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CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA


NACIONAL

(Aprovado na 68ª Sessão Ordinária do CAPÍTULO II II - de abster-se de emitir opinião sobre pro-
Conselho Nacional de Justiça, do dia 06 INDEPENDÊNCIA cesso pendente de julgamento, seu ou de ou-
de agosto de 2008, nos autos do Processo trem, ou juízo depreciativo sobre despachos,
nº 200820000007337) Art. 4º Exige-se do magistrado que se- votos, sentenças ou acórdãos, de órgãos judi-
ja eticamente independente e que não ciais, ressalvada a crítica nos autos, doutriná-
O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, no ria ou no exercício do magistério.
exercício da competência que lhe atribuí- interfira, de qualquer modo, na atuação
ram a Constituição Federal (art. 103-B, § 4º, I jurisdicional de outro colega, exceto em Art. 13. O magistrado deve evitar com-
respeito às normas legais. portamentos que impliquem a busca
e II), a Lei Orgânica da Magistratura Nacional
(art. 60 da LC nº 35/79) e seu Regimento Art. 5º Impõe-se ao magistrado pautar- injustificada e desmesurada por reconhe-
Interno (art. 19, incisos I e II); -se no desempenho de suas atividades cimento social, mormente a autopromoção
Considerando que a adoção de Código sem receber indevidas influências externas em publicação de qualquer natureza.
de Ética da Magistratura é instrumento e estranhas à justa convicção que deve Art. 14. Cumpre ao magistrado ostentar
essencial para os juízes incrementarem a formar para a solução dos casos que lhe conduta positiva e de colaboração para
confiança da sociedade em sua autoridade sejam submetidos. com os órgãos de controle e de aferição
moral; Art. 6º É dever do magistrado denunciar de seu desempenho profissional.
Considerando que o Código de Ética da qualquer interferência que vise a limitar CAPÍTULO V
Magistratura traduz compromisso institu- sua independência. INTEGRIDADE PESSOAL E
cional com a excelência na prestação do Art. 7º A independência judicial implica PROFISSIONAL
serviço público de distribuir Justiça e, assim, que ao magistrado é vedado participar de
mecanismo para fortalecer a legitimidade atividade político-partidária.
Art. 15. A integridade de conduta do ma-
do Poder Judiciário; gistrado fora do âmbito estrito da atividade
Considerando que é fundamental para a CAPÍTULO III jurisdicional contribui para uma fundada
magistratura brasileira cultivar princípios IMPARCIALIDADE confiança dos cidadãos na judicatura.
éticos, pois lhe cabe também função edu-
Art. 8º O magistrado imparcial é aquele Art. 16. O magistrado deve comportar-
cativa e exemplar de cidadania em face dos -se na vida privada de modo a dignificar
que busca nas provas a verdade dos fatos,
demais grupos sociais; a função, cônscio de que o exercício da
com objetividade e fundamento, mantendo
Considerando que a Lei veda ao magis- ao longo de todo o processo uma distân- atividade jurisdicional impõe restrições e
trado “procedimento incompatível com cia equivalente das partes, e evita todo o exigências pessoais distintas das acometi-
a dignidade, a honra e o decoro de suas das aos cidadãos em geral.
tipo de comportamento que possa refletir
funções” e comete-lhe o dever de “manter favoritismo, predisposição ou preconceito. Art. 17. É dever do magistrado recusar
conduta irrepreensível na vida pública e benefícios ou vantagens de ente público,
particular” (LC nº 35/79, arts. 35, inciso VIII, Art. 9º Ao magistrado, no desempenho de
de empresa privada ou de pessoa física que
e 56, inciso II); e sua atividade, cumpre dispensar às partes
possam comprometer sua independência
Considerando a necessidade de minuden- igualdade de tratamento, vedada qualquer
funcional.
ciar os princípios erigidos nas aludidas espécie de injustificada discriminação.
Parágrafo único. Não se considera trata- Art. 18. Ao magistrado é vedado usar para
normas jurídicas; fins privados, sem autorização, os bens
mento discriminatório injustificado:
RESOLVE aprovar e editar o presente CÓDI- públicos ou os meios disponibilizados para
I - a audiência concedida a apenas uma das
GO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIO- partes ou seu advogado, contanto que se o exercício de suas funções.
NAL, exortando todos os juízes brasileiros assegure igual direito à parte contrária, caso
à sua fiel observância. Art. 19. Cumpre ao magistrado adotar as
seja solicitado; medidas necessárias para evitar que pos-
CAPÍTULO I II - o tratamento diferenciado resultante de sa surgir qualquer dúvida razoável sobre
DISPOSIÇÕES GERAIS lei. a legitimidade de suas receitas e de sua
CAPÍTULO IV situação econômico-patrimonial.
Art. 1º O exercício da magistratura exi-
TRANSPARÊNCIA CAPÍTULO VI
ge conduta compatível com os preceitos
deste Código e do Estatuto da Magistra- DILIGÊNCIA E DEDICAÇÃO
Art. 10. A atuação do magistrado deve ser
tura, norteando-se pelos princípios da transparente, documentando-se seus atos, Art. 20. Cumpre ao magistrado velar pa-
independência, da imparcialidade, do co- sempre que possível, mesmo quando não ra que os atos processuais se celebrem
nhecimento e capacitação, da cortesia, da legalmente previsto, de modo a favorecer com a máxima pontualidade e para que os
transparência, do segredo profissional, da sua publicidade, exceto nos casos de sigilo processos a seu cargo sejam solucionados
prudência, da diligência, da integridade contemplado em lei. em um prazo razoável, reprimindo toda e
profissional e pessoal, da dignidade, da qualquer iniciativa dilatória ou atentatória
honra e do decoro. Art. 11. O magistrado, obedecido o segre-
do de justiça, tem o dever de informar ou à boa-fé processual.
Art. 2º Ao magistrado impõe-se primar mandar informar aos interessados acerca Art. 21. O magistrado não deve assu-
pelo respeito à Constituição da República dos processos sob sua responsabilidade, de mir encargos ou contrair obrigações que
e às leis do País, buscando o fortalecimento forma útil, compreensível e clara. perturbem ou impeçam o cumprimento
das instituições e a plena realização dos apropriado de suas funções específicas,
valores democráticos. Art. 12. Cumpre ao magistrado, na sua
relação com os meios de comunicação ressalvadas as acumulações permitidas
Art. 3º A atividade judicial deve desen- social, comportar-se de forma prudente e constitucionalmente.
volver-se de modo a garantir e fomentar a equitativa, e cuidar especialmente: § 1º O magistrado que acumular, de con-
dignidade da pessoa humana, objetivando I - para que não sejam prejudicados direitos formidade com a Constituição Federal, o
assegurar e promover a solidariedade e a e interesses legítimos de partes e seus pro- exercício da judicatura com o magistério
justiça na relação entre as pessoas. curadores; deve sempre priorizar a atividade judicial,

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CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIONAL Art. 22
dispensando-lhe efetiva disponibilidade CAPÍTULO IX Art. 35. O magistrado deve esforçar-se
e dedicação. SIGILO PROFISSIONAL para contribuir com os seus conhecimentos
§ 2º O magistrado, no exercício do magis- teóricos e práticos ao melhor desenvol-
Art. 27. O magistrado tem o dever de vimento do Direito e à administração da
tério, deve observar conduta adequada
guardar absoluta reserva, na vida pública
à sua condição de juiz, tendo em vista Justiça.
e privada, sobre dados ou fatos pessoais
que, aos olhos de alunos e da sociedade, de que haja tomado conhecimento no Art. 36. É dever do magistrado atuar no
o magistério e a magistratura são indisso- exercício de sua atividade. sentido de que a instituição de que faz parte
ciáveis, e faltas éticas na área do ensino ofereça os meios para que sua formação
refletirão necessariamente no respeito à
Art. 28. Aos juízes integrantes de órgãos
colegiados impõe-se preservar o sigilo de seja permanente.
função judicial.
votos que ainda não hajam sido proferidos e CAPÍTULO XI
CAPÍTULO VII daqueles de cujo teor tomem conhecimen- DIGNIDADE, HONRA E DECORO
CORTESIA to, eventualmente, antes do julgamento.
CAPÍTULO X Art. 37. Ao magistrado é vedado proce-
Art. 22. O magistrado tem o dever de CONHECIMENTO E CAPACITAÇÃO dimento incompatível com a dignidade, a
cortesia para com os colegas, os membros honra e o decoro de suas funções.
do Ministério Público, os advogados, os Art. 29. A exigência de conhecimento e Art. 38. O magistrado não deve exercer
servidores, as partes, as testemunhas e de capacitação permanente dos magistra- atividade empresarial, exceto na condição
todos quantos se relacionem com a admi- dos tem como fundamento o direito dos de acionista ou cotista e desde que não
nistração da Justiça. jurisdicionados e da sociedade em geral à exerça o controle ou gerência.
Parágrafo único. Impõe-se ao magistrado obtenção de um serviço de qualidade na
a utilização de linguagem escorreita, poli- administração de Justiça. Art. 39. É atentatório à dignidade do car-
go qualquer ato ou comportamento do
da, respeitosa e compreensível. Art. 30. O magistrado bem formado é
magistrado, no exercício profissional, que
Art. 23. A atividade disciplinar, de correi- o que conhece o Direito vigente e de-
senvolveu as capacidades técnicas e as implique discriminação injusta ou arbitrária
ção e de fiscalização serão exercidas sem de qualquer pessoa ou instituição.
infringência ao devido respeito e conside- atitudes éticas adequadas para aplicá-lo
corretamente. CAPÍTULO XII
ração pelos correicionados.
Art. 31. A obrigação de formação contí- DISPOSIÇÕES FINAIS
CAPÍTULO VIII
nua dos magistrados estende-se tanto às
PRUDÊNCIA
matérias especificamente jurídicas quan- Art. 40. Os preceitos do presente Código
to no que se refere aos conhecimentos e complementam os deveres funcionais dos
Art. 24. O magistrado prudente é o que juízes que emanam da Constituição Federal,
técnicas que possam favorecer o melhor
busca adotar comportamentos e decisões do Estatuto da Magistratura e das demais
cumprimento das funções judiciais.
que sejam o resultado de juízo justificado disposições legais.
racionalmente, após haver meditado e va- Art. 32. O conhecimento e a capacitação
dos magistrados adquirem uma intensi- Art. 41. Os Tribunais brasileiros, por
lorado os argumentos e contra-argumentos
dade especial no que se relaciona com ocasião da posse de todo Juiz, entregar-
disponíveis, à luz do Direito aplicável.
as matérias, as técnicas e as atitudes que -lhe-ão um exemplar do Código de Ética
Art. 25. Especialmente ao proferir de- levem à máxima proteção dos direitos hu- da Magistratura Nacional, para fiel obser-
cisões, incumbe ao magistrado atuar de manos e ao desenvolvimento dos valores vância durante todo o tempo de exercício
forma cautelosa, atento às consequências constitucionais. da judicatura.
que pode provocar. Art. 33. O magistrado deve facilitar e pro- Art. 42. Este Código entra em vigor, em
Art. 26. O magistrado deve manter atitude mover, na medida do possível, a formação todo o território nacional, na data de sua
aberta e paciente para receber argumen- dos outros membros do órgão judicial. publicação, cabendo ao Conselho Nacional
tos ou críticas lançados de forma cortês e Art. 34. O magistrado deve manter uma de Justiça promover-lhe ampla divulgação.
respeitosa, podendo confirmar ou retificar atitude de colaboração ativa em todas Brasília, 26 de agosto de 2008.
posições anteriormente assumidas nos pro- as atividades que conduzem à formação (Publicado no DJ, páginas 1 e 2, do dia 18
cessos em que atua. judicial. de setembro de 2008)

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Art. 1º legislação complementar

LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996

Estabelece as diretrizes e bases da educação na- TÍTULO III entidade de classe ou outra legalmente
cional. DO DIREITO À EDUCAÇÃO E DO constituída e, ainda, o Ministério Público,
O Presidente da República DEVER DE EDUCAR acionar o poder público para exigi-lo. (Re-
dação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
Faço saber que o Congresso Nacional de-
Art. 4º O dever do Estado com educação § 1º O poder público, na esfera de sua
creta e eu sanciono a seguinte Lei: escolar pública será efetivado mediante competência federativa, deverá: (Redação
a garantia de: dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
TÍTULO I I - educação básica obrigatória e gratuita dos I - recensear anualmente as crianças e adoles-
DA EDUCAÇÃO 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, centes em idade escolar, bem como os jovens
organizada da seguinte forma: (Redação da- e adultos que não concluíram a educação
Art. 1º A educação abrange os processos da pela Lei nº 12.796, de 2013) básica; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de
a) pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, 2013)
formativos que se desenvolvem na vida fa-
de 2013) II - fazer-lhes a chamada pública;
miliar, na convivência humana, no trabalho,
b) ensino fundamental; (Incluído pela Lei III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela
nas instituições de ensino e pesquisa, nos freqüência à escola.
nº 12.796, de 2013)
movimentos sociais e organizações da so-
c) ensino médio; (Incluído pela Lei nº 12.796, § 2º Em todas as esferas administrativas, o
ciedade civil e nas manifestações culturais. Poder Público assegurará em primeiro lugar
de 2013)
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, II - educação infantil gratuita às crianças de o acesso ao ensino obrigatório, nos termos
que se desenvolve, predominantemen- até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada deste artigo, contemplando em seguida os
te, por meio do ensino, em instituições pela Lei nº 12.796, de 2013) demais níveis e modalidades de ensino,
próprias. III - atendimento educacional especializa- conforme as prioridades constitucionais
do gratuito aos educandos com deficiência, e legais.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se transtornos globais do desenvolvimento e
ao mundo do trabalho e à prática social. § 3º Qualquer das partes mencionadas no
altas habilidades ou superdotação, transver- caput deste artigo tem legitimidade para
sal a todos os níveis, etapas e modalidades,
peticionar no Poder Judiciário, na hipótese
TÍTULO II preferencialmente na rede regular de ensino;
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) do § 2º do art. 208 da Constituição Federal,
DOS PRINCÍPIOS E FINS DA sendo gratuita e de rito sumário a ação
EDUCAÇÃO NACIONAL IV - acesso público e gratuito aos ensinos fun-
damental e médio para todos os que não os judicial correspondente.
concluíram na idade própria; (Redação dada § 4º Comprovada a negligência da autori-
Art. 2º A educação, dever da família e do pela Lei nº 12.796, de 2013) dade competente para garantir o ofereci-
Estado, inspirada nos princípios de liberda- V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, mento do ensino obrigatório, poderá ela ser
de e nos ideais de solidariedade humana, da pesquisa e da criação artística, segundo a imputada por crime de responsabilidade.
tem por finalidade o pleno desenvolvi- capacidade de cada um; § 5º Para garantir o cumprimento da obriga-
mento do educando, seu preparo para o VI - oferta de ensino noturno regular, ade- toriedade de ensino, o Poder Público criará
quado às condições do educando; formas alternativas de acesso aos diferentes
exercício da cidadania e sua qualificação
VII - oferta de educação escolar regular para níveis de ensino, independentemente da
para o trabalho.
jovens e adultos, com características e mo- escolarização anterior.
Art. 3º O ensino será ministrado com base dalidades adequadas às suas necessidades
Art. 6º É dever dos pais ou responsáveis
nos seguintes princípios: e disponibilidades, garantindo-se aos que
forem trabalhadores as condições de acesso efetuar a matrícula das crianças na educa-
I - igualdade de condições para o acesso e ção básica a partir dos 4 (quatro) anos de
e permanência na escola;
permanência na escola; idade. (Redação dada pela Lei nº 12.796,
VIII - atendimento ao educando, em todas as
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar etapas da educação básica, por meio de pro- de 2013)
e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e gramas suplementares de material didático- Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada,
o saber; -escolar, transporte, alimentação e assistên- atendidas as seguintes condições:
III - pluralismo de idéias e de concepções pe- cia à saúde; (Redação dada pela Lei nº 12.796, I - cumprimento das normas gerais da edu-
dagógicas; de 2013) cação nacional e do respectivo sistema de
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, ensino;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
definidos como a variedade e quantidade mí- II - autorização de funcionamento e avaliação
V - coexistência de instituições públicas e pri- nimas, por aluno, de insumos indispensáveis de qualidade pelo Poder Público;
vadas de ensino; ao desenvolvimento do processo de ensino-
III - capacidade de autofinanciamento, res-
VI - gratuidade do ensino público em estabe- -aprendizagem.
salvado o previsto no art. 213 da Constituição
lecimentos oficiais; X - vaga na escola pública de educação in- Federal.
fantil ou de ensino fundamental mais próxi-
VII - valorização do profissional da educação
ma de sua residência a toda criança a partir
escolar; do dia em que completar 4 (quatro) anos de TÍTULO IV
VIII - gestão democrática do ensino público, idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008). DA ORGANIZAÇÃO DA
na forma desta Lei e da legislação dos siste- Art. 4º-A. É assegurado atendimento edu- EDUCAÇÃO NACIONAL
mas de ensino; cacional, durante o período de internação,
IX - garantia de padrão de qualidade; ao aluno da educação básica internado para Art. 8º A União, os Estados, o Distrito
tratamento de saúde em regime hospitalar Federal e os Municípios organizarão, em
X - valorização da experiência extra-escolar; ou domiciliar por tempo prolongado, confor- regime de colaboração, os respectivos
XI - vinculação entre a educação escolar, o me dispuser o Poder Público em regulamen- sistemas de ensino.
trabalho e as práticas sociais. to, na esfera de sua competência federativa.
§ 1º Caberá à União a coordenação da
XII - consideração com a diversidade étnico- (Incluído pela Lei nº 13.716, de 2018).
política nacional de educação, articulan-
-racial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) Art. 5º O acesso à educação básica obriga- do os diferentes níveis e sistemas e exer-
XIII - garantia do direito à educação e à tória é direito público subjetivo, podendo cendo função normativa, redistributiva e
aprendizagem ao longo da vida. (Incluído qualquer cidadão, grupo de cidadãos, as- supletiva em relação às demais instâncias
pela Lei nº 13.632, de 2018) sociação comunitária, organização sindical, educacionais.

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legislação complementar Art. 9º
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade IV - autorizar, reconhecer, credenciar, super- sistemática (bullying), no âmbito das escolas;
de organização nos termos desta Lei. visionar e avaliar, respectivamente, os cursos (Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018)
das instituições de educação superior e os X - estabelecer ações destinadas a promover
Art. 9º A União incumbir-se-á de: estabelecimentos do seu sistema de ensino; a cultura de paz nas escolas. (Incluído pela Lei
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em
colaboração com os Estados, o Distrito Fede- V - baixar normas complementares para o seu nº 13.663, de 2018)
ral e os Municípios; sistema de ensino;
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos VI - assegurar o ensino fundamental e ofere-
I - participar da elaboração da proposta pe-
e instituições oficiais do sistema federal de cer, com prioridade, o ensino médio a todos
dagógica do estabelecimento de ensino;
ensino e o dos Territórios; que o demandarem, respeitado o disposto
no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela Lei II - elaborar e cumprir plano de trabalho, se-
III - prestar assistência técnica e financeira nº 12.061, de 2009) gundo a proposta pedagógica do estabeleci-
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Muni- mento de ensino;
cípios para o desenvolvimento de seus siste- VII - assumir o transporte escolar dos alunos
da rede estadual. (Incluído pela Lei nº 10.709, III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
mas de ensino e o atendimento prioritário à IV - estabelecer estratégias de recuperação
escolaridade obrigatória, exercendo sua fun- de 31.7.2003)
para os alunos de menor rendimento;
ção redistributiva e supletiva; Parágrafo único. Ao Distrito Federal
V - ministrar os dias letivos e horas-aula esta-
IV - estabelecer, em colaboração com os Esta- aplicar-se-ão as competências referentes
belecidos, além de participar integralmente
dos, o Distrito Federal e os Municípios, com- aos Estados e aos Municípios. dos períodos dedicados ao planejamento, à
petências e diretrizes para a educação infan-
til, o ensino fundamental e o ensino médio,
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: avaliação e ao desenvolvimento profissional;
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos VI - colaborar com as atividades de articula-
que nortearão os currículos e seus conteúdos
e instituições oficiais dos seus sistemas de ção da escola com as famílias e a comunida-
mínimos, de modo a assegurar formação bá-
ensino, integrando-os às políticas e planos de.
sica comum;
educacionais da União e dos Estados;
IV-A - estabelecer, em colaboração com os
II - exercer ação redistributiva em relação às
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, di- normas da gestão democrática do ensino
suas escolas;
retrizes e procedimentos para identificação, público na educação básica, de acordo
cadastramento e atendimento, na educação III - baixar normas complementares para o
seu sistema de ensino; com as suas peculiaridades e conforme os
básica e na educação superior, de alunos com
seguintes princípios:
altas habilidades ou superdotação; (Incluído IV - autorizar, credenciar e supervisionar os
I - participação dos profissionais da educa-
pela Lei nº 13.234, de 2015) estabelecimentos do seu sistema de ensino;
ção na elaboração do projeto pedagógico
V - coletar, analisar e disseminar informações V - oferecer a educação infantil em creches da escola;
sobre a educação; e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino
II - participação das comunidades escolar e
VI - assegurar processo nacional de avaliação fundamental, permitida a atuação em outros
local em conselhos escolares ou equivalen-
do rendimento escolar no ensino fundamen- níveis de ensino somente quando estiverem
tes.
tal, médio e superior, em colaboração com os atendidas plenamente as necessidades de
sistemas de ensino, objetivando a definição sua área de competência e com recursos aci- Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão
de prioridades e a melhoria da qualidade do ma dos percentuais mínimos vinculados pela às unidades escolares públicas de educação
ensino; Constituição Federal à manutenção e desen- básica que os integram progressivos graus
VII - baixar normas gerais sobre cursos de volvimento do ensino. de autonomia pedagógica e administrativa
graduação e pós-graduação; VI - assumir o transporte escolar dos alu- e de gestão financeira, observadas as nor-
VIII - assegurar processo nacional de avalia- nos da rede municipal. (Incluído pela Lei nº mas gerais de direito financeiro público.
ção das instituições de educação superior, 10.709, de 31.7.2003)
com a cooperação dos sistemas que tiverem Parágrafo único. Os Municípios poderão
Art. 16. O sistema federal de ensino com-
responsabilidade sobre este nível de ensino; preende:
optar, ainda, por se integrar ao sistema
I - as instituições de ensino mantidas pela
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, super- estadual de ensino ou compor com ele um União;
visionar e avaliar, respectivamente, os cursos sistema único de educação básica.
das instituições de educação superior e os II - as instituições de educação superior cria-
estabelecimentos do seu sistema de ensino. Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, das e mantidas pela iniciativa privada;
respeitadas as normas comuns e as do seu III - os órgãos federais de educação.
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um sistema de ensino, terão a incumbência de:
Conselho Nacional de Educação, com fun- I - elaborar e executar sua proposta pedagó- Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados
ções normativas e de supervisão e atividade gica; e do Distrito Federal compreendem:
permanente, criado por lei. I - as instituições de ensino mantidas, respec-
II - administrar seu pessoal e seus recursos
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos tivamente, pelo Poder Público estadual e pe-
materiais e financeiros;
incisos V a IX, a União terá acesso a todos os lo Distrito Federal;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos
dados e informações necessários de todos II - as instituições de educação superior man-
e horas-aula estabelecidas;
os estabelecimentos e órgãos educacionais. tidas pelo Poder Público municipal;
IV - velar pelo cumprimento do plano de tra-
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX III - as instituições de ensino fundamental e
balho de cada docente;
médio criadas e mantidas pela iniciativa pri-
poderão ser delegadas aos Estados e ao V - prover meios para a recuperação dos alu- vada;
Distrito Federal, desde que mantenham nos de menor rendimento;
IV - os órgãos de educação estaduais e do
instituições de educação superior. VI - articular-se com as famílias e a comunida- Distrito Federal, respectivamente.
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: de, criando processos de integração da socie-
dade com a escola; Parágrafo único. No Distrito Federal, as
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não
instituições de educação infantil, criadas e
e instituições oficiais dos seus sistemas de
ensino; com seus filhos, e, se for o caso, os responsá- mantidas pela iniciativa privada, integram
veis legais, sobre a frequência e rendimento seu sistema de ensino.
II - definir, com os Municípios, formas de co-
laboração na oferta do ensino fundamental, dos alunos, bem como sobre a execução da Art. 18. Os sistemas municipais de ensino
as quais devem assegurar a distribuição pro- proposta pedagógica da escola; (Redação compreendem:
porcional das responsabilidades, de acordo dada pela Lei nº 12.013, de 2009) I - as instituições do ensino fundamental,
com a população a ser atendida e os recursos VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Muni- médio e de educação infantil mantidas pelo
financeiros disponíveis em cada uma dessas cípio a relação dos alunos que apresentem Poder Público municipal;
esferas do Poder Público; quantidade de faltas acima de 30% (trinta II - as instituições de educação infantil criadas
III - elaborar e executar políticas e planos por cento) do percentual permitido em lei; e mantidas pela iniciativa privada;
educacionais, em consonância com as diretri- (Redação dada pela Lei nº 13.803, de 2019)
III – os órgãos municipais de educação.
zes e planos nacionais de educação, integran- IX - promover medidas de conscientização,
do e coordenando as suas ações e as dos seus de prevenção e de combate a todos os tipos Art. 19. As instituições de ensino dos di-
Municípios; de violência, especialmente a intimidação ferentes níveis classificam-se nas seguintes

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Art. 19 legislação complementar
categorias administrativas: (Regulamento) sistema de ensino, sem com isso reduzir o horas anuais de carga horária, a partir de
(Regulamento) número de horas letivas previsto nesta Lei. 2 de março de 2017. (Incluído pela Lei nº
I - públicas, assim entendidas as criadas ou 13.415, de 2017)
incorporadas, mantidas e administradas pelo
Art. 24. A educação básica, nos níveis
Poder Público; fundamental e médio, será organizada de § 2o Os sistemas de ensino disporão sobre
acordo com as seguintes regras comuns: a oferta de educação de jovens e adultos
II - privadas, assim entendidas as mantidas e
I - a carga horária mínima anual será de oi- e de ensino noturno regular, adequado
administradas por pessoas físicas ou jurídicas
tocentas horas para o ensino fundamental às condições do educando, conforme o
de direito privado.
e para o ensino médio, distribuídas por um inciso VI do art. 4º. (Incluído pela Lei nº
Art. 20. As instituições privadas de ensino mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho 13.415, de 2017)
se enquadrarão nas seguintes categorias: escolar, excluído o tempo reservado aos exa-
I - particulares em sentido estrito, assim en- mes finais, quando houver; (Redação dada Art. 25. Será objetivo permanente das
tendidas as que são instituídas e mantidas pela Lei nº 13.415, de 2017) autoridades responsáveis alcançar relação
por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas II - a classificação em qualquer série ou eta- adequada entre o número de alunos e o
de direito privado que não apresentem as ca- pa, exceto a primeira do ensino fundamental, professor, a carga horária e as condições
racterísticas dos incisos abaixo; pode ser feita: materiais do estabelecimento.
II - comunitárias, assim entendidas as que são a) por promoção, para alunos que cursa- Parágrafo único. Cabe ao respectivo
instituídas por grupos de pessoas físicas ou ram, com aproveitamento, a série ou fase sistema de ensino, à vista das condições
por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive anterior, na própria escola; disponíveis e das características regionais
cooperativas educacionais, sem fins lucrati- b) por transferência, para candidatos pro- e locais, estabelecer parâmetro para aten-
vos, que incluam na sua entidade mantene- dimento do disposto neste artigo.
dora representantes da comunidade; (Reda-
cedentes de outras escolas;
ção dada pela Lei nº 12.020, de 2009) c) independentemente de escolarização Art. 26. Os currículos da educação infantil,
III - confessionais, assim entendidas as que anterior, mediante avaliação feita pela es- do ensino fundamental e do ensino médio
são instituídas por grupos de pessoas físicas cola, que defina o grau de desenvolvimento devem ter base nacional comum, a ser com-
ou por uma ou mais pessoas jurídicas que e experiência do candidato e permita sua plementada, em cada sistema de ensino e
atendem a orientação confessional e ideo- inscrição na série ou etapa adequada, em cada estabelecimento escolar, por uma
logia específicas e ao disposto no inciso an- conforme regulamentação do respectivo parte diversificada, exigida pelas caracte-
terior; sistema de ensino; rísticas regionais e locais da sociedade, da
IV - filantrópicas, na forma da lei. III - nos estabelecimentos que adotam a cultura, da economia e dos educandos.
progressão regular por série, o regimento (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
escolar pode admitir formas de progressão
TÍTULO V § 1º Os currículos a que se refere o caput
parcial, desde que preservada a sequência do
DOS NÍVEIS E DAS MODALIDADES currículo, observadas as normas do respecti-
devem abranger, obrigatoriamente, o estu-
DE EDUCAÇÃO E ENSINO vo sistema de ensino; do da língua portuguesa e da matemática,
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas,
o conhecimento do mundo físico e natural e
com alunos de séries distintas, com níveis da realidade social e política, especialmente
CAPÍTULO I equivalentes de adiantamento na matéria, do Brasil.
DA COMPOSIÇÃO DOS para o ensino de línguas estrangeiras, artes, § 2º O ensino da arte, especialmente em
NÍVEIS ESCOLARES ou outros componentes curriculares; suas expressões regionais, constituirá com-
V - a verificação do rendimento escolar ob- ponente curricular obrigatório da educação
Art. 21. A educação escolar compõe-se de: servará os seguintes critérios: básica. (Redação dada pela Lei nº 13.415,
I - educação básica, formada pela educação de 2017)
infantil, ensino fundamental e ensino médio; a) avaliação contínua e cumulativa do de-
sempenho do aluno, com prevalência dos § 3º A educação física, integrada à proposta
II - educação superior. pedagógica da escola, é componente curri-
aspectos qualitativos sobre os quantitativos
e dos resultados ao longo do período sobre cular obrigatório da educação básica, sendo
CAPÍTULO II os de eventuais provas finais; sua prática facultativa ao aluno: (Redação
DA EDUCAÇÃO BÁSICA b) possibilidade de aceleração de estudos dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
para alunos com atraso escolar; I – que cumpra jornada de trabalho igual ou
superior a seis horas; (Incluído pela Lei nº
SEÇÃO I c) possibilidade de avanço nos cursos e
10.793, de 1º.12.2003)
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS nas séries mediante verificação do apren-
II – maior de trinta anos de idade; (Incluído
dizado;
pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
Art. 22. A educação básica tem por d) aproveitamento de estudos concluídos
III – que estiver prestando serviço militar ini-
finalidades desenvolver o educando, asse- com êxito; cial ou que, em situação similar, estiver obri-
gurar-lhe a formação comum indispensável e) obrigatoriedade de estudos de recupe- gado à prática da educação física; (Incluído
para o exercício da cidadania e fornecer-lhe ração, de preferência paralelos ao período pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
meios para progredir no trabalho e em letivo, para os casos de baixo rendimento IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de
estudos posteriores. escolar, a serem disciplinados pelas ins- 21 de outubro de 1969; (Incluído pela Lei nº
Art. 23. A educação básica poderá tituições de ensino em seus regimentos; 10.793, de 1º.12.2003)
organizar-se em séries anuais, períodos VI - o controle de frequência fica a cargo da V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de
escola, conforme o disposto no seu regimen- 1º.12.2003)
semestrais, ciclos, alternância regular de
to e nas normas do respectivo sistema de en- VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº
períodos de estudos, grupos não-seriados, sino, exigida a frequência mínima de setenta
com base na idade, na competência e em 10.793, de 1º.12.2003)
e cinco por cento do total de horas letivas
outros critérios, ou por forma diversa de para aprovação; § 4º O ensino da História do Brasil levará
organização, sempre que o interesse do VII - cabe a cada instituição de ensino expe- em conta as contribuições das diferentes
processo de aprendizagem assim o reco- dir históricos escolares, declarações de con- culturas e etnias para a formação do povo
mendar. clusão de série e diplomas ou certificados de brasileiro, especialmente das matrizes in-
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, conclusão de cursos, com as especificações dígena, africana e europeia.
inclusive quando se tratar de transferências cabíveis. § 5º No currículo do ensino fundamental, a
entre estabelecimentos situados no País e § 1º A carga horária mínima anual de que partir do sexto ano, será ofertada a língua
no exterior, tendo como base as normas trata o inciso I do caput deverá ser ampliada inglesa. (Redação dada pela Lei nº 13.415,
curriculares gerais. de forma progressiva, no ensino médio, de 2017)
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se para mil e quatrocentas horas, devendo § 6º As artes visuais, a dança, a música e o
às peculiaridades locais, inclusive climáti- os sistemas de ensino oferecer, no prazo teatro são as linguagens que constituirão
cas e econômicas, a critério do respectivo máximo de cinco anos, pelo menos mil o componente curricular de que trata o §

6
legislação complementar Art. 26-A
2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº III - orientação para o trabalho; Art. 32. O ensino fundamental obrigató-
13.278, de 2016) IV - promoção do desporto educacional e rio, com duração de 9 (nove) anos, gratuito
§ 7º A integralização curricular poderá apoio às práticas desportivas não-formais. na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis)
incluir, a critério dos sistemas de ensino, anos de idade, terá por objetivo a formação
Art. 28. Na oferta de educação básica para
projetos e pesquisas envolvendo os temas básica do cidadão, mediante: (Redação
a população rural, os sistemas de ensino
transversais de que trata o caput. (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
promoverão as adaptações necessárias à I - o desenvolvimento da capacidade de
dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
sua adequação às peculiaridades da vida aprender, tendo como meios básicos o pleno
§ 8º A exibição de filmes de produção
rural e de cada região, especialmente: domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
nacional constituirá componente curricu- I - conteúdos curriculares e metodologias
lar complementar integrado à proposta II - a compreensão do ambiente natural e
apropriadas às reais necessidades e interes- social, do sistema político, da tecnologia, das
pedagógica da escola, sendo a sua exibição ses dos alunos da zona rural; artes e dos valores em que se fundamenta a
obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas II - organização escolar própria, incluindo sociedade;
mensais. (Incluído pela Lei nº 13.006, de adequação do calendário escolar às fases do III - o desenvolvimento da capacidade de
2014) ciclo agrícola e às condições climáticas; aprendizagem, tendo em vista a aquisição de
§ 9º Conteúdos relativos aos direitos hu- III - adequação à natureza do trabalho na conhecimentos e habilidades e a formação
manos e à prevenção de todas as formas de zona rural. de atitudes e valores;
violência contra a criança e o adolescente IV - o fortalecimento dos vínculos de família,
Parágrafo único. O fechamento de es-
serão incluídos, como temas transversais, dos laços de solidariedade humana e de to-
nos currículos escolares de que trata o caput colas do campo, indígenas e quilombolas
lerância recíproca em que se assenta a vida
deste artigo, tendo como diretriz a Lei nº será precedido de manifestação do órgão social.
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto normativo do respectivo sistema de ensino,
que considerará a justificativa apresentada § 1º É facultado aos sistemas de ensino
da Criança e do Adolescente), observa- desdobrar o ensino fundamental em ciclos.
da a produção e distribuição de material pela Secretaria de Educação, a análise do
diagnóstico do impacto da ação e a mani- § 2º Os estabelecimentos que utilizam pro-
didático adequado. (Incluído pela Lei nº gressão regular por série podem adotar no
13.010, de 2014) festação da comunidade escolar. (Incluído
pela Lei nº 12.960, de 2014) ensino fundamental o regime de progres-
§ 9º-A. A educação alimentar e nutricional
são continuada, sem prejuízo da avaliação
será incluída entre os temas transversais de
que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 13.666, SEÇÃO II do processo de ensino-aprendizagem, ob-
de 2018, em vigor após decorridos 180 (cento DA EDUCAÇÃO INFANTIL servadas as normas do respectivo sistema
e oitenta) dias de sua publicação oficial - DOU de ensino.
17.05.2018) Art. 29. A educação infantil, primeira § 3º O ensino fundamental regular será mi-
§ 10. A inclusão de novos componentes etapa da educação básica, tem como fi- nistrado em língua portuguesa, assegurada
curriculares de caráter obrigatório na Base nalidade o desenvolvimento integral da às comunidades indígenas a utilização de
Nacional Comum Curricular dependerá criança de até 5 (cinco) anos, em seus suas línguas maternas e processos próprios
de aprovação do Conselho Nacional de aspectos físico, psicológico, intelectual e de aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial,
Educação e de homologação pelo Ministro social, complementando a ação da família sendo o ensino a distância utilizado como
de Estado da Educação. (Incluído pela Lei e da comunidade. (Redação dada pela Lei complementação da aprendizagem ou em
nº 13.415, de 2017) nº 12.796, de 2013) situações emergenciais.
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de Art. 30. A educação infantil será ofere- § 5º O currículo do ensino fundamental in-
ensino fundamental e de ensino médio, cida em: cluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate
públicos e privados, torna-se obrigatório o I - creches, ou entidades equivalentes, para dos direitos das crianças e dos adolescentes,
estudo da história e cultura afro-brasileira e crianças de até três anos de idade; tendo como diretriz a Lei nº 8.069, de 13 de ju-
indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, lho de 1990, que institui o Estatuto da Criança
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) e do Adolescente, observada a produção e
de 2008). a 5 (cinco) anos de idade. (Redação dada pela distribuição de material didático adequado.
§ 1º O conteúdo programático a que se Lei nº 12.796, de 2013) (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
refere este artigo incluirá diversos aspectos
da história e da cultura que caracterizam a
Art. 31. A educação infantil será organi- § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais
zada de acordo com as seguintes regras será incluído como tema transversal nos cur-
formação da população brasileira, a partir rículos do ensino fundamental. (Incluído pela
desses dois grupos étnicos, tais como o comuns: (Redação dada pela Lei nº 12.796,
Lei nº 12.472, de 2011).
estudo da história da África e dos africanos, de 2013)
a luta dos negros e dos povos indígenas
I - avaliação mediante acompanhamento e Art. 33. O ensino religioso, de matrícula
registro do desenvolvimento das crianças, facultativa, é parte integrante da formação
no Brasil, a cultura negra e indígena bra-
sem o objetivo de promoção, mesmo para o básica do cidadão e constitui disciplina
sileira e o negro e o índio na formação da acesso ao ensino fundamental; (Incluído pela
sociedade nacional, resgatando as suas dos horários normais das escolas públi-
Lei nº 12.796, de 2013) cas de ensino fundamental, assegurado
contribuições nas áreas social, econômica II - carga horária mínima anual de 800 (oito-
e política, pertinentes à história do Brasil. o respeito à diversidade cultural religiosa
centas) horas, distribuída por um mínimo de do Brasil, vedadas quaisquer formas de
(Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; proselitismo. (Redação dada pela Lei nº
§ 2º Os conteúdos referentes à história e (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) 9.475, de 22.7.1997)
cultura afro-brasileira e dos povos indíge- III - atendimento à criança de, no mínimo, 4
nas brasileiros serão ministrados no âmbito § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão
(quatro) horas diárias para o turno parcial e os procedimentos para a definição dos con-
de todo o currículo escolar, em especial nas de 7 (sete) horas para a jornada integral; (In-
áreas de educação artística e de literatura teúdos do ensino religioso e estabelecerão
cluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
e história brasileiras. (Redação dada pela as normas para a habilitação e admissão
IV - controle de frequência pela instituição de dos professores. (Incluído pela Lei nº 9.475,
Lei nº 11.645, de 2008). educação pré-escolar, exigida a frequência
de 22.7.1997)
Art. 27. Os conteúdos curriculares da mínima de 60% (sessenta por cento) do total
de horas; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade
educação básica observarão, ainda, as se- civil, constituída pelas diferentes deno-
guintes diretrizes: V - expedição de documentação que permita
atestar os processos de desenvolvimento e minações religiosas, para a definição dos
I - a difusão de valores fundamentais ao inte-
aprendizagem da criança. (Incluído pela Lei conteúdos do ensino religioso. (Incluído
resse social, aos direitos e deveres dos cida-
dãos, de respeito ao bem comum e à ordem nº 12.796, de 2013) pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
democrática; Art. 34. A jornada escolar no ensino fun-
II - consideração das condições de escolarida- SEÇÃO III damental incluirá pelo menos quatro horas
de dos alunos em cada estabelecimento; DO ENSINO FUNDAMENTAL de trabalho efetivo em sala de aula, sendo

7
Art. 34 legislação complementar
progressivamente ampliado o período de § 5º A carga horária destinada ao cumpri- § 4º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
permanência na escola. mento da Base Nacional Comum Curricular § 5º Os sistemas de ensino, mediante dispo-
§ 1º São ressalvados os casos do ensino não poderá ser superior a mil e oitocentas nibilidade de vagas na rede, possibilitarão
noturno e das formas alternativas de or- horas do total da carga horária do ensino ao aluno concluinte do ensino médio cursar
ganização autorizadas nesta Lei. médio, de acordo com a definição dos mais um itinerário formativo de que trata o
§ 2º O ensino fundamental será ministrado sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
progressivamente em tempo integral, a 13.415, de 2017) § 6º A critério dos sistemas de ensino, a
critério dos sistemas de ensino. § 6º A União estabelecerá os padrões de oferta de formação com ênfase técnica e
desempenho esperados para o ensino mé- profissional considerará: (Incluído pela Lei
SEÇÃO IV dio, que serão referência nos processos nº 13.415, de 2017)
DO ENSINO MÉDIO nacionais de avaliação, a partir da Base I - a inclusão de vivências práticas de traba-
Nacional Comum Curricular. (Incluído pela lho no setor produtivo ou em ambientes de
Art. 35. O ensino médio, etapa final da Lei nº 13.415, de 2017) simulação, estabelecendo parcerias e fazen-
educação básica, com duração mínima de § 7º Os currículos do ensino médio deverão do uso, quando aplicável, de instrumentos
três anos, terá como finalidades: considerar a formação integral do aluno, estabelecidos pela legislação sobre apren-
I - a consolidação e o aprofundamento dos de maneira a adotar um trabalho voltado dizagem profissional; (Incluído pela Lei nº
conhecimentos adquiridos no ensino funda- para a construção de seu projeto de vida 13.415, de 2017)
mental, possibilitando o prosseguimento de e para sua formação nos aspectos físicos, II - a possibilidade de concessão de certifi-
estudos; cognitivos e socioemocionais. (Incluído cados intermediários de qualificação para o
II - a preparação básica para o trabalho e a ci- pela Lei nº 13.415, de 2017) trabalho, quando a formação for estruturada
dadania do educando, para continuar apren- § 8º Os conteúdos, as metodologias e as e organizada em etapas com terminalidade.
dendo, de modo a ser capaz de se adaptar (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
formas de avaliação processual e formativa
com flexibilidade a novas condições de ocu-
pação ou aperfeiçoamento posteriores;
serão organizados nas redes de ensino por § 7º A oferta de formações experimentais
meio de atividades teóricas e práticas, pro- relacionadas ao inciso V do caput, em áreas
III - o aprimoramento do educando como
vas orais e escritas, seminários, projetos e que não constem do Catálogo Nacional
pessoa humana, incluindo a formação ética e
o desenvolvimento da autonomia intelectual atividades on-line, de tal forma que ao final dos Cursos Técnicos, dependerá, para sua
e do pensamento crítico; do ensino médio o educando demonstre: continuidade, do reconhecimento pelo
IV - a compreensão dos fundamentos cientí- (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) respectivo Conselho Estadual de Educação,
fico-tecnológicos dos processos produtivos, I - domínio dos princípios científicos e tecno- no prazo de três anos, e da inserção no
relacionando a teoria com a prática, no ensi- lógicos que presidem a produção moderna; Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, no
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
no de cada disciplina. prazo de cinco anos, contados da data de
II - conhecimento das formas contemporâne-
Art. 35-A. A Base Nacional Comum oferta inicial da formação. (Incluído pela
as de linguagem. (Incluído pela Lei nº 13.415,
Curricular definirá direitos e objetivos de de 2017) Lei nº 13.415, de 2017)
aprendizagem do ensino médio, conforme § 8º A oferta de formação técnica e profis-
Art. 36. O currículo do ensino médio se- sional a que se refere o inciso V do caput,
diretrizes do Conselho Nacional de Educa-
rá composto pela Base Nacional Comum realizada na própria instituição ou em
ção, nas seguintes áreas do conhecimento:
Curricular e por itinerários formativos, que parceria com outras instituições, deverá
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
deverão ser organizados por meio da oferta ser aprovada previamente pelo Conselho
I - linguagens e suas tecnologias; (Incluído
pela Lei nº 13.415, de 2017)
de diferentes arranjos curriculares, con- Estadual de Educação, homologada pelo
forme a relevância para o contexto local
II - matemática e suas tecnologias; (Incluído Secretário Estadual de Educação e certi-
e a possibilidade dos sistemas de ensino,
pela Lei nº 13.415, de 2017) ficada pelos sistemas de ensino. (Incluído
a saber: (Redação dada pela Lei nº 13.415,
III - ciências da natureza e suas tecnologias; pela Lei nº 13.415, de 2017)
de 2017)
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) § 9º As instituições de ensino emitirão
I - linguagens e suas tecnologias; (Redação
IV - ciências humanas e sociais aplicadas. (In- dada pela Lei nº 13.415, de 2017) certificado com validade nacional, que
cluído pela Lei nº 13.415, de 2017) habilitará o concluinte do ensino médio
II - matemática e suas tecnologias; (Redação
§ 1º A parte diversificada dos currículos dada pela Lei nº 13.415, de 2017) ao prosseguimento dos estudos em nível
de que trata o caput do art. 26, definida III - ciências da natureza e suas tecnologias; superior ou em outros cursos ou formações
em cada sistema de ensino, deverá estar (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) para os quais a conclusão do ensino médio
harmonizada à Base Nacional Comum Cur- IV - ciências humanas e sociais aplicadas; (Re- seja etapa obrigatória. (Incluído pela Lei nº
ricular e ser articulada a partir do contexto dação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 13.415, de 2017)
histórico, econômico, social, ambiental e V - formação técnica e profissional. (Incluído § 10. Além das formas de organização pre-
cultural. (Incluído pela Lei nº 13.415, de pela Lei nº 13.415, de 2017) vistas no art. 23, o ensino médio poderá ser
2017) § 1º A organização das áreas de que trata o organizado em módulos e adotar o sistema
§ 2º A Base Nacional Comum Curricular caput e das respectivas competências e ha- de créditos com terminalidade específica.
referente ao ensino médio incluirá obriga- bilidades será feita de acordo com critérios (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
toriamente estudos e práticas de educação estabelecidos em cada sistema de ensino. § 11. Para efeito de cumprimento das exi-
física, arte, sociologia e filosofia. (Incluído (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) gências curriculares do ensino médio, os
pela Lei nº 13.415, de 2017) I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº sistemas de ensino poderão reconhecer
§ 3º O ensino da língua portuguesa e da 13.415, de 2017) competências e firmar convênios com
matemática será obrigatório nos três anos II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº instituições de educação a distância com
do ensino médio, assegurada às comuni- 13.415, de 2017)
notório reconhecimento, mediante as se-
dades indígenas, também, a utilização das III – (revogado). (Redação dada pela Lei nº guintes formas de comprovação: (Incluído
respectivas línguas maternas. (Incluído pela 11.684, de 2008)
pela Lei nº 13.415, de 2017)
Lei nº 13.415, de 2017) § 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) I - demonstração prática; (Incluído pela Lei nº
§ 4º Os currículos do ensino médio inclui- § 3º A critério dos sistemas de ensino, 13.415, de 2017)
rão, obrigatoriamente, o estudo da língua poderá ser composto itinerário formativo II - experiência de trabalho supervisionado
inglesa e poderão ofertar outras línguas integrado, que se traduz na composição de ou outra experiência adquirida fora do am-
estrangeiras, em caráter optativo, prefe- componentes curriculares da Base Nacional biente escolar; (Incluído pela Lei nº 13.415,
rencialmente o espanhol, de acordo com a Comum Curricular - BNCC e dos itinerários de 2017)
disponibilidade de oferta, locais e horários formativos, considerando os incisos I a V do III - atividades de educação técnica ofereci-
definidos pelos sistemas de ensino. (Inclu- caput. (Redação dada pela Lei nº 13.415, das em outras instituições de ensino creden-
ído pela Lei nº 13.415, de 2017) de 2017) ciadas; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)

8
legislação complementar Art. 36-A
IV - cursos oferecidos por centros ou pro- a) na mesma instituição de ensino, aprovei- CAPÍTULO III
gramas ocupacionais; (Incluído pela Lei nº tando-se as oportunidades educacionais DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
13.415, de 2017) disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E
V - estudos realizados em instituições de en- de 2008) TECNOLÓGICA
sino nacionais ou estrangeiras; (Incluído pela b) em instituições de ensino distintas, (REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº
Lei nº 13.415, de 2017) aproveitando-se as oportunidades edu- 11.741, DE 2008)
VI - cursos realizados por meio de educação cacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº
a distância ou educação presencial mediada 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional e tec-
por tecnologias. (Incluído pela Lei nº 13.415, nológica, no cumprimento dos objetivos
c) em instituições de ensino distintas,
de 2017) da educação nacional, integra-se aos dife-
mediante convênios de intercomplemen-
§ 12. As escolas deverão orientar os alunos rentes níveis e modalidades de educação
taridade, visando ao planejamento e ao
no processo de escolha das áreas de conhe- e às dimensões do trabalho, da ciência e
desenvolvimento de projeto pedagógico
cimento ou de atuação profissional previstas da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº
no caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de
2008) 11.741, de 2008)
§ 1º Os cursos de educação profissional
SEÇÃO IV-A Art. 36-D. Os diplomas de cursos de edu- e tecnológica poderão ser organizados
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL cação profissional técnica de nível médio,
por eixos tecnológicos, possibilitando a
TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO quando registrados, terão validade nacio-
construção de diferentes itinerários forma-
(INCLUÍDO PELA LEI Nº 11.741, nal e habilitarão ao prosseguimento de
tivos, observadas as normas do respectivo
DE 2008) estudos na educação superior. (Incluído sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei
pela Lei nº 11.741, de 2008) nº 11.741, de 2008)
Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Parágrafo único. Os cursos de educação § 2º A educação profissional e tecnológica
Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, profissional técnica de nível médio, nas for- abrangerá os seguintes cursos: (Incluído
atendida a formação geral do educando, mas articulada concomitante e subseqüen- pela Lei nº 11.741, de 2008)
poderá prepará-lo para o exercício de te, quando estruturados e organizados em I – de formação inicial e continuada ou qua-
profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº etapas com terminalidade, possibilitarão a lificação profissional; (Incluído pela Lei nº
11.741, de 2008) obtenção de certificados de qualificação 11.741, de 2008)
para o trabalho após a conclusão, com apro- II – de educação profissional técnica de nível
Parágrafo único. A preparação geral para
veitamento, de cada etapa que caracterize médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
o trabalho e, facultativamente, a habilitação
uma qualificação para o trabalho. (Incluído III – de educação profissional tecnológica de
profissional poderão ser desenvolvidas
pela Lei nº 11.741, de 2008) graduação e pós-graduação. (Incluído pela
nos próprios estabelecimentos de ensino
Lei nº 11.741, de 2008)
médio ou em cooperação com instituições SEÇÃO V
especializadas em educação profissional. § 3º Os cursos de educação profissional
DAEDUCAÇÃODEJOVENSEADULTOS tecnológica de graduação e pós-graduação
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
organizar-se-ão, no que concerne a obje-
Art. 36-B. A educação profissional técnica Art. 37. A educação de jovens e adultos tivos, características e duração, de acordo
de nível médio será desenvolvida nas se- será destinada àqueles que não tiveram com as diretrizes curriculares nacionais
guintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, acesso ou continuidade de estudos nos estabelecidas pelo Conselho Nacional de
de 2008) ensinos fundamental e médio na idade Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de
I - articulada com o ensino médio; (Incluído própria e constituirá instrumento para a 2008)
pela Lei nº 11.741, de 2008) educação e a aprendizagem ao longo da
II - subsequente, em cursos destinados a vida. (“Caput” do artigo com redação dada Art. 40. A educação profissional será de-
quem já tenha concluído o ensino médio. (In- pela Lei nº 13.632, de 2018) senvolvida em articulação com o ensino
cluído pela Lei nº 11.741, de 2008) regular ou por diferentes estratégias de
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão
educação continuada, em instituições es-
Parágrafo único. A educação profissional gratuitamente aos jovens e aos adultos, que
pecializadas ou no ambiente de trabalho.
técnica de nível médio deverá observar: não puderam efetuar os estudos na idade
(Regulamento)(Regulamento)
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) regular, oportunidades educacionais apro-
I - os objetivos e definições contidos nas di- priadas, consideradas as características do Art. 41. O conhecimento adquirido na
retrizes curriculares nacionais estabelecidas alunado, seus interesses, condições de vida educação profissional e tecnológica, in-
pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluí- e de trabalho, mediante cursos e exames. clusive no trabalho, poderá ser objeto de
do pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará avaliação, reconhecimento e certificação
II - as normas complementares dos respecti- o acesso e a permanência do trabalhador para prosseguimento ou conclusão de es-
vos sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº na escola, mediante ações integradas e tudos. (Redação dada pela Lei nº 11.741,
11.741, de 2008) complementares entre si. de 2008)
III - as exigências de cada instituição de en- § 3º A educação de jovens e adultos deve- Art. 42. As instituições de educação
sino, nos termos de seu projeto pedagógico. rá articular-se, preferencialmente, com a profissional e tecnológica, além dos seus
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) cursos regulares, oferecerão cursos espe-
educação profissional, na forma do regula-
Art. 36-C. A educação profissional técnica mento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) ciais, abertos à comunidade, condicionada
de nível médio articulada, prevista no in- a matrícula à capacidade de aproveita-
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão
ciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será mento e não necessariamente ao nível de
cursos e exames supletivos, que compreen-
desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei escolaridade. (Redação dada pela Lei nº
derão a base nacional comum do currículo,
nº 11.741, de 2008) 11.741, de 2008)
habilitando ao prosseguimento de estudos
I - integrada, oferecida somente a quem já em caráter regular.
tenha concluído o ensino fundamental, sen- CAPÍTULO IV
§ 1º Os exames a que se refere este artigo
do o curso planejado de modo a conduzir o DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
realizar-se-ão:
aluno à habilitação profissional técnica de
I - no nível de conclusão do ensino funda-
nível médio, na mesma instituição de ensino,
mental, para os maiores de quinze anos; Art. 43. A educação superior tem por
efetuando-se matrícula única para cada alu- finalidade:
no; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II - no nível de conclusão do ensino médio,
I - estimular a criação cultural e o desenvolvi-
para os maiores de dezoito anos.
II - concomitante, oferecida a quem ingres- mento do espírito científico e do pensamen-
se no ensino médio ou já o esteja cursando, § 2º Os conhecimentos e habilidades to reflexivo;
efetuando-se matrículas distintas para cada adquiridos pelos educandos por meios II - formar diplomados nas diferentes áreas
curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei informais serão aferidos e reconhecidos de conhecimento, aptos para a inserção em
nº 11.741, de 2008) mediante exames. setores profissionais e para a participação no

9
Art. 44 legislação complementar
desenvolvimento da sociedade brasileira, e um candidato preencher o critério inicial. a) toda publicação a que se refere esta Lei
colaborar na sua formação contínua; (Incluído pela Lei nº 13.184, de 2015) deve ter como título “Grade e Corpo Do-
III - incentivar o trabalho de pesquisa e inves- § 3o O processo seletivo referido no in- cente”; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
tigação científica, visando o desenvolvimen- ciso II considerará as competências e as b) a página principal da instituição de
to da ciência e da tecnologia e da criação e habilidades definidas na Base Nacional ensino superior, bem como a página da
difusão da cultura, e, desse modo, desenvol- oferta de seus cursos aos ingressantes sob
Comum Curricular. (Incluído pela lei nº
ver o entendimento do homem e do meio em
que vive;
13.415, de 2017) a forma de vestibulares, processo seletivo e
Art. 45. A educação superior será minis- outras com a mesma finalidade, deve conter
IV - promover a divulgação de conhecimen-
tos culturais, científicos e técnicos que cons- trada em instituições de ensino superior, a ligação desta com a página específica
tituem patrimônio da humanidade e comuni- públicas ou privadas, com variados graus prevista neste inciso; (Incluída pela lei nº
car o saber através do ensino, de publicações de abrangência ou especialização. (Regu- 13.168, de 2015)
ou de outras formas de comunicação; lamento) (Regulamento) c) caso a instituição de ensino superior não
V - suscitar o desejo permanente de aperfei- possua sítio eletrônico, deve criar página
çoamento cultural e profissional e possibilitar
Art. 46. A autorização e o reconhecimento específica para divulgação das informações
a correspondente concretização, integrando de cursos, bem como o credenciamento de que trata esta Lei; (Incluída pela lei nº
os conhecimentos que vão sendo adquiridos de instituições de educação superior, te- 13.168, de 2015)
numa estrutura intelectual sistematizadora rão prazos limitados, sendo renovados, d) a página específica deve conter a data
do conhecimento de cada geração; periodicamente, após processo regular completa de sua última atualização; (Inclu-
VI - estimular o conhecimento dos problemas de avaliação. ída pela lei nº 13.168, de 2015)
do mundo presente, em particular os nacio- § 1º Após um prazo para saneamento de de- II - em toda propaganda eletrônica da insti-
nais e regionais, prestar serviços especiali- ficiências eventualmente identificadas pela tuição de ensino superior, por meio de liga-
zados à comunidade e estabelecer com esta avaliação a que se refere este artigo, haverá ção para a página referida no inciso I; (Incluí-
uma relação de reciprocidade; reavaliação, que poderá resultar, conforme do pela lei nº 13.168, de 2015)
VII - promover a extensão, aberta à participa- o caso, em desativação de cursos e habili- III - em local visível da instituição de ensino
ção da população, visando à difusão das con- tações, em intervenção na instituição, em superior e de fácil acesso ao público; (Incluído
quistas e benefícios resultantes da criação pela lei nº 13.168, de 2015)
suspensão temporária de prerrogativas
cultural e da pesquisa científica e tecnológica
da autonomia, ou em descredenciamento. IV - deve ser atualizada semestralmente ou
geradas na instituição.
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder anualmente, de acordo com a duração das
VIII - atuar em favor da universalização e do disciplinas de cada curso oferecido, obser-
aprimoramento da educação básica, median- Executivo responsável por sua manutenção
acompanhará o processo de saneamento vando o seguinte: (Incluído pela lei nº 13.168,
te a formação e a capacitação de profissio- de 2015)
nais, a realização de pesquisas pedagógicas e fornecerá recursos adicionais, se neces-
e o desenvolvimento de atividades de exten- sários, para a superação das deficiências. a) caso o curso mantenha disciplinas com
são que aproximem os dois níveis escolares. § 3º No caso de instituição privada, além duração diferenciada, a publicação deve
(Incluído pela Lei nº 13.174, de 2015) das sanções previstas no § 1o deste artigo, ser semestral; (Incluída pela lei nº 13.168,
o processo de reavaliação poderá resultar de 2015)
Art. 44. A educação superior abrangerá b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês
os seguintes cursos e programas: em redução de vagas autorizadas e em
suspensão temporária de novos ingressos antes do início das aulas; (Incluída pela lei
I - cursos sequenciais por campo de saber,
de diferentes níveis de abrangência, aber- e de oferta de cursos. (Incluído pela Lei nº nº 13.168, de 2015)
tos a candidatos que atendam aos requisitos 13.530, de 2017) c) caso haja mudança na grade do curso
estabelecidos pelas instituições de ensino, § 4º É facultado ao Ministério da Educação, ou no corpo docente até o início das aulas,
desde que tenham concluído o ensino médio mediante procedimento específico e com os alunos devem ser comunicados sobre
ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº aquiescência da instituição de ensino, com as alterações; (Incluída pela lei nº 13.168,
11.632, de 2007). de 2015)
vistas a resguardar os interesses dos estu-
II - de graduação, abertos a candidatos que dantes, comutar as penalidades previstas V - deve conter as seguintes informações: (In-
tenham concluído o ensino médio ou equiva- cluído pela lei nº 13.168, de 2015)
nos §§ 1º e 3º deste artigo por outras medi-
lente e tenham sido classificados em proces- a) a lista de todos os cursos oferecidos pela
so seletivo; das, desde que adequadas para superação
das deficiências e irregularidades constata- instituição de ensino superior; (Incluída
III - de pós-graduação, compreendendo pro- pela lei nº 13.168, de 2015)
gramas de mestrado e doutorado, cursos de das. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017)
especialização, aperfeiçoamento e outros, § 5º Para fins de regulação, os Estados e o b) a lista das disciplinas que compõem a
abertos a candidatos diplomados em cursos Distrito Federal deverão adotar os critérios grade curricular de cada curso e as res-
de graduação e que atendam às exigências definidos pela União para autorização de pectivas cargas horárias; (Incluída pela lei
das instituições de ensino; funcionamento de curso de graduação nº 13.168, de 2015)
IV - de extensão, abertos a candidatos que em Medicina. (Incluído pela Lei nº 13.530, c) a identificação dos docentes que minis-
atendam aos requisitos estabelecidos em ca- de 2017) trarão as aulas em cada curso, as discipli-
da caso pelas instituições de ensino. nas que efetivamente ministrará naquele
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo
§ 1º Os resultados do processo seletivo curso ou cursos, sua titulação, abrangendo
regular, independente do ano civil, tem, no
referido no inciso II do caput deste artigo a qualificação profissional do docente e o
mínimo, duzentos dias de trabalho acadê-
serão tornados públicos pelas instituições tempo de casa do docente, de forma total,
mico efetivo, excluído o tempo reservado
de ensino superior, sendo obrigatória a contínua ou intermitente. (Incluída pela lei
aos exames finais, quando houver.
divulgação da relação nominal dos classifi- nº 13.168, de 2015)
§ 1º As instituições informarão aos interes-
cados, a respectiva ordem de classificação, § 2º Os alunos que tenham extraordinário
sados, antes de cada período letivo, os pro-
bem como do cronograma das chamadas aproveitamento nos estudos, demonstrado
gramas dos cursos e demais componentes
para matrícula, de acordo com os critérios por meio de provas e outros instrumentos
curriculares, sua duração, requisitos, qualifi-
para preenchimento das vagas constantes de avaliação específicos, aplicados por
cação dos professores, recursos disponíveis
do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº banca examinadora especial, poderão ter
e critérios de avaliação, obrigando-se a
11.331, de 2006) (Renumerado do parágrafo abreviada a duração dos seus cursos, de
cumprir as respectivas condições, e a pu-
único para § 1º pela Lei nº 13.184, de 2015) acordo com as normas dos sistemas de
blicação deve ser feita, sendo as 3 (três)
§ 2º No caso de empate no processo se- ensino.
primeiras formas concomitantemente:
letivo, as instituições públicas de ensino (Redação dada pela lei nº 13.168, de 2015) § 3º É obrigatória a frequência de alunos
superior darão prioridade de matrícula ao I - em página específica na internet no sítio e professores, salvo nos programas de
candidato que comprove ter renda fami- eletrônico oficial da instituição de ensino su- educação a distância.
liar inferior a dez salários mínimos, ou ao perior, obedecido o seguinte: (Incluído pela § 4º As instituições de educação superior
de menor renda familiar, quando mais de lei nº 13.168, de 2015) oferecerão, no período noturno, cursos

10
legislação complementar Art. 48
de graduação nos mesmos padrões de I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, plano de cargos e salários, atendidas as nor-
qualidade mantidos no período diurno, cursos e programas de educação superior mas gerais pertinentes e os recursos dispo-
sendo obrigatória a oferta noturna nas previstos nesta Lei, obedecendo às normas níveis;
instituições públicas, garantida a necessária gerais da União e, quando for o caso, do res- II - elaborar o regulamento de seu pessoal em
pectivo sistema de ensino; conformidade com as normas gerais concer-
previsão orçamentária.
II - fixar os currículos dos seus cursos e pro- nentes;
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores gramas, observadas as diretrizes gerais per- III - aprovar e executar planos, programas e
reconhecidos, quando registrados, terão tinentes; projetos de investimentos referentes a obras,
validade nacional como prova da formação III - estabelecer planos, programas e projetos serviços e aquisições em geral, de acordo
recebida por seu titular. de pesquisa científica, produção artística e com os recursos alocados pelo respectivo
§ 1º Os diplomas expedidos pelas univer- atividades de extensão; Poder mantenedor;
sidades serão por elas próprias registra- IV - fixar o número de vagas de acordo com IV - elaborar seus orçamentos anuais e plu-
dos, e aqueles conferidos por instituições a capacidade institucional e as exigências do rianuais;
não-universitárias serão registrados em seu meio; V - adotar regime financeiro e contábil que
universidades indicadas pelo Conselho V - elaborar e reformar os seus estatutos e atenda às suas peculiaridades de organiza-
Nacional de Educação. regimentos em consonância com as normas ção e funcionamento;
§ 2º Os diplomas de graduação expedi- gerais atinentes; VI - realizar operações de crédito ou de finan-
dos por universidades estrangeiras serão VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; ciamento, com aprovação do Poder compe-
revalidados por universidades públicas VII - firmar contratos, acordos e convênios; tente, para aquisição de bens imóveis, insta-
que tenham curso do mesmo nível e área VIII - aprovar e executar planos, programas e lações e equipamentos;
ou equivalente, respeitando-se os acor- projetos de investimentos referentes a obras, VII - efetuar transferências, quitações e tomar
dos internacionais de reciprocidade ou serviços e aquisições em geral, bem como ad- outras providências de ordem orçamentária,
equiparação. ministrar rendimentos conforme dispositivos financeira e patrimonial necessárias ao seu
institucionais; bom desempenho.
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Dou-
IX - administrar os rendimentos e deles dis- § 2º Atribuições de autonomia universitária
torado expedidos por universidades es-
por na forma prevista no ato de constituição, poderão ser estendidas a instituições que
trangeiras só poderão ser reconhecidos nas leis e nos respectivos estatutos;
por universidades que possuam cursos de comprovem alta qualificação para o ensino
X - receber subvenções, doações, heranças, ou para a pesquisa, com base em avaliação
pós-graduação reconhecidos e avaliados, legados e cooperação financeira resultante
na mesma área de conhecimento e em nível de convênios com entidades públicas e pri-
realizada pelo Poder Público.
equivalente ou superior. vadas. Art. 55. Caberá à União assegurar, anual-
Art. 49. As instituições de educação su- § 1º Para garantir a autonomia didático- mente, em seu Orçamento Geral, recursos
perior aceitarão a transferência de alunos -científica das universidades, caberá aos suficientes para manutenção e desen-
regulares, para cursos afins, na hipótese de seus colegiados de ensino e pesquisa de- volvimento das instituições de educação
existência de vagas, e mediante processo cidir, dentro dos recursos orçamentários superior por ela mantidas.
seletivo. disponíveis, sobre: (Redação dada pela Lei Art. 56. As instituições públicas de edu-
Parágrafo único. As transferências ex nº 13.490, de 2017) cação superior obedecerão ao princípio da
officio dar-se-ão na forma da lei. I - criação, expansão, modificação e extinção gestão democrática, assegurada a existên-
de cursos; (Redação dada pela Lei nº 13.490,
Art. 50. As instituições de educação supe- de 2017)
cia de órgãos colegiados deliberativos, de
rior, quando da ocorrência de vagas, abrirão que participarão os segmentos da comuni-
II - ampliação e diminuição de vagas; (Reda- dade institucional, local e regional.
matrícula nas disciplinas de seus cursos a ção dada pela Lei nº 13.490, de 2017)
alunos não regulares que demonstrarem Parágrafo único. Em qualquer caso, os
III - elaboração da programação dos cursos;
capacidade de cursá-las com proveito, me- (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017)
docentes ocuparão setenta por cento
diante processo seletivo prévio. dos assentos em cada órgão colegiado e
IV - programação das pesquisas e das ativida-
Art. 51. As instituições de educação su- des de extensão; (Redação dada pela Lei nº comissão, inclusive nos que tratarem da
perior credenciadas como universidades, 13.490, de 2017) elaboração e modificações estatutárias
ao deliberar sobre critérios e normas de V - contratação e dispensa de professores; e regimentais, bem como da escolha de
seleção e admissão de estudantes, levarão (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017) dirigentes.
em conta os efeitos desses critérios sobre a VI - planos de carreira docente. (Redação da- Art. 57. Nas instituições públicas de edu-
orientação do ensino médio, articulando-se da pela Lei nº 13.490, de 2017) cação superior, o professor ficará obrigado
com os órgãos normativos dos sistemas § 2º As doações, inclusive monetárias, ao mínimo de oito horas semanais de aulas.
de ensino. podem ser dirigidas a setores ou projetos
Art. 52. As universidades são instituições específicos, conforme acordo entre doa- CAPÍTULO V
pluridisciplinares de formação dos quadros dores e universidades. (Incluído pela Lei DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
profissionais de nível superior, de pesquisa, nº 13.490, de 2017)
de extensão e de domínio e cultivo do saber § 3º No caso das universidades públicas, Art. 58. Entende-se por educação espe-
humano, que se caracterizam por: os recursos das doações devem ser diri- cial, para os efeitos desta Lei, a modalidade
I - produção intelectual institucionalizada gidos ao caixa único da instituição, com de educação escolar oferecida preferen-
mediante o estudo sistemático dos temas e destinação garantida às unidades a serem cialmente na rede regular de ensino, para
problemas mais relevantes, tanto do ponto beneficiadas. (Incluído pela Lei nº 13.490, educandos com deficiência, transtornos
de vista científico e cultural, quanto regional de 2017) globais do desenvolvimento e altas habi-
e nacional; lidades ou superdotação. (Redação dada
II - um terço do corpo docente, pelo menos,
Art. 54. As universidades mantidas pelo
Poder Público gozarão, na forma da lei, de pela Lei nº 12.796, de 2013)
com titulação acadêmica de mestrado ou § 1º Haverá, quando necessário, serviços
doutorado; estatuto jurídico especial para atender às
peculiaridades de sua estrutura, organiza- de apoio especializado, na escola regular,
III - um terço do corpo docente em regime de para atender às peculiaridades da clientela
tempo integral. ção e financiamento pelo Poder Público,
assim como dos seus planos de carreira e de educação especial.
Parágrafo único. É facultada a criação de § 2º O atendimento educacional será feito
do regime jurídico do seu pessoal.
universidades especializadas por campo em classes, escolas ou serviços especializa-
§ 1º No exercício da sua autonomia, além
do saber. dos, sempre que, em função das condições
das atribuições asseguradas pelo artigo an-
Art. 53. No exercício de sua autonomia, terior, as universidades públicas poderão: específicas dos alunos, não for possível
são asseguradas às universidades, sem pre- I - propor o seu quadro de pessoal docente, a sua integração nas classes comuns de
juízo de outras, as seguintes atribuições: técnico e administrativo, assim como um ensino regular.

11
Art. 59 legislação complementar
§ 3º A oferta de educação especial, nos TÍTULO VI a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056,
termos do caput deste artigo, tem início DOS PROFISSIONAIS DA de 2009).
na educação infantil e estende-se ao longo EDUCAÇÃO § 3º A formação inicial de profissionais
da vida, observados o inciso III do art. 4º de magistério dará preferência ao ensino
e o parágrafo único do art. 60 desta Lei. Art. 61. Consideram-se profissionais da presencial, subsidiariamente fazendo uso
(Redação dada pela Lei nº 13.632, de 2018) educação escolar básica os que, nela es- de recursos e tecnologias de educação
tando em efetivo exercício e tendo sido a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056,
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão formados em cursos reconhecidos, são: de 2009).
aos educandos com deficiência, transtor-
(Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) § 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e
nos globais do desenvolvimento e altas I – professores habilitados em nível médio ou os Municípios adotarão mecanismos facili-
habilidades ou superdotação: (Redação superior para a docência na educação infantil tadores de acesso e permanência em cursos
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) e nos ensinos fundamental e médio; (Reda- de formação de docentes em nível superior
I - currículos, métodos, técnicas, recursos ção dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
para atuar na educação básica pública.
educativos e organização específicos, para II – trabalhadores em educação portadores
atender às suas necessidades;
(Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
de diploma de pedagogia, com habilitação
em administração, planejamento, supervi- § 5º A União, o Distrito Federal, os Estados
II - terminalidade específica para aqueles que
não puderem atingir o nível exigido para a são, inspeção e orientação educacional, bem e os Municípios incentivarão a formação
conclusão do ensino fundamental, em vir- como com títulos de mestrado ou doutorado de profissionais do magistério para atuar
tude de suas deficiências, e aceleração para nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº na educação básica pública mediante pro-
concluir em menor tempo o programa esco- 12.014, de 2009) grama institucional de bolsa de iniciação
lar para os superdotados; III – trabalhadores em educação, portadores à docência a estudantes matriculados em
III - professores com especialização adequa- de diploma de curso técnico ou superior em cursos de licenciatura, de graduação plena,
da em nível médio ou superior, para atendi- área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº nas instituições de educação superior. (In-
mento especializado, bem como professores 12.014, de 2009) cluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
do ensino regular capacitados para a integra- IV – profissionais com notório saber reco- § 6º O Ministério da Educação poderá es-
ção desses educandos nas classes comuns; nhecido pelos respectivos sistemas de ensi- tabelecer nota mínima em exame nacional
no, para ministrar conteúdos de áreas afins aplicado aos concluintes do ensino médio
IV - educação especial para o trabalho, visan-
à sua formação ou experiência profissional,
do a sua efetiva integração na vida em socie- como pré-requisito para o ingresso em
atestados por titulação específica ou prática
dade, inclusive condições adequadas para os de ensino em unidades educacionais da rede cursos de graduação para formação de
que não revelarem capacidade de inserção pública ou privada ou das corporações priva- docentes, ouvido o Conselho Nacional
no trabalho competitivo, mediante articula- das em que tenham atuado, exclusivamente de Educação - CNE. (Incluído pela Lei nº
ção com os órgãos oficiais afins, bem como para atender ao inciso V do caput do art. 36; 12.796, de 2013)
para aqueles que apresentam uma habilida- (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) § 7º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.796,
de superior nas áreas artística, intelectual ou V - profissionais graduados que tenham feito de 2013)
psicomotora; complementação pedagógica, conforme dis- § 8º Os currículos dos cursos de formação
V - acesso igualitário aos benefícios dos pro- posto pelo Conselho Nacional de Educação. de docentes terão por referência a Base
gramas sociais suplementares disponíveis (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) Nacional Comum Curricular. (Incluído pela
para o respectivo nível do ensino regular. Parágrafo único. A formação dos profis- lei nº 13.415, de 2017)
Art. 59-A. O poder público deverá insti- sionais da educação, de modo a atender Art. 62-A. A formação dos profissionais a
tuir cadastro nacional de alunos com altas às especificidades do exercício de suas que se refere o inciso III do art. 61 far-se-á
habilidades ou superdotação matriculados atividades, bem como aos objetivos das di- por meio de cursos de conteúdo técnico-
na educação básica e na educação superior, ferentes etapas e modalidades da educação -pedagógico, em nível médio ou superior,
a fim de fomentar a execução de políticas básica, terá como fundamentos: (Incluído incluindo habilitações tecnológicas. (Inclu-
públicas destinadas ao desenvolvimento pela Lei nº 12.014, de 2009) ído pela Lei nº 12.796, de 2013)
I – a presença de sólida formação básica, que
pleno das potencialidades desse alunado. propicie o conhecimento dos fundamentos Parágrafo único. Garantir-se-á formação
(Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) científicos e sociais de suas competências de continuada para os profissionais a que se
Parágrafo único. A identificação precoce trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) refere o caput, no local de trabalho ou em
de alunos com altas habilidades ou super- II – a associação entre teorias e práticas, me- instituições de educação básica e superior,
dotação, os critérios e procedimentos para diante estágios supervisionados e capacita- incluindo cursos de educação profissional,
inclusão no cadastro referido no caput ção em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, cursos superiores de graduação plena ou
deste artigo, as entidades responsáveis de 2009) tecnológicos e de pós-graduação. (Incluído
pelo cadastramento, os mecanismos de III – o aproveitamento da formação e expe- pela Lei nº 12.796, de 2013)
acesso aos dados do cadastro e as políticas riências anteriores, em instituições de ensino Art. 62-B. O acesso de professores das
e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº
de desenvolvimento das potencialidades redes públicas de educação básica a cursos
12.014, de 2009)
do alunado de que trata o caput serão superiores de pedagogia e licenciatura será
definidos em regulamento. Art. 62. A formação de docentes para efetivado por meio de processo seletivo
atuar na educação básica far-se-á em nível diferenciado. (Incluído pela Lei nº 13.478,
Art. 60. Os órgãos normativos dos siste- superior, em curso de licenciatura plena, de 2017)
mas de ensino estabelecerão critérios de
admitida, como formação mínima para o § 1º Terão direito de pleitear o acesso pre-
caracterização das instituições privadas exercício do magistério na educação in- visto no caput deste artigo os professores
sem fins lucrativos, especializadas e com fantil e nos cinco primeiros anos do ensino das redes públicas municipais, estaduais
atuação exclusiva em educação especial, fundamental, a oferecida em nível médio, e federal que ingressaram por concurso
para fins de apoio técnico e financeiro pelo na modalidade normal. (Redação dada pela público, tenham pelo menos três anos de
Poder Público. lei nº 13.415, de 2017) exercício da profissão e não sejam porta-
Parágrafo único. O poder público adotará, § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados dores de diploma de graduação. (Incluído
como alternativa preferencial, a ampliação e os Municípios, em regime de colaboração, pela Lei nº 13.478, de 2017)
do atendimento aos educandos com defi- deverão promover a formação inicial, a § 2º As instituições de ensino responsáveis
ciência, transtornos globais do desenvolvi- continuada e a capacitação dos profissio- pela oferta de cursos de pedagogia e outras
mento e altas habilidades ou superdotação nais de magistério. (Incluído pela Lei nº licenciaturas definirão critérios adicionais
na própria rede pública regular de ensino, 12.056, de 2009). de seleção sempre que acorrerem aos cer-
independentemente do apoio às institui- § 2º A formação continuada e a capacitação tames interessados em número superior ao
ções previstas neste artigo. (Redação dada dos profissionais de magistério poderão de vagas disponíveis para os respectivos
pela Lei nº 12.796, de 2013) utilizar recursos e tecnologias de educação cursos. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)

12
legislação complementar Art. 63
§ 3º Sem prejuízo dos concursos seletivos coordenação e assessoramento pedagó- Art. 70. Considerar-se-ão como de ma-
a serem definidos em regulamento pelas gico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) nutenção e desenvolvimento do ensino as
universidades, terão prioridade de ingresso § 3º A União prestará assistência técni- despesas realizadas com vistas à consecu-
os professores que optarem por cursos de ca aos Estados, ao Distrito Federal e aos ção dos objetivos básicos das instituições
licenciatura em matemática, física, química, Municípios na elaboração de concursos educacionais de todos os níveis, compre-
biologia e língua portuguesa. (Incluído pela públicos para provimento de cargos dos endendo as que se destinam a:
Lei nº 13.478, de 2017) profissionais da educação. (Incluído pela I - remuneração e aperfeiçoamento do pes-
Art. 63. Os institutos superiores de edu- Lei nº 12.796, de 2013) soal docente e demais profissionais da edu-
cação;
cação manterão:
I - cursos formadores de profissionais para TÍTULO VII II - aquisição, manutenção, construção e
a educação básica, inclusive o curso normal DOS RECURSOS FINANCEIROS conservação de instalações e equipamentos
superior, destinado à formação de docentes necessários ao ensino;
para a educação infantil e para as primeiras Art. 68. Serão recursos públicos destina- III – uso e manutenção de bens e serviços vin-
séries do ensino fundamental; culados ao ensino;
dos à educação os originários de:
II - programas de formação pedagógica pa- I - receita de impostos próprios da União, dos IV - levantamentos estatísticos, estudos e
ra portadores de diplomas de educação su- Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; pesquisas visando precipuamente ao apri-
perior que queiram se dedicar à educação moramento da qualidade e à expansão do
II - receita de transferências constitucionais e
básica; ensino;
outras transferências;
III - programas de educação continuada pa- V - realização de atividades-meio necessárias
III - receita do salário-educação e de outras
ra os profissionais de educação dos diversos ao funcionamento dos sistemas de ensino;
contribuições sociais;
níveis. VI - concessão de bolsas de estudo a alunos
IV - receita de incentivos fiscais;
de escolas públicas e privadas;
Art. 64. A formação de profissionais de V - outros recursos previstos em lei.
educação para administração, planeja- VII - amortização e custeio de operações de
mento, inspeção, supervisão e orientação Art. 69. A União aplicará, anualmente, crédito destinadas a atender ao disposto nos
nunca menos de dezoito, e os Estados, incisos deste artigo;
educacional para a educação básica, será
o Distrito Federal e os Municípios, vinte VIII - aquisição de material didático-escolar
feita em cursos de graduação em pedago-
e cinco por cento, ou o que consta nas e manutenção de programas de transporte
gia ou em nível de pós-graduação, a critério escolar.
da instituição de ensino, garantida, nesta respectivas Constituições ou Leis Orgâ-
formação, a base comum nacional. nicas, da receita resultante de impostos, Art. 71. Não constituirão despesas de
compreendidas as transferências constitu- manutenção e desenvolvimento do ensino
Art. 65. A formação docente, exceto para cionais, na manutenção e desenvolvimento aquelas realizadas com:
a educação superior, incluirá prática de do ensino público. I - pesquisa, quando não vinculada às insti-
ensino de, no mínimo, trezentas horas.
§ 1º A parcela da arrecadação de impos- tuições de ensino, ou, quando efetivada fora
Art. 66. A preparação para o exercício tos transferida pela União aos Estados, ao dos sistemas de ensino, que não vise, preci-
do magistério superior far-se-á em nível Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos puamente, ao aprimoramento de sua quali-
de pós-graduação, prioritariamente em Estados aos respectivos Municípios, não dade ou à sua expansão;
programas de mestrado e doutorado. será considerada, para efeito do cálculo II - subvenção a instituições públicas ou pri-
Parágrafo único. O notório saber, reco- previsto neste artigo, receita do governo vadas de caráter assistencial, desportivo ou
nhecido por universidade com curso de cultural;
que a transferir.
doutorado em área afim, poderá suprir a III - formação de quadros especiais para a ad-
§ 2º Serão consideradas excluídas das recei-
exigência de título acadêmico. ministração pública, sejam militares ou civis,
tas de impostos mencionadas neste artigo inclusive diplomáticos;
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão as operações de crédito por antecipação de
IV - programas suplementares de alimenta-
a valorização dos profissionais da educa- receita orçamentária de impostos. ção, assistência médico-odontológica, far-
ção, assegurando-lhes, inclusive nos termos § 3º Para fixação inicial dos valores corres- macêutica e psicológica, e outras formas de
dos estatutos e dos planos de carreira do pondentes aos mínimos estatuídos neste assistência social;
magistério público: artigo, será considerada a receita estima- V - obras de infraestrutura, ainda que realiza-
I - ingresso exclusivamente por concurso pú- da na lei do orçamento anual, ajustada, das para beneficiar direta ou indiretamente a
blico de provas e títulos; quando for o caso, por lei que autorizar a rede escolar;
II - aperfeiçoamento profissional continuado, abertura de créditos adicionais, com base VI - pessoal docente e demais trabalhadores
inclusive com licenciamento periódico remu- no eventual excesso de arrecadação. da educação, quando em desvio de função
nerado para esse fim; § 4º As diferenças entre a receita e a des- ou em atividade alheia à manutenção e de-
III - piso salarial profissional; pesa previstas e as efetivamente realizadas, senvolvimento do ensino.
IV - progressão funcional baseada na titula- que resultem no não atendimento dos
ção ou habilitação, e na avaliação do desem-
Art. 72. As receitas e despesas com ma-
percentuais mínimos obrigatórios, serão nutenção e desenvolvimento do ensino
penho; apuradas e corrigidas a cada trimestre do serão apuradas e publicadas nos balanços
V - período reservado a estudos, planejamen- exercício financeiro.
to e avaliação, incluído na carga de trabalho; do Poder Público, assim como nos relató-
§ 5º O repasse dos valores referidos neste rios a que se refere o § 3º do art. 165 da
VI - condições adequadas de trabalho. artigo do caixa da União, dos Estados, do Constituição Federal.
§ 1º A experiência docente é pré-requisito Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá
para o exercício profissional de quaisquer imediatamente ao órgão responsável pela Art. 73. Os órgãos fiscalizadores exami-
outras funções de magistério, nos termos educação, observados os seguintes prazos: narão, prioritariamente, na prestação de
das normas de cada sistema de ensino. I - recursos arrecadados do primeiro ao déci- contas de recursos públicos, o cumprimen-
(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) mo dia de cada mês, até o vigésimo dia; to do disposto no art. 212 da Constituição
§ 2º Para os efeitos do disposto no § 5º do II - recursos arrecadados do décimo primeiro Federal, no art. 60 do Ato das Disposições
art. 40 e no § 8º do art. 201 da Constitui- ao vigésimo dia de cada mês, até o trigésimo Constitucionais Transitórias e na legislação
ção Federal, são consideradas funções de dia; concernente.
magistério as exercidas por professores e III - recursos arrecadados do vigésimo pri- Art. 74. A União, em colaboração com
especialistas em educação no desempenho meiro dia ao final de cada mês, até o décimo os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
de atividades educativas, quando exercidas dia do mês subsequente. cípios, estabelecerá padrão mínimo de
em estabelecimento de educação básica § 6º O atraso da liberação sujeitará os oportunidades educacionais para o ensino
em seus diversos níveis e modalidades, recursos a correção monetária e à respon- fundamental, baseado no cálculo do cus-
incluídas, além do exercício da docência, sabilização civil e criminal das autoridades to mínimo por aluno, capaz de assegurar
as de direção de unidade escolar e as de competentes. ensino de qualidade.

13
Art. 75 legislação complementar
Parágrafo único. O custo mínimo de que TÍTULO VIII mentação, caberão aos respectivos siste-
trata este artigo será calculado pela União DAS DISPOSIÇÕES GERAIS mas de ensino, podendo haver cooperação
ao final de cada ano, com validade para o e integração entre os diferentes sistemas.
ano subsequente, considerando variações Art. 78. O Sistema de Ensino da União, § 4º A educação a distância gozará de tra-
regionais no custo dos insumos e as diver- com a colaboração das agências federais tamento diferenciado, que incluirá:
sas modalidades de ensino. de fomento à cultura e de assistência aos I - custos de transmissão reduzidos em canais
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva índios, desenvolverá programas integra- comerciais de radiodifusão sonora e de sons
da União e dos Estados será exercida de dos de ensino e pesquisa, para oferta de e imagens e em outros meios de comunica-
modo a corrigir, progressivamente, as dis- educação escolar bilíngue e intercultural ção que sejam explorados mediante auto-
aos povos indígenas, com os seguintes rização, concessão ou permissão do poder
paridades de acesso e garantir o padrão
objetivos: público; (Redação dada pela Lei nº 12.603,
mínimo de qualidade de ensino.
I - proporcionar aos índios, suas comunida- de 2012)
§ 1º A ação a que se refere este artigo
des e povos, a recuperação de suas memórias II - concessão de canais com finalidades ex-
obedecerá a fórmula de domínio público históricas; a reafirmação de suas identidades clusivamente educativas;
que inclua a capacidade de atendimento étnicas; a valorização de suas línguas e ciên- III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para
e a medida do esforço fiscal do respectivo cias; o Poder Público, pelos concessionários de ca-
Estado, do Distrito Federal ou do Município II - garantir aos índios, suas comunidades nais comerciais.
em favor da manutenção e do desenvolvi- e povos, o acesso às informações, conheci-
mento do ensino. mentos técnicos e científicos da sociedade Art. 81. É permitida a organização de
§ 2º A capacidade de atendimento de cada nacional e demais sociedades indígenas e cursos ou instituições de ensino experimen-
governo será definida pela razão entre os não-índias. tais, desde que obedecidas as disposições
recursos de uso constitucionalmente obri- Art. 79. A União apoiará técnica e fi- desta Lei.
gatório na manutenção e desenvolvimento nanceiramente os sistemas de ensino no Art. 82. Os sistemas de ensino estabele-
do ensino e o custo anual do aluno, relativo provimento da educação intercultural às cerão as normas de realização de estágio
ao padrão mínimo de qualidade. comunidades indígenas, desenvolvendo em sua jurisdição, observada a lei federal
§ 3º Com base nos critérios estabeleci- programas integrados de ensino e pes- sobre a matéria. (Redação dada pela Lei nº
dos nos §§ 1º e 2º, a União poderá fazer quisa. 11.788, de 2008)
a transferência direta de recursos a cada § 1º Os programas serão planejados com
estabelecimento de ensino, considerado Parágrafo único. (Revogado). (Redação
audiência das comunidades indígenas. dada pela Lei nº 11.788, de 2008)
o número de alunos que efetivamente
§ 2º Os programas a que se refere este
frequentam a escola.
artigo, incluídos nos Planos Nacionais de
Art. 83. O ensino militar é regulado em
§ 4º A ação supletiva e redistributiva não Educação, terão os seguintes objetivos: lei específica, admitida a equivalência de
poderá ser exercida em favor do Distrito I - fortalecer as práticas socioculturais e a lín- estudos, de acordo com as normas fixadas
Federal, dos Estados e dos Municípios se gua materna de cada comunidade indígena; pelos sistemas de ensino.
estes oferecerem vagas, na área de ensino II - manter programas de formação de pesso- Art. 84. Os discentes da educação superior
de sua responsabilidade, conforme o inciso al especializado, destinado à educação esco- poderão ser aproveitados em tarefas de
VI do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta lar nas comunidades indígenas; ensino e pesquisa pelas respectivas insti-
Lei, em número inferior à sua capacidade III - desenvolver currículos e programas tuições, exercendo funções de monitoria,
de atendimento. específicos, neles incluindo os conteúdos
de acordo com seu rendimento e seu plano
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva culturais correspondentes às respectivas co-
munidades; de estudos.
prevista no artigo anterior ficará condi-
cionada ao efetivo cumprimento pelos IV - elaborar e publicar sistematicamente ma- Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com
Estados, Distrito Federal e Municípios do terial didático específico e diferenciado. a titulação própria poderá exigir a abertura
disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras § 3º No que se refere à educação superior, de concurso público de provas e títulos para
prescrições legais. sem prejuízo de outras ações, o atendimen- cargo de docente de instituição pública
to aos povos indígenas efetivar-se-á, nas de ensino que estiver sendo ocupado por
Art. 77. Os recursos públicos serão des- professor não concursado, por mais de seis
universidades públicas e privadas, median-
tinados às escolas públicas, podendo ser
te a oferta de ensino e de assistência estu- anos, ressalvados os direitos assegurados
dirigidos a escolas comunitárias, confes-
dantil, assim como de estímulo à pesquisa pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19
sionais ou filantrópicas que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não
e desenvolvimento de programas especiais. do Ato das Disposições Constitucionais
distribuam resultados, dividendos, bonifica- (Incluído pela Lei nº 12.416, de 2011) Transitórias.
ções, participações ou parcela de seu patri- Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº Art. 86. As instituições de educação su-
mônio sob nenhuma forma ou pretexto; 10.639, de 9.1.2003) perior constituídas como universidades
II - apliquem seus excedentes financeiros em integrar-se-ão, também, na sua condição
educação;
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá
o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional de instituições de pesquisa, ao Sistema Na-
III - assegurem a destinação de seu patrimô- cional de Ciência e Tecnologia, nos termos
da Consciência Negra’. (Incluído pela Lei nº
nio a outra escola comunitária, filantrópica
10.639, de 9.1.2003) da legislação específica.
ou confessional, ou ao Poder Público, no caso
de encerramento de suas atividades; Art. 80. O Poder Público incentivará o
IV - prestem contas ao Poder Público dos re- desenvolvimento e a veiculação de pro- TÍTULO IX
cursos recebidos. gramas de ensino a distância, em todos DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
§ 1º Os recursos de que trata este artigo os níveis e modalidades de ensino, e de
poderão ser destinados a bolsas de estudo educação continuada. Art. 87. É instituída a Década da Educação,
para a educação básica, na forma da lei, § 1º A educação a distância, organizada a iniciar-se um ano a partir da publicação
para os que demonstrarem insuficiência com abertura e regime especiais, será ofe- desta Lei.
de recursos, quando houver falta de va- recida por instituições especificamente § 1º A União, no prazo de um ano a partir
gas e cursos regulares da rede pública de credenciadas pela União. da publicação desta Lei, encaminhará, ao
domicílio do educando, ficando o Poder § 2º A União regulamentará os requisitos Congresso Nacional, o Plano Nacional de
Público obrigado a investir prioritariamente para a realização de exames e registro de Educação, com diretrizes e metas para os
na expansão da sua rede local. diploma relativos a cursos de educação dez anos seguintes, em sintonia com a
§ 2º As atividades universitárias de pes- a distância. Declaração Mundial sobre Educação para
quisa e extensão poderão receber apoio § 3º As normas para produção, controle Todos.
financeiro do Poder Público, inclusive e avaliação de programas de educação a § 2º (Revogado). (Redação dada pela lei nº
mediante bolsas de estudo. distância e a autorização para sua imple- 12.796, de 2013)

14
legislação complementar Art. 87-A
§ 3º O Distrito Federal, cada Estado e Mu- públicas urbanas de ensino fundamental prazo de três anos, a contar da publicação
nicípio, e, supletivamente, a União, devem: para o regime de escolas de tempo integral. desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema
(Redação dada pela Lei nº 11.330, de 2006) § 6º A assistência financeira da União de ensino.
I - (revogado); (Redação dada pela lei nº aos Estados, ao Distrito Federal e aos Art. 90. As questões suscitadas na tran-
12.796, de 2013) Municípios, bem como a dos Estados aos sição entre o regime anterior e o que se
a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº seus Municípios, ficam condicionadas ao institui nesta Lei serão resolvidas pelo Con-
11.274, de 2006) cumprimento do art. 212 da Constituição selho Nacional de Educação ou, mediante
Federal e dispositivos legais pertinentes delegação deste, pelos órgãos normativos
b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº
pelos governos beneficiados. dos sistemas de ensino, preservada a auto-
11.274, de 2006)
c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº Art. 87-A. (VETADO). (Incluído pela lei nº nomia universitária.
11.274, de 2006) 12.796, de 2013) Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data
II - prover cursos presenciais ou a distância Art. 88. A União, os Estados, o Distrito de sua publicação.
aos jovens e adultos insuficientemente esco- Federal e os Municípios adaptarão sua Art. 92. Revogam-se as disposições das
larizados; legislação educacional e de ensino às dis- Leis nºs 4.024, de 20 de dezembro de 1961,
III - realizar programas de capacitação para posições desta Lei no prazo máximo de e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não
todos os professores em exercício, utilizando um ano, a partir da data de sua publicação. alteradas pelas Leis nºs 9.131, de 24 de no-
também, para isto, os recursos da educação § 1º As instituições educacionais adaptarão vembro de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro
a distância; seus estatutos e regimentos aos dispositi- de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de
IV - integrar todos os estabelecimentos de vos desta Lei e às normas dos respectivos agosto de 1971 e 7.044, de 18 de outubro
ensino fundamental do seu território ao sis- sistemas de ensino, nos prazos por estes de 1982, e as demais leis e decretos-lei
tema nacional de avaliação do rendimento estabelecidos. que as modificaram e quaisquer outras
escolar. § 2º O prazo para que as universidades disposições em contrário.
§ 4º (Revogado). (Redação dada pela lei cumpram o disposto nos incisos II e III do Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da
nº 12.796, de 2013) art. 52 é de oito anos. Independência e 108º da República.
§ 5º Serão conjugados todos os esforços ob- Art. 89. As creches e pré-escolas existen- FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
jetivando a progressão das redes escolares tes ou que venham a ser criadas deverão, no DOU de 23.12.1996

15
Art. 1° legislação complementar

LEI Nº 9.472, DE 16 DE JULHO DE 1997

Dispõe sobre a organização dos serviços de tele- IX - ao respeito de sua privacidade nos docu- práticas que possam limitar, falsear ou, de
comunicações, a criação e funcionamento de um mentos de cobrança e na utilização de seus qualquer forma, prejudicar a livre concor-
órgão regulador e outros aspectos institucionais, dados pessoais pela prestadora do serviço; rência ou a livre iniciativa.
nos termos da Emenda Constitucional nº 8, de 1995. X - de resposta às suas reclamações pela pres-
O Presidente da República tadora do serviço; LIVRO II
Faço saber que o Congresso Nacional de- XI - de peticionar contra a prestadora do ser- DO ÓRGÃO REGULADOR E DAS
creta e eu sanciono a seguinte Lei: viço perante o órgão regulador e os organis- POLÍTICAS SETORIAIS
mos de defesa do consumidor;
LIVRO I XII - à reparação dos danos causados pela
violação de seus direitos. TÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Parágrafo único. Para o cumprimento do DA CRIAÇÃO DO ÓRGÃO
disposto no inciso IV do caput deste artigo, a REGULADOR
Art. 1° Compete à União, por intermédio prestadora de serviço deverá divulgar em seu
do órgão regulador e nos termos das políti- sítio eletrônico, de forma clara e de fácil com-
cas estabelecidas pelos Poderes Executivo Art. 8° Fica criada a Agência Nacional de
preensão pelos usuários, tabela com o valor
e Legislativo, organizar a exploração dos das tarifas e preços praticados e a evolução
Telecomunicações, entidade integrante
serviços de telecomunicações. dos reajustes realizados nos últimos cinco da Administração Pública Federal indireta,
anos. (Incluído pela Lei nº 13.673, de 2018) submetida a regime autárquico especial
Parágrafo único. A organização inclui, e vinculada ao Ministério das Comunica-
entre outros aspectos, o disciplinamento e Art. 4° O usuário de serviços de teleco- ções, com a função de órgão regulador das
a fiscalização da execução, comercialização municações tem o dever de: telecomunicações, com sede no Distrito
e uso dos serviços e da implantação e fun- I - utilizar adequadamente os serviços, equi- Federal, podendo estabelecer unidades
cionamento de redes de telecomunicações, pamentos e redes de telecomunicações;
regionais.
bem como da utilização dos recursos de II - respeitar os bens públicos e aqueles volta-
§ 1º A Agência terá como órgão máximo o
órbita e espectro de radiofrequências. dos à utilização do público em geral;
Conselho Diretor, devendo contar, também,
III - comunicar às autoridades irregularidades
Art. 2° O Poder Público tem o dever de: ocorridas e atos ilícitos cometidos por presta-
com um Conselho Consultivo, uma Procura-
I - garantir, a toda a população, o acesso às te- dora de serviço de telecomunicações. doria, uma Corregedoria, uma Biblioteca e
lecomunicações, a tarifas e preços razoáveis, uma Ouvidoria, além das unidades especia-
em condições adequadas; Art. 5º Na disciplina das relações eco- lizadas incumbidas de diferentes funções.
II - estimular a expansão do uso de redes e nômicas no setor de telecomunicações § 2º A natureza de autarquia especial
serviços de telecomunicações pelos serviços observar-se-ão, em especial, os princípios conferida à Agência é caracterizada por
de interesse público em benefício da popula- constitucionais da soberania nacional, independência administrativa, ausência
ção brasileira; função social da propriedade, liberdade de subordinação hierárquica, mandato
III - adotar medidas que promovam a com- de iniciativa, livre concorrência, defesa do fixo e estabilidade de seus dirigentes e
petição e a diversidade dos serviços, incre- consumidor, redução das desigualdades autonomia financeira.
mentem sua oferta e propiciem padrões de regionais e sociais, repressão ao abuso
qualidade compatíveis com a exigência dos do poder econômico e continuidade do Art. 9° A Agência atuará como autori­
usuários; serviço prestado no regime público. dade administrativa independente,
IV - fortalecer o papel regulador do Estado; assegurando-se-lhe, nos termos desta Lei,
Art. 6° Os serviços de telecomunicações as prerrogativas necessárias ao exercício
V - criar oportunidades de investimento e
serão organizados com base no princípio da adequado de sua competência.
estimular o desenvolvimento tecnológico e
industrial, em ambiente competitivo;
livre, ampla e justa competição entre todas
as prestadoras, devendo o Poder Público Art. 10. Caberá ao Poder Executivo instalar
VI - criar condições para que o desenvolvi- a Agência, devendo o seu regulamento,
atuar para propiciá-la, bem como para cor-
mento do setor seja harmônico com as metas aprovado por decreto do Presidente da
de desenvolvimento social do País. rigir os efeitos da competição imperfeita e
reprimir as infrações da ordem econômica. República, fixar-lhe a estrutura organiza-
Art. 3° O usuário de serviços de teleco- cional.
Art. 7° As normas gerais de proteção à Parágrafo único. A edição do regula-
municações tem direito: ordem econômica são aplicáveis ao setor de
I - de acesso aos serviços de telecomunica- mento marcará a instalação da Agência,
telecomunicações, quando não conflitarem investindo-a automaticamente no exercício
ções, com padrões de qualidade e regulari-
dade adequados à sua natureza, em qualquer com o disposto nesta Lei. de suas atribuições.
ponto do território nacional; § 1º Os atos envolvendo prestadora de
serviço de telecomunicações, no regime Art. 11. O Poder Executivo encaminhará
II - à liberdade de escolha de sua prestadora ao Congresso Nacional, no prazo de até
de serviço; público ou privado, que visem a qualquer
forma de concentração econômica, inclu- noventa dias, a partir da publicação desta
III - de não ser discriminado quanto às condi- Lei, mensagem criando o quadro efetivo
ções de acesso e fruição do serviço; sive mediante fusão ou incorporação de
empresas, constituição de sociedade para de pessoal da Agência, podendo rema-
IV - à informação adequada sobre as condi- nejar cargos disponíveis na estrutura do
ções de prestação dos serviços, suas tarifas e exercer o controle de empresas ou qualquer
forma de agrupamento societário, ficam Ministério das Comunicações.
preços;
V - à inviolabilidade e ao segredo de sua co- submetidos aos controles, procedimentos Art. 12. (Revogado pela Lei nº 9.986, de
municação, salvo nas hipóteses e condições e condicionamentos previstos nas normas 18.7.2000)
constitucional e legalmente previstas; gerais de proteção à ordem econômica.
Art. 13. (Revogado pela Lei nº 9.986, de
VI - à não divulgação, caso o requeira, de seu § 2° Os atos de que trata o parágrafo an- 18.7.2000)
código de acesso; terior serão submetidos à apreciação do
Conselho Administrativo de Defesa Econô- Art. 14. (Revogado pela Lei nº 9.986, de
VII - à não suspensão de serviço prestado em
mica - CADE, por meio do órgão regulador. 18.7.2000)
regime público, salvo por débito diretamente
decorrente de sua utilização ou por descum- § 3º Praticará infração da ordem econômica Art. 15. A fixação das dotações orçamen-
primento de condições contratuais; a prestadora de serviço de telecomunica- tárias da Agência na Lei de Orçamento
VIII - ao prévio conhecimento das condições ções que, na celebração de contratos de Anual e sua programação orçamentária e
de suspensão do serviço; fornecimento de bens e serviços, adotar financeira de execução não sofrerão limites

16
legislação complementar Art. 15
nos seus valores para movimentação e VII - controlar, acompanhar e proceder à revi- XXX - rever, periodicamente, os planos enu-
empenho. são de tarifas dos serviços prestados no regi- merados nos incisos II e III do artigo anterior,
me público, podendo fixá-las nas condições submetendo-os, por intermédio do Ministro
Art. 16. Fica o Poder Executivo autorizado previstas nesta Lei, bem como homologar de Estado das Comunicações, ao Presidente
a realizar as despesas e os investimentos reajustes; da República, para aprovação;
necessários à instalação da Agência, po- VIII - administrar o espectro de radiofrequên- XXXI - promover interação com adminis-
dendo remanejar, transferir ou utilizar cias e o uso de órbitas, expedindo as respec- trações de telecomunicações dos países do
saldos orçamentários, empregando como tivas normas; Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, com
recursos dotações destinadas a atividades IX - editar atos de outorga e extinção do di- vistas à consecução de objetivos de interesse
finalísticas e administrativas do Ministério reito de uso de radiofrequência e de órbita, comum.
das Comunicações, inclusive do Fundo de fiscalizando e aplicando sanções;
Fiscalização das Telecomunicações - FISTEL. X - expedir normas sobre prestação de servi- TÍTULO III
Parágrafo único. Serão transferidos à ços de telecomunicações no regime privado; DOS ÓRGÃOS SUPERIORES
Agência os acervos técnico e patrimonial, XI - expedir e extinguir autorização para
bem como as obrigações e direitos do prestação de serviço no regime privado, fis-
Ministério das Comunicações, correspon- calizando e aplicando sanções; CAPÍTULO I
dentes às atividades a ela atribuídas por XII - expedir normas e padrões a serem cum- DO CONSELHO DIRETOR
esta Lei. pridos pelas prestadoras de serviços de te-
Art. 17. A extinção da Agência somente lecomunicações quanto aos equipamentos Art. 20. O Conselho Diretor será compos-
que utilizarem; to por cinco conselheiros e decidirá por
ocorrerá por lei específica.
XIII - expedir ou reconhecer a certificação de maioria absoluta.
produtos, observados os padrões e normas Parágrafo único. Cada conselheiro votará
TÍTULO II por ela estabelecidos; com independência, fundamentando seu
DAS COMPETÊNCIAS
XIV - expedir normas e padrões que assegu- voto.
rem a compatibilidade, a operação integrada
Art. 18. Cabe ao Poder Executivo, obser- e a interconexão entre as redes, abrangendo
Art. 21. As sessões do Conselho Diretor
vadas as disposições desta Lei, por meio inclusive os equipamentos terminais; serão registradas em atas, que ficarão ar-
de decreto: quivadas na Biblioteca, disponíveis para
XV - realizar busca e apreensão de bens no
I - instituir ou eliminar a prestação de moda- âmbito de sua competência;
conhecimento geral.
lidade de serviço no regime público, conco- § 1º Quando a publicidade puder colocar
XVI - deliberar na esfera administrativa quan-
mitantemente ou não com sua prestação no em risco a segurança do País, ou violar
regime privado; to à interpretação da legislação de telecomu-
nicações e sobre os casos omissos; segredo protegido ou a intimidade de al-
II - aprovar o plano geral de outorgas de ser- guém, os registros correspondentes serão
viço prestado no regime público; XVII - compor administrativamente conflitos
de interesses entre prestadoras de serviço de mantidos em sigilo.
III - aprovar o plano geral de metas para a telecomunicações; § 2º As sessões deliberativas do Conselho
progressiva universalização de serviço pres- Diretor que se destinem a resolver pen-
tado no regime público; XVIII - reprimir infrações dos direitos dos
usuários; dências entre agentes econômicos e entre
IV - autorizar a participação de empresa bra- estes e consumidores e usuários de bens
sileira em organizações ou consórcios inter- XIX - exercer, relativamente às telecomuni-
cações, as competências legais em matéria e serviços de telecomunicações serão pú-
governamentais destinados ao provimento
de controle, prevenção e repressão das in- blicas, permitida a sua gravação por meios
de meios ou à prestação de serviços de tele-
comunicações. frações da ordem econômica, ressalvadas as eletrônicos e assegurado aos interessados o
pertencentes ao Conselho Administrativo de direito de delas obter transcrições.
Parágrafo único. O Poder Executivo, le- Defesa Econômica - CADE;
vando em conta os interesses do País no Art. 22. Compete ao Conselho Diretor:
XX - propor ao Presidente da República, por I - submeter ao Presidente da República, por
contexto de suas relações com os demais intermédio do Ministério das Comunicações, intermédio do Ministro de Estado das Comu-
países, poderá estabelecer limites à partici- a declaração de utilidade pública, para fins nicações, as modificações do regulamento da
pação estrangeira no capital de prestadora de desapropriação ou instituição de servi- Agência;
de serviços de telecomunicações. dão administrativa, dos bens necessários à II - aprovar normas próprias de licitação e
Art. 19. À Agência compete adotar as implantação ou manutenção de serviço no contratação;
regime público;
medidas necessárias para o atendimento do III - propor o estabelecimento e alteração
interesse público e para o desenvolvimento XXI - arrecadar e aplicar suas receitas; das políticas governamentais de telecomu-
das telecomunicações brasileiras, atuando XXII - resolver quanto à celebração, alteração nicações;
com independência, imparcialidade, lega- ou extinção de seus contratos, bem como IV - editar normas sobre matérias de compe-
quanto à nomeação, exoneração e demissão tência da Agência;
lidade, impessoalidade e publicidade, e
de servidores, realizando os procedimentos
especialmente: V - aprovar editais de licitação, homologar
necessários, na forma em que dispuser o re-
I - implementar, em sua esfera de atribuições, adjudicações, bem como decidir pela prorro-
gulamento;
a política nacional de telecomunicações; gação, transferência, intervenção e extinção,
XXIII - contratar pessoal por prazo determi- em relação às outorgas para prestação de
II - representar o Brasil nos organismos inter-
nado, de acordo com o disposto na Lei nº serviço no regime público, obedecendo ao
nacionais de telecomunicações, sob a coor-
8.745, de 9 de dezembro de 1993; plano aprovado pelo Poder Executivo;
denação do Poder Executivo;
XXIV - adquirir, administrar e alienar seus VI - aprovar o plano geral de autorizações de
III - elaborar e propor ao Presidente da Repú-
bens; serviço prestado no regime privado;
blica, por intermédio do Ministro de Estado
das Comunicações, a adoção das medidas a XXV - decidir em último grau sobre as maté- VII - aprovar editais de licitação, homologar
que se referem os incisos I a IV do artigo an- rias de sua alçada, sempre admitido recurso adjudicações, bem como decidir pela prorro-
terior, submetendo previamente a consulta ao Conselho Diretor; gação, transferência e extinção, em relação
pública as relativas aos incisos I a III; XXVI - formular ao Ministério das Comunica- às autorizações para prestação de serviço
IV - expedir normas quanto à outorga, pres- ções proposta de orçamento; no regime privado, na forma do regimento
tação e fruição dos serviços de telecomunica- XXVII - aprovar o seu regimento interno; interno;
ções no regime público; XXVIII - elaborar relatório anual de suas ati- VIII - aprovar o plano de destinação de faixas
V - editar atos de outorga e extinção de di- vidades, nele destacando o cumprimento de radiofrequência e de ocupação de órbitas;
reito de exploração do serviço no regime da política do setor definida nos termos do IX - aprovar os planos estruturais das redes de
público; artigo anterior; telecomunicações, na forma em que dispuser
VI - celebrar e gerenciar contratos de conces- XXIX - enviar o relatório anual de suas ativi- o regimento interno;
são e fiscalizar a prestação do serviço no re- dades ao Ministério das Comunicações e, por X - aprovar o regimento interno;
gime público, aplicando sanções e realizando intermédio da Presidência da República, ao XI - resolver sobre a aquisição e a alienação
intervenções; Congresso Nacional; de bens;

17
Art. 23 legislação complementar
XII - autorizar a contratação de serviços de das prestadoras de serviços de telecomuni- Art. 43. Na invalidação de atos e contratos,
terceiros, na forma da legislação em vigor. cações, por entidades representativas dos será garantida previamente a manifestação
Parágrafo único. Fica vedada a realização usuários e por entidades representativas dos interessados.
por terceiros da fiscalização de competên- da sociedade, nos termos do regulamento. Art. 44. Qualquer pessoa terá o direito
cia da Agência, ressalvadas as atividades Parágrafo único. O Presidente do Con- de peticionar ou de recorrer contra ato da
de apoio. selho Consultivo será eleito pelos seus Agência no prazo máximo de trinta dias,
Art. 23. Os conselheiros serão brasileiros, membros e terá mandato de um ano. devendo a decisão da Agência ser conhe-
de reputação ilibada, formação universi- Art. 35. Cabe ao Conselho Consultivo: cida em até noventa dias.
tária e elevado conceito no campo de sua I - opinar, antes de seu encaminhamento ao Art. 45. O Ouvidor será nomeado pelo
especialidade, devendo ser escolhidos pelo Ministério das Comunicações, sobre o plano Presidente da República para mandato
Presidente da República e por ele nomea- geral de outorgas, o plano geral de metas de dois anos, admitida uma recondução.
dos, após aprovação pelo Senado Federal, para universalização de serviços prestados Parágrafo único. O Ouvidor terá aces-
nos termos da alínea f do inciso III do art. no regime público e demais políticas gover- so a todos os assuntos e contará com o
52 da Constituição Federal. namentais de telecomunicações; apoio administrativo de que necessitar,
Art. 24. O mandato dos membros do II - aconselhar quanto à instituição ou eli- competindo-lhe produzir, semestralmente
Conselho Diretor será de cinco anos. (Re- minação da prestação de serviço no regime ou quando oportuno, apreciações críticas
público; sobre a atuação da Agência, encaminhan-
dação dada pela Lei nº 9.986, de 18 de
julho de 2000) III - apreciar os relatórios anuais do Conselho do-as ao Conselho Diretor, ao Conselho
Diretor; Consultivo, ao Ministério das Comunica-
Parágrafo único. Em caso de vaga no curso
do mandato, este será completado por IV - requerer informação e fazer proposição a ções, a outros órgãos do Poder Executivo e
sucessor investido na forma prevista no respeito das ações referidas no art. 22. ao Congresso Nacional, fazendo publicá-las
artigo anterior, que o exercerá pelo prazo para conhecimento geral.
Art. 36. Os membros do Conselho Con-
remanescente. sultivo, que não serão remunerados, terão Art. 46. A Corregedoria acompanhará
Art. 25. Os mandatos dos primeiros mem- mandato de três anos, vedada a recon- permanentemente o desempenho dos ser-
bros do Conselho Diretor serão de três, dução. vidores da Agência, avaliando sua eficiência
quatro, cinco, seis e sete anos, a serem e o cumprimento dos deveres funcionais
§ 1° Os mandatos dos primeiros mem- e realizando os processos disciplinares.
estabelecidos no decreto de nomeação. bros do Conselho serão de um, dois e três
Art. 26. (Revogado pela Lei nº 9.986, de anos, na proporção de um terço para cada TÍTULO V
18.7.2000) período. DAS RECEITAS
Art. 27. O regulamento disciplinará a § 2° O Conselho será renovado anualmente
substituição dos conselheiros em seus im- em um terço. Art. 47. O produto da arrecadação das
pedimentos, bem como durante a vacância. taxas de fiscalização de instalação e de
Art. 37. O regulamento disporá sobre o funcionamento a que se refere a Lei nº
Art. 28. (Revogado pela Lei nº 9.986, de funcionamento do Conselho Consultivo. 5.070, de 7 de julho de 1966, será destinado
18.7.2000)
ao Fundo de Fiscalização das Telecomuni-
Art. 29. Caberá também aos conselheiros TÍTULO IV cações - FISTEL, por ela criado.
a direção dos órgãos administrativos da DA ATIVIDADE E DO CONTROLE
Agência.
Art. 48. A concessão, permissão ou auto-
rização para a exploração de serviços de
Art. 30. Até um ano após deixar o cargo, Art. 38. A atividade da Agência será juridi- telecomunicações e de uso de radiofrequ-
é vedado ao ex-conselheiro representar camente condicionada pelos princípios da ência, para qualquer serviço, será sempre
qualquer pessoa ou interesse perante a legalidade, celeridade, finalidade, razoabi- feita a título oneroso, ficando autoriza-
Agência. lidade, proporcionalidade, impessoalidade, da a cobrança do respectivo preço nas
Parágrafo único. É vedado, ainda, ao igualdade, devido processo legal, publici- condições estabelecidas nesta Lei e na
ex-conselheiro utilizar informações pri- dade e moralidade. regulamentação, constituindo o produto
vilegiadas obtidas em decorrência do Art. 39. Ressalvados os documentos e da arrecadação receita do Fundo de Fis-
cargo exercido, sob pena de incorrer em os autos cuja divulgação possa violar a calização das Telecomunicações - FISTEL.
improbidade administrativa. segurança do País, segredo protegido ou § 1º Conforme dispuser a Agência, o
Art. 31. (Revogado pela Lei nº 9.986, de a intimidade de alguém, todos os demais pagamento devido pela concessionária,
18.7.2000) permanecerão abertos à consulta do públi- permissionária ou autorizada poderá ser
co, sem formalidades, na Biblioteca. feito na forma de quantia certa, em uma
Art. 32. Cabe ao Presidente a represen- ou várias parcelas, ou de parcelas anuais,
tação da Agência, o comando hierárquico Parágrafo único. A Agência deverá garan-
sendo seu valor, alternativamente:
sobre o pessoal e o serviço, exercendo todas tir o tratamento confidencial das informa- I - determinado pela regulamentação;
as competências administrativas corres- ções técnicas, operacionais, econômico- II - determinado no edital de licitação;
pondentes, bem como a presidência das -financeiras e contábeis que solicitar às III - fixado em função da proposta vencedora,
sessões do Conselho Diretor. empresas prestadoras dos serviços de tele- quando constituir fator de julgamento;
Parágrafo único. A representação judicial comunicações, nos termos do regulamento. IV - fixado no contrato de concessão ou no
da Agência, com prerrogativas processu- Art. 40. Os atos da Agência deverão ser ato de permissão, nos casos de inexigibilida-
ais de Fazenda Pública, será exercida pela sempre acompanhados da exposição for- de de licitação.
Procuradoria. mal dos motivos que os justifiquem. § 2º Após a criação do fundo de universa-
lização dos serviços de telecomunicações
CAPÍTULO II Art. 41. Os atos normativos somente pro- mencionado no inciso II do art. 81, parte do
DO CONSELHO CONSULTIVO duzirão efeito após publicação no Diário produto da arrecadação a que se refere o
Oficial da União, e aqueles de alcance par- caput deste artigo será a ele destinada, nos
Art. 33. O Conselho Consultivo é o órgão ticular, após a correspondente notificação. termos da lei correspondente.
de participação institucionalizada da socie- Art. 42. As minutas de atos normativos Art. 49. A Agência submeterá anualmente
dade na Agência. serão submetidas à consulta pública, for- ao Ministério das Comunicações a sua pro-
Art. 34. O Conselho será integrado por malizada por publicação no Diário Oficial posta de orçamento, bem como a do FISTEL,
representantes indicados pelo Senado Fe- da União, devendo as críticas e sugestões que serão encaminhadas ao Ministério do
deral, pela Câmara dos Deputados, pelo merecer exame e permanecer à disposição Planejamento e Orçamento para inclusão
Poder Executivo, pelas entidades de classe do público na Biblioteca. no projeto de lei orçamentária anual a que

18
legislação complementar Art. 49
se refere o § 5º do art. 165 da Constituição j) decorrentes de quantias recebidas pela TÍTULO VI
Federal. aprovação de laudos de ensaio de produtos DAS CONTRATAÇÕES
§ 1º A Agência fará acompanhar as e pela prestação de serviços técnicos por
propostas orçamentárias de um quadro órgãos da Agência Nacional de Teleco- Art. 54. A contratação de obras e serviços
demonstrativo do planejamento plurianual municações; de engenharia civil está sujeita ao procedi-
das receitas e despesas, visando ao seu l) rendas eventuais." mento das licitações previsto em lei geral
equilíbrio orçamentário e financeiro nos "Art. 3° Além das transferências para o para a Administração Pública.
cinco exercícios subsequentes. Tesouro Nacional e para o fundo de uni- Parágrafo único. Para os casos não pre-
versalização das telecomunicações, os vistos no caput, a Agência poderá utilizar
§ 2º O planejamento plurianual preverá procedimentos próprios de contratação,
recursos do Fundo de Fiscalização das Tele-
o montante a ser transferido ao fundo de
comunicações - FISTEL serão aplicados pela nas modalidades de consulta e pregão.
universalização a que se refere o inciso II
Agência Nacional de Telecomunicações Art. 55. A consulta e o pregão serão dis-
do art. 81 desta Lei, e os saldos a serem
exclusivamente: ciplinados pela Agência, observadas as
transferidos ao Tesouro Nacional.
........................................................................... disposições desta Lei e, especialmente:
§ 3º A lei orçamentária anual consignará ........ I - a finalidade do procedimento licitatório é,
as dotações para as despesas de custeio d) no atendimento de outras despesas por meio de disputa justa entre interessados,
e capital da Agência, bem como o valor correntes e de capital por ela realizadas obter um contrato econômico, satisfatório e
das transferências de recursos do FISTEL no exercício de sua competência." seguro para a Agência;
ao Tesouro Nacional e ao fundo de uni- II - o instrumento convocatório identificará o
"Art. 6° As taxas de fiscalização a que se
versalização, relativos ao exercício a que objeto do certame, circunscreverá o universo
refere a alínea f do art. 2° são a de instalação
ela se referir. de proponentes, estabelecerá critérios para
e a de funcionamento. aceitação e julgamento de propostas, regula-
§ 4º As transferências a que se refere o
§ 1° Taxa de Fiscalização de Instalação é rá o procedimento, indicará as sanções apli-
parágrafo anterior serão formalmente feitas cáveis e fixará as cláusulas do contrato;
a devida pelas concessionárias, permis­
pela Agência ao final de cada mês.
sionárias e autorizadas de serviços de III - o objeto será determinado de forma pre-
Art. 50. O Fundo de Fiscalização das Te- telecomunicações e de uso de radiofre- cisa, suficiente e clara, sem especificações
lecomunicações - FISTEL, criado pela Lei qüência, no momento da emissão do que, por excessivas, irrelevantes ou desne-
n° 5.070, de 7 de julho de 1966, passará certificado de licença para o funciona- cessárias, limitem a competição;
à administração exclusiva da Agência, a mento das estações. IV - a qualificação, exigida indistintamente
partir da data de sua instalação, com os dos proponentes, deverá ser compatível e
saldos nele existentes, incluídas as receitas
§ 2° Taxa de Fiscalização de Funciona- proporcional ao objeto, visando à garantia do
mento é a devida pelas concessionárias, cumprimento das futuras obrigações;
que sejam produto da cobrança a que se
permissionárias e autorizadas de serviços V - como condição de aceitação da propos-
refere o art. 14 da Lei nº 9.295, de 19 de
de telecomunicações e de uso de radiofre- ta, o interessado declarará estar em situação
julho de 1996.
qüência, anualmente, pela fiscalização do regular perante as Fazendas Públicas e a Se-
Art. 51. Os arts. 2°, 3°, 6° e seus parágrafos, funcionamento das estações." guridade Social, fornecendo seus códigos de
o art. 8° e seu § 2°, e o art. 13, da Lei n° "Art. 8° A Taxa de Fiscalização de Funcio- inscrição, exigida a comprovação como con-
5.070, de 7 de julho de 1966, passam a ter namento será paga, anualmente, até o dição indispensável à assinatura do contrato;
a seguinte redação: dia 31 de março, e seus valores serão os VI - o julgamento observará os princípios
"Art. 2° O Fundo de Fiscalização das Tele- correspondentes a cinqüenta por cento de vinculação ao instrumento convocatório,
comunicações - FISTEL é constituído das dos fixados para a Taxa de Fiscalização comparação objetiva e justo preço, sendo o
seguintes fontes: empate resolvido por sorteio;
de Instalação.
a) dotações consignadas no Orçamento VII - as regras procedimentais assegurarão
...........................................................................
Geral da União, créditos especiais, transfe- adequada divulgação do instrumento con-
............ vocatório, prazos razoáveis para o preparo
rências e repasses que lhe forem conferidos;
b) o produto das operações de crédito que
§ 2° O não-pagamento da Taxa de Fisca- de propostas, os direitos ao contraditório e
lização de Funcionamento no prazo de ao recurso, bem como a transparência e fis-
contratar, no País e no exterior, e rendimen- calização;
sessenta dias após a notificação da Agência
tos de operações financeiras que realizar; VIII - a habilitação e o julgamento das pro-
determinará a caducidade da concessão,
c) relativas ao exercício do poder conce- postas poderão ser decididos em uma única
permissão ou autorização, sem que caiba
dente dos serviços de telecomunicações, fase, podendo a habilitação, no caso de pre-
ao interessado o direito a qualquer inde-
no regime público, inclusive pagamentos gão, ser verificada apenas em relação ao lici-
nização.
pela outorga, multas e indenizações; tante vencedor;
...........................................................................
d) relativas ao exercício da atividade orde- IX - quando o vencedor não celebrar o con-
.........." trato, serão chamados os demais participan-
nadora da exploração de serviços de tele-
"Art. 13. São isentos do pagamento das tes na ordem de classificação;
comunicações, no regime privado, inclusive
taxas do FISTEL a Agência Nacional de X - somente serão aceitos certificados de
pagamentos pela expedição de autorização
de serviço, multas e indenizações; Telecomunicações, as Forças Armadas, a registro cadastral expedidos pela Agência,
Polícia Federal, as Polícias Militares, a Polícia que terão validade por dois anos, devendo o
e) relativas ao exercício do poder de ou-
Rodoviária Federal, as Polícias Civis e os cadastro estar sempre aberto à inscrição dos
torga do direito de uso de radiofreqüên- interessados.
Corpos de Bombeiros Militares."
cia para qualquer fim, inclusive multas e
indenizações; Art. 52. Os valores das taxas de fiscali- Art. 56. A disputa pelo fornecimento de
f) taxas de fiscalização; zação de instalação e de funcionamento, bens e serviços comuns poderá ser feita
g) recursos provenientes de convênios, constantes do Anexo I da Lei n° 5.070, de 7 em licitação na modalidade de pregão,
acordos e contratos celebrados com enti- de julho de 1966, passam a ser os da Tabela restrita aos previamente cadastrados, que
dades, organismos e empresas, públicas ou do Anexo III desta Lei. serão chamados a formular lances em ses-
privadas, nacionais ou estrangeiras; Parágrafo único. A nomenclatura dos são pública.
h) doações, legados, subvenções e outros serviços relacionados na Tabela vigorará Parágrafo único. Encerrada a etapa com-
recursos que lhe forem destinados; até que nova regulamentação seja editada, petitiva, a Comissão examinará a melhor
i) o produto dos emolumentos, preços ou com base nesta Lei. oferta quanto ao objeto, forma e valor.
multas, os valores apurados na venda ou Art. 53. Os valores de que tratam as alíneas Art. 57. Nas seguintes hipóteses, o pre-
locação de bens, bem assim os decorren- i e j do art. 2° da Lei n° 5.070, de 7 de julho gão será aberto a quaisquer interessados,
tes de publicações, dados e informações de 1966, com a redação dada por esta Lei, independentemente de cadastramento,
técnicas, inclusive para fins de licitação; serão estabelecidos pela Agência. verificando-se a um só tempo, após a etapa

19
Art. 57 legislação complementar
competitiva, a qualificação subjetiva e a tos, assim como o relacionamento entre Parágrafo único. Forma de telecomuni-
aceitabilidade da proposta: aqueles e as prestadoras de serviço de cação é o modo específico de transmitir
I - para a contratação de bens e serviços co- telecomunicações. informação, decorrente de características
muns de alto valor, na forma do regulamento; particulares de transdução, de transmissão,
II - quando o número de cadastrados na clas- CAPÍTULO II de apresentação da informação ou de com-
se for inferior a cinco; DA CLASSIFICAÇÃO binação destas, considerando-se formas de
III - para o registro de preços, que terá valida- telecomunicação, entre outras, a telefonia,
de por até dois anos; Art. 62. Quanto à abrangência dos in- a telegrafia, a comunicação de dados e a
IV - quando o Conselho Diretor assim o de- teresses a que atendem, os serviços de transmissão de imagens.
cidir. telecomunicações classificam-se em ser- Art. 70. Serão coibidos os comportamen-
Art. 58. A licitação na modalidade de viços de interesse coletivo e serviços de tos prejudiciais à competição livre, ampla
consulta tem por objeto o fornecimento interesse restrito. e justa entre as prestadoras do serviço, no
de bens e serviços não compreendidos Parágrafo único. Os serviços de interesse regime público ou privado, em especial:
nos arts. 56 e 57. restrito estarão sujeitos aos condiciona- I - a prática de subsídios para redução artifi-
mentos necessários para que sua explo- cial de preços;
Parágrafo único. A decisão ponderará o ração não prejudique o interesse coletivo. II - o uso, objetivando vantagens na compe-
custo e o benefício de cada proposta, con-
Art. 63. Quanto ao regime jurídico de sua tição, de informações obtidas dos concor-
siderando a qualificação do proponente. rentes, em virtude de acordos de prestação
prestação, os serviços de telecomunicações
Art. 59. A Agência poderá utilizar, me- classificam-se em públicos e privados. de serviço;
diante contrato, técnicos ou empresas Parágrafo único. Serviço de telecomu- III - a omissão de informações técnicas e co-
especializadas, inclusive consultores in- merciais relevantes à prestação de serviços
nicações em regime público é o prestado por outrem.
dependentes e auditores externos, para mediante concessão ou permissão, com
executar atividades de sua competência, atribuição a sua prestadora de obrigações Art. 71. Visando a propiciar competição
vedada a contratação para as atividades de de universalização e de continuidade. efetiva e a impedir a concentração eco-
fiscalização, salvo para as correspondentes nômica no mercado, a Agência poderá
atividades de apoio. Art. 64. Comportarão prestação no regi-
me público as modalidades de serviço de estabelecer restrições, limites ou condições
telecomunicações de interesse coletivo, a empresas ou grupos empresariais quanto
LIVRO III à obtenção e transferência de concessões,
DA ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS cuja existência, universalização e conti-
nuidade a própria União comprometa-se permissões e autorizações.
DE TELECOMUNICAÇÕES
a assegurar. Art. 72. Apenas na execução de sua ati-
Parágrafo único. Incluem-se neste caso as vidade, a prestadora poderá valer-se de
TÍTULO I diversas modalidades do serviço telefônico informações relativas à utilização individual
DISPOSIÇÕES GERAIS fixo comutado, de qualquer âmbito, desti- do serviço pelo usuário.
nado ao uso do público em geral. § 1° A divulgação das informações indivi-
Art. 65. Cada modalidade de serviço será duais dependerá da anuência expressa e
CAPÍTULO I específica do usuário.
destinada à prestação:
DAS DEFINIÇÕES I - exclusivamente no regime público; § 2° A prestadora poderá divulgar a tercei-
II - exclusivamente no regime privado; ou ros informações agregadas sobre o uso de
Art. 60. Serviço de telecomunicações é seus serviços, desde que elas não permi-
III - concomitantemente nos regimes público
o conjunto de atividades que possibilita a tam a identificação, direta ou indireta, do
e privado.
oferta de telecomunicação. usuário, ou a violação de sua intimidade.
§ 1° Telecomunicação é a transmissão, § 1° Não serão deixadas à exploração ape-
emissão ou recepção, por fio, radioeletri- nas em regime privado as modalidades de Art. 73. As prestadoras de serviços de
serviço de interesse coletivo que, sendo telecomunicações de interesse coletivo
cidade, meios ópticos ou qualquer outro
essenciais, estejam sujeitas a deveres de terão direito à utilização de postes, dutos,
processo eletromagnético, de símbolos,
universalização. condutos e servidões pertencentes ou con-
caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou
§ 2° A exclusividade ou concomitância a trolados por prestadora de serviços de
informações de qualquer natureza.
que se refere o caput poderá ocorrer em telecomunicações ou de outros serviços
§ 2° Estação de telecomunicações é o de interesse público, de forma não discri-
âmbito nacional, regional, local ou em áreas
conjunto de equipamentos ou aparelhos, minatória e a preços e condições justos
determinadas.
dispositivos e demais meios necessários e razoáveis.
à realização de telecomunicação, seus Art. 66. Quando um serviço for, ao mesmo
tempo, explorado nos regimes público Parágrafo único. Caberá ao órgão regu-
acessórios e periféricos, e, quando for o
e privado, serão adotadas medidas que lador do cessionário dos meios a serem
caso, as instalações que os abrigam e com-
impeçam a inviabilidade econômica de sua utilizados definir as condições para ade-
plementam, inclusive terminais portáteis.
prestação no regime público. quado atendimento do disposto no caput.
Art. 61. Serviço de valor adicionado é a
Art. 67. Não comportarão prestação no Art. 74. A concessão, permissão ou au-
atividade que acrescenta, a um serviço de
regime público os serviços de telecomu- torização de serviço de telecomunicações
telecomunicações que lhe dá suporte e com
nicações de interesse restrito. não isenta a prestadora do atendimento
o qual não se confunde, novas utilidades
às normas de engenharia e às leis muni-
relacionadas ao acesso, armazenamento, Art. 68. É vedada, a uma mesma pessoa cipais, estaduais ou distritais relativas à
apresentação, movimentação ou recupe- jurídica, a exploração, de forma direta ou construção civil. (Redação dada pela Lei
ração de informações. indireta, de uma mesma modalidade de nº 13.116, de 2015)
§ 1º Serviço de valor adicionado não serviço nos regimes público e privado, salvo
constitui serviço de telecomunicações, em regiões, localidades ou áreas distintas. Art. 75. Independerá de concessão,
classificando-se seu provedor como usu- permissão ou autorização a atividade de
ário do serviço de telecomunicações que CAPÍTULO III telecomunicações restrita aos limites de
lhe dá suporte, com os direitos e deveres DAS REGRAS COMUNS uma mesma edificação ou propriedade mó-
inerentes a essa condição. vel ou imóvel, conforme dispuser a Agência.
§ 2° É assegurado aos interessados o uso Art. 69. As modalidades de serviço serão Art. 76. As empresas prestadoras de
das redes de serviços de telecomunicações definidas pela Agência em função de sua fi- serviços e os fabricantes de produtos de
para prestação de serviços de valor adicio- nalidade, âmbito de prestação, forma, meio telecomunicações que investirem em
nado, cabendo à Agência, para assegurar de transmissão, tecnologia empregada ou projetos de pesquisa e desenvolvimento
esse direito, regular os condicionamen- de outros atributos. no Brasil, na área de telecomunicações,

20
legislação complementar Art. 76
obterão incentivos nas condições fixadas exclusivamente atribuível ao cumprimento Art. 85. Cada modalidade de serviço será
em lei. das obrigações de universalização de pres- objeto de concessão distinta, com clara
Art. 77. O Poder Executivo encaminhará tadora de serviço de telecomunicações, que determinação dos direitos e deveres da
ao Congresso Nacional, no prazo de cen- não possa ser recuperada com a exploração concessionária, dos usuários e da Agência.
eficiente do serviço, poderão ser oriundos
to e vinte dias da publicação desta Lei, Art. 86. A concessão somente poderá ser
mensagem de criação de um fundo para o das seguintes fontes:
outorgada a empresa constituída segundo
desenvolvimento tecnológico das teleco- I - Orçamento Geral da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios; as leis brasileiras, com sede e administração
municações brasileiras, com o objetivo de no País, criada para explorar exclusivamen-
estimular a pesquisa e o desenvolvimento II - fundo especificamente constituído pa-
ra essa finalidade, para o qual contribuirão te serviços de telecomunicações. (Redação
de novas tecnologias, incentivar a capaci- dada pela Lei nº 12.485, de 2011)
prestadoras de serviço de telecomunicações
tação dos recursos humanos, fomentar a nos regimes público e privado, nos termos da Parágrafo único. Os critérios e condi-
geração de empregos e promover o acesso lei, cuja mensagem de criação deverá ser en- ções para a prestação de outros serviços
de pequenas e médias empresas a recursos viada ao Congresso Nacional, pelo Poder Exe- de telecomunicações diretamente pela
de capital, de modo a ampliar a competição cutivo, no prazo de cento e vinte dias após a concessionária obedecerão, entre outros,
na indústria de telecomunicações. publicação desta Lei. aos seguintes princípios, de acordo com
Art. 78. A fabricação e o desenvolvimento Parágrafo único. Enquanto não for cons- regulamentação da Anatel: (Redação dada
no País de produtos de telecomunicações tituído o fundo a que se refere o inciso II pela Lei nº 12.485, de 2011)
serão estimulados mediante adoção de do caput, poderão ser adotadas também I - garantia dos interesses dos usuários, nos
instrumentos de política creditícia, fiscal as seguintes fontes: mecanismos de reajuste e revisão das tarifas,
e aduaneira. I - subsídio entre modalidades de serviços de mediante o compartilhamento dos ganhos
telecomunicações ou entre segmentos de econômicos advindos da racionalização
usuários; decorrente da prestação de outros serviços
TÍTULO II de telecomunicações, ou ainda mediante a
DOS SERVIÇOS PRESTADOS II - pagamento de adicional ao valor de inter-
transferência integral dos ganhos econômi-
EM REGIME PÚBLICO conexão.
cos que não decorram da eficiência ou inicia-
Art. 82. O descumprimento das obriga- tiva empresarial, observados os termos dos
ções relacionadas à universalização e à §§ 2o e 3o do art. 108 desta Lei; (Incluído pela
CAPÍTULO I Lei nº 12.485, de 2011)
continuidade ensejará a aplicação de san-
DAS OBRIGAÇÕES DE II - atuação do poder público para propiciar
ções de multa, caducidade ou decretação
UNIVERSALIZAÇÃO E DE a livre, ampla e justa competição, reprimidas
de intervenção, conforme o caso.
CONTINUIDADE as infrações da ordem econômica, nos ter-
mos do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº
CAPÍTULO II
Art. 79. A Agência regulará as obriga- 12.485, de 2011)
ções de universalização e de continuidade DA CONCESSÃO
III - existência de mecanismos que assegu-
atribuídas às prestadoras de serviço no rem o adequado controle público no que
regime público. SEÇÃO I tange aos bens reversíveis. (Incluído pela Lei
§ 1° Obrigações de universalização são DA OUTORGA nº 12.485, de 2011)
as que objetivam possibilitar o acesso de Art. 87. A outorga a empresa ou grupo em-
qualquer pessoa ou instituição de interesse Art. 83. A exploração do serviço no regime presarial que, na mesma região, localidade
público a serviço de telecomunicações, público dependerá de prévia outorga, pela ou área, já preste a mesma modalidade de
independentemente de sua localização Agência, mediante concessão, implicando serviço, será condicionada à assunção do
e condição socioeconômica, bem como esta o direito de uso das radiofrequências compromisso de, no prazo máximo de de-
as destinadas a permitir a utilização das necessárias, conforme regulamentação. zoito meses, contado da data de assinatura
telecomunicações em serviços essenciais Parágrafo único. Concessão de serviço do contrato, transferir a outrem o serviço
de interesse público. de telecomunicações é a delegação de anteriormente explorado, sob pena de sua
§ 2° Obrigações de continuidade são as sua prestação, mediante contrato, por caducidade e de outras sanções previstas
que objetivam possibilitar aos usuários dos prazo determinado, no regime público, no processo de outorga.
serviços sua fruição de forma ininterrupta, sujeitando-se a concessionária aos ris-
sem paralisações injustificadas, devendo os Art. 88. As concessões serão outorgadas
cos empresariais, remunerando-se pela
serviços estar à disposição dos usuários, em mediante licitação.
cobrança de tarifas dos usuários ou por
condições adequadas de uso. outras receitas alternativas e respondendo Art. 89. A licitação será disciplinada
Art. 80. As obrigações de universalização diretamente pelas suas obrigações e pelos pela Agência, observados os princípios
serão objeto de metas periódicas, conforme prejuízos que causar. constitucionais, as disposições desta Lei
plano específico elaborado pela Agência e e, especialmente:
Art. 84. As concessões não terão caráter I - a finalidade do certame é, por meio de
aprovado pelo Poder Executivo, que deverá de exclusividade, devendo obedecer ao disputa entre os interessados, escolher quem
referir-se, entre outros aspectos, à disponi- plano geral de outorgas, com definição possa executar, expandir e universalizar o
bilidade de instalações de uso coletivo ou quanto à divisão do País em áreas, ao nú- serviço no regime público com eficiência, se-
individual, ao atendimento de deficientes mero de prestadoras para cada uma delas, gurança e a tarifas razoáveis;
físicos, de instituições de caráter público seus prazos de vigência e os prazos para II - a minuta de instrumento convocatório se-
ou social, bem como de áreas rurais ou de admissão de novas prestadoras. rá submetida a consulta pública prévia;
urbanização precária e de regiões remotas. § 1° As áreas de exploração, o número de III - o instrumento convocatório identificará
§ 1º O plano detalhará as fontes de financia- prestadoras, os prazos de vigência das con- o serviço objeto do certame e as condições
mento das obrigações de universalização, cessões e os prazos para admissão de novas de sua prestação, expansão e universaliza-
que serão neutras em relação à competição, prestadoras serão definidos considerando- ção, definirá o universo de proponentes,
no mercado nacional, entre prestadoras. -se o ambiente de competição, observados estabelecerá fatores e critérios para aceita-
§ 2º Os recursos do fundo de universaliza- o princípio do maior benefício ao usuário e ção e julgamento de propostas, regulará o
ção de que trata o inciso II do art. 81 não procedimento, determinará a quantidade
o interesse social e econômico do País, de
poderão ser destinados à cobertura de de fases e seus objetivos, indicará as sanções
modo a propiciar a justa remuneração da aplicáveis e fixará as cláusulas do contrato de
custos com universalização dos serviços prestadora do serviço no regime público. concessão;
que, nos termos do contrato de concessão, § 2° A oportunidade e o prazo das outorgas IV - as qualificações técnico-operacional ou
a própria prestadora deva suportar. serão determinados de modo a evitar o profissional e econômico-financeira, bem
Art. 81. Os recursos complementares vencimento concomitante das concessões como as garantias da proposta e do contrato,
destinados a cobrir a parcela do custo de uma mesma área. exigidas indistintamente dos proponentes,

21
Art. 90 legislação complementar
deverão ser compatíveis com o objeto e pro- IV - deveres relativos à universalização e à empresa ou a transferência de seu controle
porcionais a sua natureza e dimensão; continuidade do serviço; societário.
V - o interessado deverá comprovar situação V - o valor devido pela outorga, a forma e as Parágrafo único. A aprovação será con-
regular perante as Fazendas Públicas e a Se- condições de pagamento; cedida se a medida não for prejudicial à
guridade Social; VI - as condições de prorrogação, incluindo competição e não colocar em risco a exe-
VI - a participação de consórcio, que se cons- os critérios para fixação do valor; cução do contrato, observado o disposto
tituirá em empresa antes da outorga da con- VII - as tarifas a serem cobradas dos usuários no art. 7° desta Lei.
cessão, será sempre admitida; e os critérios para seu reajuste e revisão;
VII - o julgamento atenderá aos princípios de VIII - as possíveis receitas alternativas, com-
Art. 98. O contrato de concessão poderá
vinculação ao instrumento convocatório e plementares ou acessórias, bem como as pro- ser transferido após a aprovação da Agência
comparação objetiva; venientes de projetos associados; desde que, cumulativamente:
VIII - os fatores de julgamento poderão ser, I - o serviço esteja em operação, há pelo me-
IX - os direitos, as garantias e as obrigações
isolada ou conjugadamente, os de menor nos três anos, com o cumprimento regular
dos usuários, da Agência e da concessionária;
tarifa, maior oferta pela outorga, melhor qua- das obrigações;
X - a forma da prestação de contas e da fis-
lidade dos serviços e melhor atendimento da II - o cessionário preencha todos os requisitos
calização;
demanda, respeitado sempre o princípio da da outorga, inclusive quanto às garantias, à
objetividade; XI - os bens reversíveis, se houver; regularidade jurídica e fiscal e à qualificação
IX - o empate será resolvido por sorteio; XII - as condições gerais para interconexão; técnica e econômico-financeira;
X - as regras procedimentais assegurarão a XIII - a obrigação de manter, durante a execu- III - a medida não prejudique a competição e
adequada divulgação do instrumento con- ção do contrato, todas as condições de habili- não coloque em risco a execução do contrato,
vocatório, prazos compatíveis com o preparo tação exigidas na licitação; observado o disposto no art. 7° desta Lei.
de propostas e os direitos ao contraditório, XIV - as sanções;
ao recurso e à ampla defesa. XV - o foro e o modo para solução extrajudi-
Art. 99. O prazo máximo da concessão
cial das divergências contratuais. será de vinte anos, podendo ser prorro-
Art. 90. Não poderá participar da licitação gado, uma única vez, por igual período,
ou receber outorga de concessão a empresa Parágrafo único. O contrato será publi-
desde que a concessionária tenha cumprido
proibida de licitar ou contratar com o Po- cado resumidamente no Diário Oficial da
as condições da concessão e manifeste
der Público ou que tenha sido declarada União, como condição de sua eficácia.
expresso interesse na prorrogação, pelo
inidônea, bem como aquela que tenha Art. 94. No cumprimento de seus deve- menos, trinta meses antes de sua expiração.
sido punida nos dois anos anteriores com res, a concessionária poderá, observadas § 1° A prorrogação do prazo da concessão
a decretação de caducidade de concessão, as condições e limites estabelecidos pela implicará pagamento, pela concessionária,
permissão ou autorização de serviço de Agência: pelo direito de exploração do serviço e
telecomunicações, ou da caducidade de I - empregar, na execução dos serviços, equi- pelo direito de uso das radiofrequências
direito de uso de radiofrequência. pamentos e infraestrutura que não lhe per-
associadas, e poderá, a critério da Agência,
tençam;
Art. 91. A licitação será inexigível quando, incluir novos condicionamentos, tendo em
mediante processo administrativo conduzi- II - contratar com terceiros o desenvolvi-
vista as condições vigentes à época.
mento de atividades inerentes, acessórias ou
do pela Agência, a disputa for considerada § 2° A desistência do pedido de prorroga-
complementares ao serviço, bem como a im-
inviável ou desnecessária. plementação de projetos associados. ção sem justa causa, após seu deferimento,
§ 1° Considera-se inviável a disputa quando sujeitará a concessionária à pena de multa.
apenas um interessado puder realizar o § 1° Em qualquer caso, a concessionária
continuará sempre responsável perante a § 3° Em caso de comprovada necessidade
serviço, nas condições estipuladas. de reorganização do objeto ou da área da
Agência e os usuários.
§ 2° Considera-se desnecessária a disputa concessão para ajustamento ao plano geral
nos casos em que se admita a exploração § 2° Serão regidas pelo direito comum as
relações da concessionária com os terceiros, de outorgas ou à regulamentação vigente,
do serviço por todos os interessados que poderá a Agência indeferir o pedido de
atendam às condições requeridas. que não terão direitos frente à Agência,
observado o disposto no art. 117 desta Lei. prorrogação.
§ 3° O procedimento para verificação da
inexigibilidade compreenderá chama- Art. 95. A Agência concederá prazos SEÇÃO III
mento público para apurar o número de adequados para adaptação da concessio- DOS BENS
interessados. nária às novas obrigações que lhe sejam
impostas. Art. 100. Poderá ser declarada a utilidade
Art. 92. Nas hipóteses de inexigibilida-
de de licitação, a outorga de concessão Art. 96. A concessionária deverá: pública, para fins de desapropriação ou
dependerá de procedimento administra- I - prestar informações de natureza técnica, instituição de servidão, de bens imóveis ou
tivo sujeito aos princípios da publicidade, operacional, econômico-financeira e con- móveis, necessários à execução do serviço,
moralidade, impessoalidade e contra- tábil, ou outras pertinentes que a Agência cabendo à concessionária a implementação
solicitar; da medida e o pagamento da indenização
ditório, para verificar o preenchimento
das condições relativas às qualificações II - manter registros contábeis separados por e das demais despesas envolvidas.
serviço, caso explore mais de uma modalida-
técnico-operacional ou profissional e eco- Art. 101. A alienação, oneração ou subs-
de de serviço de telecomunicações;
nômico-financeira, à regularidade fiscal e tituição de bens reversíveis dependerá de
às garantias do contrato. III - submeter à aprovação da Agência a mi-
nuta de contrato-padrão a ser celebrado com prévia aprovação da Agência.
Parágrafo único. As condições deverão ser
compatíveis com o objeto e proporcionais
os usuários, bem como os acordos operacio- Art. 102. A extinção da concessão trans-
nais que pretenda firmar com prestadoras mitirá automaticamente à União a posse
a sua natureza e dimensão. estrangeiras; dos bens reversíveis.
IV - divulgar relação de assinantes, observa- Parágrafo único. A reversão dos bens,
SEÇÃO II do o disposto nos incisos VI e IX do art. 3°,
DO CONTRATO antes de expirado o prazo contratual, im-
bem como o art. 213, desta Lei;
portará pagamento de indenização pelas
V - submeter-se à regulamentação do serviço
Art. 93. O contrato de concessão indicará: parcelas de investimentos a eles vinculados,
e à sua fiscalização;
I - objeto, área e prazo da concessão; ainda não amortizados ou depreciados, que
VI - apresentar relatórios periódicos sobre o
II - modo, forma e condições da prestação do atendimento das metas de universalização
tenham sido realizados com o objetivo de
serviço; constantes do contrato de concessão. garantir a continuidade e atualidade do
III - regras, critérios, indicadores, fórmulas e serviço concedido.
parâmetros definidores da implantação, ex- Art. 97. Dependerão de prévia aprovação
pansão, alteração e modernização do serviço, da Agência a cisão, a fusão, a transformação, SEÇÃO IV
bem como de sua qualidade; a incorporação, a redução do capital da DAS TARIFAS

22
legislação complementar Art. 103
Art. 103. Compete à Agência estabelecer de tributos ou encargos legais e de novas Parágrafo único. A extinção devolve à
a estrutura tarifária para cada modalidade regras sobre os serviços. União os direitos e deveres relativos à
de serviço. § 4º A oneração causada por novas regras prestação do serviço.
§ 1° A fixação, o reajuste e a revisão das sobre os serviços, pela álea econômica Art. 113. Considera-se encampação a
tarifas poderão basear-se em valor que extraordinária, bem como pelo aumento retomada do serviço pela União durante
corresponda à média ponderada dos va- dos encargos legais ou tributos, salvo o o prazo da concessão, em face de razão
lores dos itens tarifários. imposto sobre a renda, implicará a revisão extraordinária de interesse público, me-
§ 2° São vedados os subsídios entre modali- do contrato. diante lei autorizativa específica e após o
dades de serviços e segmentos de usuários, Art. 109. A Agência estabelecerá: pagamento de prévia indenização.
ressalvado o disposto no parágrafo único I - os mecanismos para acompanhamento Art. 114. A caducidade da concessão será
do art. 81 desta Lei. das tarifas praticadas pela concessionária, decretada pela Agência nas hipóteses:
§ 3° As tarifas serão fixadas no contrato de inclusive a antecedência a ser observada na I - de infração do disposto no art. 97 desta
concessão, consoante edital ou proposta comunicação de suas alterações; Lei ou de dissolução ou falência da conces-
apresentada na licitação. II - os casos de serviço gratuito, como os de sionária;
emergência; II - de transferência irregular do contrato;
§ 4° Em caso de outorga sem licitação, as
tarifas serão fixadas pela Agência e cons- III - os mecanismos para garantir a publicida- III - de não-cumprimento do compromisso
de das tarifas. de transferência a que se refere o art. 87 des-
tarão do contrato de concessão.
ta Lei;
Art. 104. Transcorridos ao menos três SEÇÃO V IV - em que a intervenção seria cabível, mas
anos da celebração do contrato, a Agência DA INTERVENÇÃO sua decretação for inconveniente, inócua,
poderá, se existir ampla e efetiva com- injustamente benéfica ao concessionário ou
petição entre as prestadoras do serviço, Art. 110. Poderá ser decretada interven- desnecessária.
submeter a concessionária ao regime de ção na concessionária, por ato da Agência, § 1° Será desnecessária a intervenção
liberdade tarifária. em caso de: quando a demanda pelos serviços objeto
§ 1° No regime a que se refere o caput, I - paralisação injustificada dos serviços; da concessão puder ser atendida por outras
a concessionária poderá determinar suas II - inadequação ou insuficiência dos serviços prestadoras de modo regular e imediato.
próprias tarifas, devendo comunicá-las à prestados, não resolvidas em prazo razoável; § 2° A decretação da caducidade será
Agência com antecedência de sete dias III - desequilíbrio econômico-financeiro de- precedida de procedimento administra-
de sua vigência. corrente de má administração que coloque tivo instaurado pela Agência, em que se
§ 2° Ocorrendo aumento arbitrário dos lu- em risco a continuidade dos serviços; assegure a ampla defesa da concessionária.
cros ou práticas prejudiciais à competição, IV - prática de infrações graves;
a Agência restabelecerá o regime tarifário V - inobservância de atendimento das metas
Art. 115. A concessionária terá direito à
anterior, sem prejuízo das sanções cabíveis. de universalização; rescisão quando, por ação ou omissão do
Poder Público, a execução do contrato se
Art. 105. Quando da implantação de VI - recusa injustificada de interconexão;
tornar excessivamente onerosa.
novas prestações, utilidades ou comodi- VII - infração da ordem econômica nos ter-
mos da legislação própria. Parágrafo único. A rescisão poderá ser
dades relativas ao objeto da concessão, realizada amigável ou judicialmente.
suas tarifas serão previamente levadas à Art. 111. O ato de intervenção indicará
Agência, para aprovação, com os estudos Art. 116. A anulação será decretada pela
seu prazo, seus objetivos e limites, que Agência em caso de irregularidade insa-
correspondentes. serão determinados em função das razões nável e grave do contrato de concessão.
Parágrafo único. Considerados os interes- que a ensejaram, e designará o interventor.
ses dos usuários, a Agência poderá decidir § 1° A decretação da intervenção não afe- Art. 117. Extinta a concessão antes do
por fixar as tarifas ou por submetê-las ao tará o curso regular dos negócios da con- termo contratual, a Agência, sem prejuízo
regime de liberdade tarifária, sendo ve- cessionária nem seu normal funcionamento de outras medidas cabíveis, poderá:
dada qualquer cobrança antes da referida I - ocupar, provisoriamente, bens móveis e
e produzirá, de imediato, o afastamento de
imóveis e valer-se de pessoal empregado
aprovação. seus administradores. na prestação dos serviços, necessários a sua
Art. 106. A concessionária poderá cobrar § 2° A intervenção será precedida de continuidade;
tarifa inferior à fixada desde que a redução procedimento administrativo instaurado II - manter contratos firmados pela conces-
se baseie em critério objetivo e favoreça pela Agência, em que se assegure a ampla sionária com terceiros, com fundamento nos
indistintamente todos os usuários, vedado defesa da concessionária, salvo quando incisos I e II do art. 94 desta Lei, pelo prazo e
o abuso do poder econômico. decretada cautelarmente, hipótese em que nas condições inicialmente ajustadas.
o procedimento será instaurado na data Parágrafo único. Na hipótese do inciso II
Art. 107. Os descontos de tarifa somen-
da intervenção e concluído em até cento deste artigo, os terceiros que não cumpri-
te serão admitidos quando extensíveis a
e oitenta dias. rem com as obrigações assumidas respon-
todos os usuários que se enquadrem nas
§ 3° A intervenção poderá ser exercida por derão pelo inadimplemento.
condições, precisas e isonômicas, para sua
um colegiado ou por uma empresa, cuja
fruição.
remuneração será paga com recursos da CAPÍTULO III
Art. 108. Os mecanismos para reajuste concessionária. DA PERMISSÃO
e revisão das tarifas serão previstos nos § 4° Dos atos do interventor caberá recurso
contratos de concessão, observando-se, no à Agência. Art. 118. Será outorgada permissão,
que couber, a legislação específica. § 5° Para os atos de alienação e disposição pela Agência, para prestação de serviço
§ 1° A redução ou o desconto de tarifas do patrimônio da concessionária, o inter- de telecomunicações em face de situação
não ensejará revisão tarifária. ventor necessitará de prévia autorização excepcional comprometedora do funciona-
§ 2° Serão compartilhados com os usuários, da Agência. mento do serviço que, em virtude de suas
nos termos regulados pela Agência, os § 6° O interventor prestará contas e res- peculiaridades, não possa ser atendida,
ganhos econômicos decorrentes da mo- ponderá pelos atos que praticar. de forma conveniente ou em prazo ade-
dernização, expansão ou racionalização quado, mediante intervenção na empresa
dos serviços, bem como de novas receitas SEÇÃO VI concessionária ou mediante outorga de
alternativas. DA EXTINÇÃO nova concessão.
§ 3° Serão transferidos integralmente aos Parágrafo único. Permissão de serviço de
usuários os ganhos econômicos que não Art. 112. A concessão extinguir-se-á por telecomunicações é o ato administrativo
decorram diretamente da eficiência em- advento do termo contratual, encampação, pelo qual se atribui a alguém o dever de
presarial, em casos como os de diminuição caducidade, rescisão e anulação. prestar serviço de telecomunicações no

23
Art. 119 legislação complementar
regime público e em caráter transitório, até TÍTULO III Parágrafo único. As normas concederão
que seja normalizada a situação excepcio- DOS SERVIÇOS PRESTADOS EM prazos suficientes para adaptação aos no-
nal que a tenha ensejado. REGIME PRIVADO vos condicionamentos.
Art. 130-A. É facultado às prestadoras
Art. 119. A permissão será precedida de de serviço em regime privado o aluguel
procedimento licitatório simplificado, ins- CAPÍTULO I
DO REGIME GERAL DA de suas redes para implantação de sistema
taurado pela Agência, nos termos por ela de localização de pessoas desaparecidas.
EXPLORAÇÃO
regulados, ressalvados os casos de inexi- (Incluído pela Lei nº 12.841, de 2013)
gibilidade previstos no art. 91, observado Art. 126. A exploração de serviço de te- Parágrafo único. O sistema a que se refere
lecomunicações no regime privado será o caput deste artigo está sujeito às regras
o disposto no art. 92, desta Lei.
baseada nos princípios constitucionais da de mercado, nos termos do art. 129 desta
Art. 120. A permissão será formalizada atividade econômica. Lei. (Incluído pela Lei nº 12.841, de 2013)
mediante assinatura de termo, que indicará:
Art. 127. A disciplina da exploração dos CAPÍTULO II
I - o objeto e a área da permissão, bem como
serviços no regime privado terá por obje- DA AUTORIZAÇÃO DE SERVIÇO DE
os prazos mínimo e máximo de vigência es- tivo viabilizar o cumprimento das leis, em
timados;
TELECOMUNICAÇÕES
especial das relativas às telecomunicações,
II - modo, forma e condições da prestação do à ordem econômica e aos direitos dos con-
serviço; sumidores, destinando-se a garantir: SEÇÃO I
I - a diversidade de serviços, o incremento de DA OBTENÇÃO
III - as tarifas a serem cobradas dos usuários,
sua oferta e sua qualidade;
critérios para seu reajuste e revisão e as possí- Art. 131. A exploração de serviço no
II - a competição livre, ampla e justa;
veis fontes de receitas alternativas; regime privado dependerá de prévia au-
III - o respeito aos direitos dos usuários;
IV - os direitos, as garantias e as obrigações IV - a convivência entre as modalidades de torização da Agência, que acarretará direito
dos usuários, do permitente e do permissio- serviço e entre prestadoras em regime pri- de uso das radiofrequências necessárias.
nário; vado e público, observada a prevalência do § 1° Autorização de serviço de telecomuni-
interesse público; cações é o ato administrativo vinculado que
V - as condições gerais de interconexão;
V - o equilíbrio das relações entre prestado- faculta a exploração, no regime privado,
VI - a forma da prestação de contas e da fis- ras e usuários dos serviços; de modalidade de serviço de telecomuni-
calização; VI - a isonomia de tratamento às prestadoras; cações, quando preenchidas as condições
VII - os bens entregues pelo permitente à ad- VII - o uso eficiente do espectro de radiofre- objetivas e subjetivas necessárias.
ministração do permissionário; quências; § 2° A Agência definirá os casos que inde-
VIII - as sanções; VIII - o cumprimento da função social do penderão de autorização.
serviço de interesse coletivo, bem como dos § 3° A prestadora de serviço que independa
IX - os bens reversíveis, se houver; encargos dela decorrentes; de autorização comunicará previamente à
X - o foro e o modo para solução extrajudicial IX - o desenvolvimento tecnológico e indus- Agência o início de suas atividades, salvo
das divergências. trial do setor; nos casos previstos nas normas corres-
X - a permanente fiscalização. pondentes.
Parágrafo único. O termo de permissão
Art. 128. Ao impor condicionamentos § 4° A eficácia da autorização dependerá
será publicado resumidamente no Diário
administrativos ao direito de exploração da publicação de extrato no Diário Oficial
Oficial da União, como condição de sua da União.
das diversas modalidades de serviço no
eficácia. regime privado, sejam eles limites, encar- Art. 132. São condições objetivas para
Art. 121. Outorgada permissão em decor- gos ou sujeições, a Agência observará a obtenção de autorização de serviço:
rência de procedimento licitatório, a recusa exigência de mínima intervenção na vida I - disponibilidade de radiofrequência neces-
privada, assegurando que: sária, no caso de serviços que a utilizem;
injustificada pelo outorgado em assinar o I - a liberdade será a regra, constituindo exce- II - apresentação de projeto viável tecnica-
respectivo termo sujeitá-lo-á às sanções ção as proibições, restrições e interferências mente e compatível com as normas aplicá-
previstas no instrumento convocatório. do Poder Público; veis.
II - nenhuma autorização será negada, salvo
Art. 122. A permissão extinguir-se-á pe- por motivo relevante; Art. 133. São condições subjetivas para
lo decurso do prazo máximo de vigência obtenção de autorização de serviço de
III - os condicionamentos deverão ter víncu-
los, tanto de necessidade como de adequa- interesse coletivo pela empresa:
estimado, observado o disposto no art.
ção, com finalidades públicas específicas e I - estar constituída segundo as leis brasilei-
124 desta Lei, bem como por revogação, ras, com sede e administração no País;
relevantes;
caducidade e anulação. II - não estar proibida de licitar ou contratar
IV - o proveito coletivo gerado pelo condicio-
com o Poder Público, não ter sido declarada
Art. 123. A revogação deverá basear-se namento deverá ser proporcional à privação
inidônea ou não ter sido punida, nos dois
que ele impuser;
em razões de conveniência e oportunidade anos anteriores, com a decretação da cadu-
V - haverá relação de equilíbrio entre os de- cidade de concessão, permissão ou autoriza-
relevantes e supervenientes à permissão. veres impostos às prestadoras e os direitos a ção de serviço de telecomunicações, ou da
§ 1° A revogação, que poderá ser feita elas reconhecidos. caducidade de direito de uso de radiofrequ-
a qualquer momento, não dará direito a Art. 129. O preço dos serviços será livre, ência;
indenização. ressalvado o disposto no § 2° do art. 136 III - dispor de qualificação técnica para bem
§ 2° O ato revocatório fixará o prazo para desta Lei, reprimindo-se toda prática pre- prestar o serviço, capacidade econômico-
judicial à competição, bem como o abuso -financeira, regularidade fiscal e estar em si-
o permissionário devolver o serviço, que tuação regular com a Seguridade Social;
do poder econômico, nos termos da legis-
não será inferior a sessenta dias. IV - não ser, na mesma região, localidade ou
lação própria.
área, encarregada de prestar a mesma moda-
Art. 124. A permissão poderá ser mantida, Art. 130. A prestadora de serviço em re- lidade de serviço.
mesmo vencido seu prazo máximo, se per- gime privado não terá direito adquirido
sistir a situação excepcional que a motivou. à permanência das condições vigentes Art. 134. A Agência disporá sobre as
quando da expedição da autorização ou condições subjetivas para obtenção de
Art. 125. A Agência disporá sobre o regi- do início das atividades, devendo observar autorização de serviço de interesse restrito.
me da permissão, observados os princípios os novos condicionamentos impostos por Art. 135. A Agência poderá, excepcional-
e objetivos desta Lei. lei e pela regulamentação. mente, em face de relevantes razões de

24
legislação complementar Art. 135
caráter coletivo, condicionar a expedição atividades regulares por prazo mínimo de Art. 151. A Agência disporá sobre os
de autorização à aceitação, pelo interes- cinco anos, salvo desapropriação. planos de numeração dos serviços, as-
sado, de compromissos de interesse da Art. 142. Renúncia é o ato formal unila- segurando sua administração de forma
coletividade. teral, irrevogável e irretratável, pelo qual não discriminatória e em estímulo à com-
Parágrafo único. Os compromissos a que a prestadora manifesta seu desinteresse petição, garantindo o atendimento aos
se refere o caput serão objeto de regula- pela autorização. compromissos internacionais.
mentação, pela Agência, observados os Parágrafo único. A renúncia não será causa Parágrafo único. A Agência disporá sobre
princípios da razoabilidade, proporciona- para punição do autorizado, nem o deso- as circunstâncias e as condições em que a
lidade e igualdade. nerará de suas obrigações com terceiros. prestadora de serviço de telecomunica-
Art. 136. Não haverá limite ao número de ções cujo usuário transferir-se para outra
Art. 143. A anulação da autorização será prestadora será obrigada a, sem ônus,
autorizações de serviço, salvo em caso de decretada, judicial ou administrativamente,
impossibilidade técnica ou, excepcional- interceptar as ligações dirigidas ao antigo
em caso de irregularidade insanável do ato código de acesso do usuário e informar o
mente, quando o excesso de competidores que a expediu. seu novo código.
puder comprometer a prestação de uma
modalidade de serviço de interesse co- Art. 144. A extinção da autorização me- Art. 152. O provimento da interconexão
letivo. diante ato administrativo dependerá de será realizado em termos não discrimina-
§ 1° A Agência determinará as regiões, procedimento prévio, garantidos o con- tórios, sob condições técnicas adequadas,
localidades ou áreas abrangidas pela limi- traditório e a ampla defesa do interessado. garantindo preços isonômicos e justos,
tação e disporá sobre a possibilidade de a atendendo ao estritamente necessário à
prestadora atuar em mais de uma delas. TÍTULO IV prestação do serviço.
§ 2° As prestadoras serão selecionadas me- DAS REDES DE Art. 153. As condições para a inter-
diante procedimento licitatório, na forma TELECOMUNICAÇÕES conexão de redes serão objeto de livre
estabelecida nos arts. 88 a 92, sujeitando-se negociação entre os interessados, median-
a transferência da autorização às mesmas Art. 145. A implantação e o funciona- te acordo, observado o disposto nesta Lei
condições estabelecidas no art. 98, desta mento de redes de telecomunicações e nos termos da regulamentação.
Lei. destinadas a dar suporte à prestação de § 1° O acordo será formalizado por contrato,
§ 3° Dos vencedores da licitação será exigi- serviços de interesse coletivo, no regime cuja eficácia dependerá de homologação
da contrapartida proporcional à vantagem público ou privado, observarão o disposto pela Agência, arquivando-se uma de suas
econômica que usufruírem, na forma de neste Título. vias na Biblioteca para consulta por qual-
compromissos de interesse dos usuários. Parágrafo único. As redes de telecomuni- quer interessado.
cações destinadas à prestação de serviço § 2° Não havendo acordo entre os inte-
Art. 137. O descumprimento de condições em regime privado poderão ser dispen-
ou de compromissos assumidos, associados ressados, a Agência, por provocação de
sadas do disposto no caput, no todo ou um deles, arbitrará as condições para a
à autorização, sujeitará a prestadora às em parte, na forma da regulamentação interconexão.
sanções de multa, suspensão temporária expedida pela Agência.
ou caducidade. Art. 154. As redes de telecomunicações
Art. 146. As redes serão organizadas co- poderão ser, secundariamente, utilizadas
SEÇÃO II mo vias integradas de livre circulação, nos como suporte de serviço a ser prestado por
DA EXTINÇÃO termos seguintes: outrem, de interesse coletivo ou restrito.
I - é obrigatória a interconexão entre as redes,
na forma da regulamentação; Art. 155. Para desenvolver a competição,
Art. 138. A autorização de serviço de tele- as empresas prestadoras de serviços de
comunicações não terá sua vigência sujeita II - deverá ser assegurada a operação integra-
da das redes, em âmbito nacional e interna-
telecomunicações de interesse coletivo
a termo final, extinguindo-se somente por deverão, nos casos e condições fixados pela
cassação, caducidade, decaimento, renún- cional;
Agência, disponibilizar suas redes a outras
cia ou anulação. III - o direito de propriedade sobre as redes é
condicionado pelo dever de cumprimento de prestadoras de serviços de telecomunica-
Art. 139. Quando houver perda das sua função social. ções de interesse coletivo.
condições indispensáveis à expedição ou Art. 156. Poderá ser vedada a conexão de
Parágrafo único. Interconexão é a ligação
manutenção da autorização, a Agência po- equipamentos terminais sem certificação,
entre redes de telecomunicações funcional-
derá extingui-la mediante ato de cassação. expedida ou aceita pela Agência, no caso
mente compatíveis, de modo que os usuá-
Parágrafo único. Importará em cassação rios de serviços de uma das redes possam das redes referidas no art. 145 desta Lei.
da autorização do serviço a extinção da comunicar-se com usuários de serviços de § 1° Terminal de telecomunicações é o
autorização de uso da radiofrequência outra ou acessar serviços nela disponíveis. equipamento ou aparelho que possibilita
respectiva. o acesso do usuário a serviço de telecomu-
Art. 147. É obrigatória a interconexão às nicações, podendo incorporar estágio de
Art. 140. Em caso de prática de infrações redes de telecomunicações a que se refere o
graves, de transferência irregular da auto- transdução, estar incorporado a equipa-
art. 145 desta Lei, solicitada por prestadora mento destinado a exercer outras funções
rização ou de descumprimento reiterado de serviço no regime privado, nos termos
de compromissos assumidos, a Agência ou, ainda, incorporar funções secundárias.
da regulamentação. § 2° Certificação é o reconhecimento da
poderá extinguir a autorização decretando-
-lhe a caducidade. Art. 148. É livre a interconexão entre compatibilidade das especificações de de-
redes de suporte à prestação de serviços terminado produto com as características
Art. 141. O decaimento será decretado de telecomunicações no regime privado, técnicas do serviço a que se destina.
pela Agência, por ato administrativo, se, em
observada a regulamentação.
face de razões de excepcional relevância
Art. 149. A regulamentação estabelecerá TÍTULO V
pública, as normas vierem a vedar o tipo
as hipóteses e condições de interconexão DO ESPECTRO E DA ÓRBITA
de atividade objeto da autorização ou a
suprimir a exploração no regime privado. a redes internacionais.
§ 1° A edição das normas de que trata o Art. 150. A implantação, o funcionamento CAPÍTULO I
caput não justificará o decaimento senão e a interconexão das redes obedecerão DO ESPECTRO DE
quando a preservação das autorizações já à regulamentação editada pela Agência, RADIOFREQUÊNCIAS
expedidas for efetivamente incompatível assegurando a compatibilidade das redes
com o interesse público. das diferentes prestadoras, visando à sua Art. 157. O espectro de radiofrequências
§ 2° Decretado o decaimento, a prestado- harmonização em âmbito nacional e in- é um recurso limitado, constituindo-se em
ra terá o direito de manter suas próprias ternacional. bem público, administrado pela Agência.

25
Art. 158 legislação complementar

Art. 158. Observadas as atribuições de órgãos competentes para a vistoria de correspondente transferência da conces-
faixas segundo tratados e acordos inter- embarcações e aeronaves. são, permissão ou autorização de prestação
nacionais, a Agência manterá plano com do serviço a elas vinculada.
a atribuição, distribuição e destinação de CAPÍTULO II Art. 169. A autorização de uso de radio-
radiofrequências, e detalhamento necessá- DA AUTORIZAÇÃO DE USO frequências extinguir-se-á pelo advento de
rio ao uso das radiofrequências associadas DE RADIOFREQUÊNCIA seu termo final ou no caso de sua transfe-
aos diversos serviços e atividades de teleco- rência irregular, bem como por caducidade,
municações, atendidas suas necessidades Art. 163. O uso de radiofrequência, tendo decaimento, renúncia ou anulação da au-
específicas e as de suas expansões. ou não caráter de exclusividade, dependerá torização para prestação do serviço de
§ 1° O plano destinará faixas de radiofre- de prévia outorga da Agência, mediante au- telecomunicações que dela se utiliza.
quência para: torização, nos termos da regulamentação.
I - fins exclusivamente militares; § 1° Autorização de uso de radiofrequência CAPÍTULO III
II - serviços de telecomunicações a serem é o ato administrativo vinculado, associado DA ÓRBITA E DOS SATÉLITES
prestados em regime público e em regime à concessão, permissão ou autorização
privado; para prestação de serviço de telecomu-
III - serviços de radiodifusão;
Art. 170. A Agência disporá sobre os requi-
nicações, que atribui a interessado, por
sitos e critérios específicos para execução
IV - serviços de emergência e de segurança prazo determinado, o direito de uso de
de serviço de telecomunicações que utilize
pública; radiofrequência, nas condições legais e
satélite, geoestacionário ou não, indepen-
V - outras atividades de telecomunicações. regulamentares.
dentemente de o acesso a ele ocorrer a
§ 2° A destinação de faixas de radiofrequên- § 2° Independerão de outorga:
partir do território nacional ou do exterior.
cia para fins exclusivamente militares será I - o uso de radiofrequência por meio de equi-
feita em articulação com as Forças Armadas. pamentos de radiação restrita definidos pela Art. 171. Para a execução de serviço de
Agência; telecomunicações via satélite regulado
Art. 159. Na destinação de faixas de radio- II - o uso, pelas Forças Armadas, de radiofre- por esta Lei, deverá ser dada preferência
frequência serão considerados o emprego quências nas faixas destinadas a fins exclusi- ao emprego de satélite brasileiro, quando
racional e econômico do espectro, bem vamente militares. este propiciar condições equivalentes às
como as atribuições, distribuições e con- § 3° A eficácia da autorização de uso de de terceiros.
signações existentes, objetivando evitar radiofrequência dependerá de publicação § 1° O emprego de satélite estrangeiro
interferências prejudiciais. de extrato no Diário Oficial da União. somente será admitido quando sua con-
Parágrafo único. Considera-se inter- Art. 164. Havendo limitação técnica tratação for feita com empresa constituída
ferência prejudicial qualquer emissão, ao uso de radiofrequência e ocorrendo segundo as leis brasileiras e com sede e
irradiação ou indução que obstrua, degrade o interesse na sua utilização, por parte administração no País, na condição de re-
seriamente ou interrompa repetidamente de mais de um interessado, para fins de presentante legal do operador estrangeiro.
a telecomunicação. expansão de serviço e, havendo ou não, § 2° Satélite brasileiro é o que utiliza re-
Art. 160. A Agência regulará a utilização concomitantemente, outros interessados cursos de órbita e espectro radioelétrico
eficiente e adequada do espectro, poden- em prestar a mesma modalidade de serviço, notificados pelo País, ou a ele distribuídos
do restringir o emprego de determinadas observar-se-á: ou consignados, e cuja estação de controle
radiofrequências ou faixas, considerado o I - a autorização de uso de radiofrequência e monitoração seja instalada no território
interesse público. dependerá de licitação, na forma e condições brasileiro.
Parágrafo único. O uso da radiofrequência estabelecidas nos arts. 88 a 90 desta Lei e será
sempre onerosa; Art. 172. O direito de exploração de saté-
será condicionado à sua compatibilidade lite brasileiro para transporte de sinais de
com a atividade ou o serviço a ser prestado, II - o vencedor da licitação receberá, confor-
me o caso, a autorização para uso da radio- telecomunicações assegura a ocupação da
particularmente no tocante à potência, à órbita e o uso das radiofrequências destina-
frequência, para fins de expansão do serviço,
faixa de transmissão e à técnica empregada. ou a autorização para a prestação do serviço. das ao controle e monitoração do satélite
Art. 161. A qualquer tempo, poderá ser e à telecomunicação via satélite, por prazo
modificada a destinação de radiofrequ-
Art. 165. Para fins de verificação da ne- de até quinze anos, podendo esse prazo ser
cessidade de abertura ou não da licitação
ências ou faixas, bem como ordenada a prorrogado, uma única vez, nos termos da
prevista no artigo anterior, observar-se-á o
alteração de potências ou de outras carac- regulamentação.
disposto nos arts. 91 e 92 desta Lei.
terísticas técnicas, desde que o interesse § 1º Imediatamente após um pedido para
público ou o cumprimento de convenções Art. 166. A autorização de uso de radio- exploração de satélite que implique uti-
ou tratados internacionais assim o deter- frequência terá o mesmo prazo de vigência lização de novos recursos de órbita ou
mine. da concessão ou permissão de prestação espectro, a Agência avaliará as informa-
Parágrafo único. Será fixado prazo ade- de serviço de telecomunicações à qual ções e, considerando-as em conformidade
quado e razoável para a efetivação da esteja vinculada. com a regulamentação, encaminhará à
mudança. Art. 167. No caso de serviços autoriza- União Internacional de Telecomunicações
Art. 162. A operação de estação trans- dos, o prazo de vigência será de até vinte a correspondente notificação, sem que
missora de radiocomunicação está sujeita anos, prorrogável uma única vez por igual isso caracterize compromisso de outorga
à licença de funcionamento prévia e à período. ao requerente.
fiscalização permanente, nos termos da § 1° A prorrogação, sempre onerosa, po- § 2° Se inexigível a licitação, conforme
regulamentação. derá ser requerida até três anos antes do disposto nos arts. 91 e 92 desta Lei, o direito
§ 1° Radiocomunicação é a telecomunica- vencimento do prazo original, devendo o de exploração será conferido mediante
ção que utiliza frequências radioelétricas requerimento ser decidido em, no máximo, processo administrativo estabelecido pela
não confinadas a fios, cabos ou outros doze meses. Agência.
meios físicos. § 2° O indeferimento somente ocorrerá § 3° Havendo necessidade de licitação,
§ 2° É vedada a utilização de equipamentos se o interessado não estiver fazendo uso observar-se-á o procedimento estabeleci-
emissores de radiofrequência sem certifi- racional e adequado da radiofrequência, do nos arts. 88 a 90 desta Lei, aplicando-se,
cação expedida ou aceita pela Agência. se houver cometido infrações reiteradas no que couber, o disposto neste artigo.
§ 3° A emissão ou extinção da licença relati- em suas atividades ou se for necessária § 4º O direito será conferido a título one-
va à estação de apoio à navegação marítima a modificação de destinação do uso da roso, podendo o pagamento, conforme
ou aeronáutica, bem como à estação de radiofrequência. dispuser a Agência, fazer-se na forma de
radiocomunicação marítima ou aeronáu- Art. 168. É intransferível a autoriza- quantia certa, em uma ou várias parcelas,
tica, dependerá de parecer favorável dos ção de uso de radiofrequências sem a bem como de parcelas anuais ou, comple-

26
legislação complementar Art. 173
mentarmente, de cessão de capacidade, Parágrafo único. O prazo da suspensão VIII - Telecomunicações de Pernambuco S.A.
conforme dispuser a regulamentação. não será superior a trinta dias. - TELPE;
Art. 181. A caducidade importará na extin- IX - Telecomunicações de Alagoas S.A. - TE-
TÍTULO VI LASA;
ção de concessão, permissão, autorização
DAS SANÇÕES de serviço ou autorização de uso de radio- X - Telecomunicações de Sergipe S.A. - TE-
LERGIPE;
frequência, nos casos previstos nesta Lei.
XI - Telecomunicações da Bahia S.A. - TELE-
CAPÍTULO I Art. 182. A declaração de inidoneida- BAHIA;
DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS de será aplicada a quem tenha praticado XII - Telecomunicações de Mato Grosso do
atos ilícitos visando frustrar os objetivos Sul S.A. - TELEMS;
Art. 173. A infração desta Lei ou das de licitação. XIII - Telecomunicações de Mato Grosso S.A.
demais normas aplicáveis, bem como a Parágrafo único. O prazo de vigência - TELEMAT;
inobservância dos deveres decorrentes da declaração de inidoneidade não será XIV - Telecomunicações de Goiás S.A. - TELE-
dos contratos de concessão ou dos atos superior a cinco anos. GOIÁS;
de permissão, autorização de serviço ou XV - Telecomunicações de Brasília S.A. - TE-
autorização de uso de radiofrequência, CAPÍTULO II LEBRASÍLIA;
sujeitará os infratores às seguintes sanções, DAS SANÇÕES PENAIS XVI - Telecomunicações de Rondônia S.A. -
aplicáveis pela Agência, sem prejuízo das TELERON;
de natureza civil e penal: Art. 183. Desenvolver clandestinamente XVII - Telecomunicações do Acre S.A. - TELE-
I - advertência; atividades de telecomunicação: ACRE;
II - multa; Pena - detenção de dois a quatro anos, au- XVIII - Telecomunicações de Roraima S.A. -
III - suspensão temporária; mentada da metade se houver dano a ter- TELAIMA;
IV - caducidade; ceiro, e multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais). XIX - Telecomunicações do Amapá S.A. - TE-
V - declaração de inidoneidade. Parágrafo único. Incorre na mesma pena LEAMAPÁ;
quem, direta ou indiretamente, concorrer XX - Telecomunicações do Amazonas S.A. -
Art. 174. Toda acusação será circunstan- para o crime. TELAMAZON;
ciada, permanecendo em sigilo até sua
Art. 184. São efeitos da condenação penal XXI - Telecomunicações do Pará S.A. - TELE-
completa apuração. PARÁ;
transitada em julgado:
Art. 175. Nenhuma sanção será aplicada I - tornar certa a obrigação de indenizar o da- XXII - Telecomunicações do Rio de Janeiro
sem a oportunidade de prévia e ampla no causado pelo crime; S.A. - TELERJ;
defesa. II - a perda, em favor da Agência, ressalvado XXIII - Telecomunicações de Minas Gerais
Parágrafo único. Apenas medidas caute- o direito do lesado ou de terceiros de boa-fé, S.A. - TELEMIG;
lares urgentes poderão ser tomadas antes dos bens empregados na atividade clandes- XXIV - Telecomunicações do Espírito Santo
da defesa. tina, sem prejuízo de sua apreensão cautelar. S.A. - TELEST;
Art. 176. Na aplicação de sanções, serão Parágrafo único. Considera-se clandestina XXV - Telecomunicações de São Paulo S.A. -
considerados a natureza e a gravidade da a atividade desenvolvida sem a competente TELESP;
infração, os danos dela resultantes para concessão, permissão ou autorização de XXVI - Companhia Telefônica da Borda do
o serviço e para os usuários, a vantagem serviço, de uso de radiofrequência e de Campo - CTBC;
auferida pelo infrator, as circunstâncias exploração de satélite. XXVII - Telecomunicações do Paraná S.A. -
agravantes, os antecedentes do infrator e TELEPAR;
Art. 185. O crime definido nesta Lei é
a reincidência específica. XXVIII - Telecomunicações de Santa Catarina
de ação penal pública, incondicionada,
S.A. - TELESC;
Parágrafo único. Entende-se por rein- cabendo ao Ministério Público promovê-la.
cidência específica a repetição de falta XXIX - Companhia Telefônica Melhoramento
e Resistência - CTMR.
de igual natureza após o recebimento de LIVRO IV
notificação anterior. DA REESTRUTURAÇÃO E DA Parágrafo único. Incluem-se na autori-
Art. 177. Nas infrações praticadas por DESESTATIZAÇÃO zação a que se refere o caput as empresas
pessoa jurídica, também serão punidos DAS EMPRESAS FEDERAIS DE subsidiárias exploradoras do serviço móvel
com a sanção de multa seus administra- TELECOMUNICAÇÕES celular, constituídas nos termos do art. 5°
dores ou controladores, quando tiverem da Lei n° 9.295, de 19 de julho de 1996.
agido de má-fé. Art. 186. A reestruturação e a deses­ Art. 188. A reestruturação e a desestati-
tatização das empresas federais de zação deverão compatibilizar as áreas de
Art. 178. A existência de sanção anterior
telecomunicações têm como objetivo atuação das empresas com o plano geral
será considerada como agravante na apli-
conduzir ao cumprimento dos deveres de outorgas, o qual deverá ser previamente
cação de outra sanção.
constantes do art. 2º desta Lei. editado, na forma do art. 84 desta Lei, bem
Art. 179. A multa poderá ser imposta
isoladamente ou em conjunto com ou-
Art. 187. Fica o Poder Executivo auto- como observar as restrições, limites ou con-
rizado a promover a reestruturação e a dições estabelecidas com base no art. 71.
tra sanção, não devendo ser superior a
desestatização das seguintes empresas Art. 189. Para a reestruturação das em-
R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de
controladas, direta ou indiretamente, pela presas enumeradas no art. 187, fica o Poder
reais) para cada infração cometida.
União, e supervisionadas pelo Ministério Executivo autorizado a adotar as seguintes
§ 1° Na aplicação de multa serão conside-
das Comunicações: medidas:
rados a condição econômica do infrator I - Telecomunicações Brasileiras S.A. - TELE-
e o princípio da proporcionalidade entre I - cisão, fusão e incorporação;
BRÁS;
a gravidade da falta e a intensidade da II - dissolução de sociedade ou desativação
II - Empresa Brasileira de Telecomunicações parcial de seus empreendimentos;
sanção. - EMBRATEL;
§ 2° A imposição, a prestadora de serviço III - redução de capital social.
III - Telecomunicações do Maranhão S.A. -
de telecomunicações, de multa decorrente TELMA; Art. 190. Na reestruturação e desesta-
de infração da ordem econômica, observará IV - Telecomunicações do Piauí S.A. - TELE- tização da Telecomunicações Brasileiras
os limites previstos na legislação especifica. PISA; S.A. - TELEBRÁS deverão ser previstos me-
Art. 180. A suspensão temporária será V - Telecomunicações do Ceará - TELECEARÁ; canismos que assegurem a preservação
imposta, em relação à autorização de ser- VI - Telecomunicações do Rio Grande do Nor- da capacidade em pesquisa e desenvolvi-
viço ou de uso de radiofrequência, em caso te S.A. - TELERN; mento tecnológico existente na empresa.
de infração grave cujas circunstâncias não VII - Telecomunicações da Paraíba S.A. - TEL- Parágrafo único. Para o cumprimento do
justifiquem a decretação de caducidade. PA; disposto no caput, fica o Poder Executivo

27
Art. 191 legislação complementar
autorizado a criar entidade, que incorporará execução de venda de bens e valores mobi- § 2° A alienação do controle acionário, se
o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da liários e nas questões jurídicas relacionadas; realizada mediante venda de ações em
TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas: II - para inscrição no cadastro, os interessa- oferta pública, dispensará a inclusão, no
I - empresa estatal de economia mista ou não, dos deverão atender aos requisitos definidos edital, das informações relacionadas nos
inclusive por meio da cisão a que se refere o pela Comissão Especial de Supervisão, com a incisos I a III deste artigo.
inciso I do artigo anterior; aprovação do Ministro de Estado das Comu-
II - fundação governamental, pública ou pri- nicações; Art. 199. Visando à universalização dos
vada. III - poderão participar das licitações apenas serviços de telecomunicações, os editais de
os cadastrados, que serão convocados me- desestatização deverão conter cláusulas de
Art. 191. A desestatização caracteriza-se diante carta, com a especificação dos servi- compromisso de expansão do atendimento
pela alienação onerosa de direitos que as- ços objeto do certame; à população, consoantes com o disposto
seguram à União, direta ou indiretamente, IV - os convocados, isoladamente ou em con- no art. 80.
preponderância nas deliberações sociais e sórcio, apresentarão suas propostas em trinta Art. 200. Para qualificação, será exigida
o poder de eleger a maioria dos administra- dias, contados da convocação; dos pretendentes comprovação de capa-
dores da sociedade, podendo ser realizada V - além de outros requisitos previstos na cidade técnica, econômica e financeira,
mediante o emprego das seguintes moda- convocação, as propostas deverão conter o podendo ainda haver exigências quanto
lidades operacionais: detalhamento dos serviços, a metodologia
a experiência na prestação de serviços de
I - alienação de ações; de execução, a indicação do pessoal técnico
a ser empregado e o preço pretendido; telecomunicações, guardada sempre a ne-
II - cessão do direito de preferência à subscri- cessária compatibilidade com o porte das
ção de ações em aumento de capital. VI - o julgamento das propostas será realiza-
do pelo critério de técnica e preço; empresas objeto do processo.
Parágrafo único. A desestatização não Parágrafo único. Será admitida a partici-
afetará as concessões, permissões e auto- VII - o contratado, sob sua exclusiva respon-
sabilidade e com a aprovação do contratante, pação de consórcios, nos termos do edital.
rizações detidas pela empresa.
poderá subcontratar parcialmente os servi- Art. 201. Fica vedada, no decurso do
Art. 192. Na desestatização das empresas ços objeto do contrato; processo de desestatização, a aquisição,
a que se refere o art. 187, parte das ações VIII - o contratado será obrigado a aceitar, por um mesmo acionista ou grupo de acio-
poderá ser reservada a seus empregados nas mesmas condições contratuais, os acrés- nistas, do controle, direto ou indireto, de
e ex-empregados aposentados, a preços cimos ou reduções que se fizerem neces- empresas atuantes em áreas distintas do
e condições privilegiados, inclusive com a sários nos serviços, de até vinte e cinco por
plano geral de outorgas.
utilização do Fundo de Garantia por Tempo cento do valor inicial do ajuste.
de Serviço - FGTS. Art. 202. A transferência do controle
Art. 197. O processo especial de deses- acionário ou da concessão, após a de-
Art. 193. A desestatização de empresas ou tatização obedecerá aos princípios de sestatização, somente poderá efetuar-se
grupo de empresas citadas no art. 187 im- legalidade, impessoalidade, moralidade e quando transcorrido o prazo de cinco anos,
plicará a imediata abertura à competição, publicidade, podendo adotar a forma de observado o disposto nos incisos II e III do
na respectiva área, dos serviços prestados leilão ou concorrência ou, ainda, de venda art. 98 desta Lei.
no regime público. de ações em oferta pública, de acordo com
§ 1° Vencido o prazo referido no caput, a
o estabelecido pela Comissão Especial de
Art. 194. Poderão ser objeto de alienação transferência de controle ou de concessão
Supervisão.
conjunta o controle acionário de empresas que resulte no controle, direto ou indire-
prestadoras de serviço telefônico fixo co- Parágrafo único. O processo poderá to, por um mesmo acionista ou grupo de
mutado e o de empresas prestadoras do comportar uma etapa de pré-qualificação, acionistas, de concessionárias atuantes em
serviço móvel celular. ficando restrita aos qualificados a partici- áreas distintas do plano geral de outorgas,
pação em etapas subsequentes. não poderá ser efetuada enquanto tal im-
Parágrafo único. Fica vedado ao novo
controlador promover a incorporação ou Art. 198. O processo especial de deses- pedimento for considerado, pela Agência,
fusão de empresa prestadora do serviço tatização será iniciado com a publicação, necessário ao cumprimento do plano.
telefônico fixo comutado com empresa no Diário Oficial da União e em jornais § 2° A restrição à transferência da conces-
prestadora do serviço móvel celular. de grande circulação nacional, de avisos são não se aplica quando efetuada entre
referentes ao edital, do qual constarão, empresas atuantes em uma mesma área
Art. 195. O modelo de reestruturação
obrigatoriamente: do plano geral de outorgas.
e desestatização das empresas enumera- I - as condições para qualificação dos preten-
das no art. 187, após submetido a consulta dentes; Art. 203. Os preços de aquisição serão
pública, será aprovado pelo Presidente da II - as condições para aceitação das propos-
pagos exclusivamente em moeda corren-
República, ficando a coordenação e o acom- tas; te, admitido o parcelamento, nos termos
panhamento dos atos e procedimentos III - os critérios de julgamento;
do edital.
decorrentes a cargo de Comissão Especial Art. 204. Em até trinta dias após o encerra-
IV - minuta do contrato de concessão;
de Supervisão, a ser instituída pelo Ministro mento de cada processo de desestatização,
V - informações relativas às empresas objeto
de Estado das Comunicações. a Comissão Especial de Supervisão publi-
do processo, tais como seu passivo de curto
§ 1° A execução de procedimentos opera- e longo prazo e sua situação econômica e fi- cará relatório circunstanciado a respeito.
cionais necessários à desestatização poderá nanceira, especificando-se lucros, prejuízos e
ser cometida, mediante contrato, a institui- Art. 205. Entre as obrigações da institui-
endividamento interno e externo, no último
ção financeira integrante da Administração ção financeira contratada para a execução
exercício;
Federal, de notória experiência no assunto. de atos e procedimentos da desestatização,
VI - sumário dos estudos de avaliação;
poderá ser incluído o fornecimento de as-
§ 2° A remuneração da contratada será VII - critério de fixação do valor mínimo de sistência jurídica integral aos membros
paga com parte do valor líquido apurado alienação, com base nos estudos de avalia-
da Comissão Especial de Supervisão e aos
nas alienações. ção;
demais responsáveis pela condução da
Art. 196. Na reestruturação e na deses- VIII - indicação, se for o caso, de que será
desestatização, na hipótese de serem de-
criada, no capital social da empresa objeto da
tatização poderão ser utilizados serviços mandados pela prática de atos decorrentes
desestatização, ação de classe especial, a ser
especializados de terceiros, contratados subscrita pela União, e dos poderes especiais do exercício de suas funções.
mediante procedimento licitatório de rito que lhe serão conferidos, os quais deverão Art. 206. Os administradores das em-
próprio, nos termos seguintes: ser incorporados ao estatuto social.
I - o Ministério das Comunicações mante-
presas sujeitas à desestatização são
rá cadastro organizado por especialidade, § 1° O acesso à integralidade dos estu- responsáveis pelo fornecimento, no
aberto a empresas e instituições nacionais dos de avaliação e a outras informações prazo fixado pela Comissão Especial de
ou internacionais, de notória especialização confidenciais poderá ser restrito aos qua- Supervisão ou pela instituição financeira
na área de telecomunicações e na avaliação lificados, que assumirão compromisso de contratada, das informações necessárias à
e auditoria de empresas, no planejamento e confidencialidade. instrução dos respectivos processos.

28
legislação complementar Art. 207
DISPOSIÇÕES FINAIS E transferidas à Agência as competências atri-
TRANSITÓRIAS buídas pela referida Lei ao Poder Executivo.

Art. 207. No prazo máximo de sessenta Art. 213. Será livre a qualquer interessado
dias a contar da publicação desta Lei, as atu- a divulgação, por qualquer meio, de listas
ais prestadoras do serviço telefônico fixo de assinantes do serviço telefônico fixo
comutado destinado ao uso do público em comutado destinado ao uso do público
geral, inclusive as referidas no art. 187 desta em geral.
Lei, bem como do serviço dos troncos e suas § 1º Observado o disposto nos incisos VI
conexões internacionais, deverão pleitear a
e IX do art. 3° desta Lei, as prestadoras
celebração de contrato de concessão, que
será efetivada em até vinte e quatro meses do serviço serão obrigadas a fornecer, em
a contar da publicação desta Lei. prazos e a preços razoáveis e de forma não
§ 1° A concessão, cujo objeto será determi- discriminatória, a relação de seus assinantes
nado em função do plano geral de outor- a quem queira divulgá-la.
gas, será feita a título gratuito, com termo § 2º É obrigatório e gratuito o fornecimen-
final fixado para o dia 31 de dezembro de to, pela prestadora, de listas telefônicas
2005, assegurado o direito à prorrogação aos assinantes dos serviços, diretamente
única por vinte anos, a título oneroso, desde
ou por meio de terceiros, nos termos em
que observado o disposto no Título II do
Livro III desta Lei. que dispuser a Agência.
§ 2° À prestadora que não atender ao dis- Art. 214. Na aplicação desta Lei, serão
posto no caput deste artigo aplicar-se-ão observadas as seguintes disposições:
as seguintes disposições: I - os regulamentos, normas e demais regras
I - se concessionária, continuará sujeita ao
em vigor serão gradativamente substituídos
contrato de concessão atualmente em vigor,
o qual não poderá ser transferido ou prorro- por regulamentação a ser editada pela Agên-
gado; cia, em cumprimento a esta Lei;
II - se não for concessionária, o seu direito à II - enquanto não for editada a nova regula-
exploração do serviço extinguir-se-á em 31 mentação, as concessões, permissões e au-
de dezembro de 1999. torizações continuarão regidas pelos atuais
§ 3° Em relação aos demais serviços pres- regulamentos, normas e regras;
tados pelas entidades a que se refere o III - até a edição da regulamentação decor-
caput, serão expedidas as respectivas au- rente desta Lei, continuarão regidos pela Lei
torizações ou, se for o caso, concessões, nº 9.295, de 19 de julho de 1996, os serviços
observado o disposto neste artigo, no que por ela disciplinados e os respectivos atos e
couber, e no art. 208 desta Lei. procedimentos de outorga;
Art. 208. As concessões das empresas IV - as concessões, permissões e autorizações
prestadoras de serviço móvel celular abran- feitas anteriormente a esta Lei, não reguladas
gidas pelo art. 4º da Lei nº 9.295, de 19 de no seu art. 207, permanecerão válidas pelos
julho de 1996, serão outorgadas na forma prazos nelas previstos;
e condições determinadas pelo referido
artigo e seu parágrafo único. V - com a aquiescência do interessado, pode-
rá ser realizada a adaptação dos instrumen-
Art. 209. Ficam autorizadas as transferên- tos de concessão, permissão e autorização a
cias de concessão, parciais ou totais, que que se referem os incisos III e IV deste artigo
forem necessárias para compatibilizar as
aos preceitos desta Lei;
áreas de atuação das atuais prestadoras
com o plano geral de outorgas. VI - a renovação ou prorrogação, quando
prevista nos atos a que se referem os incisos
Art. 210. As concessões, permissões e au- III e IV deste artigo, somente poderá ser feita
torizações de serviço de telecomunicações
quando tiver havido a adaptação prevista no
e de uso de radiofrequência e as respectivas
inciso anterior.
licitações regem-se exclusivamente por
esta Lei, a elas não se aplicando as Leis n° Art. 215. Ficam revogados:
8.666, de 21 de junho de 1993, n° 8.987, de I - a Lei n° 4.117, de 27 de agosto de 1962, sal-
13 de fevereiro de 1995, n° 9.074, de 7 de vo quanto a matéria penal não tratada nesta
julho de l995, e suas alterações. Lei e quanto aos preceitos relativos à radio-
Art. 211. A outorga dos serviços de ra- difusão;
diodifusão sonora e de sons e imagens II - a Lei n°. 6.874, de 3 de dezembro de 1980;
fica excluída da jurisdição da Agência, per-
III - a Lei n°. 8.367, de 30 de dezembro de 1991;
manecendo no âmbito de competências
do Poder Executivo, devendo a Agência IV - os arts. 1°, 2°, 3°, 7°, 9°, 10, 12 e 14, bem
elaborar e manter os respectivos planos de como o caput e os §§ 1° e 4° do art. 8°, da Lei
distribuição de canais, levando em conta, n° 9.295, de 19 de julho de 1996;
inclusive, os aspectos concernentes à evo- V - o inciso I do art. 16 da Lei nº 8.029, de 12
lução tecnológica. de abril de 1990.
Parágrafo único. Caberá à Agência a fis-
calização, quanto aos aspectos técnicos, Art. 216. Esta Lei entra em vigor na data
das respectivas estações. de sua publicação.
Art. 212. O serviço de TV a Cabo, inclusive Brasília, 16 de julho de 1997; 176º da
quanto aos atos, condições e procedimen- Independência e 109º da República.
tos de outorga, continuará regido pela Lei FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
n° 8.977, de 6 de janeiro de 1995, ficando DOU de 17.7.1997

29
legislação complementar Art. 1º

LEI Nº 10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000

Estabelece normas gerais e critérios básicos para a de movimentação, permanente ou temporá- com mobilidade reduzida. (Redação dada
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras ria, gerando redução efetiva da mobilidade, pela Lei nº 13.146, de 2015)
de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá da flexibilidade, da coordenação motora ou
outras providências.
Parágrafo único. O passeio público, ele-
da percepção, incluindo idoso, gestante, lac-
mento obrigatório de urbanização e parte
O Presidente da República tante, pessoa com criança de colo e obeso;
da via pública, normalmente segregado e
Faço saber que o Congresso Nacional de- (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
em nível diferente, destina-se somente à
creta e eu sanciono a seguinte Lei: V - acompanhante: aquele que acompanha a
circulação de pedestres e, quando possível,
pessoa com deficiência, podendo ou não de-
sempenhar as funções de atendente pessoal; à implantação de mobiliário urbano e de
CAPÍTULO I vegetação. (Incluído pela Lei nº 13.146,
(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
DISPOSIÇÕES GERAIS de 2015)
VI - elemento de urbanização: quaisquer
Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais
componentes de obras de urbanização, tais Art. 4º As vias públicas, os parques e os
como os referentes a pavimentação, sanea- demais espaços de uso público existentes,
e critérios básicos para a promoção da mento, encanamento para esgotos, distribui- assim como as respectivas instalações de
acessibilidade das pessoas portadoras de ção de energia elétrica e de gás, iluminação serviços e mobiliários urbanos deverão
deficiência ou com mobilidade reduzida, pública, serviços de comunicação, abasteci-
mediante a supressão de barreiras e de ser adaptados, obedecendo-se ordem de
mento e distribuição de água, paisagismo e
obstáculos nas vias e espaços públicos, no prioridade que vise à maior eficiência das
os que materializam as indicações do plane-
mobiliário urbano, na construção e reforma jamento urbanístico; (Redação dada pela Lei
modificações, no sentido de promover mais
de edifícios e nos meios de transporte e de nº 13.146, de 2015) ampla acessibilidade às pessoas portadoras
comunicação. de deficiência ou com mobilidade reduzida.
VII - mobiliário urbano: conjunto de objetos
existentes nas vias e nos espaços públicos, Parágrafo único. No mínimo 5% (cinco por
Art. 2º Para os fins desta Lei são estabe- cento) de cada brinquedo e equipamento
lecidas as seguintes definições: superpostos ou adicionados aos elementos
de urbanização ou de edificação, de forma de lazer existentes nos locais referidos no
I - acessibilidade: possibilidade e condição
de alcance para utilização, com segurança e que sua modificação ou seu traslado não caput devem ser adaptados e identificados,
autonomia, de espaços, mobiliários, equipa- provoque alterações substanciais nesses tanto quanto tecnicamente possível, para
mentos urbanos, edificações, transportes, elementos, tais como semáforos, postes de possibilitar sua utilização por pessoas com
informação e comunicação, inclusive seus sinalização e similares, terminais e pontos de deficiência, inclusive visual, ou com mobi-
sistemas e tecnologias, bem como de outros acesso coletivo às telecomunicações, fontes lidade reduzida. (Redação dada pela Lei nº
serviços e instalações abertos ao público, de de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, 13.443, de 2017)
uso público ou privados de uso coletivo, tan- quiosques e quaisquer outros de natureza
to na zona urbana como na rural, por pessoa análoga; (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) Art. 5º O projeto e o traçado dos elemen-
com deficiência ou com mobilidade reduzi- VIII - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: tos de urbanização públicos e privados de
da; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) produtos, equipamentos, dispositivos, re- uso comunitário, nestes compreendidos os
II - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, ati- cursos, metodologias, estratégias, práticas e itinerários e as passagens de pedestres, os
tude ou comportamento que limite ou impe- serviços que objetivem promover a funcio- percursos de entrada e de saída de veículos,
ça a participação social da pessoa, bem como nalidade, relacionada à atividade e à partici- as escadas e rampas, deverão observar os
o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos pação da pessoa com deficiência ou com mo- parâmetros estabelecidos pelas normas
à acessibilidade, à liberdade de movimento bilidade reduzida, visando à sua autonomia, técnicas de acessibilidade da Associação
e de expressão, à comunicação, ao acesso à independência, qualidade de vida e inclusão Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
informação, à compreensão, à circulação com social; (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015)
segurança, entre outros, classificadas em: IX - comunicação: forma de interação dos ci- Art. 6º Os banheiros de uso público exis-
(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) dadãos que abrange, entre outras opções, as tentes ou a construir em parques, praças,
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais jardins e espaços livres públicos deverão
vias e nos espaços públicos e privados aber- (Libras), a visualização de textos, o Braille, o ser acessíveis e dispor, pelo menos, de um
tos ao público ou de uso coletivo; (Redação sistema de sinalização ou de comunicação sanitário e um lavatório que atendam às es-
dada pela Lei nº 13.146, de 2015) tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos pecificações das normas técnicas da ABNT.
multimídia, assim como a linguagem simples,
b) barreiras arquitetônicas: as existentes
escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios
Art. 7º Em todas as áreas de estacionamen-
nos edifícios públicos e privados; (Redação to de veículos, localizadas em vias ou em
de voz digitalizados e os modos, meios e for-
dada pela Lei nº 13.146, de 2015) matos aumentativos e alternativos de comu- espaços públicos, deverão ser reservadas
c) barreiras nos transportes: as existentes nicação, incluindo as tecnologias da informa- vagas próximas dos acessos de circulação
nos sistemas e meios de transportes; (Re- ção e das comunicações; (Incluído pela Lei nº de pedestres, devidamente sinalizadas,
dação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 13.146, de 2015) para veículos que transportem pessoas
d) barreiras nas comunicações e na in- X - desenho universal: concepção de produ- portadoras de deficiência com dificuldade
formação: qualquer entrave, obstáculo, tos, ambientes, programas e serviços a serem de locomoção.
atitude ou comportamento que dificulte usados por todas as pessoas, sem necessida- Parágrafo único. As vagas a que se refere o
ou impossibilite a expressão ou o recebi- de de adaptação ou de projeto específico, caput deste artigo deverão ser em número
mento de mensagens e de informações por incluindo os recursos de tecnologia assistiva. equivalente a dois por cento do total, garan-
intermédio de sistemas de comunicação (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) tida, no mínimo, uma vaga, devidamente
e de tecnologia da informação; (Redação sinalizada e com as especificações técnicas
dada pela Lei nº 13.146, de 2015) CAPÍTULO II de desenho e traçado de acordo com as
III - pessoa com deficiência: aquela que tem DOS ELEMENTOS DA normas técnicas vigentes.
impedimento de longo prazo de natureza fí- URBANIZAÇÃO
sica, mental, intelectual ou sensorial, o qual,
CAPÍTULO III
em interação com uma ou mais barreiras,
pode obstruir sua participação plena e efeti- Art. 3º O planejamento e a urbaniza- DO DESENHO E DA LOCALIZAÇÃO
va na sociedade em igualdade de condições ção das vias públicas, dos parques e dos DO MOBILIÁRIO URBANO
com as demais pessoas; (Redação dada pela demais espaços de uso público deverão
Lei nº 13.146, de 2015) ser concebidos e executados de forma a Art. 8º Os sinais de tráfego, semáforos,
IV - pessoa com mobilidade reduzida: aquela torná-los acessíveis para todas as pessoas, postes de iluminação ou quaisquer ou-
que tenha, por qualquer motivo, dificuldade inclusive para aquelas com deficiência ou tros elementos verticais de sinalização que

31
Art. 8º legislação complementar
devam ser instalados em itinerário ou es- que possam ser utilizados por pessoa por- técnicas que tornem acessíveis os sistemas
paço de acesso para pedestres deverão ser tadora de deficiência ou com mobilidade de comunicação e sinalização às pessoas
dispostos de forma a não dificultar ou im- reduzida. portadoras de deficiência sensorial e com
pedir a circulação, e de modo que possam Art. 12. Os locais de espetáculos, confe- dificuldade de comunicação, para garantir-
ser utilizados com a máxima comodidade. rências, aulas e outros de natureza similar -lhes o direito de acesso à informação, à
Art. 9º Os semáforos para pedestres ins- deverão dispor de espaços reservados para comunicação, ao trabalho, à educação, ao
talados nas vias públicas deverão estar pessoas que utilizam cadeira de rodas, e transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer.
equipados com mecanismo que emita sinal de lugares específicos para pessoas com Art. 18. O Poder Público implementará
sonoro suave, intermitente e sem estridên- deficiência auditiva e visual, inclusive a formação de profissionais intérpretes
cia, ou com mecanismo alternativo, que acompanhante, de acordo com a ABNT, de escrita em braile, linguagem de sinais
sirva de guia ou orientação para a travessia de modo a facilitar-lhes as condições de e de guias-intérpretes, para facilitar qual-
de pessoas portadoras de deficiência visual, acesso, circulação e comunicação. quer tipo de comunicação direta à pessoa
se a intensidade do fluxo de veículos e a Art. 12-A. Os centros comerciais e os esta- portadora de deficiência sensorial e com
periculosidade da via assim determinarem. belecimentos congêneres devem fornecer dificuldade de comunicação.
Parágrafo único. Os semáforos para carros e cadeiras de rodas, motorizados ou Art. 19. Os serviços de radiodifusão so-
pedestres instalados em vias públicas de não, para o atendimento da pessoa com nora e de sons e imagens adotarão plano
grande circulação, ou que deem acesso deficiência ou com mobilidade reduzida. de medidas técnicas com o objetivo de
aos serviços de reabilitação, devem obri- (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) permitir o uso da linguagem de sinais ou
gatoriamente estar equipados com meca- outra subtitulação, para garantir o direito
nismo que emita sinal sonoro suave para CAPÍTULO V de acesso à informação às pessoas porta-
orientação do pedestre. (Incluído pela Lei DA ACESSIBILIDADE NOS doras de deficiência auditiva, na forma e no
nº 13.146, de 2015) EDIFÍCIOS DE USO PRIVADO prazo previstos em regulamento.
Art. 10. Os elementos do mobiliário urba-
no deverão ser projetados e instalados em Art. 13. Os edifícios de uso privado em que CAPÍTULO VIII
locais que permitam sejam eles utilizados seja obrigatória a instalação de elevadores DISPOSIÇÕES SOBRE
pelas pessoas portadoras de deficiência ou deverão ser construídos atendendo aos AJUDAS TÉCNICAS
com mobilidade reduzida. seguintes requisitos mínimos de acessi-
Art. 10-A. A instalação de qualquer bilidade: Art. 20. O Poder Público promoverá a
mobiliário urbano em área de circulação I – percurso acessível que una as unidades supressão de barreiras urbanísticas, arqui-
comum para pedestre que ofereça risco de habitacionais com o exterior e com as depen- tetônicas, de transporte e de comunicação,
dências de uso comum; mediante ajudas técnicas.
acidente à pessoa com deficiência deverá
ser indicada mediante sinalização tátil de II – percurso acessível que una a edificação à
via pública, às edificações e aos serviços ane-
Art. 21. O Poder Público, por meio dos
alerta no piso, de acordo com as normas organismos de apoio à pesquisa e das
xos de uso comum e aos edifícios vizinhos;
técnicas pertinentes. (Incluído pela Lei nº agências de financiamento, fomentará
13.146, de 2015) III – cabine do elevador e respectiva porta de
entrada acessíveis para pessoas portadoras programas destinados:
de deficiência ou com mobilidade reduzida. I – à promoção de pesquisas científicas vol-
CAPÍTULO IV tadas ao tratamento e prevenção de defici-
DA ACESSIBILIDADE NOS EDIFÍCIOS Art. 14. Os edifícios a serem construídos ências;
PÚBLICOS OU DE USO COLETIVO com mais de um pavimento além do pavi- II – ao desenvolvimento tecnológico orien-
mento de acesso, à exceção das habitações tado à produção de ajudas técnicas para as
Art. 11. A construção, ampliação ou re- unifamiliares, e que não estejam obrigados pessoas portadoras de deficiência;
forma de edifícios públicos ou privados à instalação de elevador, deverão dispor III – à especialização de recursos humanos
destinados ao uso coletivo deverão ser de especificações técnicas e de projeto em acessibilidade.
executadas de modo que sejam ou se tor- que facilitem a instalação de um elevador
nem acessíveis às pessoas portadoras de adaptado, devendo os demais elementos CAPÍTULO IX
deficiência ou com mobilidade reduzida. de uso comum destes edifícios atender aos DAS MEDIDAS DE FOMENTO À
Parágrafo único. Para os fins do disposto requisitos de acessibilidade. ELIMINAÇÃO DE BARREIRAS
neste artigo, na construção, ampliação ou Art. 15. Caberá ao órgão federal res-
reforma de edifícios públicos ou privados ponsável pela coordenação da política Art. 22. É instituído, no âmbito da Se-
destinados ao uso coletivo deverão ser habitacional regulamentar a reserva de um cretaria de Estado de Direitos Humanos
observados, pelo menos, os seguintes percentual mínimo do total das habitações, do Ministério da Justiça, o Programa Na-
requisitos de acessibilidade: conforme a característica da população cional de Acessibilidade, com dotação
I – nas áreas externas ou internas da edifica- local, para o atendimento da demanda de orçamentária específica, cuja execução
ção, destinadas a garagem e a estacionamen- será disciplinada em regulamento.
pessoas portadoras de deficiência ou com
to de uso público, deverão ser reservadas
vagas próximas dos acessos de circulação de mobilidade reduzida.
CAPÍTULO X
pedestres, devidamente sinalizadas, para ve-
ículos que transportem pessoas portadoras CAPÍTULO VI DISPOSIÇÕES FINAIS
de deficiência com dificuldade de locomoção DA ACESSIBILIDADE NOS VEÍCULOS
permanente; DE TRANSPORTE COLETIVO Art. 23. A Administração Pública federal
II – pelo menos um dos acessos ao interior direta e indireta destinará, anualmente,
da edificação deverá estar livre de barreiras Art. 16. Os veículos de transporte coletivo dotação orçamentária para as adaptações,
arquitetônicas e de obstáculos que impeçam deverão cumprir os requisitos de acessibi- eliminações e supressões de barreiras ar-
ou dificultem a acessibilidade de pessoa por- lidade estabelecidos nas normas técnicas quitetônicas existentes nos edifícios de
tadora de deficiência ou com mobilidade uso público de sua propriedade e naqueles
específicas.
reduzida; que estejam sob sua administração ou uso.
III – pelo menos um dos itinerários que co- Parágrafo único. A implementação das
CAPÍTULO VII
muniquem horizontal e verticalmente todas adaptações, eliminações e supressões de
as dependências e serviços do edifício, entre DA ACESSIBILIDADE NOS SISTEMAS
DE COMUNICAÇÃO E SINALIZAÇÃO barreiras arquitetônicas referidas no caput
si e com o exterior, deverá cumprir os requisi-
deste artigo deverá ser iniciada a partir do
tos de acessibilidade de que trata esta Lei; e
Art. 17. O Poder Público promoverá a primeiro ano de vigência desta Lei.
IV – os edifícios deverão dispor, pelo menos,
de um banheiro acessível, distribuindo-se eliminação de barreiras na comunicação Art. 24. O Poder Público promoverá cam-
seus equipamentos e acessórios de maneira e estabelecerá mecanismos e alternativas panhas informativas e educativas dirigidas

32
legislação complementar Art. 24
à população em geral, com a finalidade cumprimento dos requisitos de acessibi-
de conscientizá-la e sensibilizá-la quanto
à acessibilidade e à integração social da lidade estabelecidos nesta Lei.
pessoa portadora de deficiência ou com
mobilidade reduzida. Art. 27. Esta Lei entra em vigor na data
Art. 25. As disposições desta Lei aplicam-
-se aos edifícios ou imóveis declarados de sua publicação.
bens de interesse cultural ou de valor
histórico-artístico, desde que as modifi- Brasília, 19 de dezembro de 2000; 179º da
cações necessárias observem as normas
Independência e 112º da República.
específicas reguladoras destes bens.
Art. 26. As organizações representati- FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
vas de pessoas portadoras de deficiência
terão legitimidade para acompanhar o DOU de 20.12.2000

33
Art. 1º legislação complementar

DECRETO Nº 9.094, DE 17 DE JULHO DE 2017

Dispõe sobre a simplificação do atendimento pres- oficial, a comprovação necessária poderá Art. 10. A apresentação de documentos
tado aos usuários dos serviços públicos, ratifica a ser feita por meio de declaração escrita e por usuários dos serviços públicos poderá
dispensa do reconhecimento de firma e da autenti-
assinada pelo usuário dos serviços públicos, ser feita por meio de cópia autenticada,
cação em documentos produzidos no País e institui
a Carta de Serviços ao Usuário. que, na hipótese de declaração falsa, ficará dispensada nova conferência com o do-
sujeito às sanções administrativas, civis e cumento original.
O Presidente da República, no uso da atri- penais aplicáveis. § 1º A autenticação de cópia de documen-
buição que lhe confere o art. 84, caput,
Art. 4º Os órgãos e as entidades res- tos poderá ser feita, por meio de cotejo
inciso VI, alínea “a”, da Constituição, decreta:
ponsáveis por bases de dados oficiais da da cópia com o documento original, pelo
Art. 1º Os órgãos e as entidades do Poder administração pública federal prestarão servidor público a quem o documento deva
Executivo federal observarão as seguintes orientações aos órgãos e às entidades ser apresentado.
diretrizes nas relações entre si e com os § 2º Constatada, a qualquer tempo, a falsi-
públicos interessados para o acesso às in-
usuários dos serviços públicos: ficação de firma ou de cópia de documento
formações constantes das bases de dados,
I - presunção de boa-fé;
observadas as disposições legais aplicáveis. público ou particular, o órgão ou a entidade
II - compartilhamento de informações, nos do Poder Executivo federal considerará
termos da lei; Art. 5º No atendimento aos usuários dos
não satisfeita a exigência documental
III - atuação integrada e sistêmica na expe- serviços públicos, os órgãos e as entidades
respectiva e, no prazo de até cinco dias,
dição de atestados, certidões e documentos do Poder Executivo federal observarão as
comprobatórios de regularidade;
dará conhecimento do fato à autoridade
seguintes práticas:
I - gratuidade dos atos necessários ao exercí-
competente para adoção das providências
IV - racionalização de métodos e procedi-
mentos de controle; cio da cidadania, nos termos da Lei nº 9.265, administrativas, civis e penais cabíveis.
V - eliminação de formalidades e exigências de 12 de fevereiro de 1996; CAPÍTULO II
cujo custo econômico ou social seja superior II - padronização de procedimentos referen- DA CARTA DE SERVIÇOS AO USUÁRIO
ao risco envolvido; tes à utilização de formulários, guias e outros
VI - aplicação de soluções tecnológicas que documentos congêneres; e Art. 11. Os órgãos e as entidades do Poder
visem a simplificar processos e procedimen- III - vedação de recusa de recebimento de Executivo federal que prestam atendi-
tos de atendimento aos usuários dos serviços requerimentos pelos serviços de protocolo, mento aos usuários dos serviços públicos,
públicos e a propiciar melhores condições exceto quando o órgão ou a entidade for ma- direta ou indiretamente, deverão elaborar
para o compartilhamento das informações; nifestamente incompetente. e divulgar Carta de Serviços ao Usuário,
VII - utilização de linguagem clara, que evite § 1º Na hipótese referida no inciso III do no âmbito de sua esfera de competência.
o uso de siglas, jargões e estrangeirismos; e caput, os serviços de protocolo deverão § 1º A Carta de Serviços ao Usuário tem por
VIII - articulação com os Estados, o Distrito prover as informações e as orientações objetivo informar aos usuários dos serviços
Federal, os Municípios e os outros Poderes
necessárias para que o interessado possa prestados pelo órgão ou pela entidade
para a integração, racionalização, disponibi-
lização e simplificação de serviços públicos. dar andamento ao requerimento. do Poder Executivo federal as formas de
§ 2º Após a protocolização de requerimen- acesso a esses serviços e os compromissos
Parágrafo único. Usuários dos serviços
to, caso o agente público verifique que o e padrões de qualidade do atendimento
públicos são as pessoas físicas e jurídicas,
órgão ou a entidade do Poder Executivo ao público.
de direito público ou privado, diretamente
federal é incompetente para o exame ou § 2º Da Carta de Serviços ao Usuário, de-
atendidas por serviço público.
a decisão da matéria, deverá providenciar verão constar informações claras e precisas
CAPÍTULO I a remessa imediata do requerimento ao sobre cada um dos serviços prestados, es-
DA RACIONALIZAÇÃO DE EXIGÊNCIAS órgão ou à entidade do Poder Executivo pecialmente as relativas:
E DA TROCA DE INFORMAÇÕES federal competente. I - ao serviço oferecido;
Art. 2º Salvo disposição legal em contrário, § 3º Quando a remessa referida no § 2º II - aos requisitos e aos documentos necessá-
não for possível, o interessado deverá ser rios para acessar o serviço;
os órgãos e as entidades do Poder Executivo
federal que necessitarem de documentos comunicado imediatamente do fato para III - às etapas para processamento do serviço;
comprobatórios da regularidade da situa- adoção das providências necessárias. IV - ao prazo para a prestação do serviço;
ção de usuários dos serviços públicos, de Art. 6º As exigências necessárias para o V - à forma de prestação do serviço;
atestados, de certidões ou de outros docu- requerimento serão feitas desde logo e de VI - à forma de comunicação com o solicitan-
mentos comprobatórios que constem em uma só vez ao interessado, justificando-se te do serviço; e
base de dados oficial da administração pú- exigência posterior apenas em caso de VII - aos locais e às formas de acessar o ser-
blica federal deverão obtê-los diretamente dúvida superveniente. viço.
do órgão ou da entidade responsável pela § 3º Além das informações referidas no §
Art. 7º Não será exigida prova de fato já
base de dados, nos termos do Decreto nº 2º, a Carta de Serviços ao Usuário deverá,
comprovado pela apresentação de docu-
8.789, de 29 de junho de 2016, e não po- para detalhar o padrão de qualidade do
mento ou informação válida.
derão exigi-los dos usuários dos serviços atendimento, estabelecer:
públicos. Art. 8º Para complementar informações I - os usuários que farão jus à prioridade no
ou solicitar esclarecimentos, a comunica- atendimento;
Art. 3º Na hipótese dos documentos a que
ção entre o órgão ou a entidade do Poder II - o tempo de espera para o atendimento;
se refere o art. 2º conterem informações
Executivo federal e o interessado poderá
sigilosas sobre os usuários dos serviços III - o prazo para a realização dos serviços;
públicos, o fornecimento pelo órgão ou ser feita por qualquer meio, preferencial-
IV - os mecanismos de comunicação com os
pela entidade responsável pela base de da- mente eletrônico. usuários;
dos oficial fica condicionado à autorização Art. 9º Exceto se existir dúvida fundada V - os procedimentos para receber, atender,
expressa do usuário, exceto nas situações quanto à autenticidade ou previsão legal, gerir e responder às sugestões e reclamações;
previstas em lei. fica dispensado o reconhecimento de firma VI - as etapas, presentes e futuras, esperadas
Parágrafo único. Quando não for possível e a autenticação de cópia dos documentos para a realização dos serviços, incluídas a es-
a obtenção dos documentos a que a que se expedidos no País e destinados a fazer timativas de prazos;
refere o art. 2º diretamente do órgão ou da prova junto a órgãos e entidades do Poder VII - os mecanismos para a consulta pelos
entidade responsável pela base de dados Executivo federal. usuários acerca das etapas, cumpridas e

34
legislação complementar Art. 12
pendentes, para a realização do serviço so- CAPÍTULO V § 1º Os canais de ouvidoria e as pesquisas
licitado; DAS SANÇÕES PELO de satisfação objetivam assegurar a efeti-
VIII - o tratamento a ser dispensado aos usuá- DESCUMPRIMENTO
rios quando do atendimento; va participação dos usuários dos serviços
IX - os elementos básicos para o sistema de Art. 16. O servidor público ou o militar públicos na avaliação e identificar lacunas
sinalização visual das unidades de atendi- que descumprir o disposto neste Decreto e deficiências na prestação dos serviços.
mento; estará sujeito às penalidades previstas,
X - as condições mínimas a serem observadas respectivamente, na Lei nº 8.112, de 11 de § 2º Os órgãos e as entidades do Poder
pelas unidades de atendimento, em especial dezembro de 1990, e na Lei nº 6.880, de 9 Executivo federal deverão dar ampla di-
no que se refere à acessibilidade, à limpeza e de dezembro de 1980. vulgação aos resultados das pesquisas de
ao conforto; Parágrafo único. Os usuários dos serviços
XI - os procedimentos para atendimento satisfação.
públicos que tiverem os direitos garantidos
quando o sistema informatizado se encontrar
neste Decreto desrespeitados poderão re- CAPÍTULO VIII
indisponível; e
presentar ao Ministério da Transparência e DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
XII - outras informações julgadas de interesse
dos usuários.
Controladoria-Geral da União.
Art. 17. Cabe ao Ministério da Transpa- Art. 21. O Ministério da Transparência e
CAPÍTULO III rência e Controladoria-Geral da União e
DA RACIONALIZAÇÃO DAS NORMAS Controladoria-Geral da União terá prazo
aos órgãos integrantes do sistema de con-
trole interno do Poder Executivo federal de cento e oitenta dias, contado da data
Art. 12. A edição e a alteração das normas de publicação deste Decreto, para dispo-
relativas ao atendimento dos usuários dos zelar pelo cumprimento do disposto neste
serviços públicos observarão os princípios Decreto e adotar as providências para a nibilizar os meios de acesso à Solicitação
da eficiência e da economicidade e con- responsabilização dos servidores públicos de Simplificação e ao Simplifique!.
siderarão os efeitos práticos tanto para a e dos militares, e de seus superiores hierár-
administração pública federal quanto para quicos, que praticarem atos em desacordo Art. 22. Os Ministros de Estado da Transpa-
os usuários. com suas disposições. rência e Controladoria-Geral da União e do
CAPÍTULO IV CAPÍTULO VI Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
DA SOLICITAÇÃO DE SIMPLIFICAÇÃO DA DIVULGAÇÃO AOS USUÁRIOS poderão expedir normas complementares
DOS SERVIÇOS PÚBLICOS
Art. 13. Os usuários dos serviços públicos ao disposto neste Decreto.
poderão apresentar Solicitação de Simpli- Art. 18. A Carta de Serviços ao Usuário, a Art. 23. O Decreto nº 8.936, de 2016, passa
ficação, por meio de formulário próprio forma de acesso, as orientações de uso e
denominado Simplifique!, aos órgãos e as informações do formulário Simplifique! vigorar com as seguintes alterações:
às entidades do Poder Executivo federal, deverão ser objeto de permanente divul- “Art. 3º ............................................................
quando a prestação de serviço público não gação aos usuários dos serviços públicos, ...........................................................................
observar o disposto neste Decreto. e mantidos visíveis e acessíveis ao público:
I - nos locais de atendimento; ..................
§ 1º A Solicitação de Simplificação deverá
ser apresentada, preferencialmente, por II - nos portais institucionais e de prestação V - .....................................................................
meio eletrônico, em canal único oferecido de serviços na internet; e ...........................................................................
pela Ouvidoria-Geral da União, do Ministé- III - no Portal de Serviços do Governo federal,
...................
rio da Transparência e Controladoria-Geral disponível em www.servicos.gov.br.
da União. b) tempo médio de atendimento;
Art. 19. As informações do formulário
§ 2º Sempre que recebida por meio físico, Simplifique!, de que trata o art. 14, serão c) grau de satisfação dos usuários; e
os órgãos e as entidades deverão digitalizar divulgadas no painel de monitoramento do d) número de Solicitações de Simplificação
a Solicitação de Simplificação e promover a desempenho dos serviços públicos pres-
sua inserção no canal a que se refere o § 1º. relativas ao serviço.”
tados a que se refere o inciso V do caput
Art. 14. Do formulário Simplifique! deverá do art. 3º do Decreto nº 8.936, de 19 de Art. 24. Este Decreto entra em vigor na
constar: dezembro de 2016. data de sua publicação.
I - a identificação do solicitante;
II - a especificação do serviço objeto da sim- CAPÍTULO VII Art. 25. Ficam revogados:
plificação; DA AVALIAÇÃO E DA MELHORIA DOS
SERVIÇOS PÚBLICOS I - o Decreto nº 6.932, de 11 de agosto de
III - o nome do órgão ou da entidade perante 2009; e
o qual o serviço foi solicitado;
Art. 20. Os órgãos e as entidades do Poder II - o Decreto nº 5.378, de 23 de fevereiro de
IV - a descrição dos atos ou fatos; e
Executivo federal deverão utilizar ferramen-
V - facultativamente, a proposta de melhoria. 2005.
ta de pesquisa de satisfação dos usuários
Art. 15. Ato conjunto dos Ministros de dos seus serviços, constante do Portal de Brasília, 17 de julho de 2017;
Estado da Transparência e Controlado- Serviços do Governo federal, e do Sistema 196º da Independência e 129º da Repú-
ria-Geral da União e do Planejamento, de Ouvidoria do Poder Executivo federal, e
blica.
Desenvolvimento e Gestão disciplinará o utilizar os dados como subsídio relevante
procedimento aplicável à Solicitação de para reorientar e ajustar a prestação dos MICHEL TEMER
Simplificação. serviços. DOU de 18.7.2017

35
Art. 1º LEI Nº 13.432, DE 11 DE ABRIL DE 2017

LEI Nº 13.432, DE 11 DE ABRIL DE 2017

Dispõe sobre o exercício da profissão de detetive IV - relação de documentos e dados forneci- I - preservar o sigilo das fontes de informação;
particular dos pelo contratante; II - respeitar o direito à intimidade, à privaci-
O Presidente da República. Faço saber que o Con- V - local em que será prestado o serviço; dade, à honra e à imagem das pessoas;
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: VI - estipulação dos honorários e sua forma III - exercer a profissão com zelo e probidade;
de pagamento. IV - defender, com isenção, os direitos e as
ART. 1º (VETADO).
ART. 2º Para os fins desta Lei, considera-se Parágrafo único. É facultada às partes a prerrogativas profissionais, zelando pela pró-
estipulação de seguro de vida em favor do de- pria reputação e a da classe;
detetive particular o profissional que, habi-
tetive particular, que indicará os beneficiários, V - zelar pela conservação e proteção de
tualmente, por conta própria ou na forma quando a atividade envolver risco de morte.
de sociedade civil ou empresarial, planeje e documentos, objetos, dados ou informações
execute coleta de dados e informações de ART. 9º Ao final do prazo pactuado para a que lhe forem confiados pelo cliente;
execução dos serviços profissionais, o detetive
natureza não criminal, com conhecimento téc- VI - restituir, íntegro, ao cliente, findo o con-
particular entregará ao contratante ou a seu
nico e utilizando recursos e meios tecnológicos trato ou a pedido, documento ou objeto que
representante legal, mediante recibo, relatório
permitidos, visando ao esclarecimento de lhe tenha sido confiado;
circunstanciado sobre os dados e informações
assuntos de interesse privado do contratante. coletados, que conterá: VII - prestar contas ao cliente.
§ 1º Consideram-se sinônimas, para efeito I - os procedimentos técnicos adotados; ART. 12. São direitos do detetive particular:
desta Lei, as expressões “detetive particular”, I - exercer a profissão em todo o território
“detetive profissional” e outras que tenham
II - a conclusão em face do resultado dos tra-
balhos executados e, se for o caso, a indicação nacional na defesa dos direitos ou interesses
ou venham a ter o mesmo objeto. que lhe forem confiados, na forma desta Lei;
das providências legais a adotar;
§ 2º (VETADO). III - data, identificação completa do detetive II - recusar serviço que considere imoral, dis-
ART. 3º (VETADO). particular e sua assinatura. criminatório ou ilícito;
ART. 4º (VETADO). ART. 10. É vedado ao detetive particular: III - renunciar ao serviço contratado, caso
ART. 5º O detetive particular pode colaborar I - aceitar ou captar serviço que configure ou gere risco à sua integridade física ou moral;
com investigação policial em curso, desde que contribua para a prática de infração penal ou IV - compensar o montante dos honorários
expressamente autorizado pelo contratante. tenha caráter discriminatório; recebidos ou recebê-lo proporcionalmente, de
Parágrafo único. O aceite da colaboração II - aceitar contrato de quem já tenha detetive acordo com o período trabalhado, conforme
ficará a critério do delegado de polícia, que po- particular constituído, salvo: pactuado;
derá admiti-la ou rejeitá-la a qualquer tempo. a) com autorização prévia daquele com o V - (VETADO);
ART. 6º Em razão da natureza reservada qual irá colaborar ou a quem substituirá; VI - reclamar, verbalmente ou por escrito,
de suas atividades, o detetive particular, no b) na hipótese de dissídio entre o contra- perante qualquer autoridade, contra a ino-
desempenho da profissão, deve agir com téc- tante e o profissional precedente ou de bservância de preceito de lei, regulamento
nica, legalidade, honestidade, discrição, zelo omissão deste que possa causar dano ao ou regimento;
e apreço pela verdade. VII - ser publicamente desagravado, quan-
contratante;
ART. 7º O detetive particular é obrigado a III - divulgar os meios e os resultados da coleta do injustamente ofendido no exercício da
registrar em instrumento escrito a prestação de dados e informações a que tiver acesso no profissão.
de seus serviços. exercício da profissão, salvo em defesa própria; ART. 13. Esta Lei entra em vigor na data de
ART. 8º O contrato de prestação de serviços IV - participar diretamente de diligências sua publicação.
do detetive particular conterá: policiais; Brasília, 11 de abril de 2017;
I - qualificação completa das partes contra- V - utilizar, em demanda contra o contratante, 196º da Independência e 129º da Repú-
tantes; os dados, documentos e informações coleta- blica.
II - prazo de vigência; dos na execução do contrato. MICHEL TEMER
III - natureza do serviço; ART. 11. São deveres do detetive particular: DOU de 12.4.2017

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legislação complementar Art. 1º

RESOLUÇÃO Nº 459, DE 5 DE OUTUBRO DE 2017

Dispõe sobre a regulamentação dos procedimentos I - se as partes expressamente tiverem re- XI - valor da contribuição para o Plano de
relativos à expedição de ofícios requisitórios pelos nunciado ao prazo recursal, será considerada Seguridade Social do Servidor Público Civil -
Centros Judiciais de Solução de Conflitos e Cidadania como data do trânsito em julgado a data da PSS, quando couber.
- CEJUSCONs e pelas demais unidades de conciliação, decisão homologatória da autocomposição;
em procedimentos pré-processuais, no âmbito da II - se a Fazenda Pública tiver expressamente
Art. 5º Havendo verba de natureza tri-
Justiça Federal de primeiro e segundo graus. renunciado à oposição da impugnação, será butária e não tributária em uma mesma
considerada a data da decisão homologató- autocomposição homologada pelo juízo da
A Presidente do Conselho da Justiça Fede-
ria da autocomposição como do decurso de conciliação, deverão ser expedidas requi-
ral, no uso das atribuições legais, e
prazo para impugnação à execução; sições de pagamento distintas, que serão
CONSIDERANDO as diretrizes da Política Ju-
III - nos casos de inexistência de renúncia somadas para definição da modalidade do
diciária Nacional de tratamento adequado requisitório (precatório ou RPV).
expressa ao prazo recursal ou de inexistência
dos conflitos de interesses, estabelecidas
de renúncia expressa à oposição da impug- Art. 6º O juízo da conciliação deverá dis-
pelo Conselho Nacional de Justiça por nação, deverá ser observado o transcurso dos
meio da Resolução CNJ n. 125, de 29 de ponibilizar o teor do ofício requisitório
prazos processuais previstos em lei;
novembro de 2010; às partes antes do encaminhamento ao
CONSIDERANDO as atribuições conferidas Art. 4º Para expedição de ofício re- tribunal. Parágrafo único. Até que haja a
às unidades de conciliação e mediação para quisitório em processo decorrente de comunicação pela entidade financeira res-
procedimentos pré-processuais, a auto- ponsável sobre o depósito correspondente,
expedição de requisições de pagamento,
composição homologada pelo juízo da o processo ficará suspenso.
nos termos do § 4º do art. 7º da Resolu-
conciliação deverá conter as seguintes Art. 7º Havendo incidentes processuais
ção n. CJF-RES-2016/00398, que define a
informações: após a expedição do ofício requisitório,
política judiciária de solução consensual
I - nome das partes e do procurador da parte
dos conflitos de interesses no âmbito da o juízo da conciliação deverá encaminhar
autora (se houver), bem como o respectivo
Justiça Federal; número de inscrição no CPF ou no CNPJ; o processo judicial de homologação da
CONSIDERANDO o reconhecimento da transação extrajudicial à livre distribuição.
II - nome dos beneficiários do ofício requisi-
natureza de título executivo judicial das tório e respectivos números de inscrição no § 1º Distribuído o processo, o juízo com-
decisões homologatórias judiciais ou ex- CPF ou no CNPJ, inclusive quando forem ad- petente processará e decidirá os incidentes
trajudiciais em casos de autocomposição, vogados, incapazes, espólios, massas falidas, apresentados.
previsto nos incisos II e III, respectivamente, menores e outros; § 2º É também considerado incidente pro-
do caput do art. 515 da Lei n. 13.105, de III - natureza do crédito (comum ou alimen- cessual, a justificar a remessa do processo
16 de março de 2015 (Código de Processo tar); à livre distribuição, qualquer ocorrência
Civil - CPC); IV - sendo o crédito de natureza alimentar, que gere a necessidade de bloqueio da
CONSIDERANDO os procedimentos admi- a data de nascimento do beneficiário e a in- requisição de pagamento e posterior ex-
formação sobre eventual doença grave, na pedição de alvará.
nistrativos em uso nos tribunais regionais
forma da lei;
federais para a realização de pagamentos Art. 8º Havendo acordo homologado pelo
V - nas autocomposições de natureza não
de quantia certa decorrente de condena- juízo da conciliação, em processo judicial
tributária, o valor total a ser requisitado e, se
ção da Fazenda Pública, consolidados na for o caso, o valor do principal corrigido e dos remetido por vara federal à unidade de
Resolução n. CJF-RES-2017/00458; juros, individualizado por beneficiário; conciliação, o tribunal poderá estabelecer
CONSIDERANDO o decidido no Processo n. VI - nas autocomposições de natureza tribu- a competência para expedição do ofício
CJF-PPN2013/00069, na sessão realizada no tária, o valor total a ser requisitado e, se for requisitório à vara de origem.
dia 18 de setembro de 2017, resolve: o caso, o valor do principal, juntamente com Parágrafo único. No caso de expedição de
Art. 1º A expedição de ofício requisitório as demais verbas tributárias, e o valor SELIC, ofício requisitório pelo juízo da conciliação,
individualizado por beneficiário; após a realização deste ato processual, o
ao tribunal regional federal decorrente de
VII - data-base considerada para a atualiza- processo será devolvido à vara de origem,
homologação de autocomposição realiza-
ção monetária dos valores; que decidirá qualquer incidente processual.
da em procedimentos pré-processuais de
VIII - caso seja necessário expedir precatório Art. 9º Para os fins desta resolução, os
responsabilidade dos Centros Judiciários
cujos valores estejam submetidos à tribu-
de Solução de Conflitos e Cidadania - CE- Centros Judiciários de Solução de Conflitos
tação na forma de rendimentos recebidos
JUSCONs ou de unidade de conciliação acumuladamente (RRA), prevista no art. 12-A e Cidadania - CEJUSCONs e demais unida-
equivalente, no âmbito da Justiça Federal da Lei n. 7.713, de 22 de dezembro de 1988: des de conciliação ou de autocomposição
de primeiro e segundo graus, deve obser- a) Número de meses (NM); b) Valor das dedu- equivalentes são considerados juízos da
var os procedimentos estabelecidos nesta ções da base de cálculo. conciliação e equiparados a vara federal
resolução. IX - em se tratando de RPV cujos valores este- para efeito de cadastro junto ao Sistema
jam submetidos à tributação na forma de ren- Integrado de Administração Financeira do
Art. 2º Após formalizada a autocompo-
dimentos recebidos acumuladamente (RRA), Governo Federal - SIAFI.
sição em procedimento pré-processual, o prevista no art. 12-A da Lei n. 7.713/1988:
juízo da conciliação deverá providenciar Art. 10. Comunicada, pela instituição
a alteração da classe Pré-Processual para a) Número de meses (NM) do exercício financeira, a realização do depósito dos
corrente; valores requisitados, o processo será ar-
Processual com a adoção do código da
Classe da Tabela de Assuntos do Conselho b) Número de meses (NM) de exercícios quivado.
anteriores;
Nacional de Justiça relativa à homologação Art. 11. Os ofícios requisitórios expedi-
de transação extrajudicial. c) Valor das deduções da base de cálculo; dos com base nesta resolução seguem
d) Valor do exercício corrente; as regras estabelecidas na Resolução n.
Art. 3º Exarada a decisão de homologação
e) Valor de exercícios anteriores CJF-RES2017/00458.
da autocomposição, no processo judicial X - órgão a que estiver vinculado o servidor
resultante da alteração de classe, o juízo público civil ou militar da administração dire- Art. 12. Esta resolução entra em vigor na
da conciliação expedirá o ofício requisitório ta, quando se tratar de procedimento de na- data de sua publicação.
dos valores devidos pela Fazenda Pública, tureza salarial, com a indicação da condição Min. LAURITA VAZ
observando: de ativo, inativo ou pensionista; DOU de 09.10.2017

37
DECRETO Nº 591, DE 6 DE JULHO DE 1992 Art. 1°

DECRETO Nº 591, DE 6 DE JULHO DE 1992

Atos Internacionais. Pacto Internacional sobre Di- promover o respeito universal e efetivo direitos unicamente às limitações estabeleci-
reitos Econômicos, Sociais e Culturais. Promulgação dos direitos e das liberdades do homem, das em lei, somente na medida compatível com
a natureza desses direitos e exclusivamente
O Presidente da República, no uso da atri- Compreendendo que o indivíduo, por
com o objetivo de favorecer o bem-estar geral
buição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, ter deveres para com seus semelhantes e em uma sociedade democrática.
da Constituição, e para com a coletividade a que pertence,
tem a obrigação de lutar pela promoção
ART. 5º
Considerando que o Pacto Internacio- 1. Nenhuma das disposições do presente
nal sobre Direitos Econômicos, Sociais e e observância dos direitos reconhecidos Pacto poderá ser interpretada no sentido de
Culturais foi adotado pela XXI Sessão da no presente Pacto, reconhecer a um Estado, grupo ou indivíduo
Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Acordam o seguinte: qualquer direito de dedicar-se a quaisquer
19 de dezembro de 1966; atividades ou de praticar quaisquer atos que
PARTE I tenham por objetivo destruir os direitos ou
Considerando que o Congresso Nacional liberdades reconhecidos no presente Pacto
aprovou o texto do referido diploma inter- ART. 1º ou impor-lhe limitações mais amplas do que
nacional por meio do Decreto Legislativo n° 1. Todos os povos têm direito a autodetermi- aquelas nele previstas.
226, de 12 de dezembro de 1991; nação. Em virtude desse direito, determinam 2. Não se admitirá qualquer restrição ou sus-
Considerando que a Carta de Adesão ao livremente seu estatuto político e asseguram pensão dos direitos humanos fundamentais
Pacto Internacional sobre Direitos Econô- livremente seu desenvolvimento econômico, reconhecidos ou vigentes em qualquer país
micos, Sociais e Culturais foi depositada social e cultural. em virtude de leis, convenções, regulamen-
2. Para a consecução de seus objetivos, to- tos ou costumes, sob pretexto de que o pre-
em 24 de janeiro de 1992;
dos os povos podem dispor livremente de sente Pacto não os reconheça ou os reconhe-
Considerando que o pacto ora promulga- suas riquezas e de seus recursos naturais, ça em menor grau.
do entrou em vigor, para o Brasil, em 24 sem prejuízo das obrigações decorrentes da
de abril de 1992, na forma de seu art. 27, cooperação econômica internacional, ba- PARTE III
parágrafo 2°; seada no princípio do proveito mútuo, e do
DECRETA: Direito Internacional. Em caso algum, poderá ART. 6º
um povo ser privado de seus próprios meios 1. Os Estados Partes do presente Pacto reco-
ART. 1° O Pacto Internacional sobre Direitos de subsistência.
Econômicos, Sociais e Culturais, apenso por nhecem o direito ao trabalho, que compreen-
3. Os Estados Partes do Presente Pacto, inclu- de o direito de toda pessoa de ter a possibili-
cópia ao presente decreto, será executado
sive aqueles que tenham a responsabilidade dade de ganhar a vida mediante um trabalho
e cumprido tão inteiramente como nele se
de administrar territórios não-autônomos livremente escolhido ou aceito, e tomarão
contém.
e territórios sob tutela, deverão promover medidas apropriadas para salvaguardar esse
ART. 2° Este Decreto entra em vigor na data o exercício do direito à autodeterminação e direito.
de sua publicação. respeitar esse direito, em conformidade com 2. As medidas que cada Estado Parte do
Brasília, 06 de julho de 1992; 171º da as disposições da Carta das Nações Unidas. presente Pacto tomará a fim de assegurar o
Independência e 104° da República. pleno exercício desse direito deverão incluir
FERNANDO COLLOR PARTE II a orientação e a formação técnica e profis-
D.O.U. de 7.7.1992 sional, a elaboração de programas, normas e
ART. 2º técnicas apropriadas para assegurar um de-
1. Cada Estado Parte do presente Pacto senvolvimento econômico, social e cultural
ANEXO AO DECRETO QUE compromete-se a adotar medidas, tanto constante e o pleno emprego produtivo em
PROMULGA O PACTO por esforço próprio como pela assistência e condições que salvaguardem aos indivíduos
INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS cooperação internacionais, principalmente o gozo das liberdades políticas e econômicas
ECONÔMICOS, SOCIAIS E nos planos econômico e técnico, até o máxi- fundamentais.
CULTURAIS/MRE mo de seus recursos disponíveis, que visem
ART. 7º Os Estados Partes do presente Pacto
PACTO INTERNACIONAL SOBRE a assegurar, progressivamente, por todos
reconhecem o direito de toda pessoa de gozar
DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E os meios apropriados, o pleno exercício dos
de condições de trabalho justas e favoráveis,
CULTURAIS direitos reconhecidos no presente Pacto, in-
que assegurem especialmente:
cluindo, em particular, a adoção de medidas
a) Uma remuneração que proporcione, no
legislativas.
PREÂMBULO mínimo, a todos os trabalhadores:
2. Os Estados Partes do presente Pacto
Os Estados Partes do presente Pacto, comprometem-se a garantir que os direitos i) Um salário eqüitativo e uma remuneração
Considerando que, em conformidade com nele enunciados e exercerão em discrimi- igual por um trabalho de igual valor, sem
os princípios proclamados na Carta das nação alguma por motivo de raça, cor, sexo, qualquer distinção; em particular, as mu-
Nações Unidas, o relacionamento da dig- língua, religião, opinião política ou de outra lheres deverão ter a garantia de condições
nidade inerente a todos os membros da natureza, origem nacional ou social, situação de trabalho não inferiores às dos homens e
família humana e dos seus direitos iguais econômica, nascimento ou qualquer outra perceber a mesma remuneração que eles
situação. por trabalho igual;
e inalienáveis constitui o fundamento da
3. Os países em desenvolvimento, levando
liberdade, da justiça e da paz no mundo, ii) Uma existência decente para eles e suas
devidamente em consideração os direitos
Reconhecendo que esses direitos decorrem humanos e a situação econômica nacional, famílias, em conformidade com as disposi-
da dignidade inerente à pessoa humana, poderão determinar em que garantirão os di- ções do presente Pacto;
reitos econômicos reconhecidos no presente b) A segurança e a higiene no trabalho;
Reconhecendo que, em conformidade
Pacto àqueles que não sejam seus nacionais. c) Igual oportunidade para todos de serem
com a Declaração Universal dos Direitos
promovidos, em seu Trabalho, à categoria
do Homem. O ideal do ser humano livre, ART. 3º Os Estados Partes do presente Pacto
comprometem-se a assegurar a homens e mu- superior que lhes corresponda, sem outras
liberto do temor e da miséria. Não pode ser considerações que as de tempo de trabalho
realizado a menos que se criem condições lheres igualdade no gozo de todos os direitos
econômicos, sociais e culturais enumerados e capacidade;
que permitam a cada um gozar de seus d) O descanso, o lazer, a limitação razoável
no presente Pacto.
direitos econômicos, sociais e culturais, das horas de trabalho e férias periódicas re-
ART. 4º Os Estados Partes do presente Pacto
assim como de seus direitos civis e políticos, reconhecem que, no exercício dos direitos muneradas, assim como a remuneração dos
Considerando que a Carta das Nações assegurados em conformidade com presente feridos.
Unidas impõe aos Estados a obrigação de Pacto pelo Estado, este poderá submeter tais ART. 8º

39
Art. 9º DECRETO Nº 591, DE 6 DE JULHO DE 1992
1. Os Estados Partes do presente Pacto com- ART. 11. b) A educação secundária em suas diferen-
prometem-se a garantir: 1. Os Estados Partes do presente Pacto reco- tes formas, inclusive a educação secundária
a) O direito de toda pessoa de fundar com nhecem o direito de toda pessoa a um nível técnica e profissional, deverá ser generali-
outras, sindicatos e de filiar-se ao sindicato de vida adequando para si próprio e sua fa- zada e torna-se acessível a todos, por todos
mília, inclusive à alimentação, vestimenta e os meios apropriados e, principalmente,
de escolha, sujeitando-se unicamente aos moradia adequadas, assim como a uma me-
estatutos da organização interessada, com pela implementação progressiva do ensino
lhoria continua de suas condições de vida. Os gratuito;
o objetivo de promover e de proteger seus Estados Partes tomarão medidas apropriadas
interesses econômicos e sociais. O exercí- para assegurar a consecução desse direito, c) A educação de nível superior deverá
cio desse direito só poderá ser objeto das reconhecendo, nesse sentido, a importância igualmente torna-se acessível a todos, com
restrições previstas em lei e que sejam ne- essencial da cooperação internacional funda- base na capacidade de cada um, por todos
cessárias, em uma sociedade democrática, da no livre consentimento. os meios apropriados e, principalmente,
no interesse da segurança nacional ou da 2. Os Estados Partes do presente Pacto, re- pela implementação progressiva do ensino
ordem pública, ou para proteger os direitos conhecendo o direito fundamental de toda gratuito;
e as liberdades alheias; pessoa de estar protegida contra a fome, d) Dever-se-á fomentar e intensificar, na
adotarão, individualmente e mediante coo- medida do possível, a educação de base
b) O direito dos sindicatos de formar federa- peração internacional, as medidas, inclusive
ções ou confederações nacionais e o direito para aquelas pessoas que não receberam
programas concretos, que se façam necessá-
destas de formar organizações sindicais educação primaria ou não concluíram o
rias para:
internacionais ou de filiar-se às mesmas. ciclo completo de educação primária;
a) Melhorar os métodos de produção, e) Será preciso prosseguir ativamente o
c) O direito dos sindicatos de exercer li- conservação e distribuição de gêneros
vremente suas atividades, sem quaisquer desenvolvimento de uma rede escolar em
alimentícios pela plena utilização dos co- todos os níveis de ensino, implementar-se
limitações além daquelas previstas em lei e nhecimentos técnicos e científicos, pela
que sejam necessárias, em uma sociedade um sistema adequado de bolsas de estudo
difusão de princípios de educação nutri- e melhorar continuamente as condições
democrática, no interesse da segurança cional e pelo aperfeiçoamento ou reforma
nacional ou da ordem pública, ou para materiais do corpo docente.
dos regimes agrários, de maneira que se 1. Os Estados Partes do presente Pacto
proteger os direitos e as liberdades das assegurem a exploração e a utilização mais comprometem-se a respeitar a liberdade dos
demais pessoas: eficazes dos recursos naturais; pais e, quando for o caso, dos tutores legais
d) O direito de greve, exercido de confor- b) Assegurar uma repartição equitativa dos de escolher para seus filhos escolas distintas
midade com as leis de cada país. recursos alimentícios mundiais em relação daquelas criadas pelas autoridades públicas,
2. O presente artigo não impedirá que se sempre que atendam aos padrões mínimos
às necessidades, levando-se em conta os de ensino prescritos ou aprovados pelo Esta-
submeta a restrições legais o exercício desses
direitos pelos membros das forças armadas, problemas tanto dos países importado- do, e de fazer com que seus filhos venham a
da política ou da administração pública. res quanto dos exportadores de gêneros receber educação religiosa ou moral que es-
3. Nenhuma das disposições do presente alimentícios. teja de acordo com suas próprias convicções.
artigo permitirá que os Estados Partes da ART. 12. 2. Nenhuma das disposições do presente
Convenção de 1948 da Organização Interna- 1. Os Estados Partes do presente Pacto reco- artigo poderá ser interpretada no sentido de
cional do Trabalho, relativa à liberdade sindi- nhecem o direito de toda pessoa de desfrutar restringir a liberdade de indivíduos e de enti-
cal e à proteção do direito sindical, venham o mais elevado nível possível de saúde física dades de criar e dirigir instituições de ensino,
a adotar medidas legislativas que restrinjam e mental. desde que respeitados os princípios enuncia-
- ou a aplicar a lei de maneira a restringir as 2. As medidas que os Estados Partes do pre- dos no parágrafo 1 do presente artigo e que
garantias previstas na referida Convenção. sente Pacto deverão adotar com o fim de essas instituições observem os padrões míni-
assegurar o pleno exercício desse direito in- mos prescritos pelo Estado.
ART. 9º Os Estados Partes do presente Pac- cluirão as medidas que se façam necessárias
to reconhecem o direito de toda pessoa à ART. 14. Todo Estado Parte do presente pac-
para assegurar: to que, no momento em que se tornar Parte,
previdência social, inclusive ao seguro social.
ART. 10. Os Estados Partes do presente Pacto a) A diminuição da mortinatalidade e da ainda não tenha garantido em seu próprio
reconhecem que: mortalidade infantil, bem como o desen- território ou territórios sob sua jurisdição a
obrigatoriedade e a gratuidade da educação
1. Deve-se conceder à família, que é o ele- volvimento é das crianças;
primária, se compromete a elaborar e a adotar,
mento natural e fundamental da sociedade, b) A melhoria de todos os aspectos de dentro de um prazo de dois anos, um plano de
as mais amplas proteção e assistência possí- higiene do trabalho e do meio ambiente; ação detalhado destinado à implementação
veis, especialmente para a sua constituição e
c) A prevenção e o tratamento das doenças progressiva, dentro de um número razoável
enquanto ele for responsável pela criação e
epidêmicas, endêmicas, profissionais e ou- de anos estabelecidos no próprio plano, do
educação dos filhos. O matrimonio deve ser
tras, bem como a luta contra essas doenças; princípio da educação primária obrigatória e
contraído com o livre consentimento dos fu-
gratuita para todos.
turos cônjuges. d) A criação de condições que assegurem
ART. 15.
2. Deve-se conceder proteção especial às a todos assistência médica e serviços mé- 1. Os Estados Partes do presente Pacto reco-
mães por um período de tempo razoável an- dicos em caso de enfermidade. nhecem a cada indivíduo o direito de:
tes e depois do parto. Durante esse período, ART. 13.
deve-se conceder às mães que trabalham li- 1. Os Estados Partes do presente Pacto reco- a) Participar da vida cultural;
cença remunerada ou licença acompanhada nhecem o direito de toda pessoa à educação. b) Desfrutar o processo cientifico e suas
de benefícios previdenciários adequados. Concordam em que a educação deverá visar aplicações;
3. Devem-se adotar medidas especiais de ao pleno desenvolvimento da personalidade c) Beneficiar-se da proteção dos interesses
proteção e de assistência em prol de todas as humana e do sentido de sua dignidade e for- morais e materiais decorrentes de toda a
crianças e adolescentes, sem distinção algu- talecer o respeito pelos direitos humanos e produção cientifica, literária ou artística de
ma por motivo de filiação ou qualquer outra liberdades fundamentais. Concordam ainda
condição. Devem-se proteger as crianças e
que seja autor.
em que a educação deverá capacitar todas
2. As Medidas que os Estados Partes do Pre-
adolescentes contra a exploração econômi- as pessoas a participar efetivamente de uma
sente Pacto deverão adotar com a finalidade
ca e social. O emprego de crianças e adoles- sociedade livre, favorecer a compreensão, a
de assegurar o pleno exercício desse direito
centes em trabalhos que lhes sejam nocivos tolerância e a amizade entre todas as nações
incluirão aquelas necessárias à convenção,
à moral e à saúde ou que lhes façam correr e entre todos os grupos raciais, étnicos ou re-
ao desenvolvimento e à difusão da ciência e
perigo de vida, ou ainda que lhes venham a ligiosos e promover as atividades das Nações
da cultura.
prejudicar o desenvolvimento norma, será Unidas em prol da manutenção da paz.
punido por lei. 3. Os Estados Partes do presente Pacto com-
2. Os Estados Partes do presente Pacto reco- prometem-se a respeitar a liberdade indis-
Os Estados devem também estabelecer nhecem que, com o objetivo de assegurar o pensável à pesquisa cientifica e à atividade
limites de idade sob os quais fique proibido pleno exercício desse direito: criadora.
e punido por lei o emprego assalariado da a) A educação primaria deverá ser obri- 4. Os Estados Partes do presente Pacto re-
mão-de-obra infantil. gatória e acessível gratuitamente a todos; conhecem os benefícios que derivam do

40
DECRETO Nº 591, DE 6 DE JULHO DE 1992 Art. 16
fomento e do desenvolvimento da coopera- poderão encaminhar ao Conselho Econômico 5. O Secretário-Geral da Organização das
ção e das relações internacionais no domínio e Social comentários sobre qualquer reco- Nações Unidas informará todos os Estados
da ciência e da cultura. mendação de ordem geral feita em virtude que hajam assinado o presente Pacto ou a ele
do artigo 19 ou sobre qualquer referência aderido, do depósito de cada instrumento de
a uma recomendação de ordem geral que ratificação ou de adesão.
PARTE IV
venha a constar de relatório da Comissão de ART. 27.
ART. 16. Direitos Humanos ou de qualquer documento 1. O presente Pacto entrará em vigor três
1. Os Estados Partes do presente Pacto com- mencionado no referido relatório. meses após a data do depósito, junto ao
prometem-se a apresentar, de acordo com as ART. 21. O Conselho Econômico e So- Secretário-Geral da Organização das Nações
disposições da presente parte do Pacto, rela- cial poderá apresentar ocasionalmente à Unidas, do trigésimo-quinto instrumento de
tórios sobre as medidas que tenham adotado Assembleia-Geral relatórios que contenham ratificação ou de adesão.
e sobre o progresso realizado com o objetivo recomendações de caráter geral bem como 2. Para os Estados que vierem a ratificar o
de assegurar a observância dos direitos reco- resumo das informações recebidas dos Esta- presente Pacto ou a ele aderir após o depósi-
nhecidos no Pacto. dos Partes do presente Pacto e das agências to do trigésimo-quinto instrumento de ratifi-
2. a) Todos os relatórios deverão ser encami- especializadas sobre as medidas adotadas e cação ou de adesão, o presente Pacto entrará
nhados ao Secretário-Geral da Organização o progresso realizado com a finalidade de em vigor três meses após a data do depósito,
das Nações Unidas, o qual enviará cópias dos assegurar a observância geral dos direitos pelo Estado em questão, de seu instrumento
mesmos ao Conselho Econômico e Social, reconhecidos no presente Pacto. de ratificação ou de adesão.
para exame, de acordo com as disposições do ART. 22. O Conselho Econômico e Social po- ART. 28. Aplicar-se-ão as disposições do
presente Pacto. derá levar ao conhecimento de outros órgãos presente Pacto, sem qualquer limitação ou
da Organização das Nações Unidas, de seus exceção, a todas as unidades constitutivas
b) O Secretário-Geral da Organização das
órgãos subsidiários e das agências especializa- dos Estados Federativos.
Nações Unidas encaminhará também às das interessadas, às quais incumba a prestação
agências especializadas cópias dos rela- ART. 29.
de assistência técnica, quaisquer questões 1. Qualquer Estado Parte do presente Pacto
tórios - ou de todas as partes pertinentes suscitadas nos relatórios mencionados nesta poderá propor emendas e depositá-las junto
dos mesmos enviados pelos Estados Partes parte do presente Pacto que possam ajudar ao Secretário-Geral da Organização das Na-
do presente Pacto que sejam igualmente essas entidades a pronunciar-se, cada uma ções Unidas. O Secretário-Geral comunicará
membros das referidas agências especiali- dentro de sua esfera de competência, sobre todas as propostas de emenda aos Estados
zadas, na medida em que os relatórios, ou a conveniência de medidas internacionais Partes do presente Pacto, pedindo-lhes que
partes deles, guardem relação com questão que possam contribuir para a implementação o notifiquem se desejam que se convoque
que sejam da competência de tais agências, efetiva e progressiva do presente Pacto. uma conferência dos Estados Partes destina-
nos termos de seus respectivos instrumen- ART. 23. Os Estados Partes do presente da a examinar as propostas e submetê-las à
tos constitutivos. Pacto concordam em que as medidas de or- votação. Se pelo menos um terço dos Esta-
ART. 17. dem internacional destinada a tornar efetivos dos Partes se manifestar a favor da referida
1. Os Estados Partes do presente Pacto apre- os direitos reconhecidos no referido Pacto convocação, o Secretário-Geral convocará a
sentarão seus relatórios por etapas, segundo incluem, sobretudo, a conclusão de conven- conferência sob os auspícios da Organização
um programa a ser estabelecido pelo Conse- ções, a adoção de recomendações, a prestação das Nações Unidas. Qualquer emenda adota-
lho Econômico e Social no prazo de um ano de assistência técnica e a organização, em da pela maioria dos Estados Partes presentes
a contar da data da entrada em vigor do pre- conjunto com os governos interessados, e no e votantes na conferência será submetida à
intuito de efetuar consultas e realizar estudos, aprovação da Assembleia-Geral das Nações
sente Pacto, após consulta aos Estados Partes
de reuniões regionais e de reuniões técnicas. Unidas.
e às agências especializadas interessadas.
2. Os relatórios poderão indicar os fatores ART. 24. Nenhuma das disposições do 2. Tais emendas entrarão em vigor quando
presente Pacto poderá ser interpretada em aprovadas pela Assembleia-Geral das Nações
e as dificuldades que prejudiquem o pleno
detrimento das disposições da Carta das Na- Unidas e aceitas, em conformidade com seus
cumprimento das obrigações previstas no
ções Unidas ou das constituições das agências respectivos procedimentos constitucionais,
presente Pacto.
especializadas, as quais definem as responsa- por uma maioria de dois terços dos Estados
3. Caso as informações pertinentes já te- Partes no presente Pacto.
bilidades respectivas dos diversos órgãos da
nham sido encaminhadas à Organização das
Organização das Nações Unidas e agências 3. Ao entrarem em vigor, tais emendas serão
Nações Unidas ou a uma agência especializa-
especializadas relativamente às matérias tra- obrigatórias para os Estados Partes que as
da por um Estado Parte, não será necessário
tadas no presente Pacto. aceitaram, ao passo que os demais Estados
reproduzir as referidas informações, sendo
ART. 25. Nenhuma das disposições do Partes permanecem obrigatórios pelas dis-
suficiente uma referência precisa às mesmas.
presente Pacto poderá ser interpretada em posições do presente Pacto e pelas emendas
ART. 18. Em virtude das responsabilidades detrimento do direito inerente a todos os anteriores por eles aceitas.
que lhe são conferidas pela Carta das Nações povos de desfrutar e utilizar plena e livremente ART. 30. Independentemente das notifica-
Unidas no domínio dos direitos humanos e das suas riquezas e seus recursos naturais. ções previstas no parágrafo 5 do artigo 26, o
liberdades fundamentais, o Conselho Econô-
Secretário-Geral da Organização das Nações
mico e Social poderá concluir acordos com as Unidas comunicará a todos os Estados men-
agências especializadas sobre a apresentação, PARTE V
cionados no parágrafo 1 do referido artigo:
por estas, de relatórios relativos aos progressos
realizados quanto ao cumprimento das dispo- ART. 26. a) as assinaturas, ratificações e adesões re-
sições do presente Pacto que correspondam 1. O presente Pacto está aberto à assinatura cebidas em conformidade com o artigo 26;
ao seu campo de atividades. Os relatórios de todos os Estados membros da Organi- b) a data de entrada em vigor do Pacto, nos
poderão, incluir dados sobre as decisões e zação das Nações Unidas ou membros de
termos do artigo 27, e a data de entrada em
recomendações referentes ao cumprimento qualquer de suas agências especializadas, de
todo Estado Parte do Estatuto da Corte inter- vigor de quaisquer emendas, nos termos
das disposições do presente Pacto adotadas do artigo 29.
pelos órgãos competentes das agências es- nacional de Justiça, bem como de qualquer
pecializadas. outro Estado convidado pela Assembleia- ART. 31.
-Geral das Nações Unidas a torna-se Parte do 1. O presente Pacto, cujos textos em chinês,
ART. 19. O Conselho Econômico e Social presente Pacto. espanhol, francês, inglês e russo são igual-
poderá encaminhar à Comissão de Direitos mente autênticos, será depositado nos arqui-
Humanos, para fins de estudo e de recomenda- 2. O presente Pacto está sujeito à ratificação.
Os instrumentos de ratificação serão deposi- vos da Organização das Nações Unidas.
ção de ordem geral, ou para informação, caso
tados junto ao Secretário-Geral da Organiza- 2. O Secretário-Geral da Organização das
julgue apropriado, os relatórios concernen-
ção das Nações Unidas. Nações Unidas encaminhará cópias autenti-
tes aos direitos humanos que apresentarem
cadas do presente Pacto a todos os Estados
os Estados nos termos dos artigos 16 e 17 e 3. O presente Pacto está aberto à adesão de
mencionados no artigo 26.
aqueles concernentes aos direitos humanos qualquer dos Estados mencionados no pará-
que apresentarem as agências especializadas grafo 1 do presente artigo.
nos termos do artigo 18. 4. Far-se-á a adesão mediante depósito do
ART. 20. Os Estados Partes do presente instrumento de adesão junto ao Secretário-
Pacto e as agências especializadas interessadas -Geral da Organização das Nações Unidas.

41
LEI Nº 13.656, DE 30 DE ABRIL DE 2018 Art. 1o

LEI Nº 13.656, DE 30 DE ABRIL DE 2018

Isenta os candidatos que especifica do pagamento II – os candidatos doadores de medula óssea III – declaração de nulidade do ato de
de taxa de inscrição em concursos para provimento em entidades reconhecidas pelo Ministério nomeação, se a falsidade for constatada
de cargo efetivo ou emprego permanente em órgãos da Saúde.
ou entidades da administração pública direta e após a sua publicação.
Parágrafo único. O cumprimento dos
indireta da União.
requisitos para a concessão da isenção Art. 3º O edital do concurso deverá infor-
DOU de 2.5.2018  deverá ser comprovado pelo candidato mar sobre a isenção de que trata esta Lei e
O PRESIDENTE DA  REPÚBLICA Faço saber que no momento da inscrição, nos termos do sobre as sanções aplicáveis aos candidatos
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a edital do concurso. que venham a prestar informação falsa,
seguinte Lei: referidas no art. 2º.
Art. 2º Sem prejuízo das sanções penais
Art. 1o São isentos do pagamento de taxa cabíveis, o candidato que prestar infor- Art. 4º A isenção de que trata esta Lei não
de inscrição em concursos públicos para mação falsa com o intuito de usufruir da se aplica aos concursos públicos cujos edi-
provimento de cargo efetivo ou emprego isenção de que trata o art. 1º estará sujeito a: tais tenham sido publicados anteriormente
permanente em órgãos ou entidades da I – cancelamento da inscrição e exclusão à sua vigência.
administração pública direta e indireta de do concurso, se a falsidade for constatada
qualquer dos Poderes da União: Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de
antes da homologação de seu resultado; sua publicação.
I – os candidatos que pertençam a família
inscrita no Cadastro Único para Programas II – exclusão da lista de aprovados, se a Brasília, 30 de abril de 2018;
Sociais (CadÚnico), do Governo Federal, cuja falsidade for constatada após a homolo- 197º da Independência e
renda familiar mensal per capita seja inferior gação do resultado e antes da nomeação 130º da República. 
ou igual a meio salário-mínimo nacional; para o cargo; MICHEL TEMER

43
Art. 1º LEI Nº 12.619, DE 30 DE ABRIL DE 2012

LEI Nº 12.619, DE 30 DE ABRIL DE 2012


Dispõe sobre o exercício da profissão de motorista; ART. 1º. (Revogado pela Lei nº 13.103, de ``Alteração incorporada ao texto da referida Lei.

altera a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, 2015). ``Lei 13.103/2015: art. 22, caput e I.
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio ART. 2º. (Revogado pela Lei nº 13.103, de ART. 6º. A Lei nº 9.503, de 23 de setembro
de 1943, e as Leis nºs 9.503, de 23 de setembro de 2015). de 1997 – Código de Trânsito Brasileiro, passa
1997, 10.233, de 5 de junho de 2001, 11.079, de 30 ART. 3º. O CAPÍTULO I do TÍTULO III da Con- a vigorar com as seguintes alterações:
de dezembro de 2004, e 12.023, de 27 de agosto de solidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada ``Alteração incorporada ao texto da referida Lei.

2009, para regular e disciplinar a jornada de trabalho pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de ``Lei 13.103/2015: art. 22, caput e I.
e o tempo de direção do motorista profissional; e dá 1943, passa a vigorar acrescido da seguinte ART. 7º. (VETADO).
outras providências. Seção IV-A: ART. 8º. (VETADO).
``Alteração incorporada ao texto do referida
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- Decreto-lei.
ART. 9º. (Revogado pela Lei nº 13.103, de
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 2015).
ART. 4º. O art. 71 da Consolidação das Leis
``Lei 13.103/2015: Dispõe sobre o exercício da do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei ART. 10. (VETADO).
profissão de motorista; altera a CLT, e as Leis nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar ART. 11. (VETADO).
9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro), acrescido do seguinte § 5º: ART. 12. (VETADO).
e 11.442/2007 (empresas e transportadores ``Alteração incorporada ao texto do referida Brasília, 30 de abril de 2012; 191º da
autônomos de carga), para disciplinar a jornada Decreto-lei.
Independência e 124º da República.
de trabalho e o tempo de direção do motorista ART. 5º. A Lei nº 9.503, de 23 de setembro
profissional; altera a Lei 7.408/1985; revoga de 1997 – Código de Trânsito Brasileiro, passa DILMA ROUSSEFF
dispositivos da Lei 12.619/2012. a vigorar acrescida do seguinte CAPÍTULO III-A: Publicado no D.O.U. de 2.5.2012

44
DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966 Art. 1º

DECRETO-LEI Nº 73,
DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966
Dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Priva- (Redação dada pelo Decreto-lei nº 296, de ART. 13. As apólices não poderão conter
dos, regula as operações de seguros e resseguros e 1967) cláusula que permita rescisão unilateral dos
dá outras providências. ART. 8º. Fica instituído o Sistema Nacional contratos de seguro ou por qualquer modo
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando de Seguros Privados, regulado pelo presente subtraia sua eficácia e validade além das si-
da atribuição que lhe confere o art. 2º do Decreto-lei e constituído: tuações previstas em lei.
Ato Complementar 23, de 20 de outubro a) do Conselho Nacional de Seguros Pri- ART. 14. Fica autorizada a contratação de
de 1966, decreta: vados – CNSP; seguros com a cláusula de correção monetária
b) da Superintendência de Seguros Priva- para capitais e valores, observadas equiva-
CAPÍTULO I. lência atuarial dos compromissos futuros
dos – SUSEP;
INTRODUÇÃO assumidos pelas partes contratantes, na for-
c) dos resseguradores; (Redação dada pela ma das instruções do Conselho Nacional de
ART. 1º. Todas as operações de seguros pri- Lei Complementar nº 126, de 2007) Seguros Privados.
vados realizados no País ficarão subordinadas d) das Sociedades autorizadas a operar em ART. 15. (Revogado pela Lei Complementar
às disposições do presente Decreto-lei. seguros privados; nº 126, de 2007).
ART. 2º. O controle do Estado se exercerá e) dos corretores habilitados. ART. 16. (Revogado pela Lei Complemen-
pelos órgãos instituídos neste Decreto-lei, no CAPÍTULO III. tar nº 137, de 2010, com efeitos a partir da
interesse dos segurados e beneficiários dos DISPOSIÇÕES ESPECIAIS APLICÁVEIS data da extinção do Fundo de Estabilidade
contratos de seguro. AO SISTEMA do Seguro Rural).
ART. 3º. Consideram-se operações de se- ART. 17. (Revogado pela Lei Complemen-
guros privados os seguros de coisas, pessoas, ART. 9º. Os seguros serão contratados me- tar nº 137, de 2010, com efeitos a partir da
bens, responsabilidades, obrigações, direitos diante propostas assinadas pelo segurado, seu data da extinção do Fundo de Estabilidade
e garantias. representante legal ou por corretor habilitado, do Seguro Rural).
com emissão das respectivas apólices, ressal- ART. 18. (Revogado pela Lei Complementar
Parágrafo único. Ficam excluídos das vado o disposto no artigo seguinte.
disposições deste Decreto-lei os seguros do nº 126, de 2007).
âmbito da Previdência Social, regidos pela ART. 10. É autorizada a contratação de segu- ART. 19. (Revogado pela Lei Complementar
legislação especial pertinente. ros por simples emissão de bilhete de seguro, nº 137, de 2010, a partir de 1º de julho do ano
mediante solicitação verbal do interessado.
ART. 4º. Integra-se nas operações de seguros seguinte ao do início de operação do Fundo).
privados o sistema de cosseguro, resseguro e § 1º. O CNSP regulamentará os casos previstos ART. 20. Sem prejuízo do disposto em leis
retrocessão, por forma a pulverizar os riscos e neste artigo, padronizando as cláusulas e os
especiais, são obrigatórios os seguros de:
fortalecer as relações econômicas do mercado. impressos necessários.
a) danos pessoais a passageiros de aero-
§ 2º. Não se aplicam a tais seguros as dispo-
Parágrafo único. Aplicam-se aos estabe- sições do artigo 1.433 do Código Civil. naves comerciais;
lecimentos autorizados a operar em resseguro b) responsabilidade civil do proprietário
e retrocessão, no que couber, as regras esta- ART. 11. Quando o seguro for contratado na
forma estabelecida no artigo anterior, a boa-fé de aeronaves e do transportador aéreo;
belecidas para as sociedades seguradoras.
da Sociedade Seguradora, em sua aceitação, (Redação dada pela Lei nº 8.374, de 1991)
(Incluído pela Lei nº 9.932, de 1999)
constitui presunção juris tantum. c) responsabilidade civil do construtor de
ART. 5º. A política de seguros privados § 1º. Sobrevindo o sinistro, a prova da imóveis em zonas urbanas por danos a
objetivará:
ocorrência do risco coberto pelo seguro e a pessoas ou coisas;
I – promover a expansão do mercado de justificação de seu valor competirão ao segu- d) bens dados em garantia de empréstimos
seguros e propiciar condições operacionais rado ou beneficiário. ou financiamentos de instituições finan-
necessárias para sua integração no processo § 2º. Será lícito à Sociedade Seguradora arguir
econômico e social do País; ceiras pública;
a existência de circunstância relativa ao objeto
e) garantia do cumprimento das obrigações
II – evitar evasão de divisas, pelo equilíbrio ou interesse segurado cujo conhecimento
do balanço dos resultados do intercâmbio, de prévio influiria na sua aceitação ou na taxa de
do incorporador e construtor de imóveis;
negócios com o exterior; seguro, para exonerar-se da responsabilidade f) garantia do pagamento a cargo de mutu-
III – firmar o princípio da reciprocidade em assumida, até no caso de sinistro. Nessa hipó- ário da construção civil, inclusive obrigação
operações de seguro, condicionando a auto- tese, competirá ao segurado ou beneficiário imobiliária;
rização para o funcionamento de empresas provar que a Sociedade Seguradora teve ciên- g) edifícios divididos em unidades autô-
e firmas estrangeiras a igualdade de condi- cia prévia da circunstância arguida. nomas;
ções no país de origem; (Redação dada pelo § 3º. A violação ou inobservância, pelo h) incêndio e transporte de bens perten-
Decreto-lei nº 296, de 1967) segurado, seu preposto ou beneficiário, de centes a pessoas jurídicas, situados no País
IV – promover o aperfeiçoamento das Socie- qualquer das condições estabelecidas para a
ou nele transportados;
dades Seguradoras; contratação de seguros na forma do disposto
no artigo 10 exonera a Sociedade Seguradora i) (Revogada pela Lei Complementar nº
V – preservar a liquidez e a solvência das da responsabilidade assumida. (Redação dada 126, de 2007).
Sociedades Seguradoras; pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) j) crédito à exportação, quando julgado
VI – coordenar a política de seguros com a § 4º. É vedada a realização de mais de um conveniente pelo CNSP, ouvido o Conselho
política de investimentos do Governo Federal, seguro cobrindo o mesmo objeto ou interesse, Nacional do Comércio Exterior (Concex);
observados os critérios estabelecidos para as desde que qualquer deles seja contratado (Redação dada pelo Decreto-lei nº 826,
políticas monetária, creditícia e fiscal. mediante a emissão de simples certificado, de 1969)
ART. 6º. (Revogado pela Lei Complementar salvo nos casos de seguros de pessoas.
l) danos pessoais causados por veículos
nº 126, de 2007). ART. 12. A obrigação do pagamento do automotores de vias terrestres e por em-
prêmio pelo segurado vigerá a partir do dia
CAPÍTULO II. barcações, ou por sua carga, a pessoas
previsto na apólice ou bilhete de seguro,
DO SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS transportadas ou não; (Redação dada pela
ficando suspensa a cobertura do seguro até
PRIVADOS Lei nº 8.374, de 1991)
o pagamento do prêmio e demais encargos.
ART. 7º. Compete privativamente ao Go- Parágrafo único. Qualquer indenização m) responsabilidade civil dos transportado-
verno Federal formular a política de seguros decorrente do contrato de seguros dependerá res terrestres, marítimos, fluviais e lacustres,
privados, legislar sobre suas normas gerais e de prova de pagamento do prêmio devido, por danos à carga transportada. (Incluído
fiscalizar as operações no mercado nacional; antes da ocorrência do sinistro. pela Lei nº 8.374, de 1991)

45
Art. único DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966

Parágrafo único. Não se aplica à União ART. 31. É assegurada ampla defesa em XIX – disciplinar a administração das en-
a obrigatoriedade estatuída na alínea h deste qualquer processo instaurado por infração tidades autorreguladoras do mercado de
artigo. (Incluído pela Lei nº 10.190, de 2001) ao presente Decreto-lei sendo nulas as de- corretagem e a fixação de emolumentos, co-
ART. 21. Nos casos de seguros legalmente cisões proferidas com inobservância deste missões e quaisquer outras despesas cobradas
obrigatórios, o estipulante equipara-se ao preceito. (Redação dada pelo Decreto-lei nº por tais entidades, quando for o caso. (Incluído
segurado para os eleitos de contratação e 296, de 1967) pela Lei Complementar nº 137, de 2010)
manutenção do seguro. CAPÍTULO IV. ART. 33. O CNSP será integrado pelos se-
§ 1º. Para os efeitos deste Decreto-lei, estipu- DO CONSELHO NACIONAL DE guintes membros: (Redação dada pela Lei nº
lante é a pessoa que contrata seguro por conta SEGUROS PRIVADOS 10.190, de 2001)
de terceiros, podendo acumular a condição I – Ministro de Estado da Fazenda, ou seu
de beneficiário. ART. 32. É criado o Conselho Nacional de representante; (Redação dada pela Lei nº
§ 2º. Nos seguros facultativos o estipulante Seguros Privados – CNSP, ao qual compete 10.190, de 2001)
é mandatário dos segurados. primitivamente: (Redação dada pelo Decreto-
-lei nº 296, de 1967) II – representante do Ministério da Justiça;
§ 3º. O CNSP estabelecerá os direitos e obri- (Redação dada pela Lei nº 10.190, de 2001)
gações do estipulante, quando for o caso, na I – fixar as diretrizes e normas da política de
seguros privados; III – representante do Ministério da Previdên-
regulamentação de cada ramo ou modalidade cia e Assistência Social; (Redação dada pela Lei
de seguro. II – regular a constituição, organização, fun- nº 10.190, de 2001)
§ 4º. O não recolhimento dos prêmios re- cionamento e fiscalização dos que exercerem
IV – Superintendente da Superintendência
cebidos de segurados, nos prazos devidos, atividades subordinadas a este Decreto-lei,
de Seguros Privados – SUSEP; (Redação dada
sujeita o estipulante à multa, imposta pela bem como a aplicação das penalidades pre-
pela Lei nº 10.190, de 2001)
SUSEP, de importância igual ao dobro do valor vistas;
dos prêmios por ele retidos, sem prejuízo da III – estipular índices e demais condições V – representante do Banco Central do Brasil;
ação penal que couber. (Incluído pela Lei nº (Redação dada pela Lei nº 10.190, de 2001)
técnicas sobre tarifas, investimentos e outras
5.627, de 1970) relações patrimoniais a serem observadas VI – representante da Comissão de Valores
ART. 22. As instituições financeiras públi- pelas Sociedades Seguradoras; Mobiliários – CVM. (Redação dada pela Lei nº
cas não poderão realizar operações ativas 10.190, de 2001)
IV – fixar as características gerais dos con-
de crédito com as pessoas jurídicas e firmas tratos de seguros; § 1º. O CNSP será presidido pelo Ministro de
individuais que não tenham em dia os seguros Estado da Fazenda e, na sua ausência, pelo
obrigatórios por lei, salvo mediante aplicação V – fixar normas gerais de contabilidade e Superintendente da SUSEP. (Redação dada
da parcela de crédito, que for concedido, no estatística a serem observadas pelas Socie-
pela Lei nº 10.190, de 2001)
pagamento dos prêmios em atraso. (Redação dades Seguradoras;
§ 2º. O CNSP terá seu funcionamento regula-
dada pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) VI – delimitar o capital das sociedades se- do em regimento interno. (Redação dada pela
Parágrafo único. Para participar de guradoras e dos resseguradores; (Redação Lei nº 10.190, de 2001)
dada pela Lei Complementar nº 126, de 2007)
concorrências abertas pelo Poder Público, é ART. 34. Com audiência obrigatória nas
indispensável comprovar o pagamento dos VII – estabelecer as diretrizes gerais das ope- deliberações relativas às respectivas finalida-
prêmios dos seguros legalmente obrigatórios. rações de resseguro; des específicas, funcionarão junto ao CNSP as
ART. 23. (Revogado pela Lei Complementar VIII – disciplinar as operações de cosseguro; seguintes Comissões Consultivas:
nº 126, de 2007) (Redação dada pela Lei Complementar nº I – de Saúde;
ART. 24. Poderão operar em seguros 126, de 2007) II – do Trabalho;
privados apenas Sociedades Anônimas ou IX – (Revogado pela Lei Complementar nº
Cooperativas, devidamente autorizadas. III – de Transporte;
126, de 2007).
Parágrafo único. As Sociedades Coo- IV – Mobiliária e de Habitação;
X – aplicar às Sociedades Seguradoras es-
perativas operarão unicamente em seguros
trangeiras autorizadas a funcionar no País as V – Rural;
agrícolas, de saúde e de acidentes do trabalho. VI – Aeronáutica;
mesmas vedações ou restrições equivalen-
ART. 25. As ações das Sociedades Segura- tes às que vigorarem nos países da matriz, VII – de Crédito;
doras serão sempre nominativas. em relação às Sociedades Seguradoras bra- VIII – de Corretores.
ART. 26. As sociedades seguradoras não sileiras ali Instaladas ou que neles desejem § 1º. O CNSP poderá criar outras Comissões
poderão requerer concordata e não estão estabelecer-se; Consultivas, desde que ocorra justificada ne-
sujeitas à falência, salvo, neste último caso, XI – prescrever os critérios de constituição cessidade.
se decretada a liquidação extrajudicial, o ativo
não for suficiente para o pagamento de pelo
das Sociedades Seguradoras, com fixação § 2º. A organização, a composição e o
dos limites legais e técnicos das operações funcionamento das Comissões Consultivas
menos a metade dos credores quirografários, de seguro; serão regulados pelo CNSP, cabendo ao seu
ou quando houver fundados indícios da ocor-
rência de crime falimentar. (Redação dada pela
XII – disciplinar a corretagem de seguros e Presidente designar os representantes que
a profissão de corretor; as integrarão, mediante indicação das entida-
Lei nº 10.190, de 2001)
XIII – (Revogado pela Lei Complementar nº des participantes delas. (Redação dada pelo
ART. 27. Serão processadas pela forma exe- 126, de 2007). Decreto-lei nº 296, de 1967)
cutiva as ações de cobrança dos prêmios dos
contratos de seguro. XIV – decidir sobre sua própria organização,
elaborando o respectivo Regimento interno; CAPÍTULO V.
ART. 28. A partir da vigência deste Decre-
XV – regular a organização, a composição DA SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS
to-lei, a aplicação das reservas técnicas das
e o funcionamento de suas Comissões Con- PRIVADOS
Sociedades Seguradoras será feita conforme
as diretrizes do Conselho Monetário Nacional. sultivas;
ART. 29. Os investimentos compulsórios das SEÇÃO I.
XVI – regular a instalação e o funcionamento
Sociedades Seguradoras obedecerão a crité- das Bolsas de Seguro; ART. 35. Fica criada a Superintendência de
rios que garantam remuneração adequada, XVII – fixar as condições de constituição e Seguros Privados (SUSEP), entidade autárqui-
segurança e liquidez. extinção de entidades autorreguladoras do ca, jurisdicionada ao Ministério da Indústria e
Parágrafo único. Nos casos de segu- mercado de corretagem, sua forma jurídica, do Comércio, dotada de personalidade jurídica
ros contratados com a cláusula de correção seus órgãos de administração e a forma de de Direito Público, com autonomia adminis-
monetária é obrigatório o investimento das preenchimento de cargos administrativos; (In- trativa e financeira.
respectivas reservas nas condições estabele- cluído pela Lei Complementar nº 137, de 2010) Parágrafo único. A sede da SUSEP será
cidas neste artigo. XVIII – regular o exercício do poder dis- na cidade do Rio de Janeiro, Estado da Gua-
ART. 30. As Sociedades Seguradoras não ciplinar das entidades autorreguladoras do nabara, até que o Poder Executivo a fixe, em
poderão conceder aos segurados comissões mercado de corretagem sobre seus membros, definitivo, em Brasília.
ou bonificações de qualquer espécie, nem inclusive do poder de impor penalidades e de ART. 36. Compete à SUSEP, na qualidade
vantagens especiais que importem dispensa excluir membros; (Incluído pela Lei Comple- de executora da política traçada pelo CNSP,
ou redução de prêmio. mentar nº 137, de 2010) como órgão fiscalizador da constituição,

46
DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966 Art. 36
organização, funcionamento e operações SEÇÃO III. a) o Presidente do Conselho; (Incluído pela
das Sociedades Seguradoras: Lei nº 9.482, de 1997)
a) processar os pedidos de autorização,
ART. 38. Os cargos da SUSEP somente po- b) o Presidente do IRB, que será o Vice-
derão ser preenchidas mediante concurso
para constituição, organização, funciona- -Presidente do Conselho; (Incluído pela Lei
público de provas, ou de provas e títulos, salvo
mento, fusão, encampação, grupamen- os da direção e os casos de contratação, por nº 9.482, de 1997)
to, transferência de controle acionário prazo determinado, de prestação de serviços II – um membro indicado pelo Ministro de
e reforma dos Estatutos das Sociedades técnicos ou de natureza especializada. (Reda- Estado do Planejamento e orçamento; (Inclu-
Seguradoras, opinar sobre os mesmos e ção dada pelo Decreto-lei nº 168, de 1967) ído pela Lei nº 9.482, de 1997)
encaminhá-los ao CNSP; Parágrafo único. O pessoal da SUSEP III – um membro indicado pelos acionistas
b) baixar instruções e expedir circulares reger-se-á pela legislação trabalhista e os seus detentores de ações preferenciais; (Incluído
níveis salariais serão fixados pelo Superin- pela Lei nº 9.482, de 1997)
relativas à regulamentação das operações tendente, com observância do mercado de
de seguro, de acordo com as diretrizes IV – um membro indicado pelos acionistas
trabalho, ouvido o CNSP. (Redação dada pelo minoritários, detentores de ações ordinárias.
do CNSP; Decreto-lei nº 168, de 1967) (Incluído pela Lei nº 9.482, de 1997)
c) fixar condições de apólices, planos de
operações e tarifas a serem utilizadas
SEÇÃO IV. § 2º. A Diretoria do IRB é composta por seis
DOS RECURSOS FINANCEIROS membros, sendo o Presidente e o Vice-Presi-
obrigatoriamente pelo mercado segura- dente Executivo nomeados pelo Presidente
dor nacional; ART. 39. Do produto da arrecadação do da República, por indicação do Ministro de
d) aprovar os limites de operações das So- imposto sobre operações financeiras a que Estado da Fazenda, e os demais eleitos pelo
ciedades Seguradoras, de conformidade se refere a Lei nº 5.143, de 20 de outubro de Conselho, de Administração. (Incluído pela Lei
1966, será destacada a parcela necessária ao
com o critério fixado pelo CNSP; nº 9.482, de 1997)
custeio das atividades da SUSEP.
e) examinar e aprovar as condições de co-
ART. 40. Constituem ainda recursos da § 3º. Enquanto a totalidade das ações ordi-
berturas especiais, bem como fixas as taxas nárias permanecer com a União, aos acionistas
SUSEP:
aplicáveis; (Redação dada pelo Decreto-lei detentores de ações preferenciais será faculta-
I – o produto das multas aplicadas pela SUSEP; do o direito de indicar até dois membros para
nº 296, de 1967) II – dotação orçamentária específica ou cré-
f) autorizar a movimentação e liberação dos o Conselho de Administração do IRB. (Incluído
ditos especiais; pela Lei nº 9.482, de 1997)
bens e valores obrigatoriamente inscritos III – juros de depósitos bancários;
em garantia das reservas técnicas e do § 4º. Os membros do Conselho de Adminis-
IV – a participação que lhe for atribuída pelo tração e da Diretoria do IRB terão mandato
capital vinculado; CNSP no fundo previsto no art. 16; de três anos, observado o disposto na Lei nº
g) fiscalizar a execução das normas gerais V – outras receitas ou valores adventícios, 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Incluído
de contabilidade e estatística fixadas pelo resultantes de suas atividades. pela Lei nº 9.482, de 1997)
CNSP para as Sociedades Seguradoras; CAPÍTULO VI. ART. 47. O Conselho Fiscal do IRB é composto
h) fiscalizar as operações das Sociedades DO INSTITUTO DE RESSEGUROS DO por 5 (cinco) membros efetivos e respectivos
Seguradoras, inclusive o exato cumpri- BRASIL suplentes, eleitos pela Assembleia Geral, sen-
mento deste Decreto-lei, de outras leis do: (Redação dada pela Lei nº 9.482, de 1997)
pertinentes, disposições regulamentares SEÇÃO I. I – três membros e respectivos suplentes
em geral, resoluções do CNSP e aplicar as DA NATUREZA JURÍDICA, FINALIDADE, indicados pelo Ministro de Estado da Fazenda,
penalidades cabíveis; CONSTITUIÇÃO E COMPETÊNCIA dentre os quais um representante do Tesouro
i) proceder à liquidação das Sociedades Nacional; (Incluído pela Lei nº 9.482, de 1997)
ART. 41. O IRB é uma sociedade de econo- II – um membro e respectivo suplente eleitos,
Seguradoras que tiverem cassada a auto- mia mista, dotada de personalidade jurídica
rização para funcionar no País; própria de Direito Privado e gozando de au- em votação em separado, pelos acionistas
j) organizam seus serviços, elaborar e exe- tonomia administrativa e financeira. minoritários detentores de ações ordinárias;
(Incluído pela Lei nº 9.482, de 1997)
cutar seu orçamento; Parágrafo único. O IRB será representado
k) fiscalizar as operações das entidades em juízo ou fora dele por seu Presidente e III – um membro e respectivo suplente eleitos
responderá no foro comum. pelos acionistas detentores de ações preferen-
autorreguladoras do mercado de correta- ciais sem direito a voto ou com voto restrito,
gem, inclusive o exato cumprimento deste ART. 42. (Revogado pela Lei Complementar
nº 126, de 2007) excluído o acionista controlador, se detentor
Decreto-lei, de outras leis pertinentes, de dessa espécie de ação. (Incluído pela Lei nº
disposições regulamentares em geral e de ART. 43. O capital social do IRB é repre-
sentado por ações escriturais, ordinárias e 9.482, de 1997)
resoluções do Conselho Nacional de Segu- preferenciais, todas sem valor nominal. (Re- Parágrafo único. Enquanto a totalidade
ros Privados (CNSP), e aplicar as penalidades dação dada pela Lei nº 9.482, de 1997) das ações ordinárias permanecer com a União,
cabíveis; e (Incluído pela Lei Complementar Parágrafo único. As ações ordinárias, aos acionistas detentores de ações preferen-
nº 137, de 2010) com direito a voto, representam, no mínimo, ciais será facultado o direito de indicar até
l) celebrar convênios para a execução dos 50% (cinquenta por cento) do capital social. dois membros para o Conselho Fiscal do IRB.
serviços de sua competência em qualquer (Incluído pela Lei nº 9.482, de 1997) (Incluído pela Lei nº 9.482, de 1997)
parte do território nacional, observadas as ART. 44. (Revogado pela Lei Complementar ART. 48. Os estatutos fixarão a competência
normas da legislação em vigor. (Incluído nº 126, de 2007) do Conselho de Administração e da Diretoria
pela Lei Complementar nº 137, de 2010) ART. 45. (Revogado pela Lei Complementar do IRB. (Redação dada pela Lei nº 9.482, de
nº 126, de 2007) 1997)
SEÇÃO II. ARTS. 49  a  54. (Revogados pela Lei nº
DA ADMINISTRAÇÃO DA SUSEP SEÇÃO II.
9.482, de 1997).
DA ADMINISTRAÇÃO E DO CONSELHO
ART. 37. A administração da SUSEP será exer- FISCAL SEÇÃO III.
cida por um Superintendente, nomeado pelo DO PESSOAL
Presidente da República, mediante indicação ART. 46. São órgãos de administração do
do Ministro da Indústria e do Comércio, que IRB o Conselho de Administração e a Diretoria. ART. 55. Os serviços do IRB serão executa-
terá as suas atribuições definidas no Regula- (Redação dada pela Lei nº 9.482, de 1997) dos por pessoal admitido mediante concurso
mento deste Decreto-lei e seus vencimentos § 1º. O Conselho de Administração é compos- público de provas ou de provas e títulos, ca-
bendo aos Estatutos regular suas condições de
fixados em Portaria do mesmo Ministro. (Re- to por seis membros, eleitos pela Assembleia
realização, bem como os direitos, vantagens e
dação dada pelo Decreto-lei nº 168, de 1967) Geral, sendo: (Incluído pela Lei nº 9.482, de deveres dos servidores, inclusive as punições
Parágrafo único. A organização interna 1997) aplicáveis.
da SUSEP constará de seu Regimento, que I – três membros indicados pelo Ministro de § 1º. A nomeação para cargo em comissão
será aprovado pelo CNSP. (Redação dada pelo Estado da Fazenda, dentre eles: (Incluído pela será feita pelo Presidente, depois de aprovada
Decreto-lei nº 168, de 1967) Lei nº 9.482, de 1997) sua criação pelo Conselho Técnico.

47
Art. 2º DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966

§ 2º. É permitida a contratação de pessoal c) (Revogada pela Lei Complementar nº (Redação dada pela Lei Complementar nº
destinado a funções técnicas especializadas 126, de 2007). 126, de 2007)
ou para serviços auxiliares de manutenção, § 1º. (Revogado pela Lei Complementar nº Parágrafo único. Os inspetores e funcio-
transporte, higiene e limpeza. 126, de 2007). nários credenciados do órgão fiscalizador de
§ 3º. Ficam assegurados aos servidores do IRB § 2º. Não haverá cobertura de resseguro seguros terão livre acesso às sociedades segu-
os direitos decorrentes de normas legais em vi- para as responsabilidades assumidas pelas
gor, no que digam respeito à participação nos radoras e aos resseguradores, deles podendo
Sociedades Seguradoras em desacordo com requisitar e apreender livros, notas técnicas e
lucros, aposentadoria, enquadramento sindi-
as normas e instruções em vigor. documentos, caracterizando-se como emba-
cal, estabilidade de aplicação da legislação
do trabalho. (Redação dada pelo Decreto-lei ART. 80. As operações de cosseguro obede- raço à fiscalização, sujeito às penas previstas
nº 296, de 1967) cerão a critérios fixados pelo CNSP, quanto à neste Decreto-lei, qualquer dificuldade oposta
§ 4º. (Revogado pela Lei Complementar nº obrigatoriedade e normas técnicas.
aos objetivos deste artigo. (Redação dada pela
126, de 2007). ART. 81. (Revogado pela Lei Complementar Lei Complementar nº 126, de 2007)
nº 126, de 2007)
SEÇÃO IV. ART. 82. (Revogado pela Lei Complementar CAPÍTULO VIII.
DAS OPERAÇÕES nº 126, de 2007) DO REGIME ESPECIAL DE
ARTS. 56 a 71. (Revogados pela Lei Com- ART. 83. As apólices, certificados e bilhetes FISCALIZAÇÃO
plementar nº 126, de 2007). de seguro mencionarão a responsabilidade
máxima da Sociedade Seguradora, expressa (Renumerado pelo Decreto-lei nº 296, de
CAPÍTULO VII. em moeda nacional, para cobertura dos riscos 1967)
DAS SOCIEDADES SEGURADORAS neles descritos e caracterizados. ART. 89. Em caso de insuficiência de
ART. 84. Para garantia de todas as suas cobertura das reservas técnicas ou de má
SEÇÃO I. obrigações, as Sociedades Seguradoras cons- situação econômico-financeira da Sociedade
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL tituirão reservas técnicas, fundos especiais e Seguradora, a critério da SUSEP, poderá esta,
provisões, de conformidade com os critérios além de outras providências cabíveis, inclu-
ART. 72. As Sociedades Seguradoras serão fixados pelo CNSP, além das reservas e fundos
reguladas pela legislação geral no que lhes for sive fiscalização especial, nomear, por tempo
determinados em leis especiais.
aplicável e, em especial, pelas disposições do indeterminado, às expensas da Sociedade
§ 1º. (Revogado pela Lei Complementar nº Seguradora, um diretor-fiscal com as atribui-
presente Decreto-lei. 11.941, de 2009).
Parágrafo único. Aplicam-se às socieda- § 2º. (Revogado pela Lei Complementar nº
ções e vantagens que lhe forem indicadas
des seguradoras o disposto no art. 25 da Lei pelo CNSP.
11.941, de 2009).
nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, com a § 1º. Sempre que julgar necessário ou conve-
redação que lhe dá o art. 1º desta Lei. (Incluído § 3º. (Revogado pela Lei Complementar nº
11.941, de 2009). niente à defesa dos interesses dos segurados,
pela Lei nº 5.710, de 1971)
ART. 85. Os bens garantidores das reservas a SUSEP verificará, nas indenizações, o fiel
ART. 73. As Sociedades Seguradoras não cumprimento do contrato, inclusive a exatidão
poderão explorar qualquer outro ramo de técnicas, fundos e previsões serão registrados
na SUSEP e não poderão ser alienados, prome- do cálculo da reserva técnica e se as causas
comércio ou indústria.
tidos alienar ou de qualquer forma gravados protelatórias do pagamento, porventura
SEÇÃO II. em sua previa e expressa autorização, sendo existentes, decorrem de dificuldades econô-
DA AUTORIZAÇÃO PARA nulas, de pleno direito, as alienações realizadas mico-financeiras da empresa. (Renumerado
FUNCIONAMENTO ou os gravames constituídos com violação pelo Decreto-lei nº 1.115, de 1970)
deste artigo. (Redação dada pelo Decreto-lei
ART. 74. A autorização para funcionamento nº 296, de 1967) § 2º. (Revogado pela Lei Complementar nº
126, de 2007).
será concedida através de Portaria do Mi- Parágrafo único. Quando a garantia re-
nistro da Indústria e do Comércio, mediante cair em bem imóvel, será obrigatoriamente ART. 90. Não surtindo efeito as medidas
requerimento firmado pelos incorporadores, inscrita no competente Cartório do Registro especiais ou a intervenção, a SUSEP enca-
dirigido ao CNSP e apresentado por intermé- Geral de imóveis, mediante simples requeri- minhará ao CNSP proposta de cassação da
dio da SUSEP. mento firmado pela Sociedade Seguradora autorização para funcionamento da Sociedade
ART. 75. Concedida a autorização para e pela SUSEP. Seguradora.
funcionamento, a Sociedade terá o prazo de ART. 86. Os segurados e beneficiários que Parágrafo único. Aplica-se à intervenção
90 (noventa) dias para comprovar perante a sejam credores por indenização ajustada ou
SUSEP, o cumprimento de todas as formali- a que se refere este artigo o disposto nos arts.
por ajustar têm privilégio especial sobre re-
dades legais ou exigências feitas no ato da 55 a 62 da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977.
servas técnicas, fundos especiais ou provisões
autorização. garantidoras das operações de seguro, de (Incluído pela Lei nº 10.190, de 2001)
ART. 76. Feita a comprovação referida no resseguro e de retrocessão. (Redação dada ART. 91. O descumprimento de qualquer
artigo anterior, será expedido a carta-patente pela Lei Complementar nº 126, de 2007) determinação do Diretor-Fiscal por Diretores,
pelo Ministro da Indústria e do Comércio. Parágrafo único. Após o pagamento aos administradores, gerentes, fiscais ou funcio-
ART. 77. As alterações dos Estatutos das segurados e beneficiários mencionados no nários da Sociedade Seguradora em regime
Sociedades Seguradoras dependerão de pré- caput deste artigo, o privilégio citado será especial de fiscalização acarretará o afasta-
via autorização do Ministro da Indústria e do conferido, relativamente aos fundos especiais, mento do infrator, sem prejuízo das sanções
Comércio, ouvidos a SUSEP e o CNSP. reservas técnicas ou provisões garantidoras penais cabíveis.
das operações de resseguro e de retrocessão,
SEÇÃO III. às sociedades seguradoras e, posteriormente, ART. 92. Os administradores das Sociedades
DAS OPERAÇÕES DAS SOCIEDADES aos resseguradores. (Incluído pela Lei Comple- Seguradoras ficarão suspensos do exercício de
SEGURADORAS mentar nº 126, de 2007) suas funções desde que instaurado processo-
ART. 87. As Sociedades Seguradoras não -crime por atos ou fatos relativos à respectiva
ART. 78. As Sociedades Seguradoras só gestão perdendo imediatamente seu mandato
poderão operar em seguros para os quais poderão distribuir lucros ou quaisquer fundos
correspondentes às reservas patrimoniais, na hipótese de condenação. (Redação dada
tenham a necessária autorização, segundo os
planos, tarifas e normas aprovadas pelo CNSP. desde que essa distribuição possa prejudicar o pelo Decreto-lei nº 296, de 1967)
investimento obrigatório do capital e reserva, ART. 93. Cassada a autorização de uma
ART. 79. É vedado às Sociedades Segu- de conformidade com os critérios estabeleci-
radoras reter responsabilidades cujo valor Sociedade Seguradora para funcionar, a
dos neste Decreto-lei.
ultrapasse os limites técnicos, fixados pela alienação ou gravame de qualquer de seus
SUSEP de acordo com as normas aprovadas ART. 88. As sociedades seguradoras e os bens dependerá de autorização da SUSEP,
pelo CNSP, e que levarão em conta: resseguradores obedecerão às normas e ins-
truções dos órgãos regulador e fiscalizador que, para salvaguarda dessa inalienabilidade,
a) a situação econômico-financeira das de seguros sobre operações de seguro, co- terá poderes para controlar o movimento de
Sociedades Seguradoras; seguro, resseguro e retrocessão, bem como contas bancárias e promover o levantamento
b) as condições técnicas das respectivas lhes fornecerão dados e informações atinen- do respectivo ônus junto às Autoridades ou
carteiras; tes a quaisquer aspectos de suas atividades. Registros Públicos.

48
DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966 Art. 94
CAPÍTULO IX. decisões que contravenham o disposto na ART. 104. A SUSEP promoverá a realização
DA LIQUIDAÇÃO DAS SOCIEDADES alínea a deste artigo ou em seu parágrafo 2º. do ativo e efetuará o pagamento dos credores
SEGURADORAS Nos processos sujeitos à suspensão, caberá à pelo crédito apurado e aprovado, no prazo
sociedade liquidanda, para realização do ativo, de 6 (seis) meses, observados os respectivos
(Renumerado pelo Decreto-lei nº 296, de requerer o levantamento de penhoras, arrestos privilégios e classificação, de acordo com a
1967) e quaisquer outras medidas de apreensão ou cota apurada em rateio.
ART. 94. A cessação das operações das So- reserva de bens, sem prejuízo do estatuído ART. 105. Ultimada a liquidação e levantado e
ciedades Seguradoras poderá ser: adiante no parágrafo único do artigo 103. balanço final, será o mesmo submetido à apro-
a) voluntária, por deliberação dos sócios (Incluído pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) vação do Ministro da Indústria e do Comércio,
em Assembleia Geral; § 4º. A massa liquidanda não estará obrigada com relatório da SUSEP.
b) compulsória, por ato do Ministro da In- a reajustamentos salariais sobrevindos durante ART. 106. A SUSEP terá direito à comissão
dústria e do Comércio, nos termos deste a liquidação, nem responderá pelo pagamen- de 5% (cinco por cento) sobre o ativo apurado
Decreto-lei. to de multas, custas, honorários e demais nos trabalhos de liquidação, competindo ao
despesas feitas pelos credores em interesse
ART. 95. Nos casos de cessação voluntária Superintendente arbitrar a gratificação a ser
próprio, assim como não se aplicará correção paga aos inspetores e funcionários encarre-
das operações, os Diretores requererão ao
monetária aos créditos pela mora resultante gados de executá-los.
Ministro da Indústria e do Comércio o cancela-
de liquidação. (Incluído pelo Decreto-lei nº
mento da autorização para funcionamento da
296, de 1967) ART. 107. Nos casos omissos, são aplicáveis
Sociedade Seguradora, no prazo de 5 (cinco) as disposições da legislação de falências, desde
dias da respectiva Assembleia Geral. ART. 99. Além dos poderes gerais de admi- que não contrariem as disposições do presente
Parágrafo único. Devidamente instru- nistração, a SUSEP ficará investida de poderes
Decreto-lei.
ído, o requerimento será encaminhado por especiais para representar a Sociedade Segu-
radora liquidanda ativa e passivamente, em Parágrafo único. Nos casos de cessação
intermédio da SUSEP, que opinará sobre a parcial, restrita às operações de um ramo, serão
cessação deliberada. juízo ou fora dele, podendo:
observadas as disposições deste Capítulo, na
ART. 96. Além dos casos previstos neste a) propor e contestar ações, inclusive para parte aplicável.
Decreto-lei ou em outras leis, ocorrerá a cessa- integralização de capital pelos acionistas;
ção compulsória das operações da Sociedade b) nomear e demitir funcionários; CAPÍTULO X.
Seguradora que: c) fixar os vencimentos de funcionários; O REGIME REPRESSIVO
a) praticar atos nocivos à política de seguros d) outorgar ou revogar mandatos; (Renumerado pelo Decreto-lei nº 296, de
determinada pelo CNSP; e) transigir; 1967)
b) não formar as reservas, fundos e pro- f) vender valores móveis e bens imóveis. ART. 108. A infração às normas referentes
visões a que esteja obrigada ou deixar ART. 100. Dentro de 90 (noventa) dias da cas- às atividades de seguro, cosseguro, resseguro,
de aplicá-las pela forma prescrita neste sação para funcionamento, a SUSEP levantará retrocessão e capitalização sujeita, na forma
Decreto-lei; o balanço do ativo e do passivo da Sociedade definida pelo órgão regulador de seguros, a
c) acumular obrigações vultosas devidas Seguradora liquidanda e organizará: pessoa natural ou jurídica responsável às se-
aos resseguradores, a juízo do órgão fis- a) o arrolamento pormenorizado dos bens guintes penalidades administrativas, aplicadas
calizador de seguros, observadas as deter- pelo órgão fiscalizador de seguros: (Redação
do ativo, com as respectivas avaliações,
minações do órgão regulador de seguros; dada pela Lei Complementar nº 137, de 2010)
especificando os garantidores das reservas
(Redação dada pela Lei Complementar nº técnicas ou do capital; I – advertência; (Redação dada pela Lei Com-
126, de 2007) plementar nº 126, de 2007)
b) a lista dos credores por dívida de indeniza-
d) configurar a insolvência econômico- II – suspensão do exercício das atividades
ção de sinistro, capital garantidor de reservas ou profissão abrangidas por este Decreto-lei
-financeira. técnicas ou restituição de prêmios, com pelo prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;
ART. 97. A liquidação voluntária ou com- a indicação das respectivas importâncias; (Redação dada pela Lei Complementar nº
pulsória das Sociedades Seguradoras será c) a relação dos créditos da Fazenda Pública 126, de 2007)
processada pela SUSEP. (Redação dada pelo
e da Previdência Social; (Redação dada pela III – inabilitação, pelo prazo de 2 (dois) anos
Decreto-lei nº 296, de 1967)
Lei Complementar nº 126, de 2007) a 10 (dez) anos, para o exercício de cargo ou
ART. 98. O ato da cassação será publicado
no Diário Oficial da União, produzindo ime- d) a relação dos demais credores, com in- função no serviço público e em empresas
dicação das importâncias e procedência públicas, sociedades de economia mista e res-
diatamente os seguintes efeitos:
dos créditos, bem como sua classificação, pectivas subsidiárias, entidades de previdência
a) suspensão das ações e execuções ju- complementar, sociedades de capitalização,
diciais, excetuadas as que tiveram início de acordo com a legislação de falências.
instituições financeiras, sociedades segura-
anteriormente, quando intentadas por cre- Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº doras e resseguradores; (Redação dada pela
dores com privilégio sobre determinados 9.932, de 1999).
Lei Complementar nº 126, de 2007)
bens da Sociedade Seguradora; ART. 101. Os interessados poderão impug- IV – multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$
b) vencimento de todas as obrigações civis nar o quadro geral de credores, mas decairão
1.000.000,00 (um milhão de reais); e (Redação
desse direito se não o exercerem no prazo de
ou comerciais da Sociedade Seguradora dada pela Lei Complementar nº 126, de 2007)
15 (quinze) dias.
liquidanda, incluídas as cláusulas penais
ART. 102. A SUSEP examinará as impugna- V – suspensão para atuação em 1 (um) ou
dos contratos; mais ramos de seguro ou resseguro. (Redação
ções e fará publicar no Diário Oficial da União,
c) suspensão da incidência de juros, ainda dada pela Lei Complementar nº 126, de 2007)
sua decisão, dela notificando os recorrentes
que estipulados, se a massa liquidanda por via postal, sob AR. VI – (Revogado pela Lei Complementar nº
não bastar para o pagamento do principal; 126, de 2007)
Parágrafo único. Da decisão da SUSEP
d) cancelamento dos poderes de todos caberá recurso para o Ministro da Indústria VII – (Revogado pela Lei Complementar nº
os órgãos de administração da Sociedade e do Comércio, no prazo de 15 (quinze) dias. 126, de 2007)
liquidanda. ART. 103. Depois da decisão relativa a seus VIII – Revogado pela Lei Complementar nº
§ 1º. Durante a liquidação, fica interrompida a créditos ou aos créditos contra os quais te- 126, de 2007)
prescrição extintiva contra ou a favor da massa nham reclamado, os credores não incluídos IX – (Revogado pela Lei Complementar nº
liquidanda. (Renumerado pelo Decreto-lei nº nas relações a que se refere o art. 100, os delas 126, de 2007)
296, de 1967) excluídos, os incluídos sem os privilégios a que § 1º. Caso a penalidade prevista no inci-
§ 2º. Quando a sociedade tiver oradores por se julguem com direito, inclusive por atribuição so IV do caput deste artigo seja aplicada à
salários ou indenizações trabalhistas, também de importância inferior à reclamada, poderão pessoa natural, responderá solidariamente
ficarão suspensas as ações e execuções a que prosseguir na ação já iniciada ou propor a que o ressegurador ou a sociedade seguradora
se refere a parte final da alínea a deste artigo. lhes competir. ou de capitalização, assegurado o direito de
(Incluído pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) Parágrafo único. Até que sejam julgadas regresso, e a penalidade poderá ser cumulada
§ 3º. Poderá ser arguida em qualquer fa- as ações, a SUSEP reservará cota proporcional com aquelas constantes dos incisos I, II, III ou
se processual, inclusive quanto às questões do ativo para garantia dos credores de que V do caput deste artigo. (Redação dada pela
trabalhistas, a nulidade dos despachos ou trata este artigo. Lei nº 13.195, de 2015)

49
Art. 2º DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966

§ 2º. Das decisões do órgão fiscalizador de § 4º. Apurada a existência de irregularidade ART. 121. Provada qualquer infração penal
seguros caberá recurso, no prazo de 30 (trinta) cometida pelo prestador de serviços de audito- a SUSEP remeterá cópia do processo ao Minis-
dias, com efeito suspensivo, ao órgão com- ria independente mencionado no caput deste tério Público para fins de direito.
petente. (Incluído pela Lei Complementar nº artigo, serão a ele aplicadas as penalidades
126, de 2007) previstas no art. 108 deste Decreto-lei. (Inclu- CAPÍTULO XI.
§ 3º. O recurso a que se refere o § 2º des- ído pela Lei Complementar nº 126, de 2007) DOS CORRETORES DE SEGUROS
te artigo, na hipótese do inciso IV do caput § 5º. Quando as entidades auditadas relacio- (Renumerado pelo Decreto-lei nº 296, de
deste artigo, somente será conhecido se for nadas no caput deste artigo forem reguladas 1967)
comprovado pelo requerente o pagamento ou fiscalizadas pela Comissão de Valores Mo-
antecipado, em favor do órgão fiscalizador biliários ou pelos demais órgãos reguladores ART. 122. O corretor de seguros, pessoa
de seguros, de 30% (trinta por cento) do valor e fiscalizadores, o disposto neste artigo não física ou jurídica, é o intermediário legalmente
da multa aplicada. (Incluído pela Lei Comple- afastará a competência desses órgãos para autorizado a angariar e promover contratos de
mentar nº 126, de 2007) disciplinar e fiscalizar a atuação dos respec- seguros entre as Sociedades Seguradoras e as
§ 4º. Julgada improcedente a aplicação da tivos prestadores de serviço de auditoria pessoas físicas ou jurídicas de Direito Privado.
penalidade de multa, o órgão fiscalizador de independente e para aplicar, inclusive a esses ART. 123. O exercício da profissão de corre-
seguros devolverá, no prazo máximo de 90 auditores, as penalidades previstas na legisla- tor de seguros depende de prévia habilitação
(noventa) dias a partir de requerimento da ção própria. (Incluído pela Lei Complementar e registro.
parte interessada, o valor depositado. (Incluído nº 126, de 2007) § 1º. A habilitação será feita perante a SUSEP,
pela Lei Complementar nº 126, de 2007) ART. 112. Às pessoas que deixarem de con- mediante prova de capacidade técnico-pro-
§ 5º. Em caso de reincidência, a multa se- tratar os seguros legalmente obrigatórios, fissional, na forma das instruções baixadas
rá agravada até o dobro em relação à multa sem prejuízo de outras sanções legais, será pelo CNSP.
anterior, conforme critérios estipulados pelo aplicada multa de: (Redação dada pela Lei
órgão regulador de seguros. (Incluído pela Lei
§ 2º. O corretor de seguros poderá ter pre-
Complementar nº 126, de 2007) posto de sua livre escolha e designará, dentre
Complementar nº 126, de 2007) I – o dobro do valor do prêmio, quando este eles, o que o substituirá.
ART. 109. Os Diretores, administradores, for definido na legislação aplicável; e (Incluído
gerentes e fiscais das Sociedades Seguradoras pela Lei Complementar nº 126, de 2007)
§ 3º. Os corretores e prepostos serão registra-
responderão solidariamente com a mesma dos na SUSEP, com obediência aos requisitos
II – nos demais casos, o que for maior entre estabelecidos pelo CNSP.
pelos prejuízos causados a terceiros, inclusi- 10% (dez por cento) da importância segurável
ve aos seus acionistas, em consequência do
ou R$ 1.000,00 (mil reais). (Incluído pela Lei ART. 124. As comissões de corretagem só
descumprimento de leis, normas e instruções poderão ser pagas a corretor de seguros, de-
Complementar nº 126, de 2007)
referentes as operações de seguro, cosseguro, vidamente habilitado.
resseguro ou retrosseção, e em especial, pela ART. 113. As pessoas naturais ou jurídicas
que realizarem operações de capitalização, ART. 125. É vedado aos corretores e seus
falta de constituição das reservas obrigatórias. prepostos:
seguro, cosseguro ou resseguro sem a devi-
ART. 110. Constitui crime contra a economia da autorização estão sujeitas às penalidades a) aceitar ou exercer emprego de pessoa
popular, punível de acordo com a legislação
respectiva, a ação ou omissão, pessoal ou cole-
administrativas previstas no art. 108, aplicadas jurídica de Direito Público;
tiva, de que decorra a insuficiência das reservas pelo órgão fiscalizador de seguros, aumen- b) manter relação de emprego ou de dire-
e de sua cobertura, vinculadas à garantia das tadas até o triplo. (Redação dada pela Lei nº ção com Sociedade Seguradora.
obrigações das sociedades seguradoras. 13.195, de 2015)
Parágrafo único. Os impedimentos deste
ART. 111. Compete ao órgão fiscalizador § 1º. Caso a penalidade de multa seja aplicada artigo aplicam-se também aos Sócios e Dire-
de seguros expedir normas sobre relatórios à pessoa natural, responderá solidariamente
tores de Empresas de corretagem.
e pareceres de prestadores de serviços de a pessoa jurídica, assegurado o direito de
regresso, e a penalidade poderá ser cumulada ART. 126. O corretor de seguros respon-
auditoria independente aos resseguradores,
com aquelas constantes dos incisos I, II, III e derá civilmente perante os segurados e as
às sociedades seguradoras, às sociedades de
V do caput do art. 108. (Incluído pela Lei nº Sociedades Seguradoras pelos prejuízos que
capitalização e às entidades abertas de pre-
13.195, de 2015) causar, por omissão, imperícia ou negligência
vidência complementar. (Redação dada pela
Lei Complementar nº 126, de 2007) § 2º. A multa prevista no caput será fixada no exercício da profissão.
a) a i) (Revogadas pela Lei Complementar com base na importância segurada ou em ART. 127. Caberá responsabilidade profis-
nº 126, de 2007). outro parâmetro a ser definido pelo órgão sional, perante a SUSEP, ao corretor que deixar
§ 1º. Os prestadores de serviços de audi- regulador de seguros. (Incluído pela Lei nº de cumprir as leis, regulamentos e resoluções
toria independente aos resseguradores, 13.195, de 2015) em vigor, ou que der causa dolosa ou culposa
às sociedades seguradoras, às sociedades ART. 114. (Revogado pela Lei Complementar a prejuízos às Sociedades Seguradoras ou
de capitalização e às entidades abertas de nº 126, de 2007) aos segurados.
previdência complementar responderão, ci- ART. 115. A suspensão de autorização para ART. 127-A. As entidades autorreguladoras
vilmente, pelos prejuízos que causarem a operar em determinado ramo de seguro será do mercado de corretagem terão autonomia
terceiros em virtude de culpa ou dolo no aplicada quando verificada má condução téc- administrativa, financeira e patrimonial, ope-
exercício das funções previstas neste artigo. nica ou financeira dos respectivos negócios. rando sob a supervisão da Superintendência
(Incluído pela Lei Complementar nº 126, de ART. 116. (Revogado pela Lei Complementar de Seguros Privados (Susep), aplicando-se a
2007) nº 126, de 2007). elas, inclusive, o disposto no art. 108 deste
§ 2º. Sem prejuízo do disposto no caput ART. 117. A cassação da carta patente se Decreto-lei. (Incluído pela Lei Complementar
deste artigo, os prestadores de serviços de fará nas hipóteses de infringência dos artigos nº 137, de 2010)
auditoria independente responderão admi- 81 e 82, nos casos previstos no artigo 96 ou Parágrafo único. Incumbe às entidades
nistrativamente perante o órgão fiscalizador de reincidência na proibição estabelecida nas autorreguladoras do mercado de corretagem,
de seguros pelos atos praticados ou omissões letras c e i do artigo 111, todos do presente na condição de órgãos auxiliares da SUSEP, fis-
em que houverem incorrido no desempenho Decreto-lei. calizar os respectivos membros e as operações
das atividades de auditoria independente aos
resseguradores, às sociedades seguradoras, ART. 118. As infrações serão apuradas me- de corretagem que estes realizarem. (Incluído
às sociedades de capitalização e às entidades diante processo administrativo que tenha por pela Lei Complementar nº 137, de 2010)
abertas de previdência complementar. (Inclu- base o auto, a representação ou a denúncia ART. 128. O corretor de seguros estará su-
ído pela Lei Complementar nº 126, de 2007) positivando fatos irregulares, e o CNSP disporá jeito às penalidades seguintes:
sobre as respectivas instaurações, recursos e
§ 3º. Instaurado processo administrativo seus efeitos, instâncias, prazos, perempção e
a) multa;
contra resseguradores, sociedades segurado- b) suspensão temporária do exercício da
outros atos processualísticos.
ras, sociedades de capitalização e entidades profissão;
abertas de previdência complementar, o órgão ART. 119. As multas aplicadas de conformi-
fiscalizador poderá, considerada a gravidade dade com o disposto neste Capítulo e seguinte c) cancelamento do registro.
da infração, cautelarmente, determinar a essas serão recolhidas aos cofres da SUSEP. Parágrafo único. As penalidades serão
empresas a substituição do prestador de servi- ART. 120. Os valores monetários das pe- aplicadas pela Susep, em processo regular, na
ços de auditoria independente. (Incluído pela nalidades previstas nos artigos precedentes forma prevista no art. 119 desta Lei. (Redação
Lei Complementar nº 126, de 2007) ficam sujeitos à correção monetária pelo CNSP. dada pelo Decreto-lei 296, de 1967)

50
DECRETO-LEI Nº 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966 Art. 129
CAPÍTULO XII. hospitalares, visando a institucionalizar suas b) O Fundo de Estabilização previsto no
DISPOSIÇÕES GERAIS E atividades para a prática da medicina social artigo 3º da Lei 4.430, de 20 de outubro
TRANSITÓRIAS e para a melhoria das condições técnicas e de 1964.
econômicas dos serviços assistenciais, isolada-
(Renumerado pelo Decreto-lei nº 296, de mente ou em regime de associação, poderão
ART. 143. Os órgãos do Poder Público que
1967) operar sistemas próprios de pré-pagamento operam em seguros privados enquadrarão
de serviços médicos e/ou hospitalares, sujeitas suas atividades ao regime deste Decreto-lei
SEÇÃO I. prazo de 180 (cento e oitenta) dias, ficando
DO SEGURO-SAÚDE ao que dispuser a Regulamentação desta Lei,
às resoluções do CNSP e à fiscalização dos autorizados a constituir a necessária Sociedade
ART. 129. Fica instituído o Seguro-Saúde órgãos competentes. Anônima ou Cooperativa.
para dar cobertura aos riscos de assistência § 1º. As Associações de Classe, de Beneficên-
médica e hospitalar. SEÇÃO II. cia e de Socorros mútuos e os Montepios que
ART. 130. A garantia do Seguro-Saúde con- ART. 136. Fica extinto o Departamento instituem pensões ou pecúlios, atualmente em
sistirá no pagamento em dinheiro, efetuado Nacional de Seguros Privados e Capitalização funcionamento, ficam excluídos do regime
pela Sociedade Seguradora, à pessoa física (DNSPC), da Secretaria do Comércio, do Minis- estabelecido neste Decreto-lei, facultado ao
ou jurídica prestante da assistência médico- tério da Indústria e do Comércio, cujo acervo CNSP mandar fiscalizá-los se e quando julgar
-hospitalar ao segurado. e documentação passarão para a Superinten- conveniente.
§ 1º. A cobertura do Seguro-Saúde ficará dência de Seguros Privados (SUSEP). (Redação § 2º. As Sociedades Seguradoras estrangeiras
sujeita ao regime de franquia, de acordo com dada pelo Decreto-lei nº 168, de 1967) que operam no País, adaptarão suas organi-
os critérios fixados pelo CNSP. § 1º. Até que entre em funcionamento a zações às novas exigências legais, no prazo
§ 2º. A livre escolha do médico e do hospital SUSEP, as atribuições a ela conferidas pelo deste artigo e nas condições determinadas
é condição obrigatória nos contratos referidos presente Decreto-lei continuarão a ser de- pelo CNSP. (Redação dada pelo Decreto-lei
no artigo anterior. sempenhadas pelo DNSPC. (Redação dada nº 296, de 1967)
ART. 131. Para os efeitos do artigo 130 des- pelo Decreto-lei nº 168, de 1967)
te Decreto-lei, o CNSP estabelecerá tabelas ART. 144. O CNSP proporá ao Poder Exe-
§ 2º. Fica extinto, no Quadro de Pessoal do Mi- cutivo no prazo de 180 (cento e oitenta) dias,
de honorários médico-hospitalares e fixará nistério da Indústria e do Comércio, o cargo em
percentuais de participação obrigatória dos as normas de regulamentação dos seguros
comissão de Diretor-Geral do Departamento obrigatórios previstos no artigo 20 deste
segurados nos sinistros. Nacional de Seguros Privados e Capitalização,
§ 1º. Na elaboração das tabelas, o CNSP obser- Decreto-lei. (Redação dada pelo Decreto-lei
símbolo 2-C. (Redação dada pelo Decreto-lei
vará a média regional dos honorários e a renda nº 296, de 1967)
nº 168, de 1967)
média dos pacientes, incluindo a possibilidade
§ 3º. Serão considerados extintos, no Quadro ART. 145. Até a instalação do CNSP e da
da ampliação voluntária da cobertura pelo SUSEP, será mantida a jurisdição e a compe-
de Pessoal do Ministério da Indústria e do
acréscimo do prêmio. tência do DNSPC, conservadas em vigor as
Comércio, a partir da criação dos cargos cor-
§ 2º. Na fixação das percentagens de parti- respondentes nos quadros da SUSEP, os oito disposições legais e regulamentares, inclusive
cipação, o CNSP levará em conta os índices cargos em comissão do Delegado Regional as baixadas pelo IRB, no que forem cabíveis.
salariais dos segurados e seus encargos fa-
miliares.
de Seguros, símbolo 5-C. (Redação dada pelo ART. 146. O Poder Executivo fica autorizado
Decreto-lei nº 168, de 1967) a abrir o crédito especial de Cr$ 500.000.000
ART. 132. O pagamento das despesas ART. 137. Os funcionários atualmente em
cobertas pelo Seguro-Saúde dependerá de (quinhentos milhões de cruzeiros), no exercí-
exercício do DNSPC continuarão a integrar o cio de 1967, destinado à instalação do CNSP
apresentação da documentação médico é
hospitalar que possibilite a identificação do Quadro de Pessoal do Ministério da Indústria e e da SUSEP.
do Comércio. (Redação dada pelo Decreto-lei
sinistro. (Redação dada pelo Decreto-lei nº
nº 168, de 1967)
ART. 147. (Revogado pelo Decreto-lei nº
296, de 1967) 261, de 1967).
ART. 133. É vedado às Sociedades Segu- ART. 138. Poderá a SUSEP requisitar ser-
vidores da administração pública federal, ART. 148. As resoluções do Conselho
radoras acumular assistência financeira com
centralizada e descentralizada, sem prejuízo Nacional de Seguros Privados vigorarão
assistência médico-hospitalar.
dos vencimentos e vantagens relativos aos imediatamente e serão publicadas no Diário
ART. 134. As sociedades civis ou comerciais Oficial da União.
que, na data deste Decreto-lei, tenham vendido cargos que ocuparem. (Redação dada pelo
títulos, contratos, garantias de saúde, segurança Decreto-lei nº 168, de 1967) ART. 149. O Poder Executivo regulamentará
de saúde, benefícios de saúde, títulos de saúde ART. 139. Os servidores requisitados antes este Decreto-lei no prazo de 120 (cento e vinte)
ou seguros sob qualquer outra denominação, da aprovação, pelo CNSP, do Quadro de Pessoal dias, vigendo idêntico prazo para a aprova-
para atendimento médico, farmacêutico e hos- da SUSEP, poderão nele ser aproveitado, desde ção dos Estatutos do IRB. (Redação dada pelo
pitalar, integral ou parcial, ficam proibidas de que consultados os interesses da Autarquia e Decreto-lei nº 168, de 1967)
efetuar novas transações do mesmo gênero, dos servidores. (Redação dada pelo Decreto-lei
ressalvado o disposto no art. 135, § 1º. (Redação nº 168, de 1967) ART. 150. (Revogado pelo Decreto-lei nº
dada pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) Parágrafo único. O aproveitamento de 261, de 1967)
§ 1º. As Sociedades civis e comerciais que se que trata este artigo implica na aceitação do ART. 151. Para eleito do artigo precedente
enquadrem no disposto neste artigo poderão regime de pessoal da SUSEP devendo ser con- ficam suprimidos os cargos e funções de De-
continuar prestando os serviços nele referidos tado o tempo de serviço, no órgão de origem, legado do Governo Federal e de liquidante
exclusivamente às pessoas físicas ou jurídicas para todos os efeitos legais. (Redação dada designado pela sociedade, a que se referem
com as quais os tenham ajustado ante da pro- pelo Decreto-lei nº 168, de 1967) os artigos 24 e 25 do Decreto nº 22.456, de 10
mulgação deste Decreto-lei, facultada opção ART. 140. As dotações consignadas no Or- de fevereiro de 1933, ressalvadas as liquidações
bilateral pelo regime do Seguro-Saúde. çamento da União, para o exercício de 1967, decretadas até dezembro de 1965.
§ 2º. No caso da opção prevista no parágrafo à conta do DNSPC, serão transferidas para
anterior, as pessoas jurídicas prestantes da ART. 152. O risco de acidente de trabalho
a SUSEP excluídas as relativas às despesas
assistência médica, farmacêutica e hospita- continua a ser regido pela legislação especí-
decorrentes de vencimentos e vantagens de
lar, ora regulada, ficarão responsáveis pela fica, devendo ser objeto de nova legislação
Pessoal Permanente.
contribuição do Seguro-Saúde devida pelas dentro de 90 (noventa) dias.
pessoas físicas optantes.
ART. 141. Fica dissolvida a Companhia
Nacional de Seguro Agrícola, competindo ART. 153. Este Decreto-lei entrará em vigor
§ 3º. Ficam excluídas das obrigações previs- ao Ministério da Agricultura promover sua na data de sua publicação, ficando revogadas
tas neste artigo as Sociedades Beneficentes liquidação e aproveitamento de seu pessoal. expressamente todas as disposições de leis,
que estiverem em funcionamento na data decretos e regulamentos que dispuserem em
da promulgação desse Decreto-lei, as quais ART. 142. Ficam incorporadas ao Fundo de
Estabilidade do Seguro Rural: sentido contrário.
poderão preferir o regime do Seguro-Saúde
a qualquer tempo. a) Fundo de Estabilidade do Seguro Agrário, Brasília, 21 de novembro de 1966; 145º da
ART. 135. As entidades organizadas sem a que se refere o artigo 3º da Lei nº 2.168, independência e 78º da República.
objetivo de lucro, por profissionais médicos de 11 de janeiro de 1954; (Redação dada H. CASTELLO BRANCO
e paramédicos ou por estabelecimentos pelo Decreto-lei nº 296, de 1967) D.O.U. de 22.11.1966

51
Art. 1º LEI Nº 8.866, DE 11 DE ABRIL DE 1994

LEI Nº 8.866, DE 11 DE ABRIL DE 1994


Dispõe sobre o depositário infiel de valor pertencente taxa ou contribuição descontado, com os cor- em renda ou, na sua falta, a expedição de
à Fazenda Pública e dá outras providências. respondentes acréscimos legais. mandado para entrega, em 24 (vinte e quatro)
Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA Parágrafo único. A comunicação de que horas, do valor exigido.
adotou a Medida Provisória 449, de 1994, que o trata este artigo, no âmbito dos Estados e do ART. 7º. Quando o depositário infiel for
Congresso Nacional aprovou, e eu, HUMBERTO Distrito Federal, caberá às autoridades defini- pessoa jurídica, a prisão referida no § 2º do
LUCENA, Presidente do Senado Federal, para os das na legislação específica dessas unidades art. 4º será decretada contra seus diretores,
efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 federadas, feita aos respectivos representantes administradores, gerentes ou empregados
da Constituição Federal, promulga a seguinte Lei: judiciais competentes; no caso do Instituto que movimentem recursos financeiros isolada
Nacional de Seguridade Social – INSS, a inicia- ou conjuntamente.
ART. 1º. É depositário da Fazenda Públi- tiva caberá ao seu presidente, competindo ao ``ADin 1.055-7 (Med. Liminar): O STF suspen-
ca, observado o disposto nos arts. 1.282, I, e deu, até decisão final da ação, a eficácia das
representante judicial da autarquia processual
1.283 do Código Civil, a pessoa a que a legis- expressões “referida no § 2º do art. 4º” e “ou
de que trata este artigo.
lação tributária ou previdenciária imponha a empregados”, inseridas no caput do art. 7º desta
obrigação de reter ou receber de terceiro, e ART. 4º. Na petição inicial, instruída com a lei. (D.J.U. 13.06.1997)
recolher aos cofres públicos, impostos, taxas cópia autenticada, pela repartição, da prova Parágrafo único. Tratando-se de em-
e contribuições, inclusive à Seguridade Social. literal do depósito de que trata o art. 2º, o presa estrangeira, a prisão recairá sobre seus
``CC: arts. 647, I e 648.
representante judicial da Fazenda Nacional ou, representantes, dirigentes e empregados no
conforme o caso, o representante judicial dos Brasil que revistam a condição mencionada
§ 1º. Aperfeiçoa-se o depósito na data da Estados, Distrito Federal ou do INSS requererá
retenção ou recebimento do valor a que esteja neste artigo.
ao juízo a citação do depositário para, em ``ADin 1.055-7 (Med. Liminar): O STF suspen-
obrigada a pessoa física ou jurídica. 10 (dez) dias: deu, até decisão final da ação, a eficácia da
§ 2º. É depositário infiel aquele que não en- I – recolher ou depositar a importância cor- expressão “empregados”, iserida no paragrafo
trega à Fazenda Pública o valor referido neste respondente ao valor do imposto, taxa ou único do art. 7º desta lei. (D.J.U. 13.06.1997)
artigo, no termo e forma fixados na legislação contribuição descontado ou recebido de ter- ART. 8º. Cessará a prisão com o recolhimento
tributária ou previdenciária. ceiro, com os respectivos acréscimos legais; do valor exigido.
ART. 2º. Constituem prova literal para se II – contestar a ação. ART. 9º. Não se aplica ao depósito referido
caracterizar a situação de depositário infiel, nesta Lei o art. 1.280 do Código Civil.
§ 1º. Do pedido constará, ainda, a cominação ``Refere-se ao CC de 1916.
dentre outras: da pena de prisão. ``CC: art. 645.
I – a declaração feita pela pessoa física ou § 2º. Não recolhida nem depositada a impor-
jurídica, do valor descontado ou recebido de ART. 10. Ficam convalidados os atos prati-
tância, nos termos deste artigo, o juiz, nos 15 cados com base na Medida Provisória 427, de
terceiro, constante em folha de pagamento (quinze) dias seguintes à citação, decretará a
ou em qualquer outro documento fixado na 11 de fevereiro de 1994.
prisão do depositário infiel, por não superior ``ADin 1.055-7 (Med. Liminar): O STF assentou
legislação tributária ou previdenciária, e não a 90 (noventa) dias. que, da convalidação prevista no art. 10 desta
recolhido aos cofres públicos; ``ADin 1.055-7: O STF suspendeu os efeitos dos lei, ficam suspensos, a partir desta data, até o
II – o processo administrativo findo mediante § 2º do art. 4º desta lei. (D.J.U. 13.06.1997) julgamento final da ação, os decretos de prisão
o qual se tenha constituído crédito tributário § 3º. A contestação deverá ser acompanhada fundos, exclusivamente, no § 2º do art. 4º, e
ou previdenciário, decorrente de valor descon- do comprovante de depósito judicial do valor os decretos de revelia fundados em seu § 3º.
tado ou recebido de terceiro e não recolhido (D.J.U. 13.06.1997).
integral devido à Fazenda Pública, sob pena
aos cofres públicos; de o réu sofrer os efeitos da revelia. ART. 11. Esta Lei entra em vigor na data de
III – a certidão do crédito tributário ou previ- ``ADin 1.055-7: O STF suspendeu os efeitos dos sua publicação.
denciário decorrente dos valores descontados § 3º do art. 4º desta lei. (D.J.U. 13.06.1997) ART. 12. Revogam-se as disposições em
ou recebidos, inscritos na dívida ativa. § 4º. Contestada a ação, observar-se-á o pro- contrário.
ART. 3º. Caracterizada a situação de depo- cedimento ordinário. Senado Federal, em 11 de abril de 1994;
sitário infiel, o Secretário da Receita Federal ART. 5º. O juiz poderá julgar antecipadamen- 173º da Independência e
comunicará ao representante judicial da Fa- te a ação, se verificados os efeitos da revelia. 106º da República.
zenda Nacional para que ajuíze ação civil a fim ART. 6º. Julgada procedente a ação, orde- HUMBERTO LUCENA
de exigir o recolhimento do valor do imposto, nará o juiz a conversão do depósito judicial D.O.U. de 13.4.1994

52
LEI Nº 10.446, DE 8 DE MAIO DE 2002 Art. 1º

LEI Nº 10.446, DE 8 DE MAIO DE 2002


Dispõe sobre infrações penais de repercussão inte- II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII VI – furto, roubo ou dano contra instituições
restadual ou internacional que exigem repressão do art. 4º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro financeiras, incluindo agências bancárias ou
uniforme, para os fins do disposto no inciso I do § de 1990); e caixas eletrônicos, quando houver indícios da
1º do art. 144 da Constituição. ``Lei12.529/2011 revogou os incisos I, “a”, III e atuação de associação criminosa em mais de
VII do art. 4º da Lei 8.137/1990. um Estado da Federação. (Incluído pela Lei nº
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a III – relativas à violação a direitos huma- 13.124, de 2015)
seguinte Lei: nos, que a República Federativa do Brasil se VII – quaisquer crimes praticados por meio da
comprometeu a reprimir em decorrência de rede mundial de computadores que difundam
ART. 1º. Na forma do inciso I do § 1º do art. tratados internacionais de que seja parte; e conteúdo misógino, definidos como aqueles
144 da Constituição, quando houver reper- IV – furto, roubo ou receptação de cargas, que propagam o ódio ou a aversão às mu-
cussão interestadual ou internacional que inclusive bens e valores, transportadas em lheres. (Incluído pela Lei nº 13.642, de 2018)
exija repressão uniforme, poderá o Depar-
tamento de Polícia Federal do Ministério da
operação interestadual ou internacional, Parágrafo único. Atendidos os pressu-
quando houver indícios da atuação de qua- postos do caput, o Departamento de Polícia
Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos drilha ou bando em mais de um Estado da Federal procederá à apuração de outros casos,
órgãos de segurança pública arrolados no art. Federação. desde que tal providência seja autorizada
144 da Constituição Federal, em especial das ``CP: art. 157, § 2º, III. ou determinada pelo Ministro de Estado da
Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder V – falsificação, corrupção, adulteração ou Justiça. (Incluído pela Lei nº 12.894, de 2013)
à investigação, dentre outras, das seguintes alteração de produto destinado a fins tera-
infrações penais: ART. 2º. Esta Lei entra em vigor na data de
pêuticos ou medicinais e venda, inclusive pela sua publicação.
I – sequestro, cárcere privado e extorsão me- internet, depósito ou distribuição do produto
diante sequestro (arts. 148 e 159 do Código falsificado, corrompido, adulterado ou altera-
Brasília, 8 de maio de 2002; 181º da
Penal), se o agente foi impelido por motivação do (art. 273 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de Independência e 114º da República.
política ou quando praticado em razão da dezembro de 1940 – Código Penal). (Incluído FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
função pública exercida pela vítima; pela Lei nº 12.894, de 2013) D.O.U. de 9.5.2002

53
Art. 1º LEI Nº 10.684, DE 30 DE MAIO DE 2003

LEI Nº 10.684, DE 30 DE MAIO DE 2003


Altera a legislação tributária, dispõe sobre parce- pelo Simples até o último dia útil de 2003, com responsável pela cobrança do respectivo
lamento de débitos junto à Secretaria da Receita efeitos a partir de 1º de janeiro de 2004, nos débito;
Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional termos e condições definidos pela Secretaria II – somente alcançará débitos que se en-
e ao Instituto Nacional do Seguro Social e dá outras da Receita Federal. contrarem com exigibilidade suspensa por
providências. ``LC 123/2006 revogou a Lei 9.317/1996. força dos incisos III a V do art. 151 da Lei nº
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que § 6º. O valor de cada uma das parcelas, deter- 5.172, de 25 de outubro de 1966, no caso de
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a minado na forma dos §§ 3º e 4º, será acrescido o sujeito passivo desistir expressamente e
seguinte Lei: de juros correspondentes à variação mensal da de forma irrevogável da impugnação ou do
``CTN: arts. 151, VI, 155-A e 198, § 3º, III. Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP, a partir recurso interposto, ou da ação judicial pro-
``Lei 13.043/2014: arts. 33 e 42. do mês subsequente ao da consolidação, até posta, e renunciar a quaisquer alegações de
ART. 1º. Os débitos junto à Secretaria da o mês do pagamento. direito sobre as quais se fundam os referidos
Receita Federal ou à Procuradoria-Geral da § 7º. Para os fins da consolidação referida processos administrativos e ações judiciais,
Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de no § 3º, os valores correspondentes à multa, relativamente à matéria cujo respectivo débito
fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em de mora ou de ofício, serão reduzidos em queira parcelar;
até 180 (cento e oitenta) prestações mensais cinquenta por cento. III – reger-se-á pelas disposições da Lei nº
e sucessivas. § 8º. A redução prevista no § 7º não será 10.522, de 19 de julho de 2002, ressalvado o
§ 1º. O disposto neste artigo aplica-se aos cumulativa com qualquer outra redução ad- disposto no seu art. 14;
débitos constituídos ou não, inscritos ou mitida em lei, ressalvado o disposto no § 11. IV – aplica-se, inclusive, à totalidade dos
não como Dívida Ativa, mesmo em fase de § 9º. Na hipótese de anterior concessão de débitos apurados segundo o Simples;
execução fiscal já ajuizada, ou que tenham redução de multa em percentual diverso de V – independerá de apresentação de ga-
sido objeto de parcelamento anterior, não cinquenta por cento, prevalecerá o percentual rantia ou de arrolamento de bens, mantidas
integralmente quitado, ainda que cancelado referido no § 7º determinado sobre o valor aquelas decorrentes de débitos transferidos
por falta de pagamento. original da multa. de outras modalidades de parcelamento ou
§ 2º. Os débitos ainda não constituídos de- § 10. A opção pelo parcelamento de que trata de execução fiscal.
verão ser confessados, de forma irretratável este artigo exclui a concessão de qualquer Parágrafo único. Na hipótese do inciso II,
e irrevogável. outro, extinguindo os parcelamentos anterior- o valor da verba de sucumbência será de 1%
§ 3º. O débito objeto do parcelamento será mente concedidos, admitida a transferência (um por cento) do valor do débito consolida-
consolidado no mês do pedido e será dividi- de seus saldos para a modalidade desta Lei. do decorrente da desistência da respectiva
do pelo número de prestações, sendo que o § 11. O sujeito passivo fará jus a redução ação judicial.
montante de cada parcela mensal não poderá adicional da multa, após a redução referida no ART. 5º. Os débitos junto ao Instituto Na-
ser inferior a: § 7º à razão de vinte e cinco centésimos por cional do Seguro Social – INSS, oriundos de
I – um inteiro e cinco décimos por cento da cento sobre o valor remanescente para cada contribuições patronais, com vencimento até
receita bruta auferida, pela pessoa jurídica, no ponto percentual do saldo do débito que for 28 de fevereiro de 2003, serão objeto de acordo
mês imediatamente anterior ao do vencimento liquidado até a data prevista para o requeri- para pagamento parcelado em até 180 (cento
da parcela, exceto em relação às optantes mento do parcelamento referido neste artigo, e oitenta) prestações mensais, observadas as
pelo Sistema Simplificado de Pagamento de após deduzida a primeira parcela determinada condições fixadas neste artigo, desde que
Impostos e Contribuições das Microempresas nos termos do § 3º ou 4º. requerido até o último dia útil do segundo
e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, ART. 2º. Os débitos incluídos no Programa mês subsequente ao da publicação desta Lei.
instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de Recuperação Fiscal – Refis, de que trata § 1º. Aplica-se ao parcelamento de que trata
de 1996, e às microempresas e empresas de a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, ou no este artigo o disposto nos §§ 1º a 11 do art. 1º,
pequeno porte enquadradas no disposto no parcelamento a ele alternativo, poderão, a observado o disposto no art. 8º.
art. 2º da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, critério da pessoa jurídica, ser parcelados nas § 2º. (VETADO).
observado o disposto no art. 8º desta Lei, condições previstas no art. 1º, nos termos a § 3º. A concessão do parcelamento inde-
salvo na hipótese do inciso II deste parágrafo, serem estabelecidos pelo Comitê Gestor do penderá de apresentação de garantias ou
o prazo mínimo de 120 (cento e vinte) meses; mencionado Programa. de arrolamento de bens, mantidas aquelas
``LC 123/2006 revogou as Leis 9.317/1996 e Parágrafo único. Na hipótese deste decorrentes de débitos transferidos de outras
9.841/1999.. artigo: modalidades de parcelamento ou de execu-
II – dois mil reais, considerado cumulativa- I – a opção pelo parcelamento na forma ção fiscal.
mente com o limite estabelecido no inciso deste artigo implica desistência compulsória ART. 6º. Os depósitos existentes, vinculados
I, no caso das pessoas jurídicas ali referidas; e definitiva do Refis ou do parcelamento a aos débitos a serem parcelados nos termos dos
III – cinquenta reais, no caso de pessoas ele alternativo; arts. 1º e 5º, serão automaticamente conver-
físicas. II – as contribuições arrecadadas pelo Instituto tidos em renda da União ou da Seguridade
§ 4º. Relativamente às pessoas jurídicas Nacional do Seguro Social – INSS retornarão à Social ou do Instituto Nacional do Seguro
optantes pelo Simples e às microempresas administração daquele órgão, sujeitando-se à Social – INSS, conforme o caso, concedendo-se
e empresas de pequeno porte, enquadradas legislação específica a elas aplicável; o parcelamento sobre o saldo remanescente.
no disposto no art. 2º da Lei nº 9.841, de 5 de III – será objeto do parcelamento nos termos ART. 7º. O sujeito passivo será excluído dos
outubro de 1999, o valor da parcela mínima do art. 1º o saldo devedor dos débitos relativos parcelamentos a que se refere esta Lei na
mensal corresponderá a um cento e oitenta aos tributos administrados pela Secretaria da hipótese de inadimplência, por 3 (três) meses
avos do total do débito ou a três décimos Receita Federal. consecutivos ou 6 (seis) meses alternados, o
por cento da receita bruta auferida no mês ART. 3º. Ressalvado o disposto no art. 2º, não que primeiro ocorrer, relativamente a qualquer
imediatamente anterior ao do vencimento será concedido o parcelamento de que trata dos tributos e das contribuições referidos nos
da parcela, o que for menor, não podendo o art. 1º na hipótese de existência de parcela- arts. 1º e 5º, inclusive os com vencimento após
ser inferior a: mentos concedidos sob outras modalidades, 28 de fevereiro de 2003.
``LC 123/2006 revogou a Lei 9.841/1999.. admitida a transferência dos saldos remanes- ART. 8º. Na hipótese de a pessoa jurídica
I – cem reais, se enquadrada na condição de centes para a modalidade prevista nesta Lei, manter parcelamentos de débitos com base
microempresa; mediante requerimento do sujeito passivo. no art. 1º e no art. 5º, simultaneamente, o
II – duzentos reais, se enquadrada na condição ART. 4º. O parcelamento a que se refere percentual a que se refere o inciso I do § 3º
de empresa de pequeno porte. o art. 1º: do art. 1º será reduzido para setenta e cinco
§ 5º. Aplica-se o disposto no § 4º às pessoas I – deverá ser requerido, inclusive na hipótese centésimos por cento.
jurídicas que foram excluídas ou impedidas de transferência de que tratam os arts. 2º e 3º, § 1º. Caberá à pessoa jurídica requerer a
de ingressar no Simples exclusivamente em até o último dia útil do segundo mês subse- redução referida no caput até o prazo fixado
decorrência do disposto no inciso XV do art. quente ao da publicação desta Lei, perante a no inciso I do art. 4º e no caput do art. 5º.
9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, unidade da Secretaria da Receita Federal ou § 2º. Ocorrendo liquidação, rescisão ou ex-
desde que a pessoa jurídica exerça a opção da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tinção de um dos parcelamentos, inclusive por

54
LEI Nº 10.684, DE 30 DE MAIO DE 2003 Art. 2º
exclusão do sujeito passivo, nos termos do art. do optante, constituídos ou não, inclusive os de 9 de julho de 2001, passa a vigorar com a
7º, aplica-se o percentual fixado no inciso I do juros de mora incidentes até a data de opção. seguinte redação:
§ 3º do art. 1º ao parcelamento remanescente, Parágrafo único. O débito consolidado ``Alteração incorporada ao texto da referida lei.
a partir do mês subsequente ao da ocorrência na forma deste artigo: ART. 20. O § 1º do art. 126 da Lei nº 8.213,
da liquidação, extinção ou rescisão do parcela- de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com a
I – sujeitar-se-á, a partir da data da consoli-
mento obtido junto ao outro órgão. seguinte redação:
dação, a juros equivalentes à taxa referencial
§ 3º. A pessoa jurídica deverá informar a liqui- do Sistema Especial de Liquidação e de Cus- ``Alteração incorporada ao texto da referida lei.
dação, rescisão ou extinção do parcelamento tódia – Selic para títulos federais, acumulada ART. 21. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009).
ao órgão responsável pelo parcelamento re- mensalmente, calculados a partir da data de ART. 22. O art. 20 da Lei nº 9.249, de 26
manescente, até o último dia útil do mês deferimento do pedido até o mês anterior de dezembro de 1995, passa a vigorar com a
subsequente ao da ocorrência do evento, ao do pagamento, e adicionados de 1 (um seguinte redação:
bem como efetuar o recolhimento da parcela por cento) relativamente ao mês em que o ``Alteração incorporada ao texto da referida lei.
referente àquele mês observando o percentual
fixado no inciso I do § 3º do art. 1º.
pagamento estiver sendo feito; ART. 23. O art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de
II – será pago mensalmente, até o último dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido
§ 4º. O desatendimento do disposto nos dia útil da primeira quinzena de cada mês, do seguinte parágrafo:
parágrafos anteriores implicará a exclusão no valor equivalente a, no mínimo, um cento ``LC 123/2006 revogou a Lei 9.317/1996.
do sujeito passivo do parcelamento rema- e vinte avos do total do débito consolidado;
nescente e a aplicação do disposto no art. 11.
“Art. 9º (...)
III – o valor de cada parcela não poderá ser (...)
ART. 9º. É suspensa a pretensão punitiva do inferior a dois mil reais.
Estado, referente aos crimes previstos nos arts. § 5º A vedação a que se referem os incisos
1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de ART. 15. A opção pelo regime especial de IX e XIV do caput não se aplica na hipótese
1990, e nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei parcelamento referido no art. 13 sujeita a pes- de participação no capital de cooperativa
nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código soa jurídica optante: de crédito.”
Penal, durante o período em que a pessoa I – à confissão irrevogável e irretratável dos ART. 24. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.034, de
jurídica relacionada com o agente dos alu- débitos referidos no art. 14; 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com
didos crimes estiver incluída no regime de II – ao pagamento regular das parcelas do a seguinte redação:
parcelamento. débito consolidado, bem como dos valores “Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de
§ 1º. A prescrição criminal não corre durante devidos relativos ao Pasep com vencimento que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº
o período de suspensão da pretensão punitiva. após dezembro de 2002. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas
§ 2º. Extingue-se a punibilidade dos crimes Parágrafo único. A opção pelo regime jurídicas que se dediquem exclusivamente
referidos neste artigo quando a pessoa jurídica especial exclui qualquer outra forma de parce- às seguintes atividades:
relacionada com o agente efetuar o pagamen- lamento de débitos relativos ao Pasep. I – creches e pré-escolas;
to integral dos débitos oriundos de tributos ART. 16. A pessoa jurídica optante pelo regi- II – estabelecimentos de ensino funda-
e contribuições sociais, inclusive acessórios. me especial de parcelamento referido no art.
mental;
ART. 10. A Secretaria da Receita Federal, 13 será dele excluída nas seguintes hipóteses:
a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e III – centros de formação de condutores
I – inobservância da exigência estabelecida
o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS no art. 15;
de veículos automotores de transporte
expedirão, no âmbito de suas respectivas terrestre de passageiros e de carga;
competências, os atos necessários à execu-
II – inadimplência, por 2 (dois) meses conse-
cutivos ou 6 (seis) alternados, relativamente IV – agências lotéricas;
ção desta Lei. V – agências terceirizadas de correios;
ao Pasep, inclusive aqueles com vencimento
Parágrafo único. Serão consolidados, por após dezembro de 2002. VI – (Vetado);
sujeito passivo, os débitos perante a Secretaria
da Receita Federal e a Procuradoria-Geral da
§ 1º. A exclusão da pessoa jurídica do regi- VII – (Vetado).”
me especial implicará exigibilidade imediata “Art. 2º Ficam acrescidos de 50 (cinquenta
Fazenda Nacional.
da totalidade do crédito confessado e ainda por cento) os percentuais referidos no art.
ART. 11. Ao sujeito passivo que, optando por não pago.
parcelamento a que se referem os arts. 1º e 5º, 5º da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996,
dele for excluído, será vedada a concessão de § 2º. A exclusão será formalizada por meio alterado pela Lei 9.732, de 11 de dezembro
qualquer outra modalidade de parcelamento de ato da Secretaria da Receita Federal e pro- de 1998, em relação às atividades relacio-
até 31 de dezembro de 2006. duzirá efeitos a partir do mês subsequente nadas nos incisos II a V do art. 1º desta Lei
àquele em que a pessoa jurídica optante for
ART. 12. A exclusão do sujeito passivo do cientificada.
e às pessoas jurídicas que aufiram receita
parcelamento a que se refere esta Lei, inclusive bruta decorrente da prestação de serviços
a prevista no § 4º do art. 8º, independerá de ART. 17. Sem prejuízo do disposto no art. em montante igual ou superior a 30 (trinta
notificação prévia e implicará exigibilidade 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24
de agosto de 2001 , e no art. 1º da Medida por cento) da receita bruta total.”
imediata da totalidade do crédito confessado
Provisória 101, de 30 de dezembro de 2002, as ART. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro
e ainda não pago e automática execução da
sociedades cooperativas de produção agrope- de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte
garantia prestada, quando existente, restabe-
cuária e de eletrificação rural poderão excluir art. 5º-A e com as seguintes alterações dos arts.
lecendo-se, em relação ao montante não pago,
da base de cálculo da contribuição para o 1º, 3º, 8º, 11 e 29:
os acréscimos legais na forma da legislação ``Alteração incorporada ao texto da referida lei.
aplicável à época da ocorrência dos respec- Programa de Integração Social e de Formação
tivos fatos geradores. do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep ART. 26. O art. 1º da Lei nº 9.074, de 7 de
e da Contribuição Social para o Financiamento julho de 1995, passa a vigorar acrescido dos
ART. 13. Os débitos relativos à contribuição seguintes parágrafos, renumerando-se o pa-
para o Programa de Formação do Patrimônio da Seguridade Social – Cofins os custos agrega-
dos ao produto agropecuário dos associados, rágrafo único para § 1º:
do Servidor Público (Pasep) dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, bem como quando da sua comercialização e os valores “Art. 1º (...)
de suas autarquias e fundações públicas, com dos serviços prestados pelas cooperativas de (...)
vencimento até 31 de dezembro de 2002, eletrificação rural a seus associados. § 2º O prazo das concessões e permissões
poderão ser pagos mediante regime especial Parágrafo único. O disposto neste artigo de que trata o inciso VI deste artigo será
de parcelamento, por opção da pessoa jurídica alcança os fatos geradores ocorridos a partir de 25(vinte e cinco) anos, podendo ser
de direito público interno devedora. da vigência da Medida Provisória nº 1.858-10,
prorrogado por 10 (dez) anos.
Parágrafo único. A opção referida no de 26 de outubro de 1999.
``MP 2.158-35/2001 reeditou a MP 1.858-10/1999. § 3º Ao término do prazo, as atuais conces-
caput deverá ser formalizada até o último
ART. 18. Fica elevada para 4 (quatro por sões e permissões, mencionadas no § 2º,
dia útil do segundo mês subsequente ao da
publicação desta Lei, nos termos e condi- cento) a alíquota da Contribuição para o Fi- incluídas as anteriores à Lei 8.987, de 13 de
ções estabelecidos pela Secretaria da Receita nanciamento da Seguridade Social – Cofins fevereiro de 1995, serão prorrogadas pelo
Federal. devida pelas pessoas jurídicas referidas nos prazo previsto no § 2º.”
ART. 14. O regime especial de parcelamen- §§ 6º e 8º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de ART. 27. (VETADO).
to referido no art. 13 implica a consolidação novembro de 1998. ART. 28. Fica o Poder Executivo autorizado a
dos débitos na data da opção e abrangerá ART. 19. O art. 22-A da Lei nº 8.212, de 24 de emitir títulos da dívida pública atualizados de
totalidade dos débitos existentes em nome julho de 1991, introduzido pela Lei nº 10.256, acordo com as disposições do inciso I do § 4º do

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Art. 28 LEI Nº 10.684, DE 30 DE MAIO DE 2003
art. 2º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, tributários de sua utilização, em função do III – em relação aos arts. 18, 19, 20 e 22, a
com prazo de vencimento determinado em prazo médio da dívida do contribuinte. partir do mês subsequente ao do termo final
função do prazo médio estimado da carteira ART. 29. Esta Lei entra em vigor na data de do prazo nonagesimal, a que refere o § 6º do
de recebíveis do Programa de Recuperação art. 195 da Constituição Federal.
sua publicação, produzindo efeitos:
Fiscal – Refis, instituído pela referida Lei, os Brasília, 30 de maio de 2003; 182º da
quais terão poder liberatório perante a Secre- I – em relação ao art. 17, a partir de 1º de Independência e 115º da República.
taria da Receita Federal e o Instituto Nacional janeiro de 2003; LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
do Seguro Social quanto as dívidas inscritas II – em relação ao art. 25, a partir de 1º de Publicado no D.O.U. 31.5.2003,
no referido programa, diferindo-se os efeitos fevereiro de 2003; Ed. Extra

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LEI Nº 12.874, DE 29 DE OUTUBRO DE 2013 Art. 1º

LEI Nº 12.874, DE 29 DE OUTUBRO DE 2013


Altera o art. 18 do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de celebrarem a separação consensual e o divór- ART. 3º. Esta Lei entra em vigor após decor-
setembro de 1942, para possibilitar às autoridades cio consensual de brasileiros no exterior, nas ridos 120 (cento e vinte) dias de sua publicação
consulares brasileiras celebrarem a separação e hipóteses que especifica.
``LINDB:
oficial.
o divórcio consensuais de brasileiros no exterior. art. 7º, §§ 5º e 6º.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- ART. 2º. O art. 18 do Decreto-Lei nº 4.657, Brasília, 29 de outubro de 2013; 192º da
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: de 4 de setembro de 1942, passa a vigorar Independência e 125º da República.
acrescido dos seguintes §§ 1º e 2º:
ART. 1º. Esta Lei dispõe sobre a possibili- ``Alteração
DILMA ROUSSEFF
incorporada ao texto do referido
dade de as autoridades consulares brasileiras Decreto-lei. Publicado no D.O.U. de 30.10.2013

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Art. 1º LEI Nº 13.010, DE 26 DE JUNHO DE 2014

LEI Nº 13.010, DE 26 DE JUNHO DE 2014


Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto ART. 2º. Os arts. 13 e 245 da Lei nº 8.069, de violência contra a criança e o adolescente
da Criança e do Adolescente), para estabelecer o 13 de julho de 1990, passam a vigorar com as serão incluídos, como temas transversais,
direito da criança e do adolescente de serem edu- seguintes alterações: nos currículos escolares de que trata o caput
cados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou ``Alterações incorporadas ao texto da referida lei. deste artigo, tendo como diretriz a Lei 8.069,
de tratamento cruel ou degradante, e altera a Lei de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança
nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. ART. 3º. O art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da e do Adolescente), observada a produção e
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- distribuição de material didático adequado.”
Educação Nacional), passa a vigorar acrescido
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: ``ART. 4º. Esta Lei entra em vigor na data de
do seguinte § 8º: sua publicação.
ART. 1º. A Lei nº 8.069, de 13 de julho de “Art. 26. (...)
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), Brasília, 26 de junho de 2014; 193º da
passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. (...) Independência e 126º da República.
18-A, 18-B e 70-A: § 9º Conteúdos relativos aos direitos hu- DILMA ROUSSEFF
``Alterações incorporadas ao texto da referida lei. manos e à prevenção de todas as formas de Publicado no D.O.U. de 27.6.2014

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LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016 Art. 1º

LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016


Dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científi- X – fortalecimento das capacidades opera- atividades de pesquisa científica, de desen-
co, à pesquisa, à capacitação científica e tecnológica cional, científica, tecnológica e administrativa volvimento tecnológico e de inovação, entre
e à inovação e altera a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro das ICTs; empresas e uma ou mais ICTs, com ou sem
de 2004, a Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, a Lei XI – atratividade dos instrumentos de fomen- vínculo entre si;
nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei nº 12.462, de 4 to e de crédito, bem como sua permanente XI – polo tecnológico: ambiente industrial
de agosto de 2011, a Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de atualização e aperfeiçoamento; e tecnológico caracterizado pela presença
1993, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, a Lei
nº 8.010, de 29 de março de 1990, a Lei nº 8.032, de 12
XII – simplificação de procedimentos para dominante de micro, pequenas e médias em-
gestão de projetos de ciência, tecnologia e presas com áreas correlatas de atuação em
de abril de 1990, e a Lei nº 12.772, de 28 de dezembro determinado espaço geográfico, com vínculos
inovação e adoção de controle por resultados
de 2012, nos termos da Emenda Constitucional nº 85, operacionais com ICT, recursos humanos, la-
em sua avaliação;
de 26 de fevereiro de 2015. boratórios e equipamentos organizados e com
XIII – utilização do poder de compra do
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- Estado para fomento à inovação; predisposição ao intercâmbio entre os entes
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: envolvidos para consolidação, marketing e
XIV – apoio, incentivo e integração dos in- comercialização de novas tecnologias;
ART. 1º. Esta Lei dispõe sobre estímulos ao ventores independentes às atividades das ICTs
desenvolvimento científico, à pesquisa, à ca- e ao sistema produtivo.” XII – extensão tecnológica: atividade que au-
xilia no desenvolvimento, no aperfeiçoamento
pacitação científica e tecnológica e à inovação “Art. 2º (...) e na difusão de soluções tecnológicas e na sua
e altera a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de (...) disponibilização à sociedade e ao mercado;
2004, a Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, III – criador: pessoa física que seja inventora,
a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, a Lei nº XIII – bônus tecnológico: subvenção a micro-
obtentora ou autora de criação; empresas e a empresas de pequeno e médio
12.462, de 4 de agosto de 2011, a Lei nº 8.745,
de 9 de dezembro de 1993, a Lei nº 8.958, de
III-A – incubadora de empresas: organização porte, com base em dotações orçamentá-
ou estrutura que objetiva estimular ou prestar rias de órgãos e entidades da administração
20 de dezembro de 1994, a Lei nº 8.010, de 29
apoio logístico, gerencial e tecnológico ao pública, destinada ao pagamento de compar-
de março de 1990, a Lei nº 8.032, de 12 de abril empreendedorismo inovador e intensivo em tilhamento e uso de infraestrutura de pesquisa
de 1990, e a Lei nº 12.772, de 28 de dezembro conhecimento, com o objetivo de facilitar a e desenvolvimento tecnológicos, de contrata-
de 2012, nos termos da Emenda Constitucional criação e o desenvolvimento de empresas ção de serviços tecnológicos especializados,
nº 85, de 26 de fevereiro de 2015. que tenham como diferencial a realização de ou transferência de tecnologia, quando esta
``v. CF/1988: arts. 23, V, 24,IX, 167, § 5º, 200, atividades voltadas à inovação; for meramente complementar àqueles servi-
V, e 218 a 219-B.
IV – inovação: introdução de novidade ou ços, nos termos de regulamento;
ART. 2º A Lei nº 10.973, de 2 de dezembro aperfeiçoamento no ambiente produtivo e XIV – capital intelectual: conhecimento acu-
de 2004, passa a vigorar com as seguintes social que resulte em novos produtos, serviços mulado pelo pessoal da organização, passível
alterações: ou processos ou que compreenda a agregação de aplicação em projetos de pesquisa, desen-
“Art. 1º Esta Lei estabelece medidas de de novas funcionalidades ou características volvimento e inovação.”
incentivo à inovação e à pesquisa científica a produto, serviço ou processo já existente “Art. 3º A União, os Estados, o Distrito
e tecnológica no ambiente produtivo, com que possa resultar em melhorias e em efetivo Federal, os Municípios e as respectivas agên-
vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da ganho de qualidade ou desempenho; cias de fomento poderão estimular e apoiar
autonomia tecnológica e ao desenvolvimento V – Instituição Científica, Tecnológica e de a constituição de alianças estratégicas e o
do sistema produtivo nacional e regional do Inovação (ICT): órgão ou entidade da admi- desenvolvimento de projetos de coopera-
País, nos termos dos arts. 23, 24, 167, 200, nistração pública direta ou indireta ou pessoa ção envolvendo empresas, ICTs e entidades
213, 218, 219 e 219-A da Constituição Federal. jurídica de direito privado sem fins lucrativos privadas sem fins lucrativos voltados para
Parágrafo único. As medidas às quais se legalmente constituída sob as leis brasileiras, atividades de pesquisa e desenvolvimento,
refere o caput deverão observar os seguintes com sede e foro no País, que inclua em sua que objetivem a geração de produtos, pro-
princípios: missão institucional ou em seu objetivo social cessos e serviços inovadores e a transferência
ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada e a difusão de tecnologia.
I – promoção das atividades científicas e
tecnológicas como estratégicas para o de-
de caráter científico ou tecnológico ou o de- Parágrafo único. O apoio previsto no
senvolvimento de novos produtos, serviços caput poderá contemplar as redes e os projetos
senvolvimento econômico e social;
ou processos; internacionais de pesquisa tecnológica, as
II – promoção e continuidade dos processos VI – Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT): ações de empreendedorismo tecnológico e
de desenvolvimento científico, tecnológico estrutura instituída por uma ou mais ICTs, de criação de ambientes de inovação, inclusive
e de inovação, assegurados os recursos hu- com ou sem personalidade jurídica própria, incubadoras e parques tecnológicos, e a for-
manos, econômicos e financeiros para tal que tenha por finalidade a gestão de política mação e a capacitação de recursos humanos
finalidade; institucional de inovação e por competências qualificados.”
III – redução das desigualdades regionais; mínimas as atribuições previstas nesta Lei; “Art. 3º-B. A União, os Estados, o Distrito
IV – descentralização das atividades de ci- VII – fundação de apoio: fundação criada Federal, os Municípios, as respectivas agên-
ência, tecnologia e inovação em cada esfera com a finalidade de dar apoio a projetos cias de fomento e as ICTs poderão apoiar a
de governo, com desconcentração em cada de pesquisa, ensino e extensão, projetos de criação, a implantação e a consolidação de
ente federado; desenvolvimento institucional, científico, tec- ambientes promotores da inovação, incluídos
V – promoção da cooperação e interação en- nológico e projetos de estímulo à inovação de parques e polos tecnológicos e incubadoras
tre os entes públicos, entre os setores público interesse das ICTs, registrada e credenciada de empresas, como forma de incentivar o
e privado e entre empresas; no Ministério da Educação e no Ministério da desenvolvimento tecnológico, o aumento
Ciência, Tecnologia e Inovação, nos termos da competitividade e a interação entre as
VI – estímulo à atividade de inovação nas Ins- da Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, e empresas e as ICTs.
tituições Científica, Tecnológica e de Inovação
(ICTs) e nas empresas, inclusive para a atração,
das demais legislações pertinentes nas esferas § 1º As incubadoras de empresas, os parques
estadual, distrital e municipal; e polos tecnológicos e os demais ambientes
a constituição e a instalação de centros de
pesquisa, desenvolvimento e inovação e de
VIII – pesquisador público: ocupante de car- promotores da inovação estabelecerão suas
go público efetivo, civil ou militar, ou detentor regras para fomento, concepção e desenvolvi-
parques e polos tecnológicos no País; mento de projetos em parceria e para seleção
de função ou emprego público que realize,
VII – promoção da competitividade empre- como atribuição funcional, atividade de pes- de empresas para ingresso nesses ambientes.
sarial nos mercados nacional e internacional; quisa, desenvolvimento e inovação; § 2º Para os fins previstos no caput, a União,
VIII – incentivo à constituição de ambientes (...) os Estados, o Distrito Federal, os Municípios,
favoráveis à inovação e às atividades de trans- X – parque tecnológico: complexo planejado as respectivas agências de fomento e as ICTs
ferência de tecnologia; de desenvolvimento empresarial e tecnoló- públicas poderão:
IX – promoção e continuidade dos proces- gico, promotor da cultura de inovação, da I – ceder o uso de imóveis para a instalação e
sos de formação e capacitação científica e competitividade industrial, da capacitação a consolidação de ambientes promotores da
tecnológica; empresarial e da promoção de sinergias em inovação, diretamente às empresas e às ICTs

59
Art.  LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016
interessadas ou por meio de entidade com no caput deverão ser aplicados em pesquisa e § 2º As partes deverão prever, em instrumento
ou sem fins lucrativos que tenha por missão desenvolvimento ou em novas participações jurídico específico, a titularidade da proprieda-
institucional a gestão de parques e polos societárias. de intelectual e a participação nos resultados
tecnológicos e de incubadora de empresas, § 5º Nas empresas a que se refere o caput, da exploração das criações resultantes da par-
mediante contrapartida obrigatória, financeira o estatuto ou contrato social poderá conferir ceria, assegurando aos signatários o direito à
ou não financeira, na forma de regulamento; às ações ou quotas detidas pela União ou por exploração, ao licenciamento e à transferência
II – participar da criação e da governança suas entidades poderes especiais, inclusive de de tecnologia, observado o disposto nos §§
das entidades gestoras de parques tecnoló- veto às deliberações dos demais sócios nas 4º a 7º do art. 6º.
gicos ou de incubadoras de empresas, desde matérias que especificar. § 3º A propriedade intelectual e a partici-
que adotem mecanismos que assegurem a § 6º A participação minoritária de que trata pação nos resultados referidas no § 2º serão
segregação das funções de financiamento e o caput dar-se-á por meio de contribuição asseguradas às partes contratantes, nos ter-
de execução.” financeira ou não financeira, desde que eco- mos do contrato, podendo a ICT ceder ao
“Art. 3º-C. A União, os Estados, o Distrito nomicamente mensurável, e poderá ser aceita parceiro privado a totalidade dos direitos de
Federal e os Municípios estimularão a atração como forma de remuneração pela transferên- propriedade intelectual mediante compensa-
de centros de pesquisa e desenvolvimento cia de tecnologia e pelo licenciamento para ção financeira ou não financeira, desde que
de empresas estrangeiras, promovendo sua outorga de direito de uso ou de exploração economicamente mensurável.
interação com ICTs e empresas brasileiras e de criação de titularidade da União e de suas § 4º A bolsa concedida nos termos deste
oferecendo-lhes o acesso aos instrumentos entidades.” artigo caracteriza-se como doação, não con-
de fomento, visando ao adensamento do “Art. 6º É facultado à ICT pública celebrar figura vínculo empregatício, não caracteriza
processo de inovação no País.” contraprestação de serviços nem vantagem
contrato de transferência de tecnologia e de
“Art. 3º-D. A União, os Estados, o Distrito Fe- licenciamento para outorga de direito de uso para o doador, para efeitos do disposto no art.
deral, os Municípios e as respectivas agências ou de exploração de criação por ela desenvol- 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,
de fomento manterão programas específicos vida isoladamente ou por meio de parceria. e não integra a base de cálculo da contribuição
para as microempresas e para as empresas de previdenciária, aplicando-se o disposto neste
pequeno porte, observando-se o disposto na
§ 1º A contratação com cláusula de exclusi-
vidade, para os fins de que trata o caput, deve parágrafo a fato pretérito, como previsto no
Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro inciso I do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de
ser precedida da publicação de extrato da
de 2006.” outubro de 1966.
oferta tecnológica em sítio eletrônico oficial
“Art. 4º A ICT pública poderá, mediante da ICT, na forma estabelecida em sua política § 5º (VETADO).”
contrapartida financeira ou não financeira e de inovação. “Art. 9º-A. Os órgãos e entidades da União,
por prazo determinado, nos termos de con- dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
trato ou convênio: § 1º-A. Nos casos de desenvolvimento
conjunto com empresa, essa poderá ser pios são autorizados a conceder recursos para
I – compartilhar seus laboratórios, equipa- contratada com cláusula de exclusividade, a execução de projetos de pesquisa, desenvol-
mentos, instrumentos, materiais e demais dispensada a oferta pública, devendo ser es- vimento e inovação às ICTs ou diretamente aos
instalações com ICT ou empresas em ações tabelecida em convênio ou contrato a forma pesquisadores a elas vinculados, por termo de
voltadas à inovação tecnológica para consecu- outorga, convênio, contrato ou instrumento
de remuneração.
ção das atividades de incubação, sem prejuízo jurídico assemelhado.
de sua atividade finalística; (...)
§ 6º Celebrado o contrato de que trata o caput, § 1º A concessão de apoio financeiro depende
II – permitir a utilização de seus laboratórios, de aprovação de plano de trabalho.
equipamentos, instrumentos, materiais e de- dirigentes, criadores ou quaisquer outros servi-
dores, empregados ou prestadores de serviços § 2º A celebração e a prestação de contas
mais instalações existentes em suas próprias dos instrumentos aos quais se refere o caput
dependências por ICT, empresas ou pesso- são obrigados a repassar os conhecimentos e
informações necessários à sua efetivação, sob serão feitas de forma simplificada e compatí-
as físicas voltadas a atividades de pesquisa, vel com as características das atividades de
desenvolvimento e inovação, desde que tal pena de responsabilização administrativa,
civil e penal, respeitado o disposto no art. 12. ciência, tecnologia e inovação, nos termos
permissão não interfira diretamente em sua de regulamento.
atividade-fim nem com ela conflite; § 7º A remuneração de ICT privada pela trans-
§ 3º A vigência dos instrumentos jurídicos aos
III – permitir o uso de seu capital intelectual ferência de tecnologia e pelo licenciamento
quais se refere o caput deverá ser suficiente à
em projetos de pesquisa, desenvolvimento para uso ou exploração de criação de que
trata o § 6º do art. 5º, bem como a oriunda de plena realização do objeto, admitida a pror-
e inovação.
pesquisa, desenvolvimento e inovação, não rogação, desde que justificada tecnicamente
Parágrafo único. O compartilhamento e e refletida em ajuste do plano de trabalho.
a permissão de que tratam os incisos I e II do representa impeditivo para sua classificação
como entidade sem fins lucrativos.” § 4º Do valor total aprovado e liberado para
caput obedecerão às prioridades, aos crité-
“Art. 8º É facultado à ICT prestar a institui- os projetos referidos no caput, poderá ocorrer
rios e aos requisitos aprovados e divulgados
ções públicas ou privadas serviços técnicos transposição, remanejamento ou transferência
pela ICT pública, observadas as respectivas
especializados compatíveis com os objetivos de recursos de categoria de programação para
disponibilidades e assegurada a igualdade
desta Lei, nas atividades voltadas à inovação e outra, de acordo com regulamento.
de oportunidades a empresas e demais or-
ganizações interessadas.” à pesquisa científica e tecnológica no ambien- § 5º A transferência de recursos da União para
te produtivo, visando, entre outros objetivos, à ICT estadual, distrital ou municipal em projetos
“Art. 5º São a União e os demais entes federa- de ciência, tecnologia e inovação não poderá
tivos e suas entidades autorizados, nos termos maior competitividade das empresas.
sofrer restrições por conta de inadimplência
de regulamento, a participar minoritariamente § 1º A prestação de serviços prevista no caput
de quaisquer outros órgãos ou instâncias que
do capital social de empresas, com o propósito dependerá de aprovação pelo representante
não a própria ICT.”
de desenvolver produtos ou processos inova- legal máximo da instituição, facultada a de-
dores que estejam de acordo com as diretrizes legação a mais de uma autoridade, e vedada “Art. 10. (VETADO).”
e prioridades definidas nas políticas de ciência, a subdelegação. “Art. 11. Nos casos e condições definidos
tecnologia, inovação e de desenvolvimento (...) em normas da ICT e nos termos da legislação
industrial de cada esfera de governo. pertinente, a ICT poderá ceder seus direitos
“Art. 9º É facultado à ICT celebrar acordos de sobre a criação, mediante manifestação ex-
§ 1º A propriedade intelectual sobre os re- parceria com instituições públicas e privadas
sultados obtidos pertencerá à empresa, na pressa e motivada e a TÍTULO não oneroso,
para realização de atividades conjuntas de
forma da legislação vigente e de seus atos ao criador, para que os exerça em seu próprio
pesquisa científica e tecnológica e de desen-
constitutivos. nome e sob sua inteira responsabilidade, ou a
volvimento de tecnologia, produto, serviço
§ 2º O poder público poderá condicionar a terceiro, mediante remuneração.
ou processo.
participação societária via aporte de capital (...)”
§ 1º O servidor, o militar, o empregado da
à previsão de licenciamento da propriedade ICT pública e o aluno de curso técnico, de “Art. 13. (...)
intelectual para atender ao interesse público. graduação ou de pós-graduação envolvidos (...)
§ 3º A alienação dos ativos da participação na execução das atividades previstas no caput § 2º Entende-se por ganho econômico toda
societária referida no caput dispensa realiza- poderão receber bolsa de estímulo à inovação forma de royalty ou de remuneração ou quais-
ção de licitação, conforme legislação vigente. diretamente da ICT a que estejam vincula- quer benefícios financeiros resultantes da
§ 4º Os recursos recebidos em decorrência da dos, de fundação de apoio ou de agência de exploração direta ou por terceiros da criação
alienação da participação societária referida fomento. protegida, devendo ser deduzidos:

60
LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016 Art. 3º
I – na exploração direta e por terceiros, as “Art. 16. Para apoiar a gestão de sua política (...)
despesas, os encargos e as obrigações legais de inovação, a ICT pública deverá dispor de § 2º-A. São instrumentos de estímulo à
decorrentes da proteção da propriedade in- Núcleo de Inovação Tecnológica, próprio inovação nas empresas, quando aplicáveis,
telectual; ou em associação com outras ICTs. entre outros:
II – na exploração direta, os custos de produ- § 1º São competências do Núcleo de Ino- I – subvenção econômica;
ção da ICT. vação Tecnológica a que se refere o caput, II – financiamento;
(...) entre outras: III – participação societária;
§ 4º A participação referida no caput deste (...) IV – bônus tecnológico;
artigo deverá ocorrer em prazo não su- VII – desenvolver estudos de prospecção
tecnológica e de inteligência competitiva no
V – encomenda tecnológica;
perior a 1 (um) ano após a realização da VI – incentivos fiscais;
campo da propriedade intelectual, de forma
receita que lhe servir de base, contado a VII – concessão de bolsas;
a orientar as ações de inovação da ICT;
partir da regulamentação pela autoridade
VIII – desenvolver estudos e estratégias para VIII – uso do poder de compra do Estado;
interna competente.”
a transferência de inovação gerada pela ICT; IX – fundos de investimentos;
“Art. 14. (...) IX – promover e acompanhar o relaciona- X – fundos de participação;
(...) mento da ICT com empresas, em especial XI – títulos financeiros, incentivados ou não;
§ 3º As gratificações específicas do pesquisa- para as atividades previstas nos arts. 6º a 9º;
dor público em regime de dedicação exclusiva, XII – previsão de investimento em pesquisa
X – negociar e gerir os acordos de transferên- e desenvolvimento em contratos de conces-
inclusive aquele enquadrado em plano de car- cia de tecnologia oriunda da ICT. são de serviços públicos ou em regulações
reiras e cargos de magistério, serão garantidas,
na forma do § 2º deste artigo, quando houver § 2º A representação da ICT pública, no âm- setoriais.
bito de sua política de inovação, poderá ser (...)
o completo afastamento de ICT pública para
delegada ao gestor do Núcleo de Inovação § 6º As iniciativas de que trata este artigo
outra ICT, desde que seja de conveniência da
Tecnológica. poderão ser estendidas a ações visando a:
ICT de origem.
(...)”
§ 3º O Núcleo de Inovação Tecnológica I – apoio financeiro, econômico e fiscal direto
poderá ser constituído com personalidade a empresas para as atividades de pesquisa,
“Art. 14-A. O pesquisador público em regi- jurídica própria, como entidade privada sem
me de dedicação exclusiva, inclusive aquele desenvolvimento e inovação tecnológica;
fins lucrativos.
enquadrado em plano de carreiras e cargos II – constituição de parcerias estratégicas e
§ 4º Caso o Núcleo de Inovação Tecnológica desenvolvimento de projetos de cooperação
de magistério, poderá exercer atividade seja constituído com personalidade jurídica entre ICT e empresas e entre empresas, em ati-
remunerada de pesquisa, desenvolvimento própria, a ICT deverá estabelecer as diretrizes vidades de pesquisa e desenvolvimento, que
e inovação em ICT ou em empresa e par- de gestão e as formas de repasse de recursos. tenham por objetivo a geração de produtos,
ticipar da execução de projeto aprovado § 5º Na hipótese do § 3º, a ICT pública é au- serviços e processos inovadores;
ou custeado com recursos previstos nesta torizada a estabelecer parceria com entidades III – criação, implantação e consolidação
Lei, desde que observada a conveniência privadas sem fins lucrativos já existentes, para de incubadoras de empresas, de parques e
do órgão de origem e assegurada a conti- a finalidade prevista no caput.” polos tecnológicos e de demais ambientes
nuidade de suas atividades de ensino ou “Art. 17. A ICT pública deverá, na forma de promotores da inovação;
pesquisa nesse órgão, a depender de sua regulamento, prestar informações ao Mi- IV – implantação de redes cooperativas para
respectiva natureza.” nistério da Ciência, Tecnologia e Inovação. inovação tecnológica;
I – (Revogado); V – adoção de mecanismos para atração,
“Art. 15-A. A ICT de direito público deverá
instituir sua política de inovação, dispon- II – (Revogado); criação e consolidação de centros de pesquisa
do sobre a organização e a gestão dos III – (Revogado); e desenvolvimento de empresas brasileiras e
processos que orientam a transferência IV – (Revogado). estrangeiras;
de tecnologia e a geração de inovação Parágrafo único. Aplica-se o disposto no VI – utilização do mercado de capitais e de
no ambiente produtivo, em consonância caput à ICT privada beneficiada pelo poder crédito em ações de inovação;
com as prioridades da política nacional público, na forma desta Lei.” VII – cooperação internacional para inovação
de ciência, tecnologia e inovação e com a “Art. 18. A ICT pública, na elaboração e na e para transferência de tecnologia;
política industrial e tecnológica nacional. execução de seu orçamento, adotará as me- VIII – internacionalização de empresas bra-
didas cabíveis para a administração e a gestão sileiras por meio de inovação tecnológica;
Parágrafo único. A política a que se re-
fere o caput deverá estabelecer diretrizes
de sua política de inovação para permitir o IX – indução de inovação por meio de com-
recebimento de receitas e o pagamento de pras públicas;
e objetivos: despesas decorrentes da aplicação do disposto
I – estratégicos de atuação institucional no X – utilização de compensação comercial,
nos arts. 4º a 9º, 11 e 13, o pagamento das industrial e tecnológica em contratações
ambiente produtivo local, regional ou na- despesas para a proteção da propriedade in-
cional; públicas;
telectual e o pagamento devido aos criadores
II – de empreendedorismo, de gestão de in- e aos eventuais colaboradores.
XI – previsão de cláusulas de investimento em
cubadoras e de participação no capital social pesquisa e desenvolvimento em concessões
Parágrafo único. A captação, a gestão e a públicas e em regimes especiais de incentivos
de empresas; aplicação das receitas próprias da ICT pública, econômicos;
III – para extensão tecnológica e prestação de que tratam os arts. 4º a 8º, 11 e 13, poderão
de serviços técnicos; ser delegadas a fundação de apoio, quando
XII – implantação de solução de inovação
para apoio e incentivo a atividades tecnoló-
IV – para compartilhamento e permissão de previsto em contrato ou convênio, devendo
gicas ou de inovação em microempresas e em
uso por terceiros de seus laboratórios, equi- ser aplicadas exclusivamente em objetivos
empresas de pequeno porte.
pamentos, recursos humanos e capital inte- institucionais de pesquisa, desenvolvimento e
lectual; inovação, incluindo a carteira de projetos ins- § 7º A União, os Estados, o Distrito Federal
titucionais e a gestão da política de inovação.” e os Municípios poderão utilizar mais de um
V – de gestão da propriedade intelectual e de instrumento de estímulo à inovação a fim de
transferência de tecnologia; “Art. 19. A União, os Estados, o Distrito Fe-
deral, os Municípios, as ICTs e suas agências de conferir efetividade aos programas de inova-
VI – para institucionalização e gestão do Nú- ção em empresas.
fomento promoverão e incentivarão a pesqui-
cleo de Inovação Tecnológica; § 8º Os recursos destinados à subvenção
sa e o desenvolvimento de produtos, serviços e
VII – para orientação das ações institucio- processos inovadores em empresas brasileiras econômica serão aplicados no financiamento
nais de capacitação de recursos humanos e em entidades brasileiras de direito privado de atividades de pesquisa, desenvolvimento
em empreendedorismo, gestão da inovação, sem fins lucrativos, mediante a concessão tecnológico e inovação em empresas, admitida
transferência de tecnologia e propriedade de recursos financeiros, humanos, materiais sua destinação para despesas de capital e
intelectual; ou de infraestrutura a serem ajustados em correntes, desde que voltadas preponderan-
VIII – para estabelecimento de parcerias pa- instrumentos específicos e destinados a apoiar temente à atividade financiada.”
ra desenvolvimento de tecnologias com in- atividades de pesquisa, desenvolvimento e “Art. 20. Os órgãos e entidades da admi-
ventores independentes, empresas e outras inovação, para atender às prioridades das nistração pública, em matéria de interesse
entidades.” políticas industrial e tecnológica nacional. público, poderão contratar diretamente ICT,

61
Art. 20 LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016
entidades de direito privado sem fins lu- a exploração da invenção protegida adotada pública poderão utilizar fundação de apoio a
crativos ou empresas, isoladamente ou em por ICT pública.” ela vinculada ou com a qual tenham acordo.
consórcios, voltadas para atividades de pesqui- “Art. 22-A. A União, os Estados, o Distrito § 7º Os recursos e direitos provenientes dos
sa e de reconhecida capacitação tecnológica Federal, os Municípios, as agências de fomento projetos de que trata o caput e das atividades
no setor, visando à realização de atividades e as ICTs públicas poderão apoiar o inventor e dos projetos de que tratam os arts. 3º a 9º,
de pesquisa, desenvolvimento e inovação que independente que comprovar o depósito de 11 e 13 da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de
envolvam risco tecnológico, para solução de patente de sua criação, entre outras formas, 2004, poderão ser repassados pelos contratan-
problema técnico específico ou obtenção de por meio de: tes diretamente para as fundações de apoio.
produto, serviço ou processo inovador. I – análise da viabilidade técnica e econômica § 8º O Núcleo de Inovação Tecnológica consti-
(...) do objeto de sua invenção; tuído no âmbito de ICT poderá assumir a forma
§ 3º O pagamento decorrente da contratação II – assistência para transformação da in- de fundação de apoio de que trata esta Lei.”
prevista no caput será efetuado proporcional- venção em produto ou processo com os “Art. 3º Na execução de convênios, contra-
mente aos trabalhos executados no projeto, mecanismos financeiros e creditícios dispos- tos, acordos e demais ajustes abrangidos por
consoante o cronograma físico-financeiro tos na legislação; esta Lei que envolvam recursos provenientes
aprovado, com a possibilidade de adoção III – assistência para constituição de empresa do poder público, as fundações de apoio ado-
de remunerações adicionais associadas ao que produza o bem objeto da invenção; tarão regulamento específico de aquisições e
alcance de metas de desempenho no projeto. contratações de obras e serviços, a ser editado
IV – orientação para transferência de tecno-
§ 4º O fornecimento, em escala ou não, do logia para empresas já constituídas.” por meio de ato do Poder Executivo de cada
produto ou processo inovador resultante das nível de governo.
atividades de pesquisa, desenvolvimento e
“Art. 26-A. As medidas de incentivo previs-
tas nesta Lei, no que for cabível, aplicam-se às (...)
inovação encomendadas na forma do caput § 3º Aplicam-se às contratações que não
ICTs públicas que também exerçam atividades
poderá ser contratado mediante dispensa de envolvam a aplicação de recursos públicos
de produção e oferta de bens e serviços.”
licitação, inclusive com o próprio desenvolve- as regras instituídas pela instância superior da
dor da encomenda, observado o disposto em “Art. 26-B. (VETADO).”
fundação de apoio, disponíveis em seu sítio
regulamento específico. “Art. 27. (...) eletrônico, respeitados os princípios mencio-
§ 5º Para os fins do caput e do § 4º, a adminis- (...) nados no art. 2º desta Lei.”
tração pública poderá, mediante justificativa III – assegurar tratamento diferenciado, fa- “Art. 4º (...)
expressa, contratar concomitantemente mais vorecido e simplificado às microempresas e (...)
de uma ICT, entidade de direito privado sem às empresas de pequeno porte;
fins lucrativos ou empresa com o objetivo de: § 8º (Vetado).”
(...)
I – desenvolver alternativas para solução de Art. 8º O § 2º do art. 1º da Lei nº 8.010, de
V – promover a simplificação dos procedi- 29 de março de 1990, passa a vigorar com a
problema técnico específico ou obtenção de mentos para gestão dos projetos de ciência,
produto ou processo inovador; ou seguinte redação:
tecnologia e inovação e do controle por re-
II – executar partes de um mesmo objeto.” sultados em sua avaliação; Art. 1º (...)
“Art. 20-A. (VETADO): VI – promover o desenvolvimento e a difusão (...)
I – (VETADO); de tecnologias sociais e o fortalecimento da § 2º O disposto neste artigo aplica-se somen-
extensão tecnológica para a inclusão produ- te às importações realizadas pelo Conselho
II – (VETADO). Nacional de Desenvolvimento Científico e
tiva e social.”
§ 1º (VETADO). Tecnológico (CNPq), por cientistas, por pes-
“Art. 27-A. Os procedimentos de prestação
§ 2º Aplicam-se ao procedimento de contra- de contas dos recursos repassados com base quisadores e por Instituição Científica,
tação as regras próprias do ente ou entidade nesta Lei deverão seguir formas simplificadas Tecnológica e de Inovação (ICT) ativos no
da administração pública contratante. e uniformizadas e, de forma a garantir a go- fomento, na coordenação ou na execução de
§ 3º Outras hipóteses de contratação de vernança e a transparência das informações, programas de pesquisa científica e tecnológi-
prestação de serviços ou fornecimento de ser realizados anualmente, preferencialmente, ca, de inovação ou de ensino e devidamente
bens elaborados com aplicação sistemática mediante envio eletrônico de informações, nos credenciados pelo CNPq.”
de conhecimentos científicos e tecnológicos termos de regulamento.” Art. 9º Os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.032, de
poderão ser previstas em regulamento. ART. 3º. O art. 13 da Lei nº 6.815, de 19 de 12 de abril de 1990, passam a vigorar com as
§ 4º Nas contratações de que trata este artigo, agosto de 1980, passa a vigorar com a se- seguintes alterações:
deverá ser observado o disposto no inciso guinte redação: “Art. 1º (...)
IV do art. 27.” ``Alteração incorporada ao texto da referida lei. Parágrafo único. As ressalvas estabe-
“Art. 21-A. A União, os Estados, o Distrito ART. 4º A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, lecidas no caput deste artigo aplicam-se às
Federal, os Municípios, os órgãos e as agências passa a vigorar com as seguintes alterações: importações realizadas nas situações relacio-
de fomento, as ICTs públicas e as fundações ``Alteração incorporada ao texto da referida lei. nadas no inciso I do art. 2º.”
de apoio concederão bolsas de estímulo à Art. 5º O art. 1º da Lei nº 12.462, de 4 de “Art. 2º (...)
inovação no ambiente produtivo, destinadas à agosto de 2011, passa a vigorar acrescido do I – (...)
formação e à capacitação de recursos humanos seguinte inciso X: (...)
e à agregação de especialistas, em ICTs e em ``Alteração incorporada ao texto da referida lei.
empresas, que contribuam para a execução e) por Instituições Científica, Tecnológica
Art. 6º O inciso VIII do art. 2º da Lei nº 8.745, e de Inovação (ICTs), definidas pela Lei nº
de projetos de pesquisa, desenvolvimento de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar
tecnológico e inovação e para as atividades 10.973, de 2 de dezembro de 2004;
com a seguinte redação:
de extensão tecnológica, de proteção da (...)
propriedade intelectual e de transferência
“Art. 2º (...)
g) por empresas, na execução de projetos
de tecnologia. (...)
de pesquisa, desenvolvimento e inovação,
Parágrafo único. (Vetado).” VIII – admissão de pesquisador, de técnico cujos critérios e habilitação serão estabe-
com formação em área tecnológica de nível
“Art. 22. Ao inventor independente que intermediário ou de tecnólogo, nacionais ou
lecidos pelo poder público, na forma de
comprove depósito de pedido de patente é regulamento;
estrangeiros, para projeto de pesquisa com
facultado solicitar a adoção de sua criação (...)
prazo determinado, em instituição destinada
por ICT pública, que decidirá quanto à con-
veniência e à oportunidade da solicitação e
à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação; § 1º As isenções referidas neste artigo serão
(...)” concedidas com observância da legislação
à elaboração de projeto voltado à avaliação
Art. 7º A Lei nº 8.958, de 20 de dezembro respectiva.
da criação para futuro desenvolvimento, incu-
bação, utilização, industrialização e inserção de 1994, passa a vigorar com as seguintes § 2º (VETADO).”
no mercado. alterações: ART. 10. A Lei nº 12.772, de 28 de dezembro
(...) “Art. 1º (...) de 2012, passa a vigorar com as seguintes
(...) alterações:
§ 3º O inventor independente, me -
diante instrumento jurídico específico, § 6º Os parques e polos tecnológicos, as “Art. 20. (...)
deverá comprometer-se a compartilhar os incubadoras de empresas, as associações e as (...)
eventuais ganhos econômicos auferidos com empresas criados com a participação de ICT § 4º (...)

62
LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016 Art. 
(...) ou em projetos de inovação terão tratamento efetivo exercício em atividade de sua respec-
II – ocupar cargo de dirigente máximo de prioritário e observarão procedimentos sim- tiva entidade estivesse.
fundação de apoio de que trata a Lei nº 8.958, plificados, nos termos de regulamento, e o ART. 15. Em consonância com o disposto
de 20 de dezembro de 1994, mediante delibe- disposto no art. 1º da Lei nº 8.010, de 29 de no § 7º do art. 218 da Constituição Federal,
ração do Conselho Superior da IFE.” março de 1990, e nas alíneas e a g do inciso I o poder público manterá mecanismos de
do art. 2º da Lei nº 8.032, de 12 de abril de 1990. fomento, apoio e gestão adequados à inter-
“Art. 20-A. Sem prejuízo da isenção ou
imunidade previstas na legislação vigente, as ART. 12. Em atendimento ao disposto no nacionalização das ICTs públicas, que poderão
fundações de apoio às Instituições de Ensino § 5º do art. 167 da Constituição Federal, as exercer fora do território nacional atividades
ICTs e os pesquisadores poderão transpor, relacionadas com ciência, tecnologia e inova-
Superior e as Instituições Científica, Tecnoló-
remanejar ou transferir recursos de categoria ção, respeitados os estatutos sociais, ou norma
gica e de Inovação (ICTs) poderão remunerar
de programação para outra com o objetivo de regimental equivalente, das instituições.
o seu dirigente máximo que:
viabilizar resultados de projetos que envolvam § 1º. Observado o disposto no inciso I do
I – seja não estatutário e tenha vínculo em- atividades de ciência, tecnologia e inovação,
pregatício com a instituição; art. 49 da Constituição Federal, é facultado
mediante regras definidas em regulamento.
à ICT pública desempenhar suas atividades
II – seja estatutário, desde que receba remu- ART. 13. Nos termos previamente esta- mediante convênios ou contratos com enti-
neração inferior, em seu valor bruto, a 70% belecidos em instrumento de concessão de dades públicas ou privadas, estrangeiras ou
(setenta por cento) do limite estabelecido financiamentos e outros estímulos à pesquisa, internacionais.
para a remuneração de servidores do Poder ao desenvolvimento e à inovação, os bens
Executivo federal.” gerados ou adquiridos no âmbito de projetos § 2º. Os mecanismos de que trata o caput
deverão compreender, entre outros objetivos,
“Art. 21. (...) de estímulo à ciência, à tecnologia e à inova-
na forma de regulamento:
(...) ção serão incorporados, desde sua aquisição,
ao patrimônio da entidade recebedora dos I – o desenvolvimento da cooperação interna-
III – bolsa de ensino, pesquisa, extensão ou recursos. cional no âmbito das ICTs, inclusive no exterior;
estímulo à inovação paga por agência oficial II – a execução de atividades de ICTs nacionais
de fomento, por fundação de apoio devida- § 1º. Na hipótese de instrumento celebrado
com pessoa física, os bens serão incorporados no exterior;
mente credenciada por IFE ou por organismo
internacional amparado por ato, tratado ou
ao patrimônio da ICT à qual o pesquisador III – a alocação de recursos humanos no
beneficiado estiver vinculado. exterior.
convenção internacional;
§ 2º. Quando adquiridos com a participação ART. 16. (VETADO).
(...) de fundação de apoio, a titularidade sobre os
§ 4º As atividades de que tratam os incisos ART. 17. Revogam-se os incisos I, II, III e IV
bens observará o disposto em contrato ou do art. 17 da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro
XI e XII do caput não excederão, computadas convênio entre a ICT e a fundação de apoio.
isoladamente ou em conjunto, a 8 (oito) horas de 2004.
ART. 14. Ao servidor, ao empregado pú- ART. 18. Esta Lei entra em vigor na data de
semanais ou a 416 (quatrocentas e dezesseis) blico e ao militar serão garantidos, durante o
horas anuais.” sua publicação.
afastamento de sua entidade de origem e no
ART. 11. Os processos de importação e de interesse da administração, para o exercício de Brasília, 11 de janeiro de 2016; 195º da
desembaraço aduaneiro de bens, insumos, atividades de ciência, tecnologia e inovação, Independência e 128º da República.
reagentes, peças e componentes a serem uti- os mesmos direitos a vantagens e benefícios, DILMA ROUSSEFF
lizados em pesquisa científica e tecnológica pertinentes a seu cargo e carreira, como se em Publicado no D.O.U. de 12.1.2016

63
Art. 1º LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018

LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018


Institui o Programa de Regularização Tributária Rural I – pelo pagamento de, no mínimo, 2,5% (dois imediatamente anterior ao do vencimento da
(PRR) na Secretaria da Receita Federal do Brasil e na inteiros e cinco décimos por cento) do valor parcela, com as seguintes reduções:
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; altera as da dívida consolidada, sem as reduções de
Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.870, de 15
a) (VETADO); e
que trata o inciso II do caput deste artigo, em
de abril de 1994, 9.528, de 10 de dezembro de 1997, até duas parcelas iguais, mensais e sucessi- b) 100% (cem por cento) dos juros de mora.
13.340, de 28 de setembro de 2016, 10.522, de 19 de vas; e § 1º. O valor da parcela previsto no inciso II
julho de 2002, 9.456, de 25 de abril de 1997, 13.001, do caput deste artigo não será inferior a R$
II – pelo pagamento do restante da dívida
de 20 de junho de 2014, 8.427, de 27 de maio de 1992, 1.000,00 (mil reais).
e 11.076, de 30 de dezembro de 2004, e o Decreto-Lei consolidada, por meio de parcelamento em
até cento e setenta e seis prestações men- § 2º. Na hipótese de concessão do pagamento
nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal);
sais e sucessivas, vencíveis a partir do mês e manutenção dos pagamentos de que trata
e dá outras providências.
seguinte ao vencimento da segunda parce- o inciso II do caput deste artigo perante a
O PRESIDENTE DA REPÚBLICAFaço saber que la prevista no inciso I do caput deste artigo, Secretaria da Receita Federal do Brasil e a
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a equivalentes a 0,8% (oito décimos por cento) Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, 50%
seguinte Lei: (cinquenta por cento) do valor arrecadado será
da média mensal da receita bruta provenien-
Art. 1º. Fica instituído o Programa de Regu- te da comercialização de sua produção rural destinado para cada órgão.
larização Tributária Rural (PRR) na Secretaria da do ano civil imediatamente anterior ao do § 3º. Encerrado o prazo do parcelamento,
Receita Federal do Brasil e na Procuradoria-Ge- vencimento da parcela, com as seguintes eventual resíduo da dívida não quitada poderá
ral da Fazenda Nacional, cuja implementação reduções: ser pago à vista, acrescido à última prestação,
obedecerá ao disposto nesta Lei. a) 100% (cem por cento) das multas de mora ou ser parcelado na forma prevista na Lei
§ 1º. Poderão ser quitados, na forma do PRR, e de ofício e dos encargos legais, incluídos os nº  10.522, de 19 de julho de 2002, em até
os débitos vencidos até 30 de agosto de 2017 honorários advocatícios; e sessenta prestações, hipótese em que não
das contribuições de que tratam o art. 25 da b) 100% (cem por cento) dos juros de mora. se aplicará o disposto no §  2º do art. 14-A
Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. da referida Lei, mantidas, em qualquer caso,
25 da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, § 1º. O valor da parcela previsto no inciso II
as reduções previstas no inciso II do caput
constituídos ou não, inscritos ou não em dívida do caput deste artigo não será inferior a R$
deste artigo.
ativa da União, inclusive objeto de parcela- 100,00 (cem reais).
§ 4º. Na hipótese de suspensão das atividades
mentos anteriores rescindidos ou ativos, em § 2º. Na hipótese de concessão do parcela-
do adquirente ou da cooperativa ou de não
discussão administrativa ou judicial, ou ainda mento e manutenção dos pagamentos de que
auferimento de receita bruta por período su-
provenientes de lançamento efetuado de ofí- trata o inciso II do caput deste artigo perante
perior a um ano, o valor da prestação mensal
cio após a publicação desta Lei, desde que o a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a
de que trata o inciso II do caput deste artigo
requerimento ocorra no prazo de que trata o Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, 50%
será equivalente ao saldo da dívida consoli-
§ 2º deste artigo. (cinquenta por cento) do valor arrecadado será
dada com as reduções previstas no referido
§ 2º. A adesão ao PRR ocorrerá por meio destinado para cada órgão.
inciso, dividido pela quantidade de meses
de requerimento a ser efetuado até 31 de § 3º. Encerrado o prazo do parcelamento, que faltarem para completar cento e setenta
dezembro de 2018 e abrangerá os débitos eventual resíduo da dívida não quitada poderá e seis meses.
ser pago à vista, acrescido à última prestação,
indicados pelo sujeito passivo, na condição § 5º. O eventual adiantamento de parcelas
ou ser parcelado na forma prevista na Lei
de contribuinte ou de sub-rogado. (Reda- nº  10.522, de 19 de julho de 2002, em até de que trata o inciso II do caput deste artigo
ção dada pela Lei 13.729/2018) sessenta prestações, hipótese em que não implicará a amortização de tantas parcelas
§ 3º. A adesão ao PRR implicará: se aplicará o disposto no §  2º do art. 14-A subsequentes quantas forem adiantadas.
I – a confissão irrevogável e irretratável dos da referida Lei, mantidas, em qualquer caso, Art. 4º. O parcelamento de débitos na forma
débitos em nome do sujeito passivo, na con- as reduções previstas no inciso II do caput prevista nos arts. 2º e 3º desta Lei não requer
dição de contribuinte ou sub-rogado, e por deste artigo. a apresentação de garantia.
ele indicados para compor o PRR, nos termos § 4º. Na hipótese de suspensão das atividades Art. 5º. Para incluir no PRR débitos que
dos arts. 389 e 395 da Lei nº 13.105, de 16 de relativas à produção rural ou de não auferimen- se encontrem em discussão administrativa
março de 2015 (Código de Processo Civil); to de receita bruta por período superior a um ou judicial, o sujeito passivo deverá desistir
II – a aceitação plena e irretratável pelo su- ano, o valor da prestação mensal de que trata previamente das impugnações ou dos re-
jeito passivo, na condição de contribuinte ou o inciso II do caput deste artigo será equiva- cursos administrativos e das ações judiciais
de sub-rogado, das condições estabelecidas lente ao saldo da dívida consolidada com as que tenham por objeto os débitos que serão
nesta Lei; reduções previstas no referido inciso, dividido quitados, renunciar a quaisquer alegações de
III – o dever de pagar regularmente as parce- pela quantidade de meses que faltarem para direito sobre as quais se fundem as referidas
las da dívida consolidada no PRR e os débitos complementar cento e setenta e seis meses. impugnações, os recursos administrativos
relativos às contribuições dos produtores § 5º. O eventual adiantamento de parcelas ou as ações judiciais e protocolar, no caso de
rurais pessoas físicas e dos adquirentes de de que trata o inciso II do caput deste artigo ações judiciais, requerimento de extinção do
produção rural de que trata o art. 25 da Lei implicará a amortização de tantas parcelas processo com resolução do mérito, nos termos
nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e às contri- subsequentes quantas forem adiantadas. estabelecidos na alínea c do inciso III do caput
buições dos produtores rurais pessoas jurídi- do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de
cas de que trata o art. 25 da Lei nº 8.870, de 15
Art. 3º. O adquirente de produção rural ou a
cooperativa que aderir ao PRR poderá liquidar 2015 (Código de Processo Civil), o que eximirá
de abril de 1994, vencidos após 30 de agosto o autor da ação do pagamento dos honorários
os débitos de que trata o art. 1º desta Lei da
de 2017, inscritos ou não em dívida ativa da advocatícios, afastando-se o disposto no art.
seguinte forma:
União; e 90 da Lei nº  13.105, de 16 de março de 2015
I – pelo pagamento de, no mínimo, 2,5% (dois
IV – o cumprimento regular das obrigações inteiros e cinco décimos por cento) do valor (Código de Processo Civil).
com o Fundo de Garantia do Tempo de Ser- da dívida consolidada, sem as reduções de § 1º. Somente será considerada a desistência
viço (FGTS). que trata o inciso II do caput deste artigo, em parcial de impugnação de recurso administra-
§ 4º. A confissão de que trata o inciso I do até duas parcelas iguais, mensais e sucessi- tivo interposto ou de ação judicial proposta
§3º deste artigo não impedirá a aplicação do vas; e se o débito objeto de desistência for passível
disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de II – pelo pagamento do restante da dívida de distinção dos demais débitos discutidos no
julho de 2002, caso decisão ulterior do Superior consolidada, por meio de parcelamento processo administrativo ou na ação judicial.
Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal em até cento e setenta e seis prestações § 2º. A comprovação do pedido de desistência
Federal resulte na ilegitimidade de cobrança mensais e sucessivas, vencíveis a partir do ou da renúncia de ações judiciais será apresen-
dos débitos confessados. mês seguinte ao vencimento da segunda tada na unidade de atendimento integrado do
Art. 2º. O produtor rural pessoa física e o parcela prevista no inciso I do caput deste domicílio fiscal do sujeito passivo na condição
produtor rural pessoa jurídica que aderir ao artigo, equivalentes a 0,3% (três décimos de contribuinte ou de sub-rogado, até trinta
PRR poderão liquidar os débitos de que trata por cento) da média mensal da receita bruta dias após o prazo final de adesão de que trata
o art. 1º desta Lei da seguinte forma: proveniente da comercialização do ano civil o § 2º do art. 1º desta Lei.

64
LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018 Art. 6º
Art. 6º. Os depósitos vinculados aos débi- será determinado por meio da aplicação das decorrente de razões edafoclimáticas que
tos incluídos no PRR serão automaticamente seguintes alíquotas: tenham motivado a declaração de situação
transformados em pagamento definitivo ou I – 25% (vinte e cinco por cento) sobre o mon- de emergência ou de estado de calamidade
convertidos em renda da União. tante do prejuízo fiscal; pública devidamente reconhecido pelo Po-
§ 1º. Depois da alocação do valor depositado II – 20% (vinte por cento) sobre a base de cál- der Executivo federal, conforme disposto no
à dívida incluída no PRR, se restarem débitos culo negativa da CSLL, no caso das pessoas inciso X do art. 6º da Lei nº 12.608, de 10 de
não liquidados pelo depósito, o saldo devedor jurídicas de seguros privados, das pessoas abril de 2012.
poderá ser quitado na forma prevista nos arts. jurídicas de capitalização e das pessoas jurí- § 2º. Na hipótese de exclusão do devedor
2º ou 3º desta Lei. dicas referidas nos incisos I, II, III, IV, V, VI, VII do PRR, serão cancelados os benefícios con-
§ 2º. Depois da conversão em renda ou da e X do § 1º do art. 1º da Lei Complementar n° cedidos e:
transformação em pagamento definitivo, o 105, de 10 de janeiro de 2001; I – será efetuada a apuração do valor original
sujeito passivo, na condição de contribuinte III – 17% (dezessete por cento) sobre a base do débito com a incidência dos acréscimos
ou de sub-rogado, poderá requerer o levan- de cálculo negativa da CSLL, no caso das pes- legais até a data da exclusão; e
tamento do saldo remanescente, se houver, soas jurídicas referidas no inciso IX do § 1º do II – serão deduzidas do valor referido no in-
desde que não haja outro débito exigível. art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de ciso I deste parágrafo as parcelas pagas, com
§ 3º. Na hipótese de depósito judicial, o janeiro de 2001; e os acréscimos legais até a data da exclusão.
disposto no caput deste artigo somente se IV – 9% (nove por cento) sobre a base de cál-
culo negativa da CSLL, no caso das demais
Art. 11. A opção pelo PRR implicará a manu-
aplicará aos casos em que tenha ocorrido tenção automática dos gravames decorrentes
desistência da ação ou do recurso e renúncia pessoas jurídicas.
de arrolamento de bens, de medida cautelar
a qualquer alegação de direito sobre o qual § 5º. Na hipótese de indeferimento dos cré- fiscal e das garantias prestadas nas ações de
se funde a ação. ditos a que se refere o caput deste artigo, no execução fiscal ou de qualquer outra ação
Art. 7º. A dívida objeto do parcelamento todo ou em parte, será concedido o prazo de judicial.
será consolidada na data do requerimento trinta dias para que o sujeito passivo efetue o
de adesão ao PRR.
Art. 12. Aplica-se aos parcelamentos dos
pagamento em espécie dos débitos amortiza- débitos incluídos no PRR o disposto no caput
§ 1º. Enquanto a dívida não for consolidada, dos indevidamente com créditos de prejuízo e nos §§ 2º e 3º do art. 11, no art. 12 e no inciso
caberá ao sujeito passivo calcular e recolher os fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL
IX do caput do art. 14 da Lei nº 10.522, de 19
valores de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. não reconhecidos pela Secretaria da Receita
de julho de 2002.
§ 2º. O parcelamento terá sua formalização Federal do Brasil.
Parágrafo único. A vedação da inclusão em
condicionada ao prévio pagamento da primei- § 6º. A falta do pagamento de que trata o §
qualquer outra forma de parcelamento dos
ra parcela de que tratam o inciso I do caput do 5º deste artigo, ou o atraso superior a trinta
débitos parcelados com base na Lei nº 9.964,
art. 2º e o inciso I do caput do art. 3º desta Lei. dias, implicará a exclusão do devedor do PRR
de 10 de abril de 2000, na Lei nº  10.684, de
§ 3º. Sobre o valor de cada prestação mensal, e o restabelecimento da cobrança dos débitos
30 de maio de 2003, e na Lei nº  13.496, de
por ocasião do pagamento, incidirão juros remanescentes.
24 de outubro de 2017, na Medida Provisória
equivalentes à taxa referencial do Sistema § 7º. A utilização dos créditos na forma nº 766, de 4 de janeiro de 2017, e na Medida
Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) disciplinada no caput deste artigo extingue Provisória nº 793, de 31 de julho de 2017, não
para títulos federais, acumulada mensalmente, os débitos sob condição resolutória de sua se aplica ao PRR.
calculados a partir do mês subsequente ao da ulterior homologação.
consolidação até o mês anterior ao do paga- Art. 13. A Secretaria da Receita Federal do
§ 8º. A Secretaria da Receita Federal do Brasil
mento, e de 1% (um por cento) relativamente Brasil e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacio-
dispõe do prazo de cinco anos para a análise
ao mês em que o pagamento for efetuado. nal, no âmbito de suas competências, editarão,
dos créditos utilizados na forma prevista no
Art. 8º No âmbito da Secretaria da Receita no prazo de até trinta dias, contado da data
caput deste artigo.
Federal do Brasil, o sujeito passivo, na condição de publicação desta Lei, os atos necessários
Art. 9º. O sujeito passivo, na condição de à execução dos procedimentos previstos nos
de contribuinte ou sub-rogado, que aderir ao contribuinte ou sub-rogado, que aderir ao
PRR, poderá liquidar o saldo consolidado de arts. 1º a 12 desta Lei.
PRR no âmbito da Procuradoria-Geral da Fa-
que trata o inciso II do caput do art. 2º e o inciso zenda Nacional para parcelar dívida total, sem Parágrafo único. A regulamentação deverá
II do caput do art. 3º desta Lei com a utilização reduções, igual ou inferior a R$ 15.000.000,00 garantir a possibilidade de migração para o
de créditos de prejuízo fiscal e de base de (quinze milhões de reais) poderá liquidar o sal- PRR aos produtores rurais e aos adquirentes
cálculo negativa da Contribuição Social sobre do consolidado de que trata o inciso II do caput que aderiram ao parcelamento previsto na Me-
o Lucro Líquido (CSLL), liquidando-se o saldo do art. 2º e o inciso II do caput do art. 3º desta dida Provisória nº 793, de 31 de julho de 2017.
remanescente com parcelamento em até cento Lei com a utilização de créditos próprios de Art. 14. O art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de
e setenta e seis meses. prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes
§ 1º. Na liquidação dos débitos na forma CSLL, apurados até 31 de dezembro de 2015 e alterações: (Produção de efeito)
prevista no caput deste artigo, poderão ser declarados até 29 de julho de 2016, liquidando- “Art. 25. [...]
utilizados créditos de prejuízos fiscais e de -se o saldo remanescente com parcelamento I – 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento)
base de cálculo negativa da CSLL apurados até em até cento e setenta e seis meses. da receita bruta proveniente da comercializa-
31 de dezembro de 2015 e declarados até 29 Parágrafo único. Na liquidação dos débitos na ção da sua produção;
de julho de 2016, próprios ou do responsável forma prevista no caput deste artigo, aplica-se
tributário ou corresponsável pelo débito, e [...]
o disposto nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 8º desta Lei.
de empresas controladora e controlada, de § 12. Não integra a base de cálculo da con-
forma direta ou indireta, ou de empresas que
Art. 10. Implicará a exclusão do devedor do tribuição de que trata o caput deste artigo a
PRR e a exigibilidade imediata da totalidade do produção rural destinada ao plantio ou reflo-
sejam controladas direta ou indiretamente por
débito confessado e ainda não pago:
uma mesma empresa, em 31 de dezembro restamento, nem o produto animal destinado
I – a falta de pagamento de três parcelas con-
de 2015, domiciliadas no País, desde que se à reprodução ou criação pecuária ou granjeira
secutivas ou de seis parcelas alternadas;
mantenham nessa condição até a data da e à utilização como cobaia para fins de pesqui-
opção pela quitação. II – a falta de pagamento da última parcela, se sas científicas, quando vendido pelo próprio
as demais estiverem pagas; produtor e por quem a utilize diretamente com
§ 2º. Para fins do disposto no § 1º deste artigo,
inclui-se também como controlada a socieda- III – a inobservância do disposto nos incisos essas finalidades e, no caso de produto vegetal,
de na qual a participação da controladora seja III e IV do §  3º do art. 1º desta Lei, por três por pessoa ou entidade registrada no Ministé-
igual ou inferior a 50% (cinquenta por cento), meses consecutivos ou por seis meses alter- rio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
desde que exista acordo de acionistas que nados, no mesmo ano civil; ou que se dedique ao comércio de sementes e
assegure, de modo permanente, a preponde- IV – a não quitação integral dos valores de mudas no País.
rância individual ou comum nas deliberações que tratam o inciso I do caput do art. 2º e o in- § 13. O produtor rural pessoa física poderá
sociais e o poder individual ou comum de ciso I do caput do art. 3º desta Lei, nos prazos optar por contribuir na forma prevista no caput
eleger a maioria dos administradores. estabelecidos. deste artigo ou na forma dos incisos I e II do
§ 3º. Na hipótese de utilização dos créditos de § 1º. Não implicará a exclusão do produtor caput do art. 22 desta Lei, manifestando sua
que tratam os §§ 1º e 2º deste artigo, os créditos rural pessoa física ou do produtor rural pessoa opção mediante o pagamento da contribuição
próprios deverão ser utilizados primeiro. jurídica do PRR a falta de pagamento referida incidente sobre a folha de salários relativa a
§ 4º. O valor do crédito decorrente de prejuízo nos incisos I, II ou III do caput deste artigo janeiro de cada ano, ou à primeira competência
fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ocasionada pela queda significativa de safra subsequente ao início da atividade rural, e será

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Art. 15 LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018
irretratável para todo o ano-calendário.” (NR) Fundos com outras fontes, relativas a empre- o § 1º deste artigo, desconto de 85% (oitenta
(Produção de efeito) endimentos localizados na área de abrangên- e cinco por cento) a ser concedido sobre o
Art. 15. O art. 25 da Lei nº 8.870, de 15 de cia da Superintendência do Desenvolvimento saldo devedor consolidado na forma do § 2º
abril de 1994, passa a vigorar com as seguintes do Nordeste (Sudene) ou da Superintendência deste artigo.” (NR)
alterações: (Produção de efeito) do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), “Art. 10. Para os fins de que tratam os arts. 1º,
“Art. 25. [...] observadas ainda as seguintes condições: 2º, 3º e 4º desta Lei, ficam suspensos a partir
I – 1,7% (um inteiro e sete décimos por cento) [...]” (NR) da publicação desta Lei até 27 de dezembro
da receita bruta proveniente da comercializa- “Art. 2º. Fica autorizada, até 27 de dezembro de 2018:
ção da sua produção; de 2018, a repactuação das dívidas das ope- I – o encaminhamento para cobrança judicial
[...] rações de crédito rural contratadas até 31 de e as execuções e cobranças judiciais em curso,
dezembro de 2011 com o Banco do Nordeste inclusive as conduzidas pela Procuradoria-
§ 6º. Não integra a base de cálculo da con- do Brasil S.A. ou o Banco da Amazônia S.A.
tribuição de que trata o caput deste artigo a -Geral da Fazenda Nacional e pela Advocacia-
com recursos oriundos, respectivamente, do -Geral da União;
produção rural destinada ao plantio ou reflo- FNE ou do FNO, ou com recursos mistos dos
restamento, nem o produto animal destinado [...]” (NR)
referidos Fundos com outras fontes, relativas
à reprodução ou criação pecuária ou granjeira “Art. 14. Sem prejuízo do disposto no § 3º do
a empreendimentos localizados na área de
e à utilização como cobaia para fins de pesqui- art. 195 da Constituição Federal, nas opera-
abrangência da Sudene ou da Sudam, atua-
sas científicas, quando vendido pelo próprio ções de renegociação e de repactuação e na
lizadas até a data da repactuação segundo
produtor e por quem a utilize diretamente com concessão de descontos, rebates ou bônus
os critérios estabelecidos no art. 1º desta Lei,
essas finalidades e, no caso de produto vegetal, de adimplência para liquidação, renegocia-
observadas ainda as seguintes condições:
por pessoa ou entidade registrada no Ministé- ção ou repactuação de dívidas de operações
rio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento [...].” (NR)
de crédito rural e de operações de bens de
que se dedique ao comércio de sementes e “Art. 3º. Fica autorizada a concessão de rebate capital de que trata a Lei nº 12.096, de 24 de
mudas no País. para liquidação, até 27 de dezembro de 2018, novembro de 2009, realizadas com instituições
§ 7º. O empregador pessoa jurídica poderá das operações de crédito rural referentes a financeiras públicas federais, ficam afastadas
optar por contribuir na forma prevista no caput uma ou mais operações do mesmo mutuário, até 27 de dezembro de 2018 as exigências
deste artigo ou na forma dos incisos I e II do contratadas até 31 de dezembro de 2011 com de regularidade fiscal previstas no art. 62 do
caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho bancos oficiais federais, relativas a empreendi- Decreto-Lei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967,
de 1991, manifestando sua opção mediante o mentos localizados na área de abrangência da no § 1º do art. 1º do Decreto-Lei nº 1.715, de 22
pagamento da contribuição incidente sobre Sudene e da Sudam, exceto as contratadas com de novembro de 1979, na alínea b do caput do
a folha de salários relativa a janeiro de cada recursos oriundos dos Fundos Constitucionais art. 27 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990,
ano, ou à primeira competência subsequente de Financiamento, observadas as seguintes e na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002.”
ao início da atividade rural, e será irretratável condições:
“Art. 16. Fica o Poder Executivo autorizado a
para todo o ano – calendário.” (NR) (Produção [...]” (NR) repactuar as dívidas dos empreendimentos
de efeito) “Art. 3º-A. O disposto no art. 3º desta Lei al- familiares rurais, das agroindústrias familiares
Art. 16. O art. 6º da Lei nº 9.528, de 10 de cança as operações contratadas com bancos e das cooperativas de produção agropecu-
dezembro de 1997, passa a vigorar acrescido oficiais federais de crédito ou agências es- ária, amparadas em Declaração de Aptidão
do seguinte parágrafo único: taduais de desenvolvimento ou de fomento ao Pronaf (DAP), nas modalidades pessoa
“Art. 6º. [...] com recursos oriundos do Banco Nacional de física ou jurídica, com o Programa Nacional
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de Fortalecimento da Agricultura Familiar
Parágrafo único. A contribuição de que trata
ainda que tenham sido baixadas em prejuízo.” (Pronaf), originárias de operações contratadas
o caput deste artigo será recolhida:
“Art. 4º. Fica autorizada a concessão de descon- até 31 de dezembro de 2012, observadas as
I – pelo adquirente, consignatário ou coope-
tos para a liquidação, até 27 de dezembro de seguintes condições:
rativa, que ficam sub-rogados, para esse fim,
2018, de dívidas originárias de operações de [...]
nas obrigações do produtor rural pessoa física
crédito rural inscritas em dívida ativa da União
e do segurado especial, independentemente Parágrafo único. A repactuação de que trata o
ou encaminhadas para inscrição até 31 de julho
das operações de venda e consignação terem caput deste artigo também alcança operações
de 2018, relativas a inadimplência ocorrida até
sido realizadas diretamente com produtor ou contratadas com recursos oriundos do FNE ou
31 de dezembro de 2017, devendo incidir os
com intermediário pessoa física; do FNO, ou com recursos mistos desses fundos
referidos descontos sobre o valor consolidado,
II – pelo próprio produtor pessoa física e pelo por inscrição em dívida ativa da União. com outras fontes, relativas a empreendimen-
segurado especial, quando comercializarem tos localizados na área de abrangência da
[...]
sua produção com adquirente no exterior, Sudene ou da Sudam.”
§ 4º. Para as dívidas de que trata o caput
com outro produtor pessoa física, ou direta-
deste artigo cujo devedor tenha natureza
Art. 19. A Lei nº 13.340, de 28 de setembro
mente no varejo, com o consumidor pessoa de 2016, passa a vigorar acrescida do Anexo
física.” (NR) jurídica de pessoa jurídica ou que possua,
IV, na forma do Anexo II desta Lei.
por força da legislação tributária, registro no
Art. 17. O art. 168-A do Decreto-Lei nº 2.848, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), Art. 20. Fica a Advocacia-Geral da União
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), autorizada a conceder descontos para a liqui-
os descontos de que trata o caput deste artigo
passa a vigorar acrescido do seguinte § 4º: dação, até 30 de dezembro de 2019, de dívidas
serão concedidos sobre o valor consolidado
“Art. 168-A. [...] da inscrição em dívida ativa da União, segun- originárias de operações de crédito rural, cujos
[...] do seu enquadramento em uma das faixas ativos tenham sido transferidos para o Tesouro
§ 4º. A faculdade prevista no § 3º deste artigo de valores indicadas no Anexo IV desta Lei, Nacional e os respectivos débitos, não inscri-
não se aplica aos casos de parcelamento de devendo primeiro ser aplicado o correspon- tos na dívida ativa da União, estejam sendo
contribuições cujo valor, inclusive dos acessó- dente desconto percentual e, em seguida, o executados pela Procuradoria-Geral da União,
rios, seja superior àquele estabelecido, admi- respectivo desconto de valor fixo. devendo incidir os referidos descontos sobre
nistrativamente, como sendo o mínimo para o § 5º. Os descontos para liquidação previstos o valor consolidado por ação de execução
ajuizamento de suas execuções fiscais.” (NR) no §  1º deste artigo aplicam-se às dívidas judicial.(Redação dada pela Lei 13.729/2018)
Art. 18. A Lei nº 13.340, de 28 de setembro contraídas no âmbito do Fundo de Terras § 1º. Os descontos de que trata o caput deste
de 2016, passa a vigorar com as seguintes e da Reforma Agrária (Banco da Terra) e do artigo, independentemente do valor original
alterações: Acordo de Empréstimo 4.147-BR, inscritas em contratado, serão concedidos sobre o valor
“Art. 1º. Fica autorizada a concessão de rebate dívida ativa da União até 31 de julho de 2018, consolidado por ação de execução judicial,
para liquidação, até 27 de dezembro de 2018, cuja inadimplência tenha ocorrido até 31 de segundo seu enquadramento em uma das
das operações de crédito rural referentes a dezembro de 2017. faixas de valores indicadas no Anexo I desta
uma ou mais operações do mesmo mutuário, § 6º. Para as dívidas de que trata o § 5º deste Lei, devendo primeiro ser aplicado o corres-
contratadas até 31 de dezembro de 2011 com artigo cujo devedor principal tenha natureza pondente desconto percentual e, em seguida,
o Banco do Nordeste do Brasil S.A. ou o Ban- jurídica de pessoa jurídica ou que possua, o respectivo desconto de valor fixo.
co da Amazônia S.A. com recursos oriundos, por força da legislação tributária, registro § 2º. Entende-se por valor consolidado por
respectivamente, do Fundo Constitucional de no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ação de execução judicial de que trata o caput
Financiamento do Nordeste (FNE) ou do Fundo (CNPJ), para os fins da liquidação prevista deste artigo o montante do débito a ser liqui-
Constitucional de Financiamento do Norte neste artigo, aplica-se, em substituição aos dado, atualizado até o mês em que ocorrerá
(FNO), ou com recursos mistos dos referidos descontos referidos no Anexo III de que trata a liquidação.

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LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018 Art. 21
§ 3º. Formalizado o pedido de adesão, a § 3º. Não pago o débito no prazo fixado no dois anos de carência, mantidos os encargos
Advocacia-Geral da União fica autorizada a caput deste artigo, a Fazenda Pública poderá: originalmente contratados.
adotar as medidas necessárias à suspensão, até I – comunicar a inscrição em dívida ativa aos Art. 27. A Lei nº 9.456, de 25 de abril de 1997,
análise do requerimento, das ações de execu- órgãos que operam bancos de dados e cadas- passa a vigorar com as seguintes alterações:
ção ajuizadas, cujo objeto seja a cobrança de tros relativos a consumidores e aos serviços “Art. 10. [...]
crédito rural de que trata o caput deste artigo. de proteção ao crédito e congêneres; e
[...]
§ 4º. O prazo de prescrição das dívidas de II – averbar, inclusive por meio eletrônico,
a certidão de dívida ativa nos órgãos de re- V – multiplica, distribui, troca ou comercializa
crédito rural de que trata este artigo fica sus-
gistro de bens e direitos sujeitos a arresto ou sementes, mudas e outros materiais propagati-
penso a partir da data de publicação desta Lei
penhora, tornando-os indisponíveis.” vos no âmbito do disposto no art. 19 da Lei nº
até 30 de dezembro de 2019. (Redação dada
10.696, de 2 de julho de 2003, na qualidade de
pela Lei 13.729/2018) “Art. 20-C. A Procuradoria-Geral da Fazenda agricultores familiares ou por empreendimen-
Art. 21. Para as dívidas oriundas de ope- Nacional poderá condicionar o ajuizamento tos familiares que se enquadrem nos critérios
rações de crédito rural contratadas com o de execuções fiscais à verificação de indícios da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006.
extinto Banco Nacional de Crédito Coopera- de bens, direitos ou atividade econômica dos [...]”
tivo (BNCC), cujos respectivos débitos, não devedores ou corresponsáveis, desde que úteis
à satisfação integral ou parcial dos débitos a “Art. 14-A. Ficam isentos de pagamento da
inscritos na dívida ativa da União, estejam
serem executados. taxa de pedido de proteção de cultivares os
sendo executados pela Procuradoria-Geral
empreendimentos familiares rurais que se
da União, independentemente da apresenta- Parágrafo único. Compete ao Procurador- enquadrem nos critérios da Lei nº 11.326, de
ção de pedidos de adesão aos benefícios de -Geral da Fazenda Nacional definir os limites, 24 de julho de 2006.”
que trata o art. 20 desta Lei pelos mutuários, critérios e parâmetros para o ajuizamento
os saldos devedores serão recalculados pela da ação de que trata o caput deste artigo, Arts. 28  a  32. (Revogados pela Lei
Advocacia-Geral da União, incidindo sobre o observados os critérios de racionalidade, 13.729/2018).
valor atribuído à causa, desde a elaboração economicidade e eficiência.” Art. 33. A Lei nº  13.001, de 20 de junho
do cálculo que o embasou: “Art. 20-D. Sem prejuízo da utilização das de 2014, passa a vigorar com as seguintes
I – atualização monetária, segundo os índices medidas judicias para recuperação e acau- alterações:
oficiais vigentes em cada período; telamento dos créditos inscritos, se houver “Art. 17. Fica a Companhia Nacional de Abas-
II – juros remuneratórios de 6% a.a. (seis por indícios da prática de ato ilícito previsto na tecimento (Conab) autorizada a renegociar e
cento ao ano); legislação tributária, civil e empresarial como a prorrogar até dezembro de 2022 as opera-
causa de responsabilidade de terceiros por ções com Cédula de Produto Rural (CPR), na
III – juros de mora de 1% a.a. (um por cento
parte do contribuinte, sócios, administradores, modalidade formação de estoque, no âmbito
ao ano).
pessoas relacionadas e demais responsáveis, do Programa de Aquisição de Alimentos, ins-
Parágrafo único. Fica a Advocacia-Geral da a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional tituído pelo art. 19 da Lei nº 10.696, de 2 de
União autorizada a aplicar descontos adicio- poderá, a critério exclusivo da autoridade julho de 2003, contratadas entre 1º de janeiro
nais, aferidos com base em critérios objetivos fazendária: de 2013 e 31 de dezembro de 2016, observadas
fixados em ato conjunto pelos Ministérios da as seguintes condições:
I  – notificar as pessoas de que trata o caput
Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Abas- I – a renegociação das dívidas, vencidas e
deste artigo ou terceiros para prestar depoi-
tecimento, para liquidação das operações vincendas, renegociadas ou não, deverá ser
mentos ou esclarecimentos;
de crédito rural enquadradas no caput deste requerida pelo mutuário e formalizada pela
artigo, contratadas ao amparo do Programa de II  – requisitar informações, exames periciais
e documentos de autoridades federais, es- Conab até 29 de junho de 2018;
Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvol- [...]
vimento dos Cerrados (Prodecer) – Fase II, do taduais e municipais, bem como dos órgãos
e entidades da Administração Pública direta, III – o pagamento do saldo devedor apurado
Programa de Financiamento de Equipamentos
indireta ou fundacional, de qualquer dos Pode- na forma do inciso II do caput deste artigo
de Irrigação (Profir) e do Programa Nacional de
res da União, dos Estados, do Distrito Federal poderá ser realizado à vista em uma única
Valorização e Utilização de Várzeas Irrigáveis
e dos Municípios; parcela ou dividido em até seis parcelas anuais,
(Provárzeas).
III  – instaurar procedimento administrativo com dois anos de carência para quitação da
Art. 22. O mutuário que tenha aderido a para apuração de responsabilidade por débito primeira parcela, e as demais parcelas deverão
pedidos de renegociação com a Advocacia- ser quitadas nos anos subsequentes, mantidos
inscrito em dívida ativa da União, ajuizado ou
-Geral da União, fundamentado no art. 8º-A os encargos originalmente contratados, e ob-
não, observadas, no que couber, as disposições
da Lei nº 11.775, de 17 de setembro de 2008, servadas as seguintes condições:
da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.
ou no art. 8º-B da Lei nº 12.844, de 19 de julho [...]
de 2013, ainda em curso, após renunciar ex- “Art. 20-E. A Procuradoria-Geral da Fazenda
pressamente ao acordo em execução, poderá Nacional editará atos complementares para o b) para o caso de parcelamento, fica a Conab
requerer a liquidação do saldo remanescente, fiel cumprimento do disposto nos arts. 20-B, autorizada a conceder, para as operações
20-C e 20-D desta Lei.” contratadas na região da Sudene, rebate de
com os descontos previstos no art. 20 desta
Lei, apurando-se o saldo devedor segundo os Art. 26. A Empresa Brasileira de Pesquisa 85% (oitenta e cinco por cento) sobre o saldo
Agropecuária (Embrapa) deverá renegociar e devedor atualizado e, para as operações con-
critérios estabelecidos nos §§  1º e 2º do art.
prorrogar, até dezembro de 2022, as dívidas tratadas nas demais regiões, fica autorizada
20 desta Lei.
com os empreendimentos da agricultura fa- a conceder rebate de 75% (setenta e cinco
Art. 23. É vedada a acumulação dos descon- miliar que se enquadram na Lei n° 11.326, de por cento) sobre o saldo devedor atualizado;
tos previstos nos arts. 20, 21 e 22 desta Lei com
24 de julho de 2006, de operações que foram c) no caso de pagamento à vista em parcela
outros consignados na legislação.
contratadas até 31 de dezembro de 2015, refe- única no ato da renegociação, fica a Conab
Art. 24. A liquidação de que tratam os arts. rentes aos pagamentos do licenciamento para autorizada a conceder rebate de 90% (noventa
20, 21 e 22 desta Lei será regulamentada por a multiplicação e a exploração comercial de por cento) sobre o saldo devedor apurado,
ato do Advogado-Geral da União. sementes, observadas as seguintes condições: para as operações contratadas na região
Art. 25. A Lei nº 10.522, de 19 de julho de (Redação dada pela Lei 13.729/2018) Nordeste, e de 80% (oitenta por cento), para
2002, passa a vigorar acrescida dos seguintes I – a renegociação das dívidas, vencidas e as operações contratadas nas demais regiões
arts. 20-B, 20-C, 20-D e 20-E: vincendas, deverá ser requerida pelo mutuário do País;
“Art. 20-B. Inscrito o crédito em dívida ativa e formalizada pela Embrapa até 29 de junho [...]
da União, o devedor será notificado para, em de 2018; § 3º. A renegociação nos termos deste artigo
até cinco dias, efetuar o pagamento do valor II – o saldo devedor será apurado na data da não impede a contratação de novas operações
atualizado monetariamente, acrescido de renegociação com base nos encargos con- no âmbito do programa, enquanto durar o
juros, multa e demais encargos nela indicados tratuais de normalidade, sem o cômputo de parcelamento contratado na forma do inciso
§ 1º. A notificação será expedida por via ele- multa, mora, quaisquer outros encargos por III do caput deste artigo.
trônica ou postal para o endereço do devedor inadimplemento ou honorários advocatícios; [...]” (NR)
e será considerada entregue depois de decor- III – sobre o saldo devedor apurado será aplica- “Art. 17-A. Ficam remidas as dívidas referentes
ridos quinze dias da respectiva expedição. do rebate de 95% (noventa e cinco por cento); às operações efetuadas no âmbito do Pro-
§ 2º. Presume-se válida a notificação expedida IV – o pagamento do saldo devedor apurado na grama de Aquisição de Alimentos, instituído
para o endereço informado pelo contribuinte forma do inciso III do caput deste artigo poderá pelo art. 19 da Lei nº 10.696, de 2 de julho de
ou responsável à Fazenda Pública. ser realizado em seis parcelas anuais, com 2003, contratadas até 31 de dezembro de 2012

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Art. 34 LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018
por meio de CPR, em todas as modalidades III – os encargos financeiros serão os mesmos pública após 1º de janeiro de 2016 reconhe-
vigentes à época. pactuados na operação original; cido pelo Governo Federal, fica dispensada a
§ 1º. A remissão de que trata o caput deste IV  – a amortização mínima em percentual a amortização mínima estabelecida no inciso IV
artigo abrange o saldo devedor atualizado ser aplicado sobre o saldo devedor vencido do caput deste artigo.
pelos encargos contratuais, expurgados valo- apurado na forma do inciso I do caput deste § 7º.  O CMN regulamentará as disposições
res relativos a multa, mora, quaisquer outros artigo será de: deste artigo, no que couber, no prazo de trinta
encargos por inadimplemento ou honorários dias, incluindo condições alternativas para
a) 2% (dois por cento) para as operações de renegociação das operações de que trata o
advocatícios. custeio agropecuário; inciso III do § 5º deste artigo, exceto quanto
§ 2º. Não serão ressarcidos valores já pagos b) 10% (dez por cento) para as operações de às operações com recursos do FNE, nas quais
em renegociações amparadas pelo disposto investimento; caberá ao gestor dos recursos implementar
no art. 17 desta Lei.” V - o prazo de adesão será de até cento e oi- as disposições deste artigo.
“Art. 17-B. O valor das remissões de que trata tenta dias, contado da data do regulamento Art. 37. Admite-se a reclassificação para o
o art. 17-A desta Lei será registrado contabil- de que trata o § 7º deste artigo; âmbito exclusivo do FNE das operações de
mente, no âmbito do Ministério do Desen- VI – o prazo de formalização da renegociação crédito rural contratadas com recursos mistos
volvimento Social e da Secretaria Especial de será de até cento e oitenta dias após a adesão do fundo com outras fontes, observadas as
Agricultura Familiar e do Desenvolvimento de que trata o inciso IV do caput deste artigo. seguintes condições:
Agrário, mediante baixa do haver contra va- I – a reclassificação da operação para FNE não
§ 1º. As disposições de que trata este artigo caracteriza novação da dívida, considerando-
riação patrimonial.”
aplicam-se aos financiamentos contratados -se a nova operação uma continuidade da
“Art. 17-C. Fica a Conab autorizada a suspen- com: operação renegociada;
der a cobrança ou a requerer a suspensão da I – equalização de encargos financeiros pelo
execução judicial das dívidas de que trata o II – a nova operação de que trata este artigo
Tesouro Nacional, desde que as operações ficará sob risco compartilhado na proporção
art. 17-A desta Lei: sejam previamente reclassificadas pela ins- de 50% (cinquenta por cento) para o agente
I – a partir do momento em que o contratado tituição financeira para recursos obrigatórios financeiro e 50% (cinquenta por cento) para
requerer a remissão da dívida; ou outra fonte não equalizável, admitida, a o FNE;
II – por sua iniciativa, na impossibilidade de o critério da instituição financeira, a substitui-
ção de aditivo contratual por “carimbo texto” III  – o saldo devedor da operação a ser re-
contratado fazê-lo.” classificada será atualizado nas condições de
para formalização da renegociação;
Art. 34. A Lei nº 8.427, de 27 de maio de 1992, normalidade e, se for o caso, em condições
passa a vigorar acrescido do seguinte art. 4º-A: II  – recursos do FNE, admitida, a critério da mais adequadas a serem acordadas entre o
instituição financeira, a substituição de adi- agente financeiro e o respectivo mutuário;
“Art. 4º-A. As confederações de cooperativas tivo contratual por “carimbo texto” para for-
de crédito constituídas na forma definida no malização da renegociação. IV  – as operações reclassificadas terão, a
art. 15 da Lei Complementar nº  130, de 17 partir da data da reclassificação, os encargos
de abril de 2009, desde que autorizadas a § 2º.  O enquadramento no disposto neste financeiros das operações de crédito rural do
artigo fica condicionado à demonstração da FNE, definidos em função da classificação
funcionar pelo Banco Central do Brasil, são
ocorrência de prejuízo no empreendimento atual do produtor rural;
equiparadas aos bancos cooperativos para os
rural em decorrência de fatores climáticos, V – aplicam-se às operações reclassificadas,
efeitos de que tratam os arts. 1º e 4º desta Lei.” salvo no caso de municípios em que foi decre- cuja contratação original ocorreu até 31 de
Art. 35. O §  2º do art. 23 da Lei nº  11.076, tado estado de emergência ou de calamidade dezembro de 2016, as condições estabeleci-
de 30 de dezembro de 2004, passa a vigorar pública reconhecido pelo Governo Federal, das no art. 36 desta Lei.
acrescida do seguinte art. 4º-A: após a contratação da operação e até a pu-
“Art. 23. [...] blicação desta Lei. Art. 38. O Poder Executivo federal, com
§ 3º.  No caso de operações contratadas por vistas ao cumprimento do disposto no inciso
[...] II do caput do art. 5º e no art. 14 da Lei Com-
miniprodutores rurais e pequenos produto-
§ 2º. Os bancos cooperativos, as confederações res rurais, inclusive aquelas contratadas por plementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de
de cooperativas de crédito e as cooperativas produtores amparados pela Lei nº  11.326, Responsabilidade Fiscal), estimará o montante
centrais de crédito integrantes de sistemas co- de 24 de julho de 2006, a demonstração de da renúncia fiscal e dos custos decorrentes
operativos de crédito constituídos nos termos ocorrência de prejuízo descrito no § 2º deste do disposto no inciso II do caput do art. 2º,
da Lei Complementar nº 130, de 17 de abril de artigo poderá ser comprovada por meio de no inciso II do caput do art. 3º, e nos arts. 14,
2009, podem utilizar, como lastro de LCA de laudo grupal ou coletivo. 15, 18, 19, de 20 a 24, de 26 a 28, de 30 a 33
sua emissão, título de crédito representativo e 36 desta Lei, os incluirá no demonstrativo
§ 4º.  As operações de custeio rural que te- que acompanhar o projeto de lei orçamen-
de repasse interfinanceiro realizado em favor nham sido objeto de cobertura parcial das
de cooperativa singular de crédito do sistema, tária anual, nos termos do §  6º do art. 165
perdas pelo Programa de Garantia da Ativi- da Constituição Federal, e fará constar das
quando a totalidade dos recursos se destinar dade Agropecuária (Proagro), ou por outra propostas orçamentárias subsequentes os
a apenas uma operação de crédito rural, ob- modalidade de seguro rural, somente podem valores relativos à referida renúncia.
servado que: ser renegociadas mediante a exclusão do valor
referente à indenização recebida pelo benefi- Parágrafo único. Os benefícios constantes do
[...]” (NR) inciso II do caput do art. 2º, do inciso II do caput
ciário, considerada a receita obtida.
Art. 36.  É permitida a renegociação de dívi- do art. 3º e dos arts. 14, 15, 18, 19, de 20 a 24, de
das de operações de crédito rural de custeio e § 5º. Não podem ser objeto da renegociação 26 a 28, de 30 a 33 e 36 desta Lei somente serão
investimento contratadas até 31 de dezembro de que trata este artigo: concedidos se atendido o disposto no caput
I – as operações cujo empreendimento finan- deste artigo, inclusive com a demonstração
de 2016, lastreadas com recursos controlados
ciado tenha sido conduzido sem a aplicação pelo Poder Executivo federal de que a renúncia
do crédito rural, inclusive aquelas prorroga-
de tecnologia recomendada, incluindo inob- foi considerada na estimativa de receita da lei
das por autorização do CMN, contratadas por servância do Zoneamento Agrícola de Risco
produtores rurais e por suas cooperativas de orçamentária anual, na forma estabelecida no
Climático (ZARC) e do calendário agrícola art. 12 da Lei Complementar nº 101, de 4 de
produção agropecuária em Municípios da área para plantio da lavoura;
de atuação da Sudene e do Estado do Espírito maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal),
II – as operações contratadas por mutuários e de que não afetará as metas de resultados
Santo, observadas as seguintes condições: que tenham comprovadamente cometido fiscais previstas no anexo próprio da lei de
I – os saldos devedores serão apurados com desvio de crédito, exceto se a irregularidade diretrizes orçamentárias.
base nos encargos contratuais de normalida- tiver sido sanada previamente à renegocia-
de, excluídos os bônus, rebates e descontos, Art. 39. Para fins do disposto nos arts. 8º e 9º
ção da dívida; desta Lei, ficam reduzidas a zero as alíquotas
sem o cômputo de multa, mora ou quaisquer III  – as operações contratadas por grandes do imposto de renda, da CSLL, da Contribui-
outros encargos por inadimplemento, hono- produtores nos Municípios pertencentes ção para o PIS/Pasep e da Contribuição para
rários advocatícios ou ressarcimento de cus- à região do Matopiba, conforme definição Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
tas processuais; do Ministério da Agricultura, Pecuária e incidentes sobre a receita auferida pelo cedente
II  – o reembolso deverá ser efetuado em Abastecimento, exceto naqueles em que foi com a cessão de créditos de prejuízo fiscal
prestações iguais e sucessivas, fixado o venci- decretado estado de emergência ou de cala- e de base de cálculo negativa da CSLL para
mento da primeira parcela para 2020 e o ven- midade pública reconhecido pelo Governo pessoas jurídicas controladas, controladoras
cimento da última parcela para 2030, manti- Federal, após a contratação da operação e ou coligadas.
da a periodicidade da operação renegociada, até a publicação desta Lei. § 1º. Nos termos do caput deste artigo, ficam
sem a necessidade de estudo de capacidade § 6º.  Nos Municípios em que foi decretado também reduzidas a zero as alíquotas do
de pagamento; estado de emergência ou de calamidade imposto de renda, da CSLL, da Contribuição

68
LEI Nº 13.606, DE 9 DE JANEIRO DE 2018 Art. 40
para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre da alínea a do § 2º do art. 38 do Decreto-Lei II – a partir da data de sua publicação, quanto
a receita auferida pela cessionária na hipótese nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. aos demais dispositivos.
dos créditos cedidos com deságio. Art. 40. Esta Lei entra em vigor na data de Brasília, 9 de janeiro de 2018;
§ 2º. Não será computada na apuração da base sua publicação e produzirá efeitos: 197º da Independência e 130º da Repú-
de cálculo do imposto de renda, da CSLL, da I – a partir de 1º de janeiro de 2018, quanto
Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a ao disposto nos arts. 14 e 15, exceto o § 13 do blica.
parcela equivalente à redução do valor das art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, MICHEL TEMER
multas, juros e encargo legal. incluído pelo art. 14 desta Lei, e o § 7º do art. Este texto não substitui o publicado no
§ 3º. A variação patrimonial positiva decor- 25 da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, in- DOU de 10.1.2018
rente da aplicação do disposto neste artigo cluído pelo art. 15 desta Lei, que produzirão
será creditada à Reserva de Capital, na forma efeitos a partir de 1º de janeiro de 2019; e

ANEXO I.
DESCONTOS A SEREM APLICADOS SOBRE O VALOR CONSOLIDADO A SER LIQUIDADO NOS TERMOS DO ART. 20 DESTA LEI

Faixas para enquadramento do valor conso- Desconto percentual Desconto de valor fixo, após aplicação do
lidado por ação de execução desconto percentual
Até R$ 15.000,00 95% -
De R$ 15.000,01 até R$ 35.000,00 90% R$ 750,00
De R$ 35.000,01 até R$ 100.000,00 85% R$ 2.250,00
De R$ 100.000,01 até R$ 200.000,00 80% R$ 7.500,00
De R$ 200.000,01 até R$ 500.000,00 75% R$ 17.500,00
De R$ 500.000,01 até R$ 1.000.000,00 70% R$ 42.500,00
Acima de R$ 1.000.000,00 60% R$ 142.500,00

ANEXO II
(ANEXO IV DA LEI Nº 13.340, DE 28 DE SETEMBRO DE 2016)
DESCONTOS A SEREM APLICADOS SOBRE O VALOR CONSOLIDADO A SER LIQUIDADO NOS TERMOS DO ART. 4º

Faixas para enquadramento do valor consolidado Desconto percen- Desconto de valor fixo, após aplicação do
da inscrição em dívida ativa da União tual desconto percentual

Até R$ 35.000,00 95% -

De R$ 35.000,01 até R$ 200.000,00 90% R$ 1.750,00

De R$ 200.000,01 até R$ 500.000,00 85% R$ 11.750,00

De R$ 500.000,01 até R$ 1.000.000,00 80% R$ 36.750,00

Acima de R$ 1.000.000,00 75% R$ 76.750,00

69
LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR Lei 8.080/1990

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR
LEI Nº 8.080, II - a formulação de política de saúde desti- I - assistência ao trabalhador vítima de aci-
DE 19 DE SETEMBRO DE 1990 nada a promover, nos campos econômico e dentes de trabalho ou portador de doença
social, a observância do disposto no § 1º do profissional e do trabalho;
Dispõe sobre as condições para a promoção, pro­
art. 2º desta lei; II - participação, no âmbito de competência
teção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá III - a assistência às pessoas por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos,
outras providências. de ações de promoção, proteção e recupe- pesquisas, avaliação e controle dos riscos e
ração da saúde, com a realização integrada agravos potenciais à saúde existentes no pro-
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que das ações assistenciais e das atividades pre- cesso de trabalho;
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono ventivas. III - participação, no âmbito de competência
a seguinte lei:
Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de do Sistema Único de Saúde (SUS), da norma-
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR atuação do Sistema Único de Saúde (SUS): tização, fiscalização e controle das condições
I - a execução de ações: de produção, extração, armazenamento, trans-
Art. 1º Esta lei regula, em todo o território porte, distribuição e manuseio de substâncias,
a) de vigilância sanitária;
nacional, as ações e serviços de saúde, execu- de produtos, de máquinas e de equipamentos
tados isolada ou conjuntamente, em caráter b) de vigilância epidemiológica;
que apresentam riscos à saúde do trabalhador;
permanente ou eventual, por pessoas naturais c) de saúde do trabalhador; e
d) de assistência terapêutica integral, inclusive IV - avaliação do impacto que as tecnologias
ou jurídicas de direito Público ou privado. provocam à saúde;
farmacêutica;
TÍTULO I II - a participação na formulação da política e V - informação ao trabalhador e à sua respec-
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS na execução de ações de saneamento básico; tiva entidade sindical e às empresas sobre
os riscos de acidentes de trabalho, doença
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do III - a ordenação da formação de recursos
profissional e do trabalho, bem como os resul-
ser humano, devendo o Estado prover as con- humanos na área de saúde;
tados de fiscalizações, avaliações ambientais
dições indispensáveis ao seu pleno exercício. IV - a vigilância nutricional e a orientação e exames de saúde, de admissão, periódicos
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde alimentar; e de demissão, respeitados os preceitos da
consiste na formulação e execução de políticas V - a colaboração na proteção do meio am- ética profissional;
econômicas e sociais que visem à redução de biente, nele compreendido o do trabalho; VI - participação na normatização, fiscalização
riscos de doenças e de outros agravos e no VI - a formulação da política de medicamentos, e controle dos serviços de saúde do traba-
estabelecimento de condições que assegurem equipamentos, imunobiológicos e outros insu- lhador nas instituições e empresas públicas
acesso universal e igualitário às ações e aos mos de interesse para a saúde e a participação e privadas;
serviços para a sua promoção, proteção e na sua produção; VII - revisão periódica da listagem oficial de
recuperação. VII - o controle e a fiscalização de serviços, doenças originadas no processo de trabalho,
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pes- produtos e substâncias de interesse para tendo na sua elaboração a colaboração das
soas, da família, das empresas e da sociedade. a saúde; entidades sindicais; e
Art. 3º Os níveis de saúde expressam a orga- VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores
nização social e econômica do País, tendo a água e bebidas para consumo humano; de requerer ao órgão competente a interdição
saúde como determinantes e condicionan- IX - a participação no controle e na fiscalização de máquina, de setor de serviço ou de todo
tes, entre outros, a alimentação, a moradia, da produção, transporte, guarda e utilização ambiente de trabalho, quando houver expo-
o saneamento básico, o meio ambiente, o de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos sição a risco iminente para a vida ou saúde
trabalho, a renda, a educação, a atividade e radioativos; dos trabalhadores.
física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens
e serviços essenciais. (Redação dada pela Lei X - o incremento, em sua área de atuação, do CAPÍTULO II
nº 12.864, de 2013) desenvolvimento científico e tecnológico; DOS PRINCÍPIOS E DIRETRIZES
Parágrafo único. Dizem respeito também XI - a formulação e execução da política de
à saúde as ações que, por força do disposto sangue e seus derivados. Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde
no artigo anterior, se destinam a garantir às § 1º Entende-se por vigilância sanitária um e os serviços privados contratados ou con-
pessoas e à coletividade condições de bem- conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir veniados que integram o Sistema Único de
-estar físico, mental e social. ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo
problemas sanitários decorrentes do meio com as diretrizes previstas no art. 198 da
TÍTULO II ambiente, da produção e circulação de bens Constituição Federal, obedecendo ainda aos
DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE e da prestação de serviços de interesse da seguintes princípios:
saúde, abrangendo: I - universalidade de acesso aos serviços de
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR I - o controle de bens de consumo que, direta saúde em todos os níveis de assistência;
ou indiretamente, se relacionem com a saúde, II - integralidade de assistência, entendida
Art. 4º O conjunto de ações e serviços de compreendidas todas as etapas e processos, como conjunto articulado e contínuo das ações
saúde, prestados por órgãos e instituições da produção ao consumo; e e serviços preventivos e curativos, individuais
públicas federais, estaduais e municipais, da
II - o controle da prestação de serviços que e coletivos, exigidos para cada caso em todos
Administração direta e indireta e das funda-
se relacionam direta ou indiretamente com os níveis de complexidade do sistema;
ções mantidas pelo Poder Público, constitui o
Sistema Único de Saúde (SUS). a saúde. III - preservação da autonomia das pessoas
§ 1º Estão incluídas no disposto neste artigo § 2º Entende-se por vigilância epidemiológica na defesa de sua integridade física e moral;
as instituições públicas federais, estaduais e um conjunto de ações que proporcionam o IV - igualdade da assistência à saúde, sem pre-
municipais de controle de qualidade, pesqui- conhecimento, a detecção ou prevenção de conceitos ou privilégios de qualquer espécie;
sa e produção de insumos, medicamentos, qualquer mudança nos fatores determinan- V - direito à informação, às pessoas assistidas,
inclusive de sangue e hemoderivados, e de tes e condicionantes de saúde individual ou sobre sua saúde;
equipamentos para saúde. coletiva, com a finalidade de recomendar e
adotar as medidas de prevenção e controle VI - divulgação de informações quanto ao
§ 2º A iniciativa privada poderá participar potencial dos serviços de saúde e a sua utili-
das doenças ou agravos.
do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter zação pelo usuário;
complementar. § 3º Entende-se por saúde do trabalhador,
para fins desta lei, um conjunto de atividades VII - utilização da epidemiologia para o es-
CAPÍTULO I que se destina, através das ações de vigilância tabelecimento de prioridades, a alocação de
DOS OBJETIVOS E ATRIBUIÇÕES epidemiológica e vigilância sanitária, à promo- recursos e a orientação programática;
ção e proteção da saúde dos trabalhadores, VIII - participação da comunidade;
Art. 5º São objetivos do Sistema Único de assim como visa à recuperação e reabilitação IX - descentralização político-administrativa,
Saúde SUS: da saúde dos trabalhadores submetidos aos com direção única em cada esfera de governo:
I - a identificação e divulgação dos fatores riscos e agravos advindos das condições de a) ênfase na descentralização dos serviços
condicionantes e determinantes da saúde; trabalho, abrangendo: para os municípios;

45
Lei 8.080/1990 LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR
b) regionalização e hierarquização da rede de VI - saúde do trabalhador. III - acompanhamento, avaliação e divulgação
serviços de saúde; Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Per- do nível de saúde da população e das condi-
X - integração em nível executivo das ações de manentes de integração entre os serviços de ções ambientais;
saúde, meio ambiente e saneamento básico; saúde e as instituições de ensino profissional IV - organização e coordenação do sistema de
XI - conjugação dos recursos financeiros, tec- e superior. informação de saúde;
nológicos, materiais e humanos da União, dos Parágrafo único. Cada uma dessas comissões V - elaboração de normas técnicas e estabeleci-
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios terá por finalidade propor prioridades, méto- mento de padrões de qualidade e parâmetros
na prestação de serviços de assistência à saúde dos e estratégias para a formação e educação de custos que caracterizam a assistência à
da população; continuada dos recursos humanos do Sistema saúde;
XII - capacidade de resolução dos serviços em Único de Saúde (SUS), na esfera correspon- VI - elaboração de normas técnicas e esta-
todos os níveis de assistência; e dente, assim como em relação à pesquisa e à belecimento de padrões de qualidade para
cooperação técnica entre essas instituições. promoção da saúde do trabalhador;
XIII - organização dos serviços públicos de
modo a evitar duplicidade de meios para fins Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipar- VII - participação de formulação da política e
idênticos. tite e Tripartite são reconhecidas como foros da execução das ações de saneamento básico
XIV – organização de atendimento público de negociação e pactuação entre gestores, e colaboração na proteção e recuperação do
específico e especializado para mulheres e quanto aos aspectos operacionais do Sistema
meio ambiente;
vítimas de violência doméstica em geral, que Único de Saúde (SUS).  (Incluído pela Lei nº
12.466, de 2011). VIII - elaboração e atualização periódica do
garanta, entre outros, atendimento, acompa- plano de saúde;
nhamento psicológico e cirurgias plásticas Parágrafo único. A atuação das Comissões
Intergestores Bipartite e Tripartite terá por ob- IX - participação na formulação e na execução
reparadoras, em conformidade com a Lei nº
jetivo:  (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). da política de formação e desenvolvimento de
12.845, de 1º de agosto de 2013. (Redação dada
I - decidir sobre os aspectos operacionais, recursos humanos para a saúde;
pela Lei nº 13.427, de 2017)
financeiros e administrativos da gestão com- X - elaboração da proposta orçamentária do
CAPÍTULO III partilhada do SUS, em conformidade com a Sistema Único de Saúde (SUS), de conformi-
DA ORGANIZAÇÃO, DA DIREÇÃO E DA definição da política consubstanciada em pla- dade com o plano de saúde;
GESTÃO nos de saúde, aprovados pelos conselhos de XI - elaboração de normas para regular as ati-
Art. 8º As ações e serviços de saúde, exe- saúde;  (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). vidades de serviços privados de saúde, tendo
cutados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), II - definir diretrizes, de âmbito nacional, em vista a sua relevância pública;
seja diretamente ou mediante participação regional e intermunicipal, a respeito da or- XII - realização de operações externas de
complementar da iniciativa privada, serão ganização das redes de ações e serviços de natureza financeira de interesse da saúde,
organizados de forma regionalizada e hierar- saúde, principalmente no tocante à sua gover- autorizadas pelo Senado Federal;
quizada em níveis de complexidade crescente. nança institucional e à integração das ações e XIII - para atendimento de necessidades co-
Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde serviços dos entes federados;  (Incluído pela letivas, urgentes e transitórias, decorrentes
(SUS) é única, de acordo com o inciso I do art. Lei nº 12.466, de 2011). de situações de perigo iminente, de calami-
198 da Constituição Federal, sendo exercida III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde, dade pública ou de irrupção de epidemias,
em cada esfera de governo pelos seguintes distrito sanitário, integração de territórios, re- a autoridade competente da esfera admi-
órgãos: ferência e contrarreferência e demais aspectos nistrativa correspondente poderá requisitar
I - no âmbito da União, pelo Ministério da vinculados à integração das ações e serviços bens e serviços, tanto de pessoas naturais
Saúde; de saúde entre os entes federados.  (Incluído como de jurídicas, sendo-lhes assegurada
II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela Lei nº 12.466, de 2011). justa indenização;
pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários XIV - implementar o Sistema Nacional de San-
equivalente; e de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Se- gue, Componentes e Derivados;
III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva cretarias Municipais de Saúde (Conasems) são XV - propor a celebração de convênios, acor-
Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. reconhecidos como entidades representativas dos e protocolos internacionais relativos à
dos entes estaduais e municipais para tratar saúde, saneamento e meio ambiente;
Art. 10. Os municípios poderão constituir con-
de matérias referentes à saúde e declarados
sórcios para desenvolver em conjunto as ações XVI - elaborar normas técnico-científicas de
de utilidade pública e de relevante função
e os serviços de saúde que lhes correspondam. promoção, proteção e recuperação da saúde;
social, na forma do regulamento.  (Incluído
§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos pela Lei nº 12.466, de 2011). XVII - promover articulação com os órgãos de
intermunicipais o princípio da direção única, fiscalização do exercício profissional e outras
§ 1º O Conass e o Conasems receberão recur-
e os respectivos atos constitutivos disporão entidades representativas da sociedade civil
sos do orçamento geral da União por meio
sobre sua observância. para a definição e controle dos padrões éticos
do Fundo Nacional de Saúde, para auxiliar
§ 2º No nível municipal, o Sistema Único de no custeio de suas despesas institucionais, para pesquisa, ações e serviços de saúde;
Saúde (SUS), poderá organizar-se em distritos podendo ainda celebrar convênios com a XVIII - promover a articulação da política e
de forma a integrar e articular recursos, técni- União.  (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). dos planos de saúde;
cas e práticas voltadas para a cobertura total
§ 2º Os Conselhos de Secretarias Municipais de XIX - realizar pesquisas e estudos na área
das ações de saúde.
Saúde (Cosems) são reconhecidos como enti- de saúde;
Art. 11. (Vetado). dades que representam os entes municipais, XX - definir as instâncias e mecanismos de
Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais no âmbito estadual, para tratar de matérias controle e fiscalização inerentes ao poder de
de âmbito nacional, subordinadas ao Conselho referentes à saúde, desde que vinculados polícia sanitária;
Nacional de Saúde, integradas pelos Ministé- institucionalmente ao Conasems, na forma
rios e órgãos competentes e por entidades XXI - fomentar, coordenar e executar progra-
que dispuserem seus estatutos.  (Incluído
representativas da sociedade civil. mas e projetos estratégicos e de atendimento
pela Lei nº 12.466, de 2011).
Parágrafo único. As comissões interseto- emergencial.
riais terão a finalidade de articular políticas CAPÍTULO IV
DA COMPETÊNCIA E DAS SEÇÃO II
e programas de interesse para a saúde, cuja DA COMPETÊNCIA
execução envolva áreas não compreendidas ATRIBUIÇÕES
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 16. A direção nacional do Sistema Único
Art. 13. A articulação das políticas e progra- SEÇÃO I da Saúde (SUS) compete:
mas, a cargo das comissões intersetoriais, DAS ATRIBUIÇÕES COMUNS I - formular, avaliar e apoiar políticas de ali-
abrangerá, em especial, as seguintes ativi- mentação e nutrição;
dades: Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios exercerão, em seu âmbito II - participar na formulação e na implemen-
I - alimentação e nutrição; administrativo, as seguintes atribuições: tação das políticas:
II - saneamento e meio ambiente; I - definição das instâncias e mecanismos de a) de controle das agressões ao meio ambiente;
III - vigilância sanitária e farmacoepidemio- controle, avaliação e de fiscalização das ações b) de saneamento básico; e
logia; e serviços de saúde; c) relativas às condições e aos ambientes de
IV - recursos humanos; II - administração dos recursos orçamentários e trabalho;
V - ciência e tecnologia; e financeiros destinados, em cada ano, à saúde; III - definir e coordenar os sistemas:

46
LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR Lei 8.080/1990
a) de redes integradas de assistência de alta II - acompanhar, controlar e avaliar as redes hie- X - observado o disposto no art. 26 desta Lei,
complexidade; rarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); celebrar contratos e convênios com entidades
b) de rede de laboratórios de saúde pública; III - prestar apoio técnico e financeiro aos prestadoras de serviços privados de saúde,
c) de vigilância epidemiológica; e Municípios e executar supletivamente ações bem como controlar e avaliar sua execução;
d) vigilância sanitária; e serviços de saúde; XI - controlar e fiscalizar os procedimentos
IV - participar da definição de normas e meca- IV - coordenar e, em caráter complementar, dos serviços privados de saúde;
nismos de controle, com órgão afins, de agravo executar ações e serviços: XII - normatizar complementarmente as ações
sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, a) de vigilância epidemiológica; e serviços públicos de saúde no seu âmbito
que tenham repercussão na saúde humana; b) de vigilância sanitária; de atuação.
V - participar da definição de normas, critérios c) de alimentação e nutrição; e Art. 19. Ao Distrito Federal competem as
e padrões para o controle das condições e dos d) de saúde do trabalhador; atribuições reservadas aos Estados e aos
ambientes de trabalho e coordenar a política Municípios.
V - participar, junto com os órgãos afins, do
de saúde do trabalhador; controle dos agravos do meio ambiente que CAPÍTULO V
VI - coordenar e participar na execução das tenham repercussão na saúde humana; DO SUBSISTEMA DE ATENÇÃO À
ações de vigilância epidemiológica; VI - participar da formulação da política e da SAÚDE INDÍGENA
VII - estabelecer normas e executar a vigilância execução de ações de saneamento básico;
``(Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
sanitária de portos, aeroportos e fronteiras,
VII - participar das ações de controle e ava-
podendo a execução ser complementada Art. 19-A. As ações e serviços de saúde vol-
liação das condições e dos ambientes de
pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; tados para o atendimento das populações
trabalho;
VIII - estabelecer critérios, parâmetros e méto- indígenas, em todo o território nacional, co-
VIII - em caráter suplementar, formular, execu- letiva ou individualmente, obedecerão ao
dos para o controle da qualidade sanitária de
tar, acompanhar e avaliar a política de insumos disposto nesta Lei.  (Incluído pela Lei nº
produtos, substâncias e serviços de consumo
e equipamentos para a saúde; 9.836, de 1999)
e uso humano;
IX - identificar estabelecimentos hospitalares Art. 19-B. É instituído um Subsistema de
IX - promover articulação com os órgãos
de referência e gerir sistemas públicos de Atenção à Saúde Indígena, componente do
educacionais e de fiscalização do exercício
alta complexidade, de referência estadual Sistema Único de Saúde – SUS, criado e de-
profissional, bem como com entidades repre-
e regional; finido por esta Lei, e pela Lei no 8.142, de 28
sentativas de formação de recursos humanos
na área de saúde; X - coordenar a rede estadual de laboratórios de dezembro de 1990, com o qual funcionará
de saúde pública e hemocentros, e gerir as em perfeita integração.  (Incluído pela Lei nº
X - formular, avaliar, elaborar normas e par-
ticipar na execução da política nacional e unidades que permaneçam em sua organi- 9.836, de 1999)
produção de insumos e equipamentos para zação administrativa; Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos
a saúde, em articulação com os demais órgãos XI - estabelecer normas, em caráter suple- próprios, financiar o Subsistema de Atenção à
governamentais; mentar, para o controle e avaliação das ações Saúde Indígena.  (Incluído pela Lei nº 9.836,
XI - identificar os serviços estaduais e mu- e serviços de saúde; de 1999)
nicipais de referência nacional para o XII - formular normas e estabelecer padrões, Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação
estabelecimento de padrões técnicos de as- em caráter suplementar, de procedimentos do Subsistema instituído por esta Lei com os
sistência à saúde; de controle de qualidade para produtos e órgãos responsáveis pela Política Indígena
XII - controlar e fiscalizar procedimentos, pro- substâncias de consumo humano; do País.  (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
dutos e substâncias de interesse para a saúde; XIII - colaborar com a União na execução da Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras
XIII - prestar cooperação técnica e financeira vigilância sanitária de portos, aeroportos e instituições governamentais e não-governa-
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí- fronteiras; mentais poderão atuar complementarmente
pios para o aperfeiçoamento da sua atuação XIV - o acompanhamento, a avaliação e di- no custeio e execução das ações.  (Incluído
institucional; vulgação dos indicadores de morbidade e pela Lei nº 9.836, de 1999)
XIV - elaborar normas para regular as relações mortalidade no âmbito da unidade federada. Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar
entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os Art. 18. À direção municipal do Sistema de em consideração a realidade local e as espe-
serviços privados contratados de assistência Saúde (SUS) compete: cificidades da cultura dos povos indígenas e o
à saúde; modelo a ser adotado para a atenção à saúde
I - planejar, organizar, controlar e avaliar as
indígena, que se deve pautar por uma aborda-
XV - promover a descentralização para as ações e os serviços de saúde e gerir e executar
gem diferenciada e global, contemplando os
Unidades Federadas e para os Municípios, dos os serviços públicos de saúde;
aspectos de assistência à saúde, saneamento
serviços e ações de saúde, respectivamente, II - participar do planejamento, programação básico, nutrição, habitação, meio ambiente,
de abrangência estadual e municipal; e organização da rede regionalizada e hierar- demarcação de terras, educação sanitária e
XVI - normatizar e coordenar nacionalmente quizada do Sistema Único de Saúde (SUS), em integração institucional.  (Incluído pela Lei
o Sistema Nacional de Sangue, Componentes articulação com sua direção estadual; nº 9.836, de 1999)
e Derivados; III - participar da execução, controle e avalia- Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde
XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações ção das ações referentes às condições e aos Indígena deverá ser, como o SUS, descentraliza-
e os serviços de saúde, respeitadas as compe- ambientes de trabalho; do, hierarquizado e regionalizado.  (Incluído
tências estaduais e municipais; IV - executar serviços: pela Lei nº 9.836, de 1999)
XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico a) de vigilância epidemiológica; § 1º O Subsistema de que trata o caput deste
Nacional no âmbito do SUS, em cooperação b) vigilância sanitária; artigo terá como base os Distritos Sanitários
técnica com os Estados, Municípios e Distrito c) de alimentação e nutrição; Especiais Indígenas.  (Incluído pela Lei nº
Federal; 9.836, de 1999)
d) de saneamento básico; e
XIX - estabelecer o Sistema Nacional de e) de saúde do trabalhador; § 2º O SUS servirá de retaguarda e referência
Auditoria e coordenar a avaliação técnica e ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena,
financeira do SUS em todo o Território Nacio- V - dar execução, no âmbito municipal, à polí-
tica de insumos e equipamentos para a saúde; devendo, para isso, ocorrer adaptações na
nal em cooperação técnica com os Estados, estrutura e organização do SUS nas regiões
Municípios e Distrito Federal. VI - colaborar na fiscalização das agressões onde residem as populações indígenas, para
Parágrafo único. A União poderá executar ao meio ambiente que tenham repercussão propiciar essa integração e o atendimento
ações de vigilância epidemiológica e sani- sobre a saúde humana e atuar, junto aos órgãos necessário em todos os níveis, sem discrimi-
tária em circunstâncias especiais, como na municipais, estaduais e federais competentes, nações.  (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
ocorrência de agravos inusitados à saúde, que para controlá-las;
§ 3º As populações indígenas devem ter acesso
possam escapar do controle da direção esta- VII - formar consórcios administrativos in- garantido ao SUS, em âmbito local, regional
dual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que termunicipais; e de centros especializados, de acordo com
representem risco de disseminação nacional. VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e suas necessidades, compreendendo a atenção
Art. 17. À direção estadual do Sistema Único hemocentros; primária, secundária e terciária à saúde.  (In-
de Saúde (SUS) compete: IX - colaborar com a União e os Estados na cluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
I - promover a descentralização para os Mu- execução da vigilância sanitária de portos, Art. 19-H. As populações indígenas terão
nicípios dos serviços e das ações de saúde; aeroportos e fronteiras; direito a participar dos organismos colegiados

47
Lei 8.080/1990 LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR
de formulação, acompanhamento e avaliação II - oferta de procedimentos terapêuticos, em § 2º O relatório da Comissão Nacional de In-
das políticas de saúde, tais como o Conselho regime domiciliar, ambulatorial e hospitalar, corporação de Tecnologias no SUS levará em
Nacional de Saúde e os Conselhos Estaduais e constantes de tabelas elaboradas pelo ges- consideração, necessariamente:  (Incluído
Municipais de Saúde, quando for o caso.  (In- tor federal do Sistema Único de Saúde - SUS, pela Lei nº 12.401, de 2011)
cluído pela Lei nº 9.836, de 1999) realizados no território nacional por serviço I - as evidências científicas sobre a eficácia, a
próprio, conveniado ou contratado. acurácia, a efetividade e a segurança do me-
CAPÍTULO VI
DO SUBSISTEMA DE ATENDIMENTO E Art. 19-N. Para os efeitos do disposto no art. dicamento, produto ou procedimento objeto
INTERNAÇÃO DOMICILIAR 19-M, são adotadas as seguintes definições: do processo, acatadas pelo órgão competente
I - produtos de interesse para a saúde: órteses, para o registro ou a autorização de uso;  (In-
``(Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) próteses, bolsas coletoras e equipamentos cluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do médicos; II - a avaliação econômica comparativa dos be-
Sistema Único de Saúde, o atendimento do- II - protocolo clínico e diretriz terapêutica: nefícios e dos custos em relação às tecnologias
miciliar e a internação domiciliar.  (Incluído documento que estabelece critérios para o já incorporadas, inclusive no que se refere
pela Lei nº 10.424, de 2002) diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; aos atendimentos domiciliar, ambulatorial ou
§ 1º Na modalidade de assistência de atendi- o tratamento preconizado, com os medica- hospitalar, quando cabível.  (Incluído pela Lei
mento e internação domiciliares incluem-se, mentos e demais produtos apropriados, nº 12.401, de 2011)
principalmente, os procedimentos médicos, de quando couber; as posologias recomendadas; Art. 19-R. A incorporação, a exclusão e a altera-
enfermagem, fisioterapêuticos, psicológicos e os mecanismos de controle clínico; e o acom- ção a que se refere o art. 19-Q serão efetuadas
de assistência social, entre outros necessários panhamento e a verificação dos resultados mediante a instauração de processo adminis-
ao cuidado integral dos pacientes em seu do- terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores trativo, a ser concluído em prazo não superior
micílio.  (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) do SUS.  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) a 180 (cento e oitenta) dias, contado da data
§ 2º O atendimento e a internação domiciliares Art. 19-O. Os protocolos clínicos e as diretrizes em que foi protocolado o pedido, admitida a
serão realizados por equipes multidisciplinares terapêuticas deverão estabelecer os medica- sua prorrogação por 90 (noventa) dias corridos,
que atuarão nos níveis da medicina preventiva, mentos ou produtos necessários nas diferentes quando as circunstâncias exigirem.  (Incluído
terapêutica e reabilitadora.  (Incluído pela Lei fases evolutivas da doença ou do agravo à saú- pela Lei nº 12.401, de 2011)
nº 10.424, de 2002) de de que tratam, bem como aqueles indicados § 1º O processo de que trata o caput deste
§ 3º O atendimento e a internação domiciliares em casos de perda de eficácia e de surgimento artigo observará, no que couber, o disposto
só poderão ser realizados por indicação médi- de intolerância ou reação adversa relevante, na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e as
ca, com expressa concordância do paciente e provocadas pelo medicamento, produto ou seguintes determinações especiais:  (Incluído
de sua família.  (Incluído pela Lei nº 10.424, procedimento de primeira escolha.  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
de 2002) pela Lei nº 12.401, de 2011) I - apresentação pelo interessado dos docu-
Parágrafo único. Em qualquer caso, os mentos e, se cabível, das amostras de produtos,
CAPÍTULO VII na forma do regulamento, com informações
DO SUBSISTEMA DE medicamentos ou produtos de que trata o
caput deste artigo serão aqueles avaliados necessárias para o atendimento do disposto
ACOMPANHAMENTO DURANTE O no § 2o do art. 19-Q;  (Incluído pela Lei nº
TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS- quanto à sua eficácia, segurança, efetividade
e custo-efetividade para as diferentes fases 12.401, de 2011)
PARTO IMEDIATO II - (VETADO);  (Incluído pela Lei nº 12.401,
evolutivas da doença ou do agravo à saúde
``(Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) de que trata o protocolo.  (Incluído pela Lei de 2011)
Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema nº 12.401, de 2011) III - realização de consulta pública que inclua a
Único de Saúde - SUS, da rede própria ou con- divulgação do parecer emitido pela Comissão
Art. 19-P. Na falta de protocolo clínico ou de
veniada, ficam obrigados a permitir a presença, Nacional de Incorporação de Tecnologias no
diretriz terapêutica, a dispensação será reali-
junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante SUS;  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
zada:  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
durante todo o período de trabalho de parto, IV - realização de audiência pública, antes da
I - com base nas relações de medicamentos tomada de decisão, se a relevância da maté-
parto e pós-parto imediato.  (Incluído pela instituídas pelo gestor federal do SUS, obser-
Lei nº 11.108, de 2005) ria justificar o evento.  (Incluído pela Lei nº
vadas as competências estabelecidas nesta 12.401, de 2011)
§ 1º O acompanhante de que trata o caput Lei, e a responsabilidade pelo fornecimento
deste artigo será indicado pela parturien- § 2º (VETADO).  (Incluído pela Lei nº 12.401,
será pactuada na Comissão Intergestores Tri-
te.  (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) de 2011)
partite;  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
§ 2º As ações destinadas a viabilizar o pleno Art. 19-S. (VETADO).  (Incluído pela Lei nº
II - no âmbito de cada Estado e do Distrito
exercício dos direitos de que trata este artigo 12.401, de 2011)
Federal, de forma suplementar, com base nas
constarão do regulamento da lei, a ser elabo- relações de medicamentos instituídas pelos Art. 19-T. São vedados, em todas as esferas de
rado pelo órgão competente do Poder Execu- gestores estaduais do SUS, e a responsabi- gestão do SUS:  (Incluído pela Lei nº 12.401,
tivo.  (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) lidade pelo fornecimento será pactuada na de 2011)
§ 3º Ficam os hospitais de todo o País obri- Comissão Intergestores Bipartite;  (Incluído I - o pagamento, o ressarcimento ou o reembol-
gados a manter, em local visível de suas de- pela Lei nº 12.401, de 2011) so de medicamento, produto e procedimento
pendências, aviso informando sobre o direito clínico ou cirúrgico experimental, ou de uso
III - no âmbito de cada Município, de for-
estabelecido no caput deste artigo.  (Incluído não autorizado pela Agência Nacional de Vi-
ma suplementar, com base nas relações de
pela Lei nº 12.895, de 2013) gilância Sanitária - ANVISA;  (Incluído pela
medicamentos instituídas pelos gestores
Art. 19-L. (VETADO)  (Incluído pela Lei nº municipais do SUS, e a responsabilidade pe- Lei nº 12.401, de 2011)
11.108, de 2005) lo fornecimento será pactuada no Conselho II - a dispensação, o pagamento, o ressarci-
Municipal de Saúde.  (Incluído pela Lei nº mento ou o reembolso de medicamento e
CAPÍTULO VIII produto, nacional ou importado, sem registro
DA ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA E DA 12.401, de 2011)
na Anvisa.”
INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIA EM Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a
SAÚDE alteração pelo SUS de novos medicamentos, Art. 19-U. A responsabilidade financeira pelo
produtos e procedimentos, bem como a cons- fornecimento de medicamentos, produtos
``(Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) tituição ou a alteração de protocolo clínico de interesse para a saúde ou procedimentos
Art. 19-M. A assistência terapêutica integral ou de diretriz terapêutica, são atribuições do de que trata este Capítulo será pactuada na
a que se refere a alínea d do inciso I do art. Ministério da Saúde, assessorado pela Comis- Comissão Intergestores Tripartite.  (Incluído
6o consiste em:  (Incluído pela Lei nº 12.401, são Nacional de Incorporação de Tecnologias pela Lei nº 12.401, de 2011)TÍTULO III
de 2011) no SUS.  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE
I - dispensação de medicamentos e produtos § 1º A Comissão Nacional de Incorporação de ASSISTÊNCIA À SAÙDE
de interesse para a saúde, cuja prescrição Tecnologias no SUS, cuja composição e regi-
esteja em conformidade com as diretrizes mento são definidos em regulamento, contará CAPÍTULO I
terapêuticas definidas em protocolo clínico com a participação de 1 (um) representante DO FUNCIONAMENTO
para a doença ou o agravo à saúde a ser tratado indicado pelo Conselho Nacional de Saúde
ou, na falta do protocolo, em conformidade e de 1 (um) representante, especialista na Art. 20. Os serviços privados de assistência
com o disposto no art. 19-P;  (Incluído pela área, indicado pelo Conselho Federal de Me- à saúde caracterizam-se pela atuação, por
Lei nº 12.401, de 2011) dicina.  (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) iniciativa própria, de profissionais liberais,

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LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR Lei 8.080/1990
legalmente habilitados, e de pessoas jurídicas TÍTULO IV mente em contas especiais, movimentadas
de direito privado na promoção, proteção e DOS RECURSOS HUMANOS pela sua direção, na esfera de poder onde
recuperação da saúde. forem arrecadadas.
Art. 27. A política de recursos humanos na § 3º As ações de saneamento que venham a
Art. 21. A assistência à saúde é livre à inicia-
área da saúde será formalizada e executa- ser executadas supletivamente pelo Sistema
tiva privada. da, articuladamente, pelas diferentes esferas Único de Saúde (SUS), serão financiadas por
Art. 22. Na prestação de serviços privados de de governo, em cumprimento dos seguintes recursos tarifários específicos e outros da
assistência à saúde, serão observados os prin- objetivos: União, Estados, Distrito Federal, Municípios
cípios éticos e as normas expedidas pelo órgão I - organização de um sistema de formação e, em particular, do Sistema Financeiro da
de direção do Sistema Único de Saúde (SUS) de recursos humanos em todos os níveis de Habitação (SFH).
quanto às condições para seu funcionamento. ensino, inclusive de pós-graduação, além da § 4º (Vetado).
Art. 23. É permitida a participação direta ou elaboração de programas de permanente § 5º As atividades de pesquisa e desenvolvi-
indireta, inclusive controle, de empresas ou aperfeiçoamento de pessoal; mento científico e tecnológico em saúde serão
de capital estrangeiro na assistência à saúde II - (Vetado) co-financiadas pelo Sistema Único de Saúde
nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei III - (Vetado) (SUS), pelas universidades e pelo orçamento
nº 13.097, de 2015) IV - valorização da dedicação exclusiva aos fiscal, além de recursos de instituições de fo-
I - doações de organismos internacionais vin- serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). mento e financiamento ou de origem externa
culados à Organização das Nações Unidas, de Parágrafo único. Os serviços públicos que e receita própria das instituições executoras.
entidades de cooperação técnica e de finan- integram o Sistema Único de Saúde (SUS) § 6º (Vetado).
ciamento e empréstimos;  (Incluído pela Lei constituem campo de prática para ensino
nº 13.097, de 2015) CAPÍTULO II
e pesquisa, mediante normas específicas, DA GESTÃO FINANCEIRA
II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, elaboradas conjuntamente com o sistema
operacionalizar ou explorar:  (Incluído pela educacional. Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema
Lei nº 13.097, de 2015) Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção Único de Saúde (SUS) serão depositados em
a) hospital geral, inclusive filantrópico, hos- e assessoramento, no âmbito do Sistema Único conta especial, em cada esfera de sua atuação,
pital especializado, policlínica, clínica geral e de Saúde (SUS), só poderão ser exercidas em e movimentados sob fiscalização dos respec-
clínica especializada; e  (Incluído pela Lei nº regime de tempo integral. tivos Conselhos de Saúde.
13.097, de 2015) § 1° Os servidores que legalmente acumulam § 1º Na esfera federal, os recursos financei-
b) ações e pesquisas de planejamento fami- dois cargos ou empregos poderão exercer suas ros, originários do Orçamento da Seguridade
liar;  (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) atividades em mais de um estabelecimento do Social, de outros Orçamentos da União, além
Sistema Único de Saúde (SUS). de outras fontes, serão administrados pelo
III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade
§ 2° O disposto no parágrafo anterior aplica- Ministério da Saúde, através do Fundo Na-
lucrativa, por empresas, para atendimento
-se também aos servidores em regime de cional de Saúde.
de seus empregados e dependentes, sem
tempo integral, com exceção dos ocupantes § 2º (Vetado).
qualquer ônus para a seguridade social; e  (In-
de cargos ou função de chefia, direção ou § 3º (Vetado).
cluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
assessoramento. § 4º O Ministério da Saúde acompanhará,
IV - demais casos previstos em legislação es- Art. 29. (Vetado). através de seu sistema de auditoria, a confor-
pecífica.  (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
Art. 30. As especializações na forma de trei- midade à programação aprovada da aplicação
CAPÍTULO II namento em serviço sob supervisão serão dos recursos repassados a Estados e Municí-
DA PARTICIPAÇÃO COMPLEMENTAR regulamentadas por Comissão Nacional, pios. Constatada a malversação, desvio ou não
instituída de acordo com o art. 12 desta Lei, aplicação dos recursos, caberá ao Ministério
Art. 24. Quando as suas disponibilidades fo- garantida a participação das entidades pro- da Saúde aplicar as medidas previstas em lei.
rem insuficientes para garantir a cobertura fissionais correspondentes. Art. 34. As autoridades responsáveis pela
assistencial à população de uma determinada distribuição da receita efetivamente arreca-
área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá TÍTULO V
dada transferirão automaticamente ao Fundo
DO FINANCIAMENTO
recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa Nacional de Saúde (FNS), observado o critério
privada. do parágrafo único deste artigo, os recursos
CAPÍTULO I financeiros correspondentes às dotações con-
Parágrafo único. A participação complemen-
DOS RECURSOS signadas no Orçamento da Seguridade Social,
tar dos serviços privados será formalizada
mediante contrato ou convênio, observadas, a Art. 31. O orçamento da seguridade social a projetos e atividades a serem executados
respeito, as normas de direito público. destinará ao Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as de acordo com a receita estimada, os recursos Parágrafo único. Na distribuição dos recursos
entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos necessários à realização de suas finalidades, financeiros da Seguridade Social será observa-
terão preferência para participar do Sistema previstos em proposta elaborada pela sua di- da a mesma proporção da despesa prevista de
Único de Saúde (SUS). reção nacional, com a participação dos órgãos cada área, no Orçamento da Seguridade Social.
Art. 26. Os critérios e valores para a remunera- da Previdência Social e da Assistência Social, Art. 35. Para o estabelecimento de valores a
tendo em vista as metas e prioridades esta- serem transferidos a Estados, Distrito Federal
ção de serviços e os parâmetros de cobertura
belecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. e Municípios, será utilizada a combinação dos
assistencial serão estabelecidos pela direção
Art. 32. São considerados de outras fontes os seguintes critérios, segundo análise técnica de
nacional do Sistema Único de Saúde (SUS),
recursos provenientes de: programas e projetos:
aprovados no Conselho Nacional de Saúde.
I - (Vetado) I - perfil demográfico da região;
§ 1° Na fixação dos critérios, valores, formas
de reajuste e de pagamento da remuneração II - Serviços que possam ser prestados sem II - perfil epidemiológico da população a ser
aludida neste artigo, a direção nacional do prejuízo da assistência à saúde; coberta;
Sistema Único de Saúde (SUS) deverá funda- III - ajuda, contribuições, doações e donativos; III - características quantitativas e qualitativas
mentar seu ato em demonstrativo econômico- IV - alienações patrimoniais e rendimentos da rede de saúde na área;
-financeiro que garanta a efetiva qualidade de de capital; IV - desempenho técnico, econômico e finan-
execução dos serviços contratados. V - taxas, multas, emolumentos e preços públi- ceiro no período anterior;
§ 2° Os serviços contratados submeter-se-ão cos arrecadados no âmbito do Sistema Único V - níveis de participação do setor saúde nos
às normas técnicas e administrativas e aos de Saúde (SUS); e orçamentos estaduais e municipais;
princípios e diretrizes do Sistema Único de VI - rendas eventuais, inclusive comerciais VI - previsão do plano qüinqüenal de inves-
Saúde (SUS), mantido o equilíbrio econômico e industriais. timentos da rede;
e financeiro do contrato. § 1° Ao Sistema Único de Saúde (SUS) caberá VII - ressarcimento do atendimento a serviços
§ 3° (Vetado). metade da receita de que trata o inciso I des- prestados para outras esferas de governo.
§ 4° Aos proprietários, administradores e diri- te artigo, apurada mensalmente, a qual será § 1º Metade dos recursos destinados a Esta-
gentes de entidades ou serviços contratados é destinada à recuperação de viciados. dos e Municípios será distribuída segundo
vedado exercer cargo de chefia ou função de § 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema o quociente de sua divisão pelo número de
confiança no Sistema Único de Saúde (SUS). Único de Saúde (SUS) serão creditadas direta- habitantes, independentemente de qualquer

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Lei 8.080/1990 LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR
procedimento prévio. (Revogado pela Lei § 3º (Vetado). § 2º Em tempo de paz e havendo interesse
Complementar nº 141, de 2012) § 4º (Vetado). recíproco, os serviços de saúde das Forças
§ 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos § 5º A cessão de uso dos imóveis de proprie- Armadas poderão integrar-se ao Sistema
a notório processo de migração, os critérios dade do Inamps para órgãos integrantes do Único de Saúde (SUS), conforme se dispuser
demográficos mencionados nesta lei serão Sistema Único de Saúde (SUS) será feita de em convênio que, para esse fim, for firmado.
ponderados por outros indicadores de cres- modo a preservá-los como patrimônio da Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS),
cimento populacional, em especial o número Seguridade Social. estabelecerá mecanismos de incentivos à
de eleitores registrados. § 6º Os imóveis de que trata o parágrafo participação do setor privado no investimento
§ 3º (Vetado). anterior serão inventariados com todos os em ciência e tecnologia e estimulará a trans-
§ 4º (Vetado). seus acessórios, equipamentos e outros bens ferência de tecnologia das universidades e
§ 5º (Vetado). móveis e ficarão disponíveis para utilização institutos de pesquisa aos serviços de saúde
§ 6º O disposto no parágrafo anterior não pelo órgão de direção municipal do Sistema nos Estados, Distrito Federal e Municípios, e
prejudica a atuação dos órgãos de controle Único de Saúde - SUS ou, eventualmente, pelo às empresas nacionais.
interno e externo e nem a aplicação de pe- estadual, em cuja circunscrição administrativa Art. 47. O Ministério da Saúde, em articula-
nalidades previstas em lei, em caso de irregu- se encontrem, mediante simples termo de ção com os níveis estaduais e municipais do
laridades verificadas na gestão dos recursos recebimento. Sistema Único de Saúde (SUS), organizará, no
transferidos. § 7º (Vetado). prazo de dois anos, um sistema nacional de
§ 8º O acesso aos serviços de informática e informações em saúde, integrado em todo
CAPÍTULO III bases de dados, mantidos pelo Ministério o território nacional, abrangendo questões
DO PLANEJAMENTO E DO da Saúde e pelo Ministério do Trabalho e da epidemiológicas e de prestação de serviços.
ORÇAMENTO Previdência Social, será assegurado às Secre- Art. 48. (Vetado).
tarias Estaduais e Municipais de Saúde ou Art. 49. (Vetado).
Art. 36. O processo de planejamento e or- órgãos congêneres, como suporte ao processo
çamento do Sistema Único de Saúde (SUS) de gestão, de forma a permitir a gerencia Art. 50. Os convênios entre a União, os Estados
será ascendente, do nível local até o federal, informatizada das contas e a disseminação e os Municípios, celebrados para implantação
ouvidos seus órgãos deliberativos, compati- de estatísticas sanitárias e epidemiológicas dos Sistemas Unificados e Descentralizados de
bilizando-se as necessidades da política de médico-hospitalares. Saúde, ficarão rescindidos à proporção que
saúde com a disponibilidade de recursos em seu objeto for sendo absorvido pelo Sistema
Art. 40. (Vetado) Único de Saúde (SUS).
planos de saúde dos Municípios, dos Estados,
do Distrito Federal e da União. Art. 41. As ações desenvolvidas pela Fundação Art. 51. (Vetado).
das Pioneiras Sociais e pelo Instituto Nacio-
§ 1º Os planos de saúde serão a base das Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabí-
nal do Câncer, supervisionadas pela direção
atividades e programações de cada nível de veis, constitui crime de emprego irregular de
nacional do Sistema Único de Saúde (SUS),
direção do Sistema Único de Saúde (SUS), e verbas ou rendas públicas (Código Penal, art.
permanecerão como referencial de prestação
seu financiamento será previsto na respectiva 315) a utilização de recursos financeiros do
de serviços, formação de recursos humanos e
proposta orçamentária. Sistema Único de Saúde (SUS) em finalidades
para transferência de tecnologia.
§ 2º É vedada a transferência de recursos diversas das previstas nesta lei.
Art. 42. (Vetado).
para o financiamento de ações não previstas Art. 53. (Vetado).
nos planos de saúde, exceto em situações Art. 43. A gratuidade das ações e serviços de
saúde fica preservada nos serviços públicos Art. 53-A. Na qualidade de ações e serviços
emergenciais ou de calamidade pública, na de saúde, as atividades de apoio à assistência
área de saúde. contratados, ressalvando-se as cláusulas dos
contratos ou convênios estabelecidos com as à saúde são aquelas desenvolvidas pelos la-
Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde esta- boratórios de genética humana, produção e
entidades privadas.
belecerá as diretrizes a serem observadas na fornecimento de medicamentos e produtos
elaboração dos planos de saúde, em função Art. 44. (Vetado).
para saúde, laboratórios de analises clínicas,
das características epidemiológicas e da or- Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais anatomia patológica e de diagnóstico por
ganização dos serviços em cada jurisdição universitários e de ensino integram-se ao Siste- imagem e são livres à participação direta ou
administrativa. ma Único de Saúde (SUS), mediante convênio, indireta de empresas ou de capitais estran-
Art. 38. Não será permitida a destinação de preservada a sua autonomia administrativa, geiros.  (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
subvenções e auxílios a instituições presta- em relação ao patrimônio, aos recursos huma-
Art. 54. Esta lei entra em vigor na data de
nos e financeiros, ensino, pesquisa e extensão
doras de serviços de saúde com finalidade sua publicação.
nos limites conferidos pelas instituições a que
lucrativa. Art. 55. São revogadas a Lei nº. 2.312, de 3 de
estejam vinculados.
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E § 1º Os serviços de saúde de sistemas es- setembro de 1954, a Lei nº. 6.229, de 17 de julho
TRANSITÓRIAS taduais e municipais de previdência social de 1975, e demais disposições em contrário.
deverão integrar-se à direção correspondente Brasília, 19 de setembro de 1990; 169º da
Art. 39. (Vetado). do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme Independência e 102º da República.
§ 1º (Vetado). seu âmbito de atuação, bem como quaisquer FERNANDO COLLOR
§ 2º (Vetado). outros órgãos e serviços de saúde. DOU de 20.9.1990

50
Estatuto da Terra Art. 1º

ESTATUTO DA TERRA
LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964

Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras pro­ direito à propriedade da terra em condomínio, como realizar os demais objetivos previstos na
vidências. quer sob a forma de cooperativas quer como legislação vigente;
sociedades abertas constituídas na forma da IX – “Colonização”, toda a atividade oficial
TÍTULO I. legislação em vigor. ou particular, que se destine a promover o
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Parágrafo único. Os estatutos das cooperati- aproveitamento econômico da terra, pela sua
vas e demais sociedades, que se organizarem divisão em propriedade familiar ou através de
CAPÍTULO I. na forma prevista neste artigo, deverão ser Cooperativas […] (Vetado) […]
PRINCÍPIOS E DEFINIÇÕES aprovados pelo Instituto Brasileiro de Reforma Parágrafo único. Não se considera latifúndio:
Agrária (I.B.R.A.) que estabelecerá condições a) o imóvel rural, qualquer que seja a sua di-
Art. 1º. Esta Lei regula os direitos e obrigações
concernentes aos bens imóveis rurais, para mínimas para a democratização dessas so- mensão, cujas características recomendem,
os fins de execução da Reforma Agrária e ciedades. sob o ponto de vista técnico e econômico, a
promoção da Política Agrícola. Art. 4º. Para os efeitos desta Lei, definem-se: exploração florestal racionalmente realizada,
§ 1º. Considera-se Reforma Agrária o conjunto I – “Imóvel Rural”, o prédio rústico, de área mediante planejamento adequado;
de medidas que visem a promover melhor contínua qualquer que seja a sua localização b) o imóvel rural, ainda que de domínio particu-
distribuição da terra, mediante modificações que se destina à exploração extrativa agrícola, lar, cujo objeto de preservação florestal ou de
no regime de sua posse e uso, a fim de atender pecuária ou agroindustrial, quer através de outros recursos naturais haja sido reconhecido
aos princípios de justiça social e ao aumento planos públicos de valorização, quer através para fins de tombamento, pelo órgão compe-
de produtividade. de iniciativa privada; tente da administração pública.
§ 2º. Entende-se por Política Agrícola o con- II – “Propriedade Familiar”, o imóvel rural que, Art. 5º. A dimensão da área dos módulos de
junto de providências de amparo à proprie- direta e pessoalmente explorado pelo agri- propriedade rural será fixada para cada zona
dade da terra, que se destinem a orientar, cultor e sua família, lhes absorva toda a força de características econômicas e ecológicas
no interesse da economia rural, as atividades homogêneas, distintamente, por tipos de
de trabalho, garantindo-lhes a subsistência
agropecuárias, seja no sentido de garantir-lhes exploração rural que nela possam ocorrer.
e o progresso social e econômico, com área
o pleno emprego, seja no de harmonizá-las máxima fixada para cada região e tipo de Parágrafo único. No caso de exploração mis-
com o processo de industrialização do país. exploração, e eventualmente trabalho com a ta, o módulo será fixado pela média ponderada
Art. 2º. É assegurada a todos a oportunidade das partes do imóvel destinadas a cada um dos
ajuda de terceiros;
de acesso à propriedade da terra, condiciona- tipos de exploração considerados.
III – “Módulo Rural”, a área fixada nos termos
da pela sua função social, na forma prevista do inciso anterior; CAPÍTULO II.
nesta Lei. DOS ACORDOS E CONVÊNIOS
IV – “Minifúndio”, o imóvel rural de área e possi-
§ 1º. A propriedade da terra desempenha bilidades inferiores às da propriedade familiar;
integralmente a sua função social quando, Art. 6º. A União, os Estados, o Distrito Federal
simultaneamente: V – “Latifúndio”, o imóvel rural que: e os Municípios poderão unir seus esforços
a) favorece o bem-estar dos proprietários e a) exceda a dimensão máxima fixada na forma e recursos, mediante acordos, convênios ou
dos trabalhadores que nela labutam, assim do artigo 46, § 1º, alínea b, desta Lei, tendo-se contratos para a solução de problemas de
como de suas famílias; em vista as condições ecológicas, sistemas interesse rural, principalmente os relacionados
b) mantém níveis satisfatórios de produti- agrícolas regionais e o fim a que se destine; com a aplicação da presente Lei, visando a
vidade; b) não excedendo o limite referido na alí- implantação da Reforma Agrária e à unidade
nea anterior, e tendo área igual ou superior de critérios na execução desta.
c) assegura a conservação dos recursos na-
turais; à dimensão do módulo de propriedade ru- § 1º. Para os efeitos da Reforma Agrária, o
ral, seja mantido inexplorado em relação às Instituto Nacional de Colonização e Reforma
d) observa as disposições legais que regulam
possibilidades físicas, econômicas e sociais Agrária – INCRA representará a União nos
as justas relações de trabalho entre os que a
do meio, com fins especulativos, ou seja, de- acordos, convênios ou contratos multilaterais
possuem e a cultivem.
ficiente ou inadequadamente explorado, de referidos neste artigo. (Incluído pela Medida
§ 2º. É dever do Poder Público: Provisória nº 2.183-56, de 2001)
modo a vedar-lhe a inclusão no conceito de
a) promover e criar as condições de acesso § 2º. A União, mediante convênio, poderá
empresa rural;
do trabalhador rural à propriedade da terra delegar aos Estados, ao Distrito Federal e aos
economicamente útil, de preferência nas VI – “Empresa Rural” é o empreendimento de
pessoa física ou jurídica, pública ou privada, Municípios o cadastramento, as vistorias e
regiões onde habita, ou, quando as circuns- avaliações de propriedades rurais situadas no
tâncias regionais, o aconselhem em zonas que explore econômica e racionalmente imó-
vel rural, dentro de condição de rendimento seu território, bem como outras atribuições
previamente ajustadas na forma do disposto relativas à execução do Programa Nacional de
na regulamentação desta Lei; econômico […] (Vetado) […] da região em que
se situe e que explore área mínima agricultável Reforma Agrária, observados os parâmetros
b) zelar para que a propriedade da terra desem- e critérios estabelecidos nas leis e nos atos
penhe sua função social, estimulando planos do imóvel segundo padrões fixados, pública
normativos federais. (Incluído pela Medida
para a sua racional utilização, promovendo a e previamente, pelo Poder Executivo. Para
Provisória nº 2.183-56, de 2001)
justa remuneração e o acesso do trabalhador esse fim, equiparam-se às áreas cultivadas, as
pastagens, as matas naturais e artificiais e as § 3º. O convênio de que trata o caput será
aos benefícios do aumento da produtividade celebrado com os Estados, com o Distrito
e ao bem-estar coletivo. áreas ocupadas com benfeitorias;
Federal e com os Municípios que tenham ins-
§ 3º. A todo agricultor assiste o direito de VII – “Parceleiro”, aquele que venha a adquirir tituído órgão colegiado, com a participação
permanecer na terra que cultive, dentro dos lotes ou parcelas em área destinada à Reforma das organizações dos agricultores familiares
termos e limitações desta Lei, observadas Agrária ou à colonização pública ou privada; e trabalhadores rurais sem terra, mantida a
sempre que for o caso, as normas dos contratos VIII – “Cooperativa Integral de Reforma Agrária paridade de representação entre o poder
de trabalho. (C.I.R.A.)”, toda sociedade cooperativa mista, público e a sociedade civil organizada, com
§ 4º. É assegurado às populações indígenas de natureza civil, […] (Vetado) […] criada nas a finalidade de formular propostas para a
o direito à posse das terras que ocupam ou áreas prioritárias de Reforma Agrária, con- adequada implementação da política agrária.
que lhes sejam atribuídas de acordo com a tando temporariamente com a contribuição (Incluído pela Medida Provisória nº 2.183-56,
legislação especial que disciplina o regime financeira e técnica do Poder Público, através de 2001)
tutelar a que estão sujeitas. do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, com § 4º. Para a realização da vistoria e avaliação
Art. 3º. O Poder Público reconhece às enti- a finalidade de industrializar, beneficiar, prepa- do imóvel rural para fins de reforma agrária,
dades privadas, nacionais ou estrangeiras, o rar e padronizar a produção agropecuária, bem poderá o Estado utilizar-se de força policial.

51
Art. 7º Estatuto da Terra
(Incluído pela Medida Provisória nº 2.183-56, legítimas manifestadas através de cultura Art. 17. O acesso à propriedade rural será
de 2001) efetiva e morada habitual, bem como para promovido mediante a distribuição ou a redis-
§ 5º. O convênio de que trata o caput deverá incorporar ao patrimônio público as terras tribuição de terras, pela execução de qualquer
prever que a União poderá utilizar servidores devolutas federais ilegalmente ocupadas e as das seguintes medidas:
integrantes dos quadros de pessoal dos órgãos que se encontrarem desocupadas. a) desapropriação por interesse social;
e das entidades da Administração Pública dos § 1º. Através de convênios, celebrados com b) doação;
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, os Estados e Municípios, iguais poderes po- c) compra e venda;
para a execução das atividades referidas neste derão ser atribuídos ao Instituto Brasileiro de d) arrecadação dos bens vagos;
artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº Reforma Agrária, quanto às terras devolutas e) reversão à posse (Vetado) do Poder Público
2.183-56, de 2001) estaduais e municipais, respeitada a legislação de terras de sua propriedade, indevidamente
Art. 7º. Mediante acordo com a União, os Esta- local, o regime jurídico próprio das terras situ- ocupadas e exploradas, a qualquer título, por
dos poderão encarregar funcionários federais adas na faixa da fronteira nacional bem como terceiros;
da execução de Leis e serviços estaduais ou de a atividade dos órgãos de valorização regional.
f) herança ou legado.
atos e decisões das suas autoridades, pertinen- § 2º. Tanto quanto possível, o Instituto Brasi-
tes aos problemas rurais, e, reciprocamente, a leiro de Reforma Agrária imprimirá ao instituto Art. 18. À desapropriação por interesse social
União poderá, em matéria de sua competência, das terras devolutas orientação tendente a tem por fim:
cometer a funcionários estaduais, encargos harmonizar as peculiaridades regionais com a) condicionar o uso da terra à sua função
análogos, provendo às necessárias despesas os altos interesses do desbravamento através social;
de conformidade com o disposto no parágrafo da colonização racional visando a erradicar os b) promover a justa e adequada distribuição
terceiro do artigo 18 da Constituição Federal. males do minifúndio e do latifúndio. da propriedade;
Art. 8º. Os acordos, convênios ou contratos c) obrigar a exploração racional da terra;
SEÇÃO II. d) permitir a recuperação social e econômica
poderão conter cláusula que permita ex-
pressamente a adesão de outras pessoas de DAS TERRAS PARTICULARES de regiões;
direito público, interno ou externo, bem como Art. 12. À propriedade privada da terra cabe e) estimular pesquisas pioneiras, experimen-
de pessoas físicas nacionais ou estrangeiras, intrinsecamente uma função social e seu uso tação, demonstração e assistência técnica;
não participantes direta dos atos jurídicos é condicionado ao bem-estar coletivo pre- f) efetuar obras de renovação, melhoria e
celebrados. visto na Constituição Federal e caracterizado valorização dos recursos naturais;
Parágrafo único. A adesão efetivar-se-á com nesta Lei. g) incrementar a eletrificação e a industriali-
a só notificação oficial às partes contratantes, zação no meio rural;
Art. 13. O Poder Público promoverá a gra-
independentemente de condição ou termo. h) facultar a criação de áreas de proteção à
dativa extinção das formas de ocupação e
CAPÍTULO III. de exploração da terra que contrariem sua fauna, à flora ou a outros recursos naturais, a
DAS TERRAS PÚBLICAS E função social. fim de preservá-los de atividades predatórias.
PARTICULARES Art. 14. O Poder Público facilitará e prestigia- Art. 19. A desapropriação far-se-á na forma
rá a criação e a expansão de associações de prevista na Constituição Federal, obedecidas
SEÇÃO I. pessoas físicas e jurídicas que tenham por fi- as normas constantes da presente Lei.
DAS TERRAS PÚBLICAS nalidade o racional desenvolvimento extrativo § 1º. Se for intentada desapropriação parcial, o
agrícola, pecuário ou agroindustrial, e promo- proprietário poderá optar pela desapropriação
Art. 9º. Dentre as terras públicas, terão prio- verá a ampliação do sistema cooperativo, bem de todo o imóvel que lhe pertence, quando
ridade, subordinando-se aos itens previstos como de outras modalidades associativas e a área agricultável remanescente, inferior a
nesta Lei, as seguintes: societárias que objetivem a democratização cinquenta por cento da área original, ficar:
I – as de propriedade da União, que não te- do capital. (Redação dada Medida Provisória a) reduzida a superfície inferior a três vezes
nham outra destinação específica; nº 2.183-56, 2001) a dimensão do módulo de propriedade; ou
II – as reservadas pelo Poder Público para servi- § 1º. Para a implementação dos objetivos b) prejudicada substancialmente em suas con-
ços ou obras de qualquer natureza, ressalvadas referidos neste artigo, os agricultores e traba- dições de exploração econômica, caso seja o
as pertinentes à segurança nacional, desde lhadores rurais poderão constituir entidades seu valor inferior ao da parte desapropriada.
que o órgão competente considere sua utili- societárias por cotas, em forma consorcial ou § 2º. Para efeito de desapropriação observar-
zação econômica compatível com a atividade condominial, com a denominação de “consór- -se-ão os seguintes princípios:
principal, sob a forma de exploração agrícola; cio” ou “condomínio”, nos termos dos arts. 3º e a) para a fixação da justa indenização, na forma
III – as devolutas da União, dos Estados e dos 6º desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória do artigo 147, § 1º., da Constituição Federal,
Municípios. nº 2.183-56, de 2001) levar-se-ão em conta o valor declarado do
Art. 10. O Poder Público poderá explorar direta § 2º. Os atos constitutivos dessas sociedades imóvel para efeito do Imposto Territorial Ru-
ou indiretamente, qualquer imóvel rural de sua deverão ser arquivados na Junta Comercial, ral, o valor constante do cadastro acrescido
propriedade, unicamente para fins de pesqui- quando elas praticarem atos de comércio, e das benfeitorias com a correção monetária
sa, experimentação, demonstração e fomento, no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas, porventura cabível, apurada na forma da le-
visando ao desenvolvimento da agricultura, a quando não envolver essa atividade. (Incluído gislação específica, e o valor venal do mesmo;
programas de colonização ou fins educativos pela Medida Provisória nº 2.183-56, de 2001) b) o poder expropriante não será obrigado
de assistência técnica e de readaptação. Art. 15. A implantação da Reforma Agrária a consignar, para fins de imissão de posse
§ 1º. Somente se admitirá a existência de em terras particulares será feita em caráter dos bens, quantia superior à que lhes tiver
imóveis rurais de propriedade pública, com prioritário, quando se tratar de zonas críticas sido atribuída pelo proprietário na sua última
objetivos diversos dos previstos neste artigo, ou de tensão social. declaração, exigida pela Lei do Imposto de
em caráter transitório, desde que não haja Renda, a partir de 1965, se se tratar de pessoa
TÍTULO II.
viabilidade de transferi-los para a propriedade física ou o valor constante do ativo, se se tratar
DA REFORMA AGRÁRIA
privada. de pessoa jurídica, num e noutro caso com a
§ 2º. Executados os projetos de colonização correção monetária cabível;
CAPÍTULO I. c) efetuada a imissão de posse, fica assegurado
nos imóveis rurais de propriedade pública, DOS OBJETIVOS E DOS MEIOS DE
com objetivos diversos dos previstos neste ao expropriado o levantamento de oitenta por
ACESSO À PROPRIEDADE RURAL cento da quantia depositada para obtenção
artigo, em caráter transitório.
§ 3º. Os imóveis rurais pertencentes à União, Art. 16. A Reforma Agrária visa a estabelecer da medida possessória.
cuja utilização não se enquadre nos termos um sistema de relações entre o homem, a § 3º. Salvo por motivo de necessidade ou utili-
deste artigo, poderão ser transferidos ao Ins- propriedade rural e o uso da terra, capaz de dade pública, estão isentos da desapropriação:
tituto Brasileiro de Reforma Agrária, ou com promover a justiça social, o progresso e o a) os imóveis rurais que, em cada zona, não
ele permutados por ato do Poder Executivo. bem-estar do trabalhador rural e o desenvol- excederem de três vezes o módulo de produto
Art. 11. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrá- vimento econômico do país, com a gradual de propriedade, fixado nos termos do artigo
ria fica investido de poderes de representação extinção do minifúndio e do latifúndio. 4º., inciso III;
da União, para promover a discriminação Parágrafo único. O Instituto Brasileiro de b) os imóveis que satisfizerem os requisitos
das terras devolutas federais, restabelecida Reforma Agrária será o órgão competente pertinentes à empresa rural, enunciados no
a instância administrativa disciplinada pelo para promover e coordenar a execução des- artigo 4º., inciso VI;
Decreto-Lei nº 9.760, de 5 de setembro de 1946, sa reforma, observadas as normas gerais da c) os imóveis que, embora não classificados
e com autoridade para reconhecer as posses presente Lei e do seu regulamento. como empresas rurais, situados fora da área

52
Estatuto da Terra Art. 20
prioritária de Reforma Agrária, tiverem apro- II – a agricultores cujos imóveis rurais sejam Art. 28. O Fundo Nacional de Reforma Agrária
vados pelo Instituto Brasileiro de Reforma comprovadamente insuficientes para o sus- será constituído:
Agrária, e em execução projetos que em prazo tento próprio e o de sua família; I – do produto da arrecadação da Contribuição
determinado, os elevem àquela categoria. III – para a formação de glebas destinadas à de Melhoria cobrada pela União de acordo
§ 4º. O foro competente para desapropriação exploração extrativa, agrícola, pecuária ou com a legislação vigente;
é o da situação do imóvel. agroindustrial, por associações de agricultores II – da destinação específica de 3% (três por
§ 5º. De toda decisão que fixar o preço em organizadas sob regime cooperativo; cento) da receita tributária da União;
quantia superior à oferta formulada pelo ór- IV – para fins de realização, a cargo do Po- III – dos recursos destinados em lei à Su-
gão expropriante, haverá, obrigatoriamente, der Público, de atividades de demonstração perintendência de Política Agrária (SUPRA),
recurso de ofício para o Tribunal Federal de educativa, de pesquisa, experimentação, ressalvado o disposto no artigo 117;
Recursos. Verificado, em ação expropriató- assistência técnica e de organização de co-
rio, ter o imóvel valor superior ao declarado lônias-escolas; IV – dos recursos oriundos das verbas de ór-
pelo expropriado, e apurada a má-fé ou o gãos e de entidades vinculados por convênios
V – para fins de reflorestamento ou de conser-
dolo deste, poderá a sentença condená-lo à ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária;
vação de reservas florestais a cargo da União,
penalidade prevista no artigo 49, § 3º., desta dos Estados ou dos Municípios. V – de doações recebidas;
Lei, deduzindo-se do valor da indenização o Art. 25. As terras adquiridas pelo Poder VI – da receita do Instituto Brasileiro de Re-
montante da penalidade. Público, nos termos desta Lei, deverão ser forma Agrária.
Art. 20. As desapropriações a serem realiza- vendidas, atendidas as condições de maiori- § 1º. Os recursos de que tratam os incisos I e
das pelo Poder Público, nas áreas prioritárias, dade, sanidade e de bons antecedentes, ou de II, deste artigo, bem como os provenientes
recairão sobre: reabilitação, de acordo com a seguinte ordem de quaisquer créditos adicionais destinados à
I – os minifúndios e latifúndios; de preferência: execução dos planos nacional e regionais de
I – ao proprietário do imóvel desapropriado, Reforma Agrária, não poderão ser suprimidos,
II – as áreas já beneficiadas ou a serem por
desde que venha a explorar a parcela, dire- nem aplicados em outros fins.
obras públicas de vulto;
tamente ou por intermédio de sua família; § 2º. Os saldos dessas dotações em poder do
III – as áreas cujos proprietários desenvolve-
II – aos que trabalhem no imóvel desapropria- Instituto Brasileiro de Reforma Agrária ou a seu
rem atividades predatórias, recusando-se a
do como posseiros, assalariados, parceiros ou favor, verificados no final de cada exercício,
pôr em prática normas de conservação dos
arrendatários; não prescrevem, e serão aplicados, na sua
recursos naturais;
totalidade, em consonância com os objetivos
IV – as áreas destinadas a empreendimentos III – aos agricultores cujas propriedades não
alcancem a dimensão da propriedade familiar da presente Lei.
de colonização, quando estes não tiverem § 3º. Os tributos, dotações e recursos referidos
logrado atingir seus objetivos; da região;
nos incisos deste artigo terão a destinação,
V – as áreas que apresentem elevada incidência IV – aos agricultores cujas propriedades se-
durante vinte anos, vinculada à execução dos
de arrendatários, parceiros e posseiros; jam comprovadamente insuficientes para o
programas da Reforma Agrária.
sustento próprio e o de sua família;
VI – as terras cujo uso atual, estudos levados § 4º. Os atos relativos à receita do Instituto
a efeito pelo Instituto Brasileiro de Reforma V – aos tecnicamente habilitados na forma dá
Brasileiro de Reforma Agrária constituída
Agrária comprovem não ser o adequado à legislação em vigor, ou que tenham comprova-
pelos recursos previstos no inciso II, e pelos
sua vocação de uso econômico. da competência para a prática das atividades
resultados apurados no exercício anterior, nas
agrícolas.
Art. 21. Em áreas de minifúndio, o Poder hipóteses dos incisos I, III e IV, considerar-se-ão
§ 1º. Na ordem de preferência de que trata este
Público tomará as medidas necessárias à orga- registrados, pelo Tribunal de Contas, a 1º. de ja-
artigo, terão prioridade os chefes de família
nização de unidades econômicas adequadas, neiro, e os respectivos recursos distribuídos ao
numerosas cujos membros se proponham
desapropriando, aglutinando e redistribuindo Tesouro Nacional, que os depositará no Banco
a exercer atividade agrícola na área a ser
as áreas. do Brasil, à disposição do referido Instituto, em
distribuída.
Art. 22. É o Instituto Brasileiro de Reforma quatro parcelas, até 31 de janeiro, 30 de abril,
§ 2º. Só poderão adquirir lotes os trabalha-
Agrária autorizado, para todos os efeitos legais, 31 de julho e 31 de outubro, respectivamente.
dores sem terra, salvo as exceções previstas
a promover as desapropriações necessárias ao nesta Lei. Art. 29. Além dos recursos do Fundo Nacional
cumprimento da presente Lei. § 3º. Não poderá ser beneficiário da distri- de Reforma Agrária, a execução dos proje-
Parágrafo único. A União poderá desapro- buição de terras a que se refere este artigo o tos regionais contará com as contribuições
priar, por interesse social, bens do domínio proprietário rural, salvo nos casos dos incisos financeiras dos órgãos e entidades vincula-
dos Estados, Municípios, Distrito Federal e I, III e IV, nem quem exerça função pública, das por convênios ao Instituto Brasileiro de
Territórios, precedido o ato, em qualquer caso, autárquica ou em órgão paraestatal, ou se ache Reforma Agrária, notadamente os de valori-
de autorização legislativa. investido de atribuições parafiscais. zação regional, como a Superintendência do
Art. 23. Os bens desapropriados por sen- § 4º. Sob pena de nulidade, qualquer alienação Desenvolvimento Econômico do Nordeste
tença definitiva, uma vez incorporados ao ou concessão de terras públicas, nas regiões (SUDENE), a Superintendência do Plano de
patrimônio público, não podem ser objeto de prioritárias, definidas na forma do artigo 43, Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA)
reivindicação, ainda que fundada em nulidade será precedida de consulta ao Instituto Brasi- a Comissão do Vale do São Francisco (CVSF)
do processo de desapropriação. Qualquer leiro de Reforma Agrária, que se pronunciará e a Superintendência do Plano de Valorização
ação julgada procedente, resolver-se-á em obrigatoriamente no prazo de sessenta dias. Econômica da Região da Fronteira Sudoeste
perdas e danos. Art. 26. Na distribuição de terras regulada do País (SUDOESTE), os quais deverão destinar,
Parágrafo único. A regra deste artigo aplica- por este Capítulo, ressalvar-se-á sempre a para este fim, vinte por cento, no mínimo de
-se aos imóveis rurais incorporados ao domínio prioridade pública dos terrenos de marinha suas dotações globais.
da União, em consequência de ações por mo- e seus acrescidos na orla oceânica e na faixa Parágrafo único. Os recursos referidos neste
tivo de enriquecimento ilícito em prejuízo do marginal dos rios federais, até onde se faça artigo, depois de aprovados os planos para
Patrimônio Federal, os quais transferidos ao sentir a influência das marés, bem como a as respectivas regiões, serão entregues ao
Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, serão reserva à margem dos rios navegáveis e dos Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, que,
aplicados aos objetivos desta Lei. que formam os navegáveis. para a execução destes, contribuirá com igual
quantia.
CAPÍTULO II. CAPÍTULO III.
Art. 30. Para fins da presente Lei, é o Poder
DA DISTRIBUIÇÃO DE TERRAS DO FINANCIAMENTO DA REFORMA
Executivo autorizado a receber doações, bem
AGRÁRIA
Art. 24. As terras desapropriadas para os fins como a contrair empréstimos no país e no
da Reforma Agrária que, a qualquer título, exterior, até o limite fixado no artigo 105.
SEÇÃO I. Art. 31. É o Instituto Brasileiro de Reforma
vierem a ser incorporadas ao patrimônio do
DO FUNDO NACIONAL DE REFORMA Agrária autorizado a:
Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, respei-
AGRÁRIA
tada a ocupação de terras devolutas federais I – firmar convênios com os Estados, Muni-
manifestada em cultura efetiva e moradia Art. 27. É criado o Fundo Nacional de Refor- cípios, entidades públicas e privadas, para
habitual, só poderão ser distribuídas: ma Agrária, destinado a fornecer os meios financiamento, execução ou administração
I – sob a forma de propriedade familiar, nos necessários para o financiamento da Refor- dos planos regionais de Reforma Agrária;
termos das normas aprovadas pelo Instituto ma Agrária e dos órgãos incumbidos da sua II – colocar os títulos da Dívida Agrária Nacional
Brasileiro de Reforma Agrária; execução. para os fins desta Lei;

53
Art. 32 Estatuto da Terra
III – realizar operações financeiras ou de com- que possam ser tratados em comum, deverão Art. 42. A Comissão Agrária, constituída de
pra e venda para os objetivos desta Lei; consignar: um representante do Instituto Brasileiro de
IV – praticar atos, tanto no contencioso co- I – o levantamento sócio-econômico da área; Reforma Agrária, que a presidirá, de três repre-
mo no administrativo, inclusive os relativos II – os tipos e as unidades de exploração sentantes dos trabalhadores rurais, eleitos ou
à desapropriação por interesse social ou por econômica perfeitamente determinados e indicados pelos órgãos de classe respectivos,
utilidade ou necessidade públicas. caracterizados; de três representantes dos proprietários rurais
eleitos ou indicados pelos órgãos de classe
SEÇÃO II. III – as obras de infra-estrutura e os órgãos de
defesa econômica dos parceleiros necessários respectivos, um representante categorizado
DOPATRIMÔNIODOÓRGÃODEREFORMA de entidade pública vinculada à agricultura
AGRÁRIA à implementação do projeto;
e um representante dos estabelecimentos de
IV – o custo dos investimentos e o seu esquema ensino agrícola, é o órgão competente para:
Art. 32. O Patrimônio do Instituto Brasileiro de aplicação;
de Reforma Agrária será constituído: I – instruir e encaminhar os pedidos de aqui-
V – os serviços essenciais a serem instalados
sição e de desapropriação de terras;
I – do Fundo Nacional de Reforma Agrária; no centro da comunidade;
II – manifestar-se sobre a lista de candidatos
II – dos bens das entidades públicas incorpora- VI – a renda familiar que se pretende alcançar;
selecionados para a adjudicação de lotes;
das ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária; VII – a colaboração a ser recebida dos órgãos
III – das terras e demais bens adquiridos a III – oferecer sugestões à Delegacia Regional
públicos ou privados que celebrarem convê-
qualquer título. na elaboração e execução dos programas
nios ou acordos para a execução do projeto.
regionais de Reforma Agrária;
CAPÍTULO IV. SEÇÃO II. IV – acompanhar, até sua implantação, os
DA EXECUÇÃO E DA ADMINISTRAÇÃO DOS ÓRGÃOS ESPECÍFICOS programas de reformas nas áreas escolhidas,
DA REFORMA AGRÁRIA mantendo a Delegacia Regional informada
Art. 37. São órgãos específicos para a execu- sobre o andamento dos trabalhos.
SEÇÃO I. ção da Reforma Agrária: (Redação dada pela § 1º. A Comissão Agrária será constituída
DOSPLANOSNACIONALEREGIONAISDE Decreto Lei nº 582, de 1969) quando estiver definida a área prioritária
REFORMA AGRÁRIA I – O Grupo Executivo da Reforma Agrária regional de reforma agrária e terá vigência
(GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº até a implantação dos respectivos projetos.
Art. 33. A Reforma Agrária será realizada por 582, de 1969) § 2º. Vetado.
meio de planos periódicos, nacionais e regio- Il – O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária
nais, com prazos e objetivos determinados, de (IBRA), diretamente, ou através de suas Dele- SEÇÃO III.
acordo com projetos específicos. gacias Regionais; (Redação dada pela Decreto DO ZONEAMENTO E DOS CADASTROS
Art. 34. O Plano Nacional de Reforma Agrária, Lei nº 582, de 1969)
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Reforma III – as Comissões Agrárias. (Redação dada Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrá-
Agrária e aprovado pelo Presidente da Repú- pela Decreto Lei nº 582, de 1969) ria promoverá a realização de estudos para o
blica, consignará necessariamente: zoneamento do país em regiões homogêne-
Art. 38. O IBRA será dirigido por um Presidente
I – a delimitação de áreas regionais prioritárias; as do ponto de vista socioeconômico e das
nomeado pelo Presidente da República. (Re-
II – a especificação dos órgãos regionais, zonas características da estrutura agrária, visando
dação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969)
e locais, que vierem a ser criados para a exe- a definir:
§ 1º. O Presidente do IBRA terá a remunera-
cução e a administração da Reforma Agrária; ção correspondente a 75% (setenta e cinco I – as regiões críticas que estão exigindo re-
III – a determinação dos objetivos que de- por cento) do que percebem os Ministros de forma agrária com progressiva eliminação dos
verão condicionar a elaboração dos Planos Estado. (Redação dada pela Decreto Lei nº minifúndios e dos latifúndios;
Regionais; 582, de 1969) II – as regiões em estágio mais avançado de
IV – a hierarquização das medidas a serem § 2º. Integrarão, ainda, a Administração Su- desenvolvimento social e econômico, em que
programadas pelos órgãos públicos, nas áreas perior do IBRA Diretores, até o máximo de não ocorram tenções nas estruturas demográ-
prioritárias, nos setores de obras de saneamen- seis, de nomeação do Presidente do IBRA, ficas e agrárias;
to, educação e assistência técnica; mediante aprovação do GERA. (Redação dada III – as regiões já economicamente ocupadas
V – a fixação dos limites das dotações destina- pela Decreto Lei nº 582, de 1969) em que predomine economia de subsistência
das à execução do Plano Nacional e de cada Art. 39. Ao Conselho Técnico competirá discu- e cujos lavradores e pecuaristas careçam de
um dos planos regionais. tir e propor as diretrizes dos planos nacional e assistência adequada;
§ 1º. Uma vez aprovados, os Planos terão regionais de Reforma Agrária, estudar e sugerir IV – as regiões ainda em fase de ocupação
prioridade absoluta para atuação dos órgãos medidas de caráter legislativo e administrativo, econômica, carentes de programa de des-
e serviços federais já existentes nas áreas necessárias à boa execução da Reforma. bravamento, povoamento e colonização de
escolhidas. Art. 40. À Secretaria Executiva competirá áreas pioneiras.
§ 2º. As entidades públicas e privadas que elaborar e promover a execução do plano § 1º. Para a elaboração do zoneamento e
firmarem acordos, convênios ou tratados com nacional de Reforma Agrária, assessorar as caracterização das áreas prioritárias, serão
o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, nos Delegacias Regionais, analisar os projetos levados em conta, essencialmente, os seguin-
termos desta Lei, assumirão, igualmente regionais e dirigir a vida administrativa do tes elementos:
compromisso expresso, quanto à prioridade Instituto Brasileiro de Reforma Agrária. a) a posição geográfica das áreas, em relação
aludida no parágrafo anterior, relativamente Art. 41. As Delegacias Regionais do Instituto aos centros econômicos de várias ordens,
aos assuntos e serviços de sua alçada nas Brasileiro de Reforma Agrária (I.B.R.A.), cada existentes no país;
respectivas áreas. qual dirigida por um Delegado Regional, no- b) o grau de intensidade de ocorrência de
Art. 35. Os Planos Regionais de Reforma meado pelo Presidente do Instituto Brasileiro áreas em imóveis rurais acima de mil hectares
Agrária antecederão, sempre, qualquer de- de Reforma Agrária dentre técnicos de com- e abaixo de cinquenta hectares;
sapropriação por interesse social, e serão provada experiência em problemas agrários c) o número médio de hectares por pessoa
elaborados pelas Delegacias Regionais do Ins- e reconhecida idoneidade, são órgãos exe- ocupada;
tituto Brasileiro de Reforma Agrária (I.B.R.A.), cutores da Reforma nas regiões do país, com
obedecidos os seguintes requisitos mínimos: d) as populações rurais, seu incremento anual e
áreas de jurisdição, competência e funções que
a densidade específica da população agrícola;
I – delimitação da área de ação; serão fixadas na regulamentação da presente
Lei, compreendendo a elaboração do cadastro, e) a relação entre o número de proprietários e o
II – determinação dos objetivos específicos da
classificação das terras, formas e condições de número de rendeiros, parceiros e assalariados
Reforma Agrária na região respectiva;
uso atual e potencial da propriedade, preparo em cada área.
III – fixação das prioridades regionais; § 2º. A declaração de áreas prioritárias será
das propostas de desapropriação, e seleção
IV – extensão e localização das áreas desa- feita por decreto do Presidente da República,
dos candidatos à aquisição das parcelas.
propriáveis; mencionando:
Parágrafo único. Dentro de cento e oitenta
V – previsão das obras de melhoria; dias, após a publicação do decreto que a criar, a a) a criação da Delegacia Regional do Instituto
VI – estimativa das inversões necessárias e Delegacia Regional apresentará ao Presidente Brasileiro de Reforma Agrária com a exata
dos custos. do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária o delimitação de sua área de jurisdição;
Art. 36. Os projetos elaborados para regiões plano regional de Reforma Agrária, na forma b) a duração do período de intervenção go-
geo-econômicas ou grupos de imóveis rurais, prevista nesta Lei. vernamental na área;

54
Estatuto da Terra Art. 44
c) os objetivos a alcançar, principalmente o elaboradas para atender às finalidades fiscais, TÍTULO III.
número de unidades familiares e cooperativas com dados relativos ao relevo, às pendentes, à DA POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO
a serem criadas; drenagem, aos solos e a outras características RURAL
d) outras medidas destinadas a atender a ecológicas que permitam avaliar a capacidade
peculiaridades regionais. do uso atual e potencial, e fixar uma classifi- CAPÍTULO I.
Art. 44. São objetivos dos zoneamentos de- cação das terras para os fins de realização de DA TRIBUTAÇÃO DA TERRA
finidos no artigo anterior: estudos microeconômicos, visando, essencial-
I – estabelecer as diretrizes da política agrária mente, à determinação por amostragem para SEÇÃO I.
a ser adotada em cada tipo de região; cada zona e forma de exploração: CRITÉRIOS BÁSICOS
II – programar a ação dos órgãos governamen- a) das áreas mínimas ou módulos de pro-
tais, para desenvolvimento do setor rural, nas priedade rural determinados de acordo com Art. 47. Para incentivar a política de desenvol-
regiões delimitadas como de maior significa- elementos enumerados neste parágrafo e, vimento rural, o Poder Público se utilizará da
ção econômica e social. tributação progressiva da terra, do Imposto
mais a força de trabalho do conjunto familiar
Art. 45. A fim de completar os trabalhos de de Renda, da colonização pública e parti-
médio, o nível tecnológico predominante e a
zoneamento serão elaborados pelo Instituto cular, da assistência e proteção à economia
renda familiar a ser obtida;
Brasileiro de Reforma Agrária levantamentos rural e ao cooperativismo e, finalmente, da
e análises para: b) dos limites máximos permitidos de áreas regulamentação do uso e posse temporários
dos imóveis rurais, os quais não excederão da terra, objetivando:
I – orientar as disponibilidades agropecuárias
nas áreas sob o controle do Instituto Brasileiro a seiscentas vezes o módulo médio da pro- I – desestimular os que exercem o direito de
de Reforma Agrária quanto à melhor destina- priedade rural nem a seiscentas vezes a área propriedade sem observância da função social
ção econômica das terras, adoção de práticas média dos imóveis rurais, na respectiva zona; e econômica da terra;
adequadas segundo as condições ecológicas, c) das dimensões ótimas do imóvel rural do II – estimular a racionalização da atividade
capacidade potencial de uso e mercados in- ponto de vista do rendimento econômico; agropecuária dentro dos princípios de con-
terno e externo; d) do valor das terras em função das carac- servação dos recursos naturais renováveis;
II – recuperar, diretamente, mediante projetos terísticas do imóvel rural, da classificação da III – proporcionar recursos à União, aos Estados
especiais, as áreas degradadas em virtude capacidade potencial de uso e da vocação e Municípios para financiar os projetos de
de uso predatório e ausência de medidas de agrícola das terras; Reforma Agrária;
proteção dos recursos naturais renováveis e
e) dos limites mínimos de produtividade agrí- IV – aperfeiçoar os sistemas de controle da
que se situem em regiões de elevado valor
econômico. cola para confronto com os mesmos índices arrecadação dos impostos.
obtidos em cada imóvel nas áreas prioritárias
Art. 46. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrá- SEÇÃO II.
ria promoverá levantamentos, com utilização, de reforma agrária.
§ 2º. Os cadastros serão organizados de acordo DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL
nos casos indicados, dos meios previstos no
Capítulo II do Título I, para a elaboração do com normas e fichas aprovadas pelo Insti- Art. 48. Observar-se-ão, quanto ao Imposto
cadastro dos imóveis rurais em todo o país, tuto Brasileiro de Reforma Agrária na forma Territorial Rural, os seguintes princípios:
mencionando: indicada no regulamento, e poderão ser exe-
I – a União poderá atribuir, por convênio, aos
I – dados para caracterização dos imóveis cutados centralizadamente pelos órgãos de
Estados e Municípios, o lançamento, tendo por
rurais com indicação: valorização regional, pelos Estados ou pelos base os levantamentos cadastrais executados
a) do proprietário e de sua família; Municípios, caso em que o Instituto Brasileiro e periodicamente atualizados;
b) dos títulos de domínio, da natureza da posse de Reforma Agrária lhes prestará assistência
II – a União também poderá atribuir, por con-
e da forma de administração; técnica e financeira com o objetivo de ace-
vênio, aos Municípios, a arrecadação, ficando
c) da localização geográfica; lerar sua realização em áreas prioritárias de a eles garantida a utilização da importância
d) da área com descrição das linhas de divisas Reforma Agrária. arrecadada;
e nome dos respectivos confrontantes; § 3º. Os cadastros terão em vista a possibilida-
e) das dimensões das testadas para vias pú- III – quando a arrecadação for atribuída, por
de de garantir a classificação, a identificação convênio, ao Município, à União caberá o con-
blicas; e o grupamento dos vários imóveis rurais que trole da cobrança;
f) do valor das terras, das benfeitorias, dos pertençam a um único proprietário, ainda
equipamentos e das instalações existentes IV – as épocas de cobrança deverão ser fixadas
que situados em municípios distintos, sendo em regulamento, de tal forma que, em cada
discriminadamente;
fornecido ao proprietário o certificado de região, se ajustem, o mais possível, aos perío-
II – natureza e condições das vias de acesso e cadastro na forma indicada na regulamen-
respectivas distâncias dos centros demográfi- dos normais de comercialização da produção;
tação desta Lei.
cos mais próximos com população: V – o imposto arrecadado será contabilizado
§ 4º. Os cadastros serão continuamente atua- diariamente como depósito à ordem, exclu-
a) até 5.000 habitantes;
lizados para inclusão das novas propriedades sivamente, do Município, a que pertencer e a
b) de mais de 5.000 a 10.000 habitantes;
que forem sendo constituídas e, no mínimo, de ele entregue diretamente pelas repartições
c) de mais de 10.000 a 20.000 habitantes;
cinco em cinco anos serão feitas revisões gerais arrecadadoras, no último dia útil de cada mês;
d) de mais de 20.000 a 50.000 habitantes;
para atualização das fichas já levantadas. VI – o imposto não incidirá sobre sítios de área
e) de mais de 50.000 a 100.000 habitantes;
f) de mais de 100.000 habitantes; § 5º. Poderão os proprietários requerer a atu- não excedente a vinte hectares, quando os cul-
alização de suas fichas, dentro de um ano da tive só ou com sua família, o proprietário que
III – condições da exploração e do uso da
terra, indicando: data das modificações substanciais relativas não possua outro imóvel (artigo 29, parágrafo
aos respectivos imóveis rurais, desde que com- único, da Constituição Federal).
a) as percentagens da superfície total em
cerrados, matas, pastagens, glebas de cultivo provadas as alterações, a critério do Instituto Art. 49. As normas gerais para a fixação do
(especificadamente em exploração e inexplo- Brasileiro de Reforma Agrária. imposto sobre a propriedade territorial rural
rados) e em áreas inaproveitáveis; § 6º. No caso de imóvel rural em comum por obedecerão a critérios de progressividade e
b) os tipos de cultivo e de criação, as formas força de herança, as partes ideais, para os fins regressividade, levando-se em conta os se-
de proteção e comercialização dos produtos; desta Lei, serão consideradas como se divisão guintes fatores: (Redação dada pela Lei nº
houvesse, devendo ser cadastrada a área que, 6.746, de 1979)
c) os sistemas de contrato de trabalho, com
discriminação de arrendatários, parceiros e na partilha, tocaria a cada herdeiro e admitidos I – o valor da terra nua; (Redação dada pela
trabalhadores rurais; os demais dados médios verificados na área Lei nº 6.746, de 1979)
d) as práticas conservacionistas empregadas total do imóvel rural. II – a área do imóvel rural; (Redação dada pela
e o grau de mecanização; § 7º. O cadastro inscreverá o valor de cada Lei nº 6.746, de 1979)
e) os volumes e os índices médios relativos à imóvel de acordo com os elementos enume- III – o grau de utilização da terra na exploração
produção obtida; rados neste artigo, com base na declaração agrícola, pecuária e florestal; (Redação dada
f) as condições para o beneficiamento dos do proprietário relativa ao valor da terra nua, pela Lei nº 6.746, de 1979)
produtos agropecuários. quando não impugnado pelo Instituto Brasilei- IV – o grau de eficiência obtido nas diferentes
§ 1º. Nas áreas prioritárias de reforma agrária ro de Reforma Agrária, ou o valor que resultar explorações; (Redação dada pela Lei nº 6.746,
serão complementadas as fichas cadastrais da avaliação cadastral. de 1979)

55
Art. 50 Estatuto da Terra
V – a área total, no País, do conjunto de imóveis no artigo 151 do Código Tributário Nacional.
NÚMERO DE Alíquo-
rurais de um mesmo proprietário. (Redação (Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979)
dada pela Lei nº 6.746, de 1979) MÓDULOS FISCAIS tas
§ 7º. O Poder Executivo poderá, mantido o
§ 1º. Os fatores mencionados neste artigo Acima de 60 até 70 2,8% limite máximo de 90% (noventa por cento),
serão estabelecidos com base nas informações alterar a distribuição percentual prevista nas
apresentadas pelos proprietários, titulares Acima de 70 até 80 3,0% alíneas a e b do § 5º deste artigo, ajustando-a
do domínio útil ou possuidores, a qualquer à política agrícola adotada para as diversas
título, de imóveis rurais, obrigados a prestar Acima de 80 até 90 3,2% regiões do País. (Redação dada pela Lei nº
declaração para cadastro, nos prazos e segun- Acima de 90 até 100 3,4% 6.746, de 1979)
do normas fixadas na regulamentação desta § 8º. Nos casos de intempérie ou calamidade
Lei. (Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979) Acima de 100 3,5% de que resulte frustração de safras ou mesmo
§ 2º. O órgão responsável pelo lançamento destruição de pastos, para o cálculo da redução
do imposto poderá efetuar o levantamento prevista nas alíneas “a” e “b” do § 5º deste arti-
§ 1º. O imposto não incidirá sobre o imóvel
e a revisão das declarações prestadas pelos go, poderão ser utilizados os dados do período
rural, ou conjunto de imóveis rurais, de área
proprietários, titulares do domínio útil ou anterior ao da ocorrência, podendo ainda o
igual ou inferior a um módulo fiscal, desde
possuidores, a qualquer título, de imóveis Ministro da Agricultura fixar as percentagens
que seu proprietário, titular do domínio útil
rurais, procedendo-se a verificações “in loco” de redução do imposto que serão utilizadas.
ou possuidor, a qualquer título, o cultive só
se necessário. (Redação dada pela Lei nº 6.746, ou com sua família, admitida a ajuda eventual (Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979)
de 1979) de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 6.746, § 9º. Para os imóveis rurais que apresentarem
§ 3º. As declarações previstas no parágrafo de 1979) grau de utilização da terra, calculado na forma
primeiro serão apresentadas sob inteira res- § 2º. O módulo fiscal de cada Município, da alínea a § 5º. deste artigo, inferior aos limites
ponsabilidade dos proprietários, titulares do expresso em hectares, será determinado fixados no § 11, a alíquota a ser aplicada será
domínio útil ou possuidores, a qualquer título, levando-se em conta os seguintes fatores: multiplicada pelos seguintes coeficientes:
de imóvel rural, e, no caso de dolo ou má-fé, (Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979) (Incluído pela Lei nº 6.746, de 1979)
os obrigará ao pagamento em dobro dos tri- a) o tipo de exploração predominante no a) no primeiro ano: 2,0 (dois);
butos devidos, além das multas decorrentes e Município: b) no segundo ano: 3,0 (três);
das despesas com as verificações necessárias. I – hortifrutigranjeira; c) no terceiro ano e seguintes: 4,0 (quatro).
(Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979) § 10. Em qualquer hipótese, a aplicação do
Il – cultura permanente;
§ 4º. Fica facultado ao órgão responsável disposto no § 9º não resultará em alíquotas
pelo lançamento, quando houver omissão III – cultura temporária;
inferiores a: (Incluído pela Lei nº 6.746, de 1979)
dos proprietários, titulares do domínio útil IV – pecuária;
a) no primeiro ano: 2% (dois por cento);
ou possuidores, a qualquer título, de imóvel V – florestal;
b) no segundo ano: 3% (três por cento);
rural, na prestação da declaração para ca- b) a renda obtida no tipo de exploração pre-
c) no terceiro ano e seguintes: 4% (quatro
dastro, proceder ao lançamento do imposto dominante;
por cento).
com a utilização de dados indiciários, além da c) outras explorações existentes no Municí-
pio que, embora não predominantes, sejam § 11. Os limites referidos no § 9º são fixados
cobrança de multas e despesas necessárias à
expressivas em função da renda ou da área segundo o tamanho do módulo fiscal do
apuração dos referidos dados. (Incluído pela
utilizada; Município de localização do imóvel rural, da
Lei nº 6.746, de 1979)
d) o conceito de “propriedade familiar”, defi- seguinte forma: (Incluído pela Lei nº 6.746,
Art. 50. Para cálculo do imposto, aplicar-se- de 1979)
-á sobre o valor da terra nua, constante da nido no item II do artigo 4º desta Lei.
declaração para cadastro, e não impugnado § 3º. O número de módulos fiscais de um GRAU DE
pelo órgão competente, ou resultante de ava- imóvel rural será obtido dividindo-se sua área ÁREA DO
UTILIZAÇÃO
liação, a alíquota correspondente ao número aproveitável total pelo modulo fiscal do Muni- MÓDULO FISCAL
DA TERRA
de módulos fiscais do imóvel, de acordo com cípio. (Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979)
a tabela adiante: (Redação dada pela Lei nº § 4º. Para os efeitos desta Lei; constitui área Até 25 hectares 30%
6.746, de 1979) aproveitável do imóvel rural a que for passível
de exploração agrícola, pecuária ou florestal. Acima de 25 hectares até
25%
NÚMERO DE Alíquo- Não se considera aproveitável: (Redação dada 50 hectares
MÓDULOS FISCAIS tas pela Lei nº 6.746, de 1979)
a) a área ocupada por benfeitoria; Acima de 50 hectares até
18%
Até 2 0,2% 80 hectares
b) a área ocupada por floresta ou mata de efe-
tiva preservação permanente, ou reflorestada Acima de 80 hectares 10%
Acima de 2 até 3 0,3%
com essências nativas;
Acima de 3 até 4 0,4% c) a área comprovadamente imprestável para
§ 12. Nos casos de projetos agropecuários, a
qualquer exploração agrícola, pecuária ou
Acima de 4 até 5 0,5% suspensão da aplicação do disposto nos §§
florestal.
9º. 10 e 11 deste artigo, poderá ser requerida
§ 5º. O imposto calculado na forma do caput
Acima de 5 até 6 0,6% por um período de até 3 (três) anos. (Incluído
deste artigo poderá ser objeto de redução
pela Lei nº 6.746, de 1979)
Acima de 6 até 7 0,7% de até 90% (noventa por cento) a título de
estímulo fiscal, segundo o grau de utilização Art. 51. Vetado.
Acima de 7 até 8 0,8% econômica do imóvel rural, da forma seguinte: Art. 52. (Revogado pela Lei nº 6.746, de 1979)
(Redação dada pela Lei nº 6.746, de 1979)
Acima de 8 até 9 0,9% a) redução de até 45% (quarenta e cinco por SEÇÃO III.
cento), pelo grau de utilização da terra, medido DO RENDIMENTO DA EXPLORAÇÃO
Acima de 9 até 10 1,0% AGRÍCOLA E PASTORIL E DAS
pela relação entre a área efetivamente utiliza-
Acima de 10 até 15 1,2% da e a área aproveitável total do imóvel rural; INDÚSTRIAS EXTRATIVAS, VEGETAL E
b) redução de até 45% (quarenta e cinco por ANIMAL
Acima de 15 até 20 1,4% cento), pelo grau de eficiência na exploração,
medido pela relação entre o rendimento obti- Art. 53. Na determinação, para efeitos do
Acima de 20 até 25 1,6% do por hectare para cada produto explorado e Imposto de Renda, do rendimento líquido da
os correspondentes índices regionais fixados exploração agrícola ou pastoril, das indústrias
Acima de 25 até 30 1,8% extrativas, vegetal e animal, e de transfor-
pelo Poder Executivo e multiplicado pelo grau
Acima de 30 até 35 2,0% de utilização da terra, referido na alínea “a” mação de produtos agrícolas e pecuários
deste parágrafo. feita pelo próprio agricultor ou criador, com
Acima de 35 até 40 2,2% § 6º. A redução do imposto de que trata o § matéria-prima da propriedade explorada,
5º deste artigo não se aplicará para o imóvel aplicar-se-á o coeficiente de três por cento
Acima de 40 até 50 2,4% que, na data do lançamento, não esteja com o sobre o valor referido no inciso I do artigo 49
imposto de exercícios anteriores devidamente desta Lei, constante da declaração de bens ou
Acima de 50 até 60 2,6%
quitado, ressalvadas as hipóteses previstas do balanço patrimonial.

56
Estatuto da Terra Art. 54
§ 1º. As construções e benfeitorias serão de- de seu transporte, recepção, hospedagem Art. 61. Os projetos de colonização particular,
duzidas do valor do imposto, sobre elas não e encaminhamento, até a sua colocação e quanto à metodologia, deverão ser previa-
recaindo a tributação de que trata este artigo. integração nos respectivos núcleos. mente examinados pelo Instituto Brasileiro de
§ 2º. No caso de não ser possível apurar o valor Art. 56. A colonização oficial deverá ser reali- Reforma Agrária, que inscreverá a entidade e
exato das construções e benfeitorias existen- zada em terras já incorporadas ao Patrimônio o respectivo projeto em registro próprio. Tais
tes, será ele arbitrado em trinta por cento do Público ou que venham a sê-lo. Ela será efetu- projetos serão aprovados pelo Ministério da
valor da terra nua, conforme declaração para ada, preferencialmente, nas áreas: Agricultura, cujo órgão próprio coordenará a
efeito do pagamento do imposto territorial. I – ociosas ou de aproveitamento inadequado; respectiva execução.
§ 3º. Igualmente será deduzido o valor do II – próximas a grandes centros urbanos e de § 1º. Sem prévio registro da entidade co-
gado, das máquinas agrícolas e das culturas mercados de fácil acesso, tendo em vista os lonizadora e do projeto e sem a aprovação
permanentes, sobre ele aplicando-se o coefi- problemas de abastecimento; deste, nenhuma parcela poderá ser vendida
ciente da um por cento para a determinação em programas particulares de colonização.
III – de êxodo, em locais de fácil acesso e co-
da renda tributável. § 2º. O proprietário de terras próprias para a
municação, de acordo com os planos nacionais
§ 4º. No caso de imóvel rural explorado por e regionais de vias de transporte; lavoura ou pecuária, interessados em loteá-las
arrendatário, o valor anual do arrendamento para fins de urbanização ou formação de sítios
poderá ser deduzido da importância tribu- IV – de colonização predominantemente es-
de recreio, deverá submeter o respectivo pro-
trangeira, tendo em mira facilitar o processo
tável, calculado nos termos deste artigo e jeto à prévia aprovação e fiscalização do órgão
de interculturação;
§§ 1º., 2º. e 3º.. Admitir-se-á essa dedução competente do Ministério da Agricultura ou
dentro do limite de cinquenta por cento do V – de desbravamento ao longo dos eixos do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária,
respectivo valor, desde que se comuniquem viários, para ampliar a fronteira econômica conforme o caso.
à repartição arrecadadora o nome e endereço do país.
§ 3º. A fim de possibilitar o cadastro, o controle
do proprietário, e o valor do pagamento que Art. 57. Os programas de colonização têm e a fiscalização dos loteamentos rurais, os Car-
lhe houver sido feito. em vista, além dos objetivos especificados tórios de Registro de Imóveis são obrigados a
§ 5º. Poderá também ser deduzida do valor no artigo 56: comunicar aos órgãos competentes, referidos
tributável, referido no parágrafo anterior, a I – a integração e o progresso social e econô- no parágrafo anterior, os registros efetuados
importância paga pelo contribuinte no último mico do parceleiro; nas respectivas circunscrições, nos termos da
exercício, a título de Imposto Territorial Rural. II – o levantamento do nível de vida do tra- legislação em vigor, informando o nome do
§ 6º. Não serão permitidas quaisquer outras balhador rural; proprietário, a denominação do imóvel e sua
deduções do rendimento líquido calculado III – a conservação dos recursos naturais e localização, bem como a área, o número de
na forma deste artigo, ressalvado o disposto a recuperação social e econômica de deter- lotes, e a data do registro nos citados órgãos.
nos §§ 4º. e 5º. minadas áreas; § 4º. Nenhum projeto de colonização particu-
§ 7º. Ao proprietário do imóvel rural, total IV – o aumento da produção e da produtivi- lar será aprovado para gozar das vantagens
ou parcialmente arrendado, conceder-se-á o dade no setor primário. desta Lei, se não consignar para a empresa co-
direito de excluir o valor dos bens arrendados, lonizadora as seguintes obrigações mínimas:
Art. 58. Nas regiões prioritárias definidas pelo
desde que declarado e comprovado o valor do a) abertura de estradas de acesso e de pene-
zoneamento e na fixação de suas popula-
arrendamento e identificado o arrendatário. tração à área a ser colonizada;
ções em outras regiões, caberão ao Instituto
§ 8º. Às pessoas físicas é facultado reajustar Brasileiro de Reforma Agrária as atividades b) divisão dos lotes e respectivo piquetea-
o valor dos imóveis rurais em suas declara- colonizadoras. mento, obedecendo a divisão, tanto quanto
ções de renda e de bens, a partir do exercício § 1º. Nas demais regiões, a colonização ofi- possível, ao critério de acompanhar as ver-
financeiro de 1965, independentemente de cial obedecerá à metodologia observada nos tentes, partindo a sua orientação no sentido
qualquer comprovação, sem que seja tributá- projetos realizados nas áreas prioritárias, e do espigão para as águas, de modo a todos
vel o aumento de patrimônio resultante desse será coordenada pelo Órgão do Ministério da os lotes possuírem água própria ou comum;
reajustamento. Às empresas rurais, organi- Agricultura referido no artigo 74, e executada c) manutenção de uma reserva florestal nos
zadas sob a forma de sociedade civil, serão por este, pelos Governos Estaduais ou por vértices dos espigões e nas nascentes;
outorgados idênticos benefícios quanto ao entidades de valorização regional, mediante d) prestação de assistência médica e técnica
registro contábil e ao aumento do ativo líquido. convênios. aos adquirentes de lotes e aos membros de
§ 9º. À falta de integralização do capital das § 2º. As atribuições referentes à seleção de suas famílias;
empresas rurais, referidas no parágrafo ante- imigrantes são da competência do Ministério e) fomento da produção de uma determinada
rior, não impede a correção do ativo, prevista das Relações Exteriores, conforme diretrizes cultura agrícola já predominante na região ou
neste artigo. O aumento do ativo líquido e do fixadas pelo Ministério da Agricultura, em ecologicamente aconselhada pelos técnicos
capital resultante dessa correção não poderá articulação com o Ministério do Trabalho e do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária ou
ser aplicado na integralização de ações ou Previdência Social, cabendo ao órgão referido do Ministério da Agricultura;
quotas. no artigo 74 a recepção e o encaminhamento f) entrega de documentação legalizada e em
§ 10. Os aumentos de capital das pessoas jurí- dos imigrantes.
dicas resultantes da incorporação, a seu ativo, ordem aos adquirentes de lotes.
Art. 59. O órgão competente do Ministério §§ 5º a 8º. – Vetados.
de ações distribuídas em virtude da correção da Agricultura referido no artigo 74, poderá
monetária realizada por empresas rurais, de Art. 62. Os interessados em projetos de colo-
criar núcleos de colonização, visando a fins
que sejam acionistas ou sócias nos termos nização destinados à ocupação e valorização
especiais, e deverá igualmente entrar em en-
deste artigo, não sofrerão qualquer tributação. econômica da terra, em que predominem o
tendimentos com o Ministério da Guerra para
Idêntica isenção vigorará relativamente às trabalho assalariado ou contratos de arrenda-
o estabelecimento de colônias, com assistência
ações resultantes daquele aumento de capital. mento e parceria, não gozarão dos benefícios
militar, na fronteira continental.
§ 11. Os valores de que tratam os §§ 8º. e 10, previstos nesta Lei.
deste artigo, não poderão ser inferiores ao SEÇÃO II.
SEÇÃO III.
preço de aquisição do imóvel e das inversões DA COLONIZAÇÃO PARTICULAR
em benfeitorias, atualizadas de acordo com os DA ORGANIZAÇÃO DA COLONIZAÇÃO
coeficientes de correção monetária, fixados Art. 60. Para os efeitos desta Lei, consideram-
-se empresas particulares de colonização as Art. 63. Para atender aos objetivos da presente
pelo Conselho Nacional de Economia. Lei e garantir as melhores condições de fixação
Art. 54. Vetado. pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras,
residentes ou domiciliadas no Brasil, ou ju- do homem à terra e seu progresso social e
CAPÍTULO II. rídicas, constituídas e sediadas no País, que econômico, os programas de colonização se-
DA COLONIZAÇÃO tiverem por finalidade executar programa de rão elaborados prevendo-se os grupamentos
valorização de área ou distribuição de terras. de lotes em núcleos de colonização, e destes
(Redação dada pela Lei nº 5.709, de 19/01/71) em distritos, e associação dos parceleiros em
SEÇÃO I. cooperativas.
DA COLONIZAÇÃO OFICIAL § 1º. É dever do Estado estimular, pelos meios
enumerados no artigo 73, as iniciativas parti- Art. 64. Os lotes de colonização podem ser:
Art. 55. Na colonização oficial, o Poder Público culares de colonização. I – parcelas, quando se destinem ao trabalho
tomará a iniciativa de recrutar e selecionar § 2º. A empresa rural, definida no inciso VI do agrícola do parceleiro e de sua família cuja
pessoas ou famílias, dentro ou fora do território artigo 4º., desde que incluída em projeto de moradia, quando não for no próprio local, há
nacional, reunindo-as em núcleos agrícolas colonização, deverá permitir a livre participa- de ser no centro da comunidade a que elas
ou agroindustriais, podendo encarregar-se ção em seu capital dos respectivos parceleiros. correspondam;

57
Art. 65 Estatuto da Terra
II – urbanos, quando se destinem a consti- prova de que o requerente não possui recursos e devam ser considerados para a eficácia dos
tuir o centro da comunidade, incluindo as para adquirir o respectivo lote. programas.
residências dos trabalhadores dos vários § 5º Não se aplica o disposto no caput deste
CAPÍTULO III.
serviços implantados no núcleo ou distritos, artigo aos parcelamentos de imóveis rurais em
DA ASSISTÊNCIA E PROTEÇÃO À
eventualmente às dos próprios parceleiros, e dimensão inferior à do módulo, fixada pelo
ECONOMIA RURAL
as instalações necessárias à localização dos órgão fundiário federal, quando promovidos
serviços administrativos assistenciais, bem pelo Poder Público, em programas oficiais de Art. 73. Dentro das diretrizes fixadas para a
como das atividades cooperativas, comerciais, apoio à atividade agrícola familiar, cujos bene- política de desenvolvimento rural, com o fim
artesanais e industriais. ficiários sejam agricultores que não possuam de prestar assistência social, técnica e fomen-
§ 1º. Sempre que o órgão competente do Mi- outro imóvel rural ou urbano. (Incluído pela tista e de estimular a produção agropecuária,
nistério da Agricultura ou o Instituto Brasileiro Lei nº 11.446, de 2007). de forma a que ela atenda não só ao consu-
de Reforma Agrária não manifestarem, dentro § 6º. Nenhum imóvel rural adquirido na forma mo nacional, mas também à possibilidade de
de noventa dias da consulta, a preferência do § 5º deste artigo poderá ser desmembrado obtenção de excedentes exportáveis, serão
a que terão direito, os lotes de colonização ou dividido. (Incluído pela Lei nº 11.446, de mobilizados, entre outros, os seguintes meios:
poderão ser alienados: 2007). I – assistência técnica;
a) a pessoas que se enquadrem nas condições Art. 66. Os compradores e promitentes II – produção e distribuição de sementes e
e ordem de preferência, previstas no artigo compradores de parcelas resultantes de co- mudas;
25; ou lonização oficial ou particular, ficam isentos do
III – criação, venda e distribuição de reprodu-
b) livremente, após cinco anos, contados da pagamento dos tributos federais que incidam
tores e uso da inseminação artificial;
data de sua transcrição. diretamente sobre o imóvel durante o período
de cinco anos, a contar da data da compra ou IV – mecanização agrícola;
§ 2º. No caso em que o adquirente ou seu
compromisso. V – cooperativismo;
sucessor venha a desistir da exploração direta,
os imóveis rurais, vendidos nos termos desta Parágrafo único. O órgão competente firmará VI – assistência financeira e creditícia;
Lei, reverterão ao patrimônio do alienante, convênios com o fim de obter, para os compra- VII – assistência à comercialização;
podendo o regulamento prever as condições dores e promitentes compradores, idênticas VIII – industrialização e beneficiamento dos
isenções de tributos estaduais e municipais. produtos;
em que se dará essa reversão, resguardada a
restituição da quantia já paga pelo adquirente, Art. 67. O Núcleo de Colonização, como uni- IX – eletrificação rural e obras de infraestru-
com a correção monetária de acordo com os dade básica, caracteriza-se por um conjunto tura;
índices do Conselho Nacional de Economia, de parcelas integradas por uma sede adminis-
trativa e serviços comunitários. X – seguro agrícola;
apurados entre a data do pagamento e da XI – educação, através de estabelecimentos
restituição, se tal cláusula constar do contrato Parágrafo único. O número de parcelas de
um núcleo será condicionado essencialmente agrícolas de orientação profissional;
de venda respectivo.
pela possibilidade de conhecimento mútuo XII – garantia de preços mínimos à produção
§ 3º. Se os adquirentes mantiverem inexplo-
entre os parceleiros e de sua identificação agrícola.
radas áreas suscetíveis de aproveitamento,
pelo administrador, em função das dimensões § 1º. Todos os meios enumerados neste artigo
desde que à sua disposição existam condições
adequadas a cada região. serão utilizados para dar plena capacitação ao
objetivas para explorá-las, perderão o direito
Art. 68. A emancipação do núcleo ocorrerá agricultor e sua família e visam, especialmente,
a essas áreas, que reverterão ao patrimônio
quando este tiver condições de vida autô- ao preparo educacional, à formação empresa-
do alienante, com a simples devolução das
noma, e será declarada por ato do órgão rial e técnico-profissional:
despesas feitas.
competente, observados os preceitos legais a) garantindo sua integração social e ativa
§ 4º. Na regulamentação das matérias de que participação no processo de desenvolvimento
e regulamentares.
trata este capítulo, com a observância das rural;
primazias já codificadas, se estipularão: Art. 69. O custo operacional do núcleo de
colonização será progressivamente transfe- b) estabelecendo, no meio rural, clima de
a) as exigências quanto aos títulos de domínio cooperação entre o homem e o Estado, no
rido aos proprietários das parcelas, através
e à demarcação de divisas; aproveitamento da terra.
de cooperativas ou outras entidades que os
b) os critérios para fixação das áreas-limites congreguem. O prazo para essa transferência, § 2º. No que tange aos campos de ação dos
de parcelas, lotes urbanos e glebas de uso nunca superior a cinco anos, contar-se-á: órgãos incumbidos de orientar, normalizar ou
comum, bem como dos preços, condições de executar a política de desenvolvimento rural,
a) a partir de sua emancipação;
financiamento e pagamento; através dos meios enumerados neste artigo,
b) desde quando a maioria dos parceleiros já
c) o sistema de seleção dos parceleiros e tenha recebido os títulos definitivos, embora observar-se-á o seguinte:
artesãos; o núcleo não tenha adquirido condições de a) nas áreas abrangidas pelas regiões prioritá-
d) as limitações para distribuição, desmem- vida autônoma. rias e incluídas nos planos nacional e regionais
bramentos, alienação e transmissão dos lotes; de Reforma Agrária, a atuação competirá sem-
Art. 70. O Distrito de Colonização caracteriza-
e) as sanções pelo inadimplemento das cláu- -se como unidade constituída por três ou mais pre ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária;
sulas contratuais; núcleos interligados, subordinados a uma b) nas demais áreas do país, esses meios de
f) os serviços que devam ser assegurados única chefia, integrado por serviços gerais assistência e proteção serão utilizados sob
aos promitentes compradores, bem como administrativos e comunitários. coordenação do Ministério da Agricultura;
os encargos e isenções tributárias que, nos no âmbito de atuação dos órgãos federais,
Art. 71. Nos casos de regiões muito afastadas
termos da lei, lhes sejam conferidos. pelas repartições e entidades subordinadas
dos centros urbanos e dos mercados consumi-
Art. 65. O imóvel rural não é divisível em áreas ou vinculadas àquele Ministério; nas áreas
dores, só se permitirá a organização de Distrito
de dimensão inferior à constitutiva do módulo de jurisdição dos Estados, pelas respectivas
de Colonização.
Secretarias de Agricultura e entidades de
de propriedade rural. Art. 72. A regulamentação deste capítulo economia mista, criadas e adequadamente
§ 1º. Em caso de sucessão causa mortis e nas estabelecerá, para os projetos de colonização organizadas com a finalidade de promover o
partilhas judiciais ou amigáveis, não se pode- que venham a gozar dos benefícios desta Lei: desenvolvimento rural;
rão dividir imóveis em áreas inferiores às da a) a forma de administração, a composição, a c) nas regiões em que atuem órgãos de valo-
dimensão do módulo de propriedade rural. área de jurisdição e os critérios de vinculação, rização econômica, tais como a Superinten-
§ 2º. Os herdeiros ou os legatários, que adquiri- desmembramento e incorporação dos núcleos dência do Desenvolvimento Econômico do
rem por sucessão o domínio de imóveis rurais, aos Distritos de Colonização; Nordeste (SUDENE), a Superintendência do
não poderão dividi-los em outros de dimensão b) os serviços gerais administrativos e comu- Plano de Valorização Econômica da Amazônia
inferior ao módulo de propriedade rural. nitários indispensáveis para a implantação de (SPVEA), a Comissão do Vale do São Francis-
§ 3º. No caso de um ou mais herdeiros ou núcleos e Distrito de Colonizações; co (CVSF), a Fundação Brasil Central (FBC), a
legatários desejar explorar as terras assim ha- c) os serviços complementares de assistên- Superintendência do Plano de Valorização
vidas, o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária cia educacional, sanitária, social, técnica e Econômica da Região Fronteira Sudoeste do
poderá prover no sentido de o requerente ou creditícia; País (SUDOESTE), a utilização desses meios
requerentes obterem financiamentos que d) os serviços de produção, de beneficiamento poderá ser, no todo ou em parte, exercida
lhes facultem o numerário para indenizar os e de industrialização e de eletrificação rural, Por esses órgãos.
demais condôminos. de comercialização e transportes; § 3º. Os projetos de Reforma Agrária receberão
§ 4º. O financiamento referido no parágrafo e) os serviços de planejamento e execução de assistência integral, assim compreendido o
anterior só poderá ser concedido mediante obras que, em cada caso, sejam aconselháveis emprego de todos os meios enumerados neste

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Estatuto da Terra Art. 74
artigo, ficando a cargo dos organismos criados o) desempenhar as atribuições constantes do Art. 76. Os órgãos referidos no artigo 73, §
pela presente Lei e daqueles já existentes, artigo 162 da Constituição Federal, observado 2º., alínea b, deverão expandir suas ativida-
sob coordenação do Instituto Brasileiro de o disposto no § 2º. do artigo 58, desta Lei, des no setor de produção e distribuição e
Reforma Agrária. coordenadas as suas atividades com as do de material de plantio, inclusive o básico, de
§ 4º. Nas regiões prioritárias de Reforma Agrá- Banco Nacional de Crédito Cooperativo; modo a atender tanto aos parceleiros como
ria, será essa assistência prestada, também, p) firmar convênios com os Estados, Municípios aos agricultores em geral.
pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, e entidades privadas para execução dos pro- Parágrafo único. A produção e distribuição
em colaboração com os órgãos estaduais per- gramas de desenvolvimento rural nos setores de sementes e mudas, inclusive de novas
tinentes, aos proprietários rurais aí existentes, da colonização, extensão rural, cooperativis- variedades, poderão também ser feitas por
desde que se constituam em cooperativas, mo e demais atividades de sua atribuição; organizações particulares, dentro do sistema
requeiram os benefícios aqui mencionados VI – a organização do Instituto Nacional do de certificação de material de plantio, sob
e se comprometam a observar as normas Desenvolvimento Agrário e de seus sistemas a fiscalização, controle e amparo do Poder
estabelecidas. de funcionamento será estabelecida em regu- Público.
Art. 74. É criado, para atender às atividades lamento, com competência idêntica à fixada SEÇÃO III.
atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricul- para o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária,
tura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento DA CRIAÇÃO,VENDA,DISTRIBUIÇÃO DE
no artigo 104 e seus parágrafos.
Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada REPRODUTORESEUSODAINSEMINAÇÃO
ao mesmo Ministério, com personalidade jurí- SEÇÃO I. ARTIFICIAL
dica e autonomia financeira, de acordo com o DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA
Art. 77. A melhoria dos rebanhos e plantéis
prescrito nos dispositivos seguintes:
Art. 75. A assistência técnica, nas modalidades será feita através de criação, venda de reprodu-
I – o Instituto Nacional do Desenvolvimento tores e uso da inseminação artificial, devendo
Agrário tem por finalidade promover o desen- e com os objetivos definidos nos parágrafos
seguintes, será prestada por todos os órgãos os órgãos referidos no artigo 73, § 2º, alínea
volvimento rural nos setores da colonização, b, ampliar para esse fim, a sua rede de postos
da extensão rural e do cooperativismo; referidos no artigo 73, § 2º, alíneas a, b e c.
§ 1º. Nas áreas dos projetos de reforma agrá- especializados.
II – o Instituto Nacional do Desenvolvimento Parágrafo único. A criação de reprodutores e
ria, a prestação de assistência técnica será
Agrário terá os recursos e o patrimônio defi- o emprego da inseminação artificial poderão
feita através do Administrador do Projeto, dos
nidos na presente Lei; ser feitos por entidades privadas, sob fiscali-
agentes de extensão rural e das equipes de
III – o Instituto Nacional do Desenvolvimento especialistas. O Administrador residirá obri- zação, controle e amparo do Poder Público.
Agrário será dirigido por um Presidente e um gatoriamente, na área do projeto. Os agentes
Conselho Diretor, composto de três membros, SEÇÃO IV.
de extensão rural e as equipes de especialistas DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA
de nomeação do Presidente da República, atuarão ao nível da Delegacia Regional do Ins-
mediante indicação do Ministro da Agricultura; tituto Brasileiro de Reforma Agrária e deverão Art. 78. Os planos de mecanização agrícola,
IV – Presidente do Instituto Nacional do De- residir na sua área de jurisdição, e durante a elaborados pelos órgãos referidos no artigo
senvolvimento Agrário integrará a Comissão fase da implantação, se necessário, na própria 73, § 2º, alínea b, levarão em conta o mercado
de Planejamento da Política Agrícola; área do projeto. de mão-de-obra regional, as necessidades de
V – além das atribuições que esta Lei lhe § 2º. Nas demais áreas, fora das regiões preparação e capacitação de pessoal, para
confere, cabe ao Instituto Nacional do De- prioritárias, este tipo de assistência técnica utilização e manutenção de maquinaria.
senvolvimento Agrário: será prestado na forma indicada no artigo 73, § 1º. Esses planos serão dimensionados em
a) vetado; parágrafo 2º, alínea b. função do grau de produtividade que se
b) planejar, programar, orientar, promover e § 3º. Os estabelecimentos rurais isolados pretende alcançar em cada uma das áreas
fiscalizar as atividades relativas ao cooperati- continuarão a ser atendidos pelos órgãos de geoeconômica do país, e deverão ser condi-
vismo e associativismo rural; assistência técnica do Ministério da Agricultura cionados ao nível tecnológico já existente e
c) colaborar em programas de colonização e e das Secretarias Estaduais, na forma atual ou à composição da força de trabalho ocorrente.
de recolonização; através de técnicos e sistemas que vierem a ser § 2º. Nos mesmos planos poderão ser incluí-
d) planejar, programar, promover e controlar adotados por aqueles organismos. dos serviços adequados de manutenção e de
as atividades relativas à extensão rural e co- § 4º. As atividades de assistência técnica tanto orientação técnica para o uso econômico das
operar com outros órgãos ou entidades que nas áreas prioritárias de Reforma Agrária como máquinas e implementos, os quais, sempre
a executem; nas previstas no § 3º deste artigo, terão, entre que possível deverão ser realizados por enti-
e) planejar, programar e promover medidas outros, os seguintes objetivos: dades privadas especializadas.
visando à implantação e desenvolvimento da a) a planificação de empreendimentos e ati-
eletrificação rural; SEÇÃO V.
vidades agrícolas;
f) proceder à avaliação do desenvolvimento DO COOPERATIVISMO
b) a elevação do nível sanitário, através de
das atividades de extensão rural. Vetado; serviços próprios de saúde e saneamento Art. 79. A Cooperativa Integral de Reforma
g) realizar estudos e pesquisas sobre a or- rural, melhoria de habitação e de capacitação Agrária (CIRA) contará com a contribuição fi-
ganização rural e propor as medidas deles de lavradores e criadores, bem como de suas nanceira do Poder Público, através do Instituto
decorrentes; famílias; Brasileiro de Reforma Agrária, durante o perí-
h) vetado; c) a criação do espírito empresarial e a for- odo de implantação dos respectivos projetos.
i) atuar, em colaboração com os órgãos do mação adequada em economia doméstica, § 1º. A contribuição financeira referida neste
Ministério do Trabalho incumbidos da sin- indispensável à gerência dos pequenos es- artigo será feita de acordo com o vulto do
dicalização rural visando a harmonizar as tabelecimentos rurais e à administração da empreendimento, a possibilidade de obtenção
atribuições legais com os propósitos sociais, própria vida familiar; de crédito, empréstimo ou financiamento
econômicos e técnicos da agricultura; d) a transmissão de conhecimentos e acesso externo e outras facilidades.
j) estabelecer normas, proceder ao registro a meios técnicos concernentes a métodos e § 2º. A Cooperativa Integral de Reforma Agrária
e promover a fiscalização do funcionamento práticas agropecuárias e extrativas, visando terá um Delegado indicado pelo Instituto
das cooperativas e de outras entidades de a escolha econômica das culturas e criações, Brasileiro de Reforma Agrária, integrante do
associativismo rural; a racional implantação e desenvolvimento, e Conselho de Administração, sem direito a voto,
k) planejar e promover a aquisição e revenda ao emprego de medidas de defesa sanitária, com a função de prestar assistência técnico-
de materiais agropecuários, reprodutores, vegetal e animal; -administrativa à Diretoria e de orientar e fis-
sementes e mudas; e) o auxílio e a assistência para o uso racional calizar a aplicação de recursos que o Instituto
l) controlar os estoques e as operações finan- do solo, a execução de planos de refloresta- Brasileiro de Reforma Agrária tiver destinado
ceiras de revenda; mento, a obtenção de crédito e financiamento, à entidade cooperativa.
m) centralizar a movimentação de recursos a defesa e preservação dos recursos naturais; § 3º. Às cooperativas assim constituídas será
financeiros destinados à aquisição e revenda f) a promoção, entre os agricultores, do espírito permitida a contratação de gerentes não-
de materiais agropecuários, de acordo com de liderança e de associativismo. -cooperados na forma de lei.
o plano geral aprovado pela Comissão de § 4º. A participação direta do Instituto Bra-
Planejamento da Política Agrícola; SEÇÃO II. sileiro de Reforma Agrária na constituição,
n) exercer as atribuições de que trata o artigo DA PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE instalação e desenvolvimento da Cooperativa
88, desta Lei, no âmbito federal; SEMENTES E MUDAS Integral de Reforma Agrária, quando constituir

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Art. 80 Estatuto da Terra
contribuição financeira, será feita com recursos ciamento que permita assegurar proteção ao SEÇÃO VIII.
do Fundo Nacional de Reforma Agrária, na for- agricultor, desde a fase do preparo da terra, DA INDUSTRIALIZAÇÃO E
ma de investimentos sem recuperação direta, até a venda de suas safras, ou entrega das BENEFICIAMENTO DOS PRODUTOS
considerada a finalidade social e econômica mesmas à cooperativa para comercialização AGRÍCOLAS
desses investimentos. Quando se tratar de ou industrialização.
assistência creditícia, tal participação será feita § 2º. O mesmo organismo deverá prover à Art. 87. Nas áreas prioritárias da Reforma Agrá-
por intermédio do Banco Nacional de Crédito forma de desconto de títulos oriundos de ria, a industrialização e o beneficiamento dos
Cooperativo, de acordo com normas traçadas operações de financiamento a agricultores produtos agrícolas serão promovidos pelas
pela entidade coordenadora do crédito rural. ou de venda de produtos, máquinas, imple- Cooperativas Integrais de Reforma Agrária.
§ 5º. A Contribuição do Estado será feita pe- mentos e utilidades agrícolas necessários ao Art. 88. O Poder Público, através dos órgãos
la Cooperativa Integral de Reforma Agrária, custeio de safras, construção de benfeitorias referidos no artigo 73, § 2º., alínea b, exercerá
levada à conta de um Fundo de Implantação e melhoramentos fundiários. atividades de orientação, planificação, execu-
da própria cooperativa. § 3º. A Superintendência da Moeda e do Cré- ção e controle, com o objetivo de promover
§ 6º. Quando o empreendimento resultante do dito poderá determinar que dos depósitos o incentivo da industrialização, do benefi-
projeto de Reforma Agrária tiver condições de compulsórios dos Bancos particulares, à sua ciamento dos produtos agropecuários e dos
vida autônoma, sua emancipação será declara- ordem, sejam deduzidas as quantias a serem meios indispensáveis ao aumento da produção
da pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, utilizadas em operações de crédito rural, na e da produtividade agrícola, especialmente os
cessando as funções do Delegado de que forma por ela regulamentada. referidos no artigo 86.
trata o § 2º deste artigo e incorporando-se ao Parágrafo único. Vetado.
patrimônio da cooperativa o Fundo requerido SEÇÃO VII.
no parágrafo anterior. DA ASSISTÊNCIA À COMERCIALIZAÇÃO SEÇÃO IX.
§ 7º. O Estatuto da Cooperativa integral de DA ELETRIFICAÇÃO RURAL E OBRAS DE
Art. 84. Os planos de armazenamento e pro-
Reforma Agrária deverá determinar a incor- INFRAESTRUTURA
teção dos produtos agropecuários levarão em
poração ao Banco Nacional de Crédito Co- conta o zoneamento de que trata o artigo 43,
operativo do remanescente patrimonial, no Art. 89. Os planos nacional e regional de Re-
a fim de condicionar aos objetivos desta Lei, forma Agrária incluirão, obrigatoriamente,
caso de dissolução da sociedade. as atividades da Superintendência Nacional
§ 8º. Além da sua designação qualitativa, a as providências de valorização, relativas a
de Abastecimento (SUNAB) e de outros órgãos eletrificação rural e outras obras de melhoria
Cooperativa Integral de Reforma Agrária ado- federais e estaduais com atividades que obje-
tará a denominação que o respectivo Estatuto de infraestrutura, tais como reflorestamento,
tivem o desenvolvimento rural. regularização dos deflúvios dos cursos d’água,
estabelecer. § 1º. Os órgãos referidos neste artigo, se ne- açudagem, barragens submersas, drenagem,
§ 9º. As cooperativas já existentes nas áreas cessário, deverão instalar em convênio com o irrigação, abertura de poços, saneamento,
prioritárias poderão transformar-se em Co- Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, arma- obras de conservação do solo, além do sistema
operativas Integradas de Reforma Agrária, zéns, silos, frigoríficos, postos ou agências de viário indispensável à realização do projeto.
a critério do Instituto Brasileiro de Reforma compra, visando a dar segurança à produção
Agrária. Art. 90. Os órgãos públicos federais ou esta-
agrícola. duais referidos no artigo 73, § 2º, alíneas a, b
§ 10. O disposto nesta seção aplica-se, no que § 2º. Os planos deverão também levar em con- e c, bem como o Banco Nacional de Crédito
couber, às demais cooperativas, inclusive às ta a classificação dos produtos e o adequado Cooperativo, na medida de suas disponibi-
destinadas a atividades extrativas. e oportuno escoamento das safras. lidades técnicas e financeiras, promoverão
Art. 80. O órgão referido no artigo 74 deverá Art. 85. A fixação dos preços mínimos, de a difusão das atividades de reflorestamento
promover a expansão do sistema cooperativis- acordo com a essencialidade dos produtos e de eletrificação rural, estas essencialmen-
ta, prestando, quando necessário, assistência agropecuários, visando aos mercados interno te através de cooperativas de eletrificação
técnica, financeira e comercial às cooperativas e externo, deverá ser feita, no mínimo, sessenta e industrialização rural, organizadas pelos
visando à capacidade e ao treinamento dos dias antes da época do plantio em cada região lavradores e pecuaristas da região.
cooperados para garantir a implantação dos e reajustados, na época da venda, de acordo § 1º. Os mesmos órgãos especialmente as
serviços administrativos, técnicos, comerciais com os índices de correção fixados pelo Con- entidades de economia mista destinadas a
e industriais. selho Nacional de Economia. promover o desenvolvimento rural, deverão
SEÇÃO VI. § 1º. Para fixação do preço mínimo se to- manter serviços para atender à orientação,
DA ASSISTÊNCIA FINANCEIRA E mará por base o custo efetivo da produção, planificação, execução e fiscalização das obras
CREDITÍCIA acrescido das despesas de transporte para o de melhoria