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ARTIGO ORIGINAL

CONSENSO BRASILEIRO DE MEDICAMENTOS


POTENCIALMENTE INAPROPRIADOS PARA IDOSOS
Brazilian consensus of potentially inappropriate medication for elderly people
Márcio Galvão Oliveiraa, Welma Wildes Amorimb,c, Caroline Ribeiro Borja Oliveirad,
Hérica Lima Coqueiroe, Letícia Cruz Gusmãof, Luiz Carlos Passosc

OBJETIVO: Realizar a validação de conteúdo dos Critérios de Beers 2012 e STOPP 2006 para a obtenção de critérios nacionais de
classificação de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) para idosos. MÉTODOS: A técnica Delphi modificada em duas
etapas foi utilizada para o estabelecimento do Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados para Idosos,
com base nos critérios de Beers 2012 e STOPP 2006. O painel de especialistas foi composto por dez indivíduos. Utilizou-se um
questionário eletrônico em que cada especialista emitiu uma nota, por meio de uma escala de Likert de cinco pontos. Na primeira
etapa Delphi, os participantes foram solicitados a avaliar a inadequação potencial de uma lista preliminar de medicamentos e propor
RESUMO

sugestões. Posteriormente, calculou-se a média das notas e o respectivo IC de 95% para cada critério. Foram encaminhados para
a segunda rodada os critérios com limite máximo de IC95% < 4,0. Todos os medicamentos contidos em critérios com um limite
mínimo de IC95% ≥ 4,0 na segunda rodada foram classificados como potencialmente inapropriados. RESULTADOS: Os critérios que
não obtiveram consenso foram: uso de aspirina para a prevenção primária de eventos cardiovasculares, prescrição de escala móvel
de insulina, uso de alfa-bloqueadores, estrógenos orais ou transdérmicos para idosos com incontinência urinária e antidepressivos
tricíclicos para aqueles com retenção urinária. Ao final, foram totalizados 118 critérios, sendo 43 independentes de condição clínica
e 75 dependentes de condição clínica/doença dos idosos. CONCLUSÃO: Foi realizada a validação de conteúdo de critérios de
medicamentos que devem ser evitados em idosos. Esses dados podem otimizar a prescrição de medicamentos nessa população.
PALAVRAS-CHAVE: lista de medicamentos potencialmente inapropriados; idoso; Brasil.

OBJECTIVE: To validate the 2012 Beers criteria and the 2006 STOPP contents, in order to elaborate a national classification
criteria of potentially inappropriate medication for the elderly. METHODS: A two-round modified Delphi technique was employed
to establish the Brazilian Consensus of Potentially Inappropriate Medications in the elderly, based on the 2012 Beers criteria and
2006 STOPP. The expert panel was composed of ten individuals. An electronic questionnaire was used, in which each expert scored
the criteria through a 5-points Likert scale. In the first round, the participants were asked to assess the potential inadequacy
ABSTRACT

of a preliminary list of medicines and propose suggestions. Then, for each criterion, the scores mean was calculated and its
respective 95% CI. The criteria with a 95% CI < 4,0 upper limit were submitted to the second round. All medicines in the criteria
with a 95% CI ≥ 4,0 lower limit, in the second round, were classified as potentially inappropriate. RESULTS: The criteria that did
not reach consensus were: aspirin use for primary prevention of cardiovascular events, sliding scale insulin prescription and the
use of alpha-blockers, oral or transdermal estrogens and tricyclic antidepressants for the elderly with urinary tract incontinence.
At the end, there were 118 criteria, in which 43 were independent from clinical conditions and 75 were dependent from clinical
conditions/disease of the elderly. CONCLUSION: It was validated a criteria of medicines that should be avoided in the elderly.
These data can optimize the medicines prescription in this population.
KEYWORDS: potentially inappropriate medications list; aged; Brazil.

a
Programa de Mestrado em Saúde Coletiva, Instituto Multidisciplinar em Saúde, Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Vitória da Conquista (BA), Brasil.
b
Departamento de Ciências Naturais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Vitória da Conquista (BA), Brasil.
c
Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde da UFBA – Salvador (BA), Brasil.
d
Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo (SP), Brasil.
e
Hospital da Bahia – Salvador (BA), Brasil.
f
Instituto Multidisciplinar em Saúde da UFBA – Vitória da Conquista (BA), Brasil.

Dados para correspondência


Márcio Galvão Oliveira – Rua Rio de Contas, 58, Quadra 17, Lote 58 – Candeias – CEP: 45.029-094 – Vitória da Conquista (BA), Brasil – Email: mgalvao@ufba.br
Recebido em: 20/08/2016. Aceito em: 21/09/2016
DOI: 10.5327/Z2447-211520161600054

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INTRODUÇÃO fundamentados em padrões predeterminados.10 Esses últi-


A prescrição farmacológica é o desenlace mais comum de mos são os mais utilizados na prática clínica e em pesquisas,
uma consulta médica e representa o principal tipo de inter- pois são fáceis de serem aplicados, sem grande interferência
venção terapêutica.1 A escolha do medicamento apropriado de um julgamento clínico pessoal.11 Na prática, são instru-
para cada doença em particular é um processo complexo,2 mentos baseados na verificação de uma lista de medicamen-
pois é essencial que a prescrição seja clinicamente efetiva, tos considerados potencialmente inapropriados em condi-
segura e tenha uma relação de custo-benefício satisfatória.1 ções ou situações específicas.10 As listas de MPI para idosos
Uma prescrição inapropriada abrange o uso de medicamen- mais citadas e utilizadas são os Critérios de Beers, desenvol-
tos que apresentam um risco significante de evento adverso, vidos nos Estados Unidos, e o Screening Tool of Older Persons’
quando há evidência de alternativa igual ou mais efetiva e Potentially Inappropriate Prescriptions (STOPP), elaborado na
com menor risco para tratar a mesma condição.3 Além disso, Irlanda.11 Ambos foram desenvolvidos por meio do consenso
a prescrição inapropriada inclui o uso de medicamentos em de uma equipe de especialistas nacionais, composta, dentre
uma frequência ou um período maior do que os clinicamente outros, por geriatras, farmacologistas e farmacêuticos clíni-
indicados, o uso de múltiplos medicamentos que possuem cos, utilizando a técnica Delphi.10
interações medicamentosas ou medicamento-doença e, Desenvolvidos em 199112 para instituições de longa per-
sobretudo, a subutilização de medicamentos benéficos que manência, os Critérios de Beers foram os pioneiros. Após revi-
são clinicamente indicados, mas não são prescritos por dis- sões e atualizações posteriores, foram adequados para apli-
criminação da idade ou razões ilógicas.3 cação em diversos cenários. Como, porém, esses critérios
A cada ano, a proporção de prescrições farmacológicas apresentavam algumas limitações — como a inclusão de
aumenta e, consequentemente, o risco de reações adversas medicamentos que já eram na época raramente utilizados e
a medicamentos (RAM) também.1 Muitas RAM são evi- indisponíveis na maioria dos países europeus —, em 2008,
táveis se houver uma preocupação com a identificação e a foi desenvolvida na Europa a primeira versão do STOPP.15
prevenção do uso de medicamentos potencialmente inapro- Nesses critérios, os medicamentos/classes farmacológicas
priados (MPI) e de combinações indesejáveis.4 Esse fato é foram agrupados por sistemas fisiológicos, incluindo casos de
de grande relevância clínica, em especial na população idosa, interações fármaco-fármaco, fármaco-doença e de prescrição
por diversos fatores: duplicada de medicamentos de mesma classe.15
1. o aumento progressivo do número de idosos em todo Mais recentemente, em 201213 e 201514, foram publica-
o mundo;5 das as novas versões dos critérios de Beers. Esses incluem
2. a elevada prevalência de múltiplas doenças crônicas listas de medicamentos/grupos farmacológicos que devem
concomitantes;6 ser evitados em todos os idosos, aqueles que devem ser
3. o uso frequente e simultâneo de vários medicamentos;7 e evitados em idosos com determinada condição clínica e os
4. a interferência das alterações fisiológicas do processo que devem ser utilizados com precaução.9,13 A abordagem
de envelhecimento na farmacocinética e farmacodi- baseada em evidências, com recomendações segundo a qua-
nâmica, aumentando o risco de toxicidade causada lidade de evidência e a força de recomendação, bem como
pelos medicamentos.2 a adição de medicamentos recentemente comercializados e
a exclusão daqueles em desuso são alguns dos pontos posi-
As RAM são a forma mais comum de iatrogenia nos ido- tivos das novas versões.13,14
sos8 e seu risco aumenta quando se utiliza fármacos inapro- Uma vez que essas ferramentas requerem revisões contan-
priados.1 O uso de MPI para idosos levam a reações adver- tes, o STOPP também foi recentemente atualizado e expan-
sas potencialmente ameaçadoras à vida ou incapacitantes e dido em sua última versão publicada em 2015.16
está associado a problemas evitáveis nesses pacientes, como O propósito desses instrumentos é melhorar a qualidade
depressão, constipação, quedas, imobilidade, confusão mental e a segurança da prescrição para idosos. Embora os critérios
e fraturas de quadril.8 Além de uma relação com a ocorrência de Beers e o STOPP apresentem semelhanças e algumas
de RAM, o uso de MPI está associado com um aumento do recomendações em comum, na tomada de decisão quanto à
risco de hospitalização e mortalidade, tornando-se um rele- prescrição de medicamentos para idosos indica-se seu uso
vante problema de saúde pública para a população idosa.9 complementar e combinado.27 Por outro lado, devido às dife-
A adequação da prescrição em idosos tem sido avaliada renças na disponibilidade dos fármacos, assim como em rela-
por meio de instrumentos que utilizam critérios implícitos, ção às diferentes condutas prescritivas adotadas, esses instru-
baseados em julgamentos clínicos, ou explícitos, que são mentos têm sido adaptados em muitos países.11 Em relação à

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Consenso Medicamentos Inapropriados

realidade brasileira, até o presente estudo, não foram locali- do regionalismo sobre o consenso. Catorze profissionais
zados instrumentos originais ou adaptados capazes de avaliar com experiência clínica e acadêmica na área de Geriatria e
a adequação do uso de medicamentos em pacientes idosos. Gerontologia foram convidados via correio eletrônico para
O objetivo deste estudo foi realizar a validação de conteúdo participar do consenso. Aqueles que aceitaram o convite assi-
dos Critérios de Beers 2012 e STOPP 2006 para a obtenção naram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido e uma
de critérios nacionais de classificação de MPI para idosos. Autorização para Divulgação do Nome como Especialista/
Colaborador. Durante os ciclos de aplicação dos questio-
nários, os especialistas não tiveram acesso à identificação
MÉTODOS de seus pares.

Delineamento do estudo Validação de conteúdo


Foi utilizada a técnica de consenso Delphi modificada. A validação de conteúdo foi realizada por meio da
Trata-se de uma estratégia para estabelecer a validade de con- técnica de consenso Delphi modificada. Essa técnica foi
teúdo de instrumentos, permitindo ouvir e analisar, de forma aplicada em duas etapas distintas: na primeira, foi dispo-
sistemática, opiniões de especialistas com vistas à obtenção nibilizado aos especialistas, para parecer, o formulário com
de um consenso sobre determinado instrumento ou critérios. os critérios relacionados aos medicamentos que devem ser
São utilizados questionários, aplicados por meio de um pro- evitados em idosos independentemente da condição clí-
cesso interativo, conhecido como rodadas.17 No nosso estudo, nica. Na segunda etapa, foi disponibilizado o formulário
realizamos duas rodadas. As respostas da primeira rodada que com os critérios que incluíam MPI dependentes de con-
não alcançaram consenso e as sugestões de mudança de cri- dições clínicas/doenças.
tério foram recolhidas e analisadas; um questionário revisado Cada etapa do consenso foi realizada em duas rodadas.
com base nos resultados dessa análise foi então submetido aos Na primeira rodada, foi disponibilizado o questionário ele-
mesmos especialistas a fim de convergir para um consenso trônico com todos os critérios de grupo de medicamentos
em relação à média das notas das respostas. que deveriam ser evitados em idosos independentemente de
condição clínica, para que cada especialista pudesse emitir
Fontes de dados para a um parecer. Para cada critério, o especialista tinha de atri-
elaboração dos critérios nacionais buir um valor de acordo com sua concordância ao enunciado,
Os Critérios de Beers 201213 e o STOPP 200615 serviram conforme uma escala de Likert, com pontuação estabelecida
de base para a construção dos critérios nacionais de MPI para de 1 a 5: (1: discorda totalmente, 2: discorda parcialmente,
idosos. Os dados dos medicamentos contidos nos Critérios 3: indiferente, 4: concorda parcialmente e 5: concorda total-
de Beers e STOPP foram revisados e sua disponibilidade no mente). Além disso, os especialistas puderam incluir opiniões
mercado brasileiro foi verificada no site da Agência Nacional para embasar suas respostas ou sugestões de alteração no con-
de Vigilância Sanitária (ANVISA).18 Posteriormente, os teúdo dos critérios. Após a primeira rodada, foram calculadas
dados dos medicamentos disponíveis no Brasil foram lança- as médias e IC95%, a partir das notas atribuídas pelos espe-
dos em um questionário eletrônico que foi disponibilizado, cialistas. Os critérios foram reencaminhados para a segunda
por meio do Google Docs®, aos especialistas nacionais para rodada de acordo com as seguintes situações:
emissão do seu parecer. 1. quando obtiveram média < 4,0;
No questionário eletrônico, os MPI foram dispostos 2. quando obtiveram média ≥ 4,0, mas o limite inferior
em dois grupos: fármacos que devem ser evitados em todos do IC95% foi < 4,0 ou;
os idosos e aqueles que devem ser evitados em idosos com 3. quando houve sugestão de alteração no critério, inde-
determinadas condições clínicas. Os critérios foram agru- pendente da média das notas.
pados por órgãos e sistemas fisiológicos, seguindo a distri-
buição do STOPP. Também foi adicionado a cada critério a Quando houve justificativa de algum especialista para
justificativa que embasa a inclusão do medicamento/classe as notas atribuídas na primeira rodada, essas justificativas
farmacológica como potencialmente inapropriada para idoso. foram compartilhadas com os demais na segunda rodada.
Nessa segunda rodada, foi considerado consenso os critérios
Critérios de seleção e convite dos especialistas com média das notas ≥ 4,0. No entanto, nos casos em que
Os especialistas foram selecionados, por conveniência, os critérios eram aprovados na primeira rodada, mas havia
de diferentes regiões do país, a fim de diminuir a influência sugestões de alterações feitas pelos especialistas e que na

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segunda rodada obtiveram média inferior em relação à pri- foram reencaminhados aos especialistas para reavaliação.
meira, foram consideradas a versão e as notas atribuídas na Na segunda rodada, dois critérios não obtiveram consenso:
primeira rodada. Ainda nesses casos, as sugestões de mudança uso de aspirina para a prevenção primária de eventos car-
nos critérios foram desconsideradas. diovasculares (média: 3,1; IC95% = 1,77 – 4,43) e prescri-
ção de escala móvel para uso de insulina segundo glicemia
Aspectos éticos capilar (média: 3,1; IC95% = 1,77 – 4,43).
Este projeto teve aprovação em um Comitê de Ética em Na segunda etapa, foram disponibilizados 78 crité-
Pesquisa local, conforme parecer 206.213. rios para medicamentos que devem ser evitados em ido-
sos dependentes de condição clínica/doença. Na primeira
rodada, 33% (n = 26) dos critérios não obtiveram consenso
RESULTADOS e foram reencaminhados aos especialistas para reavalia-
Dez especialistas aceitaram participar do estudo, sendo ção. Desses, três não atingiram consenso, sendo eles: uso
nove geriatras e um farmacêutico clínico e, dentre eles, três de alfa-bloqueadores (média: 3,9; IC95% = 2,99 – 4,78),
especialistas eram da região Nordeste, três da região Sudeste, estrógenos orais ou transdérmicos (média: 3,9; IC95% =
um da região Centro-Oeste e três da região Sul do Brasil. 1,81 – 4,41) em idosos com incontinência urinária e anti-
Todos os especialistas incluídos no estudo concluíram as depressivos tricíclicos naqueles com retenção urinária
duas etapas do consenso. (média: 3,9; IC95% = 1,13 – 3,09).
Na primeira etapa, relativa aos MPI independentes de Ao final, foram totalizados 118 critérios, dos quais 43 são
condição clínica/doença, dos 45 critérios avaliados, 29% independentes de condição (Quadro 1) e 75 dependentes de
(n = 13) não obtiveram consenso na primeira rodada e condição (Quadro 2).

Quadro 1 Descrição dos critérios para medicamentos que devem ser evitados em idosos, independentes de condição clínica.
Número Critério Racional Exceção
Sistema Nervoso Central e Medicamentos Psicotrópicos
Antiparkinsonianos com forte ação
anticolinérgica (biperideno e triexifenidil)
1 Risco de toxicidade anticolinérgica. –
para tratar os efeitos extrapiramidais de
medicamentos neurolépticos.
Anti-histamínicos de primeira geração
Risco de sedação e efeitos
(Bronfeniramina, Carbinoxamina,
anticolinérgicos (confusão, boca O uso de Difenidramina, em
Ciproeptadina, Clemastina, Clorfeniramina,
2 seca, constipação, entre outros). Há situações como reação alérgica
Dexclorfeniramina, Difenidramina,
o desenvolvimento de tolerância, grave, pode ser apropriado.
Dimenidrinato, Doxilamina, Hidroxizina,
quando utilizados como hipnótico.
Meclizina, Prometazina, Triprolidina).
Antipsicóticos de primeira geração
(Clorpromazina, Flufenazina, Haloperidol,
Levomepromazina, Penfluridol, Periciazina, O uso deve ser restrito aos
Pimozida, Pipotiazina, Sulpirida, Tioridazina, casos nos quais estratégias não
Aumento do risco de acidente vascular
3 Trifluoperazina, Zuclopentixol) e de farmacológicas tenham falhado
cerebral (AVC) e mortalidade.
segunda geração (Amissulprida, Aripiprazol, ou quando o paciente representa
Clozapina, Olanzapina, Paliperidona, ameaça a si ou a outros.
Quetiapina, Risperidona, Ziprasidona) para
problemas comportamentais da demência.
Alta proporção de dependência física,
4 Barbitúricos (Fenobarbital, Tiopental). tolerância na indução do sono e risco –
de overdose em doses baixas.
Em geral, os benzodiazepínicos Podem ser apropriados para tratar
Benzodiazepínicos (Alprazolam, aumentam o risco de crises convulsivas, distúrbios
Bromazepam, Clobazam, Clonazepam, comprometimento cognitivo, do sono REM, síndrome de
5 Clordiazepóxido, Cloxazolam, Diazepam, delirium, quedas, fraturas e abstinência a benzodiazepínicos
Estazolam, Flunitrazepam, Flurazepam, acidentes automobilísticos. Evitar e etanol, transtorno de ansiedade
Lorazepam, Midazolam, Nitrazepam). todos os benzodiazepínicos para generalizada grave, em anestesia
tratar insônia, agitação ou delirium. perioperatória e cuidados paliativos.
Continua...

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Consenso Medicamentos Inapropriados

Quadro 1 Continuação.
Número Critério Racional Exceção
Mesilato de codergocrina para
6 Ausência de eficácia. –
tratamento de demência.
Uso prolongado de neurolépticos Risco de confusão, hipotensão,
7 –
como hipnóticos. efeitos extrapiramidais e quedas.
Efeitos adversos similares aos
Evitar uso crônico (> 90 dias) de hipnóticos benzodiazepínicos (por exemplo:
8 –
não benzodiazepínicos (Zolpidem). delirium, quedas, fraturas). Pequena
melhora na latência e duração do sono.
Podem ser apropriados para tratamento
Antidepressivos tricíclicos terciários
da dor e/ou depressão grave. Pode ser
(Amitriptilina, Imipramina, Altamente anticolinérgicos, sedativos
9 apropriado o uso da Nortriptilina para
Nortriptilina,Clomipramina, Maprotilina) e causam hipotensão ortostática.
tratamento da depressão associada à
sozinhos ou em combinação.
doença de Parkinson em idosos jovens.
Altamente anticolinérgico e risco de
10 Tioridazina. –
prolongamento do intervalo QT.
Sistema Cardiovascular
Uso associado ao alto risco de
hipotensão ortostática. Não
Bloqueadores Alfa-1 para tratamento da
11 recomendados para tratamento de –
hipertensão (Doxazosina, Prazosina, Terazosina).
rotina da hipertensão. Há alternativas
com melhor relação risco-benefício.
Alto risco de efeitos adversos ao
Alfa agonistas de ação central para
Sistema Nervoso Central (SNC).
12 tratamento de rotina da hipertensão [Clonidina, –
Podem causar bradicardia e
Metildopa, Reserpina (> 0,1 mg/dia)].
hipotensão ortostática.
Dados sugerem que o controle da
frequência cardíaca proporciona melhor
Medicamentos antiarrítmicos classes perfil risco-benefício do que o controle
13 Ia, Ic, III (Amiodarona, Propafenona, do ritmo em idosos. A Amiodarona –
Quinidina, Sotalol). está associada a doenças da tireóide,
distúrbios pulmonares e prolongamento
do intervalo QT.
Aumento do risco de hemorragia
14 Aspirina em dose > 150 mg/dia. digestiva, sem evidência de –
aumento da eficácia.
Aspirina para tratar tonturas não claramente
15 Não está indicada. –
atribuíveis à doença cerebrovascular.
A diminuição do clearance renal com
o envelhecimento aumenta o risco de
intoxicação digitálica. Além disso, na
16 Digoxina > 0,125 mg/dia. –
insuficiência cardíaca, as doses mais
altas elevam o risco de toxicidade e
não oferecem maiores benefícios.
Sem evidência de eficácia como
Dipiridamol (comprimido de liberação monoterapia para prevenção secundária
17 imediata) como monoterapia para prevenção de eventos cardiovasculares. Pode –
secundária de eventos cardiovasculares. causar hipotensão ortostática. Há
alternativas mais eficazes disponíveis.
Diuréticos de alça (Bumetanida, Furosemida, Não há evidência da eficácia. Meias
18 Piretanida) para edema de tornozelo, na ausência de compressão geralmente são –
de sinais clínicos de insuficiência cardíaca. mais apropriadas.
Diuréticos de alça (Bumetanida, Furosemida,
Há alternativas mais
19 Piretanida) como monoterapia de primeira –
seguras e eficazes.
linha para hipertensão.
Potencial para hipotensão. Risco de
20 Nifedipino, cápsula de liberação imediata. –
isquemia miocárdica.
Continua...

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Quadro 1 Continuação.
Número Critério Racional Exceção
Risco de hipercalemia em pacientes com
insuficiência cardíaca, especialmente com
Espironolactona > 25 mg/dia (pacientes com uso concomitante de anti-inflamatórios
21 –
insuficiência cardíaca ou CrCl < 30 mL/min). não esteroides, Inibidores da Enzima
Conversora de Angiotensina (IECA) ou
bloqueadores do receptor da angiotensina.
Há alternativas mais seguras e
22 Ticlopidina. –
eficazes disponíveis.
Sistema Endocrino
Evidência de potencial carcinogênico
Estrógenos (com ou sem progesteronas). (mama e endométrio). Além disso,
23 –
Evitar formas orais e adesivos transdérmicos. ausência de efeito cardioprotetor e
de proteção cognitiva em idosas.
Potenciais para problemas cardíacos Evitar, a menos que estejam
24 Andrógenos. e contraindicados para homens com indicados para hipogonadismo
câncer de próstata. moderado a grave.
Meia-vida prolongada em idosos.
Pode causar hipoglicemia e
25 Clorpropamida. –
síndrome de secreção inapropriada
do hormônio antidiurético.
Maior risco de hipoglicemia
26 Glibenclamida. –
prolongada grave em idosos.
Efeito sobre a composição corporal é
pequeno e está associado ao surgimento Evitar, exceto em casos de reposição
27 Hormônio do crescimento (Somatropina). de edema, artralgia, síndrome do túnel hormonal, após remoção da
do carpo, ginecomastia e glicose de glândula pituitária.
jejum alterada.
Sistema Gastrointestinal
Antiespasmódicos gastrointestinais Altamente anticolinérgicos. Evitar, exceto em cuidado paliativo de
28
(Hiosciamina, Escopolamina). Efetividade incerta. curto prazo para reduzir secreções orais.
Risco de diagnóstico tardio. Pode agravar
a constipação com diarreia espúria e
precipitar megacólon tóxico na doença
Loperamida ou Codeína para tratamento
inflamatória do intestino e retardar a
29 de diarreia de causa desconhecida ou –
recuperação da gastroenterite. Nos
gastroenterite infecciosa grave.
casos de gastroenterite infecciosa
grave, existe o risco de exacerbação ou
prolongamento da infecção.
Pode causar efeitos extrapiramidais
Evitar, exceto em casos de
30 Metoclopramida. incluindo discinesia tardia. Risco pode
gastroparesia.
ser ainda maior em idosos mais frágeis.
Potencial para aspiração e efeitos
31 Óleo mineral (via oral). adversos. Alternativas mais –
seguras disponíveis.
Inibidores de bomba de prótons (Omeprazol, Descontinuação antes de oito semanas
Pantoprazol, Lanzoprazol, Rabeprazol, Potencial para desenvolvimento de de uso ou redução da dose para
32 Esomeprazol e Tenatoprazol), para úlcera osteoporose/fratura, demência e tratamento, manutenção/profilático de
péptica na dosagem terapêutica integral por insuficiência renal com o uso prolongado. úlcera péptica, esofagite ou Doença do
> 8 semanas. Refluxo Gastroesofágico.
Sistema Musculoesquelético
A maioria dos relaxantes musculares
é mal tolerada por idosos devido
Relaxantes musculares (Carisoprodol, aos efeitos anticolinérgicos, como
33 –
Ciclobenzaprina, Orfenadrina). sedação e consequente risco de
fratura. A efetividade em doses
toleradas por idosos é questionável.
Continua...

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Consenso Medicamentos Inapropriados

Quadro 1 Continuação.
Número Critério Racional Exceção
Aumentam o risco de hemorragia
gastrointestinal e úlcera péptica
Uso prolongado de anti-inflamatórios não em grupos de alto risco, incluindo
Evitar uso crônico, exceto quando
esteroides (AINE) não seletivos da COX2 aqueles com idade > 75 anos ou
não houver outras alternativas e
34 (Aspirina > 325 mg/dia, Diclofenaco, Etodolaco, que utilizam corticosteroides orais
for possível associação com agente
Fenoprofeno, Ibuprofeno, Cetoprofeno, ou parenterais, anticoagulantes ou
gastroprotetor.
Meloxicam, Naproxeno, Piroxicam). antiplaquetários. O uso de inibidores
da bomba de prótons reduz, mas
não elimina o risco.
Aumenta o risco de hemorragia
gastrointestinal e úlcera péptica em
grupos de alto risco. Entre os anti-
35 Indometacina. –
inflamatórios não esteroides (AINE),
a Indometacina é o agente que
causa mais efeitos adversos.
Aumenta o risco de hemorragia
gastrointestinal e úlcera péptica em
36 Cetorolaco. grupos de alto risco, por pertencer –
à classe dos anti-inflamatórios não
esteroides (AINE).
Uso prolongado (> 3 meses) de
corticosteroides sistêmicos (Betametasona,
Budesonida, Deflazacorte, Dexametasona,
37 Fludrocortisona, Hidrocortisona, Risco de efeitos adversos graves. –
Metilprednisolona, Prednisolona, Prednisona)
como monoterapia para artrite reumatoide
ou osteoartrite.
Uso prolongado de Colchicina para
O alopurinol é o medicamento
38 tratamento de longo prazo da gota, se não –
profilático de primeira escolha na gota.
existir contraindicação ao alopurinol.
Uso prolongado de opióides fortes (Alfentanila,
Fentanila, Hidromorfona, Metadona, Morfina,
39 Nalbufina, Oxicodona, Petidina, Remifentanila, Não segue a escala analgésica da OMS. –
Sufentanila) como terapia de primeira linha
para dor leve/moderada.
Não é um analgésico efetivo por
via oral, em doses normalmente
40 Petidina (Dolantina/Meperidina). utilizadas. Pode causar –
neurotoxicidade. Há alternativas
mais seguras disponíveis.
Diversos
Potencial para toxicidade pulmonar.
Apresenta perda de eficácia em
pacientes com ClCr < 60 mL/min
41 Nitrofurantoína. –
devido à concentração inadequada
do fármaco na urina. Há alternativas
mais seguras disponíveis.
Corticosteroides sistêmicos (Betametasona,
Deflazacorte, Dexametasona, Hidrocortisona,
Exposição desnecessária aos
Metilprednisolona, Prednisolona, Prednisona)
42 efeitos adversos de longo prazo dos –
em vez de corticosteroides inalatórios, para
corticosteroides sistêmicos.
terapia de manutenção da Doença Pulmonar
Obstrutiva Crônica (DPOC) moderada a grave.
Existência de alternativa mais
Teofilina como monoterapia para a doença segura e efetiva. Além disso, risco
43 –
pulmonar obstrutiva crônica. de efeitos adversos devido ao índice
terapêutico estreito.

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Oliveira MG, Amorim WW, Oliveira CRB, Coqueiro HL, Gusmão LC, Passos LC

Quadro 2 Descrição dos critérios para medicamentos que devem ser evitados em determinadas condições clínicas/doenças.
Número Condição clínica Critério Racional Exceção
Alto risco de sangramento
Distúrbios Antitrombóticos/Anticoagulantes (Aspirina,
1 em pacientes com distúrbio –
hemorrágicos. Clopidogrel, Dipiridamol, Varfarina).
hemorrágico concomitante.
Antidepressivos tricíclicos (ex:
Alterações da
2 Amitriptilina, Imipramina, Nortriptilina, Efeitos pró-arrítmicos. –
condução cardíaca.
Clomipramina).
Antimuscarínicos utilizados no
tratamento da incontinência urinária (ex: Podem agravar a constipação
3 –
Oxibutinina, Darifenacina, Tolterodina, devido à forte ação anticolinérgica.
Solifenacina).
Bloqueadores dos canais de cálcio não
4 Podem agravar a constipação. –
diidropiridinas (Diltiazem, Verapamil).
Anti-histamínicos de primeira geração
(Bronfeniramina Dexbronfeniramina,
Carbinoxamina, Ciproeptadina, Evitar, a menos
Podem agravar a constipação
5 Clemastina, Dexclorfeniramina, que não haja
devido à forte ação anticolinérgica.
Difenidramina, Dimenidrinato, outra alternativa.
Doxilamina Hidroxizina, Prometazina,
Triprolidina).
Medicamentos anticolinérgicos e
Evitar, a menos
antiespasmódicos gastrointestinais Podem agravar a constipação
6 que não haja
Constipação crônica. (Atropina, Diciclomina, Homatropina, devido à forte ação anticolinérgica.
outra alternativa.
Escopolamina, Hioscina).
Antipsicóticos (Clorpromazina, Clozapina,
Podem agravar a constipação
7 Flufenazina, Olanzapina, Pimozida, –
devido à forte ação anticolinérgica.
Prometazina, Tioridazina, Trifluoperazina).
Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, Podem agravar a constipação
8 –
Imipramina, Nortriptilina, Clomipramina). devido à forte ação anticolinérgica.
Opioides (Morfina, Oxicodona, Codeína,
Petidina, Fentanil, Sufentanil, Nalbufina,
9 Risco de constipação grave. –
Tramadol) em uso regular (> 2 semanas),
sem o uso concomitante de laxantes.
Antiparkinsonianos (Biperideno, Podem agravar a constipação
10 –
Triexifenidil). devido à forte ação anticolinérgica.
Relaxantes Musculoesqueléticos
Podem agravar a constipação
11 (Carisoprodol, Ciclobenzaprina, –
devido à forte ação anticolinérgica.
Orfenadrina, Tizanidina).
Anti-inflamatórios não esteroides
(Indometacina, Diclofenaco, Etodolaco,
Cetorolaco, Aceclofenaco, Piroxicam,
Podem aumentar o risco
Tenoxicam, Lornoxicam, Meloxicam,
12 de lesão renal e deterioração da –
Doença Renal Crônica Ibuprofeno, Naproxeno, Cetoprofeno,
função renal.
(Estágios IV e V). Ácido Mefenâmico, Celecoxibe, Parecoxibe,
Etoricoxibe, Benzidamina,
Nimesulida, Glicosamina, Condroitina).
Pode aumentar o risco
13 Triantereno. –
de lesão renal.
Betabloqueadores, não cardiosseletivos
Doença Pulmonar Risco aumentado de
14 (Carvedilol, Labetalol, Nadolol, Pindolol e –
Obstrutiva Crônica. broncoespasmo.
Propranolol).
Diabetes Mellitus e
episódios frequentes Risco de mascarar sintomas de
15 Betabloqueadores. –
de hipoglicemia hipoglicemia.
(> 1 episódio/mês).
16 Anticolinérgicos. Pode induzir ou agravar o delirium. –
Benzodiazepínicos (Alprazolam,
17 Delirium. Estazolam, Lorazepam, Clordiazepóxido, Pode induzir ou agravar o delirium. –
Clonazepam, Diazepam, Flurazepam).
18 Clorpromazina. Pode induzir ou agravar o delirium. –
Continua...

Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81 175


Consenso Medicamentos Inapropriados

Quadro 2 Continuação.
Número Condição clínica Critério Racional Exceção
Corticosteroides (Dexametasona,
19 Prednisolona, Metilprednisolona, Pode induzir ou agravar o delirium. –
Betametasona, Hidrocortisona).
Antagonistas dos receptores H2
20 (Cimetidina, Ranitidina, Famotidina, Pode induzir ou agravar o delirium. –
Delirium. Nizatidina).
21 Petidina. Pode induzir ou agravar o delirium. –
22 Sedativos hipnóticos (Zolpidem). Pode induzir ou agravar o delirium. –
23 Tioridazina. Pode induzir ou agravar o delirium. –
Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina,
24 Pode induzir ou agravar o delirium. –
Imipramina, Nortriptilina, Clomipramina).
A menos que
Os antipsicóticos devem ser
os recursos não
evitados para tratar os problemas
Antipsicóticos, tanto uso crônico e farmacológicos
comportamentais da demência,
conforme a necessidade: (Clorpromazina, tenham falhado
25 pois estão associados a um
Clozapina, Flufenazina, Olanzapina, e o paciente
risco aumentado de AVC e de
Pimozida, Tioridazina, Trifluoperazina). represente uma
mortalidade em pacientes com
ameaça a si ou a
demência.
outros.
Benzodiazepínicos (Alprazolam, Devem ser evitados, devido aos
26 Estazolam, Lorazepam, Clordiazepóxido, efeitos adversos ao SNC. –
Clonazepam, Diazepam, Flurazepam).
Antimuscarínico para bexiga hiperativa Risco de aumento da confusão e
27 –
(Oxibutinina). agitação.
Antiespasmódicos gastrointestinais
Devem ser evitados, devido aos
28 (Atropina, Diciclomina, Homatropina, –
efeitos adversos ao SNC.
Escopolamina, Hioscina).
Antagonistas dos receptores H2
Devem ser evitados, devido aos
29 (Cimetidina, Ranitidina, Famotidina, –
efeitos adversos ao SNC.
Demência e Nizatidina).
comprometimento Relaxantes musculares (Carisoprodol, Devem ser evitados, devido aos
30 –
cognitivo. Ciclobenzaprina, Orfenadrina, Tizanidina). efeitos adversos ao SNC.
A não ser que
esteja indicado
Opioides (Morfina, Oxicodona, Codeína, Risco de exacerbação do déficit para cuidados
31 Petidina, Fentanil, Sufentanil, Nalbufina, cognitivo. paliativos ou
Tramadol), uso prolongado. manejo da dor
crônica moderada
a grave.
Devem ser evitados, devido
Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, aos efeitos adversos ao SNC.
32 –
Imipramina, Nortriptilina, Clomipramina). Risco de agravamento da
disfunção cognitiva.
Deve ser evitado, devido aos
33 Zolpidem. –
efeitos adversos ao SNC.
Anti-histamínicos (Bronfeniramina,
Deve ser evitado, devido aos
34 Carbinoxamina, Ciproeptadina, Clemastina, –
efeitos adversos ao SNC.
Difenidramina, Dimenidrinato, Hidroxizina).
Antiparkinsonianos (Triexifenidil, Deve ser evitado, devido aos
35 –
Biperideno). efeitos adversos ao SNC.
Antimuscarínicos para bexiga Risco de exacerbação aguda do
36 –
hiperativa (Oxibutinina). glaucoma.
37 Glaucoma. Ipratrópio (nebulização). Pode exacerbar o glaucoma. –
Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina,
38 Provável exacerbação do glaucoma. –
Imipramina, Nortriptilina, Clomipramina).
Diuréticos tiazídicos (Hidroclorotiazida,
39 Gota. Pode exacerbar a gota. –
Clortalidona).
Continua...

176 Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81


Oliveira MG, Amorim WW, Oliveira CRB, Coqueiro HL, Gusmão LC, Passos LC

Quadro 2 Continuação.
Número Condição clínica Critério Racional Exceção
Potencial para promover a Evitar somente
Bloqueadores dos canais de cálcio, não
40 retenção de fluidos e agravamento em disfunção
diidropiridinas (Diltiazem, Verapamil).
da insuficiência cardíaca. sistólica.
Potencial para promover a
41 Cilostazol. retenção de fluidos e exacerbar a –
insuficiência cardíaca.
Anti-inflamatórios não esteroidais
(Indometacina, Diclofenaco, Etodolaco,
Insuficiência cardíaca. Cetorolaco, Aceclofenaco, Piroxicam,
Potencial para promover a
Tenoxicam, Lornoxicam, Meloxicam,
42 retenção de fluido e exacerbar a –
Ibuprofeno, Naproxeno, Cetoprofeno,
insuficiência cardíaca.
Ácido Mefenâmico, Celecoxibe, Parecoxibe,
Etoricoxibe, Benzidamina, Nimesulida,
Glicosamina, Condroitina).
Potencial para promover a
43 Tiazolidinedionas (pioglitazona). retenção de fluido e exacerbar a –
insuficiência cardíaca.
História de câncer
Estrógenos e análogos (Etinilestradiol,
de mama ou
44 Estradiol, Estriol, Promestrieno, Aumenta o risco de recorrência. –
tromboembolismo
Dietilestilbestrol, Tibolona).
venoso.
Anticonvulsivantes (Fenobarbital,
Capacidade de produzir ataxia,
Primidona, Fenitoína, Clonazepam,
comprometimento da função Evitar, exceto em
45 Carbamazepina, Oxcarbazepina, Ácido
psicomotora, síncope e quedas convulsões.
Valpróico, Vigabatrina, Lamotrigina,
adicionais.
Topiramato, Gabapentina, Pregabalina).
Anti-histamínicos de primeira geração
(Bronfeniramina, Dexbronfeniramina,
Carbinoxamina, Ciproeptadina, Sedativo. Podem causar déficit
46 –
Clemastina, Dexclorfeniramina, sensorial e hipotensão postural.
Difenidramina, Hidroxizina, Prometazina,
Triprolidina).
Capacidade de produzir ataxia,
Antipsicóticos (Clorpromazina,
comprometimento da função
Flufenazina, Haloperidol, Pimozida,
psicomotora, síncope e quedas
47 Tioridazina, Aripiprazol, Clozapina, –
adicionais. Podem ainda
Olanzapina, Paliperidona, Quetiapina,
causar dispraxia da marcha e
Risperidona, Ziprasidona).
parkinsonismo.
Capacidade de produzir ataxia,
História de quedas/
comprometimento da função
fraturas.
48 Benzodiazepínicos. psicomotora, síncope e quedas –
adicionais. Podem causar déficit
sensorial e comprometer o equilíbrio.
Capacidade de produzir ataxia,
Hipnóticos não benzodiazepínicos comprometimento da função
49 –
(Zolpidem). psicomotora, síncope e quedas
adicionais.
Opioides (Morfina, Oxicodona, Codeína,
Risco de sonolência, hipotensão
50 Petidina, Fentanil, Sufentanil, Nalbufina, –
postural, vertigem.
Tramadol), uso prolongado.
Inibidores seletivos da recaptação de Capacidade de produzir ataxia,
Serotonina (Fluoxetina, Citalopram, comprometimento da função
51 –
Paroxetina, Sertralina, Fluvoxamina, psicomotora, síncope e quedas
Escitalopram, Venlafaxina). adicionais.
Capacidade de produzir ataxia,
Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, comprometimento da função
52 –
Imipramina, Nortriptilina, Clomipramina). psicomotora, síncope e quedas
adicionais.
Continua...

Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81 177


Consenso Medicamentos Inapropriados

Quadro 2 Continuação.
Número Condição clínica Critério Racional Exceção
Anti-inflamatórios não esteroidais NÃO
SELETIVOS da COX-2 (Indometacina,
Diclofenaco, Etodolaco, Cetorolaco, Aceclofenaco, Uso concomitante
Pode agravar úlceras existentes ou
53 Piroxicam, Tenoxicam, Lornoxicam, Meloxicam, de agente para
causar novas úlceras.
História de úlcera Ibuprofeno, Naproxeno, Cetoprofeno, Ácido proteção gástrica.
péptica. Mefenâmico, Benzidamina, Nimesulida,
Glicosamina, Condroitina).
Anti-inflamatórios não esteroidais Uso concomitante
Pode agravar úlceras existentes ou
54 SELETIVOS da COX-2 (Celecoxibe, de agente para
causar novas úlceras.
Parecoxibe, Etoricoxibe). proteção gástrica.
Anti-inflamatórios não esteroidais em pacientes
com hipertensão moderada (160/100 mmHg –
179/109 mmHg) a grave (≥ 180/110 mmHg):
(Indometacina, Diclofenaco, Etodolaco,
Risco de exacerbação da
55 Hipertensão. Cetorolaco, Aceclofenaco, Piroxicam, Tenoxicam, ­–
hipertensão.
Lornoxicam, Meloxicam, Ibuprofeno, Naproxeno,
Cetoprofeno, Ácido Mefenâmico, Celecoxibe,
Parecoxibe, Etoricoxibe, Benzidamina,
Nimesulida, Glicosamina, Condroitina).
Descongestionantes orais
56 Efeitos estimulantes do SNC. –
(Pseudoefedrina, Fenilefrina).
Insônia.
57 Estimulantes (Metilfenidato). Efeitos estimulantes do SNC. –
58 Teobrominas (Teofilina, Cafeína). Efeitos estimulantes do SNC. –
Sintomas que afetam
o trato urinário Podem diminuir o fluxo urinário e
59 Anticolinérgicos orais e inalatórios, em homens. –
inferior, hiperplasia causar retenção urinária.
prostática benigna.
Antipsicóticos de primeira geração
(Clorpromazina, Flufenazina, Haloperidol,
Pimozida, Tioridazina) Antipsicóticos de Tendem a agravar os sintomas
60 –
segunda geração (Aripiprazol, Clozapina, extrapiramidais.
Olanzapina, Paliperidona, Quetiapina,
Doença de Parkinson.
Risperidona, Ziprasidona).
Risco de exacerbação do
61 Metoclopramida. –
parkinsonismo.
Risco de exacerbação do
62 Prometazina. –
parkinsonismo.
Hipotensão postural
63 Vasodilatadores (Hidralazina, Minoxidil). Risco de síncope, quedas. –
persistente.
O uso pode
ser aceitável
em pacientes
com crises bem
Antipsicóticos, atípicos (Clozapina,
64 Diminuem o limiar convulsivo. controladas para
Olanzapina).
as quais agentes
alternativos não
tenham sido
eficazes.
Convulsões.
O uso pode
ser aceitável
em pacientes
com crises bem
Antipsicóticos convencionais
65 Diminuem o limiar convulsivo. controladas, para
(Clorpromazina, Tioridazina).
as quais agentes
alternativos não
tenham sido
eficazes.
Continua...

178 Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81


Oliveira MG, Amorim WW, Oliveira CRB, Coqueiro HL, Gusmão LC, Passos LC

Quadro 2 Continuação.
Número Condição clínica Critério Racional Exceção
O uso pode
ser aceitável
em pacientes
com crises bem
controladas,
66 Bupropiona. Diminui o limiar convulsivo.
para as quais
agentes
alternativos não
tenham sido
eficazes.
O uso pode
ser aceitável
em pacientes
com crises bem
controladas,
67 Convulsões Maprotilina. Diminui o limiar convulsivo.
para as quais
agentes
alternativos não
tenham sido
eficazes.
O uso pode
ser aceitável
em pacientes
com crises bem
controladas,
68 Tramadol. Diminui o limiar convulsivo.
para as quais
agentes
alternativos não
tenham sido
eficazes.
Inibidores seletivos da recaptação de
Serotonina em pacientes com história
de hiponatremia não iatrogênica
69 Hiponatremia clinicamente significante (< 130 Meq/L) Pode agravar a hiponatremia. –
nos dois meses anteriores (Fluoxetina,
Citalopram, Paroxetina, Sertralina,
Fluvoxamina, Escitalopram).

Anticolinesterásicos Aumentam o risco de hipotensão


70 –
(Donepezila, Rivastigmina, Galantamina). ortostática ou bradicardia.

Alfa-bloqueadores periférico Aumentam o risco de hipotensão


71 –
(Doxazosina, Prazosina, Terazosina). ortostática ou bradicardia.

Aumenta o risco de hipotensão


72 Clorpromazina. –
ortostática ou bradicardia.
História de síncope
Aumenta o risco de hipotensão
73 Olanzapina. –
ortostática ou bradicardia.

Aumenta o risco de hipotensão


74 Tioridazina. –
ortostática ou bradicardia.

Antidepressivos tricíclicos terciários Aumenta o risco de hipotensão


75 –
(Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina). ortostática ou bradicardia.

Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81 179


Consenso Medicamentos Inapropriados

DISCUSSÃO da disponibilidade de agentes alternativos e de recursos


Nosso estudo propôs uma lista de critérios explícitos para não farmacológicos, da escolha da menor dose necessária,
identificação de MPI para idosos no Brasil. O Consenso das potenciais interações medicamentosas e do monito-
Brasileiro de MPI para idosos resultou, ao final, em 43 cri- ramento dos efeitos no paciente.30 Após a prescrição, o
térios de medicamentos que devem ser evitados indepen- monitoramento consciente dos riscos associados ao uso
dentemente de condição clínica e 75 critérios a depender da desses medicamentos pode evitar que efeitos adversos
condição clínica do paciente. Poucos critérios não alcançaram passem desapercebidos ou sejam confundidos com sinto-
consenso entre os especialistas. mas de novas doenças ou condições clínicas. Sabe-se que
A realização de um consenso de especialistas foi a estra- efeitos adversos confundidos com sintomas podem levar
tégia utilizada para o desenvolvimento de critérios explíci- a novas prescrições e, desse modo, às cascatas iatrogêni-
tos de triagem de MPI para idosos em diversos países, entre cas. Portanto, os critérios de MPI não constituem apenas
eles os Critérios de Beers12 e os Critérios de McLeoad,19 na listas de medicamentos a serem evitados em idosos, mas
América do Norte; os Critérios de Laroche20, o STOPP15, o também ferramentas que auxiliam na detecção de eventos
PRISCUS List21 e o NORGEP22 na Europa; o Australian adversos e na prevenção de desfechos negativos, iatrogê-
Prescribing Indicators Tool,23 na Oceania, e Modified Beers cri- nicos e indesejados.
teria24, Matsumura Alert System for Inappropriate Prescription Conquanto a relevância desse consenso como o pri-
e Critério de Winit-Witjana,25 na Ásia. No entanto, desen- meiro a ser realizado no Brasil, este estudo apresenta
volver um instrumento de triagem de MPI é um grande algumas limitações, como a necessidade de se atualizar os
desafio. Por isso, a grande maioria dos instrumentos ela- dados de acordo com os novos critérios de Beers e STOPP,
borados nos diversos países acima citados foi adaptação publicados em 2015. Há também a necessidade de incluir
de instrumentos já conhecidos. Os critérios de Beers ou as possíveis alternativas terapêuticas em futuras revisões.
STOPP serviram de referência para a maioria dos crité- Além disso, apesar de ter como referências as edições dos
rios já publicados.11 critérios de Beers e STOPP vigentes à época, algumas
Adaptar a lista de medicamentos à realidade nacional é situações clínicas podem não ter sido contempladas na
importante, pois muitos medicamentos citados nos crité- versão atual desse consenso. Ademais, novas evidências
rios desenvolvidos em outros países não estão disponíveis no para inclusão ou exclusão de medicamentos podem ter
Brasil.26 Aliás, as diferenças na prática clínica, no nível socioe- surgido desde então.
conômico e nas regulamentações do sistema de saúde, influen-
ciam na conduta das prescrições e reforçam a necessidade de
adequação dos critérios à realidade do país.27 A escolha dos CONCLUSÃO
Critérios de Beers e do STOPP como base para a elabora- Esse consenso tem o intuito de guiar os profissionais
ção do consenso nacional foi devida à sua ampla utilização de saúde no cuidado ao paciente idoso, mas as infor-
e complementaridade. Alguns estudos mostraram diferen- mações não devem ser vistas como a “última palavra no
ças nas prevalências de MPI, detectadas pelos Critérios de assunto” nem de forma absoluta e inflexível. Foi realizada
Beers e pelo STOPP, indicando que os dois critérios diag- a validação de conteúdo de 43 critérios de medicamentos
nósticos deveriam ser aplicados concomitantemente e de que devem ser evitados independentemente da condição
forma complementar para identificar RAM e minimizar a clínica e 75 critérios a depender da condição clínica dos
prescrição de MPI.27 idosos. No entanto, cada paciente se comporta de forma
Evitar o uso de MPI para idosos é uma importante estra- muito singular e diversas variáveis podem influenciar
tégia de saúde pública, pois, em muitos países, os instrumen- nos resultados clínicos, como, por exemplo, o tempo de
tos para detecção de MPI para idosos foram fundamentais exposição ao medicamento. Dessa forma, o julgamento
para otimizar a postura de prescrição apropriada para idosos clínico é fundamental na individualização da prescrição
e reduzir os desfechos negativos relacionados à farmacote- médica, conforme as circunstâncias do paciente e os obje-
rapia nessa população, como RAM preveníveis, hospitaliza- tivos do tratamento.
ções, incapacidades e morte.28
Em contrapartida, a classificação de um fármaco
como MPI não configura uma contraindicação absoluta AGRADECIMENTOS
para o uso em idosos.29 Todavia, a prescrição de um MPI Agradecemos a todos(as) os(as) especialistas que acei-
requer a consideração racional da relação risco-benefício, taram o convite para participar deste projeto, dedicaram

180 Geriatr Gerontol Aging, Vol. 10, Num 4, p.168-81


Oliveira MG, Amorim WW, Oliveira CRB, Coqueiro HL, Gusmão LC, Passos LC

seu tempo para analisar os critérios e compartilharam seu CONFLITO DE INTERESSES


conhecimento técnico-científico e sua experiência clínica Os autores declaram não haver conflito de interesses.
para a obtenção desse consenso: Cassyano Januário Correr,
Clarice Câmara Correia, Ianna Lacerda Sampaio Braga,
Marco Polo Dias Freitas, Maysa Seabra Cendoroglo, FINANCIAMENTO
Milton Luiz Gorzoni, Patrick Alexander Wachholz, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Renato Lírio Morelato, Rômulo Luiz de Castro Meira e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
Vitor Last Pintarelli. da Bahia (FAPESB) e Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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