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QUESTÃO 1. QUESTÃO 4.

A diva O folclore é o retrato da cultura de um povo. A dança popular e


Vamos ao teatro, Maria José? folclórica é uma forma de representar a cultura regional, pois retrata
Quem me dera, seus valores, crenças, trabalho conhecê-la, é de alguma forma se
desmanchei em rosca quinze kilos de farinha, apropriar dela, é enriquecer a própria cultura.
tou podre. Outro dia a gente vamos. BREGOLATO, R. A. Cultura Corporal da Dança. São Paulo: Ícone, 2007.
Falou meio triste, culpada,
As manifestações folclóricas perpetuam uma tradição cultural, é obra
e um pouco alegre por recusar com orgulho.
de um povo que a cria, recria e a perpetua. Sob essa abordagem
TEATRO! Disse no espelho.
deixa-se de identificar como dança folclórica brasileira
TEATRO! Mais alto, desgrenhada.
TEATRO! E os cacos voaram (A) o Bumba-meu-boi, que é uma dança teatral onde personagens
sem nenhum aplauso. contam uma história envolvendo crit́ ica social, morte e
Perfeita. ressurreição.
PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999.
(B) a Quadrilha das festas juninas, que associam festejos religiosos a
celebrações de origens pagãs envolvendo as colheitas e a
Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais
fogueira.
diversas, reconhecidas pelo leitor com base em suas características
(C) o Congado, que é uma representação de um reinado africano
específicas, bem como na situação comunicativa em que ele é
produzido. Assim, o texto A diva onde se homenageia santos através de música, cantos e dança.
(D) o Balé, em que se utilizam músicos, bailarinos e vários outros
profissionais para contar uma história em forma de espetáculo.
(A) narra um fato real vivido por Maria José.
(E) o Carnaval, em que o samba derivado do batuque africano é
(B) surpreende o leitor pelo seu efeito poético.
utilizado com o objetivo de contar ou recriar uma história nos
(C) relata uma experiência teatral profissional.
desfiles.
(D) descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.
(E) defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.
QUESTÃO 5.
QUESTÃO 2. O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes filósofos ao longo
MOSTRE QUE SUA MEMÓRIA É MELHOR DO QUE A DE dos tempos. Um dos melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo
COMPUTADOR E GUARDE ESTA CONDIÇÃO: 12X SEM JUROS. pensador e orador romano Cicero: A Arte do Envelhecimento. Cícero
Revista Época. N° 424, 03 jul. 2006. nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas
dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade.
Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas de Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos.
linguagem, assumindo funções específicas, formais e de conteúdo. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos a
Considerando o contexto em que circula o texto publicitário, seu um estado de melancolia e amargura. Ler as palavras de Cicero sobre
objetivo básico é envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo.
NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento. Época. 28 abr. 2008.

(A) definir regras de comportamento social pautadas no combate ao


O autor discute problemas relacionados ao envelhecimento,
consumismo exagerado.
apresentando argumentos que levam a inferir que seu objetivo é
(B) influenciar o comportamento do leitor, por meio de apelos que
visam à adesão ao consumo.
(A) esclarecer que a velhice é inevitável.
(C) defender a importância do conhecimento de informática pela
(B) contar fatos sobre a arte de envelhecer.
população de baixo poder aquisitivo.
(C) defender a ideia de que a velhice é desagradável.
(D) facilitar o uso de equipamentos de informática pelas classes
(D) influenciar o leitor para que lute contra o envelhecimento.
sociais economicamente desfavorecidas.
(E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem angústia, o
(E) questionar o fato de o homem ser mais inteligente que a máquina,
envelhecimento.
mesmo a mais moderna.
QUESTÃO 6.
QUESTÃO 3.
Câncer 21/06 a 21/07 - O eclipse em seu signo vai desencadear Em TOURO INDOMÁVEL, que a cinemateca lança nesta semana nos
estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a dor maior e a violência
mudanças na sua autoestima e no seu modo de agir. O corpo indicará
verdadeira vêm dos demônios de La Motta — que fizeram dele tanto
onde você falha – se anda engolindo sapos, a área gástrica se
um astro no ringue como um homem fadado à destruição. Dirigida
ressentirá. O que ficou guardado virá à tona, pois este novo ciclo exige
como um senso vertiginoso do destino de seu personagem, essa obra-
uma “desintoxicação”. Seja comedida em suas ações, já que precisará
prima de Martin Scorcese é daqueles filmes que falam à perfeição de
de energia para se recompor. Há preocupação com a família, e a
seu tema (o boxe) para então transcendê-lo e tratar do que importa:
comunicação entre os irmãos trava. Lembre-se: palavra preciosa é
aquilo que faz dos seres humanos apenas isso mesmo, humanos e
palavra dita na hora certa. Isso ajuda também na vida amorosa, que
tremendamente imperfeitos.
será testada. Melhor conter as expectativas e ter calma, avaliando as Revista Veja. 18 fov, 2009 (adaptado)
próprias carências de modo maduro. Sentirá vontade de olhar além
das questões materiais – sua confiança virá da intimidade com os (A) construir uma apreciação irônica do filme.
assuntos da alma. (B) evidenciar argumentos contrários ao filme de Scorcese.
Revista Cláudia. Nº 7, ano 48, jul. 2009.
(C) elaborar uma narrativa com descrição de tipos literários.
(D) apresentar ao leitor um painel da obra e se posicionar
O reconhecimento dos diferentes gêneros textuais, seu contexto de
criticamente.
uso, sua função específica, seu objetivo comunicativo e seu formato
(E) afirmar que o filme transcende o seu objetivo inicial e, por isso,
mais comum relacionam-se com os conhecimentos construídos
perde sua qualidade.
socioculturalmente. A análise dos elementos constitutivos desse texto
demonstra que sua função é:
QUESTÃO 7.
Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:
(A) vender um produto anunciado.
(B) informar sobre astronomia.
“No tempo de meu Pai, sob estes galhos, como uma vela fúnebre de
(C) ensinar os cuidados com a saúde.
cera, chorei bilhões de vezes com a canseira, de inexorabilíssimos
(D) expor a opinião de leitores em um jornal.
trabalhos!”
(E) aconselhar sobre amor, família, saúde, trabalho.
(A) antítese
(B) anacoluto
(C) hipérbole
(D) hipérbato
(E) inversão
QUESTÃO 8. QUESTÃO 11.
Até quando? Não adianta olhar pro céu BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.
Com muita fé e pouca luta EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer quero falar com ele.
E muita greve, você pode, você deve, pode crer BENONA: Mas, Eurico, nós lhe devemos certas atenções.
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer! boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora,
Até quando você vai ficar usando rédea? parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás
Rindo da própria tragédia? dele, sedento, atacado da verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro,
Até quando você vai ficar usando rédea? como um cachorro da molest’a, como um urubu, atrás do sangue
Pobre, rico ou classe média? dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio há de proteger
Até quando você vai levar cascudo mudo? minha pobreza e minha devoção.
GABRIEL, O Pensador. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo). SUASSUNA, A. O santo e a porca. Rio de Janeiro: José Olimpyio, 2013

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro
da molest’a” contribui para
(A) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
(B) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas. (A) marcar a classe social das personagens.
(C) tom de diálogo, por utilizar-se somente de gírias. (B) caracterizar usos linguísticos de uma região.
(D) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial. (C) enfatizar a relação familiar entre as personagens.
(E) originalidade, pela concisão da linguagem. (D) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.
(E) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.
QUESTÃO 9.
QUESTÃO 12.
O nascimento da crônica - Há um meio certo de começar a crônica por
uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se
isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou
simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos
fenômenos atmosféricos, fazemse algumas conjeturas acerca do sol e
da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a
Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica. Mas, leitor
amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas
datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão,
Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No
paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do
contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões,
uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates,
não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão
andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as
nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
ASSIS, M. In: SANTOS, J .F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro.

Um dos traços fundamentais da vasta obra literária de Machado de


Assis reside na preocupação com a expressão e com a técnica de
composição. Em O nascimento da crônica, Machado permite ao leitor
entrever um escritor ciente das características da crônica, como
Considerando-se a finalidade comunicativa comum do gênero e o
(A) texto breve, diálogo com o leitor e registro pessoal de fatos do
contexto específico do Sistema de Biblioteca da UFG, esse cartaz tem
cotidiano.
função predominantemente
(B) síntese de um assunto, linguagem denotativa, exposição sucinta.
(C) linguagem literária, narrativa curta e conflitos internos.
(A) socializadora, contribuindo para a popularização da arte.
(D) texto ficcional curto, linguagem subjetiva e criação de tensões.
(B) sedutora, considerando a leitura como uma obra de arte.
(E) priorização da informação, linguagem impessoal e resumo de um
(C) estética, propiciando uma apreciação despretensiosa da obra.
fato.
(D) educativa, orientando o comportamento de usuários de um
serviço. QUESTÃO 13.
(E) contemplativa, evidenciando a importância de artistas
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um
internacionais.
texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado,
conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada
QUESTÃO 10.
um, reconhecer nele o tipo de leitura que o seu autor pretendia e, dono
DÚVIDA
da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela,
Dois compadres viajavam de carro por uma estrada de fazenda
propondo uma outra não prevista.
quando um bicho cruzou a frente do carro. Um dos compadres falou: LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo.
— Passou um largato ali!
O outro perguntou: Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de
— Lagarto ou largato? produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa função da
O primeiro respondeu: linguagem torna-se evidente pelo fato de o texto
— Num sei não, o bicho passou muito rápido.
Piadas coloridas. Rio de Janeiro: Gênero, 2006.
(A) ressaltar a importância da intertextualidade.
(B) propor leituras diferentes das previsíveis.
Na piada, a quebra de expectativa contribui para produzir o efeito de
(C) apresentar o ponto de vista da autora.
humor. Esse efeito ocorre porque um dos personagens
(D) discorrer sobre o ato de leitura.
(E) focar a participação do leitor.
(A) reconhece a espécie do animal avistado.
(B) considera somente a pronúncia do nome do réptil.
(C) desconsidera o conteúdo linguístico da pergunta.
(D) constata o fato de um bicho cruzar a frente do carro.
(E) relativiza a linguística em detrimento do conteúdo.
QUESTÃO 14. QUESTÃO 16.
"Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a Esta terra é como o Só
sistemas e subsistemas adequados às necessidades de seus Que nace todos os dia
usuários. Mas o fato de estar a língua fortemente ligada à estrutura Briando o grande, o menó
social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliação E tudo que a terra cria.
distinta das características das suas diversas modalidades regionais, O só quilarêa os monte,
sociais e estilísticas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma Tombém as água das fonte,
entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, Com a sua luz amiga,
porque atua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma Potrege, no mesmo instante,
comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre Do grandaião elefante
as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força A pequenina formiga.
contrária à variação." Esta terra é como a chuva,
Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. Que vai da praia a campina,
Móia a casada, a viúva,
A partir da leitura do texto, podemos inferir que uma língua é: A véia, a moça, a menina.
Quando sangra o nevuêro,
(A) um conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma Pra conquistá o aguacêro,
alcança maior valor social e passa a ser considerada exemplar. Ninguém vai fazê fuxico,
(B) um sistema que não admite nenhum tipo de variação linguística, Pois a chuva tudo cobre,
sob pena de empobrecimento do léxico. Móia a tapera do pobre
(C) um sistema em que a modalidade oral alcança maior prestígio E a grande casa do rico.
social, pois é o resultado das adaptações linguísticas produzidas PATATIVA DO ASSARÉ. A Terra é Naturá. In: Cordéis e outros poemas. 2008
pelos falantes.
(D) um sistema que deve ser completamente preservado na Ao analisarmos o conteúdo e a linguagem utilizados no fragmento
modalidade oral e escrita, pois toda modificação é prejudicial a um anterior podemos notar que o eu-lírico aborda uma linguagem e uma
sistema linguístico. temática específica. Assim, a respeito do texto podemos afirmar que
(E) um conjunto de variações que devem ser extintas para que seja ele
preservado a unidade linguística em nosso território.
(A) apresenta uma variedade linguística inadequada ao contexto de
QUESTÃO 15. uso, já que fora publicado em livro, veículo comunicativo que
Entrevista com Marcos Bagno - Pode parecer inacreditável, mas presa a linguagem padrão.
muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se (B) evidencia a importância da chuva, elemento de cunho segregador
baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam e separatista, para a região descrita no poema.
da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo (C) vale-se de um vocabulário específico de uma pequena quantidade
“ter” no lugar de “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente de falantes de determinada região brasileira.
porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, (D) desenvolve-se a fim de persuadir o leitor a tomar partido quanto
deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”. No entanto, as questões sociais do nordeste brasileiro, reveladas pela
temos registros escritos da época medieval em que aparecem dualidade expressa pelos contrastes entre “pobre” e “rico.
centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes (E) revela traços característicos do nordeste brasileiro, tanto na
africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial linguagem quanto na temática abordada.
é porque recebemos esses usos de nossos excolonizadores. Não faz
sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos QUESTÃO 17.
decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a chegada da mídia
com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, eletrônica me lembra a discussão idêntica so - bre a obsolescência do
concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas folheto de cordel. Os folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou
ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra 200 anos, mas, mes - mo que isso aconteça, os poemas de Leandro
língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos continuarão sendo
de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso publicados e lidos — em CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips
para só aceitar o que vem de fora. Não faz sentido rejeitar a língua de quânticos“, sei lá o quê. O texto é uma espécie de alma imortal, capaz
190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por de reencarnar em corpos variados: página impressa, livro em Braille,
menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo folheto, “coffee-table book“ , cópia manuscrita, arquivo PDF...
temos mais falantes de português que em toda a Europa! Qualquer texto pode se reencarnar nesses (e em outros) formatos, não
Informativo Parábola Editorial, s/d. importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê , se é Macbeth ou O
livro de piadas de Casseta & Planeta.
Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais TAVARES, B. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com
e faz uso da norma padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser
explicado pelo fato de que ele Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o surgimento
de outros suportes em via eletrônica, o cronista manifesta seu ponto
(A) adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez de vista, defendendo que
que o gênero entrevista requer o uso da norma padrão.
(B) apresenta argumentos carentes de comprovação científica e, por (A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será extinto
isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na com o avanço da tecnologia.
materialidade do texto. (B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural veiculador de
(C) propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes impressões e de valores culturais.
escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser (C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do prazer de se
usada por falantes não escolarizados. ler textos em livros e suportes impressos.
(D) acredita que a língua genuinamente brasileira está em construção, (D) os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em novas
o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática tecnologias, mesmo que os livros desapareçam.
normativa do português europeu. (E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibilidade de
(E) defende que a quantidade de falantes do português brasileiro se ler obras literárias dos mais diversos gêneros.
ainda é insuficiente para acabar com a hegemonia do antigo
colonizador.
QUESTÃO 18. QUESTÃO 21.
A última edição deste periódico apresenta mais uma vez tema Óia eu aqui de novo xaxando, Óia eu aqui de novo pra xaxar
relacionado ao tratamento dado ao lixo caseiro, aquele que Vou mostrar pr’esses cabras, que eu ainda dou no couro
produzimos no dia a dia. A informação agora passa pelo problema do Isso é um desaforo, que eu não posso levar
material jogado na estrada vicinal que liga o município de Rio Claro ao Que eu aqui de novo cantando
distrito de Ajapi. Infelizmente, no local em questão, a reportagem Que eu aqui de novo xaxando
encontrou mais uma forma errada de destinação do lixo: material Óia eu aqui de novo mostrando
atirado ao lado da pista como se isso fosse o ideal. Muitos moradores, Como se deve xaxar.
por exemplo, retiram o lixo de suas residências e, em vez de um Vem cá morena linda
destino correto, procuram dispensá-lo em outras regiões. Uma Vestida de chita
situação no mínimo incômoda. Se você sai de casa para jogar o lixo Diz que tou aqui com alegria.
em outra localidade, por que não o fazer no local ideal? É muita falta
de educação achar que aquilo que não é correto para sua região possa A letra da canção de Antônio Barros manifesta aspectos do repertório
ser para outra. A reciclagem do lixo doméstico é um passo inteligente linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma do
e de consciência. Olha o exemplo que passamos aos mais jovens! falar popular regional é
Quem aprende errado coloca em prática o errado. Um perigo!
(A) “Isso é um desaforo”
http://jornaldacidade.uol.com.br. Acesso em: 10 ago. 2012
(B) “Vou mostrar pr’esses cabras”
Esse editorial faz uma leitura diferenciada de uma notícia veiculada no (C) “Diz que eu tou aqui com alegria”
jornal. Tal diferença traz à tona uma das funções sociais desse gênero (D) “Vai, chama Maria, chama Luzia”
textual, que é (E) “Vem cá, morena linda, vestida de chita”

(A) apresentar fatos que tenham sido noticiados pelo próprio veículo. QUESTÃO 22.
(B) chamar a atenção do leitor para temas raramente abordados no A forte presença de palavras indígenas e africanas e de termos
jornal. trazidos pelos imigrantes a partir XIX é um dos traços que
(C) provocar a indignação dos cidadãos por força dos argumentos distinguem o português do Brasil e o português de Portugal. Mas,
apresentados. olhando para a história dos empréstimos que o português brasileiro
(D) interpretar criticamente fatos noticiados e considerados relevantes recebeu de línguas europeias a partir do século XX, outra diferença
para a opinião pública. também aparece: com a vinda ao Brasil da família real portuguesa
(E) trabalhar uma informação previamente apresentada com base no (1808) e, particularmente com a Independência, Portugal deixou de
ponto de vista do autor da notícia. ser o intermediário obrigatório da assimilação desses empréstimos e,
assim, Brasil e Portugal começaram a divergir, não só por terem
QUESTÃO 19. sofrido influências diferentes, mas também pela maneira como
Com os incentivos oferecidos pelo governo brasileiro para a compra reagiram a elas.
de computadores pessoais e a popularização do acesso à internet ILARI, R.; BASSO, R. O português da gente.
banda larga, a expressão computação nas nuvens está cada vez mais
presente em nosso dia a dia, principalmente entre os profissionais de Os empréstimos linguísticos, recebidos de diversas línguas, são
educação. Tal expressão se refere a arquivos e programas importantes na constituição do Brasil porque
hospedados em servidores na web, bastando ao usuário uma conexão
com a internet para acessá-los por e-mail. Há poucos anos, somente (A) deixaram marcas da história vivida pela nação, como a
era possível editar um documento de texto em um programa, muitas colonização e a imigração.
vezes caro, instalado no computador. Hoje podemos criar esse mesmo (B) transformaram em um só idioma línguas diferentes, como as
documento no Google Docs e editá-lo de qualquer lugar do mundo, africanas, as indígenas e as europeias.
compartilhar seu acesso, definindo quem pode editá-lo ou apenas (C) promoveram uma língua acessível a falantes de origens distintas,
visualizá-lo, e sem pagar um centavo por isso. como o africano, o indígena e o europeu.
GRECHI, A. Geração de Conteúdo. Revista Linha Direta, set.
(D) Guardaram uma relação de identidade entre os falantes do
De acordo com o texto, a popularização do acesso à internet tem português do Brasil e os do português de Portugal.
proporcionado (E) tornaram a língua do Brasil mais complexa do que as línguas
de outros países que também tiveram colonização portuguesa.
(A) queda do preço de softwares educacionais.
(B) circulação mais intensa de informações. QUESTÃO 23.
(C) seleção eficiente de ferramentas educativas. Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes
(D) lucro maior e mais garantido aos provedores. indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no
(E) substituição de hardwares vulneráveis a vírus. século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências
ao status econômico e jurídico desses eram muito mais populares.
QUESTÃO 20. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais
A linguagem na ponta da língua frequência do que qualquer outro.
SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil.
tão fácil de falar e de entender.
A linguagem na superfície estrelada de letras, Índio é um conceito construído no processo de conquista da América
sabe lá o que quer dizer? pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos
Professor Carlos Góis, ele e quem sabe, de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas,
e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por
Figuras de gramática, esquemáticas, denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. e os astecas.
Já esqueci a língua em que comia, SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé, Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos
a língua, breve língua entrecortada pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério. (A) concepção idealizada do território, entendido como
geograficamente indiferenciado.
Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o (B) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações
contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em ameríndias.
(A) situações formais e informais. (C) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios
(B) diferentes regiões dos pais. conquistados.
(C) escolas literárias distintas. (D) transposição direta das categorias originadas no imaginário
(D) textos técnicos e poéticos. medieval.
(E) diferentes épocas. (E) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza.