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Os Dons

do
Espírito

Percebendo e recebendo o Poder


Sobrenatural de Deus na tua vida

derek prince
“OS DONS DO ESPÍRITO”

Copyright©2016 tradução portuguesa, Derek Prince Portugal


Originalmente publicado com o título:
”The gifts of the Spirit”: Understanding and receiving God´s
Supernatural Power in your Life.
Copyright© 2007 Derek Prince Ministries, International

Publicado em português pela:


Editora Um Êxodo Unipessoal Lda.
Caminho Novo Lote X,
9700-360 Feteira AGH
E-mail: umexodo@gmail.com

Autor: Derek Prince


Tradução: Rodrigo Bento
Correção: Alda Silva e José Fernando Faría
Redação: Christina van Hamersveld
Layout capa: Um Êxodo

ISBN: 978-989-8501-18-9

Derek Prince Portugal


Caminho Novo Lote X,
9700-360 Feteira AGH
Telf.: (00351) 295 663738 / 927 992 157
Blog: www.derekprinceportugal.blogspot.pt
E-mail: derekprinceportugal@gmail.com
Índice

Parte 1 - A Natureza dos Dons .......................................................07


Cap.1 - Os Dons do Espírito Santo ...........................................09
Cap.2 - Charisma: Dons de Graça............................................29
Cap.3 - A Manifestação do Espírito..........................................47

Parte 2 - Dons de Revelação ..........................................................59


Cap.4 - Uma Palavra de Sabedoria ...........................................61
Cap.5 - A Palavra de Conhecimento .........................................83
Cap.6 - Discernimento de Espíritos .........................................97

Parte 3 - Dons de Poder ...............................................................119


Cap.7 - Fé ..............................................................................121
Cap.8 - Dons de Curas ...........................................................147
Cap.9 - Operações de Milagres ..............................................159

Parte 4 - Os Dons Vocais ..............................................................175


Cap.10 - Tipos de Línguas e Interpretação de Línguas............177
Cap.11 - Profecia ...................................................................201
Cap.12 - Como Julgar a Profecia ...........................................227

Parte 5 - Usando os Dons .............................................................255


Cap.13 - Como Exercitar Dons Espirituais ............................257

***
Sobre Derek Prince ....................................................................... 289
Derek Prince Ministries ................................................................ 290
Outros Livros de Derek Prince ...................................................... 291
Parte 1

A Natureza dos Dons


Capítulo 1
Os Dons do Espírito Santo
O Novo Testamento descreve o Cristianismo como um
modo de vida sobrenatural. Para sermos membros
funcionais do corpo de Cristo, assim como Suas
testemunhas eficazes no mundo, precisamos de
compreender os nove dons sobrenaturais do Espírito Santo
e o modo como operam nas nossas vidas. O apóstolo Paulo
listou estes dons em 1 Coríntios 12:

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há


diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há
diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera
tudo em todos. A manifestação do Espírito é dada a cada
um para o que for útil. A um pelo Espírito é dada a palavra
da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da
ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, fé; a outro, pelo
mesmo Espírito, dons de curar; a outro, a operação de
milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de
espíritos; a outro, variedade de línguas, e a outro,
interpretação de línguas. Mas um só e o mesmo Espírito
opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a
cada um como quer. (1 Coríntios 12:4-11)

Todos estes dons são sobrenaturais. Nenhum deles poderia

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ser explicado por talento natural, educação, ou habilidade.
Uma palavra de sabedoria ou conhecimento não é o tipo de
sabedoria ou conhecimento que vem por passarmos quinze
anos na universidade e termos três cursos. É a sabedoria ou
a ciência que é dada pelo Espírito Santo. Cura não é o tipo
de cura que é administrada pelo médico de clínica geral ou
pelo cirurgião – apesar de respeitarmos a ciência médica e
estarmos gratos por ela. Trata-se de cura sobrenatural.

Os Nove Dons do Espírito


Vejamos uma tradução mais literal de alguns dos dons do
Espírito, apresentados na passagem anterior, para nos
prepararmos para explorar cada um em detalhe nos
próximos capítulos. No versículo 8, onde na versão João
Ferreira de Almeida está escrito “A um pelo Espírito é dada
a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a
palavra da ciência”, na verdade não existe o artigo
definido “a” no Grego original. Assim sendo, eu traduzo
estes dons como “uma palavra de sabedoria” e “uma
palavra de ciência”. No versículo dez, “a outro, a operação
de milagres” é, literalmente, “operações de milagres”.
Ambas as palavras estão no plural. Igualmente
“discernimento de espíritos” deveria ser “discernimentos
de espíritos”.
Quatro dos dons são, portanto, plurais na sua natureza: (1)
dons de curas, (2) operações de milagres, (3)
discernimentos de espíritos e (4) variedade de línguas.
Reconhecer a natureza plural destes dons é importante para
compreendermos como eles funcionam.

Os nove dons dividem-se facilmente em três grupos de três,


sob os títulos de Dons de Revelação, Dons de Poder e Dons
Vocais.

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Dons de Revelação
Uma palavra de sabedoria
Uma palavra de ciência
Discernimentos de espíritos

Dons de Poder

Dons de curas
Operações de milagres

Dons Vocais
Variedade de línguas
Interpretação de línguas
Profecia

Durante muitos anos, professores Bíblicos e comentadores


têm listado os dons espirituais em grupos de três com o
propósito de facilitar a sua referência e classificação – três
grupos, cada um dos quais contendo três dons ou
manifestações. Este agrupamento não é a única forma de
vermos os dons, mas é uma maneira prática de os dispor e
ajuda-nos a compreendê-los de forma mais clara.

Uma palavra de sabedoria, uma palavra de ciência e


discernimentos de espíritos são dons de revelação; eles
transmitem revelação que não poderíamos receber de outra
maneira. Fé, dons de curas e operações de milagres são
dons de poder – são práticos e mostram resultados práticos.
Também poderiam ser chamados dons dramáticos; estes
são os dons que realmente prendem a atenção das pessoas.
Variedade de línguas, interpretação de línguas e profecia
são dons vocais porque eles, necessariamente, operam
através das cordas vocais humanas.

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Dons Ministeriais e Dons Espirituais
Para evitar uma potencial confusão, é importante
considerar a relação e as diferenças entre os dons
ministeriais, que são encontrados em Efésios 4:11 e estes
nove dons do Espírito Santo.

O contexto para os dons mencionados em Efésios 4:11 é o


Cristo ressurrecto, pois lemos nos versículos oito e dez:
“Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e
deu dons aos homens… Aquele que desceu é o mesmo que
subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as
coisas.” O versículo onze especifica cinco dons principais
que o Cristo ressurrecto deu à humanidade: “E ele mesmo
deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros
para evangelistas, e outros para pastores e doutores…”

Vejamos os dons em duas colunas paralelas:

Dons Ministeriais Os Dons do Espírito


Apóstolos Uma palavra de sabedoria
Profetas Uma palavra de ciência/
de conhecimento
Evangelistas Fé
Pastores Dons de curas
Doutores/professores Operações de Milagres
Profecia
Discernimentos de espiritos
Variedade de línguas
Interpretação de línguas

Estes dois grupos de dons distinguem-se um do outro de


três formas.

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A Pessoa como Dom / O Dom Dado a uma Pessoa
Primeiro, com os dons ministeriais, o próprio crente é o
dom dado por Cristo à Sua igreja. As Escrituras realçam
isto: “E ele mesmo deu uns para apóstolos…” Ele não deu a
alguns a possibilidade de se tornarem apóstolos, mas Ele
deu uns para apóstolos. Apóstolos, profetas, evangelistas,
pastores e doutores (ou professores) são os dons
ministeriais de Jesus para a Sua igreja, porque a igreja
nunca poderá ser o que Ele pretende sem eles. Por exemplo,
o apóstolo Paulo foi o dom ou a dádiva de Jesus para os
crentes Gentios.

Em contraste, com os dons espirituais, o dom é dado à


pessoa, que passa a ser capaz de o ministrar aos outros.
Paulo escreveu: “A um, pelo Espírito é dada a palavra da
sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da
ciência…” (1 Coríntios 12:8). Assim sendo, com dons
ministeriais, a pessoa é o dom, e com dons espirituais, a
pessoa tem o dom.

O Dom como Trabalho de Uma Vida / O Dom como


Breve Manifestação
Segundo, com um dom ministerial, cada aspecto do todo o
ministério, perfaz o dom. É como um atleta que corre a
milha mais depressa do que todos os outros. Toda a sua vida
se centra no correr a milha. De forma semelhante, para a
pessoa que é um dom ministerial para a igreja, toda a sua
vida se centra em ser apóstolo, profeta, evangelista, pastor,
ou professor. Paulo frequentemente comparava o
ministério Cristão às actividades dos atletas porque há
muitas coisas paralelas entre elas, no que toca à
necessidade de treino, disciplina e dedicação. Um
ministério é o trabalho de toda uma vida.

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Por outro lado, os nove dons sobrenaturais são breves,
dramáticos, brilhantes manifestações que nos prendem a
atenção, que acontecem e terminam. Por exemplo, uma
pronunciação profética pode durar segundos ou minutos, e
está completa. Não é algo que dure para sempre. Uma
palavra de sabedoria ocorre em poucos segundos. Um
homem subitamente recebe uma revelação que o dirige a
fazer algo que ele não poderia saber fazer por compreensão
natural. Quando o dom de discernimentos de espíritos é
dado, a pessoa poderá subitamente ver que há um espírito
de orgulho ou luxúria em alguém. O dom espiritual é quase
como um flash de um relâmpago, está lá por breves
momentos e depois acaba.

Carácter Essencial / Carácter Não um Pré-Requisito


Terceiro, um dom ministerial não se pode divorciar do
carácter de uma pessoa. Tem de ser assim por causa da
própria natureza dos dons ministeriais; é essencial ao seu
bom funcionamento. Por outro lado, com dons espirituais,
o carácter não está necessariamente envolvido. Poderia
parecer que tal devesse acontecer, mas nem sempre é
assim. É importante para nós compreendermos isto ou
corremos o risco de termos amargas desilusões. Por vezes a
fé das pessoas fica afectada quando conhecem alguém cujo
carácter não parece corresponder ao dom que ela está a
exercer.

Por exemplo, se uma pessoa é preguiçosa e irresponsável


antes de receber um dom espiritual, é muito provável que
ela continue a ser preguiçosa e irresponsável depois de ter
recebido o dom. Ela pode levantar-se e profetizar como um
anjo e, no entanto, deixá-lo à espera em cada encontro que
marcar consigo. Não obstante Paulo ter escrito em Efésios

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4:11, “E ele mesmo [Cristo] deu uns para… profetas…”,
ele também escreveu em 1 Coríntios 14:31, “Pois todos
podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos
aprendam, e todos sejam consolados.” Todos os crentes
poderão exercer o dom espiritual da profecia. Contudo,
Deus nunca diz que todos nós seremos profetas. Profetizar,
em si mesmo, não nos dá o ministério de um profeta, nem o
carácter que necessariamente corresponde a um dom
ministerial. No entanto, se receber um dom sobrenatural, a
sua responsabilidade aumenta. E uma pessoa responsável
terá uma conduta tal, que o dom andará de mãos dadas com
tudo o que ela faça. O que nós vemos, é que nem todos os
que recebem um dom assumem essa responsabilidade ou
são suficientemente maturos.

Para nos ajudar a compreender melhor este conceito, os


dons do Espírito Santo são como presentes debaixo da
árvore de Natal. Não demora muito tempo para colocarmos
um presente debaixo da árvore de Natal ou para abrirmos o
presente. Estes são actos momentâneos. Certa vez abri um
presente de Natal e descobri que recebera um polidor de
sapatos eléctrico, mas isso não me tornou numa pessoa
diferente do que eu era antes. Não alterou nenhuma parte
do meu carácter.

Por favor não me interpretem mal, não é o meu propósito


depreciar os dons. O meu propósito é unicamente apontar
as diferenças entre as várias maneiras através das quais a
graça de Deus (o Seu gratuito e imerecido favor) e o
Espírito Santo operam, assim como os seus parâmetros. Se
pensarmos que o mero exercício de um dom espiritual nos
torna pessoas espirituais, devemos lembrar-nos da jumenta
de Balaão. Isto far-nos-á regressar de novo à terra. Deus fez

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um burro falar com o profeta porque o profeta não dava
ouvidos a Deus. (Veja Números 22:22-40). A lição pode ser
sumariada da seguinte forma: Se você fosse um jumento
antes de profetizar, sabe o que seria depois disso? Os dons
espirituais só por si não mudam a natureza ou o carácter.
Deus pode usar um jumento como último recurso.

Os dons espirituais só por si não mudam a natureza ou o


carácter. Deus pode usar um jumento como um último
recurso.

Novamente digo que isto não deprecia os dons, mas temos


de compreender que eles são dádivas.

Os Dons e o Fruto do Espírito


Outra forma de olharmos para os dons e carácter é
percebermos que os dons espirituais são uma coisa e o fruto
do Espírito é outra. Já vimos que existem nove dons do
Espírito e Gálatas 5:22-23 revela que também existem
nove características do fruto do Espírito: “Mas o fruto do
Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Muitos
Cristãos passam, de certa forma, ao lado do que Deus tem
reservado para eles, por não fazerem uma distinção básica
e lógica entre os dons e o fruto do Espírito. Eu referi
anteriormente que os dons são como presentes debaixo da
árvore de Natal. Também podemos afirmar que a diferença
entre os dons e o fruto é semelhante à diferença entre os
ornamentos na árvore de Natal e os frutos de uma árvore
frutífera. Colocar um ornamento numa árvore de Natal
demora apenas uns breves instantes e o ornamento não faz
parte da árvore. Contudo, não podemos colocar uma maçã
numa macieira. Ela aparece por um processo de cultivo,

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crescimento e maturação. Você sabe que vai demorar
algum tempo para que aquela macieira produza maçãs que
valham a pena comer. De forma semelhante, existe um
processo envolvido com o crescimento do fruto espiritual.
Tem de ser cultivado com trabalho, paciência e habilidade.

Seria um absurdo esperarmos que uma macieira ou


laranjeira recém plantada desse fruto instantaneamente. O
apóstolo Paulo escreveu: “O lavrador que trabalha deve ser
o primeiro a gozar dos frutos.” (2 Timóteo 2:6). Os frutos
não aparecem sem trabalho. Penso que este é um facto a
que nós muitas vezes damos pouca importância. Falamos
do surgimento espontâneo dos frutos sem trabalho. Os
frutos conseguem crescer sozinhos, mas nos actuais
mercados mundiais você não conseguiria vender nenhum
tipo de fruto que fosse simplesmente deixado a crescer por
si só. Todos os frutos requerem um cultivo cuidadoso e, por
vezes, intensivo que envolve tempo e dedicação.
Igualmente, alguém que não cultive o fruto espiritual não o
levará à perfeição.

Alguém que não cultive o fruto


espiritual não o levará à perfeição.

Também devemos compreender que um dom do Espírito


não será tão eficaz como deveria, a menos que o fruto do
Espírito seja cultivado com ele. E o exercício do dom
poderá produzir uma mudança no carácter, apesar de tal
não acontecer quando se recebe o dom.

Em 1 Coríntios 13:1-2, Paulo referiu que, mesmo que


tenhamos todos os dons do Espírito, se não tivermos amor,
de nada nos servem, não têm qualquer valor para a pessoa

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que os tem. As suas declarações são muito interessantes
porque os dons ainda poderão ter valor para outras pessoas.
Se eu possuir o dom de curas e o exercitar sem amor, não
me traz qualquer proveito, mas poderá trazer proveito à
pessoa que é curada. Oral Roberts relatou um incidente
acerca deste aspecto que eu jamais me esqueci. Uma
mulher incomodava-o após uma reunião. Ela excedia os
seus limites e corria atrás dele. Ele disse-lhe: “A reunião já
acabou. Eu não oro por pessoas em privado.” Ela nunca o
deixou e insistiu de tal forma que, eventualmente num
rasgo de impaciência, ele estendeu a sua mão,tocou-lhe e
ela ficou curada. Apesar do sucedido, ele disse: “Eu não
recebi qualquer bênção disto. Não me trouxe qualquer
proveito.” A pessoa que exercita o dom não beneficia dele a
menos que o exercite em amor.

A pessoa que exercita o dom não beneficia


dele a menos que o exercite em amor.

Eu já tive algumas experiências semelhantes. E fiquei


surpreendido com os resultados, considerando a forma
como me sentia! Mas Deus é maior do que nós.

Algumas pessoas dizem que não necessitam de dons,


porque já possuem o fruto espiritual. A experiência tem me
ensinado a questionar até que ponto estas pessoas
realmente terão fruto. Suponha que alguém diz: “Eu tenho
amor, não preciso de dons.” Isto é contrário ao que está nas
Escrituras, porque a Bíblia diz: “Segui o amor, e procurai
com zelo os dons espirituais…” (1 Coríntios 14:1). Uma
das evidências de que seguimos ou desejamos o amor é que
procuramos os dons espirituais. Na verdade, os dons
espirituais são as ferramentas através das quais o amor

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trabalha. Os dons são os meios pelos quais o amor se torna
eficiente.

Os dons são os meios pelos


quais o amor se torna eficiente.

O amor sem os dons fica gravemente frustrado e impotente.


Estou certo de que o amor nunca levará um crente a recusar
os dons de Deus. A minha resposta a tal pessoa seria: “O
que vai fazer com todo esse amor? Como vai ajudar a
humanidade? Você precisa dos dons para essa tarefa.”
Imaginem uma mãe sentada ao lado do seu filho que está
doente e lhe diz: “Querido, eu amo-te, mas vou
simplesmente ficar aqui sentada. Não vou ver se tens febre,
não te vou dar qualquer remédio, não vou chamar o médico
ou sequer orar por ti. Mas eu amo-te.” Quanto amor terá
esta mãe? Ela tem amor nas palavras, mas não nos actos.

Mais uma vez digo, um dos principais meios pelo qual é


permitido ao amor actuar é através dos dons do Espírito
Santo. Por exemplo, se queremos edificar a igreja pelo
nosso amor a ela, então desejaremos o dom que mais
edifica a igreja, que é o de profecia. Ou, se amamos os
enfermos, desejaremos os dons que nos permitirão
ministrar a eles, ou seja, os dons de curas e operações de
milagres. O amor bíblico é sempre muito prático. Ele não
se baseia apenas em frases bonitas, ele faz alguma coisa.

O amor bíblico é sempre muito prático.

Não devemos ser extremistas. Precisamos tanto dos dons


como do amor. Precisamos tanto dos dons como do fruto.
Precisamos tanto de dons espirituais como dos dons

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ministeriais. Nenhum destes é um substituto para qualquer
um dos outros. Precisamos de todos eles.

Todos os Crentes Têm Dons Espirituais


Ao continuarmos a explorar a natureza dos dons
espirituais, gostaria de abordar certas perspectivas que as
pessoas têm acerca dos dons espirituais, que são confusas e
não bíblicas. A primeira é que algumas pessoas acreditam
que é errado dizer que os crentes “têm” dons espirituais,
porque isso indicaria orgulho. No entanto, uma pessoa não
tem nada em que se orgulhar quando recebe um dom. Em
primeiro lugar, como já vimos, o dom não torna a pessoa
diferente do que era antes de o ter recebido. Em segundo
lugar, essa pessoa não tem nada que a torne diferente de
todas as outras excepto o dom, e isso não é algo que tenha
vindo dela própria, ou que ela tenha obtido por mérito
próprio. Uma pessoa pode ter um dom e estar grata por ele
sem sentir orgulho.

A segunda é que algumas pessoas não acreditam que os


crentes devam dizer, por exemplo, “Eu tenho o dom de
curas.” Elas pensam que se alguém é curado, que é a pessoa
curada quem recebeu o dom. Ou se é manifestado o dom de
profecia, elas pensam que é o recipiente quem obtém o
dom. Esta perspectiva pode ter um efeito muito confuso
nas pessoas e quero deixar claro que este ponto de vista não
é bíblico. Se Deus dá um dom a si, ou a mim, nós temos a
obrigação de confessar que Ele no-lo deu. Eu conheço
homens que obviamente têm um dom divino de curar mas
que, de forma a evitar controvérsias ou críticas, não o
confessam. Eles dizem: “Eu nunca afirmei ter um dom de
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curas. Deus cura.” É verdade que Deus cura, mas Ele usa
instrumentos humanos para efectuar essa cura.

Vejamos alguns lugares no Novo Testamento que declaram


categoricamente que os crentes possuem dons.

A primeira carta aos Coríntios 12:7 diz: “A manifestação


do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (ênfase
adicionada). Com a língua Grega, os tempos dos verbos
são muitas vezes de vital importância. Neste versículo, o
verbo está num tempo presente contínuo. “A um pelo
Espírito é com regularidade dada a palavra da sabedoria”, e
assim sucessivamente. Uma pessoa que tem estes dons,
manifesta-os regularmente.

“Temos diferentes dons, segundo a graça que nos é dada”


(Romanos 12:6, ênfase adicionada).

“Mas cada um tem de Deus o seu próprio dom; um de uma


maneira, e outro de outra” (1 Coríntios 7:7, ênfase
adicionada).

“Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas?


Interpretam-nas todos?” (1 Coríntios 12:30). Este
versículo é importante porque inclui um dos dons que as
pessoas mais hesitam em dizer que têm. Quando Paulo
escreveu “Têm todos dons de curar?”, ele está claramente a
dizer que nem todos têm, mas há quem o tenha. Se tal não
fosse, esta seria apenas uma insignificante pergunta
retórica. Aqui temos uma clara autoridade das Escrituras
para que os crentes digam: “Eu tenho dons de curas (ou de
interpretação de línguas, ou outro qualquer). Deus deu-mos.
Não me torna melhor do que eu era antes, mas devo dizer

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que, no que toca à experiência, eles manifestam-se
regularmente através de mim.”

“Portanto, procurai com zelo os melhores dons” (1


Coríntios 12:31). Se não pudéssemos ter dons, não haveria
nada para procurar. É claro que é a vontade de Deus que nós
procuremos ter dons.

É a vontade de Deus que nós procuremos ter dons.

“Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por


profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1
Timóteo 4:14, ênfase adicionada) e “Por este motivo eu te
exorto que despertes o dom de Deus, que há em ti pela
imposição das minhas mãos” (2 Timóteo 1:6, ênfase
adicionada). Paulo escreveu a Timóteo de tal forma que é
absolutamente claro que ele considerava que Timóteo tinha
um determinado dom. Se o dom está em si, então você tem-
no.

“Servi uns aos outros conforme o dom que cada um


recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de
Deus” (1 Pedro 4:10, ênfase adicionada). Pedro usou uma
linguagem semelhante à de Paulo. Não podemos ministrar
aquilo que não temos. Primeiro há que o receber. Pedro
assumiu que todos os Cristãos teriam dons, permitindo-nos
ministrar uns aos outros. A verdadeira pobreza é não
termos algo com que contribuir. Esta é a trágica condição
de provavelmente 90 por cento dos Cristãos que
frequentam igrejas e que professam a sua fé em Cristo. Eles
não receberam o que Deus lhes disponibilizou e, como tal,
não o podem dar. Mas esta não é a vontade de Deus.
Nenhum crente no Senhor Jesus Cristo tem necessidade de

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estar sem a sua própria e distinta manifestação do Espírito
Santo. “A manifestação do Espírito é dada a cada um para
o que for útil. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas
estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como
quer” (1 Coríntios 12:7, 11).

Enquanto a todos os crentes são dados dons distintos, isto


não limita o Espírito Santo de manifestar qualquer dom
através de qualquer pessoa em qualquer tempo que Ele
queira, porque todos os dons residem n'Ele. Por exemplo,
se estiver numa emergência e alguém estiver a morrer à sua
frente, não tem de ficar a olhar para a pessoa e dizer: “Eu
não tenho o dom de curar, portanto não há nada que eu
possa fazer.” Se está cheio do Espírito Santo, tem todos os
dons em potencial n'Ele. Não há nada que impeça o
Espírito Santo de manifestar o dom da cura através de si
naquele momento. Contudo, as Escrituras não justificam
que diga que tem o dom de curas, a menos que ele seja
regularmente manifestado na sua vida. Deus pode dar
qualquer tipo de manifestação que seja necessária a
qualquer pessoa, mas isto não é o mesmo que ter o dom.
Não diríamos que o burro de Balaão tinha o dom da
profecia. Porquê? Porque aconteceu somente numa
ocasião.

Portanto, Paulo começou e terminou a sua lista de dons do


Espírito lembrando-nos que, como crentes, cada um de nós
tem o privilégio ter a sua manifestação específica do
Espírito Santo na sua vida. Paulo não sugere que Deus nos
condiciona apenas a uma manifestação. Mas se vivermos
na nossa herança espiritual, temos o direito de gozar as
manifestações do Espírito Santo nas nossas vidas.
Qualquer crente que está a viver sem estas manifestações,

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está a viver abaixo do nível da provisão de Deus para a sua
vida.

Terão Sido os Dons Retirados da Igreja?


Algumas pessoas dizem-nos que os dons foram retirados
da igreja depois do primeiro século. No entanto Paulo disse
que a igreja deve exercitar os dons enquanto espera pelo
regresso do Senhor Jesus.

Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de


Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Pois em tudo fostes
enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o
conhecimento, assim como o testemunho de Cristo foi
confirmado entre vós; de modo que nenhum dom vos
falta, aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus
Cristo, o qual vos confirmará também até ao fim, para
serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus
Cristo.(1 Coríntios 1:4-8, ênfase adicionada)

Quanto mais se aproxima o regresso do Senhor, mais


precisamos de manifestar os dons. Não há qualquer
Escritura na Bíblia que sugira que os dons sobrenaturais da
graça de Deus serão alguma vez retirados da igreja de Jesus
Cristo. Quando a igreja, como a noiva, for ao encontro de
Jesus, o Noivo, ela será adornada com os dons que Ele lhe
enviou.

O motivo por que alguns crentes não têm estas


manifestações é que eles nunca deram o passo vital do que
é natural para o que é sobrenatural. Acredito que o primeiro
passo essencial é o baptismo no Espírito Santo,
acompanhado pela manifestação miraculosa de falar em

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outras línguas. Uma vez que entrou no reino do
sobrenatural, é a vontade de Deus que continue a actuar
nesse reino.

Os dons espirituais não são algo remoto de uma era


passada. Nem tão-pouco estão reservados somente para
alguns gigantes espirituais ou pregadores e missionários
em terras estrangeiras. O Novo Testamento revela os dons
como parte do equipamento espiritual da vida Cristã para
crentes de todos os tempos até que Cristo volte.

Os dons fazem parte do equipamento


espiritual da vida Cristã até que Cristo volte.

O Propósito Final dos Dons Espirituais


Vamos fechar este capítulo falando do propósito dos dons,
do ponto de vista de Deus. Frequentemente cometemos o
erro de vermos os Seus propósitos e provisão somente da
perspectiva do que eles farão para nós. Por exemplo, se
ouve pessoas falarem sobre o baptismo no Espírito Santo:
“sentir-se-á maravilhosamente bem se tiver o baptismo.”
Mas não se sentirá maravilhosamente bem todo o tempo.
Por vezes poderá sentir-se pior do que alguma vez se sentiu
porque poderá tornar-se mais consciente dos problemas,
das necessidades e das forças espirituais, algo que
anteriormente não se apercebia. Outros poderão dizer: “Ele
ajudá-lo-á tremendamente com o seu estudo da Bíblia”, o
que é verdade. Ou poderão dizer-lhe: “Terá o poder para
testemunhar.” Este também é um maravilhoso resultado do
baptismo. Contudo, todas estas razões para se receber o
baptismo no Espírito Santo estão direccionadas para o
nosso próprio proveito. O grande motivo para termos o

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baptismo no Espírito Santo é o que ele fará para o corpo de
Cristo.

“Pois todos nós fomos baptizados em um só Espírito” (1


Coríntios 12:13). Porquê? Para nos tornarmos membros
eficazes do corpo de Cristo. Isto glorificará Deus. O
Catecismo de Westminster inclui esta declaração:
“Qual é o objectivo final do homem?” É “glorificar a Deus
e gozar da Sua presença para sempre.” Poucos de nós
compreendemos o facto de que o fim supremo da vida é
glorificar a Deus. Alguém me disse: “Se não existes para a
glória de Deus, não tens o direito de existir.” Esta é a
verdade. Tudo foi criado para o prazer de Deus. Porque são
os dons espirituais importantes? Porque trazem glória a
Deus.

Os dons espirituais são importantes


porque trazem glória a Deus.

O livro de Efésios contém algumas frases absolutamente


fantásticas no que toca a isto.

“…o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…nos


predestinou para sermos filhos de adopção por Jesus
Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua
vontade, para louvor e glória da sua graça, a qual nos deu
gratuitamente no Amado. …a fim de sermos para louvor da
sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo.”
(Efésios 1:3, 5-6, 12)

Qual é o propósito final de Deus em nos adoptar como Seus


filhos? Que nós sejamos para “louvor e glória da sua
graça.” Gosto particularmente da maneira como uma

26
versão traduz o fim do versículo seis: “…que nos fez
graciosamente favorecidos no Amado.”
A graça é amontoada sobre nós. A graça é-nos dada quando
não a merecemos, tornando-nos no objecto do especial
favor de Deus. Nós somos o objecto do Seu favor mais do
que tudo no universo por causa do nosso relacionamento
com Jesus Cristo.

Nós, que somos os menos merecedores, que estamos mais


afastados de Deus, fomos aproximados ao máximo.Todas
as riquezas do favor de Deus têm sido amontoadas sobre
nós para que fôssemos para a glória da Sua graça por toda a
eternidade.

É aqui que os dons têm um papel a desempenhar. Efésios


3:10, diz: “E foi assim para que agora, pela igreja, a
multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos
principados e potestades nas regiões celestes.”

A igreja de Jesus Cristo é para ser a revelação da sabedoria


de Deus para todo o universo.

A nossa tradução em Português diz “multiforme


sabedoria”, mas a palavra Grega é ainda mais forte,
significando “sabedoria infinitamente variada”. O nosso
exercício dos dons é uma forma significativa de como
Deus cumpre o Seu propósito de tornar conhecida a Sua
sabedoria infinitamente variada pela igreja.

No próximo capítulo, veremos mais sobre esta bonita e


vital ligação entre a graça de Deus e os dons que Ele nos
concede.

27
Capítulo 2
Charisma: Dons de Graça
A palavra Grega para “dons” e “dom” em 1 Coríntios 12 é
charisma. Os nove dons que lá estão mencionados não são
os únicos dons charisma referidos nas Escrituras. Onde
quer que uma palavra reapareça nas Escrituras, tal como
charisma, é como uma corrente. Ela tende a mostrar-nos
passagens que devemos considerar conjuntamente para
obtermos uma imagem mais completa do que Deus está a
tentar revelar. Tendo uma compreensão dos outros tipos de
dons de graça, permite-nos situar os nove dons na sua
devida perspectiva. Por exemplo, no último capítulo,
vimos a relação entre os dons do Espírito e os dons
ministeriais.

A palavra charisma deriva do substantivo Grego charis.


Charis é normalmente traduzido como graça. Graça pode
ser definida como “o não merecido favor de Deus para com
os injustos e não merecedores.” Nada em nós apresenta
qualquer razão para a oferta de amor, misericórdia e favor
de Deus. É a Sua graça que O leva a fazer isto.

Vejamos alguns factos importantes acerca da natureza da


graça de Deus que também se aplicam à natureza dos Seus
dons de graça.

29
A Natureza e Funcionamento da Graça de Deus
Graça é Gratuita
Primeiro que tudo a graça é gratuita, não pode ser ganha. O
evangelho é uma manifestação da graça de Deus. É o Seu
favor para com os que não o mereceram, para com os que
mereciam julgamento e condenação por causa dos seus
pecados e rebelião. Apesar de Deus recompensar fielmente
os que fazem o bem, isto não é graça. A graça está num
nível completamente diferente da recompensa pelas obras.

Muitas pessoas religiosas pensam que têm que fazer algo


para merecerem a graça de Deus e – ainda pior – muitas
delas pensam que fizeram algo para a merecer. Elas estão
erradas em ambos os sentidos, nós nunca poderemos fazer
algo para merecer a graça de Deus. A coisa mais difícil para
uma pessoa religiosa compreender é que ela não exerce
qualquer direito sobre a graça de Deus. Não poderemos
agradar mais a Deus do que simplesmente estarmos
dispostos a aceitar a Sua graça sem que a tentemos merecer
ou sermos suficientemente bons.

Agradar a Deus é aceitar a Sua graça sem que a


tentemos merecer ou sermos suficientemente bons.

A Graça é Dada através da Soberania de Deus


Segundo, a graça de Deus é a Sua escolha soberana. Ele
tem toda a autoridade para fazer com ela o que bem Lhe
aprouver. Ele não deve explicações a ninguém ou tem de
prestar contas pela operação da Sua graça. O Senhor diz:
“Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei
misericórdia de quem eu tiver misericórdia” (Romanos
9:15).

30
A Graça Vem através de Jesus Cristo
Terceiro, a graça tem apenas um canal; há somente um
caminho pelo qual ela vem até à raça humana: Jesus Cristo.
Em João 1:17 nós lemos: “Pois a lei foi dada por
intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por
meio de Jesus Cristo.”
Deus não dá graça a ninguém, seja em que situação ou
circunstância for, senão por meio do Seu filho.

A Graça tem apenas um canal pelo


qual ela vem até nós: Jesus Cristo.

A Graça Vem ao Humilde


Quarto, a graça só é oferecida a um tipo de pessoa: ao
humilde. Tanto Tiago como Pedro citaram Provérbios 3:34
nas suas epístolas: “Ele escarnece dos escarnecedores;
mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6; 1 Pedro 5:5). Mais
uma vez digo, se nós orgulhosamente pensamos que
merecemos a graça de Deus, não a podemos receber.
Devemos recebê-la na base do humilde reconhecimento de
que não a merecemos.

A Graça Vem através da Fé


Só há um meio pelo qual a graça é apropriada – pelo qual
pode efectivamente tê-la e experimentá-la na sua vida – e
esse meio é a fé. Efésios 2:8 diz: “Pois é pela graça que sois
salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é dom de
Deus”.

Até a fé é dada por Deus. Não nos podemos gabar de termos


fé porque, até que Deus a tivesse dado, você não a tinha.
Deus oferece-nos a Sua graça somente através de Jesus
Cristo; é oferecida somente ao humilde e é apropriada
somente pela fé n'Ele.

31
A Graça é Administrada pelo Espírito Santo
Só há um administrador ou dispensador da graça de Deus –
o Espírito Santo. Em Hebreus 10:29, Ele é chamado o
“Espírito da graça.” O Espírito administra a graça de Deus
tal como administra tudo o que recebemos através de Jesus
Cristo.

Charisma ao longo do Novo Testamento


Com este entendimento da natureza da graça, ou charis,
estamos numa posição que nos permite ver como a graça se
aplica aos dons de graça ou charisma. Adicionando “ma” a
“charis” transforma-o de um nome geral e abstracto para
um substantivo específico e definido. Charisma é a graça
que produz efeito. Assim sendo, um charisma é uma forma,
operação ou manifestação específica da graça de Deus. É a
graça tornada disponível numa forma particular.

Existem várias passagens no Novo Testamento onde a


palavra charisma é usada. Vejamos esses exemplos para
termos uma melhor ideia do significado desta palavra e das
suas ligações e, assim, podermos aplicá-la aos nove dons
espirituais.

Charisma em Romanos
Quando o apóstolo Paulo estava a escrever aos Cristãos em
Roma, a quem ele ainda não havia conhecido
pessoalmente, disse: “Desejo ver-vos, para vos comunicar
algum dom espiritual [charisma]” (Romanos 1:11). Paulo
não especificou qual o dom ou dons que tinha em mente.
Contudo, o uso da palavra “espiritual” imediatamente nos
dá a conhecer que ele se referia a dons, dos quais o Espírito
Santo era o administrador através de Jesus Cristo.

32
No quinto capítulo de Romanos, a palavra charisma
aparece duas vezes. Nestes exemplos, ela é traduzida por
“dom gratuito”, o que enfatiza especialmente a sua
associação com graça. Paulo estava a contrastar o que
aconteceu à raça humana através do pecado de Adão com o
que é oferecido à raça humana através da justiça de Jesus
Cristo.

Mas não é assim o dom gratuito [charisma] como a


ofensa. Pois se pela ofensa de um morreram muitos, muito
mais a graça [charis] de Deus e o dom [dorea] pela graça
[charis], que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou
para com muitos. (Romanos 5:15, ênfase adicionada)

Neste versículo, Paulo alinhou directamente a graça e o


dom: “a graça de Deus” e “o dom pela graça de… Jesus
Cristo.” A palavra Grega para a segunda instância de
“dom” neste versículo é dorea, que significa “uma dádiva”.
Ela tem a conotação de algo que é dado livremente.
Paulo enfatizou que o canal, que é somente através de Jesus
Cristo, “abundou para com muitos.”

O dom [dorea] não é como a ofensa de um só que pecou: O


juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação,
mas o dom gratuito [charisma – o dom gratuito de Jesus
Cristo] veio de muitas ofensas, para a
justificação.”(Romanos 5:16, ênfase adicionada)

Apesar da palavra charisma não ser utilizada no versículo


17, nós reconhecemos o dom específico de que Paulo
falava.

33
Pois se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse,
muito mais os que recebem a abundância da graça, e o
dom [dorea] da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus
Cristo. (ênfase adicionada)

O dom gratuito a que Paulo referia é a justiça. É


tremendamente significativo que o primeiro dom de graça
específico mencionado no Novo Testamento seja o dom de
justiça. É a primeira manifestação da graça de Deus nas
vidas dos que vêm a Ele através de Jesus Cristo. Deus não
pode fazer nada por nós até que nos tenha tornado justos.
Justiça é um dom de graça, um dom gratuito e imerecido.
Ou nós o recebemos como uma dádiva ou simplesmente
não o temos.

Deus não pode fazer nada por nós


até que nos tenha tornado justos.

Justiça é um dom de graça, ou nós o recebemos


como uma dádiva ou simplesmente não o temos.

A seguir, chegamos a este versículo bastante conhecido:


“Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom [charisma]
gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso
Senhor”(Romanos 6:23). Novamente, Paulo
deliberadamente delineou um contraste entre salário e dons
de graça – sendo o salário a recompensa devida pelo que
temos feito. Se trabalhar cinco dias por semana com um
determinado pagamento fixo, no final do mês terá
merecido o seu salário. Esta é a sua devida recompensa.
Paulo disse, que a recompensa devida pelos pecados que
todos nós cometemos é a morte. Se quiser justiça, pode tê-
la porque Deus é justo. Mas a alternativa à justiça é a Sua

34
graça – não é o que merecemos, não é aquilo no qual somos
suficientemente bons, não é o que trabalhámos para ter,
mas o gratuito e imerecido dom de Deus, que é a vida eterna
em Jesus Cristo nosso Senhor.

Em Romanos 8:10, Paulo estabeleceu a ligação entre vida e


justiça. “Mas se Cristo está em vós, o corpo, na verdade,
está morto por causa do pecado [a velha natureza Adâmica
morreu], mas o espírito vive por causa da justiça.” Esta
vida vem pelo Espírito Santo porque nós somos
reconhecidos como justos. Deus não pode dar vida aos
injustos. A vida eterna vem na base da justiça de Cristo
imputada em nós através da fé n'Ele.

A vida eterna vem na base da justiça de


Cristo imputada em nós através da fé n'Ele.

Um pouco mais à frente, em Romanos 11:29, Paulo diz-


nos: “Pois os dons [charisma] e a vocação de Deus são
irrevogáveis.” Quando Deus concede um dom, Ele não
muda de ideias. Suponhamos que eu dava a uma das
minhas filhas adultas um carro novo. Se for realmente uma
dádiva, não posso retirá-lo se ela fizer algo que desaprovo.
De outra forma seria apenas um empréstimo condicional.

Do mesmo modo, quando Deus nos dá dons, incluindo os


dons espirituais, Ele não os retira, mesmo que não os
usemos de forma apropriada. Nós somos responsáveis e
vamos prestar contas pelo uso que lhes damos, mas porque
são ofertas, não são revogados. Isto aplica-se tanto aos
dons de Deus como ao chamamento de Deus. Tenho
conhecido muitas pessoas que receberam o chamamento
para serem evangelistas. Em muitos aspectos as suas vidas

35
estavam desorganizadas. Elas até podem ter abusado do
álcool ou terem agido de forma imoral. Contudo, de cada
vez que pregavam, pecadores eram salvos. Poderá
questionar: “Como pode gente desta ser usada por
Deus?”A resposta é simples. É porque Deus lhes deu o dom
e Ele nunca tira aquilo que dá. Se em qualquer momento o
receber e o manter de um dom for condicionado ao nós
sermos suficientemente bons, então esse não é um dom de
graça. Nós não recebemos um dom ganhando-o,
merecendo-o ou sendo suficientemente bons. E guardamo-
lo a menos que nós próprios o deixemos deliberadamente –
o que pode acontecer. No entanto Deus nunca o retira.
Compreender que o charisma é um dom incondicional, é
vital para recebermos e exercermos dons espirituais.

Repare que Paulo juntou à palavra dom a palavra graça.


Em Romanos 12:6-8, ele escreveu,

Temos diferentes dons [charisma, dons de graça], segundo


a graça [charis] que nos é dada. Se é profecia, seja ela
segundo a medida da fé. Se é ministério, seja em ministrar;
se é ensinar haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use
esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com
liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exerce
misericórdia, com alegria.

Paulo mencionou sete tipos específicos de charisma. O


primeiro é a profecia. O segundo é o ministério. A palavra
Grega para ministério significa “servir”, primeiramente no
domínio prático. Ela está relacionada com a palavra de
onde deriva o termo diácono. Essencialmente é uma forma
de serviço no domínio material da vida. A seguir ele listou o
ensino, a exortação, o repartir e o presidir. A palavra Grega

36
para repartir ou dar refere-se ao partilhar, mas significa
partilhar os nossos bens materiais ou as nossas finanças. A
palavra Grega para presidir ou liderar é proistemi, que
significa “ser colocado acima” ou “na cabeça de”. (Veja
também 1 Tessalonicenses 5:12; 1 Timóteo 3:4-5,12;
5:17.) Em 1 Timóteo 3, há um paralelo directo entre um
homem que governa a sua família e um homem que
governa a igreja. Paulo disse: “É necessário, pois, que o
bispo… governe [proistemi] bem a sua própria casa, tendo
seus filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois se
alguém não sabe governar [proistemi] a sua própria casa,
como cuidará da igreja de Deus?).” Assim sendo, a
autoridade de um pai na sua família é um padrão para a
autoridade de um líder na igreja.

Por último temos o dom do exercício de misericórdia. Eu


gosto de sublinhar que, exercer misericórdia é um charisma
específico. Nem todos os dons de charisma são dramáticos.
Muitas pessoas procuram somente o sensacional. Há
milhões de pessoas no mundo a precisarem que haja
alguém lhes faça acreditar ainda em misericórdia. Há
muitas pessoas solitárias desejando que alguém que lhes
demonstre alguma bondade. Nós recebemos a misericórdia
de Deus e temos a obrigação de a mostrar. A igreja
primitiva regularmente tomou sobre si a responsabilidade
de cuidar dos pobres. A maioria das igrejas modernas têm
um comité para tudo, excepto para cuidar dos pobres. Este
é um ministério de graça que é sobremaneira
negligenciado. Mas estes são todos tipos de charisma
destinados a serem ministrados por crentes na igreja.

Charisma em 1 e 2 Coríntios
O livro de 1 Coríntios tem provavelmente o maior número

37
de ocorrências da palavra charisma, apesar de Romanos
estar muito próximo. Primeiro, Paulo disse à igreja de
Corinto: “De modo que nenhum dom [charisma] vos falta,
aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1
Coríntios 1:7).

Paulo disse a esta igreja, que tinha alguns problemas


morais sérios, “Estou muito contente por não vos faltar
nenhum dom. Todo o charisma é manifestado entre vós.”
Pense nos muitos problemas desta igreja em Corinto. Por
exemplo, havia uma imoralidade exposta – um homem
havia tomado a mulher do pai. Contudo, através das
palavras de Paulo, podemos ver que os crentes, apesar de
tudo, tinham todos os dons de graça. Porquê? Novamente,
eles não os tinham por os merecerem. Tenho reparado que
as pessoas que não são religiosas frequentemente têm
muito mais fé para tomarem posse dos dons de graça
porque nunca se preocupam em tentar merecê-los; elas
sabem que não são capazes de o fazer. Contrastando com
pessoas boas e religiosas muitas vezes se apercebem do
quão difícil é receber dons de graça porque elas ainda
pensam, algures no fundo das suas mentes, “tenho que
fazer alguma coisa para merecer isto.”
O ministério de Paulo aos Coríntios lembra-nos que
receber um dom não muda, necessariamente, o carácter de
uma pessoa. Deus quer mudar o nosso carácter para que
nos tornemos como o Seu Filho Jesus Cristo, mas este não é
o fundamento sobre o qual recebemos os dons. Nós não
recebemos dons porque somos bons; recebemo-los pela fé.

Nós não recebemos dons porque


somos bons; recebemo-los pela fé.

38
Em 1 Coríntios 7:7-8, Paulo escreveu:

Contudo, gostaria que todos os homens fossem como eu


mesmo. Mas cada um tem de Deus o seu próprio dom; um
de uma maneira, e outro de outra. Digo, porém, aos
solteiros e às viúvas, que lhes é bom se permanecerem
como eu.

A que dom ou manifestação específica da graça de Deus se


referia Paulo? Ao celibato, a capacidade de viver solteiro.
O que ele disse foi: “Eu gostava que todos tivessem este
dom para que pudessem servir ao Senhor a tempo integral,
mas reconheço que nem toda a gente o tem.” Cada pessoa
tem o seu ou a sua manifestação específica da graça de
Deus que lhes permite fazer o que Deus lhes chamou para
fazer.

Cada pessoa tem o seu ou a sua manifestação específica


da graça de Deus que lhes permite fazer o que Deus lhes
chamou para fazer.

Não é bom que uma pessoa que não tenha este dom tente
viver como se o tivesse. Mas quero que reparem que Paulo
afirmou que este era um dom de graça.
Em 1 Coríntios 12:4, Paulo escreveu: “Há diversidade de
dons [charisma], mas o Espírito é o mesmo.” Como
notámos anteriormente, existem muitos dons diferentes,
mas é o Espírito Santo que dispensa todos eles. Então Paulo
enumera nove dons de graça específicos, que são o foco
deste livro.

A um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; a outro,


pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo

39
mesmo Espírito, fé; a outro, pelo mesmo Espírito, dons de
curar; a outro, a operação de milagres; a outro, profecia; a
outro, discernimento de espíritos; a outro, variedade de
línguas, e a outro, interpretação de línguas.(v. 8-10)

Um pouco depois, Paulo disse: “Portanto, procurai com


zelo os melhores dons [charisma]” (v. 31). As pessoas não
podem desejar dons se não souberem o que são dons. Paulo
assumiu que os Cristãos se tornariam familiarizados com o
que são os dons de Deus, com o que lhes está disponível.
Repare que quando ele diz para procurarmos com zelo os
melhores dons, ele não estava a encorajar ao orgulho. Os
dons de graça são dados apenas aos humildes. O desejo de
receber dons espirituais, só por si, não é errado.

Para compreendermos o que Paulo quis dizer por


“melhores dons”, precisamos ir até ao versículo vinte e
oito, onde ele diz: “A uns pôs Deus na igreja,
primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em
terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres,
depois dons de curar, socorros, governos, variedades de
línguas.” Paulo especificou oito funções ou ministérios
dentro da igreja: apóstolos, profetas, mestres ou
professores, milagres, dons de curas, socorros, governos
ou administração e variedades de línguas. No resumo do
seu ensino, Paulo disse para desejarmos o melhor. Então,
quais são os melhores dons?

Duvido que Paulo tenha organizado estes dons numa


ordem de mérito. Não creio que se possa fazer uma lista
absoluta e afirmar que essa é a ordem da sua importância.
Os melhores dons são aqueles que melhor cumprem a
função para a qual foram dados. Assim sendo, qualquer que

40
seja o dom que satisfaça a vossa situação ou circunstância
num dado momento, esse é o melhor dom.

Um tipo completamente diferente de charisma é


mencionado na seguinte passagem. Paulo referia-se a uma
determinada experiência no seu próprio ministério
missionário.

Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para


que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita
os mortos, o qual nos livrou e em quem esperamos que
ainda nos livrará de tão grande morte, ajudando-nos
também vós com orações por nós, para que por muitas
pessoas sejam dadas graças a nosso respeito, pelo dom
[charisma] que nos foi concedido por meio de muitos. (2
Coríntios 1:9-11)

Paulo referia-se à libertação milagrosa de perigos extremos


e ele chamou-lhe um dom; era uma manifestação da graça
de Deus. Possivelmente Paulo estava a falar do ocorrido
em Listra quando ele foi apedrejado e arrastado para fora
da cidade pelos seus inimigos e deixado como morto, mas
acabou por se levantar e afastou-se daquele lugar como se
nada tivesse acontecido. (Ver Actos 14:8-20.) Essa
intervenção sobrenatural de Deus foi um dom de graça e
veio em resposta às orações de muitos. É importante
compreendermos que uma súbita, dramática e sobrenatural
intervenção divina, contrariamente a tudo o que
poderíamos esperar, é um dom dado pela graça de Deus
para fazer face às necessidades de uma situação em
concreto.

O contexto do comentário de Paulo parece indicar que a

41
intervenção milagrosa normalmente vem em resposta às
orações de um grupo, em vez de ser uma manifestação na
vida de um indivíduo em particular. Como Paulo escreveu,
“ajudando-nos também vós com orações por nós, para que
por muitas pessoas sejam dadas graças a nosso respeito,
pelo dom que nos foi concedido por meio de muitos” (2
Coríntios 1:11).

Outro exemplo óbvio de intervenção divina e milagrosa em


resposta às orações de um grupo, foi quando Pedro foi
libertado da prisão na noite anterior ao dia da sua execução,
tal como está registado em Actos 12. Claramente, esta
intervenção de Deus tem que estar incluída na mesma
categoria dos dons porque ela não foi merecida. Foi a
soberana graça de Deus que, num momento crítico, desceu
sobre Pedro, poupando-lhe a vida. Se considerarmos os
dons de graça sob esta perspectiva, sob esta luz, muitos de
nós poderão ser capazes de olhar para trás nas suas vidas e
ver uma intervenção milagrosa, sobrenatural, em resposta
a orações e que perfaz os requisitos de um charisma.

Charisma em 1 e 2 Timóteo
Em 1 Timóteo 4:14, Paulo dirigiu algumas palavras de
aconselhamento a Timóteo, a quem havia anteriormente
chamado o seu “filho na fé” (1 Timóteo 1:2): “Não
desprezes o dom [Charisma] que há em ti, o qual te foi
dado por profecia, com a imposição das mãos do
presbitério.” Em 2 Timóteo 1:6 é feita uma exortação
semelhante: “Por este motivo eu te exorto que despertes o
dom [Charisma] de Deus, que há em ti pela imposição das
minhas mãos.” Aparentemente, Timóteo era responsável
por permitir que a timidez o impedisse de exercer o dom
que Deus lhe tinha dado. Paulo achou, pois, necessário

42
exortá-lo em cada uma das epístolas, dizendo-lhe “Não
deixes esse dom adormecer; não fiques contente apenas
com o ministrar, como se não tivesses este dom em
particular. Sacode-o; usa-o. Ele foi-te dado por Deus para a
Sua glória e para cumprir os Seus propósitos, e tu és
responsável pelo que fazes com ele.” Do mesmo modo,
nós somos responsáveis pelo que fazemos com os dons de
graça de Deus nas nossas vidas.

Nós somos responsáveis pelo que fazemos com os dons


de graça de Deus nas nossas vidas.

Charisma em 1 Pedro
A última instância de charisma no Novo Testamento é em 1
Pedro 4:10: “Servi uns aos outros conforme o dom
[charisma] que cada um recebeu, como bons despenseiros
da multiforme graça de Deus.” Pedro não esperava que
algum Cristão tivesse falta de dons de graça. Ele indicou
que todos os crentes receberiam dons, e, com base no que
recebessem, eles seriam capazes de ministrar a outros.

Se os Cristãos vão ministrar, eles primeiro têm de receber.


Parece que grandes secções da igreja contemporânea não
têm nada para dar. O pastor pode pregar e exortá-los para
fazerem isto ou aquilo, mas se não têm nada com o qual
fazer, como poderão fazê-lo? Um dos problemas básicos
da igreja Cristã de hoje, é que estamos operando no natural.

Um dos problemas básicos da igreja Cristã de


hoje, é que estamos operando no natural.

Confiamos na educação, na nossa formação pessoal, no


ambiente social, etc., em vez de confiarmos na graça e

43
poder de Deus. Se permitirmos que Deus nos dê dons de
graça – que não temos de merecer ou nos habilitarmos
através da educação, experiências, ou aulas no seminário –
estaremos numa posição em que poderemos ministrar a
outros.

A Variedade e Abundância da Graça de Deus


Existe um total de vinte e seis tipos de charisma ou dons de
graça mencionados no Novo Testamento, sem contar com
os que se repetem. Vimos alguns deles. Muitos são
referidos directamente nas Escrituras, enquanto outros são
inferidos.

1. Justiça (Romanos 5:15-17)


2. Vida eterna (Romanos 6:23)
3. Profecia (Romanos 12:6; 1 Coríntios 12:10)
4. Ministério [servir] (Romanos 12:7)
5. Ensino (Romanos 12:7)
6. Exortação (Romanos 12:8)
7. Repartir (Romanos 12:8)
8. Presidir (Romanos 12:8)
9. Exercer misericórdia (Romanos 12:8)
10. Celibato (ver 1 Coríntios 7:7)
11. Palavra de sabedoria (1 Coríntios 12:8)
12. Palavra de ciência/conhecimento (1 Coríntios 12:8)
13. Fé (1 Coríntios 12:9)
14. Dons de curas (1 Coríntios 12:9)
15. Operações de milagres (1 Coríntios 12:10)
16. Discernimentos de espíritos (1 Coríntios 12:10)
17. Variedade de línguas (1 Coríntios 12:10)
18. Interpretação de línguas (1 Coríntios 12:10)
19. Apóstolo (1 Coríntios 12:28)
44
20. Profeta (1 Coríntios 12:28)
21. Mestre (1 Coríntios 12:28)
22. Socorros (1 Coríntios 12:28)
23. Governos [administradores] (1 Coríntios 12:28)
24. Evangelistas (Efésios 4:11)
25. Pastores (Efésios 4:11)
26. Intervenção milagrosa (2 Coríntios 1:11)

Através deste livro, ao analisarmos mais profundamente os


nove dons espirituais, a palavra que quero que tenham
sempre em mente é graça – as riquezas da graça de Deus, a
abundância da graça de Deus, a variedade da graça de
Deus. Neste capítulo entrei em alguns detalhes sobre a
frequência do uso de charisma no Novo Testamento de
forma a sensibilizar o leitor e fazê-lo acreditar que Deus
tem uma abundância para si também. Deus nunca fez dois
flocos de neve ou duas impressões digitais iguais.
Igualmente, não existem dois Cristãos idênticos porque
Deus tem graça, dons, variedade e abundância suficiente
para todos nós. Se está a viver limitado de graça, não é
Deus que o está a limitar – está a limitar-se a si próprio!

Se está a viver limitado de graça, não é Deus que o está a


limitar – está a limitar-se a si próprio!

Abra o seu coração e a sua vida para receber os Seus


abundantes dons de graça.

45
Capítulo 3
A Manifestação do Espírito
Uma vez que existem vinte e seis instâncias distintas da
palavra charisma nas Escrituras, a questão que
naturalmente surge é “Porque são mencionados nove dons
em 1 Coríntios 12, isolados numa categoria especial?”
Usando termos científicos, podemos pensar no charisma
como um “género” (uma categoria) e estes nove dons como
uma “espécie” dentro desse género. Isto leva-nos a uma
segunda questão, “Qual é a característica que diferencia
estes dons?”

A resposta pode ser encontrada no versículo que apresenta


a lista: “A manifestação do Espírito é dada a cada um para o
que for útil” (1 Coríntios 12:7), ou seja, para o usufruto
comum, para o bem de todos. É óbvio que estes dons são
para um propósito útil, prático e lucrativo.
Alguém disse: “Os dons do Espírito Santo não são
brinquedos, são ferramentas.”

“Os dons do Espírito Santo não são


brinquedos, são ferramentas.”

No entanto, eu acredito que a palavra-chave que distingue


estes nove dons de todos os outros dons de graça é

47
“manifestação”. Manifestação refere-se a uma revelação
aberta aos sentidos, tal como os olhos ou ouvidos.

O corpo físico do crente em Jesus Cristo, é um templo no


qual a pessoa do Espírito Santo habita. O apóstolo Paulo
disse: “Ou não sabeis que o nosso corpo é santuário do
Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus?”
(1 Coríntios 6:19). Contudo, o Espírito Santo dentro desse
templo é invisível; a Sua presença não pode ser percebida
por nenhum dos cinco sentidos. Estas nove manifestações
distintas do Espírito são, pois, evidência do Espírito
invisível habitando no crente. São formas nas quais o
Espírito Santo invisível se torna manifesto nesse crente.
Cada um destes dons é perceptível pelos sentidos, de uma
forma ou de outra.

Jesus ensinou a Nicodemos acerca do Espírito Santo,


comparando-O com o vento: “O vento sopra onde quer, e
ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para
onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”
(João 3:8). Nenhum de nós alguma vez viu o vento; a sua
natureza é ser invisível. Contudo sabemos quando o vento
sopra porque vemos as coisas que o vento faz: arranca
folhas das árvores, as árvores dobram-se numa
determinada direcção, as nuvens deslizam sobre os céus, o
pó rodopia nas ruas, etc. Estas são manifestações do vento.
Similarmente, ninguém vê o Espírito Santo habitando no
crente, mas as coisas que o Espírito Santo faz de dentro
desse crente são manifestações da Sua presença. Elas são
uma revelação distinta de que Ele está lá e opera de formas
específicas.

Alguns crentes tem a ideia de que o Espírito Santo é tão


sagrado, tão invisível e tão espiritual, que nós nunca nos

48
podemos aproximar d'Ele ou senti-Lo ou experimentá-Lo.
Isto não é correcto. É importante compreendermos que as
Escrituras falam de manifestações do Espírito Santo. O
Espírito Santo tem feito muitas coisas que foram
perceptíveis às pessoas. Gostaria de ilustrar este facto com
duas passagens do Novo Testamento.

Actos 2 descreve os eventos no dia de Pentecostes, quando


o Espírito Santo desceu do céu para fazer a Sua morada nos
membros da recentemente formada igreja de Jesus Cristo
na terra. Naquele dia houve manifestações claras do
Espírito Santo.

Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos


reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um som,
como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde
estavam assentados. E viram línguas repartidas, como que
de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Todos
foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em
outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia
que falassem. (Actos 2:1-4)

Os crentes ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a


falar em outras línguas – línguas novas que não tinham
aprendido. Foram estas manifestações do Espírito que
levaram a grande multidão a ouvir o sermão que Pedro
subsequentemente pregaria (ver versículos 14-40) e que
levou três mil pessoas à fé em Jesus Cristo (ver versículo
41). Se não tivesse havido as manifestações ninguém, além
dos discípulos teria reconhecido que o Espírito Santo tinha
vindo. O Espírito Santo é conhecido através das Suas
manifestações.

49
Quando Pedro estava prestes a atingir o auge da sua
mensagem – após ter pregado sobre Jesus, o curso do Seu
ministério, a Sua morte, ressurreição e ascensão ao céu –
ele disse:

“Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos


testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e
tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo,
derramou isto que vós agora vedes e ouvis.” (Actos 2:32-
33, ênfase adicionada)

As pessoas não viram ou ouviram o próprio Espírito Santo,


mas elas viram e ouviram o que Ele fez nos crentes e
através deles, em quem tinha vindo morar. É interessante
notarmos a palavra “isto” [pronome demonstrativo] no
versículo trinta e três: “isto que agora vedes e ouvis.” Esta
palavra é usada várias vezes em Actos 2. Primeiro lemos:

Correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava


confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria
língua. E todos pasmavam e se maravilhavam,
perguntando uns aos outros: Não são galileus todos esses
homens que estão falando? Então, como é que os ouvimos,
cada um, na sua própria língua nativa? (vs. 6-8, ênfase
adicionada)

Foi o som que atraiu a multidão. O som é uma


manifestação; pode ser reconhecido pelo sentido da
audição. O versículo é específico em relação ao que
espantou a multidão. Eles ouviram estes pescadores
Galileus a falar em línguas que reconheciam, mas sabiam
que os Galileus não conheciam, línguas que nunca tinham
aprendido por compreensão natural ou educação. Este é o
ponto em questão.

50
Continuando, lemos “Todos se maravilhavam e estavam
perplexos, perguntando uns aos outros: Que quer dizer
isto?” (v. 12, ênfase adicionada). A que se refere “isto”?
Refere-se aos discípulos falando em línguas que não
conheciam. Algumas pessoas responderam dizendo:
“Estão cheios de vinho.” (ver verso 13).

Pedro levantou-se e pô-los em ordem:

Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém,


seja-vos isto notório; escutai as minhas palavras. Estes
homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a
terceira hora do dia [Ninguém se embebeda às nove horas
da manhã]. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel…
(Actos 2:14-16, ênfase adicionada)

“Isto” refere-se à mesma coisa, o falar em outras línguas. O


que disse Pedro acerca deste falar em outras línguas? “Isto
é o que foi dito pelo profeta Joel: Nos últimos dias, diz
Deus, do meu Espírito derramarei sobre toda a carne.”
(versículos 16-17). Ele falava do prometido derramamento
do Espírito Santo, previsto através do profeta. Pedro voltou
a usar a palavra “isto” no final da sua declaração: “De sorte
que, [Jesus] exaltado pela destra de Deus, e tendo
recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou
isto que vós agora vedes e ouvis.” (v. 33, ênfase
adicionada).

Este incidente do primeiro derramamento do Espírito


Santo mostra que quando Ele vem habitar no crente,
produzirá manifestações nesse crente que podem ser vistas
e ouvidas, que são perceptíveis aos sentidos. Na realidade,
isto é a evidência da Sua vinda. Repare no que Paulo disse

51
acerca da sua própria pregação e ministério em 1 Coríntios:

Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o


testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras
ou de sabedoria. Pois nada me propus saber entre vós,
senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive
convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A
minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em
palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em
demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé
não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de
Deus. (1 Coríntios 2:1-5)

Muitas pessoas imaginam que Paulo foi um grande


pregador, mas esta ideia é contrariada pelas Escrituras. Ele
disse: “A minha palavra e a minha pregação, não
consistiram em palavras persuasivas de sabedoria
humana.” Em 2 Coríntios 10:10, ele citou os seus inimigos
ao dizerem que a sua presença pessoal é fraca e a palavra
desprezível. Eu penso que Pedro foi um pregador
tremendo, mas Paulo não era de todo uma “personalidade
de púlpito”. Ele não era um orador tremendo, então como
produziu os seus resultados?

Não foi pela educação que ele recebeu aos pés do altamente
respeitado professor Judeu, Gamaliel. (Veja Actos 5:34;
22:3). Paulo disse: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco,
anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com
sublimidade de palavras ou de sabedoria. Pois nada me
propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este
crucificado.” (1 Coríntios 2:1-2). Não foi uma ousadia
invulgar. Ele disse aos Coríntios: “E eu estive convosco em
fraqueza, e em temor, e em grande tremor.” (v.3). Em Actos

52
18:1-11, nós lemos que a vida de Paulo correu perigo
quando ele esteve em Corinto, e ele teve medo. Mas o
Senhor falou-lhe numa visão e disse-lhe: “Não temas, mas
fala, e não te cales. Pois eu sou contigo, e ninguém lançará
mão de ti para te fazer mal, porque tenho muito povo nessa
cidade.” (vs. 9-10).
Então como produziu Paulo os seus resultados? A sua
pregação foi “em demonstração do Espírito e de poder” (1
Coríntios 2:4). A palavra “demonstração” corresponde
com exactidão à palavra manifestação que temos estado a
observar. O segredo do ministério de Paulo não foi
oratória, educação ou até mesmo coragem, mas a
manifestação do poder sobrenatural de Deus – a
demonstração da acção do Espírito Santo na sua vida.

Igualmente, os crentes devem demonstrar o poder do


Espírito Santo através dos dons sobrenaturais que Paulo
enumerou no capítulo doze de 1 Coríntios. Paulo disse que
o propósito para esta demonstração ou manifestação é
“para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos
homens, mas no poder de Deus.” (1 Coríntios 2:5).

A fé de cada verdadeiro Cristão não se deve basear em


argumentos intelectuais ou filosóficos, ou em formações
ou cursos de seminário, embora eles possam ser úteis, mas
numa experiência pessoal do poder de Deus.

A fé de cada verdadeiro Cristão deve basear-se numa


experiência pessoal do poder de Deus.

Quando fui missionário em África, chegou a um ponto em


que passei por uma espécie de crise em ministrar a
estudantes Africanos a quem eu estava a preparar para

53
serem professores. Eles diziam sim a tudo o que eu lhes
dizia, mas eu nunca sabia o quanto eles realmente criam; o
problema foi demasiada condescendência. Um dia,
levantei-me em frente aos meus alunos numa assembleia e
disse: “Quero agradecer-vos por serem tão cooperantes e
obedientes e dispostos a fazer tudo o que nós pedimos. Eu
sei qual é o motivo. A vossa educação depende de nós e
vocês querem ter educação; é o vosso deus.” Então disse:
“Nas mentes de muitos de vós ainda permanece um grande
ponto de interrogação.” Quando eu disse isto, eles
começaram a olhar para mim. “A interrogação nas vossas
mentes é esta: Será a Bíblia um livro para Africanos, que se
pode ler e confiar, ou é apenas um livro de homens brancos
que alguém trouxe de um outro país e que, na verdade, não
diz respeito aos Africanos? Muitos dos vossos anciãos
Africanos dizem-vos que é apenas um livro de brancos e
que é melhor não perderem tempo a tentar obedecê-lo ou a
segui-lo.”

Quando eu disse isso, houve um silêncio generalizado


porque disse exactamente o que eles estavam a pensar.
Acrescentei: “Quero dizer-vos mais uma coisa. Eu não
posso responder a essa questão por vocês.” Esta afirmação
surpreendeu-os porque, eles pensavam que os missionários
podiam responder a todas as perguntas. “Só há uma forma
de descobrirem a resposta a essa pergunta e isso é, se
tiverem uma experiência pessoal com o poder sobrenatural
de Deus na vossa vida. Quando tiverem essa experiência,
saberão que não veio da Grã-Bretanha, nem da América;
ela veio de Deus.”

Não discuti com eles; dispensei a assembleia, retirei-me e


orei nesta base: “Senhor, Tu disseste que aquilo que o

54
homem semear, assim ceifará. Tenho semeado a Palavra de
Deus nestes jovens e Tu disseste que, se semearmos para o
Espírito, ceifaremos do Espírito a vida eterna. Vou confiar
na Tua Palavra.” (Ver 2 Coríntios 9:6; Gálatas 6:7-8).

À medida que o tempo passava, continuei a pregar a


Palavra aos estudantes e orava. Não fiz rigorosamente nada
para os coagir a qualquer tipo de condescendência à fé
Cristã. Cerca de seis meses mais tarde houve uma
intervenção soberana de Deus naquela universidade. Foi
extraordinário. Durante as férias a meio do ano, a maioria
dos estudantes ia a casa para um fim-de-semana comprido.
Mas havia cerca de seis ou oito alunos cujas casas ficavam
tão longe que eles não eram capazes de ir e voltar a tempo,
por isso ficaram na universidade. A minha esposa e eu
pensámos que devíamos fazer alguma coisa por aqueles
jovens solitários, por isso convidámo-los a virem a nossa
casa para tomarem uma chávena de chá, o que era pouco
convencional naquela parte de África.

Eles não estavam acostumados a um estilo de vida e


socialização Europeia ou Americana – sentar em cadeiras e
ter uma conversa; eles nunca tinham experimentado isso.
Assim, sentámo-nos todos pouco á vontade, servimos-lhes
chá e todos eles colocaram cerca de cinco colheres cheias
de açúcar em cada chávena, porque não costumavam tê-lo.
Então eu pensei: “O que vamos fazer com eles agora?”
Disse que talvez fosse bom termos uma palavra de oração.
Eles obedientemente ajoelharam-se para orar e, quando
começámos, algo aconteceu. Foi como o rugir de um
trovão. Algo entrou naquele quarto e atingiu-nos. Cada um
daqueles alunos começou a orar em voz alta
simultaneamente. Eles estavam a orar numa língua que eu

55
não conhecia, mas não penso que fossem outras línguas;
creio que eram as suas línguas tribais. Apesar de estarmos
numa missão Pentecostal, os outros missionários mais
tarde queixaram-se que fazíamos muito barulho! Mas foi
um acto divino, não tive nada a ver com isso. Nunca teria
conseguido fazê-lo: Deus interveio!

Aquele evento deu início a algo que durou


aproximadamente quatro anos. Tivemos uma
movimentação soberana e sobrenatural do Espírito Santo
naquela universidade. Cerca de três meses depois eu estava
a falar novamente ao mesmo grupo de estudantes e li-lhes
Actos 2:17, parte do qual lemos previamente: “Nos últimos
dias, diz Deus, do meu Espírito derramarei sobre toda a
carne. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os
vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão
sonhos.”

Li este versículo muito cuidadosa e lentamente,


certificando-me que eles entendiam o seu significado.
Então disse: “Desafio-vos a todos para testemunhar que
todas as afirmações feitas neste versículo já vos
aconteceram. Não foi a alguém noutro país, noutra
universidade ou noutra igreja: foi a vocês,
experimentaram-nas! Os vossos olhos viram-no e os
vossos ouvidos ouviram-no. Este é o testemunho de Deus
para convosco, de que vivemos nos últimos dias. Agora,
não vos estou a pedir que acreditem em algo que um
homem branco disse ou algo que está num livro de um
homem branco. Vocês têm evidências experimentais, em
primeira-mão, de que isto é verdade.”

Isto fez por eles o que nenhuma série de sermões,


argumentos, evidências teológicas ou aprendizagem
56
seminarista jamais podia fazer. Mudou radicalmente as
suas atitudes e comportamentos, e transformou aquela
universidade num lugar onde valia a pena viver. Não foi um
esforço para os levar à oração. Na verdade, tivemos de os
fazer parar de orar porque não iam para a cama! Eles
oravam toda a noite nos seus dormitórios. Esta foi uma
intervenção de Deus e veio através da manifestação do
Espírito Santo. Quando eles realmente descobriram que
isto era verdadeiro por sua própria experiência, não
tivemos de continuar a prepará-los, a estimulá-los ou a
empurrá-los.

Era isto que o apóstolo Paulo estava a falar. Não é


suficiente ter uma doutrina, uma teologia, uma educação,
argumentos e raciocínio sãos.
A verdadeira fé não se deve basear na sabedoria dos
homens, mas no poder de Deus.

Nestes últimos dias, com o poder da iniquidade


sustentado em cada mão, e com todos os tipos de
ataques contra a fé em Deus e em Jesus Cristo e contra a
Sua verdadeira igreja, ninguém resistirá, a menos que
tenha uma experiência pessoal com o poder
sobrenatural de Deus na sua vida. Isto não é um luxo – é
uma necessidade.

O apóstolo Paulo tratou-o dessa forma: “A minha palavra, e


a minha pregação, não consistiram em palavras
persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração
do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse
na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (1
Coríntios 2:4-5).

57
Parte 2

Dons de Revelação
Capítulo 4
Uma Palavra de Sabedoria
Iniciando agora um estudo mais profundo dos dons
individuais do Espírito com os dons de revelação,
começando com a palavra de sabedoria.

Comparando Sabedoria com Conhecimento


Vale a pena compararmos as semelhanças e diferenças
entre a palavra de sabedoria e palavra de conhecimento.
Primeiro, a sabedoria e a conhecimento não podem ser
separadas em duas categorias completamente distintas,
porque elas estão intimamente relacionadas. De facto, ao
examinarmos os nove dons do Espírito, não estamos a
tentar delinear fronteiras entre eles. Eles são como as cores
do arco-íris: violeta, azul-violeta, azul, verde, amarelo,
laranja e vermelho. É fácil distinguirmos as diferentes
cores num arco-íris, mas não há um único ponto onde
possamos dizer, por exemplo, que termina o violeta e
começa o azul-violeta, ou onde este acaba e começa o azul.
Elas fundem-se umas nas outras.

O mesmo é verdade para os dons espirituais e outros


assuntos espirituais que estamos a discutir. É perfeitamente
legítimo falarmos separadamente acerca de sabedoria e
conhecimento, mas também existem pontos de encontro;

61
nem sempre é possível dizermos onde a sabedoria termina
e o conhecimento começa. Por vezes poderemos pensar:
“O que é a palavra de sabedoria ou a palavra de
conhecimento?” Muito frequentemente, onde uma existe, a
outra também está presente.

Contudo, geralmente, a diferença entre sabedoria e


conhecimento é esta: o conhecimento fornece-nos factos e
a sabedoria mostra-nos o que fazer com esses factos. Se
tiver toda a sabedoria do mundo, mas não tiver factos,
então não poderá fazer uma aplicação directa. Por outro
lado, mesmo que saiba todos os factos, a menos que tenha
sabedoria, o mais provável é que faça coisas erradas com
eles.

Esta verdade está resumida numa declaração do Rei


Salomão: “A língua dos sábios adorna o conhecimento,
mas a boca dos tolos derrama a estultícia.” (Provérbios
15:2). Uma pessoa sábia usa bem o conhecimento. Muitas
pessoas têm conhecimento, mas não o usam
correctamente. Consigo pensar em uma ou duas pessoas
que sabem muitas coisas, mas parece que as dizem sempre
nos momentos errados. Normalmente, elas estão a tentar
impressionar os outros com o quanto sabem, mas o seu
“timing” e a forma de apresentação são desapropriados.
Elas têm conhecimento, mas não têm a sabedoria para
aplicá-lo.

A Sabedoria de Deus versus a Sabedoria do Mundo


Também devemos reconhecer que uma palavra de
sabedoria espiritual não é igual à sabedoria do mundo.
Quando eu era um filósofo profissional, pensava que

62
estava a proceder em sabedoria, no entanto esta
“sabedoria” era intensivamente confusa. Quanto mais
confundia as pessoas, mais inteligente elas pensavam que
eu era – e, provavelmente, mais inteligente eu também me
achava. Se quiser confusão vá para filosofia porque é lá que
a encontrará.

No entanto, quando recebi o Senhor Jesus Cristo e dediquei


a minha vida a ensinar e a pregar a Palavra de Deus,
descobri que a sabedoria de Deus é muito diferente daquilo
a que estava acostumado. A Sua sabedoria é muito prática e
objectiva. Não é remota; é muito terra-a-terra e está
exposta em termos simples. Na verdade, é muito fascinante
estudar os ensinamentos de Jesus no que a isto diz respeito.
Na Bíblia King James Version, em todos os ensinos
registados de Jesus, somente uma vez encontramos uma
palavra com mais de quatro sílabas. Essa palavra é
regeneração. Grande parte do Seu ensino é em palavras de
uma, duas ou três sílabas, em que Ele fala de lâmpadas,
óleo, luz, ovelhas, peixe, vida, morte, amor, ódio. É
notável, e quase todos os historiadores concordarão, que
jamais alguém falou como este Homem Jesus. A sua
sabedoria era completamente diferente.

A Bíblia diz que Salomão foi o homem mais sábio que


alguma vez existiu e ele resumiu a natureza da sabedoria
em Eclesiastes 10:10: “Se estiver embotado o ferro, e não
se afiar o corte, então se deve pôr mais força, mas a
habilidade (sabedoria) trará sucesso” “(é excelente para
dirigir)” [Almeida Revista e Corrigida 1995]. A sabedoria
ou habilidade é excelente para dirigir e trará sucesso. A
sabedoria é pois directiva, enquanto o conhecimento é
informativa.

63
Este versículo faz-me sempre lembrar quando, em criança
vivia com os meus pais no sudoeste da Índia e tentei cortar
uma árvore. De vez em quando brotava em mim um
entusiasmo repentino e perguntava ao meu pai se havia
alguma coisa que pudesse fazer para limpar o jardim. Um
dia ele disse: “Há uma árvore ali em baixo na margem do
pequeno ribeiro que tem de ser cortada.”

Então fui, peguei no machado e comecei a arremessá-lo


contra a árvore. Após ter gasto trinta minutos de energia, a
árvore permanecia em pé, imponente. Tudo o que eu
consegui, foi ficar muito transpirado e com bolhas de água
em ambas as mãos. Foi então que o jardineiro apareceu e
olhou para mim com uma espécie de sorriso de
comiseração. Pegou no machado e afiou-o. Então ele deu
uma olhadela à árvore, mirou o ponto de corte, deu umas
quatro machadadas e a árvore veio abaixo. Tenho me
lembrado sempre desta experiência porque cometi dois
erros. Primeiro, tinha usado um machado que não estava
afiado. Segundo, não tinha acertado na árvore no sítio
certo. O jardineiro, por sua vez, usou o conhecimento e a
sabedoria que havia adquirido para cortar a árvore.

Quando me tornei pregador, apercebi-me que, não raras


vezes, era culpado da mesma coisa no meu ministério. Por
vezes os pregadores usam machados não afiados. Outras
vezes, mesmo quando têm um machado afiado, não
atingem a árvore no local certo. Recordo-me de uma
ocasião em que preguei numa igreja da Assembleia de
Deus nos Estados Unidos e tive uma semana de reuniões
bem sucedidas. Fui convidado para pregar numa igreja
Pentecostal no Canadá e envergonho-me ao admitir que
pensei que a mesma série de mensagens serviria.

64
Basicamente, repeti toda a série, com algumas mudanças.
Não houve quaisquer resultados. Nada. No último dia
descobri que alguns anos antes houvera uma tremenda
fenda naquela igreja. Tinha havido uma disputa sobre um
determinado assunto e as pessoas que se sentavam no lado
direito da igreja nunca mais falaram com as que se
sentavam no lado esquerdo – quer estivessem na igreja,
quer não. Não falavam umas com as outras mesmo que se
cruzassem na rua. O profeta Elias podia ter descido do céu e
pregado naquela igreja, mas nada aconteceria até que se
tivessem reconciliado uns com os outros.

Se tivesse esperado por Deus e tivesse sido guiado pela


sabedoria do Espírito Santo, tenho a certeza de que Ele me
teria dado a mensagem correcta. Mas tudo o que fiz foi ficar
ali e arremessar durante uma semana com um machado por
afiar, nunca cortando a árvore, mas ficando com muitas
bolhas nas mãos. Aprendi da forma mais dura.

Devemo-nos lembrar de afiar o machado e deixar Deus


mostrar-nos para onde devemos direccionar os golpes.
Muitas vezes, quando sou guiado pelo Espírito Santo, digo
uma coisa e depois penso: “Por que disse aquilo?” Mas,
seguramente, a árvore foi cortada. Algumas pessoas têm
vindo ter comigo depois, quase que indignadas ou
perturbadas, perguntando: “Lembra-se de ter dito isto?”
Respondo: “Não, não me lembro de o ter dito; nem
tencionava dizê-lo.” Eles replicam: “Bom, foi isso que me
tocou.” O Espírito Santo havia-mo dado como uma palavra
de sabedoria.

65
A Palavra de Sabedoria versus Sabedoria do
Dia-a-Dia
Junto com isto, também devemos perceber que a palavra de
sabedoria não é igual à sabedoria diária que Deus nos
providencia. Há uma promessa muito valiosa em Tiago
1:5: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a
Deus, que a todos dá liberalmente, e não censura, e ser-
lhe-á dada.” Se tem falta de sabedoria na sua vida diária
para desempenhar tarefas e assumir responsabilidades
legítimas, pode pedir e assegurar-se de que vai receber. A
Bíblia não diz nada de bom acerca da tolice. Deus não quer
que sejamos tolos e também não quer que sejamos
enganados.

Se tiver dificuldade no seu trabalho, ou se estiver a passar


por uma situação na sua vida em que a sua própria
sabedoria não é suficiente, tem autorização para dirigir-se a
Deus e pedir-Lhe uma sabedoria prática, do dia-a-dia.
Ajudá-lo-á a desempenhar o seu trabalho ou a lidar com
uma situação de uma forma melhor do que sem ela. Esta
sabedoria normalmente não vem sob a forma de uma
palavra de sabedoria. Ela vem como uma gradual
iluminação da sua mente, através da qual compreende o
que deve fazer.

A Palavra de Sabedoria Definida


Então o que é o dom da palavra de sabedoria? É uma
pequena parte da sabedoria total de Deus concedida directa
e sobrenaturalmente pelo Espírito Santo. “A um pelo
Espírito é dada a palavra da sabedoria” (1 Coríntios 12:8).

66
Deus tem toda a sabedoria. Mas, felizmente para si e para
mim, Ele não no-la dá toda de uma vez porque ela nos
submergiria completamente. Este dom é dado por meios
sobrenaturais porque os resultados não estariam
disponíveis por meios naturais. É concedida pelo Espírito
Santo numa maneira que, de outra forma, nos seria
impossível obter.

Manifestações da Palavra de Sabedoria nas


Escrituras
Vamos rever alguns exemplos específicos do Novo
Testamento onde este dom de sabedoria operou,
começando com o ministério de Jesus e indo até aos
exemplos da igreja primitiva. Vamos ver como o dom foi
usado e que tipos de resultados produziu. Em Jesus
encontramos os cinco dons ministeriais perfeitamente
demonstrados. Ele foi o apóstolo perfeito, profeta,
evangelista, pastor e professor. Ao operar nestes
ministérios, os vários dons sobrenaturais do Espírito Santo
foram também demonstrados na sua perfeição através
d'Ele.

Palavras de Sabedoria acerca de Peixes e Homens

O primeiro exemplo vem de Lucas:

Quando [Jesus] acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao


mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-
lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada
apanhamos, mas sobre tua palavra lançarei as redes.
Fazendo assim, colheram uma grande quantidade de

67
peixes, e rompia-se-lhes a rede. Fizeram sinal aos
companheiros que estavam no outro barco, para que
fossem ajudá-los. Foram, e encheram ambos os barcos, de
maneira tal que quase iam a pique. Vendo isto Simão
Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor,
afasta-te de mim; sou homem pecador. Pois o espanto se
apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por
causa da pesca que haviam feito, e de igual modo, também
de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram
companheiros de Simão. Disse Jesus a Simão: Não temas;
de agora em diante serás pescador de homens.
(Lucas 5:4-10)

Este incidente é, obviamente, sobrenatural. Primeiro,


Jesus, que fora ensinado para ser carpinteiro, foi capaz de
dizer a um pescador experiente onde baixar as suas redes
para apanhar peixe. Pedro vivia da pesca, o que, só por si, é
prova de que ele era bom naquilo que fazia. Ele tinha
pescado toda a noite num determinado local do Lago de
Genesaré, mas sem apanhar nada. Jesus tinha vindo de
manhã cedo e pregado às multidões à beira da praia. No fim
da Sua mensagem, Ele disse: “Simão, faz-te ao mar e lança
as tuas redes.” Pedro respondeu: “Senhor, esta não é a
melhor hora para pescar. Além disso, nós já pescámos aqui
e não havia peixe.” Mas reparem no que ele disse a seguir:
“Mas sobre a tua palavra lançarei as redes.”

Jesus deu-lhe uma palavra de sabedoria divina e directiva


em relação ao local onde pescar. Quando ele seguiu essa
palavra, apanhou tanto peixe que as redes romperam-se;
mesmo com a ajuda dos seus companheiros, Tiago e João,
que também tinham um barco, não conseguiram pôr o
peixe todo nas embarcações, que quase se afundaram com
o peso.

68
Esta experiência causou em Pedro uma profunda
convicção espiritual. Ele prostrou-se aos pés de Jesus e
disse: “Senhor, afasta-te de mim; sou homem pecador.”
(Lucas 5:8). A convicção é um dos resultados do exercício
de uma palavra de sabedoria verdadeira e sobrenatural.
Tenho visto os dons da palavra de sabedoria e palavra de
conhecimento ocasionarem convicção semelhante. A
súbita compreensão de que Deus sabe tudo, de que nada lhe
é oculto, pode quebrar, de uma forma extraordinária, o
coração teimoso e orgulhoso de um pecador.

Esta palavra de sabedoria não só teve uma aplicação


natural – o apanhar peixe - mas também uma teve aplicação
espiritual. Imediatamente após a declaração de Pedro,
Jesus disse-lhe: “Não temas; de agora em diante serás
pescador de homens.” (v. 10). Se eles, como pescadores,
precisavam que Jesus lhes desse sabedoria directiva para
apanharem peixe, muito mais precisariam dessa sabedoria
directiva, vinda d'Ele, quando começassem a pregar para
“pescar” almas. Por conseguinte, neste incidente vemos
uma importante ilustração de uma palavra de sabedoria.
Pedro recebeu direcções importantes sobre como e onde
pescar, com uma aplicação mais ampla de como e onde
Pedro, Tiago e João pregariam o evangelho.

Foi esta demonstração da sabedoria sobrenatural de Jesus


que fez com que estes homens ficassem dispostos a deixar
tudo e segui-Lo. “E, levando os barcos para a terra,
deixaram tudo, e o seguiram.” (v. 11). Eles devem ter
sentido que, se este Homem tinha as respostas em tão alto
nível no reino físico, era seguro segui-Lo.

69
A Palavra de Sabedoria acerca de Transporte

A próxima ilustração é de Mateus 21:1-7. A Escritura diz


que quando Jesus e os Seus discípulos chegaram ao cume
do Monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, “enviou Jesus
dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia aí em frente, e
logo encontrareis uma jumenta presa, e com ela um
jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. Se alguém vos
disser alguma coisa, dizei-lhe que o Senhor necessita
deles, e imediatamente os enviará. Ora, tudo isto
aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo
profeta: Dizei à filha de Sião: Olha, o teu Rei aí te vem,
manso, e montado em jumento, num jumentinho, filho de
animal de carga. Os discípulos foram e fizeram como Jesus
lhes ordenara. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e
sobre eles puseram as suas vestes e Jesus assentou-se
sobre elas.”

Isto foi o começo da entrada triunfal de Jesus em


Jerusalém, que nós celebramos no Domingo de Ramos. É
importante percebermos que isto foi feito em cumprimento
da profecia do Antigo Testamento que é citada nesta
passagem (ver Zacarias 9:9). Ao longo das Escrituras, e
pelo Espírito de Deus, Jesus sabia o programa de Deus para
aquele dia. Ele sabia que haveria uma jumenta e um
jumentinho para ele montar. Então, pela revelação do
Espírito Santo, sabia onde eles poderiam ser encontrados,
para assim poder direccionar os Seus discípulos.

A maioria das pessoas não permitiria que lhes levassem a


jumenta e jumentinho somente por lhes dizerem: “O
Senhor necessita deles.” No entanto, isto era sabedoria
divina e directiva.

70
Uma Palavra de Sabedoria sobre Ministério

No próximo exemplo, um problema muito urgente e


prático foi resolvido com uma palavra de sabedoria. Actos
6 relata uma disputa que ameaçou dividir a igreja primitiva
entre Judeus Cristãos que falavam Aramaico ou Hebraico
(os “Hebreus”) e Judeus Cristãos que falavam Grego (os
“Helenistas”):

Naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve


murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas
viúvas eram desprezadas na distribuição diária de
alimentos. Então os doze, convocando os discípulos,
disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de
Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, irmãos, dentre vós,
sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e
de sabedoria, aos quais constituamos sobre este
importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e
no ministério da palavra. (Actos 6:1-4)

A primeira prioridade em termos espirituais é a oração e o


ministério da Palavra de Deus, para o qual os doze
apóstolos foram chamados. Os assuntos práticos são
importantes, mas são secundários, e não é a vontade de
Deus que aqueles que são chamados para o ministério da
Palavra e oração tenham de se preocupar em supervisionar
ministérios práticos. Assim sendo, o Espírito Santo deu aos
apóstolos uma palavra de sabedoria. Eles deviam
permanecer no seu ministério primário e os outros crentes
deveriam nomear sete homens da congregação a quem os
apóstolos pudessem eleger para inspeccionar a distribuição
de dons de caridade.

71
Actos 6:5 dá-nos a resposta das pessoas a esta palavra de
sabedoria: “Este parecer contentou a toda a multidão.”
Este é outro resultado da palavra de sabedoria. As pessoas
de Deus imediatamente dizem: “Isso mesmo! Isso resolve
o problema; é exactamente o que devemos fazer.” Palavras
de sabedoria resolvem disputas, problemas, incertezas e
trazem unanimidade.

A igreja escolheu sete homens para supervisionar a


distribuição às viúvas. “De sorte que crescia a Palavra de
Deus, e em Jerusalém se multiplicava rapidamente o
número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes
obedecia à fé.” (v.7). Isto não teria acontecido se eles não
tivessem resolvido o problema prático, porque teria havido
uma contínua divisão, frustração e inveja – e a
movimentação do Espírito de Deus teria sido retardada.
Podemos ver que, apesar deste ter sido um problema
prático, também tinha importantes ramificações
espirituais, que foram satisfeitas com uma palavra de
sabedoria.

Palavras de Sabedoria acerca de uma Estrada e um


Carro

Em Actos 8 temos um exemplo do ministério do apóstolo


Filipe, que mais tarde seria chamado “Filipe o
evangelista”. Este exemplo no reino espiritual é paralelo ao
incidente no reino físico no qual Jesus disse aos discípulos
onde pescar.

O anjo do Senhor disse a Filipe: Levanta-te, e vai para a


região do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para
Gaza, que está deserta. Levantou-se, e foi. No caminho viu

72
um etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha
dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus
tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adorar. Regressava,
e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o
Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.
Correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e
perguntou: Entendes tu o que lês?” (Actos 8:26-30)

Nos antecedentes desta história, Filipe estava no meio de


uma extraordinária acção de Deus na cidade de Samaria.
Multidões tinham-se convertido e muitos milagres,
maravilhas e sinais haviam acontecido. Subitamente um
anjo veio com uma mensagem: “Vai pela estrada que segue
de Jerusalém até Gaza.” Esta troço de estrada era deserto.
Não havia qualquer congregação e, aparentemente,
ninguém a quem pregar no deserto. Qual era o propósito
em lá ir? Contudo Filipe não questionou e obedeceu. Ao
caminhar nesta estrada, deparou-se com um eunuco num
carro. Este eunuco era um alto funcionário governamental
da Etiópia e um devoto Judeu convertido. Ele tinha viajado
para Jerusalém para adorar e lia em alta voz o livro de Isaías
ao regressar ao seu país natal.

O Espírito Santo disse a Filipe para se aproximar do carro.


Filipe estava a receber instruções divinas. Com esta
direcção, Deus colocou-o a pouca distância da pessoa que
Ele queria alcançar. Todo aquele cenário fora preparado
por Deus e o homem apenas desejava saber a resposta ao
que estava a ler no capítulo cinquenta e três de Isaías, a
grande profecia acerca da expiação de Jesus Cristo. E
Filipe pôde-lhe explicar o caminho para a salvação.

Esta história de Filipe faz-me lembrar um incidente que

73
aconteceu com uma mulher que eu conheço bem. Ela
estava sentada no aeroporto de Atlanta quando viu um
jovem rapaz que provavelmente caracterizaríamos de
hippie. Ele usava roupa em tons de roxo. Ela sentiu um
grande impulso para lhe dizer o que Filipe disse ao eunuco:
“Entendes tu o que lês?”

Ele não estava a ler nada naquele momento, mas a pergunta


dela deu origem a uma conversa. Era de Nova Inglaterra e
os seus pais eram pessoas ricas e respeitáveis, mas ele
encontrava-se desesperado para descobrir o verdadeiro
sentido da vida, algo que não fosse imitação ou superficial.
Fugiu de casa, juntou-se a um grupo de hippies e passou
pelas várias experiências que eles geralmente passam. Ele
decidiu que não estava a ir a lado nenhum e deixou-os para
ir viver na natureza durante algum tempo, praticamente
sem nada, a não ser o que era mesmo essencial à vida. Não
levou nada para ler, excepto o Novo Testamento. Enquanto
o lia, apesar de desejar sinceramente encontrar a verdade,
ele não era capaz de entender o sentido daquilo. No
entanto, ler o Novo Testamento causou um enorme
impacto nele e levou-o a decidir que estava na hora de
voltar para casa e se reconciliar com os seus pais. A única
roupa limpa que possuía era aquela. E lá estava ele, no
aeroporto de Atlanta, na sua vestimenta roxa, à espera de
apanhar o avião de volta a Nova Inglaterra e ainda à
procura do significado da vida.

Porque a mulher lhe havia perguntado se ele compreendia o


que estava a ler, ele eventualmente abriu o seu coração e
começou a contar-lhe tudo sobre a sua luta para
compreender o Novo testamento. Ela foi capaz de lhe
explicar em poucas palavras o plano da salvação. Foi tal e

74
qual o incidente no livro de Actos. O resultado da palavra
de sabedoria foi o mesmo – o jovem abriu o seu coração. De
entre todas aquelas pessoas no aeroporto de Atlanta, havia
uma que precisava de ser abordada naquele momento.
Ninguém, no reino natural, seria capaz de identificar essa
pessoa. Mas através desta palavra de sabedoria directiva, a
mulher foi levada a falar com a pessoa certa.

Uma Palavra de Sabedoria sobre Pessoas que Deus


Quis Salvar

Em Actos 10, temos um outro exemplo que mostra o


quanto este dom de sabedoria é usado para direccionar os
servos do Senhor, em relação a quando e onde irem nos
seus ministérios. Um centurião Romano chamado
Cornélio, que viveu na cidade de Cesaréia e era um devoto
crente em Deus, tinha recebido a visita de um anjo que lhe
disse para enviar homens a Jope até Simão Pedro.
Enquanto os homens seguiam o seu caminho, “subiu Pedro
ao terraço para orar, quase à hora sexta. Tendo fome, quis
comer e, enquanto preparavam a comida, sobreveio-lhe
um arrebatamento de sentidos. Ele viu o céu aberto e um
vaso que descia, como um grande lençol atado pelas
quatro pontas, e vindo para a terra. No lençol havia de
todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do
céu. Foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te Pedro, mata e
come. Mas Pedro disse: De modo nenhum Senhor! Nunca
comi coisa alguma comum e imunda. Segunda vez lhe disse
a voz: Não faças tu como ao que Deus purificou. Isto
aconteceu três vezes. Então o vaso tornou a recolher-se no
céu. (Actos 10:9-16)

Pedro estava a ser dirigido por Deus contra a sua própria

75
vontade, inclinação, passado e ensino para ir a casa de um
Gentio e levar-lhe a mensagem do evangelho. Após chegar
a casa de Cornélio, ele disse: “Vós bem sabeis que não é
lícito a um judeu ajuntar-se, ou chegar-se a estrangeiros.
Mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame
comum ou imundo.” (v.28).

Este discernimento espiritual e o facto de Pedro ter


concordado em ir com os mensageiros de Cornélio, foram
o resultado da direcção que ele recebeu de Deus. Enquanto
Pedro falava com Cornélio, com a sua família e amigos, o
Espírito Santo caiu sobre eles e falaram em línguas e
louvaram ao Senhor. O resultado foi uma nova e tremenda
adesão à igreja de Jesus Cristo. Mas a sabedoria que lhe
abriu o caminho foi dada através de uma palavra
sobrenatural de Deus, na forma da visão que Pedro recebeu
durante a oração.

Uma Palavra de Sabedoria sobre Lei versus Graça

Em Actos 15, toda a igreja em Jerusalém juntou-se para


debater um problema crítico – o que deveria ser requerido
dos Gentios convertidos que começavam a aglomerar-se
na igreja?

Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam os


irmãos: Se não vos circuncidardes, conforme o rito de
Moisés, não podeis ser salvos. Tendo tido Paulo e Barnabé
não pequena discussão e contenda com eles, resolveu-se
que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a
Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta
questão. Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos
pela igreja, pelos apóstolos e pelos anciãos, e lhes

76
anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com
eles. Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham
crido, levantaram-se, dizendo que era necessário
circuncidá-los, e mandar-lhes que guardassem a lei de
Moisés. Congregaram-se os apóstolos e os anciãos para
considerar este assunto. E, havendo grande
discussão…(Actos 15:1-2, 4-7)

Paulo e Barnabé tinham estado na sua primeira jornada


missionária e tinham visto resultados maravilhosos entre
os Gentios. Deus tinha trabalhado com eles de forma
sobrenatural e tinham acontecido muitos milagres, curas e
conversões. No entanto, ao voltarem para Jerusalém com
este relatório, alguns dos Judeus que eram crentes em Jesus
Cristo, mas Fariseus por tradição, disseram: “Se estes
Gentios querem tornar-se Cristãos, então têm de vir sob a
lei de Moisés e ser circuncidados.” A decisão de como eles
deveriam tratar os Gentios convertidos, que estavam a
chegar à igreja, envolveu questões fundamentais da
natureza da salvação através de Jesus Cristo.

Primeiro ouviram Pedro, que lhes lembrou o que aconteceu


quando Deus o guiou sobrenaturalmente até a casa de
Cornélio:

Deus, que conhece os corações, deu testemunho a favor


deles, concedendo-lhes o Espírito Santo, assim como
também a nós. E não fez diferença alguma entre eles e nós,
purificando os seus corações pela fé. (Actos 15:8-9)

A seguir lemos: “Então toda a multidão se calou, e


escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes
sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os

77
gentios.” (v.12). Por outras palavras, Paulo e Barnabé
estavam a dizer que Deus tinha levado um testemunho
sobrenatural ao seu ministério com os Gentios e nós não
somos capazes de resistir ao que Deus está a fazer.
Contudo, isto não resolveu a situação.

Depois que eles [Paulo e Barnabé] se calaram, tomou


Tiago a palavra, e disse: Irmãos, ouvi-me. Simão relatou
como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar
dentre eles um povo para o seu nome. E com isto
concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi,
que está caído. Levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a
edificá-lo, para que o restante dos homens busque ao
Senhor, sim, todos os gentios, sobre os quais o meu nome é
invocado, diz o Senhor, que faz todas estas coisas, que são
conhecidas desde toda a eternidade.” (vv.13-18)

Tiago seguiu os seus comentários com uma palavra de


sabedoria directiva, mas repare primeiro que ele baseou
essa sabedoria no seu conhecimento da Escritura do Antigo
Testamento. (Ver Amós 9:11-12). Novamente, uma palavra
de sabedoria anda sempre de mão dada com o
conhecimento da Palavra de Deus. Aqui está a palavra de
sabedoria de Tiago:

Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre


os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que
se abstenham das contaminações dos ídolos, da
prostituição, do que é sufocado e do sangue. (Actos 15:19-
20)

Esta palavra de sabedoria incluía quatro simples requisitos


e trouxe uma completa unanimidade à igreja reunida.
78
Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda
a igreja, eleger homens dentre eles, e enviá-los com Paulo
e Barnabé a Antioquia [com esta mensagem].(v.22)

A mensagem foi esta:

Pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós, não vos impor


mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que
vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, do
sangue, da carne sufocada e da prostituição. Fazeis bem se
vos guardardes destas coisas. Bem vos vá. (vs. 28-29)

Repare como isto foi extraordinário. Devem ter estado


muitos milhares de Judeus crentes reunidos, uma vez que
esta reunião envolveu toda a igreja de Jerusalém.
Considere o número de pessoas presentes que estariam
amargamente divergentes neste assunto. Nenhuma das
partes estava disposta a ceder. E, no entanto, a palavra de
sabedoria divina e directiva veio até eles e arrumou este
assunto. Estes dois lados opostos chegaram a uma
completa unanimidade. Havia paz, tranquilidade, unidade
– e progresso espiritual. O resto do capítulo diz que o
evangelho avançou de forma vitoriosa. Este é um exemplo
claro do quão importante é uma palavra de sabedoria.

Uma Palavra de Sabedoria sobre Localização

Encontramos um exemplo final de uma palavra de


sabedoria direccionando um ministério durante a segunda
viagem missionária de Paulo. Ele e Silas tinham ido ao que
hoje é conhecido como Ásia Menor. Tinham acabado de
atravessar a área onde Paulo e Barnabé haviam estado na
primeira viagem missionária e interrogavam-se sobre onde
iriam a partir dali.
79
Passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram
impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na
Ásia. Quando chegaram à Mísia, tentavam ir para Bitínia,
mas o Espírito de Jesus não lho permitiu. Tendo passado
pela Mísia, desceram a Trôade. Paulo teve de noite uma
visão em que se apresentou um homem da Macedónia, que
lhe rogava: Passa à Macedónia, e ajuda-nos. Logo depois
desta visão, procuramos partir para a Macedónia,
concluindo que o Senhor nos chamava para lhes
anunciarmos o evangelho. (Actos 16:6-10)

Isto é extraordinário. A província da Ásia, que fica na costa


ocidental da Ásia Menor, ficava na direcção para onde se
dirigiam, mas o Espírito Santo disse-lhes para não irem
para lá. Jesus havia dito aos seus seguidores: “Ide por todo
o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos
16:15). E aqui estavam eles, a tentar entrar na província da
Ásia, e o Espírito Santo disse não. Então eles pensaram que
iriam para norte até à margem sul do Mar Negro, Bitínia,
mas o Espírito Santo disse não. O que deveriam fazer?
Foram para noroeste e Deus mostrou-lhes que deveriam ir
para a Macedónia, onde viram uma extraordinária acção de
Deus.

Eles desfrutaram desta acção de Deus porque estavam a ser


guiados por Ele para irem àquele lugar. A porta estava
aberta, os corações das pessoas estavam abertos e o
caminho estava preparado para eles. Repare que eles
tiveram de ser suficientemente obedientes para aceitar a
resposta negativa duas vezes e levaram um tempo
considerável para chegarem a Trôade. Durante todo esse
tempo eles andaram pela fé. Então surgiu a visão com o
homem suplicando-lhes para irem à Macedónia, que ficava

80
onde hoje é o norte da Grécia. Isto marca a primeira vez em
que o evangelho foi levado da Ásia Menor até à Europa.
Esta foi uma das mais críticas transições na história da
igreja. Paulo e Silas nunca poderiam imaginar a forma
como a história da igreja se desenrolaria nos próximos
dezanove séculos. No entanto, o único lugar onde o
evangelho foi preservado e de onde foi, por fim, reenviado
com espírito empreendedor missionário foi a Europa.

Resumindo, uma palavra de sabedoria é associada com o


conhecimento das Escrituras e, quando se manifesta de
acordo com a vontade de Deus, ela geralmente produz estes
resultados: convicção, corações abertos, unanimidade,
portas abertas e progresso espiritual.

O Tempo Certo é Essencial


Vejamos um último tópico acerca da sabedoria. Mais tarde,
na segunda viagem missionária de Paulo, ele foi à cidade
de Éfeso, que era a principal cidade da província da Ásia.
Lá, teve, possivelmente, os maiores e mais dramáticos
resultados de todo o seu ministério. Contudo, previamente,
o Espírito santo tinha-lhe dito que não fosse para lá. Temos
de compreender que agir no tempo certo é essencial. Estava
destinado a Paulo ir à Ásia, mas não no tempo em que ele
originalmente queria ir. Tenho visto milhares de dólares
desperdiçados e vidas preciosas frustradas no campo de
missão por pessoas que estão no sítio certo, mas no tempo
errado. Falta-lhes sabedoria divina e directiva. Salomão
compreendia a importância do tempo e escreveu estas
palavras conhecidas:

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o


81
propósito debaixo do céu: Há tempo de nascer, e tempo de
morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se
plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de
derrubar, e tempo de edificar. (Eclesiastes 3:1-3)

Como respondemos à pergunta: “Destruímos algo ou


construímo-lo?” Depende do tempo. “Plantamos ou
colhemos?” Depende do tempo. É impossível dizermos
sempre absolutamente sim ou absolutamente não a uma
pergunta relacionada com a sabedoria. O factor tempo é
decisivo. Quem revela o tempo certo? O Espírito Santo,
sendo que, uma das principais formas em que Ele o faz é
através da palavra de sabedoria directiva.

82
Capítulo 5
A Palavra de Conhecimento
A Palavra de Conhecimento Definida
No último capítulo defini a palavra de sabedoria como uma
pequena parte da total sabedoria de Deus concedida pelo
Espírito Santo. A palavra de ciência ou conhecimento tem
uma definição paralela. É uma pequena parte da total
ciência de Deus concedida sobrenaturalmente pelo
Espírito Santo. “A outro, pelo mesmo Espírito, [é dada] a
palavra da ciência.” (1 Coríntios 12:8).

Tal como a palavra de sabedoria, o conhecimento


sobrenatural não vem por raciocínio natural, educação ou
prática, mas directamente pelo Espírito Santo e é operada
somente sob o controle de Deus. Não posso ter uma palavra
de conhecimento meramente pelo exercício da minha
vontade. Posso precisar de conhecimento e estar
disponível a recebê-lo de Deus, mas o dar ou não, está nas
Suas mãos.

Manifestações de Palavras de Conhecimento


nas Escrituras
Vejamos alguns exemplos de palavras de conhecimento no
83
Novo Testamento. Comecemos novamente com o
ministério do próprio Jesus porque, mais uma vez, Jesus é o
padrão perfeito.

Palavras de Conhecimento sobre Carácter e


Localização
O pano de fundo deste primeiro exemplo foi o convite de
Filipe a Natanael para conhecer Jesus, de quem Filipe dizia
ser o Messias. Quando Natanael soube que Jesus viera de
Nazaré, ele dificilmente poderia acreditar que algo tão bom
como o Messias profetizado pudesse vir daquela cidade.
Por esta razão Natanael foi levado a Jesus numa atitude de
dúvida e crítica.

Quando Jesus viu Natanael aproximar-se, disse a seu


respeito: Aqui está um verdadeiro israelita, em quem não
há nada falso.(João 1:47)

Veja que Jesus referiu-se a ele como um verdadeiro


Israelita. Que qualidade o tornou num verdadeiro Israelita?
Não havia nada falso ou enganoso nele. A maioria de nós
concordaria que isto é muito invulgar numa pessoa.
Consideremos o porquê de Jesus ter feito esta declaração.
O antepassado dos Israelitas foi Israel, cujo nome original
era Jacob. Jacob significa “suplantador” ou “enganador”.
Essencialmente, este era o carácter de Jacob. No entanto,
após Deus ter lidado com ele muitos anos, teve um
encontro com o Senhor, durante o qual o seu nome foi
mudado para Israel, que significa “ele será um príncipe
com Deus”. A base dessa mudança foi a remoção da
perversidade de Jacob. Por conseguinte, qualquer pessoa
que seja chamada de Israelita não deve ter qualquer tipo de

84
perversidade ou tortuosidade. E Jesus disse de Natanael:
“Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há nada
falso.”

A resposta de Natanael foi, na sua essência: “Tu nunca me


viste antes. Como Sabes o tipo de pessoa que eu sou?”
“Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, te vi
quando estavas debaixo da figueira.” (João 1:48). Jesus
não o havia visto por visão natural, mas por uma visão de
revelação do Espírito Santo. Talvez Natanael tivesse orado
debaixo da figueira. Para seu espanto, o que ele pensou ter
sido um momento em privado, foi conhecido de Jesus.
Repare nesta reacção: “Então Natanael declarou: Rabi, tu
és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (v.49). Ele
experimentou uma convicção intensa e imediata. Este
resultado é similar ao resultado que vimos com a palavra de
sabedoria.

Eu tenho observado o dom da palavra de conhecimento a


operar muitas vezes e tenho reparado que ele normalmente
produz este resultado. É frequentemente manifestado em
serviços de curas. Quando um pregador é capaz de dizer a
uma pessoa a natureza e localização exacta da sua dor ou
doença sem qualquer meio natural de conhecimento, isto
imediatamente produz convicção. Muito frequentemente
também produz fé porque as pessoas compreendem que, se
Deus sabe qual é o problema, então Ele pode curá-lo.
Muitas vezes, por esta razão, a palavra de conhecimento é
usada como uma ferramenta para fazer a fé operar na cura.

Uma Palavra de Conhecimento sobre História Pessoal

Uma segunda ilustração de uma palavra de conhecimento é


a bem conhecida história do encontro de Jesus com a
85
mulher Samaritana junto ao poço. Começou por lhe pedir
um pouco de água. Ela ficou surpreendida, começaram a
conversar, e Ele principiou a falar-lhe acerca da água viva
que não teria de ser continuamente retirada de um poço.
Sigamos a sua conversa a partir deste ponto.

Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu


não mais tenha sede, nem precise vir aqui tirá-la. Disse-lhe
Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. Respondeu ela:
Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Tens razão em dizer
que não tens marido, pois já tiveste cinco maridos, e o que
agora tens não é teu marido. Isto disseste com verdade.
Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.(João 4:15-
19)

A mulher sabia muito bem que não havia qualquer meio


natural pelo qual Jesus pudesse conhecer estes detalhes do
seu passado. Quando ele os proferiu, as suas defesas foram
imediatamente quebradas e ela disse: “Tu és um profeta.”

Tive uma experiência relacionada com isto. Estava a


pregar numa reunião exterior numa rua de Londres,
Inglaterra, e falava acerca da mulher Samaritana e a água
viva que Jesus oferece. Cheguei a esta parte da história e fui
atraído pelo facto de que, se queremos a água viva temos de
endireitar a nossa vida. Eu falei sobre como esta mulher
queria a água viva, mas não queria lidar com o facto de
estar a viver com um homem que não era seu marido. Eu
enfatizei este ponto e havia uma jovem mulher que se
enfureceu comigo de tal maneira que quase me agrediu.
Porquê? Ela tinha fugido do seu marido e estava a viver
com outro homem. É claro que eu não estava a falar da vida
dela com a mesma clareza com que Jesus falou com a

86
mulher no poço. No entanto, mesmo chegando lá perto,
imediatamente produziu convicção na mulher.

Uma Palavra de Conhecimento sobre Desonestidade

Uma pessoa que determinadamente manifestou o dom de


palavra de conhecimento foi o apóstolo Pedro. Foi muito
evidente no seu ministério. Em Actos 5 encontramos um
incidente alarmante na igreja inicial em que o seu dom foi
manifestado. No contexto da situação vemos que, nesta
altura da vida da igreja, os crentes vendiam as suas terras e
outras posses e traziam o dinheiro aos apóstolos para o
trabalho da igreja e o ministério.

Ora, certo homem chamado Ananias, com Safira, sua


mulher, vendeu uma propriedade. E reteve parte do preço,
sabendo-o sua mulher, mas levou o resto, e o depositou aos
pés dos apóstolos.(Actos 5:1-2)

Quero destacar que o pecado deles não foi terem retido


parte do preço. Foi fingir que tinham dado tudo.

Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu


coração, para que mentisses ao Espírito Santo, retendo
parte do preço da propriedade? Guardando-a não ficava
para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que
formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos
homens, mas a Deus. Ananias, ouvindo estas palavras,
caiu e expirou. E um grande temor caiu sobre todos os que
isto ouviram. Levantando-se os jovens, cobriram o morto,
e, transportando-o para fora, o sepultaram. Passado um
espaço de quase três horas, entrou também sua mulher,
não sabendo o que havia acontecido. Perguntou-lhe

87
Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela propriedade?
Respondeu ela: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por
que é que entre vós concordastes para tentar o Espírito do
Senhor? Estão aí à porta os pés dos que sepultaram o teu
marido, e também te levarão a ti. Imediatamente ela caiu
aos seus pés, e expirou. Entrando os jovens, acharam-na
morta, e a sepultaram junto de seu marido. Houve grande
temor em toda a igreja e em todos os que ouviram estas
coisas. (vs. 3-11)

Digo-vos que, se tivesse lá estado, grande temor teria


sobrevindo sobre mim. Imagine o poder! Estas duas
pessoas simplesmente não conseguiam viver na presença
do conhecimento sobrenatural do Espírito Santo. Quantas
pessoas tentam enganar Deus hoje em dia, fingindo ser
melhor ou dar mais do que na realidade fazem?

Este julgamento foi um aviso da parte de Deus. Isto não


quer dizer que Ele lida com todos os hipócritas desta forma,
mas mostra o que Deus pensa dos hipócritas. A Sua opinião
não muda, apesar do Seu método de lidar com a hipocrisia
não ser sempre o mesmo. Esta é a única maneira de se
conseguir manter a igreja pura. Algumas igrejas têm uma
declaração dos princípios fundamentais em que crêem e
pedem às pessoas para confessarem a sua aceitação desses
princípios. Ananias e Safira provavelmente teriam dito
ámen a todos eles. Contudo, havia algo que eles não
podiam contornar. Eles estavam a mentir, mas o
conhecimento sobrenatural do Deus todo-poderoso
revelou-o. O Espírito Santo em Pedro sabia o que Pedro
não poderia saber e ele, essencialmente, disse: “Vocês não
me mentiram. Vocês têm estado a mentir ao Espírito
Santo.”
88
Nós estamos a lidar com um Deus vivo. A Bíblia diz:
“Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a
quem havemos de prestar contas.” (Hebreus 4:13). O
problema com a maioria dos membros das igrejas é que
eles não percebem que estão a lidar com o próprio Deus.
Eles pensam que estão a lidar com a equipa ministerial,
com os diáconos, ou com o pastor. Pode enganar qualquer
pregador durante algum tempo. No entanto, há uma Pessoa
que nenhum de nós consegue enganar: Deus.

Uma Palavra de Conhecimento sobre um Escolhido


Servo de Deus

Em Actos 9, encontramos outro exemplo de uma palavra de


conhecimento. Saulo de Tarso ia no seu caminho para
Damasco para prender e condenar aqueles que criam em
Jesus naquela cidade. Ao aproximar-se de Damasco, o
Senhor Jesus fê-lo parar com uma luz clara e revelou-se a
ele. Saulo ficou cego e teve de ser levado pela mão até à
cidade.

Um crente chamado Ananias vivia em Damasco, ele não


era um apóstolo, nem um evangelista. A Bíblia
simplesmente chama-o de “discípulo” (Actos 9:10).
Algumas pessoas não acreditam que Deus dá dons ou
revelação a não ser a pregadores, missionários e outros
líderes Cristãos. Mas aqui vemos Deus a dar uma palavra
de conhecimento ao seu discípulo Ananias.

Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias.


Disse-lhe o Senhor, em uma visao: Ananias! Ele
respondeu: Eis-me aqui, Senhor. Disse-lhe o Senhor:
Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em

89
casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo,
pois ele está orando. Numa visão ele viu que entrava um
homem chamado Ananias, e punha sobre ele a mão, para
que tornasse a ver.(vs. 10-12)

Foi dado a Ananias o nome e morada exacta de Saulo e ele


pôde saber o que Saulo havia visto numa visão. Repare que
o conhecimento que ele recebeu também incluiu uma
palavra de sabedoria directiva: se Ananias fosse a Saulo
pusesse as mãos sobre ele, ele receberia a sua visão de
volta.

A princípio Ananias não estava disposto a ir. Ele protestou


ao Senhor dizendo que este homem viera a Damasco para
perseguir os Cristãos. Mas o Senhor o convenceu. “Vai,
este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome
perante os gentios, os reis e os filhos de Israel.” (Actos
9:15). A sua obediência resultou na completa fé de Saulo
em Jesus Cristo. Foi um momento crucial na conduta de
Deus com a igreja primitiva. Porque Ananias foi até Saulo e
lhe disse, com conhecimento e sabedoria: “Irmão Saulo, o
Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde
vinhas, me enviou, para que tornes a ver, e sejas cheio do
Espírito Santo.” (v. 17), o coração de Saulo abriu-se para a
verdade. Saulo transformou-se no apóstolo Paulo,
evangelizou grande parte do mundo Gentio e escreveu uma
vasta quantidade do Novo Testamento.

Uma Palavra de Conhecimento para Confirmação

No capítulo anterior, vimos uma passagem de Actos 10


como um exemplo de palavra de sabedoria. Pedro foi
dirigido por uma visão para pregar aos Gentios na

90
Cesaréia. Repare que esta sabedoria foi seguida de uma
palavra de conhecimento. Como disse, estes dois dons
frequentemente trabalham juntos. Após Pedro ter a visão,
os homens da casa de Cornélio na Cesaréia chegaram e
estavam a bater ao portão. Pedro ainda estava no telhado,
onde tinha estado a orar, ponderando sobre a visão. Lemos
o seguinte:

Pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito:


Simão, três homens te procuram. Levanta-te, desce, e vai
com eles, não duvidando, pois eu os enviei. Descendo
Pedro para junto dos homens, disse: Sou eu a quem
procurais. Qual é a causa por que estais aqui?(Actos
10:19-21)

Antes que Pedro soubesse por meios naturais que os


homens estavam lá, ou quem os tinha enviado, o Espírito
Santo disse-lhe. Esta palavra de conhecimento serviu de
confirmação para a visão que ele tivera previamente. Nesta
altura, Deus teve de pressionar bastante Pedro para ele ir e
pregar a Cornélio porque era contrário a toda a sua
natureza, passado e educação, ele ir a casa de um Gentio,
muito menos para lhe levar o evangelho. Assim sendo, a
palavra de sabedoria foi seguida de uma palavra de
conhecimento e esta serviu de confirmação da palavra de
sabedoria que havia sido dada previamente.

A minha esposa Lydia contou-me um incidente que


ocorreu em Jerusalém antes de me conhecer. Havia
tumultos e guerra entre Árabes e Judeus e Deus revelou-lhe
uma situação de grande perigo. Numa visão nocturna ela
viu sangue no primeiro degrau das escadas que davam
acesso à sua porta de casa. Ela levava pela mão uma das

91
meninas de quem tomava conta – que se tornou na nossa
filha adoptiva, Anna – e levantou-a por cima desta poça de
sangue, onde um homem havia sido morto. Quando ela viu
isto na visão, orou “Senhor, eu não sei o que vai acontecer.
Mas se eu passar por esta situação, sê connosco e protege-
nos.” Cerca de dois dias mais tarde aconteceu exactamente
como lhe tinha sido mostrado na visão e elas estavam em
segurança. Uma confirmação tal como esta faz com que o
crente saiba que Deus já conhecia a situação, que estava
com eles e que os ajudou.

Uma Palavra de Conhecimento para a


Preparação
Em Actos 20, enquanto Paulo ia a caminho de Jerusalém,
ele encontrou-se com anciãos da igreja de Éfeso. Disse-
lhes que, vários crentes das igrejas onde havia passado
durante a sua jornada, tinham recebido uma palavra de
conhecimento a respeito dele, através do Espírito Santo.
Paulo disse-lhes:

E agora, compelido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não


sabendo o que lá me há-de acontecer. Somente sei o que o
Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que
me esperam prisões e tribulações. (Actos 20:22-23)

Não conhecemos os detalhes, mas em cada cidade onde


Paulo se reunira com crentes, o Espírito Santo tinha-o
avisado que “prisões e tribulações” esperavam-no em
Jerusalém.

Tive uma experiência semelhante quando estava a pregar


na Dinamarca, após termos regressado de África. Recebi
92
uma determinada mensagem e sentia que Deus é que a
tinha dado. Ela dizia que a hora da ceifa estava próxima e
era altura de começar a ceifar. Preguei-a em três ou quatro
congregações diferentes num único fim-de-semana. O
mais extraordinário foi que, em todas as congregações,
quando eu terminava esta mensagem, ela era
imediatamente seguida de uma expressão numa língua
desconhecida e a interpretação em Dinamarquês dava
testemunho, pelo Espírito Santo, da verdade do que tinha
havia dito. As pessoas nessas congregações eram
consideravelmente diferentes e não tinham qualquer
contacto directo umas com as outras. Contudo, em cada
congregação o Espírito Santo deu testemunho, através dos
dons do Espírito. Quero que saiba que estas coisas ainda
acontecem hoje.

À medida que Paulo continuava a sua jornada para


Jerusalém, ele chegou à cidade de Cesaréia. Esta era quase
a última paragem da sua viagem. Em Actos 21 lemos que
Paulo recebeu outra revelação através de um profeta
chamado Ágabo:

Demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um


profeta, de nome Ágabo, que, vindo ter connosco, tomou o
cinto de Paulo e, ligando os seus próprios pés e mãos,
disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em
Jerusalém o homem a quem pertence este cinto, e o
entregarão nas mãos dos gentios.(Actos 21: 10-11)

Aqui vemos outra palavra de conhecimento nos mesmos


moldes. “O teu próprio povo te vai prender e trair e entregar
nas mãos dos Romanos, os Gentios.” Repare quão bondoso
o Espírito Santo é. Se nós somos prisioneiros de Deus,

93
somos prisioneiros do amor. O Espírito Santo não fez com
que Ágabo prendesse as mãos e os pés de Paulo, mas as
suas próprias mãos e pés. Paulo tinha a escolha de se
colocar ou não nessa posição. Dependia da sua livre
vontade.

Também quero realçar algo que provavelmente passará


despercebido se não conhecer a cultura Judaica. A mais
grave traição para um Judeu é trair um outro Judeu
entregando-o às mãos dos Gentios. Este é absolutamente o
último e mais baixo acto que eles cometeriam. E a
derradeira traição foi quando Jesus foi entregue aos
Romanos.

Quando eu e a Lydia estivemos em Jerusalém, em 1947-48,


havia terroristas Judeus em acção e eles eram brutais. Eles
disparavam contra pessoas nas ruas, recusavam que
alguém as ajudasse e viam-nas morrer. Não estou a tomar
partidos, mas, em muitos casos, respeitáveis cidadãos
Judeus sabiam quem estes terroristas eram, mas não
falavam sobre isso. Nunca os traíram para os Ingleses ou
outros Gentios. A menos que tenhamos conhecimento
disto, nunca poderemos compreender o que significou para
Paulo saber que ele seria traído pelo seu próprio povo e
entregue aos Romanos.

Qual foi o resultado desta palavra de conhecimento ter sido


dada a Paulo diversas vezes ao longo da sua rota para
Jerusalém? Foi a preparação do seu próprio coração. Há
um provérbio que diz: “Um homem prevenido vale por
dois.” Estava a ser-lhe dado preparação mental e espiritual
para a tremenda provação que o esperava.

94
Resultados de Uma Palavra de Conhecimento
Façamos um resumo dos resultados que são
frequentemente produzidos por uma palavra de
conhecimento. O resultado mais proeminente é que ela traz
convicção da verdade. Em segundo lugar, ela confirma
algo que Deus nos poderá estar a mostrar por outros meios.
E por fim, em certas circunstâncias, ela prepara-nos para o
que está por vir.

95
Capítulo 6
Discernimentos de Espíritos
Discernimentos de Espíritos é o terceiro dom na categoria
de dons de revelação. “A outro [é dado], discernimento[s]
de espíritos” (1 Coríntios 12:10). Consideremos
brevemente o significado de discernimento.

Discernimento Definido
A palavra discernimento pode ser definida como
“reconhecer e distinguir entre”. Enquanto o conhecimento
(ou a ciência) é a transmissão de um facto, o discernimento
é uma forma de percepção directa. O resultado pode ser o
mesmo, mas o meio pelo qual acontece é diferente.

O discernimento pode vir de maneiras diferentes. Por vezes


poderá vir como uma visão onde você vê algo que não está
lá na realidade. Vejamos dois exemplos muito claros disto
nas Escrituras.

Primeiro, João Baptista viu o Espírito Santo descendo


sobre Jesus como uma pomba. Outras pessoas que lá
estavam, aparentemente não viram o mesmo, mas a João
foi dado discernimento espiritual. (Ver João 1:32-34).
Segundo, no livro de Revelação (ou Apocalipse), foi dado

97
ao apóstolo João a visão de três espíritos impuros como rãs
a sair da boca do dragão, a besta e o falso profeta. (Ver
revelação 16:13-14). Tenho conhecido muitas pessoas que
têm visto espíritos malignos sob a forma de animais, tal
como raposas, ratos, morcegos, cobras e rãs. Isto não quer
dizer que o próprio animal é o espírito maligno, mas é
assim que ele é revelado. Estes são exemplos de pessoas a
terem visões claras do que não está lá na realidade.

No entanto, penso que o discernimento não é normalmente


dado aos crentes através deste tipo de visões. Geralmente
vem na forma de uma visão do que lá está na realidade, mas
vendo-o com a compreensão do Espírito Santo.

É assim que experimento o dom do discernimento na


maioria das vezes. Vejo as pessoas como elas são no
exterior, mas de alguma forma também vejo algo
significativo acerca delas. Por exemplo, um bom amigo
meu, uma pessoa maravilhosa, veio ter comigo para pedir
ajuda porque era um fumador compulsivo. Ele tomou
aversão e queria ver-se livre do fumo, mas não conseguia;
era escravo do tabaco. Experimentei tudo o que sabia para
o ajudar e abordei o problema de todos os ângulos
possíveis, mas a minha ajuda não subsistia. Ele livrava-se
do vício durante duas semanas e depois voltava ao mesmo.
Um dia ligou-me e disse: “Vou apanhar um avião até aí.”
Ele ia atravessar metade do país e eu pensei que era melhor
arranjar uma resposta. Não sabia mais o que fazer e disse-
lhe: “Vamos sair e conversar.” Fomos até um restaurante e
sentámo-nos. Começou a contar-me acerca da sua
adolescência e outras coisas que eu não conhecia a seu
respeito. Tinha-se cansado da religião da sua mãe e fugiu
de casa. Enquanto me contava isto, algo dentro dele olhou

98
para mim e disse: “Consegues ver-me?” E vi algo que
nunca tinha visto antes, porque no mundo natural ele era
um homem bem-comportado, gentil, cortês. No entanto,
um pequeno demónio de rebelião tinha estado ali desde a
sua adolescência. Nessa noite expulsámos esse demónio e
o problema do fumo ficou resolvido. O fumar era apenas
um ramo no tronco, mas o tronco era rebelião.

Assim sendo, há uma forma de ver as pessoas que não é


uma visão e, no entanto, nos permite ver o que é importante
para um problema ou situação. O discernimento é muito
útil. Por vezes também é um pouco assustador e,
ocasionalmente, é quase embaraçoso sabermos o que
desejaríamos não saber. Temos de estar preparados para
isto.

Cultivando o Discernimento
Hebreus 5:14 contém um facto muito importante acerca do
discernimento que também é verdade, em alguns aspectos,
em relação a todos os dons.

Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que,


pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir
tanto o bem como o mal.

Muitos poucos de nós começam a operar nos dons de forma


perfeita logo na primeira vez. Contudo podemos praticar e
chegar à perfeição no nosso entendimento e operação dos
mesmos. Algumas pessoas são tão perfeccionistas que não
farão nada a menos que saibam que o conseguem fazer bem
na primeira vez. Este é o problema de muitas pessoas no
que diz respeito ao exercício dos dons do Espírito. Elas
99
pensam que se não conseguem profetizar como Isaías,
então o mais certo é não profetizarem nada. Isto é um
absurdo. Quem sabe como Isaías começou?

O discernimento, em particular, pode ser cultivado.


Hebreus 5:14 fala sobre a necessidade de exercermos os
nossos sentidos para discernirmos o bem do mal.
Continuarmos a nossa jornada Cristã sempre a cair em toda
a espécie de armadilhas que Satanás possa pôr no nosso
caminho, não é para a glória de Deus. Nem o é não sermos
capazes de discernir entre a pessoa sincera e a hipócrita.
Muitos de nós falham perante Deus por não exercerem o
discernimento que Ele nos providenciou.

O Significado de Discernimentos de Espíritos


Consideremos algumas definições em relação ao dom de
discernimentos de espíritos. Em primeiro lugar, este dom
não se refere somente a discernir espíritos malignos. Na
vida Cristã encontramos várias classes de espíritos:

- O Espírito Santo, que é o Espírito de Deus


- Anjos bons
- Anjos caídos, rebeldes (demónios ou espíritos malignos)
- Espíritos humanos (todo o ser humano tem o seu próprio
espírito)

Segundo, tal como mencionei previamente, a palavra


discernimento está no plural. Eu acredito que isto significa
que cada discernimento é uma operação do dom.
Semelhantemente, com dons de curar e operações de
milagres, cada cura ou milagre é uma operação do dom.

100
Terceiro, o dom de discernimentos de espíritos é,
novamente, operado sob o controle de Deus. Não o
podemos usar à nossa vontade. Numa convenção em Fort
Lauderdale, uma senhora usando óculos muito escuros
aproximou-se de mim no fim de uma reunião. Ela parou
mesmo à minha frente e eu questionei-me sobre o que iria
acontecer a seguir. Ela tirou rapidamente os óculos e disse:
“Irmão Prince, você tem discernimento. Olhe nos meus
olhos e veja se eu tenho um demónio.” Eu disse: “Irmã, não
é assim que as coisas funcionam. Eu não posso ligar ou
desligar o dom à minha vontade. Mas se eu estiver a
ministrar e precisar desse conhecimento, então Deus o
dará.” Ela pensava que era tipo um raio-X. Não é assim.
Não está debaixo do controle da vontade humana, apesar
de termos de estar abertos a ele ou ele não virá.

Manifestações de Discernimentos de Espíritos


nas Escrituras
Consideremos agora alguns exemplos do dom de
discernimentos de espíritos no Novo Testamento, de
acordo com as diferentes categorias de espíritos que referi
anteriormente.

Discernindo o Espírito Santo

NA FORMA DE UMA POMBA

Há pouco falámos como foi dado discernimento a João


Baptista através de uma visão. Vejamos um pouco mais em
detalhe o que ele disse acerca daquela visão.

No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e


101
disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
Eu mesmo não o conhecia, mas para que ele fosse
manifestado a Israel, vim, por isso, baptizando com água.
Então João testificou dizendo: Eu vi o Espírito descer do
céu como pomba e permanecer sobre ele. Eu não o
conhecia, mas o que me mandou baptizar com água, me
disse: Aquele sobre quem vires descer e permanecer o
Espírito, esse é o que baptiza com o Espírito Santo.
(João 1:29, 31-33)

Mais uma vez penso que é claro, a partir das palavras de


João Baptista, que somente ele viu o Espírito Santo descer
como uma pomba. O resto das pessoas não teve essa visão.
Foi um discernimento sobrenatural que foi dado
especificamente a João porque ele precisava dele. Era a
forma dele saber quem era o Messias.

COMO LÍNGUAS DE FOGO

Em Actos 2, o Espírito Santo foi manifestado na forma de


línguas de fogo. “E viram línguas repartidas, como que de
fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Todos foram
cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras
línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que
falassem.” (vs. 3-4). Este foi um discernimento
sobrenatural do Espírito Santo. O Espírito Santo em si
mesmo não é línguas de fogo, mas foi manifestado dessa
forma.

É extremamente importante que aprendamos a discernir o


Espírito Santo quando os crentes se juntam – quando Se
move, através de quem Se move e como Se move.
Devemos estar disponíveis para que O possamos

102
reconhecer. De outra forma, perderemos o que Deus está a
fazer sempre que os crentes estão reunidos. Uma
determinada manifestação do Espírito Santo poderá
mover-se entre os presentes. Por exemplo, recentemente vi
o espírito de cura mover-se num local e tomar conta dele.
Praticamente toda a gente podia ser curada naquela altura.
E qualquer pessoa podia orar por outra e esta ser curada.
Tenho visto grupos de meia dúzia de pessoas, todas orando
ao mesmo tempo e pessoas a serem curadas. Numa outra
ocasião o espírito de milagres moveu-se sobre crentes e
ocorreram milagres. Estes milagres eram manifestos, eram
evidentes.

A menos que saibamos discernir o Espírito Santo destas


formas, iremos perder muito do que Deus quer fazer. A
nossa agenda humana durante os cultos é composta por
cantar três hinos e um coro, fazer os anúncios e ouvir o
sermão. E se, no meio de tudo isto, o Espírito Santo viesse e
fosse tempo de curar? Se O ignorarmos, perderemos a cura
que Ele quer dar. Lembre-se que Bartimeu, o homem cego,
estava a mendigar à beira da estrada quando ouviu uma
multidão e perguntou o que se estava a passar. Quando lhe
foi dito que Jesus de Nazaré estava a chegar, ele sabia, É
agora. É agora ou nunca. Ele não deixou que a agenda de
alguém o impedisse de chegar ao Senhor. (Ver Marcos
10:46-52).

Da mesma forma existem alturas nas nossas reuniões em


que devemos reconhecer que é o momento de recebermos.
Temos de discernir o Espírito Santo e estar dispostos a
deixar os planos humanos, as ideias e os preconceitos para
trás, sob o risco de perdermos tudo.

103
Quando Bartimeu quis ser curado, todas as pessoas que
conheciam o protocolo religioso disseram: “Alto lá. Não
faças barulho; não disturbes Jesus – Ele está muito
ocupado.” E haverá sempre pessoas com o seu protocolo
religioso a dizer que não nos devemos comportar de forma
diferente do que sempre se tem feito. No entanto, se quiser
o que Deus tem para si, tem de o fazer quando Deus o
disser.

Aparentemente, o Espírito de Deus liderou o Rei David,


um homem de grande valor, a dançar em frente à arca da
aliança com todas as suas forças. A sua esposa, Mical,
encontrou-o depois disso e com o seu protocolo religioso
disse-lhe: “Fazes um espectáculo de ti mesmo, dançando
em frente a todas essas servas.” David respondeu: “Eu não
estava a dançar em frente às servas, estava a dançar em
frente a Deus. E farei um espectáculo ainda maior de mim
mesmo se Deus assim o disser.” Lemos que Mical, a crítica,
não gerou filhos porque desprezou a David desta maneira.
(Ver 2 Samuel 6:14-16, 20-23). Da mesma forma, um
espírito crítico que recusa o que o Espírito Santo está a
fazer, torna as pessoas espiritualmente infrutíferas.Temos
de estar abertos ao Espírito Santo e ao seu trabalho no meio
de nós.

Temos de estar abertos ao Espírito


Santo e ao Seu trabalho no meio de nós.

104
Discernindo Anjos

SUBINDO E DESCENDO SOBRE O FILHO DO


HOMEM

Jesus disse a Natanael: “Porque te disse que te vi debaixo


da figueira, crês? Coisas maiores do que esta verás. … Na
verdade, na verdade te digo que vereis o céu aberto e os
anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do
homem.” (João 1:50-51). Isto é uma referência ao
discernimento dos anjos.

NO JARDIM DO GETSÉMANI

O próprio Jesus discerniu a presença dos anjos de Deus.


Perto do fim do Seu ministério, mesmo antes de ser preso e
crucificado, Jesus estava a orar no jardim do Getsémani.
Ao orar em agonia, “lhe apareceu um anjo do céu, que o
confortava.” (Lucas 22:43). Parece claro, a partir deste
relato, que Jesus foi o único que viu o anjo através de
discernimento espiritual. Estavam lá outros, mas não o
viram.

NA RESSURREIÇÃO

Depois da ressurreição de Jesus, Maria Madalena viu um


anjo, invisível aos apóstolos João e Pedro.

Na madrugada do primeiro dia da semana, sendo ainda


escuro, Maria Madalena foi ao sepulcro, e viu que a pedra
fora revolvida da entrada. Correu ela e foi ter com Simão
Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e lhes
disse: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o

105
puseram. Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram
ao sepulcro. Os dois correram juntos, mas o outro
discípulo correu mais depressa do que Pedro, e chegou
primeiro ao sepulcro. Abaixando-se, viu no chão os lençóis
de linho, mas não entrou. Chegou Simão Pedro, que o
seguia, entrou no sepulcro e viu no chão os lençóis e o
lenço, que cobrira a cabeça de Jesus. O lenço não estava
com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.
Finalmente entrou também o outro discípulo, que chegara
primeiro ao sepulcro, e viu e creu. Ainda não haviam
compreendido que, conforme a Escritura, era necessário
que ele ressurgisse dentre os mortos. Então os discípulos
voltaram para casa, mas Maria ficou chorando fora, junto
à entrada do sepulcro. Enquanto chorava, abaixou-se
para olhar para dentro do sepulcro, e viu dois anjos
vestidos de branco, assentados onde estivera o corpo de
Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. (João 20:1-12)

Tudo o que Pedro e João viram foi os lençóis de linho e o


lenço. Depois voltaram para casa. Eles não viram os anjos,
somente Maria os viu. Ela viu-os através de discernimento
espiritual.

No lar de crianças onde a minha esposa Lydia trabalhou,


em Israel, houve alturas em que as crianças mais pequenas
tiveram consciência da presença de um anjo que era
invisível aos mais velhos. Certa vez um menino estava
muito doente e a minha esposa estava a tentar fazê-lo
recuperar. Um dia ela estava sentada com ele na cozinha e
uma das meninas levantou a sua cabeça e disse: “Mamã, eu
vi um anjo e ele veio e levou o Joseph.” No dia seguinte o
Joseph faleceu. Deus havia mostrado àquela menina que
viria buscar o menino doente para estar com Ele.

106
NUMA ARRISCADA VIAGEM NO MAR

No livro de Actos lemos como Paulo foi transportado como


um prisioneiro num navio que estava “violentamente
agitado” (Actos 27:18), quase a naufragar na ilha de
Malta. Paulo ergueu-se no meio da tempestade e disse ao
resto das pessoas a bordo:

Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque


não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o
navio. Esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou e a
quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas.
Importa que sejas apresentado a César, e Deus te deu todos
os que navegam contigo. Portanto, senhores, tende bom
ânimo, pois creio em Deus que há-de acontecer assim
como a mim me foi dito. Contudo é necessário irmos dar
numa ilha.(vs. 22-26)

A única pessoa que estava ciente do anjo era Paulo e as


palavras do anjo foram confirmadas como sendo cem por
cento verdadeiras.

Discernindo Espíritos Humanos

JESUS E NATANAEL

Também existe o discernimento de espíritos humanos.


Juntamente com a palavra de conhecimento, já vimos a
revelação sobrenatural de Jesus sobre Natanael. No
entanto, voltemos a esse incidente como um exemplo do
discernimento de espíritos humanos. Em João 1:47 nós
lemos: “Quando Jesus viu Natanael aproximar-se, disse a
seu respeito: Aqui está um verdadeiro israelita, em quem

107
não há nada falso.” Jesus discerniu um espírito sincero.
Isto não se refere a um espírito além do de Natanael, mas ao
seu próprio espírito humano.

JESUS E OS CORAÇÕES DOS HOMENS

Repare no que as Escrituras dizem sobre Jesus no segundo


capítulo de João:

Estando ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa,


muitos viram os sinais miraculosos que fazia, e creram no
seu nome. Mas Jesus não confiava neles, pois a todos
conhecia. Ele não necessitava que alguém lhe testificasse
a respeito do homem, pois ele sabia o que havia no
homem. (João 2:23-25, ênfase adicionada)

Jesus não era enganado pelas pessoas. Ele conseguia ver o


homem real, invisível, dentro do homem exterior. Os
restantes discípulos aceitaram Judas e não faziam qualquer
ideia de que seria ele a trair Jesus. Jesus viu-o e sabia-o
desde o princípio e, contudo, fê-lo Seu apóstolo porque Ele
seguia os propósitos de Seu Pai. (Ver João 6:64).

PEDRO E SIMÃO, O MÁGICO

Em Actos 8, Pedro exercitou o dom do discernimento ao


lidar com Simão, o mágico. Há muito que Simão dominava
a cidade de Samaria com bruxaria e magia. Quando ele
ouviu Filipe pregar o evangelho e viu os sinais e milagres
que fazia, foi baptizado e tornou-se um discípulo, de certa
forma. Então João e Pedro aproximaram-se e oraram pelos
convertidos e eles receberam o Espírito Santo com
evidência manifesta de poder, através da imposição das
mãos dos apóstolos.
108
Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos
era dado o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro,
dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que
aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito
Santo. Pedro, porém, lhe disse: O teu dinheiro seja contigo
para perdição, porque pensaste que o dom de Deus se
alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte neste
ministério, porque o teu coração não é recto diante de
Deus. Arrepende-te dessa tua iniquidade, e ora a Deus.
Talvez te seja perdoado o pensamento do teu coração. Pois
vejo que estás em fel de amargura e em laço de
iniquidade.(Actos 8:18-23)

Pedro viu através da aparente conformidade de Simão até


ao interior, a iniquidade e motivos errados do seu coração.
Aparentemente, Filipe não tinha visto previamente através
de Simão enquanto lá esteve. Uma revelação da natureza
interna de Simão foi dada a Pedro.

PAULO E A FÉ DO HOMEM ALEIJADO

Em Actos 14, temos um exemplo de Paulo discernindo fé


num homem aleijado.

Estava assentado em Listra certo homem aleijado dos pés.


Coxo desde o ventre de sua mãe, o qual nunca tinha
andado. Este ouvia falar Paulo, que, fitando nele os olhos,
e vendo que tinha fé para ser curado, disse em alta voz:
Levanta-te direito sobre teus pés. E ele saltou, e andava.
(Actos 14:8-10, ênfase adicionada)

Paulo estava a meio de uma palestra ao que,


provavelmente, seria uma grande congregação, quando

109
olhou para este homem e viu fé nele. Ele parou a meio da
sua mensagem e disse: “Levanta-te direito sobre teus pés.”
O homem respondeu em fé e começou a andar. Isto não foi
um momento em que Paulo discerniu o Espírito Santo ou o
trabalho de espíritos malignos, mas o espírito de fé num
homem. Em 2 Coríntios 4:13, Paulo falou acerca do
espírito de fé: “E temos, portanto, o mesmo espírito de fé,
como está escrito: Cri, por isso falei. Também nós cremos,
por isso também falamos.”

Discernindo Espíritos Malignos

Falemos agora sobre o discernimento de espíritos


malignos. No ministério de Jesus, este dom era não raras
vezes usado juntamente com curas. É realmente notável o
quão frequentemente a doença física é atribuída a espíritos
malignos, no Evangelho.

MUDEZ E SURDEZ CAUSADAS POR ESPÍRITOS


MALIGNOS

O primeiro exemplo é a cura de um homem mudo, por


Jesus.

Enquanto eles se retiravam, trouxeram-lhe um homem


mudo e endemoninhado. E, expulso o demónio, falou o
mudo. As multidões se admiravam, dizendo: Nunca tal se
viu em Israel!(Mateus 9:32-33)

Jesus discerniu que a incapacidade de falar do homem fora


causada por um espírito maligno que o impedia de usar as
cordas vocais. Quando Ele expeliu o espírito maligno, o
homem imediatamente falou. Isto não é para sugerir que os

110
espíritos malignos causam toda a mudez, mas neste caso
era um desses espíritos que estava por detrás dela e Jesus
discerniu-o.

A minha esposa Lydia e eu testemunhámos casos em que a


mudez imediatamente cessou quando espíritos malignos
eram expelidos. No Quénia, no Leste de África, sempre
que um evangelista ministrava numa determinada cidade,
os Asiáticos que eram Hindus não se aproximavam de uma
igreja Cristã; não estavam interessados. Mas quando um
evangelista Americano chegou com um ministério de
curas, eles alinhavam-se ou sentavam-se na relva e
esperavam durante horas antes do começo da reunião
porque cura era o que eles queriam.

O presidente desta cidade, um Asiático rico, tinha um filho


com dezoito anos que nunca tinha falado. Após lhe ter sido
expulso um espírito maligno, aquele jovem imediatamente
começou a imitar sons e a aprender a falar. Este incidente
causou mais impacto naqueles Asiáticos do que dez anos
de actividade missionária normal. Estas coisas são reais,
mas repito, não sugiro que toda a mudez ou surdez seja
causada por espíritos malignos. No entanto, temos de saber
discernir os casos em que tal acontece.

Existe um exemplo parecido no capítulo doze de Mateus:

Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo, e


ele o curou, de tal forma que o cego e mudo falava e via. E
toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o filho de
Davi?(Mateus 12:22-23)

Torna-se claro a partir do contexto, que Jesus curou este


homem através da expulsão de um espírito maligno que lhe
causava a cegueira e a mudez.
111
Certa vez nós ministrávamos a uma jovem em Atlanta,
Georgia, e muitos espíritos malignos saíam dela,
nomeando-se enquanto saíam. Um chamava-se
“Cegueira”. Quando o seu marido ouviu isto, quase saltou.
Ele disse: “O médico disse-lhe que ela ia ficar cega.” Eu
respondi: “Ela agora já não vai ficar mais cega.” Um
espírito cego virá para produzir cegueira durante algum
tempo, tal como um espírito surdo virá. Ele não produz
surdez total, mas para lá caminhará. É o resultado do que o
espírito faz.

Uma mulher que eu conhecia bem, que era completamente


surda de um ouvido, estava numa reunião em Londres. Um
evangelista expulsou um espírito surdo de dentro dela e,
instantaneamente, a mulher passou a ouvir tudo na
perfeição com aquele ouvido. Contudo, ela não tinha a fé
para manter aquela cura. Cerca de duas semanas mais
tarde, ela estava tão surda como antes. Ela permitiu que o
espírito voltasse. É por esta razão que é tão importante que
os Cristãos compreendam que temos de identificar os
espíritos malignos que expulsamos. As Escrituras dizem
que o diabo é um assassino e um assassino é alguém que
mata fisicamente. O diabo fará isto se o deixarmos. Ele é
um inimigo cruel, sem escrúpulos e implacável, e nós
temos de perceber com quem estamos a lidar.

Um outro exemplo pode ser visto mais à frente, no livro de


Marcos.

Um homem, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-


te o meu filho, possesso de um espírito mudo. Este, onde
quer que o apanha, lança-o por terra e ele espuma, range
os dentes, e vai secando. Roguei aos teus discípulos que o

112
expulsassem, mas não puderam. Jesus respondeu: Ó
geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até
quando vos sofrerei? Trazei-mo. Eles o trouxeram.
Quando o espírito viu a Jesus, logo agitou o menino com
violência. Caindo ele por terra, revolvia-se espumando.
Perguntou Jesus ao pai do menino: Quanto tempo há que
lhe sucede isto? Respondeu ele: Desde a infância. Muitas
vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar. Mas
se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e
ajuda-nos. Disse-lhe Jesus: Se tu podes! Tudo é possível ao
que crê. Imediatamente o pai do menino exclamou: Eu
creio; ajuda-me a vencer a minha falta de fé. Vendo Jesus
que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo,
dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele,
e nunca mais entres nele. O espírito, clamando, e agitando-
o com violência, saiu, deixando-o como morto, ao ponto de
muitos dizerem: Morreu. Mas Jesus, tomando-o pela mão,
o ergueu, e ele se levantou. (Marcos 9:17-27)

Devemos ter em conta algumas verdades importantes


reveladas nesta passagem. Primeiro, Jesus não disse ao
homem: “Isto é muito difícil” ou “Esta condição é a
vontade de Deus para o teu filho”. Em vez disso, Ele disse:
“Trazei-mo.” Essa era a atitude de Jesus para com todos os
casos de enfermidade. Por exemplo, quando o centurião
disse: “O meu criado jaz em casa paralítico”, Jesus
respondeu: “Eu irei curá-lo.” (Ver Mateus 8:5-13; Lucas
7:2-10). Nunca houve qualquer dúvida acerca da vontade
de Jesus para curar e libertar e nós devemos compreender a
Sua vontade para curar e libertar hoje em dia.

A seguir o pai do menino disse a Jesus que o espírito


maligno “lança-o por terra e ele espuma, range os dentes,

113
e vai secando.” A partir desta descrição, a maioria das
pessoas diria que o menino sofria de epilepsia, mas havia
algo mais a acontecer que precisava ser discernido.

Jesus perguntou ao pai: “Quanto tempo há que lhe sucede


isto?” Ele respondeu: “Desde a infância.” Experiências
na infância são muitas vezes cruciais para se detectar a
origem e entrada de um demónio.

O homem disse a Jesus: “Se tu podes fazer alguma coisa,


tem compaixão de nós, e ajuda-nos.” A resposta de Jesus
foi: “Se tu podes! Tudo é possível ao que crê.” Ele colocou
a responsabilidade no pai. Muitos Cristãos não
reconhecem as responsabilidades espirituais da
paternidade. Nós somos responsáveis por termos fé pelos
nossos filhos. Jesus não disse: “Se o teu filho conseguir
acreditar.” Ele disse: “Se tu conseguires acreditar, o teu
filho pode ser curado.” Em Mateus 15, havia uma mulher
Cananéia que tinha uma filha gravemente atormentada por
um espírito demoníaco e ela tinha fé pela cura da filha.
Jesus disse-lhe: “Grande é a tua fé.” (v.28) e a filha ficou
curada. (Ver Mateus 15:22-28).

No caso deste homem e do seu filho, “[Jesus] repreendeu o


espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te
ordeno: Sai dele, e nunca mais entres nele. O espírito,
clamando, e agitando-o com violência, saiu…”

Jesus especificamente chamou o espírito maligno de


“espírito mudo e surdo”. E quando o espírito saiu, a
epilepsia cessou. Esta ideia pode ser controversa, mas a
epilepsia pode ser causada por um espírito maligno. Já
aconteceu um demónio epiléptico falar comigo de dentro

114
de pessoas. Houve um que me falou com voz de homem de
dentro do corpo de uma mulher. Temos de discernir e
aprender a lidar com espíritos malignos que causam
doenças.

Uma Condição de Invalidez Causada por um Espírito


Maligno

Outro exemplo é um espírito de enfermidade que


atormentou uma mulher durante dezoito anos. Lemos em
Lucas:

Estava ali uma mulher que tinha um espírito de


enfermidade, havia já dezoito anos. Ela andava curvada, e
não podia de modo algum endireitar-se. Vendo-a Jesus,
chamou-a a si, e lhe disse: Mulher, estás livre da tua
enfermidade. Então ele pôs as mãos sobre ela, e logo ela se
endireitou, e glorificava a Deus. Tomando a palavra o
chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no
sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister
trabalhar. Neste vinde para serdes curados, e não no
sábado. Respondeu-lhe, porém, o Senhor: Hipócrita, no
sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o
seu boi, ou jumento, e não o leva a beber? E não convinha
soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão,
a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? Dizendo ele
isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e
todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que
Jesus fazia. (Lucas 13:11-17)

O que causou o problema físico da mulher? Um “espírito


de enfermidade”. Jesus disse que Satanás tinha prendido a
mulher. Repare que ela foi curada imediatamente após ter

115
sido liberta do poder do espírito maligno. No momento em
que o espírito saiu dela, ela pôde endireitar as costas. Jesus
teve de ser capaz de discernir a causa da doença para saber
como lidar com ela.

Um Espírito de Adivinhação

O nosso último exemplo é um incidente que ocorreu


quando Paulo e Silas pregavam o evangelho em Filipos.

Indo nós à oração, saiu-nos ao encontro uma jovem que


tinha um espírito de adivinhação, a qual, adivinhando,
dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a
Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos
anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus
Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo,
perturbado, voltou-se, e disse ao espírito: Em nome de
Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela. E na mesma hora
saiu. (Actos 16:16-18)

Cada palavra que a jovem proferiu era verdade; ela fazia


publicidade dos pregadores do evangelho, mas era um
espírito maligno que o fazia de dentro dela. Paulo discerniu
isto e expulsou o demónio. Hoje também devemos ter o
mesmo discernimento. Demónios de adivinhação
abundam na igreja. Por todo o lado que eu vou, até mesmo
em simpáticas e “respeitáveis” congregações, encontro
demónios de magia, bruxaria e adivinhação entre pessoas
que brincam com horóscopos, tabuleiros Ouija e
astrologia. Elas ficam seriamente viciadas por este mesmo
demónio de adivinhação.

116
Resultados de Discernimentos de Espíritos
O dom de discernimentos de espíritos é muito importante
para o funcionamento do corpo de Cristo. Resulta em
crentes reconhecendo a presença do Espírito Santo e as
formas em que Deus está a trabalhar, revela o carácter e
motivações dos corações humanos e identifica quando
espíritos malignos são a causa de doença e contendas.
Quando este dom está a operar em larga escala no corpo de
Cristo, ele trará um ministério extraordinário à igreja e ao
mundo.

117
Parte 3

Dons de Poder
Capítulo 7

Agora vamos explanar os dons de poder – fé, dons de curas
e operações de milagres. Ao começarmos com o dom da fé,
vamos clarificar a natureza deste dom, mencionando as
diferenças entre três tipos de fé referidos no Novo
Testamento.

Diferentes Tipos de Fé
Fé para Salvação

Romanos 10:17 diz: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela


Palavra de Deus.” Esta é a fé que uma pessoa recebe por
ouvir a pregação do evangelho de Jesus Cristo. Quando
abrir o seu coração e receber a palavra, produzirá fé em si.
Este tipo de fé é necessário para a salvação.

Quando abrir o seu coração e receber


a palavra, produzirá fé em si.

Em Efésios 2:8-9, Paulo fez a seguinte afirmação, a


respeito do requisito para a salvação: “Pois é pela graça
que sois salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é
dom de Deus – não das obras, para que ninguém se

121
glorie.” A graça de Deus que traz salvação vem até nós
através da fé. Contudo, não nos podemos gloriar desta fé
porque Deus no-la deu, quando abrimos os nossos corações
para ouvir a pregação do evangelho.

O facto de que a fé é absolutamente essencial para a


salvação também é enfatizado em outras passagens das
Escrituras. A primeira é Romanos 4:4-5: “Ora, àquele que
faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo
a graça, mas segundo a dívida. Não obstante, aquele que
não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua
fé lhe é imputada como justiça.”

Para receber a justiça, temos que ter fé.

Para receber a justiça, temos que ter fé.


A nossa fé em Jesus Cristo, que vem pelo ouvir o
evangelho, é-nos imputada por Deus como justiça.
Paulo escreveu: “Pois pela graça que me é dada, digo a
cada um dentre vós que não saiba mais do que convém
saber, mas que saiba com moderação, conforme a medida
da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3). Deus
dá a cada crente uma certa medida ou proporção de fé. Isto
é o que geralmente se chama de “fé salvadora” ou fé para a
salvação ou fé que acompanha a salvação.

Esta verdade também está implícita em Hebreus 11:6:


“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é
necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que
ele existe, e que é galardoador daqueles que o buscam.”

Ninguém pode agradar a Deus, ninguém se pode


aproximar de Deus e ninguém pode receber a salvação
sem a fé que vem pelo ouvir a Sua Palavra.

122
Fé como um Fruto do Espírito Santo

O segundo tipo de fé é parte do fruto do Espírito Santo:


“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há
lei.” (Gálatas 5:22-23). Anteriormente já vimos que o fruto
do Espírito tem nove características, assim como os dons
do Espírito Santo também são nove. Penso que isto é uma
das marcas da bonita inspiração do Espírito Santo, que haja
um equilíbrio exacto entre os dons e o fruto. Pessoalmente
creio que todo o fruto do Espírito é amor, mas o amor
manifesta-se de diversas maneiras.

A sétima manifestação do fruto do Espírito é a “fé”


(Gálatas 5:22). Este não é o tipo de fé que devemos ter para
sermos salvos.

Cada uma das nove características do fruto do Espírito é


uma marca de carácter.

Esta fé significa “uma serena e contínua confiança” ou


“esperança firme” ou “fidelidade”. Se uma pessoa tem uma
serena e contínua confiança, ela não se perturba ou entra
em caos emocional de qualquer maneira. Poucas pessoas
têm esta qualidade no momento em que são salvas. Isto
vem por experiência e por cultivação. Uma pessoa fiável e
leal é de confiança, ela guarda os seus compromissos; é
alguém em quem se pode confiar. Se diz que vai dar uma
aula de escola bíblica dominical, estará lá todos os
Domingos para dar a aula. Esta fé marca um aspecto de
carácter.

123
Fé Miraculosa
O terceiro tipo de fé, que é um dos dons do Espírito Santo, é
fé miraculosa. “A outro [é dado], pelo mesmo Espírito, fé”
(1 Coríntios 12:9). Anteriormente referi que Deus tem toda
a sabedoria, mas Ele não nos dá essa sabedoria toda de uma
vez. Num momento de necessidade, comunica-nos uma
palavra da Sua sabedoria através do Espírito Santo. Isto é
apenas um minúsculo fragmento da Sua sabedoria que vem
de encontro às necessidades dessa situação. Da mesma
forma, apesar de Deus ter todo o conhecimento, não no-lo
dá porque nós não saberíamos como geri-lo. Mais uma vez,
num momento de necessidade, Ele concede-nos uma
palavra do Seu conhecimento através do Espírito Santo.
Dá-nos o dom da fé de forma muito semelhante.

Paulo não nos diz que Deus dá “uma palavra” de fé, mas,
essencialmente, é isso que acontece. Deus tem toda a fé e
através deste dom Ele concede-nos uma pequena parte
dessa fé. Não é uma fé humana ou uma fé cultivada. É uma
fé divina. É uma fé que vem instantaneamente,
sobrenaturalmente, como uma dádiva directamente de
Deus pelo Espírito Santo, frequentemente sob a forma de
uma palavra.

Este dom, tal como os outros que analisámos até agora, só


opera debaixo do controlo de Deus.

Ninguém tem uma palavra de conhecimento ou sabedoria


por sua própria vontade. Ninguém discerne espíritos por
sua vontade. Da mesma forma, ninguém tem o dom de fé
por sua vontade. Estes dons permanecem sob o controlo de
Deus, mas nós tornamo-nos disponíveis, para que os opere
através de nós, como desejar.

124
Se todos os crentes pudessem operar o dom da fé em
qualquer momento, o mundo estaria num caos e confusão
porque o usaríamos para servir as nossas necessidades e
caprichos. Uma pessoa mudaria a montanha para Este
enquanto outra mudaria a montanha para Oeste. Deus tem
que manter um controlo restrito sobre certos dons e a fé é,
definitivamente, um deles.

A Natureza da Fé de Deus
Fé miraculosa é, portanto, a cedência de fé divina à
humanidade.

Fé miraculosa é, a cedência de fé divina à humanidade.

Vejamos por breves momentos a natureza da fé de Deus.

A fé de Deus é um estudo fascinante. A Sua fé, nas Suas


próprias palavras, trouxe o universo à existência. Salmos
33:6 diz: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e
todo o exército deles pelo sopro da Sua boca.”

A imagem do “sopro” de Deus é importante. Quando tirei


um curso de fonética, descobri algumas coisas fascinantes.
É impossível uma pessoa falar sem sopro, sem respirar.
Quando uma palavra sai da nossa boca, o nosso sopro
também sai com ela. Essencialmente, cada forma de
discurso, em todas as línguas no mundo, é apenas uma
variação da forma como o ar sai das nossas bocas. Quando
pensamos no incontável número de variações e o que é
obtido por elas, torna-se uma contemplação fascinante. Em
Salmos 33:6, a palavra Hebraica traduzida por “sopro”
significa “espírito”. “Pela palavra do Senhor foram feitos

125
os céus, e todo o exército deles pelo sopro da sua boca.” Por
outras palavras, toda a criação é o produto da Palavra de
Deus e do Espírito de Deus avançando em conjunto.

Toda a criação é o produto da Palavra de Deus e do


Espírito de Deus avançando em conjunto.

Ou, a Palavra de Deus avançando através do Seu Espírito.


Assim sendo, quando Deus fala, o Seu sopro, o Seu
Espírito, também sai. A palavra soprada de Deus produziu
tudo o que foi criado.

Vejamos algumas passagens das Escrituras que confirmam


esta verdade. Em Génesis 1:2 lemos: “…o Espírito de Deus
pairava sobre a face das águas.” O que aconteceu logo a
seguir? “E disse Deus: Haja luz. E houve luz.” (v.3). A
Palavra de Deus saiu da Sua boca, e quando a palavra e o
Espírito de Deus se uniram, a palavra luz transformou-se na
coisa que se chama luz. Tanto no Hebraico como no Grego,
os mesmos termos para “palavra” são usadas para “coisa”.
Isto não é um acidente, porque as coisas são as palavras
de Deus faladas à existência pelo Seu Espírito. Quando
Deus disse “luz”, houve luz. Esta é a origem e a natureza de
toda a criação.

Em Hebreus 11:3, a mesma verdade é novamente


apresentada em relação à palavra de Deus ser soprada pelo
Seu Espírito. “Pela fé entendemos que os mundos foram
criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não
foi feito do que se vê.”

Qual é a força básica por detrás de todas as coisas


criadas? É a palavra de Deus através do Espírito de
Deus.

126
Certa vez estudei a filosofia da física. Eu compreendo-a da
seguinte forma: se perguntássemos a um físico a
composição de uma determinada secretária, ele daria a
resposta em termos de átomos. Se lhe perguntássemos de
que são feitos os átomos, ele dar-nos-ia uma resposta em
termos de protões, neutrões e electrões. Se lhe
perguntássemos se alguém já observou qualquer uma
destas coisas, a resposta seria não. Se lhe pedíssemos para
expressar qualquer uma destas realidades, o melhor que
poderia fazer seria dar-nos algum tipo de fórmula
matemática ou equação. Estaria, essencialmente, em
concordância com o escritor de Hebreus que, dezanove
séculos antes, escreveu: “o visível não foi feito do que se
vê.” O que agora é visível, palpável, ou perceptível, não foi
feito de coisas que possamos ver.

É impossível sobrestimar-se o imenso poder das palavras,


apesar da maioria dos Cristãos tristemente subestimá-las.
Ezequiel 12:25 diz: “Mas eu, o Senhor, falarei, e a palavra
que eu falar se cumprirá, não será retardada.” Por outras
palavras, “Eu sou Deus e quando digo alguma coisa, isso
acontece.” Esta é a natureza eterna e imutável de Deus.
Imediatamente vemos a possibilidade de, se o sopro do
Espírito de Deus estiver dentro de nós, esse mesmo sopro
poder fazer sair de nós uma palavra que é tão eficiente
como se o próprio Deus todo-poderoso a tivesse proferido
directamente.

É exactamente isto que é o dom da fé.

Falando a Palavra em Fé
Vejamos alguns dos ensinos de Jesus que estão
relacionados com isto. Começaremos por comparar as
127
duas versões do evangelho do incidente da figueira que
Jesus amaldiçoou. Em Mateus 21:18-22 podemos ler:

De manhã, ao voltar para a cidade, teve fome. Avistando


uma figueira à beira do caminho, dirigiu-se a ela, mas não
achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça
fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. Quando os
discípulos viram isto, perguntaram, espantados: Como
secou imediatamente a figueira? Jesus respondeu: Em
verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não
só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte
disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito.
E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.

Existem duas maneiras de se usar as palavras, que são


reveladas nesta passagem. Uma maneira é falar com algo
ou alguém, a favor de Deus e a outra é falar com Deus, a
favor de algo ou alguém. Primeiro, Jesus não orou acerca
da figueira e Ele não orou à figueira, o que teria sido
idolatria. Ele falou à figueira a favor de Deus e a figueira
fez o que Ele lhe disse para fazer. Jesus disse aos Seus
discípulos que eles poderiam fazer o que tinha sido feito à
figueira se tivessem fé. E mais, se falassem a uma
montanha, ela teria de lhes obedecer da mesma maneira.
Segundo, Jesus explicou aos Seus discípulos que, se
orarmos a Deus a favor de algo, o que quer que peçamos em
oração, crendo, receberemos. Veremos estas duas formas
de usar as palavras mais pormenorizadamente mais à frente
neste capítulo. Mas de acordo com a liderança do Espírito
Santo, podemos tanto falar a algo a favor de Deus ou falar a
Deus a favor de algo.

Vejamos agora o mesmo incidente conforme relatado em


Marcos, porque esta descrição inclui algo mais profundo
128
que Jesus disse e que é a chave para compreendermos tudo.

No dia seguinte, quando saíram de Betânia, Jesus teve


fome. Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver
se nela acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, não
achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então
ele disse à figueira: Nunca jamais coma alguém fruto de ti.
E os discípulos ouviram isto. Passando eles pela manhã,
viram que a figueira tinha secado desde as raízes. Pedro
lembrou-se e disse a Jesus: Mestre, olha, a figueira que
amaldiçoaste secou. Ao que Jesus respondeu: Tende fé em
Deus. (Marcos 11:12-14, 20-22)

A tradução literal da declaração de Jesus é “Tenham a fé de


Deus.”

Novamente, a fé de Deus expressa por palavras de seres


humanos é tão autoritária como se o próprio Deus as tivesse
proferido.

A fé de Deus expressa por palavras de seres


humanos é tão autoritária como se o
próprio Deus as tivesse proferido.

De certa forma, desde que elas sejam sopradas pelo


Espírito de Deus, tornam-se pronunciação dada por Deus.
Jesus continuou dizendo:

Em verdade vos digo que se alguém disser a este monte:


Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar em seu coração,
mas crer que se fará o que diz, lhe será feito. Por isso vos
digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que
recebestes, e será vosso.(v. 23-24)

129
Se pegarmos nas palavras iniciais e finais do versículo 23,
temos a mais extraordinária verdade: “Se alguém disser…
lhe será feito.” Isto não deixa nada ou ninguém de fora. É
qualquer um que e qualquer coisa que. A condição é ter
uma fé divina – a fé de Deus. A sugestão é que Deus está
mais disposto a dar-nos esta fé do que muitos de nós
estamos em recebê-la. Jesus estava a dizer: “Não vos
maravilheis. Vocês conseguem fazê-lo. Tenham a fé de
Deus.”

Em 1 Coríntios 13, Paulo referiu alguns dons espirituais,


incluindo a fé, o dom que move montanhas:

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e


não tivesse amor, seria como o metal que soa, ou como o
sino que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, e
conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que
eu tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os
montes, e não tivesse amor, nada seria.(v. 1-2)

Você não coloca as mãos na montanha, nem realiza um


milagre sobre ela, simplesmente fala à montanha. Se falar
com fé divina, a montanha tem de fazer o que lhe disser
para ela fazer.

Repare na declaração de Jesus acerca da oração: “Por isso


vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que
recebestes, e será vosso.” (Marcos 11:24). Costumo
perguntar às pessoas: “Quando é que se recebe?” A
resposta é: “Quando se ora.” No momento que ora, recebe.
Ter poderá vir mais tarde, mas receber vem quando se ora.
Este é o grande segredo para obter coisas. O diabo tem
sempre um amanhã e se deixar-se levar pelas suas

130
promessas, nunca receberá o que Deus tem para si. A Bíblia
diz que, no que diz respeito a Deus, “agora é o tempo
aceitável, agora é o dia da salvação.” (2 Coríntios 6:2).
Deus vive num eterno agora.

Deus vive num eterno agora.

Fé Divina da Semente de Mostarda


Em Mateus lemos acerca da incapacidade dos discípulos
de expulsar um demónio de um rapaz epiléptico. Quando
eles estavam a sós com Jesus, perguntaram-lhe: “Por que
não pudemos nós expulsá-lo?” (Mateus 17:19). Jesus tinha
uma resposta simples: “Por causa da vossa pequena fé.”
(v. 20). Então ele prosseguiu, dizendo:

Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de


mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e
ele passará. Nada vos será impossível. Mas esta casta de
demónios não se expulsa senão por meio de oração e
jejum.(v. 20-21)

Comparemos esta passagem com Lucas 17:6.

Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta


amoreira: Desarreiga-te daqui e planta-te no mar, e ela
vos obedeceria.

Repare que a amoreira não é somente atirada para o mar,


mas é plantada no mar. Em ambos os textos o Senhor diz
que basta termos “uma semente de mostarda” deste tipo de
fé para que ela seja eficaz. Uma pequena semente de
mostarda é suficiente para remover uma montanha. Se é a

131
fé de Deus, não é necessário ter uma colher a transbordar
desta fé. Isto não é verdade em relação a todos os tipos de
fé, mas somente da fé divina. Jesus não está a falar da
quantidade, mas sim da qualidade da fé.

Quando eu fazia planos para casar com a minha esposa


Lydia, andava junto do Monte das Oliveiras e contemplava
o que poderia envolver ser missionário de fé na terra de
Israel. A Lydia havia-me contado algumas histórias sobre
ter de se levantar a meio da noite para orar a fim de receber
o pequeno-almoço para as suas crianças na manhã
seguinte. Disse ao Senhor que jamais desejava chegar a
esse ponto extremo e arrumei esse assunto de vez com
Deus, em fé. Sabia que essas coisas não voltariam a
acontecer. Quando olho para trás, para aquele momento em
oração, sei que aquele foi o momento em que recebi. Não
foi uma luta; não envolveu esforço. Apenas sabia que as
coisas seriam daquela maneira. E permaneceram assim
durante trinta anos de casamento. Não posso receber
qualquer crédito por isso. Apenas o mencionei para que
possa ver que poderá haver um momento em que Deus
deixa cair uma semente de mostarda de fé divina no seu
coração e o assunto fica arrumado.

A Palavra no Coração e na Boca


Um exemplo muito comovente da fé de Deus e do seu
poder é ilustrado no chamamento do profeta Jeremias.
Deus disse-lhe: “Antes que eu te formasse no ventre, te
conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às
nações te dei por profeta.” (Jeremias 1:5). Jeremias
respondeu: “Ah! Senhor Deus! Não sei falar; não passo de
uma criança.” E Deus disse-lhe essencialmente isto: “Não

132
Me digas que és muito novo porque tu vais fazê-lo.” (Ver
versículos 6-8). O relato continua:

Então estendeu o Senhor a sua mão, tocou-me na boca, e


me disse: Agora pus as minhas palavras na tua boca. Vê,
ponho-te hoje sobre as nações, e sobre os reinos, para
arrancares e derrubares, para destruíres e arruinares, e
para edificares e plantares.” (V. 9-10, ênfase adicionada)

Jeremias pensou ser muito novo para ser um profeta, mas


Deus disse-lhe: “De agora em diante tu estarás sobre as
nações, e sobre os reinos, para arrancares e derrubares, para
destruíres e arruinares, e para edificares e plantares.”
Como isto aconteceu? “Pus as minhas palavras na tua
boca.” (Jeremias 1:9). E quando as palavras de Deus
saíram da boca de Jeremias, através do Espírito Santo,
foram tão eficazes como se o próprio Deus as tivesse dito.
Se estudar as profecias de Jeremias, poderá depreender que
o destino de muitas nações nos últimos 2.500 anos foi
determinado pelas suas profecias. Elas cumpriram-se na
totalidade. Este é o poder da Palavra de Deus falada pela
boca humana através do Espírito Santo. A condição para se
ser um proclamador de Deus está em Jeremias 15. O
testemunho de Jeremias foi: “Achadas as tuas palavras,
logo as comi; elas me foram alegria e gozo ao coração,
pois pelo teu nome me chamo, ó Senhor, Deus dos
Exércitos.” (v. 16). Se quisermos ser proclamadores da
Palavra de Deus, primeiro devemos digeri-la.

Se quisermos ser proclamadores da Palavra


de Deus, primeiro devemos digeri-la.

Da mesma forma, quando Deus chamou o profeta


Ezequiel, Ele estendeu na mão um rolo e disse: “Abre a tua

133
boca, e come o que eu te dou.” (Ezequiel 2:8-9). Então
disse a Ezequiel para profetizar.Devemos compreender na
totalidade que esta profecia e os dons espirituais não
provêm da mente natural. Não devemos apenas meter a
Palavra de Deus nas nossas bocas, mas também devemos
digeri-la nos nossos espíritos. Quando a Palavra é digerida
lá, e a escondemos nos nossos corações, como David disse
(ver Salmos 119:11), então ela torna-se disponível para o
Espírito Santo a proclamar quando achar necessário.
Quando Jeremias recebeu as palavras de Deus, ele comeu-
as e viveu baseado nelas. Igualmente, o testemunho de Job
foi: “As palavras da sua boca prezei mais do que o meu
alimento.” (Job 23:12)

Quando era ainda novo na fé e servia como soldado do


exército Britânico no Norte de África, este também foi o
meu testemunho. Eu preferia a Palavra de Deus à minha
comida. Se tivesse de escolher entre tomar o pequeno-
almoço ou ler a Bíblia, escolhia ler a Bíblia. Durante cerca
de três anos no deserto, vivi da Palavra de Deus. Lá não
havia igrejas, capelões ou pregadores, mas tinha duas
coisas: a Palavra e o Espírito de Deus. Essa experiência
causou as mais profundas e permanentes mudanças em
todas as áreas do meu ser.

Finalmente, Jeremias 15:19 diz: “Portanto assim diz o


Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e me servirás; se
apartares o precioso do vil, serás o meu porta-voz.
Tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles.”
Jeremias deveria apresentar-se perante Deus, ouvir a Sua
palavra e entregá-la. Deus quer um intérprete puro.
Quando Deus determina um padrão, nós não podemos
baixá-lo. Quando Deus determina condições, nós não
temos autoridade para as alterar. Não nos podemos baixar

134
aos padrões humanos. Devemo-nos firmar onde Deus nos
coloca e deixar que os homens voltem para os Seus
padrões. Não podemos voltar aos deles.

Duas Formas de Usar Palavras em Fé


Anteriormente mencionei duas formas diferentes de usar
palavras enquanto exercitamos fé. A primeira é falar
palavras a uma pessoa, a um objecto ou situação, no nome
de Deus. Esta expressão de fé não tem um nome teológico
que eu conheça, mas diria que é o poder do decreto do
crente.

A segunda forma é falar palavras a Deus, no nome de uma


pessoa, de um objecto ou situação. Esta expressão de fé é o
que chamamos de oração.

O Exemplo de Elias

Uma das minhas personagens favoritas da Bíblia, Elias,


ilustra ambas as formas de usar palavras enquanto se
exercita a fé. Ele emergiu como profeta em Israel numa era
de total apostasia, mal e caos no reino, que era governado
pelo perverso Rei Acabe. Elias proclamou esta dramática
elocução em nome de Deus:

Ora, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse e


Acabe: Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel,
perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá
nestes anos segundo a minha palavra.(1 Reis 17:1)

Esta é uma declaração poderosa, não acha? Quando se


controla a chuva e o orvalho, isso é autoridade. A Bíblia

135
revela que durante três anos e meio não caiu chuva ou
orvalho, tal como Elias disse. Acabe mandou procurar por
Elias em todos os reinos e nações. (Ver 1 Reis 18:19.)
Aparentemente o rei pensou que se conseguisse encontrar
Elias e de alguma maneira o torturar para ele dizer as
palavras certas, a chuva cairia outra vez. Quando
finalmente se encontraram, Acabe disse a Elias: “És tu,
perturbador de Israel?” (1 Reis 18:17). Ele estava a dizer:
“És tu quem está a causar todos estes problemas, tu és a
razão porque nós não temos chuva nem orvalho, tu és a
razão porque todas as colheitas falham e os animais
perecem.”

Usar das palavras tal como Elias fez é muita


responsabilidade. O tempo estava sob o controlo de Elias,
não de Deus, porque ele era o representante visível de Deus
em Israel. Em 1 Reis 18:1, Deus tinha dito a Elias: “Vai,
apresenta-te a Acabe, e darei chuva sobre a terra.” Elias
não só levou a mensagem a Acabe – ele era a mensagem.
“Apresenta-te… e darei chuva.”

No entanto, repare que quando Elias quis a chuva de volta,


ele teve de perseverar em oração, mesmo tendo sido ele a
retirá-la:

E disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, pois há ruído de


abundante chuva. Subiu Acabe a comer e a beber, mas
Elias subiu ao monte do Carmelo e, inclinando-se por
terra, meteu o rosto entre os joelhos. (1 Reis 18:41-42)

Alguma vez esteve nessa posição? Houve alturas em que


senti que Deus me dobrava até àquela posição, em oração.
Eu não diria que Elias estava apenas em oração, mas que

136
ele próprio era a oração. Todo o seu ser era a oração:
espírito, alma e corpo. Estava totalmente identificado com
a oração. Orou até a pequena nuvem aparecer, e pelas suas
palavras faladas a Deus, libertou a chuva. (Ver versículos
43-45).

Isto é o que Tiago chamou de “oração de fé” (Tiago 5:15).


Tiago usou Elias como um exemplo, dizendo que ele não
era um tipo de pessoa especial, mas um ser humano, tal
como você e eu. Por outras palavras, nós podemos fazer o
mesmo.

E a oração da fé salvará o doente; o Senhor o levantará. Se


houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.
Portanto, confessai os vossos pecados uns aos outros, e
orai uns pelos outros, para serdes curados. A oração de um
justo é poderosa e eficaz. Elias era um homem sujeito às
mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não
chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu
sobre a terra. E orou outra vez e o céu deu chuva, e a terra
produziu o seu fruto.(Tiago 5:15-18)

Este mesmo poder está disponível para si e para mim.

Nas Escrituras acima, é-nos dito que Elias orou e falou


palavras em nome de Deus. Isto mostra-nos que estas duas
maneiras de usar palavras enquanto se exercita a fé estão
intimamente relacionadas. Nós não falamos simplesmente
palavras em nome de Deus arbitrariamente; antes,falamos
palavras em fé, baseado no nosso relacionamento com Ele
e de acordo com o nosso conhecimento da Sua vontade e
poder.

137
Falamos palavras em fé, baseado no nosso
relacionamento com Ele e de acordo com o nosso
conhecimento da Sua vontade e poder.

O Exemplo de Josué

Um outro exemplo de uma palavra falada em nome de


Deus pode ser encontrado na vida de Josué, quando ele e os
Israelitas estavam no meio de uma batalha contra os seus
inimigos.

Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor


entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse
na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu,
lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou, até
que o povo se vingou de seus inimigos. … O sol se deteve no
meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia
inteiro. Não houve dia semelhante a esse, nem antes nem
depois dele, atendendo o Senhor assim à voz de um homem.
Certamente o Senhor pelejava por Israel. (Josué 10:12-14)

Apesar do texto dizer que Josué falou ao Senhor, foi Josué


que disse ao sol e à lua para se deterem. As palavras que um
homem falou afectaram o curso de corpos celestes. Isto é
extraordinário. A minha convicção pessoal é que
precisamente os mesmos privilégios estão disponíveis para
nós hoje.

Manifestações de Fé Miraculosa no Novo


Testamento
Vejamos agora alguns exemplos de fé miraculosa, ou de
palavra de fé, encontrados no Novo Testamento.
138
Acalmando uma Tempestade em Autoridade Divina

No primeiro exemplo, Jesus e os Seus discípulos


encontravam-se num pequeno barco, quando uma terrível
tempestade se levantou.

Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos à


outra margem. Deixando a multidão, eles o levaram
consigo, assim como estava, no barco. Havia também com
ele outros barquinhos. Ora, levantou-se grande temporal
de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de
modo que já estava a encher-se. Jesus estava na popa,
dormindo sobre uma almofada. Os discípulos o
despertaram, dizendo: Mestre, não se te dá que
pereçamos? Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse
ao mar: Cala-te, aquieta-te. Então o vento se aquietou, e
houve grande bonança. Ele disse aos discípulos: Por que
sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? Eles sentiram
grande temor, e diziam uns aos outros: Quem é este, que até
o vento e o mar lhe obedecem?(Marcos 4:35-41)

Jesus não impôs as Suas mãos sobre o mar – Ele apenas


falou-lhe. Este é um exemplo de autoridade divina através
da palavra de fé. No Grego, a tradução literal das palavras
traduzidas por “aquieta-te” é “amordaça-te”. Parece-me
que Jesus viu algo de satânico por detrás daquela repentina,
anormal e dramática tempestade. Ele ia a caminho do que
eu considero o Seu mais duro caso de libertação, o
endemoninhado geraseno que encontrou no outro lado.
Não posso deixar de crer que todas as forças de Satanás se
uniram contra Ele para impedir que chegasse ao cenário da
libertação daquele homem. Por vezes, quando estamos
numa missão específica que tem muito significado para o
reino de Deus, Satanás tem os seus agentes plantados em
139
todas as situações ou circunstâncias ao longo do caminho.
Este é um bom sinal que Deus vai fazer algo especial, se
não nos deixarmos desencorajar e perdermos a vitória pelo
caminho.

Quando Jesus falou com autoridade divina, a tempestade


imediatamente se amordaçou. Ela não pôde emitir mais
nenhum som ou causar qualquer dano. Quando Israel
deixou o Egipto na noite de Páscoa, a Bíblia diz que nem
um cão moveu a sua língua contra os Israelitas. (Ver Êxodo
11:7.) Deus pode silenciar qualquer coisa se tivermos fé.

Levantando os Mortos com uma Palavra de Fé

Existem três momentos nas Escrituras em que Jesus


levanta pessoas que tinham morrido, usando uma palavra
de fé. O primeiro acontece com o filho da viúva de Naim.

Quando chegou perto da porta da cidade, levavam um


defunto, filho único de sua mãe, que era viúva. E com ela ia
uma grande multidão da cidade. Vendo-a, o Senhor sentiu
grande compaixão por ela, e lhe disse: Não chores.
Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o levavam,
disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. O defunto assentou-
se, e começou a falar, e Jesus o entregou à mãe dele.(Lucas
7:12-15)

Jesus moveu-se pela situação trágica da mulher e disse-lhe


para não chorar. Isto era compaixão divina. Uma evidência
segura de que Deus quer fazer alguma coisa é quando
somos movidos por compaixão divina.

140
Uma evidência segura de que Deus quer fazer alguma
coisa é quando somos movidos por compaixão divina.

Jesus proferiu uma palavra de fé e disse ao jovem para se


levantar.

De cada vez que Jesus levantou um morto, era muito


específico; sempre falava com a pessoa que ia ser
ressuscitada. Há quem acredite que, caso não Se tivesse
dirigido à própria pessoa, todos os mortos ressuscitariam
porque Ele tinha o poder para chamá-los a todos para fora
dos sepulcros.

O segundo momento aconteceu com a filha de Jairo.

Todos choravam e pranteavam. Ele disse: Não choreis. Ela


não está morta, mas dorme. E riam-se dele, sabendo que
ela estava morta. Mas ele, pegando-a pela mão, clamou:
Levanta-te, menina. O seu espírito voltou, e ela logo se
levantou, e Jesus mandou que lhe dessem de comer.
(Lucas 8:52-55)

Novamente aqui, Jesus proferiu uma palavra de fé e disse


especificamente à menina que se levantasse. Há quem
afirme que levantar mortos é coisa que nunca acontece nos
nossos dias. Contudo, na África de Leste, onde eu e a
minha esposa Lydia trabalhámos como missionários, têm
havido casos bem autenticados de pessoas ressuscitadas.
Durante o tempo em que lá servimos, houve duas ocasiões
em que alguém foi trazido de volta dos mortos. Uma
envolveu uma mulher que era nossa estudante e morreu.
Toda a sua família estava na clínica, perto do seu corpo, que
estava estendido numa cama. Eles choravam, lamentavam
e oravam. Perguntámos se eles gostariam que nós
141
orássemos e disseram que sim. Pedimos que todos saíssem
e, apesar de não termos planeado nada antecipadamente,
ajoelhámo-nos cada um no seu lado da cama e orámos. A
dada altura ambos recebemos a confirmação de vitória e a
jovem mulher sentou-se na cama.

A primeira coisa que ela disse foi: “Alguém tem uma


Bíblia?” Eu disse que sim e ela pediu-me para ler o Salmo
41. Após a minha leitura, levámo-la para casa connosco e
ela ficou em perfeita saúde passados um ou dois dias. Mais
tarde eu perguntei-lhe: “Porque desejou que lêssemos o
Salmo 41?” Ela respondeu: “Naquela altura, dois homens
vestidos de branco estavam junto a mim e eu andei, com
eles ao meu lado, descendo um caminho muito comprido e
estreito que nos levou a um sítio cheio de luzes e pessoas
vestidas de branco que cantavam. Havia um homem que lia
um livro muito grande. Ele lia o Salmo 41 e eu queria saber
o que dizia.” Pelas palavras deste salmo, podemos ver um
exemplo da conexão entre a Palavra de Deus e fé
miraculosa:

O Senhor o livra, e o conserva em vida; será abençoado na


terra, e tu não o entregarás ao desejo de seus inimigos. O
Senhor o sustentará no leito da enfermidade, e o
restaurará da sua cama de doença. Eu disse: Senhor, tem
compaixão de mim; sara a minha alma, pois pequei contra
ti. Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando
morrerá ele, e perecerá o seu nome? Todos os que me
odeiam murmuram à uma contra mim; contra mim
imaginam o mal, dizendo: Uma má doença se lhe pegou;
está deitado, não se levantará mais. Mas tu, ó Senhor, tem
piedade de mim; levanta-me, para que eu lhes
retribua.(Salmos 41:2-5, 7-8, 10)

142
A terceira instância é quando Jesus levantou Lázaro dos
mortos.

Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para


o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Eu sei
que sempre me ouves, mas eu disse isso por causa da
multidão que me rodeia, para que creiam que tu me
enviaste. Tendo dito isso, Jesus clamou em alta voz:
Lázaro, vem para fora! O morto saiu, tendo as mãos e os
pés enfaixados, e o rosto envolto num lenço. Disse Jesus:
Desatai-o e deixai-o ir.(João 11:41-44)

Que momento dramático! Repare que, em cada um dos


casos, Jesus falou e disse à pessoa para se levantar. Uma
ocorrência semelhante aconteceu quando Pedro
ressuscitou Dorcas dos mortos, depois do seu corpo ter sido
lavado e estendido em preparação para o enterro:

Levantando-se Pedro, foi com eles. Quando chegou,


levaram-no ao quarto alto. Todas as viúvas o rodearam,
chorando e mostrando as túnicas e vestidos que Dorcas
fizera quando estava com elas. Pedro mandou que todas
saíssem do quarto; então pôs-se de joelhos, e orou.
Voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. Ela
abriu os olhos e, vendo a Pedro, assentou-se. Dando-lhe a
mão, Pedro a levantou e, chamando os santos e as viúvas,
apresentou-a viva.(Actos 9:39-41)

Note que Pedro foi específico, tal como Jesus havia sido, e
chamou-a pelo nome. Após ter orado e recebido a palavra
de fé, ele disse a Tabita para se levantar e ela assim o fez.

143
Proferindo Julgamento através de uma Palavra de Fé

O nosso exemplo final é uma situação extraordinária do


livro de Actos. Elimas, o encantador – um falso profeta ou
mágico – opôs-se à pregação de Paulo e Barnabé na ilha de
Chipre.

Todavia Saulo, que também se chama Paulo, cheio do


Espírito Santo, fitando os olhos nele, disse: Ó filho do
diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo
de toda a justiça, não cessarás de perturbar os rectos
caminhos do Senhor? Agora a mão do Senhor está contra
ti, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo
instante caiu sobre ele uma névoa e trevas, e, andando à
roda, buscava quem o guiasse à mão. (Actos 13:9-11)

Paulo pronunciou o julgamento de Deus sobre Elimas


através do poder da palavra falada. Repare que Paulo
estava “cheio do Espírito Santo”, revelando que o
julgamento veio através de uma palavra de fé divina.

Resultados de Fé Miraculosa

Quando Deus concede fé divina à humanidade, os seres


humanos podem proclamar os mesmos resultados,
como se Deus tivesse proferido as palavras
directamente.

Aqueles que recebem a fé divina permitem que a Palavra de


Deus atravesse para além das suas mentes e penetre nos
seus corações e espíritos, de onde saem palavras de fé
miraculosas, de acordo com a liderança do Espírito Santo.
Estas palavras têm poder sobre a criação, a morte e Satanás,

144
demonstrando autoridade em todos os aspectos da
existência física e espiritual. Elas destroem o mal e
constroem o que é bom e recto pela fé do próprio Deus.

145
Capítulo 8
Dons de Curas
Nos próximos dois capítulos exploraremos os dons de
curas e as operações de milagres. Para termos uma
perspectiva geral sobre estes dois dons, devemos notar a
distinção entre uma cura e um milagre.

Distinguindo entre Curas e Milagres


Essencialmente uma cura alivia o corpo de uma doença ou
lesão. Muitas vezes não é perceptível aos sentidos.
Ta m b é m p o d e r á s e r g r a d u a l ; n ã o a c o n t e c e
necessariamente de forma instantânea ou num curto
período de tempo. Por outro lado, um milagre é geralmente
perceptível aos sentidos e quase instantâneo, e produz uma
mudança que vai para além da cura.

Por exemplo, não é possível “curar” uma perna que é mais


curta do que a outra, mas Deus pode alongá-la. Eu tenho
visto milhares de casos em que as pernas têm crescido
instantaneamente e visivelmente após orações. Também
testemunhei a restauração de um ouvido. Um homem que
pediu para se orar pela restauração do seu ouvido, mais
tarde mencionou que o seu ouvido interno havia sido
removido através de uma cirurgia. Quando ele voltou ao

147
médico e lhe foi feito um exame, o médico disse que ele
tinha um ouvido normal. Isto não foi simplesmente uma
cura, porque não se pode curar o que não está lá. Isto foi um
criativo milagre restaurador.

É claro que as curas e milagres se podem sobrepor um ao


outro. Uma cura instantânea que é visível pode ser descrita
como um milagre. Tenho presenciado um número
considerável destas curas. Certa vez orei por uma jovem
que tinha acne. Eu não estava à espera de grandes coisas,
mas nos dez minutos seguintes a sua cara mudou para um
cor-de-rosa brilhante. Foi algo absolutamente
sobrenatural. Apenas restou uma sombra ténue onde antes
estavam as marcas do acne. Isto foi uma cura, mas foi tão
perceptível e instantânea que se pode chamar um milagre.

A Natureza dos Dons de Curas


Veremos agora de forma mais aprofundada os dons de
curas. “ A outro, pelo mesmo Espírito, [é-lhe dado] dons de
curar.” (1 Coríntios 12:9). Mais uma vez, este é um dom no
plural. Eu interpreto isto como se, de cada vez que há uma
cura, o dom fosse dado através da pessoa pela qual o dom é
manifestado.

Sob o Controle de Deus

Tal como com outros dons do Espírito, os dons de curas são


operados somente sob o controlo de Deus. Não acredito
que alguém possa andar por aí a curar pessoas sem mais
nem menos. Se você manifestar dons de curas, algum
néscio ainda se aproxima de si e lhe diz: “Vai ali ao hospital
e cura toda a gente.” Isto não é bíblico. Por exemplo, veja o
148
incidente no qual Jesus curou o homem inválido no tanque
de Betesda.

Ora, existe em Jerusalém, próximo à porta das ovelhas, um


tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco
pavilhões. Nestes jazia grande multidão de enfermos,
cegos, coxos e paralíticos… Estava ali um homem,
inválido havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e
sabendo que estava nesse estado havia muito tempo, disse-
lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo:
Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque
quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar,
desce outro antes de mim. Então lhe disse Jesus: Levanta-
te! Toma a tua esteira, e anda. Imediatamente o homem foi
curado, tomou a sua esteira, e pôs-se a andar.(João 5:2-3,
5-9)

“Queres ser curado?” parece uma pergunta estranha para


se fazer a um homem que está ali há trinta e oito anos há
procura de cura. No entanto, o exercício da vontade pode
ser um factor importante na realização da cura.

Repare que havia uma grande multidão de pessoas


enfermas no tanque. Contudo, Jesus entrou, curou um
homem e saiu outra vez. Quando Jesus foi questionado
acerca da cura, Ele disse: “Em verdade, em verdade vos
digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa
alguma; ele só pode fazer o que vê o Pai fazendo, porque
tudo o que o Pai faz, o filho o faz igualmente.” (v.19). Jesus
não afirmou ter a capacidade para fazer qualquer coisa
independentemente do Pai. Numa outra circunstância Ele
disse: “As palavras que eu vos digo, não as digo por mim
mesmo. Antes, é o Pai que está em mim quem faz as obras.”

149
(João 14:10). Por outras palavras, o Próprio Jesus não
podia fazer nada da Sua própria vontade ou por Sua própria
decisão, a menos que fosse por revelação da vontade do
Pai. Se Jesus não operou dessa forma, nós também não
podemos.

Temos de ser dirigidos por Deus nesta matéria. Por


exemplo, quando cinquenta pessoas vêm à frente numa
reunião de curas, é muito desagradável alinhá-las, dar-lhes
uma senha e começar pelo número um. A primeira pessoa
na fila pode ser alguém que não tem fé, por isso oramos por
ela e nada acontece. A segunda poderá também não ter fé.
Ao orarmos por ela, nada acontece, e aí já mais ninguém
tem fé. Estamos a lutar contra a descrença de toda a gente.
Temos aprendido por experiência a deixar o Senhor
seleccionar a primeira pessoa. Só podemos fazer estas
coisas na medida em que Deus nos guia e opera através de
nós, tal como fez através de Jesus e dos apóstolos.

O Poder do Espírito para o Corpo do Crente

O poder de curar é o poder do Espírito Santo tornado


disponível para o corpo do crente. Em Romanos 8:11,
Paulo escreve: “Se o Espírito daquele que dentre os mortos
ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os
mortos ressuscitou a Cristo Jesus vivificará também os
vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós
habita.” Nós temos disponível dentro de nós, através do
Espírito Santo que em nós habita, o mesmo poder que
ressuscitou o corpo morto de Jesus. Paulo transmitiu esta
mesma ideia quando deu este testemunho:

Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus

150
no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste
também em nossos corpos, e assim nós, que vivemos,
estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para
que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne
mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós
a vida. (2 Coríntios 4:10-12)

Ainda não temos os nossos corpos ressurrectos. Mas o que


temos, e o que temos direito de reclamar, é a vida
ressurrecta num corpo mortal. A vida ressurrecta de Jesus
Cristo está disponível para o corpo do crente pelo Espírito
Santo através da fé.

A vida ressurrecta de Jesus Cristo está


disponível para o corpo do crente.

Paulo disse: “Para que a vida de Jesus se manifeste


também em nossos corpos.” Esta vida não é somente para
estar lá, mas para ser manifestada. Isto é o que eu chamo de
cura divina e saúde divina. É a presença do Espírito de
Deus que ressuscitou o corpo de Jesus do túmulo de forma
manifesta, operando de forma a podermos ver que ela está
presente e observarmos o que ela está a fazer. Tiago
escreveu: “Está alguém entre vós doente? Chame os
presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com óleo
em nome do Senhor.” (Tiago 5:14). O óleo tipifica o
Espírito Santo dando a vida da ressurreição ao corpo do
crente.

Acredito que a vida da ressurreição vai para além da


restauração da saúde. A vontade de Deus não é que o crente
em Cristo seja sistematicamente curado, mas que ele seja
saudável. A Sua vontade para o crente é declarada em 3

151
João 2: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e
que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.” Tenho
aprendido por experiência que é mais fácil ser saudável do
que ser sistematicamente curado. É bom ser curado, mas é
muito melhor ser saudável. Também tenho aprendido que é
muito mais fácil ter-se fé para não se adoecer do que ter-se
fé para se ser curado quando já se está doente.

Há mais um benefício do poder do Espírito Santo no corpo


do crente: “De sorte que a tua mocidade se renova como a
da águia.” (Salmos 103:5).

A vida da ressurreição é mais do que igual à devastação da


doença e enfermidade e pode, de certa maneira,
contrabalançar as debilitações de uma idade avançada.

A vida da ressurreição pode, de certa maneira,


contrabalançar as debilitações de uma idade avançada.

As Escrituras dizem: “Tinha Moisés a idade de cento e


vinte anos quando morreu, contudo a sua vista não se
havia enfraquecido, nem se lhe havia fugido o vigor.”
(Deuteronómio 34:7). Moisés passou tanto tempo na
presença de Deus que parecia que vivia numa atmosfera
diferente da dos outros Israelitas.

O ambiente em que vivemos faz uma diferença


significativa. Uma mulher disse-me que ela e o seu marido
voltaram a casa para as férias e tiveram uma reunião com
outras pessoas da família que eram crentes baptizados no
Espírito. Todos eles chegaram saudáveis, mas começaram
a falar das suas doenças. Depois de três dias a falarem nas
suas doenças, a maior parte deles estava doente. Ela e o seu

152
marido disseram: “Estávamos felizes só por sair daquela
atmosfera.” O ambiente em que vive tem muito a ver com
aquilo que experimenta. Eu acredito piamente que o crente
cheio do Espírito devia criar um ambiente positivo à sua
volta de fé, confiança e adoração.

Uma Atmosfera de Poder que Cura

O poder do Espírito Santo para curar habitou em Jesus


desde o Seu baptismo no rio Jordão. Houve momentos em
que este poder fluiu através d'Ele de uma forma quase
tangível. Um desses exemplos foi quando a mulher com o
corrimento de sangue veio atrás de Jesus na multidão e
tocou o rebordo das Suas vestes.

Certa mulher, que havia doze anos tinha uma hemorragia,


e que havia padecido muito à mão de vários médicos, e
despendido tudo o que tinha, sem contudo nada aproveitar,
pelo contrário, indo a pior, ouvindo falar de Jesus, veio por
detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Dizia ela: Se
tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. Imediatamente
se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no seu corpo estar
curada do flagelo. Jesus, conhecendo que de si mesmo
saíra poder, voltou-se na multidão, e perguntou: Quem
tocou nas minhas vestes?(Marcos 5:25-30)

Jesus sentiu poder de cura a sair de Si mesmo quando a


mulher foi curada. Vejamos um outro exemplo: “Certo dia
ele estava ensinando, e achavam-se ali assentados fariseus
e doutores da lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da
Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele
para curar.” (Lucas 5:17). Toda aquela atmosfera estava
aparentemente impregnada com este poder de cura. Em

153
Lucas 6:19 encontramos uma situação semelhante à da
mulher com a hemorragia que foi curada: “E toda a
multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele poder, e
curava a todos.” Nós teremos experiências destas nas
nossas próprias vidas e ministérios quando o espírito de
curas ou milagres descer sobre uma reunião e a maioria das
pessoas for tocada por Deus. Começei a ver isto numa
pequena escala e espero vê-la aumentar.

O mesmo poder de cura sobrenatural foi associado com o


ministério de Pedro de forma que até mesmo a sua sombra
trouxe cura:

De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os


punham em leitos e em esteiras, para que ao menos a
sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns
deles. Também das cidades circunvizinhas concorria
muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e
atormentados de espíritos imundos, e todos eram
curados.(Actos 5:15-16)

Tais curas não estão limitadas ao ministério de Jesus e dos


apóstolos. Conheci um irmão no Senhor, na Argentina, que
era usado desta mesma forma no seu ministério. Ele disse
que no auge das reuniões que dirigia, propositadamente
andava de forma a que a sua sombra passasse por cima dos
enfermos e eles eram curados. As reuniões na Argentina
sacudiram com todo o país, de uma ponta a outra, de tal
maneira que todos os esforços missionários anteriores não
foram capazes de o fazer. Isto aconteceu no espaço de
apenas algumas semanas. Quando o poder de Deus é
libertado, nós não podemos medir os resultados.

154
Curas Específicas de Indivíduos
Os exemplos na última secção eram geralmente curas
massivas que ocorriam numa atmosfera de poder. Vejamos
agora alguns relatos nas Escrituras que falam de curas
individuais. Começamos com o ministério de Jesus.

Ao pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de várias


molestas, lhos traziam, e, pondo as mãos sobre cada um
deles, ele os curava. (Lucas 4:40, ênfase adicionada)

Aqui vemos que Jesus ministrou a pessoas


individualmente. Cada uma das pessoas a quem Ele punha
as suas mãos era curada. Deste exemplo vemos que Deus
nem sempre opera curas da mesma maneira. Por vezes as
pessoas podiam simplesmente tocar nas vestes de Jesus e
ser curadas, outras vezes Ele tinha que pôr as Suas mãos
sobre cada uma delas individualmente.

Vemos esta aproximação individual no relato da cura do


leproso.

Descendo ele do monte, seguiu-o uma grande multidão.


Veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres,
podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão, e o tocou,
dizendo: Quero, sê limpo! E imediatamente ele ficou
curado da lepra. (Mateus 8:1-3)

Esta cura visível da lepra pode ser considerada um milagre.


Jesus tocou-lhe e ele foi imediatamente curado. Claro, uma
das razões pela qual Jesus lhe tocou, foi porque não era
costume as pessoas tocarem nos leprosos. Ele poderia tê-lo
curado com qualquer outro método, mas preferiu desviar-

155
Se do Seu caminho e tocar no homem para mostrar a Sua
compaixão.

Às vezes, os métodos que Jesus usou nas curas são


distintamente contrários aos costumes ou regras. Isto
demonstra que devemos depender totalmente da liderança
do Espírito Santo, quanto às curas. Vejamos dois exemplos
de curas pouco convencionais, nas quais as pessoas foram
curadas depois de Jesus lhes tocar. A primeira envolve um
homem que era surdo:

Trouxeram-lhe um surdo e gago, e rogaram-lhe que


impusesse a mão sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à
parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua
com saliva. Depois, levantando os olhos ao céu, suspirou, e
disse: Efatá, que quer dizer: Abre-te. Abriram-se-lhe os
ouvidos, e logo o impedimento da língua se desfez, e falava
perfeitamente. (Marcos 7:32-35)

Depois temos um outro relato espantoso, envolvendo a


cura de um homem cego. “Chegaram a Betsaida, e lhe
trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. Ele tomou
o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia” (Marcos
8:22-23). Porque levou Jesus o homem para fora da aldeia?
Provavelmente havia uma tal atmosfera de descrença ali
que o homem não teria a fé para ser curado. O texto
continua: “e, [Jesus] cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-
lhe as mãos, perguntou: Vês alguma coisa? O cego,
levantando os olhos, respondeu: Vejo as pessoas como
árvores que andam.” (v. 23-24). O homem conseguia ver,
mas não claramente. Algumas pessoas dizem que as curas
de Jesus eram instantaneamente completas. No entanto,
Jesus dependia, de certa forma, da resposta de fé da pessoa

156
a quem Ele administrava a cura. “Tornou Jesus a pôr-lhe as
mãos nos olhos e ele, olhando firmemente, ficou
restabelecido, e já via ao longe e distintamente a todos.
Mandou-o Jesus para casa, dizendo: Não entres na
aldeia.” (v. 25-26).

Aparentemente, Jesus não suportava a atmosfera daquela


aldeia, havia um grande ambiente de descrença. Talvez até
o problema fosse os familiares do homem. Por vezes, as
pessoas a quem é mais complicado demonstrar a nossa fé, é
aos nossos familiares. Se todos os seus familiares são
descrentes, você terá de exercer a sua fé noutro sítio. Este
homem não podia ser curado naquela aldeia. E mesmo
quando foi curado, era evidente que ele não podia manter a
sua cura se voltasse para lá.

Curas individuais também eram operadas através do


ministério da igreja primitiva. No livro de Actos, Paulo e
outros naufragaram perto da ilha de Malta depois de uma
terrível tempestade. Quando chegaram a terra, os
habitantes da ilha receberam-nos e abriram-lhes as portas
das suas casas. E houve uma cura estratégica que Deus
usou para ganhar a atenção de toda a ilha.

Próximo daquele lugar havia umas terras que pertenciam


a Públio, o principal da ilha, o qual nos recebeu e
hospedou bondosamente por três dias. O pai dele estava de
cama, doente com febre e disenteria. Paulo foi vê-lo e,
tendo orado, impôs-lhe as mãos, e o curou. Feito isto,
vieram também ter com ele os demais enfermos da ilha, e
foram curados. (Actos 28:7-9)

Repare que o texto diz que Paulo o curou. É claro que não
podemos curar ninguém à parte de Jesus Cristo e do poder
157
do Espírito Santo, mas há alturas em que podemos estar tão
identificados com Ele que conseguimos curar pessoas.
Jesus disse: “Aquele que crê em mim também fará as obras
que eu faço.” (João 14:12). Quando Jesus enviou os doze
apóstolos e depois os setenta discípulos para ministrar em
cidades e aldeias vizinhas, Ele disse-lhes: “Curai os
enfermos.” (Ver, por exemplo, Lucas 10:9). A Bíblia
coloca muito mais responsabilidade sobre os crentes do
que a maioria de nós está disposta a reconhecer.

Resultados de Dons de Curas


Temos visto que dons de curas de forma sobrenatural
restauram as pessoas à sua integridade física. Quando tal
restauração vem, é um dom dado por uma pessoa através
da qual o dom é manifestado. Dons de curar podem ser
realizados através do poder de ressurreição pelo Espírito
Santo. Podem ser manifestados numa atmosfera de cura,
na qual são curadas muitas pessoas em conjunto, assim
como também na cura individual de pessoas, sob a
orientação do Espírito Santo. Dons de curas também
resultam no criar de uma atmosfera de crença para uma
cura adicional e uma abertura ao evangelho de Jesus
Cristo.

158
Capítulo 9
Operações de Milagres
A Natureza das Operações de Milagres
Em 1 Coríntios 12:10, lemos: “A outro, [é dado] a
operação de milagres.” Tal como com os dons de curas,
este dom só é operado sob o controle de Deus. Ninguém
pode operar um milagre por um simples exercício da sua
vontade.

Tal como disse anteriormente, este dom é melhor


designado como o duplo plural “operações de milagres”.
Além disso, Paulo escreve acerca de operações de milagres
três vezes – no décimo e vigésimo oitavo versículos de 1
Coríntios 12 e no quinto versículo de Gálatas 3. A palavra
grega traduzida por “milagres” nestes versículos é a forma
plural de dunamis. Dunamis significa “poder” e, assim,
traduzindo literalmente, o dom seria “operações de
poderes”. Estas operações referem-se à capacidade, dada
por Deus, para demonstrar o poder sobrenatural do Espírito
Santo a trabalhar. Cada milagre é uma operação – uma
manifestação específica e definitiva do dom.

159
Referências Gerais a Milagres nas Escrituras
Uma linha atravessa as Escrituras sempre que a palavra
dunamis é usada no plural. Comecemos por ver as
instâncias no Novo Testamento onde dunamis é usado de
uma forma geral para o miraculoso, sem que seja
mencionado um acto miraculoso em particular.

Em Mateus 13:54, as pessoas de Nazaré comentaram


acerca de Jesus quando Ele deu início ao seu ministério:
“E, chegando à sua terra, ensinava na sinagoga deles, de
sorte que se admiravam, e diziam: Donde veio a este a
sabedoria, e estes poderes miraculosos?” A palavra
dunamis é, neste caso, traduzida por “poderes
miraculosos”. As pessoas estavam espantadas com a
sabedoria e os milagres de Jesus e disseram: “De onde
vieram estas maravilhas? Nós conhecemo-lo. Ele é apenas
o filho de um carpinteiro. Como é ele capaz de fazer estas
coisas?” (Ver versículos 55 e 56). Em Actos 2:22, Pedro
referiu-se a Jesus desta forma: “Homens israelitas, escutai
estas palavras: A Jesus de Nazaré, homem aprovado por
Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que
Deus por ele fez no meio de vós, como vós bem sabeis.” O
Deus Todo-Poderoso trouxe um testemunho sobrenatural à
vida e ministério de Jesus através de três coisas: milagres,
maravilhas e sinais. Jesus foi “aprovado por Deus”. Este
facto foi importante para a compreensão da audiência
Judaica de Paulo. Paulo escreveu: “Os judeus pedem sinal,
e os gregos buscam sabedoria” (1 Coríntios 1:22). Os
Judeus nunca reconhecem um profeta que não tenha um
sinal sobrenatural. Está enraizado neles. Todo o seu
passado religioso está recheado de homens que vieram
com uma mensagem de Deus e podiam-no provar.

160
Nunca alcançaremos pessoas verdadeiramente até que
tenhamos alguma evidência sobrenatural de que o que
estamos a dizer é aprovado por Deus.

Fui missionário em dois países e não me arriscaria a sair do


meu próprio país para pregar o evangelho se não estivesse
convencido de que Deus sustentaria com um testemunho
sobrenatural a mensagem que Ele me deu. De outra forma,
faríamos melhor se ficássemos em casa e enviássemos
literatura pelo correio. Funcionariá muito melhor, a não ser
que tivéssemos algo mais do que simples palavras para
oferecer às pessoas. Esse é o poder da operação de
milagres.

Falando do seu apostolado, Paulo escreveu: Os sinais do


meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a
paciência, por sinais, prodígios e milagres [dunamis].” (2
Coríntios 12:12). A palavra traduzida por “milagres”,
noutras versões da Bíblia é interpretada como “obras
poderosas”. Mais uma vez, Paulo deixou claro que um
apóstolo tem que demonstrar o seu apostolado. Ele tem de
ter uma aprovação sobrenatural. Acompanhando os sinais
de um apóstolo está o carácter da qualidade, da
perseverança – a capacidade de não se deixar desencorajar
ou desistir. Repare que as mesmas três palavras de
aprovação que são usadas aqui, foram usadas para Jesus em
Actos 2:22: sinais, prodígios e milagres ou maravilhas.

Outra instância de dunamis encontra-se na epístola de


Paulo aos Gálatas. Nesta carta ele estava a lidar com o facto
de os crentes, tendo conhecido a salvação pela graça e
poder de Deus, experimentado o baptismo no Espírito
Santo e visto os milagres, estavam agora a colocar-se de

161
novo sob a lei de Moisés e a observar os requisitos legais
através da influência de professores Judaizantes. É muito
interessante que Paulo estava muito mais aborrecido com
os Gálatas do que com os Coríntios. Os Coríntios tinham
problemas com todo o tipo de pecados carnais, mas Paulo
tirou algum tempo no começo da sua primeira carta para
agradecer a Deus pela Sua graça revelada a eles. Nesta
carta aos Gálatas, ele não tirou tempo para agradecer a
Deus por eles. Ele disse: “Admira-me que tão depressa
estejais passando daquele que vos chamou na graça de
Cristo, para outro evangelho.” (Gálatas 1:6).
Aparentemente Paulo estava mais perturbado com o
legalismo do que com a imoralidade, apesar de ter
corrigido ambos os erros cuidadosamente. Mas o
legalismo é um perigo consideravelmente maior para a
maioria dos Cristãos.

Repare no que Paulo escreveu na sua repreensão aos


Gálatas:

Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas


obras da lei, ou pela pregação da fé? Sois vós tão
insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis
agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido
tanto? Se é que isso também foi em vão. Aquele que vos dá
o Espírito, e que opera milagres entre vós, fá-lo pelas
obras da lei, ou pela pregação da fé?(Gálatas 3:2-5)

O apóstolo estava a dizer, “ Receberam o Espírito Santo


como resultado de terem sido circuncidados e manterem a
lei de Moisés? Não. Receberam o Espírito Santo quando
creram na pregação do evangelho, alguém orou e impôs as
mãos sobre vocês, e começaram a falar em línguas. Vão

162
voltar para as ordenanças e regras da carne, após terem
saboreado o poder e a liberdade do Espírito Santo?”

“Aquele que vos dá o Espírito” (v. 5) refere-se ao trazer as


pessoas para o baptismo no Espírito Santo. Isto não
acontece por ser-se circuncidado ou por se estar debaixo da
lei de Moisés, mas pela fé, tal como a salvação vem pela fé.
Assim, Paulo coloca as operações de milagres na mesma
categoria do receber o Espírito Santo. Eles vêm pelo ouvir
da fé. Ouve alguém expor a Palavra de Deus e então, por
um simples acto, liberta a sua fé e acontece. Não é
necessário ficar agonizado ou gritar; não é emocionismo. É
apenas ouvir a Palavra de Deus com fé.

Outro exemplo de milagres mencionado de uma forma


geral nas Escrituras encontra-se em Hebreus:

“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande


salvação? A qual, começando a ser anunciada pelo
Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.
Também Deus testificou com eles, por meio de sinais,
prodígios e vários milagres e dons do Espírito Santo,
distribuídos segundo a sua vontade.” (Hebreus 2:3-4)

Aqui estão mencionadas quatro manifestações do poder de


Deus: sinais, prodígios, vários milagres e dons do Espírito
Santo. “Dons” neste versículo seria melhor traduzido por
“distribuições”. O testemunho de Deus à mensagem do
evangelho era sempre sobrenatural. Hoje devia ser igual.

163
Milagres e Libertação
Antes de analisar milagres específicos, quero referir a
relação entre dons de milagres e a expulsão de espíritos
malignos. Em quase todos os lugares em que a palavra
dunamis é usada, há uma referência à expulsão de
demónios. Por exemplo, em Marcos lemos:

Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que em teu nome


expulsava demónios, e nós lhe proibimos, porque não nos
segue [não é do nosso grupo]. Jesus, porém, disse: Não lhe
proibais. Ninguém há que faça milagre [dunamis] em meu
nome, e logo a seguir possa falar mal de mim.”
(Marcos 9:38-39)

Repare que Jesus disse que a expulsão de espíritos


malignos no Seu nome é um milagre.

Encontramos uma situação semelhante na descrição do


ministério de Filipe em Samaria.

As multidões unanimemente prestavam atenção ao que


Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais [no original é
outra palavra Grega para milagres] que ele fazia. Os
espíritos imundos saíam de muitos que os tinham,
clamando em alta voz, e muitos paralíticos e coxos eram
curados. … Creu até o próprio Simão, e, sendo baptizado,
ficou de contínuo com Filipe. E, vendo os sinais e as
grandes maravilhas que se faziam, estava atónito.(Actos
8:6-7, 13)

A tradução correcta do Grego é “ver os sinais e grandes


milagres que eram feitos”. Os grandes milagres que Simão

164
viu não eram somente os paralíticos e os aleijados a ficarem
visivelmente curados mas também os espíritos imundos a
saírem das pessoas de uma forma manifesta. Obtive
resultados semelhantes no meu ministério. O Senhor
manifestou-nos que se continuássemos a expulsar
demónios, seguir-se-iam curas milagrosas. E vi os
aleijados e paralíticos serem curados. É notável o quão
exactas as Escrituras são. Se continuarmos a perssistir, há
mais à nossa frente. O melhor ainda está por vir.

Outro exemplo da conexão entre milagres e libertação está


em Actos 19. “E Deus, pelas mãos de Paulo, fez milagres
[dunamis] extraordinários. De sorte que até lenços e
aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as
enfermidades os deixavam e os espíritos malignos saíam.”
(v. 11-12). A palavra “extraordinários” diz-nos que a
ocorrência de milagres era uma coisa normal na igreja
primitiva, mas que havia algo fora do normal a acontecer.

Em passagens das Escrituras onde um ou mais milagres são


especificados, há geralmente uma referência à expulsão de
demónios. Esta é uma das manifestas demonstrações do
poder de Deus.

Manifestações de Milagres Específicos


Água em Vinho

Vejamos agora alguns exemplos de milagres específicos


registados no Novo Testamento. O primeiro milagre de
Jesus foi transformar água em vinho.

No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia.

165
A mãe de Jesus estava ali, e Jesus e seus discípulos também
haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado
o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm mais vinho.
Respondeu-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo?
Ainda não chegou a minha hora. Sua mãe disse aos
serventes: Fazei tudo o que ele vos disser. Estavam ali seis
talhas de pedra que os judeus usavam para as
purificações, e cada uma levava duas ou três metretas.
Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E
encheram-nas até acima. Então lhes disse: Tirai agora, e
levai ao mestre-sala. Eles o fizeram.(João 2:1-8)

Jesus disse aos serventes para encherem as seis talhas com


água – isto é fé. Então Ele disse para tirarem alguma e para
a levarem ao mestre-sala. Algures, entre o momento em
que a tiraram da talha e a levaram ao mestre, ela
transformou-se em vinho. Isto foi um milagre. (Ver João
2:9-11). Poderá chamar-lhe um sinal ou um prodígio, mas
encaixa-se nesta categoria.

Alimentando os Cinco Mil

Outro milagre foi quando Jesus multiplicou os pães e os


peixes para alimentar milhares de pessoas.

Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande


multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde
compraremos pão, para estes comerem? Mas dizia isto
para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de
fazer. Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não
lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco. E
um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro,
disse-lhe: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de

166
cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? E
disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita
relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em
número de quase cinco mil. E Jesus tomou os pães e,
havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os
discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente
também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando
estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os
pedaços que sobejaram, para que nada se perca.
Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de
pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que
haviam comido. Vendo, pois, aqueles homens o milagre
que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o
profeta que devia vir ao mundo.(João 6:5-14)

Jesus queria alimentar cinco mil homens, sem contar com


as mulheres e as crianças, e tinha cinco pães e dois peixes.
O que fez Ele? Uma coisa muito simples. Deu graças ao
Senhor e depois começou a distribuir comida. Deu para
alimentar toda a gente e ainda restou. Sabe quanta comida
foi recolhida no fim? O texto diz que encheram doze
cestos. Numa outra ocasião, Jesus alimentou quatro mil
pessoas com sete pães e alguns peixes. Neste caso
sobraram sete cestos, mas é usada uma palavra diferente
para cestos, porque estes eram muito maiores do que os
primeiros. Não só as pessoas foram alimentadas, como
também houve abundância no que sobrou. (Veja, por
exemplo, Marcos 8:1-9).

Note que Jesus conduziu este milagre de uma forma


ordeira e sistemática. No relato de Marcos 6, da
alimentação dos cinco mil, lemos que Jesus disse aos
discípulos para sentarem as pessoas em grupos, e elas

167
sentaram-se na relva em grupos de cinquenta e cem. Jesus
exigiu ordem e submissão à Sua autoridade antes de
alimentar as pessoas. O mesmo é verdade para nós do
ponto de vista espiritual. Algumas pessoas não se querem
juntar a ninguém ou estar sob a autoridade de ninguém. Por
causa disto, elas não são capazes de ser alimentadas
espiritualmente.

Um Milagre Criativo para um Homem Cego à


Nascença

Temos o caso extraordinário de Jesus a curar um homem


que era cego desde a nascença.

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os


seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem
pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus
respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim
para que se manifestem nele as obras de Deus. Tendo dito
isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o
lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque
de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e
voltou vendo.(João 9:1-3, 6-7)

Jesus ungiu os olhos do homem cego com terra e disse-lhe


para se ir lavar no tanque de Siloé. Não foi a terra que curou
o homem; contudo, quando ele obedeceu às instruções de
Jesus, através de um acto de fé e se lavou no tanque, o
Espírito Santo respondeu à sua obediência e conseguiu o
que nenhum homem podia fazer. O poder do Espírito Santo
transformou aquela terra em olhos. Acredito que Jesus
colocou a terra nos olhos do homem unicamente para
chamar à atenção que Ele era o criador e que a qualquer

168
altura, pela vontade do Pai, Ele podia transformar terra em
carne. De acordo com Génesis 2:7, o Senhor Deus formou
o homem do pó da terra e soprou-lhe nas narinas o fôlego
da vida, o divino Espírito de Deus, e o homem tornou-se
num ser vivente com um espírito, uma reivindicação do
facto de que Jesus era o eterno Criador que veio viver entre
a humanidade.

A Cura de um Homem Aleijado desde Nascença

No ministério dos apóstolos, houve a cura milagrosa de um


homem aleijado desde a nascença.

E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era


coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo,
chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.
O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no
templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com
João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. E olhou
para eles, esperando receber deles alguma coisa. E disse
Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te
dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e
anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os
seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele, pós-se em
pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e
saltando, e louvando a Deus. (Actos 3:2-8)

Este homem estava sentado na Porta Formosa do templo


quando viu Pedro e João a chegar. Estendeu a sua mão,
esperando receber dinheiro, quando Pedro disse: “Não
tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou.”
Obviamente, não podemos dar algo que não temos. O
problema com muitos de nós é que não temos muita

169
espiritualidade para podermos dar aos outros. Mas Pedro
disse, “Eu não tenho prata e não tenho ouro, mas no nome
de Jesus, levanta-te e anda.”

Enquanto o homem ainda estava ali sentado, Pedro


estendeu a sua mão e levantou-o. Quando o homem
começou a erguer-se, ficou curado. É da maior importância
vermos que as pessoas raramente recebem alguma coisa
quando se deixam estar pacificamente sentadas. É preciso
fazer algo para exercitar a sua fé. A fé sem obras, sem actos
correspondentes, é morta. (Veja Tiago 2:20, 26). Tenho
aprendido que o ponto crucial num milagre é incentivar
uma pessoa a fazer um pequeno acto, que por sua vez fará a
sua fé movimentar-se. Em muitos casos, não importa
realmente o que seja, mas no momento em que as pessoas
começam a agir, coisas começam a acontecer. Quando
Pedro começou a erguer o homem, e este respondeu,
naquele momento de acção, o poder sobrenatural de Deus
endireitou e firmou os seus pés e articulações. Tenho
testemunhado pessoalmente muitas pernas endireitadas e
visto pessoas com pernas arcadas ficarem com as suas
pernas visivelmente mais próximas. Em certa altura, foi
pedido a um amigo meu que orasse por um professor de
liceu que estava aleijado devido à artrite que lhe tinha
também deformado os pés. Ele orou pelo professor e
depois ordenou-lhe que se levantasse e andasse, e ele assim
fez. No dia seguinte, em vez de aparecer numa cadeira de
rodas, entrou pelos seus próprios pés na sala de aula. O meu
amigo disse que isso convenceu os alunos de que Deus está
vivo mais do que centenas de sermões alguma vez os
poderiam convencer.
Nós temos uma obrigação para com a nossa geração, de
lhes demonstrarmos que Deus está verdadeiramente vivo.

170
Uma obrigação: demonstrarmos que
Deus está verdadeiramente vivo.

Tenho visto autocolantes em pára-choques de carros que


dizem: “O Meu Deus não está Morto.” Está muito certo,
mas vamos ver uma demonstração. É isto que o mundo está
à procura. Quando o virem, será maravilhoso ver quantos
responderão. Os mais cínicos e duros de coração poderão
transformar-se nos mais entusiastas.

Levantando Eutico dos Mortos

O apóstolo Paulo esteve envolvido no milagre da


ressurreição de um homem chamado Eutico.

No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos


para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia
seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à
meia-noite. E havia muitas luzes no cenáculo onde
estavam juntos. E, estando um certo jovem, por nome
Eutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar,
tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o
extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto. Paulo,
porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o,
disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. E
levaram vivo o jovem, e ficaram muito consolados.(Actos
20:7-10, 12)

Algumas pessoas teriam ficado sem saber o que fazer se


isto tivesse acontecido a meio de um sermão seu, mas
Paulo lidou com a situação de uma forma espantosa.
Através de Paulo, o poder do Espírito Santo executou o
milagre de trazer Eutico de volta à vida.

171
Milagres e Actos de Fé
Se estudar os milagres nas Escrituras, reparará que quase
sempre, eles foram despoletados por um acto de fé. Por
exemplo, quando Moisés e os Israelitas chegaram a Mara,
as águas eram amargas e eles não as podiam beber. Moisés
clamou ao Senhor e Deus mostrou-lhe uma árvore. Quando
ele lançou a árvore nas águas, elas tornaram-se doces. (Ver
Êxodo 15:23-25). Não foi a árvore que, por si só, adocicou
a água; foi o poder de Deus. No entanto, Moisés tinha de a
atirar. Ele não deslizou a árvore calmamente; ele atirou-a lá
para dentro. Por outras palavras, ele comprometeu-se. A fé
não é uma experiência, é um compromisso.

A fé não é uma experiência, é um compromisso.

O Próprio Jesus fez algumas coisas estranhas enquanto


fazia milagres, tais como pôr terra nos olhos de um homem
cego e cuspir e tocar na língua de um surdo. Também disse
a outras pessoas para fazerem coisas que eram
naturalmente absurdas, tal como ir lavar-se num tanque
específico. Mas estes simples actos de fé libertaram o
poder curativo de Deus.

Milagres e Curas
Por um lado, as curas fundem-se com os milagres; uma
cura instantânea e visível é um milagre. Por outro lado, os
milagres fundem-se com a fé. Mas dos dons de poder, o
ministério de milagres é colocado antes do ministério de
curas, de acordo com 1 Coríntios 12:28: “E a uns pôs Deus
na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar

172
profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois
dons de curar…” Anteriormente lemos que quando Jesus
foi para a sua cidade de Nazaré, as pessoas não O aceitaram
por causa da sua descrença. “E não podia fazer ali obras
maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos,
impondo-lhes as mãos.” (Marcos 6:5). Mais uma vez, no
Grego o termo traduzido por “obras maravilhosas” é
dunamis, a mesma palavra para milagre, que temos estado
a ver. Jesus não podia fazer um milagre em Nazaré, mas
podia fazer um pouco de curas. Aparentemente, um
milagre está num patamar ligeiramente acima de uma cura.
Hoje em dia, não há uma necessidade mais óbvia na igreja
do que o exercício dos dons de milagres, porque é isto que o
mundo precisa de ver como demonstração da presença do
poder de Deus.

Deveríamos estar a orar para que Deus restaure de forma


completa este dom no Seu povo.

173
Parte 4

Os Dons Vocais
Capítulo 10
Tipos de Línguas e
Interpretação de Línguas
Chegamos agora ao terceiro grupo de dons espirituais: os
dons vocais. O seu nome deriva do facto de terem,
necessariamente, de ser operados através das cordas vocais
humanas. Dentro dos dons vocais, temos vários tipos de
línguas, interpretação de línguas e profecia.

Os Dons Vocais
Comecemos com algumas definições básicas destes dons.
Elas serão apenas introduções práticas. Repare que as
palavras para falar são os elementos centrais de todas elas.

Tipos de línguas é a capacidade dada pelo Espírito Santo


para falar numa língua não compreendida pelo orador.

Interpretação de línguas é a capacidade dada pelo Espírito


Santo para falar, numa língua compreendida pelo orador, o
significado das palavras previamente faladas numa língua
desconhecida.

Profecia é a capacidade para falar palavras dadas pelo


Espírito Santo numa língua compreendida pelo orador.

177
Dissemos que os dois grupos de dons anteriores – os dons
de revelação e os dons de poder – permanecem sob o
controle de Deus. Ninguém, por um acto de pura vontade
própria, pode operar um dom de cura ou operações de
milagres, ou ter uma palavra de sabedoria ou de
conheciment. Isto não quer dizer que a vontade humana
não desempenhe qualquer papel no exercício destes dons,
porque se a vontade humana não se render ao Espírito
Santo, os dons não podem operar. No entanto, a iniciativa
destes seis dons permanece com Deus.

Contudo, quando chegamos aos dons vocais, não há


qualquer dúvida de que, de alguma forma – varia de pessoa
para pessoa – eles estão sob o controlo humano. Falando
por experiência própria, consigo falar numa língua
desconhecida por minha própria vontade a qualquer hora
do dia ou da noite, sem qualquer tipo de reservas que eu
conheça. Também, muito frequentemente, sou capaz de
interpretar. Não sei com que frequência sou capaz de
profetizar, mas sei que se o procurasse fazer, profetizaria
em qualquer reunião. Deus deu-me esta capacidade há
muitos anos e não a perdi.

Por outro lado, não ando por aí a profetizar em todas as


reuniões. Rapidamente aprendi que, apesar de estes dons
estarem sob o nosso controlo, nós somos responsáveis pelo
que fazemos com eles. Uma das primeiras coisas que temos
de fazer no campo dos dons vocais, é aprender na Palavra
de Deus os propósitos para os quais eles são dados, a forma
correcta de os usarmos e as maneiras em que não os
devemos usar.

Em 1 Coríntios 14, Paulo deu muitas instruções em relação


a como e quando exercitar os dons, e como e quando não o

178
fazer. Por exemplo, Paulo disse que, normalmente, numa
reunião, duas ou três pessoas devem falar em línguas, e não
mais. Obviamente, mais pessoas poderão ter a capacidade
para o fazer, mas elas devem-se restringir para que haja
ordem. Semelhantemente, somente dois ou três profetas
deverão falar numa reunião. Se alguém quiser falar alto
numa língua desconhecida, tem de haver um intérprete (a
própria pessoa ou outra) ou a língua não deve ser falada.

Torna-se claro, a partir dos exemplos que Paulo deu, que as


pessoas retêm o poder de exercitarem ou não estes dons.
Não há forma de calcular o número de erros e desastres que
têm surgido por causa das pessoas não terem
compreendido que são responsáveis por aprender a
controlar os dons vocais do Espírito.

Tipos de Línguas
Paulo escreveu: “E a outro [é dado] a variedade de
línguas” (1 Coríntios 12:10). Este versículo não se refere
ao dom de falar numa língua desconhecida que é dado a
todos os crentes no baptismo no Espírito Santo. Em relação
a este dom, Paulo escreveu: “Porque o que fala em língua
desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque
ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.” (1
Coríntios 14:2). Cada crente pode exercitar este dom em
comunhão privada com Deus. Ele fala “mistérios” ou
coisas não compreendidas pela mente humana, com o
propósito da edificação na sua vida espiritual pessoal. Em
contraste, o dom de variedades de línguas é plural em
ambos os seus aspectos e é usado em assembleia pública
para ministrar a essa assembleia. Estas línguas não são para
edificação pessoal, mas para a construção do corpo de
Cristo numa igreja local.

179
Línguas Públicas versus Línguas Privadas
Para nos dar uma perspectiva mais ampla deste dom
público de línguas, vejamos 1 Coríntios 12:28, onde Paulo
faz alusão a diferentes ministérios dados por Deus para a
assembleia pública. “E a uns pôs Deus na igreja,
primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em
terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar,
socorros, governos, variedades [tipos] de línguas.”
Quando Paulo falou acerca da igreja neste versículo, ele
não se referia à igreja universal, mas a uma específica
assembleia pública do povo de Deus que se uniu para
ministrar uns aos outros através da operação dos dons.

No versículo anterior, os dons estão mencionados, mais ou


menos por ordem de antiguidade. Reparámos também
neste facto no capítulo das operações de milagres, no qual
vimos que os milagres são colocados num patamar
superior ao das curas. Contudo, este tipo de ordenação é
pouco comum. Na maioria dos casos, Paulo não
especificou uma hierarquia de dons. Por exemplo, nada
sugere que ele enunciou os dons mais importantes
primeiro, em 1 Coríntios 12:8-10, quando mencionou os
dons espirituais que estamos a examinar neste livro. Na
verdade, Paulo escreveu várias passagens que podem
sugerir que o dom mais galardoado é o da profecia, que está
referido quase no fim dessa lista. No entanto, aqui temos
uma ordem definitiva. “Primeiramente apóstolos, em
segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois
milagres, depois dons de curar…” Pelo menos os
primeiros cinco estão, aparentemente, ordenados por
ordem de antiguidade.

180
O ministério da Palavra toma precedência sobre todas as
outras formas de ministério porque tem a autoridade final.
Esta é a razão porque os que têm o ministério da Palavra
são enumerados primeiro. Os ministérios da Palavra são
seguidos pelos ministérios sobrenaturais que vêm pelo
exercício dos dons de milagres e curas. Depois temos
socorros e administrações ou governações, que significa
indicar o caminho que uma reunião ou um grupo deve
seguir. Finalmente, temos a variedade de línguas. No
Grego, a palavra traduzida aqui por “variedade” é a
mesma palavra de onde deriva a palavra género. Por isso, o
que estamos aqui a falar é de diferentes géneros de línguas.

Fica claro, do contexto de 1 Coríntios 12, que não estamos


a lidar com uma língua usada numa comunicação pessoal
com Deus. Tal como escrevi anteriormente, esse é um dom
pessoal, enquanto este é um dom público. Se não
compreendermos claramente a diferença, não poderemos
perceber o contexto do que Paulo disse em relação aos
diferentes aspectos dessas línguas. O propósito de haver
vários tipos de línguas é o ministério público na
assembleia, tal como os apóstolos, profetas, professores,
milagres, dons de curas, socorro e governos têm esse
propósito. Temos de saber distinguir nas nossas mentes
entre a variedade de línguas e o uso privado da língua.

Segundo a sua lista de dons em 1 Coríntios 12:28, Paulo


deixou explícito que nem todos os crentes têm um
ministério de línguas numa assembleia pública. Ele
escreveu: “Porventura são todos apóstolos? são todos
profetas? são todos doutores? são todos operadores de
milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas
línguas? interpretam todos?” (v. 28-29). Paulo fez estas

181
perguntas retóricas e penso que todos concordam que a
maneira como as perguntas são feitas implica que a
resposta seja não.

Algumas pessoas a partir destes versículos deduzem, que


por nem todos terem o dom de línguas, ele não é
necessariamente um resultado do baptismo no Espírito
Santo. Contudo, a pergunta que Paulo estava a fazer era:
“Na assembleia pública, todos têm o dom de variedades de
línguas?” A resposta é não. Conheço muitas pessoas que
são baptizadas no Espírito Santo e são capazes de
comunicar regularmente com Deus em privado numa
língua desconhecida, e que não têm um ministério de
línguas em assembleia pública. Portanto, Paulo não estava
a falar no resultado do baptismo no Espírito Santo. Ele
falava em diferentes tipos de ministérios numa reunião
pública de crentes.

Diferentes Tipos de Línguas para Assembleia


Pública
Agora dou-vos a minha compreensão do que Paulo
pretendia dizer com “variedades de línguas”. Cheguei a
esta conclusão após vários anos de estudos, meditação e
oração, assim como pela observação e experiência em
alguns grupos diferentes em muitos países. Contudo, devo
referir que é só a minha opinião e que outras pessoas
poderão pensar de forma diferente.

Eu não creio que signifique línguas diferentes como, por


exemplo, às vezes Russo, outras vezes Grego, Francês ou
qualquer outra língua. Estive na Nova Zelândia a ensinar
sobre o trabalho do Espírito Santo e, na minha série de
182
mensagens, cheguei à parte em que falava das variedades
de línguas. Já tinha visto que ambas as partes deste dom são
plurais e cheguei à conclusão de que não se referia a várias
línguas. Uma manhã acordei com esta frase dentro da
minha cabeça, de forma bem clara e distinta: “Variedades
de línguas: louvor, intercessão, repreensão e exortação.”
Sinto que o Espírito Santo me estava a mostrar pelo menos
uma parte do significado da variedade de línguas –
diferentes tipos de oração dados em línguas que servem os
diversos tipos de oração. Também se refere à exortação ou
instrução. Não estou de forma alguma a sugerir que estes
quatro tipos esgotam todas as possibilidades.

Já tinha mencionado que a palavra variedade está


relacionada com a palavra género. Assim sendo, os vários
tipos de línguas distinguem-se com base no uso ou
propósito para o qual foram dados. Como pano de fundo,
vejamos duas passagens de 1 Timóteo. Paulo escreveu:

Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para


que, se eu tardar, saibas como convém andar na casa de
Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e esteio da
verdade.(1 Timóteo 3:14-15)

Vemos que a principal prioridade pela qual 1 Timóteo foi


escrita, foi para instruir Timóteo no comportamento
correcto na igreja local. Com isto em mente, podemos
notar um importante ponto de ênfase em relação aos tipos
de oração, que Paulo escreveu a Timóteo, anteriormente
nesta carta:

Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações,


intercessões e acções de graças por todos os homens.(1
Timóteo 2:1)
183
Por outras palavras: O principal ministério da congregação
local é a oração.

O principal ministério da congregação local é a oração.

Se não virmos isto, falharemos na compreensão de muitas


outras verdades bíblicas e não seremos capazes de entrar na
completa experiência do que Deus quer para nós. Se
negligenciarmos a oração, não obteremos os resultados de
que fala o Novo Testamento, pois a oração é o gerador que
produz a energia que opera os outros aspectos da vida na
assembleia.

Por exemplo, se omitirmos a oração e imediatamente


implementarmos um programa na igreja, cedo
perceberemos que não temos o poder para o operar. É como
termos um edifício com instalação eléctrica para luz, calor
e som, mas faltar a ligação a um gerador. Nada funciona
porque não há energia. É assim que vejo o lugar da oração
na assembleia local.

Todo este assunto acerca da oração e línguas é tão denso e


profundo que sinto mágoa quando ouço pessoas referirem-
se a línguas como se fosse algo pequeno e insignificante. É
um assunto tremendo que penetra em muitos aspectos
diferentes da vida Cristã. Depois de estudar e meditar sobre
isto durante décadas, não consegui sequer chegar perto da
total profundidade deste assunto.

Em muitos aspectos, apesar do dom de variedades de


línguas ser um dos mais difíceis de compreender e de se
obter, também é um dos mais completos e eficazes, quando
correctamente operado.

184
Quatro Tipos de Línguas
Relacionemos agora diferentes variedades de línguas com
diferentes tipos de oração. Novamente digo, não estou a
sugerir que somente existem estes tipos de oração em
relação às línguas numa assembleia pública, mas são
aspectos importantes.

Louvor

Apesar de estarmos a falar sobre o exercício de variedades


de línguas numa assembleia pública, o tamanho da
assembleia de crentes não necessita ser muito grande. A
assembleia mais pequena de todas é quando estão dois ou
três crentes reunidos em nome de Jesus. (Ver Mateus
18:20). Muitas vezes, um pequeno grupo verdadeiramente
comprometido com o Senhor em oração e pronto a
trabalhar com Deus (em vez de estar a brincar aos jogos
espirituais ou à procura de emoções) é o grupo de oração
mais eficaz. Por vezes, quando um grupo de oração cresce,
os motivos de algumas pessoas podem ser questionáveis e
não há a mesma unidade, poder e impacto espiritual. Em
alguns casos, parece que as pessoas querem ver apenas o
seu grupo de oração a crescer, quando na verdade o número
de pessoas não é relevante; O que torna a oração eficaz é o
grau de unidade e o propósito.

O que torna a oração eficaz é o grau


de unidade e o propósito.

Suponha, portanto, que temos um grupo de duas, quinze,


cinquenta ou quinhentas pessoas que estão na presença do
Senhor, ministrando a Ele. Este conceito de ministrar ao

185
Senhor é importante. Muitos Cristãos pensam que a oração
é reunirem-se com uma lista de coisas que querem que
Deus faça. No entanto, a experiência mostra que se
ministrarmos ao Senhor, então, no Seu tempo, Ele
ministrará muito rapidamente às nossas necessidades.
Normalmente não precisamos de implorar muito ou
suplicar.

Dentro de um grupo como este que descrevi, seja ele


pequeno ou grande, pode ser dado a alguém uma língua de
louvor. Quando a ouvimos, reconhecemos que um espírito
humano está adorando, exaltando e louvando o Criador.
Esta pode ser uma experiência emocionante. E o resultado
é que ela libera o resto do grupo. Todos eles começam a
juntar-se para exaltar Deus. O propósito desta língua de
louvor é levar todo o grupo à adoração e louvor. Ela cumpre
o seu propósito sem qualquer necessidade de interpretação
– apesar de por vezes surgir uma interpretação de uma
língua que é unicamente de louvor e adoração, e pode ser
muito bonita.

Intercessão

Consideremos outra situação sobre o género da


intercessão. Um grupo pode estar a orar acerca de uma
pessoa ou situação, mas parece que não conseguem orar até
à vitória final. Ou poderão não saber em que sentido orar ou
em que sentido a reunião deve seguir. Nestes casos Deus, o
Espírito Santo, pode dar a alguém uma língua intercessora.
Esta pode ser a oração específica que aquela pessoa ou
situação necessita, ou pode ser uma oração para o grupo
como um todo, ser dirigido correctamente e saber a
vontade de Deus.

186
Tenho reparado que, frequentemente depois do que eu
chamaria uma língua intercessora, há uma pronunciação de
profecia. No entanto, as duas não estão directamente
ligadas, como as línguas e a interpretação. Antes, a língua
de intercessão liberou a profecia que Deus quis fazer
anunciar. Vi isto acontecer muitas vezes. Aprendemos a
distinguir entre línguas e interpretação, e línguas seguidas
por profecias.

Repreensão

Outro tipo de língua pública que as pessoas por vezes


acham surpreendente e até perturbador é língua sob a
forma de repreensão. Lemos várias vezes nos evangelhos
que Jesus repreendeu algumas situações. Ele inclinou-se
sobre a sogra de Pedro e repreendeu a febre. (Ver Lucas
4:38-39). Nós não repreendemos algo que seja uma
condição física. Para repreendermos algo, tem de haver
uma pessoa ou personalidade por detrás, o que implica que
um espírito maligno pode estar envolvido.

Anteriormente vimos que quando Jesus e os discípulos


estavam a atravessar o mar da Galileia e a tempestade
estava prestes a afundar o barco, Jesus levantou-se e
repreendeu o vento e as ondas. (Ver Marcos 4:35-41).
Convém recordar que a tradução literal no Grego para
“aquietar” (v. 39) é “açaimar”. Ele estava a lidar com uma
personalidade por detrás da situação.

O Espírito Santo dentro dos Cristãos por vezes fará o


mesmo. Por exemplo ,quando começamos a orar por uma
necessidade física ou mental particular, o Espírito Santo
parecerá erguer-Se de dentro de alguém, mesmo com ira.

187
Tenho assistido a isto muitas vezes. Vem numa torrente,
como uma barragem rebentando e um rio que varre tudo,
levando consigo os seixos e os destroços à sua frente. Isto é
o Espírito Santo deixado à solta contra a presença e
operação do mal, seja de que forma for. As pessoas que não
estão familiarizadas com esta manifestação ficam
assustadas e perguntam como é possível o Espírito Santo
soar desta forma. Temos que aprender que o Espírito Santo
tem a infinita sabedoria de Deus e Ele vê para além da
situação sobre a qual estamos a orar, daí que liberte o Seu
poder contra o mal para aquela situação.

A minha esposa Lydia orou muitas vezes assim pelos


enfermos e foi algo estrondoso. Para mim, o importante é
que a pessoa esteja curada. Por exemplo, estivemos numa
reunião em Ohio, onde havia uma grande acalmia porque
as pessoas não eram livres no Espírito. Um homem
perguntou: “Vocês orariam por mim? Eu tenho artrite.” A
minha esposa e eu ficámos em pé atrás dele e ela colocou as
suas mãos sobre as costas do homem. De repente, ela
emitiu um alto e intenso rugido. O homem pulou cerca de
cinco centímetros e disse: “Bem, você assustou-me! Mas a
minha artrite foi-se!”

Este foi um exemplo de línguas para repreensão. Não havia


necessidade de uma interpretação. Por vezes este tipo de
línguas pode ser algo embaraçoso. Contudo, se
desligarmos o embaraço, também desligamos o dom.
Conheci um homem que tinha este dom e as pessoas a
quem ele ministrava caíam pela acção do Espírito, às
dezenas e centenas. Vi duzentas pessoas em África
deitadas sobre as costas, numa das vezes que ele ministrou.
Um dia disse-me: “Perguntei a Deus se poderia fazer isto

188
sem que as pessoas se deitassem de costas, porque isto
provoca imensas críticas e oposição. Depois disso as
pessoas deixaram de cair de costas, mas também não eram
curadas.” Após algum tempo ele orou: “Deus, cura as
pessoas da forma que desejares.” Nós não devemos impor
termos ao Espírito Santo. Tudo o que temos de fazer é
rendermo-nos e cooperar com Ele.

Nós não devemos impor termos ao Espírito Santo.

Exortação

Um quarto tipo de língua numa assembleia pública é a


exortação, onde o Espírito Santo fala uma palavra
específica a um grupo de crentes reunidos. Obviamente,
uma vez que é dado numa língua, o seu propósito não será
cumprido a menos que seja interpretada na língua
compreendida pelo grupo.

A Interpretação de Línguas
Vejamos agora o dom de interpretação de línguas, que
temos definido como a capacidade dada pelo Espírito
Santo para falar numa língua compreendida pelo orador, o
significado de palavras previamente pronunciadas numa
língua desconhecida. Mais uma vez, é óbvio que a
interpretação tem relevância somente numa situação onde
foi dada uma pronunciação prévia numa língua
desconhecida. Se não tiver havido uma língua
desconhecida, não há qualquer lógica ou uso razoável para
uma interpretação.

Paulo escreveu: “Eu gostaria que todos vós falásseis em


línguas, mas muito mais que profetizásseis. O que profetiza

189
é maior do que o que fala em línguas, a não ser que
também interprete para que a igreja receba edificação.”
(1 Coríntios 14:5, ênfase adicionada). O apóstolo estava a
dizer que falar numa língua desconhecida, só por si, não é
edificante para a igreja, a menos que a língua seja seguida
pela sua interpretação. Aparentemente, neste caso, uma
língua de exortação seguida de interpretação é equivalente
a uma profecia. Realiza o mesmo propósito e tem de ser
julgada, como é óbvio, pelo mesmo padrão. Novamente
vemos que, o que Paulo disse em 1 Coríntios 14:2 sobre
uma língua desconhecida comunicar somente com Deus,
não se aplica à sua declaração em 1 Coríntios 14:5, sobre
uma língua seguida de interpretação na assembleia
pública. Se fosse um mistério que não podia ser
compreendido, não podia ser interpretado.

Paulo escreveu: “Dou graças ao meu Deus, porque falo em


outras línguas mais do que todos vós. Todavia, eu antes
quero falar na igreja cinco palavras com o meu
entendimento, para que possa também instruir os outros,
do que dez mil palavras em língua.” (1 Coríntios 14:18-
19). Algumas pessoas que são críticas de línguas,
conhecem o versículo dezanove, mas não leram o versículo
dezoito. Elas perguntam: “Paulo não disse que antes
preferia falar cinco palavras numa língua conhecida do que
mil numa língua desconhecida?” Sim, mas ele também
agradeceu a Deus por falar em línguas, mais do que os
restantes crentes Coríntios.

Quando formamos uma imagem, a partir das cartas de


Paulo, do quanto a igreja em Corinto falava em línguas,
torna-se óbvio que Paulo falava bastante. É igualmente
óbvio que ele normalmente não o fazia na assembleia
pública. Onde fazia Paulo todas estas elocuções em
190
línguas? Claramente que seria na sua comunhão privada
com Deus. Isto mostra-nos mais uma vez que os dois tipos
de línguas são bem distintos, pois Paulo essencialmente
disse que não serviria de nada levantar-se durante uma hora
na assembleia pública e falar numa língua desconhecida.
Estaria fora de contexto, pois não edificaria ou ajudaria
ninguém. Mas na assembleia, o nosso objectivo é
comunicarmos com os nossos companheiros crentes,
ministrar-lhes e abençoá-los, e temos de operar nessa base.
Temos de falar de uma forma que os alcance e que eles
possam compreender.

Muitas vezes presenciei situações em que alguém falava


alto numa língua desconhecida e não era seguido de uma
interpretação; ela não cumpre qualquer função ou
ministério, mas cria confusão, distúrbios e talvez
amedronte aqueles que não a conheçam. Isto é fazer mau
uso de uma língua desconhecida.
Repito, numa assembleia pública, o principal propósito a
que tudo o resto deve estar sujeito é a edificação e bênção
dos nossos companheiros crentes.

Numa assembleia pública, o principal propósito é a


edificação e bênção dos nossos companheiros crentes.

É por isto que o ministério público de línguas para


exortação deve ser seguido por interpretação.

Em 1 Coríntios 14:28, Paulo disse: “Mas, se não houver


intérprete, esteja calado na igreja [a assembleia pública], e
fale consigo mesmo, e com Deus.” Suponha que sente que
quer orar numa língua desconhecida, mas está numa
assembleia pública e percebe que não vai ser interpretado.

191
O que deve fazer? É muito simples. Sussurre; fale somente
consigo e com Deus. Eu conheço pessoas que foram
baptizadas há anos no Espírito Santo, mas que não sabiam
que podiam orar em línguas sossegadamente. No entanto,
isto é o que Paulo, no versículo acima, estava a dizer ser a
solução para o problema de falta de interpretação.

A Natureza da Interpretação

Para se exercitar devidamente o dom da interpretação de


línguas, primeiro temos de compreender a sua natureza. A
interpretação não deve ser compreendida como uma
tradução letra a letra, mas antes uma explicação do sentido
geral do que foi falado na outra língua. Deixe-me ilustrar
isto com base na minha própria experiência de pregar numa
língua estrangeira através de um intérprete.

Tenho assim aprendido a cortar alguns detalhes e a eliminar


muito tempo perdido. Por exemplo, descobri que não serve
de nada tentar dizer piadas porque elas são, regra geral,
impossíveis de traduzir. Da mesma forma, não posso usar
muitas expressões da gíria comum porque elas perdem-se
na tradução. Também é inútil o acumular de muitas
palavras pomposas, porque elas deixam o intérprete
confundido e em nada nos esclarecem. Quando pregamos
através de um intérprete, tudo o que devemos transmitir é a
parte principal da mensagem; tudo o resto deve se evitado.
A única coisa que passará para o intérprete é algo que tenha
um significado real e seja útil.

Deixe-me dar-lhe uma outra ilustração. Quando eu estava


na África de Leste, as minhas pregações em inglês eram
traduzidas para Suaili, que é a língua mais falada lá. Eu

192
tinha dois dos melhores intérpretes do país, mas eles eram
completamente diferentes. Um usava pelo menos, o dobro
das palavras do outro. O primeiro era claro, breve e ia
directo ao assunto. Contudo, de certa maneira, ele passava
a mensagem melhor do que o outro.

Estas experiências fizeram-me perceber que interpretar


não é exactamente traduzir. É transmitir o significado de
uma forma que possa ser compreendido. Por isso, a
interpretação de línguas pode transmitir somente o
significado geral das palavras.

Contudo, também é possível que a interpretação venha na


forma de uma tradução literal. Em diversas ocasiões já
testemunhei pessoas fazerem a interpretação de uma língua
falada num dialecto que não conheciam e isto foi
comprovado por outra pessoa, que conhecia a língua, como
sendo uma tradução à letra. Estes exemplos ajudam a
explicar porque é que uma interpretação de línguas poder
ser mais comprida, mais curta ou da mesma dimensão da
língua em si.

Para além disso, a minha experiência com intérpretes tem-


me mostrado que cada um transmite a sua personalidade
individual. Creio que isto também se aplica a quem exerce
o dom de interpretação de línguas. Se ouvirmos alguém
exercitar o dom de interpretação, veremos que a sua
personalidade ainda é perceptível enquanto opera o dom.
Por exemplo, já me perguntaram por que algumas pessoas
usam o Inglês da versão King James quando interpretam. A
minha resposta é que essa pessoa pode ter crescido usando
a Bíblia King James, e porque a tem no seu coração sai
naturalmente como parte da sua personalidade. Outra

193
pessoa dará uma interpretação em Inglês moderno.
Existem vários tipos de intérpretes e o dom opera de acordo
com as suas personalidades.

Quando estava na Nova Zelândia, na mesma altura em que


Deus me ensinou acerca das variedades de línguas para
oração, uma das nossas reuniões de louvor foi transmitida
durante o principal noticiário num dos canais de televisão.
O homem que a transmitiu não era Cristão, mas estava
extremamente interessado em falar em línguas. Abordei o
tema das línguas e depois louvámos a Deus e adorámo-Lo
em línguas. Eles transmitiram isto durante vinte minutos
no horário nobre. Alguns amigos disseram-me depois que
foi tão popular que eles repetiram-no mais tarde naquele
ano, como a transmissão mais interessante daquele período
em particular. Contudo, um grupo de Cristãos naquela
cidade viu e disse: “Podemos ver que aquilo não era real
porque quando o Sr. Prince falou em línguas, podíamos
reconhecer a sua voz e o seu sotaque.” Eles não perceberam
que, a operação dos dons do Espírito não coloca de parte a
personalidade da pessoa ou o som natural da sua voz.

A operação dos dons do Espírito não coloca


de parte a personalidade da pessoa.

Esta é a razão porque quando as pessoas interpretam,


fazem-no cada uma no seu próprio estilo.

Compare a maneira de falar dos profetas do Antigo


Testamento. Por exemplo, repare nas palavras de Amós,
Oseias e Isaías, que eram mais ou menos contemporâneos.
A maneira de falar de cada um deles era inconfundível. No
entanto, todos eles foram inspirados pelo Espírito Santo. O

194
Espírito Santo ama e deleita-Se na personalidade humana.
Ele nunca faz de um ser humano um carimbo de borracha;
nunca deixa de parte a personalidade, estima-a, aprecia-a e
cultiva-a. Mas o diabo passa por cima dela e pisa-a. Esta é
uma das formas de sabermos se algo é do Espírito de Deus
ou se é outro espírito que está a operar. Se é um espírito que
escraviza e põe de lado a personalidade humana, então não
pode ser o Espírito de Deus.

A Operação do Dom de Interpretação

De seguida, vamos considerar as formas como o dom de


interpretação opera. Para começar com um princípio geral,
1 Coríntios 12:6 diz: “E há diversidade de operações, mas
é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” Por outras
palavras, dois homens podem ter o mesmo ministério, mas
ele operará nas suas vidas de forma diferente. Vejamos dois
exemplos muito conhecidos. Dois homens que obviamente
possuem o dom ministerial de um evangelista, Billy
Graham e Oral Roberts. No entanto, há uma diferença bem
definida entre o ministério de um e de outro. Apesar de o
ministério ser o mesmo, existe diversidade de operações. O
mesmo se pode dizer no que respeita aos dons. Uma pessoa
tem o dom de curas que opera de uma maneira, enquanto
outra pessoa tem o mesmo dom que opera de maneira
completamente diferente.

Veremos a seguir as diversas maneiras em que uma pessoa


pode receber interpretação. Tenho ouvido testemunhos de
cada uma delas.

195
Uma Expressão ou Frase Introdutória

No que diz respeito à personalidade e diferenças estilísticas


que encontrámos, o dom de interpretação não opera
exactamente da mesma forma através de cada pessoa. A
minha experiência pessoal mostrou-me que, inicialmente
pode ser dado a uma pessoa uma expressão inicial; mas
depois há que tomar uma atitude arrojada, pela fé para
receber o resto. Isto é o que geralmente me acontece.
Quando recebo interpretação, a primeira frase é-me dada
de forma muito clara e convincente na minha mente. Se
começar a falar a primeira frase em fé e com autoridade, o
resto seguir-lhe-á. Mas, se hesitar, não sai mais nada.
Suponha que eu dizia: “Senhor, se Tu me deres toda a
mensagem, transmiti-la-ei. Eu não tenho a certeza de que
venha algo mais e vou parecer ridículo se disser apenas esta
frase.” Nunca receberia toda a mensagem porque não
podemos colocar de lado o princípio da fé. Hebreus 11:6
diz-nos: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus…”.
Tudo o que fazemos para Deus tem de ser feito com fé.

Tudo o que fazemos para Deus tem de ser feito com fé.

Muitas pessoas retraem-se e não recebem a interpretação


que deviam pronunciar. Tenho falado com pessoas que me
disseram: “Penso que o Senhor me deu a interpretação, mas
só recebi uma frase.” Tenho-lhes respondido: “Não
receberá mais até que comece a usar essa frase que
recebeu.” Semelhantemente, há quem me diga: “Eu
acredito ter recebido o baptismo no Espírito Santo, mas só
falo uma palavra.” Digo-lhes para continuarem a falar essa
palavra, para serem agradecidos pelo que têm e que Deus
vai-lhes dar mais.Usar o que temos até recebermos mais é

196
um princípio Bíblico geral que se aplica à interpretação.

Usar o que temos até recebermos


mais é um princípio Bíblico.

Um Sentido de Pressão com Palavras ou Escrituras

Talvez a forma mais usual em que a interpretação aparece,


depois de uma proclamação numa língua desconhecida, é
quando a pessoa começa a sentir “borboletas” no
estômago, ou um tipo de pressão, ou a sentir que Deus quer
fazer algo e então vêm à mente algumas palavras ou um
versículo das Escrituras. Se isto lhe acontecer, deve
pronunciar esse versículo ou palavras e o resto da
interpretação fluirá. Depois disto, acontecerão coisas que
não planeou e não conseguiria sequer imaginar por si
próprio. Por vezes ficará muito surpreendido ao ouvir-se
falar.

Um Pensamento Geral ou uma Ideia

Um pensamento geral pode ser dado a uma pessoa e ela


reveste-o com as suas próprias palavras. O Espírito Santo
não transmite as palavras exactas, mas em vez disso, uma
série de pensamentos inspirados deixando à pessoa
liberdade para o expressar.

Ouvir Palavras, Ver Palavras, Ver uma Imagem

As pessoas poderão também receber interpretação ao


ouvirem palavras ou vendo-as escritas num pergaminho.
Outros poderão ter uma visão ou ver uma imagem na sua
mente e relacionam o que estão a ver. Certa vez um pastor

197
Luterano veio ter comigo e disse: “Tivemos um
derramamento do Espírito Santo na nossa igreja. Cerca de
cinquenta ou sessenta pessoas receberam o baptismo no
Espírito Santo nos corrimões do altar da nossa igreja.
Estamos a ter os dons do Espírito em operação. Temos o
que acreditamos ser interpretação. Mas temo-la de uma
forma que eu nunca tinha ouvido falar antes. Uma pessoa
fala numa língua e outra pessoa tem um tipo de visão ou
imagem mental. Elas começam a descrever o que viram
nessa imagem e parece ser a interpretação da língua.” Ele
acrescentou: “O mais engraçado é que isso acontece com
todas as pessoas da minha congregação. Porque será?”

Respondi-lhe: “Há coisas que eu não consigo explicar, mas


sei que as pessoas têm fé pelo que vêem acontecer. Jesus
disse: “Seja-vos feito segundo a vossa fé.” (Mateus 9:29).
Se acreditar que vai recebê-lo de uma maneira, essa é,
normalmente, a forma como o recebe.” Por isso é que é tão
importante demonstrar os dons do Espírito às pessoas. A
maior parte das pessoas não acredita nas coisas até que as
vê. No momento em que vêem algo acontecer, passam a
acreditar que pode acontecer. De certa forma, a maneira
como pensamos determina aquilo que experimentamos.

Orando por Interpretação de Línguas

Chegamos agora à questão de saber se podemos ou não orar


pela interpretação de uma língua. Paulo escreveu:

Assim também vós, como desejais dons espirituais,


procurai abundar neles para a edificação da igreja. Pelo
que, o que fala em língua, ore para que a possa
interpretar.(1 Coríntios 14:12-13)

198
O motivo pelo qual todos os dons deviam ser postos em
acção é o desejo de edificar o corpo de crentes.

Paulo indicou que, uma vez que uma língua é mais


edificante numa assembleia pública quando acompanhada
de interpretação, ao falarmos em línguas, devemos orar
para que as possamos interpretar. Tenho aprendido por
experiência própria que, se ensinarmos as pessoas que isto
é a vontade de Deus e fizermos com que a ponham em
acção, elas, invariavelmente receberão interpretação.
Devemos lembrar o que Jesus disse acerca de se pedir ao
Pai algo que é bom:

Qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará
uma pedra? Ou se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma
serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos
vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito
Santo àqueles que pedirem?(Lucas 11:11-13)

Se é um filho de Deus e é incitado ou movido a pedir por


algum dom do Espírito Santo, deve fazê-lo, e receberá o
que pedir. Baseado nesta garantia, se falou numa língua
desconhecida, deseja interpretá-la e tem orado pela
interpretação, o que deve fazer a seguir? Interprete. Como
saber se está a fazê-lo correctamente? Repito, Deus garante
que se pedir pela coisa certa, não receberá a coisa errada.

Deus garante que se pedir pela coisa certa,


não receberá a coisa errada.

Isto é fé. Está dentro da vontade de Deus revelada, que o


Seu povo fale em línguas e as interprete.

199
Ordem e Variedade na Assembleia de Crentes
Para concluir, vamos rever a linha de orientação final dada
por Paulo, no que se refere ao uso do dom de interpretação
de línguas.

Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou


quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se
não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale
consigo mesmo, e com Deus.(1 Coríntios 14:27-28)

Línguas com interpretação não devem ser exageradas em


nenhuma reunião, tal como profecia. Nenhuma reunião
deve ser usada exclusivamente para a operação de um
dom em particular. Deus não quer uma refeição com
apenas um prato para os Seus filhos. Ele dá uma
variedade de nutrientes para edificar todos os membros
do Seu corpo, de todas as maneiras.

200
Capítulo 11
Profecia
Neste capítulo focar-nos-emos no terceiro dom vocal, que
é o dom de profecia ou de profetizar. A primeira carta aos
Coríntios, capítulo 12, versículo dez, diz: “A outro [é dado]
profecia.” Definimos este dom como a capacidade para
falar, numa língua compreendida pelo crente, palavras que
são inspiradas e dadas pelo Espírito Santo. A profecia não é
apenas uma pregação inspirada. Nem tão pouco procede da
razão, aprendizagem, educação ou experiência humana.
Tal como todos os outros dons, só é tornado possível pela
operação sobrenatural do Espírito Santo.

Desejo e Busca de Profecia


Paulo disse: “Segui o amor, e procurai com zelo os dons
espirituais, mas principalmente o de profetizar.” (1
Coríntios 14:1). Anteriormente referi que os dons são a
forma pela qual o amor se expressa e é tornado eficaz. Isto é
particularmente verdade em relação ao dom de profecia
porque Paulo disse que a profecia edifica a igreja. (Ver 1
Coríntios 14:3-5). Se ama a igreja, certamente quererá
edificá-la. E para edificar a igreja, desejará um dom que
faça especificamente isso.

201
Os comentários de Paulo de que devemos procurar “com
zelo os melhores dons” (1 Coríntios 12:31) e que devemos
procurar “principalmente o de profetizar” (1 Coríntios
14:1), leva-nos a considerar qual dos dons do Espírito é o
melhor dom. Novamente, diria que o melhor dom é aquele
que melhor cumpre o propósito de Deus numa dada altura.
O dom que considera ser o melhor, será relativo a uma
dada situação ou necessidade. No entanto, se tivéssemos
que escolher um dom em particular que tem preeminência
sobre os outros, aparentemente seria o da profecia. Este é o
único dom, segundo as Escrituras, que devemos procurar
com zelo. (Ver também 1 Coríntios 14:39). Assim sendo,
qualquer crente que não está interessado ou não busca o
dom de profecia, está a ignorar uma exortação bíblica.

As Bases Bíblicas para a Profecia


No dia de Pentecostes, Pedro disse à multidão: “Mas isto é
o que foi dito pelo profeta Joel: Nos últimos dias, diz Deus,
do meu Espírito derramarei sobre toda a carne. Os vossos
filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens
terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos.”
(Actos 2:16-17).

Deus está a fazer exactamente o que Ele disse que ia fazer


nos últimos dias. Ele está a derramar o Seu Espírito sobre
todas as pessoas. Podem as pessoas de todas as
denominações e igrejas sem denominação receber o
baptismo? Poderão os Judeus receber o baptismo? Deus
disse “toda a carne”. Todos os sectores da raça humana,
sem excepção, irão experimentar esta visitação dos últimos
dias por parte do Espírito Santo.
202
O que disse Joel que iria acontecer quando o Espírito Santo
fosse derramado?

Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos


jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos. E
também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos
e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão.(Actos
2:17-18, ênfase adicionada)

A profecia é particularmente realçada nesta passagem. Nos


últimos dias será restaurado ao povo de Deus por todo o
mundo esta bonita manifestação espiritual de profetizar.
Temos visto o derramamento do Espírito Santo nos nossos
dias e vê-lo-emos numa escala muito mais extensa e
extraordinária do que podemos imaginar. No versículo
dezassete são mencionados quatro grupos. Um deles são os
velhos, enquanto os outros três são jovens: filhos, filhas e
jovens em geral. Nos Estados Unidos da América e por
todo o mundo, veremos uma visitação soberana de Deus
sobre os jovens. Eles não vão receber um evangelho
parcial; não vão aceitar meras trivialidades teológicas. Os
jovens de hoje querem a verdade e Deus diz que o que tem
reservado para eles é profetizar, ter visões, sonhos e
revelações.

Repare que as mulheres também estão incluídas no


profetizar: “Os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão” (Actos 2:17), e “E também do meu Espírito
derramarei sobre os meus servos e as minhas servas
naqueles dias” (v. 18). A partir do primeiro capítulo de
Actos, ficamos a saber que, entre os que esperaram com os
discípulos no cenáculo, estavam Maria, mãe de Jesus, e
outras mulheres (ver Actos 1:14). Todos eles foram

203
baptizados com o Espírito Santo e tudo o que está escrito no
segundo capítulo de Actos aplica-se a eles.

Profetizar é um ministério que está aberto tanto a homens


como a mulheres. “ Filipe, o evangelista … tinha quatro
filhas solteiras que profetizavam” (Actos 21:8-9).
Considerando a cultura de Leste, é extremamente
improvável que Filipe tivesse quatro filhas solteiras com
mais de quinze anos. Na maioria dos casos, elas casavam
com cerca de quinze ou dezasseis anos. Algumas das filhas
de Filipe ainda não teriam atingido a adolescência. Creio
que isto é uma clara indicação de que até as crianças
profetizavam. Já vi isto acontecer. Muitas vezes, eu e a
minha esposa Lydia, testemunhámos crianças a receber
bonitos ministérios e manifestações do dom de profecia.

Em 1 Coríntios 11:5, Paulo indicou claramente que o


ministério de profecia está aberto às mulheres. “Mas toda
mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta,
desonra a sua própria cabeça...” É óbvio que, se Paulo
requeria que as mulheres tivessem a cabeça coberta quando
profetizassem, ele esperava que elas profetizassem.

A Natureza da Profecia
Em 1 Coríntios 14:3-4, Paulo expôs os propósitos e as
funções básicas do dom de profecia: “Mas o que profetiza,
fala aos homens para edificação, exortação e consolação.
O que fala em língua edifica-se a si mesmo, mas o que
profetiza edifica a igreja.”

Portanto, podemos sumariar as diferenças entre profecia e


falar em língua desconhecida de três formas:
204
Profecia
1. Fala às pessoas
2. Fala palavras compreendidas pelo orador e ouvintes
3. Edifica a igreja

Língua Desconhecida
1. Fala a Deus
2. Fala mistérios
3. Edifica crentes individuais

A falha na compreensão destes propósitos tem levado


muitas pessoas a uma errada compreensão da profecia e,
até, a um mau uso do dom. As indicações que se seguem
indicam o conteúdo geral e a natureza da verdadeira
profecia na igreja Neo-Testamentária.

Dada para as Pessoas

Paulo disse: “Mas o que profetiza, fala aos homens…” (1


Coríntios 14:3). Ele estava a contrastar o que dissera
previamente acerca de se falar em língua desconhecida:
“Pois o que fala em língua não fala aos homens, senão a
Deus.” (v. 2). O principal propósito da profecia é falar aos
homens palavras de Deus.

Direccionado aos Crentes

A quem, especificamente, está a ser falado? À Igreja, ou à


assembleia dos crentes. Mais à frente, em 1 Coríntios 14,
Paulo escreveu: “De sorte que as línguas são um sinal, não
para os crentes, mas para os incrédulos; a profecia,
porém, não é sinal para os incrédulos, mas para os
crentes.” (v. 22).

205
Na primeira parte deste versículo, Paulo estava-se a referir
à função particular das línguas como um sinal sobrenatural
para os incrédulos, onde um crente, através do Espírito
Santo, fala uma língua que não compreende, mas que é
compreendida por um descrente ali presente. Desta forma,
Deus traz uma convicção sobrenatural ao incrédulo.
Novamente, este não é o uso regular de línguas; é apenas
um uso ocasional ou excepcional. Na segunda parte do
versículo, Paulo disse que a profecia não é usada por Deus
para falar aos incrédulos, mas para ministrar aos crentes.
Este é um facto muito importante e básico. Deus não fala
aos crentes da mesma forma que falaria aos descrentes.

Deus não fala aos crentes da mesma


forma que falaria aos descrentes.

Em relação a isto, deixe-me referir que a profecia no Novo


Testamento difere da profecia no Antigo Testamento, onde
Deus frequentemente usava os Seus profetas para falar a
pessoas que eram totalmente incrédulas. Por exemplo,
Elias foi usado para entregar mensagens a homens que não
tinham feito uma verdadeira profissão de fé. Jeremias
recebeu mensagens que foram transmitidas a todas as
nações Gentias que rodeavam Israel. Observamos, assim,
uma distinção entre a profecia no Antigo Testamento e a
profecia no Novo Testamento, dirigida à igreja, que é o
corpo de Cristo. A profecia Neo-Testamentária é
endereçada ao povo redimido de Deus e o seu tom sempre
será apropriado ao povo de Deus.

Devemos ter em conta que Paulo disse em 1 Coríntios


14:24-25 que “se todos profetizarem, e algum indouto ou
incrédulo entrar, por todos é convencido, por todos é

206
julgado. Os segredos do seu coração ficarão manifestos, e
assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus,
declarando que Deus está verdadeiramente entre vós.” A
imagem que Paulo nos dá é a de um grupo de crentes
ministrando entre si em profecia, e acontece um descrente
entrar no lugar onde estão. Algumas das pronunciações
proféticas ou revelações tocam-no e levam-no a perceber
que Deus sabe mais sobre ele do que ele imaginava, o que o
leva à convicção e ao reconhecimento de que Deus está lá.
No entanto, isto é a excepção. Normalmente a profecia é
dada para ministrar aos crentes.

Para Edificação, Exortação e Consolação

O que diz à igreja uma pessoa que profetiza? “Mas o que


profetiza, fala aos homens para edificação, exortação e
consolação. … o que profetiza edifica a igreja.” (1
Coríntios 14:3-4). A profecia está limitada à edificação,
exortação e consolação porque Deus não desencoraja nem
destrói os crentes. Como mencionei acima, Ele não
derrama avisos de julgamento contra os crentes, mas sim
contra os descrentes.

Vejamos um pouco mais de perto estes três propósitos da


profecia.

O primeiro propósito é edificar. Esta palavra pode parecer


um pouco antiquada e eclesiástica para muitas pessoas.
Contudo, a maior parte das pessoas ainda estão
familiarizadas com o termo edifício. Edificar significa
“construir ou reforçar”. Significa tornar as pessoas mais
eficientes como membros do corpo de Cristo em quaisquer
ministérios que possam ter. Se receber o dom de profecia,

207
então, ele deve torná-lo mais capaz de servir o Senhor e o
Seu povo.

O segundo propósito é exortar, que significa “estimular,


encorajar, admoestar e despertar”. A admoestação pode
incluir advertências severas ou até repreensão. No entanto,
a exortação não inclui a condenação. “Portanto, agora
nenhuma condenação há para os que estão em Cristo
Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o
Espírito” (Romanos 8:1).

O terceiro propósito é a consolação, que, usando palavras


contemporâneas, significa “alegrar”.

A Verdadeira Profecia Nunca Traz Condenação

Mencionei há pouco que a verdadeira profecia e a


exortação, em particular, não trazem condenação. Quero
sublinhar isso outra vez porque, ao longo dos anos, tenho
ouvido muitas pessoas clamar que profetizam e, no
entanto, o efeito total poderia ser resumido como confusão
e condenação. Isto não é uma genuína manifestação do
Espírito Santo. Deus nunca é o autor da confusão, nem o
Espírito Santo ministra a condenação ao povo de Deus.
Muito do que é chamado de profecia entre alguns crentes
não é a verdadeira profecia. Não serve os principais
propósitos de edificação, exortação e consolação.

Infelizmente, algumas pessoas sentem que quanto mais


puderem rebaixar outras pessoas e deixá-las sentindo-se
inúteis, sem valor e condenadas, – incluindo elas próprias –
mais espirituais se tornam. O contrário é absolutamente
verdade. Há anos atrás costumava pensar que se

208
conseguisse deixar as pessoas a sentir o quão horrível elas
eram, então tinha feito uma grande pregação. Então, o
Espírito Santo tomou conta de mim e mostrou-me que eu
era um fracasso como pregador. O Espírito Santo não deixa
as pessoas a sentirem-se horrivelmente mal e isto não deve
ser o objectivo de uma pregação ou ministério.

A verdadeira profecia não serve os propósitos do diabo; ela


desfaz os propósitos do diabo. Se a assim chamada profecia
condena e desencoraja, ela vai fazer o trabalho do diabo.
Duas das maiores e mais usadas armas de Satanás contra as
pessoas de Deus são a condenação e o desencorajamento.
Ouvi o Billy Graham citar alguém que disse que Deus
nunca usa um homem desencorajado. Posso bem acreditar
nisso, porque um homem desencorajado não é alguém que
esteja sob a influência do Espírito Santo, que não
desencoraja os crentes. É de extrema importância que
compreendamos isto. Se uma influência, sugestão ou
mensagem vem à sua vida, que tem como efeito o
desencorajamento, não a atribua ao Espírito Santo.

Um dos problemas é que muitos Cristãos acreditam que


estão a ser humildes quando se sentem condenados e
subsequentemente andam por aí a dizer às pessoas o quão
más elas são. Contudo, quando se é uma nova criação em
Jesus Cristo e trabalho das mãos de Deus, de cada vez que
nos criticamos, estamos a criticar o trabalho de Deus. Não
estamos a glorificá-Lo; estamos a glorificar o diabo.

É o diabo que faz com que as pessoas se sintam culpadas.


Lemos em 2 Coríntios 5:19: “Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não imputando aos
homens os seus pecados, e nos confiou a palavra da

209
reconciliação.” Deus confiou-nos a palavra da
reconciliação, não da condenação. Não é espiritual
andarmos por aí fazendo as pessoas sentirem-se culpadas
pelos seus pecados; não lhes faz qualquer bem.
Deveríamos andar por aí a fazer as pessoas entender que
Deus as quer ajudar, que Ele as ama e está do seu lado. Deus
não está contra ninguém. Ele não está contra os Chineses,
os Russos, os Árabes, os Europeus ou os Americanos. Ele
está a favor da raça humana e esta é a mensagem do
evangelho. Esta é a boa nova.

É muito importante compreendermos o princípio de não


condenação em Cristo (ver Romanos 8:1) e ele aplica-se
particularmente à profecia.

Se os crentes conseguissem viver neste lugar de não


condenação, a igreja seria um exército que o diabo não
podia derrotar.

Como disse, a maior e principal arma que o diabo tem


contra os crentes é um sentimento de condenação,
indignidade, falhanço e desencorajamento. No entanto, um
dos grandes instrumentos que Deus colocou à disposição
dos crentes para derrotarem estas coisas é o dom de
profecia, que edifica e encoraja. É por isso que é uma
tragédia ver a profecia ser mal usada, a fazer as mesmas
coisas que devia contrariar!

A Profecia Vem Através do Nosso Consolador

Jesus chamou o Espírito Santo de Consolador. (Ver, por


exemplo, João 14:16). Devemos ter em mente que o
relacionamento do Espírito Santo com os redimidos de

210
Deus é ser o nosso Consolador. A palavra Grega
parakletos, traduzida por “Consolador”, “Ajudador” ou
“Conselheiro”, está relacionada com a palavra traduzida
por “exortação” em 1 Coríntios 14. Parakletos significa
“aquele que é chamado para junto de”.

O trabalho do Espírito Santo é encorajar, despertar,


estimular, animar, ajudar e aconselhar.

É mais comummente traduzido em Inglês como advogado,


que vem de uma palavra em Latim que significa “um que é
chamado”. Não chama um advogado para o acusar – seria
tolo se lhe pagasse para isso – mas para defender a sua
causa por si. De que lhe serviria contratar um advogado que
decidisse provar em tribunal o quão culpado era? Não
sentiria que ele estava a cumprir a sua obrigação.

Do mesmo modo, o Espírito Santo é chamado e é enviado


por Deus para o ajudar. Vem para o justificar com base na
sua redenção em Cristo, não para o condenar.

O Espírito Santo é o melhor advogado.Vem do melhor


lugar, é enviado pelo nosso melhor amigo Jesus e vem
para defender a nossa causa.

Portanto, não aceite condenação e desencorajamento.


Repito, qualquer coisa que o faça sentir medo ou
inutilidade, não é a voz do Espírito Santo.

A Profecia Dá uma Palavra no Tempo Certo

A profecia pode dar uma palavra no tempo certo para


aqueles que estão espiritual, emocional e fisicamente

211
fatigados. Vejamos duas bonitas passagens das Escrituras
que se relacionam com este atributo da profecia.
Provérbios 15:23 diz: “O homem se alegra em dar resposta
adequada, e a palavra a seu tempo quão boa é!” Em Isaías
temos uma das mais belas imagens de Jesus no Antigo
Testamento. Isto é o que Jesus disse profeticamente através
do profeta: “O Senhor Deus me deu língua instruída, para
saber a palavra que ampara o cansado.” (Isaías 50:4).

Um bom sinal de verdadeira sabedoria é ser-se capaz de


falar uma palavra no tempo certo a alguém que está
fatigado. Conheço muitas pessoas que são educadas, mas
não são sábias, e não são, de certeza, capazes de fazer isto.
De facto, vejo que até muitas pessoas educadas podem ser
algo desencorajadoras. Elas têm tendência a olhá-lo
superiormente, a criticá-lo e a fazê-lo sentir-se inferior.
Elas sabem tudo, sabem o quão más as coisas estão e como
elas vão piorar. O Espírito Santo não é assim. Através de
Jesus, Ele dá esta preciosa habilidade de falar uma palavra
no tempo certo aos que estão cansados.

A Profecia Vem aos que Ouvem

A segunda metade de Isaías 50:4 diz: “Ele me desperta


todas as manhãs, desperta-me o ouvido, para que ouça
como discípulo.” Não pode falar se não tiver ouvido. Se
Deus não despertar o seu ouvido para ouvir, não terá nada
para ministrar ou falar a outros. Um dos grandes segredos
do ministério de Jesus que é revelado neste versículo é que,
manhã após manhã, Ele tinha comunhão com Deus o Pai.
Antes de Jesus sair e encontrar-se com as multidões, estava
com o Seu Pai. Ouvia a voz de Deus a falar com Ele, dando-
Lhe palavras de conforto e encorajamento que podia
transmitir a outros.
212
Este princípio também é declarado em Provérbios 21:28:
“A testemunha mentirosa perecerá, mas o homem que ouve
falará sem imputação.”

Para se dizer algo que tenha algum valor, deve ouvir


Deus antes de falar.

O seu ouvido tem que estar desperto antes que possa


proferir uma palavra no tempo certo. Nenhum dos profetas
alguma vez ministrou sem antes ter recebido. Deus disse a
Ezequiel para ele comer a palavra que Ele lhe dava e para
depois a falar. (Ver Ezequiel 3:1). Isto aplica-se hoje ao
dom de profecia. Ministrar no Espírito não é algo que nos
saia da cabeça. É preciso receber a Palavra dentro do seu
espírito para que, através dele a possa ministrar a outros. A
pessoa que nunca recebeu nada no seu espírito, nada tem
para ministrar.

A pessoa que nunca recebeu nada no


seu espírito, nada tem para ministrar.

A Profecia Vem através da Auto-Negação

A segunda carta aos Coríntios 4:12 diz: De maneira que em


nós opera a morte, mas em vós, a vida.” Se vamos
ministrar a vida a outras pessoas, temos de deixar que a
morte “opere” em nós. Temos que morrer para a nossa
própria vontade, as nossas próprias ideias e a nossa própria
determinação. Temos que abrir um canal através do qual a
vontade e o Espírito de Deus possam trabalhar.

Um dos temas maravilhosos de 2 Coríntios é a consolação


ou conforto, que é, como já vimos, uma das principais

213
palavras associadas com o Espírito Santo e com a profecia.
No início da epístola, Paulo escreveu estas bonitas
palavras: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a
consolação…” (2 Coríntios 1:3). Tudo o que for
consolador, encorajador e animador tem a sua origem em
Deus. Ele é o Deus de toda a consolação.

Paulo continuou a falar acerca das tremendas tribulações,


perseguições e provações que ele e os seus companheiros
estavam a passar, usando as palavras consola, consolar,
consolado e consolação cinco vezes:

…que nos consola em toda a nossa tribulação, para que


também possamos consolar os que estiverem em alguma
tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos
consolados por Deus. Pois como as aflições de Cristo
transbordam para connosco, assim também a nossa
consolação transborda por meio de Cristo.(2 Coríntios
1:4-5)

Ele disse que a pressão contra eles era tão violenta, que não
tinham como a medir. Não tinham a força necessária para
lhe resistir ; pressionou-os ao ponto de quase lhes destruir a
própria vida. “Não queremos, irmãos, que ignoreis a
tribulação que nos sobreveio na Ásia. Fomos
sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar,
de tal modo que até da vida desesperamos.” (v. 8).

Então Paulo fez esta fantástica declaração: “Mas já em nós


mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não
confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os
mortos, o qual nos livrou e em quem esperamos que ainda

214
nos livrará de tão grande morte.” (v. 9-10). Repare que
Paulo mencionou libertação em dois tempos verbais:
passado e futuro. Ele livrou-nos e nos livrará. Isto é uma
mensagem de consolação!

Do mesmo modo, enquanto não chegarmos à circunstância


em que temos a “sentença de morte” em nós, não
possuímos esta capacidade para ministrar a consolação aos
outros.

Aquele que ministrar a consolação deve primeiro ter


passado pela morte do seu ego, egoísta e auto-
consolador.

Contudo, é um privilégio abençoado passar-se por isto.


Compreendo-o como sendo o trabalho interior da profecia
no espírito humano.

Destaco isto porque, uma vez mais, tenho visto a profecia a


ser mal usada e vulgarizada, tornando-se quase um meio de
exibir a personalidade humana, em vez de ministrar às
necessidades de outros. O propósito da profecia não é
torná-lo num ditador. Não é para permitir-lhe andar por aí a
apontar o dedo às pessoas e dizer: “Assim diz o Senhor…”.
É para ministrar a consolação às pessoas. Também serve
para edificar e construir, de forma a preparar melhor os
crentes e habilitá-los a servir o Senhor, cumprindo cada
qual o seu papel e função no corpo de Cristo.

Profecia e Outros Dons do Espírito


Vamos analisar agora a relação entre profecia e outros dons
vocais e de revelação.
215
Profecia e Línguas

Primeiro, tal como previamente escrevi, falar em línguas


frequentemente leva à profecia. Vimos em Actos 19:6, o
que aconteceu depois de Paulo ter ministrado aos
discípulos em Éfeso e terem sido baptizados no nome de
Jesus: “e, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o
Espírito Santo; e falavam em línguas e profetizavam.” Se
não nos inibirmos e deixarmos o Espírito Santo actuar,
muito frequentemente o falar em línguas levará à profecia.
Tenho a certeza que isto aconteceu no dia de Pentecostes e
em Éfeso.

Profecia e Palavras de Sabedoria e Conhecimento

A profecia pode também tornar-se num veículo para outros


dons relacionados. Sabemos que os dons são como as cores
do arco-íris. Apesar de conseguirmos distinguir cores
diferentes, não podemos afirmar o ponto exacto em que
uma cor termina e a outra começa. Do mesmo modo, a
profecia pode misturar-se com outros dons, tais como a
palavra de sabedoria ou a palavra de conhecimento. A
palavra de sabedoria pode ser dada através de uma
pronunciação que é profetizada. Neste caso, está a operar
mais do que um dom ao mesmo tempo.

Por exemplo, pode pôr dentro de uma caneca um líquido


preto feito a partir de grãos de café e dizer que aquilo é café,
o que estaria correcto. No entanto, suponha que oferece
uma caneca de café a alguém e pergunta: “Quer açúcar e
natas?” Se ele disser que sim, continua a chamar-lhe ainda
café. No entanto, o líquido preto tornou-se um meio de

216
fusão para as natas e para o açúcar. Da mesma forma, o que
chamamos profecia por vezes é só profecia, mas outras
vezes é profecia que contém uma palavra de sabedoria ou
de conhecimento. Não obstante continuamos a chamar
profecia, mas temos de reconhecer que existe um outro
elemento nela.

Actos 13:2 diz: “E, servindo eles [cinco profetas e


professores na igreja de Antioquia] ao Senhor e jejuando,
disse o Espírito santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo
para a obra a que os tenho chamado.” Não nos é dito como
o Espírito Santo fez esta declaração, mas é bem provável
que tenha sido através de profecia. Parece que a profecia
não foi dada a Barnabé ou a Saulo porque eles são referidos
na terceira pessoa. Portanto, esta profecia foi proclamada
por algum dos outros três homens. Contudo, repare que a
declaração, na realidade, foi mais do que uma profecia. Foi
uma palavra directiva de sabedoria, revelando a vontade e
o plano de Deus e quem deveria avançar.

Em Actos 20 temos o testemunho de Paulo relativamente


ao que tinha acontecido durante a sua jornada a Jerusalém.
Ele disse aos anciãos da igreja em Éfeso, a quem havia
chamado ao porto de Mileto: “E, agora, eis que, ligado eu
pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me
há-de acontecer, senão o que o Espírito Santo, de cidade
em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e
tribulações.” (v. 22-23).
Ao longo do caminho, em cada um dos locais em que Paulo
tinha comunhão com os crentes, o Espírito Santo ia
revelando o que viria a seguir.

Paulo não especificou como o Espírito Santo ia

217
testificando em cada cidade. No entanto, ele usou a palavra
“dizendo”. Parece extremamente razoável e provável que
estas pronunciações ou vieram através de uma língua
seguida de interpretação ou através de profecia. De cidade
em cidade, enquanto Paulo continuava a sua jornada para
Jerusalém, algum irmão ou irmã chegaria com uma
pronunciação profética dizendo-lhe (com uma ou outra
descrição) que prisões e tribulações esperavam-no em
Jerusalém. Estas eram palavras de conhecimento em
relação ao que Paulo iria passar.

Mais revelações destas chegavam enquanto ele continuava


a sua viagem depois de Mileto. Paulo e os seus
companheiros chegaram ao porto de Tiro “e, achando
discípulos, ficamos ali sete dias; e eles, pelo Espírito,
diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém.” (Actos
21:4). A frase “pelo Espírito, diziam a Paulo” pode
significar uma palavra de sabedoria ou profecia contendo
uma palavra de sabedoria. Qualquer que seja o dom, o
resultado foi que Paulo foi interceptado e impedido de
subir a Jerusalém.

Depois de Tiro, Paulo foi a Cesaréia, onde um profeta


chamado Ágabo, vindo da Judéia, o visitou. “E, vindo ter
connosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando-se os seus
próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim
ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta
cinta e o entregarão nas mãos dos gentios.” (Actos 21:11).

A jornada de Paulo a Jerusalém foi como passar por uma


série de semáforos. Ele foi de sítio para sítio e a luz estava
sempre vermelha – pára!
Ele parava lá e esperava, a luz passava para verde e

218
avançava para outro local, onde a luz estava de novo
vermelha. Esperava até a luz passar para verde, e assim
sucessivamente. Vemos que durante toda esta parte da vida
e ministério de Paulo, o Espírito estava a dar testemunho
através de outros crentes, numa combinação de profecia
com outros dons, do que aconteceria a seguir. Deus
trabalhou através de crentes cujos nomes não são dados,
em congregações das quais se sabe muito pouco. Contudo,
estes maravilhosos dons do Espírito estavam, na realidade,
a ajudar Paulo no seu ministério.

A profecia e outros dons relacionados com ela, também


foram muito importantes no ministério de Timóteo. Paulo
escreveu a Timóteo, que estava a cumprir um ministério
dado por Deus na cidade de Éfeso: “Este mandamento te
dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que
houve acerca de ti, milites por elas boas milícias” (1
Timóteo 1:18). Aparentemente, em várias ocasiões no
passado – possivelmente na assembleia em sua casa, que
ficava em Listra - haviam sido pronunciadas profecias em
relação a Timóteo. Estas profecias disseram que ele deveria
cumprir um certo ministério, avisaram-no que enfrentaria
oposição e dificuldades, e que deveria persistir. Quando ele
entrou neste ministério e encontrou estas dificuldades,
poderá ter sido fortalecido pela lembrança das profecias
feitas anteriormente.

Este tipo de encorajamento e fortalecimento é uma das


operações da profecia. Suponha que recebe uma revelação
da vontade de Deus, entra na Sua vontade e depois as coisas
ficam muito complicadas porque a oposição se torna forte e
difícil. Pode pensar “Talvez eu esteja no lugar errado” ou
“Talvez eu não consiga levar isto até ao fim”. Então pode

219
pensar: “Não, eu tenho aquela palavra de profecia. Ela
disse-me que eu iria nesta direcção e encontraria
oposição. Eu estou a experimentar o que é necessário para
cumprir a vontade de Deus.”

Em 1 Timóteo 4:14, Paulo escreveu numa onda


semelhante, quando disse: “Não desprezes o dom que há
em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das
mãos do presbitério.” A palavra Grega traduzida por
“dom” é charisma. Tal como referi no primeiro capítulo,
esta palavra tem muitos significados diferentes. Pode
significar um dom espiritual ou um ministério.
Provavelmente refere-se a um ministério apostólico pela
simples razão de que, era conforme a Sagrada Escritura um
apóstolo ser enviado a partir da sua congregação, com a
imposição de mãos dos presbíteros. Numa altura em que
Timóteo enfrentava oposição e dificuldades, Paulo estava a
lembrá-lo que lhe havia sido dado este ministério por
profecia, com a imposição das mãos dos presbíteros. Se ler
nas entrelinhas desta epístola, verá que Paulo está
constantemente a incitar Timóteo, dizendo, em essência:
“Não te desencorajes. Não desistas. Não negligencies o
dom que está em ti. Não dês lugar ao medo. Deus chamou-
te para este ministério. Ele revelou a Sua vontade, por isso
persiste e cumpre-a.”Este é um dos temas das duas
epístolas a Timóteo.

Escrevi um outro livro no qual fiz referência à imposição


de mãos para um dom. Referi o que temos vindo a abordar
neste capítulo – que as pessoas às vezes recebem profecias
que lhes mostram o caminho que as suas vidas levarão e
que, em momentos de dificuldade, elas devem lembrar-se
destas profecias para encorajamento e fortalecimento.

220
Após a impressão do livro, conheci um pastor na Nova
Zelândia que me disse: “Quero dizer-lhe que o seu livro
veio ter às minhas mãos e aconteceu comigo exactamente o
que nele estava descrito. Quando eu estava nos Estados
Unidos, na escola Bíblica, foram proferidas profecias de
que teria um ministério e cumpriria um determinado
trabalho. Cheguei aqui, à Nova Zelândia, e as coisas
ficaram um pouco complicadas. Deixei-me desencorajar e
nada acontecia. Então comprei o seu livro e li esta
passagem sobre as profecias que foram dadas previamente,
e como Timóteo foi impulsionado para cumprir a sua
tarefa. Quando li isso no livro, lembrei-me das profecias
que me haviam sido transmitidas nos Estados Unidos. Vi
que não estava a cumprir o meu ministério e isso
impulsionou-me a fazê-lo.”

Desde então, Deus tem abençoado maravilhosamente


aquele homem, ao ter dado um passo de fé, e ele entrou
totalmente no ministério que lhe foi profetizado. Podemos
ver que a profecia não foi somente um acessório irrelevante
na sua vida, mas uma parte importante na sua descoberta e
cumprimento do seu ministério.

Exercendo Profecia numa Assembleia Local


Para terminar, vamos ver como a profecia deve ser exercida
de uma forma ordeira numa assembleia local, para que
todos possam dela beneficiar.

É a Vontade de Deus que Todos Profetizem

No primeiro capítulo falámos da distinção entre o


ministério de um profeta e o dom de profetizar. A Bíblia diz
221
que todos podem profetizar, mas nem todos terão o
ministério específico de profeta. Paulo disse: “Pois todos
podereis profetizar, uns depois dos outros” (1 Coríntios
14:31, ênfase adicionada). É claramente a vontade de Deus
revelada, que todos os crentes profetizem. Se não
profetizarmos, não é porque não é a vontade de Deus. É
porque nós não entrámos na vontade de Deus.

Os Que Profetizarem Têm de se Submeter Uns aos


Outros

“Pois todos podereis profetizar, uns depois dos outros,


para que todos aprendam, e todos sejam consolados.” (1
Coríntios 14:31). Não devemos profetizar todos ao mesmo
tempo numa reunião porque isso causaria uma grande
confusão. Devemos profetizar um de cada vez para que
todos possamos aprender. Algumas pessoas não percebem
que devemos aprender a operar os dons espirituais. Poucas
são as pessoas que começam a profetizar na perfeição.
Paulo disse que, se temos o dom de profecia, “seja ela
segundo a medida da fé.” (Romanos 12:6). Devemos
somente fazer aquilo que a nossa fé nos permite e parar por
aí. Se começarmos a operar no dom, vamos crescer e
amadurecer nesse dom. Se nunca começarmos, nunca
amadureceremos. Algumas pessoas nada fazem, a menos
que o façam na perfeição, e o resultado mais provável é
nunca o fazerem.

Paulo escreveu: “E falem dois ou três profetas, e os outros


julguem (discirnam). Mas se a outro, que estiver
assentado, for revelada coisa alguma, cale-se o primeiro.”
(1 Coríntios 14:29-30). Há um tempo para falar e um tempo
para calar. Eu e a minha esposa Lydia vimos um claro

222
exemplo disto quando estávamos a trabalhar com os jovens
de uma universidade de professores estagiários na África
de Leste. Nas celebrações de Domingo à tarde, pregava-
lhes a Palavra tão perfeita e cuidadosamente quanto podia,
durante uma hora, e depois tínhamos um período de louvor
e tudo mais que Deus quisesse fazer. Começávamos a
louvar o Senhor e aí talvez houvesse uma pronunciação
numa língua com interpretação ou uma profecia. Então, um
dos estudantes levantou a mão e disse: “Desculpe, o Senhor
acabou de me dizer algo.” Eu disse: “Bem, se o Senhor lhe
disse, não guarde isso só para si. Venha à frente e partilhe
connosco.” Então disse ao resto do grupo: “A Bíblia diz
que se alguma coisa é revelada a outra pessoa assentada,
que a primeira se deve calar. Fiquem em silêncio e vamos
ouvir.”

Aconteceram coisas fantásticas desta forma. Uma delas


envolveu um jovem que tinha sido um verdadeiro rebelde.
Tinha causado tantos problemas que até os professores
Africanos queriam que eu o dispensasse. Mas o Senhor
tomou conta dele e ele converteu-se. Aproximadamente
uma semana depois da sua conversão, estava sentado na
reunião e disse: “Desculpe, senhor.” Respondi: “Sim, o que
é?” Continuou: “O Senhor acabou de me dizer que há um
versículo na Bíblia acerca do tráfego nas estradas hoje em
dia.” Eu disse: “Sim, está em Naum. Penso que está no
segundo capítulo, fala acerca dos carros se empurrarem uns
aos outros nas ruas.” Quando ele encontrou o texto, de
contentamento, quase caiu da sua cadeira.

Pense em como o Senhor se moveu nesta situação. O


Senhor não lhe disse onde estava o versículo. Ele disse-lhe
que havia um versículo e ele teria de me perguntar onde o

223
versículo estava. Tínhamos coisas destas a acontecer com
alguma frequência com aqueles alunos. Nunca estive em
qualquer outra situação em que tivesse visto de forma tão
real o que este versículo significa: “Mas se a outro, que
estiver assentado, for revelada coisa alguma, cale-se o
primeiro.” (1 Coríntios 14:30). Este é o ministério dos
membros do corpo, uns para com os outros.

Como mencionei no capítulo anterior, não é correcto


dedicarmos toda uma reunião somente a uma
manifestação, seja ela línguas e interpretação, profetizar ou
qualquer outra coisa. Não devemos ficar presos só a um
tipo de manifestação. Por vezes, quando as pessoas
começam a falar em línguas, tudo o que querem fazer é
falar em línguas. Quando começam a profetizar, tudo o que
querem fazer é profetizar, e assim sucessivamente. Temos
que ser disciplinados para não ficarmos impedidos de
avançar, o que pode ser causado pela rotina. Existem
muitas maneiras nas quais Deus Se pode mover, falar e
abençoar. Estejamos abertos ao que Ele quer fazer.

Existe um outro princípio em relação à profecia que iremos


explorar em detalhe no próximo capítulo. A primeira carta
aos Coríntios 14:32 diz: “Os espíritos dos profetas estão
sujeitos aos próprios profetas.” Um verdadeiro profeta
não perde o controlo sobre si mesmo. Ele é sempre
responsabilizado pelas Escrituras e pelo corpo de Cristo,
pelo que faz e diz.

Um verdadeiro profeta não perde o


controlo sobre si mesmo.

224
Ele não pode culpar Deus e dizer: “Não pude evitar. Deus
levou-me a fazê-lo.” Isto não é bíblico. Nós somos
responsáveis pelo que fazemos quando estamos a ministrar
no Espírito. Deus não domina sobre a nossa vontade. Ele
não nos obriga ou constrange. Nós somos responsáveis por
aprender como nos rendermos ao Espírito Santo e ao corpo
de crentes quando profetizamos.

225
Capítulo 12
Como Julgar a Profecia
No último capítulo, fiz questão de realçar que não é bíblico
permitir a alguém profetizar numa assembleia de crentes se
tal, não for submetido a um julgamento das Escrituras e ao
discernimento do corpo de Cristo. Com base no que tenho
visto ao longo dos anos, seria melhor não haver qualquer
profecia do que, havendo, ela não ser verificada pelos
padrões bíblicos. Neste capítulo, quero apresentar os
vários padrões de julgamento que nos são apresentados
para este propósito no Novo Testamento.

“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.” (1


Coríntios 14:29). Neste versículo, a palavra “profetas”
pode-se referir ao ministério de um profeta ou a crentes que
exerçam o dom de profecia. As linhas directrizes que se
seguem aplicam-se a ambas as situações. Creio que “os
outros” contido na expressão “os outros julguem”, refere-
se aos outros profetas presentes na assembleia, que estão
qualificados para discernir a profecia.

Os Profetas Não Devem Agir Sozinhos


Um facto importante sobre aqueles que profetizam sob a
nova aliança, é que eles normalmente não operam

227
sozinhos, individualmente. No Novo Testamento, a
palavra profeta é sempre usada no plural, excepto numa
ocasião. Precisamente aí, o contexto indica mais do que um
profeta. Os profetas no Novo Testamento:

1. São parte do corpo de Cristo.


2. Funcionam como membros no corpo.
3. Estão relacionados com outros membros do corpo.

Isto é, de certa forma, um contraste com o Antigo


Testamento, onde encontramos um profeta como Elias, um
individualista rude, que se opunha à apostasia e
perversidade. O Senhor teve de mostrar a Elias que ele não
era o único homem fiel em Israel. No entanto, Elias exercia
a função principal de intérprete de Deus, naquele tempo à
nação de Israel. O conceito do Novo Testamento é o de um
corpo com muitos membros, todos operando em conjunto e
em conexão uns com os outros. Nenhum membro pode
operar eficazmente sozinho.

Os profetas na igreja, por conseguinte, ministram em


grupo. Quando um está a ministrar, os outros estão a
exercer julgamento, ou discernimento. Paulo disse que
dois ou três profetas devem falar em qualquer reunião – não
todos – e deixar os outros profetas discernir o que eles
dizem.

Um exemplo de um típico exercício de ministério profético


Neo-Testamentário pode ser visto em Actos 11:27-28:
“Naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para
Antioquia. Levantando-se um deles, chamado Ágabo, dava
a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em
todo o mundo, a qual aconteceu no tempo de Cláudio.”

228
Lemos um novo incidente envolvendo Ágabo no último
capítulo. Ele profetizou acerca do que iria acontecer a
Paulo em Jerusalém. Repare que aqui os profetas vieram
em grupo: “desceram profetas de Jerusalém” (Actos
11:27). Foi dada a Ágabo a oportunidade para ministrar e
ele trouxe a mensagem que Deus lhe havia dado. No
entanto, ele não era um indivíduo a operar por si só.

Muitos crentes têm-se desviado ao exercerem um


ministério profético por sua conta. Tenho visto isto a
acontecer. Em alguns casos vemos as pessoas, umas mais
do que outras, a representarem-se como os únicos
intérpretes de Deus a uma determinada assembleia,
congregação ou grupo de oração. Isto não só é incorrecto,
como toda a sua atitude é completamente contrária ao
espírito e propósito do Novo Testamento. Conheço uma
denominação em que todas as congregações tinham um
profeta de serviço que escolhia um apóstolo de serviço.
Estes dois indivíduos dirigiam toda a congregação.

Repito, não existem ditadores no corpo de Cristo. Nenhum


dom ou ministério é destinado a criar tal ditadura. Há uma
partilha conjunta de ministério e de responsabilidade por
esse ministério.

A Natureza do Julgamento da Profecia


Por esse motivo, a profecia deve ser submetida ao
julgamento. Isto não significa desfazer a profecia aos
pedaços, mas discernir se ela vem de Deus, se é verdadeira
e se é algo que realmente devemos considerar. Paulo
revelou esta verdade novamente em 1 Tessalonicenses

229
5:19-21: “Não extingais o Espírito; não desprezeis as
profecias. Examinai tudo. Retende o bem.”

Não devemos extinguir o Espírito Santo ao recusarmos os


dons e manifestações do Espírito Santo, como algumas
pessoas têm feito. Isto geralmente acontece onde e quando
os dons espirituais são usados impropriamente. Por
exemplo, conheço uma igreja na Grã-Bretanha que tem
um sinal na parede do auditório principal, que diz: “Não
falar em línguas, excepto na cave.” Falar em línguas era de
tal forma mal usado e exagerado que eles não podiam lutar
contra o problema, então direccionaram-no para a cave.
Semelhantemente, conheço uma congregação nos Estados
Unidos que só permite mensagens em línguas à quinta-
feira. Podemo-nos rir disto, mas na realidade é a prática de
uma grande e proeminente congregação. Estas não são
soluções bíblicas para o problema, apesar de ilustrarem que
há um problema real que tem de ser resolvido. A resposta
não é extinguir o Espírito, mas descobrir linhas directrizes
bíblicas para o uso ordenado de dons espirituais na
assembleia de crentes.

Paulo disse: “Não desprezeis as profecias.” (1


Tessalonicenses 5:20), porque haviam situações em que as
pessoas desprezavam as profecias, num sentido geral.
Francamente, devo dizer que, se a Bíblia não dissesse para
não desprezarmos as profecias, eu provavelmente tê-lo-ia
feito, porque tenho ouvido tantas pronunciações imaturas e
inúteis serem proclamadas sob o disfarce de profecia.
Compreendo por que Paulo fez esta declaração. A solução
para o problema não é desprezar as profecias em geral ou
extinguir o Espírito Santo, mas sim “examinai tudo.
Retende o bem.” (v. 21). Não aceite todas as profecias sem

230
questionar se são relevantes e de Deus, verdadeiras e
autoritárias. Teste-as e retenha o que é bom. Quando come
peixe, não engole as espinhas. Faça o mesmo com as
profecias: Coma o peixe, mas não se engasgue com as
espinhas.

O apóstolo João falou acerca de se testar a profecia, em 1


João 4:1: “Amados, não creiais em todo espírito, mas
provai se os espíritos vêm de Deus, porque já muitos falsos
profetas têm surgido no mundo.” A palavra Grega
traduzida por “testar” neste versículo, é a mesma
traduzida por “examinar” em “examinai tudo” em 1
Tessalonicenses 5:21. Repare que um falso profeta é o que
tem um falso espírito. Quando testa a profecia, não está a
testar o profeta como um indivíduo, mas o espírito que está
a falar através do profeta.

Somos avisados que existem muitos falsos profetas que


têm ido por todo o mundo operando através de falsos
espíritos.

Em 1 João 4:6, João delineou a separação entre o “espírito


da verdade” e o “espírito do erro”. Existe um espírito do
erro e ele, por vezes, tentará comunicar um erro disfarçado
de profecia. Na verdade, já ouvi pessoas tentando suportar
uma falsa doutrina, manipulando a profecia. Era bastante
óbvio que todo o seu propósito era levar as pessoas a
acreditarem numa doutrina que eles tentavam defender.

Princípios Práticos para Testar a Profecia


Vejamos agora nove princípios práticos para julgarmos a
profecia. Hoje, se formos a um médico para obter um
231
diagnóstico, ele não o fará da mesma maneira que era feito
antigamente. Verificavam a tensão arterial, tiravam a
temperatura e pediam para pormos a língua de fora. Se
estivesse cor-de-rosa, indicava que estávamos saudáveis.
Actualmente, sujeitam-nos a todo o tipo de exames,
relacionados com os diferentes órgãos do corpo. Então,
depois de ter efectuado todos os testes, ele dar-nos-á o seu
diagnóstico final acerca da nossa condição física. A mesma
atitude se aplica a julgar a profecia. Não pode aceitar
apenas um ou dois testes. Existe todo um conjunto de testes
e, se quiser mesmo ter a certeza, deve usá-los e formar o seu
julgamento somente quando os tiver terminado.

Teste #1: Ela Edifica ou Condena?

O primeiro teste relaciona-se com o propósito da profecia


que discutimos no capítulo anterior. 1 Coríntios 14:3, diz:
“Mas o que profetiza, fala aos homens para edificação,
exortação e consolação.” Sempre que ouço uma
mensagem que é condenatória, negativa e destrutiva não a
aceito como uma profecia genuína, porque não está dentro
dos parâmetros que estão estabelecidos nas Escrituras.

Num domingo fui pregar a uma congregação em Chicago,


e esperei no estrado para falar enquanto decorria o
momento de louvor. No início de uma das músicas, um
homem levantou-se algures no fundo da sala e começou a
falar num tom de voz áspero, querendo obviamente fazer-
nos acreditar que era uma profecia. A mensagem que ele
proferiu tinha muito pouco significado. O que consegui
perceber foi que continha um sentido geral de condenação
e um aviso de julgamento sobre a cabeça das pessoas. Eu
sentei-me no estrado e fervi de raiva, mas não fiz nada.

232
Após terem sido cantados dois hinos, o homem levantou-se
e fez o mesmo. Desta vez não pude continuar quieto e
levantei-me enquanto ele falava, dirigi-me ao microfone e
disse: “Apenas quero dizer-vos que não aceito isto como
sendo uma manifestação genuína do dom de profecia,
porque as Escrituras afirmam que aquele que profetiza fala
para a edificação, exortação e conforto dos homens. Tudo o
que ouvi até agora, nas palavras do nosso irmão, tem sido
condenação e confusão, que são exactamente o oposto.”

Isto originou alguma agitação, como pode imaginar. Logo


de seguida, um outro irmão que também tinha o dom de
profecia levantou-se e disse: “Quero dar a minha opinião e
concordo com o irmão Prince. Isto não foi uma profecia
genuína.” Então um terceiro irmão levantou-se e disse a
mesma coisa e nós lidámos com a situação de uma forma
bíblica. Os outros haviam julgado; eles deram o seu
veredicto unânime e o homem foi subjugado. Eu pensava
que ele não voltaria mais, mas regressou no domingo
seguinte e comportou-se de uma forma muito mais decente
e respeitável.

Mas, naquele dia, depois de as coisas terem acalmado disse


às pessoas: “Quero explicar-vos qual foi a razão principal
porque o fiz. Aqui na frente estão duas filas completas só de
jovens (entre eles adolescentes e estudantes
universitários); enquanto aquele homem profetizava, eu
estava a observar as suas caras e elas transpareciam uma
evidência: isto é falso. Apenas quero dizer a esses jovens
que concordo com eles; era falso. Tenho visto demasiados
jovens desligarem-se de tudo o que diz respeito ao Espírito
Santo e aos dons do Espírito pelos seus anciãos e
superiores, que tentam transmitir a ideia de que algo errado

233
está certo, com a finalidade de serem dignificados e
respeitados na igreja, e com isso eu não compactuo.”

Generalizando, creio que tomei a decisão correcta naquela


situação. Normalmente, uma das possíveis soluções
religiosas, seria recorrer ao louvor (coro) para impedir o
efeito erróneo da manifestação daquele homem ou dizer
oportunamente “Amém. Louvado seja o Senhor” no fim,
como se tudo estivesse bem, apesar de não estar. Não creio
que Deus esteja satisfeito com isso. Se permitirmos o
exercício de profecia, temos a obrigação, imposta pelas
Escrituras, de também ter a operação do julgamento ou
discernimento. É como se déssemos total liberdade a um
jovem para conduzir um carro desportivo muito rápido,
sem verificarmos a direcção e os travões. Ele poderia ter
um aparatoso acidente. Ao longo dos anos, tenho assistido
a muitos desastres provocados pelo mau uso da profecia.
Tenho visto lares desfeitos, igrejas divididas e pessoas
arruinadas financeiramente e de outras formas através do
uso errado da profecia.

A profecia é um instrumento extremamente poderoso e,


se for mal usado, pode ter como consequência a
destruição das pessoas.

Há um tempo em que Deus repreende e corrige o Seu povo.


Há um lugar para isto, mas isso nunca é a Sua palavra final.
Vejamos o exemplo de Jeremias. O Senhor comissionou-o
para ser um profeta, dizendo: “Antes que eu te formasse no
ventre, te conheci, e antes que saísses da madre, te
santifiquei; às nações te dei por profeta. … Então estendeu
o Senhor a sua mão, tocou-me na boca, e me disse: Agora
pus as minhas palavras na tua boca. Vê, ponho-te hoje

234
sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares e
derrubares, para destruíres e arruinares, e para edificares
e plantares.” (Jeremias 1:5, 9-10). Há um tempo para
arrancar e derrubar o que Deus não plantou. Jesus disse:
“Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será
arrancada.” (Mateus 15:13). Contudo, o principal
propósito é plantar. Do mesmo modo, há um lugar para
destruir e arruinar, mas o propósito final é edificar. Se
nunca chegarmos ao lado positivo, não nos estamos a
mover com o Espírito Santo. A Sua operação com o povo
Deus é sempre boa e positiva, com o propósito de edificar.
Paulo ecoou este princípio em 2 Coríntios. Ele teve de usar
uma linguagem um pouco severa ao corrigir a igreja
Coríntia, e também teve de reivindicar a sua autoridade,
que estava em questão. Após tê-lo feito, disse: “Pois ainda
que eu me glorie um pouco mais a respeito da nossa
autoridade, a qual o Senhor nos deu para edificação, e não
para a vossa destruição, não me envergonharei.” (2
Coríntios 10:8). Repare que a autoridade dada a Paulo
como um apóstolo era para edificação e não para
destruição. Num capítulo posterior, Paulo usou uma
linguagem paralela: “Portanto, escrevo estas coisas
estando ausente, para que, estando presente, não use de
rigor, segundo o poder que o Senhor me deu para
edificação, e não para destruição.” (2 Coríntios 13:10).
Temos que ter em conta que o Espírito Santo usará a
convicção na nossa correcção, mas há uma grande
diferença entre condenação e convicção.

Há uma grande diferença entre condenação e convicção.

A convicção é específica. Se disse uma mentira ou roubou


dinheiro, Ele convencê-lo-á de que terá que emendar-se,
devolver o que roubou e pedir perdão.
235
A convicção nunca é vaga ou obscura; ela mostra-nos
sempre especificamente o que devemos fazer. A
condenação será vaga.

Se desmascarar uma das acusações do diabo, ele avançará


logo de seguida com mais duas. Se desmascarar essas duas,
ele fará surgir mais quatro. Sempre que entra na área da
condenação, está fora da operação do Espírito Santo e está
a deixar que o diabo brinque consigo como um gato brinca
com um rato. Infelizmente, por vezes são os pregadores ou
as pessoas que afirmam ser ministros, que fazem este
trabalho do diabo no lugar dele.

Teste #2: Ela Está de Acordo com as Escrituras?

O segundo teste é perceber se a profecia está de acordo com


as Escrituras. Este teste bíblico é muito importante. A
segunda carta a Timóteo 3:16 diz: “Toda Escritura é
divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para
repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. A
autoridade por detrás de todas as Escrituras é o Espírito
Santo e Ele nunca Se contradiz. Assim sendo, qualquer
profecia nunca será oposta à palavra ou espírito das
Escrituras. Paulo escreveu em relação à consistência da
Palavra de Deus, quando declarou:

Ora, deliberando isto, usei de leviandade? Ou o que


delibero, o delibero segundo a carne, para que haja em
mim o sim, sim, e o não, não? Antes, como Deus é fiel, a
nossa palavra para convosco não é sim e não. Pois o Filho
de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós,
isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não, mas
nele houve sim. Pois quantas promessas há de Deus, têm

236
nele o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por
nosso intermédio. (2 Coríntios 1:17-20)

Por outras palavras, Deus não diz uma coisa hoje e outra
amanhã.

Estas palavras de Isaías também se podem aplicar no teste


bíblico das profecias: “Quando vos disserem: Consultai os
médiuns e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram entre
dentes, respondei: Acaso não consultará um povo ao seu
Deus? Acaso a favor dos vivos se consultarão os mortos?”
(Isaías 8:19). Se quer uma resposta, precisa de a procurar
em qualquer outra fonte que não seja Deus? Se quer
encontrar os vivos, deverá ir aos mortos? Esta passagem
fala sobretudo acerca da tentativa de comunicação com os
mortos, que não é prática recente, e que sempre esteve
condenada pelo Deus Todo-Poderoso, desde o tempo em
que foi manifestada pela primeira vez. Aqui está a resposta
de Deus: “À lei e ao testemunho! [A Palavra escrita de
Deus.] Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca
verão a alva.” (v. 20).

Se eles não falarem de acordo com as Escrituras, o Espírito


que está neles e que fala através deles, não é o Espírito
Santo. O Espírito de todas as profecias verdadeiras é o
Espírito Santo.

O Espírito de todas as profecias


verdadeiras é o Espírito Santo.

237
Teste #3: Qual é o Relacionamento do Profeta com
Cristo?

O terceiro teste é o relacionamento do profeta com Jesus


Cristo. João 16:13-14 diz: “Mas, quando vier o Espírito da
verdade, ele vos guiará em toda a verdade. Não falará de si
mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o
que há-de vir. Ele me glorificará porque há-de receber do
que é meu, e vo-lo há-de anunciar.” Outra característica
específica do Espírito Santo é que Ele sempre glorifica o
Senhor Jesus Cristo. É verdade que Ele nos revelará coisas
que estão por vir, mas Ele sempre o fará no contexto de
glorificar Jesus. Sempre que alguém vier até si com
qualquer tipo de revelação, nova doutrina ou profecia,
pergunte a si mesmo: Qual é a atitude desta pessoa para
com o Senhor Jesus Cristo? Ela exalta-O e glorifica-O?
Ela dá-Lhe a preeminência que somente a Ele é devida?

O apóstolo João escreveu em Apocalipse: “Então me


lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha,
não faças isso! Sou conservo teu e de teus irmãos, que têm
o testemunho de Jesus. Adora a Deus! Pois o testemunho
de Jesus é o espírito da profecia.” (Apocalipse 19:10).

O espírito, em toda a verdadeira profecia, – desde a


primeira profecia dada até à última que será proferida
– está focado em testificar acerca de Jesus Cristo.

Tudo o que vá para além do testemunho e exaltação de


Jesus Cristo, não é dado pelo Espírito Santo.

As pessoas têm vários substitutos para Jesus, em vez de


Lhe darem a supremacia nas suas vidas. Algumas põem

238
uma personalidade humana, um professor ou pregador
acima d'Ele. Outras dão o primeiro lugar a uma
denominação, a uma igreja em particular ou a um grupo. Se
alguma vez conhecer um grupo que diga, “Se quer estar
certo, tem que se juntar a nós”, pode ter a certeza de uma
coisa: quando se juntar a eles, estará errado! Qualquer
grupo que tenha esse tipo de espírito está errado à partida.

Em Colossenses 1:18, lemos: “E ele [Jesus] é a cabeça do


corpo, a igreja; é o princípio, o primogénito dentre os
mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” “Em
tudo” inclui a profecia.

Teste #4: O Profeta e a Profecia Produzem Bons


Frutos?

O quarto teste da profecia é o seu fruto. Gálatas 5:22-23,


tem uma bonita lista das nove características do fruto do
Espírito: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” Assim,
devemos fazer esta pergunta: O profeta e a profecia
correspondem a estas qualidades do Espírito?

Em Romanos 14:17, temos uma clara demonstração do que


o reino de Deus e o evangelho são na verdade: “Pois o
reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e
alegria no Espírito Santo”. O reino de Deus não é um
conjunto de regras institucionais sobre o que podemos ou
não comer, o que podemos ou não vestir, os sítios onde
podemos ir e os sítios onde não podemos ir. Ele consiste em
três coisas: justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Repare que a justiça vem primeiro. Qualquer forma de

239
representação de alegria e paz que não cumpra a justiça é
uma decepção. Tenho estado com muitos grupos que
queriam ficar felizes, bater palmas, louvar ao Senhor e
passar um tempo agradável, mas aprendi que, no final, isto
pode ser apenas uma auto-decepção. Muita da felicidade
que vemos em alguns grupos não é mais do que a vontade
humana, porque não é baseada nos requisitos da justiça de
Deus. Às vezes falamos tanto sobre o Espírito Santo que
nos esquecemos que Ele é santo. Ele é o Espírito da
santidade.

Tenho encontrado pessoas que, falsamente tentam fazer os


outros felizes sem os levar a viver de acordo com a Palavra
de Deus. Isto não produz os resultados que Deus prometeu.
A Sua ordem é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

A ordem de Deus é Justiça,


Paz e Alegria no Espírito Santo.

Jesus avisou-nos especificamente acerca dos maus frutos,


em Mateus 7:15: “Acautelai-vos, porém, dos falsos
profetas, que vêm até vós disfarçados em ovelhas, mas
interiormente são lobos devoradores.” As ovelhas
representam os discípulos Cristãos. O lobo é um inimigo
natural das ovelhas e vem para as destruir. Qual é o
objectivo do lobo ao disfarçar-se de ovelha? Fazer-se
passar por ovelha para as devorar. O lobo não seria tão
perigoso se viesse tal como é, mostrando os seus intuitos. É
mais perigoso quando vem disfarçado de ovelha. Esta é a
natureza de muitos falsos profetas. Eles não nos dizem em
que é que realmente acreditam. Vêm até nós professando
ser Cristãos, afirmando ter uma mensagem do evangelho,
provavelmente convencendo que receberam uma alta

240
revelação e persuadir- nos a viver uma nova experiência,
nunca antes vivida.

Para discernir o lobo escondido no meio das ovelhas é


necessário um cão pastor, porque este não distingue pela
vista, mas pelo seu olfacto. Na Bíblia, o olfacto pode
representar um tipo de discernimento do Espírito Santo.
Aqueles que são responsáveis por cuidar do rebanho de
Deus precisam de desenvolver este sentido extra que
detecta o lobo, mesmo quando ele veste uma lustrosa pele
de ovelha. Contudo, Jesus revelou, além deste sentido de
discernimento, uma forma objectiva de testar se um profeta
é verdadeiro ou falso. Depois de ter avisado sobre os falsos
profetas, Ele disse: “Pelos seus frutos os conhecereis.
Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?”
(Mateus 7:16). Se, de cada vez que tentar apanhar fruta, for
picado por um abrolho afiado, então não esteja à espera de
apanhar uvas. E não chame a essa planta videira porque
uma videira não dá espinhos.

Apesar da seguinte lista não ser, certamente, exaustiva,


aqui estão algumas das características mais comuns de
frutos que não são o fruto do Espírito Santo, e que temos de
aprender a discernir. Tenho observado um ou mais destes
frutos na vida de pessoas que afirmam ser pregadores,
evangelistas, ministros ou profetas de Jesus Cristo:
orgulho, arrogância, gabarolice, exagero ou desonestidade,
cobiça, irresponsabilidade financeira, apetite viciante,
imoralidade, votos de casamento quebrados e lares
desfeitos. Da próxima vez que vier um pastor convidado à
sua cidade, faça as seguintes perguntas: Será que ele vai
deixar a cidade com o carro ou com a esposa de alguém?
Será que ele paga as suas contas ou será que foge delas,

241
deixando-as para outra pessoa as pagar? Há muitas
perguntas importantes que podem ser feitas em relação aos
ministros que nos visitam. Se você não as fizer, poderá
arrepender-se um dia.

Jesus seguiu os Seus avisos sobre os falsos profetas e falsos


frutos com estas palavras sóbrias:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino


dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que
está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor,
Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome
não expulsamos demónios? E em teu nome não fizemos
muitos milagres? Então lhes direi abertamente: Nunca vos
conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a
iniquidade!(Mateus 7:21-23)

Lembre-se da diferença entre os dons e o fruto – entre ser


dado um dom e desenvolver o carácter de Cristo ao longo
do tempo. É possível expulsar-se demónios no nome de
Jesus e levar-se uma vida errante. É possível profetizar-se e
levar-se uma vida errante. É possível realizar-se milagres e
estar-se a viver com a mulher do próximo, desencaminhar
dinheiro ou dizer mentiras. Conheço pessoas que o fizeram
e que o estão a fazer. A autoridade está no nome de Jesus
e na fé, e Deus comprometeu-Se a agir sempre que
alguém faz alguma coisa com fé e no nome de Jesus. Por
conseguinte, o facto de uma pessoa profetizar, pregar,
expulsar demónios e operar milagres, não prova que ela
está a levar uma vida recta. Só há uma evidência segura de
que uma pessoa vive rectamente: a constatação de que ela,
na verdade, vive rectamente. As pessoas que não vivem
rectamente não vão para o céu. É tão simples quanto isto.

242
Temos permitido que muitos sentimentalismos e
pensamentos vagos obscureçam este assunto.

O apóstolo Pedro avisou acerca dos falsos mestres na sua


segunda epístola:

Mas estes, como animais irracionais, que seguem a


natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando
do que não entendem, perecerão na sua corrupção.
Receberão a paga da injustiça. Tais homens têm prazer na
luxúria à luz do dia. São nódoas e máculas, deleitando-se
em suas mistificações, quando se banqueteiam convosco.
Têm os olhos cheios de adultério, e são insaciáveis no
pecado; engodam as almas inconstantes; têm um coração
exercitado na ganância, são filhos da maldição! Eles,
deixando o caminho direito, desviaram-se, tendo seguido o
caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prémio da
injustiça… (2 Pedro 2:12-15)

Os falsos mestres frequentam as festas dos Cristãos e até


podem tomar parte da Ceia do Senhor, mas são impuros e
perversos. É impressionante como as pessoas numa
congregação engolem qualquer tipo de mentira. Você não
pensaria que as pessoas pudessem acreditar nas coisas em
que acreditam. Elas acreditam em tudo menos na verdade.

Pedro disse que estes supostos mestres têm corações


“exercitados na ganância” e seguem “o caminho de
Balaão”. Por outras palavras, eles estão atrás de dinheiro.
Este foi o problema de Balaão. Não foi Balaão um profeta?
Sim. Se lermos Números 23-25, não creio que
encontraremos profecias mais belas na Bíblia do que as que
saíram da boca de Balaão. No entanto, o seu coração não
estava no sítio certo.

243
Balaão aparece somente em três capítulos do Antigo
Testamento, mas é-lhe feita referência várias vezes no
Novo Testamento, como um exemplo a não seguir.
Balaque, rei dos Moabitas, havia dito a Balaão para
amaldiçoar Israel. Contudo, ele não o podia fazer porque,
quando profetizava, só podia falar a verdade. Ele só podia
falar o que o Senhor lhe permitisse dizer. Balaão exprimiu
um aparente desejo divino que nunca se concretizou. Ele
disse: “Quem pode contar o pó de Jacó, ou numerar a
quarta parte de Israel? Que morra eu a morte dos justos, e
seja o meu fim como o deles.” (Números 23:10)

Isto foi apenas uma aspiração piedosa. Balaão era


ganancioso e o dinheiro era mais importante para ele do
que viver uma vida justa. Ele foi morto pelos filhos de
Israel. No livro de Josué, lemos acerca dos filhos de
Manassés, quando se mudaram para a sua herança a leste
do Jordão. “Também os filhos de Israel mataram ao fio da
espada a Balaão, o adivinho, filho de Beor, juntamente
com os demais que por eles foram mortos.”(Josué 13:22).
Balaão não morreu a morte dos justos, mas também não
viveu a vida dos justos. O desejo pelo dinheiro desviou-o.
Como escrevi anteriormente, usar um dom para proveito
próprio é uma tentação para aqueles que operam em
determinados domínios de dons e poderes espirituais.
Temos de ter sempre em consideração o carácter e os frutos
de um profeta quando avaliamos a profecia e os seus
efeitos.

Considere o carácter e o fruto de um profeta quando


avaliar a profecia e os seus efeitos.

244
Teste #5: As Predições do Profeta Eram Verdadeiras?

Se as profecias contêm predições em relação ao futuro e


elas não se cumprem, então a profecia não veio de Deus.
Vamos dar uma olhadela a uma passagem do livro de
Deuteronómio. O Senhor disse:

Mas o profeta que presumir de falar em meu nome alguma


palavra que eu não lhe tenho mandado falar, ou o que falar
em nome de outros deuses, o tal profeta será morto. Se
disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra
que não procede do Senhor? Quando o tal profeta falar em
nome do Senhor, e o que disse não acontecer nem se
realizar, essa palavra não procede do Senhor. Com
soberba falou o tal profeta. Não tenhas temor
dele.(Deuteronómio 18:20-22)

Uma pessoa pode fazer uma predição que nunca chega a


acontecer. A Palavra de Deus diz de forma simples e clara
que isto não é algo que o Senhor tenha dito porque, se o
Senhor o tivesse dito, ela teria acontecido. Não devemos
temer tal profeta. Sob a Lei de Moisés, o profeta teria
morrido; esta é a consideração de Deus por aqueles que
enganam o Seu povo.

Devemos compreender que uma pessoa que profetiza pode


cair em erro, ao passar os limites do seu dom. Ela começa
bem, mas depois vai longe demais. Paulo escreveu:
“Temos diferentes dons, segundo a graça que nos é dada.
Se é profecia, seja ela segundo a medida da fé.” (Romanos
12:6). As pessoas podem começar a profetizar no Espírito e
depois ficar excitadas, envaidecidas, entusiasmadas e ir
além do que o Espírito lhes deu. Conheci alguns casos

245
assim. A vontade das pessoas não era enganar os outros;
elas não eram falsos profetas, mas deixaram para trás o
Espírito e voltaram à carne.

Deus dá-nos um alerta acerca disto. Antes de Paulo ter


falado sobre profetizar na medida da fé, ele escreveu:
“Pois pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós
que não saiba mais do que convém saber [não se
envaideça], mas que saiba com moderação, conforme a
medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (v. 3). Você
pode operar perfeitamente na medida da fé que Deus lhe
deu. No entanto, se ultrapassar essa medida de fé, deixa de
operar no Espírito e passa a operar na sua própria vontade e
personalidade carnal.

Teste #6: A Profecia Promove Obediência a Deus?

Este teste é essencial porque o quinto teste diz que, se a


profecia não se cumprir, estamos a lidar com um falso
profeta. Por conseguinte, podemos facilmente concluir que
se o que o profeta diz se cumprir, ele deve ser um
verdadeiro profeta. Contudo, não é necessariamente
sempre assim. Mesmo se a profecia contiver predições
correctas ou revelações sobrenaturais, ela não é de Deus se
o seu efeito for a promoção da desobediência a Deus e às
Escrituras.

Somos avisados em relação a isto em Deuteronómio:

Quando um profeta ou um sonhador se levantar no meio de


ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou
prodígio de que te houver falado, e disser: “Vamos após
outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los”, não

246
ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador. O
Senhor vosso Deus vos prova para saber se amais o Senhor
vosso Deus de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
Andareis após o Senhor vosso Deus, e a ele temereis. Os
seus mandamentos guardareis, a sua voz ouvireis, a ele
servireis, e a ele vos achegareis. Aquele profeta ou
sonhador será morto, porque falou rebeldia contra o
Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egipto, e vos
resgatou da casa da servidão, para vos apartar do
caminho que vos ordenou o Senhor vosso Deus, para
andardes nele. Assim tirareis o mal do meio de
ti.(Deuteronómio 13:1-5)

Nesta passagem, um homem deu um sinal sobrenatural e


ele cumpriu-se. Contudo, ele era um falso profeta, um
servo de Satanás, desviando as pessoas de Deus da sua
obediência a Ele.

Assisti a algo semelhante em África. Numa determinada


aldeia, duas famílias contendiam, o que é bastante comum.
Uma delas dirigiu-se ao feiticeiro e pediu-lhe para fazer um
feitiço contra a outra família. Tendo-lhe pago com uma
cabra, ele fez o feitiço e disse que, numa certa noite um
chacal uivaria à meia-noite. Quando isso acontecesse, o
filho mais novo da outra família morreria. Sabe o que
aconteceu? O chacal uivou e o bebé morreu. Aconteceu
exactamente como dissera. Tinha feito uma predição
sobrenatural verdadeira, mas não era um servo de Deus.
Mesmo apesar de se ter concretizado, ele era um servo de
Satanás.

Outro exemplo das Escrituras está no ministério de Paulo,


quando ele e Silas chegaram a Filipos pela primeira vez,

247
para pregar o evangelho. Vimos este incidente
anteriormente, no capítulo do discernimento de espíritos.

Indo nós à oração, saiu-nos ao encontro uma jovem que


tinha um espírito de adivinhação, a qual, adivinhando,
dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a
Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens que nos
anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus
Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo,
perturbado, voltou-se, e disse ao espírito: Em nome de
Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela. E na mesma hora
saiu. (Actos 16:16-18)

Tudo o que a jovem disse era absolutamente verdade.


Aparentemente, ela foi a primeira pessoa em Filipos a
declarar abertamente quem Paulo e Silas eram. Contudo,
ela era uma serva de Satanás. Um espírito maligno levava-a
a dizer aquelas coisas. Repare na astúcia de Satanás ao usar
esta jovem. Talvez ele a quisesse infiltrar na nova
assembleia de crentes que se congregaria através do
ministério de Paulo e de Silas. Ele pode ter querido que as
pessoas de Filipos sentissem que não havia nada de novo
no evangelho, que era o mesmo a que estavam
acostumados com as profetizas e os oráculos, que haviam
feito parte da cultura Grega durante nove séculos. Quão
subtil é o diabo! Nem sempre diz mentiras descaradas, não
enganaria as pessoas se o fizesse. Ele diz verdades
suficientes para nos prender a atenção e depois injecta as
suas mentiras.

Quero chamar a sua atenção para uma outra situação na


passagem de Deuteronómio 13. A Versão King James usa a
palavra “apartar" (v. 5) – arremessá-los para fora do

248
caminho do Senhor. Quando uma profecia é falsa, sentimos
uma certa pressão que não vem do Espírito Santo. Se
começar a sentir que “tenho que fazer algo porque foi
profetizado”, não o faça. Não é assim que a profecia
funciona.

Recebi uma chamada de alguém que disse: “Ouviu alguma


profecia sobre a ressurreição?” Quando perguntei porquê,
respondeu: “Estão aqui crentes que têm um filho pequeno
que morreu, e toda a gente está a receber profecias de que
ele vai ressuscitar dos mortos.” “Há quanto tempo ele
morreu?”, questionei. “Há cerca de três dias.” “De que
morreu ele?” “Não sabemos.” “Que idade tinha o
menino?” “Seis semanas.” Eles haviam-se recusado a
avisar o oficial de justiça que avalia os casos de morte
violenta ou por acidente, e ele perguntou-me: “O que
acha?” Disse: “Se quer saber o que eu penso, eu acho que
esse bebé não vai ser ressuscitado dos mortos. Aquilo que
eu sinto em vocês, é um tipo de pressão que não é a pressão
do Espírito Santo. Estão todos sob pressão. Levem as
coisas devagar; tenham muito cuidado.” Não ouvi mais
nada. Garanto-lhe que a primeira coisa que eles teriam feito
se o bebé tivesse sido ressuscitado, seria pegar no telefone
e ligar-me. Isto aconteceu entre pessoas baptizadas no
Espírito que procuravam fazer a vontade de Deus e ser
“espirituais”. Como é evidente, simpatizamos com quem
perdeu um bebé, mas este é o tipo de pressão a que me
refiro.

Senti esta pressão na minha própria vida. Se alguma vez


estiver sob este tipo de pressão, carregue no travão, saia do
carro e descubra o que o tem estado a guiar, porque não é o
Espírito Santo.

249
Teste #7: A Profecia Traz Liberdade e Paz?

Paulo escreveu em 2 Coríntios 3:17: “Ora, o Senhor é o


Espírito, e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade.”
Os excertos seguintes ensinam três coisas que não são
produtos do Espírito Santo:

Pois não recebestes o espírito de escravidão para outra vez


estardes em temor, mas recebestes o espírito de adopção,
pelo qual clamamos: Aba, Pai!(Romanos 8:15)

Pois Deus não é Deus de confusão, senão de paz. (1


Coríntios 14:33)

Porque Deus não nos deu o espírito de timidez, mas de


poder, de amor e de moderação.(2 Timóteo 1:7)

Escravidão, confusão e timidez não vêm do Espírito Santo.

Estivemos numa igreja na Grã-Bretanha, na qual se


encontrava uma jovem com cerca de vinte anos e alguém
havia profetizado que ela iria casar com um jovem daquela
congregação. Ela não o amava, nem tinha qualquer desejo
de se casar com ele. Mas ela estava em agonia porque
pensava que se não se casasse com ele, estaria a
desobedecer a Deus e algo horrível aconteceria na sua vida.
Eu e a minha esposa explicámos-lhe que Deus não nos
aterroriza. Ele não nos envia o espírito do medo, nem nos
leva à confusão. Esta não é a forma como o Espírito Santo
opera. Ajudámo-la a libertar-se desta escravidão e,
provavelmente, a sua vida foi salva da ruína.

Muitas vezes, em igrejas, particularmente em grupos de

250
oração, haverá alguém – frequentemente uma mulher – que
usará a sua capacidade profética para fazer com que os
outros fiquem dependentes dela. Ela pode não estar
consciente disto, mas está a fazer discípulos para si mesma.
As pessoas no grupo não conseguem resolver os seus
problemas e vão a correr para a Irmã Fulana-de-tal. Este
tipo de arranjinho está completamente alienado do
Evangelho. No Novo Testamento, cada crente é um
sacerdote. Cada crente tem direito ao acesso directo a
Deus.

Cada crente tem direito ao acesso directo a Deus.

Se não é capaz de ouvir directamente de Deus, existe


alguma coisa errada na sua vida espiritual e precisa
corrigi-la.

Teste #8: A Profecia Harmoniza e Traz Vida?

A verdadeira profecia dada pelo Espírito Santo injecta


sempre vida nova numa reunião e está em harmonia com os
propósitos gerais de Deus. Durante uma reunião, pode
ocorrer a operação de um dom, tal como a profecia, e ela
soará muito bem, muito religiosa e até pode conter
Escrituras, mas não ser do Espírito Santo. Em vez disso,
pode ser um espírito religioso.

O seguinte exemplo diz respeito à interpretação de línguas,


mas o mesmo princípio se aplica à profecia. Estava a
ensinar acerca dos dons do Espírito numa convenção para
homens e mulheres de negócios, e realçava a
responsabilidade da pessoa que liderava a reunião de tomar
o controlo, caso alguma coisa corresse mal. Eu tinha

251
acabado de falar e ainda não tinha descido do estrado,
quando uma mulher fez uma bela e ungida pronunciação
numa língua. Esperámos pela interpretação. Um homem
levantou-se e deu o que ele, obviamente, queria que
acreditássemos ser a interpretação. Era tudo bíblico, tal
como “Nos últimos dias, diz Deus, do meu Espírito
derramarei sobre toda a carne” e assim por diante. Posso
dar as referências bíblicas para tudo o que ele estava a dizer.
No entanto, foi algo insípido e morto; não tinha qualquer
vida e não estava em harmonia com a movimentação de
Deus naquela reunião.

Quando ele terminou, pensei: “O que faço agora? Tenho


estado a dizer a toda a gente que é a minha responsabilidade
fazer alguma coisa.” Creio que o Senhor me deu sabedoria.
Levantei-me e disse muito calmamente: “Um irmão citou
alguns versículos que memorizou. Vamos pedir a Deus
pela interpretação.” Houve um silêncio de morte e depois
chegou a interpretação. Foi rápida, poderosa e em sintonia
com a reunião. Ela elevou toda a gente e houve uma
explosão espontânea de louvor.
O Espírito Santo é o autor da vida, não da morte. Ele não
enfraquece. Se algo está a enfraquecer, mesmo que possa
soar bem e ser religioso, não está a ser operado pelo
Espírito de Deus.

O Espírito Santo é o autor da vida, não da morte.

Teste #9: Há Um Sentido de Aviso?

Deus colocou algo dentro de nós que nos permite saber o


que é verdadeiro e o que é falso. 1 João 2:27 diz: “E a
unção, que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes

252
necessidade de que alguém vos ensine. Mas como a sua
unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é
mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecei.” A
unção não é o mesmo que o baptismo no Espírito Santo. É o
andar no Espírito depois de ter sido baptizado no Espírito.
Quando anda no Espírito, há algo dentro de si que dá
testemunho da verdade e rejeita o que é falso.

Quando está numa reunião em que os dons começam a


operar, preste atenção à unção dentro de si. Algumas
pessoas chegam a ter dores no peito quando há algo falso.
Se tiver um tal aviso de Deus, não se levante e diga:
“Aquela pessoa é um falso profeta!” Só irá ter problemas,
porque vai acabar por discutir. Uma pessoa dirá acreditar
que o que está a profetizar, está certo e outra dirá que não.
Este teste final é subjectivo, enquanto os outros oito são
objectivos, e não pode lidar com assuntos na congregação
com base em testes subjectivos. Este teste tem o propósito
de o avisar individualmente. O que fazer? Se for avisado
pessoalmente pelo Espírito Santo de que algo está errado,
deixe-se ficar sentado e comece a examinar com os outros
oito testes. Se a pessoa estiver errada, um ou mais dos
outros testes demonstrá-lo-ão.

Por conseguinte, estes nove testes para julgar a profecia


permitem que, os crentes operem este dom em liberdade,
com protecção e na plenitude do Espírito Santo.

253
Parte 5

Usando os Dons
Capítulo 13
Como Exercitar
Dons Espirituais
Concluímos o nosso estudo dos nove dons sobrenaturais do
Espírito Santo respondendo à questão prática: “Como pode
um crente começar a exercitar estes dons de uma forma
bíblica?”

O Fundamento do Exercício de Qualquer


Dom é a Fé
Primeiro, temos de compreender o fundamento de todo o
serviço feito para Deus, incluindo o exercício dos dons do
Espírito Santo. Isto pode ser resumido numa simples
palavra: fé. Hebreus 11:6 diz: “Ora, sem fé é impossível
agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador
dos que o buscam.” Esta é uma afirmação muito clara, mas
por vezes ignorada pelas pessoas religiosas. O texto não diz
que sem moralidade é impossível agradar a Deus; diz que
sem fé é impossível agradar a Deus. É claro que Deus
requer um comportamento moral, mas a moralidade, só por
si, não nos recomenda a Ele. A fé é o único fundamento
pelo qual podemos ser aceites por Deus.

257
As Escrituras dizem que aquele que vem a Deus tem que
acreditar – deve exercitar a fé. Primeiro, ele tem que
acreditar que Deus existe. Muitas pessoas acreditam, mas
isto não é, por si só, suficiente. Segundo, ele deve acreditar
que Deus é um galardoador daqueles que, diligentemente,
O buscam. Por outras palavras, aplicando este versículo
pessoalmente, tenho que acreditar que, se procurar a Deus
e O buscar diligentemente, de acordo com a Sua Palavra,
Ele recompensar-me-á, de acordo com a Sua Palavra. Se eu
não acreditar nisto, então não estou assente no fundamento
correcto, sobre o qual me devo aproximar d'Ele.

Se procurarmos a Deus de acordo com a Sua Palavra, Ele


recompensar-nos-á, de acordo com a Sua Palavra.

A mesma ideia é declarada em Romanos 14:23: “… tudo o


que não provém da fé é pecado.”

Tudo o que não for feito com fé não é aceitável para


Deus.

Pode ser uma actividade religiosa, como ir à igreja e cantar


hinos, ou até mesmo orar, mas se não for feito com fé é
pecado porque Deus estabeleceu um requisito básico, do
qual Ele não se desviará.

Uma vez que a fé é tão essencial, é razoável perguntarmos


como é possível recebermos a fé que Deus requer. A
resposta está em Romanos 10:17: “De sorte que a fé vem
pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Há um
pensamento muito encorajador neste versículo: a fé vem.
Se você não tem fé, pode obtê-la. Não precisa desesperar e
dizer: “Não vale a pena. Eu não tenho fé.”

258
Eu aprendi esta lição de uma forma muito pessoal, quando
estive internado e deitado doze meses numa cama durante a
Segunda Guerra Mundial. Disse a mim mesmo repetidas
vezes: “Eu sei que se tivesse fé Deus me curaria. Mas não
parece que eu tenha fé.” Um dia li um livro que continha
esta passagem de Romanos 10:17. O meu espírito
compreendeu a afirmação de que a fé vem, e foi como um
raio de luz penetrante na escuridão. Eu percebi que se não
tinha fé, poderia obtê-la se cumprisse o requisito. O
requisito era ouvir a palavra de Deus. Ouvir é o passo
intermédio entre a Palavra de Deus e a fé.

Ouvir é o passo intermédio


entre a Palavra de Deus e a fé.

É possível lermos a Bíblia sem que realmente a “ouçamos”,


tal como é possível ouvirmos um sermão sem que, na
realidade, o tenhamos ouvido. A fé não vem até que
tenhamos verdadeiramente ouvido o que Deus diz na Sua
Palavra. Um grande obstáculo à nossa audição é que nós já
pensamos saber o que Deus vai dizer e acabamos por não
ouvir se Ele disser algo diferente. Este foi o meu problema
com a cura. Quando eu li o que a Bíblia diz em relação à
cura, a minha resposta foi: “Isso é bom demais para ser
verdade; não pode ser assim tão simples.” Deus tinha que
me mostrar que eu não poderia receber fé sem que antes
tivesse deitado por terra as minhas opiniões, as opiniões de
outras pessoas, as tradições religiosas, os ensinamentos
denominacionais e ouvisse o que Ele me estava a dizer na
Sua Palavra. Eu aquietei o meu espírito, limpei a minha
mente de preconceitos e tradições e esperei que Deus
falasse ao meu espírito. Então a fé começou a vir e eu fiquei
curado.

259
Por conseguinte, uma das coisas mais importantes na
vida Cristã é cultivar-se a capacidade para ouvir o que
Deus está a dizer na Sua Palavra.

Cultivar a capacidade para ouvir é um processo. Uma


pessoa que não passa tempo na presença de Deus e com a
Sua Palavra, não aprenderá a ouvir.

No que diz respeito aos dons espirituais, temos de ouvir as


passagens da Palavra de Deus que se relacionam com o
exercício destes dons. Neste capítulo veremos oito
verdades sucessivas da Palavra de Deus que – se as ouvir –
edificarão a sua fé para receber e exercitar os dons do
Espírito. As verdades seguintes são recolhidas daquilo que
aprendemos nos últimos doze capítulos. Talvez ainda tenha
de limpar a sua mente das tradições humanas, dos
ensinamentos de diferentes confissões religiosas e
preconceitos pessoais, tal como eu fiz, e estar preparado
para deixar Deus falar-lhe, de forma a poder aplicar estas
verdades na sua vida.

Verdades que Constroem Fé para os Dons


Espirituais
Verdade #1: O Propósito Supremo dos Dons é
Glorificar a Deus

Consideremos primeiro o propósito dos dons espirituais


em relação a Deus. O apóstolo Pedro escreveu:

Servi uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu,


como bons despenseiros da multiforme [multifacetada]

260
graça de Deus. Se alguém fala, fale segundo as palavras de
Deus. Se alguém ministra, ministre segundo a força que
Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus
Cristo. A ele pertence a glória e o domínio para todo o
sempre. Amém. (1 Pedro 4:10-11)

Parafraseando este texto, à medida que cada pessoa recebe


um dom ela deve ministrá-lo aos outros, como um bom
despenseiro da graça de Deus, que se manifesta nestes dons
de graça do Espírito. Ministrar com que propósito? O
propósito supremo dos dons é que Deus possa ser
glorificado através de Jesus Cristo.

Cada vez que exercitamos dons espirituais de acordo com a


Palavra de Deus, estamos a trazer glória a Deus através de
Jesus Cristo.

Cada vez que não exercemos um dom espiritual quando o


poderíamos ter feito, estamos a roubar glória a Deus.

Verdade #2: Ministrar Dons a Crentes Produz


Edificação

A seguir vamos considerar o propósito dos dons espirituais


em relação à humanidade. Temos visto que o propósito dos
dons espirituais é a edificação, ou a construção dos crentes.
A palavra-chave de 1 Coríntios 14 é edificar. Seja como
verbo ou substantivo, ela ocorre sete vezes neste capítulo.
Vamos analisar quatro destas ocorrências, três das quais já
vimos antes.

O que fala em língua edifica-se a si mesmo, mas o que


profetiza edifica a igreja [a assembleia dos crentes]. (1
Coríntios 14:4)
261
Eu gostaria que todos vós falásseis em línguas, mas muito
mais que profetizásseis. O que profetiza é maior do que o
que fala em línguas, a não ser que também interprete para
que a igreja receba edificação. (v. 5)

Assim também vós, como desejais dons espirituais,


procurai abundar neles para a edificação da igreja.(v. 12)

Que diremos, pois, irmãos? Quando vos reunis, cada um


de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua,
tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.(v. 26)

Um dos principais meios pelos quais os Cristãos são


capazes de edificar a si próprios e aos outros crentes é pelo
exercício de dons espirituais.

Se nós não exercitarmos os dons do Espírito, estamos a


privarmo-nos e aos outros os meios de edificação. Por
exemplo, suponhamos que eu estou num grupo de crentes e
é dado uma pronunciação numa língua desconhecida que
requer interpretação. Se eu receber a interpretação mas, por
medo ou vergonha, recusar-me a transmiti-la, não só estou
a privar-me como também estou a privar todo o grupo de
crentes da bênção que teria vindo a eles através daquela
interpretação. Não devemos ser culpados por falhar o
exercício de dons espirituais que podemos e devemos
exercitar.

Verdade #3: A Vontade de Deus é que os Crentes


Exercitem Dons Espirituais

A terceira verdade está implicada nas duas verdades


prévias, mas deve ser reconhecida e admitida por crentes

262
individuais: a vontade de Deus é que os crentes exercitem
dons espirituais. Operar os dons do Espírito é algo que não
está confinado apenas a alguns indivíduos privilegiados,
como pregadores, missionários ou evangelistas. O Novo
Testamento descreve claramente cada assembleia como
sendo constituída por crentes que são capazes de exercer
dons espirituais.

Operar os dons do Espírito é algo que não está confinado


apenas a pregadores, missionários ou evangelistas.

Recordemos o que Paulo disse acerca dos dons em 1


Coríntios 12: “A manifestação do Espírito é dada a cada
um [crente] para o que for útil. … Mas um só e o mesmo
Espírito opera todas estas coisas, distribuindo
particularmente a cada um como quer.” (v. 7, 11). A ênfase
nestes versículos está em cada crente individual receber e
exercitar um dom ou dons espirituais para um serviço útil,
proveitoso.

Verdade #4: O Amor e os Dons Trabalham em


Conjunto

Em quarto lugar, tal como vimos no segundo capítulo, não


há qualquer conflito entre o fruto do amor e os dons do
Espírito. Milhões de Cristãos professos chegaram, de
alguma forma, à crença de que o amor e os dons opõem-se
um ao outro, como se um excluísse o outro e fosse
necessário fazer uma escolha entre os dois. Isto é
completamente oposto às Escrituras. Em 1 Coríntios
12:31, Paulo disse: “Portanto, procurai com zelo os
melhores dons. E agora eu vos mostrarei o caminho mais
excelente.” O “caminho mais excelente” mostrado no

263
capítulo treze de 1 Coríntios é o amor.

Em 1 Coríntios 13:13 diz: “Agora permanecem estes três:


a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes é o amor.”
Algumas pessoas dizem que o amor é o melhor dom, mas
isto é incorrecto. Em nenhum lado o Novo Testamento
chama o amor de dom. O Amor é um fruto. Algumas
pessoas dizem que o amor é o melhor e o único dom que
deve ser procurado, mas elas não estão baseadas nas
Escrituras. Paulo disse que devemos procurar com zelo os
melhores dons, mesmo apesar de haver algo maior do que
os dons, o amor. De certa forma, a condição para ser
mostrado o melhor caminho é procurar com zelo os
melhores dons. Longe de estarem em oposição um ao
outro, um leva ao outro.

Repare que Paulo conduziu ao lindíssimo capítulo treze de


1 Coríntios, que lida com a natureza do amor de Deus, com
a declaração: “Portanto, procurai com zelo os melhores
dons. E agora eu vos mostrarei o caminho mais excelente.”
(1 Coríntios 12:31). Então, logo após o capítulo sobre o
amor, ele fez esta declaração: “Segui o amor, e procurai
com zelo os dons espirituais…” (1 Coríntios 14:1, ênfase
adicionada). Ele voltou a afirmar tanto o amor como os
dons. No entanto, como eu mencionei, parece que algumas
pessoas lêem a declaração como “segui o amor ou procurai
com zelo os dons espirituais”. Paulo disse para buscarmos
o amor por todos os meios e procurarmos dons espirituais,
e isto é perfeitamente lógico porque os dons do Espírito
Santo são canais através dos quais flui o amor divino. Eles
andam de mãos dadas. Eles estão intimamente
relacionados e não podemos, na verdade, separá-los.

264
Os dons do Espírito Santo são canais
através dos quais flui o amor divino.

Se não possui quaisquer dons, você sela um dos principais


canais através do qual o amor opera, porque o amor tem que
ter um meio de expressão.

Falar de amor, mas nada fazer, é contrário às Escrituras. O


tipo de amor de que Paulo falou é um amor que age, que
ministra, que edifica. Se amamos os nossos irmãos crentes,
vamos querer edificá-los. Como fazemos isso? Com dons
espirituais. Por que razão Paulo disse, em 1 Coríntios 14:1:
“…mas principalmente o de profetizar”? Porque ao
profetizarmos estamos a edificar os nossos irmãos. Ao
edificarmo-los estamos a expressar o nosso amor. Se
ficarmos sentados e nada fizermos por eles, de que serve
dizermos-lhes que os amamos?

Em 1 Coríntios 13, Paulo escreveu sobre o amor durante


treze versículos. Contudo, em 2 Coríntios 8 e 9, Paulo
escreveu sobre o dinheiro durante trinta e nove versículos.
Existem três vezes mais versículos sobre o dinheiro do que
sobre o amor. Será que isto quer dizer que o dinheiro é mais
importante que o amor? Não. Quer dizer que se amarmos,
uma das coisas que faremos é usar o nosso dinheiro para
Deus e para o povo de Deus. Se continuarmos a falar sobre
o amor, mas o nosso dinheiro não estiver envolvido, então
não temos muito amor. Mais do que isso, estamo-nos a
enganar. O mesmo se aplica ao reino dos dons do Espírito.
Se tivermos amor, vamos desejar expressar esse amor
através do exercício de dons espirituais.

265
Verdade #5: Se Amamos Deus, Recebemos os Seus Dons

Se amamos Deus, vamos desejar receber e exercitar os


Seus dons. Por exemplo, consegue imaginar uma mãe a
fazer um bonito bolo de aniversário para a sua filha,
passando horas a cozinhá-lo, a colocar a coberta e a decorá-
lo e, quando o traz para fora, a filha diz-lhe: “Mãe, amo-te,
mas não quero o teu bolo”? Creio que nunca ouvi uma
criança a falar assim. É, na realidade, uma negação do
amor. Ou, imagine um jovem que compra um belo anel de
diamantes para a mulher que ele ama e com quem quer
casar. Quando ele lhe der o anel, se ela disser: “Querido, eu
amo-te, mas não quero o anel”, é pouco provável que se
cheguem a casar. Não é amoroso rejeitarmos a oferta da
pessoa que amamos. Do mesmo modo, quando rejeitamos
as dádivas de Deus não estamos a mostrar amor. Se
pensamos o contrário, estamo-nos a enganar. Mateus 7:11
diz: “Ora, se vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos
vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus,
d a r á b o a s c o i s a s a o s q u e l h e p e d i re m ? ”
Semelhantemente, em Lucas 11:13, em vez de “dará boas
coisas” o texto diz, “dará o Espírito Santo”.

Referindo a nossa analogia anterior, imagine a menina a


quem a mãe fez o bonito bolo a dizer: “Bem, mãe, não
tenho a certeza se o bolo que fizeste é bom. Talvez tenhas
colocado alguma coisa que me vai irritar o estômago.” Que
tipo de relacionamento tem ela com a sua mãe? No entanto,
muitos Cristãos dizem a Deus: “Não me parece que estes
dons do Espírito Santo que são descritos na Tua Palavra
tenham muita utilidade.” Esta atitude é quase ser-se
irreverente. Algumas pessoas dizem: “Eu quero ter o
baptismo no Espírito Santo, mesmo se isso significar falar

266
em línguas.” Eu não quero criticar nada que o meu Pai
celestial tenha preparado desde a eternidade para o meu
benefício. Se o fizer estou a ser um filho impertinente e
mau.

Vejamos uma outra passagem. Tiago escreveu: “Não vos


enganeis, meus amados irmãos.” (Tiago 1:16). Sempre me
questionei porque ele fez esta afirmação sobre não nos
deixarmos enganar, até que um dia eu reparei no
seguimento, no versículo seguinte. “Toda boa dádiva e
todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes,
em quem não há mudança nem sombra de variação.” (v.
17, ênfase adicionada). Deus nunca nos dá nada que não
seja perfeito. Não viva debaixo de uma má compreensão.
Se vem de Deus, é bom.

Se está a questionar o valor ou o mérito do dom de Deus,


tem uma imagem errada de Deus. Tiago disse que não nos
devemos deixar enganar desta forma. Os dons de Deus são
para serem eminentemente desejados, procurados. Quanto
mais amamos Deus, mais apreciamos os Seus dons.

Quanto mais amamos Deus,


mais apreciamos os Seus dons.

Se recusamos os dons que tão dispendiosamente custaram


a Deus o sangue que o Seu Filho derramou na cruz, estamos
a magoar o coração do Pai. Estamos também a entristecer o
coração do Salvador.

267
Verdade #6: Os Dons Não Acabaram, Ainda Estão
Disponíveis Hoje

Anteriormente falámos sobre como algumas pessoas


pensam que os dons acabaram com a igreja primitiva. Não
encontrei qualquer sugestão nas Escrituras que diga que os
dons deveriam terminar com a era apostólica. Primeiro,
quando terminou a era apostólica? Se a era apostólica durar
enquanto houver apóstolos, então, tanto quanto eu percebo
das Escrituras, esta era vai durar até ao regresso de Jesus.
Segundo, Paulo escreveu:

Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de


Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Pois em tudo fostes
enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o
conhecimento, assim como o testemunho de Cristo foi
confirmado entre vós; de modo que nenhum dom vos falta,
aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”(1
Coríntios 1:4-7)

Por quanto tempo devem continuar os dons na igreja? Até


que o Senhor Jesus volte. Na igreja que está à espera do
Senhor Jesus, não deve faltar nenhum dos dons.

Repare no que Paulo disse que os dons fazem: “Pois em


tudo fostes enriquecidos nele”. Uma igreja sem dons é uma
igreja empobrecida. Paulo referiu-se aos dons vocais
quando escreveu: “fostes enriquecidos nele, em toda a
palavra”. Ele referiu-se aos dons de revelação quando
escreveu: “fostes enriquecidos nele … em todo o
conhecimento”.

“Assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre

268
vós”. Quando os dons estão em operação – quando os
coxos andam, os cegos vêem, e os dons de revelação são
exercitados, as pessoas sabem que Jesus está lá; elas sabem
que Ele não é uma teoria ou uma figura remota do passado,
mas Ele ainda está vivo e no meio da Sua igreja. O
testemunho de Cristo é confirmado.

Aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, o


qual vos confirmará também até ao fim, para serdes
irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.(1
Coríntios 1:7-8)

Os versículos anteriores enfatizam o facto de que estes


dons são para continuar na igreja até à vinda do nosso
Senhor Jesus Cristo, no final dos tempos. Na verdade, em
vez de sugerir que os dons serão retirados, o Novo
Testamento indica que as suas manifestações aumentarão
com a aproximação do fim desta era.

Nos últimos dias, diz Deus, do meu Espírito derramarei


sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos
velhos sonharão sonhos. E também do meu Espírito
derramarei sobre os meus servos e as minhas servas
naqueles dias, e profetizarão. Farei aparecer prodígios em
cima no céu, e sinais em baixo na terra, sangue, fogo e
vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em
sangue antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor.
(Actos 2:17-20)

Esta passagem fala do dia do regresso do Senhor Jesus


Cristo em glória e em poder. É claro que os dons
sobrenaturais aqui mencionados – profecia, línguas,

269
revelação, todo o grande cenário da operação sobrenatural
do Espírito Santo – são para continuar e aumentar a sua
manifestação na igreja, com a aproximação do fim dos
tempos. Se já estavam nos últimos dias quando Pedro se
levantou e falou no dia de Pentecostes, quanto mais
próximos estamos nós hoje, quase dois mil anos depois? Se
os dons são para ser manifestados na igreja nos últimos
dias, e nós acreditamos estar mesmo no fim desta era, então
devemos procurar zelosamente que mais e mais dons se
manifestem. É precisamente isto que está a acontecer. Os
dons estão a ser restaurados numa medida cada vez maior,
quase diariamente, nos dias em que vivemos.

Há uma outra razão para o aumento da operação dos dons


espirituais na igreja. O poder de Satanás vai aumentar.
Quanto mais próximo chegamos do final dos tempos, mais
luta Satanás vai dar, e mais vai procurar usar e manifestar o
seu poder sobrenatural através daqueles que são os canais e
instrumentos do que ele pretende fazer. Paulo escreveu em
1 Timóteo 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que nos
últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a
espíritos enganadores, e a doutrinas de demónios”.
Repare que no final dos tempos vai haver um aumento da
actividade de espíritos religiosos e demónios, trazendo
falsas doutrinas dentro da igreja. Quão injusto seria se
Deus permitisse que Satanás aumentasse o poder que ele
manifesta através dos seus servos e diminuísse o poder que
Ele oferece ao Seu povo!

Então, na segunda carta a Timóteo, Paulo escreveu:

Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos


difíceis; pois os homens serão amantes de si mesmos,

270
gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos,
desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem
afeição natural, irreconciliáveis, caluniadores, sem
domínio de si, cruéis, sem amor para com os bons,
traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos prazeres
do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas
negando-lhe o poder. Afasta-te destes também.(2 Timóteo
3:1-5)

Vamos assistir a um grande declínio moral à nossa volta no


final desta era. Algumas das pessoas que vão experimentar
este declínio moral são pessoas religiosas que têm uma
aparência de piedade, mas negam-lhe o poder. O poder da
verdadeira piedade é o poder do Espírito Santo. Somos,
assim, avisados contra a negação da presença e poder do
Espírito Santo na igreja, no final destes tempos.

Em 2 Timóteo 3:13, fazendo referência ao final dos


tempos, é-nos dito: “Mas os homens maus e enganadores
irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.” No
Grego, a palavra traduzida por “enganadores” refere-se a
mágicos ou aqueles que, deliberadamente, cultivam
poderes satânicos. Quanto mais devem, então, os Cristãos
ser revestidos de mais e maior poder pelo Espírito Santo?

Verdade #7: O Baptismo e os Dons São Essenciais para


o Ministério

Jesus não permitiu que os Seus apóstolos fossem e


começassem a ministrar, a pregar ou prestar-Lhe qualquer
tipo de serviço, sem a Sua presença na terra, até que
tivessem sido sobrenaturalmente revestidos com o poder
do Espírito Santo. Temos visto que, perto do fim do Seu

271
ministério terrestre, Ele disse aos Seus seguidores: “Envio
sobre vós a promessa de meu Pai; mas ficai na cidade, até
que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:49). Eles
deviam esperar na cidade de Jerusalém até que a promessa
do Espírito Santo descesse sobre eles.

Lembre-se que, em Actos 1:8, Jesus deixou o mesmo aviso


nas Suas últimas palavras antes de ser elevado aos céus:
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito
Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém
como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da
terra.” Ele visionou a contínua expansão do evangelho até
os confins da terra, através do poder sobrenatural do
Espírito Santo.

Verdade #8: O Evangelho É para Ser Pregado com


“Sinais que o Seguem”

Deus ordenou que o evangelho deveria ser pregado com


sinais que o seguiriam. Lemos no livro de Marcos:

E disse-lhes [Jesus]: Ide por todo o mundo, e pregai o


evangelho a toda criatura. … E estes sinais hão de seguir
os que crerem: Em meu nome expulsarão demónios;
falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e quando
beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum;
imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão.”(Marcos
16:15, 17-20)

Este é o padrão de Deus. Devemos pregar o evangelho e


Ele confirmará a Palavra com sinais que se seguirão.

Marcos registou cinco sinais sobrenaturais que seguirão a

272
pregação do evangelho pelos crentes e para os crentes. Esta
pregação seguida de sinais deve continuar até que todas as
criaturas tenham ouvido e o evangelho tenha sido pregado
em todo o mundo. Uma vez que isto ainda não aconteceu, o
motivo para a manifestação dos sinais ainda não terminou.

Lembre-se como o evangelho e os sinais que o


acompanham foram demonstrados na igreja primitiva. No
ministério de Filipe na Samaria, os sinais sobrenaturais que
acompanharam a sua pregação eram a confirmação da sua
mensagem.

Descendo Filipe à cidade de Samaria, pregava-lhes a


Cristo. As multidões unanimemente prestavam atenção ao
que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele
fazia. Os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham,
clamando em alta voz, e muitos paralíticos e coxos eram
curados. (Actos 8:5-7)

Em Actos 28, quando Paulo e os seus companheiros


naufragaram na ilha de Malta, dois sinais sobrenaturais
prenderam a atenção dos pagãos naquela área e tornou-os
abertos, acessíveis à pregação do evangelho: a imunidade
de Paulo à mordidela fatal da serpente e a cura do pai de
Públio de febre e disenteria, o que também levou à cura de
outros na ilha. Não foi pela muita experiência adquirida no
seminário, mas pela demonstração sobrenatural do poder
de Deus que preparou as pessoas para ouvirem a
mensagem de Paulo. O mesmo acontece hoje em dia. Em
Romanos 15:18-19, Paulo disse:

Não ousaria dizer coisa alguma que Cristo por mim não
tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por

273
obras, pelo poder dos sinais e prodígios, no poder do
Espírito Santo. De modo que desde Jerusalém e arredores,
até o Ilírico, tenho pregado o evangelho de Cristo.

O que significa pregar o evangelho de Cristo? Significa


termos uma confirmação sobrenatural, pelo poder do
Espírito Santo, com sinais e maravilhas.

Pregar o evangelho de Cristo significa


termos uma confirmação sobrenatural.

Qual é o resultado desta confirmação sobrenatural? Ela


torna os gentios obedientes. Digo isto, novamente, a partir
da minha extensa experiência missionária. Sem a
demonstração de sinais sobrenaturais e maravilhas, apenas
obtemos um certo nível de obediência – uma aparente
concordância com cerimónias, formalidades e requisitos
religiosos, tais como o baptismo e ser-se membro da igreja.

Contudo, com o poder sobrenatural de Deus, que


demonstra às pessoas que elas estão a lidar com um Deus
real e vivo, vem a verdadeira submissão de corações. Isto é
o que muda as pessoas e as torna em verdadeiros
discípulos.

O poder sobrenatural de Deus, demonstra às


pessoas que estão a lidar com um Deus real e vivo

O escritor de Hebreus deu três razões porque devemos


prestar atenção com grande reverência à mensagem do
evangelho:

Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande

274
salvação? A qual, começando a ser anunciada pelo
Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.
Também Deus testificou com eles, por meio de sinais,
prodígios e vários milagres e dons do Espírito Santo,
distribuídos segundo a sua vontade.(Hebreus 2:3-4)

O evangelho ordena à raça humana uma atenção redobrada


pelas seguintes razões: primeiro, ele começou a ser
declarado pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Segundo, ele
foi registado e passado a outros por aqueles que O ouviram
pessoalmente, que foram testemunhas oculares. Terceiro,
Deus dá testemunho da Sua Palavra com sinais
sobrenaturais e dons do Espírito Santo.

Nós temos a obrigação de apresentar um evangelho que é


sobrenaturalmente comprovado por Deus, se exigirmos
completa obediência para com Deus, àqueles a quem
pregamos.

Instruções Práticas para o Exercício de Dons


Espirituais
Agora gostaria de lhe dar algumas direcções práticas para
avançar no reino dos dons espirituais.

Os Dons São para Funcionar no Seio de um Corpo de


Crentes

Primeiro, os dons do Espírito são destinados a funcionar no


seio de uma assembleia de crentes com mentes
semelhantes. Lemos em Mateus 5:15: “Nem se acende
uma lâmpada e se coloca debaixo de uma vasilha, mas no
candelabro, e ilumina a todos os que estão na casa.” Em

275
Apocalipse 1:20, os sete candeeiros são designados como
sete igrejas. Em tempos bíblicos, as lâmpadas eram
enchidas com óleo e acendidas. Se uma lâmpada acesa
fosse fazer algum bem real, ela deveria ser colocada num
candelabro. Se a colocássemos dentro uma vasilha
qualquer, mesmo apesar de estar acesa, ela não daria
qualquer luz ao resto da casa.

Provérbios 20:27 diz: “O espírito do homem é a lâmpada


do Senhor; ela esquadrinha todo o mais íntimo do ser.”O
baptismo no Espírito Santo acende o espírito de uma
pessoa e fá-lo arder. No entanto, isto não é o suficiente.
Essa lâmpada acesa tem de ser então colocada no seu
devido lugar no candelabro, que representa a igreja, a
congregação, o corpo de Cristo funcionando em conjunto.

Haverá um limite muito bem definido à forma como


verdadeiramente operaremos dons espirituais, se não
estivermos correctamente unidos a um grupo de crentes
que acredita e exercita os dons. Ficará frustrado e,
eventualmente, poderá até ficar sufocado e transformar-se
numa vasilha fumegante que outrora conteve chamas. Tem
de comungar com outros crentes que defendem as mesmas
verdades e têm recebido as mesmas experiências. Então, a
luz combinada daquelas lâmpadas individuais no
candelabro, dará verdadeiramente luz para todos os que
estão na casa.

Por conseguinte, um requisito essencial para se funcionar


correctamente nos dons do Espírito é estar-se em
comunhão com outros crentes que estão, de forma
semelhante, a exercitar estes dons.

276
Encontre a Sua Função no Corpo

A segunda instrução prática é muito importante, como nos


diz Paulo:

Assim como em um só corpo temos muitos membros, mas


nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, que
somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas
individualmente somos membros uns dos outros. Temos
diferentes dons, segundo a graça que nos é dada. Se é
profecia, seja ela segundo a medida da fé. Se é ministério,
seja em ministrar; se é ensinar haja dedicação ao ensino;
ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte,
faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o
que exerce misericórdia, com alegria.(Romanos 12:4-8)

Paulo referiu vários dons em que podemos operar. No


entanto, ele disse que nem todos os crentes têm a mesma
função. De forma a exercitar em pleno os dons que lhe
foram dados, deverá primeiro encontrar qual é a sua função
no corpo de Cristo. Deus tem um lugar específico para si no
corpo, uma função para cumprir. Se Ele lhe ordenou para
ser uma mão, não serve de nada tentar operar como um pé,
porque ficará constantemente frustrado e nunca será
realmente eficaz.

Podemos encontrar a nossa função no corpo através da


oração, pedindo revelação e sabedoria, avaliando as áreas
em que somos mais fortes espiritualmente e as áreas em
que desejamos servir, e pedindo a outros crentes que nos
digam como eles nos vêem já a funcionar no corpo e onde
estamos a contribuir.

277
Também devemos reconhecer que a nossa função no corpo
de Cristo está relacionada com a fé que Deus nos deu.

As Escrituras dizem que Deus já nos deu uma medida de fé.


(Veja Romanos 12:3). Se Deus tem intenção que seja uma
mão, Ele dar-lhe-á a fé necessária para que opere como
uma mão. Ele não lhe dará a fé necessária para operar como
um pé. As pessoas que estão sempre a esforçar-se para ter
mais fé, estão na verdade a comunicar aos outros que não
estão no lugar certo do corpo. No meu corpo físico, a minha
mão não tem qualquer problema a operar como uma mão.
Ela fá-lo sem muito aborrecimento ou inquietação; não é
um esforço consciente. No entanto, se eu tentasse fazer
com que a minha mão se comportasse como um pé, seria
um esforço constante. Haveria frustração e tensão porque a
minha mão não foi planeada para tal. Repito, o lugar onde
os Cristãos estão em tensão e embaraço e continuamente a
esforçar-se por ter fé, não é o lugar do corpo onde deveriam
estar. Eles não estão a cumprir as suas funções divinamente
ordenadas.

Portanto, se encontrar a sua função correcta no corpo, vai


descobrir que Deus lhe deu a proporção da medida de fé
necessária para cumprir essa função em particular. Quando
encontrar o seu lugar, encontrará também a fé
correspondente.

Quando encontrar a sua função correcta no corpo


encontrará também a fé correspondente.

O nosso dom ou dons são de um modo geral


progressivamente manifestados nas nossas vidas à medida
que procuramos obedecer a Deus, através da fé, cumprindo

278
a nossa função no corpo de Cristo. Estes dons
correspondem à nossa função e são necessários para nos
tornar eficientes nela.

Por exemplo, se um homem é chamado para ser um


evangelista, ele poderá receber o dom de curas ou o dom da
operação de milagres. Se um homem é chamado para ser
um profeta, ele poderá receber os dons de uma palavra de
sabedoria, uma palavra de conhecimento e discernimento
de espíritos. Se não descobrir a sua função correcta, os dons
certos poderão nunca operar na sua vida. Contudo, se
descobrir a sua função, através da sua fé desenvolver-se-á a
operação dos dons que necessita para funcionar
eficazmente.

Os Dons são Distribuídos de Acordo com a Vontade de


Deus

Também nos devemos lembrar que a distribuição dos dons


é feita de acordo com a vontade de Deus. 1 Coríntios 12:11
diz: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas
coisas, distribuindo particularmente a cada um como
quer” e Hebreus 2:4 diz: “Também Deus testificou com
eles, por meio de sinais, prodígios e vários milagres e dons
do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade.”
Não podemos colocar a nossa vontade contra a vontade de
Deus e dizer: “Eu terei este ou aquele dom.” “Porque todos
os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de
Deus” (Romanos 8:14). Se quisermos viver como filhos de
Deus, temos de cultivar a sensibilidade à orientação do
Espírito. Este é um requisito básico de toda a vida Cristã.
Ele aplica-se à operação de dons espirituais tanto como a
qualquer outra coisa.

279
Viver como filhos de Deus requer o
cultivar da sensibilidade ao Espírito.

O Espírito Santo revelará o dom ou dons específicos que


nos tem dado e poderá também direccionar-nos para
exercermos outros dons em momentos de particular
necessidade. Mesmo apesar de já nos terem sido dados
dons de acordo com a vontade de Deus, podemos orar para
que estes dons sejam revelados na nossa vida e para que
possamos receber e manifestar todos os dons que o Espírito
deseja dar-nos.

Enquanto algumas pessoas esforçam-se por ter dons que


não são seus, outras são mais condescendentes e têm uma
atitude de “Se Deus quiser, Ele vai-me dar um dom.” Se foi
salvo há pouco tempo, Deus vai ouvir. Mas se foi salvo há
já alguns anos e esta é a sua atitude, ela é frequentemente o
resultado da preguiça porque, passado este tempo, deveria
conhecer muito da vontade de Deus, pois ela está revelada
na Sua Palavra. Por exemplo, temos visto que existem
certos dons que são revelados na Palavra de Deus como
sendo a Sua vontade para todos os crentes. Estes são o dom
de línguas para comunhão privada com Deus e a profecia.
Paulo escreveu: “Eu gostaria que todos vós falásseis em
línguas, mas muito mais que profetizásseis” (1 Coríntios
14:5).

Poderá dizer que esta é apenas a opinião de Paulo. No


entanto, pouco tempo depois, ele escreveu: “Se alguém
cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas
que vos escrevo são mandamentos do Senhor.” (v. 37).
Paulo não estava a escrever a sua opinião pessoal; ele

280
estava a escrever por revelação divina com autoridade
divina. Isto faz com que o falar em línguas e o profetizar
seja a vontade revelada de Deus para todos os crentes.
Apenas temos de orar por estes dons e começar a exercitá-
los.

Novamente, quantos crentes podem profetizar? Todos.


Quantos podem falar em línguas? Todos. Aqueles que não
tiverem certeza de ser a vontade de Deus que recebam um
dom espiritual, podem ficar assegurados que o falar em
línguas e o profetizar estão dentro da vontade de Deus para
todos os crentes – revelado na suprema autoridade, que é a
Palavra de Deus.

Se Pedir, Receberá

Quando oramos por um dom espiritual, tal como a profecia


(a interpretação de línguas ou qualquer outro dom que o
Espírito nos impele a exercitar) devemo-lo receber em fé,
sabendo que Deus dará o que pedirmos. Ele dá-nos o que é
bom, por isso não devemos ter medo de pedir.

Falando acerca do baptismo no Espírito Santo, Jesus disse:

Por isso vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis;


batei, e abrir-se-vos-á. Pois qualquer que pede recebe;
quem busca acha; e a quem bata abrir-se-lhe-á. Qual o pai
dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma
pedra? Ou se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma
serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos
vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito
Santo àqueles que pedirem?(Lucas 11:9-13)

281
Como já vimos, na passagem paralela de Mateus 7, Jesus
disse: “…quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará
boas coisas aos que lhe pedirem?” (v. 11).

Apesar destas passagens se referirem ao baptismo no


Espírito Santo, o princípio que elas enfatizam aplica-se a
qualquer coisa que peçamos a Deus, incluindo dons
individuais do Espírito. Não temos que nos preocupar com
o que iremos receber se pedirmos os dons ao nosso pai
celestial. Jesus disse que se pedirmos algo bom a Deus, Ele
nos dará algo mau? Nunca! Se pedirmos pão, o que nos
dará Ele? Pão. Se pedirmos um ovo, o que nos dará Ele?
Um ovo. Se pedirmos um peixe, o que nos dará Ele? Um
peixe. Se pedirmos profecia, o que nos dará Ele? Profecia.

Esta é a garantia escrita na Palavra de Deus, que se


pedirmos algo bom de acordo com a Palavra de Deus,
receberemos exactamente o que pedimos.

Acima de tudo, lembre-se que se pedir o que é bom, jamais


receberá o que é mau.

Se pedir o que é bom, jamais receberá o que é mau.

Se for a uma loja e comprar uma máquina de lavar que


tenha uma garantia escrita, pode ter a certeza absoluta que a
qualquer altura pode reclamar o cumprimento da garantia.
Cada um de nós tem essa medida de fé nas garantias
escritas. Se muitos crentes tivessem metade dessa fé em
Deus, eles estariam movimentando-se no reino dos dons
agora mesmo. Isto significa confiar na Palavra Deus, na
Sua garantia.

282
Recebe no Momento em que Pede

Pode questionar quando irá receber o que pediu. A resposta


é recebe quando pedir. “Por isso vos digo que tudo o que
pedirdes em oração, crede que recebestes, e será vosso.”
(Marcos 11:24). Quando recebemos? Quando oramos.
“Esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos
alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se
sabemos que nos ouve em tudo o que lhe pedirmos,
sabemos que já alcançamos os pedidos que lhe fizemos.”
(1 João 5:14-15).

O diabo tem sempre um amanhã. Mas a Bíblia diz que


agora é o tempo de Deus. “Pois ele diz: Ouvi-te em tempo
aceitável, e socorri-te no dia da salvação. Digo-te, agora é
o tempo aceitável, agora é o dia da salvação.” (2 Coríntios
6:2). Se ouvirmos o amanhã do diabo, nunca entraremos no
agora de Deus.

Se ouvirmos o amanhã do diabo,


nunca entraremos no agora de Deus.

Suponha que pede interpretação de línguas e recebe-a. O


que faz? Fará a interpretação. Mas claro, como já vimos
antes, fá-lo-á dentro dos parâmetros de uma assembleia
ordeira de crentes.

Poderá dizer: “Eu nunca o fiz antes. E se eu não disser a


coisa certa?” Pergunte-se: “Eu pedi a coisa certa ou a coisa
errada?” Se a resposta é a coisa certa, questione-se:
“Acreditei que a tinha recebido?” Se acreditou que a tinha
recebido, então, se o disser em fé, a coisa certa sairá. Como
sabe? Porque Deus o prometeu. Não é algo que venha por

283
causa do que sente ou por causa do que alguém diz, mas
porque a Palavra de Deus declara que se pedir pelo que é
certo, recebê-lo-á. Tudo o que tem que fazer depois disso, é
executá-lo.

O mesmo se passa com a profecia e com tudo o que saiba


que está dentro da vontade revelada de Deus, de acordo
com a Sua Palavra. Quando o pedir, recebe-o. Quando o
recebe, usa-o. Se não o usar, não o terá. Esta é a ordem da
fé.

Os Sinais Seguem Aqueles que Vão

A próxima instrução prática é que os sinais seguem aqueles


que “vão”. Isto está relacionado com o mover-se na fé de
forma a receber e exercitar os dons. Não devemos apenas
compreender os dons na teoria. Devemos fazer a nossa
parte, sendo obedientes ao servirmos Deus e partilharmos
activamente a nossa fé, porque esta é a forma como
frequentemente veremos os dons a manifestarem-se nas
nossas vidas. Jesus disse aos Seus discípulos: “Ide por
todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.”
(Marcos 16:15, ênfase adicionada). Depois de Jesus ter
ascendido aos céus, os discípulos “partiram, e pregaram
por toda a parte, cooperando com eles o Senhor, e
confirmando a sua palavra por meio dos sinais, que a
acompanhavam.” (v. 20, ênfase adicionada).

Os crentes não estão destinados somente a estarem


sentados na igreja; eles devem sair e ministrar. Se
estacionar o seu carro no parque de estacionamento da
igreja e ficar lá sentado o resto da vida, como pode alguém
o seguir? Só podemos seguir algo que está em movimento.

284
Muitas vezes as pessoas querem saber o que devem fazer
para manifestar os dons espirituais. Contudo, tudo o que
querem fazer é ficar na igreja e cantar hinos. Para isto não
são necessários quaisquer dons. Durante séculos as
pessoas têm ficado sentadas nas igrejas sem exercitarem
quaisquer dons. Muitos dos dons do Espírito Santo não
operam numa típica celebração institucional – mesmo se as
pessoas forem baptizadas no Espírito Santo. Elas nunca
vêm dons de curas, nunca ouvem uma palavra de sabedoria
ou uma palavra de conhecimento. Eu já estive em igrejas
onde pessoas foram baptizadas no Espírito Santo há mais
de vinte e trinta anos, mas nunca viram a operação de
nenhum dos dons, além de línguas, interpretação e
profecia.

Contudo, em outros ambientes, os dons podem prosperar.


Tenho visto jovens viajarem para zonas remotas do mundo,
por exemplo, com a Youth With a Mission (Juventude com
uma Missão), e começarem a evangelizar. Seguem-se
milagres extraordinários. Será que eles foram a uma escola
bíblica para aprender a fazer milagres? Não. Eles
obedeceram ao ir e ministrar aos outros, e antes que se
apercebessem do que estava a acontecer, os sinais
começaram a manifestar-se através das suas vidas, indo de
encontro às necessidades à sua volta. Os sinais seguem
aqueles que vão. Se quiser que os sinais o sigam, prepare-se
para “ir” e ministrar aos outros.

Temos de Aprender a Operar os Dons

Talvez esteja com medo de cometer alguns erros no


exercício dos dons. Não é o primeiro. Quase toda a gente
começa como um principiante no exercício de dons

285
espirituais. Se quiser começar na perfeição, sabe o que
acontecerá? Acabará por nunca começar.

Se cometer um erro, não faz mal. Deus levantá-lo-á. A


Bíblia diz que o homem justo cai sete vezes, mas Deus
levanta-o oito vezes. (Ver Provérbios 24:16). Ele não
permanece no chão mas sim levantado. Relembre as
palavras de Paulo: “Pois todos podereis profetizar, uns
depois dos outros, para que todos aprendam, e todos
sejam consolados.” (1 Coríntios 14:31, ênfase
adicionada). É possível aprender-se o exercício dos dons
espirituais. Hebreus 5:14 diz-nos que a maturidade vem
através do exercício dos nossos sentidos. Se nunca
exercitarmos, nunca amadureceremos.

Para aprender a exercitar os dons, você tem que estar num


grupo de crentes que o ama, que é paciente consigo e não o
abafa, mas o encoraja.

Devemos Verificar os Nossos Motivos

Finalmente, quando tiver chegado aqui, verifique duas


vezes os seus motivos. O motivo correcto para a operação
de dons espirituais é a edificação da igreja. “Assim também
vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar
neles para a edificação da igreja.” (1 Coríntios 14:12).

Equipado para Toda a Boa Obra


Ao concluirmos este estudo dos dons do Espírito, gostaria
de o encorajar, tal como Paulo encorajou Timóteo:

286
Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que
foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido … Toda
Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em
justiça; a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
perfeitamente preparado para toda boa obra.(2 Timóteo
3:14, 16-17)

Os dons do Espírito ajudarão a equipá-lo para toda a


boa obra, para a edificação da igreja e a salvação do
mundo.

287
Sobre Derek Prince 1915 - 2003
Derek Prince nasceu na Índia, filho de pais britânicos. Teve formação escolar
em Grego e Latim no Colégio de Eton e na universidade de Cambridge, na
Inglaterra. Com 24 anos ele foi professor na Universidade Kings, em
Cambridge, onde ensinou filosofia moderna e clássica. Na segunda guerra
mundial foi obrigado a entrar no exército Britânico e foi colocado no Norte
de África. Levou consigo a Bíblia como material de estudo filosófico, a qual
leu em alguns meses. Numa noite quando estava sozinho numa barraca foi
confrontado pela Palavra com a realidade de Jesus Cristo.

Com este encontro com Jesus Cristo ele chegou a duas conclusões:

· Primeiro: Jesus Cristo está vivo


· Segundo: a Bíblia é um livro que traz a verdade, que é sempre
atual, sendo por isso muito relevante.

Estas conclusões alteraram totalmente o curso da sua vida.

Desde esta data dedicou a sua vida a estudar e ensinar a Palavra de Deus.
Entretanto adquiriu reconhecimento internacional como um dos ensinadores
da Bíblia mais importantes desta época. O que faz o seu ministério ser único
não é a sua educação de alto nível nem a sua inteligência mas o seu ensino
directo, actual e simples. O Programa de rádio “Hoje com Derek Prince” é
transmitido diariamente em vários países (por exemplo em Chinês,
Espanhol, Russo, Mongoliano, Arábico e mais). Os estudos dele, mais de 40
livros em mais de 100 línguas, 400 cd's e 150 dvd's tiveram grande influência
nas vidas de muitos líderes cristãos sobre todo mundo.

Em Setembro de 2003 depois duma vida longa e frutífera, Derek Prince


faleceu com a idade de 88 anos. Derek Prince Ministries, continuará a
distribuir por todo o mundo o ensino dele através dos diversos meios que
dispõe, entre os quais: livros, cartas de ensino, cartões de proclamação,
áudio, vídeo, e conferências.

Existem no entanto, objectivos bem definidos no DPM:


- Fazer chegar estes meios a locais onde ainda não conhecem a Palavra de
Deus.
- Contribuir para o fortalecimento da fé dos cristãos que vivem em
comunidades cujo poder politico não permite a liberdade de expressão e
circulação da Palavra Divina.

289
DEREK PRINCE MINISTRIES

“Se não conseguires explicar um princípio duma maneira simples


e em poucas palavras, então tu próprio ainda não o percebes
suficientemente.”
Esta frase de Derek Prince caracteriza o seu ensino bíblico. Estudos
simples e claros que pretendem direccionar o leitor para os princípios de Deus,
tornando assim possível uma maior abertura para reflexão e tomada de posição
perante a sua escolha.

Os estudos de Derek Prince têm ajudado milhões de cristãos em todo mundo a


conhecerem intimamente Deus e a porem em prática os princípios da Bíblia no
dia-a-dia das suas vidas.

Derek Prince Portugal deseja cooperar nesta edificação do corpo de Cristo:


... com o fim de preparar os santos para o serviço da comunidade, para a
edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e ao
pleno conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa
da estatura de Cristo. (Efésios 4:12 e 13)

O nosso alvo é fortalecer a fé dos cristãos no Senhor Jesus Cristo, através do


ensino bíblico de Derek Prince, com material (livros, cartas de ensino, cartões de
proclamação e mais tarde cd's e dvd's) na sua própria língua!

Em mais de 100 países o DPM está activo, dando a conhecer o maravilhoso e


libertador evangelho de Jesus Cristo. Esperamos que também se sinta envolvido
e encorajado na sua fé através do material por nós (Derek Prince Pt.) fornecido.
A nossa principal actividade neste momento é traduzir e disponibilizar trabalhos
do Derek Prince em Português. Como por exemplo:

Cartas de ensino: Distribuição gratuita 4 vezes por ano de cartas de ensino


orientadoras e edificadoras sobre temas diversos da Bíblia.

Deseja saber mais sobre os materiais disponiveis e/ou receber as cartas de


ensino gratuitas? Informe-nos! Ficamos à espera do seu contacto através de:

Derek Prince Portugal: Caminho Novo lote X,


9700-360 Feteira AGH
Terçeira, Açores.
Telf.: (00351)295 663738 / 927992157
Blog: www.derekprinceportugal.blogspot.pt
E-mail: derekprinceportugal@gmail.com
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291
978-989-8501-18-9