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OS DIREITOS DAS CRIANÇAS NO CENTRO DA LUTA POR CRECHES

Elina Elias de Macedo1

Resumo: Ao discutir a luta por creches na cidade de São Paulo, o objetivo deste trabalho é elencar
os elementos da mudança argumentativa no discurso dos grupos feministas, que a partir do
denominado período da “transição democrática” (anos de 1980) passa a defender que a socialização
das crianças é uma tarefa a ser assumida pela sociedade como um todo e não apenas pela mulher-
mãe e pela família. Assim, o direito à creche que até então era uma reivindicação das mães
trabalhadoras, apresentada por meio dos sindicatos e pelo movimento feminista passa a articular a
luta por igualdade de condições de trabalho entre homens e mulheres, com o direito à educação das
crianças pequenas em espaços públicos e coletivos. O levantamento foi feito, principalmente, a
partir das matérias do jornal Mulherio e da produção acadêmica sobre creche e direitos da criança
na década de 1980. O estudo embora tenha um caráter bibliográfico e inventariante não se
caracteriza como “estado da arte”, pois não apresenta um mapeamento do tema. A intenção é
discutir a produção de conhecimento da área e sua relação com as lutas sociais.
Palavras-chave: Creche. Criança. Feminismo. Lutas sociais.

Ao buscar as origens do reconhecimento da importância da educação das crianças de 0 a 6


anos de idade, em ambientes públicos e coletivos no Brasil (creches e pré-escolas) voltei meu olhar
para as décadas de 70 e 80 do século XX, período no qual o movimento feminista brasileiro atuava
como uma das forças progressistas de oposição à ditadura militar e de defesa dos direitos humanos.
(MORAES, 2001).
Busquei na intersecção do movimento feminista com a produção acadêmica do mesmo
período, sobre a pequena infância, elementos para discutir a luta por creches e as transformações no
discurso reivindicatório, que até determinado momento era fundamentado no direito da mulher
trabalhadora e aos poucos se transformou e reconheceu o direito da criança à educação como
prioridade.
Escolhi dois jornais alternativos e ligados ao movimento feminista jornal Brasil Mulher e
Jornal Mulherio como porta vozes deste movimento, pelo período histórico que abrangem, por
representarem diferentes grupos, posicionamentos políticos e facetas do movimento feminista.

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Doutoranda do programa de pós-graduação da Faculdade de Educação da Unicamp – Campinas –São Paulo
Membro do Gepedisc- Culturas Infantis (Grupo de estudos e pesquisa em diferenciação sociocultural)

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Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2013. ISSN 2179-510X
O jornal Mulherio conta com toda a sua coleção digitalizada e de fácil acesso no site da
Fundação Carlos Chagas /Biblioteca Ana Maria Poppovic o que facilitou a leitura de todos os
exemplares para uma visão geral dos assuntos tratados e das matérias publicadas. Já o jornal Brasil
Mulher foi acessado por meio de estudos sobre o próprio jornal e do movimento feminista. Não será
feita aqui a discussão da representatividade e dos diversos feminismos, pois apenas procuro
problematizar a questão da luta por creches presente nestes documentos.
O período histórico da publicação destes periódicos foi marcado pelo Ano Internacional da
Mulher (1975) que estabeleceu uma referência na luta feminista no Brasil assim como a Década da
Mulher (1975 a 1985) ambos instituídos pela ONU. Repercutiu também a criação, ainda no período
ditatorial, do Conselho Estadual da Condição Feminina, em São Paulo e do Conselho Nacional dos
Direitos das Mulheres que tornaram-se espaços importantes onde se fez presente a luta pelo direito
à Creche e à Educação Infantil.
Por fim, pauto também a discussão teórica sobre as aproximações e contradições da
construção do conceito de gênero e de infância.

Jornal Brasil Mulher

Em seu artigo intitulado “Brasil Mulher e Nós Mulheres: origens da imprensa feminista
brasileira” Rosalina Leite (2003) explica que o Brasil Mulher sobrevivia da venda de seus
exemplares e de assinaturas e que era constituído por mulheres militantes de diversos partidos e
organizações, a época clandestinos, tais como: Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido
Comunista do Brasil (PCdoB), da Ação Popular Marxista Leninista (APML) e do Movimento
Revolucionário 8 de Outubro (MR8). Durante o período de sua publicação de 1975 a 1980 teve 16
edições regulares e 4 extras.
Os temas abordados eram de resistência à Ditadura, com reivindicações democráticas como:
repeito aos direitos humanos, luta pela anistia e também questões referentes à classe trabalhadora
como: as questões salariais, da jornada de trabalho e também a luta por terra. Tudo sempre pela
ótica da mulher, além de tratar das questões especificamente feministas como o direito ao aborto e
de repúdio violência contra a mulher, etc..
A luta por creches foi tema constante do Brasil Mulher aparecendo tanto nos artigos e
editoriais da conjuntura geral ou tratado de forma específica em matérias dedicadas ao assunto.
A edição de nº5 de 1976 traz na capa a imagem de uma mulher carregando uma criança
pequena e o título “Creche reivindicação de todas nós” que tratava da necessidade de guarda das

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crianças para que a mulher pudesse trabalhar. Derbortolis (2002). Percebemos assim que o enfoque
era a necessidade de creche para que a mulher pudesse trabalhar fora de casa e ter um lugar seguro
para deixar os filhos.
Em algumas edições (como nº 6 e 7 de 1977) foi veiculada uma história em quadrinhos
intitulada “Queremos creche” que relatava o sofrimento e as aventuras de uma mãe em busca de
creche para o filho.
Na edição de Abril de 1979 a ênfase foi dada ao relato do I Congresso da Mulher Paulista
que reuniu militantes dos movimentos sociais e sindicalistas em que dentre os principais temas
abordados a luta por creches aparece com destaque.
No Brasil Mulher a emancipação feminina aparece vinculada a emancipação humana e a
transformação da sociedade. Com uma perspectiva classista, os temas do feminismo estavam muito
próximos aos temas da classe trabalhadora do ponto de vista das mulheres e não focavam as
questões de gênero especificamente.
Vemos assim, que a creche aparece como uma das bandeiras adotadas pelas feministas e que
as referências à luta por creches aparecem atreladas à necessidade da mulher ter com quem deixar
os filhos. Vinculada à questão da igualdade de direitos entre homens e mulheres principalmente
igualdade de possibilidades de acesso ao trabalho, visto que o cuidado e a guarda das crianças
pequenas eram objeto da legislação trabalhista e reivindicação histórica das mães trabalhadoras.

Jornal Mulherio

O Jornal Mulherio, segundo as informações disponíveis no portal da Fundação Carlos


Chagas, responsável pela sua publicação nos anos de 1981 a 1988 abordava temas que diziam
respeito à mulher brasileira e que eram sistematizados pelas pesquisadoras da Instituição envolvidas
com o estudo da condição feminina no Brasil. Sua sustentação financeira advinha de financiamento
da Fundação Ford.
Em seu artigo, no lançamento do periódico, Maria Carneiro da Cunha apresenta suas
reflexões a respeito dos rumos e encaminhamentos do movimento feminista brasileiro, em que
destaca que muitas pesquisadoras acadêmicas se apropriaram da condição feminina como objeto de
investigação e observa uma aproximação destas com os grupos organizados que lutavam por creche.
A aproximação com os movimentos sociais se dava na medida em que produziam-se textos
que subsidiavam a reflexão e elaboração de propostas relacionadas à temática (feminismo, creche,

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etc.) . Suas matérias tornavam públicas as pesquisas da área e em algumas edições havia também
referência a artigos publicados no Caderno de Pesquisa (revista científica também de publicação da
mesma Fundação). Assim, Mulherio contribuía na luta por creches, pois além divulgar a produção
de conhecimento sobre diversos temas de interesse social trazia informações sobre os diversos
movimentos sociais e políticos.
Embora tratasse também de temas mais diversos, tendo inclusive uma seção dedicada à
cultura (cinema, teatro, literatura, fotografia, etc.) abordava os anseios democráticos deste período
histórico como: o movimento pelas Diretas Já, luta pela Assembleia Nacional Constituinte
democrática e soberana, etc. Diferenciava-se do jornal Brasil Mulher sobretudo nas discussões
sobre o feminismo, pois enfatizada as questões de gênero que em suas matérias ganharam maior
destaque como exemplo cito a edição de n.2 em que Fúlvia Rosemberg discute as questões de
gênero para a educação das crianças pequenas.
Seguiremos a nossa discussão com a análise de alguns dos artigos do periódico.
Mesmo perdendo espaço para demandas importantes da vida política nacional. A luta por
creches continuou a aparecer como tema de diversas matérias e mesmo depois que o movimento por
creches perdeu força este tema permaneceu presente em divulgação dos Cadernos de Pesquisa
como, por exemplo, no nº 25 de 1986 em que foi publicado um quadro com a palavra Creches em
que apareciam os títulos dos artigos de pesquisa relacionados ao tema e a edição em que se
encontravam.
A edição de nº 4 o Mulherio foi dedicada ao assunto creche. A capa traz uma charge do
talentoso e emblemático cartunista Henfil na qual uma mãe, com trouxa de roupa na cabeça,
acompanhada por uma pequena criança negra olha para o morro do cristo redentor ao fundo e
pergunta: “O senhor cuida dele pra mim enquanto eu vou trabalhar?” (Mulherio, n.4 capa, 1981).
Neste número foi tratada também as condições das crianças no campo e a inexistência de
creches que atendessem a zona rural. Traz também a entrevista com uma sindicalista da indústria
têxtil (Neusa Nogueira) que defende que as creches não sejam lugares onde as crianças sejam
apenas vigiadas, mas sim lugares em que sejam cuidadas e que tenham seu desenvolvimento
intelectual incentivado. Propõe que todas as creches tenham diretores eleitos pela comunidade como
acontecia em creches da prefeitura de São Paulo.
O artigo intitulado “Quem pariu Mateus que o embale” trazia reflexões que refutavam a
ideia elitista e machista que cuidar e educar a criança pequena era uma tarefa exclusivamente da
mãe. Assinalava que havia um grupo de mulheres que começava a pensar coletivamente a educação

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das crianças ou “formas coletivas de guarda e proteção da criança” (Mulherio, n.4, p.10). Outro
evidente avanço neste sentido é que ao discutir a organização e administração das creches já em
funcionamento destacava a necessidade de projeto político pedagógico o que evidenciava a
perspectiva de seu caráter educativo.
Também as conquistas do movimento de luta por creches eram comemoradas pelas
militantes feministas “O espaço que a gente está tendo hoje não existia de forma alguma há oito
anos. Bem ou mal a Prefeitura de São Paulo construiu 140 creches, e esse é um número apreciável”
(Mulherio, n. 6, p.17).
A Educação Infantil neste período histórico apoiava-se bastante na psicologia do
desenvolvimento, que apontava os problemas de defasagem cultural entre as crianças pobres e de
classe média o que em outros países caracterizava o período pré-escolar como uma alternativa que
compensaria esta defasagem.
Começavam a aparecer estudos feitos em outros países que indicavam que a guarda das
crianças pequenas era também responsabilidade da sociedade devendo ser disponível para todas as
famílias e não apenas para as mães que trabalham fora de casa, por seu caráter educativo.
Rosemberg (1984) afirma que a Creche teve trajetória histórica com períodos de expansão e
retração do atendimento vinculado ao estímulo ou ao cerceamento do trabalho da mulher/mãe.
Como instituição substituta da mãe a creche foi tida como um mal necessário.
Mesmo no interior do movimento feminista que questionava o papel da mulher em relação à
maternidade, a divisão sexual do trabalho e a dupla jornada feminina. E, portanto, a divisão da
responsabilidade pela educação e cuidado das crianças com os pais/maridos ou com a sociedade de
forma ampla a educação das crianças pequenas em espaços coletivos demorou a ser reconhecida
como benéfica.
Neste sentido matérias como a feita com a participação de Luigia Camaloni, professora de
Psicologia Evolutiva da Universidade de Roma, que afirmava que: “A creche é uma ótima
oportunidade para a criança pequena relacionar- se com outras da mesma idade e crescer nesse
relacionamento.” (Mulherio, n.4, p.17) contribuiu para mudar o enfoque da luta por creches para
além do direito da mulher trabalhadora.

As crianças pequenas no centro da luta por creches

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O direito da criança pequena à educação e o papel destas como atores sociais demorou a ser
reconhecido. Rosemberg (1996) em relação à luta feminista por igualdade e sobre o conceito de
gênero pontua que o rompimento com os determinismos biológicos:

[...] acabou se restringindo às classificações de sexo que, para serem evidenciadas,


têm precisado se apoiar numa teoria de desenvolvimento que escora em
determinações biológicas (principalmente através do conceito de período crítico) e
não compreende a infância fora do universo adulto e contexto familiar.
(ROSEMBERG, 1996, p.19)

Em vários momentos o movimento feminista apoiava-se em concepções


desenvolvimentistas da criança, levando em conta apenas o padrão adulto e também apresentava
estudos de gênero focados nas relações familiares. “Como se toda a dinâmica psicológica das
crianças se esgotasse na família, sempre em uma relação etária assimétrica” (ROSEMBERG, 1996,
p. 21).
A infância é uma categoria social construída historicamente a partir de uma configuração
corporal, que assim como o conceito de gênero, “não reflete a realidade biológica primeira, mas
constrói o sentido desta realidade [...] é antes uma estrutura social movente, que deve ser analisada
nos seus diferentes contextos históricos” (SCOTT, 1998, p.2).
O conceito de gênero “desafia a máxima essencialista de que a biologia é o destino,
transcendendo o reducionismo biológico, interpretando as relações entre homens e mulheres como
formulações culturais resultantes da imposição de significados sociais, culturais e psicológicos
sobre identidades sexuais” Stolcke2 (1991 apud ROSEMBERG, 1996, p.19). A problematização
trazida pelo conceito resultou na exploração de novos temas e na exigência de grupos feministas de
um reexame crítico da produção do conhecimento científico.
Este reexame crítico não se estendeu a ponto de questionar o padrão adultocêntrico e os
estudos que focavam crianças e relações de gênero muitas vezes tinham como ponto de partida as
suas relações familiares.
Rosemberg (1996, p.21) ressalta ainda que: “A saída do campo familiar no caso da formação
da identidade sexual traz uma complexidade (e consequentemente riqueza) maior: é fora dele que se
podem observar nas sociedades contemporâneas, outras combinações entre poder, gênero e idade.”
Também com relação aos ditames biológicos Jenks argumenta que como todos nós já fomos
crianças, como de uma forma ou de outra, convivemos com elas isto faz com que noções a respeito
da infância perpassem a linguagem cotidiana e o pensamento de senso comum “experiências que
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STOLCKE, V. Sexo está para gênero assim como sexo está para etnicidade? Estudos Afro-Asiáticos. Rio de Janeiro,
(20), 1991, pp. 101-120.

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tornam esta categoria ‘normal’ e rapidamente transformável em categoria ‘natural’ (tal como
acontecia com as categorias gênero e raça).” ( JENKS, 2002, p. 190). Também já havia alertado
que:

A história das ciências sociais tem, no entanto, dado provas de uma crítica e
desmistificação sistemáticas das ideologias dominantes do capitalismo em relação
à classe social, do colonialismo em relação à raça e do patriarcado em relação ao
gênero; contudo, pelo menos até agora, a ideologia do desenvolvimento tem-se
mantido relativamente intacta no que diz respeito à infância. (JENKS, 2002, p.
188)

Faria (2006) destaca que a visibilidade da condição infantil na esfera pública teve a
contribuição das “pesquisadoras feministas a observarem como são as crianças quando estão fora
da família, o que levará, nos anos 80, o próprio movimento feminista a levantar a bandeira também
de creches para as crianças pequenas e não só para suas mães trabalhadoras”
Como em texto apresentado no “Congresso Menor e Constituinte”, em outubro de1985 no
qual Fúlvia Rosemberg reafirma a reivindicação para um atendimento à criança de 0 a 6 anos que
não ficasse restrito a assistência e custodia, mas que considerasse os aspectos educacionais “na
medida em que se considera que o desenvolvimento se dá através das atividades da vida diária. Isto
é, a criança pequena aprende e se desenvolve enquanto toma banho, troca fralda, mama, corre ou
brinca.”(ROSEMBERG, 2006, p.3). Destacou que as conclusões dos encontros sobre “Menor e
Constituinte” reivindicavam o direitos à educação universal, gratuita e obrigatória dos 0 aos 14 ou
18 anos, o que trazia implicitamente a ideia de que a educação da criança de 0 a 6 anos deveria ser
compartilhada entre família e sociedade e que os serviços de creches deveriam ser obrigação do
Estado e uma opção das famílias.
O papel fundamental das investigações em espaços coletivos que tenham como foco as
relações que as crianças estabelecem entre si para compreender as mudanças sociais é também
apontado por Rosemberg (1996).
Faria (2005) afirma que as pesquisas deram visibilidade às culturas infantis e foi o que
permitiu conhecer e comprovar que a as crianças pequenas são seres pensantes muito além do ser
incompleto ou vir a ser apontado por alguns e destaca que:
[...] não foram as crianças nessa fase da vida que reclamaram seus direitos. Foram
adultos lúcidos que lutaram por eles, conquistando assim a possibilidade do
coletivo infantil, isto é, de a criança ser educada na esfera pública complementar à
esfera privada da família, por profissionais diplomados distintos dos parentes, para
a construção da sua cidadania; e de conviver com a diversidade cultural brasileira,
produzindo as culturas infantis, entre elas e entre elas com os adultos. (FARIA,
2005, p.1015)

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Faço minhas as palavras de (FARIA, 2006, p.287) e “Finalizo insistindo que a superação da
desigualdade com certeza passa pela educação desde a primeiríssima infância em espaços coletivos
na esfera pública convivendo com as diferenças”.

Referências

CAMPOS, Maria Malta; FERREIRA, Isabel M.; ROSEMBERG, Fúlvia Creches e Pré-escolas no
Brasil.2ª ed.. São Paulo: Cortez: Fundação Carlos Chagas, 1995.

DEBERTOLIS, Karen Silvia. Brasil Mulher: Joana Lopes e a Imprensa Alternativa Feminista.
Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) - Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, 2002.

FARIA, Ana Lucia Goulart de, Políticas de regulação, pesquisa e pedagogia na educação infantil,
primeira etapa da educação básica. Educação e Sociedade, Campinas, v. 26, n. 92, out. p.1013-
1038. 2005.

______. Pequena infância, educação e gênero: subsídios para um estado da arte. Cadernos Pagú
(26) janeiro-junho de 2006: pp.279-287.

GROSSI, Miriam Pillar; HEILBORN, Maria Luiza; RIAL, Carmen. Entrevista com Joan
Wallach Scott (Ponto de Vista). Estudos Feministas. Florianópolis: v. 6, n. 1. 1998.

JENKS, Chris. Constituindo a Criança. Revista Educação, Sociedade & Culturas, 2002.
LEITE, Rosalina de Santa Cruz. Brasil Mulher e Nós Mulheres: origens da imprensa feminista
brasileira. Rev. Estud. Fem. [online]. 2003, vol.11, n.1, pp. 234-241.

MORAES, Maria Lygia Quartim de. Apresentação. Cad. Pagu [online]. 2001, n.16, pp. 7-12.

ROSEMBERG, Fúlvia. Educação para quem? Ciência e cultura, 28 (12), dezembro 1976.

______. Educação de crianças de 0 a 6 anos e a constituinte. São Paulo, s.c.p, 1985. 6p.
Apresentado em: Congresso Estadual Menor e Constituinte, São Paulo, 9 a 11 de out. 1985.

______. Teorias de Gênero e subordinação por idade: um ensaio. Pró-Posições. Universidade


Estadual de Campinas. Faculdade de Educação. Campinas: v.7, n.3, p. 17-23, nov/1996.

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Children’s rights in the core of the fight for daycare centers

Astract: The goal of this paper is to present elements of the argumentative change in feminist
groups’ speech, by discussing the struggle for daycare centers in the city of São Paulo. Since the so-
called “democratic transition” period (in the 1980’s), such speech has begun to support that
children’s socialization is a task to be taken over by society as a whole, and not only by the woman-
mother or by the family. Hence, the right for daycare centers, so far claimed by working mothers
alone, also presented through the syndicate and the feminist movement, begins to join the fight for
equality of working conditions between men and women, with the right to education of younger
children in public and collective spaces. The survey has come out, majorly, from the features of
“Mulherio” newspaper, also from academic publishing concerning daycare centers and children’s
rights in the 1980’s. Although such study has a bibliographic, inventory-like character, it is not
classified as the “state-of-the-art”, for it does not display a mapping of this theme. Therefore, the
purpose is to discuss the production of knowledge in this scope, and its relations to the social
conflicts.

Keywords: daycare. children. feminism. social conflicts.

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