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Como corrigir desalinhamento de correia transportadora com o uso da topografia.

Critérios e tolerâncias
 Publicado em 3 de fevereiro de 2019

Willian Castro

Willian Castro

O objetivo deste artigo é demonstrar através de alguns critérios como o levantamento


topográfico pode ajudar na correção dos desalinhamentos de correia transportadora
provocados por desvios estruturais tais
como desnivelamento, desalinhamento e falta de esquadrejamento, sendo estes os
tipos de desalinhamento mais comuns de acontecer no manuseio de materiais a granel.
Desvios estruturais em transportador de correia podem estar presentes principalmente
em roletes, tambores e decks (viga parte estrutural do transportador de suporte dos
roletes).

Ressalta-se que este artigo não tem o propósito de descrever um procedimento de como
fazer a topografia em si, com detalhes de medições, uso de equipamentos e demais
expertise da atividade, mas mostrar os tipos de desalinhamentos que podem ser
corrigidos com o uso desta técnica bem como os critérios e as tolerâncias admissíveis
baseados em referências técnicas.

Como foi demonstrado no artigo “Desalinhamento de correia transportadora.


Porque acontece e como corrigir”, disponível
em: https://www.linkedin.com/pulse/desalinhamento-de-correia-transportadora-porque-
acontece-castro/ o desalinhamento de correia transportadora pode ser provocado por
diversos fatores sendo os principais:

Desvios estruturais: Estrutura do transportador, roletes e tambores, sistema de


esticamento;

Fatores ambientes: Fortes ventos, chuvas, incidência de sol;

Correia transportadora: Fabricação, manuseio e armazenamento e instalação;

Alimentação: Chute de transferência.

O foco deste artigo são os desvios estruturais, que representam fonte potencial de
desalinhamento em correia transportadora e mesmo com o transportador sendo instalado
corretamente, durante a operação diária podem surgir defeitos nas estruturas. Estes
defeitos acontecem devido a empenos nos decks provocados por colisão com máquinas
móveis e/ou máquinas de pátio, alterações da topografia devido à sedimentação do
terreno, empeno de roletes e/ou outros componentes do transportador durante a
substituição da correia transportadora em especifico durante sua passagem na estrutura,
acidentes tais como quebra de tambores, rasgos de correia e etc, além da própria
tentativa de corrigir desalinhamento sem uma técnica e critérios adequados através do
desajuste de roletes e tambores feitos no "sentimento" do mantenedor.
A topografia industrial é uma técnica que frequentemente é utilizada pelo setor de
manutenção para auxiliar em correções estruturais e pode ser definida como o estudo e
aplicação dos processos de medidas, baseado na geometria aplicada, onde os elementos
geométricos (ângulos e distâncias) são obtidos através de instrumentos topográficos,
que visa informar se o projeto está em delineação correta, sem nenhum ponto fora do
padrão fazendo isso por meio medições. Isso é possível com o uso de alguns
instrumentos específicos para as medições topográficas, sendo os principais: teodolito,
nível topográfico, estação total e mira.

1. Teodolito - Equipamento onde se faz leituras angulares verticais e horizontais


com precisão.

2. Nível topográfico ou nível ótico – equipamento instalado entre pontos a nivelar


e usado para a leitura de alturas sobre uma mira posicionada verticalmente sobre
os pontos.

3. Estação total – instrumento eletrônico que faz leituras angulares e de distâncias


e as armazena internamente.

4. Mira – régua graduada usada em nivelamento geométrico e que deve ser


posicionada verticalmente sobre o ponto visado para leitura da altura entre o
chão e o plano horizontal formado pela visada de nível ótico.
Por conceito básico de projeto é necessário que os componentes como roletes e
tambores devem estar esquadrejados em 90º graus com a linha de centro do
transportador, ou seja, o eixo longitudinal destes componentes deve estar
perpendicularmente ao eixo central do transportador, além de também estarem no
mesmo nível e alinhados linha de centro do componente com linha de centro do
transportador. Desvios neste sentido podem provocar sérios desalinhamentos em correia
transportadora devido as condições que levam a este evento, ou seja, a correia fará o
movimento para o lado que tiver mais fricção ou o lado que alcançar a fricção primeiro.
Quando um lado da correia encontra a fricção, ela se move mais lentamente, portanto, o
outro lado da correia vai se movimentar mais rapidamente, sendo assim, ocorre um
desiquilíbrio de forças que conduz a correia ao lado de movimento mais lento.

Antes de seguir para os critérios de topografia em transportador de correia, é preciso


entender os conceitos das fontes dos desvios estruturais
Esquadrejamento: Colocar determinado objeto dentro de um esquadro formando um
ângulo de 90° (ângulo reto).

Desnivelamento: Diferença de altitudes entre duas superfícies.

Desalinhamento: Alteração da linearidade, desvio da posição do objeto.

Critérios de verificação e tolerâncias para os componentes do transportador de


correia: roletes de carga, tambores e decks.

As tolerâncias abaixo são referentes ao manual da CEMA (Conveyor Equipment


Manufacturers Association) principal referência na área de transportadores de correia.

A seguir serão mostrados os exemplos conforme citado na tabela acima de


desalinhamento de correia transportadora provocado por desvios estruturais.

Desalinhamento de roletes

A CEMA recomenda corrigir quando o desalinhamento dos roletes for superior a +/-
1/8” ou 3,2 mm. Na imagem abaixo é possível ver o deslocamento axial do rolete em
relação ao eixo central do transportador.
Desnivelamento de roletes

A CEMA recomenda corrigir quando o desnivelamento entre os roletes for superior a


+/- 1/8” ou 3,2 mm.
Esquadrejamento de roletes

A CEMA recomenda corrigir quando o desvio no esquadrejamento dos roletes pelas


diagonais A e B forem superiores a +/- 1/8” ou 3,2 mm. Na imagem abaixo é possível
ver a falta de esquadro do rolete, ou seja, não está perpendicular com o ângulo de 90°
graus com o eixo central do transportador.
Alinhamento de decks

A CEMA recomenda corrigir quando a diferença das cotas A e B dos decks for superior
a +/- 1/8” ou 3,2 mm.

Desnivelamento de decks

A CEMA recomenda corrigir quando a diferença de nível dos decks for superior a +/-
1/8” ou 3,2 mm.
Para tambores, a CEMA define as tolerâncias menores em relação aos roletes e decks.
Outra particularidade destes componentes além do desalinhamento, desnivelamento e
desvio no esquadro, é que o revestimento do tambor quando está danificado seja por
borracha ou cerâmica, pode provocar uma superfície irregular e como consequência
desalinhar a correia transportadora.

Desnivelamento de tambores
A CEMA recomenda corrigir quando o desnivelamento entre os níveis dos mancais do
tambor for superior a +/- 1/32” ou 0,79 mm.
Esquadrejamento de tambores
A CEMA recomenda corrigir quando o desvio no esquadrejamento com o ângulo de 90°
for superior a +/- 1/32” ou 0,79 mm.
O sistema de esticamento também são fontes de desalinhamento em correia
transportadora, quando estes possuem desvios estruturais. Apesar da literatura não
informar as tolerâncias admissíveis, recomenda-se utilizar como referência as
tolerâncias informadas para os roletes e decks. Abaixo, segue alguns critérios para
topografia neste componente.

Alinhamento

 Garantir que a linha de centro entre trilhos de translação do


carro ou guias do contrapeso coincidam com o eixo central do
transportador

 Garantir que a linha de centro transversal do carro de


esticamento ou estrutura do tambor de esticamento coincidam
com o eixo central do transportador

 Garantir verticalidade das guias de contra peso.

Esquadrejamento

 Garantir que a linha de centro transversal do carro de


esticamento ou estrutura do tambor de esticamento esteja
perpendicular ao eixo central do transportador ao longo de todo
curso de translação.

Nivelamento

 Garantir nivelamento do carro de esticamento ao longo de todo


o seu curso de translação.

Problemas resolvidos por topografia


Alguns problemas apresentados em transportadores de correia podem ser resolvidos
com o uso da topografia conforme tabela.
Conclusão
Foi mostrado neste artigo os critérios, tolerâncias baseadas no manual da CEMA e
alguns modos de falhas de desalinhamento em correia transportadora que podem ser
solucionados por topografia. A topografia é uma importante técnica que pode auxiliar a
manutenção quando medidas mais precisas são necessárias, porém ressalta-se que não é
uma técnica simples e de baixo custo para ser aplicada, pois requer equipamentos
específicos, procedimentos consistentes e mão de obra qualificada para fazer um serviço
de qualidade.

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Desalinhamento de correia
transportadora. Porque acontece e como
corrigir
 Publicado em 8 de dezembro de 2018

Willian Castro

Willian Castro
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Engenheiro de Manutenção na Mineração Riodo Norte | Membro do grupo de est... See more
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O desalinhamento de correia transportadora é um dos maiores problemas na operação de


manuseio de material a granel do sistema do transportador, chegando a representar alto
número de horas improdutivas do equipamento e consequentemente perda de produção,
além de provocar danos nas bordas da correia transportadora reduzindo sua vida útil,
danos na estrutura do transportador e derramamento de material ocasionando sujeira nas
instalações industriais, elevando os custos com limpeza.
Por definição, o desalinhamento é a alteração na linearidade da correia transportadora
em seu leito, devido a problemas de projeto, manutenção e/ou montagem dos
transportadores de correia, causando perda do material transportado, desgaste de
componentes e da correia transportadora.
Em uma situação ideal, uma correia transportadora deve estar em boas condições e com
a carga alinhada no centro, e uma estrutura de transporte deve ser bem projetada e bem
preservada. Sob estas condições, a correia transportadora não iria desviar e
permaneceria em perfeito alinhamento.
A Martin Engineering aborda e explica de um modo muito interessante como o
desalinhamento da correia transportadora acontece através de sua publicação
“FOUNDATIONS”. De acordo com a publicação, a regra fundamental de regulagem da
correia transportadora é: a correia fará o movimento para o lado que tiver mais fricção
ou o lado que alcançar a fricção primeiro. Quando um lado da correia encontra a
fricção, ela se move mais lentamente, portanto, o outro lado da correia vai se
movimentar mais rapidamente, sendo assim, ocorre um desiquilíbrio de forças que
conduz a correia ao lado de movimento mais lento. A figura abaixo exemplifica o
conceito do desalinhamento colocado pela Martin Engineering.
Outra regra também de acordo com o Foundations, é que o alinhamento de correia em
qualquer ponto dado é mais afetado pelos condutores e por outros componentes
anteriores, sejam eles rolos e/ou tambores por onde a correia já passou do que pelos
componentes posteriores, ou seja, os lugares onde a correia ainda não passou. Isto
significa que, em qualquer ponto de onde o desalinhamento seja visível, a causa esta em
um ponto por onde a correia já passou. Consequentemente as medidas corretivas devem
ser aplicadas a uma certa distância, antes do ponto onde a correia mostra
desalinhamento visível conforme figura abaixo.

Principais causas para o desalinhamento


O desalinhamento de uma correia transportadora pode ser causado por uma série de
problemas, dentre eles o desalinhamento e/ou desnivelamento dos componentes do
transportador, carregamento do material através do chute de alimentação fora do centro
da correia, acumulo de material fugitivo nos componentes de rolagem, emenda de
correia malfeita (fora de esquadro), fortes ventos, danos estruturais, subsidência do solo
e muitos outros. A tabela abaixo identifica os principais tipos de desalinhamento bem
como suas causas e ações para correção.
Testando a correia transportadora

Conseguir alinhar uma correia transportadora no centro da estrutura de transporte é um processo


de ajuste dos seus componentes e condições de carregamentos para corrigir qualquer tendência
da correia transportadora fugir do trajeto previsto. O ideal para se conseguir identificar as
irregularidades dos componentes do transportador de forma mais precisa e detalhada é através
da topografia, porém dificilmente na hora de corrigir um desalinhamento, a equipe de
manutenção terá pessoas capacitadas e equipamentos disponíveis para fazer a leitura
topográfica, sendo assim, será descrito algumas técnicas para correção do desalinhamento com
inspeção e ajustes de roletes.

1. A inspeção deve iniciar no primeiro rolete logo após a área de maior tensão do
transportador que normalmente é onde a correia deixa o tambor de acionamento. É
recomendável fazer os ajustes dos componentes em áreas de baixa tensão, pois possuem maior
impacto na correção do trajeto da correia, sendo assim, uma boa prática é começar do tambor de
acionamento para o tambor de cauda (área de menor tensão), localizando o ponto máximo do
desalinhamento e ajustando o quarto, quinto ou sexto rolete um por vez pela parte de retorno
anterior a este ponto. Avaliar se houve melhora antes de fazer novo ajuste.
2. Para evitar potenciais riscos, alinhe a correia transportadora quando estiver vazia. Após a
conclusão do alinhamento, movimente a correia com uma carga completa e verifique o
alinhamento por dois ou três ciclos completos antes de realizar outros ajustes.

3. É importante certificar-se de que o peso do contrapeso esta em nível adequado conforme o


projeto e se esta aplicando a tensão corretamente na correia. Se a correia estiver tensionada
inadequadamente pelo contrapeso, é provável que haja diversas variações no trajeto.

4. Caso o ajuste dos roletes não corrigirem o desalinhamento, deverão ser avaliadas outras
causas tais como: carregamento fora do centro da correia, estruturas desniveladas e/ou
desalinhadas, emenda fora do esquadro, curvatura excessiva da correia provocada por falha na
fabricação ou armazenamento e etc.

Técnicas para ajuste de correia

Recomendável

 Alterar a posição do quarto, quinto ou sexto rolete com pequenos ajustes no ponto
anterior ao ponto máximo do desalinhamento para o lado que se quiser direcionar a
correia transportadora, tendo em vista o seguinte principio: a correia transportadora
sempre se moverá para a parte do rolo que a toque primeiro, lado de maior fricção.
 Outra alternativa para alinhar a correia transportadora é inclinar os roletes de carga
levemente em até 2° na direção do trajeto da correia. A fricção da correia nos roletes
inclinados gera uma força central que é direcionada para a linha central da correia. Este
método pode ser feito inserindo arruelas de metal niveladas nos roletes no lado oposto a
direção de trajeto da correia.

Observação: Este método pode aumentar a tensão efetiva da correia transportadora e


consequentemente aumentar a potência requerida do sistema de acionamento. Recomendável
utilizar somente em último caso.

Não recomendável

 Alinhar a correia transportadora conforme se aproxima do tambor de cauda com ajuste


dos roletes para movimenta-la em direções opostas.

 Nivelar os roletes de forma que as pontas destes roletes fiquem opostos próximos ao
tambor de cauda. Em teoria, esta desregulagem em direções opostas produz forças
concorrentes que operam para centralizar a correia, incorporando instabilidade
(vibrações) para o sistema, quando a meta de operação ideal é justamente a
estabilidade.

Finalizando
No mundo real, correias transportadoras desalinham, porém permitir um desalinhamento
crônico pode trazer consequências tais como danos pessoais, escape de material fugitivo e danos
para a estrutura do transportador e para a correia. Alinhar uma correia transportadora não é uma
tarefa simples e requer conhecimento e capacidade técnica da equipe de manutenção para
correção deste problema relevante para operação de manuseio de material a granel.

Para sequencia deste importante assunto, estarei postando vídeos autoexplicativos com os
principais tipos de desalinhamento e suas causas e correções.

Referências

FOUNDATIONS. Guia prático para um controle mais limpo, seguro e produtivo de pó e


material a granel. 4. Ed. Neponset, IIIinois, U.S.A

Vejam também outros artigos relacionados com correia transportadora, disponível


em: https://www.linkedin.com/in/willian-castro-87502633/detail/recent-activity/posts/

1. Como estimar o final de vida útil de uma correia transportadora por regressão linear.

2. Como determinar a curva de confiabilidade x risco de uma correia transportadora.

3. Como localizar o ciclo de vida de uma correia transportadora na curva da banheira.


Uma análise de confiabilidade.

4. Ensaios de abrasividade de bauxita simulando transporte por correia.

5. Aumento da vida útil de correia transportadora com aplicação de carcaça com fibra de
aramida.

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