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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – DOM ALBERTO

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

SANTA CRUZ DO SUL - RS


SUMÁRIO

1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL .................................... 4

1.1. Princípio da imparcialidade do juiz ................................................ 8

1.2. Princípio da isonomia .................................................................... 9

1.3. Princípios do contraditório e da ampla defesa ............................ 10

1.4. Princípio da ação (processo inquisitivo e acusatório).................. 12

1.5. Princípios da disponibilidade e da indisponibilidade.................... 13

1.6. Princípio da livre investigação e apreciação das provas ............. 13

1.7. Identidade Física do Juiz ............................................................. 14

1.8. Princípio da Oficialidade .............................................................. 15

1.9. Princípio do impulso processual .................................................. 15

1.10. Princípio da oralidade ................................................................ 16

1.11. Princípio da Livre Convicção (persuasão racional) ................... 16

1.12. Princípio da motivação das decisões ........................................ 17

1.13. Princípio da publicidade ............................................................ 17

1.14. Princípio da lealdade processual............................................... 18

1.15. Princípios da economia e da instrumentalidade das formas ..... 18

1.16. Princípio do duplo grau de jurisdição ........................................ 19

2. COMPETÊNCIA E JURISDIÇÃO ................................................. 20

2.1. Princípios Jurisdicionais ......................................................... 20

2.2. Competência no processo penal ................................................. 21

2.2.1. Justiças competentes ............................................................... 22

2.2.2. Foro competente ...................................................................... 24

2.2.3. Prerrogativa de função ............................................................. 24

2.2.4. Conexão e continência ............................................................. 25

3. PETIÇÃO INICIAL E RESPOSTA DO RÉU .................................. 25

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4. AUDIÊNCIA E PROVAS ............................................................... 28

4.1. Princípios específicos aplicáveis às provas: .......................... 29

5. SENTENÇAS, COISAS JULGADAS E EMBARGOS


DECLARATÓRIOS........................................................................................... 37

5.1. Definição De Sentença .......................................................... 37

5.2. Classificação Das Sentenças ................................................. 39

5.3. Estrutura Da Sentença ........................................................... 41

5.4. A Sentença No Procedimento Sumaríssimo .......................... 42

5.5. O Princípio Da Identidade Física Do Juiz ............................... 43

5.6. A Coisa Julgada No Processo Trabalhista - Conceito E Natureza


Jurídica 44

5.7. Coisa Julgada Formal E Coisa Julgada Material .................... 45

5.8. Limites Objetivos E Subjetivos Da Coisa Julgada .................. 45

5.9. Embargos De Declaração, ..................................................... 47

6. AÇÃO RESCISÓRIA E AÇÃO ANULATÓRIA NA JUSTIÇA DO


TRABALHO 48

6.1 Ação anulatória – aspectos gerais ............................................... 54

7. EXECUÇÃO: PARTE GERAL....................................................... 58

7.1. Embargos à execução ........................................................... 59

7.2. Exceção de pré-executividade ............................................... 59

7.3. Embargos a arrematação e a adjudicação ............................. 60

8. EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO-FAZER..... 60

8.1. Execução Das Multas Impostas Pelos Órgãos De Fiscalização


Do Trabalho 63

8.2. Os reflexos do novo CPC na execução trabalhista ................ 65

9. TUTELA DE URGÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO ........ 68

10. BIBLIOGRÁFIAS .......................................................................... 69

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COSTA, Thaianne Lara Batista. Jurisdição e competência no processo
penal. 2014. Disponivel em: Retirado em: 18/04/2017 ..................................... 69

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1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL

Fonte: direitosbrasil.com

Direito Processual, chamado por alguns de direito adjetivo, é o ramo do


Direito que se ocupa do processo, isto é, a série de atos com finalidade definida,
que se identifica com o mesmo fim da jurisdição. Integra o Direito Público e
congrega os preceitos e regras que dispõem sobre a jurisdição, que é o exercício
da função típica do poder judiciário. Os princípios do Direito são definidos pelos
doutrinadores tendo em conta a ideia de começo, germe, fonte, primeiras
noções, determinação sob forma de lei, orientando um conjunto de fenômenos
essenciais, considerado com alicerce da ciência do Direito.
Na condição de regra básica, bem como, de fonte do Direito, os princípios
se constituem a estrutura central de todos os ramos do Direito em um sistema
jurídico, o que representa dizer que se tratam de normas fundamentais provendo
sustentáculo estrutural ao Direito, estabelecendo o comportamento a ser
observado nas relações jurídicas.
Celso Antônio Bandeira de Mello (1992, p. 230) formulou o conceito que
contém a melhor noção de princípio no âmbito jurídico, a saber: Princípio é, por
definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele,
disposição fundamental que irradia sobre diferentes normas compondo lhes o
espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência,

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exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que
lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico.
Considerados como precedente a tudo, os princípios não se limitam
somente à ciência jurídica, estendendo-se a toda a essência do Direito, em
termos gerais, totais, extrapolando as fronteiras do sistema jurídico de cada ente
estatal. Sendo considerados fonte do direito, os Princípios abrangem os
fundamentos da ciência jurídica, onde os preceitos originários ou as normas
científicas do Direito, que projetam as concepções estruturais, encontram
suporte.
No direito processual, como em toda a área da ciência jurídica autônoma,
os princípios norteadores estão definidos na Constituição da República,
circunstância que determina a sua observância na elaboração das normas
infraconstitucionais e na aplicação do direito processual, sob pena de violação
da própria Constituição.
Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A
desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico
mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave
forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio
atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de
seus valores fundamentais.
No direito processual, os princípios são reputados como regras de Direito
qualificadas, em torno das quais se localizam as normas jurídicas de grau
inferior. Os Princípios inseridos na constituição Federal estão presentes em todo
e qualquer processo judicial, devendo ser seguidos pelas partes e por todos os
demais participantes da relação jurídica processual.
Chegamos à concepção de que o princípio – sua ideia ou conceituação –
vem a ser a fonte, o ponto de partida que devemos seguir em todo o percurso;
ao mesmo tempo em que é o início, também é o meio a ser percorrido e o fim a
ser atingido. Dessa forma, todo o ordenamento jurídico deve estar de acordo
com os princípios, pois só eles permitem que o próprio ordenamento jurídico se
sustente, se mantenha e se desenvolva.
Assim, a importância do assunto em referência, concorre para que o
estudo dos princípios traga à baila debates relacionados com sua estrutura, suas

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funções no ordenamento jurídico, sua origem e fundamento, etc. Portanto, este
trabalho trata dos princípios pertinentes ao direito processual, insculpidos na
Constituição Federal de 1988, realizando uma análise dos mesmos diante das
situações jurídicas vivenciadas no cotidiano do estado e da sociedade de modo
geral, sem levar em conta a que ramo do Direito eles se encontram relacionados.
Ao lado da jurisdição e da ação, o processo é instituto fundamental do
direito processual. Estão interligados e dão forma e estrutura ao processo
judicial. A jurisdição, que é o poder de dizer o direito, não funciona sem a
provocação dos interessados. É realizada com o ajuizamento da ação, que tem
como primeiro ato a distribuição de petição inicial. Uma vez provocada, a
jurisdição é movimentada. Os atos processuais não são praticados livremente,
pois devem obedecer aos critérios estabelecidos por lei. Assim, apesar de deter
o monopólio da função jurisdicional, o Estado, por meio do Poder Judiciário, não
pode atuar de forma discricionária. Para tanto, submete-se a método de atuação
previamente definido, que é o processo (JÚNIOR, MUNIZ, 2016). Para a doutrina
processual moderna o processo não é apenas instrumento da jurisdição, mas
seu elemento validador e disciplinador. A prestação jurisdicional só terá validade
se forem respeitados os preceitos processuais vigentes.

[...] Jurisdição e processo são dois institutos indissociáveis. O direito à


jurisdição é, também, o direito ao processo, como meio indispensável
à realização da Justiça. A Constituição, por isso, assegura aos
cidadãos o direito ao processo como uma das garantias individuais. [...]
(JUNIOR, 2014, p. 182).

Assim, o processo deve ser visto como instrumento da Justiça para aplicar
o direito ao caso concreto. Tem princípios e regras próprios, que decorrem do
conjunto de normas jurídicas que formam o direito processual. Este ramo do
direito tem a missão de instrumentalizar a composição dos litígios que são
levados ao Poder Judiciário. Deve garantir a aplicação dos princípios
constitucionais do devido processo legal, da celeridade processual, do
contraditório, da ampla defesa e da publicidade, além dos princípios decorrentes
das leis infraconstitucionais (DONIZETTI, 2014).
O direito processual constitucional exterioriza-se mediante (a) a tutela
constitucional do processo, que é o conjunto de princípios e garantias vindos da
Constituição (garantias de tutela jurisdicional, do devido processo legal, do

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contraditório, do juiz natural, exigência de motivação dos atos judiciais etc.) e (b)
a chamada jurisdição constitucional das liberdades, composta pelo arsenal de
meios predispostos pela Constituição para maior efetividade do processo e dos
direitos individuais e grupais.
O processo judicial é o instrumento utilizado pelo Estado para a prestação
da tutela jurisdicional. O processo judicial eletrônico tem a mesma função, mas
prescinde do papel e usa recursos de informática em suas fases. De qualquer
modo, deve obediência aos mesmos princípios constitucionais do processo
tradicional.
Os princípios são orientações de caráter geral e direcionam o
entendimento racional da norma que compõe, em dado momento histórico, a
estrutura do ordenamento jurídico. O princípio deve ser visto como:

[...] mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele,


disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas
compondo lhes o espirito e servindo de critério para sua exata
compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a
racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe
dá sentido do harmônico. [...] (MELLO, 2001, p. 771).

O estudo da definição dos princípios, em qualquer ramo do direito, é de


suma importância para sua compreensão, pois fundamentam as normas criadas
pelo legislador. Ao tratar das novas características do pensamento jurídico
contemporâneo, sustenta que os princípios deixaram de ser apenas técnica de
integração do direito, ou seja, fonte supletiva, para servir como espécie nuclear
de norma jurídica fundamentada. A principal causa de violação dos princípios
constitucionais, no entanto, ainda são as reformas legislativas das normas
processuais. Por vezes, com o propósito de solucionar problemas pontuais, o
legislador promove mudanças no ordenamento jurídico sem avaliar os reflexos
nos princípios (JÚNIOR, MUNIZ, 2016).
O vocábulo princípio se origina da palavra latina principium, e,
vulgarmente, é “origem de algo, de uma ação ou de um conhecimento”, ou,
ainda, “momento ou local ou trecho em que algo tem origem; começo”, segundo
Ferreira (2010).
De acordo com José Afonso Silva (2009, p. 447), no âmbito jurídico,
princípios representam as normas elementares ou requisitos primordiais
instituídos com base, como alicerce de alguma coisa, revelando o conjunto de
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regras ou preceitos que se fixaram para servir de norma a toda espécie de ação
jurídica, traçando a conduta a ser tida em qualquer operação jurídica.
Os princípios podem ser considerados verdadeiros axiomas,
sobrepujando até mesmo a norma ou a regra jurídica em importância, haja vista
configurarem elementos fundamentais que servem de base para o Direito.
Os princípios gerais do Direito podem ser definidos como “fundamentos e
pressupostos do direito universal, não só do direito nacional, como dos
elementos fundamentais de cultura jurídica humana em nossos dias; e que se
extrai das ideias que formam a base da civilização hodierna.”
O princípio assume diversos sentidos, podendo significar doutrina, teoria,
ideia básica, primeiras noções, entendimento que deve servir de norte para
inúmeros outros, ou mesmo um sistema.
Nesse sentido, entende-se de importância capital que se estude os
princípios, elementos que servem de base para qualquer área do direito, pois a
partir deles são elaboradas leis, definidas regras jurídicas mais simples,
comportamentos e condutas vivenciadas no dia a dia dos aplicadores do Direito.
Da mesma forma, não poderia ser de modo diversos quanto ao Direito
Processual, tendo em vista que os princípios estão presentes, em sua formação
e na aplicação de suas normas.
Alguns princípios são comuns a todos os sistemas processuais, tem sua
vigência restrita apenas a certos ordenamentos. Alguns têm aplicação diversa
no campo de ação do processo civil e do processo penal, em determinadas
ocasiões, com feições ambivalentes. Outros princípios, no entanto, têm
aplicação idêntica em ambos os ramos do direito processual.

1.1. Princípio da imparcialidade do juiz

Recorrendo, ainda, ao Dicionário eletrônico Aurélio (2010), registra-se que


imparcialidade quer dizer “Que julga desapaixonadamente; reto, justo; que não
sacrifica a sua opinião à própria conveniência, nem às de outrem.”
Nesse sentido, a imparcialidade do juiz se constitui garantia de justiça
para os dois lados em litígio, sendo assim, desígnio para que a relação
processual se instale validamente e se desenvolva de maneira natural. Nesse

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sentido, os doutrinadores afirmam que órgão jurisdicional deve ser
subjetivamente capaz.
Sendo imparcial, o juiz é isento e, a isenção tanto em relação às partes
quanto aos fatos da causa, é condição indeclinável do órgão da relação
jurisdicional, para a realização de um julgamento justo. Nesse contexto, o juiz
deve transcender as partes, colocando-se entre e acima dos contendores: é a
primeira condição para que possa exercer sua função dentro do processo.
O juiz capaz não tem sua imparcialidade colocada em risco pelo
impedimento ou pela suspeição. Essa imparcialidade do juiz dimana em garantia
de ordem pública, não apenas das partes (que terão a lide solucionada com
justiça), mas do próprio Estado (que quer que a lei seja aplicada corretamente),
e, do próprio juiz (que terá seus atos resguardados de qualquer suspeita –
arbítrio ou parcialidade). Para garantir a imparcialidade do juiz, as Constituições
lhe estipulam (a) garantias (CF/88, art. 95); prescrevem-lhe (b) vedações (CF/88,
art. 95, § único; e, proíbem (c) juízos e tribunais de exceção (CF/88, art. 5º, inc.
XXXVII).
Como a imparcialidade do juiz é uma certeza de justiça para as partes,
elas têm o direito de exigir a satisfação dessa condição, e o Estado, que reservou
para si o exercício da função jurisdicional, como contrapartida, tem o dever de
agir com imparcialidade na solução das causas que lhe são submetidas.

1.2. Princípio da isonomia

O Dicionário eletrônico Aurélio (2010) afirma que isonomia é o “Estado


daqueles que são governados pelas mesmas leis, Igualdade de todos perante a
lei, assegurada como princípio constitucional.”
“Todos são iguais perante a lei …”, estabelece a Constituição Federal (art.
5º, caput) (BRASIL, 2012). A igualdade, que também significa uniformidade,
equidade, perante a lei, é premissa para a afirmação da igualdade perante o juiz.
Assim, os litigantes devem merecer e receber tratamento isonômico, de modo
que tenham as mesmas oportunidades de fazer valer em juízo as suas razões.
Com efeito, por via do princípio da igualdade, o que a ordem jurídica
pretende firmar é a impossibilidade de este bem, este valor absorvido pelo

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Direito, o sistema normativo concebeu fórmula hábil que interdita o quanto
possível, tais resultados, posto que, exigindo igualdade, assegura que os
preceitos genéricos, os abstratos e os atos concretos colham a todos sem
especificações arbitrárias, assim mais proveitosas que detrimentosas para os
atingidos.
O conceito primitivo de igualdade, formal e negativa (todos são iguais
perante a lei), não concorre para um tratamento justo, razão pela qual os
operadores do Direito reivindicaram pela passagem à igualdade substancial,
evoluindo-se para o conceito realista, que pugna pela igualdade proporcional,
que significa, em suma, tratamento igual aos substancialmente iguais e desigual
aos desiguais.

1.3. Princípios do contraditório e da ampla defesa

Fonte: www.careeraid.org

Este princípio do contraditório é consequência de uma garantia


fundamental de justiça: trata-se do princípio da audiência bilateral, cuja
correspondência for encontrada no velho brocardo romano audiatur et altera
pars. Ele está tão intimamente ligado ao exercício do poder jurisdicional, sempre
influente na esfera jurídica das pessoas, que a doutrina moderna o considera
inerente à própria noção de processo.

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Sobre o princípio do contraditório, insere-se, a seguir a garantia
fundamental da Justiça e regra essencial do processo é o princípio do
contraditório, segundo este princípio, todas as partes devem ser postas em
posição de expor ao juiz as suas razões antes que ele profira a decisão. As
partes devem poder desenvolver suas defesas de maneira plena e sem
limitações arbitrárias, qualquer disposição legal que contraste com essa regra
deve ser considerada inconstitucional e por isso inválida.
Pelo menos duas partes se fazem presentes nos processos contenciosos,
que são: autor e réu. O primeiro instaura a relação processual, invocando a tutela
jurisdicional. No entanto, só há complementação da relação processual e está
só provê a preparação do provimento judicial, com o réu sendo chamado a juízo.
O juiz, por força de seu dever de imparcialidade, se situa entre das partes,
mas equidistante delas, portanto, transcendente a elas, outorgando-lhes direitos
e deveres, sempre na busca de um tratamento igualitário entre elas, objetivando
possibilitar que possam esclarecer suas razões, mostrar suas provas, influindo
no convencimento do julgador.
Em um processo dialético, o juiz corporifica a síntese, mediante a soma
da parcialidade das partes (uma representando a tese e a outra, a antítese). Em
razão disso, alguns doutrinadores dizem, em relação ao juiz, que as partes não
têm papel de antagonistas, mas de “colaboradores necessários”: cada qual dos
contendores age no processo tendo em vista o próprio interesse, mas a ação
combinada dos dois serve à justiça na eliminação do conflito ou controvérsia que
os envolve.
O contraditório e ampla defesa foram definidos pela Constituição Federal
em um mesmo dispositivo, determinando, expressamente, sua observância nos
processos de qualquer natureza, judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos
a ela inerentes” (CF/88, art. 5º, LV).
Conforme André Ramos Tavares (2006), é necessário que se dê ciência
a cada litigante dos atos praticados pelo juiz e pelo adversário, efetivando-se o
contraditório e possibilitando a ampla defesa. A ciência dos atos processuais

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pode ser dada, dependendo da espécie do ato, através da citação, da intimação
e da notificação.
Na lição de Gabriel de Rezende Filho (1963, p. 33), notificação “notus
ficare”, “é o conhecimento que se dá a alguém, para praticar ou deixar de praticar
algum ato, sob certa cominação”.
Ainda, segundo a doutrina, a distinção básica entre a notificação e
intimação é que aquela tem como causa final a determinação da autoridade para
a prática ou a abstenção de um ato que o notificado deva fazer ou deixar de
fazer. Já a intimação consiste na informação de um ato já praticado, um
despacho ou uma sentença.

1.4. Princípio da ação (processo inquisitivo e acusatório)

Este princípio possui inúmeras denominações, entre as quais se referem


princípio da demanda e princípio da iniciativa das partes, além de princípio da
ação (o oficial), e ele denota que o Poder Judiciário, incumbido de oferecer a
jurisdição, regido por outro princípio (inércia processual), para movimentar-se no
sentido de dirimir os conflitos intersubjetivos, depende da provocação do titular
da ação, instrumento processual destinado à defesa do direito substancial
litigioso.
No ordenamento jurídico brasileiro, se adota o sistema acusatório, que é
o sistema processual penal de partes, em que o acusador e acusado se
encontram em pé de igualdade; é, ainda, um processo de ação, com garantias
da imparcialidade do juiz, do contraditório e da publicidade. A fase prévia
representada pelo inquérito policial constitui procedimento administrativo, sem
exercício da jurisdição, sem litigantes e mesmo acusado. Por isso, o fato de não
ser contraditório não contraria a exigência constitucional do processo acusatório.
Por oportuno, esclarece-se que o processo inquisitivo, cujas
características é ser secreto, não-contraditório e escrito, é o processo em que o
juiz instaura o processo por iniciativa própria, acabando ligado psicologicamente
à pretensão, colocando-se em posição propensa a julgar favoravelmente a ela.
Assim, via de regra, o juiz perde sua imparcialidade.

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No processo penal, o fenômeno é semelhante e o que vincula o juiz,
delimitando o seu poder de decisão, não é o pedido de condenação por uma
determinada infração penal, mas a determinação do fato submetido à sua
indagação.

1.5. Princípios da disponibilidade e da indisponibilidade

Este princípio garante o direito das partes de exercer ou não seus direitos
por meio do acesso ao Poder Judiciário. Esse procedimento é denominado poder
dispositivo a liberdade que as pessoas têm de exercer ou não seus direitos.
Em direito processual tal poder é configurado pela disponibilidade de
apresentar ou não sua pretensão em juízo, da maneira que melhor lhes aprouver
e renunciar a ela ou a certas situações processuais. Trata-se do princípio da
disponibilidade processual.
Esse poder de dispor das partes é quase que absoluto no processo civil,
mercê da natureza do direito material que se visa fazer atuar. As limitações a
esse poder ocorrem quando o próprio direito material é de natureza indisponível,
por prevalecer o interesse público sobre o privado.
O inverso acontece no direito penal, em que prevalece o princípio da
indisponibilidade (ou da obrigatoriedade). O crime é sempre considerado uma
lesão irreparável ao interesse público e a pena é realmente reclamada, para a
restauração da ordem jurídica violada.

1.6. Princípio da livre investigação e apreciação das provas

Este princípio, chamado também de princípio dispositivo, consiste na


regra de que o juiz depende da iniciativa das partes quanto a instauração da
causa e às provas, assim como às alegações em que se fundamentará a
decisão.
A doutrina não destoa do entendimento de que o mais sólido fundamento
do princípio dispositivo parece ser a necessidade de salvaguardar a
imparcialidade do juiz. A cada um dos sujeitos envolvidos no conflito sub judice,
é que deve caber o primeiro e mais relevante juízo de valor sobre a conveniência,

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ou inconveniência, de demonstrar a veracidade dos fatos alegados. Em regra, o
juiz deve deixar às partes o ônus de provar o que alegam.
No entanto, diante da concepção publicista do processo, não é mais
possível manter o juiz como mero espectador da batalha judicial. Afirmada a
autonomia do direito processual em relação ao direito material, e enquadrado
como ramo do direito público, e verificada a sua preponderante finalidade sócio-
política, a função jurisdicional evidencia-se como um poder-dever do estado, em
torno do qual se reúnem os interesses dos particulares e os do próprio estado.
Assim, paulatinamente, os poderes com função de instrução, foram
aumentando, passando de espectador inerte à posição ativa, cabendo-lhe não
só impulsionar o andamento das causas, mas também determinar provas,
conhecer de ofício de circunstâncias que até então dependiam de alegações das
partes, dialogar com elas, reprimir lhes eventuais condutas irregulares etc.
De acordo com André Ramos Tavares (2006), no campo penal sempre
predominou o sistema da livre investigação de provas. Mesmo quando, no
processo cível, se confiava exclusivamente no interesse das partes para o
descobrimento da verdade, tal critério não poderia ser seguido nos casos em
que o interesse público limitasse ou excluísse a autonomia privada. Isso porque,
enquanto no processo civil, em princípio, o juiz pode satisfazer-se com a verdade
formal, no processo penal, o juiz deve averiguar o descobrimento da verdade
real, como fundamento da sentença.

1.7. Identidade Física do Juiz

Para que o julgamento seja considerado adequado, justo, o processo


deve ter um mesmo juiz desde seu início até final decisão, de modo que não seja
feito por um juiz que não acompanhou os fatos nem coligiu as provas. Tal
princípio, previsto no art. 132 do CPC, é atenuado pela possibilidade de
transferência, promoção ou aposentadoria do juiz, diretor do processo.
Em outros períodos, antes do atual CPC, o princípio era de tal modo
absoluto que, mesmo aposentado, transferido ou promovido, o juiz continuava
vinculado ao processo.

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O princípio não vigora para processo penal. Havia uma exceção no art. 77
do CP, quando o juiz reconhecia a periculosidade real do réu. Contudo, essa
figura da medida de segurança real foi revogada pela Lei 7.209/84.

1.8. Princípio da Oficialidade

Fonte: amatra10.org.br

A repressão ao crime e ao criminoso constitui uma necessidade essencial


e função precípua do estado, de modo que este, em virtude do ordenamento
jurídico que tutela os bens sociais públicos, torna-se titular de um poder (poder-
dever) de reprimir o transgressor da norma penal.
Em tendo a função penal índole eminentemente pública, a pretensão
punitiva do estado deve ser feita por um órgão público que deve iniciar o
processo de ofício. Nisto consiste o princípio da oficialidade, isto é, os órgãos
incumbidos da persecutio criminis são órgãos do estado, oficiais portanto.
Desse princípio decorrem duas regras importantes: a 1ª é a da
“autoridade” – os órgãos incumbidos das investigações e da ação devem ser
uma autoridade (autoridade policial e o Ministério Público); a 2ª é a iniciativa de
ofício dessas autoridades.

1.9. Princípio do impulso processual

Este princípio está intimamente ligado ao procedimento, tendo em vista


que, uma vez iniciada a relação processual, ao juiz cabe deslocar o
procedimento de fase em fase, até que a função jurisdicional se extinga.

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Isso quer dizer que, após instalado o processo, o juiz detém a
incumbência exclusiva de prosseguir com o mesmo, evoluindo sua marcha etapa
por etapa, até o esgotamento da função jurisdicional (esgotamento de ações que
o poder judiciário pode exercer).

1.10. Princípio da oralidade

Da mesma forma que o anterior, este princípio, também, apresenta


ligação indissolúvel com o procedimento, devendo o juiz observar a mesma
forma de conduzir o processo.
O princípio propicia a garantia de permitir a documentação mínima dos
atos processuais, sendo registrados apenas aqueles atos tidos como essenciais.
É um princípio que se faz presente no artigo 13 da Lei 9099/95.

1.11. Princípio da Livre Convicção (persuasão racional)

A apreciação e a avaliação das provas produzidas e reunidas pelas


partes, indicando que o juiz deve formar livremente sua convicção são reguladas
por este princípio.
Esse procedimento dica situado entre o sistema da prova legal e do
julgamento secundum conscientiam. No primeiro (prova legal) atribui aos
elementos probatórios valor inalterável e prefixado, que o juiz aplica
mecanicamente. O segundo significa o oposto: o juiz pode decidir com base na
prova, mas também sem provas e até mesmo contra elas.
Exemplo do caso da prova legal é dado pelo antigo processo germânico,
onde a prova representava uma invocação a Deus. O juiz não julgava, mas
apenas ajudava as partes a obter a decisão divina. Já o princípio secundum
conscientiam é notado, embora com certa atenuação, pelos Tribunais do Júri.
A partir do século XVI, porém, começou a delinear-se o sistema
intermediário do livre convencimento do juiz, ou da persuasão racional que se
consolidou sobretudo nos primados da Revolução Francesa.

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Essa liberdade de convicção, contudo, sofre temperamento pelo próprio
sistema que exige a motivação do ato judicial (CF/88, art. 93, IX; CPP, art. 381,
III; CPC, art. 131, 165 e 458, II etc.).

1.12. Princípio da motivação das decisões

Complementando o princípio do livre convencimento do juiz, surge a


necessidade da motivação das decisões judiciárias. É uma garantia das partes,
com vista à possibilidade de sua impugnação para efeito de reforma. Só por isso
as leis processuais comumente asseguravam a necessidade de motivação.
Mais modernamente, foi sendo salientada a função política da motivação
das decisões judiciais, cujos destinatários não são apenas as partes e o juiz
competente para julgar eventual recurso, mas quaisquer do povo, com a
finalidade de aferir-se em concreto a imparcialidade do juiz e a legalidade e
justiça das decisões.

1.13. Princípio da publicidade

Este princípio constitui uma preciosa garantia do indivíduo no tocante ao


exercício da jurisdição. A presença do público nas audiências e a possibilidade
do exame dos autos por qualquer pessoa representam o mais seguro
instrumento de fiscalização popular sobre a obra dos magistrados, promotores
públicos e advogados. O povo é o juiz dos juízes. Publicidade popular e a restrita.
Esse princípio também é corolário do princípio do devido processo legal e
da ampla defesa. Esse princípio apresenta duas nuances: a primeira e dar
conhecimento dos atos processuais aos litigantes. Já o segundo aspecto refere-
se a dar o conhecimento à sociedade da atuação do Judiciário e aqueles que,
por ventura, tenham interesse na causa em litígio possam se manifestar.
O ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da publicidade dos
atos processual restrita, por que apesar de todo o interesse de que o maior
número de pessoas venham a conhecer os processos, existem alguns casos em
que o interesse público exige que seja resguardada as partes e os atos
processuais naquele processo específico.

17
Deve ser ressaltado, todavia, que a garantia da publicidade não se traduz
na exigência da efetiva presença do público e/ou dos meios de comunicação aos
atos em que o procedimento se desenrola, não obstante reclame mais do que
uma simples ´potencialidade´ abstrata (como quando, por exemplo, não se tem
conhecimento da data, horário e do local da realização de determinado ato:
publicidade deste reduz-se, então, a um nível meramente teórico).

1.14. Princípio da lealdade processual

Já foi visto que a finalidade suprema do processo é a eliminação dos


conflitos existentes entre as partes, possibilitando a estas respostas às suas
pretensões, mas também para a pacificação geral na sociedade e para a atuação
do direito, por isso que se exige de seus usuários e atores a dignidade que
corresponda aos seus fins.
O princípio que impõe esses deveres de moralidade e probidade a todos
aqueles que participam do processo (partes, juízes e auxiliares da justiça;
advogados e membros do Ministério Público), denomina-se princípio da lealdade
processual. O desrespeito ao dever de lealdade processual constitui-se em ilícito
processual (nele compreendendo o dolo e a fraude processual), ao qual
correspondem sanções processuais.
O CPC tem marcante preocupação na preservação do comportamento
ético dos sujeitos do processo. Partes, advogados e serventuários, membros do
Ministério Público e o próprio juiz estão sujeitos a sanções pela infração de
preceitos éticos e deontológicos, que a lei define minuciosamente.

1.15. Princípios da economia e da instrumentalidade das formas

O princípio da economia significa a obtenção do máximo resultado na


atuação do direito com o mínimo possível de dispêndio. É a conjugação do
binômio: custo-benefício. A aplicação típica desse princípio encontra-se em
institutos como a reunião de processos por conexão ou continência,
reconvenção, ação declaratória incidente, litisconsórcio etc.

18
Importante corolário da economia processual é o princípio do
aproveitamento dos atos processuais. Por outro lado, não se pode perder de
vista que a perspectiva instrumentalista (instrumento é meio; e todo meio só é
tal e se legitima, em função dos fins a que se destina) do processo é por definição
teleológica e o método teleológico conduz invariavelmente à visão do processo
como instrumento predisposto à realização dos objetivos eleitos.

1.16. Princípio do duplo grau de jurisdição

Este princípio prevê a possibilidade de revisão, por via de recurso, das


causas já julgadas pelo juiz de primeiro grau (ou de primeira instância), que
corresponde à denominada jurisdição inferior, garantindo, assim, um novo
julgamento, por parte dos órgãos da jurisdição superior, ou de segundo grau.
O referido princípio funda-se na possibilidade de a decisão de primeiro
grau ser injusta ou errada, por isso a necessidade de se permitir a sua reforma
em grau de recurso. Adotado pela generalidade dos sistemas processuais
contemporâneos. Corrente doutrinária opositora (minoria). Exceções ao
princípio: hipóteses de competência originária do STF. Recurso Voluntário e de
oficio.

19
2. COMPETÊNCIA E JURISDIÇÃO

Fonte: grradvogados.com.br

De acordo com Costa (2014) a jurisdição deve ser um poder-dever de


realização de Justiça estatal, por órgãos especializados do Estado. O processo
penal, assim, se resume a conhecer da pretensão acusatória e de seu elemento
objetivo, qual seja, o caso penal. A jurisdição, entretanto, sob a ótica da
Constituição Federal atual, só se realiza se efetivas as garantias e princípios do
processo penal.

2.1. Princípios Jurisdicionais

Os princípios da Jurisdição, em rápida síntese, são os seguintes:


a) O princípio do juiz-natural implica no direito que tem a sociedade de
saber quem será o julgador de suas lides, é o direito consistente de ser o
acusado julgado por um juiz natural, que é o competente para tanto de acordo
com os critérios processuais da competência.

20
b) O princípio da inércia coíbe que o magistrado atue de ofício. Deve atuar
somente quando devidamente invocado pelo Ministério Público com o
oferecimento da denúncia, ou pelo querelante, com a oferta da queixa.
c) O princípio da imparcialidade significa que o magistrado não pode julgar
com interesse na lide posta em juízo, beneficiando qualquer das partes. No
âmbito processual, deve existir a isonomia processual entre acusação e defesa.
A imparcialidade, segundo Alry, não significa neutralidade e para ele o julgador
não deve determinar provas em detrimento de uma das partes, por exemplo, pois
isso pode contaminar a sua imparcialidade.
d) O princípio da indeclinabilidade, por último, implica na proibição que
tem o magistrado de não se desobrigar da ação penal; uma vez provocado pela
inicial acusatória, dela não pode se recusar, deixando que outra pessoa a julgue.
A justiça negociada, a exemplo dos institutos dos Juizados Especiais Criminais,
como a transação, vem relativizando esse princípio, posto que o acordo se dá
entre promotor e acusado, restando ao juiz apenas homologá-lo.

2.2. Competência no processo penal

Para aplicar a sanção penal aos casos a ele levados, o Poder Judiciário
utiliza-se de um conjunto de regras para eleger, para cada matéria, um órgão ou
Justiça “natural”, por assim dizer. É justamente a competência, por meio de
regras e critérios que definirá o local, Juízo e órgão onde a lide tramitará.
Consoante aos critérios, estes podem ser em razão da matéria, pessoa e
lugar. A competência, a seu turno, se classifica em absoluta, sempre que puder
ser declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento das partes em qualquer tempo
ou grau de jurisdição no processo, ou relativa, quando o réu deva alega-la no
prazo de resposta, sob pena de preclusão e prorrogação da competências.
Mesclando-se os critérios com a classificação, tanto no processo civil como no
penal, considera-se a competência em razão da matéria e da pessoa, absoluta,
não podendo ser modificada. Já a competência em razão do lugar, ao seu modo,
é considerada relativa, posto que uma vez não impugnada, pode ser prorrogada;
quanto a elas as partes podem escolher, alterar.

21
Essa concepção, para Alry, é deveras errada e perigosa, posto que
civilista, somente se coadunando com o espírito cível, já que aqui não raro as
partes escolhem o foro competente no âmbito de sua autonomia privada.
No processo penal, entretanto, deve (deveria) imperar, sempre a
competência absoluta. É princípio garantidor do status libertatis do sujeito, o
princípio da legalidade, posto que toda e qualquer disposição que interfira na sua
liberdade, sanção de caráter mor dentro do ordenamento jurídico, deva ser
expressamente previsto, seja no Código Penal, seja no Código de Processo
Penal ao qual incube a aplicação daquele.
Assim, justamente por ter a natureza de última ratio do ordenamento, o
Direito Penal só pode ser aplicado por um juiz competente para tanto, assim
designado pelas regras de competência, que devem ser expressa. Se ao
Ministério Público, por exemplo, que é quem escolhe o foro competente, depois
de devidamente escolhida órgão e o juízo competente, pode fazer isso ao seu
livre talante, bastando observar o local de consumação da infração, é no mínimo
perigoso que exista essa opção processual, E nisso reside a crítica de Alry Lopes
Jr., sendo que para ele, por razões de legalidade, a concepção de competência
relativa em razão do lugar é ultrapassada, civilista e não se coaduna com o
Processo penal, vez que pode representar uma ameaça aos seus princípios,
sobretudo o do juiz natural.

2.2.1. Justiças competentes

A competência jurisdicional pode ser determinada pelo lugar da infração,


o domicílio ou residência do réu, a natureza da infração, a distribuição, a conexão
ou continência, a prevenção e a prerrogativa de função. Antes de se observar
essas regras, contudo, há que se observar o órgão ou juízo onde devam tramitas
as lides penais.
Assim, a divisão dos órgãos ou Justiças Especiais é a seguinte: a)
Justiças Especiais (Militar Federal, Militar Estadual e a Eleitoral); b) as Justiças
Comuns (Federal e Estadual).
As Especiais, Militar e Eleitoral, tem a sua competência determinada em
razão da matéria e da pessoa, sobretudo esta última. A Militar pode ser Estadual

22
ou Federal, sendo que a diferença reside no tocante aos crimes e as pessoas.
Os crimes militares Federais vêm expressos; a Militar Estadual é residual em
relação a Militar Federal. A Militar sempre julga os crimes os crimes militares,
previstos no Código Penal Militar, mais precisamente no art. 9º do CPM. Ela
nunca julga os crimes conexos a ela, que devem ser separados.
A Militar Federal se difere da Estadual porque a primeira deve julgar os
crimes cometidos por militares das forças armadas que atuem em todo o território
nacional nos casos em que um interesse militar for violado. A Justiça Militar
Estadual, por sua vez, será competente para julgar, por sua vez, os crimes
cometidos por um militar do Estado como os bombeiros, policiais militares
estaduais e polícia rodoviária estadual, devendo-se sempre, segundo Alry,
observar-se o interesse militar violado, requisito de suma importância.
A Justiça Eleitoral tem a sua competência prevista nos arts. 118 a 121 da
Constituição Federal e Lei n. 4737/65. Assim, deve julgar os crimes eleitorais e
a conexa a ela. No primeiro grau, tem-se os juízes eleitorais; no segundo,
Tribunal Regional Eleitoral e o Supremo Tribunal Eleitoral, acima daquele.
A justiça Comum Federal é sempre residual em relação à Justiça Especial:
incide sempre que a lide não for da esfera especial e deve sempre estar prevista
expressamente na Constituição Federal. Incide sempre que o crime envolva
bens, serviços ou interesses da União, autarquias ou empresas públicas. É
composta pelos seguintes órgãos: os Juizados Especiais Criminais Federais,
Juízes Federais e Tribunal do Júri. Os Tribunais Regionais Federais fazem parte
do seu segundo grau. Os Juizados Especiais Criminais deverão julgar crimes de
menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos) relativos à
Justiça Federal.
A Justiça Comum Estadual sempre residual às demais. Só incide depois
que a “peneira” da competência já tiver passado pelas demais. No primeiro grau
temos o Tribunal do Júri, Juízes de Direito e Juizados Especais Criminais. Já no
segundo grau ela é composta pelos Tribunais de Justiça.

23
2.2.2. Foro competente

À fase de escolha dos órgãos procede à fase de determinação do foro


competente. Segundo Alry, a resposta à essa questão deve perpassar à análise
da prevenção e da distribuição. O juiz que antecede os demais em algum ato
decisório, como receber a denúncia poderá ser o competente (distribuição); já
na prevenção, também poderá ser o competente aquele que na fase de inquérito
tiver, por exemplo, decretado a prisão em flagrante. Se nenhum juiz for prevento,
o critério será o da distribuição.
Também observa-se o local do cometimento da infração: onde ela se
consumou ou onde foi praticado o último ato de execução. No caso de
continuidade delitiva ou crime permanente praticado em território de duas ou
mais jurisdições, o juiz prevento será o competente.

2.2.3. Prerrogativa de função

A prerrogativa por função é um privilégio que algumas autoridades gozam


em relação as atribuições exercidas por elas, como por exemplo, o Presidente
da República. Não quebra o princípio da igualdade, tendo em vista que a
prerrogativa é da função e não da pessoa. Quando findada a função, cessa a
prerrogativa. Exemplificativamente, no STF serão julgados o Presidente da
República, o Vice-presidente, os deputados federais, seus próprios ministros, o
procurador-geral da República, o advogado-geral da União, ministros de Estado,
comandantes das forças armadas, ministros dos Tribunais Superiores, membros
do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter
permanente.
Todas as prerrogativas devem constar expressamente da Constituição
Federal, como faz com a competência acima trazida (art. 102, I, a, b e c). No que
tange a interação entre a conexão e a prerrogativa de função, Alry lembra uma
regra importante: se uma pessoa que goza da prerrogativa de função, comete
um crime de competência do Tribunal do Júri, prevalece a prerrogativa de função
prevista na Constituição Federal. Se, entretanto, a prerrogativa é prevista em
Constituição Estadual, será julgado pelo Júri, por ser este de competência da Lei
Maior, o qual deve observância a Constituição Estadual.
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2.2.4. Conexão e continência

A conexão e a continência são duas causas modificadoras da


competência. A conexão opera-se quando há um vínculo estreito entre os delitos,
exigindo-se se a prática de dois ou mais crimes. Ela pode ser: intersubjetiva
ocasional (quando dois ou mais crimes forem praticados ao mesmo tempo, por
várias pessoas reunidas), intersubjetiva concursal (quando dois ou mais crimes
forem praticados por várias pessoas em concurso, ainda que diversos o tempo
e o lugar) ou intersubjetiva por reciprocidade (quando duas ou mais infrações
forem praticadas por várias pessoas, umas contra as outras).
A continência, por sua vez, opera-se sempre que duas ou mais pessoas
forem acusadas pela mesma infração, tendo elas cometido um mesmo, que por
razões de garantis processuais, serão julgadas simultaneamente, evitando o
julgamento diferenciado.
Alguns exemplos de regras importantes quando da interação dos critérios
de competência e conexão: se um crime eleitoral é conexo a um crime comum,
os dois serão julgados na esfera eleitoral; a infração cometida entre pessoas
imputáveis e inimputáveis não serão julgados num mesmo processo. Opera-se
a cisão dos processos (separação obrigatória).

3. PETIÇÃO INICIAL E RESPOSTA DO RÉU

Fonte: i.huffpost.com

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Squitine, Islla et al. (2016) diz que o processo civil brasileiro, que utiliza-
se do regime do contraditório por força de norma Constitucional expressa (art.
5º, LV). Sendo assim, nenhuma definição judicial pode ser obtida através da
versão unilateral dos fatos levados a juízo por meio da ação do autor. Por esta
razão, deve-se conferir ao demandado a oportunidade de manifestar nos autos
a sua tese, uma vez que o processo contém a verdade de ambas as partes e, a
sentença, “a verdade do juiz”.

CPC - Lei nº 5.869 de 11 de Janeiro de 1973


Institui o Código de Processo Civil.
Art. 297. O réu poderá oferecer, no prazo de 15 (quinze) dias, em
petição escrita, dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e
reconvenção.

O Código de Processo Civil regula no art. 297[6], quanto à resposta do


réu, três situações distintas: a legitimidade exclusiva do réu para contestar
(legitimidade para defesa) e promover ação pela via reconvencional (legitimidade
ad causam), mais a legitimidade (igualmente conferida ao autor) para opor
exceção ritual de incompetência relativa, de suspeição ou de impedimento do
juiz (arts. 304 a 314).
Squitine, Islla et al. (2016) também afirma que a resposta do réu pode ser
definida como a resistência que este opõe ao pedido formulado pelo autor, por
meio de uma defesa processual (objeção- art. 301 do CPC) e uma defesa de
mérito, sendo considerado um ato processual pelo qual o réu impugna o
processo e a pretensão do autor. A defesa é processual, quando existe a
impugnação do instrumento (ação ou processo) de que se pretende valer o autor
para a afirmação do seu direito, objetivando evitar a análise do mérito, sendo
apresentada através de uma preliminar de contestação se a matéria é de objeção
(ex.: litispendência e a coisa julgada, materiais processuais de ordem pública)
ou uma exceção em sentido estrito se a alegação é de incompetência relativa,
suspeição ou impedimento do juiz.
A defesa é de mérito quando impugna o direito do autor, sendo realizada
através da contestação de maneira substancial ou material, podendo ser indireta
(quando consiste em opor fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito do
autor) ou direta (quando consiste em resistência que ataca a própria pretensão
do autor, negando-a quanto aos fatos ou quanto ao direito material).

26
O prazo para apresentação de resposta do réu regra geral é de 15 dias,
dentro do qual deve o réu apresentar, querendo, contestação, exceção,
reconvenção. Sendo vários réus com procuradores diferentes, o prazo será em
dobro (art. 191 do CPC), começando a contar, regra geral, da juntada aos autos
do último mandado de citação devidamente cumprido. (Art. 241, III, do CPC).
Todavia Squitine, Islla et al. (2016) confirma que todo réu tem garantia ao
direito da ampla defesa e, assim sendo, possui a oportunidade de apresentar
sua resposta no processo civil. Neste guia de estudos do DireitoNet você poderá
observar detalhes de cada uma das modalidades de defesa, quais sejam
contestação, exceção e reconvenção, bem como verificar seus prazos,
peculiaridades e hipóteses de cabimento. Ao final da leitura do material deste
guia, você poderá responder questões dissertativas e ser avaliado
individualmente pela equipe DireitoNet. Inscreva-se já e inicie seus estudos
acerca das modalidades de resposta do réu previstas no Código de Processo
Civil.
Em um primeiro momento, o réu deve fazer uma defesa processual
relacionada aos pressupostos processuais. A defesa processual sempre é uma
defesa indireta, pois o réu não está negando o direito, mas indicando um defeito
processual, como, por exemplo, as condições da ação. Assim, a primeira coisa
que o réu deve fazer é analisar os pressupostos processuais e as condições da
ação. Sendo considerada a primeira espécie de defesa processual e indireta,
pois o réu está alegando um problema na petição inicial. Ou seja,
preliminarmente, o réu alegará as objeções do art. 301, CPC.
Squitine, Islla et al. (2016) afiança que passada a defesa processual, o
réu fará a defesa material, que é direta, negando os fatos e o direito. Essa defesa
é conhecida como defesa de mérito e é quando o autor está negando o direito.
Contudo, ele também pode fazer uma defesa material indireta. Neste caso, sem
negar o direito do autor, o réu impõe um fato extintivo, modificativo ou impeditivo
do direito. Na defesa de mérito indireta, o réu não nega o fato, mas fala sobre
outro fato existente que impede, modifica ou extingue o direito do autor. Assim,
sempre que houver fatos extintivos, modificativos ou impeditivos de um direito
estamos diante de uma defesa de mérito indireta.

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Para que o réu faça defesa processual e material direta e indireta, ele se
utilizara de três espécies de defesa: a contestação, a exceção e a reconvenção.
A exceção é uma espécie de defesa que serve especificamente aos
pressupostos processuais relativos ao juiz. Esses pressupostos são jurisdição,
competência e imparcialidade. Assim, pela via da exceção, a incompetência
relativa, o impedimento ou a suspeição do juiz devem ser alegados
preliminarmente. A reconvenção é uma forma de defesa usada para contra-
ataque. Enquanto na contestação o réu se defende, na reconvenção ele contra-
ataca. Assim, existem duas ações: uma movida contra o réu e outra contra o
autor.

4. AUDIÊNCIA E PROVAS

Fonte: www.correiodosmunicipios-al.com.br

A CLT não trata de maneira aprofundada do tema e, por isso, usa-se como
base o CPC. Conceito: Provar é convencer alguém sobre alguma coisa. É
convencer o juiz a respeito dos fatos da causa.
Art. 131, CPC: faz referência ao princípio do livre convencimento ao juiz e
diz que o juiz é livre na apreciação da prova, porém, deve motivar a sua decisão.

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4.1. Princípios específicos aplicáveis às provas:

Martins (2015) afirma que a necessidade da prova: prova é necessária


para o convencimento do juiz, é necessário demonstrar os fatos alegados.
Unidade da prova: a prova deve ser analisada em conjunto, não se pode aplicar
no processo do trabalho a ideia do "in dubio pro operário", pois em matéria de
prova, se estabelece a análise da prova, deve ser analisado no conjunto e não
isoladamente. Lealdade da prova: as partes devem proceder em juízo com
lealdade e boa-fé (art. 114, CPC). Não se pode admitir provas obtidas por meios
ilícitos.
Contraditório: há necessidade de um debate em relação à determinada
questão para que haja uma contra afirmação e daí surja uma conclusão; direito
de impugnar. Igualdade da oportunidade de prova: o juiz deve tratar as partes
igualmente, todas as partes têm direito de apresentar meios de prova nos
momentos adequados. Oportunidade da prova: existem momentos para
apresentação da prova e não podem ser apresentadas fora desse momento.
Martins (2015) ao mesmo tempo diz que comunhão da prova: não há que
se interpretar isoladamente testemunhos ou documentos, necessário ser em
conjunto. Legalidade: o contraditório e a ampla defesa serão assegurados de
acordo com a as provas previstas em lei. Princípio da imediação: a prova é
apresentada perante o juiz e é ele que dirige o processo. A ideia é convencê-lo
a respeito dos fatos do processo e ele que vai decidir. Obrigatoriedade da prova:
existe um interesse das partes em provar e também do Estado para saber quem
diz a verdade para, assim, se fazer justiça.
Aptidão para prova: aquele que tem melhores condições de provar é que
deve fazer a prova. Ex. Empregador tem uma condição maior de fazer prova que
o empregado. Disponibilidade da prova: as partes devem fazer prova nos
momentos em que a lei estabelece e quem tem por objetivo a instrução do
processo. Objetivo da prova: convencer o juiz sobre fatos da causa (art. 337,
CPC). Não é preciso provar:
 Fatos notórios: aqueles fatos de conhecimento geral. Porém, isso
é uma característica subjetiva, pois pode ser notório para um e não

29
para outro. É difícil dizer o que seria um fato notório numa região com
relação a outra, por exemplo.
 Confissão: fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte
contrária. Ex.: o reclamante alega um horário na inicial, a empresa
contesta, mas o admite em depoimento pessoal.
 Fatos incontroversos: na petição inicial se faz uma afirmação e na
contestação se confirma essa informação. Ex.: o reclamante alega ter
trabalhado em determinado horário, a empresa concorda com o
horário, sendo, portanto, incontroverso.
 Presunção de existência ou veracidade: ex. A confissão judicial
feita pelo confitente é uma presunção legal.
 Ônus da prova: ônus não é uma obrigação, mas um encargo ue a
parte deve-se desincumbir para provar suas alegações. É a
Necessidade de demonstração de fatos de acordo com um certo
critério que a lei faz a respeito da prova para efeito do convencimento
do juiz. A necessidade de provar é estabelecida por lei. Nesse ponto,
a CLT não é omissa (art. 818, CLT), diz que quem alega prova. Porém,
embora não haja omissão da CLT, é o caso de se observar o art. 333
do CPC que distribui o ônus da prova. Esse artigo completa a CLT.
 Para o autor: deve haver a prova dos fatos constitutivos do seu
direito. Ex. Existência de relação de emprego; o trabalho em horas
extras).
 Ao réu: se estabelece a prova dos fatos impeditivos, modificativos
e extintivos do direito do autor. Ex. Fatos extintivos (pagamento das
horas extras, dos feriados trabalhados de maneira dobrada),
impeditivos (o reclamante alega na inicial ter sido despedido, pedindo
o pagamento de verbas rescisórias; o reclamado alega que as verbas
não foram pagas em razão de justa causa - a justa causa é um fato
impeditivo da continuidade do vínculo), ou modificativos (o reclamante
pede o pagamento imediato de comissões e a reclamada alega que
as comissões eram devidas, mas de forma parcelada; o reclamante
pede o pagamento de feriados dobrados e a empresa pondera que foi
concedido outro dia da semana para folga do reclamante).

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OBS: não se aplica o in dubio pro operário em se tratando de prova, mas
verifica-se quem tem o ônus da prova. OBS. Art. 389, CPC: determina que o
ônus da prova incumbe:
 À parte que arguir o documento falso
 À parte que produziu o documento, em se tratando de contestação
de assinatura.
Meios de prova: Se as partes não celebrarem acordo, iniciar-se-á a
instrução do processo (art. 848, CLT). Todos os meios de provas são legítimos,
ainda que não expressos no CPC. A CLT não trata de todos eles, e aí, quando
não tratar, aplica-se o CPC (MARTINS, 2015).
São meios de prova: depoimento pessoal das partes, as testemunhas, os
documentos e a inspeção judicial. O depoimento pessoal é meio de prova e não
prova. A prova é a confissão da parte por intermédio do depoimento pessoal.
Depoimento pessoal: arts. 848 e 820, CLT. A CLT não fala em depoimento
pessoal, mas sim interrogatório. O juiz toma de oficio, enquanto que no
depoimento, há o requerimento. Não há requerimento de depoimento, uma vez
que é o juiz que toma de ofício. Intepretação do TST - Sum. 74, I: contrário ao
entendimento da CLT que privilegia o sistema de interrogatório. O TST Interpreta
como depoimento pessoal e não como interrogatório, pois caso contrário, não
ouvir o reclamante ou reclamado, quando há requerimento da parte para esse
fim, constituiria cerceamento da prova das partes (MARTINS, 2015).
Início dos depoimentos: começam pelo autor e depois o réu, mas nada
impede que o juiz verifique de quem é o maior ônus da prova e comece o
depoimento de quem tem esse maior ônus. As partes devem ser isoladas na
hora do depoimento, pois o objetivo é a confissão (art. 344, CPC). O depoimento
precisa ser espontâneo: a parte não pode trazer um depoimento escrito para
depor, mas podem trazer pequena anotações (art. 346, CPC). Perguntas
protelatórias, irrelevantes, ou inúteis formuladas pelas partes serão indeferidas
pelo juiz.
Poderá ser usado intérprete nomeado pelo juiz, ainda que este conheça
a língua estrangeira. As custas deverão ser pagar por aquele que tem interesse
no depoimento. Não há necessidade de tradutor juramentado, o que é menos
oneroso. Terminando os depoimentos das partes, estas podem se retirar da

31
audiência, desde que tenham advogados. Terminados os depoimentos pessoais,
o juiz fixa os pontos controvertidos e este será o objeto da prova. Preposto pode
ser advogado? Sobre o ponto de vista processual, o TST (súm. 377) adotou a
ideia de que o preposto tem que ser empregado e se o adv. É empregado, nada
impede que ele seja preposto. Sobre o ponto de vista da OAB: pode haver rum
procedimento administrativo por motivo de ética, já que não pode ser advogado
e preposto ao mesmo tempo (MARTINS, 2015).
O preposto tem de ter conhecimento dos fatos e não presta compromisso
de dizer a verdade. Não precisa ser empregado ao tempo dos fatos narrados
pelo reclamante, basta ter conhecimento de tais fatos. Confissão: art. 348, CPC.
Quanto ao âmbito que a confissão pode ser obtida: Judicial: aquela feita em
juízo. Ex. Como o efeito da revelia.
Extrajudicial: não é comum. Ex. Empregador confessa dívida em
documento. Quanto à possibilidade de produção de prova em contrário: Real:
aquela realizada expressamente pela parte. Implica em presunção absoluta.
Ficta: é uma presunção relativa que pode ser modificada por documentos
constantes no processo. Ex. Se há cartões de ponto nos autos, a confissão ficta
elidida, caso o preposto não compareça para prestar depoimento. Obs.: não se
admite confissão em se tratando de direitos indisponíveis (MARTINS, 2015).
É irrevogável, mas pode ser anulada, se pendente o processo em que foi
feita ou rescindida, se houver trânsito em julgado da decisão. Pode ser obtida
em depoimento pessoal ou feita por procurador com poderes expressos para
tanto. Art. 844, CLT: o não comparecimento do reclamado, na audiência para
apresentar defesa importa em revelia, além da confissão quanto à matéria de
fato. Confissão é um dos efeitos da revelia.
Documentos: art. 830, CLT. O advogado deve declarar a autenticidade
dos documentos sob a sua responsabilidade. E, se houve impugnação, existe a
necessidade da apresentação dos originais. Art. 464, CLT: trata do recibo de
pagamento. Prova de pagamento de salário é feita mediante recibo ou depósito
bancário e não se admite essa prova por meio de testemunha. Necessariamente
escritas: só pode ser comprovado mediante prova escrita, o pagamento de
salários, acordo de prorrogação da jornada de trabalho e acordo de
compensação. Art. 372, CPC: prazo de 10 dias para a parte impugnar os

32
documentos apresentados. Súm. 8 TST: são admitidos documentos novos ou
supervenientes à sentença (MARTINS, 2015).
Exibição de documentos (arts. 355/359, CPC): o juiz poderá determinar
que a parte exiba documento ou coisa em juízo, desde que se ache em seu
poder. Deve haver um requerimento de que a parte tenha o documento e que
ele deva ser juntado. Se não houver juntado, há presunção relativa daquilo que
se pretendia provar por intermédio desse documento. Ex. Empresa que tem mais
de 10 empregados e teria que ter os controles de ponto e o juiz determina que
se junte e, se não forem juntados, presume-se verdadeiro a jornada de trabalho
dita na inicial. Súm. 338, I - TST. Incidente de falsidade: poderá ser suscitado a
qualquer tempo. Será suscitado com a contestação ou no prazo de 10 dias a
contar da juntada do documento. O processo ficará suspenso para decisão que
decidirá sobre a necessidade de perícia. A sentença que resolver o incidente
será declaratória e, declarando a falsidade ou autenticidade do documento, não
caberá recurso, por se tratar de decisão interlocutória.
Testemunhas: é o terceiro ao processo que tem conhecimento aos fatos
da causa. A CLT não tem muitas regras e, novamente, usa-se o CPC. 829, CLT:
Não pode ser testemunha o parente até o 3o grau e o amigo, porém ainda que
a testemunha detenha dessas características, pode ser ouvida como informante
e o juiz dá o valor motivado desse depoimento. (Contradita à testemunha):
 Testemunhas incapazes: menor de 16, doença mental.
 Testemunhas suspeitas: condenado por falso testemunho, inimigo
capital e o que tiver interesse no litígio.
 Testemunhas impedidas: cônjuge, quem é parte ou pessoa que
intervém em nome de uma parte.
 Número de testemunhas.
 Rito sumário: são nas causas de até 40 salários mínimos, até 2
testemunhas para cada parte.
 Rito ordinário: até 3 testemunhas para cada parte e não 3 para cada
fato, como ocorre no CPC.
 Inquérito para apuração de falta grave: até 6 para cada parte.
 Rol de testemunhas: não existe rol, a regra, é de que a prova será
produzida em audiência, por tanto, leva-se as testemunhas à

33
audiência e aí, caso elas não compareçam, serão intimadas. Exceção:
no sumaríssimo também não há rol, mas existe a necessidade de
prova de que a testemunha foi convidada e com a prova ela será
intimada para uma audiência, caso falte na primeira.
Se a parte se comprometer em levar e ela não aparecer, presume-se
desistência. As partes devem ser isoladas na hora da oitiva. Pode-se dispor de
tradutor juramentado, mas hoje é utilizado intérprete. Não necessariamente as
testemunhas do autor precisam ser ouvidas primeiro (depende do ônus).
Contradita à testemunha: deverá ser feito antes de esta estar compromissada e
não após o compromisso. Assim a testemunha deve ser contraditada logo após
a qualificação, mas antes do compromisso (MARTINS, 2015).
Perícia: é um outro meio de prova. A CLT não tem muito artigos sobre
perícia, apenas um ou outro que diz sobre o comparecimento da perícia e
assistentes na audiência. Portanto, se aplica o CPC, mas dependendo do caso,
há certas particularidades. Na vigência do CPC de 39: já dizia que o perito é do
juízo e as partes indicam assistentes técnicos. O perito presta compromisso de
dizer a verdade e os assistentes não, pois têm interesse de auxiliar as partes.
Características: exame (do lugar), avaliação (de bens) e vistoria/inspeção
(de prédios).
Peculiaridades: Arguida a insalubridade ou periculosidade, o juiz nomeará
perito (art. 195, CLT) - insalubridade medico e periculosidade, engenheiro. Se a
perícia vai ser feita num aspecto de contabilidade, espécie de auditoria, somente
o contador pode fazer. Em relação a cálculo, qualquer pessoa pode fazer, porém,
se houver necessidade de exame de contabilidade, só o contador poderá fazer.
Os peritos devem ter conhecimentos técnicos e devem,
preferencialmente, ter nível universitário. Substituição de perito: Se o perito não
tem condições de se manifestar/emitir laudo do caso, então é o caso de
substituição. Assim como o juiz, o perito está sujeito a impedimento ou
suspensão.
Dispensa de perícia: Poderá ser indeferida quando não precisar de
conhecimentos técnicos, quando é desnecessária ou impraticável. Carta
precatória: é possível fazer perícia por carta precatória para que se identifique,
por exemplo, as condições de trabalho que não era o mesmo local onde foi

34
proposta a ação, ou quando há mudança no local de trabalho. As partes têm 5
dias para apresentar quesitos e apresentar assistentes técnicos (no CPC é de
15 dias). Ao juiz caberá indeferir quesitos impertinentes. A perícia será
designada pelo juiz e não é possível exigir honorários prévios, principalmente
com relação ao empregado, por sua falta de condição (MARTINS, 2015).
As partes podem comparecer à diligência em relação ao qual será feita a
perícia. Esse comparecimento serve como espécie de esclarecimentos quando
ao local de trabalho, etc. O perito pode ouvir pessoas, mas não pode se investir
da condição de juiz para ouvir testemunhas. Ele pode se orientar com as
informações prestadas pelas pessoas, mas as testemunhas continuarão serem
ouvidas pelo juiz. Fixação para laudo: quem faz é o juiz no prazo para
apresentação do laudo. Os assistentes técnicos têm o mesmo prazo. 20 dias.
Art. 3o, par. Único, CLT: os trabalhos dos assistentes devem ser
apresentados no mesmo prazo fixado pelo juiz.
Art. 472, CPC: se as partes apresentarem pareceres técnicos, o juiz, a
seu critério, pode dispensar a perícia. Ex. Uma perícia grafotécnica pode indicar
que existe alteração de documentos, mas já existe parecer técnico de um
grafotécnico sobre o tema, portanto, o juiz pode dispensar.
Art. 431-A, CPC: Partes terão ciência do dia, hora e local da perícia.
Perícia complexa: é possível que seja feita mais de uma perícia.
Art. 437, CPC: realização de segunda perícia seria complementar para
tentar esclarecer a questão.
Art. 837, CLT: quesitos complementares ao perito e de sua convocação
para audiência.
Honorários periciais - 790-B, CLT: aquele sucumbente ao objeto da
perícia, exceção da Justiça Gratuita, que é o caso do empregado.
Súm. 341 TST: Os honorários dos assistentes técnicos ficam a parte de
cada parte.
Art. 789, CLT - Custas: são devidas pelo vencido.
Inspeção judicial: não tem previsão na CLT. Será feita quando o juiz não
tiver conhecimentos suficientes de um certo fato e tiver que comparecer em
determinado local para fazer a constatação. Ele não substituirá o perito, mas
pode comparecer ao local juntamente com o perito para que este esclareça

35
determinados aspectos. Finalidade: esclarecer o juiz a respeito de fatos e coisas.
Art. 440 até 443, CPC. As partes podem comparecer à diligência (MARTINS,
2015).
Ao concluir a inspeção, deve ser lavrado um auto circunstancial para se
descrever o que foi constatado. Substituindo o juiz, o oficial de justiça, por ter fé
pública pode comparecer e fazer as constatações. O juiz pode decidir com
fundamento nas máximas de experiência, mas também que podem ser em
decorrência de indícios ou presunções.
Art. 844, CLT: não comparecimento das partes na audiência:
Autor: se for a primeira audiência, importa o arquivamento da reclamação.
Réu: importa em revelia e confissão.
Procedimento sumaríssimo - perícia: causas de até 40 salários mínimos
> ideia de dar mais celeridade nesses processos.
Pericia: dificuldade de cumprir o prazo de 30 dias se audiência for adiada.
O prazo para conclusão do processo deve ser de 30 dias quando adiada
audiência. Laudo: Após o laudo, há prazo comum de 5 dia sara cada parte. Se o
laudo é simples, o prazo consegue ser observado para o processo acabar em 30
dias. Mas se o laudo é complexo, há necessidade de fixação de novo prazo,
estendendo o curso para conclusão do processo (MARTINS, 2015).

36
5. SENTENÇAS, COISAS JULGADAS E EMBARGOS DECLARATÓRIOS

Fonte: www.cnj.jus.br

5.1. Definição De Sentença

O processo do trabalho não define sentença. Essa definição deve ser


buscada no processo civil, fonte subsidiária do Processo do Trabalho. Os artigos
831 e 832 da CLT referem-se, genericamente, a decisão, quando trata da
sentença. Nos seus precisos termos, o art. 831 da CLT preleciona que “a decisão
será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação” e o art.
832, por sua vez, determina que “da decisão deverão constar o nome das partes,
o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da
decisão e a respectiva conclusão.” Essa decisão, nada mais é do que a
sentença; mas, como dito, definição exata de sentença não há (ALMEIDA, 2012).
Encontraremos referência ao termo sentença nos dissídios coletivos, de
competência originária dos Tribunais, cujas decisões são chamadas de
sentenças normativas; contudo, do ponto de vista da técnica processual a
denominação não é a mais adequada, haja vista que sentença é termo adequado
para a decisão monocrática do órgão jurisdicional de primeiro grau.

37
Recorrendo ao Processo Civil comum, verificamos que o CPC definia a
sentença, na redação original do art. 162, § 1º, como sendo “o ato pelo qual o
juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa.” Essa definição,
nem de longe, tinha a simpatia da doutrina. De fato, a impropriedade técnica era
tão grande quanto as críticas que lhe eram atribuídas. O processo, do ponto de
vista técnico, não se exaure com a sentença, basta pensar na decisão que
recebe ou não o recurso de apelação; é o próprio juiz atuando após a prolação
da sentença. Essa evidência já era óbvia, também, nos processos em que é
imposta ao condenado cumprimento de obrigação de fazer, não fazer ou
entregar coisa. A execução nesses processos, nos termos do art. 461 e 61-A do
Código de Processo Civil, inicia-se por ato do juiz, trata-se das chamadas
sentenças executivas, de que se falará mais adiante. Mais tarde, por meio da lei
11.232 de 22 de dezembro de 2005, foi introduzido o art. 475-I e seguintes no
Código de Processo Civil, que estendeu este mesmo procedimento executivo
também para as sentenças condenatórias a obrigação de pagar quantia certa;
nesse caso, o procedimento foi denominado “cumprimento da sentença”. Agora,
a execução da sentença condenatória se faz na mesma cadeia procedimental
em que fora proferida, o que levou a doutrina a dizer que o processo civil se
tornou um processo misto ou sincrético, em que o juiz exerce, sucessivamente,
atividade de conhecimento e de execução; porém, frise-se, trata-se de um
mesmo processo, aboliu-se, nesses casos, a tradicional dicotomia entre
processo de conhecimento e processo autônomo de execução. Essas mudanças
no processo civil, demonstram bem que as críticas dirigidas ao antigo conceito
de sentença eram de todo procedentes.
Sensível às críticas e para adaptar o conceito à moderna técnica
processual, a mesma lei 11.232 alterou o § 1º do art. 162 do Código de Processo
Civil para estabelecer que “sentença é o ato do juiz que implica alguma das
situações previstas nos arts. 267 e 269 do CPC”. Esses artigos tratam dos casos
que implica o exaurimento da atividade cognitiva do juiz de primeira instância
com ou sem a resolução do mérito da demanda. O atual conceito, além de mais
afinado com a técnica processual permite fácil distinção, a partir do conteúdo da
decisão, dos demais atos processuais praticados pelo juiz: as decisões
interlocutórias e os despachos (ALMEIDA, 2012).

38
5.2. Classificação Das Sentenças

As sentenças podem ser classificas, inicialmente, a partir da própria


definição legal. Conforme os artigos 267 e 269 do CPC, são de duas ordens:
aquelas que resolvem e as que não resolvem o mérito da demanda. As primeiras
são classificadas como sentenças definitivas e na CLT encontram referência
expressa no art. 893, §1º e nos incisos do art. 895; as segundas são
denominadas de sentenças terminativas.
As sentenças definitivas que acolhem o pedido, mesmo que parcialmente,
podem ainda ser classificadas como definitivas constitutivas, definitivas
condenatórias e definitivas meramente declaratórias. Já as sentenças de
improcedência são sempre declaratórias, pois prestam, unicamente, a declarar
a inexistência do direito afirmado pelo autor.
As sentenças definitivas meramente declaratórias são aquelas que
contêm, unicamente, o acertamento da existência ou inexistência de uma
relação jurídica ou da autenticidade ou falsidade de um documento. São desse
tipo as sentenças que reconhecem a existência do vínculo de emprego, a
estabilidade, o tempo de serviço, o horário de trabalho e a que resolve o dissídio
coletivo de natureza jurídica. Não se admite, no entanto, a sentença cujo
conteúdo seja a mera declaração de um fato (ALMEIDA, 2012).
As sentenças definitivas constitutivas são aquelas que determinam a
criação, modificação ou extinção de uma situação ou relação jurídica. Ensina a
doutrina processualista que nesse tipo de sentença há dois momentos lógicos;
no primeiro momento, o juiz declara a existência do direito à modificação jurídica
e no segundo momento, determina que tal modificação se opere. São exemplos
de sentença definitiva constitutiva a proferida no dissídio coletivo de natureza
econômica, em que são criadas ou modificadas certas condições de trabalho e
a sentença que julga procedente a pretensão de rescindir o contrato de trabalho
do empregado estável.
Vistos os conceitos das sentenças definitivas declaratórias e constitutivas,
passemos à mais complexa, que é sentença definitiva condenatória. Complexa
porque essa espécie de sentença pode, ao mesmo tempo em que possui
conteúdo condenatório, possuir, também, conteúdo de natureza declaratória ou

39
constitutiva. O que a distingue das demais é a imposição de uma obrigação ao
vencido. A doutrina costuma dizer que o efeito principal desse tipo de sentença
é permitir a instauração da execução forçada de um crédito, o que se denominou
eficácia executiva.[1]No processo do trabalho podemos citar como exemplos: a
sentença que declara a existência da relação de emprego, mandando pagar as
verbas rescisórias, é uma decisão declaratória num primeiro plano, e
condenatória num segundo plano; a sentença que reconhece a equiparação
salarial e manda pagar as diferenças resultantes da equiparação é constitutiva
num primeiro momento e também condenatória (ALMEIDA, 2012).
Essa é a classificação tradicional das sentenças, denominada de
classificação trinaria, e por assim ser, é a que encontra maior aceitação na
doutrina processualista. No entanto, há que se fazer referência a outra
classificação, essa criada por Pontes de Miranda, denominada de classificação
quinária. Nessa classificação são acrescidos outros dois tipos de sentença: as
“Seriam executivas as sentenças que apreciam e decidem sobre a
relação existente entre o demandado e os bens que seriam objetos de futura
atividade executória, de modo a cortar a base de legitimidade, antes da sentença
existente, entre o réu e o objeto da demanda. Ao tornar ilegítima a posse da
coisa que tem o demandado, essa espécie de sentença permitiria a execução no
mesmo processo em que foi proferida, ao contrário da sentença condenatória,
que exigiria processo de execução autônomo, ou, em outras palavras, uma nova
relação processual, distinta daquela em que se formou o provimento
condenatório.
Já as sentenças mandamentais poderiam ser definidas como aquelas que
têm por fim obter, como eficácia preponderante, que o juiz emita uma ordem a
ser observada pelo demandado, em vez de limitar-se a condená-lo a fazer ou
não fazer alguma coisa. Seria de sua essência, pois, conter uma ordem para que
fosse expedido um mandamento, donde a designação “sentença mandamental.”
Aqui, também, haveria exercício da atividade jurisdicional posterior à sentença,
na mesma relação processual, sem que se fizesse necessária a instauração de
nova relação processual.”
No entanto, em que pese a adesão de processualistas como Ovídio
Baptista da Silva, a chamada classificação quinária não logrou êxito, de forma

40
que prevalece no Processo Civil brasileiro a classificação tradicional da sentença
em declaratória, constitutiva e declaratória, sendo que as executivas e
mandamentais foram entendidas como sendo espécies da sentença definitiva
condenatória (ALMEIDA, 2012).

5.3. Estrutura Da Sentença

A sentença é composta de três partes: o relatório, a fundamentação e o


dispositivo. O relatório é a parte da sentença que vai demonstrar que o juiz leu o
processo e que está a par de tudo o que aconteceu durante a tramitação
processual. É a garantia das partes de que a demanda está sendo decidida por
quem tem conhecimento da causa posta sob apreciação. Consiste num resumo,
numa síntese de todos os fatos do processo. No procedimento sumaríssimo, a
sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensando o relatório (art. 852-I da CLT).
A fundamentação tem origem na Constituição no art. 93, IX e em sede
infraconstitucional no art. 131 do CPC. Trata-se de garantia do próprio Estado
Democrático de Direito. É nessa parte da sentença que o juiz vai dar as razões
de sua convicção, de maneira que fique transparente para as partes os motivos
pelos quais o juiz decidiu dessa ou daquela forma. Trata-se de um escudo contra
arbitrariedades. Deve-se ressaltar que a fundamentação da sentença não
transita em julgado a teor do disposto no art. 469, I do CPC.
O dispositivo da sentença é a parte onde, de fato, materializa-se a
decisão. Nessa parte o juiz acolherá ou rejeitará o pedido do autor, no todo ou
em parte. Classifica-se em dispositivo direto, que é aquele que condena o réu a
pagar um valor definido, a indenizar o autor na importância que for apurada em
liquidação. Dispositivo indireto é o que acolhe o pedido nos termos da inicial.
Deve-se mencionar alguns aspectos que não podem faltar no dispositivo
da sentença trabalhista, expressamente determinados pela CLT. Por exemplo, o
art. 832, § 1º segundo o qual, “sendo acolhida a pretensão do autor ou acolhida
em parte, o juiz deverá determinar o prazo e as condições para o cumprimento
da decisão.” Ainda, “as custas que devem ser pagas pela parte vencida” e “a
natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo

41
homologado, inclusive o limite da responsabilidade de cada parte pelo
recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso.” (§2º e §3º do art.
832). (ALMEIDA, 2012).

Fonte: www.sintraems.org.br

Do dispositivo, também deve constar a forma da liquidação da sentença,


os juros, correção monetária e o valor da condenação que servirá de base para
o cálculo das custas e para efeito de depósito recursal. Não poderá faltar,
também, o nome dos reclamantes e reclamados.
Deve-se ressaltar ainda, uma particularidade específica da sentença
trabalhista, que é a possibilidade expressa de julgamento ultra e extra petita. O
art. 467 autoriza o julgamento ultra petita, ao dispor que, havendo controvérsia
sobre o montante das verbas rescisórias o juiz determinará o pagamento em
dobro daquelas que, embora reconhecido o débito, não foram pagas na primeira
audiência em que o reclamado compareceu, e, no art. 496, permite o julgamento
extra petita, ao determinar o pagamento de indenização em dobro em vez de
condenar a empresa a reintegrar o empregado estável. Também, juros de mora
e correção monetária poderão ser concedidos ainda que não requeridos
expressamente (Súmula 211 do TST).

5.4. A Sentença No Procedimento Sumaríssimo

Como já mencionado alhures, no procedimento sumaríssimo, é


dispensado o relatório, devendo conter, apenas um breve resumo dos fatos
ocorridos em audiência. O juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais
equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum (art.

42
852-I, § 1º da CLT); em outras palavras, esse dispositivo autoriza o juiz
trabalhista a decidir por equidade, de maneira a decidir a questão da forma mais
justa possível. Dispositivo semelhante encontra-se no art. 766 da CLT em
relação aos dissídios sobre estipulação de salários. É de ressaltar que o juiz
somente pode decidir por equidade nos casos previstos em lei, conforme
disposição do art. 127 do CPC. Na CLT, além dos casos já mencionados, o art.
8º permite ao juiz decidir por equidade na falta de disposições legais ou
contratuais, e que nenhum interesse particular prevaleça sobre o interesse
público (ALMEIDA, 2012).
Em que pese o § 2º do art. 852-I, que proibia a sentença condenatória por
sentença ilíquida, na prática, a sentença deverá se sempre líquida, pois o pedido
tem que ser certo ou determinado, indicando os valores correspondentes (art.
852-B, I da CLT).
As partes deverão ser intimadas da sentença na própria audiência em que
for proferida. Na sendo possível proferir sentença na audiência, em razão da
complexidade da causa, o juiz deverá designar audiência para publicação da
decisão no prazo máximo de 15 dias ou 30 dias na hipótese de interrupção da
audiência. Nesse caso, não sendo a sentença juntada no prazo máximo de 48
horas após a data marcada para a publicação, as partes deverão ser intimadas
da decisão. (ALMEIDA, 2012).

5.5. O Princípio Da Identidade Física Do Juiz

Esse princípio estabelece que o juiz que concluir a audiência deverá


proferir a sentença, de certa forma, vincula o juiz ao processo. Parte-se da ideia
que o juiz que acompanhou a instrução e que ouviu as partes e testemunhas
está em melhores condições de decidir a causa. A matriz desse princípio vem
expressamente estabelecida no art. 132 do CPC nos seguintes termos: “o juiz,
titular ou substituto, que concluir a audiência, julgará a lide, salvo se estiver
convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado,
casos em que passará os autos ao seu sucessor.” Em que pese certa polêmica,
prevalece a posição que afasta a aplicação do princípio em comento no âmbito
do processo trabalhista. A Súmula 136 do TST pacificou o assunto afirmando

43
que não se aplica às Varas do Trabalho o princípio da identidade física do juiz.
Mas, já bem antes, a Súmula 222 do STF dizia que “o princípio da identidade
física do juiz não é aplicável às Juntas de Conciliação e Julgamento, da Justiça
do Trabalho.” (ALMEIDA, 2012).

5.6. A Coisa Julgada No Processo Trabalhista - Conceito E Natureza


Jurídica

Proferida a sentença, seja ela terminativa ou definitiva, abre-se à parte


sucumbente a possibilidade de impugná-la através do recurso adequado, no
caso do processo trabalhista, o recurso ordinário, no prazo de 8 dias. Contudo,
mesmo se buscarmos na teoria geral do processo, veremos que o número de
recursos no nosso sistema é grande, porém limitado. Quer-se dizer com isso que
mesmo a decisão sendo impugnada, em um momento vão se esgotar os
recursos previstos no ordenamento e a decisão não poderá mais ser modificada.
Por outro lado, há que se considerar, também que há um prazo para que a parte
manifeste sua irresignação em relação à sentença; decorrido o prazo sem a
interposição de recurso a sentença tornar-se-á irrecorrível. Nesse momento
ocorre o trânsito em julgado, surge, dessa forma, a coisa julgada. O conceito
mais aceito é o definido por Enrico Tullio Liebman, segundo o qual coisa julgada
é “a imutabilidade do comando emergente de uma sentença.” [3] Todos os
elementos componentes do conteúdo da sentença, declaratórios, constitutivos
ou condenatórios, tornar-se-ão imutáveis e indiscutíveis com a coisa julgada.
Em relação à natureza jurídica do instituto, a doutrina brasileira é dividida
entre aqueles que veem na coisa julgada um efeito da sentença e os que a
definem como uma qualidade sua. Na prática, não há muita diferença entre uma
e outra posição, trata-se de uma discussão mais de natureza acadêmica, ambas
se reportam à imutabilidade e irrecorribilidade da decisão. Há ainda uma terceira
posição isolada, capitaneada por Alexandre de Freitas Câmara, na qual se
defende que a coisa julgada se revela como uma situação jurídica. Diz o
processualista carioca que
“Com o trânsito em julgado da sentença, surge uma nova situação, antes
inexistente, que consiste na imutabilidade e indiscutibilidade do conteúdo da
sentença, e a indiscutibilidade e imutabilidade é que são, em verdade, a

44
autoridade da coisa julgada. Parece-nos, pois, que a coisa julgada é esta nova
situação jurídica, antes inexistente, que surge quando a decisão se torna
irrecorrível.” (ALMEIDA, 2012).

5.7. Coisa Julgada Formal E Coisa Julgada Material

A coisa julgada deve ser considerada sob dois aspectos, o formal e o


material (ou substancial). A coisa julgada formal surge em razão do simples
exaurimento da possibilidade de impugnação da sentença, ou seja, não sendo
mais possível modificar a sentença, ela transita em julgado formalmente,
segundo a doutrina tradicional, é a própria imutabilidade da sentença. Contudo,
a matéria poderá voltar a ser discutida em outro processo.
Quando se fala em coisa julgada material, está se referindo além da
imutabilidade da sentença, da imutabilidade dos seus efeitos, projetando-se para
fora do processo, tratando-se de um aspecto extrínseco só existindo nas
sentenças de mérito. Pode-se dizer, assim, que a coisa julgada formal é comum
a todas as sentenças, enquanto a coisa julgada material, como dito, verifica-se
apenas nas sentenças de mérito. A coisa julgada formal seria, assim, um
pressuposto lógico da coisa julgada material, haja vista que seria impossível a
formação desta sem a daquela. (ALMEIDA, 2012).

5.8. Limites Objetivos E Subjetivos Da Coisa Julgada

Quando se fala de limites objetivos da coisa julgada, trata-se de verificar


o alcance da imutabilidade e indiscutibilidade da sentença transitada em julgado,
vista em seu aspecto objetivo, ou seja, busca-se saber o que transitou em
julgado. Não parece haver muita dúvida, já que o Código de Processo Civil é
bem preciso nessa delimitação. O art. 468 estabelece que “a sentença, que julgar
total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões
decididas.” Dessa forma, o que não foi objeto do pedido, o que não integrou o
objeto do processo não estará atingido pela coisa julgada. Esse dispositivo é
complementado pelo art. 469 donde se abstrai que “não fazem coisa julgada os
motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva

45
da sentença; a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença;
e a apreciação de questão prejudicial, decidida incidentalmente no processo”.
Já o art. 470 inclui na proteção da coisa julgada “a resolução de questão
prejudicial se a parte o requerer (na forma dos arts. 5º e 325), o juiz for
competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o
julgamento da lide.” (ALMEIDA, 2012).
Inclui-se, também nos limites objetivos da coisa julgada, o chamado
“julgamento implícito” ou “eficácia preclusiva da coisa julgada”. Esse fenômeno
vem estabelecido no art. 474 do CPC, segundo o qual “passada em julgado a
sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e
defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do
pedido.” (ALMEIDA, 2012).
Em relação aos limites subjetivos da coisa julgada, o que se busca é
verificar quem são as pessoas atingidas pela coisa julgada. Também parece um
problema de fácil elucidação, já que o art. 472 do CPC estabelece que “a
sentença faz coisa julgada entre as partes em que é dada, não beneficiando,
nem prejudicando terceiros.” Dessa forma, quem não participou do processo, ou
de qualquer forma, não é parte na relação jurídica posta sob apreciação judicial,
não será afetado pelo manto da coisa julgada, podendo rediscutir, em outro
processo, os fatos decididos.
Contudo, algumas questões merecem reflexão. Primeiramente, nos casos
de legitimação extraordinária, em que alguém, nos casos permitidos por lei,
defende direito alheio em nome próprio. Ocorre nesses casos a substituição
processual. Em que pese a especificidade da situação, a doutrina parece
pacífica, a coisa julgada se forma tanto para o substituto como para o substituído;
isto porque o substituído não é um terceiro na acepção da palavra, já que é ele
o titular do direito substancial levado a juízo. Em relação à sucessão, seja entre
vivos ou mortis causa, há que se aplicar o mesmo raciocínio e a coisa julgada
impedirá nova discussão do que já foi decidido, também para o sucessor
(ALMEIDA, 2012).

46
5.9. Embargos De Declaração,

Com base no artigo 897-A da CLT, pelos fatos e fundamentos expostos a


seguir.
1) Resumo da Respeitável Decisão de fls.____.
Foi proposta Reclamação Trabalhista por "A" em face de "B" pleiteando o
pagamento de horas extras. "B", ora Embargante, contestou o referido
pagamento e pediu, em prejudicial de mérito, o reconhecimento da prescrição
quinquenal e a consequente extinção do processo com resolução do mérito do
período anterior aos últimos cinco anos.
2) Do Cabimento dos Embargos de Declaração.
Conforme mencionado anteriormente, em que pese a empresa "B" tenha
pedido em sua contestação o reconhecimento da prescrição quinquenal, ao
proferir sentença, este Douto juízo nada mencionou sobre a prescrição.
Nos termos do artigo 897-A da CLT, caberá Embargos de Declaração em
casos de omissão, obscuridade e contradição no julgado. Como no presente
caso este Douto juízo foi omisso, verifica-se que o presente embargos é o meio
cabível para a respeitável sentença seja esclarecida.
Assim sendo, requer seja esclarecida a omissão da respeitável sentença
de fls.____.
3) Do Efeito Modificativo.
Cumpre ressaltar que a respeitável decisão, além de ter sido omissa,
condenou o Embargante ao pagamento das horas extras. O artigo 897-A da CLT,
C/C a OJ 142 da SDI do Egrégio TST, permite a obtenção de efeito modificativo
no julgado. Inclusive, conforme menciona o saudoso Valentim Carrion, sem sua
obra "Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho" (2006, p. 894), o TST
entende que, em razão do efeito modificativo, a parte contrária deve ser intimada
para que, sendo sua vontade, se manifeste sobre os Embargos de Declaração.
Assim sendo, requer deste douto juízo que aplique o efeito modificativo na
decisão, excluindo o Embargante do pagamento das horas extras. Requer ainda,
em razão do efeito modificativo e do próprio Princípio Constitucional do
Contraditório, a intimação do Embargado para que apresente sua contra razões.

47
6. AÇÃO RESCISÓRIA E AÇÃO ANULATÓRIA NA JUSTIÇA DO
TRABALHO

Fonte: www.correiodosmunicipios-al.com.br

Na legislação processual civil, de maneira expressa, há disposição no


sentido de que pode ser qualificada como coisa julgada material a eficácia, que
torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou
extraordinário (CPC, art. 467), e, como efeito, dispõe que a sentença, que julgar
total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões
decididas (CPC, art. 468). Isso tem por objeto a segurança jurídica no âmbito
das relações sociais.
Note-se, portanto, que a coisa julgada tem o condão de tornar imutável a
decisão que obteve o seu trânsito em julgado, impondo limitações às novas e
eventuais discussões que possam surgir acerca do objeto do processo onde
houve a prolação da sentença. Ocorre, entretanto, que, mesmo com a
característica da imutabilidade, não existe o caráter absoluto da indiscutibilidade
de uma sentença, tendo em vista que, em determinadas e excepcionais ocasiões
(CPC, art. 485), será possível o manejo do remédio processual adequado para
promover a discussão de questões já decididas (CLT, art. 836). Trata-se da ação
rescisória (AMARAL, 2012).

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Segundo o entendimento de Manoel Antônio Teixeira Filho, a ação
rescisória é aquela por meio da qual se pede a desconstituição, da coisa julgada,
nos casos previstos em lei, podendo haver novo julgamento da causa. Por sua
vez, José Carlos Barbosa Moreira compreende a ação rescisória como a ação
por meio da qual se pede a desconstituição de sentença transita em julgado, com
eventual rejulgamento, a seguir, da matéria nela julgada.
Para os processualistas Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart,
a ação rescisória é aquela destinada precipuamente a obter a anulação (e não a
declaração de nulidade) da coisa julgada formal sobre a decisão judicial,
permitindo, então, por conseguinte, a revisão do julgamento. Complementando,
ressaltam que o objetivo da ação rescisória é desconstituir a força da coisa
julgada (eficácia preponderante anulatória), já que a sentença transitada em
julgado presume-se, até prova em contrário, válida e eficaz.
No que tange à natureza jurídica da ação rescisória, Vicente Greco Filho
afirma que se trata de uma ação de natureza constitutiva negativa porque
modifica o mundo jurídico, desfazendo a sentença transitada em julgado,
podendo conter também outra eficácia quando a parte novo julgamento em
substituição do rescindido. Segundo Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade
Nery, trata-se a ação rescisória de uma ação autônoma de impugnação, de
natureza constitutiva negativa quanto ao juízo rescindendo, dando ensejo à
instauração de outra relação processual distinta daquela em que foi proferida a
decisão rescindenda.
Acerca desta questão, reconhecendo a natureza de decisão constitutiva,
Humberto Theodoro Júnior ressalta que a ação rescisória visa a rescindir, a
romper, a cindir a sentença como ato jurídico viciado, mas, neste caso, o termo
‘nulidade’, usualmente empregado pelos processualistas para caracterizar a
sentença rescindível, tem, na verdade, um significado diferente daquele que se
atribui aos vícios dos demais atos jurídicos. Afirma, também, que não se trata
nem de sentença nula nem de sentença anulável, mas de sentença que, embora
válida e plenamente eficaz, porque recoberta pela coisa julgada, pode ser
rescindida. Menciona, porém, que rescindir, em técnica judiciária, não pressupõe
defeito invalidante, mas é simplesmente romper ou desconstituir ato jurídico, no

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exercício de faculdade assegurada pela lei ou pelo contrato (direito potestativo)
(AMARAL, 2012).
Encerrando a questão sobre a natureza jurídica da ação rescisória, José
Frederico Marques afirma que a sentença transitada em julgado é válida e eficaz,
ainda que contenha ‘errores in procedendo’ ou ‘errores in judicando’, e também
é imutável entre as partes. Sustenta que é válido e irrevogável o julgamento que
passou em julgado, e, diante disso, a ação rescisória que se propuser para
invalidá-lo, tem caráter constitutivo. Afirma que ela destina-se a anular ato estatal
plenamente eficaz e com força de lei entre as partes, e não a declará-lo nulo,
pois o julgamento coberto pela ‘res judicata’ será tão somente anulável.
Embora possa ocorrer eventual divergência terminológica, no que tange
à anulação ou rescisão do julgado, o que seria facilmente esclarecido num
estudo mais aprofundado, trata-se, na verdade, apenas de controvérsia quanto
ao termo adequado para designar a pretensão deduzida em sede de ação
rescisória, mas, quanto a esta não existe dissonância, tendo em vista que esta
modalidade de ação visa desconstituir uma decisão anterior, já com o trânsito
em julgado.
Verificado o objeto da ação rescisória, e, lembrando-se que a rescisão ou
desconstituição do julgado se trata de uma hipótese excepcional, e não regra,
somente em decorrência de situações devidamente especificadas na legislação
é que será admitido o manejo desta espécie de ação. Devem ser observados,
portanto, os pressupostos genéricos e específicos para o ajuizamento da ação
rescisória (AMARAL, 2012).
Em sede doutrinária, quando se trata de pressupostos genéricos, não há
divergência quanto ao fato de que somente pode ser objeto de desconstituição
a sentença de mérito, consubstanciada naquela que acolhe ou rejeita o pedido
formulado na petição inicial (CPC, art. 269, inciso I), tendo em vista que, não se
tratando de sentença desta natureza, visto que eivada de algum vício (CPC, art.
267), salvo em determinados casos – como, por exemplo, a litispendência e a
coisa julgada –, poderá perfeitamente ocorrer a renovação da instância, com o
ajuizamento de nova ação visando a discussão anterior, visto que a extinção do
processo anterior não obsta esse direito (CPC, art. 268). É imprescindível,
porém, que a sentença já tenha tido o trânsito em julgado, não mais sendo

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passível de impugnação mediante recurso no âmbito do mesmo processo (TST,
Súmula n° 299).
Por outro lado, os pressupostos específicos para a utilização da ação
rescisória são aquelas hipóteses descritas nos incisos do art. 485 do CPC, tais
como: I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do
juiz; II - proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III - resultar
de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre
as partes, a fim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar literal
disposição de lei; VI - se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em
processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; VII - depois da
sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que
não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável;
VIII - houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em
que se baseou a sentença; IX - fundada em erro de fato, resultante de atos ou
de documentos da causa.
Ao tratar das hipóteses de cabimento e da excepcionalidade da ação
rescisória, Cândido Rangel Dinamarco sustenta que os nove incisos do art. 485
do Código de Processo Civil revelam o juízo do legislador acerca desses vícios
excepcionais, que justificam a quebra da coisa julgada material apesar do valor
que ela tem. Prosseguindo, ressalta que fora dos casos ali indicados, é
‘juridicamente impossível’ eventual demanda de rescisão, pois se trata de
situações em que, independentemente das particularidades concretas ou
mesmo do modo como a sentença ou acórdão haja julgado a causa, a couraça
da coisa julgada é mantida invulnerável pelo legislador (AMARAL, 2012).
Também neste sentido, entendendo pela taxatividade das hipóteses de
cabimento da ação rescisória, Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart
sustentam que há situações (excepcionalíssimas, aliás) em que tornar
indiscutível uma decisão judicial, por meio da coisa julgada, representa injustiça
tão grave, e solução tão ofensiva aos princípios que pautam o ordenamento
jurídico, que é necessário prever mecanismos de revisão da decisão transitada
em julgado. Ocorre, porém, que o cabimento da ação rescisória limita-se a casos
extraordinários, expressamente enumerados em lei, através do art. 485 do CPC.

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Em sua lição, José Carlos Barbosa Moreira sustenta que as hipóteses
descritas no art. 485 do CPC são taxativas, tendo em vista que a enumeração
‘exaure’ as hipóteses de rescindibilidade, sendo que não é possível cogitar-se
de outras quaisquer, nem mediante recurso à analogia. Adverte, porém, que é
lícita a interpretação extensiva, que se limita a revelar o verdadeiro alcance da
norma, quando a lei ‘minus dixit quam voluit’: assim, por exemplo, /.../, a
referência à ‘confissão’ abrange também o reconhecimento do pedido.
Por sua vez, em que pese entenda que também seja taxativo o rol das
hipóteses previstas nos incisos do art. 485 do CPC, não sendo possível a ação
rescisória fora de alguma destas situações, Manoel Antônio Teixeira Filho
sustenta que este ponto de vista não deve, porém, ser interpretado como
obstativo da possibilidade de buscar-se descobrir o verdadeiro sentido do
preceito legal (incisos I a IX), podendo-se, nesta investigação, ampliar-se a
‘mens legis’ para revelar-lhe o real alcance, deixando bem claro que sem que
isso implique em alargamento das causas enumeradas pelo citado dispositivo.
Note-se, portanto, que é praticamente inexistente divergência doutrinária
acerca da taxatividade das hipóteses previstas nos incisos do art. 485 do CPC
como pressupostos específicos para o ajuizamento da ação rescisória, mas, por
outro lado, não se pode tê-los de maneira absoluta, sendo que, mesmo não
possuindo um caráter exemplificativo – mas descrição taxativa –, as situações
fáticas do cotidiano podem ser interpretadas de maneira a se amoldarem àquelas
vislumbradas pela lei, na busca da efetividade da intenção do legislador quando
tratou da matéria (AMARAL, 2012).
Outro aspecto importante a ser observado gira em torno do prazo para a
propositura da ação rescisória, sendo que, acerca disso, a lei dispõe que o direito
de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em
julgado da decisão (CPC, art. 495). Tanto em sede doutrinária como
jurisprudencial, compreende-se que o prazo para o ajuizamento da ação
rescisória é decadencial, contado do dia imediatamente subsequente ao trânsito
em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não, e, ainda,
prorroga-se até o primeiro dia útil, imediatamente subsequente, o prazo
decadencial para ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias

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forenses, feriados, finais de semana ou em dia em que não houver expediente
forense (TST, Súmula n° 100, itens I e IX).
De acordo com Amaral (2012) diz que a Súmula n° 194 do Tribunal
Superior do Trabalho dispunha que as ações rescisórias ajuizadas na Justiça do
Trabalho serão admitidas, instruídas e julgadas conforme os arts. 485 "usque"
495 do Código de Processo Civil de 1973, sendo, porém, desnecessário o
depósito prévio a que aludem os respectivos arts. 488, II, e 494. No que tange
ao depósito prévio, o art. 836 da CLT também dispunha acerca de sua
desnecessidade. Era pacífica, portanto, a dispensa da realização de depósito
prévio previsto na legislação processual comum.
Ocorre, entretanto, que, com a promulgação da Lei 11.495, de 22 de junho
de 2007, com vacatio legis de 90 (noventa) dias, alterou-se a redação do art. 836
da CLT, passando a exigir a realização do depósito prévio de 20% (vinte por
cento) do valor da causa, salvo prova de miserabilidade jurídica do autor. A nova
disposição legal já acarretou o cancelamento da Súmula 194 do Tribunal
Superior do Trabalho – Resolução n° 142, de 15 de outubro de 2007 –, tendo em
vista que, agora, por expressa disposição de lei, passa a ser exigível a realização
do depósito para a propositura da ação rescisória.
Por fim, é importante mencionar que, em regra, a competência originária
para conhecer e julgar a ação rescisória é do tribunal imediatamente superior ao
órgão prolator da decisão questionada. A súmula n° 192 do Tribunal Superior do
Trabalho traz algumas diretrizes no que tange à competência originária em
matéria de ação rescisória.
Tendo em vista o objeto do presente estudo – ação rescisória e ação
anulatória como meios de impugnação de decisões em fase de execução –, e,
considerando-se a grande extensão da matéria ora abordada, em síntese,
seriam estes os aspectos gerais mais importantes relativos à ação rescisória,
com o intuito de servir de subsídio para as questões que serão mais adiante
tratadas (AMARAL, 2012).

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6.1 Ação anulatória – aspectos gerais

Na legislação processual civil, no âmbito das mesmas disposições


dedicadas à ação rescisória – (Título IX – Do Processo nos Tribunais, Capítulo
IV – Da Ação Rescisória) –, há expressa menção no sentido de que os atos
judiciais, que não dependem de sentença, ou em que esta for meramente
homologatória, podem ser rescindidos, como os atos jurídicos em geral, nos
termos da lei civil (CPC, art. 486). Trata-se, portanto, da denominada ação
anulatória (AMARAL, 2012).
Embora a legislação faça menção à rescisão de atos judiciais, na verdade
não se trata de rescindir o ato jurídico – ao contrário do que ocorre no caso da
ação rescisória, onde o ataque se dirige justamente contra a sentença prolatada
–, mas, aqui, busca-se obter a anulação de um ato jurídico, o que demonstra a
existência de uma impropriedade técnica na redação legal. É importante
ressaltar, ainda, que não obstante lhes chame de ‘judiciais’, porque realizados
‘em juízo’, quer a lei referir-se a atos ‘das partes’, tendo em vista que ato
praticado ‘por órgão judicial’ é insuscetível de ataque pela ação anulatória.
Pode-se compreender, portanto, que existe uma determinada espécie de
atos jurídicos que, mesmo não dependendo de sentença para a sua validade ou,
necessitando de uma decisão de caráter meramente homologatório, são
anuláveis como os atos jurídicos de forma geral, com fundamento na legislação
de qualquer ramo de direito material, em que pese haja expressa menção à lei
civil. Neste caso, o que se pretende desconstituir não é a sentença – visto que
esta não resolve a questão litigiosa –, mas o próprio ato jurídico eivado de algum
vício capaz de gerar a anulação.
Segundo Cândido Rangel Dinamarco, é a ‘lei civil’ que rege a anulação
dos negócios jurídicos, especialmente na disciplina que dá aos atos nulos por
vício de consentimento e à sua anulabilidade. Salienta que a ação anulatória
indicada pelo art. 486 do Código de Processo Civil são as ‘vias ordinárias’
regidas por este Código, a saber, um processo de conhecimento a ser instaurado
perante a justiça de primeiro grau de jurisdição e principiado com a demanda em
que a parte alegue o vício de consentimento (causa de pedir) e conclua pedindo
a anulação do ato (‘petitum’).

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Sendo assim, verificado o seu objeto, pode-se concluir que a ação
anulatória é o meio processual adequado para a obtenção da declaração de
nulidade de ato jurídico praticado pelas partes no âmbito de um processo, com
fundamento na legislação de quaisquer dos ramos de direito material,
independentemente de haver ou não uma sentença homologatória quanto ao
referido ato. A ação anulatória, em face da sua finalidade, tem nítido caráter
constitutivo-negativo (AMARAL, 2012).
Ocorre, entretanto, que, de maneira evidente, existem certas dificuldades
para a identificação dos casos em que deverá haver o manejo da ação
anulatória, e os casos em que há de ser utilizada a ação rescisória,
especialmente pelo fato de que o art. 486 do Código de Processo Civil faz
menção à sentença meramente homologatória. Certamente não seria objeto de
controvérsia a questão, caso a legislação não tivesse mencionado esta espécie
de sentença. Vejamos.
Não há controvérsia, porém, quando o objeto da anulação é um ato
jurídico que não necessitou de manifestação do juiz para a produção dos seus
efeitos, porquanto não haverá sentença, o que afasta a ideia de ajuizamento de
ação rescisória como meio de impugnação do referido ato, pois, como já visto,
esta depende necessariamente da existência de uma sentença com trânsito em
julgado e, por conseguinte, a presença da coisa julgada material. A dificuldade
está naqueles casos em que se busca a anulação de ato jurídico que teve a sua
validade reconhecida por uma sentença meramente homologatória.
A doutrina salienta que nem mesmo neste caso deverá haver controvérsia
acerca do manejo do adequado remédio processual, tendo em vista que, embora
o ato jurídico praticado pelas partes possua um invólucro sentencial, não há
óbice à sua impugnação de forma direta, sem que haja a necessidade de
rescisão da sentença prolatada. É importante mencionar que não é a ‘sentença’,
mas o ‘ato homologado’, que constitui objeto do pedido de anulação – o que não
quer dizer que a eventual queda do segundo deixe em pé a primeira (AMARAL,
2012).
Neste sentido, Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart
mencionam que a sentença homologatória, porque não é capaz de examinar o
conteúdo do conflito, não é apta a criar a lei do caso concreto. Ressaltam, ainda,

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que não tem a sentença homologatória carga declaratória suficiente para
certificar a vontade da lei no caso concreto, limitando-se a reconhecer que,
formalmente, o ato realizado amolda-se aos ditames legais. Em face disso, toda
a força decorrente das sentenças homologatórias, em verdade, não está
precisamente na sentença, mas sim no ‘ato jurídico perfeito’ que ela reconhece,
sendo que, diante dessa situação, o que se torna imutável, em razão da sentença
homologatória, não é, exatamente, a sentença, mas o ato jurídico realizado, que,
por enquadrar-se na categoria de ato jurídico perfeito, recebe o mesmo ‘status’
que a coisa julgada (art. 5°, XXXVI, da CF).
Por sua vez, Cândido Rangel Dinamarco sustenta que embora o Código
de Processo Civil inclua as sentenças que extinguem o processo ‘com
julgamento do mérito’ aquelas que se limitam a homologar certos atos negociais
celebrados entre as partes (transação, reconhecimento do pedido, renúncia ao
direito – CPC, art. 269, incisos II, III e V), na realidade essas são ‘falsas
sentenças de mérito’, porque o conteúdo substancial que apresentam é dado
pelas próprias partes, não pelo juiz. Ressalta, ainda, que do juiz é apenas a
própria homologação, com a qual empresta ao ato das partes a autoridade do
Estado e o habilita a ter eficácia de título executivo (AMARAL, 2012).
Tratando da questão de maneira diversa, trazendo como exemplo a
transação, Humberto Theodoro Júnior afirma que naquelas ocasiões em que a
vontade das partes importa na resolução de uma lide existente no âmbito de um
procedimento contencioso cuja ação se encontra em curso, não haveria que se
falar em sentença meramente homologatória, tendo em vista que importa
encerramento do processo com ‘julgamento do mérito’ (art. 269, n° III), e,
consequentemente, produz a ‘coisa julgada material’ (arts. 467 e 468). Sustenta
o autor que, neste caso, a auto composição da lide é jurisdicionalizada pela
homologação do juiz, que a encampa e chancela como se fora uma solução dada
pela própria sentença.
Note-se, portanto, que não se trata de questão das mais fáceis a detecção
de quando se trata de uma sentença meramente homologatória – por exemplo,
a desistência da ação ou homologação de ato em jurisdição voluntária –, ou
quando se trata de sentença propriamente dita, onde a resolução do mérito se
deu com fundamento em ato jurídico praticado pelas partes. Na primeira

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hipótese, o remédio adequado será a ação anulatória, ao passo que, no segundo
caso, a única forma de desconstituir o julgado será por meio de ação rescisória.
A questão relativa à transação, entretanto, poderá ser abordada com
maior profundidade e especificidade em item próprio, tendo em vista que o
presente estudo pretende tratar exatamente sobre os meios de impugnação das
decisões em processo de execução, dentre elas a transação (AMARAL, 2012).
Regra geral, o prazo para o ajuizamento da ação anulatória tem natureza
decadencial e será de 4 (quatro) anos, contado (a) do dia em que cessar a
coação, (b) do dia em que se realizou negócio jurídico fundado em erro, dolo,
fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, e, ainda, (c) do dia em que
cessar a incapacidade, no caso de atos de incapazes (CC/2002, art. 178, incisos
I, II e III). Em outros casos, quando a lei dispuser que determinado ato é anulável,
sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a
contar da data da conclusão do ato (CC/2002, art. 179).
Por fim, é importante mencionar que, tratando da questão de maneira
específica em matéria trabalhista, nos termos da Orientação Jurisprudencial n°
129, da Seção de Dissídios Individuais II do Tribunal Superior do Trabalho, em
se tratando de ação anulatória, a competência originária se dá no mesmo juízo
em que praticado o ato supostamente eivado de vício (AMARAL, 2012).

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7. EXECUÇÃO: PARTE GERAL

Fonte: www.seebfloripa.com.br

A execução trabalhista é a fase do processo em que se impõe o


cumprimento do que foi determinado pela Justiça, o que inclui a cobrança
forçada feita a devedores para garantir o pagamento de direitos. A fase de
execução só começa se houver condenação ou acordo não cumprido na fase de
conhecimento, em que se discutiu ou não a existência de direitos. A execução
trabalhista tem início quando há condenação e o devedor não cumpre
espontaneamente a decisão judicial ou quando há acordo não cumprido. A
primeira parte da execução é a liquidação, em que é calculado, em moeda
corrente, o valor do que foi objeto de condenação. A liquidação pode ocorrer a
partir de quatro tipos de cálculos: cálculo apresentado pela parte, cálculo
realizado por um contador judicial, cálculo feito por um perito (liquidação por
arbitramento) e por artigos de liquidação (procedimento judicial que permite a
produção de provas em questões relacionadas ao cálculo).

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7.1. Embargos à execução

Com a alteração do código de processo civil, trazida pela lei 11.232,


acabou com os embargos à execução, sendo estes, mantidos apenas em favor
da Fazenda Pública, conforme as previsões dos art. 475-I e 475-J. Segundo a
posição de Renato Sariava, “tais dispositivos não são aplicados ao processo do
trabalho, que possui regramento especifico”.
Tendo a CLT norma especifica inserida no art. 884 §1°, determina o
mesmo códice que em matéria de oposição de embargos, a matéria de alegação
será adstrita as alegações de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação
ou prescrição da dívida.

7.2. Exceção de pré-executividade

Atualmente ainda há na doutrina a possibilidade de utilização da figura


conhecida como “exceção de pré-executividade”, que ocorre quando a execução
pode prosseguir, podendo o devedor alegar determinadas matérias sem que
para isso necessite efetuar a garantia patrimonial. No direito do trabalho, os
embargos à execução ainda é o principal meio de defesa do executado, podendo
a utilização da exceção de pré-executividade apenas para atacar o próprio título
executivo, invocar matérias de ordem pública ou temas relevantes. As hipóteses
de utilização desse instrumentos podem ser entendidas como: nulidade ou
inexigibilidade do título executivo, excesso de execução, novação, transação,
quitação da dívida, incompetência absoluta do juízo de execução, ausência de
citação no processo de conhecimento, prescrição intercorrente e etc.
Com efeito, para a admissão do instrumento de pré-executividade, as
matérias alegadas deverão ser provadas em juízo por meio de prova documental
pré-constituída, salvo se a matéria arguida for exclusivamente de direito. Caso a
exceção de pré-executividade tenha exclusivamente cunho protelatório, o juiz
fixará multa não superior a 20% do valor atualizado do débito, em favor do
credor, conforme expressão do art. 601 do CPC.

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7.3. Embargos a arrematação e a adjudicação

O instituto de embargo a arrematação e a adjudicação serão cabíveis


somente quando houver alguma espécie de nulidade da execução, novação,
transação, prescrição ou mesmo o pagamento, tal previsão é encontrada no art.
746 do Código de Processo Civil, ainda com base no mencionada artigo temos
de acordo com o §1º a faculdade concedida ao adquirente de desistir da
aquisição em hipóteses de oferecimento de embargos.
Na ocorrência de embargos protelatórios e assim achar o juiz, o mesmo
poderá fixar uma multa, a qual não pode exceder 20% do valor da execução, ou
seja, deverá efetuar o pagamento desse montante a parte de que agiu desistindo
da obtenção.
Com relação ao instituto que deve ser usado contra esses embargos, há
na doutrina duas posições que merecem destaque e ser apresentadas, a
primeira delas e que é minoritária, entende pelo cabimento do agravo de petição
e se sustenta na ideia da ampliação da ideia central, contida no art.897 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
Já a corrente majoritária “admite a oposição dos embargos a adjudicação
contra a sentença homologatória respectiva” (pag.925), e nesse sentido temos o
posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho.
Nesse instituto temos a figura de forma imprescindível do arrematante na
qualidade de litisconsorte necessário, já que o que este requer em juízo faz parte
de atividade de extrema relevância do órgão jurisdicional, no tocante ao recurso
cabível temos o agravo de petição, nos termos do art.897 da CLT, e por fim com
base no art.746 do CPC, temos a determinação do prazo para a interposição do
recurso que é de 5 (cinco) dias, prazo que deve ter início com a assinatura dos
autos, ressalvados os casos de não assinatura da carta que é correspondente.

8. EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO-FAZER

De acordo com o art. 876 da CLT a sentença dos dissídios individuais


trabalhistas são executados conforme o procedimento constante na CLT,

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aplicando subsidiariamente a Lei de Execuções Fiscais (Lei nº 6.830/80) e no
que couber o Código de Processo Civil.
Acontece que a CLT e a LEF tratam somente das execuções judicial e
extrajudicial por quantia certa, sendo estas omissas quanto às execuções de
fazer e não fazer, obrigando a aplicação subsidiária do CPC em seus artigos 461
e 461-A.
Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de
fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se
procedente o pedido, determinará providências que assegurem o resultado
prático equivalente ao do adimplemento.
§ 1o A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor
o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do
resultado prático correspondente.
§ 2o A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa
(art. 287).
§ 3o Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo
justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz
conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia, citado
o réu. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada, a
qualquer tempo, em decisão fundamentada.
§ 4o O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença,
impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se
for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando-lhe prazo
razoável para o cumprimento do preceito.
§ 5o Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado
prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento,
determinar as medidas necessárias, tais como a imposição de multa
por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e
coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se
necessário com requisição de força policial.
§ 6o O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da
multa, caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva.

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Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao
conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação. §
1o Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e quantidade, o
credor a individualizará na petição inicial, se lhe couber a escolha; cabendo ao
devedor escolher, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz.
§ 2o Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido, expedir-se-á
em favor do credor mandado de busca e apreensão ou de imissão na
posse, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel.
§ 3o Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1o a 6o
do art. 461
Ocorre que a Lei nº 8.952/94 alterou o CPC para a execução de título
judicial que contem obrigação de fazer e não fazer, não prevendo mais um
processo separado e sim o cumprimento da tutela específica destas obrigações
(sentença ou antecipação de tutela).
Com isso percebe-se que houve um sincretismo processual, na medida
em que não há mais a necessidade de se criar um novo processo, podendo o
juiz praticar atos no mesmo processo cognitivo visando o cumprimento das
obrigações.
Para a efetivação da tutela específica ou para a obtenção do resultado
prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento da parte,
determinar as medidas necessárias, tais como a busca e apreensão, remoção
de pessoas e coisas, desfazimento de obras, impedimento de atividade nociva,
além da requisição de força policial (provimento judicial mandamental).
Caso o devedor não satisfaça a obrigação o credor poderá exigir perdas
e danos, ficando à seu critério exigi-la ou não e também nos casos de
impossibilidade da tutela específica ou obtenção do resultado prático que
corresponde a obrigação. De acordo com o art. 287 do CPC a indenização por
perdas e danos se dá sem o prejuízo da multa.
Art. 287. Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da prática
de algum ato, tolerar alguma atividade, prestar ato ou entregar coisa, poderá
requerer cominação de pena pecuniária para o caso de descumprimento da
sentença ou da decisão antecipatória de tutela (arts. 461, § 4o, e 461-A).

62
Na CLT as perdas e danos são convertidas em indenização de acordo
com o art. 729. (O empregador que deixar de cumprir decisão passada em
julgado sobre a readmissão ou reintegração de empregado, além do pagamento
dos salários deste, incorrerá na multa de 3/5 (três quintos) a 3 (três) valores de
referência por dia, até que seja cumprida a decisão).
Nada impede que o juiz na sentença condenatória imponha multa diária
ao devedor se for compatível com a obrigação e fixando um prazo razoável para
o cumprimento da mesma, não necessitando do pedido do autor.

8.1. Execução Das Multas Impostas Pelos Órgãos De Fiscalização Do


Trabalho

Fonte: www.odefensorcosmearaujo.com.br

Como todo rito processual tem em regra início com a petição inicial, nada
melhor do que começarmos falando que a execução das multas impostas pelos
órgãos de fiscalização do trabalho tem disposição legal na Lei de Execuções
Fiscais em seu art. 6º, com relação à indicação se tem apenas o juiz a quem ela
deve ser dirigida, deve conter também o pedido que é o objeto da causa e o
requerimento para a citação.
No tocante aos documentos que a mesma deve conter encontramos nos
parágrafos do já mencionado art. 6º da LEF, quais são certidão da dívida ativa a
qual determina a lei que esteja presente de forma transcrita, devendo está e a
petição ser um único documento como determina o §2º do já mencionado artigo,
temos ainda a desnecessidade de pedido na inicial para que a fazenda pública
63
possa produzir provas e o valor da causa será o contido na decisão acrescido
dos encargos legais.
Em momento posterior ao deferimento da inicial, temos o despacho do
juiz, “É um ato judicial complexo, pois implica a um só tempo, ordem de citação,
penhora arresto e/ou registro da penhora e do arresto, independentemente do
pagamento de custas”, como brilhantemente demonstra o doutrinador temos
dessa forma as hipóteses previstas no art. 7º da LEF, além de uma avaliação
dos bens que sofreram arresto ou sequestro.
Após o despacho do juiz, temos o ato de penhora dos bens, que ao
contrário do que pensamos não deve seguir a ordem do art. 882 da CLT, mas
sim do art. 11 da LEF, que tem essa ordem: dinheiro, título da dívida pública e
de crédito, pedras e metais preciosos, imóveis, navios, aeronaves, veículos,
moveis ou semoventes e por fim direitos e ações.
Com relação à alienação, adjudicação e arrematação dos bens do
executado têm que “Devem observar os arts. 21 a 24 da LEF. Nos termos da
Súmula n.121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado, do dia
e hora da realização do leilão”, isso ocorre pelo fato de ser interesse jurídico dar
preferência para que o executado possa readquirir seu próprio bem, já que
muitas vezes este tem para o sujeito além do valor monetário, o valor
sentimental.
É permitido a fazenda pública adquirir tais bens, de acordo com o art. 24
e incisos, mediante adjudicação que pode ocorrer em diversos momentos,
começaremos é obvio pela adjudicação em momento posterior ao leilão, caso
em que será pago o valor da avaliação, hipótese que somente ocorrerá em não
incidência de embargos ou se os mesmos forem rejeitados, na sequência pode
ser após o leilão, em casos de não existência de licitantes será pago o valor da
avaliação e por fim havendo licitantes a fazenda pública tem preferência em que
haverá igualdade de condição com a melhor oferta apresentada.

64
8.2. Os reflexos do novo CPC na execução trabalhista

Fonte: alexandrepazgarcia.com.br

Valente (2016) afirma que o novo CPC, em vigor desde março de 2016,
dentre muitas alterações e inovações, trouxe para a seara processual, a
tendência do processo contemporâneo chamada de "neoprocessualismo". O
"neoprocessualismo" consiste em interpretar e aplicar o regramento processual
sob a ótica da CF, em especial da efetividade às garantias constitucionais do
jurisdicionado em uma demanda processual. A partir de então, as garantias
constitucionais como o devido processo legal, direito à ampla defesa com todos
recursos inerentes, duração razoável do processo, direito de petição e outras,
antes previstas no texto constitucional, passam a ser positivadas no novo CPC.
Com base nessas singelas considerações, abordaremos alguns reflexos
do NCPC na execução trabalhista, que devem ser analisados sob o ângulo do
constitucionalismo processual. Logo após a entrada em vigor do NCPC, o TST
editou a IN 39/16, com o intuito de dar segurança jurídica ao jurisdicionado e aos
aplicadores do direito. É obvio que a referida Instrução Normativa não conseguiu
de forma plena exaurir todos os dispositivos do NCPC, fixando em linhas gerais
os artigos não aplicáveis ao Processo do Trabalho e os aplicáveis diante da
omissão e compatibilidade com as normas do Direito do Trabalho.
Quanto a execução trabalhista, a IN 39/16 estabeleceu a aplicação do
artigo 805 e seu parágrafo único, que trata da obrigação do executado de indicar
outros meios mais eficientes e menos onerosos para promover a execução.
Assim, caberá ao executado ao alegar que o meio executivo é oneroso, indicar

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outro meio menos oneroso e mais eficiente para que se efetive a execução.
Desta forma, afasta-se do procedimento de execução requerimentos
irresponsáveis, alcançando a efetividade da execução, como também, a garantia
constitucional da duração razoável do processo.
Valente (2016) diz que no que concerne ao instituto da Fraude à
Execução, prevista no art. 792 do NCPC e aplicável ao Execução Trabalhista,
permanece a condição de haver no registro do bem alienado a averbação da
pendência de processo de execução ou de hipoteca judicial e constrição.
Contudo, a inovação diz respeito aos bens que, em razão de suas
características, não são sujeitos a registro, como o caso de bens semoventes.
Assim, nesses casos, caberá ao terceiro adquirente comprovar que agiu de boa-
fé, por meios objetivos, demostrando seu desconhecimento sobre a execução,
invertendo-se o ônus, que antes cabia ao credor comprovar a má-fé do terceiro
adquirente.
Inovou-se, também, a ordem preferencial de bens a serem penhorados,
preservando em primeiro lugar no rol de bens, a penhora em dinheiro e
acrescentou a essa relação, a penhora de bens semoventes e direitos aquisitivos
derivados da promessa de compra e venda ou de alienação fiduciária. A ordem
de bens a serem penhorados pode ser alterada pelo magistrado a depender do
caso em questão. Fato é que a nova ordem de bens penhoráveis arrola
primeiramente bens de maior liquidez a fim de garantir ao jurisdicionado
celeridade no trâmite da execução, uma vez que esses bens dispensam o
procedimento burocrático dos atos de expropriação.
Valente (2016) do mesmo modo afirma que a IN 39/16 conferiu
aplicabilidade do artigo 854 §1º e 2º, que regulamenta a penhora on-line
chamada de BACENJUD, à Execução Trabalhista. O referido artigo dispõe que
a indisponibilidade dos valores será concedida em 24 horas e sem o
conhecimento do executado. Somente após a indisponibilidade, o executado
será informado da penhora on-line para se manifestar. Com exceção do prazo
do executado para se manifestar sobre a penhora, todos os outros prazos
concernentes a penhora on-line (BACENJUD) ocorrerão em 24 horas, haja vista,
as garantias constitucionais de celeridade e efetividade do processo judicial.

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Há ainda outros dispositivos fixados pela Instrução Normativa que devem
ser aplicados ao Processo do trabalho, em especial à execução trabalhista, a
título de exemplo, estão o artigo 916, que trata do parcelamento do crédito
exequendo, o artigo 918 que regulamenta a rejeição dos embargos à execução,
dentre outros. Contudo, é importante salientar o artigo 6º da IN 39/16, que
estabelece a aplicação no Processo do Trabalho do Incidente de
Desconsideração da Personalidade Jurídica regulamentado no novo CPC,
precisamente nos artigos 133 a 137.
A desconsideração da personalidade jurídica, em suma, visa satisfazer o
direito do terceiro lesado, nos casos de fraude, atos ilícitos e abusos cometidos
pela pessoa jurídica, assim sendo, na ocorrência de tais situações, os sócios
responderão com seus bens particulares pelo dano causado a terceiro. O NCPC
inovou ao regulamentar o procedimento do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica, antes previstos no CDC e CC.
Valente (2016) ao mesmo tempo assegura que agora, o NCPC dispõe,
além de outras peculiaridades, que o pedido de desconsideração deve ser
formulado por petição fundamentada nos requisitos legais e documento
probatório e poderá ser formulado tanto na fase de conhecimento quanto na de
execução. Em seguida, os sócios serão citados para manifestar e produzir
provas, tendo em vista a garantia constitucional processual do contraditório. Na
Justiça do Trabalho, o incidente de desconsideração da pessoa jurídica é
aplicado na maioria das vezes pelo simples fato de não localizar bens
penhoráveis do executado, não oferecendo a este o direito de se defender,
violando as garantias constitucionais referidas acima.
Com a regulamentação e aplicação do NCPC, a desconsideração de
pessoa jurídica no Processo do Trabalho divide opiniões, uma vez que, para
alguns, essa regulamentação fere o princípio da celeridade da Justiça do
trabalho ao determinar o contraditório para os sócios e ao estabelecer um
procedimento próprio para tal desconsideração. Para outros, essa
regulamentação evitará injustiças, pois para se promover a desconsideração da
pessoa jurídica deve-se observar os pressupostos e requisitos para instauração
do incidente, o que antes não ocorria.

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Desta feita, a IN 39/16 foi significativa ao traçar os pontos aplicáveis à
Execução Trabalhista. Agora devemos aguardar o posicionamento dos nossos
tribunais a fim de consolidar o entendimento sobre os novos dispositivos legais
do CPC/15, para dar ao jurisdicionado uma execução efetiva, respaldada nas
garantias constitucionais da duração razoável do processo, do direito de petição
e do direito ao contraditório e da ampla defesa.

9. TUTELA DE URGÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO

Fonte: footage.framepool.com

De acordo dom Colombo Filho (2015) ao analisar as raízes das tutelas de


urgência no direito processual civil, à luz do novo Código de Processo Civil e sua
relação com direito processual do trabalho, e apresentar rápida síntese da
sistemática das tutelas de urgência e de evidência, e sua aplicação ao processo
do trabalho, inclusive por iniciativa judicial, independentemente de expresso
requerimento da parte.
Tutela de urgência e processo civil um começo nada urgente -- Tutela de
urgência e processo do trabalho: "a solução na medida" -- Processo do trabalho
+ processo civil = mistura (e não uma solução) -- A heterointegração das tutelas

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de urgência no processo do trabalho -- As tutelas de urgência e a sistemática do
novo CPC -- A incoação do juiz do trabalho nas tutelas de urgência.

10. BIBLIOGRAFIAS

ALMEIDA, Elizangela Santos de. Sentença e coisa julgada no processo


trabalhista. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 98, mar 2012. Disponível
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impugnação das decisões em execução. 2012. Disponível em: https://
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Acessado em: 18/04/2017.

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