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07/05/2019 Harlem Renaissance por André Caramuru Aubert, pt.

I | escamandro

escamandro

poesia tradução crítica

POESIA, TRADUÇÃO

Harlem Renaissance por André Caramuru Aubert,


pt. I

04/05/2016 | GUILHERME GONTIJO FLORES | ANDRÉ CARAMURU AUBERT, COUNTEE


CULLEN, HARLEM RENAISSANCE, INGLÊS, LANGSTON HUGHES, MOVIMENTO NEGRO,
POESIA NORTE-AMERICANA | 1 COMENTÁRIO

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07/05/2019 Harlem Renaissance por André Caramuru Aubert, pt. I | escamandro

(h ps://escamandro.wordpress.com/?a achment_id=5796#main)

Uma introdução

A poesia norte-americana do século XX tem quatro “movimentos”, ou “escolas” mais importantes,


ou, ao menos, mais conhecidas: a Beat, a New York School, a San Francisco Renaissance e a Black
Mountain. Mas, ainda que hoje menos lembrado, um outro movimento, o Harlem Renaissance,
desempenhou um papel gigantesca na evolução da cena cultural dos Estados Unidos, pois foi o
primeiro esforço estético, sólido e consciente, conduzido por poetas, ensaístas, romancistas e artistas
negros naquele país. Normalmente dividido pela crítica em três fases (1917-1923, 1924-1926 e 1926-
1935), o movimento surgiu e se frutificou a partir de três fatores principais:

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Em primeiro lugar, houve a Primeira Grande Guerra. Muitos dos soldados enviados à Europa eram
negros, e eles não só mataram e morreram pelo país como tiveram contato com europeus; em muitos
casos, gente, na época, com mente mais arejada do que os americanos. Na volta para casa, era natural
que eles exigissem um papel de maior protagonismo em todos os campos, incluindo a cultura.

Em segundo lugar, houve o fator demográfico. Há décadas as populações negras abandonavam o sul
racista, subindo o Mississippi em direção a Chicago e, dali, em parte, para Nova York. Esse grande
movimento migratório, como nos mostra o Harlem Renaissance, geraria mais do que “apenas” o
blues, o jazz e o rock and roll…

Finalmente, eram anos de modernismo. E o modernismo, em não poucas de suas vertentes estéticas
(penso logo de cara em Picasso, em Matisse, em Mário de Andrade), era sedento por enriquecer e
arejar a estética ocidental com elementos exóticos. Poesia chinesa, tradições indígenas, cânticos
hindus, lendas árabes, arte africana, causos sertanejos… O cânone europeu perdia sua hegemonia na
pintura, na música e na literatura. Assim, no momento em que artistas negros, em Nova York,
pretendiam que sua voz fosse ouvida, havia gente disposta a ouvir. E, mais importante, entusiasmada
por poder publicar, divulgar e, claro, incorporar tudo o que achasse interessante naquelas novidades
todas.

É claro que, passados oitenta anos desde o fim do movimento, nossa visão sobre o que se produziu
naquele espaço físico e temporal não é a mesma. Alguns dos poemas que mais fizeram sucesso na
época, por mais explicitamente defenderem, política e ideologicamente, a causa negra, acabaram não
resistindo bem ao tempo. Mas muitas das coisas que ali se produziram, por outro lado, reverberaram
não apenas na época como resistiram excepcionalmente bem aos anos e seguiram, sólidas, ocupando
um espaço fundamental na cena poética norte-americana.

Reuni, para esta pequena introdução à Harlem Renaissance, um ou dois poemas de alguns dos
principais nomes do movimento: Gwendolyn Benne , Joseph S. Co er, Waring Cuney, Countee
Cullen, Langston Hughes, Fenton Johnson, Georgia Douglas Johnson, Helene Johnson, James Weldon
Johnson, Claude McKay e Anne Spencer.

André Caramuru Aubert

***

COUNTEE CULLEN

Countee Cullen (1903-1946) foi um dos poetas do Harlem Renaissance que obtiveram mais repercussão fora do
movimento, provavelmente porque sua temática, que não se furtava a abordar aspectos às vezes quase folclóricos,
evocava, de certa forma, o que as pessoas em geral esperavam de um poeta negro. Não obstante, sua poesia é forte
e marcante, e o julgamento cruel da passagem do tempo o manteve como um dos principais poetas do
movimento.

For a lady I know

She even thinks that up in heaven


Her class lies late and snores,

While poor black cherubs rise at seven


. To do celestial chores

Para uma dama que eu conheço

Ela até mesmo pensa que lá em cima no céu


Pessoas como ela dormem até tarde e roncam
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Enquanto pobres querubins negros se levantam às sete


Para dar conta das tarefas celestiais.

Incident
for Eric Walrond

Once riding in old Baltimore,


Heart-filled, head-filled with glee,
I saw a Baltimorean
Keep looking straight at me.

Now I was eight and very small,


And he was no whit bigger,
And so I smiled, but he poked out
His tongue, and called me, “Nigger.”

I saw the whole of Baltimore


From May until December;
Of all the things that happened there
That’s all that I remember.

Incidente
para Eric Walrond

Certa vez, vagando pela velha Baltimore,


O coração repleto, a cabeça repleta, de alegria,
Eu vi um baltimoreano
Olhando diretamente para mim.

Eu tinha oito anos e era bem pequeno,


E ele não era nem um pouco maior
E então eu sorri, mas ele tirou a língua para
Fora, e me chamou de “Crioulo.”

Eu conheci Baltimore inteira


De maio até dezembro.
De tudo o que aconteceu lá
Isso é tudo de que eu me lembro.

LANGSTON HUGHES

James Mercer Langston Hughes (1902-1967), de poesia inventiva e lírica, é hoje, provavelmente, o nome mais
conhecido do Harlem Renaissance. Nascido no Missouri, foi militante comunista e também ensaísta, romancista
e dramaturgo.

The Negro speaks of rivers

I’ve known rivers:


I’ve known rivers ancient as the world and older than the flow of human blood in human veins.

My soul has grown deep like the rivers.

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I bathed in the Euphrates when dawns were young.


I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep.
I looked upon the Nile and raised the pyramids above it.
I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln went down to New Orleans, and I’ve seen its muddy
bosom turn all golden in the sunset.

I’ve know rivers:


Ancient, dusky rivers.

My soul has grown deep like rivers.

O Negro fala de rios

Eu conheci rios:
Eu conheci rios tão antigos quanto o mundo e mais velhos que o sangue que corre nas veias
humanas.

Minha alma se tornou profunda como os rios.

Eu me banhei no Eufrates quando as auroras eram jovens.


Eu ergui minha cabana perto do Congo e ela embalou meu sono.
Eu observei o Nilo e ergui as pirâmides acima dele.
Eu ouvi as canções do Mississippi quando Abe Lincoln foi até New Orleans, e eu vi o seu âmago
barrento ficar dourado ao pôr do sol.

Eu conheci rios:
Antigos, escuros rios.

Minha alma se tornou profunda como rios.

Elevator Boy

I got a job now


Runnin’ an elevator
In the Dennison Hotel in Jersey,
Job aint no good though.
No money around.
Jobs are just chances
Like everything else.
Maybe a li le luck now,
Maybe not.
Maybe a good job sometimes:
Step out o’ the barrel, boy.
Two new suits an’
A woman to sleep with.
Maybe no luck for a long time.
Only the elevators
Goin’ up an’ down,

Up an’ down,
Or somebody else’s shoes
To shine,
Or greasy pots in a dirty kitchen.

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I been runnin’ this


Elevator too long.
Guess I’ll quit now.

Ascensorista

Eu consegui um emprego
Conduzo um elevador
No Hotel Dennison em Jersey
Mas o trabalho não é muito bom.
Não rola grana.
Empregos são apenas chances
Como todo o resto.
De repente você tem sorte
De repente não.
De repente um bom emprego às vezes:
Saia fora do caminho, garoto.
Dois novos paletós e
uma mulher com quem dormir.
De repente sem sorte por muito tempo.
Só os elevadores
Indo pra cima, indo pra baixo,

Pra cima e pra baixo,


Ou os sapatos de alguém
Para engraxar,
Ou panelas gordurentas numa cozinha suja.
Eu tenho conduzido este
Elevador por muito tempo.
Acho que agora eu vou me mandar.

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Um comentário sobre “Harlem Renaissance por André


Caramuru Aubert, pt. I”

1. HARION MARCIO disse:


Ótimas traduções, parabéns!

06/05/2016 ÀS 16:31 | RESPONDER

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