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Nome: Thais Gonçalves Ferreira da Silva – NºUSP: 8982178

Seminário 3

RESPOSTAS

1 - De acordo com Maria Sylvia Zanella di Pietro, a Administração Pública pode


submeter-se tanto ao regime jurídico de direito privado quanto ao regime jurídico de
direito público. Para a autora, essa relação está dada necessariamente com base em
prerrogativas (privilégios) e sujeições (restrições). O direito administrativo nasce,
segundo a autora, da contraposição entre a proteção aos direitos individuais e a
necessidade de satisfação dos interesses coletivos. Deste modo, o Direito Administrativo
encontra-se sempre cerceado pelas restrições e pelas prerrogativas. Por um lado,
enquanto concretizadora do interesse coletivo, é concedida à máquina estatal faculdades
não conhecidas por terceiros, entes privados. Por exemplo, a ocupação temporária de
imóvel alheio (uma evidente flexibilização dos direitos de propriedade/posse, tão caros
ao Direito). Por outro, age a Administração pública nos limites que lhe concede a lei,
justamente em decorrência do princípio da legalidade, fruto do processo histórico de
controle do poder governante. Dentre outras, aparecem como restrição a necessidade de
concurso público para contratação de pessoal e, no geral, a observância de princípios do
Direito Administrativos (legalidade, moralidade, publicidade, etc.).

Os princípios aludidos, em constante diálogo com a norma positiva, podem ser


identificados justamente como os traços fundamentais do regime jurídico administrativos.

Sob a perspectiva dos textos oferecidos, Odete Medauar e Maria Sylvia Zanella Di Pietro
possuem mais alinhamentos que divergências. Estas, porém, existem.

De início, em mera observação enumerativa, percebe-se a explicação/denominação de


princípios distintos. Odete Medauar, por exemplo, disserta sobre o princípio da auto
executividade, não abordado por Maria Sylvia Di Pietro. Esta, por sua vez, menciona a
hierarquia enquanto princípio, que não foi referenciado por aquela.
A mais relevante discordância entre as duas diz respeito ao princípio da supremacia do
interesse público.

Apesar de tecer comentários quanto aos limites do princípio, este é admitido por Maria
Sylvia Zanella, ensejando relativização do tratamento concedido a particulares quando
em relação jurídica com a Administração Pública quando presente influência da
coletividade, sendo esta prioritária.

Por sua vez, Odete Medauar qualifica como “ultrapassado” o princípio dessa supremacia,
arguindo que há, em verdade, uma ponderação acerca dos interesses envolvidos a ser
promovida no caso concreto, à luz da equidade, do princípio da finalidade e do próprio
princípio da proporcionalidade. Não existiria, assim, uma supremacia a priori, haja vista,
inclusive, a extensa lista de direitos fundamentais oriundos da Constituição de 1998.

2 - Há aplicação do regime jurídico de direito privado, por exemplo, quando da existência


da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que exploram
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação
desserviços, como previsto no artigo 173, § 1º da Constituição, que dispõe, entre outro
aspectos, sobre “a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários”. De modo
que quando uma entidade é instituída para desempenhar atividade econômica pela
Administração Pública, ela estará necessariamente regida pelo direito privado.

Além disso, no caso dos serviços públicos, a Constituição deixa espaço na lei para que se
adote o regime privado ou público, já que o Poder Público pode tratar diretamente dos
serviços públicos ou fazê-lo sob regime de concessão ou permissão, de modo que cabe à
lei ordinária a tarefa de fixar o regime das empresas concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, podendo-se adotar tanto o regime privado quanto o público.

Também é possível citar outras hipóteses em que a Administração Pública pode atuar sob
regime de direito privado, como no caso das pessoas jurídicas, contratos e bens de
domínio privado do Estado. Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma, ainda, em seu texto,
que “Como regra, aplica-se o direito privado, no silêncio da norma de direito público”.
na formulação do estatuto social das empresas públicas, sociedades mistas, subsidiárias,
etc.; na estruturação e administração destas e em seu cumprimento de obrigações civis,
trabalhista e tributárias; na regência de contratos; dos bens de domínio privado do Estado;

3 - A) A atuação da Administração Pública deve seguir os moldes definidos por leis,


exercendo suas atividades sempre nela lastreadas;

B) Os atos da Administração Pública devem ser divulgados de forma célere,


compreensível e facilmente acessível por toda a população, ressalvados os casos em que
o sigilo se faz relevante para a proteção do direito individual e da ordem pública;

C) A atividade dos entes da Administração Pública e seus funcionários devem agir com
lisura e diligência;

D) A atividade da Administração Pública não pode se vincular a qualquer imagem


pessoal, apenas ao ente responsável.

E) Deve haver adequação e equilibro entre os objetivos e as condutas da Administração


Pública.

4 - Segundo o texto, o senador Aécio Neves desrespeitou deveras gritantemente o


princípio da moralidade e da boa-fé. Nítida é a ocorrência de improbidade administrativa
(art. 9º, inc. I e 10º da Lei 8.429/92). O desvio de poder, visou ao privilégio de grupos
empresariais, atitude contrária ao princípio da finalidade. Além disso, vale citar que o
senador incorreu em corrupção passiva (art. 317 do Código Penal).

Os executivos ora no programa de delação premiada também foram ímprobos (art. 3º da


Lei de Improbidade), além de incorrerem em corrupção ativa (art. 333 do Código Penal).

Quanto à matéria da Ombudsman, o Procurador Rodrigo Janot, ao solicitar a liberação de


informações dos inquéritos ao STF, buscou legitimamente prestigiar o princípio da
publicidade, de modo que eventual excesso não seria permitido.

Porém, os membros do Ministério Público que liberaram informações em off abusam da


noção de publicidade, caindo, em verdade, em desrespeito aos postulados da moralidade,
boa-fé e legalidade (desrespeitando o momento para liberar informações atinentes à
delação privilegiada). Ao proteger certos grupos, também é imputável o desrespeito ao
princípio a finalidade: se visavam à transparência total, os membros não deveriam ter
afastado de seus relatos certos agentes.