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br Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● SUPORTE BÁSICO DE VIDA

SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV) 2016


Arlindo Ugulino Netto.

EMERGÊNCIAS MÉDICAS

Emergências médicas são aquelas situações cujo cuidado médico deve ser imediato, uma vez que o perigo de
morte é iminente. São exemplos de emergências médicas:
 Situações clínicas:
o Epistaxe: expelir sangue pelo nariz.
o Síncope: desmaio.
o Crises convulsivas: ritmos cerebrais e somáticos anômalos.
o Acidente vascular cerebral: isquemias que acometem o tecido nervoso encefálico.
o Síndromes coronarianas: afecções das artérias coronárias que pode ser caracterizada por infarto ou
não.
 Trauma:
o Choque elétrico
o Queimaduras

EPISTAXE
Epistaxe é definido pelo sangramento nasal espontâneo (como o que ocorre na hipertensão arterial e craniana)
ou de origem traumática (neste caso, deve-se observar a cinemática do trauma). É importante avaliar sempre a idade,
profissão, cinemática do trauma, aspectos da anamnese e antecedentes pessoais patológicos do paciente.
A cavidade nasal é ricamente irrigada por pequenos vasos interligados cujo trajeto
sanguíneo é o oposto ao do ar inspirado, realizando a umidificação e aquecimento adequado
deste ar para melhor adentrar no restante do sistema respiratório.
Alguns sinais são importantes no alerta da epistaxe: fraturas, hipertensão arterial
sistêmica (HAS), etc. No caso da HAS em idosos, o sangramento nasal é uma estratégia do
organismo no intuito de reduzir um pouco o volume sanguíneo para então, diminuir a pressão
sanguínea.
O socorrista deve adotar a seguinte conduta:
1. Posicione a vítima sentada e bem acomodada;
2. Incline a cabeça da vítima para frente;
3. Pince o nariz em epistaxe por 5 minutos;
4. Em casos de trauma, aplique compressas de gelo para realizar vasoconstrição;
5. Deve-se verificar possibilidades de fraturas de nariz;
6. Acompanhe a vítima ao hospital para melhor avaliação.

SÍNCOPES
Síncope é uma perda súbita e temporária da consciência, com rápido retorno da condição inicial (em no máximo
dois minutos) com manutenção do pulso. A síncope é uma alteração multifatorial: hipotensão arterial, hipotensão
postural (levantar-se rapidamente depois de um período deitado), hipóxia, hipoglicemia, AVC, doenças cardíacas,
distúrbios neurovegetativo (distúrbios no sistema que controla funções vitais: reflexos vago-vagais, frequência cardíaca,
respiratória, vigília, etc.), entre outros. O socorrista deve adotar a seguinte conduta:
1. Avaliar o ABC;
2. Liberar as vias aéreas;
3. Afrouxar as roupas da vítima;
4. Providenciar ambiente arejado com o mínimo de pessoas e curiosos;
5. Por o paciente em decúbito dorsal;
6. Elevar os membros inferiores para melhorar o retorno venoso e, com isso, aumentar o débito cardíaco;
7. Chamar o serviço médico de emergência para iniciar o atendimento pré-hospitalar (APH).
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OBS : É contraindicado oferecer água ou alimentos para vítimas inconscientes. Entretanto, caso ela acorde, é
aconselhável descobrir antecedentes patológicos do paciente para verificar se o uso de alimentos ricos em glicose possa
trazer algum dano à saúde do paciente, visto que hipoglicemia é a principal causa de síncopes, em todas as idades.
Contudo, oferecer doces a vítimas pós-sincope não é tão contraindicado, mesmo que a vítima seja diabética, por dois
motivos: (1) primeiro porque a diabetes descompensada dificilmente leva à síncope, mas sim, a um coma; (2) e depois,
uma pequena dose de glicose para um possível paciente diabético dificilmente pode complicar seu quadro, uma vez que
síncopes improváveis para diabéticos descompensados acontece em hiperglicemias tão consideráveis que doses
pequenas de doce não causariam alguma diferença.
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CRISES CONVULSIVAS
As crises convulsivas são causadas por distúrbios transitórios da função cerebral, secundário a uma descarga
paroxística neuronal anormal localizada ou generalizada (epilepsias) ou por quadros metabólicos (como hipoglicemia,
por exemplo). As possíveis causas são: doença epiléptica já instalada, hipertensão arterial, hipertensão intracraniana
(HIC), traumatismos crânio-encefálicos, febres elevadas em crianças com menos de 6 anos, AVCs, tumores, etc.
O socorrista deve seguir os seguintes passos:
1. Iniciar o ABC;
2. Tentar verificar a etiologia;
3. Identificar fatores: antecedentes pessoais patológicos, cinemática do trauma, etc.
4. Afastar curiosos e objetos perigosos;
5. Improvisar um local reservado, com boa circulação de ar;
6. Na verdade, é contraindicado realizar meios para conter a convulsão (segurar cabeça ou membros da vítima, por
exemplo). O aconselhável é apenas afastar objetos, manter boa circulação de ar e evitar a aspiração de saliva
após a crise ou a obstrução da via aérea pela língua (após a crise) por meio da manobra de Jaw Thrust.
7. Evitar alguns mitos: pinçar a língua da vítima, fazê-la morder couro ou ingerir sal, etc.
8. Medidas no atendimento pré-hospitalar:
 Reconhecimento visual rápido da área e das atitudes prévias da vítima (como o provável consumo de
drogas, envenenamentos, etc);
 Garantir autoproteção (luvas ou máscaras) e proteção da vítima;
 Promover exame primário;
 Tranquilizar pacientes lúcidos;
 Não introduzir objetos na boca do paciente;
 Colocar apoio sob a cabeça do paciente e posicioná-lo para evitar aspiração de conteúdo gástrico.

ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE)


É definido classicamente como um déficit neurológico, geralmente focal, de instalação súbita ou com rápida
evolução, sem outra causa aparente que não vascular, decorrente do entupimento ou rompimento de vasos sanguíneos
cerebrais, com duração maior que 24 horas (ou com duração menor, quando geralmente leva à morte). Isto significa que,
se o paciente tiver todas as características de um AVE mas melhora antes de 24 horas, ele foi vítima de um acidente
isquêmico transitório (AIT).
É uma doença de início súbito, que pode ocorrer por dois motivos: isquemia ou hemorragia. É importante saber
que o AVE pode ser hemorrágico (quando há derrame de sangue no tecido nervoso) ou isquêmico (quando por motivos
obstrutivos – por trombo ou qualquer outro tipo de embolo – o sangue deixa de chegar e irrigar uma parte do encéfalo). É
relevante saber também que no atendimento pré-hospitalar não se faz diagnóstico diferencial. Apenas por meio de
tomografia de crânio o AVE pode ser diagnosticado como isquêmico ou hemorrágico, cujos tratamentos são diferentes: o
primeiro não é caso de cirurgia, diferentemente do segundo.
Dados epidemiológicos de 2004 mostraram que ocorre 1 AVE a cada 45 segundos nos Estados Unidos, sendo
5,1 milhões de óbitos por ano neste país. Ocorre mais frequentemente em indivíduos idosos, com mais de 50 anos, faixa
etária em que a prevalência de AVE é igual para homens e mulheres.
Quanto a etiologia, 85% dos casos são isquêmicos, enquanto 15% são hemorrágicos. Destes, 13% são
caracterizados por hemorragias subaracnóideas (HSA) e 2% por hemorragias intra-parenquimatosas (HIP).

SINAIS QUE PRECEDEM O AVE


 Cefaleia intensa e súbita sem causa aparente
 Dormência nos braços e nas pernas
 Dificuldade de falar e perda de equilíbrio
 Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna do lado esquerdo ou direito do corpo
 Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo
 Perda súbita de visão em um olho ou nos dois
 Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar palavras ou para compreender a
linguagem
 Instabilidade, vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos

DIAGNÓSTICO DE AVE
A evolução do AVE pode sugerir os seguintes quadros:
 AVE Cortical: Hemiparesia (plegia), hemianopsia, afasia, perda sensitiva, desvio conjugado do olhar;
 AVE do tronco encefálico: Déficit motor ou sensitivo nos membros, nistagmo, disartria, disfagia;
 AVE cerebelar: marcha atáxica;
 AVE hemorrágico: crise convulsiva, rigidez da nuca, cefaléia intensa e abrupta, vômitos.

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COMO IDENTIFICAR O AVE


 Pedir, em primeiro lugar, para que a vítima
sorria. Se ela mover sua face só para um dos
lados, pode ter sido acometida por AVC.
 Pedir para que levante os braços. Caso haja
dificuldades para levantar um deles ou, após
levantar os dois, um deles caia, procurar
socorro médico.
 Dê uma ordem ou peça que a pessoa repita
alguma frase. Se ela não responder ao
pedido, pode estar sofrendo um derrame.

ESCALA DE COMA DE GLASGOW


A Escala de coma de Glasgow é uma escala
Escala de Coma de Glasgow
neurológica de valor mínimo 3 a máximo 15 que tem
Abertura Ocular
como objetivo registrar o nível de consciência de
paciente, para avaliação inicial e contínua após um Espontânea 4
AVE ou traumatismo. Seu valor também é utilizado no Estímulo verbal 3
prognóstico do paciente e é de grande utilidade na Estímulo doloroso 2
previsão de eventuais sequelas. Ausente 1
Os parâmetros avaliados são com relação à Melhor Resposta Verbal
resposta motora, ocular e verbral. Para cada evento Orientada 5
avaliativo dessas respostas, atribui-se um valor que vai Confusa 4
somando-se aos demais. Palavras inapropriadas 3
A amplitude da pontuação pode dar uma ideia Sons inelegíveis 2
da gravidade do coma. Ausente 1
Melhor Resposta Motora
Obedece ao comando 6
Localiza estímulo doloroso 5
Retira membro à dor 4
Flexão anormal (decorticação) 3
Extensão anormal (descerebração) 2
Ausente 1
 TCE leve: 13 a 15 pontos  Observação na sala de
emergência
 TCE moderado: 9 a 12 pontos  Observação em UTI
 TCE grave: 3 a 8 pontos  Observação em UTI com
medição da pressão intracraniana + IOT
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR DO AVE
 Verificar ABC;
 Avaliar sinais vitais por meio da monitorização;
 Administrar oxigenação para melhorar o padrão respiratório;
 Avaliar glicemia capilar (hemoglicoteste ou HGT) para diferenciar uma crise hipoglicêmica (admite-se a
realização do HGT para todo paciente com sintoma neurologico na admissão). Em casos de hipoglicemia,
administrar glicose hipertônica a 50% endovenosa;
 Realizar acesso intravenoso com soro fisiológico (SF) a 0,9% ou soro ringer lactato (RL) 50 ml/h. Não se pode
administrar soro glicosado em casos de suspeita de AVE uma vez que o sangue glicosado será destinado
totalmente ao cérebro, agravando ainda mais o quadro vascular, podendo gerar edema.
 Realizar coleta de exames como hipertensão craniana, eletrólitos e coagulação;
 Por meio do eletrocardiograma, checar arritmias;
 Realizar intubação orotraqueal com ventilação mecânica;
 Aplicar escalas neurológicas (como a de Glasgow)
 Transportar rapidamente para centro especializado em que haja tomografia computadorizada (esta deve ser
realizada até 45 minutos após o evento); nenhuma conduta terapêutica deve ser tomada antes da realização da
tomografia, pois ela é importante para diferenciar um evento hemorrágico de um isquêmico.
 Realizar trobólise em casos de AVE isquêmico e cirurgia em AVE hemorrágico.

SÍNDROME CORONARIANA AGUDA


As síndromes coronarianas agufas (SCA) são, em geral, causadas por obstrução coronariana decorrente da
interação entre fenômenos de trombose e vasoespasmo, sobre lesões ateroscleróticas nas coronárias, podendo

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manifestar-se com quadros clínicos diversos, tais como angina instável, infarto agudo do miocárdio (quando as
células cardíacas morrem) ou mesmo morte súbita. As dores cardíacas da síndrome coronariana aguda são típicas,
enquanto as dores torácias atípicas caracterizam dores em outros órgãos (esôfago, pulmão, etc).
As definições de fatores de risco para doença arterial coronariana foram as utilizadas pelo II Consenso Brasileiro
de Dislipidemia. Foram analisadas as variáveis sexo, idade, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus,
sedentarismo, dislipidemia, obesidade, história familiar, doença arterial coronariana prévia e tabagismo.

QUADRO CLÍNICO
 Isquemia: dor torácica caracterizada por queimação, aperto ou esmagamento, sendo ela subesternal ou
precordial. Irradia-se para o ombro ou braço esquerdo, mandíbula e pescoço. Alivia com nitrato e repouso.
 Infarto: dor torácica mais grave, com mesma irradiação. Não alivia com repouso ou nitrato. Apresenta
fenômenos orgânicos associados como ansiedade, hipotensão, sudorese, fadiga, dispnéia, extremidades frias,
náuseas.

CONDUTA NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR


 Realizar o ABC;
 Identificar fatores de risco;
 Tranquilizar o paciente;
 Administrar oxigênio: 100% 3-10 l/min
 Providenciar acesso venoso para administração de soros ou medicamentos;
 Monitorar sinais vitais;
 Realizar eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações;
 No suporte avançado, administrar morfina (potente opióide), heparina, nitrato intravenoso (a não ser que a vítima
esteja com PAS<100 mmHg, sendo necessário administrar sildenafil), lidocaína, beta-bloqueador.
 Administrar ácido acetil-salicílico (AAS), 160-325 mg mastigados;
 Para pacientes com PAS>100 mmHg, pode-se realizar nitrato (Isordil®), 5-10mg, sublingual. Este dilata
rapidamente as coronarianas, aliviando os efeitos da síndrome coronariana.
 O tempo permitido para uma boa sobrevida de paciente com síndrome coronariana aguda é de 12 horas. É
necessário neste período de tempo ter realizado o r-TPA (ativador do plasminogênio tecidual).
2
OBS : O procedimento pré-hospitalar para início da abordagem do paciente com SCA pode ser simplificado pelo
acrômio “MONA”: M, de morfina; O, de oxigênio, N, de nitrato; e A, de AAS.

CHOQUE ELÉTRICO
O choque elétrico é mais um problema de saúde pública envolto em mitos que preocupam o atendimento pré-
hospitalar. Primeiro, é fato que a corrente elétrica se propaga para um indivíduo que entra em contato com outro preso à
fonte de energia. Portanto, para salvar a vítima, é necessário, antes de tudo, garantir a auto-segurança e, em segundo
plano, a segurança da vítima.
Para isso, nunca se deve tocar diretamente na vítima, mas sim, buscar desligar a fonte de energia. Antes de
tentar ajudá-la, procure desligar o fio da tomada, desconectar o disjuntor ou a chave geral, ou mesmo solicitar à Cia.
Elétrica para desligar a rede elétrica da região. Só depois de tentar todas essas medidas, é permitido utilizar um
instrumento não-condutor de modo a retirar a vítima da fonte.
Depois de retirar a vítima, deve-se avaliar o ABCD, atentando estado de choque ou lesões superficiais que
“enganam”. Estas lesões são caracterizadas por deformidades na região que entrou em contato com a fonte elétrica
(lesão de entrada) e no local onde a corrente gerada foi descarregada (lesão de saída). Entretanto, ao longo deste
trajeto, o vetor elétrico pode ter causado várias lesões profundas, sendo importantes aquelas cujo vetor de propagação
alcança o coração, podendo causar fibrilação ventricular.

QUEIMADURAS
Quando um paciente sofre uma queimadura, a temperatura, elevada ou congelante, a radiação ou o agente
químico podem fazer com que as proteínas da pele ou do órgão acometido sejam gravemente lesadas, ocorrendo sua
desnaturação, fenômeno semelhante ao que acontece quando um ovo é posto à fritura.
As queimaduras podem ser térmicas, químicas, elétricas ou radioativas (como a solar).
Uma queimadura de espessura total apresenta três zonas de lesão tecidual. A zona central é conhecida como
zona de coagulação, sendo esta a região de destruição tecidual máxima. Essa zona é necrótica e não é capaz de
reparação tecidual. Adjacente à zona de necrose, há uma região de lesão menos grave, a zona de estase. As células
nesta zona são lesadas, mas não de maneira irreversível. Quando privadas do aporte de oxigênio, essas células viáveis
morrem e tornam-se necróticas. Essa zona é referida como zona de estase porque, imediatamente após a lesão, o fluxo
sanguíneo para essa região fica estagnado. A reanimação do paciente eliminará esta estase e restabelecerá o aporte de
oxigênio para as células lesadas e suscetíveis. A falha na reanimação adequada resulta em morte das células do tecido

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lesado. A zona mais externa é conhecida como zona de hiperemia. Esta zona apresenta lesão celular mínima e
caracteriza-se por aumento do fluxo sanguíneo, secundário a uma reação inflamatória iniciada pela queimadura.

CLASSIFICAÇÃO E EXTENSÃO DA QUEIMADURA E CONDUTAS INICIAIS


 Queimaduras de 1º grau: apenas a
epiderme é afetada, sem que ocorra a
formação de vesículas. (Ex: queimadura
solar). Caracterizam-se por serem
avermelhadas e dolorosas.
No caso das queimaduras de 1º grau,
deve realizar os seguintes passos:
 Esfrie com água limpa;
 Cubra a lesão com compressas
úmidas por 10 a 45 minutos;
 Mantenha região queimada
elevada para não formar edema

 Queimaduras de 2º grau: a derme


profunda é acometida nas queimaduras
de 2º grau. Caracterizam-se pela
formação vesículas e bolhas dolorosas.
No caso de queimaduras de 2º grau com
extensão menor que 20% do corpo, deve-
se:
 Esfriar a região com água corrente e realizar compressas úmidas;
 Elevar a região afetada para não formar edema.
No caso de queimaduras de 2º grau com extensão maior que 20% do corpo (ou 10% da superfície corpórea da
criança), não se deve envolver a região acometida com gaze úmida para evitar hipotermia. É aconselhável
encaminhar a vítima a um Centro de Queimados, com a região protegida por gaze esterilizada seca, para a
confecção de curativos e cuidados médicos.
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OBS : A vítima de queimaduras não-traumáticas, quando consciente, deve ingerir uma grande quantidade de água para
manter-se hidratada e evitar o uso de qualquer produto de outra procedência que não seja os pré-citados. A ingestão de
água é contraindicada para vítimas queimadas e decorrentes de traumas.

 Queimaduras de 3º grau: alcança extratos da pele abaixo da derme, atingindo a hipoderme, o tecido adiposo,
camada basal, nervos, músculos vasos ou mesmo atingindo os ossos. Caracterizam-se por feridas que
aparecem como queimaduras espessas, secas, esbranquiçadas e com aspecto de couro. Nos casos mais
graves, a pele tem uma aparência carbonizada, com trombose visível dos vasos sanguíneos. Muitos pacientes
tem dor porque as áreas de queimadura de terceiro grau geralmente são circundadas por queimaduras de
segundo grau. As queimaduras dessa profundidade podem ser incapacitantes e trazer risco de vida à vítima. É
necessário fazer a excisão cirúrgica imediata e a reabilitação intensiva em um centro especializado. Deve-se,
portanto, seguir os seguintes passos:
 Cobrir com gaze esterilizada seca não-aderente;
 Não esfriar com água;
 Manter atenção a um possível quadro de choque.

ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E HOSPITALAR PARA QUEIMADURAS


 Retirar todos os adereços (anéis, pulseiras, relógios, etc.) o quanto antes, uma vez que, mais tardiamente, o
local queimado tende a grudar em outras regiões. Caso a região já tenha grudado em algum adereço, ou mesmo
em outra região do corpo, não se deve retirar durante a atenção pré-hospitalar.
 Não remover pedaços de roupas, tecidos ou objetos grudados na pele ou no corpo.
 Manter as articulações estendidas.
 Manter os dedos afastados e protegidos para não grudar um no outro.
 Proceder com o ABCDE do Trauma + Sonda vesical.
 Ressuscitação volêmica: medida crucial no tratamento, pois as citocinas liberadas aumentam a permeabilidade
vascular, levando ao choque hipovolêmico.
- Pré-hospital: Peso x %SCQ (ml/hora)
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- Hospital: Fórmula de Parkland  4 x Peso x SCQ (ml)
 Infundir metade do volume nas primeiras 8h;
 Restante do volume nas 16h restantes;

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 Melhor parâmetro para avaliação  Diurese:


 Queimaduras térmicas: ≥0,5ml/kg/h
 Crianças < 30 kg: ≥1ml/kg/h
 Queimaduras elétricas: ≥2ml/kg/h
 Sempre: Soro Ringer Lactato
 Cálculo da superfície corporal queimada (SCQ): Regra dos 9 (Método de Wallace):

TIPOS ESPECIAIS DE QUEIMADURAS


 Queimaduras elétricas: em muitos casos, como vimos ao estudar Choque Elétrico, as queimaduras elétricas
geram lesões teciduais que aparentemente não reflete com exatidão a magnitude da lesão profunda, causada
pelo percurso da corrente elétrica desde o local onde esta entrou até seu local de escape (onde foi neutralizada).
O paciente apresenta queimaduras externas nos pontos de contato com a fonte elétrica, bem como nos pontos
de contanto com o solo. Quando a eletricidade passa através do corpo do paciente, as camadas teciduais
profundas são destruídas, apesar das lesões aparentemente pequenas na superfície. A destruição muscular
resulta na grande liberação de potássio e mioglobina, podendo causar arritmias cardíacas e toxicidade renal,
podendo causar insuficiência renal (mioglobinúria ou urina com cor de chá ou Coca-Cola). O paciente com
queimadura elétrica pode ter ainda outras lesões associadas: perfuração de tímpano, contração muscular
intensa (tetania) que pode resultar em fraturas ósseas, sangramento intracraniano e arritmias cardíacas.
 Queimaduras por radiação: a gravidade deste tipo de queimadura depende da quantidade de energia
absorvida pelo tecido afetado. As várias formas de radiação incluem radiação eletromagnética, os raios x, os
raios gama e a radiação particulada. A capacidade de absorção da radiação é mais lesiva que a própria dose
real de radiação. O caráter lesivo da radiação reside na sua capacidade de desnaturar proteínas. A detonação
de uma arma nuclear em uma área metropolitana lesaria e mataria através de três mecanismos: queimaduras
térmicas pela detonação inicial, explosão destrutiva supersônica e produção de radiação. As prioridades iniciais
consistem em remover o paciente da fonte de contaminação, remover as roupas contaminadas e irrigar o
paciente com água. Os pacientes com queimaduras devem submeter-se a reanimação volêmica, como qualquer
paciente queimado. Os pacientes irradiados podem ter vômitos e diarreia, que exigem um aumento no volume
dos líquidos e de reanimação. As consequências fisiológicas da radiação corporal total são denominadas
síndrome da radiação aguda (SRA).
 Queimaduras químicas: são, com frequência, resultado da exposição prolongada ao agente agressor, diferente
das lesões térmicas, nas quais a duração da exposição geralmente é muito breve. A gravidade da lesão química
é determinada por quatro fatores: natureza da substância química, concentração da substância, duração do
contato e mecanismo de ação da substância química. O socorrista pode precisar tratar de lesões de olho
causadas pela exposição a agentes básicos. Uma pequena exposição do olho pode provocar lesão com risco de
perda da visão. Os olhos devem ser irrigados com grandes quantidades de líquido. Quando possível, realizar-se
a descontaminação ocular com irrigação contínua, usando uma lente de Morgan. A aplicação de um anestésico
local oftálmico, como a proparacaína, facilita o tratamento do paciente.
As queimaduras químicas se assemelham em muitos aspectos às queimaduras térmicas. Entretanto, as
primeiras apresentam uma característica marcante para diferenciá-las das segundas: suas lesões mantêm
intactos os pelos da região, causando apenas uma lesão perfurante na região acometida, diferentemente das
lesões por queimaduras térmicas, em que os também são acometidos. Além disso, as queimaduras químicas
não cursam com tanta dor como ocorre nas queimaduras térmicas. Os procedimentos para as queimaduras
químicas são: afastar a vítima da fonte; não tentar neutralizar com outro produto; lavar com água abundância por
no mínimo 20 minutos; não aplicar água sob pressão; remover todas as roupas; aplicar gaze estéril seca;
procurar atendimento médico imediatamente.

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OBS : Inalação de fumaça. O principal fenômeno que causa a morte daquelas vítimas em incêndios de locais fechados
não são as lesões de pele ou falta de oxigênio (embora estes fatores contribuam para a morbidade dessas vítimas). A
principal causa da morte de vítimas de incêndio é o aquecimento demasiado do ar, que ao ser inspirado, gera lesões
profundas e ocultas ao longo de todo o trato respiratório, o que leva a uma reação inflamatória localizada, culminando
em edema e obstrução aérea. Portanto, a vítima de incêndios de locais fechados morre, majoritariamente, por asfixia.
Por este motivo, o principal procedimento no suporte avançado é realizar a intubação orotraqueal da vítima de incêndio.
Qualquer paciente com história de exposição a fumaça em um espaço fechado pode expor a vítima a três elementos:
lesão térmica, asfixia e lesão pulmonar tardia induzida por toxina. Dois produtos gasosos têm importância clínica como
asfixiantes: o monóxido de carbono (CO) e o gás cianeto (CN), que se ligam à hemoglobina e impedem a ligação do O 2,
que seria distribuído para todo corpo.