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Matérias Primas

Cerâmicas Naturais
Seminário

Disciplina: Processamento de Materiais Cerâmicos

Professora Doutora Sylma Carvalho Maestrelli

Professor Doutor Rodrigo Sampaio Fernandes

Data da Apresentação: 20/03/2012

Mestranda: Beatriz Furquim Vry

Poços de Caldas, 20 de Março de 2012.


Sumário
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3
2. MATÉRIAS PRIMAS COMUNS .......................................................................................................... 3
2.1. MATERIAIS BRUTOS................................................................................................................. 5
2.1.1. Argila ............................................................................................................................... 5
2.1.2. Caulim.............................................................................................................................. 9
2.1.3. Folhelhos ......................................................................................................................... 9
2.1.4. Bauxita Bruta ou Bauxito ............................................................................................... 10
2.1.5. Calcita ............................................................................................................................ 11
2.1.6. Cianita Bruta .................................................................................................................. 12
2.2. MINERAIS INDUSTRIAIS ......................................................................................................... 13
2.2.1. Pirofilita ......................................................................................................................... 13
2.2.2. Agalmatolito .................................................................................................................. 14
2.2.3. Talco ou Esteatita .......................................................................................................... 15
2.2.4. Feldspato ....................................................................................................................... 15
2.2.5. Nefelina Sienita ............................................................................................................. 16
2.2.6. Wollastonita .................................................................................................................. 16
2.2.7. Espodumênio................................................................................................................. 17
2.2.8. Quartzo .......................................................................................................................... 18
2.2.9. Areia de Vidro................................................................................................................ 19
2.2.10. Cianita Beneficiada ........................................................................................................ 20
2.2.11. Zircão ............................................................................................................................. 20
2.2.12. Rutilo ............................................................................................................................. 21
2.2.13. Minério de Cromo ou Cromita ...................................................................................... 22
2.2.14. Caulim calcinado ........................................................................................................... 23
2.2.15. Dolomita ........................................................................................................................ 24
2.2.16. Filito Cerâmico............................................................................................................... 24
2.2.17. Grafita ou Grafite .......................................................................................................... 25
2.2.18. Magnesita ...................................................................................................................... 26
2.2.19. Materiais Fundentes Diversos ....................................................................................... 26
2.2.20. Outras Informações ....................................................................................................... 27
3. REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 28

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1. INTRODUÇÃO
Os materiais cerâmicos são compostos por elementos metálicos e não-
metálicos, para os quais as ligações interatômicas ou são totalmente iônicas ou
predominantemente iônicas tendo, porém, alguma natureza covalente. O termo
“cerâmica” vem da palavra grega keramikos, que significa “matéria queimada”,
indicando que as propriedades desejáveis desses materiais são atingidas normalmente
através de um processo de tratamento térmico a alta temperatura chamado de
cozimento.
Até aproximadamente 60 anos atrás, os materiais mais importantes nessa
categoria eram denominados “cerâmicas tradicionais”, ou seja, aqueles para os quais a
matéria prima primária é a argila; os produtos considerados cerâmicas tradicionais são
a porcelana usada em louças, porcelana, tijolos, telhas e azulejos e, também, os vidros
e cerâmicas de alta temperatura. Recentemente ocorreu um processo significativo em
relação à compreensão da natureza fundamental desses materiais e dos fenômenos que
ocorrem neles e que são responsáveis por suas propriedades únicas.
Conseqüentemente, uma nova geração desses materiais foi desenvolvida e o termo
“cerâmica” tomou um significado muito mais amplo. Em um grau ou outro, esses
novos materiais possuem um efeito consideravelmente drástico sobre a nossa vida; as
indústrias de componentes eletrônicos, de computadores, comunicação, aeroespacial e
uma gama de outras indústrias dependem do uso desses materiais [1].
As funções dos produtos cerâmicos são muito dependentes da sua composição
química, e da sua estrutura atômica e em microescala, que determinam suas
propriedades, ou seja, das matérias primas utilizadas na sua fabricação [2].

2. MATÉRIAS PRIMAS COMUNS


As matérias primas cerâmicas podem variar significativamente em química
nominal e composição do mineral, pureza, estrutura física e química, tamanho de
partícula e preço.
As categorias de matérias primas incluem:
1. Material Bruto não uniforme de depósitos naturais;
2. Minerais Industriais Refinados que tenham sido beneficiados para remover
impurezas de maneira a aumentar significativamente a pureza e consistência
física do minério;
3. Químicos Inorgânicos de Alta Produção que passaram por um extenso
processo químico e refinamento para significativamente melhorar/aprimorar a
pureza química e melhorar as características físicas.
A escolha de uma matéria prima para um produto em particular dependerá de
custo, fatores de mercado, serviços de fornecedores, considerações técnicas de
processamento, e por último os requisitos de desempenho e preço de mercado do
produto acabado. Para produtos nos quais o processamento agrega um valor
considerável, o custo da matéria prima inicial corresponde a uma parcela
relativamente pequena do custo de produção. Portanto, um material de maior
qualidade e mais caro pode ser aceitável para produtos microeletrônicos,
revestimentos, fibras, e alguns produtos de alta performance. Porém na média o custo
das matérias primas para materiais de construção e cerâmicas tradicionais, assim como
para telhas e porcelanas, devem ser relativamente baixos. Considerações de custo
benefício pode sugerir substituições de materiais de baixo custo que não impactam a
qualidade, ou alternativamente, por um material mais caro, que pode ser mais
processado economicamente e/ou aumentará a qualidade e performance do produto
[2].
Alguns exemplos comuns encontram-se listados na tabela 1.1.

TABELA 1.1 Matérias Primas para Cerâmicas.


Categoria Pureza (%) Materiais
Materiais brutos Variável Folhelhos, argila de grés, argila
vermelha, bauxita bruta, cianita bruta,
“Ball Clay” natural (argila caulinítica
sedimentar), bentonita.
Minerais Industriais 85 – 98 “Ball Clay”, caulim, bentonita
(quartzo 99) refinada, pirofilita, talco ou esteatita,
feldspato, nefelina sienita,
wollastonite (cálcio metassilicato),
espodumênio, areia de vidro, sílex
oleiro (quartzo), cianita, bauxita,
zircão, rutilo, minério de cromo,
caulim calcinado, dolomita.
Químicos Inorgânicos 98 – 99,9 Alumina calcinada (processo Bayer),
Industriais magnesita calcinada (a partir de
salmoura, água do mar), alumina
fundida, magnesita fundida, nitreto de
alumínio, carbonato de bário, titânia,
titanatos calcinado, óxido de ferro,
ferritas calcinadas, zircônia, zircônia
estabilizada, zirconatos calcinados.
Químicos Inorgânicos > 99,9 α-Alumina (α-Al2O3), β-Carbeto de
Especiais Silício (β-SiC), entre outros.
Fonte: [2].

Os materiais brutos e minerais industriais são considerados matérias primas


naturais por não terem sido submetidos por um extenso processo químico e
refinamento para significativamente melhorar/aprimorar a pureza química e melhorar
as características físicas, e será o foco do material descrito abaixo.
2.1. MATERIAIS BRUTOS
Muitas das indústrias de cerâmicas do passado instalavam-se próximas a
depósitos naturais de uma combinação de minério bruto que poderia ser
convenientemente processado originando produtos usáveis. Materiais para construção
como tijolos, telhas e alguns utensílios de cerâmica são itens históricos, e muitos ainda
são identificados por nomes regionais.
Alguns materiais brutos possuem pureza suficiente para serem usados em
refratários pesados: bauxita bruta, uma mistura natural de hidróxidos de alumínio,
minerais argilosos, e impurezas minerais como quartzo e óxidos de ferro, é usada na
produção de alguns refratários. Atualmente, entretanto, a maioria das cerâmicas são
produzidas à partir de minérios refinados.
Veja a seguir uma breve descrição dos principais integrantes desta classificação
de matéria prima cerâmica:

2.1.1. Argila
Argila é um material natural, de textura terrosa, de granulação fina, constituída
essencialmente de argilominerais, podendo conter outros minerais que não são
argilominerais (quartzo, mica, pirita, hematita, etc), matéria orgânica e outras
impurezas. Os argilominerais são os minerais característicos das argilas;
quimicamente são silicatos de alumínio ou magnésio hidratados, contendo em certos
tipos outros elementos como ferro, potássio, lítio e outros.
Graças aos argilominerais, as argilas na presença de água desenvolvem uma
série de propriedades tais como: plasticidade, resistência mecânica a úmido, retração
linear de secagem, compactação, tixotropia e viscosidade de suspensões aquosas que
explicam sua grande variedade de aplicações tecnológicas. Os principais grupos de
argilominerais são caulinita, ilita e esmectitas ou montmorilonita.
O que diferencia estes argilominerais é basicamente o tipo de estrutura e as
substituições que podem ocorrer, dentro da estrutura, do alumínio por magnésio ou
ferro, e do silício por alumínio ou ferro, principalmente, e conseqüente neutralização
das cargas residuais geradas pelas diferenças de cargas elétricas dos íons por alguns
cátions. Dessa forma, na caulinita praticamente não ocorre substituição, na ilita ocorre
substituição e o cátion neutralizante é o potássio; na montmorilonita também ocorrem
substituições e os cátions neutralizantes podem ser sódio, cálcio, potássio e outros.
Isto implica em diferenças nas características de interesse para as diversas aplicações
tecnológicas.
Como exemplo, argilas constituídas essencialmente pelobargilomineral
caulinita são as mais refratárias, pois são constituídas essencialmente de sílica (SiO2) e
alumina (Al2O3), enquanto que os outros, devido à presença de potássio, ferro e outros
elementos, têm a refratariedade sensivelmente reduzida. A presença de outros
minerais, muitas vezes considerados como impurezas, pode afetar substancialmente as
características de uma argila para uma dada aplicação; daí a razão, para muitas
aplicações, de se eliminar por processos físicos os minerais indesejáveis. Processo este
chamado de beneficiamento.

Figura 2.1. Argila. Fonte: [4].

Aplicações: As argilas apresentam uma enorme gama de aplicações, tanto na


área de cerâmica como em outras áreas tecnológicas. Pode-se dizer que em quase
todos os segmentos de cerâmica tradicional a argila constitui total ou parcialmente a
composição das massas. De um modo geral, as argilas que são mais adequadas à
fabricação dos produtos de cerâmica vermelha apresentam em sua constituição os
argilominerais ilita, de camadas mistas ilita-montmorilonita e clorita-montmorilonita,
além de caulinita, pequenos teores de montmorilonita e compostos de ferro. As argilas
para materiais refratários são essencialmente cauliníticas, devendo apresentar baixos
teores de compostos alcalinos, alcalinos-terrosos e de ferro; podendo conter ainda em
alguns tipos a gibbsita (Al2O3.3H2O). As argilas para cerâmica branca são semelhantes
às empregadas na indústria de refratários; sendo que para algumas aplicações a maior
restrição é a presença de ferro e para outras, dependendo do tipo de massa, além do
ferro a gibbsita. No caso de materiais de revestimento são empregadas argilas
semelhantes àquelas utilizadas para a produção de cerâmica vermelha ou as
empregadas para cerâmica branca e materiais refratários.
Num processo inverso, de litificação, a argila pode se transformar em rocha
sedimentar se um depósito de argila for desidratado e submetido a compactação
(normalmente pela pressão de camadas superiores), dá origem a rochas clásticas mais
finas (lutitos ou pelitos) cujos exemplos podemos citar: os folhelhos, que se
apresentam bem estratificados, e os argilitos, que possuem pouca ou nenhuma
estratificação.
Em função principalmente das possibilidades de emprego tecnológico, que são
influenciadas pela gênese e pela composição mineralógica do material, em muitos
casos as argilas recebem designações como: bentonitas, argilas refratárias, flint-clays e
ball clays.
2.1.1.1. “Ball Clay” Natural
“Ball Clay” é uma argila sedimentar de partículas finas contendo matéria
orgânica complexa variando até tamanhos submicrónicos. São consideradas argilas
secundárias muito plásticas, de cor azulada ou negra, apresenta alto grau de contração
tanto na secagem quanto na queima. Sua grande plasticidade impede que seja
trabalhada sozinha, fica pegajosa com a água.

Figura 2.2. “Ball Clay”. Fonte:[5].

Aplicação: É adicionada em massas cerâmicas para proporcionar maior


plasticidade e tenacidade à massa. Vitrifica aos 1300 °C.

2.1.1.2. Argila para Grés


Argila de grão fino, plástica, sedimentária e refratária - que suporta altas
temperaturas. Vitrificam entre 1250 - 1300 °C. Nelas o feldspato atua como material
fundente. Após a queima sua coloração é variável, vai do vermelho escuro ao rosado e
até mesmo acinzentado do claro ao escuro.

Figura 2.3. Argila para grés. Fonte: [6].


2.1.1.3. Argilas Vermelhas
São plásticas com alto teor de ferro resistem a temperaturas de até 1100 °C
porém fundem em uma temperatura maior e podem ser utilizadas com vidrados para
grês. Sua coloração é avermelhada escuro quando úmida chegando quase ao marrom,
quando biscoitada a coloração se intensifica para o escuro de acordo com seu limite de
temperatura de queima.

Figura 2.4. Argila Vermelha. Fonte: [7]

Aplicação: Tratamentos estéticos.

2.1.1.4. Bentonita
Bentonita é uma argila complexa contendo uma proporção relativamente alta
de montmorilonita mineral argilosa. Argila vulcânica muito plástica, contém mais
sílica do que alumínio, e se origina das cinzas vulcânicas. Apresenta uma aparência e
tato gorduroso, pode aumentar entre 10 e 15 vezes seu volume ao entrar em contato
com a água.

Figura 2.5. Bentonita. Fonte: [8].


Aplicação: Adicionada a argilas para aumentar sua plasticidade. Funde por
volta de 1200 °C.

2.1.2. Caulim
Caulim é uma argila combustível branca relativamente pura, composta
principalmente do minério caolinita Al2Si2O5(OH)4, mas contendo outros minerais
argilosos, e uma quantidade mínima de impurezas minerais como o quartzo SiO 2,
ilmenita FeTiO3, rutilo TiO2, e hematita Fe2O3.

Figura 2.6. Caulim. Fonte: [9].

Argila primária, utilizada na fabricação de massas para porcelanas. É de


coloração branca e funde a 1800 °C - pouco plástica, e deve ser moldada em moldes
ou formas, pois com a mão é impossível [10].

2.1.3. Folhelhos
Xisto argiloso ou Folhelho é o nome dado a uma rocha sedimentar de origem
dentrítica, que pertence ao subgrupo das rochas argiláceas, devido à natureza dos seus
principais constituintes. É por vezes confundido com a rocha metamórfica xisto. Os
depósitos dentríticos de xisto argiloso ou folhelho estão sujeitos a interposição de
cimentos, ou compressões, e por isso são não-móveis, sendo apelidados de rochas
argiláceas consolidadas. Devido às pressões acima referidas, e da disposição orientada
das minúsculas placas minerais que formam as rochas argilosas, apresentam-se mais
ou menos foliadas, na direção correspondente à dos planos de estratificação.
Os xistos argilosos são rochas que possuem grãos do tamanho da argila, mas
diferenciam-se dos argilitos porque possuem lâminas finas e paralelas esfoliáveis,
enquanto que os argilitos apresentam um aspecto mais maciço, compactado e
endurecido. Podem sempre riscar-se ou cortar-se com um canivete. Quando bafejados,
dão um cheiro a barro mais ou menos intenso. Tal como as argilas, podem ter uma cor
muito variada: amarelada, vermelha, parda, acastanhada, cinzenta a negra, e até
esverdeada. Também podem conter minerais acessórios como os carbonatos, pirite,
gesso, etc.

Figura 2.7. Folhelho. Fonte: [11].

Aplicações: O folhelho é uma importante rocha selante para o acúmulo de


hidrocarbonetos, impedindo a ocorrência de poços surgentes.

2.1.4. Bauxita Bruta ou Bauxito


Bauxito é um material heterogêneo composto principalmente de minerais de
hidróxido de alumínio, gibbsita (Al2O3.3H2O), diásproro (Al2O3.H2O) e boemita
(Al2O3.H2O). As impurezas mais comuns presentes nos depósitos de bauxitos são
óxidos de ferro, silicatos de alumínio (argila e outros) e titânia.
A composição dos bauxitos é variável, assim por exemplo os bauxitos europeus
são constituídos predominantemente de diásporo e boemita com teores elevados de
ferro, enquanto que os da América do Sul são compostos principalmente de gibbsita e
teores mais baixos de óxidos de ferro.
Figura 2.8. Bauxito. Fonte: [12].

Aplicações: O bauxito é uma importante matéria-prima para obtenção de


alumina (óxido de alumínio), que é indispensável para a produção de alumínio
metálico, alguns compostos químicos, grãos abrasivos, materiais refratários e outros
produtos cerâmicos.
Abaixo são dados exemplos de produtos obtidos de composições constituídas,
total ou parcialmente, de bauxito:
 Hidróxido de alumínio, alumina calcinada e sulfato de alumínio;
 Cimento aluminoso;
 Grãos eletrofundidos marrons destinados a indústria de abrasivos (lixas,
rebolos, etc) e de materiais refratários;
 Mulita sintética escura;
 Materiais refratários. Neste caso os bauxitos devem ter baixos teores de ferro e
sílica e são utilizados após calcinação na faixa de 1450 ºC a 1800 ºC.

2.1.5. Calcita
A calcita é um carbonato de cálcio (CaCO3), correspondendo a um teor teórico
de 54,5% de CaO e 45,5% de CO2.
Figura 2.9. Calcita. Fonte:[13].

Aplicações:
 Em massas calcárias em teores de até 30%. Apesar de proporcionar corpos de
elevada porosidade e portanto baixa resistência mecânica, tem a vantagem de
apresentar corpos de baixa contração linear na queima, o que é conveniente
para muitas aplicações;
 Em pequenas quantidades (até 3%), como fundente auxiliar e para minimizar o
problema de trincas; em massas para produção de corpos vítreos e semivítreos;
 Na composição de fritas e esmaltes (vidrados);
 Na fabricação de cimento aluminoso.

2.1.6. Cianita Bruta


A Cianita, Andalusita e Silimanita têm a mesma fórmula química Al2O3-SiO2,
correspondendo a um teor teórico em óxido de alumínio de 62,7% e em sílica de
37,3%. Os três minerais diferem pela estrutura cristalina e pelo comportamento
térmico.
Na prática comercial há uma grande confusão quanto à terminologia desses
minerais, sendo que muitos países adotam erroneamente o termo silimanita ou cianita
para designar indistintamente os três minerais.
Figura 2.10. Cianita Bruta. Fonte: [14].

Aplicações: Fabricação de refratários aluminosos e também para a produção de


alguns tipos de porcelana.

2.2. MINERAIS INDUSTRIAIS


Minerais industriais são usados em larga escala na produção de materiais para
construção, refratários, louças brancas, e algumas cerâmicas elétricas. Elas são
aplicadas extensivamente em esmaltes, vidros, e matérias primas para a indústria
química.

2.2.1. Pirofilita
É freqüentemente confundida com o talco (silicato de magnésio hidratado)
devido à marcante semelhança de suas propriedades físicas. È um silicato de alumínio
hidratado, cuja fórmula é Al2O3.4SiO2.H2O, correspondendo a 28,3% de Al2O3, 66,7%
de SiO2 e a 5,0% de H2O.
Figura 2.11. Pirofilita. Fonte: [15].

Aplicações: Em massas de azulejos e em algumas massas de louça de mesa,


mas devido a sua baixa plasticidade não pode entrar em quantidades maiores que 40%
em massas plásticas. Entra também na composição de massas de isoladores elétricos e
de alguns tipos de refratários.

2.2.2. Agalmatolito
Existem diferentes tipos de agalmatolitos, com grandes variações na
composição química e mineralógica, onde a pirofilita pode estar ausente ou constituir
o componente principal (60% do material). No geral são rochas moles e de
granulometria fina, ricas em alumínio [16].
Os agalmatolitos contendo pirofilita, diásporo e cianita caracterizam os tipos
mais refratários e os contendo sericita ou mica moscovita finamente dividida, os de
menor ponto de fusão.

Figura 2.12. Agalmatolio. Fonte: [17].


Aplicações: Fabricação de fritas, esmaltes (vidrados), tintas serigráficas e na
composição de algumas massas.

2.2.3. Talco ou Esteatita


Talco é um silicato de magnésio hidratado cuja fórmula é 3MgO.4SiO2.H2O,
correspondendo a 31,8% de MgO, 63,5% de SiO2 e 4,7% de H2O.

Figura 2.13. Talco. Fonte: [18].

Aplicações:
 Como constituinte principal (60% a 90%) em massas para a fabricação de
isoladores elétricos de alta freqüência. Este tipo de corpo é conhecido como
esteatita;
 Na composição de massas cordieríticas, que tem como característica principal
o baixo coeficiente de dilatação térmica;
 Em quantidades de até 15%, em massas de corpos porosos para melhorar a
resistência mecânica e reduzir as trincas devido a absorção de umidade;
 Como fundente, substituindo parcialmente o feldspato em massas para a
fabricação de corpos semivítreos e vítreos;
 Na composição de esmaltes (vidrados).

2.2.4. Feldspato
O termo feldspato cobre uma série de alumino-silicatos alcalinos ou alcalinos
terrosos. Os feldspatos naturais são normalmente uma mistura em diversas proporções
de alumino-silicatos de potássio, de sódio, de cálcio, de lítio e ocasionalmente de bário
e de césio.
Para a indústria cerâmica os feldspatos de maior importância são o patássico
(K2O.Al2O3.6SiO2) e o sódico (Na2O.Al2O3.6SiO2), por terem temperatura de fusão
relativamente baixa e assim sendo empregados como geradores de “massa vítrea” nas
massas cerâmicas e nos vidrados. No entanto eles dificilmente são encontrados puros,
em geral se apresentam em mistura, podendo também estar associados a outras
impurezas.

Figura 2.14. Feldspato. Fonte: [19].

Aplicações: Fabricação de vidro, fritas, esmaltes (vidrados), placas cerâmicas,


isoladores elétricos de porcelana, louça de mesa e louça sanitária. Feldspatos
compostos de minerais albita NaAlSi3O8 e microclínio ou ortoclásio KAlSi3O8 e
nefelina sienito contendo albita, microclínio, e nefelina K0,5Na1,5(Al,Si)2O8 são os
fluxos principais usados em louças brancas e esmaltes silicatos.

2.2.5. Nefelina Sienita


Essa rocha de aluminosilicato alcalino é uma mistura eutética de nefelina e
feldspato. Ela é um fundente mais poderoso do que o feldspato e produz um fundido
de menor viscosidade. Entretanto, ela possui teores de álcalis maiores que o dos
feldspatos, portanto pode-se usar quantidades menores para se alcançar os mesmos
teores de álcalis [20].

2.2.6. Wollastonita
É um silicato de cálcio fibroso, cuja fórmula é SiO2.CaO, correspondendo a
51,7% de SiO2 e 48,3% de CaO. A wollastonita comporta-se no material cru como
inerte, na queima (980 ºC a 1050 ºC) como fundente, enquanto que no resfriamento
não apresenta os inconvenientes do quartzo, isto é, as sensíveis reduções volumétricas,
devido às transformações do mesmo.
Figura 2.15. Wollastonita. Fonte: [21].

Aplicações:
 Empregada principalmente na área de materiais de revestimentos, sendo uma
matéria-prima particularmente interessante para obtenção de produtos por
monoqueima, pois contribui para a melhoria da resistência mecânica do
suporte, para a diminuição da contração de queima e também para a redução
do ciclo de queima.
Outras características interessantes de corpos cerâmicos obtidos a partir de
massas a base de wollastonita são: a baixa dilatação térmica, brilho, superfície
lisa e mínima tendência a expansão.
 A wollastonita é também utilizada na formulação de esmaltes (vidrados) em
teores de 5% a 20%, melhorando o intervalo de fusão e o brilho.

2.2.7. Espodumênio
O Espodumênio LiAlSi2O6 ocorre em pegmatitos, aplitos e granitos litíferos,
sendo que nos pegmatitos chegam a ocorrer sob a forma de cristais gigantescos, de até
90 toneladas. Pode estar associado com outros minerais alcalinos.
Figura 2.16. Espodumênio. Fonte: [22].

Aplicações: É matéria-prima importante na obtenção de sais de lítio


empregados em cerâmica e fabricação de vidro e as variedades transparentes e de bela
coloração constituem pedras preciosas de grande valor [23].

2.2.8. Quartzo
O quartzo é uma das formas cristalinas da sílica (SiO2), sendo as outras duas a
cristobalita e a tridimita. Ele cristaliza no sistema hexagonal, apresenta densidade
2,65g/cm3, dureza 7 e ponto de fusão da ordem de 1.720 ºC.
O quartzo é estável abaixo de 870 ºC, apresentando-se em variedades
cristalinas como quartzo hialino, ametista, quartzo leitoso, esfumaçado, etc. São
variedades criptocristalinas a calcedônia, o silex, a ágata, o jaspe, etc. Depósitos
clásticos, como: cascalhos, seixos, arenitos e quartzitos, são formados principalmente
de quartzo. Encontra-se também fragmentado em pequenas partículas formando
grandes concentrações naturais (areias) resultante de alteração das rochas.
A calcedônia é uma variedade criptocristalina de quartzo, de cristais fibrosos
arrumados em faixas paralelas ou radiais. Na ágata (variedade de calcedônia) percebe-
se claramente as faixas dos finos agregados cristalinos. A calcedônia, na sua variedade
silex, que apresenta grande dureza, é encontrada como concreções em calcários ou nos
produtos de sua alteração.
Areia é o produto da deposição dos resíduos de desagregação, apresentando
partículas de dimensões de 2 a 0,06mm, sendo composto principalmente por grãos de
quartzo.
Arenito é a rocha formada pela compactação de sedimentos arenosos e
quartzito é a rocha de composição semelhante, que sofreu metaformismo, tendo sido
os grãos originais ligados por material cristalino, resultando em rocha mais compacta
que o arenito.
A cristobalita e a tridimita são raras na natureza, no entanto podem ser obtidas
pelo tratamento térmico do quartzo, em temperaturas elevadas e sob condições
especiais. Além disto, nas composições de produtos de cerâmica tradicional,
fabricados a partir de matérias-primas que contenham sílica na forma livre ou
combinada, podem acusar a presença principalmente de cristobalita, desde que a sílica
livre liberada, por exemplo, do silicato de alumínio da argila ou o quartzo presente,
não reajam, durante a queima, com outros componentes ou não se incorporem a fase
vítrea. A formação de tridimita é mais difícil, ocorrendo praticamente somente na
fabricação de refratários de sílica, em razão do longo ciclo de queima e de
mineralizadores. Neste caso há formação tanto de tridimita como de cristobalita.

Figura 2.17. Quartzo. Fonte: [24].

Aplicações:
 Em massas de cerâmica branca e de materiais de revestimento, sendo um dos
componentes fundamentais para controle da dilatação e para ajuste da
viscosidade da fase líquida formada durante a queima, além de facilitar a
secagem e a liberação dos gases durante a queima;
 Na fabricação de isolantes térmicos;
 Em composições de vidro e esmaltes (vidrados);
 Na fabricação de materiais refratários.

2.2.9. Areia de Vidro


“Glass Sand” ou areia de vidro é uma pedra de areia composta quase que
completamente por quartzo. É um material de origem mineral finamente dividido em
grânulos, composta basicamente de dióxido de silício, com 0,063 a 2 mm. Forma-se à
superfície da Terra pela fragmentação das rochas por erosão, por ação do vento ou da
água. Através de processos de sedimentação pode ser transformada em arenito.
Figura 2.18. Areia de Vidro. Fonte: [25]

Aplicações: É utilizada nas obras de engenharia civil, em aterros, execução de


argamassas, concretos e também na fabricação de vidros. Algumas são selecionadas
para produzir lentes para grandes telescópios. O tamanho de seus grãos tem
importância nas características dos materiais que a utilizam como componente [26].

2.2.10. Cianita Beneficiada


Cianita beneficiada Al2SiO5, bauxita, e zircão SiZrO4 também são usadas na
composição de materiais refratários.
Não foi possível encontrar outras informações na literatura sobre o processo de
beneficiamento e aplicações deste mineral.

2.2.11. Zircão
A zirconita, também denominada de zircão, é um silicato de zircônio
(ZrO2.SiO2), correspondendo a um teor teórico de 67% de ZrO2 e 33% SiO2. A
zirconita em geral ocorre associada a outros minerais pesados, tais como: rutilo,
ilmenita, monazita e outros; portanto sendo necessária a sua concentração e
purificação para emprego em cerâmica. A zirconita quando submetida a temperaturas
elevadas, na faixa de 1500 ºC a 1600 ºC, se decompõe em óxido de zircônio e sílica.
Figura 2.19. Zircão. Fonte: [27].

Aplicações: Fabricação de materiais refratários e esmaltes (vidrados). Além


disso, ela é a principal fonte para obtenção do óxido de zircônio.

2.2.12. Rutilo
O rutilo ou rútilo é um mineral composto de dióxido de titânio, TiO2, sendo um
dos três polimorfos de TiO2:
 Rutilo, um mineral usualmente tetragonal de hábito prismático, geralmente
com cristais maclados;
 Anatase ou octaedrita, um mineral tetragonal de hábito octaédrico; e
 Brookita, um mineral ortorrômbico. A anatase e a brookita são minerais
relativamente raros.
O rutilo é encontrado como mineral acessório em algumas rochas igneas
alteradas, e em certos gnaisses e xistos cristalinos. Nos grupos de cristais aciculares é
freqüentemente encontrado incrustado no quartzo como no "fléches d'amour" de
Grisons, Suíça. Pequenas agulhas de rutilo encontradas em algumas gemas são
responsáveis pelo fenômeno óptico denominado asterismo, que aparece em safiras,
rubis e outras pedras preciosas.
Figura 2.20. Rutilo. Fonte: [28].

Aplicações: quando finamente moído o rutilo é usado como um brilhante


pigmento branco, utilizado em tintas, plásticos, papel, alimentos e outras aplicações
que requerem uma cor branca brilhante. Os pigmentos de dióxido de titânio são a
principal aplicação do titânio a nível mundial, pois não é, para já, economicamente
viável a produção de titânio metal a partir do rutilo. Nanopartículas de rutilo são
transparentes para a luz visível mas altamente reflectoras de luz ultravioleta sendo por
isso usadas no fabrico de protectores solares. Uma variedade sintética praticamente
incolor, designada por titania, é comercializada como substituto de diamante [29].

2.2.13. Minério de Cromo ou Cromita


Cromita é um minério de cromo, de composição bastante complexa, constituída
por uma série de minerais do grupo dos Espinélios, tais como: cromita (FeO.Cr2O3),
picrocromita (MgO.Cr2O3), espinélio (MgO.Al2O3), magnesioferrita (MgO.Fe2O3),
magnetita (FeO.Fe2O3), etc, que pode conter impurezas de serpentina e do grupo das
olivinas.
Figura 2.21. Cromita. Fonte: [30].

Aplicações: A cromita é empregada principalmente na fabricação de refratários


magnesianos-cromíticos e cromíticos-magnesianos e em escala pequena, para a
produção de refratário de cromita.

2.2.14. Caulim calcinado


A calcinação visa obter produtos com características especiais através de um
tratamento térmico no caulim, a temperaturas que variam entre 650 e 1050 ºC. Podem
ser obtidos dois tipos de produtos, dependendo da temperatura de tratamento. Quando
a calcinação se dá em temperaturas entre 650 e 700 ºC (caulim parcialmente
calcinado), há a remoção quase que total de grupos de hidroxilas estruturais e água na
forma de vapor, produzindo um caulim com uma melhor resistência e opacidade
(Carvalho, 1996). Após a calcinação, a densidade específica do caulim reduz de 2,64
para 2,50, enquanto há aumento da porosidade, da alvura, da opacidade e da absorção
de óleo (Ciullo, 2004). A alta viscosidade do produto gerado limita a sua utilização em
30% do total da tinta de revestimento de papel. A adição desse tipo de caulim aumenta
a alvura e a opacidade do papel. Observa-se ainda uma melhor absorção da tinta e
conseqüentemente uma melhor impressão final do papel.
O caulim de calcinação completa é obtido quando o tratamento térmico ocorre
entre 1000 e 1050ºC. Nessa temperatura, a caulinita é transformada em uma mistura
de mulita, cristobalita e sílica-alumina. Essa transformação provoca aumentos no
índice de refração (1,56 para 1,62), na opacidade, na dureza (Mohs 2 para Mohs 6 a 8)
e principalmente na alvura do produto, podendo esta chegar a valores entre 93 e 96
ºGE. No entanto, a abrasividade desse tipo de produto tende a crescer. Os caulins
calcinados são utilizados como extensores para o dióxido de titânio na tinta de
revestimento do papel e como carga na formulação de tintas e plásticos (Carvalho,
1996).
Aplicações:
 Caulim calcinado CaO e a dolomita calcinada (Ca,Mg)O é ligada com piche e
usada no revestimento de fornos de aço com injeção de oxigênio;
 É usada como um preenchedor não plástico em misturas refratárias e
argamassas.

2.2.15. Dolomita
É o carbonato duplo de cálcio e magnésio, (CaCO3.MgCO3), correspondendo a
um teor teórico de cerca de 54,5% de carbonato de cálcio e 45,5% de carbonato de
magnésio.

Figura 2.22. Dolomita. Fonte: [31].

Aplicações:
 Em massas calcárias em teores de até 30%, tendo comportamento semelhante
ao da calcita;
 Na fabricação de materiais refratários, isolada ou em mistura com a magnésia;
 Na composição de fritas e esmaltes (vidrados).

2.2.16. Filito Cerâmico


O ceramista brasileiro dá o nome de filito cerâmico a uma rocha metamórfica,
estratificada ou laminada, composta de uma mistura de caulinita, mica moscovita
finamente divida ou sericita e quartzo em proporções variáveis; apresentam os filitos
cores claras no estado natural, com um teor de óxido de potássio geralmente da ordem
de 3 a 5%.
Figura 2.23. Filito Cerâmico. Fonte: [32].

Aplicações: Em massa de grês sanitário como substitutos parciais da fração


argilosa e do feldspato, além de serem empregados em várias proporções para
aumentar a velocidade de sinterização de massas cerâmicas de faiança para louça de
mesa, placas cerâmicas e alguns tipos de refratários.

2.2.17. Grafita ou Grafite


A Grafita é formada de carbono cristalizado e apresenta-se sob a forma de
palhetas brilhantes (grafita lamelar) ou em partículas sem brilho, denominada de
grafita amorfa. A grafita encontra-se, normalmente, associada a impurezas, tais como
quartzo, feldspato e mica ou dos seus produtos de alteração. Para sua utilização
industrial é necessário concentrar o minério, classificá-lo e, para algumas aplicações,
melhorar a pureza do concentrado.

Figura 2.24.Grafita. Fonte: [33].


Aplicações: Em cerâmica é utilizada principalmente no segmento de refratários
para confecção de cadinhos, válvulas, tampões e em teores menores na confecção de
inúmeros produtos, entre eles, magnésia-carbono e alumina-carbeto de silício-carbono.

2.2.18. Magnesita
A magnesita é o carbonato de magnésio (MgCO3), cuja composição química
teórica é 47,7% de MgO e 52,3% de CO2.

Figura 2.25. Magnesita. Fonte: [34].

Aplicações: Na fabricação de materiais refratários, após ser submetida à


calcinação em elevadas temperaturas ou à eletrofusão, quando se obtém o sinter ou
grãos eletrofundidos de magnésia (MgO). A partir deles são obtidos inúmeros
produtos como: magnesianos, magnesianos-cromíticos, cromíticos-magnesianos,
magnésia-carbono, espinélio, entre outros e diversos tipos de massas.

2.2.19. Materiais Fundentes Diversos


Fundentes são materiais com elevado teor de álcalis (K2O e Na2O) que, quando
presentes em uma composição cerâmica, reduzem a temperatura de queima e a
porosidade do produto. Estas duas condições são importantes para produtos como os
de cerâmica vermelha, cerâmica branca e materiais de revestimento (placas
cerâmicas), uma vez que além de baixar o custo, reduzem a absorção de água e
aumentam a resistência mecânica.
No caso de produtos de cerâmica vermelha, fabricados somente a partir de
argilas que queimam com cores avermelhadas, não há necessidade de se adicionar
materiais fundentes, uma vez que as argilas empregadas contêm álcalis. Por outro
lado, no caso de cerâmica branca e de muitos produtos de revestimento (placas
cerâmicas) que, por serem produtos mais elaborados que devem apresentar
características determinadas, na composição da massa, junto às várias matérias-primas
utilizadas, em geral refratárias, adicionam-se materiais fundentes.
No Brasil o feldspato e o filito, descritos anteriormente, são os fundentes mais
tradicionais; no entanto o ceramista está sempre em busca de novos materiais e mais
recentemente tem sido empregados outros materiais como fonolito e alguns tipos de
rochas potássicas. Estas matérias-primas têm uma ação fundente mais enérgica que o
feldspato e que o filito, em razão do menor teor de sílica e elevado teor de álcalis. A
sericita existente no Paraná, muitas vezes comercializada como filito, também está
sendo utilizada para este fim, pelo seu elevado teor de potássio. Ressalta-se que a
possibilidade de utilização dessas matérias-primas depende do tipo de produto a ser
fabricado.

2.2.20. Outras Informações


O beneficiamento de minerais industriais começa com esmagamento e moagem
para tamanhos pequenos suficientemente para soltar/desprender fases indesejadas do
minério. Beneficiamentos adicionais podem incluir assentamento e flotação para
separar os minerais por densidade ou tamanho, a separação magnética de minerais
usando eletroímãs poderosos, mistura de diferentes saídas do processo para obter
maior consistência, e talvez a classificação por tamanho de partícula. Sólidos podem
ser concentrados através da filtragem e centrifugação, e a porção de impurezas
solúveis é eliminada junto ao líquido solvente. Materiais refinados, especialmente
argilas, e ultimamente usados na forma de suspensão, podem ser comprados como um
“chorume velho” de viscosidade controlada que é transportado via tanque de vagões
ferroviários.
Sólidos concentrados são normalmente drenados usando um secador rotativo,
ou correia secadora, ou secagem por pulverização. Alguns materiais são calcinados, e
um agregado mais duro é formado. Tortas drenadas ou materiais calcinados podem ser
pulverizados ou descarregados e então dimensionados ou elutriado a ar antes de
ensacá-lo ou colocar a carga em veículos de transporte. Muitos materiais finos são
carregados ou descarregados usando fluidização pneumática e são estocados no local
da instalação em grandes silos.
3. REFERÊNCIAS
[1] CALLISTER, W. D. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. Editora
LTC, 7ª Edição. Estruturas e Propriedades das Cerâmicas, p. 303 – 332, 2008.
[2] REED, J. Principles of Ceramics Processing. Publishing House John Wiley & Sons
Inc., 2a Edition. Common Raw Materials, p. 35 – 40, 1995.
[3] Associação Brasileira de Cerâmica – ABCERAM. Matérias Primas Naturais.
Disponível em: <http://www.abceram.org.br/site/index.php?area=4&submenu=47>
[4] Wikipedia. Argila
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Argila>
[5] Imerys Oilfield Minerals. Ball Clay
Disponível em: < http://www.oilfieldminerals.imerys.com/BallClay.html>
[6] De Grigolli. Argila para Grés
Disponível em: < http://degrigolli.com.br/dg/?p=37>
[7] Celulose e Papéis. Argila Vermelha
Disponível em: < http://www.celulosepapeis.com/produto/argila-vermelha/618.html>
[8] Wikipedia. Bentonita
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Bentonita>
[9] Wikipedia. Caulim
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Caulim>
[10] CARVALHO, E.A. Sinergismo das variáveis influentes na centrifugação do
caulim. Tese de Mestrado. Programa de Engenharia Metalúrgica e Materiais.
COPPE/UFRJ. p. 93, 1996.
[11] Wikipedia. Folhelho
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Folhelho>
[12] Alumínio’s Weblog. Bauxito
Disponível em: <http://aluminio.wordpress.com/geologia>
[13] Dicionário Livre. Calcita
Disponível em: <http://www.dicionario.pro.br/dicionario/index.php/Calcita>
[14] Wikipedia. Cianita
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cianite>
[15] Universidad Nacional de Educación a Distancia. Pirofilita
Page 28 of 30
Disponível em: <http://www.uned.es/cristamine/fichas/pirofilita/pirofilita14.htm>
[16] SANTOS, P. S. Ciência e Tecnologia de Argilas. Editora Edgard Blücher LTDA,
V.1, 2ª Edição. São Paulo, 1989-1992.
[17] Asmil Minerais. Agalmatolito
Disponível em: <http://www.asmil.com.br/produtos.htm>
[18] Wikipedia. Talco
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Talco>
[19] Wikipedia. Feldspato
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Feldspato>
[20] Cerâmica Industrial. Nefelina Sienita
Disponível em: <http://www.ceramicaindustrial.org.br/pdf/v07n06/v7n6_02.pdf>
[21] Wikipedia. Wollastonita
Disponível em:
< http://fi.wikipedia.org/wiki/Tiedosto:Mineral_Wollastonita_GDFL040.jpg>
[22] Universidade Estadual de São Paulo. Espodumênio
Disponível em:
<http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco/silicatos/inossilicatos/piroxenios/espodume
nio.html>
[23] Minérios Lorena. Espodumênio
Disponível em: <http://www.minerioslorena.com.br/>
[24] Wikipedia. Quartzo
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quartzo>
[25] Wikipedia. Areia de Vidro
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Areia>
[26] Geology.com. “Glass Sand”
Disponível em: < http://geology.com/minerals/quartz.shtml>
[27] Universidade Estadual de São Paulo. Zircão
Disponível em:
<http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco/silicatos/nesossilicatos/zircao.html>
[28] Pedras Soltas. Rutilo
Disponível em:
< http://ricardojchp.wordpress.com/2008/03/01/rutilo-de-graves-mountain/>
[29] Wikipedia. Rutilo
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Rutilo>
[30] Guia de Minerales e Rocas. Cromita
Disponível em: <http://geologia.110mb.com/mineralogia/oxidos/cromita.htm>
[31] Portal do Professor. Dolomita
Disponível em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5282>
[32] Wikipedia. Filito Cerâmico
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Filito>
[33] Wikipedia. Grafita
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Grafite>
[34] Mineral Town. Magnesita.
Disponível em:
< http://www.mineraltown.com/ferias_minerales/expominer_08/minerals_mines.htm>

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