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Catequese sobre o livro do

Êxodo
5 anos ago
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by Católico Porque...
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Caríssimos Irmãos,

Hoje daremos continuidade ao nosso estudo catequético da Sagrada Escritura.


Mais uma vez, renovamos o convite para que todos tragam suas Bíblias, a fim
de acompanhar as citações.

O segundo livro do Pentateuco chama-se Êxodo (Ex), nome que em grego


significa “ saída” . A mensagem essencial contida no livro pode ser resumida
como segue:

Deus elegeu seu povo e fez-lhe uma promessa. Tal eleição e promessa são
garantidas pela aliança. Comprometendo-se pelas promessas que faz, Deus
exige, como única contrapartida, a fidelidade de seu povo. As condições desta
fidelidade, estabelecidas pelo próprio Deus, estão na lei que Deus revelou ao
seu povo na montanha sagrada, escrevendo-as com o “ seu Dedo” (Ex 31,18),
e que regula a conduta do povo eleito conforme a Sua vontade. Este, porém,
mesmo após ter sido liberto e conduzido por Deus, é-lhe infiel, fazendo para si
ídolos e murmurando, a cada dificuldade: “ O Senhor está, ou não está, no
meio de nós?” (Ex 17,7).
O Gênesis termina com a ida de Jacó com seus filhos para o Egito, onde José
era administrador. Com a morte de José (Gn 50) e a subida ao trono de um
novo Faraó, que, preocupado com o crescimento da população hebreia (Ex 1,7),
passou a oprimi-la com trabalhos forçados e controle de natalidade, o povo
clama a Deus, que intervém, levantando, do meio do povo, Moisés, o libertador.
O Êxodo se inicia com a opressão dos israelitas no Egito (Ex 1), narra o
nascimento e vocação de Moisés (Ex 2-4), a saída do Egito mediante as dez
pragas e a celebração da Páscoa (Ex 7, 8-29,11;13, 17-21), apresenta a aliança
e a doação da lei (Ex 19, 1-40,38) e segue até a construção do santuário junto
ao monte Sinai, ou seja, até o primeiro dia do segundo ano após a saída do
Egito (Ex 40, 2.17).

Veja também Catequese sobre os livros de 1-2Crônicas, Esdras e


Neemias
Ao contrário do Gênesis, que se utiliza de uma linguagem predominantemente
simbólica, a narrativa do Êxodo se preocupa em mencionar fatos históricos, que,
confrontados com o estudo de documentos arqueológicos, permite aos
historiadores situar a saída do povo de Israel do Egito, com grande
probabilidade, no período de 1.290 – 1.224 aC, inserido no reinado do faraó
Ramsés II, ou no reinado imediatamente posterior. Entretanto, devido à
importância do fato para o povo, e a sua incorporação na tradição oral,
algumas partes do relato têm um colorido heroico-mítico, como se vê na
famosa passagem do Mar Vermelho.

No Êxodo podemos encontrar temas importantes e recorrentes na mensagem


bíblica: A lei mantém a aliança e prepara o cumprimento das promessas, numa
pedagogia que conduz a Cristo, em quem estas promessas se realizam. O
Êxodo é o esboço de nossa redenção.

A figura humana de destaque no livro do Êxodo é Moisés, libertador, portador


dos mandamentos e mediador entre Deus e o povo, conduzindo-o rumo à
liberdade da Terra Prometida, enquanto ensina os israelitas a viverem na
obediência e na confiança em Deus, durante a sua longa permanência no
deserto.

Ademais, Moisés é um intercessor capaz de um amor que chega até ao dom


total de si mesmo. Reza pelo Faraó quando Deus, com as pragas, procurava
converter o coração dos Egípcios (cf. Êx 8– 10); intercede pelo povo quando
este é infiel (Ex 32, 7-14), e principalmente, vê Deus e fala com Ele «face a
face, como alguém que fala com o próprio amigo» (cf. Êx 24, 9-17; 33, 7-23;
34, 1-10.28-35). Quando roga pelo povo, depois da destruição do bezerro de
ouro, é possível enxergar nele a prefiguração de Cristo,: «Rogo-te que lhes
perdoes agora este pecado! Senão, apaga-me do livro que escreveste» (v. 32),
pois toma sobre si os pecados do povo e oferece a si próprio: “ apaga-
me” .[1]

Veja também Sessão IV (08.04.1546)

Por fim, outros pontos de relevo são: a instituição da Páscoa judaica, que
prepara a Páscoa cristã e que, a princípio, era uma festa anual de pastores
nômades, de origem pré-israelita, para o bem dos rebanhos, em que as
primícias eram apresentadas à divindade, e que, posteriormente, tornou-se
memorial da saída do Egito (12,11b-14.42), ganhando uma significação
inteiramente nova, exprimindo a salvação trazida ao povo por Deus; e o maná,
alimento que Deus providencia para o seu povo no deserto (Ex 16,15) e que
mais tarde é reconhecido como a figura da Eucaristia, alimento espiritual da
Igreja durante o seu êxodo terrestre (Jo 6,26-58).
No próximo Domingo finalizaremos o estudo do Pentateuco, com o exame do
Levítico, Números e Deuteronômio.
_________
NOTAS: [1] SS. Bento XVI, Audiência Geral, 1-VI-2011. * Fontes: Catecismo da
Igreja Católica; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae –
Pe. Estêvão Bettencourt OSB.