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Legislação Policial Índice Jogos

ÍNDICE

Decreto-Lei n.º 422/89, de 02 de Dezembro.......................................................................................1


-Reformula a Lei do Jogo, com nova redacção dada pelo Dec.-Lei nº 10/95 de 19 de Janeiro
Decreto-Lei n.º 314/95, de 24 de Novembro ....................................................................................47
-Aprova o Regulamento de Exploração do Jogo do Bingo (REJB)

Regulamento de Exploração do Jogo do Bingo (REJB)..................................................................49


Decreto-Lei nº 317/2002, de 27 de Dezembro...................................................................................65
Montantes correspondentes às percentagensa distribuir pelos Ministérios da Segurança Social e do Trabalho e
da Saúde.

Decreto Lei n°. 84/85, de 28 de Março ............................................................................................67


(Republicado pelo Dec.-Lei nº 317/02, 27DEZ).-Estabelece normas relativas á organização dos Concursos
de Apostas Mútuas denominadas "Totobola" e Totoloto"
Portaria nº 39/04, de 12 de Janeiro…………………………………………………………….......75
Aprova o Regulamento do Totobola
Decreto-Lei nº 282/03, de 8 de Novembro………………………………………………………....91
-Permite que as apostas possam ser efectuadas por via electrónica, através da Internet, telemóvel, multibanco,
telefone fixo, televisão, televisão interactiva e por cabo, entre outros meios.
Circular nº. 1460, de 26FEV86, da 3ª. REP.....................................................................................97
- Organizações Ilegais de Apostas
Decreto-Lei n.º 310/02, de 18 de Novembro (EXCERTOS). ..........................................................99
- Regula o exercício de diversas actividades sujeitas a licenciamento
Portaria n.° 144/03, de 10 de Fevereiro...........................................................................................105
-Aprova os modelos de impressos necessários para registo e licenciamento de exploração de
máquinas de diversão
Portaria Nº 1364/2001 de 6 de Dezembro.......................................................................................113
-Regras de execução do jogo de fortuna ou azar denominado black-jack/21
Parecer Nº 74/2003............................................................................................................................121
-Competência de fiscalização - Governador civil - Transferência de competência - Câmara municipal -
Autoridade policial - Polícia municipal - Lei geral - Lei especial - Complementaridade.
Decreto-Lei Nº 210/2004 de 20 de Agosto.......................................................................................145
-Cria o jogo social do Estado denominado «EUROMILHÕES
Lei Nº 30/2006 de 11 de Julho...........................................................................................................151
Procede à conversão em contra-ordenações de contravenções e transgressões em vigor no ordenamento
jurídico nacional

Ficha de Procedimentos....................................................................................................................155
- Jogos de Fortuna ou Azar/Diversão Auto de Noticia

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Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Decreto-Lei n.º 422/89, de 02 de Dezembro

A disciplina actual do jogo consagra algumas soluções que carecem ser adaptadas às alterações
de natureza sócio-económica verificadas nos últimos anos, fundamentalmente, á função que o jogo é
chamado a desempenhar, designadamente como factor favorável à criação e ao desenvolvimento de
áreas turísticas.
Daí que a presente legislação, de interesse e ordem públicas, dadas as respectivas incidências
sociais, administrativas, penais e tributárias, haja sido reformulada com vista a instaurar um sistema
mais adequado de regulamentação e de controlo de actividade, sem deixar de acautelar e defesa dos
direitos constituídos e das legítimas expectativas das actuais concessionárias da exploração de jogos
de fortuna ou azar.
Como principais inovações, acentua-se a responsabilidade das concessionárias pela legalidade e
regularidade de exploração e prática do jogo concessionado e melhoram-se condições para uma
exploração rentável, factor que beneficia designadamente, a animação e equipamento turístico das
regiões, bem como a respectiva promoção nos mercados interno e externo.
Opera-se uma liberação, de acordo com os princípios constitucionais, nos condicionamentos a
que se sujeitam os acessos às salas de jogos de fortuna ou azar, mas, por outro lado, ao acentuar-se o
principio da reserva de admissão, visa-se melhorar o nível de frequência das salas de jogos e das
restantes dependências dos casinos.
Continua a proibir-se a efectivação de empréstimos nas salas de jogos e em qualquer outras
dependências ou anexos dos casinos e, quanto às operações sobre cheques nacionais, alarga-se o
período em que se permite a sua inutilização, quando aceites nas salas de jogos.
A execução das obrigações das concessionária permanece sujeita á fiscalização da Inspecção-
Geral de jogos, mantendo-se na mesma Inspecção-Geral, quanto ao imposto especial de jogo e ás
receitas proporcionadas pelos cartões e bilhetes de acesso às salas de jogos de fortuna ou azar, a
competência que assiste à Direcção-Geral das Contribuições e Impostos no que respeita aos impostos.
Não obstante o presente diploma legal conter um reduzido número de normas de natureza
laboral, foi a totalidade do seu projecto submetida a apreciação pública, nos termos da Lei n.º 14/89,
de 30 de junho, mediante publicação no Boletim do Trabalho e Emprego, de 14 de Agosto de 1989.
Receberam-se contributos das associações sindicais e patronais interessadas, para além de
outras entidades.
A ponderação das sugestões apresentadas conduziu à reformulação de diversos preceitos do
projecto posto á discussão pública.
Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira
e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Assim:
No uso da autorização legislativa concedida pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 14/89, de 30 de
junho, e nos termos das alíneas a) e b) do nº1 do artigo 201º da Constituição, o governo decreta o
seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais

Artigo. 1º
Jogos de fortuna ou azar

Jogos de fortuna ou azar são aqueles cujo resultado é contigente por assentar exclusiva ou
fundamentalmente na sorte.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo. 2º
Tutela

A tutela dos jogos de fortuna ou azar compete ao membro do Governo responsável pelo sector
do turismo.

Artigo. 3º 1
Zonas de jogo

1- A exploração e a prática dos jogos de fortuna ou azar só são permitidas nos casinos
existentes em zonas de jogo permanente ou temporário criadas por Decreto-Lei ou, fora daqueles, nos
casos excepcionais nos artigos 6º a 8º.
2- Para efeitos de exploração e prática de jogos de fortuna ou azar, haverá zonas de jogo nos
Açores, no Algarve, em Espinho, no Estoril, na Figueira da Foz, no Funchal, em Porto Santo, na
Póvoa de Varzim, em Tróia e em Vidago-Pedras Salgadas.
3- A distância mínima de protecção concorrencial entre casinos de zonas de jogo será
estabelecida, caso a caso, no decreto regulamentar que determinar as condições de adjudicação de
cada concessão.
4- Mediante autorização do membro do Governo da tutela, ouvida a Inspecção-Geral de jogos,
poderão as concessionárias das zonas de jogo optar pela exploração do jogo do bingo em salas com os
requisitos regulamentares, em regime igual ao dos casinos, mas, desde que, sejam situadas na área do
município em que estes se achem localizados.

Artigo. 4º
Tipos de jogos de fortuna e azar

1- Nos casinos é autorizada a exploração, nomeadamente, dos seguintes tipos de jogos de


fortuna ou azar:
a) Jogos bancados em bancas simples ou duplas: bacará ponto e banca, banca francesa, boule, cussec,
écarté bancado, roleta francesa e roleta americana com um zero;
b) Jogos bancados em bancas simples: blak jack/21, chukluck e trinta e quarenta;
c) Jogos bancados em bancas duplas: bacará de banca limitada e craps;
d) Jogo bancado: Keno;
e) Jogos não bancados: bacará, chemim de fer, bacará de banca aberta, écarté e bingo;
f) Jogos em máquinas pagando directamente prémios em fichas ou moedas;
g) Jogos em máquinas que, não pagando directamente prémios em fichas ou moedas,
desenvolvam temas próprios dos jogos de fortuna ou azar ou apresentem como resultado pontuações
dependentes exclusiva ou fundamentalmente da sorte.
2- É permitido às concessionárias adoptar indiferentemente bancas simples ou duplas para a
prática de qualquer dos jogos bancados referidos na alínea a) do n.º 1 deste artigo.
3- Compete ao membro do Governo da tutela autorizar a exploração de novos tipos de jogos de
fortuna ou azar, a requerimento das concessionárias e após parecer da Inspecção-Geral de Jogos.
2Artigo. 5º.
Regras dos Jogos

As regras de execução para a prática dos jogos de fortuna ou azar serão aprovadas por portaria
do membro do Governo da tutela; mediante proposta da Inspecção-Geral de Jogos, ouvidas as
concessionárias.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19 de Janeiro


2 Aprovado pela Portaria nº 894/02, de 29JUL

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Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo. 6º.( 1)
Exploração de jogos em percurso turísticos e aeroportos

1- ( 2)O membro do Governo responsável pela área do turismo poderá autorizar, por tempo
determinado, ouvidas a Inspecção-Geral de Jogos e a Direcção-Geral do Turismo, a exploração e
prática de quaisquer jogos de fortuna ou azar a bordo de aeronaves ou navios registados em Portugal,
quando fora do território nacional.
2- ( 3)A exploração a que se refere o número anterior só pode ser concedida às empresas
proprietárias ou afretadoras dos navios ou aeronaves nacionais ou a empresas concessionárias das
zonas de jogo, com autorização daquelas.

3- A exploração e a prática dos jogos de fortuna ou azar que sejam autorizadas nos termos do
presente artigo obedecem às regras estabelecidas para a sua realização em casinos, fixando o membro
do Governo da tutela por portaria as condições específicas a que devem obedecer.

Artigo. 7º
Exploração fora dos casinos de jogos não bancados e de máquinas de jogo

1- Por ocasião de manifestações de relevante interesse turístico, ouvidas a Inspecção-Geral de


Jogos a Direcção-Geral de Turismo, pode o membro do Governo da tutela autorizar a exploração e a
prática fora dos casinos de jogos não bancados.
2- Em localidades em que a actividade turística for predominante pode o membro do Governo
da tutela, ouvidas a Inspecção-Geral de Jogos e a Direcção-Geral de turismo, autorizar a exploração e
a prática do jogo em máquinas de fortuna ou azar em estabelecimentos hoteleiros ou complementares,
com características e dimensão que forem fixadas opor decreto regulamentar.
3- As autorizações referidas nos números anteriores só podem ser concedidas à concessionária
da zona de jogo cujo casino, em linha recta, se situar mais perto do local onde tiver lugar a
exploração, independentemente do estabelecido no n.º 3 do artigo 3º.
4- A exploração e a prática dos jogos nas condições indicadas nos números anteriores
obedecem às regras estabelecidas para a sua realização em casinos, fixando-se em portaria as
condições específicas a que devem obedecer.

Artigo. 8º
Jogo do bingo

Fora das áreas dos municípios em que se localizem os casinos e dos que estes confinem, a
exploração e a prática do jogo do bingo podem também efectuar-se em salas próprias, nos termos da
legislação especial aplicável.

CAPÍTULO II
Das concessões

Artigo. 9º
Regime de concessão

O direito de explorar jogos de fortuna ou azar é reservado ao Estado e só pode ser exercido por
empresas constituídas sob a forma de sociedades anónimas a quem o Governo adjudicar a respectiva
concessão mediante contrato administrativo, salvo os casos previstos no nº2 do artigo 6º.

1 Redacção dada pelo DL 10/95, de 19JAN.


2 Redacção dada pelo DL 10/95, de 19JAN.
3 Redacção dada pelo DL 10/95, de 19JAN.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 10.º
Concurso público

1 - A concessão da exploração de jogos de fortuna ou azar nos casinos das zonas de jogo é
feita por concurso público, nos termos dos artigos seguintes.
2 - Poderá o Governo, em casos especiais devidamente justificados, adjudicar a concessão
independentemente de concurso público, estabelecendo em decreto-lei as obrigações da
concessionária.
Artigo 11.º
Abertura de concurso

A abertura de concurso é feita por decreto regulamentar, do qual devem, constar, designadamente:
a) Requisitos específicos que os eventuais concorrentes devam satisfazer;
b) Indicação da localização do casino onde se exercerá a actividade do jogo e
acervo dos bens afectos à concessão;
c) Conteúdo mínimo do contrato de concessão a celebrar;
d) Duração da concessão;
e) Montante da caução de seriedade a prestar pelos concorrentes;
f) Tramitação processual do concurso;
g) Critérios da escolha das propostas.

Artigo 12.º
Adjudicação das concessões

1 - A adjudicação provisória das concessões da exploração de jogos de fortuna ou azar nos


casinos é feita mediante resolução do Conselho de Ministros.
2 - A adjudicação definitiva é feita pela outorga do contrato de concessão.
3 - O contrato de concessão tem como formalidade essencial a escritura pública, a lavrar
perante o inspector-geral de Jogos, que actuará como notário, nela outorgando o membro do Governo
da tutela, em representação do Estado.
4 - O contrato de concessão será publicado no Diário da República.

Artigo 13.º
Prorrogação do prazo

Tendo em conta o interesse público, o prazo de concessão pode ser prorrogado por iniciativa do
Governo ou a pedido fundamentado das concessionárias que tenham cumprido as suas obrigações,
estabelecendo-se as condições da prorrogação em decreto-lei.
Artigo 14.º
Alteração de circunstâncias

1 - Quando alguma das obrigações contratuais das concessionárias não possa ser cumprida ou
seja aconselhável para o desenvolvimento turístico a execução de realizações não previstas, pode o
membro do Governo da tutela impor ou admitir a respectiva substituição ou alteração, em termos de
equivalência de valor.

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2 - As alterações dos contratos de concessão, nos termos do número anterior, quando impostas
pelo membro do Governo da tutela, não podem agravar nem reduzir os valores das obrigações
inicialmente assumidas pelas concessionárias e, quando pedidas por estas, não podem reduzi-los.

Artigo 15.º 1
Cessão da posição contratual

1 - A transferência para terceiros da exploração do jogo e das demais actividades que


constituem obrigações contratuais pode ser permitida mediante autorização:
a) Do Conselho de Ministros, quanto à exploração do jogo;
b) Do membro do Governo da tutela, quanto às demais actividades que constituem
obrigações contratuais.
2 – A cessão de posição contratual sem observância do disposto no número anterior é nula.

Artigo 16.º (1)


Obrigações de índole turística

1 – Sem prejuízo de outras obrigações constantes do presente diploma, de legislação


complementar e dos respectivos contratos de concessão, as concessionárias obrigam-se a:
a) Fazer funcionar normalmente todas as dependências dos casinos e anexos para os fins a que
se destinam ou sejam autorizados;
b) Fazer executar regularmente no casino, nas dependências para tal destinadas, programas
de animação de bom nível artístico;
c) Promover e organizar manifestações turísticas, culturais e desportivas, colaborar nas
iniciativas oficiais de idêntica natureza que tiverem por objecto fomentar o turismo na
respectiva zona de jogo e subsidiar ou realizar, ouvido, através da Inspecção-Geral de
Jogos, o ICEP – Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, a promoção da zona de
jogo no estrangeiro.
2 – Para cumprimento das obrigações previstas nas alíneas b) e c) do número anterior, a
concessionária deverá afectar uma verba não inferior a 3% das receitas brutas do jogo apuradas no
ano anterior ou, no primeiro ano das concessões, no ano em causa, não podendo a verba afecta ao
cumprimento das obrigações previstas em cada uma daquelas alíneas ser inferior a 1% de tais
receitas.
Artigo 17.º (1)
Capitais próprios

1 – Os capitais próprios das sociedades concessionárias não poderão ser inferiores a 30% do
activo total líquido, devendo elevar-se a 40% deste a partir do sexto ano posterior à celebração do
contrato de concessão, sem prejuízo de o respectivo capital social mínimo ser fixado, para cada uma
delas, no decreto regulamentar a que se refere o artigo 11.º
2 – Pelo menos, 60% do capital social serão sempre representados por acções nominativas ou
ao portador, em regime de registo, sendo obrigatória a comunicação à Inspecção-Geral de Jogos pelas
empresas concessionárias de todas as transferências da propriedade ou usufruto destas no prazo de 30
dias após o registo no livro próprio da sociedade ou de formalidade equivalente.

1 nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19 JAN

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

3 – A aquisição, a qualquer título, da propriedade ou posse de acções que representem mais


de 10% do capital ou de que resulte, directa ou indirectamente, alteração do domínio das
concessionárias por outrem, pessoa singular ou colectiva, carece de autorização do membro do
Governo responsável pela área do turismo, sob pena de os respectivos adquirentes não poderem
exercer os respectivos direitos sociais.
4 – Se o adquirente das acções for pessoa colectiva, poderá a autorização condicionar a
transmissão à sujeição da entidade adquirente ao regime do presente artigo.
5 – O decreto regulamentar a que se refere o artigo 11.º poderá impedir ou limitar a
participação, directa ou indirecta, no capital social de uma concessionária por parte de outra
concessionária ou concessionárias, sendo nulas as aquisições que violem o disposto naquele diploma.
Artigo 18.º
Utilidade pública e utilidade turística

1 - A celebração do contrato de concessão confere utilidade pública aos empreendimentos


nele previstos para efeitos de expropriação com carácter de urgência de todos os bens necessários à
sua execução, incluindo os direitos a eles inerentes.
2 - Respeitadas que sejam as formalidades exigidas pela lei geral sobre expropriações por
utilidade pública, o Governo poderá autorizar, a solicitação da concessionária, a posse administrativa
dos bens a expropriar.
3 - Os empreendimentos turísticos previstos nos contratos de concessão podem beneficiar dos
incentivos previstos na lei geral, nos respectivos termos, nomeadamente do instituto de utilidade
turística.

CAPÍTULO III
Dos bens afectos às concessões

Artigo 19.º
Bens de Estado

1 - A adjudicação definitiva implica a transferência temporária para a concessionária da


fruição de todos os bens propriedade do Estado afectos à concessão.
2 - As concessionárias devem assegurar a perfeita conservação ou substituição dos bens do
Estado afectos à concessão, conforme instruções da Inspecção-Geral de Jogos.

Artigo 20.º
Auto de entrega

A transferência referida no artigo anterior constará de auto de entrega, feito em quadruplicado,


compreendendo a relação de todos os bens do Estado abrangidos, assinado por representantes da
Direcção-Geral do Património do Estado, da Inspecção-Geral de Jogos e da concessionária.

Artigo 21.º
Inventário dos bens afectos às concessões

1 - Todos os bens pertencentes ao Estado ou para ele reversíveis no termo da concessão


constarão de inventário, elaborado em quadruplicado, sendo um exemplar para a Direcção-Geral do
Património do Estado, dois para a Inspecção-Geral de Jogos e outro para a concessionária.

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2 - O inventário deve ser actualizado de dois em dois anos, promovendo-se, a partir do final
do ano em que haja de proceder-se à actualização e até ao fim do primeiro semestre do ano seguinte, a
elaboração dos mapas correspondentes às alterações verificadas.

Artigo 22.º
Substituição de bens móveis

1 - Os bens móveis propriedade do Estado ou para ele reversíveis afectos a uma concessão
que, mediante acordo da Inspecção-Geral de Jogos, sejam substituídos por outros para os mesmos
fins pela concessionária ficam a pertencer a esta.
2 - Os bens móveis propriedade do Estado ou para ele reversíveis que a Inspecção-Geral de
Jogos e a concessionária reconheçam não serem necessários são entregues à Direcção-Geral do
Património do Estado.

Artigo 23.º (1)


Bens reversíveis para o Estado

1 – São reversíveis para o Estado, no termo da concessão:


a) Os bens como tal considerados no contrato de concessão;
b) Os bens adquiridos pelas concessionárias no decurso das concessões e que sejam
utilizados para fazer funcionar, nos termos legal e contratualmente estabelecidos,
quaisquer dependências dos casinos e seus anexos, que sejam propriedade do Estado ou
para ele reversíveis;
c) As benfeitorias feitas em bens do Estado ou para ele reversíveis;
d) O material e utensílios de jogo.
2 – É nula a constituição de quaisquer ónus ou encargos sobre os bens reversíveis para o
Estado.
3 – No termo da concessão, ainda que em resultado da rescisão da mesma, todos os bens
referidos na alínea b) do n.º 1 revertem para o Estado, mesmo quando postos ao serviço normal da
exploração através de contratos de aluguer ou de quaisquer outros donde conste cláusula de reserva
de propriedade.
4 – Nos contratos a que se refere o número anterior deverá fazer-se menção de que os bens
locados ou cedidos, a qualquer outro título, à concessionária revertem para o Estado no termo da
concessão, sob pena de nulidade.
5 – A reversão para o Estado dos bens e as benfeitorias a que se refere a alínea c) do n.º 1 não
confere às concessionárias qualquer direito de indemnização.
6 – O material e utensílios de jogo, quando julgados pela Inspecção-Geral de Jogos
impróprios para utilização, serão postos fora de uso ou destruídos, salvo se exportados pela
concessionária, com observância do disposto no artigo 68.º
7 – O material e utensílios de jogo, se postos fora de uso, terão o destino previsto no n.º 2 do
artigo anterior, se destruídos, será elaborado o respectivo auto pela Inspecção-Geral de Jogos e
vendidos os materiais resultantes, revertendo o respectivo valor para o Fundo de Turismo.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 24.º
Benfeitorias

As benfeitorias que, a qualquer título, sejam feitas em bens do Estado ou para ele reversíveis não
conferem à concessionária direito a qualquer indemnização.

Artigo 25.º
Contrapartidas pelo uso de bens do Estado

1 - As concessionárias devem remunerar o Estado pela utilização de bens deste, nos termos do
respectivo contrato.
2 - Os valores pecuniários das remunerações referidas no número anterior serão actualizados
anualmente, de acordo com o índice médio de preços no consumidor para o continente, excluída a
habitação, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística.
3 - As remunerações relativas a bens do Estado, que passam a ter utilização diversa da
contratada, devem ser revistas por acordo entre o membro do Governo da tutela e a concessionária,
ouvida a Inspecção-Geral de Jogos.

Artigo 26.º
Pagamento das contrapartidas

1 - O pagamento das contrapartidas pecuniárias referidas no artigo anterior será efectuado pela
concessionária em prestações semestrais, até ao dia 15 dos meses de Janeiro e de Julho de cada ano,
na tesouraria da Fazenda Pública territorialmente competente, mediante guia emitida pela Inspecção-
Geral de Finanças e por esta enviada à respectiva repartição de finanças.
2 - No ano em que se iniciar a exploração apenas são exigíveis à concessionária os
duodécimos das contrapartidas pecuniárias contratualmente estabelecidas correspondentes aos meses
posteriores ao do início da exploração.
3 - Terminados os prazos para pagamento à boca do cofre, a repartição de finanças devolverá
à Inspecção-Geral de Finanças dois exemplares da guia por esta emitida, com a nota de pagamento
averbada, ou, no caso de incumprimento, com informação nesse sentido.
4 - Para execução são competentes os tribunais tributários, sendo título executivo certidão
extraída pela Inspecção-Geral de Finanças das guias não pagas nos prazos referidos no n.º 1.

CAPÍTULO IV
Dos casinos

SECÇÃO I
Disposições gerais

Artigo 27º
Casinos

1 – Os casinos são estabelecimentos do domínio privado do Estado ou para ele reversíveis,


pelo mesmo afectados à prática e exploração de jogos de fortuna ou azar e actividades
complementares, em regime de concessão, nas condições estabelecidas no presente diploma, e que
visam, fundamentalmente, assegurar a honestidade do jogo, a concentração e comodidade dos
jogadores e proporcionar uma oferta turística de alta qualidade.

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2 – A concessionária poderá instalar meios de animação nos casinos, nos termos legais.
3 – Sem prejuízo do disposto no n.º 1, o decreto regulamentar a que se refere o artigo 11.º, ao
determinar a abertura de concurso, poderá:
a) Autorizar a instalação de casinos em empreendimentos turísticos;
b) Determinar que os casinos que não sejam do domínio privado do Estado não venham a
reverter para este no termo da concessão.
4 – Os casinos devem satisfazer os requisitos de funcionalidade, conforto e comodidade
próprios de um estabelecimento turístico de categoria superior e serão dotados de mobiliário,
equipamento e utensilagem cuja qualidade e estado de funcionamento devem manter-se
continuamente adequados às exigências das explorações e serviços respectivos.
5 – A execução, nos casinos, de quaisquer obras que não sejam de simples conservação carece
de autorização, a conceder pela Inspecção-Geral de Jogos, ouvida a Comissão de Apreciação de
Projectos de Obras (CAPO).
6 – É vedada a utilização da palavra «casino», só ou em associação com outros vocábulos, na
denominação de quaisquer pessoas colectivas ou com nome de quaisquer outros estabelecimentos ou
edifícios que não sejam os referidos neste artigo.

Artigo 28.º
Períodos de funcionamento e de abertura
1 - Os casinos devem funcionar, normalmente, em todos os dias do ano ou em seis meses
consecutivos, consoante se trate de zona de jogo permanente ou temporário, podendo estes períodos
ser reduzidos até metade, mediante autorização do Governo.
2 - Sem prejuízo do disposto no presente diploma e demais legislação aplicável, podem as
concessionárias estabelecer o período de abertura ao público dos casinos e das actividades neles
integradas.
3 - A direcção do casino deverá comunicar ao serviço de inspecção, com três dias de
antecedência, qualquer alteração ao período de abertura que esteja a ser praticado.
Artigo 29.º
Reserva do direito de acesso aos casinos

1 – 1As concessionárias podem cobrar bilhetes de entrada nos casinos, cujo preço não deverá
exceder um montante máximo a fixar anualmente pela Inspecção-Geral de Jogos.
2- O acesso aos casinos é reservado, devendo as concessionárias não permitir a frequência de
indivíduos que, designadamente:
a)A partir das 22 horas, sejam menores de 14 anos, excepto quando maiores de 10 anos, desde que
acompanhados pelo respectivo encarregado de educação;
b)Não manifestem a intenção de utilizar ou consumir os serviços neles prestados;
c)Se recusem, sem causa legítima, a pagar os serviços utilizados ou consumidos;
d)Possam causar cenas de violência, distúrbios do ambiente ou causar estragos;
e)Possam incomodar os demais utentes do casino com o seu comportamento e apresentação;
Sejam acompanhados por animais, exerçam a venda ambulante ou prestem serviço.

3- Sempre que a Direcção do casino exerça o dever que lhe é imposto no número anterior,
deverá comunicar a sua decisão ao serviço de inspecção no casino, no prazo de vinte e quatro horas,
indicando os motivos que a justificam e as testemunhas que possam ser ouvidas sobre os factos,
pedindo a confirmação da medida adoptada.

1Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19 JAN

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 30.º 1
Utilização das instalações dos casinos

1 – Durante o horário de abertura dos casinos as concessionárias podem reservar o acesso a


certas dependências ou anexos daqueles ou dar-lhes utilização diferente da prevista, devendo, para o
efeito, solicitar autorização à Inspecção-Geral de Jogos, a qual só poderá recusá-la quando considerar
que a mesma afecta o regular funcionamento do estabelecimento e a comodidade dos frequentadores.
2 - Mediante comunicação ao serviço de inspecção, com antecedência de três dias, poderão as
concessionárias, fora do horário de abertura dos casinos, dar às respectivas dependências ou anexos
utilização diferente daquela para que estão destinados.
3 – As concessionárias podem afectar dependências dos casinos ou seus anexos a actividades
de carácter comercial ou industrial, devendo, para o efeito, solicitar autorização à Inspecção-Geral de
Jogos, a qual, ouvido o Conselho Consultivo de Jogos, só poderá recusá-la quando repute tais
actividades incompatíveis com a natureza turística e lúdica daqueles estabelecimentos.
4 – As autorizações a que se referem os n.os 1 e 3 consideram-se tacitamente concedidas
quando a Inspecção-Geral de Jogos não se pronunciar negativamente no prazo de 10 dias, no caso do
primeiro, e de 20 dias, no caso do último.
5 – As concessionárias só poderão ceder a terceiros as dependências a que se refere o n.º 3 a
título de mera ocupação com carácter precário.
6 – Da recusa da autorização a que se refere o n.º 3 cabe recurso para o membro do Governo
responsável pela área do turismo.
7 – Para manifestações de reconhecido interesse público pode a Inspecção-Geral de Jogos
requisitar a utilização de dependências ou anexos dos casinos, fora do seu horário de abertura,
mediante justa compensação dos inerentes encargos da concessionária.

Artigo 31.º
Suspensão do funcionamento

Quando circunstâncias excepcionais o justifiquem, o membro do Governo da tutela pode ordenar ou


autorizar a suspensão por período determinado do funcionamento das salas de jogo e de outras
dependências ou anexos dos casinos.

SECÇÃO II
Das salas de jogos

Artigo 32º.
Salas de jogos

1-Os jogos de fortuna e azar são explorados em salas especialmente concebidas para a
respectiva prática e actividade inerentes, devendo as salas de jogos tradicionais ser construídas por
forma que o que nelas se passe não possa ser visto do seu exterior.

2 – 2 A Inspecção-Geral de Jogos poderá autorizar:


a) A existência de salas reservadas a determinados jogos e jogadores;

1Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19 JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19 JAN

10 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

b) A instalação de salas mistas, com jogos tradicionais e máquinas, em termos a definir, no


tocante ao tipo de jogos a praticar e à relação entre o número de máquinas e de mesas de
jogo a instalar, em regulamento daquela Inspecção;
c) A instalação de máquinas nas salas de jogos tradicionais.

3- Noutros locais dos casinos que tenham acesso reservados a maiores 18 anos poderão ser
exploradas máquinas de jogos de fortuna ou de azar e o Keno.
4- Os compartimentos da zona de serviço das salas de jogos e respectivos acessos são interditos
aos frequentadores.
5- Nas salas, quando possível, devem ser delimitadas zonas reservadas a não fumadores.
6 – Da recusa da autorização a que se referem as alíneas b) e c) do n.º 2 cabe recurso para o
membro do Governo responsável pela área do turismo.

Artigo 33º.
Avisos

1 – À entrada das salas de jogos serão afixados os avisos a seguir indicados, em caracteres
legíveis:
a) Indicando o período de abertura ao público das referidas salas;
b) Inserindo a tabela de preços dos cartões de acesso às mesmas salas, no caso das salas de
jogos tradicionais e das salas mistas;
c) Transcrevendo as disposições dos artigos 36.º, 37.º, 39.º e 41.º do presente diploma.
2 – Junto ou sobre cada mesa de jogo será igualmente afixado aviso onde se indique o número
da mesa, o capital em giro inicial, o mínimo de aposta e o seu máximo, em cada uma das diferentes
marcações possíveis.

Artigo 34º
Livre acesso

1 - Sendo-lhes vedada a prática do jogo, directamente ou por interposta pessoa, é livre a


entrada nas salas de jogos:
a) Dos titulares dos órgãos de soberania, bem como dos ministros da República para as
regiões autónomas;
b) Dos titulares dos órgãos de Governo das regiões autónomas;
c) Do governador civil do distrito onde esteja situada a sala de jogo;
d) Dos presidentes da assembleia municipal e da câmara municipal do município em que se
localize a sala de jogo;
e) Dos membros dos corpos sociais das empresas concessionárias e da direcção do casino,
bem como dos convidados dos administradores das concessionárias, quando acompanhados
por estes.
2 - Quando no desempenho das suas funções, podem também entrar nas salas de jogos,
ficando-lhes vedado a prática do jogo, directamente ou por interposta pessoa:
a) Os magistrados do Ministério Público, as autoridades policiais e seus agentes, os
funcionários autorizados do Ministério dos Negócios Estrangeiros e dos serviços oficiais do
turismo, os inspectores da Inspecção de Crédito do Banco de Portugal e os agentes e
inspectores da Inspecção-Geral do Trabalho;

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 11


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

b) Os membros das direcções das associações representativas das empresas concessionárias


e dos empregados das salas de jogos e, nas salas de jogos do respectivo casino, os delegados
sindicais e membros das comissões de trabalhadores.
3 - O inspector-geral de Jogos e os inspectores da Inspecção-Geral de Jogos podem autorizar,
em circunstâncias especiais, o acesso às salas de jogos de pessoas às quais não esteja vedado, nos
termos dos artigos seguintes, sem observância das formalidades neles prescritas, não lhes sendo,
todavia, permitido jogar, directamente ou por interposta pessoa.
4 - Compete à Inspecção-Geral de Jogos autorizar o director do serviço de jogos a usar da
faculdade prevista no número precedente.

Artigo 35.º
Acesso às salas de jogos tradicionais
1 – O acesso às salas de jogos tradicionais e às salas a que se refere a alínea b) do n.º 2 do
artigo 32.º é sujeito à obtenção de cartão ou documento equivalente, devendo as concessionárias
cobrar um preço pela emissão daquele cartão, cujo valor, único para cada tipo de cartão, deve ser
comunicado à Inspecção-Geral de Jogos com oito dias de antecedência.
2 - As operações de emissão, autenticação, controlo e obliteração dos cartões referidos no n.º
1 e o seu processamento deverão ser feitos por processos automáticos.
3 - Quando a instalação, manutenção e programação do equipamento necessário às operações
referidas no número anterior não sejam contratualmente exigíveis às concessionárias, poderão as
despesas ser suportadas pelo orçamento da Inspecção-Geral de Jogos.
4 – Os frequentadores das salas a que se refere o n.º 1 conservarão em seu poder, enquanto
nelas se encontrarem, o cartão ou documento que exibiram para o acesso.
5 - No acto de emissão do cartão, e integrando o preço deste, as empresas concessionárias
cobrarão o imposto do selo devido e elaborarão o respectivo registo, que será conferido no dia
seguinte pelo serviço de inspecção.
6 - O imposto do selo cobrado em cada mês será entregue pelas concessionárias na tesouraria
da Fazenda Pública competente até ao dia 15 do mês seguinte ao da cobrança, mediante guia, em
triplicado, processada pela Inspecção-Geral de Jogos, à qual será remetido o triplicado, depois de
averbado o pagamento, nos três dias posteriores a esse pagamento.

Artigo 36º. 1
Restrições de acesso

1 – O acesso às salas de jogos de fortuna ou azar é reservado, devendo o director do serviço


de jogos ou a Inspecção-Geral de Jogos recusar a emissão de cartões de entrada ou o acesso aos
indivíduos cuja presença nessas salas considerem inconveniente, designadamente nos casos do n.º 2
do artigo 29.º
2 – Independentemente do disposto no número anterior, é vedada a entrada nas salas de jogos,
designadamente, aos indivíduos:
a)menores de 18 anos;
b)Incapazes, inabilitados e culpados de falência fraudulenta, desde que não tenham sido reabilitados;
c)Membros das forças armadas e das corporações paramilitares, de qualquer nacionalidade, quando se
apresentem fardados;
d) Empregados das concessionárias que prestam serviço em salas de jogos, quando não em
serviço;

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

12 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

e) Portadores de armas, engenhos ou matérias explosivas e de quaisquer aparelhos de


registo e transmissão de dados, de imagem ou de som.

Artigo 37.º 1
Expulsão das salas de jogos

1 - Todo aquele que for encontrado numa sala de jogos em infracção às disposições legais, ou
quando seja inconveniente a sua presença, será mandado retirar pelos inspectores da Inspecção-Geral
de Jogos ou pelo director do serviço de jogos, sendo a recusa de saída considerada crime de
desobediência qualificada, no caso de a ordem ser dada ou confirmada pelos referidos inspectores.
2 - Sempre que o director do serviço de jogos tenha de exercer o poder que lhe confere o n.º 1,
deve comunicar a sua decisão ao serviço de inspecção no prazo de 24 horas, indicando os motivos
que a justificam e as testemunhas que possam ser ouvidas sobre os factos, pedindo a confirmação da
medida adoptada.
3 – A expulsão das salas de jogos por força do disposto nos números anteriores implica a
proibição preventiva de acesso a essas salas, a decretar nos termos do artigo seguinte, e dá lugar:
a) A processo contra-ordenacional, nos termos dos artigos 144.º e seguintes, quando a
expulsão se funde na prática de contra-ordenação;
b) A processo criminal, quando a expulsão se funde na prática de um crime.

Artigo 38.º 2
Proibição de acesso

1 - Por sua iniciativa, ou a pedido justificado das concessionárias, ou ainda dos próprios
interessados, o inspector-geral de Jogos pode proibir o acesso às salas de jogos a quaisquer
indivíduos, nos termos do presente diploma, por períodos não superiores a cinco anos.
2 - Quando a proibição for meramente preventiva ou cautelar, não excederá dois anos e
fundamentar-se-à em indícios reputados suficientes de ser inconveniente a presença dos
frequentadores nas salas de jogos.
3 – Das decisões tomadas pelo inspector-geral de Jogos ao abrigo do disposto nos números
anteriores e nos artigos 36.º e 37.º cabe recurso para o membro do Governo responsável pela área do
turismo, nos termos da lei geral.

Artigo 39.º 3
Documentos de identificação

A prova dos elementos de identificação necessários à emissão de cartões de acesso às salas de jogos
tradicionais e às salas a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 32.º poderá ser feita por qualquer
dos documentos seguintes:
a) Em relação a residentes no território português, por:
i) Bilhete de identidade;
ii) Passaporte;
iii) Bilhete de identidade militar;
iv) Autorização de residência;
v) Carta de condução;
vi) Cartão diplomático;

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


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3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

b) Em relação a não residentes no território português, qualquer documento oficial de


identificação, passando pelas autoridades portuguesas ou do país onde residem, desde que
dele conste, para além do nome do titular, a idade, a fotografia, a assinatura e o país de
residência.

Artigo 40.º 1
Cartões de acesso às salas de jogos tradicionais e às salas mistas

1 – Os cartões de acesso às salas de jogos tradicionais são de modelos A e B.


2 – Os cartões de acesso às salas mistas são de modelo C, sem prejuízo de o acesso a tais salas
poder efectuar-se com os cartões de modelos A e B.
3 – O prazo de validade dos cartões modelo A é o correspondente ao período compreendido
entre a data da emissão e 31 de Dezembro do ano respectivo, sendo sempre referido a 3, 6, 9 ou 12
meses.

4 – O prazo de validade dos cartões modelo B é de 1, 8 ou 30 dias e a dos cartões de modelo


C é de 1 dia.
5 – Os cartões a que se referem os números anteriores podem incluir fotografia e assinatura do
respectivo titular.
6 – Salvo no caso de cartões válidos por um dia, poderão ser emitidas, uma única vez, 2. as
vias dos cartões modelos A e B, quando solicitadas com fundamento na inutilização ou perda dos
cartões.
7 – Os cartões a que se referem os números anteriores são de modelo e da cor que, sob
proposta da respectiva concessionária, forem determinados pela Inspecção-Geral de Jogos para cada
casino, devendo, quando necessário, ser autenticados pelo respectivo serviço de inspecção.
8 – A Inspecção-Geral de Jogos definirá as regras a que deve obedecer a constituição dos
ficheiros das salas de jogos tradicionais.

Artigo 41.º 2
Controlo do acesso às salas de jogos

1 – As concessionárias manterão, durante todo o tempo em que se mantiverem abertas as salas


de jogos tradicionais e as salas a que se refere a alínea b) da n.º 2 do artigo 32.º, um serviço,
devidamente apetrechado e dotado com pessoal competente, destinado à identificação dos indivíduos
que as pretendam frequentar e à fiscalização das respectivas entradas.
2 – Os porteiros das salas a que se refere o número anterior devem solicitar aos frequentadores
a apresentação do cartão de acesso, por forma bem visível, e ainda, quando os não conheçam e o
respectivo cartão não inclua a fotografia do titular, a exibição do documento que haja servido de base
à emissão.
3 – A entrada e permanência nas salas de máquinas e de bingo e nas salas de jogo do Keno é
condicionada à posse de um dos documentos de identificação previstos no artigo 39.º, devendo os
porteiros de tais salas solicitar a exibição do mesmo quando a aparência do frequentador for de molde
a suscitar dúvidas sobre o cumprimento do requisito constante da alínea a) do n.º 2 do artigo 36.º
4 – O acesso às salas de máquinas é ainda condicionado à observância da lotação máxima
fixada para essas salas pela Inspecção-Geral de Jogos, sob proposta da concessionária e ouvida a
CAPO.

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Artigo 42.º
Cartões de acesso às salas de máquinas

1 - O acesso às salas privativas de máquinas automáticas faz-se mediante a aquisição de


cartões modelos E e F.
2 - O prazo de validade dos cartões modelo E é o correspondente ao período compreendido
entre a data da emissão e 31 de Dezembro do respectivo ano, sendo sempre referido a 3, 6, 9 ou 12
meses.
3 - Os cartões modelo F são válidos para uma única entrada.

Artigo 43.º
Segundas vias

Poderão ser emitidas segundas vias dos cartões modelos A, B e E, quando solicitadas com
fundamento na sua inutilização ou perda.

Artigo 44.º
Cartões de acesso às salas de jogo do bingo

O acesso às salas de jogo do bingo faz-se mediante a aquisição de cartões modelos G e H, nos termos
de legislação própria.
Artigo 45.º
Cartões modelos A, B, C e D

Os cartões modelos A, B, C e D conferem aos seus titulares o direito de entrada nas salas privativas
de máquinas automáticas e de jogo do bingo do casino.

Artigo 46.º
Aprovação de modelos e ficheiros de frequentadores
1 - Os cartões referidos nos artigos anteriores são do modelo e da cor que forem determinados
pela Inspecção-Geral de Jogos para cada casino, devendo ser autenticados pelo serviço de inspecção,
quando necessário.
2 - A Inspecção-Geral de Jogos definirá as regras a que deve obedecer a constituição dos
ficheiros dos frequentadores das salas de jogos.

Artigo 47.º
Documentos de identificação

A prova dos elementos de identificação necessários à emissão de cartões de acesso às salas de jogos
de fortuna ou de azar poderá ser feita por qualquer dos documentos seguintes:
1) Em relação a cidadãos nacionais residentes em Portugal, por:
a) Bilhete de identidade;
b) Passaporte;
c) Bilhete de identidade militar;
2) Em relação aos estrangeiros ou apátridas residentes em Portugal, por:
a) Autorização de residência;
b) Certidão de nacionalidade;

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

c) Cartão diplomático;
d) Passaporte, quando dele conste a residência em Portugal;
e) Bilhete de identidade para estrangeiros;
3) Em relação a residentes no estrangeiro, bilhete de identidade de cidadão nacional ou
qualquer documento que seja suficiente para entrar em Portugal, passado pelas autoridades
portuguesas ou do país onde residem, do qual conste tal residência.

Artigo 48.º
Serviço de identificação
As empresas concessionárias manterão durante todo o tempo de abertura ao público dos casinos,
junto à entrada das salas onde se pratiquem jogos de fortuna ou de azar, serviço, devidamente
apetrechado e dotado com pessoal competente, destinado à identificação dos indivíduos que as
pretendam frequentar e à fiscalização das respectivas entradas.

Artigo 49.º
Apresentação de cartões de acesso

Os porteiros das salas de jogos devem sempre exigir aos frequentadores a apresentação do cartão de
acesso, por forma bem visível, solicitando-lhes também, quando os não conheçam, a exibição do
documento que haja servido de base à respectiva emissão.

Artigo 50.º 1
Período de abertura das salas de jogos

1 – As salas de jogos estão abertas ao público até doze horas por dia, num período
compreendido entre as 15 horas de cada dia e as 6 horas do dia seguinte, a definir pela
concessionária, a qual, para o efeito, deverá comunicar à Inspecção-Geral de Jogos o horário
escolhido com 60 dias de antecedência.
2 - A direcção do casino pode solicitar à Inspecção-Geral de Jogos, com antecedência mínima
de 15 dias, autorização para alargar o período de abertura máximo referido no n.º 1 quando no
decurso do período de alargamento se pretendam praticar apenas jogos não bancados.
3 – A Inspecção-Geral de Jogos, quando conceda a autorização prevista no número anterior,
determinará os serviços inerentes às salas de jogos que devem permanecer em funcionamento.

Artigo 51.º 2
Encerramento das salas de jogos

1 - As salas de jogos só poderão ser encerradas antes do horário que esteja em vigor, mediante
prévia comunicação ao serviço de inspecção, nos seguintes casos:
a) Quando não haja jogadores na sala;
b) Quando num período de 10 minutos nenhum dos jogadores presentes haja feito qualquer
aposta.
2 - Ao atingir-se a hora determinada para encerramento das salas de jogos, far-se-á ouvir um
sinal sonoro, após o qual só poderá ser anunciada mais uma única jogada.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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3 – Nas salas de máquinas, o sinal sonoro será feito ouvir cinco minutos antes da hora
determinada para o encerramento.
Artigo 52.º 1
Equipamento de vigilância e controlo

1 – Compete à Inspecção-Geral de Jogos autorizar a utilização de equipamentos electrónicos


de vigilância e controlo nas salas de jogos dos casinos, como medida de protecção e segurança de
pessoas e bens. 2
2 - Quando a instalação do equipamento referido no número anterior não seja contratualmente
exigível às concessionárias, será a mesma feita por conta do orçamento da Inspecção-Geral de Jogos.
3 – Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, não é permitido nas salas de jogos,
durante o período de abertura ao público destas, fazer uso dos instrumentos e aparelhos a que se
refere a alínea e) do n.º 2 do artigo 36.º
4 – As gravações de imagem ou som feitas através do equipamento de vigilância e controlo
previsto neste artigo destinam-se exclusivamente à fiscalização das salas de jogos, seus acessos e
instalações de apoio, sendo proibida a sua utilização para fins diferentes e obrigatória a sua destruição
pela concessionária no prazo de 30 dias, salvo quando, por conterem matéria em investigação ou
susceptível de o ser, se devam manter por mais tempo, circunstância em que serão imediatamente
entregues ao serviço de inspecção da Inspecção-Geral de Jogos, acompanhadas de relatório sucinto
sobre os factos que motivaram a retenção, só podendo ser utilizadas nos termos da legislação penal e
do processo penal. 3
5 – Sem prejuízo do disposto no número anterior, o serviço de inspecção pode visionar as
gravações de imagem ou de som efectuadas pela concessionária quando o entenda conveniente.
6 – As concessionárias devem criar um quadro de, pelo menos, três operadores obrigados ao sigilo
profissional previsto no artigo 81º e devidamente habilitados para proceder a todas as operações do
1
sistema, por forma a assegurar uma fiscalização eficaz e regular dos sectores vigiados.
7 - Nos locais que se encontrem sob vigilância é obrigatória a afixação, em local bem visível, de um
aviso com os seguintes dizeres: ‘Para sua protecção este local encontra-se sob vigilância de um
1
circuito fechado de televisão, procedendo-se à gravação de imagens e som.
8 - No tratamento e circulação dos dados recolhidos através dos sistemas de vigilância deve
1
ser respeitado o disposto na Lei Nº 67/1998, de 26 de Outubro
Artigo 53.º 4
Esquemas de abertura de jogos

1 – Antes da abertura das salas de jogos, a concessionária deve comunicar à Inspecção-Geral


de Jogos o número de bancas e de máquinas ou de grupos de máquinas a funcionar, bem como o
respectivo capital inicial, nos jogos em que ele deva existir, sempre que pretenda alterar aquele
número ou o valor desse capital.
2 – Não será liquidado imposto em relação às bancas ou máquinas abertas tempestivamente,
nos termos do número anterior, cujo capital em giro inicial não chegue a ser utilizado por falta de
jogadores até ao termo da partida.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Alterado pelo Artº. Único da Lei nº 28/04, de 16JUL
3 Alterado pelo Artº. Único da Lei nº 28/04, de 16JUL
4 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 54.º
Abertura suplementar de jogos

Sempre que os jogadores presentes nas salas de jogos não tenham condições de comodidade
indispensáveis à prática do jogo, o director do serviço de jogos deve providenciar para que sejam
abertas à exploração as necessárias salas, bancas e máquinas ou grupos de máquinas, dando imediato
conhecimento dessa abertura ao serviço de inspecção no casino.

Artigo 55.º
Imposição de abertura de jogos
1 - Verificando-se o condicionalismo referido no artigo anterior e no caso de o director do
serviço de jogos não promover a abertura conveniente, compete ao serviço de inspecção determiná-la
por escrito, o que deve fazer sempre que isso lhe pareça necessário.
2 - A determinação para a abertura à exploração de salas, bancas, máquinas ou grupos de
máquinas referirá o número considerado indispensável no momento para garantir a comodidade dos
jogadores.
3 – 1Consideram-se abrangidas pelo disposto no n.º 2 do artigo 53.º as bancas e máquinas que
os jogadores não utilizem até ao termo da partida.
Artigo 56.º
Reforços

1 - O capital em giro inicial estabelecido para a abertura das bancas poderá ser acrescido com
os reforços necessários ao seu funcionamento.
2 - Os reforços a que este artigo se refere, de valor igual ao do capital em giro inicial das
bancas a que se destinam, devem, antes de entrar em circulação, ser estendidos sobre a mesa e
contados pelo pagador, que anunciará, em voz alta, o valor respectivo.
3 - Cada banca terá uma caderneta de reforços, com o número que lhe corresponde, com
original e duplicado, onde serão lançados os reforços que nela se efectuem, devendo o duplicado ser
destacado do livro e ficar sobre a banca.
4 - A efectivação de reforços só é obrigatória se o valor das fichas existentes na banca for
insuficiente para pagamento integral das importâncias que os jogadores hajam ganho.
5 - As bancas cujo encerramento haja sido motivado por insuficiência de capital não poderão
voltar a funcionar no decurso da sessão, ainda que o director do serviço de jogos se proponha reforçá-
las.

Artigo 57.º
Composição das mesas de jogo

O capital em giro inicial de cada banca deve ser constituído por uma colecção de fichas de vários
valores, em quantidade tal que torne dispensável, tanto quanto possível, a realização de trocos com a
caixa vendedora durante o seu funcionamento.

Artigo 58.º 2
Máximos e mínimos de aposta

1 – As concessionárias fixam os valores mínimos e máximos das apostas.

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2 – Sem prejuízo do disposto no número anterior, os valores máximos das apostas nos jogos
bancados são fixados em função do capital em giro inicial, não podendo, porém, aqueles exceder,
relativamente a cada uma das marcações que seja possível efectuar, por cada jogador, importância da
qual resulte que o valor do prémio, acrescido do valor da aposta, exceda 5,5% do capital em giro,
inicial da respectiva banca.
3 – Nas salas a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 32.º, os valores mínimos e máximos
da aposta, relativamente a cada jogo praticado nessas salas, não poderão exceder metade dos
correspondentes valores mais baixos estabelecidos para o mesmo tipo de jogo, quando praticado nas
salas de jogos tradicionais.
4 – No jogo do black-jack/21 a duplicação da importância apostada, permitida quando os
valores das duas primeiras cartas totalizem 9, 10 ou 11, não é limitada pelo disposto na parte final do
n.º 1.
5 – A Inspecção-Geral de Jogos pode autorizar a exploração de jogos bancados cujas regras
prevejam, em substituição dos máximos de aposta individuais e por chance previstos no n.º 1, a
fixação do montante máximo de prémios a suportar pelo capital da banca em cada golpe.
6 – As concessionárias deverão comunicar à Inspecção-Geral de Jogos, com oito dias de
antecedência, os valores que vierem a estabelecer ao abrigo do disposto no n.º 1.

Artigo 59.º 1
Obrigatoriedade de utilização de dinheiro em espécie
1 – Os jogos só podem praticar-se com a utilização efectiva de moeda com curso legal no território
português.
2 - O dinheiro pode ser substituído por símbolos convencionais que o representem, de acordo
com as regras dos jogos, nomeadamente por fichas ou cartões.
3 - Às concessionárias compete, sob a autorização da Inspecção-Geral de Jogos, emitir e
lançar em circulação as fichas que se tornem necessárias para o funcionamento dos jogos, cabendo-
lhes garantir o respectivo reembolso.
Artigo 60.º
Empréstimos
1 - Nas salas de jogos ou em outras dependências ou anexos dos casinos é proibido fazer
empréstimos em dinheiro ou por qualquer outro meio.
2 - Não são consideradas empréstimos as importâncias reunidas por jogadores que, de acordo
com os usos, constituam um fundo comum destinado a ser posto em jogo por um deles.

Artigo 61.º 2
Caixa vendedora

1 – A troca do dinheiro por fichas deve efectuar-se em caixa a esse fim destinada – caixa
vendedora –, por intermédio de ficheiros volantes, dotados de um valor em fichas previamente fixado
pelo director do serviço de jogos e comunicado ao serviço de inspecção, ou nas mesas de jogo, com
observância, neste último caso, de regulamento a aprovar, para o efeito, pela Inspecção-Geral de
Jogos.
2 – Sempre que se torne necessário, os ficheiros volantes poderão efectuar na caixa vendedora
onde a sua dotação foi constituída a troca do dinheiro que tenham realizado.

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3 –É obrigatória a existência de conta corrente entre a caixa vendedora e os ficheiros volantes


que nela se tenham abastecido.
4 – Em todas as salas de jogos dos casinos podem ainda ser utilizados cartões bancários,
correndo por conta do jogador os encargos bancários efectivos da operação, bem como ordens de
pagamento nominativas (vouchers), em termos a afixar pela concessionária junto da caixa
compradora, que deverão ser comunicados à Inspecção-Geral de Jogos com a antecedência de oito
dias.
5 – Em todas as salas de jogos poderá também funcionar equipamento que permita a
movimentação por meios automáticos das contas bancárias dos jogadores.
Artigo 62.º 1
Troca de fichas por cheques
1 – As concessionárias podem manter nas salas de jogos um serviço destinado àtroca de fichas
por cheques, nominativos ou ao portador, sacados sobre contas de pessoas singulares para cujo
movimento seja bastante a assinatura do frequentador ou sacados por concessionária, devendo
efectuar no respectivo livro de registo, no acto, a correspondente inscrição.
2 –Os cheques trocados devem apresentar-se preenchidos e corresponder, cada um, a uma
única entrega de fichas de valor igual ao do cheque.
3 – Os cheques referidos nos números anteriores, cuja aceitação não é obrigatória, podem,
quando não sacados por concessionária, ser inutilizados na partida em que foram aceites, por forma a
não poderem ser de novo utilizados, devendo as concessionárias, no acto, efectuar no livro de registo
o correspondente averbamento.
4 - As concessionárias são obrigadas a apresentar em instituição bancária no prazo de oito dias
os cheques não inutilizados, devendo efectuar no respectivo livro de registo o correspondente
averbamento e arquivar os documentos bancários comprovativos do seu crédito em conta ou
pagamento.
5 - Se os cheques forem devolvidos por falta de provisão, anotar-se-á esse facto no livro de
registo, somente então se seguindo o uso pela concessionária dos meios legais para efectuar a
cobrança.
6 - Todas as operações de registo previstas nos números 1 a 5 deste artigo e no n.º 5 do artigo
anterior, bem como todos os documentos comprovativos, serão conferidos pelos inspectores do
serviço de inspecção no casino.

Artigo 63.º 2
Operações cambiais

1 – É permitida a instalação nos casinos de um serviço da concessionária destinado à


realização das operações cambiais a que aludem os n.os 1 e 3 do artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 13/90,
de 8 de Janeiro, quando as mesmas se destinem à liquidação da compra, por frequentadores, de fichas
para jogar.
2 – As concessionárias que pretendam fazer uso da faculdade prevista no número anterior
deverão comunicá-lo à Inspecção-Geral de Jogos com 10 dias de antecedência.

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Artigo 64.º
Caixa compradora
1 - Nas salas de jogos haverá uma caixa compradora de fichas, destinada à troca por dinheiro
das fichas na posse dos jogadores, das que hajam sido por estes dadas, a título de gratificação, aos
empregados das mesmas salas e daquelas que se destinarem à assistência.
2 - As concessionárias podem trocar por cheques seus as fichas na posse dos jogadores ou
com elas inutilizar cheques destes.
3 - A caixa compradora deve ter sempre em cofre, no início de cada sessão, a importância que
for determinada pela Inspecção-Geral de Jogos, ouvidas as concessionárias e tendo em conta o
movimento dos casinos.
4 - A Inspecção-Geral de Jogos pode autorizar que parte da importância referida no número
anterior se encontre em depósito bancário imediatamente mobilizável.
5 - Na caixa compradora poderá ainda funcionar o serviço destinado à realização de operações
cambiais a que alude o artigo anterior.
Artigo 65.º
Caixa única

A Inspecção-Geral de Jogos pode autorizar que as operações previstas para as caixas


compradora e vendedora sejam feitas numa única caixa quando as condições das salas de jogos o
permitam sem inconvenientes.
Artigo 66.º
Importâncias destinadas à assistência

1 - As importâncias ou fichas encontradas no chão, deixadas sobre as mesas ou abandonadas


no decurso da partida e cujo dono não seja possível determinar serão logo entregues ao director do
serviço de jogos, devendo os valores correspondentes ser entregues à misericórdia local, ou, na falta
desta, à mais próxima, até ao dia 15 de cada mês, em relação aos valores referentes ao mês anterior,
mediante depósito bancário.
2 - Igual destino será dado às importâncias das paradas em divergência quando, não sendo
possível identificar o verdadeiro dono, os litigantes não cheguem a acordo até ao momento de se
iniciar o golpe seguinte.
3 - O montante das paradas abandonadas é constituído pela importância da aposta inicial,
acrescida dos ganhos acumulados até ao momento em que, ao procurar individualizar-se o seu dono,
se conclua que, efectivamente, aquelas importâncias estão abandonadas.
4 – 1 Caso o legítimo proprietário de alguma das importâncias ou fichas a que alude o n.º 1 se
faça reconhecer e prove o seu direito até ao fim da partida, deverão as mesmas ser-lhe entregues.
5 - O disposto neste artigo é aplicável a situações idênticas que se verifiquem nas salas
privativas de máquinas e de jogo do bingo.
6 - Diariamente e em relação ao dia anterior, o director do serviço de jogos enviará ao serviço
de inspecção no casino mapa donde constem:
a) As importâncias encontradas no chão;
b) O valor das fichas abandonadas, com a indicação do respectivo local;
c) A importância das paradas que não foram pagas por divergência verificada entre os
jogadores, com a indicação da respectiva banca.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 21


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

CAPÍTULO V
Da prática dos jogos nos casinos

Artigo 67º
Utilização de material de jogo

1- Só é permitida a utilização de material e utensílios para a prática dos jogos de fortuna ou azar
nas salas de jogos e nas salas de treino autorizadas pela Inspecção-Geral de Jogos.
2- O material e utensílios referidos no número anterior devem estar sempre acondicionados por
for-ma a não poderem ser utilizados indevidamente.

Artigo 68.º 1
Material de jogo

O fabrico, a exportação, a importação, a venda e o transporte de material e utensílios


caracterizadamente destinados à exploração de jogos de fortuna ou azar carecem de autorização da
Inspecção-Geral de Jogos.
CAPÍTULO VI
Das pessoas afectas à exploração e à prática dos jogos em casinos

SECÇÃO I
Dos órgãos das concessionárias e das direcções dos casinos

Artigo 69.º
Constituição dos órgãos sociais

Os órgãos sociais das concessionárias e subconcessionárias devem ser maioritariamente constituídos


por pessoas de nacionalidade portuguesa, sem prejuízo do disposto em normas constantes de
convenções internacionais de que Portugal seja parte.

Artigo 70.º
Incapacidades

Não pode fazer parte dos corpos sociais das concessionárias, das direcções dos casinos ou exercer a
função de director do serviço de jogos quem tenha sido condenado por crime doloso com pena de
prisão superior a seis meses ou tenha violado o disposto nos artigos 60.º e 108.º a 115.º

Artigo 71.º
Representação da concessionária

1 - A administração da concessionária é, para todos os efeitos, a representante legal desta nas


suas relações com a Inspecção-Geral de Jogos ou com o serviço de inspecção, considerando-se as
notificações ou comunicações feitas a qualquer dos seus membros como feitas à própria
administração.
2 - Na ausência ou impedimento da administração, a direcção do casino assume, através de
qualquer dos seus membros e nos termos do número anterior, a representação legal da concessionária.
3 - A designação de director, acompanhada ou não de qualquer qualificativo, só pode ser
utilizada pelos membros da administração das concessionárias, da direcção do casino e pelo director
do serviço de jogos.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

22 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo 72.º
Direcção do casino

1 - Os casinos são geridos por uma direcção constituída por, pelo menos, dois dos
administradores da concessionária, um dos quais presidirá.
2 - Quando a mesma concessão compreenda a exploração de vários casinos, os
administradores da concessionária podem integrar as direcções de mais de um deles.
3 - As funções de membro da direcção do casino não podem ser delegadas ou mandatadas,
devendo ser desempenhadas pessoalmente, tendo-se como praticados por este órgão directivo os actos
praticados por qualquer dos seus membros.
Artigo 73.º 1
Competências da direcção do casino

À direcção do casino compete:


a) Manter em bom estado de conservação todos os bens afectos à exploração;
b) Notificar os empregados que prestem serviço nas salas de jogos dos regulamentos
emitidos pela Inspecção-Geral de Jogos ao abrigo do artigo 95.º, quando tais regulamentos,
directa ou indirectamente, lhes digam respeito;
c) Até final de cada mês, em relação ao mês seguinte, enviar ao serviço de inspecção no
casino o programa completo das manifestações, a que se refere a alínea c) do n.º 1 do artigo
16.º;
d) [Anterior alínea c)];
e) [Anterior alínea d)];
f) Participar à Inspecção-Geral de Jogos as infracções ao presente diploma e legislação
complementar cometidas, por empregados e frequentadores;
g) Prestar todos os esclarecimentos que lhe forem solicitados pelo serviço de inspecção.

Artigo 74.º 2
Adjuntos da direcção do casino

1 – As direcções dos casinos poderão designar como seus adjuntos, com competências
sectoriais determinadas, os empregados superiores das concessionárias que julguem necessários,
devendo comunicar à Inspecção-Geral de Jogos as designações que efectuarem com oito dias de
antecedência em relação à data do início das funções.
2 – Os adjuntos das direcções dos casinos não têm legitimidade para representar as
concessionárias nas relações destas com a Inspecção-Geral de Jogos, salvo o director do serviço de
jogos, ou um substituto deste, e na ausência dos membros da direcção.

Artigo 75.º 3
Director do serviço de jogos

1 - As salas de jogos são dirigidas por um membro da direcção do casino ou, precedendo
autorização do membro do Governo da tutela, por um adjunto da direcção, nomeado nos termos do
artigo anterior, para dirigir o serviço de jogos.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 23


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

2 - O director do serviço de jogos, quando não administrador da concessionária, não pode


desempenhar, cumulativamente, outras funções executivas nem funções cujo exercício incumba, nos
termos deste diploma, a qualquer categoria do pessoal dos quadros das salas de jogos, salvo em casos
de força maior.
3 - Às nomeações dos substitutos do director do serviço de jogos aplica-se o disposto no n.º 1.
4 – O director do serviço de jogos, ou um seu substituto, deve permanecer no casino durante o
período de funcionamento das salas de jogos e aquando das operações de contagem das receitas dos
jogos.
Artigo 76.º 1
Competências do director do serviço de jogos
1 - Compete ao director do serviço de jogos:
a) Dirigir e controlar as salas de jogos do casino, tomando as decisões relativas à marcha
das várias operações, de acordo com as normas técnicas dos jogos;
b) Assegurar o correcto funcionamento de todos os equipamentos de jogo, instalações e
serviços das salas de jogos;
c) Assegurar a exacta escrituração da contabilidade especial do jogo.
2 - Constituem obrigações do director do serviço de jogos, designadamente:
a) Informar, por escrito, o serviço de inspecção no casino sobre qualquer alteração à hora de
abertura das salas de jogos, nos termos previstos no n.º 1 do artigo 50.º;
b) Prestar aos funcionários do serviço de inspecção as informações e esclarecimentos que por
estes lhe sejam solicitados, facultando-lhes prontamente os livros e documentos da
contabilidade especial do jogo;
c) Velar pelo rigoroso cumprimento, por parte dos empregados das salas de jogos, dos
deveres que este diploma e legislação complementar lhes impõem;
d) Manter a disciplina nas salas de jogos e zelar pelo seu bom nível social e turístico;
e) Zelar pela disciplina e cumprimento dos condicionamentos legais impostos para o
funcionamento das salas de treino.
3 - É ainda obrigação do director do serviço de jogos remeter ao serviço de
inspecção no casino:
a) Diariamente, um mapa com indicação dos jogos bancados e máquinas que funcionaram
na véspera, dos respectivos números, do capital em giro inicial e dos reforços efectuados em
cada uma, dos lucros ou prejuízos verificados, do número de mesas dos jogos não bancados e
das respectivas receitas que hajam sido cobradas dos pontos, dos montantes das gratificações
destinadas ao pessoal e das importâncias entregues à assistência local;
b) Diariamente, uma relação nominativa dos indivíduos a quem tenham sido concedidos
cartões de acesso às salas de jogos, com indicação do número de ordem desses cartões;
c) Até ao segundo dia de cada mês, e em relação ao mês anterior, um mapa donde constem
os elementos indicados na alínea a) do n.º 3.

Artigo 77.º
Pessoal dos quadros das salas de jogos

1 - As profissões e categorias do pessoal dos quadros das salas de jogos, bem como os
respectivos conteúdos funcionais, são os constantes da regulamentação em vigor, sem prejuízo da
possibilidade da sua modificação ou adaptação, com respeito das disposições legais relativas à
aprovação da legislação laboral.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

24 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

2 - As modificações ou adaptações operadas, nos termos do número anterior, nas profissões,


categorias ou conteúdos funcionais serão acompanhadas da definição de equivalência com as
actualmente existentes, sempre que isso seja exigido para aplicação de regras ou métodos de
valoração.

3 – 1 As concessionárias devem dotar os quadros de pessoal das salas de jogos por forma a
assegurar o regular funcionamento de todos os serviços, nos termos legal e contratualmente definidos.
4 – 2Sempre que a Inspecção-Geral de Jogos considere que o disposto no número anterior não
está a ser cumprido, deverá notificar a respectiva concessionária para, no prazo de 15 dias, alterar o
quadro de pessoal, nos termos determinados por aquela inspecção, ou fazer prova de que o
funcionamento dos serviços está a ser efectuado nos termos legal e contratualmente definidos.
5 – A Inspecção-Geral de Jogos quando, após a diligência a que se refere o número anterior,
considere violado o disposto no n.º 3, fixará um prazo de 15 dias para que o quadro de pessoal seja
alterado, nos termos previstos no primeiro daqueles números.
6 – A nenhum empregado das empresas concessionárias, ainda que prestando serviço fora das
salas de jogos, poderá ser atribuída a designação de inspector ou subinspector, acompanhada ou não
de qualquer qualificativo.

Artigo 78.º
Condições de recrutamento e de acesso na carreira de empregado de banca

As condições de recrutamento e de acesso nos quadros de pessoal das salas de jogos são aprovadas
mediante decreto regulamentar.

Artigo 79.º
Gratificações

1 - Aos empregados dos quadros das salas de jogos é permitido aceitar as gratificações que,
espontaneamente, lhes sejam dadas pelos frequentadores.
2 - Logo após o recebimento, as gratificações são obrigatoriamente introduzidas em caixas de
modelo próprio, existentes nas salas de jogos, sendo proibida a sua percepção individual por qualquer
dos trabalhadores a que se refere o número anterior.
3 - As regras de distribuição da parte das gratificações destinadas aos empregados com direito
à sua percepção são fixadas por portaria do membro do Governo responsável pelo sector do turismo,
ouvidos os representantes dos trabalhadores.
4 - Nas regras de distribuição pode determinar-se que uma percentagem das gratificações, a
definir pelo Ministro do Emprego e da Segurança Social, não superior a 15%, reverta para o Fundo
Especial de Segurança Social dos Profissionais da Banca dos Casinos, ou para outros fundos a
constituir, ouvidos os representantes dos trabalhadores.
Artigo 80.º 3
Outros empregados que prestam serviço nas salas de jogos

1 – Sem que façam parte dos quadros das salas de jogos, a solicitação das concessionárias,
poderá a Inspecção-Geral de Jogos autorizar a admissão nas mesmas salas de outros empregados,
sejam ou não da concessionária, que ali assegurem a execução de tarefas necessárias.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 25


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

2 – A Inspecção-Geral de Jogos poderá revogar a autorização concedida ao abrigo do número


anterior quando se torne inconveniente a presença daquele pessoal nas referidas salas.

Artigo 81.º
Segredo profissional

Todos os empregados que prestam serviço nas salas de jogos devem guardar segredo de informações
que detenham por via do exercício das suas funções, excepto quanto a autoridades judiciais ou a
inspectores da Inspecção-Geral de Jogos, no exercício das respectivas competências, com a
observância dos limites impostos pela Constituição da República Portuguesa e pelo regime aplicável
ao contrato individual de trabalho.

Artigo 82.º
Deveres dos empregados que prestam serviço nas salas de jogos

Todos os empregados que prestam serviço nas salas de jogos são especialmente obrigados a:
a) 1 Cumprir e fazer cumprir, na parte que lhes respeita, as disposições legais e os
regulamentos emitidos pela Inspecção-Geral de Jogos relativos à exploração e à prática do
jogo e ao exercício da sua profissão que lhes forem notificados nos termos previstos na alínea
b) do artigo 73.º;
b) Exercer as suas funções com zelo, diligência e correcção, usando de urbanidade para com
os frequentadores, superiores hierárquicos, funcionários do serviço de inspecção e colegas;
c) 2Cuidar da sua boa apresentação pessoal e usar, quando em serviço, o trajo aprovado pela
concessionária, o qual, com excepção de um pequeno bolso exterior de peito, não poderá ter
quaisquer bolsos.

Artigo 83.º 3
Actividades proibidas aos empregados que prestam serviço nas salas de jogos

1 – A todos os empregados que prestam serviço nas salas de jogos é proibido:


a) Tomar parte no jogo, directamente ou por interposta pessoa;
b) Fazer empréstimos nas salas de jogos ou em outras dependências ou anexos dos casinos;
c) Ter em seu poder fichas de modelo em uso nos casinos para a prática de jogos e dinheiro
ou símbolos convencionais que o representem cuja proveniência ou utilização não possam
ser justificadas pelo normal funcionamento do jogo;
d) Ter participação, directa ou indirecta, nas receitas do jogo;
e) Solicitar gratificações ou manifestar o propósito de as obter.
2 – Para os efeitos do disposto na alínea d) do número anterior, não se considera participação
nas receitas do jogo a atribuição de retribuição variável em função das receitas brutas do jogo
apuradas pela respectiva entidade patronal.
3 – Além dos previstos no artigo 52.º, as concessionárias podem utilizar quaisquer outros
meios para fiscalizar o cumprimento do disposto no n.º 1.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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Legislação Policial DL 422/89 Jogos

CAPÍTULO VII
Do regime fiscal

Artigo 84.º
Imposto especial de jogo

1 - As empresas concessionárias ficam obrigadas ao pagamento de um imposto especial pelo


exercício da actividade do jogo, o qual será liquidado e cobrado nos termos das disposições seguintes.
2 - Não será exigível qualquer outra tributação, geral ou local, relativa ao exercício da
actividade referida no número anterior ou de quaisquer outras a que as empresas concessionárias
estejam obrigadas nos termos dos contratos de concessão e pelo período em que estes se mantenham
em vigor.
3 - Do imposto especial de jogo, 80% constituem receita do Fundo de Turismo, que, da
importância recebida, aplicará 25% do imposto por si arrecadado na área dos municípios em que se
localizem os casinos na realização de obras de interesse para o turismo, nos termos estabelecidos no
capítulo X.
4 - O exercício por parte das empresas concessionárias de quaisquer actividades não
abrangidas pelos n.os 1 e 2 fica sujeito ao regime tributário geral.

Artigo 85.º
Jogos bancados

O imposto sobre os jogos bancados será liquidado em função de duas parcelas, respectivamente:

1) A primeira constará de uma percentagem sobre o capital em giro inicial, fixada da seguinte
forma:
a) Bancas simples:
Estoril - 0,75%; Funchal, Algarve, Tróia, Vidago-Pedras Salgadas e Porto Santo - 0,1% no
1.º quinquénio, 0,15% no 2.º quinquénio, 0,2% no 3.º quinquénio, 0,25% nos 4.º e 5.º
quinquénios e 0,55% nos demais quinquénios; Restantes zonas - 0,55%;
b) Bancas duplas:
Estoril - 1,2%; Funchal, Algarve, Tróia, Vidago-Pedras Salgadas e Porto Santo - 0,15% no
1.º quinquénio, 0,25% no 2.º quinquénio, 0,3% no 3.º quinquénio, 0,35% nos 4.º e 5.º
quinquénios e 0,9% nos demais quinquénios; Restantes zonas - 0,9%;
2) A segunda parcela constará de uma percentagem sobre os lucros brutos das bancas, fixada
da seguinte forma, qualquer que seja o modelo das bancas:
Funchal, Algarve, Tróia, Vidago-Pedras Salgadas e Porto Santo - 10% no 1.º quinquénio,
12,5% no 2.º quinquénio, 15% no 3.º quinquénio e 20% nos demais quinquénios; Restantes zonas -
20%;
3) Ao jogo do Keno é aplicável o regime tributário fixado para o jogo do bingo;
4) Independentemente do capital em giro inicial necessário à normal exploração dos jogos a
que alude o n.º 4 do artigo 58.º, a Inspecção-Geral de Jogos fixa anualmente, de harmonia com as
respectivas características e as circunstâncias que se verifiquem nas explorações, o montante do
referido capital a considerar para efeitos tributários, sendo aplicáveis as bases estabelecidas para os
jogos bancados praticados em bancas simples.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 27


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 86.º
Jogos não bancados

1 - Sobre os jogos não bancados o imposto é constituído por uma percentagem incidente sobre
a receita cobrada dos pontos, fixada da seguinte forma:
Funchal, Algarve, Tróia, Vidago-Pedras Salgadas e Porto Santo - 5%, 6% e 7,5% sobre a
receita cobrada dos pontos, respectivamente, para o 1.º, 2.º e 3.º quinquénios, 10% nos 4.º e 5.º
quinquénios e 20% nos demais quinquénios; Restantes zonas - 20%.
2 - Sobre as receitas do jogo do bingo incidem as seguintes percentagens:
Importâncias até 150 000 contos anuais - as percentagens indicadas no n.º 1; Importâncias
entre 150 000 contos e 250 000 contos anuais - o dobro das percentagens indicadas no n.º 1;
Importâncias superiores a 250 000 contos anuais - o triplo das percentagens indicadas no n.º 1.
3 - As importâncias referidas no número anterior encontram-se expressas em escudos com
poder aquisitivo referido ao ano de 1988 e serão actualizadas, com efeitos a partir de 1 de Março de
cada ano, tendo em conta o índice médio de preços no consumidor no continente, excluindo a
habitação, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, arredondando-se para a dezena de contos
imediatamente inferior.
Artigo 87.º
Bases do imposto

1 - As percentagens previstas nos artigos anteriores para cálculo do imposto a pagar pelas
concessionárias incidem sobre as importâncias obtidas pela seguinte forma:
A) Jogos bancados:
a) Quanto ao capital em giro inicial, o utilizado no mês anterior, constante dos respectivos
registos;
b) Quanto ao lucro bruto das bancas, pela aplicação das seguintes percentagens sobre o
capital em giro inicial a que se refere a alínea a):
Bancas simples:
Algarve - 10%;
Espinho - 21%;
Estoril - 21%;
Figueira da Foz - 21%;
Funchal - 3%;
Tróia - 1%;
Vidago-Pedras Salgadas - 1%;
Porto Santo - 1%;
Póvoa de Varzim - 21%;
Bancas duplas:
Algarve - 15%;
Espinho - 35%;
Estoril - 35%;
Figueira da Foz - 35%;
Funchal - 4,5%;
Tróia - 2,5%;
Vidago-Pedras Salgadas - 2,5%;
Porto Santo - 2,5%;
Póvoa de Varzim - 35%;
B) Jogos não bancados - quanto ao apuramento da receita cobrada dos pontos, proceder-se-
á pela forma seguinte:

28 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Em cada mesa de jogo o produto da percentagem que constitui receita da empresa


concessionária é obrigatoriamente anunciado em voz alta pelo pagador e só será lançado na
caixa nela existente para esse fim depois de destacado de cadernetas fornecidas pela
Inspecção-Geral de Jogos e inutilizados bilhetes que perfaçam importância igual à anunciada;
Diariamente, por sessão e em relação a cada mesa de jogo, serão registados em livro próprio,
por espécies, o número das cadernetas, a quantidade dos bilhetes inutilizados e a totalidade
das importâncias correspondentes;
O somatório das importâncias apuradas pela forma indicada em cada mesa de jogo é o
lucro dos jogos não bancados e deve corresponder à totalidade das importâncias lançadas nas
caixas respectivas;
Sempre que o julgue conveniente, o serviço de inspecção no casino poderá determinar que a
abertura das aludidas caixas e a contagem das importâncias nelas contidas só se façam na sua
presença,
C) Máquinas automáticas - as máquinas automáticas ficam sujeitas ao regime dos jogos
bancados, com as seguintes especialidades:
a) São-lhes aplicadas as bases fixadas para os jogos praticados em bancas simples;
b) A Inspecção-Geral de Jogos fixa anualmente, de harmonia com as respectivas
características e as circunstâncias que se verifiquem nas explorações, o capital que deve
considerar-se, para efeitos tributários, como capital em giro inicial;
c) O capital a que se refere a alínea anterior é fixado em relação a cada máquina oferecida
à exploração ou, a solicitação da concessionária, por grupos de máquinas, sendo, nesta última
hipótese, o imposto devido em relação ao referido capital, ainda que não funcionem todas as
máquinas do grupo respectivo.
2 - Quando a Inspecção-Geral de Jogos o julgue necessário, o registo das quantias que
constituem receita da concessionária nos jogos não bancados será feito em máquinas de modelo a
aprovar pela Inspecção-Geral de Jogos, dispensando-se, neste caso, a utilização de cadernetas.

Artigo 88.º
Prazo de cobrança

O imposto especial de jogo é pago, em relação a cada mês, até ao dia 15 do mês seguinte na
tesouraria da Fazenda Pública do município respectivo, mediante guia emitida pela Inspecção-Geral
de Jogos, a enviar à repartição de finanças competente.

Artigo 89.º
Avença

1 - As concessionárias podem avençar-se para o pagamento do imposto especial de jogo.


2 - Requerido à Inspecção-Geral de Jogos, que informará o pedido, o regime de avença será
estabelecido, revisto quanto ao quantitativo ou prorrogado por novos períodos, compreendidos nos
limites estabelecidos no número seguinte, mediante despacho conjunto dos membros do Governo
com tutela na administração fiscal e no sector do turismo.
3 - A avença não poderá ser estabelecida por período inferior a 6 meses ou superior a 24,
quando se trate de zonas de jogo permanente, e inferior a seis meses ou superior a 12, quando se trate
de zonas de jogo temporário.
4 - A liquidação do imposto segundo o regime de avença, aceite pela concessionária, terá
início no mês seguinte àquele em que se verifique a aceitação.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 29


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 90.º
Fiscalização

É atribuída à Inspecção-Geral de Jogos a competência para fiscalizar o imposto especial de


jogo, as receitas proporcionadas pelos cartões e bilhetes de acesso, bem como pelas actividades a que
as empresas concessionárias estejam obrigadas nos termos dos contratos de concessão.

Artigo 91.º 1
Contencioso

À cobrança coerciva do imposto especial de jogo aplica-se o regime prescrito no Código de


Processo Tributário.
Artigo 92.º
Sisa e contribuição autárquica

Ficam isentas de sisa as aquisições dos prédios indispensáveis ao cumprimento das obrigações
contratuais assumidas pelas concessionárias, não sendo devida a contribuição autárquica pelos que
estejam afectos às concessões.

Artigo 93.º
Alvarás e licenças municipais

Não são devidas pelas concessionárias quaisquer taxas por alvarás e licenças municipais relativas às
obrigações contratuais.

Artigo 94.º
Informações
Deve a Inspecção-Geral de Jogos informar a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos ou as
câmaras municipais, consoante os casos:
a) De quais os prédios que, nos termos referidos no artigo 92.º, foram adquiridos ou
construídos e afectados ao cumprimento das obrigações contratuais;
b) De quais as actividades obrigatoriamente exercidas nos termos do contrato de concessão.

CAPÍTULO VIII
Da inspecção e das garantias

SECÇÃO I
Da inspecção

Artigo 95.º 2
Princípio geral

1 – A exploração e a prática de jogos de fortuna ou azar e a execução das obrigações das


concessionárias ficam sujeitas à inspecção tutelar do Estado, exercida pela Inspecção-Geral de Jogos
e pelas demais entidades a quem a lei atribua competência neste domínio.
2 – As normas relativas à exploração e prática do jogo são de interesse e ordem pública,
devendo a Inspecção-Geral de Jogos aprovar os regulamentos necessários à exploração e prática
daquele no respeito dessas normas.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

30 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

3 – A emissão dos regulamentos a que se refere o número anterior será precedida de consulta
às concessionárias, devendo a Inspecção-Geral de Jogos, para o efeito, enviar àquelas o texto integral
do projecto, fixando-se-lhes um prazo, não inferior a 10 dias, para se pronunciarem por escrito.
4 – Sem prejuízo das competências específicas atribuídas por lei a outras entidades e com
observância da legislação substantiva e processual aplicável, a competência inspectiva e fiscalizadora
da Inspecção-Geral de Jogos abrange a apreciação e o sancionamento das infracções administrativas
das concessionárias, das contra-ordenações praticadas pelos trabalhadores que prestam serviço nas
salas de jogos e pelos frequentadores destas, bem como a aplicação de medidas preventivas e
cautelares de inibição de acesso às salas de jogo, nos termos da lei geral, nomeadamente do presente
diploma.
5 – Compete ao membro do Governo responsável pela área do turismo, sob proposta da
Inspecção-Geral de Jogos, fixar o prazo de cumprimento das obrigações legais e contratuais das
concessionárias, quando aquele prazo não se encontre estabelecido na lei ou no contrato.

Artigo 96.º 1
Funções de inspecção

1 – As funções de inspecção da Inspecção-Geral de Jogos compreendem a fiscalização de:


a) O cumprimento das obrigações assumidas pelas concessionárias e, bem assim, das que a
lei impõe aos seus empregados e aos frequentadores das salas de jogos de fortuna ou azar;
b) O funcionamento das salas de jogo;
c) O material e utensílios destinados aos jogos;
d) A prática dos jogos;
e) A contabilidade especial do jogo e a escrita comercial das concessionárias
relativa às actividades afectas à concessão e em tudo o que for necessário,
nomeadamente para averiguar do cumprimento do disposto no n.º 2 do artigo 16.º
e no n.º 1 do artigo 17.º;
f) O cumprimento das obrigações tributárias.
2 – O exercício das competências previstas nas alíneas a) a d) do número anterior, quando
implique a presença de inspectores no interior das salas, deve efectuar-se, na medida do possível, de
forma discreta, sem prejuízo desnecessário do normal desenrolar do jogo e da comodidade dos
jogadores.
3 – As competências atribuídas pelo n.º 1 à Inspecção-Geral de Jogos, no que respeita à escrita
comercial das concessionárias, às obrigações tributárias destas e ao cumprimento do que a lei impõe
aos empregados das mesmas, serão exercidas sem prejuízo das competências da Direcção-Geral das
Contribuições e Impostos nesses domínios.
Artigo 97.º
Serviço de inspecção nos casinos

1 - O serviço de inspecção em cada casino será permanente e está a cargo de inspectores da


Inspecção-Geral de Jogos destacados para o efeito.
2 - O serviço referido no número anterior é dotado de instalações privativas dentro do próprio
casino.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 98.º 1
Consulta de documentos

1 - As concessionárias da exploração de zonas de jogo devem manter à disposição dos


inspectores da Inspecção-Geral de Jogos todos os livros e documentos da sua escrituração comercial e
facultar-lhes os demais elementos e informações relativos às obrigações contratuais que lhes sejam
solicitados.
2 – Na ausência ou impedimento de administradores e de directores dos casinos, os
inspectores da Inspecção-Geral de Jogos podem efectuar as diligências urgentes e necessárias para
obter, em tempo útil, os elementos referidos no número anterior.

Artigo 99.º 2
Livros e impressos
1 - Sem prejuízo do disposto na lei geral, as concessionárias são obrigadas a possuir e manter
escriturados em dia os livros e impressos da contabilidade especial do jogo, de modelos a aprovar
pela Inspecção-Geral de Jogos.
2 - Os livros, com folhas numeradas, terão termos de abertura e de encerramento, assinados
por inspectores da Inspecção-Geral de Jogos, e cada operação será neles registada no momento da
respectiva realização.
3 - Os impressos, depois de numerados, serão autenticados pelo serviço de inspecção.
4 – Os livros, impressos e demais suportes documentais previstos no presente diploma
poderão ser substituídos por registos informáticos, em termos a fixar pela Inspecção-Geral de Jogos,
ouvidas as concessionárias.
Artigo 100.º
Autos de notícia

Os autos de notícia levantados pelos inspectores da Inspecção-Geral de Jogos por infracções


previstas neste diploma e diplomas complementares têm o valor juridicamente atribuído aos autos
levantados por autoridade policial.

Artigo 101.º
Fiscalização de obras e melhoramentos em bens incluídos nas concessões

Sem prejuízo das competências específicas de outras entidades, o membro do Governo da


tutela poderá solicitar ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações a designação de
entidade que fiscalize as obras e melhoramentos efectuados pelas concessionárias em bens incluídos
nas concessões.
SECÇÃO II
Das garantias

Artigo 102.º
Caução

1 - Quando seja devida caução, deve a mesma ser prestada através de depósito, constituído na
Caixa Geral de Depósitos, de montante equivalente à obrigação a garantir, à ordem do inspector-geral
de Jogos.
2 - O depósito referido no número anterior pode ser substituído por garantias bancárias ou
seguros-caução, mobilizáveis em termos equivalentes.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


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32 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo 103.º 1
Utilização da caução

1 – Quando se verifique o incumprimento da obrigação garantida, o inspector-geral de Jogos


submeterá a decisão do membro do Governo responsável pela área do turismo uma proposta de
utilização da caução referida no artigo anterior.
2 – As cauções que as concessionárias venham a perder por força do disposto no número
anterior revertem para o Fundo de Turismo.

Artigo 104.º
Renovação, reforço e actualização de cauções

1 - As cauções que, por quaisquer causas, se tornem insuficientes devem ser reforçadas pela
entidade obrigada no prazo de 60 dias contados da data da notificação da Inspecção-Geral de Jogos
para o efeito.
2 - As cauções que respeitem a obrigações de execução parcelar ou por fases serão alteradas,
mediante iniciativa da Inspecção-Geral de Jogos, à medida que se verificar o cumprimento das
respectivas parcelas ou fases.
3 - Os valores das cauções serão actualizados anualmente, tomando em conta a evolução do
índice médio de preços no consumidor para o continente, excluindo a habitação, publicado pelo
Instituto Nacional de Estatística.

Artigo 105.º 2
Cauções a prestar

1 – As concessionárias prestarão as seguintes cauções:


a) De montante igual aos valores mensais prováveis do imposto especial sobre o jogo e da
participação nos encargos com o funcionamento da Inspecção-Geral de Jogos;
b) De montante igual a 50% do valor dos investimentos previstos, a título de contrapartida,
para cada ano da concessão;
c) No penúltimo ano do termo da concessão, de montante a fixar pelo Ministério das
Finanças, ouvida a Inspecção-Geral de Jogos, para garantir a entrega ao Estado, em perfeito estado
de conservação, dos edifícios e seus anexos propriedade deste ou para ele reversíveis e respectivo
mobiliário, equipamento e utensilagem.
2 - As cauções a que alude a alínea b) do n.º 1 serão prestadas até final do ano anterior àquele
a que respeitam, sendo a relativa ao primeiro ano da concessão apresentada no acto da assinatura do
contrato.
3 – Por despacho do Ministro das Finanças e do membro do Governo responsável pela área do
turismo, poderá, sob proposta da Inspecção-Geral de Jogos, ser exigida, a todo o tempo, a prestação
da caução a que se refere a alínea c) do n.º 1, por período nunca inferior a dois anos, sempre que o
estado de conservação dos bens do Estado, ou para este reversíveis no termo da concessão, não
satisfaça o imposto pela obrigação cominada nessa mesma alínea.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 106.º
Seguro dos bens

1 - As concessionárias devem segurar contra o risco de incêndio os edifícios e outros bens que
pertençam ao Estado ou que para este sejam reversíveis.
2 - O valor seguro não deve ser inferior ao mencionado no inventário próprio, destinado à
Direcção-Geral do Património do Estado, e será actualizado com as alterações decorrentes de
iniciativas das concessionárias, com o acordo da Inspecção-Geral de Jogos ou por esta determinadas.
3 - As indemnizações serão pagas pelas seguradoras à Inspecção-Geral de Jogos, que as
entregará às concessionárias à medida que os bens forem sendo substituídos.

Artigo 107.º
Títulos executivos

Os autos ou certidões da Inspecção-Geral de Jogos relativos à falta de cumprimento de obrigações


pecuniárias no âmbito deste diploma e dos contratos de concessão são títulos executivos e a sua
cobrança coerciva será feita pelos tribunais tributários.

CAPÍTULO IX
Ilícito e sanções

SECÇÃO I
Dos crimes

Artigo 108. º
Exploração ilícita de jogo

1- Quem, por qualquer forma, fizer a exploração de jogos de fortuna ou azar fora dos locais
legalmente autorizados será punido com prisão até 2 anos e multa até 200 dias.

2- Será punido com a pena prevista no número anterior quem for encarregado da direcção do
jogo, mesmo que não a exerça habitualmente, bem como os administradores, directores, gerentes,
empregados e agentes da entidade exploradora.

Artigo 109.º
Agravação de penas

As penas por exploração ilícita de jogo são agravadas de um terço quando no local sejam
encontradas pessoas menores de 18 anos.

Artigo 110.º
Prática ilícito de jogo

Quem for encontrado a praticar jogo de fortuna ou azar fora dos locais legalmente autorizados
será punido com prisão até 6 meses e multa até 50 dias.

Artigo 111º.
Presença em local de jogo ilícito

Quem for encontrado em local de jogo ilícito e por causa deste será punido com a pena prevista
no artigo anterior, reduzida a metade.

34 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo 112.º
Coacção à prática de jogo

Aquele que usar de sugestão, ameaça ou violência para constranger outrem a jogar ou para dele
obter meios para a prática do jogo, ou o ponha na impossibilidade de resistir, será punido com pena
correspondente ao crime de extorsão.

Artigo 113.º
Jogo fraudulento

1- Quem explorar ou praticar o jogo ou assegurar a sorte através de erro, engano ou utilização
de qualquer equipamento será punido com pena correspondente à do crime de burla agravada.
2- A viciação ou falsificação de fichas e a sua utilização serão punidas com pena
correspondente a do crime de moeda falsa.

Artigo 114.º
Usura para jogo

Quem, com intenção de alcançar um benefício patrimonial para si ou para outrem, faculte a
uma pessoa dinheiro ou qualquer outro meio para jogar será punido com pena correspondente à do
crime de usura.

Artigo 115.º
Material de jogo

Quem, sem autorização da Inspecção-Geral de Jogos, fabricar, publicitar, importar, transportar,


transaccionar, expuser ou divulgar material e utensílios que sejam caracterizadamente destinados à
prática dos jogos de fortuna ou azar será punido com prisão até 2 anos e multa até 200 dias.

Artigo 116.º
Apreensão de material de jogo

O material e utensílios de jogo serão apreendidos quando sejam cometidos crimes previstos
nesta secção e destruídos, a mandado do tribunal, pela autoridade apreensora, que lavrará o
competente auto de destruição.

Artigo 117.º
Apreensão de dinheiro ou valores

Todo o dinheiro e valores destinados ao jogo bem como os móveis do local em que sejam
cometidos os crimes previstos nesta secção, serão apreendidos e declarados pelo tribunal perdidos a
favor do Fundo de Turismo.

Artigo 118.º 1
Responsabilidade administrativa e contra-ordenacional

1 – O incumprimento pelas concessionárias, ainda que sem culpa, das obrigações legal e
contratualmente estabelecidas constitui infracção administrativa, punida com multa e rescisão do
contrato, nos termos dos artigos seguintes.
2 – O disposto no número anterior é aplicável às concessionárias quando as infracções sejam
cometidas por empregados ou agentes destas.
3 – As responsabilidades das concessionárias não prejudicam a responsabilidade penal ou
contra-ordenacional dos respectivos empregados ou agentes pelas infracções cometidas.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

4 – Pelo pagamento das multas são responsáveis as empresas concessionárias e,


subsidiariamente, quando aquelas relevem de factos ocorridos no período da respectiva gerência, os
administradores ou directores de tais sociedades, ainda que dissolvidas.
5 – Sem prejuízo do disposto no número anterior, não haverá lugar a responsabilidade dos
administradores ou directores quando estes provem que não lhes é imputável nem a infracção
cometida nem a insuficiência do património da sociedade para o pagamento da multa.
6 – As concessionárias são subsidiariamente responsáveis pelas coimas aplicadas aos
respectivos empregados nos termos dos artigos 138.º e seguintes.
7 – Quando a responsabilidade das concessionárias for imputada a título de negligência, os
valores mínimos e máximos das multas a aplicar serão reduzidos a dois terços dos valores
estabelecidos nos artigos 121.º e seguintes, não podendo, em caso algum, exceder o montante previsto
na alínea b) do n.º 3 do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 433/82, de 27 de Outubro, com a redacção que
lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 356/89, de 17 de Outubro.
8 – Quando a responsabilidade das concessionárias não se funde na culpa destas, os valores
mínimos e máximos das multas a aplicar serão reduzidos a metade dos valores estabelecidos nos
artigos 121.º e seguintes.

Artigo 119.º 1
Casos de rescisão ou de suspensão do funcionamento do casino

Constituem comportamentos susceptíveis de determinar a rescisão dos contratos de concessão ou o


encerramento dos casinos até seis meses, nomeadamente:
a) A sonegação de receitas dos jogos;
b) A inobservância do disposto no artigo 17.º quanto ao capital social e aos capitais
próprios em geral;
c) A não constituição ou integração dos depósitos ou garantias a que as concessionárias se
encontrem obrigadas;
d) O decurso de mais de 180 dias, nos casos previstos na alínea c) do artigo 122.º;
e) A cessão, abandono ou deficiente exploração do jogo ou de actividades essenciais que
constituam obrigações contratuais;
f) A violação reiterada da legislação do jogo;
g) A inexecução continuada das obrigações contratuais assumidas pela concessionária;
h) A constituição em mora da concessionária, por dívidas ao Estado, relativas a
contribuições ou impostos ou à segurança social.
Artigo 120.º
Rescisão dos contratos de concessão ou encerramento temporário dos casinos

1 - A rescisão dos contratos de concessão ou o encerramento temporário dos casinos são


decididos por resolução do Conselho de Ministros.
2 - Rescindidos os contratos, o Estado fica imediatamente investido na propriedade dos bens
reversíveis e na posse dos seus bens afectos à concessão, sem direito por parte da concessionária a
qualquer indemnização.
3 - Em casos de rescisão a resolução do Conselho de Ministros poderá determinar as
condições em que será prosseguida, a título transitório, a exploração da concessão.
4 - Em caso de suspensão do funcionamento do casino, mantêm-se todas as obrigações das
concessionárias, designadamente as decorrentes das relações laborais.

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Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo 121.º 1
Violação das regras relativas aos capitais próprios

Constitui infracção, punível com multa até 5 000 000$:


a) A violação do disposto no n.º 1 do artigo 17.º;
b) A permissão de exercício de direitos sociais por parte de accionistas que hajam adquirido
acções sem observância do disposto no n.º 3 do artigo 17.º
Artigo 122.º 2
Violação das obrigações de investimento

As concessionárias que violarem as obrigações de investimento, salvo casos de força maior,


ficam sujeitas:
a) Pela falta de apresentação, em devido prazo, dos estudos, esbocetos, anteprojectos e
projectos respeitantes a obras de construção ou de beneficiação previstas nos respectivos
contratos de concessão, a multa até 2 500 000$, por cada infracção;
b) Pela inexecução das obras referidas na alínea anterior nos prazos estabelecidos nos
contratos de concessão ou fixados pelo membro do Governo responsável pela área do
turismo, a multa até 5 000 000$;
c) Por cada dia em que forem excedidos os prazos referidos nas alíneas anteriores e até ao
limite de 180 dias, a multa até 50 000$, sem prejuízo da aplicação das multas previstas nessas alíneas.

Artigo 123.º 3
Entraves à fiscalização do Estado

As concessionárias que impedirem ou dificultarem a acção fiscalizadora do Estado ficam


sujeitas:
a) Pela inexistência ou inexactidão dos livros e impressos referidos no artigo 99.º, a multa até
5 000 000$;
b) Pela não exibição dos livros e impressos referidos na alínea anterior, aquando da
respectiva solicitação, a multa até 2 500 000$;
c) Pelo não cumprimento das formalidades previstas nos n.os 2 e 3 do artigo 99.º, a multa
até 500 000$.

Artigo 124.º 4
Violação das regras referentes à exploração dos jogos

1 – As concessionárias que viciem as regras dos jogos ou outras referentes à


exploração e à prática do jogo ficam sujeitas a multa até 5 000 000$.
2 – As concessionárias que violem o dever de confidencialidade previsto no n.º 4 do
artigo 52.º ficam sujeitas a multa até 2 500 000$.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 125.º 1
Responsabilidade por acessos irregulares

As entradas irregulares nas salas de jogos fazem incorrer a concessionária em multa até 250
000$, por cada entrada.

Artigo 126.º 2
Emissão irregular de cartões de acesso às salas de jogos tradicionais e às salas mistas

A emissão de cartões de acesso às salas de jogos tradicionais e às salas mistas a favor de quem
não satisfaça os requisitos legais faz incorrer a concessionária em multa até 250 000$, por cada
cartão.

Artigo 127.º 3
Empréstimos

A realização de empréstimos nos casinos ou seus anexos, quando praticados por membro dos
corpos sociais, empregados e agentes das concessionárias, faz incorrer estas em multa de valor
correspondente ao dobro da importância mutuada, com um mínimo de 500 000$.

Artigo 128.º 4
Aceitação de cheques e operações cambiais

As concessionárias que violem o disposto nos artigos 62.º e 63.º incorrem em multa até 2 500
000$, por cada infracção.
Artigo 129.º 5
Ausência do director do serviço de jogos

Durante o período de funcionamento das salas de jogos e aquando das operações de contagem
das receitas dos jogos, a ausência do casino do director do serviço de jogos, ou de um substituto,
quando em funções, sem motivo previamente comunicado ao serviço de inspecção faz incorrer a
concessionária em multa até 400 000$, por cada dia.

Artigo 130.º 6
Outras infracções

1 – Constitui infracção, punível com multa até 2 000 000$:


a) A violação do disposto no artigo 16.º;
b) A violação do disposto nos n.os 4 a 6 do artigo 27.º;
c) A realização das afectações previstas nos n.os 1 e 3 do artigo 30.º, quando as mesmas não
hajam sido autorizadas pela Inspecção-Geral de Jogos;
d) A exploração de jogos nos termos previstos no n.º 2 do artigo 32.º, quando não autorizada
pela Inspecção-Geral de Jogos;

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e) A violação do disposto no n.º 1 do artigo 50.º;


f) A violação do disposto nos n.os 1, 4 e 6 do artigo 52.º;
g) O incumprimento de obrigações estabelecidas no artigo 73.º;
h) A violação do disposto no n.º 3 do artigo 77.º, quando reconhecida nos termos
previstos no n.º 5 desse artigo.
2 – A violação pelas concessionárias de normas constantes do presente diploma que
não se encontrem sancionadas nos preceitos anteriores, dos regulamentos emitidos pela
Inspecção-Geral de Jogos, nos termos do n.º 2 do artigo 95.º, bem como a inobservância de
prazos fixados para o cumprimento de obrigações legais e contratuais, é passível de multa até
600 000$, por cada infracção.
Artigo 131.º
Destino das multas

Sobre as multas estabelecidas nesta secção não incidem quaisquer adicionais e o respectivo
produto reverte para o Fundo de Turismo.

Artigo 132.º 1
Fixação de novo prazo

1 – Sempre que as multas previstas nos artigos anteriores derivem da inobservância de


quaisquer prazos, o membro do Governo responsável pela área do turismo, após a aplicação daquelas,
fixará novo prazo, tendo em conta as circunstâncias de cada caso.

2 – O prazo da prorrogação prevista no número anterior não poderá exceder o


prazo originariamente estabelecido.
Artigo 133.º
Aplicação de multas e recursos

As multas são aplicadas pelo inspector-geral de Jogos, ouvido o ConselhoConsultivo de Jogos, com
recurso para o membro do Governo da tutela.

Artigo 134.º
Pagamento voluntário

As multas podem ser pagas voluntariamente no prazo de 30 dias a contar da data da respectiva
notificação ou, tendo havido recurso hierárquico, dentro dos 30 dias posteriores à notificação da
correspondente decisão, se esta não der provimento ao recurso.

Artigo 135.º
Cobrança coerciva das multas

Na falta de pagamento voluntário das multas, a cobrança coerciva compete aos tribunais tributários,
com base em certidão expedida pela Inspecção-Geral de Jogos.

Artigo 136.º
Utilização da caução

1 - Independentemente das multas previstas, o incumprimento de obrigações de execução


parcelar determina a utilização da caução, referida na alínea b) do n.º 1 do artigo 105.º, respeitante à
parte não realizada do investimento.

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Jogos DL 422/89 Legislação Policial

2 - Não estando assegurada por caução a realização total das obrigações abrangidas pelo
número anterior, as concessionárias ficam obrigadas à constituição de uma nova caução ou ao reforço
da anterior, até ao montante considerado necessário para efectivação dos empreendimentos.
Artigo 137.º
Prescrição

É de cinco anos o prazo de prescrição das infracções abrangidas por esta secção.

SECÇÃO III
Violação dos deveres dos empregados

Artigo 138.º 1
Incumprimento de normas relativas à exploração e prática do jogo

1 – Quem violar o disposto na alínea a) do artigo 82.º será punido com coima mínima de 30
000$ e máxima de 300 000$ e interdição do exercício da profissão até 120 dias.
2 – A negligência e a tentativa são puníveis.
Artigo 139.º 2
Violação de outros deveres

Quem violar o disposto nas alíneas b) e c) do artigo 82.º será punido com coima mínima de 10 000$ e
máxima de 100 000$ e interdição do exercício da profissão até 90 dias, no caso da alínea b), ou até 60
dias, no caso da alínea c).
Artigo 140.º 3
Participação no jogo ou nas receitas do jogo

1 – Quem violar o disposto nas alíneas a) e d) do artigo 83.º será punido com coima mínima de 50
000$ e máxima de 500 000$ e interdição do exercício da profissão até um ano.
2 – A tentativa é punível.
Artigo 141.º 4
Empréstimos

1 – Quem violar o disposto na alínea b) do artigo 83.º será punido com coima mínima de 50
000$ e máxima de 500 000$ e interdição do exercício da profissão até dois anos.
2 – A negligência e a tentativa são puníveis.
Artigo 142.º 5
Posse ilegal de valores e solicitação de gratificações

1 – Quem violar o disposto nas alíneas c) e e) do artigo 83.º será punido com coima mínima
de 10 000$ e máxima de 100 000$ e interdição do exercício da profissão até 180 dias.
2 – A negligência e a tentativa são puníveis.

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3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
4 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
5 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

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Artigo 143.º 1
Sanções

1 – Além da coima aplicável, a prática das contra-ordenações previstas nos artigos anteriores
pode implicar a interdição temporária do exercício da profissão, como sanção acessória.
2 – A aplicação da coima e a interdição temporária do exercício da profissão serão feitas pelo
inspector-geral de Jogos, ouvido o Conselho Consultivo de Jogos, competindo, aos inspectores da
Inspecção-Geral de Jogos instruir os respectivos processos.
3 – A decisão do inspector-geral de Jogos que aplica a coima é susceptível de impugnação
judicial.

Artigo 144.º 2
Violação das regras dos jogos

1 – Quem, na prática de uma modalidade de jogo, não observar as respectivas regras será
punido com coima mínima de 50 000$ e máxima de 500 000$ e proibição de entrada nas salas de
jogos até dois anos.
2 – A tentativa é punível.

Artigo 145.º 3
Violação da privacidade

1 – Quem, por qualquer forma, violar o disposto no n.º 3 do artigo 52.º será punido com coima
mínima de 20 000$ e máxima de 100 000$ e proibição de entrada nas salas de jogos até dois anos.
2 – A tentativa é punível.

Artigo 146.º 4
Irregularidades no acesso às salas de jogos

1 – Quem entrar nas salas de jogos tradicionais e nas salas mistas sem cartão, com cartão cuja
validade haja terminado, ou depois de determinada a proibição da sua entrada nas mesmas salas e
ainda quem, dentro daquelas salas, não o exibir, quando instado pelo inspector da Inspecção-Geral de
Jogos, será punido com coima mínima de 20 000$ e máxima de 200 000$ e proibição de entrada nas
salas de jogos até dois anos.
2 – Em igual coima incorrerá aquele que apresentar cartão que não lhe pertença, com vista a
obter acesso, bem como o titular do documento exibido, salvo, quanto a este, se provar não ter havido
da sua parte culpa ou dolo.
3 – Quem entrar nas salas de máquinas ou de jogo do bingo sem estar munido de um dos
documentos de identificação previstos no artigo 39.º será punido com coima mínima de 10 000$ e
máxima de 100 000$ e proibição de entrada nas salas de jogos até um ano.

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2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
3 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
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Artigo 147.º 1
Empréstimos

1 – Quem conceder empréstimos nos casinos e seus anexos será punido com coima mínima de
50 000$ e máxima de 500 000$, perda da quantia mutuada e interdição de acesso às salas de jogos até
dois anos.
2 – A tentativa e a negligência são puníveis.

Artigo 148.º 2
Actos perturbadores da partida

Quem praticar actos que perturbem o desenrolar normal da partida será punido com coima mínima de
50 000$ e máxima de 500 000$ e proibição de entrada nas salas de jogos até um ano.

Artigo 149.º 3
Sanções

1 – Além da coima aplicável, a prática de contra-ordenações previstas nos artigos anteriores


pode implicar a proibição de entrada nas salas de jogos de fortuna ou azar como sanção acessória.

2 – A aplicação da coima e a interdição de entrada nas salas de jogos serão feitas pelo
inspector-geral de Jogos, ouvido o Conselho Consultivo de Jogos, competindo aos inspectores da
Inspecção-Geral de Jogos instruir os respectivos processos.
3 – A decisão do inspector-geral de Jogos que aplica a coima é susceptível de impugnação
judicial.

Artigo 150.º 4
Destino das coimas

O produto das coimas previstas no presente diploma reverte para o Fundo de Turismo.

CAPÍTULO X
Planos de obras das zonas de jogo

Artigo 151.º
Comissão

1 - O estudo e elaboração dos planos de obras a que se refere o n.º 3 do artigo 84.º compete,
em cada uma das zonas de jogo, a uma comissão nomeada mediante portaria do membro do Governo
da tutela.
2 - Aos membros da comissão a que alude a número anterior poderá ser abonada, por cada
reunião realizada fora das horas normais de serviço, a importância que for determinada por despacho
conjunto do membro do Governo da tutela e do Ministro das Finanças, a satisfazer pelo orçamento da
Inspecção-Geral de Jogos.

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Artigo 152.º
Competência

1 - À comissão compete:
a) Elaborar os planos de obras e melhoramentos;
b) Emitir parecer sobre os estudos e projectos das obras e melhoramentos integrados nos
planos;
c) Pronunciar-se sobre os contratos relativos a prestação de serviço para a elaboração de
quaisquer estudos ou projectos;
d) Acompanhar a execução dos planos;
e) Propor as entidades a quem caberá a responsabilidade de execução das obras a realizar,
quando não seja assegurada pelo Fundo de Turismo.
2 - O Fundo de Turismo, através das verbas consignadas aos planos de obras de cada zona,
fará os pagamentos às entidades que superintendam na realização das obras, ou directamente aos
respectivos credores, nas condições que forem estabelecidas no despacho que os aprovar.

Artigo 153.º
Elementos dos planos
Os planos devem conter, pelo menos, os seguintes elementos:
a) Justificação, sob o ponto de vista do interesse para o turismo, das obras e melhoramentos
programados;
b) Prioridades a ter em conta na sua execução;
c) Prazos prováveis de realização de cada uma das obras;
d) Mapa discriminativo das receitas previstas e sua utilização provável em cada um dos
anos;
e) Outras formas de financiamento previstas.

Artigo 154.º
Aprovação

Os planos de obras e melhoramentos são submetidos à aprovação do membro do Governo da tutela,


que por despacho determinará também a forma e prazos de utilização das verbas que lhes são
consignadas.

Artigo 155.º
Não utilização de verbas

Consideram-se perdidas a favor do Fundo de Turismo as verbas que não forem utilizadas nos prazos e
condições estabelecidos nos termos do artigo anterior, excepto quando o incumprimento for aceite
como justificado pelo membro do Governo da tutela.

Artigo 156.º
Colaboração e assistência

As comissões podem corresponder-se com os diversos serviços do Estado e solicitar-lhes a


colaboração e assistência consideradas necessárias para a elaboração dos planos.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 43


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 157.º
Expediente

O expediente das comissões corre pelos organismos a que pertençam os respectivos presidentes.

Artigo 158.º
Fiscalização

1 - Compete ao Fundo de Turismo fiscalizar a execução das obras e melhoramentos previstos


nos planos cuja execução não esteja a seu cargo.
2 - Quando a especialidade das obras incluídas nos planos o exija, o membro do Governo da
tutela poderá solicitar ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações a designação de
técnicos, em representação de departamentos deste Ministério, para integrar as comissões ou
colaborar na fiscalização da execução das obras constantes dos planos aprovados, sem prejuízo das
competências específicas atribuídas por lei a outras entidades.

CAPÍTULO XI
Das modalidades afins dos jogos de fortuna ou azar e outras formas de jogo

Artigo 159.º 1
Modalidades afins do jogo de fortuna ou azar e outras formas de jogo

1 – Modalidades afins dos jogos de fortuna ou azar são as operações oferecidas ao público em
que a esperança de ganho reside conjuntamente na sorte e perícia do jogador, ou somente na sorte, e
que atribuem como prémios coisas com valor económico.
2 – São abrangidos pelo disposto no número anterior, nomeadamente, rifas, tômbolas,
sorteios, concursos publicitários, concursos de conhecimentos e passatempos.
3 – Sempre que qualquer modalidade afim do jogo de fortuna ou azar ou outras formas de
jogo atinjam tal incremento público que ponham em perigo os bons costumes, ou esteja em causa a
honestidade dos respectivos resultados, o membro
do Governo responsável pela administração interna tomará as medidas convenientes à
protecção dos interesses ofendidos, reprimindo ou restringindo a exploração e prática de tais
modalidades.
Artigo 160.º 2
Condicionantes

1 – A exploração de modalidades afins do jogo de fortuna ou azar e outras formas de jogo


referidas no artigo anterior fica dependente de autorização do membro do Governo responsável pela
administração interna, que fixará, em cada caso, as condições que tiver por convenientes e
determinará o respectivo regime de fiscalização.
2 – Quando haja emissão de bilhetes, a autorização será sempre condicionada à aplicação do
correspondente lucro líquido a fins de assistência ou outros de interesse público, bem como à
proibição das respectivas operações em estabelecimentos onde se vendam bilhetes das lotarias ou se
aceitem boletins de apostas mútuas da Misericórdia de Lisboa.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN

44 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 422/89 Jogos

Artigo 161.º 1
Proibições
1 – Não é permitida a exploração de qualquer modalidade afim do jogo de fortuna ou azar e
outras formas de jogo referidas no artigo 159.º por entidades com fins lucrativos, salvo os concursos
de conhecimentos, passatempos ou outros, organizados por jornais, revistas, emissoras de rádio ou de
televisão, e os concursos publicitários de promoção de bens ou serviços.
2 – Os concursos excepcionados no número anterior não poderão ocasionar qualquer
dispêndio para o jogador que não seja o do custo normal de serviços públicos de correios e de
telecomunicações, sem qualquer valor acrescentado, ou do custo do jornal ou revista, com
comprovada publicação periódica há mais de um ano, cuja expansão se pretende promover, ou ainda
do custo de aquisição dos produtos ou serviços que se pretende reclamar.
3 – As modalidades afins do jogo de fortuna ou azar e outras formas de jogo referidas no
artigo 159.º não podem desenvolver temas característicos dos jogos de fortuna ou azar,
nomeadamente o póquer, frutos, campainhas, roleta, dados, bingo, lotaria de números ou instantânea,
totobola e totoloto, nem substituir por dinheiro ou fichas os prémios atribuídos.

Artigo 162.º 2
Jogos de perícia e aparelhos de venda de produtos

1 – Não é permitida a exploração de quaisquer máquinas cujos resultados dependam exclusiva


ou fundamentalmente da perícia do jogador e que atribuam prémios em dinheiro, fichas ou coisas
com valor económico, mesmo que diminuto, salvo o prolongamento gratuito da utilização da máquina
face à pontuação obtida, regendo-se as máquinas de diversão por legislação específica.
2 – Os aparelhos destinados à venda de produtos, nos quais a importância despendida deve
corresponder ao valor comercial desses produtos, não podem, por qualquer processo e com ou sem
acréscimo de preço, atribuir prémios em dinheiro, fichas ou coisas com valor económico.
Art. 2.º São aditados ao capítulo XI do Decreto-Lei n.º 422/89, de 2 de
Dezembro, os artigos 163.º e 164.º, com a seguinte redacção:

Artigo 163.º( 3)
Contra-ordenações

1- Constituem contra-ordenações, puníveis com coima de 50.000$ a 500.000$, as violações ao


disposto nos artigos 160º a 162º .( 4)
2- Quando as contra-ordenações a que se refere o número anterior foram praticadas por pessoas
colectivas, os montantes mínimos e máximos das correspondentes coimas aplicáveis elevar-se-ão
respectivamente, a 500.000$ e 5.000.000$.
3- Os aparelhos e utensílios utilizados na prática das contra-ordenações a que se refere o n.º
1, bem como as importâncias obtidas por via da prática de tais infracções, podem ser
apreendidos, a título de sanção acessória, desde que verificados os pressupostos previstos nas alíneas
do n.º 1 do artigo 21º do Decreto-Lei n.º 433/82 de 27 de Outubro.
4- Poderá ser determinada, como sanção acessória, a interdição, até seis meses, do exercício de
quaisquer actividades nos estabelecimentos em que hajam promovido ou realizado operações
relativas a modalidades afins do jogo de fortuna ou azar e a outras formas de jogo a que se refere o
artigo 159º.

1 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN


2 Nova redacção dada pelo DL nº 10/95, de 19JAN
3 Aditado pelo DL 10/95, de 19JAN.
4 Nos termos do nº. 1 do artº. 6º. do DL 10/95, de 19JAN, os montantes destas coimas consideram-se alterados na proporção dos valores que
vierem a resultar das actualizações aos limites previstos no DL 433/82, de 27OUT.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 45


Jogos DL 422/89 Legislação Policial

Artigo 164.º
Competência

1- O membro do Governo responsável pela administração interna pode delegar nos


governadores civis a competência que lhe é atribuída pelos artigos 159º a 163º com as restrições e
condicionamentos que entender por convenientes, nomeadamente a competência para a aplicação de
coimas e das respectivas sanções acessórias.
2- Compete às autoridades policiais autuantes a instrução dos processos contra-ordenacionais,
sendo a Inspecção-Geral de Jogos o serviço técnico consultivo e pericial dos governadores civis e
daquelas autoridades nesta matérias.

CAPÍTULO XII
Disposições transitórias e finais

(2)
Artigo 165.º
Norma transitória

Até publicação dos diplomas regulamentares previstos permanecem em vigor os


correspondentes dispositivos legais aplicáveis.

Artigo 166.º
Aplicação nas regiões autónomas

O presente diploma aplica-se nas regiões autónomas sem prejuízo das competências
transferidas em matéria de jogo para os respectivos órgãos de governo próprio.

Artigo 167º.
Entrada em vigor

O presente diploma entra em vigor em 1 de Janeiro de 1990.( 1)

1 As alterações introduzidas pelo DL 10/95, de 19JAN, entram em vigor na data da entrada em vigor da Lei do Orçamento de Estado para 1995,
excepto os artigos 16º., 17º., 23º. e 27º. que entram em vigor no dia 11JAN95.

46 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 314/95 Jogos

Decreto-Lei n.º 314/95, de 24 de Novembro

O Decreto-Lei n.° 10/95, de 19 de Janeiro, veio alterar parte significativa do articulado do


Decreto-Lei n.° 422/89, de 2 de Dezembro, diploma que estabelece as condições de exploração das
zonas de jogo.
As alterações operadas pelo referido Decreto-Lei n.° 10/95, extensas e profundas no que toca às
soluções adoptadas em relação a diversos aspectos do regime das explorações do jogo, nem por isso
lograram afastar os grandes princípios que há muito norteiam aquele regime.
Pelo contrário, antes tiveram em vista encontrar soluções coerentes com aqueles princípios,
orientando-se, sobretudo, para o reforço da tutela do interesse público patente no regime de concessão
de exploração do jogo, interesse esse que, no essencial, se reconduz à defesa da honestidade das
explorações, ao combate ao jogo clandestino, à obtenção de receitas públicas e à dinamização
turística das regiões onde estão instalados os casinos.
Tais princípios, consagrados no referido Decreto-Lei n.° 422/89, merecem inteiro acolhimento
no domínio da exploração do jogo do bingo. Assim sendo, e tendo em conta que determinados
aspectos da regulamentação vigente não parecem já mostrar-se adequados à tutela daqueles
interesses, afigura-se necessário corrigi-los, nomeadamente no que respeita ao regime de repartição
das receitas geradas, ao regime dos empregados das salas de jogo do bingo, às cauções a prestar, aos
requisitos das salas, à responsabilidade dos concessionários e ao quadro sancionatório.
Por outro lado, tendo presente o papel que se pretende cometer ao jogo do bingo, enquanto
mobilizador do espírito lúdico dos jogadores, afigura-se oportuna a criação de um novo prémio,
designado «Prémio de bingo superacumulado», definindo-se as respectivas condições financeiras de
exploração e deferindo-se para portaria a regulamentação dos demais aspectos do regime daquele
novo prémio.
Nestes; termos, procede-se agora à aprovação de um novo regime de exploração de salas de
jogo do bingo, revogando-se, em consequência, os diplomas onde a matéria se encontra
presentemente disciplinada, nomeadamente o Decreto-Lei n.° 277/82, de 18 de Julho, e o Decreto
Regulamentar n.° 76/86, de 31 de Dezembro.
A opção pela revogação integral dos referidos diplomas prende-se não tanto com a extensão e o
alcance das alterações a efectuar, mas antes com a necessidade de reunir num único diploma, de
forma unitária e coerente, o núcleo do regime jurídico em causa, em termos que, inequivocamente,
irão facilitar a aplicação do direito.
Assim:
Nos termos da alínea a) do n.° 1 do artigo 201.° da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1.°
Aprovação

É aprovado o Regulamento da Exploração do Jogo do Bingo (REJB), anexo ao presente


diploma e do qual faz parte integrante.

Artigo 2.°
Aplicação no tempo

1- Com excepção do artigo 4.° do REJB, que se aplica apenas aos novos contratos, o presente
diploma aplica-se aos contratos de concessão de exploração de jogo do bingo que se encontrem
actualmente em vigor.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 47


Jogos DL 314/95 Legislação Policial

2- Os actuais concessionários da exploração de salas de jogo do bingo devem instalar os painéis


luminosos a que alude a alínea e) do n.° 2 do artigo 1.° do REJB no prazo máximo de seis meses a
contar da data da entrada em vigor do presente diploma.
3- Os actuais concessionários da exploração de salas de jogo do bingo devem dar cumprimento
ao disposto no artigo 10.° do REJB no prazo máximo de 180 dias a contar da data da entrada em
vigor do presente diploma.
Artigo 3.°
Receita do sector público

A parte da receita bruta da venda dos cartões que não se destine a prémios nem à remuneração
do concessionário reverte para entidades do sector público, nos termos a definir por resolução do
Conselho de Ministros.
Artigo 4.°
Director da concessão

Nas explorações de jogo do bingo concessionadas a pessoas singulares, o cargo de director da


concessão, quando não haja ocorrido a designação prevista no n.° 2 do artigo 24.° do REJB, é
exercido pelo concessionário.
Artigo 5.°
Delegação de competências

Até a entrada em vigor do decreto regulamentar a que se refere o n.° 1 do artigo 18.° do REJB,
as competências previstas no n.° 4 do artigo 24.° do REJB podem ser delegadas no «chefe de sala», a
que alude a alínea a) do n.° 1 do artigo 16.° do Decreto Regulamentar n.° 76/86, de 31 de Dezembro.

Artigo 6.°
Norma revogatória

1- São revogados o Decreto-Lei n.° 277/82, de 16 de Julho, e o Decreto Regulamentar n.°


76/86, de 31 de Dezembro, com a redacção que lhe foi dada pelos Decretos Regulamentares n.os
34/90, de 3 de Novembro, e 19/93, de 5 de Julho, bem como os diplomas que os regulamentam.
2- Sem prejuízo do disposto no número anterior, mantêm-se em vigor:
a) Os n.os 1 e 2 do artigo 16.° do Decreto Regulamentar n.° 76/86, de 31 de Dezembro, até à
entrada em vigor do decreto regulamentar a que alude o n.° 1 do artigo 18.° do REJB;
b) O artigo 2.° do Decreto Regulamentar n.° 19/93, de 5 de Julho;
c) O Despacho Normativo n.° 80/85, de 24 de Agosto, até à entrada em vigor da portaria a que
alude o n.° 3 do artigo 1.° do REJB;
d) O Despacho do Secretário de Estado do Turismo n.° 20/87, de 27 de Fevereiro, publicado no
DR, 2ª. série, n.° 59, de 12 de Março de 1987, até à entrada em vigor da portaria a que alude o n.° 2
do artigo 22.° do REJB;
e) A Portaria n.° 880/93, de 15 de Setembro, até à entrada em vigor da portaria a que se refere o
n.° 2 do artigo 5.° do REJB.

Artigo 7.°
Aplicação nas Regiões Autónomas

O presente diploma aplica-se nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sem prejuízo
das competências transferidas, em matéria do jogo, para os respectivos órgãos de governo próprio.

Artigo 8.°
Entrada em vigor

O presente diploma entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte ao da sua publicação.

48 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 314/95 Jogos

Regulamento de Exploração do Jogo do Bingo (REJB)

CAPÍTULO I
Locais e regime de exploração

Artigo 1°.
Caracterização do jogo do bingo

1- O bingo é um jogo de fortuna ou azar não bancado.


2- Constituem elementos integrantes do jogo do bingo, nomeadamente, os seguintes:
a) Um conjunto de bolas numeradas de 1 a 90;
b) Séries de cartões com as características a definir na portaria a que alude o número seguinte;
c) Um mecanismo de extracção de bolas;
d) Uma aparelhagem sonora e circuito fechado de televisão;
e) Painéis luminosos de onde constem o número da jogada, o preço e a quantidade dos cartões
vendidos com indicação do primeiro e último números e respectivas séries, o valor dos prémios de
linha, bingo acumulado e superacumulado, a quantidade de cartões inutilizados, os números das bolas
saídas e a ordem da respectiva sequência.
3- As características e as regras técnicas do jogo do bingo constam das Regras do Jogo do
Bingo (RB), a aprovar por portaria do membro do Governo responsável pela área do turismo.
4- A portaria a que se refere o número anterior regulamentará um prémio de bingo, designado
«Prémio de bingo superacumulado» em cujas jogadas as salas aderentes funcionam como se de uma
única sala se tratasse.
5- A exploração do jogo do bingo é feita com recurso a programação informática elaborada sob
a responsabilidade da Inspecção Geral de Jogos (IGJ).

Artigo 2.°
Tutela

A tutela da exploração do jogo do bingo compete ao membro do Governo responsável pela área
do turismo.
Artigo 3.°
Locais de exploração

1- A prática do jogo do bingo é permitida nos casinos e, fora deles, nos locais previstos nos
números seguintes.
2- Por despacho do membro do Governo responsável pela área do turismo, pode ser autorizada
a concessão da exploração de salas de jogo do bingo fora da área dos municípios onde se localizam
casinos e dos municípios adjacentes, em municípios com mais de 20.000 eleitores, nos termos do
número seguinte.
3- Só poderá ser autorizada a exploração de mais de uma sala de jogo do bingo na área de
municípios com mais de 60.000 eleitores e na proporção de uma sala por cada 60.000 eleitores
residentes em tal área.

Artigo 4.°
Concessionários das salas de jogo do bingo

As salas de jogo do bingo só podem ser concessionadas a pessoas colectivas públicas, pessoas
colectivas de utilidade pública e empresas do sector turístico que revistam forma societária.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 49


Jogos DL 314/95 Legislação Policial

Artigo 5.°
Abertura de concurso

1- A atribuição da concessão de exploração de salas de jogo do bingo depende da realização de


concurso público.
2- O concurso público é realizado nos termos e condições que forem estabelecidos por portaria
do membro do Governo responsável pela área do turismo, da qual constarão, designadamente:
a) Os requisitos a exigir aos concorrentes;
b) Os critérios de adjudicação e, se for caso disso, as condições de preferência;
c) As épocas de funcionamento;
d) O conteúdo mínimo dos contratos de concessão;
e) O prazo de concessão;
f) O montante da caução de seriedade a prestar pelos concorrentes e das garantias financeiras a
prestar para bom cumprimento das obrigações assumidas.
3- Tendo em conta o interesse público, o prazo de concessão quanto esta tiver sido adjudicada a
pessoa colectiva pública ou de utilidade pública, poder ser prorrogado pelo membro do Governo
responsável pela área do turismo, a pedido fundamentado dos concessionários que tenham cumprido
as suas obrigações, estabelecendo-se as condições da prorrogação no despacho que a autorize.
4- O pedido a que se .refere o numero anterior deve ser efectuado pelo menos 180 dias antes do
termo do prazo da concessão.
5- Os concessionários que sejam empresas do sector turístico beneficiarão de condições de
preferência em futura adjudicação da mesma sala, nos termos a estabelecer no anúncio do concurso e
em conformidade com o disposto na portaria referida no n.° 2.

Artigo 6.°
Propostas

As propostas devem conter:


a) Identificação completa da entidade concorrente;
b) Documento comprovativo de que o concorrente tem regularizadas as suas obrigações para
com o Estado, a segurança social e o Fundo de Turismo (FT);
c) Caução de seriedade, de montante definido na portaria a que alude o n.° 2 do artigo anterior,
constituída à ordem do inspector-geral de Jogos;
d) Declaração expressa de aceitação das condições mínimas constantes da portaria a que alude o
n.° 2 do artigo anterior;
e) Indicação da capacidade da sala a cuja exploração concorre, com menção do correspondente
número de lugares.

Artigo 7.°
Adjudicação provisória

1- A adjudicação provisória da exploração das salas de jogo do bingo é feita por despacho do
membro do Governo responsável pela área do turismo.

2- A decisão de adjudicação é tomada tendo em conta a idoneidade dos concorrentes, a


exequibilidade das propostas, as garantias financeiras oferecidas e as vantagens que à luz do interesse
público ofereçam.

Artigo 8.°
Adjudicação definitiva

A adjudicação definitiva é feita por contrato em que outorga o membro do Governo responsável
pela área do turismo e o representante ou representantes do concessionário, a celebrar no prazo de 90
dias a contar da data da publicação do despacho de adjudicação provisória.

50 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 314/95 Jogos

Artigo 9.°
Restituição e perda da caução

1- A caução de seriedade será restituída aos concorrentes aquando da adjudicação provisória da


concessão, salvo quanto ao adjudicatário, a quem só o será depois da adjudicação definitiva.
2- Constituem fundamento da perda da caução:
a) A não outorga do contrato de concessão no prazo previsto no artigo anterior, quando
imputável ao adjudicatário;
b) A prestação de falsas declarações pelos concorrentes.
3- Quando a prestação de falsas declarações a que alude a alínea b) do número anterior for
imputável a título de mera negligência serão perdidos apenas 50% do montante da caução.
4- As cauções perdidas nos termos previstos nos números anteriores revertem para o FT.

Artigo 10.°
Cauções

1- Os adjudicatários devem prestar caução, à ordem do inspector-geral de Jogos, no montante


de 25.000$ por cada lugar de que as respectivas salas disponham, com um mínimo de 5.000.000$ e
um máximo de 10.000.000$.
2- A caução a que se refere o número anterior é prestada através de depósito bancário ou,
quando mobilizáveis nos termos daquele, através de títulos de divida pública, garantia bancária ou
seguro-caução.
3- As cauções que sejam mobilizadas devem ser renovadas ou reforçadas no prazo de 30 dias a
contar da data do conhecimento da respectiva mobilização.
4- As cauções respondem pelo cumprimento das obrigações assumidas no contrato de
concessão, pelo pagamento dos prémios e pelas sanções pecuniárias por cujo pagamento o
concessionário seja responsável.
5- As cauções são ainda integralmente perdidas a favor do FT quando o concessionário não
inicie a exploração do jogo no prazo estabelecido ou a interrompa sem para tanto ter sido autorizado
pelo membro do Governo responsável pela. área do turismo.

CAPÍTULO II
Das salas e do pessoal

SECÇÃO I
Das salas e seu funcionamento

Artigo 11.°
Das salas

1- As salas de jogo do bingo, que visam, fundamentalmente, assegurar a honestidade do jogo e


a comodidade dos jogadores e proporcionar uma oferta turística de qualidade, devem satisfazer os
requisitos que forem definidos em regulamento da IGJ, sem prejuízo da observância dos requisitos
impostos às salas de espectáculos no que se refere a condições de segurança, salubridade, protecção
contra incêndios e saídas de emergência.
2- As salas de jogo do bingo devem satisfazer os requisitos de funcionalidade, conforto e
comodidade próprios de um estabelecimento de qualidade e serão dotadas de mobiliário, equipamento
e utensilagem cujas características e estado de funcionamento devem manter-se continuamente
adequados; às exigências das explorações e serviços respectivos.
3- Sem prejuízo da intervenção de outras entidades legalmente competentes, o início da
exploração das salas de jogo do bingo é autorizado pela IGJ, a qual só poderá recusar a autorização
com fundamento no incumprimento do disposto nos números anteriores.
4- Nas salas te jogo do bingo é permitida a realização, nos intervalos das jogadas, de programas
de animação de curta duração, devendo o concessionário utilizar para o efeito os meios humanos e
técnicos adequados.
5- O concessionário poderá instalar meios de animação anexos às salas, nos termos legais.

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Jogos DL 314/95 Legislação Policial

Artigo 12.°
Proibição de exploração

Nas salas de jogo do bingo não pode ser explorado qualquer outro tipo de jogos.

Artigo 13.°
Publicidade

1- É permitida a realização de publicidade nas salas de jogo do bingo.


2- Sem prejuízo da observância da legislação sobre publicidade, os concessionários que
realizem publicidade nas respectivas salas devem fazê-lo de forma compatível com o desenrolar do
jogo e a comodidade dos frequentadores e dos trabalhadores.
3- A publicidade do jogo do bingo beneficia do regime de excepção previsto no n.° 2 do artigo
21.° do Decreto-Lei n.° 330/90, de 23 de Outubro.

Artigo 14.°
Período de funcionamento

1- As salas de jogo do bingo funcionam todos os dias do ano ou da época estabelecida nos
contratos de concessão, podendo o membro do Governo responsável pela área do turismo, a pedido
fundamentado dos concessionários, autorizar o encerramento por determinado período de tempo ou
em alguns dias da semana, sempre com o limite máximo de metade do ano ou da época de
funcionamento.
2- As salas de jogo do bingo estão abertas ao público até doze horas por dia, num período
compreendido entre as 13 horas de cada dia e as 4 horas do dia seguinte, a definir pelo
concessionário, o qual deverá, para o efeito, comunicar à IGJ o horário escolhido, com 12 dias de
antecedência.
3- Ao atingir-se a hora de encerramento das salas de jogo do bingo, far-se-á ouvir um sinal
sonoro, após o qual só poderá ser anunciada uma única jogada.

SECÇÃO II
Do acesso às salas

Artigo 15.°
Restrições de acesso

1- Os concessionários podem cobrar bilhetes de entrada nas salas de jogo do bingo, não
devendo o preço de tais bilhetes exceder um montante máximo a fixar anualmente pela IGJ, ouvidas
as entidades representativas dos concessionários.

2- O acesso às salas de bingo é reservado, devendo os concessionários e a IGJ recusá-lo aos


indivíduos cuja presença nessas salas seja considerada inconveniente, designadamente quando dêem
mostras de se encontrar em estado de embriaguez, sob o efeito de estupefacientes ou de drogas
equiparadas ou de sofrerem de enfermidade mental, bem como os que de algum modo perturbem a
ordem, a tranquilidade e o normal desenrolar dos jogos e o ambiente das salas.
3- Sem prejuízo do disposto no número anterior, é vedado o acesso às salas de jogo do bingo
aos indivíduos que se encontrem nas seguintes condições:
a) Menores de 18 anos;
b) Portadores de armas, engenhos ou matérias explosivas, e de quaisquer aparelhos de registo e
transmissão de dados, de imagem ou de som;
c) Membros das Forças Armadas e das corporações paramilitares, de qualquer nacionalidade,
quando se apresentem fardados;
d) A quem tenha sido proibido o acesso às salas de jogos pela IGJ.

52 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 314/95 Jogos

4- Todo aquele que for encontrado numa sala de jogo do bingo em infracção às disposições
legais será mandado retirar pelos inspectores da IGJ ou pelo responsável pela sala, ficando
preventivamente interdita a sua entrada e seguindo-se processo administrativo, quando a ocorrência a
isso dê lugar, por infracção tipificada e sancionada.
5- Sempre que o responsável pela sala use a faculdade que lhe é atribuída pelo número anterior,
deverá comunicar a sua decisão, no prazo de vinte e quatro horas, ao serviço de inspecção, indicando
os motivos que a justificaram bem como as testemunhas que podem ser ouvidas sobre os factos,
pedindo a confirmação da medida adoptada.
6- A expulsão das salas de jogo do bingo por força do disposto nos números anteriores implica
a proibição preventiva de acesso a essas salas, a decretar nos termos do artigo seguinte, e dá lugar:
a) A processo contra-ordenacional, nos termos dos artigos 43.° e 44.°, quando a expulsão se
funde na prática de contra-ordenação;
b) A processo criminal, quando a expulsão se funde na prática de um crime.

Artigo 16.°
Proibição de acesso

1- Por sua iniciativa, ou a pedido justificado dos concessionários ou dos próprios interessados, o
inspector-geral de Jogos pode proibir o acesso às salas de jogos a quaisquer indivíduos por períodos
não superiores a dois anos.
2- Quando a proibição for meramente preventiva ou cautelar não poderá exceder um ano e
deverá fundar-se em indícios suficientes de inconveniência da presença dos frequentadores nas salas
de jogo do bingo.
3- Das decisões tomadas pelo inspector-geral de Jogos por força do disposto nos números
anteriores e no artigo anterior cabe recurso para o membro do Governo responsável pela área do
turismo.

Artigo 17º.
Acesso às salas

1- A entrada e permanência nas salas de jogo do bingo é condicionada à posse de um dos


seguintes documentos de identificação:
a) Em relação a residentes no território português:
i) Bilhete de identidade;
ii) Passaporte;
iii) Bilhete de identidade militar;
iv) Autorização de residência;
v) Carta de condução;
vi) Cartão diplomático.
b) Em relação a não residentes no território português, qualquer documento oficial de
identificação, passado pelas autoridades portuguesas ou do país onde residam desde que dele conste,
para além do nome do titular, a idade, a fotografia, a assinatura e o país de residência.
2- Os porteiros das salas de jogo do bingo devem solicitar a exibição de um dos documentos de
identificação previstos no número anterior, quando a aparência do frequentador for de molde a
suscitar dúvidas sobre o cumprimento do requisito constante da alínea a) do n.° 3 do artigo 15.°
3- O acesso às salas de jogo do bingo é ainda condicionado à observância da lotação máxima, a
fixar pela IGJ, sob proposta do concessionário e ouvida a Comissão de Apreciação de Projectos de
Obras (CAPO).

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Jogos DL 314/95 Legislação Policial

SECÇÃO III

Artigo 18.°
Pessoal

1- As profissões e categorias profissionais do pessoal das salas de jogo do bingo, bem como os
respectivos conteúdos funcionais, são aprovados por decreto regulamentar.
2- Os concessionários devem dotar os quadros de pessoal das salas de jogo do bingo por forma
a assegurar o regular funcionamento de todos os serviços, nos termos legal e contratualmente
estabelecidos.
3- Sempre que a IGJ considere que o disposto no número anterior não está a ser cumprido, deve
notificar o respectivo concessionário para, no prazo de 15 dias, alterar o quadro de pessoal, nos
termos determinados por aquela Inspecção, ou fazer prova de que o funcionamento dos serviços está
a ser efectuado nos termos legal e contratualmente estabelecidos.
4- A IGJ quando, após a diligência a que se refere o número anterior, considere violado o
disposto no n.° 2, fixa novo prazo de 15 dias para que o quadro de pessoal seja alterado nos termos
previstos no primeiro daqueles números.
5- A nenhum empregado dos concessionários, ainda que prestando serviço fora das salas de
jogo do bingo, pode ser atribuída a designação de inspector ou subinspector, acompanhada ou não de
qualquer qualificativo.
6- Os concessionários devem notificar, por escrito, os empregados das salas de jogo do bingo
dos regulamentos a emitir pela IGJ ao abrigo do artigo 31.°, quando tais regulamentos directa ou
indirectamente digam respeito a esses empregados.

Artigo 19.°
Deveres dos empregados

Os empregados dos concessionários de jogo do bingo que prestem serviço nas respectivas salas,
bem como outros indivíduos que sejam autorizados a exercer funções em tais salas são obrigados a:
a) Cumprir e fazer cumprir, na parte que lhes diga respeito, as disposições legais e
regulamentares, incluindo os regulamentos da IGJ, respeitantes à exploração e à prática do jogo e ao
exercício da sua profissão que lhes forem notificados nos termos previstos no n.° 6 do artigo anterior:
b) Exercer as suas funções com zelo, diligência e correcção;
c) Cuidar da apresentação pessoal e usar, quando em serviço, o trajo aprovado pelo
concessionário.

Artigo 20º.
Actividades proibidas aos empregados

1- A todos os empregados que prestam serviço nas salas de jogo do bingo é proibido:
a) Tomar parte no jogo, directamente ou por interposta pessoa;

b) Fazer empréstimos nas salas de jogo do bingo ou nas dependências ou anexos dos imóveis
onde estejam instaladas aquelas salas;
c) Ter em seu poder cartões do jogo do bingo e dinheiro ou símbolos convencionais que o
representem cuja proveniência ou utilização não possam ser justificadas pelo normal funcionamento
do jogo;
d) Ter participação, directa ou indirecta, nas receitas do jogo;
e) Solicitar gratificações ou manifestar, por qualquer modo, o propósito de as obter.
2- Para efeitos do disposto na alínea d)- do número anterior, não se considera participação nas
recitas do jogo a atribuição de retribuição variável em função das receitas brutas do jogo apuradas na
respectiva sala.

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Legislação Policial DL 314/95 Jogos

Artigo 21.°
Segredo profissional

Os empregados das salas de jogo do bingo devem guardar sigilo de todas as informações que
obtenham no exercício das suas funções, excepto quando inquiridos por autoridade policial ou pelos
inspectores da IGJ.

Artigo 22.°
Gratificações

1- Aos empregados das entidades concessionárias da exploração de salas de jogo do bingo que
prestem serviço em tais salas é permitido aceitar as gratificações que, espontaneamente, lhes sejam
dadas pelos jogadores.
2- As regras de distribuição das gratificações atribuídas ao pessoal são aprovadas por portaria
do membro do Governo responsável pela área do turismo, ouvidos os representantes dos
trabalhadores.

CAPÍTULO III
Dos órgãos dos concessionários

Artigo 23º.
Representação dos concessionários

1- Os titulares dos órgãos executivos são, para todos os efeitos, representantes legais do
concessionário nas relações deste com a IGJ, considerando-se as notificações ou comunicações feitas
a um deles como feitas ao próprio concessionário.
2- A identificação dos titulares dos órgãos sociais do concessionário deve ser comunicada à IGJ
no prazo de 15 dias a contar da eleição ou designação daquela.

Artigo 24º.
Director de concessão

1- As salas de jogo do bingo são geridas pelo director da concessão.


2- O cargo de director da concessão é exercido pelo membro do órgão executivo do
concessionário que vier a ser designado para o efeito.
3- Na falta da designação a que se refere o número anterior, o cargo de director da concessão é
exercido pelo dirigente máximo do órgão executivo do concessionário.
4- Ao director da concessão compete:
a) Manter em bom estado de conservação todos os bens afectos à exploração;
b) Participar à IGJ as infracções ao presente Regulamento e legislação complementar cometidas
por empregados ou frequentadores;
c) Prestar todos os esclarecimentos e informações que lhe forem solicitados pela IGJ, facultando
prontamente a esta os livros e documentos da contabilidade especial do jogo;
d) Assegurar o bom funcionamento de todos os equipamentos de jogo, instalações e serviços da
sala de jogo do bingo;
e) Dirigir e controlar a sala, devendo permanecer na mesma durante o período do respectivo
funcionamento;
f) Tomar as decisões relativas à marcha das várias operações, de acordo com as normas técnicas
do jogo do bingo;
g) Gerir o pessoal do concessionário que preste serviço na sala de jogo do bingo;
h) Velar pelo rigoroso cumprimento, por parte dos empregados do concessionário que prestam
serviço na sala de jogo do bingo, dos deveres que lhes são impostos pelo presente regulamento e
legislação complementar;

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i) Anualmente até 15 de Janeiro, enviar à IGJ relação nominal, por categorias, do pessoal dos
quadros, bem como dos restantes indivíduos que prestam serviço na sala de jogo do bingo, a qual será
actualizada logo que se verifiquem alterações;
j) Assegurar a exacta escrituração da contabilidade especial do jogo do bingo;
l) Manter a disciplina na sala de jogo do bingo, zelando pelo bom nível social da mesma.
5- O director da concessão pode:
a) Delegar as competências previstas no número anterior em empregado do concessionário com
a categoria profissional mais elevada a estabelecer no decreto regulamentar a que se refere o n.° 1 do
artigo 18.°
b) Nomear um ou mais substitutos do delegado a que se refere a alínea anterior, que exercerá as
competências delegadas naquele nas ausências e impedimentos do mesmo.
6- A nomeação do director da concessão bem como a delegação e a nomeação previstas no
número anterior devem ser comunicadas à IGJ antes da data do início das funções, sob pena de
ineficácia.

CAPÍTULO IV
Cartões de jogo do bingo

Artigo 25º.
Cartões de bingo

Os cartões do jogo do bingo são editados sob a responsabilidade da IGJ, a qual deverá
promover a entrega de tais cartões aos concessionários, mediante requisição destes, depois de pago o
respectivo custo.

CAPÍTULO V
Distribuição de receitas

Artigo 26.°
Receita destinada a prémios

Da verba correspondente à receita bruta da venda dos cartões, são reservados a prémios:
a) 55%, no caso das salas de jogo do bingo instaladas fora dos casinos;
b) 60%, no caso das salas de jogo do bingo instaladas nos casinos.

Artigo 27.°
Receita dos concessionários

1- Por resolução do Conselho de Ministros são definidas as percentagens da receita bruta da


venda dos cartões, as quais constituem receita dos concessionários das salas de jogo do bingo fora dos
casinos.

2- No caso das salas de bingo instaladas nos casinos, a parte da receita bruta da venda dos
cartões não destinada a prémios constitui receita das respectivas empresas concessionárias, nos
termos da legislação própria.

Artigo 28.°
Aplicação dos lucros das salas concessionadas a clubes desportivos

1- Sem prejuízo do disposto no número seguinte, os lucros das explorações das salas de jogo do
bingo concessionadas a clubes desportivos confirmados pela IGJ, nos termos previstos na legislação
aplicável e nos contratos de concessão, serão aplicados, mediante planos a aprovar para cada caso
pelo Instituto dos Desportos (INDESP), no desporto recreação e no desporto rendimento promovidos
pelo clube concessionário, por forma a contemplar os diversos factores de desenvolvimento
desportivo, designadamente as infra-estruturas.

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Legislação Policial DL 314/95 Jogos

2- Enquanto não estiver encerrado o respectivo exercício, poderão os clubes ser autorizados a
despender as disponibilidades resultantes da exploração do jogo do bingo que se forem gerando no
decurso de cada ano económico, nos termos previstos em plano previsional previamente aprovado
pelo INDESP e estruturado ao abrigo do disposto no número anterior.
3- Os planos de aplicação de resultados e os planos previsionais serão submetidos ao INDESP,
nos seguintes prazos:
a) Plano de aplicação de resultados: no prazo de 60 dias a contar da confirmação dos resultados
pela IGJ;
b) Plano previsional: até 31 de Dezembro do ano anterior ao da realização da receita.
4- Os planos referidos no número anterior serão organizados de acordo com ficha-modelo de
planeamento aprovada por despacho do presidente do INDESP, a publicar na 2ª. série do Diário da
República, e apreciados nos 30 dias subsequentes à sua apresentação podendo aquele determinar as
alterações que julgar convenientes.
5- Conjuntamente com os planos de aplicação de resultados relativos a cada ano, os clubes
deverão apresentar relatórios circunstanciados da execução dos planos relativos ao ano antecedente,
os quais serão apreciados nos termos do número anterior.
6- Os lucros das explorações das salas de jogo do bingo concessionadas a outras pessoas
colectivas de utilidade pública ou a pessoas colectivas de direito público confirmados pela IGJ, nos
termos da legislação aplicável e nos contratos de concessão, serão aplicados, mediante planos a
aprovar e a fiscalizar pela IGJ, nas finalidades estatutárias daquelas entidades ou contratualmente
estabelecidas.
7- A não apresentação dos planos e relatórios referidos nos nº.s 1 e 5 dentro dos prazos legal e
contratualmente estabelecidos ou suas eventuais prorrogações, bem como a aplicação de verbas de
forma diversa da autorizada, darão lugar ao levantamento de autos de notícia pelo INDESP, os quais
terão o valor jurídico atribuído aos levantados por autoridade policial.
8- Nos 10 dias seguintes à data do seu levantamento, os autos a que alude o número anterior são
enviados à IGJ para efeitos de procedimento administrativo a que as infracções cometidas dêem lugar
e para aplicação da respectiva sanção, nos termos previstos no presente Regulamento.
9- Dos actos a praticar pelo INDESP ao abrigo do disposto nos números anteriores será dado
conhecimento a IGJ no prazo de oito tias.

Artigo 29º.
Prémio de bingo superacumulado

1- A repartição das receitas geradas pela venda de cartões de jogo do bingo para atribuição do
«Prémio de bingo superacumulado», a que se refere o n.° 4 do artigo 1.°, rege-se pelo disposto nos
números seguintes.
2- O «Prémio de bingo superacumulado» é constituído por 60% da receita bruta dos cartões
vendidos em todas as salas que participam na jogada e é atribuído ao jogador que preencha a
totalidade do cartão com o menor número de bolas anunciadas.
3- Ao jogador que, em cada sala, preencha a totalidade do cartão com o menor número de bolas
anunciadas é atribuído um prémio te bingo te sala, constituído por 10% da receita bruta da venda dos
cartões gerada na respectiva na sala.
4- Os concessionários das salas de jogo do bingo beneficiam de 20% da receita bruta da venda
dos cartões gerada na respectiva sala.
5- O remanescente da receita da venda dos cartões, quando gerada nas salas de jogo do bingo
dos casinos e depois de deduzidas as percentagens para prémios previstas nos n.°s 2 e 3, constitui
receita das respectivas empresas concessionárias, nos termos da legislação própria.

Artigo 30.°
Entrega de receitas

1- Os concessionários das salas te jogo do bingo são fiéis depositários das importâncias a que
alude o artigo 3.° do diploma preambular, procedendo ao seu depósito na Caixa Geral de Depósitos,
em conta a indicar pela IGJ, até ao dia 10 de cada mês em relação ao mês anterior e remetendo àquela
Inspecção um exemplar da guia, averbada do pagamento, nos três dias posteriores ao depósito.
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2- A IGJ promoverá a entrega das importâncias a que se refere o número anterior até ao dia 15
de cada mês relativamente às importâncias depositadas no mês anterior.

CAPÍTULO VI
Fiscalização

Artigo 31º.
Princípio geral

1- A exploração e a prática do jogo do bingo e a execução das obrigações dos concessionários


ficam sujeitas à fiscalização do Estado, exercida pela IGJ e pelas demais entidades a quem a lei
atribua competências neste domínio.
2- As normas relativas à exploração e prática do jogo do bingo são de interesse e ordem
pública, devendo a IGJ aprovar os regulamentos necessários e prática daquele no respeito dessas
normas.
3- A emissão dos regulamentos a que se refere o número anterior será precedida de consulta aos
concessionários e, quando a natureza da matéria a regular o justifique, às entidades representativas
dos trabalhadores, devendo a IGJ, para o efeito, enviar àqueles o texto integral do projecto, fixando-
lhes um prazo, não inferior a 10 dias, para se pronunciarem por escrito.

Artigo 32.°
Âmbito

1- As funções de inspecção e fiscalização compreendem, designadamente:


a) O cumprimento das obrigações assumidas pelos concessionários de salas de jogo do bingo e
das que incumbem aos agentes destes;
b) O funcionamento das salas e locais de jogo;
c) O material destinado ao jogo;
d) A prática do jogo;
e) A observância do disposto no n.° 2 do artigo 13.° no tocante à realização de publicidade;
f) A contabilidade especial do jogo e a escrita comercial dos concessionários;
g) O cumprimento das obrigações tributárias.
2- As competências atribuídas à IGJ pelo número anterior, no que respeita à escrita comercial
dos concessionários, às obrigações tributárias destes e ao cumprimento do que a lei impõe aos
respectivos empregados, serão exercidas sem prejuízo das competências próprias da Direcção-Geral
das Contribuições e Impostos nesses domínios.
3- A fiscalização será assegurada por inspectores da IGJ.

Artigo 33.°
Dever de informação

Os concessionários da exploração do jogo do bingo e os seus empregados devem facultar aos


inspectores da IGJ as informações necessárias ao desempenho das funções daqueles e acatar e fazer
cumprir os regulamentos daquela Inspecção.

Artigo 34.°
Consulta de documentos

1- Os concessionários da exploração do jogo do bingo devem manter à disposição dos


inspectores da IGJ a documentação relativa à escrituração especial do jogo do bingo e da sua escrita
comercial, bem como facultar-lhes os demais elementos e informações relativos ao objecto da
concessão.
2- Na ausência ou impedimento dos administradores, directores, gerentes ou outros
responsáveis, os inspectores da IGJ podem efectuar as diligências urgentes e necessárias para obter,
em tempo útil, os elementos referidos no número anterior.

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Artigo 35.°
Contabilidade de especial do jogo do bingo

1- Sem prejuízo do estabelecido na lei geral, os concessionários da exploração do jogo do bingo


são obrigados a possuir e manter escriturados em dia os livros e impressos da contabilidade especial
do jogo do bingo, de modelo a aprovar pela IGJ.
2- Os livros, com folhas numeradas e rubricadas, terão termos de abertura e de encerramento
assinados por inspector da IGJ e cada operação será neles registada no momento da respectiva
realização.
3- Os impressos, depois de numerados, são rubricados ou chancelados por inspector da IGJ,
podendo ser adoptados outros meios de autenticação, designadamente a utilização de máquinas.
4- Os livros, impressos e demais suportes documentais previstos no presente Regulamento e em
legislação complementar podem ser substituídos por registos informáticos, em termos a fixar pela
IGJ, ouvidos os concessionários.

Artigo 36.°
Autos de notícia

Os autos de notícia levantados pelos inspectores da IGJ por infracções previstas no presente
Regulamento têm o valor juridicamente atribuído aos autos levantados por autoridade policial.

CAPÍTULO VII
Das infracções e sua sanção

SECÇÃO I
Da responsabilidade

Artigo 37.°
Responsabilidade administrativa

1- O incumprimento, pelos concessionários, ainda que sem culpa, das obrigações legal e
contratualmente estabelecidas constitui infracção administrativa punida com multa e rescisão do
contrato, nos termos dos artigos 38º. a 40.°
2- O disposto no número anterior é aplicável aos concessionários quando as infracções sejam
cometidas por empregados ou agentes desta.
3- A responsabilidade dos concessionários não prejudica a responsabilidade penal ou contra-
ordenacional dos respectivos empregados ou agentes pelas infracções cometidas.
4- Pelo pagamento das multas são responsáveis os concessionários e, subsidiariamente, quando
aquelas multas respeitem a factos ocorridos no período da respectiva gerência, os titulares dos órgãos
executivos de tais concessionários, ainda que estes hajam sido extintos ou perdido essa qualidade.
5- Sem prejuízo do disposto no número anterior, não haverá lugar a responsabilidade dos
titulares dos órgãos executivos quando aqueles provem que não lhes é imputável nem a infracção
cometida nem a insuficiência do património do concessionário para o pagamento da multa.
6- Os concessionários são subsidiariamente responsáveis pelas coimas aplicadas aos respectivos
empregados, nos termos do artigo 41.°
7- Quando a responsabilidade dos concessionários for imputada a título de mera negligência os
valora mínimos e máximos das multas a aplicar são reduzidos a dois terços dos valores estabelecidos
no n.° 1 do artigo 39.°, não podendo, em caso algum, exceder o montante previsto na alínea b)- do n °
3 do artigo 17.° do Decreto-Lei n.° 433/82, de 27 de Outubro, com a redacção que lhe foi dada pelo
Decreto-Lei n.° 356/89, de 17 de Outubro.
8- Quando a responsabilidade dos concessionários não se funde na culpa destes, os valora
mínimos e máximos das multas a aplicar serão reduzidos a metade dos valores estabelecidos no n.° 1
do artigo 39.°

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Jogos DL 314/95 Legislação Policial

9- As multas e as coimas previstas, respectivamente, nos artigos 39.°, 41.° e 43.° encontram-se
expressas em escudos com poder aquisitivo referido ao ano te 1995 e serão actualizadas com efeitos a
partir do dia 1 de Março de cada ano, tendo em conta o índice médio de preços no consumidor, no
continente, excluindo a habitação, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, arredondando-se
para a dezena de contos imediatamente inferior.

SECÇÃO II
Das infracções administrativas

Artigo 38º.
Infracções cometidas pelos concessionários

As violações do presente Regulamento, quando imputáveis aos concessionários da exploração


de salas de jogo do bingo, constituem infracções administrativas consideradas:
1) Leves, quando não expressamente qualificadas como graves ou muito graves, salvo se da sua
prática resultarem prejuízos para terceiros ou benefícios para o concessionário, caso em que serão
qualificadas como graves;
2) Graves, as seguintes:
a) O início da exploração do jogo sem prévia autorização da IGJ;
b) A inobservância do disposto nos nº.s 1 e 2 do artigo 11º.;
c) A inobservância do disposto no n.° 2 do artigo 13.°;
d) A inobservância do disposto nos nº.s 1 e 2 do artigo 14 °;
e) A cobrança de bilhetes de acesso às salas cujo preço exceda o montante máximo a que alude o
n.° 1 do artigo 15º.;
f) O incumprimento do disposto nos nº.s 2 e 3 do artigo 15.°;
g) A admissão nas salas de indivíduos em violação do disposto no n.° 2 do artigo 17º.;
h) A violação dos conteúdos funcionais previstos no decreto regulamentar a que alude o n.° 1 do
artigo 18.°;
i) A violação do disposto no n ° 2 do artigo 18.°, quando reconhecida nos termos previstos no
n.° 4 do mesmo artigo;
j) A venda de cartões de numeração não seguida ou de séries diferentes;
l) A recusa em referir no livro próprio as reclamações apresentadas pelos jogadores;
m) A falta de entrega atempada das receitas de que são fiéis depositários;
n) A inexistência ou falta de escrituração dos livros e impressos ou dos suportes informáticos
exigidos pela IGJ;

o) A inobservância dos prazos estabelecidos para o cumprimento de obrigações legais ou


contratuais no âmbito da concessão;
p) A utilização de equipamento de jogo cujo modelo não haja sido aprovado pela IGJ;
q) A recusa de colaboração devida aos inspectores da IGJ, quando no exercício das respectivas
funções;
r) O incumprimento dos regulamentos e despachos emitidos pela IGJ nos termos do artigo 31.°,
quando o mesmo não for muito grave.
3) Muito graves, as seguintes:
a) A violação do disposto no artigo 12.°;
b) A venda de cartões por preço superior ao valor facial dos mesmos;
c) A concessão de empréstimos aos jogadores, independentemente da forma que a mesma
revista;
d) A participação no jogo, na qualidade de jogadores, de membros dos órgãos sociais dos
concessionários;
e) A inobservância das regras do jogo do bingo constantes do RB;
f) O incumprimento do disposto no n.° 4 do artigo 24.° pelo director da concessão, ou quando
este haja exercido as faculdades previstas no n.° 5 do mesmo artigo, pelo delegado do director da
concessão ou pelo substituto daquele;

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Legislação Policial DL 314/95 Jogos

g) A não apresentação dos planos e relatórios referidos no artigo 28.° nos prazos legal e
contratualmente estabelecidos ou nas suas eventuais prorrogações, bem como a disposição ou
aplicação de verbas de forma diversa da autorizada ou sem autorização;
h) As infracções previstas no n.° 1 do artigo 40.°, quando a gravidade das mesmas não justifique
a rescisão do contrato.
Artigo 39.°
Sanções

1- As infracções a que alude o artigo anterior serão sancionadas do seguinte modo:


a) As infracções leves, com multa de 50.000$ a 200.000$;
b) As infracções graves, com multa de 200.000$ a 500.000$;
c) As infracções muito graves, com multa de 500.000$ a 2.000.000$.
2- As multas referidas no número anterior serão aplicadas pelo inspector-geral de Jogos, com
recurso para o membro do Governo responsável pela área do turismo, sem prejuízo da
responsabilidade criminal a que haja lugar.
3- Na falta de pagamento voluntário das multas no prazo de 30 dias a contar da notificação ou,
tendo havido recurso hierárquico dentro dos 5 dias posteriores à notificação da respectiva decisão,
proceder-se-á à sua cobrança coerciva, nos termos prescritos para as contribuições e impostos do
Estado, mediante certidão emitida pela IGJ, da qual devem constar a proveniência da dívida a
importância da mesma, a data de vencimento, a designação da entidade devedora e a respectiva sede.
4- As multas previstas no n.° 1 constituem receita do FT.
5- Sob proposta da IGJ, o membro do Governo responsável pela área do turismo poderá
ordenar, sem prejuízo da aplicação das multas previstas, o encerramento das salas de jogo do bingo
por um período de oito dias a seis meses, quando se trate de infracções muito graves.

Artigo 40.°
Rescisão dos contratos

1- Constituem comportamentos susceptíveis de determinar a rescisão dos contratos de


concessão:
a) A utilização de cartões não editados nos termos previstos no artigo 25º.;
b) A não prestação das garantias a que os concessionários se encontram obrigados;
c) A comissão reiterada de infracções graves ou muito graves;
d) O incumprimento das obrigações assumidas no contrato de concessão;
e) A cessão da exploração do jogo ou de qualquer outra actividade que constitua objecto da
concessão, quando não autorizada pelo membro do Governo responsável pela área do turismo;
f) A constituição em mora do concessionário, por dívidas ao Estado relativas a contribuições ou
impostos ou à segurança social.
2- A rescisão dos contratos de concessão é da competência do membro do Governo responsável
pela área do turismo.

SECÇÃO III
Das contra-ordenações

Artigo 41.°
Contra-ordenações cometidas pelos empregados

1- Constituem contra-ordenações puníveis com coima de 30.000$ a 300.000$:


a) Tomar parte no jogo, directamente ou por interposta pessoa;
b) Usar de meios fraudulentos na prática do jogo;
c) Fazer empréstimos nas salas de jogo do bingo ou nos seus anexos;
d) Vender cartões por preço superior ao valor facial dos mesmos.
2- Constituem contra-ordenações puníveis com coima de 20.000$ a 200.000$:
a) A violação do disposto nas alíneas b)- e c)- do artigo 19.°;
b) Solicitação de gratificações ou manifestação, por qualquer forma, do propósito de as obter;

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c) Retenção em seu poder de cartões de jogo do bingo, cheques ou dinheiro cuja proveniência
não possa ser justificada pelo desenrolar normal do jogo;
d) Permissão de acesso às salas em violação do disposto nas alíneas a)- e c)- do n.° 3 do artigo
15.°;
e) Incumprir os regulamentos emanados da IGJ ao abrigo do artigo 31.°, quando notificados nos
termos do n.° 6 do artigo 18.°
3- A negligência e a tentativa são puníveis.

Artigo 42.°
Sanções

1- Além da coima aplicável, a prática das contra-ordenações previstas no artigo anterior pode
implicar, como sanção acessória, a interdição temporária do exercício da profissão até 180 dias, no
caso das infracções previstas no n.° 1, ou até 60 dias, no caso das infracções previstas no n.° 2.
2- A aplicação da coima e da sanção acessória de interdição temporária do exercício da
profissão compete ao inspector-geral de Jogos, ouvido o Conselho Consultivo de Jogos, cabendo aos
inspectores da IGJ instruir os respectivos processos.
3- A decisão do inspector-geral de Jogos que aplica a coima e a sanção acessórias é susceptível
de impugnação judicial.

Artigo 43.°
Contra-ordenações cometidas pelos frequentadores

1- Constituem contra-ordenações puníveis com coima de 50.000$ a 500.000$:


a) A falsificação de cartões não pertencentes à série anunciada e postos em circulação para
determinada jogada ou vendidos para jogadas anteriores;
b) A reincidência em infracções da mesma natureza em prazo não superior a um ano, contado do
despacho definitivo sancionatório da anterior infracção.
2- Constituem contra-ordenações puníveis com coima de 20.000$ a 200.000$:
a) A recusa de identificação a pedido do responsável pela sala ou dos inspectores da IGJ;
b) A interrupção da partida sem motivo atendível;
c) A prática de actos que perturbem a ordem, a tranquilidade e o desenrolar normal do jogo, bem
como o ambiente da sala e do respectivo vestíbulo;
d) A falta de colaboração devida aos inspectores da IGJ, quando no exercício das suas funções.
3- Constitui contra-ordenação punível com coima de 5.000$ a 50.000$ a entrada nas salas sem
estar na posse de um dos documentos a que alude o n.° 1 do artigo 17.°
4- A negligência e a tentativa são puníveis.

Artigo 44.°
Sanções

1- Além da coima aplicável, a prática das contra-ordenações previstas no artigo anterior pode
implicar, como sanção acessória, a proibição de entrada nas salas de jogo do bingo até dois anos, no
caso das infracções previstas no n.° 1, ou até um ano, no caso das infracções previstas no n.° 2.
2- A aplicação da coima e da sanção acessória de interdição temporária de entrada nas salas de
jogo do bingo compete ao inspector-geral de Jogos, ouvido o Conselho Consultivo de Jogos, cabendo
aos inspectores da IGJ instruir os respectivos processos.
3- A decisão do inspector-geral de Jogos que aplica a coima e a sanção acessória é susceptível
de impugnação judicial.

Artigo 45.°
Destino das coimas

As coimas previstas no presente Regulamento revertem:


a) 60% para o Estado;
b) 40% para o FT.

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CAPÍTULO VIII
Disposições finais

Artigo 46º.
Direito subsidiário

Em tudo o que não estiver previsto no presente Regulamento, observar-se-á, com as necessárias
adaptações, o disposto na legislação que disciplina a exploração dos jogos de fortuna ou azar nos
casinos.

Artigo 47.°
Salas de jogo de bingo instaladas em casinos

Na exploração e prática do jogo do bingo nos casinos observar-se á o disposto no presente


Regulamento, com excepção das normas que não lhe sejam aplicáveis e das que sejam prejudicadas
pela legislação respeitante à exploração de jogos nos casinos.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 63


Jogos DL 314/95 Legislação Policial

64 EPG-Publicações
Legislação Policial Dec.-Lei nº 317/02 Jogos

Decreto-Lei nº 317/2002, de 27 de Dezembro

A Carta Europeia do Desporto reconhece a importância dos recursos financeiros


provenientes dos fundos públicos como um instrumento essencial com vista a promover o
desenvolvimento do desporto.
Da análise do processo de financiamento ao desporto pelo sector público, verificamos que
as receitas oriundas das percentagens do produto líquido dos concursos e das apostas
mútuas assumiram relevância especial no alargamento do fenómeno desportivo.
Assim, os efeitos provocados pela legislação publicada em consequência da
institucionalização do totoloto no dia 1 de Abril de 1985 começaram a ser um meio de
política desportiva com influência determinante nas diversas vertentes e domínios em que
se desdobra e projecta o desporto, bem como nos diferentes segmentos de organização
social que fomentam o seu desenvolvimento.
Sucede, porém, que a estrutura de repartição das verbas provenientes do Totoloto foi, ao
longo do tempo, objecto de sucessivas modificações, sem qualquer visão estratégica a
consubstanciar de forma estável e coerente.
Um dos aspectos mais gravosos daí resultantes prende-se com o processo de
transferência dos montantes financeiros para as Regiões Autónomas, o qual tem estado
sujeito a incertezas e morosidades que muito têm prejudicado a organização e realização
da actividade programada pelos órgãos de poder regional.
Por um lado, na atribuição das verbas a cada uma das Regiões Autónomas há que ter em
atenção não só os indicadores de ordem demográfica e de representatividade face ao
todo nacional mas também as soluções adoptadas no domínio dos diferentes sectores de
actividade, o que deve conduzir a uma repartição equitativa quanto aos montantes a
transferir.
Por outro lado, torna-se premente alterar o actual quadro legislativo, passando as Regiões
Autónomas dos Açores e da Madeira a beneficiar directamente das verbas destinadas ao
fomento de actividades desportivas, apoio ao desporto escolar e ao investimento em infra-
estruturas desportivas escolares.
Perante este contexto, torna-se necessário assegurar que, das verbas previstas nas
alíneas a) e b) do Nº 3 do artigo 17º do Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março, na
redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 258/1997, de 30 de Setembro, seja reservado um
montante equivalente a 5% dessa receita, a processar directamente e em igual proporção
para o Instituto do Desporto da Madeira e para o Fundo Regional de Fomento do Desporto
dos Açores.
Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas.
Assim:
Nos termos da alínea a) do Nº 1 do artigo 198º da Constituição, o Governo decreta o
seguinte:

(...)

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 65


Jogos Dec.-Lei nº 317/02 Legislação Policial

66 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 84/85 Jogos

Decreto Lei n°. 84/85, de 28 de Março


Artigo 1º

1 - O direito de promover concursos de apostas mútuas é reservado ao Estado, que concede à


Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a sua organização e exploração em regime de exclusivo para
todo o território nacional.
2 - Consideram-se «concursos de apostas mútuas» todos aqueles em que os participantes
prognostiquem ou prevejam resultados de uma ou mais competições ou de sorteios de números para
obter o direito a prémios em dinheiro ou a quaisquer outras recompensas.

Artigo 2º

1 - Serão organizados e explorados ao abrigo deste diploma concursos denominados


«Totobola» e «Totoloto » e quaisquer outras modalidades de concursos de apostas mútuas a criar
por diploma legal adequado.
2 - Constitui concurso de Totobola todo aquele em que os participantes prognostiquem
resultados de uma ou mais competições desportivas com a finalidade prevista no artigo anterior.
3 - Constitui concurso de Totoloto todo aquele em que os participantes prognostiquem
resultados de sorteios de números com a finalidade prevista no artigo anterior.
4 - É reconhecido à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o direito exclusivo ao uso das
designações «Totobola » e «Totoloto», bem como ao respectivo emblema, do modelo anexo ao
presente decreto-lei.

Artigo 3º

Em simultâneo com os concursos referidos no artigo anterior poderá a Santa Casa da


Misericórdia de Lisboa organizar sorteios de prémios adicionais, expressos em dinheiro ou em
espécie.
Artigo 4º

1 - As normas gerais de participação nos concursos a que respeita o presente diploma, os


prazos de caducidade e, bem assim, as taxas e emolumentos a que haja lugar constarão de
regulamento, denominado «regulamento geral dos concursos», a aprovar por portaria do Ministro do
Trabalho e Segurança Social. (aprovado pela Portaria nº 39/04, 12JAN)
2 - Haverá um regulamento geral dos concursos para cada modalidade de aposta mútua a que
se refere o artigo 2º do presente diploma.
3 - A participação nos concursos implica a adesão às normas que os disciplinem.
4 - No verso dos bilhetes de participação nos concursos deverá constar um extracto das suas
normas reguladoras essenciais.
Artigo 5º

1 - A participação nos concursos de apostas mútuas processa-se pela inscrição das apostas
em bilhetes de modelo adoptado e pelo pagamento do preço correspondente.
2 - A entrega dos bilhetes e o pagamento do preço das apostas podem ser feitos directamente
à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou a agentes por ela autorizados, que são considerados
mandatários dos concorrentes.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 67


Jogos Decreto-Lei nº 84/85 Legislação Policial

3 - Os bilhetes, em regra nominativos, serão constituídos pelo menos por duas partes,
identificáveis como pertencentes ao mesmo bilhete, representando a que fica em poder da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa a matriz da aposta e a outra, que fica em poder do concorrente, o
recibo comprovativo da entrega da matriz e do pagamento do preço.
4 - Do bilhete deverá constar a modalidade de aposta e, tratando-se de Totobola, as
competições e eventos sobre que hão-de formar-se os prognósticos ou, tratando-se de Totoloto, o
concurso ou número de concursos por que é válido.
5 - Poderá a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa emitir bilhetes sem indicação das
competições ou eventos referidos no número anterior.
6 - Os prognósticos formar-se-ão pela aposição no bilhete de sinal convencional obrigatório,
e apenas dele, de acordo com o respectivo regulamento geral dos concursos, podendo a sua não
utilização implicar para o apostador a perda do direito a prémio.

Artigo 6º

O regime jurídico da actividade dos agentes constará de regulamento próprio, aprovado por
portaria do Ministro da Segurança Social e do Trabalho.

Artigo 7º

1 - A superintendência e a fiscalização das operações de microfilmagem das matrizes das


apostas, bem como a deliberação sobre a atribuição de prémios, competem a um júri, designado
«júri dos concursos», constituído por um representante da mesa da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, que presidirá, por um representante do Governo Civil de Lisboa e por um representante da
Inspecção-Geral de Finanças.
2 - Por cada membro do júri haverá um suplente, sendo o do representante da mesa da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa o substituto do presidente.
3 - O júri poderá actuar na mesma semana, com recurso aos membros efectivos e suplentes,
sempre em operações diversas.
4 - A forma de actuação do júri constará de regime próprio, aprovado por portaria do
Ministro da Segurança Social e do Trabalho.
5 - Assistem ao júri poderes de fiscalização sobre todos os serviços do Departamento de
Apostas Mútuas, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em que decorram quaisquer operações
dos concursos de apostas mútuas, designadamente os actos dos sorteios determinantes dos
resultados de que depende a atribuição de prémios.
6 - Serão lavradas actas, assinadas pelo júri, da recepção dos microfilmes das matrizes, das
operações de escrutínio das apostas e dos sorteios a que haja lugar.
Artigo 8º

Os resultados do escrutínio de cada concurso serão divulgados pela Santa Casa da


Misericórdia de Lisboa através dos seus agentes, sem prejuízo do recurso aos meios de comunicação
social.
Artigo 9º

O Departamento de Apostas Mútuas, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cobrará,


além do imposto do selo, quando devido, emolumentos fixados no respectivo regulamento geral dos
concursos pela passagem de certidões extraídas dos bilhetes de participação ou dos correspondentes
microfilmes.

68 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 84/85 Jogos

Artigo 10º

Os concorrentes que se julguem prejudicados por deliberação de atribuição de prémio do júri


dos concursos podem recorrer dela, dentro dos prazos fixados no respectivo regulamento geral, os
quais não deverão exceder 60 dias, contados da data da realização do concurso, para o júri de
reclamações, constituído nos termos do artigo 10º do Decreto-Lei Nº 43 777/1961, de 3 de Julho.

Artigo 11º

1 - Cada regulamento geral dos concursos estabelecerá os respectivos prémios, em número


superior a um, e o modo de divisão, pelos prémios, em partes iguais ou desiguais, da importância
destinada a esse fim, bem como a possibilidade da adição dos prémios não atribuídos num concurso
ao montante correspondente aos prémios do concurso imediatamente posterior ou da sua
distribuição por outras categorias de prémios.
2 - Cada regulamento geral dos concursos fixará ainda o montante mínimo a considerar na
divisão do montante global para cada categoria de prémios, bem como a forma de atribuição das
importâncias que não atinjam o limite fixado.

Artigo 12º

Os prémios atribuídos a incapazes serão pagos aos respectivos representantes legais.

Artigo 13º

1 - O direito aos prémios caduca no prazo de 90 dias a contar da data da realização do


concurso, sendo os respectivos montantes distribuídos pelas entidades e nas percentagens previstas
no artigo 16º.
2 - O prazo a que se refere o número anterior poderá ser suspenso ou alterado, quando razões
excepcionais o justifiquem, segundo normas a fixar em cada regulamento geral dos concursos.

Artigo 14º

1 - A receita de cada concurso é constituída pelo montante total das apostas admitidas e das
anuladas, sem direito a restituição, nos termos regulamentares.
2 - Da receita apurada nos termos do número anterior será destinada obrigatoriamente à
integração de prémios uma importância nunca inferior a 45% nem superior a 55%, a fixar em cada
regulamento geral dos concursos.

Artigo 15º

1 - Das receitas dos concursos do totobola e do totoloto serão deduzidas importâncias


correspondentes a 0,5%, até perfazer os montantes máximos, respectivamente de € 74 819 550 e €
423 977 450, para constituição de dois fundos para pagamento de prémios por reclamações, quando
tenha ocorrido acumulação com os prémios do concurso seguinte, nos termos do regulamento geral
dos concursos.
2 - Das receitas dos concursos referidos no número anterior deduzir-se-ão igualmente as
importâncias correspondentes a 1% e 2%, até perfazer os montantes máximos de € 748 195 500 e €
24 939 850, respectivamente, destinadas à formação de dois fundos, renováveis, para reestruturação
e investimento do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tendo em vista
a implantação do sistema de registo de apostas em tempo real (sistema online) no território nacional.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 69


Jogos Decreto-Lei nº 84/85 Legislação Policial

3 - Os fundos referidos no número anterior poderão ser utilizados para suportar quaisquer
despesas resultantes do processo de implantação do processo do sistema de registo de apostas em
tempo real (sistema online), nomeadamente os relativos à imagem, agentes, pessoal, renovação das
instalações, renovação de material e equipamento e outros.
4 - Os rendimentos dos fundos previstos nos números antecedentes acrescem aos respectivos
montantes, até à concorrência dos seus valores máximos, após o que constituem receita de
exploração.

Artigo 16º

1 - Os resultados da exploração dos concursos do totobola e do totoloto serão distribuídos,


percentualmente, de acordo com o estabelecido no Nº 3 e Nº 4 do presente artigo.
2 - Para efeitos da determinação dos resultados de exploração consideram-se:
a) «Receitas de exploração» as provenientes dos concursos, acrescidas dos
rendimentos dos fundos, nos termos indicados, respectivamente no Nº 1 do
artigo 14º e na parte final do Nº 3 do artigo 15º;
b) «Despesas de exploração» as especificamente imputáveis a cada um dos
concursos, bem como as partes correspondentes das despesas comuns,
repartidas na proporção do número anual de bilhetes de apostas movimentados.
3 - A distribuição dos resultados de exploração do Totobola é feita de acordo com as
seguintes normas:
a) Para promoção e desenvolvimento do futebol, nos termos fixados no presente diploma-
50%;
b) Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 21,5%;
c) Estabelecimentos e instituições que prossigam acções no domínio da prevenção e
reabilitação de deficientes e de apoio a deficientes graves e profundos - 7%;
d) Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social - 9,5%;
e) Instituições particulares de solidariedade social -8%;
f) Prevenção e reparação de situações de calamidade pública - 2%;
g) Associações de bombeiros voluntários - 2%.
4 - A distribuição dos resultados de exploração do totoloto é feita de acordo com as
seguintes normas:
a) Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 21,5%;
b) Estabelecimentos e instituições que prossigam acções no domínio da prevenção e
reabilitação de deficientes e de apoio a deficientes graves e profundos -
12,5%;(Rectificado pela Decl. Rect. Nº 1-A/2003, de 31 de Janeiro)
c) Instituições particulares de solidariedade social -8%;
d) Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social - 30%;
e) Fomento de actividades desportivas - 16%;
f) Fundo de Fomento Cultural - 4,5%;
g) INATEL - 2,5%;
h) Prevenção e reparação de situações de calamidade pública - 1,5%;
i) Associações de bombeiros voluntários - 2%;
j) Policiamento de espectáculos desportivos - 1,5%.

Artigo 17º

1 - Os montantes correspondentes às percentagens referidas na alínea c) do Nº 3 e na alínea


b) do Nº 4 do artigo 16º serão distribuídos em 40% e 60%, respectivamente, pelos Ministérios da
Segurança Social e do Trabalho e da Saúde.

70 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 84/85 Jogos

2 - Os montantes atribuídos ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social,


correspondentes às percentagens constantes da alínea d) do Nº 3 e da alínea d) do Nº 4 do artigo 16º,
destinam-se à cobertura parcial de despesas efectuadas pelas instituições de segurança social no
domínio da acção social.
3 - Os montantes correspondentes às percentagens constantes da alínea e) do Nº 4 do artigo
16º serão distribuídos de acordo com as seguintes regras:
a) Instituto Nacional do Desporto - 85%;
b) Ministério da Educação, para apoio ao desporto escolar e investimentos em infra-
estruturas desportivas escolares - 10%;
c) Instituto do Desporto da Madeira (IDRAM) - 2,5%;
d) Fundo Regional de Fomento do Desporto dos Açores (FRFD) - 2,5%.
4 - As verbas atribuídas por força das alíneas c) e d) do número anterior são processadas
directamente para os organismos referidos e deverão consignar um montante destinado ao apoio ao
desporto escolar e investimentos em infra-estruturas desportivas escolares.
5 - Os montantes correspondentes às percentagens constantes da alínea g) do Nº 3 e da alínea
i) do Nº 4 do artigo 16º serão atribuídos ao Ministério da Administração Interna, que procederá à
sua repartição pelas associações de bombeiros voluntários segundo critérios objectivos, a fixar por
portaria, ouvidos os representantes das associações interessadas, sem prejuízo da sua fixação por lei.
6 - Os montantes correspondentes às percentagens constantes da alínea e) do Nº 3 e da alínea
c) do Nº 4 do artigo 16º serão atribuídos ao Ministério da Segurança Social e do Trabalho e
destinam-se a apoiar as misericórdias e outras instituições particulares de solidariedade social que
prossigam modalidades de acção social, em termos a regulamentar.
7 - Os montantes correspondentes às percentagens constantes da alínea f) do Nº 3 e da alínea
h) do Nº 4 do artigo 16º serão transferidos para o Serviço Nacional de Protecção Civil.

Artigo 17º-A

1 - O montante previsto na alínea a) do Nº 3 do artigo 16º será entregue ao Fundo de


Fomento do Desporto, que o transferirá para a federação desportiva de futebol que for titular do
estatuto de utilidade pública desportiva ou, enquanto este não estiver regulamentado, do estatuto de
mera utilidade pública.
2 - As verbas referidas no número anterior serão repartidas da seguinte forma:
a) 20% para os clubes de futebol da I divisão;
b) 20% para os clubes de futebol da II divisão de honra;
c) 20% para os clubes de futebol da II divisão B;
d) 20% para os clubes de futebol da III divisão;
e) 20% para a federação de futebol referida no número anterior.
3 - A verba afecta a cada divisão nacional será repartida equitativamente entre os clubes que
dela façam parte, salvaguardando-se que cada clube concessionário do bingo receba um terço do
que caiba a cada clube não concessionário, respeitando-se ainda os factores de correcção referidos
nos números seguintes.
4 - Cada clube de futebol concessionário do bingo que no exercício terminado em 31 de
Dezembro do ano imediatamente anterior tiver tido receitas líquidas de exploração do jogo do bingo
superiores a € 49 879 700 receberá metade do que couber a um clube concessionário, nos termos do
disposto no número anterior; aqueles clubes concessionários que tiverem tido, em termos e de fonte
equivalente, receitas líquidas inferiores a € 24 939,85 serão, por seu turno, havidos como clubes não
concessionários para efeitos do número anterior.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 71


Jogos Decreto-Lei nº 84/85 Legislação Policial

5 - A verba afecta aos clubes de futebol da III divisão suportará os encargos adicionais
inerentes à deslocação, nas Regiões Autónomas ou no continente, das equipas abrangidas pela série
que compreende as equipas das Regiões Autónomas (actual série E), nos termos que forem
regulamentados pela Federação Portuguesa de Futebol, sendo o remanescente repartido pelos clubes
de futebol da III divisão com observância do disposto nos números anteriores.
6 - Para efeitos do disposto neste artigo, a Inspecção-Geral de Jogos fornecerá à Federação
Portuguesa de Futebol informação anual sobre os montantes de receitas líquidas apuradas por cada
clube de futebol concessionário do bingo.
Artigo 17º-B

Da verba que lhe for atribuída nos termos da alínea a) do Nº 3 do artigo 17º, o Instituto
Nacional do Desporto reservará até 10% para suportar os encargos com a deslocação, por via aérea,
entre o continente e as Regiões Autónomas, de equipas de futebol que disputem os campeonatos das
quatro divisões nacionais, a Taça de Portugal, as provas de apuramento e a fase final do
Campeonato Nacional de Juniores e com a deslocação das respectivas equipas de arbitragem, sem
prejuízo do disposto no artigo 17º-D; o remanescente desta verba cativada constituirá receita geral
do Instituto Nacional do Desporto.
Artigo 18º

1 - A gestão do Departamento de Apostas Mútuas cabe à mesa da Santa Casa da


Misericórdia de Lisboa, acrescendo aos seus membros, para este efeito, um representante do
Ministro das Finanças e do Plano, um representante do Ministro da Segurança Social e do Trabalho,
um representante do Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente e o director do
Departamento de Apostas Mútuas.
2 - A competência e o funcionamento do órgão de gestão referido no número anterior serão
definidos no decreto regulamentar a que se refere o Nº 4 do artigo 19º.
Artigo 19º

1 - A execução das tarefas respeitantes à exploração dos concursos de apostas mútuas cabe,
na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ao Departamento de Apostas Mútuas, que sucede ao
Departamento de Apostas Mútuas Desportivas, criado pelo artigo 17º do Decreto-Lei Nº 43
777/1961, de 3 de Julho.
2 - O Departamento de Apostas Mútuas é dotado de autonomia financeira, orçamento e
contas próprias, caracterizados pela existência de administração e contabilidade privativas.
3 - O Departamento de Apostas Mútuas ficará sujeito a fiscalização por parte da Inspecção-
Geral de Finanças, de harmonia com as atribuições e competências que lhe estão cometidas por lei.
4 - O estatuto do Departamento de Apostas Mútuas, sem prejuízo do que venha a ser
definido estatutariamente para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, será objecto de decreto
regulamentar.
Artigo 20º

Os horários de trabalho do pessoal do Departamento de Apostas Mútuas serão estabelecidos


por despacho do Ministro da Segurança Social e do Trabalho, de harmonia com as características e
conveniências dos serviços.
Artigo 21º

1 - Para a execução dos trabalhos relativos às diferentes operações dos concursos, poderá o
Departamento de Apostas Mútuas, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, recorrer a pessoal
externo, mediante a celebração de contratos, em regime de tarefa, os quais definirão o trabalho a
realizar e as remunerações a praticar.
72 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 84/85 Jogos

2 - Os contratos referidos no número anterior serão obrigatoriamente reduzidos a escrito,


deles constando o prazo, as condições de rescisão e a menção de que não conferem, em caso algum,
a qualidade de funcionário ou agente administrativo.
Artigo 22º
Constituem contra-ordenação a introdução, venda, distribuição ou publicidade de bilhetes de
concursos de apostas mútuas estrangeiros, punível com coima não inferior a € 997,59 nem superior
ao triplo do presumível valor das referidas operações, quando mais elevado do que aquele limite.
Artigo 23º

1 - Constituem contra-ordenação a promoção, organização ou exploração de concursos de


apostas mútuas ou outros sorteios idênticos aos que o presente diploma regula, com violação do
regime de exclusivo estabelecido no artigo 1º, bem como a emissão, distribuição ou venda dos
respectivos bilhetes ou boletins e a publicitação da sua realização.
2 - Constitui igualmente contra-ordenação a participação em concurso de apostas mútuas ou
sorteios idênticos realizados com violação do regime de exclusivo estabelecido no artigo 1º.
3 - A contra-ordenação prevista no Nº 1 é punível com coima não inferior a € 24,94 nem
superior ao triplo da presumível receita global dos concursos, quando mais elevado do que aquele
limite, valores estes fixados no dobro em caso de reincidência.
4 - A contra-ordenação prevista no Nº 2 é punível com coima não inferior a € 4,99 nem
superior ao valor da aposta, quando mais elevado do que aquele limite.
5 - Como sanção acessória de contra-ordenação estabelecida no Nº 1 e Nº 2 deste artigo
poderá ser determinada, no todo ou em parte, a apreensão e perda de bens ou valores utilizados para
a perpetração da infracção, incluindo os destinados a prémios ou que como tal hajam sido
distribuídos.
6 - É competente para aplicação das sanções previstas no presente diploma a mesa da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa para a gerência das apostas mútuas, e o produto das coimas e da
venda dos bens e valores apreendidos integrará o produto líquido da exploração dos concursos.
Artigo 24º

É autorizada a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a abrir conta em qualquer


estabelecimento bancário, a fim de facilitar a gestão de valores ou em geral as relações de natureza
comercial conexas com os concursos regulados pelo presente diploma.
Artigo 25º

Os encargos com o início da exploração do totoloto serão suportados pela exploração do


totobola.
Artigo 26º
São revogados, na parte prejudicada pelo disposto no presente diploma:
a) O Decreto-Lei Nº 43 777/1961, de 3 de Julho;
b) O Decreto-Lei Nº 47 866/1967, de 28 de Agosto;
c) O Decreto-Lei Nº 720/1976, de 9 de Outubro;
d) O Decreto-Lei Nº 382/1982, de 15 de Setembro;
e) O Decreto-Lei Nº 280/1984, de 13 de Agosto.

Artigo 27º

O presente diploma produz efeitos a partir do dia 15 de Março, com excepção do regime de
repartição de receitas previsto no Nº 2 do artigo 16º, o qual produzirá efeitos a partir do início da
exploração do Totoloto.

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Jogos Decreto-Lei nº 84/85 Legislação Policial

74 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

Portaria Nº 39/2004 de 12 de Janeiro


Considerando que o actual sistema do Totobola tem vindo ao longo da última década a
verificar um decréscimo de receitas, torna-se necessário revitalizar o primeiro concurso de apostas
mútuas desportivas lançado em Portugal, há mais de 40 anos, tendo em atenção o desenvolvimento
e as alterações verificadas no fomento do futebol.
Procede-se a um aumento da percentagem líquida para prémios, que agora passa de 50%
para 55%, facto que permite elevar o valor dos prémios tradicionais do Totobola, bem como criar
um novo prémio, atribuído aos apostadores que acertem cumulativamente em todos os resultados
dos 13 jogos base e no resultado em número de golos do 14º jogo, denominado «Super 14»,
conduzindo, assim, à necessária revitalização deste emblemático jogo social.
Considerando que o preço da aposta no Totobola não sofre alteração desde Maio de 1998,
actualiza-se o valor da aposta para níveis considerados razoáveis, na sequência de avaliação do
mercado efectuada.
Considerando a entrada, para breve, em funcionamento da plataforma de acesso multicanal,
que permite ao público em geral a realização das apostas nos jogos sociais do Estado através,
nomeadamente do Multibanco, Internet e SMS, com vantagens acrescidas de comodidade e
celeridade, faz-se desde já referência expressa a esse modo de registo de apostas.
Assim:
Nos termos do disposto no artigo 4º do Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março, e do Nº 2
do artigo 3º do Regulamento do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,
aprovado pelo Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto:
Manda o Governo, pelos Ministros da Saúde e da Segurança Social e do Trabalho, o
seguinte:

1º É aprovado o Regulamento do Totobola, que se publica em anexo à presente portaria, dela


fazendo parte integrante.
2º É revogada a Portaria Nº 549/2001, de 31 de Maio, na redacção dada pela Portaria Nº 1048/2001,
de 1 de Setembro.
3º O Regulamento do Totobola produz efeitos a partir de 18 de Janeiro de 2004.
4º A presente portaria entra em vigor no dia imediato ao da sua publicação.

Em 16 de Dezembro de 2003.

O Ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira. - O Ministro da Segurança Social e do Trabalho, António
José de Castro Bagão Félix.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 75


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

ANEXO

REGULAMENTO DO TOTOBOLA

Artigo 1º
Objecto

1 - O presente Regulamento estabelece as normas de participação no jogo social do Estado


denominado «Totobola», que consiste nos concursos de apostas mútuas sobre resultados de jogos
de futebol organizados, segundo a estrutura definida no número seguinte, nos termos da lei em
vigor, pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, adiante designado
por Departamento de Jogos.
2 - O Totobola é organizado numa grelha com 13 jogos base, nos quais se prognostica o resultado
de vitória, empate ou derrota, e um jogo, denominado «Super 14», no qual se prognostica o
número de golos de cada uma das equipas em jogo.

Artigo 2º
Concursos

1 - Os concursos referidos no artigo anterior podem ser normais, caso em que têm periodicidade
semanal, e extraordinários.
2 - Para efeitos dos concursos normais, a 1ª semana do ano é aquela que contiver o 1º domingo
desse ano.
3 - A data fixada para os concursos normais será a de domingo.
4 - A data e os prazos de recepção de apostas para concursos extraordinários são fixados pelo
Departamento de Jogos.

Artigo 3º
Condições de participação nos concursos

1 - A participação nos concursos do Totobola inicia-se com o registo das apostas e pagamento do
respectivo preço, nos termos da lei e do presente Regulamento.
2 - Tal participação pressupõe o integral conhecimento, adesão e plena aceitação das referidas
normas.
3 - A participação só se torna efectiva quando estiverem reunidas todas as condições regulamentares
de validade das apostas.
4 - Para participar nos concursos do Totobola apenas poderão ser utilizados os bilhetes emitidos
pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nos termos do presente
Regulamento, sem prejuízo do disposto no artigo 6º, Nº 4.

Artigo 4º
Preço da aposta

O preço de cada aposta é fixado em € 0,30.

Artigo 5º
Distribuição das receitas para prémios

1 - Da receita de cada concurso, constituída pelo valor do montante total das apostas admitidas, é
destinada a prémios a importância correspondente a 55%.

76 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

2 - A importância destinada a prémios, depois de deduzidos os encargos legais que sobre ela
recaírem, é dividida pelas quatro categorias de prémios do seguinte modo:

a) 1º prémio - 30%;
b) 2º prémio - 25%;
c) 3º prémio - 25%;
d) Super 14 - 20%.

3 - Têm direito a prémio as apostas que apresentem os seguintes resultados:

a) Ao 1º, as que tenham todos os resultados certos nos 13 jogos base;


b) Ao 2º, as que tenham um só resultado errado nos 13 jogos base;
c) Ao 3º, as que tenham dois resultados errados nos 13 jogos base;
d) Ao Super 14, todas aquelas que, além de terem todos os resultados certos nos 13 jogos
base, acertem cumulativamente no resultado em número de golos do 14º jogo, nos termos
do número seguinte.

4 - Por cada recibo de apostas haverá direito a um único prémio da categoria Super 14.
5 - Os prémios a que têm direito as apostas múltiplas, nas condições da alínea a), alínea b) e alínea
c) do Nº 3, constam da tabela II em anexo ao presente Regulamento.
6 - Quando não forem escrutinadas apostas com direito ao 1º prémio, o montante a ele destinado irá
acrescer:

a) Nos concursos normais, ao Super 14 do concurso normal imediatamente seguinte;


b) Nos concursos extraordinários, ao montante do Super 14 do segundo concurso subsequente.

7 - Quando não forem escrutinadas apostas com direito ao 2º prémio, o respectivo montante acresce
ao do 3º prémio; quando não forem escrutinadas apostas com direito ao 3º prémio, o respectivo
montante acresce ao do 2º prémio.
8 - Quando não forem escrutinadas apostas com direito ao 2º nem ao 3º prémios, os respectivos
montantes acrescem ao montante do 1º prémio.
9 - Quando não forem escrutinadas apostas com direito a qualquer das três primeiras categorias de
prémios, e por consequência ao Super 14, os montantes correspondentes acrescem ao montante
que vier a ser apurado para o prémio Super 14 do concurso normal imediatamente seguinte.
10 - Nos concursos extraordinários, os montantes acrescem ao que vier a ser apurado para o prémio
Super 14 do segundo concurso subsequente.
11 - Quando não forem escrutinadas apostas com direito ao prémio Super 14, o montante a ele
destinado, salvo o disposto no número seguinte, irá acrescer:

a) Nos concursos normais, ao montante do prémio Super 14 do concurso normal


imediatamente seguinte;
b) Nos concursos extraordinários, ao montante do Super 14 do segundo concurso subsequente.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 77


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

12 - Se o prémio Super 14 não vier a ser atribuído durante oito concursos consecutivos, o montante
acumulado acrescerá ao montante do prémio Super 14 do concurso imediatamente seguinte, ou,
caso não haja qualquer recibo com direito ao prémio Super 14, ao montante do 1º prémio desse
concurso.
13 - Se a situação de ausência dos prémios descrita no número anterior se mantiver, o montante
acumulado transitará, nos mesmos termos, para o 1º concurso subsequente e assim
sucessivamente até ser atribuído.
14 - A importância de cada classe de prémios é repartida em quinhões iguais pelas apostas
premiadas de cada uma das categorias de prémios referidas no Nº 3, arredondada para a quantia
em cêntimos imediatamente inferior.
15 - Se o quinhão de cada uma das apostas com direito a prémio for menor do que o quinhão que
cabe a cada uma das apostas com direito a prémio da categoria imediatamente inferior, os
montantes correspondentes às duas categorias são adicionados, sendo o total dividido entre
ambas, em quinhões iguais.

Artigo 6º
Prognósticos

1 - Os prognósticos nos jogos base entendem-se como vitória, empate ou derrota da equipa visitada,
consoante estejam marcados nos rectângulos da esquerda, «1», do meio, «X», ou da direita, «2»,
respectivamente, considerando-se equipa visitada a mencionada em primeiro lugar, mesmo que
venha a ocorrer troca de campo de jogo.
2 - O prognóstico do 14º jogo da grelha consiste em predizer o número de golos de ambas as
equipas de um jogo, só se formando pela indicação do conjunto de duas marcações, indicando a
primeira o número de golos obtidos pela equipa visitada e a segunda o número de golos obtidos
pela equipa visitante. Para cada equipa será assinalado, em alternativa, «0», «1» ou «M»
correspondendo o «M» a 2 ou mais golos.
3 - Os prognósticos fazem-se pela marcação de uma cruz «X», cujo ponto de intersecção deverá
estar dentro dos rectângulos, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
4 - Os prognósticos podem ser digitados directamente no terminal pelo mediador dos jogos da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa, pelo apostador em periférico directamente ligado ao terminal, ou
através da utilização de outros meios e suportes de registo de apostas, nomeadamente a Internet,
telefone móvel ou fixo, televisão ou outro, nos termos de diploma legal próprio.
5 - Os prognósticos para cada concurso recaem sobre o resultado final dos 13 jogos base, sendo o
prognóstico do jogo Super 14, um único, e servirá para todas as apostas do bilhete.
6 - Os resultados a prognosticar podem ser os verificados na primeira parte de todos ou alguns dos
jogos do concurso, devendo tal modalidade constar claramente nos bilhetes e ser divulgada
publicamente pela direcção do Departamento de Jogos.
7 - Além dos 13 jogos base, devidamente ordenados na grelha, e do jogo Super 14, o Departamento
de Jogos indicará e publicitará três jogos de reserva, que em caso de necessidade substituirão os
jogos referidos, pela ordem em que estão indicados, sendo o primeiro jogo de reserva utilizado
para substituir o jogo que tiver na grelha do bilhete a numeração mais baixa e assim
sucessivamente.
Artigo 7º
Apostas

1 - Os prognósticos inscritos numa coluna do bilhete, aos quais corresponde um preço, constituem
uma aposta.

78 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

2 - As apostas podem preencher-se numa de duas modalidades: simples e múltiplas.


3 - As apostas simples agrupam-se em pares de colunas.
4 - As apostas múltiplas são inscritas, obrigatoriamente, na primeira coluna.
5 - As apostas registadas e não anuladas nos termos do presente diploma são obrigatoriamente pagas
pelo mediador nos termos do regulamento respectivo.

Artigo 8º
Apostas simples

1 - O preenchimento das apostas simples faz-se pela marcação, em cada coluna, de um prognóstico
por cada jogo.
2 - As apostas simples, sempre em número par, inscrevem-se em sequência contínua de colunas,
começando obrigatoriamente pela primeira coluna.

Artigo 9º
Apostas múltiplas

1 - O preenchimento das apostas múltiplas faz-se pela marcação de um até três prognósticos por
jogo base, formando-se sistemas de apostas múltiplas, de acordo com a tabela I anexa ao presente
Regulamento, a inscrever obrigatoriamente na primeira coluna e assinalados no local do bilhete a
isso destinado.
2 - Mediante publicação prévia junto do público em geral, o Departamento de Jogos pode criar
outras apostas múltiplas.

Artigo 10º
Registo e validação de apostas

1 - O sistema de registo e validação de apostas é informático.


2 - O sistema referido no número anterior apenas pode operar nos estabelecimentos e locais
autorizados pelo Departamento de Jogos para efectuar a aceitação de apostas.

Artigo 11º
Mediadores dos jogos

1 - Os mediadores dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa são representantes dos
concorrentes junto do Departamento de Jogos e agem exclusivamente nessa qualidade.
2 - Os erros ou omissões cometidos pelos mediadores dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa no exercício das suas funções não são imputáveis ao Departamento de Jogos.
3 - Os mediadores dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa representam os jogadores
junto do Departamento de Jogos, não representando, em caso algum, o Departamento de Jogos
junto dos jogadores.
4 - O mediador é responsável perante o Departamento de Jogos pelo pagamento do preço de todas
as apostas registadas através dos terminais de jogo que lhe estão atribuídos e que não tenham
sido anuladas nos termos do presente Regulamento.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 79


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

Artigo 12º
Sistema de registo e validação de apostas

1 - O registo de apostas pode processar-se:

a) Mediante a apresentação dos bilhetes emitidos pelo Departamento de Jogos nos quais se
tenham inscrito os prognósticos de acordo com as normas do presente Regulamento;
b) Por digitação no terminal, nos termos do Nº 4 do artigo 6º dos prognósticos do jogador.

2 - A inscrição dos prognósticos nos bilhetes não pode ser feita a tinta vermelha.
3 - Para efeitos do presente artigo, o bilhete referido na alínea a) do Nº 1, depois de preenchido com
os prognósticos, serve unicamente como suporte da leitura, pelo que carece de qualquer outro
valor.
4 - Os dados referentes às apostas apresentadas nos terminais dos mediadores dos jogos da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa são transmitidos ao sistema central para registo e validação.
5 - Sem a validação e registo no sistema central dos dados apresentados nos terminais as apostas não
participam no concurso.
6 - Após a validação, o terminal emite o recibo respectivo, no qual constam os seguintes dados:

a) Tipo de jogo;
b) Concurso(s) e semana(s) em que participa;
c) Prognósticos efectuados;
d) Número do JOKER, se o houver ou «NÃO» ao JOKER;
e) Número de apostas;
f) Valor das apostas;
g) Números de identificação comercial (NIC) e de controlo;
h) Dia e hora em que é efectuado o registo e validação no sistema central.

7 - Para todos os efeitos, o recibo será identificado pelos números de controlo que nele figuram.
8 - O mediador de jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não pode entregar o recibo ao
jogador antes de receber o pagamento correspondente.
9 - Quando o jogador não pague imediatamente as apostas efectuadas, as mesmas serão anuladas
pelo mediador: tal facto constará de um novo recibo emitido pelo terminal, que, juntamente com
o recibo anulado, será enviado ao Departamento de Jogos pelo mediador dos jogos da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa, não podendo em caso algum ser entregue ao jogador.
10 - As apostas podem ser anuladas no terminal onde foram registadas nos vinte minutos posteriores
ao registo, ou até à hora de encerramento da aceitação de apostas para o concurso a que
respeitem, conforme o que ocorrer primeiro, sendo sempre emitido recibo de cancelamento.
11 - O recibo anulado nunca é entregue ao jogador.
12 - O recibo emitido através do terminal de jogo é o único título válido para solicitar o pagamento
dos prémios e constitui a única prova de participação nos concursos.

80 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

13 - A participação nos concursos é válida quando:


a) As apostas tenham sido registadas validamente e não tenham sido anuladas nos suportes
informáticos do sistema central, de acordo com os requisitos e procedimentos estabelecidos
no presente Regulamento;
b) A cópia de segurança dos referidos suportes se encontre em poder do júri dos concursos e
arquivada, sob sua custódia, em lugar de segurança, antes da hora do começo dos jogos do
concurso.

14 - Para todos os efeitos, entender-se-á como cópia de segurança dos registos existentes no sistema
central os suportes informáticos obtidos a partir daquele, materializados em disco óptico, cassete,
banda magnética, ou outro, em que se encontrem gravadas as apostas correspondentes a cada
concurso.
15 - O Departamento de Jogos pode criar o cartão de jogador, no qual constam os prognósticos do
jogador e ou a identificação do mesmo pelo número e código de segurança, o número da conta
bancária a debitar/creditar e o saldo para jogo.
16 - O Departamento de Jogos poderá autorizar a utilização de outros meios e suportes para o
registo de apostas, nomeadamente telefone fixo ou móvel, Internet, televisão ou qualquer outro
que venha a ser considerado pela direcção do Departamento de Jogos, nos termos de diploma
legal próprio.
17 - Relativamente às apostas efectuadas com utilização dos meios previstos no número anterior, as
únicas provas de participação nos concursos são os registos informáticos do sistema central do
Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e as respectivas cópias de
segurança.

Artigo 13º
Bilhetes

1 - As apostas efectuadas mediante a utilização de bilhetes só poderão ser validadas se forem


utilizados bilhetes emitidos para o efeito pelo Departamento de Jogos.
2 - Os bilhetes referidos no número anterior estão à disposição dos concorrentes nos
estabelecimentos autorizados.
3 - Dos bilhetes consta um extracto das regras essenciais de participação no jogo e pagamento dos
prémios.
4 - Há três espécies de bilhetes:

a) Normais - destinados aos concursos semanais, com a indicação dos jogos neles incluídos,
da data e do número da semana;
b) Especiais - destinados também aos concursos normais, mas sem indicação dos jogos, da
data e do número da semana;
c) Extraordinários-destinados aos concursos extraordinários, com ou sem a indicação dos
jogos neles incluídos, da data e do número do concurso.

5 - Os bilhetes normais e os especiais servem para suporte de leitura para participação no concurso
em que forem lidos pelo terminal de jogo, qualquer que seja o número da semana a que respeitem
e os jogos deles constantes; os bilhetes extraordinários apenas podem ser utilizados em concursos
extraordinários.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 81


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

6 - Podem ser incluídos nos bilhetes do Totobola os jogos de futebol que se realizem às segundas-
feiras.
7 - Os bilhetes estão divididos em colunas numeradas, subdivididas em rectângulos para a marcação
dos prognósticos.
8 - Nos bilhetes figuram dois rectângulos para participação no concurso semanal do JOKER, um
com a palavra «SIM» e outro com a palavra «NÃO».
9 - Em situações especiais, a decidir pela direcção do Departamento de Jogos, os bilhetes dos
concursos extraordinárias poderão não incluir a possibilidade de participação no JOKER.
10 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, cada bilhete tem pré-impresso o número do
JOKER, que consiste num número de impressão de sete algarismos.

Artigo 14º
Júri dos concursos

1 - Ao júri dos concursos, com a constituição fixada no artigo 8º do Regulamento do Departamento


de Jogos, anexo ao Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto, compete:

a) A recepção e a guarda em segurança da cópia dos registos das apostas efectuadas através do
sistema de registo e validação de apostas, prevista no artigo 12º, Nº 13, alínea b), e Nº 14;
b) A comprovação do direito a prémio, a qual tem lugar através da leitura das cópias de
segurança, mencionada no artigo 12º, Nº 13, alínea b), as quais se encontram em poder do
júri dos concursos.

2 - Das operações previstas no número anterior será lavrada a correspondente acta.

Artigo 15º
Resultados dos jogos

1 - Considera-se resultado final de um jogo base a vitória, o empate ou a derrota da equipa


mencionada em primeiro lugar, verificados no fim do tempo regulamentar desse jogo, sem
recurso a prolongamento ou processo de desempate forçado.
2 - Considera-se resultado final do jogo Super 14 o número de golos, obtidos ou não, por cada uma
das equipas em confronto, verificados no fim do tempo regulamentar desse jogo, sem recurso a
prolongamento ou processo de desempate forçado.
3 - Se, por qualquer motivo, um jogo for suspenso depois de iniciado e não recomeçar até ao dia
imediato ao da data do concurso, considera-se como resultado válido o que se verificar no
momento da suspensão.
4 - Quando qualquer dos jogos não se realizar, for adiado para além do dia imediato ao da data do
concurso ou se iniciar antes da entrega ao júri da cópia de segurança do suporte magnético
referido no artigo 12º, o resultado válido é obtido:

a) Por recurso aos jogos de reserva, quando o Departamento de Jogos tenha tomado
conhecimento oficial da situação desse ou desses jogos e a respectiva divulgação pública se
verifique até ao dia anterior ao início do registo das apostas para esse concurso;
b) Por sorteio público, a realizar nos termos do artigo seguinte, quando esse conhecimento e
divulgação se verifique já com o registo das apostas a decorrer.

82 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

5 - Se o número de jogos nas condições indicadas no Nº 3 ultrapassar o número de jogos de reserva,


os três jogos base de número mais baixo serão substituídos pelos de reserva e os resultados dos
jogos restantes, incluindo o do jogo Super 14, são obtidos por sorteio público, a realizar nos
termos do artigo seguinte.
6 – O Departamento de Jogos não é obrigado a divulgar as determinações dos organismos oficiais
que alterem a data, a hora ou o lugar dos jogos.

Artigo 16º
Sorteio de resultados

1 - O sorteio de resultados, a que se refere o Nº 4 do artigo anterior efectua-se mediante a extracção,


repetida para cada jogo base, de 1 de 12 bolas homogéneas, iguais em material, volume e peso e
previamente introduzidas numa esfera.
2 - As bolas a introduzir na esfera são marcadas com símbolos (1), (X) e (2), em número
proporcional aos prognósticos que, para tal efeito, hajam sido emitidos por órgãos de
comunicação social participantes no concurso semanal de prognósticos especialmente a eles
destinado.
3 - Se algum dos três resultados possíveis de um jogo base não constar dos prognósticos referidos
no número anterior, acrescenta-se na esfera uma bola com o símbolo desse resultado.
4 - O resultado do sorteio só se concretiza quando a respectiva bola sair completamente fora da
esfera, não existindo antes desse momento.
5 - O sorteio efectua-se logo que haja conhecimento de todos os jogos antecipados, adiados ou não
realizados, é público, é presidido e fiscalizado pelo júri dos concursos e dos respectivos
resultados será imediatamente lavrada a respectiva acta.
6 - Todas as semanas os órgãos de comunicação social da imprensa escrita, que se inscrevam no
Departamento de Jogos, são convidados a apresentar os seus prognósticos, com os quais se
apurará a proporção em que os mesmos participarão no sorteio.
7 - Este sorteio habilitará os órgãos de comunicação social participantes a um prémio.
8 - As normas e os prémios a que se habilitam os órgãos de comunicação social participantes são
definidos em regulamento autónomo aprovado pela direcção do Departamento de Jogos.
9 - Quando nenhum órgão de comunicação social envie os prognósticos referidos no Nº 6, a
proporção será encontrada com base nos resultados verificados entre as equipas em causa nos
últimos três anos.
10 - Quando não seja possível apurar a proporção nos termos dos números anteriores será
introduzido o mesmo número de bolas para cada prognóstico.
11 - Quando o sorteio tiver lugar para obtenção do jogo Super 14, será extraída uma de nove bolas
marcadas com os resultados 0-0, 0-1, 0-M, 1-0, 1-1, 1-M, M-0, M-1 e M-M.

Artigo 17º
Escrutínio

1 - O escrutínio é o conjunto de operações pelas quais se procede ao apuramento do direito aos


prémios.
2 - A partir das apostas que participaram no concurso através do sistema de registo e validação
informático de apostas é gerado no sistema central um ficheiro de apostas premiadas,
classificadas por categorias de prémios.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 83


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

3 - O sistema informático central fornecerá ao júri dos concursos e aos serviços de escrutínio
informação detalhada da receita obtida e do número de prémios por categoria de cada concurso.
4 - O controlo dos prémios será efectuado pelo júri dos concursos, por comparação com a cópia de
segurança prevista no artigo 12º, Nº 13, alínea b), prevalecendo esta em caso de dúvida.
5 - O controlo das apostas premiadas será feito:

a) Por amostragem, quando os respectivos valores forem inferiores a € 1000;


b) Na totalidade, quando iguais ou superiores a € 1000;
c) Directamente pelo júri dos concursos, quando iguais ou superiores a € 2500.

6 - Concluído o controlo de prémios, o júri dos concursos confirmará ou rectificará, aos serviços de
escrutínio, a informação detalhada sobre as quantidades de prémios por categorias, para que se
proceda à identificação do valor que corresponder a cada aposta premiada.

Artigo 18º
Divulgação das apostas premiadas

1 - O número provisório das apostas premiadas em cada concurso e o valor dos respectivos quinhões
são divulgados pelos terminais de apostas nos mediadores, pelos órgãos de comunicação social,
pela Internet e constam de um cartaz informativo afixado nos estabelecimentos autorizados pelo
Departamento de Jogos.
2 - Quando haja alteração dos resultados provisórios, o número definitivo das apostas premiadas
bem como o valor dos respectivos quinhões são tornados públicos através do cartaz referido no
número anterior, após o julgamento das reclamações, nos termos do artigo 20º.

Artigo 19º
Pagamento de prémios

1 - Os prémios são pagos pelos mediadores dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou
pelas entidades bancárias expressamente autorizadas pelo Departamento de Jogos, nas condições
que este determine.
2 - O pagamento dos prémios obedece aos seguintes trâmites:
a) O mediador dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa procede à leitura, através do
terminal, do recibo emitido informaticamente, o qual compara os códigos de registo e
segurança com os constantes no sistema central, apresenta mensagem, indicando o valor do
prémio e, após confirmação do mediador, emite recibo do pagamento do prémio pelo
mediador ou dá informação de que o prémio é pago num estabelecimento bancário
autorizado;
b) Quando esse valor for igual ou inferior a € 50, é pago em qualquer mediador dos jogos da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, independentemente daquele onde foi registada
aposta;
c) Caso o mediador de jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não tenha
disponibilidade de caixa para fazer o pagamento, o jogador pode dirigir-se a qualquer outro
estabelecimento autorizado, dirigir-se directamente ao Departamento de Jogos, ou aguardar
que exista disponibilidade por parte do mediador primeiramente solicitado;
d) A efectivação do pagamento ficará sempre registada no sistema central e dará origem à
emissão de um recibo comprovativo, que ficará na posse do mediador dos jogos da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa;

84 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

e) Quando o valor do prémio for superior € 50, será pago num estabelecimento bancário,
através da apresentação cumulativa do recibo da aposta e do cheque ou ordem de
pagamento emitida pelo Departamento de Jogos, previamente enviado ao mediador através
do qual foi efectuada a aposta;
f) Os prémios superiores a € 50 poderão vir a ser pagos por crédito na conta bancária do
jogador, mediante solicitação deste, nos termos que vierem a ser definidos pela direcção do
Departamento de Jogos;
g) Quando o recibo emitido pelo terminal do sistema de registo e validação informático não
for lido num terminal, pode o jogador enviar o mesmo para o Departamento de Jogos, que
comprovará a sua autenticidade e, caso se verifique que o recibo incorpora o direito a
prémio, emitirá outro documento que permita o respectivo pagamento.

3 - O pagamento dos prémios de apostas registadas no sistema de registo e validação informático


iniciar-se-á no 1º dia útil após a data da realização do último jogo incluído no concurso, para os
prémios de montante inferior a € 1000.
4 - Os prémios de valor superior € 50 também podem ser pagos pelos mediadores dos jogos da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que posteriormente receberão as importâncias
desembolsadas no estabelecimento bancário através do qual se processem as demais transacções
entre o Departamento de Jogos e o mediador dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
5 - As ordens de pagamento não reclamadas de valor superior a € 50 têm de ser devolvidas pelos
mediadores dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ao Departamento de Jogos, 45
dias após a data do concurso.
6 - Os prémios iguais ou superiores a € 1000 são pagos após o julgamento das reclamações.
7 - O direito aos prémios caduca decorridos 90 dias sobre a data da realização do último jogo do
concurso a que respeita.
8 - A verificação do direito a um prémio no sistema central mediante apresentação e leitura de um
recibo premiado em qualquer mediador oficial de jogo que disponha de terminal interrompe o
prazo de caducidade, independentemente do momento em que o valor do prémio entre na posse
do jogador, através de ordem de pagamento, cheque ou transferência bancária.
9 - Os prémios atribuídos a incapazes só podem ser pagos aos seus legais representantes.
10 - Sempre que o prémio seja de valor igual ou superior ao estabelecido no Decreto-Lei Nº
325/1995, de 2 de Dezembro, é obrigatória a identificação do apresentante do título através de
documento de identificação com fotografia, nos termos ali estabelecidos.

Artigo 20º
Reclamações

1 - Todo o possuidor de um recibo emitido pelo terminal de jogos, e que tendo apresentado o
mesmo para pagamento num mediador dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa seja
informado que não tem direito a prémio, que o prémio já foi pago, ou que existe algum outro
motivo que impeça o seu pagamento, tem o direito de reclamar.
2 - As reclamações são apresentadas por escrito, em formulário próprio, a fornecer pelos mediadores
oficiais dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a entregar no Departamento de
Jogos.
3 - As reclamações também podem ser apresentadas por telegrama, correio electrónico, telecópia ou
telex, desde que sejam indicados, pelo menos, os seguintes elementos:
a) Nome completo e morada do reclamante;

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 85


Jogos Portaria nº 39/04 Legislação Policial

b) Semana a que se reporta o concurso e data do mesmo;


c) Número do terminal que registou a aposta, ou, não sendo possível, o número do mediador e
o local do estabelecimento;
d) Números de controlo do recibo;
e) Motivo da reclamação.

4 - O prazo para apresentação de reclamação conta-se a partir do último jogo do concurso a que
respeita e é de 12 dias para os prémios de valor igual ou superior a € 1000, e de 60 dias para os
outros, salvo no caso de acumulação com prémios de valor superior a € 1000, em que o prazo é
de 12 dias.
5 - O prazo é de caducidade, não sendo considerada qualquer reclamação que dê entrada no
Departamento de Jogos fora do prazo.

Artigo 21º
Júri de reclamações

1 - As reclamações são julgadas por um júri, constituído nos termos do artigo 16º do Regulamento
do Departamento de Jogos, anexo ao Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto.
2 - Deste júri não pode fazer parte quem tenha tido intervenção na decisão reclamada.
3 - Das deliberações do júri de reclamações apenas haverá recurso contencioso de anulação para o
Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, nos termos da legislação aplicável.

Artigo 22º
Fraudes

A prática de actos fraudulentos com vista ao recebimento de prémios, nomeadamente a


falsificação dos recibos emitidos através do terminal, é objecto de participação para efeitos de
procedimento criminal, nos termos da lei geral.

Artigo 23º
Casos omissos

Os casos omissos e os duvidosos são resolvidos pela direcção do Departamento de Jogos,


excepto em matéria de atribuição de prémios, em que é competente o júri de reclamações.

Artigo 24º
Tabelas

São publicadas em anexo ao presente Regulamento as tabelas I e II, relativas,


respectivamente, aos sistemas de apostas múltiplas e aos prémios em apostas múltiplas, as quais
fazem parte integrante do presente Regulamento.

86 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 39/04 Jogos

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90 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 282/03 Jogos

Decreto-Lei Nº 282/2003 de 8 de Novembro


O presente diploma visa disciplinar o registo de apostas nos jogos sociais do Estado, cuja
exploração foi concedida à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nomeadamente pelo Decreto-Lei
Nº 84/1985, de 28 de Março, republicado em anexo ao Decreto-Lei Nº 317/2002, de 27 de
Dezembro, e alterado pelo Decreto-Lei Nº 37/2003, de 6 de Março, ou daqueles cuja exploração lhe
venha a ser atribuída através da plataforma de acesso multicanal.
A plataforma de acesso multicanal permite que as apostas possam ser efectuadas por via
electrónica, através da Internet, telemóvel, multibanco, telefone fixo, televisão, televisão interactiva
e por cabo, entre outros meios.
O apostador tem agora ao seu dispor uma panóplia de meios que lhe permitem de uma forma
mais cómoda, expedita e rápida efectuar as apostas nos diversos jogos sociais.
Assim:

Nos termos da alínea a) do Nº 1 do artigo 198º da Constituição, o Governo decreta o


seguinte:

Artigo 1º
Objecto

O presente diploma estabelece a disciplina normativa da exploração, em suporte electrónico,


dos jogos sociais do Estado, nomeadamente lotarias e apostas mútuas, ou quaisquer outros jogos
cuja exploração venha a ser atribuída à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nos termos do
disposto no artigo 1º do anexo II do Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto, através de uma
plataforma de acesso multicanal que inclui a utilização integrada do sistema informático do
Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, dos terminais da rede informática
interbancária denominada «Multibanco», da Internet, telemóvel, telefone, televisão, incluindo por
satélite e por cabo e televisão interactiva, entre outros meios.

Artigo 2º
Âmbito

A exploração referida no artigo anterior é efectuada em regime de exclusivo, para todo o


território nacional, incluindo o espaço radioeléctrico, o espectro herteziano terrestre analógico e
digital, a Internet, bem como quaisquer outras redes públicas de telecomunicações, pela Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa através do seu Departamento de Jogos, nos termos dos diplomas que
regulam cada um dos jogos e do Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto.

Artigo 3º
Contrato de jogo

1 - O contrato de jogo é celebrado directamente entre o jogador e o Departamento de Jogos da Santa


Casa da Misericórdia de Lisboa com ou sem intervenção dos mediadores.
2 - O contrato de jogo é aquele através do qual uma das partes, mediante o pagamento de uma
quantia certa, adquire números ou prognósticos com os quais se habilita, como contrapartida da
prestação, ao recebimento de um prémio, de montante fixo ou variável, a pagar pela outra parte,
conforme o resultado de uma operação baseada exclusiva ou fundamentalmente na sorte e de
acordo com regras predefinidas.
3 - O pagamento pelo jogador da quantia certa que habilita ao prémio de jogo pode ser efectuado em
dinheiro, directamente por débito em conta bancária à ordem ou através do cartão do jogador.
4 - O contrato de jogo só está concluído quando o Departamento de Jogos da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa recebe a quantia referida no número anterior e emite o comprovativo de
confirmação da aposta efectuada.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 91


Jogos Decreto-Lei nº 282/03 Legislação Policial

Artigo 4º
Comercialização

1 - A comercialização dos jogos sociais por meios electrónicos referidos no artigo 1º,
nomeadamente através do sistema de mensagens curtas (SMS), pode implicar, para o jogador,
além do preço da aposta, o custo da utilização da rede de comunicações como o telefone ou a
Internet e o custo do serviço de um operador de telecomunicações.
2 - O apostador pode recorrer para efectuar apostas nos jogos sociais do Estado por meios
electrónicos a um cartão de jogador, identificado pelo respectivo número e código de segurança,
a ser emitido pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
3 - O cartão de jogador tem capacidade para armazenar até determinado montante para utilização
nos jogos sociais do Estado, é recarregável e permite ao jogador creditar no próprio cartão, até
determinado montante, o valor dos prémios, dos jogos referidos, a que tenha direito.
4 - Os montantes referidos no número anterior são definidos anualmente pela direcção do
Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, são divulgados publicamente e
constam da documentação necessariamente entregue ao jogador no momento da aquisição do
cartão.
5 - As regras de utilização do cartão de jogador são aprovadas pela direcção do Departamento de
Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e constam da documentação necessariamente
entregue ao jogador no momento da aquisição do cartão.

Artigo 5º
Funcionalidades da plataforma e legislação aplicável

1 - A plataforma referida no artigo 1º permite a recepção, registo e pagamento electrónico de


apostas nos concursos de apostas mútuas, a compra de bilhetes virtuais das lotarias, a
participação em quaisquer outros jogos cuja exploração venha a ser atribuída à Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa, nos termos do disposto no artigo 1º do anexo II do Decreto-Lei Nº
322/1991, de 26 de Agosto, a participação nos respectivos sorteios adicionais e promocionais,
bem como o recebimento electrónico de prémios dos jogos identificados.
2 - Em tudo o que não contrarie o presente diploma, é aplicável à exploração dos jogos sociais do
Estado através da plataforma de acesso multicanal o disposto na legislação em vigor para os
jogos identificados no número anterior e respectiva regulamentação.

Artigo 6º
Pagamento das operações de compra

1 - Cada operação de compra origina uma única transferência automática de fundos entre a conta do
jogador-comprador e a conta do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa.
2 - Em caso de insuficiência de saldo disponível na conta do jogador-comprador, a plataforma de
acesso multicanal não aceita a aposta/ordem de compra, que se considera como não efectuada.

Artigo 7º
Pagamento dos prémios

Sem prejuízo do disposto na legislação em vigor, o pagamento dos prémios correspondentes


às apostas efectuadas através da plataforma de acesso multicanal é automaticamente creditado na
conta dos jogadores através da qual foi efectuada a aposta ou no respectivo cartão de jogador sem
necessidade de qualquer outro procedimento por parte do jogador.

92 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 282/03 Jogos

Artigo 8º
Suporte material das operações de compra

1 - Em cada operação de compra será gerado pela plataforma de acesso multicanal e emitido pelo
terminal automático de pagamento um recibo, com valor meramente informativo, no qual
constarão a data, hora e terminal da transacção, todas as fracções adquiridas ou prognósticos
efectuados, conforme se trate, respectivamente, de lotarias ou apostas mútuas, bem como o
código de segurança de cada uma das fracções ou apostas e o preço pago.
2 - No caso de o terminal automático de pagamento não emitir recibo, este ser ilegível ou no caso de
o apostador não poder imprimir o recibo gerado pela plataforma de acesso multicanal, o
comprador-jogador pode solicitar a respectiva emissão ao Departamento de Jogos da Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa, por via postal ou mediante telefone, fax ou Internet, conforme o caso.

Artigo 9º
Prova das operações de compra

Em caso de litígio, a prova da compra-aposta de um número ou prognóstico será feita através


dos registos informáticos existentes no sistema informático central do Departamento de Jogos da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Artigo 10º
Conservação dos registos informáticos

1 - Os registos informáticos relativos à compra dos jogos sociais do Estado através da plataforma de
acesso multicanal e ao pagamento dos prémios de valor inferior a € 4987,98 serão mantidos em
arquivo no Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pelo período de três
anos.
2 - Os registos informáticos relativos ao pagamento dos prémios de valor igual ou superior a €
4987,98 serão mantidos em arquivo no Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa pelo período de 10 anos.

Artigo 11º
Contra-ordenações

1 - Constituem contra-ordenações:

a) A promoção, organização ou exploração, por via electrónica, dos jogos sociais do Estado
previstos no artigo 1º, com violação do regime de exclusivo estabelecido no artigo 2º, bem
como a emissão, distribuição ou venda de bilhetes virtuais e a publicitação da realização
dos sorteios respectivos, quer estes ocorram ou não em território nacional;
b) A promoção, organização ou exploração, por via electrónica, de lotarias ou outros sorteios
similares à Lotaria Nacional ou à Lotaria Instantânea, com violação do regime de exclusivo
estabelecido no artigo 2º, bem como a emissão, distribuição ou venda de bilhetes virtuais e
a publicitação da realização dos sorteios respectivos, quer estes ocorram ou não em
território nacional;
c) A angariação, por via electrónica, de apostas sobre os números dos sorteios da Lotaria
Nacional não emitidos pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, bem como a subdivisão electrónica de fracções da Lotaria Nacional;

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 93


Jogos Decreto-Lei nº 282/03 Legislação Policial

d) A realização de sorteios publicitários ou promocionais de instituições, bens ou serviços, de


qualquer espécie, que habilitem a um prémio em dinheiro ou coisa com valor económico
superior a € 25, explorados electronicamente sob a forma de rifas numeradas ou outros
sorteios de números sobre os resultados dos sorteios da Lotaria Nacional, Totoloto,
Totobola, Totogolo e JOKER e Lotaria Instantânea, sob a forma de bilhetes virtuais, que
atribuam imediatamente o direito a um prémio ou à possibilidade de ganhar um prémio;
e) A introdução, a venda e ou a distribuição electrónica dos suportes de participação em jogos
estrangeiros similares aos identificados no artigo 1º, a angariação electrónica de apostas
para os referidos jogos, ainda que em bilhetes virtuais diferentes dos permitidos nos países
a que respeitem, bem como a publicidade ou qualquer outra forma de prestação de serviços
relativa à exploração de jogos estrangeiros por via electrónica, incluindo a divulgação
regular e periódica dos resultados dos sorteios respectivos;
f) A participação por via electrónica em sorteios de lotaria, jogos de Lotaria Instantânea,
concursos de apostas mútuas ou sorteios idênticos realizados com violação do regime de
exclusivo estabelecido no artigo 2º, cuja exploração seja punível nos termos da alínea a), da
alínea b), da alínea c) e da alínea d);
g) A participação a partir do território nacional, em lotarias, jogos de Lotaria Instantânea ou
em concursos de apostas mútuas ou sorteios similares estrangeiros, cuja exploração seja
punível nos termos da alínea e).

2 - A tentativa é punível.
3 - A negligência é punível.

Artigo 12º
Coimas

1 - As contra-ordenações previstas na alínea a), na alínea b) e na alínea d) do Nº 1 do artigo anterior


são puníveis com coima não inferior a € 500 nem superior ao triplo do presumível valor global
angariado com a organização do jogo, quando mais elevado que aquele limite, até ao máximo de
€ 3740 para pessoas singulares e coima mínima não inferior a € 2000, nem superior ao triplo do
presumível valor global angariado com a organização do jogo, quando mais elevado que aquele
limite, num montante máximo de € 44 890 para pessoas colectivas.
2 - A contra-ordenação prevista na alínea c) do Nº 1 do artigo anterior é punível com coima mínima
de € 500 e máxima até ao triplo do montante angariado com a exploração do jogo num máximo €
3740 para pessoas singulares e coima mínima de € 2000 e máxima até ao triplo do montante
angariado com a exploração do jogo num máximo de € 44 890 para pessoas colectivas.
3 - A contra-ordenação prevista na alínea e) do Nº 1 do artigo anterior é punida com coima não
inferior a € 1000, nem superior ao triplo do presumível valor total das operações referidas, até ao
limite máximo de € 3740 para pessoas singulares e coima não inferior a € 2500, nem superior ao
triplo do presumível valor total das referidas operações, até ao limite máximo de € 44 890 para
pessoas colectivas.
4 - As contra-ordenações previstas na alínea f) e na alínea g) do Nº 1 do artigo anterior são puníveis
com coima não inferior a € 75 ou ao dobro do valor da aposta, quando mais elevado do que
aquele valor, até ao limite máximo de € 250.
5 - Na determinação da medida da coima deve atender-se, nomeadamente, ao lucro que, directa ou
indirectamente, o promotor do jogo esperava obter com o recurso ao mesmo, em termos de
numerário arrecadado ou em termos de aumentos de vendas.
6 - Os montantes mínimos e máximos são reduzidos, respectivamente, em um terço e em metade em
caso de negligência.

94 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 282/03 Jogos

Artigo 13º
Sanções acessórias

1 - Como sanções acessórias das contra-ordenações estabelecidas na alínea a), na alínea b), na
alínea c), na alínea d), na alínea e), na alínea f), na alínea g) do Nº 1 do artigo 11º poderão ser
determinados, no todo ou em parte, a perda de bens, incluindo equipamentos técnicos, meios de
transporte ou valores utilizados para a perpetração da infracção ou resultantes desta, incluindo os
destinados a prémios ou que como tal hajam sido distribuídos, bem como o encerramento do
estabelecimento onde tal actividade se realize e cujo funcionamento esteja sujeito a autorização
ou licenciamento de autoridade administrativa e a interdição de exercício de qualquer actividade
relativa aos jogos sociais do Estado durante um período máximo de dois anos, nos termos do
Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro, na redacção do Decreto-Lei Nº 244/1995, de 14 de
Setembro.
2 - Quando entre o material apreendido se verifique existir direito a prémio, o mesmo deverá ser
recebido, integrando o valor dos bens apreendidos.

Artigo 14º
Processo e competência contra-ordenacional

1 - Compete à Direcção do Departamento de Jogos, no âmbito das suas atribuições, a apreciação e


aplicação de coimas ou outras sanções acessórias dos processos de contra-ordenação que vierem
a ser instaurados com vista à aplicação das penalidades previstas no presente decreto-lei.
2 - A instrução dos processos segue o disposto no Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro, na
redacção do Decreto-Lei Nº 244/1995, de 14 de Setembro, e compete ao Departamento de Jogos
da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
3 - O produto das coimas e da venda dos bens e valores apreendidos integrará o resultado líquido da
exploração dos jogos a que respeitem, ainda que cobrado em juízo.
4 - O pagamento da coima aplicada será efectuado ao Departamento de Jogos da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa.
Artigo 15º
Disposições finais e transitórias

1 - Em tudo o mais que não estiver expressamente previsto no presente diploma regem as
disposições em vigor para os jogos sociais do Estado, nomeadamente lotarias e apostas mútuas,
ou quaisquer outros jogos cuja exploração venha a ser atribuída à Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, nos termos do disposto no artigo 1º do anexo II do Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de
Agosto.
2 - O regulamento de mediadores relativo a todos os jogos sociais do Estado cuja exploração foi ou
venha a ser atribuída à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa será aprovado por portaria dos
ministros da tutela.
Artigo 16º
Norma revogatória
São revogados o artigo 4º, o artigo 5º, o artigo 6º e o artigo 7º do Decreto-Lei Nº 182/2000,
de 10 de Agosto.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de Setembro de 2003. - José Manuel Durão
Barroso - Maria Celeste Ferreira Lopes Cardona - Luís Filipe Pereira - António José de Castro
Bagão Félix.
Promulgado em 24 de Outubro de 2003.
Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Referendado em 30 de Outubro de 2003.
O Primeiro-Ministro, José Manuel Durão Barroso.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 95


Jogos Decreto-Lei nº 282/03 Legislação Policial

96 EPG-Publicações
Legislação Policial Circular nº 1460, de 26FEV86, da 3ª REP Jogos

Circular n.º 1460, de 26FEV86, da 3ª. REP


Assunto: Organizações Ilegais de Apostas
Ref.- Dec. Lei n.º 84/85, de 28MAR
1- O direito de promover concursos de apostas mútuas é reservado ao Estado, que concede à
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a sua organização e exploração em regime exclusivo para todo
o território nacional.
2- Sucede, porém, que proliferam pelo país, de norte a sul, organizações ilegais de apostas
sobre resultados de jogos de futebol ou outros e sobre sorteios de números, sendo quase sempre seus
promotores, agremiações desportivas com postos de distribuição e recepção em estabelecimentos
comerciais das respectivas áreas.
3- Nos termos do diploma em referência, constituem Contra-Ordenação os seguintes actos:
a) Introdução, venda, distribuição ou publicidade de bilhetes de concursos de apostas mútuas
estrangeiras;
b) Promoção, organização ou exploração de concursos de apostas mútuas ou outros sorteios
idênticos ao Totobola ou Totoloto, com violação do regime de exclusivo a que se faz referência no n.º
1;
c) Emissão, distribuição ou venda de bilhetes para os concursos referidos em b), bem como a
publicitação da sua alimentação;
d) Participação em concurso de apostas mútuas ou sorteios idênticos realizados com violação do
regime de exclusividade referido em 1.
4- Sempre que se verificar qualquer dos factos tipificados no número anterior, o pessoal da
Guarda levantará o respectivo Auto de Notícia de Contra-Ordenação que será enviado à Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa para instrução do processo e fixação da coima.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 97


Jogos Decreto-Lei nº 282/03 Legislação Policial

98 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 310/02 Jogos

Decreto-Lei Nº 310/2002 de 18 de Dezembro


(Excertos)

Com o presente diploma atribui-se às câmaras municipais competência em matéria de


licenciamento de actividades diversas até agora cometidas aos governos civis.
Assim, passam a ser objecto de licenciamento municipal o exercício e fiscalização das
seguintes actividades: guarda-nocturno; venda ambulante de lotarias; arrumador de automóveis;
realização de acampamentos ocasionais; exploração de máquinas automáticas, mecânicas, eléctricas e
electrónicas de diversão; realização de espectáculos desportivos e de divertimentos públicos nas vias,
jardins e demais lugares públicos ao ar livre; venda de bilhetes para espectáculos ou divertimentos
públicos em agências ou postos de venda; realização de fogueiras e queimadas, e realização de
leilões.
Com a atribuição daquelas competências às câmaras municipais reforça-se a descentralização
administrativa com inegável benefício para as populações, atenta a maior proximidade dos titulares
dos órgãos de decisão ao cidadão à maior celeridade e eficácia administrativa.
Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas e a Associação
Nacional de Municípios Portugueses.
Assim:
Nos termos da alínea a) do Nº 1 do artigo 198º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Capítulo I
Âmbito e licenciamento

Artigo 1º
Âmbito

O presente diploma regula o regime jurídico do licenciamento do exercício e da fiscalização


das seguintes actividades:
a) Guarda-nocturno;
b) Venda ambulante de lotarias;
c) Arrumador de automóveis;
d) Realização de acampamentos ocasionais;
e) Exploração de máquinas automáticas, mecânicas, eléctricas e electrónicas de diversão;
f) Realização de espectáculos desportivos e de divertimentos públicos nas vias, jardins e
demais lugares públicos ao ar livre;
g) Venda de bilhetes para espectáculos ou divertimentos públicos em agências ou postos de
venda;
h) Realização de fogueiras e queimadas;
i) Realização de leilões.

Artigo 2º
Licenciamento do exercício das actividades

O exercício das actividades referidas no artigo anterior carece de licenciamento municipal.

Artigo 3º
Delegação e subdelegação de competências

1 - As competências neste diploma conferidas à câmara municipal podem ser delegadas no presidente
da câmara, com faculdade de subdelegação nos vereadores e nos dirigentes dos serviços
municipais.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 99


Jogos DL 310/02 Legislação Policial

2 - As competências cometidas ao presidente da câmara podem ser delegadas nos vereadores, com
faculdade de subdelegação, ou nos dirigentes dos serviços municipais.
(...)
Capítulo VI
Licenciamento do exercício da actividade de exploração de máquinas de diversão

Artigo 19º
Âmbito
1 - Para efeitos do presente capítulo, consideram-se máquinas de diversão:
a) Aquelas que, não pagando prémios em dinheiro, fichas ou coisas com valor económico,
desenvolvem jogos cujos resultados dependem exclusiva ou fundamentalmente da perícia do
utilizador, sendo permitido que ao utilizador seja concedido o prolongamento da utilização
gratuita da máquina face à pontuação obtida;
b) Aquelas que, tendo as características definidas na alínea anterior, permitem apreensão de
objectos cujo valor económico não exceda três vezes a importância despendida pelo
utilizador.
2 - As máquinas que, não pagando directamente prémios em fichas ou moedas, desenvolvam
temas próprios dos jogos de fortuna ou azar ou apresentem como resultado pontuações dependentes
exclusiva ou fundamentalmente da sorte são reguladas pelo Decreto-Lei Nº 422/1989, de 2 de
Dezembro, e diplomas regulamentares.

Artigo 20º
Registo
1 - Nenhuma máquina submetida ao regime deste capítulo pode ser posta em exploração sem que se
encontre registada e licenciada.
2 - O registo é requerido pelo proprietário da máquina ao presidente da câmara onde se encontra ou
em que se presume irá ser colocada em exploração.
3 - O requerimento do registo é formulado, em relação a cada máquina, através de impresso próprio.
4 - O registo é titulado por documento próprio, assinado e autenticado, que acompanhará
obrigatoriamente a máquina a que respeitar.
5 - As alterações de propriedade da máquina obrigam o adquirente a efectuar o averbamento
respectivo, a requerer com base no título de registo e em documentação de venda ou cedência, com
assinatura do transmitente reconhecida pelos meios consentidos por lei.

Artigo 21º
Instrução do pedido de registo
O requerimento para o registo de cada máquina é instruído com os seguintes documentos:
1) Máquinas importadas:
a) Documento comprovativo da apresentação da declaração de rendimentos do requerente,
respeitante ao ano anterior, ou de que não está sujeito ao cumprimento dessa obrigação, em
conformidade com o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares ou com
o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, conforme o caso;
b) Documento comprovativo de que o adquirente é sujeito passivo do imposto sobre o valor
acrescentado;

100 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 310/02 Jogos

c) No caso de importação de países exteriores à União Europeia, cópia autenticada dos


documentos que fazem parte integrante do despacho de importação, contendo dados
identificativos da máquina que se pretende registar, com indicação das referências relativas ao
mesmo despacho e BRI respectivo;
d) Factura ou documento equivalente, emitida de acordo com os requisitos previstos no
Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado;
e) Documento emitido pela Inspecção-Geral de Jogos comprovativo de que o jogo que a
máquina possa desenvolver está abrangido pela disciplina do presente capítulo;
2) Máquinas produzidas ou montadas no País:
a) Os documentos referidos na alínea a), alínea b) e alínea e) do número anterior;
b) Factura ou documento equivalente que contenha os elementos identificativos da máquina,
nomeadamente número de fábrica, modelo e fabricante.

Artigo 22º
Temas dos jogos
1 - A importação, fabrico, montagem e venda de máquinas de diversão obrigam à classificação dos
respectivos temas de jogo.
2 - A classificação dos temas de jogo é requerida pelo interessado à Inspecção-Geral de Jogos,
devendo o requerimento ser acompanhando da memória descritiva do respectivo jogo em
duplicado.
3 - A Inspecção-Geral de Jogos pode solicitar aos interessados a apresentação de outros elementos
que considere necessários para apreciação do requerimento ou fazer depender a sua classificação
de exame directo à máquina.
4 - O documento que classifica os temas de jogo e a cópia autenticada da memória descritiva do jogo
devem acompanhar a máquina respectiva.
5 - O proprietário de qualquer máquina pode substituir o tema ou temas de jogo autorizados por
qualquer outro, desde que previamente classificado pela Inspecção-Geral de Jogos.
6 - O documento que classifica o novo tema de jogo autorizado e a respectiva memória descritiva
devem acompanhar a máquina de diversão.
7 - A substituição referida no Nº 5 deve ser precedida de comunicação do presidente da câmara.

Artigo 23º
Licença de exploração
1 - A máquina só pode ser posta em exploração desde que disponha da correspondente licença de
exploração atribuída pela câmara municipal e seja acompanhada desse documento.
2 - A licença de exploração é requerida por períodos anuais ou semestrais pelo proprietário da
máquina, devendo o pedido ser instruído com os seguintes documentos:
a) Título de registo da máquina, que será devolvido;
b) Documento comprovativo do pagamento do imposto sobre o rendimento respeitante ao ano
anterior;
c) Documento comprovativo do pagamento dos encargos devidos a instituições de segurança
social;
d) Licença de recinto, emitida pela Direcção-Geral dos Espectáculos, quando devida.
3 - A câmara municipal pode recusar a concessão ou a renovação da licença de exploração, sempre
que tal medida se justifique.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 101


Jogos DL 310/02 Legislação Policial

4 - A transferência de máquinas de diversão para local diferente do constante da licença de


exploração deve ser precedida de comunicação ao presidente da câmara respectivo.

Artigo 24º
Condições de exploração
1 - Salvo tratando-se de estabelecimentos licenciados para a exploração exclusiva de jogos, não
podem ser colocadas em exploração simultânea mais de três máquinas, quer as mesmas sejam
exploradas na sala principal do estabelecimento quer nas suas dependências ou anexos, com
intercomunicação interna, vertical ou horizontal.
2 - As máquinas só podem ser exploradas no interior de recinto ou estabelecimento previamente
licenciado para a prática de jogos lícitos com máquinas de diversão, o qual não pode situar-se nas
proximidades de estabelecimentos de ensino.
3 - Nos estabelecimentos licenciados para a exploração exclusiva de máquinas de diversão é
permitida a instalação de aparelhos destinados à venda de produtos ou bebidas não alcoólicas.
Artigo 25º
Condicionamentos
1 - A prática de jogos em máquinas reguladas pelo presente capítulo é interdita a menores de 16 anos,
salvo quando, tendo mais de 12 anos, sejam acompanhados por quem exerce o poder paternal.
2 - É obrigatória a afixação, na própria máquina, em lugar bem visível, de inscrição ou dístico
contendo os seguintes elementos:
a) Número de registo;
b) Nome do proprietário;
c) Prazo limite da validade da licença de exploração concedida;
d) Idade exigida para a sua utilização;
e) Nome do fabricante;
f) Tema de jogo;
g) Tipo de máquina;
h) Número de fábrica.
Artigo 26º
Responsabilidade contra-ordenacional
1 - Para efeitos do presente capítulo, consideram-se responsáveis, relativamente às contra-ordenações
verificadas:
a) O proprietário da máquina, nos casos de exploração de máquinas sem registo ou quando em
desconformidade com os elementos constantes do título de registo por falta de averbamento de
novo proprietário;
b) O proprietário ou explorador do estabelecimento, nas demais situações.
2 - Quando, por qualquer circunstância, se mostre impossível a identificação do proprietário de
máquinas em exploração, considera-se responsável pelas contra-ordenações o proprietário ou
explorador do estabelecimento onde as mesmas se encontrem.
Artigo 27º
Fiscalização
A fiscalização da observância do disposto no presente capítulo, bem como a instrução dos respectivos
processos contra-ordenacionais, compete às câmaras municipais, sendo a Inspecção-Geral de Jogos o
serviço técnico consultivo e pericial nesta matéria.

102 EPG-Publicações
Legislação Policial DL 310/02 Jogos

Artigo 28º
Modelos
Os impressos próprios referidos no presente capítulo são aprovados por portaria do Ministro das
Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente.
(...)

Capítulo XII
Sanções

Artigo 48º
Máquinas de diversão
1 - As infracções do capítulo VI do presente diploma constituem contra-ordenação punida nos termos
seguintes:
a) Exploração de máquinas sem registo, com coima de € 1500 a € 2500 por cada máquina;
b) Falsificação do título de registo ou do título de licenciamento, com coima de € 1500 a €
2500;
c) Exploração de máquinas sem que sejam acompanhadas do original ou fotocópia autenticada
do título de registo, do título de licenciamento ou dos documentos previstos nos Nº 4 e Nº 6
do artigo 22º, com coima de € 120 a € 200 por cada máquina;
d) Desconformidade com os elementos constantes do título de registo por falta de
averbamento de novo proprietário, com coima de € 120 a € 500 por cada máquina;
e) Exploração de máquinas sem que o respectivo tema ou circuito de jogo tenha sido
classificado pela Inspecção-Geral de Jogos, com coima de € 500 a € 750 por cada máquina;
f) Exploração de máquinas sem licença ou com licença de exploração caducada, com coima de
€ 1000 a € 2500 por cada máquina;
g) Exploração de máquinas de diversão em recinto ou estabelecimento diferente daquele para
que foram licenciadas ou fora dos locais autorizados, com coima de € 270 a € 1000 por cada
máquina;
h) Exploração de máquinas em número superior ao permitido, com coima de € 270 a € 1100
por cada máquina, e, acessoriamente, atenta a gravidade e frequência da infracção, apreensão
e perda das mesmas a favor do Estado;
i) Falta da comunicação prevista no Nº 4 do artigo 23º, com coima de € 250 a € 1100 por cada
máquina;
j) Utilização de máquinas de diversão por pessoas com idade inferior à estabelecida, com
coima de € 500 a € 2500;
k) Falta ou afixação indevida da inscrição ou dístico referido no Nº 2 do artigo 25º, bem como
a omissão de qualquer dos seus elementos, com coima de € 270 a € 1100 por cada máquina.
2 - A negligência e a tentativa são punidas.

Artigo 49º
Sanções acessórias
Nos processos de contra-ordenação podem ser aplicadas as sanções acessórias previstas na lei
geral.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 103


Jogos DL 310/02 Legislação Policial

Artigo 50º
Processo contra-ordenacional
1 - A instrução dos processos de contra-ordenação previstos no presente diploma compete às
câmaras municipais.
2 - A decisão sobre a instauração dos processos de contra-ordenação e a aplicação das coimas
e das sanções acessórias é da competência do presidente da câmara.
3 - O produto das coimas, mesmo quando estas são fixadas em juízo, constitui receita dos
municípios.

Artigo 51º

Medidas de tutela de legalidade


As licenças concedidas nos termos do presente diploma podem ser revogadas pela câmara
municipal, a qualquer momento, com fundamento na infracção das regras estabelecidas para a
respectiva actividade e na inaptidão do seu titular para o respectivo exercício.

Capítulo XIII
Fiscalização

Artigo 52º

Entidades com competência de fiscalização


1 - A fiscalização do disposto no presente diploma compete à câmara municipal, bem como às
autoridades administrativas e policiais.
2 - As autoridades administrativas e policiais que verifiquem infracções ao disposto no
presente diploma devem elaborar os respectivos autos de notícia, que remetem às câmaras municipais
no mais curto prazo de tempo.
3 - Todas as entidades fiscalizadoras devem prestar às câmaras municipais a colaboração que
lhes seja solicitada.

104 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 144/03 Jogos

Portaria Nº 144/2003 de 10 de Fevereiro

Nos termos do disposto no artigo 28º do Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro:


Manda o Governo, pelo Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, o
seguinte:


São aprovados os impressos necessários para o regular processamento administrativo do registo,
licenciamento de exploração, transferência de propriedade e de local de exploração de máquinas
automáticas, mecânicas e eléctricas ou electrónicas de diversão a cargo das câmaras municipais, e que
constituem os quatro modelos anexos à presente portaria.
Os impressos obedecerão às seguintes especificações:

a) Modelo Nº 1 - formato A4; gramagem, 60 g; cor do papel, branca; cores de


impressão, azul-forte para as cercaduras e texto e azul-claro para as instruções;
b) Modelo Nº 2 - formato A5; gramagem, 60 g; cor do papel, verde-clara; cor de
impressão, preta;
c) Modelo Nº 3 - formato A6; gramagem, 100 g; cor do papel, amarela; cor de
impressão, preta;
d) Modelo Nº 4 - formato A5; gramagem, 60 g; cor do papel, branca; cor de impressão,
preta.


É revogada a Portaria Nº 44/1996, de 15 de Fevereiro.

Pelo Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, José Mário Ferreira de
Almeida, Secretário de Estado Adjunto e do Ordenamento do Território, em 27 de
Dezembro de 2002.

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Jogos Portaria nº 144/03 Legislação Policial

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Legislação Policial Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Jogos

Portaria Nº 1364/2001 de 6 de Dezembro

As regras de execução do jogo de fortuna ou azar denominado black-jack/21 foram


aprovadas, nos termos do disposto no artigo 5º do Decreto-Lei Nº 422/1989, de 2 de Dezembro, pela
Portaria Nº 1441/1995, de 29 de Novembro (título V).
Por sua vez, a Portaria Nº 461/2001, de 8 de Maio, no seu Nº 3º , permitiu a utilização nos
jogos de fortuna ou azar com baralhos de cartas de baralhadores automáticos, quando homologados
pela Inspecção-Geral de Jogos.
A introdução deste equipamento automático implica a alteração de algumas normas previstas
nas regras do black-jack/21 para o baralhamento manual das cartas.
Nesta portaria estabelecem-se os procedimentos a adoptar quando seja utilizado baralhador
automático de cartas.
As regras actuais não prevêem a atribuição de prémio acumulado no jogo do black-jack/21, o
que vai passar a ser permitido a partir de agora, com vista a tornar este jogo mais atractivo.
Aproveita-se o ensejo para proceder à alteração de três das regras de execução da referida
modalidade de jogo.
À regra 22 acrescenta-se uma norma segundo a qual o pagador de banca não deve tirar cartas,
para além das duas iniciais, quando todos os jogadores já tenham perdido ou desistido.
Por estar omisso na regra 36 o momento em que o jogador pode desistir, esclarece-se que a
desistência só é permitida antes de o pagador de banca distribuir qualquer carta adicional.
Finalmente, uniformizam-se duas expressões diferentes utilizadas nas regras 26 e 27 para
significar a mesma realidade.
Para facilidade de consulta, republicam-se integralmente as regras de execução do black-
jack/21 com as alterações introduzidas;
Assim:
Ao abrigo do artigo 5º do Decreto-Lei Nº 422/1989, de 2 de Dezembro, sob proposta da
Inspecção-Geral de Jogos, ouvidas as concessionárias:
Manda o Governo, pelo Secretário de Estado do Turismo, o seguinte:
1º São aprovadas as regras de execução do jogo de fortuna ou azar black-jack/21 e as relativas
ao prémio acumulado, bem como os procedimentos a adoptar quando seja utilizado
baralhador automático de cartas, constantes do anexo à presente portaria, da qual faz parte
integrante.
2º São revogadas as regras de execução da referida modalidade de jogo aprovadas pela
Portaria Nº 1441/1995, de 29 de Novembro (título V).
3º A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.

O Secretário de Estado do Turismo, Vítor José Cabrita Neto, em 22 de Novembro de 2001.

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Jogos Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Legislação Policial

ANEXO
Regras de execução do black-jack/21 e do prémio acumulado, e procedimentos a adoptar
quando se utilize baralhador automático de cartas.

I
Regras

1 - O black-jack/21 é um jogo de fortuna ou azar bancado, cujo objectivo a alcançar por


qualquer das duas partes (banqueiro ou cada um dos jogadores que contra ele aposta) consiste em:

a) Fazer a combinação black-jack (se as duas cartas inicialmente distribuídas forem uma delas
um ás e a outra uma figura ou um dez); ou
b) Obter, mediante cartas adicionais (quando as duas primeiras de cada aposta inicial não
hajam formado black-jack) a pontuação de 21 ou a que, sendo inferior, dela mais se
aproxime.

2 - A mesa para a prática do jogo é de formato semi-circular, comportando seis ou sete


lugares, marcados no pano e numerados por ordem iniciada à esquerda do pagador e seguindo no
sentido dos ponteiros do relógio.
3 - São utilizados quatro ou seis baralhos de 52 cartas (excluídos os jokers) da mesma ou de
diferente cor.
4 - É ainda utilizado um sabot com duas cartas especiais, de cor igual em ambos os lados, mas
diferente das dos baralhos, de forma a não se confundir com elas.
5 - Os baralhos poderão ser utilizados em mais de uma sessão de jogo, devendo ser
substituídas todas as cartas do baralho logo que deixe de ser perfeito o estado de alguma delas,
podendo, no entanto, o serviço de inspecção autorizar, quando sejam invocados fundamentos
relevantes, a substituição apenas das cartas danificadas.
6 - As cartas têm os seguintes valores de pontuação:
Às - 1 ou 11, excepto para o jogo da banca, em que valerá sempre 11, se a pontuação dessa
jogada for 17 ou superior, não excedendo 21, pois, se o ultrapassar, passará a valer 1;
Rei, dama e valete (figuras) - 10;
Todas as restantes - o indicado nelas.
7 - Antes de se iniciar o jogo, em cada banca, o pagador exibirá as cartas a utilizar,
espalhando-as em fiadas, faces para cima, sobre a mesa, devidamente ordenadas por cada baralho.
8 - As cartas, depois de baralhadas pelo pagador, serão «cortadas» mediante a utilização de
uma das cartas especiais.
O direito de fazer o «corte» cabe, no início do jogo, ou no seu recomeço quando tenha havido
interrupções, ao jogador ocupante do lugar com numeração mais baixa; o mesmo direito passará, nos
sabots seguintes, aos demais jogadores pela respectiva ordem. Se nenhum deles quiser exercer o seu
direito, o «corte» será efectuado pelo fiscal de banca, tudo se processando no sabot imediato como se
do início do jogo se tratasse.
9 - Seguidamente, o pagador deve colocar uma carta, com as características da do «corte», mas de
diferente cor (a chamada «carta-aviso»), o mais próximo possível da 50. a carta a contar do fim do
conjunto, ou, se apenas um só jogador estiver na mesa, o mais próximo possível do meio do dito
conjunto, sendo depois as cartas colocadas no sabot.
10 - Antes de se iniciar a distribuição das cartas, será retirada uma do sabot e colocada no «canto de
descarte» (carta «queimada»).

114 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Jogos

11 - Saída a «carta-aviso», o pagador anunciará, com voz audível, que a jogada em curso será
a última desse sabot, depois da qual nenhuma outra poderá efectuar-se sem que as cartas sejam
novamente baralhadas e se proceda de harmonia com o estabelecido nos anteriores números deste
artigo. Todavia, se a referida «carta-aviso» sair imediatamente antes de iniciada uma jogada, esta terá
ainda de ser feita e só depois de concluída serão as cartas de novo baralhadas.
12 - Sempre que o jogo for interrompido por ausência de jogadores ou quando, embora algum
permaneça na mesa, não faça aposta, o pagador poderá, mesmo que não se tenham esgotado as cartas
do sabot, estendê-las todas sobre a mesa com as faces para cima.
13 - Cada jogador deve marcar a sua aposta antes de chegar o momento de, na respectiva
ordem, lhe caber a distribuição da primeira carta.
14 - O valor de cada aposta tem de ser igual ao mínimo fixado para a respectiva banca, ou
múltiplo dele, até atingir o máximo.
15 - Todo o jogador pode apostar também em qualquer dos outros lugares da mesa desde que
o valor da aposta aí feita pelo jogador titular do lugar, ou o somatório da deste e das de outros, não
atinja ainda o máximo aprovado para essa banca, caso em que poderá perfazê-lo ou juntar-lhe aposta,
de valor igual ou múltiplo do mínimo, que naquele máximo possa ser comportada.
Os jogadores que fizerem estas apostas complementares ficam sujeitos à decisão que for
tomada pelo titular do lugar para a sua própria aposta. Se o titular do lugar fizer «seguro» da sua
aposta, os donos das apostas complementares são livres de o fazer, ou não, nos casos em que for
permitido o desdobramento de pares ou a duplicação ou elevação do valor da aposta, aquelas apostas
complementares terão um regime especial, que adiante será definido nos preceitos que contemplem
esses casos.
16 - Quando um dos lugares da mesa estiver vago, pode qualquer dos outros jogadores marcar
nele aposta de valor igual ou múltiplo do mínimo até que seja atingido o máximo. A decisão do golpe
para todas as apostas feitas nesse lugar cabe ao dono da de valor mais elevado; em caso de igualdade
de valores ali apostados por dois ou mais jogadores, esse direito pertence, se a outro não couber, ao
que ocupe lugar de numeração mais baixa.
17 - Respeitando sempre a ordem de numeração dos lugares, o pagador dará, face para cima,
uma carta a cada jogador que tenha oportunamente marcado aposta, após o que tirará uma para o jogo
da banca, expondo-a à sua frente. Em seguida, dará pela mesma forma uma segunda carta a cada
jogador e à banca, ficando esta de face para baixo.
18 - Terminada a distribuição de duas cartas para cada jogada, os jogadores que nelas não
hajam obtido black-jack podem ficar-se (não pedir cartas) se tiverem a pontuação superior a 11, ou
pedir cartas no número que desejarem com a finalidade de conseguirem, no total, a pontuação que
mais lhes convenha, até à de 21, inclusive, sendo-lhes vedado pedir mais cartas logo que atinjam esta.
Para isso, o pagador perguntará a cada um desses jogadores, pela ordem dos seus lugares, se querem
receber mais cartas e actuará em conformidade com as respostas obtidas, que devem ser o mais claras
possível. Se, no decurso da entrega das cartas pedidas pelos jogadores, o pagador extrair uma carta do
sabot em contrário do pedido do jogador por haver interpretado erradamente a vontade desse jogador,
a carta em causa, se ainda não estiver vista, isto é, com a face virada, será atribuída ao mais próximo
jogador que peça cartas; se nenhum vier a pedir cartas, a dita carta será para o jogo da banca. Caso a
carta já tenha sido virada, será obrigatoriamente anulada, seguindo para o «canto de descarte».
19 - No caso de a pontuação obtida nas duas cartas da banca ser de 17 ou superior, é-lhe
vedado tirar qualquer outra (se involuntariamente o fizer, essa carta não conta para o jogo, sendo logo
colocada no «canto de descarte»). Na hipótese de esse total ser de 16 ou inferior, é obrigado a tirar
tantas cartas quantas as necessárias para perfazer, no mínimo, a mencionada pontuação de 17.
20 - A combinação black-jack ganha sempre ao total 21. Não se considera black-jack, mas sim
o total de 21, se aquela combinação resultar do desdobramento de um par.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 115


Jogos Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Legislação Policial

21 - Se o jogador fizer black-jack, ganha vez e meia (três para dois) o valor da sua aposta,
salvo se a banca o tiver feito também, caso em que essa jogada é nula (não perde nem ganha). Se o
jogador fizer black-jack e a carta aberta da banca não for uma das que possibilitem essa combinação
(ás, figura ou dez), deverá ser-lhe pago logo o respectivo prémio, recolhendo-se-lhe as cartas.
22 - Se o jogador pedir cartas e se, somado o valor das suas primeiras cartas com o das adicionais que
haja pedido, obtiver pontuação superior a 21, perde desde logo, devendo o pagador recolher de
imediato a respectiva postura e as correspondentes cartas, que arrumará no «canto de descarte».
Quando todos os jogadores presentes na mesa tenham perdido ou já desistido e não haja mais
ninguém em jogo, o pagador abstém-se de tirar a terceira carta, acabando naquele momento a jogada
e devendo o pagador recolher imediatamente as duas cartas iniciais da banca.
23 - O jogador ganha importância igual à da sua aposta sempre que a pontuação do seu jogo
estiver mais próximo de 21 que o da banca, perdendo a aposta na hipótese contrária.
24 - Se o jogador e a banca tiverem a mesma pontuação (empate), a jogada é nula (não perde
nem ganha), podendo o jogador retirar a postura, mantê-la ou alterá-la para a jogada seguinte.
25 - Sempre que o jogador ganhe, pertence-lhe o valor da postura e o do correspondente
prémio.
26 - Sempre que as duas primeiras cartas distribuídas a um jogador, embora de naipes
diferentes, tenham o mesmo valor, esse jogador poderá separá-las e fazer duas apostas independentes,
desde que jogue em cada uma delas importância igual à da parada inicial, devendo, depois, pedir para
qualquer das apostas uma ou mais cartas, no número que desejar, excepto se o par desdobrado for de
ases, caso em que apenas poderá pedir uma carta para cada aposta.
27 - O jogador, depois de efectuado o desdobramento do par inicial poderá voltar a fazê-lo, se
vier a obter uma ou mais cartas adicionais do mesmo valor, ainda que naipes diferentes.
28 - Se, na hipótese referida no Nº 26, o jogador fizer desdobramento de um par, fazendo duas
apostas independentes, poderão os outros jogadores, que hajam feito apostas complementares nesse
lugar, fazer também, por seu lado, aposta igual à primeira e anexá-la à segunda aposta do titular do
lugar. Se o não acompanharem no desdobramento, as suas apostas serão decididas pelo resultado
alcançado para a primeira das duas apostas do titular do lugar.
29 - Quando os valores das duas primeiras cartas totalizarem 9, 10 ou 11, poderá o respectivo
jogador duplicar a sua aposta, sendo-lhe então distribuída uma única carta.
30 - Da faculdade concedida no número anterior poderão usar também os apostadores
complementares daquela aposta, aos quais é permitido duplicar o valor da sua aposta inicial.
31 - Os jogadores que perfizerem os totais de 9, 10 ou 11 com as cartas recebidas na
sequência do desdobramento de cartas iguais poderão duplicar os valores das respectivas apostas.
32 - Sempre que for um ás uma das duas primeiras cartas distribuídas para uma aposta e o
respectivo jogador haja duplicado o valor da mesma aposta por considerar ter nas duas ditas cartas a
pontuação de 9 ou 10, em resultado de atribuir ao ás o valor de 1, nessa jogada é obrigado a manter-
lhe esse valor até final.
33 - Quando a carta aberta da banca for um ás, os jogadores poderão, a convite do pagador e
depois de distribuídas as segundas cartas, fazer o «seguro» da sua aposta, colocando, no lugar próprio
demarcado no pano da banca, fichas cuja importância total não poderá exceder metade do valor da
aposta já inicialmente feita.
Se a banca vier a fazer black-jack, a aposta feita no «seguro» ganhará o dobro do seu valor, sendo
perdida no caso contrário.
34 - Os jogadores que tenham feito black-jack poderão, quando a carta aberta da banca seja
um ás, optar por receber o valor igual à sua aposta, antes de se saber qual é a segunda carta da banca.
35 - O jogador a quem forem distribuídas cartas com os valores «6-7-8» do mesmo naipe ou
três «7» receberá, logo e sem prejuízo do prémio a que eventualmente venha a ter direito, um prémio
especial correspondente a três vezes a importância da sua aposta.
116 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Jogos

36 - O jogador pode desistir da jogada, perdendo metade da importância apostada, desde que a
carta aberta da banca não seja um ás.
Após a distribuição das duas primeiras cartas ao jogador e à banca, o jogador terá de decidir se deseja
ou não desistir da sua jogada. A decisão, uma vez tomada, não pode ser alterada.
37 - O valor máximo de aposta é igual a 30 vezes o valor mínimo.

II
Regras do prémio acumulado

38 - O black-jack/21 pode ter prémio acumulado ou não, segundo opção da concessionária,


comunicada à Inspecção-Geral de Jogos.
39 - No caso de haver prémio acumulado, existirá na mesa de jogo uma ranhura ou espaço
próprio para a aposta nesse prémio (jackpot), que será opcional.
40 - Serão fixados pela Inspecção-Geral de Jogos, sob proposta da concessionária, o valor da
aposta no acumulado, a percentagem de incremento e as condições respectivas.
41 - Na mesa de jogo com jackpot, a marcação deste poderá ser:

a) Automática, em mesa já configurada para o efeito, com ranhura própria para a colocação da
ficha do acumulado e incrementação automática do display. Neste modo de marcação, a
recolha das apostas no acumulado processa-se automaticamente, sendo accionada pelo
pagador;
b) Manual, em mesa com local para colocação da ficha do acumulado, que será recolhida
antes da distribuição das cartas, sendo a incrementação manualmente efectuada pelo
pagador para um display. Neste modo de marcação, o pagador deverá, quando recolha as
apostas no acumulado, proceder à sua substituição por uma marca, a fim de assegurar a
posterior identificação dos apostadores.

42 - Apenas contarão para o jackpot as primeiras duas, três ou quatro cartas originariamente
distribuídas ao jogador, incluindo as correspondentes a pares divididos.
43 - As combinações e proporções do jackpot, que são pagas independentemente de o jogador
ter perdido, desistido ou empatado na jogada principal, são as seguintes:

a) Se as primeiras quatro cartas forem todas ases vermelhos ou todas ases pretos: 100 % do
acumulado ou do respectivo remanescente, após pagos os prémios menores;
b) Se as primeiras três cartas forem ases do mesmo naipe: 2500 vezes o valor da aposta;
c) Se as primeiras três cartas forem ases de naipes diferentes: 250 vezes o valor da aposta;
d) Se as primeiras duas cartas forem ases do mesmo naipe: 100 vezes o valor da aposta;
e) Se as primeiras duas cartas forem ases de naipes diferentes: 25 vezes o valor da aposta.
44 - O valor de arranque do jackpot será, no mínimo, de 10 mil vezes o valor da aposta no
acumulado.
45 - Os jogadores que pretendam jogar para o jackpot deverão colocar a ficha correspondente
no local respectivo. Apenas poderão jogar para o jackpot os jogadores que tenham feito a sua aposta
no jogo principal.
46 - A aposta no jackpot é sempre tratada como uma aposta adicional, cuja decisão depende
unicamente das primeiras duas, três ou quatro cartas do jogador.
47 - Em cada mão, a aposta no jackpot é constituída apenas por uma ficha por cada jogador,
no montante previamente definido.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 117


Jogos Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Legislação Policial

48 - As apostas no jackpot deverão ser colocadas antes de o pagador iniciar a distribuição das
cartas. De seguida, o pagador pronuncia jogo feito, nada mais e retira, sendo caso disso, as fichas
correspondentes às apostas no jackpot, iniciando de seguida a distribuição das cartas.
49 - Quando um jogador tenha apostado no jackpot e tiver uma combinação ganhadora, as
suas cartas permanecerão descobertas na mesa até que o respectivo pagamento seja efectuado, só
depois sendo recolhidas.
50 - Caso exista, na mesma jogada, mais de uma combinação ganhadora, seguem-se as regras
seguintes:
a) Os prémios são pagos do menor para o maior, pagando-se o remanescente do jackpot ao
jogador que tenha a combinação máxima do acumulado;
b) Caso mais de um jogador obtenha a combinação máxima do acumulado, o valor do jackpot,
ou o respectivo remanescente, nos termos da alínea a), é dividido entre os ganhadores.

III
Procedimentos a adoptar quando se utilize baralhador automático de cartas

51 -No caso de alguma carta sair danificada do sabot baralhador automático, será a mesma de
imediato substituída por um fiscal-chefe, devendo o facto ser comunicado ao serviço de inspecção
pela chefia da sala de jogos.
Em caso de encravamento de alguma carta no sabot baralhador automático, e accionada pelo
mecanismo a correspondente luz de aviso, deverá ser imediatamente chamado um fiscal-chefe, a
quem competirá abrir a tampa do baralhador e solucionar o problema ou, não o conseguindo,
requisitar a presença de um técnico qualificado para prestar a necessária assistência.
52 - A utilização do sabot baralhador automático implica que não se proceda ao corte do
baralho, não tendo portanto aplicação, nesse caso, o disposto no Nº 8, nem havendo lugar à colocação
da «carta-aviso» a que se refere o Nº 9.
53 - Antes de se iniciar o jogo, o pagador exibe as cartas a utilizar, pela forma prescrita no Nº
7. As cartas serão depois misturadas, procedendo-se às habituais passagens de baralhamento manual,
após o que serão introduzidas no sabot baralhador automático.
54 -A introdução das cartas no sabot baralhador automático deverá ser feita com cuidado e
deverá ser executada no mínimo em dois pacotes. A esta operação de carregamento, que será
efectuada apenas uma vez em cada partida, deverá estar sempre presente um fiscal-chefe.
55 - No final da partida e após indicação de encerramento da mesa, a extracção das cartas do
baralhador deverá ser feita na presença de um fiscal-chefe. De seguida, o pagador ordena as cartas por
cada baralho, no sentido de confirmar a regularidade dos baralhos utilizados durante a partida.
56 - A utilização de um baralhador automático contínuo dispensa o anúncio de «última jogada
do sabot», previsto no Nº 11.
57 - As cartas mantêm-se ao longo da partida dentro do sabot baralhador automático contínuo,
só sendo retiradas quando do encerramento da mesa, não havendo lugar, portanto, à aplicação do Nº
12.
58 - No decurso da jogada, o pagador deverá colocar imediatamente as cartas saídas de jogo
no canto de descarte.
59 - Terminada a jogada, o pagador recolhe as cartas, junta-as às que se encontram no canto
de descarte e, caso a tampa do sabot baralhador automático se encontre aberta, introdu-las
conjuntamente na janela do aparelho, com a face voltada no sentido da parte posterior do mesmo e
assegurando-se que ficam correctamente colocadas.

118 EPG-Publicações
Legislação Policial Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Jogos

60 -Logo após a introdução das cartas na janela do baralhador, o pagador deverá fechar a
tampa, iniciando-se automaticamente o baralhamento das cartas introduzidas.
A tampa é de abertura automática, pelo que nunca poderá ser aberta manualmente pelo pagador.
61 -Sempre que, no final de uma jogada, a tampa do baralhador contínuo não se tenha aberto
automaticamente, as cartas dessa jogada serão deixadas no canto de descarte, procedendo o pagador à
sua introdução no baralhador juntamente com as da jogada seguinte em que a tampa do sabot
baralhador automático se tenha aberto.
62 - As reclamações de frequentadores, nomeadamente as referentes a erro de contagem, só
serão atendíveis desde que apresentadas antes de as cartas serem introduzidas no baralhador.

Escola Prática/GNR \Policial\Pol4 119


Jogos Portaria nº 1364/01, de 6DEZ Legislação Policial

120 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

Parecer Nº 74/2003.

- Exploração de jogo - Máquina de diversão - Licenciamento - Processo contra-ordenacional


- Competência de fiscalização - Governador civil - Transferência de competência - Câmara municipal
- Autoridade policial - Polícia municipal - Lei geral - Lei especial - Complementaridade.

1ª O Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro, transferiu para as câmaras municipais


competências anteriormente cometidas aos governos civis para o licenciamento de determinadas
actividades, de entre as quais a de exploração de máquinas de diversão, e atribuiu àqueles órgãos
autárquicos as competências para fiscalizarem essa actividade, bem como para instaurarem e
instruírem os respectivos processos de contra-ordenação e aplicarem as sanções correspondentes.
2ª Nos termos da Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, as atribuições dos municípios no domínio da
polícia administrativa compreendem a fiscalização das normas de âmbito nacional que disciplinam
matérias da competência dos seus órgãos, cabendo o exercício das funções de fiscalização aos
respectivos serviços, em especial às polícias municipais, sempre que tenham sido criadas.
3ª No âmbito da actividade de exploração de máquinas de diversão, prevista no capítulo VI do
Decreto-Lei Nº 310/2002, os ilícitos contra-ordenacionais visam prevenir e sancionar o
incumprimento das exigências e das condições decorrentes do regime de licenciamento, não
estando em causa interesses que transcendam a competência das câmaras municipais.
4ª A fiscalização dessa actividade, exercida de forma pró-activa, programada, sistemática e
permanente, é da competência específica das câmaras municipais, com a coadjuvação técnica da
Inspecção-Geral de Jogos, nos termos do artigo 27º do mesmo diploma legal.
5ª A norma contida no artigo 27º encontra-se numa relação de complementaridade relativamente à
norma do artigo 52º do mesmo diploma, que dispõe sobre a competência para a fiscalização de
todas as actividades a que o mesmo respeita, cometendo-a às câmaras municipais, bem como às
autoridades administrativas e policiais.
6ª As autoridades policiais detêm assim, no âmbito da actividade de exploração de máquinas de
diversão, competência genérica para a fiscalização, estando sujeitas aos deveres de noticiarem as
infracções que verifiquem, de preservarem meios de prova e de prestarem colaboração às
autoridades autárquicas, nos termos do artigo 52º daquele diploma legal e em conformidade com o
disposto no Código de Processo Penal, na lei quadro do ilícito de mera ordenação social e nos
respectivos diplomas orgânicos.

Sr. Ministro da Administração Interna:

Excelência:
I-

Tendo-se suscitado dúvidas sobre o "sentido interpretativo" a conferir a duas normas do


Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro, que regula o regime jurídico do licenciamento e
fiscalização, pelas câmaras municipais, de actividades diversas anteriormente cometidas aos governos
civis, dignou-se Vª Exª, acolhendo a proposta formulada pela Auditoria Jurídica desse Ministério (1),
solicitar parecer a este Conselho Consultivo (2).
Cumpre, pois, emitir parecer, com a urgência solicitada.
II -
1 - Em causa, estão as disposições do artigo 27º e artigo 52º, Nº 1, daquele diploma legal:

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A primeira, inserida no capítulo VI, "Licenciamento do exercício da actividade de exploração


de máquinas de diversão", comete às câmaras municipais a competência para a fiscalização do
disposto nesse capítulo, bem como para a instrução dos respectivos processos de contra-ordenação;
A segunda, inserida no capítulo XIII, "Fiscalização", comete às câmaras municipais, bem
como às autoridades administrativas e policiais, a competência para a fiscalização do disposto no
diploma.
Importa, assim, delimitar o âmbito de aplicação das referidas normas e caracterizar a relação
lógico-jurídica existente entre ambas, com vista à obtenção de resposta à questão concreta que se
coloca: se as autoridades policiais devem ser também consideradas competentes para a fiscalização
no âmbito da primeira norma e respectivo capítulo em que se insere, ou seja, se incumbe às
autoridades policiais, para além das câmaras municipais, a fiscalização da actividade de exploração
de máquinas de diversão.
2 - Com base nos elementos enviados, e esboçado um breve enquadramento da questão,
começaremos por sintetizar os principais argumentos expostos a favor de cada uma das soluções
que, de forma divergente, são defendidas pela Associação Nacional de Municípios Portugueses
(ANMP) e pela Auditoria Jurídica (AJ).
A ANMP, através de ofício enviado ao Gabinete do Ministro da Administração Interna, expôs
o seu entendimento no sentido de que a competência para a fiscalização da actividade de exploração
de máquinas de diversão deve continuar a caber também às forças policiais, nos termos do artigo 52º,
Nº 1, do Decreto-Lei Nº 310/2002. Argumenta, além de mais, que o legislador não pretendeu atribuir,
ao nível da fiscalização, "qualquer exclusivo" às câmaras municipais nem pretendeu eliminar a
competência de outras entidades, designadamente das entidades policiais, defendendo ainda que "a
repercussão social inquestionável do sector torna necessário o esforço de todos na fiscalização da
problemática em causa".
A AJ, por seu turno, emitiu parecer em sentido contrário, louvando-se fundamentalmente nos
princípios gerais de interpretação da lei, atendendo à relação de especialidade que considerou existir
entre as normas em referência.
Aí se entendeu que a norma contida no artigo 27º tem natureza especial e excepciona do
regime geral o capítulo do diploma em que está inserida, explicitando o referido parecer que "o
âmbito de aplicação da norma especial insere-se totalmente no âmbito da norma mais geral" e que,
"no que concerne à fiscalização, os casos da norma especial são também os casos da norma mais
geral". Concluiu, "embora com algumas dúvidas", que a fiscalização do licenciamento da actividade
de exploração das máquinas de diversão se deve reger apenas pelo disposto naquele artigo 27º,
estando subtraída ao regime geral instituído pelo artigo 52º, daí resultando a exclusão da competência
das entidades policiais para a actividade fiscalizadora prevista na norma especial.
Pesou, neste entendimento, a análise comparativa entre as referidas normas do Decreto-Lei Nº
310/2002 e as correspondentes normas do diploma legal que anteriormente regulava a matéria (3), nas
quais o legislador se teria inspirado, consideradas, umas e outras, no quadro normativo mais amplo
em que estavam inseridas, nomeadamente no que concerne à designação das entidades competentes
para o licenciamento da actividade e para a instrução dos processos contra-ordenacionais (4); pesou
ainda, na solução defendida, a possibilidade de criação de serviços de polícia municipal, nos termos
da Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, que, entretanto, havia entrado em vigor.
Por se revelar particularmente elucidativa do pensamento expresso, transcreve-se a seguinte
passagem do parecer da AJ:

"[...] se no domínio do anexo ao Decreto-Lei Nº 361/1995 se justificava a inserção de uma


norma específica nesta matéria, pela falta de coincidência entre a entidade competente para a
fiscalização e para a instrução de processos de contra-ordenação, no presente diploma tal não teria
justificação.

122 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

Acresce que o regime jurídico vigente na data da publicação do Decreto-Lei Nº 316/1995 e o


regime actualmente em vigor são substancialmente diferentes, tendo em atenção a possibilidade da
criação de polícias municipais - como serviços municipais especialmente vocacionados para o
exercício de funções de polícia administrativa, com os poderes de autoridade e inserção hierárquica
definidos na Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, a qual também estabeleceu a sua dependência
orgânica (cf. o artigo 5º) e as competências que lhes são atribuídas (cf. o artigo 4º)."

Não obstante o entendimento perfilhado, mas atendendo ao "melindre da questão" e à


"divergência de entendimentos", o parecer propôs, em alternativa, a adopção de uma providência
legislativa adequada ou a consulta a este corpo consultivo, tendo a segunda formulação merecido
acolhimento (5).
III -
1 - Em prossecução do princípio da descentralização democrática da Administração Pública,
consagrado no artigo 6º e artigo 237º da Constituição, o Decreto-Lei Nº 264/2002, de 25 de
Novembro, procedeu à transferência para as câmaras municipais de competências dos governos
civis em matérias consultivas, informativas e de licenciamento. Quanto às últimas, dispõe o artigo
4º:

"Artigo 4º
Licenciamento de actividades diversas

1 - Compete às câmaras municipais o licenciamento do exercício e a fiscalização das seguintes


actividades:

a) Guarda-nocturno;
b) Venda ambulante de lotarias;
c) Arrumador de automóveis;
d) Realização de acampamentos ocasionais;
e) Exploração de máquinas automáticas, mecânicas, eléctricas e electrónicas de diversão;
f) Realização de espectáculos desportivos e de divertimentos públicos nas vias, nos jardins e nos
demais lugares públicos ao ar livre;
g) Venda de bilhetes para espectáculos ou divertimentos públicos em agências ou postos de venda;
h) Realização de fogueiras e queimadas;
g) Realização de leilões.

2 - O regime jurídico do licenciamento municipal do exercício e da fiscalização das actividades


referidas no número anterior é estabelecido mediante diploma próprio."

2 - Conforme previsto, o Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro, veio regular o regime


jurídico do licenciamento e da fiscalização das actividades discriminadas no preceito legal atrás
transcrito.
De acordo com o respectivo preâmbulo, visa-se, através das competências atribuídas às
câmaras municipais, reforçar a descentralização administrativa, "com inegável benefício para as
populações, atenta a maior proximidade dos titulares dos órgãos de decisão ao cidadão, e a maior
celeridade e eficácia administrativas".

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

2.1 - Importa conhecer a sistematização deste diploma legal, a fim de melhor se caracterizar o
eventual conflito internormativo que suscitou a presente consulta.
O Decreto-Lei Nº 310/2002 é constituído por 14 capítulos.
O capítulo I, "Âmbito e licenciamento", estabelece o princípio de que o exercício das
actividades a que respeita "carece de licenciamento municipal" e permite a delegação e a
subdelegação das competências atribuídas às câmaras municipais no seu presidente, nos vereadores e
nos dirigentes dos serviços municipais.
Os capítulos seguintes (II a XI) correspondem, sucessiva e exclusivamente, a cada uma das
actividades discriminadas no artigo 1º, "Âmbito", que coincidem com o elenco constante do artigo 4º
do Decreto-Lei Nº 264/2002, atrás transcrito. Destes, merece-nos destaque o capítulo VI, por
respeitar a "Licenciamento do exercício da actividade de exploração das máquinas de diversão".
Os restantes capítulos (XII a XIV) respeitam, respectivamente, a "Sanções", "Fiscalização" e
"Disposições finais e transitórias".
2.2 - No capítulo VI, que particularmente releva para o objecto da presente consulta, o legislador,
após definir o conceito de "máquinas de diversão" para os efeitos do aí disposto (6), condicionou a
sua exploração ao cumprimento de diversos trâmites (tais como o registo prévio de cada uma das
máquinas e a classificação dos temas dos jogos pela Inspecção-Geral de Jogos), bem como à
concessão de licença de exploração a emitir pela câmara municipal. O exercício dessa actividade
ficou sujeito às seguintes condições e condicionamentos: limitação do número de máquinas por
estabelecimento, prévio licenciamento do respectivo local de exploração, proibição de utilização
por menores de 16 anos de idade (excepto se, maiores de 12 anos, se encontrarem acompanhados
por quem exerça o poder paternal) e afixação no local de utilização de inscrição ou dístico
contendo elementos identificadores e informativos.
No artigo 26º, foi prevista a responsabilidade do proprietário das máquinas ou do explorador
do estabelecimento pelas infracções ao disposto neste capítulo, as quais se encontram tipificadas
como contra-ordenações no artigo 48º, capítulo XII, "Sanções".
No artigo 27º, preceito particularmente em foco no âmbito da presente consulta, o legislador
dispôs sobre fiscalização, nos seguintes termos:

"Artigo 27º
Fiscalizaçã

A fiscalização da observância do disposto no presente capítulo, bem como a instrução dos


respectivos processos contra-ordenacionais, compete às câmaras municipais, sendo a Inspecção-Geral
de Jogos o serviço técnico consultivo e pericial nesta matéria."

2.3 - Por seu turno, o capítulo XIII do diploma, exclusivamente dedicado a "Fiscalização", contém
um único artigo - artigo 52º -, igualmente visado na presente consulta, com o seguinte conteúdo:

"Artigo 52º
Entidades com competência de fiscalização

1 - A fiscalização do disposto no presente diploma compete à câmara municipal, bem como às


autoridades administrativas e policiais.
2 - As autoridades administrativas e policiais que verifiquem infracções ao disposto no presente
diploma devem elaborar os respectivos autos de notícia, que remetem às câmaras municipais no
mais curto prazo de tempo.

124 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

3 - Todas as entidades fiscalizadoras devem prestar às câmaras municipais a colaboração que lhes
seja solicitada."
2.4 - Coexistem, pois, no mesmo diploma, dois preceitos sobre fiscalização, respeitando o primeiro
apenas às infracções ao disposto no capítulo VI e o segundo às infracções ao disposto em todo o
diploma, evidenciando-se aspectos diferenciadores nos respectivos conteúdos normativos.
O artigo 27º, não obstante a sua epígrafe, estatui quer sobre competência para a fiscalização
quer sobre competência para a instrução dos processos contra-ordenacionais, cometendo-a, em ambos
os casos, às câmaras municipais, sem ressalvar a competência de qualquer outra entidade,
consignando apenas a função consultiva e pericial que a Inspecção-Geral de Jogos desempenhará,
nesta sede.
O artigo 52º, Nº 1, estatui apenas sobre fiscalização, cometendo a respectiva competência às
câmaras municipais "bem como" às autoridades administrativas e policiais. O Nº 2 e Nº 3 prevêem os
deveres de levantamento de auto de notícia e de colaboração com as câmaras municipais a que estão
sujeitas aquelas autoridades.
De referir que nenhum dos demais capítulos exclusivamente dedicados às restantes
actividades a cujo licenciamento de exercício e fiscalização respeita o diploma contém, à semelhança
do capítulo VI, uma norma própria sobre fiscalização.
2.5 - Merece-nos ainda referência o capítulo XI, "Sanções", que consagra o regime legal e tipifica as
contra-ordenações. O legislador autonomizou no artigo 48º as infracções ao disposto no capítulo
VI (máquinas de diversão), e num outro e único preceito - artigo 47º - incluiu todo as restantes
infracções aos demais capítulos e actividades a que respeita o diploma.
O artigo 50º, "Processo contra-ordenacional", inserido no mesmo capítulo, consagra uma
regra de competência material, atribuindo ao presidente da câmara a competência para a instauração
dos processos de contra-ordenações e para a aplicação das coimas e das sanções acessórias e
atribuindo às câmaras municipais a competência para a instrução dos processos. O Nº 3 dispõe que o
produto das coimas constitui receita dos municípios.
IV -
Para uma melhor compreensão do actual regime, mostra-se conveniente conhecer, ainda que
em traços gerais, a forma como, no passado recente, a utilização das máquinas de diversão foi
disciplinada pelo legislador e como, de um modo geral, essa problemática tem evoluído (7).
1 - Numa primeira fase, a disciplina jurídica desta actividade era reveladora da tradicional associação
do jogo a práticas ilícitas (8); proliferavam então determinados tipos de máquinas de jogo, a cuja
utilização desregulada se atribuíam consequências negativas e preocupantes, sobretudo nas
camadas mais jovens da população.
Após um período de tempo em que a regulamentação legal (9) tinha directamente em vista as
máquinas de jogo genericamente designadas por flippers, podendo ser aplicada a outros tipos de
máquinas, mediante despacho do Ministro da Administração Interna (10), com a entrada em vigor do
Decreto-Lei Nº 21/1985 e Decreto-Lei Nº 22/1985, ambos de 17 de Janeiro, assistiu-se a uma
autonomização fundamental de conceitos, critérios e regimes aplicáveis, de acordo com o tipo de
máquina em causa. Conforme se referiu no parecer Nº 134/1985, de 16 de Julho de 1987, deste
Conselho, teve-se em vista a "modificação dos critérios de uniformidade normativa para os diversos
tipos de máquinas de diversão", que haviam influenciado o sistema anterior (11).
As máquinas de diversão foram objecto de uma definição mais restritiva. O Decreto-Lei Nº
21/1985, que continha o novo regime jurídico do licenciamento e da exploração deste tipo de
máquinas, definia como tais "aquelas que, não pagando prémios em dinheiro, fichas ou coisas com
valor económico, desenvolvem jogos cujos resultados dependem exclusiva ou fundamentalmente da
perícia do utilizador".

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

Das máquinas de diversão assim definidas passaram a distinguir-se as "máquinas automáticas,


eléctricas, electrónicas ou mecânicas, que, não pagando directamente prémios em dinheiro, fichas ou
coisas com valor económico, desenvolvam temas próprios dos jogos de fortuna ou azar ou
apresentem como resultado pontuações dependentes exclusiva ou fundamentalmente da sorte" (12). A
utilização destas máquinas foi expressamente remetida para o regime jurídico do Decreto-Lei Nº 48
912/1969, de 18 de Março (13), referente aos jogos de fortuna ou azar, ficando a sua exploração
restrita aos casinos das zonas de jogo.
Entre os dois tipos de máquinas, o legislador relevou uma significativa diferença quanto aos
problemas sociais e às questões de natureza ética que suscitavam, considerando que eram as
máquinas do segundo tipo que proporcionavam a prática ilegal de jogos de fortuna ou azar e as
apostas ilícitas. Essa diferenciação reflectia-se no regime sancionatório aplicável em cada um dos
casos: no âmbito da prática de jogos de fortuna ou azar estavam tipificados ilícitos criminais, puníveis
com penas de prisão (14); no âmbito da exploração das máquinas de diversão dependentes da perícia
do utilizador, os ilícitos previstos não reflectiam um desvalor ético-jurídico relevante e continham-se
no domínio do ilícito de mera ordenação social.
A este propósito, recorda-se ainda a seguinte passagem do mesmo parecer do conselho
consultivo:

"Diferenciação que inteiramente fica tributária da distinta conformação axiológica dos


comportamentos proibidos: meros interesses de eficiência da fiscalização e de respeito pelas
imposições de natureza regulamentar relativamente à exploração das máquinas em geral permitidas, e
tutela de interesses de maior relevância social ligados à prevenção do risco da prática incontrolada de
jogos de fortuna ou azar, que justifica a específica restrição dessa prática ao limite dos casinos das
zonas de jogo autorizadas.
A definição conceitual-formal de contra-ordenação fixada pelo legislador para as infracções
previstas no Decreto-Lei Nº 21/1985, de 17 de Janeiro, contém, desta forma, pressuposto um critério
material-qualitativo - a neutralidade e a falta de ressonância ética de comportamentos relacionados
com meras condições formais ou regulamentares de uma actividade apenas sujeita a licença
administrativa de exploração."
2 - Atentemos agora na evolução da regulamentação legal da actividade de exploração nas máquinas
de diversão, segundo o conceito introduzido pelo Decreto-Lei Nº 21/1985 - que, no essencial, se
tem mantido -, sendo que a este tipo de máquinas se restringe o objecto deste parecer.
2.1 - Os diplomas legais sucessivamente aplicáveis ao licenciamento e à fiscalização da actividade de
exploração das máquinas de diversão - Decreto-Lei Nº 21/1985, de 17 de Janeiro, Decreto-Lei Nº
316/1995, de 28 de Novembro, e Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro - mantiveram um
núcleo essencial de exigências, condições e condicionamentos, de que dependem a permissão e a
licitude dessa actividade.
Fundamentalmente, os sucessivos diplomas legais têm imposto:

O registo prévio da máquina;


A concessão de licença de utilização;
A classificação dos temas de jogo (pela Inspecção-Geral de Jogos);
A limitação do número de máquinas por estabelecimento;
O licenciamento do estabelecimento ou recinto de utilização, para esse efeito, os quais não
podem situar-se nas proximidades de estabelecimentos de ensino;
A proibição de utilização por menores (inicialmente, menores de 18 anos, posteriormente, de
16, sendo porém permitida a maiores de 12 se acompanhados por quem exerce o poder paternal);
A afixação de letreiros com dizeres de identificação e de advertência nos locais de utilização;

126 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

O pagamento de taxas pela utilização ou pelos actos requeridos.

3 - Mantido inalterável o núcleo fundamental de exigências, condições e condicionamentos à


exploração desta actividade, registou-se contudo significativa alteração quanto às entidades às
quais foi conferida competência para os diversos actos de registo e de licenciamento, bem como
para a fiscalização, instrução e decisão dos processos de contra-ordenação instaurados por
incumprimento das respectivas determinações.

3.1 - Até à entrada em vigor do Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro, os actos de registo e


de licenciamento eram da competência dos governadores civis, aos quais competia também a
aplicação das sanções e para os quais revertiam a totalidade das taxas pagas e parte do produto das
coimas.
A competência para a fiscalização e para a instrução dos processos contra-ordenacionais
estava cometida às autoridades policiais, registando-se as seguintes especificidades:

Na vigência do Decreto-Lei Nº 21/85, tal competência cabia às autoridades policiais,


designadamente à Guarda Nacional Republicana, à Polícia de Segurança Pública, à Guarda Fiscal e
ainda à Inspecção-Geral de Jogos;
Com o Decreto-Lei Nº 316/1995, foi mantida a competência fiscalizadora e instrutória das
entidades policiais, passando a ser reservada à Inspecção-Geral de Jogos (15) uma função técnica,
pericial e consultiva.

3.2 - Com a entrada em vigor do Decreto-Lei Nº 310/2002, as competências para os diversos actos de
registo e de licenciamento e, bem assim, para a fiscalização, instrução e decisão de processos
contra-ordenacionais convergiram nas câmaras municipais; o produto das coimas aplicadas passou
a constituir receita dos municípios; a Inspecção-Geral de Jogos manteve a função consultiva e
pericial.
3.3 - Outro aspecto diferenciador do novo diploma respeita aos motivos de recusa da concessão ou da
renovação de licença de exploração.
O artigo 23º do Decreto-Lei Nº 310/2002, mantendo o carácter temporário das licenças (por
períodos semestrais ou anuais), bem como os documentos necessários à instrução do pedido (16),
prevê, no Nº 3, a possibilidade de recusa "sempre que tal medida se justifique", conferindo ao órgão
competente uma margem de discricionariedade na determinação e na ponderação dos motivos
relevantes para a decisão. Nos diplomas anteriores, o órgão com poder de decisão estava vinculado à
apreciação e à indicação de fundamentos de interesse público expressamente enunciados pelo
legislador: "protecção da infância e da juventude", "prevenção da criminalidade", "segurança",
"ordem" e "tranquilidade públicas" (17).
4 - No que concerne à fiscalização, e tal como foi evidenciado pela AJ, o Decreto-Lei Nº 310/2002
inspirou-se manifestamente nas correspondentes normas do diploma legal anterior (18).
Importa, por isso, conhecer, ainda que em linhas gerais, a sistematização desse diploma e o
conteúdo das normas em referência.

4.1 - O anexo do Decreto-Lei Nº 316/1995, de 28 de Novembro, que continha o anterior regime


jurídico do licenciamento do exercício de diversas actividades, de entre as quais a de exploração
de máquinas de diversão, apresentava uma sistematização muito semelhante àquela que foi
adoptada pelo Decreto-Lei Nº 310/2002: organizado em quatro capítulos, o primeiro dos quais,
referente a "Licenciamento do exercício de actividades", estava subdividido em nove secções,
correspondentes a cada uma das actividades cujo licenciamento constituía o objecto do diploma
(19).

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A secção V, referente à exploração de máquinas de diversão, continha já, contrariamente às


restantes secções, uma norma sobre fiscalização - artigo 25º - que dispunha:

"Artigo 25º
Fiscalização

A fiscalização da observância do disposto na presente secção, bem como a instrução dos


respectivos processos contra-ordenacionais, compete às autoridades policiais, sendo a Inspecção-
Geral de Jogos o serviço técnico consultivo e pericial dos governadores civis e daquelas autoridades
nesta matéria."
Os restantes capítulos respeitavam, sucessivamente, a "Protecção de pessoas e bens",
"Sanções" e "Disposições finais e transitórias", sendo que este último continha também uma norma
da âmbito geral sobre "Fiscalização" - artigo 50º -, com o seguinte conteúdo:

"Artigo 50º
Fiscalização

A fiscalização do presente diploma compete às autoridades administrativas, à Polícia de


Segurança Pública e à Guarda Nacional Republicana."

4.2 - O diploma legal anterior cometia, pois, a competência fiscalizadora às entidades policiais, quer
no preceito sobre fiscalização inserido no capítulo final, de âmbito geral, quer no preceito sobre
fiscalização inserido no capítulo especificamente referente à exploração de máquinas de diversão.
Neste, porém, as autoridades policiais eram as únicas entidades fiscalizadoras previstas; já o
preceito de âmbito genérico previa, expressamente, para além da competência das autoridades
policiais - Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana -, a competência
fiscalizadora das autoridades administrativas.
O preceito legal inserido no capítulo referente a máquinas de diversão dispunha ainda sobre a
competência para a instrução dos respectivos processos contra-ordenacionais, atribuindo-a às
autoridades policiais, e previa a intervenção da Inspecção-Geral de Jogos como serviço técnico
consultivo e pericial.
4.3 - Conforme já se referiu, no âmbito do Decreto-Lei Nº 316/1995 competia aos governadores civis
o licenciamento do exercício das respectivas actividades, competindo-lhes também a aplicação de
coimas e sanções acessórias.
A competência para conceder as autorizações e licenças previstas na lei para o exercício de
certas actividades decorria do próprio Estatuto dos Governadores Civis (20), que permitia a delegação
dessa competência nos comandantes de diversas unidades da Polícia de Segurança Pública e da
Guarda Nacional Republicana.
As autoridades policiais detinham, assim, no domínio da actividade de exploração de
máquinas de diversão, poderes de fiscalização, de instrução processual e, eventualmente, nos termos
supra-referidos, de licenciamento.
Esta acumulação de competências pelas autoridades policiais mostra-se consonante com as
preocupações expressas pelo legislador, que considerava as actividades a regular, práticas que
interferiam com a ordem e a segurança. Elucidativa do sentimento que então prevalecia é a projecção
expressa no preâmbulo do diploma: "O desenvolvimento desregulado de actividades marginais à
economia legal tem gerado um ambiente de reprovação pública e, em alguns casos, um sentimento de
insegurança que fica a dever-se não só ao desvalor absoluto de algumas dessas actividades como à
circunstância de a sua prática estar associada à proliferação de comportamentos desviantes,
agravando situações já delicadas."

128 EPG-Publicações
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O mesmo preâmbulo realçava as competências dos governadores civis como "órgão


administrativo que, na área do distrito, intervém como representante do Governo para fins de
manutenção da ordem, da tranquilidade e da segurança públicas". Eram, pois, destacadas, de entre as
funções tradicionalmente exercidas pelos governadores civis, as funções de polícia, e reconhecia-se a
necessidade de os dotar dos instrumentos legais que lhes permitissem "condicionar o acesso" às
actividades a licenciar e "reprimir os excessos ou a sua prática ilegal".
5 - Poderá percepcionar-se, através da evolução dos regimes legais aplicáveis, que os factores que
associavam a exploração das máquinas de diversão ao risco de danos sociais, de perturbação da
paz pública, de insegurança, de criminalidade e de corrupção da juventude se foram atenuando, e
que esta matéria e sua regulamentação se afastou da regulamentação da prática de jogo, enquanto
actividade, à partida, ilícita.
A inclusão do regime atinente à exploração das máquinas de diversão como mero capítulo ou
secção de diplomas legais que regulam o exercício de diversas outras actividades sujeitas a
licenciamento indiciava já esse afastamento.
Podemos, assim, ensaiar, desde já, uma primeira consideração, no sentido de que as grandes
preocupações com a preservação da segurança, da ordem e da tranquilidade públicas, que presidiram
aos diplomas legais anteriores, não assumem a mesma preponderância no diploma de 2002; neste, o
legislador privilegiou outros valores, de ordem administrativa: a proximidade do centro de decisão ao
cidadão, a eficácia e a celeridade (21).
Esta evolução axiológica não será decerto inócua para a interpretação do papel atribuído às
autoridades policiais em cada um dos diplomas.
6 - Outra consideração que se evidencia é a de que a introdução de uma norma sobre
competência para a fiscalização e para a instrução no capítulo referente a máquinas de diversão - e
apenas nesse capítulo especial - bem como a autonomização das infracções desse capítulo numa
norma sancionatória própria seguiram o modelo adoptado pelo diploma que anteriormente regulava a
mesma matéria. Numa primeira abordagem, cremos que nessa opção legislativa pesou a constatação
das especificidades de ordem técnica inerentes à materialidade das respectivas infracções, cujas
detecção e demonstração podem exigir a coadjuvação de um serviço especializado nas práticas, nas
modalidades e nos instrumentos de jogo, quer em fase de fiscalização quer em fase de instrução.

V-

1 - A evolução registada quanto às entidades competentes para o licenciamento e a fiscalização das


actividades a que nos reportamos insere-se, por outro lado, num processo mais amplo, de
transferência de poderes e competências da administração central para as câmaras municipais, no
âmbito de uma política de descentralização e de reforço do poder local.
O princípio da descentralização administrativa vem assumindo cada vez maior importância
nos programas políticos, inspirando as orientações legislativas. Como referem Gomes Canotilho e
Vital Moreira (22), em sentido estrito, "a descentralização exige a separação de certos domínios da
administração central e a sua entrega a entidades autónomas possuidoras de interesses colectivos
próprios - autarquias locais, associações públicas ou outras entidades de substrato pessoal (pessoas
colectivas) - dotadas de órgãos próprios de autogoverno".
2 - Era no âmbito dos poderes de polícia que o governador civil podia limitar o período de abertura e
determinar o encerramento de estabelecimentos que explorassem jogos de divertimento ou podia
recusar a concessão ou a renovação de licenças de exploração sempre que tal medida de polícia se
justificasse para a protecção à infância e à juventude e a prevenção de criminalidade e da ordem e
tranquilidade públicas (23).

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Segundo Marcello Caetano (24), a licença, tal como a autorização, a concessão e a admissão,
integra o conceito de actos permissivos de conteúdo positivo, definidos como os que "facultam ou
permitem a alguém a adopção de uma conduta que em princípio lhe está vedada". Nesta concepção, a
licença é definida como "acto administrativo que permite a alguém a prática de um acto ou o
exercício de uma actividade relativamente proibidos", e que se distingue da autorização, definida
como "acto administrativo que permite a alguém o exercício de um seu direito ou de poderes legais".
A licença tem natureza policial, segundo o mesmo professor, quando concedida por uma
autoridade com poderes de polícia e no exercício desses poderes e só deve ser concedida quando se
verifique "não provirem dela inconvenientes para a ordem pública" (25), pressupondo assim a
existência de uma norma que proíba o exercício da actividade "a quem não reúna certos requisitos ou
satisfaça certas condições que permitam evitar ou diminuir o perigo". A sua concessão tem como
principal efeito "colocar aquele que dela beneficie ou o local licenciado sob a vigilância especial da
polícia".
Cabe aqui registar a evolução doutrinária no sentido do alargamento da figura da autorização,
que passou a abranger categorias designadas pelo próprio legislador de outras formas, tais como as
licenças que "caracteristicamente" assumem tal feição (26). Rogério Soares inclui nos actos
autorizativos as dispensas, as autorizações constitutivas e as autorizações permissivas, distinguindo
entre estas últimas aquelas em que o legislador, outorgada a autorização, não conserva ligação
específica com a situação criada daquelas outras em que, outorgada a autorização, "o agente cria uma
situação que se manifesta num poder de controlo ou direcção" (27).
3 - Refira-se que a partir da entrada em vigor da Lei Nº 2/1987, de 8 de Janeiro, as câmaras
municipais participavam já no processo de licenciamento de jogos de perícia, de exploração de
máquinas de diversão e de outras diversões públicas, sendo obrigatória a sua consulta acerca dos
pedidos de licenciamento que não fossem liminarmente indeferidos, sob pena de nulidade da
decisão, e que esse parecer, se desfavorável, era vinculativo [parecer "relativamente vinculante"
(28)].
Na discussão parlamentar do respectivo projecto de lei (29), foi largamente evidenciada a
circunstância de as câmaras municipais, atento o factor proximidade, se encontrarem em posição
privilegiada para avaliarem as vantagens e "sobretudo as desvantagens" destes licenciamentos.
4 - Analisemos, porém, o complexo normativo donde emergem as novas atribuições das autarquias e
as competências dos seus órgãos.

4.1 - A Lei Nº 159/1999, de 14 de Setembro, estabelece o quadro da transferência de atribuições e


competências para as autarquias locais, através da qual se prosseguiram os princípios da
descentralização administrativa e da autonomia do poder local, consagrados no artigo 237º, Nº 1,
da Constituição (30).
Dispõe o artigo 2º da referida Lei Nº 159/1999:

"Artigo 2º
Princípios gerais

1 - A descentralização de poderes efectua-se mediante a transferência de atribuições e competências


para as autarquias locais tendo por finalidade assegurar o reforço da coesão nacional e da
solidariedade inter-regional e promover a eficiência e a eficácia da gestão pública assegurando os
direitos dos administrados.
2 - A descentralização administrativa assegura a concretização do princípio da subsidiariedade,
devendo as atribuições e competências ser exercidas pelo nível da administração melhor colocado
para as prosseguir com racionalidade, eficácia e proximidade dos cidadãos.

130 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

3 - A administração central e a administração local devem coordenar a sua intervenção, no exercício


de competências próprias, designadamente através das formas de parceria previstas no artigo 8º, de
modo a assegurar a unidade na prossecução de políticas públicas e evitar sobreposição de
actuações.
4 - ...
5 - O prosseguimento das atribuições e competências é feito nos termos da lei e implica a concessão,
aos órgãos das autarquias locais, de poderes que lhes permitam actuar em diversas vertentes, cuja
natureza pode ser:

a) Consultiva;
b) De planeamento;
c) De gestão;
d) De investimento;
e) De fiscalização;
f) De licenciamento.

6 - ..."

4.2 - O artigo 13º da mesma lei contém o elenco das atribuições dos municípios, nos seguintes
domínios: equipamento rural e urbano, energia, transportes e comunicações, educação, património,
cultura e ciência, tempos livres e desporto, acção social, habitação, protecção civil, ambiente e
saneamento básico, defesa do consumidor, promoção do desenvolvimento, ordenamento do
território e urbanismo, polícia municipal e cooperação externa.
O artigo 4º, Nº 1, previa que as atribuições e competências deveriam ser progressivamente
transferidas para os municípios nos quatro anos subsequentes à sua entrada em vigor.
4.3 - Também a Lei Nº 169/1999, de 18 de Setembro (31), que estabelece o quadro de competências,
assim como o regime jurídico de funcionamento dos órgãos municipais e das freguesias, prevê, no
artigo 64º, Nº 5, entre as competências das câmaras municipais, a competência em matéria de
licenciamento e fiscalização, dispondo, nesta parte:

"Artigo 64º
Competências

...

5 - Compete à câmara municipal, em matéria de licenciamento e fiscalização:

a) Conceder licença nos casos e nos termos estabelecidos por lei, designadamente para construção,
reedificação, utilização, conservação ou demolição de edifícios, assim como para
estabelecimentos insalubres, incómodos, perigosos ou tóxicos;
b) Realizar vistorias e executar, de forma exclusiva ou participada, a actividade fiscalizadora
atribuída por lei, nos termos por esta definidos;
c) Ordenar, precedendo vistoria, a demolição total ou parcial ou a beneficiação de construções que
ameacem ruína ou constituam perigo para a saúde ou a segurança das pessoas;
d) Emitir licenças, matrículas, livretes e transferência de propriedade e respectivos averbamentos e
proceder a exames, registos e fixação de contingentes relativamente a veículos, nos casos
legalmente previstos."

\Policial\Pol4 Escola Prática/GNR 131


Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

E de entre as competências do presidente da câmara, cujo elenco consta no artigo 68º da


mesma lei, destacam-se as seguintes:

"Conceder licenças policiais ou fiscais (32) de harmonia com o disposto nas leis, nos
regulamentos e nas posturas";
"Determinar a instrução de processos de contra-ordenação e aplicar as coimas, nos termos da
lei, com a faculdade de delegação em qualquer dos restantes membros da câmara".

VI -

Debrucemo-nos, agora, sobre a prossecução das atribuições municipais no domínio da


polícia, tendo presente que o artigo 30º do Decreto-Lei Nº 159/1999 dispõe que, em desenvolvimento
dessas atribuições, "os órgãos municipais podem criar polícias municipais nos termos e com
intervenção nos domínios a definir por diploma próprio".

1 - Refira-se que o artigo 163º, § 2º, do Código Administrativo permitia já que as câmaras municipais
instituíssem um serviço de polícia municipal, "a fim de fiscalizar o cumprimento das posturas e
dos regulamentos policiais e de coadjuvar a autoridade policial do concelho no exercício das suas
funções".

O parecer, do conselho consultivo, Nº 31/19, de 18 de Agosto, aludia ao "interesse de


existência de uma polícia municipal especializada na fiscalização do cumprimento de posturas e
regulamentos", referindo que é à polícia municipal que se "reconduzem as actividades de fiscalização
e de vigilância relativas a interesses cuja prossecução constitui atribuição das autarquias locais".

Do mesmo parecer transcreve-se a seguinte passagem final:

"Em matéria de contra-ordenações, sanção típica das infracções aos regulamentos e às


posturas das autarquias (artigo 21º da Lei Nº 1/1987, de 6 de Janeiro), a polícia municipal e os seus
agentes têm o dever de tomar conta de todos os eventos ou circunstâncias susceptíveis de implicar
responsabilidade por aquele tipo de ilícitos e de tomar as medidas necessárias para impedir o
desaparecimento de provas, devendo remeter imediatamente às autoridades administrativas a
participação e as provas recolhidas, nos termos gerais do artigo 48º do Decreto-Lei Nº 433/1982, de
27 de Outubro.
Podem, ainda, ser chamados a auxiliar os órgãos executivos das autarquias na instrução dos
processos de contra-ordenação, nos termos do artigo 54º, Nº 1, daquele decreto-lei, incluindo aqueles
casos em que a lei confere ao presidente da câmara competência para sancionar ilícitos contra-
ordenacionais não previstos em regulamentos da autarquia, nomeadamente em matéria de incêndios
florestais (artigo 5º a artigo 7º da Lei Nº 19/1986)."

2 - A Lei Nº 32/1994, de 23 de Agosto, estabeleceu o quadro dos "serviços municipais de polícia",


criados como serviços do município (33), na dependência orgânica e funcional do presidente da
câmara.
3 - A revisão constitucional de 1997 aditou um novo dispositivo - o Nº 3 - ao artigo 237º da
Constituição, "Descentralização administrativa", com o seguinte conteúdo:

"As polícias municipais cooperam na manutenção da tranquilidade pública e na protecção das


comunidades locais (34)."

132 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

No novo quadro constitucional, a Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, estabeleceu o regime e a


forma de criação das polícias municipais, revogando a anterior Lei Nº 32/1994.
Nos termos deste diploma, as polícias municipais são "serviços municipais especialmente
vocacionados para o exercício de funções de polícia administrativa".
A criação das polícias municipais compete à assembleia municipal, sob proposta da câmara
municipal, dependendo a eficácia da deliberação de ratificação por resolução do Conselho de
Ministros (35). A deliberação formaliza-se com a aprovação do respectivo regulamento de polícia
municipal e do quadro de pessoal, e dela devem constar a enumeração das respectivas competências e
a área do território do município em que serão exercidas. O município tem, pois, a liberdade de criar
ou de não criar o seu serviço de polícia municipal e de limitar o elenco das competências legais, bem
como a área territorial de actuação dos seus agentes.
Sobre funções de polícia, dispõe o artigo 2º deste diploma, nos seguintes termos:

"Artigo 2º
Funções de polícia

1 - No exercício de funções de polícia administrativa, cabe aos municípios fiscalizar, na área da sua
jurisdição, o cumprimento das leis e dos regulamentos que disciplinem matérias relativas às
atribuições das autarquias e à competência dos seus órgãos.
2 - As polícias municipais cooperam com as forças de segurança na manutenção da tranquilidade
pública e na protecção das comunidades locais.
3 - Aos municípios é vedado o exercício das actividades previstas na legislação sobre segurança
interna e nas leis orgânicas das forças de segurança, sem prejuízo do disposto na presente lei."

E o artigo 3º, Nº 1 (36), prevê, nos seguintes termos, as atribuições no exercício de funções de
polícia administrativa (37):

"Artigo 3º
Atribuiçõe

1 - As polícias municipais exercem funções de polícia administrativa dos respectivos municípios,


nomeadamente em matéria de:

a) Fiscalização do cumprimento das normas regulamentares municipais;


b) Fiscalização do cumprimento das normas de âmbito nacional ou regional cuja competência de
aplicação ou fiscalização caiba ao município;
c) Aplicação efectiva das decisões das autoridades municipais."

O artigo 4º contém o elenco de competências das polícias municipais, destacando-se, no


âmbito do presente parecer:

"Execução coerciva, nos termos da lei, dos actos administrativos das autoridades municipais";
"Elaboração dos autos de notícia, autos de contra-ordenação ou transgressão por infracções às
normas referidas no artigo 3º";
"Instrução dos processos de contra-ordenação e de transgressão da respectiva competência";

\Policial\Pol4 Escola Prática/GNR 133


Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

"Fiscalização do cumprimento dos regulamentos municipais e da aplicação das normas legais,


designadamente nos domínios do urbanismo, da construção, da defesa e protecção dos recursos
cinegéticos, do património cultural, da natureza e do ambiente";
"Garantia do cumprimento das leis e dos regulamentos que envolvam competências
municipais de fiscalização".
O Decreto-Lei Nº 39/2000 e Decreto-Lei Nº 40/2000, ambos de 17 de Março, vieram regular,
respectivamente, a criação de serviços de polícia municipal e as condições e o modo do exercício das
funções de agente de polícia municipal (38).

VII -

1 - Na presente consulta coloca-se, como se referiu, uma questão de determinação de titularidade de


competências em matéria de fiscalização do exercício de actividade sujeita a licença municipal.
Fiscalizar consiste em "verificar o bom cumprimento das normas, leis ou quaisquer regras e
disposições", "submeter à vigilância", "fazer um exame minucioso, observar atentamente o
cumprimento de diversas obrigações de alguém" (39).
Em termos operativos, a fiscalização compreende, frequentemente, uma vertente correctiva,
em que os agentes de fiscalização exercem uma função pedagógica, visando o cabal esclarecimento, a
assimilação e o cumprimento adequado por parte das entidades sujeitas à fiscalização, e uma vertente
repressiva, em que os agentes de fiscalização procedem ao levantamento de autos de notícia ou à
participação de infracções verificadas e à recolha de elementos de prova, com base no que se iniciará
o procedimento criminal ou contra-ordenacional.
2 - Cotejando o regime jurídico do exercício de diversas actividades sujeitas a licenciamento,
designadamente licenciamento municipal, verifica-se que o não cumprimento ou o cumprimento
indevido das exigências, condições e formalidades a que fica sujeito o exercício da actividade
licenciada é objecto de previsão em sede de ilícito de mera ordenação social.
A lei confere às autoridades administrativas competentes para o acto de licenciamento, de
acordo com a regra da unidade da competência das contra-ordenações (40), a competência para
instaurar os respectivos processos contra-ordenacionais, para a sua instrução e para aplicar as
correspondentes sanções, e confere ainda à mesma entidade competência para a necessária
fiscalização. Frequentemente, o legislador comete, em simultâneo, competência fiscalizadora a outras
autoridades administrativas e às autoridades policiais, ou ressalva expressamente o exercício das
competências próprias destas autoridades (41).
A atribuição de competências pela lei visa a melhor prossecução do interesse público; na
distribuição de competências entre vários entes públicos, ou entre os órgãos de um mesmo ente
público, deve o legislador atender aos interesses públicos específicos subjacentes às suas atribuições,
visando não só uma melhor divisão do trabalho como também "a especialização na prática de actos e
no exercício de poderes de um certo tipo" (42).
Em sede de ilícito de mera ordenação social, a lei incumbe a fiscalização das condutas
tipificadas às autoridades às quais compete acautelar os bens jurídicos protegidos pelas respectivas
normas sancionatórias. Sendo comum o legislador atribuir competência a diversas entidades, o
critério de delimitação do exercício dessas competências há-de decorrer do bem jurídico ou do
interesse que esteja em causa, perfilando-se, em cada caso, a competência específica da entidade em
cuja esfera de atribuições melhor se inserir a sua protecção.
3 - Este conselho consultivo teve já oportunidade de se pronunciar sobre os critérios delimitadores da
competência das entidades fiscalizadoras.

134 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

O parecer Nº 186/2001 (43) debruçou-se sobre aspectos relacionados com a fiscalização da


actividade de venda de veículos automóveis usados na via pública, enquanto configurável como
actividade de venda ambulante, e, como tal, regulada pelo Decreto-Lei Nº 122/1979, de 8 de Maio,
cujo artigo 20º previa a competência de diversas entidades para a "prevenção e acção correctiva"
sobre as infracções às suas disposições, "no âmbito das respectivas atribuições" (44).
Este parecer elegeu como critério que as referidas entidades "fiscalizam as infracções ao
regime jurídico da venda ambulante em conformidade com os poderes específicos que resultem das
respectivas missões de interesse público que lhes são confiadas, nas respectivas leis orgânicas ou em
leis avulsas".
Analisado o regime jurídico instituído por aquele diploma, considerou-se que, de um modo
geral, não estava em causa "a defesa de valores ético-sociais, de bens jurídicos essenciais à
convivência comunitária, mas sim a defesa de interesses puramente administrativos, interesses
secundários confiados à Administração e cuja tutela se realiza através da imposição de obrigações ou
proibições que podem ser estabelecidas pela própria Administração".
Analisados também os bens jurídicos protegidos pelas infracções previstas nesse diploma,
constatou-se que, num conjunto dessas infracções, os respectivos bens jurídicos relevavam das
competências das câmaras municipais, respeitando à não verificação das condições administrativas
estabelecidas para o exercício da actividade; nesse conjunto incluíam-se as infracções respeitantes à
falta de título legítimo para o exercício de actividade, ao respeito pelos locais indicados e delimitados
para aquele tipo de comércio, aos horários fixados, aos limites estabelecidos quanto à ocupação da via
pública, às condições hígio-sanitárias prescritas, etc. Concluiu-se, nesta parte, pela seguinte forma:
"Em qualquer das situações acabadas de mencionar será da competência específica das
câmaras municipais autorizar o exercício da actividade, disciplinar o seu funcionamento, fiscalizar e
sancionar as infracções, eventualmente verificadas, aos referidos aspectos da actividade de venda
ambulante."
Já quanto a outras infracções, que visavam proteger outro tipo de interesses e valores, tais
como a saúde pública, a defesa do consumidor ou a concorrência, cuja protecção transcendia a esfera
de competências das câmaras municipais, se concluiu que a actividade fiscalizadora competia a outras
entidades, em cujas atribuições melhor se enquadravam tais interesses e valores.

VIII -

Os elementos expostos habilitam-nos, agora, a tomar posição sobre a questão que nos é
colocada.

1 - Acolhendo como critério de delimitação de competência em matéria de fiscalização o da melhor


correspondência entre os interesses públicos prosseguidos pelas entidades competentes e os
interesses e os valores protegidos através das normas sancionatórias, não podemos deixar de
evidenciar a essencialidade da competência das câmaras municipais no âmbito da fiscalização das
actividades a que respeita o Decreto-Lei Nº 310/2002.
O diploma pelo qual se operou a transferência de competências para a administração local -
Decreto-Lei Nº 264/2002 - consagra o princípio de que cabe às câmaras municipais a competência
para licenciar e fiscalizar as actividades a que respeita.
É esse parâmetro que merece desenvolvimento, quer no artigo 27º quer na primeira parte do
Nº 1 do artigo 52º do Decreto-Lei Nº 310/2002. Porém, conforme já verificámos, enquanto aquele
preceito, referente à fiscalização específica do disposto no capítulo sobre máquinas de diversão, não
alude à competência de qualquer outra entidade, suscitando a hipótese interpretativa de competência
exclusiva, já este preceito, referente à fiscalização do disposto em todo o diploma, indica como
entidades competentes, para além das câmaras municipais, as autoridades administrativas e policiais.

\Policial\Pol4 Escola Prática/GNR 135


Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

2 - Retomando o critério dos valores ou dos interesses protegidos pelas normas sancionatórias,
constatamos, no que concerne às infracções no domínio da actividade de exploração de máquinas
de diversão, tipificadas no artigo 48º do Decreto-Lei Nº 310/2002, que os interesses em causa não
transcendem as atribuições dos municípios, em cuja prossecução se inserem os poderes conferidos
aos seus órgãos para permitirem ou recusarem o exercício dessa actividade.
De facto, cotejando as diversas alíneas daquele artigo 48º, temos o seguinte elenco de acções
ou omissões ilícitas e puníveis como contra-ordenações:

Exploração de máquina sem registo;


Falsificação do título de registo ou de licenciamento;
Exploração de máquina sem o acompanhamento de determinados documentos;
Desconformidade dos elementos do título de registo por falta de averbamento de novo
proprietário;
Exploração de máquina sem prévia classificação do tema ou circuito de jogo pela Inspecção-Geral
de Jogos;
Exploração de máquina sem licença ou com licença caducada;
Exploração em recinto ou local diferente do que consta do licenciamento ou para que foi
autorizada;
Exploração de máquinas em número superior ao permitido;
Falta de comunicação acerca de transferência de local de exploração;
Utilização por pessoas de idade inferior à permitida;
Falta de afixação ou indevida indicação da inscrição ou dístico exigido.

Na tipificação e no regime contra-ordenacional respeitante a esta actividade, o legislador quis


fundamentalmente prevenir e sancionar o incumprimento das injunções administrativas que decorrem
do próprio regime de licenciamento, cujas verificação, detecção e demonstração melhor serão
prosseguidas pela entidade licenciadora.
Nestas situações, e à semelhança do que se concluiu no citado parecer Nº 186/2001, deste
conselho consultivo, cabe às câmaras municipais a competência específica para licenciar as
respectivas actividades, para disciplinar o seu funcionamento, para fiscalizar e para sancionar as
infracções, eventualmente verificadas.
A acção fiscalizadora cometida a estas entidades é exercida de forma pró-activa, programada,
sistemática e permanente.
3 - A prossecução da fiscalização compreende-se nas atribuições dos municípios no domínio de
polícia administrativa e nas competências próprias das câmaras municipais e é exercida, em
especial, pelas polícias municipais, sempre que tenham sido criadas nos respectivos municípios.
Nos termos do artigo 2º da Lei Nº 140/1999, cabe aos municípios "fiscalizar, na área da sua
jurisdição, o cumprimento das leis e dos regulamentos que disciplinem matérias relativas às
atribuições das autarquias e à competência dos seus órgãos".
Recorde-se ainda que, nos termos do artigo 3º, Nº 1, alínea b), da mesma lei, constitui
atribuição das polícias municipais a "fiscalização do cumprimento das normas de âmbito nacional ou
regional cuja fiscalização caiba ao município" e, nos termos do artigo 4º, alínea h), compete-lhes "a
elaboração de autos de notícia, autos de contra-ordenação ou transgressão por infracção às normas
referidas no artigo 3º".
Conforme refere Catarina Castro (45):

136 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

"[...] relativamente às polícias municipais, a defesa da legalidade democrática passará,


necessariamente, pela garantia das normas municipais, mas também das normas nacionais que
possam estar numa especial relação com o município, incumbindo-lhes a sua aplicação ou
fiscalização [...] Neste sentido, o artigo 2º, Nº 2, da Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, atribui aos
municípios a fiscalização, na área da sua jurisdição, das leis e dos regulamentos que disciplinam as
matérias relativas às atribuições das autarquias locais e à competência dos seus órgãos."

De facto, convém ter presente que a criação das polícias municipais correspondeu a uma
filosofia de proximidade e a um objectivo de melhoria da acção policial e de racionalização de meios,
que passaria, além de mais, por uma mais consentânea repartição de funções entre as entidades
policiais. Pretendia-se que as tradicionais forças de segurança ficassem mais libertas para a missão
própria de segurança interna e que passassem a desempenhar um papel mais relevante na investigação
criminal, tendo-lhes sido cometidas, nessa área, competências acrescidas (46).
A consecução desse objectivo passava, de entre outras medidas, pela libertação das funções de
fiscalização administrativa, que seriam preferencialmente assumidas pelas polícias municipais.
4 - Vejamos porém se a atribuição de competência específica para a fiscalização destas actividades às
câmaras municipais obsta à pros secução da actividade fiscalizadora que, genericamente, está
cometida às autoridades policiais e administrativas.
De facto, o artigo 52º, Nº 1, do Decreto-Lei Nº 310/2002 comete tal competência genérica a
estas entidades, especificando, no Nº 2 e Nº 3, os deveres que, no exercício dessa competência, lhes
incumbem: elaborarem auto de notícia sempre que verifiquem infracções ao disposto no diploma,
remeterem o auto no mais curto prazo às câmaras municipais e prestarem a estas a colaboração
solicitada.
No que concerne às autoridades policiais, tais deveres constituem emanação de princípios
gerais, que se encontram plasmados no Código de Processo Penal (artigo 243º, artigo 248º e artigo
249º), subsidiariamente aplicável ao processo de contra-ordenações (47), na lei quadro do ilícito de
mera ordenação social, bem como nos respectivos diplomas orgânicos.
O dever de noticiar qualquer infracção de que tomem conhecimento tal como o dever de
preservar os meios de prova ou o dever de cooperar com outras entidades, designadamente com as
autoridades administrativas, constituem princípios que enformam a actividade policial.
5 - O Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro (48), que instituiu o ilícito de mera ordenação social
e estabeleceu o seu procedimento, dispõe no artigo 48º:

"Artigo 48º
Da polícia e dos agentes de fiscalização

1 - As autoridades policiais e fiscalizadoras deverão tomar conta de todos os eventos ou


circunstâncias susceptíveis de implicar responsabilidade por contra-ordenação e tomar as medidas
necessárias para impedir o desaparecimento de provas.
2 - Na medida em que o contrário não resulte desta lei, as autoridades policiais têm direitos e deveres
equivalentes aos que têm em matéria criminal.
3 - As autoridades policiais e agentes de fiscalização remeterão imediatamente às autoridades
administrativas a participação e as provas recolhidas."
Este preceito consagra o "princípio da oficialidade", "enquadrando a iniciativa processual por parte
das autoridades policiais relativamente à repressão deste tipo de ilícito" (49).
Os autores (50) são unânimes quanto ao dever de denúncia obrigatória que impende sobre as
autoridades policiais relativamente aos factos de que tomem conhecimento susceptíveis de integrar
ilícitos de contra-ordenação, bem como quanto ao dever de tomarem as providências necessárias à
preservação dos meios de prova.

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

Em anotação ao artigo 48º do Decreto-Lei Nº 433/1982, Lopes Rocha, Gomes Dias e Ataíde
Ferreira (51) referem:

"O sistema não poderia, no entanto, dispensar a cooperação das autoridades policiais e
fiscalizadoras, que, por estarem colocadas no terreno, são as primeiras a tomar contacto com as
infracções.
Às autoridades policiais e fiscalizadoras, no âmbito das suas competências próprias, definidas
pelos respectivos diplomas estatutários, é atribuído o poder-dever de participar as contra-ordenações
de que tenham conhecimento e, ainda, de providenciar pela preservação e conservação de provas."
Os diplomas orgânicos das duas forças de segurança - Polícia de Segurança Pública e Guarda
Nacional Repubicana - consagram também, expressamente, o dever de colaboração com outras
autoridades, designadamente com as autoridades judiciárias e administrativas (52).
IX - Analisemos agora a relação lógico-jurídica que se estabelece entre as normas do Decreto-
Lei Nº 310/2002 que ocupam a nossa atenção.
Atendendo ao campo de aplicação de cada uma dessas normas, estabelece-se entre ambas, na
parte em que dispõem sobre fiscalização, uma relação de especialidade material, na simples asserção
de que normas especiais são "as que regulam matérias que são espécies de outras mais gerais" (53).
Seguindo a lição de Dias Marques:

"Não existem normas em si especiais ou gerais, mas antes relações de espécie e género, ou de
especialidade e generalidade, entre determinadas normas ou, ainda mais exactamente, entre
determinadas matérias normativamente reguladas.
O conceito de que se parte para a distinção das normas em gerais e especiais refere-se, pois,
ao domínio de aplicação, devendo assim considerar-se especiais aquelas cujo domínio de aplicação se
traduz por um conceito que é espécie em relação ao conceito mais extenso que define o campo de
aplicação da norma geral e que figura como seu género."
Tomando como ponto de partida a diversidade de funções das normas especiais
(complemento, integração e derrogação), conclui o autor que vimos citando que também serão
distintas as "relações lógico-jurídicas intercorrentes" entre as normas gerais e as especiais: "Tais
relações serão de cumulação quando se trata de normas especiais complementares ou integrativas,
mas já serão de conflito quando se trata de normas especiais derrogatórias."

Também Karl Larenz (54), referindo-se a um tipo de raciocínio segundo o qual, no caso da
relação de especialidade, a norma especial afasta sempre a norma geral - por se entender que o
legislador quis "regular em particular, isto é, com desvio à norma geral, as situações de facto que
estão sujeitas à norma especial" -, considera que tal ideia é, com essa generalidade, "um sofisma": "a
consequência jurídica ordenada para a previsão mais restrita tanto pode produzir-se junto com a
consequência jurídica da previsão mais geral como em lugar dela. Tudo depende de saber se o regime
especial, segundo o seu próprio sentido e finalidade, só deve completar o regime dado para a previsão
geral, ou deve substituí-lo por outro regime". Conclui, assim, que aquele raciocínio só estará certo se
as consequências jurídicas se excluírem mutuamente, tendo de preferir uma delas, sendo que se
preferisse a norma geral nunca a especial teria aplicação.
Trata-se, segundo o mesmo autor, de uma questão de interpretação (teleológica e sistemática)
55
( ).
2 - Vejamos então se as normas em análise se revelam conflituantes ou antagónicas ou se, pelo
contrário, se mostram compatíveis e complementares.

138 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

Na vertente literal, os dois preceitos mostram-se coincidentes na parte em que atribuem


competência para a fiscalização às câmaras municipais, mas não coincidem já no que respeita à
competência de outras entidades, que é expressamente afirmada no segundo segmento do Nº 1 do
artigo 52º e não consta do artigo 27º.
Uma perspectiva integrada do sistema, tomando em conta os "lugares paralelos" que permitem
"atender à ordem jurídica no seu conjunto" (56), permite-nos constatar que, em sede de competência
para a fiscalização de actividades sujeitas a autorização e licença, o legislador destaca a competência
essencial da entidade autorizadora ou licenciadora (que, conforme referimos, é exercida de forma pró-
activa, programada, sistemática e permanente), mas não exclui a competência de outras autoridades
administrativas e das autoridades policiais.
Esta solução está em consonância com a missão geral que as autoridades policiais
prosseguem, com destaque para a prevenção das infracções e a vigilância do cumprimento das
determinações legais (57), bem como para a cooperação com as demais autoridades, incluindo as
autárquicas.
Da mesma forma, cremos que não foi intenção do legislador excluir, através do artigo 27º do
Decreto-Lei Nº 310/2002, a competência fiscalizadora de outras entidades que também prossigam
interesses acautelados pelas normas sancionatórias nem excluir a colaboração das autoridades
administrativas e policiais, nos termos previstos no artigo 52º.
A previsão do legislador, naquela primeira norma, não constitui, pois, uma manifestação de
vontade de excluir a competência de outras entidades, mas apenas a intenção de realçar a atribuição
de competência específica, ex novo, às câmaras municipais, quer em sede fiscalizadora quer em sede
instrutória, no âmbito da actividade a que respeita o capítulo em que se insere.
Neste quadro interpretativo, os conteúdos das normas em referência não se mostram
antagónicos ou incompatíveis, não se suscitando, consequentemente, um conflito internormativo, que
conduza à inaplicação da norma geral.
A norma contida no artigo 27º não está, hoc sensu, em directa oposição com a disciplina geral
do diploma, nada impedindo a aplicação simultânea de ambas as normas. Existe assim uma relação de
complementaridade, em que o único aspecto exclusivo, embora não incompatível, da primeira,
respeita à coadjuvação técnica da Inspecção-Geral de Jogos, que apenas ocorre no âmbito da
fiscalização e instrução processual referente à actividade de exploração de máquinas de diversão.

X-

Termos em que se formulam as seguintes conclusões:

1ª O Decreto-Lei Nº 310/2002, de 18 de Dezembro, transferiu para as câmaras municipais


competências anteriormente cometidas aos governos civis para o licenciamento de determinadas
actividades, de entre as quais a de exploração de máquinas de diversão, e atribuiu àqueles órgãos
autárquicos as competências para fiscalizarem essa actividade, bem como para instaurarem e
instruírem os respectivos processos de contra-ordenação e aplicarem as sanções correspondentes;
2ª Nos termos da Lei Nº 140/1999, de 28 de Agosto, as atribuições dos municípios no domínio da
polícia administrativa compreendem a fiscalização das normas de âmbito nacional que disciplinam
matérias da competência dos seus órgãos, cabendo o exercício das funções de fiscalização aos
respectivos serviços, em especial às polícias municipais, sempre que tenham sido criadas;
3ª No âmbito da actividade de exploração de máquinas de diversão prevista no capítuloVI do
Decreto-Lei Nº 310/2002, os ilícitos con tra-ordenacionais visam prevenir e sancionar o
incumprimento das exigências e das condições decorrentes do regime de licenciamento, não
estando em causa interesses que transcendam a competência das câmaras municipais;

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

4ª A fiscalização dessa actividade, exercida de forma pró-activa, programada, sistemática e


permanente, é da competência específica das câmaras municipais, com a coadjuvação técnica da
Inspecção-Geral de Jogos, nos termos do artigo 27º do mesmo diploma legal;
5ª A norma contida no artigo 27º encontra-se numa relação de complementaridade relativamente à
norma do artigo 52º do mesmo diploma, que dispõe sobre a competência para a fiscalização de
todas as actividades a que o mesmo respeita, cometendo-a às câmaras municipais, bem como às
autoridades administrativas e policiais;
6ª As autoridades policiais detêm assim, no âmbito da actividade de exploração de máquinas de
diversão, competência genérica para a fiscalização, estando sujeitas aos deveres de noticiarem as
infracções que verifiquem, de preservarem meios de prova e de prestarem colaboração às
autoridades autárquicas, nos termos do artigo 52º daquele diploma legal e em conformidade com o
disposto no Código de Processo Penal, na lei quadro do ilícito de mera ordenação social e nos
respectivos diplomas orgânicos.

(1) No parecer Nº 361-L/2003, de 23 de Maio.


(2) Pelo ofício Nº 2271, de 26 de Junho de 2003, do Gabinete do Ministro da Administração
Interna, recebido na Procuradoria-Geral da República no dia 30 do mesmo mês e ano.
(3) Decreto-Lei Nº 316/1995, de 28 de Novembro.
(4) Estas competências estavam cometidas pelo Decreto-Lei Nº 316/1995 aos governadores civis e
às entidades policiais.
(5) Por despacho de V. Exª de 25 de Junho de 2003.
(6) Dispõe o Nº 1 do artigo 19º:

"1 - Para os efeitos do presente capítulo, consideram-se máquinas de diversão:

a) Aquelas que, não pagando prémios em dinheiro, fichas ou coisas com valor económico,
desenvolvem jogos cujos resultados dependem exclusivamente ou fundamentalmente da perícia
do utilizador, sendo permitido que ao utilizador seja concedido o prolongamento da utilização
gratuita da máquina face à pontuação obtida;
b) Aquelas que, tendo as características definidas na alínea anterior, permitem apreensão de
objectos cujo valor económico não exceda três vezes a importância despendida pelo utilizador."

(7) Esta matéria foi objecto de diversos pareceres do Conselho Consultivo, v. g. o parecer Nº
31/1984, de 30 de Maio de 1985, e parecer Nº 134/1985, de 16 de Julho de 1987 (seguir-se-á
este último, na parte que releva para a presente consulta).
(8) Rui Pinto Duarte, "O jogo e o direito", in Themis, Revista de Direito, Faculdade de Direito da
Universidade Nova de Lisboa, t. II, p. 3, 2001, analisando o bem jurídico protegido através da
incriminação das actividades ligadas ao jogo (bons costumes, propriedade e interesse fiscal),
alude, numa perspectiva crítica, à ideia tradicional de que "o mundo do jogo é uma fábrica de
crimes e de perturbação da ordem pública".
(9) Decreto-Lei Nº 293/1981, de 16 de Outubro, revogado pelo Decreto-Lei Nº 21/1985, de 17 de
Janeiro.
(10) Pelo despacho Nº 104/1983, do Ministro da Administração Interna, foi determinada a
aplicação desse regime legal a todas as máquinas de diversão eléctricas, que desenvolvessem
temas próprios dos jogos de fortuna ou azar ou que apresentassem como resultado pontuações
exclusivamente dependentes da sorte.

140 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

(11) Decreto-Lei Nº 293/1981, de 16 de Outubro, e Despacho Normativo Nº 10/1983.


(12) Conforme os artigo 2º, Nº 3, do Decreto-Lei Nº 21/1985, e artigo 1º do Decreto-Lei Nº
22/1985.
(13) Este diploma, alterado pelo Decreto-Lei Nº 82/1983, de 11 de Fevereiro, e Decreto-Lei Nº
22/1985, de 17 de Janeiro, regulamentava a prática dos jogos de fortuna ou azar, definia as
modalidades de jogos permitidos e as respectivas zonas de jogo, as concessões, o
funcionamento dos casinos e o regime tributário das empresas concessionárias das zonas de
jogo e tipificava os ilícitos legais ligados a esta actividade. A lei do jogo foi reformulada pelo
Decreto-Lei Nº 422/1989, de 2 de Dezembro, alterado pelo Decreto-Lei Nº 10/1995, de 19 de
Janeiro, que contém o actual regime jurídico de utilização das máquinas que desenvolvem
temas próprios dos jogos de fortuna ou azar.
(14) Prática ilícita de jogo, presença em local de jogo ilícito, exploração ilícita de jogo e fabrico e
comércio de material de jogo.
(15) O artigo 1º da Lei Orgânica da Inspecção-Geral de Jogos, aprovada pelo Decreto-Lei Nº
184/1988, de 25 de Maio, prevê, entre as competências desta entidade: "inspeccionar todas as
actividades de exploração e práticas de jogos de fortuna ou azar", "cooperar na fiscalização das
modalidades afins dos jogos de fortuna ou azar, sem prejuízo dos poderes fiscalizadores das
autoridades policiais", "fiscalizar a contabilidade especial das explorações de jogos e a escrita
comercial das empresas". O artigo 13º prevê ainda que lhe compete "solicitar a intervenção e
cooperar com as autoridades ou agentes policiais na fiscalização e repressão da prática e
exploração de jogos ilícitos".
(16) Título de registo da máquina, licença do recinto, documentos comprovativos do cumprimento
das obrigações fiscais e dos encargos com a segurança social.
(17) Cf. o artigo 10º, Nº 3, do Decreto-Lei Nº 21/1985 e artigo 20º, Nº 3, do Decreto-Lei Nº
316/1995.
(18) Revogadas, na medida em que contrariassem o disposto no novo diploma, nos termos do artigo
54º, "Norma revogatória".
(19) O artigo 1º continha o seguinte elenco de actividades: guardas-nocturnos, vendedores
ambulantes de lotarias, arrumadores de automóveis, acompanhamentos ocasionais, exploração
de máquinas de diversão, realização de espectáculos de natureza desportiva e de divertimentos
públicos, agências de vendas de bilhetes para espectáculos públicos, fogueiras e queimadas e
realização de leilões.
(20) Decreto-Lei Nº 252/1992, de 19 de Novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-
Lei Nº 316/1995, Decreto-Lei Nº 213/2001, de 2 de Agosto, e Decreto-Lei Nº 264/2002, de 25
de Novembro.
(21) Cf. o preâmbulo.
(22) Constituição da República Portuguesa Anotada, 3ª ed., Coimbra Editora, p. 75.
(23) Conforme o artigo 10º, Nº 3, do Decreto-Lei Nº 21/85. Cf. o parecer Nº 9/1996, de 2 de
Dezembro, deste Conselho Consultivo.
(24) Manual de Direito Administrativo, 10ª ed., vol. I, Coimbra, Almedina, pp. 459 e 460. Sobre
actos permissivos, debruçou-se o parecer, do Conselho Consultivo, Nº 33/1998, de 28 de Maio,
publicado no Diário da República, IIª Série, Nº 197, de 27 de Agosto de 1998.
(25) O conceito de ordem pública é um conceito amplo, que integra como seus elementos a
tranquilidade, a segurança e a salubridade públicas, sendo objecto de discussão doutrinária a
inclusão da moralidade pública, como quarta componente do conceito. Cf. Sérvulo Correia,
"Polícia", in Dicionário Jurídico da Administração Pública, vol. VI, Coimbra Editora, 1994, p.
396.

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

(26) Sobre a inclusão da licença como categoria dos actos autorizativos, cf. o parecer Nº 33/1998,
de 28 de Maio, deste Conselho Consultivo, publicado no Diário da República, IIª Série, Nº 197,
de 27 de Agosto de 1998.
(27) Direito Administrativo - Lições ao Curso Complementar de Ciências Jurídico-Políticas da
Faculdade de Direito de Coimbra no Ano de 1977-1978, Coimbra, 1978, pp. 111 e segs.
(28) Cf. parecer, do Conselho Consultivo, Nº 28/1990, de 28 de Junho, publicado no Diário da
República, IIª Série, Nº 231, de 8 de Outubro de 1991. Aí se concluiu, além de mais, que o
parecer da câmara municipal, desfavorável à pretensão do interessado no licenciamento, devia
referir-se aos motivos da recusa enunciados no artigo 10º, Nº 3, do Decreto-Lei Nº 21/1985, de
17 de Janeiro - protecção à infância e à juventude e prevenção da criminalidade, da ordem e da
tranquilidade públicas.
(29) Conforme actas publicadas no Diário da Assembleia da República, Iª Série, de 3, 7 e 12 de
Novembro e de 3 de Dezembro de 1986.
(30) Segundo Gonçalo Ribeiro da Costa - Nova Legislação Autárquica, Coimbra, Pergaminho, p.
19 -, a descentralização administrativa consagrada por este diploma obedece aos seguintes
princípios: reforço da coesão nacional, solidariedade inter-regional, eficácia da gestão pública,
subsidariedade e coordenação da intervenção entre a administração central e a administração
local.
O mesmo autor caracteriza as competências previstas neste diploma como "competências-
poderes".
(31) Alterada pela Lei Nº 5-A/2002, de 11 de Janeiro.
(32) Marcello Caetano, Princípios Fundamentais de Direito Administrativo, Coimbra, Almedina,
1996, p. 279, estabelece a seguinte distinção:

"É preciso não confundir a licença policial com a licença fiscal.


Esta constitui um processo de cobrança do imposto ou de uma taxa. A licença policial, mesmo
quando motiva o pagamento de emolumentos ou de taxas, resulta da verificação, pelas autoridades
competentes, de que certa actividade proibida ou condicionada pode ser exercida em tal caso concreto
e por tal pessoa, sem inconveniente ou risco para os interesses que se pretende acautelar. Deste modo,
a licença policial só é concedida quando se verifique não provirem dela inconvenientes para a ordem
pública; a licença fiscal é dada a todos os que satisfaçam imposto e fica sendo, por natureza,
irrevogável durante o período a que o mesmo imposto respeite."

(33) O Decreto Regulamentar Nº 20/1995, de 10 de Julho, previa que, no prazo de três anos, esse
regime abrangesse todos os municípios.
(34) Assente que as polícias municipais não são forças de segurança, participando contudo em missões
de segurança. Esta matéria foi amplamente discutida na Assembleia da República, conforme dão
conta as actas publicadas no Diário da Assembleia da República, Iª Série, de 30 de Julho de 1997.
(35) Dos 308 municípios existentes, apenas 33 criaram, até à presente data, serviços de polícia
municipal, e, destes, só 25 se encontram em actividade (segundo informação obtida junto do
Ministério da Administração Interna).
(36) O Nº 2 do mesmo preceito prevê que as polícias municipais exerçam ainda funções nos domínios
da vigilância de espaços públicos ou abertos ao público, da guarda de edifícios e de equipamentos
públicos municipais e da regulação e fiscalização do trânsito rodoviário e pedonal na área de
jurisdição municipal.

142 EPG-Publicações
Legislação Policial Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Jogos

(37) Marcello Caetano, Manual de Direito Administrativo, vol. II, p. 1150, define polícia
administrativa como "modo de actuar da autoridade administrativa que consiste em intervir no
exercício das actividades individuais susceptíveis de fazer perigar interesses gerais, tendo por
objecto evitar que se produzam, ampliem ou generalizem os danos sociais que as leis procuram
prevenir".
(38) Nos termos do artigo 2º do primeiro diploma, deve a deliberação da assembleia municipal que
cria o serviço de polícia municipal conter o regulamento de organização e funcionamento do
serviço, bem como o quadro de pessoal.
De entre as diversas formas de recrutamento de pessoal, prevê-se, para além do concurso de
admissão e da frequência de estágio, o destacamento de graduados e oficiais das forças de segurança
e a transição da carreira de fiscal municipal (a qual poderá ser extinta pelos municípios que criem os
serviços de polícia municipal). Sobre o conteúdo funcional das carreiras de técnico superior de polícia
municipal e de polícia municipal, dispõem, respectivamente, os anexos III e IV do primeiro diploma.
(39) Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa, vol.I.
(40) Cf. o parecer, do Conselho Consultivo, Nº 186/2001, de 20 de Março de 2002, publicado no
Diário da República, IIª Série, Nº 53, de 4 de Março de 2003.
(41) Numa breve panorâmica do regime de fiscalização de outras actividades igualmente sujeitas a
licença municipal, constatamos que os diplomas legais que contêm o regime jurídico da
instalação e do funcionamento de estabelecimentos turísticos (aprovado pelo Decreto-Lei Nº
167/1997, de 4 de Julho, alterado pelo Decreto-Lei Nº 305/1999, de 6 de Agosto, e Decreto-Lei
Nº 55/2002, de 11 de Março) atribuem a competência para a fiscalização dos estabelecimentos
de restauração e bebidas não classificados às câmaras municipais, ressalvando as competências
das autoridades de saúde; idêntica solução é adoptada pelo diploma legal que contém o regime
jurídico dos estabelecimentos de venda e armazenagem de produtos alimentares e comércio de
substâncias que envolvam riscos para a saúde e a segurança (Decreto-Lei Nº 370/1998, de 18 de
Setembro), neste caso com ressalva das entidades competentes em matéria de higiene e
segurança. O diploma que consagra o regime legal da instalação e do funcionamento de recintos
de espectáculos e divertimentos públicos (Decreto-Lei Nº 309/2002, de 16 de Dezembro)
atribui competência para a fiscalização a todas as entidades intervenientes nos diversos
licenciamentos, bem como às autoridades administrativas e policiais no âmbito das suas
competências; da mesma forma, no regime jurídico da actividade de feiras e mercados
(Decreto-Lei Nº 259/1995, de 30 de Setembro, alterado pelo Decreto-Lei Nº 101/1998, de 21 de
Abril, e Decreto-Lei Nº 9/2002, de 24 de Janeiro), a competência para a fiscalização é atribuída
à Inspecção-Geral das Actividades Económicas e às câmaras municipais, "sem prejuízo das
competências das autoridades policiais".
(42) Afonso Queiró, "Competência", in Dicionário Jurídico da Administração Pública, Coimbra
Editora, vol. II, 1990, p. 534.
(43) Cf. a n. 40.
(44) Expressão introduzida na alteração ao preceito pelo Decreto-Lei Nº 399/1991, de 16 de
Outubro.
(45) Competências dos Serviços de Polícia Municipal - Sentido e Limites de Actuação, Centro de
Estudos e Formação Autárquica, Coimbra, 2002, p. 42.
(46) Pela Lei Nº 21/2000, de 10 de Agosto (lei da organização da investigação criminal).
(47) Artigo 41º, Nº 1, do Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro.
(48) Alterado pelo Decreto-Lei Nº 244/1995, de 14 de Setembro, e Decreto-Lei Nº 356/1989, de 17
de Outubro, pela Lei Nº 109/2001, de 24 de Dezembro, e pelo Decreto-Lei Nº 323/2001, de 17
de Dezembro.

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Jogos Parecer nº 74/03, da P.-Geral da República Legislação Policial

(49) Cf. Leones Dantas, "Considerações sobre o processo de contra-ordenações - A fase


administrativa", in Revista do Ministério Público, ano 16º, Janeiro-Março de 1995, Nº 61, pp.
103 e segs.
(50) Cf. Simas Santos e Jorge de Sousa, Contra-Ordenações, Anotações ao Regime Geral, Vislis
Editora, 2001, pp. 279 e segs., e autor e estudo citados na anotação anterior.
(51) Contra-Ordenações - Legislação e Doutrina, ESP, 1994, p. 175.
(52) O artigo 25º da Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana, aprovada pelo Decreto-Lei Nº
231/1993, de 26 de Junho, sobre "Dever de cooperação" dispõe o seguinte:
"1 - A Guarda, sem prejuízo das prioridades legais da sua actuação, coopera com as demais forças e
serviços de segurança, bem como com as autoridades públicas, designadamente com os órgãos
autárquicos e outros organismos, nos termos da lei.
2 - As autoridades da administração central, regional e local e os serviços públicos devem prestar à
Guarda a colaboração que legitimamente lhes for solicitada para o exercício das suas funções."
A lei de organização e funcionamento da Polícia de Segurança Pública (Lei Nº 5/1999, de 27
de Janeiro) dispõe, no artigo 96º, sobre "Requisição de forças e serviços", destacando-se a seguinte
regra:

"1 - As autoridades judiciárias e administrativas que necessitem da actuação da PSP devem dirigir os
seus pedidos ou serviços à autoridade policial da área."
A cooperação com outras entidades que prossigam idênticos fins integra o elenco de
competências desta força de segurança, previsto no artigo 2º do mesmo diploma. O pedido ou
requisição de cooperação só pode ser recusado, por despacho fundamentado, se não couber nas
atribuições da PSP ou não emanar de entidade competente.
(53) Dias Marques, Introdução ao Estudo do Direito, 4ª ed., 1972, p. 186.
(54) Metodologia da Ciência do Direito, trad. da 2ª ed., Fundação de Calouste Gulbenkian, pp. 250 e
segs.
(55) Sobre a matéria, cf., de entre outros, o parecer, do Conselho Consultivo, Nº 357/2000, de 16 de
Maio de 2002, publicado no Diário da República, IIª Série, Nº 244, de 22 de Outubro de 2002, e o
parecer Nº 35/2003, de 15 de Maio.
(56) Oliveira Ascensão, O Direito, Introdução e Teoria Geral, 4ª ed., Editorial Verbo, 1987, p. 340.
(57) A lei de funcionamento e organização da Polícia de Segurança Pública (Lei Nº 5/1999, de 27 de
Janeiro, alterada pelo Decreto-Lei Nº 137/2002, de 16 de Maio) prevê, no elenco de competências,
a prossecução das atribuições cometidas por lei "em matéria de licenciamento administrativo",
para além de prever a prossecução do objectivo geral de "prevenir a criminalidade e a prática dos
demais actos contrários à lei e aos regulamentos". Também a Lei Orgânica da Guarda Nacional
Republicana (Decreto-Lei Nº 231/1993, de 26 de Junho, alterado pelo Decreto-Lei Nº 298/1994,
de 24 de Novembro, Decreto-Lei Nº 188/1999, de 2 de Junho, e Decreto-Lei Nº 15/2002, de 29 de
Janeiro) dispõe, no artigo 2º, alínea d), que faz parte da missão da Guarda "velar pelo cumprimento
das leis e das disposições em geral, nomeadamente as relativas à viação terrestre e aos transportes
rodoviários".
Este parecer foi votado na sessão do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República
de 23 de Outubro de 2003.
José Adriano Machado Souto de Moura - Maria de Fátima da Graça Carvalho (relatora) - Manuel Pereira Augusto de
Matos - José António Barreto Nunes - Alberto Esteves Remédio - João Manuel da Silva Miguel - Mário António Mendes
Serrano - Maria Fernanda dos Santos Maçãs - Manuel Joaquim de Oliveira Pinto Hespanhol - Mário Gomes Dias.
(Este parecer foi homologado por despacho do Ministro da Administração Interna de 31 de Maio de 2004.)

Está conforme.
Lisboa, 24 de Junho de 2004. - O Secretário-Geral, Carlos José de Sousa Mendes.

144 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 210/04 Jogos

Decreto-Lei Nº 210/2004 de 20 de Agosto


O Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março, veio disciplinar o regime de exploração dos
concursos de apostas mútuas, clarificando que o direito de promover os mesmos é reservado ao
Estado, única entidade à qual compete definir, em cada momento, a política de jogo que pretende ver
implementada no respectivo território.
Este diploma concedeu à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a respectiva organização e
exploração, em regime de exclusivo para todo o território nacional.
O EUROMILHÕES é um novo jogo de apostas mútuas sobre sorteios de números do tipo
loto, à semelhança dos jogos criados ao abrigo do decreto-lei supracitado, que se reveste de algumas
particularidades face aos jogos já existentes, podendo a respectiva exploração ser efectuada em
conjunto com outros países europeus.
As receitas do EUROMILHÕES destinam-se a ser aplicadas no desenvolvimento de infra-
estruturas, de projectos piloto e de novos serviços de apoio e promoção de pessoas idosas, numa
sociedade fortemente marcada pelo envelhecimento da sua população, assumindo, assim, este jogo as
mesmas características dos jogos sociais do Estado atribuídos à Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa.
Um dos atractivos do presente jogo é o facto de os respectivos prémios se encontrarem isentos
de tributação em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, o que permite a
atribuição de prémios mais elevados.
Consagra-se um regime sancionatório de condutas violadoras do exclusivo da exploração
concedido à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mantendo-se a punição em sede de ilícito de mera
ordenação social, tal como sucede nos outros concursos de apostas mútuas, procedendo-se, no
entanto, a uma actualização dos valores das respectivas coimas.
Estabelecem-se, igualmente, diversas sanções acessórias que, em conjunto com as coimas,
visam dissuadir a prática de jogo ilícito semelhante ao criado pelo presente diploma.
Foi ouvido o Conselho de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Assim:

Nos termos da alínea a) do Nº 1 do artigo 198º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1º
Objecto

1 - É criado o jogo social do Estado denominado «EUROMILHÕES».


2 - O EUROMILHÕES é atribuído à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para ser organizado e
explorado pelo seu Departamento de Jogos, em regime de exclusividade para todo o território
nacional, nos termos do disposto no Nº 1 do artigo 2º do Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março.

Artigo 2º
Definição e regime de exploração

1 - Por EUROMILHÕES entende-se um jogo de apostas mútuas no qual os participantes


prognosticam cumulativamente o resultado de dois sorteios de números para obter direito a
prémios em dinheiro.

EPG-Publicações 145
Jogos Decreto-Lei nº 210/04 Legislação Policial

2 - O jogo consiste na escolha de determinada quantidade de números constantes de duas grelhas


existentes nos boletins de apostas ou suporte equivalente, previamente ao respectivo sorteio, que
atribui prémios em dinheiro, de acordo com as normas constantes do respectivo regulamento, a
aprovar por portaria dos Ministros da Saúde e da Segurança Social e do Trabalho.
3 - A exploração do EUROMILHÕES pode ser efectuada em conjunto com outros países europeus.
4 - Os sorteios de números de cada concurso têm periodicidade semanal, cabendo ao Departamento
de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a escolha do local, do dia e da hora em que os
mesmos têm lugar.
5 - Os actos dos sorteios realizam-se na presença de um auditor independente.
6 - O júri dos concursos recebe e guarda em segurança uma cópia dos ficheiros contendo as apostas
validamente registadas para cada concurso.

Artigo 3º
Lei reguladora da exploração do jogo

A exploração do EUROMILHÕES rege-se pelo presente diploma, pelo Decreto-Lei Nº


433/1982, de 27 de Outubro, na redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 356/1989, de 17 de Outubro, e
pelo Decreto-Lei Nº 244/1995, de 14 de Setembro, pelo Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março,
pelo Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto, na redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 469/1999, de
6 de Novembro, e pelo Decreto-Lei Nº 282/2003, de 8 de Novembro, pela Portaria Nº 313/2004, de
23 de Março, e pela portaria a que se refere o Nº 2 do artigo 2º.

Artigo 4º
Sorteios adicionais

Em simultâneo com o jogo EUROMILHÕES, poderá o Departamento de Jogos da Santa Casa


da Misericórdia de Lisboa organizar sorteios de prémios adicionais, expressos em dinheiro ou em
espécie.

Artigo 5º
Condições de participação

1 - A participação no EUROMILHÕES processa-se pela inscrição das apostas em bilhetes de modelo


adoptado pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, através de apostas
aleatórias ou da plataforma de acesso multicanal, aprovada pelo Decreto-Lei Nº 282/2003, de 8 de
Novembro, e pelo pagamento do preço correspondente.
2 - As apostas e o respectivo preço podem ser entregues directamente ao Departamento de Jogos da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou a mediadores por este autorizados, nos termos do
Regulamento dos Mediadores, aprovado pela Portaria Nº 313/2004, de 23 de Março.
3 - Os mediadores são mandatários dos concorrentes.
4 - As normas gerais de participação no EUROMILHÕES constarão de regulamento próprio, previsto
no Nº 2 do artigo 2º, nomeadamente quanto a:

a) Sistema de jogo;
b) Modo de realização das apostas;
c) Valor probatório dos bilhetes;
d) Categorias de prémios, em número superior a um;

146 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 210/04 Jogos

e) Modo de divisão da importância destinada a prémios pelas respectivas categorias, bem como a
sua distribuição por outras categorias de prémios e a possibilidade de adição dos prémios não
atribuídos num concurso ao montante para prémios dos concursos posteriores;
f) Envio e recepção dos ficheiros informáticos do jogo;
g) Fiscalização da exploração do jogo;
h) Preço da aposta;
i) Normas a que obedece o escrutínio de prémios, sua atribuição e respectivos montantes;
j) Divulgação dos resultados;
l) Prazos de caducidade.

5 - A participação no EUROMILHÕES implica a adesão às normas constantes do respectivo


regulamento.
6 - No verso dos bilhetes de participação no EUROMILHÕES deverá constar um extracto das suas
normas essenciais, nos termos do Nº 4.

Artigo 6º
Órgãos de fiscalização

1 - A recepção e guarda em segurança de cópia dos registos das apostas efectuadas, a comprovação
do direito a prémio das apostas registadas através da leitura da cópia de segurança, bem como a
deliberação sobre a atribuição de prémios, competem ao júri dos concursos, nos termos do artigo
8º, do artigo 9º, do artigo 10º e do artigo 11º do anexo II do Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de
Agosto, na redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 469/1999, de 6 de Novembro, e do regulamento
previsto no Nº 2 do artigo 2º.
2 - Os actos dos sorteios previstos no Nº 4 do artigo 2º, bem como o escrutínio e a distribuição de
prémios, são fiscalizados no local da sua realização por um auditor independente.
3 - Os jogadores que se considerem prejudicados por qualquer deliberação do júri dos concursos
relativa à não atribuição de prémios a que considerem ter direito podem dela reclamar para o júri
de reclamações, nos termos do artigo 16º, do artigo 17º, do artigo 18º e do artigo 19º do anexo II
do Decreto-Lei Nº 322/1991, de 26 de Agosto, na redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 469/1999, de
6 de Novembro, dentro dos prazos fixados no regulamento do jogo.
4 - Das decisões do júri de reclamações cabe recurso para o tribunal administrativo de círculo.

Artigo 7º
Pagamento de prémios

1 - Os prémios constantes de títulos apresentados a pagamento são pagos aos respectivos portadores.
2 - No caso de os portadores dos títulos a que se refere o número anterior serem menores ou
equiparados, os prémios a que tenham direito são pagos aos seus representantes legais.

Artigo 8º
Receita
1 - A receita do EUROMILHÕES é constituída pelo montante total das apostas registadas, nos termos
do Nº 1 do artigo 14º do Decreto-Lei Nº 84/1985, de 28 de Março.
2 - Da receita apurada nos termos do número anterior é destinada a prémios a importância
correspondente a 50%.

EPG-Publicações 147
Jogos Decreto-Lei nº 210/04 Legislação Policial

3 - Da receita a que se refere o Nº 1 serão deduzidas:

a) A importância correspondente a 0,5%, até perfazer um montante máximo de € 50 000 000, para
constituição de um fundo destinado ao pagamento de prémios por reclamações procedentes, em
conformidade com as normas regulamentares aplicáveis;
b) A importância correspondente a 1%, até perfazer um montante permanente de € 20 000 000,
para constituição de um fundo para renovação e manutenção de equipamento, material e
programas.

4 - Os encargos com o início da exploração do EUROMILHÕES são suportados pelos resultados da


exploração da Lotaria Nacional.

Artigo 9º
Resultados de exploração

Os resultados líquidos da exploração serão repartidos, em partes iguais, pela Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa e pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, para o
desenvolvimento de um projecto de apoio às pessoas idosas e às pessoas com deficiência, a criar por
despacho conjunto do Ministro da Saúde e do Ministro da Segurança Social e do Trabalho.

Artigo 10º
Prémios caducados

O montante dos prémios caducados, nos termos do regulamento do jogo, reverte a favor da Santa
Casa da Misericórdia de Lisboa.

Artigo 11º
Contra-ordenações

1 - Constituem contra-ordenações:

a) A promoção, organização ou exploração, independentemente dos meios utilizados,


nomeadamente o electrónico, de concursos de apostas mútuas, lotarias ou outros sorteios
idênticos ao que o presente diploma regula, com violação do regime de exclusivo estabelecido
no artigo 1º, bem como a emissão, distribuição ou venda dos respectivos bilhetes ou boletins e a
publicitação da realização dos sorteios respectivos, quer estes ocorram ou não em território
nacional;
b) A realização, independentemente dos meios utilizados, nomeadamente o electrónico, de sorteios
publicitários ou promocionais de instituições, bens ou serviços, de qualquer espécie, que
habilitem a um prémio em dinheiro ou coisa com valor económico superior a € 25, explorados
sob a forma de rifas numeradas ou outros sorteios de números sobre os resultados dos sorteios
do EUROMILHÕES, ou sob a forma de bilhetes, que atribuam imediatamente o direito a um
prémio ou à possibilidade de ganhar um prémio com base nesse sorteio;
c) A introdução, a venda e ou a distribuição, independentemente dos meios utilizados,
nomeadamente o electrónico, no território nacional, dos suportes de participação no jogo
EUROMILHÕES de outro Estado; a angariação de apostas para o referido jogo, ainda que em
bilhetes diferentes dos permitidos nos Estados a que respeitem, bem como a publicidade ou
qualquer outra forma de prestação de serviços relativa à exploração de jogos estrangeiros
similares, incluindo a divulgação regular e periódica dos resultados dos sorteios respectivos;

148 EPG-Publicações
Legislação Policial Decreto-Lei nº 210/04 Jogos

d) A participação, independentemente dos meios utilizados, nomeadamente o electrónico, em


concursos de apostas mútuas ou sorteios idênticos, com violação do regime de exclusivo
estabelecido no artigo 1º, cuja exploração seja punível nos termos da alínea a) e da alínea b);
e) A participação, a partir do território nacional, em concursos de apostas mútuas do tipo
EUROMILHÕES ou sorteios similares estrangeiros, cuja exploração seja punível nos termos da
alínea c).

2 - A tentativa e a negligência são puníveis.

Artigo 12º
Coimas

1 - As contra-ordenações previstas na alínea a) e na alínea b) do Nº 1 do artigo anterior são puníveis


com coima não inferior a € 500 nem superior ao triplo do presumível valor global angariado com a
organização do jogo, quando mais elevado que aquele limite, até ao máximo de € 3740, para
pessoas singulares, e coima mínima não inferior a € 2000, nem superior ao triplo do presumível
valor global angariado com a organização do jogo, quando mais elevado que aquele limite, num
montante máximo de € 44 890, para pessoas colectivas.
2 - A contra-ordenação prevista na alínea c) do Nº 1 do artigo anterior é punível com coima mínima
de € 1000 e máxima até ao triplo do presumível valor total das operações referidas, até ao limite
máximo de € 3740, para pessoas singulares, e coima não inferior a € 2500 e máxima até ao triplo
do presumível valor total das referidas operações, num montante máximo de € 44 890, para
pessoas colectivas.
3 - A contra-ordenação prevista na alínea d) e na alínea e) do Nº 1 do artigo anterior é punível com
coima não inferior a € 75 ou ao dobro do valor da aposta, quando mais elevado do que aquele
valor, até ao limite máximo de € 250.
4 - Na determinação da medida da coima deve atender-se, nomeadamente, ao lucro que, directa ou
indirectamente, o promotor do jogo esperava obter com o recurso ao mesmo, em termos de
numerário arrecadado ou em termos de aumentos de vendas.
5 - Os montantes mínimos e máximos são reduzidos para um terço em caso de negligência.

Artigo 13º
Sanções acessória

1 - Como sanções acessórias das contra-ordenações estabelecidas na alínea a), na alínea b), na alínea
c), na alínea d), na alínea e) do Nº 1 do artigo 11º poderão ser determinadas, no todo ou em parte, a
apreensão e perda de bens, incluindo meios de transporte, ou valores utilizados para a perpetração
da infracção ou resultantes desta, incluindo os destinados a prémios ou que como tal hajam sido
distribuídos, bem como o encerramento do estabelecimento onde tal actividade se realize e cujo
funcionamento esteja sujeito a autorização ou licenciamento de autoridade administrativa e a
interdição de exploração de qualquer actividade relativa aos jogos sociais do Estado durante um
período máximo de dois anos, nos termos do Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro, na
redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 356/1989, de 17 de Outubro, e pelo Decreto-Lei Nº 244/1995,
de 14 de Setembro.
2 - Quando entre os títulos de jogo apreendidos se encontre algum com direito a prémio, o mesmo
deverá ser recebido, integrando o valor dos bens apreendidos.

EPG-Publicações 149
Jogos Decreto-Lei nº 210/04 Legislação Policial

Artigo 14º
Processo e competência contra-ordenacional

1 - Compete à direcção do Departamento de Jogos, no âmbito das suas atribuições, a apreciação e


aplicação de coimas ou outras sanções acessórias dos processos de contra-ordenação que vierem a
ser instaurados com vista à aplicação das penalidades previstas no presente decreto-lei.
2 - A instrução dos processos segue o disposto no Decreto-Lei Nº 433/1982, de 27 de Outubro, na
redacção dada pelo Decreto-Lei Nº 356/1989, de 17 de Outubro e pelo Decreto-Lei Nº 244/1995,
de 14 de Setembro, e compete ao Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa.
3 - O produto das coimas e da venda dos bens e valores apreendidos integrará o resultado líquido da
exploração do EUROMILHÕES, ainda que cobrado em juízo.
4 - O pagamento da coima aplicada será efectuado ao Departamento de Jogos da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa.

Artigo 15º
Isenção da tributação incidente sobre os prémios

Os prémios do EUROMILHÕES encontram-se isentos do imposto sobre o rendimento das


pessoas singulares, nos termos da redacção dada ao Nº 2 do artigo 9º do respectivo Código, pela Lei
Nº 107-B/2003, de 31 de Dezembro.

Artigo 16º
Alteração ao Decreto-Lei Nº 64/1995, de 7 de Abril

É alterado o artigo 1º do Decreto-Lei Nº 64/1995, de 7 de Abril, que passa a ter a seguinte redacção:

«Artigo 1º

1 - As despesas comuns resultantes da exploração, pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da


Misericórdia de Lisboa, dos jogos do Totobola, do Totoloto, do Totogolo, da Lotaria Nacional, do
JOKER, da Lotaria Instantânea e do EUROMILHÕES são repartidas, respectivamente, na
proporção das receitas anualmente arrecadadas em cada uma das modalidades de jogo.
2 - ………………………………..»

Artigo 17º
Entrada em vigor

O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 1 de Julho de 2004. - Maria Manuela Dias Ferreira
Leite - Maria Manuela Dias Ferreira Leite - Maria Celeste Ferreira Lopes Cardona - Luís Filipe
Pereira - António José de Castro Bagão Félix.
Promulgado em 2 de Agosto de 2004.
Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Referendado em 5 de Agosto de 2004.
O Primeiro-Ministro, Pedro Miguel de Santana Lopes.

150 EPG-Publicações
Legislação Policial Lei Nº 30/2006 Jogos

Lei Nº 30/2006 de 11 de Julho

Procede à conversão em contra-ordenações de contravenções e transgressões em vigor no


ordenamento jurídico nacional

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161º da Constituição, o


seguinte:
Capítulo I
Disposição geral

Artigo 1º
Objecto

A presente lei determina que passam a assumir a natureza de contra-ordenações determinadas


infracções previstas na lei como contravenções e transgressões, procedendo também à alteração de
um regime contra-ordenacional em vigor.

Capítulo II
Alteração a regimes jurídicos que tipificam contravenções e transgressões
Secção I
Concursos de apostas mútuas concedidos à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Artigo 2º
Contra-ordenações
1 - Constitui contra-ordenação:
a) A promoção, organização ou exploração, independentemente dos meios utilizados,
nomeadamente o electrónico, de concursos de apostas mútuas, lotarias ou outros sorteios
idênticos aos concursos concedidos em regime de exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa, com violação deste regime;
b) A emissão, distribuição ou venda dos bilhetes ou boletins relativos a concursos, lotarias ou
sorteios referidos na alínea anterior e a publicitação da realização dos sorteios respectivos,
quer estes ocorram ou não em território nacional;
c) A angariação de apostas sobre os números dos concursos de apostas mútuas concedidos em
regime de exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa;
d) A subdivisão de fracções da Lotaria Nacional;
e) A realização, independentemente dos meios utilizados, nomeadamente o electrónico, de
sorteios publicitários ou promocionais de entidades, bens ou serviços, de qualquer espécie,
que habilitem a um prémio em dinheiro ou coisa com valor económico superior a € 25,
explorados sob a forma de rifas numeradas ou outros sorteios de números sobre os resultados
dos concursos concedidos em regime de exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,
ou sob a forma de bilhetes, que atribuam imediatamente o direito a um prémio ou a
possibilidade de ganhar um prémio com base nesse sorteio;
f) A introdução, venda ou distribuição, independentemente dos meios utilizados, nomeadamente
o electrónico, em território nacional, dos suportes de participação em jogos ou sorteios
estrangeiros similares aos concursos de apostas mútuas concedidos em regime de exclusivo à
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa;
g) A angariação de apostas para os jogos referidos na alínea anterior, ainda que em bilhetes
diferentes dos permitidos nos Estados a que respeitem;

EPG-Publicações 151
Jogos Lei Nº 30/2006 de 11 de Julho Legislação Policial

h) A publicidade ou qualquer outra forma de prestação de serviços relativos à exploração de


jogos referidos na alínea f), incluindo a recepção, nomeadamente electrónica, de apostas e a
divulgação periódica dos resultados dos sorteios respectivos;
i) A participação, independentemente dos meios utilizados, nomeadamente o electrónico, em
concursos ou sorteios idênticos aos concursos de apostas mútuas concedidos em regime de
exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cuja exploração seja punível nos termos
da alínea a) e da alínea b);
j) A participação nos jogos ou sorteios estrangeiros cuja exploração seja punível nos termos da
alínea c).
2 - A negligência e a tentativa são puníveis.
3 - O disposto no presente artigo não se aplica ao jogo de apostas mútuas denominado Euromilhões.

Artigo 3º
Coimas
1 - As contra-ordenações previstas na alínea a) a alínea d) do Nº 1 do artigo anterior são punidas com
coima de € 500 a € 3740, no caso de pessoa singular, e de € 2000 a € 44 890, no caso de pessoa
colectiva.
2 - As contra-ordenações previstas na alínea e) a alínea h) do Nº 1 do artigo anterior são punidas com
coima de € 1000 a € 3740, no caso de pessoa singular, e de € 2500 a € 44890, no caso de pessoa
colectiva.
3 - As contra-ordenações previstas na alínea i) e alínea j) do Nº 1 do artigo anterior são punidas com
coima de € 75 a € 250.
4 - Em caso de negligência, os limites máximos das coimas previstas nos números anteriores são
reduzidos para metade.
5 - Em caso de reincidência, os limites mínimo e máximo das coimas previstas no Nº 1 a Nº 3 são
elevados em um terço do respectivo valor, não podendo estas ser inferiores ao valor da coima
aplicada pela infracção anterior desde que os limites mínimo e máximo desta não sejam
superiores aos daquela.
6 - Considera-se reincidente o agente que cometer uma infracção praticada com dolo depois de ter
sido condenado por outra infracção praticada com dolo se entre as duas infracções não tiver
decorrido um prazo superior ao da prescrição da primeira.

Artigo 4º
Sanções acessórias
1 - Simultaneamente com a coima, podem ser aplicadas, em função da gravidade da infracção e da
culpa do agente, as seguintes sanções acessórias:
a) Perda de bens, incluindo equipamentos técnicos, meios de transporte, títulos de jogo ou
valores utilizados na prática da infracção ou resultantes desta, incluindo os destinados a
prémios ou que como tal hajam sido distribuídos;
b) Encerramento do estabelecimento onde a actividade se realize e cujo funcionamento esteja
sujeito a autorização ou licença de autoridade administrativa;
c) Interdição do exercício de qualquer actividade relativa aos concursos de apostas mútuas
concedidos em regime de exclusivo à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
2 - Caso algum título de jogo apreendido tenha direito a prémio, o mesmo é recebido e integra o valor
dos bens apreendidos.

152 EPG-Publicações
Legislação Policial Lei Nº 30/2006 Jogos

Artigo 5º
Autoridade competente
1 - É competente para o processamento das contra-ordenações a que se refere a presente secção o
Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
2 - É competente para a aplicação das coimas e sanções acessórias pela prática das contra-ordenações
a que se refere a presente secção a direcção do Departamento de Jogos da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa.
Artigo 6º
Distribuição do produto das coimas
1 - O produto das coimas aplicadas nos termos dos artigos anteriores é distribuído da seguinte forma:
a) 50% para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa;
b) 35% para o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social;
c) 15% para o Estado.
2 - A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa transfere trimestralmente para as entidades referidas na
alínea b) e na alínea c) do número anterior as importâncias que tenha recebido e a que aquelas
tenham direito.
(...)

EPG-Publicações 153
Jogos Lei Nº 30/2006 de 11 de Julho Legislação Policial

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