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Erlc Overmyer O que ttoels laaem quando se encontrdm?

Apenas
Wocdm ideias ou redbnente

crlam a histtlrlrr./untosl
talvez, chegamos a um consenso
David e eu, c malg uma ou duas pessoas
tobreaquestãodahistória.Àsv.zesDavideettfazernosoprimeiroras-
Eric overmyer ingressou na equipe de The wire emzoo6 como produtor cunho,masmuitasvezesissoéfeitoporumroteiristadefora'Umrotei-
consultor e roteirista - era a quarta temporada da série. Anteriormente, rlstafreelancer'Nãosetrataexatamentederoteiristasdefora,poiseles
o tempo todo'
havia trabalhado em st. El.sewhere, Homicide: Life on the street e Law ü ord.er. Êstiveram envolvidos Íro processo

Junto com David Simon, foium dos criadoies do drama Treme,da HBo [e,
Vocês tealmente usdm terminolo§a como dtos''wlomentos àecíswos etc'?
mais recentemente, escÍeveu e produziu The Affair, da showtim e, e Bosch,
da Amazon). Ganhou um prêmio do sindicato de Roteiristas atos' Fazemos rtrntedser' mas é só isso'
e um Edgar. Em nosso caso não precisamos de
É born não ter atos'
Por que você acha que a TV americana exibe uma escrita melhor do que a dos
filmes americanos? Como você organiza ahistória?

Muita coisa na televisão americana é tão ruim quanto o cinema americano.


É apenas a Tv a cabo que proporciona esse ambiente em que se pode fazer
coisas diferentes.

Você sempre trabalha com sdlas de roteiristas?

Nós reunimos nossa equipe de roteirista s em Tleme e foi a mesma coisa


-
corn The wire - três semanas antes de começarmos a escrever os roteiros
assístimos à série" ' E quanto a The
Wirel Li
paÍaa temporada. Não temos um encontro diário-quero dizet,em alguns Poàemos sentir o alegria quanào
atribuídas a ttocê'
outfos programas as reuniões ocoÍrem diariamente, o que nunca entendi, em algumlugar que as histórias domésticas foram

poÍque como você vai escrever em que David disse: "você pode-
se vocês se reúnem todos os dias? você fala Isso não é verdade! Houve celtas ocasiões
e fala e fala, e é entediante, por isso não sou fã desse sistema. Na verdade
tivemos uma sala de roteiristas realmente maravilhosa, e nos encontramos
umas duas vezes entre o piloto e o início das gravações, e uma ou duas
vezes também durante a temporada. Mas, por exemplo, quando estáva-
mos gravando o oitavo episódio, David (simon)r estava reescrevendo o
seguinte, e David, George (Pelecanos)2 e eu nos encontrávamos e con-
versávamos sobre os três últimos episódios da temporada. Esse é o nosso
tipo de sala de roteiristas. porada, por isso peguei outÍo trabalho'

Í30
'\trrt'ç irlr'trís ttHt'tctl s( c.\'(l()líl,il rlilrtttrr,t I rtr r rt uInrtl ,\(1r.i( ltor r(ntl,ttrlr,llrr/r ntlioril tliz qttt Llt
ltr \r, Ouvi tlrrtt: (rl,r,tr,rr \ |lí'r/irlrltlrítltlt'.s rirtlt rcltl1,l,, r) tt'r'.sr'ri14. A
Âchoqueissopoderia ll('(,rl('( ( r lr,rl,,rllr, rlrrr/ loutici,,tclurantc
tlis;116s
éneccsstinrt 11111,1
,l,rt ,l i'n( ufttt! voz únicd, t'htiuntct ouLrtt opinião sclurultt u
e, falando de maneira g(.r.irl, s(. ,r :,rlr,rr,,r, r r. lr,,r, qual é prL:c i.s,t nttt ntt'r tt vo'.:, in(lividwal de cada roteiristd no f,rogrdmd.
Vr)t.ô cluer ficar.

David e eu tlcst'irr r'ílrrtros cstar no segundo caso... Realmentc aclt«r r1tt,'


Onde yocê aprendeu a escreyer p(t ut tt, l, \' i
alguns showrunrcls são íàr-ráticos por controle e reescrevem tlttl«r Nl ,t',
Conheci Tom Fontana... este progmma não tem uma equipe de roteiristas. Somos Davicl t t'tt Sr'
tenho uma equipe, realmente fico irritado quando recebo trtt't tt rlt'ir'( ) (lrr(

É claro. preciso reescrever, porque essas pessoas ganham muito clinht'ilo, t' lt'ttltir

(risos) sim. Eu o conheci no teatro em Nova


roteiro de otrtt'a p('ss()il. N.to Íit,,
de passar meu sábado reescrevendo o
Y.rrk, c depois ere se tornou
um roteirista-produtor muito poderoso, então ere feliz.Nesteprogramanãoesperamosqueosrotc:itistirsírtqirttri:i,';t,I,t,,It,'ttt
me ligou e perguntou
se eu gostaria de escrever um roteiro, quantonós,éumasériemuitocomplicada,lltirs(ltr('r'(rrr():i(ltr(,'1t", l,tr,,trrt
e eu disse que sim. Há certas coisas
parecidas com o teatro, personagem e trabalho algumacoisadiferentecomospersolrâgcrts,('ltr('si1',.rrrrp,tr,r lrrl',.rrr',,r,lrrl
com diárogo, mas tudo
o mais é diferente: o fato de você ter de escrever personagens nunca fomos, que tenham Llm n()v() ângLrlrl sr lrrí il |
rlr|r' .r111r rrrr,r r r rt',,r lr ( r

que foram
criados por outra pessoa, e ter de executar isso pouco de sua voz catacLcrística st' Íirçir ottvit'. ltul l:,r,o rlt'',r l.tlr,rrrrr,, t ,i Ir
da maneira apropriada, no
estilo da casa, por assim dizer. Há certa dose de nosegundocaso,eacabamoslllrt:rioll)irll("(l,r:iv('r'("'nírlrr rlrr rrrrI)rlrr,
.go aí. É uma
qr-restão de a quem pertence a propriedade ".rrrolrida
intelectual. euando você está
vocêqueréalguémquecaptcav«rztlolrl()gl,llrr,l,lll,l:i,l l,,ttltl (li',lr,r Irrrl
na equipe de roteiristas de um programa de televisão, pria perspectiva original. E espct-anros t('r'rlc llrzt'r o rrrirtttr() l'()lrnrrrl()
quer introduzir
algurna coisa nele, quer torná-lo melhor, mas
ere não lhe perrence. Têatro
necessário para ter o rascunho prollto pâra a ptrrclttr, lio.
c TV são formas muiro diferentes, não há dúvida.
Às yezrs tratd-se de ter um gosto diferente, você não acha?
Sente falta do ftatro?
É .rma questão de fazer a história avançar e captar a essência dos per-
Isso depende da minha situação na televisão. Neste momento estou muito sonagens. Há séries corno The West Wing em que todos os personagens
satisfeito' Tive uma ligação com Nova orleans têm de falar de certa maneira. Mesmo assim, aquele bate-papo... E as pes-
por muito tempo. Temos
uma casa na cidade, mas minha família está em soas que gostam desse programa, isso é importante para elas, elas querem
Nova york, portanto moro
e m Nova York. Tâmbém já
tive frustrações na televisão, ela pode ser exaus- que eles soem da mesma maneira. Você sabe, todo mundo é inteligente,
trva - mas escrever para o teatro tem igualmente seus programa. Se outras séries tivessem isso,
desafios. e isso é apropriado para aquele
seriam fracas. Nesse caso eles estavam realmente escrevendo para um
como foi trabalhar com perecanos? sendo ele um romancista, yocês
não têm um personagem.
[)r o c e s s o c ri atiy o difer ent e ?

Mas ele fez rnuita televisão. se você conversasse Você às vezes tem airnpressão de que alguma coisa é destruidano desewolvimento?
com ele, descobriria que
e Ie preferiria de longe estar escrevend.o
seu novo romance a qualquer outra Ah, sem dúvida. Executivos da TV aberta querem tudo explicado, querem
coisa, mas acho que gosta de escrever para nós.
simplificar tudo, e muitas vezes tem-se a sensação de que o rascunho fica

ú.
cTdE veu mais fraco. Isso ê
lugar-cornum. Não ocorre o mesmo com a HBo. Entdo ,toclt lru r lcam ente Ém a polawa final e a montagem final'
Bles têm mais questões, tentam compreender o que está acontecendo ali,
Levarnos as obtlervaçôes da sério' Podemos executar algumas' ou-
HBO a
é uma abordagem criativa.
isso não nos incomoda ou se concor-
tras não. Ficamos fblizes emfazê-lo'se
ideia' Do contrário' diremos não e
Parece ser o yaraíso. damos com a §uge§tão' Se for umaboa
ocasiões em que eles insistirão' Se
explicaremos por quê' Há muito poucas
eles' Mas a coisa nunca
Eles de fato vêm de um lugar diferente. De certo modo, era uma filosofia
da insistirem.. 'bem, o programa é deles' pertence a
MTM também, contratarbons roteiristas e sair do caminho deles. o que pa- chega a esse Ponto.
rece lógico, mas a maioria dos executivos de Tv não faz isso. Não é o caso da
HBo, eles têm uma filosofia semelhante. Acreditam projeto
nesse e confiam Há algam "não" não Prorntncíoào?
em David e em mim para fazermos nosso trabalho. os estúdios são movidos
não seja permitido' Talvez
pelo medo, eles temem os patrocinadores, antecipam e se asseguram de que "Não seja estúpido?" (risos) Não, não há nada que
vem de um Personagem' Mas
desastres não aconteçam. Há muita gente cujo trabalh o êfazercomentários. um comentário racista ou sexista, que não
você recebe anotações intermináveis, tornando a coisa mais palatável, me- isso nós também não vamos querer'

nos picante, mais melodrarnâtica, mais parecida com o que foi feito antes.
s?
Os roteíristas são estereottpoào

Essafoi a minha experiência como roteirista d.e TV na Europa. sempre ytensei Sem dúvida. Você escreve sobre
polícia ou sobre medicina'
que isso é o que faz toda a diferença em termos criativos, se você está oyterand,o a
partir do medo ou não - e que nd TV americanahd mais liberdad.e criatiya. você Você nunca quis fazer comédta?
está destruindo minha ilusão.
passar do drama para a comédia ou
Sim. Isso é o mais difícil' Se você quer
(risos) Mas aqui também é assim na maiorparte dos casos. só grande mudança de carreira'
existe liberdade da comédia para o drama' Seria uma
criativa para um punhado de programas HBo, shoiartime eFX, talvez
-
AMC. são muito poucos programas no vasto deserto da televisão americaria.
E quanto ú escreYer Pdra o curema?

roteiristas de ponta que


Então yocê nunca recebe comentarios da HBO? Esse é um negócio ciosamente protegido pelos
ganhammuitodinheirofazendoreescrita.Eugostariamuitodeconseguir
Eles veem o primeiro rascunho publicado, que vai paÍe aequipe de pro- algunstrabalhosdessestambém,maselessãodifíceis.Seeutivessemais
dução. E depois, se houver algum comentário, faremos uma nova revisão.
tempo, escreveria um roteiro especulativo'

Então eles veem isso junto com os deltartamentos de produçãop Eles não se
etwol- Onde você encontrd tempo para vívet?
yemflo estagio em que vocês estão conyersando
sobre ahistória?
anos atrás'
Houve uma greve de roteiristas alguns
Antes que os roteiros sejam escritos, há um momento em que David liga
para uns dois executivos e eles conversam em rcr:mo§ muito gerais.
l'ttlrtrt t !.§ít.q,('y(' .\dlyou tl t,irlrt rlr. t'rri í \, t,,,í, /,rf ,,,ir t,(,r1(,.§,
l,íllr,r.r. tllt(t,ttt
I,r('§(t.§ /r()f mcscs UJi().

É verdade, mas é gratificartt'r,rrrrrt rr, l)()r iss(),âo parece uma


Ano passado tive uma pausa (',1 'l'tr tttr, t. liz, ltr,l'rtilment, d,emodo
interessante... Mas você quer c.rrI irrrrrr. t.st.r.t.vc..d,. Fiquei ocioso
alguns períodos, e não é nada divt,r.r ick r.

Você desenvolve projetos nas horas vagas?

Tenho umas ideias. Mas vocô não as sugere quando está num pro
Contratualmente, não é permitido que você trabalhe para mais ni
Imagino que teoricamente eu poderia tentar vender alguma coisa
HBo, mas eles olhariam para mim e diriam: você não deveria esta
thando ern Treme? Ficariam desconfiados da minha dedicação.

E, quando tocê terminar, vat puxar mdgicdmente esses cinco projetos da

(risos) Exatamente.

As salas de roteiristas da TV americana são compostds


[,rincipdlmente
ne s brancos q e fiofim enLos Aígeles. Essa é úna peq eíd porcent
população.

Há mais mulheres do que você imagina mas elas também tende


-
brancas. Não sei. Não acho que haja muitos bons roteiristas de T
que a maioria deles é espantosamente medíocre. Você tem mais
nos uma duzia de roteiristas realmente bons, há muitos que vão
grama em programa porque receberam créditos, aí entregam um
e são reescritos pelo showrunner e nunca avançam em suas habili
o estúdio os conhece, eles têm um currículo que fica cad.a vez
longo, mas seu trabalho nunca realmente é produzido _ seus rotei
reescritos, eles não têm nenhuma produção real e isso é muito di
um sistema muito estranho, de certo modo desencorajador. se eu
começar um programa e me permitissem contratar uma grande e
progrrme da HBO. Não tem erperlênelr, Mrr eomo vou adqulrlr erra
a
Jane Eopenfon
experiência, se vocês não me
contretâm, É um problema dificil. Não sel.
Não tomo essas decisões. A produtorn executlva e a HBo contratam
os diretores. Eles me perguntam se eu tcnho alguma objeção, mas
ela
resolve isso com os executivos da HBO, dá esses telefonemas e examina
uma grande quantidade de material.
oscréditrrrtleJrneBrpensonnatelevisãoincluemBuffy,acaça-ydm?LÍos,
Once Upon a Tíme lEra umo
Battlestdr Golactlea, Game of Tlvones' Torclwoood'
Ha alguma coisa que deixei d.elad.o sobre a qualvocê gostaria defaldr? Brad Bell' Recebeu dois prê-
wz) e asérle orlgin al Husbands' criadacom
Ah, puxa vida, acho que não. você sabe do que está falando, uma vez que mios Hugo.
está na mesma atividade.
Nosuaoplnlão,porqlleaTVamericanddPreseíLtdflestemom(ntoumdescrita
ok, então tenho umo lltima pergunta: você está naquele ponto muito tão melhot que d da maíorío dos fiLmes amertcanos?
cobiçad.o
de impor a história'
na sud carreíra em que conseguefazer tud.o o que quer?
A TV em geral é um meio do roteirista' Você ê capaz
e tudo o mais" ' supervisionar
Não, de maneira alguma! posso chegar e sugerir, mas produzir eeu próprio material, estar no set
se isso vai ser feito é
a edição. '. Mesmo um roteirista de
TV de baixo nível tem possivelmente
outra história. Posso até ter problemas para fazer meupróximo programa.
que um roteirista de longa-metra-
Há tantos fatores... é como dar nó em pingo d,água. mais controle sobre o produto final do
gemmuitomaisexperiente'Creioqueháalgunsroteirosdefilmeesplen-
a TV tem tão mais a oferecer
didamente bem escritos por aí' mas' sim'
quenãomesurPreendequemuitasdasvozesmaiscriativasestejamaqui.

ondeyocêaprendelflescreyetequandosesentíuconfortdvelobastantepara
com "sou escritora"?
responder à petguntd "O que você faz?"

para aprender a escrever além


Não acho,que você precise de alguma coisa
deobservarepensarcriticamentesobreoqueestávendo'ÉcomoaPren-
educação vem de estudar outras
der a construir uma máquina - a melhor
a partir
os princípios gerais da mecânica
máquinas e aprender a extrapolar
e depois se dispor a inventar alguma
delas, e não de aprender os princípios
coisaapartirdeles.Entreoutrascoisas,issoédifícildemais.Assim,come-
criança' assisdndo a episódios
cei a aprender a escÍever TV quando era
deBarneyMilleror soapouM*Á*S*HotWelcomeBack''Kottererefletindo
sobreoqueosfaziafuncionar.EuPensavamuitosobrepersonagem,diá-
ter olhado tambérn paÍa a estru-
logo e piadas - em retro§pecto' deveria
r19
llll,l, lll,ls (, (lLl('('tl lllzr,t Íttttr r(lrr(ril l, r,.l,iltlr. lr('ttt Nlt<l t.stttrlt.i t s, Itt,t n,t .l0s1,rlr)',l,llll'l'rr'lll(tl'rtl'rllrtlt'tt:t1"ost'ttlt'lllrltt0tltlit'll'lll'll:ilt'ttllttt
(iilrtrorr'(lirlr r''l'lrr'( ) ('
l;rt ultlrrdt' rlútn clt: :rlgr-rrrs ('lus():i, rrr.rrlrrrrrr ,lt.lr.s sobr-t, t'st-t.itir ,l,V rlllr'('s( r't'vi Nll vct'ellttlt'' ltt'lto clrtc
.r cltr ttltlll.lj",('lrt "
1r,rr,r
sórics quc cscrcvl c quc
corrtirrtlill illll tlt'Potr'
I Lltlivcrsidade da CaliÍ«ilrri;t crn llr'rl.,r'lcy rt.,rlnrt.rrlc rrão oÍcrcr-irr purla talvcz 1t'ttlr,ttrt "ttlrt 't" itrtit'lts litt
de relevante na época. At'l. t1rrr, írrr ,lrr,rg,rtl, ir xptcnder isso nas r.uas. quesaí,t''l'hr'()( s('rlll)l'('scdestinouaserumtrabalhotctrlpor'ritio
as outras s('t'it's l0t 'rttt
Quanto à pergunta sobre rcsprrrtl.r 'S,, t.st'r'it.r.:r''... é engraçado você reJea - estivt' llt pot'
ttrtt pcl'ítlclo muito breve" ' Todas
1á' forçando-me a sair' Por
alto' rtt ltt' tlttt'
perguntar isso. Eu costumava p('nsi[ solrr.r' iss<_r o tempo todo ansiava encerradas enquzlllt() L'Ll cstava ('tl t'sl'tv't
que termlnaram enquallt()
por dizer isso. Pude fazê-lo quando crrrscgr-ri n'reu primeiro emprego numa foram onze séries em que trabalhei M:r:r
duas' Talvezeu as tenha dcstrtríclo!
equipe de roteiristas na Tv no progralr a Família Dinossauros. Eu gostava ne1as. E acho qt" o*n'umas
as séries, c ltlgtttrtrts'
para mim - foi ruim para
de dizer isso ainda gosto. Ainda é emocionante. euem é que consegue
- isso não ftri uma corsa ruim
tcmp«r' Mrts' ltrt
sido exibidas por multo mais
t

ganhar a vida por meio do hobby mais divertido que já existiu?l É como como FtteJLy, mereciam ter
serum 'pensador" remunerado. Lembro-me de gostar de escrever isso até úcularmente,gostodeumaSurra-muitasferroadascliftlt.t'rltt.s.('('sl()tl
nos formulários de seguro-desemprego durante um ano em que não fui Satisfeitaqueminhacarreiratenhasidoassim.Atransiçlttlclt.1lt..l11t:tttt.t:
tlttt'tirtlrrt rll'rls'r
contratada para nenhum programa. cômicosparaodramafoiseriamentepensacla-pcrt:r'bi
vercomigo.orestofoiporacaso-ofercceratt-lllcl.Llllt(),1'lrr'()(''(ltl,llIl(l
Você também e uma acadêmica. Como uma coisainfluencia a oufta?
GilmoreGirlslogodepoisdeBuffy,eachoqr.tcisst-lltjttclrltti|lll(.(()ll).ll
Mt'tr lristirtit rt
para séries fo'^ do âmbito da ficção cit'rrtíÍicit'
Rá! 'Acadêmica" soa muito como algo de dois séculos atrás. Mas gosto disso. palatável r' Árr'ly
para séries como-/akc in l)rrtqrt"ss
o que aconteceu é que fui uma daquelas eternas estudantes, até que en- na comédia tornou-me adequada I'i nrcu
Borker,P.I., assim pude voltar
e fazerum pouco mais de comÓdiir'
contrei uma maneira de cair do ninho. Eu estava estudando metáfora, que de moclo quc
agente sabe que gosto de
me movimentar poÍ toda parte'
veio a se revelar muito importante para o que faço especialmente quando ou qualquer
opções - desenho animado
estou escrevendo uma série de ficção científica. Ficção científica diz respeito não hesita em me ttazeÍoutras
sem dúvida
trabalhos em telenovelas' eu
sobretudo a metáfora. Mas não posso dizer que alguma coisa que estudei outra coisa. E, se ainda houvesse
tenha realmente afetado as histórias que escrevi. o que acontece é que o iriaquerertentalissotambém,poiséalgoquenuncafiz.
que estudei e o que escrevo são ambos produtos da mesma maneira geral
ds coisds rrudaram ou estão
Você esta nesse rdmo hábastante tempo' Acha que
de desejar fazer generalizações sobre o mundo. Gosto de abstrair coisas.
muàandonaTV?Mascoisasestãosendopossíveis?Vocêsrealmenteconseguemex-
você é um caso bastante raro de roteirista que está muito longe d.e já ter sido es- Perimentdrtantoquorúopilreceàefora?Têmaliberàaàequedãoairnpressãodetet?
anos' Mal posso
tereotipada, pois parece ser cdpdz de escrever comédia, drama e há tanto temPo' Dezenove
ficção científica. Meu Deus, estou nesse ramo durante
como conseguiu isso? ,\lem disso, você parece diferente da maioria d.os roteiristas uma cÍlança recém-chegada
acreditarl Ainda me sinto como
aspectos: há muito
na medida em que não parece gostar de permdnecer numa unica série por muito
parte do tempo' As coisas mudaram em vários
grande
tempo; tocê parece gostdr ddvariedade de diferentes gêneros ehistórias.
maisdiversidadenasaladeroteiristas'Menosdinheiro_oS..contratos,,
de programas -
co1-
Mais programas' mars tipos
creio que você descobrirá que a maioria dos roteiristas de Tv fica desem- enormes desapareceram'
Mad Comfiunity' elas teriam sido
Men o'Ú
pregada a cada ano porque é isso que as estatísticas revelam. A maior parte sas como Spartacus, Totclwvood'
( \( (':,5tv,illt('il1(' "tlt'ttir lrrl ,;il,iltrlrr r rrilrr rÍ I lrrlrtr;rt.s tlt, t,()t(.rr t.,l,t:, ilr(. lt ()[)()t lrrlrr,l,|(lr. ]-ir.r.rr t'tiitt'rt trr-.1 súl'ic tro It-ttttro, tcrci clc itttitgitrat'ltttrlt
ll()l('s- Mltis c<)lltcúrcl«l tlc ittlt trtt l lirrrr lr.r r'n,r nr(.s ()[)()l.tglli(littlt.s;r,11.11 ,lt 1'tr':'t't vill lss()'
tn:rrrt'it',t
(lxPcl'inlcntar, mas aitlcla st'll,tl,t (l{ lrrt il('i ('t rrrrr
;rnrclrrtct pâra Unlil (.t)ti-
dade corporativa que tem c('r't.rs (.\lr(.r,rrr(1 ,rs (.(.xl)cct:rtivas. Nem rurcl, , lugar onde você nõo ptecisata àe índices de audiên-
é A TV a t-rtbo rttnt'\.ttl't como o
tão livre. Mas os tipos de prclclrrrs (lr(. v.t.ti os indices torndrdm-se subitamente
P.clt,,lirecer... foi aí que a cia, porquc niitt havia publiciàade' Agora
coisa se tornou mais livre. um exernplo que deixou
importdntes as pcssods gostam àe citar Caprica como
isso bem claro.
Todos os programds em que você trabarhou tinham de roteiristas?
saras eualfoi sobre os modelos de
aquela Hum... Isso é interessante' Mas não sei o suficiente
que funcionou melhor para você e para
aprender sobre isso' Atribua-me um
o programa?
negócios e não me dei o trabalho de
As salas são diferentes para cada série. Mas até agora todos as tiveram. sei muita coisa além disso'
Al- roteiro e irei escrevê-lo' Realmente não
guns programas não têm - cada roteirista trabalha individualmenre com
muita coisa de Captica' mas o que vi me
o showrunner em cima do seu episódio. Mas sempre trabalhei em pareceu
séries Não tive opottunidade àe ver
em que no mínimo tínhamos um período no início de cada grande
arco completdmente fascinante e muito
teal' Era como se estivéssemos falanào sobre
conduzíu à críse
em que todos nos sentávamos juntos para traçar a história. Esse processo
nós ltoje, e sobre o rrutndo antes d-a crise' mostranào o que nos
costuma ser bastante semelhante em toda parte o showrunner tivesse a chance de atrair
atual. Mas ai o progrdma' dtltes que ele
- chega SyFy cancelou o
com um mapa rodoviário geral e todos nós sugerimos ideias para marcos (tatençãodopublico.IssopareceuavocêimpaciêncíademaíS-eumdesperàicio?
ao longo do caminho. Depois disso, as coisas divergem muito. Em saras de as pessoas não estavam assisdndo'
Em
comédia, a sala é usada para que os roteiros sejam realmente reescritos em Os índices não Íoram altos porque
que fizemos errado' coisas
equipe. Em dramas, costuma-se fornecer ideias e estrutura para episódios retrospecto, posso apontar colsas que suspeito
e prender a atenção de um pú-
futuros. Nós "domamos" os episódios. Às veres os roteiristas ficam que eu fr.2 ertado,ao construir o suspense
em podem
blico amplo. Mas estou certa de que mesmo programas de sucesso
volta de uma mesa; às vezes, ficam largados num sofá. pode haver baru-
não está claro o quanto isso é útil após
o fato
lho' desorganização ou dispersão, ou calma e concentração. você pode apontar passos em falso -
o argumento tinha potencial para
usar um monitor ou um quadro de cortiça ou um quadro branco. consumado. Eu gostaria de pensar que
É tudo os olhares' Imagino que o SyFy
muito... variado. ser um grande sucesso, mas não atraiu
o teto num programa depois de
tenha uma maneira de projetar qual será
ter tido razóes para pensar que o
você ingressou em caprica como showrunner durante a primeira temporad.a. obter alguns dados básicos - eles devem
suficiente de pessoas pata fazet
Como foi essa experiência? programa nunca iria atingir um número
É uma pena, mas tenho esperanças
sentido do ponto de vista financeiro.
Foi interessante. Eu não sabia ao certo quais seriam as partes difíceis,
mas fantásticas para Blood and Chtome' o
novo prequel* de Battlestar que eles
sabia que seria difícil. E foi ainda mais difícil do que eu previa.
Não acho estáo fazendo com meu bom amigo
Michael Taylor'
que brilhei não estava preparada para lidar com rodas as exigências. E
-
não gostei de nâo ter mais tempo para realmente mergulhar acontecimentos antenores
na escrita Ir*.* *..ur* clran.r:itica ()1 cincmâtográfica que relata
concentrada de um episódio. corri de volta para esse papel quando tive oligirtal. 1N 'll)
aos descritos na obra
\)uando wcê conversa com rrrrrirl,rlrrr, utlllza tenflos programas isso glra numa ordem estabelecida, mas, mesmo nes§e caso'
outro.§ oorno stos, momentas
decisivos, clímax?
um roteirista pode sair da ordem se tiver um aPreço especial por um epi-
sódio. Isso muitas vezes acontece, porque se tÍata de uma ideia que
eles
sem dúvida! Atos, quebras de at,s,
Po,r(),. cre vrrada, momentos do persona-
gem, história A, história B, reveraçõcs, . , pr.vavelmenre trouxeram para a sala.
quarquer termo que
você tenha lido num livro "sobre col.rlo cscrever para a Tv',.. . usamos todos
esses termos. Eles são os nomes para âs owi duas opiniões predominantes durante a.s entrevistds. (Jma é que o showrun-
pertes da máquina que fazemos.
ner tetn de pohr ou dté reescreyer todos os roteiros ytara dar uma ttoz unica à séie'

Onde você aprend.eu a conduzir um ytrogramap Hdtambém desejammdnter os yozes dislintas em cada episódío, até
aqueles que
do ro-
mesmo obseryar umlad.o diferente dos personagens acentuado a dependet
Rá! Eu não aprendi! Eu simplesmente sempre que
quis escrever. Assim, quando Nesse cdso, eles só reescrewm quando AbsolutAmente necessátio. O
teirísta.
trabalhei para grandes showrunners como
Joss whedon e Ron Moore, e você pensa- como rotettistd e como showtunner?
agora Russell Daües, eu tendia a obseryar
como eles elaboravam personagens,
diálogos e cenas. .. não como eles conduzram o programa! compreendo as duas maneiras de pensar. Na verdade, acho que depende
Eu teria conduzido
capicamelhor aprendido. o sindicato de Roteiristas tem um
se dvesse do programa. Acho qae GílmoreGirls se beneficiou muito davoz específica
curso beneficiou
sobre showrunning, mas não o fi2, pois não pretendo de Amy Sherman-Palladino. Acho que Battlestar Galactica se
conduzir uma série.
muiro do estilo aurorel claro e diferente de cada episódio' Eu diria, porém,
que mesmo os progmmas que mais permitem aos roteiristas ser
diferentes
você pod.eria me sobre o d.esenvorvimento d.e um episódio de
falar caprica, por
exemplo? você d.efinia a história principal ainda precisam de alguma reescrita pof parte do showrunner. Como
rotei-
sozinha e d.epois a levava para a sala
de roteiristas? rista, gosto de ouvir minhas palavras. Como showrunner, gosto de ouvir
minhas palavras. Assim, provavelmente reescrevo um pouco mals como
Tivemos muita sorte de ter Ron Moore envolvido
em caprica.Ere nos revou showrunner do que a roteirista que sou gostaria' Fazer o quê?
para um redro de escritores onde traçou, com
nossa ajud,a, o arco para
dez otonze episódios. A essa alrura a ideia gerar
por trás de cada episódio Que diferença ha para um roteirista entre
ser teescrito por um showtunner e o que
estava determinada. Ao voltar à sala, a equipe
e eu pegávamos essa ideia e ele experimentd no cinemd, quando um dítetor facilmente reescÍeve um rcteiro
a discutíamos num grande grupo para tentar encontrar
alguma estrutura pdra se apropríar d'ele? E o que éisso patavocê, essdnecessiàade de reescrever?
dentro do tema básico começo-meio-fim. Depois
que tínhamos isso, ficá- kata-se de ter um gosto diferente daquele do toteirista otiginal? lmagino quevocê
vamos mais específicos, determinando cenas. Depois
apresentávamos esse tamb ém tenha sido rce scritt.
material a Ron e recebíamos mais contribuições... por
fim, um roteirista
era encarregado de escrever o episódio. Um diretor pode "prontamente" reescrever um roteiro, mas não sei se
"facilmente". Reescrever é difícil. Às vezes é mais difícil do que escrever,
Quem decidia d que rcteirista atribuir cad.a episódio? porque primeiro você tem de apagar o que acabou de ler' Muitas vezes ê
mais difícil preservar pedaços do original do que simplesmente começar
o showrunner pode designá-los, mas em gerar os roteiristas
de novo. Há tantos tipos dc rccrscrita e tantas tazóes paru fazê-la que
já se designa- ê
ram, ao demonstrar certa afeição por um episódio
ou outro. Em alguns difícil falar sobre uma única coisa. Todo escritor reescfeve seu próprio
ntuterlal várias vezes antes dc crrtleg*1 tu, l)rpols ele reeebe observuçtles A TV amerlcanrt está sendo yendida no mundo todo com grande sucesso. Você
do showrunner, depois do estúcli, r ,la r,ede, lhn seguida o showrunncr. Íàz
I,ensa nessa audiência mundíal quanão escreve?
sua revisão. Então mudanças na prrxlrrçilo exlgem mais alterações. Depois
Tento não levar nenhumpúblico em consideração.Já-disse isso antes, mas
uma cena é perdida na edição, dc nrrrkr quc o rliálogo tem de ser alterado
acho que você tem de escrever o qaevocê quer assistir. Se você escreve
mais uma yezpaÍa cobrir alguma cxp,sição perdida, e o ator é trazido
para qualquer outra audiência, está mirando no escuro. Se eu confio que
para gravâ-lo e inseri-lo sobre a cena gravada. É surpreendente que uma
tenho bom gosto, então aquilo de que gosto deveria automaticamente
fala subsista desde o primeiro rascunlib até a tela. A razão mais comum
aplicar-se a outros. Se isso também se aplica internacionalmente...? Bem,
para reescrever provavelmente tem a ver com a necessidade de ajustar uma
não vejo por que não.
cena de maneira global - mudando o que acontece ou o ponto de vista que
os personagens adotam. Mas às vezes trata-se da voz de
um personagem
Parece hover uma tendência a escolher sétíes estrdngeirds para remakes.
ou do ritmo de uma piada. Muitas vezes, o showrunner simplesmente
tem algo diferente em mente. Todos os showrunners foram roteiristas e Sim. Minha série atual, Torchwood, teve três temporadas na TV do Reino
foram reescritos dezenas de vezes. Não é uma coisa ruim ou ofensiva. o Unido. Gosto muito do clima atual que torna isso possível.
programa não está lâ para dar aos roteiristas uma chance de ouvir suas
próprias palavras. os roteiristas estão lâparaservir ao programa e ao show- Esctever uma série ao mesmo tempo que ela está em produção não deixa nenhum
runner. Este tem uma perspectiva global e trata-se da visão dele. espúço parA respirAr. Ha algum tempo pdra yiyer e exPerimentdt coisds noyds
euando
vejo uma cena que Russell, Ron ouJoss Íeescreveram, geralmente acabo sobre as quais escretter?

concordando com o quanto ficaram bonitas.


Há tempo para viver, mas não muito para me manter attalízada com
outras séries de TV - detesto estar ocupada demais fazendo TV e não ter
Acredito que ha também duas diferentes moneirds d.e ytroced.er com dação aos
tempo para assistir a ela. Mas este ano está sendo excelente. Estou amando
créditos. Há showrunners que são creditados
Í)or quase tudos os roteiros, do meu trabalho ernTorchwood, estou trabalhando também em um par de
passo que outros consid.erdm 4 reescrita simplesmente pdrte suafunção como
d.e pilotos e em alguns novos quadrinhos de Buffy. É o bastante para me dar
showrunners. Qual das duas você considera mais justa
- como roteirista e como alguma coisa para escrever todos os dias até o começo do verão. Na ver-
showrunner?
dade, acho que há sempre alguma coisa para escrever - é difícil lembrar

Já está bem estabelecido na Tv que o roteirista original conserva o crédito.


um momento em que eu não tenha tido uma proposta, um esboço ou um
roteiro patafazer.
Que reescrever é, como você diz, simplesmente parte da função do show-
runner. É assim que geralmente vejo a coisa ser feita e é assim que faço.
- yiyer com o medo de que o que está enttegdndo não sejabom o
Alguns showrunners preferem créditos que reflitam mais precisamente a Você se Lembra de

poÍcentagem de trabalho que eles fr.zeram. É simplesmente uma maneira bastante?

diferente de considerar a questão. Eu não me aborreceria de compartilhar Sim, claro, ainda tenho esse medo. Escrever é algo muito subjetivo, e não
um crédito com um showrunner que aplicasse esse sistema. simplesmente seria nada inédito para alguém com a minha experiência ser informado
adoto a outra maneira. de que tem que recomeçar, ou ter um fracasso de algum tipo. E até que eu
chegue a um rascunho completr), (.r,rr "ur grulrvron no papel,,, estou
scrrpfe Quancltt vrrr'P p4tu de modificar o rcteirol
certa de que será dessa vez que sinrplcrrrrerrte r,rüo vou cÕnseguir
terminá-lo.
Terminar um roteiro é algo quc $c,lprr t,e surpreende Ei! consegui! Em algtrns pr()grarnas, às vezes há mudanças no dia em que algo vai ser
-
filmado. Em sitcoms, pode-se mudar ou acrescentar piadas entre tomadas
como parte da equipe de roteiristas numa séile rle TV, você ja
tete alguma vez a
diante de uma plateia. E, é claro, material pode ser acrescentado e gravado
impressão de que algofoireescrito na dirtçdo errada? durante a pós-produção. Portanto, de certo modo, não se para de modificar
o roteiro até que o episódio seja transmitido.
Muito raramênte. Só consigo pensar em uns dois exemplos _ uma yez
numa sitcom, u-,-uez em um drama, em que senti que a reescrita
foi, Ha uma evolução de formatos? Você escreyeu webisódios - em que medida eles
digamos, lateral. Geralmente, as coisas ficam melhores.
são diferentes? Na sua opinião, qualé ofuturo emtermos de escríta e dainternet?

Você tinha a última palayra como showrunnei Escrever webisódios é divertido e diferente. O formato parece estar se con-
solidando nessas histórias em pequenos bocados, de modo que é preciso ter
Não - eu não era a única produtora executiva ern caprica. Mas,
mesmo pontos de virada na história a intervalos de algumas páginas. Mas, afinal,
que fosse, ainda há os executivos da red.e e o pessoal do
standards and como oSprogramas estão acrescentando cadavez mais intervalos, isso
Practices,* e, claro, o pessoal da produção, que lhe diz o
queeles não têm realmente não é tão estranho. O que eu realmente gosto nos webisódios é
recursos para fazer... Acho que é um trabalho colaborativo
demais para que eles se adaptam muito bem a uma das minhas coisas favoritas - tomar
que alguém realmente sinta que tem a última palavra.
um personagem pouco impoÍtante e pô-lo no centro do palco. Na vida
real, ninguém é coadjuvante - e, num programa bem escrito, o mesmo
Executivos são como çtorteiros. você tem de
çtassar í)or um portão vigiad.o por ar- deveria ser verdade. EIes são todos estrelas cuja história ainda não foi cbn-
gumas pessoLs Í,dra chegar ao público. Isso alterturba de algumamdneira,
mud.a tada. Sempre afirmei que tudo será uma coisa só - não haverá realmente
aforma como yocê escreye?
distinção entre uma série para a web e TV - e estaremos
uma série para a

Humm' Isso certamente muda a escrita, umayezque é para isso que todos programando quando vamos assistir a tudo isso, sem que haja um
eles
estão lá -para lhe pedir que mude o texto quando sentem
que este pode se
horário de transmissão. Eu realmente achava que a coisa toda iria acon-
beneficiar da opinião deles. Em geral isso não é assim tão ruim. tecer uns dez anos mais cedo. Será que isso faz de mim uma excelente ou
Eles têm
um pouco mais de perspectiva, por isso podem ver a história com uma péssima previsora?
um olhar
diferente. se isso me perturba? Na verdade, não se eu quisesse
- escrever
só e exatamente o que bem entendo, poderia produzír minha Ha proíbiçõ e s tdcitas na TV americana?
própria
série na web. Mas, se quero usar o sistema deles, esse é o preço
que pago. Ah, acho que são todas bastante faladas. Às veres você ouve uma nova:
Só fico perturbada quando vejo alguma coisa que dá a impressão de
que não ambienre uma série numa faculdade. Não tente vender uma obra de
roteiristas estão sendo explorados.
época. Ou coisas do tipo. E então alguém faz isso e é um enorme sucesso,
pofianto nada disso significa coisa alguma.
'Nome tradicionalmente dado, numa rede de televisão, ao departamento responsável
pelas implicações legais, éticas e morais dos programas
transmitidos. (N.T.)
/s salas de roteiristas qtarecem estar thelntrlr hrrmens
e sltuadas em Los Angeles, Diana Son
Parece haver uma porcentdgem muit' prqqllta
iltt popuração mundial escreyend.o
para essapopulação. Seipor que rumríuu
i.ç.ro detssa mdneira, mds realmente não
consigo compreender por que continuu sendo
tts.slm, A@uma id.eia?

Inércia, imagino. As coisas tendem a continuar como


são até que haja
uma contrapressão realmente for Diana Son foi produtora consultora da série Do No Harm, da NBC, e rotei-
As salas estão na verdade um pou rista-produtora das séries NYCzz,BlueBloods, Southlartd,Law ü Order: Crimi-
eram quando comecei. Elas cont nallntent eTheWestWing.Também escreveupilotos paÍaaCBS e aA&E [e,
apesar do fato de que a maioria dos programas mais recentemente, produziu a série American Crime, da ABC]. É autora das
agora parece ser filmada
peças Srop Kiss, S atel\tes, BOY e R. A.W. (' Cause l'm a Woman).
qualquer lugar
agino que algo
Porcce que os estúdios dmericanos estão comprando agora cada yez mais formatos
para séries de TV do exterior.

Sim. Estúdios e redes estão comprando cadavez mais programas estran-


geiros... estão obcecados! (risos) Há alguma coisa com relação à ideia do
programa de que eles gostam, mas depois eles querem que você o torne
seu. Querem a sua "marca" nele. E lhe dão muita liberdade. IJma vez um
produtor me enviou um livro sobre umajovem advogada latino-americana
em Washington. Ele disse: 'A história não precisa se passar em Washing-
ton, ela não precisa ser advogada e não tem de ser latino-americana." E
eu: "Tüdo bem... mas, nesse caso, do que é que vocês gostam nesse livro?"
(risos) Outra .vezrne deram o DVD de uma série alemã chamadaDerletzte
Bulle (O último policial). Na versão alernã, esse policial tinha passado vinte
anos em coma e ao despertar encontrava um mundo transformado. Então,
pesquisei um pouco e descobri que basicamente qualquer um que passe
mesmo que apenas três meses em coma... não é mais uma pessoa viável.
Não é mais uma pessoa capaz de andar e falar. Mas gostei da ideia de
alguém despertando num mundo transformado, então decidi, tudo bem,
digamos que ele tenha passado dez anos em coma. Ainda é totalmente
irrealista, mas... ei, isso é TV. (risos) E houve tantas mudanças no mundo
nos últimos dez anos - a tecnologia mudou, a política do Departamento
de Polícia de Nova York mudou. Não é mais o "Tempo de Giuliani"... e
sua vida pessoal teria mudado. Sua adorada filha de três anos seria agora

I5I
uÍn0 adolescente mel-humorada. prrrsel rltre ptxlerla ser interessarrte
sêm Posso llre Wrsuntdr qud.nto eles pagampor umpiloto?
ser absurdo demais. Mas a rede aeab,u rct:ussndo
a história porque já
estavem desenvolvendo um piloto com u'r ar,lEumento Ah, isso realmente varia. Quero dizer, se você for um dos showrunners
parecido.
famosos? Mais de r milhão de dólares. Mas acho que uma boa remunera-
você é uma das taras roteiristas d-e TV que não mora ção para um piloto costuma girar em torno de r5o mil dólares. Você pode
em Los Angeles. Como con-
segue? receber qualquer coisa entre o mínimo do Sindicato de Roteiristas e mais

É diffcit. sem dúvida tenho menos ópções. Agora de r milhão, dependendo de sua experiência.
mesmo hâtarvezrrês ou
quatro programas _ dramas, quero dizer, porque não
escrevo coméd.ia ou
talk shows - que têm suas equipes em Nova york. Nesse E isso é dpends Ítdra escreyer o roteiro.
meio-tempo, há
mais de cem em Los Angeles, contando os programas
das redes menores. Exato. Se eles decidirem gravar seu piloto, vão lhe pagaÍ paraproduzi-lo.
Mas minha vida é aqui, é aqui que tenho minha casa,
meus filhos estão na [Jma remuneração como produtor executivo. O que, mais uma vez, depen-
escola... Assim, sempre que há um novo programa
em Nova york, tento dendo da experiência do roteirista, pode variar muiro. De z5 mil dólares por
ser contratadapata ele. Às vezes dácerto, às
vezes não. No caso do meu episódio para um roteirista novato até meio milhão de dólares para um mais
trabalho mais recenre, em Do No Harm, eu ia e vinha entre
Nova york e L.A. experiente. Essa remuneração continuará sendo sua remuneração como pro-
Ficava 1á em semanas alternadas. Mas meu showrunner
era um grande dutor executivo piloto for escolhido para virar uma série. Assim, você
se o
sujeito, um homem de família. Então, quando eu não precisava
estar em receberia essa remuneração a cada episódio produzido. A temporada mé-
L'A', quando estava escrevendo meu próprio esboço ou roteiro,
por exem-
plo, ele me deixava ficar em Nova york. Ere dizia: "yâparacasa! dia de um programa de televisão costuma ter zz episódios. Portanto, você
vá ficar
com sua família." euando estava em southrand eu passava multiplicaria essa remuneração por 22. Agora você entende por que tantos
três dias por
semana em L.A. Era difícil para minha família, dramaturgos famintos acabam escrevendo paÍa atelevisão! (risos)
claro. Tenho marido e três
filhos pequenos' Assim, minha meta é conduzir meu próprio
programa
baseado em Nova york. Escrevi alguns pilotos, Mas alguem na equiyte vai receber o mínimo estabel.ecido çtelo sindicato?
mas nenhum chegou a ser
transformado em série. Mas é bom rer objetivos! (risos)
Bem, isso depende do que você entende por estar na equipe. Qualquer
roteirista contratado por um programa está na equipe. Mas um roteirista
Eram piloto s e sp e culativo s ?
em seu primeiro ano de fato recebe o mínimo do sindicato, acho que algo
Não. Dois desses pilotos baseavam-se em ideias que o produtor em torno de 3.5oo dólares por semana. Mas depois disso, depois que você
me propôs.
os produtores haviam vendido as ideias para as emissoras sobe um nível e se torna editor de história, na maioria das vezes você
e depois fui con-
ffatada como roteirista. Neste último ano, porém, receberá acima do mínimo do sindicato.E paruisso que serve um agente.
vendi um piloto baseado
numa ideia original. Todo ano cada rede compra cerca Além disso, depois que você é editor de história, você começa a ser pago
de cem pilotos. E
decidem gravar algo entre cinco e onze deres. Assim,
as probabiridades es- por seus roteiros. Cerca de:s mil dólares por cada um. Assim, o ano que
tão contra você, mas ninguém estaria nesse negócio
se se preocupasse com você passa como novato é realmente um ano de ralação. Isso põe você na
coisas desse tipo! Todos nós gostamos de pensar: 'Ah,
mas eu vou ser a porta. Mas não dâpara quitar seus empréstimos estudantis ou comprar
exceção!" (risos)
BMWs. É preciso perseverar por alguns anos.
A l, rtttrr tl\\tnl, l,(lt((( l,(tsltlttl(,lutlr, lrlt dr: Nova York?
tt,, I i,st u I o r r rrrr I /rr r yr'rsii/

I)rlti'r-t'lt-tcsmo. (risos) Mlr.,i


s, urr l)rrrlr,r,l,, (lr,lrí,:i,.i..ts (.stil Ílrtnllrln(l() ulllu Sim, fiz gr,rrclr-ração lá. Mas estudei literatura dramática, não escrita. Mcr.rs
granapreta. Os outl'os clt'lrrls (:it.r,.rlr( rr,r,\ t(.nt,rntlrl vivcrvidas pais nunca permitiram que eu fosse para a Escola de Artes! Jâ era ruit'tr ti
tlc classe
média com suas famílias. ljrrr t-itl,r.lt.:, n u lt( ) t .rr,rs. (l.isos) bastante que eu não fosse ser médica. (risos) Assim, durante quatro '.lnos,
li e analisei peças, e durante meu último ano fiz um estágio em La Maurrt,
Então um editor de história é na yt,r,ltt,lt rrnt rol.t.irisLa, certo? uma companhia de reatro experimental no East Village. Depois da facul
sim' Depende do programa - porq,(' cucra programa funciona dade, frzrudo o que podia... trabalhei como garçonete, dei aulas de inglês
de ma-
neira diferente -, mas, em geral, até quc você sc torne para estrangeiros, tive empregos temporários como editora de texto etc.
produtor, a única
coisa que vai fazer é escrever, ou tarvez produzir seu Qualquer coisa que pudesse fazer qrue me desse flexibilidade suficiente
episódio no set.
Títulos como "editor de história", "editor de história execurivo,, para passar parte do dia escrevendo minhas peças. Depois tive uma peça
não são
exatamente uma descrição de função. significam apenas chamada Stop Kiss prodtzidano Public Theater que fez bastante sucesso e
que você é o
que se chama de roteirista de "escalão inferior". Isso pude ir para Los Angeles e conhecer pessoas do mundo do cinema e da Tv.
soa medonho... mas
não fui eu que inventei! De qualquer forma, no meu caso, foi apenas
Essa era d metd, escrel)er para a TY, ou foi uma solução em que você cedeu?
depois que me tornei produtora coexecutiva que passe i
a fazer .,ais
do que apenas escrever meus próprios roteiros. E comecei Bem... (risos) O teatro é uma experiência mais prazerosa.
a reescrever
roteiros de outras pessoas, a produzir episodios de outros roteiristas
no ser erc. Mas venho dirigindo na Tv há mais de r4 anos... Na escrita propriamente dita?
trabalhei
em seis programas e cada um era conduzido de uma maneira.
Tirdo se
baseia nas preferências do showrunner. Em argumas Em um grande número de aspectos. Quero dizer, na escrita propriamente
séries, como Law
ds Order: Criminal Intent, a equipe de roteiristas dita, sim, não estou tentando agradar a ninguém, exceto a mim mesma'
nunca se reunia. Nunca.
A mesma coisa em Nyc zz- um desses showrunnerc d,izia: "Ficar O que é muito libertador. Ao passo que na TV você tem sempre de pen-
o dia
inteiro sentado numa sala com um bando de roteiristas é minha sar: "Meu chefe vai gostar disto?" Ou haverá um momento em que quero
ideia
de inferno." E ele era um sujeito excelente! (risos) Apenas fazer urna escolha, mas sei que meu chefe não vai gostar dela. Você se
estaya sendo
sincero. Mas, sabe, escritores são pessoas solitárias por natureza. vê envolvida na tentativa de prever a atitude das pessoas. Você está sem-
Âssim,
é de certo modo irônico que lantas séries tenham pre tentando corresponder à estética do programa e do seu showrunner.
salas de roreiristas em
voz. Não
que estes se sentam e propõem ideias em voz artade Quando você escreve uma peça, está escrevendo em sua própria
oito a dez horas por
dia. Não é exatamenre a mesma habilidade que escrever. Tem está imitando nenhuma outra pessoa. E o próprio plocesso de escrita é
relação
com ela, mas não e a mesma coisa. emocionalmente mais envolvente, você tem de olhar para dentro de si
mesmo. Sempre penso que, cluando você está escrevendo uma peça, de-
Então, qual é a suaformação? Onde você estud-ou?
veria estar fazendo algo cluc rcalmente o amedronta... confrontando-se
com algo profundo e pcssrxrl. Com a TV... você sabe, você está escrevendo
Sou dramaturga.
com um prazo, tem ccrcx clt' oito a dez dias patafazet um primeiro rascu-
nho, pr)rtaRto não é realmcurc unru exl)cr,lêncln espirltuall (risos)
se todo cada progt'rtnru de TV são de seis adoze. Gosto da TV Porque gosto de
mundo goster dele, se o show*rrrrrcr'|1Í*rlHr', lr , pr,dutorgostâr, o estúdio
trabalhar com outrôs roteiristas e tenho um salário regular. E há as repri-
e a rede não fizerem um milhã, tlc ,lxt.r,vuçtJes,,, então você pode sentir ses. (risos) Pelas quais você recebe cheques que são como dinheiro a troco
algo como: uau, legal, fiz um born t'arluilrrl, B crepois seus amigos
assistem de nada. São como presentes do Papai Noel. Sempre que vemos aqueles
ao seu trabalho na Tv e lhe mandarrr c-nrails, dizendo 'gostei
do episódio,,. envelopes enviados pelo Sindicato de Roteiristas chegando pelo correio,
E isso parece ótimo. Mas no caso d, rcatro as pessoâs vêm até você depois, meu marido e eu ficamos como crianças na manhã do Natal! "O que ga-
lágrimas escorrendo pelo rosto, e mar conseguem falar: "Eu nem nhamos?!" (risos) Há muitas razóes que me fazernpensar que a TV é um
sei o que
lhe dizer..." sabe o que isso significa? É um tipo diferente de recompensa. lugar melhor para dramaturgos. Porque se você esteve no teatro, onde é

a pessoa mais importante na sala, e ninguém estaria ali a menos que você
Tem mais a ver com a razão que aletou a se tornar escritora, antes d,e mais nad.a. tivesse escrito alguma coisa... E então você vai do teatro para o cinema,

Exato. onde ninguém o convida para o set... é uma enorme mudança no papel.
Na TV até o roteirista mais novo da equipe vai para o set. Ele tem influ-

Então por que você escreve ptara a TV? ência no processo de escalação do elenco. Têm encontros individuais com
o diretor e revisa o roteiro com um pente-fino.
A verdade é que, tendo crescido numa cidade pequena... eu não
assistia a
peças. Não havia nenhum teatro! Mas assistia a horas e horas que a TV é como o tedtro, Í)orque é um meio do
de Tv. por Então o que você esta dizendo é
isso gosto de escrever pata a Tv,
e isso é sob muitos aspectos arearização escrítor.
de um sonho. Gostaria de conduzir minha própria série num
futuro pró-
Sim, com certeza. Ambos são movidos pelo diálogo. O cinema é movido
ximo. outra coisa é que neste país não dâparaganhar a vida como
drama- pela imagem. Como é o velho ditado? "Um filme é uma história contada
turgo. É impossível. você rem ou de lecionar em rempo inregral,
dirigindo em imagens."
um departamento, por exemplo, o que não lhe deixa tempo e energia para
continuar escrevendo suas peças, ou tem de escrever para a Tv ou
para o Você acha que a razão é essa? Quero dizer, hd muita coisa na TV dmericdnd
cinema. Mas não me entenda mal. Gosto de escrever para a Tv
e gosto de neste momento que pdrece muito cinematografica. VejaBoatdwalk Empire oa
estar no set- trabalhando com os atores, em equipe. Tarvezporque
seja Breaking Bad, por exemplo.
mais parecido com o teatro. Estamos todos numa sara fazendo
alguma
coisa juntos. com a diferença de que, na Tv, há serviço
de bufê. (risos)
Sim, são séries lindamente fotografadas. São fotografadas para parecer um
filme. Mas narrativa continua sendo movida pelos personagens. Os filmes
a

o mesmo se aplica d. roteiristds de cinema também, não é? são muito poucos que os estúdios estão fazendo agora são filmes-catástrofe ou blockbusters.
os
que conseguem trabalho constante no cinema. Super-heróis. Zumbis. O mundo está acabando. O mundo acabou. A Casa
Branca vai ser atingida por um asteroide. Em 3-D. Eles são grandes espetá-
Talvez. Não sei muito sobre o mundo dos roteiristas de cinema.
Mas acho culos visuais com muita ação, e se espera que faturem tanto dinheiro que
que há menos gente ganhando a vida nessa área. Acho que
é um grupo possam sustentar o estúdio. Não sou uma pessoa visual... por isso nunca
menoÍ de roteiristas. Para cada filme, são dois ou três roteiristas. para
poderia escrever um desses filmes.
C omo.fol começar em The Wcst W I rgl
r I i r r I m rr d possível que um progftim a a s slm filhas dc irnlgrantes. Ou qualquer Pessoa que simplesmente não seja de
tenha sido produzido? família rica. Nunca tive nenhum apoio financeiro dos meus pais depois que
Mesmo naquela época Aaron s,rkirr eru ul, roteirista muito bem me formei na faculdade. Eu dava aulas, trabalhava como garçonete, tinha
esta-
belecido eJohn wells era um g.arrr.rt três empregos ao mesmo temPo. E sabia que, se quisesse alcançar meus
1:rrduror, Assim, acho que a foi a
combinação desses dois caras quc vc,de u a série. objetivos como roteirista, teria de fazer isso por mim mesma. Ninguém
wells é conhecido John
como um administrador estupendo. EIc diz assim: "você tem que iria pegar o telefone e ligar para mim, me apresentar a um produtor, a um
entregar
seu esboço na segunda-feira, seu primeiro rascunho duas semanas executivo de estúdio ou a alguém que pudesse me abrir uma porta. Eu
depois,
o pÍazo para a entrega do segundo rascunho é uma semana tinha apenas que me sentar em meu aPartamento no East Village e escre-
depois disso. ..,,
E esses pÍazos são cumpridos, acredire. (risos)John é o dono da fábrica, ver. E tinha de escrever algo suficientemente bom para que as pessoas me
e
mantém tudo funcionando. Mas ele tem também uma grande humanidade. notassem. Depois, outra coisa que é preciso considerar é quem toma essas
É um homem de família. sabe que no fim do dia todo mundo decisões de contratar. Ao que eles estão reagindo quando leem o trabalho
quer irpara
casa e ver seus filhos. Aaron tem um estilo completamente de um roteirista? Na maior parte dos casos, os executivos e showrunners
diferente. se
e1etem uÍn pÍazo se aproximando e sente que precisa passar a noite em são homens brancos, e todos nós reagimos a coisas que nos parecem fami-
Vegas para espairecer, é isso que ele vaifazer. liares. Isso é cômodo, estejamos conscientes disso ou não. Há uma estética
compartilhada, um interesse ou senso de humor compartilhados. Assim,
São dois opostos. Caos e ordem. enquanto homens brancos estiverem tomando as decisões, a maioria das
pessoas que eles vão contratar serão aquelas que lhes pareceÍem familia-
sim. Trabalhei apenas na primeira temporada do programa, por isso não
res. Acho que tenho muita sorte por ter tido a carreira que tive, e, sim, se
sei se em algum momento eles propuseram uma maneira
diferente de alguém apontasse para mim e dissesse "Como você pode dizer isso? Você
trabalhar.
é contratada o tempo todo e não é um homem branco", teria toda tazão!
(risos) Existem exceções, é claro. Assim, se eu quisesse me enaltecer, po-
Parece que a TV americana esta sendo escrita sobretudo por
homens brancos.
deria dízer que ser um bom escritor é a única coisa que conta e que sou
Ah, sim. uma boa escritora. E talvez isso seja verdade. De uma mulher que escrevia
peças experimentais em seu apartamento sem elevador no East Village,
Por que yocê aclta que isso acontece? cheguei a ser a principal provedora da minha família.

Posso apenas supor. Mas primeiro você tem de considerar quem


diz 'quero
Isso é ótimo em muitos dspectos.
ser roteirista". você sabe que é
um tiro no escuro. sabe que as chances de
ter sucesso são exíguas. E que vai passar anos labutando sem nenhuma Com certeza. Acredite em mim, conto minhas bênçãos todos os dias. Mas
recompensa até que alguém o "descubra". portanto, não são muitas
as por alguma razãofrco incomodada quando rne dizern; 'Ah, você tem tanta
pessoas que podem se dar ao luxo de fazer isso. Alguns roteiristas têm sorte, está se saindo tão bem, está tudo ótimo." É ótimo. Sou paga
^esmo
pais que oferecem uma rede de segurança caso as coisas não para escrever e meus filhos podem ver meu nome na TV... vamos ser
d.eem certo.
Mas muitos de nós não têm isso. pessoas como eu, por exemplo, honestas, não sou uma mineira de carvão. Tenho um trabalho divertido!
que são
(rlu,s) Mas ,ão sei, simples.)e.lr rrre l'rh, qunrrdo
&s pessoas Írazem rsso Então vocês escreylam o primeiro rdscunho e ele o pegava e reescreyia?
parecer perfeito. Nada é perfe ir,,
rru g,rrorru cle ter mais remp«: para es-
crever peças, nem todo programit d. suPerrjlvertido... Nós escrevíamos cenas.
Às vezes tenho de
trabalhar numa cidade diferentc rraquera em que
minha famíria vive e
tenho de deixar meu marido para trás com três meninos. Bem, disso eu nuncd ouvi falar. Como funcionava?
É ótimo... mas
não é perfeito.
Como funcionava? (risos) Você passava tipo semanas em sua sala fazendo
pesquisa, sem saber ao ceÍto o que estava acontecendo. E depois ouvia uma
Você participou de alguma sala de roteiristds em Los Angeles?
batida na porta. 'Aaron quer todo mundo na sala de conferência em dez mi-
Sim. Nas duas séries que me obrigaram aviajar, nutos." E você ia lá e ele dizia: "E,i, pessoal. Estou atrasado com o roteiro e
Southland.e Do -ôüo Hdrm,
havia salas de roteiristas. É por isso que eu tinha não tenho nada. O que vocês têm?" E você dizia: "Bern, na verdade não recebi
de estar fisicamente lá.
Não era nada impossível, mas eÍa extenuante. Mas nenhuma tarefa, mas pesquisei sobre vouchers escolares." B, ele dizia: 'ótimo,
vare a pena fazer isso
para manter minha família em Nova york. Não posso eo que você me diz sobre os vouchers escolares? O que há de fascinante neles?
evitar, amo Nova
ser anônimo em Nova york. Ninguém aqui se Quais são os argumentos?" Evocê respondia: "Bem, a direitapensa isso, mas
ou não para uma série de TV. Você é apenas um a esquerda pensa aquilo, e o interessante..." E ele dizia: "Tudo bem, ótimo.
os Angeles é uma cidade de uma
indústria só. Eu Escreva isso." Mas não sabíamos o que isso significava. "Estou escrevendo
não poderia ter esta conversa com você se estivéssemos o roteiro? Estou escrevendo o enredo? O que estou fazendo?" EntãoJohn
em L.A. Estaria
preocupada com a pessoa sentada na mesa ao lado. Wells dizia: "Vá em frente e detalhe essa história. Imagine como ela é intro-
será que é um rotei-
rista? será que é um executivo? Iria ouvir alguma d.uzidano primeiro ato, como se desenvolve no segundo etc." Mas você não
coisa que teria conse-
quências negativas para mim? sabia em que roteiro ela se encaixaria. Então você a desenvolvia. Você tinha
a impressão de ser um pesquisador excessivamente bem pago. Porque não
o surpreendente é que vocês
fazem firmes e séries ambientad.os em Nova york estava escrevendo. Estavafazendo pesquisa e criando um argumento. Então
e
eles são escritos por ytessoas que yiyem em Los Angeles.
decidimos que o que faríamos seria escrever as cenas. No isolamento, o que

Dáparuperceber. era dificil... os enredos naquela série eram tão entrelaçados, e ali estava você,
escrevendo-os no isolamento. Em seguida entregávamos esse material para

Você aclta? Aaron e ele os dispunha no chão, curvava-se sobre eles e imaginava como
fazê-los funcionar, como combiná-los num roteiro.
Eu consigo. Mas a maior parte do país não vive em
Nova york, por isso
não percebe.
Essa é uma maneirabastante esÍ,antosa de trabalhar. ii muito uma. yoz singular.
E ainda assím, pelo que sei, Aaronfoi corwidado a deixarThe West Wing após
sei que não houve sala d.e roteiristas em Law & order: criminal Intent. E quatro temporadas, não ê? Foi essa a razão?
qudnto aThe West Wing? Houye uma sala?
Em algum ponto Kevin Falls assumiu como produtor executivo e acho
Não, porque Aaron queria escrever todos os roteiros.
que alguma ordem foi estabelecida. Aaron declarou muito abertamente
,É lmprensa que, nos quatro al,on rl'e pcttou na série, nÊm um único
ver nessc estilo. Se você está escrevendo para Law dy Order,você não quer
episódio foi entregue no prazo rlrr tlrrrllrr do orç:amento.
escrever no estilo deMadMen.Ernbora tenha havido ocasiões ernLaw Ü
Order: Criminol lntent em que eu escrevia uma fala e pensava: "René' vai
E quanto a southland ? o processo I inrúrsmente diferente quando yocê tem uma amar isto. Parece uma fala que ele escreveria." E depois, em outra cena:
sala de roteiristds adequada?
'hh, meu Deus, estou tão tentada a escrever esta fala; sei que René vai odiá-
Não sou fanática pelas salas de rotciristas porque... são simplesmente la, mas para me divertir vou simplesmente incluila." (risos) E mais tarde,
cé-
rebros demais, ideias demais. vozes'demais à mesa. Mas a maneira depois que René fazia sua revisão, eu descobria que ele tinha reescrito a
como
operamos em southland foi muito boa. Não passávamos oito horas fala que eu pensava que era a cafadele e havia mantido aquela que era tão
por dia
reunidos, que é como fazemarguns programas. ouvi dizer que minha que eu pensara que ele iria detestar. Assim, basicamente, nunca dá
em Grey,s
Anatomy eles têm uma esreira e um elíptico na sala de roteiristas! porque para ter ceÍteza. (risos)
passam o dia todo 1á. Mas ern southland nós nos encontrávamos
três vezes
por semana, por cerca de três a quatro horas por dia. o bom disso Se wcê pudesse mudar Alguma coisa nd maneitd como 4 TV americana esta sendo
era que
você colocava suas anotações para o esboço e suas primeiras anotações produzida, o que seria?
para o rascunho sobre a mesa. Assim, podíamos aprender com
os esboços Às veres você recebe observações do estúdio que são sobre a dramatur-
uns dos outros' saber do que os produtores gostavam e do que não
gosta- gia. Eles dízern "isto aqui está aberto, você pode fechar", ou'você não
vam. Mas não nos sentávamos muito para planejar histórias. Lançávamos ligou no relato da história e poderia ter ligado". Essas
esses dois pontos
algumas ideias, mas depois o roteirista ia para casa terminar o são observações excelentes, ótimas de receber. Mas você também recebe
esboço
sozinho. Portanto, esse era um uso bastante bom da sala. observações assim: "Embora o corpo da vítima esteja no chão e o pe1.-
sonagem do policial diga'Ele não tem pulso', e tenhamos visto a vítima
Parece que você teve expreriências bem diferentes. sendo atingida por um carro de maneira realmente forte, o policial em

É verdade, mas no geral tive sorte. Tive roteiros produzidos que nenhum momento diz'Ele está morto'. Você pode mudar a fala para que
não fb- 'Ele
o policial diga 'Ele está morto'?" E você responde: "Bem, ele já disse
ram tocados pelo showrunner. E essa é uma sensação boa. soa como
uma
não tem pulso" e a vítima está estendida na rua, sangrando pelas orelhas.
realização. Talvez isso volte a todo aquele negócio de 'Ah, você
escreve
Nesse caso, será que ele realmente precisa dizet'Ele está morto'? Se você
paraaTv? Isso é tão iegal! yocêfazisso tão bem!", que simplesmente me
não tem pulso, está morto." (risos) Portanto, às vezes tenho a impressão de
dá vontade de dizer: "sim, é ótimo. podemos parar de falar
sobre isso
que eles querem que façamos coisas. "Você pode deixar isto mais claro?",
agora?" (risos)
e você responde: "Está claro."

Imagino que você tenha de escrever nd wz do programa se quiser que seu roteiro
Então eLes querem se ússeguraÍ de que Absolutamente todos os esçtectadores vão
Í,ermdneçd intocto, certo? Pode explicar o que isso significa para um roteirista?
cornpreender, e isso pode vir em detrimento da sutileza?
Todo programa tem .oo,ayoz.É, avoz do showrunner. É o estilo
em que Exato. E acho que o público é mais inteligente do que eles pensam.
o autor escreve. como roteirista nesse prograrna, é sua obrigação
escre-
Mals cspaço para sutlleza, mals €spaço pag êxpêAmlntos nffiratlyosl Mcnos
Charlie Rubln
obscwações?

(risos) Experimentos narrarivos,,, rsso


rerh fantástico! Na Tv a cabo há
experimenros narrativos. euero dlzer, southtanit ê muito inovadora. Há
episódios em que você nem sequer vê o vilão. É rearmente original para
umprograma sobre policiais. E as redes de TV a cabo deixam os roteirisras Charlie Rubin foi roteirista ou roteirista-produtor em séries corno Seinfeld,
criarempersonagens muito mais complexos do que se pode terna televisão TheJon Stewdrt Show, ln Living Color e Law ds Order: Criminal lntent, entÍe

aberta, onde é preciso ter


milhões de pessoas assistindo ao seu programa
12 outras. Criou e dirige a Área de Escrita para a TV no Departamento de
para mantê-lo vivo. Programas como Homeland, The Americons, Breaking Escrita Dramática da Escola de Artes Tisch, na Universidade de Nova York.
Bad-, Boardwalle Ernpíre. . .
temos aí personagens realmente misteriosos, com- Atualmente, está escrevendo o filmeBrooklyn Surferspata a Robert Chartoff
plexos, nuançados, que não têm que ser amáveis e fofos o tempo todo. Productions (seis filmes da franquia Ro cky, Os eleitos, O jogo ão exterminodor).
E
esses são programas a que eu pessoalmente gosto de assistir.
Charlie, estd correto dtzet qae você éo ttnico professor tmivercitóio de escrita pata

a'TV em NovaYork com estabilidade no cargo?

O que importa é como cheguei aqui - que este departamento, o de Escrita


Dramática, estivesse disposto, desde muito cedo, a desenvolver um currí-
culo específico concentrado na escrita paÍaaTV como equivalente a seus
pfogramas de êscritapara o teatro e o cinema. Nenhum outro lugar estava
fazendoisso. Esta escola, no entanto, tinha um preconceito inerente. Tinha
quando cheguei e em certa medida ainda o tem: a ideia de que o teatro é
a arte importante e de que o cinema é também ligeiramente importante.
A televisão não é nada, a televisão é lixo'

Você começou a dar aulas de esnitaparu aTV no outono de g9g, certo?

Sim. E minha impressão na época era que a escrita Para a TV tinha se


tornado superior à escrita Para o cinema e igual à escrita proeminente
para o palco, da qual havia muito Pouco, sobretudo em comParação com
todas as excepcionais séries de TV que estavam sendo feitas na época. Eu
costumâva listar rapidamente essas séries nos encontros iniciais que tí-
nhamos com os calouros. Uma das professoras de escrita dramática ficou
irritada comigo e disse: "Por que você faz isso, por que semPre recita uma
lista?" Respondi: "Porque quero que o§ alunos se orgulhem ao ouvir todos

165
('.'is( s n()n)(.s iunl()s. Vott: tlrz SIr.rl , ,,;,, ,11, ,,lr,rrr,, ( ) Nt.lll,,li.lrr.l,. lr,\, r.r,:, (.()nS(,1,il|| Utrl I iltIt(.lr() rrit 'l'V (lLtiIllL() t'ttr tlrtltltlttt'l'()Lltl'() lr.rgar" litrtlSSos
H;ll()t()s tiitbcl)t () (lLr('liigltiÍit,r :,r.r ilrtrrlr,rrrr,ttrrtl,rr "
lir,lit t,(,tt-U(()U ,lVl.rs tlrrrtilittllr)',(rr,, l)t tts os lbc:nçtlc, todos elcs Íazem cursos
de'fV hoie crl.t
piloto delcs
1,.,t., rrrrrrr llt (, (11(. lr;rstltr, tipltlr pçrtlitll ilia, c trrtl,rs t'lt s plrtrrcjam séries de TV' Em geral o primeiro
v()calsabc o que iSSo signiÍit'iti",,,

apaciência com aquela cotttlt'st.rrtlr'rrr r.r r()1,r, ,rl)(.nrs lporlr,i par.:r t.l:r t. destemida companhia dcr
é sobrc tttrt r.lcst.cnticlo grupo de atores ou uma
disse: "nÁoro. Ela é rádio. conlrr.r,,rrrr r,r,lr() , (.il sirla cxplocliLr c irnrb()s mas eles logcr
teatfo de rcpertório formada por estudantes universitários,
nos demos conta, eles amam:,r'l'v. M,rs (,t.1:rr,o (lr-rc cLr cstava apcrlárs send() superam isso e seu piloto seguinte é sobre robôs de
batalha' Mas o que
provocativo. Porque é assim quc v()(i, t'rrrsc.g.rc rlLrc as pcssoas lhe deem podiam auferir
vem depois disso será excelente' Nos anos lg3o' os poetas
ouvidos, indo longe demais. E em ccrta rr-rr.clicla cu Lrstav2l senclo desagra_ havia aquele
uma renda de três dígitos dando aulas, o que era maravilhoso'
dável, sugerindo que era na TV que estav;*n os clnprcgos e que você dramaturgos come-
iria Iugar para eles na academia, mas em algum ponto os
morrer de fome no teatro. portanto, parei de fazcr isso, não gostava da "Vamos paÍa a TV' Não queremos viver como os poetas
çaram a dizer'.
pessoa que fazia isso - bem, eu gostava dela às yezes. Todos gostamos em dar aulas' eu
da nossa geração, dando aulas'" Não há nada de errado
do idiota dentro de nós. Eu gostei dele quando não me convidaram que um dramaturgo
para mesmo dou aulas. Adoro lecionar. Mas é muito difícil
uma festa em homenagem aos maiores doadores da nossa escora porque que escreve' Felizmente'
seja capazde se sustentar apenas com as peças
eu poderia dizer alguma coisa 'pró-Tv". porque agora eu sabia que nós Dramática um
porém,dando às pessoas aqui no Departamento de Escrita
os tínhamos posto para correr.
conhecimentobásicosólidoemtrêstiposdeescrita-TV,palcoetela-,
Hoje, Tv
concentra o maior número de estudantes do Departamento
a Como artistas
elas encontrarão mais oportunidades para se desenvolver
de Escrita Dramática, porque os alunos assistem à Tv e veem como
ela
em algum tipo de contexto profissional'
é boa, temporada após temporada, e chegam pedindo mais
cursos sobre
isso. Mas até quatro ou cinco anos atrás ainda se referiam a mim
por aqui
osdramdturgospdrecemàefatoterumnoyointeressepelaTVnestemomento.
como "um desses roteiristas de Tv". A Tv era como o primo babão
que
emvez de dar o
você alimentava na cozinha enquanto serviam crack aos parentes sérios Hoje em dia todo jovem dramaturgo quer trabalhatlâ -
na sala de jantar. construímos essa concentração espetacular aqui, passo tradicional na dramaturgia de lavar a própria
roupa na pia do posto
com
peças' Ninguém mais
cerca de sete ou oito ou nove professores adjuntos, todos roteiristas
de de gasolina enquanto luta para montar as próprias
o que eu dizta era:
Tv em atividade, e, sim, sou o único professor de Tv em rempo integral. fica constrangido com o meio' Quando comecei aqui'
E quando comecei eu me levantava e dizia: "vocês todos sabem sevocêquerirparaaTV,escrevaunsdoisroteirosespeculativosdepro-
como a
televisão é boa, venham até aqui e escrevam: 'Hoje a Tv é mais uma gramas atuais. r dez anos atrás' Não pro-
forma
de arte que o teatro."' um certo exagero, mas o teatro gramas de dese os marginalizava' Depois
era o valentão que
setinha que nocautear no playground para conquistar o seu lugar. A aca- a animação est
passaram a ser aceitos' E
porque os
demia ensina esse endeusamento profano do teatro e da peça teatrar. E
o depois houve um ressurgimento do interesse por dramaturgos'
especulativos' Não
que eu realmente queria que as pessoas pensassem era: Tv? Forma
de arte? pequenos agentes estavam entediados com os roteiros
Por que não? Hoje, os estudantes saem daqui tendo aprendido a escrever é movido pelo
posso censurá-los, mas com demasiada frequência o negócio
para a televisão e a respeitá-la. Ainda assim, acontecia de eles
conseguirem limiardetédiodosagentes.Assim,houveumperíodoinicialdeinteresse
encontrar trabalho mais facilmente do que hoje. Atualmente
, étãodifícil intenso.DepoisHollywoodSeConYenceudequepilotossãoumaboafor-
t.t)'(.ilt1,,il,,t 1)r)|t lr'rlroS, l)r.1xt.,r11,.,t,,,,,
, rr \rr rrrrr;rllq)t(),(.rl(.1)()iSt(.t(,,1()S
l"'r (,rrrlrittlrq'lirl rrt't-,rtr. algrrnr,rr, il.r', r r)r.',,r.s tlrrt'clcs cnl tubt"rs chcitls dc /rgLrl
|'ztziztttt, scttl-:tclos
(".;s,r
rr ,,.,.r rrr,,r.rr,r ;)Í,rl;-.r (.()rl() rrr.ar)llrtarr]()
t' ,tittrllr vc,l.sc cla COn)l)t.(,(.ll(lr rl slrows cm que você enterra sua namorada e tenta encontrá-
gclaclrr. ( l.rrr
r llto ,t tr lr-vr:,,rr) (. (,ritl.gtgracla.
Uis O qUe
cligcl a mcus alunos: escrcvir) la um arro tlt'l'rois. l-,á, eles tinham aquele maravilhoso desejo sexual tão
r r r r r ( )r í.r r r ) (,.r,J ){.r r r,t iv,,
tcrham um piloto,
e depois tenham uma terccil.l ( ( extremarncnte anticonvencional, ainda que reprimido, de que a sociedadc
)r .t l,otlt. sr.r, 1uI r.q r.otciro
especulativo, japonesa está cheia. Acho que a indústria da TV é muito mais inclusiva
pode ser outro piroto, pode sc' .rr,r
|t,1-:r. ( )s rrrar,:rturgos gostam de di_
zer que todo mundo na TV os hoje, e muito mais disposta a correr riscos que as outras artes. Isso não
qLr('r. Iss, rrJ, tcrn nada de
verdadeiro. As
pessoas lançam essas ideias significa que tudo o que vemos na TV não seja uma variante de certa fór
por aí, srb.cIr-rclo lrunra escola de
escrita onde
a ignorância carreirista pode mula, mas o potencial dos produtos mais sofisticados dessa fórmula está
se alasrrar como uma praga. ..ouvi
dizer que
uma moça entrou para Família com a gente agora como nunca esteve antes. Se F. Scott Frtzgerald estava
soprano apenas propondo uma
ideia para
um conro'" É aquele verho negócio: tentando se matar de tanto beber em Hollywood, hoje ele estaria fazendo
eu rhe digo argà esúpido, você
conra isso na equipe de roteiristas deJustified.
tsso para outra pessoa, a história
volta para mim e eu digo: ..puxa,
tam_
bém ouvi issor" Existe também
uma tendência entre alguns profêssores
de dar aos arunos informação
que reflete seus próprios temores
Você escreveu pdrd o cinema, foi dramaturgo residente, fez comédia e drama de
de não TV. O que é mais difícil?
terem um legado, e aqueles que
só querem engordar o número
de alunos
inscritos em suas disciplinas.
uma coisa sobre a especiarização Sempre penso q.ue seja o que for que eu esteia fdzendo, estou no meio mais
em Tv no
Departamento de Escrita Dramática
é que não preclsamos anunciar
mais. difícil em que poderia estar. Fiz quatro anos de Law ü Order: Criminalln-
Não fazemos promoção. Não precisamos.
o relógio curtural tiquetaqueia tent e, quando estava pronto para partir para um filme, tive de desaprender
c nós avançamos' A arte é ampra
o suficiente para que todos nós
nademos tudo o que aprendera ern Criminalhtent, coisas em que levei anos para ficar
ne]a. Porém, mais cedo ou
mais tarde, somos todos rádio. bom, e ocasionalmente medíocre: como movimentar cenas e distribuir in-
No fim das contas, quando esta escola
funciona bem, acho que ensina- formação, o dinamismo das cenas, como o fecho do primeiro ato é sempre
mos às pessoas a
escrever todas as coisas, e você
começa a descobrir no que "não temos nada". Dramas policiais processuais de uma hora, como cada
é realmente bom' você sabe,
a academia conserva noções
sobre o mundo cena é moldada pela simples ideia de "o que a polícia quer descobrir? O
atual que estão defasadas em duas
gerações. A academia está sempre que eles sabem, ou pensam que sabem?".
duas
gerações atrás da história do pensamento
e das rearizações. Gosto de
con-
tratar pessoas para a especiarização
em Tv que saibam coisas que Seria posshtel afrmar que e possívelfazer mais no tedtro.
não sei.
Acho que' quando ensinamos Tv
aqui, remos de ensiná-la .o-o
,lgo qrr. Acho que essa é uma dessas noções que o teatro perpetua a respeito de si
está se tornando global' vejo
que meus melhores alunos sabem
o que os
britânicos estão fazendo, sabem mesmo, seja o que for que "fazer mais" signifique. O que estamos compa-
o que está se passando em outras
áreas
da Europa ou na Austrália, eles rando aqui, Shakespcarc com uma forma de arte que só apareceu ernt946?
podem assistir a tudo on-line agora.
anos atrás, a única ideia que podíamos
vinte Os gregos tinham unr tnolclc a partir do qual escreviam, exatamente como
ter aqui da Tv fora da Tv aberta
amerlcana era Masterpiece Theater, fazholeum drama policial processual. Houve obras de arte inovadoras na
e de vezem quando a HBo
oferecia um
programa com um títu10 do tipo TV em todas as crrrs, t'lrrs sri«l apenas mais numerosas hoje. O pessoal de
Aqueres caras japoneses marucos.E
víamos
teatro gosta dc sc tlt'Íirrir'p«'lo rltrc tem de melhor, ao longo de z mil anos.

H
l\l.rs,r'l'V, t,lt.s u tlt'Íirrt'rn;rt.lr) (ll( tr rrr rlr
l,rrrr I l,r unl v(,lll() t: [rr.illr:rlrtt. Qut'ri'/lr'\rrr,lrll('lÍr.\íl,ttc!litluanLoàprotluçlorrrriinrtlPtlrdttitttL'rnttllltinruiltr
liv|tr s0[lt'r:'['V charrrirrlr» §r.rt.rr t,lrtnttur l),rvr, ,Sí.u,,t Iil,1 //illtrrJ fígIt.r, r:r,r-t em NovaYork'
coistt tttottI t.t ctttil neste motnento, sobretuào
qLrc urrrsujeitochamadoCIrallt's \,1 rl. 11r,r..,:,r;r( .r 'l'V
lr.utic;rmenteduralte em esquete e improvisação'
todos os minutos de uma scllliur.r ,.nr ,rl,r | 111. 111(ry t, Íàz arrcltações Acho que a internet nos deu a atual explosão
enciclo_ goles, e com tantos garotos
pédicas. Seu objetivo era corÍir,,ri, ,r vrs,r, tlrr 'l'V crmo,.vasto Materiar na web funciona merhor em curtos
deserto,,, estúdio de edição em seus Macs'
mas desafio qualquer um a ler cssrr r rlr'rr t. rrri, fazertdoesquetes e tendo um verdadeiro
sc.tir que arte passa como
um raio junto com todo o esgoto. aqualidadedosesquetesacabadoséexcepcional.PrefiroverCollegeHu-
Na Tvvocê tem muita coisa sobr-c prrit:iais, muita besteirada, muita
moloÜFunnyorDieazBrokeGirlsouamaioriados..webisódios,,,quesão
conseguir uma ponta ern z Btoke
coisa sobre médicos, mas no fim das contas é urn meio experimental. basicamente pessoas fazetdotestes para
Acho é como apresentar uma amostra
de
também que dentro de uns dez anos haverá um florescimento no Gids. Hoje, apresentar um webisódio
teatro. alerta - a indústria conservadora
vamos ter um período de arte teatral elevada como não tivemos desde escrita de meia hora, ainda que - esteja
os ..sim, mas isso foi escrito por uma pessoa ou
anos 196o, e isso porque os dramaturgos estão sendo educados muitas Vezes lecorra ao Seu
na escrita que está chegando na TV é que'
para a Tv. Eles costumayam ir para a Tv depois que sentiam que por uma trupe?". Outra enorme mudança
não
como nossos aparelhos domésticos ficam cada vez maiores' a televisão vai
podiam mais ter uma produção, então o pobre e fracassado dramaturgo
Não vai mais ser simplesmente
se rebaixava e ia para a california ser gloriosamente amargo
finalmente começar a usar Panos de fundo'
em perdid.os na maldita
" diga aodiretor de figurantes para fazet aspessoas se moverem
no espaço. O que está acontecendo agora é que as pessoas que
vêm para
fiia do banco ao fÚndo!", eles vão de fato
utllizat os segundos planos para
escolas como esta e estudam dramaturgia descobrem bastante
rápido que chegando a esse ponto em alguns
podem aprender a escrever para a Tv também, e que têm mais chances nos ajudat a contar a historia' Já estamos
na web é divertido' mas pequeno'
de conseguir trabalho em seus primerros anos como roteiristas pÍogramas da TV a cabo' o que vejo
de Tv, e os custos' é claro' Percebo que o
depois talvez venham a ganhar argum dinheiro e possam ir embora. náo dárpara atrair talentos; isso barateia
E é do modelo financeiro que ele pode-
claro que algumas ficarão para sempre. ó, choremos pelo dramaturgo entusiasmo pelo material daweb vem
um elenco de dez pessoas num
que se vendeu por uma audiência de milhões! Mas estou falando lratalvezrepresentar um dia' Por que ter
daquelas vão assistir a um elenco de três
pessoas comprometidas com o palco, elas simplesmente sentem programa como House se os espectadores
isso com
e aceitar seis minutos disso? Girts
ébasicamente um programa da internet
muita intensidade - e o que vai acontecer é que elas vão sair e escrever
ele tinha um amplo foco pessoal'
paÍa a Tv e guardar dinheiro no banco, mas um dia vão partir que deu errado e fugiu da web' Como
e passarão para o futuro da TV' Embora seja
os dez anos seguintes escrevendo peças. E escreverão excelentes acho que é uma modelagem empolgante
peças.
Escreverão peças melhores em razão de todo o tempo que passaram deprimente.Eupensavaqucosmeusyinteanostinhamsidodeprimentes.
na
Tv' Elas voltarão e rerão aprendido todas aquelas lições, e poderão se dar Agora vejo que foram coisa dc criança'

ao luxo de trabalhar para o teatro. Esta é a minha previsão:


em algum mo- em Ctiminal Intentl
mento por volta do ano 2020 teremos um surpreendente florescimento Do que você mais gosLLtvd quttnlo trtbalhava
no
teatro. É algo que simplesmente posso sentir. Antes a regra era: fracassou ('x('('Lltivos diferentes, René Balcer' que
Trabalhei com dois pl0rltll()r('s
no teatro, fracassou no cinema, vai para a Tv. Agora serâ: fez sucesso criou o programa, c tlt'1rois W:tllt'rr
l't'ight' E com ambos sempre tive a
na
TY, fez sucesso no teatro. sensaçãodequeacltclils('lll.lll.lt'lt.st1ttt.r.i:rtÍrSuperaropfoglamadase-
ilr,ilt,t ,llll('t,t()t.. S(.t.H)l(.iItst.l ilttnt.r ,., Irr rl1 ,1lt.r
,;rr,rlitl,rtlt,(()11l() ( .tuiluttll rtrt llt'ttt lrjLrst'ttlos' tlt'tttoclo l tct itlgtti'ttr Pltr;r
Itttt'ttl (' ('xiltlsl-iv()- Vrlcô strltt',
ttttr rrr.rl!r.rrr,r ( rr (rlr(. rrri trrr '.lit't'rorr""l' "'' 't1',r''ttlrivt'is'
tt'rttplor.ada, ent quc h/t rr rrr
irr.(.() [):r.i*ll]ir nrrrltr:rl.rr i\lr,rs,r.ssr.i't.rr)rpr'()llrarnaabsr-rlr-rtamctrtcÍàr-rtástico, l-titrclatlttt'
),r,rrrrÍr. lrrnr.r,,.lr.pr,r.slrIitg(,rr.s plir.it 1r()vi_
mentardaquiparalá. É rrrrr tlr,rrrr,r ela Í<rsst' rtttt,t .lt'sslts PcSSoâ1S rnaldosas para aS quais fico feliz dc tt:-to tt't'
lir(,((..\.\lt,tl, l)(,t.titltt() há fodo tipcl de trabalhurlo. N«r nreu caso, Carol Burnett preencheu essa vaga. A falxirrt'ir';r
maneira como osprocessos Ítt ltt r,,rr,rr,
()rrtlt' vot-i.nr()vilrenta a informa- favorita dos E,stados Unidos era ok, mas contlatava produtores-n]()llstl( )s
ção -'tarregar
a água", corrro virrt r. r) ( )rrríi.i,
c()stumava dizer. o que
a escrlta paraa Tv exige é incompetentes que acabavam por transformá-la num monstro trrtlrb('rrt
que vrt-tr rrt.t.ilc . Íato dc ter cle
se encontrar
dentro da visão de outra pessoa.
o cltrc irclui as limitações do outro e as
limitações do gênero ou dos personagcns. Como você aprendeu d escrever?
Âs pcssoas sempre deixam d.e
perceber isso nun Tive três grandes professores de escrita na Escola Horace Mann, «: só clois
rác,, vo cê riga o s
e conhece
r.::ffi : :; #:: I "ã1 "._;:.
. l;: ff ,.#:": deles acabaram mais tarde numa lista de acusados de pedofilia. Dcpois tlrr
um contador que diz: "Meu trabalho
é mais diÍicil que o seu. ,A. faculdadefuipara aáreaeditorial, editeilivros. Massempretirrl.ra titkI ttttrIt
declaração de imposto de renda ideia para um musical que Bill Finn, que mais tarde cscl cvctl I"rtlsr'llrrlrlrtrl.
de cada pessoa é diferente.,,
ne quarquer
forma' eu gostava muito de dramas queria que eu escrevesse. Foi uma época bastrrttLc irttt't't'ssrtttlt', Íizt'trtos
processuais, mas depois que
saí e a
série trouxeJeffGordblum nunca esse programa e não conseguimos montá-lo, a trtúsicit ('t'rt rt)llt'rtvillrosrt,
mais assisti, rinha a impressão de
esrar
traindo minha mulher. os simpsons mas havia noites em que as pessoas não faziam nacla clo qtt(' ('l il ltt t't iso. I ir ti
e south park sãoas únicas séries
a
que assisto toda semana. Eles
são brilhantes, os merhores
programas na
um fracasso, pareceu um desastre de grandcs proporçõcs. Mas tr;lo lclttr
história da Tv' Bem, adoro combatr que realmente tenha sido... Não há nada como uma plateia qltc t'rão ri. Ou
e st. Ersewhere também, mas acho que
meu coração está sempre na comédia. uma plateia que não entende o que você está fazendo, mesmo que esteja
Dick wolf costumaya se queixar
para warren Leight: "charlie rindo. Depois uns dois editores daNationalLampoon viram o pfoglama e
ainda pensa que está em sitcoms.,, René disse
,mayez para uma sara de atores; "Ele me pediram para escrever pafa a revista de humor deles, e comecei afazet
é o único cara que escreveu
para
seinfeld e criminar Intent." E isso. Tantas pessoas desse tempo continuam sendo minhas amigas, isso
os arores me rançavam aquere ..uau.
olhar de
vou respeitá-lo durante dez segundos foi em tgg3 ou 7984...Foi quando realmente aprendi a escreYel. Foi como
por isso,,. Ficou mais perto de oito.
uma sala de roteiristas pré-operativa.
Não era em os simpsons que eres Érrmos umas sete ou oito pessoas compondo a equipe central, e apesar
tinham duas saras de roteiristas
escreyend.o o
mesmo episódio ao mesmo ternpo?
da enorme discriminação de idade em Hollywood todos nós ainda esta-

Não que eu saiba' Acho que havia mos trabalhando. Éramos bons a esse ponto, lamento dizer isso, mas é
uma sugestão de história e arguém
crevra um rascunho, aí eles o levavam
es- verdade. Ainda assim, não conseguíamos encontlal gente pala ler a revista.
paÍa amesa onde estayam todos
outros roteiristas'
os Mais tarde fiz jornalismo, escrevi sobre esportes durante algum tempo,
o único programa de que tenho conhecimento
lsso que você está dizendo foi
quefazia fui colunista de esporte s do village voice, fi,2 todas essas coisas. E o que
Roseanne. Ela tinha três salas
de roteiristas, aconteceu foi que esses sete ou oito caras da NationalLampoon... Nós não
não duas' E elas muitas vezes
escreviam o mesmo episódio,
nha sua própria pessoa dirigindo
e cada uma ti_ gostávamos necessariamente uns dos outros, mas gostávamos do trabalho
a mesa. Dizemque era tendia
a conrrarar uns dOS outros, e Começamos a nOS recOmendar uns aos OutfOS para tr.a-
bullr,s, Assim, obtive mcu prirnt,ir., r r.arrollr. ,r.V,
rr{ Era um tark sh,w cru
eomo Jbi r,rsa r.tptríÉncia, Seinfeldi
cinemax "apresentado" por Mux r ,rrtrr.r,ír,,
,rÍ1. projeção de aninraçãcl
que vão
por compurador que entrevistavir t,elrbrrrlucles,
o produtor do programa, Acho quc há dois Programas na história recente da TV americana
se
Bob Morton, também produzia o
r)r()gr.ünla r,c Ifavid Letterman e tinha ficar para sempre na memória dos roteiristas que neles trabalharam.
decidido conrratar dois roteiristas arrrrr.icanos você trabalhou nos primeiros anos de saturday Night Litte
ou em seinfeld,
e crois britânicos.
Mas você
sabe' oprimeiro emprego é fácil clc conseguir, é o
segundo que essa será sempre apafte do seu currículo que saltará aos olhos das pessoas,
é real-
menre diÍícil' porque seu segundo trabalho e elas sempre vão querer saber sobre isso e mais nada'
Mesmo The Lettet'
é baseado no primeiro, e para
primeiro trabalho você é o achado de arguém, icônicos. Ainda
seu
e ere vai dizer às pessoas mon shownunca chegou a esse ponto. são dois progfamas
que você é um gênio, porque isso o fará eu só tenha participado deles durante uma temporada' a
experiência
parecer um gênio descobridor. que
foi incrivelmente formativa. Larry charles, outfo glande roteirista
consegui esse primeiro emprego em Maxlevando de
a melhor sobre todos
aqueles sujeitos com mais experiência porque Seínfetd,me ensinou como propor ideias' Ele salvou meu
emprego' salvou
eu era novo, eles nunca ti-
conheço
nham ouvido falar de mim, e eu era barat
o. E aiestou na máquina de xerox, minhavida. lJmavez,ele me disse: "você é aprimeirapessoa que
esse foi um
lendo o material do outro cara americano,
e penso, esse cara é bom, esse que detesta o avô tanto quanto eu detesto o meu." Portanto
vínculo na comédia. Lc me ensinou como fazer sugestões pata
cara é melhor do que eu. Tiatava-se de setnfeld'Ele
Larry David. euando as pessoas me
perguntam como entrei na Tv, digo que o dizia coisas como: "se você puder descrever essa cena de
modo queJerry
segredo é, jâno seu primeiro
ator' e
programa, tentar ficar na sara do lado do
cara que irá criar seinfer-d.. Nós perca o controle, essa é uma das coisas que ele gosta de fazer como
de escrita'
nos demos bem' Ele me enslnou que o cara
experiente deve ser regal com ninguém nunca escreve isso." Ron Hauge, meu grande parceiro
mas
o novato, assim ele vinha conversar comigo,
era incrivelmente generoso. vinha dando todas as nossas sugestões. Ele era rápido e destemido,
estilo pessoal'
saíamos para almoçar todos os dias e quase
fomos despedidos quando LC me disse que eu devia me encarregar disso, porque meu
piada' era
Max anunciou 'hossa próxima convidada,
Mary Tyler Moore,,, com um perdendo meu lugar, esquecendo coisas, estragando uma boa
monólogo de fluxo de consciência sobre manchas "mais o estilo de Seinfeld".
de cocô nas cuecas. Era
tão absurdamente marvado que todo mundo
achou que nós équetínhamos
escrito aquilo' Mas era um improviso, e tinham uma sala de roteírístas?
Larry acabou me contratando para Vocês
seinfeld' Ele também me elogiou um dia
- e assim rá esrava eu, que tinha Não. Você ia até Larry Jerry. Propunha uma ideia' E' a cada
e vinte ten-
sido engraçado em vários lugares, mas
era novo para a Tv, era bastante "náo" - automaticamente' Sim,
inseguro' Eu estava num clube de stand-up tativas, dezenove vezes eles respondiam
com argumas figuras tristes
da MTv e Larry me viu. Ele ia se apresentar elaéboa,masoquemaisvocêtem?Eporfimhaviaduasoutrêscoisas
mais tarde. E ele me disse, "Tirdo bem' en-
bem... que eu tinha de ir embora. pensei que de que eles realmente quase gostavam' E eles diziam:
estava brincando, mas não. não é uma
Eu tinha de ir embora, não poderia estar tão esse é seu Kramer e esses são George eJerry, essa Elaine
na sua prateia. Ele disse: ..Não pegava
posso fazer meu show diante de arguém história, vâparaas fichas." Era o fim dos velhos tempos' Você
que respeito." Assim, fui embora. pregá-las
E o fato de alguém que eu respeitava algumas fichas e ia para o quadro de cortiça e começava a
ter me botado para fora do clube fez ato' Usava cores
com que eu me sentisse bem. Ainda faz. com percevejos. Aquele negócio, primeiro ato, segundo
E
diferentes para cada dia e dizia"agola sou um legítimo profissional".
fichas de um
depois Larry eJerry chegavam e começavam a mover as
lild«r para outro. Hoje você prant'iir rrrrru lrrrrdrrrrl rrtl quadro
branco, ()u em me tornafiã, eonheci um sujeito que por muitos anos foi um dos autores
algum dispositivo eletrônic., mírs crr srín/àLl ÍirzÍamos isso
com Íichas, dos monólogos do Letterman. Ele descobriu o que queria ser e é ótimo nisso,
E depoisvocê saía e escrevia ,nr ruscunhos,
l)ir,rle e a certâ artura eles portanto continua. Mas isso não funcionapaÍa mim. Meu lema sempre
diziam: "vamog tomar isso de v,cê." [J recscreviam.
euanto mais eles foi: se não puder ser despedido, demita-se.
gostavam do rascunho, mais deprcssa o tomavam. Se bem
que, para ser
franco, às vezes aquilo de que eles gostavam tinha relação
com a ideia, Dizem que o segredo do sucesso da TV ameticanA está nAs salas de roteiristas.
e não com o que você estava fazendo com ela.
Acho que as pessoas que pensam que é daí que vem a qualidade da TV
Era um programa ambientado em Nova york e gratad' em
Los Angeres, certo?
americana são malucas. Sem dúvida há boas salas de loteilistas e bons pro-
gramas de salas, rnas tnrncdhá apenas uma maneir a de fazer um programa.
Ele era todo feito em studio city. De vez emquando eles
mandavam um Se Os Simpsons é um programa de sala, como dizem, é o melhor programa
sujeito de avião, com uma peruca do Kramer, patadescer
correndo as na história da TV. Um amigo meu trabalhou em Cheers bem no final. Ha-
escadas do metrô e levar um tiro pelas costas. Nunca
deixei de sentir falta
via quatro roteiristas que conduziam o plograma e quatro novatos. Toda
de Nova York. A maioria dos escritores de Nova york
em L.A. se queixa.
'Ah, sinto falta de Nova york. Mas agora semana os quatro sujeitos que conduziam o plograma levavam um dos
prefiro um condomínio fechado.,,
quatro novatos para o santuário e ensinavam a ele ou ela comO conduzir
o programa enquanto eles planejavam e reescreviam o episódio daquela
Mas os roteiristas estão todos baseados aqui?
semana. Quatro caras ensinando quatro caras a substituí-los. Brilhante.
Não. uma das coisas q,.e fez os programas da franqu ia Law No ano em que estive em Seinfeld, acho que houve quatro encontros de
dy order foncio-
narem foi que eram todos gravados aqui, em Nova york. roteiristas, no máximo, quase consigo me lembrar o que discutimos em
Nosso programa,
criminal Intent, e Law ü order, a nave-mãe, foram baseados em cada um. E uma das vezes foi sobre: "Vejam, tudo o que está marcado
chersea
Piers. Éramos gente de Nova york que escrevia sobre tipos geladeira é do Jerry. Não mexam nessas coisas. Jerry não gosta
de Nova york. JERRY na
Acho lamentávei que não haja mais programas em Nova york, "Pensei
e a razão que mexam em sua comida." Geralmente era alguma coisa do tipo:
para isso é que os executivos da emissora teriam de pegar que anões seriam mais engraçados, não acredito que não vamos conseguir
um avião até
aqui para dar uma passada no set. Executivos gostam mais risadas com anões, vamos reforçar história de Elaine, alguma ideia?"
de poder dizer: "Bem, a
vou almoçar no estúdio e assistir ao meu programa." E depois E era assim que eles faziam o programa, por meio da forte presença de
passam
umas cinco horas por lá conversando sobre como atropelaram
um cara Larry eJerry. Criminallntentnáo tinha uma sala de foteiristas sob a direção
rtma yez e seguiram em frente, metendo-se no caminho
das pessoas, e de René, ou de Warren... às vezes ele dava uma volta perguntando a todo
depois vão para casa. Nesse meio-tempo todos os outros
estão fazendo mundo: o que você acha? Depois ele se fechava com seus conselheiros,
o programa. Sim, sou um pouco preconceituoso, mas
as pessoas querem Tommy Lasorda e Earl Weaver. Two andaHalfMen, pelo que me dizern, ê
ter controle sobre as coisas. E os estúdios em Los Angeles
não gostam de realmente Chuck Lorre e dez roteiristas na sala. É como ele gosta de con-
programas em Nova york porque não podem controlá-l0s.
seja como for, dtzir oprograma. Mas nem todo programa funciona dessa maneira. Meu
deixei criminallntentpor um trabalho no cinema, e o primeiro
rascunho próprio preconceito como alguém que é engraçado, mas também pode
que escrevi pareceu o melhor criminalrntentque já escrevi.
Era quem eu escrever sobre serial killers: não sou um sujeito de sala, o que é esttanho,
uma vez gue estou dando aulas e lrnltl) dr ertnr llo centro da sala srlm §er milhõcs t'onl lBso, por isso jovens roteiristas a adoram. Jovens escritores
o centro ao mesmo tempo, Não lcrlhr, $ men()r ldela do que quero dizer deveriam sernpre se tornar assustadores. Ir longe demais.
com isso. Em seinfeLd eu era pr«rvnvelnreRtc um dos caras mais quietos
da equipe. Mas com tempo fui aprcr:dendo como me levantar numa sala. Sobre os roteiros especulativos, você diz A eles pAta escrever pdrd d temporúdt que
Assim, dar aulas fez de mim um roteirista melhor e um produtor melhor. está sendo transmitídano momento?
Sou um roteirisra muiro melhor para Selnfeld agora, anos depois, do que
Pelo contrário. Falo para escolherem um ponto no passado da série. Di-
era quando estava lá. Deveria enviar uns roteiros e ver se seriam compra-
gamos MAà Men. Se você escreve par.a um ponto duas ou três tempoÍadas
dos. Meio a meio.
atrás, isso deveria ajudá-lo a saber que em certo momento a firma vai se

mudar e que em certo ponto ocorrerá uma divisão, de modo que me-
Hd uma sala de roteiristds reyresentada em 3o Rock. os roteiristas estão próxi-
tade deles vai tomar um caminho e a outra metade vai tomar outÍo. Se
mos darealidade? 'tompetindo com
você escreve para a temporada atual, está basicamente
É como a versão de Hollywood do que é um roteirista. Roteiristas tendem muito provável
a equipe de roteiristas". Se você tem uma ótima ideia, é
a ser chatos. Eles podem ser engraçados uns com os outros, mas é só. Gosto que alguém na equipe do programa a esteja tendo também, e você averâ
desse programa, mas The ofice mudou a televisão etambém era capaz de na tela uma noite, e depois se candidatará desesperadamente a uma fa-
partir corações. culdade de direito para poder entrar na ârea de negócios dos estúdios e
começar a extorquir outros roteiristas. Seja como for, MadMen ê perfeito,
O que você pede para seus dlunos escreverem aqui? porque teve um intervalo de dezoito meses entre a primeira e a segunda
temporada. Insira seu episódio ali.
Para um roteiro especulativo de uma hora, gosto de fazê-los escrever coisas
de que eu goste e que aguente assistir. Posso analisar qualquer coisa, mas
O roteiro especul.ativo ébasícamente um cctrtão de visita, não é?
tenho de gostar dela. Gosto quando eles fazem BreakingBad, Friday Night
Lights, MadMen- e isso foi realmente espantoso para mim, constatar como É, mas você tem de enfatizar que ninguém vai comprar o roteiro deles para
eles são bons nisso. Esses alunos, que estão tão distantes dos anos t96o, de uma série em curso. E dízet aos garotos que estão escrevendo pilotos que
alguma maneira eles fazem a pesquisa, sabe, como a Volkswagen chegou não é preciso incluir uma análise de toda a temporada. Isso é se autoderrotar,
aos Estadosunidos, o que o pessoal da Nabisco estava comendo, eles gos- uma ideia maluca, é um pensamento de 97t; seu piloto único, de 3233 pâ-
tam de descobrir coisas sobre aquela época, fazem isso realmente bem, ginas, é a única coisa de que você precisa. Ninguém vai comprar seu piloto,
coisas que você sabe se é mais velho. Mas quando eles tentam escrever mas eles podem comprá-lo a partir dele, e daqui a cinco ou oito anos, quando
Entourage... eles não sabem nada sobre Hollywood, produtores e agentes. você for bem-sucedido e poderoso, talvez consiga produzir esse piloto, mas
Só o que veem no cinema e na Tv. são fracos ern jo Rock. pela mesma ra- por enquanto... É ,rma ilusão pensar que você vai chegar 1á da noite para o
zão que ernEntourage. o que eles sabem sobre exibir um programa diário? dia. Com pilotos, o que eu falo para eles é: digam-me do que se tÍata, agora
The ofice é mais fácil para eles porque
maioria reve alguma experiência
a me digam quem é a estrela - o papel que vai financiá-lo -' agoÍame digam
de baixo escalão em empresas tediosas durante o verão. Gifls êuma série quem é o principal personagem secundário, o antagonista, digam-me quem
quente agora. Pega a sensação de estranheza de sex andthe ciry e vende é o terceiro personagem mais importante, é a partir desses três que todas
,tr ll:il()t t,ts Vlt() s('(l(.s(.nt()1,il. r.Í ,,nr trir ,.rrlrtr t,,tr() rl1(. lt,itIr,rllr,1{.1t(),\
l'rrt'rr tlc I \' ,1, I )('p,r t:uncnLo dc E,scrita l)r';rnráLica [icou làn'rosa, cntplcsJt
I)igirrrt lll('(lLral ('olrolttr).tll, (.)r,,r(l() v()(i.clrt,glrr ,tr,litr;rl
(1,, J,r,,,,,.rrrr,r
lios rr rt' olc r t'r t'r :rrr r dinheiro apenas para lhes passar os roteiros dos garotos
clcsscpiktto, oleitordcvt.l.ilr
;rotlr r ,lr , r Ilr,rrr,;rosso irrrrrginal.nl:lis lrist(l mais tirlt'rrtosos aqui, algo que não vou fazer. O empresário diz: "Que tal se
rias."Pensetambémemquir lItlt l,rtrrot(,rrr,rtl,,;rt,()llt-i.llltil.como
lintsit,rô. eu pegar todos os seus especializados em TV, todos os alunos do último ano?
realmente sobre os irmãos p*)v,rr(r( ) r,r,r rrr,rst rrrinicrlrcrc
p:rra si mesmos e Pego quinze garotos e os jogo lâ, e catorze serão destruídos, mas um vai ser
umparaooutroeparaopaiptirit'iirr ()rrirt'rt.,tlt.wt,cr/.ió
Na.cypensando: bom." Ao passo que os agentes são grosseiros, vulgares, muitas vezes traiço-
"Sou a melhor mãe
do mundo, porqr(, r r :rlit-,
[)r r.ir slrstc.tar minha família.,, eiros exceto o meu, que é muito doce. O agente diz: "Se você me disser que
E os melhores momentos da série ocor.r('rr
11tra.cr, cl. sc dá conta: ,.Drogar
contrataria essa moça, vou lê-la. Mas se eu a detestar não lhe darei crédito
Sou a pior mãe do mundo. Vejam o quc (iz,
vc,jarn ao que expus meus fi_ da próxima vez." Porque agentes estão voltados para o longo pÍazo. Procu-
thos." os roteiristas, sendo como são, às vezes
vão sair e escrever roteiros ram talento e ocasionalmente o conhecem. Empresários procuram yolume.
especulativos sobre um inútir personagem secundário.
Eles pensam que é
um ângulo profissionar bacana. Mas é o seguinte:
a secretária é a secretária, dlunos em contdto com agentes?
Você põe seus
não escreva histórias sobre ela, quem se importa?
ou você tem essa fantasia
elaborada de ser contratado pelo programa porque Às veres. A maioria dos graduados não está pronta para ser contratada.
teve a brilhante ideia de
dar mais de uma fala para a secretária, e ela Alguns estão muito próximos disso. Incentivo todos eles a fazer um plano
se aparxonou por você?l como
professor, tento lhes dar este rmportante
conserho: '.Ela vai continuar dor- de três anos. Durante esse tempo, trabalhe no Starbucks, dirija um ca-
mindo com um barman. Não com você." concentre-se minhão de sorvete, continue trabalhando em seus roteiros especulativos,
na estrera e em outro
personagem imporrante Michael e Dwight,
- Hannah
Adam. Âs pessoas e
arrume seu piloto, entre em grupos de escritores, e ao fim de três anos
costumavam aparecer em escritórios de agentes ..criei ou sua carreira começou ou você precisa reavaliar. Provavelmente você
e dizer: uma série e
tenho os vinte primeiros episódios aqui mesmol" deveria estar avaliando antes mesmo disso. Por que você não está alcan-
Loucura. Ninguem quer
ler toda essa merda de um novato- Eres querem çando o alvo que fixou para si mesmo? É seu roteiro, é quando você en-
rer um episódio e ver se
conseguem imaginar os que se seguirão. Roteiristas contra pessoas? E, se você sente que estão todos errados em relação a você,
são sempre muito auto_
ri
destrutivos' Porque nós criamos. E pensamos conceda-se mais uns dois anos. Muito poucas pessoas se tornam roteiristas
que criação e autodestruição
ll são a mesma coisa. seja como for, isso funcionou quando querem. E nem todo mundo se torna roteirista, mesmo depois de
para mim. Roteiristas
veneram o professor-mentor que thes diz paruescrever ter passado por uma escola de escrita. Eu gostaria que se tornassem. Gosto
I
quarenta episódios
para vender uma série, mas que deixa de
revelar: "É por isso que estou dando imensamente dos alunos aqui. Sempre lhes digo: tenham um emprego
aula de biologia na oirava série.,, diurno, porque bom estar perto de pessoas reais. Vocês têm de estar no
é

mundo real de alguma maneira, têm de ter experiências, tudo isso faz
E quanto à situação paradoxar de Hoilywood?
o que tem a dizer sobre agentes parte do processo de tornar-se um escritor. Acho que roteiristas de TV são
e
empresarios? muito mais engenhosos qtre dramaturgos. Alguns dramaturgos estão tão
envolvidos consigo me snros. E eles têm de parar de usar a palavra "voz"
Não acredito em empresários até que você tenha
sucesso. os arunos gostam
e "assinatura". Uma gar-()tx nrc contou que sua professora de escrita para
deles porque se encarregam de você mais
rápido que um agente. Como a l rrlo o verão trabalhando em sua voz. Eu disse a
teatro a aconselhou a lllssir t«
ela: "Vou passar todo o verã, tr.irrrrilrunrl,
§11 meu arremesso dc três pon_
tos. Vamos nos encontrar no rneio rlu ertoçso
Tim van Patten
t ver quem se saiu melhor.,,
Hamenosfilmes Í)ara aTV agora. por qu( yocê
acha que isso acontece?

Eles costumavam ser ótimos. Int.rcssa'tes, perspicaz es. I Know My First


Nameis steven. The Marcus-Nerson Murders.Esse
último se transformou em Os créditos de Tim van Patten na televisão como roteirista e/ou diretor in-
Kojak. Espero que eres voltem. É tão carc cltemFarríliasoçrrano,Thewire,DeAdwood,BoardwalkF,mpire,Rom*,ThePacific,
fazer apenas duas horas de Tv
nesre momento. E todo mundo sabê que
o dinheiro está nas séries. Todo Game ofThrona, Ed e Su aná the Ciry. Ele recebeu, entre outros, dois prêmios do
mundo quer cem episódios. somente os grandes
programas são vendidos Sindicato de Roteiristas, dois do Sindicato de Diretores, um Edgar, um Hugo,
agora para vários canais, quando antigamente
tudo, todos os BJ and. the um Peabody, dois Emmys e um prêmio do Instituto Americano de Cinema.
BeAr, eram distribuídos para diferentes
canais.
Tim, você tem umucdrreira muito multifucetada. E uma dntigd Pdrceria criativa
O que você mostrd em sala de aula? Clipes com Terence Winter.
d.e todas as sériiil
para ffansformarmos De fato! Mas somos como dois navios passando, Terry e eu, quero dizer,
tempo quando os ga neste momento. EIe está realmente concentrado na sala, e eu, na produção.
ez vr;:avez a cadaper E às vezes colidimos no meio do caminho.

Boardwalk Empíre parece cinema. É assim que você o vê, como umd nrrrdtwd
c íne m ato gr afi.c a lo nga?

É um filme de doze horas de duração.

E yocê é o diretor. Você escreyeu um episódio, mas esta principalmente dirigtnd'o'

(risos) Parte dele. Eu me comPrometi com dois episódios consecutivos. É


o primeiro episódio da segunda temporada. Tom (Fontana) e eu temos
o mesmo mentor. Fomos criados no negócio por Bruce Paltrow. E Matt
(Weiner) e Terry e eu fomos criados por David Chase ernFamiha Soprano.

E você e Terry escreyerdm um aclamadíssimo episódio qtaru Família Soprano.

Era uma história que tinha a ver Com a minha vida, e Terry a transfofmou
de forma mágica num excelente episódio.

r83
vamosfalar sobre o escopo dc Boartlwalk ltrrtprr.e, fisse certamente está entrc os sonagens regulares, é um programa muito complexo e incrivelmente de-
proJetos com maior yalor de produç.rftr q11 fi/rl/7la rírls sdríes de TV. talhado cm termos de figurino e design de produção e cenografia, e assim
Romafoi grande. E Deaàwoocr. LJ't'ht' t'udrte, Aquiro foi ele é movido por essas coisas.
enorme. sob arguns
aspectos, maior em termos de pr«rcrução do que
este programa. Não tão
detalhado em termos de narrativa, parém. Esta é Deve haver muíta pesquisa envolvida.
uma narrativa mais com-
plexa. The Pacific foi maior em rermos de produção
física. Sim. Temos um pesquisador em Atlantic City, temos o autor do livro à
Acho que Thepacificfoi maior porque abrangíamos
muito chão na Aus- nossa disposição, temos um departamento de pessoas cuja função é iden-
trália' Gravamos no norte, gravamos no sul, criamos
a geografia de cinco tificar construções de época e todo tipo de detalhes, e quando começamos,
ilhas diferentes, tivemos de reproduzir a Melbourne
de época, tínhamos tenho ceÍteza de que Terry lhe contou isso, quando começamos com o pi-
um enorme número de extras, efeitos especiais e visuais. portanto,
em Ioto do sr. Scorsese... Ele estava realmente envolvido em termos do aspecto
termos de produção física, The pacif"c foi provavelmente
maior. Em geral e da atmosfera do programa, e assim Terry e eu, e às vezes um chefe
Boardwalk Empire estamos confinados aos bairros
da cidade de Nova york. de departamento, se o filme estivesse com o foco naquele departamento,
Assim, a superfície é um pouco menor. Mas tudo igualmente
detarhado, assistíamos a filmes com ele para ter referências.
se não mais, porque estamos trabalhando dentro dos cinco bairros
de N.y.
fisicamente, mas estamos retratando Nova york, Atrantic
city, chicago e, E o que elelhes mostrava?
na próxima remporada, a Firadélfia de tgzo-zt. o
desafio é que há muito
poucas reminiscências físicas de rgzo-zr, assim Ah, meu Deus, ele tinha um lista. Era como uma escola. Terry e eu nos
você não pode irpara qual_
quer lugar e filmar, é preciso ambientar, e você precisa beliscávamos um ao outro, dizendo, não acredito, estamos assistindo a
também de efei
tos visuais para apagfi alguma coisa e acrescentar um filme com Martin Scorsese. Só nós três na sala de cinema. Às vezes ele
outra.
construímos o
boardwalk [passeio de tábuas] no Brooklyn num falavadurante o filme todo: "Veja este filme, é maravilhoso." E ele conhece
terren ovazio,cercado por
tela azul- os desafios são enormes, mas esramos trabalhando cada detalhe. Víamos todo tipo de filmes, às vezes nos perguntávamos: por
no estúdio,
e assim não ficamos tanto ao ar livre. que estamos indo lâparaassistir a esse filme? Íamos ao escritório dele no
centÍo, sabe, fica no prédio do Sindicato de Diretores, ele mora no centÍo.

Quantos dias yocês têm E ele tem sua própria salinha de cinema ali. Ele realmente conhece cada
de filmagem por episódio?
detalhe de cada filme que foi feito, de modo que foi como uma formação.
Doze, ma-is um dia extra. E desses treze dias, na primeira
temporada, ti- Nós íamos 1á e era como uma pequena fuga, geralmente um programa
vemos provavelmente oito no estúdio. Mais uma
vez, estâvarnos tentando duplo. Depois perguntávamos: "Marty, mas afinal por que vimos esse
conseguir um desconto no imposto em Nova york,
e para conseguir o me- filme?" E ele respondia: "Veja essa cena com o parque de diversões, que
lhor desconto você tem de permanecer dentro dos cinco
bairros. euando cena maravilhosa." E era uma cena pequena, mas ele dizia: "É desse jeito
você pensa no que está rearizando, isso é pouco.
Ao contrário de uma que o passeio de tábuas deveria ser, afuznoturna", enôs díziamos, sim, ele
hora de TV aberta, em que você tem comerciais, com
um programa da temrazão. Um filme inteiro para um pequeno detalhe. Da mesma forma,
Tv a cabo você está entregando q-zo minutos a mais de filme. ele levava a pessoa encarregada do figurino e a fazia assistir a um filme
são dias
realmente longos e é um grande elenco. Em qualquer
momento hâz5per- inteiro apenas para ver um detalhezinho.Isso é uma coisa que Terry e eu
tlnharnos experimentacro cm rttttrilltt sopnlslr
rurnbém, com David crrase.
Ele realmente prestava atenção iro tletullre, Quando vurC cormrçorl

Comecci atuando nos anos t97o, ainda adolescente, num programa cha-
Vocês viamfilmes com ele também? madoTheWhite Shadow,prodtzido por Bruce Paltrow. Gwyneth erabebê
quando estávamos filmando, e Bruce foi meu mentor e depois me lançou
Não' Fazer esse piroto com Martirr scorsese
foi muito arém de qualquer como diretor também. Ele lançou Tom Fontana como roteirista. Quero
experiência que Terry e eujamais havíamos
tido. o cronograma era mais dizer,Tom era dramaturgo. Ele tinha visto uma peça do Tom e o contra-
longo, o orçamento era maior. Nós realmente
queríam osfazeraquilo dar tou, e os dois trabalharam juntos em St. Elsewhere. E não fomos só nós. Se
cerro' construímos oito modelos do piloto
e os levamos para ere. Foi um
você pudesse ver a influência que Bruce teve nesse negócio... ela foi vasta.
grande empreendimento.
Esse é um tema em si mesmo. Os roteiristas talentosos e premiados que
saíram do mundo dele... é estarrecedor. Ele era capaz de identificar talen-
Então ttocês trabalharam com ele no piloto?
tos e sabia como administrá-los. Era um grande contador de histórias e
sim' eu saía para
procurar locações, nós limitávamos a área, líder, mas seu forte era a produção, ele sabia como lidar com as emissoras,
tentávamos
manter a coisa realmente simples e produtiva. era incrivelmente dedicado e acreditava no que estavafazendo. Realmente
honesto e forte, forte e determinado. Especial. Revele isso, a generosidade
Ele ainda esta ewolyido? de Bruce. A televisão é um negócio muito insular, um negócio em que
é muito difícil penetrar tinha
se você vem de fora. De certo modo, você
sim' Nós mandamos os roteiros e ere fazcomentários.
Acho que ere rear_ que começar de dentro, tinha de ser um ator ou supervisor de roteiro ou
mente gosta do pÍograma. E seus comentários
são sempre absolutamente primeiro assistente de direção. Bruce erabrilhante nisso. Tomfez a mesma
precisos e pertinentes. como víamos
todo tipo de filmes, vimos a A d.ama , pessoa mais
coisa. Ele lançou um número inacreditável de pessoas. É
depreto, de sam Fuiler, Heróis esquecidos
e Luciano.Gostaria de ter podido
generosa que já conheci. Estou tentandofazer isso aqui. Continuar promo-
continuar fazendo isso, toda semana.
vendo pessoas. É um grande legado. Acredito em compartilhar informação.
De outro modo, qual é o sentido? Acho errado quando as pessoas cobiçam
Você começou como otor, não foi?
a informação. É um lugar incrivelmente criativo para se estar, uma sala
sim' Eu era um mau ator. (risos) Não, farando cheia de roteiristas.
sério. percebi rapidamente
que meu interesse não era estar em
frente à câmera. para fazetuma ana_
logia com o beisebol, em que o apanhador Então, como você trabalha emrelação ao roteiro?
está em absolutamente todas
as jogadas: como ator, eu tinha
a impressão de estar fora do quadrado;
Neste programa está sendo um pouco diferente para mim porque tam-
às vezes uma bola chegava lá, mas
eu não estava em todas as jogadas.
O bém sou produtor executivo, e tenho muita sorte, poÍque estou numa
apanhador controla o jogo dizendoao
arremessador o que arremessar. En-
série com meu melhor amigo. BmTheWire et só aparecia paÍa gÍaYaÍ,
fim, adoro o espírito de camaradagem da equipe
de filmagem, é a minha então não estava tão próximo. Se você é somente um diretor contratado,
família, e tenho grande apreço pelos atores.
você aparece, eles põem um roteiro na sua mão e você começa o dia com
muita energia, porque é um programa de uma hora de duração, então
são entre sete e dez dias de trabulho, e vor.ê tem
de sete a dez dias dc Você eslá níl Jdla de rctelnstas também?
preparação. Você se encontra c()nl neu prlrnelro assistente
de direção,
explora tudo muito rápido. Sim.Terryestâriadirigindoasala.Euestariaentrandoesaindo.Econver.
sobre os temas' o que está
saríamos sobre a temporada e os personagens'
chega um momento nesse perr.tl. de preparação em que
você vai ter o
que eles chamam de reunião de tom. o diretor vai
se sentar com o autor do
programa epassar os olhos pelo roteiro , Em Família soprano isso
era muito
detaihado. Algumas séries não são tão detarhadas, e se
você tem alguma
dúvida pode esclarecê-la. E em arguns programas um
você tem que examinar um roteirista vai embora com um esboço e voka com
acaba de chegar,
cada cena, falar sobre o tom, a natarezada cena, primeiro'
o que os atores querem, rascunho em três semanas' TalvezTerry o receba
o que está acontecendo, como isso se relaciona com
o resto da série. pode
ser muito detalhado ou muito vago. Isso ocorre bem
cedo na preparação, Mas e se ele não funcionai
e a última coisa é a leitura. E você tem de especificar
locações e calcular o uma ou duas revisões' e' se
cronograma. Depois você tem um primeiro ensaio. Mas nem Ele seria examinado e o roteirista faria mais
todos os pro- uma revisão'
gramas têm isso. só comecei a experimentar esse tipo mesmo assim não funcionasse, então Terry faria
de coisa quando vim
trabalhar na HBo. Em seguida, depois desse primeiro
ensaio, no úrtimo a sua melhor e moior ferramefitd?
Qual wcê àiria que é
ou no penúltimo dia,hâ uma sessão de comentários para
os autores. E a
reunião de tom. '. você se senta com o roteirista-produtor, Minha vida. Têrry e eu, nós vivemos de maneiras
muito semelhantes no
o roteirista do a cem metros uma
episódio, o produtor executivo, o primeiro assistente de Brooklyn, na verdade nossas famílias estão escondidas
direção, passa os
frequência temos o mesmo
olhospelo roteiro e troca comentários ou sugestões, e esse da outra. Isso é muito estranho' Com muita
é o momento de
de humor, reagimos quâse como gêmeos'
fazemos exatamente as
fazê-las. EmFamilia soytrano essa reunião de tom acontecia senso
no meio da sua
preparação, e o diretor a chamava de "defesa da sua mesmas Piadas.
vida", porque você ia
lá e normalmente o roteirista examinava o roteiro
e você fazia anotações
e havia muita pressão. Era muito estressante, porque
você tinha de dizer
como iria abordar a cena, o que pensava que ela significava.

Mas o que aconteceria se yocê dissesse algo errado?

É muito mais fácil o conrrário, quando o roreirista


vai lhe expricando o
roteiro. Ao trabalhar em Boardwark Empire, nós seguimos
o método Fa_
milia soprano de reuniões de tom. E ele funciona. Funciona
realmente
bem. Estou aqui o tempo todo; se não estou dirigindo,
estou no set, estou
escalando o elenco ou na sala.
Margaret Nagle Séno?

E eu
Mas eles sempre disseram que ela seria transferida para Nova York.
tinha outro projeto que havia recebido sinal verde antes de Boardwalk.
Assim, deixei Boardwalk antes que ela viesse para Nova York. Depois ela
estava
Margaret Nagle foi roteirista veio para Nova York e eles gravaram a primeira temporada e eu não
e pr.clur.ra supervisora emBoardwarkEmpire,
da HBo [e, posteriormente, desenvorveu a série aqui, e não vim no início desta temporada' Assim, estou aqui, de certo
Red. Band- society paÍa a
modo, não sei, para dar consultoria, seja qual for o meu título' acho
que
Fox]. Antes disso, criou seu próprio
programa, Side Order of Life,escreveu
o premiado telefilme Warm Springs, é produtora suPervisora.
paÍa aHBO, e o longa_metragem Á
boa mentira, para aWarner Brothers.
Ganhou dois prêmiios do Sindicato
de Roteiristas. Entã0, o que isso signífica? Prodttora superttisora?

os títulos significam diferentes coisas em diferentes programas. Tive um


Entã0, em termos de escrita para a TV,
praticdmente tudo está em Los Angeles? programa em que fui produtora executiva. Estávamos falando sobre Tom
sim, praticamente tudo. Exceto por Tom Fontana. Ele tem uma maneira de delegar autoridade neste mundo,
como
Fontana. (risos) Ele é um homem
muito especial. E nunca estive com ele.
Mas ele é de certo modo o coração por exemploEd.Zwicke Marshall Flerskovitz, que criaram não só Thirty-
e a alma da Tv em Nova york, e sometbingmas também um programa de meados dos anos r97o
chamado
todos os roteiristas que puderam trabalhar
Mas os
com ele tiveram muita sorte e uma formação
incríve,. com ele, não é tudo Family.Eles praticamente produzem tudo e os roteiristas escrevem.
ou nada' Ere pega novos roteiristas e
ensina a eres o oÍicio. Assim, é muito roteiristas não planejam história numa sala de roteiristas, eles planejam
a
se parece um
eficiente como mentor e muito gentil,
e sua influência se estende a todos a história com Marshall e Ed e saem para escrever' O que
os
roteiristas' Às vere, as pessoas me sugerem
um roteirist a e dizem..é um pouco com o modelo de Law dy order. Num programa na televisão aberta
É om
roteirista do Tom Fontana, ele trabalhou
com Tom,,, e eu digo ..ah, rudo o cronograma é muito mais apertado. O tempo é tudo na televisão.
bem"' Há um selo que ele põe em seus
roteirisras que é realmente ótimo. relógio tiquetaqueando o tempo todo, e você tem umPtazo' e há uma
você sabe, as equipes de roteiristas esrão
sobretudo em Los Angeles, por_ data para a transmissão. o trem vai sair da estação, ele não espera por
que é lá que estão os contratantes. As você. você precisa desesperadamente de roteiristas para produzir.
você
redes e os estúdios estão em L.A.
Mas
o incentivo fiscar promurgado há uns não tem corno fazer tudo se estiver no comando' Algumas pessoas são
dois anos no estado de Nova york
tornou filmar aqui muito mais flícir. É por capazesde delegar, e outras não. O que quer dizer que o mesmo
título
isso que há rantos programas
aqui. se eles retirarem o incentivo fiscal,
não haverá nada em Nova york. significa coisas diferentes, dependendo do programa. Produtor supervisor
Ern Law ds order eles têm uma maneira sessões de
própria de fazerisso, dividem as neste programa também significa que participarei de algumas
salas de roteiristas, mas em geral
escalação de elenco. Ou discutirei o cronograma de filmagem'
essas salas estão em L.A. É merhor Acabamos
estar
mais perto do set para fazer mudanças filmagem
etc. Se você tiver seus roteiros de ter um problema e vamos precisar inverter o cronograma de
prontos de antemão, pode estar mais gravar
ronge, mas se estiver escrevendo en- para acomodar um ator. Assim, vamos pegar a primeira semana e
quanro filmagens estão sendo feitas... você sabe, te-
todas as cenas com esse ator para os quatro primeiros episódios que
as
esta sala de roteiristas
também começou em L.A. não
mos escritos. Depois ele fica livre por quatro meses' E, como se isso
190
b0stq§§e, vamo§ puxar todâs rs ('crl,rr (rrri
qr.rürtí) prrmeiros episódios que
combinc cr)m ÊUe visão de mundo. Ele tem um Ponto de vista sobre os
escrevemos e reduzi-las um p()u(.í,, pufu
trr,certeza de que podemos ter da sua visão'
anos 1920 e e§ses Personagens e quem eles são, e eles nasceram
todas elas gravadas. Há um prrlrlrt,rrru
r,re prurluç:ão e você examina é tentar com-
como ele está dentro desses personagens. Portanto, minha função
pode resolvê-lo com o roteiro. Assrnt,
se estou na sara de roteiristas e ou
preender para onde ele está indo. E depois, se eu tiver uma nova ideia
alguém diz "muito bem, vam.s cxpkldir
um barco,,, então você diz,\ão ..vamos a ponte de Manhatt arl emYez da ponte do Brooklyn",
pegar
disser
temos dinheiro suficiente no orçanlcnto
para explodir o barco,,.
preciso seÍ capazde me levantar e dizer por que isso corresponde ao lugar
para onde estamos indo ou por que penso que estamos prontos para
tomar
onde se obtém o conhecimento necessario para vabarhar
uma ponte diferente nesse momento da narrativa. Assim, você tem de
como produtor? ser

você aprend e fazendo. produzitreze episó dios de meu próprio programa, capaz depropor coisas e defendê-las, e na maior parte das vezes ninguém
precisa-
side ord"er of Ltfe, e tive um fabuloso produtor
executivo, um suyeito cha- quer ouvir isso. Pegamos essas extensas anotações, por exemplo'
mado charlie Goldstein, que havia sido
diretor de produção num estúdio mos dessa cena? Faço anotações também, há alguém que faz anotações'
mas eu as faço também. ouço coisas diferentes. E o que acontece
de Tv. Ele tinha um extenso currículo e é um nessas
dos merhores profissionais
do mercado' o produtor executivo é a
pessoa responsáver não só por criar anotações acaba virando um esboço'
um orçamento, mas por assegurar que ele
seja respeitado depois que um
programa está sendo filmado. uma pessoa Quem escreve o esboço?
como charlie sabe exaramente
quanto tudo vai custaÍ, quanto tempo
vai revar. você pode literalmente
Terry.
entrarna sala dere e ele saberá calcurar tudo
isso de cabeça. para um rotei_
rista de Tv, um produtor executivo excepcional
é seu merhor amigo. você
ELe escteve o esboço?
tem um orÇamento da mesma forma que
tem em sua vida. Éexatamente
por
a mesma coisa com o programa.
É divertido. Ele gosta de escrever o esboço, rodá-lo em seu próprio computador'
assim dizer, e depois nós nos sentamos e o examlnamos'
Ond.e entra a escrita?

Hauma analtse cendqor cena, certo?


Sou produtora supervisora de todo
o programa. Terry é o showrunner,
uma
isto é, a pessoa totalmente encarregada
das decisões, como David chase Criamos as histórias de cada personagem' E depois você quer ter
pode-
em Família soprano. Trata-se sempre
do gosto dere, de seu ponto de vista, ideia de como esses personagens se ajustam uns aos outros. Assim,
em certo
sua voz, seu olhar, ere é o arquiteto
desta grande e bera casa com muitos mos remover uma trama relativa a Margaret, que não funciona
cômodos' Posso até decorar a cozinha, episódio,eguardá-laparaoutroepisódio,pofqueéumahistóriasobreela
mas é a visão de Terry winter.
mas ainda
Têntamos ajudáJo. o melhor roteirista-produtor
é sempre aquere que realmente queremos contar. O programa está evoluindo'
que está
escrevendo o programa que o criador não é hora de contar essa história.
tem na cabeça. O que torna uma
equipe de roteiristas bem-sucedida é que
tod.o mundo .rr"i,
o mesmo programa. Vocês estão construindo "r.r"vendo Então vocês se rcúnem todos os àías?
a mesma casa. Assim, Têrry
pode dizer'projete uma cozinha", mas
tenho de projetar uma cozinha que Das dez às seis, sim.
li rntdo rtocês têm um esboço. ti cart ír,r rrr vÍ,.p.r r meanegado de um episódior
fora do proHrÊmâ em termos criativos. Com a Showtime é a mesma coisa.
Quand.o yocês escreyem?
Terry conversa com a HBO e só.
Terry manda você embora, IJrc rrrr trá urgunr lempo
fora da sala de rotei-
ristas. Em geral, uma ou duas s.r'rurrits. vrrcê escreve por que yocê acha que ha tão poucas mulheres na TV e tão poucas mulheres
o roteiro em casa ou
na sua sala, você fecha a porta. [Jrn nrcu programa, showrunners?
eu faziaos roteiristas
escreverem seus próprios esboços e c{cpois trabarhava
com eles, mas eu As mulheres nos Estados Unidos ganham menos que os homens'
realmente gostava dos esboços. Terry tem tantos
senhores a quem servir.
Ele tem de servir à HBO. A HBO não vai comentar
esses esboços comigo, Estados Unidos.
.lVâo sd nos
yaifazer isso com Terry. Assim, ele
tem esse trabalho árduo, porque rem
de facilitar as coisas para nós, para eles, para
o elenco e a equipe, para a E isso não parece preocupar as pessoas no poder' Até que as mulheres
produção; é realmente um trabalho duro. façam uma forte objeção, isso não vai mudar. o interessante é que al-
guns dos melhores showrunners são mulheres. como carol Mendelsohn,
Durante o tempo em que wcê estafora escrevend.o
seu episódio, não ha produtor provavelmente a melhor showrunner que já existiu. Ela faz CSI. É abso-
supervisor. lutamenre espetacular. Shonda Rhimes está conduzindo três programas.
Elas são irrefreáveis. As redes sabem que mulheres dão boas showrunners
sim, é difícil. Talvez eles planejem uma história para
Margarer e não vou porque querem que todos se entendam, elas apagam incêndios' É uma
estar lá' Mas este programa tem um cfonograma
um pouco mais folgado. coisa feminina cuidar de tantos detalhes num programa, é como comandar
Num programa da Tv aberta você simplesmente perdeu
a oportunidade
uma casa e ser mãe. Essas realidades realmente se tÍaduizerÍnas ativida-
e pronto. Aqui, voltamos aos esboços muitas
e muitas vezes.
des de um showrunner. Quero dizer, muito bem' É um grupo Pequeno'
mas extremamente talentoso. A parte difícil é conseguir que as mulheres
Então vocês que escrevem e produzem nl.tnca conyersam diretamente
com a HBo. subam na hierarquia da sala de roteiristas, é aí que acho que está o obstá-
E quanto dos Í,rogramas da TV aberta?
culo. parece que as mulheres não passam do nível de produtor supervisor.
Num prograrna da Tv aberta você recebe comentários
do estúdio e em Eu, particularmente, nunca estive numa equipe antes, então isso é ótimo
para mim, mas, pelo que vi, todas as mulheres parecem parar no nível de
produtor supervisor.

crever não é uma questão de lógica. Escrever tem Por que você acha que isso acontece?
a ver com história. E
muitas vezes as pessoas no estúdio não têm uma formação
nisso. Já o Elas são impedidas de ir além, não por mulheres, mas por homens' Nos
pessoal do canal, a meu ver, tem muito mais
conhecimento. As pessoas
esrudos do Sindicato de Roteiristas e da Comissão de Oportunidades Iguais
no estúdio... é difícil conseguir extrair alguma coisa
de Emprego, fica claro que existe esse teto. Salas de roteiristas são muito
boa de lá depois que
você considerou as observações deles. Mas, como
roteirista, não preciso estranhas, muito implacáveis. Não são necessariamente um ambiente em
me encontrar com essas pessoas. A HBO acredita
que deve permanecer
que as mulheres prosPerem' São muito competitivas de uma maneira muito
rn,$culina. As mulhercrs rrâ, s. rlrirrrlriltctn
tlr Íirtma a se fazer ouvir por aprendct' ir cstrutura, mas semPre escrevo partir do personagem' Não
a
homens' pessoas como Nina 'lirssrcr,,
rrir (]rrs, têrrr muitas showrunners
mu_ penso na história, Penso no personagem' É uma força, mas pode ser
Iheres' Fox e NBC não têm muiras
srr.wrurrrr.r.s rrrurheres. A ABC, sim. por_
[anto' é também a emissora. Mirs (' uma fraque za. Pot set atrí2, sou muito eloquente, me expresso muito
rrrru coisa engraçada, porque a maioria
das pessoas que veem Tv são muilrc'cs, para
bem. Assim, quando dou sugestões, posso ajudáJos a vê-las, posso quase
mim ficou craro desde o início
que eu nunca conseguiria galgar dramatizâ-las. Isso é extremamente útil, porque não tenho medo de falar
p()stos numa sala de roteiristas, nunca
sobreviveria a uma sala de roteiristas. para pessoas grandes, amedrontadoras. É muito mais assustador fazer
um tesre para um papel do que sugerir ou defender uma ideia. winnie
Por que você acha que ds mulheres Flolzmanl sempre diz quevocê deve pensar em si mesmo como roteirista'
não se
fazem ouyir numa sala de roteiristas?
simplesmente ignore tudo isso. Não sacrifique nada. Mas pense em si
Quem quer que fale mais arto leva a melhor. Assim, mesmo como roteirista antes de tudo.
é realmenre difí-
cil encontrar algum espaço quando os
homens estão competindo uns
com os outÍos' pode ser muito difícil. grande sonho?
Fica realmerrt" drr.o, . então elas Entã0, para onde você quer ir d pdrtir daqui? Qual é seu

começam a pensar 'hão sei como levantaÍ


avoz e esta pessoa não está
ouvindo minhas ideias", e a coisa pode Não sei. Gosto do companheirismo da televisão. Gosto de estar dentro do
ficar realmente desagradáver, e
aí tem também o tom da escrita... pÍazoe saber que terei terminado defazer alguma coisa até o fim do dia.
Você sabe, é tão engraçado, tenho
impressão de que as histórias femininas
a
Filmes podem levar anos paÍa ser produzidos. Tenho um filme agora que
são diminuídas pera mídia e os
críticos, e as histórias masculinas são o estúdio vem me fazendo escrever e reescrever há quatro anos. E isso
celebradas. Assim, ,- p.ogr"*"
pode obter índices excelentes e ser é doloroso. E talvez ele seja feito. Estou também num programa neste
sobre murheres, mas um programa
corno Mad Men vai capturar toda momento. A Ron Howard and Alliance contÍatou nove roteiristas para
a atenção da crítica. porque os
críticos,
inclusive mulheres, parecem gostar atuar como um grupo de especialistas. Para desenvolver material novo
mais dos programas
mascurinos. Isso
acontece também no mundo da
crítica de Tv. se você for ler os críticos para filmes, porque eles acham que estão empacados em termos de de-
amerlcanos, mesmo os do sexo feminino, senvolvimento. Então, estou lendo roteiros e fazendo observações sobre
eles são muito mais duros
com as roteiristas mulheres. Mas não eles, reescrevendo um filme meu paÍa Ron e.. ' Enfim, estou ocupada
quero generaTizardemais... Não
penso em mim mesma como roteirista demais para pensar a longo pÍazo. Quero dizet,ptetendo escrever filmes'
do sexo masculino ou feminino.
sou roteirista' Mas não é muito difícir
ajudar alguém, não é? Mas depois de um ano sozinha em casa escrevendo um fiIme, quero ir
Jâsuperei
uma parre difícil. trabalhar num programa de TV. Sou uma pessoa extrovertida e gosto
de sair e ver gente. Essa é a desvantagem de escrever longas-metlagens.
em promover uma
você começou como dtriz. Isso rhe parece útil quand-o esta escrevend.o? Quando o Sindicato de Roteiristas estava pensando
greve, tivemos uma grande reunião no centro e de um lado da sala es-
sim, há tantos atores agora que escrevem
para aTv. Atuar ensina muito tavam todas as Pessoas que tinham escrito para programas de televisão
sobre escrever' e é por isso que atores
dão bons roteiristas. Sempre digo
e todos se conheciam e erâm amigos, e do outro lado estavam todos os
para roteiristas, vocês deveriam ter
aulas de interpretação.
Quando roteiristas de longas-metragens, e eles estavam apenas sentados ali, nin-
você é um ator, estuda a mente e o
comportamento humano. Tive de
guém conhecia ninguém. Não sei se quero passal o tempo todo fechada
numâ sele, se eu pudesse produzlr mGui próprlor filmes, isso me faria Susan Mtller
realmente feliz. sou produtore neree fllme que venho escrevendo há
quatro anos.

Você gostaia de dirigir?


da Show-
Deixe-me apenas levar meus filhos até o fim da faculdade. (risos) Susan Miller foi roteirista-produtora consultora emTheLWord'
of O' N eill'da CBS' É produtora
tlme, Thfirysomethingda ABC, e The kials
premiada pelo sindicato
executiva e roteirista da websérie AnyoneButMe,
uma bolsa da FundaçãoJohn Si-
de Roteiristas. Ganhou ainda dois obies,
eo prêmio Susan Smith Blackburn
mon Guggenheim em escrita dramática
e AMop of Doubt andRescue'
por suas peças My LefiBreast

VocêrecebeuoprimetroprêmiojáconcedidopeloSíndtcatodeRoteirístaspdra
uma série da web. lsso é um feíto e tdito' não é?

Ser uma rrmlher a recebê-lo' Re-


Sim, isso significa muito' Ser a primeira'
cebê_lo por um drama. um drama
em que os dois personâgens principais

são gays. Sim. Um feito e tanto'

Quantos fãs Yocês têm?

zo milhões de acessos' Com fãs no


Após três temporadas, temos cerca de
mundo inteiro.

TV em tg76' com Family' e ttí que escreveuparo


Você começou d escrever pdÍa' a
muito
Dynasty, e àepois paraThirtysomething'
1'nn ProgÍama considerado

ínotador no éPoca.
por relacionamentos, arrojado Para
Thírrysomethingela um drama movido
em grande parte
a êpoca.O trabalho gue consegur na televisão resultou
concebida porJay Presson Allen,
do fato de eu ser dramaturga , Famlyfoi
sorte' era uma época em que
que também era dramaturgo' Para minha
do teatro' O que
Hollywood estava atraídapor roteiristas que vinham
felizmenteestáacontecendodenovo.ComoacabeiescrevendoparaTV
199
(' ( (' r''r'r (r('ss'rs rtisrr''r
'r(''r'r r'r:, rr,, ,r rrr' , r,r,r,rr.r,trrtrt rr t,t,st-.[rt.r,tlr.,. () lllil Sltlll t'ttttt t's
M;r.lt'lllpcl'It)l'Lll)1 cslilvlt gil ,lt() ( ontLttt,,,l,t lt'lt'ViSio, ('lIl qLlC Vtlt'i'pt't:CiSa CStAl nLl
l)tr)(lr,'rr(lr, ,rr,rrl. rrrrlrirs lx,Çirs. Mcr-r íill-ro rrra ()utt'()ri ,'r'r,r,lor'r's. l'i tttr-r meiO ccntradO no rOteirista, e é por iSso quc g()sto
llpcllas um bebê e, qua,rl,,r(.ri(.1,,rr,
r,l,r rr(,, ,r,rt.i(la, rlcci.i nre mucl:tr
da Pensilvânia para L.Â. Assirrr, dele. O rrrt'llrot'cla tclcvisão é como um romance. Você tem episódios conl()
rrrr ,rr(. ,rr,r .rgi.rcia ritcrária
representação. Eu estava ncl r.st .irr'rr
para obter capítulos, pode desenvolver os personagens, e há espaço para as histórias'
r, , ,lt. , r r irH(.,t() Íalancl0
feito nadapara cinema e telcvisrr,
que não tinha E acho que a televisão americana cresceu com o advento da TV a cirbo'
tlrirrrcr. (.llt'a na sala uma;ovem
lumbrante, queixando-se de su:r sr.t-r.t.rri
des_ Enquanto isso... Não vou dizer o cinema, rnas osfilmes americanos depen-
r-ia. r).r acaso ela era Kitty Hawks,
filha do famoso cineasta Howard l rawr<s. dem muito mais de fórmulas comprovadas e da presença de celebridades'
li,rr,s apresentadas e eu disse
"ouça, vim aqui à procura
de um age,tc, mas sci datilografar,
então, se Thirtysome thingfoi uma série bastante inoyadota na época. Ela foi feita com
você decidir demitir sua secrerária,
pode conrar comigo... Ela me terefonou
no dia seguinte' Trabalhei como secretária uma saLa de roteiristas?
dera durante seis semanas, até
que ela me conseguiu meu primeiro participei da equipe de roteiristas de quatro programas de televisão. E sem-
bico como roteirista, encontrou
uma
nova secretária e tornou-se minha
agente. Foi assim. Seis semanas
depois pre havia uma sala de roteirista s. Thirtysomething era o bebê de Marshall
ela estava me representando.
Herskovitz eEdZwick Havia somente dois ou três roteiristas na equipe'
planejávamos algumas histórias juntos e sugeríamos nossas próprias ideias
É umahistória e tonto!
para episódios. Eu esrava lá na temporada inaugural. A primeira tempo-
(risos) sim' Desse modo usei
o trabalho no cinema e na terevisão radaésempre empolgante, mas há também uma preocupação com o estilo'
como
uma bolsa para escrever peças. Eu
estava no início de minha carreira
com os sonhos que os criadores têm para o programa, e será que você é
como
dramaturga, por isso ia e vinha
de Nova york. Tive peças encenadas capaz de contribuir com sua ptopriavozl
no
Public Theater (Joseph papp foi
meu mentor), no second stage, e virei
dra- do sucesso da TV ameticana?
maturga residenre no Taper com Na sua opinião, qual e o segtedo
uma borsa da Fundação RJckeraler.
sei
que meu caminho não foi convencional.
Enfim, é ótimo rer o pé na porra, Acho que o sucesso vem de criadores de programas e roteiristas a quem
mas você pode ficar preso. você
tem uma escorh a a fazer.segurança?
ou é dado o poder de expressar sua visão e permanecer fiéis a ela.
o melhor
correr riscos fazendo o que se sente
destinada afazer? trabalho vem de vozes originais e histórias exigentes que não sacrificam
personagens. E isso aconrece quando os escritores têm liberdade para cons-
Muitos dramaturgos começam a trabarhar
para a TV e nunca vortam para o teatro.
Mas yocê não trabalhou
truir um mundo que mais ninguém poderia ter imaginado'
Í)dra a TV entre gg7 e 2oo4.

Eu estava escrevendo firmes nesse


período. Âo mesmo tempo, estava Vocês têmuma sala tle toteiristas em Anyone But Mel
fa-
zendo uma peça em Nova york.
vendi quarro roteiros originais de cinema jantar ou num
em sequência' para Fox, universal, somos só Tina (ccsa ward) e eu. Na mesa da minha sala de
Disney, warner Brothers numa só
tacadal lsso é muito raro. Mas eres - cafe. Nós nos sent..llllos t: discutimos para onde queremos que os perso-
nunca foram produzidos. A coisa boa nos
dos roteiros de cinema é que você nagens vão. FazcrI()s Urilrl cspécie de esboço, não a tal ponto que ele
pode escrever e morar em qualquer termos um projeto' E depois decidimos
lu_ limite, mas apctrrrri clt' tttotlo '.1
que eptsódio cada uma
de nós val err
bom.ter esrc parâmetro, Porque começamos quase instintivamente a ser
Junras, o que razemos atribui nd,,
. J:t;;t :Ht::;:[;:THffi : econômicas em relação ao que queríamos dizer e ao modo como os per-
No IMDb, Anyone But
Me é menclonarht como sonagens o dizíam. É um desafio único de que eu gosto. Porque você não
umasérie d.e TV.
pode desperdiçar tempo.
Éweb TV. Somo s uma série
independente de web
pela internet. Tv, distribuída e exibida
É também uma questão do tempo de dtenção d'a audiêncio, como dizem alguns?

Como isso
funciona? euemfnancia uma websériep Isso está mudando. O meio até agora sugeriu que o conteúdo roteirizado
deve ser curto. Algumas webséries têm episódios de apenas três, quatro
Bem' quando começamos,
eu também dnha essa minutos. Mas não queríamos fazet algo tão curto assim. Acho que somos
dúvida. De onde virá o
nheiro para fazer isso? di_
Quando as webséries começaram, a prova de que as pessoas estão dispostas e interessadas em ver versões
com uma câmera de muitas eram feitas
vídeo na mão, com orçamento
muito baixo. Com paga_ mais plenamente desenvolvidas das coisas. Como os fãs sempre nos dizem:
mento adiado para a equipe
e os atores. começamos "Isso deveria ser mais longo!" Você mergulha na história e quer mais. Fica
pessoar' porque queríamos nossa série pagando o
revar o programa para digam: "Não pode terminar agoru!"
um níver diferen viciado. E queremos que as pessoas
lo de maneira profissiorrl, te e fazê_
qrrrrdo'"..."rro para Anyone
pondo tanto nele quanto But Me, estou
em qualquer outra coisa Então qualé o orçamento?
porta quar é o tarnanho que escrevo. Não im_
da tela em que as pe§soas
vão vê-10; não importa
se é num parco ou
não. Estamos desblrvando Ele cresceu, por necessidade. Começamos com 6 mil dólares pare os dois
um novo território, e é
que eu gosto. disso primeiros episódios. E na altura da terceira temporada esse valor tinha
duplicado.
Qual é a duração d.os episódios?
E isso incluí tudo?
Fazemos dez episódios
por temporada, e eres
têm argo entre oito e
minutos. Tentamos mantê-los doze Bem, Tina e eu não recebemos honorários como roteiristas ou produtoras
curtos porque cada página
os únicos episódios custa dinheiro.
mais longos costumam executivas.
último de cada,"*.:ffuco ser o primeiro eo

Então vocês fozem isso por prazer?


Então a duração é determinadapelo orçamento?
(risos) Eu não diria isso. É de fato um grande pÍazeÍ. Mas é o trabalho
Em grande medida' E
também pela história mais duro que já fi2. Éi preocupação o dia todo, todos os dias. Construir
que queremos conrar.
entrei nesse projeto, Iiguei Quando um público, desenvolver uma base de fãs, fazet tmptograma. Temos uma
para Marsha, Herskovitz,
Thirtysomethrn& que também um dos criadores
e§tâva trabarhando numa
de empresa. E é um compromisso de longo pÍazo. Amelhor coisa é que você
de que eu tinha ouvido-fala, _ websérie, a única tem a oportunidade de trabalhar como um conjunto.
çun trllri., coisa que
disse foi: "Não faça nada ^primeira ele me
com mais de d.ez minutos!,,
De certo modo é
Alrr I ttrt'rl l(ttt rlt ,qttttltrlt tt t,trlrt. três ll11itt's
Wllt/\ l'lr, rrr Nlvr,tttll ttlitrttLtlS clC Vit[crl t()titllr)ctltc ll()V() Clll
'li'rrlt«»condiÇõcsclcl;rzt'r.rsso,rJ,()r,r,l,.r represeutatlcltl
r,i.i(){,..l,rtl,tzr.rtt1l.Masr:,r.tvcl.[c.r. Scpa|Itlrr,s.'l'iVt,rrros um Vídco muito engraçado dos atores
filmamos
uma websérie em dinLrcil, t' , rr.r,r lrr,rlrl.rrr,r t.rÍi,crrrrrclo pela maioria paródias clt. Anyone ButMe. Contratamos uma apresentadora e a
York enl
dos criadores. fazendouma visita guiada por todas as várias locações em Nova
quegravamosoproglama.FizemosentrevistasComosatores.Etambém
pessoas
Vocês estão próximas do çtonto dt. L,tltrrliltt to;l um leilão no eBay. Foi um trabalho enorme, e de fato pedimos às
troca' Levan-
Ainda não. para apoiar o progmma, mas estávamos dando a elas algo em
tamos p rnlldólares, que ajudaram a financiar nossa terceira temporada'

Então quem estafinanciand.o isso?


da mídia social? Quero dizer, isso é tão ímpor-
Quemfaz toàa a gestão de redes e
Temos um financiadorindependente, tipo prcgrdmd, cetto?
que, depois que lançamos a série, sabia tante qudnto a proàução para esse de
que ela precisava ganhar impurso.
Esse compromisso de estar nela o público e ten-
prazofoi o que nos permitiu ter sucesso
a rongo Somos nós que fazemos' Estou o tempo todo envolvendo
em comparação com muitas outras
webséries que não dão certo ou nunca tando tornaÍ o programa conhecido pela imprensa' Essa é provavelmente
exibiram nada além de arguns episó_ na produção de
dios porque ou não enxergavam a parte mais rmportante e a çlue consome mais tempo
o quadro mais amplo ou não estavam
nisso uma websérie.
pelas mesmas razões que nós.
Durante a greve do sindicato de Roteiristas,
por exempl0, muitos roteiristas fi,zeramalguma
coisa curtapara a web, mas,
quando a greye terminou, vortaram Então vocês mesmas fazemisso também?
ao que costumavam fazer. Ao passo
que nós não víamos Anyone But ir atrás de todas as possibilidades.
Me como uma amostrapara conseguir
um Desde o início. Simplesmente tive que
emprego em algum outro lugar. somente
Nós realmenre púnhamos tudo no
próprio sobretudo encontrar um site para transmitir o programa. Foi
programa, e esse é o único jeito de fazer a Strike Tv onde
isso. Quero d,izer, aterevisão é dife_ sendo aberta e pedindo a ajuda das pessoas que encontrei
renre, porque há muito dinheiro na New
envolvido. como roreirista
de Tv, você não lançamos Anyone ButMe. Depois Tina e eu fomos a um seminário
precisa sair e vender o programa. todos sites
como roteirista/criador de uma websérie, school on Media Studies e ouvimos falar daBlip.tv esses são
você está vendendo o tempo todo. escritório deles e
E desempenhando muitos papéis. de distribuição. Assim, nós nos apresentamos, fomos ao
O mesmo
nos tornamos parte de sua programação de webséries originais'
os anunciantes não !êm ate ja aconteceu com YouTübe e Hulu, dos quais agora somos parcelros'
vocês? vocês estão em ativid.ade ha três anos, e
isso por si só e umafaçanha.

os anunciantes têm sido murto avessos tem diferente.s sites e seu próprio site também? Não é como nd TV, em
Então você
à web. Muitas séries têm links
em seus websites para que os fãs possa que wcê exibe o ltrograma exclusivamente em umlugar,
pelo menos no começo?
m fazer doações e ajudar. E sites
de crowdsourcing corno Kickstarter não exclusiva
e IndieGogo começaram a se
sair bas- Temos nosso própricl site, mas somos distribuídos de maneira
tante bem' Mas decidimos que iríamos
fazer argoque ninguém mais tinha anúncios. Não
nos outros sites. E r.cc'cbctnos uma parcela da receita de seus
feito. Mais ou menos o que a pBS faz.
Iríamos dar aos fãs, ao público, um é muito, mas ajuclir- ll t'sscs sites são essenciais para
expor o programa' Â

À
llllp.tv, por exemplo, nos delr r,urtir vrnrhrrltrude em quem' Você estâ trabalhando
Bua home page, o you- piada quantun observações você recebe e de
T[rbe fez isso também, o que ó inl[)(,r,rr1rte. 't'rvcmos go o estúdio' depois a emissora'
mir acessos certo com essa produtora, depois aquela' depois
dia apenas porque o youTrrbc ,os .rr)rirou r).
sua página inicial. posso dar um passo atrás e ver pelo
Meu filho também está nesse negócio e
escreve um piloto' Claro que há
que ele tem de passar, sobretudo quando
É empolgante ter muitos dcessos?
Chase ou David Kelley' ou
um pequeno número de pessoas, como David
entendem' Amaioria dos
Ah, meu Deus, sru! sru! No primeiro dia, quando
lançamos, eu por acaso talvezDavid Simon, quepodem fazer oquebem
estava em Minneapolis, no praywrights roteiristasdeTVporém,respondeaumacadeiadeoutraspessoasquepor
center, fazendoum seminário
sobre uma peça. Muito nervosa com a possibilidade O que toÍna o que estamos fazendo aqui
suavez respondem a corporações'
de ninguém ver o
programa. Mas tivemos quinhentos acessos nesse únicoéaautonomia.ofeedbackimediatoquerecebemosdosfãs.oque
dia e ficamos emociona-
das' Agora, quando transmitimos um novo é muito como o teatÍo' Isso pode ser
muito estimulante' Estamos fazendo
episódio, é um número mais
próximo de:o mil. E, sim, você fica viciado nisso, nossas próPrias regras.
se quer saber.

Hd algo especial na comunid.ade das webséries.


Tem-se a impressão d.e uma incrí- Vocêssãopioneirds,Ndotenhodúyidasdequeéempolgantepoderreceberfeedback
vel generosidad.e e apoio entre pdres. ectadorcs'
ímedíato do s esP

sim! E verdade. Estamos todos tentando criar um Eu os vejo como o coro, sabe, nossos fãs no
Twitter e no Facebook' Eles
rar neste no.,,o espaço.
E estamos nele juntos. a nos dizer como a his-
participam, é comunal, mas não os convidamos
tomam partido de algum
tória deve caminhar. Gostamos muito quando
Isso é diferente da mídia tradicionar, onde tud.o é uma questão d.e sarvaguardas. personagem. Isso é Paixão, é ótimo!
Você acha que há menos competição?

Não estou dizendo que não há um aspecro competitivo Há espaço para experimentos narratívos?
na web. Nada
disso! Mas não temos uma estrutura montad vai mefazer aderir a uma
a paÍaproteger, assim nos Sempre. E por isso é tão importante' Ninguém
amontoamos. Há muito medo na mídia tradicional. razáo qu.e
fórmula pronta. Há liberdade criativa de verdade' É por essa
estou fazendo isso.
o medo de que, se alguémtransmitir arguma cotsapcffo
outrdpessod, pod.e acabar
perdendo algo?
Bem, você tem os limites do orçamento'
E, não temos isso aqui.
É claro.

Não há guardiões na web TV. Mas vocês são rearmente Ltvres em termos criatiyos?
Seiquealgumaspessodsusdmissocomowmpontodeentradaparochegaràcoisa
A reação dos espectadores não continua d.efinindo
o que vocêsfazem?
real,Fazpartedoseusonhoqueumdàasredesineyitayelmefiebataàsuapotta?
É claro que não! Não perguntamos às pessoas
quar é a opinião delas sobre Nãoestamosalipromovendoumproduto'Querodizer'ptomovilongas-
o que escrevemos! Não recebemos observações
do público! Na Tv, é uma metragensepilotosdetelevisão.Conheçobemaquelassalas.Minhaantiga
âgente costumava me chemilr dc liprrdre Kouthr, referindo-se a sandy De ontlc wm a lua, audl.ência?
Koufax, o arremessador de bcisrbol, satrel rive sucesso, mas não estou in-
É grande no Reino Unido'
Temos uma ampla base internacional de fãs'
teressada em desenvolver coisas rro velho êstilo. se alguém nos procurar e
na China' na América do Sul'
na Alemanha, nos Países Baixos, na França'
fizer uma oferta, é claro que vamos cr»rslderá-la, Mas não é nosso objetivo.
no Canadá.

Você acha que eles estão assistindo?


americana?
Queparcela da suo audíência
é

Não sei quem está assistindo, porque há tanta coisa para assistir. Mas acho
que os executivos da Tv sabem de nós. Eu certamente ficaria mais feliz se A maioria dos nossos espectadores'

não tivéssemos de fazer todo o esforço para levantar fundos. sem dúvida.
Você acha que isso se d'eve à ausência delegendas?
Mas gosto de estar na vanguarda. Mesmo com as armadilhas de estar na
agora em todos os nossos
vanguarda. Estar à frente do seu tempo nem sempre é vantajoso, mas o Acho que não. Estamos usando closed captions
uma função que permite
que fazer? episódios transmitidos pelo Youlube' E existe
somos um programa de
que todos façam legendas a partir disso' Como
nos Estados Unidos'
Há pessoas que dizem que esse negócio tai ser grande àaqui a alguns anos, e há Nova York, acho natural que sejamos mais populares
os céticos que dizem que isso nunca vdi dcontecer, porque ainda não aconteceu.

Sabe, acredito que todas as arres podem coexistir. Que idade tem o seuPublico?
eue podem se informar
vinte e dos
umas às outras e que podem também contribuir umas para as outras. É De dezesseis a quarenta anos' Mas principalmeÍte na casa dos
nisso que acredito. Não posso prever se uma vai assumir o controle da trinta anos.
outra. Espero que não. Realmente acho que estamos ganhando um lugar
à mesa. tabalhar numa mídia nova é tornar-se algo em que mais pessoas o que esta por aí?
E quanto d otttÍos webséries? Você tem acompanhado
querem se envolver, mais pessoas talentosas, mais pessoas sérias.
não quero ver outras coisas' Preciso me manter
Quando estou escrevendo,
concentrada.Masnormalmentetentoassistiraomaiornúmeropossívelde
Vo c ê s s ã o sindic aLíz ado s ?
da IAWTV'na época da
programas. E agotaque faço parte do conselho
Nosso programa está registrado no sindicato de Roteiristas e alguns dos premiaçãotodososmembrostêmdeassistiratodososprogramasquesão
atores pertencem ao Sindicato dos Atores. inscritos.Demodoqueestoubastanteattalizada'Achoqueaqualidade
dotrabalhoestásemdúvidamelhorando'Ehátantosrecém-chegados.
Em que formato w cês filmam? Isso é um bom sinal.

Filmamos diferentes temporadas em diferentes formatos. Depende do


nosso diretor de fotografia. Anyone But Me éPassado agota?
dezo:rz'
Transmitimos o último episódio da série em maio
uma pessoâ que
Vocês sempre tiyeram um encerrüm(nlo rm tfl€nlrp uma pcl's()ltBgem que é consultora de viagens executiva'
chegouàidadeadultaporvoltadoano2oooegostedetrabalharemcafés,
Eu sempre tive algo em mentc. Mas eluando rie fato chegamos ao ponto um blog sobre maternidadc
E uma ex-publicitária executiva que agoÍa tem
de terminar o programa, nós o nrirrrtlvemos em aberto. Nada está defini-
e cuidados com os filhos e trabalha em casa. O
orçamento do programa é
tivamente resolvido. como façtr
absorvido pelo patrocinador. Por isso não tenho de promovê-lo,
comAmyoneButMe.Atéagoraaswebsériesindependentesexigemqueos
Como avida.
criadores façam absolutamente todo o trabalho'
como a vida. Tenho outra websérie, uma websérie de marca chamada
yída com isso? Se não agora,
Bestsellers. Fizemos oito episódios. Eu a criei e escrevi. Tina cesa ward a Acho que a questdo é a seguinte: é possíllel. ganhar a

dirigiu. É muito diferente de Anyone But Me. É sobre cinco mulheres de pelo menos no fituro?
diferentes gerações lidando com os conflitos do trabalho e da vida pessoal mão de seu traba-
Não acho que existam muitas pessoas que possam abrir
que se conhecem num clube de leitura. Fui contratada para escrevê-la. de que um
tho diário parafazet apenas isso, não ainda' Tenho esperança
seja sustentada' A
dia haja um salário. Que a produção de uma websérie
Quem a contratou? essa questão é sempre
questão é sempre por que fazemos o que fazemos' E
A CJP Media e a SFN. profundamente Pessoal.

aqui?
Por que eles financiaram isso? Hd um sistemd, um estabhishment, que esteja emergindo
tradicional' em
Eles queriam alguma coisa que representasse os objetivos da empresa. Há Não há nenhum sistema estabelecido que imite a mídia
uma tendência agora para webséries de marca que vai além do merchan- que você apresenta seu trabalho a um agente e o
agente o apresenta a um

dising. os atores não estão segurando uma caixa de cereal. No caso de pÍograma, ou propõe seu program aparauma rede' É
um tipo diferente de
o que chamou atenção' É
Bestsellers, o patrocinador não tem
um produto. Eles têm um serviço. Eles co- coisa. É uma questão de assistir a webséries, ver
on-line da nova
locam pessoas em empregos. A marca deles só aparece no início do episódio. uma questão de ler aTubefilter,a mais importante revista
Fora isso, não há nenhum anúncio ou concessão para o próprio programa. mídia.Trata-sedefrequentarconferênciaseencontros.Deentraremglu.
do sindicato de
pos de webséries no Facebook ou checar o Digital caucus
Ainda dssim, é publicid.ad.e. Roteiristas da costa Leste. De participar da definição do
futuro do espaço'
E de fazer sua voz ser ouvida'
Bem, é isso que associar uma websérie a uma marca significa. E nesse
caso, na verdade, foi ótimo. Por que não sofri restrição no conteúdo. o Anyone
você explorou um universo ficciondl semelhante ao
de
EmTheL Word,
patrocinador não fez praticamente nenhuma observação. A única coisa
But Me. No entdnto, esses dois progrdmds são muito àiferentes'
que eles queriam era algo que representasse o espectro de empregos que
eles conseguem para as pessoas. Assim, apfesentei uma personagem que TheLWordfoiambientadaemL.A'Ediziarespeitoàvidademulheres
de fundo de Atryone
é empresária, mas vendeu sua empresa e agora está com dificuldades. Há adultas na casa dos vinte e dos trinta anos. Já o pano
ilut Me é Nova york, e nos.sos prirrr.iP,llr pêftrollilgcns
são adolescentes. Em-
bora ambas focalizem relaciorrilrrre.r(,il Reflexões
gây§, us histórias sobre pessoas jo_
vens têm um ímpeto difererrtc.
errt.r.íurrlos QUc 1,s personagen s emAnyone
But Me fossem atraentes, mas rcais,
, tomanros cuidado para lidar com
sua sexualidade nascente com pa
ixãr», rnas de maneira contida. Flouve
um
glamour intencionar em The L
word . ()programa ousava dizer,
através de
seu elenco de beras mulheres (que No drama exibido na TV americana o componente importante foi e é o
são também boas atrizes), que résbicas
são tão cinematograficamente roteirista - por isso, para sermos capazes de decifrar o sucesso artístico
sensuais e inspiradoras de fantasias
quanto e comercial do drama televisivo, devemos compreender o roteirista e a
heterossexuais, que, tal como na
Tv e no cinema, são também quase sem-
pre representadas por beras murhere maneira como ele cria. Iluminar o complexo processo criativo de um pro-
s. The L word tinhaalgo a provar.
E por grama da TV americana a partir do maior número possível de perspectivas
vezes, em temporadas posteriores,
foi longe demais. Mas se você a aceita
como entretenimento, ela geralmente foi meu principal interesse neste livro, e esse foi um processo instrutivo e
estava correta, e criou um mundo
para pessoas que nunca tinham extremamente inspirador.
tido um mundo para si mesmas antes.
Diz-se que a TV americana é o paraíso do criador, e este livro procurou

Poderia comÍ'urar
examinar de perto esse paraíso, mas também pôr à prova o mito da absoluta
essas duas exlteriências para você como roteiristd?
liberdade criativa. Como o papel do roteirista é definido na televisão e quais
Fui roteirista-produtora consultora são as principais diferenças em relação ao papel de um roteirista na indústria
de The L word. na primeira temporada.
Tênho orgulho do que realizamos cinematográfica? Em que medida o processo de escrita na TV atual é cola-
naquele ano. Há muitas pessoas para
satisfazer quando se está fazendouma borativo? A ideia de que a narrativa audiovisual só pode resultar da mente
série de terevisão para uma grande
emissora a cabo como a Showtime. de um gênio singular ainda se sustenta? Que importância tem a presença
E, à medida que as t..rrpor"d^ vão
se
seguindo, é um verdadeiro marabarismo do roteirista no set e durante todo o processo? Uma coisa é certa - cada
sugerir novas ideias e permane-
cer fiel à sua visão' Na web temos programa é diferente e cada roteirista tem uma maneira distinta de criá-lo ou
propriedade excrusiva, depende
de nós
manter o rumo, seguir nossos próprios colaborar em sua criação. Os roteiristas com quem conversei muitas vezes ti-
padrões. Não temos qr" ,..pord",
a ninguém exceto yeram respostas muito diferentes para as mesmas questões. É exffemamente
a nós mesmas e a nossos fãs.
Não enfrentamos os mes-
mos desafios com que se defrontam interessante ver como cada programa é conduzido, e como o espectro da
criadores de séries da Tv corporativa.
somos verdadeiramente independentes. para criação paÍaaTV é realmente amplo. Mais interessante ainda, porém, é ver
lhe dar um exemplo, em
Atryone But Me, quando os atores os padrões emergindo conversa após conversa e as notáveis similaridades
que interpretam nossos dois papéis prin- entre distintas abordagens, bem como os temas mais amplos que estão
as
cipais fizeram o teste, nós nos apaixonamos
por eles. Ninguém nos disse
se manifestando. Vamos examiná-los agora, um por um.
que isso tinha que acontecer.

Os homens certos para o trabalho

No segundo episódio da primeira temporada de MadMen um dos redato-


res publicitários está mostrando a agência a uma nova secretária, tentando

2r3
irrrprcssioná-la: "você sabc, . . lrí rllrrr,er l,rrlirr,r.il$1,,, diz ele. ,,Boas?,,, pe r_
n rr
fascinattte clu colaboração: que ela pode encerrar competição, seja aberta
gunta ela. "Com certeza", aíirntir t.lc, ,,lrlo É, rlí
lrur,a perceber quando uma ou velaáa. Uma sala de roteiristas é como uma sala de aula. Os alunos vão
mulher escreve um texto pubricitÍr'i,, Mrts às vezcs ela pode
ser o homem competir pela aprovação do professor, bem como pelas melhores notas. E
certo para o trabalho, sabe?,,
alguns alunos serão mais competitivos que outros. Seria isso uma questão
Não mudou muita coisa desdc ,s clias dcscritos em um"
Mad.Men. Ou, pelo de gênero? Serão os homens mais competitivos que as mulheres? É
menos, não o suficiente. Este é ainda um mundo
masculino, e pof vezes questão de liderança? É uma questão de educação?
uma mulher conseguirá um emprego para escrever
não por ser 'b homem E por que há menos roteiristas mulheres que homens nas salas? Como
certo para o trabalho", mas por ser murher. como
diz Jenny Bicks, nas salienta Diana Son, o contexto cultural e social pode afetar quem ê capaz
salas de roteiristas em que ela trabalhou havia ..e
em geral era mesma um ou estimulado a seguir uma carreita de roteirista,PaÍa início de conversa.
bando de caras" e "ainda é assim". Nas conversas,
esse foi um tópico re- "Primeiro você tem de considerar quem diz 'quero ser roteirist{", diz ela.
corrente, junto com o fato de haver tão poucos roteiristas
afro_americanos, "Você sabe que é um tiro no escuro. Sabe que as chances de ter sucesso são
hispânicos ou asiáticos. A Tv americana é escrita
em sua maior parre por exíguas. E que vai passar anos labutando sem nenhuma recompensa até
homens brancos.
que alguém o 'descubra'. Portanto, não são muitas as pessoas que podem
Em termos da sensibiridade do roteirista, seria cerramente
ingênu o dizet se dar ao luxo de fazer isso."
que o gênero não influencia a maneira como você
vê o mundo e como o Mas sem dúvida há bastantes mulheres roteiristas por aí, não é? Escolas de
mundo o vê' Mas será que o fato de nós, a audiência,
estarmo,s ouvindo cinema produzem novas levas de roteiristas todos os anos, e tem-Se a impres-
histórias conradas a parrir da perspectiva de certo grupo
limitado da popu_ são de que há muitas mulheres roteiristas por aí - mas muito poucas no topo.
lação influencia nossa percepção da realidade e
visão de mundo? E como Margaret Nagle diz que em sua opinião alguns dos melhores showrun-
essapercepção da realidade nos transforma numa
audiência que quer mais ners são mulheres - como Carol Mendelsohn, responsável por CSI, ou
daquilo que está acostumada a receber?
Shonda Rhimes, que está à frente de três programas no momento. Nagle
Essas são questões fascinantes em si mesmas.
No contexto deste livro, acha que "mulheres dão boas showrunners porque querem que todos se
no entanto, parece mais apropriado examinar como
a Tv americana é es_ entendam, elas apagam incêndios". Para ela, cuidar de tantos detalhes
crita em razão daptedominância de homens brancos.
E, enquanto estiver num programa é "como comandar uma casa e ser mãe", portanto uma
fazendo isso, vou me concentrar na questão do
gênero, a despeito do fato coisa tradicionalmente feminina. A analogia parental é feita também por
de que essa é também uma questão de raça e uma
questão de idade - e to-
Janet Leahy, que diz que como showrunner 'você tem de se assegurar de
das as reflexões abaixo podem ser aplicadas a todas
essas questões também. que as pessoas sejam cuidadas e de que não sofram o estresse que você
Margaret Nagle defende uma ideia inreressante quando
fala sobre como está sofrendo".Jenny Bicks explica por que acha que as mulheres são mais
a função da sala de roteirista s é organizadaparase
adequar à competitivi- adequadas para ser showrunners do que homens: 'Acho que temos uma
dade tipicamente masculina e como a estrutura (estúdio,
críticos etc) tem habilidade paÍaamultitarefa. Muitos testes feitos em cérebros de homens
uma desvantagem inerente para murheres e histórias
de mulheres. warren mostram que eles são capazes de compartimentalizar - mas nós somos
Leight expressa mesma opinião, advertind.o sobre os perigos de 'um
a
tipo diplomatas melhores, nós ouvimos Ainda assim, é difícil ver
as pessoas."
de personalidade de macho alfa que pode destruir
uma sara de roteiristas,,. mulheres subirem na hierarquia da sala de roteiristas. Elas parecem não
"Esse sujeito pode
destruir a sala", diz ele.Este, naturalmente, um aspecto
é ir muito além do cargo de produtor supervisor.
[Vl'rs;rr)l'(ltl('iss() il(-()llt( ( t r',\r'lr,,l,,,,,rrrr r rrrl.11 (11(,,r
l)(.r,s()6:rlr(l,rtlt.Ír. hos os ),,('ní't()s i (ltt('.lc lirto rtS SalaS slitl llratlcaS dcmaiS c nrast:ulitrlS
ruininâ(t t»aisaclctlr-racllt[);lt,t .r(lr,,r rrr,,ri,,l,r lrrrr,,.rotlr)sll()wrLtnll(,t.,c()n_r()
clernais No r.rrtrutt«r, a maioria pareCia sentir que isSO estava mudandcl,
.bserva Margaret Naglc, [)()t (lrr, ,r r, ,rlrtl,rtlr,(.t,t() (liíi.11.,tc?
porque rrrrr ttúmero cadavez menor de mulheres permite que esse estado
Parece que aresposta p-trt' ('r í rr(,rrrr,rtr,r ,ir r)(:r.(-cpção, bem com<,1 de coisas as desencoraje. Como ressaltaJanet Leahy, esse negócio está sc
em nosso sistema de perccpç,r,. N.r1ir. rrrr, i. .r úr rric, clue
scnte que histó- transformando todos os dias, e aS oportunidades mudam Constantementc.
rias femininas são diminuíclas
1rt.r,r rrritlr;r t'pr.lrs críticos e que histórias E ao fim e ao cabo, podemos aceitar a discriminação, ou criar nossas pró-
masculinas são celebradas. Na vt.r.rlrr.lt,, rrrrit«l.iír sc escreveu
sobre isso, prias oportunidades.
também em relação ao programa cir /.r, r'r'i.rr<l p,r. [,ena
Dunham, a mais
jovem showrunner por aí. Há uma abcrtu'rr n* it, pequena para histó-
rias de mulheres - uma presunção de que homcrrs ,ão assistirão a elas.,
e
Ninguém diz aos roteiristas o que fazer
Parece que os críticos, inclusive críticos do sexo f-cminino,
gostam mais
dos programas masculinos, ou os consideram de alguma "você já entendeu o lugar?" "o "como ele funciona."
maneira menos que você quer dizet?"
discutíveis. (Girls, é claro, também é muito discutido, mas "Sei que os redatores dizern ao departamento de arte o quefazer e sei que
mais como um
fenômeno cultural do que como um programa. Na verdade "O quê?l Nin
ele gerou um os executivos de contas dizem aos redatores o que fazer."
debate inrenso e acalorado sobre feminismo e política
de gênero.) guém diz aosredatores o que fazer, exceto o diretor de criação, seu chefe,
A percepção não ocorre somente no níver de uma série produzida.
Don Draper. Não pense que por ser bonitão ele não é um redator!"
Ocorre também em sua gênese. Como observa Diana Son,
é preciso con_ Embora esse diálogo do segundo episódio da primeira temporada de
siderar quem está tomando as decisões de contratação. 'Ao ideia predominante de que na TV os
que eres es- MadMenprovavelmente represente a
tão reagindo quando leem o trabalho de um roteirisra?
Na maior parte roteiristas é que mandam, a realidade, na maioria dos casos e com muito
dos casos, os executivos e showrunners são homens
brancos, e todos nós poucas exceções, é que evidentemente alguém díz aos roteiristas o que
reagimos a coisas que nos parecem familiares. Isso é cômodo,
estejamos fazer. Em primeiro lugar, alguérÍl drz a Don Draper, o equivalente a um
conscientes disso ou não. Há uma estética compartilhada,
um interesse ou showrunner, o que fazer. "TY de qualidade" ainda é parte de nossa cultura
senso de humor compartilhados." Isso soa como um
ciclo interminável, e baseada na permissão; somente sucesso extraordinaliamente contínuo leva
é extremamente provável que seja exatamente isso. "Enquanto
homens por vezes a liberdade criativa absoluta. como, quando e em que medida é
brancos estiverem tomando as decisões, a maioria das pessoas
que eles vão uma parte importante das conversas mantidas neste livro'
contratar serão aquelas que lhes parecerem familiares."Janet
Leahy parece Pela primeiÍayez na história um escritor/roteirista tem direitos e po-
concordar: 'Acho que isso ocorre porque os homens gostam
de trabalhar der criativo de verdade: ele pode ter uma visão e levá-la até o fim; um
com pessoas que conhecem e com quem se sentem confortáveis,
e nor_ projeto pode ser custeado com base no seu nome, e críticos, intelectuais,
malmente são outros homens." E sim, "há realmente muita
discriminação financiadores e o público sabem quem ele é. Esse roteirista é chamado de
nessa profissão. Há muita discriminação por idade
também. Tenho muiras showrunner.
amlgas que estão sem trabalho porque têm mais de
quarenta anos,,. Talvez a melhor descrição de um showrunner seja dada por Margaret
Embora os roteiristas homens com quem conversei naturalmente
não Nagle quando ela descreve Terence Winter, de cuja sala participava quando
tenham pensado tanto sobre isso quanto as mulheres,
o consenso em am- conversei com ela. "Trata-se sempre do gosto dele, de seu ponto de vista,

it
suil vou' seu olhar, ele é o arcltriÍrto rlerre grirrrtle e bcla
cesâ com muitos gr?rnla cont v«rc0, é uma f'unção de alta pressão em todos os níveis' Vocô
cômodos." sendo uma roteirista rr;r sirlrr, elu porlr clecnrar a cozinha,mas
em tem de'st:r muito cngenhoso, rápido e decidido, e está o temPo todo ad-
última instância o que prevarct'r. í. ir visfltl ql«r sh'wrunner sobre ministrando e criando. Examinemos alguns dos desafios e, antes de mais
o aspecto
que a cozinha deve ter, que mat(:rixin clt.vem strr usados
e como ela deve estar nada, a maneira como um showrunner escala e dirige uma sala'
conectada com os outros cômocl«rs. A visão do showrunner
se aplica não so-
mente à história, mas também ao aspccto geral do programa. como
observa
Têrence w'inter: "Há um determirar.ro mundo sendo
representado, pelo Um cérebro maior
menos essa é a minha filosofia, e ele deve parecer o mesmo
toda semana.,,
Talvez o exemplo mais extremo do que a influência
de um showrunner A ideia dominante é que o cinema, como qualquel outÍa forma de arte,
pode significar seja dado porJanet Leahy, quando ela fala
sobre David é feito por um gênio singular. o drama televisivo, no entanto, em geral
Kelley "Raramente recebíamos observações
e Boston Legal:
do estúdio ou resulta da colaboração entre muitos roteiristas e mentes. Como isso é
da emissora em razão da influência de David" diz ela...Nosso
, rascunho possível e o que significa?
ia para David, ele ligava com suas observações. o outro
produtor execu- Em primeiro lugar, é preciso dizer que, embora também haja casos em
tivo' Bill D'Elia, fazia seus comentários e fazíamos nossas revisões. que os roteiristas trabalham como freelancers, sem jamais realmente se
Houve
ocasiões em que a rede ligou com um comentário, mas isso não d.eve ter sentar com todos os outros roteiristas da temporada, a sala palece ser o
acontecido mais do que três ou quatro yezes. Tínhamos
muita liberdade único elemento que define o processo e que está aqui para ficar - embora
patafazet o que queríamos." é ter salas cadavez menores.
também haja um consenso de que a tendência
Mas esse raramente é o caso. E a situação é sem dúvida Mas o que é a sala? E como ela surgiu?
mais desafia-
dora no ambiente da Tv aberta. segundo Eric overmyer: ..Executivos roteiristasjá existiam nos anos r95o, quando três ou quatro das
Salas de
da Tvaberta querem tudo expricado, querem simplificar tudo,
e muitas velhas lendas do humor se reuniam e punham à prova suas piadas e seu
vezes tem-se a sensação de que o rascunho frca cadavez
mais fraco. Isso material. O conceito da sala de roteiristas evoluiu com o tempo. Nos anos
é lugar-comum. ' os estúdios
.. são movidos pelo medo, eles temem os rggo e rggo elas ficaram maiores; passou-se de três ou quatlo roteiristas
patrocinadores, antecipam e se asseguram de que desastres
não aconteçam. para quinze. Hoje, emrazáo de limitações orçamentárias, elas voltaram a
Há muita gente cujo trabalho éfazer comentários. você recebe
anotações ficar menores. Quer seja um grande grupo de comediantes tentando levar
intermináveis, tornando a coisa mais palatável, menos picante,
mais me- a melhor uns sobre os outros com piadas numa sitcom ou roteiristas sendo
lodramática, mais parecida com o que foi feito antes." Ere
fezquestão de encarregados de episódios específicos depois que um pequeno grupo de
esclarecer que as coisas não são assim com a HBo: "Eles
têm mais questões, escritores planeja ou cria os beats do enredo juntos, o importante é a pre-
tentam compreender o que está acontecendo ali, é uma abordagem "sala"'
cria- sença física dos roteiristas num único espaço - daí a
tiva." como afirma Robert carlock, muito diplomaticamente: ,.Executivos
como diz warren Leight, a sala é mais inteligente do que o indivíduo.
bons são melhores que executivos ruins.,,
É um cérebro maior. Ainda assim, e embora a ideia predominante seja
Escrever para a Tv tarvez seja a forma mais diffcil de escrita
que existe; que a TV americana êprodtzidaem salas de roteiristas e que o modelo
a pressão é enorme e ser criativo sob tar pressão TV as convelsas mos-
é por si só uma grande da sala está diretamente ligado à boa escritapaÍa a
façanha. Ser um showrunner, liderar os roteiristas que
escrevem um pro- traram que nem todos os showrunners apreciam o conceito. E, onde quer
(ltt( lr.r,,t ililtit sitllt, lt ttr;ttrr.l,t ( ( rr), r I r r
r,lrrlr,.r,l,t tr,t, t.tlt,t,«rrl.,lgL,)) IlVitllrrtr rrr.trlr , tt,to i'itsSilrt tlttC tt tlt Sltr)WlLl llll('l'c1t-tt'ttlrlsitlt'l'll il Sillil
lrrt tlr'Íinirllt ()u cana)lli(-il. Cirtl.r :,,rl,r 1,.rrr r r l11r r,rl,lt tlt.rrrrr dirigir ur-rtrt
icir<l ul_. pouc() clc rort.illst,ts r.ilr) tonccito úrtil a descreVe. De todo modo,
cliÍcrcntc das outras, clcpt'rrtr.rrtrr,,r, ,1rr.rr( í) \rr)w'.r)n(,1.c pode scr
<ie coma crc sala sigrriÍit'rr concluzir um grupo de pessoas, e essa experiência
gosta de conduzi-la. chegar rt
extenuante. Quem quer que dê orientação para a sala vai tentar
Apróxima questão, pol'tilnt(). (
um consenso sobre orientações relativas às histórias' porque alguém
,r ,.,( grrirrlr,: () tt.rrlralho fica mais Íácil tcrrr
sehouverumasaladeroteirisrus:'|).rr,r rrrgrrrr.,.rss[,r.icsóprecisoproduzir por simples gost()'
de planejar o enredo, seja por meio de raciocínio ou
5r-5zpáginas para 45 minutos clc 1rlr1,r';1111r, c rlcpclis que o roteirista
precisa funcionar como filtro, porque do contrário os roteiristas
l

tem Alguém
uma lista de tópicos que resume trrcr. t'rrr ro zo pírginas, o navio'
ele geralmente irão simplesmente continuar falando' Alguém tem de governar
il
leva de uma a duas semanas para escr-cv('r. rr, de sinergia,
t'Pisílclio. Depois há obser- Isso significa que há uma hierarquia definindo esse mundo
vações, um segundo rascunho, um primeir-o "Há
crrsai. com os atores. Se todo colaboração e liberdade criativa. Nas palavras de Robert Carlock:
o processo passa pela sala, isso não o torna mais uma
lcnto? ou o torna mais uma hierarquia de precedência: há certas pessoas que vão conduzir
ficil? Quanto mais, melhor; mas, se vamos usar provérbios, sala e pessoas
não é verdade sala, certas pessoas que estão aprendendo a conduzir uma
que muitos cozinheiros entornam o cardo? E
que são roteiristas da equipe." Na verdade, começando do topo'
nâo será esse processo mais a hie-
demorado no fim das contas?
rarquia vai do produtor executivo ao coprodutor executivo ao produt<lr
o
tempo é de fato a principar razão peraqual alguns história
showrunners não supervisor, ao produtor, coprodutor, depois desce ao editor de
gostam do conceito da sala. por exemplo, um qucstit'
drama policial processuar execurivo, editor de história e roteirista júnior. Dependendo da
como Law a order não tem uma sala de roteiristas mas a palavra
no sentido crássico da em jogo, a sala pode ser dirigida por diferentes pessoas'
expressão' warren Leight explica que lsso ocorre
porque o grupo não pode final é sempre do showrunner.
crlar uma trama tão fechada. Depois há o outro TV não
extremo. ouvi muitas vezes Como mostram os títulos acima, a função de um roteirista de
ahistória de duas ou mais salas de roteiristas trabarhando ele irá à reunião de
em paralelo, com- é apenas escrever. Parte de seu trabalho êptod.uzit -
petindo pelo melhor roteiro do mesmo episódio no set' Mais
de um programa ou outro. escalação de elenco, participará de reuniões criativas, estará
Assim, o que acontece exatamente na sala? Tom Fontana antes
é um dos show_ Dmayez,nem sempre é assim, e os títulos dos produtores descrevem
runners que não têm um encanto particurar pero delinear o nível
conceito, por isso é na- de mais nada a hierarquia na equipe' É um' maneira de
turalmente bastante crítico quando descreve um
dia na sara: ..Na maioria em que você está atuando - são como postos nas Forças Armadas,
de sol-
das salas de roteiristas, todo mundo chega às
nove da manhã para produ_ dado raso a general. Implica um aumento no salário e na lesponsabilidade;
zir historias, mas em oito horas você passa pelo e tem
menos uma hora e meia um reconhecimento de que você está na atividade há muito tempo
comendo, pelo menos duas horas falando sobre fazem
sua mulher, uma hora ao um histórico maior. Há no entanto coprodutores executivos que
celular, e assim a quantidade real de tempo em prático
que o trabalho necessário na realidade o que a maioria das pessoas consideraria o trabalho
é feito é uma parte relativamente pequena tempo vão
de um dia muito longo.', E por de produzir, que é avaliar o quanto as coisas custam e quanto
lsso que, em seus programas, os roteiristas o que é re-
não se reúnem num clima de demandar, e conciliar aquilo que os roteiristas querem com
'vamos nos sentar aqui e
escrever histórias". para ele, sentar-se individual_ além de lidar com a rede e o estúdio. Acima de tudo, seu
almente viável,
mente com o roteirista que vai escrever um episódio
trabalho é criativo. O trabalho de um showrunner é principalmente
e trabalhar com ele asse-
funciona melhor.
gurar que os roteiros sejam produzidos no pÍazo e com a melhor qualidade

ii
l)().\.\t\/(,1 (, (.()n(lUZit,.t s(,tt(. \rr
tlr .rr,,r,l
'rr rrrrrr) illlr (
I
"''('s
l()t('i11)s, rcillizallcl() x nl(,snr,t, tlr ,,r,u l),rj-rj,rtlo, tlt'«'r)rs,ts (lLtc a t'tttlrittltçltt-ltttt, t'stt'llttllczlts tlttt't'l.t
vrsit() dll l.n(.linlil.
Jcnny Bicks Íàra sobr'('(()rr() (,,rr,rr,.,r
tcnr lr lx,r\ ( ),r l)r'(.( rsir lrlrrir su.rs vcias e deixar o sangue na sala dc l'()tciristlls
.r r.rr,r t.rrr stx anr.the porqLtc (' r.sst: o tttatclial a partif do qual contamos histórias. Eu gostzrl'ia
plementando o que chanrrr trt' "r'sr),(,() City, im_ -
,r(r(,r)(,rrtrt.ntc,,, pero qual
teirista cuida de seuprópri«r cada ro- que você tnc contasse qual foi a coisa mais embaraçosa que já lhe aconteccu.''
r.,is,trr,, tr. irrít.i, uo fim. Ele
escreye um esboço, que
deixa a sala e winter também fala sobre o que chama de "agradabilidade". "Se houvcr'
entã, i. trt.r,rrr;r«r.s1. um esboço
descrevendo o que acontece
cena por cena, alguém cuja companhia desejo tel todos os dias, se ele for talentoso, pareccr'
cnr ('il(r:r urra. Depois ela (na
showrunner) reva o rascunho condição de entender o programa, tiver um bom senso de humor, não parecer louco, sc
de v,rta pal.. a sara, recebe
todos e faz observações para
comentários de eu puder passar dez horas por dia dentro de uma sala com ele sem sentir
o roteirrsta. o rotcirista
reescreve seu rot(
vai embora de novo, vontade de estrangutá-lo..." Então esse é seu homem' Ou mulher'

sala,rodos",."_:;,'";T.#J:":,:H",TH[:::,.."Hi] É claro que no processo os roteiristas vão ficar estereotipados. Essa é

mudanças decididas pe10 showrunner. uma situação paradoxal. se você quiser fazer algo que nunca fez antes, é
somente então o roteiro vai provável que não seja fácil convencer os tomadores de decisão a confiar em
o estúdio e depois para a emissora. para

Isso põe em destaque a próxima você porque você nunca fez aquilo antes. E é exatamente por isso que
questão: até que ponro existe
de que trabarhar com uma o perigo você deveri a fazê-lo, é claro. Ser criativo não signific a fazer coisas novas,
sara e te ntar chegar a um
mínimo denominador comum?
consenso reve ao ir contra a maneira usual de fazer as coisas, arriscar, inventar? Como você
Seria de imaginar que esse
grande; os resultados, no entanto, risco é muito pode fazer todas essas coisas quando desenvolveu hábitos, quando fic<-ru
sugerem que ocorre o contrário.
possível que um grupo tenha será confortável com seus próprios costumes?
em última anárise mais coragem com
de desafiar preconceitos, de ousar, No mesmo espírito, um showrunner também retornará às pessoas
de ir a lugares nunca visitados antes?
quem trabalhou com sucesso no passado. Eric Overmyer deixa isso muito
claro: "Se eu fosse começar um proglama e me permitissem contrataÍ
A dança das cadeiras uma grande equipe, eu seria capaz depropor uns dez nomes - e todos eles
são pessoas com quem trabalhei antes. Isso porque não conheço outras

um dos tópicos que pessoas. E porque é muito perigoso correr um risco com alguém que você
se destacaram for a maneira como um sh,wrunner
escolhe os roteiristas para não conhece. E um sistema muito fechado."
a sara. warren Leight fala
sobre procurar uma Não somente isso você também precisa fazer corn que todos sejam
-
mistura curturar e encontrar
pessoas que tenham alguma
as experiências e os
conexão com aprovados. E depois talyezvocê ouça o terrível comentário, sobre o qual

l*:::::, j;l;
ourrorado,p.ro,,poTJ;..iT::i"j#*:1.fi overmyer fala: "ok, você fez alguns longas-metragens independentes,
escrever todos os p mas nunca fezurnprograma da HBO. Não tem a experiência. Mas como
diversidade", diz ere. vou adquirir essa experiência, se vocês não me contratam?" Depois que
Terence w.inter,
tância de ter pessoa
todos sobre a impor- você entra, realizaum bom trabalho, afirma ele. Mas é difícil entrar - e
"como uma dança
sua alma e ajudar quando parece cadayez mais difícil hoje em dia. É realmente
necessário. "o que e r"a-.lli"r'IrTi;ff Jrlli
mim", diz .,inter,..é a disposição das cadeiras, mas as cadeiras são cada dia menos numerosas e as pessoas
da p"rro" de se abrir a respeito de si não param de chegar".
littr t;,r, rttt'tli,lit.ts (,t(l(,,,ts r.,r,
l,,rrr.t,,,(.)rr,rl (.() l,,l)itrlll() (.(,t.t() pilt.il
unl,t sitlll tlc l.tltr.ir.istilsl W.trrr.rr
I r r1,lit ,ll; rll(..t,t() r_irtt.o 1'rt'r.t't'lrt r ,;rr,'..,r.1;r t'lristiclitl [):rl'ccc talvcz tttlt Pouco dilcrcrrtc. liu st:i tlLrrt I
r.otejListas. Isso
siglriÍica que todos c()'s('llrr.rrr r'()l-cif istil () ('sct'(f vct-t, porquc ôtalvez um pouquinho mais cínico, mais
Í,rr,rr. r',;rr. rr,r,, rr,i r-,,
r1úmero excessivo
de direções. Robert ca'r,t ri de um laclo cínico de Miranda, mais esse tipo de Carrie, e no fim são os
tr.r, rr r,r( rrt irri«r',r.trás do
da sala de roteiristas de3, 'r,r) tamanho diferentes personagens, mas não é exatamente uma só voz. E uma sír
/(rr1 (' "1 r()rrt.rr(r() t'.r,'r'ira,
ach, que somos voz com diferentes ângulos."
treze este ano. Em Friends
cr.:rrr (.rr.r,tr,zc (,c.tofze
nos poucos anos
que passei lá. O que esses A maior parte dos roteiristas sugere que cada escritor tem a oportuni
núnrclos Ilrt
modo decisivo, é dividir-se em dois dade de fazer dois rascunhos antes que o showrunner intervenha para um
*, ,,,,.1r:"i]l:"[f.tJ:irtr"rl,a;;;::
ancilares, criados para maximizar polimento ou por vezes uma reescrita. Têrence Winter faz uma observação
a cÍiciô.t.ia. Assim, ..um
estar trabalhando num roteiro fgrupo] pode interessante sobre isso: "Eu espero que o roteirista me dê algo ao menos
que será grav;rcr, crari a duas
outro, na criação de histórias ,.-rrr"r, o 5o%osatisfatório. Que me dê um rascunho a meio caminho do ponto em
para o roteiro depois desse,,. "
que preciso que ele chegue. No mundo ideal, seria g5o/o.Mas, quando eles
fracassam tão completamente que preciso reescrever o roteiro desde a pri-

Quando você gosta de ouvir suas palavras meira pâgrna,isso costuma ser um indício de que a coisa não vai funcionar."
Nem sempre é ruim que um showrunner assuma o controle. Charlie
como ressalta Janet Leahy, as Rubin nos dá um ponto de vista ligeiramente diferente quando fala sobre
pessoas não se dedicam
a escrever para se-
rem reescritas. Isso, no entanto, sua experiência com os showrunners de Seinfeld: "Quanto mais eles gosta-
acontece, e a reescrita vem
sobretudo do vam do rascunho, mais depressa o tomavarn', diz ele. "Se bem que, para
showrunner' o showrunner
é o roteirista que d.izaos
outros o que fazer,
e que acaba por fazê_lo ele próprio. ser franco, às vezes aquilo de que eles gostavam tinha relação com a ideia,
Assim' deveria o showrunner e não com o que você estava fazendo com ela."
polir o rascunho finar de cada
para preservaÍ a "voz" da série episódio Muito raramente, o segundo rascunho é escrito na sala. Robert Carlock
ou cada roteirista deveria ser
a usar sua voz de modo
autorizado fala sobre como isso é feito: "Você o projeta [o roteiro] na tela e o percorre,
a emprestar novas facetas
aos personagens e à e meia de
série? A sabedoria popurar e se estiver tentando consertar uma piada acaba com uma página
parece vir diretamente da
teoria do autor, se-
gundo a qual tudo deve ser feito possíveis piadas, por isso tem de escolher uma, apagar as outras e inserir
a partir de um molde,
carregando uma aquela. E são em geral trinta páginas que você está revisando. Depois
única assinatura e voz demodo a 35
- a d,ar armpressão de
que uma só pessoa
escreveu toda a série. você leva esse material para uma leitura em grupo."
Fiquei extremamente intrigada Mas o que significa para um roteirista estar escrevendo lavoz do pro-
com uma coisa queJenny Bicks
quando farou sobre o uso de disse grama, e assim, em última análise, flavoz de outra pessoa? Diana Son usa
diferentes roteirisras em sex
and. the city. Era
explicou que não reescreve o exemplo de Law ü Order, para o qual escreveu durante algum tempo, e
os textos, preferindo fazer
observações para
o roteirista em yez de polir comenta sobre quando escrevia uma fala pensando que o showrunner iria
ela mesma o dele' Mas, por outro
r

lado, Bicks acredira;H: adorá-la: "'[Isto] parece uma fala que ele escreveria.' E depois, lestoul em
":^::'::,:rascunho
deumavozsingula{::"}Tril}1H:.T:::l::r:1il:#il: outra cena [e penso]: Ah, mcu Deus, estou tão tentada a escrever esta fala,
representado por cada roteirista. "se sei que René vai odiá-la, nrits para me divertir vou simplesmente incluí-la.'
você assistir a sex and. the city,
vai E mais tarde, depois rlut' Ilt'n(' Íirzia sua revisão, eu descobria que ele tinha

A
çil§ c,ltre sitcom e drama no ('ltt('cliz rerpeito rro |irco clos roteiristas. Na sistema dif'erente de financiamento podc
É irrtt.r'r.sgtltllc \rct'como tllll
sitcom você está menos preocupar.k r ('( )1, ril csl r.ut ura e mais
- preocupado permitir.rrraior inclcpendência, e maior confiança nas pessoas criativas
em introduzir uma piada. É n. dr,rrrrr que suil preocupaçã "Não acredito que eles confiem no
o ê a natureza e em últinra instância na audiência.
'As
especrador americano", dizJenny Bicks, referindo-se à TV aberta.
serializada dos personagens e a cstt.utura do l.oteiro.
o tempo tem, é claro, uma tradição diferente na Tv. pessoas sabem do que gostam de assistir, mas eles não thes dão
créditcr
euando fara-
mos de atos, roteiristas de Tv pensam em intervalos comerciais. Na Tv suficiente." Dar crédito suficiente à audiência significa lhe oferecer algo a
que ela não está acostumada, surpreendendo-a. o sucesso da Tv a
aberta, as quebras de atos ainda são definidas por intervalos cabo
comerciais, e
costuma haver quatro atos. Law ü ord.er éum bom exemplo.
o teaser é o parece basear-se ernfazet exatamente isso - o que pressupõe a disposição
primeiro. Depois há um ato na rua. o terceiro e o quarto atos oportunidade de experimentar.
são com o a correÍ riscos e dar aos roteiristas a
promotor público e no tribunal. Isso vem desde quando rudo
começou, e
foi publicidade que criou a estrutura. Hoje, há até um intervalo
a
adicional,
e os roteiristas precisam de mais momentos de suspense
para encerrar cada Crtzar fronteiras
ato antes dos comerciais.
o
fato de a Tv a cabo não ter nenhuma publicidade significa
também É preciso enfatizar novamente que os Estados unidos não são o único
lugar em que se fazboaTv - pelo menos não mais. Na verdade, há uma
que ela é menos restrita em termos de dramaturgia e conteúdo
em geral.
Jane Espenson é cética: "Há enormes oportunidades para experimentar, tendência no momento a adquirir séries de TV desenvolvidas e produzidas
mas ainda se trata de fornecer um produto para uma entidade 'warren
corporativa em outros lugares e refazê-las. uma fonte dessas séries é Israel, e
que tem certas esperanças e expectativas. Nem tudo é tão
rivre. Mas os Leight afirma como isso pode vir a ser complicado para os roteiristas' e
tipos de produtos que você pode oferecer... foi aí que a coisa para
se tornou sobre o que significa tirar um programa de uma cultura e transferi-lo
mais livre." Por exemplo, "hâuma preocupação maior na
Tv aberta com outra. "Eu podia me dar ao luxo de examinar o que eles tinham feito, e
a possibilidade de as pessoas não gostarem do seu personagem", como depois... era quase como ter 35 prrmeiros rascunhos' E em alguns casos
ressaltaJenny Bicks. "sobretudo se for uma mulher." Ela ttos
dizque ainda há eu os descartava." Ele explica que alguns enredos não funcionariam
um desejo de que os programas na Tv aberta tenham início, meio Estados unidos: por exemplo, "em Israel [há] todo tipo de conotação
cultu-
e fim, o
que significa que cada episódio rerá um desfecho.Já nos programas
ral para uma mulher de quarenta anos que ainda não teve filhos' mas
esse
da Tv
não é o caso nos Estados unidos", de modo que não é possível construir
a cabo não é precis o fazer com que o personagem aprenda
uma lição ou
percorra um círculo completo, existe a possibilidade de apenas
estar com uma história em torno disso. A boa escrita viaja, mas não o tempo todo'
ele. os roteiristas podem fazê-los cometer erros enormes sem
que neces- Tom Fontana, por outro lado, está inovando, no sentido de que vem cru-
sariamente aprendam com eles. Jenny Bicks está basicamente
d.escrevendo zandofronteiras desde o início. com seu os Bórgias, ele é provavelmente
a principal diferença entre a estrutura clássica e as estruturas alternativas o primeiro roteirista americano um pÍograma de TV comple-
a conduzir
de narrativa que vêm se desenvolvendo durante as últimas
décadas. A Tv tamente financiado pelo mercado europeu. E lida com profissionais euro-
a cabo foi essencial na informação da estrutuÍa cinematográfica
nessa peus, acostumados a trabalhar com roteiristas muito menos respeitados
evolução rumo a formas menos pedagógicas de narrativa e
- elementos do que os roteiristas de Tv americanos. Atualmente, isso está mudando;
como narrativa não rinear ou múltiplos protagonistas são parte e Reino Unido são mais
do jogo. no entanto, com algumas exceções (Dinamarca as
lrtrllrCt'itlits), o t'tltc'itistlr tlr"lV r rr.l,í u, t'rrrl,,r,r rrnr,r
llosiq.lto rrrr.llt,r pr.t1xirl.r r,lr.r,r. Mrrrlr) [)ouc()s t()l('ir'isL;ts poclt'rtr cspcrarscti:ttlrctttc lllllllt('l'
(ll-lcscLthclmólogor-rail-rc1ítstli,r,rrr,ur,rr,lir,rlr,.r,,rrrrtl.r
t.sliilqrrgcrlclcrrr r-r rn:r
llotlrrçilo clt'ultrl rrívcl pormais de cinco anos". ATVde hoje re-
poder e a liberdade criativa rlt, rrr', r,rÍ.r,r,.ir,r ,lr. r'V ;rrrrt.r.it.ar..
qucr Lrnr rrívcl de complexid;rdc muito superior ao que jamais foi exigido
O mais interessante nesse c()nl(,\ l( , (, (-( )n t( ) ( ):i (.tu.()[)(.Lts
cstãct adotando antes. Como ressalta Robert Carlock, num plograma de TV você estará
o conceito da sala de roteiristas. M.rr.s ,r)lrr v(.2, (.().r
[)()Lrcas exceções, o fazendo pelo menos uma média de três histórias por episodio, e isso já
showrunner ou roteirista-chefe costLrn)rr l('r'nruito rncncls liberdade
cria- corresponde a quase setenta histórias por ano. Com um começo. meio
tiva que seu homólogo americano. por excrrrlrr,, ,rr«r é incomum
que os e fim para uma variedade de diferentes personagens. Quem é capaz de
executivos do estúdio ou da rede (ou produt«,.t,s rrii, r,,tciristas)
que fazem inventar tudo isso sozinho? A resposta palece ser a escrita colaborativa.
observações e dão sinal verde para os projet,s t.str,ierrr scntados
na sala de Em última análise, é isso que faz a sala de roteiristas. Será que a escrita
roteiristas e discutindo ideias sobre história c pr.r.s()rrlgcns.
Nos Estados colaborativa é o verdadeiro segredo do sucesso do meio? E o que exata-
Unidos isso seria inédito.
mente queremos dizer com essa expressão?
Tom Fontana explica que as emissoras europeias estão observando
agora um programa é uma narrativa intensamente serializada; muito poucos
o modelo do showrunner americano, e percebendo que
dar ao roteirista episódios são independentes. Sob muitos aspectos, os roteiristas numa sala
um pouco de poder acaba por resultar num programa de televisão
melhor. estão escrevendo um romance a várias mãos. E embora essa comparação
"E esta é a situação paradoxar
do acordo com o showrunner", afirma Tom.
seja feita com frequência, Charles Dickens não escrevia seus episódios a
"Todos os roteiristas querem
total liberdade criativa. Mas junto com isso
várias mãos. A escrita paÍa a TV está muito distante da experiência par-
deve estar a responsabilidade financeira pelo modo como
o programa é ticular de um romancista, que busca uma visão muito particular. Na TV
produzido. Assim, você não pode ser um showrunner e dizer'nãome
im- estão todos tentando esclever o mesmo progmma, e se o showrunner vai
porta o quanto isso custa', porque nesse caso você não é um showrunner,
polir o texto ou reescrevê-lo, se há uma tentativa de chegar a :u'Írla "Yoz"
você não é um roteirista-produtor, é simplesmente um roteirista.
E, se singular ou não, em última análise o sistema em evolução consiste em mui-
quisermos fortalecer os roteiristas europeus, tem de haver
uma mudança tos roteiristas trabalhando juntos e funcionando como um único cérebro.
na atitude dos roteiristas também. Não é só uma mudança
na atitude do Por outro lado, seria possível alegar que tleze episódios não são tanta
estúdio ou da emissora." e algu-
coisa assim e que poderiam ser escritos pol um único roteirista,
mas tempoÍadas de programas da TV a cabo têm apenas trezc episóciios.
No entanto, artatlJÍeza do meio e o cronoglama em que isso é 1-cittl tr
Uma explosão de narrativas
I
define em última análise como um meio de narrativa colaborativa. É
difícil inventar treze horas de histórias na quantidade de tempo que se
chayefsky afirma que "a televisão é um escoadouro interminável,
tem. Dickens era de fato o que chamaríamos hoje de o principal forne-
lri
quase
monstruoso". E continua: "Quantas ideias tem um roteirista?
Quantos in- cedor de conteúdo para sua própria revista. E ele escrevia um capítulo
sights pode ter? Quão profundamente pode investigar a
si mesmo, quanra toda semana, o que talvez seja o equivalente mais próximo do que um
energia pode ativar?"3 Além disso, "ele não tem nenhuma
garantia de showrunner tenta fazer. Ocorre porém que ao mesmo tempo existe o
que seu próximo ano será igualmente frutífero. De fato, a
maior parte rrabalho de produção, e isso complica as coisas. Será que a sala de rotei-
dos roteiristas vive num terror contido de ser incapazde
conceber sua ristas é portanto um mal necessário?

L
('s,\('n( r,rl ,l.r tt,tt t,lllv,l lorrg,r, i't1ttc voti'Poclt' lcvlt'st't'ts [)('l's()llrl']('lls'l
de intirlriclirclt'
trllt()s lttl',,rlt's (lr.l('ilo ÍirraI a irttcliência tem uma sensação
proporciona ('ss('
com cl«'s. lr)lt's sc t()llll.lram parte da vida dela' A TV
não oferecem''l'rrl
luxo de tcmPo quc os filmes, mesmo os mais longos'
vezvocêatéchegueaumpontoemqueaaudiênciasimplesmentc]qtl('|,
seu mundo parecclll il
passar tempo com os personagens, em que eles e
que cada roteirista tÍaz, maspera explosão você está firmatldrr
de narratiyas que acontece em casa dela. Por outro lado, na condição de espectador'
resultado da reunião dessas pessoas.,, a uma série dc
um compromisso de longo prazo quando começa a assistir
um vício' Um
TV. No fim das contas a TV em sua melhor forma' cultiva
víciocriadopolumgrandecérebroderoteiristascolaborativoscontando
História que nunca termina
umahistóriaquenuncatermina'Umaexplosãodenarrativas'realmente!

Na verdade, é muito intrigante pensar sobre


o efeito que essa narrativa
cinematográfica longa rem sobre nossa ideia
de história. um firme é desde
sua gênese uma forma mais fechada.
Mas a vida assemelha-se mais a uma
experiência duradoura, diz Terence winter. por
vezes você conhece uma
pessoa e depois ela desaparece. Isso
não necessariamente faz sentido; do ru-
gar em que está, você não é capaz de compreender.
Mas nem todo mundo
tem um grande impacto sobre sua vida
imediata. Isso também aconrece
l{ ll():t litl,t (lu('(,u l)(.ns,t\r,t (lltr r I I I r ,1.t ,1, l, r. lr.rvr,t llillltiLl()
('.'i( I (lLlilllt() i lirlgtrlrgt'rrr:
ltqLtCla rr:r'l V ,rlrr r t,r lr l:,:,o tliz l'('sl)( ll() [illlt(),1() totttt'[lclo
(lU('('l-it tlto ntinha qU(.(,U (1il( (.1(.il (l(.1(.Sliil (luunl() nr,rr: l)('ss(,,ts v«tcê cstivcr tentando agradar' mais os gumcs vll()
,
l)(.n:,.lLr r,r
lir-rtãotal.veznãoscJilu,).r rJr(,r.r,,,1r,rrrrr,,(.s(r.(,v(.r-,,avozdoshow_ adicional p:lr:l ()
perclcr.rr li0 t.dcsaparecer. Essa é certamente urnarazáo
runner?Talvezsejamaisclotlrrr'r:,,,,'(.rrr,,tlr.,'ri»rrri<lrrtana,comoshow-
sucesso cla'l'V a cabo.
runner ele não quer que lht't'rrrrt'1,11,.,,r trt.v,rta ccnas que ele
mesmo Comofoidito,adistribuição(eospadrõesemevoluçãodaatençãtl)c
poderia ter escrito. Afinal de t.rrrr.r:;, ,r t.st-r.ilrl c,lab.rativa momento' A
significa que um dos sistemas sob revisão, e ela está mudando neste exato
cada um contribui com aquilo ,, (J.(. (, rrrt:lh<lr-: scu individualismo, rápida sucessã<l ó
sua prâticade assistir a vários episodios de um programa em
própria verdade. Ainda assim, unr cst-r.itrr.st. ar.r.iscn tod,avezque TheWire
sai dos um dos novos fenômenos; outro é a longa sobrevida de uma sêtie'
trilhos, e isso pode muito bem dar crr.acio. à serie enquanto
é um bom exemplo - a maioria das pessoas não assistiu
Pelo menos três dos escritores com qucnl c,rvcr-sei enfatizaram
ela estava sendo transmitida. Na verdade, na altura da última
um temporada'
único conselho: permaneça fiel a si mesmo. Nã, vá atrás de
modaspas- elatinhamenosdelmilhãodeespectadores.Masagoraéumclássico,e
sagerras nem escreva o que pensa que alguérn quer indústria está
ver. Jane Espenson teve (ainda tem) uma vida muito longa em DVD' Como a
fala sobre confiar em seus próprios instintos e em seu próprio sermos
bom gosto. mudando, talvez precisemos de um pouco mais de tempo para
Jenny Bicks incentiva: "Escreva o que quiser escrever, vá em direção ao definir real sucesso financeiro ou artístico'
capazes de
amor", Tom Fontana declara muito simplesmente que ser bem-sucedido crédito pela
Uma questão diretamente ligada ao tema da reescrita é o
e
é ser fiel a si mesmo. de um episódio' a
autoria. Se mais de um escritor está envolvido na escrita
Para Tom, as pessoas muitas vezes encaram a conquista que consiclerir
do sucesso quem ele será atribuído? Têrence winter deixa muito claro
como algo oposro a manrer a fidelidade. "E quando digo fiéis como showfunner e
quero dizer a reescrita, quando necessária, parte de seu trabalho
fiéis a si mesmas e à verdade dentro delas. E acho que é a ideia de assu-
muito fácil perder roteirista-chefê, e que portanto não vê com muito bons olhos
isso devido à necessidade de ser bem-sucedido Ah, quero encarregado
- os rroÍéus, mir crédito por isso - quem quer que tenha sido originalmente
quero o dinheiro, quero o carro, quero a casa., E só digo isso "só ponho meu nome em rotelros
porque fui do roteiro terá seu nome mantido nele.
seduzido por essas coisas e depois despertei: 'Bem, espere aí, Mas os showrunners
era realmente que escrevo em sua totalidade desde o início", diz ele'
rsso o que eu queria alcançar sendo
um roteirista?"'Tom afirma ainda que que' se reescrevem
estão divididos quanto a isso. Há aqueles que pensam
provavelmente poderia ter tido uma carreira de maior sucesso nele'
e que várias mais de 5oo/o deum toteiro, devem sem dúvida pôr seu nome
vezes optou por não fazer aqtela que era comercialmente o quê e como o
a escolha mais Para Warren Leight não há relação entre quem escreve
sábia' Ele sente, contudo, que foi o tempo todo fier a seus "O sistema de créditos que temos é muito
escritos, e por isso crédito é determinado na TV:
não sente a necessidade de ser bem-sucedido de uma maneira diz ele. Mais
tradicional ruim. Assim, procuÍo distribuir os créditos uniformemente",
(embora, é claro, também tenha alcançado o sucesso).
DÍÍ-tayez, as coisas estão nas mãos do showrunner. warren
explica que
De todo modo, sucesso é uma coisa relativa. Alguns dos programas durante
que tenta recompensar as pessoas que trabalham com mais afinco
discutimos aqui, se tivessem sido transmitidos em uma das redes "Mas há pessoas que só se
tradicio- a temporada com um pouco mais de crédito'
nais, teriam sido cancelados porque a audiência seria muito
baixa. Mas uma importam com crédito, e isso é de matar", acrescenta'
coisa é falar sobre cerca de 3 oD 4 milhões de pessoas assistindo, sabe como
e ourra Todo mundo que já reescreveu um roteiro de outra pessoa
se o que você precisa é de uma audiência de 5 milhões, como aconrece ter a sensação de que foi
é difícil deixar de fazer muitas mudanças e não
.l)r rl"r(l()'r r'('('s(-r'('v('l ttttr,-r{t'r:'rr( \írr
i,rrrrlrr(.r.r, I)r)r. lr)lr:rcr(),c,liris o plorlrrt,)r (.xc(:utivo c o prirlt'ir'<,1 assistt tttc clc clircção c clcs 1-rltsslt ttl tts
liit iltl«t qLr(: csct.cvcr-, p()r.(1,(. ,r,r, t*r,r,, (l(
rrrr; rlt,Í,t.,,tilt.c()m a pági,a
olhos pclo lotciro c trocam c<.rtttcntários ou sugestões. "Em Família Soptano
t:tn blanco. Por outro, ó pr.t,t,rsr) íÍ.r nrrt,r (.rr:,rlllirllrrlc
t,r.apacidade para essa reuniãrl de tom acontecia no meio da sua preparação, e o diretol a
consegulrreescreversem cliu rnr rrv() r,1r,
urrlro c()r1r osproblemas chamava de 'defesa da sua vida', porque você ia 1á e normalmente o I'o(('l
típicos de um primeiro rasct Lr rr I ro
rista examinava o roteiro e você faziaanotações e havia muita pressã<l. [ir lr
Jane Espenson diz tão crar.rrrr.rr(.(rrirrrr, p,ssívcr: ,.como
roteirista, muito estressante, porque você tinha de dizer como iria abordar a cell:1, ()
gosto de ouvir minhas palavras. ( r,rr.
srr,wrrrrrncr, gosto de ouvir mi_ que pensava que ela significava."
nhas palavras' Assim, provavermcr)t(. r.('(..\(.r.(.v()
.m pouco mais como Claramente, na TV é o diretor que sente a pressão e tem de defender
showrunner do que a roteirista que solr
g,star.ia." E acrescenta: ,.Não é sua abordagem. Será que isso vai mudar, agora que um número cadavez
uma coisa ruim ou ofensiva. o programa
nã, t'st, rá para dar aos rotei- maior de diretores de longas-metragens está indo para a TV? Será que eles
ristas uma chance de ouvir suas próprias
paravras. os roteiristas estão lá levarão sua mentalidade consigo? Ou aprenderão uma maneira diferente
para servir ao programa e ao showrunner.,,
de trabalhar na TV e a levarão de volta para o cinema, modificando a

mentalidade predominante nesse meio?


Sem dúvida a travessia mais difícil para um autoÍ é do teatro para o
Um lugar melhor para roteiristas
cinema. Diana Son fala sobre o supremo choque do escritor: "Porqr-lc sc'
você esteve no teatro, onde é a pessoa mais importante na sala, e ningtrórll
seja na Tvou no cinema, se você examrna o processo
de desenvorvimento estaria ali a menos que você tivesse escrito alguma coisa... E então você vai
de um roteiro e quantas pessoas têm
o direito de influir ou de interfêrir, TV
do teatro para o cinema, onde ninguém o convida para o set..." Na até
chega a ser espantoso que alguma linha
consiga percorrer todo o caminho
um roteirista novato vai para o set - o que talvez explique por que a TV se
desde o primeiro rascunho até a tera.
Ainda assim, a Tv é um lugar merhor
tornou o lugar para onde os dramaturgos vão no intuito de ganhar a vida.
para roteiristas que quarquer outra mídia
dramática, com a única exceção Para os escritores, a TV é uma maneira de ter um trabalho relativamente
do teatro' é claro. AIém disso, o drama
televisivo gozahojede um conceiro constante com um rendimento decente.
tão elevado que já está modificando argumas
velhas regras. Â transposição Talvez pareça uma questão de cortesia, até um detalhe, que um autor
da fronteira entre cinema e T\4 que
permrte aos roteiristas transitar de esteja ou não no set, mas não é. Na verdade, esse é um dos fatores mais
um melo para outro com grande facilidade,
é uma delas. Resta ver se o importantes por trás do sucesso do drama na TV americana, talvez ainda
experimento da transposição acabará
se tornando uma tradição e se essa
mais que o conceito da sala de roteiristas. O fato de os roteiristas estarem
tradição afetara a importância do roteirista
também em outras mídias. no set permite uma escrita melhor. Vejamos como.
Na televisão, roteiristas-produtores escrevem
seus próprios roteiros e Terence Winter diz que a boa escrita é aquela que é passível de mudança
reescrevem os de outras pessoas; é
o programa deles e a visão deles. No
até o fim. Warren Leight fala sobre ouvir os atores e sua evolução emocio-
cinema, tudo gira em torno do diretor.
Ao contrário do que acontece no nal, e como as emvez de obrigarem os
tramas deveriam obedecer a isso,
cinema' onde o roteirista nem sequer está
no set, na Tv é o roteirista que personagens afazer coisas para as quais ainda não estão preparados. Os
diz ao diretor o que fazer. Tim van patten
fala sobre a reunião de tom, em dois conceitos estão relacionados e pressupõem a plesença do roteirista
que o diretor se senta com o roteirista-produtor
e o roteirista do episodio, no set durante todo o processo. Vou sugerir que, em última instância, é
l:':!() (lll('( ()llll ll)tli lrllr,r .t t st r Ir nt( , ,r | il,1
'lur r .,1,r l,rll,ttttltl l.r()s Íil,-l(,s .tttsi'tl, t.l
(.)rr,rrrtl0()r-()1ci|istlr Cstitlirr,r lrtoclltçio. l)()l'v('z(':i (tlttiltllcllL(') llt('t'ltt srtlt
t-r'r.sr.t it11.llr.lrrrl«,tr
tl, 1r1r,(r,.,,,,.r r,,rrr.r n,rr(.v()lui ()ucv()lLri Mas nupca r.ra ausôlrcia do Sh.rwrunner, que é afinal um rcltCirista tttilis tlo
sclll aprcscnÇa dapess()ll (ltr( ( rrrr, r 1,1 11,r lrr.,t,,r r.r (.()s l)(.t.s()ltaÍIcns c que
que qualquer outra coisa - un'r roteirista que estava 1á quando a histtirirr Íiri
conhece suas mais finas rrulrrrr , ..

concebida e que conhece as mais finas nuances do personagem'


No cinema, a menos qllc r'()r( r r.,r.r r, rrrr r.r,r st.jir.r
lr,rcsma figura, a Apesar do ambiente adverso, alguns roteiristas de TV não desistir.:rrrr
única pessoa que tem profuncl« r t..r l rt'r r n('n t,
tlir h isttiria é aquela que não
por completo dos filmes. Nos Estados Unidos, é ainda mais difícil crrtt'irr
pode ouvir como as falas estão solurtL ), ( ) (lu(,
t,stÍ tcnclo o efeito pretendido
no cinema como roteirista do que na TV. "Esse é um negócio Ciosanlctrtt'
e o que está não funcionando; e qu.rtr, rr ('('rir
t,stii d. pó, não pode apagar
protegido pelos roteiristas de ponta que ganham muito dinheiro fazcrrcl<r
ou acrescentar nada. É outra pessoa c1r,rt' vlr i r.,tzt.r
rtrcr, iss,, se é que vai ser
reescrita. Eu gostaria muito de conseguir alguns trabalhos desses tambem,
feito - e a coisa toda ocorre em nome de algr-rrrru
t,str.arrha política derivada
mas eles são difíceis. Se eu tivesse mais tempo, escreveria um roteiro es
do medo do roteirista e da tentativa de excluí_lo
clo processo.
peculativo", afirma Eric OvermYer'
Tom Fontana vai ainda mais longe. para erc, o fâto
de os roteiristas não
A maioria dos escritores, no entanto, teve experiências tão ruins con't
estarem no set realmente contribui para a má ..Na
escrita: televisão as longas-metragens que muitas vezes acaba evitando o cinema. Tt:rcnt-t'
colsas acontecem tão depressa que é realmente
importante ter por perto
Winter é muito franco sobre o desrespeito que sentiu ao ser rccscrilt I pr rt'
um roteirista que possa dizer:,yeja, essa é a intenção
da cena,, porque, se um diretor de cinema-uma experiência comum em círculos de rotcir-istrrs,
o roteirista não participar ativamente, meu
instinto é explicitar demais a
excessivamente comum e excesslvamente penosa. O filme cleJcrrrry lliclis
cena e deixar muito óbvio do que ela trata. para
mim, esse é o pior tipo também acabou muito longe do que ela havia pretendido quarrdt) cstlVil
de escrita, porque não tem sutileza. É isso que
um roteirista precisa fazer e essa é provavelmente a segunda questão mais
escrevendo o roteiro -
quando não está no set, e isso contribui para uma
TV ruim.,, comentada em círculos de roteiristas quando se fala sobre Íilmes. Será
ou para um longa-metragem ruim. Mesmo que as coisas
nã, ocorram que é realmente possível uma outra pessoa aperfeiçoar o que um roteirista
tão rápido como na TV (o que talvez não seja
verdade), cada palavra do
tem em mente quando escreve? Dirigir é a única maneira de transpor o
comentário acima é aplicáver aos filmes
- a menos, é claro, que roteirista que ele tem em mente para a tela? E, nesse caso, é verdade que roteiristas
ediretor sejam a mesma pessoa. E é muito interessante
refletir sobre isso: dão diretores ruins? Reza a lenda na indústria que filmes de roteiristas
será possivel que a geniaridade de muitos
firmes de autor esteja baseada
não são bons o suficiente com que frequência ouvimos "ele deveria se
-
em última instância no fato de o roteirista estar
no set (uma vez que é
também o diretor) e poder trabarhar mais no roteiro
limitar a escrever"? Aliás, com que frequência ouvimos "ele deveria
depois que as cenas
se limitar a dirigir"? Muito menos. Será que isso significa que os roteiristas
estão de pé, como costumamos dizer? será
possíver que o cinema de autor
têm de lidar com ideias preconcebidas, e que as pessoas esperam que eles
dependa em última anárise muito mais da maneira
como a escrita está fracassem ao dirigir? ou que é mais fácil dirigir que escrever? Seja qual for
sendo tratada em seu processo que de qualquer
outra coisa? A maioria
a verdade, sempre que um roreidsta se dispõe a dirigir, sabe que terá de
dos roteiristas de cinema e Tv profissionais
não invocará a santidade do
ir contra essas ideias preconcebidas, e que elas podem ter penetrado sua
roteiro tal como o escreveram mas irão advertir
- contra a desintegração
própria menre - e com isso, em última análise, é mais difícil lidar.
arbitrária da história e dos personagens que acontece
quando o roteirista Tom Fontana é bem sinccro sobre suas tazóes pala se limitar a esclever
original não está envolvido. Na Tv, o roreirista
original pode de faro ser
para a Tv: "Para mim, contar a história, explorar personagens, definir o
tetnpo vivcmos _ ó disso (lltc sr lt,utir, c, üe posso fazer isso
crm que diferença que um dia de
na TV gravado em dois
c ter a liberdade que tenho, p()r'(rrr- rr,r'r,iir iss, out(qteera gravado em
pela possibiridade de es- graÍação pode fa
crever um filme em que vã. c.gír'(.,l rrr rln, p,rtlue diretores notoriamente emissoras da TV a cabo
sete dias). "Na T
cagam em roteiristas? para quc prr.t'is, clissr? Além do mais, os filmes que de vista'
são sete, naHBO são cem." Ele exagera para expressar seu Ponto
estão sendo feitos neste moment()... das emissoras de TV a
r)ar() tcnho nenhum interesse por eles.,, mas diz que "sete dias é a norma agora na maioria
Na verdade, o drama de personagcns pa'ece ter o tempo de escrita.
migrado pata aterevi- cabo. E é difícil,,. É claro que isso também influencia
são, talvez junto com os roteiristâs. rJ cssa é mais de estar sob esse tipo
tma razãoválida para E ainda assim a maioria dos roteiristas de TV gosta
limitar-se à Tv, quando foi por esse motivo que você deixa um roteirista feliz'
começou a escreveÍ. de pressão. Em primeiro lugar, escrever é o que
É interessante observar que a posição do roteirista nos filmes é o único e um roteirista de TV escreve muito'
tema com relação ao qual todos os roteiristas neste
livro concordam, e Porquetazáo,naTVquandoosÍoteiristaspoderiamfacilmentecon-
pelo qual demonsrram intensa paixão. ..Em muito claro' eles
Jenny Bicks afirma: geral os ffatâr a si mesmos para dirigir, como Tom Fontana deixa
roteiristas são deixados de lado. Bom ou ruim, depois respondeu
que você produziu raramente fazemisso? A maior parte daqueles que entreYistei
aquele material, ele é entregue ao diretor, e é o certas habili-
diretor que é o showrun- humildemente que o trabalho de um diretor de TV requer
ner"' Nesse caso, faz diferença ser reescrito por um
diretor ou por um
showrunner? Terence winter é taxativo ao dizerque
sim. um showrunner,
sendo antes de tudo um roteirista, fará perguntas,
respeitará a escrita. Um
diretor apenas reescreve, poÍ vezes sem sequer ter
uma conversa com o
roteirista, muitas vezes compreendendo de maneira "Em geral' no cinema
completamente equi- demissão e contratação", como afirmaJenny Bicks:
vocada o que está na página. roteiro, bem, vamos ContrataÍ
a coisa avança assim: ah, não gostamos deste
o relacionamento problemático entre roteirista e diretor é também por uma questão
a outro roteirista, o que a meu ver é um erro, não apenas
principal razão pela qual warren Leight prefere esrar ar'" Talvez essa
na Tv. Além disso, de ego, mas também
ele detesta 'perder tempo esperando que alguma personalidade
seja uma das principa
coisa obtenha sinal verde, e
não é um tempo que se pode recuperar,,. De fato, de cinema' Em
um roteirista de TV tem dos roteiristas de TV
um conceito de tempo muito diferente do de um roteirista um lugar muito mais sociável
de cinema. A primeiro lugar, por causa das salas, a TV é
vida de um roteirista de cinema consiste em uma ronga
espera - por um MargaretNaglefalasobrequandooSindicatodeRoteiristasestavapen
sinal verde, por uma reviravolta, pela elaboração
de um rascunho por sandoemdecretarumagrevee..tivemosumagrandereuniãonocentlo(
parte de um diretor. Em comparação, um roteirista tinham escrito para prc
de Tv está sempre de um lado da sala estavam todas as pessoas que
criando - sob pressão de tempo. Assim, nos perguntamos do outro lad<
se as condições gramas de televisão e todos se conheciam e eÍam amigos' e
de produção intensamente pressurizadas da televisão e eles estavam apenal
- episódios escritos estavam todos os roteiristas de longas-metragens,
por múltiplos autores e gravados em poucos dias com
orçamentos rerati- sentados ali, ninguém conhecia ninguérn''
vamente pequenos - não prejudicam criativamente ferozes competidore
o meio em relação aos Não é apenas que eles não se conhecem' Eles são
filmes. A variação, claro, é ampla. Um programa como "Quando perguntam como entrei na TV digo que o st
Boardwalk Empire as pessoas me
é gravado em doze-quinze dias, um programa na sala do lado do car
como In keatment serâ gredo é, jânoseu primeiro programa, tentar ficar
rllr( l,l tli:rl Scirr/i'lr/", llrirrt.r ( lr,rrlrr ltrrlrlr rlur,(..\t.i ulrilr.uilrtlo utivlt roteiristas cluasc cht'grt titttt
teratura, o material é seu. Na vcrdade, alguns
ilr('n1('unra nova gcraçâ() tlc rolt.u r r.r., (lr 'l V t lorrro loi tlittl, a telcvisão que deixaranr
a dar aimpressão de ter um respeito maior pelas formas
nlrtr,,lrlr, rl ,1,. ;,r 111.11,irr., solrrctudo se você
ó urn negócio muito inslrllu, um dia - depois que ganhal r
para trás e às quais sonhavam em retornar
vemdefora.Amaioriadosl,r(,rt,r.r.,(lu(.(.rrr(.vist('i pJraestelivroti- vidadeixassedeseraprioridade.SusanMillerdizqaevocêdeCertomocl()
nha uma espécie de parentcst-, N.r, ,rr e que em algum momento tem tlt'
l),r (.,1(.sc() dt. sangue, mas de fi.ca preso depois que entra paÍa aT\I'
pertencimento a algum tipo dc 'Í,rrrrili;r" A l:rrrríliu dc Bruce paltrow, a escolher se o que realmente quer é escrever
para o teatro'
família de Tom Fontana... "criacl. P,r' rrr .cr,", "clc é um dos garotos do sobre a influência que uma forma
Nesse contexto, é interessante pensar
Tom" foram expressões que ouvi nrtritirs vcz('s, ('tr.lta-se de expressões de escrita tem ou terá sobre outra. Já
faz muitos anos que a TV influencia
paifilho. Realmente, Tom foi lançado pckr íàrc.citl, [Jruce paltrow, e agora Mas o que dizer sobre o teatro?
a narrativa cinematogr âfica evice-versa'
está continuando a tradição a T\r, certamente é possível
- e não é o único. com tantos dramaturgos escrevendo hoje para
de que os dramatur-
Âinda assim, seria errado esquecer que a Tv ó também um lugar muito notaÍ uma influência' Charlie Rubin está convencido
competitivo, e não posso deixar de reparar no tema da generosidade que ao tempo que passaram na TV' Eles
gos escreverão peças melhores devido
se dar ao luxo
emergiu. Será que os roteiristas de sucesso são mais relaxados e por isso "voltarão e terão aprendido todas aquelas lições' e poderão
compartilham mais informação com maior facilidade? será que rêm menos previsão: em algum momento
de trabalhar para o teatro' Esta é a minha
dificuldade em ser generosos? ou será que foram essas qualidades que na
porvoltadoano2o2oteremosumsurpreendenteflorescimentonoteatro.
ategta era: fracassou no
verdade os tornaram tão bem-sucedidos? o que veio primeiro, o ovo ou a E algo que simplesmente posso sentir' Antes
galinha? Seja como for, há uma clara correlação.
teatro, fracassou no cinema, val para a
TV' Agora setâ: fez sucesso na TV
fez sucesso no teatro"'
e de fato um dramaturgo de
Warren Leight também vem do teatro e
Uma questão de quantidade sucesso,masnãoestásonhandoemvoltar'Eleseconcentranoladolu-
"Existe uma alegria na TV - tenho mais
minoso da escrita para a TV'
mais do que como dramaturgo'
Graças a tudo o que está sendo relatado sobre o paraíso dos roteiristas e toda
controle sobre meu roteiro, de certo modo
a atenção que a Tv americana recebeu nos últimos dez a quinze
anos, um Eédifícilterumapeçaencenada,émuitodifícilconseguirqueseJam
número cadavez maior de roteiristas de cinema está se transferindo agora episídios de /n
monradas hoje em dia. Enquanto em quatro
meses fr,2 35
para a Tv. "Durante um tempo éramos nós que íamos para o cinerna",
diz Tredtment,em quatro meses emLights
Outfrzemostreze episódios - isso é
Rubin, "agorahá pessoas do cinema chegando e escrevendo pilotos." Todo tem sorte se consegue montar
uma quantidade enorme de histórias' Você
louco'"
mundo quer provar o paraíso dos roteiristas. Ainda assim, dependendo de uma peça a cadatrês anosem Nova York' sabe' e a espera me deixa
onde você vem, pode experimentar um paraíso muito excêntrico.
Muitos dos roteiristas de Tv com quem conversei têm uma formação
em teatro ou literatura. Eric overmyer fala sobre o ego envolvido na ques-
Garoto novo na área
tão de quem possui a propriedade intelectual: "euando você está na equipe

de roteiristas de um programa de televisão, quer introduzir arguma as mídias? O que dizer sobre a
coisa Então onde entra a mais nova de todas
única forma prevalente' e isso
internet? Por enquanto parece haver uma
nele, quer torná-lo melhor, mas ele não lhe pertence." No teatro ou na
li-
lrt.'.1y1'lÍ,(.,t(.1)()t,(1,(.s(,,t1)t(,\l,r |,1, trr, r 1,,1111,, (,\tsl(,ltt(. it rllt,l,v .tcsnr() rlt.vcria st.r vcrcluclt," Iinr úr ltirrrrr rrrtÍlisc, ctltito, st't'it
tlrrt':l wt'l'
st'r'i,tlrzrtela. A wcbs('l.ic (()nst:,tr rlr r ;rt,,rrrlrr,, ,lrrt,tlr1.:11 (,lttl_c ciltco c TVestálançandolurzsobrcP('fsonagensqueatéagorativcrern'rdcscr.ig
qLllllzc n'Iinlltos e são oíL.r't.t rtlo,, s11 urrr,l,r,l, ,lr,rrrr;itittr
crlrrhecicla como norados na narrativa?
temporada.Naverdade,«)lMI)1r,,,1,.1111 ,r,lr.,l,rtl,s(), lit)(,maisLtsadona cltrt.
Na verdade, parece que a fbrma curta e fechada do webisódi<l,
indústria, classifica as websór,ir.s ( i )r no (.r rt.s tlt. ,l,V_
permite histórias menores, fechadas, também permite que personâg('rrs
Qual é a diferença entre u,rir s,.rr,,trr.'r'V t. trr). wcbsérie, tira,do que numa série de TV normalmente seriam tratados como menorcs
('s
a
duração? Como aduração é definirlrri lr rt'ir uma nart'at ivrt
lrrrt,lrrr.possívcl contarumahis- tejam no centro das atenções. Talvez ela permita inclusive
tória em dez minutos? Neste rivro, L.t-,rrr()s ir[)(.r]rs busca dc sr'ra
vagilrxerte em todas es_ mais detalhada. Trata-se, no entanto, de um meio ainda em
sas questões sobretudo em minhas sequel imaginar
- c().v('r.sirs r..r..f r*a Espenson e susan verdadeira forma. No momento talyezpareça impossível
Miller, ambas experientes roteiristas crc Tv rlrrr. imaginar o potencial
rir rrrrróm cstão escrevendo seu potencial narrativo. Mas não parecia impossível
para o novo meio
- um meio ainda em fluxo e p()f tart() ainda naquera fase narrativo da TV em seus Primórdios?
inicial em que imita outro meio e é usado como
porta de entrada lateral
para a mídia tradicional. Em primeiro lugar,
nenhum roreirista é capaz
de ganhar a vida com uma websérie.
Ainda não existe nenhum sistema de Como correr uma maratona
financiamento estruturado, não para uma
série dramática. Ainda assim,
pessoas as estão fazendo. é conrtr
Como diz Robert Carlock, planejar uma história ou um episodio
Susan Miller afirma que este é provavelmente o rrabalho clc pt>clc
mais difícil domar um cavalo bravo. Improvisando em torno desta metáfora:
que já fez: consrruir um público, desenvolver lugar
uma base de fãs, fazer um fugir se você chegar muito perto, mas, se você o encurralar num
programa, tudo ao mesmo tempo um esfbrço
- e é preciso estar nisso de maneira con_ apertado, ele pode escapulir. No fim das contas' trata-se de
sistente' Mas, curiosamenre, o que rorna esse
trabalho tão diffcil é também delicado e difícil, e na Tv você o faz sob as mais difíceis circunstâncias'
o que o torna tão atraente para um roteirista.
A web Tv está talvez mais Emprimeirolugar,vocêestáconstantementetrabalhandoemvários
próxima do teatro que da TV poir permite o (que é o
conraro direto com a audiência. episodios ao mesmo tempo, ao passo que o tempo de produção
Talvez o feedback imediato seja, além da absoluta e se torna
auronomia, o verdadeiro tempo entre o início da escrita e o início da gravação) é curto'
estímulo por trás da produção para a web fica cada vez mais
- e certamente há também a cada vezmais cutto à medida que você avança' Você
sensação de pioneirismo, pois não há nenhuma descreve o crono-
regra e nenhum sistema cansado também. Em nossa convelsa, Robert carlock
instituído' Na web Tv ninguém diz aosroteiristas junho e a gravar em
o que fazer, pero menos grama de jo Rock. Eles começavam a escrever em
não por enquanto. Ao mesmo tempo,
o roteirista participa da definição de agosto, momento em que tinham cerca de dois meses e meio de frente' À
um novo meio e um novo espaço, e isso sem cada vez mais
dúvida é empolgante. medida que o programa avançava, porém, as coisas ficavam
Jane Espenson faz uma comparação interessante da escrita apenas uma
para a Tv arriscadas: agora, eÍÍ-tyez de dois meses e meio, eles tinham
com a escrita para a web; "o que eu realmente tão curto de pro-
gosto nos webisódios é semana e meia à frente, mais ou menos. Ter um tempo
que eles se adaptam muito bem a uma das
minhas coisas favoritas tomar duçãoébasicamenter-rn,pesadelo'Esevocênãoconseguir?Esefracassar?
um personagem pouco importante e poJo no
-
um filme
centro do palco", diz era. Em joRocle , que cre grrrvado com uma única câmera' como
"Na vida real, ninguém e gra-
é coadjuvante - e, num programa bem
escrito, o tradicional, os rotciIistrts pr.tlcluziam zz episódios por temporada'
\'.rv,untlr.,rgo5i11,lirtí.olirrrtk.rrr;rrt,o,,\rrlrrn,l,r.,
1,,r,rvir1.irt.s,()l.i sll()wt.t-trlltcls As regras não escritas
ltt'.tvillll Lnll2l Scnt:llta dc: Íirlg;r l)1 ;,1 11,,, lr,rrtlo,rrrttl;t lr.ôs ()u
quatro episó
tlios para editar, o que tomavir r()(r, , rrr(is trt. .rrrr.ir, tinham basicamente WarrenLeightfoioúnicoroteiristaquesereferiuàs..regrasnãoescritascllr
uma pausa de seis semanas
l)ir ir (.rr('çir r. rrrtr, crc novo em meados de TVamericana,-designandocomissocertasregrasqueosshowrutlttt.r.s
junho' Não é um estilo de vida ur'rrr;rr,
t. rrirrguónr finge que é. internalizaçáo cria. Elc t'x
No entanto, internalizaram e os mal-entendidos que essa
como Warren Leight, Robert Car.l.ck insisrc os crlmes do gueto' ou esposrrs
que a pressão pode ser plica, por exemplo, que ninguem quer veÍ
boa, levando a pessoa a ver coisas qr-rc e o mecanisnr.
não veria se tivesse muito tempo
traindo. A desculpa é que a audiência não vai gostil disso'
para pensar. É dessa maneira que o público pode
de controle são os índices de audiência.
A distinção entre murticâmera e câmera única
significa uma distinção mostraÍ sua insatisfação'
não somente na produção (um programa
multicâmera, por exemplo, ge_ Aindaassim:emquemedidaissoéverdadeiro?Aditaduradaaudiência,
ralmenre é gravado diante de umaplateia de canal ou não o sintoni-
ao vivo), mas também no modo
que pode mostrar sua rnsatisfação mudando
como o programa é desenvolvido e escrito. todo roteirista de TV conhece
Com a abordagem multicâ_ zandode maneira alguma, é um medo que
mera, você grava tudo em um dia e passa redes e companhias não con
- o resto da semana reescrevendo bem. Especialmente num tempo em que as
e ensaiando. E o que é engraçadoum dia pode não parecer engraçado no encontre seu pÚrtrlic«r'
cedem pÍazosmuito longos para que um programa
dia seguinte, como sarienta Robert. Assim, na altu'a t'ttl
há pressão, mas de um tipo o boca a boca tem de funcionar de imediato; do contrário,
diferente. pode já estar fora do at"
que tiver começado a dar certo, o programa
Robert carlock me lembrou que o dramarurgo, a TV ou parar de vcr Ltrrr
roteirista de cinema e E difícil acreditar que a audiência vai desligar
diretor David Mamet disse certa vez que "fazerum o marido' Esse é evidentemente
firme é como correr programa se houver uma esposa traindo
uma maratona, enquanto fazer um programa os roteiristas
de Tv é como correr até um temor, mas não há prova de que tenha fundamento -
morrer". Não é diÍicil entender por que ele lsso possa ser provado' Eles
d.isse isso.
param de escrever nessa direção antes que
Então, um dia a série termina e você tenra que se pauta por Íegras
conseguir um novo trabalho podem ou ter criado um monstro, uma audiência
ou propor um novo programa. Eric overmyer a que lhe foi servida durante
afirma que o roteirista não escritas e que só conhece uma realidade'
não faz proposições enquanto está trabalhando
numa série: ..contratuar- tantosanos,ouestãosimplesmentecommedodefracassar'Masquetal
mente' não é permitido que você trabalhe
para mais ninguém. Imagino educar uma audiência, ou desafiá-la?
que teoricamente eu poderia tentar vender como uma das coisas
arguma coisa para a HBo, mas Warren Leight fala sobre a mesmice do conteúdo
eles olhariam para mim e diriam: você não deveria
estar trabarhando em quepodemresultardomedodosroteiristasdetentarexperimentaralgo
keme? Ficariam desconfiados da minha do conteúdo também está
dedicação.,, Sendo assim, quando
contrário às regras não escritas' A mesmice
é que um roteirista de Tv consegue preparar as buscam para veÍ
um novo trabarho? Nas ligada à rotulação. Redes são marcas' e as pessoas
seis semanas de ferias que tem para nos velhos tempos' quando
ficar com sua família? obviamente, certo tipo de programa, exatamente como
escrever para a Tv é mais do que um trabalho.
É um estilo de vida e um esperavamcertotipodefiImededeterminadoestúdio,Ta|vezessaprevisi-
estado de espírito. insegurança do mundo atual;
bilidade e segurança estejam neutralizando a
mais e melhores programas
talvezela seja apenas uma maneira de vender
e, em última instância, mais e melhores
anúncros'
-
AÍinal de contas, não deveríamos cs(lreser qtrt. a telcvisâo ê urrr rrlplrir lrr rlrnplcs, l' lr;o tltr Íhzernos, descobrindo o que o personagem quer e

B como disse Terence winter: "É cortro dirigir tlualqucr negr,rr i, l,lr.r Criand«r ohstácukrs pâra que trlc ou ela o alcancem" e que
"é muita decisão
são a corporação-mãe e têm muit.s .egócios subsidiários. Esscs r)cpr'rr
r,r com relaçilo a quaÍlta informação fornecer, e em que momento particular
são as séries de Tv. se você é um subsidiário, sc está gerando lucr,, rr. ,, e onde ó mais eficiente introduzi-la. Quanto e quando são realmente as
negócio é bem gerido, todos parecem satisfeitos e os prazos estÍi. serrrLr
duas grandes questões da narrativa"'
respeitados, eles não precisam supervisioná-lo tão de perto." E (.t1rr,rrrrhr maioria das pessoas vá exaltar a escrita paÍaaTV como a me-
Embora a
eles de fato não o supervisionam tão de perto que o melhor trah;rllr,
ú lhor que existe hoje, muitos dos roteiristas com quem conversei são mais
feito. No mínimo, a HBo mostrou que dar aos roteiristas tanta lill.r.tl,rrlr
cautelosos e afirmam que, embora haja muita TV excelente, há também
criativa quanto possível (para o diabo as observações) é em últirna arri,rllsr muita TV ruim. A TV é um meio do escritor, mas como disse Paddy
um bilhete paÍa o sucesso. o sucesso das séries americanas reccrl(,s í, ,l "Os ta-
Chayefsky quando o drama televisivo estava em seus primórdios:
melhor prova. será que não está na hora de as outras mídias apre,clcr,t.rrr bus da televisão, embora se dê muita importância a eles, não são realmente
com esse exemplo? piores do que aqueles que governam os filmes ou os contos das revistas
Afinal de contas, os roteiristas têm seus próprios freios. Sofisticadas. Somente no palco da Broadway ou na forma do romance

euerencl«r ,rr
não, eles são assombrados pelo medo de que o público possa não ligrr, ;r
alguma liberdade temática, e mesmo o palco produziu pouca coisa nos
Tv para ver seu programa e, assim, matá-lo. Terence winter observa 11rr.
últimos dez anos que não poderia ter sido feita na televisão"'2
depois de anos e anos vendo filmes e Tv, as audiências estão, infelizmcrt(,, Mesmo que alguns dos tabus tenham permanecido, e embora a Tv es-
muito famlliarizadas com uma frrmula particular e habituadas a que tud. teja utilizando principalmente dramaturgia e direção cinematográfica con-
lhes seja servido já mastigado. É um ciclo interminável, e ele só pode scr
vencionais, o drama televisivo desenvolveu-se desde os dias de Chayefsky'
quebrado com a coragem de experimentar e fracassar. Em primeiro lugar, ele descobriu sua verdadeira duração e a unidade dra-
- euando vocô
experimenta, rrão há nenhuma garantia isso não foi feito antes, entã. mática da temporada. Obinge, ou costume de assistir uma ou mais tempo-
-
você não pode se basear em experiência prévia. Mas quais são as chanccs
radas de uma só vez, êum resultado desse desenvolvimento e não arazáo
de você conseguir outro trabalho como roteirista se fracassar? Essa é uma por trás dele. Warren Leight fala sobre a estfutura cinematogrâfrca da
decisão que cada um tem de tomar por si mesmo. o fato é que o sistema temporada ernLights Out, e cotno ela é construída como uma narrativa em
não permite experimentos que se afasrem demais do caminho já trilhado.
três atos. Fica claro que a melhor TV é na realidade um filme contado em
E, em última análise, os roteiristas não são parte do sistema? Não são eles
capítulos. Ela é criada e deveria ser vista e analisada como uma narrativa
(também) que o susrentam, não se desviando demais dos caminhos usuais,
cinematográfica longa.
por medo de que isso destrua suas carreiras? É claro que a maiorparte das séries deTV consistem em estruturas com
múltiplos protagonistas e nesse sentido não podem seÍ uma narrativa em
três atos no sentido clássico. Nesse contexto, Jenny Bicks descreve mara-
Um filme contado em capítulos vilhosamente a estruturação de roteiros/enredos para uma temporada
como algo semelhante a uma composição musical: "É como compor uma
Terence winter pensa que as melhores histórias nos fazem refletir sobre partitura, você quer ter uma ideia de qual instrumento está tocando com
o que significam, mas também deixa muito claro que, em termos "muito
mais força em determinado momento." Ela também fala sobre as diferen-
IVoüas

Introdução (p.7-re)

n.r5, verão/ou-
t. Nehamas, "culture, Art and Poetics in Plato',s Politeia", IOIH»H,
tono 2ooo, p.t5-28.
z. "Visão única significa que você acredita no autor e em sua visão da tistôtia",
dtz

Morten Hesseldahl, diretor cultural da DR, no artigo publicado por Gerald Gilbert
"How Does Danish TV Company
no jornal The Inlependutt eÍn t2 de maio de zoa,
DR Keep Churning Out the Hits?".
ao maior número possível de es-
3. o objetivo da TV aberta é agradar igualmente
pectadores; a TV a cabo, em razáo de seu modelo financeiro diferente, baseado
na assinatura e não na publicidade, visa agradar muito um número relativamente
menor de espectadores e mantê-los como uma audiência leal ao longo do tempo.
De qualquer modo, uma audiência televisiva ilimitada na paisagem de hoje
parece
que série de Tv que teve mais espectadores para um
coisa do passado. consta a
milhões de pessoas assistiram
único episódio foi M*Á*s*H - impressionanÍes i-|27,6
o recorde
ao episãdio fina1, "Goodbye, Farewell and Àmen', ern t983, superando
deDalku,pelo episódio "who shotJ.R.?". Em comparação,Familia soprano
".r..rior,
Íeve milhões de espectadores, ao passo que um episódio de Mad Men tem em
17,g

média cerca de 3 milhões de espectadores no mercado doméstico, um número


normal para séries americanas bem-sucedidas na TV a cabo - e que, curiosamente,
é comparável ao número de espectadores que uma série como
Borgenatrai em setl

mercado doméstico, minúsculo comparado ao dos Estados unidos $oo/o do mercado

dinamarquês significam 2,5 milhões de espectadores)'


Films Bad, or Is TVJust Better?", The New YorkTimes,S de setembro de
'71re zo]Lo'
4.
5. Numa entrevista coletiva à imprensa em maio
de zor3, quando foi honrado pela
Academia Americana em Roma com o prestigioso prêmio McKim'
6. "what Is cinema?" ("Qu'est-ce que le cinéma?" -
"O que é o cinema") (university of
california Press, zoo4) continua sendo a obra mais influente de André Bazín,talvez

o mais conhecido crítico e teórico do cinema de meados do século


XX, cofundador
dos cahiers du cinema, defensor do neorrealismo italiano e
mentor da Nouvelle Vtgue'
7. Eisensrein,
"The Dramaturgy of Film Form (The Dialectical Approach to Film
Form),,, p.25-42, in Leo Brauày Ü Marchall cohen: FiLm Theory attd' criticism -
Itnoductory Rea.língs (Oxford Univers§ Press, 1999)'
publicitário
8. De fato, a associação já entrou para o jargáo da indústria. O material
distribuição) para
da European star cinema (uma empresa europeia de produçáo
e

249
() l('stival dc Cinenra cle Canrrt,s rlc r,ort,
Mol-togt'ilttt Pit:tul'cs cle l94O ir rç58. A séric acompanhava uma turma
que Íazia
lrrrr r,xr.rrrPlu, uÍir,rrrn qucr a clltpt.csa cstá
"deseuvolvendo uma linha complt'tir «lc 'l'erceira Avenida com rua Canal) até que ul1-râ aven-
lrrrrglirrrrir\',i() l)rlr.il l 'l'V cle prilreira classe. po.r,o i.,, [,ouie's Sweet Shop (na
Cento e oitenta histórias encatrt;rrlolirs lirst'irrrrru (,s rsp(,cl.ircl()r.es tura surgla.
com drama cati-
vante, c ilslt.()s itttcl.rrut.iorrais do cirrerna,,. A European l. The comic strip Live e catch a Rising star estão entre os mais antigos clubes da
Star C cidade de Nova York e do mundo - ambos notáveis pof seu papel no
lançamentrr
sérics scrnclhlnt(,s i,l românces de ..cinema para
teleüs .Séries
de alta qualiclade : o novo cinema,, comediantes.
g.Johnson, p.68. 4. dos principais roteiristas de Boardwalk Empire' E também «r
10. Edgerton eJones, p.67-8. ça de 1988 sobre a chegada à vida
adulta, que the valeu umzt
rt- de Matt Locke na internet, 'After the Spike indicação ao Prêmio P:uh:.:zer.
ser "aprovado e financiado para
Attention'', disponível em: htrps://medium 5. Receber sinai verde ê o jargão da indústria para
produção".
aef4dlff.
t2' Binge é o que ocorre quando a audiência assiste aos programas fora de transmissões
programadas e vê temporadas inteiras de uma só vez.
13. Nvarez e Simon, p.25. WarrenLeight @.+l-zn)
4. Thompson, Robert J., Television,s S econd- Gold-en Age, p.zz. Rodrigo
r5. Thompson, Krisrin, Storytelling in Film and- Television, p.tz. T.IfiTreatmentfoi um drama da HBo americana pro dtzido e desenvolüdo por
García, com base na série de TV israelense criada por Hagai Levi.* O pelsonagem
principal é o dr. Paul weston (Gabriel Byrne), um psicólogo na casa dos cinquenta
que tem
anos, e a série mostra suas sessões semanais com pacientes, assim como as

de 2o4,995 episódios originais da franquia L aw Ü order tínham sido transmitidos,


no
fazendodo programa o drama policial de maior duração da teleüsão americana
horário nobre com os mesmos personagens'
programação com inesgotáver demanda por novos programas, go%o
dosquais eram 3. Lights Out
transmitidos ao'ivo. Isso e a identificação como um meio por Holt
do roteirista foram duas
das quatro coisas que o drama terevisivo tomou do rádio Nova Jers
quando começou: as ou-
tras duas foram o financiamento baseado na publicidade e sua Estreou e
naifrezaepisódica.
do mesmo ano.

Conversas

Terence Winter (p.zz qz)

mulher alco-
t. The Goldbergs foi uma comédia drarnâticatransmitida de tgzg a tg46 narádio 5.
ame_ foram inter-
s

pretados por Frank wood, Michael Mastro e Joseph Lyle Taylor'

* À série teve uma versão brasilei ra, Sessão de terapia, veiculada eÍtÍÍe 2oa2 e zor4 no carlal
GNT. (N.T.)
llobert Carlock (p. r o5-zo)
Susan Mllltt (p, r eo-z r
..r,)

t' Tlre Harvard' LamYtoon "devotada


ê
,talvez
a mais irrrt lgrr rtvlstu de lrurnor do mundo publtcada
r. A International Academy of Web Television foi fundada em zooS e é
continuamente. Grande parte do capital cln orgunlznçIo ó fbrnecido pelà
ücencia- aoprogressodasarteseciênciasdaproduçãodewebtelevisão,,.oingressona
mento do nome "Lampoon" para a revista Nationul Lampoon,lançada amostra re-
em 1970 por academia se dá somente por convite e os membros constituem uma
ex-colaboradores da Harvard Lamltoon. os escrit«lr.es da Lampoon-ajudaram
a criar
o saturd,ay Night Litte. Esse foi o primeiro de uma rinha de muitos Presentativa de PaPéis.
os quais ex-colaboradores daLampooÍ passaram a escrever, incluindo
frog."*". prr"
os simpsons,
Futuramd,I'ateNight comDavídLetterman, seinfeld,The League,
NewsRadio,The ffice,
joRock,Parksand.Recreationedezenasdeourros. ALampoontambémformoumütos Reflexões (p.ztt-+z)
escritores de renome, como George plimpton, George santayana
eJohn updike.
t. Emily Nussbaum, "Hannú Barbaric: Girls, Enlightened and úe comedy of cruelry",
The New Yorker, feveteiro de zot3, p.r.
z. Hawes, p.t59.
Janet Lealry (p.tzl-e)
3. Chayefs§, p.ix.
r. David E. Kelley criou picket Fences, chicago Hope, Ally McBeal, The praüice,
Boston
Legal e Harry's Law. Ele é um dos pouquíssimos roteiristas
que tiveram programas
criados por ele sendo transmitidos por todas as quatro principais
redes de teleüsão
comerciais dos Estados Unidos (ABC, CBS, Fox e NBC).

Eic Overmyer (p.r3o-s)

r. Daüd Simon escrevet Homicide: A year on the Killingsúreets, romance


que serviu de
base para a série Homicid.e: Life on the street, da Ngc. Foi coauror, jàto
com Ed
Burns, de The corner: Ayear in th.e Life of an Inner-city Neigrrborhood,
que adaptou
para a série The corner, da HBo. É o criador da série televisiv a The
wiri da HBo, e
cocriador, com Eric Overmyer, da série Treme,tarrrbérr da HBO.
z. George Pelecanos é um famoso escritor de ficção policial ambientada
sobrerudo
em sua cidade natal, washington, D.c. Ele trabalhou extensamente tanto
em The
Wire quanto emTreme.

Diana Son (p.r5r-64)

r. René Balcer foi showrunner de Law ü ord-er: ciminal Intent dtrarrÍe sua quinta
temporada.

Margaret N agle (p. rso-s)

r. Holzman é o criador da série deTy My so-called,Life e autor do livro


que serviu de
base para Wicked.,peça da Broadway
Bibliografia
AgradecimenLos

Alrath' Gaby e Marion Gymnich. Narrative stralegies


Palgrave Macmillan, zoo5.
in Television seies. Londres: Minha profunda admiração pelo trabalho dos roteiristas dramáticos apresentado
.

fl::::*lt.;
,T1.,.X,::,5 ?-r^1r"T..-l
.*, y,:,rruth Berord. Nova york: Grove press,
?ress, zoro. 2o1o
aqui e um forte desejo de revelar o Processo criativo que conduz à obra foram a
Tube of^pknty: The Evotution ofÀ*raron
-J --"'wt Teteyision.oxford:
'wet' tLLcvuLUrL'
L/xroro: primeira centelha de inspiração contínua força propulsora por trás deste livro'
ea
university Press, rggo. oxford
Barreca' Prof Regina' o,l"Toyyth-the Espero que gostem dele tanto quanto gostei de teI as conversas que constituem a
sopranos. Lo,dres: palgrave
Macmiran, zooz.
castleman, Harry e walterJ. Podrazik.
wrn six Decad.es of American Television, maior parte de seu conteúdo, e que fiquem tão fascinados quanto eu pelos temas
z.ed. (The Television Series). Syracuse: "iw: Universiry press.
Sy."ir." recofrentes, que considerei em minhas reflexões fi.nais. Muito obrigada a todos!
chayefsky paddy' The Tele-wsionibys. zoo4.
N; y;;, simon and schuster, 1955. seu entusiasmo e disposição em responder minhas perguntas tão abertamente
Edgerton, Gary R. The columbia Hiít"ry
University press, zoo9. "yÀ**ican Terevision.Nova york: columbia quanto possível fr.zerarn este livro. Quero agradecer também aos inspiradores
Edgerton' Gary R' e Jeffrey p.
Jones. The Essential HBo Reader. Lexington: The roteiristas com çluem conversei nos estágios mais iniciais, quando ainda estava
press of Kentuis
_ -University zoos.
Edgerton, Gary R. e Brian Roáe. Thinking definindo o foco para o livro: Peter Blauner,Julie Martin, Howard Korder, muito
outside trte Box: A cortemporary Terevision
Read.er. L gton: Universiry pre'ss oi ti"rro.t y, ,oo5. obrigada! Além disso, gostaria de agradecer a Baldvin Kári, que foi meu fiel as-
- _Genre
Hammond, Michaer Lr.y Mazdon- sistente durante os estágios finais do livro, aJohn Howard e Alison G. Vingiano,
Trte contemporary Televisionsenes.
" piess,
Edinburgh Universiry Edimburgo:
-- zoo7.
que leram partes do original e me ajudaram com suas anotações, a meu sempre
Hawes, Wi,iam. Filmeá Tebvision Drama t95z_r9y8.
Heil, Douglas . pime Tim.e Authorshi,t. Jefferson: McFarland, zoor. solidário agenteJulian Friedmann e, por último, mas não menos importante, a
syr"á".ísy.acuse university press,
zooz-
Johnson' steven' EverythingBad't éooa'yormr.Iiova york Jenna Steventon e Felicity Noble na Palgrave
Macmillan: sua ajuda foi um opor-
yocÉ. Rio aá yn"io, -'-.'*-'
Riverhead, -"-l (ed. bras.,
zoo5
Tbom.rara
§uDery, Roberr. creating
z^hur, ,o.,rS. tuno e maravilhoso estímulo. Por fim, e sempre com todo o meu amor, ao meu
",?!:.rir^?r:yyn - " *' with the peopre Behind 50 years of
Terevision: conversations
Ameri c an ?V. Nova Vori: Routledg filho AIex: eis um livro cheio de roteiristas criativos, destemidos - que coisa linda!
;,-r;:;r,."
t'Ii.";lrllÍ. Thkrhingof ours' nwoigatingíh" sopranos.Novayork
columbia university

*th Ameríca's rop producers or


'";Tr,:?l#,:":"i
lrayta
Í:y::*"^
Syracuse: Syracuse University
"T"i::":";,: p."r., ,áár. r,'elevision

i,ã,;#:lr:Zir:Tl::::::,v:yi;h;":;itàLeaNovayorkNyupress,zooT
,.,,LJ,T::1T""":,1r11"_1*:1rqri1..r..ã;ffi
§enes). Beau-Ba_s.sin:.Alphascripr publishin g, roro
;ffi #,iàii,iiiil,,i!,X,r,
,i?*,*X,..,.fTf*. çuitity ru c""ír*p"rory Amerícan Teteyision anà Beyond.
Londres: Tauris, zoo7.
Insid.e the Minds of TV,s Top Show Creators.

ed.Nova york: Simon and Schuster, zor3.


Television. Cambridge: Harvard
Universiry
Thompson, RobertJ. Telev*ion's second
Golien Age: From Hiil street Blues
Syracuse University press, 1997. to ER.syracuse:

255
l)c 5e'irr/t-/t/,1 (r(,rt)(' ol llttorttts, passarrclo por f urtttlio Soltrctrrtt,lrtt,rrtlt
e Mod Men, as series americanas revolucionaram a TV, conquistararn cr
mundo e se transformaram no palco do que há de melhor em materia
de escrita audiovisual hoje em dia. E os roteiristas desempenharam um
papel central nessa história.

Em conversas "de escritor para escritor" com Christina Kallas - profes-


sora e roteirista premiada -, showrunners e autores de primeiro time
compartilham suas experiências da "sala de roteiristas" e falam sobre a
arte de escrever e criar para a TV.

Um livro essencial para quem escreve, ou quer escrever, para TV, mas in-
dispensáveltambém para críticos e fás.

"O livro abre uma janela para o funcionamento interno dos principais programas
de hoje: como funciona a produção, como os roteiristas interagem, como é
a sala de roteiristas, quem está no controle e por que a televisão é um meio
dominado pelo roteirista."

"Leitura recomendada para qualquer um interessado em séries de TV, leitura


obrigatória para qualquer um interessado em escrevê-las."

"Como roteirista experiente, Christina sabe do que está falando. Conduzidos


com habilidade, os escritores falam abertamente sobre seu trabalho e sua
maneira de criá-1o."

ill
llllllillillllllillllll