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Índice

Capitulo I: Introdução...................................................................................................................1
1. Introdução....................................................................................................................................1
1.2. Objectivos.................................................................................................................................2
1.2.1. Objectivo geral.......................................................................................................................2
1.2.2. Objectivos Específicos...........................................................................................................2
1.3. Metodologia..............................................................................................................................2
Capitulo II: Revisão da Literatura..............................................................................................3
2.1. Administração Indirecta do Estado...........................................................................................3
2.2. Características da Administração Indirecta do Estado..............................................................4
2.3. Áreas de Serviços da Administração indirecta do Estado........................................................6
2.3.1. Institutos Públicos..................................................................................................................6
2.3.2. Autarquias locais....................................................................................................................7
2.3.2.1. Características das autarquias............................................................................................8
2.3.2.3. Autonomia das autarquias locais........................................................................................9
2.3.2.4. Tutela administrativa.......................................................................................................10
2.3.2.5. Tipos de autarquias locais.................................................................................................11
2.3.2.6. Órgãos das autarquias locais.............................................................................................11
2.4. Banco Central..........................................................................................................................11
2.5. Fundações públicas.................................................................................................................11
2.6. Associações públicas..............................................................................................................12
Capitulo III: Considerações finais.............................................................................................13
3.1. Conclusão...............................................................................................................................13
4. Referências bibliográficas.........................................................................................................14

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Capitulo I: Introdução

1. Introdução

O presente trabalho cientifico realiza-se no âmbito da Cadeira de … e subordina-se ao


“Administração Indirecta de Estado”. A administração pública é uma actividade do Estado
exercida pelos seus órgãos encarregados do desempenho das atribuições públicas. É o conjunto
de órgãos e funções instituídos e necessário para obtenção dos objectivos do governo (Correia,
2012).

As autarquias são entidades dotadas de personalidade jurídica oriunda da administração indirecta


ou descentralizada. É o serviço autónomo, criado por lei, com personalidade jurídica, património
e receita próprios para executar actividades típicas da administração pública, que requeiram, para
o seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada (Silva, 2012).

As autarquias locais são pessoas colectivas públicas dotadas de órgãos representativos próprios
que visam a prossecução dos interesses das populações respectivas, sem prejuízo dos interesses
nacionais e da participação do Estado (Lei no. 2/97, art. 1).

As autarquias locais são dotadas de poderes deliberativos para sua autogovernação, através dos
seus órgãos em uma assembleia em que estas funcionam com base nas competências atribuídas
judiciariamente (Cistac, 2009).

O trabalho está estruturado em: I Capítulo que confere a Introdução, objectivos, metodologia;
Capitulo II: O enquadramento teórico e conceptual, vale ressaltar que neste capítulo
abordaremos aspectos como conceitos de administração pública, administração indirecta do
Estado, áreas de actuação da administração indirecta do estado e entre outros aspectos atinentes a
este tema; Capitulo III: considerações finais; por último referências bibliográficas.

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1.2. Objectivos

1.2.1. Objectivo geral

 Compreender os aspectos importantes da administração indirecta do Estado em


Moçambique.

1.2.2. Objectivos Específicos

 Descrever os conceitos básicos da Administração Indirecta do Estado;


 Caracterizar a administração indirecta do Estado;
 Identificar as áreas de actuação da Administração Indirecta do Estado;
 Caracterizar as áreas de actuação da administração indirecta do Estado.

1.3. Metodologia

Com intuito de referenciar o que vários autores escreveram a despeito deste tema procedeu-se à
pesquisa bibliográfica, analisando e discutindo as contribuições científicas destas.

Portanto, a pesquisa bibliográfica constituiu uma excelente técnica, fornecendo assim uma forte
bagagem teórica, de conhecimento, e o treinamento científico que habilitaram a produção deste
trabalho, dando-se ênfase à Fontes secundárias, como sendo: os Trabalhos sistemáticos e
completos que, embora umas com informações mais antiga, trouxeram a vantagem de fornecer
uma visão clara de conjunto sobre tudo o que foi publicado a despeito da Administração
Indirecta do Estado.

Vale ressaltar que as fontes foram mais relevantes os livros e bem como pesquisa na internet, que
constituiu ferramenta fundamental para a materialização deste trabalho.

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Capitulo II: Revisão da Literatura

2.1. Administração Indirecta do Estado

A Administração indirecta é o conjunto do entes (personalizados) que, vinculados a um


Ministério, prestam serviços públicos ou de interesse público. A expressão “Administração
Indirecta”, que doutrinariamente deveria coincidir com "Administração Descentralizada", dela se
afasta parcialmente. Por isto, ficaram fora da categorização como Administração indirecta os
casos em que a actividade administrativa é prestada por particulares, “concessionários de
serviços públicos”, ou por “delegados de função ou ofício público”.

Nesta sequência, surge aquilo que se chama Administração Indirecta do Estado com vista a
garantir a ajuda do Estado na prossecução desses diversos e crescentes fins e atribuições que tem
que assegurar1 (e que se tornou impraticável conseguir reunir em si mesmo sozinho a sua
prossecução, face ao aumento exponencial de papéis que lhe são exigidos).

“ O extraordinário alargamento das responsabilidades da administração pública a que este século


tem assistido e a heterogeneidade das tarefas que se lhe confiam, tornariam progressivamente mais
morosa, irregular e falível a satisfação das necessidades colectivas se o estado tivesse que as tomar
todas directamente a seu cargo2.”

Nesta sequência foi criada uma administração indirecta do Estada constituída por entidades que
apesar de criadas por ele e prosseguindo interesses dele, realizam tarefas não directamente.

Na visão de Freitas do Amaral, (2009: 349), de um ponto de vista subjectivo ou orgânico a


Administração Indirecta do Estado como “o conjunto das entidades públicas que desenvolvem,
com personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira, uma actividade
administrativa destinada à realização de fins do estado”

E define Vital Moreira (1997: 105), a Administração Indirecta como “ aquela que é realizada
por conta do Estado por outros entes que não o Estado pela sua mesma administração. É a
prossecução de atribuições administrativas de certa entidade administrativa, por intermédio de
outra entidade administrativa”.

1
MOREIRA, VITAL “ Administração Autónoma e Associações Públicas”, Coimbra Editora, 1997, Pág. 105
2
ESTEVES DE OLIVEIRA, MÁRIO “ Direito Administrativo” Volume I, Almedina Coimbra 1980, pág. 203

3
Foi feita esta autonomização ainda que muito sucinta da Administração Indirecta do Estado para
enquadrar a frase do próximo ponto “ os Institutos Públicos pertencem em rega, à Administração
Indirecta do Estado.”

O que está em causa na administração indirecta do Estado continua a ser ainda a prossecução de
fins ou atribuições do Estado, mas só que ao contrário do que acontecia na administração directa
do Estado, tal prossecução é feita através de outras pessoas colectivas distintas do Estado, este
confia a outros sujeitos de direito a realização dos seus próprios fins. As necessidades do mundo
actual levaram à vantagem de se criar novas fórmulas de organização e funcionamento da
Administração Pública, para prosseguir de forma mais eficiente os fins do Estado. Por isso o
Estado vai criar esses centros autónomos de decisão e gestão, esses organismos e serviços
continuam incorporados no Estado e vão colaborar com o mesmo para que se possa prosseguir,
da melhor maneira, os fins do próprio Estado.

Um segundo motivo que tem levado à multiplicação destes organismos autónomos é o desejo de
escapar às regras apertadas da contabilidade pública. Em terceiro lugar, há quem apresente
explicações de tipo político.

No contexto Moçambicano, a Administração Indirecta do Estado define-se nos termos do art. 72


da Lei °7/12, de 8 de Fevereiro, que refere que compreende o conjunto de instituições públicas,
dotadas de personalidade jurídica própria e criadas por iniciativa dos órgãos centrais do Estado
para desenvolver a actividade administrativa destinados à realização dos fins estabelecidos no
acto da sua criação.

2.2. Características da Administração Indirecta do Estado

Uma vez que a actividade é desenvolvida no interesse do Estado, é natural que em contrapartida
o Estado tenha sobre essas entidades e organismos consideráveis poderes de intervenção. Por
isso, de acordo com Moreira, Vital (1997: 105), as características essenciais da administração
indirecta é a sua sujeição aos poderes de superintendência e de tutela do Governo. Do ponto de
vista matéria no que diz respeito à administração indirecta é necessário fazer quatro notas:

 Em primeiro lugar, a administração indirecta é uma forma de actividade administrativa.

4
 Em segundo lugar, trata-se de uma actividade que se destina à realização de fins Estado, é
uma actividade de natureza estadual, traduz-se na realização de funções que são tarefas
do Estado.

 Em terceiro lugar, não se trata, de uma actividade exercida pelo próprio Estado, é sim
uma actividade que o Estado transfere por iniciativa própria, para outras entidades
distintas dele. No Direito Administrativo essa transferência é designada por devolução de
poderes. Esses poderes que o Estado entrega a outras entidades ficam a cargo destas,
embora continuem a ser poderes do próprio Estado.

 Em quarto lugar, a administração indirecta é uma actividade exercida no interesse do


Estado, mas é desempenhada pelas entidades a quem está confiada em nome próprio e
não em nome do Estado.

Do ponto de vista orgânico, vejamos como se caracteriza a administração indirecta é necessário


igualmente fazer quatro notas:

 Em primeiro lugar, ela é constituída por um conjunto de entidades públicas que têm
personalidade jurídica própria.

 Em segundo lugar, a decisão de criar estas entidades cabe ao Estado.

 Em terceiro lugar, o financiamento destas entidades cabe também ao Estado, no todo ou


em parte.

 Em quatro lugar, estas entidades dispõem em regra de autonomia administrativa e


financeira, ou seja, tomam elas as suas próprias decisões, gerem como entenderem a sua
organização, cobram elas as suas receitas, realizam elas as suas despesas e organizam as
suas próprias contas.

O grau de autonomia de que dispõem estas entidades, e, portanto, o maior ou menor


distanciamento em relação do Estado, é muito variável. Pode atingir um nível máximo, é o que
se sucede nas empresas públicas, na modalidade de entidades públicas empresariais. Pode
assumir uma posição intermédia, que é o que se verifica nos chamados organismos de
coordenação económica, porque a sua actividade não reveste apenas carácter técnico ou

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económico, também comporta funções de autoridade, uma vez que estes organismos têm poderes
regulamentares, de fiscalização e de coordenação.

Finalmente o grau de autonomia pode ser mínimo quando estes organismos funcionem como
verdadeiras direções-gerais do ministério a que respeitam. Nestes casos a personalidade jurídica
e autonomia administrativa e financeira constituem mera aparência.

2.3. Áreas de Serviços da Administração indirecta do Estado

De acordo com o art. 74 da Lei °7/12, de 8 de Fevereiro, administração indirecta do Estado


compreende os seguintes serviços:

 Institutos públicos;
 Autarquias locais;
 Banco Central de Moçambique;
 Fundações Publicas;
 Fundos públicos;
 O sector empresarial.

2.3.1. Institutos Públicos

Os institutos Públicos surgem, como as entidades que o Estado cria face à sua incapacidade de
prosseguir a já referida multiplicidade de fins, (tentando satisfazer todo o tipo de necessidades de
toda a sociedade), para de forma mais eficiente assegurar a prossecução dessas novas tarefas
(nesta lógica e face ao que foi dito no ponto anterior em regra pertencem à administração
Indirecta do Estado).

Segundo Ana Fernanda Neves (2003: 502), os institutos públicos “Surgem assim centros de
poder administrativo, “de promoção de interesses públicos” determinados, sujeitos de Direito
nascidos a partir de outros, em torno dos quais ficam a voltejar, como sua expressão indirecta e
instrumental, e por ajuizamento dos quais sofrem modificações ou se extinguem”.

“Nas palavras de Breuer (1992:97), a proliferação de institutos e associações públicas é a


“resposta necessária do moderno Estado Social ao alargamento das suas tarefas”

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Define Paulo Otero3 os Institutos Públicos como “sendo uma entidade colectiva de direito
público sem base territorial ou associativa, assente num substrato institucional crida para a
prossecução de fins administrativos específicos, sendo proveniente de um fenómenos de
descentralização e encontrando-se sujeita a uma intervenção intersubjectiva por parte de outar
entidade pública.”

E Ana Fernanda Neves (2003: 498), define-os como “ pessoas colectivas públicas, criadas para
assegurar atribuições específicas do estado ou de outra pessoa colectiva pública, perfilando-se
como sujeitos de direito público dotados de autonomia administrativa e financeira, com o
encargo de assegurar tais atribuições”.

No contexto Moçambicano, os Institutos Públicos encontram o seu enquadramento legal na Lei -


Quadro dos Institutos Públicos, aprovada pela Lei °7/12, de 8 de Fevereiro. E são definidos nos
termos do art. 80 da mesma lei, como pessoas colectivas de direito público, dotados de
personalidade jurídica própria, criadas com o fim de realizar as atribuições fixadas no acto da sua
criação.

Refere esta lei no seu n° 2 do artigo 80º que “Para efeitos da presente lei, consideram-se
institutos públicos, independentemente da sua designação, os serviços e fundos das entidades
com autonomia administrativa e financeira”.

Segundo o Professor Diogo Freitas do Amaral existem três espécies a considerar de institutos
públicos, nomeadamente os serviços personalizados, fundações públicas e os estabelecimentos
públicos.

Os serviços personalizados são os serviços públicos de carácter administrativo a que a lei atribui
os seis tipos de institutos públicos e eles são dotados de personalidade jurídica e autonomia
administrativa, ou administrativa e financeira, (art.81º, nº 1 e 2, Lei °7/12, de 8 de Fevereiro). No
grupo dos serviços personalizados, há ainda uma subespécie muito importante a considerar, que
são os chamados organismos de coordenação económica, estes são serviços personalizados do
Estado que se destinam a coordenar e regular o exercício de determinadas actividades
económicas que pela sua importância merecem uma intervenção mais vigorosa do Estado. A

3
OTERO, PAULO, “institutos Públicos” in Dicionário jurídico da Administração Pública, pág. 251

7
actividade administrativa e a gestão económica e financeira destes organismos estão sujeitas a
uma fiscalização bastante rigorosa do Estado.

2.3.2. Autarquias locais

Para o filólogo Ferreira (1996): “Autarquia significa Entidade autónoma, auxiliar e


descentralizada da administração pública, sujeita à fiscalização e à tutela do Estado, com
património constituído de recursos próprios, e cujo fim é executar serviços de carácter estatal
ou interessantes à colectividade, como, entre outros, caixas económicas e institutos de
previdência.”

Para Silva, (1999), a Autarquia é uma “Palavra derivada do grego autos-arkhé, com a
significação de autonomia, independência, foi trazido para linguagem jurídica, notadamente do
Direito Administrativo, para designar toda organização que se gera pela vontade do Estado, mas
a que se dá certa autonomia ou independência, organização esta que recebeu mais propriamente a
denominação de autarquia administrativa.”

As autarquias são serviços criados por lei por uma entidade jurídica, para executar actividades
típicas da administração pública, para um funcionamento melhor, a partir de uma gestão
administrativa e descentralizada. Trata-se de pessoas jurídicas de Direito público de capacidade
exclusivamente administrativa (BRASIL, 2013).

2.3.2.1. Características das autarquias

As autarquias são dotadas de uma capacidade de auto-administração, em que a sua principal


função é de prestar serviços públicos ou exercer outras actividades administrativa que implique
poderes próprios do Estado. É uma pessoa jurídica criada por uma lei especifica e que goza de
uma autonomia de autogovernação para o desenvolvimento económico e social da circunscrição
territorial (Carvalho Filho, 2014).

A autarquia submete-se ao regime jurídico de gestão da administração directa, inclusive quanto a


actos e processos administrativos, licitações, contratações, bens, servidores públicos,
responsabilização, prestação de contas, imunidade tributária e prerrogativas processuais
(Carvalho Filho, 2014).

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No concerne às Autarquias locais, define-se segundo o, art. 1 da Lei no. 2/97, como pessoas
colectivas públicas dotadas de órgãos representativos próprios que visam a prossecução dos
interesses das populações respectivas, sem prejuízo dos interesses nacionais e da participação do
Estado.

Na organização democrática do Estado, o poder local compreende na existência de autarquias


locais, em que estas desenvolvem actividades no quadro da unidade do Estado e organiza-se com
pelo respeito a unidade do Poder político e do ordenamento jurídico (Lei no. 2/97, art. 1).

E é composta por uma estrutura regimental aprovada por decreto. O seu quadro pessoal é
composto por cargos efectivos, organizados em carreiras (Carvalho Filho, 2014).

2.3.2.3. Autonomia das autarquias locais

A “autonomia local”, é ”o direito e a capacidade efectiva das autarquias locais regulamentarem e


gerirem, nos termos da lei, sob sua responsabilidade e no interesse das respectivas populações,
uma parte importante dos assuntos públicos”. Pressupõe, o direito, de participar na definição das
políticas públicas nacionais que afectam os interesses das respectivas populações locais; o direito
de compartilhar com o Estado o poder de decisão sobre as matérias de interesse comum e o
direito de regulamentar, na medida do possível, normas ou planos nacionais, de maneira a melhor
adaptá-las às realidades locais (Cistac, 2012).

Nisto, as autarquias locais gozam de uma autonomia administrativa, financeira e patrimonial,


uma vez que se autogoverna, em pratica de actos definidos em sua área de circunscrição
territorial. Ela também tem a capacidade de criar, organizar e fiscalizar os serviços destinados a
assegurar a persecução das suas atribuições, como forma autónoma da administração local. As
autarquias locais também são capazes de elaborar e aprovar os seus próprios planos de
actividades e orçamento; elaborar as suas contas de gerencias e dispor de suas próprias receitas,
em outras palavras, as autarquias locais tem autonomia de sustentar a si mesma através de
planeamentos e gerencia de actividades do seu próprio território. Ela deve subsistir através dos
seus recursos e criar outros recursos para o progresso local (Lei no. 2/97, art. 7).

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2.3.2.3. Autarquia Local Como Representação do Estado

As autarquias locais são controladas através dos Órgãos do Estado Local (o Governo Provincial
ou Governo Distrital), que tem por objectivo primordial garantir a realização de tarefas e
programas económicos, sociais e culturais de interesse local e nacional, observando a
Constituição, as deliberações da Assembleia da República e as decisões do Conselho de
Ministros e dos órgãos do Estado de escalão superior (Lei no. 2/97, art. 8). Esses órgãos Locais
são tidos como representantes do Estado, uma vez que, trata-se de uma forma indirecta de
Administração Pública pelo Estado (Carvalho Filho, 2014).

2.3.2.4. Tutela administrativa

A autonomia de que beneficiam as autarquias locais significa, igualmente, que não há relação de
subordinação hierárquica das autarquias locais ao Estado. Contudo, a não subordinação
hierárquica não significa que as autarquias locais se tornaram independentes do poder central.
Por outras palavras, a criação das autarquias locais não liberta o Estado da sua responsabilidade
global sobre o país e o funcionamento das diversas instituições constitucionalmente
existentes (Cistac, 2009).

Nestas condições, a existência de um controlo do Estado sobre as autarquias locais é um


elemento constituinte do próprio processo de descentralização. Contudo, é necessário que este
controlo seja organizado de maneira a respeitar o princípio de autonomia consagrado pela própria
Constituição (Cistac, 2009).

A Lei organiza o controlo da actividade dos órgãos das autarquias locais pelos agentes do Estado
através da criação de um conjunto de meios e procedimentos designado pelo vocábulo de “tutela
administrativa”, de modo que elas não violem a legalidade dos actos administrativos a ser
seguido tem termos jurídicos. Porém, as autarquias também podem impugnar as ilegalidades das
autoridades tutelar caso eles tentem infringir a lei no exercício dos poderes de tutela em
autarquias locais (Cistac, 2012).

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2.3.2.5. Tipos de autarquias locais

De acordo com a lei no 2/97 art. 2 as autarquias podem ser categorizadas em municípios e
povoações, em que os municípios correspondem a circunscrição territorial das cidades e vilas,
enquanto as povoações, a circunscrição territorial da sede de posto administrativo.

O município é o espaço territorial onde pode-se encontrar as cidades e vilas numa autarquia. É a
corporação estatal que tem por finalidade a administração de uma cidade ou vila (Silva, 1999).

Os municípios são compostos por uma Assembleia Municipal, Presidente do Conselho Municipal
e o Conselho Municipal (Lei no. 2/97, art. 2).

As povoações, são autarquias locais designadas por postos administrativos, constituídos por uma
Assembleia da Povoação, Conselho da Povoação e Presidente do Conselho da Povoação. Como
nos municípios, as povoações são dotadas de poderes deliberativos, e a sua constituição interna
por membros eleitos por sufrágio universal, directo, igual, secreto, pessoal e periódico dos
cidadãos eleitores no respectivo círculo eleitoral (Lei no. 2/97, art. 64, 65,67).

2.3.2.6. Órgãos das autarquias locais

A administração das autarquias locais é confiada à dois tipos de órgãos: um órgão deliberante e
representativo: a assembleia municipal ou de povoação; e órgãos executivos: o conselho
municipal ou de povoação e o presidente do conselho municipal ou de povoação (Lei no. 2/97,
art. 16).

2.4. Banco Central

Nos termos do n° 1 do artigo 78 da Lei °7/12, de 8 de Fevereiro, define-se o Banco Central como
o banco centra da Republica de Moçambique. E refere o n° 2 do artigo 78º que “O Banco Central
é uma pessoa colectiva do direito público, dotada de autonomia administrativa e financeira.

2.5. Fundações públicas

Define-se as fundações publicas nos temos do artigo 95 da Lei °7/12, de 8 de Fevereiro, como “
pessoas colectivas de direito publico, criadas pelo Conselho de Ministros, destinadas a gerir no

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interesse geral o património ou fundos públicos. As fundações públicas adoptam sempre a
natureza de institutos públicos devendo na sua denominação apresentar menções que permitam a
sua distinção dos restantes tipos institucionais.

Relativamente às fundações públicas, estas têm uma natureza de pessoa colectiva pública. De
acordo com a definição legal, as fundações públicas são pessoas colectivas de direito público,
sem fim lucrativo, com órgãos e património próprio e autonomia administrativa e financeira.

É necessário referir que surgiram também as chamadas fundações públicas de direito privado,
estas são criadas por entidades públicas, isoladamente ou em conjunto com entidades privadas.
Estas fundações são igualmente dotadas de personalidade jurídica de direito público, têm a sua
actividade regulada por regras de direito privado, contudo não deixam de estar submetidas a
importantes vínculos de direito público.

2.6. Associações públicas

Segundo o preceituado no art. 107 da Lei °7/12, de 8 de Fevereiro, define-se as associações


públicos como “administração autónoma associativa que compreende as associações públicas
que integram a pessoais singulares e as associações de entidades publicas. Podem ser criadas as
associações públicas que integram pessoas singulares e pessoas colectivas publicam e privadas
em simultâneo.

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Capitulo III: Considerações finais

3.1. Conclusão

Das abordagens feitas a recurso de pesquisas bibliográficas, chega-se a conclusão os institutos


públicos, banco central, autarquias locais, fundações públicas, fundos públicos, constituem a
administração indirecta do Estado. Assim senso, as autarquias são entidades jurídicas criadas por
lei para servir o Estado, no desenvolvimento nacional. É uma forma indirecta de administração
pública, em que os Estados através dos seus órgãos comandam ou controla as actividades de
desenvolvimentos dessas autarquias.

As autarquias locais funcionam como uma pessoa jurídica que dispõe de uma autonomia de
autogovernação. Com a capacidade autónoma na área administrativa, financeira e patrimonial, e
que todo bem localizado na autarquia local é usado para o desenvolvimento da circunscrição
territorial local.

As autarquias locais são categorizadas em dois tipos a destacar: Municípios (podendo ser vilas
ou cidades) e Povoações (os postos administrativos), em que, os municípios como as povoações
são compostos por seus respectivos órgãos a destacar a Assembleia, o Conselho e o Presidente
antárctico local (do município ou povoação).

É de realçar que o sector empresarial igualmente aos institutos públicos estão sujeitas à
intervenção do Governo, que reveste as modalidades de superintendência e da tutela. Nesses
termos o Governo tem o poder de tutela, isto é, tem o poder de fiscalizar as empresas públicas e
ao mesmo tempo tem poderes de superintendência, ou seja, tem poderes de orientação
relativamente às empresas públicas. O Governo tem diversos poderes sobre as empresas
públicas, nomeadamente tem o poder de definir os objectivos básicos das empresas públicas, tem
poderes de controlo financeiro, entre muitos outros poderes que se encontram previstos.

Em suma as empresas públicas gozam de autonomia, mas não gozam de independência, as


empresas públicas pertencem ao Estado e consequentemente estão sujeitas à intervenção do
Governo.

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4. Referências bibliográficas

Direito administrativo. Rio de Janeiro : Brasil Concursos, 2013.

Carvalho Filho, José dos Santos. 2014. Manual de direito administrativo. São Paulo : Editora
Atlas, 2014.

Cistac, Gilles. 2012. MOÇAMBIQUE: Institucionalização, organização e problemas do poder


local. Maputo : Universidade Eduardo Mondlane, 2012.

Correia, Servolo. 2012. Modulo de direito administrativo. Lisboa : IPM, 2012.

Esteves de Oliveira, Mário “ Direito Administrativo” Volume I, Almedina Coimbra 1980

Ferreira, Aurélio Buarque. 1996. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Hollanda :
Editora Nova, 1996.

Lei n°. 2/97, de 28 de Maio. 1997. Lei bases das Autarquias: Lei no. 2/97, de 28 de
Maio. Maputo : Assembleia da Republica, 1997.

Moreira, Vital “ Administração Autónoma e Associações Públicas”, Coimbra Editora, 1997.

Neves, Ana Fernanda, “Os institutos públicos e a descentralização administrativa” in estudos


em homenagem ao professor Doutor Galvão teles, Vol. V Coimbra 2003.

Silva, Bruno I. 2012. Noções do direito administrativo. Sao Paulo : Origem do Direito
Administrativo, 2012.

Silva, Oscar Joseph de Plácido. 1999. Vocabulário Jurídico. 15a . Rio de Janeiro : Editora
Forense, 1999.

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