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Comunicação oral

MÚSICA E LÍNGUA PORTUGUESA


MUSIC AND PORTUGUESE LANGUAGE

MÚSICA Y LENGUA PORTUGUESA

 Italan Carneiro (Instituto Federal da Paraíba / IFPB – italancarneiro@gmail.com)

Resumo:
Neste artigo, fruto de pesquisa bibliográfica, refletimos acerca da música enquanto uma
das possibilidades de manifestação da linguagem a serem desenvolvidas na disciplina
Língua Portuguesa presente no currículo do Ensino Médio. De modo semelhante,
indicamos a possibilidade do trabalho dos conteúdos de português nas aulas de Música.
Objetivamos desse modo a sensibilização dos docentes de ambas as áreas para o
significativo ganho formativo que pode ocorrer caso os conhecimentos de ambas sejam
compreendidos de forma efetivamente integrada, concepção vinculada à formação
integral dos sujeitos.
Palavras-chave: Currículo Integrado, Ensino Médio, Educação Musical, Português,
Educação integral.

Abstract:
In this article, bibliographic search result, we reflect on music as one of the possibilities for
the manifestation of language to be developed in the Portuguese Language discipline
present in the curriculum of High School. In a similar way, we indicate the possibility of
Portuguese content work in Music classes. Thus, we aim to raise the awareness of teachers
in both areas to the significant training gain that can occur if the knowledge of both are
understood in an effectively integrated, conception linked to the integral formation of the
subjects.
Keywords: Integrated Curriculum, High School, Music Education, Portuguese, Integral
Education.

Resumen:
En este artículo, resultado de la investigación bibliográfica, reflexionamos sobre la música
como una demostración de las posibilidades del lenguaje que se desarrolló en la disciplina
presente portuguesa en el plan de estudios de la escuela secundaria. Del mismo modo,
indicar la posibilidad de que el trabajo de los contenidos portuguesa en las clases de
música. Objetivamos de ese modo la sensibilización de los docentes de ambas áreas para
la significativa ganancia formativa que puede ocurrir si los conocimientos de ambas se
comprenden de forma efectivamente integrada, concepción vinculada a la formación
integral de los sujetos.
Palabras clave: Plan de estudios integrado, Educación secundaria, Educación musical,
Portugués, Educación integral.

346
1. Introdução

Este trabalho apresenta um pequeno recorte da pesquisa de doutorado


intitulada “Curso Técnico Integrado ao Ensino Médio em Instrumento Musical do IFPB:
reflexões a partir dos perfis discente e institucional”1 que definiu como um dos seus
objetivos específicos a reflexão acerca das possibilidades de materialização do Currículo
Técnico Integrado no contexto do Curso Técnico em Instrumento Musical. Neste texto,
abordamos especificamente possibilidades de aproximação entre a Música e os
conteúdos da disciplina Língua Portuguesa, a partir de pesquisa bibliográfica.
Ressaltamos que a integração entre os conhecimentos provenientes da música e
os conhecimentos das diversas áreas do saber contribui efetivamente para que os
estudantes de Instrumento Musical compreendam as conexões entre sua produção
musical e seu contexto histórico, social, cultural, e político. Nestes termos, acreditamos
que a integração entre os diversos conhecimentos presentes na matriz curricular do
Curso Técnico Integrado em Instrumento Musical estabelece condições propícias para
uma maior compreensão acerca do impacto das práticas musicais em nossa sociedade,
ampliando desse modo o “entendimento de mundo” dos estudantes, e contribuindo
para que os mesmos sejam formados numa perspectiva integral que caminhe portanto
em direção à sua omnilateralidade2.

2. Música como expressão da linguagem

Considerando perspectivas contemporâneas acerca da importância da língua


materna para o processo da formação humana, entendemos que a linguagem em suas

1
Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós Graduação em Música, subárea Educação Musical, da
Universidade Federal da Paraíba – UFPB, sob a orientação do prof. Dr. Luis Ricardo Silva Queiroz.
Disponível em:
<https://www.academia.edu/35060454/Curso_T%C3%A9cnico_Integrado_ao_Ensino_M%C3%A9dio_e
m_Instrumento_Musical_do_IFPB_reflex%C3%B5es_a_partir_dos_perfis_discente_e_institucional>.
Acesso em 14 jun. 2018.
2
Neste texto, o termo “omnilateral” refere-se à proposta de educação integral objetivada pelo Currículo
Técnico Integrado. Para um maior aprofundamento acerca dessa concepção de educação, consultar
Ramos (2008).

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diversas manifestações (oral, escrita, corporal, artística, etc.) configura um veículo
fundamental na transmissão da cultura e dos conhecimentos historicamente
acumulados pelo ser humano. Nesse sentido, as Orientações Curriculares para o Ensino
Médio indicam que “a língua é uma das formas de manifestação da linguagem, é um
entre os sistemas semióticos construídos histórica e socialmente pelo homem” (BRASIL,
2006, p. 25). Caracterizando a importância da linguagem para o processo de
desenvolvimento humano, considerando as interações entre homem e linguagem,
homem e homem, homem e mundo, conclui-se que “é pela linguagem que o homem se
constitui sujeito” (BRASIL, 2006, p. 23). Nesta perspectiva, compreendemos que “se é
pelas atividades de linguagem que o homem se constitui sujeito, só por intermédio delas
é que tem condições de refletir sobre si mesmo” (BRASIL, 2006, p. 24). Acerca da
importância da linguagem escrita no processo de formação humana compreendemos
que “por meio das atividades de compreensão e produção de textos, o sujeito
desenvolve uma relação íntima com a leitura – escrita –, fala de si mesmo e do mundo
que o rodeia, o que viabiliza nova significação para seus processos subjetivos” (BRASIL,
2006, p. 24). Sobre a presença das demais expressões da linguagem no processo de
formação escolar, incluindo seus diversos e distintos canais de transmissão, as
Orientações Curriculares para o Ensino Médio apontam como fundamental sua efetiva
inclusão no desenvolvimento do processo de “letramento”, indicando que:
[...] a escola que se pretende efetivamente inclusiva e aberta à
diversidade não pode ater-se ao letramento da letra, mas deve, isso
sim, abrir-se para os múltiplos letramentos, que, envolvendo uma
enorme variação de mídias, constroem-se de forma multissemiótica e
híbrida – por exemplo, nos hipertextos na imprensa ou na internet,
por vídeos e filmes, etc. (BRASIL, 2006, p. 29, grifos nossos)

Dentre as múltiplas possibilidades presentes no contexto contemporâneo


referidas acima, a música – entendida como uma manifestação da linguagem –
caracteriza-se enquanto um dos inúmeros “sistemas semióticos” que historicamente
foram construídos socialmente pela humanidade3. Nestes termos, entendemos que o

3
“Vivemos em um mundo culturalmente organizado por múltiplos sistemas semióticos – linguagens
verbal e não verbal –, resultado de trabalho humano que foi sedimentado numa relação de

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currículo escolar precisa aproximar-se dos elementos culturais presentes nos contextos
sociais, tais quais as práticas musicais, conforme ressaltam as Orientações Curriculares
para o Ensino Médio:
Em termos das ações do ensino médio – e obviamente não restritas ao
campo de trabalho da disciplina Língua Portuguesa –, esse
investimento deve incluir diferentes manifestações da linguagem –
como a dança, o teatro, a música, a escultura e a pintura –, bem como
valorizar a diversidade de idéias, culturas e formas de expressão
(BRASIL, 2006, p. 33, grifos nossos)

Nesse sentido, compreendendo a música enquanto uma linguagem que se


encontra inserida nas manifestações culturais de um povo e expressa suas percepções,
visões de mundo, conhecimentos, sentimentos, etc., entendemos sua importância
como representante de um momento histórico, e com muito a revelar sobre o contexto
social em que foi produzida.

2.1. Integração entre conhecimentos musicais e língua portuguesa

Acerca das possibilidades de integração entre os conhecimentos associados às


disciplinas Língua Portuguesa e Literatura e os conhecimentos musicais, referindo-se
especificamente ao aspecto literário das canções, Romão e Fernandes (2013, p. 54)
apontam que “entrelaçando o ensino da língua portuguesa com a música, é possível
trabalhar, além das reflexões sobre pluralidade cultural, questões gramaticais, gêneros
textuais, variações linguísticas, entre outros temas”. De modo que, conforme os
autores,
A música também possibilita um trabalho efetivo da língua. É possível
analisar as letras das músicas, interpretando-as e criando condições
para que os alunos reconheçam as diferenças culturais na expressão

convencionalidade. Além das línguas naturais (português, francês, inglês, alemão, etc.), há outros tantos
sistemas semióticos construídos pelos homens para responder a demandas da sociedade. Para ilustrar,
considerem-se os sistemas numéricos (romano, arábico, decimal, etc.); as notas musicais; os mapas, com
suas legendas; os sistemas de marcar tempo e temperatura – relógio, termômetro; a escrita alfabética, a
cirílica; os ideogramas (japonês e chinês); o braile; a libras; o código Morse; e, por fim, os sinais de trânsito.
Cada um desses sistemas organiza-se por uma combinação (interna) de regras, as quais conferem a cada
um de seus elementos (signo/símbolo) um valor/uma função. Entender como um sistema semiótico
funciona é conhecer, a um só tempo, a função que seus elementos desempenham e como eles se
articulam entre si” (BRASIL, 2006, p. 25).

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verbal e não verbal, pois o som e os instrumentos utilizados também
trazem reflexões importantes. Desta forma é possível abordar
importantes questionamentos a respeito da diversidade cultural e de
como vincular ao ensino de língua portuguesa. (ROMÃO; FERNANDES,
2013, p. 54)

Confirmando as possibilidades de aproximação entre música e o estudo da


linguagem, Donato (2015, p. 95) sinaliza que “o entrelaçamento dos recursos musicais
e poéticos constitui uma poderosa fonte para se trabalhar a leitura em nossos espaços
escolares” e destaca ainda que “a letra da música na sala de aula transforma-se numa
significativa fonte para o estudo e compreensão da literatura, de questões étnico-sociais
e políticas de determinados períodos históricos” (DONATO, 2015, p. 94). Ressaltando
outras possibilidades da interface entre música e literatura, a autora aponta que:
São muitas as canções que podem ser utilizadas na aula de forma que
o aluno possa apreciar o ritmo, interpretar as letras, refletir as
sensações provocadas, observar como se organizam os elementos da
linguagem musical e/ou poética, perceber a mensagem produzida,
qual o estilo musical da canção que foi trabalhada, que tipo de
linguagem constitui o poema, quais semelhanças e diferenças entre os
dois gêneros. (DONATO, 2015, p. 95)

Explorando outro aspecto da intersecção entre música e linguagem que pode ser
desenvolvido no cotidiano escolar, Silva (2015, p. 10) indica que “muitas das músicas
atuais não obedecem as normas da língua padrão-culta e são uma fonte de pesquisa
que contribuirá fortemente para o ensino de linguagem formal e não formal dentro do
ensino de Língua Portuguesa”.
Apontando outra possibilidade de integração entre as áreas, a partir de trabalho
que investigou a presença da música em livros didáticos de Português, Martins e
colaboradores (2009, p. 81) identificaram materiais que propunham a abordagem das
letras musicais a partir da “interpretação textual da música, trabalhando, também, a
‘invocação’ e figuras de linguagem, como algumas metáforas”. Refletindo numa
perspectiva semelhante, investigando a presença da música em materiais didáticos,
ressaltamos o trabalho de Oliveira e colaboradores (2002, p. 82) no qual os autores
afirmam que “foi possível constatar que desde seu aparecimento em livros didáticos, na

350
década de 1980, a música tornou-se uma constante nesses materiais”. Indicando
possibilidades para o trabalho docente, os autores destacam a importância que “o
professor a use não somente para trabalhar gramática, mas em outras áreas da língua
como produção de texto, interpretação crítica, promover discussões sobre os temas
presentes nas letras ou mesmo descontração” (OLIVEIRA et al., 2002, p. 75).
Em estudo que investigou a referência à utilização da canção pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais referentes ao ensino da Língua Portuguesa, Costa (2003) concluiu
que:
São muitos os que hoje em dia propõem a utilização ou já utilizam
textos da Música Popular Brasileira (MPB) em sala de aula de diversas
disciplinas. Acreditamos que o interesse por esse tipo de produção
simbólica não provém apenas de praticidade ou de seu ar prazenteiro.
Ele representa uma consciência cada vez mais crescente da grande
importância de nossa produção literomusical na construção da
identidade brasileira. (COSTA, 2003, p. 9)

Destacamos ainda a perspectiva apontada por Simões (2005, p. 1272) em


trabalho de pesquisa que visou a “construção de estratégias didáticas de base
semiótico-estilística para a implementação de um ensino do idioma a partir da
exploração de letras de música brasileira”. A autora ressalta que “trata-se de estudo
voltado para a variação lingüística e para a análise dos contornos icônicos e expressivos
presentes nos textos musicais, os quais informam o estudante sobre a norma
gramatical, a riqueza lexical e a importância da escolha das palavras na produção
textual” (SIMÕES, 2005, p. 1272). Referindo-se à abordagem semiótica que trata da
iconicidade, Simões indica que:
Nas letras-de-música, a iconicidade transcende o verbal uma vez que
o signo-complexo letra-de-música reúne componentes de códigos
distintos: o lingüístico-literário e o musical. Assim sendo, o exame da
iconicidade do texto literário para ser cantado inclui a consideração do
elemento sonoro e do melódico, além de todos os outros ingredientes
usualmente considerados nas análises de textos. Temos que a
interpretação verbal de todos os objetos artísticos valida a perspectiva
semiótica, que toma as artes como diferentes tipos de linguagem,
interligados por equivalências estruturais. (SIMÕES, 2005, p. 1274)

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Apesar de concordarmos com Martins e Saraiva (2012, p. 18) no sentido que
ainda “existem poucos livros em língua portuguesa, que se proponham a discutir a
questão da utilização da música na escola tradicional como subsídio para o aprendizado
escolar de disciplinas diversas”, identificamos no campo do ensino da língua portuguesa
o significativo trabalho da Profa. Dra. Darcilia Simões (autora mencionada
anteriormente), realizado junto ao seu grupo de pesquisa, intitulado “Português se
aprende cantando” 4 (SIMÕES; KAROL; SALOMÃO, 2007), voltado para os docentes que
pretendem fazer uso didático da música em sala de aula. Caracterizando-se como um
material de apoio didático-pedagógico que busca auxiliar o planejamento de ensino da
Língua Portuguesa, o livro tem seus objetivos descritos como “a construção de
estratégias didáticas de base semiótico-estilística destinadas à implementação de um
ensino do idioma a partir da exploração de letras de música brasileira” (SIMÕES; KAROL;
SALOMÃO, 2007, p. 22). A partir da estrutura indicada pelos autores na qual o material
encontra-se dividido em duas seções, compreendemos de forma resumida a natureza
dos trabalhos a serem desenvolvidos na interface de integração entre música e língua
portuguesa:
A primeira parte do livro traz aos leitores letras-de-música distribuídas
em sete planos de análise, quais sejam: fonológico, lexical,
morfológico, morfossintático, sintático, semântico e estilístico. Os
aspectos gramaticais e estilísticos foram explorados sob o prisma
funcional, propiciando uma visão mais objetiva e significativa dos fatos
lingüísticos, observados em seu caráter ideacional, interacional e
textual. O componente semiótico foi subsidiário das análises de cunho
semântico-estilístico que vez ou outra se impunham. (SIMÕES; KAROL;
SALOMÃO, 2007, p. 10)

4
O material foi produzido a partir da pesquisa “A música e o ensino de língua portuguesa” que foi
desenvolvida entre os anos de 2004 e 2007, estando nos dois últimos anos inserida no Programa de
Iniciação Científica UERJ/FAPERJ. Segundo os pesquisadores, “inicialmente, o projeto A música e o ensino
de língua portuguesa pretendia deixar como legado um livro didático para o Ensino Básico. Contudo, a
equipe de pesquisa de Iniciação Científica entrou a preparar um material com uma qualidade que não se
ajustava àquele nível de ensino. Assim sendo, ao invés de propor uma filtragem na discussão gramatical
das letras corpus, optamos por redefinir a meta do material em elaboração, destinando-o não mais aos
discentes, mas aos docentes, com vistas a oferecer-lhes estudos gramaticais em textos do gênero letra-
de-música” (SIMÕES; KAROL; SALOMÃO, 2007, p. 9).

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A segunda seção do livro, por sua vez, apresenta estudos avançados com letras
de música que, segundo os autores, “podem servir de sugestão para trabalhos de
conclusão de curso ou mesmo como paradigmas para planejamento de aulas no terceiro
grau [cursos de graduação e pós-graduação]”.
Referindo-se à atual produção musical brasileira como fonte propícia para a
escolha de músicas a serem trabalhadas com os estudantes, Simões, Karol e Salomão
(2007, p. 22) identificam que “o mercado fonográfico nacional coetâneo é abundante;
e, do ponto de vista da documentação de usos linguísticos variados, pode-se considerá-
lo relevante recurso didático”. Sobre o processo de seleção das músicas que foram
abordadas no livro, os autores indicam que estas foram selecionadas a partir do critério
de representação da sua “variedade linguística”. Acerca da significativa diversidade de
análises realizadas, reforçando a extensa gama de possibilidades na interface de
integração entre a música e os conteúdos do ensino da língua portuguesa mencionadas
anteriormente, Simões, Karol e Salomão (2007) indicam ainda que:
[...] as abordagens da camada fônica nas letras de música seguem
itinerários diferentes do presente nas gramáticas e em compêndios
didáticos. Privilegia-se a observação das conseqüências estilísticas e
semânticas do uso dos sons nas estruturações frasais. Discutem-se
figuras fônicas, como aliteração, homeoteleuto; metaplasmos como
monotongação, assimilação, etc.; traz-se a rima para o âmbito
fonológico, etc. (SIMÕES; KAROL; SALOMÃO, 2007, p. 23-24)

Destacamos ainda, conforme reflexão dos autores, que o trabalho realizado com
as letras de música a partir da sua estruturação linguística, intitulado “Português se
aprende cantando”, transformado posteriormente em material didático, caracterizou-
se como uma “estratégia de alta produtividade em nossas experiências diretas com
alunos” (SIMÕES; KAROL; SALOMÃO, 2007, p. 20).

3. Considerações finais

As experiências de integração entre as áreas da Música e da Língua Portuguesa


identificadas na literatura foram realizadas basicamente através do aspecto literário das

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canções, o que se justifica por conta das especificidades do estudo da linguagem escrita.
Nesse sentido, é importante ressaltar que cada uma das áreas do conhecimento possui
singularidades que determinarão suas possibilidades e caminhos de integração com a
Música, não havendo portanto uma única área que se correlacione diretamente à todos
os aspectos do fenômeno musical. Nesse sentido, destaca-se como de fundamental
importância que o sentido de integração esteja contido em todas as disciplinas do
currículo, visto que apenas desse modo, a música poderá ser contemplada
integralmente em todas as perspectivas que caracterizam suas inter-relações com os
distintos conhecimentos presentes no cotidiano individual e social contemporâneo.
Ressaltamos que o processo de integração curricular realizado no contexto da
Educação Profissional Técnica de Nível Médio precisa caracterizar uma via de mão dupla,
ocorrendo tanto no sentido “formação geral-formação técnica” como no sentido
“formação técnica-formação geral”.
Por fim, apontamos que a construção das pontes integradoras entre as diversas
disciplinas do currículo não deve estar restrita ao contexto da Educação Profissional
realizada na forma Integrada, mas precisa configurar tarefa a ser realizada pelos
professores que atuam nas mais diversas modalidades de ensino e áreas do
conhecimento.

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