Você está na página 1de 10

20

HISTORIA: NOVAS ABORDAGENS

"Problèrnes d'analyse descriptive en archeologje


PP. 133-150. ", in Etudes archeologiq 5 1963,
"On a possible interpretation of
American Anthropologi componential analysis in
st vol. LXVII, 1965, ne
5, pane 24 pp. 9-22. archaelogy",
Archéologie et calcujateurs problèmes
1970. sélniologiques et mat hemat
iques Paris,
"Archéokgje
et calculateurs. nouyefles perspectives"
Sciences Soc iajes, vol. XXIII, Revue Internationale des
GOODYEAR, (F. H.): Archaeological 1971, n9 2, PP. 204-218
Site science, Londres, 1971.
HEIZER (R. F.), COOK (S. F.) (orgs.): The
archaeology, Chicago application of quantitative methods in
, 1960.
LEROLGOURF
1950.
(A.): Las fouilles préhistoriques (techniqu 4 econornia:
es et méthodes) Paris,
MOBERG (C. It.): Introdukti A crises econi,,nicas
on till Arkeologi,
SCI-IIETZEL Estocolmo, 1969.
(K.): Müddersheim Einc Ansiedlung Aprohlemdtica das crises econômicas do skula XIX
'Rheinland. CoIônia, 1965. der füngeren Bandkeran,ik im P anjljses bisidricas: o caso da Franca

SOtJDSKY (B.): "La problè,ne des proprjétés dans les ensembles archeologiques"
Archeologje et calculateurs in
Paris, 1970, pp. 45-53. JEAN BOUVIER
VALLET (C.), VILLARD (F.): "Céramique grecqu
arche'ologiques 1963, pp. 45-53. e et histoire économque"
in Etudes
VILLApr. (F.): La
céramique grecque de Marseille,
Paris, 1960.
VOVELLE (C. e M.): "Vision de la most et Pau-delà en Provence d'apras les autels
des èmes du Purgatoire XVeXXe siècle"
PP. 1602.1634 Annczles E. S.C., XXIV,
1969, n9 6,
WHEELER (R. E. M.): Archaeology from
the earth. Londres, 1954.
NUMA obra recente, curta mas densa, que traça a história das crises econô-
micas nos grandes palses industriais a partir do começo do século XIX ate a
nossa época, dois economistas franceses muito conhecidos declararn que Se preo-
) cuparam corn "os fatos e não corn as teorias1", acrescentando que "quern sabe,
BOUVJp, Jean, "A economj as crises econômjcas" in LE GOFF, Jacques
& NORA, Pierre Historia novas abordagens 311 posto diante da grande diversidade de acidentes estudados, o leitor concordará
Francisco Alves, 1988. pp. 21-39. ed. Rio de Janeiro, Liv. corn a prudéncia que requer, em qualquer caso, a construção e a aplicacão de
esquemas abstratos". 0 leitor dessas linhas que também for historiador aprovarã,
) scm düvida, mas sem incidir no terrivel erro do desconhecimento das "teorias":
não ha ciéncia sem conceitos, nao ha pesquisas. sem hipóteses, não ha história
) econômica sexn conhecimentos econômicos. 0 mesmo leitor não deixará de sur-
preender-se de não encontrar na "bibliografia" sum.ria da obra mencionada
) qualquer dos estudos recentes produzidos por historiadores franceses da econo-
mia - poderiamos enumerar pelo menos oito de tais escritos e que tratam
das crises eoonômicas na Franca, no século XIX. 2 certo que é preciso dar a
) César o que é de Aftalion ou de Lescure, que embalaram a nossa adolesc&icia
de aprendizes de historiadores de economia. Mas, nós crescemos e trabaihamos,
e são muito numerosos os PO5SOS confrades economistas que nunca nos leram,
) enquanto nos esforcarnos, lealmente, de IC-los. Não se trata de urna briga entre
)
22
HISTORIA: NOVAS ABORDAQS
) A ECONOMIA AS CRISES ECONOMICAS 23
historiadores C economistas,
uma vez que uns precisarn dos outros. 9 verdade
que o economista e o historiador de economia (no caso daqueles (segundo a expressão de Wicksell), graça aos quais todo movirnento tern infci,
de princfpio, economistas de que não foram,
) utjljzam os mesmos métodos formacão) não tm o mesmo ponto de vista, nem prossegue, se esprala pelo seu prOprio peso especifico, seguindo a sua própria
, scm dvida, supêrfluo explicar aqui o "como" inclinação. A alta provoca a alta, como a baixa aprofunda a baixa. Os processos
) C a "par que". Que seja bastante dizer acumulativos, pórém, encontrando, no seu desenvolvimento indefinido, obstáculos
e a segundo se preocupa corn que o primeiro preocupa-se corn a cñ.,e
) as crises. Quando acontece ao primeiro examinar que resultam do prOprio fato de sua cliversidade e de sua simultaneidade imper.
"fatos" e não "teorias" o que é frequente e saudável
I dc mantém os pressupostos particulates, - ainda nesse caso, feita, atingem, nurn sentido ou em outro, na alta como na baixa, limites que
I que parecem rnuitas vezes insálitos aos não podem ultrapassar. Verifica-se então a perda de equilibrio, passagem da
othos
) cia historiador. Os economistas acima citados consagraram
a sua obra as alta a baixa, Cu da baixa I alta, enfraquecimento cu reforcamento do processo,
talista. Deixararn do
crises econômicas tempo do crescimento industrial e do desenvolvj,nento cap- segundo sentido diferente do precedente. A essas mudancas de sentido no pro-
de lado, i
) culdades numerosas e variadas, como é de seu direito, aquilo que chainam de "difi. cesso chama-se "crise" ou "renovação". Durante a fase acumulativa da expansão,
como guerras, epidemias, (ome, pen1rias ou su- existern reservas de fatores disponiveis Is quais é póssivel recorrer: reservas de
perabundincia de numerárjo etc.. capitals, ide mão-de-obra, de poder aquisitivo. Na mesma med ida de utilizacão
- entanto, que "2 dos séculos anterjores. A justificacao, no
- -) apresentam para a opcão que praticaram é significativa
como a próprio vocabulérjo (assiln
de tais reservas, no entanto, aumenta a "vulnerabilidade do sistema em cresci-
que acabamos de citar) de urn certo método, de mento" (Henri Guitton), pois diminuem as margens das reservas. 0 desenvol-
certos habit05, e, iremos repeti-lo, de lacunas indisfarcavejs vimento perde alguma coisa de sua elasticidade, de sua capacidade de adaptacão.
célebr "fatos": no conhecimento dos
) "pareceunos escrevem des, que as crises so adquirira.m todo Durante a fasé "acumulativa" da depressâo, a cClebre "higienizacâo" - ou
o seu sentido corn a industrializaçã
o e corn a ampliacao dos mercados que carac- seja, a reducão progressiva dos estoques, o desaparecirnento das empresas mais
) terizam as paises capitalistas nos ültimos 150 anos8."
A expressão "todo o seu fracas, o esforco de produtividade empreendido para lutar contra a baixa do
sentido" não parece ter muito sentido para a historiador. A cada preco de venda pela redução do preco de revenda etc... - permitirI que se
) da economia corresponde a seu tipo de crise. estrutura global
reconstituam as reservas dos fatores de pxoducao; o sistema econôinico torna-se
"As economias sofrem as crises
) de suas estruturas" (E. Labrousse). As crises do antigo regime econOmico,
industrial, pre.
progressivamente mais elastico e mais disponivel para novos esforcos.
pré-capitalista, não tern menos "sentido" do que as crises do sistema 19 o fenOmeno das disparidades econOmicas (das "contradiçôes", segundo
) econômico posterior. São crises diferentes. As
"disparidades" de que Se origi. os marxistas) que explica as reviravoltas dos processos acumulativos num sentido
nam, o induce de seu aparecimento as mecanismos de seu desenvolvimento ou no outro. 0 crescimento ou a reduçâo da atividade ec000mica no quadro
as
repercussöes que causam no meio social tern outros motivos, tern outro ritmo dos do ciclo nâo se equiparam a uma corrente homogênea, em bloco, correndo corn
/ que as elementos da crise que se diz
"superprocjuco". 0 "modelo" da crise uma velocidade uniformemente igual, em seu interior. Os rios, eles próprios,
do antigo regime econ6mic0
) é conhecido, é clássico, resistiu as provas. Ele foi oferecem-nos a imagem das disparidades: a sua velocidade é rnaior na super.
estabelecido corn mao de mestre pot Ernest Labrousse, e foi confirmado, aperfei- ficie do que em profundidade, é maior no meio da corrente do que nas margens.
) coado, enriquecido pot numerosS
reputacao internacional Assim, peladiscIpulos seus, que publicaram trabaihos de Formarn-se redemoinhos e contracorrentes, e, no entanto, o conjunto das massas
iguorancia que certos economistas demons.
) das Iguas segue a sua direcäo. 0 mesmo passa-se corn os diversos processos
tram quanto a essa massa de pesquisas, e quanto A problernática notavelmente econOmicos: ao mesmo tempo, interdependentes e autOnomos, des não progridem
operacional que as pesquisas propöem, poderá medir-se a altura das Muraihas corn a mesma velocidade. 11 o que se verifica quanta aos precos (precos agri-
da China que ainda separam os colas, preços industrials, preços par atacado, precos de varejo, precos de revenda,
da economia. Dir-se-a economistas dos historiadores (ditos "Iiterários")
que é escrever niuito a propOsito de umas poucas linhas preços de venda); observa-se o mesmo quanta aos diversos tipos de renda
)) de uma obra. Na0 Sc trata, entretanto de exemplo iso1ado. (rendas, beneffcios, salIrios); quanta Is taxas de juros (taxas de mercado mone-
tIrio, taxas do mercado financeiro)... HI diversos ritmos de tempo no tempo
) econômico cfclico. Dal decorrern defasagens no tempo que poderão traduzir-se
pot desacordos, pot contradiç6es entre as diversos componentes do movirnento.
Decorrern tambIm dal defasagens nas ordens de magnitude, na intensidade e na
) A multiplicidade
das teorias das crises pode clar "uma impressão arnplidäo dos fenômenos econOmicos, que, no fim, poderão chegar a resultados
gem" (Henri de verti-
) Guitton), 1, no entanto, através delas que o historiador aprenderá
as questöes que deve forniular,
idénticos. 0 resiltado consiste no aparecimento de elementos que freiam (no
no nivel da pesquisa, no caso de tal ou qual caso dos processos de expanso), oar zonas onde surgern os cClebres "pontos de
crise determinada circunscrita, datada. estrangulamento"; penüria de matérias.primas, de recursos monetIrios interiores,
-J
Todas as teorias
as "teorias marxistas") tern permitido trazer a (nisso compreendidas dc divisas para oomércio exterior, de mão-de-obra etc.
luz alguns traços fortes do desen.
volvimento econômjco.jfldusttial capitalista: de uma parte, seu carátet profun- no nivel 4as opc6es entre as disparidades fundamentais que se dividern
damente dinâmico,
onde se produzem permanentemente "processos acumulativos" as teárias das crises e do ciclo. "As teorias são tao nulnerosas quanto Is dispa-
ridades" (Henri Guitton). Algumas teorias atribuem lugar privilegiado Is dispa-
24
HISTORIA. NOVAS ABORDAGENS

ridades r17ovetárj: ao ouro, A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 25


as notes de bancos, ao
reços do din/,ejro crédjjo bancárjo aos diversos
(taxa de juros). Todos esses fatores foram, SuCeSsivamen substituern, no entanto. Seria, acaso, possivel definir uma problernática das
estudados Outras teorias consjdcrarn as clisparidades
mais particularmeote responsávejs não mone:áyj como as crises - das crises da economia capitalista contemporãnea - que fosse proprie-
dos preços, estrutura dos pelas crises: estruturas das rendas, estrija dade exciusiva dos historiadores? Seriarn os trabalhos dos historiados capazes de
investirne,,. "0
disparidade" - diz tipo mais profundo e inevitávcl de trazer a economia politica das crises, por urn lado, novos materiais, "fatos"
O Henri Guitton Que coincide, pelo menos nesse ponto elaborados, ou seja, descritos, classificados, explicados em suas ligacöes aparen.
ponto do papel fundamental que representa
os grandes setores, coin os desenvolvjmentos a distribuiçao do capital entre tes; por outro lado, poderiam esses trabalhos levar 1 reconsideraçao critica dos
de Marx... "Em face da reali- "esquernas abstratos" de que se revestem, em geral, as teorias das crises?
dade,
tal escreve
ou qual o mesmo autor, näo se pode escoiher de uma forma exciusiva
explicacao A moeda, os precos, os investimentos 0 historiador das crises analisa elementos concretos: magnitudes econômicas,
fathr
es representa o seu papel: as suas influêncjas conjugam$ (ada urn desses elementos demográficos, e forcas que dirigem a economia (empresas e "grupos").
e num ambiente Esses elementos, no entanto, são cuidadosamente datados no tempo, e jitiiadoi no
que facilita mais ou menos a sua ação.. os fatores monetárjos
If econômico s C os fatores
unem-se na realidade para motivar e explicar a cvolucao ciclica6". espaço ("econômico, social e demográfico"). São elementos corn pareidos entre Si
Não seria de born alvitre ignorar Marx. 19 verdade que uma parte e estudados em suas possiveis interaçöes. São, talvez sobretudo, elementos quo
genciavej da problemática niarxista das crises foi desmentida pelos próprios flo negli-
fatos: foram relacionados corn o conja'inti do ambiente econômico, social e politico
essa parte era a apocaliptjca, que consistia em afirmar que o aprofundarnento em que ocorreram. As crises nunca foram apenas "econômicas". Etas sempre
e o agravamento adquiriram as suas cores especificas e originais, em funcão tambim do clima
das crises conduziriam, cia forma inevitdvej,
a major crise do social e dos acontecimentos politicos que as acompanharam, ou seja, que foram
capitalismo, isto é, ao seu desaparecimeoto 11 necessárjo observar, no entanto,
influenciados por elas e quo as puderam influenciar.
que, se Marx não emprega a palavra "disparidade", o seu pensamento ocupa-se
corn a análjse das clisparidades do capitaljsrno Na0 Nurna tese recente, Les charboniiages du Nord de la France an XIXe siede,
faltava acuidade a sua visäo.
Elc colocase entre os partidários das crises endogenas, de base não monetárja. Marcel Gilet observa, por exemplo, que as flutuaçoes curtas da producao carbo-
Embora utilizando o formalism0 matematico, ele o faz corn sentido de medida, olfera decorreram tanto das greves, desdc 1880, quanto da conjuntura econômica.
Iancando ma-o, sucessivamente, do modo racional e do modo experimental de 91 cornum entre os historiadores a opinião de que, as vezes, os indices da atividade
análise. Marx,
portanto, recorre a vários registros rnetodologicos, tern urn descor. econômica beneficiam-se quando são considerados socialmente e, portanto, escia-
tInio particularmente amplo (não ]he escaparn: por exemplo, os fenômenos mone- recidos. Sem isso, atribui-se a conjuntura o que nem sempre Ihe pertence. No
tários) e possui urn sentido aguclo da dialética (interacoes) dos fenômenos eco sentido inverso e legItimo ao historiadm, come próprio de sua problemática,
nômicos. Ele possula, portanto, as condiçöes necessárjas para fazer urna expo. est-udar a crise através de suas repercussöes sociais, sobre o preco dos produtos,
sição substancjaj das crises. Não redigiu, no sobre o emprego. P, igualmente legitimo ao historiador procurar saber Se as
exposição e nern elaboron urn entanto, de forma sisternática essa repercussöes sociais da crise influenciaram, em determinado momento, a evolucão.
parte, pelo fato de cjue o manuscrito "corpus" sobre as crises - o que Se explica, em
do Capital dos conflitos politicos. 19 exatarnente esse o alvo quo Jacques Néré procurou
não estava terminado no mo. atingir em sua tese La crise industrielle de 1882 et le mouvement bouIangi.rte:
mento
uma deque
vez sua morte Marx tern sido, assim, invoca4o por urn e por outro lado,
Os "o boulangismo foi a expressão de urn movimento popular s6rio e profundos".
crises, seus trabalhos estão cheios de elementos sobre o estuclo das
elementos distintos e que näo foram reconciliados uns corn E esse niovimento encontra a sua origem na duracão de ama crise caracterizada
Fol possIvel aos partidários da tese do subconsumo Os outros. sobretudo por urn grave desemprego total e parcial.
em sua obra na origem das crises, assim cotno o foi aos par encontrar argument
superprt,,J,,ço -tidários da tese da ) fácil estabelecer urn prograrna de intençöes. 0 historiador sabe, no en-
Essas teses dividiam os próprios marxistas. tanto, que não escapara a dependéncia da quantidade e da qualidade de suas
atribui érifase a A primeira delas
tante da exploraçalimitacäo da procura efetiva (rigidez da massa salarial resul. fontes. Se os trabalhos dos historiadores da economia parecem, a eles próprios,
o econômjca dos assalariados) A
segunda encontra a maior insatisfatórios, so os estudos que consagraram as crises econôrnicas (francesas) do
causa da crise na existéncia de uma propensâo a
superproduçao, propensão essa século XIX podem ser considerados muito lincompletos pelos economistas, não re-
que reflete a iota entre produtores que Se
opôem a tendência de baixa da taxa sulta isso apenas de indigéncia teórica congénita dos historiadores (indigéncia.
de lucros, procurando ganhar nas quantidades vendidas o que perdern por uni- quo é fraqueza), mas tarnbém resulta do (ato de que Ihes é dificil dar resposta a
adade: de onde decorre a hipertrofja do apareiho de produçao e decorre tarnbém
superabundáncja de mercadorias,
qustöes cujos elementos de solucao não foram encontrados no Cinico material da
história corn que o historiador lida sem intermediário: os arquivos, as fontes. Uma
grande parte da metodologia do historiador quanto as crises econômicas consiste
em identificar a docurnentação primária e semi-elaborada de que dispöe, e esta-
belecer que questöes são pertinentes a tat e a qual documentacão. Ao mesmo
Qualquer que sejain as teorias, corn seus acorcios, e suas divergêncjas,
preciso dizer que elas iluminam o caminho da tempo, no entanto, ele so poderA estabelecer essas questôes, se possuir urn conhe.
pesquisa llistórica Etas näo a cimento suficiente dos elementos din teorias din crises, por mais estranhas que
the possarn parecer tais teorias. Em resumo, é preciso procurar as disparidades,
- 26
HISTORIA: NOVAS AI30RDAGENS A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 27

mas sabendo quais as disparidades que são mais importantes mesmo se hesita, registrado ate aquela data mostra bern a morosidade da evolucao estrutural da
dc maneira muito legItirna, a decretar, logo de lflIcio, que tais disparidades en ecnnomia, e, portanto, a morosidade das modificacöes de equilibria no interior
) lugar de outras parecem1he dominantes fundamentais
que o seu trabaiho e nisso, precisamente das crises mistas". Em seus desenvolvimentos ulteriores quanto a evolucäo da
) original. Ha uma margem de variação no decorrer de sua produçao de cereais, o que era hipótese torna-se certeza: através de flutuacöes
Pesquisa. A teoria nib poderia fornecer..11e desde o começo de sen trabaiho, curtas, que atingem proporcöes muito grandes ainda nos anos de 1900, a pro-
as conclusöes generaliza5 is quais tenderá a chcgar no fim, se ele não deseja duço total duplica, de 1850 a 1913. A partir da década de 1870 não se.pode
somente ser o fotógrafo corihecedor de uma
crise. No nilnimo, caber-lhe.á comrn mais verificar "crise de subsisténcia": "0 problema principal não é mais asse-
parar as crises umas corn as outras, sublinhar as aspectos comuns, maiores, domi. gurar a subsisténcia dos consumidore, mas de escoar, nas meihores condiç6e5
nantes, explicatjvos e
crise. as traços especIficos que distinguem historicamente cada possiveis, uma produção sempre crescente"12 - André Armengaud chega a
( idénticas conclusöes no quadro geogrâfico do Este aquitneo, e no que se refere
E oportuno relermos o que as historiadores franceses disseram recentemente ao perlodo de 1845 a 18711s. As "variaçöes brutais" dos precos agricolas são
sabre as crises do s&ulo XIX no nivei das pesquisas que realizararn. urn "fator essencial" (p. 169) da conjuntura ate a crise econômica de 1857-
preciso 1858. pepois disso, tais oscilacöes atenuan-se. Em particular, enguica o "antigo
relembrar aquilo que, de forma muito natural, Ocupoti o centro dos seus dife.
rentes trabaihos: a passagem mecanismo" Q. 303) Segundo o qual aumentavam proporcionalmente mais,
/ da crise do tipo antigo A crise contemporanea o
ruturas no- coraq10 as nas "rises de subsisténcia", as preços dos produtos menos considerados -
um certo —gas, como, par exemplo, o milho em re!acão ao trigo - porque o consumo popular
fun desviava-se" automaticamente para as produtos mais baratos". Da mesma forma,
mentais. Isso significa procurar os caniinhos do declinio dos mecanismos da
antiga crise agrfcola nos ties primeiros quartos do século diniinui, a partir da década de 1860, e parece desaparecer na década de 1870,
XIX, e as da extensäo "a antiga dependência dos fenômenos demográficos corn relacão as crises agri-
de elementos floyos das crises "industrjajs"; corn as suas series de abajos "corner-
ciais , de pnicos dc colas, dos precos de subsisténcia" (p. 307). A taxa de natalidade torna-se cada
Balsa e suas corridas aos bancos, e ern ultima analise, yea menos visiveirnente relacionada corn as precos dos cereais. Na Aquitnia,
dorninando - tudo - por motivo de suas causas profundas e de suas repercussôes
sociais, a paralisia on a anemia das
forças produtivas da indüstria flrnnri'mønt no entanto, como em Loir-et-Cher, e como em outras regiöes não e sempre a
dita. carestia dos produtos que acompanha e explica a crise agricola; a crise pode
1 0- nascer também, coma no caso dos anos de 1848 a 1850, da queda dos precos
trap geraj
precisamente: das crises econômicas franceses ate as anos de 1870 consiste,
iió Ta agricolas. . Seri que isso indica uma nova espCcie de crise, espécie que anuncia

de ser, ou que são crises "rnistas", como não poderiarn deixar futuras. e permanentes abundncias? No passado, no entanto, as épocas de boas
seja, que nelas se nusturam aspectos antigos e aspectos novas jas coiheitas sempre se alternaram corn a queda dos produtos agricolas, C OS precos
crises, em virtude do Iugar que a agricultura continua a ocupar nas estrutuij sempre seguirarn sentidos Opostos. Tudo depende, na, realidade, da posicâo do
demograficas e econornicas Dal decorrem as diferenças de apreciaçao dos ht.sio agricultor (em que medida C ele o vendedor?) - e, por conseguinte, das estru-
riadores que, na maior parte dos casos, segundo a iflClinação principal dc seus turas da exploracao, e da parte da producão disponfvel ao mercado. Permanece,
trabaihos tenderani a colocar em posicä
pott
r ano, a r o Privilegiada em suaspjj e, no entanto, o fato da importância que muito tempo manteve a evoluçflo das
oominan receitas agricolas para a conjuntura da indüstria, da indcistria ligeira em todo
sejam as elementos novos as crises n - sejarn - as mecanismos tradicionais,
es
natural que a dificuldade consista em caso, .a que vende as produtos de consumo. A Iigacão entre a conjuntura agri-
ponderar as influências respectivas, e em destrinchar o grau dc autonomia ao cola e a conjuntura industrial parece Clara a Andre Armengaud, no que se refere
mesmo tempo que as relacoes, no coração das crises mistas do século XIX, dos a crise de 1844 a 1847; mas parece muito menos evidente nos anos dc 1854 ao
elementos antigos e dos elementos novas da crise. Os antecedentes agricolas da veräo de 1857, duranteos quais coexistem a carestia dos cereais e a "viva atividade
crise
ate industrial
a década de näo desapareceram, é certo; observa-se a sua presença efetiva industrial" (p. 193). A indCistria corneca então a escapar a sua "dependéncia
1860. Georges Dupeux demonstro
u tradicional corn relacão a conjuntura agricola" (p. 194).
Loir-et-CherO, em particular no momento da crise dcisso, no que Se refere ao
1866.1867 crise que foi Assim, a importância dos antecedentes agricolas como fator das crises fot
acompanhada deste trap caracterfstjco dos tempos antigos: a elevacao do
dos cereais. Em pleno segundo império, em preco progressivamente reduzida e substitulda pelos fenômenos ligados as modalidades
1855, nesse departamento o preco particulares do crescimerito bancârio-industrial. Num enorme quadro regional
do trigo candial atingiu o seu mais forte dcsvio ciclico anual. Naquele depar.
a DauphinC - Pierre Leon situa na crise chamada, par comodidade, "dc
tamento?
(p. 183), Na verdade, coma o indica clararnente urn dos gráficos do autor 18487; "a separacão entre o fator alimentar e o fator comercial e bancirio"14 e
as preços em Loir.et.cJer flutuarn, corn pouca diferença, nas mesmas
datas e nas mesmas extensôes do observa, a partir disso, não apenas uma crise, mas duas crises paraiclas - a
que o preço do trigo candial no niercaclo do antiga e a nova - unirem as seus efeitos, observando entre elas certas def a-
pals. Disso provém o interesse da concltisão que o autor adianta, ao menos a titu-
lo de "hipóteselo": "As crises de subsistencia do tipo antigo (tipo século XVIII) sagens cronologicas. 19 possivel que, nesses exemplos, estejamos frente a duas
não se produzem mais depois de 18671-1 ". varidoes regionais de urn processo identico em Loir et Cher e na Aquitania
0 fato, no entanto, dc que s- .1
oriental, lugares onde domina a agricultura, a crise do tipo antigo aparece corn
(I 28
HISTORIA:
NOVAS ABORDAGENS A ECONOMIA: AS CR1 ECONOMICAS 29
traços relevantes
ate tempos adentrados no segundo ou não a ligacâo entre a crise dos cereals e a crise tCxtil". Dc fato, no modelo
code os bancos e a indüstri5 tern impCrio. No DauphinC
dos flovo uma outra en'vergadur o aspecto dominante labroussiano C, em prilneiro lugar, a crise industrid dcii tipo antigo que estI em
mecanismos de crise aparece mais cedo . Nos dois casos, no entanto, causa, a crise de uma estrutura• industrial em que dominam os téxteis, e não, a
verifica.sc o mesmo fenômeno no que se refere is
reza, muclando de estrutura crises: elas niudazn de natu- metaurgia Nessas condic6es, seth que seria metodologicarnente errado estabe-
Sabe-se que, confundindo lecer urna distinção niticla nos aspectos mdustriais das crises mistas interme-
an realidade, os contemporan no vocabulário o que näo era possivel distinguir diIrias, da primeira metade do saculo XIX na Franca, o que determina a evo-
eos Iução conjuntural da "seção I" e o que a determina na "seção II", para usarznos
e os economistas dos dais primeiros terços do
século XIX chamavarn de crises "come jaj aqui o vocabulIrio de Marx? Seth que corn isso nâo conseguiriamos, se não
da clCcacla de 1870, chamaräo de s" o que os seus sucessores, a partir
crises "econômicas", sendo claro que os meca- suprimir, polo menos atenuar as divergências de interpretacão? As plginas que
nismos bancárjos.industrjajs das flutiiaçoes ja Maurice LCvy-Leboyer consagrou em sua tese23 Is "crises do tCxtil" de 1833 a
desvendados. A partir do primeiro quarto doestavam entâd, fundasnentalmente 1843 autorizariam urn tal mCtodo, embora o autor não tenlia fixado muito bern
sêculo XIX, a indt'istria começa
na Franca a adquirir o seu próprio ritmo, corn a A sua posicäo quanto Is divergCncias de interpretação que acabainos dc ventilar.
sua lógica próptia. 0 mesmo
so passa quanto I circulaço dc capital no processo industrial. Os historiadot A bern let a sua tese, parece que seria dificil, para compreender a conjuntura
registraram, pesquisando os arquivos, as tCxtil, bão levar em conta a "niercado dos cereais24" - e urn mercado que
novidadea da nova crise: excëdentes de
investimentos mal calculados, que a poupanca nâo é 'apenas naciOnal: C a esse tema que 000sagra, alils, as primeiras pIginas
näo ê bastante para alimentar; de sen estudo. Sc, de 1832 a 1836, "a atividade dos negocios repousa em base
cnguiço das indCistrias ligeiras e, depois, do se tor de fabricaçao dos hens dc
produçao, subrnerso sob a masa dc sólidá "e porque" a Europa so bendicia de colheitas abundantes"; enquanto
seus investilnentos de suas instalaçöes, dc quo a alta dos precos dc cereais na Europa a partir de 1836 ate 1840, "C sinai
seus emprestiimos (enuico esse que paralisa indcistrias dependentes em n(unero
cada vez maior; a parada da construçâo dé tuna situação naisã na agricultura, e prenuncia uma crise industriaiiS". A
ritmo desordenado ferroviária conduz I letargia industrial) ; prosperidadc téxtil destEuiu, eta própria, alguns do seus pontos de apoio: a alta
do mercado financeiro, que registra, através da alta das dos precos -das matérias-primas e a dos proclutos fabricados conduziram -a "cx-
cotaçöes, corn perspectiva de lucro e da especulacao corn a alta; mecanismos cessosa6": o consumidor não pOde acompanhar a alta; e o consumidor cam
peculiares aos craques da Bols;
cujas baixas aceleradas decorrern Zogicasnente ponés, pot mOtivos quo os historiádores conhecem hem, desde as anIlises ciássicas
das "vertigens da alta" (F. Simiand), e que Se prolonEam em abalos bancIrios.
do Ernest Labrousse, so excepcionahnente Se beneficia corn a alta dos ceieais.
) Diferenças significativas separani nesse ponto os historiadores. Para Ber- 0 proprio fabricante de tecidos nâo pOde acompanhar a alta, porque esgota os
trand GilIell, mesmo antes de 1848,
as crises do trigo candial não desem. seus fundos na constituição de estoques especulativos. 0 autor encontrou nova-
penhani mais papel motor, e a disparidatje que é essencialmente responsive] pelas mente, portanto, a ligação Jabroussiana no que se refere ao setor industrial têxtil,
crises C o "excesso de investjmentos"le
que traz coma consequencia uma penCiria ainda essencial naquela época, na Franca. Em outras pIginas, dc mostra, no
relativa"São
firmas. dos "capitals em circulaçao"T, e, portanto, dos fundos de reserva das entanto, quo o investiménto - ferrovilrio, metalürgico - desempenhava urn
as
equiIibriol8". A investimentos
crise em cadeia quo vao provocar o excesso e a ruptura do papel de importlncia maior no ciclo das indCistrias pesadas. Parece que o pensa-
ção é inevitIvel : ocorre quando "cessani os investimentosia", e essa interrup- mento do Maurice LCvy.Leboyer segue 0 caminho da concepcão "mista" das
"Os investimentos cessam porque nâo se verifica mais acumuIçao crises da primeira metade do sCculo XIX, e de nina certa separacão, para a
) do capital, e porque näo ha mais
disponibilidades; cessain porque o fato dc compreensâo dos aspectos industrials das. crises daquela Cpoca, entre mecanismos
que se torna CSCaSSO o dinheiro em circulacão faz subir as tmcas de juros; porque antigos, quo ainda se verificavam no nfvel das indüstrias ligeiras, e mecanismos
determiriados negócios reve1aranse maus ou eSpeculativos
20" Bertrand Gijie novos, intcrvindo poderosarnente na conjuntura das indCistrias pesadas.
não acredita quo se verifique nessas condiçoes muitos Iacos ent re re dificuldades
industrjais e conjuntura agricola e, no curso de sen estudo Seri possivel encontrar a mesma distinção 20 anos mais tarde? Em sua
do 1818 a 1847, das crises tese sabre - a indcistria de tecidos no segundo- imp6rio2, Claude Fohien não o
não deixa do bater na tnesma tecla
que, antes de 1848, as circunstIncias em ocasiöes diferentes. Seth acredita. Na dCcada de 1860, e particularmente entre 67 e 68, a coiheita pobre
jI se havam rnodifjcado tanto - ate esse de trigo "contribuiu para acentuar o clirna do intranquilidade" (p. 409) na
grau do autonomia dos novos -mecanismos dc crise
ao menos no que cia indcistria cotonifera, sem, no entanto, constituir a (mica causa de tal intranqüi-
respeito Is indistrias Jeves de boos de conswflo? Seri que a autor não forçou
lidade. Se, - quanto a. 1861, os - observadores ainda acentuarn a ligacão entre a
algumas vezes os traços de scu próprio modelo? Seth que a concepção das crises alta do trigo e as dificulda4es de venda dos tecidos, o mesmo nâo se passa
"mistas" deverI ser substitulda pot uma opinião, dé certa forma, precocemente
depois desse ano. A crise téxtil adquire uma certa autonomia corn relação I
modernista, dos acontecjrnentos ecouômicos? Trés anos antes que aparecesse a
conjuntura agrkola. Entre 1867 e 1868 registra-se, grosso modo- (p. 408),
tese do Bertrand Gille, Ernest Labrousse, em prefIcio a uma coletunea de doze
estudos regionais de historiadores sobre a crise e coincidéncia entre a crise industrial e a crise dos alimentos, tendo a segunda
a 185121, a depressão na Franca, d: 40 certarnente influenciado a primeira, uma vez quo "o poder de compra dos consu-
havia escrito corn simplicidade. "Apreciarse.& a medida em
presentes pesquisas sobre as convulsöes de uma economia jI intermediIria miclores foi - limitadO peia carestia da vida" . A crise tCxtil, no entanto, deck-
t rou-se e espráiou.se, segundo mecanismos prOprios, os da dupla "superproducão"

- __•'__•"•___•_'_______'__..-,-,_-._- ...----'-,-.. ..-'.


30
HISTORI4: NOVAS ABORDAGENS
A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 31
do a1godo bxuto e dos prOdUtOS fabricados, nos di
da guerra de secessâo. as que se seguiraln ao término que terminarani então as penürias monelárias antigas. 0 motivo é, naturalmente,
a diversificaçao e o aumento da massa monetIria. Mesmo se a massa monetIria
Sena possivel seguir, portarito, corn bastante nitidez, pela comparaçao entre na Franca conserva uma espécie de rigidez rnetIlica (o lugar que a moeda cor-
as crises t6ftel5 da décacla de 1830
e as da décacla de 1860, a evolucao estru- recite ocupa nos pagamentos), ainda assim, nas vésperas de 1914, a difusão
tural fundamental da economia. A
passagem das crises econOmicas "mistas" do billiete bancário e sobretudo a da moeda bancária, modificam substancial-
Is crises propriamente conternpoeas durante aquele perioclo, parece de-
fliOfistracla. mente as condicoes monetârias do desenvolvimento econOmico; as redes bancárias,
em particular, tomam uma rápida expanso a partir da década de 1870. Não hI
mais "contração da moeda corrente", nern penüria de meios de pagamento.
Isso nao significa que o crescimento se faca sob o signo da abundIncia mone-
tIria: ainda nAo havia nascido a inflacäo do tipo do século XX. Os periodos
Não se registrain mais, a partir da décacla de 1870, de dinheiro caro (alta da taxa de redesconto e da taxa de juros) ocorrern nos
näo seria possivel que se registrassern. fi definitivo o as crises do tipo antigo, ciclos econômicos na prOpria véspera das crises, no momento do retorno de
mecanjsmos dc desaparecirnento dos velhos conjuntura, quando os periodos de expansão chegarn a seu termo. Pode-se, no
mentares cedemligaçao
lugar Isentre precos agricolas e crises tézteis. As peni'irias all-
°supeqroduc&s" relativas. Al encontra-se o primeiro entanto, perguntar se as modificaçöes quantitativas e qualitativas nos meios de
cnclice fundamental das rnudancas estruturais. A partir ciessa época, nas crises, pagainento influenciaram decisivarnente o ciclo. Näo parece que isso tenha
os preços dos produtos agricojas :a'mbdm dizninuirio, acontecido. Certos banqueiros da primeira metade do sCculo XIX - e mais
como Os preços dos produtos tarde ainda do que isso - como os Laffite ou, sobretudo, os irmlos Pereire
industriais. Em seus cálculos a respeito do movimento ci clico dos preços •co
trigo candial em Loir- haviam acreditado e dito que as progressos do sistema bancIrio, alimentando
desse movjmento cai 50% et-Cher,
entreGeorges Dupewc mostrou que a amplitude rndia Os pagamentos C OS créditos, alimentariam o crescimentO e permitiriam evitar
1873 e 1895, e "dirninuj ainda mais" de 1869
a 1913. "A partir de 1873, as surpresas das crises ditas "cornerciais". Os fatos encarregararn-se de desmen-
num a estabiljdade relativa dos preços anuncia o ingresso tic, em parte, o seu otimismo. A promocIo bancIria e das formas modernas de
novo mundo economic0" 0 fato novo da baixa dos preços agricolas,
durantc a crise e a depressäo (novo pox seu carIter geral, sua regufaridade, seu moeda näo suprimiram os ciclos. Esse progresso, ao contrIrio, alimentou novas
aspecto maciço), foi estudado minucjosamente pox Jacques Néré, corn relaçao disparidades: aceleraçâo da fase expansiva pela expanso do crédito, e confir-
I década de 188020 macio da depressbo pelo refluxo das operaçöes bancIrias. A "contraçbo de
) , em nurnerosas regiôes francesas, mediante os ecemplos do
päo, da came, das batatas, que o levam a observar entre 1880 moeda correnIe" que acompanhava a antiga crise sucedeu, na nova crise, a con-
e 1890 "ulna certa traçbo dos crCditos bancIrios.
baixa do conjunto do custo de vida°". Conhecemse além disso, os movimentos
gerais dos preços agricolas que serviram Para reconstituir o célebre Indice dos
preços "por atacaclo de 45
condiçoes artigosar', e tais niovimentos conformam.se Is novas
da conjuntura agricola. A partir do fim da década de 1870, 0 conhecimento histórico das crises econômicas francesas a partir da década
meio da clCcada dc 1890, ate o
a babca dos precos agricolas se sobrepe Is baixas de 1870 é bern menor do que o conhecimento das décadas anteriores. Somenre
cfclicas, como se os dois mecanjsmos se alilnentassern reciprocamente a crise dita "de 1882" foi objeto de pesquisas, mas de pesquisas parciais, e
I preciso, no entanto, observar urn fato scm ordem; ou meihor, numa ordern fantasista: de urns parte, foram pesquisados
atravCs evidente: a conj untura agr(cola -
da conjuntura das receitas agrioolas - nâo desaparecerI, pelo que foi certos aspectos bancIrios e de bolsa na origem da crise; de outra parte, foi pes-
clito acima, da paisagem econOrnica. Ela desempenlia urn papel, de duracão quisada, estudada a medida da depressbo da década de 1880, examinada regibo
media antes do que curta, na conjuntura econOmics. Se cia no é mais urn fator por regibo, através do emprego, dos salIrios e dos precos de certos produtos
decisivo e dominante no ciclo curto, parece COflStjtujt um agricolas". Gostariamos de rever algumas questöes de mdtodo suscitadas por
dos eieinentos essencjajs esse tipo dc pesquisas, sendo certo que, em particular, é necessIrio fazer a pró-
de explicaçao da sucessäo das fases A e B no quadro de Kondratief: o estudo
macroeconOmico de Jean Marczewskj sobre a evolucao do "produto fisico" da pria história das premicias da crise e de sua extensbo, nos anos decisivos de
Franca no sCcujo XIX demonstrou scm düvida corn razâo, esse modo de 1881 a 1882: de uma parte em seu desenvolvirnento no mercado nacional e, de
influ&lcia 82 outra parte, cm suas ligacécs corn a conjuntura internacional.
. Na perspectiva dc Loir-et.Cher, Georges Dupeux havia verificado
1851 a 1913dos
a realidade
3.
movimentos de iongo prao nas diversas receitas agricolas de 12 frecjllente que os craques da bolsa coincidarn corn o retorno de urns conjun-
tura dc expansbo Para a crise 12 o caso do mais celebre de todos (outubro de
Urn 1929). 0 mesmo se passou, na Franca, em janeiro de 1882. Que o craque tenha
do secuiosegundo
XIX, induce das modificacoes estruturais apartir do iiltimo quarto sido mais forte em Lyon do que em Paris explica-se par certos traços locais de
histOrico sO faz a propOsito do qual C preciso con fessar pie o conhecimento comportaniento dos meios bancIrios e da bolsa de Lyon: esses meios perderarn
Inento corn balbuciar, C a mudanca radical das condiçOes dos meios de paga
qualquer sentido de medida na especulacbo Nern por isso deixou o craque de
relacao aos periodos anteriores do sCcülo. ?arece sex possivel afirmas
ocorrer em todos as centros financeiros da provincia - e nos centros de Paris
32
RISTORIA: NOVAS ABORDAGS
A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 33
As flutuacöes das cotaces foram,
pode dizer que a menor porco das pouco mais on menos, sincrônjcas e näo se
responsabilidades tura de grupos corn urn grande poder de influência, o papel decisivo desempe-
as noticias enviadas por telégrafo. por essa sincronia caiba nhado em momentos que C possivel precisar pelo comportamento de certas firmas
no mercado financeiro. Tal comportamento vai influir diretamente sobre o re-
tipos 0 estudo histórico de urn craque dcve ser acompanhado, parece, de dois tornq da conjuntura da bolsa: os grandes bancos, que dominam a distribuição
deasquestoes: as primeiras, quanto aos elementos do craque; e as segundas,
cjuanto dc crCditos a curto prazo, decidem diminuir e, depois, estancar o fornecimento
a de crise.ligacöes entre o craque de balsa e o retorno da fase de expansao para dos mesmos, o que acelera a tensão sobre Os precos de tais emprCstimos e leva
necessarialnente a queda da pirâmide especulativa cuja desproporcao era alimen-
Ha uma divisão na problernatica histórica no que Se refere aos elementos tada ate aquele ponto pelas especulacôes lucrativas dos beneficiários dos emprés-
da crise da bolsa. Em
os .elementos ate certo primeiro lugar, a atenção do estudioso 6 chainada para
ponto mecâfljco timos. A imprensa e as revistas podem então falar de °penüria ficticia" ou de
caráter inevitável da tempestade da da crise da bolsa, ou seja, para o "greve de capitais"40 - Os grandes bancos, em nome de sua própria segurança,
balsa uma vez que a queda das cotaçöes retiram-se então do jogo da bolsa quando compreendem que e!e se torna pen-
parece uma sançäo lógica da aka louca que a precedeu. Negociar a trés e cjuatro
Mil goso. Os bancos que não o compreenderam, ou que não puderam retirar-se,
francos uma ação cujo valor real pode set avaliado em trés ou quatro vezes desaparecerão.
menos C sinai de uma absoluta falta de medida, de contradicöes que não são
supoltáveis a nivel de mercacio financeiro. 0 que é caracterIstico da alta espe- 0 comportamento dos grandes bancos, no entanto, vai mais longe do que
isso, uma yea que, mesmo antes do craque, no fim do verão de 1881, entra em
culativa C que cia acentua os elementos de scu tCrmino. Corn a mesma aparCn-
funcionamento uma revisão de toda a sua politica: des reduzem a vontade de
cia de fenômenos mecariicos aparece a tensão do preco do dinheiro nos empres. fazer negócios; suspendem as grandes operacöes que estavam em perlodo de
timos de curto prazo que alimentarn a especulaçao. Essa tensão, que Se mostrava gestacao, em particular Os negócios dc criação de firmas, e de participacöes; e
muito real descie a primavera de 1881,
agosto: "0 mercado frances encontra.se a levou urn econornjsta a escrever, em diminuem a oferta de seas crCditos de prazo curto e mCdio. Para empregar a sua
mercé dc urn imprevisto"3o. prépria linguagem, des "recoihem as velas" nas proximidades da tempestade,
prCstimos de curto prazo cram feitos em Paris corn juros de 4 on 5% Os em-
no
do ano de 1880; corn juros de 10 fim urna yea que a crise da bolsa, que prevéem, traduzir-se-â para des na queda
a 12% no outono de 1881..
- Quanto mais se dos precos das aç6es que possuem. Isso seth urn dos elementos da queda de seus
acelera a especulaçao, mais Se multiplicarn os logos e apostas de alta, mais Se lucros, uma yea que se declara francamente a crise.
elevam as cotaçöes, mais aumenta a procura de emprestimo
s de curto prazo Passou-se assirn alguma coisa corn os grandes investidores, que precipiroil
procura quo se endereça a escritórjos de negócios, escritórios esses que se criaram
corn dea expansio, mas que tambCm se endereca aos bancos, que, a partir dos a crise - inevitável pot outros motivos - da conjuntura especulativa. 12 pass!-
anos 1850, yel ao historiador fornecer provas disso, corn a ajuda ,dos arquivos bancários.
sempre ernpregaram somas considerávejs em emprestimos de curto
prazo no mercado do valores. Esse mercado desempenha o papel de urn centro Desde agosto de 1881, o poderoso "sindicato de estabelecirnentos dc crCdito"
enorme que atrai as poupanças - que nern sempre são poupancas feais, uma (ao qual pertenciam o Credit Lyonnais, a Société Générale, o Banco de Paris
yea quo parece que nurnerosas empresas de comércio e dc indi'istria, pelo menos e dos Paises Baixos, o Credit Foncier), que fora criado dez anos antes para
em Lyon, colocaram em empréstimos competir corn os grandes bancos nos negécios de envergadura, tanto püblicos
0 de curto prazo os seus fundos de reserva. como privados, decide "abster-se de todo e qualquer novo negócio", segundo a
financeiro, portanto passa a desempenha
cão: pela ernissão do tItulos, que, para 1881, r urn ,duplo papel de atra- expressâo do diretor-geral do Credit Lyonnais 1. " o que pensam tambCm os
foram avaiiados pot Leon Says? outros grandes estabelecimentos de nosso grupo". Qual o motivo? Porque o
embilhão
1 7 billi6es,
e 500enorme soma; e peios ernprCstimos de curto prazo, avaijados entre
miihöes a 2 niomento atual "impöe-nos essa politica". 0 memento atual, ou seja, a dispa-
verão do 188P. bilhöes unicamente para o mercacjo de Paris, no rada do mercado financeiro e os perigos previsiveis que cia implica -
craque AtravCs dos sobressaltos c dos espasmos anteriores ao próprio
o mais grave dos quais se havia produzido em outubro de fl af que, para o histoniador, os mecanismos económicos adquirem sentido
gindo ao mesmo tempo a Boisa e os bancos39 -. 1881, atm-
0 mercado financeiro dirige-se e adquirern vida - 0 caminho para a crise näo the parece mais como apenas cego
como que mecanicament e
para o seu desregramento e inevitável. Jntervêm forças conscientes de decisão e de influência, que, no
cIestróise em janeiro do 1882, absoluto: o mercado de Lyon
dos agentes dc corn a paralizacao das transaces e as faléncjas ' contexto de uma conjuntura que elas próprias armaram no sen coinoco, agem
cambio: enquanto o de Paris, nos mesmos dias, so on passam a agir contra a corrente, iniciando assim o mornento de tCrmino - Em
rnanter as snas atividades gracas a uma ajuda combinada do Banco consegue de Franca : resumo, os investimentos bancários vão sofrer urn refluxo, por motivo do com-
e dos grandes estabelecjjme005 de crCcjito.
portamento defensivo dos bancos; e esse refluxo, que seth acelerado quando so
AtravCs dos mccanjsmnos no entanto, agem os homens, quer dizer as em- declarar a crise, ira precipitar toda a conjuntura econômica no sentido da des-
a os gmupos ao mesmo tempo, sofrem os efeitos dos mecanismos
quo, ao cida. Säo significativos, desse ponto de vista, os esforcos que o Credit Lyonnais
registrando Os faa, desde meados de outubro dc 1881, para aumentar a sua iiquidez. Corn a
aspectos ilógicos do Mercado - e os utilizam no senti
Ihes convém. A pesquisa histOrica descobre então e explica pela reacão que sua atencão alertada pela corrida em Marselha, corrida essa que the custou uma
parte importante dc seus depósitos a vista, O Credit Lyonnais freia brutaimente
34
HISTcSRIA: NOVAS ABORDAGENS
A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 35
a expansão de scus créditos is empresas, reduzindo o volume dos créditos,
aumentando os seus preços. neceu em 1881 uma grande atividade econôrnica e que só muito depois do
Os Iaços entre os sintornas do craque da Bolsa e a conjuntura cCOnômica, ,aäque, e, em alguns casos, não antes de 1883, o marasmo industrial conquistou
C, depois, entre a (rise da bolsa e a (rise econômica, foram abordaclos, é preciso os diferentes setores.
diz-1o, muito superfjcjajmente pelos estudos Tratar-se-ia, portanto, de conceber urna independéncia dos setores da pro-
histórjcos em causa.
ducâo relativainente I conjuntura da bolsa e conjuntura monetIria, separar o
nutriaNão
basesemenial)
estabeleceu ainda a cronologia (e seria necessário faze-b, peto menos,
craque da Bolsa cia crise industrial, e a circulaçao de capitais, corn os seus eccessos
da evoluçao dos indices da conjuntura em 1881,
allies do "especulativos" da producão e da circulaçao dc mercadorias? Isso seria, do urna
craque da Bolsa. Os elementos de informacao reunidos ou são muito globais ou
são muito parciais. Isso não significa que a pesquisa seja irnpossfvel. L7 parte, ceder Is aparéncias e tornar-se pnisioneiro do cat-her empInico e pat-cial
pesquisa uma de qualquer pesquisa histórica. Seria tambCm condenar-se a estudioso a não
quo esti ainda por fazer. As taxis de redesconto do Banco de Franca prosseguir corn a pesquisa, a não formular novas interrogacöes quanto as ligacôes
passa do 3,5% (14 de outubro de 1880) a
em 20 do outubro; 47b, em 25 de agosto 4k 1881,
a 57o entre os diferentes elementos da situação econbmica. Da mesma forma que a
lorria-se mais caro o dinheiropara todas as operaçöes do tensâo das taxis de juros no segundo semestre de 1881 reflete as contradiçôes
mercadonlonetárjo. Esses movimentos, no entanto, não fazem mais do que
seguir as taxas do Banco da Inglalerra. em que corneçarn a debater-se os inercados monethrio e financeiro, é possivel
possfvei que isso tenha decorrido do conceber que o começo do declinio de certos precos que se produz no mesmo
desequilfbrio de pagamentos na época entre os Estados Unidos e a Europa
ocidental. Qual o comportamenlo dos precos? momento é urn sinai das primeiras difkuldades 4k venda de certos produtos
triais por atacado caem a partir dc 1874, Em prazo médio, os preços indus- no mercado. 0 historiador tern que se voltar então para a anhlise do mercado
alimenlicios caem a partir de 187742 . Para as os preços por atacado dc produtos - o mercado de produtos do setor I c 4k produtos do setor II.
1881 é urn at-b do baixa do frreos duas categoriag, em prazo cut-to.
corn relacao at-u dos anos anlet-jores, e essa Enquanto se aguarda que a pesquisa histórica seja reencetada a respeito
baixa, quo so iflicia então, Probongariea ate desse ponto -- ou seja, dc que ela so dedique a urn estudo comp/etc da conjun-
1887, durante Joiigos anos de crise-
depressão - Na escala exciusjva das indi'istrjas do Lyon, os preços industriais enfra. tura dos anos da década 1870 - a obra sobre o Krach .de l'union gé#erale tornou
quecem-se particujarmente (metalurgia, material ferroviário, produtos urn outro caminho, que consistiu em exarninar de pet-to, unicamente pat-a a aglo-
) a panic do terceiro trim'estne de
1881, e no quarto tñmestre. Os qU1ZUICOS) meraão de Lyon, o movimento e a composição das faléncias do 1878 a 1889.
sodas caem rapidamente desde 1869. preços das No nivel do movirnento do nümero de falCncias em Lyon sucedem-se, I dimi-
produtos do seda. Não ha indicacão quanto aos prccos dos
: nuiçAo das faléncias em 1879 (ano dc "renovaçio") corn reiacäo a 1878, urn
aumento muito fraco desse nCimero em 1880, mar mad/a forte em 1881 (e em
Registrase, portanto, urna cei-ta simultaneidade, a curio prazo, entre diversos
Indices: no segundo semestre de 1881, 1882, certamente) corn seu ponto mais alto em 188448. A observacão mensal
antes de qualquer crise aguda da bolsa, do fenômeno torna evidente o ponto de partida des faléncias em 1881, especial-
aumentam os "preços do dinheiro", inslala-se o declfnjo dc certos preços de
mente no segundo semesire, corn dois impulses se'nsiveis em jutho e em dezembro.
nlercadonjas e estabelecese uma estratégia de deflação entre os grandes investi
dores c emprestadores - Tendo em vista o que foi dito acima, essa observaçäo não pode deixar mdi-
ferente o analista. Registrar-se-iam dificuidades economical reais, an/es do craque
Qual, no entanto, era a conclicao do emprego, das produçoes, das cifras
de negócios, dos investin,entos? Pouco so sabe da balsa? Quern entra em faléncia, em 1881? Tanto industriais como corner-
a respeito. .. C preciso levar em = nan/es. Mais precisarnente, cm 1881, as falCncias industrials conheceram uma
conta quo se trata dc indices cOnjunturais, muito menos elásticos, muito mais
rigidos do que os prececlentes. Não parece que os Indices da atividade industrial taxi de crescimento mais acentuada do que as faléncias comerciais°. Essas
tenhain sido forlemente atingidos an/es (iftimas são, sobretudo, faléncias de bojas e de negcicios de alimentaçâo - inclui.
de 1883:
monstra do maneira suficiente. No que se referea tese de Jacques NérC o de-
a metalurgia, as minas e a
dos, é natural, os proprietIrios de cafés e de estabelecimentos de vinhos e lico-
seus "principais clientes", o "maxim0 do atividade3" verifica-se na maioria dos rçs. Em 1881, ease tipo <Ic faléncin cresceu de 63% corn relação a 1880, en-
casos o rneio do ano do 1883. Se quanto flão se verificam aumentos no n(trnero dc faléncias dos neg&ios de vesti-
e verdade que o tráfego ferroviário das
"estradas do ferro piibJicas" menta nesse ano. Em 1882, o aumento das faléncias dos negôcios de alimentos
ache muito Ientamente de 1882 a
baixa não se registra antes do 1884 44 1883, a sua serl do 30% corn relação a 1881, e a dc negécios de vestuIrio dc 44% No
industrial aurnenta ainda em 1881 . No Loir-el-Cher o inovimento do emprego pie se refere Is' faléncias industriais, todos os setores são atingidos pelo cresci-
em 1880) (enibora corn muito menos forca do que mento de seu ntvel a construção, os produtos qulmicos, os téxteis e de tintu
e rião entra em declInjo a não ser em 188210.
As "despesasIiquidas ranias, OS metais, 0 couro, as industries de luxo 6
do investimentos" das estraclas de ferro, segundo urn estudo muito recente de
Fr.tnçoi Citron, ele-atn -se rallidamentc Mu pw que motivo se registraram as faléncias de 1881 - e especial-
1883 inklnsi -e48 - -- In unu e do forma quase regular, do 1872 a
lieir.i i ntc r riipçt em 188, flUS Sen ifltetmpão mente as do segundo semestre? Diminuicâo do poder de compra des camadas
4lgurn etu
e gill' 'iinha
. nm, a os r othds no clue se refere it
i,' l\at ArL's, c" tvi.ii iibJttri.)
MOArmn que perm
I.yo
:
r u1ares em vista da evolução do mercado dc emprego) Nada pet-mite afirma
, naturalmente Pet-des espeuIattvas nes ciunadas m8dias do comet-rio, dos
ncg6cms, di indt'istna, corn relaco l.a primeiras quedas da Bolsa que levararn
at;
HISTORIA. NOVAS ABORDAGF2JS
A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 37
para1ia0o dos fundos de reservas e dos fundos le liquidez? Efeitos
que teria brojlnitlr. - -- - -
%.vLIas tesOurarlas de Eirmas a
-----------------------------------..',
imi'
, finalmente, impossivel Para urn historiador considerar como idénticas as
olftica restrjtjva
c'réditos balcários?im todo caso, o Credit Lyonnais aplica rigorosan.ieh .crises econômicas francesas em todo o decorrer do século XIX. 1! durante o
,tat
poiltica a partir da segunda quinzena de outubro de 1881, como o .4terceiro quarto do século que se vetifica a transiço definitiva: as disparidades
lambs mais acima.
caraderIsticas do setor agricola cedem Para sempre o lugar s disparidades do
impossfv dizer o que, na deterioraçao das faléncias de Lyon a Partirsorigem monetria, bancária e industrial Desaparecem as (iltimas sequelas da
de 1881, liga-se aos sintomas do craque, da polItica banthia, ubproducao agricola. A evolucao das modalidades em que SC declaram e Os
consunio ou
da situaço dotrac dominantes das crises acompanham necessatiamente a das estcuturas econô-
pareça, o historiador
popular e doencontra
mercadoessedeobstáculo,
emprego. oPor quomais
näo insatisfatórjo
the impede doque elaboraz tr
The micas fundamentais, a das relaçoes entre o produto agricola e o produto indus-
a hipótese ou a sentir a impresso do que, dos ial. Os aspectos da bolsa e bancârios assumem cada vez major relevo. 0 desem-
dois primeiros foram as causas determ inantes quatro elementosnvocados
i
prego industrial sucede, de forma definitiv Is perturbaçoes de subsisténcia como
Em todos os CaSOS, mais adiante no indicc essencial e resultado social o mais grave da crise econômica.
tempo, quer dizer, em 1882,
as re•
percussöes imediatas do craque e a polItica restritiva dos bancos desempeparahj Observa-se quo foram as crises "mistas" dos anos de 1815 a 1860 e a
stória de suas transfonnaçöes que, ate aqul, mais retiveram a atenção dos histo-
urn papel de plena importlncia no nümero
adiante na dcpresso, a partir de 1883 é a "sup de faléncias. Enquanto que mais riadores. 0 estudo histórico completo dc uma crise -quer dizer do ciclo em
quo erproduço" industrial clIssicaque se insere e quo se esciarece - ainda estI por fazer Para o periodo que
desenvolve os seus efeitos sobre o emprego, as salIrios, o consumo, as cifmscomeça na década de 1870. Essa lacuna, on esse atraso, e mais uma prova do
do
de falências
neg&ios eem osLyon.
lucros, e que mantém a um nivel insólito, ate 1890, a nüme desconhecimento em que nos encntrainos de muitas questöes que se referem
A aparéncia das coisas condicöes do crescimento frances a partir do üitimo quartel do século XIX.
condliz a verifIcar quo-
de 1880, tanto em escala nacional como em escala Iionesa a crise econômica cia décacla No é, portanto, fazer uma espécie do marcha-a-r6, no piano da problemItica
, percorrea unia es~cje histórjc desejar quo essa lacu na seja preenthida, no piano dos estudos do
-

do marcha
cido regressiva, Regressiva
dos geógrafos. assjrn combno a sentido
erosäo quo traz o mesmo nome tao conhe.:l conjuntura. A anIlise da conjuntura sempre seth til, porque cia levarl neces-
do que o setor de fabricaco dos sariarnente a interrogacöes q Is transformaçöes estruturais
meios de produça foi atingido em -

mantêm polo menos ate o ano de 1882, iItimo lugar, e que a sua ativjdade se
A contribuiçâo dos estudos históricos I problemItica das crises foi, ate
inclusive,
enquanto o comércio, e as agora, portanto, ms do que simples correçöes. Tais estudos restituiram Is crises
indüstrias do bens de consumo parecem ter sido atingidas em primeiro lugar; 10 sen ierdadeiro desenrolar, a sua efetiva evolucao, as suas progressivas mudan-
e enquanto, ao nivel dos fenômenos que prendem a atencao do observaclor, os ças de natureza. Esses estudos deram valor ao angulo propriamente histórico
desregramentos monetárjos
rioridado certa, polo e os do mercado
carâter dramatic0 de seus de dinheiro apresenam uma ante- dos "fatos econômicos", mostrando a extso e a complexidade da passagem
efeitos.
de wn "regime" econômico a outro, de urn a outro tipo de crise. Para o histo-
riador, todo tipo de crise tern urn "sentido", o sentido da economia e da socie-
dade nas quais se inserem esses acidentes necessários do crescimento.

Observar, no entanto, tuna tat martha regressiva é uma constataçao, fläo e


uma explicacao. Fiel a seus escripulos e a seus hIbitos
?nétodos - - quer dizer, a seus
o historiador hesita em pesquisar no nivel das teorias explicatjvas do
ciclo, a compreensão profunda dos fenômenos que ele encontra no curso de ma
inyestigaçao.
muitos elementoVencernno o sentimento, talvez a certeza de que the escapam
s
do informaco, Para poder decidir quais so as "disparidades"
dominantes Ele recusase a invocar as teorias para cobrit- as lacunas dc
inforrnaçlo
corn porque the faltam elementos cujas datas tenham sido estabelecidsua NOTAS
precisao e "series" comparadas entre si dos precos, do investjmento e dos as
lucros nos diversos setores industriais; porque The
fica do falta nina ampliaçao geogra
)
outras laconhecimento
cun as
dos diversos indices conjuntuthjs; porque
the faltam, entre
nvesti conhecimentos sobre a influéncja
de sua igaçao, do
menos dos thmbios externos (precos, itens dabalança de pagan)ent situaçao feriô. 1. Maurice Flamant e Jeanne Singer-Kérel, Crise et recessions, P. U. F., "Que sais-je?",
das exportaçöes etc...) na conjuntura interna. Trata-se de uma fraqueza conge. no 1295, 1968. p. 10,
nita, ou de Iucidez metodologica? 2. Ibid., p. 6.
3. Ibid., P. 6.
38 IIISTORIA: NOVAS ABORDAGES
A ECONOMIA: AS CRISES ECONOMICAS 39
4. Vr o manual "Thémis" de Maurice Nouveau,
porain; P.U.F., 3i ed., Histoire des faits économiques qonten 33. Ver m particular as pginas 288-289. Depois das altas da época de 1851 a 1871,
1970. Nessa obra de "história cconômica" as páginas qt
se referem as flutuacôes e as as diversas rendas agricolas atingem o seu teto em 1871-1885 e depois recuam, ate
crises, assim como as que se refereni no creselineni 1902. Depois disso, recomeça a alta.
econômico frances, neo contêm, quer em seus
desenvo1vjrnent, quer em sun biblic
grafia, referência aos trabaihos de pesquisa publicados pot historiadores economista 34. Ler Rondo Cameron, Banking in early stages of industrialization, Oxford, UP.,
fianceses nos ithimos doze anos... E necessárjo observar que o mesmo näo acontec 1967.
corn a obra de Jean Imbert, Rigtojre dconomjque des origines 35. Além da tese de Jacques Néré, ver a obra de Jean Bouvier, Le krach de l'Union
a 1789 (mesma colecäo)
estando o autor, diferenternente de seu colega, ao par da générale (1878-1885), P.U.F., 1960; ideas Le Credit Lyonnais de 1863 a 1882,
dores para a êpoca moderna. biblrografia dos historia.
t. II, Ciltima parte.
5. Fluctuations et croissance économque, p. 169. 36. Cucheval-Clarigny, "La situation financière". Revue des Deux Mondes, 10 de agosto
6. Paris, Mouton, 1973, p. 508. de 1881.
7. 37. Leon Say, "Las interventions du Trésor a la Bourse" (Anna les de l'Ecole de
Sorbonne, 1958. Exemplar datilografado, BibIicthèque de la Faculté des Lettres.
8. ibid., p. 618. Sciences Politiques, 1886).
9. Aspects de l'hLstoire sociale et politique du Loir 38. Cucheval-Clarigny, art. citado.
-et-Cher. 1848-1914, Mouton, 1961.
10. P. 188. 39. "Corrida" dos clientes As caixas do Credit Lyonnais, em Marseiha, em primeiro
11. ideas. lugar, e, depois, an todas as sedes; foi o rnaior alarme que soFreu esse banco em
12. p. 227. sua história depois da do verão de 1870, consequente essa 61tima ao pânico da
13. Les populations guerra.
de Z'est aquitain au debut de l'épo qua contemporaj,ie;
urze region mains ddveloppCe; vers 1845-uers 1871, Mouton, 1961. recherches sw 40. "Mouvement financier de la quinzaine" (Revue des Deux Mondes, 15 de outubro
14. de 1881).
La nassance. de la granda irsdustrje en Dauphiné, fin du XVIII' siècle-1869, t. ll,
P.U.F., 1954, P. 791. 41. Mazérat g Lehériccy (agenda de Nova Iorque). Obra citada, p. 150.
15. La banqu.e et le credit an France de 1815 42. Jean Lhomme, art. citado, Revue Economiquc, juiho de 1970, pp. 523-524. E na-
a 1848, P.U.P., 1959. Ler em partIculay
Os dois ültirnos capitulos, estritarnen conjunturais. tural que todos os preços agricolas não caminhem corn a mesma velocidade. Em
16. p. 373. geral, no entanto, é por volta dos anos de 1875 a 1881 que comeca a inclinação para
17. p. 374. a baixa. Os precos dos cereais entraram nessa inc1inaço urn pouco mais cedo,
18. ibid. no inlcio da década.
19. P. 376. 43. Obra citada, p. 40.
20. Ibid. 44. Ibid., 1881: 10.753 tnilhôes de toneladas-quilbmetros.
21. Aspects de la crise et ae la depress ion de 1882: 10.836
l'économie francaise au rniliieu du XIX'
siècle, 1846-1851 (Sociétb d'Histoire de Ia Revolution de 1883: 11.065
Revolution de 1848, t. XIX). 1848; Bibliothèqu.e de Ia
1884: 10.478
22. ibid., p. V. 45. Dupeux, obra citada, p. 273.
23. Les ban ques 46. F. Caron, "Recherches sur Ic capital des voles de communication en France au
européennes et l'industrial isation internationale dens la
du XZXc siècle, P.U.F., 1964. Ler as pp. prniêre moiti4
510-598 (cap. VIII). XIXe siècle" (Colóquios de Lyon sobre a industrializaçao, outubro de 1970. Atas
24. p. 519. do colóquio, an impressCo).
25. p. 535. 47. La krach de l'Union générale, obra citada, cap. VII: "Lyon et sa region du krach
26. p. 594. A Ia depression éconornique".
27. L'industrie textile en France au temps du 48. Cifras sucessivas para 1878-1884: 176, 144, 148, 209 (1881), 279, 282, 394. Além
Second Empire, Pion, 1956.
28. Mesma obra, p. 188. dessa época, e ate o ano de 1889, inclusive, a curva nao descerá a menos de 300
29. Mesma obra, cap. if. Falências.
30. Ibid., p 259. 49. Neste ponto, modificamos obscrvaçoes feitas no passado (p. 267 de Le krach de
31. Jean Lhomme, "La crise agricole en France l'Union générale), observaçöes essas que foram urn tanto apressadas. Em 1881, as
a Ia fin du XJXe siècle", Revue Econo-
mique, juiho de 1970. Ver o gthfico na p. 531. falências conlerciais aumentarain na proporcAo de 32% corn relacão a 1880; as fa-
32. "La produit physique de Ia France de 1789 lências industrials, na proporçäo de 42%.
a 1913", in Introduction a l'histoire
quantitative, Genebra, Droz, 1965. 50. Em 624 faléncias industriais dc 1879 a 1890, inclusive, contar-se-go 207 faléncias
no actor de construção.

Você também pode gostar