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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº : 0076674-45.2016.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS e BANCO DO BRASIL
SA
Recorrido(s) : GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS e BANCO DO BRASIL
SA
Origem : 6ª VSJE DO CONSUMIDOR (VESPERTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO-E M E N T A

RECURSOS INOMINADOS MÚLTIPLOS. CONSUMIDOR. SERVIÇOS


BANCÁRIOS. CONSÓRCIO. RECUSA DO BANCO RÉU EM PROCEDER À
TRANSFERÊNCIA DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTA ANTIGA
DESATIVADA NA CONTA NOVA. RELUTÂNCIA EM VINCULAR O
CONTRATO DE CONSÓRCIO PARA A NOVA CONTA JUNTO AO MESMO
BANCO. DESISTÊNCIA. RESTITUIÇÃO IMEDIATA DOS VALORES PAGOS.
DANOS MORAIS CONFIGURADOS. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS
SERVIÇOS. DISPÊNDIO DE TEMPO E RECURSOS QUE NO CASO
CONCRETO REPRESENTOU VIOLAÇÃO A DIREITOS DA
PERSONALIDADE. QUANTUM A SER FIXADO. SENTENÇA
PARCIALMENTE REFORMADA.
1. 1. Trata-se de recurso inominado contra sentença que julgou procedente a
ação, nestes termos: “Assim, ante o exposto e tudo mais que dos autos consta, julgo
procedente em parte a queixa prestada por GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS contra
BANCO DO BRASIL S/A., para condenar a acionada a restituir ao autor, na forma simples, a
quantia de R$478,91 (quatrocentos e setenta e oito reais e noventa e um centavos), referente aos
valores depositados em conta, devidamente corrigida, bem assim a devolver imediatamente ao
autor, tão logo ocorra o trânsito em julgado, a importância de R$13.990,26 (treze mil novecentos e
noventa reais e vinte e seis centavos), corrigida monetariamente a partir da data do efetivo
pagamento, já deduzida a taxa de administração, em razão da remuneração dos serviços
efetivamente prestados pela administradora..”.
2. O recorrente GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS busca a reforma da
sentença, insurgindo-se no tocante ao indeferimento do pedido indenizatório pelos
danos morais que alega ter sofrido, pugnando pela procedência do pedido.
3. O recorrente BANCO DO BRASIL SA, por seu turno, sustenta a
inexistência de ato ilícito que lhe possa ser imputado, que a parte acionante não
acionara os canais administrativos para resolver o problema, que não há que se
falar em danos morais na presente hipótese, sendo manifesta a improcedência da
ação.
4. A sentença impugnada não merece ser reformada, tendo o magistrado
sentenciante agido com acerto no que tange ao reconhecimento da falha na
prestação dos serviços no caso concreto, ante a relutância do banco demandado
em proceder à migração da conta inativa e respectivos valores, vinculados a CPF
que fora desativado pela receita federal do Brasil, para nova conta, bem como
diante da recusa na realização da migração do consórcio para a nova conta.
5. As disposições contratuais que porventura obstem a devolução imediata dos
valores pagos a título de consórcio são abusivas e nulas de pleno direito e,
portanto, não é válida a cláusula que determina a devolução de valores pagos por
consorciado desistente apenas após o término do consórcio, devendo sua
devolução se proceder imediatamente, naturalmente, abatida dos valores
concernentes à taxa de administração e/ou adesão, além do seguro, caso
existente; observando-se que a taxa de adesão possui o escopo de retribuir ao
vendedor do consórcio o serviço prestado, não se incorporando ao elenco de
valores por restituir ao consorciado-desistente e não se confundindo com a taxa de
administração, mas compondo, junto com esta, no caso concreto, a
contraprestação pelo serviço global concedido e efetivamente utilizado pelo
desistente, integrando a estrutura de custos básicos do negócio, excluindo-se,
destarte, quaisquer outros valores que se possa apontar como prejuízo que o
consorciado causou ao grupo, uma vez que não houve prova nesse sentido.

6. O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral


que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que por
certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, máxime levando em conta o tempo
decorrido entre a solicitação formulada pela parte acionante para transferência e
migração para a conta nova, em virtude do procedimento administrativo realizado
junto à receita federal, tendo demonstrado que notificou a ré quanto ao ocorrido, o
que por seu turno não sensibilizou o banco demandado, que manteve-se inerte,
quando incumbia-lhe adotar as providências cabíveis para solucionar na via
administrativa o presente caso.
7. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO
INTERPOSTO PELO RECORRENTE GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS E
DOU-LHE PRIVIMENTO, para condenar o réu em R$ 2.000,00 ( dois mil reais)
a título de danos morais, corrigidos desde a data do arbitramento, nos termos
da súmula 362 do STJ e juros de mora desde o evento danoso, nos termos da
súmula 54 do STJ, bem como CONHEÇO DO RECURSO INTERPOSTO PELO
RECORRENTE BANCO DO BRASIL SA E NEGO-LHE PROVIMENTO. Custas
processuais e honorários advocatícios pelo recorrente BANCO DO BRASIL S
A, que fixo em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de Abril de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA


2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS
Processo nº : 0076674-45.2016.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS e BANCO DO BRASIL
SA
Recorrido(s) : GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS e BANCO DO BRASIL
SA
Origem : 6ª VSJE DO CONSUMIDOR (VESPERTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados


Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia,
CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA
HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão: RECURSO DO RECORRENTE
GERALDO RIBEIRO MASCARENHAS CONHECIDO E PROVIDO, RECURSO
DO RECORRENTE BANCO DO BRASIL AS CONHECIDO E IMPROVIDO .
UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento. Custas processuais e
honorários advocatícios pelo recorrente BANCO DO BRASIL S A, que fixo
em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de Abril de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente