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Para a consecução de seus objetivos, de acordo com o Art.

6° do seu Estatuto, a Companhia


Nacional de Abastecimento - CONAB poderá, entre outras ações: “I – comprar, vender, permutar,
promover a estocagem e o transporte de produtos de origem agropecuária, atuando, se
necessário, como companhia de Armazéns Gerais”. Para tanto, segue as regras estabelecidas
pelas seguintes legislações:

• Decreto nº 1.102/1903, que “Institue regras para o estabelecimento de emprezas de


armazens geraes, determinando os direitos e obrigações dessas empresas”;

• Lei nº 8.171/1991, que dispõe sobre a Política Agrícola e estabelece, em caráter


obrigatório, o cadastro nacional de unidades armazenadoras de produtos agrícolas;

• Lei Federal nº 9.973/2000, na qual, através do art. 2º, ficou sob responsabilidade do MAPA
(Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a criação do sistema de certificação
para qualificação dos armazéns destinados à atividade de guarda e conservação de
produtos agropecuários, seus derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico;

• Decreto n. º 3.855/2001, que regulamenta a Lei 9.973/2000, na qual, em seu art. 16,
parágrafo 1º, estabeleceu que o Sistema Nacional de Certificação de Unidades
Armazenadoras – SNCUA seria desenvolvido de acordo com as regras e os procedimentos
do Sistema Brasileiro de Certificação, instituído pelo CONMETRO - Conselho Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, devendo dispor sobre as condições e a
documentação exigíveis dos interessados.

• Lei n° 11.076/2004, que dispõe sobre o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e


Warrant Agropecuário (WA), que são títulos de crédito cambiáveis emitidos pelos
depositários a pedido dos depositantes.

É crescente a busca por processos de certificação que possibilitem comprovar que produtos e
serviços seguem rigorosamente as normas técnicas, que são desenvolvidas pela sociedade para
seu próprio uso, são aprovadas e homologadas por um organismo reconhecido e refletem o
consenso técnico de um país (ou região), sobre um determinado tema, em um dado momento da
história. O Código de Defesa do Consumidor estabeleceu na Lei 8078, de 11/09/1990,
regulamentada pelo Decreto 861, de 09/07/1993, na Seção IV, que trata das Práticas Abusivas,
Artigo 39, inciso VIII que:
“É vedado ao fornecedor de produtos e serviços colocar, no mercado de consumo,
qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos
oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, ou outra Entidade credenciada pelo
Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial –
CONMETRO.”

Diante desse contexto, um Grupo de Trabalho, formado por representantes do poder público e da
iniciativa privada envolvidos com o setor armazenador, elaborou os requisitos técnicos obrigatórios
ou recomendados para certificação de Unidades Armazenadoras em Ambiente Natural - UAAN,
estabelecendo procedimentos para modernizar as atividades de guarda e conservação de
produtos agropecuários, tais como as regras para construção, instalação e funcionamento de
estruturas de armazenamento,

A certificação de UAAN passou a ser obrigatória para as pessoas jurídicas que prestam serviços
remunerados de armazenagem, a terceiros, de produtos agropecuários, seus derivados,
subprodutos e resíduos de valores econômicos, inclusive de estoques públicos, referenciada pelas
seguintes normas:
• ABNT NBR ISO/IEC 17000:2005 - Esta Norma específica apresenta termos gerais e
definições relativos à avaliação de conformidade, incluindo a acreditação de organismos
de avaliação de conformidade para facilitar o comércio. O anexo A inclui uma descrição da
abordagem por função da avaliação de conformidade, como uma ajuda adicional para
compreensão entre os usuários da avaliação de conformidade, organismos de avaliação
de conformidade e seus organismos de acreditação, tanto nos contextos voluntários
quanto regulamentares.
• ABNT ISO/IEC 17065:2013 - Esta Norma contém os requisitos para a competência,
operação consistente e imparcialidade dos organismos de certificação de produtos,
processos e serviços. Organismos de certificação que operam com esta Norma não
precisam oferecer certificação de todos os tipos de produtos, processos e serviços.
Certificação de produtos, processos e serviços é uma atividade de avaliação da
conformidade de terceira parte.
• ABNT NBR ISO/IEC 17021-1:2016 Versão Corrigida:2016 - Esta parte da ABNT NBR
ISO/IEC 17021 contém princípios e requisitos para a competência, coerência e
imparcialidade de organismos que fornecem auditoria e certificação de todos os tipos de
sistemas de gestão.
• Instruções Normativas - IN nº 29/2011e 22/2017 editadas pelo MAPA, por normativas da
Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (CGCRE) e demais normas vigentes
relativas ao assunto, tais como os normativos da Companhia Nacional de Abastecimento
(CONAB).
Até o ano de 2008, a ABNT não possuía nenhuma norma técnica para direcionar os
procedimentos. Somente após demanda da Associação Brasileira de Movimentação e Logística
(AMBL), o órgão elaborou a primeira norma brasileira para sistemas de armazenagem, NBR
15.524-2, direcionando-a para definir os parâmetros para uso de estruturas porta paletes. Depois,
foram elaboradas diversas outras para atender a armazenagem de produtos perigosos, de
produtos químicos, de movimentação de cargas, entre outros temas, que tornaram-se grandes
auxiliares para que as empresas tivessem redução de custos, não perdessem materiais e
conseguissem, segundo suas necessidades, as certificações de qualidade exigidas pela
sociedade como um todo.

Seguir à risca as normas é a prova de que a Unidade Armazenadora - UA é comprometida não


somente com o seu próprio crescimento ao estruturar seus processos internos de forma mais
organizada e racionalizada, melhorar os fluxos de trabalho, comunicação e informações, medir e
monitorar os resultados dos processos críticos e promover sua melhoria contínua, mas,
principalmente, com a garantia da prestação de um serviço de qualidade para o consumidor.

Além da necessidade da observância dos requisitos técnicos recomendados ou obrigatórios e da


legislação citada, as UAs da CONAB são obrigadas a atenderem a um conjunto variado de
requisitos contidos em outras IN do MAPA para o controle da segurança e qualidade dos produtos
de origem vegetal, para classificação, fiscalização da classificação desses produtos e controle
higiênico sanitário, além de um grande número de outras normas, resoluções, regras e
procedimentos operacionais, pertinentes à atividade de armazenamento, elaboradas pela ABNT,
MAPA, CONAB, Ministério do Trabalho, Sistema CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E
AGRONOMIA/ Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA/CREA,
entre outras instituições.

Nos dias atuais há um limite tênue no campo da normalização técnica entre o que se considera de
atendimento obrigatório e o que pode ser tido como uma simples recomendação. Essa difícil
separação tende a ser mais complexa com a crescente referência às normas ABNT pelos diversos
dispositivos legais, especialmente em função de processos de acreditação e certificação que
embasam os programas governamentais. A preocupação passa a residir na necessidade de maior
atenção ao conteúdo das normas técnicas e à sua frequente atualização, pois as mesmas são
evolutivas e o gatilho de uma revisão, ou de um novo trabalho, é necessidade da própria
sociedade.

Diante dessa complexidade, a IN 29/2011 exigiu que toda UA deve possuir profissional habilitado
para atuar como Responsável Técnico-RT, devidamente registrado no CREA, para que sejam
cumpridas as técnicas relativas ao correto armazenamento e à adequada conservação dos
produtos agrícolas depositados. Desta forma, quando uma norma determina uma certa conduta
como devida e outra norma determina também como devida uma outra conduta, inconciliável com
a primeira, ocorrendo conflitos durante o processo de interpretação, esse profissional tenta
resolver o conflito através da aplicação dos critérios hierárquico, cronológico e de especialidade.

A responsabilidade técnica é o compromisso profissional e legal na execução de suas atividades,


compatível com a formação e os princípios éticos da profissão, visando a qualidade dos serviços
prestados à sociedade. No Brasil, o CONFEA, autarquia responsável pela regulamentação e
julgamento final das atividades do profissional habilitado para atuar como RT, exige através da
Resolução nº 336, de 27/10/1989, que as pessoas jurídicas que se constituam para prestar ou
executar serviços e/ou obras ou que exerça qualquer atividade ligada ao exercício profissional da
Engenharia, devem se registrar nos CREAs e que:“Art. 6º - A pessoa jurídica, para efeito da
presente Resolução, que requer registro ou visto em qualquer Conselho Regional, deve
apresentar responsável técnico que mantenha residência em local que, a critério do CREA, torne
praticável a sua participação efetiva nas atividades que a pessoa jurídica pretenda exercer na
jurisdição do respectivo órgão regional.”

Além do que está disposto na Resolução citada, uma Decisão Normativa - DN do mesmo órgão,
que é um “ato de caráter imperativo” “destinado a fixar entendimentos ou a determinar
procedimentos a serem seguidos pelos Creas”, com o nº 53, de 09 de novembro de 1994, dispõe
em seu art. 1º que: Art. 1º - Toda empresa ou pessoa física, que possua estruturas de
armazenagem e/ou esteja executando serviços de amostragem e/ou análise das características
físicas ou químicas e/ou limpeza e/ou secagem e/ou guarda e conservação de produtos agrícolas,
para si ou para terceiros, deverá registrar-se no CREA da jurisdição onde esteja executando o
referido serviço, apresentando o(s) Responsável(is) Técnico(s) respectivo(s) por unidade(s)
armazenadora(s).

O Código Nacional de Atividades Econômicas das UAs da CONAB é descrito como Armazéns
gerais – emissão de warrant, que compreende as atividades de armazenamento e depósito,
inclusive em câmaras frigoríficas e silos, de todo tipo de produto, sólidos, líquidos e gasosos por
conta de terceiros, com emissão de warrants, um título de crédito representativo das mercadorias
dadas em depósito, constituindo promessa de pagamento. Além do armazenamento, essa
atividade compreende todas as operações que podem ser efetuadas na UA, tais como: expurgo,
medidas sanitárias, distribuição, ordenação e utilização dos espaços destinados à armazenagem
ou movimentação, em silo vertical ou horizontal, metálico ou em concreto, de modo a garantir que
o produto armazenado não perca suas características físicas, químicas e nutricionais, evitando a
contaminação, e deterioração dos produtos, assim como o aparecimento de doenças e pragas.
Desta forma, compete aos armazéns gerais, como prepostos dos proprietários dos produtos
armazenados: Promoverem junto ao CREA, nos termos da Lei nº 6.496/1966, as Anotações de
Responsabilidade Técnica – ART para cada um dos contratos de depósito por depositário.

Também considera-se atividade técnica a certificação de UAs, sendo que, para a empresa que
possui mais de uma UA, a implantação pode ser realizada em etapas. De acordo com o
escalonamento determinado pela IN 22/2017, a implantação da certificação deve ser de 75% dos
CNPJs ou da Capacidade Estática da UA até dezembro de 2019. Veja:

Cada Unidade Armazenadora possui um CNPJ diferente e, segundo o Sistema de Cadastro


Nacional de Unidades Armazenadoras – SICARM, atualmente a CONAB possui 169 CDAs,
distribuídos em 95 UAs e apenas 36 desses CDAs, distribuídos em 19 UAs, estão certificados,
conforme se verifica na tabela a seguir. Desta forma, ao analisarmos o critério do CNPJ, apenas
20% das UAs da CONAB estão certificadas.
REGIÃO UF UNIDADE ARMAZENADORA CDAs CERTIFICADA
AC UA DE RIO BRANCO 1
AM UA DE MANAUS 2
AP UA DE MACAPÁ CENTRAL 1
UA DE ANANINDEUA 3

Norte
PA UA DE MARABÁ 1
UA DE SANTARÉM 1
UA DE CACOAL 2
RO UA DE PORTO VELHO 1
UA DE VILHENA 2
RR UA DE BOA VISTA 4
UA DE ARAGUAÍNA 1
TO UA DE RIO FORMOSO 2
UA DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS 1
AL UA DE MACEIÓ 1
UA DE IRECÊ 6
UA DE ITABERABA 1 SIM
BA UA DE RIBEIRA DO POMBAL 1
UA DE ENTRE RIOS 1
UA DE SANTA MARIA DA VITÓRIA 1
UA DE CRATEÚS 1
UA DE ICÓ 1
UA DE IGUATU 1
UA DE MARACANAÚ 4
CE UA DE JUAZEIRO DO NORTE 1
UA DE RUSSAS 1
UA DE SENADOR POMPEU 1
UA DE SOBRAL 1
Nordeste

UA DE IMPERATRIZ 5 SIM
MA UA DE SÃO LUIS/TIRIRICAL 1 SIM
UA DE JOÃO PESSOA 1
UA DE CAMPINA GRANDE 1
PB UA DE MONTEIRO 1
UA DE PATOS 1
UA DE ARCO VERDE 1
PE UA DE RECIFE 3
UA DE FLORIANO 1
UA DE PARNAÍBA 1
PI UA DE PICOS 1
UA DE TERESINA 3
UA DE AÇU 1
UA DE CAICÓ 1
UA DE CURRAIS NOVOS 1
UA DE JOÃO CÂMARA 1
RN UA DE MOSSORÓ 1 SIM
UA DE NATAL/CAIAPÓS 1
UA DE NATAL 1
UA DE UMARIZAL 1
SE UA DE ITABAIANA 1
DF UA DE BRASÍLIA 5
UA DE GOIÂNIA 1 SIM
UA DE ITAPURANGA 2
UA DE PALMEIRAS DE GOIÁS 1
UA DE PARAÚNA 2
GO UA DE PONTALINA 1
Centro Oeste

UA DE PORTEIRÃO 1
UA DE RIO VERDE 2 SIM
UA DE SANTA HELENA DE GOIÁS 3
UA DE SÃO LUIS DE MONTES BELOS 1
UA DE CASSILÂNDIA 2
UA DE CHAPADÃO DO SUL 1
UA DE DOURADOS 1
UA DE MARACAJÚ 1
MS UA DE RIO BRILHANTE 1
UA DE SÃO GABRIEL D'OESTE 2
UA DE SIDROLÂNDIA 2
UA DE CAMPO GRANDE 4
UA DE ALTA FLORESTA 1
UA DE DIAMANTINO 2
MT UA DE RONDONÓPOLIS 11
ESCRITÓRIO DE REPRESENTAÇÃO DE SORRISO 5
UA DE CAMBURI 1
ES UA DE COLATINA 3
UA DE CACHOEIRO 1
UA DE CAMPOS ALTOS 1 SIM
UA DE CONCEIÇÃO DO RIO VERDE 1 SIM
UA DE JUIZ DE FORA 1 SIM
Sudeste

UA DE MONTES CLAROS 3 SIM


UA DE PASSA QUATRO 1 SIM
MG UA DE PERDÕES 1 SIM
UA DE SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO 1 SIM
UA DE UBERABA 1 SIM
UA DE UBERLÂNDIA 6 SIM
UA DE VARGINHA 1 SIM
RJ UA DE LYRA TAVARES 2
UA DE BAURU 2
UA DE BERNADINO DE CAMPOS 1
SP UA DE CARAPICUÍBA 1
UA DE GARÇA 1
UA DE APUCARANA 1
UA DE CAMBÉ 1 SIM
PR UA DE PONTA GROSSA 7 SIM
Sul

UA DE ROLÂNDIA 1
RS UA DE CANOAS 1
UA DE HERVAL D'OESTE 3
SC UA DE SÃO JOSÉ 1 SIM

Quando analisamos o critério da capacidade estática dos armazéns convencionais,


especificamente para o caso da SUREG/BA, que possui apenas a UA de Itaberaba certificada, a
situação está mais longe do ideal, pois verificamos que esta UA representa apenas 6,16% da
registrada no Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras – SICARM ou 6,21% da
Capacidade Estática disponível, decorrente da redução de altura das pilhas devido à inexistência
dos sistemas de ancoragem para proteção dos trabalhadores que executam atividades a mais de
2 metros de altura (NR/MTE nº 35), como também pelo descarte dos espaços onde existem
goteiras provocadas pelos problemas existentes nos telhados dos armazéns. Veja:

Segundo a legislação, após vencer o prazo, as UAs não certificadas não poderão ser utilizadas
para o armazenamento remunerado de produtos agropecuários.

Em relação a quem pode ser o Responsável Técnico, para auxiliar a CONAB nessas questões a
DN 053/1994, informa que: “Art. 2º - A responsabilidade da operação de armazéns cabe ao
Engenheiro Agrônomo ou ao Engenheiro Agrícola”. Apesar da Norma Operacional da CONAB –
NOC 30.102 também relacionar os dois profissionais, informa que para a indicação dos
Responsáveis Técnicos de Agronomia - RTAs deverão ser observadas as determinações do
CREA.

Uma das determinações do CREA-BA, que está sob análise na Câmara Especializada de
Agronomia - CEAGRO, é a não autorização do Eng. Agrícola como emissor de receituário para
realizar atividade com objetivo de controlar todos os estágios de pragas de grãos através da
utilização de produtos químicos em locais fechados

Apesar da DN053/1994 dar iguais atribuições aos dois profissionais como RTs de UAs, existem
leis e normas que designam, entre esses dois profisionais, apenas os Eng. Agrônomos como
responsável por agrotóxicos, tal como o art. 11 do Decreto nº 6.033, de 06 de dezembro de 1996,
que regulamenta a Lei nº 6.455 de 25 de janeiro de 1993 sobre uso de agrotóxicos na Bahia:

Art. 11 - O profissional legalmente habilitado, na forma da lei, para prescrição do


receituário agronômico, é o engenheiro agrônomo ou florestal, nas respectivas
áreas de competência.

§ 1º - O receituário referido neste artigo será prescrito após a visita do profissional


ao local da eventual aplicação do produto e emitido em 5 (cinco) vias, sendo que a
1ª permanecerá em poder do estabelecimento comercial, a 2ª com o usuário, a 3ª
com o profissional que a prescreveu, a 4ª com o Conselho Regional Profissional e a
5ª com a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária.

§ 2º - A Receita deverá ser mantida à disposição dos órgãos fiscalizadores pelo


período de, no mínimo, 05 (cinco) anos, a contar da data de emissão.

§ 3º - O estabelecimento comercial deverá remeter até o 5º (quinto) dia útil do mês


subseqüente 1 (uma) via da receita ao Conselho Regional Profissional e a outra ao
Departamento de Defesa Agropecuária - DDA, da Secretaria da Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária.

§ 4º - A receita referida neste artigo deverá ser específica para cada item da
prescrição e conterá no mínimo:
I - nome e endereço completo do técnico responsável e número de registro no
Conselho Profissional;
II - nome do consulente, da propriedade e sua localização;
III - diagnóstico;
IV - recomendação técnica com as seguintes informações:
a) nome do produto comercial que deverá ser utilizado;
b) cultura e área onde será aplicado;
c) dosagens de aplicação e quantidades totais a serem adquiridas;
d) modalidades de aplicação, sendo que no caso de aplicação aérea devem ser
registradas as instruções específicas;
e) época de aplicação;
f) intervalo de segurança;
g) precauções de uso;
h) primeiros socorros nos casos de acidentes;
i) advertências relacionadas à proteção do meio-ambiente;
j) instruções sobre a disposição final dos resíduos e embalagens;
l) orientações quanto ao manejo integrado de pragas;
m) orientação quanto a utilização de equipamentos de proteção individual - EPI;
n) data, assinatura e carimbo do técnico, com indicação do nome, do registro do
Conselho Regional Profissional e do CPF.

§ 5º - Só poderão ser prescritos produtos com observância das recomendações de


uso aprovadas no registro federal e com cadastramento estadual.

Observando o conteúdo desse Decreto, a indicação do Eng. Agrícola para assumir a RT de uma
UA pode representar desvantagem econômica em relação a indicação do Engenheiro Agrônomo,
já que o primeiro sempre dependerá do segundo para emitir o receituário agronômico.

Se os Engenheiros Agrícolas tiverem formação adequada relacionada ao controle de pragas nas


UAs, caberá ao CREA analisar se tais legislações, que citam apenas o Eng. Agrônomo como
responsável por agrotóxicos em qualquer situação, podem ser consideradas reserva legal
qualificada, isto é, restrição ao direito fundamental somente admissível quando vinculada a certo
fim.

Desta forma, após o Analista do CREA-BA informar que o assunto deveria ser tratado na
CEAGRO, foi encaminhado consulta formal ao CREA-BA através do protocolo 31555/2019,
contendo os e-mails trocados com o Analista. O debate sobre o assunto iria ocorrer no CREA-BA
no dia 14/05/2019, no entanto, um conselheiro pediu para deixar para a próxima reunião, prevista
para ocorrer em 11/06/2019, não sendo possível apresentar a conclusão da CEAGRO nesse
estudo. De qualquer forma, segue o conteúdo do protocolo, que pode ser acessado através do
link:https://crea-ba.sitac.com.br/app/view/sight/externo?
form=Protocolo&numero=31555&ano=2019

Prezada Câmara Especializada de Agronomia

Quero, através desse e-mail, compartilhar um assunto relacionado aos empregados


da CONAB/BA vinculados ao sistema CONFEA/CREA/BA, que trabalham com
armazenagem de grãos, pois fui designado para fazer um estudo aprofundado e
gostaria de incluir a informação se tenho ou não atribuição para assinar receituário
agronômico para controle de pragas relacionadas ao armazenamento de grãos e
sementes.
O estudo é sobre a responsabilidade técnica e suas atividades correlatas dentro do
contexto de inovações tecnológicas que temos acesso nos dias de hoje,
esclarecendo, dentre outras questões, o papel do auxiliar do responsável técnico,
se há vedação para que o Gerente da Unidade e o Responsável Técnico sejam a
mesma pessoa, considerando que ambos devem zelar pelo patrimônio e pelos
produtos armazenados, e apontando sugestões factíveis que possam ajudar a dotar
todas as Unidades Armazenadoras (UAs) da Bahia de RTs, impondo o menor custo
possível à Companhia, balizado na legislação e nos normativos, apontando
soluções inovadoras, factíveis, de baixo custo e que promovam a modernização de
processos e métodos nas UAs.
Para tanto, primeiramente entrei em contato com o CREA/BA e perguntei de
quantas empresas o profissional pode ou não ser Responsável Técnico, tendo sido
encaminhada a seguinte resposta:
“Após consulta à câmara especializada segue resposta:
Pode ser até 3.
O da resolução 336 (RESOLUÇÃO Nº 336, DE 27 DE OUTUBRO DE 1989) diz
assim no parágrafo único.
Art. 18 - Um profissional pode ser responsável técnico por uma única pessoa
jurídica, além da sua firma individual, quando estas forem enquadradas por seu
objetivo social no artigo 59 da Lei nº 5.194/66 e caracterizadas nas classes A, B e C
do artigo 1º desta Resolução.
Parágrafo único - Em casos excepcionais, desde que haja compatibilização de
tempo e área de atuação, poderá ser permitido ao profissional, a critério do Plenário
do Conselho Regional, ser o responsável técnico por até 03 (três) pessoas
jurídicas, além da sua firma individual”
Posteriormente, questionei se esse número não poderia ser maior, pois o
entendimento do CREA/BA nem sempre coincide com o entendimento da
CONAB/BA, e recebi a seguinte resposta do Analista João Bosco Cavalcanti
Ramalho, que é Engº Agrônomo e de Segurança do Trabalho:
“O Objetivo do CREA não é dificultar. Se o gerente de uma Unidade de
beneficiamento ou armazém, for profissional Engenheiro Agrônomo ou Agrícola, ele
poderá então também ser o Responsável Técnico desta Unidade.
O que o CREA quer é que todos os armazéns tenham Responsável Técnico e que
não possuam distancias muito grandes , de forma tal que o profissional possa estar
presente pelo menos 15 hs semanais.
Salvador/Entre Rios e R. do Pombal é possível que seja um só;
Itaberaba/Irecê - Pode ser um só
No Oeste - Santa Maria e Barreiras- pode se um só.
O que não pode é Salvador e Barreiras ou Pombal e Sta. Maria....a menos que se
justifique como pretenderá atender e a Câmara entender que é possível. Ainda
assim o máximo são 03 Unidades com 01 Responsável Técnico.
Mais ou menos assim o arranjo , num raio de até 250 km aproximadamente, esse é
o entendimento da Câmara de Agronomia.
Espero ter esclarecido um pouco mais a situação.
Estou disposição para maiores esclarecimentos, se necessário.”
Agradeci as respostas e informei que, visando o interesse público, estava
estudando se algum empregado ou terceirizado designado como auxiliar do
responsável técnico poderia substituir o RT na execução de atividades, como, por
exemplo, de expurgo, já que o Eng. Agrônomo tem que se deslocar até a UA para
emitir a receita agronômica e passar orientações, gerando custos para empresa.
Informei que todo agroquímico adquirido pela empresa já vem com receita
agronômica pois quando se compra um agroquímico no mercado o RT da empresa
que vende emite a receita agronômica sem ir necessariamente ao local da
aplicação. Recebi a seguinte resposta:
“Aplicação de agroquímico não é atividade que possa ser terceirizada. O
Responsável Técnico para além de prescrever o agroquímico, precisa estar
presente acompanhando . Em um possível acidente ou envenenamento ele será
cobrado. O que pode é a empresa colocar Quadros Técnicos, que sejam do próprio
quadro da empresa. Se houver uma determinação do Responsável Técnico para se
fazer o expurgo, ele poderá prescrever e acompanhar, mas a empresa tem que dar
entrada no CREA com o pedido para inclusão deste como QUADRO TÉCNICO,
informando o local de atuação.”
Diante das respostas, escrevi novamente ao Analista do CREA-BA informando que
estamos tentando incluir as orientações do CREA/BA e mais o seguinte:
De 06/09/2016 até 29/05/2018 a UA de Irecê, que é uma Unidade Armazenadora
com 6 armazéns e a UA de Ribeira do Pombal, que possui 1 armazém, tiveram
como RTs os Engenheiros Agrícolas lotados na própria UA, com 40 horas
semanais, e nas demais UAs: Entre Rios, Itaberaba e Santa Maria da Vitória, com
apenas um armazém cada, os RTs eram Eng. Agrônomos lotados em Salvador, que
se deslocavam periodicamente para as UAs.
Por serem Engenheiros Agrícolas, os RTs de Irecê e Ribeira do Pombal foram
orientados a não emitirem as receitas agronômicas. Isso gerou um custo a mais
para CONAB pois os Eng. Agrônomos, lotados em Salvador, tiveram que se
deslocar para essas UAs para emitirem receitas agronômicas, além das receitas
que eles já faziam para as UAs que eram RTs, no entanto, a Decisão Normativa
053/1994 do CONFEA dá iguais condições aos Eng. Agrônomos e Agrícolas dentro
das UAs:
Conteúdo da DECISÃO NORMATIVA Nº 053, DE 09 NOV 1994 (...)
Diante disso, questiono: o Eng. Agrícola ou outro profissional do sistema
CONFEA/CREA que estiver lotado na UA e venha a ser designado como auxiliar do
RT, que ajuda/faz os tratamentos fitossanitários, sempre com os mesmos
agroquímicos e dosagens recomendadas em receitas agronômicas emitidas
durante a compra, não poderiam emitir receita agronômica, ou realizar essa
atividade mediante receita agronômica emitida pelo RT Engenheiro Agrônomo
daquela UA, mesmo que não esteja presente, ou ainda fazer o expurgo com base
na receita agronômica emitida durante a compra ou recomendações do fabricante e
órgãos registrantes e sanitário-ambientais?
Esclarecer esse ponto é fundamental, pois acredito que, visando diminuir custos de
manutenção dos Engenheiros Agrícolas nas UAs, em 29/05/2018, foi levado em
consideração o Art. 5º - O profissional poderá assumir Responsabilidade Técnica
por contratos de armazenamento de até três empresas, desde que não exceda
cinco unidades armazenadoras , e realizada alteração do Quadro Técnico, sendo
indicado como RT apenas o Eng. Agrônomo, devido a CONAB/SUREG-BA se tratar
de uma única empresa com cinco Unidades Armazenadoras na Bahia. Essa
mudança vai de encontro ao entendimento atual da Câmara de Agronomia, ou seja,
no máximo 03 Unidades com 01 Responsável Técnico, num raio de até 250 km
aproximadamente, mas, aparentemente ela está de acordo com a Decisão
Normativa 053/1994 do CONFEA.
Além disso, como o Eng. Agrônomo assume a responsabilidade sob o
procedimento que está sendo executado na UA, aparentemente a empresa não
descumpre nenhuma recomendação, já que a receita agronômica é como uma
"receita médica" que pode ser aplicada ao manejo integrado de pragas de grãos e
sementes armazenadas e, da mesma forma que o CRM exige que o usuário se
responsabilize por utilizar o remédio prescrito na "receita médica", que pode ser
fiscalizada mediante erro médico, existe a Lei nº 7.802/89 e o Decreto Federal
4.072/02 que traz a informação que o usuário se responsabiliza se não proceder de
acordo com a receita agronômica, estando, a meu ver, sob responsabilidade do
profissional a emissão de tal documento de acordo com as recomendações do
fabricante e órgãos registrantes e sanitário-ambientais. Veja a legislação:
Contéudo da alínea b, Art. 14 da Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989 (...)
Conteúdo do Decreto Federal 4.074/02 – arts. 82, 84 inc. VII; art. 85 inc. I (...)
Se a prescrição de tratamento fitossanitário dentro das UAs de Irecê e Ribeira do
Pombal pudesse ser feita pelo Eng. Agrícola, que, parece também ser um
profissional legalmente habilitado, ou ainda, se houvesse o entendimento que o
Eng. Agrícola, ou até mesmo outro profissional técnico do sistema CONFEA/CREA
que estiver lotado nas UAs e venha a ser designado como auxiliar do RT, pode
trabalhar seguindo as recomendação do RT, que se encontra em Salvador, ou
mesmo as recomendações da receita agronômica do próprio RT do distribuidor do
agroquímico ou do fabricante, seriam reduzidos os custos de deslocamento ou
manutenção de profissionais nas UAs.
Levando em consideração que eu preciso fazer um estudo aprofundado sobre o
assunto, balizado na legislação e nos normativos, incluindo até mesmo o
entendimento do CREA de outros estados, apontando soluções inovadoras,
factíveis, de baixo custo e que promovam a modernização de processos e métodos
nas UAs, conto com a ajuda do senhor com o máximo de informações que o CREA
possa fornecer para esclarecer os pontos levantados.
Recebi somente a seguinte resposta :
“O Engenheiro Agrícola, por força da natureza do currículo cursado na sua
graduação, não pode prescrever agroquímico. Ele não cursou as disciplinas de :
Entomologia Agrícola e Fitopatologia . Disciplinas que conferem o conhecimento
sobre pragas,doenças e seus controles.
O Engenheiro Agrícola pode ser Responsável Técnico pela armazenagem, mas
jamais pela atividade de expurgo.”
Diante da resposta que achei insuficiente, encaminhei novamente um novo e-mail
informando que..
Estou precisando de documentos que embasem o estudo que irei apresentar à
CONAB. Onde, por exemplo, está escrito que o nome das disciplinas feitas durante
a graduação para realizar expurgo devem ser esses que você escreveu. Eu, por
exemplo, não fiz disciplinas com esses nomes, mas fiz a disciplina "Secagem e
Armazenagem de Grãos" onde consta "Pragas de grãos armazenados e formas de
controle", onde aprendi exatamente sobre as pragas com as quais trabalho hoje. Se
você quiser verificar, basta ir na página 205 (695 do catálogo de graduação) que se
encontra no ementário do link http://www.dea.ufv.br/?page_id=487
Preciso me basear no que está escrito nas normas e leis, justamente para que o
estudo fique fundamentado, por isso, não precisa ter pressa para me ajudar, já que
tenho mais ou menos 30 dias para elaborá-lo. Conforme você deve ter observado
nos e-mails anteriores, o estudo não é especificamente sobre o que o Eng. Agrícola
pode ou não assinar, mas sobre a responsabilidade técnica e suas atividades
correlatas dentro do contexto de inovações tecnológicas que temos acesso nos dias
de hoje, esclarecendo dentre outras questões o papel do auxiliar do responsável
técnico, esclarecendo se há vedação para que o Gerente da Unidade e o
Responsável Técnico sejam a mesma pessoa considerando que ambos devem
zelar pelo patrimônio e pelos produtos armazenados e apontando sugestões
factíveis que possam ajudar a dotar todas as UAs da Bahia de RTs impondo o
menor custo possível à Companhia.
Por fim, recebi a seguinte resposta:
“Não existe nada em nenhum lugar proibindo que o gerente não possa ser o
mesmo Responsável Técnico, desde que o Gerente seja uma profissional com
atribuição para exercer essa atividade.
Quanto ao seu currículo, este pode ser diferenciado, UFV, caso queira pode entrar
com pedido de análise à Câmara para ampliar suas atribuições, mas nos casos
normais, os agrícolas não possuem as disciplinas e ou as carga horárias suficientes
para controle de pragas e doenças.
Por força de um Mandado de Segurança, desde que o Engenheiro Agrônomo
prescreva, o Técnico em Agropecuária poderá executar o expurgo. Talvez essa seja
uma solução provisória, caso possuam esse profissional nos quadros da empresa.
Desde que eles sejam incluídos como Quadro Técnico .
Quanto às legislações, estas são as mesmas que conferem as atribuições aos
profissionais:
Engº Agrônomo - Art 5º da Resolução 0218/73 do CONFEA + Decreto
23.196/1933 .
Engº Agrícola -RESOLUÇÃO Nº 256, DE 27 DE MAIO DE 1978 do CONFEA -
Discrimina as atividades profissionais do Engenheiro Agrícola.
No mais as dúvidas de possíveis sombreamentos são dirimidas pelas Câmaras, em
nosso caso a CEAGRO- Câmara Especializada de Agronomia, a qual os agrícolas
fazem parte e que possuem também um representante da modalidade.”
Posteriormente o Analista João Bosco informou que:
"Toda correspondência hoje pode ser feita protocolando no SITAC um
questionamento, uma dúvida, e pedir que seja encaminhado às Câmaras.
Medidas judiciais devem ser feitas via justiça federal.
Na Câmara de agronomia atualmente existe conselheiro Engenheiro agrícola".
Atualmente somos 12 engenheiros, engenheiras, técnicos e técnicas vinculados ao
sistema CONFEA/CREA-BA que trabalham na CONAB-BA e preciso de mais
esclarecimentos sobre os assuntos abordados, incluindo a possibilidade do Eng.
Agrícola e Ambiental, formado na UFV, assinar o receituário agronômico sendo ou
não RT da UA, para que esses profissionais sejam distribuídos da melhor forma
possível pelas 5 UAs existentes na Bahia.
Cabe ressaltar que a CONAB inscreveu os Eng. Agricolas como RT no CREA-BA em 20/10/2015,
apesar da portaria dando essa atribuição dentro da empresa ter saído em 06/09/2016, da mesma
forma, a ART foi baixada pela empresa com a data do protocolo 112144/2017, de 29/11/2017, mas
a portaria revogando a anterior só saiu em 29/05/2018. Se a posição do CREA-BA para que Eng.
Agrícolas não possam se responsabilizar por expurgos teve influência na baixa da ART e a mesma
puder ser revista, a SUREG/BA terá como opção incluir os Eng. Agrícolas novamente como RTs
Diante do critério de regionalização do RT nas UAs a ser adotado pelo CREA-BA, a CONAB terá
também a possibilidade de continuar com o mesmo RT para até cinco UAs, conforme estabelece
DN053/1994, ou terá que reduzir a quantidades de UAs a cargo de um RT, sendo prefrência da
CONAB, segundo NOC 30.102, que o RT esteja lotado na própria UA.

No mesmo documento, a CONAB informa que para otimizar as atividades na UA faz-se


necessário também os auxiliares do responsável técnico, conforme se observa no item IV, sobre
Organização da Atividade de RTs nas UAs:

• preferencialmente, lotar os empregados pertencentes ao espaço ocupacional/função


Assistente de Operações/Técnico Agrícola, nas Unidades Armazenadoras;
• a indicação e designação dos empregados pertencentes ao espaço ocupacional/função
Assistente de Operações/Técnico Agrícola, formados nos Cursos de Técnico Agrícola ou
de Técnico Agropecuário, lotados nas Unidades Armazenadoras, como Auxiliar de
Responsabilidade Técnica (AT). Função cuja atribuição é auxiliar o RTA nas suas
atividades, através do exercício das competências exclusivas ao espaço
ocupacional/função Assistente de Operações/Técnico Agrícola, com designação realizada
da mesma forma que a designação do RTA.

Sendo um ponto interessante nessa organização que, se os Eng. Agrícolas não puderem emitir o
receituário, o técnico de 2º grau pode ser considerado profissional habilitado, respeitados os limites
de sua formação, para:
" XIX - selecionar e aplicar métodos de erradicação e controle de vetores e pragas,
doenças e plantas daninhas, responsabilizando-se pela emissão de receitas de
produtos agrotóxicos (art. 6° do Decreto 90.922/85, incluído pelo Decreto nº 4.560,
de 30.12.2002)"
Na UA Ribeira do Pombal está lotado o Assistente de Operações Raildo Felisberto Santos,
formado em Técnico em Agropecuária em 1998 na Escola Média Agropecuária Regional –
Emarc/CEPLAC, que pode desempenhar essa função após atender ao que estiver no programa
permanente de capacitação e reciclagem técnica, a ser elaborado de acordo com item V da NOC
30.102 que se refere a qualificação de mão de obra. Esse funcionário com cargo ATO III, na
função Assistente de Operações, no espaço ocupacional Assistente de Operações, não foi
relacionado como alguém que pode auxiliar nas operações de expurgo na CI GEOPE 026, de
26/01/18, mas tem como uma das principais atribuições: acompanhar as operações de expurgo e
tratamento fitossanitário dos produtos, bem como as operações de beneficiamento, recepção e
expedição de grãos nas Unidades Armazenadoras. Isso pode mudar principalmente depois que o
mesmo receber capacitação, assim, substituirá o outro funcionário com cargo ASG II, na função
Ajudante Geral, no espaço ocupacional Auxiliar de Serviços Gerais, que está auxiliando nos
expurgos, no entanto, não tem como principal atribuição essa atividade.

Dependendo das observações que o CREA-BA fizer, a CONAB poderá ter uma Anotação de
Responsabilidade Técnica – ART, que é o instrumento que define, para os efeitos legais, os
responsáveis técnicos pela execução de obras ou prestação de serviços relativos às profissões
abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, para o RT geral e também ARTs de equipe. A
RESOLUÇÃO CONFEA Nº 1.025, DE 30 DE OUTUBRO DE 2009, informa que:

Art. 11. Quanto à participação técnica, a ART de obra ou serviço pode ser
classificada da seguinte forma:

I – ART individual, que indica que a atividade, objeto do contrato, é desenvolvida


por um único profissional;

II – ART de coautoria, que indica que uma atividade técnica caracterizada como
intelectual, objeto de contrato único, é desenvolvida em conjunto por mais de um
profissional de mesma competência;

III – ART de corresponsabilidade, que indica que uma atividade técnica


caracterizada como executiva, objeto de contrato único, é desenvolvida em
conjunto por mais de um profissional de mesma competência; e

IV – ART de equipe, que indica que diversas atividades complementares, objetos de


contrato único, são desenvolvidas em conjunto por mais de um profissional com
competências diferenciadas.

O monitoramento ficará a cargo de quem estiver lotado nas UAs, mesmo porque, qualquer RT se
utiliza de dados de outros, quando assume que treinou o colega. No código de ética dos
profissionais do sistema CONFEA/CREA é informado o seguinte no campo relacionado a eficácia
profissional:

A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e competente dos


compromissos profissionais, munindo-se de técnicas adequadas, assegurando os
resultados propostos e a qualidade satisfatória nos serviços e produtos e
observando a segurança nos seus procedimentos;

Além disso, são deveres do profisional, ante a profissão: desempenhar sua profissão ou função
nos limites de suas atribuições e de sua capacidade pessoal de realização. É vedado ao mesmo:
aceitar trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa para os quais não tenha efetiva qualificação.
Desta forma, o colega que estiver na UA tem que ser treinado e se sentir capaz de desempenhar
sua função, pois sem esse treinamento ele estará em conduta vedada.

Em relação ao questionamento se há vedação para que o RT seja o mesmo gerente, a NOC


30.102 informa que o RT, preferencialmente, não deve ocupar função de chefia. Mesmo que o
Analista do CREA-BA tenha escrito que “não existe nada em nenhum lugar proibindo”, deve-se
buscar que o RT detenha o conhecimento da técnica e o gerente administre os negócios, bens e
serviços, pois, mesmo que o primeiro também saiba planejar, controlar a execução do trabalho de
seus subordinados no dia-a-dia, comandar e organizar o grupo, há que se considerar o Manual do
Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal (2001, p. 67-68), que informa que a
aplicação da segregação de funções a estrutura das unidades/entidades deve prever a separação
entre as funções de autorização/aprovação de operações, execução, controle e contabilização, de
tal forma que nenhuma pessoa detenha competências e atribuições em desacordo com este
princípio.

Fernando Junior Magalhães Carneiro


Engenheiro Agrícola e Ambiental - UFV