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Cartilha para

todes
Uns toques sobre Diversidade e Respeito
Apresentação
Em 2016 nascia o Piranhas Team, pensando questões como segurança,
empoderamento e ação política. Não a política das grandes instituições,
mas a política de nosso dia-a-dia, que diz respeito as liberdades e aos
direitos de estar nos espaços, conviver e desenvolver potencialidades.

Coexistimos, plurais, diversos, com vozes, vivências, perspectivas de vida e


corpos diferentes. Nessa trajetória, de pessoas em permanente
aprendizado, construímos um espaço comum e acumulamos experiências
que aqui compartilhamos.

Para que os espaços em que convivemos sejam de respeito e acolhimento


às diferenças, temos o compromisso de combater preconceitos que
mencionamos em nosso Manifesto, nesta cartilha explicamos um pouco
mais o significado disso.

Mas saber conceitos abstratos sobre discriminações não resolve muito


nossos problemas. É necessário entender também como preconceitos
operam em nossas vidas concretas, qual é a nossa relação com eles, por
isso abordamos inicialmente a questão dos privilégios e do lugar de fala.
Esta cartilha não é um conjunto exaustivo de regras com a finalidade de
policiar comportamentos, mas sim um conjunto de ideias que
fundamentam um diálogo de respeito e empatia uns pelos outros.

Em momentos no qual proliferam discursos de ódio e intolerância,


acreditamos que essas ideias podem contribuir para a construção de
espaços de igualdade, respeito e valorização do próximo. Assim, passamos
a conversar sobre:

Privilégio
Lugar de fala
Racismo
Machismo e misoginia
Transfobia
Bifobia
Lesbofobia
Homofobia
Sorofobia
Gordofobia
Classismo e elitismo
Etarismo
Capacitismo
Xenofobia
Privilégio

São vantagens que a pessoa possui por não ser vítima de uma
determinada forma de preconceito ou discriminação.

O privilégio distribui de forma desigual o acesso das pessoas a


oportunidades, bens, círculos sociais e etc. Deste modo, beneficia uns e
prejudica outros, perpetuando injustiças sociais.

Há privilégio quando o sujeito pode estar em espaços que não o vejam


como alguém a ser evitado, como alvo de piadas, risadinhas, de
objetificações, sexualização, ou até mesmo agressões verbais e físicas.

Normalmente quem possui um privilégio não se dá conta disso, nem


consegue perceber as situações de injustiça que ocorrem com quem sofre
preconceitos, pois nunca os vivenciou.

Ter privilégio não é necessariamente ter uma vida fácil, mas significa que
um preconceito não torna sua vida mais difícil. Além disso, a pessoa pode
ter um privilégio em alguma área de sua vida, mas sofrer preconceito em
outra. Por exemplo, a pessoa pode ser branca e até mesmo rica, mas
sofrerá preconceito se for LGBT, soropositiva, idosa, imigrante e etc.
Lugar de fala
É o lugar social da pessoa, enquanto portadora de privilégios ou alvo de
preconceitos, que legitima sua fala acerca de vivências compartilhadas
coletivamente e que não são acessíveis aos sujeitos em outras condições
sociais.

Todos têm um lugar de fala, que diz respeito à perspectiva dos sujeitos a
partir do lugar social que ocupam.

Não significa que brancos não possam falar sobre racismo, mas o
protagonismo dessa discussão deve ser dos negros. O mesmo vale para
discussões sobre outros preconceitos: Pessoas cis hétero podem falar
sobre LGBTfobia, sempre respeitando o lugar de fala de quem vivencia
essas opressões.

Não reconhecer o lugar de fala é promover silenciamentos e manter


situações de discriminação.

O lugar de fala faz com que uma frase, uma piada e até um gesto, tenham
significados diferentes dependendo dos sujeitos no diálogo. Por exemplo,
uma frase dita por um LGBT, pode ganhar conotação LGBTfóbica quando
sai da boca que não é LGBT. Um comentário feito por alguém negro, dito
por alguém branco, pode mudar totalmente de significado, o importante é
estar atento e desenvolver a capacidade de escuta.
Racismo

É a discriminação, expressa em palavras e atitudes, baseada na ideia de


inferioridade de um grupo social por sua etnia, e da cultura ou religião das
pessoas pertencentes a essa etnia.

Há racismo, por exemplo, quando se trata o sujeito como alguém exótico,


quando se imaginam características inatas à “raça”. É racismo acreditar
que a pessoa é menos inteligente, é suja, é grosseira, fisicamente mais
resistente, é mais viril ou sexual, em razão de sua cor.

Olhar com desconfiança, tocar o corpo sem permissão, o cabelo, adereços,


ignorar a fala são atitudes que expressam racismo nas entrelinhas.

Além disso, ainda que pretensamente elogiosas, falas manifestam


preconceito em afirmações como: “Que cabelo diferente!”, "Você é uma
negra, uma mulata bonita.", “Mas eu até tenho amigos negros”.
Machismo e Misoginia
É a recusa à igualdade de gêneros e a crença na inferioridade física, moral
e intelectual das mulheres.

Há machismo quando se acredita na inferioridade, na fragilidade e na


existência de papéis, funções e comportamentos que sejam “típicos da
mulher” , portanto, de menor valor.

Desvalorizar o discurso da mulher, interrompendo sua fala ou tentando


explicá-la, são atitudes que demonstram machismo. Do mesmo modo,
assobios, olhares assediadores e abordagens não autorizadas - seja
segurando, tocando ou qualquer ação invasiva - são expressões do
machismo.

Esses preconceitos podem se manifestar em ofensas e desqualificações da


mulher que ousa ser livre e fazer de sua vida e de seu corpo o que bem
quiser, mas também de formas sutis, tais como tratando a mulher como se
fosse “fraca” e “frágil”.

“Mulher age com emoção e não com a razão.”, “Mulheres são delicadas”,
“Luta não é coisa para mulher”, “Mulher tem que se dar ao respeito” , “Tá de
TPM hoje?”, são algumas entre as muitas frases que demonstram esse
preconceito.
Transfobia
É a repulsa, o ódio, a violência e o medo de pessoas que não
correspondem aos padrões de gênero, impostos pela sociedade.

Há transfobia quando não se respeita o gênero no qual a pessoa se


identifica e quer ser tratada. Também é sinal desse preconceito não tratar
as pessoas trans (binárias ou não) do mesmo modo que seriam tratadas
pessoas cis. Em casos de maior gravidade, a transfobia causa violência
física e até mesmo morte.

A forma de olhar, de cumprimentar, a exotificação, a excessiva curiosidade,


não franquear acesso a espaços como, sua casa, ao banheiro conforme o
gênero, são manifestações de transfobia.

Também é importante atentar para falas que deslegitimam a identidade


das pessoas trans e expressam transfobia, tais como: “Nossa, mas você
nem parece trans”, “Você é operada?”, “Parece homem (ou mulher) de
verdade” entre outras.
Bifobia
É o desrespeito, a aversão ou discriminação contra bissexuais ou qualquer
pessoa cuja afetividade e relacionamentos independe de gêneros.

Ocorre bifobia sempre que se desmerece uma das possíveis formas de


relacionamento da pessoa, se questiona a veracidade dessa orientação, se
presume que é alguém que quer ficar com todo mundo ou que é uma
pessoa enrustida que está inventando desculpas.

Invisibilizar essa orientação, questioná-la em razão de comportamentos


ditos mais masculinos ou femininos da pessoa, encarar como se fosse
alguém indeciso, que não se relaciona sério com ninguém, valorizar ou
pressionar para um dos possíveis lados, são manifestações de bifobia.
Infelizmente há muita bifobia dentro da própria comunidade LGBT.

“Ah, mas isso não existe”, “é gay enrustido” , “Isso é uma fase”, “fulano pega
qualquer um”, “O que é melhor? Mulher, ou homem?”, “Esse ainda tem
salvação”, são algumas afirmações bifóbicas.
Lesbofobia
São as várias formas de violência (moral, psicológica e/ou física) a
mulheres que não se enquadram num perfil de feminilidade ou se
relacionam afetiva e sexualmente com outras mulheres.

Esta discriminação envolve desde, inferiorizações, insultos, negação de sua


orientação, até mesmo assédio e abuso sexual. É um preconceito que não
atinge somente lésbicas e normalmente vem acompanhada de machismo e
misoginia.

Presumir que mulheres que não se enquadram em papéis e


comportamentos que a sociedade espera são lésbicas, presumir que elas
vão dar em cima de qualquer mulher ou que são assim por que não
encontraram um homem de verdade são algumas manifestações de
lesbofobia.

Frases por exemplo: “Você nunca teve um homem pra te fazer mulher”, “tem
certeza que é lésbica? É tão feminina". "Mas suas amigas trocam de roupa
na sua frente?" “Não cabe mais um ai nesse casal?” "Quem é o homem do
relacionamento?".
Homofobia
É aversão, estigma e a violência contra homens cujo comportamento,
afetividade e sexualidade, não se enquadra naquilo que socialmente se
impõe como “coisas de homem’.

Homofobia pode ser referir ao preconceito contra gays e lésbicas, mas


como a lesbofobia tem características próprias, que já mencionamos,
trataremos agora do preconceito contra gays. A homofobia pode atingir
até quem não é gay e envolve desde olhares enviesados, piadas até
agressões físicas e mortes.

O desconforto diante de gays, acreditar que existem coisas típicas de


viado, ficar em silêncio ou rir de comentários homofóbicos, supor que vão
“dar em cima”, entre outros, são comportamentos homofóbicos.

Muitas falas revelam homofobia: “Ai, não quero treinar com esse viado
encostando em mim”, “”Faz como homem”, “Essa coca é fanta “Ah, mas não
rola pegação?”, “Vai tomar no c*” , “Não curto afeminados, nada contra,
questão de gosto”
Sorofobia
É o preconceito, estigma e aversão, externado contra pessoas que vivem
com o vírus HIV ou que desenvolveram AIDS.

Hoje, com tratamento e acompanhamento adequados, as pessoas vivendo


com HIV podem ter uma vida semelhante a de qualquer outra pessoa. Além
disso, já se sabe que o tratamento regular leva a supressão do vírus nos
fluidos corporais (indetectável), o que impede sua transmissão a outras
pessoas.

É importante lembrar que no Brasil é crime discriminar pessoas


soropositivas, bem como divulgar intencionalmente a sorologia com a
intenção de ofender ou difamar.

Esse preconceito gera isolamento, segregação e está ligado ao estigma


que a população LGBT ainda sofre por ter sido a mais afetada no início da
epidemia.

A sorofobia se manifesta em gestos e palavras e normalmente causa mais


problemas às pessoas vivendo com HIV que o próprio vírus. Não querer
treinar com uma pessoa soropositiva por ter medo de contrair o vírus.
Evitar o contato, o toque, o abraço. Advertir outras pessoas da condição
de soropositivo de alguém, Tratar o soropositivo como uma pessoa frágil e
menos capaz, são expressões desse preconceito.
.
Gordofobia
São as crenças e manifestações negativas e pejorativas em relação às
pessoas gordas, em razão de padrões estéticos . É assumir que toda gorda
é sedentária, doente, preguiçosa, feia, desleixada.

Os corpos que não se enquadram em determinado padrão estético são


criticados, socialmente evitados, discriminados em várias atividades.

Este preconceito além de causar estigma social, causa sofrimento


psicológico, baixa auto-estima e até mesmo problemas mais sérios como
depressão e transtornos alimentares.

Frases como: “Você não é gordo, é só fofinho“, “é uma questão de saúde”,


“ela está ótima, mas engordou”, “Ah, faz o que você conseguir… não precisa
fazer o treino que nem os outros” “entrou na academia para emagrecer,
“ele(a) é bonito(a), mas é gordinho(a)”, entre outras, demonstram gordofobia.
Classismo e elitismo
É o preconceito quanto a classe social da pessoa, relacionado ao poder
aquisitivo, ao acesso à renda, à posição social, ao nível de escolaridade, ao
padrão de vida, entre outros.

Esse preconceito supõe uma debilidade moral, uma menor capacidade,


inclusive intelectual da pessoa por ser pobre. Essa forma de discriminação
normalmente presume que as pessoas têm igualdade de condições, e se
vivem com menos recursos materiais é por que não se esforçaram o
bastante. Comumente associado ao racismo, esse preconceito é usado
para justificar a exploração do trabalho, pois se o sujeito é pobre, é porque
ele não gosta de trabalhar, não é inteligente, etc.

Distinguir as pessoas em razão de sua classe social, admitindo em seus


grupos sociais apenas pessoas “do mesmo nível”, menosprezar quem mora
na periferia, desconsiderar as barreiras financeiras de quem está em outra
situação econômica, ou mesmo com dificuldades quanto a emprego e
renda, são manifestações de classismo e elitismo.

São bastante comuns frases como; “coisa de favelado”, “ ah, mas você não
vai ter dinheiro pra isso”, “ pobre vota por esmola”, “ tá se aproximando por
interesse”, “tenho horror a pobre”, “gente fedido” que externam esse tipo de
preconceito.
Etarismo
Etarismo: é discriminação generacional, é um tipo de discriminação contra
pessoas ou grupos baseado na idade. Embora seja uma discriminação
relacionada a idade, ela é normalmente mais sentida por pessoas mais
velhas.

O preconceito etário ocorre nas famílias, nos órgãos governamentais, no


sistema de saúde, nos mercados de trabalho e em toda a mídia pela
reprodução de estereótipos. Reconhecer diferenças das pessoas segundo
sua idade não é o problema, mas o etarismo ocorre quando essas crenças
e atitudes são usadas para negar oportunidades que são dadas a outras
pessoas.

O etarismo também supõe que idades tenham que corresponder a


determinados papéis sociais (mãe, pai, avô, aposentado, etc…). Esta
discriminação vai desde o discurso bem intencionado que pretende tutelar
a autonomia das pessoas ao seu aviltamento moral e físico.

Também há etarismo quando desvalorizamos as experiências de vida do


sujeito, desconsiderando e tratando suas vivências como algo a ser
superado e esquecido.

Exemplos de frases etaristas; “ essa velha vestida assim, não se manca?”,


“porque esse velho não vai para casa, vai descansar, fazer qualquer coisa,
ele ta tomando o espaço de uma pessoa jovem”.
Capacitismo
É a discriminação e o preconceito social contra pessoas com de deficiência
de qualquer tipo (visual, auditiva, física, cognitiva ou múltipla).

O capacitismo parte da premissa de que a ausência de qualquer


deficiência é o padrão normal, e tudo que destoa disso deve ser superado
ou corrigido. Este preconceito priva as pessoas de oportunidades de
trabalho, lazer, vida social, entre outras. Além disso, frequentemente
desconsidera a autonomia e a liberdade dos sujeitos em escolherem o que
é melhor para si mesmos.

Os direitos das pessoas com deficiência evoluiu no sentido de que a


sociedade precisa se adaptar aos indivíduos, e não o contrário.

Há capacitismo quando se acredita que pessoas com alguma deficiência


são assexuadas, se julga a vida social destas como sendo mais pobre do
que a sua, quando você diz; “ah, mas você é quase normal”, “ah, você é
especial, você é um exemplo de superação”, “pior cego é aquele que não
quer ver”, e etc.
Xenofobia
É o medo, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros e
imigrantes.

A xenofobia é uma forma de rejeição à pluralidade e a diversidade na


sociedade e na cultura. Este preconceito opera a exclusão social de uma
pessoa por sua origem e comumente está relacionado ao racismo e a
discursos nacionalistas de superioridade de um povo sobre o outro. Em
países como o Brasil, cuja população é formada por pessoas que vieram
exiladas de outras partes do mundo, este preconceito revela também
ignorância quanto a História.

Esta discriminação pode se manifestar de formas sutis, através de crenças


sobre estrangeiros, considerando-os figuras “mesquinhas”, “exóticas”,
“intrigantes”, “sujas” ou de formas agressivas, através de discursos de ódio e
violências moral e/ou física.
Manifesto Piranhas

Piranhas, sim! Pela liberdade, pela igualdade, pelo empoderamento e


respeito a todos os corpos. Acreditamos na importância da diversidade, da
solidariedade, do trabalho em equipe e de espaços seguros; nos quais os
sujeitos sejam livres para desenvolver suas potencialidades, sem
preconceitos, em igual dignidade.

Mas por que o nome Piranhas? Acreditamos, na força dos usos e no poder
da palavra ressignificando uma expressão negativa, em um caráter
emancipador. Somos um time, porque Piranhas agem em cardume,
investem na colaboração e tem senso de comunidade.

Promovemos um espaço seguro, no qual ninguém sofra constrangimentos


por ser o que é, num ambiente de aprendizado, respeito mútuo e alegria.
Um lugar que respeita todes, combatendo o assédio e as discriminações
em razão de; cor, classe, credo, idade, deficiências, gênero, orientação
(assumida ou não).

Acreditamos que os corpos usualmente alvo da violência e corpos não


normativos devem saber se defender, isto é empoderamento, é ser livre, é
não viver refém medo. E esse aprendizado, deve se dar em um espaço de
respeito ao corpo e à individualidade.
.
Por isso, no Piranhas, não admitimos:

I - Racismo
II - Machismo e misoginia
III - Transfobia
IV - Bifobia
V - Lesbofobia
VI - Homofobia
VII - Sorofobia
VIII - Gordofobia
IX - Classismo e elitismo
X - Etarismo
XI - Capacitismo
XII - Xenofobia

Lutamos contra preconceitos, por uma sociedade justa, fraterna, livre e


diversa. Por uma ética e uma política libertária dos afetos, dos corpos e
das identidades, estamos alertas.
Agradecimentos

A todes companheires de jornada; pela


amizade, pela convivência, pela troca de
experiências e permanente aprendizado,
que nos ajudam em nossas lutas diárias.

Um agradecimento especial a nossos


queridos instrutores e ao CT Tori, sem os
quais esta jornada não seria possível!
Piranhas Team
Somos um grupo que promove empoderamento
e defesa pessoal para mulheres e LGBT`s.

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