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2º Trim.

de 2019: O TABERNÁCULO: símbolos da obra redentora de Cristo

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2º Trimestre de 2019 - CPAD
O TABERNÁCULO: símbolos da obra redentora de Cristo
Comentários da revista da CPAD: Elienai Cabral
Comentário: Ev. Caramuru Afonso Francisco

APÊNDICE Nº 1 – ESTRUTURA E MATERIAIS DO TABERNÁCULO


A estrutura e os materiais do tabernáculo têm também significado tipológico.

Texto áureo
“Tomaram, pois, de diante de Moisés, toda oferta alçada que trouxeram os filhos de Israel para a obra do
serviço do santuário para fazê-la; e, ainda, eles lhe traziam cada manhã oferta voluntária.” (Ex.36:3).

INTRODUÇÃO
- Em apêndice ao trimestre de estudo sobre o tabernáculo, analisaremos a estrutura e os materiais do
tabernáculo.

- A estrutura e os materiais do tabernáculo têm também o significado tipológico.

I – A ESTRUTURA DO TABERNÁCULO

- Na sequência do estudo sobre o tabernáculo, analisaremos a estrutura e os materiais do tabernáculo,


tema que já foi enfrentado nas lições anteriores, mas que aqui será enfocado como principal.

- “Estrutura”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, significa “organização, disposição e


ordem dos elementos essenciais que compõem um corpo (concreto ou abstrato); processo de uma
construção; edificação; organização das partes, em função de algo de cunho genérico e global”. Assim,
haveremos de estudar o tabernáculo conforme a sua disposição, em três partes, e o significado disto na
tipologia bíblica.

- Ao mandar construir o tabernáculo, o Senhor, antes mesmo de revelar a sua construção, determinou a
Moisés que o povo de Israel trouxe uma oferta alçada voluntária de ouro, prata, cobre, pano azul,
púrpura, carmesim, linho fino, pelos de cabras, peles de carneiros tintas de vermelho, peles de texugo,
madeira de cetim, azeite, especiarias, pedras sardônicas, pedras de engaste, materiais que seriam
utilizados para a construção de um santuário e habitação no meio deles conforme o modelo que seria
mostrado no monte Sinai (Ex.25:1-9).

- Note-se, portanto, que o Senhor já tinha conhecimento de todos estes materiais, que estavam em poder dos
filhos de Israel que, como sabemos, saiu do Egito de posse deles, não só dos bens que havia amealhado mas
do que lhes havia sido dado pelos egípcios como verdadeira “indenização” pelo tempo em que haviam sido
ali escravizados (Ex.3:21,22; 12:35,36; Sl.105:37).

- O Senhor, portanto, sabedor de toda esta situação, pede que o povo contribua com materiais previamente
indicados para que fosse construído o tabernáculo, materiais que o povo já possuía. Aprendamos, pois, que
Deus, embora seja o dono de tudo, faz questão de ter a colaboração do Seu povo na construção de meios
para o Seu serviço e adoração, fazendo questão que o homem colabore voluntariamente para tanto.

- Era preciso entregar voluntariamente os materiais indicados pelo próprio Senhor para que eles assumissem
a forma que deveriam ter para reproduzir o santuário celestial no tabernáculo a ser construído aqui na Terra.

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- O fato de os materiais serem indicados pelo Senhor, não ficarem ao bel-prazer dos israelitas é a
maior demonstração de que tais materiais têm um nítido significado tipológico, porquanto o que Deus
mandou fazer era, como nos ensina o escritor aos hebreus, “a sombra dos bens futuros” (Hb.10:1).

- Não podemos deixar de observar que, conforme diz Moisés em um de seus discursos de despedida, o povo
de Israel deveria escolher o “outro profeta como Moisés” a quem deviam ouvir, profeta este que seria
figurado, tipificado por todo o culto estabelecido no tabernáculo (Dt.18:15-19).

- O tabernáculo foi concebido como um ambiente com três espaços bem diferenciados: uma parte
descoberta, chamada pátio, cercada por colunas de cobre (ou bronze), que sustentariam um cortinado de
linho fino, com uma entrada no lado oriental, onde havia um véu, uma coberta de pano azul, púrpura,
carmesim e linho fino, sustentada por quatro colunas de cobre.

- Nesta parte, todos os israelitas podiam entrar e, ao entrar nele, encontravam o altar de cobre, que é o altar
de sacrifícios, onde eram sacrificadas as ofertas trazidas pelos israelitas, bem como a pia de cobre, situada
entre o altar e a parte coberta do tabernáculo, pia que somente era acessível aos sacerdotes, que ali lavavam
seus pés e mãos, seja para ministrar no altar de sacrifícios, seja para entrar na parte coberta do tabernáculo.

- Esta parte descoberta caracteriza-se pelo predomínio do cobre como material, como do livre acesso até o
altar de sacrifícios, sendo uma parte a todos visível também.

- Por conta desta acessibilidade e visibilidade, muitos veem no pátio do tabernáculo um tipo do corpo
humano e, mais precisamente, do corpo de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o último Adão (I
Co.15:45). No entanto, como haverá uma lição específica sobre a tipologia de Cristo, não nos debruçaremos
na tipologia cristológica do tabernáculo nesta lição.

- O corpo é a parte visível do ser humano e, também, a parte a que temos acesso tangível, havendo,
pois, nesta circunstância, uma analogia com o pátio do tabernáculo.

- Assim como o tabernáculo era um lugar separado do restante do arraial dos filhos de Israel por conta da
cerca das colunas de bronze, também o nosso corpo deve se manter separado do mundo, ou seja, não
podemos desconsiderar a circunstância de que nosso corpo é templo do Espírito Santo (I Co.6:19),
instrumento de justiça (Rm.6:13), instrumento de serviço à justiça para a santificação (Rm.6:19).
- Este cuidado, portanto, com o nosso corpo é um ensinamento que extraímos desta estrutura do templo,
de modo que não podemos, de modo algum, fazer com que nosso corpo seja utilizado para a
iniquidade, como antes de nossa salvação (Rm.6:13), o que, lamentavelmente, se tem presenciado nos
últimos tempos, onde está a vigorar um falso ensinamento de que “Deus quer o coração” e onde se verifica
um total menosprezo ou desprezo para com os cuidados que devemos ter com o nosso corpo, cuidados estes
que, sem qualquer respaldo, são confundidos com usos e costumes.

- O cortinado do tabernáculo era branco, já que as cortinas da cerca são de linho fino, que significam a
justiça dos santos (Ap.19:8), precisamente para nos mostrar que devemos mostrar a todos a santidade, a
começar por aquilo que as pessoas veem, ou seja, o nosso corpo.

- O salvo em Cristo Jesus tem vestes brancas e, por isso, é digno tanto de andar com Cristo, quanto de
entrar na cidade santa e viver com o Senhor eternamente (Ap.3:4,5; 22:14), mas esta “brancura” já era
vista no tabernáculo pelos olhos físicos, já era notada de forma material e é isto que nos ensina o pátio do
tabernáculo: precisamos ser vistos como salvos, como integrantes do corpo de Cristo, não apenas em nossas
atitudes e conduta, quando convivermos com as pessoas, mas também na aparência, na visibilidade, assim
como o pátio do tabernáculo.

- A entrada única do tabernáculo, além de nos mostrar que o único nome pelo qual devamos ser salvos
é o nome de Jesus (At.4:12), também nos dá conta de que não é possível um relativismo em assuntos

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espirituais. Jesus é o Caminho e não se pode relativizar a salvação, relativismo que é hoje o pensamento
predominante no mundo e que deve ser rechaçado pelos cristãos, ainda que, por conta disso, sejam
chamados de “intolerantes” ou “fundamentalistas”.

- O pátio também fala a respeito do início da caminhada da vida espiritual, pois é frequentemente
associado à virtude da fé, virtude pela qual damos entrada na graça (Rm.5:1,2), fé que nos leva ao
perdão dos pecados e que nos permite estabelecer a comunhão com o Senhor, o fundamento das coisas que
se esperam e a prova das coisas que não se veem (Hb.11:1).

- O pátio fala-nos, também, da salvação, porque nele se encontram o altar de cobre, onde havia a cobertura
dos pecados pelo derramamento do sangue das vítimas dos sacrifícios, como a pia de cobre, onde havia a
lavagem das mãos e pés dos sacerdotes.

- A salvação é o perdão dos pecados confessados após a fé em Jesus Cristo, perdão este que nos leva à
comunhão com o Senhor e à santificação, quando alcançamos a vivificação do nosso espírito e passamos a
ser reis e sacerdotes pelo sangue de Jesus.

- Por isso, até o altar de cobre, vinham os israelitas, pecadores, enquanto que, do altar para a frente, somente
andavam os sacerdotes, sendo certo que os pecados eram cobertos em virtude dos sacrifícios efetuados, onde
se gerava cinza, levada para fora do arraial, e fumaça, que subia à presença de Deus. De igual maneira, agora
passamos a ser novas criaturas (II Co.5:17; Gl.6:15), homens espirituais (I Co.2:15), que vivem para Deus
(Rm.6:10). Esta novidade de vida (Rm.6:4) é mantida mediante a regeneração e renovação do Espírito Santo
e pela Palavra de Deus, por intermédio da lavagem da água (Ef.5:26; Tt.3:5).

- O segundo espaço do tabernáculo era a parte coberta, chamada por alguns de “santuário”, por ser a
parte totalmente separada do povo, onde somente podiam entrar os sacerdotes e onde não havia visibilidade,
já que, na sua entrada, havia um véu e o tabernáculo não tinha janelas nas suas três paredes.

- As paredes eram feitas de tábuas de madeira, num total de quarenta e oito tábuas, vinte tábuas do lado sul,
vinte tábuas do lado norte, seis tábuas do lado oeste e duas tábuas nos dois cantos do tabernáculo. As tábuas,
embora fossem de madeira, eram revestidas de ouro e, na entrada desta parte coberta, onde estava o véu,
havia cinco colunas de madeira igualmente cobertas de ouro, com colchetes de ouro e fundição de cinco
bases de cobre.

- As tábuas eram unidas umas às outras por coiceiras, duas coiceiras em cada tábua, de prata e que
promoveriam o travamento de uma tábua com outra, de modo a que não houve qualquer espaço ou brecha
entre uma tábua e outra, mantendo, pois, o santuário totalmente separado do restante do tabernáculo.

- As tábuas tinham a mesma medida e tiveram o mesmo tratamento, sendo, portanto, iguais. Estas tábuas,
por serem de madeira e revestidas de ouro, representam os salvos, que foram tornados “templo do Espírito
Santo” (I Co.6:19), passando a ser morada de Deus no Espírito (Ef.2:22). Por isso, o apóstolo Paulo diz que
não mais vivia, mas era Cristo que vivia nele (Gl.2:20).

- A natureza humana do pecador é transformada quando ela se encontra com Cristo Jesus. O homem natural
cede lugar ao homem espiritual e passamos a ser habitação do Espírito Santo (Jo.14:17), do Pai e do Filho
(Jo.14:23). Tornamo-nos participantes da natureza divina (II Pe.1:4), a ter Cristo formado em nós (Gl.4:19;
Cl.1:27).

- A tábua que foi retirada da floresta foi devidamente preparada pelos artesãos sob o comando de Bezaleel e
Aoliabe e, por fim, revestida de ouro, para poder, juntamente com as demais tábuas, unidas a ela, formar a
estrutura do santuário.

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- Assim, também, nós, devidamente retirados do mundo, preparados pelo Espírito Santo, através dos
ministros que promovem o nosso aperfeiçoamento na Igreja (Ef.4:11-16), unidos uns aos outros,
promovemos o aumento do corpo e a sua edificação em amor, não sendo mais meninos inconstantes que se
deixam levar por qualquer vento de doutrina, mas caminhando para a estatura completa de Cristo, para varão
perfeito.

- As tábuas, além de se unirem umas às outras por coiceiras de prata, também eram unidas, em
grupos, por barras de madeira igualmente revestidas de ouro, no total de cinco, que reforçavam esta
união, bem como a condição de cada tábua, que tinha seu lugar específico na estrutura.

- As cinco barras, assim como as cinco colunas que sustentam o véu que dá entrada ao santuário são
uma tipificação dos dons ministeriais que, como já vimos, são os homens dados por Cristo à Igreja para a
promoção da edificação espiritual de cada salvo. Os salvos precisam dos irmãos para se edificar, pois somos
a família de Deus, os concidadãos dos santos, que crescemos para templo santo no Senhor, para morada de
Deus no Espírito (Ef.2:19-22).

- A vida espiritual somente progride quando estamos unidos aos nossos irmãos. A salvação é individual,
mas o crescimento espiritual depende da coletividade e esta realidade precisa estar bem presente entre nós
em dias de individualismo e egoísmo (II Tm.3:1-4), onde, inclusive, se tem disseminado a falsa doutrina dos
“desigrejados”, que vê como desnecessária a frequência a uma congregação, a uma igreja local.

- O tabernáculo diz, claramente, que jamais poderemos alcançar a glorificação, estágio final do processo de
nossa salvação, se não nos submetermos à ação dos dons ministeriais e que isto somente se dá na
coletividade, na reunião, assim como jamais se poderia ter a presença de Deus no meio dos filhos de Israel
se não houvesse o santuário, se as tábuas não fossem erigidas para que, no santuário, fossem postas as peças
do tabernáculo, entre as quais a mais importante delas, a arca da aliança.

- A parte coberta do tabernáculo tinha quatro camadas de cortinas e peles, o que, aliás, já foi estudado
em lição anterior, de modo que não trataremos disto aqui. Também nada falaremos sobre o véu, tratado na
mesma lição.

- O interior do santuário era invisível aos olhos do povo, representando aqui o homem interior
(Rm.7:22; II Co.4:16; Ef.3:16), que ninguém pode ver, a não ser nós mesmos e o próprio Deus (I Sm.16:7;
Jo.2:24,25; I Co.2:11).

- O homem interior é formado de duas partes que, embora distintas, são inseparáveis: a alma e o
espírito (I Ts.5:23; Hb.4:12). Assim também a parte coberta do tabernáculo, que estamos a chamar de
santuário, possuía duas partes: o lugar santo e o lugar santíssimo.

- No lugar santo, que era separado do lugar santíssimo por um véu, tínhamos três peças: o candelabro, a
mesa dos pães da proposição e o altar de ouro, também chamado de altar de incenso (Hb.9:2).

- O candelabro, também chamado de candeeiro e de castiçal, era de ouro e tinha sete lâmpadas, que se
mantinham permanentemente acesas, alimentadas com azeite, e que permitia a iluminação de toda a parte
coberta que não recebia a luz do sol, já que havia um véu opaco na entrada e não havia janelas.

- A mesa dos pães da proposição ou mesa dos pães da presença era de madeira, revestida de ouro, onde se
punham doze pães, representando as dez tribos de Israel, pães que eram trocados aos sábados, não antes de
ser consumidos pelos sacerdotes ali mesmo no lugar santo.

- O altar de ouro era feito para que nele se queimasse incenso duas vezes ao dia. Era de madeira, revestido
de ouro e nele se fazia a queima de incenso, ficando tal altar diante do véu que separava o lugar santo do
lugar santíssimo.

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- Este lugar santo representa a alma com as suas três faculdades: o intelecto, a sensibilidade e a
vontade. O candelabro, que iluminava todo o recinto, representa o intelecto; a mesa dos pães da proposição
fala da sensibilidade e o altar de ouro, da vontade.

- A alma do salvo precisa ser iluminada pelo Espírito Santo, para pensar aquilo que é de cima, que é bom
e louvável (Cl.3:1-3; Fp.4:8), precisa possuir o capacete da salvação (Ef.6:17), para ter a mente de Cristo (I
Co.2:16).

- A alma do salvo precisa ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Fp.2:5), sentimento de
humildade, aprendido com Cristo (Mt.11:29), que faz com que ele tenha comunhão tanto com Deus quanto
com os homens, o que sempre declara quando participa do corpo e do sangue de Jesus na ceia do Senhor (I
Co.11:23-26). Neste sentimento, o salvo se comporta como membro em particular do corpo de Cristo (I
Co.12:27), desenvolvendo o amor fraternal (Rm.12:10; I Ts.4:9; Hb.13:1; I Pe.1:22; II Pe.1:7).

- A alma do salvo precisa querer o que Deus quer e, para tanto, tem de estar em constante oração, a fim de
obter a transformação da renovação do seu entendimento e poder, assim, experimentar a boa, perfeita e
agradável vontade de Deus (Rm.12:2).

- No lugar santo, temos, como não podia deixar de ser, ressaltada a santificação progressiva, este
importante e, via de regra, o mais longo estágio do nosso processo de salvação, pois é através dele que
obtemos a edificação espiritual, o crescimento na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo (II Pe.3:18).

- A santificação aprimora o nosso serviço ao Senhor. Tornados reis e sacerdotes pelo sangue de Cristo,
temos de desempenhar as nossas funções, servindo ao Senhor, como trabalhadores da Sua vinha (Mt.20:1),
como obreiros da Sua seara (Lc.10:2).

- Para tanto, temos de ser dirigidos pelo Espírito Santo (candelabro), termos comunhão uns com os
outros e nos alimentarmos da Palavra de Deus (mesa dos pães da proposição) e termos uma vida de
constante oração (altar de incenso) para venhamos a bem executar as tarefas que nos são cometidas
pelo Senhor.

- Neste trabalho, temos de produzir boas obras, visto que a fé viva é acompanhada de boas obras (Tg.2:17).
Estas boas obras revelam o fruto do Espírito (Gl.5:22) e as três peças do tabernáculo falam-nos deste fruto.

- O candelabro fala-nos das qualidades do fruto do Espírito referentes a nós mesmos, ao nosso
autodomínio pela ação do Espírito Santo, ou seja, da temperança, fé e longanimidade. A mesa dos pães da
proposição fala-nos das qualidades do fruto do Espírito referentes ao próximo, ou seja, da benignidade, da
bondade e da mansidão e, por fim, o altar de incenso fala-nos das qualidades do fruto do Espírito referentes
a Deus, ou seja, o amor, o gozo e a paz.

- A fé, ao se desenvolver, gera, em nós, a esperança, pois esta esperança que não traz confusão é resultado
de uma sequência que começa com a tribulação, passa pela paciência que, por sua vez, dá origem à
experiência, esta a geradora da esperança (Rm.5:2-5).

- Esta esperança, a segunda virtude teologal (I Co.13:13) está representada no lugar santo, pois ali, como em
nenhum outro lugar, se avivava a esperança de um dia se ter acesso à glória de Deus, visto que ali os
sacerdotes contemplavam o véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo, onde estava a arca da
aliança, símbolo da presença de Deus no meio do povo e sobre o qual ficavam a nuvem, que se transformava
em coluna de fogo, onde exsurgia a glória de Deus, quando era o caso de sua manifestação no meio dos
filhos de Israel (Ex.16:10; 40:34; Lv.9:23; Nm.14:10; 16:19; 20:6; II Cr.5:14).

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- Como ensina o teólogo Luiz Mattos: “…Essas atividades mantidas no Primeiro Tabernáculo, através do
sacerdócio levítico, era aprova da ineficácia desse procedimento, mas mantinha o simbolismo que ele
representava, e ainda era a concretização da fé dos oficiantes e dos ofertantes, na realização de um
verdadeiro exercício sacerdotal, dotado do poder que pudesse abolir para sempre a necessidade dos
sacrifícios diários. Nós, hoje, após o advento do Calvário, vivemos a esperança do Arrebatamento da Igreja,
e da primeira ressurreição, a dos justos; mas eles, antes do Calvário, viviam na esperança dessa realização, o
sacrifício do Cordeiro Pascal, Jesus, o Salvador do mundo. E o sacrifício de Jesus que aboliu de uma vez por
todas, a necessidade de se manter o santuário terrestre.…” (A tipologia bíblica do tabernáculo, pp.4-5).

- Quando cremos e passamos a crescer em Cristo, passamos a ter a esperança da glória de Deus. Quando
Cristo é formado em nós, passamos a tê-l’O e Ele é a esperança da glória (Cl.1:24), esperança que á a âncora
da alma (Hb.6:19), que não nos permite abalar diante das tempestades da vida e que nos leva a porto seguro,
apesar de todas as adversidades, a esperança que não traz confusão.

- O lugar santíssimo, também chamado o santo dos santos (Hb.9:3) era o segundo compartimento da parte
coberta do tabernáculo, separado do lugar santo por um véu e tendo a mesma estrutura das tábuas já
mencionada, que fazia com que a parte coberta formasse um todo do lado externo.

- Separado por um véu, o lugar santíssimo possuía apenas uma peça, a arca da aliança, que, na
verdade, possuía duas partes: uma parte de madeira coberta de ouro, que era a arca propriamente dita, no
interior da qual estavam as tábuas da lei, a vara de Arão que florescera e frutificara e um pote de maná, e a
sua tampa, chamada propiciatório, de ouro puro, uma tampa com dois querubins, um defronte para o outro e
com a face voltada para o centro da tampa, querubins com asas, tudo uma só peça em ouro.

- O lugar santíssimo não podia ser frequentado por ninguém, a não ser pelo sumo sacerdote, uma vez ao ano,
quando participava do ritual do dia da expiação, o dia dez do sétimo mês, ritual este descrito em Levítico 16.

- Era o local próprio da presença de Deus e da Sua glória. Ali, uma vez ao ano, o sumo sacerdote tinha de
aspergir e pôr sangue no propiciatório para aplacar a ira de Deus e era sobre este local, na parte externa, que
ficava a nuvem de dia e a coluna de fogo de noite.

- O lugar santíssimo representa o espírito humano, aquela parte que estabelece a ligação com Deus, que
tem a consciência de Deus. Este espírito está inativo por causa do pecado do homem, que o separou do
Senhor, mas, com a salvação, ele é vivificado, volta a se unir a Deus e passa a ser guiado pelo Espírito
Santo, testificando com Ele (Rm.8:15,16; Gl.4:6).

- Este lugar inacessível é o lugar da intimidade entre o nosso espírito e o Espírito Santo, intimidade que, por
vezes, faz-nos relacionarmos com o Senhor independentemente até de nosso intelecto, como ocorre quando
se fala ou ora em línguas (I Co.14:2,14,15).

- Aqui temos, também, a maior das virtudes teologais, o amor (I Co.13:13), que é derramado em nossos
corações pelo Espírito Santo, assim que recebemos a esperança, amor que se desenvolve, fazendo-se
conformes à imagem do Filho (Rm.8:29) e, como irmãos de Cristo, tendo o seu mesmo DNA, que é o amor
(I Jo.4:8,16), pois é pelo amor que seremos reconhecidos como discípulos de Nosso Senhor (Jo.13:35).

- O lugar santíssimo era a demonstração eloquente do amor de Deus, pois, ali, o Senhor usava de Sua graça e
de Sua misericórdia, aplacando a Sua ira para com o homem e adiando a punição e castigo pelos pecados até
que Ele próprio, na pessoa encarnada do Filho, morresse pela humanidade (Jo.3:16; II Co.5:21).

II – OS MATERIAIS DO TABERNÁCULO

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- Também os materiais do tabernáculo têm um significado tipológico. São, por primeiro, materiais
estabelecidos pelo próprio Deus para que o povo de Israel trouxesse, a demonstrar, portanto, que as regras de
adoração, o próprio material da adoração, é matéria atinente ao Senhor e não aos servos.

- Isto é importante lembrar porque, lamentavelmente, há aqueles que defendem a “adoração extravagante”, a
total ausência de regras na adoração, uma adoração que se faria conforme a vontade do adorador e não do
Adorado.

- Dizem os defensores desta falsa doutrina de que “onde há o Espírito, aí há liberdade” (II Co.3:17),
esquecidos, porém, que liberdade não se confunde com libertinagem, que a liberdade pressupõe a soberania
divina, bem como que adoração é submissão ao senhorio divino e que Deus, desde os tempos de Caim e
Abel, não é obrigado a aceitar qualquer tipo de adoração, mas única e exclusivamente aquela que for feita
segundo a Sua vontade.

- Os materiais do tabernáculo foram previamente determinados por Deus, antes mesmo que se
anunciasse a construção, o Senhor já disse que materiais seriam aceitos para a tarefa. Somente podemos
oferecer a Deus em sacrifício Aquele que assim determinar, aquilo que Ele mandar.

- O primeiro material mencionado por Deus era o ouro. O ouro é o metal mais nobre, mais precioso,
símbolo da riqueza e que representa não só a divindade mas a própria glória de Deus. A presença do
ouro era predominante na parte coberta do tabernáculo, onde todas as peças eram revestidas de ouro, quando
não de ouro (caso do candelabro e do propiciatório).

- O segundo material mencionado por Deus era a prata. A prata é, também, um metal nobre, que perde
apenas para o ouro em preciosidade e valor, que simboliza a redenção, pois os israelitas eram resgatados
diante de Deus mediante uma taxa equivalente a um siclo de santuário, que era uma moeda de prata
(Lv.5:15; 27:3).

- Cada tábua tinha duas bases de prata, a mostrar que o fundamento de nosso serviço a Deus, de nossa
reunião como povo de Deus, como edifício de Deus (I Co.3:9; Ef.2:21), foi a nossa compra pelo sangue de
Jesus na cruz do Calvário (I Pe.1:18,19), uma compra por bom preço (I Co.6:20; 7:23).

- Enquanto membros em particular do corpo de Cristo, temos de lembrar que, doravante, somos propriedade
d’Ele e, mediante esta redenção (I Co.1:30), devemos cumprir as nossas tarefas no serviço ao Senhor, jamais
nos esquecendo que, se apenas fizermos o que nos for mandado, seremos servos inúteis (Lc.17:10).

- As cortinas da cerca do tabernáculo também eram ligadas entre si por faixas de prata, com o mesmo
significado que existia entre as tábuas, a nos indicar que o que nos une é o fato de todos termos sido
comprados por Cristo Jesus. De igual modo, as colunas sobre as quais repousavam as cortinas eram cingidas
de faixas de prata.

- O terceiro material mencionado por Deus era o cobre ou bronze, pois a palavra original hebraica pode
tanto ser traduzida por cobre como por bronze, que é a liga do cobre com o estanho ou do cobre com o lítio,
ou ainda, do cobre com outros metais, como chumbo, alumínio e zinco.

- Temos aqui um material menos precioso do que o ouro ou a prata, mas que é muito resistente ao fogo, o
que o levou a ser utilizado no início da história da humanidade, na chamada “idade do cobre” e na
subsequente “idade do bronze”, período inicial das civilizações do Oriente Próximo.

- O cobre era o metal mais utilizado nas peças do pátio do tabernáculo. As sessenta colunas da cerca eram de
cobre, inclusive suas bases, assim como o altar de sacrifícios (madeira revestida de cobre) e a pia de cobre.
De cobre, também, eram os colchetes das cortinas da primeira camada da cobertura do tabernáculo.

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- Como ensina o pastor Abraão de Almeida: “…As passagens bíblicas de Êxodo 27:17; Números 21:9;
Jeremias 1:18; 6:28; 1 Coríntios 13:1; 2 Coríntios 5:21 indicam esse metal como o tipo do julgamento, do
juízo. E o bronze, no Tabernáculo, significa o julgamento do pecado. Também todos os cravos, ou
pregos, usados nesse Santuário, eram desse mesmo metal e apontavam para a crucificação de Jesus no
madeiro do Calvário.…” (O tabernáculo e a Igreja, p.17). No dizer de Luiz Mattos: “…Bronze – está ligado
ao juízo de Deus. Tipifica o sofrimento…” (op.cit., p.9).

- O fato de serem três os metais tem também um significado tipológico. Diz-nos Jeremy James: “…Três
metais foram usados na construção do Tabernáculo — ouro, prata e bronze (cobre). Como já vimos, o
número três indica plenitude, de modo que sabemos que esses metais transmitiam uma mensagem
espiritual completa para os hebreus.… (A extraordinária santidade de Deus: compreendendo Cristo e Sua
Igreja por meio do tabernáculo e das ofertas, p.7. Disponível em: http://www.espada.eti.br/tabernaculo.asp
Acesso em 20 fev. 2019).

- O quarto material era o pano azul, que simboliza o céu, pano utilizado nos véus de entrada de cada
compartimento e nas cortinas da primeira camada de cobertura do tabernáculo, tipificando o Evangelho
segundo João, que apresenta Jesus Cristo como Filho de Deus.

- O quinto material era a púrpura, igualmente utilizada nos véus de entrada de cada compartimento e nas
cortinas da primeira camada de cobertura do tabernáculo, tipificando o Evangelho segundo Mateus, que
apresenta Jesus Cristo como Rei.

- O sexto material era o carmesim, igualmente utilizado nos véus de entrada de cada compartimento e nas
cortinas da primeira camada de cobertura do tabernáculo, tipificando o Evangelho segundo Marcos, que
apresenta Jesus Cristo como Servo Sofredor.

- O sétimo material era o linho fino, igualmente utilizado nos véus de entrada de cada compartimento e
nas cortinas da primeira camada de cobertura do tabernáculo, mas também nas cortinas da cerca do
tabernáculo, tipificando a justiça dos santos e o Evangelho segundo Lucas, que apresenta Jesus Cristo como
o Santo de Deus, o homem perfeito.

- O oitavo material eram os pelos de cabras, que foram utilizados nas cortinas da segunda camada da
cobertura do tabernáculo, que representam a Cristo Jesus como o homem sem pecado, o Cabrito Pascal, o
homem sem defeito que, por Sua justiça e santidade, pôde morrer em lugar dos pecadores.

- Os tecidos e os pelos foram fiados pelas mulheres antes de serem entregues a Moisés (Ex.35:25,26). A
presença destes tecidos no tabernáculo tipificam a edificação do povo de Deus com total ordenação,
com o auxílio de todas as juntas e medulas, a justa operação de cada parte (Ef.4:16), como também a
unidade e diversidade do corpo de Cristo, da Sua Igreja (I Co.12:12,27).

- O nono material eram as peles de carneiro tintas de vermelho, utilizadas para ser a terceira camada da
cobertura do tabernáculo, que representam a Cristo Jesus como o Servo Sofredor, a vítima do sacrifício
único e perfeito que tirou o pecado do mundo. Não nos esqueçamos que foi um carneiro que substituiu
Isaque no monte Moriá (Gn.22:13) e que, nesta oportunidade, segundo o próprio Cristo, Abraão exultou por
ter visto o “dia de Cristo”, ou seja, a redenção da humanidade na cruz do Calvário (Jo.8:56).

- Também carneiros eram oferecidos nos sacrifícios pacífico e de consagração dos sacerdotes e no sacrifício
pacífico do dia da expiação (Ex.29:15-28; Lv.16:3,5,24), como também nas ofertas de transgressão
(Lv.5:16,18; 6:6). O carneiro, então, não só tipifica Jesus como o substituto dos pecadores, mas como o
Servo que, no dizer de Jeremy James, “…fez restituição total por nós no Calvário, entregando mais para
Deus do que tinha sido perdido por causa do pecado” (op.cit., p.69).

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2º Trim. de 2019: O TABERNÁCULO: símbolos da obra redentora de Cristo

- Como o carneiro, normalmente, é utilizado em sacrifícios pacíficos e de consagração, tem-se, também, a


tipificação de Cristo como o Servo que agrada e satisfaz o Senhor (Is.53:11).

- O décimo material eram as peles de texugo, que, conforme já visto na lição das cortinas do tabernáculo,
é um animal de difícil identificação, havendo quem ache que se trate de antílope, outros, de golfinho. Foram
utilizadas na quarta e última camada da cobertura do tabernáculo, representando Cristo como Aquele que
“não tem parecer nem formosura” (Is.53:2)

- O décimo primeiro material era a madeira de cetim ou madeira de acácia, de que foram feitas a maior
parte das peças do tabernáculo (com exceção da pia, do candelabro e do propiciatório), além das tábuas da
estrutura da parte coberta do santuário. Luiz Mattos entende que a madeira simboliza “a carne incorruptível
de Jesus, o homem perfeito” (op.cit., p.9). É tipo da encarnação do Verbo, da humanidade de Cristo.

- O décimo segundo material é o azeite, que seria para luz (Ex.25:6), figura do Espírito Santo.

- O décimo terceiro material eram as especiarias para o óleo da unção e especiarias para o incenso.
Ambas as palavras empregadas no texto de Ex.25:6 significam “aroma”, “fragrância”, a nos reportar,
portanto, à tipificação do “bom cheiro de Cristo” (II Co.2:15), do “cheiro suave ao Senhor” que
representou o Seu sacrifício pela humanidade, como era tipificado no sacrifício contínuo (Ex.,29:18,25.41).

- O décimo quarto material eram as pedras sardônicas e as pedras de engaste, que foram utilizadas no
éfode e no peitoral, representando as doze tribos de Israel e para o Urim e Tumim. Tipificam o povo de
Deus como “pedras vivas do Senhor” (I Pe.2:5). Luiz Mattos considera que as pedras de engaste
representam Cristo como o sustentáculo do pecador.

- Todos estes materiais, postos nas mãos de Bezaleel, ajudado por Aoliabe, ambos cheios do Espírito Santo,
juntamente com os auxiliares por eles ensinados, puderam tornar realidade o modelo que lhes foi
apresentado por Moisés, que o recebera no monte diretamente de Deus.

- Assim, também, nós, criados que fomos por Deus, estamos aqui para sermos instrumentos de justiça e
levemos os homens a glorificar ao nosso Pai celestial pelas nossas boas obras (Mt.5:16), promovendo a
edificação do corpo de Cristo em amor (Ef.4:16). Mas será que realmente temos sido templo do Espírito
Santo? Pensemos nisso!

Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Caramuru Afonso Francisco

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