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1) As neuroses são o negativo das perversões.

Para comentar essa afirmação de Freud, é preciso lembrar que a sexualidade humana infantil é
perversa e polimorfa, o que significa dizer que é capaz de experimentar satisfação de várias
formas, sendo todo o corpo passível de erogeneidade. Não é a sexualidade propriamente dita
‘normal’, reduzida aos órgãos genitais e a fins reprodutivos, ela não limita os genitais como
objeto exclusivo, enfatizando também as etapas preliminares e outros tipos de satisfação,
como a oral e a anal, por exemplo.

Sendo assim, essa sexualidade infantil perversa e polimorfa é recalcada, porém ela pode
retornar sob a forma de sintoma (o retorno do recalcado). E é justamente esse retorno que faz
a relação entre neurose perversão. É negativo porque que o que aparece e está evidente na
perversão, é o que está recalcado na neurose.

Freud irá dizer que os sintomas não surgem apenas das demandas da pulsão sexual dita
‘normal’, mas exatamente de pulsões que seriam designadas mais perversas se pudessem ser
expressadas em ações e fantasia, que não fossem desviadas pela consciência (recalcada).

Sendo assim podemos dizer que os sintomas se formam, em parte, às expensas da


sexualidade dita anormal, por isso freud afirma que a a neurose é, por assim dizer, o negativo
da perversão.

Nas neuroses, os impulsos perversos se manifestam após o recalque, a partir do inconsciente,


porque contém em um estado recalcado as mesmas tendências que as perversões positivas.

2) Sexualidade difásica. Freud irá dizer que a sexualidade é difásica pois entre a primeira

infância e o retorno da sexualidade na puberdade, temos o período de latência. E para


compreender essa relação e as razões para o período de latência é preciso refletir sobre as
fases de desenvolvimento da organização sexual.

Fase oral- a fase oral surge apoiada à funções de autoconservação, apoiadas às necessidades
vitais como a alimentação. Nesse fase existe uma satisfação oral que se descola da
necessidade vital, o objeto é autoerótico e o objetivo é a incorporação do objeto.

Fase sádico-anal- nessa fase é a primeira vez que surge a questão do controle. Ela possui dois
conteúdos: o conteúdo de atividade, que é uma satisfação em exercer esse controle/domínio ,
mobilizando o outro. E um conteúdo de passividade, que a satisfação na própria membrana
mucosa anal.

É sádico-anal pois o bebê passa a ter um pouco mais esse controle e domínio sobre sua
produção, e joga com isso, ‘’manipula’’ os pais a partir desse mecanismo. Retendo como
forma de desobediência e soltando como forma de concordar com o ambiente.

Importante dizer também que é o momento onde surge a primeira produção do bebê, que se
apresenta para o bebê como um presente aos pais. E é nesse momento onde o corre a
primeira interdição, onde o ambiente é hostil a satisfação pulsional, ex: quando os pais brigam
com o bebê porque o mesmo fez cocô.

Fase fálica- Nessa fase é onde chega ao ápice a escolha do objeto incestuoso, é o momento em
que essa escolha fica mais evidente (complexo de édipo), visto que ela já ocorre também nas
outras fases, e é exatamente por conta da escolha ais clara desse objeto que se dispara o
período de latência.
Assim, fica possível compreender as razões pelas quais Freud afirma que a sexualidade
humana é difásica.

3) A puberdade é a fase genital, nela há uma concentração (síntese) das pulsões nos

genitais, e também o desenvolvimento externo dos órgãos , que possuem aspectos hormonais.

4) Nessa fase, a interrupção/interdição primordial que foi feita na infância, pode ser

em parte, organizada agora na puberdade, através da convergência das correntes afetiva e


sensual, já que na puberdade é possível escolher um substituto a esse objeto primordial , que
é incestuoso. E a escolha desse objeto, na puberdade, se relaciona fortemente com a escolha
originária incestuosa. Sendo assim, a sexualidade na puberdade é um retorno da sexualidade
infantil e das questões edipianas infantis.