interessados":
A via Mental é árdua, é sêca, é dura. Tem por ciladas: o
egocentrismo, e (mesmo que não se use a Magia, que é cilada da
parte ocidental dessa via e que dá o orgulho), o narcisismo resul-
tante. É claro que só quem pensa apenas em si, pode conseguir o
objetivo ioguísUco: realizar-se, primeiro, antes de pretender ajudar
a outrem; realizar a Deus, ou à Verdade, antes de querer mostrar
a senda a terceiros, etc ...
Mas, até a condição de ingresso real, nessa Via, é bem dife-
rente da outra. Na via de Ioga, na via mental do Oriente, só se
entra pelo nojo. Nojo de si mesmo (imperfeição); nojo da vida
externa tão vazia e banal; nojo da ação, individual e coletiva, com
suas pretensões, ilusões e fracassos; suas hipocrisias e suas su-
JeIras. Mesmo grandes sêres, grandes Gurus, e até o maior de to-
dos os contemporâneos dessa Via, Sri Aurobindo Gosh, concordam
com isso. Êle mesmo disse: " ... um simples descontentamento
agitado, da "ida comum, não é preparação suficiente para a nossa
ioga. Um apêlo interior positivo, uma forte vontade e uma gran-
de estabilidade, são necessários para triunfar na vida espiritual" ...
(Guia da Ioga).
É por isso, Oarolei, que tôdas as vivências - algumas' magní-
ficas, que alguns residentes - e eu mesmo - pudemos viver na
hora das meditações coletivas, quando houve épocas dedicadas ao
estudo e prática de doutrinas e métodos - por exemplo: de Vi-
vekananda, de Gurdjieff, de Aurobindo ou de Budismo Zen ... di-
luíam-se, pela incoerência com a vida diária, nos mexericos, ou na
gula, ou nas indiferenças e animismos alternados, dos residentes.
Bastaria citar o caso de uma pessoa que, não obstante vivên-
cias psíquicas (não confundir com espirituais), de tipo devocional,
e que acreditava ter "vocação", para a via de silêncio, calma e
percepção supramental (tipo via Aurobindo), oferecia a' curiosa
contradição de não tolerar a menor indicação, de "merecer" que eu

229
a condecorasse como "Presidenta do Clube dos Mexericos" e, que,
não obstante ser advertida: duas vêzes por um Siddha (grande
ser ióguico) e uma vez por mim, no sentido de cuidar da sua gar-
ganta .. . teve que ser operada dessa parte do corpo. - É bom notar
que há um ensinamento, martinista, que diz que todos sofremos das
partes em que erramos, ou pecamos. Mais tarde, o ensinamento
do MEM PHILIPPE, sôbre responsabilidade celular, irá nos es-
clarecer o caso.
E, para terminar com a "VIA MENTAL", na forma em que
foi cultivada lá, examinaremos algumas de suas derivações possí-
veis:
A Igreja Expectante: Não se pode chamá-la de "mental", so-
mente, já que descansa, fundamentalmente (como cerimonial) sô-
bre o culto aos Anjos, assim como em ensinamentos que são niti-
damente gnósticos de raiz, como se pode ver em suas Bases e Ri-
tuais (N. 112). - Sendo contrário ao espírito desta Igreja, fazer
proselitismo ativo, não me estenderei sôbre a mesma, dizendo ape-
nas que: assim como víramos: que o Martinismo tinha dotado e
reconhecido, na Europa, a Igreja Gnóstica como mais apropriada
para seus membros, assim foi julgado oportuno que, especialmente
aquêles que se ligam ao ideal predicado pelo Mestre Cedaior, sô-
bre a "Nova Era" e "Sexta Raça", etc ... tivessem a possibilidade
de viver a parte religiosa, o sentir devocional, de tal ideal, por
meio da Igreja Expectante. É possível, e assim o espero, que
surja um dia uma pessoa homem ou mulher - capaz de assumir
o Patriarcado, ou o Matriarcado, de tal Igreja... Por agora, ve-
mos na figura respectiva que, o laço com a Via Mental Sarva
(integral) está evidente na Estola que, além do símbolo Expectante
colocado sôbre a n1tca do Sacerdote (ponto de ingresso dos cli-
chês . .. ), e da Rosa crística (ombro direito), traz o Loto budista
(ombro esquerdo) e, na frente, ainda tem: o símbolo taoísta-budis-
ta do Yin-Yang; o da Igreja Brahmânica oculta; e, o que unifica
o símbolo Lamaísta da Swastilm, com o duplo triângulo do laço
entre dois mundos: divino e astral; ou astral e físico... - Do
outro lado: o monograma de Cristo, ou Lábaro de Constantino, ou
sêlo do Verbo (repetido na garganta), debaixo, o símbolo Sufi, do
coração com asas ... e a Cruz Egípcia de ísis, a Divina Providên-
cia sob certo aspecto. No Colar patriarcal, constituído pelos 32
Tulasi grossos, oriundos do Tibete, e as 76 pérolas de Sândalo, pen-

N. 112 - Sôbre a Igreja Expectante, à parte suas publicações para dis-


tribuição gratuita, como certos ensinamentos sôbre o Pai Nosso, achar-se-ão
informações mais completas em "Bases e Rituais" (para fiéis e o público em
geral) e nas "Instruções Sacerdotais" destinadas à sua Jerarquia.

230
de a Cruz Expectante, feita pela UnIao (macla, seria melhor) da
Cruz com o OM, e do Bindu com o Triângulo de tôdas as Trindades.
O que fica dito, deve bastar para fazer compreender, tanto o
que foi exposto, sôbre Sarva Ioga, como o que nos falta expor, dês-
te tema "mental".
O Instituto Juvenil de Ioga. - Swami Sarvânanda, e sua es-
pôsa Daya, já que os "Sarva SUJ,amis" podem, à vontade, escolher
entre a via celibatária, e a da vida· matrimonial, resolveram inten-
tar a fundação de um Instituto ·no qual, com base na Sarva Ioga,
bem como nos métodos mais amplos de pedagogia, isto é, com o
menor condicionamento possível, se procurasse educar a crianças,
que podiam provir de duas fontes: ou "adotadas" pelo Instituto
(e no" consta que, até esta data, já têm umas três ou quatro lá,
nestas condições), oa, como a primeira criança do casalzinho, "con-
cebida" em especiais condições, de acôrdo com a doutrina do Mes-
tre Cedaior. É uma experiência múltipla, pois: sôbre observações
relativas à pré-determinação de sexo e tendências, e sôbre possi-
bilidade - limitada ou ampla - de recuperar moralmente a crian-
ças, cujo tema natalício (astrológico) explica que: além de serem
abandonadas ou doadas pelos pais, trazem, geralmente, tendências
muito contraditórias. É um labor muito difícil e uma experiênCia
muito complexa. Nada mais podemos comentar, sôbre tal tenta-
tiva, a não ser isto ainda: que, não somente tem merecido amplo
apoio, por parte de muitos de seus "Cooperadores" (somente um
dêles, o querido Thyagadasa - Rafael Tucci, dono da Cantina Cá-
pri, no Rio, deve t~r invertido lá, além de muita dor de cabeça,
mais de cem mil cruzeiros no Pavilhão "Rafael" e no da cozinha
do citado Instituto). Por outra parte, nas suas viagens a Vitória,
Recife, etc., sabemos que o jovem Swami Sarvânanda tem obtido
ampla atenção, tal como sucedera no Paraná, quando lá estivera
em nossa companhia, recordação que fica ilustrada pela fotogra-
fia junto.
A Ordem dos Sarva Swamis. - Fundada por três membros (eu.,
Sádhanâ e o citado Swami Sarvânanda) cabe, agora a êle - Sar-
vânanda - a total e independente direção da mesma. Se os Deu-
ses me permitirem escrever o projetado "Tratado de Sarva Ioga",
fá-Io-ei, muito cômodamente, como um dos Monges da Ordem ...
Terminando com o tema, não desejaria, Carolei, deixar de lhe
brindar alguma parte mística da mesma. Não disponho da possi-
bilidade - e nem aqui é o lugar apropriado - de mostrar muitos
dos notáveis sÍ1nbolos instrutivos, recebidos em visão - sôbre a
compreensão Sarva de muitas cousas. Mas, vou procurar lhe dar
uma idéia, de qual a meta dessa Via Sarva, no seu aspecto mais
oriental que ocidental, é bem verdade.

281
A Via Mental, seja qual fôr o método seguido, será sempre a
do Discernimento, levada - quando obuscad~r '~ capaz de tanto
até à procura da Verdade real: sôbre si mesmo (Consciência),
sôbre a vida (Universo) e sôbre a Origem ou Comêço (Deus).

D. 5 - A Meditação do Buddha ...

Ora, Carolei, o Buddismo é sem dúvida a suprema explicação


da Vida, pela via mental; pela via que começa no analítico, segue
no introspectivo, continua pelo suprampntal e explode - se lá che-
gar - nesse estado de iluminação mental que dá a Compreensão
de tudo. É, pois, a conquista da ','Liberdade pela Verdade" ( ... e a
Verdade vos tornará livres ... ) porém conseguida pela evasão ini-
cial. :msse ponto, e não outro, é aliás a grande contradição, o real
conflito, entre a Via Cardíaca e a Mental e, por derivação (apenas)
entre a mentalidade ocidental e oriental, e seus conceitos de "es-
piritualidade".

232
Mas, já que em 8 de fevereiro de 1958, mostravam na meditação,
à Monja Sarah (e ela é da Via Essênia!) o símbolo bem ioguístico
de: "um livro aberto, grande e antigo. Duas pegadas (de Swami-
ji) impressas nas suas páginas. Um círio aceso projetava luz
sôbre elas"... e que, isso significa: que quando o Guru vai par-
tir (ou morrer) as suas plantas (porque o Pé do Guru mostra para
onde guiava ... ), é conservado . .. e o Círio aceso é o Símbolo dos
Mestres Passados, para os Martinistas . . . - é possível que eu já
tenha "morrido", esta vez, para o labor Sarva. Então darei al-
gumas cousinhas mais:

Y. 5 - Buddha Cósmico (Visão da Monja Sarah, em


14-2-58. )

"O Eterno Fogo do Amor Universal surge, simultâneamente,


do Loto da Suprema P ureza, que coroa o Branco Elefante do Cós-
mico Poder Criador, e, do ponto em que o fim do Ciclo reintegra
o Pensar que o criara, na Cabeça da Eterna Vida-Serpente-Sapiên-
cia. - Seis estrêlas, número de laço, e de An::or, em equilibradas
séries, ta nto no P lano Divino, como no Astral, como no Denso,

233
ladeiam a figura do Sábio Compassivo, o Buddha de Compaixão,
que, sendo Buddha, quis ainda ser Boddhisattva, "Aquêle-Que-Volta-
-Por-Compaixão", e cujo alento-vida, e expressão-verbo, está ligado
pela Tromba do Verbo ao OM que tudo criara. E assim, 1l:le, o
Compassivo, nos Campos de Buddha, sentado medita sôbre os Sete
Raios, que, lá em cima, são os mesmos Nove Fogos... Mas, lá em
baixo, na Terra, os homens só vêem uma silhueta de homem, sen-
tado, sorrindo enigmàticamente ... , alguns afortunados distinguem
uma auréola ... "
- Mas, como, Sevânanda, Você fala agora em Compaixão?
Não estava tratando da Via Mental, do Discernimento?
- Sim, Carolei, é verdade. Mas Em Verdade lhe digo, tam-
bém, que as Vias se unem. Mas o ponto de sua União é tão alto,
tão alto, que lá poucos atingem... e, enquanto não chegam lá, fi-
cam discutindo: sôbre vias e sôbre mestres, sôbre deuses e sôbre
homens. .. Mas, quando, pelo Discernimento, atinge-se a Compre-
ensão, esta outorga a Benevolência, e por esta última, chega-se à
COMPAIXÃO!
Assim, Carolei, o ponto de união, é a Compaixão!
E, para que Você possa eompreender, finalmente, Carolei, qual
era êsse misterioso caminho Zen, suprema via mental equilibrada,
dar-lhe-ei um dêsses famosos "koân" (enigmas). .Tá o dera, lá no
Monastério. Ninguém trouxe-me nunca solução, nem sequer inte-
lectual. E, esta, seria apenas um primeiro passo. Pois a via men-
tal é: seguir uma idéia, relacioná-la com tudo, esgotar as associa-
ções, deduções, e até a própria intuição, tornada função voluntária,
nesta Via ... até VIVER o Koân ...

H. 18 - O Zen

"Mestre! pediram os dois discípulos, debatemos em vão: diz-nos, por


obséquio, qual é o melhor: Sankya (renunciar às obras) ou Ioga (obras,
sem o apêgo) e se o Zen esclarece tal problema?"
Sevânanda tomou uma das belas maçãs que lhe trouxeram os Discí-
pulos, abriu sua afiada faquinha, cortou a maçã pelo meio e, sorrindo afe-
tuosamente, deu metade a cada um. Depois, com um de seus lencinhos
bordados, limpou cuidadosamente a faquinha, guardou-a c jogou o lencinho
no chão, entre os Discípulos. E, deixou a Sala de Meditação . .. (X. 113)

N. 113 - Como todo esfôrço me"ece atenção, cada solução bastante


acertooa que nos seja enviada sôbre o "koân" acima, será recompensada, à
escolha do interessado, com um livro, ou alguma outra publicação nossa, ou
com elementos de estudo.

234
..... ': .: .

V. 6 - "O Lama dos T"ês


Sóis" (Visão da Monja
Sarah, no Ashram, em
3-11-1957)

o Muito Excelso Mestre e a VIA ESSÊNIA no Monastério. -


Com. 123 - Assim como o meu número misterioso é "22", o de
Sádhanâ é "23". Começo esta parte com tal indicação porque, es-
pero de Você, Carolei, que já esteja prestando atenção a nomes
e números. Veremos, mais adiante, a grande importância que
o MEM concede a êstes elementos, e· porque. A Via Essênia é
a da hospitalidade, do serviço à coletividade e distingue-se, bàsi-
camente, da via mental, por ser a '·cardíaca". Ora, no Monasté-
rio, é bem verdade que, pessoas, como a Monja Sarah - devocio-
nal e psíquica por excelência - , ou a Monja Perseverante, servi-
dora de elevado sentido do dever, auxiliavam muito para apoiar
o "labor egregõrico". Mas, costuma -se dizer que, uma andorinha
não faz verão . . .
Sádhanâ, que nunca gostou que lhe colassem ao nome, os de
funções como "Swâmini, Mestra, etc ... ", fazia o que podia: traba-
lhava manualmente, nos primeiros anos - até deslocar parte do

235
diafragma em esforços com picareta; procurava dar o exemplo de
autodisciplina e, por cima de tôdas as cousas, o de continuar sempre
orando, e apoiando a todos, inclusive àqueles que entravam em "guer-
ra fria" com ela, pois certo número entenc.iam que a Via Essênia
"era viver como uma grande família". - A definição teria sido boa,
se nela não tivessem incluído uma porção de cousas, como por exem-
plo: que cada um continuasse a conservar seus gostos e manias:
familiares, nacionais, etc. em prejuíw da facilidade de vida coletiva.
Mas, essas são pequenas manias humanas, que não teriam, por
si sós, levado a terminar a "experiência E ssênia ", sob a nossa égi-
de. É curioso, como os humanos esquecem ràpidamente. Por um
lado, é um bem, como veremos ao falar do perdão. Por outro, . é
desfavorável, quando, como lá aconteceu com alguns, esquecem que
o MEM sempre vê tudo, sabe tudo, e que o Anjo AMO-PAX, que
cobre o SEU Labor Mundial, e sob cuja Proteção foi pôsto o Mo-
nastério, é Anjo de Amor e de Justiça.
Todos querem lembrar-se do Amor... e esquecer-se da Jus-
tiça! É claro que, assim, as situações se saturam: tanto na par-
te psicológica dos humanos, como, na muito mais importante, do
plano MORAL.
E mais curioso, ainda, que orando diàriamente a tantos Mes-
tres e a tantos Anjos, e sabendo por experiências próprias (pois a
mais de um, fôra dado ver Anjos, e ver Mestres, e ver Gnomos,
etc ... ), que tais Sêres existem e têm funções def'inidas, houvesse,
por outro lado, a aparentemente ingênua, e ilógica, tendência para
uma falta de transparência ... cousa que, de acôrdo com as nossas
experiências, do tempo do Martinismo brasileiro e uruguaio, como
da A.M.O. inicial, bem sabemos que o MEl\1 não deixa correr mui-
to tempo.
Como veremos no terceiro volume, o Muito Excelso Mestre,
punha, acima de t6das as cousas, o amor fraternal. Por isso, não
poderia haver NADA , no Monastério, capaz de compensar a falta
de real vida fraterna, de profunda gratidão - provada em atos -
para com os Discípulos Externos, os Visitantes e os Benfeitores.
Tampouco poderia haver NADA , capaz de compensar a falta de
Prece - espontânea - ou de utilidade coletiva - externa. Re-
sultou, então, que aos poucos: os atos, contraditórios com as preces
regulamentares; os atos dissimulados (aparentemente), aos Instru-
tores, ou aos colegas de "caminho espiritual", iam fendendo os ali-
cerces da união egregórica. Veja, por exemplo, Carolei, um fato
como êste, que mostra, quão fàcilmente os que não acreditam (no
fundo de sua alma), que há um mundo suprafísico e poderes de
o perceber, se deixam "pegar" pelos videntes ou pelos que têm a
"gnose" .. .

236
V. 7 - Uma residente, com a aura irada, emitiu ...

Relato da experiéncia: "Foi numa dessas manhãs, em que despertei


com um laço muito estreito e afetivo com Mãezinha e, trabalhando no jardim,
mantramizava junto a uma pequena planta, ao ser repentinamente surpreen-
dida pelo ocorrido:
Por detrás da pequena flor - cujo etérico estava desfigurado, pétalas
pendidas - saltou um mau pensamento, soltando uma estrepitosa gargalha-
da de mofa, esta figurinha escarlate; mas, quando ela ainda estava suspen-
sa no ar, surgiu um Gnomo, tipo "cow-boy" que, sacudindo-a pela ponta do
gorro enrolou-a como um "pé de meia" e enfiou-a no bolsinho de couro,
levando-a.
Imediatamente depois disto, vi passar a figurinha de F...... reduzi-
da ao mesmo tamanho do diabrete (uns 30 cm), dirigindo-se, indignada e
decidida, em direção ao Gnomo que já a esta altura estava a caminho da
Cachoeira.
Ela parou no meio do caminho, sentindo-se impossibilitada de agir
ficou algum tempo, e retornou à cozinha, bastante zangada.
Não fôsse o estado interior de oração e mantramização, assim como a
posição interior de amor para com Vocês, eu teria apanhado "em cheio", a
rubra onda de indignação e, foi também êsse estado que impediu que F ..... .
me visse, e que me permitiu que eu pudesse ver o que se passou." (10-4-58).

Seria um nunca-acabar, earolei, se quisesse revolver os Arqui-


vos, da história de corno e porque, resolvemos sair do Monastério;
e corno e porque, o MEM PHILIPPE nos deu ordem de fazê-lo. Lá,
tínhamos feito as experiências, pessoais e coletivas, que podiam
ser feitas. - Nada mais, egregórico e, muito menos, essénio podia
ser tentado, pelo menos por nós. Tampouco adiantaria usar da
possibilidade, que tinha em mãos, de uma documentação, suficiente
para terminar com o Monastério, despedir a todos e recomeçar, lá
mesmo, com alguns somente, ou com novos elementos. Era pre-

237
ciso, também, atender ao que já citei, sôbre as "Três Lágrimas",
deixando então aberta uma possibilidade, tanto ao próprio Monas-
terio, como ao Instituto Juvenil de Ioga, única das instituições, que
lá iria ficar.
Muito embora pudéssemos ter levado, também, o material mís-
tico que trouxéramos, resolvemos, Mãezinha e eu, para que lá não
ficassem, apenas, terras e prédios, deixar certos quadros, aos quais
nós atribuimos enorme valor, e certo poder: O do Anjo AMO-PAX,
original, que ficou no Templo, assim como, na Capelinha na qual
está a Pedra de Fundação do Monastério, deixamos o Quadro do
Mestre PHILIPPE, que em Montevidéu servira nas Curas Místicas,
tendo-se obtido, então, verdadeiros milagres. Em um canto do
nosso coração, uma esperança, que a mente insistia em considerar
como vã, fazia deixar lá essa semente e essa, para nós, Relíquia.
E, só.
Com. 124 - E agora, Carolei, vamos olhar algumas das razões
e indicações, tôdas elas espirituais, que nos levaram a LAJES, e,
qual a nova etapa a ser iniciada lá.
Se revisamos, em primeiro lugar, as indicações recebidas psi-
quicamente, há tal quantidade, que me vejo obrigado a citar ape-
nas algumas:
V) - Em novembro de 1957, estando Sádhanâ, Ceres (irmã
carnal de Sádhanâ) e eu, passando uma temporada em Guarapari,
hospedados pelo casal Thoth (Sacerdote Expectante) e Zanti, ti-
vemos lá umas experiências, segundo as quais LAJES seria o lu-
gar ou zona em que, ou faríamos curiosas experiências (inclusive
com Discos Voadores), ou teria também início uma certa "missão
mortal" . .. - Isso passou-se entre Mãezinha e mim, somente, e não
foi comentado com ninguém .. .
2") - Por isso, achamos muito interessante quando, em 6 de
março, ou seja: sete dias antes de sairmos para o Retiro de Tere-
sópolis, nada oficial, nem oficioso, tendo sido ainda comunicado,
aos do Monastério, sôbre a nossa partida, e muito menos para onde,
a Monja Sarah teve uma visão que descreye assim: " . .. No silên-
cio, logo: percepção de um ponto branco adiante de ajna chacra, e
comecei a sentir muito a influência do Muito Excelso Mestre, pro-
duzindo pressão na têmpora do lado esquerdo e trabalho intenso no
nariz. - Logo, visão do Seu Rosto sorridente, junto a um ramo de
pinheiros, de côr brilhante; após, uns instante de vácuo. me tor-
nou a aparecer, desta vez me fazendo uma saudação com o chapéU
e logo, abaixo desta Sua imagem, um trem passou, dêsses que vão
para o interior: liguei esta visão a de mim mesma - insistente -
durante três dias - vendo-me de túnica e arrumando a mala, com

238
grande alegria. - Ainda no mesmo estado, vi nas mãos de Mãezi-
nha uma ROSA BRANCA, e que Mãezinha chorava, com ternura,
sôbre a flor". - Acho muito claro, não, Carolei?
3.9 ) - No dia 13 de março (já estávamos em Teresópolis), mos-
tram a Sarah, no Monastério, o que transcrevo (sem o formoso de-
senho que acompanhava a visão):

H. 19 - Vis ão do "futuro" Retiro ALBA LUOI S

Medita!:ão, 11 de mar!:o de 1958: "No silêncio, j á com estado de boa


disposi!:ão interior produzido pela leitura (7.- Prática de Kamala e Ayur)
comecei por visualizar o Rosto do SENHOR e, o meu desejo íntimo era o
de fica r contemplando-O.
"Mas, a dura!:ão foi curta, pois, foi substituída esta visão voluntária.,
pela involuntária e espontânea do Rosto do Muito Excelso MESTRE, sor-
rindo, mais alegre que das outras vêzes (hoje 12, que estou transcrevendo
a visão, torno a vê-LO da mesma forma - o qu e me causa alegria e con-
fian!:a - certeza, principalmente. Que a Sua Excelsa Bên!:ão nos ajude
a todos!).
"Ta mbém esta visão durou muito pouco, como se fôss e uma indica!:ão;
tão logo vi, como numa tela, se desenrolar a seguinte cena :
"Mãezinha, depositando sôbre o Altar (como se estivesse se despedindo)
a ROSA BRANCA que estivera entre suas mãos e sôbre a qual havia cho-
rado nestes últimos dias (e depois):
"Entre arboriza!:ão e debaixo de frondosas árvores, vi a ERMIDA;
nm bando de pássaros chegou em revoada; as águas do regato em frente cor-
riam de manso... Sôbre êste regato estreito e raso, havia uma pequena
ponte e um arco encimado por UM CORAÇÃO E UM SOL, despontando
dês te.
"Devia ser ainda de manhãzinha, pois estava tudo coberto de orvalho.
Uns seis monges - homens e mulheres - , e entre êles Mãezinha (vi-a ni-
tidamente), trabalhavam na prepa ra!:ão do terreno.
"Era uma cena muito formosa e real: os pássaros cantava m; as águas
continuavam a deslizar tranqüilas e os monges trabalhavam.. . em silêncio.
"Dentro de tal harmonia e beleza física, moral e espiritual, surgiu um
Gnomo (vestido de branco: curioso, pois êles adoram as côres vivas) e vi a
Swamiji, sorridente, que veio r ecebê-Ia. Tomou-o n as mãos, levalltando-o
como se faz com as crian!:as e depois estreitou-o carinhosamente ao peito. O
Gnomo entregou-lhe nma sacola (também branca ) , qu e intuí contivesse ervas
ou coisas vegetais. próprias para rituais.
"O que mais me a dmirou e agradou, foram o respeito e a gravi dade dos
monges - pois, nem sequer ousa ra m levantar os olhos daquilo que estavam
fazendo.
"Acima de tudo, no céu azul pálido, apareceu a Jóia de Swamiji; de-
baixo, dois ramos de louro enla!:ados - nesse enla!:amento dos ramos - o
volante do JIPE se fazia bem visível; acima, uma Coroa.
"Fiquei muito intriga da, quando, já nas notas, vi a diante do Altar um
esqueleto humano. - Sarah."

Bem, Carolei, acho que não é preciso ser "bruxo" para perce-
ber ali: a mudança, na exata paisagem e condições em que ficamos
ao chegar ao novo acampamento; as novas possibilidades de labor e

239
a modalidade que seria a melhor (silêncio, respeito, gravidade); o
aviso de que Gnomos viriam conosco; e, além da jornada "gloriosa"
para o Jipe (e foi, de fato, uma viagem de 10 dias, bem difícil!)
o anúncio do fim da Cruzada, pois, dias mais tarde, o volante foi
mudado nesse simbolismo. Mas, isso é outra história.
4. 9 ) - E1n 17 de março, ninguém sabia, no Monastério, onde
andávamos, mas, estávamos em São Paulo, como o Thoth Sacerdo-


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V. 8 - ·'0 Sorriso do Muito Excelso MESTRE, é o motivo de sua Vida."

te, e nos reunindo com dois representantes do Grupo de Lajes e, um


dêles, o "Fidelis", contando-nos dois milagres, que o MEM fizera
acontecer com êle, e que, punha à nossa disposição, em usufruto:
uns 35 hectares de terras e uma casa mobiliada, etc... - Ora,

240
earolei, nesse mesmo dia; no· Monastério, e não obstante a atmos-
fera bastante desarmônica que lá pairava, a Monja Sarah era
agraciada com mais uma visão. Ei-la:

Oomentário da Vidente - e da visão: Ela teve, antes da Vlsao ilustra-


da na página precedente, outra, magnífica, com Anjinhos voando em tôrno da
Jóia e mostrando como O MESTRE e os que LHE servem, avançam sem-
pre, incólumes e decididos ...
Quanto à visão da figura V. S, traz o texto seguinte: "Além dêsse cam-
po de destroços (lado esquerdo, abaixo ... ) floresce outro, cheio de Sol, e a
vida é uma seqüência de experiências ... " - Observe-se, ainda, isto:
O contôrno do símbolo apresenta-se como um crivo finíssimo, de côr
branca azulada (Carolei: a côr da espiritualidade sutil e mansa).
- O casario (favo) de abelhas - indicando o labor (unido e egregóri-
co) - é de côr dourado-ouro, muito formoso.
- Do Cardo da base do Coração, saem chamas de fogo: o Cardo é o em-
blema especial do labor essênio, humilde, decidido, etc... (ver "Yo que
caminé .. . ").
- Da parte superior dêste Coração, e formando triângulo com as ex-
tremidades da Balança, vêem-se o Lírio, o Loto e a Rosa (Carolei : A
ROSA BRANCA, do Muito Excelso Mestre, está sôbre o FIEL DA BALAN-
ÇA. Ela, ou seja: ~LE, é o fiel; e os dois modos da procura de pureza ou
superação, devem ser feitos: com o fogo do Cardo, dentro do Coração (que
agora abrange todo o campo da Jóia!).
- Por cima dêste símbolo, está o Rosto Sorridente do Muito Excelso
MESTRE, e, embaixo, dos dois campos: um destruído e o outro verdejante
e cheio de vida e de Sol ! (Monja Sarah, Visão de 17 de março de 1958.)

5.Q
) Nem todos, no Monastério, Carolei, eram pessoas que
-

não levassem as cousas a sério. O casal Peregrino-Peregrina, do


qual já falei, embora instável às vêzes em seus estados, era dê
uma sincerídade provada, não só pelo seu sacrifício material (in-
verteram lá perto de meio milhão), como pelas etapas de meses de
continência, e pelas experiências tenazmente seguidas, das quaiS
nos davam minuciosa conta. Ora, mostraram a Peregrino, quan-
do ainda nem se falaya em nossa saída definitiva, um letreiro
grande "LAJES"... e bastante difícil me foi: não confirmar, nem
negar. Ainda não devia.
6.
Q
) O "Grupo de Lajes", a que aludi, formara-se desde que,
-

no dia de Santa Catarina (25 de novembro de 1952) chegamos a


Lajes, com a Cruzada, lá permanecendo cinco dias. Posteriormen-
te, estivemos outras vêzes, fazendo também conferências e visi-
tando Discípulos. Trata-se, aliás, de um Grupo de amigos, que
o são: socialmente, idealmente, desde o início do caminho; quase
todos vêm da formação kardecista, dêsse kardeoismo brasileiro, que
tem o coração por base. A doutrina do Muito Excelso Mestre foi,
pois, direito aos que já estavam maduros, para uma etapa indepen-
dente da parte espírita propriamente dita. E, possivelmente, na
nossa opinião, uma grande parte do enonile apoio, que o MEM,
tem dado a êsse Grupo (em curas e outros fatos ... ), bem como a
Sua decisão, de nos mandar para lá, provém do saorifíoio e da fi-
delidade, com que os componentes dêsse Grupo, semanalmente reu-
nidos durante seis a nos, e unidos nos outros dias, num labor silen-
cioso e útil, em todos os setores, inclusive em três ou quatro que
atacavam a nós, ou à doutrina do MEM, deram assim prova de
"saber o que queriam".

ORAÇÃO PARA ABRIR O DIA


Reverentemente, saudamos ao SENHOR I .. .
E saudamos, de coração,
A todos os Avataras, Mestres de Compaixão, e Instrutores,
De todos os Raios, Tempos e Lugares I .. .
Especialmente, ao Muito Excelso Mestre PHILIPPE (Amós)
E a todos os Mestres, do Oriente e Ocidente,
Que junto com ftle orientam o Plano desta época.
E saudamos a todos os Anjos do Senhor I
Aos que cuidam das Crianças, e de nós, Adultos;
Especialmente ao Grande Anjo de Amor e de Justiça,
Que cobre todo "O Labor Amo-Pax",
E a todos os Sêres dos Elementos, especialmente os desta região
E a tôda essa Jerarquia de Sêres e de Fôrças,
Agradecemos tôda a Direção, Proteção ou Ajuda,
Constantemente recebidas, por cada um de nós,
Até êste instante, em que, ABRINDO êste formoso dia.
Dedicado ao Serviço Coletivo e ao labor interior,
Tornamos a pedir essa mesma Direção, Proteção e Ajuda,
Para nós, e para todos aquêles que a necessitem
Para o corpo, alma ou mente I E specialmente por . . .
E pedimos Amor e Paz, por grandes e pequenos,
Amigos e Inimigos, DiscípulOS e Benfeitores,
E por todos os Residentes, presentes, ausentes e futuros,
do Monastério AMO-PAX, desejando profundamente
Que realiz~m alguma cousa, na Via Essênia ou de Sarva Ioga.
E pedimos: que se cumpram tôdas as Missões,
de tôdas as Igrejas, Fraternidades e Movimentos construtivos,
Especialmente do Rearmamento :\Ioral, de Pax-Christi,
Da República dos Cidadãos do Mundo, da Legião da Boa
[Vontade
E outros análogos, que podem ser sentidos
E compreendidos por muita gente, ajudando assim
A trazer um pouco de vida moral e espiritual,
Neste país, neste continente e por tôda parte!

Com. 125 - Com exceção do nome "Amós", em lugar de Amo,


esta era a versão abreviada da Oração da manhã, no Monastério.
Meditar sua amplidão será oportuno.. . - Os comentários desta
versão, e a extensa, estão na já citada publicação.

"ALBA LUCIS"

Com. 126 - Como já disse - a pág. 216, no Comentário 119 -,


o Alba Lucis surgira, antes do Monastério, como uma semente de
mais lento crescimento. Provàvelmente, tanto nós mesmos, como
aquêles que pudessem vir conosco, ou se unir ao labor nesta fase
tôda especial, devíamos todos passar por certas preparações, prin-
cipalmente compostas por: dor, tenacidade e entrega.
O Alba Lucis, como foi amplamente divulgado na época res-
pectiva, nasceu quando, em Belo Horizonte, na Ermida estaciona-
da no Abrigo Jesus, recebi em meditação a "última Oração". -
A imprensa e as radiodifusoras mineiras, divulgaram e comentaram
amplamente, naquele mês de março de 1953, êsse Alerta, êsse grito
de angústia! Reproduzimo-Ia, na página seguinte, tal como ela
foi impressa por nós, e reproduzida aos milhares, por corações gene-
rosos, que leram e sentiram o apêlo, que consta ao pé da mesma, e
que r eiteramos a Você, Carolei!
Efetivamente, se se percorre, com serenidade, o passado do
próprio Monastério e das atividades externas, chega-se à conclusão
de que a utilidade coletiva maior, e principalmente em relação à
Via Essênia, foi composta pelos atos da Cruzada, inicialmente; e,
mais tarde, pelas campanhas e iniciativas, que o Alba Lucis tomou,
em sua primeira fase, e que vamos resumir em uma "História"
sintética, apenas para registro histórico e para que Você, Carolei,
medite em quão difícil é, sacudir a indiferença humana!
Mas, como o Muito Excelso Mestre insiste em que "deve-se
agir, mesmo quando parece inútil, etc ... " é claro que o Alba Lucis
terá que ter essa tônica, nos dois modos: o da possível ação externa
(Movimento ALBA LUCISj, e o da preparação interior mais pro-
funda, dos que podem ser os Ajudantes íntimos, ou Sucessores, as-
sim como a transmissão (Retiro Alba Lucis) . Ambas as facetas
estão com base em Lajes, como diremos logo.
Antes, cumpre expor a primeira fase do Alba Lucis, que, por
eu lhe ter dado uma tendência excessivamente: gandhista, orien-
tal e exigente, não teve suficiente volume de adesões para, como
movimento, tornar-se realmente eficiente. Ver-se-á que, assim mes-
mo, realizou alguma cousa. Modificado, agora, espera-se que possa
ser mais útil: aos Anjos. aos Mestres e aos Semelhantes.

ÚLTIMA ORAÇÃO!

A Jerarquia Espiritual Terrestre,


Já comunicou o terrível decreto:
O castigo atômico vem, concreto,
Por havermos renegado ao Mestre!

E todos somos culpados desta sorte:


Nosso egoísmo e indiferença
Nossos ódios, vícios, mentira, descrenç~,
Geraram violência, miséria, MORTE!

Até o Trdgico Mundial Momento,


De supremo terror e total confusão,
Despertemos da material ilusão!
Oremos com real arrependimento:
Limitai, Senhor, Nessa Via-Crucis,
A dor e morte desta Humanidade!
Que alguns filhos Vossos, por Oaridade,
Sobrevivam, para ver "ALBA LUOIS"!

Esta oração não tem credo definido. Ela foi dada, mistica-
mente, no dia 27-3-1953, no Brasil, após ter sido confirmado, no
dia anterior, que: O OASTIGO ATôMIOO l~ INEVITÁVEL! Orai
pela LIl\IITAÇÃO DA DOR.
(Sri Seyânanda Swami)

PEDE-SE IMPRIMIR MILHARES DESTA ORAÇÃO, em


papel leve, se possível de cor celeste, e distribuir em todos os am-
bientes possíveis, meter dentro de edições de jornais e revistas,
reproduzir e divulgar amplamente!

H. 20 - Resumo sôbre o ALBA LUCIS - - primeira fase

1. - Achando-se esgotada a edição do grande folheto ilustrado: "Alba


Lucis", que fôra publicado em 1954, reproduzimos o essencial da excelente
síntese que a conhEcida escritora brasileira, Sra. Diocólmata Berlese de

244
Mattos Dourado, membro-fundador da Academia Rio-grandcnse de Le t ras,
escrevera em outubro de 1955, em "AOR", a boa revista que o Dr_ Antônio
Pereira Júnior, publica em Pôrto Alegre:
"ALBA LUCIS, ou Aurora ou Dealbar da Luz Espiritual é um movi-
mento místico-espi ritual, ?e~tinado a influir nos setôres com~rciais, políti-
cos, cultural, moral e relIgIOsos da sociedade atual, t ão abalada pelas con-
trações sísmicas da Nova Era que se aproxima, ameaçando as velhas e cor-
ruptas instituições, eivadas de egola t ria e utilitarismo.
" . .. não se acha ligado a nenhuma seita, pa rtido, igreja escola filosó-
fica ou govêrno. I sto o torna eminentemente independente ~ r ealizador, e
torna sua atividade prática extraordinàriamente intensiva e extensiva. _
P õe o indivíduo em duas alternativas: ou colabora para soergu er as fôrças
que determinar~o o alevantamento da raça pa ra o T erceiro Milênio, ou se
nega, peremptorIamente, e DEVE RECONHECER tal conjuntura perante sua
consciência.
"É um movimento, isto sim, qu e visa reunir tôdas as falanges capazes,
em moralidade e elevação, para formar uma América coesa e unida, liberta
de todos os males, geradores do egoísmo e da indiferença, propulsores das atuais
desesperadoras condições em tôda a Terra.
"Em sua Cruzada de Vida Espiritual, S. Sevânanda S., pregou inúme-
ras vêzes a necessidade de se purificar o indivíduo, "'um por um", dizendo
que "A Paz mundial é uma operação de soma". Dai, ALBA LUCIS inva-
dir tôdas as esferas de ação humana, porque neste Continente existe, falando
de modo geral:
"Confusão: na vida espiritual de cada ser adulto; a confusão resultan-
te, na educação dos filhos; a conduta errada, no lar e fora dêlc; a confusão
nos setores comercial, industrial, artístico e devocional; e, confusão em ma-
téria política; nacional, continental, mundial.
"Em suas milhares de Conferências em recintos públicos, S. Sevânanda
verificou que há muita gente desejosa de ser boa, pura, melhorar os padrões
de vida moral e interna, ser mais Cristã. ALBA LUCIS, é um conjunto
de métodos, que ensina por onde começar, para atingir o fim colimado.
"Partindo de "dentro para fora" , Alba Lucis prt~coniza: Compromisso
individual pa ra colabora r em Alba Lucis ; organização por bai rros, cidades,
estados, países. Organizarão financeira . Ação do Alba Lucis: nos Lares;
nos meios devocionais ; nos meios científicos; nos meios filosóficos; nos meios
artísticos; nos meios agrícolas e coloniais; nos meios governamentais."
2. - Isso, foi em 1955. D esde então - e antes - os promotores do
Movimento buscaram, efrtivamente, modos de VI'ocm'ar cllmprir, com as fi-
n alidades programadas. Xão obstan te o pequeno núm ero de Membros (43 ao
todo) e conscqu entemente limitado ingresso de recursos, mais de uma vez
iniciativas ousadas - em compa ração com os meios disponíveis - foram
intentadas. É possível que não deixe de ser instrutivo recapitular algumas,
para sua informação, e meditação, Carolei : e, tôdas as que citaremos, estão
dev idamente documentadas, inclusive nos diferentes arquivos de países di-
versos , como já expliquei, comentando o como e o porquê . ..
a) - 1949: contacto com certa Emb[(ixada dos Estados Unidos, avi-
sando sôbrc a im'asão do Tibete, sôbre uri'mio, etc. - Resultado vhlÍvel:
nulo.
b) - Aviso prévio, a um Governante la tino-americano, de atentado a
ser perpetrado contra êle (e o houve), bem eomo de uma revolução em país
vizinho (e deu-se). - Resultado visível: nulo.
c) - Missão à Argentina (custo : 26 mil cruzeiros); entrevista de
dllas horas, em setembro de 1954, com o Secretário de Cultos; Perón interes-
sado em procurar atrair (após o desastroso resulta do das revelações, no Par-

245
lamento Brasileiro, das manobras conjuntas - com alguns políticos daquI
- para formação da Terceira Fôrça: Justicialista e Antiamericana) ao
setor "espiritualista" que soma onze milhões de votos, no Brasil. ::\ão obs-
tante a nossa demonstração, do fraeasso de suas tentativas de promover re-
voluções na França e Itália (e lhe citamos nomes e somas despendidas ... ),
nada obtivemos em nosso esfôrço por influir em que seu govêrno se' aproxi-
masse da posição América Unida (as TR1l:S Americas) c mostrando-lhe que
o futuro é: uma Aliança Latina forte, colaborando franca e lealmente com os
Estados Unidos, cujo papel, por algumas dezenas de anos, serú ajudar a
conservar o acêrvo da "civilização" cristã ocidental.
d) - Conseguimos demonstrar a certos "exilados paraguaios" - diplo-
matas - a inutilidade de "montar mais re\'olução" no seu país, apoiados em
dinheiro e armas oferecidos pOt· Perón. (Uma das poucas iniciativas bem
sucedidas ... )
e) - Tendo estudado, astrologicamente, a situação e futuro de Getúlio
Vargas, procuramos salvar a sua vida. As tentativas fracassaram, porque os
intermediários (um Deputado e um "correio pessoal" de Vargas), não con-
seguindo saber, de nós, o que era, exatamente, que devíamos lhe expor, não
se esforçaram a tempo. Getúlio é afastado do poder - por morte, como
todos sabem - com 1tm dia de diferença da data que indicáramos muitos
meses antes.
f) - 1956: Campanha intensa e realista, por congregar as Igrejas,
Instituições espiritualistas de diferentes denominações, etc., em tôrno da
Legião da Boa Vontade, que desejava criar o CO~SELHO DA BOA VO~­
TADE, para a dministrar o que... hoje, criticam que Alziro Zarur oriente
de modo excessivamente pessoal: depois de o terem deixado só, e, ainda, com-
batendo, por todos os meios a sua iniciativa que é, sem clúvida alguma, a que
mais adequadamente se ajusta ao SENTIR da massa religiosa do povo brasi-
leiro ... , que mais podiam esperar!? - Resultado visível, e publicado em cir-
cular: 92% de indiferentes, nas Instituições, por tudo quanto fôr "trabalhar
em certo grau de coordenação. mesmo respeitada a antonomia administrati -
va e doutrinária de cada um"! E, com iS80, querem ajudar a salvar aI'
Mundo? ..
g) - 1950: Lançamos a treze pessoas do Monastério (e ISSO é um
dos atos úteis. coletivamente falando, que o Monastério TEM a seu crédi-
to, no Plano da Balança Moral), naquele ALERTA, sôbre o Perigo da Ra-
diação Atômica e da ?'ealiclade dos Discos Voadores extraterrenos. Resul-
tando visível: bastante bom. Custo: mais de 150 mil cruzeiros. - Resulta-
dos detalhados, inclusive o apêlo que, OFICIALMENTE, a Organização das
Entidades Não-Governamentais do Brasil fêz encaminhar nos sentidos apon-
tados, ao Conselho de Segurança das NAÇõES UNIDAS. Tudo isso,
publicado e documentado, na coleção da época, do "Correio Interplanetário",
que sucedera ao Boletim Amo-Pax, e que era impresso (3.000 exemplares)
pela "Associação Mundialista Interplanet:íria", Seção do Brasil, que duran -
te dois anos 'tev(' sua sede no Rio, na Rua da Quitandn, 30, sala 612. -
Hoje, a sede é em Belo Horizonte. sob a Pt'esidência tio ProfesRor Oséns
Dompteur Marques, Rua Ingaí, n. 693, Vila Santa Rita.
h) - Tentativa de inicinr um movimento de maior intercâmbio e união,
na Europa, entre certos setores do espiritualismo: resultado visível : ' pobre.
i) - Suspensão dns atividades do Movimento ALBA LUCIS, no que se
refere à modalidade da PRIMEIRA FASE, e procurando encaminhar seus
(então) Membros. para as diferentes Comunidades - no Brasil - da RE-
PÚBLICA DOS CIDADÃOS DO MUNDO, por julgar essa modalidade: mais
impessoal, mais ampl:l, mais LIVRE e não tão diretamente ligada (na men-
te do público) a nós, nem às UORsas demais atividades. É cedo, ainda, para
opinar sôbre êste tema. Vê- I o-emo~ separadamente.
Com. 127 - Assim, Carolei, após os complexos preparativos, que
no Rio exigiram onerosa liquidação da sede da AMI; remoção de
móveis, arquivos, edições, etc. para Lajes, as diferentes Institui-
ções como a escola (A.M.O.), e a pr ópria Sede do Movimento ALBA
LUCIS, para suas atividades externas, editoriais inclusive, ficava
num local da cidade de LAJES. - O futuro dirá se os sêres e as
circunstancias externas, levarão - a nós e, ou, aos nossos Colabo-
radores, a desenvolver ma is: o ALERTA ante "o que vem aí", e
tal se nos afigura ser, fundamentalmente, a missão do Alba Lucis;
ou se, pelo contrário, a indiferença humana da massa, e a falta de

V. 9 - A Monja Sarah estava (em férias) em LAJES, em 24 de


junho de 1957, e ligando-a a mim, mostraram-lhe êste símbolo, que parece
indicar que: quando viéssemos para LAJES a modalidade evidenciada en-
camparia tudo: o motivo Central: O LÁBARO Gnóstico, rodeado por um
Escudo, formado por uma corrente sustentada pelos bicos de Cinco Águias.

colocadas entre os braços da Estrêla de Cinco Pontas (cuja relação com o


MEM PHILIPPE veremos adiante). - O Círculo (laço Universa l) e n
Corda (laço no plano humano) devidamente entrela çados . ..
V. 10 - (Visão de 11 de janeiro de 1957), relativa ao MESTRE
CEDAIOR, cujo Anel pessoal, é usado pela M. Sádhanâ, a quem dedico
esta Visão, por achar qu e constitui um lacônico comentá rio do que ela é,
e que o texto percebido por Sarah diz: " . . . Aquéle que está firme no ca-
minho, não se deixa lel'ar por cousas vãs"... e, "um coração humano pul-
sante, cravado por um punhal . a um velho tronco, no meio de um bosque
de pinheiros... e, como era estranho, aquêle antigo trOD(,O. apoiado sôbre
rl\H18 raízes .. . "
real entrega (material, física e moral) dos poucos que poderiam
compreender e sentir a gravidade da Hora Amarga que se aproxi-
ma, nos obrigarão a ficar, impotentes e limitados à divulgação
pelos textos, neste Retiro, ou se, numa derradeira tentativa de nos
utilizar, mais intensa e utilmen:~, nos enviarão para a "missão
mortal".
Não creio ser necessarlO, Carolei, dizer que, para Mãezinha e
para mim, é totalmente igual. Nós, só estamos, como militares que
somos, isto é Cavalheiros, apenas "em disponibilidade", sem reser-
vas, e sem condições. Assim, viraremos a página, e olharemos um
pouco o aspecto místico que, se não resolve o que os humanos T1JJM
que fazer, pelo menos lembra-lhes que: os Anjos e mais Sêres
que CUMPREM BEM com a Sua Vontade, estão sempre ajudando
e protegendo... Amén.
O Retiro Alba Luciô. - Com. 128. - Como está pormenoriza-
do no "Boletim Alma Lucis", a viagem da Caravana de íntimos, fei-
ta na época de chuvas, foi bastante arriscada, dada a dificuldade
de a Ermida percorrer, nessas condições, os 1.300 quilômetros, de
Resende a Lajes. Viajava, além de sua velha placa do Rio, com
a Licença N. 23. Via-se, em muitos detalhes assim, como a tônica
do Muito Excelso Mestre, que tem por apoio indiscutível e princi-
pal, entre nós, o Coração entregue e amoroso de Sádhanâ ia afas-
tando os outros aspectos. É provável que a divulgação do Livro vá
ajudar, tanto aos nossos Colaboradores, Discípulos e Amigos, como
a Você mesmo, Carolei, a sentir a parte profunda do Seu Ensi-
namento ...
Creio, sinceramente, que a comparação das visões, isto é, do
que se vê no plano físico, e do que acontece no outro, possivelmen-
te seja a melhor, quase certamente a única, indicação que eu possa
e deva brindar-lhe, antes de fechar êste volume, para iniciaor os ou-
tros, nos quais, somente, os Ensinamentos do M. PHILIPPE lhe da-
rão a prova da realidade de muitas, das cousas que neste se adian-
taram: tanto sôbre Anjos e Mestres, como sôbre os Sêres da Natu-
reza; e, também, sôbre a necessidade e oportunidade, de procurar
fazer alguma cousa, para ajudar a melhorar o que, em cada ins-
tante sucessivo, a Humanidade, da qual somos células responsá-
veis, vai merecendo... Assim, examinaremos as Visões, os textos
de quem viu e, os poucos comentários que fôr oportuno acrescentar ...
Com. 129 - Como, na Cerimônia de fundação, as "notas" que
cada pessoa presente deu (ou ficou de dar) se acham multo bem
expressadas pela de Sarah que, além disso, contêm muito mais, já
que lhe foi permitido ver, e até muito acima da sua habitual per-
cepção, iremos seguir suas próprias anotações, que o seu talento
de desenhista lhe perm