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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Num. Processo : 0002500-60.2016.8.05.0229
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : COELBA
Recorrido(s) : JOAQUIM LAURENCIO BARRETO

Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS-STO ANTÔNIO DE JESUS


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

G
DRA, AUTOR ALEGA QUE N PAGOU A FATURA DO MÊS POIS N
HOUVE ENVIO DA FATURA. MAS EXISTEM OUTROS CANAIS DE ATENDIMENTO
( INTERNET, TELEFONE, TOTEM , LOJA FÍSICA COELBA) PARA OBTENÇÃO DE 2ª
VIA. ENTENDI PELA LEGALIDADE DA NEGATIVAÇÃO.

VOTO-E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. ALEGAÇÃO DE NEGATIVAÇÃO INDEVIDA.


PARTE AUTORA QUE NÃO COMPROVA O PAGAMENTO DA FATURA QUE FORA
OBJETO DE APONTAMENTO INDEVIDO. SIMPLES FATO DA AUSÊNCIA DE ENVIO
DA FATURA PARA A RESIDÊNCIA DA PARTE AUTORA NÃO A DESONERA DO
DEVER DE PAGAR. EXISTÊNCIA DE OUTROS MEIOS DISPONIBILIZADOS PELA
EMPRESA PARA A OBTENÇÃO DE 2ª VIA. NEGATIVAÇÃO LEGÍTIMA. EXERCÍCIO
DO DIREITO DO CREDOR.IMPROCEDÊNCIA. SENTENÇA REFORMADA.

1.Trata-se de recurso interposto contra sentença que julgou procedente o pedido , nestes
termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES, os pedidos da parte Autora para condenar a
Acionada a:1) pagar o valor de R$ 3.000,00(**) a título de danos morais, corrigidos
monetariamente a partir deste julgamento e juros de 1% ao mês desde a negativação
(10/04/2015, data da inclusão);2) determinar que seja retirado, no prazo de 5(cinco) dias úteis, o
nome/CPF da autora dos cadastros de proteção ao crédito, sob pena de multa diária no valor de
R$100,00(**), até limite de 40(quarenta) salários mínimos; bem como, que seja declarada
quitada a fatura vencida em 10/03/2015.”.

1. Alega a parte autora que teve o seu nome inserido indevidamente nos cadastros de
proteção ao crédito em virtude de cobrança indevida procedida pela ré, que não teria
enviado a fatura com vencimento em março de 2015, tendo a mesma aduzido que
fealizara o pagamento da falta vencida em fevereiro e abril do mesmo ano.
2. A parte recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que não
houve ato ilícito, que a cobrança realizada se deveu à fatura vencida e não paga, relativa
ao mês de março de 2015, não havendo que se falar, portanto, em ilicitude na
negativação do nome da parte autora nos cadastros de proteção ao crédito, por ser
legítimo direito do credor.

3. A despeito das alegações da parte autora, esta não comprova o pagamento da


fatura que ensejou a inclusão de seu nome nos cadastros de proteção ao crédito, relativa
ao mês de março de 2015, no valor de R$ 153,50 ( cento e cinquenta e três reais e
cinquenta centavos). A alegação de que não houve o envio da fatura para a sua
residência não é suficiente para eximir a mesma da obrigação de pagar pelo serviço
fornecido pela concessionária, haja visto que existem outros canais de atendimento
disponíveis para a obtenção de outra fatura por 2ª via, seja pela internet, seja via telefone,
ou até mesmo em totens instalados nos diversos estabelecimentos de atendimento físicos
da ré.

4. Ademais se revela pouco crível que a parte usufrua do serviço durante todo o mês
e não se recorde da sua obrigação de pagamento. Para que seja caracterizada a falha na
prestação dos serviços mister que a falta incorrida revele especial gravidade, a ponto de
cercear direitos do consumidor.

5. Nestes termos, não se aplica ao caso a inversão do ônus da prova, sendo dever
processual da parte autora a prova do fato constitutivo de seu direito, nos termos do
art.373, inciso I do CPC, o que não logrou faze no presente caso, sendo insuficiente para
a formação da convicção do julgador meras alegações, quando o contexto fático-
probatório não se revela suficiente para embasar a pretensão formulada.

6. Assim sendo, o débito que fora objeto de apontamento está lastreado em dívida
regularmente constituída, decorrente de contrato de fornecimento de serviço, o que
representa, ademais, exercício regular do direito da concessionária ré de reaver o seu
direito.

5. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso


interposto pelo Recorrente para manter a sentença objurgada pelos seus próprios termos.
Condenação em custas e Honorários advocatícios arbitrados em 20% (vinte por
cento) sobre o valor da causa, restando suspensa a exigibilidade do pagamento
pela parte autora, pelo prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 98, § 3º, do
CPC/2015.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA


2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Num. Processo : 0002500-60.2016.8.05.0229


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : COELBA
Recorrido(s) : JOAQUIM LAURENCIO BARRETO

Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS-STO ANTÔNIO DE


JESUS
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais


Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
– Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão:
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata do
julgamento. Condenação em custas e Honorários advocatícios arbitrados em 20%
(vinte por cento) sobre o valor da causa, restando suspensa a exigibilidade do
pagamento pela parte autora, pelo prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo
98, § 3º, do CPC/2015.
Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente