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Aula – 10/05/2019

TEORIA DO DANO PUNITIVO

1.1 – Relação de proporção entre a indenização e a extensão do dano (art. 944/CC).

É necessário haver uma relação de proporção entre a extensão do dano sofrido e a verba
indenizatória fixada, o que é facilmente determinado nos casos de dano material.

Em se tratando de dano moral analisa-se, entre outros aspectos, as condições econômicas


dos envolvidos, sendo certo que em muitos casos as condições do ofensor são
significativamente superiores às condições da vítima.

Nesses casos, defende-se a aplicação da teoria do dano punitivo, fixando-se uma


indenização superior ao que a vítima necessitaria, destinando-se a parte excedente a um
fundo ou para outros fins sociais para não haver enriquecimento sem causa da vítima,
beneficiando-se a coletividade.

A ideia de indenização punitiva leva à superação do paradigma clássico de indenização,


que se refere, unicamente, à reparação do dano.

2.0 – Dano social.

Os grandes agentes econômicos praticam negócios claramente lesivos aos direitos


fundamentais dos consumidores, rebaixando o patamar ético que se espera nas relações
sociais. Os ofensores calculam o custo-benefício e optam por continuar com as práticas
abusivas e ampliar seus lucros. Eventuais perdas judiciais já são previamente calculadas
e de modo algum inibem tais comportamentos, que, reiterados, lesam à própria sociedade.

É preciso, portanto, ampliar as funções da responsabilidade civil, compreendendo-a,


também, como uma sanção civil com finalidade inibitória, de modo a alertar os agentes
econômicos de que as condutas serão severamente repreendidas.

3.0 – Excludentes da responsabilidade civil.


3.1 – Legítima defesa.

O agente atua para afastar ou repelir injusta agressão a um bem jurídico próprio ou alheio,
devendo agir utilizando-se moderadamente dos meios necessários e suficientes à proteção
do bem jurídico (art. 188, inc. I, primeira parte do CC/02).

Exemplos: legítima defesa da posse, desforço imediato.

Legítima defesa putativa: aquela em que o sujeito imagina estar na iminência de sofrer
uma agressão ao seu bem jurídico e atua para repeli-la.

3.2 – Estado de necessidade.

O sujeito causa deterioração ou destruição de coisa alheia, ou lesão à pessoa, a fim de


remover perigo iminente (Art. 188, inc. II, CC/02).

Observações comuns à legítima defesa e ao estado de necessidade.

1ª – Se o agente agir com excesso, poderá estar configurado um ato abusivo (ou ilícito)
propriamente dito, ou mesmo o abuso do direito (art. 187);

2ª – Conforme dispõem os artigos 929 e 930 do CC/02, se terceiro inocente for atingido,
deverá, o agente, indenizá-lo, cabendo ação regressiva contra o verdadeiro culpado.

Aqui, o dever de indenizar existe ainda que o ato seja lícito, rompendo com a ideia normal
de responsabilidade civil como consequência da prática de ato necessariamente ilícito.

Exemplo: Se um motorista atira seu veículo contra um muro visando não atropelar uma
criança, o seu ato, embora lícito, não o exonera de pagar a reparação do dano (art. 929,
CC/02), reservando, porém, o direito de regresso em face do verdadeiro culpado (no caso,
os pais do menor, em razão do descumprimento do dever de cuidado objetivo), visando
ressarcir as despesas efetuadas (art. 930, CC/02).