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Catequese sobre os livros de

Juízes e Rute
5 anos ago
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by Católico Porque...
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Caríssimos Irmãos,

Dando continuidade ao nosso estudo bíblico, prosseguimos na análise dos livros


históricos, examinando o livro de Juízes (Jz) e Rute (Rt).

Para compreender o livro dos Juízes (Jz), precisamos entender o contexto


histórico, político e social de Israel na época a que se refere.

Josué havia morrido sem deixar sucessor. Após a conquista de Canaã, os


israelitas trocaram a vida nômade pela vida agrícola e sedentária. As tribos de
Israel tinham se estabelecido em seus territórios, mas não havia governo
central, ou seja, o único vínculo que as unia era a religião. Cada tribo em seu
território tinha seus próprios interesses e problemas – o que dava lugar ao
individualismo e criava um clima favorável às invasões dos povos estrangeiros.

A convivência com os pagãos levou a um sincretismo religioso; os israelitas


passaram a prestar culto e homenagem aos deuses cananeus – Baal, Aserá e
Astarte – que, assim acreditavam, garantiam a fertilidade das colheitas e a
fecundidade dos rebanhos. Mesmo quando cultuavam ao Senhor, os israelitas
passaram a fazê-lo nos bosques, nas colinas, junto às fontes (Jz 6,25.31; 8,33;
9,4), assim como faziam os cananeus com suas divindades.
Deus então suscitou juízes em Israel, chefes de tribo, dotados por Deus com
especial força e carisma, para libertarem suas tribos de ataques estrangeiros e
julgar as causas e litígios da população. São apresentados no livro doze juízes,
um para cada tribo; destes, seis são tidos como “ maiores” , pois suas
histórias são contadas com mais detalhes, e seis são chamados “ menores” ,
pois pouco se sabe a respeito deles.

As histórias dos juízes maiores são narradas segundo uma fórmula proposta
em Jz 2, 11-19, que consiste em: os israelitas são infiéis ao Senhor, que os
entrega na mão de invasores; os israelitas se arrependem e invocam o Senhor,
que então suscita um juiz ou Salvador, que liberta o povo do domínio
estrangeiro, garantindo um período de paz. O autor sagrado assim ensina que a
opressão é castigo da impiedade e que a vitória é consequência do retorno a
Deus, princípio que deriva da ausência de uma noção de vida após a morte. A
Carta aos Hebreus apresenta os êxitos dos Juízes como a recompensa de sua fé,
propondo-os como exemplos para o cristão, que deve rejeitar o pecado e
suportar com valentia a provação a que é submetido (Hb 11,32-34; 12,1).

Veja também A Bíblia das Testemunhas de Jeová é confiável?

Os principais Juízes são Gedeão (Jz 6-8), Jefté (Jz 11-12) e Sansão (Jz 13-16).O
livro cobre um período de quase duzentos anos, que vai aproximadamente de
1200 a 1050 aC, ou seja, da morte de Josué até o primeiro rei de Israel, Saul.
Sansão (Jz 13-16) tinha feito votos de consagração total a Javé (nazireato, Jz
13, 3-5), o que incluía a obediência a uma série de preceitos, incluindo a
proibição de cortar os cabelos (Nm 6, 1-21). Enquanto ele permaneceu fiel a
esta consagração, mantendo a longa cabeleira, o Senhor lhe dava força para
vencer qualquer inimigo; quando entregou o segredo a Dalila, mulher
estrangeira, traiu seus votos e ela cortou-lhe os cabelos, sinal de infidelidade
interior de Sansão. Em consequência, o Senhor já não deu o herói a força
necessária para o combate, vindo ele a perecer nas mãos dos filisteus.
O livro de Rute (Rt) traz a história, que se passa no tempo dos Juízes, da
moabita que havia sido desposada por Maalon, filho de Elimelec, nascido em
Belém (de Judá) e emigrado para Moab, em razão de uma fome que assolava
sua cidade natal. Falecendo o marido e o sogro, acompanhou Noemi, sua sogra,
de volta a Belém, onde, para sobrevivência, pôs-se a catar espigas no campo
de Booz, vindo a descobrir que este era parente de Elimelec. Rute abraçou a fé
isrealita e terminou por desposar Booz, que estava obrigado a tomar, por
mulher, a viúva de seu parente mais próximo sem filhos (levirato). De Booz e
Rute nasceu Obed, pai de Jessé, pai do Rei Davi.

Rute é citada como modelo de conduta filial e de fidelidade, em especial a sua


fala a Noemi, sua sogra: “ Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei.
O teu povo é o meu povo, e o teu Deus, meu Deus.” (Rt 1,16).

Veja também Dúvida sobre a virgindade perpétua de maria.

O objetivo principal do livro é mostrar como a confiança posta em Deus é


recompensada, e como a sua misericórdia se estendeu até mesmo sobre uma
estrangeira. O ensinamento perene da narrativa é a fé na providência e a
universalidade da salvação – o que é reforçado pela inclusão de Rute na
genealogia de Cristo (Mt 1,5).
No próximo Domingo prosseguiremos no estudo dos livros históricos pelo
exame dos livros de Samuel.

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NOTAS: Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico –
Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB