Você está na página 1de 117

Ergonomia

Brasília-DF.

Elaboração
Eng. Luiz Roberto Pires Domingues Junior
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Apresentação ...................................................................................... 335
Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ..................................... 446
Introdução .......................................................................................... 668
CAPÍTULO 1 ...................................................................................... 8810
Conceituação e breve história ............................................................. 8810
Do século XIX até 1914........................................................... 9811

A ERGONOMIA A PARTIR DA 1ª GRANDE GUERRA.................101012

A ERGONOMIA NA 2ª GUERRA MUNDIAL ..............................111113

A CRIAÇÃO DA INTERNATIONAL ERGONOMICS


ASSOCIATION.....................................................................141416

CAPÍTULO 2 - O processo de trabalho ..............................................191921


CAPITULO 3 - ERGONOMIA ORGANIZACIONAL / ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO ....................................................................................343436
CAPÍTULO - ERGONOMIA FÍSICA .....................................................545456
CAPÍTULO 5- ERGONOMIA COGNITIVA ............................................666668
CAPÍTULO 6 - POSTURAS DE TRABALHO ..........................................707072
CAPÍTULO 7 - AÇÃO ERGONOMICA ..................................................808082
CAPÍTULO 8 - ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO .......................848486
1.ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE
ANATOMIA – AET ...........................................................................909092
ATIVIDADES: .................................................................................949496
CAPÍTULO 9 - ACESSIBILIDADE ................................................. 107107109
Para (não) Finalizar ................................................................. 111111113
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................ 111111113
ANEXO - NORMA REGULAMENTADORA 17 .................................. 114115116
Apresentação

Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos
que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com
segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência
de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua
estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da
pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar
conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa,
como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer
os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo
contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso,
de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida
pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso
na carreira.
Conselho Editorial
4
Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades,


subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão
abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre
outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os
estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre
determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou
após algum trecho pertinente para o autor conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o
aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado
ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique
seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões
são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para
aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros
presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o
objetivo didático de fortalecer o processo de aprendizagem
do aluno.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que
contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das
sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do
conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre
trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos
períodos que o autor/ conteudista achar mais relevante em
relação a aprendizagem de seu módulo (não há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos
objetivos do curso, que visam verificar a aprendizagem do
curso (há registro de menção). É a única atividade do curso
que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber se
pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a
continuar a aprendizagem ou estimula ponderações
complementares sobre o módulo estudado.

5
Introdução

Vivemos uma época de valorização da sustentabilidade das coisas e da


qualidade de vida em todos os aspectos, temos a tendência hoje de refutar
qualquer coisa que traga assertiva ou a característica: “dura”, não confortável,
exigente. E é no campo das relações de trabalho que tal situação se mostra
difícil de alterar, pois o trabalhador não tem a governabilidade de alterar seu
posto de trabalho ou modo de produção, somente para torná-lo mais
confortável ou no mínimo menos cansativo. Estamos acostumados a lidar com
a terminologia ERGONOMIA, mas a mesma costuma ficar associada a
mobiliários ou utensílios “ergonômicos”, voltados para o lar ou no máximo a
um pequeno escritório, e escutamos que a Lesão por Esforço Repetitivo – LER
e as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho – DORT, são sinais
inequívocos de um problema de característica ergonômica no ambiente de
trabalho ou no lar. Tal concepção é uma visão extremamente reducionista,
que diminui a importância e função da ergonomia nos processos laborais e
nos ferramentais utilizados pelo engenheiro de segurança para alcançar seus
objetivos como profissional.
A ergonomia que nos é mostrada é a dos mobiliários e do ferramental, mas
ela ultrapassa as amarras do desenvolvimento de produtos, insere-se nos
processos produtivos e na organização do próprio ente econômico tanto em
seu aspecto físico (layout) como cognitivo dos trabalhadores envolvidos,
independentemente do nível hierárquico deles, indo desde de a presidência
da empresa ao trabalhador de hierarquia mais baixa, fazendo com que seja
possível alterar os paradigmas de gestão que antes eram da alçada exclusiva
de administradores de empresas e de economistas e, marginalmente, de
psicólogos.
A ergonomia é a nova fronteira dos profissionais de segurança e saúde
ocupacional, pois a ergonomia é o RISCO MÃE, é o risco que transpassa todos
os demais, pois é possível como uma boa abordagem ergonômica reduzir de
forma efetiva a existência de outros riscos. A ergonomia é a ciência que possui
a capacidade de integrar e interagir TODAS as variáveis e competências
presentes na segurança do trabalho.
Objetivos
» Apresentar os conceitos relacionados à ergonomia no ambiente
de trabalho, como: noções de fisiologia do trabalho; idade,
fadiga, vigilância e incidência de acidentes; aplicação de forças;
aspectos antropométricos; limitações sensoriais; dispositivos
de controle de informação; sistema homem-máquina e
trabalhos em turnos (cronobiologia ), com o objetivo de
subsidiar o dimensionamento correto dos postos de trabalho
(máquinas e equipamentos “ergonômicos”).
» Entender a temática vinculada à ergonomia, a questão da
acessibilidade, o stress e o assédio moral, tendo a ergonomia
como ponto de estudo para o engenheiro de segurança do
trabalho.

7
CAPÍTULO 1
Conceituação e breve história

O que vem a ser ergonomia? A palavra ergonomia tem como origem filológica a junção
dos termos ergon (trabalho) e nomos (leis e regras), assim, por princípio, a ergonomia
possui a pretensão de ser a ciência que estuda as leis inerentes ao trabalho.
E tendo como pano de fundo estas leis inerentes ao trabalho, que pode se verificar a
influência da ergonomia já na obra “As Doenças dos Trabalhadores” de Bernardino
Ramazzini1, principalmente na doença dos escrivães que trata da Lesão por Esforço
Repetitivo.
O termo ergonomia apareceu pela primeira vez na obra “Ensaios de ergonomia ou
ciência do trabalho, baseado nas leis objetivas da ciência sobre a natureza”, do biólogo
polonês Wojciech Jastrzębowski (Gierwaty, 1799 – Varsóvia, 1882) – Figura 1

Figura 1 – Wojciech Jastrzębowski

1médico italiano nascido em Carpi, em 1633, é considerado o pai da Medicina do Trabalho (MT) pela
contribuição do livro As Doenças dos Trabalhadores, publicado em 1700 e traduzido para o português pelo
Dr. Raimundo Estrela. Nele, o autor relaciona 54 profissões e descreve os principais problemas de saúde
apresentados pelos trabalhadores, chamando a atenção para a necessidade de os médicos conhecerem a
ocupação atual e pregressa de seus pacientes ao fazer o diagnóstico correto e adotar os procedimentos
adequados.

8
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

Do século XIX até 1914.


De acordo com Meister (1999), os testes de adequação da máquina ao homem realizados
no período anterior à Grande Guerra de 1914/1918 eram basicamente empíricos, usando
a lógica da tentativa e erro, houve um pequeno esforço durante a Guerra Civil Americana
(1861-1865), por parte do U.S. Patent Office, para que os uniformes e armas produzidos
em massa servissem aos soldados que participariam desse combate, nasceu desta guerra
a intercambialidade das peças das armas – sistema universal nos dias de hoje para
quaisquer equipamentos e máquinas, mas que alteraram completamente o processo de
trabalho anteriormente existente.
Ainda no século XIX, surgiram os estudos mais sistemáticos sobre o trabalho, os quais
iriam decorrer no denominado taylorismo, o novo conceito de administração científica já
tratado anteriormente, onde se considerava que o trabalho deveria ser sistematicamente
observado e que, para cada tarefa, fosse desenvolvido um método correto para executá-
la, de forma que esta fosse realizada num determinado tempo e utilizando as
ferramentas corretas, mas que delegava o homem um papel secundário e facilmente
substituível – evoluiu primeiro o trabalho com a abordagem cientifica, para somente
depois valorizar o homem como o principal componente deste binômio homem-máquina.
Pode-se destacar ainda nesse período anterior à Primeira Guerra Mundial os estudos
realizados pelo casal Liliam E. e Frank G. Gilbreth, a respeito da fadiga na fisiologia
humana e chegaram a fundar uma empresa de consultoria bastante respeitada em meio
aos profissionais da área, a Frank B. Gilbreth, Inc. – 1911. O trabalho desse casal pode
ser considerado um dos precursores do que viria a se chamar posteriormente de human
factors (Sanders; McCormick, 1993).
Frank G. Gilbreth começou a desenvolver observações sobre movimentos aos 27 anos,
quando trabalhava como superintendente em uma empresa de construção. Já Liliam E.
Gilbreth se dedicou à psicologia, ajudando seu marido nos estudos sobre fadiga (Martins,
2004, p.4).
O casal se dedicou aos estudos dos movimentos, ao contrário de Taylor, que trabalhava
com a questão do tempo. Eles desenvolveram técnicas para evitar o desperdício de
tempo e movimento, assim como criaram padrões, racionalizando as tarefas de produção
com intuito de aumentar a produtividade. Também preocupados com a fadiga eles
propuseram o redesenho do ambiente de trabalho, a redução de horas de trabalho e a
implantação ou aumento de dias de descanso remunerado.
O casal Gilbreth realizou análise das equipes de cirurgiões de hospitais, e seu trabalho
resultou na padronização de um procedimento utilizado ainda hoje, em centros

9
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

cirúrgicos: “o cirurgião obtém o seu instrumento/ferramental necessário pedindo por ele


e estendendo a mão para uma enfermeira, que coloca o instrumento na posição correta
para uso imediato” (Sanders; McCormick, 1993, p.7). Eles concluíram que na antiga
técnica os cirurgiões passavam muito tempo procurando pelos instrumentos.
Apesar desse primeiro interesse no estudo da relação entre o homem e o seu trabalho
percebe-se aqui que a ideia de adaptar equipamentos e procedimentos às pessoas não
era completamente explorada (Sanders; McCormick, 1993, p.7). Percebe-se também que
o desenvolvimento da ergonomia era associado às questões industriais, colocando a
produtividade em primeiro lugar e esquecendo- se das individualidades humanas.

A ERGONOMIA A PARTIR DA 1ª GRANDE GUERRA MUNDIAL


Durante a Primeira Grande Guerra Mundial a ergonomia desenvolveu-se principalmente
devido à produção de novos armamentos, que, em alguns casos, eram muito sofisticados
para os usuários. Isso fez com que surgisse o interesse em estudar a questão do
relacionamento do homem com seus instrumentos de trabalho (Meister, 1999).
Assim, percebeu-se que, mesmo havendo um desenvolvimento do estudo da relação do
homem com seu trabalho, a procura de soluções ainda era realizada de maneira a se
achar o melhor indivíduo para se adaptar ao trabalho. De acordo com esse mesmo autor,
ainda não foi nesse momento que a human factors engineering se desenvolveu, pois, os
EUA tiveram um menor envolvimento nesse combate, apenas 18 meses, mas parece ser
evidente que esses primeiros estudos foram importantes para o desenvolvimento dessa
ciência.
Nas décadas de 1920 e 1930 uma série de experimentos foram realizados por Elton Mayo
e seus colegas na fábrica Hawthorne da Western Electric Company. Esses estudos são
de interesse mais por sua influência, que foi chamar a atenção para os fatores sociais no
trabalho, do que para seus resultados. Os investigadores começaram a examinar os
efeitos de iluminação, pausas de descanso e menos horas na produtividade e fadiga.
Um experimento frequentemente citado se refere a uma tarefa de montagem de relés.
Os pesquisadores começaram manipulando os níveis de iluminação para observar o
efeito sobre a produção. Inesperadamente, constatou-se que a produção aumentou –
mesmo quando a iluminação foi reduzida. Esse resultado é o básico da crença no “efeito
Hawthorne” e é usado como evidência para a importância social, em vez de fatores
físicos na determinação do desempenho do trabalhador.

10
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

O efeito de Hawthorne tentavam determinar a relação


entre produtividade e ambiente de trabalho. Verificou-se que houve um aumento na
produtividade do trabalhador produzido pelo estímulo psicológico de ser identificado e
feito sentir-se importante, através da atenção da equipe de pesquisa. O efeito de
Hawthorne tornou-se um termo referente à tendência de algumas pessoas trabalharem
mais e terem melhor desempenho quando participam de uma experiência; O
comportamento é alterado devido à atenção que os indivíduos recebem dos
pesquisadores, e não por qualquer manipulação em variáveis dependentes.

Os experimentos de Hawthorne ganharam seu lugar na história, inaugurando uma nova


era da pesquisa em “Relações Humanas” no local de trabalho e chamando a atenção
para a importância dos determinantes sociais e pessoais de comportamento do
trabalhador. No entanto, as experiências próprias e sua interpretação sempre foram
controversas.
Em 1934, a força aérea dos Estados Unidos foi tomada abruptamente da missão de servir
de correio aéreo. O corpo de pilotos treinados para voarem olhando para o solo não
podia fazer o serviço adequadamente, pois não estava habituado a voar dessa maneira.
Após 10 pilotos caírem, o corpo de pilotos virou-se para uma invenção denominada “Link
trainer”.
Com esse simulador, um cadete aviador podia ser treinado em instrumentação de voo
sem as complicações introduzidas por um avião de verdade.
O primeiro “Link trainer” foi construído por Edwin Link em 1920, no porão da casa de
seu pai quando este, determinado a aprender a voar, não possuía fundos para as horas
de voo requeridas.
Durante a Segunda Guerra Mundial o aparelho foi utilizado para treinar mais de 500.000
cadetes. Atualmente, simuladores são produzidos para pilotos, astronautas e operadores
de submarino. Um sofisticado módulo controlado por computadores ajudou o homem a
ir à Lua.

A ERGONOMIA NA 2ª GUERRA MUNDIAL


Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial todos os esforços na área tecnológica foram
destinados à produção de instrumentos bélicos relativamente complexos, equipamentos
que exigiam habilidade do operador em ambientes desfavoráveis, onde os acidentes e
erros eram frequentes e por vezes tinham consequências fatais (Lida, 2005).

11
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Essas condições fizeram com que fossem redobrados os esforços para pesquisar formas
de adaptar os instrumentos bélicos às características e capacidades dos operadores, a
fim de reduzir a fadiga e os acidentes.
Foi somente após o Departamento de Defesa dos EUA apoiar as pesquisas em ergonomia
que essa situação mudou. Foi nesse contexto que se desenvolveu a ergonomia nos
Estados Unidos.
Foi somente durante a Segunda Grande Guerra Mundial que ficou claro que nem mesmo
com a melhor seleção, e o melhor treinamento, a operação de alguns comandos ainda
excedia as capacidades dos operadores (Sanders; McCormick, 1993). Possivelmente esse
foi o momento em que se percebeu a necessidade de adaptar os equipamentos às
pessoas, e teve impulso como ciência própria no decorrer da Segunda Guerra, em que a
Royal Air Force queria identificar por que seus aviões não eram utilizados em sua
plenitude, com a eficiência e eficácia esperadas (WISNER, 1994), o que culminou com a
criação da Ergonomics Research Society na Inglaterra, em 1949.
Verificou-se que os mostradores, botões e alavancas não estavam distribuídos de forma
a proporcionar uma ação otimizada do processo de trabalho (pilotar o avião, metralhar
o inimigo ou descarregar as bombas), provocando perdas desnecessárias de vidas
humanas em função de um projeto inadequado para uso. Após a segunda guerra
mundial a ergonomia se expande como ciência, pois é necessário recuperar a produção
e a produtividade dos tempos anteriores a guerra, mas agora com menos profissionais
especializados, ceifados durante a guerra. Era imperativo aumentar a produção sem
perder o trabalhador.
Assim diferentemente das demais ciências a ergonomia já nasceu com finalidade prática,
pois era necessário alterar os lócus do trabalho e o seu modus operande, pois já não
era mais factível a existência em diversas atividades econômicas de:
 Ambientes completamente insalubres que provocam a saída ou a ausência de
trabalhadores devido às condições de processo dos insumos ou da retirada da
matéria- prima;
 Locais de trabalho que não respeitam a condição fisiológica adequada do ser
humano – muito quente, muito frio, úmido, muito seco, ruído excessivo,
presença ou ausência de local para refeição, necessidades fisiológicas
adequados;
 Jornadas de trabalhos extenuantes, que não permitam a integração do
trabalhador com sua família, promovendo erros e falhas de processo fora da
escala aceitável;

12
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
Equipamentos padrões, independente das características biotipicas dos trabalhadores
Durante esse período houve o estabelecimento de laboratórios de psicologia nas forças
armadas americanas a fim de diagnosticar possíveis problemas psicológicos em oficiais
da aeronáutica após a guerra (Meister, 1999).

As pesquisas ergonômicas no período de guerra encorajaram a formação do “psychology


branch of aero medical laboratory” na base aérea Wright-Patterson em Dayton, Ohio,
em maio de 1945, sob a liderança do psicólogo e tenente-coronel da força aérea dos
EUA, Paul M. Fitts.
Dentre as várias contribuições do grupo liderado por Fitts destacam-se os fundamentos
da psicologia da aviação, com os estudos detalhados dos erros dos pilotos (Fitts; Jones,
1947).
Elaborou o que ficou conhecida como a “lei de Fitts”, cujo enunciado é: “o tempo para
acertar um alvo está em função da distância e do tamanho do alvo”.
Sua teoria encontrou aplicação também no campo civil com o advento dos computadores
com interfaces gráficas de usuário (GUI – graphic user interface), utilizando-a para o
sistema de controle de posicionamento de cursores, possibilitando um manejo mais
adequado do mouse, por exemplo.
Além disso, suas contribuições incluíram uma das mais recentes e muito influentes
classificações para alocação de funções entre humanos e máquinas, e validação de
características de controle manual humano. Destacam-se também os trabalhos desse
grupo no comportamento do movimento dos olhos dos pilotos e aspectos ergonômicos
do tráfego aéreo (Tsang; Vidulich, 2003, p.3). Fitts é de longe reconhecido como um dos
precursores da psicologia da aviação e também da moderna ergonomia.
Ao final da Guerra as descobertas feitas durante esse período foram aplicadas à vida civil
para melhorar as condições de trabalho e a produtividade da população em geral. De
acordo com Lida (2005), os profissionais da área relatavam que nesse período suas
pesquisas eram encaradas com ceticismo e dúvida, e que os pesquisadores dessa área
eram geralmente ridicularizados.
Após a Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento da ergonomia se focou na
adaptação de equipamentos e ferramentas ao homem (biometria), na melhoria das
suas condições de trabalho (eliminação ou mitigação da insalubridade), buscando a
melhor relação homem/insumo, ainda não considerando os aspectos cognitivos
presentes nos processos de trabalho. Esta abordagem científica da ergonomia teve seu
auge com a ampliação dos processos de trabalho informatizados, em que se primava

13
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

pela fragmentação das tarefas, resultando no incremento da divisão do trabalho e


produzindo mais-valia2, “resgatando” do passado, entre outros, a doença dos escrivães
relatada por Bernardo Ramazzini – LER/DORT. Hoje se verifica que o controle de tempos
e movimentos é apenas uma pequena parcela da estruturação e organização do
processo de trabalho, tornando-se uma certeza, no início do século XXI, de que
a reorganização técnica de uma empresa não é possível se não
houver modificações importantes nas relações sociais e
condições psicológicas do pessoal. Da mesma forma, não é
possível modificar o clima psicossocial sem modificar as
condições tecnológicas e/ou organizacionais da empresa.
(MOURA, 1993).

Assim, sob esse prisma, a ergonomia “moderna” busca conciliar o bem-estar do


trabalhador, sua segurança ocupacional e a segurança do processo de trabalho e/ ou
produtivo, mantendo ou ampliando a produtividade do trabalho e melhorando a
qualidade dos produtos e serviços oferecidos
Isto posto, a ergonomia veio com o objetivo de alterar este status quo de produção
vigente até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e ainda persistente, infelizmente, em
diversos processos produtivos de nossa sociedade.

A ERGONOMIA ANTES DE TUDO É UMA CIÊNCIA QUE VISA A APLICAÇÃO


PRÁTICA

A CRIAÇÃO DA INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION

Nas décadas seguintes à guerra e até os dias atuais, a ergonomia continuou a


desenvolver-se e a diversificar-se. A era espacial criou novos problemas de ergonomia,
tais como a ausência de gravidade e forças gravitacionais extremas, o que gerou dúvida
com relação aos efeitos que esse novo ambiente iria gerar na mente e no corpo.
A era da informação chegou ao campo da interação homem-computador, enquanto o
crescimento da demanda e a competição entre bens de consumo e produtos eletrônicos
resultaram em mais empresas levando em conta fatores ergonômicos no projeto de
produtos, muito embora o capitalismo crie uma competição exacerbada e o lucro seja o
foco das instituições.

2 Na doutrina marxista, a remuneração do capitalista é consequência de uma espoliação dos trabalhadores assalariados,
que, em troca de sua força de trabalho, recebem apenas o valor das mercadorias e serviços indispensáveis à sua
subsistência (a diferença entre o valor dos bens produzidos e os salários recebidos constitui a “mais-valia”, de que se
apropriam os capitalistas).

14
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
Nos Estados Unidos foi criada a Human Factors Society em 1957, e até hoje o termo
mais frequente naquele país continua a ser Human Factors (Fatores Humanos), embora
ergonomia já seja aceita como sinônimo.
Em 1959 surge o primeiro curso de graduação em Ergonomia, na Universidade de
Loughborough, e, nesse mesmo ano, surgem as principais divergências entre os estudos
de engenheiros e de ergonomistas, assim como problemas em definir especificamente o
que realmente se entende pelo termo ergonomia.
O termo ergonomia foi adaptado nos principais países europeus, onde se fundou ainda
em 1959, em Oxford, a Associação Internacional de Ergonomia (IEA – International
Ergonomics Association). E foi em 1961 que esta associação realizou o seu primeiro
congresso em Estocolmo.
Em 1976, a IEA tornou-se a associação de sociedades federadas em todo o mundo.
Assim, terminou o período em que a IEA era uma sociedade de indivíduos. E, em 2011,
tornou-se uma organização internacional sem fins lucrativos, sediada em Zurique (Suíça),
nos termos do artigo 60 e seguintes do Código Civil Suíço sob o nome oficial de "The
Ergonomics Association International".
A IEA possui 47 sociedades federadas, incluindo a Associação Brasileira de Ergonomia
(ABERGO).
A Associação Brasileira de Ergonomia – ABERGO (<http://www.abergo.org.br>), em
consonância com outras associações, International Ergonomics Association – IEA
(<http://www.iea.cc>) e Société d’Ergonomie de Langue Française – SELF (<http://
www.ergonomie-self.org>), apresenta a seguinte definição.:
A ergonomia, ou fatores humanos, é a disciplina
científica relacionada ao entendimento das interações
entre seres humanos e outros elementos de um sistema,
e também é a profissão que aplica teoria, princípios,
dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-
estar humano e o desempenho geral de um sistema.
Para fazer frente a essa definição, o ergonomista precisa considerar em seu campo de
atuação:
 os aspectos físicos do ambiente;
 a organização e os processos de trabalho;
 os aspectos cognitivos dos trabalhadores abrangidos3.

3 Tal variedade de campos de atuação em áreas clássicas da academia faz com que a localização dos centros de estudo de
ergonomia seja ampla, sendo comum a sua vinculação aos departamentos de engenharia (quando ligados a produtos,

15
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Em suma, a ergonomia visa: à adaptação da máquina ao homem e/ou o trabalho ao


homem, colocando em confronto a estruturação do trabalho conceituada por Frederick
Taylor, Jules Henri Fayol e Henry Ford:
“O modelo de trabalhador é aquele maximizador de vantagens
financeiras (econômico-racional), é padronizável, passível de
aumentar a produção com aumento de salário, reage como
indivíduo e a única fadiga considerada é a fadiga fisiológica e,
por esta consideração, tornou-se clássico o estudo de tempos e
movimentos.” (MOURA, 1993).

Conheça mais sobre a importância destes três homens que


moldaram a forma de produção no século XX acessando:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor>;
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Taylorismo>;
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Fayol>;
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford>.

Estes conceitos de trabalho e a forma científica de como deveria ser o processo de


trabalho se mostraram tão planejáveis, controláveis e observáveis que se tornou fácil
compreender por que a linha de montagem indicava ser uma solução econômica
universal para a produção de bens de consumo.
No Brasil, a ergonomia foi normatizada por meio da Norma Regulamentadora no 17 do
Ministério do Trabalho e Emprego e veio como a primeira tentativa oficial de regular tal
concepção de trabalho. Mas a norma trata de coisas tão díspares e de forma tão
superficial para uns assuntos e muito específica para outras (cadeiras ergonômicas),
que a mesma se tornou uma “Frankenstein”, parecendo um pato: não nada bem, não
corre bem e não voa bem.
A ergonomia tem como pressuposto, como ciência para fins práticos, uma atuação
multiprofissional e multissegmentar, isto é a presença de profissionais de diversos
matizes e profissões para fazer uma análise mais próxima do concreto de uma situação
de trabalho. A ergonomia não se detém a nenhum campo específico do conhecimento,
ela permeia diversos, em especial a engenharia, a fisiologia, a administração de

ferramentas e projetos), de psicologia (quando ligados à área de cognição do trabalhador), e de economia e


administração (quando ligados à área de organização e processo de trabalho).

16
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
empresas e a psicologia. Tal interdisciplinaridade é tão marcante, que dependendo da
universidade a ergonomia pode estar localizada na faculdade de engenharia (ergonomia
com fortalecimento da ergonomia de produto), na faculdade de biologia, medicina ou
fisioterapia – fortalecendo uma veia da ergonomia do homem – biometria, na faculdade
de administração, fortalecendo a ergonomia de organização do trabalho, ou ainda na
faculdade de psicologia, fortalecendo a ergonomia do trabalho em seus aspectos
cognitivos.
NÃO SE CONSTRÓI O CONHECIMENTO DA ERGONOMIA COM UMA ÚNICA
PROFISSÃO, MAS COM CERTEZA É O ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO
TRABALHO QUE POSSUI O MAIOR CABEDAL DE CONHECIMENTOS PARA
MELHOR APLICÁ-LA.

Ergonomia: é a interação entre o homem e o trabalho no sistema homem-máquina-


ambiente.
Os profissionais que praticam a ergonomia, os ergonomistas, contribuem para a
planificação, concepção e avaliação das tarefas, empregos e produtos, organizações,
meios ambientes e sistemas, tendo em vista torná-los compatíveis com as necessidades,
as capacidades e os limites das pessoas.
Objetivos da ergonomia moderna
1. Conjugar; conciliar as demandas inerentes ao processo produtivo econômico,
que visa a eficiência do processo, otimização da produtividade diante da
tecnologia estabelecida;
2. Melhorar e ampliar a confiabilidade do sistema;
3. Melhorar os sistemas de controle, com qualidade e durabilidade;
4. Atender as demandas inerentes aos trabalhadores que buscam segurança no seu
processo de trabalho, quando da realização das atividades;
5. Exigir que o processo não provoque dano a sua saúde, que seja confortável (ex.:
que não exija posturas inadequadas), que os instrumentais e ferramentais de
uso sejam de fácil utilização, que o trabalhador tenha satisfação em participar,
em ser agente integrante do processo produtivo, passando a ter interesse efetivo
no trabalho, e, por que não, prazer no processo de trabalho.

E para atingir estes objetivos o ergonomista deve ter sempre em mente a resolução das
seguintes questões:

17
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

1. Como conceber um sistema de trabalho que permita um exercício frutífero do


pensamento?
2. Como conceber um sistema de trabalho que favoreça o desenvolvimento das
competências?

18
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

CAPÍTULO 2
O processo de trabalho

O processo de trabalho é bíblico, pois quando o Adão e Eva foram expulsos do paraíso,
Deus estabeleceu que Adão deveria passar a ganhar o pão com o suor de seu rosto, isto
é, deveria trabalhar para promover a sua sobrevivência.
Na antiguidade, trabalhar era sinônimo de sacrifício/tortura, tanto o é que o termo se
origina da palavra latina tripaliarem, que significa torturar com o tripalium.
A interpretação do trabalho como sacrifício ou tortura ainda se mostra presente em
nossa sociedade, apesar de, cada vez mais, existirem ou criarem postos de trabalho em
que essa concepção não mais exista. É com o objetivo de deixar de ter o trabalho um
viés de sacrifício que se faz presente a ergonomia.
O trabalho tem como concepção social a atividade realizada por um ser humano, e o
processo de trabalho (objeto de nosso estudo) abrange diversas variáveis que ampliam
e, ao mesmo tempo, tornam complexos a sua adaptação ao homem.
O trabalho para o ser humano pode constituir-se em:
» uma necessidade primária para propiciar o atendimento de suas necessidades
básicas de habitação, alimentação, reprodução e segurança;
» “um caminho de gratificação pessoal que possibilita a constituição da
identidade pessoal e social dos sujeitos, por meio da valorização e do
reconhecimento daquilo que é produzido” (MENDES; ABRAHÃO, 1996);
» um risco para a integridade física, catalisador do processo de
envelhecimento e de senilidade, aumento dos custos e de processos de
estigmatizações sociais.
A Constituição de 1988, estabelece que a ordem social brasileira tem o trabalho
como o seu primado – Art. 193. Isto é o brasileiro para ter plenitude de sua
cidadania, deve ter acesso a trabalho digno, pois todas as políticas sociais partem
desta premissa. E a constituição ainda estabelece que este trabalho deve ser
seguro com a redução dos riscos inerentes e que seja protegido contra a
automação.
Constituição federal de 1988
Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de
outros que visem à melhoria de sua condição social:
[...]
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança;

19
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

[...]
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;

Sob esse prisma, o trabalho, segundo Dejours (1986), assume papel fundamental na
existência humana, é parte do que é ser o próprio indivíduo – como diz a letra de Fagner,
da letra de Guerreiro Menino:
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

A atividade laboral não deve ser o único objetivo das pessoas e, mas a ociosidade
permanente também é equivocada. O equilíbrio entre as duas são fundamentais para
um bom aproveitamento, no próprio processo laboral.
Deve se ter em mente que o processo de trabalho é dinâmico, varia de atividade
econômica para atividade econômica, do layout da empresa ou do empreendimento, do
tipo de objetivo que tem o trabalho – interno a empresa ou externo a empresa, assim é
impossível tecnicamente determinar fórmulas mágicas ou “receitas de bolo” que
abranjam todas as atividades laborais humanas, existindo inclusive a manutenção de
sistemas de processos laborais que ainda são regidos pela lógica da linha de montagem
de Henry Ford.
Numa sociedade típica capitalista, a relação de fornecimento de produtos e serviços é
baseada num triangulo de relacionamentos onde cada vértice teria os seguintes atores:
cliente, trabalhadores e empresa. A empresa busca: resultado efetivo, aumento da
produtividade, possuir competitividade junto a seus concorrentes, qualidade de seus
produtos e serviços, e atuar na legalidade, para garantir a sua manutenção como
instituição. Para alcançar tais objetivos a empresa depende de trabalhadores que
forneçam aos clientes das empresas seus produtos e serviços, e estes trabalhadores
buscam na venda de seu trabalho: remuneração condizente com seu trabalho,
possibilidade de desenvolvimento pessoal na realização deste trabalho, algum nível de
poder, prazer em executar o seu trabalho e liberdade na forma de trabalhar. Por fim os
clientes buscam das empresas produtos e serviços de interesse com uma relação

20
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
custo/benefício justa, um atendimento adequado, amparado por uma estrutura que
forneça os produtos ou serviços de forma eficiente, apresentando garantia dos mesmos.
Assim o Processo de Trabalho se articula entre seus diversos componentes, sejam
concretos ou subjetivos, e cada um dos polos do processo de trabalho: Trabalhador e
Empresa buscam resultados e benefícios específicos, e é na comunhão do atendimento
destes benefícios maximizado para as duas partes é que se apresenta a atuação da
ergonomia.
Sob o enfoque apresentado na Figura 2, podemos destacar o processo de trabalho para
análise pela ergonomia:
Originário da Empresa:
1. O objetivo, a missão e a visão da empresa, vão indicar qual o seu
mercado, e o perfil ideal de trabalhador.
2. A localização da empresa, a disponibilidade de equipamentos
condizentes com a atividade econômica proposta pela empresa, a
hierarquia, o sistema de comunicação interna entre trabalhadores,
softwares e sistemas de informática utilizados, e política salarial são
variáveis que influenciam sobremaneira os processos trabalho a serem
implantados, e por consequência o trabalhador que será contratado.
3. Tempo de realização do processo produtivo: horário comercial, turnos,
trabalho noturno, regime de plantão, tal processo também influencia na
execução do processo produtivo por parte dos trabalhadores, e ainda
com relação a tempo, temos a questão da cadência, que é o tempo ou
melhor as escalas de unidades de tempo para a execução de uma
atividade ou na produção de um produto.
4. E finalmente o ambiente que é oferecido pela empresa para a execução
das atividades: espaço, produtos utilizados, ventilação, renovação de
ar, ruído, temperatura, etc...
Tudo isso com a finalidade de a empresa buscar o maior volume de produção, com
a maior rentabilidade possível e com a melhor qualidade.
Originário do Trabalhador:
1. O seu perfil demográfico, isto é, sexo, idade, suas características físicas,
religião, determinarão o perfil de trabalhador que se deve coadunar com
a empresa. Apesar destes tempos de “Politicamente Correto”, a empresa
contrata quem mais se adere aos seus princípios e visão de mundo. Os
processos de entrevista são um filtro eficiente para somente entrar quem

21
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

as empresas desejam em seu corpo funcional. Pois cada característica do


trabalhador vai oferecer o perfil que a empresa procura.
2. Formação profissional e experiência adquirida, é a capacidade do
trabalhador em atender tecnicamente as necessidades da empresa.
Quanto mais especializado for esta formação e mais crítica for esta
formação para a empresa, maior a sua capacidade da empresa.
3. Momento de vida, onde se caracteriza as condições fisiológicas e
psicológicas que se encontra o trabalhador, entrado nesta variável a
fadiga, ritmos biológicos, vida fora do trabalho, estado psicológico.
Neste processo de venda da sua força de trabalho (seja física ou intelectual), o
trabalhador em troca de um conjunto de benefícios, deve garantir sua saúde, evitar
acidentes laborais e ampliar a sua competência e a sua empregabilidade.
Podemos ver na Figura 02 a articulação dos diversos elementos do processo de
trabalho, feita por (Abrahão, 2009).

Figura 02 – Articulação dos diversos elementos do processo de trabalho.

Considerando o que foi anteriormente exposto, temos numa análise ergonômica do


trabalho quatro blocos de variáveis ou fatores interdependentes.

1. Característica da população e da população de trabalhadores:


a. Antropometria/ biometria;
b. Fisiologia;

22
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
c. Sexo;
d. Idade;
e. Formação acadêmica e profissional;
f. Experiência de vida e profissional;
g. Modo de envelhecimento (hábitos de vida).
2. Condições de Trabalho:
a. Postos de trabalho;
b. Equipamentos disponibilizados;
c. Layout de trabalho e da empresa.
3. Organização de trabalho:
a. Pressão temporal por resultado/produção;
b. Hierarquia organizacional da empresa;
c. Ritmo;
d. Atribuições de funções e cargos;
e. Natureza da tarefa;
f. Modus operandi;
g. Regras e normativos internos;
h. Legislação do setor econômico ao qual se insere a empresa.
4. Ambiente físico.
a. Existência de riscos físicos;
b. Existência de riscos químicos;
c. Existência de riscos biológicos.

Obs: Normalmente a existência de um risco mecânico ou de acidente, é em função de


problemas de ordem organizacional e de condições de trabalho da empresa.

Vale aqui uma constatação de mais de duas décadas atuam na fiscalização de saúde no
trabalho: quanto maior for a qualificação do trabalhador e mais essencial for a sua
presença, maior é o incentivo a empresa promover as melhores condições de trabalho
para este trabalhador, fazendo com que a ergonomia seja aplicada em todas as suas
variáveis, incluindo as cognitivas de apelo mais forte para trabalhadores altamente
qualificados. Ao contrário, quanto mais básica for a atividade desenvolvida, isto é, a
exigência de qualificação profissional for baixa, menos se aplicam os princípios da
ergonomia, sendo mais econômico a substituição do trabalhador, do que a
alteração/adequação do posto ou processo de trabalho. A realidade se sobrepõe ao

23
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

ideário do politicamente correto – e é ai que o estado deve se fazer presente regulando


as variáveis do processo de trabalho, garantindo o mínimo de saúde e segurança na
atividade exercida.

Caracteristicas da População
Antropometria / Biometria
Fisiologia
Sexo
Idade Condições de trabalho
Formação / Escolaridade Postos de Trabalho
Experiência de vida / profissional Equipamentos disponibilizados
Modo de envelhecimento Lay out do local de trabalho / empresa

Organização do trabalho
Ambiente físico Pressão temporal por produção
Ruído Hierarquia
índice de iluminância Ritmo
Vibração Atribuições de funções e cargos
Temperatura Natureza da tarefa
Exposição a Gases / químicos Modus operande
Regras e normativos internos

Figura 03. Fatores que influenciam o processo de trabalho.

TAREFA E ATIVIDADE
Quando falamos: tenho de realizar uma tarefa ou tenho de fazer uma atividade, algumas
vezes distinguimos como tarefa como algo obrigatório e atividade não obrigatório, mas
na maioria dos casos tratamos as duas como sinônimos. Para a ergonomia são coisas
completamente distintas, diferentes. A tarefa é o paraíso, o ideal de produção, a
atividade a marca pessoal de como o trabalhador executa a sua tarefa, e é na distância
que existe entre esses dois pontos que se dá o processo real de trabalho.

TAREFA
A tarefa é entendida como conjunto de prescrições, normas e regras. Ela define e
estabelece aquilo que o trabalhador deve fazer para produzir bens e serviços sob
determinadas normas de qualidade/quantidade, valendo-se de equipamento e
ferramentas específicas. Deve-se ressaltar que a tarefa em si não é o trabalho; ela é o
constrangimento a que o trabalhador é submetido para exercer sua atividade; enfim, é
o quadro preestabelecido para que o trabalhador faça a sua atividade; ela autoriza a
atividade e impõe os objetivos que o trabalhador deve alcançar.
Fazem parte da tarefa TODOS os materiais e instrumentos disponibilizados pela
empresa para que o trabalhador execute seu trabalho. A organização dos horários de
trabalho, da jornada, dos repousos também está prevista na tarefa.

24
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
O universo da tarefa compreende:
» as características dos dispositivos técnicos;
» as características do produto a transformar ou do serviço a
prestar;
» os elementos a considerar para atingir os objetivos.

Compondo o universo da tarefa, temos:


» A dimensão espacial do trabalho a infraestrutura oferecida, o tipo de
arquitetura (pé direito, distância entre corredor, disposição dos
banheiros, tamanho das salas, espaço mínimo disponibilizado para cada
trabalhador, número de pontos de luz, água).
Para se ter uma visão maior sobre a importância da dimensão
espacial no processo produtivo, nos ambientes hospitalares de
regulação direta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, são
estabelecidas medidas mínimas para a execução das atividades de
assistência à saúde – RDC no 55/2002 Veja:
<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>.
» Os postos de trabalho cadeiras, mesas, balcão, “baias” etc.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT possui várias
normas que regulam os aspectos construtivos dos mobiliários de
escritório com vistas a atender critérios “ergonômicos”. Podemos
destacar como exemplo a NBR 13962:2006.
A NBR 13962:2006 especifica as características físicas e dimensionais
e classifica as cadeiras para escritório, bem como estabelece os
métodos para a determinação da estabilidade, resistência e
durabilidade de cadeiras de escritório, de qualquer material,
excluindo-se longarina e poltronas de auditório e cinema.
Os padrões adotados pela norma baseiam-se em um uso de 8 horas
ao dia, por pessoas com peso até 110kg e com altura entre 1,51m e
1,92m.
Cadeira giratória operacional
A norma define cadeira operacional como aquela que tem as
características listadas a seguir:
» regulagem de altura do assento;
» regulagem do apoio lombar;

25
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

» base giratória;
» base com, pelo menos, cinco pontos de apoio, provida ou
não de rodízios;
» conformação da superfície do assento um pouco acentuada
e borda frontal arredondada.

Para estar de acordo com a Norma, uma cadeira operacional deve atender às seguintes
medidas:

NORMA ABNT NBR 13962:2006

Código Nome de Variável Valor Valor máximo


mínimo
a Altura da superfície do assento (intervalo de 420 500
regulagem)1), 4), 6)
a1 Largura do assento 400 ––

a2 Profundidade da superfície do assento 380 ––

Profundidade do assento:

Para cadeiras sem regulagem dessa variável 380 440


a3
Para cadeiras com regulagem dessa variável (faixa 50 ––
de regulagem), os valores devem incorporar 400 e
420, podendo ultrapassá-los
a4 Distância entre a borda do assento e o eixo de 270 ––
rotação
Ângulo de inclinação do assento:

a Para cadeiras sem regulagem dessa variável 0º – 7º


Para cadeiras com regulagem dessa variável2) – 2º – 7º

b Extensão vertical do encosto 240 ––

b1 Altura do ponto X do encosto (intervalo de 170 220


regulagem)1), 3), 4)
b2 Altura da borda superior do encosto4) 360 ––

b3 Largura do encosto 305 ––

b4 Raio de curvatura do encosto 400 ––

y Faixa de regulagem de inclinação do encosto 15º ––

e Altura do apoia-braço2), 4) 200 250

e1 Distância interna entre os apoia-braço5) 460 ––

26
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

e2 Recuo do apoia-braço 100 ––

e3 Comprimento do apoia-braço 200 ––

e4 Largura do apoia-braço 40 ––

Projeção da pata:

l Para cadeira com rodízios –– 415


Para cadeiras com sapatas –– 365

n Número de pontos de apoio da base 5 ––


1)
A altura da superfície do assento e a altura do ponto X do encosto devem ser reguláveis.
Os intervalos de regulagem podem ser excedidos, desde que os valores mínimo e máximo prescritos estejam incluídos
na faixa de regulagem.
2)
Caso sejam adotados dispositivos de regulagem, estes devem incorporar as dimensões mínima e máxima
apresentadas, podendo, no entanto, ultrapassá-las.
3)
A regulagem de altura do ponto X do encosto pode ser obtida pelo deslocamento de todo o encosto ou apenas da
porção dele que proporciona o apoio lombar.
4)
As dimensões indicadas devem ser medidas utilizando-se o gabarito de carga sobre o assento.
5)
Caso sejam adotados dispositivos de regulagem, a faixa de regulagem deve cobrir uma extensão de, pelo menos,
60mm.
6)
As medidas mínima e máxima de dimensão “a” são relativas a planos de trabalho que variam entre 680mm a 780mm.

» A jornada de trabalho, o horário de início e término da jornada de trabalho, os dias de


trabalho na semana, o repouso semanal, as férias.
» As regras de produção.
› Nesse caso, temos a evolução da tarefa, pois estamos migrando, devagar, mas de
forma constante, de uma organização científica do trabalho – OCT (taylorismo)
para uma ação mais fluida e flexível. E essa evolução só está sendo possível pela
alteração do modo de produção, inserido nos processos de trabalho, autômatos,
ampliando a variabilidade do processo de trabalho, em função da não estabilidade
dos sistemas de produção.

Tabela 02 – Variabilidade da produção.

Variabilidade normal Variabilidade incidental

Variações sazonais no volume de Variações instantâneas da demanda em


produção natureza e volume
Variações periódicas decorrentes da Incidentes que ocorrem em um
natureza da produção dispositivo técnico
Variações imprevisíveis do material sobre
Diversidade dos modelos de produção
o qual se trabalha

27
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Variações das matérias-primas Variações do ambiente

DIVISÃO DO TRABALHO

ANÁLISE METÓDICA ESPECIALIZAÇÃO

O.C.T.

PRECISÃO E TÉCNICA TAREFA E PRÊMIO

CONTROLE E EXECUÇÃO

Figura 04 – Organização científica do trabalho – Taylorismo.

ATIVIDADE

O conceito de atividade é o fio condutor da avaliação ergonômica e pode ser


compreendido sob diferentes dimensões:
» o que o trabalhador faz e suas decisões para atingir os objetivos definidos
na tarefa ou redefinidos de acordo com o ambiente REAL;
» o que o trabalhador usa de si para atingir os objetivos: fala, direção do
olhar, gestos, movimentos e deslocamentos, situando-se entre os
aspectos conscientes e inconscientes do funcionamento mental. “A
dimensão psíquica do trabalho, as relações de prazer e sofrimento
funcionam como moduladores do funcionamento orgânico e como um
dos aspectos do uso de si para as realizações” (ABRAHÃO, 2009);
» pela lógica mental do trabalhador para cumprir as metas com as condições
fornecidas.

28
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
As dimensões da atividade Os condicionantes da atividade

as formas de interação entre atividades quantidade e qualidade da produção


conhecimento do trabalho do outro grau de desgaste das ferramentas
As comunicações no trabalho índice de acidentes
Efeitos de curto e longo prazos
Condição de saúde do trabalhador
Evolução das competencias
Experiência
Vida social
Figura 05 – Atividade.

Assim, para se fazer uma análise da atividade, é fundamental compreender, em cada


processo de trabalho, as diferentes dimensões e como elas interagem, pois é a partir
dessa análise que será possível diminuir a distância entre a tarefa e a atividade, sendo
necessário responder às seguintes perguntas quando da análise da atividade:
» Quem?
» O quê?
» Por quê?
» Com quê?
» Como?
» Quando?
» Em quanto tempo?
» Onde?
» Com quem?

A atividade não é neutra, ela engaja e transforma aquele ou aquela que executa
(TEIGER, 1992).
O desempenho da atividade na situação de trabalho acarreta
transformações no indivíduo que podem refletir em diferentes
esferas de sua vida, na saúde, na relação com os outros e na
própria relação com o trabalho. Estas transformações se devem,
entre outros fatores, ao desgaste provocado pelo trabalho, assim
como às competências construídas a partir das experiências
adquiridas (ABRAHÃO, 2009).
Devemos considerar que a dinâmica própria do indivíduo no processo de trabalho
modifica as tarefas, mas estas também são modificadas por diversos fenômenos, tais
como a sua competência, a sua saúde, os meios de trabalho disponíveis e o próprio
desempenho do trabalhador em determinado espaço temporal.

29
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

A atividade não se reduz ao comportamento. O comportamento é a parte


observável, manifesta, da atividade. A atividade inclui o observável e o
inobservável: a atividade intelectual ou mental. A atividade gera o
comportamento.

DA TAREFA À ATIVIDADE
Da tarefa à atividade

Figura 06 – Relação tarefa à atividade.

População de trabalhadores

Ao estabelecermos o perfil sociodemográfico de uma população, é possível extrair as


estatísticas normais de cada variável de interesse (peso, altura, idade, formação
religiosa, indicação de valores, escolaridade, entre outros) que é fundamental para o
planejamento de políticas públicas e de normativos de construção de equipamentos,
mobiliários e equipamentos públicos (altura do pé direito mínimo, por exemplo). Tal
estudo pode ser restringido ao universo de uma empresa ou de uma seção.
O grande óbice dessa abordagem é a existência do chamado “trabalhador médio”, que,
indiretamente, promove a “seleção natural” dos aptos a determinados postos e funções
de trabalho, quando a lógica seria o trabalho ser condizente com todos os trabalhadores,
fazendo com que o processo de seleção abarcasse tão somente variáveis não
biométricas (escolaridade, experiência profissional, valores pessoais e sociais). Ainda

30
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
hoje é comum buscar o trabalhador adaptado ao posto de trabalho e não adaptar o
posto ao trabalhador.

Valem aqui algumas constatações empíricas. É comum encontrar


caixas de banco obesos? Não seria normal, pelo perfil da população
brasileira, encontrar um ou outro caixa de banco obeso? Existe uma
política de contratação dos bancos em que o primeiro processo de
seleção é: o trabalhador cabe no posto de trabalho? Se sim, pode
contratar; se não, é dispensável, independentemente de sua
experiência e know-how, pois sai mais caro adaptar o posto de
trabalho do que localizar outro trabalhador para o posto de trabalho.
Quase não existe profissional de pele escura trabalhando em
câmeras frigoríficas (frio). A proporção é muito inferior à da
população brasileira na mesma classe social onde este trabalhador é
recrutado. Alegam os empregadores que este profissional adoece
muito mais, não resistindo ao posto de trabalho por muito tempo.
Análise semelhante pode ser verificada em fornos industriais
(quente), em que quase não se vê trabalhadores de pele clara. A
proporção é muito inferior à da população brasileira na mesma classe
social onde este trabalhador é recrutado. A alegação é a mesma do
caso anterior.

E não basta ser selecionado para o processo/posto de trabalho, em que se avaliam


principalmente “os requisitos físicos” no momento da admissão, existindo, ainda, uma
seleção durante a permanência no trabalho, pois muitos não suportam os
constrangimentos e largam o emprego, adoecem ou se acidentam, podendo, em casos
extremos, ser objeto de assédio moral.

Novamente aqui devemos avaliar a variabilidade presente no processo de trabalho e no


ser humano que executa as tarefas, e, mesmo que a equipe seja homogênea, há
características que conferem variabilidade aos indivíduos, ao ambiente, aos insumos e,
consequentemente, ao produto.

31
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Variabilidade Variabilidade
interindividual intraindividual
Estratégias operatórias Ciclo Circadiano

Modos operatórios Alterações Hormonais

Resoluções de Problemas Fadiga

Aprendizagem Aprendizagem

Variações no curto prazo Variações devido a idade

“ Pré - Disposição” Leis do envelhecimento


biológico

Efeitos do meio

Figura 07 – Variabilidade inter e intraindividual.

Planejar as tarefas e os processos de trabalho que tenham como requisito a


padronização/ homogeneização dos passos, isto é, torná-los inflexíveis, em longo prazo,
acarretará problemas à empresa e ao trabalhador, inclusive prejuízos financeiros.

Variabilidade: O objetivo do estudo da variabilidade não é suprimi-la, mas


compreender como os trabalhadores enfrentam a diversidade e as variações
das situações, quais as consequências para a saúde e para a produção
(ABRAHÃO, 2009).

Outra variável que deve ser considerada na análise ergonômica é a denominada


confiabilidade humana, entendida como o produto de diferentes processos cognitivos
que são constrangidos pelo meio, válidos em determinado contexto, e apoiados por um
sistema de produção e tarefas. Não há relação entre aumentar a confiabilidade do
sistema com evitar a ocorrência de erros dos trabalhadores, uma vez que, não se pode
presumir um modo certo de agir sobre determinada tarefa ou sistema complexo, uma
vez que como vimos, os trabalhadores trazem em seu arcabouço as variáveis que
interferem neste processo – atividade. Abrahão (2009) indica que o erro deve ser

32
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
considerado como o insucesso de uma ação que é influenciada diretamente pelo
ambiente.
O erro, de forma geral, pode ocorrer em tarefas controladas, denominando-se engano,
ou em tarefas automatizadas (não quer dizer que sejam realizadas por autômatos),
denominando-se lapso.
Engano ocorre falha quando realizamos um processamento controlado. Ex.:
vemos uma diretriz para virar à direita e viramos à esquerda; vemos um endereço e
escolhemos a direção errada.
Lapso ocorre falha no processamento automatizado. Ex.: clicar em tecla diferente
do comando solicitado; errar a marcha quando dirigimos um carro.
Um conceito clássico, mas de aplicação falha e imprecisa ainda muito utilizado na
ergonomia, é o conceito de carga de trabalho, que aparece na literatura e em textos
técnicos como carga física, carga mental ou carga psíquica. Assim, a sua abordagem
moderna se dá apenas no campo simbólico e não como atributo de medida, pois como,
em função do já colocado neste estudo, poderíamos definir carga de trabalho leve ou
pesada? Ao se falar de carga de trabalho, temos a ideia de excesso de carga/sobrecarga
no processo de trabalho, seja de ordem fisiológica/física, seja de ordem mental.

33
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPITULO 3

ERGONOMIA ORGANIZACIONAL / ORGANIZAÇÃO DO


TRABALHO

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO:

Ao falarmos de organização do trabalho, não estamos falando de ordem, limpeza ou de


colocar as coisas em seus devidos lugares, e sim em que estrutura espacial da atividade
é realizada, em que base se deu a estruturação da tarefa, considerando as suas
condições de execução por instâncias exteriores aos trabalhadores.
Pois é sobre a organização do trabalho, que é um conjunto de processos que se permite
a realização de uma potencialidade – pode ser um serviço, ou a fabricação de um
produto. Sendo o resultado de um equilíbrio momentâneo, reconstruído de forma
cotidiana, entre diferentes grupos sociais.
Devemos considerar a organização do trabalho como a adição da hierarquia, a divisão
das tarefas, as “rotas da comunicação interna”, o horário de funcionamento, os ritmos
e cadências exigidas, combinados com a lógica da organização na sua “linha de
produção” ou “células de produção” em um determinado arranjo físico, os critérios de
qualidade e de produtividade exigidos pela empresa na realização das tarefas.
A escola mais difundida ainda hoje de organização do trabalho é a OCT (taylorismo)
(Tabela 2), em que se pressupõe a linearidade, o controle absoluto de todas as variáveis,
o estabelecimento de regras rígidas, e o estabelecimento de ordenamento como
variáveis estanques. O nível de constrangimentos pode ser tão restritivo que os
trabalhadores chegam a ser impedidos de fazer, de se movimentar, até de serem eles
mesmos.
Mas tal abordagem está ultrapassada, pois os processos não são plenamente lineares
(deve-se pensar nas contingências e na forma de evitar a interrupção do processo de
produção); não compensa, economicamente, controlar e monitorar todas as variáveis
(lógica da curva ABC em engenharia); deve-se priorizar em que nível e em quais
aspectos da administração da empresa as regras devem ser rígidas e em quais se
permitirá flexibilização do processo decisório, e o ordenamento deverá atender a certos
requisitos em função das características do produto ou serviço a ser efetivado.

34
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
Em uma de minhas inspeções, identifiquei uma grande empresa, com
grande credibilidade no mercado em que atua, e, apesar da
liberdade de atuação que dava a seus funcionários fim, mantinha um
serviço próprio de telemarketing/ teleatendimento, em que as
trabalhadoras (não existiam homens) tinham, em cada “baia”, um
balão de determinada cor. Eram aproximadamente 24. E na mesa do
supervisor existiam mais três conjuntos de balões com cores
diferentes, com dois conjuntos com número bem inferior ao número
de “baias” existentes. Ao fazermos a investigação, descobrimos que
cada cor tinha uma lógica: balão vermelho era destinado à
autorização para ir ao banheiro. Havia 3 balões e somente este
número estava autorizado a se valer do uso do banheiro, e, quando
a trabalhadora voltava, o balão não poderia ser retirado por outra
trabalhadora por determinado período de tempo (havia carência).
Havia 6 balões para liberar para o lanche e pausa de descanso na
mesma lógica do vermelho, e 24 balões da cor branca que indicavam
quem estava gastando mais tempo que o recomendado para o
atendimento aos clientes (constrangimento moral). Esta empresa
possuía CIPA, SESMT completo e se permitia uma organização de
trabalho absurda, em que se podava o direito de ser da própria
trabalhadora.
Ademais, deve-se considerar que sempre houve uma organização do trabalho prescrita
(estabelecida) e a outra real. Na real, além das variabilidades intraindividuais, devem-
se considerar as regras não escritas entre os trabalhadores presentes na organização
de trabalho e a sua hierarquia efetiva.
Numa lógica ergonômica a abordagem da organização do trabalho é baseada em uma
visão prática dos sistemas de produção e não de uma abordagem puramente teórica,
pois nas organizações teóricas a organização do trabalho não permite o progresso do
sistema organizacional e na maioria das empresas, há uma confusão entre ferramentas
destinadas a prever pelo cálculo um primeiro dimensionamento dos meios de trabalho
e a utilização dessas ferramentas para controlar o trabalho real.

A organização do trabalho, do ponto de vista da ergonomia, pode ser dividida em


três objetivos:

35
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

 Determinar/definir e particionar as funções laborais, as tarefas necessárias e os


postos de trabalho essenciais para a obtenção de uma determinada produção –
seja serviço ou produto;
 Determinar/definir, e implantar os insumos e a infraestrutura – layout de
trabalho, equipamentos e maquinários a disposição dos trabalhadores, e a forma
de oferecimento aos trabalhadores dos insumos necessários a produção; além
dos aspectos humanos: recrutamento e seleção de pessoal, formação acadêmica
e profissional, treinamento continuo da força de trabalho, alocação dos
trabalhadores e sistema de promoção do pessoal;
 Garantir o desenvolvimento e a supervisão das atividades inerentes ao processo
produtivo de trabalho: planejamento das ações, a própria ação, coordenação das
ações (tarefa e atividade), sua regulação interna, frente aos ditames legais
vigentes, e de forma imprescindível a avaliação do processo de trabalho para o
alcance dos objetivos estabelecidos.

Para alcançar tais objetivos, deve-se relacionar os diferentes planos de uma


organização:

 Plano estratégico: Neste plano são definidos a missão e a visão da


empresa, sua estrutura orgânica – hierarquia e níveis de tomada de decisão;
os investimentos necessários; as normas e políticas de produção e de
comercialização;
 Plano gerencial: Neste plano, tendo como norteador o plano estratégico,
são estabelecidas as metas de produção, sempre que possível, por meio de
estudos e pesquisas de mercado, pelo desenvolvimento de outros mercados,
assim como métodos de apuração de clima organizacional dentro da
empresa. Este plano pode ser definido como a operacionalização da
produção;
 Plano operacional: é o que se denomina “chão de fábrica”, pois é neste
plano que se realiza efetivamente a produção ou serviço. É neste plano que
se estabelece os postos de trabalho, as competências necessárias e por
consequência a escolha dos trabalhadores.

36
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
Mas a organização do trabalho, apresenta pela lógica da ergonomia, um conjunto de
conflitos, que prejudicam sobremaneira o processo produtivo. Que de forma geral
podemos dividi-los em quatro categorias:
 Problemas de coletivo;
 Problemas de conflito;
 Problemas de autoridade;
 Problemas de poder.

Os problemas de coletivo, tem um grande dimensionamento que é a gestão das relações


humanas no trabalho, que se limitam a escala normativa da empresa, e podem ser
subdividas em:
 Os problemas estruturais de relacionamento:
o Consiste em definir as funções em cada posto de trabalho e as ligações
funcionais com os demais postos de trabalho da empresa, deixando bem
claro onde aquele posto de trabalho se encaixa no processo produtivo,
isto é, deve deixar transparente e de forma mais clara possível as
seguintes perguntas: Quem faz o que? e Com quem se faz, com quem
interage? O não estabelecimento de tal ação permite que se instale no
íntimo dos trabalhadores alguns sentimentos, todos negativos: Por que
eu sou tão exigido e fulano não? Estou sobrecarregado e na hora da
promoção sou preterido pelo colega que não trabalha? Ninguém dá valor
ao que eu faço.
o O organograma da pessoa jurídica não reflete, não se coaduna com a
realidade das linhas de comunicação existente. Tal situação, muito
comum no serviço público brasileiro, transforma a hierarquia do posto de
trabalho, apenas em peça de ficção, pois o poder emana de quem se
aproxima do superior e não da chefia imediata necessariamente. A
hierarquia se perde, e com ela todo o processo produtivo eficiente.
o E o estabelecimento das relações de direito em confronto com as relações
de fato, isto é, nem sempre o detentor de um posto de trabalho com
poder, detém este poder, sendo apenas figurativo, mas que legalmente
assume todo o ônus civil e criminal pelos atos praticados sob sua
responsabilidade. E tal situação frente aos demais postos de trabalho de
hierarquia inferior, passa a mensagem que o superior hierárquico é

37
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

dispensável – quebrando-se a cadeia de responsabilidade e controle e


por conseguinte perda de um processo de trabalho eficiente.
 Engajamento dos trabalhadores no processo produtivo:
o O grau de engajamento das pessoas no trabalho, implica em dificuldade
de administrar o coletivo, pois para cada individuo o trabalho se
apresenta com um significado diverso, sendo difícil conciliar a realização
pessoal e o alcance dos objetivos da produção. Pois dentro de uma
mesma organização teremos, em função de toda história de vida de cada
trabalhador: o trabalhador que se sente grato a empresa por permitir a
sua subsistência trabalhando para ela; temos o trabalhador que se sente
realizado tanto profissionalmente como pessoalmente pelo trabalho
realizado; temos o trabalhador que está ali para pegar experiência e na
primeira oportunidade de evolução, mudança sai da empresa – não
havendo compromisso com o processo de trabalho em si, somente com
o crescimento pessoal; e temos o trabalhador que só está ali por que não
arranjou outra coisa e odeia seu processo de trabalho – quanto menos
serviço e responsabilidade melhor.
 Neste escopo, a empresa deve desprezar os dois extremos, para
fins de sustentabilidade do processo produtivo, pois aquele
trabalhador que se sente grato, nunca assumirá risco, para não
colocar em risco a sua sobrevivência, com uma possível demissão
– é o faz tudo no “seu quadrado”. E o que odeia a empresa, pois
nada que a empresa faça será passível de alteração de seu estado
psicológico com relação ao processo produtivo que está
exercendo.
 E deve valorizar os outros dois perfis, o primeiro impondo desafios
e o segundo oferecendo sempre novas experiencias, que podem
fazer o mesmo se sentir realizado na organização ao qual está
inserido.
 O conjunto de pessoas com engajamentos distintos faz com que
a estruturação da relação de trabalho – quem faz o que e com
quem seja fundamental, para se poder avaliar melhor o próprio
processo produtivo.

38
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

Tabela. 03. Engajamento no trabalho:

SIGNIFICADO DO NATUREZA DAS


ENGAJAMENTO
TRABALHO RELAÇÕES PESSOAIS
São pouco significativas,
Meio de realizar-se superficiais e o
ISOLAMENTO
pessoalmente/individualmente trabalhador faz de tudo
para evitar um conflito.
São poucos
significativas, mas
intensas com
determinados colegas e
SEPARATISMO Meio de crescimento social
faz questão da cultura da
diferença para mostrar o
seu diferencial e sua
força.
São significativas e muito
intensas com os seus
iguais. Evita geral
Meio de realizar-se conflito e mostrar suas
FUSÃO
coletivamente fraquezas, privilegia a
homogeneidade para
todos serem nivelados –
se possível no seu nível.
Significativas e muito
intensas com o grupo
Meio para a realização de como um todo, busca o
NEGOCIAÇÃO
objetivos pessoais e coletivos consenso e a tomada de
decisão de forma
conjunta.

 Comunicação:
o E o acesso as informações gerenciais, influencia sobremaneira nas
relações entre os membros do coletivo e pode ser caracterizada segundo
três critérios:
 O número de comunicações – como ocorre a comunicação entre
os planos hierárquicos? Chega a todo mundo de forma
homogênea? Ou é o império do “rádio corredor”?;
 A intensidade das trocas - as comunicações são criveis, e
representam a realidade ao qual está inserido a empresa em
determinado momento? Permite que haja um retorno do
sentimento com relação as comunicações efetivadas (feedback)?

39
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

 A consideração das contradições entre os indivíduos - sempre


temos de ter em mente que uma roda de quatro pessoas, é
possível que haja cinco opiniões diferentes, assim os entusiastas
das informações e os pessimistas ou antagônicos devem sempre
ocupar os extremos do desvio padrão da distribuição da
comunicação efetivada e a empresa deve ter consciência de que
sempre haverá constrangimentos em parcela dos trabalhadores,
qualquer que seja o objetivo da comunicação.
 Experiência:
o Os problemas do coletivo, é fruto da experiência que cada um dos
trabalhadores vivenciou, permitindo a criação de grupos até certo ponto
antagônicos
 Pessoas pouco integradas ou excluídas, tendem ao isolamento, a
manter suas opiniões para si, cumprem o seu papel e tão somente
ele, pois não vê perspectivas de ingressarem de forma efetiva no
coletivo existente do processo produtivo da organização – ações
de integração ou até mudança de área são bem-vindas para
recuperar as potencialidades daqueles trabalhadores.
 Pessoas com grande mobilidade profissional, tendem ao
isolamento, mas por medo de se envolver em demasia no
processo produtivo, com a criação de laços emocionais com os
integrantes do coletivo. O trabalhador neste caso, tem enorme
potencial, ele só não quer se envolver. Tal situação é mais
complexa pois exige uma avaliação pormenorizada de seu
histórico ocupacional, para identificar se é um caso perdido para
a empresa (não vale apena investir, pois na primeira
oportunidade sairá), ou que ainda há uma chance, bastando
oferecer desafios para o mesmo.
 Pessoas pouco qualificadas, tem a tendência de atuar em
“bando”, isto é, tem pavor de assumir responsabilidades/tarefas
individuais, pois tem medo de deixar a mostra toda a sua
inadequação ao posto de trabalho. Estes trabalhadores tendem a
se unir/fundir a outros trabalhadores como um corpo só – só que
neste caso a empresa paga para o dois fazerem o serviço de um

40
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
(qualquer semelhança com o serviço público em geral é mera
coincidência)
 Pessoas altamente qualificadas, por sua vez, faz com que a
empresa deva abrir um canal de comunicação específico, isto é,
devem estar preparadas para uma lógica de negociação, onde a
remuneração não será o único tema de acordo, incluindo o
ambiente e as condições laborativas e os benefícios indiretos. Tal
procedimento deve ficar muito claro e transparente, pois se estes
profissionais altamente qualificados compartilhar postos de
trabalhos de “trabalhadores comuns”, pode criar sérios conflitos
entre estes e os altamente qualificados.

Os problemas de conflito, por sua vez, dizem respeito a características individuais, aos
dogmas e crenças pessoais dos trabalhadores, e podemos subdividi-los em:

 Conflitos intraindividuais:
o Os conflitos intraindividuais no trabalho envolvem os problemas
individuais do trabalhador de subvalorizarão em relação aos colegas ou
grupos dentro da organização. Para encará-los algumas ações são
preconizadas:
 Atribuir títulos valorizantes ao trabalhador, para que amplie sua
autoestima e nãos e sinta executando uma função de baixa
importância para organização;
 Estabelecer ou criar postos de trabalho, onde se preveem uma
grande variedade de funções, com o enriquecimento do número
de tarefas distintas e uma polivalência de cargos – posso citar o
exemplo do operador de supermercado nível I. Antigamente, era
comum que nos supermercados e contrata-se trabalhadores para
determinadas funções: caixa, repositor de estoque, controlador de
perdas, etc... Com isso os postos de trabalho eram estanques, não
permitindo uma grande variabilidade de tarefas a serem
executadas pelo trabalhador. Com a criação do operador de
supermercado nível I, englobando todas estas funções, permitiu-
se uma rotatividade dos trabalhadores e um melhor
aproveitamento do mesmo com mitigação dos conflitos

41
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

intraindividuais, pois sempre haverá de exercer outra função neste


posto de trabalho (cargo) – mas como tudo tem dois lados, o
problema desta política, é a disseminação dos riscos ambientais,
que antes exclusivo de uma única função, passa a fazer parte das
demais, aumentando a complexidade da gestão dos riscos na
empresa.
 Ter um plano de carreira para os empregados, pois oferece ao
trabalhador sua perspectiva de crescimento, podendo mudar o
quadro de subvalorização que ele se encontra, e que quando
adicionado a um regimento interno, bem elaborado permite a
conjunção do futuro profissional com o caminho que deve ser
trilhado respeitado, inclusive com a garantia, para a empresa, de
e demissão por justa causa, com menor demanda trabalhista.
 Estabelecer uma delimitação precisa de papéis, aqui se confunde
com as condições de trabalho, pois determinar o que deve ser
feito, evita a comparação e entre trabalhadores de diferentes
postos de trabalho, reduzindo a comparação apenas aos mesmos
ocupantes do mesmo posto de trabalho.

 Os conflitos interindividuais no trabalho, são relacionados com o status da pessoa


ou ao domínio do conhecimento.
o O conflito relacionado com o status da pessoa, gera conflitos com os
colegas de trabalho, com os superiores e com os subordinados, devido a
uma visão de mundo específica que o trabalhador quer que seja
reconhecida como a correta, no meio do ambiente coletivo. Tentativa de
imposição de ideologia (esquerda ou direita) e de religião são as mais
comuns. Aqui a palavra que deve ser sempre “conjugada” é RESPEITO
COM O PRÓXIMO.
o O conflito relativo ao domínio do conhecimento, tem relação com o
enfrentamento de questões técnicas, onde normalmente entra em
choque o conhecimento teórico e o conhecimento prático – posso citar o
exemplo do conflito silencioso entre o engenheiro recém-formado e o
mestre de obras, e geralmente tal conflito se transforma em um conflito
interpessoal.

42
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
Para promover a mitigação e o bem enfrentamento deste conflito, podemos:
 Colocar os indivíduos em situações nas quais a cooperação entre eles seja
indispensável para alcançar os objetivos;
 Criar meios e oportunidades de comunicação na equipe/empresa;
 Intervir como consultor na comunicação;
 E, Ajudar na reestruturação dos serviços e funções.

 Os conflitos intergrupos no trabalho, dizem respeito a comportamento de um


grupo de pessoas com afinidades contra outro grupo de pessoas com afinidades
diversas. A sua caracterização, pode ser estabelecida a partir de três critérios:

o Processos de generalização: os trabalhadores realizam a generalizações


negativas para os outros grupos, a partir da constatação de um erro de
apenas um membro deste outro grupo;
o Obliquidades na informação: um comportamento positivo é estendido ao
conjunto do grupo. Em compensação, para os comportamentos
negativos, o recurso a essas normas explicativas se delimita ao indivíduo.
Um exemplo prático, se solução de conflito intergrupo foi estabelecido por uma
montadora de automóveis, que ao analisar os altos índices de acidentes, verificou-se
que o mesmo estava relacionado a time de preferência de cada funcionário. E que após
jogos entre estes times, faziam com que o nível de brincadeiras entre os torcedores do
time vencedor contra o dos trabalhadores torcedores do time perdedor, provocassem
incidentes e acidentes na linha de montagem. Bastou reorganizar os grupos e alterar os
horários dos turnos para que estes grupos nãos e encontrassem para que o nível de
incidentes ou acidentes fosse reduzido a média histórica da empresa. ERGONOMIA
ORGANIZACIONAL PURA.
Mas diferentemente dos demais conflitos, o conflito intergrupo, pode gerar aumento de
produtividade ou rentabilidade da empresa, podendo até certo ponto ser gerenciado pela
mesma. Pois há conflitos que os dois grupos são ganhadores (GG), onde os dois lados
do conflito procuram uma solução para determinado problema, agradando ambas as
partes – teoria de Pareto.
O conflito ganha-ganha, considera a resolução de conflitos como uma oportunidade para
chegar a um resultado mutuamente benéfico, e inclui a identificação das preocupações
de cada lado a fim de encontrar uma alternativa que atenda às preocupações de todos.

43
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Mas o conflito ganha-ganha, somente é possível quando se encontra numa estrutura


funcional colaborativa, quando o problema a ser enfrentado é multidisciplinar e multi-
setorial, e que um dos grupos não quer assumir a responsabilidade sozinhos da solução
ou encaminhamento do problema.
No conflito ganha-ganha, normalmente se obtém uma solução real para o problema
colocado, reforça a confiança e o respeito entre os grupos, a responsabilidade é
compartilhada em seus ônus e bônus.
Pode ser que os dois grupos sejam perdedores, quando um grupo sabota o outro,
negando informações, ou ferramental para a execução do trabalho, ou pior ainda quando
estes grupos pertencem a setores diferentes da empresa, e que a sabotagem afeta
diretamente a sustentabilidade da empresa, e o grupo “vencedor” do conflito sofre as
consequências de sua própria ação.
Mas o caso mais frequente, na maioria das atividades econômicas, é o de uma relação
Ganha e Perde, onde um perde e o outro ganha (GP). – Exemplo: competição entre
grupos de vendedores, valorizando o grupo que bater a meta de venda com benefícios
pecuniários ou indiretos. Tal ação pode propiciar um conflito sadio, onde os grupos vãos
e esforçar para aumentar as vendas e serem valorizados, mas necessariamente haverá
um perdedor.

Os problemas de autoridade, está relacionado com o exercício da própria autoridade, do


exercício do poder:

Poder: é a capacidade de obrigar alguém a fazer alguma coisa que, normalmente, não
seria feito se não houvesse esta obrigação;
Autoridade: é o poder reconhecido como legítimo pela lei, costume, respeito ou
consenso.

A autoridade pode ser legitimada, de três formas diferentes:


 A legitimação carismática: o subordinado se identifica com o mestre e aceita uma
espécie de dependência afetiva – num ambiente mais macro, podemos tomar
como exemplo o ex-presidente Lula e Getúlio Vargas;
 A legitimação tradicional: resulta de normas ou de rotinas, cujo caráter inviolável
resulta da tradição – numa sociedade mais tradicionalista e antiga, era autoridade
conferida aos mais velhos, pela experiência adquirida. Ser uma “autoridade” num

44
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
determinado assunto, isto é a sociedade chancela o conhecimento daquela
pessoa frente a determinada temática.
 A legitimação legal: quando a devoção e a crença não servem mais de suporte a
autoridade, a legitimação pode se apoiar em regras racionalmente estabelecidas
– no caso de servidores públicos publicação da assunção do cargo em Diário
Oficial, e no caso de empresas privadas a contratação para determinado cargo.
Mas temos que a autoridade não se confunde com liderança, pois a autoridade pode ser
exercida de diversas formas de liderança.
A literatura separa em cinco tipos diferentes de liderança, cada qual com estilos
diferentes: diretivo; negociador; consultivo; participativo e delegador. Não havendo uma
liderança melhor que a outra, tudo dependerá nos lócus ocupacional/laboral que se
encontra a liderança. Senão vejamos:

Tabela 04. Características das lideranças

No plano estratégico, o gerente para ser considerado competente deve cultivar a


seguinte postura:
 Fazer com que seus subordinados sejam muito atentos aos objetivos fixados
pela organização, realizando as atividades o mais próximo da tarefa, mas
resguardando as idiossincrasias pessoais de cada trabalhador;
 Ser didático junto aos seus subordinados, para que os mesmos compreendam
bem esses objetivos;

45
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

 Acreditar em seu potencial, mantendo a coerência de seus atos e confiando


em seus subordinados para permitir alcançar esses objetivos;
 Promover o comprometimento individual do trabalhador frente aos objetivos
e a solidariedade dentro do grupo de seus subordinados.

Um dos processos que influenciam e determinam o nível de autoridade e de poder em


uma organização, é o seu organograma funcional, e ele pode ser institucionalizado das
seguintes formas:
 Que representa a estrutura oficial que reflete as relações de direito na
organização – são os organogramas muito comuns nos órgãos públicos;
 Que representa a percepção que as pessoas têm da estrutura organizacional, da
empresa;
 Que representa a estrutura real das relações interpessoais e intrapessoais e
intergrupos dentro da organização;
 Organograma ótimo: estrutura que deveria permitir o alcance de todos os
objetivos da organização.

Evolução das formas de Organização do Trabalho:


Podemos identificar até os dias de hoje, cinco grandes escolas da administração que
trata da organização do trabalho, são elas:
 Taylorismo e Fordismo;
 Escola das Relações Humanas;
 Abordagem Sistêmica;
 Corrente Sócio Técnica;
 Abordagem Contingencial.

TAYLORISMO E FORDISMO.

Organização do trabalho do binômio: Taylor & Ford do Trabalho, que trabalha com
as seguintes premissas:
 Sempre existe uma maneira otimizada de realizar uma tarefa e deve- se obtê-
la, ao se examinar a realidade do trabalho, separando o planejamento da
própria execução do trabalho;

46
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
 Faz-se a seleção dos melhores operários para execução de cada tarefa,
conforme estabelecido no planejamento científico da tarefa, promovendo na
sequência o treinamento e o desenvolvimento do trabalhador;
 Que o único interesse do trabalhador é maximizar seus ganhos monetários,
assim deve se implantar remunerações variáveis – produtividade, para
somente remunerar a mais aquele que mais produz, independentemente de
suas condições orgânicas e psicológicas;
 O trabalhador deve ficar alheio a sua importância no processo produtivo,
evitando-se, portanto, a formação de grupos de trabalho.
Princípios da Organização Taylorista do Trabalho: A organização/empresa é um sistema
fechado, determinístico, podendo-se separar o planejamento das ações/execuções.
Transforma o ser humano em mais um insumo, pois só interessa seus gestos e
movimentos – foi nivelado como uma máquina, e muitas vezes mais substituível que a
própria máquina.
Henry Ford amplia e aprofunda o trabalho de Taylor, por meio da implantação da linha
de montagem e a imobilização dos trabalhadores em seus postos de trabalho.
Assim a segmentação dos gestos do taylorismo concretiza-se na super segmentação das
tarefas, sendo número de postos de trabalho multiplicado, fazendo com que cada posto
de trabalho abrangendo o menor número de tarefas possíveis. O sistema torna as
organizações mecânicas e administrá-las significa apenas fixar metas e estabelecer
formas de atingi-las. Deve-se organizar tudo de forma racional, clara e eficiente, detalhar
todas as tarefas e, fundamentalmente promover o controle do processo produtivo.

ESCOLA DAS RELAÇÕES HUMANAS.

Esta teoria foi construída com base nas experiências de ELTON MAYO. A escola das
relações humanas deu ênfase ao homem e ao clima psicológico de trabalho, enfatizando
a necessidade do trabalhador pertencer a um grupo, considerando suas expectativas a
organização e liderança informais e a rede não convencional de comunicações. A grande
falha desta escola é que a mesma não confronta a organização taylorista, provocando
apenas ajustes marginais, com relação ao homem no processo produtivo. Noulin (1992),
salienta que estas mudanças se referem ao aumento de vantagens fisiológicas:
 melhorias das condições físicas do trabalho;
 aumento do número de pausas;
 direito de falar durante o trabalho;

47
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

 redução da jornada de trabalho;


 a hierarquia deve atuar como estimuladora do processo produtivo.

ABORDAGENS SISTÊMICAS.

É a avaliação da organização do trabalho, e de seu processo produtivo, uma abordagem


multidisciplinar, incluindo campos do conhecimento não físico, aproximando-se do
objetivo de uma unidade científica.
Num sistema aberto, tem-se que o comportamento dos trabalhadores no processo
produtivo é probabilístico e não-determinístico, que as organizações existentes são parte
de um sistema maior, que as mesmas se interconectam e se interdependem.
Abordagem sócio técnica das organizações
A organização é concebida como um sistema sócio técnico, estruturado em dois
subsistemas:
 Um subsistema social, que compreende: os trabalhadores com suas
características fisiológicas e psicológicas, nível de qualificação (formação e
experiência), as relações sociais dentro da organização e as condições
organizacionais do trabalho.
 Um subsistema técnico, que compreende: as tarefas a serem realizadas
e as condições técnicas para a sua realização, envolvendo o ambiente de
trabalho, as instalações, as máquinas, os equipamentos, as ferramentas e os
procedimentos e normas operacionais, inclusive as condicionantes temporais
para cada operação.
Para a implantação de uma organização baseado na abordagem sócio técnica deve-se
cumprir as seguintes etapas:
 Realização de um diagnóstico inicial da organização existente;
 identificação das unidades de operação/execução;
 diagnóstico do sistema social existente na organização - Inter corpus;
 diagnóstico do sistema técnico;
 especificação do sistema do cliente interno e externo;
 estabelecimento de indicadores de avaliação e a realização da própria avaliação;
 recomendações.
Abordagem contingencial.
Como na abordagem sistêmica, a organização é considerada um sistema aberto,
ocorrendo um complexo inter-relacionamento entre as variáveis (entre si e com o meio

48
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
ambiente) – tendo como parâmetro que as variáveis ambientais funcionam de forma
autônoma, enquanto as variáveis organizacionais são dependentes do ambiente.
Na teoria da contingência, há a rejeição completa aos conceitos organizacionais rígidos
e universais, devendo toda a ação ser adaptada aos diagnósticos executados e
analisados. A teoria pode ser aplicada em inúmeras situações da organização,
principalmente naquelas que possuem um forte componente comportamental.
Segundo esta teoria os fatores que definem a organização do trabalho são:
 Os procedimentos técnicos de produção;
 As características dos RHs disponíveis;
 Os grupos sociais existentes;
 As relações sociais existentes entre esses grupos e suas estratégias.
Neste início de século XXI, está-se exigindo cada vez mais do trabalhador, tornando-o
polivalente, compromissado com a organização empresarial, com qualificação técnica
atualizada em sua área de atuação, que favoreça a sua capacidade de diagnóstico, de
antecipação de riscos e decisão. Exige-se ainda a aquisição de competências no modo
de “saber ser”, “saber fazer” e “saber pensar”.

OCT ERGONOMIA DA ATIVIDADE


Padrões rigorosos de qualidade e
Padrões Rigorosos de execução e
produtividade, mas permitindo
pressão temporal
adequações pelo trabalhador.

Sistema de controle das tarefas Sistema de controle das tarefas


inflexível flexível com indicadores.

Tarefa adaptada as condições


Dores e tensões fisiológicas e biométricas do
trabalhador.

Trabalhador interage com o processo


Alienação do processo produtivo
produtivo.

Figura 08 – OCT X ergonomia da atividade.


Fonte: Abrahão 2009.

Lembramos, por oportuno, que uma organização do trabalho pode provocar nos
trabalhadores nela inseridos incapacidade de superar obstáculos do cotidiano,
“concretizados” por meio de doenças relacionadas ao trabalho, insatisfação e
frustração.

49
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Variabilidade inter e
Trabalhador médio
intraindividual

Produtos constantes Variabilidade do trabalho

Dependência entre tarefas e


Tarefas descritas por meio
processos de regulação
de ações decompostas em
desenvolvidos por
gestos
trabalhadores.

Figura 09 – Tipos de organização do trabalho.


Fonte: Abrahão 2009.

Fig. 10 Relação entre a organização de trabalho e a produção

A CONTRIBUIÇÃO DA ERGONOMIA.
A ergonomia pode contribuir na definição da organização do trabalho evidenciando os
seguintes aspectos:
 Na atuação dos problemas ambientais, tanto externos como do ambiente de
trabalho e de procedimentos técnicos que se usa no processo produtivo;
 Na atuação dos macroprocessos organizacionais – hierarquia/organograma,
determinação dos postos de trabalho;
 No estabelecimento do perfil de trabalhador desejado e na atuação dos
disponíveis, adequando-se o ambiente na capacidade do possível;
 Na avaliação e diagnóstico do sistema organizacional implantado – com suas
vantagens e constrangimentos;
 Permissão de uma evolução contínua do sistema organizacional implantado.
Na explicitação das determinantes do conjunto tarefa/atividade, indicando as
necessidades de flexibilidade da organização do trabalho, para encarar a variedade e a

50
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
variabilidade existente no processo produtivo, e no ambiente que cerca o mesmo, além
das disfunções do sistema de produção; nas necessidades de insumo, de manutenção
preventiva e ações de manutenção corretiva; no gerenciamento de material e da
documentação gerada pela organização.
A ergonomia ainda ajuda a determinar as necessidades em matéria de regulação
estrutural (atividades no conjunto do sistema de produção).

CONCLUSÃO
A ergonomia propõe algumas recomendações gerais, para a organização do trabalho:
 Os objetivos da Organização do Trabalho para cada posto de trabalho
existente;
 A Organização do Trabalho deve favorecer a antecipação das diversas
disfunções, existentes no processo produtivo, inclusive mitigando ou
eliminando possíveis riscos ambientais – físico, químico, biológico ou
mecânico;
 A Organização do Trabalho deve permitir um contínuo progresso das
estruturas organizacionais, assim como das competências e habilidades dos
diferentes trabalhadores;
 Enfim a Organização do Trabalho deve propiciar um ambiente saudável para
o ser humano.
Critérios utilizados pela ergonomia para avaliar as diferentes soluções organizacionais
propostas:
 Condicionantes temporais imediatas;
 Condicionantes dos horários de trabalho: escala cotidiana, semanal, mensal
e anual de rolamento das equipes;
 Efeitos sobre a alimentação, sono, transporte e vida social;
Condições organizacionais do trabalho sob atuação da ergonomia:
 Possibilidades de modificar a alocação de recursos (materiais e humanos), na
ocorrência de um problema;
 Possibilidades de encontrar esses recursos em caso de dificuldade;
 Condições de passagem de uma tarefa à outra, durante uma mesma jornada de
trabalho;
 Possibilidades de planificação de diferentes ações e as alterações prováveis da
planificação inicial;
 Condições que favoreçam ou dificultam a colaboração entre diferentes funções;

51
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

 Troca de informação entre os trabalhadores, no caso do trabalho em turnos que


se alternam de forma sucessiva;
 Estrutura de circulação da informação sobre as dificuldades encontradas e sobre
as modificações que são desejáveis;
 Disponibilidade dos trabalhadores para a qualificação continuada;
 Capacidade do sistema organizacional em evoluir.
 Pontos de inter-relação entre a ergonomia e a OT
Horários de trabalho:
 Efeito da duração do trabalho;
 Efeito dos rítmos biológicos;
 Efeitos nefastos do trabalho noturno;
 Mutiplicidade dos fatores que intervêm na escolha de um sistema de
horários (critérios fisiológicos e critérios de vida social);
 Problemas de comunicação entre equipes.
Polivalência:
 Ampliação do espaço de resolução de problemas;
 Caracter progressivo da aquisição da polivalência;
 Condições de aprendizagem;
 Necessidade do emprego regular das competências;
 Problemas ligados a uma polivalência teórica não exercida;
 Atenção a re-aprendizagem necessária.
Enriquecimento de tarefas:
 Horizontal: tarefas de mesma natureza num único posto;
 Vertical: tarefas diferentes num único posto;
 Interesse do enriquecimento;
 Risco do aumento de carga de trabalho;
 Risco de interiorizar conflitos existentes.
Qualificação profissional:
 Conhecimentos teóricos: conhecimento declarativo, do tipo saber.
Conhecimento explícito adquirido pelo texto;
 Conhecimentos práticos: conhecimento procedural, do tipo saber-fazer.
Conhecimento tácito adquirido pela descoberta.
As comunicações de trabalho:
 Compatibilidade entre os diferentes “modelos mentais”;
 Cada comunicação se inscreve no curso de ação de cada interlocutor;

52
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
 Disposição dos meios de comunicação: proximidade, visibilidade e acessibilidade;
 Concepção dos meios de comunicação.

53
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPÍTULO 4
ERGONOMIA FÍSICA

É a parte da Ergonomia que se dedica a estudar:


 as posturas de trabalho;
 a manipulação de objetos;
 Os movimentos repetitivos;
 Os problemas osteomusculares;
 O arranjo físico dos postos de trabalho, incluindo aí o layout;
 Na segurança e na saúde dos trabalhadores.
Para atender o campo de atuação da chamada ergonomia física, é imprescindível,
aprofundar no estudo das disciplinas que estudam o homem como ser mecânico, suas
medidas e suas características físicas. Assim devemos iniciar a abordagem pela
antropometria, pela biometria e pela biomecânica.

ANTROPOMETRIA, BIOMETRIA E BIOMECÂNICA

As medidas que compõem o corpo humano, assim como os seus movimentos são
abordados pelos conjuntos destas três disciplinas: antropometria, biometria e
biomecânica.
A antropometria é o estudo das medidas do corpo humano e das diversas proporções
de suas partes e o registro das particularidades físicas dos indivíduos da espécie humana
(medidas, impressões digitais etc.).
A antropometria pode ser estática, dinâmica ou funcional.
A antropometria estática diz respeito a proporcionalidade das medidas do corpo
humano, nas figuras 11 e 12, temos a proporcionalidade normal de um ser humano
entre os diversos componentes do seu corpo. Tais dados são fundamentais para
determinar a necessidade de uso de insumo para a produção de algum produto
que o trabalhador venha a usar ou vestir ou calçar. No exemplo abaixo temos que
o comprimento do braço representa 56,9% da altura, tal medida é fundamental
para determinar a profundidade de uma mesa de trabalho por exemplo, tornando-
a eficiente.

54
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

Figuras . 11 e 12. Proporcionalidade das medidas do corpo humano.

55
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

BIOMECÂNICA

A biomecânica apresenta-se como um dos subsídios da ergonomia e visa conhecer as


bases fisiológicas do trabalho e explicar os mecanismos do trabalho muscular.
Devemos ter ciência de que o corpo humano trabalha como um sistema de alavancas,
movido por contração muscular, mas com limitações e fragilidades. Esse sistema
transforma a energia química, fornecida pelos alimentos, em trabalho mecânico
9energia mecânica), para oferecer um trabalho dinâmico ou estático. É, nesse
movimento que o músculo consome oxigênio. O consumo varia segundo o grau de
contração dos músculos.
O movimento estático dos músculos não acarreta um aumento muito grande no
consumo de energia, mas impõe restrições a circulação sanguínea, pois o sistema de
alavanca está parado – deve-se ter em mente que as artérias possuem movimentos que
impulsionam o sangue, já as veias que transportam o sangue rico em gás carbônico e
outros excretas da célula não possuem este movimento independente, dependendo do
movimento muscular para devolver este sangue, para o sistema: pulmão/coração.
Assim o movimento estático limita a duração e intensidade do movimento. O sistema
circulatório depende de regulares movimentos de distensão e de contração para que o
sangue circule de forma adequada por todo o organismo.
Assim a biomecânica tendo como foco de estudo a fisiologia do trabalho, devemos
considerar que o ser humano como uma máquina, simplesmente a sua existência, isto
é, a manutenção do corpo humano sem a realização de nenhum trabalho, consome
energia, e este consumo de energia é denominada de metabolismo basal. A formula
para se calcular este gasto energético foi efetivada em 1919, e ainda é a mais popular
usada até hoje, para estabelecer parâmetros, inclusive de nutrição de trabalhadores, e
atletas.
Gasto energético: metabolismo basal
Equação de Harris-Benedict (1919):
HOMENS: TMB = 66,47 + (13,75 X P*) + (5,00 X A*) - (6,76 X I*)
MULHERES: TMB = 655,1 + (9,56 X P*) + ( 1,85 X A*) - (4,68 X I*)
* P = peso em kg/ *I = idade em anos/ *A = altura em cm

56
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
No trabalho dinâmico ou movimento dinâmico, isto é onde ocorre alterações temporais
entre contrações e relaxamentos4 pode ser dividido em:
» trabalho físico local: que provoca o movimento dinâmico de apenas alguns
grupos musculares – menos de 1/3 da massa muscular do organismo,
que não provoca um consumo elevado de oxigênio em relação à
capacidade máxima.
» trabalho físico geral: que provoca o movimento dinâmico de mais de 2/3 da
massa muscular.
O consumo excessivo de oxigênio, provocando deficiência das trocas gasosas no
pulmão, provoca a fadiga.

A FADIGA se manifesta por dores, tremores, dificuldades no ajuste dos


movimentos ou da força exercida no âmbito dos grupos musculares em atividade
intensa e por sintomas de sobrecarga no sistema cardiorrespiratório.

Um exemplo prático de uma análise biomecânica:


1. Um adulto jovem, com a mão, desenvolve uma força de tração que varia de 29 a
54kg, segundo o grau de extensão de seu antebraço em relação ao braço. O braço
esquerdo é 10% mais fraco que o braço direito se a pessoa é destra, e a força média
das mulheres é de aproximadamente três quintos da dos homens. A força máxima
reduz 10% entre os 25 e os 50 anos.” A força de uma pessoa com 70 anos é metade
de uma de 30 anos5.
Na figura 13, apresentamos um gráfico representando o trabalho fisiológico do músculo,
numa atividade de 5 minutos. Verificamos que o metabolismo anaeróbico dá o início do
trabalho muscular e logo na sequência entra o metabolismo aeróbico, que se mantem
em curva ascendente por mais 3 minutos após o encerramento da atividade física, só
ficando o metabolismo aeróbico em nível basal somente após 12 minutos do termino da
atividade de 5 minutos.

4 Bomba hidráulica.
5 LAVILLE, Antonie, 1977.

57
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Figura 13. (Brigder 2003), gráfico representando o trabalho fisiológico do músculo

E este consumo de oxigênio durante o trabalho permite individualizar a carga de


trabalho, em cada posto de trabalho. O equivalente energético do oxigênio possui um
valor médio de 4,825Kcal/l.
Em uma atividade física, quando se passa do estado de repouso para o estado de
trabalho, a adaptação cardiorrespiratória às novas necessidades realiza-se
progressivamente, fazendo com que o organismo contraia um déficit de oxigênio
correspondente à diferença entre as necessidades imediatas das massas musculares
ativas e o fornecimento de oxigênio. Tal déficit é tanto mais importante quanto as
alterações dos níveis de atividade que foram súbitas e importantes. Após a atividade,
ele se encontra em seu nível máximo, e, quando o trabalho cessa, o consumo de
oxigênio vai descendo progressivamente até o nível de repouso [...]. Desse modo, a
avaliação do consumo de oxigênio permite acompanhar a evolução do dispêndio durante
um trabalho, analisar esses dispêndios em relação a um nível de repouso (dispêndio
específico do trabalho) ou a capacidade máxima de desgaste de um indivíduo e prever
o aparecimento de um esgotamento. Também se tornou possível a avaliação dos
dispêndios médios das atividades profissionais e a avaliação do rendimento dessas
atividades6.

6 LAVILLE, Antonie, 1977.

58
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

Figura 13 – Efeito da repartição das pausas sobre a capacidade de trabalho (segundo KARRASCH, K.,
apud LEHMAN, G. Physiologie pratique du travail. Paris: Leis Editions d’Organisation. 1955.

Figura 14 – Variações da capacidade mental máxima em função da duração do trabalho (KALSBECK, J


W. H.).
.

59
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Figura 15 – Esquema de evolução do desempenho e das variáveis fisiológicas em função da quantidade de


informações a interpretar (WISNER, 1977).

Na tabela 04, apresentamos a capacidade de levantamento repetitivo de pesos para as


mulheres e homens para três alturas diferentes, conforme estudo feito por Martin e
Chaffin in Garc, 1980.

Tabela 04. Capacidade de levantamento de peso.

Distância a partir do em cm Capacidade de levantamento em Kg


Corpo Piso Mulheres Homens
(horizontal) (vertical) 50% 95% 50% 95%
30 23 11 51 45
30 90 19 7 44 39
150 11 5 47 29
30 9 2 24 9
60 90 6 1 28 15
150 5 0 21 11
30 0 0 5 0
90 1 0 0 10 1
150 0 0 7 0

60
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

O National Institute for Occupational Safety and Health ou NIOSHI (Instituto Nacional
de Segurança e Saúde Ocupacional), recomenda para levantamento de cargas a
seguinte equação:
PRL = 23 X (25/H) X (1-0,003/(v – 75)) X (0,82 + 4,5/D X (1 – 0,0032 X A) X F X C,
ONDE:
PRL = peso limite recomendável;
H = distância horizontal entre o indivíduo e a carga;
V = distância vertical na origem da carga (posição das mãos) em cm;
D = deslocamento vertical, entre a origem e o destino, em cm;
A = ângulo de assimetria, medido a partir do plano sagital;
F = frequência média de levantamentos em levantamentos/min;
C = qualidade da pega.

Tabela 05. Qualidade da pega © para a equação de NIOSH

Qualidade da pega Coeficiente da pega


V < 75 V > ou = 75
Boa 1,00 1,00
Média 0,95 1,00

61
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Ruim 0,90 0,90

Tabela 06. Valores de F para a equação de NIOSH – multiplicadores de frequência (F).

Frequência Duração do trabalho (h/dia)


Levantamentos/min < ou = 1h < ou = 2h < ou = 8h
V < 75 V >ou V < 75 V >ou V < 75 V >ou
cm = 75 cm cm = 75 cm cm = 75 cm
0,2 1,00 1,00 0,95 0,95 0,85 0,85
0,5 0,97 0,97 0,92 0,92 0,81 0,81
1 0,94 0,94 0,88 0,88 0,75 0,75
2 0,91 0,91 0,84 0,84 0,65 0,65
3 0,88 0,88 0,79 0,79 0,55 0,55
4 0,84 0,84 0,72 0,72 0,45 0,45
5 0,80 0,80 0,60 0,60 0,35 0,35
6 0,75 0,75 0,50 0,50 0,27 0,27
7 0,70 0,70 0,42 0,42 0,22 0,22
8 0,60 0,60 0,35 0,35 0,18 0,18
9 0,52 0,52 0,30 0,30 0,00 0,15
10 0,45 0,45 0,26 0,26 0,00 0,13
11 0,41 0,41 0,00 0,23 0,00 0,00
12 0,37 0,37 0,00 0,21 0,00 0,00
13 0,00 0,34 0,00 0,00 0,00 0,00
14 0,00 0,31 0,00 0,00 0,00 0,00
15 0,00 0,28 0,00 0,00 0,00 0,00
>15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

BIOMETRIA

A biometria, por sua vez, é a tecnologia, ou o conjunto de tecnologias, que permite


verificar e autenticar automaticamente a identidade de uma pessoa baseando-se em
características físicas e comportamentais que são únicas de cada indivíduo, como a
impressão digital, a face, a íris, a geometria das mãos, a voz, a assinatura (biometria
facial). Pode ser caracterizada como o ramo da biologia que estuda fenômenos
biológicos por meio de análises estatísticas.

A biometria é usada com frequência para aumentar a segurança de redes de


computadores, proteger transações financeiras, controlar o acesso a
instalações de segurança etc.
A antropometria e a biometria têm grande importância para as atividades econômicas e
no estabelecimento de políticas sociais, pois medições erradas promovem gasto com

62
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
insumos desnecessários ou o pagamento de benefícios fornecidos pelo Estado, ou ainda
segurança para sistemas privados que se exige identificação do usuário de forma
remota.
Como exemplo, podemos citar a indústria espacial, em que as peças são otimizadas para
cada tripulante para que sejam criadas condições melhores de espaço e peso de
transporte orbital. Na indústria automobilística, temos como exemplo a distância entre
o banco e o volante, que é determinada pela estatística média da população.
Assim, para tratar de forma adequada a antropometria/biometria, é necessário:
» definir a natureza das dimensões antropométricas exigidas em cada situação;
» realizar medições para gerar dados confiáveis; » aplicar adequadamente esses
dados.

Tabela 07 – Algumas diferenças entre gêneros.

Características

Altura Homem maior 0,6cm em média que a mulher

Peso Homem maior 0,2kg em média que a mulher

Idade de Cresce dos 13 aos 15 Cresce dos 11 aos 13


crescimento anos anos
Composição do Homem possui mais músculo e menos gordura em
corpo média que a mulher

Gordura Principalmente Barriga Localização diferenciada

Tabela 08 – Modificação das proporções corporais conforme a idade.

Idade Estatura/Cabeça Tronco/Braço


Recém-
3,8 1,00
nascido
2 anos 4,8 1,14

7 anos 6,0 1,25

Adulto 7,8 1,50

63
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Figura 16 – Evolução da estatura com a idade (em % da estatura máxima).

Uma máquina projetada para 90% dos americanos serve para 90% dos
alemães; 80% dos franceses; 65% dos italianos; 45% dos japoneses;
25% dos tailandeses e 10% dos vietnamitas (BRIGDER, 2003).

Figura 17 – Comparação entre medidas dos pés dos brasileiros e dos europeus.

De 1870 a 1970, os holandeses aumentaram a sua estatura média em 14cm.


De 1903 a 2003, os dinamarqueses aumentaram a sua estatura média em
13cm.
A menarca adiantou 2,3 anos e a menopausa atrasou 3 anos.

PRINCÍPIOS DE PRODUÇÃO DE OBJETOS.

A produção de qualquer item que vai ser manipulado pelo ser humano exige dimensão
pela média da população ou por seus extremos e, em caso de maior demanda do

64
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
produto, é possível a divisão por faixa etária da população, podendo o produto
apresentar dimensões reguláveis, implicando maior custo. Quanto maior a
padronização, menor o custo de produção.

Uma abordagem interessante sobre a evolução dos objetos e sua


adequação ao modo de uso é o livro: A evolução das coisas úteis,
de Henry Petroski, 306p, Editora Zahar, 2007.

Tabela 09 – Distribuição do peso do corpo.

Parte do Corpo % do peso


total

Cabeça 6a8

Tronco 40 a 46

Membros superiores 11 a 14

Membros inferiores 33 a 40

Tendo como base o trinômio: antropometria, biometria e biomecânica, os objetos são


manufaturados, seguindo de forma geral os seguintes princípios:
 Os projetos são dimensionados pela média da população;
 Os projetos são dimensionados para um dos extremos da população – nicho de
mercado;
 Os produtos são dimensionados para a faixa da população;
 Os projetos devem apresentar dimensões regulagens, mesmo que isto represente
aumento de custo;
 Os projetos são adaptados aos indivíduos.
Lembrando sempre que quanto maior a padronização menor o custo de produção.

65
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPÍTULO 5
ERGONOMIA COGNITIVA

A ergonomia cognitiva é a área da ergonomia contemporânea, que trata dos aspectos


mentais da interação homem com o processo produtivo onde está inserido, é a forma
como o trabalhador processa a TAREFA, transformando-a em ATIVIDADE, na SUA
ATIVIDADE – Cada ser é único, por conseguinte nenhuma tarefa por mais padronizada
que seja, se houver interação humana, haverá diferença, mesmo que sutis, na forma de
execução da atividade.
A ergonomia cognitiva, extrapola as variáveis genéticas e fenotípicas, que muito
determinaram a ergonomia física, por meio da antropometria e biomecânica,
principalmente, para a determinação do posto de trabalho ou de se limitar a análise
física/biológica dos movimentos, mas sim como se a mente processa o processo
produtivo, e gera os movimentos e as ações necessárias à sua execução.

Na doutrina espírita, tem uma expressão de Francisco Cândido Xavier que diz:
Pensamento é vida. Pois o pensamento, prepara a ação – a ação prepara ou realiza a
atividade – a atividade faz o produto/ou serviço – o produto ou serviço afeta a vida. A
forma como flui o pensamento e como este pensamento é construído determina as
idiossincrasias individuais de cada ação.

E é essa transformação da TAREFA em ATIVIDADE, devido ao processo cognitivo mental


do trabalhador, que se abre espaço para o que se chama falha humana / erro humano.

E é em cima do chamado ERRO HUMANO ou FALHA HUMANA, que a ergonomia cognitiva


tenta entender ao mesmo tempo que procura responder as seguintes questões:
 Quem é a responsável pelo erro/falha humana? – em que etapa do processo
produtivo teve a sua origem, mesmo que a sua efetivação venha a aparecer em
outro momento do processo produtivo;
 Qual o tipo de erro/falha humana?
 Como evitar a ocorrência de novo erro/falha humana semelhante ou similar?
Ao pensarmos num projeto, com base na ergonomia cognitiva, para equacionar, mitigar
ou eliminar a possibilidade de ocorrência de erro humano, a primeira grande variável –

66
pois lembre-se que a ergonomia é uma ciência prática – é a sustentabilidade econômica
da solução. Evitar soluções com custos absurdos econômicos, que nãose sustentem
econômica e financeiramente, ou que gerem controles e supervisões completas –aí é
melhor em pensar em redirecionar todo o processo produtivo. E deve-se considerar ainda
que a solução não pode opor-se a integridade física, mental e espiritual do trabalhador,
e menos ainda na condenação ou na sabotagem da tecnologia proposta ou utilizada.

A ERGONOMIA COGNITIVA DEVE PRESERVAR O TRABALHADOR JUNTO AO PROCESSO


PRODUTIVO EVITANDO O APARECIMENTO DE ERROS

O trabalhador observa as condições estruturais de trabalho, as condições funcionais


mínimas, e desta observação percebe, representa, recupera seu conhecimento adquirido
para enfrentamento da ação e usa esta informação recuperada _seja por experiência,
seja pela formação acadêmica ou continuada.

Vidal (2000), apresentou como ocorre esse processo produtivo, nas suas esferas de
percepção, cognitivo e motor – fig 18.
67
SINAL
Processo
perceptivo
DETECÇÃO
Mensagens
Memória de IDENTIFICAÇÃO
curto prazo
Regras e
Processo
registros
INTERPRETAÇÃO cognitivo

Memória de Gestos e DECISÃO


longo prazo movimentos

Processo motor
AÇÃO

Figura 18. Processo produtivo em suas esferas

Como a ergonomia cognitiva se preocupa com a condição mental do trabalhador na


execução da tarefa, a mesma deve atuar nas capacidades mentais do trabalhador em
seu processo produtivo, atuando na melhoria das interfaces entre o

67
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

operador/trabalhador e os equipamentos; atuando na condução dos processos


cognitivos em relação ao controle de sistemas complexos, perigosos ou vitais,
antecipando as possibilidades de erros e prevenindo-os; atuando na otimização do
sistema informatizado, prevenindo travas, bloqueios e funcionamento inadequado.
A ergonomia cognitiva também se volta para a formação continua do trabalhador, para
prepara-los para o processo produtivo existente, ou quando da implantação de novas
tecnologias ou nas alterações do sistema organizacional quando o mesmo for alterado,
assim como no estabelecimento do melhor perfil de trabalhador para o processo
produtivo de forma holística, isto é, de forma completa.
E finalmente no estabelecimento de sistemas de comunicação e de cooperação entre os
trabalhadores e entre os trabalhadores e os demais planos gerenciais e estratégicos.

A ergonomia cognitiva, se divide em cognitiva individual e a cognitiva coletiva.


Na ergonomia cognitiva individual, se aplica os estudos relacionados a forma de
raciocínio e o processo de tomada de decisão, que podem ser utilizados no processo
produtivo e transposto para a elaboração procedimentos operacionais padrão – POP de
normas operacionais, até na efetivação de regimentos internos.
Se focam, também, na qualificação e requalificação profissional, determinando a
formatação dos cursos de capacitação e treinamento, fortalecendo abordagens
pedagógicas mais efetivas pelo perfil de tomada de decisão e de raciocínio do
trabalhador.
Um exemplo prático e de grande inserção no mercado mundial, é a evolução da interação
entre o usuário e os smartfones – revolucionado pela Apple, mas em evolução constante
pelas empresas existentes no mercado.

Na ergonomia cognitiva coletiva, o foco nos sistemas de interconexão de múltiplos


trabalhadores ou de planos gerenciais da empresa, principalmente naquela em que haja
intervenção simultânea de vários operadores – controle de sistemas de trafego,
substituindo a ideia de centralização.

A grande dificuldade da ergonomia cognitiva, é seu aspecto muito abstrato, e a


ergonomia por essência é prática, o que torna a ergonomia cognitiva uma ferramenta
para ser usada para mistificações e deturpações, com relação ao pensamento – como
apresentar máquinas que pensem e tenham inteligência própria.

68
Considerando que esta inteligência artificial ainda está em fase embrionária –
principalmente com relação as questões de segurança, haja vista os acidentes com os
carros autônomos do Google e do Tesla, e dos acidentes aéreos envolvendo a Airbus,
tem-se migrado para sistemas que não sejam plenamente autônomos, mas sim
assistentes do trabalhador, apoiando a tomada de decisão efetivada por este, garantindo
sempre o poder de decisão do trabalhador, isto é, o assistente oferecerá sempre mais
de uma opção e a escolha desta opção dependerá o tipo de raciocínio efetivado pelo
trabalhador.

69

69
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPÍTULO 6
POSTURAS DE TRABALHO

Segundo Paillard, a postura é a organização dos segmentos corporais no espaço:


A atividade postural se expressa na imobilização de partes do
esqueleto em posições determinadas, solidárias umas às outras,
e que conferem ao corpo uma atitude de conjunto. Essa atitude
indica o modo pelo qual o organismo enfrenta os estímulos do
mundo exterior e se prepara para reagir. Seja no início, no
decorrer ou no fim de um movimento dirigido no espaço, a
atitude constitui um aspecto fundamental da atividade motriz.
Existem três situações principais em que a má postura pode produzir consequências
danosas:
» trabalhos estáticos que envolvem postura parada por longos períodos;
» trabalhos que exigem muita força; e
» trabalhos que exigem posturas desfavoráveis, como o tronco inclinado e
torcido.
Uma postura inadequada pode trazer, além de fadiga muscular, efeitos de longo prazo,
sobrecarga imposta ao aparelho respiratório, formação de edemas, varizes e afecções
nas articulações, principalmente na coluna vertebral (provocando artrose, bursite,
sinovite, hérnias de disco – lesão por esforço repetitivo ou doenças osteomusculares
relacionadas ao trabalho).
Critérios de avaliação postural (Antonie Laville)
Não há critério único para caracterizar má postura e que permita avaliar seu custo para
o operador. Alguns são significativamente determinativos:
» dispêndio energético: dispêndio de energia suplementar exigido pela
persistência numa postura desequilibrada permanece mínimo, não
traduzindo a dificuldade desta;
» frequência cardíaca: a frequência cardíaca já é um critério mais fiel. Com
efeito, ela indica não só o dispêndio energético exigido como também a
resistência circulatória gerada pela contração estática dos grupos
musculares e as consequências hidrodinâmicas que a irrigação
sanguínea impõe a todas as partes do corpo situadas a uma altura

70
diferente da do coração. Entretanto, boas condições hidrodinâmicas não
se relacionam, obrigatoriamente, com uma postura correta. Desse modo,
a postura em pé e curvada atenua as limitações, mas provoca
alongamento dos ligamentos invertebrados e grandes pressões sobre a
parte anterior às vértebras;
» eletromiografia e eco miografia permitem avaliar o grau de contração dos
músculos para monitorar as mudanças na morfologia, espessura, contração-
relaxamento cinética e perfusão elétrica, colocando em evidência sinais objetivos
de fadiga muscular, mas não pode ser aplicada ao conjunto dos músculos ativos
na manutenção de uma postura;
» os critérios subjetivos são importantes e não devem ser negligenciados mesmo
que só permitam a organização de uma escala de dificuldades entre as diferentes
posturas.
subjetivamente (SCHIMIDT, 1969).

71

Figura 19 – Custo energético e aumento da frequência cardíaca de repouso para posturas classificadas

Um dos métodos de avaliação de postura é o denominado método OWAS


(OvakoWorkingPostureAnalysing System). É um método que divide a postura em 4
classes distintas:
» Classe 1 – postura normal, que dispensa cuidados, a não ser em casos
excepcionais;

71
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

» Classe 2 – postura que deve ser verificada durante a próxima revisão rotineira
dos métodos de trabalho;
» Classe 3 – postura que merece atenção em curto prazo;
» Classe 4 – postura que deve ter atenção imediata.

Figura 20 – Classificação das posturas de acordo com a duração das posturas – OWAS.

72
73

Figuras 21 e 22 – Classificação das posturas pela combinação de variáveis – OWAS.

IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DOS FATORES DE RISCO NA


PERSPECTIVA DA ERGONOMIA7

Os princípios básicos de controle dos fatores de risco na perspectiva da ergonomia


podem ser estabelecidos assim:
» evitar que um agente potencialmente perigoso ou tóxico para a saúde seja
utilizado, formado ou liberado no ambiente;
» se isso não for possível, contê-lo de tal forma que não se propague para o
ambiente;
» se isso não for possível ou suficiente, isolá-lo ou diluí-lo no ambiente de
trabalho e, em último caso;

7
Adaptado do livro Doenças relacionadas ao trabalho – Ministério da Saúde.

73
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

» bloquear as vias de entrada no organismo: respiratória, pele, boca e


ouvidos, para impedir que um agente nocivo atinja órgão crítico,
causando lesão.

Tabela 10 – Localização das dores no corpo, provocadas por posturas inadequadas.

Postura inadequada Risco de dores


Em pé Pés e pernas – varizes
Sentado sem encosto Músculos extensores do dorso
Assento muito alto Parte inferior das pernas, joelhos
e pés
Assento muito baixo Dorso e pescoço
Braços esticados Ombros e braços
Pegas inadequadas de Antebraço
ferramentas
Punhos em posição não neutras Punhos
Rotações do corpo Coluna vertebral
Ângulo inadequado assento/encosto Músculos dorsais
Superficiais de trabalho muito baixas Coluna vertebral, cintura escapular
ou muito altas

Isto é, a ação passa pela não utilização do produto ou insumo, pela proteção coletiva e,
em último caso, pela proteção individual, com uso de equipamentos de proteção
ambiental.
A cadeia de transmissão do risco deve ser quebrada o mais precocemente possível.
Assim, a hierarquia dos controles deve buscar, sequencialmente, o controle do risco na
fonte, por meio da concepção da organização do trabalho inserida nos projetos de
engenharia e de design para se valer deste produto, nos projetos de embalagem e de
composição do produto; o controle na trajetória (entre a fonte e o receptor) e, no caso
de falharem os anteriores, o controle da exposição ao risco do trabalhador, por meio de
EPIs, equipamentos de proteção individual, nos equipamentos, instrumentais e
ferramental disponibilizados para a sua manipulação. Quando isso não é possível, o que
frequentemente ocorre na prática, o objetivo passa a ser a redução máxima do agente
agressor, de modo a minimizar o risco e seus efeitos sobre a saúde.
A informação e o treinamento dos trabalhadores são componentes importantes das
medidas preventivas relativas aos ambientes de trabalho, particularmente se o modo de

74
executar as tarefas propicia a formação ou dispersão de agentes nocivos para a saúde
ou influencia as condições de exposição, como, por exemplo, a interação em relação à
tarefa/máquina, homem/atividade, a possibilidade de absorção por meio da pele ou
ingestão, o maior dispêndio de energia, entre outros.
As estratégias para o controle dos riscos devem visar, principalmente, à prevenção, por
meio de medidas ergonômicas de processo que introduzam alterações permanentes nos
ambientes e nas condições de trabalho, incluindo máquinas e equipamentos
automatizados que dispensem a presença do trabalhador ou de qualquer outra pessoa
potencialmente exposta. Dessa forma, a eficácia das medidas não dependerá do grau
de cooperação das pessoas, como no caso da utilização de EPI.
O objetivo principal da tecnologia de controle deve ser a modificação das situações de
risco, por meio de projetos adequados e de técnicas de engenharia e/ou ergonômicas
que:
» eliminem ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais
para a saúde, como, por exemplo, a substituição de materiais ou
equipamentos e a modificação de processos e de formas de gestão do
trabalho;
» previnam a liberação de tais agentes nos ambientes de trabalho, como,
75
por exemplo, sistemas fechados, enclausuramento, ventilação local
exaustora, ventilação geral diluidora, armazenamento adequado de
produtos químicos, entre outros;
» reduzam a concentração desses agentes no ar ambiente, como, por exemplo,
a ventilação local diluidora e limpeza dos locais de trabalho.
Todas as possibilidades de controle das condições de risco presentes nos ambientes de
trabalho por meio de equipamentos de proteção coletiva (EPC) devem ser esgotadas
antes de se recomendar o uso de EPI, particularmente no que se refere à proteção
respiratória e auditiva. As estratégias de controle devem incluir os procedimentos de
vigilância ambiental e da saúde do trabalhador. A vigilância em saúde deve contribuir
para a identificação de trabalhadores hipersensíveis e para a detecção de falhas nos
sistemas de prevenção. A informação e o treinamento dos trabalhadores são
componentes essenciais das medidas preventivas relativas aos ambientes de trabalho,
particularmente se o modo de executar as tarefas propicia a formação ou dispersão de
agentes nocivos para a saúde ou influencia as condições de exposição.
Sumariando, as etapas para definição de uma estratégia de controle incluem:

75
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

» Reconhecimento e avaliação dos agentes e fatores que podem


oferecer risco para a saúde e para o meio ambiente, incluindo a
definição de seu impacto:
› devem ser determinadas e localizadas as fontes de risco; as trajetórias
possíveis de propagação dos agentes nos ambientes de trabalho; os
pontos de ação ou de entrada no organismo; o número de
trabalhadores expostos e a existência de problemas de saúde entre
os trabalhadores expostos ao agente. A interpretação dos resultados
vai possibilitar conhecer o risco real para saúde e a definição de
prioridades para a ação.
» Tomada de decisão:
› resulta do reconhecimento de que há necessidade de prevenção, com
base nas informações obtidas na etapa anterior. A seleção das opções
de controle deve ser adequada e realista, levando em consideração a
viabilidade técnica e econômica de sua implementação, operação e
manutenção, bem como a disponibilidade de recursos humanos e
financeiros e a infraestrutura existente.
» Planejamento:
› uma vez identificado o problema, tomada a decisão de controlá-lo,
estabelecidas as prioridades de ação e disponibilizados os recursos,
deve ser elaborado um projeto detalhado quanto às medidas e os
procedimentos preventivos a serem adotados.
» Avaliação:
› sobre as medidas organizacionais e gerenciais a serem adotadas
visando à melhoria das condições de trabalho e qualidade de vida dos
trabalhadores, particularmente para a prevenção dos transtornos
mentais e do sofrimento mental relacionado ao trabalho e de
LER/DORT.
No que se refere às condições de trabalho nocivas para a saúde, que decorrem da
organização e gestão do trabalho, as medidas recomendadas podem ser resumidas em:
» aumento do controle real das tarefas e do trabalho por parte daqueles que
as realizam;
» aumento da participação real dos trabalhadores nos processos decisórios da
empresa e facilidades para sua organização;

76
» enriquecimento das tarefas, eliminando as atividades monótonas e repetitivas
e as horas extras;
» estímulo a situações que permitam ao trabalhador o sentimento de que
pertencem e/ou de que faz parte de um grupo;
» desenvolvimento de uma relação de confiança entre trabalhadores e demais
integrantes do grupo, inclusive superiores hierárquicos;
» estímulo às condições que ensejem a substituição da competição pela
cooperação.
Tabela 11. Medidas de proteção à saúde e prevenção de doenças e agravos relacionados
ao trabalho aplicáveis aos processos e ambientes de trabalho e ao trabalhador.
Tipo e Nível de Medida Exemplos
Aplicação
Substituição do agente ou Substituição de matérias-primas, produtos
substância tóxica por outra intermediários ou reformulação dos
menos lesiva ou tóxica. produtos finais. Ex.: substituição do
Sempre que houver a benzeno, substância cancerígena, nas
substituição ou introdução de misturas de solventes, pelo xileno ou
um material ou substância tolueno, de menor toxicidade.
nova, é importante considerar Substituição de partes ou processos inteiros,
a possibilidade de impactos maquinaria e equipamentos por outros que
sobre a saúde do trabalhador ofereçam menos risco para a saúde e
e o ambiente, para que não segurança dos trabalhadores. Ex.: a
77
haja uma simples troca da substituição do emprego de jateamento de
situação de risco. areia para limpeza de peças por limalha de
ferro.
Instalação de dispositivos destinados a
melhorar as condições gerais físicas dos
ambientes. Ex.: sistemas de exaustão e
ventilação do ar, redesenho de máquinas e
equipamentos, enclausuramento ou
Eliminação e controle
segregação de máquinas ou equipamentos
das condições de risco Instalação de dispositivos e
que produzem ruído excessivo, ou radiação,
para a saúde. controles de engenharia.
ou de processos e de atividades que
São mais factíveis do que a
apresentem risco potencial para a saúde e a
substituição de materiais.
segurança dos trabalhadores, como a
eliminação de poeiras ou substâncias
tóxicas.
Manutenção preventiva e corretiva de
equipamentos e processos também são
recursos de controle de engenharia.
Redesenho da tarefa ou do Enriquecimento do conteúdo das tarefas nos
trabalho, mudanças na trabalhos monótonos e repetitivos.
organização do trabalho e Mecanização de tarefas de modo a tornar o
práticas alternativas de trabalho físico mais leve e confortável.
trabalho. Incremento da participação dos
Em geral, combinam medidas trabalhadores nos processos de decisão,
de engenharia e medidas garantindo-lhes a autonomia para organizar
administrativas, buscando a o trabalho, diminuindo as pressões de
proteção da saúde do tempo e de produtividade, entre outras.
trabalhador.

77
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Medidas de proteção Educação e informação do Educação e informação sobre as


individual e de trabalhador. condições de risco presentes nos
vigilância em saúde ou É direito inalienável do processos e ambientes de trabalho,
de controle médico trabalhador a informação implicando mudanças de
aplicáveis aos correta acerca dos riscos à comportamento dos trabalhadores e
trabalhadores. saúde decorrentes ou dos empregadores, chefes e
Apesar de necessárias, são presentes no trabalho, bem encarregados, às vezes, culturalmente
menos efetivas, pois, como das medidas que visam arraigados.
potencialmente, reduzem o à redução desses riscos. A experiência mostra que o investimento em
dano que pode resultar da treinamentos e outras atividades educativas
exposição a um fator de são insuficientes se não forem
risco, mas não removem a acompanhadas de investimentos na
causa ou fonte do melhoria geral das condições coletivas de
problema. trabalho e de uma gestão participativa do
trabalho.
Luvas, máscaras, protetores auriculares,
roupas especiais, entre outros, devem ser
adequados às situações reais de trabalho e
EPI às especificações e diferenças individuais
Os equipamentos de dos trabalhadores. Além da garantia de
proteção individual podem qualidade, é importante que o EPI utilizado
ser úteis e necessários e tenha sua efetividade avaliada em seu uso
malgumas circunstâncias, cotidiano, uma vez que as especificações
porém não devem ser a do fabricante e testes de qualidade são
única nem a mais feitos em condições diferentes do uso real.
importante medida de Os programas de utilização de EPI devem
proteção. contemplar o treinamento adequado para
Medidas de proteção uso, o acompanhamento e manutenção
individual e de e/ou reposição periódica e higienização
vigilância em saúde ou adequada.
de controle médico
Medidas organizacionais
aplicadas aos
As medidas organizacionais Escalas de trabalho que contemplem tempos
trabalhadores.
implicam diminuição do menores em locais com maior exposição a
Apesar de necessárias, são
tempo de exposição, condições de risco para a saúde e
menos efetivas, pois,
podendo ser aplicadas a um rotatividade de tarefas ou setores devem ser
potencialmente, reduzem o
ou poucos trabalhadores ou cuidadosamente planejadas para evitar a
dano que pode resultar da
envolver todos os diversidade de exposições atingindo maior
exposição a um fator de
trabalhadores de um setor número de trabalhadores.
risco, mas não removem a
ou da empresa.
causa ou fonte do
problema. Exames pré-admissionais para identificação
de características ou fatores de risco
individuais que possam potencializar as
exposições ocupacionais não devem ser
realizados com o objetivo de exclusão e de
seleção de super-homens e supermulheres.
Controle médico. O mesmo raciocínio se aplica à realização
dos exames periódicos de saúde. A
legislação trabalhista vigente NR no 7)
disciplina o PCMSO, estabelecendo os
parâmetros para um programa de saúde e
não simplesmente a emissão de atestado
médico de saúde.

78
A vigilância em saúde do trabalhador
visando à detecção precoce de alterações ou
agravos decorrentes da exposição a
condições de risco presentes no trabalho é
importante para a identificação de medidas
de controle ainda não detectadas ou de
falhas nas medidas adotadas.
Rastreamento, Em geral, no âmbito das empresas, esse
monitoramento e vigilância. monitoramento é feito por exames
periódicos de saúde, que devem ser
programados considerando as condições de
risco a que estão expostos os trabalhadores.
A investigação de efeitos precoces em
grupos de trabalhadores sob condições
específicas de risco deve ser realizada por
meio de estudos epidemiológicos.
Fonte: Doenças relacionadas ao trabalho – Ministério da Saúde.

79

79
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPÍTULO 7
AÇÃO ERGONOMICA

Com base nas informações básicas, obtidas anteriormente, devemos promover a


AÇÃO ERGONOMICA no processo produtivo, se valendo dos conceitos e princípios
aqui expostos, para alterar, evoluir ou revolucionar para adequar o processo de
trabalho ao trabalhador, otimizando o processo produtivo ao mesmo tempo que
preserva a saúde física, mental do trabalhador, numa esfera de respeito ético e social,
não esquecendo nunca que a empresa precisa de seu sucesso econômico para a sua
sobrevivência no mercado ou na manutenção de sua importância frente a sociedade
brasileira.
Assim a ergonomia deve ser aplicada, considerando os seus fundamentos:
 Ergonomia Física: Conhecimento sobre as características, habilidades,
competências e constrangimentos (limitações) do trabalhador no processo
produtivo;
 Ergonomia Cognitiva: O processo de trabalho frente ao processo de tomada
de decisão do trabalhador e das decisões e ações coletivas, estabelecendo
uma visão do trabalhador como unidades autônomas do processo produtivo;
e,
 Ergonomia organizacional: na descrição dos postos e tarefas, assim como a
organização hierárquica e orgânica do processo produtivo, de forma que os
trabalhadores tenham uma resposta as exigências deste modus de produção.
Com as informações que adquiriu até aqui, é inadmissível confundir a AÇÃO
ERGONÔMICA apenas como a aquisição de produtos ou a venda dos mesmos, mas é
promover as ações e tecnologias adequadas para que o processo produtivo elimine suas
arestas operacionais. Lembrando sempre que a abordagem é multiprofissional e
multidisciplinar – figura 23.

80
Figura 23. Interdisciplinaridade da ergonomia (Hubault 1992, modificado por Vidal 1998)

A ação ergonômica se caracteriza como uma ação dinâmica, que parte das definições
inicialmente delineadas pela empresa – Visão e missão, principalmente, mas também
deve incluir a análise de seu mercado consumidor.
81
Após esta avaliação previa, e de uma ANÁLISE ERGONOMICA DO TRABALHO
(diagnóstico do processo produtivo), vai construindo um campo de intervenções no
mesmo, definindo cada ação. Todo este trabalho pode ser estabelecido por um
fluxograma que evitará perigosos atalhos causadores de insucesso e identificará os
possíveis caminhos críticos para a sua execução.
As maneiras se atuarem em determinada situação ergonômica, faz com que se aplique
3 tipos de ações complementares: ergonomia de abordagem; ergonomia de
perspectiva; e ergonomia de finalidade, sendo assim subdivididas – figura 24

81
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Ergonomia de produto
Ergonomia de produção
Abordagem

Ergonomia de intervenção
Perspectiva
Ergonomia de Concepção
Ergonomia
Ergonomia de Correção
Ergonomia de Enquadramento
Ergonomia de Remanejamento
Finalidade
Ergonomia de Modernização
Figura 24. Divisões da Ergonomia – Vidal 2000

Itiro lida, por muitos considerado o pai da ergonomia nacional, faz uma separação forte
entre ergonomia de produto e uma ergonomia de produção. Na ergonomia de produto
tem como objetivo a incorporação de recomendações ergonômicas no projeto e
desenvolvimento de equipamentos e ferramentas diversas(utensílios, vestuário,
mobiliário), enquanto que na ergonomia de produção, é focada na realização de projeto
de sistemas de trabalho(normas, ambientes, procedimentos e demais elementos
organizacionais exemplificando a ergonomia de produto: pensar equipamentos com
peças intercambiáveis, com uma arquitetura/designe que favoreça a manutenção ou a
reativação no menor tempo possível do equipamento sem a troca completa do mesmo.
No ambiente doméstico, hoje a maioria dos equipamentos, principalmente, os
eletrodomésticos, possuem um design ergonômico, e na esfera dos escritórios, o
conceito de mobiliário ergonômico é algo tão disseminado que chegam a confundir
móveis ergonômicos, como a ergonomia per si.
Por sua vez a ergonomia de produção, por seu turno, se volta para o entendimento das
condições reais
da atividade de produção. A ergonomia de produto terá facilitado a produção se os
equipamentos e seus acessórios tiverem sido concebidos dentro da observância de
preceitos ergonômicos.
Mas ainda assim resta a questão de entender o trabalho real, na transformação da tarefa
em atividade, no seio do processo produtivo
A diferença entre a ergonomia de concepção e a de intervenção, é o momento em que
ocorre a ação ergonômica – se a ação ocorre na etapa de elaboração do projeto do

82
processo produtivo, denominamos de ergonomia de concepção, mas se atua numa
situação existente, chamamos de ergonomia de intervenção.
A abordagem tem desafios práticos bem distintos e claros: no de ergonomia de
concepção as restrições são menores, pois é possível antecipar cada problema, inclusive
os riscos ambientais tradicionais: risco físico, químico e biológico. Já no caso da
ergonomia de intervenção, a margem de manobra é bem menor, pois várias situações
estão postas e economicamente pode ser inviável várias das soluções propostas.

RESSALTAMOS QUE PARA A LÓGICA DA ERGONOMIA DE CONCEPÇÃO DE NADA SERVE


A ANÁLISE ERGONOMICA DO TRABALHO – AET, POIS O TRABALHO AINDA NÃO EXISTE
NA PRÁTICA.

Atuando no produto/objeto ou no processo produtivo (produção), seja na concepção ou


na intervenção, permitem-se quatro finalidades da ação ergonômica.
a) ergonomia de enquadramentos - é a adoção de padrões e parâmetros previamente
estabelecidos;
b) ergonomia de correção – é uma mudança limitada no processo produtivo existente.
83
c) ergonomia de remanejamento - está inserida num processo de mudanças mais ou
menos amplas do processo produtivo existente;
d) ergonomia da modernização – se alteração ocorre num contexto de alteração na base
técnica ou produtiva do processo produtivo;

83
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

CAPÍTULO 8
ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO

Em ergonomia não há um modelo predeterminado de ação. A análise ergonômica do


trabalho – AET é um método desenvolvido e validado por diversos pesquisadores e
profissionais (Pacaud, Ombredane, Faverge, Wisner, Guerin, Laville, Daniellou,
Duraffourg, Kerguelin) e que se aplica muito bem ao universo de estudo da atividade
humana.
Trata-se de uma metodologia aberta, podendo suas ferramentas, usadas para a coleta
de dados, podem variar, dependendo da natureza da abordagem necessária. A AET “se
compõe de um conjunto de etapas e ações que mantém uma coerência interna,
principalmente quanto à possibilidade de se questionarem os resultados obtidos durante
a coleta de dados, validando-os ao longo do processo e aproximando-os mais da
realidade pesquisada” (ABRAHÃO, 2009).
Este método não se restringe a uma série de descrições de gestos, posturas e ações,
também considera os aspectos da interação das ações das pessoas sobre a atividade,
tanto em sua variável de saúde ocupacional como na qualidade e nível de produtividade.
A análise ergonômica do trabalho (AET) comporta as seguintes fases:
1. análise da demanda;
2. coleta de informações sobre a empresa;
3. levantamento das características da população;
4. escolha das situações de análise;
5. análise do processo técnico e da tarefa;
6. observações globais e abertas da atividade;
7. elaboração de um pré-diagnóstico – hipóteses explicativas de nível 2;
8. observações sistemáticas – análise de dados;
9. validação;
10. diagnóstico;
11. recomendações e transformações.
E essas fases são baseadas nos seguintes pressupostos:
1. estudo baseado na atividade real do trabalho;
2. avaliação do universo global da situação de trabalho;
3. variabilidade decorrente do uso da tecnologia e da produção quanto aos
trabalhadores;

84
4. não linearidade no método, podendo, ao se concluir uma etapa, retornar à
etapa anterior para complementar/buscar novos dados.

ANÁLISE DA DEMANDA

Levantamento de Informações Gerais – Hipótese de nível 1

Análise da Tarefa

Observações Globais da atividade


Interação com os
Pré – Definição do Coleta e operadores;
Diagnóstico Plano de Tratamento
Hipótese Observação. dos dados. registro de
de Nível 2. contatos e de
verbalizações.

Diagnóstico Global e Específico

Figura 25 – Análise da demanda.


Fonte: GUÉRIN; DANIELLOU, LAVILLE, DURAFFOURG, KERGUELEN, 2001.
85

No universo de análise, devem-se aprofundar os seguintes lócus:


»a empresa;
»a população;
» os postos de trabalho;
» o tecido industrial ou de serviço;
» os procedimentos prescritos, as exigências de qualidade e produtividade;
» as relações hierárquicas e as relações entre os pares;
» as condições de manutenção e suas influências sobre a tarefa; e
» as exigências de interação do sistema como condição para a execução de uma
tarefa.

ANÁLISE DA DEMANDA.

O processo de análise ergonômica começa a partir de uma demanda e, inicialmente,


essa demanda apresenta os vieses dos demandantes, podendo trazer em seu arcabouço
posicionamento ideológico distinto da realidade, objetivos ambíguos, contraditórios e,

85
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

porque não, escondidos. Ao se aprofundar na demanda, os contornos e as formas


apresentadas vão transformando-se no contato com a realidade de trabalho, que
determinará a evolução das etapas, as fases do processo de trabalho, trazendo à tona
os conflitos sociais entre os atores.
Assim, cabe ao ergonomista a reformulação dos problemas incialmente colocados,
considerando que todos os integrantes do ambiente laboral estão potencialmente
envolvidos e a pertinência vai depender de como se articula a análise em relação às
variáveis apresentadas. Com isso, é possível formalizar as diferentes informações,
compreender melhor a natureza das questões e os problemas concretos dos
trabalhadores e estabelecer o ponto de partida para as fases subsequentes da ação,
sendo possível avaliar a amplitude do problema levantado, identificando as diferentes
lógicas sobre o mesmo problema.
Na análise da demanda, normalmente, mas não obrigatoriamente, em função do objeto
de estudo, se buscam as seguintes informações:
» População:
› idade;
› gênero;
› formação, experiência;
› tempo de trabalho;
› jornada de trabalho;
› treinamento.
» Dimensão institucional:
› produtos, serviços;
› evolução dos serviços;
› exigências de qualidade;
› exigências legais;
› políticas de gestão.
» Perfil epidemiológico:
› estado de saúde;
› queixas;
› problemas de saúde;
› acidentes.
» Outros dados:
› localização (transporte);
› sazonalidade;

86
› clima;
› alimentação.

INFORMAÇÕES SOBRE A EMPRESA.

A empresa fornece o contexto em que se dará a ação do ergonomista e indicará as suas


implicações, os óbices e a definição da abordagem a ser adotada em função das
especificidades da empresa.
Uma boa avaliação depende de acesso livre e sem constrangimentos (desnecessários)
à situação de trabalho, à documentação e aos trabalhadores, da permissão em
acompanhar o processo laboral, e deve ter conhecimento das exigências legais a que
está submetida a empresa, as tarefas explicitadas, as características da população da
empresa e, se possível, seu perfil clínico-epidemiológico. De posse desses dados, é
possível identificar as limitações que serão impostas ao trabalho, ou ao processo de
trabalho, e os potenciais colaboradores, assim como identificar variáveis que afetam o
ambiente de trabalho que não são controladas pela empresa.

87
CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO.

Dentre os indicadores importantes a serem coletados, devem ser estabelecidos:


distribuição etária, tempo de serviço na empresa, turn over (rotatividade), escolaridade,
qualificação profissional, gênero, taxa de absenteísmo, treinamento recebido,
indicadores de saúde e segurança. Nesse caso, conforme já abordado, não se tem
interesse, pelos valores médios identificados (o trabalhador médio não existe), e sim
uma distribuição por faixas de pequenos intervalos ou intervalos de interesse.
Podemos observar que um ambiente que sai da normal estatística na sua composição
da formatação da sociedade em que se encontra a empresa, numa característica mais
homogênea de seu conjunto de trabalhadores, pode indicar que o processo de trabalho
é excludente, em que poucos são selecionados para a realização das atividades ou
suportem o trabalho executado.

87
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

ESCOLHA DA SITUAÇÃO PARA ANÁLISE.

A análise da situação de trabalho apresenta diversas variáveis, tornando complexa a


análise global, holística, e englobando todas as tarefas presentes na empresa. Assim,
devem-se estabelecer os critérios de análise considerando as consequências e as
possibilidades de transformação na ação do ergonomista. Normalmente, consideram-se
os seguintes critérios para se determinar o lócus de ação8:
» frequência de queixas;
» objeto de mudanças;
» número de problemas;
» função estratégica;
» imagem institucional;
» gravidade das consequências.

ANÁLISE DA TAREFA

Para analisar a tarefa e, por conseguinte, o trabalho, é necessário identificar a sua


inserção no processo de produção, pois é o conjunto de tarefas que determina o produto
ou serviço final, oferecido pela empresa, e estas tarefas podem estar sendo realizadas
em espaços distintos, mas todos cooperam com o resultado final esperado.
Um dos instrumentos interessantes a ser utilizado é o fluxograma de operações dentro
de um layout estabelecido, pois é possível a verificação de cruzamentos de processos
de trabalho e dos riscos laborais e de produção existentes. É comum nos setores
regulados pelo Estado brasileiro a exigência de apresentação de fluxos operacionais para
a concessão da licença/autorização de funcionamento (ex.: fábrica de medicamentos,
indústria de alimentos etc.).
Devemos lembrar que a concepção da tarefa está ligada à necessidade de estabelecer
métodos de gestão em que se possa mensurar e definir a produção, e a forma como
uma tarefa se interliga com outra pode indicar óbices no processo produtivo.
A análise das tarefas tem o objetivo de: assegurar o domínio suficiente sobre os dados
técnicos referentes à situação de trabalho, servindo de base para a construção de
hipóteses e elaboração do pré-diagnóstico; construir/constituir ferramentas de
referência para a descrição e a interpretação dos dados produzidos pela análise da

8 ABRAHÃO, 2009.

88
demanda e prover-se de apoio para a demonstração e a comunicação com diferentes
interlocutores 9 . É importante analisar como a organização do trabalho influencia o
conteúdo das tarefas, moduladas, por sua vez, pelos trabalhadores.
Alguns aspectos devem ser destacados:
» Como é concebida a tarefa no processo de produção?
» O processo de produção é dividido em pequenas etapas e cada tarefa é restrita?
» Está prevista a cooperação entre os colegas ou a ação deve ser desenvolvida
de maneira individual?
» A tarefa exige também o preenchimento de relatórios, o controle de estoques,
a programação no computador?
» Os modos operatórios estão predefinidos e devem ser seguidos à risca ou
podem ser alterados pelos próprios atores?
» As normas e os procedimentos são restritivos, há margem para mudanças?
» Trata-se de controlar um processo automático ou de uma tarefa em que há
grande manipulação de peças, produtos e ferramentas?
» Como é feito o controle da produção sob supervisão direta?
» Por meios eletrônicos?
» O controle é exercido pelos próprios trabalhadores?
89
» Faz parte da tarefa controlar os estoques, a qualidade?
» O tempo previsto é suficiente para a execução das tarefas?
» O trabalhador necessita fazer horas extras para atingir as metas de produtividade?
» Os horários e turnos são organizados de maneira a permitir repouso e vida familiar e
social condignos?
» Há tempo suficiente para se recuperar do cansaço ou de algum tipo de agressão?
» Está prevista margem para que se adotem comportamentos prudentes em situações
de risco?
» Há tempo para recuperar incidentes, ou alguma operação malsucedida, para mudar o
modo operatório, pois o insumo não é de qualidade adequada?
» O ritmo de produção pode ser alterado por necessidade/vontade do trabalhador ou
para dar conta de um evento (quantidade de produtos/ unidade de tempo)?
» Há tempo previsto para passagem de turno/plantões?
» Qual é a situação daqueles trabalhadores em relação aos outros na hierarquia?
» Pode-se conversar?

9 ABRAHÃO, 2009.

89
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

» Com quem se pode conversar, trocar opiniões, emitir pareceres?


» Como são previstas as relações de supervisão e controle?
» Há meios eletrônicos de controle do trabalho?
» Eles têm papel de coordenação?
» Quais atuações conjuntas são previstas entre pares?
» Há trabalho em equipe?
» Qual é a margem da manobra para decidir?
» Até que ponto os superiores têm poder sobre eles, por exemplo, para decidir sobre
mudanças de horário?
» Quais são as responsabilidades atreladas ao cargo?
» Como é feita a avaliação dos trabalhadores?
» Quais são as exigências de qualidade do trabalho? Como esta é avaliada?

OBSERVAÇÕES GLOBAIS E ABERTAS DA ATIVIDADE.

Tem o objetivo de reorganizar as informações até o momento coletadas, para assegurar


um domínio sobre os dados técnicos referentes à situação de trabalho, para servir de
base para o levantamento de hipóteses e o estabelecimento do pré-diagnóstico.
Na sequência, estabelecer as ferramentas de referência úteis para a descrição e a
interpretação dos dados que serão produzidos pela análise da demanda.
As observações podem ser centradas: na estruturação dos processos técnicos; no
arranjo físico da empresa e sua localização no meio ambiente circundante; nas
ferramentas e nos meios de informação e nas relações entre estas variáveis em um
determinado dispositivo.
Veja um exemplo de uma análise ergonômica realizado pelo Autor, no Instituto Médico
Legal da Polícia Civil do Distrito Federal em 2016.

1.ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO DOS


PROFISSIONAIS DE ANATOMIA – AET
Ergonomia organizacional
Trabalho em regime de plantão de 12 e 24 horas
Fluxo da rotina:
1.1 Rotina diurna:
Profissional inicia o trabalho sem troca de roupa previa, a mesma roupa
que vem de casa ele se vale para o trabalho, com exceção do calcado,
onde a maioria troca por um tênis que fica guardado no próprio IML.

90
O trabalho do profissional de anatomia obedece a uma fila (na lógica dos
taxistas), onde cada cadáver é destinado para um único profissional de
anatomia, não havendo pré-seleção, isto é independente do peso e da
estatura do cadáver o mesmo é recepcionado e trabalho por um membro
da equipe de plantão, independente de gênero, altura e força muscular.
A lógica da divisão se aplica tanto para a sala de necropsia como para o
“podrão”.
Para iniciar o trabalho o mesmo se paramenta com Equipamentos de
Proteção Individual – EPI: calça, jalecos, gorros, luvas descartáveis e
óculos de proteção. Estes EPI’s são vestidos em frente a Sala de Material
e Vestígios – no corredor, e depois de vestido inicia-se o trabalho. Neste
momento o profissional de anatomia, pega a bandeja de material
esterilizado para realizar os seus procedimentos – com exceção do
Costotomo e da serra todos os demais materiais são individuais para
evitar contaminação de DNA.
O profissional de anatomia deve “pegar” o seu cadáver ou na câmara fria
ou que já foi destinado a sala de necropsia. No caso da câmara fria o
profissional de anatomia, faz o transbordo do cadáver para o carro de
transporte, independente da altura da gaveta da geladeira para o carro e
o transporta para a sala de necropsia. Ressalta-se que o mesmo atua
depois da atuação dos profissionais de radiologia.
Na sala de necropsia, inicia o processo de necropsia, acompanhado pelo
médico legista que orienta o profissional de anatomia, quais os órgãos e
tecidos que devam ser manipulados para subsidiar o laudo do mesmo
(médico perito).
O primeiro passo é promover a remoção de toda a roupa/vestimenta do 91
cadáver – caso não haja solicitação de parte destas vestimentas pelos
familiares, as mesmas são jogadas em lixeiras para encaminhamento para
incineração. Os bens de valor, encontrados com o cadáver (relógios,
correntes, anéis, dinheiro,...) são separados e guardados em envelopes
pardos – sem nenhuma limpeza previa, e armazenados em um armário
na sala de necropsia, até serem entregues aos familiares ou responsáveis.
Antes da ação do médico perito em parceria com o profissional de
anatomia, o mesmo promove a pesagem do cadáver, fazendo o
transbordo individual, na maioria dos casos, do carro de transporte para
a balança e da balança novamente para o carro de transporte.
A sala é dotada de 3 mesas de necropsias, mas é comum o trabalho de
necropsia no próprio transporte de cadáver. Neste carro ou na mesa, o
profissional e anatomia faz todos os movimentos necessários, solicitados
pelo médico perito, inclusive com mudança de posição do cadáver: virar
de bruços e de lado.
O acesso aos órgãos internos é realizado por uma tesoura de poda (fig
02) ao invés do Costotomo (fig 03).

Figura 01. Tesoura de Poda Figura 02. Costotomo.

91
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Após a realização da necropsia, o profissional de anatomia, promove a


sutura do cadáver e quando necessário realizando a sua reconstituição
facial.
Promove a lavagem do cadáver – neste caso se o procedimento foi
realizado no carro de transporte, o mesmo é transposto para a mesa de
necropsia, onde lá se faz a lavagem. Após a lavagem o cadáver volta para
o carro de transporte onde é etiquetado/identificado.
Ao fim desta fase é encaminhado a sala da câmara fria para avaliação
papiloscópica e com a liberação deste guardado novamente na câmara
fria.
Ao profissional de anatomia, não possui atividade puramente de escritório
-administrativa.
Este ciclo de atividade dura em média 02 horas, tendo como desvio
padrão 40 min (em caso de fetos) a 06 horas dependendo do porte do
cadáver e da causa mortis, com ciclo máximo de 05 cadáveres dia.
Este ciclo de trabalho pode ser interrompido, caso apareça, alguma
prioridade, isto é, necessidade de remoção de corpos oriundos de sinistros
em via pública, residencial, ou acionados pela perícia técnica da PCDF,
tem prioridade. Em caso de todos os plantonistas de anatomia estarem
atuando, dois devem parar suas atividades e promover a remoção do
cadáver.

1.2 Rotina Noturna


A atividade de necropsia do IML, se limita a atividade diurna, devido a
insuficiência de lumens (iluminação) para se promover a necropsia de
forma adequada, isto posto a atividade de plantão noturno dos
profissionais se limitam a remoção de cadáver, que são guardados na
câmara fria para atuação no dia seguinte.
A atividade de remoção é realizada por uma equipe mínima de 02
profissionais de anatomia e um motorista. Não há troca de roupa para as
ações de remoção.

1.3.Apoio.
Os profissionais de anatomia que estão de plantão e não estão
executando nenhuma atividade de necropsia ou de remoção, ficam à
disposição da instituição, na denominada Sala de Estar. Sala está formada
pela adaptação de um corredor, e mobiliada por um conjunto de sofás
(sem limpeza) e televisão. Ao final da sala se chega a área de alimentação
da equipe, que é conjugada com os armários para a guarda de pertence
pessoal e os equipamentos de uso em trabalho, principalmente os
calcados que se troca para a sala de necropsia ou as botas fornecidas pela
PCDF para ação externa. A limpeza das mesmas fica a cargo de seus
detentores – lavagem na própria instituição: lava jato, banheiro ou na
própria sala; dos profissionais que lavam, pois há profissionais que não
promovem a limpeza de suas botas e outros utensílios de serviço.
A entrega do EPI é acautelado, isto é, a necessidade de troca ou
substituição de EPI, deve ser feita por meio de relatório especifico, mesmo
que o EPI, esteja vencido ou que já extrapolou seu prazo de vida útil
econômica determinado pela área técnica e de compras.
Não há nenhum controle da saúde ocupacional dos profissionais de
anatomia envolvidos.

92
Ergonomia Física
Ao se avaliar a metodologia OWAS para os profissionais de anatomia,
verifica-se que o mesmo possui a seguinte classificação: 2.1.1.3,
apresentando risco 3, para 60% de sua jornada. Traduzindo, o
profissional de anatomia, quando em realizando atividade de necropsia,
trabalha com o dorso inclinado (com movimento habituais de alavanca),
com os dois braços para baixo, com as duas pernas retas, promovendo
uma carga ou força acima de 20Kg. Sendo imprescindível a modificação
do modus operandi estabelecido, pois o risco a saúde dos profissionais é
patente.
A sala de necropsia tem deficiência de ventilação.

Ergonomia dos Produtos


Os profissionais de anatomia, não muito diferente de várias áreas do
serviço público, trabalham com instrumental inadequado, quando não
improvisado.
A mesa de necropsia tem largura inadequada para um trabalho adequado.
É em função desta que a maioria dos procedimentos são realizados nos
próprios carros de transporte.
A mesa de necropsia, não possui em sua base (base de trabalho) roldanas
para segurar a bandeja do cadáver e permitir uma melhor e mais fácil
manipulação do mesmo, nem plataforma de trabalho regulável ao seu
redor, para impedir que posturas inadequadas para manipular o cadáver
sejam tomadas, pois a alturas dos auxiliares e dos peritos são diferentes.
As luvas disponibilizadas são inadequadas para o procedimento e 93
obedecem a um tamanho padrão, o que faz que fique folgado em alguns
profissionais, aumentando o risco de acidente ou de contaminação.
Os profissionais que fazem a remoção, não possuem equipamentos de
proteção individual para este tipo de ação, tais como:
Lanterna de mineiro (que fica presa na cabeça), pois como é comum o
recolhimento de corpos em terrenos baldios e áreas com deficiência de
iluminação pública. É comum incidentes no percurso entre o carro e o
local onde está o cadáver. À noite a situação complica, pois, os
profissionais não conhecem o terreno. Teve um caso de um profissional
que na região de chácaras do SAI, ao ir recolher o corpo, caiu numa fossa
negra, ficando preso com fezes e esgoto até a altura do ombro – quem
evitou acidente maior foi outro companheiro, que sofreu fratura na perna
em função deste esforço.
Colete a prova de balas, dentro do prazo de validade (5 anos em média)
e conforme o gênero; pois como os profissionais são os únicos
responsáveis pela coleta do cadáver, e os mesmos representam e são
identificados pela população como policiais, sofrem os mesmos riscos
destes, quando ocorre a coleta em área de risco.
Disponibilizar o “TIVEK – tipo capa de chuva”, para as ações de remoção.
Necessidade de oferecer equipamentos de proteção individual, adequadas
a atividade e dentro das características de segurança de fábrica, isto é,
dentro do prazo de validade. O IML ainda disponibiliza aos profissionais
de anatomia luvas que venceram em 2012.
Lâminas das serras são inadequadas, para uma série de procedimento –
utilizam a disponível para os procedimentos necessários.

93
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Ergonomia Cognitiva
Os profissionais de anatomia têm ciência de sua importância, mas
acreditam que são desprestigiados como profissionais qualificados, uma
vez que suas demandas de melhoria de qualidade de vida no trabalho não
são atendidas (ou parcamente atendidas) e por não possuírem
autonomia, dependendo sempre de ordens superiores para a execução
de suas atividades.
Sentem que 40% do trabalho realizado é desperdiçado, devido a
ineficiência da ação do SVO – Serviço de Verificação de Óbito, que estipula
uma “franquia” de apenas 03 cadáveres tendo como causa morte natural
para recebimento por dia. Aos que são mortes naturais e que não
recepcionados pelo SVO, são necropsiados, mesmo não havendo
necessidade. Há uma reclamação generalizada, que as mortes sob
acompanhamento do SAMU, pois os médicos do SAMU não emitem o
atestado de óbito, sobrecarregando o serviço.

C onclusão:
Ambiente que podemos definir, como o porquê da existência do próprio
IML, sua função é fundamental, mas não tem a estrutura que necessita
para desenvolver de forma plena sua alçada de competência. Pequenas
falhas quando agregadas com outros riscos amplificam os riscos e
deterioram as condições de trabalho dos servidores ali expostos, além de
não garantir nenhuma segurança a sociedade, em caso de cadáveres sem
caracterização de causa mortis e que possa estar contaminado com algum
vírus letal – ebola por exemplo.

ATIVIDADES:

A Análise Ergonômica do Trabalho é ação fundamental do engenheiro de segurança


pois o risco ergonômico é o risco transversal pois ele perpassa todos os outros riscos
e aprofunda a análise da organização do trabalho em si. Assim tendo por base inicial
o contido na apostila no que se refere este assunto, vamos analisar um caso
hipotético aqui descrito e descreva os problemas que podem ser identificados, e as
proposições de solução, numa lógica ergonômica:
“Kátia é funcionária de um grande magazine, sendo responsável pelo atendimento
aos clientes. Para atuar nesta área os funcionários passam por uma seleção rigorosa,
pois a cultura da empresa é que o cliente deve ser sempre bem atendido. A visão da
empresa é “transformar os clientes em parceiros efetivos da empresa”. Temos até
aqui duas questões para avaliação: O que é atender ao cliente? O que é satisfazer o
cliente?
Kátia realiza uma série de tarefas que são muito diferentes entre si, as
mais frequentes são:

94
1. trocar as mercadorias; 2. Emitir as notas fiscais; 3. Controlar a venda de cartão
da loja (novos associados); 4. Tirar dúvidas sobre promoções, produtos e serviços;
e 5. Embalar produtos para presentes.
Além disso, ela deve “zelar pelo posto de trabalho”, assegurar a
manutenção dos equipamentos, operar o sistema de som para transmitir recados
para o interior da loja. A frequência das tarefas varia tanto em função do dia do mês
quanto de datas especiais. Assim, no inicio de cada mês aumentam
significativamente o número de trocas de mercadorias, o uso do sistema de som e
as dúvidas sobre promoções. Próximo das datas comemorativas, a quantidade de
embalagens para presentes e a emissão de notas fiscais também aumentam. Para
dar conta destas variações sazonais são contratados trabalhadores por tempo
determinado. Mesmo assim aumenta o trabalho de todos, não dando tempo de
respirar. Algumas tarefas são atribuídas aos trabalhadores mais experientes e que
têm contrato por tempo indeterminado, como é o caso de Kátia (emissão de nota
fiscal, entrada no sistema). Em muitas situações, eles também ajudam aos que
chegaram interinamente, pois existe muita coisa para os de contrato por tempo
determinado aprender.
O serviço de atendimento ao cliente possui uma variação durante o dia.
95
Em períodos normais, o maior fluxo se situa entre as 11horas a 13 horas e entre as
18 e 20 horas. A jornada de trabalho da Kátia é de 8 horas e seu turno engloba o
horário noturno de pico descrito acima. No seu turno, outros três colegas também
atendem aos clientes. Segundo sua própria avaliação: “cada um faz a mesma coisa
de um jeito diferente”.
Suas principais queixas se relacionam ao que ela chama de “quantidade
de trabalho”. Ela diz que não consegue terminar uma tarefa sem ter outra para fazer,
e essa outra é frequentemente muito diferente da primeira. Os clientes na sua
avaliação, estão sempre com pressa, não gostam de fila, e em sua maioria são muitos
exigentes.
O pior de tudo, para Kátia, são as condições de trabalho:
1. O balcão de atendimento é muito baixo para a sua estatura; 2. O computador
muito útil, mas cria um monte de problemas, pois a interface do programa não é
amigável e se confunde com o plano de fundo da tela; 3. O software utilizado é
confuso e gera erros: “se todas as funcionárias erram, tem algo errado com o
software”; 4. A cadeira que ela utiliza não permite a regulagem; 5. A mesa para o
computador não dá suporte para escrever e não há espaço para o teclado e o mouse;

95
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

e 5. A impressora é matricial, lenta, fica distante do computador, pois serve a outros


serviços além da emissão da Nota Fiscal, mas fica perto dos clientes.
No final da jornada de trabalho, Kátia diz sentir cansaço visual, dor na
coluna lombar, nos ombros e nos pés. Nos períodos de maior movimento, ela diz que
se estressa demais e fica ansiosa antes mesmo de começar o trabalho. Kátia acha
muito estranho ter todos esses sintomas. Para ela com apenas 21 anos de idade,
parece estar ficando velha demais. Todo esse cansaço acaba por atrapalhar seus
estudos na universidade (que ela cursa de manhã), e isso já começa a preocupa-la.”

RESPOSTA

Segue aqui uma forma de avaliar o caso da Kátia, outras formas de


abordar o problema são possíveis (formatação), o que interessa é a visão do todo e a
possibilidade de indicar solução para cada problema, perpassando da área de
mobiliário até a organização do processo de trabalho.
A Norma Regulamentadora nº 17 do Ministério do Trabalho, indica em
seu item 17.1.1 que as avaliações ergonômicas devem abranger:
 Levantamento;
 Transporte e descarga de materiais;
 Mobiliário;
 Equipamentos;
 Condições Ambientais;
 Organização de Trabalho.
Assim temos que a própria legislação já indica a forma de apresentação da
avaliação do caso da Kátia, que é a Análise Ergonômica do Trabalho, que por sua vez
se divide nas seguintes etapas:
- análise da demanda;
-análise global da empresa no seu contexto das condições
técnicas, econômicas e sociais;
-análise da população de trabalho;
-definição das situações de trabalho a serem estudadas;
-descrição das tarefas prescritas, das tarefas reais e das
atividades;
-análise das atividades -elemento central do estudo;

96
-diagnóstico;
-validação do diagnóstico;
-recomendações;
-simulação do trabalho com as modificações propostas;
-avaliação do trabalho na nova situação.

Tendo sido estabelecido o nosso modus operande, será feito a avaliação da


demanda por tópico determinado pela NR17.
1. Análise da demanda:
1.1. População:
1.1.1. O objeto de avaliação e análise é o setor de apoio/suporte ao cliente,
apresentando especificidades dentro do conjunto de atividades que
compõem a atividade econômica principal que é o comercio varejista.
1.1.2. O setor é composto de vários trabalhadores (o texto não indica), mas
existem trabalhadores temporários em função de demandas sazonais e
por turno se apresenta 4 funcionários efetivos (Kátia e mais três).
1.1.3. O turno se apresenta por oito horas, não indicando quando é pausa para
almoço, janta ou lanche.
97
1.2. Dimensão Institucional:
1.2.1. Produtos: lembre-se que está em análise é o posto de trabalho da Kátia
(setor) e não a loja/magazine como um todo. Assim temos que o único
produto que o setor trabalha é a venda do cartão da loja para novos
associados. O cliente sai com o objeto concreto após a venda do cartão.
1.2.2. Serviços: O setor em análise realiza os seguintes serviços, todos focados
ao cliente externo (consumidor):
1.2.2.1. Emissão de Nota fiscal;
1.2.2.2. Atendimento ao cliente (não foi informado se é somente
presencial ou também é por telefone ou sitio na internet), temos de
trabalhar de forma mais ampla;
1.2.2.3. Embalagem de produtos para presente;
1.2.2.4. Operar o sistema de som da loja;
1.2.2.5. Monitorar e garantir o correto funcionamento de todos os
equipamentos.
1.2.3. Evolução dos Serviços:

97
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

1.2.3.1. Apresenta-se duas categorias de serviços sob a alçada do setor


da Kátia:
1.2.3.1.1. Os serviços não sequenciais, aparecem conforme a
demanda, dentre estes se incluem:
1.2.3.1.1.1. Emissão de Nota fiscal;
1.2.3.1.1.2. Atendimento ao cliente (não foi informado se é
somente presencial ou também é por telefone ou sitio na
internet), temos de trabalhar de forma mais ampla;
1.2.3.1.1.3. Embalagem de produtos para presente;
1.2.3.1.1.4. Operar o sistema de som da loja;
1.2.3.1.2. Serviços que podem ser programados:
1.2.3.1.2.1. Monitorar e garantir o correto funcionamento de
todos os equipamentos.
1.2.4. Exigência de Qualidade:
1.2.4.1. O setor é crucial para a manutenção do bom nome da loja pois é
o setor que tem o maior contato com os clientes, e na maioria das
vezes pós-venda, salvo caso da venda de cartão da loja. Assim é
fundamental a qualidade do serviço prestado, e podemos ver que a
empresa se preocupa com o setor pois na época de maior demanda
contrata temporários para dar suporte ao setor, uma vez que o
mesmo (setor) com exceção da venda de cartão, não gera nenhum
lucro direto para a empresa.
1.2.5. Políticas de Gestão:
1.2.5.1. A empresa somente tem uma visão: “transformar os clientes em
parceiros efetivos da empresa”, mas não foi apresentado (no texto)
nenhum traço de política de gestão.
1.2.6. Perfil Epidemiológico:
1.2.6.1. Não há um perfil epidemiológico estabelecido e nem descrito,
pois os sintomas apresentados no texto dizem respeito somente a
Kátia, não se sabe se replica para os demais colegas de setor.
1.2.6.2. Queixas de:
1.2.6.2.1. Condições de Saúde:
1.2.6.2.1.1. Cansaço visual;
1.2.6.2.1.2. Dor na coluna lombar, nos ombros e nos pés;
1.2.6.2.1.3. Estresse;

98
1.2.6.2.1.4. Ansiedade.
1.2.6.2.2. Organização de Trabalho:
1.2.6.2.2.1. Excesso de trabalho;
1.2.6.2.2.2. Multitarefa por demanda sem controle dos
funcionários;
1.2.6.2.2.3. Ritmo de trabalho acelerado – pressão dos
clientes;
1.2.6.2.2.4. Condições de trabalho precárias – equipamentos e
mobiliário.
2. Análise Global da Empresa no seu contexto das condições, técnicas, econômicas e
sociais:
2.1. Não se pode avaliar a empresa, loja como um todo, apenas o setor em análise.
Verifica-se que a empresa reconhece a importância do setor para a
manutenção de sua atividade fim, pois promove uma seleção rigorosa para
atuar na área e nas épocas de maior movimento incrementa com
trabalhadores temporários. Mas é sensível que a preocupação da empresa
termina por aqui pois não há organização de trabalho planejada, cada um faz
do seu jeito, conforme palavras de Kátia.
99
3. Análise da População de Trabalho:
3.1. Trabalhadores que atuam no setor de atendimento ao cliente, que apresentam
turno de 8 horas, e que apresentam no mínimo superior incompleto (inferência
da situação da Kátia).
4. Definição das situações de trabalho a serem estudadas:
4.1. Serão avaliados todos os processos de trabalho sob a luz da NR17, nos
aspectos contidos no item 17.1.1.
5. Descrição das tarefas e atividades:
5.1. Tarefas:
5.1.1. Não há descrição das tarefas, somente a ordem macro: embalar
presente; atender cliente, etc...., tal conclusão é possível pois a Kátia
relata que cada funcionário “faz do seu jeito”
5.2. Atividades:
5.2.1. As obrigações (objetivo do setor) são realizadas conforme a demanda,
cada um estabelecendo uma maneira de operar/realizar o serviço.
6. Análise das Atividades – elemento central de estudo

99
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

6.1. Aqui é sempre grande a chance de confundir os lócus onde se encaixa cada
problema identificado, o que pode atrapalhar a análise efetiva do relatório e a
implantação das recomendações. Assim a partir deste ponto é aconselhável
(minha lógica de trabalho profissional) de segregar nas mesmas
condições/grupos que impõem a NR17.
6.2. Levantamento:
6.2.1. Não se verifica na atividade do setor o levantamento de peso, não
havendo necessidade de análise ergonômica sob este aspecto.
6.3. Transporte e descarga de materiais:
6.3.1. Não se verifica na atividade do setor o levantamento de peso, não
havendo necessidade de análise ergonômica sob este aspecto.
6.4. Mobiliário:
6.4.1. Balcão baixo;
6.4.2. Cadeira não permite regulagem;
6.4.3. Mesa do computador sem apoio para escrever e sem espaço para
teclado e mouse;
6.5. Equipamentos:
6.5.1. Software confuso, induz aos erros (acontece com demais funcionários
também);
6.5.2. Impressora lenta, matricial, distante do computador, compartilhada com
outros serviços e localizada perto dos clientes
6.5.3. Interface do programa da empresa ruim pois se confunde com o plano
de fundo da tela;
6.6. Condições Ambientais:
6.6.1. Não há informações no texto que fale das condições ambientais de
trabalho, apenas pode-se colocar sobre o layout inadequado dos
mobiliários e equipamentos.
6.7. Organização de Trabalho.
6.7.1. Divisão de tarefas efetivada de forma aleatória entre os próprios
colegas;
6.7.2. Ritmo e cadencia de trabalho sazonal, muitas vezes intenso;
6.7.3. Sem padronização operacional;
6.7.4. Sem hierarquia de comando no setor;
6.7.5. Sem supervisão e controle;
6.7.6. Ausência de pausas e descanso;

100
6.7.7. Ausência de Equipamentos de Proteção Individual e de proteção
coletiva;
6.7.8. Processo decisório individual, dependendo do perfil, dos valores,
habilidades e costumes dos funcionários do setor.
6.8. Diagnóstico.
6.8.1. Empresa que está preocupada com a sua relação e fidelização de seus
clientes, por isso um setor específico, mas que apresenta uma falha
gritante de gestão, podendo apresentar gastos desnecessários na sua
lógica de operação, com uma produtividade baixa e funcionários
desmotivados e doentes.
6.8.2. Deve se verificar se a atividade acadêmica da Kátia, influência na sua
tomada de decisão nos seus processos laborais.
6.9. Recomendações.
6.10. As recomendações serão apresentadas em um quadro de situação, onde
se apresentará o problema, indicar as possíveis soluções, o custo desta
implementação e o resultado esperado.

101

101
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Recomendação
Problema Custo Resultado
Emissão de Nota Fiscal - Feita por meio de Baixo custo – Agilidade do sistema e redução de
Emissão de Nota Fiscal eletrônica, onde a mesma é
impressora matricial, lenta e lotada em local implantação do custo com papel, tinta.
enviada diretamente para o e-mail do cliente, não
distante do computador o que obriga no software – em alguns Redução do tempo necessário para a
havendo a necessidade de uso da impressora.
mínimo uma caminhada até o presente local. estado é de graça. execução desta atividade.
Maior conhecimento dos processos
Treinamento dos funcionários com os vendedores produtivos da loja e de suas
Atendimento ao cliente - presencial Sem custo
de cada setor da loja. promoções redução no tempo de
atendimento a cada cliente
Custo baixo – Desloca tal atendimento para longe
Estabelecer horário de atendimento por telefone – alteração de dos horários de pico, permitindo o
Atendimento ao cliente - telefone
horário comercial – de 08 as 11 e de 13 as 18:00hs informações nos atendimento focado ao cliente
impressos da loja presencial.
Custo baixo – Permite a alocação de tempo
alteração de especifico para a resposta ao cliente
Atendimento ao cliente - internet Estabelecer prazo para a resposta do cliente.
informações nos e com o volume de informação gerar
impressos da loja no médio prazo um FAQ.
Mantém o local de trabalho
Providenciar área no setor especifica para a
organizado. Direciona a atividade
Embalagem de produtos para presente realização de embalagem com os insumos Baixo custo
para um determinado local, abrindo
necessários.
espaço para a divisão de tarefas.
Operar o sistema de som da loja Sem recomendação
Promover o estabelecimento de check list de
Deslocar a atividade para o pessoal
manutenção, devendo o mesmo ser aplicado
de início de turno, sem gasto
Monitorar e garantir o correto funcionamento sempre 30 minutos antes do início das atividades do
Sem custo desnecessário de tempo para a
de todos os equipamentos setor, para em caso de necessidade de manutenção
execução desta tarefa – tarefa que
corretiva o mesmo ocorra sem influenciar no
muitos devem fazer ninguém faz.
desempenho do setor.
Providenciar balcão que atenda a 90% das
características antropométricas dos trabalhadores Melhoria do processo produtivo, com
Balcão baixo Custo do balcão
(NR17 anexo 01 item 2.1.a) ou permitir regulagem eliminação de dores lombares.
especifica para cada grupo de funcionários.
Melhoria do processo produtivo, com
Cadeira não permite Providenciar cadeira regulável conforme Custo das cadeiras
eliminação de dores nos ombros e
Mobiliário regulagem especificado na NR17 anexo 01 itens d, e e f. novas
amenizar as dores nos pés.
Providenciar local adequado no balcão ou em mesa Permitirá a utilização do computador
Mesa do computador sem
especifica para o computador de forma a manter as de forma mais eficiente, pois o
apoio para escrever e Custo das mesas
características de ângulos e limites de trajetória mesmo estará instalado de forma
sem espaço para teclado novas.
natural dos movimentos, durante a execução das correta e ergonomicamente
e mouse
tarefas dos funcionários do setor. (NR17 anexo 01). confortável, permitindo um trabalho

102
Se for instalar o computador no balcão, deve-se dar mais rápido, seguro e com menos
preferência para encaixe de monitor em ângulo chance de erros. Além de reduzir
fechado para que não atrapalhe o balcão. esforço mecânico para as operações
de digitar.
Software confuso, induz
aos erros e Interface do
Alteração das telas de interação com o usuário Redução do número de erros e
programa da empresa
(funcionários) tornando-o mais amigável, ou Médio custo consequentemente retrabalho,
ruim pois se confunde
substituição do software. ampliando a produtividade.
com o plano de fundo da
tela
Impressora lenta,
Equipamentos
matricial, distante do
computador,
Eliminação da impressora como suporte ao setor Menos um equipamento para operar,
compartilhada com
(implantação da Nota Fiscal eletrônica enviada por Sem custo manter.
outros serviços e
e-mail). Reduz atividade executada.
localizada perto dos
clientes

Melhora a condição ambiental,

Mesmo não apresentando


Atender aos parâmetros estabelecidos na NR17 – Custo variável em
favorece a concentração e a atenção
aos processos produtivos, ampliando
103
temperatura efetiva de 20 a 23ºC; ruído de função da
problemas de ordem a possibilidade de aumento da
65db(A); iluminamento de 500Lux e ventilação de necessidade de ajuste
ambiental (texto) produtividade. Além de oferecer um
até 0,75m/s. a estes parâmetros.
ambiente adequado e confortável ao
Condições
cliente.
Ambientais
Providenciar layout adequado, separando em áreas
Favorece a produtividade, evita
distintas: embalagem, atendimento ao cliente, Custo variável, sendo
acidentes mecânicos.
operação do som e emissão de nota fiscal. as vezes necessário
Layout inadequado Ação imposta pela legislação – ação
Lembrando de manter espaço de no mínimo 0,6m redimensionar todo o
obrigatória, independente dos ganhos
entre o mobiliário e uma área de no mínimo 1,4m² setor.
apresentados.
por trabalhador.
Como o setor possui 4 funcionários
efetivos e tem 4 atividades básicas,
cada funcionário em regime de
Divisão de tarefas revezamento assume uma tarefa. Em
Estabelecer divisão de tarefas, de forma protocolar,
Organização de efetivada de forma caso de necessidade um dá suporte
isto é, por meio de ordem de serviço ou Sem custo
Trabalho aleatória entre os ao outro (previamente estabelecido)
padronização de ações.
próprios colegas em caso de aumento de demanda de
certa atividade. Assim será possível
determinar a real necessidade da
força de trabalho, não haverá

103
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

sobrecarga, pois naquele turno


somente fará uma atividade e não
haverá repetitividade, pois no turno
seguinte assumirá a função diferente
do turno anterior.
Estabelecer um banco de funcionários
temporários, dando prioridade aos
Ritmo e cadência de
mesmos para futuras contratações,
trabalho sazonal, muitas
Estabelecer divisão de tarefa. por tempo determinado (respeitada a
vezes intenso - Sem custo
Estabelecer banco de temporários legislação vigente). O que reduziria a
Necessidade de ajudar os
necessidade de capacitação dos
funcionários temporários.
mesmos, e a necessidade de
intervenção dos funcionários efetivos.
Permitirá uma avaliação do processo
Sem padronização Criar os protocolos de atendimento e de ação para de trabalho, mostrando os
Sem custo
operacional cada função do setor funcionários mais competentes e os
que se escondiam na bagunça.
Não há necessidade de implantação se aplicar as
Sem hierarquia de
demais recomendações, principalmente no que diz
comando no setor
respeito a divisão de tarefas.
Permitirá o acompanhamento do
setor sem o custo de colocar um
chefe, servindo ainda de instrumento
Sem supervisão e Implantação de mecanismos de aferição e qualidade
Sem custo de política de remuneração para os
controle e de efetividade na resolução das atividades.
funcionários do setor. Distinguirá os
bons funcionários dos maus
funcionários.
Implantar sistema de pausa e descanso, como as
atividades tem características de check out e de tele
Ausência de pausas e
atendimento, e não se enquadra em nenhuma é Manter a saúde física e mental
descanso Sem custo
aconselhável implantar pausa de 1hora para almoço hígida.
e a cada 50 minutos trabalhados 10 minutos de
descanso.
Ausência de Atender a legislação e se prevenir
Equipamentos de Elaborar o PPRA para verificar a necessidade dos com relação a demandas trabalhistas
Custo do PPRA
Proteção Individual e de mesmos. com relação a atividade perigosa,
proteção coletiva insalubre ou periculosa.
Processo decisório Permitirá uma avaliação do processo
individual, dependendo Criar os protocolos de atendimento e de ação para de trabalho, mostrando os
Sem custo
do perfil, dos valores, cada função do setor funcionários mais competentes e os
habilidades e costumes que se escondiam na bagunça.

104
dos funcionários do
setor.
Se resguardar sobre o incremento de
Realizar exames médicos mais frequentes para agravos a saúde. Possibilidade de
Outros Funcionários estudando verificar a influência de uma atividade sobre a deslocar a funcionária para área com
outra. maior potencial de crescimento –
ganha a firma e a funcionária

105

105
7. Conclusão.
7.1. Verifica-se que é possível começar a equacionar o ambiente de trabalho da Kátia
a um custo de investimento razoável, conseguindo ao mesmo tempo
mecanismos de aferição de qualidade do serviço prestado.
7.2. É possível inferir que os excessos do setor eram muito em função da não gestão
e da organização do trabalho do que das condições deste local (excluindo claro
os mobiliários).

106
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

CAPÍTULO 9.
ACESSIBILIDADE

Figura 26 – Símbolo internacional de surdez.

A ergonomia tem como objeto de estudo a adaptação do trabalho ao homem. Quando


este homem apresenta deficiências naturais ou adquiridas que ampliam a necessidade
de adaptação, para mantê-lo presente e ativo no mercado de trabalho e na própria
sociedade, temos que a acessibilidade é a ponte de contato entre a ergonomia e está
população.
A acessibilidade é definida como a condição para a utilização, com segurança e
autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das
edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de
comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade
reduzida. Entende-se como pessoa portadora de deficiência aquela que possui limitação
ou incapacidade para o desempenho de atividade e entende-se como pessoa com
mobilidade reduzida aquela que, por qualquer motivo, tenha dificuldade de movimentar-
se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade,
flexibilidade, coordenação motora e percepção.

Segundo dados do IBGE, no ano 2000, 23,06% da população brasileira era


composta por pessoas idosas ou portadoras de algum tipo de deficiência física.
No serviço público federal, 13% dos servidores são de pessoas idosas ou
portadoras de algum tipo de deficiência física (MPOG – maio de 2006).
Essa população se encontra impedida de exercer plenamente sua cidadania, na medida
em que encontra sérias dificuldades para fazer valer seus direitos de acessibilidade.

107
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

Assim, a legislação, para contrabalancear as fragilidades desta população perante a


sociedade e o mercado de trabalho, impõe (exigências legais que devem ser apuradas
na análise da empresa):
» reserva de mercado de trabalho;
» atendimento prioritário;
» acessibilidade arquitetônica e urbanística;
» acessibilidade à informação e à comunicação.
A reserva de mercado se concretiza por meio de obrigação das empresas com mais de
100 empregados a reservar de 2% a 5% de seus cargos para beneficiários da
Previdência Social reabilitado ou para pessoas portadoras de deficiência habilitada.

No governo federal são 2.090 pessoas portadoras de deficiência e 65.197 com


mais de 60 anos para um total de 514.000 servidores (MPOG – maio de
2006).

O atendimento prioritário é concedido da seguinte forma:


» os órgãos da administração pública direta, indireta e fundacional, as
empresas prestadoras de serviços públicos e as instituições financeiras
deverão dispensar atendimento prioritário às pessoas portadoras de
deficiência ou com mobilidade reduzida;
» assentos de uso preferencial sinalizados, espaços e instalações acessíveis;
» mobiliário de recepção e atendimento obrigatoriamente adaptado à altura
e à condição física de pessoas em cadeira de rodas, conforme
estabelecido nas normas técnicas de acessibilidade da ABNT;
» sinalização ambiental para orientação das pessoas.
» serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, prestados por
intérpretes ou pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e no trato
com aquelas que não se comuniquem em LIBRAS, e para pessoas surdo-cegas,
prestados por guias-intérpretes ou pessoas capacitadas nesse tipo de atendimento;
» pessoal capacitado para prestar atendimento às pessoas com deficiência visual, mental
e múltipla, bem como às pessoas idosas;
» disponibilidade de área especial para embarque e desembarque de pessoa portadora
de deficiência ou com mobilidade reduzida;
» divulgação, em lugar visível, do direito de atendimento prioritário das pessoas
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida;

108
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
» admissão de entrada e permanência de cão-guia ou cão-guia de acompanhamento
junto de pessoa portadora de deficiência ou de treinador nos locais de uso público e
naquelas de uso coletivo, mediante apresentação da carteira de vacina atualizada do
animal;
» entende-se por imediato o atendimento prestado às pessoas portadoras de deficiência
ou com mobilidade reduzida, antes de qualquer outra, depois de concluído o
atendimento que estiver em andamento, observado o disposto no inciso I do
parágrafo único do art. 3o da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003 (Estatuto do
Idoso);
» os órgãos, empresas e instituições devem possuir, pelo menos, um telefone de
atendimento adaptado para comunicação com e por pessoas portadoras de
deficiência auditiva.

Figura 27 – Símbolo internacional de acessibilidade.

A concepção e a implantação dos projetos arquitetônicos e urbanísticos devem atender


aos princípios do desenho universal (concepção de espaços, artefatos e produtos que
visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características
antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-
se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade), tendo como referências
básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as regras
contidas no Decreto Federal no 5.296/2004.
Esta acessibilidade arquitetônica e urbanística deve englobar, por exemplo,
estacionamentos, acessos e calçadas, rampas, áreas de circulação, elevadores,
banheiros, balcões, sinalização visual e tátil, bebedores e telefones.
A acessibilidade à informação e à comunicação deve ser feita por meio da acessibilidade
nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de
computadores (internet), para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual,
garantindo-lhes o pleno acesso às informações disponíveis, e pela instalação telefones

109
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

de uso público adaptados para uso por pessoas portadoras de deficiência e deficiência
auditiva para acessos individuais.
Lei no 10.098 de 19/12/2000;
Lei no 10.048 de 8/11/2000;
Lei no 8.160 de 8/01/1991;
Lei no 7.853 de 24/10/1989;
Lei no 7.405 de 12/11/1985;
Decreto no 5.296 de 2/12/2004;
Decreto no 3.298 de 20/12/1999.
NBR 9050: SINESTESIA URBANA

110
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA

Para (não) Finalizar


Como se pode notar, a Ergonomia é um campo extremamente amplo e que tem o maior
potencial técnico de influenciar e alterar os paradigmas em um ambiente ou processo
de trabalho, ela se propõe, na sua essência, a adaptar o trabalho ao homem e, ainda,
respeitar todos os determinantes legais, sociais e ambientais. É uma disciplina de trato
traiçoeiro, pois parece fácil, mas mexe com todas as variáveis presentes em um
ambiente laboral, e o que é fácil pode se tornar complexo, além de haver muita
resistência por parte das empresas e de outros profissionais, em permitir uma
abordagem ergonômica do trabalho.
Neste caderno não tivemos condições e nem a pretensão de abordar todas as áreas de
atuação da Ergonomia, mas há uma demanda social em que cada vez mais a Ergonomia
pode ser chamada a solucioná-la ou dar uma formatação mais adequada, isto é, inseri-
la em contexto amplo cognitivo e organizacional que é o assédio moral. Assim, sugiro
que aprofundem na questão do assédio moral, ainda sem base legal que o sustente,
mas amplamente reconhecido pela saúde e cada vez mais pelos nossos tribunais, e de
forma diametralmente oposta também pesquisem mais sobre a utilização das cores e
sua influência no processo de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

(eds.) Participatory Ergonomics, Taylor and Francis, Londres, 30-50


(Org.). A regulação social do trabalho. Brasília: Paralelo 15, 2003.
[s.l.]: Bookman, 2005.
_____. _____. 2. ed. São Paulo: Edgar Blucher, 2005.
_____. A metodologia na ergonomia: ontem e hoje. In: FUNDACENTRO. A
inteligência no trabalho: textos selecionados de ergonomia. São Paulo:
Fundacentro, 1994.
_____. Custo humano do trabalho. In: CATTANI, A. D.; HOLZMANN, L. (Org.).
_____. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 4. ed. Porto Alegre:
Abergo, 2000 - A certificação do ergonomista brasileiro - Editorial do Boletim 1/2000,
Associação Brasileira de Ergonomia.

111
UNIDADE ÚNICA │ RISCOS ERGONÔMICOS

ABRAHÃO, Júlia. Introdução à ergonomia: da teoria à prática. São Paulo: Blucher,


2009.
Artes Médicas, 1998.
Aw A. (1988) - Competences des Operatuers et état fonctionnel des systèmes
automatisés transferés.
Brazil sob o título Ergonomia pela editora Qualimark.
Brown Jr. O. (1995) - The devellopement and Domain of Participatory Ergonomics.
Em: Proceedings of
Burke, M. 1998 - Ergonomics Tool Kit, Aspen Publication, Maryland, USA
CNAM/Paris, Cours TP B.
DANIELLOU, F. (Org.). A ergonomia em busca de seus princípios: debates
epistemológicos. Tradução de MIS. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. (Original publicado
em 1996).
de Graduação. PEP/COPPE.
de Montmollin, M.(1987)., L'Ergonomie, Editions La Découverte, Collection Repères,
Paris.
Dicionário de trabalho e tecnologia. Porto Alegre: UFRGS, 2006, v. 1.
Disponibilizado no site http://www.gente.ufrj.br
Duraffourg J., Guérin F., Pavard B. e Laville A. (1977) - Elements de méthodologie
Ergonomique.
FALZON, Pierre. Ergonomia. São Paulo: Edgard Blucher, 2007.
FERREIRA, M. C. O sujeito forja o ambiente, o ambiente “forja” o sujeito: mediação
indivíduo: ambiente em ergonomia da atividade. In: Ferreira, M. C.; DAL ROSSO, S.
Gomes J. O. e Vidal, M.C. (1999) - MENINGE: Método Negocial e Incremental do
GENTE/COPPE.
Grandjean (1977) - Fiiting the Task to the men. Taylor and Francis, Londres,
Inglaterra. Publicado no
GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem.
Guérin F., Laville A., Daniellou F . Teiger C. Kerguelen A. (1991) - Comprendre
le Travail pour le
GUÉRIN, F.; LAVILLE, A.; DANIELLOU, F.; DURAFFOURG, J.; KERGUELEN, A.
Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. São
Paulo: Edgard Blucher, 2001.
Hendrick H. (1998) The Economics of Ergonomics. in: Scott P., Shannavaz H. et al.
Global Ergonomics,

112
RISCOS ERGONÔMICOS │ UNIDADE
ÚNICA
http://www.gente.ufrj.br
Iida I. (1990) Ergonomia Produto e Produção. Editora Edgard Blucher, São Paulo
IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgar Blucher, 1990.
Imada, A. (1991) The rationale and Tools of Participatory Ergonomics. Em: K. Noro e
A.. S. Imada
Internet; http://www.gente.ufrj.br
Jastrzebowski, W. (1857) An outline of ergonomics, or the science of work. Central
Institute for Labour
LAVILLE, Antonie. Ergonomia. São Paulo: EPU, 1977.
LEHMANN, G. Physiologie pratique dutravail. Paris: LesEditions d’Organisation,
1955.
Meirelles, Comunicação pessoal - Professor de Engenharia de Métodos do CESERG.
Protection. Varsóvia
Sahbbi, N. 1984 La maintenance des étançons hidrauliques dans une mine de
phospates. Problémes
SALIBA, T. M. Legislação de segurança, acidente do trabalho e saúde do
trabalhador. São Paulo: LTR, 2002.
Taylor and Francis, Londres.
Tese de Doutorado, CNAM/Paris. (orientação A Wisner)
the IEA world Conference 1995, Rio de Janeiro.
Transformer- Anact Editions, Lyon, França..
Vidal M., Meirelles L.A., Masculo F., Comte F. (1976) - Introdução à Ergonomia.
Apostila para curso
Vidal M.C.R, (1997) - Ação Ergonômica na Empresa- Apostila de mini-cursos do
GENTE/COPPE,
Vidal M.C.R, 1999 - Curso Tutorial de Ergonomia. Conjunto de slides Powerpoint
disponibilizados na
Wisner A (1991) - A fabrica do futuro nos países de industrialização recente. Texto de
palestra
WISNER, A. A inteligência no trabalho: textos selecionados de ergonomia. São Paulo,
1977.
no GENTE/COPPE/UFRJ).

113
ANEXO
NORMA REGULAMENTADORA 17

17.1. Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação
das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a
proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e
descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de
trabalho e à própria organização do trabalho.
17.1.2. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas
dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a
mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido nesta Norma
Regulamentadora.
17.2. Levantamento, transporte e descarga individual de materiais.
17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora:
17.2.1.1. Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga é
suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição
da carga.
17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira
contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas.
17.2.1.3. Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a dezoito anos e maior
de quatorze anos.
17.2.2. Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um
trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança.
17.2.3. Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as
leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho
que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes.
17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão ser usados meios
técnicos apropriados.
17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte manual
de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para
os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança.
17.2.6. O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre
trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma
que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e
não comprometa a sua saúde ou a sua segurança.
17.2.7. O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico de ação
manual deverá ser executado de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja
compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança.
17.3. Mobiliário dos postos de trabalho.
17.3.1. Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho
deve ser planejado ou adaptado para esta posição.
17.3.2. Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, mesas,
escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura,
visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos:
a) ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com
a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento;
b) ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador;

114
c) ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação
adequados dos segmentos corporais.
17.3.2.1. Para trabalho que necessite também da utilização dos pés, além dos requisitos
estabelecidos no subitem 17.3.2, os pedais e demais comandos para acionamento pelos pés
devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance, bem como ângulos
adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador, em função das características e
peculiaridades do trabalho a ser executado.
17.3.3. Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes requisitos
mínimos de conforto:
a) altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida;
b) características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento;
c) borda frontal arredondada;
d) encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar.
17.3.4. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a partir da análise
ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os pés, que se adapte ao comprimento
da perna do trabalhador.
17.3.5. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados
assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores
durante as pausas.
17.4. Equipamentos dos postos de trabalho.

17.4.1. Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar


adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do
trabalho a ser executado.

17.4.2. Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, datilografia
ou mecanografia deve:
a) ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado proporcionando
boa postura, visualização e operação, evitando movimentação freqüente do pescoço e fadiga
visual;
b) ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização
do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento.
17.4.3. Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de
vídeo devem observar o seguinte:
a) condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à
iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de
visibilidade ao trabalhador;
b) o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de
acordo com as tarefas a serem executadas;
c) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as
distâncias olho-tela, olhoteclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais;
d) serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável.
17.4.3.1. Quando os equipamentos de processamento eletrônico de dados com terminais de
vídeo forem utilizados eventualmente poderão ser dispensadas as exigências previstas no
subitem 17.4.3, observada a natureza das tarefas executadas e levando-se em conta a análise
ergonômica do trabalho.
17.5. Condições ambientais de trabalho.

17.5.1. As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características


psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.

115
17.5.2. Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação
intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios,
salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros, são recomendadas as
seguintes condições de conforto:
a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no
INMETRO;
b) índice de temperatura efetiva entre 20oC (vinte) e 23oC (vinte e três graus centígrados);
c) velocidade do ar não superior a 0,75m/s;
d) umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento.
17.5.2.1. Para as atividades que possuam as características definidas no subitem 17.5.2, mas
não apresentam equivalência ou correlação com aquelas relacionadas na NBR 10152, o nível de
ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC)
de valor não superior a 60 dB.
17.5.2.2. Os parâmetros previstos no subitem 17.5.2 devem ser medidos nos postos de
trabalho, sendo os níveis de ruído determinados próximos à zona auditiva e as demais variáveis
na altura do tórax do trabalhador.
17.5.3. Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial,
geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade.
17.5.3.1. A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa.
17.5.3.2. A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar
ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.
17.5.3.3. Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os
valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO.
17.5.3.4. A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no
campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com fotocélula
corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência.
17.5.3.5. Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4,
este será um plano horizontal a 0,75m (setenta e cinco centímetros) do piso.
17.6. Organização do trabalho.
17.6.1. A organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos
trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.
17.6.2. A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em consideração, no
mínimo: a) as normas de produção;
b) o modo operatório;
c) a exigência de tempo;
d) a determinação do conteúdo de tempo;
e) o ritmo de trabalho;
f) o conteúdo das tarefas.
17.6.3. Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço,
ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho,
deve ser observado o seguinte:
a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e
vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde
dos trabalhadores;
b) devem ser incluídas pausas para descanso;
c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15
(quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de
produção vigentes na época anterior ao afastamento.
17.6.4. Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o disposto em
convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte:
a) o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores
envolvidos nas atividades de digitação, baseado no número individual de toques sobre o

116
teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer
espécie;
b) o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser superior a 8.000
por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito desta NR, cada movimento
de pressão sobre o teclado;
c) o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite máximo de 5
(cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o trabalhador poderá
exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da Consolidação das Leis do
Trabalho, desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual;
d) nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 minutos para
cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de trabalho;
e) quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15
(quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de toques deverá ser iniciada
em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea "b" e ser ampliada progressivamente.

ANEXO I
TRABALHO DOS OPERADORES DE CHECKOUT

ANEXO II
TRABALHO EM TELEATENDIMENTO/TELEMARKETING

117