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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº : 0034702-95.2016.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : COMPANHIA DO METRO DA BAHIA
EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S A
EMBASA

Recorrido(s) : DERALDO FERREIRA DE LIMA

Origem : 1ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
G
Dra, nesse caso a CCR impugna a multa por litigância de má fé pelos embargos
protelatórios, mantive a condenação , pois são sempre os mesmos argumentos dos
embargos em todos os processos , vide decisão que rejeitou embargos.

VOTO-E M E N T A
RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. FORNECIMENTO DE ÁGUA. ROMPIMENTO
ADUTORA. PRELIMINARES AFASTADAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MÁ
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.PARTE AUTORA QUE COMPROVA TER SIDO
DIRETAMENTE ATINGIDA PELO EVENTO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS.
VALOR ARBITRADO DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA .
1. AA parte Recorrente insurge contra sentença que julgou parcialmente procedente a
ação, nestes termos: “Diante o exposto, e por mais que consta dos autos, JULGO
PROCEDENTE, EM PARTE, a ação, para condenar os réus, solidariamente, a
pagarem a parte autora, a título de danos morais, o importe único de R$
5.000,00 (cinco mil reais), valor esse que deverá ser corrigido monetariamente
pelo INPC, a partir da sentença, consoante enunciado 362 do STJ, e juros
legais a contar da citação..”.
2. T Trata-se de ação indenizatória movida em razão da falha na prestação de serviços
das Rés em razão do rompimento da adutora que abastece a cidade de Salvador e
ocasionou falta de fornecimento de água por 7 dias em sua residência.
3. A Recorrente EMBASA alega a incompetência do juízo ante a necessidade de
realização de prova pericial e a ilegitimidade passiva; no mérito, alega a ausência de
comprovação dos danos alegados.

4. A Recorrente COMPANHIA DO METRO DA BAHIA alega a incompetência do juízo


ante a necessidade de realização de prova pericial e a ilegitimidade passiva; defende a
nulidade da sentença; no mérito, alega a ausência de comprovação dos danos alegados.
Insurge-se ainda no tocante á multa imposta por litigância de má fé em razão da
interposição de embargos com intuito meramente protelatórios. Presentes as condições
de admissibilidade do recurso.
5. . Inicialmente, cumpre-me afastar as preliminares suscitadas. No que tange à
preliminar de incompetência absoluta dos juizados para julgar a causa, ante a
complexidade da prova a ser produzida, Tenho que a matéria posta à apreciação não
demanda produção de prova pericial. Com efeito, para o deslinde da matéria, se faz
suficiente a análise das provas carreadas aos autos pelas partes, havendo elementos
suficientes para o julgamento do mérito da ação. A legitimidade passiva de ambas as rés
restou devidamente demonstrada, visto que a responsabilidade pelos danos ocasionados
pelo rompimento da adutora é de solidária entre a concessionária ré e a empresa CCR,
haja vista a participação de ambas as empresas na causação do evento danoso.
Já no tocante à alegação da recorrente CCR, no sentido da inaplicabilidade ao caso da
multa imposta por litigância de má fé decorrente da interposição de embargos meramente
protelatórios, entendo que não lhe assiste razão, e coaduno com o entendimento
exposado pela magistrada sentenciante. Tal se dá em razão da reiterada conduta
processual da ré em diversos processos, ajuizando embargos declaratórios com os
mesmos fundamentos, reiteradamente rechaçados e, virtude da ausência de
enquadramento das hipóteses de cabimento da referida espécie recursal, denotando
assim intuito protelatório.
4. 3. Com efeito, a situação aventada nos autos inclui-se entre aquelas da responsabilidade
do fornecedor do serviço. No âmbito constitucional, a carta magna assevera a
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e das pessoas jurídicas
de direito privado prestadoras de serviço público, calcada na teoria do risco , conforme
assevera o art.37, § 6º, in verbis:
As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
5. Cumpre ainda destacar o art.14 do CDC, que institui a responsabilidade objetiva dos
fornecedores de serviços pelos danos causados , calcada na teoria do risco do
empreendimento. Aqui se fala em responsabilidade objetiva do prestador de serviços, vale
dizer, não há o que se perquirir sobre culpa, competindo àquele que deu causa responder
pelos danos que tenha causado ao consumidor, é o que se extrai do art. 14 do CDC, in
verbis: “O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”.
6. Os aspectos observados das provas constantes dos autos demonstram ter a
Recorrida suportado a irregularidade do serviço que é essencial à vida ensejada pela
falha na prestação do serviço da própria Ré, que considero por sentimentos negativos que
ultrapassam o mero aborrecimento cotidiano.
7. No tocante à impugnação quanto aos danos morais verifica-se que essa má
prestação causou ao consumidor constrangimento, que transcende à esfera do mero
aborrecimento, sobretudo em virtude da ausência de fornecimento por vários dias. Nesse
caso, a responsabilidade pela má prestação de serviço pela recorrente encontra-se
configurada, uma vez que sua omissão está a causar danos à Recorrente.
8. Reconhecida a existência dos danos morais por parte da ré contra o autor, esses
devem ser fixados com equilibrada reflexão, examinando a questão relativa à fixação do
valor da respectiva indenização.
O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos
morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a repercussão
do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantido.

9. Isto posto, voto no sentido de CONHECER DE AMBOS OS RECURSOS


PARA NEGAR-LHES PROVIMENTO. Custas processuais e honorários advocatícios
pelos recorrentes, que arbitro em 20% sobre o valor da condenação.
10. Salvador, Sala das Sessões, 27 de Abril de 2017.
11. BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
12. Juíza Relatora
13. BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
14. Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº : 0034702-95.2016.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : COMPANHIA DO METRO DA BAHIA
EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S A
EMBASA

Recorrido(s) : DERALDO FERREIRA DE LIMA

Origem : 1ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

15. Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais


Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
– Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão:
RECURSOS CONHECIDOS E IMPROVIDOS . UNÂNIME, de acordo com a ata do
julgamento. Custas processuais e honorários advocatícios pelos recorrentes, que
arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 27 de Abril de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente