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Processo de produção de álcool

O processo de produção de álcool envolve basicamente as etapas de moagem,


produção do melaço, fermentação e destilação.
Publicado por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça em Combustíveis0 comentário

Usina de produção de etanol a partir do milho em Dakota do Sul, Estados Unidos

O álcool ao qual costumamos nos referir no dia a dia é, na verdade, o etanol (H 3C ? CH2 ?
OH). Esse composto, também conhecido como álcool comum ou álcool etílico, possui uma
diversidade muito ampla de aplicações. Apenas para citar algumas delas, temos: uso na
fabricação de remédios, na síntese de compostos orgânicos (como o acetaldeído, o ácido
acético e o éter comum); como combustível de automóveis, como solvente de tintas,
vernizes e perfumes; é usado misturado com a gasolina; em bebidas alcoólicas, em
soluções desinfetantes e como antisséptico.
Tendo em vista a importância do álcool, é interessante conhecer como ele é fabricado.
Existem dois processos de produção, que são:
(1) Reação de hidratação do etileno:
CH2 = CH2 + H2O → H3C — CH2 — OH
Em países onde não há muito território disponível para plantações, costuma-se utilizar
esse processo para a produção de álcool. Para acelerar a reação, usa-se o ácido sulfúrico
como catalisador.
(2) Fermentação de açúcares:
No Brasil, a principal matéria-prima utilizada para a produção do etanol é a cana-de-
açúcar. Nos Estados Unidos, utiliza-se o milho. Inclusive, o Brasil responde por 35% da
produção mundial de etanol, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que responde por
37,5%.
Outras matérias-primas que podem ser utilizadas na produção de álcool são suco de
frutas, beterraba, substâncias amiláceas, tais como o arroz, o trigo e a batata; e
substâncias celulósicas, como a madeira e o papel.
Observe as principais etapas do processo de produção do álcool:
1º) Colheita da cana-de-açúcar: Isso pode ser feito com colheitadeiras mecânicas (como
mostra a imagem a seguir) ou de forma manual através da queima da palha que envolve a
base do vegetal e do corte do caule. Cerca de uma tonelada de cana-de-açúcar colhida dá
origem a 70 litros de etanol.
Colheita de cana-de-açúcar na Austrália
A cana proveniente da lavoura é pesada e pode passar por uma análise química para
quantificação do açúcar presente nela.
2º) Moagem da cana-de-açúcar: A cana é triturada nas moendas das usinas, liberando
assim o seu caldo conhecido como garapa. A garapa contém elevado teor de sacarose
(açúcar – C12H22O11) e, por isso, pode também sofrer cristalização e ser utilizada na
produção de açúcar comum.

Garapa e bagaço de cana-de-açúcar


O bagaço da cana-de-açúcar não é desperdiçado, mas sim queimado nas caldeiras para
liberar energia que é usada na produção da eletricidade para a própria usina.
3º) Produção do melaço: A garapa é aquecida a cerca de 105ºC e produz o melaço, isto
é, uma solução de cerca de 40% de sacarose. Essa parte é importante para deixar o caldo
o mais puro possível e, assim, não haver contaminantes na próxima etapa.
4º) Fermentação: O melaço é levado para sofrer fermentação. Isso é feito por inocular o
micro-organismo (levedura) Saccharomyces cerevisae, que, na presença de sacarose,
produz uma enzima denominada invertase. Esta atua como catalisadora da reação de
hidrólise da sacarose, produzindo glicose e frutose, como mostra a equação química a
seguir:

Atuação da enzima invertase como catalisadora da reação de hidrólise da sacarose


Depois esse micro-organismo origina outra enzima, a zimase, que catalisa a
transformação da glicose e da frutose em etanol:

Atuação da zimase como catalisadora da reação de formação do etanol a partir da glicose e frutose
Observe na imagem a seguir que, nesse processo de fermentação, ocorre a liberação
intensa de bolhas. Isso ocorre pela presença do gás carbônico que foi liberado na reação
anterior. Essa reação também é bastante exotérmica, ou seja, libera muito calor.

Fermentação na produção do etanol

5º) Destilação: Na fermentação do melaço, obtém-se o chamado mosto fermentado, que,


por sua vez, é levado para a destilação fracionada. Como mostrado no texto Destilação,
esse é um processo de separação dos componentes de misturas homogêneas.
Assim, por meio dessa técnica, obtém-se o álcool comum a 96 ºGL (graus Gay-Lussac), o
que significa que ele possui 96% de etanol e 4% de água.
Para medir a pureza do álcool fabricado, costuma-se utilizar um alcoômetro, que é um
aparelho com as graduações na parte externa de seu tubo de vidro e com chumbo na
parte inferior que fica submerso em um líquido. A graduação igual a 0ºGL corresponde ao
valor da água pura, e a graduação de 100ºGL, ao etanol puro.

Alcoômetro – um tipo de densímetro usado para medir a pureza do álcool


A partir daqui, o caminho que o álcool seguirá dependerá de seu uso. Quando se pretende
usar o álcool misturado com a gasolina, por exemplo, é necessário ter 100% de etanol — o
chamado álcool anidro —, isto é, não pode haver nada de água. Como a água é polar e a
gasolina é apolar, essas duas substâncias não se misturam e, se houvesse mistura, a
qualidade do combustível seria diminuída. Para obtenção do álcool anidro, realiza-se a
destilação do álcool a 96ºGL com benzeno, que arrasta consigo a água.
O álcool usado na produção de bebidas alcoólicas possui impostos mais caros. Assim,
para que o álcool que vai para o uso em combustível não seja desviado para a fabricação
de bebidas, são adicionadas a ele certas substâncias que lhe conferem um cheiro e sabor
ruins. Esse é o chamado álcool desnaturado.
Fabricação do açúcar

Autor(es): Rogério Haruo Sakai ; André Ricardo Alcarde

Após passar pelas etapas de extração e tratamento do caldo, inicia-se o processo de


fabricação de açúcar, por meio da concentração do caldo por evaporação da água em
processo de múltiplo efeito. O xarope resultante é bombeado para os tachos de cozimento para
a cristalização do açúcar.

O cozimento é feito em duas etapas, sendo que na primeira ainda ocorre a evaporação da
água do xarope para a cristalização da sacarose (Figura 1). O produto resultante desse
cozimento é uma mistura de cristais de sacarose com o licor-mãe (mel). Na segunda etapa,
ocorre o processo de nucleação, em que são produzidos pequenos cristais de tamanho
uniforme.

Fig. 1. Dornas para separação da água e do xarope.


Foto: Patrícia Cândida Lopes.

A separação dos cristais de sacarose do mel é feita por meio de centrifugação (Figura 2), no
qual são obtidos dois produtos: o açúcar e o melaço.

Fig. 2. Centrífugas para separação do açúcar. Foto:


Patrícia Cândida Lopes.
O melaço é enviado para a fabricação de álcool, enquanto o açúcar é destinado ao secador
para a retirada da umidade contida nos cristais. Após a secagem, o açúcar é levado ao silo
para ser ensacado e estocado (Figura 3).

Fig. 3. Estoque de açúcar ensacado.


Foto: Patrícia Cândida Lopes.

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