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Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Programa de Doutorado em Direito Administrativo

Aula 16
Teoria Geral do Controle. Concurso de órgãos controladores. Limites. Eficácia recíproca. Esferas
autônomas de responsabilização

1. Partes da análise

1.1. Objeto de controle


(i) Atos dos agentes públicos no exercício de função administrativa
(competência disciplinar);
(ii) Atos dos particulares na prestação de serviços públicos (relações de sujeição
especial);
(iii) Atos dos particulares (poder de polícia).

1.2. Sujeitos de controle


(i) Tribunais de Contas;
(ii) Órgãos de controle interno (Controladorias, Corregedorias etc.);
(iii) Ministério Público;
(iv) Poder Legislativo;
(v) Poder Judiciário;
(vi) Autarquias Profissionais;
(vii) Agências Reguladoras;
(viii) Agências Executivas (Inmetro etc.).

2. Concurso de controladores

(i) ADI 5705/SC: questionando submissão do controle interno ao controle externo


(art. 71, CF e independência dos poderes).
- Lei Complementar 202/2000: Institui a Lei Orgânica do TCE/SC
MPF opinou pela procedência da ADI: (i) vício de iniciativa, já que impõe
obrigações à administração pública por meio de lei de iniciativa da Corte de
Contas; (ii) permite a transferência de obrigações do TC para outro órgão.
Art. 61 – No apoio ao controle externo, os órgãos integrantes do
sistema de controle interno deverão exercer, dentre outras, as
seguintes atividades:
I – organizar e executar, por iniciativa própria ou por determinação
do Tribunal de Contas do Estado, programação de auditorias
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nas

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unidades administrativas sob seu controle, enviando ao Tribunal os
respectivos relatórios.

(ii) Art. 12 da Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa): Prevê atuação de


órgãos de controle em matéria penal (iniciativa do MP), cível (iniciativa dos
tribunais de contas e/ou do próprio ente prejudicado), administrativas (pelo
próprio ente prejudicado) e o controle judicial pelas sanções específicas.
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e
administrativas previstas na legislação específica, está o responsável
pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade
do fato: (i) perda dos bens acrescidos ilicitamente ao patrimônio, (ii)
ressarcimento integral do dano, (iii) perda da função pública, (iv)
suspensão dos direitos políticos, (v) pagamento de multa civil e (vi)
proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios.

Pela previsão do art. 21, II, da Lei de Improbidade, as sanções previstas nesta Lei
são cabíveis independentemente da aprovação ou rejeição das contas pelo
Controle Interno ou pelo Tribunal de Contas.
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo
quanto à pena de ressarcimento;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle
interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.

(iii) Art. 17 da Lei 8.429/92: Concurso de controladores legitimados a ajuizarem a ação


civil pública por improbidade administrativa (rol de legitimados contido no art. 5º
da Lei 7.347/85).
Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo
Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de
trinta dias da efetivação da medida cautelar.

3. Esferas autônomas de responsabilização

As esferas cível, criminal e administrativa não se comunicam, são independentes


entre si.
Disciplina:
(i) Art. 935 do Código Civil;
(ii) Art. 67 do Código de Processo Penal;
(iii) Art. 125 da Lei 8.112/90;
(iv) Art. 12, caput, da Lei 8.429/92;
(v) Art. 21, II, da Lei 8.429/92.

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A justificativa se baseia na diferenciação dos bens jurídicos tutelados.

Exceções: absolvição criminal fundada na inexistência do fato ou negativa de


autoria.

4. Limites

(i) Vedação ao bis in idem: proibição da mesma punição mais de uma vez;
(ii) Violação aos princípios constitucionais, sobretudo da proporcionalidade.

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