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Coesão e coerência textuais

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO (LET 0579)


Período 2019.1

PROFª ANA VIRGÍNIA LIMA DA SILVA ROCHA


O que é COESÃO?

“A coesão é a manifestação linguística da


coerência; advém da maneira como os
conceitos e relações subjacentes são
expressos na superfície textual.
Responsável pela unidade formal do
texto, constrói-se através de mecanismos
gramaticais e lexicais”
(COSTA VAL, 1999, P.6).
O que é COESÃO?

 Propriedade pela qual se cria e se


sinaliza toda espécie de ligação, de
laço, que dá ao texto unidade de
sentido ou unidade temática.
Que funções tem a COESÃO do texto?

 Criar, estabelecer e sinalizar os


laços que deixam os vários
segmentos do texto ligados,
articulados, encadeados.
Tipos de coesão
 Referencial
 Reiteração
 Associação

 Sequencial
 Conexão
Coesão referencial

 É responsável por relacionar palavras


ou expressões dentro de um texto.

 O termo a que o elemento coesivo se


refere é chamado de referente.
Coesão sequencial
 É responsável por criar as condições
para a progressão textual, isto é,
para a articulação entre partes e
informações de um texto.

 Os elementos de coesão
sequencial contribuem para
o desenvolvimento do recorte temático.
A coesão é feita através de
relações textuais de

 Reiteração

 Associação

 Conexão
Diferença entre RELAÇÕES TEXTUAIS,
PROCEDIMENTOS e RECURSOS

 RELAÇÕES TEXTUAIS têm a ver com


os SENTIDOS do texto. São de 3 tipos:
a) reiteração,
b) associação e
c) conexão.
Reiteração
 Envolve os seguintes procedimentos:

 Repetição

 Substituição.
Relação textual de REITERAÇÃO
 Relação pela qual os elementos do texto são
retomados, criando-se um movimento
constante de volta aos segmentos prévios,
como se fosse um fio do começo ao fim do
texto.

 Cada vez que substituímos uma expressão


por um pronome ou por um sinônimo ou
cada vez que repetimos uma palavra,
estamos reiterando, estamos promovendo a
continuidade do texto, sua sequência, sua
coesão.
Repetição

 PARÁFRASE: voltar a dizer o que já foi


dito antes, com outras palavras, para
explicar melhor
Exemplos
 Para uma pessoa obter o título de doutor numa
universidade, ela tem de fazer uma grande
pesquisa na sua área de conhecimento [...] E
essa pesquisa tem de ser inédita, isto é, precisa
trazer alguma contribuição nova àquele campo
de estudos. (Marcos Bagno, 1989, p. 20)

 O ato de escrever deve ser visto como uma


atividade sociocultural. Ou, dito de outra
forma, escrevemos para alguém ler. (Faraco,
2003, p.8)
Repetição

 PARALELISMO: estruturas paralelas


com valores sintáticos idênticos

 Exemplos: não só... mas também; não


apenas... mas ainda; não tanto...
quanto
Exemplo

A Amazônia não apenas guarda um tesouro biológico


incomensurável, mas ainda possui uma enorme riqueza
cultural materializada em 52 línguas faladas atualmente
pelos grupos indígenas que habitam a região. (Revista
Família Cristã, outubro/1996).
Exemplo

Empresas privatizadas fizeram investimentos da


ordem de 60 bilhões de reais e recolheram algo
como 80 bilhões de reais em impostos.
Ganhou o governo, ganhou a sociedade.
(VEJA especial, 05/2002, p. 39)
Problemas decorrentes da quebra
de paralelismo

 Eles não se combinam, seja no lar, como também no


trabalho
 O lugar da mulher era o tanque, fogão e cuidar das
crianças
 A mulher tem liberdade de expressão e de lutar
 Não há mais espaço para a divisão de racismo,
religioso, econômico
Recursos da substituição
 PRONOMES
 Anáfora: nome primeiro, pronome depois.
Exemplo:
 João é amigo de Carla. Ele mora perto
daqui.
 Catáfora: pronome primeiro, nome
depois.
Mecanismos de Coesão
 Por referência: (pronomes pessoais: ele,
ela, nós, o, a, lhe, etc.; pronomes
possessivos: meu, teu, seu, etc.; pronomes
demonstrativos: este, esse, aquele, etc.;
advérbios de lugar (lá, ali, aqui, etc.); artigos
definidos (o, a, os, as)).

Ex: Jonas esteve, mês passado, em Paris. Lá,


ele caminhou pela Champs-Élysées.
Mecanismos de Coesão

 Elipse: Omite-se algum elemento da


frase, sem prejudicar seu
entendimento.

Ex: Jonas esteve, mês passado, em Paris.


Lá, caminhou pela Champs-Élysées.
Mecanismos de Coesão
 Lexical: Troca de substantivos com valor
semântico aproximado ou equivalente.

Ex:
 Jonas esteve, mês passado, em Paris. Na capital
da França, o rapaz caminhou pela Champs-
Élysées.
 Jonas esteve, mês passado, em Paris. Naquela
cidade, o aluno caminhou pela Champs-Élysées.
 Jonas esteve, mês passado, em Paris. Na Cidade
Luz, o potiguar caminhou pela Champs-Élysées.
Substituição
 Abreviar sentenças inteiras, utilizando
predicados como “fazer isso” em
sequências como:

Ex:
Fernando pretende comprar um novo violão
em breve, mas não deverá fazer isso ao
longo do bimestre.
Exemplo
Há três tipos de células-tronco. As mais
comuns são encontradas na medula do
ser humano em qualquer idade, mas seu
poder de reprodução e especialização é
baixo. Outro tipo são as células-tronco
existentes no cordão umbilical, mais
potentes que as medulas. Mas o tipo mais
promissor são as células-tronco dos
embriões humanos. (VEJA, 02/03/2005)
Substituição lexical
 Sinônimo, hiperônimo, expressão descritiva

 Ex: Saia de bolinhas, colete preto e cabelos presos, Madonna


estava mais para a Santa Evita que para a demoníaca material
girl quando desembarcou em Buenos Aires, no sábado 20. A
tática usada pela pop star era para aplacar um pouco os
ânimos argentinos, mas não deu muito certo: escalada pelo
diretor Alan Parker para viver no cinema o papel de Eva Péron
(1919-1952), a estrela americana vem enfrentando a ira dos
peronistas. Foi recebida com pichações e bombardeada pela
imprensa. Tentando contornar a situação, Madonna foi logo
dizendo que estava em missão de paz.
 Substituição por sinônimo (menino,
garoto; gastos, despesas; costa, litoral);
 Substituição por hiperônimo (sentido
geral, classe de seres): animal, gato;
 Substituição por expressão descritiva: o
aluno = o gaúcho recém-matriculado; a
menina = a netinha mais nova
Recursos da Substituição
 Existem evidências de que os sapos habitam a terra
desde o período jurássico. Mas, ao contrário dos
dinossauros, a mais imponente estirpe de 200
milhões de anos atrás, os anfíbios sempre foram
considerados párias do reino animal. (ÉPOCA,
24/06/2004, p. 60)
 Graças a Deus eu não experimentei a força e
eficiência do air bag, pois nunca fui vítima de um
acidente. Mas sou totalmente a favor do
equipamento. Jamais soube de casos em que
pessoas que dirigiam um carro com esse dispositivo
tiveram um ferimento mais grave. (...)
 Na compra de um automóvel, o brasileiro deve levar
em conta os diversos parâmetros de segurança, e
não somente a disponibilidade do air bag. Este
último item, sozinho, não pode ser considerado o
“salvador da pátria”. (IstoÉ, 1996)
 E quem quer que ouse levantar a mão e o
braço para destruir essas instituições
deve sofrer as consequências da sua
imprudência. (Diário de Pernambuco,
01/10/1951)
 Imagine-se que a vida de alguns tecidos do
corpo possa ser reconstruída a partir de
células-tronco. Essa hipótese tem
alimentado o interesse pela pesquisa
científica e a esperança de muitos doentes.
 Não é crime aplicar dinheiro, mas não
se deve fazer isso quando hospitais
passam uma situação tão grave. (IstoÉ,
23/03/05, p. 34).
 Teve sucesso a intervenção federal nos
hospitais particulares. Aconteceu o
mesmo nos hospitais públicos.
 Refúgios destinados à venda de refrigerantes,
bombons e outras bugigangas. (Diário de
Pernambuco, 01/10/1953)
 É mesmo difícil imaginar qualquer ação humana que
não seja precedida por algum tipo de investigação. A
simples consulta ao relógio para ver que horas são,
ou a espiada para fora da janela para observar o
tempo que está fazendo, ou a batidinha na porta do
banheiro para saber se tem gente dentro... Todos
esses gestos são rudimentos de pesquisa. (Marcos
Bagno, 1998, p.18)
Caracterização situacional
 Retoma referente textual por meio de uma expressão que
funciona como uma descrição desse referente. Exemplos:

Futebol O nobre esporte


bretão
A Igreja Católica O Vaticano
O Governo O Palácio do Planalto
Federal
Marte O planeta vermelho
 É com indignação que vejo o sucesso
dos Mamonas Assassinas. Tal fato
demonstra o baixíssimo nível cultural do
povo brasileiro que, além de engolir
sem digerir a futilidade de sertanejos,
pagodes, raps e outras idiotices,
incorpora a seu cardápio terceiro-
mundista a mediocridade desses
estelionatários da arte. (VEJA, 1995)
 São 15 laudas escritas em espaço dois. Em
rápidas pinceladas, o documento apresenta o
esboço do projeto, elaborada pela Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), cujo
conteúdo foi antecipado por Istoé há duas semanas.
O trabalho será entregue aos senadores da
supercomissão que investiga o Sivam. (Veja, 1995)
 Numa sociedade onde ninguém quer engordar, o
crescimento dos supermercados é um tanto
contraditório. A febre de emagrecimento deveria
beneficiar o desenvolvimento de pequenas quitandas
e não desses monstruosos templos de consumo.
(Carlos Eduardo Novaes, 1974, p. 123).
 ELIPSE: estratégia de se omitir um termo ou uma sequência maior
(uma frase inteira, por exemplo) já mencionados e possíveis de serem
recuperados pelo contexto.

 O dinheiro é curto e a recuperação dos valores, heterogênea.


 Quem poupa Ø tem Ø.
 Quem procura Ø acha Ø.
 Quem dá aos pobres Ø empresta a Deus Ø.
 Quem sabe Ø faz Ø.
 A paisagem tira o fôlego. A hospitalidade devolve Ø.
 Um banco tem que ser completo para ajudar sua vida a também ser Ø.
 Metrô: saiba como Ø e use Ø bem.
Associação
 Envolve o procedimento de seleção lexical,
por:
 Antonímia (antônimos): urbano, rural
 Co-hiponímia:
sardinha, salmão, carapau, pescada, bacalhau;
animal, vegetal, mineral
 Partonímia: carro/ volante, banco, motor (relações
parte/todo)
Relação textual de ASSOCIAÇÃO

 ASSOCIAÇÃO: ligação de sentido


entre as diversas palavras presentes.

 Proximidade de sentido (aproximação


semântica) entre: células-tronco,
medula, cordão umbilical, embrião, ser
humano.
 Assunto, tema, tópico = escolha do
vocabulário
 Escolha das palavras em um texto
é de ordem sociocognitiva, isto é,
depende dos sentidos pretendidos
e dos objetivos da interação
Exemplo
ACABOU A FESTA – O governo esperou o carnaval passar para botar seu
bloco na rua. Na semana passada, enquanto a comissão de frente fechava
os últimos detalhes do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI),
em Washington, a turma da bateria acertou o ritmo do ajuste fiscal. No
novo samba, quem dançou primeiro foi a ala dos servidores públicos, com
514 mil integrantes.

Foram suspensas até o final do ano promoções, reajustes e contratações,


o que promete gerar uma economia de pelo menos R$ 1,5 bilhão. No
breque também foi extinto o adicional por tempo de serviço pago ao
funcionalismo. “Vamos voltar a fazer cortes nas despesas com pessoal”,
avisa o secretário executivo do Ministro do Orçamento, Martus Tavares,
um dos puxadores da escola. Vários componentes podem sair da avenida
e voltar para casa mais cedo com um novo Programa de Demissão
Voluntária (PDV), que pretende reduzir a folha de R$ 52 bilhões anuais.
Nos ministérios, o orçamento para custeio e investimentos foi diminuído
em 20%. Do lado das receitas, houve aumento de 11,5% no preço dos
derivados do petróleo, o que vai encarecer a gasolina, o óleo diesel e o
gás de cozinha. A carga tributária também foi elevada em R$ 1,2 bilhão e
atingirá especialmente os exportadores, que perderam as isenções e as
aplicações financeiras, que vão pagar mais IOF.

O Banco Central contribuiu para o desfile de medidas no quesito alegorias


e adereços. Aumentou o compulsório dos bancos – dinheiro que fica no BC
– sobre os depósitos a prazo. Tirou da apoteose a tal “banda diagonal com
movimento endógeno”, do breve Francisco Lopes e colocou no lugar a
“taxa Selic com viés de baixa ou de alta”, de Armínio Fraga, com destaque
enfim entronado no BC.
O objetivo, definido no acordo com o FMI, é segurar o repique da inflação
– por isso os juros subiram de 39% ao ano para 45% na sexta-feira 5. Os
investidores, no entanto, estão fugindo dos títulos do governo. Em
fevereiro, R% 3,7 bilhões foram depositados em Certificados de Depósitos
Bancários (CDBs), contra apenas alguns milhões no Fundo de
Investimento Financeiro (AFIFs).

O risco da primeira aplicação é o banco quebrar. Da última, o governo não


pagar o que deve. Os brasileiros parecem confiar mais nos bancos que no
Planalto. Apesar disso, Armínio Fraga garante: “Calote é uma palavra que
está fora do nosso dicionário”, mostrando que é fiel ao samba-enredo da
crise. (Wladim Gramacho, ISTOÉ, 10/03/99, p. 84)
O texto está construído em cima de dois
eixos:
1) Um eixo temático: a economia
nacional
2) Eixo metafórico auxiliar: o carnaval

Analogia entre carnaval e intervenção do


governo
 Palavras e expressões do eixo
relativo a carnaval:
 bloco, comissão de frente, turma da
bateria, ritmo, dançou, breque,
puxadores da escola, ala, apoteose,
repique, quesito alegoria e adereços,
desfile, samba-enredo
 Palavras e expressões do eixo relativo à
economia e ao governo:
 Banco, crise, inflação, depósitos a prazo,
Fundo Monetário Internacional, ajuste fiscal,
carga tributária, orçamento, custeio,
investimentos, juros, dinheiro, compulsório,
aplicações financeiras, servidores públicos,
promoções, reajustes, contratações, Planalto
 No texto:
 Repique é da inflação
 Samba-enredo é o da crise
 Destaque foi entronado no Banco Central
 Título: Acabou a festa
 Interpretação literal: acabou o carnaval

 Interpretação metafórica: o governo acabou com

as facilidades econômicas
Associação semântica
 Unidades lexicais de um texto podem
estar associadas devido a:
 Relações de antonímia: máximo,
mínimo; maioria, minoria; perene,
temporário; importação, exportação;
urbano, rural; vertical, horizontal;
verso, prosa; receita, despesa; crédito,
débito
Associação semântica
 Relações de co-hiponímia:
animal, vegetal, mineral; flora,
fauna; casado, solteiro, viúvo,
desquitado, divorciado; pessoa
física, pessoa jurídica; Terra, Marte,
Júpiter; montanhas, planícies,
planalto; inverno, primavera, verão,
outono
Associação semântica
 Relações de partonímia: rio, margem, nascente,
foz, curso; lavoura, fertilizante, inseticida, cultivo,
colheita; clima, chuva, temperatura; eleição,
campanha, votação, apuração; balanço, conta,
relatório; credor, dívida; pagamento, prazo, conta,
dinheiro; polícia, crime, inquérito; trânsito, veículo,
semáforo; promessa, compromisso; chuva, gota,
água; neve, floco; vidraça, estilhaço
Associação semântica
 Nomes de seres ou objetos que dividem o
mesmo espaço físico: boi, arado, campo;
biblioteca, estante, livro; médico, enfermeiro,
paciente
 Nomes de eventos: inauguração, concerto, defesa
de tese, lançamento de livro, leilão
 Nomes de atividades profissionais: magistério,
medicina, advocacia, comércio
Associação semântica
 Nomes de unidade de medida ou posição:
metro, quilômetro, quilo; latitude, longitude; direita,
esquerda
 Nomes de uma sequência: de tempo (ano,
semestre, mês, dia, semana); de etapas (nascimento,
crescimento, morte); de escalas (federal, estadual,
municipal; especialista, mestre, doutor); de clima
(quente, úmido, seco, temperado)
Associação semântica
 De ciclos (infância, adolescência, idade
adulta, velhice; ensino fundamental, ensino
médio, ensino superior)
 Nomes de grupos e constituintes:
sindicato, líder, membros; tribo, cacique,
índio; orquestra, maestro, músicos, partitura,
instrumentos; família, pai, mãe, filho; time,
técnico, treinador, capitão, jogador; clero,
cardeal, bispo, padre; arquipélago, ilha;
câmara, deputado
Associação semântica
 Relações semânticas em
decorrência de grupo cultural e
momento histórico:
 O partido do PSDB e o tucanato
 Seleção brasileira de futebol e seleção
canarinha
 Imposto de Renda e o leão
 Débitos e contas em vermelho.
RELAÇÕES TEXTUAIS

1. REITERAÇÃO Ocorre pelas retomadas de segmentos


prévios do texto ou pelas antecipações dos
elementos seguintes

2. ASSOCIAÇÃO Ocorre pela contiguidade semântica entre


as palavras

3.CONEXÃO Ocorre pela ligação sintático-semântica


entre termos, orações, períodos e
parágrafos
Relações textuais Procedimentos Recursos

1. Reiteração Repetição; Paráfrase, paralelismo,repetição


substituição propriamente dita
Pronome
advérbio
sinônimo
hiperônimo

2. Associação Seleção lexical

3. Conexão Estabelecimento
de relações
sintático-
semânticas entre
termos, orações,
períodos e
Coesão por conexão

 Estabelecimento de relações sintático-


semânticas entre termos, orações,
períodos, parágrafos e blocos.
Coesão por conexão

 Objetivos:
 Ligar partes do texto
 Sequenciar diferentes partes do texto
 Indicar relações de sentido e orientações
argumentativas
Coesão por conexão

 Conexão: uso de conectores

 Conectores: conjunções, preposições,


locuções conjuntivas e preposicionais,
advérbios, locuções adverbiais
Coesão por conexão

 Relações semânticas sinalizadas pela


conexão
 Relações de causalidade: causa e
consequência. Exs: porque, uma vez
que, visto que, já que, dado que, como
Exemplos (causalidade)

 Como o sol não costuma dar trégua, é possível


ir à praia praticamente em todos os finais de
semana.

 Melina está super feliz, visto que ganhou uma


viagem para Londres.

 Exploraram tanto a natureza que não há


mais garantias de que os ecossitemas do
planeta sustentem as futuras gerações.
Coesão por conexão

 Relações de condicionalidade:
condição; causa hipotética. Exs: se,
caso, desde que, contanto que, a
menos que, sem que, salvo se, exceto
se
Coesão por conexão

 Acho que as escolas terão realizado sua missão


se forem capazes de desenvolver nos alunos o
prazer da leitura. (Rubem Alves, Folha de São
Paulo, 24/03/1999)
 Se não houvesse pesquisa, todas as grandes
invenções e descobertas científicas não teriam
acontecido. (Marcos Bagno, 1998, p. 19)
 Sem uma polícia limpa, o crime vencerá
sempre. (Veja, 13/04/05, p. 98)
Coesão por conexão

 Relações de temporalidade: tempo


a partir do qual são localizados os
eventos. Tempo anterior, tempo
posterior, tempo simultâneo, tempo
habitual, tempo proporcional.
 Exs: quanto, enquanto, apenas, mal,
antes que, depois que, logo que, assim
que, sempre que, até que, desde que,
todas as vezes que, cada vez que
Coesão por conexão (temporalidade)

 Muito nunca é demais quando o preço é de


menos. (Anúncio publicitário)

 Neste momento, em várias partes do mundo,


pesquisadores discutem acerca do ensino de
línguas, enquanto outros se esforçam para
explicar às novas gerações de profissionais a
importância da leitura, da escrita e da análise
linguística.
Coesão por conexão (temporalidade)

 Um projeto educativo comprometido com a


democratização social atribui à escola a função de
contribuir para garantir a todos os alunos o acesso aos
saberes linguísticos necessários para o exercício da
cidadania. Essa responsabilidade é tanto maior quanto
menor for o grau de letramento das comunidades onde
vivem os alunos. (BRASIL, 1998 - Parâmetros Curriculares
Nacionais)
Coesão por conexão

 Sequência temporal: ordem temporal


que o enunciador percebeu para os
acontecimentos. Envolve coerência
entre o texto e fatos da realidade.
 Sequência textual: ordem temporal
em que as coisas vão aparecer no
texto. Envolve coerência interna do
texto, tópicos e subtópicos.
Coesão por conexão (temporalidade)
 Exemplo de sequência temporal:

“Há algum tempo, médicos e nutricionistas


defendem a tese de que um bom e equilibrado
café da manhã ajuda a emagrecer. A constatação
baseava-se apenas na observação do
comportamento das pessoas que têm esse
hábito. Agora os especialistas começam a
estudar o que acontece no metabolismo de quem
faz do café da manhã uma rotina obrigatória, sem
ganhar quilos a mais.” (Veja, 30/03/05, p. 64)
Cap. 8 – A Coesão pela Conexão
 Exemplo de sequência textual:

“Todos os fatos relacionados à coerência textual são


extremamente interligados. Procuramos, porém, dividir o
assunto nas seguintes seções: em primeiro lugar,
mostraremos o que se tem entendido por coerência (...); em
segundo lugar, examinaremos alguns aspectos relevantes
da relação entre coerência e texto; em terceiro lugar,
focalizaremos a relação entre coerência, competência textual
e linguística (...); em quarto lugar, tentaremos mostrar de
que depende a coerência; e, finalmente, na conclusão, (...)
faremos menção a alguns aspectos fundamentais quanto à
utilização da noção de coerência no ensino de língua
materna.” (Koch & Travaglia 1993, p. 7-8)
Coesão por conexão

 Relações de finalidade: expressa o objetivo


pretendido. Exs: para que, a fim de que

 Exemplo
 Uma porta se fecha para que janelas
sejam abertas.
Coesão por conexão

 Relações de alternância: “OU” exclusivo x


“OU” inclusivo

 Exemplo

De acordo com a utilização, os meios de


informação em massa podem promover o
desenvolvimento do indivíduo, a coesão e o
progresso dos países (...) OU então tornar-se o
novo ópio das massas.
Coesão por conexão (alternância)

 “OU” exclusivo
 No Brasil de hoje, embriagado com
tantos problemas sociais, o único velho
reconhecido é o escocês de 12 anos.Os
outros, ah, os outros. OU jazem mortos,
OU aguardam a sua vez. (Josias de
Sousa, Folha de São Paulo, 1996)
Coesão por conexão (alternância)

 Exemplos de “OU” inclusivo


 A gente tem o consolo de saber que alguma
coisa que se disse por acaso ajudou alguém a
se reconciliar consigo mesmo OU com a sua
vida de cada dia. (Rubem Braga)
 Sejam palavras bonitas ou sejam palavras
feias; sejam mentira OU verdade ou sejam
verdades meias; são sempre muito importantes
as coisas que a gente fala. (Ruth Rocha)
Coesão por conexão
 Relações de conformidade: conforme, de acordo com,
segundo, como.

 Exemplos:
 O brasileiro, mesmo que lentamente, procura se
informar e tem ousado reclamar seus direitos,
conforme mostram as queixas registradas no
PROCONS.
 Segundo Marcos Bagno, a tradição escolar insiste
no estudo da língua sem texto, como um peixe
morto.
Coesão por conexão

 Relação de complementação: que, se


como.

 Exemplos:
 Depois da repercussão negativa, o presidente teve
desmentir o que já tinha dito.
 A História mostra como o sistema econômico em
vigor prejudica os mais pobres.
Coesão por conexão

 Relação de delimitação ou restrição:


pronome relativo restritivo.

 Exemplo:
 Aproveite a liberdade que o amor dá!
Coesão por conexão
 Relação de adição: e, ainda, também, não
só... mas também, além de, nem.

 Exemplos:
 Alimentar-se saudavelmente no café da manhã nos
protege contra a diabetes e a formação de pólipos
intestinais.
 As últimas pesquisas demonstram que os homens
já estão se equiparando às mulheres na
frequência aos supermercados. Revelam ainda
que eles vêm mostrando um talento incrível para
donas de casa. (Carlos Eduardo Novais, 1974).
Coesão por conexão

 Relações de oposição: mas, porém


todavia, contudo, no entanto,
entretanto, embora, se bem que, ainda
que, apesar de.

 Diferença de direção argumentativa


 Exemplo:
 João é um funcionário competente, MAS
costuma chegar atrasado.
Coesão por conexão (oposição)

 Foco no atraso de João e não na


competência dele.
 Compare com:
João costuma chegar atrasado, MAS é um
funcionário competente.
 Foco na competência dele.
 Portanto: A mas B = foco em B
Coesão por conexão (oposição)

 Compare com:
Embora seja um funcionário competente, João
costuma chegar atrasado.
 Foco no atraso, relativizando a competência.

 Veja o inverso:
Embora costume chegar atrasado, João é um
funcionário competente.
 Foco na competência. Portanto:
 Embora A, B. Foco em B relativizando A.
Coesão por conexão

 Relação de justificação ou explicação:


justifica, explica, esclarece trecho anterior.
Exs: isto é, quer dizer, ou seja, pois, em
outras palavras, dito de outra forma, isso
significa que

 Exemplo
“O erro gramatical absoluto não existe. Isto é,
todos os usos são passíveis de explicação
relativas à situação sociocomunicativa.”
Coesão por conexão

 Relação de conclusão: portanto, logo, pois,


consequentemente, então, assim, assim
sendo.

 Exemplo
 NOSSA GRANDE VANTAGEM: todos já
sabemos português! Não precisamos,
portanto, partir do zero. (Carlos Aberto
Faraco, 2003, p. 3)
Coesão por conexão
 Relações de comparação. Exemplos de
conectores: como, mas do que, menos do que, tanto
quanto.

 Exemplos
 Um time é maior do que a soma dos seus
jogadores.
 A reflexão envolve tanto a consciência quanto o
senso crítico.
 Nada melhor neste calor do que um sorvete.
Coerência
A coerência resulta da configuração que
assumem os conceitos e relações subjacentes à
superfície textual. O fator fundamental da
textualidade porque é responsável pelo sentido
do texto. Envolve não só aspectos lógicos e
semânticos mas também cognitivos, na medida
em que depende do partilhar de conhecimentos
entre os interlocutores (COSTA VAL, 1999, p.
5).
Meta-regras de textualidade
 RETOMADA OU CONTINUIDADE
 PROGRESSÃO
 NÃO-CONTRADIÇÃO
 ARTICULAÇÃO
Bibliografia consultada
ANTUNES, Irandé. Lutar com palavras: coesão e
coerência. São Paulo: Parábola, 2005.
COSTA VAL, Maria da Graça. Texto, textualidade e
textualização. In: CECCANTINI, J.L. et al. Pedagogia
Cidadã: cadernos de formação: Língua Portuguesa. v. 1.
São Paulo: UNESP, Pró-Reitoria de Graduação, 2004. p.
113-128.
KOCH, Ingedore. A coesão textual. São Paulo-SP:
Contexto, 2004.
_____; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual.
São Paulo: Contexto, 1990.
Tenham bons dias! 