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Responsabilidade Civil das Instituições Financeiras à Luz da

Súmula 479 do STJ

Responsabilidade Civil – Súmula 479 – STJ


“As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações
bancárias. Data da Publicação – Responsabilidade Civil – DJe 1-8-2012″

Após décadas de discussões acerca da responsabilidade civil das instituições bancárias, hoje tem-se
uma jurisprudência razoavelmente firme tanto no STJ, como o STF; com as primeiras
manifestações na década de 60.
Por exemplo, a Súmula 28, STF, que trata da responsabilidade dos estabelecimentos bancários pelo
pagamento de cheque falso –, a fim de se construir um suporte jurídico, e diminuir certos riscos a
empreendimentos e profissões.
Porém, mesmo se tratando de uma responsabilidade objetiva, esta era afastada sempre que possível,
e então, sendo atribuída a culpa ao correntista.
Com o advento do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990) essa
tendência foi mudando. Atualmente, frente ao disposto no art. 14, § 3º do CDC, a responsabilidade
é do fornecedor, à exceção da culpa exclusiva de terceiro ou do próprio consumidor, in verbis:
“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa,
pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.

[…]

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

[…]

II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.”

Sendo aplicada então a responsabilidade objetiva às instituições financeiras nas situações em que se
possa observar uma prestação de serviços defeituosa, tal qual, cheque falsificado, cartão de crédito
clonado, violação do sistema de dados do banco, etc.
Vale ressaltar que em relação aos clientes (correntistas) a responsabilidade dos bancos é contratual e
em relação a terceiros (não correntistas, terceiro que tem seu nome utilizado para abertura de
contracorrente), a responsabilidade é extracontratual, mas, ainda assim, a sua responsabilidade
continua sendo objetiva, à luz do art. 17 do CDC, in verbis:
“Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas
do evento”

Outrossim, o Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), também trata da obrigação na
reparação de danos, independentemente de culpa em casos específicos, como os de risco de
atividade econômica, in verbis:
“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa,


nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.”

Neste sentido, a súmula 479 editada pelo STJ, reconheceu a corroborou a responsabilidade objetiva
de instituições financeiras, incluído o dano moral, para condenar a mesma em casos relativos a
fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
Sendo assim, já é pacífico o entendimento da responsabilidade das entidades bancárias nos casos
dos deveres básicos contratuais de cuidado e segurança, em especial os casos de assinaturas
falsificadas e segurança dos cofres.
Nos casos de falha externa, temos como principal exemplo os casos de abertura de conta fantasma,
e, por muitas vezes resultando a inscrição do nome da vítima no Serasa (o qual enseja dano moral).
Também é pacífico o entendimento no sentido de que deve ser aplicada a responsabilidade civil
objetiva da relação de consumo a fim de transformar este terceiro em consumidor e responsabilizar
o banco por todos os danos por ele sofridos.
Aviso:
É permitida a republicação deste texto em veículos virtuais, entretanto, é condição essencial deixar
essa citação, constando os links do-follow a seguir. Texto escrito por | Jéssica Priscila de Souza |
para o blog marcojean.com/blog. A exclusão de qualquer parte deste aviso, ou sua inobservância,
desautoriza a publicação.
Jéssica Priscila de Souza é Bacharelanda em Direito, Bacharel em Biomedicina pela UNILUS
(2009-2012). Pós graduada em Histopatologia e Biologia Forense pela EEP HC-FMUSP (2013-
2014). Mestre em Ciências, com enfoque em toxicologia pela FMUSP (2014-2018)
Referências: CC, art. 927, parágrafo único e CDC, arts. 14, § 3º, II, e 17
GIBRAN, SM; VASCONCELLOS, AHL. Comentários à súmula 479 do superior tribunal de
justiça.
NUNES, DAO. A responsabilidade eletrônica das instituições bancárias.
Imagem de TheDigitalWay por Pixabay

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