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2018-1

Introdução ao Direito do Trabalho:


Prof.: ADV. Lázaro P. Dourado

Trabalho humano:
Introdução:
1. Apresentação: Plano e professor
2. Disciplina Direito do Trabalho e Previdenciário
3. Material: Livros de Direito do Trabalho: Sérgio Pinto; Constituição e CLT (www.planalto.gov.br)
4. Aprendendo a ler escrever: artigo, inciso, parágrafo, alínea...
5. Atividades:
5.1. A 7ª Constituição brasileira é de que ano?
5.2. O que é CLT?
5.3. Segundo a lei, quem é o empregador?
5.4. Segundo a lei, quem é o empregado?
5.5. Quais as formas do contrato de trabalho de acordo com o artigo 442 da lei 5.452?

6. Histórico
(Sérgio Pinto 1-26)
Histórico do Direito do Trabalho
O TRABALHO: inicialmente considerado, na Bíblia, como castigo.
A palavra Trabalho vem do latim Tripalium, instrumento de três paus que servia para torturar.

Na Grécia antiga o trabalhado tinha o sentido pejorativo. Compreendia apenas a força física. O escravo fazia
o trabalho duro, o trabalho não tinha o significado de realização pessoal.
Na Roma antiga, o escravo era considerado coisa. O trabalho era visto como desonroso.
Na Revolução Industrial, o paradigma foi alterado para o Sistema Capitalista:
- será preciso mudar a ideia de castigo para prazer: paradigmas ideológicos

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Na Idade Média: 18 horas de trabalho no verão e com a invenção do lampião a gás, 1792 (William
Murdock), o trabalho passou a ser de 12 a 14 horas por dia.
Introdução
Trabalho Produtivo – Intelectual
- Manual
A atividade necessária ao homem para obter os meios suficientes a sua subsistência, chamamos de
trabalho produtivo nele abrangido tanto trabalho intelectual quanto o trabalho manual, cada qual com as suas
características e tendências distintas. Ao direito do trabalho interessa basicamente o trabalho produtivo no sentido
acima referido.
A figura a ser regida é o Trabalho Produtivo e não filantrópico.
Relações privadas de trabalho e não necessariamente pública, pode tutelar se o sistema público abrir mão e
tudo for julgado pela CLT (exceção).

Fases de evolução do Trabalho humano – Parte histórica

1. Escravidão: mundo antigo – principal fonte: mão de obra - trabalha até a morte.
2. Servidão: sistema de colonato – trabalho em troca de proteção e terra. Inicia-se em Roma em forma de colonato.
Grande latifundiário oferece amparo: pedaço de terra em troca de proteção e trabalho até a morte. Este sistema vai
até o feudalismo.
3. Trabalho Remunerado: final do feudalismo

1) Escravidão: Instituição amplamente difundida no mundo antigo, era a principal fonte de mão de obra, não havi a
troca, apenas escravidão.
2) Servidão: A mudança nas relações do trabalho, no empobrecimento das cidades, conduziram a plebe urbana ao
campo, em busca de sobrevivência.
O governo Romano institui o colonato, com o objetivo de evitar a desorganização da produção agrária,
determinando que os colonos seriam obrigados a permanecer até a morte nas grandes propriedades rurais, em
troca proteção latifundiária, iniciou-se assim o regime da Servidão.

3) Idade Média
Sistema agrícola feudal
Corporações de ofício: (Mestres, companheiros e aprendizes, mão de obra artesanal).

4) Transição para o Capitalismo


- Servo Arrendatário
- Peste Negra – determina a escassez da mão de obra.
- Extinção do Feudalismo
- Corporações de ofício – entram em declínio.

O Processo de Transição da agricultura Feudal para o capitalismo desenvolveu-se do Séc. XIII ao séc. XIX,
embora o feudalismo estivesse no seu apogeu como sistema político. Muitas instituições capitalistas iam surgindo e
se desenvolvendo com o uso do dinheiro, a substituição de prestações pessoais dos Servos no uso da terra, por
pagamento em moeda, comércio e manufatura.

A Revolução Industrial
Mão de obra – antigos artesões – (que não podiam concorrer com a máquina e estavam morrendo de
fome).
Fatores básicos que conturbavam o início da fase da revolução industrial:
- camponeses oriundos do campo por força dos “cercamentos” desapropriatórios.
- trabalhadores irlandeses que em face do empobrecimento geral em seu país, procuravam trabalho na
Inglaterra.
- aumento da população durante essa época.

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Obs.: A Revolução Industrial requeria uma força que fosse capaz de se adaptar à disciplina da máquina. Homens,
mulheres e crianças, deveriam trabalhar muitas horas nas fábricas, mas não havia como obriga-los, considerando
que, extintos os regimes de escravidão e servidão.

Marca da transição do regime de Feudalismo para o capitalismo.

Consequências da Industrialização:
a) exploração de crianças
b) jornada desumanas
c) baixo salários/ condições precárias de vida
d) fábricas insalubres
e) acidentes de trabalho.

Surgem movimentos operários: propunham uma ordem social mais justa, com alteração do modo de
produção e melhoria das condições de vida dos trabalhadores:
a) Revolução Operária francesa (1848) pelo manifesto comunista de Karl Marx.
b) Surgem várias ideologias socialistas
. Socialismo utópico
. Socialismo cristão
. Socialismo de Estado
. Socialismo científico.
Obs.: muitos desses direitos já eram reconhecidos, porém não levados a sério por empregadores.
Após a 1ª Guerra Mundial e posterior à Declaração Universal dos Direitos do Homem, mais ou menos em
1948, é que as entidades sindicais passaram a ter o efetivo reconhecimento como representantes dos dire itos dos
trabalhadores.

A Revolução Industrial é o grande momento para a área do direito. Começam a surgir as:
- primeiras leis
- Institutos trabalhistas.

Surge para suprir a Industrialização desgovernada, o importante era o lucro usando crianças, mulheres,
lugares insalubres, acidentes... isso forçará alguém a pisar no freio: os sindicatos.
As primeiras leis foram classificadas em:
Quanto a Forma: - ordinárias (comum e esparsa – solta)
- constitucionais
Quanto a Finalidade: - Menor
- Mulher
- Gerais (tutelar a relação de emprego).

Constitucionalismo Social: é o movimento de se colocar as normas sociais na constituição:


- México (1917) - “marco” – a 1ª constituição do mundo que dispõe em seu artigo 123 a jornada diári a de 8
horas e a jornada máxima noturna de 7 horas, a proibição de menores de 12 anos, a limitação da jornada de
trabalho do menor de 16 anos para 6 horas, o descanso semanal remunerado, o direito a sindicalização e a greve , a
conciliação e arbitragem dos conflitos, indenização motivada por dispensa.
- Alemanha (Weimar) (1919): cria o direito unitário do trabalho ( o que era esparso e ordinário passa a
constar na Constituição) unificado.
A Constituição de Weimar representa o auge da crise do Estado Liberal do século XVIII e a ascensão
do Estado Social do século XX. Foi o marco do movimento constitucionalista que consagrou direitos sociais, de
segunda geração/dimensão (relativos às relações de produção e de trabalho, à educação, à cultura, à previdência) e
reorganizou o Estado em função da Sociedade e não mais do indivíduo.
- França – (1914) proíbe o trabalho dos menores de 8 anos.
- Carta Del Lavoro – (1886) Proteção do trabalho da mulher e do menor; (carta do trabalho) 1927 – Itália:
Foi a fase dos sistemas políticos corporativistas, não só na Itália mas também Espanha, Portugal e Brasil, tendo
como princípio a intervenção do Estado na Ordem econômica, o controle do direito coletivo do trabalho, e em

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contra partida a concessão de direitos aos trabalhadores. (o Estado coordena todo o sistema de leis trabal hi stas e
detinha as rédeas do jogo).

- Brasil (1934): - mas as primeiras leis ordinárias – surgem em fins de 1800 e começo de 1900 – esparsas e
ordinárias e tratavam dos temas:
- Menor (1891)
- Organização sindicatos Rurais (1903)
- organização sindicatos urbanos (1907)
- Férias (1925)
- Ministério do Trabalho (criação) Indústria e comércio (1930).
- Relações de trabalho de cada profissão (1930)
- Trabalho das mulheres (1932)
- Estrutura sindical (1931)
- Convenção coletiva de Trabalho (1932) – grande marco, necessidades específicas de cada profissão).
- Justiça do trabalho (1939).
- Salário mínimo (1936).
- Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (1943) 1ª lei geral que vem unificar as já existentes leis
trabalhistas.
- CF/88 – trouxe grandes mudanças e avanços nas leis do trabalho.

No Brasil vários ensaios, mas a constituição de 1988 sela um marco usando o constitucionalismo social
passando a tutelar o direito do trabalhador.
Obs.: CCT (Convenção coletiva do Trabalho)
ACT (acordo coletivo do Trabalho) são fontes e leis que emanam das partes: fontes secundárias.

Exercício:
1) Explique porque a Revolução Industrial foi tão importante para o Direito do Trabalho.
2) Qual a preocupação do legislador nos primeiros institutos trabalhistas?
3) O trabalho caritativo, exercido a título gratuito, caracteriza relação de emprego?
4) O que significa CLT? Justifique
5) (OAB ES 2004) Considerando as fontes do direito do trabalho, assinale a opção incorreta.
A) Sob a perspectiva econômica, a Revolução Industrial ocorrida no século XVIII — e suas consequências na
estruturação e disseminação do sistema capitalista — constituiu a fonte material básica do direito do trabalho.
B) Sob a ótica sociológica, o processo de agregação de trabalhadores em empresas, cidades e regiões do mundo
ocidental, favorecendo o surgimento de uma consciência social coletiva de índole reivindicatória, como re sul tado
da expansão do sistema econômico, pode ser apontado como fonte material do direito do trabalho.
C) Filosoficamente, correntes de pensamento tais como o trabalhismo, o socialismo cristão e o fascismo
corporativista, entre outras, fundamentaram o direito do trabalho e por isso são consideradas fontes formais desse
ramo da ciência jurídica
D) Sob o ponto de vista político, a ação articulada dos trabalhadores, buscando a melhoria de sua condição social
com a participação dos sindicatos, tem operado como elemento indutor da positivação de normas legais
trabalhistas, razão pela qual deve ser considerada fonte material do direito do trabalho.
6) (TRT 21ª Região Magistratura) Leia os enunciados abaixo e assinale, em seguida, a alternativa correta:
I – Desde o início de sua existência, o Direito do Trabalho já recebeu diferentes denominações, como Direito
Industrial, Direito Operário, Direito Corporativo, Direito Sindical e Direito Social;
II – Prepondera, hoje, na literatura jurídica, a classificação do Direito do Trabalho como componente do Direito
Privado;
III – Em relação ao Direito do Trabalho dos principais países capitalistas ocidentais, são considerados marcos
fundamentais o Manifesto Comunista, a Encíclica Católica Rerum Novarum, o evento da Primeira Guerra Mundial e
seus desdobramentos (como a criação da Organização Internacional do Trabalho), a Constituição de Weimar e a
Constituição Mexicana;
IV – Podem ser considerados fatores internos de influência à formação do Direito do Trabalho no Brasil: o
movimento operário, com a participação de imigrantes com aspirações anarquistas, caracterizado por várias greves

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em fins de 1800 e início de 1900; o surto industrial observado em face da Primeira Grande Guerra Mundial e a
política trabalhista de Getúlio Vargas.
a) apenas o enunciado I está correto;
b) apenas o enunciado II está correto;
c) apenas os enunciados III e IV estão corretos;
d) todos os enunciados estão errados;
e) todos os enunciados estão corretos