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REVISÃO DE DESENHO I

Como visto no desenho I , sabemos que um desenho pode ser representado em até 6
vistas, caso se faça necessário, dependendo da complexidade da peça. Preferencialmente
utiliza-se como vista principal ( vista frontal ) a que melhor define a geometria da peça,
observando também a mesma orientação do desenho de conjunto.
Normalmente utiliza-se três vistas para a execução do desenho, a vista frontal, vista
superior e vista e vista lateral ( esq/dir ).
O desenho pode ser representado em 1º ou 3º diedro, dependendo da convenção
utilizada. O exemplo abaixo representa as seis projeções ortogonais em 1º diedro:

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PERSPECTIVA ISOMÉTRICA

Essa forma de representação da peça é muito utilizada quando necessitamos visualizar


sua forma, não levando em conta suas dimensões mas sim, sua geometria e a
proporcionalidade.
O desenho abaixo demonstra uma vista em perspectiva :

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COTAGEM E SIMBOLOGIAS

Conhecendo o desenho em perspectiva e sabendo que o mesmo pode ser representado


em vistas ortogonais, utilizamos a mesma peça vista anteriormente, para ilustrar a aplicação
de cotagem e simbologias :

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1 - IMPORTÂNCIA DAS NORMAS

As normas foram criadas para que se


tenha uma padronização de componentes
montados. Esta padronização auxilia desde o
projeto, fabricação e intercambiabilidade na
fabricação.
A figura ao lado ilustra um exemplo de
uma lâmpada sem a utilização de normas, na
substituição a mesma não possui a mesma
bitola de rosca.
Em máquinas e equipamentos encontramos
inúmeros itens normalizados como
rolamentos, parafusos, pinos, etc.

Em máquinas e equipamentos encontramos inúmeros itens normalizados como rolamentos,


parafusos, pinos, etc.
As principais normas utilizadas para desenho são:
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas;
DIN – Deutsche Industrie Normen (Norma da Indústria Alemã);
ISO - International Standardization Organization ( Organização Internacional de
Normalização ).
A elaboração deste material está baseado na norma ABNT.

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2 -HACHURAS ( NBR 12298/95 )

Hachuras são um conjunto de linhas ou figuras empregadas para representar a parte


cortada de uma vista do desenho. Na representação das hachuras de uma mesma peça em suas
vistas, deve-se utilizar o mesmo tipo e a mesma escala.
As hachuras facilitam a visualização das partes de uma peça .
Para indicação de hachura geral que serve para qualquer material deve ser usada a da
figura abaixo, mas porém deve-se identificar o material na legenda do desenho.

Hachura geral

Na montagem de conjuntos, utiliza-se hachuras diferenciadas para peças adjacentes.


Normalmente varia-se o ângulo de inclinação das linhas, ou o espaçamento entre as mesmas.

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As hachuras também são utilizadas para identificação do material da peça, variando
com cada tipo de material.
De acordo com a ABNT, as hachuras identificadas para os materiais são:

Em seções finas, tais como guarnições, juntas, etc., pode-se utilizar enegrecimento
total, porém no caso de peças adjacentes devem Ter espaçamento em branco de no mínio
0,7mm.

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3 – CORTES

3.1 – Cortes (10067/87)

Os cortes são utilizados em desenhos de peças e conjuntos para facilitar a


interpretação de detalhes internos que, através das vistas, sem o emprego do corte seriam de
difícil interpretação.
As vistas principais apresentam detalhes internos, com linhas tracejadas indicando os
contornos e arestas não visíveis, como o exemplo abaixo.

PERSPECTIVA
DA PEÇA

VISTAS ESSENCIAIS DA PEÇA

Se empregarmos o corte, os detalhes internos passarão a ficar visíveis.


Imaginemos que a peça seja cortada no sentido longitudinal e a parte da frente
retirada; na projeção, teremos a elevação em corte.

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Observações :
O corte é imaginário
O sombreamento na projeção correspondente a parte da peça que foi atingida pelo
corte. A região não sombreada indica a parte não atingida pelo corte.

Imaginemos, agora, que a peça seja cortada no sentido transversal.

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Na representação teremos a vista lateral em corte.

A seguir, temos outro exemplo, em que a peça foi cortada por um plano horizontal e a
parte de cima, retirada.

Na representação teremos a peça plana em corte.

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Observação:
Pelo exposto, vimos que as vistas que não são atingidas pelo corte não sofrem
alteração em sua representação.

3.2 – Linhas de corte ( NBR 8403/84 )

O corte é indicado numa vista e, representado em outra. Havendo a necessidade de


registrar no desenho o sentido em que é observada a vista em corte , este é indicado por setas
nos extremos das linhas de corte ( traço e ponto, larga nas extremidades e na mudança de
direção ).

Necessitamos identificar uma vista em corte e o respectivo plano. Empregam-se letras


maiúsculas ( AA’ , BB’ ou AB, CD, etc. ) colocadas ao lado das setas, nos extremos da linha
de corte, escrevendo-se tais letras junto à vista em corte correspondente, como no exemplo
abaixo.

3.3 – Corte total ( NBR 10067/87 )

O corte total, ocorre quando a peça é cortada imaginariamente, em toda a sua


extensão.

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Observação:
Deve ficar claro que, para o traçado da vista em corte, imaginamos retirada a parte da
peça que impedia a visão; porém, para traçado das outras vistas, a referida parte é considerada
como não retirada.
CORTE LONGITUDINAL

Corte AB

A B

CORTE TRANSVERSAL

F
Corte EF

CORTE HORIZONTAL
C D

Corte CD

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3.4 – Corte em desvio ( NBR 10067/87 )

Nas vistas em corte, os detalhes não visíveis poderão ser omitidos, desde que não
dificultem a leitura do desenho.
Se a peça apresentar detalhes colocados fora do plano de corte cuja representação se
faça necessária, desvia-se o corte a fim de alcançá-los, como no exemplo abaixo.
Este corte é chamado corte em desvio.

Observação:
As arestas formadas ( teoricamente ) pelo desvio da linha de cote não são
representadas na vista hachurada, como nos exemplos acima.

3.5 – Meio corte ( NBR 10067/87 )

Em peças onde existe a condição de simetria, não há necessidade de utilizarmos o


corte total para montarmos seus detalhes internos, Podemos para isso utilizar o meio corte,
mostrando a metade da peça em corte, com seus detalhes internos, e a outra metade em vista
externa.

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Em peças com eixo de simetria horizontal, o meio corte é representado na parte
inferior, e peças com eixo de simetria vertical, é representado à direita.
Quando utilizamos meio corte, tem-se por convenção não se indicar os detalhes não
visíveis, mesmo na parte não cotada.

3.6 Corte parcial ( NBR 10067/87 )

Quando se deseja mostrar apenas uma parte interna do objeto ou peça , possibilitando
esclarecer pequenos detalhes internos sem necessidade de recorrer ao corte total ou meio
corte, utiliza-se o corte parcial.
No corte parcial a parte cortada é limitada por uma linha de ruptura e pelo contorno
do desenho da peça.

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3.7 – Seções ( NBR 10067/87 ):

Para indicar de modo prático e simples, o perfil ou partes de peças, evitando vistas
desnecessárias, que nem sempre identificam a peça.

Seções traçadas sobre a própria vista ( Contorno traçado com linha estreita ).

Seção traçada com interrupção da vista ( Contorno traçado com linha larga ).

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Seções traçadas fora das vistas ( contorno com linha larga ).

3.8 – Vistas de Objetos Encurtados ( NBR 10067/87 )

Vistas de objetos encurtados, são representações utilizadas para o desenho de peças


que, devido ao seu comprimento, necessitam ser encurtadas, para melhor aproveitamento de
espaço no desenho.
São representadas somente partes da peça que contém detalhes. Os limites das partes
mantidas são desenhados da mesma maneira que vistas parciais e aproximados uns dos outros.

Esta representação é empregada quando, na parte que se imagina retirada não houver
detalhes que necessitem ser mostrados. Obs.: O comprimento real da peça é dado pelo valor
numérico da cota.

3.9 – Omissão de Corte ( NBR 10067/87 )

Nervuras e braços de peças não são atingidos pelo corte no sentido longitudinal,
conforme os exemplos abaixo.

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Nos desenhos de conjuntos, eixos, pinos, rebites, chavetas, parafusos e porcas também
não são considerados cortados quando atingidos pelo corte no sentido longitudinal, conforme
exemplo abaixo.

Entretanto, quando necessário, cortes parciais poderão ser empregados.

Eixos, quando cortados no sentido transversal, aparecem hachurados.

3.10 – Vista Auxiliar Primária

A vista auxiliar é empregada para obter a forma real de partes que estejam fora das
posições horizontais e verticais. Para obter a vista auxiliar, projeta-se a parte inclinada
paralelamente a sua inclinação, conforme exemplo:

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3.11 – Vista Auxiliar Simplificada

Esta vista por sua facilidade de interpretação é uma das mais importantes no desenho
mecânico.
Ela consiste em representar a peça em vista única, e por meio de linhas estreitas,
completando o desenho com os detalhes que ficam esclarecidos na vista representada.

3.12 – Rotação de detalhes Oblíquos

Esta representação tem por finalidade, evitar o encurtamento que resultaria da


verdadeira projeção de detalhes inclinados, Faz-se a rotação desses detalhes de modo a
projetá-los sem deformar, este tipo de representação é também aplicado em peças mostradas
em corte.

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3.13 – Desenho de Chapa

Para o desenho de chapas, segue-se os mesmos padrões de desenho já visto, no caso de


peças que não possuem dobras.
Para peças dobradas, basta acrescentar o desenho da chapa desenvolvida ( antes de
dobrar ), além das vistas normais da chapa depois de dobrada.
Como neste caso a maioria das furações, e operações são realizadas antes da dobra,
sendo necessária a indicação de todos estes detalhes já na peça desenvolvida, inclusive as
linhas de dobra, com suas cotas.
A peça dobrada também deve conter cotas principais para a conferência, dando-se
preferência para cotar detalhes de maior precisão. Também deve-se indicar o raio de dobra
com seu valor de acordo com ferramentas existentes.
A seguir podemos ver um exemplo de um suporte feito com chapa dobrada:

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Cálculo do desenvolvimento:

Para calcularmos as dimensões da chapa antes de dobrar existem normas oficiais e


particulares de cada empresa.
É fundamental que se leve em consideração a espessura da chapa, e o raio de dobra
que deve ser maior que a espessura da chapa.

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Transição com redução concêntrica de duto retangular para redondo

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Intercessão oblíqua de dutos redondos com diâmetros diferentes

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3.14 – Conjuntos

O desenho de conjunto é basicamente utilizado para demonstração de seus


componentes com o objetivo de indicar os detalhes e dimensões importantes para a
montagem, ou ainda simplesmente para a identificação desses itens.
A identificação das peças é feita através de uma linha de chamada partindo do ítem a
ser indicado, até uma área livre no desenho onde então pode ser desenhado um circulo, com o
número seqüencial que o ítem ficará disposto na legenda.
Também utiliza-se desenhos de conjuntos para indicação de soldas, usinagens, ou
qualquer informação necessária para a montagem.
Na legenda devem conter dados como posição, descrição, quantidade, material e
outros se necessário.

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Outra forma de representar um desenho de conjunto é através de vista explodida,
mostrando o conjunto como se estivesse desmontado, porém fazendo correspondência de cada
detalhe. Recurso este muito utilizado em catálogos e em mancais de instrução.
As formas de indicação das partes, tendo no desenho, como na legenda, são idênticas a
um desenho de conjunto visto anteriormente.

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3.15 – Utilização de CAD para desenho

O CAD é uma ferramenta que entre outras coisas foi criada para auxiliar no projeto e
desenho ( de equipamentos ).
Basicamente são criadas linhas gráficas as quais representam as linhas do desenho,
porém com inúmeras vantagens como agilidade e flexibilidade na manipulação dos mesmos.
Os estudos e desenhos podem ser gerados em 2D ( duas dimensões ), ou em 3D ( três
dimensões ). Existem hoje uma grande variedade de programas que trabalham
especificamente com desenho. Ainda pode-se utilizar modelagem de sólidos o que agrega
especificações de material, e serve para a prototipagem virtual de equipamentos e
dispositivos.
O CAD pode ser considerado como uma automatização do desenho.

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