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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

18.10.2018

Data dos testes:

1º teste- 14.12.2018

2º teste- 12.04.2019

Sumário

Noção, objecto e características do direito económico internacional.

A noção do direito económico internacional não é pacífica mas vamos adoptar uma
noção mais ou menos consensual. Sendo assim, o direito internacional económico é
considerado como conjunto de normas e de princípios que regulam as relações
económicas irnternacionais.

Desde já, fica de fora as relações meramente privadas ainda que sejam
internacionais.

Portanto, isto pressupõe a existência de dois ou mais ordenamentos jurídicos e têm


que ser matérias com relevância económica ao nível internacional.

Até ao século XIX (19), as relações económicas internacionais funcionavam na base


das legislações nacionais de cada Estado. E era usual os Estados desenvolverem
relações bilaterais, o que excluía muitos outros. Não existia um sistema internacional
que regulasse tais relações económicas internacionais, esta tendência alterou-se
significativamente após a 2ª Guerra Mundial, uma altura em que se concebeu um
sistema internacional alicerçado em três organizações:

 FMI;

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 Banco Mundial (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento -


BIRD);

 Organização Internacional de Comércio (OIC).

Papel de cada uma dessas organizações

 FMI- teria como objetivo manter a estabilidade das taxas de câmbios e auxiliar

os Estados através de empréstimos especiais com o propósito de poderem


superar as dificuldades das respetivas balanças de pagamento.

 Banco Mundial (BIRD) - teria como finalidade garantir o financiamento de

reconstrução dos países atingidos pela guerra e apoiar os projectos de


desenvolvimento dos mesmos.

 Organização Internacional do Comércio- teria como finalidade estabelecer e

regular um novo sistema para o comércio internacional baseado no livre


comércio e no multilateralismo.

Portanto, isso pressupõe acabar com as barreiras comercias.

Multilateralismo: alargamento do livre comércio para toda a gente.

Tanto o FMI como o BIRD, criados em 1945, iniciaram as suas actividades só no fim
da 2ªGM contrariamente à OIC que nunca entrou em funcionamento.

Em 1948, houve uma conferência realizada em Havana em que 53 países firmaram a


Carta de Havana. Entretanto, o congresso Norte americano não ratificou a referida
Carta. Este facto desincentivou os demais países, impedindo consequentemente a
entrada em vigor da Organização Internacional do Comércio.

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Uma vez falhada as intenções da Carta de Havana, diversos Estados resolveram em


1947, em Genebra, concluir um acordo designado de acordo Geral das Tarifas e
Comércio (GATT) que vigorou até 1994 data da criação da organização mundial do
comércio.

O GATT, atual OMC, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 1948, é uma


organização de natureza económica e de vocação universalista. Resultou de uma
iniciativa do Conselho Económico e Social e no sentido de institucionalizar a
cooperação internacional contribuiu para o incremento das relações bilaterais e a
sua posterior universalização, representando atualmente, os seus Estados-membros,
mais de 85% do comércio mundial.

Características do Direito Internacional Económico

O Direito internacional económico apresenta as seguintes características:

 Direito quadro;

 Votação por peso;

 Dualidade das normas;

 Clausula de salvaguarda.

 Direito quadro porque as normas do Direito Internacional Económico são

gerais, recorrendo-se a conceitos quadro, menos rígidos e portanto flexíveis,


que podem ser facilmente alterados.

Isto é assim, na medida em que as relações económicas são demasiadamente


complexas e estão em constante mutação. Pelo que o estabelecimento das regras
rígidas poderiam criar dificuldades (bloqueio às relações entre sujeitos de direito
internacional económico. por exemplo: Estados).

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 Votação por peso: esta característica mostra-nos que no Direito internacional

económico o principio base da igualdade das partes (dos Estados) não existe.
Ex- (FMI e Banco Mundial) porque quanto maior for a quota que o país paga,
maior é o seu peso na organização, na tomada de decisões.

 Dualidade das normas: significa que as normas do Direito internacional

económico têm carácter dualista, aplicando-se de forma diferente aos países


industrializados e aos países em vias de desenvolvimento.

As normas internacionais não são aplicadas de forma uniforme para os países


desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento.

 Cláusula de salvaguarda: esta característica revela que a aplicação das

normas do Direito internacional económico depende da situação dos países


que normalmente estão em constante alteração. Por isso, funciona como
mecanismo de concessão de exceções, através dos quais, os países se isentam
temporáriamente de certas obrigações constantes nos tratados ou nas
resoluções das organizações internacionais. Assim, os tratados podem manter-
se e os países isentarem-se temporariamente das condições impostas.4

Relação do Direito Internacional económico e outros ramos de conhecimento

Direito Internacional económico e DIP

Já vimos que a origem do Direito internacional económico remonta ao final da 2ª


GM, com o objetivo de assegurar a estabilidade e segurança nas relações económicas
internacionais, porque antes não existia normas que regulassem essas relações. Antes

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dessa altura as matérias de que se tratam no Direito internacional económico eram


abordadas de certa maneira no âmbito do DIP. Alguns autores consideram por isso,
que o Direito Internacional Económico é um ramo de DIP mas que se autonomizou
por razões da sua especificidade. Contudo, o Direito internacional económico
apresenta diferenças com o DIP no domínio das suas fontes, do seu objeto e dos
seus sujeitos.

Direito Internacional económico e Direito comunitário

Existe uma relação estreita entre essas duas disciplinas. Isto por uma razão muito
simples, antes da existência do Direito comunitário as matérias eram resolvidas no
âmbito do Direito Internacional Económico. Se o Direito internacional económico
tem carácter recente comparativamente ao DIP, também, o Direito comunitário tem
carácter recente comparativamente ao Direito internacional económico. Tem uma
especificidade particular do Direito comunitário que é da aplicação direta.

Fontes do Direito Internacional económico

É importante lembrar que a fonte do Direito é tida como modo de formação e de


revelação das normas jurídicas. Portanto, as fontes do Direito Internacional
económico são as seguintes:

1. As convenções ou tratados internacionais;

2. O costume internacional;

3. Os princípios gerais;

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4. A jurisprudência;

5. A doutrina.

 As convenções ou tratados internacionais: acordos internacionais assinados

através de um consenso;

 Costumes internacionais: determinadas práticas internacionais reiteradas,


acompanhadas com a convicção da obrigatoriedade e essas praticas no
ámbito internacional têm que ser constantes e uniformes.

 Princípios gerais de Direito: referem-se a valores fundamentais reconhecidas

comummente pelas nações civilizadas.

P/ex.:Princípios relativos aos Direitos humanos, Princípios de livre comércio e


princípio da não discriminação...

 A jurisprudência: são as decisões judiciais. Isto é, apenas nas matérias

económicas.

 Doutrina: produção dos intelectuais sobre as matérias económicas.

NB: alguns até incluem as resoluções das organizações internacionais no leque das
fontes do Direito internacional económico.

Sujeitos de Direito Económico Internacional

Sujeitos do Direito internacional: entidades que sobre elas empreendem algumas


obrigações mas que também são sujeitos de direito na relação com os demais
sujeitos no âmbito internacional.

Os sujeitos do Direito internacional económico são os seguintes:

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 Estados;

 Organizações internacionais económicas;

 Agentes económicos internacional e

 As empresas multinacionais;

 Estados: são considerados sujeitos primários do Direito Internacional


económico uma vez que cabe à eles a criação dos demais sujeitos do direito
internacional. Neste caso, os Estados soberanos.

 Organizações internacionais económicas: são entidades intergovernamentais,


constituídas por acto de vontade dos Estados, mediante um tratado de
carácter permanente. Por serem criados pelos Estados, são considerados
sujeitos derivados ou secundários;

Uma das grandes diferenças entre as organizações internacionais económicas e os


Estados reside no princípio da especialidade que rege as referidas organizações.

Enquanto que os Estados possuem todos os Direitos e deveres reconhecidos pelo


Direito Internacional diferentemente das organizações internacionais que só podem
praticar actos autorizados ao abrigo do tratado constitutivo. Portanto, os Estados
possuem jurisdição ampla enquanto que as organizações internacionais estão
adstritas ao tratado da sua constituição.

NB.: Apesar de tudo isto, as organizações internacionais económicas são


independentes dos Estados e são regidas pelo Direito Internacional.

 Os agentes económicos internacional: são entidades criadas ou não pelos


Estados com o propósito de trazer empreendimentos benéficos auxiliando a

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economia dos países. Esses tipos de entidades podem receber designações


diversas:

- organismos internacional de gestão;

- estabelecimentos públicos internacional.

NB: tais agentes internacionais podem ser públicos ou privados.

Ex: Bancos Centrais, cooperação financeira internacional...

 As empresas multinacionais ou transnacionais: são empresas que exercem


as suas atividades em mais de um Estado através das suas filiais ou
sucursais.

Essas empresas desempenham um papel fundamental na economia global. Uma


empresa multinacional dispõe de apenas uma nacionalidade mas pode ter filiais de
nacionalidades diferente.

Se em 1970 existia cerca de 7.000 empresas multinacionais, atualmente existe mais


de 50.000. Sendo que 90% encontra-se nos países ricos ou industrializados e que
controlam mais de 207.000 filiais a nível do planeta.

Aula do dia 25.10/2018

Conclusão :.. Podemos dizer q as empresas multinacionais sao as mais


importantes ....no direito internacional económico.

Uma das questões que se levanta ao nível das empresas multinacionais tem que ver
com a sua tributação.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Os Estados têm estado a assinar acordos para evitar a dupla tributação sobre uma
determinada empresa pelos rendimentos arrecadados. Neste tipo de acordo
normalmente os países menos industrializados é que saem a perder. Contudo,
desempenham um papel de grande relevância no processo de desenvolvimento de
um país. Ex: na criação de empregos, na inovação técnica, na produção em escala,
na concorrência e acesso aos mercados internacionais.

 Inovação técnica graças a competitividade entre empresas provoca uma


dinâmica na economia.

 Produção em escala- produção em grande quantidade influencia na fixação

dos preços, concorrência e acesso aos mercados internacionais.

Filial: é uma empresa ligada à outra chamada empresa mãe. Apesar de ser filial tem
personalidade jurídica e autonomia nas suas ações. Isto é, passa a ser titular de
direitos e obrigações, por isso podem ter nacionalidade diferente da empresa mãe.

Sucursal: é um estabelecimento ou representação comercial de uma determinada


empresa e é desprovida de personalidade jurídica.

NB: a sucursal desenvolve actividades inerentes a empresa que representa.

Síntese

Numa das aulas anteriores vimos que a origem do Direito Internacional Econômico
remonta ao final da 2ª Guerra Mundial, visando trazer uma atmosfera de segurança
às relações jurídicas de cunho econômico existentes entre os sujeitos do Direito
Internacional.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Por sua vez, entende-se como DIE o conjunto de normas que regula as relações
econômicas internacionais entre os seus sujeitos (Estados, Organizações
Internacionais – OI, empresas transnacionais e indivíduos). Também vimos, quais são
as fontes do DIE (as convenções/tratados internacionais, o costume internacional, os
princípios gerais, as decisões judiciais e as doutrinas dos publicitários) e as suas
características (direito quadro, voto por peso, dualidade de normas e a cláusula de
salvaguarda) deste novo ramo do Direito Internacional Público. Já agora, serão
abordados os métodos de solução de conflitos originados nas relações econômicas
internacionais.

Métodos de resolução de litígios (conflitos) no ámbito do direito internacional


económico

Até aqui aprendemos que o Direito Internacional Econômico tem como escopo
regulamentar as relações econômicas internacionais, permitindo a liberalização das
trocas internacionais, financiamentos e investimentos, por meio da previsibilidade e
da segurança jurídica.Contudo, ainda assim, podem surgir conflitos entre os sujeitos
do DIE. Desta forma, é hora de compreender o que são estes conflitos e como
podem ser resolvidos.10

Litígio: é um desacordo sobre uma questão de direito ou de facto, uma contradição,


uma oposição de teses jurídicas ou de interesses de dois ou mais Estados .

Entretanto, com a evolução da sociedade internacional e o surgimento de novos


sujeitos do DIE, você deve atentar ao fato de que estes conflitos podem derivar não
só de uma oposição entre Estados, como também “entre Estados e OI, entre Estados

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e indivíduos, entre Estados e pessoas jurídicas, entre as OI, entre OI e indivíduo, entre
OI e pessoa jurídica, entre os indivíduos, entre indivíduo e pessoa jurídica, e entre as
pessoas jurídicas” 11

Litígio tem como sinónimo: lide, disputa, controvérsia etc...

Todos os sujeitos do Direito Internacional económico procuram resolver os seus


conflitos por via pacífica, mas isso só depois da 2ª GM com o surgimento de várias
organizações internacionais. Neste sentido, pode-se citar, entre outros documentos
internacionais que consagram a solução pacífica dos conflitos, a Carta da ONU (artigo
2º/3).

Métodos pacíficos de resolução de conflitos

Os métodos de resolução de conflitos classificam-se em:

 Método diplomático;

 Negociação

 Serviços amistosos

 Consulta

 Bons ofícios

 Mediação

 Método político;

 Método judicial.

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NB: é importante esclarecer que nenhum desses métodos é melhor que o outro. Isto
porque não há qualquer grau de hierarquia entre os meios de solução pacífica dos
conflitos. Portanto, podendo as partes, em regra, decidir pelo que melhor atende
seus interesses.12

É necessário ressaltar que “enquanto a diplomacia é formalmente aplicada somente


para as disputas entre Estados, ela pode ser útil também para as disputas entre as
instituições e indivíduos”12

 Método diplomático: entende-se como diplomático, aquele método em

que as partes de uma controvérsia a resolvem ou tentam resolvê-la


mediante negociação, serviços amistosos, consulta, bons ofícios e
mediação. (Modalidades do método diplomático)

 Negociação: é quando o conflito é resolvido por intermédio de um

acordo realizado diretamente entre os litigantes por via diplomática


sem a interferência de terceiros alheios ao conflito.

- As negociações podem ser bilaterais ou multilaterais.

A negociação é bilateral quando envolve só dois sujeitos.

A negociação é multilateral quando envolve três ou mais sujeitos. Esta


última também é conhecida como conferência ou congresso internacional.
12

 Serviços amistosos: são aqueles prestados sem aspecto oficial por

diplomata designado pelo governo para que chegue a um bom termo sem

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a necessidade de maiores movimentações e sem chamar atenção da


opinião pública.

 Consultas: nada é mais do que a negociação realizada de forma

programada. Diferente da negociação que não é programada.

Na consulta tal como na negociação não há qualquer intervenção de terceiro.


(Ponto comum)

O sistema de consultas é a “previsão – normalmente expressa em tratado de


encontros periódicos onde os Estados trarão à mesa suas reclamações mútuas,
acumuladas durante o período, e buscarem solucionar, à base desse diálogo direto e
programado, suas pendências”.

 Bons ofícios: diferentemente da negociação, nos bons ofícios há a

participação de um terceiro sujeito (Estados, OI e/ou indivíduos)13que


ajuda na solução do conflito. Conhecido por prestador de bons oficios. A
intervenção deste é meramente instrumental, no sentido de que13 Este
facilita apenas a aproximar as partes e pode até não conhecer o motivo do
conflito.

No fundo, Bons ofícios “são atos por meio dos quais uma terceira parte procura
facilitar e abrir via às negociações das partes interessadas, ou buscar reabrir
negociações que foram interrompidas”.

 Mediação: é um meio de resolução pacífica de conflitos onde um terceiro

oficialmente intermedeia uma negociação. Assim como nos bons ofícios, na


mediação há a participação de um terceiro, conhecido neste caso como
mediador. Mas ao contrario dos bons ofícios, na mediação o terceiro
intervém mais activamente ficando a par do conflito e das razões dos

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conflitantes, sugerindo ao final uma solução. Ressalta-se que se trata de


mera sugestão, podendo os conflitantes aceitar ou não o parecer do
mediador.14

Obs: é fundamental a imparcialidade do mediador para que o processo da


mediação termine bem. Caso contrário, não haverá confiança para que a
mediação possa ocorrer.

 Método político: é aquele em que o litígio é resolvido diretamente por

intermédio de uma organização internacional.

Ex: Convocação da Conferência de Berlim.

 Método judicial: também chamado de jurisdicional ou legal.

A arbitragem e a solução judiciária são os métodos judiciais que existem.

- A arbitragem é um processo jurídico em que as partes conflitantes elegem


um ou mais árbitros para a resolução de conflito.

Se for mais de um árbitro o problema é resolvido por um tribunal arbitral.

A escolha da arbitragem para as partes é feita mediante uma convenção


arbitral. A convenção arbitral pode ser clausula arbitral ou compromisso
arbitral.

Clausula arbitral: é disposição constante do tratado de qualquer outra


natureza informando que os futuros litígios dele originário serão resolvidos
pela arbitragem.

Compromisso arbitral: é tratado ou acordo formalizado após:

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a) a existência de um tratado principal ou acordo constitutivo de uma


organização, ou ainda

b) a existência do litígio. Neste último caso, as partes descrevem o conflito,


designam o árbitro ou tribunal arbitral, definem as regras procedimentais,
comprometendo-se a cumprir o laudo arbitral. 15

Obs: a arbitragem pode ser institucional ou ad-hoc.

A arbitragem institucional: existe quando a convenção arbitral determina


que o litígio será arbitrado por uma instituição arbitral que administrará o
procedimento arbitral mediante suas próprias normas.

Na arbitragem ad-hoc: as partes fixam as regras e formas em que o processo


arbitral será conduzido naquele caso em particular. Sendo assim, o
procedimento arbitral não seguirá as regras de uma instituição arbitral, mas
sim as disposições determinadas pelas partes ou pelos árbitros.

Solução judiciária: quando os litígios são submetidos aos tribunais para a sua
resolução.

Ex: tribunal internacional de justiça da CEDEAO.

Sanções no Direito Internacional económico

Sanções ou meios coercivos viola os princípios que estão estabelecidos na carta das
Nações Unidas. Ex.: Intimidação, ameaça...

Há quem entende que a aplicação dos meios coercivos de forma unilateral pode ser
injusta, porque só os países fortes economicamente poderiam estar a tirar partidos.

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Modalidades de Sanções

1. Rompimento das relações diplomáticas: é o rompimento das relações

oficiais entre Estados por meio da retirada dos agentes diplomáticos no Estado
violador e o retorno dos agentes diplomáticos do Estado ofendido.

2. Retorsão: é uma medida aplicada pelo Estado ofendido ao Estado ofensor.

Consiste no mesmo acto legal e inamistoso praticado por este último, é um


acto que não contraria o Direito internacional.

Quer dizer, a contestação legal que um Estado faz, respondendo, pacificamente, a


outro por sua atitude prejudicial e pelo não-atendimento a reclamações justas. No
DIP, método aplicado pelo Estado negando ao estrangeiro domiciliado na nação o
benefício dos mesmos privilégios que o seu país de nascimento recusa aos nacionais
desse Estado, em condição idêntica.

P/ ex.: Senegal aumentou a taxa de exportação e a Guine Bissau respondeu


fazendo o mesmo. Isto é, fazer ao outro o que lhe fez.

3. Represália: é uma medida coerciva aplicada pelo Estado ofendido ao Estado


ofensor. Porém ao contrário da retorsão, o acto é ilegal porque viola o Direito
internacional.

Para a Aplicação da represália devem ser observados os seguintes princípios


comulativamente:

a) A existência de um acto contrário ao Direito Internacional;

b) A inexistência de outros meios;

c) Que o Estado obtenha a reparação;

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d) Proporcionalidade em relação ao delito;

e) Que o Estado lesado tenha tentado antes de praticá-la, obter satisfação sem
sucesso.

Preenchendo estes requisitos, o Estado pode lançar mão à represália.

Existem dois tipos de represália:

 Represália armada;

 Represália não armada.

Na armada: bloqueio pacífico apesar do nome, não tem nada de pacífico. Trata-se,
na verdade, de impedir, mediante força armada, as comunicações com portos ou
com a costa do Estado ofensor.

Na represália não armada:

 suspensão de um tratado válido;

 Boicote (rotura das relações económicas, comerciais e financeiras entre


Estados);

 Confisco de bens doutro Estado (acontecia mais em tempo de guerra);

 Embargo (sequestro em tempo de paz dos navios e cargas provenientes do


Estado ofensor nos portos ou águas territoriais do Estado ofendido).

Diferença entre sequestro e rapto?

No sequestro não se pede nada em troca enquanto que no rapto espera-se algo em
troca inclusive pede-se resgate.

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Síntese

Nesta unidade, você pôde observar que, apesar da regulamentação das relações
econômicas internacionais, podem existir conflitos originados por desentendimentos
nestas relações.Foi verificado também que é princípio da Carta da ONU que estes
conflitos sejam resolvidos mediante meios pacíficos, sejam eles diplomáticos,
judiciais ou políticos. Todavia, existem ainda os meios coercitivos que, em que pese
serem considerados injustos pela maioria dos juristas pois quem os pode aplicar são
normalmente países desenvolvidos com poder econômico, ainda são
utilizados.Ressalta-se que há uma tendência no sentido de permitir que os meios
coercitivos, também conhecidos como sanções, sejam utilizados não por um país
individualmente, mas mediante intervenção de uma Organização Internacional com
poderes para tanto como, por exemplo, a ONU e a OMC.

Aula do dia 01/11/18

A crise financeira internacional e suas consequencias nas relações económicas


internacionais.

2. Análise das crises e dos ciclos económicos

Ciclo Económico- é o período ao fim do qual tendem a repetir-se pela mesma


ordem, os fenómenos económicos sem que seja necessário retorno ao ponto de
partida.

Alguns indices ao nível do emprego por exemplo tendem a repetir-se.

- As fases elencadas pelo prof Soarez Martinez :

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1. Fase de prosperidade,
2. fase de Crise e de
3. Depressão....

Outros autores acrescentam à estas fases a fase do Renascimento.

* Os ciclos económicos têm seguintes fases:

- prosperidade
- Crise
- Depressão
- Renascimento

A fase da prosperidade é o período normal de crescimento económico.

A fase da crise é oé, período


quando em que os da
indices fundamentais
estão emdabaixo
economia
decréscimos (isto os índices economia nível) registam
ou seja,
vê se a contracção (redução) brutal de:

 produção;
 queda dos preços;
 falência rítmica (ritmo acelerado em que vão as falências);
 aumento de desemprego
e não(quando as empresas
pagar osnão conseguemdáhonrar os
seus compromissos conseguem funcionários aso ao
despedimento e não só...).

 queda de consumo (quando as pessoa não têm poder de compra).

NB.: Tudo isto é contrário na fase de prosperidade.

-A fase da Depressão- é o periodo posterior a crise, caracterizado pela adoção de


medidas de recuperação da economia. Apesar de todas as medidas que podem ser
tomadas pelos governos, nesta fase a economia não consegue chegar ao nível
desejado.

- A fase do Renascimento- é o período em que a economia volta a enveredar por


um caminho ascendente. Desde logo, podemos constatar o seguinte:

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- Aumento de produção;

- Aumento de exportação;

- Expansão de crédito;

- Aumento de consumo e o

- Aumento de emprego etc...

Obs: Até se chega a alcançar as vezes um nível superior ao da fase de prosperidade.

3. Tipos de ciclos Económicos

- Baseando na regularidade da existência do período de prosperidade, crise,


Depressão e renascimento os estudiosos de economia identificaram vários tipos de
ciclos económicos nomeadamento:

1.ciclo Kitchen (economista americano) assinala uma duração de três ou quatro


anos como sendo o período em que os fenómenos económicos tendem a repetir-se
pela mesma lógica;

2. Ciclo de jugler ( economista francês) este assinala uma duração de 8 a 11 anos


através de publicação de uma obra em 1869. Considera que a crise era um
fenómeno que não deveríamos analisar isoladamente.

Trata de um dos mais importantes ciclos, analisando as crises clássicas de sobre


produção, verificamos que é no lapso temporal identificado por este autor que os
mesmos tendem a ocorrer. Tomando por exemplo:

Crise de 1900
Crise de 1907
Crise de 1913
Crise de 1920

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Crise de 1929

Obs: há crises que surgem ao meio e que não abarcam o ciclo apresentado por este
autor (Jugler). Ex.: pragas, catástrofes naturais (secas) ...isto é, crises sazonais.

3. Hyper ciclos ou ciclos longos- assinalam uma duração de dezasete a dezoito


anos. Os estudos destes ciclos nao estão ainda suficientemente apurados.

Aula do dia 09/11/2018

4. CICLO de KONDRATIEF- também conhecido como ciclo largo.

Ele assinala um longo período de cinquenta ou sessenta anos. É também um dos


importantes ciclos que a ciência económica estuda. Dentro deste ciclo haverá vários
sucessos e retrocessos.

5. CICLO PLURISÉCULOS

- Assinala uma duração de cem a duzentos anos.

Para além dos ciclos referidos apontam-se a existência de outros de pequena


duração como ciclos diários, semenais, mensais ou até anuais.

Contudo há um desprezo entre os juristas relativamente a estes ciclos.

- Historicamente, as crises cíclicas fizeram sempre parte da cultura tradicional dos


povos, basta lembrar das descrições bíblicas dos tempos de vacas gordas e de vacas
magras na época do José do Egipto. Os povos da antiguidade conheceram as crises
de penúria que consiste na produção insuficiente para a capacidade de escoamento
revelado pelo consumo.

- Ademais, quando os ciclos ocorriam, muitos conectavam-nas a factos estranhos a


economia, as crises eram ligadas à infelicidade das colheitas, as guerras ou a uma
desgraça da natureza que motivava fome e miséria.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

( as sete vacas magras representariam sete anos de crises... E as sete gordas


representariam os sete anos de prosperidade como ciclos económicos para que
pudessem adotar certas medidas de precaução).

- Para as medidas adotadas para superação de crises nao derem ou surgir efeitos o
Estado pode adotar outras medidas

Aula do dia 14/11/2018

ORIGEM, A INTERNACIONALIZAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS DA CRISE ECONÓMICA


E FINANCEIRA DE 2007 NAS RELAÇÕES ECONÓMICAS INTERNACIONAIS

1. ANTECEDENTES DA CRISE DE 2007

Esta crise teve como antecedentes a situação nos Estados Unidos, durante o
mandato do Presidente Bill Clinton entre 1993-1997. Durante este período, adotou-
se uma politica que visava incentivar que todos podessem ter casa própria para
habitação da família através da redução de taxas de crédito por parte de algumas
agencias de crédito. Houve período em que a taxa chegou a ser de 1%
concretamente depois do atentado de 11.09.2001.

ORIGEM DA CRISE

A crise financeira em causa teve início no setor imobiliário nos EUA passando os seus
efeitos para o setor financeiro e finalmente para a economia real.

Tudo começou com a crescente valorização dos imóveis que incentivou o aumento
da procura dos mesmos. com a valorização dos imóveis, os bancos sentiram-se
estimulados a conceder créditos para aquisição dos mesmos para habitação. Os
créditos eram dados com garantias hipotecárias bastante lucrativas e abstraindo da
análise do historial do crédito do interessado. contemplava-se o financiamento a

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todos quanto interessavam na aquisição dos imóveis para habitação... Foi assim
criado o sistema de hipoteca subprime que eram empréstimos hipotecários
concedidos à pessoas sem rendimentos, trabalhos e bens para poderem arcar com
as suas prestações. Esta facilidade universalizou o acesso ao credito nos EUA. A
rentabilidade do mercado subprime evolui de tal maneira que de pressa tornou
insustentável...

A procura de casas que aumentava cada vez mais, a dada altura enfraqueceu e um
elevado número de casas ficou sem compradores.

Subprime: pessoas que não tinham rendimentos

Prime: bons pagadores

Default: as que tinham dividas e que pagavam depois.

Os bancos comerciais, companhias de seguros e muitas outras empresas que


investiram no setor começaram a registar enormes perdas finceiras originadas
pelas incapacidades das famílias americanas em pagar os seus créditos
imobiliários. (Aliado à especulação e medo por parte das pessoas que
operavam no mercado).

Em traços gerais podemos dizer que esta crise foi motivada pela concessão
desenfreada de créditos imobiliários, através das empresas como a Fannie Mae e
Freddie Mac, controladas pelo governo americano, assim como por falhas na
regulação do sistema financeiro que permitia a transferência dos créditos
hipotecários em série, permitindo a transferência de riscos para outras contrapartes.

AULA DO DIA 15/11/2018

- A INTERNACIONALIZAÇÃO DA CRISE

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Quando a turbulência começou a sentir-se nos EUA ela generalizou-se rapidamente


e a rapidez com que a crise propagou para o resto do mundo deve-se em termos
gerais a posição da liderança americana na economia e particularmente no sistema
financeiro.

As empresas americanas são dinâmicas, inovadoras, registam progresso tecnológico e


aumento extraordinário de produtividade.

Estes fatores levaram com que o sistema fnanceiro americano se tornasse muito
atraente para todo o mundo que sistematicamente investiram os seus capitais
naquele mercado. Então afinal todo o mundo estava envolvido na desgraça causada
pelo mercado imobiliário americano, isto foi assim na medida em que as hipotecas
subprime dos EUA foram sucessivamente absorvidas dada a sua rentabildade pelos
investidores da Europa, do Japão, e dos países emergentes.

A demais os bancos americanos envolvidos em hipotetecas subprime criaram


derivados negociaveis no mercado financeiro. Tais titulos passaram a ser negociados
por diversos bancos e instituições fora dos EUA.

Estas foram as principais razões para a generalização da crise. O exemplo


paradigmatico é a falência do banco britânico NORTHEN ROCK, em setembro de
2007.

- CONSEQUÊNCIAS DA CRISE NAS RELAÇOES ECONÓMICAS INTERNACIONAIS

Como acabamos de expor a presente crise financeira é uma crise sistémica isto é
com suscetibilidade de transmitir os seus efeitos negativos sobre outros países e
instituições não afetadas. Portanto devido o risco sistémico cada Estado ou
instituição procurou adotar outras atitudes no relacionamento internacional.

24
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

- A crise gerou desconfianca no mercado internacional e particularmente no mercado


interbancário mundial nas relações económicas entre os Estados e entre as
empresas.

- A crise incentivou adoção de medidas de não incentivo das trocas entre as nações;

- A crise gerou os mecanismos de intervenção do FMI em diferentes países.

- A crise gerou ainda a crição de novo mecanismo de regulação internacional no


domínio da banca.

CONSEQUÊNCIA DA CRISE NOS PAÍSES SUBDSENVOLVIDOS

FRACA PRODUTIVIDADE DOS ESTADOS EM VIAS DE DESENVOLVIMENTO

DEPENDÊNCIA DAS REMEÇAS DOS MIGRANTES

Armas de destruição maciça reservado aos membros do conselho permanente das


NU para os EUA existiu a razão para envadir o Iraque

Contrário do que o relatório dos peritos confirmava.

AULA DO DIA 16/11/18

A REFERENCIA AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO OU DE CONTENÇÃO A CRISE

1. MEDIDAS NORTE AMERICANAS

Perante a crise financeira que assolou os EUA em 2007, cedo começou-se a


equacionar medidas de contenção da crise. Os estudiosos nomeadamente juristas e
académicos em geral começaram a propor soluções por forma a ajudar os decisores

25
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

políticos a lidar com a situação. Assim por exemplo ocorreu varias Injeções
Monetárias direcionadas para o setor financeiro Americano.

Paralelamente as mais importantes medidas de contenções da crise foram as


Reformas Globais no setor financeiro. O objetivo destas reformas era de
reorganizar as estruturas supervisoras do sistema financeiro do país criando-se para
tal várias agências ou autoridades de supervisão.

 Em março de 2008 uma proposta de reforma de supervisão foi encaminhada


ao congresso e pouco tempo depois da posse do presidente Obama, nova
proposta foi apresentada pelo secretário de Estado do tesouro americano, foi
esta proposta assinada em 2010 pelo presidente dos EUA que assinalou
grandes reformas finaceiras norte- americanas, trata-se da lei DODD - FRANK,
mais importante documento de reforma financeira nos EUA desde os anos 30.

Foram igualmente adotadas as medidas que implicaram corte nas despesas públicas
e aumento das receitas, foram ainda adotas as medidas para incentivar o aumento
do emprego e garantir a segurança social.

2.AS MEDIDAS EUROPEIAS

A nível da União Europeia (UE) registou-se também elevadas injeções financeiras com
o proposito de salvar a situação. Contudo, apesar das criticas que foram dirigidas aos
responsáveis europeus pela reação tardia, a comissão europeia apresentou em
setembro de 2009, Uma proposta de reformas financeiras, baseada no relatório "LA
LARORIÈRE " O referido relatório foi apresentado logo depois da falência de um
prestigiado banco norte americano de investimento LEHMAN BROTHER . foi apartir
destas reformas que a europa criou:

a. comite Europeu de risco sistémico;

26
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

b. Sistema europeu de supervisores financeiros;

Comité Europeu de risco sistémico- este comité com sede em Frankfurt presidido
pelo BCE (Banco Central da Europa) tem a seguinte composição:

Presidente e vice-presidente do BCE

Governadores de BCE nacionais

Presidente de autoridade bancaria europeia

Presidente de autoridade europeia dos seguros e pensões complementares de


reformas

Presidente de autoridade europeia dos valores mobiliarios

E por fim as autoridades nacionais de supervisao de setores de banca, seguros e


valores mobiliarios.

2. Atribuicoes

a. Supervisao macro-prudencial do sist financeiro a nivel da europa;

b. Identificar e avaliar as potenciais ameaças que representam perigo para


estabilidade do sist financeiro;

c.emitir alertas às autoridades comunitárias e nacionais em caso de risco sistémico;

2. O sistema Europeu de supervisor Financeiro

É uma rede de autoridades de supervisao financeira nacionais e comunitarias .

Atribuições:

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

a. Faz supervisão integrada de sistema financeiro, intercambio no dominio de


supervisao para evitar qualquer valvula de escape a ação supervisor( troca de
informações entre as entidades suprivisoras e adotar as medidas convenientes)

MEDIDAS INTERNACIONAL ADOTADAS PARA O SETOR BANCARIO

- BASILEIA III

Como se pode calcular a crise financeira imprimiu grandes alterações importantes no


que diz respeito particularmente a atividade bancaria internacional.

A reaçao a crise financeira tera provocado as sucessivas reuniões do G20 entre 2008-
2010 no ambito do comite de basileia para a supervisão bancaria.

Esse comite de Basileia foi criado em 1974 e instituido um ano depois pelos
governadores dos bancos centrais dos paises que formaram na altura grupo G10
( grupo dos países mais industrializados) nomeadamente:

Alemanha, Bélgica, Canadá ,EUA, França ,holanda, Itália, Japão, Reino unido e Suécia.
O Comité tem como objetivo a regulação bancária internacional promovendo
as melhores políticas de supervisão bancária.

Portanto na sequencia das orientações dadas ao comite no sentido de formular


novas propostas de regulação, este órgão apresentou em 2010 em Seul no encontro
de G20. Nessa altura o G20 determinou ao comité a formulaçao de novas propostas
de regulação financeira. Assim surgiram novas regras aplicáveis a atividade dos
bancos que ficaram conhecidas por basileia III.

O Basileia III consiste fundamentalmente:

Primeiro- No reforço do fundo próprio de bancos

28
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Segundo -Na redução do risco sistêmico

Terceiro- Nas reservas bancáriias

Quarta-feira No estabelecimento do período de transição suficientemente largo para


acomodar as novas exigências.

-No estabelecimento do périodo de transição suficientemente largo para acomodar


as novas exigências.

No fundo o Comité de basileia III estabeleceu mais exigências aos bancos.

Aulas do dia 22.11.2018

A UEMOA e a crise economica e financeira de 2007

Em primeiro lugar é importante assinalar que os países da UEMOA não foram


diretamente abalados pela crise financeira internacional. Isto é assim, na medida em
que os países membros não participaram no mercado imobiliário norte americano,
alem de mais o fraco dinamismo, inovação, e robustez económico destes países
não lhes permitem investir seriamente nos mercados internacionais ao ponto
de assumirem riscos do genero . não obstante isso, os efeitos da crise financeira
não deixaram de se sentir nesses países. Aliás, o professor Renato Gonçalves a
propósito, sublinha que a crise internacional assolou todas as economias e até a
Africa que parece estar fora da globalização económica.

NB: Isto porque durante a crise financeira muitos projectos pararam, mesmo ao
nível das NU.

29
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Por essa razão muitos países africanos sentiram indiretamente a consequencia


negativa da crise financeira internacional porque os doadores não se encontravam
em condições de continuar a dar o apoio que efectivamente davam antes da crise.

Perante a turbulência económica internacional a UEMOA adoptou medidas de:

Sobre o sector Bancário

1º aumento do capital mínimo dos estabelecimentos de credito no bancos (dez


bilhões)

Estabelecimento financeiro de natureza bancária- três bilhões de francos CFA;

IIº é a criacao do comité de estabilidade financeira em maio de 2010. Este comité é


um órgão de concertação e de coordenação entre os supervisores de sector
financeiro da UEMOA.

COMPOSIÇÃO DE COMITE DE SEGUIMENTO

Este comité tem a seguinte composição:

1. Ministros das fianças da UEMOA;

2. BECEAO

3. Comissão Bancária do BECEAO;

4. Conselho Regional de poupança Pública e dos Mercados Financeiros;

5. CIMA (Comité inter africano de Mercado de Seguro);

6. A conferencia inter africano de Providencia Social;

Portanto são estes os supervisores do mercado financeiro que participam na


cooperação e coordenação em sede de comité.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Este comité identifica eavalia as potenciais ameaças que possam representar perigo
para a estabilidade do sistema financeiro da UEMOA e emite alerta aos estados
membros.

Um dos efeitos da crise é que aumenta também o desemprego.

Aulas do dia 23.11.2018

Agencias de rating

Estas empresas surgiram em meados do sec 19 nos EUA quando algumas empresas
começaram a fornecer informações sobre a solvabilidade de alguns clientes visados.
Nos dias de hoje há esse mesmo entendimento porque rating "é uma opinião sobre
a capacidade de um país ou de uma empresa poder honrar os seus compromissos
financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas que emitem notas
expressas na forma de letras e sinais aritméticos que apontam para o maior ou
menor risco de ocorrência de falta de pagamentos- estas empresas são conhecidas
com o nome de agencias de rating ou de notação financeira ou ainda de
classificação de riscos.

Estas empresas surgiram para garantir os credores de que os devedores estarão


em condições de poder pagar as dividas, estas empresas no fundo funcionavam
como detetives. Essas informações incentivam ou desincentivam os investidores
a investirem ou não.

Geralmente, as agências de rating utilizam a escala A, B, C e D na classificação dos


riscos de investimento .

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Na escala de standard & poors e Fitch a melhor classificação é A A A, a pior é D. já


na escala de Moodys a melhor classificação é Aaa e a pior é C.

De referir ainda que notas acima de BBB ou Baa3 dão ao agente o grau de
investimento diferentemente a classificação, abaixo, dá o grau de especulação.

Essas agências demonstram dois tipos de riscos designadamente:

- risco soberano;

-Risco país.

O primeiro, mostra a dificuldade dos governos ou bancos centrais (Bancos


controlados pelos Estados) poderem honrar os seus compromissos perante os
credores, enquanto que o risco país abarca as empresas privadas, os institutos
públicos, as empresas publicas, etc...

Estas empresas (Moodys, standard & poors e Fitch) controlam 95% do mercado.

Não havia como responsabilizar essas pessoas porque eram apenas opiniões técnicas
por exemplo durante a crise de 2007. Quando essas empresas emitirem classificação
negativa faz os credores retrairem-se.

Aula do dia 28.11.2018

CAUSAS DE ESTABELECIMENTO DAS RELAÇÕES ECONÓMICAS ENTRE AS NAÇÕES

Desde sempre, a ciência económica procurou explicar o aparecimento das relações


económicas internacionais. Assim, varias teorias foram formuladas por forma a
explicar o assunto:

Temos desde logo a escola clássica de um lado e a escola sueca da economia


de outro.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Na escola clássica importa destacar os contributos do Adam Smith com a sua


teoria de divisão do trabalho. Para ele, as trocas internacionais se baseiam nas
diferenças absolutas de custos de produção ou seja, se um país estrangeiro nos
poder fornecer uma mercadoria a preços mais baratos do que aqueles a que
podemos suportar na produção dos bens, será para nós mais vantajoso operar a
troca com o produto que a nossa indústria produza em termos mais vantajosos.

A razão da troca teria por base o custo de produção.

Teoria dos custos comparados de David Ricardo

David Ricardo aperfeiçoou a teoria de Adam Smith e a seu ver, é difícil que um país
apresente vantagem absoluta quanto aos custos de produção de certos bens e
desvantagens absolutas no que respeita ao custo de produção de outros bens.
Ricardo apresenta-nos assim uma teoria de vantagens relativas. Concluindo contudo
que cada país terá vantagens em se especializar na produção de mercadoria que fica
mais barata.

Duas ideias fundamentais a reter. Para David Ricardo:

É dificil que um país tenha vantagens absolutas. Por isso defendeu a sua teoria de
vantagens relativas;

Reforçou a ideia da especialização


Nenhum pais pode ter performance em relacao a produção de todos os bens.

Contribuição da escola Sueca da economia

Essa escola avança com a teoria da desigual repartição geográfica dos factores de
produção. Para os autores Suecos as relações económicas internacionais seriam os

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

fundamentos para as trocas internacionais que resumir-se-ía em processo de fornecer


factores abundantes em troca de factores raros.

Para a escola clássica a razão das trocas entre as nações ao nível internacional
estaria no custo de produção, para a escola sueca da economia entende que o
factor determinante na troca ao nivel internacional dos produtos seria a troca de
factores abundantes por factores raros.

Aula do dia 29.11.2018

BALANÇA DE PAGAMENTO

BALANÇA DE PAGAMENTO: BALANÇA DE COMÉRCIO, DE INVISÍVEIS, DE


TRANSACÇÕES CORRENTES E DE CAPITAL.

Para o professor Eduardo Raposo Medeiros a Balança de pagamento seria um


documento contabilístico onde se regista de forma sistemática os activos reais,
monetários e financeiros durante um determinado período de tempo entre os
residentes e não residentes de um determinado país.

- Activos reais

- Activos monetários. ?

- Activos financeiros

A balança de pagamento Mostra todas as operações que são efectuadas entre os


residentes e não residentes de um determinado país dentro de um determinado
período de tempo, em regra dentro de um ano.

A balança de pagamento pode ser positivo ou negativo.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Balança de comércio: é o registo ou confronto das importações e exportações de


bens processados durante o período de um ano, excluindo as mercadorias em
trânsito ou serviços.

Portanto, a balança do comércio é constituída pelas mercadorias que um país


compra ao estrangeiro e pelas mercadorias que esse mesmo país vende ao
estrangeiro. Logo, o saldo é determinado pela diferença entre o montante das
exportações e das importações. É a partir da balança do comércio que se pode
apurar o comércio especial de um país ou de um espaço económico.

Se a importação for superior a exportação significa que a balança de comércio


apresenta-se deficitária ou negativa.

Se for contrário, teríamos uma balança de comércio superávit ou positiva.

O ideal é ter mais exportações que importações.

Balança de invisíveis - corresponde as trocas internacionais de serviços e é


designado de invisíveis pela falta de materialidade (os serviços não são palpáveis).
Como se sabe, qualquer país além de comprar bens também utiliza serviços
prestados por entidades estrangeiras e além de vender bens para o estrangeiro
também presta serviços. Na Balança de invisíveis incluem-se os valores de Fretes
marítimos, terrestres, aéreos, bem como as receitas e despesas realizadas por
turistas, as remessas de migrantes etc...

Balança de Capital: indica as operações de importação e exportação de capital.

Balança das transacções Correntes: É no fundo o conjunto da balança de


comércio + balança de Invisíveis.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Aula do dia 07.12.2018

Mercado cambial

É entendido como o lugar onde se efectua operações de compra e venda de


moeda estrangeira (divisas).

A multiplicidade das moedas nacionais faz com que o pagamento das transacções
internacionais exija a existência do mercado. Sobretudo porque temos uma
produção local, a nossa economia também é local mas o nosso comércio é
internacional.

Com o abandono da troca direta que se fazia antigamente começou a surgir a


moeda que é usada normalmente para as operações de câmbio.

Taxa de câmbio é o preço de uma moeda expresso noutra moeda.

A taxa de câmbio apareceu necessariamente para regular os pagamentos entre os


residentes de diferentes países, daí que as operações cambiais tenham por base o
comércio internacional e os movimentos de capitais.

a taxa de cambio surgiu por causa da necessidade de regular as transacções


internacionais.

Sala de câmbio: é normalmente o lugar onde se encontram os operadores


cambiais.

Centros de apoio: normalmente os grandes bancos têm técnicos que recolhem


informações nas diferentes praças financeiras através de terminais de computação
com vista a terem informações sobre as movimentações de determinadas moedas
nessas praças financeiras. Neste caso refere-se à auxilação da moeda.

36
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

A procura da moeda é que determina a subida ou descida da cotação da própria


moeda.

Desvalorização: é um acto político que a autoridade monetária pratica no sentido


de baixar o valor da própria moeda com vista a atingir determinados objetivos. Por
ex: estimular a exportação por forma a que entra divisas no seu próprio mercado
permitindo-lhe adquirir produtos de fora.

Aula do dia 03.01.2019

Características do mercado cambial

1ª Transferência do poder aquisitivo - que significa que é um mercado não


limitado geograficamente, sendo possível realizar operações num mercado e, após o
fecho, continuá-las noutros mercados, e assim sucessivamente. A propósito, diz o
Professor Kindleberger (1978) " os mercados cambiais atuais seguem a trajetória
do sol a volta do globo, através dos satélites de telecomunicação (característica
de continuidade).

Um determinado operador pode estar numa determinada praça financeira a comprar


divisas e o outro pode estar num outro ponto mas podem negociar-se apesar da
distância geográfica. É um mercado que funciona ininterruptamente, por causa da
diferença dos fuso horários. Neste caso o mercado pode fechar num determinado
país e estar a abrir-se noutro país permitindo a pessoa transferir o seu poder
aquisitivo (característica da continuidade).

2ª Sensibilidade (conforme informações assim é que atua, isto é, ele reage de


imediato as informações que lhe chegam) trata-se de um mercado sensível as
informações que lhe chegam nomeadamente:

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

 Acontecimentos políticos e sociais dos países (crises); (atentado ou golpe


de Estado por ex) a instabilidade não ajuda no crescimento económico de
um determinado país e como consequência disso a tendência é do
volume da exportação diminuir-se.

 Publicação de indicadores económicos (mais ao nível dos Estados, e é feito


por uma autoridade competente por exemplo governo);

 Desequilíbrio entre a oferta e a procura;

 Previsões dos indicadores económicos das organizações económicas


internacionais (FMI, BANCO MUNDIAL).

Qualquer um desses motivos pode condicionar o mercado cambial.

3ª Volatilidade - é um mercado volátil ou instável porque há riscos de auxilação das


taxas de câmbio. Contudo, hoje existem mecanismos que permitem cobrir os riscos
cambias como por exemplo a posição do câmbio. É instável porque depende de
muitos factores.

4ª Liquidez: que é resultado do seu funcionamento constante porque a medida que


a pessoa compra divisas vai vendendo.

No mercado cambial há sempre reservas líquidas de divisas por causa da atuação


dos próprios intervenientes.

Costuma-se dizer que este mercado movimenta milhões e milhões de dólares por
ano.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Precisando mais o mercado cambial, em termos de funcionamento, encontra-se


a regra de três unidades:

- A unidade de tempo, que está ligada à característica da continuidade, na medida


em que as operações de câmbio realizar-se continuamente em cada vinte e quatro
horas, em virtude dos fusos horários;

- A unidade de lugar reportada a dimensão planetária;

- A unidade de operação, encontrando-se os mesmos procedimentos e produtos,


apoiados em tecnologias informáticos.

Aula do dia 04.01.2019

Atores do mercado cambial

Os principais atores no mercado cambial são: sociedades comerciais, bancos


comerciais, instituições financeiras não bancárias e os bancos centrais.

1º As sociedades comerciais que por operarem em mercados estrangeiros,


promovendo actividades de importação e de exportação têm a necessidade
permanente de divisas ou de liquidez.

2º Bancos comerciais: eles têm uma posição central no mercado porque por eles
passam as transacções internacionais que implicam débitos e créditos despoletados
pelas empresas e pessoas singulares. Para além desta actividade ao serviço da
economia real, dedicam-se sobretudo ao comércio de divisas com outros bancos,
denominado mercado interbancário, movimenta diariamente valores da ordem de
seis mil bilhões de dólares, com a preocupacão de terem sempre reservas de divisas.

3º As instituições financeiras não bancárias: que surgiram em meados dos anos


oitenta, encrementando as suas atividades junto aos clientes nos diferentes

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

segmentos do mercado, dedicam-se a actividade de financiamento em determinadas


áreas através de concessão de crédito.

Por exemplo cá entre nós temos diversas agências de microcrédito.

4º Os Bancos centrais: que compram e vendem reservas internacionais nos


mercados privados de activos a fim de influenciar as condições macroeconómicas
das respetivas economias. Estas transacções são designadas genéricamente por
intervenções oficiais no mercado de câmbios e influenciam a injeção ou a retirada de
meios de pagamento na economia.

Se existir muita massa monetária de divisas em circulação eles podem adotar


medidas para evitar que haja facilitação na compra de divisas ou seja impedir que
haja muita circulação de moedas (ou retirada de divisas no mercado) mas se houver
escassez de divisas podem adotar política de injeção de divisas no mercado.

NB: todos esses atores interrelacionam-se nesse mercado.

Aula do dia 09.01.2019

Sistemas e políticas cambiais

Em termos metodológicos podem-se analisar determinados sistemas cambiais, com


algumas variantes, que representam as políticas modernas de câmbio:

1ª politica de financiamento do déficit global de pagamentos

2ª politica de controlo cambial;

3ª politica de câmbios flutuantes;

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

4ª politicas de câmbios fixos. (Fixação de taxa a baixo do qual não se pode


negociar)

Todas essas politicas têm algumas variações.

Sabendo que as taxas de câmbio auxilam no mercado.

Aula do dia 10.01.2019

1- politica de financiamento do déficit global de pagamentos (podem-se financiar


este déficit de pagamento através de injeção monetária ou outros variantes, mas a
melhor solução é procurar descobrir o que provoca este déficit na balança de
pagamento), sem alterar a taxa de câmbio ou a situação da economia nacional.

1ª variante: financiamento de desequilíbrios temporais.

O caso de desequilíbrios manifestamente temporários, alternando déficit e superávits


(quando há um registo positivo) de tipo sazonal, pode compatibilizar-se com uma
politica de taxa cambial estável por forma a poder resolver o problema ou fazer face
a esse período alternado, ora de deficit ora de superavit.

2ª variante: o deficit num pais de divisas-chave.

Nesta variante traduzir-se-á na situação de país ser um centro de reservas dado a sua
moeda nacional ser uma divisa-chave nas transacções internacionais. Foi o caso dos
EUA, após a segunda Guerra Mundial e ate aos princípios dos anos 70. O crescimento
da procura estrangeira da moeda americana dava possibilidade aos EU de suportar
deficit sem preocupações na respectiva balança de pagamentos, com acréscimo das
vantagem que auferiam de adquirirem aditivos nas economias de outros países. Até
porque a moeda americana servia de reserva do FMI.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

2- Em relação a politica de controlo cambial

O controlo de câmbios tem vindo a ser aplicado periodicamente, um pouco por


toda a parte. Os desequilíbrios persistentes no exterior têm levado a defender taxas
de câmbios fixas, através do controlo da autoridade monetária, restringindo as
compras de bens e serviços no estrangeiro.

Por causa dos desequilíbrios na balança do pagamento do país, atualmente os


bancos centrais adotam uma politica de restringir a compra de serviços no
estrangeiro fazendo com que o pais diminua a importação de bens e serviços no
estrangeiro. Porque se importar muito do estrangeiro tem que se pagar na moeda
estrangeira, isto é na moeda daquele país.

Podem faze-lo também indiretamente através dos bancos comerciais dando


diretrizes claros à estes bancos restringindo o acesso ao crédito.

Porque quem traça a politica de funcionamento é o banco central.

3- politica de câmbios flutuantes: os câmbios flutuantes surgiram a partir da crise


de 1971(antes desse período não havia a política de câmbio flutuante). Aqui o
mercado de câmbios passa a ser livre, isento de toda intervenção da autoridade
monetária.

Como variante, pode aparecer o câmbio flutuante dirigido que consite em


autoridade tentar modificar, progressivamente, a taxa de câmbio até a um novo
equilíbrio. Durante este processo, poderá ocorrer uma modificação de taxa mensal
pré-determinado, nesta situação fala-se na existência de paridade deslizante,
quando a autoridade monetária constatando o desequilíbrio no mercado
cambial, intervém no mercado anunciando a data e a taxa correspondente.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

A autoridade monetária pode intervir também no mercado de câmbio


diariamente e sem aviso prévio, nesta situação fala-se na existência de
flutuação impura.

4- Câmbios fixos: aqui a autoridade monetária ajusta o conjunto da economia a


uma dada taxa cambial fixa.

Caso os deficits persistam a perda de reservas projetar-se-á numa punção (retirada)


sobre a massa monetária que diflaciona a economia, com baixa de preços e
rendimentos até ao ponto em que a oferta e a procura voltem a igualar-se para a
taxa de câmbio.

Como variante encontram-se os câmbios ajustáveis, em que pode haver


desvalorização, caso a paridade antiga não propicia um ajustamento adequado.

Aqui a autoridade monetária fixa uma determinada taxa ex 650 e quando há


desequilíbrio na taxa de câmbio pode-se retirar uma determinada quantidade de
massa monetária em circulação.

Ou desvalorizando a sua moeda por forma a equilibrar a sua moeda da moeda


estrangeira.

Aula do dia 11.01.2019

Instrumentos de atuação no mercado cambial:

Operações cambiais à vista

Operações cambiais à prazo

1- Operações cambiais à vista (operações Spot).

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Nas operações cambiais à vista, uma das partes compra uma divisa e vende outra à
uma determinada taxa num período data-valor de dois dias à data de transacção,
estipulando-se os locais de pagamento. É chamado de operações cambiais à vista
porque o prazo é curto para o cumprimento de ambas as partes.

Ver esta matéria no Manual do Prof. Raposo Medeiros

Operações cambiais à prazo: uma operação cambial a prazo consiste num acordo
de troca de uma moeda por outra moeda, numa data futura, sendo a taxa de
câmbio previamente estabelecida por ocasião do referido acordo. Estas operações
são normalmente efectuadas entre os bancos e operadores económicos, uma vez
que ao nível interbancário predominam os Swaps (troca).

Swap cambial não há pagamento de taxa de juros. Este ocorre mais no mercado
interno.

Swap de divisa há pagamento de taxa de juros. Este ocorre mais no mercado


internacional.

Os Swaps

O Swap é um termo, que em inglês significa "troca" ou "permuta", utilizado


como referência a contratos que permitem a troca de indexadores entre duas
partes.

O swap cambial- o swap cambial pode ser definido como uma transacção na qual
duas partes trocam certos montantes de duas moedas, logo no início, fazendo
reembolsos no final do período contratual envolvendo juros e amortizações. Por
outras palavras o swap constitui um acordo com a contrapartida de troca de uma
moeda contra a outra moeda à vista, com promessa de fazer uma operação cambial
em sentido oposto em data posterior, à uma cotação igualmente definida.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Já os swaps cambiais pressupõem uma troca de cash-flows em moedas distintas

permite ao investidor ou a uma empresa, cobrirem os riscos futuros em conversões


de moedas estrangeiras. Um Swap Cambial também pode ser acordado entre países
para que exista uma melhor estabilidade nas taxas de câmbio, principalmente para o
controle da inflação na economia.

É importante destacar que os swaps cambiais proporcionam uma proteção


futura para quem precisa encarar o imprevisível mercado de câmbio.

Ex A e B celebram acordo em que Tem dólar americano e B tem euro, B precisa


imediatamente do Dólar...

Swap de divisas: consiste numa troca entre duas partes de duas moedas diferentes
em quantidades previamente determinadas e a obrigação reciproca de pagamento
de juros e de reembolso do montante acordado conforme a modalidade de
períodos fixados.

Principais diferenças entre swap cambial e swap de divisas

1ª diferença: os swaps cambiais (swaps de câmbio) são instrumentos de curto prazo,


diferentemente de swaps de divisas que são instrumentos de longo prazo.

2ª diferença: o swap cambial não implica o pagamento de juros, mas o swap de


divisas envolve pagamento de juros.

Porque isto pode envolver mais riscos.

3ª diferença: o swap de câmbio tem na troca final uma cotação à termo ou tempo
certo (forward), o swap de divisas utiliza na troca final uma cotação à vista, prefixada

45
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

ou não consoante se aplica respetivamente a cotação do período inicial numa


constatação à data do vencimento.

NB.: Em ambos os swpas ocorre a operação de compra e venda de divisas.

Aula do dia 16.01.2019

Arbitragem cambial

Aparece sempre que houver uma discrepância de rendimentos certos sobre


diferentes divisas. A aplicação da arbitragem consiste no facto de o arbitragista
comprar divisas na praça financeira onde a cotação é mais baixa para vender
numa outra praça financeira onde a cotação é mais elevada. Não passa dessa
atuação do arbitragista.

A especulação cambial pode ser definida como um comportamento que tem em


vista obter ganhos ou lucros com base na expectativa da variação da moeda
envolvendo por isso maiores riscos para o especulador.

Aqui o especulador apesar de ter objetivo de obter lucro mas não tem certeza da
variação da moeda.

Gestão direta do risco de cambio: A posição de câmbio

De uma maneira geral, designa-se de posição de câmbio ao conjunto de elementos


expostos às flutuações de câmbio. Na verdade os atores no mercado cambial estão
sujeito há um risco permanente, pois entre o momento em que a sala de câmbios
fixa a cotação de um dos seus clientes e o momento da reversão da operação pode
surgir mudanças de cotação. A cobertura deste tipo de risco pode ser resolvida
pela técnica das cotações alargadas, de maneira a que a amplitude da cotação

46
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

cubra uma possível variação. Todavia, as empresas reagem à essa indefinição e


pretendem saber o preço exato de mercado, daí a utilização da técnica de
posição de câmbio. Quer dizer as empresas reagem e querem um montante exato.

Aula do dia 17.01.2019

Desvalorização

Noção dada pelo FMI: segundo FMI, trata-se de uma redução do valor oficial da
moeda nacional em relação ao ouro e as divisas estrangeiras.

Após a desvalorização é necessário para obter a mesma quantidade de moeda


estrangeira despender (tirar) mais moeda nacional que foi desvalorizada.

Depreciação é coisa diferente, é a constatação fática face a desvalorização da moeda


nacional em relação a moeda estrangeira.

O nível de exportação e investimento no país conta muito para a valorização da


moeda.

A desvalorização está ligada à déficits crónicos da balança de pagamento e que


não podem continuar a manter-se, pelas seguintes razões:

1ª o deficit crónico esgota as reservas em divisas internacionais e até compromete a


possibilidade de negociar empréstimos (indevidamente).

2ª deficit crónico da balança comercial e da balança de serviços conduz a um


freio às importações o que pode representar a inatividade do aparelho produtivo
nacional forçosamente com impactos na área de exportação.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

3ª o deficit cronico representa efectivamente a sobrevalorização da moeda nacional


acompanhado dos movimentos de fuga de capitais e de atrasos na chegada das
receitas de exportação.

4ª o deficit cronico conduz a rarefacção de bens, sobretudo estrangeiros e daí o


aparecimento da recessão (depressão) económica que pode arastar-se finalmente
para outras fases.

O problema de deficit cronico Pode conduzir que o bens estrangeiros se tornem


raros nos respetivos países que se enfrentam o problema na balança de pagamento.
e o país tem que reagir a essas situações e uma das reações possíveis é a
desvalorização da moeda nacional neste caso os países que tem a soberania
monetária.

NB.:Todos esses quatro pontos São justificações para mostrar que não se pode
manter deficit crónicos na balança de pagamento.

Aula do dia 18.01.2019

Preparação da desvalorização

A desvalorização por ser uma decisão politica a taxa de desvalorização a fixar tem
que ser bem estudada, porque só uma taxa suficientemente elevada pode permitir a
obtenção de ganhos de produtividade.

NB. A desvalorização não é uma decisão qualquer por isso é importante uma
coordenação no seio da autoridade política.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Por ventura, a taxa mínima de desvalorização ficará balizada pela ausência de


impacto junto dos operadores económicos, até devido as condições de
financiamento.

O limite superior da taxa de desvalorização ficará fundamentalmente dependente de


três razões:

1ª A questão de elasticidade- a baixa de preços das exportações, aumenta em


principio o volume das mercadorias a sair para o estrangeiro. As receitas totais em
divisas têm de ser bastante superiores em relação ao período anterior.

Obs. Quando se desvaloriza o objetiva é estimular a exportação. Para o pais poder


exportar-se é importante ter uma capacidade produtiva suficiente.

2ª O problema da alta de preços- aqui é preciso verificar que a alta de preços não
debilita os ganhos sobre as exportações. Trata-se de uma condição necessária ainda
que não o suficiente.

Se a exportação vai levar a subida de preços no mercado interno, o governo pode


adoptar politicas na restrição quantitativa de exportação.

3ª A repercussão pelos parceiros económicos- isso significa dizer por outras


palavras que os parceiros económicos do país devem suportar a desvalorização. Isto
quer dizer que os parceiros económicos devem colaborar ou dando apoio noutros
domínios ao pais cuja moeda está desvalorizada caso contrário irá criar complicação
a este país.

NB.:Estes São os três aspectos que têm que se levar em conta antes de efectuar
a desvalorização.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Uma vez encetada a politica de desvalorização, devem ser emplementadas também


um conjunto de medidas de politica económica, de modo a aumentar a capacidade
de exportação.

Havendo uma situação de inflação os meios normalmente utilizados são:


restrição de crédito, aumento da pressão fiscal, obtenção de um superávit
orçamental e a eliminação de mecanismos automáticos de inflação.

- Restrição de crédito: (restringir acesso a facilidade de crédito isto é reduzir a massa


monetária em circulação) por forma a não permitir que as pessoas tenham dinheiro
para fazerem compras porque isto poderá provocar o aumento de preço no
mercado. A restrição de credito pode ser associado com o aumento da taxa de juro.

Com essa medida o governo consegue controlar a inflação.

- Aumento da pressão fiscal (imposto): com o objetivo de diminuir o rendimento


disponível, travando a procura global privada. Com esta medida o Estado diminui
indirectamente o consumo das pessoas e Com isto estabiliza-se o preço ao nível
interno porque com a diminuição do consumo haverá mais produtos disponíveis no
mercado.

- Obtencão de um superávit orçamental (excesso ou sobra);

- Eliminação de mecanismos automáticos de inflação como por exemplo o caso


da indexação. Porque senão pode criar complicações se começar o aumento de
consumo descontrolado. Isso pode permitir o governo tomar medidas mais certeiras
para fazer face à situação e ter sucesso para a desvalorização.

Aula do dia 24.01.2019

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Obstáculos à politica de desvalorização a seguir pelos países em vias de


desenvilvimento.

Os obstáculos podem ser resumidos em quatro grupos de questões a saber:

1º - Direitos aduaneiros e contingentes impostos pelos países industriais;

As duas armas de política comercial internacional assinalados reduzem o mercado


dos produtos primários. É pois, compreensível que os direitos aduaneiros na sua
taxação sectorial anulem o efeito benéfico de uma ou outra possível desvalorização.
Do mesmo modo, a aplicação de contingentes torna aquela inoperante.

NB- o direito aduaneiro é um Direito de qualquer país cobrar qualquer coisa que vai
entrar no seu território.

Contingente da importação quer significar restringir a entrada do produto


estrangeiro até uma determinada quantidade.

Porque se adotar as politicas de desvalorização os seus parceiros optarem por aplicar


a politica de contingente acaba por se prejudicar porque com a restrição quantitativa
dos produtos que o país cuja moeda é desvalorizada para a sua entrada no mercado
exterior ou doutro país que aplica o regime de contingente, aquele não consegue a
quantidade de divisa pretendida por causa da restrição que lhe é imposta.

2º Prefêrencias pautais aqui ao contrário da situação enumerada no ponto 1,


funcionará em sentido positivo, na medida em que possibilita, por derrogação a
pauta geral, preços mais competitivos, para certos produtos primários.

3º A existência de oligopólios e monopólios.

A teoria da elasticidade bem como a teoria dos preços admitem uma relação direta
entre as variações dos preços e as modificações induzidas da procura. Por exemplo,

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

os oligopolios podem apropriar-se dos benefícios de uma desvalorização,


transferindo a baixa de preços, na produção, em custos de transporte ou de venda.

A mesma coisa que se diz em situação de oligopólio (Concerto das pessoas que
dominam o mercado ou seja oligopólio m corresponde a situação de mercado em
que poucas empresas sao responsáveis pela produção de uma determinada
mercadoria) podem encaixar-se também na situação de monopólio. As situações
quer do monopólio assim como de oligopolio pode ter efeito negativo em relação a
procura dos produtos exportados por parte do pais que se desvalorizou a sua
moeda.

4º Estratégias politicas em matérias de ajuda internacional.

A ajuda in-natura efectuada pelos países desenvolvidos pode prejudicar os países


pobres, por anular o comércio entre países do mesmo nível económico.

Aula do 25.01.2019

Consequências (efeitos) da desvalorização (atenção para os testes!!)

As consequências ou efeitos são os seguintes:

1º efeito - o volume de importações do país que pratica a desvalorização diminui


enquanto que o seu volume de exportações aumenta.

Se a desvalorização for muito bem preparada pode estimular a exportação porque a


taxa será miníma durante a exportação. Mas para tal é importante que o país tenha a
capacidade de produção suficiente de modo a permitir que haja excedentes de
produção.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Com esta venda de produtos vai permitir que entrem divisas para o país que pratica
a desvalorização.

Atenção: Havendo a desvalorização pode aumentar o endividamento do Estado


porque nunca este Estado neste período consegue superávit na sua balança de
pagamento.

2º efeito - a desvalorização origina a diminuição dos preços no exterior (mercado do


destino das mercadorias).

3º efeito - os preços internos no país que pratica a desvalorização aumentam.


(porque haverá cada vez mais menos produtos ao nível interno devido a exportação
dos produtos).

4º efeito - A quantidade de divisas estrangeiras oferecida no mercado do país que


desvaloriza a sua moeda varia. Pode aumentar, diminuir ( dependendo do nível do
preço que vai ser praticado, qualidade dos produtos que vão sendo exportados,
nível da preparação que houve antes da desvalorização, no fundo depende de
muitos factores) ou permanecer constante.

NB.: É desaconselhável os países em vias de desenvolvimento lançarem mão a


desvalorização.

5º efeito - a desvalorização tem reflexos (que podem variar) na situação da balança


comercial (tem que ver com aquilo que o país exporta e aquilo que o país importa).

Aula do dia 31.01.2019

Mecanismos das relações económicas internacionais

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Consultar o manual do Prof. Soares Martínez (economia política pag. 521 SS) e Pita &
Cunha (relacoes economicas internacionais pag. 65 ss).

Proteccionismo e livre-cambismo

Concepção mercantilista das relações económicas internacionais

Os mercantilistas foram os precursores das relações económicas internacionais. A


primeira ideia fundamental defendida por esta corrente de pensamento baseia-se no
facto de considerarem que a riqueza de uma nação depende da detenção da
quantidade de metais preciosos e defendiam que o comércio internacional seria o
meio normal para a obtenção dos mesmos por parte daqueles que não tinham
acesso.

O marco importante dos mercantilistas é a política proteccionista dos metais.

Quanto mais metais precioso um pais tem mais rico o país se torna.

Por isso desenvolve-se toda uma politica de poder estabelecer relações económicas
com outros países.

A concepção da escola romântica Alemã e de Frederic List

Esta corrente surgiu em reação ao liberalismo defendido por Adam Smith e aponta
para uma politica proteccionista das industrias Alemãs, julgando que a Grã Bretanha
atingiu o nível de desenvolvimento elevado graças a politicas proteccionistas e que
as industrias Alemãs precisariam de mais tempo antes de emplementar o livre-
cambismo e por isso advogavam adopção de políticas proteccionistas.

POLÍTICA AUTÁRQUICA, PROTECÇÃO ADUANEIRA, CONTINGENTES, PRÉMIOS À


EXPORTAÇÃO E DUMPING

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

A politica económica autárquica ou autarquia económica traduz-se na ideia


segundo a qual cada país deveria tendencialmente bastar-se a si próprio.Tais
politicas visavam a autosuficiência dos espaços económicos nacionais e que se
desenvolveram a partir de 1930 até ao final da segunda guerra mundial com a
preocupação proteccionista.

A propósito, parece importante questionar se o proteccionismo assegura sempre a


autarquia económica de um país?

Pode dar certo, como foi o caso da antiga união soviética e do próprio EUA.

Aula do dia 01.01.2019

Protecção aduaneira

Traduz-se na ideia de protecção da economia nacional particularmente por


intermédio da utilização de pautas aduaneiras.

A protecção aduaneira são por excelência os direitos aduaneiros.

Contingentes: traduz-se na determinação governamental de quantidades e valores


de mercadorias estrangeiras cuja a importação é efectuada durante um determinado
período de tempo (esta forma de atuação é muito criticada pela OMC porque é uma
pratica que pode pôr em causa a livre circulação de mercadorias porque discrimina-
se os produtos estrangeiros. Mas, importa referir que os contingentes podem
também situar-se do lado da exportação.

Prémios à exportação: traduzem-se na ideia de concessão de incentivos pagos


pelos governos aos exportadores residentes no seu país, garantindo que os artigos
(mercadorias) sejam vendidos nos mercados externos aos preços inferiores ao

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

praticado no mercado interno. Ex um desses tipos de prémios é chamado dumping


que significa preços práticos no mercado internacional por uma determinada
empresa a baixo do custo de produção, neste caso são preços muito agressivos.

Na Guine as taxas são fixadas em função do valor das mercadorias, havendo prémios
a exportação simplesmente o governo isenta as taxas aos exportadores permitindo-
lhes colocar os seus produtos no mercado estrangeiro a um preço inferior em
relação ao preço praticado no mercado interno. Neste caso pode-se tomar medida
anti-dumping com o objetivo de equibrar as coisas.

Aula do dia 07.02.2019

Instrumentos de protecção aduaneira

As alfandegas- é uma repartição governamental oficial de controlo de movimentos


de entrada e saída de mercadorias para exteriorior ou dele proveniente. É
responsavél inclusive pela cobrança dos tributos pertinentes.

Quais são os tributos que as alfandegas podem cobrar entre as taxas, impostos e as
contribuições especiais?

As alfândegas são autorizadas a cobrar apenas determinados tipos de impostos por


exemplo a cobrar a primeira fase sobre o IGV só os comerciantes é que devem
pagar.

Ate ao sec. 16 as alfandegas eram vocacionadas apenas para a cobrança dos


impostos, mas com a ascenção do capitalismo as alfandegas passaram também a
efectuar a cobrança das taxas.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Território aduaneiro - é o espaço onde a autoridade aduaneira de um país atua


controlando as operações do comércio exterior (importação e exportação). O
território aduaneiro compreende todo o território nacional inclusive o mar territorial,
o espaço aéreo e o espaço terrestre. Em todos esses espaços o pessoal das
alfandegas deve estar.

- A unicidade e a pluralidade das pautas

Unicidade das pautas: a unicidade das pautas caracteriza-se pela aplicação da


mesma pauta à todas as mercadorias, qualquer que seja o país de origem ou
proveniência.

Pluralidade das pautas: é quando a mesma mercadoria é tributada de forma


diferente conforme a sua proveniência ou destino, podem ser aplicadas as taxas
máximas ou mínimas. Normalmente a aplicação da taxa máxima é feita a mercadoria
proveniente do país que não beneficia de uma preferência convencional.

Pauta aduaneira é uma Tarifa cobrada quando um produto estrangeiro entrar num
determinado país.

Aula do dia 08.02.2019

Taxas aduaneiras especificas e ad-valoren

As taxas aduaneiras especificas têm que ver com a função do peso ou volume da
percadoria. É um encargo monetário fixado por unidade ou quantidade do bem
importado, são de administração mais simples e menos susceptíveis à fraudes que as
taxas ad-valoren, mas recaem de forma proporcionalmente maior sobre as
importações mais barratas.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Taxas aduaneiras ad-valoren - aplica-se em função do valor da mercadoria em


causa, incide sobre o valor monetário atribuído a cada mercadoria. Na taxa ad-
valoren a base de cálculo é o valor aduaneiro, varia de acordo com a mercadoria.

Os impostos de importação, de exportação e de trânsito

O imposto de importação incide sobre a mercadoria estrangeira, é gerado pela


entrada de mercadoria estrangeira no território nacional.

Imposto de exportação incide sobre a mercadoria nacional, é gerado pela saída de


mercadoria nacional ou nacionalizáveis para estrangeiro.

Mercadoria em trânsito é quando a mercadoria não se destina ao território


aduaneiro por onde passa mas sim ao país de destino diferente. As mercadorias em
trânsito deverão ser acompanhados de documentos no qual indicará o país de
destino, assim estarão isentos de pagar impostos por onde passam. Contudo, elas
estão sujeitas a fiscalização indispensáveis para evitar que tais mercadorias fiquem
retidas no território aduaneiro que atravessam.

Barreiras não tarifárias são essas cobranças que se fazem mas que efectivamente
não devem ser cobradas, isto é, cobranças ilegais.

Aula do dia 14.02.2019

Reexportação ou trânsito indirecto - é o regime aduaneiro de importação


temporária de mercadorias em que as mercadorias permanecem temporariamente
no território aduaneiro por onde entram sem que sejam objetos de modificações
que as nacionalizem. Tais mercadorias para reexportar estão sujeitas ao regime de
interposto.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Interposto pode ser um estabelecimento ou cidade situado geograficamente na rota


estratégica entre dois ou mais polos de interesse económico: geralmente entre polo
produtor e polo consumidor.

Exemplo do interposto: Gibraltar era chamado de portão de mar mediterrâneo


porque os produtos que saíam da África para chegar a Europa passava por ele.

Para a reexportação ou trânsito indirecto tem que se aplicar o regime especial do


interposto.

Baldeação - é o regime aduaneiro aplicável às mercadorias que transitam de um


território aduaneiro para outro por via marítima, quando haja a mudança ou não de
carga de uma embarcação para outra.

Draubaque “Drawback" - é a restituição dos impostos cobrados pela importação de


matérias-primas quando forem exportadas na forma de produtos já industrializados.
A restituição pode ser parcial ou total.

Aula do dia 15.02.2019

Portos francos e zonas francas

Zona franca é uma região delimitada dentro de um país, geralmente situada num
porto ou em suas adjacências onde entram mercadorias nacionais ou estrangeiras
sem se sugeitar as tarifas alfandegárias normais. A zona franca corresponde à uma
parte do território de um Estado na qual entram mercadorias sem que sejam
consideradas estabelecidas no território aduaneiro para os efeitos de tributação
aduaneira.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

A zona franca se distingue do porto franco unicamente pelas dimensões físico-


geográficas mais reduzidas. Isto é, as zonas francas são mais reduzidas em relação
aos portos francos e podem estar dentro dos portos francos ou nos seus arredores.

O que aproxima os portos francos e as zonas francas é a possibilidade de


entrarem mercadorias estrangeiras sem a correspondente obrigação do pagamento
do imposto de importação.

Têm como objetivo incentivar as trocas comercias em certos casos para acelerar o
desenvolvimento regional.

Zona franca - RESUMO

Zona Franca é uma área delimitada onde entram mercadorias nacionais ou


estrangeiras beneficiadas com incentivos fiscais e com tarifas alfandegárias reduzidas
ou ausentes. Essas regiões ficam isoladas e geralmente são situadas em um porto ou
em seus arredores.

O objetivo de uma zona franca é estimular o comércio e acelerar o desenvolvimento


industrial de uma determinada região.

Aula do dia 20.02.2019

As instituições financeiras internacionais

Foi no final da segunda guerra mundial precisamente no ano 1945 que se realizou a
conferencia em Bretton Woods onde surgiram o FMI e o Banco Mundial. Nessa altura
criou-se pela primeira vez um sistema de regras internacionais no domínio financeiro
e monetário.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

A partir da criação dessas duas instituições passamos a ter um sistema financeiro


regulamentado.

O FMI - o acordo constitutivo do FMI foi adoptado na conferência monetária e


financeira das Nações Unidas celebrada em julho de 1944 (data de adopção) em
Bretoon Woods entrando em vigor em dezembro de 1945. O FMI tem sede em
Washington e conta atualmente com 184 países membro, apesar de estar sedeada
nos Estados Unidos, esta instituição tem estruturas em Paris e Tóquio, responsáveis
pela relação com outras instituições internacionais, regionais e com a sociedade civil.
Ademais, tem escritórios em Nova Iorque e Genebra, cuja missão é relacionar-se com
as instituições das Nações Unidas.

No fundo têm o papel de Garantir que haja uma boa relação com as outras
instituições das Nações Unidas.

Os seus recursos advêm de quotas subscritas pagas pelos países membros. Para
alcançar o objetivo para o qual foi criado, o FMI incentiva os Estados a adoptar
medidas de política económica bem fundadas (estruturadas);

Servir como um fundo em que os países membros que necessitam possam obter
financiamento temporário com o objetivo de superar os problemas de balança de
pagamentos.

De resto, pode-se ver o artigo 4º do acordo constitutivo do FMI. Que tem entre
outros objetivos elencados:

a) assessoramento de políticas (exame da economia de países e recomendações);

b) concessão de empréstimos para ajudar a resolver os problemas registados na


balança de pagamentos.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

c) prestação de assistência técnica, assistindo os países e instituições (bancos


centrais) porque estes são a entidade responsável e que têm a vocação de controlar
a massa monetária.

O objetivo do FMI em prestar a assistência técnica é para permitir que o Estado


tenha racionalidade das receitas que tem, por forma a poder favorecer o
desenvolvimento económico.

O FMI não é uma instituição de ajuda e nem um banco de desenvolvimento, a


sua atuação visa apenas contribuir para que Estados membros possam superar
os problemas da balança de pagamento.

Normalmente quando o país pede a assistência financeira ao FMI entra logo a


assistência técnica. Cabe ao governo delinear as politicas económicas.

Aula do dia 21.02.2019

A estrutura institucional do FMI

O FMI tem a seguinte estrutura:

1- Conselho/assembleia de governadores;

2 - Direção executiva;

3 - Comité monetário e financeiro interno;

3 - Diretor geral;

5 - Comité para o desenvolvimento.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

O conselho de governadores - é um órgão de decisão do FMI que delibera sobre


todas as questões importantes relativas a política da instituição na sua relação com
os Estados membros. Cada país tem direito a um representante, podendo ser
ministro das finanças ou governador do banco central.

Quanto a direção executiva - é composta por 24 diretores executivos e é presidida


pelo Diretor-geral. Realiza as actividades quotidianas de organização e controla as
políticas económicas, monetárias e financeiras dos Estados membros.

Diretor-geral -o Diretor-geral tem mandato de cinco anos, preside a Direção


executiva e tem três sub-diretores.

As quotas - ja vimos anteriormente que os fundos a disposição do FMI resultam


fundamentalmente das subscrições dos Estados membros e a questão de quota é
extremamente relevante na questão de votação. Além disso, as quotas determinam
o valor de financiamento que um Estado membro pode receber do FMI.

Os maiores financiadores são: Estados Unidos da América, Japão, Alemanha, Reino-


Unido e a França.

Os Direitos de saques especiais (DSE) - o nome pode dar a entender que se trata
de um direito, mas na verdade é um ativo de reserva internacional criado pelo FMI
em 1969. Nesta altura da década de 60 os principais activos da reserva eram o ouro
e o dólar americano. Por isso, os países membros reclamaram a tal dependência
porque não queriam que as reservas mundiais tivessem que depender da produção
de ouro e do dólar americano.

Obs.: cfr esta matéria no manual de Eduardo Raposo Medeiros.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Banco Mundial conhecido oficialmente por BIRD

O Banco Mundial tem a sua génese tal como o FMI na conferência de Bretoon
Woods. Inicialmente a função primordial do BIRD era a de apoiar a reconstrução dos
países Europeus destruídos na segunda guerra mundial. Mas hoje não é essa a função
principal desta instituição, atualmente, o foco está centrado na redução da pobreza
no mundo em desenvolvimento. Por consequência, o banco mundial é
considerado o principal organismo internacional de financiamento no
desenvolvimento social e económico. Com sede em Washington é formado por
184 países membros.

Objetivos do banco mundial (BIRD):

1º Combater a pobreza; (em colaboração com os Estados envestindo


necessariamente nas pessoas para que possam garantir a autosuficiência).

2º Investir nas pessoas - serviços sociais; (significa também investir nas infraestruturas
sociais)

3º Proteger o meio ambiente;

4º Promover o setor privado -setor comercial estável e aberto ; (a ideia aqui é


permitir que o setor privado tenha capacidade para poder produzir riquezas para o
país)

5º Promover as reformas económicas;

6º Fortalecer a capacidade dos governos;

7º multiplicar os investimentos. (Implica apoiar todos os países que decidem fazer


investimentos grandes).

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Aula do dia 01.03.2019

O capital do Banco é subscrito pelos países credores, na proporção de sua


importância econômica. Assim sendo, por ser considerada a maior potência
econômica, os EUA participam com a maior quantidade de recursos. Visando a ajudar
no desenvolvimento dos países mais debilitados, o BIRD utiliza esse capital
financiando projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento
(como investimentos de infra-estrutura), com taxas reduzidas de juros. Também
funciona como avalista de empréstimos privados. O Banco Mundial é a maior
fonte no mundo de assistência para o desenvolvimento, proporcionando cerca
de US$ 30 bilhões anuais

ula do dia 07.03.2019

FORMAÇÃO DO GRUPO BANCO MUNDIAL

O grupo é formado por cinco instituições:

1- Banco internacional de reconstrução e desenvolvimento (BIRD);

2 - Associação internacional de desenvolvimento (AID);

3 - Corporação financeira internacional (IFC);

4 - Agência multilateral de garantia de investimento (AMGI);

5 - Centro Internacional para a arbitragem de disputas sobre investimentos (CIADI).

Costuma-se utilizar duas expressões diferentes

Quando se fala do banco mundial refere-se ao BIRD e AID

65
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Mas quando se fala do grupo banco mundial já é mais alargado porque refere-se às
cinco instituições.

NB: Essas cinco instituições têm como propósito lutar contra a pobreza e
melhorar o nível de vida dos habitantes dos países em vias de
desenvolvimento.

Por sua vez, o banco mundial é formado por duas das instituições acima citadas, a
saber: O BIRD e AID.

O banco mundial consegue financiar-se pelas Vendas de ações nas bolsas de


valores, e empréstimos que fazem.

BIRD - o BIRD proporciona empréstimos e assistência para o desenvolvimento dos


países de rendimentos médios com a capacidade de absorção de créditos. Grande
parte dos fundos levantados pelo BIRD provêm da venda dos títulos nos mercados
internacionais de capital.

AID - esta instituição foi criada em 1960 e tem como a finalidade reduzir a pobreza
por meio de empréstimos sem juros e outros serviços aos países mais pobres. Os
fundos da AID são provenientes da contribuição dos Estados membros mais ricos e
de alguns em desenvolvimento.

A corporação financeira internacional - instituída em 1956 mas só começou a


funcionar em 1961. Tem como objetivo promover o crescimento dos países em
desenvolvimento por intermédio de financiamento e investimentos no sector
privado e de assistência técnica e assessoria aos governos e empresas. Em
parceria com investidores privados, a corporação financeira internacional proporciona
empréstimos e compram ações em negócios nos países em desenvolvimento.

Atualmente conta com 175 países membros.

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Agência multilateral de garantias de investimentos- foi criada em 1988 e tem


como objetivo estimular investimentos estrangeiros nos países em
desenvolvimento, através de garantias aos investidores estrangeiros contra os
prejuízos causados por riscos não comerciais. Além disso a organização uma vez
solicitada presta serviços de mediação em conflitos relativos ao investimento.
Também presta assistência técnica aos países afim de que estas divulguem as
oportunidades de investimentos nos respetivos países.

Centro Internacional para a arbitragem de disputas sobre investimentos - foi


criado em 1966 e tem como objetivo contribuir mediante procedimentos de
conciliação e arbitragem, orientando na resolução de conflitos entre os investidores
estrangeiros e os países beneficiários de investimento. Além disso, proporciona
instalações para a resolução de tais conflitos.

Aula do dia 15.03.2019

Conselho económico e social

É o órgão de coordenação e a sua finalidade é a de estabelecer a cooperação


económica e social entre os Estados membros. Coordena as comissões económicas
regionais da ONU, e é também responsável pela coordenação das atividades dos
outros organismos das nações unidas especializadas em questões económicas.
Controla como é que essas organizações (comissões) regionais ou agências
emplementam as diretrizes determinadas pelas Nações Unidas. Isto é não é um
órgão executivo.

Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO)

Tem o objetivo de promover as actividades agrícolas e a sua ação desenvolve-se


através dos programas como é o caso de PAM. Ainda tem como missão fundamental

67
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

combater a carência alimentar sobretudo nos países pobres (países do terceiro


mundo), lutando para erradicar a insegurança alimentar e desnutrição infantil.

Por isso se existe por exemplo uma inundação em grande escala, a FAO tem a
vocação de apoiar os agricultores afetados.

Obs: para que essas agências cumpram o seu papel é importante uma colaboração
do governo.

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Tem como mandato (objetivo) promover o desenvolvimento e erradicar a


pobreza no mundo. desde a sua criação há 22.11.1965 por meio da resolução do
conselho económico e social definiu-se no essencial dois propósitos que o PNUD
deve alcançar:

1- Combater a pobreza;

2 -assegurar o desenvolvimento humano em três dimensões:

a) - a renda;

b) - saúde;

c) - educação.

Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONU DI)

Visa promover e acelerar o desenvolvimento industrial sustentável e inclusivo, criado


pelo conselho económico e social das Nações Unidas em 1966 mas passou a
funcionar apenas como agência em 1985, tem sede em Viena (Áustria).

Principais objetivos:

68
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

1- apoiar a implementação de projectos e disseminação de conhecimentos ligados a


indústria;

2- atingir a redução da pobreza por meio de actividades produtivas e integração de


países em desenvolvimento no comércio global, pela capacitação, promoção da
sustentabilidade ambiental na indústria e melhoria de acesso à energia.

Aula do dia 22.03.2019

Conferência das NU sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)

UNCTAD criada em 1964 em Genebra num contexto em que havia muito debate em
torno da liberalização do comércio do GATT. É órgão da Assembleia geral das NU
que busca promover a integração dos países em desenvolvimento na economia
mundial.

Para isso, a UNCTAD atua como fórum para deliberações entre os governos, apoiado
por debate com especialistas e intercâmbio de experiências. Ademais, a organização
também desenvolve pesquisas, análise de políticas e recolha de dados para debates
de representantes de governo e especialistas. Além disso, fornece assistência técnica
direcionada para o atendimento das necessidades específicas dos países em
desenvolvimento.

Este órgão trabalha também com organizações internacionais e comissões regionais,


bem como com instituições governamentais, organizações não governamentais e o
setor privado, incluindo associações comerciais, institutos de pesquisa e
universidades em todo o mundo.

A comissão económica da ONU para a África

69
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Criada em 1958, é uma das cinco comissões regionais sob a direção da ONU.

A ECA é um braço da ONU para a África e apoia no desenvolvimento econômico e


social dos seus 53 países membros.

Em termos resumidos identifica-se três objetivos principais:

1º apoio ao desenvolvimento econômico e social da África;

2º fomenta a integração regional;

3º promove a cooperação internacional para o desenvolvimento do continente


africano.

NB: Reporta todas as informações úteis para a ONU para poderem saber que
atividades estão a ser desenvolvidas para a redução dos problemas no continente.

Aula do dia 27.03.2019

BREVES REFERÊNCIAS ÀS ORGANIZAÇÕES DE INTEGRAÇÃO ECONÓMICA EM


ÁFRICA.

O processo de integração em África está ligado à independência política dos Estados


Africanos, por isso, pode-se dizer que a integração tem registos há mais de 40 anos.

No início dos processos de integração parecia uma simples cooperação económica


do que uma verdadeira integração. Porque muitos dos aspectos que defende a
integração eram violados ou seja falta muita aplicabilidade dos princípios da
integração como por exemplo liberdades fundamentais neste caso, a de circulação
das pessoas sem qualquer tipo de restrição.

UMOA / UEMOA

70
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Historicamente a UMOA foi instituída por seis países da África Ocidental (membros da
zona franca) a saber: Benin, Burquina, Costa do Marfim, Mauritânia, Níger e senegal. O
seu tratado foi assinado em 12.05.1962.

Ao tratado constitutivo da UMOA foram anexos os estatutos do BCEAO, instituição


que passou a funcionar como instituto de emissão comum para os referidos Estados.
O objetivo inicial era o de estabelecer uma cooperação monetária entre tais Estados
e a França. A organização funcionou durante vários anos sem a harmonização de
políticas económicas nacionais. A crise de 1989-1990 e a consequente desvalorização
da moeda impulsionou as grandes reformas ocorridas na década 90.

Assim, em 1994 foi criada a UEMOA por um tratado assinado em Dakar a 10 de


janeiro pelos chefes de Estados e dos governos de Benin, Burquina, Costa de marfim,
Mali, Níger, Senegal e Togo.

A Guiné-Bissau tornou-se o oitavo Estado membro a 02 de maio de 1997.

Aula do dia 28.03.2019

CEDEAO

É uma organização regional com 15 Estados membros da África Ocidental para além
Cabo verde, Gâmbia, Gana, Guiné conacri, Libéria e Sera Leoa.

O seu tratado foi assinado em maio de 1975 em Lagos (Nigéria), o tratado foi revisto
em 1993.

A CEDEAO tem como objetivos:

1- a promoção do comércio regional;

71
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

2- a cooperação e o desenvolvimento económico dos Estados membros;

3- a garantia da segurança dos Estados membros, que passou a integrar a esfera


de atuação dessa organização a partir do ano 1993.

A comunidade económica dos Estados da África Central (CEEAC)

Foi criada em 18 de dezembro de 1981 em Libreville. Mas a organização só começou


a funcionar efetivamente em 1985.

Tem como objetivos:

1- promover a cooperação e o desenvolvimento económico dos Estados membros


(Burundi, camarões, República Centro Africano, Chad, Congo, Guiné equatorial,
Gabão, Ruanda, São Tomé, RDC e Angola).

Comunidade económica e monetária da África Central (UMAC/CEMAC)

Esta é uma organização de integração sub regional tal como a UEMOA.

É uma organização instituida a 16.03.1994 em N'Djamena (Chad). Trata-se portanto de


um «prolongamento» da UMAC criada na década 60.

A UMAC tem como objetivos:

1- a promoção da cooperação económica e o desenvolvimento dos seus Estados


membros. Normalmente, Chad, Camarões, Gabão, Guiné-equatorial, Congo e
República Centro Africana.

72
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Comunidade para o desenvolvimento da África austral (SADC)

É uma organização de integração regional dos países da África austral criada em


17.08.1992.

Tem como objetivos: a promoção da cooperação económica e o


desenvolvimento dos seus Estados membros.

São Estados membros os seguintes: África de Sul, Angola, Botswana, RDC, Lesoto,
Madagáscar, Malawi, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Suazelandia, Tanzânia, Zâmbia
e Zimbábue e Seicheles.

Aula do dia 29.03.2019

Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD)

É um compromisso dos líderes africanos baseado numa visão comum e numa


convicção partilhada de que têm um dever urgente de erradicar a pobreza e colocar
os seus países na senda do desenvolvimento e crescimento económico. A sua
criação visa aumentar a quantidade de investimento no continente africano
para promover o desenvolvimento em todos os aspetos.

NEPAD foi criada em 2001 e desde então tem funcionado como um programa ligado
à UA.

Para tal é preciso uma parceria com vista ao alargamento das trocas comerciais entre
os países que fazem parte do continente africano e não só, mas também com outros
países que não fazem parte do respetivo continente por exemplo pode-se citar o
projeto China-África.

73
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

No fundo este compromisso visa promover o desenvolvimento do continente


africano.

NB: esta não é uma organização porque não tem uma estrutura de organização,
funciona nos intervalos das sessões da UA.

Resumo

Em outubro de 2001, a exemplo dos chefes de Estado da África do Sul, da Argélia,


do Egito, da Nigéria e do Senegal, a Organização da Unidade Africana (OUA) adotou o
Novo Partenariado para o Desenvolvimento da África (NEPAD). Entrando no âmbito
do processo de reforma dessa organização, o NEPAD apresenta-se como uma
iniciativa inovadora por diversos motivos.

Tradução da vontade política do continente de engajar-se "no caminho de um


crescimento e de um desenvolvimento durável, ao mesmo tempo em que participa
ativamente da economia e da vida política mundial", a iniciativa pretende ser,
inicialmente, claramente africana. De fato, em vista dos fracassos das estratégias de
desenvolvimento do passado, impostas por instâncias externas aos países
implicados, o NEPAD propõe que no futuro os Africanos elaborem seus planos
nacionais de desenvolvimento de maneira autônoma em relação às instituições
e parceiros internacionais. Estes deverão, ao contrário, adaptar-se aos planos
nacionais elaborados pelos países com os quais eles desejam cooperar. Assim,
os dirigentes e povos africanos voltariam a ser os principais atores de sua
história.

OHADA

A Organização para Harmonização dos direitos do Negócio em África

74
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Foi instituída pelo tratado assinado em outubro de 1993 nas Maurícias, trata-se de
uma organização internacional que congrega 16 Estados partes. O objetivo da OHADA
visa harmonizar o direito dos negócios nos Estados partes, através da elaboração e
adopção de regras comuns simples e modernas, adaptadas à situação das respetivas
economias. Portanto a OHADA vem resolver o velho problema do continente que é
da insegurança jurídica.

Aula do dia 02.04.2019

Experiência da integração europeia

O processo de formação e constituição da união europeia foi um processo lento,


mas pioneiro. Hoje a união exibe a posição de maior e mais avançado bloco
econômico do mundo,

Pode-se dizer que a génese da união europeia foi o Benelux, um grupo econômico
formado por Bélgica, Holanda e Luxemburgo criado em 1944. No começo, esse bloco
funcionava como uma união aduaneira e onde adoptou-se uma tarifa exterior
comum.

Em 1952 juntaram-se à este grupo, a França, Alemanha e Itália, dando origem à


comunidade europeia do carvão e do aço (CECA), criada no sentido de estabelecer
um mercado siderúrgico em comum para integrar a produção industrial e o
fornecimento de matérias-primas em todo o agrupamento.

Posteriormente a fim de ampliar este acordo os países membros reuniram-se no dia


25 de março de 1957 para acinarem o tratado de Roma, que deu origem a
comunidade económica europeia (CEE), também conhecida de mercado comum
europeu. Apartir desta altura ampliou-se os acordos económicos e era a primeira vez

75
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

que a Europa integrava em grande escala algumas das suas principais potências
económicas num mercado comum.

Alargou-se o ambito de atuação para outras áreas económicas que não seja apenas a
siderurgia.

Após a formação da comunidade económica europeia nas decadas seguintes


entraram na organização a Inglaterra, Irlanda, Dinamarca, Grécia, Espanha e Portugal.
Conhecida com o nome da Europa dos 12 em 1989, com a queda de muro de
Berlim, a Alemanha oriental também foi encorporada ao bloco. Deve-se dizer que a
comunidade económica europeia foi a primeira a institucionalizar há 07.02.1992 com
a assinatura do tratado Maastricht que entrou em vigor em novembro do ano
seguinte dando origem à união europeia com a liberdade de circulação de
mercadorias, capitais e principalmente de pessoas. Também foi no tratado de
Maastricht que foi criado o euro, uma moeda única que seria inicialmente adotada
pelo bloco para instrumentalizar os acordos comerciais e cambiais entre os países.
Em 2002 a moeda única entrou em vigor nos Estados membros com a exceção de
Inglaterra e Dinamarca.

Atualmente (a partir de 2016) o bloco conta com 28 Estados membros.

Aula do dia 04.04.2019

FASES DA INTEGRAÇÃO ECONÓMICA

1- Zona de comércio livre

É a fase na qual duas ou mais economias eliminam entre si os direitos aduaneiros e


restantes restrições ao comércio de mercadorias por si produzidas. Cada Estado
mantém plena autonomia nas políticas económicas internas e externas

76
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

designadamente na política comercial face ao exterior e em concreto no seu


instrumento privilegiado que é a pauta aduaneira.

2- União aduaneira

É a fase na qual além de existir livre circulação de mercadorias da área acresce uma
pauta aduaneira comum face ao exterior que substitui as várias pautas anteriormente
existente. Assim nenhum país que faz parte da união sairá prejudicado.

3 - Mercado comum

É a fase em que além da livre circulação de mercadorias e da pauta aduaneira


comum, se introduz a livre circulação de factores de produção que é a liberdade de
deslocação de pessoas no espaço comunitário, a livre circulação de capitais, a
liberdade do estabelecimento dos produtores comerciantes, a livre prestação de
serviços pelas empresas e pelos profissionais independentes e certas políticas
comuns nos domínios econômico e social.

Zona franca ou em que há determinadas liberdades e em que as taxas são mais


baixas em comparação às outras áreas do território nacional.

Portos francos sao as zonas adjacentes para poder garantir que as mercadorias
possam circular livremente na zona isto é durante o período em que as mercadorias
se encontram na zona franca para serem transformadas quando passam pelo Porto
franco não se paga nenhuma taxa, mas quando esses produtos são transformados
paga-se para poderem ser colocados no mercado ou resto do território para se
comercializar.

77
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Mestre até que ponto a posição de câmbio consegue cobrir os riscos cambiais tendo
em conta os riscos de auxilação das taxas de câmbio.

Posicao de cambio determinar o montante fixo

Posição de câmbio: Forma como os operadores reagam a indefinição da taxa de


câmbio.

Swap cambial Em regra não envolve pagamento de juros

Swap de divisas Operações a longo prazo portanto envolve muitos riscos e exige-se
o pagamento de juros.

Desvalorização:

Preparar convinientemente a desvalorização

Se o país tiver dívidas no exterior irá precisar de divisas para fazer o pagamento das
suas dividas

Aula do dia 02.05.2019

Tratado de liberalização das trocas da CEDEAO

Foi criado há 28 maio de 1875.

Artigo 35 do tratado - apartir de 01 de janeiro de 1990, em conformidade com o


artigo 54 do tratado, será emplementado progressivamente no prazo de 10 anos
uma união aduaneira nos Estados membros onde serão eliminados todos os direitos

78
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

aduaneiros bem como os impostos equivalentes que enviem sobre os produtos


originários da comunidade.

Eliminação das restrições quantitativas da importação e exportação no seio da


comunidade bem como a eliminação de entraves ao comércio.

Obs: não se conseguiu cumprir os dez anos previstos para a eliminação das restrições
bem como os entraves de comércio.

Pesquisar protocolo A/P2/1/03

Trata-se de medidas compensatórias pela perda de receitas.

Protocolo A/P1/03 - produtos originários da CEDEAO.os direitos aduaneiros não


devem incedir sobre os produtos originários da comunidade e devem circular
livremente sem qualquer obstáculo.

Este protocolo de 3103.2003 define os produtos originários da seguinte forma:

Bens totalmente produzidos;

Bens cujas matérias-primas são totalmente originárias da região.

Bens que não sao totalmente produzidas, mas sua produção requer o uso de
materiais ou o uso exclusivo de materiais que devem ser classificadas sob uma tarifa
diferente.

Bens que não são totalmente produzidas mas sua produção requer o uso de
materiais que receberem um valor adicional pelo menos 30% a saída da fábrica do
produto acabado.

Aula do dia 03.05.2019

Referência ao código aduaneiro da UEMOA

79
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

O território aduaneiro da UEMOA engloba os oito Estados membros da organização.

Art 5º do código aduaneiro da UEMOA. O código aduaneiro da UEMOA vem anexo ao


regulamento nº 9/2001/CM/UEMOA, de 26 de novembro.

Art. 6º zona franca e remete ao artigo 188 do código aduaneiro da UEMOA que dá o
conceito da zona franca.

Artigo 9º capítulo terceiro

Art 175 liberdade de circulação das mercadorias. Apesar dessa liberdade é preciso
que se ande acompanhado de documentação das mercadorias. As atividades de
inspeção e de controlo foram deixadas ao critério dos Estados.

Aula do dia 08.05.2019

As relações comerciais e a OMC

As negociações do ciclo Uruguai e a génese da OMC.

A OMC foi estabelecida há 01 de janeiro de 1995, tem a sua sede em Genebra e


conta atualmente com uma centena e meia de países membros. A
institucionalização da OMC é o resultado do ciclo Uruguai.

Dados gerais sobre a OMC e respectivos anexos

Sobre os dados gerais, a organização possui um acordo constitutivo e quatro anexos:

a) Anexo 1 - acordo sobre comércio;

Anexo 1A GATT

Anexo 1B GATS

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Anexo 1C TRIPS

b) Anexo 2 entendimento sobre a solução de controvérsias;

c) Anexo 3 - mecanismos de exames das políticas comerciais;

d) Anexo 4 - acordos plurilaterais.

Objetivos e funções da OMC

A OMC tem por objetivo que o fluxo internacional de comércio circular livremente
desde que não produza efeitos colaterais secundários negativos. Para atingir tais
objetivos a OMC realiza as seguintes funções:

1º- servir de foro de negociações;

2º resolver os conflitos comerciais;

3 º administrar e aplicar os acordos comerciais;

4º examinar e supervisionar as políticas comercias.

Aula do dia 09.05.2019

Princípios da OMC

1 - princípio do comércio mais livre;

2 - princípio da não descriminação;

3 - princípio da previsibilidade. Este princípio traduz a ideia segundo a qual deve-


se reduzir todos os obstáculos ao comércio.

Princípio da não discriminação

O princípio da não discriminação desdobra-se em dois sub-princípios:

81
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

- princípio da nação mais favorecida;

- princípio do tratamento nacional.

Princípio (cláusula) da nação mais favorida este princípio traduz-se na ideia


segundo a qual um membro da OMC deve conceder à todos os demais membros o
mesmo tratamento que concede à um país em especial. Ou seja, nenhum país pode
conceder vantagens comerciais à um membro ea da organização se conceder essa
mesma vantagens aos demais. Apenas duas exceções são aceitadas à essa regra:

1ª execessao- na situação dos acordos eguonsis que estabelecem a tarifa exterior


comum;

2ª acesso especial aos paises em desenvolvimento.

O princípio do tratamento nacional

Este princípio defende a ideia segundo a qual os países devem conceder aos bens
importados o mesmo tratamento oferecido à um produto equivalente de origem
nacional. Ou seja, as mercadorias importadas após entrarem no país devem receber
o mesmo tratamento que é dado às mercadorias nacionais.

Princípio da não discriminação:

 Princípio da nação mais favorecida art Iº acordo GATT

 Principio do tratamento nacional art IIIº. Acordo GATT

Princípio da previsibilidade

A previsibilidade se dá pela transparência com a consolidação das tarifas. A


transparência significa que as normas comerciais de um país devem ser claras e

82
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

publicas por forma a permitir que os outros tenham acesso mediante notificação à
OMC. Consolidação de tarifas significa que a organização reconhece tarifa como
sendo a unica forma permitida de barreira comercial mas, depois de consolidada (a
tarifa) não poderá ser alterada. (Com isto pretende-se garantir a segurança jurídica
dos operadores),

Aula do dia 15.05.2019

Estrutura orgânica da OMC

A OMC tem a seguinte estrutura orgânica, formada por quatro níveis:

1 - conferência ministerial

2 - Conselho geral (órgão de solução de controvérsias e exame de políticas


comerciais);

3 - Os três conselhos (bens, serviços e propriedade intelectual);

4 - os vários comités e um secretariado.

Conferência ministerial: órgão máximo da OMC, composto por representantes de


todos os Estados membros, podendo ser representado pelo ministro dos negócios
estrangeiros ou pelo ministro do comércio exterior. Este órgão decide sobre qualquer
matéria referente aos acordos multilaterais por forma a blindar o próprio acordo para
ao por em causa os princípios da própria organização.

Conselho geral: é o órgão diretor da OMC é entre as conferências ministeriais


assume as funções quotidianas.

83
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

É composto por representantes de todos os países membros, contudo,


diferentemente da conferência ministerial os governos sao representados pelos
embaixadores permanentes dos Estados em Genebra ou por delegados das missões
(não podem estar os dois). Se sua decisão for ferida da ilegalidade, neste caso a
última palavra é a da conferência ministerial.

Conselho para bens, serviços e propriedade intelectual: este conselho tem como
missão o acompanhamento da implementação prática das regras negociadas. É
composto por delegados das missões ou integrante dos governos em Genebra.
Acompanha a efetivação dos acordos que são negociados pelos Estados.

Os comités: são compostos por delegados das missões e técnicos dos ministérios
enviados especialmente para as reuniões sendo subordinados ao conselho geral. A
função dos comités é a de assessorar por intermédio de grupos de trabalho, estudos,
produzindo relatórios.

Secretariado é dirigido pelo próprio diretor geral da OMC é tem à sua alçada 700
funcionários.

Aula do dia 16.05.2019

Processo decisório da OMC

As decisões mais importantes são adoptadas pela totalidade dos Estados membros
por meio de consenso.

A questão que se coloca é de saber qual a vantagem é desvantagem de um sistema


de decisão por consenso?

84
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

As vantagens têm a ver com o facto de que as decisões são mais aceitáveis por
todos e as desvantagens está ligada à dificuldade na obtenção do consenso. É mais
fácil a aplicabilidade duma decisão tomada por consenso em relação à maioria.

Apesar da regra de decisão por consenso, quando não é possível obter o consenso,
funciona a regra da maioria. Ainda, se persistir o impasse a OMC poderá adotar um
outro mecanismo de votação a fim de facilitar o seu funcionamento, é o mecanismo
de “Green Room", este método consiste em colocar apenas alguns membros no
centro das decisões.

A resolução de litígios no sistema GATT/OMC

Os litígios são sempre desentendimentos ou controvérsias que opõem dois ou mais


sujeitos de Direito Internacional, resultante de interesses contraditórios no domínio
comercial. São estes tipos de controvérsias que fazem despoletar (desencadear)
mecanismos de soluções previstos pela OMC.

Uma das importantes marcas da ronda de Uruguai é a celeridade do procedimento


de resolução de litígios que é muito importante, evitando assim os efeitos negativos
dos conflitos não resolvidos no comércio internacional. A celeridade dos processos
desse gênero oferece certeza e segurança jurídica no sentido da previsibilidade.

Surge um conflito quando por exemplo um país adota uma política comercial ou
uma medida que o outro membro da organização considera que ela desrespeita as
normas da OMC ou constitui um não cumprimento das suas obrigações.

Referindo-se ao sistema de resolução de litígios no GATT de 1947, importa assinalar


que possuía um sistema de resolução de litígios traduzido na adoção de resoluções
por conseso. Para além disso, não previa prazos fixos além de facilitar que os

85
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

membros criem obstáculos à adopção de resoluções e, em muitos casos, passava-se


muito tempo sem que se chegasse a uma conclusão.

Procedimento

Como regra, os conflitos devem ser resolvidos de forma pacífica designadamente


através de consultas e são proibidas a adopção de medidas unilaterais. Assim, a
primeira etapa de procedimento consiste na realização de consultas entre os
estados envolvidos.

Aula do dia 17.05.2019

A OMC E O COMÉRCIO INTERNACIONAL DE BENS.

Como foi referida anteriormente a OMC é formada por um acordo constitutivo e


quatro anexos.

Neste caso o anexo 1A refere-se à acordo multilateral de mercadorias. Este acordo já


vinha desde GATT de 1947. Que regula as relações comerciais internacionais que
dizem respeito aos bens.

No âmbito do comércio internacional de bens vigoram os mesmos princípios


analisados anteriormente nomeadamente: princípio do livre comércio, princípio da
não discriminação e o princípio da previsibilidade.

É uma realidade recente no comércio internacional, isto é assim na medida em


anteriormente entendia-se que os serviços por exemplo de hotéis, restaurantes eram
atividades desenvolvidas no âmbito interno nos que não prestavam a política
comercial internacional.

OMC é o comércio de serviços

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Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

O comércio de serviço é uma realidade recente no comércio internacional, isto é


assim na medida anteriormente

Também,...

A sua importância infraestruturas eram considerados setores de propriedade de


controlo estatal. Também, outras classes de serviços ligadas a saúde e educação,
devido a sua importância social, caberia ao governo a sua estrita regulamentação.

Contudo, a evolução e as transformações políticas e económicas, sociais e


tecnológicas ocorridas nas últimas décadas acabaram por alterar este cenário no
setor de serviços.

Por exemplo o avanço tecnológico principalmente com a internet, desenvolveu-se a


prestação de serviços sem fronteiras. Por outro lado, o Estado começou a perceber
que a intervenção económica excessiva no setor de serviços é um entrave ao
desenvolvimento económico no país. Ademais, os estudos demonstram que
atualmente os serviços representam 80% do PIB nos países desenvolvidos. Portanto
é um setor mais dinâmico do que o de mercadorias. É este cenário de globalização
económica que leva com que este setor tenha cada vez mais importância, daí o
surgimento das normas internacionais para regular o setor.

Principais definições de comércio internacional de serviços

O conceito de serviço, tal como o de mercadoria é eminentemente Económico.

A economia classifica os bens económicos em: Bens matérias e imateriais.

Os bens materiais saocaqueles que tem extensão corpórea no espaco. Enquanto que
os bens imateriais são aqueles que carecem das referidas características.

87
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Serviços no sentido económicos - são bens imateriais que estão na circulação


económica e apresentam as seguintes características:

a) Invisibilidade e intangibilidade;

b) Impossibilidade de transporte e armazenamento com excesso de software;

c) Simultaneidade entre a produção e consumo; (são coisas que ocorrência

mesmo tempo)

Formas de prestação de serviços

São reconhecidos 4 modos de prestação de serviços:

1 - transfronteiriço, que significa serviço prestado a partir do território de um país


para o outro país. Por exemplo serviço arquitetónico via satélite, serviços financeiros
bancários, serviço de telecomunicações, serviços de transporte aéreo etc...

2 - consumo no exterior: em que o consumidor se desloca ao territorio de outro 0ais


onde está o prestador de serviços. Exemplo: serviço de torrismo, serviço de saúde...

3 - presença comercial: aqui a pessoa jurídica estrangeira se instala localmente para


prestar um serviço.

4 - movimento temporário de pessoas físicas, isto é, indivíduos que se deslocam por


um período de tempo indeterminado para prestar serviços.

A OMC e a propriedade intelectual - considerações gerais

É a partir da revolução industrial que a propriedade intelectual passou a assumir


uma importância extrema.

A evolução expansionista do comércio internacional associada à capacidade da


propriedade intelectual de transcender as fronteiraa geográficas dos países, fez surgir

88
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

a necessidade de criação de normas internacionais a fim de uniformizar as normas


nacionais relativas à propriedade intelectual. Historicamente foi firmado em 1873
uma convenção designada convenção de paris para a propriedade intelectual que foi
assinada por 11 países: Bélgica, Brazil, Espanha, França, Guatemala, Itália, Países
baixos,

A Inglaterra aderiu à esse acordo em 1884, os EUA em 1887, Japão 1889, na década
de 90 aderiram mais 183 países. Mas mesmo assim faltava norma internacional
relativas as obras literárias e artísticas. Assim em 1886 foi firmada a convenção de
berma para a proteção das obras literárias e artísticas.

Em 1967 foi assinada a convenção de Estocolmo que vem instituir a Organizacao


Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) com sede em Genebra. Em 1974 esta
organização passou a ser uma agência especializada das nações unidas para ocupar-
se das questões de propriedade intelectual.

Os países africanos também criaram uma organização semelhante chamada de OAPI.

Portanto a propriedade intelectual viria a ser regulada no anexo 1C à quando da


instituição da OMC. Acordo de TRIPS tem a ver com a proteção da 0ropriedade
intelectual.

Na Guiné-Bissau através do DL 46980 aprovou-se o código do direito do autror. Este


código revoga o decreto nº 13725 com ressalva dos artigos 11, 65 a 68 e encontra-se
no boletim oficial nº 12 de 28 de março de 1872.

Aula do dia 23.05.2019

A solução de litígios no âmbito da OMC: Prazos e procedimentos

89
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

Em primeiro lugar importa esclarecer que no âmbito da OMC há uma obrigatoriedade


de aplicação do sistema de jurisdição da organização. Portanto estamos em presença
de jurisdição exclusiva, isto é, as partes não podem escolher a jurisdição que
optarem.

Quanto aos prazos: em relação ao GATT levantava-se o problema de prazos para a


solução dos problemas.

Em relação a OMC temos os seguintes prazos:

Prazos de 60 dias para se efetuar consultas e mediação;

Prazo de 45 dias para o estabelecimento de painéis para a resolução dos litígios.

Prazos ETAPAS/ PROCEDIMENTOS

60 dias Para efetuar Mediação, consultas etc..

45 dias Estabelecimento de painéis pelo conselho geral (funciona


como tribunal) Pessoas de reconhecida competência em
matéria do comércio internacional

6 meses Para exame do caso e divulgação dos relatórios para as


partes

3 Para a divulgação do relatório aos demais membros da


semanas OMC

60 dias Órgão de solução de controvérsias adotar o relatório

1 ano Sem recurso, para que possa existir uma solução para um
problema no âmbito do comércio internacional.

90
Direito Internacional Económico e Relações Económicas Internacionais 2018/2019

60-90 Para se apresentar relatório a apelação (recurso)


dias

30 dias Para o órgão da solução de controvérsia adotar o


relatório

ÓRGÃO DE APELAÇÃO

É constituído por sete primeiros membros da organização e designados por consenso


por um mandato de quatro anos.

bndami@yahoo.com.br

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