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PROCEDIMENTO OPERACIONAL

POP NUFFTO FONO - 004


PADRÃO

TÍTULO: TESTE BLUE DYE E BLUE DYE MODIFICADO

I - CONTROLE HISTÓRICO

Nº HISTÓRICO
REVISÃO DATA ELABORAÇÃO VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
PÁGINAS ALTERAÇÃO

Rogério Sarmento
00 16/12/2014 08 Emissão inicial Margaret Diniz Maristela Soares
Bruna Domingos

1. Introdução
O complexo processo de deglutição pode ser interrompido por variáveis mecânicas e
funcionais, incluindo a presença de traqueostomia (TQT). A TQT é um procedimento
cirúrgico, frequentemente realizado em situações de emergência para promover
desobstrução das vias aéreas e em caso de intubações prolongadas, porém sua
repercussão é imediata, desencadeando modificações na integração das funções
respiratórias e de deglutição.
A TQT prolongada pode comprometer as funções motoras e sensoriais dos mecanismos
de deglutição, resultando em disfagia, e favorecer o aparecimento de complicações
tardias, incluindo estenose traqueal, sangramento, fístulas, infecções, hemorragias e
broncoaspiração.
Existem poucos estudos que estabelecem critérios para o desmame da traqueostomia,
sendo a decisão a respeito da decanulação ainda baseada em avaliações subjetivas em
oposição a protocolos padronizados.
O Teste Blue é um procedimento útil para avaliar a função da deglutição em beneficiários
traqueostomizados à beira do leito. No Teste Blue é usado o corante azul para avaliar a
deglutição de saliva e no Teste Blue Dye é utilizado o mesmo corante para alimentos de
diferentes consistências e volumes.
O fonoaudiólogo deverá observar e analisar cada fase da deglutição, podendo fazer uso,
quando necessário, do teste do corante azul conhecido como Blue Dye Teste e Blue Dye
Teste modificado e de avaliações instrumentais complementares à avaliação clínica, como,
por exemplo, a Videoendoscopia de Deglutição (VED) e/ou a Vídeofluoroscopia da
Deglutição (VFD). O uso da válvula de fala também é extremamente importante em
relação aos vários benefícios que pode proporcionar no funcionamento da deglutição e da
comunicação oral e na agilização do desmame da ventilação mecânica. O teste do corante
azul auxilia na triagem e avaliação clínica da biodinâmica da deglutição, mas é indicado
apenas para beneficiários traqueostomizados.
ASSINATURA E CARIMBO 1
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Rogério Sarmento
00 16/12/2014 08 Emissão inicial Margaret Diniz Maristela Soares
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2. Objetivo
 Avaliar a deglutição de beneficiários traqueostomizados.
 Identificar o risco ou a presença de aspiração de saliva e/ou alimento.

3. Campos de aplicação
 Centro de Terapia Intensiva Adulto (CTI A).
 Unidade de Internação Hospitalar de Adultos (UNI A).
 Unidade de Internação Hospitalar Pediátrica.

4. Referências normativas
 Resolução 383, de 20 de Fevereiro de 2010, Conselho Federal de Fonoaudiologia.
 Resolução RDC nº 7, de 24 de Fevereiro de 2010, ANVISA.

5. Responsabilidade/ competência
 Compete ao médico assistente solicitar a interconsulta ou ao fonoaudiólogo realizar
busca ativa dos casos e, a critério médico, realizar a intervenção fonoaudiológica;
 Compete ao fonoaudiólogo executar as condutas técnicas da avaliação e da
reabilitação.

6. Definições
 Disfagia: distúrbio de deglutição, caracterizado pela dificuldade no trânsito adequado
do bolo alimentar da boca até o estômago.
 Disfonia: alteração na produção da voz.
 Penetração: presença de alimento ou secreção no vestíbulo laríngeo, que
compreende: face laríngea da epiglote, pregas ariepiglóticas, região interaritenóidea,
pregas vestibulares e ventrículos, até a face superior das pregas vocais.

ASSINATURA E CARIMBO 2
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 Aspiração laringo-traqueal: inalação de conteúdo gástrico ou orofaríngeo na laringe e


trato respiratório inferior.
 Pneumonia aspirativa: pneumonia decorrente da aspiração de alimento e/ou
secreção.
 Aspiração silente: aspiração do alimento e/ou saliva sem sinais clínicos evidentes.
 Broncoaspiração: aspiração de conteúdo gástrico ou corpo estranho na árvore
traqueobrônquica, podendo causar traqueobronquite, pneumonite, infecções
pulmonares e obstrução das vias aéreas por aspiração de material sólido.
 Cuff: manguito localizado ao redor da traqueostomia ou tubo orotraqueal, com o
objetivo de vedar o espaço entre a parede da traquéia e a prótese ventilatória.
 Estenose de traquéia: diminuição da região interna da traqueia em 10% ou mais.
 Traqueomalácia: processo caracterizado pela flacidez no tecido cartilaginoso traqueal,
distensão da parede membranosa posterior e redução do calibre antero-posterior das
vias aéreas.

7. Conteúdo do padrão
7.1 Recursos necessários
 Luvas
 Estetoscópio
 Equipamento de oximetria de pulso
 Gaze
 Espátula
 Alimentos nas consistências sólida (pão ou biscoito), pastosa (mingau, gelatina ou
sopa) e/ou líquida (suco ou água)
 Seringa de 10 ou 20 ml sem agulha
 Colher e copo

ASSINATURA E CARIMBO 3
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 Espessante para alimentos e corante alimentício azul


 Caneta

7.2 Principais passos


 Verificar a solicitação de interconsulta para avaliação fonoaudiológica ou identificar a
necessidade de avaliação através de busca ativa, discutindo o caso com a equipe para
definir a possibilidade de a avaliação;
 Identificar a doença de base, através da leitura do prontuário;
 Pesquisar histórico (história pregressa, história da moléstia atual, pneumonias
aspirativas anteriores, comunicação, audição e alimentação);
 Verificar a via de alimentação do beneficiário;
 Identificar os aspectos respiratórios do beneficiário: tempo de extubação, uso de
suporte ventilatório, saturação de O2;
 Reunir os utensílios necessários para a avaliação;
 Higienizar as mãos, seguindo PRS CCIH - 005 HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS;
 Utilizar os EPIs necessários conforme o caso;
 Apresentar-se ao beneficiário e/ou familiares, orientando sobre o procedimento que
será realizado;
 Posicionar o beneficiário no leito a 90º ou o mais assentado possível;
 Avaliar o nível cognitivo: estado de consciência, linguagem e condições para realizar o
procedimento;
 Realizar avaliação estrutural: higiene oral, dentes (presença e estado de conservação,
edentação, uso de prótese dentária), força e mobilidade dos OFAs (lábios, língua,
bochechas, palato mole), sensibilidade extra e intra-oral, reflexos intra-orais normais e
patológicos (GAG, tosse, mordida, procura), salivação (normal, reduzida, xerostomia,
espessa, dificuldade para deglutir);

ASSINATURA E CARIMBO 4
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 Realizar o teste Blue Dye, conforme orientações do anexo 1;


 Orientar a equipe a observar saída de azul pela cânula na tosse ou na aspiração com
sonda;
 Registrar o teste e os resultados no prontuário eletrônico do beneficiário Avaliar o
resultado e a possibilidade/segurança da liberação de alimentação por VO, conforme
fluxograma do anexo 2.

7.3 Cuidados especiais


 Em caso de beneficiário em isolamento de contato usar capote.
 Em caso de beneficiário em isolamento respiratório usar capote e máscara.
 Aguardar pelo menos 24 horas após a realização da TQT ou da desconexão da VM.

8. Siglas
 OFAs: Órgãos fonoarticulatórios
 VO: Via oral
 SNE: Sonda nasoentérica
 TQT: Traqueostomia
 MO: Motricidade orofacial
 EPIs: Equipamentos de proteção individual
 ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária
 VM: Ventilação mecânica

9. Indicadores
 Tempo para Introdução/Reintrodução da Alimentação por Via Oral.

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10. Gerenciamento de riscos


Falhas potenciais
Categoria de Ações de Ações frente ao
geradoras de Evento
risco prevenção evento
riscos
Assistencial Não realizar o teste Broncoaspiração Avaliar todos os Suspender a dieta por
antes da oferta de beneficiário em uso VO, reinsuflar o
alimentos por VO a de TQT balonete e iniciar
beneficiários terapia
traqueostomizados fonoaudiológica

11. Referências
 Mota, L A A; Cavalho, G B; Brito, V A. Complicações laríngeas por intubação
orotraqueal: Revisão da literatura. Int. Arch. Otorhinolaryngol., São Paulo - Brasil,
v.16, n.2, p. 236-245, Abr/Mai/Junho - 2012.
 Padovani AR, Moraes DP, Sassi FC, Andrade CRF. Avaliação clínica da deglutição
em unidade de terapia intensiva. CoDAS 2013;25(1):1-7.
 Abreu, A. C; Brasileiro, A.G; Fernandes, A; Santana, L. Critérios para avaliação clínica
fonoaudiológica do paciente traqueostomizado no leito hospitalar e internamento
domiciliar. Rev. Cefac. 2014 Mar-Abr; 16 (2): 524-536
 Padovani AR; Andrade CRF; Limongi SCO. Teste do Corante Azul na Avaliação
Fonoaudiológica de Indivíduos Traqueostomizados. In: Andrade, C R F; Limongi S
C O, Disfagia: Prática baseada em evidências, São Paulo: Sarvier, 2012.

12. Anexos
 Anexo 1: Orientações para realização do Teste Blue Dye e Blue Dye modificado

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Blue Dye Test Modificado


Blue Dye Test
(Teste do Corante Azul
Ítens (Teste do Corante Azul)
Modificado)
Procedimentos

Tipo de corante Corante alimentício azul Corante alimentício azul


Entre 6 a 8 gotas (em torno de
Quantidade Entre 4 a 6 gotas
0,5 ml)
Consistência Saliva Pastosa e Líquida
Total de 45 ml em 3 ofertas de 15
Tamanho do bolo
Não se aplica ml num mesmo momento da
alimentar
avaliação
Corante gotejado na colher e
colocado sobre a parte mais
Modo de oferta Colher de sopa
posterior da língua do
beneficiário
Condição do
Desinsuflado Desinsuflado
Cuff/Balonete
Aspiração com sonda Conforme a rotina do serviço Conforme a rotina do serviço
2 vezes por dia, a partir do
terceiro dia, durante 2 dias e
após constatado resultado do
2 vezes por dia, em 2 dias
teste negativo para saliva.
seguidos. A critério do
Inicialmente testar a consistência
fonaudiólogo e de acordo com
pastosa e, após, a consistência
Repetição a condição clínica do
líquida ou líquida espessada.
beneficiário; esta parte do teste
A critério do fonaudiólogo e de
poderá ser realizada em
acordo com a condição clínica do
apenas um dia
beneficiário; esta parte do teste
poderá ser realizada em apenas
um dia

ASSINATURA E CARIMBO 7
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 Anexo 2: Fluxograma Resultado do Blue Dye Test e liberação de VO de alimentação

Interconsulta / Busca Ativa

Avaliação
Estrutural + Teste Blue Dye
Saliva
Positivo
Terapia
Fono

Negativo

Teste Blue Dye Modificado Terapia


Positivo
Consistências Alimentares Fono

Negativo

V.O. assistida pela Fono


Todas as dietas Reavaliação
Intercorrências
Coradas Fono
2 Dias

Negativo

Liberação de V.O. na
consistência indicada para o caso

ASSINATURA E CARIMBO 9