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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO CEARÁ - STBC

CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA

MAX ROSBERG XIMENES FEIJÃO

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO


SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Fortaleza

2016
2

Max Rosberg Ximenes Feijão

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO


SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para a obtenção do título
de Bacharel, pelo curso de Bacharelado em
Teologia do Seminário Teológico Batista do
Ceará – STBC.

Orientador: Prof. José Wendel Cavalcante


Ferreira

Fortaleza

2016
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Max Rosberg Ximenes Feijão

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO UM INSTRUMENTO DE CRESCIMENTO


SAUDÁVEL PARA AS IGREJAS BATISTAS DO CEARÁ.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para a obtenção do título
de Bacharel, pelo curso de Bacharelado em
Teologia do Seminário Teológico Batista do
Ceará – STBC.

Aprovada em: ____/____/____

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________

Prof. José Wendel Cavalcante Ferreira – Orientador


Seminário Teológico Batista do Ceará - STBC

_____________________________________________

Prof. Pr.
Seminário Teológico Batista do Ceará – STBC

_____________________________________________

Prof. Pr.
Seminário Teológico Batista do Ceará - STBC
4

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao Diácono Arnóbio Lira da Primeira Igreja Batista de


Groaíras. Homem íntegro, piedoso, coluna na igreja local e de uma grande visão de
Reino. Irmão amado e precioso que tem sido uma bênção em minha caminhada
ministerial. Sustentador dos meus estudos teológicos e do meu serviço integral na
igreja local.
5

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus o autor e consumador de minha fé que me amou em Cristo


Jesus. Porque todas as coisas são Dele, por Ele e para Ele. A Ele seja toda Honra,
louvor e gloria eternamente!

À minha família a base de tudo que está sempre presente do meu lado em
todos os momentos da minha vida. À minha irmã Maria do Rosário por me hospedar
em sua casa em minhas viagens à Fortaleza e pelo seu cuidado de mãe.

À minha namorada e futura esposa, Jamile Portela, por seu amor, cuidado e
compreensão. À sua mãe Rosa Borges por suas orações e cuidado para comigo.

À Primeira Igreja Batista em Groaíras por ter me enviado ao seminário. Igreja


que foi a base de todo esse caminhar. Pelo o sustento financeiro e espiritual de cada
irmão querido. A Congregação Batista de Corrégo dos Matos onde tenho o privilégio
de servir no ministério da Palavra.

Ao Pastor Eronildo Braga, principal incentivador do meu chamado. Por suas


orientações, conselhos e cuidado para com o ministério.

Ao ministério Pregue a Palavra na pessoa do Coordenador do Nordeste


Pastor Nelson Galvão. Pela a oportunidade concedida de estudar sobre Exposição
Bíblica que deu origem a este trabalho.

Aos meus queridos irmãos e companheiro de jornada Jhonathan e Jonas. Ao


irmão Francisco de Assis Oliveira (Petter) que esteve sempre me incentivando aos
estudos.

Ao Seminário Teológico Batista do Ceará pela a oportunidade de se capacitar


para a excelente obra do Ministério Pastoral.
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Eu te exorto diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de


julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu
reino, prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo,
aconselha, repreende e exorta com toda paciência e
ensino.

(2 Timóteo 4.1,2—Almeida Século 21).


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RESUMO

Esta monografia é uma análise da pregação expositiva como um instrumento para o


crescimento saudável da igreja. O objetivo é mostrar à importância desse estilo de
pregação para pastores, líderes e a igreja como sendo um estilo eficaz para um
crescimento saudável que as Igrejas Batistas do Ceará podem está se utilizando.
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com fontes sobre Homilética, História da
igreja, Exegese, Teologia Bíblica e Eclesiologia. A abordagem qualitativa buscando
trazer o significado dos temas e dados dos autores sobre a pregação expositiva. O
objetivo exploratório visando trazer o conhecimento do tema proposto da maneira
mais clara possível. A definição de pregação expositiva mostra como esse estilo de
pregação é totalmente bíblico. Todo o conteúdo do sermão expositivo emana
unicamente das Escrituras. Comparando a pregação expositiva com outros estilos
de pregação é possível perceber que a pregação expositiva é mais bíblica e
consequentemente mais eficaz na tarefa de pregar a Palavra de Deus. Esse estilo
de pregação esteve presente em toda a história. Desde os tempos bíblicos no Antigo
e Novo Testamento bem como na historia da igreja cristã. No período dos pais da
igreja, na reforma protestante, no período puritano e até a era contemporânea. Por
fim, a pregação expositiva é importante para a igreja devida sua eficácia e relevância
para um crescimento tanto numérico como saudável. Pesquisas apontam na prática
como esse método de pregação traz resultados surpreendentes. Igrejas onde seus
pastores são expositores experimentaram um crescimento genuíno. Portanto, a
pregação expositiva é eficaz para dar um crescimento saudável as igrejas Batista do
Ceará por sua centralidade nas Escrituras.

Palavras–Chave:
Pregação Expositiva, Crescimento Saudável, Bíblica Sequencial.
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ABSTRACT

This monograph is an analysis of expository preaching as an instrument for the


healthy growth of the church. The main objective is to show the importance of this
style of preaching for pastors, leaders and the church. Likewise, it is an effective
style to utilize for the healthy growth that the Baptist churches of Ceará. To is
bibliographic research from homiletics, church history, exegesis, Biblical theology
and Ecclesiology. This is a qualitative approach, seeking to bring understanding
from the themes and facts of those authors concerning expository preaching. The
desired outcome for this monograph seeks to bring the reader to a clear cognitive
familiarity with the theme and purpose. The definition of expository preaching
demonstrates how this style of preaching is completely biblical. All of the content for
expository preaching emanates only from the Scriptures. In comparing expository
preaching with other styles of preaching, it is possible to conclude that expository
preaching is more biblical and consequently more effective in the task of preaching
the Word of God. This style of preaching was present throughout all of history, since
biblical times, in the Old Testament and the New Testament, as well as throughout
Christian church history. From the period of the early Church Fathers, through the
Protestant Reformation, moving through the Puritan period all the way to our
contemporary era, expository preaching has made its mark. Therefore, expository
preaching is important for the church because of its effectiveness and relevance for
healthy spiritual growth, both quantitative and qualitative. Research points to the
practice of this method of preaching yielding amazing results. Churches where the
pastors are expositors consistently experience genuine growth. So in like manner,
expository preaching is effective and important for that same healthy growth in the
Baptist churches of Ceará, because of its centrality and basis in the Scriptures.

Key words:
Expository Preaching, Healthy Growth, Biblical Sequence.
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Sumário

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 11
2 O QUE É A PREGAÇÃO EXPOSITIVA ........................................................... 13
2.1 DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO EXPOSITIVA .................................................... 14

2.2 O ESTILO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA ....................................................... 17

2.2.1 A Natureza da Pregação Expositiva ............................................................. 18

2.2.2 O Processo da Pregação Exposição ............................................................ 20

2.3 A DIFERENÇA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA OS OUTROS ESTILOS


DE PREGAÇÃO ........................................................................................................ 26

2.3.1 O Sermão Temático ou Tópico...................................................................... 27

2.3.2 O Sermão Textual ........................................................................................... 27

2.3.3 O Sermão Expositivo ..................................................................................... 28

2.3.4 Comparação do Sermão Expositivo com o Temático ................................. 29

2.3.5 Comparação do Sermão Expositivo com o Textual .................................... 31

2.3.6 Perigos e Desvantagem da Pregação Expositiva ........................................ 32

3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA HISTORIA .................................................. 34


3.1 AS EVIDÊNCIAS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA NOS TEMPOS BÍBLICOS .. 35

3.1.1 A Pregação Expositiva no Antigo Testamento ............................................ 36

3.1.2 A Pregação Expositiva no Novo Testamento .............................................. 40

3.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA ERA DOS PAIS DA IGREJA ....................... 47

3.3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO PERÍODO DA REFORMA PROTESTANTE 49

3.4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO SÉCULO XVII AO SÉCULO XX .................. 53

4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO INSTRUMENTO PARA O


CRESCIMENTOSAUDÁVEL DA IGREJA. ............................................................... 58
4.1 A NECESSIDADE DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA ........................................... 59

4.2 OS BENEFÍCIOS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA O CRESCIMENTO


SAUDÁVEL ............................................................................................................... 62

4.2.1 A Igreja Cresce Numericamente .................................................................. 63


10

4.2.2 A Igreja Cresce Saudavelmente ................................................................. 66

4.2.2.1 BENEFÍCIOS NA VIDA DOS PASTORES .................................................... 68


4.2.2.2 BENEFÍCIOS PARA IGREJA ........................................................................ 70
5 CONCLUSÃO ............................................................................................... 76
6 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 78
11

1 INTRODUÇÃO

A pregação da palavra de Deus é o acontecimento mais importante do culto


público e de toda a vida da igreja cristã. Dargan (1905, p.12, vol 1) escreve: “A
pregação é uma parte essencial e uma característica distintiva do cristianismo”.
Diante dessa afirmação quão necessária conhecer sobre a importância da pregação
bíblica e sua eficácia para dar o crescimento saudável que a igreja precisa.

O método de Deus que levou a igreja crescer durante toda historia foi à
pregação da Palavra, mas, ultimamente a pregação bíblica tem sido desprezada na
maioria das igrejas. O Movimento de Crescimento de Igrejas influenciou bastante o
evangecalismo das ultimas décadas. A busca por um crescimento numérico levou
muitos pastores a abrirem mão dos métodos bíblicos em função dos métodos
pragmáticos. A pregação se tornou secundaria como um instrumento para
crescimento da igreja. Os sermões bíblicos foram sendo desprezados e tomando
seu lugar mensagens artificiais sem nenhum compromisso com a supremacia das
Escrituras. Sermões cheios de emocionalismo, autoajuda, utilizando técnicas
psicológicas para atrair a atenção das pessoas desprezando a interpretação correta
das Escrituras são cada vez mais comuns.

Esse movimento ensina métodos pragmáticos de crescimento dando ênfase


no crescimento numérico a todo custo em detrimento do crescimento saudável. Esse
crescimento a qualquer custo ensinado pelos métodos pragmáticos embora trouxe
um crescimento numérico, também produziu uma fé artificial nas pessoas. Lopes
(2008, p.216) diz: “A visão pragmática tenta manter os sermões curtos, simples e os
tópicos cuidadosamente escolhidos para enfatizar o pessoal em detrimento do
doutrinário e o relacional em detrimento do abstrato”. Agradando sempre os
ouvintes, a pregação permanece superficial, com muitos cristãos recebendo apenas
uma leve dieta semanal de evangelismo. Como hoje em dia o importante é o
crescimento numérico muitos pastores não se preocupam com o crescimento
saudável da igreja. Esse é o maior problema no movimento de crescimento de
igrejas, a ênfase no crescimento numérico a todo custo. Consequentemente à igreja
não está experimentando um crescimento sadio. Mesmo essas igrejas crescendo
numericamente os malefícios da falta de prioridade de uma pregação bíblica são
enormes como analfabetismo bíblico e a falta de crescimento da maturidade dos
12

crentes. Isto tem permitindo a entrada de varias doutrinas herética como: O


misticismo, sincretismo religioso e o liberalismo teológico que atrapalham a igreja de
crescer saudavelmente. Tudo isto pela a falta de uma pregação bíblica.

Para trazer um crescimento numérico e saudável é preciso uma compreensão


da pregação bíblica e sua prioridade. A pregação foi e tem sido o instrumento que
Deus se utiliza para que a igreja avance. O método dos apóstolos foram se dedicar a
oração e o ministério da Palavra (At 6, 4). A igreja primitiva experimentou um
crescimento numérico e saudável. A prioridade da igreja para o crescimento deve
ser a pregação. Utilizando da pregação expositiva, a igreja cresce numericamente e
saudavelmente. Lopes (2008, p.13) diz: “A pregação expositiva é a mais bíblica e
mais eficaz para produzir o crescimento sadio da igreja”. Ela está comprometida com
a supremacia das Escrituras arraigada com infabilidade, inerrância e suficiência das
Escrituras. A pregação expositiva é um instrumento vital para igreja porque cultiva o
compromisso mais profundo dos crentes com a Palavra de Deus.

Na primeira seção deste trabalho trata sobre o que é a pregação expositiva


dando as melhores definições sobre o assunto bem como mostrando quais as
ferramentas utilizadas para preparar uma mensagem expositiva e comparando esse
estilo de pregação com outros. Na segunda seção analisa que a pregação expositiva
esteve presente em toda a história. A Bíblia traz evidências desse estilo de pregação
em alguns períodos bíblicos. A história da igreja também comprova que ela era o
estilo preferido de grandes expositores desde os pais da igreja passando pelo os
reformadores e chegando ao século XXI. Por fim, o trabalho mostra como a
pregação expositiva é um instrumento para dar o crescimento saudável as igrejas.
Pesquisas feitas mostram que a pregação expositiva é uma ferramenta que traz
crescimento numérico como saudável. Entende-se que uma igreja deve crescer em
quantidade quanto em qualidade esse é o desejo de todo pastor que ama a igreja.
Diante desse quadro a pregação expositiva é o instrumento mais eficaz para dar o
crescimento equilibrado para as igrejas Batistas do Ceará. A pregação expositiva
traz de volta a centralidade da pregação como a supremacia da Escritura porque
Deus opera através de sua palavra e ela é poderosa para atingir os corações.
13

2 O QUE É A PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A Bíblia é a Palavra de Deus inspirada, inerrante e suficiente para o seu povo.


Paulo em sua segunda carta a Timóteo (2 Tm 3, 16-17), afirma que as Escrituras
são inspiradas por Deus: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa
para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; a fim de que o
homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda boa obra”. (2
TIMÓTEO, 2011, p. 1102). O Apostolo Pedro em sua carta (2 Pe 1, 19-21), confirma
a inspiração da Escritura quando escreve:

Assim, temos ainda mais firme a palavra profética. E fazeis bem em estar
atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o
dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração. Sabei antes de
tudo que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação particular.
Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens
falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo. (2 PEDRO, 2011,
p.1131 ).

A Bíblia por ser inspirada por Deus tem a supremacia em todas as questões
de fé e Deus fala mediante a sua Palavra ao seu povo. Paulo dando instruções ao
jovem Timóteo (2 Tm 4, 1-2), escreve para ele pregar unicamente a Palavra: “Eu te
exorto diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela
sua vinda e pelo seu reino, prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo,
aconselha, repreende e exorta com toda paciência e ensino”. (2 TIMÓTEO, 2011, p.
1102). Lopes (2008, p.71) diz: “A Escritura é o conteúdo da pregação, e a pregação
é o instrumento para proclamar a Escritura”. Deus opera através da proclamação de
sua Palavra por que ela é poderosa para cumprir seus propósitos transformador a
todos os que ouvem. O autor aos Hebreus (Hb 4, 12) testifica que a Palavra é
poderosa quando disse:

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer


espada de dois gumes; penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas
e medulas, e é capaz de perceber os pensamentos e intenções do coração.
(HEBREUS, 2011, p. 1109).

Paulo em (Rm 10, 17) ainda diz: “Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela
palavra de Cristo”. (ROMANOS, 2011, p. 1031). Chapel (2002, p.19) afirma: “A
Palavra de Deus é poderosa porque ele está presente nela e opera por meio Dela”.
Se a Escritura é a Palavra de Deus e é poderosa para transformar vidas dar-se a
necessidade de proclamar essa Palavra com fidelidade. Essa transformação não é
14

mediante as habilidades dos pregadores mais sim do poder de Deus operando


através de sua proclamação. Chapel (2002, p.19) diz:

“Pregação que é fiel à Escritura converte, convence e amolda o espírito de


homens e mulheres, pois ela apresenta o instrumento da compulsão divina,
e não que pregadores tenham em si mesmos qualquer poder
transformador”.

A Pregação Expositiva é esse instrumento fiel pelo qual Deus opera. Ela é o
estilo mais fiel devido a sua abordagem em transmitir o texto das Escrituras
colocando-a como suprema em toda pregação.

2.1 DEFINIÇÃO DE PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Muitos têm um entendimento errado do que seja uma pregação expositiva.


Pregação expositiva em primeiro lugar não é um comentário continuo de uma
passagem. Lachler (1990, p.46) comenta:

O comentário contínuo não tem um conceito central unificador que possa


ser compreendido de forma prática. O simples ato de papagaiar livremente
palavras e frases de um texto bíblico quase sempre se torna um comentário
fluente que não se estende para outro lugar a não ser o final da passagem.

Exposição não é proferir comentário sobre uma passagem e nem fazer um


estudo de palavras unificadas e explicadas por ilustrações. Também não retirar uma
doutrina especifica da passagem. Tudo isso deve ser feito, mais ainda não é
exposição. Outros creem pelo fato da passagem ter muitos versículos e ser
preparado um sermão se torna uma pregação expositiva. Em segundo lugar
pregação expositiva não é fazer uma exegese da passagem no púlpito. Por mais
que a pregação expositiva se utiliza da exegese não pode ser confundida com a
exposição. A exegese serve como um auxílio para a preparação do sermão
expositivo ela está totalmente ligada com a preparação do sermão, pois, ela é uma
ferramenta que dar as bases para a interpretação correta da Escritura. Para Chapel
(2002, p.50) “lição de gramática não é sermão. Um sermão não é um resumo
textual, um discurso sistemático ou uma preleção sobre História

”.
15

Para alguns autores dar uma definição a pregação expositiva em termos


técnicos pode muitas vezes destruir o seu conceito real. Como Robinson (2002,
p.21) disse que o menino que dissecou uma rã, para descobrir o que levava a pular,
aprendeu algo sobre as partes, mas matou a rã. Outros acham que dar uma
definição tendem a limitar demais as coisas. Lachler (1990, p.45) comenta:
“definições restritivas não permitem que o assunto seja expandido de forma prática;
definições muito amplas não permitem uma concentração exequível. Nenhuma das
duas é boa”. Autores chegam a dizer que não se deve busca uma definição de
imediato, mas primeiro compreender as partes conceituais básicas de um sermão
expositivo. Mas, pela a clareza sua definição prática deve ser dada. Uma definição
de pregação expositiva está na de Vines (1985, apud, Lopes 2008, p.143): “O
sermão expositivo é aquele que explica uma passagem das Escrituras, organiza-a
ao redor de um tema central e pontos principais e, em seguida, aplica decididamente
a sua mensagem aos ouvintes”. Há muitas definições sobre o que é uma pregação
expositiva mais a melhor definição para Lopes (2008, p.144), quanto para Lachler
(1990, p.51), está na definição de Robinson (2002, p.22) que diz:

A pregação expositiva é a comunicação de um conceito bíblico, derivado de,


e transmitido através de estudo histórico, gramatical e literário de uma
passagem em seu contexto, que o Espírito Santo primeiramente aplica à
personalidade e experiência do pregador, e depois, através dele, a seus
ouvintes.

É comunicar o que realmente o texto quer dizer revelando o conceito bíblico


que envolve toda a passagem depois de ter feito um estudo profundo do contexto
histórico, contexto literário e da gramatica e que deve ser aplicado na vida de todos
os ouvintes contemporâneos. Essa definição resume tudo o que está entorno da
preparação e da entrega do sermão expositivo. Ainda existe certa confusão com
relação às palavras “Bíblica” e “expositiva”. Uma pregação pode ser chamada de
bíblica devido ela se relacionar mais ou menos com a Bíblia, mais mesmo assim não
ser expositiva. Lachler (1990, p.45) explica:

Sermões textuais e tópicos podem se relacionar com a Bíblia sem serem


expositivos, assim como maçãs se relacionam com as frutas sem serem
peras. Segundo penso, um sermão textual ou tópico pode, na verdade, se
relacionar com a Bíblia em graus variados. Mas, em essência, o sermão
expositivo não pode ser nada menos do que diretamente bíblico, gerando a
partir do texto bíblico e projetando um assunto (tema) inerente a partir
daquele texto.
16

É de grande importância à definição da palavra expositiva para dar um


entendimento melhor e desfazer toda a confusão entre outras formas de pregação.
Lachler (1990, p.46) descreve: “A definição da palavra exposição traz em seu
sentido fundamental a ideia de colocar algo em lugar aberto e tornar acessível àquilo
que é obscuro ou está fora de alcance”. Lopes (2008, p.21) dar o significado da
palavra: “Exposição” que quer dizer trazer a luz o que existe. A palavra exposição
deriva-se do termo latino expositivo, que significa “divulgar, publicar” ou “tornar
acessível”. O Sermão expositivo traz à luz a mensagem diretamente do texto da
Escritura, tornando-o acessível aos ouvintes. Para elucidar mais ainda a questão de
expositivo outro termo que tem a ver com a essência da exposição é a “explicação”.
Explicação traz a ideia fundamental de revelar alguma coisa. Os sermões
expositivos têm essa tarefa de revelar as verdades teológicas de cada parte das
Escrituras para os ouvintes. Outra palavra que traz uma ideia de expositiva é a
palavra “explanação”. Explanação como Lachler (1990, p.46) diz que em “seu
sentido fundamental é o de aplanar alguma coisa enrugada”. Liefeld (apud 1985,
Lachler 1990, p.46) explica:

A exposição da passagem bíblica é caracterizada por um discurso lógico


que “aplana” o texto e o torna compreensível. Assim, explanação é uma
forma clara de expressar pensamentos espirituais, de modo que os ouvintes
possam aplica-los a situações práticas da vida. Desta forma, a explanação
vai além de descrições prolixas de palavras e construções gramaticais.

Todas as definições apontam para o mesmo sentido. A Palavra de Deus deve


ser o começo e o fim de todo o sermão expositivo. Sem essas características os
sermões não podem ser classificados como expositivos. Há uma sequência natural
de como transmitir a mensagem real na passagem escolhida. Se essa forma de
abordar a Escritura não for observada será difícil preparar um sermão expositivo.
Lopes (2008, p.144) cita alguns elementos que são indispensáveis para identificar a
pregação expositiva:

(1) A mensagem busca na Escritura a sua única fonte; (2) a mensagem


é extraída da Escritura mediante cuidadosa exegese; (3) a preparação
da mensagem interpreta corretamente a Escritura em seu sentido e
contexto originais; (4) a mensagem explica claramente o sentido original
da Escritura pretendido por Deus; e (5) a mensagem aplica o sentido da
Escritura para hoje.
17

Todas essas definições e conceitos se aplicam ao sermão expositivo que tem


como objetivo tornar a Bíblia útil e informativa. Se todos os conceitos forem bem
aplicados na preparação do sermão teremos uma exposição da Palavra.

2.2 O ESTILO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A Pregação expositiva está fundamentada totalmente na Palavra de Deus.


Toda sua essência emana das Escrituras e unicamente dela. Para muitos a
pregação expositiva é mais um método entre outros na preparação de mensagens.
Para Robinson (2002, p.22), a pregação expositiva em seu âmago é, “mais uma
filosofia do que um método”. Essa afirmação ensina que a pregação expositiva
aborda as Escrituras como realmente ela é. Se Deus fala em sua Palavra então
precisamos transmiti-la com o proposito ao qual ela foi escrita em seus contextos de
forma que seja aplicável ao mundo contemporâneo. Robinson (2002, p.22),
acrescenta que para alguém ser um expositor dependerá de sua resposta á
pergunta: “Você, como pregador, procura curvar seu pensamento às Escrituras, ou
emprega as Escrituras para apoiar seu pensamento”? Lachler (1990, p.50)
comentando a afirmação de Robinson diz:

Neste caso, minha percepção de seu termo “filosofia” aproxima-se das


ideias de “ministério” e “teologia”. O ministério do sermão expositivo surge
da natureza singular de Deus e de sua Palavra. A teologia da pregação
expositiva está no Deus real que, em condescendência, revela-se a nós,
através de sua Palavra proposicional [...]. Deus é, e ele está falando a nós.
Sua Palavra tem valor real no espaço e no tempo, à semelhança de Deus.
O sermão expositivo é uma expressão prática desta convicção geradora de
vida. Se Deus não é, então não há Palavra. Se não Palavra, então não há
sermão expositivo.

Diante das afirmações chega-se a conclusão que pregadores expositivos


podem pregar tematicamente e textualmente mais sendo expositivo. O que vai
classificar como uma pregação expositiva ou não é a sua forma de abordar os textos
das Escrituras. Nesse mesmo sentido Lopes (2008, p.18), concorda ao escrever:

Todavia, independentemente do estilo – tópica, textual, ou lectio continua -,


a pregação pode ter caráter expositivo desde que tenha o compromisso de
explicar o texto da Escritura, segundo o seu significado histórico, contextual
e interpretativo, transmitindo aos ouvintes contemporâneos a clara
mensagem da Palavra de Deus com aplicação pertinente. Seria
perfeitamente possível classificar a pregação expositiva como pregação
expositiva textual, pregação expositiva tópica e pregação expositiva lectio
continua.
18

Begg (2014, p.39) diz que é um caminho errado se pensar que a pregação
expositiva é meramente um estilo de pregação escolhido de uma lista (tópica,
devocional, evangelística, textual, apologética, profética, expositiva). A questão não
é tanto de estilo mais de essência. O princípio está em como o pregador se dirigi as
Escrituras. Antes mesmo de se preparar uma mensagem deve-se saber o que vai
transmitir. A pregação expositiva aponta para o que se deve ser dito pelo o pregado
que unicamente o conteúdo da Escritura. Clements (1998, apud, Begg 2014, p.40)
diz:

A pregação expositiva não é uma questão de estilo, de maneira alguma. De


fato, o passo determinante que decide se um sermão será expositivo ou não
acontece, em minha opinião, antes que uma única palavra tenha sido
escrita ou falada. Antes e acima de tudo, o adjetivo ‘expositiva’ descreve o
método pelo o qual o pregador decide o que dizer não como dizê-lo.

Por isso, pregação expositiva é colocar as Escrituras no centro confiando


plenamente no poder transformador que ela produz.

A pregação expositiva pode ser utilizada através da exposição bíblica


sequencial. Essa metodologia é chamada de exposição contínua ou o método do
comentário corrido, MATHEWSON (2009, p.503); ou mesmo de lectio continua
Lopes (2008, p.147). A exposição bíblica sequencial aborda livros ou seções das
Escrituras e é exclusiva desse estilo de pregação. Essa forma de pregar livros,
capítulos ou seções das Escrituras traz vantagens que são de grande beneficio tanto
para o ministério pastoral como para a vida espiritual da igreja. A lectio continua
abordará as sequências naturais dos livros a serem expostos. O pregador escolhe
um livro para pregar e segue a sequência dos capítulos e versículos naturalmente.
Essa forma de pregar é única da Pregação expositiva. Diferentemente de outro estilo
de pregação que abordam apenas pequenos texto ou porções da Palavra. Além da
Pregação sequencial, pode se utilizar da seleção de passagens. Pregar em
passagens selecionadas e expô-la. Neste trabalho será abordando a pregação
bíblica sequencial ou lectio Continua.

2.2.1 A NATUREZA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A natureza da pregação expositiva consiste em três pontos básicos de sua


mensagem. Ler o texto, explicar o texto e aplicar o texto. Nas escrituras
encontramos um texto básico para a natureza da pregação expositiva que segundo
19

Begg (2014, p.37), se refere à cena impressionante relatada em Neemias (Ne 8,


1.3.7.8):

Então, como se fosse um só homem, todo o povo se reuniu na praça, diante


da porta das Águas. E pediram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro
da Lei de Moisés, que o SENHOR dera a Israel. [...] E a leu em voz alta de
frente para a praça diante da porta das Águas desde o alvorecer até o meio-
dia, na presença dos homens e das mulheres e dos que podiam entender. E
todo o povo estava atento à leitura do Livro da Lei. [...] Os levitas Jesua,
Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias,
Jozabade, Hanã e Pelaías explicavam a Lei ao povo. E o povo permanecia
em pé no seu lugar. Desse modo leram no livro, na Lei de Deus,
esclarecendo o que liam e explicando o seu sentido para que o povo
entendesse a leitura. (NEEMIAS, 2011, p. 466).

No momento em que Esdras e os levitas trazem a Palavra é demonstrado que


o texto foi lido, explicado e aplicado na vida dos seus ouvintes. A pregação
expositiva possui esse padrão de explicação e aplicação do texto. Lopes (2008,
p.146) diz que: “Esdras ligou o texto (Ne 8, 1-8) a vida de seus ouvintes”. O pregador
aplica a mensagem antiga da Escritura aos ouvintes contemporâneos, mostrando a
sua relevância. Begg (2014, p.39-42), ao comentar sobre a natureza da pregação
expositiva, lista três princípios chaves:

(1) A pregação expositiva sempre começa com o texto da Escritura; (2) A


pregação expositiva procura fundir os horizontes do texto bíblico e do
mundo contemporâneo; (3) a pregação expositiva encoraja o ouvinte a
entender a relevância contemporânea da Escritura.

Os elementos básicos da pregação expositiva podem ser visto em Neemias


capítulo 8. Chapel (2002, p.87), escrevendo sobre o padrão da pregação expositiva
comenta que Jesus quando explicou pela primeira vez seu ministério na sinagoga,
ele leu a Escritura (Lc 4, 11-19), explicou a importância do que fora lido (Lc 4, 21) e,
depois, tornou claras as implicações (Lc 4, 23-27). Chapel (2002, p.87- 89) diz que:

A apresentação da Palavra, a explicação e a exortação permanecem


proeminentes no modelo de proclamação do Novo Testamento. Embora os
elementos nem sempre obedeçam à mesma ordem, eles permanecem
presentes. [...] apresentar a Palavra, explicar o que ela diz; e exortar
fundamentado no que ela significa. Isso é pregação expositiva.

A pregação expositiva visa ligar o texto Bíblico antigo aos ouvintes


contemporâneos, explicando e aplicando o texto para que os ouvintes obedeçam à
palavra de Deus. A natureza da pregação expositiva é ler, explicar e aplicar a
Escritura.
20

2.2.2 O PROCESSO DA PREGAÇÃO EXPOSIÇÃO

A preparação do sermão expositivo requer dedicação por parte do pregador.


Há um processo de estudo do texto para transmitir fielmente a Palavra de Deus. O
texto escolhido, livro, seções ou capítulos devem ser analisados com muito cuidado
e dedicação. Na pregação expositiva a passagem governa o sermão. Robinson
(2002, p.22) diz que “acima de tudo, o pensamento do escritor bíblico determina a
substância de um sermão expositivo”.

O texto é fundamental para todo o processo da pregação. Depois do texto


escolhido há passos fundamentais para se transmitir um sermão expositivo. Na
definição de Robinson no item 2.2 o processo da pregação expositiva se dar por três
passos fundamentais: Primeiro, a pregação expositiva comunica um conceito bíblico.
Segundo, através do estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem e por
ultimo uma aplicação do conceito ao pregador e depois aos ouvintes. É de grande
importância uma analise de cada passo para se entender o processo da pregação
expositiva.

Primeiro, a comunicação de um conceito bíblico. Robinson (2002, p.37)


escreve: “Isso significa que cada sermão é a explicação, interpretação ou aplicação
de uma única ideia dominante apoiada por outras ideias; todas extraídas de uma ou
de várias passagens da Escritura”. Toda pregação está entorno desse conceito
bíblico central da passagem. Para Robinson (2002, p.38), a terminologia pode variar:
a ideia central, a proposição, o tema, declaração da tese, o pensamento principal,
mas o conceito é o mesmo. Para pregar expositivamente é necessário descobrir
esse conceito bíblico. Lopes (2008, p.156) diz que: “Reformular, explicar, provar e
aplicar a grande ideia é a essência do sermão”. A grande ideia, ideia central ou
proposição, é a parte fundamental do sermão. O pregador deve se esmerar para
encontrar no texto essa parte que vai fazer com que todas as outras partes do
sermão girem em torno dela. Jowett (1968, p.133, tradução nossa) falando sobre a
grande ideia na pregação escreve:

Tenho a convicção de que nenhum sermão está pronto para pregar, nem
para ser escrito, até que possamos expressar esse tema em uma frase
curta e fecunda (fértil), tão clara como um cristal. Acho que entender esta
frase é o trabalho mais difícil, o mais exigente e o mais frutífero em meu
estudo. Forçar alguém a ter o hábito dessa frase, evitar toda a palavra que é
21

vaga, imperfeita, ambígua, a pensar através de uma forma de palavras que


define o tema com exatidão e cuidado – isto é certamente um dos fatores
mais vital e essencial quanto a um sermão: E eu não penso que qualquer
sermão deveria ser pregado ou até mesmo escrito, a menos que a frase
tenha surgido clara e lúcida como a lua sem nuvens.1

A grande ideia de uma passagem elucida para os ouvintes através da


explicação, o que realmente o autor bíblico está dizendo de forma resumida naquela
passagem. Ela é importante para pregação, pois traz o centro de tudo que se está
sendo falado. Muitos dos pregadores principalmente os mais jovens, não possuem
esse entendimento e acabam deixando a pregação confusa ou muitas vezes sem
que alguém consiga captar realmente o que foi dito. A grande ideia guia toda
pregação para que todos possam entender tudo o que fora dito de forma clara.
Lachler (1990, p.103-104) emprega algumas alegorias para mostrar a importância da
proposição ou grande ideia:

A proposição é o coração do sermão. Assim como o coração bombeia o


sangue, dando vida ao corpo humano, a proposição vitaliza a forma e o
conteúdo do sermão. (2) A proposição é o eixo principal do sermão.
Assim como o pino central numa dobradiça controla e limita o
movimento da porta, a proposição controla e limita o alcance da forma e
do conteúdo do sermão. (3) A proposição é a bussola que indica a
verdadeira direção do sermão. Através da proposição é possível dizer
se as divisões principais, as ilustrações e os argumentos gerais estão
apontando na mesma direção do parágrafo. (4) A proposição é uma
mola comprimida; ela tem a energia inerente em si para se expandir. A
proposição é o sermão em miniatura e contém a essência de sua forma
e conteúdo. (5) A proposição é o alicerce da estrutura do sermão.

Para se descobrir e transmitir o conceito bíblico a grande ideia da passagem,


é necessário ao expositor o segundo passo do processo da pregação na definição
de Robinson. Um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu
contexto. Esse passo na preparação da pregação pode também ser chamado de
exegese. A exegese está totalmente ligada à pregação expositiva, pois:

É um exame detalhado do texto bíblico. É a busca da aplicação dos


princípios hermenêuticos para se chegar a uma definição correta do texto. O
prefixo Ex significa (fora de, para fora de). É o estudo do significado das

1
I have a conviction that no sermon is ready for preaching, not ready for writing out, until we can
express its theme in a short, pregnant sentence as clear as a crystal. I find the getting of that sentence
is the hardest, the most exacting, and the most fruitful labour in my study. To compel oneself to
fashion that sentence, to dismiss every word that is vague, ragged, ambiguous, to think oneself
through to a form of words which defines the theme with scrupulous exactness,—this is surely one of
the most vital and essential factors in the making of a sermon: and I do not think any sermon ought to
be preached or even written, until that sentence has emerged, clear and lucid as a cloudless moon.
22

palavras à luz do tempo e do lugar onde originalmente foram escritos


(informação verbal) 2.

A exegese analisa todo o texto a ser exposto no púlpito. Através de usas


ferramentas o pregador pode se chegar ao significado da passagem. Sem essa
analise exegética fica difícil para o pregador chegar ao significado da passagem.
Toda sua pregação será defeituosa se não passar pelo crivo da exegese. Exegese
anda junto com a exposição. Segundo Grassmick (2009, p.12), “Exegese e
exposição são comumente consideradas termos sinônimos em português”. Ele
acrescenta:

No uso técnico, a exegese é muitas vezes limitada à interpretação crítica da


Escritura na língua original, ao passo que a exposição é a proclamação do
significado da Bíblia e sua aplicação ao homem moderno. Sem dúvida, a
boa exposição pressupõe boa exegese. Em geral, a exegese está para a
exposição como a interpretação está para a aplicação.

Para Grassmick (2009, p.11) “A Exegese é a aplicação dos princípios


hermenêuticos ao texto bíblico com o objetivo de entendê-lo e explica-lo”. A
pregação expositiva está totalmente relacionada com a Escritura e a analise do texto
bíblico antes de expô-lo é de grande importância. Todos os princípios hermenêuticos
devem ser praticados antes da exposição bíblica para um entendimento correto do
significado da passagem em seu sentido original. O objetivo desse trabalho
laborioso da exegese é para que a passagem venha ser compreendida e o expositor
tenha segurança do verdadeiro sentido do texto. Robinson (2002, p.25.) diz a esse
respeito:

Em seu escritório, o expositor procura o significado objetivo de uma


passagem através de seu entendimento da linguagem, pano de fundo e
cenário do texto. Depois, no púlpito, apresenta à congregação o resultado
do seu estudo, para que o ouvinte possa averiguar, por si mesmo, a
interpretação. Em última análise, a autoridade por detrás da pregação
reside não no pregador, e sim, no texto bíblico. Por esta razão, o expositor
lida principalmente com uma explicação da Escritura, de tal maneira que
focaliza na Bíblia a atenção do ouvinte.

É indispensável para um expositor da palavra de Deus o estudo da passagem


através da exegese. Para alguns, estudar a passagem com profundidade pode ser
perca de tempo devido à falta de entendimento do que seja a exegese. O que se
entende de exegese é que seja um estudo apenas das palavras nas línguas

2 Informação coletada nas aulas da disciplina de Exegese do Seminário Teológico Batista do Ceará
(STBC) em Fortaleza, no dia 20 de novembro de 2015.
23

originais e que não fará sentido algum entendê-las. Mais a exegese não só analisa
as palavras ou a gramática nas línguas originais, como também estuda a passagem
em seu todo como os contextos literário e histórico, para se chegar ao entendimento
e anunciar seu significa para o povo. Kaiser (1981, apud Lachler, 1991, p.47)
escrever sobre isso:

Não “importa como se defina exegese, uma parte básica em seu processo
deve ser a “lapidação” da passagem”. Temos aqui um ponto crucial para o
sermão expositivo. “Esta “lapidação” da passagem” deve ser mais do que
uma concentração nas construções gramaticais. A exposição deve ser o
resultado final de uma exploração na passagem, que encontra nela sua
verdade prática central. O sermão expositivo explica essa verdade central,
de modo a torna-la aplicável à vida e ao contexto do ouvinte. Este deve ser
o resultado de um “confronto direto com a passagem”.

Mesmo os pregadores que não tem o conhecimento nas línguas originais são
possíveis de fazer o estudo exegético. O expositor estuda os contextos históricos e
literários e pode-se utilizar do estudo gramatical no vernáculo. A grande maioria dos
pregadores não possui uma formação adequada para se aprofundar nas línguas
originais. Isso não é um impedimento para se pregar expositivamente. Lachler
(1990, p.93) comenta:

A exegese no vernáculo pode parecer para alguns um atalho ilegítimo e


para outros um grande alívio para a difícil tarefa do estudo concentrado da
linguística. Todavia, a exegese no vernáculo exigirá energia quanto à outra.
Por certo, ela requer uma análise sadia das palavras e frases no parágrafo
da pregação.

A dedicação do pregador será de grande importância para se chegar ao


entendimento do texto ao ponto de se levar ao púlpito e ser eficaz na vida dos
ouvintes. A exegese não consiste apenas da gramatica mais outros aspectos do
texto que devem ser observados. Marinho (2008, p.221) diz que:

Deve ser relacionado às informações históricas, identificar os elementos


literários como, por exemplo, o gênero literário, destacar os componentes
ativos do texto como os personagens principais as ideias que mais se
repetem além desses aspectos devem ser relacionados os ensinamentos do
texto: conceitos que foram apresentados, as doutrinas que aparecem e
finalmente as lições espirituais que podem ser tiradas.

Tudo isso faz parte de um estudo histórico, gramatical e literário de uma


passagem para transmitir um conceito bíblico que pode ser chamado de grande
ideia ou proposição.
24

Há muitos recursos disponíveis para ajudar na grande tarefa do estudo de


uma passagem. Robinson (2002, p.67) sugere seis recursos ou ferramentas para
ajudar a examinar o texto bíblico que são: Léxicos, concordância Bíblica, gramáticas,
livros de estudo de palavras, dicionários da Bíblia, enciclopédias e comentários.
Diante dessa tarefa parece que a pregação expositiva seja uma forma difícil de
pregar devido a essa preparação. Mas o pregador precisa estar disposto a enfrentar
todas as dificuldades se quiser utiliza-la para a pregação.

O terceiro passo fundamental da pregação expositiva na definição de


Robinson (2002, p.22) é aplicação de toda a mensagem na vida do pregador e
depois na vida dos ouvintes. O pregador é um instrumento de Deus para seu povo.
Ele primeiramente deve ser confrontado com a mensagem que ele mesmo prepara.
Ele deve ter a consciência que o que ele está fazendo não é apenas um estudo para
mostrar seus conhecimentos, mas, está lidando com questões espirituais e tudo que
ele prepara serve em primeiro lugar para sua vida. Robinson (2002, p.27) diz: “Antes
de proclamar aos outros a mensagem da Bíblia, o pregador deve conviver com
aquela mensagem”. O pregador deve ser transformado através da mensagem que
vem Deus que primeiro vem a sua vida para depois atingir os ouvintes. Robinson
(2002, p.28) acrescenta:

Em última análise, Deus está mais interessado em desenvolver


mensageiros do que mensagens, e visto que é através da Bíblia que o
Espírito Santo nos confronta, precisamos, em primeiro lugar, aprender a
escutar a Deus, antes de falarmos em nome dele.

O pregador é o primeiro alvo da mensagem vinda de Deus. A definição ainda


diz que além da mensagem ser aplicada a vida do pregador, ela deve ser aplicada a
vida dos ouvintes. Isso significa que o sermão expositivo caminha para um objetivo
prático: O que os ouvintes devem fazer com o que fora dito? Que diferença faz a
mensagem nas vidas pessoais de cada um dos ouvintes? A aplicação é o objetivo
maior da pregação expositiva. A mensagem da Palavra de Deus tem o objetivo de
transformar vidas. A própria Escritura diz (2 Tm 3, 16), que ela serve para instruir,
repreender e corrigir. Para Chapell (2002, p.46), a aplicação deve responder: O “E
daí?” da pregação. Depois de ouvir o significo da passagem explicada o pregador
deve mostrar o que se deve ser feito com o que ouviram. Que efeito a mensagem
faz em suas vidas. Robinson (2002, p.93), traz a seguinte frase: “que diferença
25

faz?”. Qual a diferença que a mensagem faz na vida cotidiana das pessoas. Já para
Broadus (2009, p.177), a aplicação traz instruções práticas:

A aplicação, em seu sentido estrito, consiste de uma ou mais partes do


discurso em que se mostra como o tema se aplica às pessoas abordadas,
que instruções práticas lhes oferecem e que exigências práticas lhes faz.

A pregação expositiva como já foi mencionado, pode ser mal compreendida


por muitos, pelo fato de acharem que ela se resume apenas em explicações de
termos difíceis e ortodoxos que só servem para enriquecer o conhecimento
intelectual dos pregadores como de seus ouvintes, mas, não é bem assim. Toda
labuta da exegese deve resultar em uma boa aplicação como Robinson (2002, p.94),
escreve:

A exegese é básica para aplicação perceptiva. Não podemos decidir o que


uma passagem significa para nós, a não ser que tenhamos determinado
primeiro qual é o sentido da passagem, quando a Bíblia foi escrita. Para
fazer isso, devemos assentar-nos diante do escritor bíblico e procurar
entender aquilo que ele quis transmitir a seus leitores originais. Somente
depois de compreendermos aquilo que ele quis dizer em seus próprios
termos e para seus próprios dias, é que podemos esclarecer que diferença
aquilo deve fazer na vida dos nossos dias.

O pregador expositivo tem esse foco estudar a Escritura para entender seu
significado, mais também ele é um arauto que traz uma mensagem que transforma
os ouvintes. A aplicação é necessária, pois, mostra as verdades de Deus
governando a vida dos ouvintes. As pessoas precisam ver como a verdade do texto
opera em suas vidas, sem isso, a exposição permanece incompleta. Lopes (2008,
p.159) comenta:

A pregação expositiva não obriga simplesmente os pregadores a explicar o


que a Bíblia diz; ela os obriga a explicar o significado bíblico na vida das
pessoas hoje. A aplicação é tão necessária para o aprendizado sólido
quanto à explicação. De fato, o verdadeiro significado de um texto
permanece oculto até discernimos como as suas verdades devem governar
nossa vida. A aplicação leva, portanto, a Palavra do Deus vivo para vida do
seu povo.

O objetivo da pregação é aplicação devido às necessidades dos ouvintes da


Palavra Deus. Nas Escrituras encontramos muitas partes em que os autores bíblicos
transmitiam um ensino e logo depois aplicavam a vida de seus leitores como por
exemplo, quando o Apostolo Paulo escreveu a Tito (Tt 2, 1-6):
26

Tu, porém, fala o que está em harmonia com a sã doutrina. Exorta os mais
velhos para que sejam equilibrados, respeitáveis, sóbrios, sadios na fé, no
amor e na constância; as mulheres mais velhas, de igual modo, sejam
reverentes no viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do
bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem o marido e os filhos,
a serem equilibradas, puras, eficientes no cuidado do lar, bondosas,
submissas ao marido, para que não se fale mal da palavra de Deus. Exorta
de igual modo os jovens para que sejam equilibrados. (TITO, 2011, p.1104).

Paulo ao falar para Tito ensinar a “doutrina” não se referia apenas que ele
ensinasse termos teológicos, mais que esse ensino fosse aplicados como ele
mesmo demonstra a partir do verso três. Chapel (2002, p.48) comentando sobre
essa passagem diz que:

“Paulo conta com a "doutrina" de Tito para dar às pessoas de sua


congregação, direção específica para o dia-a-dia da vida delas. Tal
instrução não caracteriza apenas essa única passagem; ela reflete o padrão
das cartas de Paulo”.

Os ouvintes necessitam dessas instruções práticas para poderem aplicar a


vida cristã no seu dia a dia. Através de sua Palavra, Deus quer transformar motivos
em condutas. Lopes (2008, p.160) afirma: “Em síntese, a Escritura confronta-nos
sobre nosso relacionamento com Deus e uns com os outros”. A aplicação é parte em
que o pregador mostra o caminho para que os ouvintes possam ver o poder da
Palavra transformando suas vidas. Broadus (2009, p.175-176) comenta:

Aplicação em um sermão não é um mero anexo à discursão ou parte


subordinada dele, mas a principal coisa a ser feita. [...] O sermão está
sempre se movendo dentro do propósito de tornar a verdade vivamente
eficaz.

Sem uma aplicação correta, a pregação não pode ser chamada de pregação
expositiva. Lopes (2008, p.160) conclui dizendo: “Sem ela, o sermão fracassa,
porque a verdade bíblica só faz sentido quando se relaciona com a vida”. A
aplicação é o objetivo maior da pregação expositiva. O sermão expositivo caminha
para o resultado prático na vida dos ouvintes.

2.3 A DIFERENÇA DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA OS OUTROS ESTILOS DE


PREGAÇÃO

Os sermões podem ser classificados, geralmente pela sua estrutura


homilética. Para Lachler (1990, p.49), as partes globais de qualquer sermão são
duas “estrutura e conteúdo”. Quanto a suas estruturas os sermões podem ser:
27

Temáticos ou tópico, Textuais e Expositivos. É de grande importância explicar o


conceito básico de cada um.

2.3.1 O SERMÃO TEMÁTICO OU TÓPICO

Marinho (2008, p.193) Define: “O sermão temático é aquele em que o


pregador determina o assunto que deseja e então busca os textos bíblicos para
formar as divisões principais que vão apoiar o assunto escolhido”. O sermão
temático é o mais usado por ser o mais comum e mais fácil de preparar. Lopes
(2008, p. 137) contribui dizendo que o tópico “pode ser extraído do texto, mas as
divisões dependem do assunto”.

O sermão temático pode ser bastante útil em ocasiões práticas para discutir
um tema de modo tão abrangente. Dependendo das necessidades da congregação,
o pregador que utiliza esse estilo apresenta uma visão completa de alguma doutrina
ou algum tópico de moralidade geral. Marinho (2008, p.193) diz que: “esse método é
muito útil para sermões doutrinários e evangelísticos, que precisam basear-se em
diferentes temas da Bíblia”. Lopes (2008, p.138-139) exemplifica um sermão
temático:

Tema: como Deus considera os pecados do seu povo? Texto – Miquéias 7.19
I – Deles não mais se lembrará – Jeremias 31.34
II – Ele os cobriu – Salmos 32.1
III – Ele os removeu de nós – Salmos 103.12
IV –Ele os atirou para traz de si – Isaías 38.17
V – Ele nos purificou dos pecados – 1 João 1.7
VI – Ele os lançou nas profundezas do mar – Miquéias 7.19
Algumas vantagens do sermão temático são a variedade de assuntos, a
facilidade do preparo e facilidade de alcançar os objetivos. Para Broadus (2009,
p.63) o “sermão tópico é mais agradável a um público culto, já que é mais lógico e
também mais convincente”.

2.3.2 O SERMÃO TEXTUAL

Definição de Marinho (2008, p.197) do sermão textual: “O sermão textual é


aquele cujo assunto é tirado de um texto bíblico pequeno, geralmente de um só
28

versículo, de onde vêm à ideia central e as divisões principais”. O sermão textual


pode também consistir em um versículo todo ou, até mesmo, em dois ou três
versículos. Braga (2005, p.34) comenta que: “os autores de livros de homilética não
definem especificamente a extensão da passagem no sermão textual, mas, para o
proposito, do estudo é limitado ao máximo em três versículos”. Broadus (2009, p.61-
62) dá um exemplo de sermão textual:

Salmo 145.16
I – Deus provê a cada um pessoalmente
II – Deus provê com facilidade
III – Deus provê com abundância
Broadus (2009, p.62) comenta sobre o sermão textual dizendo que: “em
muitos aspectos, o sermão textual tem um formato mais fácil. As principais divisões
estão no texto; no entanto, há considerável liberdade na escolha do material e no
desenvolvimento”.

2.3.3 O SERMÃO EXPOSITIVO


O sermão expositivo já foi bastante explicado no item 2.2. Mais é necessário
alguns acréscimos para comparar todos os estilos. Marinho (2008, p. 200) escreve:

No sermão expositivo, todas as ideias saem do texto e do contexto. A ideia


central as divisões principais e todas as subdivisões originam-se de uma
passagem maior da Bíblia e são interpretadas à luz do contexto, o qual
fornece o tema e as aplicações do sermão.

Para Broadus (2009, p. 65) “todo o conteúdo de pensamentos do sermão


expositivo vem das Escrituras. Isso não exclui a explicação, a ilustração e a
aplicação de outras fontes, mas as ideias básicas vêm do texto”. Lopes (2008,
p.161) exemplifica um sermão expositivo:

Genesis 3.1-24
Tema: A sedução da serpente e a intervenção de Deus
I – O bote da serpente
A. Disfarce – v.1
B. Dúvida –v.1
C. Inversão da Palavra de Deus v.1
D. Deus acusado de mentir – v.4
E. Deus acusado de tirano – v.5
29

F. Eva coloca em um pedestal de glória – v.5


II – A estratégia da serpente
A. Eva estava no lugar errado – v.6
B. Eva estava falando com a pessoa errada – v.1,2
C. Eva estava usando a Palavra de Deus de modo errado – vv.2,3
III – As consequências do veneno da serpente
A. Vergonha – v.5,7
B. Fobia de Deus – v.8-10
C. Culpa – v.8
D. Morte – v.3
IV – O remédio de Deus para salvar-nos do veneno da serpente
A. A vitória de Jesus sobre a serpente – v.15
B. A expiação provida por Deus – v.21

2.3.4 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEMÁTICO

Diante dos conceitos e definições básicos sobre os três principais estilos de


pregação é importante à comparação entres eles para uma avaliação sobre a
pregação expositiva. Primeiro, o sermão temático começa com um tema escolhido
pelo pregador e só depois busca um texto que encaixe com sua ideia. Braga (2005,
p.20) escreve que: “esse tipo de sermão tem início com um tema ou tópico e que
suas partes principais consistem em ideias derivadas desse tema”. Já o sermão
expositivo começa com o texto e seu tema ou grande ideia é extraído naturalmente
do texto. O pregador expositivo busca no texto o tema do sermão. Segundo, o
sermão temático busca textos bíblicos em outras partes da Escritura para formar as
divisões principais que vão apoiar o tema escolhido. Braga (2005, p.20) afirma que:
“os versículos nos quais se fundamentam as divisões principais devem ser, em
geral, extraídos de porções bíblicas mais ou menos distantes umas das outras”. O
sermão expositivo retira do próprio texto as divisões e subdivisões propriamente do
texto a ser exposto que estão totalmente ligados com o tema ou grande ideia do
texto. Uma comparação real sobre os dois tipos de sermão se da nas pregações de
dois pastores Batistas que pregaram o mesmo texto:

Quadro 1 – Comparação de dois sermões


30

1 Pe 5, 1- 4 1 Pe 5, 1- 4
Sermão A Sermão B
O pastor que eu queria ter Pastores que pastoreiam o rebanho
formam líderes que servem bem
1- Eu queria um pastor que me vs. 1 - Pastores que pastoreiam
inspirasse em uma espiritualidade tratam aos liderados como a iguais.
baseada na comunhão com Deus 2- vs. 2 - Pastorear o rebanho
significa manter as pessoas reunidas.
2- Eu queria um pastor que me 3- vs. 2 - Pastorear inclui 2 tipos de
inspirasse uma vida de santidade responsabilidade:
alimentar (instruir)
3- Eu queria um pastor caminhasse cuidar
comigo nas crises da vida 4- vs. 2,3 - A atitude do pastor que
influencia a formação de líderes
4- Eu queria um pastor que fosse tão a- Não constrangido por algo exterior;
humano quanto eu, sem máscaras ou seja, tem convicção interna,
compromisso. Necessidade interior de
5- Eu queria um pastor que fosse honrar ao Seu Senhor.
apaixonado por Jesus e o Seu reino. b- "Boa vontade" - com alegria.
c- Como Deus quer. Ele quer pessoas
que oram muito pelo seu rebanho.
d- Cuidado com o dinheiro, com a
ganância.
e- Desejo de servir.
f- Exemplo para o rebanho.
5- vs. 4 - O pastor que pastoreia
receberá o resultado do serviço
Pregador: Pr. Estevam Fernandes Pregador: Pr. Russel Shedd
Data: 09-04-14 – Local: Conferencia Data: 03-03-14 - Local: Conferência
Internacional de pastores e lideres Consciência Cristã
evangélicos

Fonte: material transcrito do Youtube - Postado em: 2014 no You tube por Edson
Bezerra. Postado em: 2015 no You Tube por Tonyran Mendes Jr.
31

Os dois sermões, foram pregados com base no mesmo texto, porém, o


sermão A retirou seus pontos principais do tema proposto pelo o pregador. Já o
sermão B os pontos e o tema principal foram tirados diretamente do texto. Laclher
(1990, p.49) conclui sobre o sermão tópico dizendo que: “Na melhor das hipóteses, o
sermão tópico é um discurso bíblico. Na pior das hipóteses, ele pode ser uma
opinião pessoal tendenciosa sobre Deus e a religião”.

2.3.5 COMPARAÇÃO DO SERMÃO EXPOSITIVO COM O TEXTUAL

O sermão textual é parecido com o sermão expositivo, mas, com algumas


diferenças. Primeiro, O sermão textual geralmente é constituído de uma breve
passagem bíblica, ou um único versículo ou dois. Já o expositivo, o texto pode ser
uma parte mais ou menos extensa da Bíblia ás vezes um capítulo inteiro ou até
mesmo um versículo. Broadus (2009, p.66) contribui dizendo:

Não parece válido definir um sermão expositivo em termos do comprimento


do texto, em geral três ou mais versículos. Embora o sermão expositivo
parta frequentemente de uma passagem mais longa, ele pode se
fundamentar em um único versículo ou menos em uma única palavra. [...]
Na realidade, são muitos os diferentes tipos de sermão expositivo. Além da
palavra, do texto único e do parágrafo, pode se basear também em um
capítulo, livro, episódio, drama, narrativa ou incidente. O método expositivo
é limitado pelo tipos de literatura presentes nas Escrituras.

Segundo, o sermão textual as divisões principais é constituído do texto, mais


suas subdivisões não. Broadus (2009, p.62) descreve: “Em muitos aspectos, o
sermão textual tem o formato mais fácil. As principais divisões estão no texto; no
entanto, há considerável liberdade na escolha do material e no desenvolvimento”.
No sermão expositivo tanto as divisões principais como as subdivisões provem do
texto bíblico. Braga (2005, p.55) escreve:

Na mensagem textual, as divisões oriundas do texto são usadas como linha


de sugestão, isto é, indicam a tendência do pensamento a ser seguido no
sermão, permitindo que o pregador tire de qualquer parte da Escritura as
subdivisões ou ideias para a elaboração do esboço, de acordo com o
desenvolvimento lógico dos pensamentos contidos nas divisões principais.
O sermão expositivo, por sua vez, obriga o pregador a extrair todas as
subdivisões, bem como as divisões principais, da mesma unidade bíblica
que pretende expor. Dessa maneira, o sermão todo consiste na exposição
de uma passagem bíblica, que se converte no próprio tecido do discurso.
32

Em terceiro lugar, no sermão textual, o estudo do contexto é importante; no


expositivo, é indispensável, pois, do contrário, o sermão deixa de ser expositivo.
Lachler (1990, p.50) conclui dizendo:

Na melhor das hipóteses, o sermão textual irá esboçar e trabalha em cima


do versículo bíblico escolhido para o sermão. Na pior das hipóteses, o
sermão textual pode fazer uso fraudulento das Escrituras para “santificar”
tendências religiosas pessoais.

2.3.6 PERIGOS E DESVANTAGEM DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

A pregação expositiva tem alguns perigos que podem impedir de ser um estilo
usado em muitas igrejas. Por falta de uma instrução ou falta de experiências de
muitos pregadores expositivos ela pode trazer dificuldades para que os ouvintes
possam apreciar uma verdadeira exposição bíblica. Lopes (2008, p.151) lista alguns
perigos: “tédio por causa da abordagem repetitiva, irrelevância e excesso de
detalhes”. Braga (2005, p.75) diz que: “muitos pregadores podem cometer erros
devido ao processo da exegese, pois, perdem-se no acúmulo de detalhes e não
conseguem ver a mensagem principal do texto”. Ele ainda comenta que o sermão
contém tantos detalhes que é difícil para o ouvinte acompanhar a mensagem. Esses
erros devem ser evitados para que a exposição seja relevante.

Os três estilos de pregação podem ser usados na proclamação da Palavra de


Deus, mas, a pregação expositiva é a mais bíblica e eficaz de todos. Depois de
avaliarem cada sermão os autores são enfáticos em dizer que pregação expositiva é
a mais bíblica e eficaz. Broadus (2009, p.65) diz que o sermão expositivo deveria ser
o mais usado. Se pregar é da voz a bíblia e proclamara a verdade de Deus, o
sermão expositivo seria o mais comumente usado, mas, tem sido o mais
negligenciado. Para Marinho (2008, p.202), é o mais bíblico ele diz:

Apesar de ser o mais difícil de preparar, o sermão expositivo é o que


penetra na alma com mais poder, porque é o que possui maior volume de
conteúdo bíblico. Esse tipo de sermão extrai do texto bíblico não apenas a
ideia central, as divisões e as subdivisões, mas o próprio espírito do texto,
fazendo o ouvinte reviver as circunstâncias e os sentimentos que produzem
aquele texto.

Já para Braga (2005, p.53) o sermão expositivo é o mais eficaz devido formar
com o tempo uma congregação que aprendera com seu ensino fundamentado na
Escritura. Ao expor a Escritura, o pregador interpreta a verdade bíblica. O que nem
33

sempre pode se dizer dos outros tipos de sermão. A pregação expositiva traz a
autoridade e o poder da Palavra de Deus. Lopes (2008, p.19) diz:

Embora Deus possa usar outros métodos de pregação, segundo a Bíblia e a


história da igreja, a pregação expositiva é a melhor forma de pregar, com
autoridade e poder, a Palavra de Deus. A escritura não erra, é infalível e
suficiente. É espada, martelo e fogo. É eficaz para executar o propósito de
Deus.

Robinson (2008, p.20 -21) diz que a principal ferramenta que Deus se dirigi as
pessoas é através da Bíblia. Através da pregação da Palavra Deus opera
transformando vidas e que o tipo de sermão que melhor transmiti a autoridade divina
é a pregação expositiva. Lachler (1990, p.34-35) argumenta em favor da pregação
expositiva quando escreve:

Na verdade, a pregação expositiva é um elo entre a eternidade, o passado,


o presente e o futuro do pregador e do ouvinte. Ela torna possível a
miraculosa transformação de caráter que todos necessitamos. Sem este
tipo de pregação, os atos de Deus ficam como se estivessem suspensos no
passado, inconscientemente identificados com superstição. [...] A exposição
da Palavra eterna permite que Deus fale com a menor quantidade possível
de empecilhos humanos. A esta altura devemos estar percebendo que o
sermão expositivo não é um experimento religioso, pelo qual o pregador
propaga suas opiniões pessoais, ou qualquer tipo de palestra teológica
precipitada. Como podemos ver, é a combinação da dinâmica da Palavra
eterna e do arauto que acredita inteiramente na eficácia dela. Este é nosso
argumento até este ponto: a Bíblia é a Palavra de Deus vivo hoje.

A pregação expositiva é bíblica e eficaz para ser utilizado para o crescimento


saudável da igreja, pois busca na própria Escritura sua essência. Deus transforma
vida através de sua Palavra e a pregação expositiva é a mais fiel para essa
transmissão. O pregador que se utiliza dessa forma de pregação tanto será
enriquecido como encherá sua congregação da Palavra de Deus.
34

3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA HISTORIA

Uma analise histórica sobre a pregação expositiva é necessário para ter um


conhecimento de como a Palavra de Deus foi transmitida ao longo da história. É de
extrema importância o estudo histórico sobre como os pregadores do passado
pregaram. A pregação expositiva teve seus grandes expositores que ao longo da
história se destacaram e que seus ministérios tiveram grandes resultados. Como
Stitzinger (1992, p.5, tradução nossa) observa:

A rica herança da pregação expositiva na história da igreja resulta de um


número relativamente pequeno de homens que se comprometeram a este
tipo de pregação. Estes homens, dedicados a expor as Escrituras, são um
incentivo e um desafio por causa dos resultados profundos de seus
ministérios.3

Stott (2003, p.15) diz que a “pregação é indispensável para o cristianismo”. O


cristianismo é marcado como a religião da Palavra de Deus. Ao longo da historia a
pregação vem sendo o veiculo mais poderoso de Deus se comunicar. Pode se dizer
que o cristianismo é exclusivo na tarefa da pregação. Dargan (1905, p.12, vol 1,
tradução nossa) escreve: “A pregação é uma parte essencial e uma característica
distintiva do cristianismo, e, consequentemente, a maior história de movimentos
religiosos gerais inclui a de pregar”.4

Homens no passado se dedicaram por completo a excelente obra da


exposição da Palavra de Deus e que um estudo sobre a história da pregação
expositiva pode incentivar outros para essa nobre tarefa de serem verdadeiros
mensageiros de Deus. Stitzinger (1992, p.6, tradução nossa) escreve sobre a
pregação expositiva dizendo: “tem sido um fator significativo na história da igreja,
ganhando um papel como um assunto digno de estudo”.5 Assim como em qualquer
tema a ser pesquisado, a história da pregação expositiva deve ser estudada para
que outros conheçam sua importância como um campo a ser explorado. Ao enfatizar

3
The rich heritage of expository preaching in church history stems from a relatively small number of
men who have committed themselves to this type of preaching. These men, devoted to expounding
the Scriptures, are an encouragement and a challenge because of the profound results of their
ministries.

4"preaching is an essential part and a distinguishing feature of Christianity, and accordingly the larger
history of general religious movements includes that of preaching."
5
“It has been a significant factor in the history of the church, earning a role as a worthy topic of study”.
35

a importância de um estudo tal como a pregação expositiva Garvie (1921, p.22,


tradução nossa) escreveu as seguintes palavras:

A melhor abordagem para qualquer assunto é pela sua história; se uma


ciência temos que aprender tudo o que pudermos sobre as descobertas
anteriores; se uma arte, sobre os métodos anteriores. O pregador cristão
estará melhor preparado para a sua tarefa hoje, se ele tem algum
conhecimento de como os homens tem pregado anteriormente . . . .
Enquanto na pregação, como em atividades humanas de menor instante,
existem estilos que seria loucura para reproduzir quando eles caíram fora
da data, ainda não está respeitando os objetivos e regras da pregação, que
devem ser tidos em conta em cada época, e que pode ser aprendido pelo
estudo da pregação do passado. Admiração do grande e do bom, mesmo
sem imitação, faz um homem mais sábio e melhor ; o pregador cristão irá
enriquecer a sua própria masculinidade pela intimidade com aqueles em
cuja sucessão digno ele está. . . . Ele estará menos sujeito ao passado, que
é menos ignorante, e será mais dono do presente cujo conhecimento está
menos confinado.6

O estudo histórico da pregação expositiva enriquecerá os pregadores de hoje


nessa tarefa tão sublime. Enriquecerá de conhecimento, sabedoria e de como não
se moldar aos movimentos que surgem em épocas diferentes que deturpam a
verdadeira pregação bíblica. A atual geração cuja história ainda está para ser escrito
pode aprender muito com aqueles cuja história está completa. Stitzinger (1992, p.7,
tradução nossa) comentando sobre a importância da historia da pregação escreve:
“Uma exposição à história da pregação expositiva fornece um contexto, um ponto de
referência, e uma base para distinguir o transitório do eterno”.7 Estudar sobre a
pregação expositiva na historia vai motivar o pregador na direção e aumentar sua
confiança na exposição fiel da Bíblia.

3.1 AS EVIDÊNCIAS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA NOS TEMPOS BÍBLICOS

As Escrituras são a maior fonte histórica da proclamação da Palavra de Deus.


É dela que vem a pregação original. Deus revelou e ordenou a transmissão de suas

6 The best approach to any subject is by its history; if a science, we must learn all we can about
previous discoveries; if an art, about previous methods. The Christian preacher will be better equipped
for his task today, if he has some knowledge of how men have preached in former days. . . . While in
preaching even, as in human activities of less moment, there are fashions of the hour which it would
be folly to reproduce when they have fallen out of date, yet there are abiding aims and rules of
preaching, which must be taken account of in each age, and which can be learned by the study of the
preaching of the past. Admiration of the great and the good, even without imitation, makes a man
wiser and better; the Christian preacher will enrich his own manhood by intimacy with those in whose
worthy succession he stands. . . . He will be least in bondage to the past, who is least ignorant of it,
and he will be most master of the present whose knowledge is least confined to it.

7An exposure to the history of expository preaching furnishes a context, a reference point, and a basis
for distinguishing the transient from the eternal.
36

palavras aos seus servos para que eles transmitissem ao povo. Stitzinger (1992, p.8,
tradução nossa) diz que as pregações nas Escrituras são de duas formas básicas.
Ele escreve:

Pregação na Bíblia são duas formas básicas: pregação reveladora e


pregação explicativa. Toda a pregação pós-bíblico tem como pano de fundo
a pregação registrado nas Escrituras e deve traçar suas raízes para esta
fonte.8

Deus revelou e as registrou para que essas Palavras sejam agora explicadas
pelos seus mensageiros. Portanto, as Escrituras são a fonte primaria da pregação
expositiva como exemplo de pregação. Lopes (2008, p.22) diz que: “para aprender
sobre a pregação expositiva é necessário antes de tudo, observá-la nas Escrituras”.

3.1.1. A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento registra muitas passagens da transmissão da Palavra


de Deus pelos pregadores em vários períodos. Larsen (2005, p.13,14) mostra alguns
registros das pregações no Antigo Testamento. “Enoque condenou o mundo antigo
como Judas escreveu que ele profetizou em seu tempo. Noé é chamado de
“pregador da justiça” em (2 Pe 2, 5)”. Deus usou instrumentos diferentes para
comunicar a sua Palavra, como o profeta que transmitia a palavra divina do Senhor,
o sacerdote que transmitia a lei e o sábio que oferecia conselhos (Jr 18, 18).

As sementes da pregação expositiva estão no mistério de Moisés. O livro de


Deuteronômio é uma série de sermões chamando o povo de Deus para a renovação
da aliança. Moisés define o propósito da leitura da Palavra de Deus em
Deuteronômio (Dt 31, 10-13):

Moisés deu-lhes esta ordem: Ao fim de cada sete anos, no ano da


remissão, na festa dos tabernáculos, quando todo o Israel comparecer
perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que ele escolher, esta lei será lida
diante de todo o Israel, para que todos a ouçam. Reuni o povo, homens,
mulheres e crianças, e os estrangeiros dentro das vossas cidades, para que
ouçam, aprendam e temam o SENHOR, vosso Deus, e tenham o cuidado
de obedecer a todas as palavras desta lei; e para que seus filhos que não
conhecem esta lei ouçam e aprendam a temer o SENHOR, vosso Deus,
todos os dias que viverdes sobre a terra que ireis possuir quando
atravessardes o Jordão. (DEUTERONÔMIO, 2011, p. 205).

8 “Preaching in the Bible is in two basic forms: revelatory preaching and explanatory preaching. All
post-biblical preaching has the backdrop of the preaching recorded in Scripture and must trace its
roots to this source.
37

Moisés mostra o proposito de ler a Lei de Deus que é aprender sobre o


Senhor e ouvir e teme-lo cuidando de cumprir todas as palavras da lei. A pregação
expositiva tem esse objetivo, ouvir e temer ao Senhor, aprender sobre Ele e fazer o
que está escrito. Através da leitura e explicação com aplicação, o povo com certeza
temerão ao Senhor. Moisés além de ler a lei, ele também ensinou e aplicou a Israel
em Deuteronômio (4, 1-2):

Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para
os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor,
Deus de vossos pais, vós dá [...] para que guardeis os mandamentos do
Senhor, vosso Deus, que eu vos mando (DEUTERONÔMIO, 2011, p. 177).

Moisés com muito zelo ensinava a Lei para que o povo ouvisse e colocassem
em pratica em seu dia a dia e que através disso recebessem de Deus as bênçãos
mediante as sua palavra ensinada. Outra passagem que claramente há evidências
da exposição no ministério de Moisés é em Deuteronômio (Dt 6, 1-8):

Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o


SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a
que passas para a possuir; para que temas ao SENHOR, teu Deus, e
guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu
filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam
prolongados. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem
te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te
disse o SENHOR, Deus de teus pais. Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus,
é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje,
te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas
falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e
ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por
frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas
portas (DEUTERONÔMIO, 2011, p. 180).

A pregação expositiva consiste em três pontos básicos que é ler, explicar e


aplicar, Moisés inclui essas mesmas ênfase. Lopes (2008, p.24) comentando diz que
alguns princípios ficam claros nesse texto da Escritura. Ele acrescenta:

(1) O que ensinar? A lei de Deus. (2) Como ensinar? Pelo exemplo, por
palavras e ilustrações. (3) Quando ensinar? Sempre: sentado, andando,
deitado, ao levantar. (4) onde ensinar? Em casa, andando, trabalhando e
quando parado. (5) aquém ensinar? A nossos filhos. (6) por que ensinar?
Para levar os filhos a amar ao Senhor Deus.

O ministério de Moises foi marcado pela a preocupação de se ensinar a


Palavra de Deus. Após a sua morte, Josué assume a liderança da nação de Israel.
Assim como Moises, Josué teve o cuidado de ensinar a Palavra em seu tempo.
38

Josué pregou e explicou a Palavra de Deus a Israel conforme registrado em Josué


23.1 a 24.27. Libaneo (2015, p.9) diz que:

A despedida de Josué mostra a eficácia da exposição das Escrituras. No


capítulo 23 vemos a exposição das leis (provavelmente do livro de
Deuteronômio). No capítulo 24 vemos a exposição sequencial da narrativa
da história de Israel. Isso deixou claro que as leis vieram de Deus, e por
isso há bênçãos e maldições, dependendo da obediência. Também lembrou
o povo o que Deus já havia feito pelo eles. Diante dessas exposições o
povo deve tomar uma decisão, obedecer ou não a Deus! A exposição
bíblica deixa claro que não obedecer aos seus preceitos é desobedecer a
Deus e não a homens.

Broauds (1893, p.7, tradução nossa) comenta sobre os ensinos de Josué: “...
em seu uso finamente retórico da narrativa histórica, o diálogo animado, e apelo
criativo e apaixonado.” 9 Josué entendia na prática a importância de se pregar a
Palavra de Deus de forma dedicada. Explicando e aplicando o que Moisés ensinou,
assim como sendo inspirado por Deus para trazer novas instruções ao povo. Ele fez
isso, com zelo e fidelidade. À medida que a revelação era dada por Deus e
registrada, as próximas gerações tinha a responsabilidade de explicar a revelação
que fora escrita assim como Josué fez. Isto se tornou o padrão das pregações do
Antigo Testamento. Stitzinger (1992, p.9, tradução nossa) comenta dizendo: “O que
está claro no A.T é que depois de um corpo de revelação teve sido dado, as
pessoas iriam voltar a ela com a necessidade de tê-la exposta ou explicada”.10

O maior exemplo sobre exposição no Antigo Testamento é o de Esdras o


Escriba. Ele inaugura uma nova fase no ensino da lei de Deus nos dias do pós-exílio
do povo de Israel. Esdras era um expositor por excelência. Deuel (1991, p.126-127,
tradução nossa) comenta:

Esdras introduz muitos princípios básicos mediante os quais a ‘ Grande


Sinagoga’ e sua pregação se desenvolveram. Séculos mais tarde, a igreja
primitiva tomou o exemplo de parte da forma de governo, ordem de
adoração e até de pregação da sinagoga. Se o judaísmo seguiu o padrão
estabelecido por Esdras e se a igreja extraiu muitas de suas práticas do
judaísmo, é possível que a pregação expositiva tenha desfrutado uma
sucessão contínua de ‘ ocupantes do púlpito’ a partir desse período inicial.
Esdras personifica um exemplo primitivo e inspirador para os expositores de
todas as eras. A Escritura nunca afirma explicitamente que Esdras foi o
primeiro e autêntico expositor, que o método expositivo de Esdras foi

9”...
in their finely rhetorical use of historical narrative, animated dialogue, and imaginative and
passionate appeal”.
10
“What is clear in the OT is that after a body of revelation had been given, the people would return to
it with a need to have it expounded or explained.”
39

seguido por uma sucessão ‘contínua’ de pregadores, ou que Esdras dá uma


ideia completa do que o expositor deveria ser e fazer. 11

Esdras (Ed 7, 10), tinha um compromisso com a Palavra de Deus: “Porque


Esdras tinha-se disposto no coração a estudar a Lei do SENHOR e a praticá-la, e a
ensinar em Israel os seus estatutos e normas”. (ESDRAS, 2011, p. 480). Esdras é
um modelo que o Antigo Testamento evidência como expositor da Escritura. Os
elementos básicos da pregação expositiva estão presentes na pregação de Esdras
registrado em Neemias (Ne 8, 1-8).

Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades,


todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das
Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de
Moisés, que o SENHOR tinha prescrito a Israel. Esdras, o sacerdote, trouxe
a Lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de
todos os que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia
do sétimo mês. E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta
das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os
que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da
Lei. Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira, que fizeram para
aquele fim; estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema,
Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael,
Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. Esdras abriu o livro à
vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo
se pôs em pé. Esdras bendisse ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo
respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e
adoraram o SENHOR, com o rosto em terra. E Jesua, Bani, Serebias,
Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade,
Hanã, Pelaías e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu
lugar. Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de
maneira que entendessem o que se lia (NEEMIAS, 2011, p. 466).

As evidências dos passos da pregação expositivas são claras em Neemias 8.


Eles leram a Lei, (Ne 8, 8): “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando
explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. (NEEMIAS, 2011, p. 466).
A leitura da Escritura não pode ser apenas para legitimar a pregação como bíblica,
mas ela deve ser feita como a parte mais importante do sermão. A pregação
procede do texto lido, portanto, a leitura da Escritura é de extrema importância. Com
isso, o pregador está mostrando de onde ele tirou a mensagem que não vem dele e

11 According to Rabbinic tradition, Ezra introduced many basic tenets out of which the "Great
Synagogue" and its preaching developed. Centuries later the early church borrowed much of its polity,
order of worship, and even its preaching from the synagogue. If Judaism followed the pattern
established by Ezra and if the church took many of its first practices from Judaism, is it possible that
expository preaching has enjoyed na unbroken succession of "pulpiteers" from this early period? This
essay argues that Ezra embodies an early and inspiring example for expositors of all ages. Scripture
never explicitly affirms that Ezra was the first true expositor, that Ezra's expository method has been
followed by an "unbroken" succession of preachers, or that Ezra gives a complete picture of what an
expositor should be and do.
40

sim unicamente da Escritura. Deuel (1991, p.137-138, tradução nossa) diz: “Colocar
a prioridade a leitura é uma salvaguarda contra a imposição de ideias estranhas
sobre o texto”.12 Além de lerem o texto bíblico, Esdras e os levitas expuseram o livro
da Lei, (Ne 8, 8): “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de
maneira que entendessem o que se lia”. (NEEMIAS, 2011, p.466). Deuel (1991,
p.138 -139, tradução nossa) comentando diz:

Depois de “ler claramente” uma porção da Escritura, Esdras e outros deram


o sentido e expôs o texto citado [...] Ele expôs claramente apenas o que leu
na Palavra de Deus e baseando a sua exposição no que tinha aprendido
através de um estudo cuidadoso.13

A explicação é um dos passos que a pregação expositiva faz. Esdras e os


levitas explicaram o texto ao povo, esclarecendo o conteúdo da Lei. O povo só
poderia entender o que estava escrito na Lei se alguém que tivesse conhecimento
para explica-la. Por ultimo, aplicaram a lei de Deus ao povo (Ne 8, 9): “Porque todo o
povo chorava, ouvindo as palavras da Lei”. (NEEMIAS, 2011, p. 467). A aplicação
da palavra mudou a vida das pessoas que a ouviram, (Ne 8, 12-18; 9, 1-3; 13, 30,
31). Objetivo da exposição é aplicação gerando transformação no povo de Deus. Os
elementos básicos que compõe o sermão expositivo ler, explicar e aplicar são
evidenciados claramente no Antigo Testamento através de Esdras e os levitas.

3.1.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento dá forte ênfase à pregação. O cristianismo se tornou a


religião da Palavra pela a prioridade da pregação. O centro do ministério tanto de
Jesus como dos apóstolos e toda a igreja primitiva era a proclamação da Palavra.
Jesus disse em Marcos (Mc 1, 38) que veio para pregar: “Jesus lhes respondeu:
Vamos a outros lugares, aos povoados vizinhos, para que também eu pregue ali,
pois foi para isso que vim”. (EVANGELHO, MARCOS, 2011, p.883). Os apóstolos
priorizaram a oração e o ministério da palavra em Atos (At 6, 4): “e, quanto a nós,
nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra”. (ATOS, 2011, p. 987). Não
só Jesus e os líderes da igreja, mas, como toda a igreja primitiva pregou a palavra.

12 “Placing the priority on reading is one safeguard against imposing extraneous ideas on the text”.
13
After "reading distinctly" a portion of Scripture, Ezra and others "gave the sense" and "expounded
the recited text" [...] After "reading distinctly" a portion of Scripture, Ezra and others "gave the sense"
and "expounded the recited text" (' (Neh 8:8). He expounded clearly only what he read in God's Word
and based his exposition on what he had learned through careful study.
41

(At 8, 4) “... os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra”. (ATOS,
2011, p. 989).

Jesus foi o maior de todos os pregadores. A pregação era central em seu


ministério. Uma história de expositores da Bíblia deve incluir Cristo, que é o modelo
de pregação e a mensagem pregada. Lopes (2008, p.30) diz: “acima de tudo, Jesus
Cristo é o exemplo supremo da pregação expositiva”. As Escrituras dão evidencias
das exposições de Jesus ao povo. Stitzinger (1992, p.10, tradução nossa) afirma:
“Os sermões de Cristo, como no Sermão da Montanha (Mt 5-7) e aquele em Nazaré
(Lucas 4, 16-30 ), são modelos de exposição e explicação de todos os tempos”.14
Jesus iniciou seu ministério pregando uma mensagem expositiva no livro de Isaías
(Is 61, 1- 2). Conforme Lucas (Lc 4, 17-21) escreveu:

Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías; ele o abriu e achou o lugar em que


estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para
anunciar boas-novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos
presos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os
oprimidos e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro,
devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhares de todos na sinagoga
estavam fixos nele. Então ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta
passagem da Escritura que acabais de ouvir. (EVANGELHO, LUCAS, 2011,
p. 912).

Lopes (2008, p.31, 147) diz que: “Jesus usou os três elementos básicos da
pregação expositiva: ler, explicar e aplicar. “[...] ele leu a Escritura (Lc 4, 14-19),
explicou a importância do que fora lido (Lc 4, 21) e, depois, tornou claras as
implicações (Lc 4, 23-27)”. Jesus colocava as Escrituras como prioridade em seu
ministério. Ele próprio sabia que era a Palavra viva, a Palavra escrita e a Palavra
pregada. Para Ele o Antigo Testamento é a Palavra de Deus. Ele a interpretou para
o povo de sua época. Lopes (2008, p. 31) escreve:

Jesus sempre teve um conceito elevado das Escrituras. No glorioso Sermão


do Monte, ele revelou absoluta confiança no Antigo Testamento (Mt 5, 17-
19). Jesus disse que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17, 17). Ele
demonstrou que a Palavra de Deus é poderosa (Lc 8, 11). Disse também
aos saduceus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”
(Mt 22, 29).

Jesus expôs a Escritura aos discípulos no caminho de Emaús como Lucas (Lc
24, 27) descreveu: “E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o
que constava a seu respeito em todas as Escrituras”. (EVANGELHO, LUCAS, 2011,

14The sermons of Christ, such as in the Sermon on the Mount (Matthew 5-7) and the one at Nazareth
(Luke 4, 16-30), are models of explanation and exposition for all time.
42

p. 946). A seguir, ele explica ainda mais as Escrituras aplicando as suas vidas.
Lucas acrescente (Lc 24, 44): A seguir, Jesus lhes disse: “São estas as palavras que
eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim
está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. (EVANGELHO, LUCAS,
2011, p. 947). Depois de explicar os textos bíblicos Jesus faz uma aplicação geral
para todo o seus discípulos. Lucas (Lc 24, 46-48) conclui:

“e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar
dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse
arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando
de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas” (EVANGELHO, LUCAS,
2011, p. 947).

Mais uma vez Jesus cita as Escrituras, explica e aplica na sua vida como
cumprimento das profecias e faz uma aplicação para a vida dos discípulos
mostrando o caminho que eles deviam fazer com tudo que eles ouviram através da
Palavra. Jesus é o maior exemplo de um pregador expositivo de todos os tempos. O
Pregador expositivo de hoje deve modelar seu ministério depois de estudar o
trabalho expositivo de Cristo.

Após a ressurreição e sua Ascenção aos céus Jesus ordenou aos seus
discípulos a pregar o evangelho a toda criatura e fazendo discípulos (Mc 16, 15; Mt
28, 19, At 1, 8). Jesus entregou a responsabilidade aos apóstolos e para toda igreja
que agora teria a incumbência de continuar anunciando as boas novas de Deus. A
pregação dos apóstolos e outros líderes da igreja primitiva contribuem de forma
significativa para a história da pregação expositiva. Stitzinger (1992, p.11, tradução
nossa) escreve:

As mensagens de Pedro (Atos 2, 14-36 ) , Estevão ( Atos 7, 2-53 ) , Paulo (


Atos 17, 16-31 ) e Tiago ( Atos 15, 14-21) tem elementos de ambos
revelador e explicativa pregação. As epístolas são, em sua maior parte,
exposições escritas destinadas a ensinar várias lições. 15

Depois do dia de Pentecostes, os apóstolos deram prioridade ao ministério da


pregação. Todo o livro de Atos registra o avanço da igreja através da proclamação
da Palavra. A pregação não era opcional, mas, fundamental para a igreja primitiva.
Stott (2003, p.17-18) comenta:

15The messages of Peter (Acts 2, 14-36), Stephen (Acts 7, 2-53), Paul (Acts 17, 16-31), and James
(Acts 15, 14-21) have elements of both revelatory and explanatory preaching. The epistles are, for the
most part, written expositions designed to teach various lessons.
43

Que os apóstolos, depois do Pentecostes, davam prioridade ao ministério


da pregação é declarado especificamente em Atos 6. Resistiram à tentação
de se envolver em outras formas de serviço, a fim de se dedicar “a oração e
ao ministério da palavra” (At 6, 4). Pois foi para isso que Jesus os chamara
primariamente. Jesus, em vida, os enviara para pregar (Mc 3, 14), embora
temporariamente restringisse o ministério deles “as ovelhas perdidas de
Israel” (Mt 10, 5-7). Depois da ressurreição, no entanto, comissionara-os
solenemente a levar o evangelho a “todas as nações” (Mt 28, 19; Lc 24, 47).
[...] Em Atos, podemos vê-lo fazendo assim primeiramente Pedro e os
demais apóstolos em Jerusalém que “anunciaram corajosamente a palavra
de Deus” (At 4, 31), e depois, o herói de Lucas, Paulo, nas suas três
expedições missionárias, até Lucas o deixar em Roma em prisão domiciliar,
só que “pregava o Reino de Deus e ensinava a respeito do Senhor Jesus
Cristo, abertamente e sem impedimento algum” (At 28, 31).

O Apostolo Pedro foi o primeiro a pregar a Palavra. Em seu sermão do dia de


Pentecoste Pedro expõem as Escrituras aplicando para aquele momento único na
história e apontando para Cristo como o caminho da salvação. No livro de Atos
Pedro faz uma exposição das Escrituras depois que algumas pessoas não estavam
compreendendo o derramar do Espirito Santo sobre eles. A partir disso Pedro (At 2,
14-16) explica o que estava acontecendo:

Então, pondo-se em pé com os onze, Pedro tomou a palavra e disse-lhes:


Homens judeus e todos os que habitais em Jerusalém, que isto fique claro
para vós; escutai as minhas palavras: Estes homens não estão
embriagados, como pensais, visto que é apenas a terceira hora* do dia.
Mas isto é o que havia sido falado pelo profeta Joel. (ATOS, 2011, p. 981).

Pedro tem um texto. Ele cita a passagem de Joel (Jl 2, 28-32) e começa
explicando o porque daquele momento tão divino na vida dos apóstolos. O texto é
fundamental no sermão de Pedro. Ele explica que a profecia de Joel se cumpre
naquele momento. Esse é primeiro ponto de Pedro e a partir desse texto Pedro
conduziu a pregação para seu objetivo, apontar a salvação mediante a Cristo como
está escrito em Atos (At 2, 22-24):

Homens israelitas, escutai estas palavras: Jesus, o Nazareno, homem


aprovado por Deus entre vós com milagres, feitos extraordinários e sinais,
que Deus realizou entre vós por meio dele, como bem sabeis; ele, que foi
entregue pelo conselho determinado e pela presciência de Deus, vós o
matastes, crucificando-o pelas mãos de ímpios; e Deus o ressuscitou,
quebrando as algemas da morte, pois não era possível que fosse detido por
ela. (ATOS, 2011, p. 981).

A segunda parte de seu sermão foi apontar para Cristo aplicando na vida de
seus ouvintes. Pedro continuou usado as Escritura do Antigo Testamento para
sustentar seus argumentos. Ele cita ainda o Salmo (Sl 16, 8-11) para provar a
ressurreição de Jesus e o Salmo (Sl 110, 1) para a sua Ascenção. E por ultimo o
44

sermão de Pedro trouxe resultados pela a sua aplicação. Vidas foram tocadas pelo o
poder da Palavra e se renderam a Cristo (At 2, 37- 41). O sermão de Pedro foi
expositivo. Ele leu o texto e explicou, apontou para Cristo e aplicou na vida de seus
ouvintes. Sttot (1994, p.77) comentando o sermão de Pedro escreve:

A exposição de Pedro é similar àquilo que os Rolos do Mar Morto chamam


de "pesher" ou "interpretação" de uma passagem do Antigo Testamento à
luz do seu cumprimento. Assim: 1) Pedro começa seu sermão com as
palavras "isso é aquilo" (v. 16, literal), ou seja, isso que os seus ouvintes
testemunharam é aquilo que Joel profetizou; 2) ele deliberadamente
substitui o "depois" de Joel (o tempo em que o Espírito será derramado) por
"nos últimos dias" a fim de enfatizar que, com a vinda do Espírito, chegaram
os últimos dias, e 3) ele aplica a passagem a Jesus de modo que "o Senhor"
que traz a salvação já não é Javé, que abriga os sobreviventes no Monte
Sião, mas Jesus, que salva do pecado e do julgamento todos os que o
chamam pelo seu nome (v. 21).

Em se tratando da forma, o sermão de Pedro é diferenciado dos sermões


expositivo contemporâneos, mais em termos de essência é igual. As Escrituras
regem suas Palavras e lhes dão um direcionamento. Pedro não ficou perdido em
sua pregação. Ele segue um raciocínio que a própria Escritura conduz. Sttot (1994,
p.80 - 81) colabora escrevendo:

O modo como Pedro usa as Escrituras provavelmente soa estranho para


nós, mas precisamos ter três pontos em mente. Primeiro, as Escrituras
testemunham de Cristo, especialmente de sua morte, ressurreição e missão
mundial. Esse é o seu caráter e o seu propósito. O próprio Jesus disse isso
antes e depois da ressurreição. Portanto, em segundo lugar, até mesmo
devido ao ensino de Jesus ressurreto, seus discípulos passaram
naturalmente a entender que as referências do Antigo Testamento ao rei ou
ao ungido de Deus, a Davi e a sua descendência real, tinham o seu
cumprimento em Jesus. E, terceiro, uma vez garantido esse fundamento,
um emprego cristão do Antigo Testamento, como o de Pedro em referência
ao Salmo 16, é "escrupulosamente lógico e internamente coerente". Depois
de citar esses versículos do Salmo 16 e aplicá-los à ressurreição de Jesus,
Pedro acrescenta: A esse Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos
testemunhas (v. 32). Assim, o testemunho falado dos apóstolos e a profecia
escrita dos profetas convergem. Ou, como teríamos dito, as Escrituras do
Antigo e do Novo Testamento coincidem em seu testemunho da
ressurreição de Cristo.

As evidencias do sermão expositivo está no ministério de pregação do


Apóstolo Pedro registrado no livro de Atos.

Além do apóstolo Pedro, o Novo Testamento destaca o ministério de


pregação do apóstolo Paulo. Ele se tornou o maior pregador da igreja cristã. Logo
depois de sua conversão Paulo começou a pregar a Palavra (At 9, 19-21). Em seu
ministério de pregação Paulo se dedicava inteiramente a exposição das Escrituras.
45

Assim como Jesus e Pedro, Paulo examinava as Escrituras do Antigo Testamento


explicando e apontando para Cristo e fazendo uma aplicação aos seus ouvintes. Em
Atos (At 17, 1-4) está escrito:

Passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia


uma sinagoga dos judeus. Segundo o seu costume, Paulo compareceu à
reunião deles, e por três sábados examinou com eles as Escrituras,
explicando e demonstrando que era necessário que o Cristo sofresse e
ressuscitasse dentre os mortos. E dizia: Este Jesus que eu vos anuncio é o
Cristo. Alguns deles foram convencidos e uniram-se a Paulo e Silas, bem
como um grande número de gregos tementes a Deus e muitas mulheres de
posição (ATOS, 2011, 1003).

Esse texto resume muito como era a pregação de Paulo. Ele aproveitou o
costume judaico de ir às sinagogas aos sábados para lerem as Escrituras e a partir
disso aproveitou para anunciar a Cristo. Foram três sábados expondo as Escrituras.
Em primeiro lugar, Paulo tinham textos como fundamentos Atos (At 17, 2): “... e por
três sábados examinou com eles as Escrituras”. Segundo, Paulo explicou e aplicou o
texto (At 17, 3) “explicando e demonstrando que era necessário que o Cristo
sofresse e ressuscitasse...”. Por ultimo, a aplicação geral trouxe resultados nos
ouvintes (At 17, 4) “alguns deles foram convencidos e uniram-se a Paulo e Silas,
bem como um grande número de gregos tementes a Deus e muitas mulheres de
posição”. (ATOS, 2011, p.1003). A explicação dos textos e a aplicação para Cristo
são princípios básicos da pregação expositiva. Esse é um exemplo de como Paulo
fazia a exposição da Palavra. A pregação era prioridade no ministério dele registrada
no livro de Atos (At 18, 5). Stitzinger (1992, p.11, tradução nossa) comenta:

Paulo, em particular, deu sua vida para pregar a Cristo (1 Co 1, 23, 2: 2; 2


Co 4, 5) para revelar quem ele era (Rm 1, 18; 1Co 2, 10 ; Ef 3, 5) e explicá-
lo às pessoas ( Romanos 15, 4; 1 Coríntios 10, 11 , 17; 1 Tessalonicenses
4, 1; 2 Tessalonicenses 3, 14 ; 1 Tm 1, 5) . Um estudo cuidadoso deste
apóstolo como um professor e pregador expositivo de Cristo produz
introspecções profundas em relação a essa pregação.16

Para Paulo (Rm 10, 17), a pregação da Palavra era o único meio de gerar a fé
salvadora nas pessoas: “Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de
Cristo”. (ROMANOS, 2011, p. 1031). O livro de Atos registra como o apostolo Paulo
dedicava-se a pregação. Larsen (2005, p.16-17) diz:

16 Paul in particular gave his life to preaching Christ (1 Co 1, 23; 2,2; 2 Co 4, 5) to reveal who He was
(Rom 1,18; 1 Co 2, 10; Eph 3, 5) and to explain Him to people (Rom 15, 4; 1 Co 10, 11, 17; 1 Thess 4,
1; 2 Thess 3, 14; 1 Tim 1, 5). A careful study of this apostle as a teacher and expository preacher of
Christ yields deep insights regarding that preaching.
46

A pregação do apóstolo Paulo é poderosa desde o início: "Logo começou a


pregar nas sinagogas afirmando que Jesus é o Filho de Deus" (At 9.20). O
livro de Atos dos Apóstolos mostra o apóstolo pregando em diferentes
cenários. Em Antioquia da Psídia, falando principalmente aos judeus da
dispersão (At 13.16-41), a ênfase de sua pregação se concentra no Senhor
Jesus Cristo e sua ressurreição. Em Atenas, Paulo demonstra adaptação à
platéia, usando um argumento lógico e metódico para levar os ouvintes de
onde estavam para uma chamada ao arrependimento e um posicionamento
diante da ressurreição de Cristo (At 17.16-34). Apenas um dos sermões de
Paulo registrado no livro de Atos dos Apóstolos é direcionado aos crentes
(At 20.17-38).

A pregação da Palavra é tão importante que Paulo ordena a seu sucessor


o jovem Timóteo a se dedicar inteiramente a exposição da Escritura. Paulo (2 Tm 4,
1-2) escreve:

Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos,


pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja
oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e
doutrina. (2 TIMÓTEO, 2011, p.1102).

Timóteo tinha a incumbência de continuar com o ministério da pregação.


Paulo da ênfase a isto “prega à Palavra”. Isso significa toda a Palavra. Fazer
exposições, explicações e aplicações. “corrigir, repreender, exortar com toda a
longanimidade e doutrina” era o trabalho de um expositor das Escrituras. A instrução
que Paulo passa para Timóteo era para que ele se torne um verdadeiro expositor da
Palavra. Timóteo tinha agora que ensinar tanto as Escrituras do Antigo Testamento
como os escritos dos apóstolos. Stitzinger (1992, p.11, tradução nossa) escreve:

Paulo disse a Timóteo: "Prega a Palavra” (2 Tm 4, 2) , para " ensinar e


pregar esses princípios " (1 Tm 6, 2) , e " instruir " (1 Tm 6, 17 ; cf. também
1 Tes 5,15). Pregação reveladora não estava envolvida aqui. Enquanto
pregadores anteriores da Escritura deram ambas as mensagens
reveladoras e explicativas, o “Timóteo” enviado por eles estavam a
concentra-se em explicações, exposições a Palavra para pessoas que
precisavam entender a verdade (1 Tm 4, 13; 2 Timóteo 2,15 ; 4, 2-5 ) .
Como a era NT se aproximava do fim, o trabalho de pregadores bíblicos
tornou-se o de explicação só, em vez de revelação e explicação. A
pregação nos mandatos bíblicos é apenas uma resposta bíblica para a era
pós-bíblica: continuar a explicar e Expor a mensagem agora totalmente
revelada (Hebreus 1, 1-13 ). Toda pregação deve ser pregação expositiva,
se é para estar em conformidade com o padrão das Escrituras. É uma
extensão da dimensão explicativa ou expositiva de pregar o AT e NT.17

17Paul told Timothy to "preach the Word" (2 Tim 4:2), to "teach and preach these principles" (1 Tim
6:2), and to "instruct" (1 Tim 6:17; cf. also 1 Thess 5:15). Revelatory preaching was not involved here.
While earlier preachers of Scripture gave both revelatory and explanatory messages, the "Timothys"
sent out by them were to concentrate on explanations, expositing the Word to people who needed to
understand the truth (1 Tim 4:13; 2 Tim 2:15; 4:2-5). As the NT era drew to a close, the work of biblical
preachers became that of explanation only rather than of revelation and explanation. The preaching in
the Bible mandates only one biblical response for the post-biblical age: continue to explain and exposit
the message now fully revealed (Heb 1:1-13). All preaching must be expository preaching if it is to
47

Paulo se dedicava com tão zelo ao ministério da Palavra porque cria que a
Escritura é a Palavra de Deus. Lopes (2008, p.36) diz que: “Paulo tinha um conceito
elevado das Escrituras como a Palavra inspirada de Deus”. Todos os pregadores
expositivos devem ter conhecimento sólido da inerrância, infabilidade e supremacia
das Escrituras. A pregação expositiva é evidente no ministério de Paulo e um
modelo para os expositores atuais.

3.2 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NA ERA DOS PAIS DA IGREJA

O período pós-apostólico para igreja, foi de grandes mudanças. Esse período


é conhecido como o período dos pais da igreja que vai do século II ao IV século. Era
um período de perseguição e de acusações a fé cristã. Os primeiros pais se
preocuparam em defender a fé cristã. Esse período também marca a rápida
deterioração do cristianismo. Nesse período não teve muitos pregadores expositivos
consequência da deterioração do cristianismo Stitzinger (1992, p.12, tradução
nossa) comenta:

A rápida deterioração do cristianismo primitivo tem sido bem documentada.


A falta de pregação expositiva no período pós-apostólica é uma prova disso,
mas não é o único problema. Uma das principais causas de deterioração foi
a importação da filosofia grega no pensamento cristão pelos Pais da Igreja.
Os três produtos da mente grega foram metafísica abstrata (filosofia), a
lógica (os princípios de raciocínio), e da retórica (o estudo da literatura e
expressão literária). A adição de retórica grega para o cristianismo trouxe
grande ênfase no cultivo de expressão literária e argumento. “Seus
pregadores não pregou porque eles estavam cheios de verdades que não
poderiam ajudar a encontrar expressão, mas porque eles eram mestres de
belas frases e viveu numa época em que as frases finas tinham um valor”. A
indicação significativa dessa adaptação é a afastar-se da pregação, ensino
e o ministério da Palavra. Em seu lugar mudou a "arte do sermão” que
estava mais envolvido com a retórica do que com a verdade. O conceito
grego “sermão" rapidamente se tornou uma tradição significativa. 18

conform to the pattern of Scripture. It is an extension of the explanatory or expositional dimension of


preaching by OT and NT preachers.
18 The rapid deterioration of primitive Christianity has been well documented. A lack of expository

preaching in the post-apostolic period is an evidence of this, but it is not the only problem. [...] One of
the major causes of deterioration was the importation of Greek philosophy into Christian thinking by
the Church Fathers. [...] The three products of the Greek mind were abstract metaphysics
(philosophy), logic (the principles of reasoning), and rhetoric (the study of literature and literary
expression). The addition of Greek rhetoric into Christianity brought great emphasis on the cultivation
of literary expression and quasi-forensic argument. "Its preachers preached not because they were
bursting with truths which could not help finding expression, but because they were masters of fine
phrases and lived in an age in which fine phrases had a value.” A significant indication of this
adaptation is the turning away from preaching, teaching, and the ministry of the Word. Into its place
moved the "art of the sermon" that was more involved with rhetoric than with truth. The Greek
"sermon" concept fast became a significant tradition.
48

Os Pais Apostólicos (96 -125 d.C) seguiam um método tipológico de


interpretação em suas obras. Em meados do segundo século (125 -190 d.C) foi
publicada a primeira apologia de Justino Mártir. Dirigida ao Imperador, defendendo o
cristianismo contra as falsas acusações. No final do segundo século Tertuliano
escreveu a sua Apologia a fim de inocentar os cristãos das acusações falsas que
tinha de suportar. O contemporâneo de Tertuliano Ireneu de Lyon ressaltava a
responsabilidade dos presbíteros de aderirem aos ensinos dos apóstolos. Pais do
terceiro século (190-250 d.C), como Cipriano e Orígenes foram polemistas,
argumentando contra a falsa doutrina. Utilização de Orígenes de um método
alegórico de interpretação estimulou um interesse crescente na exposição do texto.
Infelizmente, sua alegorizarão foi prejudicial para a verdadeira exegese bíblica e
reduziu interesse em exposição entre os seus seguidores na Escola de Alexandria.
Stitzinger (1992 p.14, tradução nossa) resume: “Os primeiros quatrocentos anos da
igreja produziu muitos pregadores, mas poucos verdadeiros expositores”.19

No quarto século (325 – 460 d.C), houve um grupo significativo de pregadores


envolvido em um estudo sério da Bíblia. Seis pregadores notáveis neste período
foram Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Agostinho, João Crisóstomo
e Ambrósio. Os destaques desse período foram João Crisóstomo e Agostinho. O
que mais se destaca como expositor é João Crisóstomo. Junto com Teodoro de
Mopsuéstia, dirigiu a escola Antioquia de interpretação, que rejeitou a abordagem
alegórica. Ele praticava a exegese literal, gramatical e histórica na tradição de
Antioquia. Seu estilo de pregação era expositivo. Stitzinger (1992, p.15, tradução
nossa) escreve:

Em nítido contraste com seus contemporâneos, Crisóstomo pregou verso


por verso e exposições palavra por palavra em muitos livros da Bíblia.
Foram incluídos homilias sobre Gênesis, Salmos, Mateus, João, Atos,
Romanos, 1 e 2 Coríntios , e as outras epístolas paulinas. Ele tem sido
chamado de “Boca de ouro” por causa de sua grande capacidade de atrair
uma audiência e mantenha-os encantados ao longo de um sermão.20

19 The first four hundred years of the church produced many preachers but few true expositors.

20In sharp contrast to his contemporaries, Chrysostom preached verse-by-verse and word-by-word
expositions on many books of the Bible. Included were homilies on Genesis, Psalms, Matthew, John,
Acts, Romans, 1 and 2 Corinthians, and the other Pauline epistles. He has been called "golden-
mouthed" because of his great ability to attract an audience and hold them spellbound throughout a
sermon.
49

Foi mais de um século depois da sua morte que a sua grandeza como
pregador veio a ser reconhecida, e foi então que recebeu a acunha de Crysostomos,
“O Boca de Ouro”; considerado o maior orador de púlpito da igreja grega. Stitzinger
(1992, p.15, tradução nossa) diz que sua pregação era expositiva:

A pregação de Crisóstomo foi caracterizado por simples exposição bíblica,


proclamação destemida da moralidade em vez de dogma, seriedade
profunda, e aplicação direcionada para o homem comum.21

Crisóstomo foi um pregador que compreendia bem a importância da pregação


expositiva para a sua comunidade. A Escritura era a fonte o conteúdo de suas
mensagens. Sttot (2003, p.21) escreve sobre ele:

Podem ser mencionados quatros características principais da sua pregação.


Em primeiro lugar, era bíblica. Não somente sistematicamente por vários
livros bíblicos em seguida, como também seus sermões estão repletos de
citações e alusões da Bíblia. Em segundo lugar, sua interpretação das
Escrituras era singela e direta. Seguia a escola de antioquena da exegese
“literal”, em contrastes com a alegorizações alexandrinas imaginativas. Em
terceiro lugar, suas aplicações morais eram aplicáveis à vida diária prática.
Lendo seus sermões hoje, podemos imaginar sem dificuldades a pompa da
corte imperial, os luxos da aristocracia, as corridas loucas no hipódromo, e,
na realidade, a totalidade da vida de uma cidade oriental no fim século IV.
Em quarto lugar, era destemido nas suas condenações. Na realidade, “era
mártir do púlpito, pois foi principalmente sua pregação fiel que provocou o
seu exílio”.

João Crisóstomo é um exemplo de fidelidade às Escrituras em um período de


escassez de pregadores que realmente pregavam a Bíblia expositivamente. Ele é
um modelo para os dias atuais de pregador expositivo.

3.3 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO PERÍODO DA REFORMA PROTESTANTE

A reforma protestante antes de tudo foi um movimento de volta as Escrituras.


Depois de um longo período em que as Escrituras foi deixada de lado, em que a
tradição e o dogma tomaram lugar da Palavra de Deus a reforma protestante traz de
volta ao púlpito a centralidade da Escritura. A Reforma foi construída sobre o
fundamento da centralidade bíblica. Um dos pilares da reforma foi “Sola Scriptura”. A
autoridade final de toda a fé é somente as Escrituras. Lopes (2008, p.47) afirma: “A
Reforma Protestante trouxe a lectio continua de volta a um lugar de proeminência na
adoração”. Nesse período surgiram muitos pregadores expositivos. Os mais
destacados foram os dois grandes nome da reforma, Martinho Lutero e João
21Chrysostom's preaching was characterized by simple Bible exposition, fearless proclamation of
morality rather than dogma, deep earnestness, and application directed to the common man.
50

Calvino. Além deles Ulrich Zwinglio que se dedicou ao ensino e a pregação


expositiva.

Vários líderes importantes da Reforma são dignos de nota. Martinho Lutero


(1483-1546) falou da importância suprema da Palavra, quando escreveu: "A Palavra
vem em primeiro lugar, e com a Palavra o Espírito sopra sobre meu coração para
que eu acredite”. Lutero foi um dos que mais influenciou o pensamento da reforma.
Sttot (2003, p.24) escreve: “O púlpito ficava mais alto que o altar, pois Lutero
sustentava que a salvação era mediante a Palavra, e sem a Palavra os elementos
estão destituídos de qualidade sacramental, mas a Palavra é estéril se não falada”.
Em todas as suas escritas, Lutero não perdia nenhuma oportunidade de
engrandecer o poder libertador e sustentador da Palavra de Deus. Certa feita ele
disse: “Eu simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus: fora disso, eu
nada fazia. [...] A Palavra realizou tudo”. Lutero foi um grande expositor da Palavra.
A pregação expositiva fez parte de seu ministério. Stitzinger (1992, p.18, tradução
nossa) escreve sobre ele:

Lutero provou ser um expositor, produzindo comentários em Gênesis,


Salmos, Romanos, Gálatas, Hebreus, e 2 Pedro e Judas , assim como
sermões sobre os Evangelhos e Epístolas. Lutero enfatizou a importância
de pregar aos simples, e não o soube a importância da humildade no estudo
da Bíblia, e que a pregação deve ser simples, não erudita. 22

Lutero se tornou um grande expositor das Escrituras. Seu amor pelo o ensino
da Palavra é uma marca de sua vida dedicada a Deus. Pregar fazia parte integrante
de seus deveres. Lopes (2008, p.49) comenta:

Mais da metade dos 4 mil sermões ou mais pregados por Lutero foram
preservados e publicados. Embora não fosse o pastor da igreja, mas
apenas um entre os muitos que ali pregavam, foi um dos pregadores mais
frequentes e, certamente, o que tinha mais autoridade. Ele costumava
pregar até quatro vezes aos domingos.

Lutero exaltou as Escrituras como uma fonte de vida e que só através dela o
homem pode chegar até Deus por meio do ensino e pregação. Seu ministério foi
dedicado à exposição da Palavra. Os resultados foram grandes para o cristianismo
até os dias de hoje.

22 Luther proved himself an expositor by producing commentaries in Genesis, Psalms, Romans,


Galatians, Hebrews, and 2 Peter and Jude as well as sermons on the Gospels and Epistles. Luther
stressed the importance of preaching to the simple, not the learned, the importance of humility in the
study of the Bible, and that preaching should be simple, not erudite.
51

Outro reformador que se destaca nesse período como expositor da Palavra foi
João Calvino. Ele foi o mais importante de todos. Calvino colocou as Escrituras no
centro de todas as atividades eclesiásticas. Para ele, onde tiver pregação pura e
simples da Palavra de Deus aí está uma igreja verdadeira. Lawson (2008, p.16) diz:

Ele era uma força motriz tão expressiva que influenciou a formação da
igreja e da cultura ocidental de um modo como nenhum teólogo ou pastor
conseguiu fazer. Sua exposição habilidosa das Escrituras possuía as
características doutrinárias da Reforma Protestante, tornando-o,
indiscutivelmente, o principal arquiteto da causa Protestante.

Entre várias obrigações pastorais, Calvino era principalmente um pregador,


um expositor da Bíblia de primeira ordem. Para ele, pregar era a tarefa mais
importante. As características da pregação de João Calvino mostra como ele exaltou
a pregação expositiva. Em sua pregação a autoridade Bíblica era única. Para ele a
Bíblia era a Palavra de Deus e a colocava no centro da vida da igreja. Lawson
(2008, p.34) afirma:

Calvino permaneceu firme sobre a pedra angular da Reforma – Sola


Scriptura, ou “somente as Escrituras”. Ele acreditava que as Escrituras eram
o verbum Dei – a Palavra de Deus – e que somente ela podia regulamentar
a vida da igreja [...] Sola Scriptura identificou a Bíblia como autoridade única
sobre a igreja de Deus, e Calvino abraçou essa verdade de todo o coração,
insistindo que a Bíblia é a competente, inspirada, inerrante e infalível
Palavra de Deus. Calvino cria que quando a Bíblia era aberta e explicada de
forma correta, à soberania de Deus era manifestada para a congregação
imediatamente.

Calvino acreditava que a pregação bíblica deveria ocupar o lugar central de


toda a adoração cristã. Nada deveria tirar as Escrituras do lugar mais importante no
ajuntamento público. Com seu conceito elevado das Escrituras ele utilizou o estilo da
pregação expositiva. Sua vida foi gasta totalmente para expor a Palavra. Lawson
(2008, p.40 - 41) diz:

Enquanto durou seu ministério, o método de Calvino consistia em pregar


sistematicamente sobre livros inteiro da Bíblia. Raramente ele deixava o
estudo de um livro. Na qualidade de um pastor fiel, ele alimentava sua
congregação com uma dieta regular de mensagens expositivas
consecutivas. O estilo verso-a-verso – lectio continua, ou seja, o das
“exposições consecutivas” – garantia que Calvino pregasse todo o conselho
de Deus. Assuntos difíceis e controversos não podiam ser evitados.
Palavras duras não podiam ser omitidas. Doutrinas complicadas não
podiam ser negligenciadas. Todo o conselho de Deus pôde ser ouvido.

Calvino fez com que sua congregação conhecesse toda a Palavra de Deus.
Para isso, o reformador pregava todos os dias e duas vezes aos domingos. Todo
52

seu tempo era dedicado exclusivamente à pregação da Palavra. Stitzinger (1992,


p.20, tradução nossa) diz:

A prova de sua sinceridade era uma vida gasta expondo a Palavra de Deus.
Como ministro Sênior de Genebra, Calvino pregou duas vezes cada
domingo e cada dia da semana em semanas alternadas de 1549 até sua
morte em 1564. E pregou mais de dois mil sermões só sobre Antigo
Testamento. Ele passou um ano expondo Jó e três anos Isaías. 23

A pregação expositiva de Calvino deixou um legado de sermões escritos e


comentário sobre quase todos os livros da Bíblia com exceção de Apocalipse.
Calcula-se que Calvino pregou em média de 290 sermões por ano. Muitos de seus
sermões foram publicados durante a sua vida. Lopes (2008, p.52) diz que: “esse
sistema produziu, por exemplo, 134 sermões sobre Gênesis, 200 sobre
Deuteronômio, 159 sobre Jó, 176 sobre 1 e 2 Coríntios e 43 sobre Gálatas”. Lawson
(2008, p.41) acrescenta:

Uma vez que o ministério de Calvino havia chegado à maturidade, ele


começou a pregar num livro do Novo Testamento nos domingos pela manhã
e à tarde (embora pregasse Salmos durante algumas tardes) e também
num livro do Velho Testamento, nas manhãs, durante a semana. Deste
modo, ele abordou a maior parte das Escrituras. Os livros nos quais
sabemos que ele pregou do primeiro ao último capítulo são: Gênesis,
Deuteronômio, Jó, Juízes, 1 Samuel e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, os profetas
maiores e os menores, os evangelhos, Atos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas,
Efésios, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Hebreus.

Calvino foi um gigante da pregação expositiva. Seu ministério é inspirador


para os pregadores contemporâneos. Não mediu esforços para que sua comunidade
ouvissem a Palavra de Deus e toda a Palavra. Seu ministério de pregação expositiva
teve influência profunda e ampla em Genebra e em todo o mundo. Muitos viam de
todas as partes para aprender com o grande reformador. Lawson (2008, p.42)
resume:

Não importava se o livro fosse longo, como Gênesis ou Jó, ou curto como
as epístolas do Novo Testamento, Calvino estava determinado a pregar em
cada verso. O seu jeito de pregar foi um fator que contribuiu de forma
significativa para poder que emanava de seu púlpito em Genebra. De fato,
havia um momentum crescente conforme Calvino pregava de forma
sequencial nos livros da Bíblia, construído cada mensagem sobre a anterior.
O argumento do livro se tornava mais poderoso à medida que Calvino
explicava cada página.

23 The evidence of his sincerity was a life spent expounding God's Word. As senior minister of
Geneva, Calvin preached twice each Sunday and every weekday on alternating weeks from 1549 until
his death in 1564. He preached over two thousand sermons from the OT alone. He spent a year
expositing Job and three years in Isaiah.
53

Os resultados no ministério de Calvino foram grandiosos até os dias de hoje.


Isto, devido sua visão acerca da pregação e das Escrituras sustentada por uma
visão de Deus. Em suas palavras ele disse que a pregação é “a viva voz” de Deus
“em sua igreja”. Para ele é só pela pregação da graça de Deus que a igreja escapa
de perecer. Calvino tinha esse compromisso com as Escrituras. Ele é um dos
maiores exemplos para os pregadores atuais de amor por Deus e sua Palavra.

3.4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO SÉCULO XVII AO SÉCULO XX

No século XVI deu-se inicio a um movimento que ficou conhecido como


puritanismo e que só veio florescer no século XVII. O puritanismo marcou a história
do cristianismo pelo seu zelo pela a glória de Deus. Eles criam na soberania de
Deus, na supremacia das Escrituras e na primazia da pregação. Lopes (2008, p.54)
afirma: “Os puritanos foram à geração mais culta de todos os tempos. Buscaram a
pureza com respeito à doutrina, liturgia, governo e vida. Acima de tudo, viviam para
glória de Deus”. Nesse período surgiram muitos expositores bíblicos. Eles davam
grande ênfase à pregação que se tornou o centro de toda a liturgia do culto puritano.
Lloyd-Jones (1993, p.384) comenta:

Outro modo pelo qual os puritanos davam ênfase à pregação era que,
quando começavam a erigir os seus edifícios, colocavam os púlpitos no
centro. O que atraía a atenção dos adoradores não era o altar, assim
chamado, e sim o púlpito com uma Bíblia aberta sobre ele. [...] Além disso,
alguns desses homens pregaram grande numero de sermões. Alguns
pregavam todos os dias da semana, e no domingo mais de uma vez. [...]
Nada era tão característico dos puritanos como a crença na pregação e o
seu prazer em ouvir pregar.

Para os puritanos, a verdadeira pregação é a exposição da Palavra de Deus.


Não é uma mera exposição do dogma ou o ensino da igreja. Para eles a Bíblia tem
autoridade suprema e que a pregação era a melhor maneira de ensinar a Verdade.
Muitos pregadores puritanos foram expositores. William Perkins (1558-1602), um
expositor Puritano cedo teve uma profunda influência sobre todo o movimento
puritano. Ele escreveu “A Arte de Profetizar”, o primeiro manual para os pregadores
da Igreja da Inglaterra. Stitzinger (1992, p.22, tradução nossa) descreve:

Perkins identificou quatro princípios para orientar o pregador: (1) ler o texto
claramente nas Escrituras canônicas. (2) dar o sentido e a compreensão do
mesmo, sendo lido, pela própria Escritura. (3) reunir alguns pontos de
doutrina proveitosos extraído do sentido natural. (4) aplicar as doutrinas,
54

justamente recolhidos, para a vida e a maneira dos homens em um discurso


simples e claro.24

Os puritanos às vezes pregavam por várias horas acreditando que nenhuma


grande verdade bíblica pode ser apresentada em menos de uma hora ou duas.
Alguns dos principais pregadores puritanos que demonstraram grande habilidade
como expositores foram Joseph Hall (1574-1656), Thomas Goodwin (1600-1680),
Richard Baxter, (1615-1691), e John Owen (1616-1683). Outros expositores
puritanos significativos foram Thomas Manton (1620-1677), John Bunyan (1628-
1688), e Stephen Charnock (1628-1680). Também William Greenhill (1581-1677).
Todos estes foram diligentes estudantes da Palavra, buscando explicar as verdades
da Escritura claramente para os ouvintes.

No século XVIII vários pregadores foram expositores. Entre eles estão, John
Gill (1697-1771) era o mais notável, que publicou nove volumes de exposição bíblica
entre 1746 e 1763, e Matthew Henry (1662-1714). Ambos foram fortemente
influenciados pelos puritanos. Nos cinquenta anos seguintes outras notáveis
exceções a pregadores tópicos foram Andrew Fuller (1754-1815), Robert Hall (1764-
1831), John Brown (1784-1858), John Eadie (1810-1876), e Alexander Carson
(1776-1844). Eadie é bem conhecido por seus comentários que resultaram do seu
ministério de pregação notável. Carson foi muitas vezes considerado como um
mestre da pregação expositiva em um nível com Alexander McLaren.
O século XIX foi de grandes desafios para igreja cristã. O Iluminismo com o
foco na razão e centrada no homem trouxe grandes prejuízos à fé das igrejas desse
tempo. Lopes (2008, p.60-61) descreve:

A igreja sofreu uma grande perseguição ideológica. Nacionalismo,


evolucionismo, materialismo e liberalismo teológico produziram grande
devastação na igreja. O Iluminismo, com seu ponto de vista centrado no
homem, considerou a razão humana e juiz supremo de tudo, rejeitou os
milagres, a revelação e as doutrinas sobrenaturais, como a encarnação e a
redenção.

Foi um dos períodos mais difíceis para a igreja em sustentar a supremacia


das Escrituras. A Bíblia foi totalmente atacada pela alta crítica através do liberalismo

24
Perkins identified four principles to guide the preacher: (1) To read the text distinctly out of the canonical
Scriptures. (2) To give the sense and understanding of it, being read, by the Scripture itself. (3) To collect a few
and profitable points of doctrine out of the natural sense. (4) To apply the doctrines, rightly collected,
to the life and manner of men in a simple and plain speech.
55

teológico. Mas mesmo assim foi um período onde Deus usou homens piedosos e
fieis as Escrituras. Sttot (2003, p.36) comenta:

No decurso da totalidade do século XIX, a despeito dos ataques da alta


crítica contra a Bíblia (associado com o nome de Julius Wellhausen e dos
seus contemporâneos e sucessores) e a despeito das teorias evolucionista
de Charles Darwin, o púlpito manteve seu prestígio na Inglaterra. O povo
vinha em multidões para escutar os grandes pregadores daqueles dias e lia
avidamente os sermões impressos deles.

O final do século XIX produziu vários expositores bíblicos importantes na Grã-


Bretanha e América, incluindo James H. Thornwell (1812-1862) e John A. Broadus
(1827-1895). Broadus foi denominado "O príncipe de Expositores". Ele descreveu
seus princípios de pregação expositiva no seu livro “Preparação e entrega dos
Sermões” em 1870. Outros neste período foram John C. Ryle (1816-1900), Charles
J. Vaughan (1816-1897), Alexander Maclaren (1826-1910), Joseph Parker (1830-
1902), e Charles Haddon Spurgeon (1834-1892). O período termina com a fundação
da Expository Times em 1889 por James Hastings. Hastings era o editor de vários
dicionários, enciclopédias e conjuntos de comentário que, juntamente com o Times,
fomentaram a pregação expositiva. William Robertson Nicoll (1851-1923) foi um
expositor bíblico e também editou um jornal chamado “O Expositor” publicado a
partir 1886`1923, também promoveu a exposição das Escrituras. Vários expositores
deste período são notáveis. Alexander Maclaren alcançou fama internacional como
expositor. Depois de 1869 ele pregou para mais de dois mil pessoas a cada semana
em Manchester. Começando na obscuridade, ele pregou durante sessenta e três
anos. Ele leu um capítulo da Bíblia hebraica e um da grega a cada dia ao longo de
sua vida. Maclaren produziu Trinta e dois volumes de sermões, bem como suas
contribuições para a Bíblia do Expositor são altamente considerados até hoje.
Charles H. Spugeon é o pregador mais conhecido do século XIX. Pastor Batista,
Spugeon recebeu o título de príncipe dos pregadores. Stitzinger (1992, p.26-27,
tradução nossa) diz:

Spurgeon é altamente respeitado como pregador e expositor. Ele pregou


mais de 3.560 sermões que abrangem os 63 volumes do Metropolitan
Tabernacle Pulpit publicado entre 1855 e 1917. [...] Spurgeon considerava
Whitefield um herói e modelo de pregação, embora este último fosse mais
tópico e teológico do que expositivo. O trabalho realmente expositivo de
Spurgeon foi o seu Treasury of David (Tesouro de Davi), no qual ofereceu
56

cuidadosa exposição, versículo por versículo, juntamente com sugestões


aos pregadores.25

O fio de expositores resistiu no século em que muitos ataques pesados as


Escrituras foram feitos. Deus com o seu poder sustentou sua igreja levantando
homens comprometidos com as verdades bíblicas. Mesmo não produzindo muitos
expositores, o século XX, foi bem representado por grandes pregadores que se
dedicaram a pregação expositiva. Stitzinger (1992, p.27, tradução nossa) resume:

O século XX produziu poucos expositores bíblicos de importância, alguns


dos quais se destacaram: Harry Allan Ironside (1876-1951), Donald Grey
Barnhouse (1895-1960), James M. Gray (1881-1935), William Bell Riley
(1861-1947), Wallie Amos Criswell (1909-), James Denny (1856-1917),
George Campbell Morgan (1863- 1945), William Graham Scroggie (1877-
1958 ), D. Martyn Lloyd- Jones ( 1899-1981), John Robert Walmsley Stott
(1921- ) e James Montgomery Boice (1938- ).26

Outros expositores notáveis nesse período foram: Andrew Blackwood (1882-


1966) foi conhecedor de homilética mais famoso e o mais largamente publicado na
América no século XX. É considerado um expoente da pregação expositiva. Outro
grande expoente da pregação expositiva foi Frederick B. Meyer (1847-1929).
Compreendeu que a pregação expositiva trazia renovação ao pecador e seria capaz
de construir uma igreja forte e saudável. Archibald Thomas Robertson (1863-1934)
foi também outro grande pregador expositivo que escreveu 45 livros e pregou com o
Novo Testamento grego na mão. Foi um dos maiores de sua época. George
Campell Morgan (1863-1945) foi um grande expositor da Palavra cujas obras são
ricas em explicação e ilustração textual. Ele é chamado de “Príncipe dos
Expositores”, o maior pregador expositivo do seu tempo. Sua exposição baseava-se
em uma exegese cuidadosa vista à luz de toda a Bíblia. O mais poderoso das
décadas 1950 e 1960 foi o britânico Martyn Lioyd-Jones, que de 1938 a 1968
exerceu um ministério extremamente influente na Capela de Westminster em

25 Charles Haddon Spurgeon is highly respected as a preacher and expositor. He preached over 3560
sermons which comprise the sixty-three volumes of the Metropolitan Tabernacle Pulpit published
between 1855 and 1917. [...] Spurgeon viewed Whitfield as a hero and a preaching model, though the
latter was more topical and theological than expositional. Spurgeon's genuinely expositional work was
his Treasury of David, in which he provides a careful verse-by-verse exposition along with "hints to
preachers.
26 The twentieth century has produced a few significant biblical expositors, some of whom have been

outstanding: Harry Allan Ironside (1876-1951), Donald Grey Barnhouse (1895-1960), James M. Gray
(1881-1935), William Bell Riley (1861-1947), Wallie Amos Criswell (1909-), James Denny (1856-
1917), George Campbell Morgan (1863-1945), William Graham Scroggie (1877-1958), D. Martyn
Lloyd-Jones (1899-1981), John Robert Walmsley Stott (1921-), and James Montgomery Boice (1938-
).
57

Londres. Ele foi o sucessor de Campbell Morgam. Sobre ele Stitzinger (1992, p.28,
tradução nossa) escreve:

D. Martyn Lloyd -Jones era um expositor talentoso que viu a pregação não
como "pregar um sermão para cada serviço, mas simplesmente [ como ]
continuar onde estava na exposição permanente de um livro da Bíblia". Sua
pregação resultou da exegese cuidadosa e contou com uma fixação diante
cuidadoso significado e aplicação de seus textos. Isto continuou a rica
tradição de Joseph Parker e Alexander Maclaren. Lloyd -Jones produziu um
livro significativo sobre pregação expositiva. 27

John R. W. Stott seguiu na mesma tradição expositiva como Lloyd- Jones.


Exerceu grande influência sobre muitos pregadores contemporâneos e levantou a
bandeira da pregação expositiva. Outro exemplo atual de expositores da Bíblia é
John MacArthur, Jr. Para alguns, ele emergiu como um expositor americano notável
no final do século XX, continuando na herança de Lloyd- Jones. Escreveu
comentários de exposições em todo o Novo Testamento. Seus livros ajudaram a
igreja contemporânea a volta-se para a teologia reformada e a pregação expositiva.
Como a história registrou, a pregação expositiva esteve em todos os tempos onde
Deus usou sua Palavra para falar aos homens. Lopes (2008, p.70) resume:

A história está repleta de exemplos dos resultados gloriosos da pregação


expositiva que conduziu a igreja em crescimento. Onde a Palavra de Deus
foi pregada com perseverança, fidelidade e poder, a igreja cresceu. Isso
aconteceu na era apostólica, no período dos pais da igreja e,
especialmente, no século IV, com João Crisóstomo e Agostinho [...].
Durante a reforma, com a volta da exposição das Escrituras, houve grande
despertamento, e multidões foram transformadas pelo o poder do Espírito
Santo mediante a pregação expositiva, e esta se tornou sua característica
inconfundível. Lutero e Calvino foram expositores poderosos da Bíblia. Os
enormes resultados obtidos por eles são largamente conhecidos. O púlpito
puritano alcançou grandes alturas com esse tipo de pregação. Eles
experimentaram uma gloriosa manifestação do poder do Espirito Santo e
muito aceitaram a Jesus.

A história da pregação expositiva é a prova de como ela é importante para os


dias atuais para um crescimento saudável para igrejas Batistas do Ceará. Seu
legado é uma fonte de encorajamento, inspiração e incentivo para que os pastores e
pregadores levem para seus púlpitos a pura Palavra de Deus.

27D. Martyn Lloyd-Jones was a gifted expositor who saw preaching not as "preaching a sermon for
each service, but simply [as] continuing where he was in the ongoing exposition of a book of the
Bible." His preaching stemmed from careful exegesis and featured a careful setting forth of the
meaning and application of his texts. This continued the rich tradition of Joseph Parker and Alexander
Maclaren. Lloyd-Jones produced a significant book on expository preaching.
58

4 A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO INSTRUMENTO PARA O


CRESCIMENTOSAUDÁVEL DA IGREJA.

Quando se escreve sobre crescimento da igreja, logo vem à mente o


crescimento numérico. Por mais que isto seja de fato legítimo o que realmente
importa é o crescimento tanto numérico como o crescimento saudável. Esse último
negligenciado por décadas no quesito crescimento de igreja. Isso se dar pela a
grande influencia do movimento de crescimento de igreja que surgiu na década de
1930, mas, que se tornou fortemente influenciador em 1955 quando Donald
McGravam tornou-se conhecido nas missões cristãs com a publicação do livro,
Bridges of God (Pontes de Deus). Peter Wagner referiu-se a esse livro como “o
volume notável que inaugurou o movimento de crescimento da igreja”. Em 1961,
McGravam criou o Instituto para treinar pastores e missionários com a filosofia do
crescimento da igreja. Filosofia ministerial, estratégia missionária, estilo de culto e
até currículos de seminário moldados por esse tão influente movimento. Eby (2001,
p.22) escreve a evolução desse movimento:

McGravam descreve três estágio de desenvolvimento do movimento: (1)


1933-1965 – período de observações das missões e igrejas, o
desenvolvimento de ideias, primeira publicações e a fundação do Instituto
de Crscimento da Igreja em Eugene, Orion (1961); (2) 1965-1971 – a
mudança do Instituto para o Seminário Teológico Fuller em Pasadena,
Califórnia e a expansão do corpo do docente e sua influencia; 1971 -1985 –
o nascimento e disseminação do Movimento de Crescimento da Igreja na
América, no qual os princípios aprendidos no exterior são aplicados no
cenário americano.

O Movimento de Crescimento da Igreja se espalhou por toda a América.


Muitas igrejas cresceram de fato numericamente, pois, o maior objetivo é o
crescimento numérico a todo custo. A aceitação do Movimento de Crescimento da
Igreja entre os protestantes tem sido crescente nas ultimas décadas. Pouco se tem
avaliado os benefícios e malefícios que esse movimento trouxe para o ceio da igreja.
Embora o Movimento de Crescimento da Igreja tenha feito contribuições
importantes, ele possui também algumas fraquezas. Lopes (2008, p. 215) comenta:

Uma das deficiências mais conhecidas desse movimento é a sua obsessão


com números. A igreja saudável cresce normalmente, mas nem toda igreja
que cresce é saudável. A “catedral da Esperança” em Dallas, Texas, que
recebe mais de 1,6 mil pessoas em seus cultos da manhã de domingo, é
um centro espiritual de “cristãos” homossexuais e lésbicas. Muitas seitas
heréticas e denominações não-bíblicas cresce explosivamente.
59

O Movimento de Crescimento da igreja trouxe crescimento numérico, mas,


falhou em crescimento saudável das igrejas. O sonho de todo líder fiel é ver a igreja
crescendo em quantidade como em qualidade. Para isso, é preciso analisar o que
realmente pode ser usado como ferramenta para o crescimento saudável da igreja.

4.1 A NECESSIDADE DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Todo pastor ou líder de igreja fiel deseja ver uma igreja crescer
saudavelmente. Nas ultimas décadas isso se tornou cada vez mais difícil. A pressão
para que as igrejas cresçam tem feito que muitos pastores e líderes abram mão dos
métodos Bíblicos em detrimento dos métodos pragmáticos utilizado pelo o
Movimento de Crescimento de Igrejas. Muitos pastores e líderes foram severamente
influenciados pelo subjetivismo, relativismo, secularismo, existencialismo e o
pragmatismo que têm dominado nossa cultura por mais de meio século. Um dos
principais frutos desta cultura foi o afastamento da pregação bíblica. Lopes (2008,
p.12) diz: “A autoridade absoluta e infalível das Escrituras, nesta época de
pluralismo, relativismo e subjetivismo, precisa se reafirmar”. MacArthur (1990, p.3 –
4, tradução nossa) escreve:

A pregação evangélica deve refletir a nossa convicção de que a Palavra de


Deus é infalível e inerrante. Também muitas vezes isso não acontece. Na
verdade, há uma tendência perceptível no evangelismo contemporâneo de
afasta-se da pregação bíblica e desvia-se para uma abordagem centrada na
experiência, na pragmática e na pregação tópica no púlpito. 28

Há uma grande necessidade da pregação bíblica nos púlpitos


contemporâneos. O movimento de Crescimento da Igreja deixou de lado a pregação
da Palavra como a ferramenta mais importante para o crescimento da igreja. A vasta
literatura que o movimento escreveu para o crescimento falou pouco e de forma
desprezível sobre a pregação bíblica como fator importante no crescimento da
igreja. Eby pesquisou todos os livros de crescimento da igreja e é de surpreender
que a pregação não ocupe o primeiro lugar. Eby (2001, p.133-134) escreve:

Noventa e cinco livros sobre crescimento e renovação da igreja


examinados. Cerca de 20.000 páginas impressas. A conclusão?
Declarações pobres, fracas, desanimadas sobre a pregação. Não há
afirmações vigorosa, amplas, ricas e fortes tão desesperadamente

28 It evangelical preaching ought to reflect our conviction that God's Word is infallible and inerrant.
Too often it does not. In fact, there is a discernable trend in contemporary evangelicalism away
from biblical preaching and a drift toward and experience-centered, pragmatic, topical approach in the
pulpit.
60

necessárias. Declarações deficientes, dispersas, e não afirmações amplas,


abundantes e fartas exigidas. Que evidente equivoco! Que distorção da
verdade! Livros escritos sobre os princípios de crescimento da igreja restrito
a promover o crescimento da igreja, sem cultivar Atos 6,4 como a prioridade
do pastor, sem a explicação pregação de poder, quase nenhum parágrafo
quase nenhum capítulo, nenhuma análise detalhada do manual de Deus
para o crescimento da igreja. Apenas alusões. Nenhuma ajuda sólida,
bíblica para pregadores com relação à tarefa mais crítica no crescimento da
igreja. Nenhum encorajamento sobre como orar pela a pregação e sobre
ativar a pregação de poder.

Atualmente há muitas outras coisas que chamam mais a atenção de membros


e pastores desfocando a atenção peculiar da Palavra de Deus. O que é atrativo hoje
em dia são programações pirotécnicas, para impressionar os ouvintes. Os métodos
para atrair pessoas são mais importantes do que a Exposição da Palavra de Deus.
Se gasta muito tempo com as músicas do momento e apresentações de vários
grupos. As técnicas modernas podem realçar a comunicação, mas, por outro lado,
podem substituir a mensagem. Eby (2001, p.20-21) continua dizendo:

Surpreso com a deficiente oferta de material sobre pregação e crescimento


de igreja? Não deveria! Vivemos em um tempo de técnica sociológica,
metodologia, programações e pragmatismo. Bem francamente, a pregação
representa uma difícil competição tanto para o pastor como para o membro.
Há tantas outras coisas boas no calendário da igreja. A pregação é de fato
tão estratégica? Tão importante? Tão lucrativa? Hoje, há um
desencadeamento com a pregação. A atitude predominante é de
negligência, presunção, tratando-se do púlpito levianamente como uma
parte superficial do culto e do ministério. Em alguns lugares, há desprezo e
até descaso.

Esse movimento deixou de lado a pregação bíblica em detrimento de métodos


humanos para atingirem resultados imediatos. O pragmatismo é a filosofia básica do
movimento de crescimento da igreja. A frase “se funciona, adote” capta o espírito do
pragmatismo. Essa visão mantem os sermões curtos, simples e pessoalmente
inspiradores. O que importa são os resultados numéricos e pouco interessa se as
pessoas foram edificadas através da pregação fiel das Escrituras. MacArthur
prefaciando o livro de Eby (2001, p.12) comenta:

Especialista em crescimento da igreja aconselha os pastores a encurtar


seus sermões, torna-los informais, divertidos e não teológicos dirigidos às
necessidades dos ouvintes. Isso, infelizmente é uma receita para uma
pregação e uma igreja fraca.

Os resultados desses métodos para o crescimento de igreja fizeram com que


o período atual seja marcado pela a superficialidade nos púlpitos e pelo o
analfabetismo bíblico. Muitos pastores negligenciaram o estudo profundo da
61

pregação da Palavra para atenderem as necessidades dos ouvintes. Muitos


pastores oferecem uma pregação artificial e não uma pregação profunda e
consistente. Eles não estudam a Bíblia a fundo e por isso, não lidam corretamente
com a Palavra. Lopes (2008, p.16) comenta:

As pessoas não procuram pela a verdade, mas por aquilo que funciona.
Não estão interessadas no que é certo, mas nos que produz resultados
imediatos. Não buscam princípios, mas vantagens. Desse modo, muitos
pastores pregam o que o povo quer ouvir. Para tais pastores, a coisa mais
importante não é explicar a Palavra de Deus, mas descobrir o que as
pessoas querem ouvir. A mensagem é alterada, por não estar centrada em
Deus, mas no homem. As exigências do mercado determinam o que o
pastor deve pregar.

As Escrituras são negligenciadas hoje em dia começando pelo os pregadores


e estendendo-se a igreja. Pastores têm sonegado as Escrituras para o povo e
consequentemente a igreja perde o desejo pela a Palavra, vivendo apenas com
mensagens superficiais. A maioria dos membros das igrejas não consegue
diferenciar de uma mensagem bíblica ou não. Sutilmente as Escrituras têm deixado
de ser o fundamento de fé das igrejas. Begg (2014, p.26) comenta:

Mas hoje em dia a batalha é sutil. As Escrituras são negligenciadas,


depreciadas e usadas apenas como trampolim para todo tipos de
“conversas” que estão muito distantes de genuína exposição bíblica.

A ausência de exposição bíblica deu abertura para todo tipo de ensino. O


sincretismo religioso prevalece em muitos púlpitos evangélicos trazendo em sua
bagagem muitos ensinos estranho as Escrituras. Lopes (2008, p.198) diz: “O
misticismo prospera largamente em solo brasileiro. Como resultado, observamos
uma geração analfabeta no quesito Bíblia”. A maioria das mensagens é uma mistura
de psicologia com teologia pela a falta de confiança no poder da Palavra Deus.
Muitos pregadores desconsideram a real situação do homem dominado pelo pecado
e os tratam como falta de autoestima, trazendo-lhes uma mensagem produzida não
totalmente pela as Escrituras, mas também na psicologia. Begg (2014, p.27-28)
escreve:

[...] uma preocupação com a teoria psicológica tem, em muitos casos,


desgastado a confiança nas Escrituras. Quando a essência da
desventurada situação humana é redefinida em termos de falta de
autoestima, é quase inevitável que as pessoas sejam dirigidas a um sofá e
não à cruz, a um psicólogo e não ao Salvador. A amplitude em que isso tem
acontecido pode ser avaliada por ouvirmos as várias e estranhas misturas
de psicologia e teologia, algumas das quais são até oferecidas como
tentativas de pregação expositiva!
62

Outro fator para a negligencia com a pregação bíblica entre os pastores é que
a maioria deles está sobrecarregados com muitas atividades eclesiásticas e a
pregação tonou-se secundária no ministério. Os pastores alegam a falta de tempo
de preparar mensagens mais profundas. E com isso, negligenciam uma pregação
que exige um estudo mais acurado da passagem e que alimentam de forma sólida
os ouvintes. Suas alternativas são mensagens mais rápidas e fáceis de preparar,
consequentemente a congregação ouvirá sempre os mesmos temas e as mesmas
mensagens sendo repetidas de forma diferente. Muitos desses pastores vivem
verdadeira tensão do que irão pregar no próximo domingo, pois, ficam limitados pela
falta de tempo.

Tudo isto, tem sido comum na maioria das igrejas brasileiras. O púlpito a cada
dia perde a centralidade. A pregação não é prioridade nas liturgias modernas.
Gerando uma igreja sem conhecimento bíblico e consequentemente sem convicções
doutrinários sendo alvos fáceis para falsos mestres e doutrinas heréticas. A igreja
que não coloca as Escrituras no centro de sua liturgia será uma igreja fraca.
Diante dessa realidade de total desprezo da pregação da Palavra, há uma
grande necessidade da pregação expositiva nos púlpitos. A igreja necessita da
pregação bíblia para crescer de forma saudável. Lopes (2008, p.18) resume:

E o povo de Deus perece por falta de conhecimento (Os 4,6).


Superficialidade e inconsistência são as marcas desta era pós-moderna. A
ignorância da Escritura é a porta de entrada para muitas heresias
perniciosas. Estamos vivendo em uma época pluralista e sincretista. As
vozes humanas confundiram o povo de Deus, o qual passa a não conhecer
a verdadeira voz do Senhor através da Escritura.

4.2 OS BENEFÍCIOS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA PARA O CRESCIMENTO


SAUDÁVEL

A pregação expositiva está totalmente ligada as Escrituras, pois, emana do


texto e é conduzida do inicio ao fim por ele. A Escritura é a Palavra poderosa de
Deus e por isso, os benefícios da mensagem expositiva serão grandiosos. A Palavra
de Deus é poderosa como o autor de Hebreus (Hb 4, 12) escreveu: “Porque a
palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes;
penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é capaz de
perceber os pensamentos e intenções do coração”. (HEBREUS, 2011, p.1109). Ela
beneficia tanto a igreja como a vida do pastor. Ela é poderosa para fazer a igreja
63

crescer numericamente e consequentemente uma igreja que cresce com saúde


doutrinaria, porque Deus age através de sua Palavra.

4.2.1 A IGREJA CRESCE NUMERICAMENTE

A maior prova que a pregação é o instrumento mais importante para o


crescimento de uma igreja se encontra nos livros no Novo Testamento
especialmente no livro de Atos. O manual que pode guiar a igreja para o
crescimento se encontra nas Escrituras. Eby (2001, p.21-22) diz:

É hora de olhar com retidão a verdade sobre pregação e crescimento da


igreja. De acordo com o Novo Testamento, e particularmente o Livro de
Atos não podemos ter crescimento da igreja sem pregar. Lá descobrimos
que pregar não é uma questão secundária. Antes, o ministério da Palavra é
arma fundamental no arsenal espiritual, a única semente para a implantação
da igreja, a ferramenta-chave no plano de Deus para discipular as nações.
Sem pregação não há igreja. Sem proclamação não há crescimento de
igreja. Pregar é o coração, o sangue, o sistema circulatório completo da vida
e do crescimento da igreja.

Ao passo que a igreja anunciava a Palavra Lucas registra que a igreja crescia.
Ele registra bem como a pregação e crescimento andam juntos. O primeiro sermão
de Pedro no dia de Pentecoste quase três mil pessoas se arrependeram e creram
em Jesus. Atos (At 2, 41): “Desse modo, os que acolheram a sua palavra foram
batizados; e naquele dia juntaram-se a eles quase três mil pessoas”. (ATOS, 2011,
p.982). A partir dessa pregação a igreja continuou a proclamação e multiplicava o
número dos discípulos. Um resumo da pregação da Palavra e crescimento em Atos
mostra como isso é verdade Atos (At 2, 42): “E eles perseveravam no ensino dos
apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”. (Ibid, 2011, p. 982). Atos
(At 6, 7): “E a palavra de Deus era divulgada, de modo que o número dos discípulos
em Jerusalém se multiplicava muito, e vários sacerdotes obedeciam à fé”. (Ibid,
2011, p. 987). Atos (At 12, 24): “Contudo, a palavra de Deus crescia e se
multiplicava”. (Ibid, 2011, p. 996). Atos (At 13, 49): “E a palavra do Senhor
divulgavam-se por toda a região”. (Ibid, 2011, p. 999). Atos (At 19, 20): “Assim, a
palavra do Senhor crescia e prevalecia com poder”. (Ibid, 2011, p. 1007). Eby (2001,
p.34) comenta:

Lucas tinha outras maneiras de descrever o crescimento da igreja. Ele


poderia simplesmente dizer, como ele disse em Atos 2 e 5, que pessoas era
acrescentada na igreja (2, 47; 5, 14), ou que a igreja “se multiplicava” (9, 1),
ou que as igrejas “dia-a-dia crescia em número” (16, 5). O fato significativo é
que as sete sínteses sobre o crescimento em Atos, Lucas escolha
64

evidenciar a Palavra em cinco ocasiões e indiretamente nas outras duas. A


igreja cresce a medida que a Palavra cresce. A igreja cresce a medida em
que a Palavra se multiplica, se espalha e prevalece, apesar de oposição,
perseguição e barreiras culturais. A definição de Lucas para crescimento da
igreja é crescimento da Palavra e crescimento da Palavra significa
crescimento da pregação.

No segundo sermão de Pedro, mais duas mil pessoas creram em Jesus. Atos
(At 4, 4): “Contudo, muitos dos que ouviram a palavra creram, e o número dos
homens que creram aumentou para quase cinco mil”. O crescimento da igreja é
contínuo pela a Palavra. (Ibid, 2011, p. 983). Atos (At 6, 1): “Naqueles dias,
crescendo o número dos discípulos” [...]. (Ibid, 2011, p. 987). Esse crescimento foi
resultado da pregação da Palavra. Deus agiu na igreja primitiva através da Palavra
anunciada pelo os apóstolos. Eby (2001, p.34-35) afirma:

Crescimento da igreja significa Deus trazendo pessoas para ouvir a


pregação e obedecê-la. Crescimento da igreja significa vindo por ouvir, pela
a influência, convicção e pelo o poder transformador das Escrituras, que
resulta em submissão a Palavra de Deus. Em Atos sempre acontece
através da pregação.

Os apóstolos entenderam bem o papel central da Palavra. Eles


compreenderam ao ponto de nada ser mais prioritário em seus ministérios a não ser
unicamente a pregação das Escrituras. Eles perceberam que Deus agia mediante a
sua Palavra. A ênfase na pregação como um instrumento poderoso para o
acréscimo de discípulos a igreja foi utilizada pelos líderes primitivos. Eles se
dedicaram por completo as duas áreas mais importantes para a igreja à oração e a
pregação da Palavra. Eles a colocaram acima de todas as atividades da igreja.
Lucas registrou a prioridade dos apóstolos. Atos 6, 4 “Mas nós nos devotaremos à
oração e ao ministério da palavra”. Eby (2001, p.46) comenta:

Atos 6, 4 é a principal declaração no manual de Deus para o crescimento da


igreja. É a declaração de Deus sobre as prioridades do pastor que
produzirão uma igreja que cresce. Ela interpreta o que os apóstolos
estiveram fazendo durante o período crucial descrito em Atos 1- 6. Tal
declaração nos diz que os apóstolos de fato fizeram, deveriam fazer e
fariam quando sobre o controle e a domínio do Espírito Santo. [...] uma vez
que os apóstolos são pastores-padrão e o proposito de Lucas não é
somente registrar a história, mas também ensinar o ministério, Atos 6, 4
apresenta quais devem ser suas prioridades pastorais. É sua descrição de
trabalho para o crescimento da igreja.

Atos 6, 4 veio depois que alguns discípulos trouxeram um problema para os


apóstolos resolverem. A distribuição diária das viúvas pobres. Era uma atividade
legítima, porém, os apóstolos entediam que isso não era função deles e que com
65

certeza seria um obstáculo para minar o tempo da pregação da Palavra sendo que
escolheram homens específicos para essa tarefa. Eby (2001, p.44) lista três
estratégia que Satanás utilizou para barrar o avanço da pregação e
consequentemente o crescimento da igreja: Estratégia número um, “silenciar os
pregadores através da perseguição física”. Estratégia número dois, “arruinar a igreja
e a integridade de sua mensagem pela a corrupção moral” (At 5, 1-11). Estratégia
número três, “destruir a igreja distraído seus pregadores da oração e pregação”.
Nessa última, por mais que seriam importante para os apóstolos ajudarem nas
visitas de entrega da porção diária das viúvas, eles rejeitaram para se dedicaram a
aquilo que era prioridade para o crescimento da igreja a oração e o ministério da
Palavra.

A pregação sempre era o foco da igreja primitiva que avançava por vários
lugares. Os cristãos dispersos pela a perseguição em Jerusalém pregaram aos
judeus e gregos (At 11, 19-20) e o resultado foi tremendo. Atos (At 11, 21): “E a mão
do Senhor era com eles, e um grande número de pessoas creu e se converteu ao
Senhor”. (Ibid, 2011, p. 995). Na primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé,
muitos creram em Jesus mediante a pregação da Palavra de Deus. Lucas (At 13,
48-49) registra:

Ouvindo isso, os gentios alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor.


E todos os que haviam sido destinados para a vida eterna creram. E a
palavra do Senhor divulgava-se por toda a região (ATOS, 2011, p. 999).

A pregação de Paulo e Barnabé trouxeram resultados em Icônio. Atos (At 14,


1): “Em Icônio, entraram na sinagoga dos judeus, como costumavam fazer, e falaram
de tal modo que uma grande multidão creu, tanto de judeus como de gregos”. (Ibid,
2011, p. 999). A pregação em Tessalônica, muitos foram salvos, Atos (At 17, 4):
“Alguns deles foram convencidos e uniram-se a Paulo e Silas, bem como um grande
número de gregos tementes a Deus e muitas mulheres de posição”. (Ibid, 2011, p.
1003). Em Beréia em consequência da exposição da Palavra muitos creram nas
Escrituras, Atos (AT 17, 11-12):

Os de Beréia tinham mente mais aberta que os de Tessalônica, pois se


mostraram muito interessados ao receber a palavra, examinando
diariamente as Escrituras para ver se as coisas eram de fato assim. Desse
modo, muitos deles creram, bem como bom número de mulheres gregas de
alta posição e vários homens (ATOS, 2011, p. 1004).
66

Atos é a prova cabal de que a pregação é um instrumento poderoso para o


crescimento da igreja. A ênfase dos apóstolos foi a pregação e com isso, a igreja
cresceu numericamente. Nenhum método humano pode ser comparado com o
método de Deus que é a sua Palavra.

Além da Escritura que registra como a Palavra de Deus é o melhor


instrumento para o crescimento de uma igreja, pesquisas feitas acerca deste
assunto apontam que a pregação é o instrumento mais eficaz para o crescimento da
igreja. A pesquisa feita recentemente por Rainer (1996, apud, Lopes 2008, p.217 -
219) analisou:

Em 576 igrejas batistas que evangelizaram com maior eficiência nos


Estados Unidos indica dez surpresas que contradizem alguns conceitos
populares pelo Movimento de Crescimento de Igreja. Rainer afirma que as
igrejas mais eficientes em alcançar os perdidos são aquelas que se
concentram no que é básico: pregação bíblica, oração, testemunho
deliberado, missões e treinamento bíblico na escola dominical. A pesquisa
conclui que entre todos os fatores possíveis que levam a igreja ao
crescimento evangelístico, a pregação era claramente o elemento mais
importante. Mais de 90% dos que responderam à pesquisa indicaram a
pregação como um fator predominante na eficácia evangelística de sua
igreja. A pesquisa revelou também que a pregação expositiva é o estilo
mais usado por aqueles pastores e um dos melhores estilos para pregar
eficazmente a Palavra de Deus.

Como a pesquisa de Rainer concluiu, a prioridade da pregação como um


instrumento de crescimento traz resultados sendo que a pregação expositiva é um
dos estilos preferidos como eficaz para pregar a Palavra. Outra pesquisa realizada
por Hong (1983, apud, Lopes 2008, p.219) mostra que a pregação foi um grande
fator para o crescimento da Igreja Evangélica Coreana:

Hong analisou mil pastores e mil líderes leigos da Igreja Evangélica


Coreana em toda a República da Coréia em 1982 e 1983, chegando a
importantes conclusões sobre a influência da pregação no crescimento da
igreja. 98% dos pastores e leigos consideraram a pregação
“importantíssima” para o crescimento da igreja e 45,8% consideraram como
o fator “mais importante” no crescimento da igreja. Mais de 30% consideram
a pregação expositiva como o “estilo favorito de pregação”.

As Escrituras e pesquisas apontam como a ênfase na pregação é o maior


instrumento para o crescimento numérico da igreja. Deus acrescenta o número de
salvos pelo o poder transformado de sua Palavra.

4.2.2 A IGREJA CRESCE SAUDAVELMENTE


67

A ênfase na pregação e esta expositiva, a igreja cresce e cresce de forma


saudável. Crescimento saudável demonstrado aqui vem da palavra “saúde”. Dever
(2007, p.19) comenta: “Saúde” “é uma excelente figura daquilo que é saudável,
inteiro, reto e puro”. Uma igreja saudável é aquela onde os membros possuem um
conhecimento bíblico que os levam a maturidade espiritual. São pessoas
transformadas e que vivem de forma santa em comunhão, temor e fidelidade a
Palavra de Deus. Dever (2007, p.30-33) lista nove marcas fundamentais de uma
igreja saudável:

As primeiras cinco “marcas de uma igreja saudável” que consideraremos


refletem a preocupação com a pregação correta da Palavra de Deus.
Pregação expositiva, [...] Teologia Bíblica, [...] O Evangelho, [...] Um
Entendimento Bíblico da Conversão, [...] Um Entendimento Bíblico da
Evangelização [...]. O outro grupo de problemas nas igrejas
contemporâneas está relacionado à administração correta dos limites e das
características que identificam os cristãos. Um Entendimento Bíblico da
Membresia na Igreja, [...] Disciplina Bíblica na Igreja, Interesse pelo
Discipulado e Crescimento [...]; e Liderança Bíblica na Igreja [...].

Essas são as marcas fundamentais de uma igreja saudável. Igrejas que


procuram ser bíblicas em sua tarefa de pregar e discipular seus membros são igrejas
que crescem saudavelmente. Dever (2007, p.29) escreve:

Colocando de forma simples, precisamos de igrejas que são


conscientemente distintas de nossa cultura. Precisamos de igrejas cujo
principal indicador de sucesso não seja resultados evidentes, e sim
fidelidade bíblica perseverante. Precisamos de igrejas que nos ajudem a
recuperar aspectos do cristianismo que são distintos do mundo e que nos
unem.

Igrejas podem crescer numericamente e serem enfermas. Por isso, a


necessidade de uma pregação eficaz para um crescimento além do numérico é um
crescimento na sã doutrina em obediência a Palavra. Jesus falou sobre saúde de
nosso corpo como uma figura de nosso estado espiritual (Mt 6, 22 – 23; Mc 7, 17 –
23) Segundo Mateus (Mt 9, 12) Jesus disse: “Os sãos não precisam de médicos,
mas sim os enfermos”. (EVANGELHO, MATEUS, 2011, p.851). Dever (2007, p.19)
acrescenta: “Jesus trouxe saúde ao corpo das pessoas para salientar a saúde que
Ele oferecia para alma”. Paulo (Ef 4, 15-16) usou a figura da igreja como corpo de
Cristo, descrevendo a sua prosperidade em imagens orgânicas de crescimento e
saúde. Ele escreveu:

Pelo contrário, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele


que é a cabeça, Cristo. Nele o corpo inteiro, bem ajustado e ligado pelo
68

auxílio de todas as juntas, segundo a correta atuação de cada parte, efetua


o seu crescimento para edificação de si mesmo no amor (EFÉSIOS. 2011,
p.1077).

Paulo descreve a doutrina correta em Tito (Tt 2, 1) como “Sã doutrina”. “Tu,
porém, fala o que está em harmonia com a sã doutrina”. (TITO, 2011, p.1104) O
verdadeiro crescimento da igreja é aquele que provem da Palavra. Uma igreja que
cresce numericamente deve crescer também saudável. As pessoas devem vir a
Cristo por meio da Palavra e continuarem sendo transformadas por ela. Uma igreja
onde as pessoas não são direcionadas pela a Palavra torna-se uma igreja com
grandes problemas. O proposito de Deus é transformar vidas a semelhança de seu
Filho Jesus. Ele não se impressiona com números, mas sim com vidas santas. O
verdadeiro crescimento da igreja ultrapassa o crescimento numérico. O alvo da
igreja não deve ser apenas o crescimento dos números como também um
crescimento sadio. Lopes (2008 p.231) afirma:

Deus busca indivíduos convertidos, verdadeiros discípulos de Jesus. O


crescimento da igreja não pode ser alcançado à custa da fidelidade ás
Escrituras. A verdade não pode ser sacrificada para atrair mais pessoas
para igreja. [...] Deus não quer apenas números, mas também números que
representem um povo transformado, salvo por Jesus e selado pelo Espírito
Santo para uma vida poderosa.

Através de uma pregação que seja fiel as Escrituras, a igreja tem maior
probabilidade de ser uma igreja sadia. A igreja sempre será guiada pela pureza
doutrinaria que emana do púlpito. Pregar expositivamente é manter a fidelidade das
Escrituras. Tanto os pastores como toda a igreja crescerão juntos tanto no
conhecimento bíblico como em suas vidas transformadas a semelhança de Cristo.

4.2.2.1 BENEFÍCIOS NA VIDA DOS PASTORES

Há muitos benefícios para os pastores em utilizar a lectio continua ou


pregação bíblica sequencial. Primeiro, ela livra os pastores de inventar temas para a
pregação a cada domingo. Isto porque, essa tarefa na escolha de temas consome
tempo e energia. Pastores muito ocupados ganhão tempo, pois, os temas das
mensagens serão dados à medida que o livro segue. O próximo tema está ali de
forma natural. Lachler (1990, p.53) escreve:

A pessoa que prepara sermões a partir de um livro da Bíblia já tem um tema


geral dado por Deus, ao lado de outros temas de apoio nos parágrafos de
pregação. Nada disso depende da invenção humana. Com um recurso rico
como este, o pregador não precisa esgotar suas energias para provar sua
69

capacidade de inventar. Ele fica livre para estudar o parágrafo da pregação


na qualidade de Palavra de Deus. Ele tem liberdade para decifrar o tema
divinamente inspirado e pregá-lo com bastante convicção.

Isto ajudará os pregadores em suas tarefas na preparação das mensagens.


Geralmente pregadores que procuram temas de vez por outra repetirão os mesmos
falando de modos diferentes. Quando os pregadores tratam dos mesmos temas
repetidamente, os ouvintes se cansam e podem julgar que o pregador está sendo
motivado por uma agenda estreita. Lachler (1990, p.54) comenta: “Ao contrário
disso, o servo do Senhor que acredita sinceramente que Deus ainda fala através de
sua Palavra exposta descobrirá temas vivos nas Escrituras. E com variedade e
relevância”. A vantagem de se pregar expositivamente fará com que o pregador
possa levar todo o conselho de Deus como Paulo falou diante dos presbíteros de
Éfeso em Atos (At 20, 27). Liefeld (1998, apud, Lopes, 2008, p.148) diz: “O pregador
deve confina-se à verdade bíblica”. Ela facilita que o pregador se atenha à
proclamação de todo o conselho de Deus, em vez de pregar seus temas preferidos.
Pastores que pregam quase todos os domingos e ainda durante a semana serão
beneficiados. Para Begg (2014, p.54-55) a pregação expositiva livra o pregador da
pressão da preparação de última hora, no sábado à noite. Ele continua dizendo:

A pregação expositiva que é sistemática e consecutiva em seu padrão


significa que as pessoas não chegam à igreja perguntando a si mesmas: “O
que será que o pastor pregará hoje? ” E o pastor fica livre de enfrentar a
mesma pergunta com regularidade dolorosa e incansável. Em uma
perspectiva pragmática, isso sozinho é suficiente para me convencer do
valor da pregação expositiva.

Outra tensão que a pregação expositiva sequencial resolve é dos sermões


conhecidos como carapuça. Por um lado, os pastores podem usar o púlpito para
manipular seus próprios temas para atacar ou resolver problemas do momento. Por
outro, os pregadores que cedem a isto são muitas vezes vistos como intrometidos e
não são dignos de inteira confiança. Lachler (1990, p.55) diz:

A exposição de temas bíblicos, à medida que surgem na série prescrita,


anula a maior parte das acusações de que pregador está tentando atingir
certos membros. Numa série de exposições as pessoas sabem que o texto
não foi selecionado por causa de qualquer “ira messiânica” no pastor.

Há outras situações em que pastores e pregadores sempre evitam textos


difíceis e escolhendo sempre textos favoritos. A exposição bíblica sequencial impede
o pregador de evitar essas passagens difíceis buscando apenas aqueles que já
conhecem. Begg (2014, p.51) diz:
70

[...] quando o pregador não é ativo no estudo sistemático da Escritura, ele


se verá pregando suas passagens favoritas para proteger sua reputação.
[...] Por meio desta metodologia, muitas igrejas não desfrutam da
oportunidade de tentar compreender a doutrina da eleição, que amplia a
mente e insistiga a alma. Outras nunca examinam a questão dos dons
espirituais ou conseguem evitar a consideração de assuntos “controversos”
como homossexualidade, o papel da mulher ou o futuro de Israel. Por se
comprometer com uma exposição das Escrituras que segue um padrão
sistemático, o pregador evitará estas armadilhas.

Seguindo esse mesmo benefício, o pregador expositivo será um estudante da


Palavra de Deus. Ele deverá mergulhar nos estudos com mais dedicação para
compreender todo sentido da passagem e passará a explicar qualquer texto, sejam
textos fáceis ou difíceis. Begg (2014, p.48) afirma: “A pregação expositiva exige que
o pregador se torne ele mesmo um estudante da Palavra de Deus”. Além de lidar
com uma variedade de textos a pregação bíblica sequencial promove erudição ao
impedir que o expositor interprete erroneamente os textos bíblicos ou use fora do
contexto. Ele estará sempre seguro do que realmente a passagem quer dizer devido
ao estudo exaustivo através de uma exegese acurada da passagem. Sua autoridade
não está nele mesmo, mas, na Palavra de Deus. Pastores serão sempre desafiados
a aprenderem mais com as próximas passagens. Begg (2014, p.48-49) escreve:

Por contraste, quando um pastor é comprometido com a exposição


sistemática e consecutiva da Escritura, ele nunca chegará ao fim de sua
tarefa. Se não estamos aprendendo, não estamos crescendo; e, estamos
paralisados, podemos estar certos de que nosso povo ficará igualmente
paralisado. É vital que continuemos a estudar as Escrituras com o espírito
de descoberta.

O pastor expositivo crescerá no conhecimento bíblico sendo alimentado


constantemente de toda Palavra de Deus. Ele ultrapassará sempre o que já conhece
aprendendo muito mais. Ele será ricamente beneficiado com a Palavra de Deus.

4.2.2.2 BENEFÍCIOS PARA IGREJA

Assim como o pastor que crescerá através das exposições da Palavra a igreja
consequentemente será também ricamente beneficiada com um crescimento
saudável. Toda igreja pode crescer sem a pregação, mas, é impossível uma igreja
crescer de forma saudável sem uma pregação bíblica. DEVER (2007), escrevendo
sobre as nove marcas de uma igreja saudável supracitado apresenta a pregação
expositiva como a primeira e a mais importante de todas. Para DEVER (2007) a
pregação tem um papel central na vida da igreja. Todas as outras marcas que ele
71

atribui ser de uma igreja saudável só podem ser eficazes se a pregação expositiva
for prioridade no ministério do pastor e que isto consiste no crescimento saudável da
igreja. Dever (2007, p.40) explica:

A primeira marca de uma igreja saudável é a pregação expositiva. Não é


somente a primeira marca; é a mais importante de todas as marcas, porque,
se você desenvolve-la corretamente, todas as outras seguirão. [...] Minha
principal tarefa, e a principal tarefa de todo pastor, é a pregação expositiva.
Isto é tão importante que, se você falhasse nisto e entendesse bem todas
as outras oito marcas, estas outras seriam, de certo modo, acidentais. Elas
podem ser descartadas ou distorcidas, porque não fluirão da palavra e não
estarão sendo continuamente modeladas e renovadas pela a palavra. Mas,
se você estabelecer a prioridade da Palavra, terá no seu devido lugar o
aspecto mais importante e singular da vida da igreja, e com certeza haverá
crescimento, porque Deus determinou agir mediante seu Espírito, por meio
de sua Palavra.

A pregação bíblica deve está no centro de toda a vida da igreja. Só ela pode
trazer direção para tudo e toda congregação. Os resultados da exposição da Palavra
é Deus criando vida e direcionando como a igreja deve caminhar. Dever (2007, p.43
– 44) comenta:

A pregação deve sempre (ou quase sempre) ser expositiva, por que a
Palavra de Deus deve estar no seu centro, norteando-a. De fato, as igrejas
devem ter a Palavra como o seu centro, dirigindo-as. Deus resolveu usar
sua Palavra para criar vida. Esse é o padrão que vemos nas Escrituras e na
história. A Palavra de Deus é o seu instrumento escolhido para criar vida.

Os seus benefícios são muitos para o crescimento saudável da igreja. O


primeiro fator é a nutrição. A pregação sequencial em sua forma de abordar livros e
passagens inteiras explora toda a Escritura. A igreja não conhecerá apenas temas já
conhecidos, mas, uma variedade de assuntos. Os membros estarão sempre
aprendendo algo novo. A igreja crescera no conhecimento bíblico tendo uma dieta
equilibrada da Palavra de Deus. Lopes (2008, p.148) escreve:

Num período marcado pelo analfabetismo bíblico, a pregação expositiva


traz conhecimento bíblico. Ela responsabiliza o pregador pela pregação do
que Deus diz, não do que ele, pregador, quer dizer. A exposição dá ao
pregador proteção contra várias armadilhas. Esse método mantém o
pregador longe de seu brinquedo de criança e levo-o a oferecer uma dieta
equilibrada para o povo.

O conhecimento bíblico ajudará a igreja discernir os perigos de falsos ensinos


que podem afasta-los da verdade. Uma igreja que conhece a Palavra de Deus
estará preservando a sã doutrina e crescendo em maturidade a semelhança de
Cristo. Todo designo de Deus é anunciado a congregação quando a pregação
72

bíblica sequencial é utilizada. A congregação conhecerá mais de Deus e crescerá


em conhecimento e maturidade. Lachler (1990, p.61) comenta:

Qualquer pessoa que exponha livros inteiros da Bíblia em forma de série


tocará em vários assuntos: doutrina, vida interior, devoção a Deus, ética,
origem da raça, escatologia, história, biografia, evangelização, dinheiro,
sexualidade humana etc. [...] O expositor pode ter certeza de achará uma
variedade de materiais importantes para a pregação que atendam as
necessidades atuais daqueles que estão sentados nos bancos.

A Palavra de Deus deve ser proclamada em sua totalidade ela é o alimento


para o espírito. Segundo Mateus (Mt 4.4) Jesus disse: Está escrito: “Nem só de pão
homem viverá, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. (EVANGELHO,
MATEUS, 2011, p.843) Através dela que vidas são alcançadas e transformadas por
esse alimento sólido. Pedro (1 Pe 1, 23) escreve dizendo: “Fostes regenerados não
de semente perecível, mas imperecível, pela a palavra de Deus, que vive e
permanece”. (1PEDRO, 2011, p. 1126). Lachler (1990, p.55) diz: “A Palavra de Deus
destina-se a todas as coisas para toda a humanidade. Ela traz o novo nascimento a
alguns e concede edificação moral a outros, segundo o desejo do Espírito”. A
Palavra do Senhor é poderosa para o crescimento Pedro (1Pe 2, 1-3) diz:

Portanto, deixando toda maldade, todo engano, fingimento, inveja e toda


difamação, desejai o puro leite espiritual, como bebês recém-nascidos, a fim
de crescerdes por meio dele para a salvação, se é que já provastes que o
Senhor é bom (1 PEDRO, 2011, p.1126).

Ao expor a Palavra, cristãos crescem quando são nutridos por Deus. Ele é
apresentado por aquilo que Ele é tanto para precadores como para os santos. A
pregação eficaz não depende de qualquer classificação do sermão, seja para
cristãos ou pecadores, ela atinge todos. Os que estarão ouvindo a exposição da
Palavra serão ricamente alimentados. Cristãos serão edificados enquanto nos
incrédulos produzirá a fé salvadora. Sendo todos confrontados com a poderosa
Palavra de Deus.

Segundo, a pregação bíblica sequencial tende a reavivar a dinâmica da igreja.


As pessoas serão desafiadas a participar com entusiasmo das atividades da igreja
com mais desejo. Isso porque estarão sempre diante da Palavra que as confrontam
em muitas áreas da vida cristã. Lachler (1990, p.60) escreve:

Lideres se comprometem mais com a liderança. Os que lutam em oração


passam a orar mais. Almas hesitantes assumem compromissos decisivos a
Cristo. Os contribuintes dão mais e os que não contribuem serão libertos da
73

avareza. Os membros participam da causa missionária, saindo de uma


condição morna para fervorosa, de quantidades limitadas para uma
generosidade transbordante, de um patrocínio paternalista para um
envolvimento pessoal. Os que amam a Bíblia leem e entendem a Palavra de
Deus com mais diligência e testemunham com maior coragem.

Isto não significa que apenas igrejas onde se prega expositivamente terá
esses resultados. Mas a probabilidade de acontecer é maior em igrejas que pratica a
pregação expositiva. Além dessas áreas a igreja se desenvolve em outras. Lopes
(2008, p.149) alista:

(1) A pregação expositiva da força ao povo. (2) A pregação expositiva


encoraja o povo a estudar por si mesmo a Palavra de Deus. (3) A pregação
expositiva tem um meio de ampliar os horizontes do indivíduo. (4) A
pregação expositiva oferece ao pregador uma congregação cada vez
amadurecida.

Os membros desenvolverão o desejo de ler a Palavra e procurar entende-la


pelo o costume de ouvir como o pregador interpreta e aplica a Escritura. Serão
pessoas que amadurecerão na vida cristã mais do que outras pelo fato de estarem
constantemente sendo transformada pela a Palavra. Jussly (1997, apud, Lopes
2008, p.150) ainda aponta três vantagens da pregação expositiva para congregação:

A pregação lectio continua ensina a maneira de os indivíduos envolverem-


se no pensamento crítico e ensina as pessoas a ler e estudar a Bíblia por si
mesmas. Segundo, os membros das igrejas expostos a sermões lectio
continua podem monitorar o seu progresso. Terceira, a exposição dessa
maneira expõe o ouvinte a uma maior variedade de aplicações práticas da
Bíblia.

Os benefícios da pregação expositiva para o crescimento saudável são


comprovados não só pela a teoria mais na prática. Uma pesquisa realizada por
LIBANEO (2015) em quatro congregações da primeira Igreja Batista de Atibaia que
pregam expositivamente, mostra resultados surpreendentes. As igrejas estão
localizadas nas cidades de Itapeva, em Minas Gerais; Pedreira, Socorro, Terra Preta
e no bairro Imperial, em Atibaia, no estado de São Paulo. Foi orientado, no próprio
questionário, que o entrevistado respondesse tendo em mente as mensagens
pregadas no domingo à noite. Isso porque geralmente cada congregação tem pelo
menos três cultos ao longo da semana. Cada culto pode ter uma ênfase diferente. O
culto de domingo à noite por ser geralmente o culto escolhido para a exposição
bíblica sequencial.
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Os questionários foram entregues aos pastores das respectivas


congregações, que as aplicaram em suas igrejas no período de setembro a outubro
de 2014. Ao todo foram 140 pessoas entrevistadas, entre membros e frequentadores
assíduos. Sobre o crescimento do conhecimento adquirido nas pregações a
pesquisa concluiu que 98% cresceram em seu conhecimento bíblico pessoal por
meio da pregação e que 57 % dos ouvintes das mensagens se sentem capaz de
explicar a mensagem geral do livro exposto. 80% são motivadas pela a pregação a
estudarem mais a Bíblia sozinha. A respeito da relevância para a vida a pesquisa
mostra que 66% se sentem consolados e que 59% dizem que toda mensagem
confronta seus corações revelando um pecado que é preciso ser abandonado. 81%
dizem serem impactadas com as mensagens. O púlpito tem trazido respostas
relevantes para caminhar com o Senhor ajudado bastante a estar mais perto de
Cristo. 58% responderam que as pregações causam mudanças significativas (em
sua maneira de pensar) em sua vida. Sobre a mensagem atingirem os descrentes os
resultado é que 74% relatam que elas sempre apontam para a necessidade de
Cristo em suas vidas. Sobre o pastor a pesquisa mostra que 79% disserem que o
pastor demonstra domínio do conteúdo pregado.

É percebível que os resultados da pregação expositiva sequencial são reais e


não apenas teóricos. A igreja cresce saudavelmente através do poder que a Palavra
de Deus realiza em suas vidas. Igrejas onde há a pregação expositiva experimentam
crescimento saudável. Lopes (2008, p.226) escreve:

O crescimento da igreja e a pregação eficaz são inseparáveis. A maioria


dos pastores das igrejas que experimentaram um crescimento saudável e
equilibrado adotou a pregação expositiva. Martyn Lloyd-Jones foi um grande
referencial da pregação expositiva na Capela de Westmister em Londres
durante muitos anos, até sua morte em 1981. Milhares de pessoas o ouviam
todos os domingos e milhares de pastores em todo o mundo sentem o
poder de Deus nos sermões de lloyd-Jones: em áudio ou impresso.

Outro grande exemplo de expositor contemporâneo que experimentou um


crescimento saudável em sua igreja é John MacArthur Jr. Ele é um dos mais
conhecidos expositores bíblicos atuais. Lopes (2008, p.227) escrevendo sobre sua
igreja diz:

Sua igreja foi fundada há mais de trinta anos e experimentou enorme


crescimento em quase toda a sua história. Em um domingo típico, cerca de
10 mil pessoas comparecem aos cultos. A pregação expositiva é essencial
no ministério de MacArthur.
75

Além de John MacArthur outro pregador expositivo que tem visto sua igreja
crescer saudavelmente pela a pregação bíblica é Tim Keller. Ele começou uma nova
igreja no coração de Manhattan em 1989. Como pastor titular, pregou durante doze
anos para uma elite de nova-iorquinos. Sobre os resultados desse trabalho Lopes
(2008, p.227) descreve:

Sua pregação é expositiva. Os resultados são espetaculares. A igreja


Presbiteriana Redeemer não tem templo e reúne-se atualmente em dois
locais em três horários diferentes. Enquanto isso, a média de frequência da
Redeemer, em um domingo comum, é de cerca de 3,5 mil pessoas, embora
fosse mais exato dizer que há cerca do dobro desse número que frequenta
regularmente a igreja.

A pregação expositiva é um instrumento para o crescimento saudável que as


igrejas precisam. Ela não pode ser colocada como algo secundário ou opcional, mas
a tarefa mais nobre e preciosa da igreja, o fator mais importante que produz o
crescimento saudável.
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5 CONCLUSÃO

Concluía-se que a pregação expositiva é um instrumento que traz


crescimento saudável a igreja porque ela cultiva o compromisso mais profundo dos
crentes com a Palavra de Deus, preparando-os para vencer as filosofias mundanas
e heresias teológicas que ameaçam constantemente as igrejas. A pregação
expositiva está totalmente comprometida com a supremacia da Escritura
infabilidade, inerrância e suficiência. Ele é a melhor ferramenta para ajudar os
pastores e as igrejas a terem um crescimento saudável por sua centralidade nas
Escrituras. A pesquisa aponta na prática como esse estilo de pregação traz
benefícios que promovem saúde tanto aos pastores como a congregação. Todo o
conselho de Deus é explorado na pregação bíblica sequencial e a igreja cresce em
maturidade.
A pregação expositiva é importante porque está apoiada nas Escrituras. Tanto
no Antigo Testamento como no Novo testamento encontramos sermões expositivos.
Os Apóstolos deram ênfase à pregação bíblica e os resultados foi uma igreja que
cresceu fundamentada na doutrina apostólica. Esse estilo de pregação também
esteve presente durante toda a história da igreja cristã. Tanto os reformados como
os puritanos foram pregadores expositivos. Os resultados de seus ministérios foram
grandiosos até hoje. A maioria dos pregadores atuais são expositores. Suas igrejas
crescem de forma saudável por estarem ouvindo a pregação fiel das Escrituras.
Pesquisas compravam o crescimento tanto numérico como saudável em igrejas que
colocaram a pregação como o fator mais importante para o crescimento. Igrejas
como a Primeira Igreja Batista de Atibaia experimentam um crescimento saudável na
vida de seus membros e líderes devido o lugar de primazia que a exposição da
Palavra ocupa nos cultos dominicais.
O crescimento numérico é importante, mas, não é o bastante. O crescimento
numérico não é um fim em si mesmo. Uma igreja pode crescer em quantidade, mas,
pode crescer sem qualidade. Deus quer o crescimento saudável de sua igreja seja
tanto espiritual e numérico, quanto qualitativo e quantitativo. A pregação expositiva é
o instrumento que as igrejas Batista do Ceará devem utilizar como eficaz para da um
crescimento equilibrado. Ela é eficaz porque exalta as Escrituras. Deus opera
através dela. A primazia da pregação é a tarefa mais importante de todo pastor
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evangélico que deseja ser fiel na proclamação da Palavra de Deus. O Senhor é


quem promove o verdadeiro crescimento da igreja mediante a sua Palavra. É
possível para uma igreja crescer numericamente sem a pregação expositiva. Mas é
impossível que cresça espiritualmente sem a exposição da Palavra de Deus. Sem a
Escritura mediante a pregação pura e simples não há crescimento sadio da igreja. A
Pregação Expositiva deve ocupar o lugar de preeminência nos púlpitos das igrejas
Batista do Ceará para um crescimento saudável.
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