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DIREITO CIVIL – PONTO 04

Obrigações: conceito e elementos constitutivos. Modalidades. Transmissão. Adimplemento,


inadimplemento e extinção das obrigações.

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TEORIA GERAL DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

1. Conceito e âmbito
Complexo de normas que regula relações de conteúdo patrimonial entre pessoas, uma face as
outras (credor/devedor), que tem por objeto prestações de um sujeito face outro.

2. Características
O do trata de direitos de natureza pessoal que conferem a um sujeito o direito de exigir uma
prestação face outro com quem pactuou (direito de crédito).
O direito de crédito É RELATIVO (não oponível erga omines); representam o poder de exigir
prestação positiva ou negativa.
A patrimonialidade do objeto é ínsita em toda obrigação - a prestação deve ser passível de
avaliação pecuniária, mesmo que o interesse seja somente moral. A peculiaridade distingue a obrigação
em sentido técnico de numerosos outros atos da vida social.

3. Relação com os direitos reais.

Direitos pessoais Direitos reais

Direito contra determinada pessoa Poder jurídico direto e imediato sobre a coisa, com
exclusividade, contra todos

Relação pessoa a pessoa - sujeito ativo, passivo e Relação sobre a coisa - sujeito ativo e coisa e
prestação oponível relação de poder sobre (domínio

Objeto é uma prestação Objeto é a coisa

Sujeito passivo determinado(ável) Sujeito passivo indeterminado


- escola personalista anticlássica: obrigação
passiva universal (crítica de PLANIOL: falta a
pecuniariedade a esta suposta obrigação)
Direitos pessoais Direitos reais

Noção substituísa pela de sujeito passivo


indeterminado - somente determinado diante de
uma violação
- escola clássica: elementos são pessoa e coisa

Transitórios - se extinguem com o cumprimento da Perpétuos


prestação

Podem ser livremente criados pela vontade das Decorrem diretamente da lei - numerus clausus
partes - numerus apertus

Sua satistaçao exige a colaboração de sujeito Exercível diretamente sobre a coisa


intermediário - o sujeito passivo

Ação pessoal - somente dirigível contra o sujeito Ação real - dirigível a quem quer que detenha a
passivo coisa

Teoria unitária-realista - visa unificar os dois direitos como direitos patrimoniais


Teoria dualista - distingue características próprias dos reinais: aderencia, absolutismo, sequela,
taxatividade, tipicidade, perpetuidade, desmembramento

4. FIGURAS HÍBRIDAS
Certos direitos pessoais gozam de certas características dos direitos reais.

4.1. ESPÉCIES
4.1.1. OBRIGAÇÕES PROPTER REM ou AMBULATÓRIA
Decorrente da lei, é a que recai sobre determinada pessoa em função de sua titularidade
sobre um direito real - decorrem de um direito real sobre determinada coisa, aderindo a essa e, por
isso, acompanhando as modificações de seu titular - possuem origem automática - p.ex. o dever de não
perturbar vizinhos, decorrente da contiguidade de dois edifícios.
EXEMPLO: no condomínio edilício (que é condomínio especial porque
mescla as propriedades de áreas exclusivas e áreas comuns), cada titular de
unidade autônoma tem o dever de contribuir com as despesas da área
comum; quando deixa de ser proprietário da unidade autônoma, o
sujeito deixa de ser responsável pela obrigação proter rem. Entretanto,
por obrigação legal ele é responsável pelos débitos anteriores. STF vem
considerando que o pagamento dos valores condominiais pode ser cobrado
do condômino que seja PROMISSÁRIO COMPRADOR (mesmo sem o título
registrado, desde que tenha pago o valor do bem). Quem compra unidade
autônoma responde pelos valores passados, por determinação legal,
não por ser devedor de obrigação propter rem.

É híbrida pois recai é relação obrigacional decorrente da titularidade de um direito real.


Ao contrário das obrigações pessoais que se transmitem por meio de NJ que a envolvem
diretamente, a transmissão de obrigações reais se dá por via indireta - com a aquisição de direito sobre a
coisa à qual ela se víncula - transmissão automática com o direito ao qual se vinculam.

4.1.2. ÔNUS REAIS


ÔNUS REAL é uma terminologia que tem entendimentos distintos na doutrina :
(i) há quem entenda como DIREITO REAL DE GARANTIA OU DE FRUIÇÃO SOBRE COISA ALHEIA; e
(ii) outros dizem que são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade, constituindo
gravames ou direitos oponíveis erga omnes. Acompanham a coisa e se limita a seu valor, daí se
dizer que quem deve é a coisa e não o titular.Para que haja, efetivamente, um ônus real é
essencial que o titular da coisa seja realmente devedor, sujeito passivo de uma obrigação.

DIFERENÇAS ENTRE ÕNUS REAIS E OBRIGAÇÕES PROPTER REM:

Ônus reais Obrigações propter rem

Responsabilidade limitada ao bem onerado, não Na obrigação propter rem responde o devedor com todos
atingindo o restante do patrimônio do devedor - grava os seus bens, ilimitadamente, pois é este que se
somente a coisa encontra vinculado.

Desaparecem com o objeto Os efeitos da obrigação propter rem podem permanecer,


mesmo havendo perecimento da coisa.

Os ônus reais implicam sempre uma prestação positiva As obrigações propter rem podem surgir com uma
prestação negativa.

Nos ônus reais, a ação cabível é de natureza real (in rem Nas obrigações propter rem, é de índole pessoal.
scriptae).

Titular responde mesmo pelo cumprimento de Titular somente repsonde pelos vínculos surgidos na
obrigações anteriores à aquisição do direito. vigência de seu direito;
exceção - condomínio - obrigação propter rem -
adquirente de unidade autonoma é responsável pelos
débitos anteriores
IPTU ou ITR – o STJ em diversas passagens entende que é obrigação propter rem: “A exegese
dos artigos 32 e 123 do CTN indicam o sujeito passivo para fins de pagamento, mas não vedam
que uma vez adimplida a exação, possa a mesma ser restituída ao novel titular do domínio quer
por força da cessão do crédito, convencionado ou legal, quer em face da natureza propter rem da
obrigação”.

4.1.3. OBRIGAÇÕES COM EFICÁCIA REAL


São as que, em perder a característica de direito pessoal, se transmitem e são oponíveis a
terceiro que adquira direito sobre determinado bem, em virtude do registro.
Ou seja, obrigações pessoais que por força de lei adquirem certo grau de eficácia de uma
obrigação real.
P.ex. locação registrada, que pode ser oposta a terceiro.
OBRIGAÇÃO COMO PROCESSO
Conceito moderno de OBRIGAÇÃO: “processo na busca do adimplemento” - a finalidade do direito
obrigacional é o adimplemento – origem no Direito Alemão e adotada pelo CC pois CLÓVIS DO COUTO E
SILVA esteve na comissão que o formulou (base na doutrina KARL LARENZ, entendendo que a obrigação
seria o conjunto de atividades necessárias à satisfação dos interesses do credor)
Manto principiológico:
a) proteção contra influências externas – função social dos contratos - “tutela externa do crédito” - toda a
sociedade possui o dever de respeitar um processo obrigacional em curso;
b) efeitos internos: a busca do adimplemento deve se dar da melhor forma para credor e devedor – relação
de cooperação e não de antagonismo (boa-fé objetiva).
Princípios incidentes sobre as relações obrigacionais: função social dos contratos, boa-fé objetiva,
cooperação, proteção, informação.

DEVERES ANEXOS, COLATERAIS, SECUNDÁRIOS OU INSTRUMENTAIS


Normas sobre boa-fé objetiva (artigos. 113 e 422 do Código Civil de 2002) e sobre o abuso de direito
introduziram fundamento legal para a admissibilidade de deveres secundários nos negócios jurídicos e nos
contratos.
Sua admissão decorre da nova perspectiva da obrigação como um processo de colaboração contínua
entre as partes para a satisfação do credor (Clóvis Couto e Silva). Assim sendo, DEVERES ANEXOS são a
garantia de que a obrigação principal irá se executar da melhor maneira, mais solidária, mais leal; não
precisam estar expressos e vinculam as partes.

São deveres de conduta de lealdade, por exemplo, são deveres de informação, de sigilo, de cuidado, de
colaboração; são deveres de comportamento que visam a garantir que o vínculo patrimonial irá se
desenvolver de forma mais honesta e solidária; fundados PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA (standard de
comportamento honesto e leal).
Trata-se de concretização da função supletiva da BOA-FÉ OBJETIVA, que pode ser verificada no
ordenamento jurídico pátrio:
• CF/88 (implicitamente) – artigo 3º: constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e SOLIDÁRIA. As relações entre as pessoas devem ser solidárias.
• CDC – todo ele está construído sobre dois DEVERES ANEXOS: informação / transparência e segurança.
• CC/02 – artigo 422: “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em
sua execução, os princípios da probidade”.

Na praxe do comércio jurídico, são recorrentes os casos nos quais, por falta de norma direta e à míngua de
cláusula negocial expressa, a prestação, apesar de causar dano ao credor, deve ser dada como regular,
legal ou contratualmente efetuada. Vale dizer: conquanto tenha infligido dano ao credor a maneira pela
qual a obrigação foi cumprida, não houve, a rigor, ofensa à lei ou ao contrato. Caracteriza os
deveres/obrigações principais ou primárias, entre outros traços, o fato de emanarem, expressa ou
tacitamente, diretamente da norma legal ou convencional (contrato).

EXEMPLO 02 (FRANCISO C. PONTES DE MIRANDA): devedor que tem de pagar, no cais, ao credor que vai
embarcar e efetua o pagamento em notas ou moedas de mínimo valor, ou paga à porta do banco, como se
avençara, mas no momento em que se fechava a porta. DANO AO CREDOR: grande volume momentos
antes do embarque ou, no segundo caso, arcar com o transtorno do transporte, da guarda e do risco de
manter em seu poder o numerário.
EXEMPLO 04 (ARAKEN DE ASSIS): médico que diagnostica, com exatidão, a doença do paciente,
administrando-lhe, porém, dentre vários tratamentos disponíveis, o mais penoso e prolongado. DANO AO
CREDOR: sofrimento e demora desnecessários.
EXEMPLO 05 (CLÓVIS DO COUTO E SILVA): comerciante que convenciona com agência de publicidade a
confecção de anúncio luminoso do seu produto, o qual é confeccionado segundo a prescrição do contrato,
contudo é instalado em local de pouco trânsito de pedestres, silente o contrato a respeito de indicação do
local onde deveria ser exposto o reclame. DANO AO CREDOR: o prejuízo do inexpressivo resultado nas
vendas.
Em todos os exemplos antes descritos, os chamados deveres (ou obrigações) principais ou primários foram
cumpridos de acordo com o estipulado. Não se pode cogitar, portanto, de inadimplemento daqueles
deveres ou obrigações. Contudo, tampouco se pode ignorar que a maneira pela qual foram cumpridos
impôs danos aos credores.
Por vezes, esses deveres COLATERAIS podem surgir antes da formação da obrigação principal
(EXEMPLOS: aconselhamento dado pelo advogado antes de ser contratado ou informação dada pelo
vendedor antes de concretizar a venda) ou depois de finalizada essa, o que se chama de PÓS-EFICÁCIA
(EXEMPLO: patrão demite seu empregado doméstico, sem justa causa e paga tudo certo; a obrigação
principal não surte mais efeitos. Depois, ele procura o patrão para pedir declaração objetiva de que
trabalhou como copeiro, o que não consta no seu contrato de trabalho e nem na carteira de trabalho.
Como o patrão tem o dever de informação, deve fornecer a declaração solicitada).

Enquanto as obrigações principais ou primárias pressupõem violação culposa para ensejar


responsabilidade pela indenização, os denominados deveres anexos ou secundários consideram-se
violados objetivamente, dispensando comprovação do elemento subjetivo
NOÇÕES GERAIS DE OBRIGAÇÃO

Obrigação é vínvuo jurídico que confere ao credor o direito de exigir do devedor determinada
prestação.

1. Elemenos constitutivos da obrigação


a) Subjetivo - partes. Devem ser determinados ou determináveis. Qualquer pessoa pode figurar o
polo ativo, se não for capaz será representada ou assistida. Sujeito ativo pode ser individual ou
coletivo, pode ainda a obrigação existir em favor de pessoas ou entidades futuram como
nascituros.
b) Objetivo - prestação. Esta é o objeto imediato, mediato é o objeto da prestação (casa, carro,
obra encomendada etc.)
O objeto deve ser lícito, possível (não impossível física/juridicamente), determinado ou
determinável e economicamente apreciável
c) Vínculo jurídico - dois elementos: débito (SCHULD) e responsabilidade (HAFTUNG).
 Débito SCHULD - é o comportamento que a lei sugere ao devedor no sentido de
satisfazer pontualmente o dever assumido, honrando seus compromissos. Une
devedor ao credor, exigindo que aquele cumpra sua obrigação.
 Responsabilidade HAFTUNG - é vínculo material confere ao credor não satisfeito o
direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação, submetendo àquela os
bens do devedor.

2. FONTE DAS OBRIGAÇÕES


É todo fato jurídico de onde brota o vínculo obrigacional - fontes mediatas - sendo a lei a fonte
imediata. P.ex. atos ilícitos, contratos, declaração unilaterais de vontade.

3. DISTINÇÃO ENTRE OBRIGAÇÃO E RESPONSABILIDADE


Obrigação é o vínculo jurídico patrimonial entre devedor e credor, que permite ao último exigir
do primeiro uma prestação.
Já a responsabilidade surge diante do inadimplemente da obrigação, e tem como garantia o
patrimônio geral do devedor - é a conseqüência jurídica patrimonial do inadimplemento da obrigação.
Relação obrigacional tem por fim precípuo a obrigação devida e secundariamente a sujeição do patrimônio
do devedor que não a satisfaz.

Podem ser separados, como no caso da fiança: o Schuld é do afiançado; o Haftung é do fiador.
Também, nada impede uma obrigação sem responsabilidade (obrigações naturais); ou uma
responsabilidade sem obrigação.
MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES

DAS OBRIGAÇÕES DE DAR


Podem ser obrigação de dar ou restituir - tradição. Obrigação de prestação de coisa, determinada
ou indeterminada.
 Dar - transferência do domínio
 Entregar - concessão de uso temporário

Consiste em transmitir a propriedade ou outro direito real quer na simples entrega de coisa em
posse, em uso ou à guarda.

Implica na obrigação de conservar a coisa até a entrega e a responsabilidade do devedor por


qualquer risco ou perigo desde que esteja em mora quanto à entrega ou, mesmo antes dela, se a coisa
estava a risco ou responsabilidade do credor.

DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA

Certa é a coisa determinada, perfeitamente individualizada.


Conferem ao credor mero direito pessoal, e não real. Na C/V, p.ex., o devedor apenas se obriga a
transferir o domínio da coisa certa ao adquirente; e este, a pagar o preço.
Destarte, inadimplido o contrato, o credor não pode ajuizar reinvidicarória, porquanto carece
de direito ao domínio.
Antes a regra era resolver este inadimplemento com a resolução do contrato cumulada com
perdas e danos, atualmente as obrigações de dar contam com medidas de execução coercitivas que
visam compelir o devedor ao adimplemento como mandado de busca e apreensão ou a imissão e entregar
ao credor exatamente a coisa devida.
Entretanto, caso a coisa tenha sido alienado a terceiro, somente restará ao credor frustrado
buscar indenização - a coisa não pode ser buscada nas mõs de terceiro

No caso das obrigações de restituir poderá o credor, como proprietário ou possuidor buscar a
realização prestativa da coisa mediante reintegração de posse/busca e apreensão.

 Impossibilidade da entrega de coisa diversa, mesmo que mais valiosa - o devedor da coisa não
pode dar outra ao credor, mesmo que mais valiosa, tampouco o credor é obrigado a recebê-la (CC 313).
A referida regra impede a compensação nos casos de comodato e depósito, porque o credor tem
direito à restituição da propria coisa emprestada ou depositada.
Também o credor não pode exigir coisa diversa, mesmo que mais valiosa.
SALVO nas obrigações facultativas, em que o devedor se reserva o direito de pagar coisa diversa.
Não impede a concordância do credor em receber diversamente - dação em pagamento.
ATENÇÃO: em relação aos títulos de crédito, o credor não pode recusar-se ao recebimento do
pagamento parcial, nos termos do artigo abaixo:
“Art. 902. Não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do
título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do
pagamento.
§ 1o No vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial.
§ 2o No caso de pagamento parcial, em que se não opera a tradição do título, além
da quitação em separado, outra deverá ser firmada no próprio título.”

 Tradição como transferência dominical - domínio somente se adquire pela tradição (móveis)
ou pelo registro do título (tradição solene).
Destarte, no caso de contrato de hipoteca/servidão, o direito real somente surgirá com o registro,
havendo antes mera obrigação de proceder ao registro
Por isso a obrigação de dar gera apenas um crédito e não um direito real sobre a coisa - este que
somente será transferido com a tradição.
Entretanto, a tradição ou o registro não transferirá a propriedade quando tiver por título negócio
jurídico nulo - CC 1.268.
Real - entrega material da coisa
Simbólica - feita por ato que simboliza, como a entrega das chaves do veículo
Ficta -

 Direito as melhoramentos e acrescidos -


Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o
credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os
pendentes.

Na obrigação de entregar coisa os melhoramentos e acréscimos à coisa são do devedor até a


tradição, pois até então é dele a coisa. Caso em que o animal a ser entregue dê cria - estes
pertencem ao devedor -; se vendida grávida pertence ao credor o filho; entretanto se engravidou
após a celebração do negócio, poderá o devedor exigir a mais dado o fruto pendente.
Também os frutos percebidos até a tradição são do devedor pois até então é dele a coisa. Os
pendentes, por sua vez, integram a coisa até serem separados e, por isso, a acompanham.

Entretanto, na obrigação de restituir os melhoramentos e acréscimos sem despesa ou trabalho


do devedor, pertencem ao credor, desobrigado de indenização (CC 241) -P.ex: caso do credor
pignoratício, que deve devolver a coisa com os frutos e acessões após o pagamento da dívida. Quer
dizer que nas obrigações de restituir aquele que teve em posse da coisa não tem direito aos
frutos e acréscimos que não decorreram de seu lavor ou dinheiro. Caso tenha dispendido
trabalho ou dinheiro aplicam-se as regras referentes a benfeitorias:
(i) Boa-fé - indenizado pelos necessários e úteis, podendo levantar/ser indenizado os voluptuários;
neste caso poderá exercer direito de retenção pelo valor dos acréscimos, melhoramentos.
A indenização é feita face ao valor atual dos acréscimos.

(ii) Má-fé - indenizado somente pelos necessários, não tendo direito de retenção
A indenização é feita face ao valor atual dos acréscimos, ou o seu custo.

**benfeitorias se compensam com os danos, e somente são indenizáveis se ainda existentes.

 Ação que tenha por objeto entrega de coisa - direito de retenção deve ser alegado na
contestação e reconhecido na sentença - cabe ao autor depositar a indenização pelas
benfeitorias para poder levantar o bem.

 Abrangência dos acessórios - obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela,
embora não mencionados, salvo se diverso resultar do título ou circunstâncias do caso - p.ex.
frutos, produtos e benfeitorias.
Não se confundem com as pertenças que não acompanham o principal, salvo disposição em
contrário.

 Obrigação de ENTREGAR -
Perecimento SEM culpa do devedor - antes da tradição OU pendente condição
suspensiva - o negócio é desfeito, devendo o devedor devolver eventual valor
recebido. SALVO se estivesse em MORA, caso em que responderia pela
impossibilidade , ainda que resulte de caso fortuito ou força maior; salvo provando
que o dano sobreviria ainda quando a obrigação houvesse sido adimplida pontualmente.

Isto pois até a tradição a coisa é do devedor, respondendo por seus riscos o
alienaste.

Perecimento COM culpa do devedor - responde por perdas e danos - credor tem
direito a receber o equivalente em dinheiro, mais as perdas e danos comprovados (CC
234).

Deterioração SEM culpa do devedor - credor opta por resolver a obrigação ou aceitar
a coisa deteriorada com abatimento proporcional.

Deterioração COM culpa do devedor - credor opta por resolver a obrigação,


recebendo o equivalente em dinheiro ou aceitar a coisa deteriorada com abatimento
proporcional - em ambos os casos tem direito às perdas e os danos (CC 236)

 Obrigação de RESTITUIR - obrigação caracterizada pela presença de coisa alheia na mão do


devedor, que deve devolvê-la a seu dono
Perecimento SEM culpa do devedor - resolve-se a obrigação, suportará o credor o
prejuízo, resguardados os seus direitos até a perda. - quer dizer, tem direito ao
frutos/produtos gerados pela coisa (descontado o trabalho do possuidor.
SALVO se estivesse em MORA, caso em que responderia pela impossibilidade ,
ainda que resulte de caso fortuito ou força maior; salvo provando que o dano sobreviria
ainda quando a obrigação houvesse sido adimplida pontualmente.

Perecimento COM culpa do devedor - responde pelo equivalente MAIS perdas e


danos (CC 241).

Deterioração SEM culpa do devedor - suportará o prejuízo o credor, salvo mora do


devedor

Deterioração COM culpa do devedor - credor poderá optar por receber a coisa no
estado em que se encontra mais perdas e danos, ou exigir o equivalente em dinheiro
mais perdas e danos.

 Obrigações Pecuniárias - obrigação caracterizada pela entrega de dinheiro. São pagas no


vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal.

CC adotou o nominalismo - dívidas devem ser pagas pelo valor descrito em contrato, mesmo
que desvalorizada pela inflação.

Para corrigir pactua-se correção monetária ou cláusula de escala móvel - periodicidade da


correção não pode ser inferior a 1 (um) ano.

Lícito também convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas - mas são nulas as
convenções de pagamento em ouro/moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença
entre este valor e o da moeda nacional, salvo casos previsto em legislação especial - p.ex.
importação/exportação e credor/devedor residente e domiciliado fora do país.

 Teoria da imprevisão - Segundo o artigo 317 do CC, “Quando por motivos imprevisíveis,
sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua
execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o
valor real da prestação”. Mas segundo o CJF, “a interpretação da expressão ‘motivos
imprevisíveis’ constante do art. 317 do novo Código Civil, deve abarcar tanto causas de
desproporção não previsíveis como também causas previsíveis, mas de resultados
imprevisíveis” (Enunciado 17).
Poderá o juiz corrigir a PEDIDO DA PARTE. São REQUISITOS de sua aplicação:
a) o contrato deve ser de execução continuada ou diferida no tempo;
b) alteração objetiva radical no cenário previsto para o cumprimento da prestação -
acontecimento não pode se limitar à esfera da parte;
c) extrema vantagem para a outra parte e;
d) que referida situação tenha se verificado pela ocorrência de fatos imprevisíveis e
extraordinários.
DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA

Incerta é a coisa indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade - determinável.

O conteúdo da prestação é indicado genericamente no começo da relação, vir a ser determinado


por uma ato de escolha, no instante do pagamento.

O ato unilateral de escolha é denominado concentração - para que haja concentração, contudo,
não basta a escolha, sendo necessária sua exteriorização pela entrega/depósito em
pagamento/constituição em mora…

A escolha pertence ao devedor - salvo estipulação em contrário - mas não poderá dar a PIOR
coisa, nem é obrigado a dar a MELHOR - critério da qualidade média. Entretanto, havendo APENAS
DUAS COISAS poderá ser entregue a pior.

Pode a escolha ser delegada a terceiro.


Cabendo a escolha ao CREDOR, este será citado para exercer seu direito sob pena de perder seu
direito.

 Genus nunquam perit - Antes da escolha, ausente a concentração, não poderá o devedor alegar
perda/deterioração, mesmo que por força maior ou caso fortuito. p.ex. promete 10 sacas de café -
mesmo que se percam as que possui deve adimplir buscando outras no mercado.
Lembrando que a escolha somente se completa com a colocação do produto à disposição do credor.

Entretanto limitado o gênero - p.ex. animais da Fazenda XYZ - o perecimento de todas as espécies que
o componham acarreta na extinção da obrigação.

DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER

Abrange o serviço humano em geral, seja material ou imaterial, a realização de obras e artefatos,
ou a prestação de fatos que tenham utilidade para o credor - objeto é ato ou serviço do devedor (nas de
dar é a entrega d ruma coisa).
Diferente das obrigações de dar o credor pode, cf. as circunstâncias, recusar a prestação por
terceiro. Isto porque, em geral, nas obrigações de fazer as características pessoais do devedor são
decisivas.

1. ESPÉCIES
1.1. INFUNGÍVEIS OU INTUITU PERSONAE
Nestas o devedor somente se desincumbe caso preste pessoalmente o ato/serviço contratado -
contrato com base nos atributos pessoais do devedor.
A infunginbilidade pode ser explícita ou tácita (caso da própria natureza da prestação - p.ex.
show de bonde famoso).
Conversão em perdas e danos - exceção: regra é a tutela específica - depende da opção do
credor ou da impossibilidade de tutela específica (multa, etc) ou da obtenção do resultado prático
correspondente.
Pode também ser cumulada ao pedido de tutela específica.

 Erro sobre a pessoa - nestas obrigações é vício de consentimento.

1.2. FUNGÍVEIS OU IMPESSOAIS


Diante do inadimplemetno pode o credor optar pela prestação de terceiro, sem preju’zido das
perdas e danos.
A prestação por terceiro depende de perícia e edital, MAS caso de urgência pode o credor, sem
autorização judicial, executar/mandar executar e cobrar o ressarcimento.

Cf. STJ também comportam a tutela por meio da cominação de multa.

1.3. Obrigações de emitir declaração de vontade


Feita a prova do direito à declaração a sentença substituirá a declaração para todos os efeitos -
salvo se a isto se opuser natureza da obrigação.

 Compromisso de C/V registrado e sem cláusula de arrependimento - possível requer a


adjudicação compulsória.

2. INADIMPLEMENTO
 Recusa/impossibilidade de adimplemento - impossibilidade deve ser absoluta, permanente e
irremovível.

A) Sem culpa do devedor - afastada a responsabilidade.


B) Com culpa do devedor - opção pela conversão da obrigação em perdas e danos.
Fungível - pode também optar pela execução específica - terceiro às custas do devedor (edital de
concorrência pública após avalizaçao por perito).
Infungível - pode também optar por meios indiretos: multa diária ou medidas práticas como a
busca e apreensão, remoção, desfazimento de obra…
Prestação incompleta ou defeituosa - pode o credor requerer ao juiz, no prazo de dez dias, que
o autorize a concluir/reparar por conta do contratante.

DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER

Impõem um dever de abstenção. Inadmissíveis sacrifícios excessivos da liberdade do devedor


OU atentatórios a direitos fundamentais.

1. INADIMPLEMENTO
Inadimplemento se dá com a ação - credor pode exigir o desfazimento ou desfazer e cobrar
perdas e danos (CC 251).
Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de
autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.

Mora desde a prática do ato - presumida mesmo sem intimação.

Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível
abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. P.ex. ordem da autoridade competente para construir um
muro.

2. REGRAS PROCESSUAIS
Cabe ao credor requerer ao juiz que assine prazo para o desfazimento. Não cumprindo será
desfeito à sua custa, além das perdas e danos.
Impossível o desfazimento ou caso assim opte o credor - perdas e danos.

DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS

Compreende dois ou mais objetos/prestaçoes e se extingue com a prestação de apenas um -


obrigação única com prestações várias.

Diferença quanto às obrigações


 de dar coisa incerta/genéricas - nestas há apenas um objeto, indeterminado pela
qualidade; nas alternativas há uma pluralidade de objetos.
 condicionais - a incerteza reside no vínculo obrigacional.

1. DIREITO DE ESCOLHA
Essencial para o cumprimento da obrigação, porquanto define o seu objeto.
SILENTE O contrato a escolha caberá ao devedor.
Transmite-se a herdeiros o direito de opção.

Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.

Prestações periódicas - escolha pode ser exercida em cada período.

Não se aplica o princípio do meio-termo/qualidade média.

Questões podem ser dirimidas pelo juiz. No caso de pluralidade de optantes, não havendo
acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação até por
sorteio.

2. CONCENTRAÇÃO
Dá-se com a notificação da escolha - basta mera declaração unilateral da vontade - só será
devido o objeto escolhido.
Objeto ilícito provoca a concentração
Após a concentração:
- devedor passa a ser responsável pela integridade do objeto
- escolha não pode se mudada sem o consentimento do credor/devedor

Há prazo para o exercício da escolha, caso ausente dependerá a mora de notificação. Notificado,
não cumprindo a obrigação, intentará o credor ação com citação para o exercício da escolha - não
exercendo devolve-se ao credor a opção.

Se competir ao credor a escolha o devedor poderá propor consignatória.

3. IMPOSSIBILIDADE DAS PRESTAÇÕES


Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível,
subsistirá o débito quanto à outra - concentração automática.

Escolha do DEVEDOR -
 Perecimento de uma - Mesmo que decorrente de culpa do devedor poderá concentrar a
remanescente.
 Perecimento de todas - obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou,
mais as perdas e danos que o caso determinar

Escolha do CREDOR -
 Perecimento de uma - direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com
perdas e danos
 Perecimento de todas - reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por
perdas e danos

4. OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS
A obrigação é considerada facultativa quando, tendo um único objeto, o devedor tem a faculdade de
substituir a prestação devida por outra de natureza diversa, prevista subsidiariamente (é direito
potestativo do devedor).
Orlando Gomes reconhecia os seguintes efeitos às obrigações facultativas:
1. o credor não pode exigir o cumprimento da prestação facultativa;
2. a impossibilidade de cumprimento da prestação devida extingue a obrigação;
3. somente a existência de defeito na prestação devida pode invalidar a obrigação.
O devedor se libertará adimplindo qualquer das prestações, mas o credor somente poderá lhe cobrar a
principal – o principal objetivo desta modalidade é facilitar o adimplemento.

OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS

Compostas pela multiplicidade de sujeitos. ≈


A divisibilidade é determinada pela prestação - passível de execução em partes - , confundindo-
se, para alguns, com a divisibilidade do objeto da prestação.

1. DIVISÍVEIS
Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se
dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Há TANTAS OBRIGAÇÕES quantas forem as pessoas dos devedores/credores - mas cada um
só poderá exigir a sua quota.
Exceção - prestação indivisível e solidariedade - casos em que todos estarão individualmente
obrigados ao todo.

Devedor que pague integralmente a um só credor não se desonera face aos outros, salvo se
prestada caução de ratificação.
Insolvência de um dos codevedores não onerará os demais.
Interrupção/suspensão da prescrição não se transmite.

2. INDIVISÍVEIS
 Pluralidade de devedores - cada um será obrigado pela dívida toda. A obrigatoriedade pelo
todo desaparece caso convertida em perdas e danos. , pois perde a qualidade de indivisível
a obrigação que se resolver em perdas e danos. No caso de obrigação solidária a solidariedade
persiste mesmo caso convertida em perdas e danos.

 SUB-ROGAÇÃO - O devedor que pagar a dívida, subrogar-se-á no direito do credor em


relação aos demais devedores, podendo exigir-lhes as quotas correspondentes.

 Incapacidade de um dos devedores - o defeito do ato quanto à uma das partes se propaga
às demais, afetando o ato como um todo

 O devedor, que paga a dívida toda, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros
coobrigados para exigir deles o que excedeu sua quota- MAIS DO QUE MERO DIREITO DE
REGRESSO

 O devedor demandado por obrigação indivisível NÃO PODE CHAMAR OS DEMAIS AO


PROCESSO

 Pluralidade de credores - cada um deles poderá exigir a dívida toda.


O devedor pode se desobrigar pagando:
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.

Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito
de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.

 Ação judicial - No caso de ação judicial os credores que não participarem do processo
somente receberão sua parte após pagarem sua proporção na despesa.

 Remissão da dívida - Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta
para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente -
p.ex. cavalo de 3.000 reais, os demais somente poderão receber caso paguem 1.000 reais ao
devedor. O mesmo no caso de transação, novação, compensação ou confusão.
Salvo caso a remissão/etc não lhes aproveite.

 Prescrição - Como decorrência da indivisibilidade da prestação, em matéria de prescrição, a


sua declaração aproveita a todos os devedores, mesmo que haja sido reconhecida em face
de apenas um, assim como a suspensão ou interrupção interfere na situação jurídica de
todos.
Em conclusão, convém traçar a diferença existente entre obrigações solidárias e as
obrigações indivisíveis. Nesse sentido, tem-se que:
1. a causa da solidariedade é o título, e a da indivisibilidade é, normalmente, a natureza da obrigação;
2. na solidariedade, cada devedor paga por inteiro, porque deve integralmente, enquanto na
indivisibilidade solve a totalidade em razão da impossibilidade jurídica de se repartir em
quotas a coisa devida;
3. a solidariedade é uma relação subjetiva, e a indivisibilidade objetiva, enquanto que a
indivisibilidade assegura a unidade da prestação, a solidariedade visa a facilitar a satisfação do
crédito;
4. a indivisibilidade justifica-se com a própria natureza da prestação, quando o objeto é em si mesmo
insuscetível de fracionamento, enquanto a solidariedade é sempre de origem técnica, resultando
da lei ou da vontade das partes;
5. a solidariedade cessa com a morte dos devedores, enquanto a indivisibilidade subsiste
enquanto a prestação suportar;
6. a indivisibilidade termina quando a obrigação se converte em perdas e danos, enquanto a
solidariedade conserva este atributo.

3. PERDA DA INDIVISIBILIDADE
Perde a qualidade de indivisível a obrigação em função da novação ou aquela que se resolver em
perdas e danos.
Se houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais.
Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros das perdas e danos, mas não de suas
quotas.

OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS

Quando na mesma obrigação concorre mais de um credor/devedor, cada um com direito, ou


obrigado à dívida toda.

Compostas pela multiplicidade de sujeitos e de obrigações. Há tantas obrigações quantos


forem os titulares.
São suas características:
a) plutaildiade de sujeitos;
b) multiplicidade de vínculos (cf. Teoria Plural);
c) unidade de prestação;
d) corresponsabilidade dos interessados.

A solidariedade não se presume - resultando de disposição EXPRESSA de LEI ou de


manifestação INEQUÍVOCA da vontade. Para verificação da solidariedade não interessa a natureza
jurídica do bem, por isso, não se confunde com a ideia de indivisibilidade. A solidariedade é criada pelo
direito para facilitar o recebimento pelo credor, é um artifício jurídico.
A multiplicidade de vínculos permite que a obrigação solidária seja pura e simples para um dos
cocredores/devedores E condicional/a prazo/pagável em local diverso para outro - pode ser válida pr
aum e nula para outro, pode decorrer de causas diversas (lei/contrato).
Solidariedade sob condição suspensiva - devedor não poderá ser cobrado até seu
implemento - frustrada a condição ele será excluido, reputando-se nunca ter havido obrigação
relativamente a este corréu

Seu nascimento pode provir de ato separado e posterior, que faça menção à obrigação
originária.

Não se deve confundir as obrigações solidárias com as obrigações in solidum. Nessas últimas,
posto concorram vários devedores, os liames que os unem ao credor são totalmente distintos, embora
decorram de um único fato (ex: suponhamos um caso de incêndio de uma propriedade segurada, causada
por culpa de terceiro. Tanto a seguradora como o autor do incêndio devem à vítima indenização pelo
prejuízo, porém não existe uma origem comum na obrigação.

1. NATUREZA JURÍDICA DA SOLIDARIEDADE


Cf. a doutrina clásssia se trata de representação recíproca entre os interessados.
Na ativa o credor que recebe a totalidade da prestação age como representantes dos cocredores.
Na passiva o devedor representa os demais. Há mandato tácito e recíproca par ao
recebimento/pagamento. Não resiste ao argumento de existirem obrigações solidárias com
modalidades diversas para os vários consortes.

Para WBM é garantia para a tutela do crédito - função prática de reforçar o direito do credor.

2. DIFERENÇAS DA INDIVISIBILIDADE
A semelhança é que o credor pode exigir de um só dos devedores a totalidade do objeto devido.
 nas solidárias o devedor, é responsável pelo adimplemento DO TODO; na indivisível
somente deve sua quota-parte, mas é compelido ao pagamento da totalidade, pela qualidade
do objeto da obrigação
 a resolução em perdas e danos torna divisível a indivisível, mas não afeta a solidariedade
 indivisibilidade resulta da natureza da coisa devida (objetivo); a solidariedade, depende da
lei ou do contrato (subjetiva)

3. SEMELHANÇA COM A INDIVISIBILIDADE


A semelhança qé que o credor pode exigir de um só dos devedores a totalidade do objeto devido.
4. ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA

4.1. ATIVA
a) CONCEITO
Ocoore entre cocredores de uma só obrigação e o devedor comum, em virtude da qual todos
tem o direito de exigir deste o cumprimento da obrigação por inteiro.
Credor não poderá unilateralmente suprimir a solidariedade.
Conta bancária conjunta
- STF - falecendo um dos titulares o outro poderá sacar todo o numerário como credor
exclusivo e direto e não como sucessor
- STJ - não são devedores solidários perante o credor de cheque sem fundos emitido por
qualquer deles.

b) CARACTERÍSTICAS
quaqlquer credor pode promover medidas assecuratórias e de conservação dos direitos;
 a constituição em mora/interrupção da prescrição aproveita a todos;
 a incapacidade superveniente de um dos credores não afetará
qualquer credor pode ingressar em juízo pra obter o adimplemento da obrigação, mas
somente o credor-autor poderá executá-la.
O devedor demandado não pode querer pagar só a quota-parte do credor que o aciona,
pois esta delimitação da prestação somente vigora na relação interna entre os credores
 se um dos credores decai da ação ficam os outros desinibidos de acionar, por sua vez, o
devedor comum.
enquanto não demandado o devedor poderá pagar a qualquer deles. Entretanto, após o
ajuizamento da demanda somente pagará ao demandante, asob pena de pagar duas vezes.
A eliminação do direito de escolha depende exclusivamente de ação judicial - não o
eliminando as tratativas amigáveis entre o devedor e os credores.
Se o credor desistir, ou a ação foe extinta sem julgamento de mérito persistirá o direito de
escolha
Também a ação ajuizada fora do prazo não afetará o direito de escolha.

c) DISCIPLINA LEGAL

Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um


destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder
ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível.
 FALECIMENTO DE COCREDOR - A semelhança qé que o credor pode exigir de um só dos
devedores a totalidade do objeto devido.
A obrigação perde eficácia ao sser transmida, o herdeiro não é mais credor do todo, mas
somente da quota que recebe do espólio. Os herdeiro não podem exigir a totalidade do
crédito, mas somente a quantia correspondente ao seu quinhão. SALVO - a) herdeiro
único; b) ação conjunta dos herdeiros; c) prestação indivisível. Refração do crédito.

Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os


efeitos, a solidariedade.
 CONVERSÃO EM PERDAS E DANOS - A unidade da prestação não se compromete por sua
conversão em perdas e danos.

Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento


responderá aos outros pela parte que lhes caiba.
 REMISSÃO - O pagamento/remissão extingue o vínculo dos credores face ao devedor
comum, obrigando o favorecido perante os demais credores, pelas parcelas de cada um.
A remissão por um dos credores solidários libera o devedor do TODO, mas obriga o
remitente perante os demais credores.

Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções
pessoais oponíveis aos outros.

Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os


demais; o julgamento favorável aproveita-lhes, a menos que se funde em
exceção pessoal ao credor que o obteve.

 TRANSAÇÃO - a transação entre um dos cocredores e o devedore, extingue a obrigação


deste perante os demais credores.

d) EXTINÇÃO
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até
o montante do que foi pago.
Podendo os demais cobrá-lo do restante ou provara fraude/simulação que macule o pagamento
feito.

O pagamento pode também ser indireto com compensação/transação:


- Possibilidade de oposição de compensação com crédito de credor não demandante -
controvérsia - LOPES admite. Não haveria por que afastá-la.

A confusão, entretanto, só extingue a quota-parte do credor. A confusão operada na pessoa


do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito,
ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade.

e) DIREITO DE REGRESSO
O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento repsonderá perante os outro pela
parte que lhes caiba - converte o credor em devedor dos cocredores.
A divisão deve ser realizada ainda que o credor só tenha recebido parte do crédito.
Nula a obrigação de um dos concredores, sua parte será deduzida do todo.

4.2. PASSIVA

a) CONCEITO E CARACTERÍSTICAS
Concorrência de dois ou mais devedores, cada um com dever de prestar a dívida toda -
externamente o grupo de devedores é como um devedor único, pois de cada um se pode exigir a dívida
toda.
Faculta-se ao credor exigir parcela do crédito de cada um dos devedores.

Se por culpa ou durante a mora de um dos devedores a prestação se tornar impossível,


somente o culpado responderá pelas perdas e danos, mas os demais não estarão desonerados do
débito.

b) DIREITOS DO CREDOR
Pode ele exigir o pagamento integral de cada um dos devedores. Se o pagamento for parcial
subsiste a solidariedade de todos em relação ao restante do débito.
Não importa renúncia à solidariedade a propositura de ação somente contra um dos devedores.
Propostas ações diversas pelo credor elas deverão ser reunidas.
Devedor demandado pode chamar ao processo os demais.

Havendo condenação de todos, poderá ainda o credor promover a execução contra


apenas um deles.

c) EFEITOS DA MORTE DE UM DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS


Não afeta a solidariedade. Como ocorre com a solidariedade ativa, no caso de falecimento de
um dos devedores solidários, cessa a solidariedade em relação aos sucessores do de cujus - nenhum
dos herdeiros será obrigado a pagar além do seu quinhão. Salvo se todos forem cobrados ao mesmo
tempo, se houver herdeiro único; ou se for indivisível a obrigação.
Antes da partilha responderão todos como um só devedor.

d) RELAÇÕES ENTRE OS CODEVEDORES SOLIDÁRIOS E O CREDOR


d.i) CONSEQUÊNCIAS DO PAGAMENTO PARCIAL E REMISSÃO

 PAGAMENTO PARCIAL - Se o credor aceitar o pagamento parcial de um dos devedores,


os demais só estarão obrigados a pagar o saldo remanescente. Diversamente da
solidariedade ativa. A remissão ou perdão pessoal dado pelo credor a um dos devedores
apenas diminui o débito, mas também não afeta a solidariedade. Credor somente poderá
exigir o remanescente dos demais, substraída a parcela remida.

 REMISSÃO - Quando o credor remite (perdoa) a dívida de um codevedor, este fica


inteiramente liberado do vínculo obrigacional, inclusive no que tange ao rateio da quota
de codevedor insolvente (Enunciado 350 da Jornada de Direito Civil)

 EXCEÇÕES - O devedor que for demandado poderá opor ao credor as exceções que lhe
forem pessoais e, bem assim, as defesas que forem comuns a todos os devedores. Não lhe
aproveita, contudo, as defesas pessoais de outro devedor.

d.ii) CLÁUSULA, CONDIÇÃO OU OBRIGAÇÃO ADICIONAL


São ineficazes as estipulações adicionais GRAVOSAS aos codevedores solidários não
participantes da avença.
Assim, se um devedor estipula cláusula penal, condição, taxa de juros, etc, somente ele será
afetado.
EXCEÇÃO: interrupção da prescrição operada contra um dos codevedores se estende aos
demais.

d.iii) RENÚNCIA DA SOLIDARIEDADE


Pode ser expressa ou tácita (caso em que o credor aceita como pagamento apenas a quota-
parte do devedor e lhe dá quitação). O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um ou de todos
os devedores. Exonerado um ou mais devedores, subsiste a dos demais.
Ao contrário da remissão o credor não abre mão de nenhuma parcela de seu débito, mas
apenas de uma garantia de seu adimplemento – DESTARTE, o exonerado segue responsável por
repartir o prejuízo caso um dos codevedores se torne insolvente
A renúncia em favor de todos é denominada absoluta - neste caso cada devedor responderá
apenas pro rata.
A renúncia em favor de um deles é denominada relativa - divide-se a obrigação em duas partes:
uma pela qual responde o favorecido pela sua quota; e a outra, a que se acham solidariamente sujeitos os
outros.

Efeitos -
a) os contemplados passa a dever apenas sua quota parte, mas são rsponsáveis, no limite de
sua quota-parte, pela insolvência dos demais;
b) os demais continuam devedores solidários, mas da cobrança destes será descontada a
quota daquele contemplado pela renúncia.

d.iv) IMPOSSIBILIDADE DA PRESTAÇÃO


Ocorrendo por culpa, subsiste a solidariedade dos demais, mas só o culpado responde pelas
perdas e danos.
Haverá resolução se a impossibilidade for absoluta.
Perpetuação da obrigação - obriga o devedor em mora a suportar os riscos, mesmo que
decorrentes de caso fortuito ou de força maior.

d.v) RESPONSABILIDADE PELOS JUROS


Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta
somente contra um; mas o culpado responde aos outros - CC 280.

d.vi) MEIOS DE DEFESA DOS DEVEDORES


O devedor demandado poderá opor as exceções pessoais e comuns. P.ex. só o devedor
que agiu em erro poderá alegá-lo em sua defesa; todos, por outro ado, podem alegar a prescrição.

 Exceções comuns -
a - resultantes da natureza da obrigação - nulidade absoluta; anulabilidade resultante da
incapacidade de todos os devedores ou de vício comum; falso motivo relativo a todos os
devedores; condição/termo; inadimplemento do credor (exceptio);
b - causas de extinção da obrigação - pagamento, dação em pagamento, novação,
prescrição…;

Exceções pessoais -
Simplesmente pessoais - podem ser invocadas pelos demais até a concorrência
do beneficiado na dívida - remissão subjetiva, que importa na diminuição do débito; a confusão; a
renúncia da solidariedade.
Pessoais a outro codevedor - o devedor demandado pode pessoalmente invocar
para o todo, mas não aproveita aos outros devedores nem no tocante à quota parte devida
especificamente pelo beneficiado pessoalmente pela exceção , tais como as fundadas em
incapacidade relativa, etc.

 Novação - a novação feita por um dos cocredores não afeta os demais - somentes os bens do
que contrái-la serão afetadas pelas preferências e garantias do crédito novador.
Compensação com créditos de outro codevedor - controvérsia a respeito, porém a melhor
posição é admitir-se até o limite da quota parte do titular do crédito a ser compensado -
princípio da reciprocidade.

Transação - entre um dos devedores solidário e o credor extingue a dívida em relação aos
codevedores.

 Confusão - só extingue a dívida até o limite da respectiva quota-parte - subsistindo a


solidarieda quanto ao demais.

 Cessão de crédito - se houver cessão de crédto, devem ser notificados todos os devedores
solidários.

 Coisa julgada - credor que sucumbe face a um dos devedores solidários não fica inibido de
repropor a ação face outro devedor.
e) RELAÇÕES ENTRE OS CODEVEDORES ENTRE ELES

e.i) DIREITO DE REGRESSO


O legislador optou por considerar o direito de regresso como hipótese de sub-rogação legal:
art. 346, III, opera a sub- -rogação, de pleno direito, em favor do terceiro
interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou
em parte

São pressupostos da ação de regresso:


a - satisfação da dívida pelo devedor - se um devedor paga a dívida e não comunica a outro
codevedor que por isso também paga o direito de regresso será exercido pelo segundo contra
os que nada pagaram;
b - que o devedor tenha satisfeito a dívida por inteiro - o diapositivo não recusa o regresso ao que
efetua pagamento parcial, tampouco àquele que paga as prestações vencidas de obrigação de
trato sucessivo.;
Pelo tom da primeira norma, o CC/2002 possibilita a ação de re-gresso por parte do devedor
solidário que paga a dívida dos demais. Assim. percebe-se que o pagamento da dívida faz com que esta
perca o caráter de não fracionamento existente na relação entre devedores e credor ou credores (relação
externa), outrora comentada. O devedor que paga a dívida poderá cobrar somente a quota dos demais,
ocorrendo sub-rogação legal, nos termos do art. 346, ID, do Código Civil atual. Para exemplificar, A é Commented [1]:
credor de B, C e D, devedores solidários, por uma dívida de R$ 30.000,00. Se B a paga integralmente,
poderá cobrar de C e D somente R$ 10.000,00 de cada um, valor correspondente ás suas quotas
(totalizando R$ 20.000,00).
Dívida que somente interessa a um dos codevedores - p.ex. AVAL/FIANÇA - responderá este
por toda a dívida com aquele que pagar - este especificamente não poderá opor sua quota-parte como
limite ao regresso

Os cobrigados não interessados pode estipular entre eles a divisão da dívida (divisao esta não
oponível ao credor).
Cada fiador pode também limitar a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade.

e.iI) INSOLVÊNCIA DE UM DOS CODEVEDORES SOLIDÁRIOS


Impede o rateio igualitário e importa no acréscimo da responsabilidade dos codevedores.
Responsabilizará os demais por sua quota-parte, inclusive os desonerados da solidariedade, que
responderão em regresso por aquele que pagar o todo (quota do débito + quota proporcional do
débito do insolvente).

Nítida autonomia das obrigações dos devedores solidários é evidenciada no parágrafo


único do art. 333 do CC, ao afastar-se o vencimento antecipado do débito dos co-devedores
solventes na hipótese de insolvência de um deles.

nos casos de exoneração da solidariedade ou de um dos devedores solidários ser


remitido (perdoado) da obrigação, o resultado será o mesmo
Por exemplo, se quatro são os devedores solidários e um deles cai em insolvência, os outros três
respondem, em partes iguais, pela quota deste, ainda que um deles tenha sido exonerado da solidariedade
pelo credor. É direito dos coobrigados repartir, entre todos, inclusive o devedor exonerado pelo credor, a parte
do insolvente. Pode o credor romper o vín- culo da solidariedade em relação ao seu crédito, mas não pode
dispor do direito alheio
Recuperada a capacidade patrimonial do insolvente os que arcaram com sua quota poderão
cobrá-lo em regresso.
Do devedor exonerado da solidariedade poderá o credor exigir o todo caso todos os outros
credores caiam em insolvência.

Exceção – aquele que teve a dívida remida não será responsabilizado pela insolvência.

OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES

1. DAS OBRIGAÇÕES CIVIS E NATURAIS


1.1. DISTINÇÃO
Funda-se na exigibilidade do cumprimento. O descumprimento da obrigação natural não
acarreta na responsabilidade do devedor - seu patrimônio não se atrela ao adimplemento da Schuld
assumida - credor não pode buscar o cumprimento coativo da mesma.
A obrigação natural é sem garantia, sem sanção, sem ação correspondente para fazê-la exigível.
Em compensação efetuado o pagamento este não poderá ser repetido - único efeito atribuído
pelo direito positivo à obrigação natural.

1.2. OBRIGAÇÃO NATURAL


1.2.1. CONCEITO E CARATERÍSTICAS
A obrigação natural é sem garantia, sem sanção, sem ação correspondente para fazê-la exigível.
Deve-se um débito inexigível - dever de justiça.

1.2.2. NATUREZA JURÍDICA


Teoria clássica/tradicional - obrigação imperfeita - vínculo jurídico desprovido de ação e de
qualquer exigibilidade. Meio caminho entre a moral e o direito.

1.2.3. CASOS DE OBRIGAÇÃO NATURAL NO DIREITO BRASILEIRO


Casos em que não se pode alegar o erro do autor e exigir a repetição. Pagamento considerado
como a satisfação de um dévio e não doação.
São expressamente previstas:
- Dívida prescrita;
- Dívidas de jogo - somente recobrável se inexistir livre consentimento do perdedor (ganho
com dolo ou menor/louco).
A dívida de jogo não pode ser encoberta por outro contrato, ser objeto de novação,
reconhecimento de dívida ou fiança - não se pode novar ou afiançar obrigação que juridicamente inexiste -
mas a nulidade não pode ser oposta a terceiro de boa-fé.

 Carece de ação o credor de cheque emitido em função de dívida de jogo - não o será o
terceiro de boa-fé a quem o título for transmitido.

Também não se pode exigir o reembolso do que se emprestou para jogo/aposta. é necessário
que o empréstimo tenha ocorrido no momento da aposta ou do jogo, como o efetuado pelo dono do
cassino para que o mutuário continue a jogar. Podem ser cobrados, no entanto, os em- préstimos
contraídos posteriormente, para pagar tais dívidas. Irrelevante a dívida ter sido contraída em país que
admite a jogatina.

RESSALVA - jogos regulamentados pela lei, turfe e loterias, pois recebem a chancela jurídica,
permitindo a cobrança judicial da recompensa (art. 814, § 2o, segunda parte). Excetuam-se, igualmente,
os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em com- petição esportiva, intelectual ou
artística

Admite-se a existência de obrigações naturais atípicas

1.2.4. EFEITOS DA OBRIGAÇÃO NATURAL


O principal efeito é a validade de seu pagamento.
Disto decorre a irrepetibilidade de seu pagamento.

Doutrina também admite efeitos secundários:


 pode ser cumprida mediante dação em pagamento. Se for entregue coisa alheia e o
verdadeiro dono a reinvidicar, renascerá a obrigação natural.

Há controvérsia sobre a possibilidade de NOVAÇÃO: sendo válida, apenas não exigível, nada
impede sua substituição por livre acordo.

Entretanto, não se admite a compensação entre obrigação CIVIL e NATURAL. Somente há


compensação entre dívidas exigíveis.
COVELLO afirma que a compensação legal não pode ocorre, MAS nada impede que as partes
assim convencionem.

Também não é possível constituir penhor ou outro direito real para reforço. A garantia
pressupõe possibilidade de exercitar-se a execução para cobrança de crédito.
OBRIGAÇÕES DE MEIO, DE RESULTADO OU DE GARANTIA

1. OBRIGAÇÃO DE MEIO E DE RESULTADO


Qualificação quanto ao fim a que se destina.

É de meio quando o devedor promete empregar seus conhecimentos, meios e técnicas para
obter determinado resultado, sem no entanto responsabilizar-se por ele.
Efeito do inadimplemento - somente acarreta a responsabilidade do profissional se restar
demonstrada sua negligência ou imperícia no emprego dos meios.

É de resultado quando o devedor somente se exonera quando o fim prometido é alcançado.


P.ex. obrigação do transportador - passageiro são e salvo; do cirurgião plástico.
Efeito do inadimplemento - não alcançado o fim prometido somente não se responsabilizará o
contratado que provar fato inevitável capaz de romper o nexo de causalidade: força maior, culpa
exclusiva da vítima…
Cf. STJ - disparos em

*em certos casos o trabalho do cirurgião plástico é de meio - p.ex. pessoas deformadas em
acidentes; correção de deficiência.

2. OBRIGAÇÃO DE GARANTIA
Visa eliminar um risco que pesa sobre o credor, ou suas consequências, mesmo nos casos de
caso fortuito ou força maior, dada sua natureza..

É subspécie de obrigação de resultado.

OBRIGAÇÕES DE EXECUÇÃO INSTANTÂNEA, DIFERIDA E CONTINUADA

1. OBRIGAÇÕES DE EXECUÇÃO INSTANTÂNEA E DE EXECUÇÃO DIFERIDA


Distinção quanto ao momento em que devem ser cumpridas.
 Instantânea - consuma-se em um só ato, cumprida imediatamente após sua constituição.
 Diferida - cumprimento também em um só ato, porém, em momento futuro.
 Continuada, periódica ou de trato sucessivo - cumpre-se por meio de atos reiterados, como
na prestação de serviços, compra a prazo…

A teoria da imprevisão - aplicação da cláusula rebus sic standibus - somente é aplicável nas
obrigações de execução DIFERIDA ou CONTINUADA.
Depende a aplicação da ocorrência de acontecimentos extraordinários E imprevisíveis, que
tornem a prestação de uma das partes excessivamente onerosa - autoriza pedido de RESCISÃO.

2. OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO CONTINUADA


Execução continuada da prestação é a que se prolonga no tempo, sem solução de continuidade,
ou mediante prestações periódicas ou reiteradas.

Neste tipo de obrigação a condição RESOLUTIVA combinada entre as partes, salvo disposição
em contrário, não afeta as prestações já realizadas, desde que compatíveis com a natureza da condição
com os ditames da boa-fé. O credor não é obrigado a devolver os pagamentos.

OBRIGAÇÕES PURAS E SIMPLES, CONDICIONAIS, A TERMO E MODAIS

1. OBRIGAÇÕES PURAS E SIMPLES


São aquelas que contêm somente os elementos essenciais. Não sujeitas a condição, termo ou
encargo.
Não possuem elementos acidentais agregados ao tipo.

2. OBRIGAÇÕES CONDICIONAIS
Aquelas cujo efeito está subordinado a evento futuro e INcerto.
É cláusula que deriva exclusivamente da vontade das partes. A subordinação legal dos efeitos
da obrigação não é condição.

Condição deve ser: voluntária; futura; incerta.

3. OBRIGAÇÕES A TERMO
Aquelas cujo efeito está subordinado a evento futuro e CERTO.

Termo é relevante também porque sua ocorrência caracteriza a mora (dies interpellat pro
homine).
Dispensa a interpelação do devedor.

O termo/prazo se presume em favor do devedor - assim, pode ele ANTECIPAR O


PAGAMENTO e se livrar, p.ex., de um índice de atualização monetária

Entretanto, convencionado o prazo em favor do credor, o adiantamento dependerá de sua


anuência.

4. OBRIGAÇÕES MODAIS OU COM ENCARGO


É aquela que possui cláusula acessória, que impõe ônus ao beneficiário de determinada relação
jurídica.

Ao contrário da condição suspensiva o encargo não suspende a aquisição e nem o exercício do


direito.

Não cumprido o encargo é revogada a liberalidade.

Considera-se não escrito o encargo ilícito/impossível.

 Doação com encargo


Artt. 553. O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação, caso forem a
benefício do doador, de terceiro, ou do interesse geral.

O terceiro beneficiário pode exigir o cumprimento do encargo, mas não propor ação
revocatória, que é privativa do instituidor.

Parágrafo único. Se desta última espécie for o encargo, o Ministério


Público poderá exigir sua execução, depois da morte do doador, se este não
tiver feito.

Não cumprido a doação pode ser revogada - mesmo na doação causa mortis.

OBRIGAÇÕES LÍQUIDAS E ILÍQUIDAS

1. CONCEITO
Líquida - obrigação certa quanto à existência e determinada quanto ao objeto
Ilíquida - objeto depende ainda de prévia apuração. É certa a existência do crédito, o que falta
é a determinação de seu valor.

Havendo na sentença parte líquida e líquida é aceitável que o credor promova a execução parcial
e, simultaneamente, a liquidação.

2. ESPÉCIES DE LIQUIDAÇÃO
a) Cálculo do contador - hoje extinta. Atualmente exigindo a sentença mero cálculo
aritmético, basta que o exequente instrua o pedido de execução com memória discriminada e
atualizada do cálculo;

b) Arbitramento - assim se procederá quando determinar a sentença OU quando


convencionado pelas partes OU quando exigir a natureza do objeto da liquidação.
É realizada por um perito nomeado pelo juiz.
Partes podem propor quesitos, indicar assistente e apresentar documento ligado
exclusivamente à avaliação. Não cabe produção de prova oral.
É processo autônomo e julgado por sentença.

c) Por artigos - quando houver necessidade de alegar e provar fato novo. P.ex.: execução
civil de sentença penal - morte do provedor.
Admite-se todos os meios de prova.
Rito deve seguir o do processo de conhecimento. P.ex. sumário/sumário.
Se o credor não provar os alegados fatos novos serão julgados apenas não provados os artigos
de liquidação - o que não impede o credor de repropor a liquidação.
Declarada líquida, porém no valor zero, terá havido julgamento do mérito e coisa julgada
material.

3. APLICAÇÕES PRÁTICAS DA DISTINÇÃO


 Mora - o inadimplemento de obrigação líquida no seu termo já constitui em mora sem
qualquer necessidade de interpretação.
Juros de mora - nas líquida são devidas a partir do termo, nas ilíquidas somente a partir da
citação.

 Compensação - somente são compensáveis as dívidas líquidas.

 Imputação do pagamento - a pessoa que paga somente tem o direto de imputar nas dívidas
líquidas

 Título executivo extrajudicial - somente o título líquido é executável.

 Falência - somente decretável se o pedido se fundar em obrigação líquida

 Fiança - o fiador somente poderá ser demandado após a liquidação.


OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS

1. CONCEITO
Principais são aquelas que subsistem sem depender de qualquer outra.

Acessórias têm sua existência subordinada a outra relação jurídica.

Invalidade da principal determina a invalidade das acessórias.

Obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios.

Novação extingue os acessórios.

Prescrita a principal, prescrevem as acessórias.

2. ESPÉCIES
O caráter acessório ou principal pode derivar da vontade das partes, ou da lei.

TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES


DA CESSÃO DE CRÉDITO

1. A TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES


1.1. NOÇÕES GERAIS
O ato determinante da transmissibilidade se chama cessão. A transferência negocial - o
adquirente/cessionário assumirá posição jurídica à do antecessor.

1.2. ESPÉCIES
a) cessão de crédito;
b) cessão de débito;
c) cessão de contrato;

2. CESSÃO DE CRÉDITO
É o negócio jurídico bilateral, pelo qual o credor transfere a outrem seus direitos na relação
obrigacional.
Pode ser realizada sem a anuência do devedor. Entretanto, caso este não seja notificado e, de
boa-fé, pague ao credor originário ver-se-á livre da obrigação.

É negócio apenas consensual - não exige a tradição - salvo no caso de títulos de crédito.

2.1. INSTITUTOS AFINS


Novação subjetiva ativa - pois nesta há não só troca de credor, mas também a extinção da
obrigação anterior. Na cessão subsiste o mesmo crédito, com todos os seus accessórios.

Sub-rogação legal - o sub-rogado não pode exercer os direitos e ações do credor além dos
limites de seu desembolso.
O cedente assume a responsabilidade pelo crédito cedido - na sub-rogação não.
O cessionário somente assim será considerado perante terceiros após a notificação. O sub-
rogante já o será a partir do negócio.

Sub-rogação convencional - terceiro paga e se sub-roga - tratada como cessão de crédito.

2.2. REQUISITOS
Objeto - em regra todos os créditos podem ser objeto de cessão. Salvo se a isso se opuser a
natureza da obrigação, lei ou convenção com o devedor.
P.ex. NÃO PODEM SER OBJETO DE CESSÃO
Relações jurídicas de caráter personalíssimo (alimentos, destinados a pessoa determinada…) e
as de direito de família;
Salários, ou vencimentos de funcionário;
Crédito que não possam ser individualizados
Direito de preempção/preferência; justiça gratuita; indenização por acidente de trabalho; créditos
já penhorados; direito de revogar doação por ingratidão.
Créditos assim convencionados - cláusula esta inoponível ao cessionário de boa-fé, caso não
conste do instrumento.

Admite-se, porém, a cessão do direito do autor de obras intelectuais e do exercício do


usufruto.

Cessão pode ser parcial, e abrange todos os acessórios como juros e garantias.

 Capacidade e legitimação - além da capacidade geral, é necessário que o cessionário seja o


titular do crédito.
Exige-se ainda a legitimação que se exige para atos de alienação - para ser efetuada por
mandato são necessários poderes expressos.
Tutor e curador não podem constituir-se cessionários de créditos contra o pupilo/curatelado.
O mesmo com testamenteiros e administradores - não podem adquirir créditos sob sua
administração.
Pais administradores dos bens dos filhos não podem efetuar cessão sem prévia autorização do
juiz - por ser ato que ultrapassa a mera administração.
Se o crédito envolver direito real de garantia, necessário o consentimento do cônjuge.

2.3. ESPÉCIES DE CESSÃO DE CRÉDITO


 Convencional
- Onerosa: o cedente garante a existência e a titularidade do crédito.
- Gratuita: somente será responsável no caso de má-fé
- Total/parcial: a lei não prevê nenhum tipo de preferência para o credor originário

 Legal
- Sub-rogação legal (v.g. devedor solidário que satisfaz a dívida por inteiro; do mandante,
em favor de quem são transferidos os créditos adquirios pelo mandatário)
- Cessão de acessórios
- Ao depositante, pelo depositário, das ações que tiver contra terceiro
- Sub-rogação em favor da seguradora que paga indenização.

 Judicial
- Pro soluto - garantia só da existência do débito - e pro solvendo - garantia da existência
e solvência

2.4. FORMAS
Em regra não se exige forma especial, salvo se tiver por objeto direitos em que a escritura
pública seja da substância do ato.

Para valer contra terceiros deve ser instrumento público ou particular revestido de
solenidades (local da ceebração, etc. e registro no cartório)

Ausência não afeta a validade inter partes.

Legal/judicial não se subordinam.


Cessão de títulos de crédito - é feita por meio de endosso.
O endosso posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior.
A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil.

2.5. NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR


A eficácia em relação ao devedor depende de notificação. Não é condição de validade da
cessão.

Relevante, pois o devedor poderá impugnar, opondo as exceções cabíveis contra o cedente.
Sob pena de preclusão. Já as exceções contra o cessionário podem vir a qualquer tempo.
Se o credor cedente não cumpriu sua parte na obrigação o dever se transmite.

O maior interessado na notificação é o cessionário, pois, não notificado, se o devedor pagar ao


credor originário não poderá ser compelido a pagar novamente.

Cf. jurisprudência - a citação de ação de cobrança equivale à notificação - contestação é o


MOMENTO DE OPOSIÇÃO DAS EXCEÇÕES; assim como habilitação de crédito na falência.

Há créditos que dispensam a notificação, pois sua transmissão segue disposições especificas -
p.ex. títulos de crédito.

2.6. RESPONSABILIDADE DO CEDENTE


Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.

Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao
cessionário pela existência (e não solvência) do crédito ao tempo em que lhe cedeu. Também responde
caso nulo o título.
Na cessão por gratuito, nem pela existência, salvo se tiver procedido de má-fé.

O cedente quando responsável pela solvência tem de ressarcir as despesas da cessão e as que
o cessionário houver feito com a cobrança. Natureza indenizatória desta repsonsabilidade.

 Cessão legal - o originário não pode ser responsabilizado - nem pela dívida, nem pela
solvência.

Penhorado, o crédito deixa de fazer parte do patrimônio do credor - não pode cedê-lo.

DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA
1. CONCEITO
Negócio jurídico bilateral, por meio do qual, o devedor transfere o encargo a terceiro com
concordância do credor - subsistindo a dívida com seus acessórios.
Comum na alienação de estabelecimento.
Modificação subjetiva não afeta o conteúdo da obrigação.

2. CARACTERÍSTICAS E PRESSUPOSTOS
Exige-se o consentimento expresso do credor.
Qualquer das partes pode assinar prazo para manifestação do credor. Interpretando-se o seu
silêncio como recusa.
L EXCEÇÃO - aceitação tácita - adquirente de imóvel hipotecado - credor deve impugnar em 30
dias a transferência. (CC 303)

Aquele que assume a dívida deve ser solvente, ou insolvente, desde que disto o credor tenha
ciência.

Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor,


com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor
primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o
credor o ignorava.

3. INSTITUTOS AFINS
i) promessa de liberação do devedor - pessoa se obriga perante o devedor a desonerá-lo. Nesta o
credor não guarda relação jurídica com o promitente.
ii) novação subjetiva - nesta há extinção da obrigação anterior e criação de outra (perecem
garantias e acessórios)
iii) fiança.
iv) estipulação em favor de terceiro.

4. ESPÉCIES
a) expromissão - não exige consentimento do credor;
b) delegação - é a prevista no CC.

5. EFEITOS
Substituição do devedor (salvo na cumulativa, em que o terceiro assume também a condição
de devedor, solidariamente).

Conservação da relação obrigacional anterior, com seus acessórios, inclusive garantias reais.
Mas se extinguem as garantias especiais - caso das dadas por terceiros: fiança, etc.
Novo devedor não pode opor ao credor exceções pessoais do devedor primitivo. Mas pode
alegar vícios.

ANULADA A SUBSTITUIÇÃO restaura-se o débito, com todas suas garantias, SALVO AS


PRESTADAS POR TERCEIROS, EXCETO SE O TERCEIRO CONHECIA O VÍCIO. Preserva a boa-fé do
terceiro que havia sido exonerado.

DA CESSÃO DE CONTRATO

1. CONCEITO
O que há é a transferência de uma posição contratual.
Abrange a transmissão de direitos E deveres - nisto diverge da cessão de crédito.

Comum em relações contratuais duradouras - execução diferida o continuada.

2. NATUREZA JURÍDICA
Negócio jurídico independente, por meio do qual, a título singular, entre vivos, transmite-se a
posição contratual interira.

3. CARACTERÍSTICAS
Exige-se a concordância do cedido.
Possível, em casos autorizados por lei, sem a intervenção do cedido - p.ex. cessão de
compromisso de compra e venda de imóvel loteado (jurisprudência estendeu aos não loteados).

4. EFEITOS

4.1. ENTRE CEDENTE E CEDIDO


Pode ser efetuada com ou sem liberação do cedente.
Não havendo liberação a responsabilidade do não liberado não será solidária, tampouco
símile à fiança - o cedente responde como principal pagador, sem benefício de ordem.
4.2. ENTRE CEDENTE E CESSIONÁRIO
Cedente perde os créditos, mas se exonera dos deveres da posição cedida.

Na cessão onerosa responde o cedente pela existência da relação.


Na cessão na gratuita, nem por isso, salvo má-fé. Não há responsabilidade pela solvência.

4.3. ENTRE CESSIONÁRIO E CEDIDO


Não pode o cedido invocar contra o cessionário meios de defesa que não se fundem na relação
cedida.
Do mesmo modo, o cessionário não pode alegar contra o contraente cedido meios de defesa
estranhos à relação contratual.

Não se transmitem os direitos potestativos de titularidade do cedente. Se, p.ex., cessionário


foi vítima de erro, dolo ou coação, só descoberto após a cessão, somente ao cedente competirá a
alegação.

5. CESSÃO DA POSIÇÃO CONTRATUAL NO DIREITO BRASILEIRO


Pode ser utilizado como negócio jurídico atípico.

ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

I - DO PAGAMENTO

1. NOÇÃO E ESPÉCIES DE PAGAMENTO


Princípios do adimplemento:
i) boa-fé OU diligência normal - exige que as partes se comportem corretamente, desde as
tratativas, até o cumprimento do contrato.
O devedor se obriga não só pelo contrato, mas por todas as consequências que, segundo os usos,
a lei e a equidade derivam dele;

ii) pontualidade .
2. NATUREZA JURÍDICA E REQUISITOS DE VALIDADE DO PAGAMENTO
Relevante, pois, caso considerado contratual, está sujeito a todas as normas atinentes aos pactos
- assim, será nulo caso efetuado por incapaz.

Cf. ORLANDO GOMES a natureza do pagamento depende da qualdiade e de quem o efetua. É,


destarte, ato jurídico em sentido amplo - ato ou negócio.

São seus requisitos essenciais de validade (para que produza o principal efeito: extinguir a
obrigação):
i) existência de vínculo obrigacional - ou poderá ensejar repetição;
ii) intenção de solvê-lo - ou poderia ser uma doação;
iii) cumprimento da prestação;
iv) pessoa que efetua;
v) pessoas que recebe.

3. DE QUEM DEVE PAGAR


“Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor
se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à
conta do devedor, salvo oposição deste.”

3.1. PAGAMENTO POR INTERESSADO


Qualquer interessado na extinção pode pagar - credor, se opuser, pode usar dos meios
conducentes à exoneração do devedor. O terceiro dito interessado corresponde à pessoa que tem
interesse patrimonial na extinção da dívida, como o fiador, o avalista e o adquirente de imóvel
hipotecado. Havendo o pagamento por essa pessoa, há sub-rogação automática ( sub-rogação legal)
nos direitos do credor, com a transferência de todas as ações, exceções e garantias que detinha o
credor primitivo.

Interessado é aquele que possui interesse jurídico (está vinculado ao contrato) - p.ex. fiador, que
seria afetado pelo inadimplemento do devedor principal.
O interessado pagante subrroga-se de pleno jure nos direitos do credor - transfere todos os
direitos, ações, privilégios e garantias contra o principal e fiadores.
A recusa do credor de receber dá direito à consignação.
Intuitu personae a obrigação, somente ao especificamente obrigado cabe o adimplemento -
salvo se convertida em perdas e danos, caso em que terceiro poderá pagar.

3.2. PAGAMENTO POR NÃO INTERESSADO

Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu


próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-
roga nos direitos do credor.
O terceiro não interessado poderá efetuar o pagamento, salvo se houver oposição do
devedor.QUANDO PAGA EM SEU NOME tem direito ao reembolso, mas não se sub-roga nos direitos do
credor.
Caso pague EM NOME DO DEVEDOR interpreta-se com o doação, o que obsta o reembolso.
Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento.

O credor é obrigado a aceitar o pagamento, salvo se a obrigação for de natureza personalíssima


ou o contrato proibir.
Havendo recusa do devedor, entretanto, ele não será obrigado a aceitar.

Poderá, anuindo o devedor, até mesmo consignar o pagamento.

A recusa do devedor não impede o credor de aceitar o pagamento, apenas retira a legitimidade
do terceiro para efetuar consignação.

“Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do


devedor, não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir
a ação”.

Entretanto, o pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor,


não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (CC 306). p.ex.
dívida prescrita, compensação…
Se o meio atingia apenas parcela da dívida, somente desta estará desonerado o devedor (cf.
SILVIO RODRIGUES).

3.3. PAGAMENTO MEDIANTE TRANSMISSÃO DA PROPRIEDADE


Só tem eficácia quando feito por quem possa alienar o objeto em que consiste o pagamento.
Poderá haver convalidação caso o adquirente esteja de boa-fé e o alienante venha a adquirir o
domínio.
Haverá eficácia, entretanto, se, estando de boa-fé o adquirente, a coisa for fungível e já
houver sido consumida. Caso em que restará ao verdadeiro dono buscar indenização perante o alienante.

Em certos casos é necessária a legitimação - p.ex. tutor não pode entregar imóvel do tutelado
sem autorização judicial.
4. DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR - ACCIPIENS
4.1. PAGAMENTO EFETUADO DIRETAMENTE AO CREDOR
O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem o represente, sob pena de só valer após ratificação,
ou tanto quanto reverteu em seu proveito.

Interessa quem é credor na data do cumprimento.

4.2. PAGAMENTO EFETUADO AO REPRESENTANTE DO CREDOR


 Representação legal/judicial - pagamento deve ser feito ao representante.

 Representação convencional - pagamento pofr ser feito ao representante OU ao credor.

 Portador da quitação - autorizado a receber o pagamento; salvo se as circunstâncias


contrariarem a presunção.

4.3. VALIDADE DO PAGAMENTO EFETUADO A TERCEIRO QUE NÃO O CREDOR


Não tem efeito liberatório.
SALVO:
 se ratificado: a ratificação retroage ao dia do pagamento e produz todos os efeitos do
mandato;
 tanto quanto reverter em proveito do credor. Pode não ser considerado válido caso o
pagamento tolha sua liberdade de decisão sobre o pagamento das dívidas/aquisição
de bens que lhe interessam.

4.4. PAGAMENTO AO CREDOR PUTATIVO


Válido quando de boa-fé. Erro escusável. Credor deve se voltar contra quem recebeu.

4.5. PAGAMENTO AO CREDOR INCAPAZ


 Pagamento ao absolutamente incapaz - nulo em princípio
 Pagamento ao relativamente incapaz - passível de confirmação

Pagamento deve ser feito a pessoa capaz de quitar - sob pena de não valer.
Não vale o pagamento cientemente feito a incapaz se o devedor não provar que em benefício
dele efetivamente reverteu.
Será válido, entretanto, no caso de erro escusável do devedor: dolo do credor (oculta idade) ou
boa-fé do devedor.

4.6. PAGAMENTO AO CREDOR CUJO CRÉDITO FOI PENHORADO


Caso intimado da penhora, ou intimado da impugnação oposta por terceiros, o pagamento
não valerá contra estes.
Neste caso cabe ao devedor depositar em juízo.

5. DO OBJETO DO PAGAMENTO
Pressupõe dívida ou não será fato extintivo, mas sim gerador de obrigação: restituir o recebido
indevidamente.

Objeto do pagamento deve ser o conteúdo da prestação obrigatória - credor não é obrigado a
aceitar diverso. Sob pena de a obrigação se converter em perdas e danos - que extinguirá a obrigação,
mas não eqüivale a pagamento.

Ainda que divisível não é obrigado o credor - se assim não se ajustou - a receber em partes.

Devedor é obrigado às despesas da entrega, quitação e qualquer outra decorrente do fato do


pagamento - se houver aumento do fato por conta do credor este arcará com a despesa.

5.1. PAGAMENTO EM DINHEIRO E O PRINCÍPIO DO NOMINALISMO


Dívidas em dinheiro são pagas em moeda corrente, pelo valor nominal - dívidas de valor.
Correção monetária desde a data do fato.
Somente nos casos legais o pagamento pode ser efetuado com outro padrão monetário.
Lícito convencionar o aumento progressivo de alíquotas, com correção quando, por motivos
imprevisíveis sobrevier desproporção manifesta

Princípio do nominalismo - considera-se o valor da moeda o valor nominal atribuído pelo Estado
no ato da emissão/cunhagem.
Devedor se entrega pagando a moeda em curso, ainda que desvalorizada.

Ajustes em moeda estrangeira - admitidos pela jurisprudência, desde que efetuada a conversão
para moeda nacional quando do pagamento.

5.2. CLÁUSULA DE ESCALA MÓVEL


Prescreve o ajuste da prestação à variação no custo de vida.
O ajuste de correção monetária é nulo se inferior a um ano.

5.3. TEORIA DA IMPREVISÃO


Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta
en- tre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o
juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor
real da prestação.

 requisitos necessários para essa intervenção:

a) os motivos devem ser imprevisíveis, mas não há exigência de que sejam extraordinários, como
ocorre no art. 478. Cf. CJF - também devem ser consideras causas previsíveis, mas de resultados
imprevisíveis;
b) a desproporção entre a prestação devida deve ser manifesta, isto é, deve ser suficien-
temente expressiva e estar identificada. Essa desproporção deve ser verificada levando-se
em conta as prestações; ou seja, o critério é objetivo, não sendo possível a adoção de um
critério puramente subjetivo, que leve em conta a desproporcionalidade e a
imprevisibilidade do ponto de vista de quem está obrigado ao cumprimento da prestação,
como ocorre com a hipótese prevista no art. 6o, V, do Código de Defesa do Consumidor;

C) O REEQUILÍBRIO DO VALOR DA PRESTAÇÃO DEVE SER POSTULADO PELA PARTE,


SENDO VEDADO AO JUIZ IMPLEMENTÁ-LO DE OFÍCIO;

d) a existência de uma relação obrigacional duradoura, sucessiva ou mesmo instantânea,


desde que com o adimplemento parcelado; e

e) os acontecimentos que geraram o desequilíbrio não podem ser imputáveis ao lesado.

6. DA PROVA DO PAGAMENTO

6.1. QUITAÇÃO
O devedor tem o direito de exigir do credor a quitação da dívida - prova do pagamento.

 Requisitos da quitação:
L valor, espécie, tempo, lugar, assinatura… por escrito público ou particular (mesmo que público
o documento que originou o crédito).
Ainda sem isso poderá valer, se as circunstâncias revelarem o pagamento.

Relativização do recibo de quitação - se dele ou das circunstâncias revelar-se parcial o


pagamento subsiste o direito do credor de cobrar a diferença. Quer dizer, não é absoluto o valor do
recibo.
NADA ADIANTA O RECIBO DAR QUITAÇÃO INTEGRAL SE DA QUANTIA ASSINALADA
RESTAR DÉBITO (RELATIVIZAÇÃO).

 Limites à prova do pagamento - cf. CPC não se admite a prova exclusivamente testemunhal para
a comprovação de pagamento que exceda ao teto legal.
Aceita-se entretanto a testemunhal quando subsidiada por início de prova escrita, ou o credor
não puder obter quitação (paretnesco, depósito necessário, etc.)

6.2. PRESUNÇÕES DE PAGAMENTO


Dispensa-se a quitação, presumindo-se o pagamento:
a) dívida representada por título de crédito em posse do devedor - sem efeito se o mesmo
provar em 60 (sessenta) dias a falta de pagamento;
- Cartularidade - devedor deve exigir a quitação no título e que lhe entregue.
 Título perdido - devedor poderá reter o pagamento exigir declaração do credor que
inutilize o desaparecido.

Tal declaração, entretanto, é inoponível a terceiro de boa-fé detentor do título

b) pagamento em quotas sucessivas - quando paga a última quota;

c) quando há quitação do capital, sem reserva dos juros, que se presumem pagos. Presume-
se que o credor imputaria o pagamento nos juros - destarte, pago o capital sem oposição,
presumem-se pagos os juros.

7. DO LUGAR DO PAGAMENTO
 Regra geral - no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente.
Designado dois ou mais lugares cabe ado credor a escolha.

 Dívida portável - local do cumprimento é o domicílio do credor.


 Dívida quesível - incumbe ao credor buscar o adimplemento

Mudança do local de pagamento -


i) havendo motivo grave pode ser efetuado em local diverso, sem prejuízo para o
credor
ii) pagamento reiteradamente feito em local diverso - faz presumir renúncia ao
local previsto em contrato.

8. DO TEMPO DO PAGAMENTO
Não havendo termo a mora depende de interpelação judicial.

Exceções ao pagamento no vencimento:


i) antecipação do vencimento - casos legais;
L falência OU concurso de credores
L bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor;
L se cessarem ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o
devedor, intimado, se negar a reforçá-las

No caso de débito solidário não se reputará vencido quanto aos outros solventes.

ii) pagamento antecipado - prazo estabelecido em benefício do devedor.


L presumem-se os prazos em favor do devedor
L contratos regidos pelo CDC: obrigatória a aceitação do pagamento antecipado

DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO

1. CONCEITO
Devedor não se exonera caso o credor recuse - tem ele, contudo, direito de pagar - por isso para
se eximir dos efeitos da mora deve consignar o pagamento.
Pode ser feita judicial ou extrajudicialmente.

O depósito judicial pressupõe recusa injusta ou a ação será improcedente.

2. OBJETO
É a prestação - dinheiro ou bens.
Limitada a consignação a obrigações de dar.

 Imóvel ou corpo certo - deve ser entregue onde está - devedor pode citar o credor para vir ou
mandar recebeê-la, sob pena de depósito.
 Coisa indeterminada/incerta - cita-se o credor para exercício do direito de escolha, sob pena de
perdê-lo e ser a coisa depositada.
3. FATOS QUE AUTORIZAM A CONSIGNAÇÃO
a) Mora do credor - recusa injusta ao pagamento ou quitação;
 Portável a dívida é do devedor o ônus de provar a recusa.
 Quesível basta alegar que o réu não foi, e a ele cabe provar que foi.
b) Circunstâncias inerentes à pessoa do credor - não puder receber (incapaz);
Credor sem representante legal - se tiver deve ser pago a ele.
c) Residência em lugar incerto, ou de acesso perigoso ou difícil.
d) Dúvida sobre quem deva legitimamente receber
d) Se pender litígio sobre o objeto do pagamento

4. REQUISITOS DE VALIDADE DA CONSIGNAÇÃO


São eles:
 SUBJETIVOS
i) Feito por devedor capaz e ao verdadeiro credor capaz ou seu representante (sob pena de
depender de representação ou prova da reversão em proveito)
Legimidade para consignar - devedor, terceiro interessado e terceiro não interesado em nome e
à conta do devedor.
Legitimidade passiva - credor capaz, ou quem alegue tal qualidade. Caso desconhecido, será
citado por edital, com intervenção de curador especial

 OBJETIVOS
ii) Integralidade do depósito - com correção monetária a partir do vencimento (cf. STJ) e juros
de mora.
Entrega de coisa - com os acessórios;
É cabível a discussão em torno do débito e seu valor como condição para o julgamento.
O modo deve ser o convencionado - se combinado o parcelamento, deposita-se em parcelas.
O mesmo no caso de relações continuativas.
A mora do devedor não impede. Assim, será emendada a mora.
O depósito deve ser feito no lugar convencionado para o pagamento.

6. LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO
 Retratação do depósito - permitido enquanto o credor não declarar que o aceita.
Havendo recusa e contestação o levantamento fica condicionado à aceitação do credor.

Aceitação do depósito - extingue a dívida


L caso, mesmo após a aceitação concorde com o levantamento haverá NOVAÇÃO
Havendo mais devedores e fiadores de sua concordância dependerá também o levantamento.
7. DISPOSIÇÕES PROCESSUAIS
A ação tem natureza declamatória não dependendo da liquidez da obrigação.
Pode ser ajuizada quando houver dúvida sobre o valor exato.

Foro competente - quesível (foro do devedor); portável (foro do credor); onde se encontra a coisa
certa objeto da prestação.
Ou o local do imóvel - p.ex. locação

Prestações periódicas - seguidamente depositadas no juízo. Até a sentença.


Persistindo a recusa nova ação é necessária.

Prazo de resposta - 15 (quinze) dias


Poderá o credor alegar que:
i) não houve recusa/mora;
ii) depósito fora do prazo ou loca;
iii) depósito não é integral - a insuficiência não impede o levantamento pelo
réu/credor

Apresentada a resposta segue o rito ordinário.

Düvida sobre quem é credor - citam-se ambos. Não comparecendo nenhum converte-se em
arrecadação de bens de ausentes

Deve haver dúvida razoável sobre quem é realmente o credo. Ou carecerá de interesse a ação.
DO PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO

1. CONCEITO
É a substituição de uma pessoa por outra pessoa ou de uma coisa por outra coisa em uma
relação jurídica - pessoal e real

 Real - a coisa fica com os mesmos ônus da primeira p.ex. substituição da coisa gravada com
cláusula de inalienabilidade.

 Pessoal - transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação, ou
emprestou o necessário para solvê-la. Há, portanto, dois efeitos necessários da sub-
rogação: liberatório (pela extinção do débito em relação ao devedor original) e
translativo (pela transferência da relação obrigacional para o novo credor).

É uma exceção à regra de que o pagamento extingue a obrigação, pois

2. NATUREZA JURÍDICA
Não há que se confundir, todavia, o pagamento com sub-rogação com a mera cessão
de crédito, visto que, nesta última, a transferência da qualidade creditória opera-se sem que
tenha havido o pagamento da dívida. Ademais
a) na sub-rogação, a obrigação do devedor limita-se ao valor do que efetivamente foi
desembolsado pelo sub-rogado, ao contrário do cessionário, cujo crédito pode ser exigido
integralmente, independentemente do valor efetivamente pago na cessão. Embora haja quem
defenda que a na sub-rogação convencional, inserida no campo da autonomia da vontade, as partes
têm liberdade para estipularem o alcance dos efeitos jurídicos do pagamento, o melhor entendimento
é de que a sub-rogação não tem, em nenhuma das modalidades, caráter especulativo, residindo
justamente nisso a sua principal nota distintiva em relação à cessão de créditos. O artigo 350 não
significa que, a contrario sensu, a sub-rogação convencional pudesse constituir fonte de lucros para o
sub-rogado, justificando-se apenas para afastar a associação automática da sub-rogação legal à
integralidade do crédito;
b) a prescrição começa a correr a partir da sub-rogação, ao contrário da prescrição
incidente sobre o crédito cedido, que não tem o seu curso interrompido com a cessão;
c) o cedente assegura ao cessionário a existência do crédito, o mesmo não ocorrendo na
sub-rogação;
d) quem não tem capacidade para alienar, pode sub-rogar, mas não ceder.

3. ESPÉCIES

3.1. SUB-ROGAÇÃO LEGAL


Opera-se de pleno direito:
i) em favor do CREDOR que paga a dívida do DEVEDOR COMUM;
ii) adquirente do imóvel hipotecário que paga o credor hipotecário, bem como do terceiro
que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel.
iii) TERCEIRO INTERESSADO, que paga a dívida pela qual era ou poderia ser obrigado, no
todo ou em parte.

O terceiro não interessado que paga em nome próprio (contra a vontade do devedor) não se
sub-roga, mas tem direito ao reembolso (desde que o devedor não prove de que possuía ação própria para
evitar ser obrigado pelo pagamento).

3.2. SUB-ROGAÇÃO CONVENCIONAL


São hipóteses:
i) quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere
os direitos antes da extinção da obrigação;
Dispositivo cuida do caso do terceiro não interessado (pois do interessado é legal)
Distingue-se da cessão pois nesta o crédito e extinto e ela visa exonerar o devedor

ii) quando terceiro empresta ao devedor a quantia certa para solver a dívida, sob
condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.

4. EFEITOS DA SUB-ROGAÇÃO
Transfere todos os direitos, ações privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida,
contra o devedor principal e fiadores.
a) liberatório - exonera o devedor ante o credor originário;
b) translativo - transmite ao terceiro que satisfez os direitos de crédito.

Na sub-rogação legal o sub-rogado somente tem direito àquilo que desembolsou.


Se a sub-rogação for convencional, as partes poderão convencionar a diminuição de
privilégios ou garantias concedidas ao credor originário. Frise-se ainda que o sub-rogado não
poderá exercer os direitos e ações do credor, senão até a soma que tiver desembolsado para
desobrigar o devedor (art. 350).

5. SUB-ROGAÇÃO PARCIAL
Só há transmissão de parte do crédito, razão pela qual o antigo sujeito ativo da relação
obrigacional permanece credor. O credor originário tem preferência quando não bastarem os bens do
sub-rogado.
DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO

1. CONCEITO
É a indicação ou determinação da dívida a ser quitada, quando uma pessoa obrigada por dois ou
mais créditos da mesma natureza, perante o mesmo credor, efetua pagamento insuficiente para
quitar ambos, líquidos e vencidos.

2. REQUISITOS
a) Pluralidade de débitos;
b) Identidade de partes;
c) Igual natureza das dívidas;
d) Dívidas líquidas e vencidas - o vencimento só é relevante nos casos em que o prazo é
estabelecido em benefício do credor.
e) Possibilidade de o pagamento resgatar mais de um débito, mas não todos - se a importância
é suficiente para quitar exatamente uma delas não pode o devedor imputar, pois equivaleria a impor
pagamento parcial ao credor.

3. ESPÉCIE DE IMPUTAÇÃO
Regra geral - cabe ao devedor o direito de declarar (SALVO - Fazenda Pública)
Se não declara passa ao credor.
Se nenhuma das partes escolha a lei determina a ordem

Limites do direito do devedor - havendo juros vencidos não pode o devedor imputar no capital
sem o consentimento do credor.

3.1. IMPUTAÇÃO POR INDICAÇÃO DO DEVEDOR


Limitações
a) devedor não pode imptar em dívida não vencida se o prazo foi estabelecido em favor do
credor;
b) não pode imputar em dívida de montante superior ao valor ofertado, salvo acordo,
pois o pagamento parcelado do débito só é permitido quando convencionado
c) não pode, imputar no capital quando há juros vencidos.
3.2. IMPUTAÇÃO POR INDICAÇÃO DO CREDOR
Ocorre quando o devedor não declara qual dívida quer pagar.

3.3. IMPUTAÇÃO EM VIRTUDE DE LEI


Critérios:
a) nos juros vencidos antes do capital;
b) nas dívidas vencidas antes das não vencidas;
c) nas líquidas, na ordem de vencimento;
d) na mais onerosa, se todas forem líquidas e vencidas (p.ex. a que rende juros).

Sendo todas líquidas, vencidas e igualmente onerosas - imputa-se a todas, em proporção.


Mesmo em prejuízo do direito do credor de não receber em partes.

DA DAÇÃO EM PAGAMENTO

1. CONCEITO
Concordância do credor em receber prestação diversa da que lhe é devida.

2. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
a) existência de uma dívida;
b) concordância do credor;
c) diversidade da prestação.

Admite-se quitação parcial - recebimento de coisa menos valiosa.

3. NATUREZA JURÍDICA
Forma de pagamento indireto - contrato liberatório.
* datio pro solvendo - facilita a satisfação do débito

4. DISPOSIÇÕES LEGAIS
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as
partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda.
Normalmente, recebia coisa em pagamento substitui crédito. Entretanto, fixado o preço da
coisa, rege-se como C/V.

Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência


importará em cessão.

Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-


se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os
direitos de terceiros.
Permanecerão as garantias reais/fidejussórias, mas não se restabelecerá a fiança.
Protegem-se os terceiros - p.ex. adquirente de imóvel que havia se livrado da hipoteca por meio
de dação em pagamento.

NOVAÇÃO

1. CONCEITO
Forma de pagamento indireto em que ocorre a substituição de uma obrigação anterior por
uma obrigação nova.

 Dívidas prescritas e obrigações naturais - controvertida sua possibilidade de novação -


VENOSA aceita.

 Elementos essenciais -
a) Obrigação anterior - deve ser válida e existente - a obrigação nula não pode ser
novada, mas a anulável pode ser confirmada,;
b) Obrigação nova - caso nula a novação prevalecerá a obrigação anterior, que não
será extinta. Sendo anulável, caso isto ocorra, prevalecerá a primitiva;
c) Animus novandi - que pode ser expresso ou tácito - desde que inequívoco - o ato
não pode ter outro sentido se não o de novar

Efeito –
Efeitos da novação:

1) O principal efeito é o liberatório, ou seja, a extinção da primitiva obrigação, por meio


de outra, criada para substituí-la;
2) Extingue os acessórios e as garantias da dívida, a não ser que haja aquiescência do
terceiro fiador ou proprietário dos bens dados em garantia (Súmula 214 do STJ: “o
fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual
não anuiu); Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso como
devedor principal (art. 366)
A responsabilidade patrimonial só atinge o que participou da novação. Sem o consentimento
do fiador haverá sua exoneração.
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver
estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a
anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação.

3) Se a obrigação é solidária, a novação concluída entre o credor e um dos devedores


exonera os demais, subsistindo as preferências e garantias do crédito novado somente
sobre os bens do devedor que contrai a nova;
4) Se a solidariedade for ativa, extingue-se a dívida perante os demais credores,
devendo estes se entender com o credor operante;
5) Se ela for indivisível, pela impossibilidade da prestação parcial, a novação acaba
beneficiando os demais devedores;
6) No caso de novação objetiva, o perecimento do objeto não dá ao credor o direito de
perseguir o da antiga;
7) A anulabilidade oponível à antiga obrigação não cabe após a novação (na verdade,
um dos principais préstimos da novação é justamente confirmar obrigações anuláveis).

Ocorrendo novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do
que contrair a nova obrigação subsistirão as preferências e garantias do crédito novado”

Sobre a novação subjetiva passiva - devedor anterior não se responsabiliza pela solvência do
novo.
a) Novação subjetiva passiva por expromissão – ocorre quando um terceiro assume a dívida
do devedor originário, substituindo-a sem o consentimento deste (art. 362 do CC), mas
desde que o credor concorde com a mudança no polo passivo. No caso de novação expressa,
assinam o instrumento obrigacional somente o novo devedor e o credor, sem a participação
do antigo devedor.
b) Novação subjetiva passiva por delegação – ocorre quando a substituição do devedor é
feita com o consentimento do devedor originário, pois é ele que indicará uma terceira
pessoa para assumir o seu débito, havendo concordância do credor. Eventualmente, assinam
o instrumento o novo devedor, o antigo devedor que o indicou ou delegou poderes e o credor.

Diferença entre novação subjetiva ativa e pagamento com sub-rogação - no último há alteração da
estrutura obrigação, na primeira há extinção do vínculo anterior - desfeito com seus acessórios e
garantias.

Diferença da cessão de crédito - transmissão da obrigação; pode ser onerosa.

Cf. STJ súmula n. 286 é possível a discussão de dívidas anteriores mesmo havendo
renegociação de contrato bancário.

Art. 360. Dá-se a novação:


I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir
a anterior;
II - quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;
III - quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo,
ficando o devedor quite com este.
Art. 361. Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a
segunda obrigação confirma simplesmente a primeira.
Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada
independentemente de consentimento deste.
Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação
regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição.

COMPENSAÇÃO

1. CONCEITO
Forma de pagamento indireto em que duas ou mais pessoas, ao mesmo tempo credoras e
devedoras umas das outras, extinguem suas obrigações recíprocas até o ponto em que se
encontrarem, onde se equivalerem.

Qunado negocial depende de duas manifestações de vontade. Nas hipóteses legais pode ser
feita ex officio pelo juiz - pois é manifestação material do princípio da economia.

Elementos essenciais -
a) Dívida certas e líquidas;
b) Dívida vencida/atual, possível de ser cobrada;
c) Dívida constituída por coisa fungíveis - dinheiro p.ex - não há compensação quando
diferem na qualidade, quando especificada a qualidade no contrato.

Dívidas prescritas e obrigações naturais - controvertida sua possibilidade de compensação -


VENOSA aceita.

O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever; mas o fiador pode
compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado. Salvo este caso, obrigando-se por terceiro uma
pessoa, não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever.

Ao se referir a dívida a norma indica despreza pelo teoria dualista - que defende haver somente
responsabilidade (Haftung) na relação entre credor e fiador.
Dispositivo questiona a tese de que a compensação é pessoal. Não há unanimidade sobre ser a
compensação uma exceção pessoal.
Prazos de favor - não obstam a compensação - que só exige dívidas vencidas - não poderá o
devedor se valer da graça para afastar a compensação

Relevância da causa da dívida - não é possível a compensação:


a) se a dívida provier de esbulho, furto ou roubo - ilicitude obsta a compensação;
b) se a dívida se originar de comodato, depósito ou alimentos - personalíssimos;
c) se a dívida for de coisa impenhorável.

 Cláusula excludente de compensação / Renúncia à compensação - para a doutrina majoritária


obstam qualquer forma de compensação, mas cf. TARTUCE não pode obstar a
compensação legal, principalmente se ocorrer no âmbito judicial, envolve matéria de ordem
pública – pela relação com o princípio da economia –, não havendo validade das cláusulas de
exclusão e de renúncia.”
SÃO NULAS QUANDO INSERIDAS EM CONTRATO DE CONSUMO OU DE ADESÃO

 Compensação e cessação de crédito - o devedor que, notificado, nada opuser à cessão que o
credor fez a terceiros dos seus direitos, não poderá opor ao cessionário a compensação, que
antes da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão não lhe tiver sido
notificada, poderá opor ao cessionário a compensação do crédito”

 Dívidas pagáveis em local diverso - não poderão ser compensadas sem a dedução das
despesas necessárias à operação (art. 378).

 Compensação e imputação do pagamento - aplicadas quando a mesma pessoa for obrigação


por várias dívidas compensadas.

 Resguardo de terceiros - não se admite a compensação em prejuízo de terceiros.

 Espécies -
a) legal - EXIGE -
L reciprocidade de débitos;
L certeza e liquidez das dívidas;
L exigibilidade atual das prestações, estando estas vencidas; e
L fungibilidade dos débitos

b) convencional - não depende dos pressupostos da legal.


c) judicial - necessário a alegação em reconvenção - salvo em ações de natureza
dúplice (sumário) - caso em que não é necessário reconvir
CONFUSÃO

1. CONCEITO
Forma de pagamento indireto em que confundem-se as qualidades de credor e devedor na
mesma pessoa, em decorrência de um ato inter vivos ou mortis causa.

Pode ser total(própria) ou parcial(imprópria).

Dívida solidária - só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito -


subsistindo a solidariedade

Cessação da confusão - se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior (art.
384 do CC).
No tocante à prescrição, deve-se entender que ela não corre nesses casos, presente uma
condição suspensiva.

REMISSÃO

1. CONCEITO
Forma de pagamento indireto em que ocorre o perdão de uma dívida, constituindo um direito
exclusivo do credor de exonerar o devedor.
Deve ser aceita pelo sujeito passivo - não pode prejudicar terceiros.

Só diz respeito a direitos creditórios e é ato bilateral - alteridade

Solidariedade - a remissão ou perdão concedido a um dos codevedores extingue a dívida na


parte a ele correspondente, não atingindo a solidariedade em relação aos demais.
Ao cobrar a dívida, entretanto, deve o credor descontar a quota do co-devedor perdoado -
mesmo que indivisível a coisa (considera-se o valor pecuniário da quota).

Devolução do objeto penhorado - não implica em remissão, mas apenas renúncia àquela
garantia.
- A remissão somente pode operar-se inter partes, não sendo esta admitida em prejuízo de
terceiros;
- A remissão distingue-se da doação, eis que nesta o doador transfere bens de seu patrimônio
para o donatário. É típico contrato de natureza gratuita e unilateral;
- O perdão pode ser expresso ou tácito, quando decorre de uma atitude do credor
incompatível com a conservação de sua qualidade creditória. Não se presume fora dos
casos admitidos em lei, nem a inatividade do credor permite induzi-lo. Um exemplo é a
entrega voluntária do título da obrigação quando por escrito particular (mas lembre-se que,
nos termos do artigo 324 do CC, a entrega de título de crédito faz presumir o pagamento
– não remissão -, tratando o artigo 386 de instrumentos particulares ou contratos que
traduzem dívidas). Atente-se que esta presunção é relativa, podendo o credor provar a
ausência de animus em remitir a dívida. Outro caso é a remissão da garantia que se presume
com a entrega do objeto empenhado (a dívida remanesce, ficando quirografária).
- A remissão apenas terá o caráter de negócio jurídico unilateral quando efetuada em
testamento, assemelhando-se a um verdadeiro legado em prol do devedor;
- A remissão pode ser revogada unilateralmente, desde que não tenha ainda gerado um
direito contrário.
- O perdão não pode ser acompanhado de prestação do devedor, caso contrário haverá,
conforme o caso, dação em pagamento, transação ou mesmo novação, se modificado o
objeto (mas pode ser condicionado ou a termo).
- Somente as obrigações patrimoniais de caráter privado comportam perdão.
- O perdão concedido ao devedor principal extingue a obrigação dos fiadores e liberta as
garantias reais.
- Se forem vários os devedores, a remissão concedida a um deles extingue a obrigação na
parte que lhe corresponde. Sendo indivisível, os demais credores somente poderão exigir a
prestação com desconto da parte relativa ao remitente.
INADIMPLEMENTO - RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL

1. MODALIDADES DE INADIMPLEMENTEO
Inadimplemento parcial ou mora - há apenas descumprimento parcila da obrigação, que ainda
pode ser cumprida.
Inadimplemento total ou absoluto - é a hipótese em que a obrigação não pode ser mais cumprida,

Critério de distinção - utilidade OBJETIVA da obrigação para o credor

Violação positiva do contrato - doutrina relacionada com o cumprimento inexato ou imperfeito da


obrigação OU quebra dos deveres de boa-fé na fase pré-contratual.
Para TARTUCE tais violações são interpretadas como hipóteses de inadimplemento pelo CC.

2. INADIMPLEMENTO PARCILA/RELATIVO OU MORA


A mora é o atraso, o retardamento ou a imperfeita satisfação obrigacional, havendo um
inadimplemento relativo.

Depende de culpa (genérica) - deve decorrer de ato culposo do devedor.


Cf. JUDITH MARTINS-COSTA nem sempre se exige culpa - p.ex. obrigação de resultado.

Efeitos da mora -

DO DEVEDOR
a) responsabilização do sujeito passivo por todos os prejuízos causados ao devedor,
mais juros e correção e honorários advocatívios no caso de propositura de ação.
L cf. TARTUCE os honorários referidos são os contratuais, e não os judiciais
L se, em decorrência da mora, tornar-se inútil a prestação pode o credora rejeitá-la,
sobrevindo a corresponde reparação por perdas e danos - inutilidade a ser aferida objetivamente

 Teoria do adimplemento substancial a teoria do adimplemento substancial (ou


inadimplemento mínimo) da obrigação, que veda ao credor o exercício do direito de
rescisão do contrato, ainda quando a norma contratual ou legal a preveja, se a
prestação pactuada foi substancialmente satisfeita pelo devedor. Referida teoria tem
por fundamento o princípio da boa-fé, na esteira de sua função de limitar o exercício
de direitos subjetivos, eis que “a substancialidade do adimplemento, apurada
conforme as circunstâncias, e em vista da finalidade econômico-social do
contrato em exame, garante a manutenção do equilíbrio entre as prestações
correspectivas, não chegando o descumprimento parcial a abalar o sinalagma”
(Teresa Negreiros).

Cf. CJF - A cobrança de encargos e parcelas indevidas ou abusivas impede a caracterização


da mora do devedor.

b) responsabilidade do devedor em mora pela impossibilidade da prestação, mesmo que


resulte de caso fortuito ou de força maior - SALVO se o devedor provar total isenção de culpa ou que
sobreviria o dano, ainda que oportunamente desempenhada a prestação.

DO CREDOR
a) Afastar do devedor isento de dolo a responsabilidade pela conservação da coisa, não
respondendo ele por conduta culposa (imprudência, negligência ou imperícia) que gerar a perda do
objeto obrigacional.
b) Obrigar o credor a ressarcir o devedor pelas despesas empregadas na conservação da
coisa.
c) Sujeitar o credor a receber a coisa pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu
valor oscilar entre o tempo do contrato e o do cumprimento da obrigação.”
d) cria a possibilidade de consignação

DE AMBOS
Uma elimina a outra, como se nenhuma das partes houvesse incorrido.

 Classificação da mora -
a) ex re / automática - quando a obrigação for positiva, líquida e com data fixada para
o inadimplemento - dia do vencimento vale como interpelação;
b) ex persona / pendente - caracterização do atraso dependerá de uma providência, do
credor ou seu representante, por meio de interpelação, notificação ou protesto do credor, que pode ser
judicial ou extrajudicial;
c) irregular / presumida - ORLANDO GOMES - nas obrigações provenientes de ato
ilícito - mora desde a prática do ato.

 PURGAÇÃO OU EMENDA DA MORA - significa afastar os efeitos decorrentes do


inadimplemento parcial.
i) por parte do devedor - oferecendo a prestação + juros + correção
ii) por parte do credor - oferencendo-se para receber + sujeição aos efeitos d da mora
(ressarcimento de despesas com conservação, etc.)
L diverge da cessação da mora - esta decorre de fato extintivo de efeitos pretéritos e
futuros - p.ex. novação.

3. INADIMPLEMENTO ABSOLUTO
Efeitos - Não cumprindo o sujeito passivo a prestação, passa ele a responder pelo valor
correspondente ao objeto obrigacional, acrescido das demais perdas e danos, mais juros compensatórios,
cláusula penal (se prevista), atualização monetária, custas e honorários de advogado (art. 389 do CC).
L honorários somente exigíveis quando há efetiva atuação de um advogado.
L honorários referidos são contratuais - cf. STJ

Princípio da imputação civil dos danos / da responsabilidade patrimonial do devedor — pelo


inadimplemento respondem todos os bens do devedor.

Contratos benéficos - aquele a quem não favoreça somente responde por dolo

 Inversão do ônus da provada - provada a violação contratual é ônus do devedor


demonstrar que o fato causador do dano não lhe pode ser imputado.

Perdas e danos - incluem o que se perdeu e o que razoavelmente deixou de lucrar.


Cf. STJ não se cobre dano hipotético ou eventual.

4. DOS JUROS
Juros moratórios - enuncia o art. 406 do CC que mesmo não estando previstos pelas partes,
serão devidos de acordo com a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos
devidos à Fazenda Nacional 12% ao ano.
L aplicação da SELIC - é questionada, pois inclui a correção monetária - sendo impossível seu
cálculo separadamente, além de impedir o conhecimento prévio dos juros - há julgados do STJ
aplicando

Juros bancários - entende a jurisprudência que são fixados conforme as regras de mercado.
A fixação acima dos 12% - no caso de instituições financeiras - não é per se indicativo de abuso.
Cf. STJ - não sendo fixados juros pelas partes incidem as taxas de mercado e não do CC 406
(que determina a aplicação do relativo a tributos federais).

Termo inicial -
a) responsabilidade contratual - prazo de cumprimento definido - termo do contrato;
b) responsabilidade contratual - sem prazo de cumprimento - citação;
c) responsabilidade aquiliana - data do fato lesivo - salvo danos morais, cujo termo inicial
será o arbitramento.

Juros intertemporais - juros estão no plano da eficácia - cálculo fracionada cf. a lei vigente.

Anatocismo - prática de somar os juros ao capital para contagem de novos juros. Capitlização
composta.
Permitida, desde que anual a periodicidade da incorporação dos juros ao capital

CLÁUSULA PENAL

1. CONCEITO
A cláusula penal é um pacto acessório, pelo qual as partes de determinado negócio jurídico fixam
a indenização devida em caso de descumprimento culposo da obrigação principal, de alguma cláusula do
contrato ou em caso de mora.. SUA INCIDÊNCIA EXIGE CULPA – não é possível a estipulação de cláusula
penal para a hipótese de descumprimento não culposo da obrigação principal

Por ser acessória, aplica-se o princípio pelo qual a obrigação acessória deve seguir a principal
(gravitação jurídica) - nulidade do contrato acarreta nulidade da multa.

A cláusula penal pode ser estipulada CONJUNTAMENTE com a obrigação OU EM ATO


POSTERIOR

 Finalidades
L Compensatória - prefixação das perdas e danos - no caso de inadimplemento absoluto.
Para receber seu valor a parte não precisa provar o prejuízo.
Em regra, mesmo que o prejuízo exceda o valor da cláusula, o prejudicado não pode exigir
indenização suplementar.
SALVO contratos de adesão - aderente pode exigir reparação além da cláusula.
L Moratória - coercitiva - punição pelo retardamento - pode ser exigida em conjunto com
perdas e danos - cf STJ

 Limite - são cogentes (de ordem pública)


o Compensatória - valor da obrigação principal - Sob pena de redução pelo próprio
magistrado EX OFFICIO.
o Moratória - 10% PARA CONTRATOS CIVIS; 2% para contratos de consumos e de
dívida condominial. Consequência da mora são menores do que a do inadimplemnto.

 REDUÇÃO pelo adimplemento - penalidade pode ser reduzida equitativamente pelo juiz se a

obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente
excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.
Redução equitativa não é o mesmo que proporcional ao adimplido.
“Art. 924. Quando se cumprir em parte a obrigação, poderá o juiz reduzir
proporcionalmente a pena estipulada para o caso de mora, ou de
inadimplemento.”

 Caráter duplo na penalidade - cf. STJ - contratos onerosos e comutativos - a cláusula penal
vale para ambas as partes, ANDA QUE SOMENTE EXPRESSAMENTE PREVISTA PARA UM DOS
NEGOCIANTES.

 Pedidos possíveis
o Multa moratória = obrigação principal + multa
o Multa compensatória = obrigação principal ou multa

 Obrigação indivisível - todos incorrem na pena. Mas todos responderão pela sua quota parte,

salvo o culpado, que pode ser obrigado pelo todo.


 Obrigação divisível - só o infringente é responsável, proporcionalmente à sua cota.

 Cláusula penal e pluralidade de devedores. Quando a obrigação é indivisível e há


pluralidade de devedores, basta que um só a infrinja para que a cláusula penal se torne
exigível. Do culpado, poderá ela ser reclamada por inteiro. Mas dos demais co-
devedores só poderão ser cobradas as respectivas quotas, ficando-lhes reservada a
ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. 414). Quando a
obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor, ou herdeiro do devedor que a
infringir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação (art. 415).
Cláusula penal e institutos afins:

Cláusula penal Perdas e danos


- o valor é antecipadamente - o valor é fixado pelo juiz, com base nos prejuízos
arbitrado pelos próprios contratantes. alegados e provados.
- por se tratar de uma estimativa feita - por abrangerem o dano emergente e o lucro cessante,
pelos contratantes, pode ficar aquém possibilitam o completo ressarcimento do prejuízo.
de seu montante real.
Semelhanças: destinam-se a ressarcir os prejuízos sofridos pelo credor em razão do inadimplemento
do devedor.

Cláusula penal Multa simples ou cláusula penal pura


- constitui prefixação da - constituída de determinada importância, que deve ser paga
responsabilidade pela indenização em caso de infração de certos deveres, como a imposta pelo
decorrente da inexecução culposa da empregador ao empregado, ao infrator das normas de
obrigação. trânsito, etc. Não tem a finalidade de promover o
ressarcimento de danos, nem tem relação com o
inadimplemento contratual.

Cláusula penal Multa penitencial


- instituída em benefício do credor, a - instituída em benefício do devedor, a quem compete
quem compete escolher entre cobrar a escolher entre pagar a multa penitencial ou cumprir a
multa compensatória ou exigir o prestação.
cumprimento da prestação.

Cláusula penal Arras penitenciais


- atua como elemento de coerção, - por admitirem o arrependimento, facilitam o
para evitar o inadimplemento descumprimento da avença, pois as partes sabem que a
contratual. pena é reduzida, consistindo na perda do sinal dado ou em
sua devolução em dobro, nada mais podendo ser exigido a
título de perdas e danos (art. 420).
- pode (deve) ser reduzida pelo juiz, em - não podem ser reduzidas pelo juiz. (mas: Enunciado 165
caso de inadimplemento parcial da do CJF: “Em caso de penalidade, aplica-se a regra do art.
obrigação ou de montante 413 ao sinal, sejam as arras confirmatórias ou penitenciais”.
manifestamente excessivo. (art. 413)
- torna-se exigível apenas se ocorre o - são pagas por antecipação.
inadimplemento do contrato.
- aperfeiçoa-se com a simples - aperfeiçoam-se com a entrega de dinheiro ou outro bem
estipulação no instrumento. móvel (caráter real).
Semelhanças: têm natureza acessória e visam a garantir o adimplemento da obrigação, constituindo
seus valores prefixação das perdas e danos.

DAS ARRAS OU SINAL


1. CONCEITO
Valor dado em dinheiro ou o bem móvel entregue por uma parte à outra, quando do contrato
preliminar, visando a trazer a presunção de celebração do contrato definitivo. Natureza de pacto
acessório

Funções das arras. Em síntese, as arras têm três funções:


1) servirem de garantia do cumprimento do contrato, confirmando-o e o tornando
obrigatório (arras confirmatórias);
2) servirem de prefixação das perdas e danos quando convencionado o direito de
arrependimento (arras penitenciais);
3) servirem como começo de pagamento, quando forem da mesma natureza da prestação
principal (ambos os tipos de arras).
ambos os tipos de arras).

Confirmam o contrato, tornando-o obrigatório.

Quando da conclusão deve ser devolvido ou computado na prestação devida (se do mesmo
gênero).
Vale, asssim, como antecipação do pagamento.

Espécies -
a) Arras confirmatórias – SEM CLÁUSULA DE ARREPENDIMENTO - confirmam o contrato - a
não celebração equivale a inadimplemento
L Inexecução pela parte que deu - ter-se-á por desfeito o contrato + retenção pelo que recebeu
L Inexecução pela parte que recebeu - direito de exigir sua devolução mais o equivalente

A parte inocente pode :


1. pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa
mínima de indenização.
2. exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras, mais uma
vez, como taxa mínima dos prejuízos suportados (art. 419 do CC). I

Não admitem direito de arrependimento. Não havendo nenhuma estipulação em contrário,


as arras consideram-se confirmatórias

b) Arras penitenciais – com possibilidade de arrependimento. - função unicamente indenizatória


(incluída a penalidade), porque atuam como pena convencional - quem as deu perdê-las-á em
benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á mais o equivalente.
Não haverá direito à indenização suplementar (art. 420 do CC).
Atente-se ao disposto no Enunciado 165 do CJF: “Em caso de penalidade, aplica-se a
regra do art. 413 ao sinal, sejam as arras confirmatórias ou penitenciais”, sendo que o
dispositivo citado estatui que “A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a
obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for
manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.”

 A jurisprudência estabeleceu algumas hipóteses em que a devolução do sinal deve ser


pura e simples, não tendo que pagar o equivalente:
a) havendo acordo nesse sentido;
b) havendo culpa de ambos os contratantes (inadimplência de ambos ou arrependimento
recíproco);
c) se o cumprimento do contrato não se efetiva em razão do fortuito ou outro motivo
estranho à vontade dos contratantes.