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A ESCOLA DA VINGANÇA

Que é vingança? Desforra. Vingança é pagar o mal com o mal, coisa esta condenada no Novo
Testamento. “A ninguém torneis mal por mal” (Rm. 12:17). A vingança, portanto, acrescenta mal a
mal, dentro dos princípios éticos.
No Velho Testamento, o mal era a resposta de Jeová para o mal. “Olho por olho, dente por
dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex.
21:24-25). “O teu olho não poupará; vida por vida, olho por olho, dente por dente, etc” (Dt. 19:21). As
crianças cristãs são ensinadas a obedecer a Jeová, como sendo o único deus verdadeiro, pois a
desobediência é como o pecado de rebelião ou feitiçaria, etc. (I Sm. 15:22-23). O que temos observado
no comportamento infantil cristão? “E eu irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a
carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis,
nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Pois, havendo entre vós inveja,
contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (I Co. 3:1-3).
Como poderão os cristãos serem mansos, humildes e perdoadores, freqüentando a mais refinada escola
da violência, do mal e da vingança? Está provado que tudo o que se ouve, entra por um ouvido e sai
pelo outro, mas o que é visto com os olhos é incorporado ao nosso patrimônio moral. Mil palavras
podem ser esquecidas, mas uma coisa vista, jamais se esquece. Aquilo que vemos no comportamento de
outros produz marcas mais fortes e poderosas do que a doutrina. Por isso Jesus disse: “Ai do mundo por
causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o
escândalo vem” (Mt. 18:7). Um ato escandaloso na Igreja destroi anos de discipulado e ensino.
Analisemos os grandes homens do Velho Testamento:
1- Moisés era vingativo em obediência a Jeová. “Falou mais Jeová a Moisés, dizendo: Afligireis os
midianitas e os ferireis, porque eles vos afligiram a vós outros com os seus enganos com que vos
enganaram no negócio de Peor, e no negócio de Cozbi, filha do maioral dos midianitas, a irmã
deles, que foi morta no dia da praga no negócio de Peor” (Nm. 25:16-18). A natureza de Moisés
era contra a vingança, pois quando a terra tragou Datã e Abirão com suas famílias na vingança de
Jeová; Moisés disse: “Nisto conhecereis que Jeová me enviou a fazer todos estes sinais, QUE DE
MEU CORAÇÃO NÃO PROCEDEM” (Nm. 16:28).
2- Gideão era vingativo, pois quando subiu à peleja contra Zeba e Zalmuna, reis dos midianitas,
estando seus homens cansados, pediu pão para os habitantes de Sucote. Estes negaram, e Gideão
lhes disse: Quando eu voltar vitorioso trilharei vossa carne com espinhos do deserto. Em seguida
pediu pão aos habitantes de Penuel. Estes também negaram. Gideão lhes disse: Quando eu voltar
derrubarei esta torre. Depois de vencida a batalha, Gideão poderia perdoar em louvor a Jeová, mas
não. Como a vingança, trilhou a carne dos anciãos de Sucote com espinhos do deserto. Em seguida
foi a Penuel, derrubou a torre e matou a todos os varões. Que exemplo grotesco e que espírito
vingativo.
3- Simeão e Levi, filhos de Jacó eram vingativos. Diná, sua irmã saiu a passear e conhecer outras
moças. Siquém, filho de Amor, heveu apaixonou-se e se deitou com ela. Os filhos de Jacó
encheram-se de ira pelo acontecido. Então, Amor, pai de Siquém, foi até Jacó e pediu Diná como
esposa de seu filho. Os filhos de Jacó impuseram uma condição para o casamento. Que todos os
varões da cidade fossem circuncidados, isto é, convertidos em israelitas. Amor e Siquém, seu filho,
concordaram, e todos os homens foram circuncidados para formar o parentesco espiritual. Ao
terceiro dia, porém, quando a dor era mais forte, Simeão e Levi, tomaram suas espadas e mataram a
todos os varões. Essa é a escola da mentira, da traição e da vingança (Gn. 34:1-26).
4- Sansão era vingativo. Sua mulher o traiu, e Sansão a aborreceu. Então o pai a deu ao seu
companheiro. Após algum tempo, Sansão quis se deitar com a mulher que repudiara. O pai da moça
não consentiu, pois tinha mais moral que Sansão, que enfurecido resolveu se vingar (Jz. 15:1-7).
Feriu os filisteus para saciar a fome de vingança (Jz. 15:8). E mais mil (Jz. 15:9-16).
5- Davi era vingativo, pois quando um amalequita, mentindo, disse ter matado Saul, imediatamente
mandou matá-lo (I Sm. 1:1-16). Em outra ocasião, por ter Joabe matado a Abner, Davi, para vingar,
lançou a seguinte maldição: “Fique sobre a cabeça de Joabe, e sobre a casa de seu pai; e nunca da
casa de Joabe falte quem padeça gonorrea, nem quem seja leproso, nem quem se apoie no bordão,
nem quem seja morto a espada, e nem quem necessite de pão” (II Sm. 3:29); (na Vulgata se lê:
gonorréia). Mais tarde Davi mandou matar dois homens, que mataram Isbosete, filho de Saul, em
atitude vindicativa (II Sm. 4:5-12).
6- O profeta Elias era vingativo. Elias ordenou a Acabe, rei de Israel, que ajuntasse o povo, 450
profetas de Baal e 400 profetas de Asera (I Rs. 18:19). Em seguida mandou que fizessem dois
altares, um para eles e outro para Elias. O deus que respondesse por fogo era o verdadeiro. Os
profetas de Baal clamaram até ao meio dia. Então Elias clamou a Jeová e fogo do céu consumiu o
seu altar com bezerro e tudo. Então todos começaram a clamar: Só Jeová é Deus! Só Jeová é Deus!
– Era o momento de Elias ganhar aqueles 850 profetas para Jeová; mas não. Em contrário, para
vingança da parte de Jeová, matou a todos no ribeiro de Quison (I Rs. 18:19-40).
7- O profeta Eliseu era vingativo. Quando este profeta subia para Betel, no caminho, uns garotos
começaram a zombar, dizendo: Careca! Careca! O grande Elizeu, então, por vingança os
amaldiçoou, e Jeová aprovou, pois saíram duas ursas da floresta e mataram quarenta e dois garotos
(II Rs. 2:23-24).
8- Jeremias, um dos quatro profetas maiores, era vingativo. Sendo perseguido pelos falsos profetas e
pelo rei, lançou uma maldição: “Envergonhem-se os que me perseguem, e não me envergonhe eu;
assombrem-se eles, e não me assombre eu; traze sobre eles o dia do mal, e destroe-os com dobrada
destruição” (Jr. 17:18). No capítulo 18, Jeremias lança outra maldição de vingança: “Porventura
pagar-se-á mal por bem? Pois cavaram uma cova para a minha alma; lembra-te de que eu
compareci na tua presença, para falar por seu bem, para desviar deles a tua indignação. Portanto,
entrega seus filhos a fome, e entrega-os ao poder da espada, e sejam suas mulheres roubadas dos
filhos, e fiquem viúvas, e seus maridos sejam feridos de morte, e os seus mancebos sejam feridos à
espada na peleja.” Esta foi a vingança de Jeremias, o profeta (Jr. 18:20-21). E para terminar
acrescentou: “Não perdoes a sua maldade, nem apagues o seu pecado de diante da tua face” (Jr.
18:23).

Há muitos mais exemplos vividos na escola do ódio e da vingança no Velho Testamento, para
ensinar as crianças e os novos convertidos a não serem novas criaturas. Paulo, no entanto, diz: “Se
alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas passaram, eis que tudo se fez novo” (II
Co. 5:17).

Autoria Pastor Olavo S. Pereira