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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

DISCIPLINA: Psicologia do Brasil: história e campos de atuação


PROFESSORA: Érika Lourenço
DISCENTES: Alexsandra Maria de Carvalho Viana, Beatriz Luiza Silva Sarah, Daiana Indianara de
Oliveira, Eduarda Bremen, Eduardo Iunes Camillo Soares, Heloísa Maria de Freitas Medeiros,
Isabella Silva Fonseca, Marlon Luca de Souza Cruz e Patrícia Pereira de Souza.

Questao 1: Cite e explique 3 das ideias psicológicas que Marina Massimi apresenta como presentes
no período pré-institucional.

Uma das ideias psicológicas presentes no período pré-institucional, refere-se à educação das
crianças nas sociedades indígenas. Segundo o texto, os homens participavam ativamente dos cuidados
e educação dos filhos, ao contrário do que era costume na Europa, onde as mulheres eram as únicas
encarregadas dessa função.
Outra ideia psicológica presente nesse período estava relacionada à socialização das crianças
indígenas. Os pequenos índios, desde bebês, acompanhavam seus pais nas atividades diárias, de modo
que até suas brincadeiras representavam um prelúdio das atividades que seriam exercidas quando
atingissem a idade adulta. Como não havia divisão rígida entre os papéis das crianças e dos adultos,
aquelas participavam das celebrações, o que permitia a formação de laços estreitos com os demais
membros da comunidade.
O conceito de "infância" se fundia com o de "adolescência". Para alguns escritores, a infância
ia até os sete anos de idade; para outros, limitava-se ao tempo em que os meninos aprenderiam a falar.
Outros ainda consideravam que a infância abrangia apenas a fase da amamentação.
Opondo-se ao hábito difundido na época colonial, de entregar as crianças as escravas ou amas
para serem amamentadas, os pedagogos recomendavam o leite da própria mãe como o alimento mais
apropriado para o recém-nascido. As justificativas colocadas por eles para esse preceito são de
natureza biológica/ psicológica: a analogia entre o leite e o sangue com que a criança se nutriu no
ventre materno, de um lado; o fato de que o leite materno pode influenciar o caráter futuro da criança,
enquanto potencial transmissor de traços temperamentais da mãe, de outro.
É enfatizado no texto a influência das determinações ambientais na formação da personalidade
infantil. O texto faz uma analogia à criança a uma tabua rasa, "disposta para se formarem nela
qualquer imagem”.
Ademais, consequência da visão determinista do desenvolvimento humano é a confiança na
possibilidade de manipular e corrigir a conduta infantil. Em particular, era valorizada a educação
intelectual, pois a razão seria a característica peculiar do ser humano, cuja potencialidade é mais
facilmente estimulada nos primeiros anos de vida. Toda a responsabilidade sobre o processo de
aprendizagem da criança é atribuída aos pais e aos educadores.
Quanto ao uso da punição com finalidade educativa, os pedagogos da época a recomendam
como meio eficaz de correção do comportamento infantil. Com efeito, a pratica do castigo e a sua
teorização são fenômenos característicos da pedagogia dos séculos XV e XVI, na medida em que se
afirma uma visão absolutista do Estado como instancia de controle total sobre a vida dos indivíduos.
A função da punição não é mais de natureza teológica e moral, mas social, pois permite a
normalização do comportamento, penalizando tudo o que não é conforme as regras sociais. Se em
épocas anteriores o castigo físico era reservado apenas às crianças pequenas, no século XVI e
estendido a toda a população escolar, que muitas vezes ultrapassa os 20 anos. A punição era prevista,
por exemplo, nos estatutos das universidades de Paris (1520) e de Estrasburgo (1538). Nesse contexto
apareceu como particularmente inovadora a postura educativa introduzida por Jose de Anchieta no
Colégio de São Paulo, em Piratininga: com os meninos índios frequentadores da escola, este não se
utiliza de punições corporais, mas de castigos morais que induziam, nas crianças, a vergonha pelas
infrações cometidas e, ao mesmo tempo, apontavam para elas o comportamento certo. Um exemplo,
relatado por Pero Rodrigues, põe em evidência tal atitude: Anchieta não punia um pequeno ladrão de
laranjas estudante do Colégio, mas simplesmente entregava os frutos desejados dizendo: "Toma-os,
são para ti, mas não furtes!" O erro que vem sendo apontado dessa forma não e a cobiça das laranjas,
mas a modalidade usada para apossar-se delas (Leite, 1938).
Outro aspecto novo introduzido pelos jesuítas na pedagogia da época é a teorização do valor
educativo dos jogos infantis.
No Brasil, os jesuítas valorizavam os jogos infantis, inclusive como meio de catequese.
Valendo-se de tal tradição, Alexandre de Gusmão propunha em seu tratado a necessidade do
brinquedo e do exercício físico na infância, pois tais atividades seriam próprias e necessárias nessa
época da vida. As duas funções principais do comportamento lúdico seriam aliviar o peso do estudo
e evitar a ociosidade. Gusmão recomendava, sobretudo, os jogos que estimulavam o movimento e
jogos de imitação.
Outro particular destaque mereceu o interesse e os projetos da pedagogia jesuítica para a
instrução feminina. Em uma época em que o preconceito difundido na opinião pública era a crença
na inferioridade mental da mulher. Sua escolarização era, inclusive, explicitamente proibida pelo
governo português. Educadores jesuítas, como Manoel da Nóbrega, Antonio Vieira, Alexandre de
Gusmões, defendiam o direito da mulher à instrução, propondo projetos de escolas com essa
finalidade.

Questão 2. Explique como cada uma destas ideias seria lida ou teorizada pela psicologia hoje.

a) Definição do conceito de “infância”.


O discurso psicológico sobre a infância atualmente abrange determinados modos de ser
criança e não outros, marcando uma suposta natureza infantil a partir de classificações e critérios de
normalidade/anormalidade.

b) Relação com a mãe e amamentação

Não só na psicologia, a importância da amamentação maternal é defendida por várias outras


ciências na atualidade também. Ela fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, criando laços, tranqui-
liza-os e ajuda a diminuir os riscos de aparecimento de doenças em ambos, além de muitas vezes ser
descrito como um ato prazeroso pela mulher.

c) Visão determinista do desenvolvimento infantil

Atualmente, se encarado pela perspectiva behaviorista, o desenvolvimento infantil é visto


como produto da influência dos pais e do ambiente. Portanto, assim se aproximando da visão dos
jesuítas, a educação tem papel primordial na formação do que será o indivíduo após os seus primeiros
anos de vida.
d) Educação intelectual da criança
Já é possível perceber na ótica jesuíta traços em comum com a visão atual quanto à educação
da criança. Nesse sentido, compartilha-se a noção da importância de seu desenvolvimento intelectual
desde tenra idade, do papel de pais e mestres nesse processo e da necessidade de se adequar o ensino
ao ritmo do indivíduo.

e) A punição com finalidade educativa

Distanciando-se da mentalidade jesuítica, a psicologia da atualidade não vê a punição física


ou moral como método educativo recomendável. Nessa perspectiva, a criança deixa de fazer algo
errado porque foi amedrontada ou humilhada e não porque entendeu o erro cometido. Assim, há um
movimento de defesa pela educação e não pelas “palmadas”.

f) Valor educativo dos jogos infantis

Aproximando-se de jesuítas como Alexandre de Gusmão, a psicologia hoje coloca em evidên-


cia o valor positivo de atividades lúdicas e jogos na educação infantil. Estudos comprovam o seu
papel fundamental no desenvolvimento das potencialidades humanas das crianças, em especial as
físicas, motoras, emocionais, cognitivas e sociais.

g) A questão da instrução feminina

Assim como alguns jesuítas (Manoel da Nóbrega, Antônio Vieira e Alexandre Gusmão) há na
atualidade, também na psicologia, um movimento de defesa do direito da mulher à instrução. Além
disso, defende-se a participação do feminino no mercado de trabalho e na vida em sociedade em uma
visão de valorização do sujeito e da educação da mulher, indo contra a arcaica crença da inferioridade
mental dessa.